10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

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10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

Texto Áureo

Ou não vê ele os meus caminhos e não conta todos os meus passos” (Jó 31.4)

Verdade Prática

Ao olhar retrospectivamente para o passado, lembre o quanto Deus trabalhou nele.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que Jó, profundamente afetado pelo sofrimento, recorda nostalgicamente do seu passado de glória.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Mostrar que Jó lembra os tempos passados quando era visto e reconhecido socialmente por todos;

Contrastar o estado passado de Jó com o presente, quando se tornara motivo de escárnio;

Elucidar a insistência de Jó na defesa de sua inocência.

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LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 29.1-5 Quando se olha para a glória do passado

Terça – Jó 30.1 Quando se zomba da vergonha do presente

Quarta – Jó 30.2-5 Quando se debilita a força e o vigor

Quinta – Jó 31.1 Quando se faz um concerto ético com Deus

Sexta – Jó 31.2,3 Qual seria a herança do Todo-Poderoso?

Sábado – Jó 31.4,5 Quando Deus sonda os caminhos dos homens

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 29.1-5; 30.1-5; 31.1-5

Jó 29

1- E prosseguiu Jó em sua parábola, disse:

2- Ah! quem me dera ser como eu fui nos meses passados, como nos diasem que Deus me guardava!

3- Quando fazia resplandecer a sua candeia sobre a minha cabeça, e eu coma sua luz caminhava pelas trevas.

4- Como era nos dias da minha mocidade, quando o segredo de Deus estava sobre a minha tenda;

5- Quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus meninos, em redor de mim.

Jó 30

1- Mas agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho.

2- De que também me serviria a força das suas mãos, força de homens cuja velhice esgotou lhe o vigor ?

3- De míngua e fome se debilitaram; e recolhiam-se para os lugares secos, tenebrosos, assolados e desertos.

4- Apanhavam malvas junto aos arbustos, e o seu mantimento eram as raízes dos zimbros.

5- Do meio dos homens eram expulsos, (gritava-se contra eles como contra de um ladrão),

Jó 31

1- Fiz concerto com os meus olhos; como, pois, os fixaria numa virgem?

2- Porque qual seria a parte de Deus vinda de cima, ou que herança do Todo Poderoso desde as alturas?

3- Porventura não é a perdição para o perverso, e o desastre para os que praticam iniquidade?

4- Ou não vê ele os meus caminhos, e não conta todos os meus passos?

5- Se andei em vaidade, e se o meu pé se apressou para o engano.

HINOS SUGERIDOS: 49; 62; 564.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Nesta lição perceberemos que Jó faz uma retrospectiva de sua vida. Ele pôde ver o quanto foi abençoado, embora o momento presente contrariasse todo o seu passado. Infelizmente, o “presente” de Jó teve mais força para embaçar o seu passado. Ele não conseguia recuperar a esperança. E muito importante fazermos esse exercício retrospectivo, mas sem, contudo, perder a esperança.

O que Deus fez em nosso passado deve-nos trazer a esperança para o presente. Tudo isso só é possível uma vez que estamos em Cristo. Do ponto de vista humano é impossível recuperar a esperança diante da tragédia. Todavia, na força do Espírito Santo, podemos recuperá-la.

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INTRODUÇÃO

O capítulo 31 encerra da seguinte forma: “Acabaram-se as palavras de Jó”(Jó 31.40). Trata-se de uma retrospectiva nostálgica do passado Jó (Jó 31.29-31). Por isso, nesta lição, veremos a lembrança de Jó acerca de sua prosperidade material e espiritual, de sua adoração a Deus e das bênçãos que o Todo-Poderoso concedeu à sua casa; mas, agora, em oposição ao momento de escárnio e vergonha que ele passa no presente.

Nesse sentido, Jó não aceita que as coisas terminem assim e, portanto, ele deseja se apresentar diante de Deus para defender a sua causa.

Comentário
PECADOS QUE JÓ NÃO COMETEU

Jó confessou que tinha cometido os pecados comuns da mocidade (13.26), mas negou que fosse culpado dos muitos e graves pecados que os seus amigos o acusaram de ter praticado. Também, para Jó, a ideia de que Yahweh o estava castigando com aqueles imensos sofrimentos por causa de seus “pecados atuais” (ou pelos pecados do passado) era inaceitável. O Jó presente era um homem “inocente” que não merecia as agonias pelas quais ele estava sendo sujeitado. A maioria de seus detratores tinha pouca imaginação, afirmando, sem cansar, que a lei da colheita segundo a semeadura era a causa de suas desgraças. Eliú (cap. 33) era mais hábil e encontrou outras possíveis causas.

CAPÍTULO 31

Os Alegados Pecados de Jó Referências em Jó

1. Jó nunca seduziu uma virgem como a maioria dos jovens faz. Ele nunca deu promessas 31.1 falsas de casamento para facilitar o processo de sedução. Ele fez um pacto com os seus olhos para ficar longe da debocheira.

2. Ele nunca foi uma pessoa desonesta e enganadora. 31.5

3. Ele conduzia sua vida de modo irrepreensível. Sua vida podia ser testada nas balanças de Deus. 31.6

4. Jó praticava o bem, evitando os caminhos perversos. Não foi ganancioso ou violento. 31.7

5. Não cometeu adultero. Nunca empregou meios astuciosos para seduzir uma vizinha. 31.9

6. Não maltratou os seus escravos, homens ou mulheres. Escutava suas queixas e corrigia os 31.13 excessos. Praticava a justiça social.

7. Jó era generoso com as pessoas menos afortunadas. Tratava bem as viúvas e órfãos. 31.16-17

Compartilhava sua comida com eles.

8. Ele nunca foi um opressor dos membros mais fracos da sociedade. Foi, ativamente, generosos Alimentava os pobres. Nunca explorou ninguém. 31.19

9. Jó nunca praticou perseguição contra os mais fracos como os órfãos. Nunca explorou os facilmente explorados. No seu ofício de juiz, sempre administrava justiça e misericórdia. 31.21

10. Nunca foi culpado de crimes de sangue para aumentar seus bens. Não cometeu crime algum. 31.21 -22

11. Não era materialista que confiava no ouro. nem gastava suas energias em busca da riqueza. 31.24

12. Nunca praticou a idolatria, fazendo do sol um objeto de adoração. Embora árabe e não judeu, ficou longe do politeísmo. 31.26-27

13. Nunca se regozijou das calamidades dos outros, nem dos sofrimentos de seus piores inimigos. 31.29

14. Nunca pronunciou maldição contra uma pessoa, esperando sua morte. Rejeitou o poder da maldição tão temida pelos antigos. 31.30

15. Outra classe fraca que Jó não explorou foi a do estrangeiro. De fato, eles também compartilhavam benefícios de sua mesa. 31.31-32

16. Jó não esconde, os seus pecados dos outros. Não era hipócrita. Sua vida era aberta e limpa. 31.33

17. Jó não era culpado de pecados secretos. Ele era o que parecia ser: um homem inocente. 31.37

18. Ele pagou seus débitos pronta e completamente. Não praticou pilhagem dos bens de outros. Nunca confiscou a propriedade de ninguém. 31.39

No capítulo 31 descobrimos as acusações dos detratores de Jó nas suas negações. Seus “amigos” fizeram muitas e sérias acusações, inventando falsos pecados na vida de Jó que, entretanto, os negou, um por um.

Fim das palavras de Jó. Esta declaração assinala o fim dos discursos de reprimenda de Jó, e não meramente o seu discurso final contido neste capitulo 31. Dois amigos de Jó tinham proferido três discursos cada, e o terceiro proferiu somente dois. Fragmentos de um possível terceiro discurso, entretanto, podem ser encontrados nos capítulos que se seguem. Seja como for, Jó respondeu às acusações e apresentou oito, senão, mesmo, nove réplicas.

Esses foram os discursos de Jó, mas nem isso pôs fim às acusações. Os discursos apresentam, da maneira mais veemente, a declaração de sua inocência, pois, de fato, já fomos informados de que ele sofria “sem causa” (Jó 2.3). Por que os homens sofrem e por que sofrem como sofrem?

