10 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NA VIDA PESSOAL

 

 

10 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NA VIDA PESSOAL

 

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque a tua benignidade é melhor do que a vida; os meus lábios te louvarão. Assim, eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas mãos. (Sl 63.3,4)

 

VERDADE PRÁTICA

 

A presença do Espírito Santo é uma realidade em todos os dias da vida de um crente avivado.

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Sl 55.17 A oração do salmista três vezes ao dia

 

Terça – Dn 6.10 Daniel orava três vezes ao dia

 

Quarta – Sl 119.11 Escondendo Palavra no coração para não pecar

 

Quinta – Sl 119.105 A Palavra de Deus dirige a vida do crente

 

Sexta – 1 Tm 4.16 O cuidado do cristão consigo mesmo e com a doutrina

 

Sábado – 1 Pe 1.15,16 Sendo santo em todas as áreas da vida

 

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Salmos 63.1-8

 

1- Ó Deus, tu és o meu Deus; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água,

 

2- para ver a tua fortaleza e a tua glória, como te vi no santuário

 

3- Porque a tua benignidade é melhor do que a vida; os meus lábios te louvarão.

 

4-Assim, eu te bendirei enquanto viver; em teu nome levantarei as minhas mãos.

 

5- A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura; e a minha boca te louvará com alegres lábios,

 

6- quando me lembrar de ti na minha cama e meditar em ti nas vigílias da noite.

 

7- Porque tu tens sido o meu auxílio; jubiloso cantarei refugiado à sombra das tuas asas.

 

8- A minha alma te segue de perto; a tua destra me sustenta.

 

Hinos Sugeridos: 25, 53, 370 da Harpa Cristã

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

Professor (a), na lição deste domingo veremos que não há avivamento eclesiástico sem que haja cristãos genuinamente avivados. É desejo do Senhor que sejamos fervorosos e tenhamos intimidade diária com Ele.

Não o bus­quemos de maneira sazonal, apenas quando tudo vai bem ou quando tudo vai mal, como diversas vezes Israel foi exortado, a fim de que o seu amor para com Deus não fosse como a neblina da manhã ou como orvalho que logo evapora (Cf. SI 78.34-37; Os 6.4).

Mas que essa busca fosse sólida, contínua e sempre manifesta em atitudes de bondade e obediência (Cf. Is 58.1-10). Porque o Senhor quer misericórdia e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos (Cf. Os 6.6). Portanto, não por acaso, todo avivamento é marcado pela busca fervorosa, oração constante, leitura e prática da Palavra. Tais práticas produzem frutos notáveis em todas as áreas da vida do cristão.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Compreender as características de um genuíno avivamento na vida do salmista;

II) Conscientizar sobre a necessidade da prática constante das disciplinas espirituais cristãs para uma vida avivada;

III) Entender que uma vida cristã avivada e manifesta em bons frutos na vida pessoal do crente.

B) Motivação: É desejo do Senhor se relacionar com você na intimidade, no secreto, revelando-te coisas grandes e ocultas que não sabes (Jr 33.3). Por que se contentar com cisternas rotas, quando se tem à disposição um manancial de águas vivas? (Jr 2.13) Porque se contentar com experiências espirituais gloriosas, mas que não foram suas? Será que você tem buscado o Senhor com toda a sede e devoção que lhe são devidas? Será que muitas respostas que procuramos não estão ocultas nos momentos de oração, leitura e prática bíblica que negligenciamos?

C) Sugestão de Método: Após orar pedindo ao Espírito Santo que ministre em cada coração, conduza a sua classe a uma reflexão. Peça que todos permaneçam de olhos fechados e tentem se lembrar de suas experiências mais marcantes com Deus. De algumas sugestões: O dia do seu batismo no Espírito Santo; um dom recebido e manifesto em milagre; uma cura; uma resposta espe­cial de oração; ser usado em profecia ou receber uma da parte de Deus etc. Peça que reflitam sobre o que todas essas experiências têm em comum e entendam que as mãos do Senhor continuam estendidas para derramar muito mais sobre nós. Basta buscarmos a Ele com coração limpo e sincero (Is 59.1).

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: A palavra “avivamento” pode ter sido banalizada pelo seu excesso de uso de maneira errônea. Contudo, assim como tantas outras vir­tudes de Deus, de nada adianta conhecer ou falar a respeito sem vivenciá-la, sem ver seus efeitos repercutindo em bom testemunho. Se você anseia por mais do Senhor e deseja ter uma vida marcada pelo legítimo avivamento, Ele te diz: “buscar-me-eis e me achareis quando me buscares de todo o vosso coração” (Jr 29.13).

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio a Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.41, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) Para aprofundar e expandir o segundo tópico, o texto “Enchei-vos do Espírito” mostra que o mandamento em Efésios 5.18 e continua. Portanto, o nosso fervor e busca espiritual não podem cessar após o batismo no Espírito ou se limitar ao momento do culto;

2) Para exemplificar e fundamentar o terceiro tópico, o texto “O fruto do Espírito Santo” reforça que uma vida avivada é frutífera e manifesta o caráter de Cristo, apresentando-o ao mundo por meio do nosso bom testemunho.

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

É vontade de Deus que os crentes sejam espiritualmente avivados. Ademais, não pode haver igreja local avivada sem que os membros experimentem um avivamento espiritual em suas vidas. Além de esse avivamento se manifestar no interior do templo, ele se revela em todos os lugares, no testemunho cotidiano da vida, que inclui o casamento, a vida familiar, a escola/faculdade, o trabalho, os negócios, enfim, em toda nossa área de atividade e, principalmente, na proclamação do Evangelho. Assim, estudaremos a respeito da importância do avivamento espiritual na vida diária do crente.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

No capítulo 1, vimos o que significa avivamento espiritual.

Entendemos que só pode haver avivamento espiritual por meio de “uma intervenção de Deus, que só tem lugar quando o Espírito Santo encontra espaço no coração de uma pessoa, de um grupo ou de uma igreja” que se volta para Deus na busca de mudanças indispensáveis para que a pessoa ou a igreja experimente uma nova realidade espiritual.

No Pentecostes em Atos 2, cada apóstolo experimentou o avivamento espiritual de forma impactante, com evidências inegáveis de que eles passaram por uma transformação nas suas vidas, no seu comportamento e no seu relacionamento com Deus. 

As línguas e outros sinais naquele momento evidenciaram que um fenômeno novo estava acontecendo. Depois, apenas as línguas estranhas para os que falavam continuaram como evidência externa do batismo no Espírito Santo, só que o mais importante como consequência do Pentecostes foram os dons espirituais, conforme registrado em 1 Coríntios 12.

Numa igreja cristã, torna-se necessário que os crentes sejam avivados espiritualmente. Não pode haver igreja cheia da presença de Deus se os seus membros não tiverem o avivamento espiritual nas suas vidas. Esse avivamento manifesta-se não apenas no interior dos templos, mas também em todos os lugares, no testemunho de vida que cada um demonstra no seu dia a dia, principalmente fora dos templos: na família, no casamento, no trabalho, na rua, no comércio, nas escolas; enfim, em toda a parte, principalmente na proclamação do evangelho.

Um crente avivado espiritualmente não se conforma em ficar parado, inerte, indiferente ou alheio diante da realidade espiritual e moral à sua volta e do mundo em que vivemos. O apóstolo João, por volta do ano 90 d.C., já tinha plena convicção de que “o mundo”, ou seja, a humanidade, está dominada pelo Maligno. Na sua primeira carta, ele escreveu: “Sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno” (1 Jo 5.19). O cristão avivado espiritualmente não ignora essa realidade espiritual, na qual, pelo domínio do Maligno, a maioria das pessoas caminha para a perdição eterna. Tocado pelo Espírito Santo que está nele, procura proclamar o evangelho, que não é teoria ou filosofia humana. Ele entende, como Paulo, a natureza do evangelho: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16).

O crente avivado espiritualmente ante a necessidade espiritual do mundo sente-se como Eliú diante de Jó, o patriarca, e os seus três amigos importunos, quando disse: “Porque estou cheio de palavras; o meu espírito me constrange” (Jó 32.18). Eliú sentiu-se inquieto e constrangido diante da falta de amor e de compreensão dos amigos de Jó. Imaginem um crente fiel, cheio do Espírito Santo, como se sente constrangido a falar de Jesus para os que estão nas trevas espirituais, condenados pela incredulidade que os impede de ver Jesus como Salvador das suas almas. Meditemos nesse tema do avivamento na vida de alguns homens de Deus.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

William Hendriksen, escritor erudito, é absolutamente pertinente quando diz que nenhuma instituição sobre a face da terra é tão sagrada quanto a família. Nenhuma é tão básica. Conforme a atmosfera moral e religiosa na família, assim será na igreja, na nação e na sociedade em geral.

John Mackay diz com razão que a vida no lar, como instituição primária e básica da sociedade, exige tratamento especial. O lar, por sua própria natureza, deveria ser a morada do amor. Entretanto, a realidade, mui frequentemente, é bem outra. Um dos problemas do lar é o autoritarismo; o outro é o hedonismo.

LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pag. 149.

 

 

PALAVRA-CHAVE: FERVOR

 

 

I- O AVIVAMENTO NA VIDA DO SALMISTA

 

 1- Uma busca sincera.

 

O estudante da Bíblia sabe que o salmista experimentou momentos de lutas, dificuldades e opressões ao longo da vida. Entretanto, mesmo diante desse processo difícil, o salmista desejava, com entusiasmo, a presença de Deus: “ó Deus, tu és o meu Deus; de madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti; a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água” (Sl 63.1).

Ainda que ele vivesse em um período de sequidão e cansaço “na carne”, sua alma tinha sede de Deus e, por isso, promete buscá-lo na madrugada. O salmista tinha plena convicção: “tu és o meu Deus”.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

No Salmo 68, Davi expressou quão profundo era o seu relacionamento com Deus. Antes de cair em pecado e ser repreendido pelo Senhor, ele teve uma vida grandemente avivada diante de Deus. Davi expressou esse avivamento de forma bem eloquente nos seus salmos. Nesse em questão, podemos ver como ele demonstrou essa realidade do seu avivamento espiritual diante de Deus de forma bem expressiva.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Ó Deus, tu és o meu Deus forte. Elohim (o Poder) era o Deus do poeta sagrado. A crença em Seu poder e em Sua graça levou o salmista a buscar desde cedo a Deus, provavelmente uma referência superficial às orações matinais e aos sacrifícios efetuados no templo a cada dia, mas dando a entender principalmente a ânsia do salmista por entrar em contato com o Senhor. Por isso mesmo, o poeta estava sempre preparado, cedo ou tarde, para buscar espiritualmente a Deus. Outrossim, ele tinha uma alma sedenta por Deus, que nunca lhe permitia fatigar-se.

Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. (Salmo 42.1)

A sede é um apetite insistente que continua a informar-nos sobre nossa necessidade de água, sem a qual não sobreviveríamos. Assim sendo, em um sentido real. nenhum homem pode sobreviver sem Deus. Ver no Dicionário o artigo chamado Sede.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos. (Mateus 5.6)

O homem que foi o autor deste salmo era, definitivamente, um místico ou quase místico. Ele não tinha uma atitude legalista, mas buscava a presença de Deus. Cf. o vs. 8, bem como um poeta de mente semelhante, no Salmo 42.

A definição básica dessa palavra é o contato com um poder ou presença mais elevada que a pessoa que faz a busca.

“A essência residual da devoção religiosa é que o objeto da dedicação do indivíduo seja o Tudo… Nosso poeta concordou prontamente com o santificado Fenelon, o qual disse: ‘Devemos pertencer a Deus sem reservas. E depois de nos termos encontrado com Deus, nada mais haverá pelo que procurar” (J. R. P. Sclater, in loc.).

O poeta sacro acordou-se com a excelente expectação de chegar mais perto de Deus, naquele dia.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2243-2244.

 

 

Ele resolve buscar Deus, junto com o seu favor e a sua graça: tu és o meu Deus, e, por isso, buscar-te-ei; afinal, não recorrerá um povo ao seu Deus?, Isaías 8.19. Precisamos buscá-lo; precisamos cobiçar o seu favor como o nosso bem maior e considerar a sua glória como o nosso maior propósito; precisamos buscar a intimidade com Ele por intermédio da sua Palavra e a sua misericórdia por intermédio da oração. Precisamos buscá-lo: (1) Cedo, com

o maior zelo, como pessoas que temem perdê-lo; precisamos iniciar o nosso dia com Ele, começar cada dia na sua presença: de madrugada te buscarei. (2) Com zelo: “a minha alma tem sede de ti e a miáha carne te deseja muito (ou seja, todo o meu ser é afetado por esta busca), aqui em uma terra seca e cansada, onde não há água.” Observe: [1] A sua queixa diante da privação da presença bondosa de Deus.

Ele estava em uma terra seca e cansada; segundo a sua perspectiva, nem tanto porque se tratava de um deserto, mas, principalmente, por causa da distância da arca, da Palavra e dos sacramentos. Este mundo é uma terra cansada (este é o significado da palavra); ele apresenta-se desta forma para as pessoas mundanas, aquelas que tem nele a sua porção; ele não produz qualquer tipo de satisfação verdadeira nas suas vidas; assim também é com os justos que também precisam passar por ele; é o vale de Baca; não há muito o que esperar dele. [2] A sua insistência por estar na presença de Deus: a minha, alma tem sede de ti.

A sua privação despertava os seus desejos, que eram deveras intensos; ele tinha sede, tal qual a corsa anseia pelos regatos, e não se satisfaria com nada menos que isso. Os seus desejos eram quase impacientes; ele ansiava e sofria enquanto não era restaurado ao livre exercício das ordenanças divinas. Note que as almas piedosas desprezam o mundo com um santo desdém e olham para Deus com um santo desejo.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 426.

 

 

 2- Contemplando e bendizendo ao Senhor.

 

O salmista também tinha o anseio em ver a “fortaleza” e a “glória” de Deus, como ele pode contemplar no santuário (Sl 63.2). Esse contato glorioso com o Deus da glória gera, na alma do ser humano, o reconhecimento da benignidade divina. Por isso, os lábios do salmista louvarão ao Senhor (Sl 63.3) e ele o bendirei enquanto viver (Sl 63.4), tendo o nome do Senhor erguido em suas mãos (Sl 63.4).

