10 LIÇÃO 2 TRI 23 – QUANDO OS PAIS SEPULTAM SEUS FILHOS

 

10 LIÇÃO 2 TRI 23 – QUANDO OS PAIS SEPULTAM SEUS FILHOS

 

TEXTO ÁUREO

 

Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados; perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos (2Co 4.8-9)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

Não devemos ser indiferentes à morte inesperada, mas também não podemos nos desesperar

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – 1 Co 15-55,56 A morte foi cravada no lenho da cruz

 

Terça – Jo 5.24 A morte do justo é uma passagem para adentrar à vida eterna

 

Quarta – Ec 3.4 Na morte é tempo de chorar

 

Quinta – Dt 29.29; 1 Co 13.12 Nem sempre sabemos a causa do sofrimento

 

Sexta – Jo 11.35 Jesus se comoveu com a morte de um amigo

 

Sábado – 1 Ts 4.14-18 Brevemente nos encontraremos

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Jó 1.13,16-19

 

13 – E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa de seu irmão primogênito,

 

16 – Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os moços, e os consumiu; e só eu escapei, para te trazer a nova.

 

17 – Estando ainda este falando, veio outro e disse: Ordenando os caldeus três bandos, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos moços feriram ao fio da espada; e só eu escapei, para te trazer a nova.

 

18 – Ainda este falando veio outro e disse: Estando teus filhos e tua filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,

 

19 – Eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova.

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

A morte de um(a) filho(a) é, talvez, a maior experiência de dor que um ser humano pode experimentar. O Livro de Jó apresenta o quadro de perda dos filhos do patriarca, bem como seu período de dor e lamentação. De uma só vez, ele perdeu todos os seus filhos. A presente lição tem o propósito de abordar esse tema que é, ou será, a realidade de muitos pais cristãos.

O Livro de Jó nos mostra que, no momento intenso desse sofrimento, é possível expressar as emoções de dor, tristeza e saudade sem, contudo, deixar de confiar em Deus, tendo como seu verdadeiro esteio.

Ele continua soberano e cuidando de nossas vidas mesmo em período de dores. Talvez, uma das experiências mais profundas de fé, em meio a dor, é expressar sinceramente o que Jó disse: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.20).

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

 

I) Descrever a família de Jó;

 

II) Refletir a respeito de como lidar com a morte na família;

 

III) Conscientizar de como os cristãos devem enfrentar a perda na família.

 

B) Motivação: Como lidar com a perda de um(a) filho(a) dentro da família? Expressar emoção diante da dor é sinônimo de fraqueza de fé? O cristão está ileso de viver essa experiência de dor? A proposta desta lição é refletir a respeito dessas e outras questões, de modo que tiremos lições da Palavra de Deus com o objetivo de enfrentar essa dolorosa realidade, quer no presente quer no futuro.

 

C) Sugestão de Método: Para introduzir a lição desta semana, pergunte a classe se há algum modo correto em ­lidar com a perda de filhos. Seja mais direto: Como o crente deve se comportar diante da morte de um filho? A ideia é apenas instigar os alunos. Ouça-os com atenção. Em seguida, diga que não há uma receita de como passar por essa experiência, mas que, a partir da Palavra de Deus, devemos saber que esse tipo de perda pode ocorrer com o crente. Nesse processo de sofrimento, culpar a Deus não é um caminho de sabedoria, mas sim o de viver o luto e manter acesa a chama da esperança em Cristo.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Leve em conta que a lição nos estimula a refletir a respeito de um sofrimento imerecido, como a perda de filhos dos justos. Mostre que só do episódio de Jó se encontrar na Bíblia é uma prova de que Deus se interessa com a maneira de como lidamos com as perdas da vida. Esse tema é uma oportunidade de aprender a como lidar com as perdas de pessoas queridas.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 93, p.41, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

 

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

 

1) O texto “O Sofrimento Imerecido”, localizado ao final do segundo tópico, aprofunda a respeito da realidade da dor de Jó diante do sofrimento que se abateu sobre ele.

 

2) O texto “A Fé sobrevive ao Sofrimento”, localizado ao final do terceiro tópico, traz aprofundamento a respeito da fé que cresce e se desenvolve em meio ao sofrimento.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

O patriarca Jó era um homem próspero, tinha uma família feliz e desfrutava de razoável segurança. Sua esposa era mulher dedicada à sua casa e tudo parecia dentro da normalidade, até que a tragédia familiar se abateu sobre a sua casa. Nesta lição, estudaremos a respeito da morte dos filhos de Jó e como a família do patriarca passou por essa tragédia.

Veremos que a experiência de os pais sepultarem os filhos talvez seja a experiência mais dolorosa da vida humana e, ao mesmo tempo, como podem os encontrar na Bíblia, a Palavra de Deus, consolo diante desse quadro.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Lidar com a morte é trabalho difícil. Desde Adão, a morte está presente na vida da humanidade. Ela não é um fenômeno natural na vida humana. Do ponto de vista da Bíblia, a morte é a maldição divina contra o pecado e só Jesus Cristo foi capaz de cravar essa maldição na cruz do Calvário. A realidade da morte deu ao ser humano a oportunidade de entender o significado da vida.

Os filósofos existencialistas nada veem além da vida física, porque para eles a vida é apenas a fermentação da vida. O dilema existencial humano é o fato de não poder evitar a morte em sua existência física. Davi, o maravilhoso salmista da Bíblia, deparou-se com o estigma da morte e fez uma oração a Deus: Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil. Eis que fizeste os meus dias como a palmos; o tempo da minha vida é como nada diante de ti; na verdade, todo homem, por mais firme que esteja, é totalmente vaidade. (Sl 39.4,5)

Neste capítulo nos deparamos com a questão da morte envolvendo uma família, a família de Jó. Uma tragédia envolveu os filhos do patriarca Jó que estavam numa festa de confraternização e, repentinamente, seus filhos foram assassinados pelos sabeus, além do fogo do céu que queimou tudo o que Jó possuía, deixando o sem nada. Foi num dia que tudo aconteceu, e, além da perda de suas posses materiais, Jó ainda perde seus dez filhos.

Na realidade, antes da tragédia, Jó estava tranquilo e nada indicava que enfrentaria alguma adversidade. Jó era um homem próspero e tinha uma família que vivia uma aparente felicidade e segurança. Sua esposa era mulher dedicada à sua casa e tudo parecia normal.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 171-172.

 

 

A fidelidade a Deus não é garantia de que o crente não passará por aflições, dores e sofrimentos nesta vida (ver At 28.16 nota). Na realidade, Jesus ensinou que tais coisas poderão acontecer ao crente (Jo 16.1-4,33; ver 2Tm 3.12 nota). A Bíblia contém numerosos exemplos de santos que passaram por grandes sofrimentos, por diversas razões e.g., José, Davi, Jó, Jeremias e Paulo.

POR QUE OS CRENTES SOFREM? São diversas as razões por que os crentes sofrem.

(1) O crente experimenta sofrimento como uma decorrência da queda de Adão e Eva. Quando o pecado entrou no mundo, entrou também a dor, a tristeza, o conflito e, finalmente, a morte sobre o ser humano (Gn 3.16-19). A Bíblia afirma o seguinte: “Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram” (Rm 5.12; ver nota). Realmente, a totalidade da criação geme sob os efeitos do pecado, e anseia por um novo céu e nova terra (Rm 8.20-23; 2Pe 3.10-13). É nosso dever sempre recorrermos à graça, fortaleza e consolo divinos (cf. 1Co 10.13).

(2) Certos crentes sofrem pela mesma razão que os descrentes sofrem, i.e., consequência de seus próprios atos. A lei bíblica “Tudo o que o homem semear, isso também ceifará” (Gl 6.7) aplica-se a todos de modo geral. Se guiarmos com imprudência o nosso automóvel, poderemos sofrer graves danos. Se não formos comedidos em nossos hábitos alimentares, certamente vamos ter graves problemas de saúde. É nosso dever sempre proceder com sabedoria e de acordo com a Palavra de Deus e evitar tudo o que nos privaria do cuidado providente de Deus.

(3) O crente também sofre, pelo menos no seu espírito, por habitar num mundo pecaminoso e corrompido. Por toda parte ao nosso redor estão os efeitos do pecado. Sentimos aflição e angústia ao vermos o domínio da iniquidade sobre tantas vidas (ver Ez 9.4; At 17.16; 2Pe 2.8 nota). É nosso dever orar a Deus para que Ele suplante vitoriosamente o poder do pecado.

(4) Os crentes enfrentam ataques do diabo. (a) As Escrituras claramente mostram que Satanás, como “o deus deste século” (2Co 4.4), controla o presente século mau (ver 1Jo 5.19 nota; cf. Gl 1.4; Hb 2.14). Ele recebe permissão para afligir crentes de várias maneiras (cf. 1Pe 5.8,9). Jó, um homem reto e temente a Deus, foi atormentado por Satanás por permissão de Deus (ver principalmente Jó 1—2). Jesus afirmou que uma das mulheres por Ele curada estava presa por Satanás há dezoito anos (cf. Lc 13.11,16). Paulo reconhecia que o seu espinho na carne era “um mensageiro de Satanás, para me esbofetear” (2Co 12.7). À medida em que travamos guerra espiritual contra “os príncipes das trevas deste século” (Ef 6.12), é inevitável a ocorrência de adversidades. Por isso, Deus nos proveu de armadura espiritual (Ef 6.10-18; ver 6.11 nota) e armas espirituais (2Co 10.3-6). É nosso dever revestir-nos de toda armadura de Deus e orar (Ef 6.10-18), decididos a permanecer fiéis ao Senhor, segundo a força que Ele nos dá. (b) Satanás e seus seguidores se comprazem em perseguir os crentes. Os que amam ao Senhor Jesus e seguem os seus princípios de verdade e retidão serão perseguidos por causa da sua fé. Evidentemente, esse sofrimento por causa da justiça pode ser uma indicação da nossa fiel devoção a Cristo (ver Mt 5.10 nota). É nosso dever, uma vez que todos os crentes também são chamados a sofrer perseguição e desprezo por causa da justiça, continuar firmes, confiando naquele que julga com justiça (Mt 5.10,11; 1Co 15.58; 1Pe 2.21-23).

(5) De um ponto de vista essencialmente bíblico, o crente também sofre porque “nós temos a mente de Cristo” (ver 1Co 2.16 nota). Ser cristão significa estar em Cristo, estar em união com Ele; nisso, compartilhamos dos seus sofrimentos (ver 1Pe 2.21 nota). Por exemplo, assim como Cristo chorou em agonia por causa da cidade ímpia de Jerusalém, cujos habitantes se recusavam a arrepender-se e a aceitar a salvação (ver Lc 19.41 nota), também devemos chorar pela pecaminosidade e condição perdida da raça humana. Paulo incluiu na lista de seus sofrimentos por amor a Cristo (2Co 11.23-32; ver 11.23 nota) a sua preocupação diária pelas igrejas que fundara: “quem enfraquece, que eu também não enfraqueça? Quem se escandaliza, que eu não me abrase?” (2Co 11.29). Semelhante angústia mental por causa daqueles que amamos em Cristo deve ser uma parte natural da nossa vida:

“chorai com os que choram” (Rm 12.15). Realmente, compartilhar dos sofrimentos de Cristo é uma condição para sermos glorificados com Cristo (Rm 8.17). É nosso dever dar graças a Deus, pois,

assim como os sofrimentos de Cristo são nossos, assim também nosso é o seu consolo (2Co 1.5).

