1 LIÇÃO 3 TRI 22 – AS SUTILEZAS DE SATANÁS CONTRA A IGREJA DE CRISTO

 

AS SUTILEZAS DE SATANÁS CONTRA A IGREJA DE CRISTO

1 LIÇÃO 3 TRI 22 – AS SUTILEZAS DE SATANÁS CONTRA A IGREJA DE CRISTO

TEXTO ÁUREO

 

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios.” (1 Tm 4.1)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

De forma sutil e sorrateira, o Diabo desfere ataques à Igreja. É preciso que cada crente saia ao combate com as armas espirituais dadas por Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Gn 37.5-7 Deus adverte pessoas e grupos

 

Terça – Is 3.16-24 Deus adverte por meio de profetas

 

Quarta – 1 Tm 4.1 A Apostasia dos últimos tempos

 

Quinta – 1 Tm 4.1,3 O ataque nas esferas espiritual e social

 

Sexta – 1 Tm 4.5 O poder da Palavra de Deus e da oração

 

Sábado – 1 Tm 4.7 O valor da piedade cristã

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Timóteo 4.1-5

 

1 – Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios,

 

2 – pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência,

 

3 – proibindo o casamento e ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças;

 

4 – porque toda criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças,

 

5 – porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada.

 

 

Hinos Sugeridos: 34, 48, 98 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

1- INTRODUÇÃO

 

A Igreja está sob ataque. Esses ataques são sutis e perspicazes. Neste trimestre, estudaremos a respeito das Sutilezas de Satanás contra a Igreja de Cristo. Para desenvolver esse importante tema, contaremos com o comentário do pastor José Gonçalves, mestre em Teologia, escritor, articulista e líder da AD em Água Branca (PI).

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

1- Mostrar que a Igreja está sob ataque de Satanás;

2- Descrever a natureza do ataque;

3- Elencar as esferas do ataque; IV) Pontuar os instrumentos de proteção da Igreja.

B) Motivação: De tempos em tempos, Satanás, o nosso Adversário, planeja ataques contra a Igreja de Cristo. Nestes últimos dias, seus ataques não são claros. Eles se revelam sutis, perspicazes e sedutores. Quando muitos percebem, já é tarde demais.

C) Sugestão de Método:

Inicie a aula deste trimestre apresentando o tema geral e o sumário da revista. É importante que os alunos tenham a noção geral do tema que será abordado ao longo do trimestre. Para isso, é importante que você tenha em mãos o material didático com antecedência. É preciso planejar o trimestre para, depois, planejar a aula de cada domingo.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

Aplicação: Conscientize os alunos a respeito da importância de o cristão estar vigilante nestes últimos dias. É preciso cuidar da vida espiritual, lendo a Palavra de Deus de maneira disciplinada e cultivar uma vida de oração e jejum. As nossas armas são espirituais.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 91, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “Cuidado!” é uma reflexão a respeito dos diversos ataques dos falsos mestres;

2) O texto “Tenha Discernimento!” traz uma proposta de aplicação em relação aos diversos fenômenos espirituais dos dias atuais.

 

 

INTRODUÇÃO

 

Neste trimestre, estudaremos a respeito dos diversos ataques contra a verdadeira Igreja. Isso acontece porque Satanás sempre se opôs ao povo de Deus, tanto na Antiga quanto na Nova Aliança. Fora do contexto bíblico, a Igreja sempre experimentou a oposição do Diabo. Nem sempre esses ataques acontecem da mesma forma, com a mesma metodologia ou a mesma intensidade. Contudo, o agente por trás desses ataques é sempre o mesmo: Satanás.

 

COMENTÁRIO

 

 

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm a consciência cauterizada, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com gratidão pelos que creem e conhecem a verdade. Pois tudo o que Deus criou é bom, e, se recebido com gratidão, nada é recusável, porque é santificado pela palavra de Deus e pela oração. Expondo estas coisas aos irmãos, você será um bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que você tem seguido. Mas rejeite as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercite-se, pessoalmente, na piedade. Pois o exercício físico tem algum valor, mas a piedade tem valor para tudo, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de vir. Fiel é esta palavra e digna de inteira aceitação. Pois é para esse fim que trabalhamos e nos esforçamos, porque temos posto a nossa esperança no Deus vivo, Salvador de todos, especialmente dos que creem. (1Tm 4.1-10, NAA)

O escritor Paul E. Holdcraft disse certa feita que “o diabo pode estar fora de moda, mas não de suas maléficas atividades”. Os cristãos ao longo da história se aperceberam desse fato. O Diabo não deixou de ser Diabo nem tampouco de trabalhar. Contudo, devemos dizer que a maneira como o Inimigo trabalha nem sempre é percebida. Em vez de se expor, o Adversário prefere o anonimato ou os bastidores no qual veladamente máquina e executa suas nefastas atividades. A sutileza é a marca registrada de suas ações. Quanto a isso, as Escrituras são bastante claras (Ef 6.11).

Gonçalves. José,. Os Ataques Contra a Igreja de Cristo. As Sutilezas de Satanás neste Dias que Antecedem a Volta de Jesus Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022.

 

 

O perigo das falsas doutrinas (4.1-5)

As falsas doutrinas têm um poder mais destrutivo que a perseguição. A sedução da serpente é mais letal que o rugido do leão. Alguns pontos são aqui ressaltados.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 97.

 

Palavra-Chave Sutileza

 

I – A IGREJA SOB ATAQUE

 

1- A sutileza do ataque.

 

Um fato de fácil constatação é que a oposição sistematizada às verdades cristãs cresceram nas últimas décadas em escala exponencial. Se em anos passados as perseguições e conflitos bélicos eram os instrumentos usados, hoje isso acontece de forma muito mais sutil. Elas ocorrem, por exemplo, com a normalização de comportamentos e práticas contrárias à fé cristã.

 

COMENTÁRIO

 

 

No século XXI, a família está sob ataque das forças do inferno de maneira sistemática e insidiosa. Em todos os tempos, esse ataque tem sido real. Mas nunca como nos dias presentes. Satanás tem conseguido mobilizar governos, sistemas judiciários, escolas e faculdades, para minar as bases da instituição familiar. Só em Cristo a família pode resistir às investidas satânicas.

Formadores de opinião trabalham para a destruição da entidade familiar, tal como Deus a criou, pela união de um homem e de uma mulher, através do casamento. A sociedade sem Deus admite outros “arranjos” de família. O Supremo Tribunal Federal do Brasil aprovou lei que considera a união homossexual “união estável”, ou, o que é pior, “entidade familiar”, torcendo e distorcendo o sentido de família, de acordo com a Constituição do País. O que significa isso? Total desprezo à Palavra de Deus, que considera tais uniões “abominação ao Senhor” (Lv 18.22; 20.13).

É tão terrível o ataque à família na área da sexualidade, que um líder gay declarou, anos atrás, que os filhos dos conservadores, nos Estados Unidos, seriam alvo da sodomia. O Reverendo Louis Sheldon, Presidente da “Coalizão dos Valores Tradicionais” naquele país, registrou o discurso de um representante do segmento homossexual, com a desfaçatez e a arrogância própria da maioria desse grupo social, no jornal Gay

Community News, escrito pelo ativista Michael Swift:

Vamos sodomizar seus filhos, símbolo de sua frágil masculinidade, de seus sonhos superficiais e mentiras vulgares. Vamos seduzi-los em suas escolas, em suas repúblicas, em seus ginásios, em seus vestiários, em suas arenas de esportes, em seus seminários, em seus grupos de jovens, nos banheiros de seus cinemas, nos alojamentos de seu exército, nas paradas de seus caminhões, em todos os seus clubes masculinos, em todas as suas sessões plenárias, em todos os lugares onde homens estejam juntos com outros homens. Seus filhos se tornarão nossos subordinados e farão tudo o que dissermos. Serão remodelados à nossa imagem. Eles suplicarão p o r nós e nos adorarão” (grifo nosso).

