10 LIÇÃO AS PROFECIAS DESPERTAM E TRAZEM ESPERANÇA    

 

10 LIÇÃO AS PROFECIAS DESPERTAM E TRAZEM ESPERANÇA    

  10 LIÇÃO AS PROFECIAS DESPERTAM E TRAZEM ESPERANÇA    

 

TEXTO ÁUREO

“Bem -aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.” (Ap 1.3)  

VERDADE PRÁTICA

As profecias são mensagens que expressam a soberana vontade do Senhor. Elas servem para alertar o povo de Deus, produzindo esperança e confiança nas promessas divinas.    

 

LEITURA DIÁRIA    

Segunda – Hb 1.1 Deus falou muitas vezes e de várias maneiras por meio dos profetas  

Terça – Jr 50.19,20 Deus prometeu a restauração do remanescente da nação eleita  

Quarta – Am 9.14 Deus confirma a promessa de restaurar o seu povo  

Quinta – Mq 4.10 O Senhor confirma a restauração de Judá do cativeiro babilônico  

Sexta – Zc 3.8 O profeta anuncia a vinda do Messias, como o renovo do Senhor  

Sábado – Ap 21.2-4 O pecado será banido para sempre e os eleitos herdarão a Nova Jerusalém    

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE    

Jeremias 1.4-10; Joel 1.1-3; Apocalipse 1.1-3

Jeremias 1

4- Assim veio a mim a palavra do Senhor, dizendo:

5- Antes que te formasse no ventre, eu te conheci; e, antes que saísses da madre, te santifiquei e às nações te dei por profeta.

6- Então disse eu: Ah, Senhor JEOVÁ! Eis que não sei falar porque sou uma criança.

7- Mas o Senhor me disse: Não digas: Eu sou uma criança; porque, aonde quer que eu te enviar, irás; e tudo quanto te mandar dirás.

8- Não temas diante deles, porque eu sou contigo para te livrar, diz o Senhor.

9- E estendeu o Senhor a mão, tocou-me na boca e disse-me o Senhor: Eis que ponho as minhas palavras na tua boca;

10- Olha, ponho-te neste dia sobre as nações e sobre os reinos, para arrancares, e para derrubares, e para destruíres, e para arruinares; e para edificares e para plantares.  

Joel

1 1- Palavra do SENHOR que foi dirigida a Joel, filho de Petuel.

2- Ouvi isto, vós, anciãos, e escutai, todos os moradores da terra: Aconteceu isto em vossos dias? Ou também nos dias de vossos pais?

3- Fazei sobre isto uma narração a vossos filhos, e vossos filhos, a seus filhos, e os filhos destes, à outra geração.  

Apocalipse 1

1- Revelação de Jesus Cristo, a qual Deus lhe deu, para mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer; e pelo seu anjo as enviou, e as notificou a João seu, servo,

2- o qual testificou da palavra de Deus, e do testemunho de Jesus Cristo, e de tudo que tem visto.

3- Bem -aventurado aquele que lê, e os que ouvem as palavras desta profecia, e guardam as coisas que nela estão escritas; porque o tempo está próximo.    

Hinos Sugeridos: 28, 84, 259 da Harpa Cristã    

PLANO DE AULA

1-INTRODUÇÃO    

Nesta lição estudaremos a profecia bíblica, no Antigo e no Novo Testamentos. Os profetas foram pessoas escolhidas por Deus para anunciar a sua revelação. A mensagem profética tinha o propósito de gerar despertamento, arrependimento e/ou fortalecimento da fé e da esperança. Dada sua importância, estudaremos a ação ministerial dos profetas maiores e menores, que se dirigiram aos hebreus e a outras nações. Também veremos o conteúdo de Apocalipse, visto que se trata de uma mensagem profética direcionada à Igreja de Cristo.    

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO  

A) Objetivos da Lição:

I) Destacar a atuação ministerial de Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel;

II) Conhecer o período e a região geográfica de atuação dos Profetas Menores;

III) Entender o propósito e mensagem do livro de Apocalipse.

B) Motivação: As profecias bíblicas são uma demonstração da Graça de Deus que se manifesta e se revela ao seu povo no tempo e na História.

C) Sugestão de Método: A fim de introduzir o segundo tópico, escreva os nomes dos doze profetas menores em tiras de papéis e distribua-os entre os alunos da sua turma. Peça que cada um fale o que sabe ou lembra sobre o profeta selecionado.

    3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO  

A) Aplicação: Explique aos seus alunos que a profecia bíblica é uma mensagem de despertamento e/ou esperança. Ressalta que os livros proféticos tem um forte apelo à prática da justiça e da misericórdia.

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão: Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios às Lições Bíblicas. Na edição 88, p.41, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará um auxílio que dará suporte na preparação de sua aula:

l) O auxílio “o ofício do profeta ”, localizado ao final do primeiro tópico, reflete sobre o significado dos termos em hebraico que são utilizados para compor o conceito de profeta no Antigo Testamento;

2) O auxílio “ Uma Visão Geral do Apocalipse”, localizado ao final do terceiro tópico, traz uma introdução ao último livro da Bíblia. Lê-lo reverentemente gera oportunidade de desfrutar das mais ricas bênçãos espirituais.    

 

INTRODUÇÃO  COMENTÁRIO   

Os livros proféticos do Antigo Testamento se dividem em “ Profetas Maiores” e “Profetas Menores”. A designação serve para diferenciar o tamanho dos livros e não o grau de importância de seus autores. Os Profetas Maiores são Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel. Já os outros doze, de Oséias a Malaquias, são os Profetas Menores. No Novo Testamento apenas o livro de Apocalipse é classificado como profético. A mensagem deste livro desperta e, ao mesmo tempo, produz esperança para o povo de Deus.    

 

COMENTÁRIO    

 

Os livros proféticos do Antigo Testamento se dividem em “Profetas Maiores” e “Profetas Menores”. A designação serve para diferenciar o tamanho dos livros, e não o grau de importância de seus autores. Os profetas maiores são Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel, e os outros doze livros, de Oseias a Malaquias, são os profetas menores. No Novo Testamento, apenas o livro de Apocalipse é classificado como profético. A mensagem dos profetas é de suma importância para despertar o cristão. Nos livros proféticos, a soberania, a justiça e a misericórdia divina estão claramente reveladas. Os fatos narrados comprovam o poder, a autoridade e o controle divino sobre todas as coisas. Eles nos servem de experiência de fé e produzem esperança ao povo de Deus (Rm 5.4) Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Os chamados Profetas Menores — Oseias, Joel, Amos, Obadias, Jonas, Miqueias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias — viveram em um período de tempo que vai do século oitavo a.C. ao século quinto a.C.; entretanto, a sua mensagem é ainda atual e pungente para os nossos dias, pois traz princípios e advertências voltados para questões sociais, políticas, familiares e espirituais que se aplicam à realidade de crentes de todas as épocas, além de conterem revelações escatológicas, sobretudo relacionadas ao futuro de Israel, que ainda irão se cumprir, e muitas profecias relativas à Primeira Vinda de Cristo, que já se cumpriram e são atestadas nos Evangelhos. Os Profetas Menores são assim chamados não porque seus ministérios tenliam tido menos importância em relação aos dos chamados Profetas Maiores — Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel.

Essa designação, que tem origem no cristianismo, expressa apenas o fato de que aqueles foram profetas canônicos veterotestamentários que deixaram um menor registro de profecias em seus respectivos livros. Na Bíblia hebraica, eles estão contidos em um só volume e foram provavelmente agrupados dessa forma por volta de 425 a.C. por Esdras e a chamada Grande Sinagoga, um grupo formado por 120 doutores da Lei. Como destaca Isaltino Gomes, “o volume contendo todos os Profetas Menores se constitui de 67 capítulos e 1.050 versículos. É menor que Isaías, que tem 66 capítulos e 1.202 versículos; que Jeremias, que tem 52 capítulos e 1.364 versículos; e que Ezequiel, que tem 48 capítulos e 1.273 versículos. No entanto, […] não se deve pensar que a extensão de sua obra possa nos levar a presumir de pouco valor espiritual. […] Se tivermos sensibilidade e soubermos ouvir o que o Espírito Santo nos ensina através deles, nossa vida será grandemente enriquecida”.

Na literatura judaica, esses livros são chamados de “Os Doze” ou “Os Doze Profetas” (ou Dodekapropheton, no texto grego da Septuaginta) pelo menos desde 132 a.C. (outros datam 190 a.C.), época provavel da produção do livro apócrifo de Eclesiástico, escrito por Jesus Ben Sirac, que é o primeiro registro conhecido dessa designação: “Quanto aos doze profetas, refloresçam os seus ossos em seus túmulos, pois fortaleceram Jacó, e redimiram-se (da servidão) por uma fé corajosa” (Eclesiástico 49.12). Quanto à designação cristã “Profetas Menores”, ela surgiu na Igreja Latina, segundo afirma Agostinho (345-430 d.C.), bispo de Hipona, em sua obra A Cidade de Deus. Alexandre Coelho e Silas Daniel. Os Doze Profetas Menores. Editora CPAD. pag. 9-10.    

 

Palavra-Chave: ESPERANÇA    

 

I – OS PROFETAS MAIORES    

 

   1- Os profetas e a profecia.  

 

A palavra grega prophetes significa proclamador e intérprete da revelação divina. No hebraico, a palavra frequentemente usada é nãbi, como sendo aquele que declara uma mensagem em nome de Deus. Os profetas tinham acesso à presença dos reis, ofereciam-lhes assessoramento e, quando necessário, até censuravam os seus atos (Is 37.5-7; 2 Sm 12.7). O Dicionário Vine atesta que o termo grego para profecia é propheteia que significa “ descrição antecipada da vontade de Deus, quer com referência ao passado, quer do presente ou futuro” (Gn 20.7; Ap 1.19 ). A Bíblia registra que Deus falou muitas vezes e de várias maneiras por meio dos profetas (Hb 1.1).    

 

 

COMENTÁRIO    

 

A palavra grega prophetes significa proclamador e intérprete da revelação divina. No hebraico, a palavra mais frequente é nãbi, como sendo aquele que declara uma mensagem em nome de Deus. Gordon Fee conceitua os profetas como sendo “os mediadores, ou porta-vozes de Deus, no tocante à aliança. Através deles, Deus relembra às pessoas nas gerações depois de Moisés que, se a Lei for guardada, haverá bênçãos como resultado; senão, seguir-se-á o castigo”. Em vista disso, os profetas tinham acesso à presença dos reis, ofereciam-lhes assessoramento e, quando necessário, até censuravam os seus atos (Is 37.5-7; 2 Sm 12.7ss). Os profetas são identificados como servos do SENHOR (1 Rs 14.18; 2 Rs 9.7; 17.13; Jr 7.25).

A Bíblia registra que Deus falou muitas vezes e de várias maneiras por meio dos profetas (Hb 1.1). O termo grego empregado para profecia é propheteia, com o significado de “a declaração da mente e do conselho de Deus”. O Dicionário Vine enfatiza que “a profecia não é necessariamente, nem mesmo primariamente vaticinadora […] é a descrição antecipada da vontade de Deus, quer com referência ao passado, presente ou futuro (Gn 20.7; Ap 1.19)”. A atividade profética na Bíblia tem a sua origem em Deus e a difere do “profetismo” das demais religiões. A profecia nas Escrituras é a manifestação do Espírito com o propósito de proclamar os desígnios divinos, exortar e levar o seu povo à obediência e à fidelidade com Deus e a sua Palavra.

O desenvolvimento da história profética em Israel é usualmente dividido como “profetas não escritores” e “profetas escritores”, ou “não literários” e “literários”. Essa divisão abrange os profetas do período pré-mosaico, mosaico, período de Samuel, do reino unido e do reino divido. Nesse aspecto, nossa abordagem enfoca os “livros proféticos” do período literário, a composição e a data aproximada das profecias dos denominados “profetas maiores” e “profetas menores”. Como já visto no capítulo 4, essa classificação difere da coletânea hebraica, porém, sem prejuízo de conteúdo, autenticidade e canonicidade. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Termos e Definições A palavra hebraica para «profeta» é nabi, que vem da raiz verbal naba. Essa palavra significa «anunciador», «declarador», e, por extensão, aquele que anuncia as mensagens de Deus, frequentemente recebidas por alguma revelação ou discernimento intuitivo. Ademais, os profetas usavam vários meios de adivinhação e envolviam-se em oráculos. Os termos hebraicos roeh e hozek também são usados. Ambos significam «aquele que vê», ou seja, «vidente». Todas as três palavras aparecem em I Crô. 29:29. Os eruditos procuram estabelecer distinções entre elas, mas talvez sejam meros sinônimos, usados para emprestar variedade literária às composições escritas. Nabi é termo usado por mais de trezentas vezes no Antigo Testamento.