(6) Deus pode usar o sofrimento como catalizador para o nosso crescimento ou melhoramento espiritual. (a) Frequentemente, Ele emprega o sofrimento a fim de chamar a si o seu povo desgarrado, para arrependimento dos seus pecados e renovação espiritual (ver o livro de Juízes). É nosso dever confessar nossos pecados conhecidos e examinar nossa vida para ver se há alguma coisa que desagrada o Espírito Santo. (b) Deus, às vezes, usa o sofrimento para testar a nossa fé, para ver se permanecemos fiéis a Ele. A Bíblia diz que as provações que enfrentamos são “a prova da vossa fé” (Tg 1.3; ver 1.2 nota); elas são um meio de aperfeiçoamento da nossa fé em Cristo (ver Dt 8.3 nota; 1Pe 1.7 nota). É nosso dever reconhecer que uma fé autêntica resultará em “louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo” (1Pe 1.7). (c) Deus emprega o sofrimento, não somente para fortalecer a nossa fé, mas também para nos ajudar no desenvolvimento do caráter cristão e da retidão. Segundo vemos nas cartas de Paulo e Tiago, Deus quer que aprendamos a ser pacientes mediante o sofrimento (Rm 5.3-5; Tg 1.3). No sofrimento, aprendemos a depender menos de nós mesmos e mais de Deus e da sua graça (ver Rm 5.3 nota; 2Co 12.9 nota). É nosso dever estar afinados com aquilo que Deus quer que aprendamos através do sofrimento. (d) Deus também pode permitir que soframos dor e aflição para que possamos melhor consolar e animar outros que estão a sofrer (ver 2Co 1.4 nota). É nosso dever usar nossa experiência advinda do sofrimento para encorajar e fortalecer outros crentes.

(7) Finalmente, Deus pode usar, e usa mesmo, o sofrimento dos justos para propagar o seu reino e seu plano redentor. Por exemplo: toda injustiça por que José passou nas mãos dos seus irmãos e dos egípcios faziam parte do plano de Deus “para conservar vossa sucessão na terra e para guardar-vos em vida por um grande livramento” (Gn 45.7.

O principal exemplo, aqui, é o sofrimento de Cristo, “o Santo e o Justo” (At 3.14), que experimentou perseguição, agonia e morte para que o plano divino da salvação fosse plenamente cumprido. Isso não exime da iniquidade aqueles que o crucificaram (At 2.23), mas indica, sim, como Deus pode usar o sofrimento dos justos pelos pecadores, para seus próprios propósitos e sua própria glória.

O RELACIONAMENTO DE DEUS COM O SOFRIMENTO DO CRENTE.

(1) O primeiro fato a ser lembrado é este: Deus acompanha o nosso sofrer. Satanás é o deus deste século, mas ele só pode afligir um filho de Deus pela vontade permissiva de Deus. Deus promete na sua Palavra que Ele não permitirá sermos tentados além do que podemos suportar (1Co 10.13).

(2) Temos também de Deus a promessa que Ele converterá em bem todos os sofrimentos e perseguições daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos (ver Rm 8.28 nota). José verificou esta verdade na sua própria vida de sofrimento (cf. Gn 50.20), e o autor de Hebreus demonstra como Deus usa os tempos de apertos da nossa vida para nosso próprio crescimento e benefício (ver Hb 12.5 nota).

(3) Além disso, Deus promete que ficará conosco na hora da dor; que andará conosco “pelo vale da sombra da morte” (Sl 23.4; cf. Is 43.2).

VITÓRIA SOBRE O SOFRIMENTO PESSOAL. Se você está sob provações e aflições, que deve fazer para triunfar sobre tal situação?

(1) Primeiro: examinar as várias razões por que o ser humano sofre (ver seção 1, supra) e ver em que sentido o sofrimento concerne a você. Uma vez identificada a razão específica, você deve proceder conforme o contido em “É nosso dever”.

(2) Creia que Deus se importa sobremaneira com você, independente da severidade das suas circunstâncias (ver Rm 8.36 nota; 2Co 1.8-10 nota; Tg 5.11 nota; 1Pe 5.7 nota). O sofrimento nunca deve fazer você concluir que Deus não lhe ama, nem rejeitá-lo como seu Senhor e Salvador.

(3) Recorra a Deus em oração sincera e busque a sua face. Espere nEle até que liberte você da sua aflição (ver Sl 27.8-14; 40.1-3; 130).

(4) Confie que Deus lhe dará a graça para suportar a aflição até chegar o livramento (1Co 10.13; 2Co 12.7-10). Convém lembrar de que sempre “somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou” (Rm 8.37; Jo 16.33). A fé cristã não consiste na remoção de fraquezas e sofrimento, mas na manifestação do poder divino através da fraqueza humana (ver 2Co 4.7 nota).

(5) Leia a Palavra de Deus, principalmente os salmos de conforto em tempos de lutas (e.g., Sl 11; 16; 23; 27; 40; 46; 61; 91; 121; 125; 138).

(6) Busque revelação e discernimento da parte de Deus referente à sua situação específica — mediante a oração, as Escrituras, a iluminação do Espírito Santo ou o conselho de um santo e experiente irmão.

(7) Se o seu sofrimento é de natureza física, atente para os passos expostos no estudo A CURA DIVINA.

(8) No sofrimento, lembre-se da predição de Cristo, de que você terá aflições na sua vida como crente (Jo 16.33). Aguarde com alegria aquele ditoso tempo quando “Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor” (Ap 21.4).

STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

 

Palavra-Chave: Sepultar

 

 

I – A FAMÍLIA DE JÓ

 

1- Quem era Jó?

 

O patriarca Jó nasceu no Norte da Arábia, na terra de Uz. As pesquisas dizem que ele viveu numa época anterior a de Moisés, antes mesmo de Abraão, entre os séculos 25 e 28 a.C. Naquele tempo, a longevidade humana era maior que a atual, o que explica a sobrevida de 140 anos do patriarca (Jó 42.16).

Mais especificamente, ele nasceu depois do dilúvio (Jó 22.16) e tornou-se um homem rico e próspero (Jó 1.3; 42.12). Seu caráter santo foi testemunhado pelo próprio Deus: homem sincero, reto, justo, temente a Deus e, por isso, “se desviava do mal” (Jó 1.8).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Tudo indica que Jó tenha vivido na época dos patriarcas fundadores de Israel, Abraão, Isaque e Jacó, cerca de 2100-1800 a.C. Jó era um homem nascido no Norte da Arábia, na terra de Uz.

Outras informações pesquisadas dizem que Jó viveu numa época pré-mosaica, antes mesmo de Abraão, entre os séculos 25 a 28 a.C.

Mesmo que não haja informações precisas sobre o tempo da vida de Jó, a longevidade humana naquela época prevalecia e Jó teve uma sobrevida de 140 anos (Jó 42.16). Na verdade, ele nasceu depois do dilúvio (Jó 22.16), tendo se tornado um homem rico e próspero (Jó 1.3; 42.12). Porém, de algum modo, Jó conhecia a Deus e comungava com Ele. Isso é revelado pelo próprio Deus, que dá testemunho de Jó e o destaca como homem sincero, reto, justo, imparcial e direito em tudo o que fazia. Era, acima de tudo, um homem temente a Deus, que tinha um comportamento de retidão e justiça, pois o texto diz que Jó era alguém que se desviava do mal (Jó 1.8).

O grande pregador Spurgeon poderia ter dito acerca de Jó: “Não cremos na infabilidade de quem quer que seja, mas é consolador poder estar certo da integridade de um homem”. Jó tinha uma profunda maturidade moral revelada na sua reverência a Deus. Era um homem que oferecia regularmente os seus sacrifícios e holocaustos em favor de seus filhos a Deus. Na Bíblia, Jó foi citado pelo profeta Ezequiel quando se referia à idolatria do povo de Israel e sua incredulidade. Ezequiel disse: “Ainda que estivessem no meio dela [a terra] estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, livrariam apenas a sua alma, diz o Senhor Jeová” (Ez 14.14).

No Novo Testamento, Tiago cita o nome de Jó e destaca a sua perseverança (Tg 5.11).

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 172-173.

 

 

A Singularidade de um Homem Comum

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó” (I.I). O autor sagrado faz questão de ressaltar que o protagonista deste drama era, apesar de toda a áurea que hoje o cerca, um homem comum. Por isto usa também um substantivo bastante comum para denotar quão humano era Jó: ‘ysh Esta palavra hebraica não significa apenas varão; pode ser usada ainda com estes sentidos: vencedor, grande homem, marido, ou, simplesmente, pessoa.

Nesse único substantivo, é-nos possível fazer um admirável sumário da biografia de Jó. Em virtude de sua fé em Deus, foi-se destacando como um vencedor até ser reconhecido como o maior dos varões de sua geração. Isto significa que todo aquele que se entrega a Deus torna-se um herói por mais insignificante que seja aos olhos do mundo.

Jó não era uma figura lendária; era tão humano como o mais humano dos humanos. E se Deus lhe trabalhou a humanidade não foi para mitologizá-la; trabalhou-a para que, realçando lhe as limitações, mostrasse que é justamente na fraqueza que Ele nos aperfeiçoa o seu ilimitado poder. Somente a Bíblia é capaz de apresentar os seus heróis de maneira tão bela e completa.

Num memorável discurso, declarou Charles Spurgeon:

“A fé capacita-nos a regozijarmo-nos no Senhor de tal forma que nossas fraquezas tornam-se vitrines de sua graça”.

Consideremos o significado de seu nome. Em hebraico, lembra a silhueta de alguém que, amorosa c incansavelmente, vai ao encontro de Deus. Naqueles dias por virem, se não corresse Jó aos braços do Senhor, certamente pereceria. Até no nome era ele dependente do Todo-Poderoso! Ao contrário dos personagens de Homero, que se bastavam a si mesmos, ele não conseguia arredar-se de ao pé de seu Deus.

Um Santo em toda a sua Geração

De uma feita afirmou Phillip Henry ser a santidade a simetria da alma. Como a santidade permeasse inconfundivelmente toda a vida de Jó, achava-se ele em plena harmonia com as demandas divinas. A consonância entre o patriarca e o seu Deus refletia-se em seu caráter “íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal” (Jó 1.1).

Se levarmos em conta a sua riqueza; se lhe considerarmos a posição social; e se lhe pesarmos a influência política, concluiremos ter sido Jó um perfeito reflexo da santidade de Deus.

Se o seu Senhor era santo, por que ele também não o seria?

Não foi sem razão que E. G. Robmson declarou: “A santidade no homem é a imagem da santidade de Deus”.

N o decorrer deste livro, ainda apreciaremos com mais vagar a integridade de Jó. Por enquanto, vejamos os predicados que fizeram do patriarca um dos três homens mais piedosos de todos os tempos (Ez 14.20).

Jó era um homem íntegro. A palavra “íntegro”, originária do vocábulo latino íntegru, significa inteiro, perfeito, exato, completo, imparcial e inatacável. A Vulgata Latina, contudo, preferiu usar o termo simplex para exemplificar esta virtude de Jó. Em certo sentido, este vocábulo é mais forte do que aquele; denota algo que, de tão perfeito e completo, não comporta qualquer análise.

A Septuaginta optou pelo vocábulo alelhinós que, em grego, significa verdadeiro, sincero.

No original hebraico, “íntegro” é uma palavra representada pelo substantivo tãm que, entre outras coisas, significa completo, certo, são e puro. O vocábulo é encontrado apenas treze vezes no Antigo Testamento. Jacó também é assim descrito (Gn 25.27). Neste último caso, o vocábulo hebraico é usado para caracterizar um homem simples, pacato e calmo; a pessoa realmente integra é notabilizada por uma serenidade inexplicável; não se abala jamais. Thomas Watson tem a integridade como um perfeito sinônimo de simplicidade: “Quanto mais simples o diamante, mais ele brilha; quanto mais simples o coração, mais ele resplandece aos olhos de Deus”.