As declarações desse líder homossexual revelam de modo cristalino a estratégia diabólica para dominar a sociedade. Os homossexuais não querem apenas o respeito a seus direitos. Eles têm um projeto de poder, de dominação, principalmente das crianças e dos jovens, para comprometer o futuro das nações, submetendo-as às suas ordens. Vejam bem os leitores o que o representante do Diabo disse: “Seus filhos se tornarão nossos subordinados e farão tudo o que dissermos”. Dá para duvidar da natureza maligna de uma declaração como essa?

São as “portas do inferno”, batalhando para destruir a família e os princípios defendidos pela Igreja do Senhor Jesus. Mas essas portas satânicas não prevalecerão. É uma questão de tempo. O Supremo Juiz do Universo não dorme nem cochila. Seu sistema divino de controle, de acompanhamento da História e das ações de todos os homens é o mais perfeito do universo. Nada escapa ao seu olhar. Ele a tudo vê. Mas só age, e agirá, no seu tempo, no seu “kairós \ tempo que só a Ele pertence.

Aparentemente, Deus não está agindo. Mas está. A seu modo, no seu tempo.

A Igreja do Senhor Jesus Cristo é a porta-voz de Deus. Ela tem uma missão proclamadora do evangelho, mas também de denúncia contra a pecaminosidade que destrói a sociedade, como um câncer enganoso, que aparenta inofensivo, mas está causando metástase em todo o tecido social. A família está sendo destruída. A prostituição, as drogas e a violência são vivenciadas em todos os lugares. Antes, só nas grandes metrópoles que esses males eram mais sentidos. Hoje, porém, com a influência dos meios de comunicação, os costumes têm mudado drasticamente, alcançando todos os rincões do país. Seja nas grandes capitais, seja nos menores distritos, vilas e povoados, a influência nefanda desse falso “progresso” tem chegado, dominando as mentes e as consciências.

Infelizmente, os governos estão alinhados com o espírito do Anticristo.

Quase sem exceção, todos estão de acordo com as mudanças perniciosas que se voltam contra a família. Até porque, com a “nova visão de mundo”, a família tradicional é considerada ultrapassada. O casamento monogâmico e heterossexual é retrógrado e precisa dar lugar a “novas configurações de família”. Uma ministra do atual governo declarou à imprensa que “essa família, composta de papai, mamãe e filhos” está ultrapassada. Novos “arranjos familiares” se imporão.

Tal declaração identifica mais uma agente do Anticristo. Desgraçadamente, esses agentes ocupam cargos importantes em todas as esferas de direção do país. E eles têm poder político para aprovarem seus intentos afrontosos contra a Palavra do Senhor. Assim, a igreja de Jesus, formada de famílias cristãs, não pode ficar silente, omissa e acovardada.

Tem que demonstrar que tem poder espiritual e moral para fazer frente à onda satânica que tomou conta da maioria dos governos e instituições do mundo. Somente com a mensagem poderosa do evangelho de Cristo, é possível salvar a família da destruição total, preconizada pelo Diabo e seus agentes humanos.

Renovato. Elinaldo,. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. Editora CPAD. 1ª edição: 2013. pag. 40-41.

 

 

Uma Análise Bíblica Sobre o Engano Satânico

Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônio. (1 Timóteo 4-1)

Todo tipo de verdade liberta; as mentiras, entretanto, aprisionam em cadeias. A ignorância também aprisiona, porque cede terreno a satanás. A ignorância do homem é condição primária e essencial para o engano por espíritos malignos. A ignorância do povo de Deus a respeito dos poderes das trevas tem facilitado a obra de satanás como enganador. O homem não-caído, em seu estado puro, não era perfeito em conhecimento. Eva era ignorante em relação ao bem e ao mal, e sua ignorância foi condição propícia para o engano da serpente.

O grande propósito do diabo, pelo qual ele luta incessantemente, é manter o mundo na ignorância a seu respeito, sobre sua maneira de agir e sobre seus comparsas, e a Igreja acaba ficando do lado dele quando decide ser ignorante sobre ele. Todo homem deve manter-se aberto a toda a verdade e rejeitar o falso conhecimento que tem derrotado dezenas de milhares e mantido as nações sob o engano do maligno.

UM ATAQUE VIOLENTO DE ESPÍRITOS ENGANADORES SOBRE A IGREJA Hoje em dia, espíritos enganadores atacam de forma especial a Igreja de Cristo. Esse ataque é cumprimento da profecia que o Espírito Santo revelou expressamente por meio do apóstolo Paulo: que um grande ataque de engano aconteceria nos “últimos tempos”. Desde que essa profecia foi entregue, mais de mil e oitocentos anos já se passaram, [Levando-se em conta de que a primeira edição desse livro é de 1912.] mas a manifestação especial de espíritos malignos para engano dos crentes hoje em dia aponta, sem dúvida alguma, para o fato de que estamos nos “últimos dias”.

O perigo da igreja no fim dessa dispensação foi predito como sendo especialmente no campo sobrenatural, de onde satanás enviaria um exército de espíritos ensinadores (1 Tm 4.1) para enganar todos os que estivessem abertos a ensinamentos por revelação espiritual e, assim, afastá-los, mesmo que eles não queiram, da plena aliança com Deus.

No entanto, apesar dessa clara previsão sobre o perigo dos últimos tempos, encontramos a Igreja em quase total ignorância sobre as obras desse exército de espíritos malignos. A maioria dos crentes é muito rápida em aceitar tudo que seja “sobrenatural” como vindo de Deus, e experiências sobrenaturais são indiscriminadamente aceitas porque acredita-se que todas elas sejam divinas.

Por falta de conhecimento, a maioria das pessoas, mesmo as mais espirituais, não guerreiam de modo completo e contínuo contra esse exército de espíritos malignos, e muitas até fogem do assunto e do chamado para essa guerra, dizendo que, se Cristo é pregado, não é necessário dar tanto destaque à existência do diabo nem entrar em conflito direto com ele e suas hostes. No entanto, um grande número de filhos de Deus estão se tornando presa fácil para o inimigo por falta desse conhecimento, e por meio do silêncio dos mestres a respeito dessa verdade vital, a Igreja de Cristo está marchando para o perigo dos últimos dias, despreparada para o ataque violento do inimigo. Por causa disso, e em vista das palavras proféticas claras nas Escrituras, a afluência já manifesta das hostes malignas entre os filhos de Deus e os muitos sinais de que estamos realmente nos “últimos dias” a que se refere o apóstolo, todos os crentes deveriam receber abertamente tal conhecimento sobre os poderes das trevas, pois ele permitirá que passem pela prova terrível desses dias sem serem derrotados completamente pelo inimigo.

Sem tal conhecimento, quando pensar que está lutando pela verdade, é possível que um crente lute, defenda e até proteja espíritos malignos e suas obras, crendo que está defendendo Deus e Suas obras; pois se pensa que algo é divino, ele o irá proteger e defender. E possível que, por ignorância, um homem chegue a ficar contra Deus e a atacar a própria verdade de Deus, e também a defender o diabo e se opor a Deus — a menos que tenha conhecimento.