Alguns exemplos são Gên. 20:7; Êxo. 7:1; Núm. 12:6; Deu. 13:1; Juí. 6:8; I Sam. 3:20; II Sam. 7:2; I Reis 1:8; II Reis 3:11; Esd. 5:1; Sal. 74:9; Jer. 1:5; Eze. 2:5; Miq. 2:11. É possível que esta palavra também fosse usada para designar a missão profética. Um título comumente aplicado aos profetas era «homem de Deus», que ocorre por cerca de setenta e seis vezes no Antigo Testamento. Cerca de metade dessas ocorrências é usada em referência a Eliseu, e outras quinze dizem respeito a um profeta cujo nome não é dado (I Reis 13). Além disso, a expressão é usada para designar Moisés, Elias, Samuel, Davi e Semeias. Por sua vez, roeh figura por doze vezes no Antigo Testamento: I Sam. 9:11,18,19; II Sam. 15:27; I Crô. 9:22; 26:28; 29:29; II Crô. 16:7,10; Isa. 30:10. Sete destas ocorrências aplicam-se a Samuel. Hozeh figura por dezenove vezes: I Crô. 21:9; 25:5; 29:29; II Crô. 9:29; 12:2,15; 19:2; 29:25,30: 33:18,19; 35:15; II Sam. 24:11; II Reis 17:13; Isa. 29:10; Amós 7:12; Miq. 3:7. Ainda outros títulos dados aos profetas são: Atalaia (no hebraico, sophim): Jer. 6:16; Eze. 3:17; pastor (no hebraico, raah): Zac. 11:5,16. No Antigo Testamento

No trecho de Núm. 11:29, encontramos a declaração de Moisés em favor da liberdade que deve ser outorgada aos profetas. Ele desejava que todo o povo de Deus se compusesse de profetas. Ele não aprovou a tentativa de censura aos profetas. Com base nisso, podemos deduzir a ideia de que havia muitos que receberam o dom profético, embora somente os nomes de certos profetas nacionais tenham chegado a tornar-se familiares para nós. Podemos apenas supor que declarações extáticas eram comuns desde a história inicial do povo de Israel. Também houve videntes individuais que não eram figuras públicas de nota, mas que eram procurados para solução de problemas pessoais, sendo essa uma das funções secundárias dos profetas. O simples fato de que a palavra «profeta» ocorre por mais de trezentas vezes no Antigo Testamento mostra-nos a importância da função naquele contexto.

Abraão foi a primeira pessoa a ser chamada de «profeta» na Bíblia (ver. Gên. 20:7). E Moisés foi o primeiro profeta nacional de Israel (ver Deu. 18:15-19). Então Moisés tornou-se uma espécie de modelo dos profetas de todos os tempos. Muitos rabinos chegaram a pensar que Jeremias fosse Moisés reencarnado. De acordo com tal tradição, os principais profetas voltariam para cumprir novas missões proféticas. Essa tradição também é exemplificada na doutrina acerca de Elias-João Batista. Observando esses fatos, podemos perceber a grande importância atribuída aos profetas, dentro da cultura hebréia.

Deus é quem prepara os profetas, conforme aprendemos em Êxo. 3:1-4:17; Isa. 6′ Jer. 1:4-19; Eze. 1-3; Osé. 1:2; Amós 7:14,15; Jon. 1:1. Porém, um profeta falso pode ter a ousadia de autonomear-se (ver Jer. 14:14; 23:21).

A profecia provê uma espécie de consciência quanto à natureza da história. A noção hebréia da história era teísta. Yahweh era o poder que atuava por detrás da história de Israel, a força ativa de suas realizações. E os profetas desempenhavam um importante papel nesse processo. Ver Isa. 45:20-22; Êxo. 2:11 ss; Deu. 24:19-22. A própria lei mosaica foi dada por inspiração profética, cuja legislação governava toda a sociedade israelita, e serviu-lhe de guia na história.

Os Profetas-Estadistas. Descobrimos que alguns dos principais profetas da história de Israel aconselharam, ajudaram ou mesmo opuseram-se a reis. Com freqüência eram perseguidos e foram martirizados, segundo Cristo frisou (ver Mat. 23:37). Jeremias foi um exemplo conspícuo de profeta perseguido e banido, caluniado de traição, como se fosse partidário da Babilônia opressora.

Os Sumos Sacerdotes como Profetas. Esperava-se que os sumos sacerdotes de Israel fossem capazes de profetizar. Ver sobre Sumo Sacerdote. Eles usavam o Urim e o Tumim (vide), que talvez fossem sortes ou pedras preciosas, mediante o que eles entravam em transe, sendo assim capazes de profetizar.

A Ordem Profética. Esta não foi abandonada à sua própria sorte. Havia toda uma instituição profética. Os profetas e os sacerdotes eram ambos líderes civis e religiosos na cultura dos hebreus. Isso foi oficializado nas posições ocupadas por Moisés e Aarão , e o ideal foi levado avante durante toda a história subsequente de Israel. Foi feita a Moisés a promessa da perpetuidade do oficio profético em Israel (ver Deu. 18:9,15), que culminaria na pessoa do Messias, o maior de todos os profetas. Houve Moisés; então a sucessão dos profetas, então a fruição do oficio, profético na pessoa de Jesus Cristo. Entre os dias de Josué e de Eli «as visões não eram frequentes» (I Sam. 3:1), o que significa que o ofício profético esteve em baixo nível. Mas esse ofício ressurgiu com os reis-profetas e com o aparecimento das escolas de profetas. Samuel, um levita da família de Coate (ver I Crô. 6:28), produziu um novo irrompimento da função profética e de reformas sociais (I Sam. 9:22). Não foi Samuel quem criou essa ordem, mas foi o instrumento de renovação do seu poder. Quanto às raízes da ordem profética, ver Deu. 13:1; 17:18; 18-20.

As Escolas dos Profetas. Essas surgiram nos dias de Samuel, e devido ao encorajamento que ele lhes deu. Ver I Sam. 19:18,20; II Reis 2:3,5; 4:38; 6:1. Essas escolas deram ao ofício profético um novo poder e perpetuidade.

A Inspiração Profética. A Bíblia ensina-nos que o Espírito Santo é o inspirador dos profetas (ver Núm. 11:17,25; I Sam. 10:6; 19:20; II Ped. 1:21). Os falsos profetas, por sua vez, falavam por iniciativa própria, de seu próprio coração, de acordo com sua imaginação (ver Jer. 23:16; Eze. 13:3). Os modos de inspiração incluíam certas formas de adivinhação, conforme já foi mencionado. Ver o artigo intitulado Adivinhação. Mas também estavam envolvidos sonhos e visões (ver Núm. 12:6). Além disso, encontramos exemplos bíblicos de comunicação direta, mediante a voz divina, a Presença divina. Os profetas adaptavam as suas mentes a condições favoráveis à recepção de revelações, como o transe (ver I Reis 3:15; I Sam. 10:5; I Crô. 25:1). Mas esse estado podia sobrevir subitamente, como nos casos de Paulo e de Pedro, no Novo Testamento. Algumas vezes, foram outorgadas visões das dimensões celestes, como nos casos de Isaías (ver Isa. 6) e de Paulo (ver II Cor. 12). Ver os artigos sobre Inspiração; Revelação e Misticismo. Tanto Isaías (ver Isa. 6:1) Ezequiel (ver Eze. 1:1) «viram». Também havia o «assim diz o Senhor», a palavra de autoridade divina (ver Jer. 1:8,19; 2:19; 30:11; Amós 2:11; 4:5; 7:3). A palavra do Senhor «vinha» a homens impulsionados pelo Espírito (ver Isa. 7:3,4), inclusive pela voz exterior (ver I Sam. 3:3-9). Eram passiveis de receber revelações súbitas, algumas vezes de maneiras deveras estranhas (ver Núm. 22:31; II Reis 6:15-17).

Funções Proféticas. Vários itens do material exposto em indicam essas funções. Oferecemos aqui um sumário: a. o recebimento de oráculos, privados ou particulares; b. o ofício didático acerca do pecado e da retidão (Isa. 58:1; Eze. 22:2; 43:10; Miq. 3:8), como também as atividades de pastoreio, consolação, aviso de juízo divino, chamada ao arrependimento (Isa. 40:1,2); c. o trabalho dos atalaias (Eze. 3:17; 33:7-9), como também a obra de um embaixador, dentro e fora de Israel (a mensagem geral do livro de Jonas), o que incluía o evangelismo; d. apesar de os profetas não serem sacerdotes no sentido pleno da palavra, o caso de Samuel mostra que eles também podiam desempenhar funções sacerdotais (ver I Sam. 16:6-13), e o trabalho de conselheiros de reis e outros oficiais civis (II Sam. 7:3-16), o que dava aos profetas uma função própria de estadistas; f. os profetas derivavam de Moisés as suas funções, dando continuidade ao ofício profético, conferindo assim ao povo de Israel a consciência de ser um povo ímpar, preservando a identidade nacional (controlada pelas instituições santas e pelas leis escritas: Isa. 45:20-22; 60:3; 65:25; Êxo. 2:11 ss; Deu. 24:19-22; Miq. 5:4). Ver o décimo primeiro ponto, abaixo, no que concerne à importância da função profética quanto à literatura.

Os Profetas e as Escrituras. Os profetas foram os principais instrumentos usados por Deus para a redução das revelações divinas à forma escrita—as Sagradas Escrituras. Essa era uma função especial revestida de importância capital, porquanto dava ao ofício profético uma função que ultrapassava em muito aos limites da nação de Israel, tendo produzido um dos mais notáveis documentos espirituais do mundo, o Antigo Testamento. Costuma-se falar em profetas maiores e profetas menores, sobre cujo assunto damos artigos separados neste dicionário. O Pentateuco (os primeiros cinco livros da Bíblia) foram produzidos por Moisés, o primeiro dos grandes profetas, talvez chegado às nossas mãos pela instrumentalidade de vários editores, redatores e outras pessoas que adicionaram certas porções. Muitos dos salmos de Davi têm natureza, profética.

Os Meios do Conhecimento e a Profecia. Muitas pessoas religiosas sentem-se nervosas quando alguém fala em tomar conhecimento de qualquer coisa que não seja através da revelação divina. É que supõem que essa revelação é completa, e que basta a Bíblia para que possamos conhecer tudo de modo infalível. Porém, somente Deus é infalível. Sempre que alguém atribui infalibilidade a qualquer outro ser, está exercendo idolatria. Ademais, todos os meios postos ao nosso alcance para obtermos conhecimentos são legítimos, e deveriam ser utilizados em favor da espiritualidade e do conhecimento espiritual. Digamos que Deus forneceu-nos o cerne da verdade, e que agora precisamos revestir esse cerne com os pormenores que a completam. Para tanto, há vários esquemas, conforme vemos nos três pontos abaixo:

Ceticismo. Há ceticismos de muitas variedades. Ver o artigo Ceticismo. Assim, há um ceticismo anti-religioso que só busca negativismos. Podemos ignorar sem dano algum essa variedade, sem importar se labora contra a fé religiosa em geral ou contra a profecia em particular. Todavia, há uma forma não-hostil de ceticismo que é definidamente útil quando enfrentamos a questão das profecias. Alguns intérpretes pensam enxergar muitas profecias nas Escrituras, relativas ao futuro, quando, na realidade, muitas destas predições já ocorreram ou são descrições históricas, e não previsões de acontecimentos que ainda jazem no futuro. Precisamos mostrar-nos críticos quanto a essa probabilidade. Uma atitude cética também deve ser aplicada às previsões dos místicos modernos, os quais, se conseguem alguns acertos, também cometem alguns equívocos.

Método Experimental. Podemos crer em um profeta, bíblico ou extrabíblico, quando suas predições passam no teste experimental. Estas predições realmente cumprem-se? Alguns conservadores radicais supõem que as predições bíblicas são infalíveis, mas não levam em conta o fato de que tudo que passa através das mãos dos homens tem erros. Esta atitude envolve certa forma de idolatria, pois somente Deus é infalível. Para exemplificar, os profetas do Antigo Testamento predisseram o retomo do povo de Israel à sua terra, após os cativeiros (assírio e babilónico), e que então ocorreria a Idade Áurea, como acontecimento imediato, segundo é fácil entender com a leitura de seus textos. Porém, os profetas do Antigo Testamento não perceberam a grande expansão de tempo que teria de passar-se entre a volta dos cativos israelitas e a era do milênio. Passaram-se praticamente dois milênios e meio desde aqueles profetas, mas a Idade Áurea ainda não surgiu no horizonte. Assim, os profetas também não anteciparam a maior de todas as dispersões: aquela provocada pelos romanos, no século I D.C., a qual, infelizmente, ocorreu após o retomo dos judeus do cativeiro babilónico, desfazendo qualquer possibilidade de uma verdadeira restauração, durante muitos e muitos séculos. E ainda estamos esperando pelo cumprimento dessas predições bíblicas. Contudo, podemos estar certos de que, no tempo certo, elas terão cumprimento. As Escrituras Sagradas reservam a Deus o direito de conhecer o futuro. A questão «tempo» é uma das prerrogativas divinas. «Não vos pertence saber os tempos ou épocas que o Pai determinou para sua exclusiva autoridade» (Atos 1:7).