Quanta necessidade não temos de homens como Jó! Desgraçadamente, muitos são os crentes que já negociaram a sua integridade. Na igreja, santos; na sociedade, demônios. Justificando a sua iniquidade, alegam que a sua vida social nada tem a ver com a espiritual. Esta dicotomia, porém, é estranha à Palavra de Deus. O Senhor requer tenhamos uma postura irrepreensível tanto em público como em particular.

Jó não carecia de um marketing para cultivar-lhe a imagem, nem de um publicitário para cevar-lhe a postura, pois contava com o respaldo de Deus. Desfrutamos nós de igual conceito? Ou nossa integridade já é algo pretérito? Confúcio declarou ser a integridade a base de todas as virtudes; sem ela, nenhuma bondade é possível.

Jó era um homem reto. Devido ao relativismo moral de nossos dias, a retidão, que era um substantivo concreto, acabou por se acomodar à sua condição gramatical. Hoje não passa de algo abstrato e até utópico. Houve um tempo, todavia, que assim era definido um homem reto: imparcial, justo, direito. Era alguém que, moralmente, não apresentava qualquer curvatura ou desvio; em tudo, conformava-se com a justiça divina. Não tinha dois pesos, nem possuía duas medidas.

Sua palavra era: sim, sim; e: não, não. Inexistia nele o que se chama de vazio de justiça: um sim que pode ser não; e um não que talvez seja sim.

A tradução latina das Escrituras diz que “Job erat rectus”. Nele não havia sinuosidade, nem casuísmo. Era um homem que, pondo-se a caminhar numa estrada, não se desviava nem para a direita nem para a esquerda; não fazia o jogo dos poderosos, nem comungava com as injustiças e os pecados da plebe.

Em. português, a palavra hebraica traduzida para retidão é yãshãr. Este vocábulo é usado para descrever um homem justo, reto e que, em todas as coisas, atende aos mais altos reclamos da justiça divina. Como alcançar semelhante padrão?

Deseja o Senhor que todos os seus filhos sejam considerados perfeitos em retidão.

Jó era um homem temente a Deus. Richard Alleine assim descreve o homem piedoso: “Aquele que sabe o que é ter prazer em Deus temerá a sua perda; aquele que viu sua face, terá medo de ver suas costas”. Esta declaração é um perfeito resumo do relacionamento de Jó com o Todo-Poderoso.

O patriarca temia a Deus não porque tivesse medo dEle; temia-o, porque nEle encontrava a verdadeira felicidade. Como poderia Jó viver longe do Senhor? A semelhança de Thomas Browne poderia ele afirmar: “Temo a Deus, contudo não tenho medo dEle”.

A expressão hebraica que descreve o homem temente a Deus: yará, evoca um medo santo e respeitoso pelo Todo-Poderoso.

Medo esse, aliás, que não tem a natureza do terror.

Através de seu temor a Deus, o patriarca Jó introduzira-se em todos os princípios da sabedoria (Pv 1.7). Daí a razão de ser ele contato entre os homens mais sábios e piedosos de todos os tempos. Mui acertadamente escreveu o teólogo americano A. W. Tozer: “Ninguém pode conhecer a verdadeira graça de Deus, se antes não conhecer o temor de Deus”.

Alguns homens da Bíblia são singularmente destacados por seu temor a Deus. Haja vista Hananias, ajudante de Neemias na reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 7.2).

O idoso Simeão, que tomou o menino Jesus nos braços, também é realçado como temente ao Todo-Poderoso (Lc 2.25). E o centurião Cs^rnélio? (At 10.2). O peregrino Jacó evocava o Deus de seu pai como o Temor de Isaque (Gn 31.42).

Carecemos de homens, mulheres e crianças que temam a Deus. Ser cristão não é suficiente; exige Deus lhe sejamos tementes em todas as coisas. Que o nosso temor sobressaia principalmente entre os que ainda não receberam a Cristo!

Jó era um homem que se desviava do mal. Anselmo, que tantas contribuições trouxe ao pensamento evangélico, fez uma afirmação, certa vez, que hoje seria considerada radical até mesmo por alguns crentes piedosos: “Se o inferno estivesse de um lado e o pecado do outro, eu preferiria saltar para o inferno a pecar deliberadamente contra o meu Deus”. Sabia ele perfeitamente que existe algo pior do que o inferno: o pecado.

O vocábulo hebreu utilizado para descrever o ato de se desviar do mal é sar. retirar-se, afastar-se de tudo quanto nos possa induzir à iniquidade, cuja força gravitacional é a tentação.

Se fugirmos desta, não cairemos naquela. O processo que leva à queda é assim descrito por Tiago: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg I.I4). Por conseguinte, é imprescindível que nos apartemos de tudo quanto é concupiscente. Esquivemo-nos, pois, do mal tão logo este se apresente. Em Gênesis, o pecado é apresentado como aquela serpente que se põe a espreitar os incautos: “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.7).

N a Septuaginta, o referido versículo de Jó é assim traduzido: “Afastando-se de todas as coisas más”. Os santos desviam-se do mal, pois sabem que o pecar contra Deus é pior do que o castigo eterno. Crisóstomo, o grande orador da igreja, é mui categórico e enérgico: “Prego e penso que é mais amargo pecar contra Cristo do que sofrer os tormentos do inferno”. Portanto, se não nos apartarmos do pecado, seremos destruídos. Diante do pecado não há segurança: “O sábio teme e desvia-se do mal, mas o tolo encoleriza-se e dá-se por seguro” (Pv 14.16).

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 30-36.

 

 

A história começa com o currículo notável de um homem excelente.

Jó pode tornar-se nosso herói da perseverança, mas devemos lembrar que ele é apenas um homem e não um super-homem. Não é um anjo em corpo humano. E somente um homem.

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto” (Jó 1:1). Isto não significa perfeito; significa que ele não fazia concessões aós erros morais. Seus negócios eram feitos com integridade. Ele cumpria a sua palavra. Tratava os outros com justiça.

Como resultado, era respeitado pelos que o rodeavam, quer dentro ou fora da família. Era reto. Respeitava a Deus e evitava constantemente o mal. Era um homem de caráter. No que se referia à família, Jó tinha sido abençoado com sete filhos e três filhas. Na ocasião em que a história de Jó é contada, os dez já são adultos. A vida dele estava em seu apogeu.

Naquele ponto ele havia acumulado um grande número de bens.

Entre eles, 7.000 ovelhas. Grande parte da lã dos animais era vendida.

O que restava podia ser tecido e transformado em roupas quentes para os dias frios de inverno.

O sustento da família seria obtido desses animais e de acres de plantações. Havia também 3.000 camelos. Imagino que Jó oferecia um “sistema de transporte” para as caravanas que iam do leste para o oeste. Seus camelos eram sem dúvida alugados. Aqueles camelos serviam também para seu transporte pessoal.

Ele possuía mil bois, que trabalhavam em pares para arar os campos férteis, preparando o solo para a plantação de sementes que eram mais tarde colhidas, provendo abundância de alimento. Sabemos também que havia 500 jumentas. Na antiguidade, as jumentas forneciam a iguaria da época – leite de jumenta.

Acima de tudo isso, Jó possuía uma família feliz e saudável, com dez filhos adultos morando nas proximidades. Nada de fraldas para trocar, banhos para dar, rodízio de carros para a escola.

Nada de grandes refeições a serem preparadas. Nada de lanches escolares. Nada de meninos tatuados, guiando carros brilhantes, aparecendo na porta da frente e buzinando para chamar suas filhas.

Nem filhas adolescentes com anéis no nariz e piercings na barriga correndo pela casa. Tudo isso já passara para Jó e sua esposa. Jó tinha controlado tudo, e surpreendentemente ninguém o criticava porque não havia nada a criticar sobre ele. Jó exercia controle total sobre tudo.

SWINDOLL. CHARLES R., Jó Um homem de tolerância heroica. Ed. 2003. Editora Mundo Cristão. pag. 22-23.

 

 

2- A esposa de Jó.

 

Tudo o que se sabe a respeito da esposa de Jó é o que está registrado no capítulo 2 do livro. Ela ganhou a fama de uma mulher insana e ambiciosa por causa da perda de todos os bens materiais e dos filhos que foram mortos por uma tragédia. Ainda, Jó foi vítima de feridas purulentas, das quais ela teve repugnância.

Todavia, fazia o seu papel de esposa, não abandonando o patriarca. Indiscutivelmente, a esposa de Jó foi perdendo a paciência diante da provação do seu esposo. Seu desespero afetou sua fé, a ponto de levá-la a declarar para o seu marido: amaldiçoa a Deus e morre (Jó 2.9).

Ela teve 10 filhos com Jó, e como não se deixou influenciar pela proposta desesperada de sua esposa, o patriarca suportou tudo até que Deus virasse a sua sorte e transformasse o mal em bênção.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Na Bíblia, essa mulher parecia não ter nome. Na Tradição rabínica o seu nome é Sitis. Algumas literaturas pós-bíblicas identificam o mesmo nome, Sitis, para a mulher de Jó, mas tudo não passa de especulações extrabíblicas que não provam nada.

Tudo o que se sabe da mulher de Jó é o que está registrado no livro de Jó, capítulo 2, versículos 9 e 10, quando ela, cansada de tudo quanto estava acontecendo na vida de seu marido, além da perda trágica dos seus dez filhos, faz a seguinte declaração:

Então, sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus e morre. Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios.

Ela ganhou a fama de ser uma mulher doida, insensata, porque sugeriu que seu marido amaldiçoasse a Deus depois de todas as perdas e sofrimentos pelos quais passou. Apesar da perda dos bens materiais, dos filhos e da enfermidade de Jó, que ficou acometido de feridas purulentas, essa mulher não deixou de fazer o seu papel de esposa e permaneceu ao lado de seu marido. Podemos deduzir o seu sofrimento, e, por isso, ela foi perdendo a paciência e a capacidade de compreender por que o “Deus de Jó” permitia tudo aquilo com seu marido. Seu desespero afetou sua fé, e ela teve momentos de impaciência que a levaram a declarar ao marido: “amaldiçoa a Deus e morre” (Jó 2.9). Ela tivera dez filhos com seu marido, e como Jó não se deixou influenciar pela proposta desesperada de sua mulher, suportou tudo isso até que Deus virasse a sua sorte e transformasse o sofrimento em bênçãos.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 173-174.

 

 

A esposa de Jó — uma crente sem crença. Sim! Uma crente sem crença! Assim era a esposa de Jó. Pelo menos é o que se conclui das palavras que lhe dirige o patriarca quando ela o instigou a amaldiçoar a Deus: “Falas como qualquer doida” (Jó 2.10). Ora, se o princípio da sabedoria é o temor a Deus, a loucura espiritual só pode advir do destemor e da irreverência ao Todo-Poderoso. Logo: era a esposa de Jó uma mulher que, até aquele momento, não tivera ainda uma experiência real com o Senhor Deus. Limitara-se ela a desfrutar das bênçãos sem ligar qualquer importância ao Abençoador.

O vocábulo hebraico usado para descrever a esposa de Jó é nebalôt. A palavra não denota apenas alguém destituído de juízo; indica prioritariamente uma pessoa caracterizada pela falta de recato e pudor. Seria este o fiel retrato da mulher do patriarca? Agora compreendo por que Charles Spurgeon veio a endereçar a Deus esta oração: “Senhor, livra-nos das mulheres que são anjos nas ruas, santas nas igrejas e demônios no lar”. E bem provável que o príncipe dos pregadores tivesse em mente a esposa de Jó.

