10 LIÇÃO 4 TRI 2021 PAULO E SEU AMOR PELA IGREJA

  10 LIÇÃO 4 TRI 2021 PAULO E SEU AMOR PELA IGREJA

10 LIÇÃO 4 TRI 2021 PAULO E SEU AMOR PELA IGREJA

 

TEXTO AUREO

  “Porque o amor de Cristo nos constrange ” (2 Co 5.14a)    

VERDADE PRATICA

  O amor cristão não é o sentimento egoísta, mas o sacrifício dos próprios desejos para o bem dos outros.  

LEITURA DIARIA

  Segunda – 1 Co 4.15 O amor pela igreja como de pai para filho

 

Terça – Jo 3.16 O amor e sua relação com a fé

 

Quarta – Ef 1.5 A fé no Senhor e o amor ao próximo

 

Quinta – Rm 13.10 O amor é o cumprimento da Lei

 

Sexta – 1 Co 13.13 A fé, o amor e a esperança para a Igreja

 

Sábado – At 5.41; Tg 1.2; 1 Pe 4.13 A Igreja perseverando com alegria    

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Tessalonicenses 1.1-10

  1-Paulo, e Silvano, e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses, em Deus, o Pai, e no Senhor Jesus Cristo; graça e paz tenhais de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.  

2-Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações,  

3- Lembrando-nos, sem cessar, da obra da vossa fé, do trabalho do amor e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai,  

4-Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus;

5-Porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo, e em muita certeza, como bem sabeis quais fomos entre vós, por amor de vós.  

6-E vós fostes feitos nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espirito Santo,

7-De maneira que fostes exemplo para todos os fiéis na Macedônia e Acaia.

8-Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma;  

9-Porque eles mesmos anunciam de nós qual a entrada que tivemos para convosco, e como dos ídolos vos convertestes a Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro.

10-E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dos mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura.    

HINOS SUGERIDOS: 210, 251, 263 da Harpa Crista

 

OBJETIVO GERAL

 

Compreender o amor pela Igreja.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 

I- Destacar o amor de Paulo pela Igreja;  

II- Relacionar o amor com a fé na Igreja;  

III- Elencar as três virtudes na igreja de Tessalônica: fé, amor e esperança.    

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

  É encantador contemplar o amor de Paulo pela Igreja de Cristo. O apóstolo nos ensina que os obreiros devem zelar, cuidar e amar a Igreja. A vida e o ministério de Paulo são um antídoto contra a banalização da Igreja, o Corpo de Cristo. Nesse sentido, somos convidados a amar a Igreja e a demonstrar esse sentimento de maneira concreta. Por isso o apóstolo a defendeu, protegeu e buscou viver na integridade as virtudes do amor, da fé e da esperança nas diversas igrejas por onde passou. Amemos a Igreja de Cristo, amemos a igreja local.    

PONTO CENTRAL:  Ame a Igreja de Cristo. Ame a sua igreja Local

 

COMENTÁRIO INTRODUÇÃO

  Pelo menos duas caraterísticas marcaram a igreja de Tessalônica: seu amor ao Senhor Jesus e o amor reciproco entre os irmãos. A luz do exemplo dessa igreja, e do sentimento do apóstolo Paulo por ela, o nosso propósito é mostrar que, como segui dores de Jesus e membros de uma igreja local, devemos amá-la e expressar esse amor na comunhão dos santos.    

Comentário

    Até chegar a Tessalônica, Paulo havia saído de uma dura experiência de prisão em Filipos, e ele e Silas foram expulsos da cidade (At 16.37-40). Passaram pela casa de Lídia, hospedeira do apóstolo, e depois, até chegar em Tessalônica, eles passaram por Anfípolis e Apolônia. Mesmo com os corpos lanhados pelos açoites que receberam em Filipos, Paulo não desanimava em nada. Logo que chegaram a Tessalônica, Paulo e Silas foram para uma sinagoga de judeus e, por três sábados seguidos, discutiam com os judeus sobre as Escrituras (At 17.1,2). De forma contundente e persuasiva, Paulo expunha e demonstrava aos participantes daquela sinagoga que o Cristo de Nazaré deveria padecer no calvário e ressuscitar dos mortos (At 17.3).

Seu discurso provocou o ódio dos judeus que lhe ouviram e, movidos pela inveja, juntaram homens maus da cidade, e o povo de Tessalônica alvoroçou-se para prender os dois e levá-los perante os magistrados da cidade e pedir a punição deles. Todavia, um grande número de pessoas aceitou a mensagem de Paulo, e aqueles cristãos formaram a igreja em Tessalônica. Entretanto, daquela primeira vez na cidade, tiveram que tirar os dois à noite para não serem vistos pelos inimigos, e os dois tomaram o caminho para Bereia (At 17.10,11). O pastor Robert H. Boll escreveu em seu comentário sobre os Tessalonicenses que “o apóstolo Paulo foi uma verdadeira procela; em qualquer lugar que chegasse com o seu evangelho, ele produzia uma tempestade”. Na verdade, Paulo era ousado e possuía uma coragem que vinha do Espírito Santo para pregar o vieram de Filipos para Tessalônica, visitaram por três sábados seguidos a sinagoga da cidade. Sua mensagem era contundente e revolucionária e mexeu com os brios dos judeus, especialmente fariseus, que estavam na sinagoga.

Como havia alguns gentios simpatizantes do judaísmo, Paulo impactou não só os judeus da sinagoga, como também atraiu também aos gregos que receberam a mensagem, e, juntos com outros judeus, uniram-se à igreja na cidade (At 17.1). A igreja em Tessalônica foi formada em meio à perseguição, e Paulo teve que sair da cidade por causa disso. Mais tarde, ele escreveu à igreja encorajando aqueles cristãos a não desanimar por conta das aflições, mas a permanecer firmes na fé (1 Ts 3.3,4). Paulo passou a amar aquela igreja com amor profundo, pois, para ele, a igreja em Tessalônica tornou-se uma comunidade especial, mesmo sendo perseguida pelos oponentes judeus que rejeitavam a sua mensagem. A característica que marcou essa igreja era o amor ao Senhor Jesus e o amor recíproco entre aqueles cristãos.

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

A estratégia míssiológica de Paulo (At 17.1) Paulo não era apenas um pregador, era também um sábio estrategista. Na sua primeira viagem missionária concentrou-se exclusivamente em Chipre e na Galácia; na segunda, dedicou-se à evangelização das províncias da Macedônia e Acaia. Na terceira viagem missionária concentrou-se em Éfeso, na província da Ásia Menor. É importante ressaltar que em todas elas, Paulo incluiu a capital em seu trajeto – Tessalônica, a capital da Macedônia; Corinto, da Acaia, e Éfeso, da Ásia. Além disso, Paulo escreveria a cada uma das igrejas nessas capitais, ou seja, suas cartas aos tessalonicenses, aos coríntios e aos efésios. O apóstolo Paulo entrou na Europa por orientação do Espírito Santo, mas ele tinha também discernimento para fazer as melhores escolhas estratégicas na obra missionária nesse continente. Por essa razão, viajando pela grande via expressa, a Via Egnátia, ele passou por várias cidades macedônias como Anfípolis e Apolônia e concentrou seu trabalho em Tessalônica, a capital da província, onde havia uma sinagoga judia (At 17.1).

De todas as cidades desta artéria, a Via Egnátia, Tessalônica era a maior e a mais influente. Situada no atual golfo de Salônica, foi edificada na forma de um anfiteatro nas colinas no fundo da baía. Não que Paulo julgasse” essas duas primeiras cidades indignas do evangelho, mas compreendia que se Tessalônica fosse alcançada, o evangelho poderia irradiar-se dali para as outras regiões. Paulo, assim, não estava sendo preconceituoso nem fazendo acepção de pessoas, estava, sim, sendo estratégico. William Barclay afirma em seu livro que a chegada do cristianismo a Tessalônica foi um fato de suma importância. Paulo sabia que se o cristianismo se firmasse em Tessalônica, ele poderia estender-se a partir dali para o Oriente e para o Ocidente, como de fato aconteceu (I Ts 1.8). Paulo sabia usar os recursos disponíveis na época para agilizar o processo da evangelização.

Howard Marshall, ao comentar essa viagem de Paulo a Tessalônica, ressalta a importância dessa Via Egnátia: A grande estrada romana, a Via Egnátia, começava em Neápolis, e passava por Filipos, Anfípolis (At 16.12), Apolônia e Tessalônica, depois passava para o oeste, atravessando a Macedônia até a praia do mar Adriático em Dirraquio, de onde os viajantes podiam atravessar o mar para a Itália. As campanhas missionárias de Paulo foram muito facilitadas onde havia boas estradas, as “rodovias expressas” do mundo antigo, para ajudar seu progresso. Os missionários viajaram 53 km para Anfípolis, 43 km para Apolônia e então, 56 km para Tessalônica. Warren Wiersbe diz que Paulo costumava ministrar nas cidades maiores e transformá-las em centros de evangelismo a toda a região (At 19.10,26; I Ts 1.8). Tessalônica era uma cidade estratégica. Ela era a capital da Macedônia. Era também um importante centro comercial, só comparado à cidade de Corinto. Ali ficava um dos mais importantes portos da época. Ela comandava o comércio marítimo pelo mar Egeu e terrestre pela Via Egnátia.

Também por Tessalônica passavam diversas rotas comerciais. William MacDonald disse que o Espírito Santo escolheu essa cidade como uma base a partir da qual o evangelho poderia se irradiar para muitas outras direções. William Barclay relata que o nome original dessa cidade era Thermal, que significa “fontes quentes”. Seiscentos anos antes, Heródoto já a descrevia como uma grande cidade. Aqui Xerxes, o persa, estabeleceu sua base naval ao invadir a Europa. Em 315 a.C., Cassandro reedificou a cidade e colocou nela o nome de Tessalônica, em homenagem a sua mulher, filha de Filipe da Macedônia e irmã de Alexandre Magno. Tessalônica, como Filipos, era uma cidade antiga que recebera nova vida na era helenística. Os romanos fizeram dela uma cidade livre em 42 a.C., e ela possuía os direitos garantidos de governo próprio nos padrões gregos mais que romanos. Jamais as tropas romanas haviam cercado essa importante cidade. Ela mantinha sua própria assembléia popular e seus próprios magistrados. Sua população era estimada em 200 mil habitantes e durante um tempo chegou a rivalizar com Constantinopla como candidata à capital do mundo.