O autor do livro de Apocalipse, já no Novo Testamento, esperava para breve o fim do império romano, com um pronto retorno de Cristo. Ele não fazia qualquer noção sobre todo o longo período de tempo que se passaria — os dezenove séculos que já se passaram desde então — sem a volta de Cristo. E só Deus sabe quanto tempo ainda se escoará antes da volta bendita do Senhor. Ver Apo. 17:10 ss. Essa passagem tem sido distorcida por intérpretes desonestos para eliminar o fato de que o autor sagrado antecipava somente mais dois imperadores do império romano, e que o último deles seria a reencamação) de um dos sétimos (pelo que seria o oitavo e último imperador). É claro que o autor sagrado estava equivocado em sua maneira de pensar. Todavia, Deus que tudo sabe reservou para si mesmo um conhecimento mais alto das coisas. O império romano prosseguiu durante alguns séculos após os apóstolos de Cristo, e muitos cristãos perderam toda esperança de qualquer regresso imediato de Cristo. O importante é entendermos que coisas assim não anulam a profecia. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 5070-5072.    

 

    2- Os profetas Isaías e Jeremias.

 

Isaías e Jeremias profetizaram no reino de Judá.   Isaías denunciou a rebeldia do povo, e apontou o cativeiro como juízo divino (Is 5.13 ). Predisse o retorno de Judá do exílio (Is 48. 20), e profetizou a respeito de Cristo, tal como seu nascimento de uma virgem (Is 7.14); sua descendência de Davi (Is 11.1); e seu ministério libertador (Is 61.1,2). Jeremias, igualmente, vaticinou a queda de Judá por causa do pecado (Jr 1.16), anunciou a restauração do remanescente (Jr 50.19,20) e a chegada de Cristo como um Renovo de justiça (Jr 33.15). Nas Lamentações, temos o registro do clamor de Judá pelo perdão divino (Lm 1.2;5.1). Ambos os profetas anunciaram despertamento e esperança.    

 

COMENTÁRIO  

 

  Isaías profetizou no reino de Judá. Seu ministério ocorreu nos dias dos reis Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias (Is 1.1 ss).

Esse período equivale a mais de 60 anos de atividade profética. Isaías significa “salvação do Senhor”, e salvação é o tema central de seu livro. Ele denunciou a rebeldia do povo e apontou o cativeiro como juízo divino. O julgamento incluía fome, sede, morte, humilhação e vergonha (Is 5.13-17). Também predisse o retorno de Judá do exílio. Apesar dos pecados, a promessa a Davi se cumpriria, Deus iria livrar o seu povo, porém, os incrédulos não fariam parte desse livramento (Is 48.20-22). Ainda profetizou a respeito de Cristo, tal como seu nascimento de uma virgem (Is 7.14); sua descendência de Davi (Is 11.1); e seu ministério libertador (Is 61.1,2). Jeremias atuou durante o reinado de Josias, Jeoacaz, Jeoaquim, Joaquim e Zedequias, reis de Judá (Jr 1.2ss). Seu ministério se estendeu por mais de quarenta anos. Seu nome significa “Yahweh estabelece”. O propósito predominante no livro é de conclamar o povo de Judá ao arrependimento. Ele profetizou 60 anos após a morte de Isaías. Judá permanecia em declínio espiritual. Enquanto os falsos profetas prediziam o bem, Jeremias vaticinou a queda da nação por causa do pecado, principalmente a rebeldia e a idolatria (Jr 1.14-16).

Contudo, o profeta anunciou a restauração do remanescente. A maldade seria perdoada e o povo retornaria do cativeiro ao seu país nativo (Jr 50.19,20). Jeremias também profetizou a chegada de Cristo como um Renovo de justiça (Jr 33.15). No livro das Lamentações, temos o registro do clamor de Judá pelo perdão divino (Lm 1.2; 5.1). As deportações da nação de Judá tiveram início em 597 a.C., não obstante, o povo permaneceu negligente e confiado nos falsos profetas (Jr 27.5). Então, no ano 586 a.C., após dezoito meses sitiada, Jerusalém caiu diante do exército de Nabucodonosor. Seus muros foram queimados, o Templo foi destruído, e o restante do povo foi deportado para a Babilônia (Jr 21.13,14; 52.28-20; Lm 2.7,8).

Mediante o cenário caótico, cinco poemas integram o livro das Lamentações. Os primeiros são canções de tristeza e o quinto se assemelha a uma oração. O Comentário Bíblico Beacon sublinha que “os poemas permitem ao povo confessar que Deus o havia tratado com justiça, e, ao fazê-lo, encontrariam forças para suportar o peso indescritível da angústia sem desesperar-se […] apontavam o caminho para o arrependimento e fé e, deste modo, estimulavam esperança na misericórdia de Deus”. Nesse sentido, Isaias e Jeremias, além de juízo, anunciaram despertamento e esperança. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Conforme se pode ver, Isaías (ou o deutero-lsaías?) viveu na época em que impérios caíram e se levantaram. Em sua confiança de que nada de mal poderia acontecer a um obediente povo de Israel, ele partia da ideia de que as tribulações do povo de Deus se deviam a causas morais e espirituais, e não apenas políticas e militares. Ele pressupunha que Deus controla todas as coisas, e que todo o desastre que recaiu sobre Israel poderia ter sido impedido, se o povo de Deus se tivesse mostrado fiel ao Senhor. Porém, o que sucedeu foi precisamente o contrário. As nações de Israel e Judá haviam caído em adiantado estado de decadência moral e espiritual. Na primeira metade do século VIII A.C, tanto Israel (sob Jeroboão II, cerca de 782—753 A.C.) quanto Judá (sob Uzias) haviam desfrutado de um período de grande prosperidade material. Foi uma espécie de segunda época áurea, perdendo em resplendor somente diante da glória da época de Salomão. Os capítulos dois a quatro de Isaías nos fornecem indicações sobre isso.

Mas, ao mesmo tempo em que prevalecia a riqueza material, prevalecia a pobreza espiritual, incluindo a mais desabrida idolatria, que encheu a terra (Isa. 2.8). De tão próspera e elevada situação, Israel e Judá em breve cairiam. A Assíria deu início à derrubada, e a Babilônia a terminou. Isaías, em seu ministério, enfatizava os fatores espirituais e sociais. Ele feriu as dificuldades da nação em suas raízes—sua apostasia e idolatria—e procurou salvar Judá da corrupção moral, política e social. Porém, não conseguiu fazer com que seus compatriotas se voltassem para Deus. Sua comissão divina envolvia a advertência de que sobreviria o castigo fatal (Isa. 6.9-12).

Dali por diante, ele declarou, ousadamente, a inevitável queda de Judá e a preservação de um pequeno remanescente fiel a Deus (Isa. 6.13). Todavia, alguns raios de esperança alegram as suas predições: Através desse pequeno remanescente, ocorreria uma redenção de âmbito mundial, quando viesse o Messias, em seu primeiro advento (Isa. 9.2,6; 53.1-12). E, por ocasião do segundo advento do Messias, haveria a salvação e a restauração da nação (Isa. 2.1-5; 9.7; 11.1-16; 35.1-10; 54.11-17). O tema de que Israel, um dia, será a grande nação messiânica no mundo, um meio de bênção para todos os povos (o que terá cumprimento somente no futuro), que fez parte tão constante das predições de Isaías, tem atraído para ele o título de profeta messiânico” (Unger, em seu artigo sobre Isaías).

A esperança, em meio ao juízo divino e à condenação, era um tema constante nas predições de Jeremias. O exílio de Judá era inevitável, embora não houvesse de perdurar para sempre. Haveria de redundar em um digno propósito, visando o bem do povo judeu, em última análise (Jer. 19.10; 25.11). Nisso consiste a própria natureza do julgamento. O julgamento tem um aspecto remediai, não sendo mera reparação e, menos ainda, vingança. Ver o trecho de I Ped. 4.6, que ensina essa verdade no tocante ao julgamento dos incrédulos. O próprio hades tem um aspecto remediai, conforme se vê no relato bíblico da descida de Cristo ao hades.

A esperança de Jeremias, em meio ao juízo divino iminente, deu origem a um ato de fé, quando ele comprou um terreno em Anatote (não distante de Jerusalém), pois sabia que o povo de Judá haveria de retornar à sua pátria. É lamentável que o próprio Jeremias tenha sido assassinado no exílio (no Egito), o que significa que o ato de compra do terreno era simbólico, não lhe tendo trazido nenhuma vantagem pessoal. Porém, Deus também estava controlando a situação, e podemos ter certeza de que o profeta nada perdeu, mas somente teve a ganhar. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2780; 2984.  

 

ISAÍAS

O que se destaca na profecia de Isaías é seu rico conceito acerca do Deus eterno.11 Para o profeta, Deus se eleva acima de todas as coisas terrenas. Ele é “o Senhor dos exércitos”, “o Alto e Sublime que habitou a eternidade”, “o Poderoso de Israel”, “Criador” de todas as coisas e o Eterno que fez todas as coisas. Deus dirige o curso da história; não há outro Deus além dele e Ele não tem nenhuma intenção de repartir sua divindade com qualquer rival humano. Ele é o Deus de sabedoria e poder. Além disso, Ele é apaixonadamente ético — o Santo. A respeito dele os serafins cantaram: “Santo, Santo, Santo” (6.2-3). Essa santidade significa mais para Isaías do que mera divindade; ela também significa pureza. O seu Deus requer arrependimento e fé, e somente o Eterno é Salvação. Por esta razão, deve haver um retorno a Deus e um cessar de fazer o mal (1.16), além de uma espera silenciosa em Deus por meio de uma fé prática de que Ele proverá livramento.

Se o povo de Deus sofre opressão, é por causa dos seus pecados. No entanto, chegará o tempo do perdão e conforto de Deus. Assim, na profecia de Isaías Deus fala de si mesmo como: “teu Redentor”, “teu Deus”, “o Santo de Israel”, “teu Salvador”, “teu Criador”, “Aquele que te formou” e “teu marido”. O povo de Israel é precioso para Ele, mais do que as outras nações. Ele não os esqueceu. Ele se compadece dos seus sofrimentos e fraquezas e está preocupado com as suas necessidades. Como Pastor, Ele vai alimentá-los e guiá-los a lugares de abençoada abundância. Aquele que os carregou desde o nascimento vai cuidar deles mesmo em idade avançada. Tendo o Eterno como seu Deus eles podem estar seguros de que terão um tempo de exaltação e bênção futura. Isaías tem muito a dizer a respeito do remanescente justo, que ele entende como a minoria grandiosa de Deus, a semente de um início novo e puro surgindo de cada crise devastadora.

Aqui está o núcleo da doutrina promulgada mais tarde por Paulo; é este remanescente espiritual, e não as entidades políticas de Israel e Judá, que é o reino de Deus. A luz do fato de que um remanescente sempre sobreviveria, Isaías nunca podia falar de julgamento como um estado de destruição total. Sempre haverá uma minoria sobrevivente que, no tempo oportuno, será o núcleo santo. Desse remanescente virá o estado ideal sobre o qual o Messias, o Davi ideal, será o Senhor. A esperança de Judá é, portanto, projetada além da nação existente. Nesse tempo, o Messias reinará sobre um Israel redimido e espiritual. Seu futuro será Jerusalém, purificada das impurezas, como o “monte santo” do Eterno. Os homens então crerão e dependerão somente de Deus. Por esta razão, esse novo e justo remanescente não é somente a minoria grandiosa mas uma verdadeira “comunhão de fé”.

Duas passagens famosas nos apresentam o núcleo do ensino de Isaías referente ao Messias — 9.6-7 e 11.1-10. Nesta última é introduzida a pessoa de um Rei maravilhoso por meio de quem virá a nova ordem das coisas. Da raiz de Jessé, depois que a catástrofe cortou a árvore da monarquia davídica (11.1-10), deverá brotar um rebento. Sobre Ele o Espírito do Eterno descerá em plenitude. Isso se desenvolverá em discernimento perspicaz, equidade de decisão, proclamação justa e fidelidade permanente. Sob sua disciplina e governo os animais selvagens vão perder sua natureza predatória e tornar-se mansos. Então a paz será universal por causa do amplo conhecimento do Eterno. A outra passagem (9.6-7) atribui a esse Rei vindouro características sobre-humanas. Nascido como uma criança, o domínio estará sobre os seus ombros em dignidade real, e o nome quádruplo que Ele leva é: “Maravilhoso Conselheiro”, “Deus Forte”, “Pai da Eternidade” e “Príncipe da Paz”. Messias significa “Deus conosco”, um Rei justo, um Esconderijo da tempestade, um Córrego no deserto e uma grande Rocha que proverá sombra em uma terra cansada. Sua salvação terá integralidade cósmica, e a redenção deverá incluir restauração da ordem material e animal bem como social e moral.

