1 LIÇÃO 2 TRI 23 – QUANDO A FAMÍLIA AGE POR CONTA PRÓPRIA

 

1 LIÇÃO 2 TRI 23 – QUANDO A FAMÍLIA AGE POR CONTA PRÓPRIA

 

TEXTO ÁUREO

 

 “[…] Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque; e com ele estabelecerei o meu concerto […].” (Gn 17.19)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

Quando o ser humano se precipita a respeito dos planos de Deus, as consequências dessa ação são inevitáveis.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Gn 12.4 A promessa de uma grande descendência

 

Terça – Gn 15.2 A dúvida do patriarca Abrão

 

Quarta – Gn 15.4 A promessa de um herdeiro

 

Quinta – Gn 16.2-6 A precipitação do casal

 

Sexta – 1 Rs 8.56 Deus cumpre a sua promessa

 

Sábado – 1 Tm 3.5,6 Mentores espirituais da própria casa

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Gênesis 12.1-3; 16.1-5

 

Gênesis 12

 

1 – Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.

 

2 – E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, engrandecerei o teu nome, e tu serás uma benção.

 

3 – E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.

 

Gênesis 16

 

1- Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos, e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar.

 

2 – E disse Sarai a Abrão: Eis que o Senhor me tem impedido de gerar; entra, pois, à minha serva; porventura, terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai.

 

3 – Assim, tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar, egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão, seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã.

 

4 – E ele entrou a Agar, e ela concebeu; e, vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos.

 

5 – Então, disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti. Minha serva pus eu e, teu regaço; vendo ela, agora, que concebeu, sou menosprezada aos seus olhos. O Senhor julgue entre mim e ti.

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

A família é uma instituição divina, a célula-mater da sociedade. Infelizmente temos vivido períodos tenebrosos em que a família vem sendo atacada, por vezes de forma velada e muitas outras, de forma direta. Além dos ataques externos, o cristão deve cuidar para que os conflitos internos como discórdia e desarmonia não interfiram na unidade familiar. O pastor Elienai Cabral, escritor, conferencista e consultor doutrinário e teológico da CPAD, é o comentarista deste trimestre. Ele nos ajudará, através de sua experiência pastoral, a compreender os relacionamentos familiares e a lidar com as dificuldades pelas quais as famílias cristãs têm passado.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Identificar que as promessas divinas para Abrão passavam também por sua família;

II) Reconhecer que não podemos tentar “interferir” nos planos de Deus;

III) Entender que uma decisão precipitada pode gerar conflitos desnecessários na família.

 

B) Motivação: Todos sabemos que existem consequências para as ações que praticamos. O que fazemos pode desencadear uma série de acontecimentos que talvez perdurem até muito tempo após a nossa morte. Infelizmente, quando tomamos uma decisão, a maioria de nós pensa somente nas consequências imediatas. Provavelmente seus alunos não sabem os efeitos em longo prazo da maioria das decisões que tomam. Mas, o fato de que haver consequências no humor não deveria fazê-los pensar com cuidado e buscar a direção de Deus nas escolhas de hoje?

 

C) Sugestão de Método: Para introduzir a primeira lição, reproduza na lousa, ou no do show, algumas características dos dois personagens da lição, Abraão e Sara. Você pode fazer isso por meio do auxílio da Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, páginas 31 e 33. Apresente os pontos fortes e êxitos, fraquezas e erros, lições de vida desses personagens informações essenciais

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: tata primeira lição nos convida a refletir a respeito da nossa responsabilidade diante da nossa família. Somos os responsáveis diretos por conduzi-la dentro da vontade do Senhor .

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão, Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 53, 136, você encontra um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula.

 

1) O texto “esposa substituta”, localizado depois do segundo tópico, analisa o costume daquele povo em que o patriarca tinha filhos com a serva de sua esposa, sendo o artifício usado por Sarai para “ajudar” a Deus;

2) O texto “Consequências da união de Abrão com Agar”, ao final do terceiro tópico, traz uma ampliação das consequências do que a atitude de Sarai trouxe para a família.

INTRODUÇÃO

 

Ao longo deste trimestre, estudaremos assuntos relacionados à família. Nesta oportunidade, especificamente, ponderamos que, diferentemente de outros trimestres, os assuntos referem-se aos problemas do cotidiano familiar. Veremos o que a Palavra de Deus tem a nos ensinar quanto a problemas de comunicação conjugal, ciúmes, rebeldia, porfias, mentira, mágoas e educação de filhos, dentre outros assuntos.

Nesta lição, em especial, focaremos nas atitudes precipitadas de Sarai e Abrão, ao decidirem não esperar o cumprimento da promessa de Deus e agirem por conta própria, “ajudando-o” no cumprimento da promessa. Veremos as consequências de quando deixamos de ouvir a voz de do Senhor para “ouvir” a voz de um coração enganoso.

 

 

Comentários

 

 

Neste livro trataremos alguns assuntos atinentes à família, mais especificamente sobre os problemas típicos da vida interna de cada família. São problemas de comunicação conjugal; problemas de ciúmes e porfias; problemas da prática da mentira nas relações familiares; problemas de mágoas e traições conjugais e outros mais.

Temos uma história singular na Bíblia que é a história de Abrão e Sarai. Formavam um casal que se amava profundamente, mas tiveram alguns entraves com os quais não souberam lidar com sabedoria.

A história de Abrão e Sarai, desde que saíram de Ur dos caldeus para obedecer ao chamado especial da parte de Deus, foi uma história distinta no mundo em que viviam. Ur era uma cidade importante da Suméria no mundo antigo, que desenvolvia uma religiosidade pagã muito forte. Abrão não era de etnia sumeriana, mas de etnia semítica. A cultura da região era diversa, e o pai de Abrão servia aos deuses sumérios. Entretanto, no meio daquela diversidade pagã, Deus, em sua presciência, escolheu o filho de Tera, homem pagão, para revelar-se a ele e, de modo seletivo, torná-lo o pai de uma nova nação, que representaria os interesses de Eloim-Adonai, o Deus Todo-poderoso, invisível e criador do universo.

Nessa história, todos os incidentes contribuíram para que o projeto de Deus fosse realizado na vida de Abrão e Sarai, mesmo que esse projeto levasse muitos anos para a sua efetivação. Abrão era o homem que preenchia os requisitos do plano divino. Abrão e Sarai não conseguiam ter uma ideia da dimensão enorme desse projeto, porque eles seriam o modo especial pelo qual, da semente de Abrão, haveria a multiplicação formando uma geração especial que serviria a Deus. Ambos exerceram fé, mas não podiam entender a dimensão temporal do cumprimento dessa promessa.

Sarai, a esposa amada, descobriu que era estéril e não podia ter filhos (Gn 16.1). Ora, como a promessa se realizaria? Diz o texto literalmente: “Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe gerava filhos”.

Sarai, a despeito de ser esposa fiel e temente a Deus, que concordava em tudo com Abrão, não acreditava que pudesse em algum dia engravidar e dar ao seu marido, “o filho da promessa”. Ambos já estavam avançados em idade, e ela sabia que, fisicamente, não podia mais ter filhos.

No capítulo 15 de Gênesis, Deus voltou a relembrar a Abrão a promessa de um filho, mas no capítulo 16, por causa da incredulidade de Sarai, Abrão tornou-se impaciente com a situação, pois sua mulher o importunava com a ideia de que Deus não iria cumprir a promessa por meio lógico. Sarai entendeu que deveria ajudar a Deus no cumprimento da promessa (Gn 16.1-4). Ela fez uma proposta a Abrão e o convenceu de gerar esse filho desejado por intermédio de sua serva Agar. Por esse modo, Abrão não ficaria sem um filho para torná-lo “o herdeiro da promessa”. Mesmo contrariado com a proposta de Sarai, Abrão acabou concordando com a ideia de que, certamente, Deus lhe daria esse filho por meio da serva Agar. Tristemente, Abrão e Sarai abandonaram a confiança plena em Deus e a dependência dEle em suas vidas. Agar engravidou e teve um filho, o qual foi chamado pelo nome Ismael (Gn 16.11).