Cf. esta declaração com a afirmativa de Davi, quando terminava o Sal.

72.20. A notícia do fim dos discursos de Jó não se encontra em certo número de manuscritos antigos da Vulgata e, no texto hebraico, essa declaração aparece separada do corpo principal. Essas palavras podem representar uma nota escriba! posterior.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1988 – 1990.

Na impossibilidade de uma resposta do Todo-poderoso, a quem invocava insistentemente, ele apela para a sua terra, para os seus concidadãos, para que lhe digam se havia cometido qualquer crime, se tinha matado alguém, ou comido sozinho os frutos da terra, ou se os tinha comido sem os pagar devidamente (v. 39). Em caso afirmativo, então, que a sua terra, em lugar de trigo, lhe produzisse cardos, e por cevada, joio (v. 40).

Terminam aqui os discursos de Jó, para dar entrada a outro orador, que até agora se manteve silencioso, ouvindo. Deveria estar bem seguro do que iria dizer, pois tinha as opiniões dos amigos e as de Jó também. Estava com o seu arsenal preparado, para refutá-los. É isso que vamos estudar na próxima seção de nosso Estudo.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

PONTO CENTRAL:

Conforme Deus fez no passado, Ele pode fazer algo novo.

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

I -JÓ RELEMBRA SEU PASSADO DE GLÓRIA

1. Prosperidade material e espiritual (29.1-11).

Jó demonstra um sentimento nostálgico com relação a seu passado. A primeira coisa que se lembrou desse passado glorioso foi a comunhão que ele desfrutou com Deus (Jó 29.2,4). Eram lembranças de um passado que não mais existia. Ele lembra que Deus o protegia (Jó 29.2); suas bênçãos sobre ele e sua família (Jó29.3); sua orientação em meio às dificuldades (Jó 29.3); e a presença real de Deus na vida dele (Jó 29.5). Jó, portanto, havia sido um homem grandemente abençoado por Deus.

Comentário

Ah! quem me dera ser como fui nos meses passados. Os sofrimentos de Jó tinham-se prolongado por vários meses excruciantes, conforme aprendemos neste versículo. Ele olhou para trás, para “antes” de suas prolongadas agonias, e relembrou com prazer como as coisas “costumavam ser”. Houve época em que Deus olhava para Jó, zelando pelo seu bem, abençoando-o e garantindo-lhe um lugar decente na sociedade.

O período de sofrimento, porém, pusera fim à sua felicidade. Jó vivera em termos amigáveis com Deus, mas então, de súbito, Deus se tomara seu adversário e começara a bater nele com um látego divino. Houve tempo em que “tudo estivera bem” com Jó (ver Jó 16.12), e ele não conseguir entender o porquê da mudança. Sem dúvida, não se deveria a algum pecado secreto. Há enigmas no sofrimento, até no caso dos justos. Lá fora há um caos que derruba por terra tanto os bons quanto os maus.

Quando fazia resplandecer a sua lâmpada. A luz de Deus pertencia-lhe, Jó andava naquela luz. Quão bom é caminhar pela vereda iluminada! Algumas vezes, porém, somos solicitados a caminhar pelas trevas, confiando na luz que ainda existe e se manifestará no tempo apropriado. Oh, Senhor, concede-nos tal graça!

Algumas vezes somos guiados passo a passo. Por outra parte, algumas vezes ver a praia distante nos ajuda a dar o passo seguinte. Jó, para sua consternação, havia sofrido blecaute total. Deus retirara dele a Sua luz e cessara de responder às suas orações.

“A lâmpada de Deus estivera sobre ele, como uma lâmpada suspensa no meio de uma tenda (cf. Jó 18.6; Eclesiastes 12.6). O texto indica que Jó estivera sob o favor de Deus, que o guiara através das trevas da dificuldade, mostrando-se amigo e permanecendo com ele. Ele tinha um lar feliz. Seus filhos (agora mortos!) ainda estavam com ele, no passado. Ele era um homem próspero” (Roy B. Zuck, in loc.).

Como fui nos dias do meu vigor. Houve tempo em que Jó era jovem.

Naquela época, Deus o favorecia, a despeito dos seus pecados de juventude (ver Jó 13.26). Mas agora, como adulto, ele não tinha pecados, secretos ou de qualquer tipo, que provocassem o julgamento divino. Deus mostrava-se destituído de misericórdia, ao castigá-lo “sem causa” (Jó 2.3).

Dias do meu vigor. Ou juventude, conforme dizem algumas traduções. O hebraico diz literalmente outono, ou seja, o tempo das frutas maduras, o tempo da abundância e da bênção, o tempo da prosperidade. De repente, Jó foi lançado para dentro de um inverno incansável. Jó esteve carregado de prosperidade, tal como as árvores frutíferas de seu pomar estiveram sobrecarregadas de frutos. No entanto, logo tudo morreu ou estava morrendo.

Quando a amizade de Deus estava sobre a minha tenda. Jó era tão abençoado pela divina providência que se tornara amigo de Deus Jó tinha sido admitido no círculo secreto dos eleitos de Deus. No entanto, agora era um pária, jazendo ali no monturo, a raspar os seus furúnculos.

Quando o Todo-poderoso ainda estava comigo. O Todo-poderoso ainda estava com Jó. Seus filhos, agora mortos, ainda estavam com ele. Com profunda saudade, Jó relembrou aqueles dias abençoados. No entanto, o golpe aplicado por Deus havia destruído tudo e transformado sua vida em um inferno. Tudo quanto era precioso para Jó havia sido cremado pelo fogo divino. Houve ocasião em que o poder de Deus estivera presente para abençoar e dar vida, saúde e riquezas. De súbito, o mesmo poder aniquilou Jó.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1975-1976.

Jó Recorda os Dias da Sua Felicidade (29:1-17)

A saudade dos dias felizes de outrora, quando Deus era o seu guardião (v. 2), é uma coisa tocante; é o ponto culminante de todo este terrível drama. Uma comparação com o seu estado de agora, em que aparentemente Deus era seu rival ou pelo menos estava contra ele, com os dias do passado, quando se considerava vigiado e protegido por seu Deus, forma um contraste doloroso. A última parte do verso 2 pode ser traduzida assim: quando Deus velava por mim. O sentido do termo velar é o da mãe carinhosa, que, enquanto o seu bebê dorme, ela vela por ele para, ao primeiro sinal de despertar, o atender. O hebralco é muito rico nas suas formas de expressão. Jó era velado por Deus, que o considerava personagem importante, como se vê nos versos a seguir. Quando a sua lâmpada continuava sempre acesa sobre a sua cabeça (v. 3).

Os versos 3-6 constituem um relato amoroso dos dias do seu vigor, isto é, quando, mais moço, era admirado e querido, quando a amizade de Deus estava sobre a sua cabeça. Naqueles dias, Deus era seu amigo; depois, por motivos que ele ignora, Deus se tornou seu adversário, como confessa no capítulo 31:35. Quando o Todo-poderoso ainda estava comigo e os meus filhos ao redor de mim (v. 5).

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

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2. Reconhecimento social (29.14-25).

Jó também se lembra de sua antiga condição social, quando exercia a função de um respeitado juiz de sua cidade (Jó 29.7). Tanto os jovens como os velhos o procuravam para serem orientados (29.8). Talvez isso explique a linguagem jurídica que aparece com frequência nos diálogos do livro. Isso demonstra que ele exercia um importante papel social na sua comunidade. Ele ajudava o desvalido, dava orientação de forma sábia e agia com justiça (Jó 29.14-20,21-25). Na sua busca pela justiça social, Jó protegia os pobres e punia os opressores (Jó29.17). Seu amor e defesa pela justiça eram-lhe como uma vestimenta e adorno (Jó 29.14).

Ele dava apoio social aos menos favorecidos e era como se fosse os “olhos” do cego. Até mesmo com os estrangeiros ele se preocupava (Jó 29.15,16). Tendo agido com justiça e equidade, nada mais natural que esperasse que seus dias terminassem em paz ao lado de sua esposa e filhos (Jó 29.18). O contrário disso não estava em sua agenda: terminar a vida sem saúde, sem honra e sem paz com Deus.