Mas o Messias também é o Servo Sofredor do Senhor, sofrendo vicariamente pela salvação das pessoas (52.13—53.12). Veja os três outros “cânticos do servo” precedentes, conforme enumerados na nota 10 dos comentários em Isaías 53. Em resumo, os ensinos de Isaías acerca da salvação mostram que o próprio Deus eterno inicia a salvação (49.8; 59.16; 61.10; 63.5). O homem se apropria dela por meio da fé e espera em Deus com reverência (12.2; 33.2, 6). A salvação de Deus é eterna (45.17; 51.6, 8). Sua salvação é universal — é para Sião e para os confins da terra, mesmo para os gentios (46.13; 49.6; 52.10; 62.11). Sua salvação está à porta (46.13; 56.1). É algo para se alegrar e proclamar (12.2-3; 25.9; 60.18). Além disso, o mundo será salvo por meio do Servo Sofredor.

Finalmente, Isaías tem algo a dizer a respeito da adoração espiritual. Mero ritualismo exterior não pode satisfazer a Deus. A retidão é mais do que uma mera participação no templo. Tanto o ritualismo quanto o sensualismo são igualmente falsos. O formalismo e o viver carnal são pura estupidez. Ninguém pode escapar do “foro judicial” da consciência diante do qual Deus chama a juízo todos os homens. Assim, uma mudança genuína do coração é mais importante do que a conformidade ao ritual. A visão que Isaías teve de Deus nos mostra que a verdadeira adoração é, em primeiro lugar, um encontro entre o divino e o humano. Ela se move da contemplação reverente à revelação e percepção morais, e então avança para o estado de comunicação real, que, por sua vez, leva ao fruir em compromisso e serviço. A visão de Deus sempre provocou em nós um sentimento da nossa própria indignidade, e o primeiro impulso de um coração limpo é a tentativa de levar outros a Deus.

A contribuição de Isaías à fé judaico-cristã é grande e duradoura. Das suas percepções proféticas nos vieram as sementes que ao longo dos séculos geraram os conceitos mais definidos de expiação e salvação. Porque todos nós, como ovelhas, andávamos desgarrados, e o Senhor havia colocado sobre Cristo a iniquidade de todos nós, para que por meio das suas pisaduras pudéssemos ser curados. Somente com esse tipo de convicção poderemos voltar ao nosso Deus, que terá misericórdia de nós, com a certeza de que Ele também nos perdoará abundantemente. Ross E. Price. Comentário Bíblico Beacon Isaías. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 24-26;    

 

    3- Os profetas Ezequiel e Daniel.  

 

Ezequiel e Daniel profetizaram na Babilônia. Judá estava no exílio e tinha o coração obstinado (Ez 2.4). Ezequiel foi levantado para os admoestar no cativeiro (Ez 2.3), lembrar de que a restauração requeria arrependimento (Ez 3.20,21), e prenunciou a Cristo como pastor e rei (Ez 34.23,24). Daniel também foi para o exílio, porém, como um dos oficiais da corte (Dn 5.29). Ele entendeu que o cativeiro duraria 70 anos (Dn 9.2), e passou a clamar por misericórdia (Dn 9.19). Como resposta, Deus lhe revelou o tempo da restauração da nação, a vinda de Cristo, o advento do Anticristo e o Julgamento Final (Dn 9.24-27). Essas profecias despertaram a esperança de reconciliação com Deus.    

 

COMENTÁRIO    

 

Ezequiel é um profeta do cativeiro que foi conduzido ao exílio na deportação promovida por Nabucodonosor em 597 a.C. (2 Rs 24.14-16). Ele tinha sido sacerdote em Jerusalém (Ez 1.3) e na Babilônia foi chamado para ser profeta do Altíssimo (Ez 1.2). Seu ministério profético desenvolveu-se por cerca de 22 anos. O nome Ezequiel significa “aquele que Deus sustenta”. Embora Judá estivesse no exílio, o coração do povo era obstinado. Estavam seguindo o mesmo caminho de rebeldia de seus pais (Ez 2.3,4), mas Deus não desistiu de seu povo. Ezequiel foi levantado para os admoestar: “quer ouçam quer deixem de ouvir” (Ez 2.5). A mensagem lembrava a todos de que a restauração requeria arrependimento. Sua função era advertir a nação para deixar a maldade, seguir a justiça e persistir no caminho da retidão (Ez 3.20,21).

Ele também profetizou a restauração da nação (Ez 34.1-39.29), prenunciou a Cristo como pastor e rei (Ez 34.23,24) e como fonte de águas vivas (Ez 47.1,2). O tema preponderante no livro engloba a justiça e a misericórdia divina, a responsabilidade individual e a esperança para o futuro. Daniel pertencia à alta nobreza judaica (Dn 1.3). Ainda muito jovem, foi enviado para a Babilônia por volta do ano 605 a.C., e tornou-se um dos oficiais da corte (Dn 5.29). O profeta exerceu seu ministério por aproximadamente 70 anos (605 a.C.-535 a.C.), desde o primeiro ano de Nabucodonosor (Dn 1.1) até o terceiro ano de Ciro (Dn 10.1). Seu nome significa “Deus é, o meu juiz”. O livro denota que o Juiz dos judeus, embora tivesse permitido o cativeiro, iria restaurar o seu povo por obra de seu grande amor e compaixão. Ao estudar as profecias de Jeremias (Jr 25.11,12; 29.10), Daniel soube que o cativeiro duraria 70 anos (Dn 9.2), reconheceu a culpa do povo e com oração, súplica, jejum e com pano de saco e cinzas, passou a clamar pela misericórdia divina (Dn 9.3,19).

Como resposta, Deus lhe revelou o tempo da restauração da nação, a vinda de Cristo, o advento do anticristo e o julgamento final (Dn 9.24-27). Essas profecias ilustram que Deus está no controle de tudo e tem propósito para cada indivíduo. Portanto, promovem despertamento e esperança de reconciliação com Deus. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

 

EZEQUIEL

Ele era filho de Buzi, pelo que ou era sacerdote ou filho de um sacerdote (provavelmente, ambas as coisas), tendo sido chamado por Deus como profeta, por ocasião da maior crise de Judá; e então tornou-se um dos pastores de todo o Israel no exílio. Foi chamado por Deus para o exílio profético no quinto ano do primeiro exílio judaico, que teve início em 598 A.C., ou seja, o seu trabalho profético começou em 593 A.C. Sua última mensagem vem datada do ano 571 A.C. (ver Eze. 29.17). Dos vinte ou vinte e dois anos em que ele serviu, cerca de três foram os mais difíceis da história da nação de Judá. Os severos modos e os ensinamentos morais de Ezequiel têm-lhe conquistado a alcunha de João Calvino de Judá. Períodos Pessoais e Proféticos de Ezequiel O trabalho da vida de Ezequiel pode ser dividido em cinco períodos: 1. sua chamada (Eze. 1.4-28); 2. seus atos simbólicos (Eze. 4.1-3; 4.4-8; 4.9-17; 5.1-17; 12.1-16); 3. suas denúncias contra os pecados de Israel (Eze. 8—11; 16 e 20); 4. seus ensinamentos sobre a responsabilidade humana (Eze. 3.16-21; 8.4; 14.12-20; 33.1-29); 5. suas promessas de restauração de Israel (Eze. 33.21 ss. e os capítulos 40—48, onde se encontram as mais notáveis visões de Ezequiel quanto ao futuro). Cronologicamente, suas obras dividem-se em dois períodos principais, a saber: a. De 593 a 586 A.C. repetidos avisos e atos simbólicos, com o intuito de levar o povo de Judá ao arrependimento, contidos em Ezequiel 1—24. b. De 586 a 571 A.C. Ezequiel passa a agir como pastor dos cativos, no exílio, e também como mensageiro da esperança, no tocante à futura restauração, tópicos contidos em Ezequiel 33-48. Entre um bloco e outro de material, temos os seus oráculos contra as nações estrangeiras, nos capítulos 25 a 32. Algumas de suas mais brilhantes declarações encontram-se nessa porção, especialmente nos capítulos 27 e 28 e 30 e 31. Ensinamentos Importantes. Alguns dos temas centrais do livro são:

Conceitos Específicos de Deus. Ele é um Ser glorioso (1.2 ss.), que requer da parte dos homens santidade equiparada à Sua santidade. A glória de Deus pode revelar-se em qualquer lugar, até mesmo entre os pagãos (3.23). O nome de Deus é “eu sou Yahweh” (em nossa versão portuguesa, “eu sou o Senhor* (6.7). Deus poupava Seu povo, embora este fosse pecaminoso, por amor ao Seu nome, a fim de eles não serem ridicularizados entre as nações

(20.9.14.22). Eles retornarão do exílio não por merecerem tal misericórdia, mas por causa do nome do Senhor (36.22). A santidade de Deus é constantemente enfatizada (Eze. 20.41; 28.22,25; 36.23; 38.16,23; 39.27). É prometida a exaltação do nome de Deus entre as nações gentílicas (Eze. 28.22; 38.16,23).

Conceito de Israel. Israel foi escolhida para ser instrumento da glória de Deus, beneficiando espiritualmente a outras nações (20.5.14.22). Também havia a revelação de Deus em Israel, para o próprio beneficio de Israel, por ser a nação que estava cumprindo a vontade do Senhor (39.23). Foram prometidos o triunfo e a salvação final, que serão obtidos devido à inexorável vontade de Deus (Eze. 20.42-44; 36.11,37; 39.28,29).

Conceito da Responsabilidade Humana. Essa é frisada na expressão; “… a alma que pecar, essa morrerá” (Eze. 18.4). Um homem não transfere sua culpa a seu filho, como também não pode transmitir a sua retidão a seus descendentes (Eze. 18; 14.12-20). Cada um haverá de receber sua própria recompensa ou punição (3.16-21; 18.19-32; 33.1-29). O profeta Ezequiel precisava cumprir fielmente a sua comissão, a fim de que não incorresse em cuipa (33.1-6; 3.16-21).

  1. Os Ensinamentos Proféticos. Os capítulos 40 a 48 oferecem-nos certa variedade de ensinamentos que incluem visões messiânicas, as futuras dificuldades de Israel e a restauração final; o estabelecimento do reino de Deus; a restauração das nações. O reino final de Deus só poderá tornar-se uma realidade mediante a intervenção e a presença pessoal de Yahweh entre os remidos, quando o Tabernáculo de Deus descer aos homens.”… e o nome da cidade, desde aquele dia, será: O Senhor está ali” (Eze. 48.35). A cultura de Israel é retratada como algo que continuará quando da era do reino. Os capítulos 38 e 39 têm sido largamente interpretados como elementos que farão parte da Terceira Guerra Mundial (ou então da Terceira e da Quarta Guerras Mundiais, segundo pensam outros intérpretes), de acordo com o que a União Soviética e seus aliados serão derrotados, e Israel no futuro será finalmente confirmada na posição de cabeça das nações.

 

DANIEL

 

Daniel era descendente da família real de Judá, ou pelo menos, da alta nobreza dessa nação (Dan. 1.3; Josefo, Anti. 10.10,1). É possível que ele tenha nascido em Jerusalém, embora o trecho de Daniel 9.24, usado como apoio para essa idéia, não seja conclusivo quanto a isso. Entre doze e dezesseis anos de idade, Daniel já se encontrava na Babilônia, como cativo judeu entre todos outros jovens nobres hebreus, como Ananias, Misael e Azarias, em resultado da primeira deportação da nação de Judá, no quarto ano do reinado de Jeoiaquim. Ele e seus companheiros foram forçados a entrar no serviço da corte real babilónica. Daniel recebeu o nome caldeu de Beltessazar, que significa “príncipe de Baal”.

De acordo com os costumes orientais, uma pessoa podia adquirir um novo nome, se as suas condições fossem significativamente alteradas, e esse novo nome expressava a nova condição (II Reis 23.34; 24.17; Est. 2.7; Esd. 5.14). A fim de ser preparado para suas novas funções, Daniel recebeu o treinamento oriental necessário. Ver Platão, Alceb. seção 37. Daniel aprendeu a falar e a escrever o caldeu (Dan. 1.4) e não demorou para que se distinguisse por sua sabedoria e piedade, especialmente na observância da lei mosaica (Dan. 1.8-16). O seu dever de entreter a outras pessoas sujeitou-o à tentação de comer coisas consideradas impróprias pelos preceitos levíticos, problema que ele enfrentou com sucesso. A educação de Daniel se deu durante três anos, ao final dos quais ele se tornou um dos cortesãos do palácio de Nabucodonosor, onde, pela ajuda divina, conseguiu interpretar um sonho do monarca, para inteira satisfação deste. Tudo em Daniel impressionava o rei, pelo que ele subiu no conceito real, tendo-lhe sido confiados dois cargos importantes, como governador da província da Babilônia e inspetor-chefe da casta sacerdotal (Dan. 2.48).