A mulher de Jó limitara-se a receber os benefícios do Senhor, sem jamais se preocupar em santificar lhe o nome. Se a mãe era incrédula, como poderiam os filhos ser crentes? Se utilitarista a mãe, como haveriam os filhos de ser piedosos? Se louca a mãe, como sábios os filhos? J. Edgar Hoover, fundador do FBI, depois de lidar com tantos malfeitores, chegou a uma conclusão que, conquanto óbvia, não deixa de ser dolorosa:

“Ninguém nasce criminoso; ele é gerado nos lares”. Teria a impiedade dos filhos de Jó nascido exatamente daquela mulher que os dera à luz, e, depois, entregou-os às trevas?

Certamente ela os induziu à idolatria. Exteriormente, aqueles jovens adoravam ao Deus de seu pai; interiormente, bendiziam aos deuses de sua inconsequente mãe.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 50-51.

 

 

UM PEDIDO DE COMPREENSÃO

Quero confessar que durante longo tempo cm meu ministério tirei proveito da mulher de Jó, especialmente por não se achar presente para se defender. Penso que isso não passou de imaturidade da minha parte. Além do mais, eu não estava casado por um tempo suficiente para ter discernimento e não dizer coisas desse tipo. Não posso deixar este instantâneo da mulher de Jó na história sem esclarecer o registro em sua defesa. Quero sugerir quatro razões para que respondesse desse modo:

Primeira, ela também perdera dez filhos. Até que você ou eu tenhamos perdido todos os nossos fdhos, é preciso ter cuidado para não criticar alguém que esteja passando por essa tristeza profunda.

Quem sabe o que faríamos diante de uma perda como essa? Sugiro que foi no conflito debilitante da sua dor que ela pronunciou essas palavras.

Segunda, ela também sofrera a perda de sua riqueza e bens. Como toda mulher cujo marido alcançou um alto nível de segurança financeira poderia testemunhar, esse estilo de vida produz benefícios e prazeres que dão grande satisfação. Os muitos bens destruídos pertenciam também a ela; faziam parte deles o seu gado, a sua casa. Ela ficou repentinamente reduzida ao mesmo nível dele no plano económico.

Terceira, durante anos ela havia sido a esposa do “maior de todos os [homens] do Oriente” (Jó 1:3). Há honra nisso. Há também grandes momentos de reconhecimento público e alegria íntima nessa posição.

Ela não é mais a primeira-dama da comunidade. E agora a esposa patética de um homem alquebrado cujo mundo desabou, que está sentado sozinho, em pobreza abjeta, coberto de feridas.

Quarto, ela perdeu seu companheiro. Não tem mais o homem que ama para participar de conversas agradáveis. Não há mais momentos especiais de romance e namoro. A mulher não tem esperança de que as coisas venham a mudar. Precisamos dar a ela alguma folga.

Não é um pouco mais fácil compreender como ela pôde sugerir:

“JÓ, querido, vamos parar por aqui. Não insista. Você não pode continuar vivendo assim, não posso suportar. Amaldiçoe a Deus e deixe que ele o leve para casa, para viver com ele.” Penso que foi assim. Ela chegou ao seu limite e estava disposta a permitir que ele partisse.

Não estou justificando o raciocínio da mulher, mas tentando compreendê-lo.

Depois de dizer isso, quero oferecer alguns comentários práticos “do outro lado” para vocês que são esposas. (Pensem neles como um pequeno conselho de Marte para Vênus, caso ajude.) Quero sugerir algo que as esposas deveriam considerar sempre fazer e nunca fazer.

Primeiro, o sempre. Sempre tomem cuidado com suas palavras quando seu marido estiver atravessando tempos terrivelmente difíceis.

Quero confessar algo sobre nós homens. Quero principalmente que você lembre: o fato de passar por períodos difíceis prolongados enfraquece a maioria dos homens. Por alguma razão, as dificuldades parecem fortalecer as mulheres; admiramos vocês por isso. Nós, homens, porém, nos sentimos fracos quando períodos de aflição surgem e permanecem.

Em nossa condição debilitada perdemos a objetividade e algumas vezes a estabilidade. Nosso discernimento também fica distorcido.

Nossa determinação estaciona. Nós nos tornamos vulneráveis, e a maior parte dos homens não sabe como lidar consigo mesmo num estado mental vulnerável. Vocês, mulheres, sabem lidar com a vulnerabilidade; nós homens, não. E ficamos com medo, por mais difícil que seja admitir isto.

Quando os homens passam a ter medo, coisas estranhas acontecem em seu íntimo. Não compreendemos a nós mesmos. Entretemos pensamentos invulgares que nem sequer consideraríamos em outra situação. Em vista de tudo isto – ouçam-me —, precisamos de sua perspectiva clara, de sua sabedoria e sua força espiritual. Acima de tudo, precisamos que orem por nós como nunca oraram antes. Precisamos de suas orações, de seu apoio emocional.

Precisamos que tomem a iniciativa e se coloquem na brecha.

Temos necessidade de suas palavras de confiança e encorajamento.

Achamos até difícil dizer: “Preciso de você agora.” Minha esposa poderia contar-lhe que ela viveu comigo durante nossos primeiros dez anos de casamento sem nunca pensar que eu precisava dela. Eu finalmente admiti isso e aprendi a dizê-lo. Nas horas solitárias da grande provação de um homem, as palavras da mulher significam mais para ele do que as de qualquer outra pessoa. Essa é uma das razões dadas por Deus para que você e seu parceiro tenham sido chamados para estar juntos. Quando nós maridos nos perdemos no caminho, vocês mulheres nos ajudam a encontrá-lo outra vez.

Agora, o nunca. Nunca, sugiram para comprometermos a nossa integridade, mesmo que isso pudesse oferecer alívio temporário. Por favor, não façam isso. Podemos ser tão fracos a ponto de acreditar em vocês e agir de acordo com sua sugestão tentadora.

Compreenda que, quando estamos enfraquecidos, nos tornamos frágeis por dentro. Somos facilmente seduzidos por palavras que oferecem alívio, porque a maioria dos homens considera o alívio a coisa mais importante quando os tempos são sombrios. É por isso que muitos homens que estejam passando por provações intensas têm um caso. Não estou absolutamente justificando isso, só estou dizendo que é uma opção que alguns fazem quando estão na pior.

Deus disse a Satanás: “Ele conserva a sua integridade”. E a esposa perguntou exatamente isto a ele: “Ainda conservas a tua integridade?” Ele precisava que ela tivesse dito: “Jó, o que quer que faça, fique firme! Não comprometa a sua integridade. Vamos andar com Deus através de tudo isto, juntos.”

SWINDOLL. CHARLES R., Jó Um homem de tolerância heroica. Ed. 2003. Editora Mundo Cristão. pag. 53-55.

 

 

3- Os filhos de Jó.

 

Jó estava atento ao modo de viver de seus filhos. Estes tinham uma rotina social de banquetes, muita comida e bebida.

A Bíblia mostra que o pai apresentava sacrifícios a Deus por seus filhos, e orava por eles todos os dias, ou seja, havia zelo e cuidado do patriarca para o bem-estar espiritual de seus filhos (Jó 1.4,5).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Jó teve dez filhos e continuamente oferecia sacrifícios a Deus por eles (Jó 1.4,5). Nessa história, o questionamento é: Por que Deus permitiu a morte dos filhos de Jó? Quando Satanás apareceu na presença do Senhor, colocando em dúvida a integridade de Jó, disse: “[…] estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face!” (Jó 1.11).

Deus permitiu que Satanás estendesse a mão contra tudo que Jó possuía, mas que não tirasse a sua vida. A tragédia veio sobre os filhos de Jó quando estavam festejando juntos. Sem dúvida, essa catástrofe havia sido provocada pelo Diabo para testar a fé de Jó.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 175.

 

 

O desencaminho dos filhos. Narra o texto sagrado:

“Seus filhos iam às casas uns dos outros e faziam banquetes, cada um por sua vez, e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles. Decorrido o turno de dias de seus banquetes, chamava Jó a seus filhos e os santificava; levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles, pois dizia: Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração. Assim o fazia Jó continuamente” (Jó 1.5,6).

O texto, acima citado, não revela de imediato a apostasia em que haviam caído os filhos de Jó. Mas o seu desvio patenteia-se naqueles festins que se arrastavam por vários dias, durante os quais celebravam eles os deuses pagãos. Não lhes bastasse a idolatria, sutilmente amaldiçoavam ao Todo-Poderoso.

Se recorrermos ao original, veremos que Mishteh é a palavra para “banquete”; traz a imagem de uma irrefreável orgia na qual os convivas agem irrefletida e loucamente: “Comamos e bebamos, porque amanhã todos morreremos”.

Quão profanos e hipócritas eram aqueles jovens! E o coração de Jó não se enganava: “Talvez tenham pecado os meus filhos e blasfemado contra Deus em seu coração” (Jó 1.5).

Leiamos o versículo em hebraico: ulai hataú vánai vuberakau Elohim bilevavam. Literalmente, diz esta escritura: “Talvez hajam pecado meus filhos, bendizendo a Deus em seus corações”.

Afinal, amaldiçoavam ou bendiziam eles a Deus? Considerando-se que o substantivo empregado para designar tanto a Deus quanto aos deuses pagãos é o mesmo na língua hebreia, tem-se a impressão de que os filhos de Jó louvavam ao Todo-Poderoso. Mas a verdade é que eles, disfarçada e impiamente, bendiziam aos deuses, amaldiçoando ao único e verdadeiro Deus.

Na maioria das versões modernas, os tradutores, abandonando as sutilezas do autor sacro, optaram pelo óbvio: mostram que os filhos de Jó, naqueles banquetes, amaldiçoavam a Deus no silêncio de seus corações. Pode haver pecado maior? A apostasia, somava-se a hipocrisia. Eis por que o patriarca, terminadas aquelas festanças, levantava-se de madrugadas, e oferecia sacrifícios em favor de cada um de seus filhos.

Muitos são os filhos de crentes que estão a professar um cristianismo perversamente nominal! Quando se reúnem, fazem-no para amaldiçoar a Deus através de seus atos abomináveis.

E chegada a hora, pois, de nos mostrarmos mais vigilantes quanto à conduta de nossos jovens. Se não os disciplinarmos; se não os mantivermos no caminho de Deus; se não lhes exigirmos a devida postura, o Todo-Poderoso o fará dolorosamente.

Se não podemos exigir sejam eles piedosos e tementes a Deus, uma demanda é-nos lícito apresentar-lhes: enquanto estiverem conosco, e sob o nosso teto, têm eles a obrigação de se portarem com decência.

Tem-se a impressão de que os filhos de Jó, embora solteiros e apesar de não estarem devidamente preparados, moravam cada um em sua própria casa. Afastados da supervisão paterna, iam eles vivendo irresponsavelmente, dissipando os haveres do pai naqueles excessos e inconsequência.

Desgraçadamente, muitos são os pais que autorizam seus adolescentes e jovens a saírem de casa para “tocarem” a sua própria vida. Como a maioria destes ainda não tem a necessária estrutura psicológica, moral e espiritual, acaba por se corromper. Os filhos somente devem deixar o lar paterno no momento certo e na ocasião propícia.

Cada filho que nos sair de casa antes do tempo será um pródigo a mais a engrossar a fileira dos desajustados. Lamentavelmente, como diria Oliver Goldsmith, “há progenitores que se preocupam mais em guardar a pureza racial de seus cães e cavalos do que com a educação da vida cristã de seus filhos”.

Levantemo-nos de madrugada, e intercedamos por nossos filhos; oremos por eles; e por eles jejuemos, a fim de que não pereçam. Se não o fizermos, nenhuma esperança lhes restará.