Aqui, podemos aprender com ele a respeito da disposição da alma em contemplar a glória do Senhor e bendizê-lo por toda a vida. Segundo o salmista, é possível viver essa realidade espiritual diante de um contexto completamente oposto à presença de Deus. Somente um verda­deiro avivamento espiritual, na vida do crente, é capaz de fazer isso.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A alegria e o regozijo diante de Deus

Na sua vida, o salmista experimentou momentos de lutas, dificuldades e opressões dos seus inimigos, mas ele também vivenciou momentos de grande alegria e avivamento espiritual pela graça de Deus. Na sua oração, ele disse com muito júbilo: “Mas alegrem-se os justos, e se regozijem na presença de Deus, e folguem de alegria. Cantai a Deus, cantai louvores ao seu nome; louvai aquele que vai sobre os céus, pois o seu nome é Jeová; exultai diante dele” (68.3-4). Davi ora a Deus para que os justos alegrem-se e regozijem-se na sua presença. Se há um povo que tem o direito e o dever de alegrar-se são os justos. São os pecadores que se converteram a Cristo como o seu Salvador e servem a Deus com obediência e santidade.

Quem é servo de Deus e procura agradar-lhe vive na presença dEle. O salmista escreveu sobre onde obter a alegria espiritual: “Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há abundância de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Sl 16.11). O crente sincero sabe o que é estar “na presença do Senhor”, onde encontra “abundância de alegrias”, um estado de avivamento espiritual que não se pode encontrar em nenhum outro lugar. O homem e a mulher fiel a Deus dedicam-se à oração, à leitura da Bíblia e louvam e adoram ao Senhor. Assim, encontram-se na presença dEle. O crente pentecostal busca ser cheio do Espírito Santo. Diz a Bíblia: “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Assim eu te contemplo no santuário. Cedo pela manhã, o salmista anelava por entrar em contato com o poder de Deus e a Sua glória. Ele ia ao templo para participar dos ritos e das cerimônias, mas esperava ali obter um réstia da glória de Deus. E também não se contentava com as aparições ocasionais da glória shekinah (ver a respeito no Dicionário). Em outras palavras, ele queria a glória shekinah em seu coração, que era o templo do Espírito de Deus (II Cor. 3.18). Ver no Dicionário os artigos chamados Glória e Glória de Deus, quanto às ideias envolvidas. “O salmista esperava, através da proximidade do templo e seus símbolos, receber da presença poderosa e majestática de Deus (cf. Isa. 6.1-5; Eze. 1.26-28) alguma certeza de que Deus lhe era favorável, em suas aflições (cf. 27.4)” (William R. Taylor, in loc.).

Aquele que despertava, cedo pela manhã, abandonou o deserto e correu para as águas da vida, por meio da comunhão com o Deus Eterno. O coração daquele homem tornou-se um templo de louvores. “O anelo sedento por Deus e o discernimento quanto à comunhão com Ele, da parte do homem verdadeiramente piedoso, como aquele que aparece neste salmo, não têm rivais no saltério” (Oesterley, in loc., que esqueceu de mencionar o Salmo 42, igualmente brilhante).

Porque a tua graça é melhor do que a vida. O Poder, Elohim, é o Deus que nos dispensa todas as coisas boas, o Benfeitor Universal. Sua benignidade é a fonte de todos os bens dos homens. Assim sendo, o poeta sagrado continuou louvando com lábios jubilosos.”… o homem tinha um senso tão grande da bem- aventurança do favor divino, ou seja, do Seu favor vinculado ao pacto, que pensou que essa graça era superior à própria vida. Isso requer gratidão exibida durante a vida inteira. O amor é a fonte que mina sem parar, da qual procedem todas as coisas boas’’ (Ellicott, in loc.).

Os homens profanos louvam o poder, a glória, a honra, as riquezas e os prazeres. O homem espiritual louva a Deus, em quem ele encontra, em proporções infinitas, mais satisfação que os homens mundanos podem encontrar em seus deleites.

“A vida sem o amor de Deus nada é senão a morte. O homem que não participa do amor de Deus está morto, mesmo quando está vivo. Todos os aprazimentos da vida, da saúde, das riquezas, das honrarias, das amizades etc., nada são sem o amor de Deus” (John Gill, in loc.).

Assim cumpre-me bendizer-te enquanto eu viver. Por causa do grande amor de Deus, o coração do poeta se abria em louvores e ações de graças a Deus, o que haveria de continuar enquanto ele estivesse vivo. Seu zelo jamais se esfriaria, seu bom propósito jamais hesitaria. Ele vivificaria suas mãos em orações de gratidão, tanto no templo de Jerusalém como em seu próprio lar. Essa era a maneira comum pela qual os hebreus oravam. Ele erguia suas mãos, oferecendo petições e entregando a própria vida ao Poder lá do alto. Suas orações e seu agradecimento seriam feitos em nome do Deus Todo-poderoso. Ver as notas expositivas sobre Nome, em Sal. 31.3, e sobre Seu Santo Nome, em Sal. 30.4 e 33.21. O nome de Deus representa tudo quanto Deus é e pode fazer, toda a Sua revelação (Sal. 20.1,5), e era considerado dotado de poder, somente por ser pronunciado. “Os judeus piedosos, em todos os lugares para onde tinham sido dispersos, em todas as orações e louvores, e quando faziam contratos ou entravam em acordos, estendiam as mãos na direção de Jerusalém, onde o verdadeiro Deus tinha o Seu templo, e onde manifestava a Sua presença” (Adam Clarke, in loc.).

O sumo sacerdote, como era natural, erguia as mãos ao abençoar o povo de Israel. Nosso Sumo Sacerdote ergue as mãos em nosso favor, e essa é uma aplicação cristã do salmo. O Targum fala da Palavra de Deus, que abre as mãos em súplica a Deus Pai, transformando este salmo em uma composição messiânica. Ver João 14.13,14 e 16.23,24,26, quanto às eficazes orações dos homens, oferecidas no nome do Senhor. Ver Sal. 28.2, quanto a um versículo similar, com um gesto típico de oração.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2244.

 

 

Ele anseia por deleitar-se em Deus. Mas o que será que ele deseja assim tão apaixonadamente? Qual é o seu desejo e o seu pedido? Simplesmente ver a tua fortaleza e a tua glória, como te vi no santuário (v. 2). Ou seja:

(1) “Vê-las aqui no deserto da mesma forma que as via no Tabernáculo, vê-las em secreto, da mesma forma que as via na solene assembleia.” Observe que, quando somos privados dos benefícios das celebrações públicas, devemos desejar e nos empenhar para manter, nos momentos de retiro, a mesma comunhão com Deus que mantínhamos nos grandes encontros da congregação. Um armário pode se transformar em um pequeno santuário. Ezequiel teve visões do Todo-poderoso em Babilônia, e João, na ilha de Patmos. Mesmo quando estamos solitários, podemos contar com a presença do Pai, e ela nos bastará.

(2) “Vê-las novamente no santuário, tal qual eu já as havia visto anteriormente.” Ele anseia por ser resgatado do deserto, nem tanto para que pudesse reencontrar os seus amigos e voltar a desfrutar dos prazeres e do esplendor da corte, mas, principalmente, para que pudesse ter acesso ao santuário, nem tanto para que ali pudesse rever os sacerdotes e as cerimônias de adoração, mas, principalmente, para ver a fortaleza e a glória de Deus (ou seja, o teu glorioso poder, ou a tua poderosa glória, que representam todos os atributos e perfeições de Deus), “para que eu possa ter ainda mais intimidade com elas e ter as suas agradáveis impressões gravadas no meu coração” – assim refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, como também somos transformados […] na mesma imagem, 2 Coríntios 3.18. “Para que eu possa ver a tua fortaleza e a tua glória,” ele não declara que viu “estas coisas”, mas que “viu o próprio Deus” (como te vi, v. 2).

Não podemos ver a essência de Deus, mas o vemos ao olhar para os seus atributos e perfeições, com os olhos da fé. Davi aqui se alegra com a lembrança desta visão. Os minutos que ele passava em comunhão com Deus eram preciosos; ele amava ficar recordando-lhes o tempo todo; ele lamentava a sua perda e ansiava para que pudesse voltar a desfrutar deste tempo na presença do Senhor. Observe que o prazer e o desejo da alma piedosa, ao participar de cerimônias solenes, é encontrar-se com Deus, com o seu poder e a sua glória.

Jubilosos Louvores

E como é rápido para que as queixas e as orações de Davi se transformem em ações de graças! Depois de dois versículos que expressam o seu desejo de buscar o Senhor, temos aqui alguns que expressam a sua alegria e satisfação nesse encontro. A oração fiel pode, rapidamente, transformar-se em jubiloso louvor, caso a adversidade não esteja ocorrendo por nossa própria culpa. Alegre-se o coração daqueles que buscam ao Senhor (SI 105.3), e que o louvem por operar neles estes desejos, dando-lhes a certeza de que Ele os satisfará. Davi estava, agora, em um deserto, só que o seu coração estava mais sensível com as bênçãos de Deus. Mesmo na aflição, devemos saber que temos, ainda assim, motivos para louvar o Senhor, desde que o nosso coração esteja sensível a Ele. Observe:

O motivo do louvor de Davi (v. 3): Porque a tua benignidade é melhor do que a vida, do que vidas, melhor do que a vida com todos os seus consolos, melhor do que a vida no melhor que ela possa proporcionar a um homem, melhor que uma vida longa e próspera. A benignidade é, por si mesma, e segundo o relato de todos os santos, melhor do que a vida. Ela é a nossa vida espiritual e é melhor do que a nossa vida temporal, Salmos 30.5. E mil vezes melhor morrer debaixo da vontade de Deus do que viver debaixo da sua ira.

No deserto, Davi descobre, por intermédio de uma experiência consoladora, que a benignidade de Deus é melhor do que a vida, e, portanto, ele declara: os meus lábios te louvarão. Observe que aqueles que sentiram no coração o refrigério gerado pelos sinais da bondade de Deus, necessariamente, passam a ter um coração mais sensibilizado no seu louvor a Deus. Temos muitas razões para louvar a Deus por termos bens e provisões melhores do que os que a riqueza deste mundo poderia nos proporcionar, e porque, no serviço e na comunhão com Deus, temos melhores tarefas e prazeres mais intensos do que poderíamos ter nas ocupações e nas conversas mundanas.

Como e por quanto tempo ele louvará a Deus, v.4. Ele resolve levar uma vida de gratidão e dependência de Deus. Observe: 1. A forma com que ele bendiz Deus: “Assim, eu te bendirei, assim como acabei de começar; o amor piedoso do momento não haverá de desvanecer, como a nuvem matinal, mas brilhará com intensidade cada vez maior, como o sol matinal. Ou: “Bendir-te-ei com a mesma devoção e fervor com os quais eu, antes, orava a ti. 2. A sua perseverança e fidelidade nesta tarefa: eu te bendirei enquanto viver. Note que o louvor a Deus deve ser uma tarefa vitalícia; é preciso que sempre tenhamos um sentimento de gratidão pela bondade que Deus já realizou em nossas vidas em tempos passados e sempre voltar a agradecer por esta bondade. A cada dia, devemos dar graças e não nos desviar dos nossos deveres em função de nenhuma das aflições deste tempo presente. Independentemente da época da nossa vida que estejamos vivendo, mesmo que os nossos dias sejam nublados e escuros, mesmo que tenham chegado os dias nos quais digamos:

Não tenho neles contentamento, devemos dar graças a Deus todos os dias, até mesmo no dia da nossa morte. Nisto, devemos empenhar o nosso tempo, porque a nossa esperança é passar a eternidade bendizendo o nome de Deus. 3. O seu respeito inabalável por Deus em todas as ocasiões, o que deve acompanhar o seu louvor a Ele: em teu nome levantarei as minhas mãos. Precisamos ter em mente o nome de Deus (todas as coisas pelas quais Ele se fez conhecido) em todas as nossas orações e louvores, pois foi assim que o Mestre ensinou que deveríamos iniciar a nossa oração, fazendo uso da expressão: Santificado seja o teu nome, e concluindo com a expressão:

Tua é a glória. É isto que devemos ter em mente no nosso serviço e nas nossas lutas; devemos erguer as nossas mãos para trabalhar e também erguê-las contra os nossos maiores inimigos, em nome de Deus, ou seja, na força e na justiça do seu Espírito, Salmos 71.16; Zacarias 10.12. Devemos fazer os nossos votos em nome do Senhor; a Ele, devemos nos entregar para viver na dependência da sua graça. E quando levantarmos as mãos que estavam em repouso, no consolo e na alegria, devemos fazê-lo em nome de Deus; é somente dele que deve vir o nosso consolo, e somente a Ele o nosso consolo deve ser atribuído. Em Deus nos gloriamos todo o dia.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 426-427.

 

 

 3- Deus é o nosso auxílio.

 

O salmista também afirma que a sua alma se fartará com a presença de Deus e sua boca louvará ao Senhor da vida (Sl 63.5). Esse é o resultado da busca e da contemplação do Senhor. O salmista sabe que lembrar de Deus e meditar em sua Palavra é a garantia de auxílio, júbilo e segurança (Sl 63.6-8).

Nada é tão consolador para uma vida avivada do que o crente ter Deus como auxílio, refúgio e fortaleza. Um verdadeiro avivamento pessoal promove a bênção da segurança divina na vida do crente.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Deus É Pai dos Órfãos e Juiz das Viúvas

No seu avivamento pessoal, Davi expressou a sua visão mais ampla de Deus. Ele expressa o cuidado dEle com os órfãos e diz: “Pai de órfãos e juiz de viúvas é Deus no seu lugar santo” (Sl 68.5).

É uma percepção profunda. Os órfãos, principalmente quando crianças, sentem a falta irreparável dos seus pais. O salmista vê Deus como o Pai celeste, que deles cuida, como o Jeová Jiré, o Senhor que tudo provê e não lhes deixa faltar nada. Ao mesmo tempo, Deus é visto como “juiz de viúvas”, “no seu lugar santo”, ou seja, nos céus. As viúvas no tempo de Davi eram pessoas geralmente desamparadas, não possuíam sustento próprio, não tinham empregos nem direitos quaisquer.

Por vezes, até mesmo as suas heranças eram tomadas pelos mais fortes, ambiciosos e injustos, mas Deus coloca-se como o seu Juiz. E quando Ele julga a causa de alguém, julga com equidade e justiça. Na mesma linha de pensamento, o salmista diz que Deus atenta para “o solitário” e faz com que este viva em meio a uma família. E é Ele que liberta os prisioneiros, mas não tolera os rebeldes, reservando “terra seca” para esses: “Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca” (68.6).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Como de banha e de gordura farta-se a minha alma. Aqui a linguagem retrata um banquete com acepipes abundantes, onde os participantes são capazes de consumir os melhores pratos. Nas refeições sacrificais, a porção de Yahweh era o sangue e a gordura.