Posteriormente, em outro sonho que Daniel interpretou, ficou predito que o rei, por causa de sua prepotência, deveria ser humilhado por meio da insanidade temporária, após o que seu juízo ser-lhe-ia restaurado (Dan. 4). As qualidades pessoais de Daniel, como sua sabedoria, seu amor e sua lealdade, resplandecem por toda a narrativa. Sob os sucessores indignos de Nabucodonosor, ao que parece, Daniel sofreu um período de obscuridade e olvido. Foi removido de suas elevadas posições, e parece ter começado a ocupar postos inferiores (Dan. 8.27). Isto posto, ele só voltou à proeminência na época do rei Belsazar (Dan. 5.7,8), que foi co-regente de seu pai, Nabonido. Belsazar, porém, foi morto quando os persas conquistaram a cidade. No entanto, antes desse acontecimento, Daniel foi restaurado ao favor real, por haver conseguido decifrar o escrito misterioso na parede do salão de banquete (Dan. 5.2 e ss.).

A essa altura dos acontecimentos, Daniel recebeu as visões registradas nos capítulos sétimo e oitavo, as quais descortinam o curso futuro da história humana, juntamente com a descrição dos principais impérios mundiais, que se prolongariam não somente até a primeira vinda de Cristo, mas exatamente até o momento da “parousia”, ou segunda vinda de Cristo. Os medos e os persas conquistaram a Babilônia, e uma nova fase da história se iniciou. Daniel mostrou-se ativo no breve reinado de Dario, o medo, que alguns estudiosos pensam ter sido o mesmo Ciaxares II. Uma das questões envolvidas foram os preparativos para a possível volta de seu povo do exílio para a Terra Santa. Sua grande ansiedade, em favor de seu povo, para que fossem perdoados de seus pecados e restaurados à sua terra, provavelmente foi um dos fatores que o ajudaram a vislumbrar o futuro, até o fim da nossa atual dispensação (Dan. 9), o que significa que ele previu o curso inteiro da futura história de Israel. Daniel continuou cumprindo seus deveres de estadista, mas sempre observando estritamente a sua fé religiosa, sem qualquer transigência. Há um hino cujo estribilho diz: “Ouses ser um Daniel; ouses ficar sozinho”.

O caráter e os atos de Daniel despertaram ciúmes e invejas. Mediante manipulação política, Daniel terminou encerrado na cova dos leões; mas o anjo de Deus controlou a situação, e Daniel foi livrado dos leões, adquirindo novo prestígio e maior autoridade. Daniel teve a satisfação de ver um remanescente de Israel voltar à Palestina (Dan. 10.12). Todavia, sua carreira profética ainda não havia terminado, porquanto, no terceiro ano de Ciro, ele recebeu outra série de visões, informando-o acerca dos futuros sofrimentos de Israel, do período de sua redenção, através de Jesus Cristo, da ressurreição dos mortos e do fim da atual dispensação (Dan. 11 e 12). A partir desse ponto, manifestam-se as tradições e as fábulas, havendo histórias referentes à Palestina e à Babilônia (Susã), embora não possamos confiar nesses relatos. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3197-3199; 3367-3368.    

 

DANIEL

O livro de Daniel é o desvendar de um mistério. E, se por um lado desvenda o mistério, por outro, o envolve em surpresa e admiração, deixando grande parte do mistério da revelação em aberto. Daniel era um homem de extraordinária sabedoria e percepção. Vivendo no meio de grandes e repentinas mudanças mundiais, ele foi capaz de manter seu equilíbrio e sanidade, observando o que estava acontecendo com um olhar atento. Ele serviu a reis. Ele foi um valoroso conselheiro de governantes. Porém, mais importante de tudo, ele tinha um relacionamento íntimo com o Deus dos céus.

Ele estava com os seus pés firmemente plantados na terra, entre os acontecimentos terrenos. Mas, a sua cabeça ficava numa atmosfera mais clara; ele vivia diante da realidade de coisas eternas. Algumas verdades tomam-se claras na mensagem de Daniel, revelando o plano de Deus para a Terra e seus habitantes. Em primeiro lugar, poderes terrenos e circunstâncias são temporários. As tiranias mais poderosas ficam no poder durante um curto período. Em segundo lugar, Deus faz com que a ira do homem acabe se transformando em louvor a Ele e faz com que todo o resto seja impedido. Tanto Nabucodonosor, o déspota enfurecido, quanto Ciro, o soberano sábio e cordial, testificaram dessa verdade. Em terceiro lugar, Deus mantém as suas promessas para o seu povo; Ele não esquece.

Em quarto lugar, Deus tem seu próprio tempo para realizar a sua obra. Ele nunca se adianta nem se atrasa. Em quinto lugar, os reinos desse mundo são designados para dar lugar ao reino do nosso Senhor e do seu Cristo. Em sexto lugar, embora Deus tenha uma visão eterna e cósmica, Ele tem um interesse amoroso em relação aos afazeres mais insignificantes de um indivíduo. O livro de Daniel foi um livro para Daniel e para o atribulado povo remanescente de Deus dos seus dias. Esse também é um livro para todas as gerações, designado para manter a história em perspectiva. O livro continua sendo relevante para os nossos dias. Certamente, estamos mais próximos do tempo da consumação do Reino de Deus do que qualquer povo que viveu antes de nós. Em dias de profunda escuridão e conflitos cruciais, vamos extrair esperança e coragem da mensagem transmitida a Daniel. Roy E. Swim. Comentário Bíblico Beacon. Daniel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 500

 

    SINÓPSE I

Os profetas maiores tiveram uma atuação proeminente tanto no reino de Judá como na Babilônia.    

AUXÍLIO TEOLÓGICO

“[O ofício do profeta] Ao abordarmos o ofício do profeta, encontraremos uma relação estreita entre palavra e visão. É indivisível a função de ser vidente e portador da palavra. O profeta sempre será visionário, já que, no desempenho do seu trabalho, fará com que os receptores de sua mensagem alcancem uma compreensão divina do presente e, também, fará com que se perceba o futuro sem as incertezas que ocasionam o devir daqueles que, ignorando a profecia, vivem alheios aos desígnios de Deus e, portanto, se convertem em títeres das circunstâncias temporais ou, o que poderia ser pior, acabam sendo vítimas da manipulação dos multiformes oráculos dos falsos profetas ou iluminados de plantão. Para uma maior compreensão da relação entre profeta e vidente, farei referência a três termos hebraicos que se referem, de forma especial, ao profeta do Antigo Testamento.

Ainda que, com mais empenho, eu me refira ao que talvez seja o vocábulo mais importante: nabbi.   Esse termo comumente se traduz “ profeta” mais de 300 vezes nas Escrituras hebraicas. A ideia básica do significado de nabbi é:“ alguém que fala em lugar de Deus” ; o nabbi foi necessariamente estabelecido para transmitir a mensagem de Deus. […] Quero fazer referência a outros dois termos para profeta, traduzidos como “vidente”. Um é ro’eh, e o outro é hozeh. Ambos são usados muito menos que o termo principal nabbi.

A palavra hebraica Ro’eh aparece em 12 ocasiões. Hozeh é utilizada 18 vezes; a raiz de ambas destaca o sentido de “ver”. Portanto, a ideia fundamental que quero destacar consiste na capacidade que se outorga ao profeta de poder visualizar a vontade de Deus. Isso pressupõe um enfoque relacional na capacidade de o profeta escutar a voz de Deus. Por conseguinte, o oposto a essa capacidade de ver é a cegueira própria de quem, tendo olhos, não vê, já que se trata do âmbito do oculto aos sentidos humanos e é necessário que Deus tire o véu do mundo espiritual e se dê a conhecer” (ESCOBAR, Juan Carlos. Profetas e Visionários. Rio de Janeiro: CPAD, 2016, pp.23,27).        

 

II – OS PROFETAS MENORES    

 

   1- Os profetas do Reino do Norte.  

 

Dois profetas menores profetizaram para Israel: Amós e Oséias. Amós profetizou quando Israel vivia grande prosperidade (Am 6.1). Contudo, Deus reprovava as ações do povo, tais como: suborno, corrupção e injustiça (Am 2.6-8; 5.11). Em razão disso, Amós vaticinou o cativeiro como julgamento (Am 6.7). Oséias condenou a infidelidade de Israel, que como uma meretriz, traiu e abandonou o Senhor para seguir o caminho da idolatria, da luxúria, do homicídio, do roubo e da opressão (Os 1.2; 4.10; 5.2; 7.1; 12.7). Como consequência, a nação foi conduzida ao cativeiro pela Assíria (Os 9.3). Apesar dos erros, ambos os profetas anunciaram que Deus prometeu restaurar o povo (Am 9.14; Os 14.4).    

 

COMENTÁRIO    

 

Dois profetas menores profetizaram para Israel: Amós e Oseias. Amós vivia em Tecoa, aldeia de Judá, mas foi chamado para profetizar em Samaria, no Reino do Norte (Am 1.1) nos dias do rei Jeroboão II (793-746 a.C.). Ele era boiadeiro e cultivador de sicômoros, a comida dos pobres. Não era membro da classe dos profetas, mas foi comissionado por Deus para o ministério profético (Am 7.14,15). Foi ameaçado por Amazias — sumo sacerdote de Betel —, e acusado pelo religioso de conspiração contra o rei Jeroboão II (Am 7.10,12,3). Amós não se intimidou e, destemido, cumpriu a sua chamada. Ele profetizou quando Israel desfrutava paz e prosperidade econômica (Am 6.1). Esse crescimento material provocou ruptura na moralidade da nação. Deus reprovava as ações do povo, tais como: opressão aos pobres e injustiça social (Am 2.6-8; 6.3-6); o luxo e a ostentação (Am 3.10-15; 5.1-6); a idolatria e o culto a Baal (Am 4.4,5); o enriquecimento ilícito (Am 8.5); a corrupção e o suborno no sistema judiciário (Am 5.11-15).

Em razão disso, Amós vaticinou o cativeiro como julgamento (Am 6.7; 7.11). Contudo, o profeta encerra suas profecias com a promessa de restauração (Am 9.11-15). Oseias registra que a Palavra lhe foi dirigida, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, Ezequias, reis de Judá, e de Jeroboão II, rei de Israel (Os 1.1). Esse período abrange cerca de 60 anos. Conjectura-se que Oseias fora padeiro (Os 7.4ss) ou até mesmo sacerdote em virtude de seu apreço ao sacerdócio (Os 4.7-9; 5.1; 6.9). A erudição veterotestamentária reconhece que ele era nativo do Reino do Norte. Sua abordagem profética enfoca a infidelidade de Israel, que, como uma meretriz, traiu e abandonou o Senhor, representado pelo casamento do profeta com uma mulher prostituta (Os 1.2).

Seu ministério denunciou a desintegração política em Israel e as alianças com o Egito e a Assíria (Os 5.13; 7.11; 8.9; 12.1; 14.3). Condenou a prática da idolatria (Os 10.5), da prostituição (Os 6.10), da luxúria (Os 4.10), do homicídio, do roubo, do engano e da opressão (Os 5.2; 7.1; 12.7). Denunciou o fracasso dos sacerdotes que aceitavam suborno do povo (Os 6.9). Como é possível perceber, era um tempo de crime, degradação moral e licenciosidade. Em consequência, a nação seria conduzida ao cativeiro pela Assíria (Os 9.3). Apesar dos erros, o profeta anunciou a restauração do povo (Os 14.4-9). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.   

 

Oseias nos apresenta a história de um Deus que ama de forma insistente seu povo. Esse amor não é correspondido na mesma medida, como vemos ao longo da história do Antigo Testamento. Apesar de Deus ter dado aos israelitas a liberdade, uma terra, transformando-os em uma nacão e trazendo-lhes prosperidade, os israelitas contínua e facilmente se esqueciam de Deus e de seus preceitos, abandonando-o e se voltando a outros deuses. Essa situação não é distante da nossa própria realidade, pois o homem tem facilidade de se esquecer de Deus e do amor demonstrado por Ele.