Em suas Lamentações, exorta-nos Jeremias: “Levanta-te, clama de noite no princípio das vigílias; derrama o teu coração como águas diante da face do Senhor; levanta a eles as tuas mãos, pela vida de teus filhinhos, que desfalecem de fome à entrada de todas as ruas” (Lm 2.19).

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 47-49.

 

 

O seu grande bem-estar junto aos seus filhos é observado como um exemplo da sua prosperidade; pois os nossos consolos temporários são emprestados, dependem de outros, sim, daqueles que nos cercam. O próprio •Jó menciona isso como uma das maiores alegrias da sua condição próspera, a presença de seus filhos ao seu redor, cap. 29.5. Eles se revezavam na realização de banquetes em certas ocasiões (v. 4); iam e festejavam em suas casas. Era uma satisfação para esse bom homem:

1. Ver os seus filhos crescerem e se estabelecerem no mundo. Todos os seus filhos estavam em suas próprias casas, provavelmente casados, e a cada um deles ele havia dado um dote suficiente para que se estabelecesse. Aqueles que foram como plantas de oliveira à roda da sua mesa, foram deslocados para as suas próprias mesas.

2. Vê-los prosperar em seus negócios, tornando-se capazes de oferecer banquetes uns aos outros, assim como se sustentarem. Os bons pais desejam, auxiliam e se regozijam pela riqueza e pela prosperidade dos seus filhos como se estas fossem deles próprios.

3. Vê-los com saúde, sem nenhuma doença em suas casas, pois isso teria estragado as suas festas e as transformado em pranto.

4. Especialmente vê-los viver em amor, harmonia, afeição mútua, sem disputas ou brigas entre si, sem estranheza nem vergonha um do outro, sem avareza, mas, embora cada um soubesse o que era seu, vivessem com tanta liberdade como se houvessem tido tudo em comum.

E confortador para os corações dos pais e agradável aos olhos de todos verem os irmãos unidos dessa forma. Quão bom e quão agradável é! Salmo 133.1.5. Contribuía para o seu bem-estar ver os irmãos tão gentis para com as suas irmãs, que eles manda buscar para festejar com eles; pois estas eram tão humildes que não teriam ido se não lhes tivessem mandado buscar.

Os irmãos que desprezam as suas irmãs, que não gostam da sua companhia, e que não se preocupam com o seu bem-estar, são mal criados, possuem uma natureza mesquinha e má, e são muito diferentes dos filhos de Jó. Parece que os seus banquetes eram tão sóbrios e tão decentes que as suas irmãs eram uma boa companhia para eles nestas ocasiões. 6. Eles realizavam banquetes em suas próprias casas, não em tavernas, que não eram tão respeitáveis e onde estariam mais sujeitos às tentações.

Não acreditamos que o próprio Jó tenha participado com eles desses banquetes. Indubitavelmente eles o convidavam, e ele teria sido o convidado mais bem-vindo em quaisquer de suas mesas; ele não se conservava distante por qualquer ressentimento ou temperamento mal humorado, ou por ausência de afeto natural, mas porque era velho e não sentia mais prazer nessas coisas, como Barzilai (2 Sm 19.35).

Também pode ser que ele acreditasse que os jovens se sentiriam mais à vontade e alegres se não houvesse ninguém mais além deles próprios naquelas ocasiões. Contudo, Jó não privaria os seus filhos daqueles momentos de alegria que ele negava a si mesmo. Pode ser permitida aos jovens uma liberdade juvenil, contanto que evitem as luxúrias juvenis.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 4-5.

 

 

SINOPSE I

 

Jó era um homem bem-sucedido, era casado e tinha muitos filhos. Em todas as áreas o patriarca era próspero.

 

 

II – LIDANDO COM A MORTE DENTRO DA FAMÍLIA

 

1- Jó e sua esposa foram surpreendidos pela morte dos filhos.

 

Os versículos 18 e 19 relatam o momento em que a notícia da morte de seus filhos chega à casa de Jó. Quando tudo parecia normal, a morte os surpreendeu.

Todos os seus filhos morreram. Deus não nos criou para morrer, mas a morte é uma maldição advinda do Pecado e só o Senhor Jesus foi capaz de cravar essa maldição no lenho de sua cruz no Calvário (1Co 15.55,56).

Assim, todos ficamos perplexos diante da morte e, principalmente, quando envolve alguém próximo a nós. Por isso, a Palavra de Deus nos mostra que devemos estar conscientes quanto à realidade da morte.

Não temos domínio nenhum sobre ela. Entretanto, a nossa confiança está em Cristo e, por causa de sua ressurreição, podemos afirmar que a morte não nos reterá na sepultura, mas servirá de meio para adentrar à vida eterna com o nosso Salvador (Jo 5.24).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

As filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito, eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei, para te trazer a nova. (Jó 1.18,19)

O conceito bíblico sobre a morte declara que “a morte não é um fenômeno natural na vida humana”. Na perspectiva bíblica, “morte” aparece no grego bíblico como thanatos, que significa “separação, cessação da vida física”. Não podemos aprofundar esse assunto porque estamos, de fato, querendo saber como se enfrenta a morte quando ela nos surpreende na vida cotidiana.

Quando tudo parecia normal, a morte surpreendeu a Jó e a sua esposa. Como crentes em Cristo, devemos encarar a realidade da morte com a confiança de que, quando a vida cessar, não nos reterá na sepultura, mas servirá como trampolim para a vida eterna (Jo 5.24). Todos ficamos perplexos ante a morte quando ela nos pega de surpresa.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 175-176.

 

 

Enquanto Jó procurava recuperar o ânimo, ele deve ter certamente pensado: “Pelo menos tenho meus filhos.” Esse pensamento foi no entanto interrompido por outro empregado, que entrou de supetão, lutando com as lágrimas: “Sr. Jó, seus filhos e suas filhas… todos se foram! Um forte tornado varreu o deserto, atirando carros de madeira e carcaças de animais para o ar. Ele avançou com um rugido ensurdecedor sobre a casa de seu filho mais velho e o lugar simplesmente explodiu — todos os seus filhos…morreram.”

Jó, porém, perdeu todos os seus filhos amados numa tempestade caprichosa, saída do nada, sem razão aparente. Pela primeira vez em 35, ou talvez 40 anos, Jó e a mulher ficaram sozinhos, sem filhos.

Além disso, Deus ocultou daquele pai e daquela mãe o significado dessa situação impossível. Ele não deu explicações. Não ofereceu consolo.

O silêncio do céu tornou-se mais devastador do que as notícias espantosas sobre a terra.

Ao ler a narrativa bíblica, quando você chega ao final desse comovente episódio onde quatro mensageiros trémulos derramaram suas almas e Jó absorveu todo o peso dos seus relatos trágicos, é preciso fazer uma pausa e deixar que a tristeza penetre. Esta é a oportunidade clássica para permitir que as suas emoções se manifestem!

Esta é a vida em sua maré baixa — o fim absoluto da trilha.

O único que está apreciando a cena é a criatura sobrenatural que a provocou. Satanás e suas hostes demoníacas estão na beirada de seus assentos no império invisível do mal, vigiando ansiosamente, esperando pelo veneno que sem dúvida jorrará dos lábios daquele pai.

“Ele não vai suportar isto sem amaldiçoar o seu Deus, homem mimado que é. Tomamos tudo dele, e não restou nada a que se agarrar.

Espere um pouco; vamos ver agora o verdadeiro Jó!”

SWINDOLL. CHARLES R., Jó Um homem de tolerância heroica. Ed. 2003. Editora Mundo Cristão. pag. 37-39.

 

 

Seus bens mais queridos e mais valiosos eram os seus dez filhos; e, para concluir a tragédia, uma notícia lhe foi trazida ao mesmo tempo de que eles estavam mortos e enterrados em meio às ruínas da casa na qual festejavam, junto com todos os criados que os serviam, exceto um que veio rapidamente com a essa notícia w. 18,19.

Esta foi a maior das perdas de Jó, e que o atingia mais de perto; e por isso o diabo a reservou para o final, para que se as outras contrariedades falhassem, esta pudesse fazê-lo amaldiçoar a Deus. Nossos filhos são partes de nós mesmos; é muito difícil separarmo-nos deles, e isso fere um bom homem da maneira mais profunda possível. Mas separar-se de todos eles de uma vez, e o fato de estarem todos mortos, sim, aqueles que haviam sido por tantos anos a sua preocupação e a sua esperança, era algo que o atingia realmente no âmago do seu ser.

(1) Eles morreram todos juntos, e nenhum deles foi deixado vivo. Davi, embora sendo um homem sábio e bom, ficou completamente transtornado por causa da morte de um filho. Imagine quão duramente isso se abateu sobre o pobre Jó, que perdeu todos, e, em um instante, tornou-se um homem sem filhos!

(2) Eles morreram inesperadamente. Se eles tivessem sido levados por uma doença prolongada, Jó teria tido um prazo para esperar pela morte deles, e se preparar para a separação; mas isso lhe sobreveio sem qualquer aviso.

(3) Eles morreram quando estavam festejando e se divertindo. Se eles tivessem morrido de repente quando estivessem orando, ele poderia ter suportado isso de uma maneira mais suave.

Ele teria esperado que a morte os tivesse encontrado em um bom estado de espírito se o seu sangue tivesse sido misturado com o seu banquete, pois ele próprio costumava ficar preocupado que eles tivessem pecado e amaldiçoado a Deus em seus corações – que tal dia lhes chegasse sem aviso, como um ladrão à noite, quando talvez suas cabeças estivessem sobrecarregadas com alguma intemperança e até mesmo com alguma embriaguez – isso só podia aumentar em muito o seu sofrimento, considerando a sensível preocupação que ele sempre teve pela alma de seus filhos, e que eles estavam agora fora do alcance dos sacrifícios que ele costumava ofertar de acordo com o número deles todos.

Observe como as coisas ocorrem igualmente a todos. Os filhos de Jó eram, constantemente, o objeto das orações do pai, e viviam em amor recíproco, e ainda assim chegaram a esse final prematuro. (4) Eles morreram pela ação de um vento suscitado pelo diabo, que é o príncipe das potestades do ar (Ef 2.2), mas o fato foi considerado como uma ação direta da mão de Deus, e um sinal da sua ira. Assim Bildade a interpretou (cap. 8.4):

Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão. (5) Eles foram levados quando Jó mais precisava deles, para confortá-lo por todas as suas outras perdas. As criaturas, sim, todas elas, são os consoladores mais miseráveis. Somente em Deus temos um socorro bem presente em todos os momentos.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 10.

 

 

2- Razões para a tristeza do luto de Jó e de sua mulher.

 

De certo modo, Jó tinha uma família feliz (Jó 1.1-5). Nesse contexto, Satanás desafiou a fidelidade dele e o atacou frontalmente com a morte de seus filhos (1.13-18; 2.1-6). A Bíblia não fala do sepultamento dos filhos de Jó, mas certamente ele aconteceu.

É importante ressaltar que uma perda como essa traz uma tristeza imensa. A Palavra de Deus diz que há tempo para tudo: Há tempo de sorrir e há tempo de chorar (Ec 3.4). A tristeza e o choro passaram a fazer parte da família de Jó, outrora feliz e próspera.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A morte é sempre um evento triste. O sábio Salomão escreveu que “melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, porque ali se vê o fim de todos os homens” (Ec 7.2). Ante o espectro da morte, todos paramos para meditar sobre a vida que temos. O luto, por mais amargo que seja, nos ensina a ter uma vida mais racional. Imaginemos Jó e sua esposa, tendo que sepultar não apenas um filho, mas todos os dez filhos que tinham. De certo modo, Jó tinha uma família feliz (Jó 1.1-5).