Como já dissemos, pela Via Egnátia, Tessalônica ligava o Oriente e o Ocidente. Ela fica na entrada do Império Romano. Em virtude desses fatos, verdadeiramente, é impossível exagerar a importância da chegada do cristianismo a Tessalônica. Paulo sabia que se o cristianismo conseguisse se estabelecer em Tessalônica, ele se estenderia ao Oriente pela Via Egnátia até conquistar toda a Ásia, e pelo Ocidente chegaria certamente à cidade de Roma. O advento do cristianismo em Tessalônica foi um passo crucial na transformação do cristianismo em religião mundial. A cidade deTessalônicá sobreviveu aos embates do tempo. Foi a segunda maior cidade nos dias do império bizantino. Em 390 d.C., foi palco de um grande massacre, quando o imperador Teodósio, o Grande, mandou massacrar mais de sete mil de seus cidadãos. A cidade desempenhou papel importante nas Cruzadas. Passou a um governo otomano em 1430. De 1439 até 1912 ficou com os turcos. Em 1912 foi tomada de volta pelos gregos. Atualmente, com o nome de Salônica, é a segunda maior cidade da Grécia, tendo uma população estimada em 250 mil habitantes. LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 13-16.    

 

Tessalônica foi antigamente a metrópole da Macedônia. Ela é agora chamada de Salonichi, e é a mais bem povoada e uma das melhores cidades comerciais no Oriente. O apóstolo Paulo, sendo impedido do seu intento de viajar para as províncias da Ásia, assim chamadas de maneira correta, foi dirigido de maneira extraordinária para pregar o evangelho na Macedônia (At 16.9,10). Em obediência ao chamado de Deus, ele foi de Trôade para Samotrácia, depois para Neápolis, e em seguida para Filipos, onde foi bem-sucedido no seu ministério, mas defrontou-se com maus tratos, sendo lançado na prisão com Silas, seu companheiro de viagem e trabalho, de onde foram maravilhosamente libertos. Após consolarem os irmãos, partiram. Passando por Anfípolis e Apolônia, vieram a Tessalônica, onde o apóstolo plantou uma igreja que consistia de alguns crentes judeus e muitos gentios convertidos (At 17,1-4).

Mas após um tumulto levantado na cidade pelos judeus descrentes e pelos habitantes mais ordinários e vis, Paulo e Silas, para sua própria segurança, foram enviados para Beréia à noite, e mais tarde Paulo foi conduzido para Atenas, deixando Silas e Timóteo para trás, mas enviou instruções para que viessem se encontrar com ele o mais rapidamente possível. Quando chegaram, Timóteo foi enviado para Tessalônica, para informar-se acerca do bem-estar deles e para firmá-los na fé (cap. 3.2). Ele se encontrou com Paulo enquanto este se demorava em Atenas, e foi enviado novamente, junto com Silas, para visitar as igrejas na Macedônia. Sendo deixado em Atenas sozinho (cap. 3.1), Paulo partiu dali para Corinto, onde permaneceu por um ano e meio. Nesse ínterim, Silas e Timóteo retornaram a ele da Macedônia (At 18.5). Nessa época, ele escreveu essa epístola à igreja de Cristo em Tessalônica.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 651.    

I – O AMOR DE PAULO PELA IGREJA

 

   1.   O Amor como o de um pai para um filho.

  A Primeira Carta de Paulo aos Tessalonicenses atesta o amor do apóstolo pelos membros dessa igreja (1.2.3). Esse sentimento não se deu apenas pela igreja de Tessalônica, mas por todas as que Paulo plantou no mundo gentílico. Trata-se de um amor como o de um pai para um filho. Veja o que o apóstolo diz a respeito dos coríntios: “Porque, ainda que vocês tivessem milhares de instrutores em Cristo, não teriam muitos pais, pois eu gerei vocês em Cristo Jesus, pelo evangelho” (1 Co 4.15-NAA). Uma declaração que revela o amor de um “pai espiritual” pelos seus “filhos espirituais”.    

Comentário

    O motivo que levou Paulo a escrever sua primeira carta aos tessalonicenses era o desejo de ir visitá-los, mas ele sabia que era, por razões várias, ser impossível ir até eles. Esse desejo não era apenas pastoral, mas também um sentimento especial que ele nutria não só pela igreja em Tessalônica, mas também por todas as igrejas plantadas por ele no mundo gentio. Paulo também demonstrou esse sentimento pelos coríntios quando escreveu a eles, dizendo: “[…] procuro adverti-los, como a meus filhos amados. Embora possam ter dez mil tutores em Cristo, vocês não têm muitos pais, pois em Cristo Jesus eu mesmo os gerei por meio do evangelho” (1 Co 4.15, NVI). Na verdade, Paulo, ao comparar-se com “um pai espiritual”, fez lembrar a igreja de todo o trabalho realizado com sofrimento no meio deles.

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Paulo fala do pai espiritual: “Porque, ainda que tivésseis milhares de preceptores em Cristo, não teríeis, contudo, muitos pais; pois eu pelo evangelho vos gerei em Cristo” (4.15). A palavra “preceptor” aqui é paidagogos. E o escravo que tinha a responsabilidade de cuidar de uma criança e conduzi-la à escola. Ele não era o professor, mas aquele que levava o filho à escola e o deixava aos pés do mestre. E Paulo diz: Vocês podem ter muitos que levam instrução até vocês ou, levam vocês à instrução. Porém, vocês só têm um pai. A minha relação com vocês é estreita, sentimental, familiar, e íntima. E uma relação de coração e de alma. Eu sou o pai de vocês! Eu gerei vocês!

LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios Como Resolver Conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 82.    

 

«…pelo evangelho vos gerei…»  O evangelho fora o instrumento mediante o qual lhes fora «dado o nascimento», aquilo mediante o que tinham vindo a conhecer a vida eterna, existente em Cristo. O próprio Jesus Cristo é a esfera e a origem dessa nova vida, a sua fonte, bem como o seu alvo. (Ver as notas expositivas sobre Rom. 8:29, quanto a essa mensagem, explanada em seus completos detalhes. Ver também os trechos de João 5:25,27 e 6:57, acerca da participação dos crentes na vida necessária e independente do próprio Deus Pai, através de Deus Filho, Jesus Cristo). «Os dois pronomes, no grego ‘ego’ e ‘umas’, estão em proximidade enfática. ‘Quem quer que tenha sido o progenitor de outras igrejas, fui ‘eu’, quem, em Cristo, ‘vos’ gerou». (Robertson e Plummer, in loc.). «Fica aqui subentendido certo contraste, entre a severidade áspera de um pedagogo e a ternura amorosa de um progenitor». (Shore, in loc.). Paulo agia de acordo com o ofício e a pessoa do Salvador, porquanto Cristo é o redentor dá humanidade, o Pai da redenção humana. Os instrutores ou preceptores tão-somente edíficavam sobre essa realização inicial e muito mais importante. «Apesar dos crentes de Corinto serem gigantes no orgulho, eram crianças na fé, e, portanto, com toda a razão, são deixados ao encargo de ‘pedagogos’». (Calvino, in loc.). «…pelo evangelho…», e não através da sabedoria humana. Mediante o emprego da «palavra da cruz», que alguns dos detratores de Paulo punham em posição muito subordinada, em seus respectivos ministérios, chegando mesmo a ignorá-la totalmente. (Ver I Cor. 1:17,19,21,23-25 e 2:1,2).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 65.        

 

   2.   O amor motivado pelo modo de viver o Evangelho.

 

  Um dos elogios de Paulo aos tessalonicenses foi a respeito do modo como eles receberam a Palavra e sua prática em coerência com o ensino recebido. Os cristãos de Tessalônica eram o objeto de amor do apóstolo, pois, neles, ele via o fruto do seu ministério. Os versículos 5-10 da nossa leitura bíblica em classe mostram a indizível alegria de Paulo ao constata a expressão do amor de Deus na vida da igreja. Essa igreja era formada por pessoas que abandonaram a crença em ídolos e, pela fé, abraçaram o Evangelho. Logo, o Evangelho não é s discurso, mas implica práticas convictas. Essa disposição dos tessalonicense tocava o coração do apóstolo (v.6).  

Comentário

 

    Com as boas notícias que o apóstolo obteve da parte de Timóteo, Paulo percebeu que a semente lançada na terra do coração daqueles irmãos brotou e frutificou, independentemente de seu esforço pastoral. Apaixonado pelo que fazia, Paulo encheu-se de alegria pelas boas notícias gerando em seu coração um grande amor pelos tessalonicenses (1 Ts 1.2,3). Visto que Paulo não podia ir a Tessalônica, sentia a necessidade de ter notícias da igreja. Naqueles tempos, a comunicação era mais demorada, e, por isso, Paulo tinha poucas informações acerca dos irmãos tessalônicos, e foi isso que o motivou a enviar Timóteo a Tessalônica para encorajar aqueles irmãos a que permanecessem fiéis ao Senhor, mesmo em meio às perseguições. Timóteo trouxe boas notícias da fidelidade daqueles cristãos à doutrina ensinada sobre Cristo. Esse zelo pastoral provocou um profundo amor e respeito do apóstolo Paulo pelo modo como os tessalonicenses receberam a palavra ensinada e como a praticavam na convivência cristã.