O poeta imaginou uma refeição na qual o homem consegue obter os pratos finos de Yahweh, por ser ele o homem escolhido por Deus. A questão retrata apenas um ideal, e não algo que realmente poderia acontecer. Porém, em um sentido espiritual, o homem bom desfruta o melhor, porquanto a fonte originária é Yahweh. Não havia restrições quanto ao tutano, mas devemos pensar que a medula é uma fábrica de células vermelhas do sangue. Talvez os hebreus soubessem disso. Pelo menos, o tutano e a gordura faziam parte do prato preferido de um gourmet. Em Isa. 25.6 encontramos a mesma referência, falando sobre a salvação de Deus:

O Senhor dos Exércitos dará neste monte a todos os povos um banquete de cousas gordurosas, uma festa com vinhos velhos, pratos gordurosos com tutanos, e vinhos velhos bem clarificados.

Cf. Sal. 23.5. O banquete era uma figura simbólica comum, empregada pelos rabinos para falar sobre as glórias celestiais, depois que a teologia dos hebreus já havia avançado a ponto de postular uma existência pós-túmulo, na qual homens piedosos são recompensados. Ver Luc. 14.5 ss.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2244.

 

 

Com que prazer e deleite ele louvaria a Deus, v.5.

Com uma satisfação interior: A minha alma se fartará, como de tutano e de gordura, não somente como a saciedade que vem com o pão, que é nutritivo, mas com a que vem do tutano, que é agradável e delicioso, Isaías 25.6. Davi espera retornar à alegre participação nas cerimônias de Deus, para poder alcançar esta satisfação, especialmente por ter ficado afastado delas durante tanto tempo. Ou, se assim não for, mesmo diante da bondade divina e na sua conversa com Deus em solitude, ele também encontrará satisfação para a sua alma.

Observe que existem coisas em um Deus gracioso e na comunhão com Ele que proporcionam uma plena satisfação a uma alma graciosa, Salmos 36.8; 65.4. E também existem coisas em uma alma graciosa que obtêm plena satisfação e comunhão em Deus. Os santos têm o seu contentamento em Deus; eles não desejam nada mais do que a sua bondade para que estejam felizes e têm uma satisfação transcendente em Deus, diante da qual todos os prazeres dos sentidos são inócuos e insípidos, são como a água parada de uma poça quando comparada ao vinho deste divino consolo.

Com expressões exteriores desta satisfação; ele louvará a Deus com alegres lábios. Ele o louvará: (1) Abertamente. A sua boca e os seus lábios louvarão a Deus. Quando o homem crê e é grato de coração, é preciso que ele faça uma confissão verbal acerca destas duas coisas, para a glória de Deus; não que as afirmações verbais sejam aceitas sem que sejam genuínas dentro do coração (Mt 15.8), mas que a boca deve falar daquilo que o coração está cheio (SI 45.1), tanto para o despertar do nosso próprio amor piedoso quanto para a edificação das demais pessoas. (2) Jubilosamente. Devemos louvar a Deus com alegres lábios; devemos nos entregar a este e a outros deveres religiosos com grande alegria e comunicar os louvores divinos a partir de um princípio de santa alegria. Lábios que louvam devem ser lábios alegres.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 427.

 

 

SINOPSE I

 

O anseio e a busca sincera pela presença de Deus possibilitaram um avivamento na vida do salmista.

 

 

II- O AVIVAMENTO ESPIRITUAL DO CRENTE

 

 

 1- Reservando uma agenda de piedade.

 

A luz do que aprendemos com o salmista, percebemos que há elementos imprescindíveis para que a vida do crente seja poderosamente avivada. São elementos que, ao longo das Escrituras e da história da Igreja, encontramos como modelo espiritual para o crente: a prática da oração e da leitura devocional das Escrituras. Primeiramente, é importante que o crente reserve um tempo ao longo do dia para desfrutar de períodos especiais em que cultive a vida devocional e, consequentemente, estreite a comunhão com Deus (Sl 55.17; Dn 6.10).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Um crente avivado espiritualmente demonstra essa condição em três aspectos importantes: na vida devocional, na vida familiar e na vida do serviço a Deus.

A Vida Devocional do Crente Avivado

É de fundamental importância que o cristão reserve na sua agenda os momentos especiais, diários e sistemáticos para o cultivo da sua vida devocional, através da qual ele estreita a sua comunhão com Deus. Não pode haver avivamento na vida de uma pessoa que não ora e não busca estar na presença de Deus.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

À tarde, pela manhã e ao meio-dia. O piedoso salmista persistiria em oração, empregando as tardes, as manhãs e a hora do meio-dia nesse exercício, ultrapassando qualquer requisito legal. Ele tinha necessidades urgentes e, por isso, oraria abundantemente.

Orai sem cessar. (I Tessalonicenses 5.17)

Yahweh ouviria suas constantes orações e lhe daria a resposta de que ele precisava com tanta urgência. Na oração, importunar rende dividendos. Quanto a uma excelente ilustração do Novo Testamento sobre esse princípio, ver Luc. 18.1-8.

A tarde é mencionada em primeiro lugar nesta lista: tarde, manhã e meio-dia. Os hebreus começavam a contar seus dias à tarde (às 18 horas), em contraste com o nosso costume (às 24 horas). Portanto, vemos o homem começando o dia em oração, o que é um bom costume em qualquer época. Talvez o triplo tempo de oração fosse um costume piedoso nos dias do poeta sagrado. Ver como Daniel costumava orar três vezes ao dia (Dan. 6.10).

Esse costume prosseguiu nos tempos cristãos. Os rabinos veem mudanças ou estágios principais do dia nos três tempos mencionados, e cada um desses estágios merece seu tempo de oração. Sacrifícios diários eram oferecidos à tarde e pela manhã, pelo que aqueles tempos já eram importantes para os fiéis. Os judeus exageravam quanto à questão, supondo que os três estágios tivessem sido historicamente estabelecidos por Abraão, Isaque e Jacó, respectivamente. Ver Gên. 22.3 (Abraão); 24.63 (Isaque) e 28.11 (Jacó).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2229.

 

 

Ele passa a orar com assiduidade, todos os dias e três vezes ao dia – à noite, de manhã, e ao meio-dia. É provável que esta já fosse a sua prática constante, e ele resolve prosseguir com ela agora que está passando por uma situação difícil. Podemos nos achegar com mais ousadia até o trono da graça nos momentos difíceis, quando, anteriormente, já buscávamos manter a comunhão com Deus, pois esta já era a nossa prática, e, quando chega a aflição, já temos os trilhos assentados para as rodas da nossa oração deslizarem. As pessoas que pensam que três refeições diárias não são suficientes para o nosso corpo, deveriam, muito mais, pensar que três orações solenes por dia também são pouco para a nossa alma e tê-las como momentos de prazer, e não de obrigação.

Como é adequado pensarmos que devemos iniciar o dia buscando a presença de Deus e encerrar o dia agradecendo pelo seu cuidado, também é correto que no meio do dia nos retiremos por alguns momentos a fim de conversarmos com Deus. O costume de Daniel era orar três vezes no dia (Dn 6.10), e o meio-dia era um dos momentos em que Pedro costumava orar, Atos 10.9. Não fiquemos entediados de orar com frequência, pois Deus não fica entediado de nos ouvir. “Ele ouvirá a minha voz e não me culpará por procurá-lo com tamanha frequência, quanto mais vezes melhor, melhor será a nossa acolhida diante dele.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 404.

 

 

 

 

 2- A prática da oração.

 

A Bíblia relata exemplos de homens que desenvolveram o hábito de oração ao longo do dia. Aqui citamos três: O salmista Davi tinha o costume de orar pelo menos três vezes ao dia (Sl 55.17); Daniel orava três vezes ao dia (Dn 6.10); Jesus, o nosso maior modelo de oração, orava intensamente no dia (Mt 26.36-44).

Esse exercício diário de oração é um instrumento maravilhoso para o crente desenvolver uma vida espiritualmente avivada. Na Bíblia, muitos homens e mulheres de Deus venceram grandes batalhas porque tinham a prática diária de oração.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O crente fiel precisa orar todos os dias. Começar o dia sem orar é correr o risco de enfrentar situações difíceis sem encontrar a solução para os problemas que surgem na vida. O exercício diário da oração é um reforço maravilhoso para ter uma vida espiritualmente avivada. Um velho ditado proferido nos púlpitos dizia: “Muita oração, muito poder; pouca oração, pouco poder; nenhuma oração, nenhum poder”.

É a verdadeira expressão da verdade. É impossível haver uma vida avivada sem oração. Ela é a chave que abre as portas do sobrenatural quando homens e mulheres de Deus colocam-se de joelhos e buscam a unção do Espírito Santo. Homens de Deus na Bíblia só puderam ser vencedores quando praticavam uma vida diária de oração.

Davi tinha o costume de começar o dia orando e vigiando. Ele orava pelo menos três vezes ao dia (Sl 55.17);

Daniel orava três vezes ao dia (Dn 6.10);

Jesus costumava orar diariamente (Mt 26.36-44; Lc 22.39);

O “segredo” do Pr. David Young Cho, pastor da maior igreja pentecostal do mundo, em Seul, na Coreia do Sul, era orar mais de uma hora por dia.

Um velho hino diz: “Bem de manhã, embora o céu sereno pareça o dia a calma anunciar, vigia e ora o coração pequeno, que um temporal pode abrigar”. O crente que ora tem ao seu dispor a energia e o poder de Deus para desenvolver o seu ministério.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

… se punha de joelhos. Esta é uma das posturas comuns na oração, embora orar de pé parecesse ser a mais comum. Quando alguém ora de pé, tem mais energia para orar e não dorme. Mas ajoelhar em oração indica humildade e súplica intensa. Cf. I Reis 8.54; II Crô. 6.13; Esd. 9.5; Luc. 22.41; Atos 9.40; 20.36; 21.5. Quanto à posição de pé na oração, ver Mat. 6.5 e Mar. 11.25.

Diante do seu Deus. É precisamente neste ponto que encontramos o “crime” de Daniel. Ele tinha desobedecido à ímpia regra dos 30 dias, e logo estaria à mercê dos leões sem misericórdia.

Vemos pois o idoso homem Daniel, agora com mais de 80 anos, perseverando até o fim em suas práticas piedosas, a despeito das perseguições que lhe ameaçavam a vida.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3398-3399.

 

 

Daniel

Daniel era um homem profundamente dedicado à oração. Manteve-se resoluto em sua determinação de orar, mesmo quando isso implicou em ser o profeta lançado na cova dos leões. Também dependeu de Deus na obtenção de sabedoria a fim de interpretar o sonho de Nabucodonosor e a visão de Belsazar. Falar diante de chefes de Estado com tal autoridade e certeza só se torna possível depois de extensos períodos no lugar de oração.

[…]“Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, havia no seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer” (Dn 6.10). Nenhuma linha das Escrituras acerca de Daniel é maior do que esta que finaliza o versículo citado: “como também antes costumava fazer”. Grandes indivíduos têm grandes hábitos; grandes hábitos fazem grandes indivíduos. A comunhão com Deus deveria ser o hábito mais importante de todo filho de Deus. A devoção inabalável de Daniel, diante de perseguidores perigosos e sedentos de sangue, derivava-se de seus antigos hábitos de oração.

Esse hábito havia fortalecido sua alma, deixando-a como o aço, e, quando sua vida foi ameaçada pela prática do hábito, ele simplesmente manteve a sua prática sem qualquer apologia. A força da pessoa que ora torna-se mais evidente quando ela está cercada e sendo observada.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket. Teologia Bíblica da Oração. Editora CPAD. pag. 152-153.

 

 

 3- A leitura devocional da Bíblia.

 

O crente avivado deve ler e estudar diariamente a Bíblia. Isso é preciso para entender, absorver e viver seus preciosos ensinamentos. Além disso, os dias são maus e, por isso, devemos portar a “espada do Espírito” (Ef 6.17).

Aliás, a Bíblia deve ser lida e estudada levando-se em conta os seguintes aspectos: ela nos permite meditar nas coisas de Deus (Sl 119.97); ela previne o nosso coração de pecar (Sl 119.11); ela nos consola (Sl 119.50); ela dirige a vida (Sl 119.105); e ordena a vida pessoal (Sl 119.133)

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O estudo da Bíblia Sagrada

O crente avivado precisa ler e estudar a Bíblia diariamente para entender e absorver os seus conteúdos preciosos em termos de ensino, doutrina, exortação, orientação e advertências e para a sua própria edificação espiritual. Os dias são maus. Há muitos motivos pelos quais o crente fiel precisa ocupar-se com o estudo da Palavra de Deus. Ela deve ser lida e estudada, observando alguns aspectos:

a) Meditação: O salmista tinha prazer em ler e meditar na Palavra de Deus: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97). Thomaz E. Trask escreveu: “Todos os dias, das cinco às sete da manhã, estudo a Bíblia e oro” (Trask, p. 17). O salmista ainda diz: “Antecipei-me à alva da manhã e clamei; esperei na tua palavra” (Sl 119.147);

b) Prevenção: É necessário ter a palavra no coração para não pecar (Sl 119.11).

c) Consolo: “Isto é a minha consolação na minha angústia, porque a tua palavra me vivificou” (Sl 119.50).

d)Direção divina: “Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho” (Sl 119.105).

e)Ordenamento da vida pessoal: “Ordena os meus passos na tua palavra, e não se apodere de mim iniquidade alguma” (Sl 119.133).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Salmos 119.11. Guardo no coração as tuas palavras. Qualquer criança que frequente a escola dominical conhece este versículo e qualquer crente adulto também o conhece, mas porventura nós o observamos? Este versículo é largamente usado para falar sobre a sabedoria da memorização da Bíblia e, embora provavelmente não seja esse o sentido pretendido, é uma boa aplicação.

Não precisamos ser como os fanáticos que decoram todo o saltério e o citam diariamente. Eu mesmo memorizei as epístolas paulinas (além da epístola aos Hebreus, que não é paulina) em minha juventude, pelo que agi como um fanático. É possível que as pessoas que colocam em prática esses prodígios mentais se ocupem da Bibliolatria. Além disso, talvez eles façam viagens pelo próprio “eu”, gabando- se de quantas Escrituras conseguem memorizar. Por outra parte, os abusos não anulam o bem, e a memorização é um modo digno de estudar a Bíblia.

Naturalmente, este versículo fala sobre a lei, empregando a terceira das dez palavras listadas no vs. 1.

Guardo. Isto é, “escondo” (conforme diz a Revised Standard Version), aludindo à metáfora de um tesouro escondido. O homem que tem o tesouro escondido em seu coração tem menor inclinação a ceder à tentação. “A palavra de Cristo deve habitar nele ricamente. Caso contrário, em breve ele pode ser surpreendido por algum pecado teimoso” (Adam Clarke, in Ioc.).

Habite ricamente em vós a palavra de Cristo, instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos espirituais, com gratidão em vossos corações.

(Colossenses 3.16)

“Escondei… como os orientais escondem seus tesouros. Cf. Mat. 13.44” (Ellicott, in Ioc.). Ver II Cor. 7.1 e Tito 2.11,12, que contêm passagens neotestamentárias similares. Ver o vs. 14, quanto a ideias sobre riquezas.