Comentário

Eu me cobria de justiça. Jó usava a justiça como se fosse uma veste, tão intimamente a ela estava ligado. Seu julgamento era como uma veste esplendorosa e imaculada e, também, como uma coroa. Mas quando ele foi derrubado por terra, seus amigos recusaram-se a ajudá-lo. Isso nos mostra quão pequenos eram aqueles homens.

Eu me fazia de olhos para o cego. Aquilo que faltava aos homens, Jó provia. Um homem “sem pés” é alguém verdadeiramente fraco. É um aleijado, instável em todos os seus caminhos. É do tipo de homem que a sociedade costuma pisar. Jó, pois, ajudava esse tipo de pessoa. Além disso, atuava como se fosse olhos para os cegos. Talvez devamos entender, literalmente, que Jó servia a esse tipo de gente, mas a aplicação metafórica também não deve ser negligenciada.

Aleijados moral, espiritual, econômica e socialmente — essas eram as pessoas que recebiam ajuda de Jó. Por conseguinte, longe de ter sido um opressor dos menos privilegiados, ele era o melhor e mais conhecido benfeitor da cidade. Visão e capacidade são as palavras-chave para a grandeza de uma pessoa. Jó possuía essas duas coisas e, por isso, vivia para aqueles a quem faltava alguma qualidade espiritual. Naturalmente, a maior palavra-chave de todas é amor. Jó, embora grande e poderoso, não se esquecia de amar os outros, cuidando do bem-estar deles, mostrando-se altruísta e até sacrificando-se por eles. No entanto, quando caiu por terra, a terrível tríade o espezinhou.

Dos necessitados era pai. Jó continuou, neste versículo, a descrever como beneficiava, geralmente, a sociedade. Existem os órfãos, uma classe que dá pena.

Em nosso Brasil, milhares de crianças sem lar e sem pais vagabundeiam pelas ruas das grandes cidades. Que temos feito em favor delas? Jó, contrastando com almas menores, saía de seu caminho para encontrar esses necessitadas e ajudá-los.

Embora muitas igrejas evangélicas se gabem de ser as únicas a pregar o evangelho, o que fazem pelos enfermos e necessitados? Essas igrejas são notoriamente fracas quanto a boas obras, ao mesmo tempo que falam orgulhosamente de seus dogmas. Outrossim, a Igreja Católica Romana envergonha as igrejas evangélicas na questão das obras de caridade. Jó chegava ao extremo de procurar pessoas necessitadas.

Ele não esperava que elas chegassem às suas portas.

Até as causas dos desconhecidos eu examinava. Quando os pobres chegavam e apresentavam uma queixa contra algum opressor, Jó examinava o caso e cuidava para que a justiça fosse feita. Jó opunha-se às injustiças sociais e usava sua sabedoria e poder para diminuí-las, até mesmo em favor de desconhecidos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1977.

Os versos 14-17 dão outra f aceta a respeito da vida de Jó antes da sua desgraça. Era o juiz intemerato, íntegro e reto, pois vestia-se de justiça, e esta era a sua veste (v. 14) ; quer dizer, era um homem íntegro, de dia e de noite, como se a justiça fosse ele ou nele morasse. Muitas injustiças então se praticavam contra os pobres, os órfãos e as viúvas, mas Jó era o seu juiz. A sua eqüidade era o seu turbante, e a sua veste, toda ela era justiça e eqüidade. Era o pai dos necessitados, e até causas que não conhecia defendia, depois de as examinar (v. 15). Era olhos para o cego e pés para o desamparado.

Os queixos dos opressores quebrava e dos seus dentes fazia que a presa caísse, como se fosse um leão carregando o cordeiro do rebanho, e, atacado pelos pastores, deixasse cair a presa. Esta é a figura admirável (v. 17). É um inigualável retrato de homem a serviço do povo, especialmente dos oprimidos e dos órfãos e viúvas.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

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3. Uma ponderação importante.

Não há dúvida de que Jó, conforme a Bíblia mostra, era um modelo de justiça social. Todavia, devemos ter o cuidado de não transportar para dentro do texto bíblico nenhuma teoria moderna de justiça social firmada em valores materialistas contrários aos defendidos nas Escrituras. De fato ele era um homem que defendia a justiça social, mas nem de longe se pode classificá-lo como um socialista nos termos modernos. Isso seria forçar o texto, ir além do que está escrito e sobrepor o pensamento político na Bíblia.

Comentário

Eu quebrava os queixos do iníquo. Esmagando os Esmagadores. Os opressores ímpios da sociedade são agora retratados como animais ferozes que apanham suas presas e as fazem em pedaços com seus dentes. Jó saía a caçar essas feras humanas, arrancando as vitimas de seus dentes, derrotando os desígnios e a violência dos opressores. Cf. este texto com I Sam. 17.34-37.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1977.

Ele se valorizava pela repreensão que fazia à violência dos homens orgulhosos e ímpios (v. 17); “Quebrava os queixais do perverso”. Ele não diz que lhes quebrava os pescoços. Não lhes tirava a vida, mas quebrava seus queixais, tirava a sua capacidade de fazer o mal; ele os humilhava, mortificava, e reprimia a sua insolência, desta maneira tirando as presas de seus dentes, livrando as pessoas e os bens dos homens honestos que eram suas presas.

Quando já tinham o espólio entre seus dentes e o estavam vorazmente engolindo, ele o resgatava corajosamente, como Davi resgatou o cordeiro da boca do leão, sem temer, ainda que eles rugissem e atacassem como um leão privado de sua presa. Os bons magistrados devem ser um terror e uma restrição aos malfeitores, e uma proteção ao inocente, e, para fazer isto, precisam se armar com zelo, e resolução, e uma coragem destemida. Um juiz no tribunal tem tanta necessidade de ser corajoso e valente como um comandante no campo de batalha.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 141-142.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Jó relembra seu passado de prosperidade material e espiritual, bem como asua atuação social.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Para introduzir este primeiro tópico, fale um pouco acerca das parcerias nos momentos de sucesso e da solidão nos momentos difíceis. É bem provável que você tenha na classe alunos que já experimentaram essa realidade. Quando tinham posses viviam cercados de “amigos”, mas quando perderam tudo os tais “amigos” simplesmente desapareceram.

Embora Jó tenha usado esse exemplo para demarcar bem aos seus amigos o tamanho de sua tragédia, podemos usar esse mesmo exemplo para constatar uma mesma realidade: vivemos numa sociedade que valoriza mais o “ter” que o “ser”. Por isso, como igreja de Cristo, devemos acolher entre nós as pessoas que precisam de comunhão e serviço.

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II – JÓ LAMENTA SEU ESTADO PRESENTE

1. Desprezo por parte dos jovens e das classes menos favorecidas (30.1,23).

Após lembrar com tristeza da sua antiga condição social próspera, Jó lamenta o ponto que havia chegado sua miséria. No Antigo Oriente, os mais velhos eram objetos de grande estima (Pv 20.29). Por isso, quando gozava de sua prosperidade, ele era respeitado não apenas pelos mais velhos, mas também pelos mais jovens.

Entretanto, Jó lembra que “agora se riem de mim os de menos idade do que eu, e cujos pais eu teria desdenhado de pôr com os cães do meu rebanho”(Jó 30.1). De homem respeitado, ele passou a ser visto como uma escória social (16 30.1-8). Jó, portanto, lamentava estar no fundo do poço.

Comentário

Mas agora se riem de mim. Houve tempo em que os jovens fugiam da presença de Jó. Eles temiam ficar perto do homem augusto, Jó. Ver Jó 29.8. Agora, em sua arrogância, na presença do homem enfermo e caído, eles se punham de pé e proferiam piadas. Escarneciam dele, zombavam de seus sofrimentos e chamavam-no de verme.

Aqueles jovens patifes eram de classe tão desprezível que, anteriormente, Jó nem teria chamado seus pais para acompanhar cães aos seus rebanhos, para fazer o mesmo tipo de serviço que faziam seus cachorros, ou para dirigir o trabalho dos animais. Em outras palavras, os pais deles nem eram tão bons quanto cães, e Jó jamais teria permitido que trabalhassem para ele em suas terras.