Penn-Lewis, Jessie. Guerra contra os Santos: a obra clássica sobre batalha espiritual, tomo 1, versão integral. Editora dos Clássicos, Edição 2001. pag. 41-43.

 

2- O alerta para o povo de Deus.

 

Um fato de fácil observação nas Escrituras é que Deus sempre manteve seu povo sob alerta. No Antigo Testamento, por exemplo, nada acontecia com o povo de Deus sem que fosse avisado. Os alertas e advertências sempre vinham. Isso pode ser visto tanto em relação a pessoas quanto a grupos (Gn 37.5-7; cf. 45.5-8; 18.17,18). Durante a monarquia esses avisos e advertências vieram de uma forma muito mais intensa através do ministério dos profetas (2Rs 6.8-12; Is 3.16-24; Ez 7.1-27; Dn 10.14). Na sua primeira carta a Timóteo, Paulo escreveu sobre o grande alerta que o Espírito Santo dava à igreja: “[…] o Espírito expressamente diz […]” (1Tm 4.1). O advérbio grego retos, traduzido como “expressamente”, possui o sentido de “claramente”, “sem sombras de dúvidas”. O Espírito do Senhor, portanto, faz conhecido ao seu povo os perigos que o cercam.

 

COMENTÁRIO

 

« …o Espírito…» Está em foco o Espírito Santo.

É bem provável que devamos entender aqui que o Espírito de Deus forneceu tal informação por meio dos «profetas». Paulo tinha consciência do que aconteceria, quiçá mediante a inspiração espiritual. (Ver Atos 20:29). E muitos profetas talvez soubessem de antemão com o a heresia haveria de penetrar na igreja.

Também pode haver aqui alusão a certas porções da tradição oral que continha secções apocalípticas, ou a alguns documentos escritos que continham tais informações. Quando foram escritas estas «epístolas pastorais», até mesmo alguns dos livros do nosso atual N.T. poderiam estar sendo aludidos, pois, por enquanto não havia ainda o que se chama de «cânon neotestamentário», embora várias das epístolas de Paulo e os quatro evangelhos já gozassem de larga circulação. Porém, a referência primária, mais provavelmente, é às predições dos «profetas».

«…afirma expressamente…» O grego diz «lego», que significa «falar», «dizer», e «retos», que descreve como o Espírito fala, a saber, «expressamente», «explicitamente». Este advérbio é palavra cognata de «retor», que significa «orador», aquele que discursa em público. O Espírito falava claramente, com autoridade, à maneira de um orador. Não podia haver dúvidas quanto ao que ele queria dizer. Essa profecia não era nenhuma «declaração enigmática», que precisasse de ser interpretada. A forma adjetivada, «retos», significa «especificado», «nomeado». E foi exatamente dessa forma que o advérbio aqui usado foi criado.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 318.

 

 

O mesmo Espírito que havia inspirado Paulo a alertar os presbíteros de Éfeso acerca da chegada dos falsos mestres (At 20.29,30), agora leva Paulo a alertar Timóteo, pastor da igreja de Éfeso, de que esse tempo chegaria e o resultado seria a apostasia de alguns. O mesmo Espírito que revela o mistério da beatitude desvenda também o poder opositor dos espíritos aliciadores. O Espírito da profecia revela tanto o mistério de Deus como o poder mentiroso do mal.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 98.

 

 

3- A Igreja na reta final.

 

A sutileza de Satanás ao atacar a Igreja de Cristo é um fato claramente revelado pelo Espírito Santo. Deus preveniu a Igreja de que isso aconteceria. Não há razão, portanto, para surpresas. Foi previsto e registrado nas Escrituras. Além desse fato, o Senhor também mostra que isso aconteceria nos “últimos tempos” (1Tm 4.1). A expressão “últimos tempos” é uma referência ao período compreendido como sendo a Era da Igreja. Nesse aspecto, o apóstolo Pedro disse que o derramamento do Espírito fazia parte dos eventos dos “últimos dias” (At 2.17); e, de forma semelhante, o apóstolo Paulo descreve como os homens se comportariam “nos últimos dias” (2Tm 3.1-7).

A precisão com que foram descritos esses sutis ataques de Satanás contra a Igreja, e não a referência a dia e hora, deveria servir de alerta máximo para nós. A profecia é bem clara e objetiva em descrever comportamentos, ações e práticas que marcariam esse tempo final. Se o apóstolo Paulo, que viveu há mais de dois mil anos, disse já vivenciar os últimos dias (1Co 10.11), o que a Igreja pode dizer dessa presente época? Não estaríamos na reta final? Na última volta da corrida?

 

COMENTÁRIO

 

 

«…nos últimos tempos…» A expressão neotestamentária usual é «eschatos», que significa «último». Mas aqui é usado o comparativo, «usteros», «piais tarde». Isso poderia significar «em alguma crise posterior», ou nos «dias finais». Esta última possibilidade tem sido preferida pelos intérpretes, pois o autor não falava do que ainda era «futuro» para ele, mas antes, sobre o que é «posterior», em comparação com tempos anteriores, quando ainda não havia qualquer manifestação herética. O escritor sagrado falava do ponto de vista de seus próprios dias, pois é óbvio que cria que a heresia já vinha se manifestando na igreja, conforme estas «epístolas pastorais» o demonstram do princípio ao fim, pois, de fato, foram escritas justamente para combater as heresias. Lock (in loc), parafraseia esta sentença como segue: «Há uma profecia passada sobre uma crise futura, que agora começa a cumprir-se».

(Comparar isso com I João 4:1-3).

«…tempos…» é tradução do termo grego «kairos», «tempo», que indica um período particular, caracterizado por determinados eventos. O trecho de II Tim. 3:1 diz «Nos últimos dias…», onde a palavra «dias» é modificada por «últimos». Essas expressões devem ser equivalentes, porém, porquanto ambas se referem a uma grave crise de heresias, que já se fazia presente na igreja primitiva. Os cristãos do início de nossa era não esperavam que houvesse uma longa «era da graça», intercalada antes da «parousia» ou segundo advento de Cristo. Pensavam que já viviam nos dias finais, imediatamente antes da «parousia».

É verdade, entretanto, que muitas profecias têm certa aplicação «presente» (isto é, se aplicam ao próprio tempo em que são proferidas), além de terem certa aplicação «futura», que algumas vezes é adiada até aos fins dos tempos. A maioria dos intérpretes do N.T. supõe que essa predição de apostasia tem essa aplicação; e isso é confirmado pelas predições existentes em II Tes. 2:1 ess., acerca do anticristo e da «grande apostasia», que certamente ainda jazem no futuro. Além disso, os capítulos doze e treze do livro de Apocalipse mostram-nos que haverá uma grande apostasia, durante a qual Satanás, por meio de seu grande agente, o anticristo, será adorado. E aquela será a plena expressão da rebeldia da humanidade contra Deus, o que caracterizará a época imediatamente anterior à «parousia».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 318.

 

 

A expressão últimos tempos não se refere apenas a um período escatológico do fim, mas compreende todo o período da era cristã, inaugurado por Jesus em sua primeira vinda e que se consumará na segunda. Esse tempo do fim será caracterizado pela manifestação de falsos profetas (Mt 24.11) e falsos cristos que enganarão muitos (Mc 13.22), culminando na apostasia e na manifestação do homem da iniquidade (2Ts 2.4).

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 98.

SINOPSE I

A Igreja de Cristo precisa estar em estado de alerta contra as Sutilezas de Satanás nesta reta final.

 

 

II – A NATUREZA DO ATAQUE

 

 

1- O ataque é de natureza espiritual.