Depois de algum tempo, no capítulo 18, o Senhor reitera a promessa de um filho por meio de Sara, apesar da sua incredulidade, uma vez que, ao ouvir a voz de três anjos que vieram a Abraão e lhe falaram, Sara “riu-se” (Gn 18.12,13). Os anjos que ouviram o riso incrédulo de Sara disseram a Abraão: “Haveria coisa alguma difícil ao Senhor? Ao tempo determinado, tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho” (Gn 18.14). No capítulo anterior (cap. 17), porque riu e não acreditou que seria ela mesma, que do seu ventre nasceria o filho da promessa, o Senhor mudou o seu nome de Sarai para “Sara”. Sua lógica lhe dizia que, humanamente, seria impossível, mas, na lógica de Deus, os milagres acontecem. No capítulo 21, o milagre aconteceu. Em Gênesis 17.5, Deus já tinha mudado o nome de Abrão para “Abraão”, que significaria “pai de uma multidão”. E ele já tinha 99 anos de idade.

De todo esse enredo histórico, queremos enfocar especialmente as atitudes precipitadas de Abrão e Sarai ao decidirem não esperar o cumprimento da promessa de Deus, e passarem a agir por conta própria, querendo ajudar a Deus no cumprimento da promessa de terem um filho. O fato é que ambos, Abrão e Sarai, deixaram de ouvir a Deus e passaram a ouvir a voz do seu coração enganoso.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag.9-11.

 

 

Abraão foi um dos maiores homens da História. Ele é reverenciado tanto por judeus como por muçulmanos, e ambos os grupos reivindicam uma relação de parentesco com esse patriarca. Contudo, Abraão também foi uma pessoa sujeita a erros, fracassos e às fragilidades inerentes à natureza humana. Deus ordenara a Abraão que fosse para Canaã, a fim de mostrar-lhe uma terra, que ele e seus descendentes haveriam de possuir.

Porém, Abraão permitiu que a procrastinação de seu pai o retivesse por anos. Deus lhe ordenou que fosse para Canaã, não para o Egito. Mesmo assim, pressionado pela fome que assolava a terra, Abraão rumou para o Egito, envolvendo-se em toda sorte de problemas. Abraão foi um homem extremamente honrado, mas, por causa do medo, fez um pacto com Sara para mentirem sobre ela ser sua esposa, no entanto, a estratégia falhou. Como resultado, Sara foi afastada do marido e levada para o harém do Faraó. Somente a intervenção da graça de Deus poupou Abraão de uma tragédia irremediável.

Embora fosse pacífico, todos os esforços de Abraão para manter a harmonia entre os seus servos e os pastores de seu sobrinho, fracassaram. A única solução foi a separação entre eles, tendo obtido Ló a permissão para seguir seu próprio caminho. Abraão também foi um homem que buscou manter uma família piedosa, que servisse de exemplo para outras, mas houve uma rivalidade muito grande entre as mulheres de sua casa.

Abraão: o amigo de Deus Abraão amava seu filho Ismael, por isso orou: Tomara que viva Ismael diante de teu rosto! (Gn 17.18b). Algum tempo depois, porém, o patriarca passou pela triste experiência de ter de mandar embora Ismael, juntamente com a mãe, para o deserto.

Costuma-se afirmar que apenas um tolo cometeria o mesmo erro duas vezes. Entretanto, Abraão repetiu um erro muito grave (Gn 12.11-13; 20.2) – tudo isso faz parte da sua história. Se você tem problemas familiares, a história de Abraão lhe proporcionará inspiração e encorajamento, pois ele enfrentou todo o desânimo que pode sobrevir a um homem que esteja tentando acertar e fazer o melhor. E, no final, alcançou a vitória.

GORDON LINDSAY. Abraão O amigo de Deus. Série heróis do Antigo Testamento Retratos dos personagens notáveis. Volume 3. Graça Artes Gráficas E Editora Ltda.

 

 

 

I – DEUS FAZ PROMESSAS A ABRÃO

 

 

 1. O encontro de Deus com Abrão.

 

Abrão vinha de uma jornada de conquistas e vitórias pessoais desde que saiu de Ur dos Caldeus e, depois, de Harã (Gn 11.31; 12.1-4). Entretanto, o casal Abrão e Sarai não tinha filhos. No capítulo 12 de Gênesis, o patriarca tinha 75 anos de idade quando Deus lhe prometeu uma grande descendência (Gn 12.4).

No capítulo 15, o Senhor lhe faz uma promessa específica de um herdeiro. E, finalmente, quando Isaque, o filho da promessa, nasceu, o patriarca tinha 100 anos (Gn 21.5). Assim, podemos dizer que Abraão esperou por 25 anos pelo cumprimento da promessa divina.

 

Comentários

 

 

Desde que Abrão saiu de Ur dos caldeus, experimentou algumas emoções ruins que o levaram ao estresse. Em primeiro lugar, pelo fato de ter permitido que o sobrinho Ló e sua família o acompanhassem em sua peregrinação de fé. Depois de algum tempo de guerra com alguns reis da região e tê-los vencido, Abrão vinha de uma jornada de conquistas e vitórias pessoais desde que saiu de Ur dos caldeus e, depois, Harã (Gn 11.31; 12.1-4).

O casal Abrão e Sarai não havia ainda gerado um filho. No capítulo 12 de Gênesis, o patriarca tinha 75 anos de idade quando Deus lhe prometeu uma grande descendência (Gn 12.4). No capítulo 15, Deus se encontra com Abrão e lhe faz uma promessa específica de um herdeiro de sua semente para o qual passaria o fruto de suas conquistas e riquezas. Quando finalmente Isaque, o filho da promessa nasceu, o patriarca tinha 100 anos de idade (Gn 21.5).

Ou seja, podemos dizer que Abraão esperou por vinte e cinco anos pelo cumprimento da promessa divina.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 11-12.

 

 

Sai da tua terra. A chamada missionária: ele deixaria amigos, família e terra natal. Levaria seus filhos a uma terra estrangeira, forçando-os assim a aprender outra língua e a viver em um lugar estranho. Apenas metade dos missionários permanece no campo mais do que o primeiro termo (3 a 5 anos). Não é fácil arrancar todas as raízes e começar tudo de novo. Alguns saem como aventureiros; outros ganham dinheiro para fazer isso; outros saem impelidos por intenso zelo religioso, por muitas vezes tolos e acriançados. Aqueles que vão e perseveram têm por trás de si a vontade de Deus, e é isso que dá poder de permanência ao empreendimento missionário. Abraão foi um pioneiro, ou seja, alguém que vai para o deserto e ali prepara o caminho para outros.

O pioneiro abre uma vereda; e os que o seguem abrem uma estrada. Assim sucedeu com Abraão. Colombo descobriu um novo mundo, e não tinha mapa. Atravessou o oceano em embarcações que eram cascas de nozes, e fundeou entre nativos hostis. A parte ocidental dos Estados Unidos foi conquistada com grande determinação, por uma raça de pioneiros e aventureiros. A grandeza do pioneiro é que ele prossegue apesar de suas perdas óbvias, olhando para um grande ganho remoto. É assim que as Escrituras falam acerca da aventura de Abraão (ver Heb. 11.9-10).

Abraão era homem abastado em bens como gado, prata e ouro (Gên. 13.2). É belo poder alguém avançar em meio à afluência material. O dinheiro pode fazer muitas coisas. Mas muitos pioneiros têm tido de aventurar-se em grande pobreza; e, mesmo assim, tornam-se vencedores.

Um País Desconhecido Esperava por Abraão. A chamada de Deus sempre tem um ou mais objetivos concretos. Quem ios mostra isso é o próprio Deus. Ver no Dicionário o artigo chamado Vontsde de Deus, Como Descobri-la. Profunda verdade oculta-se naquele ditado que diz: “Quem não arrisca, não petisca”. Todos os grandes projetos custam alguma coisa oa^a os que neles se aventuram. Mas todo risco acaba pagando dividendos. No caso de Abraão, grandes coisas estavam em jogo. Uma nação escolhida haveria de surgir por meio dele; e o Messias seria seu filho.