Mas, agora, seus filhos adolescentes, aqueles insensatos, tinham coragem de zombar do nobre Jó. Os pais daqueles jovens idiotas eram tão inferiores a Jó que ele jamais os chamaria para fazer o trabalho de agricultores seus. Mas agora seus jovens filhos tomaram-se atormentadores de Jó.

Um jovem zombar de um idoso era uma descortesia impensada no antigo Oriente Próximo e Médio. E isso nos mostra a que estado aviltante as coisas se tinham desintegrado para Jó.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1978.

Jó agora é um homem desprezível e desprezado, em comparação com o que era outrora, admirado e querido. Mas agora se riem de mim os de menor idade (30:1). Até os meninos zombavam dele e dele escarneciam, bem assim os filhos daqueles que ele teria ajudado a viver. Meninos, cujos pais Jó teria desdenhado de pôr ao lado dos cães do seu rebanho (v. 1).

Gente desprezível e sem condições morais teria sido favorecida quando Jó estava na opulência, mas agora eram os que escarneciam dele. É uma forte e horrível reprimenda; era gente que nem era igual aos cães de Jó. A melhor versão do verso primeiro seria esta: “Meninos a cujos pais eu não teria confiado a tarefa dum cão do meu rebanho.” Gente desclassificada.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

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2. Abatimento físico e emocional (30.16-31).

O patriarca se sente um homem abandonado por Deus, por isso, essa lembrança o lança numa profunda tristeza e produz em sua vida um grande sofrimento que, além de físico, era também de natureza emocional. Como o salmista, Jó lamenta suas dores (Sl 42.4). Nas suas vestes, ele via uma prova real de seu sofrimento (Jó 30.18). Nesse sentido, no versículo 18 aparece a palavra “desfigurou”. Alguns intérpretes acreditam que a palavra melhor traduzida é “manchada”.

Ou seja, as feridas abertas de Jó havia manchado suas vestes. Ele imagina que Deus está por trás de todo esse sofrimento (Jó 30.19) e que, mesmo depois de clamar, o Altíssimo lhe ignora. O homem de Uz sente-se caçado como um animal selvagem e atormentado por um furacão (Jó 3.21,22).

Comentário

A noite segurava violentamente as vestes de Jó e o desfigurava. Alguns intérpretes, entretanto, veem Deus neste versículo. Deus surge em cena como um assaltante, com Seu grande poder (cf. Jó 9.4; 10.16; 12.13; 24.22; 26.12,14 e 27.11). Talvez agora a noite se tenha transmutado em Deus, em uma metáfora expandida. Deus torturava Jó em seu leito, à noite. Mais difícil de explicar é a referência, aqui, às vestes de Jó. Provavelmente, Jó falava sobre seu corpo como se fossem vestes. Esse corpo, desfigurado pelo pus e pelos ferimentos, tornou-se uma veste apertada que ameaçava sufocá-lo.

Antigamente, Jó tinha uma veste decente, mas agora esse corpo era nojento e pútrido, uma “confusão’ que o prendia. Talvez a pele de Jó esteja particularmente em vista aqui. Alguns supõem que, metaforicamente, o poeta estivesse falando das aflições como uma muda de roupa que Jó era forçado a vestir. As vestes emprestam honras aos homens. As pessoas usam vestes especiais para ocasiões especiais. Os reis vestem-se com trajes majestosos. Mas tudo quanto Jó tinha obtido era a veste de desgraça e dor.

Deus, tu me lançaste na lama. Deus é agora o sujeito, sem nenhuma metáfora suavizadora. O poder divino tinha transformado Jó no que ele era agora.

Para os hebreus antigos só havia uma Causa. A teologia deles era fraca quanto a causas secundárias, assim a Única Causa era também a causa do mal, e não somente do bem. Jó, pois, fora lançado na lama. Ele ficara sujo e coberto de cinzas, assentado sobre um monturo. “Há um sentido no qual, para Jó, Deus se tornara satânico. Deus era o adversário por excelência, a Justiça retributiva que enchia Jó de terror (vs. 15; cf. Jó 21.6). Devemos lembrar, entretanto, que o Deus a quem Jó acusava era o Deus da antiga fé dos hebreus, e que uma nova fé ainda teria de nascer” (Paul Scherer, in loc.)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1980-1981.

A Miséria de Jó Vem da Sua Natureza (vv. 15-18)

Jó não eram só os seus caçoadores que o oprimiam. Os pavores, falados noutros passos, voltam a ser o seu tormento, e como por uma ventania é varrida a sua honra, pois estava desmoralizado perante os que o haviam conhecido e agora o viam naquela condição. A sua felicidade passou como uma nuvem (V. 15). Era um homem desamparado e torturado.

A sua alma como que se derramava dentro dele, os dias da aflição dele se apoderaram. A noite verruma os ossos e os desloca e não descansa o mal que me rói (v. 17). Os efeitos da doença eram piores de noite, como são todos os sofrimentos; e, como não dormia, sentia-se num vazio, com a alma derramada. Pela grande violência do seu mal, estava desfigurada a sua veste.

Parece que a tradução deveria ser: Pela minha doença, a minha veste ficou muito larga, o meu corpo está muito magro para ela. Há diversas interpretações para este verso. Uns pretendem interpretar o intumescimento do corpo por causa dos tumores, de modo que a túnica se apresentava como a gola do vestido. É difícil entender o que significa a frase “está desfigurada a minha veste”. Também não nos parece muito útil entrarmos na apreciação das diversas interpretações de um determinado verso, pois o que interessa a este Estudo é a parte normal e comum.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

3. Deus teria abandonado Jó?

O sofrimento emocional de Jó refletia a sua crença de que havia sido abandonado por Deus (J6 30.16-23). Todavia, era também um reflexo de ter sido abandonado pelos homens (30.24-31). Junto a isso, ele observou que o seu clamor foi totalmente desconsiderado. Doía saber que havia ajudado muitas pessoas carentes e necessitadas de socorro (J6 30.25), mas agora o seu clamor por socorro ser totalmente ignorado.

Em vez de ajudado, ele era repelido como uma escória social (Jó 30.26). Quantas pessoas não passam por esse sentimento? Quantas vezes um sentimento de injustiça não assola-nos à alma? Cheguemo-nos diante de Deus e entreguemos tudo em seu altar.

Comentário

Acaso não chorei…? Jó ouviu os clamores de pessoas desesperadas, em contraste com Deus (vs. 24), que lhe voltou um ouvido surdo. Sua alma se entristecia por aqueles que sofriam perda e dor. Ele tinha simpatia pelos pobres, mas Deus não tinha piedade pelo pobre Jó. “No passado, ele tinha ouvido os clamores de homens e mulheres angustiados (cf. Jó 29.11-17).

Mas para ele nada havia, exceto o mal e as trevas (vs. 26)” (Samuel Terrien, in loc). Ver uma lista das boas obras de Jó em favor dos necessitados, em Jó 31.1-20. Jó amava e agia. Mas Deus se mantinha indiferente e parecia não notar o sofrimento humano.

Aguardava eu o bem, e eis que me veio o mal. Deus não somente se mostrava indiferente. Ele também agia, mas para trazer maior dor a Jó, em violento contraste com a maneira com que Jó tratava seus semelhantes. Quando Jó esperava algum alívio durante a noite e continuava choramingando perante Deus, para fazer alguma coisa por ele e diminuir suas dores, mais dores lhe chegavam.

Ele esperava o raiar de um novo dia, mas era esmagado na longa noite de seu desespero.

“Jó compartilhou de sua última refeição com um esmoler. Fez isso pela mesma razão por que fizera tudo mais — por ser a coisa correta a fazer” (Daman, in loc). Mas o Deus Todo-poderoso parecia esquecido da “melhor coisa a fazer” por Jó.

A luz. Ou seja, alguma espécie de mudança de situação que clareasse a noite caracterizada pelo sofrimento; alívio da dor; cura da enfermidade; a volta do bem-estar e da prosperidade…. as trevas da adversidade, ainda mais espessas e escuras, continuamente, e sem nenhum aparecimento de luz espiritual e favor, ou qualquer descoberta do amor de Deus, ou aprazimento de Sua presença. Cf. Jer. 8.15 e Isa. 59.9.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1981-1982.