Aqueles cristãos, especialmente os gentios, abandonaram suas crenças nos ídolos da cidade e aceitaram pela fé o Deus invisível. Os judeus convertidos que não se deixaram levar pelo radicalismo judaico de alguns entenderam que Cristo era o cumprimento das profecias. O indizível gozo do Espírito Santo envolveu o coração de Paulo pela igreja em Tessalônica, porque seus membros tornaram-se uma expressão de amor. No texto do capítulo 1.5-10, Paulo lembra aos tessalonicenses que eles eram muito amados, porque receberam o evangelho de poder que transformou suas vidas. O evangelho é mais que palavras e discursos; ele é a mensagem que opera a persuasão em poder do Espírito Santo. No texto do capítulo 1.6, Paulo diz: “[…] recebendo a palavra em muita tribulação, mas a recebia com gozo do Espírito Santo”.

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Em primeiro lugar, a igreja imitou o modelo certo (1.6). A igreja de Tessalônica imitou os missionários e o Senhor Jesus (iC o 11.1). A palavra “imitadores”, mimetai, (de onde vem a nossa palavra mímica) descreve alguém que imita outra pessoa, particularmente para seguir seu exemplo ou ensino .A igreja de Tessalônica recebeu não apenas as boas-novas do evangelho, mas também, uma nova vida em Cristo. Ela abraçou não apenas informação, mas também, transformação. Ela possuía não apenas uma boa teologia, mas também, uma nova ética. Em segundo lugar, a igreja recebeu a mensagem certa (1.6b). A igreja de Tessalônica recebeu “a Palavra” mesmo sob um forte clima de hostilidade e perseguição. A igreja nasceu saudável porque sua fé foi estribada numa base certa, a semente cresceu e frutificou porque nasceu de um solo fértil. Hoje, muitas igrejas nascem doentes porque recebem palavras de homens, e não a Palavra de Deus.

São alimentadas com o farelo das doutrinas humanas e não com o trigo da verdade divina. Os púlpitos estão pobres e almas estão famintas. Existe pouco de Deus nos púlpitos e muito do homem. O evangelho da graça, como pão nutritivo de Deus, está sendo negado ao povo e, em lugar dele, os pregadores estão dando uma sopa rala à igreja. Muitos púlpitos já abandonaram a pregação fiel e os pregadores já se renderam ao pragmatismo, buscando mais os aplausos dos homens que a glória de Deus; mais o lucro que a salvação; mais a prosperidade que a piedade. Em terceiro lugar, a igreja teve a reação certa (1.6c). A igreja de Tessalônica recebeu a Palavra, em meio a muita tribulação, mas com alegria do Espírito Santo.

A igreja de Tessalônica não ficou escandalizada nem decepcionada com. Deus por causa das tribulações. Ela não perdeu a alegria devido às perseguições. Atualmente, há muitos obreiros fraudulentos que pregam um falso evangelho, prometendo às pessoas um evangelho sem cruz, sem dor, sem renúncia, sem sofrimento. O poder do evangelho está não apenas em nos livrar das tribulações, mas nos dar poder para enfrentá-las vitoriosamente. Em quarto lugar, a igreja tornou-se um modelo certo (1.7). Os imitadores tornam-se exemplos. William Hendriksen assegura que quem não é imitador não pode se tornar exemplo. A igreja não apenas seguiu o exemplo de Cristo e dos missionários, mas também, tornou-se exemplo para os demais crentes. A palavra utilizada por Paulo para “modelo”, typos, significa marca visível, cópia, imagem, padrão, arquétipo, e, por conseguinte, exemplo. Originalmente a palavra denotava a marca deixada por um golpe. Depois foi usada num sentido ético de um padrão de conduta, mas, mais comumente, como aqui, de um exemplo a ser seguido. Trata-se daquilo que deixa uma impressão desejável. Os crentes tessalonicenses eram a “impressão” de Cristo. I. Howard Marshall por sua vez diz que a palavra “modelo” também significa um molde, ou a impressão feita por um carimbo. No sentido de “exemplo” pode significar não apenas um exemplo que outros devem seguir como também um padrão que os influencia. A igreja de Tessalônica aprendeu e depois passou a ensinar. Ela se tornou fonte de inspiração para os crentes da sua província, a Macedônia, no norte da Grécia, e também para os crentes da província da Acaia, no sul da Grécia. A igreja de Tessalônica inspirou pessoas da sua região e de lugares mais distantes. Tornou-se um luzeiro perto e também uma luz para os povos mais distantes.

LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 38-39.    

 

Aqueles crentes já possuíam a conversão inicial, e isso fazia deles «discípulos», «aprendizes», «seguidores». E isso eles davam continuação em suas vidas diárias. A tradução inglesa de Moffatt (aqui vertida para o português) diz: «Começastes a copiar a nós e ao Senhor». Isso, finalmente, fez com que se tornassem coparticipantes das perseguições que sobrevêm àqueles que prestam lealdade a Cristo e ao seu evangelho. (Quanto às perseguições que impreterivelmente sobrevêm àqueles que se mostram leais para com o reino da luz, ver as notas expositivas em João 15:18 e ss. e Col. 1:24, onde as perseguições que sofremos são vistas como a participação nos sofrimentos de Cristo, em prol da sua igreja, não tendo qualquer caráter expiatório, mas antes, sendo criadas pelo fato que estamos a tarefa dos na propagação da missão salvadora ou remidora de Cristo). «…imitadores…» No grego é «mimetai», aqui traduzida literalmente, dando a ideia que aqueles crentes se haviam tornado «cópias» daqueles a quem imitavam, conforme este texto interpreta o sentido dessa palavra. (Esse vocábulo figura também nos trechos de Heb. 6:12; II Tes. 3:7; I Cor. 4:16; 11:1; Gál. 4:12; Fil. 3:17 e 4:9).

A base dessa palavra é «mimos», que significa «ator». Portanto, trata-se de alguém que representa a outrem, como se fosse uma espécie de «cópia» do mesmo. «…apalavra…» Neste caso indica o «evangelho», o qual é variegadamente referido como «palavra de Deus» (ver Atos 13:5 e muitas outras referências), «palavra do Senhor» (ver Atos 13:48 e 16:32—nesses casos, «Senhor» indica a pessoa de «Cristo», conforme é usual no N.T.); «palavra de Cristo» (Rom. 10:17—conforme dizem os melhores manuscritos—e Col. 3:16); «palavra da verdade» (ver Efé. 1:13); «palavra da vida» (ver Fil. 2:16). Algumas vezes, o simples termo, «palavra», aparece isolado para indicar a mesma mensagem do evangelho e as suas exigências, conforme se vê no presente texto. Tais expressões jamais indicam algum «documento escrito», nem o Antigo e nem o Novo Testamentos, ainda que mais tarde essa «palavra» veio a ser reduzida à forma escrita, conforme se vê hoje, no N.T.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 171.          

 

 

3.   O amor deve nortear a nossa vida na igreja local.  

Num tempo em que muitos vivem de criticar a igreja loca é hora de demonstrar amor pela igreja em que congregamos. Esse é o lugar que Deus nos plantou. O lugar onde servimos a Ele, compartilhamos a comunhão com outros irmãos e realizamos a sua obra. O amor de Paulo pela Igreja tocar o nosso coração e, assim, sermos encorajados a manifestá-lo na igreja local em que congregamos    

Comentário

    Tipos de amor

  1. Há o amor de Deus (Joio 3:16), o qual é a fonte de todo outro amor, até mesmo aquele manifestado pelos incrédulos. O Espírito de Deus, atuando no mundo, impede-o de transformar-se em floresta completa, porquanto propaga ao redor o seu amor, e muitas pessoas fazem o que fazem por motivos puramente altruístas.
  2. Há o amor de Cristo pelo homem, o qual é uma extensão do amor de Deus; e, em sua essência, é a mesma coisa. (Ver II Cor. 5:14 e as notas expositivas no NTI sobre esse amor, que nos constrange a atitudes que expressam o cristianismo).
  3. Há o amor do indivíduo por si mesmo, num afeto inteiramente egoísta, pois só se preocupa consigo mesmo.
  4. Há o amor de um homem por outro ser humano.

Quando alguém ama outrem, deseja para o próximo o que deseja para si mesmo, ou transfere o cuidado por si mesmo para outra pessoa, desejando o seu bem-estar, tal como deseja o seu próprio bem-estar. Pode-se imaginar quase qualquer homem a amar um filho ou filha predileta. Por causa de seus cuidados por seu filho, ele fará sacrificios e procurará protegê-lo. Pensará em como suprir às suas necessidades, e desejará a felicidade de seu filho. Em outras palavras, fará em prol de outra pessoa (sem importar quão mau seja, quanto a outras questões) aquilo que faria por si mesmo. O amor-próprio é fácil; não é muito difícil a transferência desse amor pelo menos a uma outra pessoa. Mas aqueles que amam verdadeiramente são os que descobriram como transferir o amor-próprio para um grande número de pessoas. Aqueles que assim fazem são a isso impelidos pelo Espírito de Deus, sem importar se são ou não discípulos de Cristo, no sentido tradicional.

  1. Há o amor dirigido a Cristo, o Filho de Deus, ou então a Deus Pai, o que se verifica quando amamos aos nossos semelhantes.
  2. Há o amor do homem a Cristo ou a Deus Pai, diretamente expresso. Essa modalidade de amor requer um senso altamente desenvolvido, e normalmente se expressa por meios místicos, mediante a ascensão da alma, que passa a contemplar a Deus.

Certamente essa foi a forma de amor que o escritor sagrado tinha em mente, em João 4:7-21, embora o contexto contemple muitos resultados «diários» e «práticos» da mesma, como o evangelismo dos perdidos, a vida santa, a lealdade a Cristo e as ações de caridade em favor do próximo. O Amor é a Prova da Espiritualidade

  1. Sabemos que o amor é a maior de todas as virtudes cristãs, mais importante que a fé ou a esperança (ver I Cor. 13:12).
  2. Sabemos que o amor é o solo mesmo onde brotam e se desenvolvem todas as demais virtudes espirituais (ver Gál. 5:22,23).
  3. Porém, o que talvez nos surpreenda é que não terá havido o novo nascimento, sob hipótese alguma, sem que o amor haja sido implantado na alma. A alma egoísta não pode ser uma alma regenerada.