 

Salmos 119.5. Oxalá sejam firmes os meus passos. Os caminhos do homem espiritual precisam ser governados pelos preceitos. Ver a oitava das dez palavras usadas para indicar a lei, no vs. 1. Esses caminhos não deixam de ter sinais direcionais. Trata-se de um estrada regulamentada por muitas leis. Um homem não pode inventar o seu próprio caminho. O caminho é divino e somente os homens que conhecem o Ser divino são realmente direcionados ao longo desse caminho.

O judaísmo posterior produziu mais de 600 leis distintas sugeridas pelo caminho de Deus. O judaísmo bíblico não tinha um número menor de leis, sem dúvida alguma. As leis cerimoniais, rituais e morais eram muitas, realmente, e, para a mente dos hebreus, todos os mandamentos eram morais. O coração inconstante avança sem grande entusiasmo e facilmente é distraído do firme propósito que se faz mister para seguir o caminho de Deus. Visto que Yahweh já mostrou o Seu amor constante, pleno de benefícios, assim também o homem sério deve ser fiel e constante. Tendo recebido o amor de Deus, devemos demonstrar nosso amor ao próximo mediante boas obras.

Relembrando a fragilidade e a instabilidade humana, e sabendo que o homem não pode obedecer à lei de Deus contando apenas consigo mesmo, o salmista orou para que o poder de Deus regulasse corretamente e estabelecesse os seus caminhos” (Fausset, in loc). Cf. Jer. 10.23; Sal. 37.23; Pro. 3.6 e Eze. 36.27.

 

Salmos 119.105 Lâmpada para os meus pés é a tua palavra. Seguindo o plano de compor uma poesia acróstica, o autor sagrado oferece-nos agora o décimo quarto conjunto de oito linhas louvando a lei, para o que ele continuou a usar diversos termos com vista a variar sua expressão.

A décima quarta estrofe é chamada de Nune, o nome da letra hebraica repetida no começo de cada uma destas oito linhas. Ou seja, a palavra que encabeça cada uma dessas linhas começa com essa letra hebraica.

Deus é Luz ou seja, sua lei fornece luz e torna-se uma lâmpada para os pés dos peregrinos (ver o vs. 54). O salmista tinha iniciado a vereda espiritual e possuía luz suficiente para que sua jornada fosse bem-sucedida.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2432; 2442.

 

 

Salmos 119.105

Observe aqui: 1. A natureza da palavra de Deus e a grande intenção de entregá-la ao mundo; ela é lâmpada […] e luz. Ela revela-nos coisas sobre Deus e nós mesmos que, do contrário, não conheceríamos; ela mostra-nos o que está errado e é perigoso; ela guia-nos em nosso trabalho e caminho; na verdade, o mundo seria um lugar sombrio sem ela. Ela é uma lâmpada que podemos levantar para nós e tomar em nossa mão para nosso uso particular (Pv 6.23).

O mandamento é a lâmpada que continua a queimar com o óleo do Espírito; ela é como as lâmpadas do santuário e a coluna de fogo para Israel. 2. O uso que devemos fazer dela. Ela deve ser não só luz para os olhos para gratificá-los e encher nossa mente com especulações, mas também lâmpada para os [»ossos] pés […] e luz para o [wosso] caminho para nos guiar na arrumação correta de nossa conversa tanto na escolha de nosso caminho, em geral, e dos passos, em particular, que damos nesse caminho, para que não tomemos um caminho falso nem demos um passo em falso no caminho correto. Assim, somos realmente sensíveis à bondade de Deus conosco em nos conceder essa lâmpada e essa luz quando a tornamos o guia de nossos pés, do nosso caminho.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 642.

 

 

SINOPSE II

 

As disciplinas espirituais cristãs são características de um genuíno avivamento.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

ENCHEI-VOS DO ESPÍRITO!

“Uma experiência contínua. Paulo encorajou os crentes a ‘encher-se [li­teralmente, ‘continuar sendo cheios’] do Espírito’ (Ef 5.18). Os versículos que se seguem são de interesse especial (vv.19.21). Eles dão diversos exemplos daquilo que irá demonstrar uma vida cheia do Espírito Santo:

(a) falar uns com os outros com salmos, hinos e canções espirituais;

(b) cantar e fazer música para o Senhor;

(c) sempre dar graças a Deus Pai por tudo, no nome de nosso Senhor Jesus Cristo;

(d) submeter-se uns aos outros em temor de Deus. Seguindo este último item está o tratamento extensivo dos relacionamentos de marido e mulher; de pais e filhos e de senhores e escravos (empregadores e empregados).

E assim claro que a vida verdadeira­mente cheia do Espírito inclui encorajamento de companheiros crentes (veja a passagem paralela em Cl 3. 16), adoração genuína, uma atitude reta com relação às circunstâncias e relações interpessoais adequadas. Carson comenta que a ordem de Paulo de ser cheio do Espírito ‘é vazia se Paulo não pensa que é perigosamente possível para os cristãos serem “vazios” do Espírito’.

Isso parece ser o pensamento, sob panorama diferente, por trás da admoestação de Paulo a Timóteo para despertar ‘o dom de Deus, que existe em ti pela imposição das minhas mãos’ (2Tm 1.6; veja também 1Tm 4.14)” (PALMA, Anthony D. O Batismo no Espírito Santo e com Fogo. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.100-01).

 

 

III- A VIDA PESSOAL E FAMILIAR DO CRENTE AVIVADO

 

 1- A vida pessoal.

 

O avivamento espiritual também traz consequências para a vida pessoal. Não por acaso, a Palavra de Deus alerta para “ter cuidado” consigo mesmo, da “doutrina” e “perseverança” a respeito do que se tem aprendido (1Tm 4.16).

Em suma, claramente há uma direção da Palavra de Deus para desenvolver aspectos relevantes em nossa vida pessoal: integridade (Mt 5.37; Tg 2.12); prudência no falar e no agir (Pv 25.11; Ec 3.1,7); cuidado na saúde física e emocional (3 Jo 1.2).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

São indispensáveis a preocupação e o cuidado do crente consigo mesmo. Muitos se descuidam e sofrem as consequências. É necessário cuidar de si mesmo para estar mais apto a ter uma vida avivada espiritualmente. Diz a Bíblia: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1 Tm 4.16). A preocupação com a vida pessoal envolve aspectos relevantes.

Integridade

O crente fiel precisa ter cuidado com a sua integridade moral e espiritual: deve ser íntegro. Essa palavra quer dizer: inteiro, completo; perfeito, exato; reto, imparcial, inatacável; (Dic. Aurélio).

Íntegro é aquele que faz o que diz e diz o que faz; é o que dá testemunho dentro e fora de casa, dentro e fora da igreja, seja na presença ou na ausência dos seus líderes (cf. Mt 5.37; Tg 2.12).

Tato. É sinônimo de “prudência, cautela, tino” (Dic. Aurélio). É fundamental no trato com as pessoas, fatos ou situações, evitando precipitações no falar e no agir (Pv 25.11; Ec 3.1,7).

Saúde. João, escrevendo ao seu amigo Gaio, desejou-lhe saúde (3 Jo 1.2). No que cabe a si, o crente deve obedecer aos princípios bíblicos e científicos no cuidado com a saúde: oração, boa alimentação, repouso, exercício (com o suor do teu rosto […]), atitude mental correta, evitar o estresse ou a tensão emocional.

Pesquisas mostram que os pastores são submetidos a tensões fora do comum.

O zelo por si mesmo, pela sua mente e pelo seu corpo contribui para que o crente tenha melhores condições emocionais e físicas no desenvolvimento da sua vida na terra.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

«…Tem cuidado…» No grego é «epecho», que significa «apegar-se a», «alvejar», «fixar a atenção sobre», o que explica a tradução de Williams (aqui vertida para o português): «Cria o hábito de dar atenção constante a ti mesmo». Essa tradução enfatiza a ação contínua que transparece no tempo presente, no original grego. Em todo ο N.T., essa palavra se encontra somente aqui e em Fil. 2:16, onde a ideia é que nos devemos apegar à Palavra da vida.

«…de ti mesmo…», isto é, «com o que és e com o que fazes». Um pastor ou outro líder cristão que represente mal a Cristo, é um desastre. Acima de todos os outros na igreja, deveriam ser modelados segundo a imagem de Cristo, na santidade e na vida cristã positiva e eficaz. (Ver I Cor. 11:1 quanto a notas expositivas sobre o «exemplo», que ilustram o presente versículo). Antes de tudo deveriam exortar a si mesmos, deveriam converter-se e santificar-se, antes de tentarem exortar a outros.

Como poderia alguém apresentar a vida cristã a outrem, como um caminho a ser seguido, e que santifica ao indivíduo, se ele mesmo não tenha dominado os próprios vícios e se tenha santificado? Como poderia alguém falar sobre o poder de Cristo, que salva do pecado, se esse alguém continua cativo ao pecado? E como poderia esse alguém confiar que Cristo é o Salvador e o Santificador, a menos que ele mesmo tenha sido «libertado» do pecado e tenha sido purificado? Se Jesus Cristo não tiver sido eficaz em seu próprio caso, como poderia ele proclamar, confiantemente, que assim Deus fará em favor de outrem? Todo o pastor deve ser um exemplo vivo e óbvio do que Cristo pode fazer na vida do crente, antes de poder mostrar-se eficaz como ministro de Deus.

«O quarto evangelho registra Jesus a dizer acerca de seus seguidores: ‘ …a favor deles eu me santifico a mim mesmo…’ (João 17:19). O escritor desta epístola apela para um senso similar de responsabilidade, na sentença final deste capítulo: ‘Toma cuidado de ti mesmo… porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como a teus ouvintes. Nenhum indivíduo, ministro ou leigo, pode confinar os resultados de sua vida e trabalhar para si mesmo. É preciso que sinta solenemente que um número muito maior de pessoas do que ele pensa é influenciado para o bem ou para a desgraça, por aquilo que ele é e faz». (Noyes, in loc.).

«…doutrina…» No grego é «didaskalia», que significa «ensinamento», «instrução». Neste caso, a doutrina é a revelação inteira da verdade cristã, todos aqueles ensinamentos que fazem parte da fé cristã. Esse apelo visa levar Timóteo a defender a ortodoxia, bem como a resistir à heresia gnóstica.

Essa é uma boa tradução, neste ponto, porquanto envolve o sentido de «ensinamento formal», que era justamente o que o autor sagrado procurava salientar, embora a tradução mais literal e comum seja «ensino», o que pode envolver vários conceitos e instruções, ainda que não o sistema inteiro de pensamento cristão, ou «fé religiosa», de acordo com o vocabulário moderno. Isso significa que a exortação envolve mais que o ensino eficaz e ativo. Envolve isso, mas mais do que isso. O mestre cristão deve preocupar-se com a manutenção da pureza doutrinária do que ensina, a fim de que exalte a pessoa de Cristo e negue a posição inferior a que os mestres hereges reduzem o Senhor.

« …continua…» No g rego é «epimeno», palavra que quer dizer «permanecer», «continuar», «perseverar», «persistir». Também devemos observar aqui o presente do indicativo, no original grego, Deve haver um cuidado contínuo, acompanhado de permanente perseverança na vida piedosa, na defesa da verdade e na execução de todos os deveres cristãos, por parte dos ministros do evangelho.

«…nestes deveres…», isto é, no ensinamento da doutrina cristã, com tudo quanto nisso está implícito, incluindo o dever da santidade e da correta realização dos trabalhos pastorais. Continuam em foco as palavras«…estas cousas…», que aparecem no décimo quinto versículo, a saber, os deveres atinentes a um «supervisor» cristão, embora haja aqui adição às ideias do presente versículo, que falam sobre a diligência e sobre as qualidades da vida pessoal, elementos esses que também não podem ser negligenciados.

«…salvarás tanto a ti mesmo como aos teus ouvintes…» A salvação aqui focalizada só pode referir-se à «vida eterna». (Ver Heb. 2:3 quanto a notas expositivas completas sobre esse assunto). A vida cristã, em sua inteireza, tem um alvo evangelístico, porquanto apresenta aos homens o alvo do evangelho, isto é, a salvação, que consiste da transformação dos remidos segundo a imagem de Cristo e a vida eterna.

A salvação, pois, envolve mais do que a conversão. Também inclui a santificação (a transformação moral) e até mesmo a glorificação, quando então receberemos a própria natureza de Cristo, a sua essência, quando seremos glorificados com a própria glorificação de Jesus Cristo. (Ver Rom. 8:29,30 e as notas expositivas ali existentes). Ora, aquilo que somos e praticamos tem estreita ligação com a maneira como isso é realizado em nós; pois, se houver em nós qualquer atuação da graça de Deus, isso produzirá em nós a santidade, a imitação da vida de Cristo nas nossas vidas, bem como a transformação gradual de nosso ser segundo a imagem do Senhor. Isso equivale à declaração paulina: «…conforme sempre fostes obedientes, assim também agora, com reverência e respeito, continuai a esforçar-vos, até ao ponto final de vossa salvação» (Fil. 2:12, na tradução inglesa de Williams, aqui vertida para o português).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 328.

 

 

Os assuntos eternos dependem da maneira em que o ministro cumpre estas responsabilidades; estão ligadas à salvação de sua alma e à salvação daqueles a quem ele ministra. Por isso, Paulo adverte: Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem (16). Para o ministro do evangelho este é um dos versículos mais sérios e sensatos do Novo Testamento.

E possível que o indivíduo tenha interesses irregulares quanto ao sucesso ministerial. Se ele o usa como padrão para medir o grau de primazia que desfruta, ou de promoção para responsabilidades cada vez maiores com o concomitante aumento salarial, ele pode acabar perdendo a salvação. Paulo confessa possuir este medo, quando diz: “Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Co 9.27). Não nos esqueçamos de que, em nossos esforços em promover a obra da igreja de Cristo, a salvação de nossa alma está pendente, e que temos de dar atenção a nós como também ao nosso ensino e ministério.

Árnold E. Airhart. Comentário Bíblico Beacon. I e II Timóteo.  Editora CPAD. Vol. 9. pag. 485.

 

 

 2- A vida com o cônjuge.

 

Uma vida matrimonial pode e deve ser vivida no Espírito de Deus. Uma vida avivada no Espírito tem como consequência básica: o amor e a submissão (Ef 5.22,25-27); a demonstração de carinho e afeto (Pv 31.29; Ct 1.16; 4.1); uma comunicação eficiente e atenta (Tg 1.19; Pv 18.13,20). Portanto, uma vida de bênção no lar é consequência, como lemos em Efésios 5 e 6, de uma vida cheia do Espírito Santo (Ef 5.18-21).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A Bíblia diz em Provérbios 18.22: “O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência do Senhor”. O cristão que deseja ser avivado espiritualmente tem que ser exemplo nos seus deveres como esposo. Como tal, ele deve agir da melhor maneira possível. Em se tratando de obreiro, pastor ou líder, nenhuma outra atividade exige da família identificação com o trabalho do esposo como a atividade ministerial. Como o crente fiel pode e deve comportar-se como esposo?