 

Em sua exposição o apóstolo faz referência a “espíritos enganadores” e “demônios” (1Tm 4.1). Não há nenhuma dúvida que é uma referência aos espíritos maus, aqui também chamados de “demônios”. Isso revela a natureza dos agentes envolvidos nos ataques que são feitos à Igreja – Satanás e seus demônios. Os maiores inimigos da Igreja são seres sobrenaturais. Nesse sentido, podemos também dizer que a natureza desse ataque é espiritual. De fato, ao escrever aos efésios, o apóstolo Paulo diz que a nossa luta não é contra carne ou sangue, mas contra os principados e potestades do mal (Ef 6.12).

 

COMENTÁRIO

 

 

«… por obedecerem a espíritos enganadores…» Estão em foco os espíritos malignos, cuja atividade consiste em enganar aos homens, desviando-lhes a atenção para longe de Cristo. Era uma ideia muito comum, no judaísmo, que por detrás das práticas idólatras havia espíritos enganadores, que prejudicavam os homens, cegando-os para com o verdadeiro Deus e a verdadeira adoração. O trecho de Efé. 6:12 mostra-nos que o «conflito» da vida cristã na realidade é contra forças espirituais estranhas, que têm a Satanás como chefe, e não meramente contra a perversão da razão humana.

O termo «…enganadores…», neste caso, é tradução do vocábulo grego «planos», que significa «desviador», «enganador», desempenhando aqui o papel de «impostor». Este versículo pode ser confrontado com os trechos de Mat. 24:15; I João 4:6; Apo. 16:14 e Tia. 3:15.

O bode de nome Judas: Os obreiros impostores se apresentam como apóstolos de Cristo, como anjos de luz. (Ver II Cor. 11:13). O próprio Satanás assim se disfarça. (Ver II Cor. 11:14). Na cidade de Nova Iorque, na New York Butcher’ s Dressed Meat Company, havia certo animal a que chamavam de «Bode Judas». Seu trabalho consistia em escoltar as ovelhas, desde a beira do rio, onde eram desembarcadas, até ao matadouro. Esse bode começava a agir cedo pela manhã, no que continuava até o fim do dia.

Seu pelo era branco, e facilmente conduzia as ovelhas à destruição, pois não eram sábias bastante para perceber que o bode era de uma espécie animal diferente. É fato bem conhecido que, diferentemente do gado e dos porcos, que precisam ser tangidos, as ovelhas seguem a um líder; e era isso que possibilitava o trabalho daquele bode. Aquele bode era bonito, brilhante e de aparência atrativa, servindo de líder que as ovelhas seguiam facilmente.

Calcula-se que durante sua carreira ele conduziu cerca de quatro milhões e meio de ovelhas para a sua morte.

«…ensinos de demônios…» Os demônios entram em contato com os homens. Alguns deles estão interessados nas questões religiosas, enganando os homens mediante cerimônias religiosas; mas outros demônios não estão interessados por essas coisas, a julgar pelo estudo de suas ações. 

Pois há demônios que pervertem moralmente os homens, ou os pervertem em outros particulares, sem voltar-lhes a atenção para a fé religiosa. Mas há aqueles que provavelmente chegam a crer no tipo de religião que impulsiona as pessoas a aceitarem, «inspirando» certas mentes acerca da suposta «verdade» de suas doutrinas. E certamente é desse m odo que surgem os líderes heréticos. A maioria desses líderes realmente crê-naquilo que ensinam, e assim falam com autoridade, ch eg an do a convencer a muitos. Estas «epístolas pastorais» dão-nos a impressão de que esse era o caso do gnosticismo, que assediou a igreja cristã por tanto tempo. Por conseguinte, os demônios têm os seus próprios «…ensinos…». O trecho de Tia. 3:15 fala sobre a «sabedoria demoníaca».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 318-319.

 

 

Ao único Espírito Santo se contrapõem muitos espíritos não santos; à única doutrina saudável, muitas doutrinas prejudiciais. Quem está por trás das heresias são os espíritos enganadores, os próprios demônios. Os falsos mestres são inspirados por demônios, assim como os apóstolos eram inspirados pelo Espírito de Deus. Satanás tem seus próprios ministros e suas próprias doutrinas. As Escrituras descrevem o diabo não apenas como tentador, atraindo pessoas para o pecado, mas também como enganador, seduzindo as pessoas para o erro.4 Os falsos mestres são escravizadores dos homens e difamadores de Deus. Eles proíbem o que Deus ordena e escravizam pessoas, impondo a elas restrições que Deus nunca fez.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 98-99.

 

2- O ataque é de natureza moral.

 

Outra coisa a ser levada em conta sobre a natureza do ataque à Igreja, que revela a sutileza do Diabo: esse também é um ataque moral. O apóstolo faz referência a pessoas que se comportam de forma hipócrita e que também são mentirosas (1Tm 4.2). Esses comportamentos se encontram na esfera moral. Na verdade, a hipocrisia e a mentira são manifestações inversas das virtudes morais cristãs da autenticidade e da verdade. A operação do erro sempre trabalha com a falsidade e o engano. Paulo também demonstra a esfera moral desse ataque quando faz referência àqueles que têm “cauterizada a sua própria consciência”. O termo grego suneidesis, usado aqui para “consciência”, é uma referência à capacidade humana de julgar, de entender o certo e o errado. Em outras palavras, é a faculdade humana por meio da qual se distingue o que é moralmente bom ou ruim. Uma consciência “cauterizada” (gr. kausteriazo) significa dizer que ela se tornou insensível para julgar entre o certo e o errado.

 

COMENTÁRIO

 

 

«…hipocrisia…» No grego é «upokrisis», que originalmente significava «desempenhar um ato em um palco», posto que a forma verbal se referia à «réplica» em um diálogo em cena teatral. Um «upokrites» era um «ator», um «expositor». Gradualmente essa palavra foi assumindo um sentido negativo, dando a entender uma pessoa pretenciosa, alguém que dizia algo e queria dizer outra coisa. Daí veio o significado moderno da palavra hipócrita. Neste ponto, mui provavelmente, devemos entender «pretensão». A tradução inglesa RSV (aqui vertida para o português) diz: «…através das pretensões de mentirosos…» A tradução inglesa de Williams (igualmente vertida para o português) diz: «…pretensões dos falsos mestres…» Isso não significa, entretanto, que eles consideravam suas doutrinas como meras pretensões da verdade. Criam em suas próprias doutrinas; na realidade, entretanto, estavam equivocados, pelo que eram mentirosos. Dessa maneira desviavam-se da fé, porque, através de tal ação, tornavam-se apóstatas.

Fingiam dizer a verdade, mas realmente diziam mentiras. Não podiam desculpar-se de falta de responsabilidade, embora o que faziam fosse inspirado pelos poderes demoníacos, visto que gradualmente foram cedendo a esses poderes; ou então, em face de uma conversão não-genuína, nunca se tinham libertado do engano. E assim, tendo entrado em contato com o cristianismo, embora supostos discípulos de Cristo, imediatamente se tornaram elementos perniciosos para a igreja cristã, visto que desviavam a muitos. Além disso, visto que suas consciências estavam «cauterizadas», não mais eram capazes de fazer a distinção entre o certo e o errado, entre a verdade e a mentira, pelo que eram indivíduos particularmente perigosos.