I João 4:7 declara – ousadamente – Que o amor é produto do próprio novo nascimento. Deus é amor, e o amor vem da parte de Deus. Aquele que nasceu de Deus recebeu o implante da natureza altruísta. Tal indivíduo automaticamente amará a seu próximo, embora isso sempre deva ser fortalecido e incrementado, conforme a alma se vai tornando mais espiritual.

  1. Portanto, afirmamos que o amor é a prova mesma da espiritualidade de uma pessoa. Trata-se da maior das virtudes espirituais, o solo onde todas as outras virtudes têm de medrar. Assim sendo, realmente é de estranhar que alguns pensem que o conflito e o ódio sejam a prova de sua espiritualidade!
  2. Fomos aceitos no «Amado» (ver Efé. 1:6), e assim, no seio da família divina, existe uma comunhão de amor. Essa participação no espírito de amor deve necessariamente caracterizar qualquer verdadeiro filho de Deus. Aquele que odeia pertence ao diabo.
  3. Nossa espiritualidade imita Deus, o Pai. Deus é amor. Ele é a origem de todo o pensamento e ação altruísta. Os filhos de Deus serão inspirados tanto por seu exemplo como através do cultivo do amor na alma, uma realização do Espírito.
  4. A prática da lei do amor é um dos meios de desenvolvimento espiritual. De cada vez que fazemos o bem para alguma outra pessoa, impelidos por motivos puros, o nível da nossa espiritualidade se eleva. Outros meios de crescimento espiritual são o estudo dos livros sagrados, a oração, a meditação, a santificação e o emprego dos dons espirituais, que nos ajudam a cumprir nossas respectivas missões.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 139-140.     Nenhum Indivíduo É Uma Ilha Isolada

  1. Em certo sentido, cada indivíduo é uma ilha, porquanto é responsável diante de Deus por seus próprios atos, não havendo quem possa substituí-lo nessa responsabilidade. Outrossim, dentro daquela sorte que cabe ao homem, envolvendo sofrimento e tragédia, por muitas vezes cada um de nós tem que se firmar sozinho.
  2. Em um outro sentido, não obstante, nenhum homem é uma ilha isolada, porquanto a sua vida está em contato com as vidas de outras pessoas, sendo ele responsável pela influência—boa ou má—que exerce sobre elas.
  3. Por razões assim, é que a frequência à igreja se faz necessária. Precisamos «unir-nos com a comunidade», juntando o nosso peso ao dos demais, a fim de deixar uma segura impressão sobre este mundo de trevas.
  4. As operações do Espírito são facilitadas quando «um ensina a outro», e quando todos compartilham de suas experiências e de seu conhecimento espiritual. Acresça-se a isso que precisamos do poder da opinião sobre as nossas vidas, pois é possível, com frequência, que outras pessoas possam perceber onde labutamos em erro, naqueles pontos onde temos conseguido enganar a nós mesmos, no tocante às nossas qualidades espirituais.
  5. A força do exemplo se reveste de suprema importância. Precisamos oferecer nosso exemplo bom a nossos semelhantes, e também receber deles o seu bom exemplo de fé sincera.

Consideremos a ilustração abaixo: Dentro do ministério de Dwight L. Moody, conta-se o episódio em que, em certa ocasião, ele visitou um homem, no seu lar, encorajando-o a aceitar a Cristo e fazer de Jesus o ponto central de sua vida. O homem argumentou que poderia ser tão bom crente dentro como fora da igreja. Moody não deu resposta, mas deu um passo na direção da lareira; e, tendo removido uma brasa viva do meio do fogo, deixou-a de lado, sozinha. Dentro de pouco tempo a brasa perdera seu brilho e seu calor, e finalmente, se apagou de todo. Os dois homens contemplaram a cena em silêncio. Finalmente, o homem exclamou simplesmente: Percebo! Foi uma vivida lição objetiva, que fez a impressão necessária. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 686.    

SÍNTESE DO TÓPICO I

Ame a sua Igreja

 

SUBSÍDIO PEDAGÓGICO

O amor pela Igreja de Cristo e, especificamente, pela igreja local, é o exemplo precioso do apóstolo para nós. A partir desse entendimento, comece a lição fazendo as seguintes perguntas aos alunos: O que é a Igreja? Como me relaciono com ela? Tenho uma relação positiva com a igreja? Essas perguntas nortearão o desenvolvimento da aula, de modo que você pode contribuir em sala com um ambiente que promova o amor pela igreja por intermédio da vida de seus alunos. Procure alguns fatos importantes ao longo da história da Igreja que destaque o amor e traga para a sala de aula.    

II – AMOR E FÉ NA IGREJA

 

   1.  Amor, uma palavra proeminente nas cartas de Paulo.

  No ensino de Paulo, Deus manifestou o seu amor salvífica por meio de seu Filho, Jesus Cristo. O apóstolo mostra que a expressão suprema desse amor é a crucificação de Jesus no Calvário, seu doloroso sacrifício. Ele confirma isso ao escrever aos Romanos: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nos ainda pecadores” (Rm 5.8) Entretanto, é preciso que o ser humano responda esse amor, cuja reciprocidade se da nos seguintes termos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (Jo 3.16). É preciso crer para responder a esse amor.    

Comentário

    A palavra reciprocidade na visão da psicologia diz respeito ao ato de responder às ações da mesma forma que as receber positivamente ou negativamente. Portanto, a reciprocidade do amor é manifesta no relacionamento cristão. A igreja de Tessalônica era uma igreja que sabia amar, e esse amor refletia-se nas relações sociais no seio da igreja. Na Carta aos Gálatas, Paulo foi muito claro no capítulo 6.2, quando diz: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo”. Por isso, a igreja precisa ter consciência de que esse princípio de “levar as cargas uns dos outros” leva-nos a entender que todos nós temos cargas e que Deus não pretende que as carreguemos sozinhos. Temos que aprender a dividir a nossa carga, pois nenhum crente precisa levá-la sozinho, mas, sim, compartilhar com seus irmãos em Cristo. É verdade que o Senhor Jesus tomou o nosso fardo do pecado, colocou sobre si e deixou-o na cruz do calvário; porém, podemos ajudar-nos mutuamente. Era o que a igreja de Tessalônica fazia, uma vez que aqueles crentes ajudavam-se mutuamente para manter a unidade do Espírito em suas vidas.

Aos Efésios 4.3, Paulo exorta a que os crentes guardem “a unidade do Espírito pelo vínculo da paz”. O vínculo da paz é o que o Espírito produz em nós para que, em tudo o que façamos, haja amor e reciprocidade. No entendimento de Paulo, o amor salvífico de Deus é manifestado em seu Filho Jesus Cristo quando alguém se converte e confessa que Jesus Cristo é o Salvador e Senhor. O amor salvífico de Cristo nada mais é do que o amor dado por Ele. A expressão suprema desse amor foi a morte de Jesus no Calvário, mesmo sendo um amor imerecido pelos nossos pecados, esse amor foi expresso pelo sacrifício de Jesus. Paulo escreveu aos Romanos 5.8: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Porém, a reciprocidade desse amor está no reconhecimento de que fomos amados por Ele independentemente de nossa culpa. Seu amor pelos pecadores tornou-se irresistível, porque, antes que o amássemos, Ele nos amou. O texto de João 3.16 é claro: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

A manifestação do amor de Deus se dá por meio de um evento histórico – a cruz. A prova mais eloquente do amor de Deus é a cruz de Cristo. William Greathouse destaca que em nenhum lugar existe uma revelação de amor como a que encontramos na cruz. Pela cruz temos uma abertura ao coração de Deus e vemos que se trata de um amor que se dá e se sacrifica. Cristo morreu no momento determinado por Deus e de acordo com seu eterno propósito (Jo 8.20; 12.27; 17.1; G14.4; Hb 9.26). Segundo Adolf Pohl, não aconteceu na cruz um heroísmo na potência máxima, mas humilhação extrema, um contrassenso escandaloso (Fp 2.8). Irrompeu o amor jamais decifrável por nós pecadores. Paulo já havia provado que, na cruz, Deus revelou sua plena justiça (3.25,26); agora, ele afirma que, na cruz, Deus revelou seu abundante amor (5.8).

O amor de Deus não é apenas um sentimento, é uma ação. O amor não consiste apenas em palavras; é uma dádiva. O amor não é uma dádiva qualquer, mas uma dádiva de si mesmo. Deus deu seu Filho. Ele deu tudo, deu a si mesmo. Deus não amou aqueles que nutriam amor por ele, mas aqueles que lhe viraram as costas. Deus amou aqueles que eram inimigos. De acordo com John Stott, a intensidade do amor é medida, em parte, pelo preço que custou a dádiva ao seu doador, e, em parte, por quanto o beneficiário é digno ou não dessa doação.

Quanto mais custa o presente ao doador, e quanto menos o receptor o merece, tanto maior demonstra ser esse mesmo amor. Medido por esses padrões, o amor de Deus é singular, pois, ao enviar seu Filho para morrer pelos pecadores, ele estava dando tudo, até a si mesmo, àqueles que dele nada mereciam, exceto juízo. Cranfield segue a mesma trilha de pensamento ao declarar que a morte de Cristo evidencia não apenas o amor de Deus por nós, mas também a natureza desse amor. Trata-se de um amor completamente imerecido. Sua origem de modo algum está no objeto amado, mas inteiramente em Deus. LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 213-214.    