No enredo da sua história de vida, Jó era homem feliz, de vida íntegra e respeitado por todos. A prosperidade fazia parte da sua vida pessoal. Seus filhos se reuniam constantemente para se confraternizar, quando surgiu o inesperado. Antes, em uma reunião dos “filhos de Deus” (nesse contexto eram anjos) diante do Todo-Poderoso apareceu Satanás (um anjo expulso da presença de Deus) para questionar a integridade de Jó e a sua fidelidade a Deus (Jó 2.1-6).

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 176.

 

 

“Melhor é ir à casa onde há luto do que… onde há banquete”.

Onde há banquete, existe a tentação de esquecer-se de Deus. Diante da morte é mais fácil lembrar o fim de cada um e a necessidade de preparar-se para o juízo de Deus. A morte nos fez pensar na vida. “Ensinanos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sábio” (Sl 90.12). Cada funeral alheio fez lembrar nosso próprio funeral.

Melo. Joel Leitão De,. Eclesiastes Versículo por Versículo. Editora CPAD. Ed 2013. 6 Impressão. pag. 68.

 

 

Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete. Este versículo reforça a segunda linha do vs. 1 do capítulo. Visto que o fim de tudo é a morte, e nela está o descanso dos sofrimentos e das excentricidades da vida, é melhor ir a um lugar onde as pessoas estejam lamentando a morte de um amigo ou parente, do que ir a um salão de banquete, onde há excessos e folguedos insensatos. Na casa da lamentação, um homem é mais autêntico, porquanto ele vê em que realmente a vida consiste: nada.

Dessa maneira, ele obtém uma espécie de sabedoria que não há na ingestão de bebidas e alimentos e em meio aos cânticos; tal homem obtém maior clareza sobre a vaidade da vida. Tendo conseguido sabedoria superior, ele se contentará com alguns prazeres simples que acompanharão sua triste viagem através da mortalidade (ver Eclesiastes 2.24-25); no entanto, se fosse indagado acerca desses prazeres, ele não os defenderia como valores reais. O autor sagrado criticava o hedonismo e recomendava, por implicação, o epicurismo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2723.

 

 

3- Fidelidade ao Senhor em meio à dor.

 

O capítulo 1 de Jó mostra a reação do patriarca diante da notícia trágica da morte de seus filhos: Jó rasgou o manto, rapou a cabeça, lançou-se em terra e adorou ao Senhor (Jó 1.20). Isso mesmo: Jó adorou a Deus. Aqui, ele iniciou o processo de aceitação do ocorrido diante do Senhor da vida.

Essa passagem bíblica nos mostra que a dor da perda não passa, mas o processo de aceitação torna o luto mais digno. Por isso, o patriarca pôde dizer em atitude de adoração:

“Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor” (Jó 1.21). Ainda, o texto bíblico diz que Jó em tudo não pecou nem atribuiu a Deus falta alguma (Jó 1.22).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Preste atenção na primeira palavra. Não sabemos quanto tempo se passou entre Jó ter ouvido as notícias e sua reação a elas. E possível que tenha ficado ali todo o resto da tarde. Pode ter ido aos tropeços até a porta para ver na distância, com seus próprios olhos, os remanescentes da casa, agora uma ruína, onde estavam os corpos de seus filhos. Pode ser que tenha reagido apenas depois dos funerais, enquanto ficava ao lado das dez sepulturas novas. Depois de suportar golpes tão brutais, as palavras não têm grande propósito.

O homem estava despedaçado, até o mais fundo de seu coração, tendo perdido tudo. O grande pregador escocês do passado recente, Alexander Whyte, disse muito bem: “As tristezas de Jó não vieram uma de cada vez, mas em batalhões.”

O homem talvez tenha ficado ao relento, sob as estrelas, até que o orvalho o molhasse. Finalmente, porém, falou. E quando o fez, que resposta notável! O versículo 20 é composto de nove palavras no texto hebraico. Essas palavras descrevem o que Jó fez, antes que o texto nos diga o que ele disse. Cinco das nove palavras são verbos. A Bíblia que uso contém 18 palavras no versículo 20; mas, mesmo assim, 5 são verbos. Ao ler a Bíblia, sempre preste atenção nos verbos. Eles o levam por toda a ação de uma narrativa, ajudando você a entrar vicariamente no evento.

Em primeiro lugar, Jó se ergueu do chão. Ele “se levantou”.

O verbo seguinte nos diz algo estranho. Ele “rasgou o seu manto”.

A palavra traduzida manto é um termo que descreve uma peça de vestuário que se ajusta frouxamente ao corpo, como uma roupa usada por cima de outras, que vai até os joelhos. Não se trata de uma túnica vestida por baixo; mas era a peça que o mantinha aquecido à noite. Jó levantou a mão até o pescoço, e não encontrando uma costura, segurou uma parte gasta do tecido, rasgando-a, e nesse ato de rasgar está anunciando sua terrível tristeza. Este foi o ato de um homem angustiado.

O termo é usado várias vezes no Antigo Testamento para descrever o luto profundo.

Lemos então o terceiro verbo: “Rapou a cabeça.” O cabelo é sempre representado nas Escrituras como a glória do indivíduo, uma expressão do seu valor. Rapar a cabeça é, portanto, um símbolo da perda da glória pessoal. Seu quarto ato é cair no chão, mostrando o seu sofrimento em nível extremo. Vamos deixar bem claro que não se tratava de alguém sofrendo um colapso por causa da tristeza: o propósito era inteiramente outro. E isto que retrata o heroísmo da perseverança de Jó. Ele não chafurda e se lamenta, mas adora.

O verbo hebraico significa “cair prostrado em completa submissão e adoração”. Ouso dizer que a maioria de nós nunca adorou desse modo! Ou seja, com o rosto no chão, deitado de comprido. Esta era considerada na época a expressão mais sincera de obediência e submissão ao Deus Criador.

Antes de continuar, eu gostaria de sugerir que você tentasse isso um dia. Com as palmas das mãos para baixo, de bruços, com os joelhos e pés tocando o solo, corpo estendido, enquanto derrama o coração em adoração. É a posição tomada deliberadamente por Jó.

Completa e humilde submissão.

A essa altura, o único que está lançando maldições é Satanás. Ele ficou com ódio de tudo! Detestou a reação de Jó. Apesar de todos aqueles acontecimentos funestos, o homem continuou adorando o seu Deus – aquele que permitiu que as catástrofes acontecessem.

Em um milhão de pessoas não haveria uma que fizesse isso, mas foi o que Jó fez. Os espíritos perversos ficaram boquiabertos, por assim dizer, ao observarem um homem que reagiu a todas as adversidades com adoração; que concluiu todos os seus ais adorando. Nenhuma acusação.

Nenhuma amargura. Nenhuma maldição. Nada de punhos cerrados contra o céu, gritando: “Como ousas fazer isto comigo, depois de ter andado contigo todos esses anos?” Nada disso.

SWINDOLL. CHARLES R., Jó Um homem de tolerância heroica. Ed. 2003. Editora Mundo Cristão. pag. 39-41.

 

 

Então Jó se levantou… e adorou. Jó demonstrou os sinais orientais comuns de consternação e tristeza. Ver Jó 2.12 e Gên. 37.29,34; 44.13; Juí. 11.35, quanto ao ato de rasgar as vestes, e o artigo do Dicionário chamado Vestimentas, Rasgar das. Quanto ao ato de rapar a cabeça como sinal de consternação, ver Isa. 15.2; Jer. 48.37; Eze. 7.18. Coisa alguma é dita em relação a lançar cinzas sobre a cabeça, outro sinal de consternação. Ver II Sam. 13.19; Est. 4.1. Em Jó

2.8, vemos Jó sentado sobre cinzas ou sobre lixo. Mas ali lixo de cinzas é o que mais provavelmente está em vista. Ver a exposição naquele ponto. Ele não se cortou nem se mutilou, conforme os pagãos costumavam fazer. A lei mosaica e os costumes hebreus não permitiam a mutilação.

Ver no Dicionário o detalhado artigo intitulado Lamentação, sobretudo a terceira seção, que descreve os atos ou costumes associados à questão.

O fato de Jó ter caído no chão foi uma conduta de desespero, mas ele transformou isso em um ato de adoração. Jó adorou a Deus no pó, algo que Satanás dissera que ele não faria nem poderia fazer. Cf. a conduta de Davi (II Sam. 12.20) e Ezequias (II Reis 19.1). “Momentos de intensa tristeza ou provação, ou momentos de grande alegria, forçam-nos à presença imediata de Deus” (Ellicott, in loc).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1868.

 

 

SINOPSE II

 

Jó e sua esposa foram surpreendidos pela morte de seus filhos e tiveram que viver esse momento de dor.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

O SOFRIMENTO IMERECIDO

 

“Jó desejava que um árbitro decidisse sobre o golpe que ele levara, mas ele não encontrou nenhum (9.33). Os bens levados e os filhos mortos, Jó não fez nada para merecer o que recebeu. O primeiro versículo do livro de Jó declara que Jó era um bom homem que tinha uma boa vida.

Os dois primeiros capítulos explicam a pergunta: por quê? só é respondida no céu. Jó chamava a Deus apenas para ouvir o eco de suas palavras. Seu brado no capítulo 3 é o brado de todo ser humano: o que eu fiz para merecer isso? O sofrimento imerecido é a principal razão pela qual muitos rejeitam a crença a Deus. Se Jó é o livro mais antigo da Bíblia (como muitos estudiosos afirmam), então Deus abordou o problema cedo e de frente” (Bíblia Além do Sofrimento: Onde as Lutas parecem Intermináveis a Esperança em Deus é Infinita. Rio de Janeiro: CPAD, 2020, p.727).

 

 

III – OS CRISTÃOS E O LUTO

 

1- Não culpe a Deus.

 

Não é muito difícil de, nos momentos de perdas inesperadas, o ser humano se desesperar e passar a blasfemar contra Deus. Não é isso que aprendemos com Jó (cf. Jó 1.21,22). O antigo patriarca nos ensina a viver a confiança em Deus mesmo no momento delicado da morte inesperada de um ente querido. Nem sempre saberemos o motivo da morte de uma pessoa amada ou de um determinado sofrimento.

Há mistérios na vida que não conseguimos desvendar na Terra (Dt 29.29). O próprio livro de Jó não revela por que os seres humanos sofrem. O que o livro nos ensina e encoraja é suportar o sofrimento com paciência, achando-se fiel nos caminhos do Senhor diante do processo de um sofrimento imerecido. Haverá um dia que tudo estará patente diante de nossos olhos (1Co 13.12).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Suas palavras foram estas: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o S e n h o r o deu e o S e n h o r o tomou; bendito seja o nome do S e n h o r!” Isso diz tudo. Todos nascemos nus. Ao morrer, todos iremos nus, enquanto somos preparados para o sepultamento. Nada temos ao nascer; nada temos ao partir. Tudo o que possuímos nesse intervalo nos é dado pelo Doador da vida. Tudo o que temos são ossos envoltos em pele, órgãos, nervos e músculos, junto com uma alma pela qual devemos prestar contas a Deus.

Jó já cuidou disso. E como se ele estivesse dizendo: “Aquele que me deu vida e concedeu tudo por empréstimo durante a mesma decidiu (e tem esse direito) tirar tudo. Não vou levar nada comigo de forma alguma. Bendito seja o seu nome por esse empréstimo enquanto o tive. E bendito seja o seu nome por decidir removê-lo.”

Entenda isso muito bem. Entenda enquanto passeia por sua casa e vê todos os seus pertences. Entenda quando abre a porta e entra em seu carro, atrás do volante. Tudo é por empréstimo, cada pequena coisa. Entenda quando o seu negócio fracassa. Ele também era um empréstimo. Quando o preço das ações sobe, todo o lucro é um empréstimo.