O casamento de Oseias com uma ‘‘mulher de prostituições” é uma comparação clara com a própria nação de Israel. Deus considerava o assunto prostituição de forma dupla: no sentido físico, quando os israelitas participavam de cultos a outros deuses que envolviam a prática sexual como parte da liturgia, e no sentido espiritual, deixando a adoração ao Senhor para envolverem-se com outros deuses. A profecia de Oseias teve como destinatários os israelitas do Reino do Norte, Israel. Ellisen comenta que embora sejam dados os nomes dos reis de Judá com a finalidade de localizar a época, e Judá seja mencionado no livro, a profecia é dirigida ao Reino do norte, Israel… Dirige-se a ele como “Efraim” trinta e sete vezes, em virtude da poderosa tribo do centro oriunda do muito abençoado filho de José. Efraim quer dizer “fértil”. Matthew Henry diz acerca de Oseias e de sua mensagem: Ele deveria convencê-los dos seus pecados, ao se desviarem de Deus em prostituições, casando-se com uma mulher que praticara a prostituição…

Ele deveria predizer a destruição que viria sobre eles por causa de seu pecado, nos nomes de seus filhos, o que significava que Deus os estava rejeitando e abandonando… Ele deveria falar da consolação ao reino de Judá, que ainda retinha a adoração pura a Deus, e assegurar-lhe a salvação do Senhor… Ele deveria dar uma declaração da grande misericórdia que Deus tinha reservado tanto para Israel quanto para Judá, nos últimos dias… A reprimenda de Deus não deve ser desmerecida. O estado espiritual do povo era deplorável, e nem a liderança religiosa dava o exemplo necessário para que o povo se arrependesse. Faltava ensino, como também o temor: O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como eles se multiplicaram, assim contra mim pecaram; eu mudarei a sua honra em vergonha. Alimentam-se do pecado do meu povo e da maldade dele têm desejo ardente. Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e visitarei sobre ele os seus caminhos e lhe darei a recompensa das suas obras. (Os 4.6-9) Alexandre Coelho e Silas Daniel. Os Doze Profetas Menores. Editora CPAD. pag. 17-18.  

 

Em primeiro lugar, Amós nos mostra que Deus se utiliza de quem Ele quer, e que Ele pode se utilizar de pessoas que, dentro dos nossos padrões, não seriam enquadradas como adequadas a certas funções. Amós era um homem rústico, de origem humilde, com um vocabulário limitado e nenhum compromisso com as normas cerimoniais que regiam a convivência dentro das suntuosas casas dos ricos israelitas. Ele era de Judá, mas profetizou para Israel. E além de tudo, era um “leigo na igreja”, ou melhor, não era uma pessoa acostumada com os trabalhos de liderança nem de administração dos sacrifícios e leis cerimoniais descritos no Pentateuco. Mark Dever diz que Muitas vezes Deus chama pessoas inesperadas para servi-lo de formas surpreendentes, não é mesmo? Apenas rememore as histórias do Antigo Testamento.

O pagão Abraão tornou-se o pai dos fiéis. O octogenário e gaguejante Moisés tornou-se o grande doador da Lei e libertador de Israel. O jovem pastor Davi tornou-se o maior rei de Israel… e Deus chamou Amós, o leigo da igreja e lavrador, para ser profeta de uma nação que parecia próspera e bem-sucedida. O cenário religioso e social de Israel era de total descaso para com as coisas de Deus. Os sacerdotes se aproveitavam de suas funções para tratar de seus próprios interesses e se tornarem ricos. Quem tinha dinheiro podia comprar sentenças judiciais de juizes corruptos, usurpando o direito dos mais necessitados. Pai e filho dormiam com uma mesma prostituta.

 

E todos tinham a certeza de que, se seguissem os rituais descritos na lei de Moisés, não precisariam se preocupar com suas vidas pessoais. A situação era tão séria que Deus deu a Amós uma visão em que apareceu um prumo, um instrumento com o qual uma parede era medida, para que se verificasse se estava reta ou não. Com o prumo, um hábil construtor poderia ver se a parede poderia ser ou não aproveitada em uma reforma, ou se deveria ser demolida para que outra fosse colocada em seu lugar. E o prumo de Jeová mostrou que a parede Israel estava torta. Essa falta de retidão não era demonstrada apenas na forma como cultuavam, mas principalmente na forma como os mais abastados tratavam os mais carentes, exigindo deles tributos e fazendo pouco caso do que a Lei ordenava no tocante à ajuda necessária aos pobres. A profecia de Amós tinha por objetivo mostrar ao povo de Deus que a prosperidade financeira não poderia instituir a arrogância e a acomodação em relação à prática da justiça social. Alexandre Coelho e Silas Daniel. Os Doze Profetas Menores. Editora CPAD. pag. 32-33.   

 

Amós foi um dos doze profetas menores, sendo nativo de Tecoa, cidade dez quilômetros ao sul de Belém. Era pastor, mas foi chamado por Deus a fim de profetizar nos dias dos reis Uzias, de Judá, e Jeroboão, de Israel, em cerca de 786—746 A.C. Os profetas menores não são aqueles que se revestem de menor importância, como alguns poderiam entender a expressão, mas, sim, aqueles que escreveram menos. A vida tranquila de Amós foi perturbada por uma série de visões que o levaram à conclusão hesitante de que Israel estava prestes a ser aniquilada como nação, a despeito de afirmar-se sob a perpétua proteção de Deus. Yahweh, que lhe deu a mensagem, é visto como o Criador e Soberano de toda a natureza, bem como o Justo Juiz da história, na qual intervém assim como faz em relação à vida humana. Isso expõe um ponto de vista teísta, e não deísta, de Deus.

O teísmo ensina que Deus não somente criou, mas também está interessado e intervém em Sua criação, recompensando ou punindo. Por sua vez, o deísmo ensina que o criador, ou alguma força cósmica que deu origem às coisas, abandonou a criação ao controle das leis naturais. Pano de Fundo Uzias, de Judá, e Jeroboão II, de Israel (ambos reinaram no mesmo período), desfrutaram de paz e prosperidade. Os inimigos militares estavam quietos ou haviam sido esmagados. A Assíria havia derrotado a Síria, permitindo que Jeroboão II ampliasse suas fronteiras (ver II Reis 14.25). O comércio trouxe novo surto de riquezas. Tanto Judá (ao sul) quanto Israel (ao norte) cresceram, e o reino de Israel combinado com o de Judá chegou a ter quase as mesmas dimensões que tivera na época de Davi e Salomão, a época áurea de Israel. Embora a Assíria estivesse se tornando uma ameaça militar, sob o governo de Tiglate-Pileser III (745—727 A.C.), qualquer ameaça vinda daquela direção parecia remota àqueles que descansavam na prosperidade de Israel. Sucedeu que a prosperidade material, como é usual, provocou suas corrupções sociais e religiosas. A vida fácil estava debilitando moralmente o povo (ver Amós 2.6-8; 5.11,12).

Amós sentiu ser necessário denunciar a vida de luxo, a idolatria e a depravação morai do povo, advertindo sobre julgamento e cativeiro final. A adoração do Baal dos cananeus foi incorporada ao culto de Israel, e a arqueologia tem demonstrado que a religião Cananéia contemporânea do profeta era a mais corrupta que havia no Oriente Próximo. A prostituição ritual fazia parte desse culto. Alcoolismo, violência, grosseira sensualidade e idolatria eram fatores constantes. Israel participava dessa corrupção (ver Amós 4.4,5 e 5.5), corrompendo totalmente o ideal do monoteísmo (ver no Dicionário o artigo a respeito).

A degradação geral degenerou para a injustiça judicial, em que os ricos exploravam os pobres, produzindo um virtual estado escravocrata. A arqueologia tem trazido a lume evidências da extensão da prosperidade comercial nessa época, em Samaria, riquezas que se espalhavam para outras partes de Israel. As ostraca samaritanas, atribuídas ao reinado de Jeroboão II, sessenta e três casos inscritos à tinta, recuperados em 1910, encontrados pela expedição Harvard à Samaria, em ruínas a oeste do local do palácio real, contêm detalhes sobre comércio, impostos e itens luxuosos, e sobre o vinho e o azeite. O selo de jaspe de Sema, servo de Jeroboão, descoberto em Megido, em 1904, ilustra as realizações artísticas do povo daquela época. Seus leitos eram decorados com engastes de mármores, com representações de lírios, veados, leões, esfinges e figuras humanas aladas. Foi um período de vida ociosa, riqueza, arte e lassidão moral. Em outras palavras, Israel se tornara uma nação doente, como sucede à maioria das sociedades abastadas. A opressão contra os pobres era intensa (ver Amós 2.6 ss.), os famintos permaneciam à míngua (ver Amós 6.3-6), a justiça se vendia a quem subornasse mais (ver Amós 2.6 e 8.6), os agiotas exploravam suas vítimas (ver Amós 5.11 ss.; 8.4-6). A religião não era negligenciada, mas havia sido pervertida (ver Amós 3.4; 4.4 e 7.9). O julgamento divino era iminente. Mensagem e Conteúdo

O Conceito de Deus. Amós tinha um elevado conceito de Deus. Deus é o criador (4.13), além de ser o sustentador da criação (4.8; 9.6). Deus julga e castiga o pecado sob a forma de fome (ver 4.6-11), ou confere a abundância (9.13). Deus controla o destino dos povos (1.5). Ele é o Juiz e o determinador das leis morais, considerando os homens responsáveis por seus atos (1.3—2.3),

A Lei Moral. Amós deixou claro que nenhuma formalidade, rito, cerimônia, festividade ou nenhum outro fator, pode substituir a moralidade e a piedade básicas. Se os homens não seguirem as implicações dessa verdade, terão de enfrentar o julgamento (ver 5.27). Deus ameaça os ímpios (9.1) e denuncia a injustiça social (ver 2.6-8; 4.1 ss. e 6.1 ss.).

Arrependimento. Esse é o objetivo colimado das profecias condenatórias (ver 5.4,11,15,24).

O Julgamento Não é a Palavra Final. O profeta encerra com uma promessa de dias mais brilhantes (ver Amós 9.11-15), dizendo que essa será a obra divina no futuro. Ver Rom. 11.26. Contudo, a profecia de Amós foi rejeitada. E suas ameaças tiveram cumprimento, cerca de cinquenta anos depois.

 

 

  OSÉIAS

Mensagem e Conceitos Principais “Israei aparece como a esposa adúltera de Yahweh, que foi repudiada, mas finalmente será purificada e restaurada. Essa é a mensagem distintiva de Oséias, que pode ser sumariada em duas palavras, Lo-Ami (não meu povo) e Ami (meu povo). Israel não era apenas pecaminosa e apóstata, embora isso também seja dito; mas o pecado da nação assumia o caráter mais grave devido à exaltada relação em que ela fora posta com Yahweh”. (SCO) “Oséias é a profecia sobre o imutável amor de Deus por Israel. Apesar das contaminações da nação com o paganismo cananeu e com os cultos de fertilidade, o profeta fez todo o esforço para advertir o povo a arrepender-se, em face do perpétuo amor de Deus por eles.

O tema do profeta é quádruplo: a idolatria de Israel; a sua iniquidade; o seu cativeiro e a sua restauração. Por todo o livro, entretanto, ele acena com o tema do amor de Deus por Israel. Israel é retratada profeticamente como a esposa adúltera de Yahweh, que em breve seria posta fora, mas que finalmente seria purificada e restaurada. Esses eventos são engastados dentro do mandamento divino de que o profeta se casasse com uma meretriz. Os filhos dessa união receberam nomes que simbolizam as principais predições de Oséias: Jezreel, a dinastia de Jeú haveria de ser completamente destruída; Lo-Ruama, “a quem não se demonstrou misericórdia”, o que indica uma profecia sobre o cativeiro assírio; Lo-Ami, “não meu povo”, a rejeição temporária de Israel (cf. Rom. 11.1-24); e Ami, “meu povo”, que aponta para a restauração final da nação (cf. Rom. 11.25,26), no fim dos tempos (Osé. 1.2—2.23)”. (UN) Alguns Pontos de Vista Doutrinários:

A Graça Divina. Deus é quem toma a iniciativa na salvação do homem (Osé. 11.1). A condição de Israel era de profunda depravação, que só poderia ser curada mediante a graça de Deus. Por todo o livro, a nação de Israel é convidada a arrepender-se, o que dá a entender que isso está dentro do alcance da vontade humana. Ver Osé. 5.4; 11.7. A restauração final prometida (Osé. 1.2—2.23) é o resultado final da graça de Deus, o que é uma verdade no tocante à criação inteira, e não apenas à nação de Israel (Efé. 1.9,10). Ver no Dicionário o artigo geral sobre a Restauração.

O Pecado. É mister cuidar do pecado, mediante o arrependimento. O pecado tem o poder de confundir, perverter e desviar (Osé. 4.11), não sendo nenhuma brincadeira. Embora o profeta tenha comprado Gômer de volta, reduzida como ela estava à prostituição e ao opróbrio, o pecado empurrou-a de volta à sua anterior forma de vida pecaminosa. O pecado é poderoso, mesmo em meio ao favor recebido. Assim também, o juízo precisa ser imposto contra o pecado, o que, no caso de Israel, viria sob a forma do cativeiro aos assírios. Todavia, esse juízo divino seria restaurador, e não meramente punitivo. Isso faz parte da natureza do julgamento divino (ver a respeito no Dicionário).