Amando a esposa (Ef 5.25-29)

Isso exige demonstrações práticas de carinho, de afeto (Pv 31.29; Ct 4.1;1.16), através de palavras e gestos (cf. 1Jo 3.18): “O que acha uma mulher acha uma coisa boa e alcançou a benevolência do Senhor” (Pv 18.22). O esposo cristão deve ser grato a Deus por essa “benevolência”. Para muitos, as expressões “eu te amo”, “gosto de você” e outras são coisas do passado. Sem essas pequenas coisas, o casamento torna-se azedo, sem graça e pode abrir brecha para a ação do Inimigo. O casamento cristão precisa ser avivado em todos os aspectos.

Comunicando-se com a esposa

O crente deve dedicar tempo para a esposa, reservar tempo para conversar com ela, ter diálogo, saber ouvi-la (ver Tg 1.19). É indispensável desenvolver a Comunicação Significativa. Deve-se também evitar a comunicação rotineira, não responder com raiva (Pv 14.29; 15.1), não dar silêncio como resposta: isso é pirraça; não é para crente fiel. Evitar aborrecê-la (Pv 10.19).

Zelando pela esposa (Ef 5.29; 1 Co 7.33)

Há crentes que só querem zelo para si, mas não zelam pelas suas esposas. Já vimos irmãs crentes reclamando dos seus esposos por estes serem displicentes no cuidado com elas em termos emocionais e físicos. Cada pessoa tem o cônjuge que merece. Se cuidar da sua esposa, zelando pela sua saúde e as suas emoções com carinho, afeto e amor, terá uma esposa alegre e feliz.

União com a esposa (1Co 1.10)

A união é fator decisivo para um casamento feliz e espiritualmente avivado. É exortação bíblica por excelência. Todos conhecemos o Salmo 133, o Salmo do amor fraternal ou da união:

Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião; porque ali o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre. (Sl 133.1-3)

Cuidar da parte sexual (1Co 7.3,5)

É importante para o equilíbrio espiritual, emocional e físico do cristão e da sua esposa. Quando o casal não vive bem nessa parte, o Diabo procura prejudicar o relacionamento a fim de destruir o ministério e a família. Por incrível que pareça, um casal avivado espiritualmente tem uma vida sexual bem melhor do que crentes puramente carnais.

Honrando a esposa

Há crentes que se envergonham das suas esposas. Isso não é de Deus. É de origem carnal e diabólica. O crente avivado honra a sua esposa, como exorta a Palavra de Deus: Igualmente vós, maridos, coabitai com ela com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais fraco; como sendo vós os seus coerdeiros da graça da vida; para que não sejam impedidas as vossas orações. (1Pe 3.7)

Honrar a esposa é uma condição indispensável para ter uma vida espiritualmente avivada, e esta não pode ocorrer sem oração. A falta de honra à esposa impede que as orações subam à presença de Deus.

Compreendendo seu papel de líder no lar É a liderança fundada no amor, “no Senhor” (1Co 11.3), e não no autoritarismo. Deve ser exemplo para os lares. A Bíblia, o manual do casamento e da família, orienta sobre como ser feliz no casamento: Vós, maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo. (Ef 5.25-28)

As mulheres devem sujeitar-se aos seus maridos, “como” a Igreja está sujeita a Cristo. Não se trata de uma relação de inferioridade, nem sujeição impositiva, mas no amor verdadeiro em termos espirituais e conjugais (Ef 5.22-24).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

O papel da esposa (5.22-24)

Falando sobre o papel da esposa, Paulo escreve:

Mulheres, cada uma de vós seja submissa ao marido, assim como ao Senhor; pois o marido é o cabeça da mulher, assim como Cristo é o cabeça da igreja, sendo ele mesmo o Salvador do corpo. Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres sejam em tudo submissas ao marido (5.22-24).

E relevante o fato de, nessa seção, os maridos e as esposas serem lembrados de seus deveres e não de seus direitos. O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, ordena que as mulheres sejam submissas ao marido. Mas o que é submissão? Essa palavra está profundamente desgastada em nossos dias. John Mackay diz corretamente que uma das maiores artimanhas do diabo é esvaziar o sentido das grandes palavras cristãs. Antes de prosseguirmos, portanto, precisamos entender com clareza o que não é submissão.

Em primeiro lugar, submissão não é inferioridade. Devemos desinfetar a palavra “submissão” de seus sentidos adulterados. A mulher não é inferior ao homem. Ela foi tão feita à imagem de Deus quanto o homem. Ela foi tirada da costela do homem e não dos pés. Ela é auxiliadora idônea (aquela que olha nos olhos) e não uma escrava.

Aos olhos de Deus, ela é coigual com o homem (G1 3.28; IPe 3.7). Concordo com John Stott quando diz que não devemos pensar que a submissão que Paulo recomenda às esposas, às crianças e aos servos seja outra palavra para inferioridade. De igual forma, não devemos aceitar a ideia de uma obediência cega e servil. Submissão é pôr-se debaixo da missão de outra pessoa. A missão do marido é glorificar a Deus, amando a esposa como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, e a missão da esposa é sustentar seu marido nessa missão. Russell Shedd entende que submissão traz a ideia de apoiar e encorajar.

Em segundo lugar, submissão não é obediência incondicional. A submissão da esposa a Jesus é uma submissão absolutamente exclusiva. Todos nós somos servos de Cristo. Nunca se afirma, porém, que a esposa deva ser escrava ou serva do marido. Nossa relação com Jesus é uma relação de submissão completa, inteira e absoluta. Não é essa a exortação dirigida às esposas. Se a submissão da esposa ao marido implicar sua insubmissão a Cristo, ela precisa desobedecer ao marido, para obedecer a Cristo. A autoridade do marido, dos pais e dos patrões não é ilimitada, nem a submissão das esposas, dos filhos e dos empregados é incondicional. O princípio é claro: devemos nos submeter até o ponto em que a obediência à autoridade do homem não envolva a desobediência a Deus; nesse ponto, a “desobediência civil” passa a ser nosso dever cristão.

Agora, vejamos o que representa submissão:

Em primeiro lugar, devemos entender que a mulher deve ser submissa ao marido por causa de Cristo (5.22). “Mulheres, cada um de vós seja submissa ao marido, assim como ao Senhor.” A submissão da esposa ao marido não é igual à submissão a Cristo, mas por causa de Cristo. A submissão da esposa ao marido é uma expressão da submissão da esposa a Cristo. A esposa submete-se ao marido por amor e obediência a Cristo. A esposa submete-se ao marido para a glória de Deus (ICo 10.31). A esposa submete-se ao marido para que a Palavra de Deus não seja blasfemada (Tt 2.3-5).

John Stott está certo ao dizer que as mulheres, por trás do marido, do pai e do Senhor devem discernir o próprio Senhor, que lhes deu a autoridade que têm. Assim, se elas quiserem submeter-se a Cristo, submeter-se-ão a eles, visto que é a autoridade de Cristo que exercem.

Concordo com Francis Foulkes quando diz que o casamento ilustra a relação da igreja com Cristo de modo mais adequado do que a ilustração da relação do templo com a pedra angular ou até mesmo que a relação do corpo com seu Cabeça. Saímos, aqui, de ilustrações inanimadas ou do campo biológico para uma ilustração tirada da área mais profundamente pessoal.

Em segundo lugar, devemos observar que a submissão da esposa ao marido ésua liberdade (5.23). “Pois o marido é o cabeça da mulher, assim como Cristo é o Cabeça da igreja, sendo ele mesmo o Salvador do corpo. A submissão não é escravidão, mas liberdade. A verdade liberta. Só sou livre quando obedeço às leis do meu país. Um trem só é livre quando corre em cima dos trilhos. John Stott está correto quando diz o ensino bíblico é que Deus deu ao homem uma certa liderança, e que sua esposa encontra a si mesma e seu verdadeiro papel dado por Deus não na rebelião contra o marido nem contra a liderança dele, mas, sim, na submissão voluntária e alegre.

Em terceiro lugar, à luz do ensino de Paulo, a submissão da esposa ao marido ésua glória (5.24). “Mas, assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres sejam em tudo submissas ao marido. Assim como a glória da igreja é ser submissa a Cristo, também a glória da esposa é ser submissa ao marido. A submissão da igreja a Cristo é voluntária, devotada, sincera e entusiástica. É uma submissão motivada pelo amor. A igreja só é bela quando se submete a Cristo. A submissão da igreja a Cristo não a desonra nem a desvaloriza. A igreja só é feliz quando se submete a Cristo. Quando a igreja deixa de se submeter a Cristo, ela perde sua identidade, seu nome, sua reputação e seu poder. A submissão não é a um senhor autoritário, autocrático, déspota e insensível, mas a alguém que a ama a ponto de dar sua vida por ela.

A submissão da esposa não é a um tirano, mas a um marido que a ama como Cristo ama a igreja. O cabeça do corpo é o salvador do corpo; a característica de sua condição de cabeça não é tanto a de Senhor, mas, sobretudo, a de Salvador.

Em quarto lugar, a submissão da esposa ao marido é a sua missão (5.22). A palavra “submissão” indica que a missão da esposa é sustentar a missão do marido, e a missão do marido é amar a esposa a ponto de morrer por ela. A mulher submissa faz bem ao marido todos os dias de sua vida e pavimenta o caminho do amor do marido por ela.

Como o marido deve cuidar da esposa?

Em primeiro lugar, o marido deve cuidar da vida espiritual da esposa (5.25-27). Maridos, cada um de vós ame a sua mulher, assim como Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, a fim de santificá-la, tendo-a purificado com o lavar da água, pela palavra, para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. O marido é responsável pela vida espiritual da esposa e dos filhos. Ele é o sacerdote do lar. O marido precisa buscar a santificação da esposa. Deve ser a pessoa que mais exerça influência espiritual sobre ela.

Em segundo lugar, o marido deve cuidar da vida emocional da esposa (5.28,29). “Assim o marido deve amar sua mulher como ao próprio corpo. Quem ama sua mulher, ama a si mesmo. Pois ninguém jamais odiou o próprio corpo; antes, alimenta-o e dele cuida; e assim também Cristo em relação à igreja. Os maridos devem amar sua mulher como ao próprio corpo. O marido fere a si mesmo ferindo a esposa. Crisóstomo disse: “O olho não trai o pé colocando-o na boca da cobra”. Paulo diz ainda que ninguém jamais odiou o próprio corpo; antes o alimenta e cuida dele. Mas como o marido cuida da esposa?

Ele não deve abusar dela. O homem pode abusar de seu corpo comendo e bebendo em excesso. O homem que faz isso é néscio, porque, ao maltratar seu corpo, ele mesmo sofre. O marido que maltrata a esposa é néscio.285 Ele machuca a si mesmo ao ferir a esposa. Um marido pode abusar da esposa: sendo rude, não dedicando tempo, atenção e carinho a ela, ou usando palavras e gestos grosseiros para feri-la, ou sendo infiel a ela.

Ele não deve descuidar dela. Um homem pode descuidar de seu corpo. E se o faz, ele é néscio e sofre por isso. Se você estiver com a garganta inflamada, não pode cantar nem pregar. Todo seu trabalho é prejudicado. Você tem ideias e mensagens, mas não pode transmiti-las. O marido descuida da esposa com reuniões intérminas, com televisão, com internet, com roda de amigos. Há viúvas de maridos vivos. Há maridos que querem viver a vida de solteiro. O lar é apenas um albergue.

O marido deve zelar pela esposa: alimentá-la e cuidar dela. Como o homem sustenta o corpo? Martyn Lloyd- Jones sugere as seguintes ações: 1) a dieta — o homem deve pensar em sua dieta, em sua comida. Deve ingerir alimento suficiente e fazer isso com regularidade. Também o marido deveria pensar no que ajuda sua esposa; 2) prazer e deleite — quando ingerimos nosso alimento, não pensamos só em termos de calorias ou proteínas. Não somos puramente científicos. Pensamos também naquilo que nos dá prazer. Dessa maneira, o marido deve tratar a esposa. Ele deve pensar no que a agrada. O marido deve ser criativo no sentido de sempre agradar a esposa; 3) exercício — a analogia do corpo exige mais esse ponto. O exercício é fundamental para o corpo. O exercício é igualmente essencial para o casamento. E o diálogo harmonioso, a quebra da rotina desgastante; 4) carícias — a palavra cuidar só aparece aqui e em I Tessalonicenses 2.7. A palavra cuidar quer dizer acariciar. O marido precisa ser sensível às necessidades emocionais e sexuais da esposa. O marido precisa aprender a ser romântico, cavalheiro, gentil e cheio de ternura.

Em terceiro lugar, o marido deve cuidar da vida física da esposa (5.30). “Porque somos membros do seu corpo. O marido deixa todos os outros relacionamentos para concentrar-se na esposa, ou seja, deve amar a esposa com um amor que transcende todas as outras relações humanas. Ele deixa pai e mãe. Sua atenção volta-se para sua mulher. Seu propósito é agradá-la. Sua união com ela é monogâmica, monossomática e indissolúvel. Assim, marido e mulher tornam-se uma só carne. O sexo é bom e uma bênção divina na vida do casal. Deve ser desfrutado plenamente, em santidade e pureza. Primeira Coríntios 7.3-5 e Provérbios 5.15-19 mostram como deve ser abundante essa relação sexual.

Numa época como a nossa de falência da virtude, enfraquecimento da família e explosão de divórcio, essa ideia cristã do casamento deve ser difundida com mais frequência entre o povo. Curtis Vaughan conclui dizendo que o dever da esposa é respeitar o marido, e o dever do marido é merecer o respeito dela (5.33).

LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pag. 152-.159.

 

 

Marido e Mulher, 5.22-33

Paulo começa com a mais alta das relações familiares: a relação entre marido e mulher. Os outros dois conjuntos de relação são de importância relativamente menor. A relação entre pais e filhos é produto do amor entre um homem e uma mulher, ao passo que a relação entre senhores e escravos é parte do esforço do homem em prover a subsistência econômica para sua família. Todavia, estas duas interdependências sociais têm significação profunda pelo fato de o indivíduo ser cristão nesta “primeira grande camada sociológica da existência humana”.5 O ponto de partida para a cessação de brigas é um vínculo santo entre marido e mulher.