 

Enquanto o versículo 5 fala sobre o amor de Deus como experiência subjetiva, os versículos 6 a 8 deixam claro que é mais do que isso. Deus demonstrou seu amor por nós tangivelmente através da morte de Cristo (v. 8). A conversa sobre a morte domina esta passagem. Ainda que não seja evidente pelo texto em nosso idioma, cada uma das quatro frases desta seção termina com a palavra “morrer” (apollonesko). É porque a morte de Cristo representa o último ato de graça e a prova mais constrangedora do amor de Deus. O que Paulo nos mostra aqui numa série de contrastes é a natureza da “maravilhosa graça”. 1) Há um contraste total entre o que Deus nos dá e o que é de fato merecido. A cruz representou a extensão do seu amor àqueles que menos a mereciam.

A morte de Cristo ocorreu “a seu tempo”, ou seja, citando as palavras de Bruce (1985), “em tempo de maior necessidade” — quando ainda éramos fracos e incapazes por causa de nossa impiedade (v. 6). 2) Há um contraste completo entre o amor divino e o humano. O amor humano tende a ser condicional; o amor divino, incondicional. Ainda que alguém mona por outrem que tenha algum mérito (v. 7), Cristo morreu pelos destituídos de mérito — Ele morreu pelos pecadores (v, 8; cf, Rm 4.5). A frase “Cristo morreu por nós” (Rm 5-8) expressa sua morte sacrifical em nosso favor. Este entendimento tradicional da morte de Cristo (“Primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados” 1 Co 15-3D foi ampliado em Romanos 3-21-26. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 842.    

 

   2.   A fé e o amor no ensino de Paulo.

 

  O apóstolo nos diz que o amor é a fonte da justiça de Deus imputada ao pecador, concedida pela graça por meio da fé. Assim, fé e amor têm uma correlação inigualável. Aos efésios, Paulo escreveu “Pelo que, ouvindo eu também até que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com todos os santos (Ef 1.15). Em 2 Tessalonicenses, ele arremata: “Sempre devemos, irmãos, dar Graças a Deus por vós, como é de razão porque a vossa fé cresce muitíssimo, e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros” (2 Ts 1.3). Portanto, segundo o ensino do apóstolo, há uma correlação necessária entre a fé em Cristo e o amor entre os irmãos. Logo, na fé crista, o único débito que temos como crentes em Jesus é o amor reciproco para com os outros. Esse amor deve ser demonstrado na igreja local.    

Comentário

    De modo prático e objetivo, Paulo desenvolveu uma teologia prática do amor em 1 Tessalonicenses 1.3 quando disse: “lembrando-nos, sem cessar, da obra da vossa fé, do trabalho do amor e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai”. Em outra carta, aos Efésios, Paulo elogiou a fé demonstrada por aqueles cristãos e acrescentou a palavra “amor” à declaração quando disse no Senhor Jesus: “Pelo que, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus e o vosso amor para com todos os santos, não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações” (Ef 1.15,16). O que Paulo queria que os efésios entendessem é que o amor se move com a fé e a faz agir. Portanto, fé e amor agem com uma correlação inigualável. Na teologia de Paulo, o amor fortalece a ética da justiça de Deus imputada ao pecador e concedida pela graça por intermédio da fé. Vários textos das cartas de Paulo aclaram esse pensamento. Na segunda Carta aos Tessalonicenses 1.2, Paulo disse: “Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é de razão, porque a vossa fé cresce muitíssimo, e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros”. Nesse aspecto da teologia cristã, Paulo faz entender que há uma correlação necessária entre a fé em Cristo e o amor pelos outros. O único débito interminável que todos nós temos como crentes em Cristo é o amor recíproco, que devemos ter uns para com os outros.

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

«…tendo ouvido a fé que há entre vás no Senhor…» Temos aqui menção acerca da fé evangélica, em Cristo, e não mera crença em qualquer credo doutrinário que porventura sigamos. A fé em Cristo inclui, naturalmente, certas crenças a respeito de sua pessoa; mas a própria fé consiste da entrega da alma às mãos de Cristo Jesus, a confiança que parte da própria alma, o que, na realidade, é o começo da conversão. A conversão se compõe da atitude dupla da fé e do arrependimento, e ambos esses seus aspectos são obra do Espirito Santo. (Ver Gál. 5:22 a respeito da «fé» como um dos aspectos do fruto do Espírito Santo. Ver as notas expositivas completas sobre a «fé», em Heb. 11:1. Comparar com o trecho de Gál. 3:26, onde se lê: «…todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus»). Por mais intensa que seja a crença ou profissão verbal e intelectual de qualquer «lista ortodoxa» de doutrinas, isso não pode substituir a fé que se origina na própria alma; pois essas duas coisas não são uma e a mesma coisa. Na fé verdadeira, o indivíduo entrega sua alma eterna a Cristo, a fim de participar do destino prometido aos remidos pelo sangue do Cordeiro. Essa entrega de si mesmo é que recebe o nome de fé, e essa atitude da alma é produzida pelo poder do Espírito Santo. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 544.      

   3.   A dimensão prática do amor na igreja.

 

  No ministério de Paulo, o amor tem um caráter prático. E, de acordo com o ensino do nosso Senhor, principalmente conforme apresentado na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10.25-37), o amor se manifesta na atitude concreta em relação ao outro. Num contexto em que nos acostumamos a denominar o amo como algo abstrato, é preciso mostra-la de maneira concreta no ambiente da igreja local: pastorear com fidelidade os crentes, suprir a necessidade de quem precisa, visitar os irmãos em suas enfermidades, orar uns pelos outros e tudo quanto se apresentar como oportunidade de amar (Rm 13.10).    

Comentário

    “O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (13.10). O amor é benigno, e não maligno. O amor é altruísta, e não egoísta. O amor coloca sempre o outro na frente do eu. O amor respeita a vida do outro, por isso quem ama não mata. O amor respeita a honra e a família do outro, por isso quem ama não adultera. O amor respeita os bens e a propriedade do outro, por isso quem ama não furta. O amor respeita o bom nome do outro, por isso quem ama não se presta ao falso testemunho. O amor não deseja o que é do outro; antes, está contente com o que Deus lhe deu, por isso quem ama não cobiça. William Hendriksen diz que cada mandamento negativo (“Não”) está na base de um mandamento positivo. Portanto, eis o significado: Você amará, e por isso não cometerá adultério, mas preservará a sacralidade dos laços conjugais. Você amará, e por isso não matará, mas ajudará seu próximo a conservar-se vivo e bem. Você amará, e por isso nada furtará que pertença a seu próximo, mas, antes, protegerá suas possessões. Você amará, e como resultado não cobiçará o que pertença a seu próximo, mas se alegrará no fato de que ele possui algo.

LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 435-436.    

 

Paulo entrelaça os dois temas de amor e lei — o primeiro, o tema dominante da seção parenética, o último, um tema principal na parte anterior da carta. A ideia de que o amor é o cumprimento da lei agrupa Romanos 13.8-10. Reflete os pronunciamentos de Jesus concernentes, por um lado, à sua missão de cumprir em vez de abolir a lei (Mt 5.17-20), e, por outro, à essência da lei do Antigo Testamento como amor a Deus e ao próximo (Mc 12.28-34). Jesus citou Levítico 19.18b para chegarão ponto desejado de que o amor ao próximo é um dos dois mais importantes mandamentos (Mc 12.31). Assim, nesta seção, onde Paulo está concluindo o ensino sobre a interação do crente com o mundo, ele invoca este mesmo versículo para definir a maneira na qual o crente pode cumprir a lei agindo em amor na vida cotidiana (cf. Rm 8.4). A fim de defender sua afirmação de que “quem ama aos outros cumpriu a lei” (v. 8), Paulo alude a quatro mandamentos (as proibições contra o adultério, o assassinato, o roubo e a cobiça) que são pertinentes às relações sociais, e argumenta que estes mandamentos são resumidos no mandamento de amar o próximo como a si mesmo (w. 9,10).

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 901.    

 

No dizer de Leibnitz, «O amor é aquela qualidade que encontra sua felicidade no bem alheio». Tal princípio não pode ser limitado somente à atitude que evita ações negativas contra o próximo. Antes, deve ser uma atitude positivamente altruísta. O grande comentário inspirado e apostólico sobre essa maior das virtudes cristãs é o trecho do décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios, que é um dos maiores se não o maior de todos os poemas já escritos em louvor ao amor cristão. O amor cristão é essencialmente altruísta, manifestando-se na forma de ações destituídas, de egoísmo, não sendo apenas o evitar de certas ações pecaminosas e francamente prejudiciais contra 0 próximo. Porém, até mesmo os seus aspectos «negativos» são uma forma de ação altruísta, porquanto, com frequência, assume um poder especial da vontade, da determinação do ser, e de não praticar certas coisas. Esse mesmo poder e essa mesma determinação também se devem manifestar na forma de ações positivas de bondade para com o próximo. Ora, tudo isso seria simplesmente impossível para o homem não-regenerado, que é naturalmente egoísta, embora o «amor», como um princípio da atuação do Espírito Santo, permeie a sociedade inteira dos homens, e não apenas as congregações dos indivíduos piedosos.

As ações amorosas do Espírito Santo são de escopo universal, e qualquer bondade verdadeira que os homens demonstram, sem importar se são homens regenerados ou não, deve ser atribuída ao Espírito de Deus. Não fora a influência permeadora do Espírito Santo, a maldade e a malícia seriam tão generalizadas e malignas que o mundo seria transformado num mato primitivo, onde as paixões desenfreadas seriam a lei e a atmosfera dominante. No homem regenerado, entretanto, para quem Paulo escreveu esta epístola aos Romanos, o amor deve ser uma força poderosa, que amolde todas as ações de sua vida. O amor cristão, pois, leva o crente a não tentar prejudicar a seus semelhantes, mediante a desobediência a qualquer dos mandamentos de Deus. Esse grande mandamento, portanto, o de amar ao próximo como a nós mesmos, de acordo com a medida e o estilo em que amamos a nós mesmos, envolve todos os outros mandamentos que governam a ação social. Mediante essa exposição, portanto, Paulo queria esclarecer-se sobre o fato que o amor é divino, pertencente ao outro mundo, um dos aspectos do fruto do Espírito Santo, conforme também ele diz algures, em Gál. 5:22,23.