O Difícil Caminho para o Arrependimento (ver Osé. 6.1-4). Alguns intérpretes aceitam essa passagem como se ela retratasse um autêntico arrependimento. Mas outros veem superficialidade, de tal modo que o arrependimento logo reverte ao estado pecaminoso anterior. Há algo de profundamente ilustrativo nisso, que visa todos os homens. Por que razão o arrependimento é tão espasmódico, tão fugidio, tão facilmente reversível? Oséias ensina-nos que não é fácil o caminho que conduz ao arrependimento, depois que a pessoa se deixa envolver pela idolatria, pela imoralidade e pelas formas corruptas de adoração religiosa. O evangelho promete arrependimento, mediante o poder do Espírito, mas esse poder só se torna disponível àqueles que realmente o cultivam. Ver no Dicionário o artigo intitulado Arrependimento.

O Verdadeiro Conhecimento de Deus. Jesus orou no sentido de que os homens viessem a conhecer o verdadeiro Deus, e Seu Filho (João 17). Mediante esse conhecimento, que não é apenas intelectual, o homem é espiritualizado, porquanto isso envolve comunhão no Espírito Santo. O verdadeiro conhecimento de Deus implica comunhão com Deus, e não apenas informações a respeito de Deus. A falta de conhecimento real de Deus, por parte de Israel, levou a nação a todas as modalidades de pecado, como o perjúrio, a mentira, o homicídio, o furto, o deboche, o engodo e o derramamento de sangue inocente, conforme se vê em Osé. 4.2. Gômer ofendeu profundamente a Oséias, com a sua conduta traiçoeira. E nós insultamos a Deus com a nossa conduta errada. Isso demonstra a superficialidade da nossa experiência com o Ser divino, embora ela seja autêntica. O verdadeiro conhecimento de Deus requer o toque místico. O Espírito Santo precisa fazer-se presente, a fim de nos transformar, ou então, terminaremos com uma teologia meramente intelectual.

Esperança e Restauração. A mensagem geral de Oséias é bastante desanimadora, excetuando a sua mensagem de esperada restauração, quando Deus haverá de reverter as misérias de Seu povo de Israel. A esperança, porém, é transferida para o futuro. O presente imediato era negro, moralmente falando, mas, no horizonte, já avultava o cativeiro assírio. Somente quando a mente da fé dá uma espiada naquilo que Deus, finalmente, fará, vê-se esperança no livro de Oséias. No entanto, apesar de distante, a esperança é real. Ver Osé. 2.14-23; 11.10,1; cap. 14 e, especialmente, 6.1-3.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3505-3506; 3441.    

 

 

    2- Os profetas Pré-exílio.  

 

Os profetas de Judá Pré-exílio são quatro: Joel, que pregou o arrependimento (Jl 2.12), e profetizou o derramamento do Espírito Santo (Jl 2.28); Miquéias, que denunciou a falsa espiritualidade (Mq 2.11; 3.11), anunciou a destruição de Jerusalém , o cativeiro babilônico, e a restauração de Judá (Mq 3.12; 4.10); Habacuque, que reclamou da violência, do litígio e da sentença distorcida (Hc 1.1-4), vaticinou que Deus usaria os babilônios para punir a nação (Hc 1.6); Sofonias, que apontou os pecados dos príncipes, a destruição no grande “ Dia do Senhor” (Sf 1.4, 8, 14), e a restauração do remanescente (Sf 3.13).

Todas as profecias abordam o juízo, mas enfatizam a misericórdia divina em prover o livramento.    

 

COMENTÁRIO    

 

Joel profetizou no reino de Judá por volta do ano 835 a.C., durante o reinado de Joás (2 Cr 22–24). Ele se identifica como “filho de Petuel” (Jl 1.1). O seu nome significa “Jeová é Deus”. Ele pregou o arrependimento nacional por meio do jejum, choro, pranto e santificação (Jl 2.12,13,16,17). O profeta anunciou o derramamento do Espírito Santo (Jl 2.28) que se cumpriu no dia de Pentecostes (At 2.17-21), e vaticinou o “dia do Senhor” como dia de salvação e de juízo (Jl 1.15; 2.1,11,31). Nesse sentido, Cristo veio para salvar o mundo (Jo 3.16), e um dia voltará para julgar (At 17.31). Miqueias profetizou nos reinados de Jotão, Acaz e Ezequias (742–687 a.C.), reis de Judá (Mq 1.1). Seu ministério durou cerca de 50 anos.

Era da cidade de Moreste, um profeta humilde em Judá (Mq 1.1). Miqueias denunciou a falsa espiritualidade do povo. A nação participava dos ritos sagrados, mas sua religiosidade era meramente legalista (Mq 2.11; 3.11). Condenou a exploração dos pobres (Mq 2.1,2); lamentou a impiedade (Mq 1.9); anunciou a destruição de Jerusalém e o cativeiro babilônico (Mq 3.12). Ainda assim, Deus concederia esperança de restauração a um remanescente (Mq 2.12,13; 4.10). Habacuque iniciou seu ministério por volta do ano 609 a.C., no governo de Jeoaquim, rei de Judá (2 Rs 23.30-34). Seu nome significa “abraço amoroso” e ainda “lutador”. Ele próprio se apresenta como sendo profeta (Hc 1.1). O texto é tecnicamente um “oráculo”.

Ele recebeu orientação divina para escrever, em lugar de transmitir oralmente como era o usual (Hc 2.2). Ele reclamou da violência, do litígio e da sentença distorcida (Hc 1.1-4), e vaticinou que Deus usaria os babilônios para punir a nação (Hc 1.6). Por fim, Deus haveria de julgar os ímpios e restaurar o seu povo (Hc 3.13). Sofonias afirma que foi chamado “nos dias de Josias, […] rei de Judá” (Sf 1.1). A erudição bíblica concorda que o ano 632 a.C. marca o início de suas profecias. Ele condenou a degeneração religiosa que reinava em Judá: o culto a Baal, a astrologia e a profanação dos sacerdotes (Hc 1.4,5); a má conduta dos príncipes, o engano e a violência (Sf 1.8,9). Anunciou a invasão da cidade e a destruição no grande “Dia do Senhor” (Sf 1.10-11,14), e a restauração do remanescente (Sf 3.13-17). Como é possível notar, os profetas pré-exílio abordam o juízo, mas enfatizam a misericórdia divina em prover o livramento. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

JOEL

Joel foi um profeta do reino de Judá, que alguns pensam ter agido em cerca de 800 A.C., enquanto outros imaginam ser dos tempos pós-exílicos. Mas, apesar de suas profecias terem sido dirigidas especificamente ao reino do sul, Judá, a sua mensagem é universal. Se aceitarmos a data mais antiga, então o seu ministério se deu durante o reinado de Joás (II Crô. 22—24). Assim sendo, é possível que tenha conhecido Elias, quando ainda era menino, e por certo era contemporâneo de Eliseu. Joel escreveu uma obra-prima poética, falando sobre a devastadora praga de gafanhotos que havia assolado a Palestina. Todavia, seu poema profético envolve quatro mensagens centrais. Além da espantosa devastação produzida pelos gafanhotos (símbolo da ira divina, além de poder predizer outros juízos divinos), Joel também falou sobre a frutificação renovada da terra, sob a condição de arrependimento; o dom do Espírito, nos últimos dias; e o julgamento final das nações que tinham perseguido ou causado dano à nação de Israel.

Os estudiosos conservadores vêem sentidos escatológicos ainda mais profundos em seus escritos, afirmando que eles se aplicam ao final da nossa dispensação. De fato, o esquema profético de Joel é o mais completo do Antigo Testamento, embora o autor nos apresente esse esquema em largas pinceladas. Só o Novo Testamento vai mais longe na abrangência de sua visão. Naturalmente, em um livro pequeno como o de Joel, não há detalhes, que os demais livros proféticos se encarregam de preencher. Não foi à toa que Pedro, no primeiro sermão da igreja cristã, tenha citado diretamente somente Joel e Davi! Ver Atos 2.14-36.

Pano de Fundo Histórico e Propósito

A grande praga de gafanhotos e o julgamento divino, ou dia do juízo, simbolizado por aquela praga, foram o que deu origem a este livro. Grandes pragas de gafanhotos ocorriam periodicamente, no Oriente Próximo, até onde a história é capaz de registrar, pelo que é impossível identificar qualquer praga particular, como aquela mencionada por Joel. Se este livro foi escrito em tempos pré-exílicos, em antecipação ao castigo das nações de Israel e de Judá pelos assírios e babilônios, respectivamente, então esse foi um dos motivos da composição do livro. O motivo imediato dos oráculos de Joel foi o incidente da severa praga de gafanhotos. Todavia, uma coisa não podemos esquecer: Joel antevia um julgamento divino final, no dia do Senhor.

E alguns eruditos vinculam as profecias de Joel ao Armagedom, através da invasão da Palestina por parte de potências gentílicas do norte (Joel 2.1-10). A destruição desses exércitos invasores aparece em Joel 2.11. O arrependimento da nação de Israel, no fim, é visto em Joel 2.12-17. Também há menção à infusão ou derramamento do Espírito, em bases mundiais, em Joel 2.12-17, nos últimos dias (o que para nós ainda parece futuro). Todavia, devemos entender que, para Pedro, o início do cristianismo já marcava os “últimos dias” (ver Atos 2.16,17). O retorno do Senhor Jesus ao mundo (a parousia\ consultar sobre esse termo no Dicionário) é visto em Joel 2.30-32, e o recolhimento do disperso povo de Israel, em sua própria terra, em Joel 3.1-16. Em seguida, aparecem as bênçãos do reino milenar (Joel 3.17-21). Quantos desses informes são realmente proféticos, e quanto os cristãos têm lido nessas predições, continuará sendo motivo de debates, até que os acontecimentos preditos realmente aconteçam. Naturalmente, o livro faz do arrependimento a condição sine qua non para alguém estar espiritualmente preparado para aqueles momentosos acontecimentos finais.  

 

MIQUÉIAS

 

O nome Miquéias vem de uma palavra hebraica que significa “Quem é como Yahweh?”. O nome do autor do livro de Miquéias aparece na Septuaginta como Michaías. A Vulgata Latina diz Michaeas. Ele foi o autor do livro que figura em sexto lugar na disposição dos profetas menores, segundo o nosso cânon do Antigo Testamento. No texto do cânon hebraico, aparece no “livro dos doze profetas”; e, na Septuaginta, aparece em terceiro lugar entre esses profetas. O seu livro é mencionado por Ben Siraque (Eclesiástico 48.10), de maneira tal que fica confirmada a sua aceitação, desde tempos antigos, como parte das Sagradas Escrituras do Antigo Testamento. O profeta Miquéias ministrou durante os reinados de Jotão (742— 735 A.C.), Acaz (735-715 A.C.) e Ezequias (715-687 A.C.), ou seja, por cerca de cinquenta anos. O trecho de Jeremias 26.18 refere-se a isso, quando diz: “Miquéias, o morastita, profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá, e falou a todo o povo de Judá…”. Visto que o sexto capitulo de seu livro foi dirigido a “Israel” (ver Miq. 6.2) e visto que o primeiro capitulo de seu livro alude queda de Samaria (Miq. 1.5 ss.), é evidente que sua carreira começou antes de 722 A.C., quando Samaria caiu, pois Miquéias profetizou sobre essa queda bem antes de ela ter ocorrido. A grande potência mundial e a constante ameaça a segurança do povo hebreu, na época de Miquéias, era a Assíria, governada, sucessivamente, por Tiglate-Pileser III (745—727 A.C,), Salmaneser V (727—722 A.C.), Sargão II (722—705 A.C.) e Senaqueribe (705— 681 A.C.).

Durante a primeira parte da vida de Miquéias ocorreu a guerra siro-efraimita, que teve, como contendores, por um lado, Judá, e, por outro lado, a coligação de Israel (nação do norte) com a Siria. Parte da razão desse conflito foi a recusa de Acaz de juntar-se na aliança ocidental contra Tiglate-Pileser III. Miquéias, pois, acabou sendo testemunha da derrota do reino do norte e da queda de sua capital, Samaria, diante da Assiria, em 722/721 A.C. E o final de seu ministério provavelmente ocorreu antes da invasão encabeçada por Senaqueribe (ver II Reis 18.13 ss.), que cercou Jerusalém, reino do sul, em 701 A.C., dando motivos para a construção do túnel de Siloé, por parte do rei Ezequias. De fato, até mesmo isso, e o futuro exílio babilónico, foram preditos por Miquéias, quando ele disse: as suas feridas são incuráveis; o mal chegou até Judá; estendeu-se até à porta do meu povo, até Jerusalém” (Miq. 1.9). Miquéias vivia na fronteira entre Judá e uma “terra de ninguém”, cobiçada pelos filisteus, pelos egípcios e até pelos assírios. Os levantes dos filisteus contra a Assíria, que sucederam no período entre 721 e 711 A.C., estavam em mira. As incursões de Sargão II, naquela área, entre 715 e 711 A.C., talvez estejam em pauta no trecho de Miq. 1.10-16.