A Submissão da Esposa (5.22-24)

Toda relação pessoal tem algum elemento de submissão. Na ordem natural das coisas, o marido ocupa posição de prioridade. Paulo reconhece esta ordem natural conclamando as mulheres a se sujeitarem (22; cf. 1 Co 11.2-16; Cl 3.18). Fora da relação matrimonial, macho e fêmea são, por criação, iguais. Mas, no ambiente familiar, o marido tem de assumir certas prerrogativas divinamente ordenadas e a esposa tem de aceitar esta relação com alegria. Bruce escreve que não é que “as esposas sejam inferiores aos maridos, quer sob o aspecto natural ou espiritual. Mas Paulo reconhece uma hierarquia divinamente ordenada na ordem da criação; e, nesta ordem, a esposa tem lugar imediatamente depois do marido”.6 A esposa tem de estar pronta a se render ao marido para que o marido exerça a autoridade que é sua responsabilidade. Muitos casamentos acabam hoje em dia, porque a esposa não está inclinada a reconhecer este fato no que tange ao trabalho do marido, ao local do lar e à disciplina dos filhos. Esta deferência pela esposa é feita como ao Senhor (22), quer dizer, como parte do seu dever ao Senhor. Deduzimos, aqui, que Paulo fala em termos de famílias cristãs, onde este tipo de submissão deve ser praticável e possível.

Para colocar seu apelo no quadro de referência desta carta, Paulo apresenta a analogia da supremacia de Cristo como reforço da afirmação de que a esposa se sujeite ao marido (23; cf. 1.22). Em 1 Coríntios 11.3, Paulo escreveu: “Quero, porém, que entendam que o cabeça de todo homem é Cristo, e o cabeça da mulher é o [marido], e o cabeça de Cristo é Deus” (NVI; cf. NTLH). Há duas idéias importantes que se destacam nesta “corrente ascendente de relações”: 1) Supremacia “denota primariamente controle de autoridade e o direito de obediência”;7 2) Controle e obediência ocorrem “num organismo vivo, onde as duas partes são complementares entre si”.8 A unidade está na base de todas as três relações mencionadas na nota coríntia. Paulo vê a esperança de famílias unidas neste entendimento da relação entre marido e mulher.

O marido não é apenas a cabeça da esposa; é também analogamente o salvador do corpo (23). De acordo com a interpretação mais rígida, a última frase aplica-se fundamentalmente a Cristo, que é “o Libertador e Defensor da igreja, que é o seu corpo”.9 E claro que o marido não pode ser o salvador da esposa em termos redentores, mas é o seu protetor e sustentador. Todo sacrifício e abnegação que geram um senso de bem-estar e segurança evocam regularmente submissão livre e amorosa da esposa. Martin conclui: “O marido tem de estabelecer o padrão de sua conduta segundo a conduta de Cristo para com sua igreja”.10

O versículo 24 repete a responsabilidade das esposas se sujeitarem a seus maridos, da mesma maneira que a igreja está sujeita a Cristo. As duas palavrinhas em tudo podem soar ofensivas para a mulher moderna que desfruta liberdade em todas as áreas da sociedade. E se ela tiver responsabilidades fora de casa, como as prevalecentes na profissão escolhida, como fica? A resposta é questão de prioridades. Foulkes observa: “Ela pode cumprir qualquer função e qualquer responsabilidade na sociedade, mas se ela aceitou diante de Deus a responsabilidade do casamento e da família, estas devem ser seu interesse primordial”.11 Da mesma maneira que a igreja deve dar prioridade em sua devoção e serviço a Cristo, assim a esposa tem de dar prioridade em suas funções de esposa e mãe. O caráter íntimo e delicado das relações matrimoniais e familiares não deixa espaço para equívocos neste ponto. Mas, quando há submissão no contexto do amor, a sujeição não é dolorosa, nem humilhante, mas engrandecedora.

O Amor do Marido (5.25-33)

Que a esposa não pense que o marido está completamente livre de obrigações nesta relação. Paulo também tem algo a dizer ao marido. Crisóstomo comentou: “Viste a medida da obediência? Ouvi também a medida do amor. Não deveria tua esposa te obedecer como a igreja obedece a Cristo? Cuida dela, como Cristo cuida da igreja”.

Amai vossas mulheres (25), escreve Paulo aos maridos. Por trás desta exortação e dando-lhe significado infinito está a analogia majestosa da igreja como noiva de Cristo, já apresentada acima, mas desenvolvida aqui ao seu ponto mais alto (cf. 27). A expressão amai é um imperativo presente (agapate) e significa “continuai amando”. O amor que reuniu marido e mulher no casamento deve ser alimentado e expresso à medida que os anos de casamento passam. Ao longo dos anos matrimoniais, o marido deve amar a esposa como eles se amaram no dia em que se casaram.

O marido deve amar a esposa como também Cristo amou a igreja (25). Nesta analogia, Paulo caracteriza o amor que o marido deve ter por sua esposa. O amor de Cristo pela igreja é o exemplo supremo de todos os amores, e é, neste caso, o amor que o marido tem de demonstrar pela esposa.

a) O amor de Cristo é um amor altruísta (5.25). Cristo se entregou pela igreja (25b). Na ótica de Paulo, Deus deu Cristo para a humanidade, e Cristo, por sua vez, se deu pela libertação do homem (cf. Rm 5.8). Em Gálatas 1.4, ele fala que “nosso Senhor Jesus Cristo [,..]deu-se a si mesmo por nossos pecados”. Em Tito 2.14, ele descreve que Cristo “se deu a si mesmo por nós”. O apóstolo já havia tocado nesta verdade essencial em 5.2, onde apela aos leitores: “Andai em amor, como também Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós”.

Na teologia altamente cristocêntrica de Paulo, Cristo é a norma para a totalidade da vida. O amor sacrifical e altruísta constitui a própria essência da vida cristã. Se “andar em amor” é necessário para a vida, conclui-se que é compulsório para esta relação na vida em particular. A aplicação é esta: Como Cristo se entregou pela igreja, assim o marido deve estar pronto a fazer todo e qualquer sacrifício, mesmo o sacrifício, se necessário, da própria vida, para o bem-estar e felicidade da esposa. Segundo interpretação de Moule, Paulo está dizendo para o marido: “Ama tua esposa, com o amor sempre caloroso do primeiro verão da pura alegria humana, mas, nesse meio tempo, mantém-no sublime e verdadeiro mediante um ideal grande como o céu”.12 O afeto supremo de Cristo envolve paixão, devoção imorredoura, sensibilidade às necessidades e abnegação. É com um amor assim que o marido tem de amar a esposa.

b) O amor de Cristo é um amor santificador (5.26,27). O objetivo de Cristo ter-se entregado em sacrifício de si mesmo na morte, instilado por seu amor incomparável, é a santificação da igreja. Os dois verbos santificar (hagiase) e purificando {katharisas) são traduzidas como se fossem formas verbais idênticas. Purificando é um particípio aoristo e indica ação que aconteceu antes da ação do verbo principal: santificar. Sendo assim, a tradução mais apropriada seria: “Para que a santificasse, tendo-a purificado” (RA; cf. CH, NVI). Em outras palavras, “tendo-a purificado” refere-se à purificação que ocorre na regeneração, visto que santificar denota a purificação do pecado inato. Hodge apóia esta manipulação destes verbos. Ele afirma: “A Bíblia sempre representa o perdão de pecados ou a remoção da culpa como fatos precedentes à santificação. Somos perdoados e reconciliados com Deus, para que possamos nos tornar santos”.13 Ainda que não aceite que a santificação seja uma segunda experiência de crise, Hodge é categórico quanto à distinção entre regeneração e santificação que o particípio aoristo denota corretamente. Considerando que ambas as formas verbais estão no tempo aoristo pontual, estamos justificados em considerá-los referência à experiência decisiva e não às experiências graduais. A Bíblia ensina que a regeneração e a santificação são essas experiências de crise.

Com a lavagem da água pela palavra tem paralelo em Tito 3.5, onde Paulo diz que Deus “nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo”. O termo lavagem não diz respeito à regeneração batismal. Como destaca Bruce: “Nem precisamos dizer que o Novo Testamento desaprova esta deturpação. A regeneração é uma mudança interior feita pelo Espírito Santo”.14 Não obstante, o simbolismo do batismo é usado para transmitir o pensamento. A purificação da culpa e do poder do pecado na experiência de regeneração é anunciada e testemunhada publicamente pelo batismo.

Encontramos ao longo da Bíblia o simbolismo da água como representação da purificação espiritual e é nesse contexto que devemos ver esta referência sob estudo (cf. Ez 16.9; 36.25; 1 Co 6.11; Hb 10.22). A expressão pela palavra não pode ser interpretada com o sentido de fórmula batismal ou confissão do batizando; refere-se ao evangelho ou à palavra de Deus. Também tem de estar ligada à palavra santificar, e não à palavra purificando. De acordo com esta análise, a tradução seria: “Cristo santificou a igreja pela palavra, depois de tê-la limpado com a lavagem da água”. João 17.17 registra que Cristo orou: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”. Apalavra de Deus é o meio ou instrumento pelo qual é realizada a purificação mais profunda além da conversão. Esta segunda bênção é administrada pelo Espírito Santo quando o cristão convertido aceita, pela fé, a morte meritória de Cristo.

Paulo parece ter se afastado muito do tema central do amor que o marido deve ter pela esposa. A beleza intrínseca da analogia da noiva e do noivo prendeu sua imaginação e levou seu pensamento para esta direção. Mas, em essência, ele ainda está falando objetivamente. Toda esposa tem imperfeições; quando ela se casa com não é esposa perfeita; o mesmo se dá com a igreja. O amor de Cristo o levou a pagar o preço supremo da morte para santificar sua noiva. Assim o amor do marido deve ser tamanho a ponto de efetuar a remoção dessas características da esposa, as quais impediriam que a relação matrimonial tivesse as alegrias planejadas por Deus. Barclay observa: “O amor verdadeiro é o grande limpador e purificador de toda a vida”.16

A santificação da igreja torna possível a Cristo apresentar-se a si mesmo igreja gloriosa (27). Não devemos entender o verbo apresentar (parastese) com o sentido de apresentação de uma oferta, mas como mera “demonstração” de que Cristo é, “ao mesmo tempo, o agente e o fim ou objetivo da apresentação”.17 Cristo apresenta a sua noiva a si mesmo. E estranho que a preparação da noiva para o casamento seja fundamentalmente trabalho do Noivo. Não há embelezamento externo que a torne aceitável para ele. Beleza é o trabalho do amor. Neste caso, o amor sacrificatório do Noivo refina a relação com a igreja até que a noiva apareça na beleza da santidade. Gloriosa significa “de acordo com a natureza com que ele a dotou”, uma natureza resplandecente por seus próprios méritos. Westcott parafraseia a expressão sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante por “sem um traço de corrupção ou marca de idade”.18 Wesley interpreta sem mácula por “impureza de qualquer pecado”. Ele explica que ruga é uma “deformidade de qualquer deterioração”.19 Santa e irrepreensível é repetição do pensamento de 1.4. Este é o grande objetivo do ministério de purificação do Senhor. Em 2 Coríntios 11.2, o apóstolo fala do seu próprio “ciúme divino” sobre a igreja para apresentá-la como “noiva pura para o marido” (RSV). A última apresentação ocorrerá no dia final da aparição de Cristo, mas mesmo agora está ocorrendo, para que os homens vejam a maravilhosa graça de Cristo.

Nos versículos 25 a 27, temos “Algreja Gloriosa”. Aigreja detém uma relação tripla: a) Com o mundo, é a ecclesia (os reunidos); b) consigo mesma, é a koinonia (comunhão); c) com Cristo sendo seu corpo, é o kerygma (pregação). 1) A igreja é amada para que seja santificada, 25,26; 2) A igreja é santificada e purificada: pela lavagem da água — o batismo. Pelo sangue aplicado, conforme apresentado na Ceia do Senhor. Pela palavra. Todos estes são vitalizados e efetuados na presença do Espírito, 26. 3) Aigreja é apresentada como a noiva de Cristo, submissa, gloriosa, universal e vitoriosa, 27 (G. B. Williamson).

Willard H. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Efésios. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 182-185.

 

 

 3- A vida com os filhos.

 

Um crente avivado da atenção ao seu relacionamento com os filhos. Aqui, há cuidados indispensáveis para uma vida cristã avivada e feliz no relacionamento entre pais e filhos: o afeto (Fp 2.1,2; Sl 2.12); os cuidados espirituais (Dt 11.18-21); o hábito do culto doméstico (Sl 78.1-9); o relacionamento cristão com os filhos (Ef 6.4; Cl 3.21); a disciplina dos filhos (Hb 12.7; Pv 19.18; Jr 31.20).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O Relacionamento com os Filhos

Um pastor que visitava o presídio de uma grande capital brasileira ouviu o diretor da instituição dizer: “Muitos dos que estão aqui são filhos de crentes. Na cela de segurança máxima, há dez presos: quatro são filhos de pastores”. É preciso que o cristão, principalmente se for obreiro, dê mais atenção aos seus filhos. Não adianta dar glórias a Deus no púlpito ou nas igrejas se há uma família infeliz em casa. Um lar cristão, avivado espiritualmente, é ambiente ideal para um excelente relacionamento familiar. No relacionamento com os filhos, os pais cristãos devem ter alguns cuidados, indispensáveis para uma vida cristã avivada e feliz: O homem justo leva uma vida íntegra; como são felizes os seus filhos! (Pv 20.7, NVI).

Afeto

O afeto é uma das mais expressivas demonstrações de amor: Portanto, se há algum conforto em Cristo, se alguma consolação de amor, se alguma comunhão no Espírito, se alguns entranháveis afetos e compaixões, completai o meu gozo, para que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. (Fp 2.1,2; cf. Sl 2.12; Os 11.1a, 4a).