E, nessa lista citada, o amor aparece em lugar de destaque, o primeiro lugar, porquanto é o aspecto fundamental e todo inclusivo do fruto do Espírito Santo. O famoso rabino judeu, Hilel (que viveu pouco tempo depois dos dias de Jesus Cristo à face da terra, e que foi o fundador de uma das principais escolas teológicas dos judeus), quando alguns gentios lhe solicitaram que repetisse a substância da lei judaica, estando de pé sobre uma única perna, disse: «Não faças aos outros o que não queres que te façam». Embora essa ideia tenha sido proferida de forma negativa, de fato expressa a substância da lei, sendo exatamente isso que o apóstolo Paulo enfatiza aqui, no décimo terceiro capítulo da epístola aos Romanos.

«Assim como o amor, devido à sua própria natureza, busca e se deleita em agradar a seu objeto, a sua própria existência serve de segurança eficaz contra nossas tentativas de prejudicá-lo». (Brown, in loc.). O amor é uma inspiração, e em seguida é uma expressão divina no íntimo do crente. Por essa mesma razão não somente o crente impelido pelo amor cristão evita prejudicar seus semelhantes, mas também fará tudo quanto estiver a seu alcance para praticar o bem positivamente. Esse princípio, em sua inteireza, é eloquentemente expresso no trecho de I Cor. 13:4-7. O versículo que ora comentamos pode ser confrontado com a Regra Áurea, expressa pelo Senhor Jesus: «Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-0 vós também a eles; porque esta é a lei, e os profetas» (Mat. 7:12). CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 831.    

SÍNTESE DO TÓPICO II

O amor e a fé aparecem nas cartas de Paulo como virtudes complementares.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“No capítulo 13 de 1 Coríntios, Paulo mostra que o amor é mais importante do que todos os dons espirituais exercitados na Igreja. Grande fé, atos de declaração ou sacrifício e poder de realizar milagres têm poucos efeitos se estiverem desprovidos de amor. O amor faz com que as nossas ações e dons sejam úteis. Embora as pessoas tenham diferentes dons, o amor está disponível a todos. Nossa sociedade confunde o amor e a luxúria. Ao contrário da luxúria, o amor é dirigido exteriormente, as outras pessoas, e não interiormente, a nós mesmos. É totalmente desinteressado. Esse tipo de amor é contrário ás nossas inclinações naturais. É impossível ter esse amor a menos que Deus nos ajude a colocar nossos próprios desejos naturais de lado, de forma que possamos amar e não esperar nada em troca. Desse modo, quanto mais nos tornamos semelhantes a Cristo, mais amor mostraremos para com os outros (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, p.1602).        

III – AS TRES VIRTUDES NA IGREJA DE TESSALONICA: FE, AMOR E ESPERANÇA

 

   1.   As três virtudes teologais (1 Ts 1.3).

 

  Veja o que o apóstolo diz em sua oração: “Lembrando-nos, sem cessar da obra da vossa fé, do trabalho do amor e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai” (1 Ts 1.3 – Grifos nosso). Aos coríntios Paulo escreveu: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor” (1 Co 13.13). Assim, as três virtudes que formam uma tríade especial nos ensinos de Paulo são a fé, o amor e a esperança. Tais virtudes devem participar da vida da igreja local.    

Comentário

  Quando o apóstolo dá graças a Deus em oração pelos irmãos tessalônicos, diz: “Lembrando-nos, sem cessar, da obra da vossa fé, do trabalho do amor e da paciência da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo, diante de nosso Deus e Pai”. Trata-se de uma tríade especial na vida cristã: “fé, esperança e amor”. Paulo escreveu aos coríntios: “Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o amor” (1 Co 13.13). Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Um testemunho formidável (1.3). A igreja de Tessalônica, embora nova na fé, tinha as marcas da maturidade cristã. Ela possuía as três virtudes cardeais da vida cristã: fé, amor e esperança (I Co 13.13). Quanto ao passado estava firmada na verdade, pois tinha colocado sua fé em Deus e agora estava trabalhando para Ele. Quanto ao presente estava envolvida no amor a Deus e ao próximo. Quanto ao futuro estava sendo alimentada pela expectativa da segunda vinda de Cristo. I. Howard Marshall define essas três virtudes assim: A fé é a aceitação da mensagem do evangelho, a confiança em Deus e Jesus, e a dedicação obediente (1.8; 3.2,5-7,10; 5.8).

O amor é a afeição que é expressa no cuidado altruísta alguém, o tipo de amor que o próprio Deus demonstrou ao enviar Jesus para morrer por nós (Rm 5.8); os cristãos devem demonstrá-lo uns aos outros e para todos os homens (3.12), e sua atitude diante de Deus deve ser da mesma qualidade, expressando-se em completa devoção a Ele (3.6,12; 5.8,13). A esperança é a expectativa confiante de que Deus continuará a cuidar do Seu povo e que o fará vencer as provações e os sofrimentos até chegar à bem-aventurança futura na Sua presença (2.19; 4.13; 5.8).

LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 33.    

 

Paulo expõe aqui uma tríada favorita das virtudes cristãs, que são elevadas como características eternas do homem redimido. Vê-se também essa tríada em I Tes. 1:3; 5:8 e Col. 1:4,5. E apesar dos gnósticos terem uma declaração similar, que envolvia quatro virtudes (a fé, o conhecimento, o amor e a esperança), não é provável que Paulo tivesse modificado o pensamento gnóstico para uma tríada. Pelo contrário, ele percebia que existem três grandes valores morais e espirituais, e que certamente todos eles são aspectos do fruto do Espirito Santo (ver Gál. 5:22.23_L embora a esperança certamente não seja especificamente alistada ali. O trecho de Rom. 8:25,26 parece indicar-nos a espiritualidade da esperança; ou, em outras palavras, que é através da operação do Espírito de Deus, e não de algum desenvolvimento humano, de alguma espécie de expectação psicológica, no mero nível humano, que a esperança se forma no coração dos remidos.

A menção de uma «tríada» de valores não diminui a grandiosidade do amor, pois é deixado bem claro que o amor é a maior dessas virtudes; e a sua própria grandeza é ilustrada pelo fato que por maior que sejam a fé e a esperança, o amor ainda é maior. «…o amor…» (Quanto a definições do «amor», ver o primeiro versículo deste capítulo. Quanto a outras notas expositivas sobre o «amor», além das expostas nessa exposição, ver João 14:21 e 15:10). O amor figura nas Escrituras como a maior das virtudes cristãs, pelos seguintes motivos: 1. Porque Deus é amor, que é a maior característica do seu ser. (Ver I João 4:8,16).

  1. Conforme temos podido observar, os dons espirituais, desacompanhados do amor, nada são; pois é através do amor que eles são conduzidos à sua expressão mais perfeita. Assim sendo, o amor é a energia da fé, agora e na eternidade, bem como da esperança, posto que assegura a conquista do grande alvo. Confiamos em um Deus amoroso, no sentido de que as coisas que ele nos confere, como a fé e a esperança são realidades.
  2. Considerando que a natureza divina se caracteriza pelo amor, sabemos que a imortalidade tem de ser um fato, porquanto um Deus amoroso não haveria de criar o homem, dotado de fé e de esperança, para ser reduzido a nada por ocasião da morte física. A mera sobrevivência após a morte física também não explica tudo, pois o amor de Deus exige a realidade de uma elevada inquirição espiritual, na forma de transformação segundo a imagem de Cristo. A fé e a esperança, por conseguinte, bem como todas as demais virtudes, repousam sobre o amor de Deus, para terem valor inerente.
  3. Este capítulo salienta o amor como a maior dessas virtudes cristãs, devido à sua utilidade superior. O amor é finalmente altruísta, e não egoísta. Até mesmo a fé e a esperança podem assumir formas egoísticas, embora não devem as coisas ser assim; mas o amor jamais pode assumir cal deturpação egoística, noraue o amor é a essência mesma do altruísmo.
  4. O amor é a base de toda ação moral. O amor cumpre a lei inteira (ver Rom. 13:9 e ss.).
  5. Em si mesmo, o amor é a maior das virtudes espirituais (ver Gál. 5:22), a raiz de todas as demais virtudes.
  6. Também é comprovação de espiritualidade, baseado como está o amor sobre o novo nascimento (ver I João 4:7,8).

«O amor, como dissemos, é símbolo da eternidade. Apaga todo o senso do tempo, destruindo toda a memória de um começo, e sem qualquer temor de um fim». (Madame de Stael, em Corina). «Retire alguém o amor da vida, e será retirado todo o seu prazer». (Molière, em Cavalheiro Burguês). O amor se assemelha ao resto da vida. Sem amor, a vida perde o seu sabor. A fé desaparecerá da visão, A esperança se esvaziará no deleite, O amor no céu brilhará mais, Portanto, dai-nos o amor! «O amor ocupa uma posição suprema; de fato, tanto a fé como a esperança pereceriam sem o amor». (Shore, in loc.). Sim, o amor é a «maior» dessas virtudes porque, no dizer de De Wett, (in loc.): «…contém em si mesmo a raiz das duas outras virtudes: cremos em alguém a quem amamos, e esperamos somente naquilo que amamos». «Nada no mundo vive e prospera senão à sombra do amor. Correi a série orgânica inteira, e encontrá-lo-eis por toda a parte, e presidindo aos destinos da vida… Subi às regiões etéreas, onde os astros colossais percorrem em órbitas infinitas a rota que a mão do Criador lhes imprimiu, subi nas asas do pensamento, e vereis que os mundos não se precipitam nos abismos incomensuráveis do espaço, produzindo a mais pavorosa das catástrofes, antes giram harmônicos e submissos à lei suprema da ordem, porque os dirige uma força misteriosa e soberana—a atração universal, outra forma de amor». CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 213.    