Tudo o oprime: a zombaria dos que tinham o dever de respeitar, o seu próprio estado miserável, magro, encarquilhado, como afirma noutro lugar, e agora a certeza de que a sua malvinha de cima.

Deus, tu me lançaste na lama (v. 19), exclama o pobre Jó. E nesta situação se tornou como o pó e a cinza. Enquanto as calamidades provinham do seu meio, era possível encontrar algum conforto, pois dos homens pouco poderia esperar; agora, porém, o seu mal não encontrava solução aqui no pá, pois era Deus quem o havia lançado por terra; portanto, quem poderia mudar a situação? Clamava, mas não obtinha resposta, como se os e 1-1-9 se tivessem trancado para ele, que noutros tempos era até vigiado por Deus, como uma pessoa da sua intimidade.

Então continua o seu clamor e agora a sua queixa de Deus é que foi cruel para com ele, e com a força da tua mão tu me combates (v. 21). Quem poderia resistir contra tal tempestade? Levantas-me sobre o vento e me fazes cavalgá-lo; dissolves-me no estrondo da tempestade (v. 22). Para Jó, a sua situação era comparada à de um homem colhido por um tufão, um redemoinho, ou, como diz no verso seguinte, está certo de que será levado à morte, pois com Deus ninguém pode lutar, e sair vencedor.

Como um náufrago, prestes a perecer sob as ondas bravias de um mar encapelado, assim está o nosso Jó. Ninguém lhe estendia uma corda, porque todos que poderiam ajudá-lo e deviam fazê-lo se haviam bandeado para o grupo dos zombadores. Deus estava contra ele; então, que esperar? Nada, senão a morte; e é isso que ele antevê.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

SÍNTESE DO TÓPICO II

O estado presente de Jó é marcado pelo desprezo dos jovens, das classes necessitadas e pelo abatimento físico-emocional.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Este capítulo [30] contrasta com o capítulo 29. No lugar em que Jó desfrutava do respeito e honra dos anciãos da cidade e das pessoas importantes, ele agora é desprezado pelas pessoas mais vis da sociedade. Mas agora (1) introduz a mudança de como era o passado para o que é no presente. O capítulo 29 terminou com Jó lembrando de como em épocas passadas ele era semelhante a um rei entre os homens.

Agora, mesmo homens mais jovens, cujos pais Jó não consideraria aptos para serem os cães do seu rebanho, o menosprezam. Essa classe de homens era tão miserável que eram magros devido à fome (3).

O único alimento que eles podiam obter era a produção escassa das áreas desertas. Eles eram forçados a comer as folhas das malvas (4), um arbusto raquítico que cresce nos brejos salgados da Palestina, e raízes de zimbros, semelhantes a arbustos do deserto (giesta) em vez da árvore de zimbro. Esses infelizes eram expulsos (5) da sociedade como se fossem ladrões e eram, portanto, forçados a viver nas cavernas e entre as rochas (6).

Bramavam entre os arbustos (7), vivendo como o asno e comendo a comida de asnos silvestres. Assim, eles eram filhos de doidos (8), literalmente, ‘filhos de desprezíveis’. Como filhos de gente sem nome, eles eram expulsos da terra (‘da terra são escorraçados, ARA). Mas agora (9) Jó é alvo do seu escárnio! Ele é como um provérbio para eles. A repugnância deles é tão grande que cospem no seu rosto (10). Porque Deus oprimiu (11) Jó, eles são incontidos em sua hostilidade contra ele.

Moços o empurram (12) para o lado e obstruem o seu caminho (13) e, dessa forma, promovem a sua miséria. A ação desses párias não é acidental. Ela vem contra Jó como por uma grande brecha (14). Eles o apavoram com seus abusos persistentes até que sua honra dignidade) evapora como uma nuvem-(15)” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; wol, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.77).

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

III – O FUTURO EM ABERTO DE JÓ

1. Jó em defesa de sua ética sexual (31.1-4).

Seus amigos silenciaram, Jó sabe que nada está resolvido, o futuro ainda está em aberto e se mostra incerto. Haverá alguma resposta? Ao querer mostrar a sua inocência, Jó ainda sente a necessidade de se defender. A primeira defesa dele é em relação ao comportamento ético-sexual, dizendo que sempre se comportou com integridade em todas as esferas da sua vida.

Nos versículos 1- 4 do capítulo 31, ele mostra, por exemplo, que jamais permitiu desvios de seu comportamento sexual, fazendo uma aliança com os próprios olhos para evitar a luxúria e a impureza quando olhasse para uma donzela. Segundo o ensino do Novo Testamento, somos estimulados também a fazer um concerto com os próprios olhos (Mt 5.27-30).

Comentário

Fiz aliança com meus olhos. A Declaração de Jó Envergonha os Homens.

Jó, aquele homem reto, fez um pacto com seus olhos. Os olhos dos varões são notórios instrumentos de concupiscência. Mas Jó, diferentemente do restante dos homens, fez um acordo com seus olhos de que não cobiçaria relações sexuais com uma virgem! Essa virgem passaria a um casamento honroso com algum homem, tendo sua família sem a mácula do pecado a sujar seu passado. Não contemples uma virgem.

(Eclesiástico 9.5)

Em outras palavras, não imites o homem maligno, que vive seduzindo virgens como se isso fosse algum grande jogo de conquista. Antes, permita que cada jovem chegue a seu casamento virgem. Cf. Mat. 5.28, que nos confere o comentário do Senhor Jesus: “Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela”.

Ver no Dicionário o verbete chamado Adultério e Fornicação. Jó acreditava que as atitudes e os atos pecaminosos naturalmente estabelecem o palco para a retribuição divina (vss. 2 ss.). Deus vigia o que os homens fazem (vs. 4). Nenhum ato pode passar sem o devido julgamento. “Jó não olhava para a beleza feminina com concupiscência, porquanto Deus estava olhando para ele, vendo tudo quanto fazia (cf. Jó 7.19,20; 10.24; 13.27)” (Roy B. Zuck, in loc.).

Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te deixes prender com as suas olhadelas.

(Provérbios 6.25)

Assim começaram as declarações de inocência de Jó, naquele ponto onde os homens revelam maior fraqueza.

“O poeta representa o olho, como a janela pela qual a beleza de uma mulher passa mais rapidamente do que uma flecha ao coração dos homens, e ali deixa impressões” (John Gill, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1982-1983.

Jó Permanece Puro no Meio da Impureza (vv. 13-19)

Não há declaração mais enfática a respeito da pureza do que a encontrada no verso 1. Os seus olhos jamais pousaram em uma donzela, por amor do Deus lá de cima (vv. 1,2). Quando Jesus declarou que o que atenta para uma mulher, desejando-a, Jó adulterou com ela, parece até que estava com os olhos fitos nesta paszagem (Mat. 5:27-32). O pecado da sensualidade é um dos mais terríveis flagelos do gênero humano não regenerado, e, por exceção, de alguns regenerados também. Jó afirma que jamais fixou os olhos em um donzela.

Quantos podem dizer isso? Ele o disse por temer a Deus, que vigia os passos do homem cá embaixo e vai pedir-lhe contas do modo como se conduziu perante a sociedade. A filha alheia é nossa irmã; e, se não suportaríamos o ultraje feito à nossa irmã, como o faríamos à irmã de outrem? A regra áurea deve ser aplicada aqui também. “Não farás a outrem o que não queres que te façam a ti.” O adultério aparece-nos aqui como um terrível pecado, mesmo antes que houvesse a lei que diz: NÃO COBIÇARAS A MULHER DO TEU PROXIMO (Éx. 20:14,17).

Não estamos certos de quando foi escrito este notável livro, mas sabemos que o pecado do adultério era punido com a morte em algumas civilizações antigas, como o Egito. Sara, a mulher de Abraão, só foi levada para o palácio porque não sabiam que era casada. Se fosse, só matando primeiro o marido, para então se apossarem da mulher (Gên. 20:9-12). Tais práticas são a perdição para o iníquo e o infortúnio para os que praticam tais maldades (vv. 3,4).