“Essa chamada de Abraão é um emblema da chamada dos homens, por meio da graça de Deus, para fora deste mundo e dentre os homens, renunciando às vantagens materiais, não se conformando com elas, e esquecendo-se de sua própria gente e da casa paterna, a fim de apegar-se ao Senhor, seguindo-0 para onde quer que Ele oriente” (John Gill, in loc.).

Tua terra. O local onde foi feita a chamada foi Harã. Mas os trechos de Gên. 15.7; Nee. 9.7 e Atos 7.2 mostram que tudo se originara em Ur, talvez por orientação divina direta, que Abraão pôde entender, ou, pelo menos, Deus estava providenciando essa chamada, em sua forma preliminar, desde Ur, e não somente desde Harã, que acabaria levando Abraão à terra de Canaã. O relato do livro de Atos sugere alguma orientação divina bem definida e mesmo gloriosa. É lindo quando o crente é dirigido de maneira óbvia e específica, não precisando depender de meras circunstâncias externas para sentir-se guiado.

De ti farei uma grande nação. Nenhum homem é uma ilha, separada do continente. Abraão residia em Harã, abastado e com uma vida amena, gozando a vida. Mas eis que Deus tinha em mira coisas maiores para ele. Israel haveria de nascer a partir de Abraão. “Não havendo profecia o povo se corrompe” (Pro.29.18).

Os prazeres embotam-nos a visão. Deus desarraigou a Abraão e perturbou o seu programa. Deu-lhe uma promessa, mas não recursos imediatos. Ele teria de esforçar-se para que a promessa tivesse cumprimento. Deus tem um plano, mas nós temos de colocá-lo em execução, tanto quanto isso estiver ao nosso alcance. Quando as coisas “avançam mais depressa do que nós”, então precisamos de uma intervenção divina. Abraão teve a fé suficiente para pôr em execução a promessa divina:

Te abençoarei… Sê tu uma bênção. O fundo divino de bondade é mais do que suficiente para todos. Deus tem Seus instrumentos, mas todos são beneficiários. Abraão haveria de ser um instrumento especial, e o mundo inteiro seria o beneficiário. Seu nome seria engrandecido, mas grandes seriam também as bênçãos que fluiriam por meio dele a todas as nações. Hoje em dia, onde estivermos, estaremos desfrutando dos benefícios dessa promessa feita a Abraão.

A verdadeira bem-aventurança flui por meio de nosso relacionamento com Deus. Um novo relacionamento, com suas bênçãos mais ricas, estava sendo preparado na vida de Abraão. Por isso mesmo, diz aquele hino antigo: “Senhor, faz de mim uma bênção para alguém, hoje mesmo”. Esse é um alvo nobre para todos os dias. As bênçãos fluem a partir do amor. Ver, no Dicionário, o artigo intitulado Amor. A vinda do Messias, como é óbvio, é a bênção culminante que foi dada a todos por meio de Abraão. As bênçãos derivadas do Pacto Abraâmico são espirituais e temporais, e ambas essas formas de bênçãos derivam de Deus, segundo lemos em Tiago 1.17.

Te engrandecerei o nome. Abraão tomar-se-ia conhecido para milhões de pessoas como uma das grandes personagens da história. Ele se tornaria o pai dos fiéis, o progenitor de várias raças, incluindo o veículo que seria Israel. Ele foi o mais proeminente membro da genealogia do próprio Messias.

Bênçãos e Maldições. Tradicionalmente, este versículo tem sido usado para ensinar que Israel não deve ser molestada mesmo quando está errada. Por certo, a promessa e o aviso não foram feitos somente a Abraão. Os indivíduos e as nações que promovem o bem de Israel recebem a promessa de uma bênção especial. E os que causam danos a Israel sofrerão o juízo divino apropriado. Apesar de essa não ser a interpretação primária deste versículo, sem dúvida é uma aplicação apropriada. Moisés deve ter tido em mente a significação de Israel, e não apenas a dignidade pessoal de Abraão.

Também é ressaltada aqui a fé de Abraão. Esta não pode ser considerada levianamente por quem quer que seja. Um novo avanço na espiritualidade estava sendo preparado em Abraão. Os homens precisam respeitar isso. E essa preparação culminou em Cristo e em Seu evangelho.

As famílias da terra. Ou seja, &s nações, no seu sentido geral, “as famílias do mundo”. O plano remidor de Deus atuaria em Abraão e em seu Filho, o Messias. Seria oferecida salvação eterna, que é a maior de todas as bênçãos. O evangelho haveria de universalizar a mensagem. Todos os povos seriam o seu objetivo (João 3.16). Achamos aqui um universalismo incipiente que, com frequência, se perdia de vista dentro do exclusivismo do judaísmo. O calvinismo radical também falha por não ver se medo devido essa promessa. O fogo divino não teve por intuito avisar somente à casa de Israel. Esse fogo não conheceria limites de nacionalidade.

“Abraão e a nação dele originada deveriam ser os intermediários entre Deus e a humanidade” (Ellicott, in loc.). Ver Rom. 3.29 e 10.12. Esta última referência mostra como a vontade de Deus abençoa ricamente todos quantos O invocam, e aquele capítulo está dentro de um contexto missionário.

Partiu, pois, Abrão. Ele recebeu as promessas, confiou e agiu de acordo com elas. Essas promessas incluem estes pontos: 1. uma grande nação viria à realidade por meio dele; 2. surgiria um grande nome pessoal, pois seria o pai dos fiéis, conhecido por milhões de pessoas em todos os séculos; 3. seria a fonte de bênçãos ou de maldições, tudo dependendo do acolhimento que dariam a ele, à sua nação e à sua mensagem. Eram promessas grandiosas e de longo alcance, e Abraão deixou-se convencer por elas. Isso posto, agiu movido pela convicção e pelo entusiasmo, e logo estava a caminho da terra de Canaã. A vontade decidida é metade da batalha, e Deus põe em ação a vontade do homem, inclinando-a para o que é certo.

Terá tinha morrido; Naor ficou para trás; mas Abraão seguiu avante. Ló também dispôs-se a ir, como também as esposas dos dois homens e os animais de ambos. Os pioneiros partiram pela trilha, rumo à terra desconhecida, mas abençoada.

Setenta e cinco anos. Idoso, de acordo com os nossos padrões, mas um homem ainda jovem, dentro da época de grande longevidade em que ainda viveu. E assim, o homem ainda jovem atirou-se à grande aventura.

Ló. Seu nome é aqui mencionado para armar o palco para futuras revelações. Ver Gên. 13.5-13 e os caps. 14, 18 e 19, onde se lê sobre o drama de Sodoma e Gomorra e a origem dos moabitas e amonitas.

Partiu o Pequeno Grupo. Abraão, Sara, Ló e outras pessoas cujos nomes não nos são dados compuseram o pequeno grupo de viajores. Nesse tempo, Abraão ainda não tinha filhos, mas talvez Ló já os tivesse. Além de filhos (se é que os havia), seguiam servos e servas (talvez escravos), conforme ditavam os costumes da época. Os escritores judeus falam em prosélitos aqui, mas isso é um anacronismo. Alguns deles chegaram a pensar-se capazes de precisar o número desses ser/os, a saber, trezentos e dezoito (com base em Gên. 14.14), mas essa informação já é pertencente à época bem posterior.

O Momento da Obediência. “O que Deus pede de uma alma não é a segurança própria de que ela pode ir longe. Antes, Deus requer aquela obediência humilde que faz o indivíduo dar início e na direção certa. O homem que começa corajosamente em seu coração jamais fracassará” (Cuthbert A. Simpson, in ioc.). A partir desse momento, Deus pode conferir poder sustentador. Assim, o pequeno grupo partiu de Harã, a caminho da desconhecida terra de Canaã. E os humildes começos renderam grandes recompensas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 101-102.