 

  2.   A virtude da fé.

 

  A primeira virtude é a fé. Na Carta aos Tessalonicenses, a fé se refere ao efeito prático que o apóstolo denomina de “obra da fé”. Essa obra estava presente na igreja dos tessalonicenses e Paulo sentia-se grato a Deus por isso. Assim, somos encorajados a produzir frutos na igreja local como reflexo da nossa fé (Tg 2.18).    

Comentário

 

  Paulo fala da “obra da fé” que aqueles irmãos faziam levando o nome de Jesus a outras pessoas. Essa obra não era outra coisa senão a identificação da fé demonstrada por esses irmãos. Naturalmente, esse tipo de fé é operada pelo Espírito, que também opera a esperança de recebimento da bênção divina. A obra da fé aqui nesse texto não anula a doutrina da justificação pela fé, mas refere-se ao fato de que a fé salvadora tem o seu efeito prático na “obra da fé”. Não somos justificados pelas obras que fazemos. Paulo estava grato a Deus pela obra produzida pela fé, e, sem dúvida alguma, a fé daqueles crentes não era perfeita, mas era o fruto do trabalho feito com fé. Tiago, em sua epístola, escreveu sobre o assunto: “Mas dirá alguém: Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2.18). Apesar das duras oposições, aqueles crentes estavam verdadeiramente servindo a Deus e perseverando na fé (1 Ts 1.6; 2.14,15; 3.3-8). Não devemos pensar na fé como virtude que o crente produz por um ato meritório. O próprio apóstolo Paulo escreveu aos Romanos sobre “a obediência da fé” (Rm 1.5; 16.26), que implica num tipo de obediência que brota da fé, que consiste na fé. Porém, quando falamos da obra da fé, entendemos que “obra e obediência” estão ligadas à fé para realizar a obra. Obedecemos a vontade do Senhor porque cremos na Sua palavra.

Em Romanos 14.23, Paulo diz: “Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado”. Se minha atitude ética fere o meu irmão que é mais fraco no entendimento das coisas éticas que praticamos, a minha fé tem que ser superior aos limites da compreensão do meu irmão, não para desafiá-lo ou escandalizá-lo, mas para conviver de forma sadia que glorifique a Deus. Para isso, a fé precisa ser equilibrada pelo amor ao outro irmão. Por isso, ele disse: “Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14.22,23). A minha fé é forte e não me condena; devo respeitar a fé do mais fraco que se escandaliza por essas coisas. Por isso, a minha fé deve estar aliada ao amor pelos irmãos.

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

A fé produz obras. Quando uma pessoa crê verdadeiramente em Jesus, ela se torna operosa no Reino de Deus. Matthew Henry diz que onde quer que exista uma fé verdadeira, encontraremos obra, pois a fé sem obras é morta (Tg 2.14).4′ Salvação conduz ao serviço. Quanto mais robusta é a fé que um povo tem em Cristo, tanto mais dedicado é o seu trabalho para Ele. A palavra traduzida por “operosidade” é ergon, trabalho ativo ou todo o trabalho cristão governado e energizado pela fé. William Hendriksen diz que cuidar dos doentes, consolar os que estão à morte, instruir os incultos, tudo isso e muito mais ocorre à lembrança. Contudo, considerando os versículos 6-10 deste capítulo, parece que o apóstolo se refere, sobretudo, à obra de propagar o evangelho, e de fazer isso até mesmo em meio a terrível perseguição. Isso, sim, foi uma obra resultante da fé. LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 33-34    

 

«…a operosidade da vossa fé …» Nas páginas do N.T., a «…fé…» quase sempre é a fé «evangélica», em seu sentido «subjetivo». Em outras palavras, há aqui alusão à «fé deles», ao exercício de sua confiança em Cristo e em seu evangelho—a fé salvadora, enfim. Trata-se da «confiança que parte da alma», e não apenas de confiança em Cristo, embora isso também diga uma verdade. (Notas expositivas completas são dadas acerca da natureza desse tipo de fé em Heb. 11:1). Toda a fé, inicial e progressiva, é fruto do Espírito Santo (ver Gál. 5:22) são dádiva de Deus. (Isso é comentado em Efé. 2:8 e Fil. 1:29). Em contraste com esse aspecto da «fé», a fé «objetivação dos «princípios básicos» da fé, como um credo ou sistema doutrinário, como um conjunto de crenças que caracteriza algum grupo ou algum indivíduo. O justo vive (em sua vida espiritual, no exercício da mesma) «de fé em fé». (Ver Rom. 1:17 quanto a notas expositivas relativas a esse conceito). A « …operosidade …» da fé, neste caso, é a atividade, o desenvolvimento espiritual, o esforço evangélico que a fé cristã inspira; é também a prática da fé cristã diária, tanto no que diz respeito ao próprio crente individual como no que concerne àqueles que o circundam.

Conforme comenta Robertson (in lo c .) : «É interessante observarmos a incisiva junção dessas duas palavras, por Paulo. Somos justificados pela fé; mas a fé também produz boas obras (ver Rom. 6 – 8), conforme João Batista ensinava, conforme Jesus ensinava, e conforme Tiago o faz, no segundo capítulo de sua epístola». E isso pode ser confrontado com o trecho de Gál. 5:6, onde se aprende que aquilo que tem valor, diante de Cristo, não é a religião legalista e cerimonial, mas a fé, que «…opera pelo amor…» Por conseguinte, está aqui em foco toda a atividade e spiritual que tem esse alicerce e essa motivação. É Deus quem opera em nós «…tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade» (Fil. 2:13). E essa é a razão pela qual, por nossa vez, ocupamo-nos de obras santas, desenvolvendo nossa salvação, conforme se vê no versículo anterior ao que acabamos de citar. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 168      

   3.   A virtude do amor.

 

  Em 1 Tessalonicenses 1.3, o apóstolo fala do “trabalho do amor”. Ora, o que podemos entender por isso? Havia um senso coletivo nos Tessalonicenses de que os seguidores de Jesus deveriam trabalhar motivados pelo amor ao nosso Senhor. O “trabalho do amor” era algo muito concreto. Em Tessalônica não existia doutrina destituída de amor. Estamos diante de uma igreja doutrinária e cheia de amor prático.    

Comentário

    Mais uma vez, lembramo-nos da expressão em 1 Tessalonicenses 1.3, em que Paulo fala do “trabalho do amor”. Ora, o que se entende por trabalho do vosso amor? Havia um senso coletivo e contínuo que dominava o coração daqueles crentes de que todos deveriam trabalhar motivados pelo amor ao Senhor Jesus. Não se tratava de somente um ato de amor, mas era algo produzido pela fé recebida, ou seja, todo o ensino que Paulo havia dado à igreja era dinamizado pelo Espírito Santo. No conceito de Paulo, amar os outros é a atitude mais importante da vida cristã, porque “não amar” dilui a energia que faz a igreja crescer em qualidade e que mantém o vigor da igreja. É claro que, sem o Espírito Santo, nossa natureza carnal impede que amemos os outros, já que a tendência natural de cada um de nós é pensar somente em si mesmo sem ter preocupação com o próximo.

Mas o fruto do Espírito que opera o amor anula a força da carne (Gl 5.19-22). A obra de fé dos tessalonicenses era motivada pelo amor que o Espírito Santo operava no coração dos crentes. O amor demonstrado por aqueles cristãos promovia um amor recíproco, isto é, de uns para com os outros. O amor representa a fortificação ética da justiça concedida mediante a fé em Cristo. Sem dúvida, é ele que une os diversos membros do corpo de Cristo para que vivam em harmonia. Aos Colossenses 2.2, Paulo expressou esse sentimento quando escreveu: “para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus — Cristo”.

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

O amor produz serviço intenso. A palavra usada por Paulo para “abnegação” é kópos, trabalho exaustivo, labor. A palavra denota o trabalho árduo e cansativo, que envolve suor e fadiga. Enfatiza o cansaço que decorre da utilização de todas as energias da pessoa. Nós evidenciamos o nosso amor por Cristo por aquilo que fazemos para Ele. Nós demonstramos amor ao próximo não apenas com palavras, mas com atitudes concretas de serviço. LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 34    

 

«…operosidade…» No grego é «kopos», com base no verbo «koptein», que quer dizer «bater», «fender», dando a entender uma «atividade laboriosa», um exercício cansativo, um «labor». O trecho de II Tes. 1:11 diz: «…cumpra com poder todo propósito de bondade e obra de fé…», o que expressa uma menção ainda ‘mais enfática da mesma atividade e realização, a qual se espera que venha a lume devido à fé viva, que se agita na alma crente, visto que o crente se entregou de «alma» a Cristo, sendo este aquele quem nos dá de seu Espírito, o qual empresta energia divina a todo o nosso trabalho espiritual. «…abnegação do vosso amor…» Ê o amor cristão que produz essa espécie de «operosidade» ou «labor». O amor é o poder que transcende ao que é terreno, que não conhece limite para o que é mortal e mundano. Esse é o poder divino, outorgado aos homens. Todo o autêntico amor que se manifesta no mundo, nos crentes e mesmo nos incrédulos, vem através do Espírito de Deus. O amor é um dos aspectos do «fruto do Espírito Santo» (ver Gál. 5:22).