Olhe isso de frente. Você e eu chegamos em um pequeno corpo nu (e não muito bonito, para falar a verdade!). O que teremos ao partir? Um corpo nu quase sempre cheio de rugas. Você não leva nada porque não trouxe nada! O que significa que não possui nada.

Que grande revelação! Está pronto para aceitá-la? Você não possui sequer os seus filhos. Eles são filhos de Deus, dados por empréstimo para você cuidar, criar, alimentar, amar, disciplinar, encorajar, afirmar e depois soltar.

SWINDOLL. CHARLES R., Jó Um homem de tolerância heroica. Ed. 2003. Editora Mundo Cristão. pag. 41-42.

 

 

E disse: Nu sai do ventre de minha mãe. Desnudado de suas riquezas e de sua família, Jó estava nu diante de Deus, tal como esteve nu ao nascer. O Senhor (Yahweh) é o Doador e o Tirador, e Jó não disputou os direitos Dele. Satanás pensava que Jó só se interessava por seus próprios direitos pessoais. Satanás estava tratando com um homem melhor do que supusera. Jó nasceu destituído, havia florescido e, então, retomara à destituição. Jó estava resignado diante desse retomo e atribuiu tudo ao poder divino. Ele não pensou que o caos estivesse envolvido, nem a chance. Cf. Gên. 3.19; Sal. 139.13,15; Eclesiástico

40.1, quanto a declarações similares à do presente versículo. Yahweh é o proprietário geral de tudo, e Seu nome deve ser sempre bendito, em qualquer vicissitude (ver I Sam. 3.18; Eclesiastes 5.15).

Essa bênção, posta nos lábios de um árabe, toma alguns intérpretes de surpresa, porquanto eles supunham que Elohim, e não Yahweh, fosse o nome divino original do versículo. Contudo, não há apoio textual para isso. Foi um autor hebreu quem escreveu este versículo. Ademais, os árabes, como filhos de Abraão que eram, poderiam ter usado os mesmos nomes divinos. É curioso notar que até hoje, no noroeste da Arábia, sobreviventes falam palavras similares às do texto presente. Eles entoam uma fórmula litúrgica: “Seu Senhor o deu, seu Senhor o tirou” (The Book of the Ways of God, Emil G. Graeling).

“Reconhecendo os direitos soberanos de Deus… , Jó louvou ao Senhor. É verdadeiramente notável como Jó seguiu a adversidade com a adoração, o ai com a adoração. Diferente de tantas pessoas, ele não cedeu à amargura. Recusou-se a culpar a Deus por qualquer erro (cf. Jó 2.10)” (Roy B. Zuck, in loc.).

Aflições vindas da Mão Soberana São bênçãos disfarçadas.

(Adam Clarke)

John Gill (in loc.) salientou, com toda a razão, que toda essa consternação diz respeito a coisas materiais e físicas. A alma de Jó não fora desnudada. Sua alma nada perdera. Esse é um fator, no problema do mal, que devemos sempre observar.

Em tudo Isto Jó não pecou. Se Jó se tivesse rebelado contra a causa de suas calamidades, teria pecado. Portanto, o ateísmo, que resulta da contemplação de todo o mal que aflige este mundo, é uma reação pecaminosa. Apresento um artigo detalhado sobre o Ateísmo, na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia.

“O primeiro ato do drama aproxima-se do término (vs. 22), com uma indicação da recusa de Jó de ‘atribuir a Deus qualquer insensatez’. A palavra hebraica tiphlah (falta de gosto) aplica-se a caprichos morais e a mau comportamento. Jó não acusou a deidade de capricho imoral e desgoverno” (Samuel Terrien, in loc.). Isso implica uma ou duas coisas: O Deus voluntarista de Jó (ver o vs. 11) estava simplesmente acima da crítica de Jó. Ou, então, Jó acreditava em razões genuínas para o sofrimento humano, mesmo no caso dos sofrimentos de um homem espiritual inocente, embora tais razões estejam, com frequência, ocultas para nós.

Uma Ilustração Dramática. O dr. John Brown registra um incidente que ilustra bem o texto à nossa frente. Havia um clamor de dor. O pai da família proferiu esse clamor em desespero. Os filhos vieram correndo para ver o que acontecia. Ali, de pé diante deles, estava o pai deles. Seu rosto estava branco e contorcido de tristeza.

Naquele momento, ele controlou sua agonia com um ato da vontade. Disse aos filhos: “Vamos agradecer ao Senhor”. Ele se voltou para um sofá, e ali, por perto, jazia a esposa dele, a mãe deles, morta. Caros leitores, esse incidente faz parte das memórias de um homem que, em meio à tragédia, não se esqueceu de dar graças! Quem se responsabiliza por todas essas crises, por todas essas transições, por toda essa dor?

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1869.

 

 

Jó perde tudo, mas conserva a sua fé em Deus (vv. 20,21): “Então Jó se levantou, rasgou o seu manto, rapou a sua cabeça e, lançando-se em terra, adorou: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá. O Senhor o deu, o Senhor o tirou, bendito seja o nome do Senhor.” Este é o espírito difícil de se encontrar na terra.

Quem quer que tenha sido o autor do livro, a sua teologia era boa: Deus acima de tudo. Ele dá e tira. Por esta mostra e outras é que julgamos ter sido Moisés o autor do livro, porque só um homem que tivesse grandes experiências com Deus poderia ter escrito estas palavras. Moisés tivera tudo no Egito: honras, glórias, palácios, criados e cortesãos.

De um momento para outro, perdeu tudo e virou um simples pastor, nos áridos campos de Midiã. Ele era um artista, como bem nos demonstram muitos passos da Bíblia, bem assim um grande poeta, como vemos em Deuteronômio, capítulos 32 e 33 e Sal. 90. A ideia geral desta expressão encontra-se em diversos passos da Bíblia, especialmente em I Tim. 6:7. Isto, entretanto, não resolve tudo. 

O “ventre de minha mãe” deve ser uma bela expressão poética, como ventre da mãe-terra, a mãe que tudo dá. É isso que diversos comentadores pensam, mas também pode ser uma forma de exprimir uma outra verdade, como em João 3:4. Preferimos aceitar a verdade tal qual está expressa, mesmo que seja posta em forma de figura (veja Gên. 3:19). A verdade mais admirável é que Jó não acusou a Deus, não se queixou. A palavra no original significa insipidez, coisa sem sabor, como a clara do ovo, e, literalmente, é como falta de discernimento moral.

Qualquer que seja a interpretação, o nome exceleo de Deus ficou incólume. Deus tem o direito de tirar, porque é Ele quem dá. Então, por Jó o fato foi visto como natural. Se Deus é o Senhor de tudo e dá a quem quer, e tira de quem quer, não há motivo de queixa. Foi isso precisamente o que Jó entendeu; tudo vem de Deus e Ele dá e tira como lhe apraz. É uma lição que vale a pena aprender, mas nem sempre estamos devidamente preparados.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

 

 

2- Vivendo o luto.

 

Com o patriarca Jó, aprendemos que o crente em Jesus não deve ser indiferente ao luto, pois, psicologicamente, isso não é saudável. Como seres humanos, devemos manifestar as emoções próprias de um momento de luto, tais como: o choro, o silêncio, a compenetração.

Diante da dor da família de Lázaro, nosso Senhor agitou-se no espírito, comoveu-se e chorou (Jo 11.35 -NAA).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Ando de luto, sem a luz do sol. Pálido de dor, Jó não podia ver o sol de um novo dia. Ele se pôs de pé na assembleia de sua aldeia e chorou; mas nenhum homem lhe trouxe alívio, nenhum ser humano se importou com a sua alma.

O hebraico original, vocalizado de maneira diferente, pode falar sobre protetor ou guardião, em lugar de “sol”. Jó continuou suas lamentações, mas nenhum homem veio protegê-lo, ninguém saiu em seu socorro. Ou podemos traduzir a palavra “sol” como quente, conforme faz a Vulgata Latina. Nesse caso, Jó continuou em sua ira contra a dor, indignado pelo que lhe estava acontecendo. Mas esse também era um esforço inútil, pois não trouxe nenhuma mudança em seu estado de saúde.

“Tal era a extrema angústia de sua alma que quando uma multidão de gente se punha ao redor dele para vê-lo em suas aflições, ele não podia conter-se e explodia em lágrimas e choro, embora soubesse que isso era impróprio para um homem de sua idade e de seu caráter” (John Gill, in loc.).

Ando de luto. Por causa de sua enfermidade; ou, figurativamente, mediante as divinas chamas da aflição; ou então por causas das trevas, pois o sol de um novo dia recusava-se a brilhar.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1982.

 

 

Os versos 27-29 descrevem outra fase desta luta. Há no seu íntimo um sentimento que ele não entende, mas sente. As suas entranhas se remexem, como a participar da luta moral que o aflige, e afirma: dias de aflição sobrevêm (v. 27). Moralmente andava de luto e vivia no escuro, sem ver a luz do sol; então recorda a sua ida à congregação, quando era bem-vindo e desejado, mas agora levanto-me e clamo por socorro, mas ninguém o acode.

Sou irmão dos ‘chacais e companheiro de avestruzes (v. 29). Mesmo vivendo no meio da sociedade, onde tantos serviços havia prestado, agora era um abandonado, atirado nos matos, vivendo com os animais, que não participam dos serviços humanos. Era o cúmulo do desprezo e do abandono. Pobre Jó!

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

 

 

3- Mantenha a esperança.

 

Vimos que é saudável manifestar emoções próprias do período de luto, mas também é verdade que o crente não deve se desesperar como quem não tem esperança (1Ts 4.13). É preciso levar em conta que o período do luto dura em média seis meses. Se após esse período, a pessoa não consegue voltar às atividades normais é preciso buscar ajuda especializada, pois isso não é saudável.

Esse cuidado é coerente com a fé cristã que proclama a esperança de vida porque nosso Senhor ressuscitou no terceiro dia, vencendo a morte. Portanto, a Palavra de Deus traz consolo e conforto para a alma enlutada (2 Co 1.3-5). Um dia, brevemente, estaremos para sempre com a pessoa querida que partiu em Cristo (1Ts 4.14-18).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A História é linear e teleológica, ou seja, ela caminha para uma consumação final, onde se verá a vitória triunfal de Cristo e da Sua Igreja. Na Sua segunda vinda. Cristo colocará todos os Seus inimigos debaixo dos Seus pés e triunfará sobre todos eles (ICo 15.25).

Consideremos três pontos:

A desesperança daqueles que não conhecem a Deus (4.13). O mundo pagão era completamente desprovido de esperança. O futuro para eles era sombrio e ameaçador.

Frente à morte, o mundo pagão reagia com profunda tristeza. A tristeza do pagão é incurável, contínua, e sem intermitência. Seu desespero não tem pausa. O verbo grego lupesthe, “entristecer-se”, no tempo presente, significa uma tristeza contínua. Uma inscrição típica encontrada em um túmulo demonstra esse fato: “Eu não existia. Vim a existir. Não existo. Não me importa”.

O mundo greco-romano dos dias de Paulo era um mundo sem esperança (Ef 2.12). No entendimento deles não havia nenhum futuro para o corpo, pois este não passava de uma prisão da alma. Os epicureus não acreditavam na eternidade. Para eles a morte era o ponto final da existência.

Os estoicos diziam que enquanto estamos vivos a morte não existe para nós, e quando ela aparecer, nós já não existimos. Os pagãos reagiam com desespero diante da morte.

William Barclay registra o que alguns pensadores disseram.

Esquilo escreveu: “Uma vez que o homem morre não há ressurreição”. Teócrito disse: “Há esperança para aqueles que estão vivos, mas os que morrem estão sem esperança”.