 

 

A CHAMADA DE ABRAÃO

Gn 12.1-3 “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.”

A chamada de Abrão (posteriormente chamado Abraão, 17.5), conforme a narrativa de Gênesis 12, dá início a um novo capítulo na revelação do AT sobre o propósito divino de redimir e salvar a raça humana. A intenção de Deus era que houvesse um homem que o conhecesse e o servisse e guardasse os seus caminhos (ver 18.19 nota). Dessa família surgiria uma nação escolhida, de pessoas que se separassem das práticas ímpias doutras nações, para fazerem a vontade de Deus. Dessa nação viria Jesus Cristo, o Salvador do mundo, o prometido descendente da mulher (ver 3.15 nota; Gl 3.8,16,18).

Vários princípios importantes podem ser deduzidos da chamada de Abraão. (1) A chamada de Abraão levou-o a separar-se da sua pátria, do seu povo e dos seus familiares (12.1), para tornar-se estrangeiro e peregrino na terra (Hb 11.13). Em Abraão, Deus estava estabelecendo o princípio importante de que os seus deviam separar-se de tudo quanto possa impedir o propósito divino na vida deles.

(2) Deus prometeu a Abraão uma terra, uma grande nação através dos seus descendentes e uma bênção que alcançaria todas as nações da terra (12.2,3). O NT ensina claramente que a última parte dessa promessa cumpre-se hoje na proclamação missionária do evangelho de Cristo (At 3.25; Gl 3.8).

(3) Além disso, a chamada de Abraão envolvia, não somente uma pátria terrestre, bem como uma celestial. Sua visão alcançava um lar definitivo não mais na terra, e sim no céu; uma cidade cujo artífice e construtor é o próprio Deus. A partir de então, Abraão desejava e buscava uma pátria celestial onde habitaria eternamente com Deus em justiça, alegria e paz (Hb 11.9,10,14-16; Ap 21.1-4; 22.1-5). Até então, ele seria estrangeiro e peregrino na terra (Hb 11.9,13).

(4) A chamada de Abraão continha não somente promessas, como também compromissos. Deus requeria de Abraão tanto a obediência quanto a dedicação pessoal a Ele como Senhor para que recebesse aquilo que lhe fora prometido. A obediência e a dedicação demandavam: (a) confiança na palavra de Deus, mesmo quando o cumprimento das promessas parecia humanamente impossível (15.1-6; 18.10-14), (b) obediência à ordem de Deus para deixar a sua terra (12.4; Hb 11.8), e (c) um esforço sincero para viver uma vida de retidão (17.1,2).

(5) A promessa de Deus a Abraão e a sua bênção sobre ele, estendem-se, não somente aos seus descendentes físicos (i.e., os judeus crentes), como também a todos aqueles que com fé genuína (12.3) aceitarem e seguirem a Jesus Cristo, a verdadeira “posteridade” de Abraão (Gl 3.14,16). Todos os que são da fé como Abraão, são “filhos de Abraão” (Gl 3.7) e são abençoados juntamente com ele (Gl 3.9).

Tornam-se posteridade de Abraão, herdeiros segundo a promessa (Gl 3.29), o que inclui o receber pela fé “a promessa do Espírito” em Cristo Jesus (ver Gl 3.14 nota). (6) Por Abraão possuir uma fé em Deus, expressa pela obediência, dele se diz que é o principal exemplo da verdadeira fé salvífica (15.6; Rm 4.1-5,16-24; Gl 3.6-9; Hb 11.8-19; Tg 2.21-23; ver 15.6 nota). Biblicamente, qualquer profissão de fé em Jesus Cristo como Salvador que não requer obediência a Ele como Senhor não é a classe de fé que Abraão possuía e, portanto, não é a verdadeira fé salvífica (ver Jo 3.36 nota; e o estudo FÉ E GRAÇA).

Stamps, Donald C,. Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD. pag. 50.

 

 

 

 2. A dúvida diante da espera.

 

Após a promessa de uma descendência (Gn 12), veio uma preocupação a Abrão: “Senhor Jeová, que me hás de dar? Pois ando sem filhos, e o mordomo da minha casa é o damasceno Eliézer” (Gn 15.2).

Esse questionamento revela que sua fé estava em crise. Abrão não conseguia ver a realização do sonho do casal, uma vez que Sarai era estéril. Não é diferente conosco também. Às vezes somos bloqueados por dúvidas que nos impedem de, pela fé, enxergar a operação do sobrenatural.

 

Comentários

 

 

A grande verdade é que Abrão sentiu-se frágil ante o desafio que ainda tinha pela frente. Havendo conquistado tantas riquezas materiais, Abrão ainda não tinha para quem deixar toda essa herança.

Por um momento de fraqueza de sua fé, a promessa parecia nula e impossível. Abrão imaginou que, uma vez que o tempo passava e ele e Sarai não teriam o filho desejado, só restaria tornar herdeiro o seu fiel mordomo Eliézer (Gn 15.2). Deus, então, desfaz a preocupação do coração de Abrão, dizendo-lhe mais uma vez: “Não temas” e o faz vislumbrar o seu futuro e reafirma que o seu herdeiro seria um nascido da sua própria casa (Gn 15.3).

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 12.

 

 

Continuo sem filhos. Grandes coisas haviam sido prometidas a Abraão (Gên. 12.1-4; 13.14-17), e outras mais lhe seriam prometidas, conforme se vê neste capítulo. Um pacto formal em breve seria firmado. Mas Abraão percebia que as provisões desse pacto não poderiam realizar-se sem o filho prometido. Portanto, era questão muito séria que ele continuasse sem filhos. “Todas as minhas riquezas e possessões, vitórias e honras, de nada valem enquanto eu estiver privado desse favor” (John Gill, in loc.).

É belo contar as muitas bênçãos, no dizer do hino, mas há ocasiões em que precisamos de algum poder específico se tivermos de dar prosseguimento às nossas respectivas missões de maneira certa. Deus sabe disso, e, no tempo certo, esse poder nos é outorgado, se permanecermos fiéis.

O damasceno Eliezer? Onze homens são assim chamados na Bíblia. No hebraico, esse nome significa “Deus de socorro”. Lázaro (Luc. 16.20) é uma forma abreviada desse nome. O Eliezer de Gênesis 15.2 era o principal servo de Abraão, uma espécie de servo-líder que cuidava de seus interesses em geral. Talvez se tratasse de um escravo nascido em sua casa, dificilmente a pessoa certa para ser o herdeiro de Abraão, embora isso fosse legalmente possível, ante os costumes da época. Provavelmente ele foi o homem enviado, anos depois, para conseguir esposa para Isaque (Gên. 24.2-4). Mas alguns intérpretes rejeitam essa identificação.

É difícil entender como ele foi chamado “damasceno” se, em Gên. 15.3, é dito que ele nasceu na casa de Abraão. Os críticos pensam que essa palavra é uma glosa da palavra herdeiro, uma corrupção posterior do texto. Porém, a palavra pode significar apenas que a família dele era de Damasco, mas não ele mesmo. Ele também foi chamado de “herdeiro da minha casa”, ou seja, ele seria o possuidor da casa, das propriedades, dos animais, de tudo. Alguns supõem que o homem realmente fosse natural de Damasco e fosse parente próximo de Abraão, e não um escravo nascido em sua casa.

E indagamos por que Ló não fora escolhido como herdeiro, pois era parente próximo de Abraão. Mas se Eliezer era um parente próximo, então é óbvia a razão de ele ter sido escolhido como o herdeiro principal. Podemos envolver-nos em muitas conjecturas sem sabermos qual a verdade da questão. Há tradições, mas elas raramente ajudam. Os intérpretes judeus deram toda sorte de desinformação, como aquela que diz que ele era filho ou neto de Ninrode, ou cue depois ele recebeu carta de alforria de sua escravidão e tornou-se Ogue, o rei de Basã, ou que ele era Canaã, filho de Cão. Outros disseram aue a ciaade de Damasco foi construída por ele, e que ele chegou a ser o rei dessa cidade. Tantas fantasias, porém, deixam-nos vazios da verdade dos fatos.