Também deveria ser o princípio normativo de ação na família divina. «…amor…» é tradução do termo grego «agape», lema cristão, usado quase exclusivamente na literatura cristã, até onde vão as investigações a respeito, embora a forma «agapao», que é a forma verbal, seja bastante comum nos escritos clássicos. Nenhuma diferença real pode ser demonstrada entre «phileo» e «agapao», entretanto, pois se acompanharmos seu uso, nas páginas do N.T., logo descobriremos que eram usados como sinónimos, ambos os termos sendo usados para indicar o amor de Deus ou o amor humano, sem qualquer distinção. (Ver João 21:15 quanto a notas expositivas a respeito, em uma passagem que supostamente indica distinção entre essas palavras, mas que na realidade não nos fornece tal indicação). Não obstante, o N.T. jamais emprega o vocábulo grego «eros», que significa o amor apaixonado, do tipo sensual. A fé opera pelo «amor» (ver Gál. 5:6). Nenhum dom espiritual, por maior que seja, se reveste de qualquer significação, se for efetuado sem o acompanhamento do amor (ver o décimo terceiro capítulo da primeira epístola aos Coríntios); e dentre as três grandes virtudes cristãs, a fé, a esperança e o amor, o amor é a maior (ver I Cor. 13:13).

O amor também nos fornece o caminho mais rápido de retorno a Deus. Consiste de altruísmo puro, em que o indivíduo deseja para os outros o que quer para si mesmo. Deus é amor (ver I João 4:8); e aquele que conhece a Deus deve amar, porquanto estará participando da natureza divina, mediante as ações do Espírito Santo. Assim também, a perfeição consiste não meramente da ausência de pecado, porém, mito além disso, da participação na natureza moral positiva de Deus, como a sua bondade, a sua justiça e o seu amor; mas isso se verifica por intermédio da atuação do Espírito de Deus no crente, implantando nele a natureza de Cristo, duplicando no crente as suas perfeições. «Um ‘trabalho de amor’, dentro da linguagem corrente, é um trabalho qualquer, feito com tanto empenho e gosto, que nenhum pagamento se espera em troca do mesmo. Mas o que Paulo queria dar a entender aqui é o trabalho ‘laborioso’, como uma das características do amor cristão. Que os homens e as mulheres crentes indaguem de si mesmos se o amor deles pode ser assim caracterizado. Todos já nos sentimos exaustos em alguma ocasião da vida, como é de presumir-se; todos temos labutado arduamente nos negócios ou na realização de alguma ambição, ou no aperfeiçoamento de alguma realização, ou mesmo no domínio de algum jogo ou diversão, até nos sentirmos exauridos de forças.

Mas quantos de nós já trabalharam assim, em amor? Quantos de nós se tem deixado desgastar com algum labor que impusemos a nós mesmos, por amor a Deus? Isso é o que o apóstolo (Paulo) tinha em vista, nesta passagem». (Denny, in loc.). «…o amor trabalhara…» com a esperança de cumprir toda a vontade divina». (Adam Clarke, in loc.). «Uma atividade febricitante e laboriosa, impulsionada pelo amor». (Frame, in loc.). CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 168        

 

4.   A virtude da esperança.  

 

O apóstolo usa também a expressão “paciência da esperança”. A palavra “paciência” tem o sentido de resistência e perseverança. A ideia sugere uma “perseverança da esperança”. O que Paulo tinha em mente ao usar a expressão “paciência da esperança” era o sofrimento dos tessalonicenses com a perseguição que estavam suportando por amor a Cristo. E eles se comportavam assim com a alegria do Espírito Santo. O exemplo da igreja de Tessalônica nos ensina que a esperança cristã traz alegria ao coração de quem está suportando grandes tribulações e adversidades por amor a Cristo. Isso tocou o coração do apóstolo. E deve também tocar o nosso, encorajando-nos a perseverar alegremente na fé e no cuidado de Deus (At 5.41. Tg 1.2: 1 Pe 4.13).    

Comentário

 

    Esperança é a caraterística essencial da vida cristã. No texto do versículo 3, Paulo fala da “paciência da esperança”. A palavra “paciência” aqui tem o sentido de resistência, perseverança. A ideia que se sugere é “perseverança da esperança”. A lembrança que estava na mente de Paulo era o sofrimento que implicava perseguição e adversidade, e tudo isso os tessalonicenses suportavam com o gozo do Espírito Santo, pois, apesar de tudo, aqueles cristãos permaneciam firmes na fé recebida. Paulo escreveu: “E vós fostes feitos nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação, com gozo do Espírito Santo” (1 Ts 1.6). Paulo estava admirado pelo caráter demonstrado por esses cristãos, pois foram capazes de manter-se fiéis ao Senhor, mesmo enfrentando aquelas tribulações. Aprendemos aqui que as tribulações são inevitáveis no nosso dia a dia; nem por isso, iremos perder a esperança da glória. Devemos ter uma atitude positiva frente à tribulação, mas não devemos viver de lamentos ou de resignação passiva, mas, sim, adotar um espírito resoluto de coragem, perseverança e esperança no cuidado de Deus (At 5.41; Tg 1.2; 1 Pe 4.13). A palavra “esperança” também tinha um caráter escatológico, pois pode referir-se à esperança da vinda do Senhor. Paulo, depois de falar sobre o comportamento dos crentes frente às aflições, declara que os fiéis devem aguardar em esperança a volta do Senhor nos ares, quando os mortos em Cristo serão ressuscitados e os vivos, transformados num abrir e fechar de olhos, sendo arrebatados ao encontro do Senhor (1 Ts 4.13-17).

Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

A esperança produz paciência triunfadora. A igreja de Tessalônica estava com os pés na terra, mas com os olhos no céu. Ela servia no mundo, mas aguardava a glória do céu. Sua esperança não era vaga, mas firme. A palavra que Paulo usou para “firmeza” é uma das mais ricas da língua grega. E hupomone, que significa paciência triunfadora. Fritz Rienecker diz que hupomone é o espírito que suporta as coisas, não com mera resignação, mas com uma viva esperança. É o espírito que suporta as coisas porque sabe que elas estão a caminho de um alvo de glória. LOPES. Hernandes Dias. 1 e 2 Tessalonicenses. Como se preparar para a segunda vinda de Cristo. Editora Hagnos. pag. 34    

 

«…esperança em nosso Senhor Jesus Cristo…» A palavra «…esperança… » pode ser entendida aqui em sentido «subjetivo», isto é, a esperança que exercemos, aguardando a plena fruição de nossa salvação; e, no presente versículo, em particular, salienta-se a segunda vinda de Cristo, que será um grande salto para diante, na experiência da salvação e da glorificação. Mas a esperança também pode ter um sentido «objetivo», isto é, «a realidade esperada», como a «esperança guardada nos céus», a «fruição» ou «realização» daquilo que se espera. (Ver Col. 1:5). No presente versículo, entretanto, devemos entendê-la como «subjetiva». Está em pauta aquela atitude de confiança em Cristo, crendo que ele cumprirá as suas promessas. (Quanto a notas expositivas completas sobre a «esperança», tanto em seu sentido subjetivo como em seu sentido objetivo, ver Rom. 8:24,25). E vemos que essa esperança cria em nós a «firmeza». «…firmeza da vossa esperança…» No grego temos o vocábulo «upomone», que significa «paciência», «constância», «resistência». Neste ponto a esperança é pintada como uma simples «espera paciente». Todavia, a ideia de «paciência», neste caso, não é o que geralmente se pensa sobre o termo, isto é, uma espécie de atitude que nos faz «sorrir e esperar», o aguardo manso pela melhoria ou pelo resultado que esperamos. Antes, a esperança se baseia aqui na ideia da «constância», da «resistência», que se mostra constante, a despeito das perseguições. Trata-se da «constância» nos propósitos e no labor, enquanto o crente aguarda o retorno de Jesus Cristo, o que, por sua vez, nos inspira a constância. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 168    

SÍNTESE DO TÓPICO III

Três virtudes mencionadas por Paulo: fé, amor e esperança.

 

CONHEÇA MAIS

*Sobre o amor “[1 Corintios] 13.4-7 O Amor. Essa seção descreve o amor divino através de nós como atividade e comportamento, e não apenas como sentimento ou motivação interior. Os vários aspectos do amor, neste trecho, caracterizam Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Sendo assim, todo crente deve esforçar-se para crescer nesse 11 tipo de amor.” Para ler mais, consulte a “Bíblia de Estudo Pentecostal“, editada pela CPAD, p.1759.    

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Paulo visitou Tessalônica durante sua segunda e terceira viagens missione rias. Esta cidade era um centro comercial portuário, e estava localizada na Via Egnatio, que era uma movimentada estrada nacional. É provável que o apóstolo tenha escrito as duas cartas aos Tessalonicenses enquanto esteve em Corinto. O evangelho veio em poder aos Tessalonicenses e teve um efeito poderoso na vida dos crentes (1 Ts 1.5) Sempre que a Bíblia é ouvida e obedecida, vidas são transformadas. O cristianismo é mais do que uma coleção de fatos importantes; é o poder de Deus para todo aquele que cré. O que o poder de Deus tem feito em sua vida desde o momento em que você creu no Senhor pela primeira vez?” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, pp. 1685,86).    

CONCLUSÃO

Esta lição nos ensina que devemos amar a igreja em que congregamos. Esse era o sentimento do apóstolo pela igreja de Tessalônica. Seu coração se alegrava pela fidelidade e lealdade dos tessalonicenses aos ensinos de Cristo. A igreja local é a forma visível da Igreja de Cristo, por isso devemos amá-la.    

PARA REFLETIR

  A respeito de “Paulo e seu Amor pela Igreja”, responda:  

  • O que a Primeira Carta de Paulo aos tessalonicenses atesta?

A primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses atesta o amor do apóstolo pelos membros dessa igreja (1.2,3).  

  • Qual elogio Paulo fazia aos tessalonicenses?

Um dos elogios de Paulo aos tessalonicenses era a respeito do modo como eles receberam a Palavra e sua prática em coerência com o ensino recebido  

  • O que o apóstolo mostra como expressão suprema do amor?

O apóstolo mostra que a expressão suprema desse amor é a crucificação de Jesus no Calvário, seu doloroso sacrifício.  

  • O que há entre a fé e o amor no ensino de Paulo?

Uma correlação inigualável  

  • Quais as três virtudes que formam uma tríade especial nos ensinos de Paulo?

Fé, amor e esperança.    

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.                

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