Verificou-se em Jó o que havia sido dito em 28:28: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.” A pureza de caráter é a coisa mais deleitável da vida, quando alguém pode ficar descansado no tocante à conduta do seu amigo ou do Beu próximo, pois tais ofensas são cometidas contra Deus, em primeiro lugar, e depois contra o próximo. É um roubo da honra alheia, o que é bem pior que o de valores. As riquezas se recuperam com o tempo; a honra, uma vez perdida, é para sempre.

Jó reconhece que Deus via os seus caminhos e contava todos os seus passos. Se o seu pé se apressou para o engano, e se os seus passos se desviaram do caminho, que Deus o pesasse em balanças fiéis. A seguir, Jó faz declarações muito graves quanto à sua, família e sua fazenda, afirmações gravíssimas encontradas em qualquer literatura.

A sua pureza não terminou na conduta sexual. Foi mais adiante: 1) Se as mãos se apegaram a qualquer coisa indigna, então que ele semeie e outro colha, e os renovos do seu campo sejam arrancados; 2) se o seu coração se deixou seduzir por qualquer mulher, e se andou espreitando a porta do seu vizinho, então que sua mulher moesse para outro homem, e outros se encurvassem sobre ela, pois seria um crime hediondo, delito cabível a julgamento dos juízes.

Repetimos que em toda a literatura humana não há juízo igual, que um homem jogue sobre si mesmo; igualmente não há qualquer coisa parecida quanto à pureza sexual de um homem, numa sociedade antiga ou moderna. Somos gratos a Deus por um livro como o de Jó. Fica certo e verificado que Salomão nunca poderia ter escrito este livro, nem Davi mesmo, e não conhecemos outro que fosse capaz de escrever palavras tão severas sobre a conduta humana. Seja qual for a época, e quem quer que tenha sido o seu autor, temos de colocar o pensamento num homem e numa época em que os valores morais tinham validade.

A expressão moa a minha mulher para outro (v. 10) é típica da sociedade antiga. A moagem do grão era feita pelas escravas, nas casas de família, pois não havia o que se conhece modernamente da semeadura, colheita e distribuição do trigo. O grão era moído em casa, através de mó rodante em cima de outra, fixa, movimentada por meios manuais. Jesus fez referência a esta moedura quando disse que duas estarão moendo, uma será levada e a outra deixada (Mat. 24:41; conf. Px. 11:5).

É um pecado que queima como fogo e vai até a destruição da saúde, do lar e da sociedade (v. 12; veja Prov. 6:27,28). Jó está pronto a ser pesado pelas balanças celestiais, e, se for julgado falso, dispõe-se a perder tudo que tem, em compensação dos que foram ofendidos, sendo arrancado até a raiz tudo que o seu campo produzir (v. 8). 2 uma declaração mui solene e que serve para muita gente, até em nossas igrejas, infelizmente.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

A Concupiscência. Jó lança-se ao juramento sem preliminares.

O olho como o primeiro instrumento do pecado é mencionado mais de uma vez. Jó começa, não com a forma normal da confissão negativa, mas, sim, com uma declaração dos fatos. Tinha feito uma aliança. Se Jó parece demasiadamente escrupuloso ao evitar até mesmo a ocasião da possível tentação, é porque é muito sensível quanto àquilo que está em jogo.

A tradução como no v. 1b, embora seja literal, não parece encaixar-se.

Visto que o significado da linguagem que se segue é esclarecido por Eclesiástico 9:5, Dhorme prefere entender mãh como um negativo. Talvez tenha razão. Assim traduz a NEB. Jó é cauteloso, porque a pergunta que habitualmente fazia acerca de toda ação era: “O que Deus pensará?” Posto que Deus observa os meus caminhos, tudo quanto importa é a porção e a herança que a pessoa tem com Ele. A idéia de galardão, ou mesmo de castigo futuro, está presente. A lição principal é a certeza da retribuição divina sobre o malfeitor (3).

A firmeza das convicções de Jó sobre esta questão deve ser notada. A justiça de Deus é sua crença principal, e é mais uma resposta aos estudiosos que removeram declarações semelhantes dos discursos anteriores de Jó, como sendo uma concessão ao ponto de vista dos amigos, feita pelos escribas, que Jó não teria dado.

Seguindo a pressuposição de que todos os pecados sexuais devam ser tratados no mesmo trecho, o v. 1 tem sido mudado de lugar ou a referência dos olhares lascivos tem sido alterada mudando-se donzela para “estultícia” ou outras palavras semelhantes.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 239-240.

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

2. Jó em defesa de sua ética social (31.16-23).

Jó também faz uma defesa de sua ética social. Ele já havia mostrado que a justiça social marcou sua forma de agir. Todavia, ele lembra que isso só foi possível porque procurou conduzir-se sempre por princípios de uma ética social. Por exemplo, ele sempre tratou o órfão e a viúva com humanidade; os escravos, mesmo sendo sua propriedade, tinham liberdade para o procurarem e apresentarem-lhe suas queixas.

O seu comportamento ético-social o habilitou a agir como tribuno dos desvalidos (Jó 31.13-23). Lembremo-nos da verdadeira religião, como bem Tiago afirmou: “Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo” (1.27). Eis um dos fundamentos de nossa ética social.

Comentário

Se a alguém vi perecer por falta de roupa. Jó supria aos pobres o vestuário e a proteção necessários. Ele era um modelo de comportamento social. Algumas pessoas assim beneficiadas não expressavam nenhuma gratidão a ele (vs. 20), mas isso não o impedia de continuar suas doações. Ele dava aos necessitados, e não necessariamente aos agradecidos.

“Jó vestia os despidos não com vestes esplendorosas, mas com um vestuário decente e útil, não com a lã das ovelhas de nossos animais, mas com a lã produzida por seus próprios rebanhos” (John Gili, in loc.).

Se eu levantei a mão contra o órfão, por me ver apoiado pelos juízes.

Justiça no Tribunal. Jó era um homem de poder, um conselheiro e, provavelmente, um juiz. Ele pode ter influenciado casos, de qualquer maneira que assim tenha querido fazer. Ele não arrebatava a propriedade da viúva, por um testemunho manipulado ou falso. Nem permitia que outros perpetrassem a injustiça no tribunal. Na porta, o lugar onde se julgavam os casos, ele estava presente para garantir a justiça e a bondade. Ele tomava a peito a causa do necessitado que não tinha dinheiro para comprar os juízes e conseguir falsas testemunhas.

Jó era o campeão das classes menos privilegiadas. Era um benfeitor social, a força dos fracos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1985-1986.

Jó Permanece Puro no Meio da Impureza (vv. 13-19)

Não há declaração mais enfática a respeito da pureza do que a encontrada no verso 1. Os seus olhos jamais pousaram em uma donzela, por amor do Deus lá de cima (vv. 1,2). Quando Jesus declarou que o que atenta para uma mulher, desejando-a, Jó adulterou com ela, parece até que estava com os olhos fitos nesta paszagem (Mat. 5:27-32). O pecado da sensualidade é um dos mais terríveis flagelos do gênero humano não regenerado, e, por exceção, de alguns regenerados também. Jó afirma que jamais fixou os olhos em um donzela. Quantos podem dizer isso?

Ele o disse por temer a Deus, que vigia os passos do homem cá embaixo e vai pedir-lhe contas do modo como se conduziu perante a sociedade. A filha alheia é nossa irmã; e, se não suportaríamos o ultraje feito à nossa irmã, como o faríamos à irmã de outrem? A regra áurea deve ser aplicada aqui também. “Não farás a outrem o que não queres que te façam a ti.” O adultério aparece-nos aqui como um terrível pecado, mesmo antes que houvesse a lei que diz: NÃO COBIÇARAS A MULHER DO TEU PROXIMO (Éx. 20:14,17).