«…têm cauterizada a própria consciência…» «A metáfora se baseia nas marcas feitas a fogo nos escravos ou criminosos, sendo que estes últimos eram marcados na fronte. Tais enganadores não agiam sob ilusão, e, sim, deliberadamente, contra suas próprias consciências. Vestiam a forma de piedade, mas contradiziam as suas palavras com sua conduta distorcida (ver II Tim. 3:5). E a marca não estava em suas frontes, mas na própria consciência. (Comparar com Tito 1:15 e 3:11)». (Vincent, in loc.). Por conseguinte, por assim dizer foram marcados para a servidão a um mestre cruel, Satanás. Isso pode ser contrastado com as «stigmatta» de Cristo (ver Gál. 6:17), que Paulo tinha recebido.

«Esses estavam em pior situação que os pagãos não-sofisticados, cuja consciência dava testemunho sobre a lei de Deus. (Ver Rom. 2:15). A consciência daqueles homens estava pervertida. A palavra ‘cauterizada’ pode significar que já estavam ‘ insensíveis’ (ver Efé. 4:19), que a consciência deles estava calejada, devido à violação constante, como a pele engrossa devido à fricção constante… Ou pode estar em foco a ideia que aqueles homens ‘traziam marcado na consciência o sinal de possessão ao espírito do mal’, o selo do diabo (ver II Tim. 2:19)… Qualquer dessas interpretações é mais atrativa que aquela de Bengel, seguida por Alford, que pensa que isso significa que as marcas do crime foram feitas a fogo neles, pelo qμe estavam condenados por si mesmos. (Ver Tito 1:15 e 3:11)». (White, in loc.).

A consciência é aquela função da alma, do intelecto e das emoções, e que

nos diz o que é certo e o que é errado.

Se o indivíduo abusar de sua consciência, cauterizando-a, ela deixa de prestar testemunho, cessa em sua função. Nesse caso, o indivíduo se torna extremamente depravado, em sua vida, em sua conduta moral e em suas doutrinas e crenças religiosas, contando com pouca ou nenhuma defesa contra a sua própria perversidade. Os gnósticos, pois, eram perversos em suas doutrinas e em sua conduta moral, embora alguns fossem ascetas e outros libertinos. As «epístolas pastorais» refletem ambos esses extremos. Os versículos que se seguem deixam transparecer o ascetismo, mas o trecho de II Tim. 3:4,6 fala sobre a posição dos libertinos.

Ora, estando com a própria consciência cauterizada, um homem perde o senso de equilíbrio entre dois pontos extremos. Pode tornar-se estupidamente ascético, ou libertino até um extremo nojento. Os que assim fazem, desfizeram-se da fé e da boa consciência, segundo se lê em I Tim. 1:19. Henry Sloane Coffin menciona a declaração de um oficial chinês, o qual, interrogado sobre qual pensava ser a qualidade mais distintiva do Senhor Jesus, respondeu que era o seu poder de «criar uma consciência mais delicada». (God Confronts Man in History, pág. 33).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 319.

 

 

Os falsos mestres são como atores: representam um papel diferente da vida real. Falam uma coisa e fazem outra. São hipócritas. Não revelam sua verdadeira identidade; ao contrário, escondem-se atrás de máscaras para enganar as pessoas. Os falsos mestres possuem não apenas um ensino errado, mas também uma motivação errada; não apenas uma teologia falsa, mas também uma vida torta. O problema dos falsos mestres não é apenas teológico, mas também moral. A consciência dos falsos mestres não tem sensibilidade espiritual; está cauterizada, anestesiada, amortecida. Eles perderam o temor de Deus e não sentem mais tristeza pelo pecado. São insensíveis.

A palavra grega kauteriazo, traduzida por cauterizada, traz a ideia de “marcar com um ferro quente”, como era feito no passado com os escravos e hoje com o gado, deixando o lugar queimado insensível. Concordo com Warren Wiersbe, quando diz que “sempre que alguém afirma com os lábios o que nega com a vida, a consciência é amortecida”.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 100.

 

SINOPSE II

Podemos classificar o ataque de Satanás a partir de duas naturezas: a sobrenatural e a moral.

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

SUTILEZA Sutileza é um adjetivo que qualifica uma pessoa ou algo de delicado, meigo, suave. Trata-se de um comportamento hábil, perspicaz, que revela certa inteligência de espírito. Esse adjetivo qualifica determinados comportamentos tanto para o bem quanto para o mal. Neste trimestre, o nosso objetivo é destacar a sutileza de Satanás contra a Igreja de Cristo.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

CUIDADO! “O apóstolo insiste que devemos andar no Jesus que recebemos para ficarmos arraigados, edificados e firmados de maneira como fomos ensinados. Entretanto, a mensagem dos agentes de Satanás é sempre contra tudo o que cremos, pregamos e praticamos. Às vezes, há alguns pontos em comum entre eles e nós, e nisso reside o perigo, pois é por onde eles entram. Depois de expor o modus operandi dos falsos mestres, ou seja, o uso de alguns métodos que eles usavam para desviar o povo da fé cristã, o apóstolo faz uma séria advertência: ‘tende cuidado’ (Cl 2.8). Devemos cuidar da liberdade que recebemos em Cristo Jesus. A mensagem do evangelho é simples, e qualquer ser humano independente de seu preparo intelectual, de sua cultura ou origem, e de seus pendores, consegue entender, basta dar lugar ao Espírito Santo, que convence o homem ‘do pecado, e da justiça e do juízo’ (Jo 16.8)” (SOARES, Esequias. Heresias e Modismos: Uma Análise Crítica das Sutilezas de Satanás. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.36).

 

 

III – AS ESFERAS DO ATAQUE

 

 

1- A esfera religiosa.

 

É importante tratarmos aqui nas esferas que esse ataque ocorre. Em primeiro lugar, o apóstolo mostra que ele acontece na esfera religiosa. Acontece, portanto, na esfera da Igreja. Isso fica claro quando Paulo diz que “apostatarão alguns da fé” (1 Tm 4.1). Não há dúvidas de que o apóstolo está se referindo a cristãos professos que sucumbiram ao ataque do Diabo. E o que é pior: agora estão a serviço dele. Aqui os principais inimigos do Evangelho vêm de dentro da própria igreja. Não é de admirar que as pessoas que mais causam danos e escândalos ao Evangelho sejam aquelas que já lutaram em suas trincheiras. Contudo, por alguma razão abandonaram a fé e se tornaram inimigo da Igreja. Certamente você conhece alguém assim.

 

COMENTÁRIO

 

 

Isso pode ser visto, por exemplo, nos recentes episódios envolvendo grandes líderes e estrelas do mundo gospel. Pregadores famosos têm se levantado para contestar o modelo ortodoxo da fé cristã e em seu lugar colocar outro evangelho que se adeque às suas crenças e convicções. Nesse aspecto, vemos a graça sendo não apenas barateada, mas, sobretudo, banalizada. Dessa forma, práticas que anteriormente eram vistas como pecaminosas ou inadequadas para o líder cristão, tais como o adultério e o divórcio, são cada vez mais aceitas sem maiores contestações. Não é incomum vermos grandes líderes envolvidos em escândalos sexuais e, da mesma forma, trocando suas esposas por outras mais jovens.

Assim, também, ainda dentro desse mesmo contexto, vemos pastores afirmando que a Bíblia é um livro que precisa ser atualizado para se ajustar às recentes conquistas sociais. A Bíblia deixa de ser a inspirada Palavra de Deus para se converter em um manual de moral que já se desatualizou. Na realidade, o que se pode afirmar com segurança é que esses líderes se renderam à cultura mundana que eficientemente desconstruiu suas convicções e fé. O mais grave disso tudo é que temos aqui um “veneno dentro da panela” que está matando pessoas dentro da igreja. Muitos desses líderes, que se renderam ao espírito deste mundo, em vez de entregarem suas igrejas, continuam de forma profana usando seus púlpitos para defender seus relacionamentos errados e suas formas equívocas de crer.