Abraão dispunha de uma provisão legal para o seu caso. Eliezer poderia ser o seu herdeiro. Mas o plano se Deus não se ajustava a isso, e nem Abraão finalmente se apegou a essa alternativa inferior. Sempre será lindo quando Deus nos dá algo melhor do que aquilo que nós mesmos temos planejado.

Herdeiro. No hebraico temos o termo benmeshek, que significa “filho da possessão” ou “herdeiro”. Em outras palavras, ele era o herdeiro potencial dos bens de Abraão. Mas esse termo hebraico tem outra interpretação, pois pode significar “aquele que corre”, de meshek, ou seja, aquele que corre para fazer a vontade de seu senhor. A palavra é similar a Damasco, dammesek. Assim, Abraão pode ter feito um jogo de palavras, cujo sentido final seria: “Este damasceno é aquele que corre para servir-me. Deve ser ele o meu herdeiro?”.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 116.

 

 

De nosso confortável ponto de observação, olhando de volta para a história, temos dificuldade para entender a frágil confiança de Abrão. Mas Abrão não tinha a vantagem de olhar em retrospectiva. Ele era um homem velho, com uma esposa que havia muito já entrara na menopausa, e os dois pensavam em como teriam um filho. Veja o que Abrão disse a Deus: “Ó Soberano SENHOR, que me darás, se continuo sem filhos e o herdeiro do que possuo é Eliézer de Damasco? […] Tu não me deste filho algum! Um servo da minha casa será o meu herdeiro!” (Gn 15.2-3).

A expressão “Ó Soberano SENHOR” é incomum, uma vez que coloca juntos dois dos nomes de Deus: Adonai e Yahweh. Isso ajuda a suavizar a pergunta desafiadora, ainda que razoável. Ele diz a Deus exatamente o seguinte: “O Senhor continua prometendo bênçãos, mas estou mais perto da morte do que já estive, e não tenho herdeiro de sangue para receber as promessas de tua aliança. Sarai já não pode engravidar; então, qual é exatamente a recompensa a que o Senhor se refere?”. Tentando compreender a promessa do Senhor, Abrão teoriza que talvez seu mordomo, Eliézer, possa ser o herdeiro que Deus tinha em mente. Esse teria sido o costume daquela cultura.

Se você pudesse ler a resposta de Deus no idioma hebraico, a negação dele o deixaria de cabelo em pé.

Em Gênesis 15.4 está registrado que o Senhor começou com um enfático não. Em seguida, ele ressalta que o herdeiro de Abrão viria do corpo do patriarca. Em termos atuais, ele poderia ter dito: “Seu herdeiro terá o seu DNA”. Então, para deixar as coisas bem claras, o Senhor levou Abrão para fora. O verbo é ativo, quase forçoso, como se Deus o tivesse pego fisicamente e o colocado numa clareira sob o céu noturno.

“Olhe para o céu e conte as estrelas, se é que pode contá-las. […] Assim será a sua descendência” (v. 5).

Quantas estrelas uma pessoa com visão perfeita pode enxergar em uma área rural? Impossível contar.

Esse é o ponto. O Senhor usou o céu noturno para ilustrar a amplitude da nação que teria o DNA de Abrão. Deus poderia ter usado a areia como ilustração — poderia ter dito ao seu servo que contasse os grãos de areia na estrada. Ou as folhas de grama da planície, ou os grãos de trigo do vale. Mas ele fez Abrão dobrar seu pescoço para olhar direto para cima, para o vasto, misterioso e imenso universo. Se Abrão se sentiu pequeno ao analisar os milhares de bolas de fogo que cobriam os céus de horizonte a horizonte, então ele entendeu o que o Senhor quis dizer: “Eu sou Deus; você é apenas um pequeno cisco comparado ao meu universo. Confie em mim; estou com você”.

SWINDOLL. CHARLES R., Abraão Um homem obediente e destemido. Ed. 2003. Editora Mundo Cristão.

 

 

 

 3. Deus garante a Abrão o cumprimento da promessa.

 

Como vimos, Gênesis 15.4 traz a promessa de um filho. No versículo 7, o Senhor diz: “Eu sou o Senhor” (Gn 15.7). De modo que Ele desfez a preocupação do patriarca, especificando uma promessa: “Este não será o teu herdeiro [Ismael]; mas aquele que de ti será gerado, esse será o teu herdeiro [Isaque]” (Gn 15.4).

Aqui, Deus está afirmando a Abrão que suas promessas têm base no próprio caráter, pois Ele não é homem para mentir, nem filho do homem para se arrepender; “porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?” (Nm 23.19). Deus cumpre fielmente a sua Palavra (Sl 89.34). Infelizmente, porém, Abrão vacilaria na fé e não transmitiria a Sarai confiança na promessa (Gn 16.2,3).

 

Comentários

 

 

Deus reafirma a promessa a Abrão e Sarai (Gn 15.4,5)

Depois de o Senhor lhe dar a garantia de que o herdeiro sairia de suas entranhas e do ventre de Sarai, Abrão ainda faz alguns questionamentos acerca desse filho, porque a fé do velho patriarca estava em crise para ver a realização daquele sonho do casal, uma vez que Sarai continuava estéril e não dava qualquer sinal de gravidez. Às vezes, somos bloqueados por dúvidas e angústias quando não conseguimos ver pela fé a operação do sobrenatural.

Deus garantiu a Abrão a promessa feita (Gn 15.6-8)

O velho Abrão, alimentado com as dúvidas de sua esposa Sarai não conseguia ver pela fé a realização daquele sonho do filho gerado por ele e sua mulher. Parece incrível, mas Abrão, um homem de fé, de repente parece ter estagnado sua fé. Mas Deus não desistiu de Abrão, porque Ele conhece particularmente cada pessoa e sabia das fraquezas do seu servo. Pelo contrário, o Senhor revelou seu amor para com Abrão, identificando-se com ele e dizendo-lhe: “Eu sou YAHVEH” (Gn 15.7) e, desse modo, Deus estava afirmando a Abrão que suas promessas têm base no seu caráter perfeito. A Bíblia declara em Números 23.19 que “Deus não é homem, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?”

O Senhor cumpre a sua palavra (Sl 145.13; 1 Co 1.9). No texto de Gênesis 16.13-15, Deus revelou a Abrão o futuro de sua posteridade e ele deveria transmitir essa mesma confiança à sua mulher, Sarai, mas não o fez como deveria. Porém alguns fatos extraordinários aconteceram com Abrão e Sarai que os levaram a agir por conta própria acerca da promessa. O tempo estava passando, e Sarai entendeu que deveria fazer alguma que contribuísse com o plano de Deus.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 12-13.

 

 

O mesmo Yahweh que já havia feito grandes coisas, faria ainda outras grandes coisas, pois Ele é o mesmo ontem, hoje e para sempre (Heb. 13.8). Deus tinha trazido Abraão desde Ur (ver o artigo no Dicionário sobre essa cidade), e agora não teria Ele dificuldade para dar a Abraão um filho prometido, cumprindo assim todas as condições do Pacto Abraâmico.

Deus Não é um Deus de Meras Partes. Tirar Abraão de Ur foi parte do plano de Deus para ele. Muito mais, porém, Deus ainda faria. Havia todo um plano a ser concretizado. Enquanto vamos passando de uma parte para outra, tendemos por duvidar e então dizer em nosso coração: “Haverá alguma provisão divina para esta parte?”. É muito fácil esquecer as outras partes que Deus já realizou graciosamente. Precisamos manter a confiança no plano total de Deus, sabendo que uma parte feita significa que muitas outras partes serão adicionadas, inevitavelmente.

Te tirei de Ur. Abraão viu suas raízes ser desarraigadas, mas Deus conferiu-lhe novas raízes, nos lugares para onde ele foi sendo conduzido. Jamais será fácil ter nossas raízes desarraigadas. Que Deus nos dê a graça necessária para tal prova.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 119.