Não estamos certos de quando foi escrito este notável livro, mas sabemos que o pecado do adultério era punido com a morte em algumas civilizações antigas, como o Egito. Sara, a mulher de Abraão, só foi levada para o palácio porque não sabiam que era casada. Se fosse, só matando primeiro o marido, para então se apossarem da mulher (Gên. 20:9-12). Tais práticas são a perdição para o iníquo e o infortúnio para os que praticam tais maldades (vv. 3,4).

Verificou-se em Jó o que havia sido dito em 28:28: “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria.” A pureza de caráter é a coisa mais deleitável da vida, quando alguém pode ficar descansado no tocante à conduta do seu amigo ou do Beu próximo, pois tais ofensas são cometidas contra Deus, em primeiro lugar, e depois contra o próximo. É um roubo da hora alheia, o que é bem pior que o de valores. As riquezas se recuperam com o tempo; a honra, uma vez perdida, é parasempre.

Jó reconhece que Deus via os seus caminhos e contava todos os seus passos. Se o seu pé se apressou para o engano, e se os seus passos se desviaram do caminho, que Deus o pesasse em balanças fiéis. A seguir, Jó faz declarações muito graves quanto à sua, família e sua f azenda, afirmações gravíssimas encontradas em qualquer literatura.

A sua pureza não terminou na conduta sexual. Foi mais adiante: 1) Se as mãos se apegaram a qualquer coisa indigna, então que ele semeie e outro colha, e os renovos do seu campo sejam arrancados; 2) se o seu coração se deixou seduzir por qualquer mulher, e se andou espreitando a porta do seu vizinho, então que sua mulher moesse para outro homem, e outros se encurvassem sobre ela, pois seria um crime hediondo, delito cabível a julgamento dos juizes. Repetimos que em toda a literatura humana não há juizo igual, que um homem jogue sobre si

mesmo; igualmente não há qualquer coisa parecida quanto à pureza sexual de um homem, numa sociedade antiga ou moderna. Somos gratos a Deus por um livro como o de Jó. Fica certo e verificado que Salomão nunca poderia ter escrito este livro, nem Davi mesmo, e não conhecemos outro que fosse capaz de escrever palavras tão severas sobre a conduta humana. Seja qual for a época, e quem quer que tenha sido o seu autor, temos de colocar o pensamento num homem e numa época em que os valores morais tinham validade.

A expressão moa a minha mulher para outro (v. 10) é típica da sociedade antiga. A moagem do grão era feita pelas escravas, nas casas de família, pois não havia o que se conhece modernamente da semeadura, colheita e distribuição do trigo. O grão era moído em casa, através de mó rodante em cima de outra, fixa, movimentada por meios manuais. Jesus fez referência a esta moedura quando disse que duas estarão moendo, uma será levada e a outra deixada (Mat. 24:41; conf. Px. 11:5).

É um pecado que queima como fogo e vai até a destruição da saúde, do lar e da sociedade (v. 12; veja Prov. 6:27,28). Jó está pronto a ser pesado pelas balanças celestiais, e, se for julgado falso, dispõe-se a perder tudo que tem, em compensação dos que foram ofendidos, sendo arrancado até a raiz tudo que o seu campo produzir (v. 8). 2 uma declaração mui solene e que serve para muita gente, até em nossas igrejas, infelizmente.

Jó Não Se Contaminou com a Usura (vv. 20-23)

Era homem rico e fazendeiro, e, como tal, possuía servos e servas, que tinham direitos de seres humanos, mereciam salários e tratamento como tais, pois foram gerados em ventres, como o que o gerou (v. 15). Havia um Deus no céu que era testemunha dos seus atos e de sua conduta, e era perante este Deus que ele sempre se encontrava. No dia que os criados reclamassem seus direitos perante Deus, que diria ele? (v. 14). Nos tempos modernos, há leis que protegem os trabalhadores, concedendo-lhes férias e salários condignos; e quando alguém infringe estas leis, há tribunais para corrigir estas infrações. Havia tais coisas antigamente? Não, não havia, mas existia um homem que se antecipou por milênios a estas conquistas sociais do nosso século.

Tem corrido muito sangue e tem havido muitos movimentos policiais, muitas greves e lutas, para que os direitos dos trabalhadores fossem reconhecidos. Temos de admitir que em Jó as coisas se passavam de modo diferente dos costumes da maioria dos povos. Jó era um homem excepcional, um homem que se adiantou por milênios às grandes conquistas sociais do século XX. As leis brasileiras, conhecidas como leis trabalhistas, são uma conquista liberal do governo de Getúlio Vargas, conquistas aprimoradas por outros governos. Nos congressos internacionais, o Brasil brilha

como o país de leis mais adiantadas do mundo em matéria trabalhista. Se nos acusarem de atrasados, não há de ser neste terreno.

Jó era justo com os seus servos e com outros que não o serviam. Os pobres e as viúvas eram por ele considerados como pessoas dignas de consideração. Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva (v. 16) e o órfão do meu bocado não participou (v. 17), porque desde os dias da sua mocidade cresceu comigo como se eu lhe fosse como pai, então caia a omoplata do meu ombro (v. 22). Aos pobres, às viúvas, aos que .não tinham roupa para se cobrirem, dava a lã dos seus cordeiros; os oprimidos, os órfãos, todos davam testemunho da conduta do homem que nos causa admiração nestas páginas. Todos estes atos eram apoiados pelos juizes da porta (v. 21).

A opressão, o esbulho, o desprezo pelos sofredores, eram fatos ignorados na conduta de Jó. Isso ele fazia por um principio de formação moral, que lhe vinha desde a madre (v. 18), e continuava a prevalecer em todas as suas atividades agrícolas e comerciais. O que era seu, pertencia a todos, conhecidos e desconhecidos; a sua caridade não era apenas doméstica. Não admira que os primeiros dois capítulos deste maravilhoso livro nos mostrem Jó feliz e satisfeito na sua fazenda, com muitos criados e criadas, e com os filhos venturosos. Aí está a razão dessa felicidade.

A par do seu feitio amoroso e caritativo, que lhe vinha do nascimento, tinha temor de Deus, que, como Jó se disse, é o “princípio da sabedoria”. Havia um Deus no céu; perante o qual ele estava, e a quem prestava as suas contas (v. 23). Não era apenas o desejo de servir, de socorrer os pobres e famintos, as viúvas e os necessitados; assim todos se tinham por venturosos perto de Jó. Isto por seu feitio pessoal e por temor a Deus.

Quantas doutrinas sublimes neste pequeno trecho! a) O pagamento devido aos que o serviam. Não defraudava os seus direitos. b) Não era ,ganancioso, querendo tudo para ai e nada para os outros. Era o que se chamaria, em linguagem moderna, um filantropo. c) Era caritativo com os pobres, órfãos e as viúvas (veja Ef. 6:9). d) Não era explorador dos seus semelhantes. Pobres e desamparados tinham nele o seu ajudador. e) Não oprimia os fracos, por serem fracos, mas atendia a todos equitativamente.

Nunca tinha levantado a mão contra o órfão ou contra a viúva (vv. 16,21), e jamais alguém dormiu no frio por falta de lã para se cobrir (vv. 19,20). Não era o caso do grupo de que nos fala Lucas: um rico avarento e um pobre chagado à sua porta. Da sua riqueza tIodos participavam alegremente. Podemos, então, reafirmar que o temor de Deus é a base da conduta humana, ou, como diz o nosso texto, o Princípio da Sabedoria. Os que não temem a Deus também não se importam com os outros. Roubam, se podem, defraudam, se tiverem oportunidade, desprezam os que sofrem, pois isso não lhes interessa. Por isso esta nossa sociedade de sofredores, de abandonados da sorte, como se esta gente não fosse da mesma estirpe dos ricos, uma sociedade

que torna este mundo em praga e maldição. Naturalmente não estavam no texto sagrado, nem em nossas cogitações, ao comentá-lo, os vadios, os vagabundos, os ladrões e os preguiçosos, embora os mestres da sociologia digam que até estes desviados do caminho verdadeiro da vida são o resultado duma sociedade desajustada e gananciosa. Se alguém quisesse acusar Jó de quaisquer faltas, teria dificuldades em encontrar bases suficientes.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

3. Jó busca a resposta de Deus (31.35-37).

Agora Jó se dirige a Deus na forma exclamativa: “Ah! Quem me dera um que me ouvisse!” (v.35). Ele já havia feito uma viagem retrospectiva sobre o seu passado, agora ele faz uma análise sobre sua situação presente, mas seu olhar está no futuro. Ele quer se apresentar diante de Deus porque está consciente de sua inocência.