Da mesma forma, o neomarxismo e a espiritualidade holística também são bandeiras levantadas nesse contexto cultural pós-moderno. Qualquer cristão com um pouco de discernimento já tomou consciência de que há uma ideologia de natureza social que quer a todo custo suplantar os valores cristãos. Nesse aspecto, o neomarxismo ou marxismo cultural, como tem sido rotulado ultimamente, tem se convertido numa poderosa ferramenta usada para desconstruir a cultura judaico-cristã. Isso pode ser claramente percebido através de um sistema de doutrinação que procura abranger todos os seguimentos da sociedade. O que pregam e creem esses doutrinadores é diametralmente oposto àquilo que preceituam as Escrituras Sagradas. Isso vai desde a tentativa de remoção de símbolos religiosos de espaços públicos até mesmo à tentativa de se negar a natureza biológica do sexo. Por outro lado, a espiritualidade holística ou nova espiritualidade tem cada dia ganhado mais espaço nesse caldo cultural. O enfoque agora está no modelo holístico baseado na espiritualidade oriental, e não mais nos valores ocidentais notadamente cristãos. Nesse novo modelo, tudo é “deus” e “Deus” é tudo. Buda, Javé, Alá e Jesus são apenas nomes diferentes para a mesma divindade. Não há um céu para se conquistar nem tampouco um inferno para se evitar.

Enfim, são sutilezas do erro que espreitam a verdadeira Igreja de Cristo.

Nesse contexto, cabe à igreja expressar de forma firme e com toda convicção aquilo que crê e por que crê. A igreja não pode fugir de sua missão — ser sal e luz em meio a uma sociedade corrompida. Para tal, ela precisa se revestir das armas da justiça. É preciso, portanto, que a igreja ocupe todos os espaços com a poderosa mensagem do evangelho, pois somente dessa forma poderá enfrentar as sutilezas do Diabo e desfazer os seus sofismas. Convém lembrar que não há neutralidade nesse conflito — ou a igreja conquista ou ela será conquistada.

Gonçalves. José,. Os Ataques Contra a Igreja de Cristo. As Sutilezas de Satanás neste Dias que Antecedem a Volta de Jesus Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022.

 

 

«…alguns apostatarão…» No grego é «aphistemi», que significa «levar à revolta», «desviar», quando usado na voz transitiva, ou então «afastar-se», «retirar-se», «apostatar», quando esse verbo é usado intransitivamente. Esse verbo significa rejeitar uma posição anterior, aderindo a posição diferente e contraditória à primeira; perder a primeira fé, repelindo-a em favor de outra crença. Esse verbo veio a ser usado em sentido técnico para indicar a «apostasia»; e estas epístolas pastorais são bastante tardias, na ordem cronológica do aparecimento dos livros do N.T., para refletirem esse emprego. Os gnósticos faziam parte da comunidade cristã; eram apóstatas, porquanto professavam ser cristãos, sem importar se estavam firmados ou não anteriormente na fé ortodoxa. Mui provavelmente não era assim, na maioria dos casos; porém, visto que se professavam cristãos, com razão podiam ser considerados hereges e apóstatas.

«…da fé…» Podemos observar aqui o uso objetivo do termo «fé». Isso é comentado em ITim. 1:2. Temos aqui alusão à «fé cristã», ao sistema de doutrinas e crenças do cristianismo. Subjetivamente, a fé indica a confiança pessoal em Cristo e a entrega da própria alma aos cuidados de Cristo. A fé «objetiva» consiste naquilo «em que cremos», e não do próprio ato da crença. Estas «epístolas pastorais» dão-nos a entender que a fé cristã, por essa época, já havia sido formulada na forma de corpo doutrinário bem definido. Desviar-se desse corpo doutrinário, portanto, era considerado uma heresia.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 318.

 

 

A apostasia corresponde a um período em que a pessoa peca cada vez mais e obedece cada vez menos. Envolve um arrepender-se do arrependimento. É o abandono deliberado da verdade da fé cristã. Hans Bürki diz que o verbo aqui designa a apostasia intencional e consciente. A apostasia não pode ser confundida com perda da salvação, nem nega a perseverança dos santos. Significa que, por influência dos falsos mestres, muitas pessoas que outrora professaram a fé cristã abandonarão essa confissão. Pessoas que fizeram parte da igreja visível e assumiram um compromisso público deixarão as fileiras da fé cristã. Porém, nem todos os que fazem parte da igreja visível são membros da igreja invisível. Nem todos os que têm seus nomes inscritos no rol de membros da igreja têm seus nomes inscritos no livro da vida. William MacDonald ressalta que uma parte das pessoas que frequentam a igreja é formada por pessoas apenas nominalmente cristãs.

Os falsos mestres que promovem a apostasia engrossam as fileiras das seitas, e muitos estão infiltrados nas igrejas, lecionando nas cátedras dos seminários e subindo aos púlpitos para destilar seu veneno letal.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 99.

 

2- A esfera social.

 

Outra esfera do ataque de Satanás à Igreja é a social. Isso pode ser visto na expressão de Paulo: “proibindo o casamento” (1Tm 4.3). É uma forma de dizer que o Diabo se opõe à família. Sem dúvida a família é uma das mais importantes instituições sociais que existem, senão a mais. Nesses últimos anos temos visto Satanás e seus demônios atacando com muita fúria a família brasileira, especialmente a cristã. Estamos sob fogo cerrado! As mais variadas leis e decretos têm sido criados com o intuito de desconstruir a família. Precisamos acordar para essa realidade, pois atacando a família, Satanás atinge a Igreja: famílias fracas, igrejas fracas.

 

COMENTÁRIO

 

 

Um fato notável é que esse ataque está acontecendo em esfera global. No livro La Apostasía Venidera, os autores, Mark Hithcock e Jeff Kinley, descrevem como isso está acontecendo, por exemplo, nos Estados Unidos da América, que já foi um reduto da fé evangélica. Esses autores desafiam seus leitores a se darem conta do que está acontecendo ali. Assim dizem:

Siga observando a seu redor e verá as autoridades estaduais e federais, juntamente com juízes da Suprema Corte, aprovando leis e decretos que legalizam, aprovam […] as atividades homossexuais e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Aos homens que se identificam como mulheres é permitido usarem os banheiros femininos, expondo as jovens a um potencial trauma, abuso ou ataque. A consciência moral de nossa sociedade se tem embotado de tal ponto que chamamos com orgulho o mal de “bem” e o bem “mau” […] em nosso ambiente moral contemporâneo vale quase tudo […] exceto, por suposto, a moral bíblica […] o politicamente correto se converteu em um ídolo que exige veneração e culto. Não nos atrevemos a confrontar-lhes pois enfrentaremos sua ira. Por exemplo, o simples fato de não se concordar com a opinião da moda quanto a moralidade é logo taxado de incitar o ódio ou a intolerância. Os históricos valores judaico-cristãos estão sendo sistematicamente apagados das paredes da consciência e em seu lugar está sendo posta uma moral pagã e carnavalesca. Sugerir que existe uma moral absoluta e objetiva com respeito a temas como a sexualidade ou o casamento é incorrer em julgamento instantâneo e ser exposto ao ridículo, vergonha e execração no tribunal da opinião pública e ser logo apedrejado nas redes sociais. Como resultado desse e outras evidências indiscutíveis de decadência moral, muitos creem que estamos presenciando em tempo real o colapso sistemático da civilização ocidental.