 

 

O que Deus é, em si mesmo: Eu sou o Senhor Jeová. E, portanto: (1) “Eu posso dar isto a você, pois Eu sou o Senhor soberano de tudo e de todos, e tenho o direito de dispor de toda a terra”. (2) “Eu posso dá-la a você, qualquer que seja a oposição, ainda que seja realizada pelos filhos de Anaque”.

Deus nunca promete mais do que Ele pode fazer, como os homens fazem freqüentemente. E devemos nos lembrar sempre de que Ele, e só Ele, pode fazer todas as coisas. (3) “Eu cumprirei a minha promessa a você”. Jeová não é um homem, para mentir

HENRY. Matthew. Comentário Bíblico Matthehw Henry. Deuteronômio.  Editora CPAD. 4 Ed 2004. pag. 90.

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

“O SENHOR ME TEM IMPEDIDO DE GERAR

 

Entre o povo da Mesopotâmia, o costume, quando a esposa era estéril, era deixar que a sua serva tivesse filho com o esposo. Esses filhos eram considerados filhos legítimos daquela esposa. (1) Apesar de existir então esse costume, a tentativa de Abrão e Sarai de terem um filho através da união de Abrão com Agar não teve a aprovação de Deus (2.24). (2) O NT fala do filho de Agar como sendo o produto do esforço humano – […] (Gl 4.29).” Amplie mais o seu conhecimento, lendo Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, p.55.

 

 

II – INTERFERÊNCIA NO PLANO DE DEUS

 

 

 1. A tentativa de Sarai em “ajudar” a Deus.

 

Pelo processo natural, Sarai não podia gerar filhos por causa de sua esterilidade e, naquele contexto, ela estava ainda com a idade avançada. Por isso, Sarai persuadiu Abrão de que a melhor forma de ele ter um herdeiro seria tomar a serva egípcia Agar e com ela conceber um filho (Gn 16.2).

Naquele tempo era permitido fazer isso para que um homem tivesse um herdeiro. Essa tentativa de “ajudar a Deus” no cumprimento da promessa de um filho foi uma atitude precipitada de Abrão. Na vida conjugal, é importante que o casal crente consulte a Deus em tudo. Nesse sentido, Abrão deveria convencer sua mulher a esperar em Deus, pois Ele cumpre a sua Palavra (1 Rs 8.56).

 

Comentários

 

Abrão, atordoado pelas reclamações de Sarai, preferiu tomar caminho próprio e deixar de lado a vontade de Deus. Tudo quanto Deus já havia falado com Abrão foi deixado de lado para tomar um caminho natural traçado por sua mulher. Pelo processo natural, Sarai não podia gerar filhos por causa de sua esterilidade e, naquele contexto, ela estava com idade avançada. Ela entendeu que seria, de fato, impossível gerar um filho. Em seu raciocínio, Sarai persuadiu Abrão de que a melhor forma de ter um herdeiro seria ele tomar a serva egípcia Agar e com ela conceber uma criança.

Naqueles tempos era possível fazer isso para que um homem tivesse um herdeiro. Abrão se convenceu de que Sarai tinha razão e não seria demais querer ajudar a Deus na consecução da promessa de um filho. Porém, essa decisão foi uma precipitação da parte de Abrão em aceitar a palavra de Sarai sem questionar sua atitude.

Abrão amava profundamente sua mulher Sarai. Ele não queria de modo nenhum ter um caso extraconjugal, mas aceitou a ideia de deitar-se com Agar, a serva de Sarai, e gerar um filho com ela. Na vida conjugal, é importante que o casal crente consulte a Deus.

Abrão foi fraco e carnal quando deveria convencer sua mulher a esperar em Deus, pois Ele cumpre sua Palavra.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 14-15.

 

 

O tempo fez Sara entrar em desespero. E ela acabou agindo precipitadamente. Há um hino que fala sobre a dor das “orações não respondidas”, experiência essa pela qual todos nós temos tido ocasionalmente de passar. Deus mantêm-se oculto nas trevas, vigiando tudo, observando 0 que faremos com os meios e os equipamentos que Ele nos dá. Quando as coisas tornam-se difíceis demais para nós, fora de nosso controle, então Ele nos abençoa mediante alguma intervenção divina. Deus nos dá apenas 0 bastante para que fique garantido 0 nosso sucesso. Entrementes, temos de nos mostrar honestos e ativos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 123.

 

 

A mulher de Abrão, Sarai, já está com 75 anos. Por ser estéril e muito provavelmente por ter chegado à menopausa, ela concluiu que seria impossível o filho da promessa nascer de seu ventre. Sarai chega a expressar uma ponta de mágoa ao afirmar: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz filhos (16.2). Então, ela, em conformidade com sua cultura, mas completamente fora do propósito divino, propõe entregar a Abrão sua serva Agar, para que dela fosse suscitado filhos a Abrão. Vale lembrar que serva é uma escrava pessoal adquirida por uma mulher rica, não uma jovem escrava responsável por seu senhor. A relação de Agar com Sarai lembra a de Eliezer com Abrão (15.2); ela é responsável por Sarai. O Anjo do Senhor reafirmará essa identificação (16.8).

Sarai deixou morrer em seu coração a esperança do cumprimento da promessa, e essa esperança que se adia adoece o coração (Pv 13.12).

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

 2. Os dois vacilam na fé.

 

No capítulo 15, Abrão é um homem de fé. Porém, no capítulo 16, a situação muda completamente porque ele preferiu ouvir a voz de sua mulher, conforme Gênesis 16.2: “E ouviu Abrão a voz de Sarai”. A verdade é que, diante da reclamação de sua esposa, Abrão aquietou-se e preferiu aceitar o argumento dela e não acreditar no milagre de ambos gerarem um filho conforme a promessa.

Os dois deixaram a lógica da fé e se apegaram à lógica meramente humana. Devemos cuidar para não interferir nos desígnios de Deus, pois isso pode significar o desvio da vontade divina. Não podemos, por causa de uma decisão precipitada, querer intervir no plano original divino.

 

Comentários

 

 

Outrossim, depois de algum tempo, no capítulo 15, Abrão é um homem de fé; porém, no capítulo 16, a situação muda completamente, porque Abrão preferiu ouvir a voz de sua mulher, conforme diz o texto de Gênesis 16.2: “E ouviu Abrão a voz de Sarai”.

A verdade é que Abrão aquietou-se diante da reclamação de Sarai e preferiu aceitar o argumento dela de não acreditar no milagre de ambos gerarem um filho conforme a promessa. Os dois deixaram a fé e se apegaram à lógica meramente humana. Discutir os desígnios de Deus e querer arrazoá-los significou um desvio da vontade de Deus. Foi o que aconteceu com ambos. Abrão e Sarai tomaram uma decisão precipitada interferindo no plano original de Deus.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 14.

 

 

Abraão Obedeceu à Sua Esposa. Algumas vezes é certo um homem fazer 0 que sua esposa lhe diz, mesmo que isso seja contra os seus sentimentos. Mas dessa vez, não foi certo. Abraão não consultou Deus. Disso podemos ter a certeza. Ele ansiava por ter Hagar. Gostou do plano de Sara, embora tal plano não pudesse resolver o problema dele. Tal plano estava de acordo com os costumes sociais da época, pelo que não houve qualquer objeção a ele, nem moral nem legalmente. Deus, porém, está muito acima de meros costumes sociais. Nem todos esses costumes são naturais e corretos.

Na época, Sara estava com setenta e cinco anos de idade, vivia em Canaã fazia dez anos, e simplesmente tinha desistido de ser mãe. Nesse caso, Sara deu seu consentimento ao casamento plural. Todavia, não há nenhuma evidência, nos tempos do Antigo Testamento, de que tal consentimento fosse necessário.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 123.

 

 

Abrão deslizou-se na fé para deixar-se guiar pela razão e pelo conselho de Sarai. Abrão, em vez de encorajar sua mulher a crer nas promessas de Deus, aquiesceu, por incredulidade, à sua proposta e possuiu Agar, serva de Sarai, e ela concebeu.