Cuidados espirituais (Dt 11.18-21; Ef 6.4)

O culto doméstico é indispensável. É de grande valor espiritual a realização do culto doméstico para cultivar o saudável hábito de ler e meditar na Palavra de Deus, como ordena a sua Palavra: Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o Senhor jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra. (Dt 11.18-21)

Lamentavelmente, 90% dos crentes pentecostais não realizam o culto doméstico. Amam estar nos templos, louvam ao Senhor em altas vozes, gostam de evangelizar, mas não valorizam a adoração a Deus nos seus lares. Essa omissão traz grandes prejuízo para as suas famílias e também para as igrejas onde servem a Deus. Sem adoração ao Senhor no lar, o Maligno encontra brechas para prejudicar as famílias, os pais e o casamento. O salmista Asafe escreveu pelo Espírito Santo:

Escutai a minha lei, povo meu; inclinai os ouvidos às palavras da minha boca. Abrirei a boca numa parábola; proporei enigmas da antiguidade, os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez. Porque ele estabeleceu um testemunho em Jacó, e pôs uma lei em Israel, e ordenou aos nossos pais que a fizessem conhecer a seus filhos, para que a geração vindoura a soubesse, e os filhos que nascessem se levantassem e a contassem a seus filhos; para que pusessem em Deus a sua esperança e se não esquecessem das obras de Deus, mas guardassem os seus mandamentos e não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde, geração que não regeu o seu coração, e cujo espírito não foi fiel para com Deus. Os filhos de Efraim, armados e trazendo arcos, retrocederam no dia da peleja. (Sl 78.1-9 – grifos acrescidos)

Nesse texto, vemos claramente a exortação para que os pais passem aos seus filhos os louvores de Deus, bem como “a sua força e as maravilhas que fez”, de modo que as gerações futuras saibam-no e os filhos levantem-se e contem aos seus filhos o que o Senhor fez, com objetivos elevados: ponham em Deus a sua esperança; não se esqueçam das obras dEle; guardem os seus mandamentos; não sejam rebeldes como os seus pais, no caso do povo de Israel. Que Deus toque no coração dos crentes para que aprendam que a primeira igreja é a sua família; as primeiras almas que devem ser salvas são os seus familiares. O culto doméstico reúne a família em torno da Palavra de Deus para louvar e aprender as verdades sagradas. Paulo dá um alerta solene: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1 Tm 5.8).

Cuidados gerais

Alimento, educação, saúde e demais necessidades.

Comunicação

É preciso dar tempo para conversar com os filhos. Não os provocar à ira (Ef 6.4); não os irritar (Cl 3.21). Pedir perdão quando errar com eles.

Disciplina

Embora a disciplina seja sempre vista como algo desagradável, é necessária para a boa formação da personalidade e do caráter cristão (Hb 12.7; Pv 19.18; Pv 13.24; 29.15; cf. Jr 31.20).

O cuidado com a família dá ao obreiro condições para ser exemplo e ter no lar um lugar de repouso e restauração das energias despendidas na lida ministerial.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

O dever dos pais com os filhos (6.4)

Paulo exorta os pais não a exercer sua autoridade, mas a contê-la.293 Mediante o Pátria potestas, o pai podia não só castigar os filhos, mas também vendê-los, escravizá-los, abandoná-los e até mesmo matá-los. Sobretudo os fracos, doentes e aleijados tinham pouca chance de sobreviver.

Paulo ensina, entretanto, que o pai cristão deve imitar outro modelo. A paternidade é derivada de Deus (3.14,15; 4.6). Os pais devem cuidar dos filhos como Deus Pai cuida de sua família. Na verdade, é o Senhor quem cria os filhos por intermédio dos pais.

Paulo enfatiza é uma exortação negativa-. “E vós, pais, não provoqueis a ira dos vossos filhos” (6.4a). A personalidade da criança é frágil, e os pais podem abusar de sua autoridade usando ironia e ridicularizarão. O excesso ou ausência de autoridade provoca ira nos filhos. O excesso ou ausência de autoridade leva os filhos ao desânimo. Cada criança é uma pessoa peculiar e precisa ser respeitada em sua individualidade.

Os pais podem provocar a ira dos filhos por excesso de proteção ou favoritismo. Quando Isaque revelou preferência por Esaú, e Rebeca predileção por Jacó, eles jogaram um filho contra o outro e trouxeram grandes tormentos sobre si mesmos.

Há pais que provocam a ira em seus filhos revelando contínuo descontentamento com o desempenho deles. Os filhos não conseguem agradar os pais em nada. Semelhantemente, os pais provocam ira nos filhos por não reconhecer as diferenças entre eles. Cada filho é um universo distinto.

Outra forma de provocar ira nos filhos é o silêncio gélido, a falta de diálogo. Esse foi o principal abismo que Davi cavou no relacionamento com seu filho Absalão. Os pais podem provocar ira nos filhos por meio de palavras ásperas ou de agressão física. Finalmente, os pais podem provocar ira nos filhos por falta de consistência na vida e na disciplina. Os pais devem ser espelho dos filhos, e não carrascos deles.

William Hendriksen, nessa mesma linha de pensamento, aborda seis atitudes dos pais que provocam ira nos filhos: 1) excesso de proteção; 2) favoritismo; 3) desestímulo; 4) não reconhecimento do fato de que o filho está crescendo e, portanto, tem o direito de ter suas próprias ideias e de que não precisa ser uma cópia exata do pai para ter êxito na vida; 5) negligência; e 6) palavras ásperas e crueldade física.

Paulo ressalta são as exortações positivas (6.4). Paulo destaca quatro coisas:

Em primeiro lugar, os pais devem, cuidar da vida física e emocional dos filhos. “Mas criai-os” (6.4b). A palavra grega ektrepho, “criar”, quer dizer nutrir, alimentar. E a mesma palavra que aparece em 5.29. Calvino traduziu essa expressão por “sejam acalentados com afeição”. Hendriksen traduziu por “tratai deles com brandura”. As crianças precisam de segurança, limites, amor e encorajamento. Os filhos não precisam só de roupas, remédios, teto e educação, mas também de afeto, amor e encorajamento.

Em segundo lugar, os pais precisam treinar os filhos por meio da disciplina. “[…] na disciplina” (6.4c). A palavra grega paideia, “disciplina”, tem o sentido de treinamento por meio da disciplina. A disciplina se dá por meio de regras e normas, de recompensas e, se necessário, de castigo (Pv 13.24; 22.15; 23.13,14; 19.15). Só pode disciplinar (fazer discípulo) quem tem domínio próprio. Que direito tem um pai de disciplinar o filho, se ele mesmo precisa ser disciplinado? Russell Shedd diz que a palavra paideia, em grego, representa o treinamento que produz uma reação automática no filho, de modo que, quando o pai chama, ele vem.

Em terceiro lugar, os pais precisam encorajar os filhos através da palavra. “[…] e instrução” (6.4d). A palavra grega nouthesia, “admoestação”, quer dizer educação verbal. É educar eficazmente por meio da palavra falada, seja de ensino, seja de advertência, seja de estímulo. Se houver apenas advertência, os filhos ficam desanimados; se houver apenas estímulo, eles ficam mimados. Esse equilíbrio entre advertência e estímulo é fundamental para a educação dos filhos. Russell Shedd diz que essa palavra nouthesia quer dizer que os filhos devem começar, desde pequeninos, a distinguir entre o que é certo e o que é errado. Devem ser instruídos acerca do que é certo e errado, segundo o que Deus fala em sua Palavra.

Em quarto lugar, os pais são responsáveis pela educação cristã dos filhos. “[…] do Senhor” (6.4e). A expressão “do Senhor” revela que os responsáveis pela educação crista dos filhos não são: o Estado, a escola nem mesmo a igreja, mas os próprios pais. Sob a economia divina, os filhos pertencem, antes e acima de tudo, aos pais. Por detrás dos pais, está o Senhor. Ele é o Mestre e o administrador da disciplina. A preocupação básica dos pais não é apenas que seus filhos se submetam a eles, mas que cheguem a conhecer o Senhor a fim de obedecê-lo de todo o coração (Dt 6.4-8).

Os pais devem se preocupar mais com a lealdade dos filhos a Cristo do que com qualquer outra coisa; mais até mesmo do que com a saúde, com o vigor e o brilho intelectual deles, com a prosperidade material, com a posição social ou com que não sofram grandes tristezas e infortúnios.

Concordo com Wiliam Hendriksen quando diz que toda a atmosfera em que a educação é transmitida deve ser tal que o Senhor possa pôr sobre ela seu selo de aprovação, uma vez que o próprio cerne da educação cristã é este: conduzir o coração dos filhos ao coração do seu Salvador.

LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pag. 164-167.

 

 

O Dever dos Pais (6.4)

A desobediência dos filhos pode acabar com a paz do lar cristão, mas, por outro lado, a insensibilidade e aspereza parentais podem ser igualmente devastadoras. Paulo tem uma palavra para os pais e mães, representados aqui pelo pai, a quem é dada a responsabilidade de dirigir e disciplinar a família. O dever do pai é duplo. Primeiramente, há a responsabilidade negativa: Não provoqueis a ira a vossos filhos. O verbo éparorgizo, e ocorre somente nas epístolas paulinas (Rm 10.19; Ef 4.26). Aqui significa “irritar” ou “exasperar” (cf. BAB, BV, NTLH, NVI). Paulo exorta os pais a não “excitarem as paixões ruins dos filhos por severidade, injustiça, parcialidade ou exercício irracional de autoridade”.34 Disciplina em casa é absolutamente necessária, mas, muitas regras e regulamentos, junto com a inevitável importunação que tal situação cria, acabam causando justa rebelião. Phillips expressa o ponto sucintamente: “Pais, não exagerem na correção de seus filhos nem lhes dificultem a obediência ao mandamento” (CH).

Em segundo lugar, há a responsabilidade positiva: Criai-os na doutrina e admoestação do Senhor. As duas palavras doutrina (paideia) e admoestação (nouthesia) podem ser traduzidas por “castigo físico” e “repreensão”. Esta tradução daria a impressão que Paulo estaria promovendo a punição e a correção oral. A explicação mais racional é que paideia é educação no sentido mais amplo, “o processo de instrução”, como geralmente é usado na literatura grega. Contudo, mesmo neste sentido, a ação disciplinar não está fora de cogitação. Admoestação (Nouthesia) é simplesmente “instrução” (AEC) ou “ensino” (CH). O uso do verbo “educar” (ektrepho) com “sustentar” (thalpo) na construção paralela, em 5.29, apóia esta tradução mais positiva destas palavras. Atarefa do pai é se envolver num programa sério e carinhoso de treinar os filhos em todas as áreas da vida para proporcionar-lhes crescimento pessoal, social e espiritual. Toda disciplina e instrução devem ser feitas na mente e espírito do Senhor. Foulkes comenta: “A doutrina e admoestação do Senhor é aquilo que o Senhor coloca na vida de uma criança, se os pais cumprirem sua tarefa de ensiná-la e treiná-la em Sua Palavra.

Willard H. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Efésios. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 188-189.

 

 

 4- Os efeitos do avivamento na vida pessoal.

 

O crente avivado e alegre (Ed. 3.11-13). A alegria do Senhor produz fortalecimento espiritual no interior do crente fiel, em todas as situações da vida e, por isso, ele é forte (Ne 8.10).

Semelhantemente a Sadraque, Mesaque, Abede-Nego e Daniel, o crente avivado não teme a morte (Dn 3.12; 19-26; Dn 6.1-10). E, finalmente, o crente avivado é santo, uma condição indispensável para ver Deus, pois sem santificação ninguém verá O Senhor” (Hb 12.14; 1 Pe 1.15,16).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O crente avivado é forte

Há pessoas nas igrejas que demonstram fraqueza espiritual.

Normalmente se sentem desanimadas, porque não conseguem alegrar-se na presença do Senhor. Porém, o crente avivado, além de alegre, é forte espiritualmente. Não apenas canta, louva e exalta ao Senhor, como também demonstra ter fortaleza espiritual. E um dos fatores que o fazem ser forte é exatamente a alegria do Espírito Santo no seu interior. No tempo de Neemias, o sacerdote Esdras reuniu o povo na praça e fez a leitura do livro da Lei perante todos, e houve grande alegria coletiva a partir da alegria individual: E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo o povo; e, abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. E Esdras louvou o Senhor, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! —, levantando as mãos; e inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra. (Ne 8.5-6)

A Bíblia diz que, diante da leitura do livro da Lei, o povo chorava, sentindo a sua situação espiritual depois de tanto tempo sem ouvir os ensinamentos da Palavra de Deus. Eles lamentavam e choravam com muita comoção. Então, Neemias e Esdras levantaram-se e falaram ao povo, buscando animar e fortalecer a todos depois da leitura do livro da Lei:

E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da Lei. Disse lhes mais: Ide, e comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque esse dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força. E os levitas fizeram calar todo o povo, dizendo:

Calai-vos, porque este dia é santo; por isso, não vos entristeçais. Então, todo o povo se foi a comer, e a beber, e a enviar porções, e a fazer grandes festas, porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber.

(Ne 8.9-12 – grifo acrescido)

Esse episódio bíblico mostra-nos que, quando os crentes estão alegres, sentem fortaleza espiritual. Neemias e Esdras disseram: “portanto, não vos entristeçais, porque a alegria do Senhor é a vossa força”. A alegria do Senhor produz fortalecimento espiritual no interior do crente fiel. Há casos em que o crente batizado no Espírito Santo passa por tribulações dolorosas na vida, como, por exemplo, a perda de alguém querido ou lutas e perseguições, mas quando ele transborda de alegria interior do Espírito Santo e fala línguas estranhas em adoração a Deus, toda tristeza e dor desaparecem, e ele é capaz de caminhar e continuar a sua jornada diante do Senhor com poder e coragem. Isso é avivamento individual, que é produzido pela alegria do Espírito Santo.

O Crente Avivado não Teme a Morte

Hananias, Misael e Azarias enfrentam o decreto do rei

O avivamento pessoal faz o crente rejeitar o que não agrada a Deus. Durante o cativeiro babilônico, quando Israel foi levado para longe da sua terra, o rei Nabucodonosor determinou que, dentre os cativos, fossem escolhidos jovens com qualidades especiais para servirem no palácio real. Eles eram da linhagem real, e dos nobres, jovens em quem não houvesse defeito algum, formosos de aparência, e instruídos em toda a sabedoria, e sábios em ciência, e entendidos no conhecimento, e que tivessem habilidade para viver no palácio do rei, a fim de que fossem ensinados nas letras e na língua dos caldeus. (Dn 1.3-4)

A eles foram oferecidas benesses e gentilezas no palácio do rei.

No entanto, para não se contaminarem, certamente com alimentos oferecidos aos deuses da Babilônia, Daniel e os seus companheiros rejeitaram o “manjar do rei” (Dn 1.5-16). Demonstraram a sua fidelidade ao seu Deus, o Deus de Israel. Como resultado, foram grandemente abençoados e, ao serem submetidos ao teste real, foram muito bem avaliados:

E o rei falou com eles; e entre todos eles não foram achados outros tais como Daniel, Hananias, Misael e Azarias; por isso, permaneceram diante do rei. E em toda matéria de sabedoria e de inteligência, sobre que o rei lhes fez perguntas, os achou dez vezes mais doutos do que todos os magos ou astrólogos que havia em todo o seu reino. (Dn 1.19-20)

O avivamento espiritual dá condições de superar os requisitos humanos para ser bem-sucedido.