Não resta dúvida, portanto, de que há uma cultura hostil e de enfrentamento à fé evangélica em escala global. Até parece que esses autores estão vivendo no contexto cultural brasileiro tamanha é a semelhança do quadro pintado. Os cristãos brasileiros da mesma forma têm tomado consciência de que tanto o legislativo como o judiciário têm tomado medidas que vão de encontro aos valores judaicos cristãos. Isso pode ser visto, por exemplo, na aprovação da união civil entre pessoas do mesmo sexo, na defesa aberta do aborto e da ideologia de gênero. Qualquer um que se oponha a esse entendimento é logo tachado de defender um discurso de ódio. Recentemente um atleta emitiu a sua opinião sobre a decisão da indústria cinematográfica converter o filho do Super-Homem em gay. Tão logo expôs sua opinião contrária a essa decisão, o atleta foi ferrenhamente atacado nas redes sociais e teve seu patrocínio retirado. É assim que a cultura secularizada reage quando alguém reclama uma volta aos valores judaico-cristãos.

O mais grave nisso tudo está no fato de que muitos cristãos não se dão conta da realidade dessa guerra. Eles simplesmente cruzam os braços como se nada estivesse acontecendo. Só que está acontecendo e de uma forma muito rápida. Parece que o Diabo quer tomar a igreja de assalto enquanto muitos estão descuidados ou dormindo. Parece incompreensível que se veja cristãos continuarem nesse cenário flertando com o mundo e consequentemente com o seu príncipe, o Diabo. É lamentável dizer, mas muitos cristãos dormem enquanto o Inimigo está semeando o seu joio.

Neste livro mostraremos as esferas nas quais o ataque à fé cristã tem se concentrado. De uma forma geral, podemos dizer que esse ataque engloba as esferas sociopolítica, ético-moral e espiritual. Nesse aspecto, veremos que o Estado e, consequentemente, as instituições que o representam servem de escudo para aqueles que não apenas se opõem aos valores cristãos, mas querem a todo custo ver a fé cristã desconstruída. Por outro lado, como já sublinhamos, o ataque à igreja também acontece do lado de dentro. Na verdade, essa, a meu ver, é a mais letal forma de ataque que o Adversário promove contra a igreja. Isso por uma razão bem simples — líderes cristãos fracos, que não têm convicção de suas crenças, tornam-se não apenas presas do Inimigo, mas, sobretudo, instrumentos de propagação de seus erros. Isso acontece quando os líderes cristãos doutrinados se rendem à cultura desse mundo, aceitando passivamente aquilo que o espírito dessa época ditou como sendo a sua verdade.

Gonçalves. José,. Os Ataques Contra a Igreja de Cristo. As Sutilezas de Satanás neste Dias que Antecedem a Volta de Jesus Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022.

 

 

Sabemos, informados por Iren. Haer. i .28; 24:2; Atos de Paulo e Tecla, em seu décimo segundo capítulo, que os gnósticos do segundo século de nossa era, proibiam o matrimônio e a ingestão de certos alimentos, mormente carnes. Esses eram os gnósticos «ascetas», que também são atacados em Col. 2:16,20-23. O Canon Apostólico, 51, menciona a mesma coisa; e o mesmo documento, em 53, alude novamente a isso, embora mencione somente alimentos.

«…proíbem o casamento…» Alguns gnósticos eram celibatários. Sabemos que essa prática existia até mesmo no judaísmo, pois os essênios eram dessa natureza. Permitiam o casamento apenas para a reprodução da raça, e criam que eles mesmos não tinham de participar dessa reprodução. Quando o casamento era permitido entre membros de sua comunidade, isso só era efetuado sob protesto, sendo severamente regulamentado. Também eram essencialmente vegetarianos. João Batista evidentemente pertencia a essa seita.

Alguns intérpretes têm pensado que a heresia combatida nas «epístolas pastorais» seria alguma forma de judaísmo pervertido, e que havia elementos essênios no judaísmo. Porém, a história mostra-nos que o gnosticismo também tinha tais características; e várias outras indicações, nestas epístolas pastorais, como a veemente declaração do fato que Cristo é o Salvador do mundo, ou como a declaração de sua humanidade (ver ITim. 2:1-7), mostram-nos que o gnosticismo está aqui em pauta. Os gnósticos ascetas supunham que o matrimônio é errado porque a condição terrena de reprodução teria sido uma imposição do «demiurgo», um «aeon» criador inferior, que estava longe de ser o próprio Deus, por ter sido o criador deste nível terreno inferior. As almas, que não se compõem de matéria, procurariam um plano dos puros espíritos; e o sexo e o casamento serviriam de empecilhos nessa inquirição, porquanto enfatizariam o que é material e sensual. Ora, os ascetas cristãos não têm diferido muito desse ponto de vista. O corpo seria a prisão da alma. A alma deve buscar a liberdade. As atividades sexuais impediriam essa busca, segundo pensam tais ascetas.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 319-320.

 

 

Os falsos mestres fizeram um casamento espúrio do judaísmo radical com a filosofia grega, ou seja, do legalismo judaico com o ascetismo oriental. Desse concubinato surgiu uma perigosa heresia, chamada gnosticismo, que mais tarde devastou a igreja. Os gnósticos consideravam a matéria essencialmente má. Por isso, negavam as doutrinas da criação, encarnação e ressurreição. Oscilavam entre o ascetismo e a libertinagem.

Aqui, os gnósticos estão proibindo o que Deus aprova. Privam as pessoas de privilégios concedidos por Deus. O que eles proíbem? Casamento e consumo de alimentos. Porém, Deus instituiu o casamento para a propagação da vida humana (Gn 1.28) e a comida para o sustento (Gn9.3). John Stott diz que o casamento e a alimentação se relacionam com os dois apetites básicos do corpo humano: o sexo e a fome. São também naturais, embora sejam passíveis de abuso quando degeneram em lascívia e glutonaria.

Concordo com Hans Bürki quando ele diz que a criação não apenas era boa “antes da queda”, mas ainda agora é boa e bela, assim como são bons os alimentos ou frutos da terra que crescem e agora podem ser consumidos com alegre gratidão. O mesmo vale para o ser humano caído que foi criado à imagem de Deus. Quem renega sua origem, quem contesta o direito de autoria de Deus sobre sua vida e a manutenção de sua existência por meio do pão de cada dia, recusa expressar a Deus a gratidão que lhe é devida, dando a si mesmo e à sua laboriosidade a honra subtraída de Deus. Não agradecer ao Criador transforma a criatura em ferramenta do pecado.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 100-101.

SINOPSE III

Podemos classificar o ataque de Satanás contra a Igreja em duas esferas: a religiosa e a social.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

TENHA DISCERNIMENTO! “Deus deu a Israel profetas legítimos, que falaram inspirados pelo Espírito Santo. Mesmo no reino dos profetas, Deus permitiu o surgimento de falsos profetas (2Pe 1.19-21; 2.1). Como identificar o falso do verdadeiro? O texto sagrado diz: ‘profeta ou sonhador… te der um sinal ou prodígio’ (Dt 13.1). Isso fala de sinais grandiosos, que podem impressionar os incautos. O termo: ‘Vamos após outros deuses’ (Dt 13.2) mostra tratar-se de milagres estranhos. Qualquer um, portanto, mesmo com o mínimo de discernimento, tem condições de discernir a fonte desses aparentes milagres. Quem realmente experimentou o poder de Deus na vida não pode ser levado por impostores” (SOARES, Esequias. Heresias e Modismos: Uma Análise Crítica das Sutilezas de Satanás. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.36).