Abrão não ministrou ao coração de Sarai, e ele, que já tinha caído nas provas ao descer ao Egito, cai, agora, nas provas de sua mulher com uma serva egípcia.

Abrão imita Adão ao agir sob a sugestão de sua mulher em vez de agir de acordo com a Palavra de Deus.

Matthew Henry diz que uma das artimanhas de Satanás é nos tentar por meio dos nossos parentes mais próximos, uma vez que a tentação é mais perigosa quando é enviada por uma mão que é menos suspeita. Nessa mesma linha de pensamento, Derek Kidner diz que é uma ironia que, depois das alturas atingidas por Abrão nos dois últimos capítulos, ele houvesse de capitular ante a pressão doméstica, mostrando-se maleável sob o plano e a censura de sua mulher e rápido em lavar as mãos quanto ao resultado.

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

 3. O problema da precipitação.

 

Sarai abandonou e desprezou a confiança em Deus, preferindo resolver o problema ao seu modo, além de induzir seu marido à mesma atitude equivocada e incrédula. Ao afastar-se da dependência de Deus, o casal não conseguiu evitar as consequências desastrosas para sua vida (Gn 16.5-9).

Agar engravidou e teve o filho que Abraão sonhava ter, mas provocou o conflito familiar histórico entre Abrão e Sarai, entre Sarai e Agar e, posteriormente, entre os filhos de ambas, Ismael e Isaque. Muitos conflitos são gerados nos lares por causa de atitudes precipitadas da parte dos cônjuges. A consequência dessa precipitação de Abrão permanece até hoje, com as sementes de Ismael e Isaque, ou seja, judeus e árabes.

 

 

Comentários

 

 

Sarai abandonou e desprezou a confiança em Deus, preferindo resolver o problema ao seu modo, além de induzir seu marido à mesma atitude equivocada e incrédula. Ao afastarem-se da dependência de Deus, não conseguiram evitar as consequências desastrosas que experimentaram.

Agar engravidou e teve o filho que Abraão sonhava ter, mas provocou o conflito familiar histórico entre Abrão e Sarai, entre Sarai e Agar e, posteriormente, entre os filhos de ambas, Ismael e Isaque.

Muitos conflitos são gerados nos lares por atitudes precipitadas da parte dos cônjuges. A consequência dessa precipitação de Abrão permanece até o dia de hoje com as sementes de Ismael e Isaque, ou seja, judeus e árabes.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 16.

 

 

Seja sobre ti a afronta. O plano havia falhado, e agora via-se que tinha defeitos. O sexo nada tinha que ver com a questão. O que estava em jogo era 0 que se faria com a criança. Ela tinha duas mães. Qual delas ficaria com a criança?

Hagar pode ter pensado que uma mulher estéril não tinha o direito de ficar dando ordens. Abraão foi acusado porque poderia ter dito: “Você deveria saber que o plano não daria certo. Por que você não aceitou minha sugestão?”. O versículo, naturalmente, projeta luz sobre os inconvenientes da poligamia. Esse estado marital, naturalmente, produz certos conflitos, apesar de poder aliviar outros problemas. Assim, Sara lançou a culpa sobre Abraão, esperando vingar-se nele.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 124.

 

 

Sarai, tomada de uma suspeita ciumenta, culpa injustamente Abrão pelo comportamento de Agar, como se ele compactuasse com a insolência da serva.

Para ratificar seu engano e absolver-se, Sarai irrefletidamente apela a Deus:

Julgue o SENHOR entre mim e ti, como se Abrão tivesse se recusado a lhe dar razão. Concordo com Matthew Henry quando diz: “Não estão sempre certos aqueles que se apressam a apelar a Deus em altos brados. As imprecações impensadas e ousadas normalmente são evidências de culpa e de maus motivos”.

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

III – AS CONSEQUÊNCIAS DE UMA DECISÃO PRECIPITADA

 

 

 1. O conflito na família de Abrão.

 

A precipitação do casal acabou criando o conflito entre Abrão e Sarai, provocado pela nova situação a que se submeteu Agar. Discórdia e desarmonia suscitaram uma situação insustentável dentro desse lar.

Agar, sentindo-se privilegiada dentro da casa de Abrão, visto que ele estava dando atenções especiais para com ela por causa do seu filho em seu ventre, provocou ciúmes em Sarai. Esta, então, começou a hostilizar sua serva (Gn 16.4-6). Essa situação ficou bem difícil dentro da casa do patriarca.

 

 

Comentários

 

 

Abrão não soube ser firme com sua mulher, Sarai, para convencê-la a esperar em Deus. Ele acabou sendo conivente com os argumentos de Sarai de que a serva Agar poderia dar o filho herdeiro como se fosse seu próprio filho. A precipitação acabou criando o conflito entre Abrão e Sarai, provocado pela nova situação a que se submeteu Agar.

Discórdia e desarmonia suscitaram um cenário instável dentro de casa. Agar, sentindo-se privilegiada dentro da casa de Abrão – visto que ele estava dando atenções especiais para com Agar por causa do filho no seu ventre –, provocou ciúmes de Sarai. Sarai, então, começou a hostilizar Agar, que se sentiu humilhada. Essa situação ficou insustentável dentro de casa.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 15.

 

 

E Sara começou a afligir Hagar, conforme o vocábulo hebraico pode ser traduzido, tal como Israel foi mais tarde afligido pelo Egito (Êxo. 1.11). E o trecho de Gênesis 15.13 contém a mesma palavra. Israel seria afligida no Egito por muitos decênios.

Essa aflição era verbal e constante, e também, sem dúvida, era física. No dizer de John Gill (in loc.): “…não só com palavras, mas com pancadas, conforme alguns pensam, pancadas duras, dando-lhe tarefas que ela não era capaz de cumprir, especialmente nas circunstâncias em que se achava”.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 124.

 

 

A atitude de Sarai é descrita em poucas palavras, mas há uma tonelada de intolerância e crueldade em suas atitudes. Sarai humilhou Agar, mostrando a ela quem mandava naquela casa e fazendo que Agar ficasse sem vez, sem voz e sem espaço naquela família. Se os costumes daquela época permitiam que uma esposa sem filhos oferecesse ao marido uma criada para servir no lugar dela e a descendência dessa relação seria sua, esse mesmo costume que permitia uma esposa substituta não permitia a expulsão dessa esposa depois que ela ficasse grávida, qualquer que fosse sua atitude.

Bruce Waltke tem razão em dizer que a reação de Sarai é muito severa. Vitimada pela esterilidade e por Agar, Sarai se converte em algoz, e nem ela nem Agar, porém, portam-se bem aqui, uma vez que a senhora é cruel e despótica, e a serva, impenitente e insubordinada.

Warren Wiersbe é mais abrangente ao mencionar a forma errada como cada pessoa envolvida agiu nesse episódio. A solução de Sarai foi expressar toda a sua raiva, culpando o marido e maltratando sua serva. Parecia ter se esquecido de que a ideia daquela união havia partido dela. A solução de Abrão foi ceder à esposa e abdicar da liderança espiritual do seu lar. Deveria ter se compadecido de uma serva desamparada e grávida, mas permitiu que Sarai a maltratasse.

Deveria ter chamado todos para o altar, mas não o fez. A solução de Agar foi fugir do problema, uma tática que todos nós aprendemos com Adão e Eva (3.8).

Derek Kidner ainda corrobora: “Cada uma das três personagens exige a inverdade, que faz parte do pecado, com falso orgulho (16.4), acusação falsa (16.5) e falsa neutralidade” (16.6).

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 2. A fraqueza de Abrão.

 

Depois de toda a experiência com Deus e de ouvir as suas promessas divinas para a vida pessoal e familiar, Abrão optou pela fraqueza e carnalidade. Não teve firmeza para persuadir Sarai, diante do conselho de ter esse filho com Agar, a confiar em Deus e em suas promessas (Gn 16.6).

Essa história nos ensina que não podemos apenas olhar para as soluções humanas. Há momentos em nossa vida que só a mão de Deus pode operar. Tenhamos sensibilidade espiritual para discernir o que está sob nossa responsabilidade e o que só depende única e exclusivamente de Deus (cf. Êx 14.15-18).