Sua confiança é de um príncipe que se apresenta diante de um tribunal (Jó 31.37). Ele confia de que será inocentado. Como podemos nos apresentar diante de Deus e justificar os nossos atos? Pela graça divina, por meio de Jesus Cristo, o Filho de Deus, Ele mesmo nos justifica (Rm 8.31-33).

Comentário

Oxalá eu tivesse quem me ouvisse Jó tinha feito a revisão de seu passado e de seu presente. E descobriu que era um homem inocente. Ele não era culpado de nenhum daqueles muitos Decados, dos quais os homens costumeiramente se ocupam. Era um homem limpo. E, no entanto, ninguém dava ouvidos aos seus apelos; nem Deus o ouvia. O Todo-poderoso olhava tudo em silêncio, diante do infeliz Jó, sentado em seu monte de cinzas, chorando e sofrendo. Sua dor não era aliviada, e ele não recebera informação alguma sobre o porquê de seus sofrimentos.

Só sabia que esses sofrimentos eram ‘sem causa” (Jó 2.3), fato que não influenciou Deus a agir em seu favor. Ele se dirigiu ao Tribunal Divino para pleitear sua causa, mas encontrou-o vazio. Sua voz ecoava no nada.

Eis aqui a minha defesa. A Revised Standard Version diz ‘ minha assinatura” em lugar dessas palavras, isto é, o X (tau), a marca de aprovação de um juiz que tivesse examinado um documento, ou de um rei, quando aprovasse algum decreto. Jó imaginava aproximando-se de Deus com o documento de defesa (vs. 36) já marcado pela aprovação divina, o X de Deus. Nossa versão portuguesa tem uma tradução parecida: “minha defesa assinada”.

A sua acusação. Jó estava ansioso por responder às acusações que lhe tinham sido feitas, e imaginava que um documento escrito pudesse ser preparado para leitura no tribunal divino. Ele seria capaz de responder a todas as acusações e ganhar o seu caso. Estava seguro de que poderia replicar com sucesso a todas as acusações.

Ele se imaginava “usando” o documento escrito que continha tais acusações, levando-o nos ombros e marchando ao redor do tribunal, evidenciando a tolice das acusações (vs. 36). Ou, então, ele poderia até ter posto o documento com a acusação escrita sobre a cabeça, como se fosse uma coroa, declarando-se um rei moralmente acima de qualquer acusação que pudesse ser assacada contra ele! Foi assim que Jó desafiou aos homens e a Deus, mas sua voz ecoava no silêncio. Sua coroa de acusações tomar-se-ia uma marca de distinção, porque ficaria provada sua inocência. No entanto, a Jó não foi permitido pôr tal coroa sobre a cabeça. Ele foi simplesmente ignorado e continuou a sofrer.

Serás uma coroa de glória na mão do Senhor, um diadema real na mão do teu Deus. (Isaías 62.3)

Mostrar-lhe-ia o número dos meus passos. Jó estava disposto e preparado para fazer uma completa declaração acerca de sua conduta, a cada passo. Em sua inocência, ele poderia aproximar-se de Deus como um príncipe, com confiança real.

Nenhum verme maligno o manteria envergonhado perante Deus. Jó era homem de integridade e poder. Nem mesmo o escrutínio divino poderia abatê-lo. Ele forçaria Deus a pôr a assinatura divina de aprovação sobre ele (vs. 35), conforme a Revised Standard Version traduz as palavras “a minha defesa”. A referência é à letra X, a marca colocada no fim de documentos legais, por parte do juiz apropriado. O próprio Deus teria de escrever o Seu X sobre o documento, dizendo: “Jó está aprovado!’

Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.

(Hebreus 10.22)

Muitas acusações tinham sido feitas contra Jó por seus ‘ amigos molestos’. Ele era um tolo (Jó 5.2); homem cheio de palavras e sem nenhum sentido, mentiroso, zombador (11.2,3); ele era perverso (11.12,14); blasfemo e hipócrita (15.4,5,13,16,34); um ladrão que ignorava os caminhos de Deus (18.5,14); um opressor social (20.15,19); um tirano (22.5,9,13,17). No entanto, quando Jó preparou a sua lista, descobriu ser inocente de todas essas acusações.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1988.

35-37. Este é o desafio final. Jó exige ser ouvido. Assina um documento. Jó 19.23 e 31.35 devem ser interligados um ao outro. Porque a letra hebraica tãu é a última do alfabeto, BJ [em inglês] dá a sugestão criativa de que Jó quer dizer: “Já disse tudo quanto queria, desde o A até o Z.” A letra tinha o formato de uma cruz, e significava “marca,” e, portanto, “assinatura.” A referência seguinte à acusação escrita pelo adversário leva-nos para a terminologia dos processos jurídicos. Jó ficaria orgulhoso em levar semelhante documento sobre o seu ombro, usando-o como coroa… como príncipe. Longe de ficar envergonhado, Jó luta até o fim, ansioso por ver a causa concluída, confiante quanto ao resultado final. Está capacitado para prestar contas de todos os seus passos.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 243.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Jó faz uma defesa de sua ética sexual, social e busca resposta de Deus.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Jó revê várias categorias de pecado que poderiam ter sido a causa da sua desgraça e jura solenemente que ele é inocente de qualquer ação má. Ocasionalmente, junto com seu protesto de inocência, ele inclui uma declaração do porquê ele ter decidido ser virtuoso. Ele também inclui uma maldição sobre si mesmo, caso tenha deixado de falar verdade. Primeiro Jó nega que seja culpado de pecados sensuais que são tão comuns entre homens. Ele fez um concerto (acordo) com os seus olhos, para que não desejasse uma virgem (uma moça, 1).

Aqui Jó reconhece que a tentação vem por meio da observação daquilo que pode ser desejável. Ele tem um acordo com os seus olhos para que não o desviem. Qual seria a parte (2) que ele teria com Deus se ele fosse culpado desse tipo de crime? Certamente Deus castiga o perverso e aqueles que praticam a iniquidade (3). Não só isso, mas Jó pergunta: Não vê ele? (4). Ele é enfático, ressaltando a ideia de que Deus observa de perto o homem e castiga sua vaidade e engano (5). Os versículos 6-8 são um juramento de inocência e uma maldição por qualquer falsidade que Jó possa ter falado nos versículos precedentes”(CHAPMAN Milo L; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014,p.78).

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

CONCLUSÃO

Nesta lição, vimos que José lembrou de seu passado abençoado e de como agiu com integridade e humanidade com o próximo. Nunca havia agido deforma injusta com ninguém nem tampouco cometido pecados que o desonrassem moralmente. Sua integridade estava intacta. Assim, ele acredita que chegou o grande momento de se apresentar diante de Deus e receber de o veredito de que é um homem injustiçado e inocente.

10 Lição 4 Tri 20 A Última Defesa de Jó

PARA REFLETIR

A respeito de “A Última Defesa de J6”, responda:

1 – Qual a primeira coisa que Jó se lembrou de seu passado?

R: A primeira coisa que se lembrou desse passado glorioso foi a comunhão que ele desfrutou com Deus (Jó 29.2,4).

2 – Quem procurava Jó para pedir orientação?

R: Tanto os jovens como os velhos o procuravam para serem orientados (29.8).

3 – De homem respeitado, como Jó passou a ser visto?

R: De homem respeitado, ele passou a ser visto como uma escória social (1ó 30.1-8).

4 – O que o sofrimento emocional de Jó refletia?

R: sofrimento emocional de Jó refletia a sua crença de que havia sido abandonado por Deus (Jó 30.16-23).

5 – Que comportamento ético-social de Jó o habilitou?

R: O seu comportamento ético-social o habilitou a agir como tribuno dos desvalidos.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Veja as demais aulas:

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

6° Lição – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

7° Lição – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?

8° Lição – A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?

9° Lição – Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

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