 

 

IV – A IGREJA PROTEGIDA

 

 

1- A exposição da Palavra de Deus.

 

O apóstolo Paulo põe duas importantes armas ou ferramentas capazes de neutralizar os ataques do Diabo: a Palavra de Deus e a oração (1Tm 4.5). O apóstolo mostra aqui que a Palavra de Deus possui poder santificador. Ela é um antídoto contra o ascetismo e toda forma de culto falso que o Diabo possa criar. Paulo escreveu aos efésios que a Palavra de Deus é a espada do Espírito. Sem essa Palavra estaríamos desarmados. Não há dúvida que o Maligno tem levado vantagem sobre muitos cristãos porque estes não demonstram perícia no manuseio da Palavra de Deus.

 

COMENTÁRIO

 

 

Uma guerra dessa magnitude não pode combatida pela igreja usando armas carnais ou os mesmos meios usados pelo mundo lá fora. É preciso usar as armas espirituais (2 Co 10.4). O apóstolo Paulo destaca o poder da Palavra de Deus e da oração como armas eficientes no conflito espiritual (1 Tm 4.5). Aos cristãos de Éfeso, Paulo recomenda que usem a Palavra de Deus e a oração no Espírito como armas na guerra espiritual. Não há outra forma de vencer essa guerra. A guerra precisa primeiro ser travada lá em cima para que a vitória apareça aqui embaixo.

Gonçalves. José,. Os Ataques Contra a Igreja de Cristo. As Sutilezas de Satanás neste Dias que Antecedem a Volta de Jesus Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022.

 

 

Acerca da expressão, «…palavra de Deus…», consideremos os pontos seguintes: 1. Não estão em foco as «Sagradas Escrituras». 2. Mas devemos entender aqui as declarações divinas, quando o Senhor pronuncia sua bênção de aprovação a todas as coisas criadas, que são «boas». Não há que duvidar que isso alude a Gên. 1:31. Assim sendo, o autor sagrado apela ao A.T., tal como o faz em I Tim. 1:9; e assim afirma a sua confiança na «autoridade» do A.T, o que era negado pelos gnósticos. 3. Essa «palavra» é ainda confirmada pela mensagem ou «Palavra de Deus», que é transmitida na revelação cristã. Essa «palavra» é aplicada à oração, estando em foco, particularmente, a «bênção» ou «ação de graças» antes das refeições, o que reflete um costume antiquíssimo em muitas culturas, e não meramente entre os hebreus. Os gregos, até mesmo nos tempos de Homero (800 A.C.), agradeciam aos deuses pelos alimentos que tomavam.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 320.

 

2- A prática da oração.

 

Outra ferramenta apontada pelo apóstolo, a qual já nos referimos antes, é a oração (1 Tm 4.5). As reuniões menos frequentadas na igreja são aquelas dedicadas à oração. Alguém já disse que o círculo de oração começou quando a igreja como um todo deixou de orar. Portanto, persevere na oração, uma arma espiritual importante contra as sutilezas de Satanás.

 

COMENTÁRIO

 

A referência aqui à consagração pela palavra de Deus e pela oração não quer dizer que as boas dádivas de Deus precisam ser purificadas. O que Paulo quer dizer é que, ao recebermos “tudo” o que Deus criou com fé e com uma atitude de oração, somos capazes de aproveitar suas dádivas com uma consciência limpa.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 101.

 

 

E coisa desejável ter uso santificado de nossas necessidades pessoais. Elas são santificadas para nós: (1) Pela palavra de Deus; não somente sua permissão, concedendo-nos a liberdade do uso dessas coisas, mas, sua promessa de nos alimentar com o alimento adequado para nós. Isso nos provê um uso santificado das nossas necessidades pessoais. (2) Pela oração, que abençoa nossa carne para nós. A palavra de Deus e a oração devem fazer parte das nossas ações e afazeres comuns, e, então, fazemos tudo pela fé. Observe aqui:

Toda criatura é de Deus, porque Ele fez tudo. Meu é todo animal da selva (diz Deus) e as alimárias sobre milhares de montanhas. Conheço todas as aves dos montes; e minhas são todas as feras do campo (SI 50.10,11).

Toda criatura de Deus é boa: quando o Deus abençoado fez uma inspeção de toda a sua obra, viu tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom (Gn 1.31).

A bênção de Deus torna toda criatura nutritiva para nós. Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 4.4), e, portanto, nada deve ser rejeitado.

Devemos, portanto, pedir sua bênção em oração e, dessa forma, santificar as criaturas que recebemos pela oração.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 694.

 

 

A única estipulação que Paulo estabeleceu concernente ao dom divino de alimentos nutritivos era que fosse recebido com ações de graças. E a maneira em que tais ações de graças devem ser expressas é, pelo menos, sugerida: Porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificada (5; “consagrado”, CH; “sagrado”, NEB). É evidente que dar graças antes das refeições era um dos costumes mais antigos da igreja. Pelo visto, além da oração de ações de graças, era costume de os crentes primitivos empregarem trechos das Escrituras em suas expressões de gratidão a Deus. A oração de ações de graças antes de participar dos alimentos, por mais escassa que seja a comida, é a obrigação mínima do cristão. E não há oração de ações de graças mais adequada que a que João Wesley e seus pregadores empregavam:

Invocamos tua presença a esta mesa, Senhor;

Aqui e em todos os lugares te adoramos;

Abençoa-nos, e concede que participemos contigo do banquete no Paraíso

Glenn Gould. Comentário Bíblico Beacon. I e II Tessalonicenses. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 480.

SINOPSE IV

 

O apóstolo Paulo menciona pelo menos duas armas que a igreja deve usar contra esse ataque: a Palavra de Deus e a Oração.

 

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição vimos que o Diabo tem atacado a Igreja de formas sutis. Essa é uma realidade que cada cristão precisa se conscientizar. Se não tivermos consciência de que estamos sob ataque, não veremos a necessidade de nos defendermos. É preciso, portanto, conhecer a natureza desse ataque, a esfera na qual ele ocorre e, o mais importante, munir-se das armas espirituais para ganhar essa guerra.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Como ocorre a perseguição à Igreja nos dias atuais?

A perseguição à igreja atualmente ocorre por meio da normalização de comportamentos e práticas contrárias à fé cristã.

 

2- Segundo a lição, o que significa a expressão “últimos tempos”?

A expressão “últimos tempos” é uma referência ao período compreendido como sendo a era da Igreja.

 

3- Em qual esfera se encontram os comportamentos “hipócrita” e “mentiroso”?

Na esfera da moral.

4- Qual expressão bíblica que caracteriza o ataque à Igreja na esfera social?

 “Que proíbem o casamento” (1 Tm 4.3).

 

5- Segundo a lição, quais as duas importantes armas ou ferramentas capazes de neutralizar os ataques do Diabo?

A Palavra de Deus e a Oração.

 

 

VOCABULÁRIO

 

Ascetismo: Doutrina de pensamento ou de fé que considera a “ascese”, isto é, a disciplina e o autocontrole estritos do corpo e do espírito, um caminho imprescindível em direção a Deus, à verdade ou à virtude. Perícia: Qualidade de perito; destreza; habilidade.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

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Uma resposta para “1 LIÇÃO 3 TRI 22 – AS SUTILEZAS DE SATANÁS CONTRA A IGREJA DE CRISTO”

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