 

 

Comentários

 

 

Depois de toda a experiência com Deus e de ouvir as promessas divinas para a sua vida pessoal e familiar, Abrão foi fraco e carnal. Não teve firmeza no momento de persuadir Sarai, antes da decisão sobre ter esse filho com Agar, a confiar em Deus e em suas promessas.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 15.

 

 

A alienação tornara-se completa. E assim a perseguição começou. Abraão, ato contínuo, deixou tudo nas mãos de Sara. “Ela é tua escrava, não é mesmo? Então age como te parecer melhor”. Mas isso não foi uma maneira muito feliz de solucionar aquela crise.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 124.

 

 

Abrão, em vez de assumir a liderança de sua família para resolver o conflito, transfere para sua mulher a solução do problema: A tua serva está nas tuas mãos, procede segundo melhor te parecer (16.6). Bruce Waltke diz que, como Eva, Sarai transfere a culpa; e, como Adão, Abrão se desvencilha da responsabilidade.

Assim, Abrão é o único que tem autoridade para efetuar uma mudança e, então, não agiu para proteger seu casamento.

Abrão se acovarda e se omite. O guerreiro valente que enfrenta uma coalizão de reis beligerantes do Eufrates apequena-se diante de sua mulher em Hebrom. Por transferir a solução do problema para as mãos de Sarai, abriu para ela, tomada pelo sentimento de desprezo, o caminho da violência e da injustiça.

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

 3. Uma opinião equivocada acerca de Deus.

 

Quando Sarai diz a Abrão que “o Senhor me tem impedido de gerar” parecia estar afirmando que Deus havia falhado com ela para gerar filhos (Gn 16.2). Ela afastou-se do lugar de absoluta dependência de Deus e preferiu decidir por si mesma, usando Agar como meio para o cumprimento da divina promessa. Seu coração carnal fez com que ela desprezasse a fé.

Nesse sentido, a fraqueza de Abrão não foi tanto a de não agir sabiamente com Sarai quanto a convencê-la a acreditar no milagre de Deus em sua vida. Sua esposa precisava de uma experiência com Deus capaz de dar-lhe o conhecimento sufi ciente para entender que seu marido tinha razão no que dizia. Portanto, é preciso atentar para uma preciosa lição: os homens de Deus têm um papel de mentores espirituais em suas casas e, por isso, não podem deixar de governá-la com sabedoria (cf. 1 Tm 3.5,6).

 

 

Comentários

 

 

A fraqueza de Abrão não foi apenas não agir com firmeza para com Sarai em convencê-la a acreditar no milagre de Deus em sua vida. Sarai precisava de uma experiência com Deus capaz de dar-lhe o conhecimento suficiente para entender que seu marido tinha razão no que lhe dizia. Quando Sarai diz a Abrão que “o Senhor me tem impedido de gerar”, parecia estar afirmando que Deus havia falhado com ela em torná-la apta para gerar um filho.

Seu coração carnal a fez desprezar a fé. Ela afastou-se do lugar de absoluta dependência de Deus e preferiu decidir por si mesma, usando Agar como meio para o cumprimento da promessa de Deus.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 15-16.

 

 

Em momentos de fraqueza, até mesmo as mentes mais espirituais caem, em busca de planos alternativos que não se harmonizam com a vontade de Deus. Falta-nos previsão, e, em nossa mente, qualquer demora por muitas vezes é equiparada ao fracasso.

Não lhe dava filhos. Já tínhamos sido informados acerca da esterilidade de Sara. Ver as notas sobre Gên. 11.30 quanto a essa calamidade, aos olhos dos povos antigos. Esse foi o fato que provocou o queixume de Abraão diante de Deus, o que resultou em uma experiência mística de elevado nível acerca das provisões do Pacto Abraâmico, no capítulo quinze de Gênesis. A principal dessas provisões, o sine qua non, era a promessa de um herdeiro, um filho que o próprio Abraão geraria. Ter um filho com Hagar era um filho natural, mas não o filho prometido. Ver as notas sobre o Pacto Abraâmico, em Gên. 15.18.

Sara acusou Deus pela sua esterilidade, e assim tomou suas próprias medite. Os filhos são herança do Senhor (Sal. 127.3); e estar alguém sem filhos, de acordo com a mentalidade dos hebreus, era um ato de Deus. Destarte, Sara resolveu ajudar a Deus para que o plano Dele desse certo. É verdade que, na realização dos planos de Deus, precisamos fazer a parte que nos cabe, mas algumas vezes exageramos.

A arqueologia tem confirmado que, na época de Abraão, havia o costume de que uma mulher podia dar a seu marido uma concubina, para que os filhos desta fossem considerados filhos da esposa legítima, Esse costume é também confirmado em Gênesis 30.3 (no caso de Raquel) e em Gênesis 30.9 (no caso de Lia). Os filhos nascidos dessas uniões eram considerados filhos da esposa legítima, como já dissemos, e não da concubina. Assim, a questão tem-se tornado fulcro de muita discussão em nossos dias, e estão sendo julgados vários casos na lei, procurando resolver quem tem direito de ficar com esses filhos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 123.

 

 

JÁ HAVIA DEZ ANOS desde que Abrão havia saído de sua terra. Deus lhe havia prometido uma numerosa descendência como o pó da terra (13.16) e como as estrelas do céu (15.5). Contudo, Sarai já está agora com 75 anos, e, além de estéril, sua ovulação já havia cessado. Sarai compreendeu que tinha chegado para ela o fim da linha da esperança de ser a mãe do herdeiro. Desesperançada, ela arquiteta um plano para “cooperar” com Deus na consecução de Seu propósito. Desse expediente irrefletido, surge o primeiro relato de barriga de aluguel da história. Agar, serva de Sarai, será entregue a Abrão para suscitar o herdeiro da promessa. Este, porém, não era o plano de Deus, nem frustrou o plano de Deus, porém trouxe muitas dores de cabeça para a família de Abrão e seus descendentes ao longo da história. Warren Wiersbe destaca que aquilo que os jornalistas chamam hoje de “conflito árabe-israelense” começou com esse desvio de Abrão e Sarai.

Por que Deus demorou tanto para dar o filho da promessa? Por que ainda se passaram mais quinze anos até que a promessa fosse cumprida? Deus queria que Abraão e Sara estivessem “amortecidos” (Hb 11.12), a fim de que a glória fosse dada somente ao Senhor. Aquilo que é verdadeiramente feito pela fé é realizado para a glória de Deus (Rm 4.20), não para a exaltação do homem.

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

CONCLUSÃO

 

Esta lição nos ensina a respeito das promessas de Deus para a vida do crente. Entretanto, ela alerta para o perigo de nos precipitarmos com interferências no cumprimento dessas promessas.

Vimos que esse tipo de atitude trouxe consequências graves para a família de Abrão. Que Deus nos livre de tentarmos interferir em seus planos, pois sabemos que sua vontade é boa, agradável e perfeita (Rm 12.2).

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

 1. Quanto tempo Abraão esperou pelo cumprimento da promessa divina?

 

 2. No capítulo 15 de Gênesis, Abrão é um homem de fé; por que no capítulo 16 a situação muda completamente?

 

 3. Por que Sarai persuadiu a Abrão de que a melhor forma de ele ter um herdeiro seria tomar a serva egípcia, Agar, por mulher?

 

 4. Quais elementos suscitados que deixaram a casa de Abrão em uma situação insustentável?

 

 5. Para qual lição preciosa precisamos atentar?

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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2 respostas para “1 LIÇÃO 2 TRI 23 – QUANDO A FAMÍLIA AGE POR CONTA PRÓPRIA”

  1. Todos os comentários citados corroboraram com a lição sobre a falta de fé de ambos e o equívoco de Sarai. Porém existe outros comentários que mostram que Sarai não sabia que estava inclusa na promessa, porém comtemplava a promessa feita ao seu marido num sinal de altruísmo. Veja comentário de Púlpito e C. Matthew Poole.

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