A prova de fogo dos três jovens hebreus

Três jovens fiéis a Deus, ameaçados por causa da sua fé

O avivamento espiritual dá força e coragem para o crente ser fiel mesmo diante da morte. A consagração da estátua do rei foi interrompida. Alguns homens perceberam que os três jovens hebreus permaneceram de pé e não se encurvaram perante a estátua. Correram ao rei, ainda ajoelhado, e disseram-lhe ofegantes e muito nervosos, lembrando ao rei o decreto e a punição para quem não o cumprisse:

Há uns homens judeus, que tu constituíste sobre os negócios da província de Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego; esses homens, ó rei, não fizeram caso de ti; a teus deuses não servem, nem a estátua de ouro, que levantaste, adoraram. (3.12)

O rei ficou furioso!

A resposta corajosa da fé em Deus

Sadraque, Mesaque e Abede-Nego não se intimidaram ante a terrível ameaça do rei prepotente e deram uma resposta que provocou mais ainda o furor do rei:

Responderam Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e disseram ao rei Nabucodonosor: Não necessitamos de te responder sobre este negócio.

Eis que o nosso Deus, a quem nós servimos, é que nos pode livrar; ele nos livrará do forno de fogo ardente e da tua mão, ó rei. E, se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que levantaste. (3.16-18)

Nabucodonosor ficou transtornado diante dessa resposta. O seu furor subiu à cabeça, e ele chamou os seus assessores reais e mandou que o fogo da fornalha fosse aquecido sete vezes mais do que o normal. Depois ordenou que fortes homens do seu exército amarrassem os três jovens hebreus sem quaisquer chances de escapar da morte, e eles lançaram os jovens na fornalha ardente.

Era tão grande a temperatura da fornalha que os homens que os lançaram ali foram mortos pelo efeito da altíssima temperatura: “[…]

a chama do fogo matou aqueles homens, que levantaram a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego” (3.22).

O grande livramento de Deus aos jovens fiéis

Aqueles jovens hebreus foram lançados vivos dentro do forno. Se normalmente a temperatura já alcançava milhares de graus centígrados, imaginemos a força do fogo para destruir tudo o que ali caísse, aquecido sete vezes mais. Não haveria qualquer maneira de escapar da morte, decretada pelo rei idólatra. Contudo, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego eram servos do Deus Altíssimo, o El Elyon, que eles conheciam bem, visto que foram educados na Lei de Moisés e aprenderam a quem deveriam adorar dos seus pais.

Jamais eles negariam a sua fé em Deus. Assim, por causa da sua fidelidade em não negar o nome de Jeová e aceitarem a morte certa, o Deus de Israel livrou-os de maneira maravilhosa. Eles foram lançados no fogo, mas as chamas não lhes faziam nenhum dano.

Eles passeavam no fogo como se estivessem num ambiente climatizado. O fogo só queimou as cadeias que os prendiam, e eles ficaram livres para adorar a Deus dentro da fornalha.

O rei Nabucodonosor, olhando de longe, esperava ver o terror e ouvir os gritos lancinantes dos jovens condenados no fogo; mas, para a sua terrível surpresa, ocorreu o contrário. Ele viu que, na fornalha, os três fiéis servos de Deus andavam tranquilamente e sem qualquer impedimento; e mais, ele viu que, na companhia dos jovens hebreus, aparecera um quarto homem “semelhante ao filho dos deuses”. O rei, perplexo e sem entender nada, mandou que Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíssem da fornalha. Para a glória de Deus, os sátrapas, os prefeitos, os presidentes e os capitães, a alta cúpula do reino, ao examinarem os três jovens, constataram que nem mesmo cheiro de fumaça havia neles!

Como resultado daquele grande livramento da parte de Deus, Nabucodonosor publicou um decreto, exaltando o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego: Por mim, pois, é feito um decreto, pelo qual todo povo, nação e língua que disser blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abdênego seja despedaçado, e as suas casas sejam feitas um monturo; porquanto não há outro Deus que possa livrar como este. Então, o rei fez prosperar a Sadraque, Mesaque e Abdênego, na província de Babilônia. (3.29,30)

Ser santo é condição indispensável para ser salvo. Sem santificação, “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Um crente avivado é uma pessoa cheia do Espírito Santo, como o foram os apóstolos no dia de Pentecostes, quando se achavam reunidos no cenáculo em Jerusalém. O avivamento espiritual faz com que ele seja santo em todas as situações e lugares: em casa, na escola, no comércio, no emprego, na rua, nas compras, no quartel, na igreja local, no templo, em todos os lugares. Pedro escreveu sobre esse crente avivado:

Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo, como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância; mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. (1Pe 1.13-16 – grifo acrescido)

O crente salvo, lavado e remido no sangue de Jesus tem o dever de ser santo “em toda a maneira de viver”, como resultado do avivamento espiritual, produzido na sua vida pelo Espírito Santo. É impossível agradar a Deus sem santidade. A vida cristã é uma vida de santidade e santificação. Escrevendo aos tessalonicenses, Paulo exortou-os a que fossem santificados por Deus “em tudo”: Abstende-vos de toda aparência do mal. E o mesmo Deus de paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, e alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Ts 5.22-23)

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. Uma vez que Deus é o Deus da paz (13.20), que através do nosso Melquisedeque, o rei da paz (7.2), tem nos trazido da desarmonia para a paz e da alienação para a reconciliação, devemos, em nossos relacionamentos diários, lutar pela paz com todos os homens. É bem verdade que muitos dos nossos problemas vêm das pessoas. Elas nos ferem, nos decepcionam, nos perseguem e testam nossa paciência até o limite.

Devemos aproveitar esse tempo para aprender a viver em paz com essas pessoas (Rm 12.18). Não podemos permitir que os outros arranquem nosso coração e nos encham de ódio. Se permitirmos isso, eles terão nos derrotado.

Não podemos permitir que os outros determinem como vamos reagir ao que eles nos fazem. Não podemos terceirizar nossos sentimentos. Não podemos caminhar bem quando estamos em guerra com os outros.

De igual modo, não podemos permanecer vitoriosamente na corrida quando nossa alma fica carregada pela fuligem do pecado. A santificação precisa seguir a paz. Olyott diz que na vida existem pensamentos, motivações, atitudes, hábitos, prioridades, amores, ódios, confiança, opiniões e muitas outras coisas que entristecem o Senhor. O progresso em santidade não é opcional, mas uma necessidade absoluta, pois sem ela ninguém verá o Senhor.

Tanto a paz quanto a santificação precisam ser buscadas se quisermos completar nossa carreira. Essa paz requer esforço. A união entre paz e santificação aqui é uma advertência implícita de que não devemos buscar a paz a ponto de comprometer a santificação. O cristão busca a paz com todos, mas busca a santidade também, e esta não pode ser sacrificada por aquela.

LOPES. Hernandes Dias. HEBREUS A Superioridade de Cristo. Editora Hagnos. 1 Ed. 2018.

 

 

Santidade no coração (12.14). O versículo 14 amplia o pensamento e explica-o de maneira mais ampla; não há quebra no modo ou na ênfase. Segui a paz com todos (cf. SI 34.14). O imperativo segui (diokete) significa neste caso correr rapidamente para alcançar o alvo. A referência não é primeiramente a um caminho ou uma vereda a ser seguida, mas a uma certa intensidade de energia em fazer o que precisa ser feito naquele momento. A mesma palavra é traduzida por “prossigo” em Filipenses 3.12,14, em que se visa um alvo final (o “prêmio” no final da corrida). Aqui em Hebreus visa-se um alvo imediato.

O primeiro alvo imediato é paz com todos. Se nosso alvo é levantar mãos cansadas, joelhos desconjuntados e endireitar nossa maneira de viver, devemos começar com os relacionamento pessoais desordenados. Esta certamente não é uma admoestação geral para seguir uma política de apaziguamento com o mau ou fraternização com o ímpio, mas em buscar imediatamente um estado de reconciliação onde relações pacíficas foram rompidas de maneira pecaminosa, e manter este estado de paz interpessoal que faz parte da justiça.

E a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor, indica que a paz que é buscada deve ser compatível com a santidade. Certamente, uma acomodação com o mal não satisfaz esta exigência. O grego deixa claro que a cláusula sem a qual está associada à santidade, não à paz. Na medida em que estar em paz com os homens faz parte de tornar-se santo, a paz pode ser incluída. Mas nossos esforços honestos em procurar a paz podem ser frustrados pela obstinação da outra pessoa; portanto, o sucesso nesse esforço não é uma necessidade absoluta para ver a Deus, mas o sucesso em obter santidade.

E impossível limitar a visão de Deus que está em jogo aqui a uma compreensão espiritual momentânea, embora isto esteja incluído. A palavra verá (opsetai, tempo futuro de “ver com os olhos”) metaforicamente se refere, neste caso, a fazer parte da comunhão íntima e abençoada com Deus em seu reino futuro (cf. Thayer, Mt 5.8). Moffatt diz que sem ela “ninguém jamais verá o Senhor”. Não vamos nos enganar: nossa salvação final depende da santidade. Portanto, está perfeitamente claro que este deve ser um tipo de santidade que é possível agora, visto que a morte pode bater na nossa porta na hora seguinte. A busca da santidade não é um esforço vitalício nunca plenamente alcançável. Isto poderia ser o caso se o grego tivesse tornado o “ver” dependente do “seguir”; mas o ver depende da santidade. A implicação é que o tipo certo de esforço levará à indispensável santidade; uma falta de santidade persistente provará que a ordem de “seguir” não foi obedecida como deveria.

Como podemos descrever esta santidade (ton hagiasmon)? Ela difere de hagiotetos, “santidade” (de Deus) no versículo 10, a qual compartilhamos por meio da correção. Este é o genitivo singular de hagiotes, que é um substantivo de qualidade, significando que a qualidade de santidade é inerente à natureza de Deus.20 No versículo 14, no entanto, a palavra vem de hagiasmos, um substantivo de ação, significando o estado resultante de uma ação, um “ser feito santo” ou um “tornar-se santo” (Arndt e Gingrich), e é uma palavra peculiar na literatura bíblica e cristã. Somente o cristianismo tem o conceito de tornar-se santo neste sentido. No NT, a palavra é usada de forma coerente em referência a um estado de graça disponível aos crentes.21 Em cinco casos, ela é traduzida por “santidade”, e cinco vezes por “santificação”. A forma do substantivo é usada somente aqui em Hebreus, mas diferentes formas do verbo hagiazo, “santificar”, aparecem sete vezes (2.11, duas vezes; 9.13; 10.10,14, 29; 13.12). Deus ê santo, mas o homem caído precisa tornar- se santo. A santidade é original de Deus e pode ser concedida por Deus. O homem obtém a santidade de Deus e depende da sua graça.

(1) E uma obra definitiva da graça, como um estudo destes tempos verbais vai indicar.

(2) É um estado compreensível, pessoal e subjetivo (em vez de simplesmente um estado imputado) ou a ordem de segui-la não teria sentido. No capítulo 10, a santidade é apresentada em relação à obra sumo sacerdotal de Cristo e em relação ao novo concerto; no capítulo 12, ela é apresentada do lado da responsabilidade humana quanto à sua obtenção.

(3) É o fruto da entrega definitiva na vida do crente (Rm 6.19, 22).

(4) É a vontade imutável de Deus (1 Ts 4.3).

(5) É a obra da graça de Deus por meio da qual os crentes são capacitados a manter

a pureza moral (1 Ts 4.4, 7).

(6) Sua fonte é Jesus Cristo e seu sangue (13.12; 1 Co 1.30).

(7) Sua realização é o ministério principal do Espírito Santo (1 Ts 4.18; 2 Ts 2.13;

1 Pe 1.2).

(8) Se esta santidade está relacionada ao Santo dos Santos e seu antítipo, então o exercício da fé está incluído na sua busca (10.22).

(9) Esta santidade inicia na regeneração, visto que a) o arrependimento acompanha o princípio e a prática do viver santo; b) um acompanhamento da regeneração é a purificação e santificação inicial da depravação adquirida; c) a vida espiritual recebida na regeneração é, em si, santa; d) o crente é santificado e consagrado devido ao seu relacionamento com Deus como Pai e Cristo como Salvador: por esta razão pode-se dizer que ele é santo de forma ética, inicial e posicionai.

(10) Mas a santidade do crente não pode ser completa, i.e., perfeita, até que tudo aquilo que não é santo seja excluído. A ordem do versículo 14 é buscar uma santidade completa. Mas esta busca envolve: a) desfazer-se imediatamente do excesso de peso e do pecado envolvente, 12.1; b) fé perfeita em Jesus como o único Consumador e Autor da “fé” (12.2); c) submissão à vontade de Deus, incluindo a correção (12.5-11; Rm 6.13; 12.1-2); d) correção das nossas atitudes, relacionamentos e maneira de viver, naquilo que estiver ao nosso alcance (12.12-14a; 2 Co 6.17—7.1).

Richard S. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Hebreus. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 119-121.

 

 

SINOPSE III

 

O caráter e o testemunho exemplar são frutos de uma vida cristã avivada.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO

 

“Jesus utilizou a analogia da videira para ensinar a relação necessária que deve existir entre o Espírito Santo e o crente para que a sua semelhança com Cristo seja notória nele. É o Espírito Santo que produz o fruto espiritual em nós quando nos rendemos sem reservas a Ele. Isso abrange nosso espírito, alma e corpo e todas as faculdades que os constitui. […] O fruto do Espírito é o caráter de Cristo produzido em nós para que em nosso viver o demonstramos ao mundo” (GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, pp.15-37).

 

 

CONCLUSÃO

 

Nos Salmos, podemos ver como Davi demonstrou uma realidade de forma bem expressiva de um avivamento espiritual diante de Deus. Assim, todo crente pode ter uma vida pessoal avivada, desde que em todos os momentos e lugares, esteja em comunhão estreita com o Senhor.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Qual é o anseio do salmista?

O salmista também tinha o anseio em ver a “fortaleza” e a “glória” de Deus, como ele pode contemplar no santuário (Sl 63.2).

 

2- O que o salmista afirma em Salmos 63.5?

O salmista também afirma que a sua alma se fartará com a presença de Deus e sua boca louvará ao Senhor da vida (Sl 63-5).

 

3- Quais elementos encontramos como modelo espiritual para o crente?

A prática da oração e da leitura devocional das Escrituras.

 

4- Por que o crente avivado deve ler e estudar a Bíblia?

O crente avivado deve ler e estudar diariamente a Bíblia porque é preciso para entender, absorver e viver seus preciosos ensinamentos.

 

5- Quais aspectos relevantes devem ser desenvolvidos em nossa vida pessoal?

Em suma, claramente há uma direção da Palavra de Deus para desenvolver aspectos relevantes em nossa vida pessoal: integridade (Mt 5.37; Tg 2.12); prudência no falar e no agir (Pv 25.11; Ec 3.1,7); cuidado na saúde física e emocional (3Jo 1.2)

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

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Uma resposta para “10 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NA VIDA PESSOAL”

  1. Agradeço a Deus pela vida deste homem de Deus por nós trazer esses belíssimos ensinamentos que Deus abençoe grandemente vcs

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