Cátulo afirmou: “Quando nossa breve luz se extingue há uma noite perpétua em que deveremos dormir”.

Os crentes de Tessalônica, egressos dessa realidade, e ainda sendo brutalmente perseguidos, estavam se entristecendo, porque julgavam que seus entes queridos, os crentes que dormiam em Cristo haviam perecido. Esta carta foi escrita para abrir-lhes os olhos da alma para a bendita verdade divina acerca da esperança cristã. William Hendriksen afirma com resoluta certeza: “De fato, à parte do cristianismo não existia nenhuma base sólida de esperança em conexão com a vida por vir.

A tristeza dos que vivem sem esperança (4.13). A tristeza é filha da desesperança. O mundo sem Deus é um mundo triste. A morte para aqueles que não conhecem a Deus é um fim trágico. Na verdade, não há esperança fora da fé bíblica e evangélica. Só lhes resta uma profunda tristeza quando olham pelo túnel do tempo para verem o palco do futuro.

Howard Marshall diz que a igreja de Tessalônica enfrentava dois graves problemas que tiravam sua alegria:

O primeiro dizia respeito aos membros da igreja que tinham morrido antes da segunda vinda de Cristo. A morte deles significava que estariam excluídos dos acontecimentos gloriosos associados com a parousia (4.13-18)?

O segundo dizia respeito ao cronograma da segunda vinda. Por trás dele havia o temor de que a parousia pudesse pegar os vivos desprevenidos e, portanto, não participariam da salvação (5.1-11).

A revelação de Deus que dá esperança (4.13,15). As religiões têm especulado sobre o destino da alma após a morte. Os filósofos têm discutido sobre a imortalidade.

Os espíritas falam na comunicação com os mortos. Os católicos romanos pregam sobre o purgatório, um lugar de tormento e autopurificação. Há aqueles que negam a doutrina da segunda vinda de Cristo (2Pe 3.4).

Agora, Paulo resolve este problema, dizendo que não precisamos especular, pois temos uma revelação específica e clara de Deus acerca do nosso destino após a morte (4.15; 2Tm 1.10).

A Bíblia tem uma clara revelação acerca da morte e da ressurreição (ICo 15.51-54; Jo 5.24-29; 11.21-27), bem como a respeito da segunda vinda de Cristo (4.13-18).

A autoridade da Palavra de Deus dá-nos a segurança e o conforto que precisamos, afirma Warren Wiersbe.

LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 102-104.

 

 

Como cristãos, lamentamos nossas perdas porque sentimos profundamente a falta de nossos entes queridos, mas recebemos o conforto de nosso conhecimento, de que aqueles que morreram em Cristo estão agora desfrutando com júbilo a presença de Cristo (Lc 23.43; Fp 1.23), e um dia teremos uma reunião esplêndida na eternidade (4.17).

Podemos confiantemente falar da morte como sendo a “passagem” de um estágio de existência para outro mais glorioso e eterno. Jesus, por meio de sua própria morte e ressurreição, destruiu a morte (2 Tm 1.10). Assim, pelo fato de não ter poder sobre Cristo (Rm 6.9-10), não terá também poder sobre nós, pois estamos nEle. Certamente podemos morrer antes da vinda de Jesus, mas a morte não nos separará do gozo do amor eterno de Deus (8.38,39). A morte não é o fim mórbido da existência; é, sim, uma graduação ou promoção para sermos mais vivos do que os limites da existência terrena jamais poderiam permitir.

No versículo 14, com uma expressão de fé, “cremos”, Paulo confirma a base da nossa esperança. As implicações são claras e consoladoras: se Jesus morreu e ressuscitou (e Ele o fez!), então temos todas as razões para acreditar que “também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele”. Sua ressurreição é a forte garantia, ou as primícias, de que todos aqueles que pertencem a Ele também ressuscitarão (Rm 8.11; 1 Co 15.20,23; 2 Co 4.14).

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 1395-1396.

 

 

Vimos várias vezes que aos apóstolos não importava apenas uma “pura doutrina”. Não obstante, consideravam que um nível de compreensão claro e abrangente era decisivo nas igrejas! Justamente por serem respeitadas como “igrejas de Deus” com toda a sua autonomia e liberdade, não podiam jamais “ser ignorantes” a respeito de aspectos importantes, mas precisavam ter os devidos conhecimentos em todas as questões essenciais e ser capazes de discernir de forma nítida. Por isso, muitas vezes mais Paulo repetirá em suas cartas a fórmula “Não queremos que sejais ignorantes”!

Agora está em pauta uma questão realmente importante. Por mais jovem que a igreja ainda seja, ela já experimentou os primeiros casos de falecimento em suas fileiras. Nada indica que esses casos de morte estivessem ligados à sua “tribulação”, nem mesmo a expressão “que adormeceram por meio de Jesus” é usada para isso. Mas aparentemente Timóteo informou que a igreja está muito abalada pelo falecimento de seus membros. Afinal, aguarda dedicadamente pelo Senhor vindouro e se alegra de todo coração pelo grande dia. Contudo – os agora falecidos não estarão então com eles?! O que será feito deles? Não sairão perdendo? Porventura morrer antes da parusia não seria praticamente um revés em sua vocação? De qualquer modo esse fato era algo totalmente imprevisto, que nem mesmo os mensageiros tinham levado em conta na evangelização.

Essas perguntas parecem muito tolas para nós cristãos de hoje. Mas a resposta dos mensageiros de Jesus provocará em nós uma surpresa muito maior. Porque ela não se parece em nada com a resposta que nós daríamos hoje, com toda a naturalidade! Os mensageiros não “consolam” a igreja com a asserção: os falecidos não saem perdendo, pelo contrário, eles têm uma grande vantagem. Afinal, já chegaram ao alvo, já estão na glória junto do Senhor, pela qual nós vivos ainda precisamos esperar. Nenhuma palavra nesse sentido! Nenhuma palavra sobre “entrar no céu”, que afinal deveria ser a resposta inevitável neste trecho, diante da preocupada indagação pelos adormecidos, se – realmente tivesse sido parte da esperança dos mensageiros de Jesus!

É verdade que se trata de “consolo”. “Consolai-vos, pois, uns aos outros com essas palavras” é final e alvo de todo o trecho. Os cristãos em Tessalônica não devem “estar entristecidos como os demais que não possuem uma esperança”. Contudo essa certeza verdadeiramente consoladora e que supera toda tristeza não é: vossos queridos, enfim, estão no céu, na glória! Pelo contrário, uma breve frase diz: nós experimentaremos o próximo grande evento da história da salvação, a parusia do Senhor e a consumação da igreja, junto com eles, nós todos vivenciaremos isso em conjunto! Todo o “consolo” está contido na única palavrinha “simultaneamente”: “arrebatados simultaneamente com eles” (v. 17). Ou seja, na verdade ninguém tem uma vantagem em relação ao outro: nem a igreja que ainda vive na terra tem vantagem em relação aos mortos, nem os mortos têm vantagem alguma em relação a nós, como se agora já estivessem na glória “antes de nós”. Para os ainda vivos e para os já adormecidos vale um decisivo “simultaneamente”.

Mas até lá? O que acontece com os agora adormecidos? No fundo o texto não dá nenhuma resposta. Isso nem mesmo é tão importante. Se os que agora morrem no Senhor participarão simultaneamente conosco da parusia, então tudo está plenamente resolvido. A rigor não é necessário saber mais do que isso.

Lançamos aqui um profundo olhar sobre o pensamento genuinamente bíblico! Como está liberto do eu e repleto das grandes coisas de Deus! “Santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade na terra!”, é esse seu ardente desejo. A maravilhosa graça que se concede ao pequeno eu individual é poder participar quando as grandes coisas de Deus acontecem. Não importa o que “entrementes” é feito do eu. Tudo isso é inteiramente distorcido entre nós! Interessa-nos justamente apenas o eu individual e seu destino além da sepultura.

A igreja e sua consumação, a vitória de Jesus, a causa de Deus nos deixam totalmente indiferentes e praticamente sumiram de nosso horizonte “cristão”. Nessa situação torna-se salutar para nós que aqui, e também em outras ocasiões, a Bíblia apenas aluda rapidamente à condição de nosso querido e importante eu após a morte, amarrando nossa verdadeira esperança e nosso consolo fundamental de forma integral a Jesus e suas grandes façanhas vindouras. “A vinda de Jesus, a vitória de Jesus, a soberania de Jesus certamente presenciarei” – isso não deveria ser também consolo suficiente para nós na morte?

Werner de Boor. Comentário Esperança I Carta aos Tessalonicenses. Editora Evangélica Esperança.

 

 

SINOPSE III

 

No período do luto, o cristão não deve culpar a Deus, mas, em Cristo, manter viva a esperança.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

A FÉ SOBREVIVE AO SOFRIMENTO

 

“Muitos pensam que, por crerem em Deus, Ele os livra dos problemas. Assim, quando ocorrem as calamidades, questionam a bondade e a justiça divina. Mas a mensagem de Jó é que não desistamos de Deus quando Ele permite que tenhamos experiências ruins. A fé em Deus não garante prosperidade pessoal, e a falta de fé não é sinônimo de problemas nesta vida.

Se assim fosse, as pessoas creriam em Deus apenas para enriquecimento próprio. Deus é capaz de nos resgatar do sofrimento, mas pode também permitir que o sofrimento ocorra por motivos além da nossa compreensão.

A estratégia de Satanás é fazer com que duvidemos de Deus neste exato momento. Aqui Jó mostra uma perspectiva maior que a busca de seu conforto pessoal. Se sempre soubemos os motivos de nossos sofrimentos, nossa fé não terá espaço para crescer” (Bíblia de Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2020, p.703).

 

 

CONCLUSÃO

 

Sem dúvida, a morte é uma experiência muito dolorosa para o ser humano. A de um filho, então, tem uma sobrecarga psicológica imensa. A dimensão da dor da perda de um pai e de uma mãe é incalculável.

Por isso, é importante que levemos em conta esta declaração do salmista: “Ainda que a minha carne e o meu coração desfaleçam, Deus é a fortaleza do meu coração e a minha herança para sempre” (Sl 73.26 – NAA).

No processo do luto, não devemos culpar a Deus, mas manter firme a nossa esperança nEle. O Senhor Jesus venceu a morte e ressuscitou ao terceiro dia. Essa é uma verdade consoladora e, ao mesmo tempo, esperançosa. Portanto, nesse momento, é tempo de confiar em Deus.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Descreva a característica espiritual de Jó, testemunhada pelo próprio Deus. Homem sincero, reto, justo, temente a Deus e, por isso, “se desviava do mal” (Jó 1.8).

 

2- O que a Bíblia mostra a respeito de Jó em relação aos seus filhos?

A Bíblia mostra que o pai apresentava sacrifícios a Deus por seus filhos, e orava por eles todos os dias, ou seja, havia zelo e cuidado do patriarca para o bem-estar espiritual de seus filhos (Jó 1.4,5).

 

3- Que reação de Jó o capítulo 1 mostra?

O capítulo l de Jó mostra a reação do patriarca diante da notícia trágica da morte de seus filhos: Jó rasgou o manto, rapou a cabeça, lançou-se em terra e adorou ao Senhor (Jó 1.20).

 

4- Segundo a lição, o que patriarca Jó nos ensina a respeito da morte inesperada de um ente querido?

O antigo patriarca nos ensina a viver a confiança em Deus mesmo no momento delicado da morte inesperada de um ente querido.

 

5- Qual foi a reação do Senhor Jesus diante da dor da família de Lázaro?

Diante da dor da família de Lázaro, nosso Senhor agitou-se no espírito, comoveu-se e chorou (Jo 11.35 – NAA).

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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