Acaz conseguia manter uma paz muito precária, pagando tributo aos assírios. Durante o longo reinado de cinquenta e dois anos de Uzias (terminando em 742 A.C.), e depois, houve um período de prosperidade econômica comparativa, ocasionada em parte pelo fato de que Judá passou a controlar o comércio entre o interior e o porto de Elate, ao sul (cf. II Reis 14.7). Essa prosperidade concentrou riquezas e seu consequente poder nas mãos de alguns poucos privilegiados, provocando injustiças sociais que o profeta atacou decididamente. Ver, por exemplo, Miq. 2.2. “Cobiçam campos, e os arrebatam, e casas, e as tomam; assim fazem violência a um homem e à sua casa, a uma pessoa e à sua herança”. Muitos estudiosos opinam que as reformas religiosas instituídas pelo rei Ezequias, de Judá, ocorreram perto do fim do ministério registrado de Miquéias. Ou, então, essas reformas afetaram somente o cerimonial e o culto, alcançando pouco impacto sobre a vida pessoal e social dos judaítas. Esse é o pano de fundo do livro de Miquéias.

 

Razão e Propósito Procedente das classes mais pobres, Miquéias tinha plena consciência das injustiças praticadas pelos ricos e da avareza que os dominava. Apesar de estar vivamente interessado nas condições políticas da nação, Miquéias só fez comentários a esse respeito naquilo em que essas condições estavam vinculadas à situação moral e religiosa do povo. Sua mensagem pode ser sumariada com as suas próprias palavras: “Eu, porém, estou cheio do poder do Espírito do Senhor, cheio de juízo e de força, para declarar a Jacó a sua transgressão e a Israel o seu pecado” (Miq. 3.8). Foi em razão dos pecados de Seu povo que Deus estava enviando os assírios como látego castigador. Todavia, o castigo divino haveria de ser seguido por um período futuro de bênçãos sem paralelo, ligadas à vinda do Messias. Para Miquéias, pois, a fé em Yahweh deve resultar em justiça social e santidade pessoal, porquanto Yahweh é justo e soberano.

Exemplos evidentes de falta de fé na proteção de Yahweh, por parte dos monarcas do povo de Deus— incredulidade também evidenciada por parte do povo comum—foram a recusa de Acaz de pedir um sinal (Isa, 7.12) e o pagamento de tributo que Ezequias teve de fazer aos assírios (II Reis 18.14-16). Miquéias, portanto, foi o porta-voz do queixume de Deus contra o Seu povo (ver o sexto capítulo), tendo anunciado um vindouro e certo castigo divino. No entanto, a misericórdia de Deus haverá de prevalecer finalmente, conforme anuncia Miquéias no sétimo capítulo do seu livro.  

 

OBADIAS

Obadias é o mais curto livro do Antigo Testamento, pois consiste em apenas vinte e um versículos. Nada se sabe sobre o profeta Obadias, e as poucas tradições que falam sobre ele não são dignas de confiança. Mas, embora o seu livro seja tão minúsculo, muitos eruditos creem que não foi um único autor que o produziu por inteiro, e que partes do livro vieram de diferentes épocas. De acordo com eles, alguns dos oráculos do livro foram proferidos ou escritos pouco depois da queda de Jerusalém frente aos babilônios, o que deu início ao cativeiro babilónico (587—586 A.C.). Talvez Obadias tenha-se valido das coleções de declarações que haviam sido oralmente transmitidas peias escolas dos profetas. Isso poderia explicar as incríveis similaridades entre os vss. 1-9 e Jer. 49.7-22.

Mesmo nesse caso, porém, aquelas declarações refietem bem o ponto de vista de Obadias. Obadias foi, primariamente, um poeta que exprimiu algumas questões proféticas. Edom havia-se aliado a outras nações a fim de derrubar Menaém e despojar Judá, num ato inacreditável e imperdoável que foi denunciado por Obadias (vss. 10-14). À semelhança de Joel, Obadias passou a descrever profeticamente o julgamento dessas nações. Ademais, em visão profética, ele previu a voita de Judá à sua terra, o domínio de Judá sobre Edom e o triunfo universal de Yahweh. Alguns estudiosos acreditam que o livro de Obadias foi escrito às vésperas do avanço árabe-nabateu (cerca de 312 A.C.), que haveria de conquistar os edomitas, e que Obadias estava clamando por vingança pelo que Edom havia feito contra Judá. Sal. 137.7 refere-se à maliciosa alegria expressa por Edom diante da destruição de Jerusalém e dos subsequentes sofrimentos causados peio cativeiro babilónico. Foi isso o que fez Obadias sentir-se tão ultrajado, sendo também a principal inspiração dessa profecia condenatória contra Edom.

Arrogantemente, os edomitas rejubilaram-se diante das derrotas de Judá (e isso sem importar se mais cedo ou mais tarde na história), chegando a prestar ajuda aos saqueadores. Eles detinham e maltratavam judeus que fugiam, ou chegavam mesmo a vendê-los como escravos. Isso foi um ultraje entre aparentados, racial e historicamente falando. Desse modo, Obadias esboçou como seria tomada vingança contra Edom, e então ocorreria a vitória final de Judá, por meio do temível Dia do Senhor.   SOFONIAS Sofonias predisse a queda de Judá e de Jerusalém como acontecimentos inevitáveis (Sof. 1.4-13), em face da degeneração religiosa que ali reinava. Todavia, esse julgamento local é visto pelo profeta contra o pano de fundo do quadro maior dos últimos dias, que as Escrituras também chamam de Dia do Senhor (Sof. 1.4-18 e 2.4-15).

Por conseguinte, o propósito central do autor sagrado foi, principalmente, despertar os piedosos para que se voltassem de todo o coração ao Senhor, a fim de escaparem da condenação quando do futuro dia do juízo (Sof. 2.1-3), tornando-se parte do remanescente que haverá de desfrutar as bênçãos do reino de Deus (Sof. 3.8-20). Isso significa que o livro não é obsoleto para nós; antes, à medida que se aproximarem os últimos dias, mais e mais o livro terá aplicação e utilidade para nossa meditação e orientação. Todos os livros proféticos (e também em menor grau todos os demais livros bíblicos) têm um aspecto escatológico decisivo, que não podemos desprezar. No seu conjunto, eles formam o quadro que Deus queria dar-nos acerca dos dias finais desta dispensação, que abrirão caminho para uma nova época “áurea”, o milênio ou reinado de Jesus Cristo à face da terra! CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3483-3484; 3569-3570; 3537-3538;3631.  

 

JOEL

O Livro do Profeta Joel é sobretudo escatológico. O primeiro capítulo descreve a desolação causada em Judá por uma invasão de gafanhotos — um dos instrumentos do juízo divino mencionado por Moisés em sua profecia (Dt 28.38,39) e por Salomão em sua oração (1 Rs 8.37), e que já havia sido usado por Deus contra o Egito (Ex 10.12-20). Nos capítulos seguintes, há também promessas de bênção em foco, mas o tema principal continua sendo o juízo divino, sendo que agora em um futuro ainda mais adiante. Isto é, a principal mensagem de Joel é que Deus julga, e essa mensagem da realidade do juízo divino, conforme orientação do profeta ao povo, não deveria ser esquecida, mas recontada às gerações seguintes (Jl 1.3). Não é à toa que Deus permitiu que essa obra inspirada pelo Espírito Santo ficasse para a posteridade, para que sua mensagem nunca fosse olvidada e pudesse reverberar durante séculos, despertando vidas. O “Dia do Senhor” é a expressao-chave desse livro.

Ela aparece pela primeira vez no versículo 15 do primeiro capítulo. Tal expressão se refere tanto ao julgamento divino de forma geral — sendo, nesse caso, usada para se referir a um julgamento específico que poderia ser tomado como símbolo do Grande Julgamento Final — como também, e na maioria das vezes, ao Juízo do Fim dos Tempos, quando toda a impiedade será julgada pelo Senhor. Este último e mais recorrente sentido é explorado a partir do capítulo 2 de Joel, quando o profeta faz claramente referência a acontecimentos que se darão em um futuro mais distante. A descrição do cenário decorrente do julgamento dos gafanhotos é terrificante (J1 1.10-12,15-20). Por isso, há até quem acredite que essa profecia inicial de Joel sobre essa desolação não está se referindo a uma praga literal, mas a uma nação que se levantaria contra Judá para destruí-la por causa de seus pecados (J1 1.6), o que realmente aconteceria tempos depois.

Porém, não parece prudente essa interpretação à luz do próprio texto. O que parece mais claro e coerente é que Joel alude a uma praga de gafanhotos mesmo, só que, na sequência, usa esse acontecimento como gancho e símbolo para um castigo que ocorrerá ainda mais à frente sobre Judá e, por extensão, também como símbolo do Dia do Juízo de Deus no fim dos tempos. Como sublinha o teólogo judeu pentecostal Myer Pearlman, “o profeta vê nesta calamidade uma visitação do Senhor e se refere a ela como um tipo do castigo final do mundo — o Dia do Senhor (Jl 1.15). Como muitos dos outros profetas, Joel predisse o futuro à luz do tempo presente, considerando um acontecimento presente e iminente como símbolo de um acontecimento futuro. Por isso ele vê na invasão dos gafanhotos um indício da invasão vindoura do exército assírio (Jl 2.1-27 c/c Is 36 e 37).

Projetando a sua visão ainda mais para o futuro adentro, vê a também invasão final da Palestina pelos exércitos confederados do Anticristo”. Sendo assim, podemos dividir a profecia de Joel em pelo menos três partes: um juízo imediato (Jl 1), um juízo iminente (Jl 2.1-27) e o Juízo futuro (Jl 2.28—3.21).   MIQUÉIAS Miqueias profetizou nos dias dos reis Jotão, Acaz e Ezequias em Judá (Mq 1.1) e dos reis Pecaías, Peca e Oseias em Israel (2 Rs 15.23-30), e sua mensagem era tanto para Judá quanto para Israel (Mq 1.1-9). Ele predisse o cativeiro do povo do Reino do Sul e do Reino do Norte. Viu a queda de Samaria pela Assíria e a queda de Jerusalém pela Babilônia. Pelos reis que lhe foram contemporâneos,, o período de seu ministério profético pode ser estabelecido de 752 a.C. a 697 a.C. Um detalhe muito significativo é que Deus escolheu Miqueias para profetizar o local do nascimento do Messias (Mq 5.2; Mt 2.1,5,6).

A mensagem de Miqueias pode ser dividida, fundamentalmente, em duas partes: na primeira, que compreende os capítulos de 1 a 3, ele denuncia os pecados de Samaria e Jerusalém, e anuncia a condenação vindoura; e na segunda, que vai do capítulo 4 ao 7, ele traz uma mensagem de consolação, de redenção do povo judeu e de promessas de bênçãos. Outro destaque da mensagem de Miqueias é que ele foi usado por Deus também para denunciar a opressão e as injustiças sociais em Israel, especialmente nos capítulos 2 (w. 1,2,8,9) e 3 (w. 2,3,11), mas também no capítulo 6 (w. 8-12).  

 

HABACUQUE

Os tempos de Habacuque eram críticos. As suas apreensões se justificam plenamente pelo contexto político e espiritual de seu tempo. Conquanto as datas sugeridas para a profecia de Habacuque vão desde 650 a 330 a.C., a maioria dos estudiosos bíblicos está convencida de que a mais provável é a que se situa entre 609 a.C., no fim do reinado de Josias, e 605 a.C. Por quê? Há apenas três referências históricas em todo o livro de Habacuque. A primeira se encontra na declaração “Deus está no seu santo templo” (2.20) e a segunda, na nota ao final do livro — “Ao mestre de música. Para instrumento de corda” (3.19). Esses dois textos indicam que o autor profetizou antes de o Templo construído por Salomão em Jerusalém ser destruído em 607 a.C. Em Habacuque 1.6 temos a outra referência histórica. O texto fala a iminência de um ataque dos caldeus, uma tribo semita que ocupara a região entre a Babilônia e o Golfo Pérsico, sendo por isso denominados babilônios.

Posto isso, para chegarmos à data considerada a mais provável, basta considerarmos três fatos: em primeiro lugar, uma possível ameaça babilônica só se tornaria evidente após a destruição de Nínive em 612 a.C.; em segundo lugar, devemos considerar que Josias, que reinou de 639 a 609 a.C., havia sido um bom rei e simpatizava politicamente com os babilônios, tanto que se levantou contra Faraó Neco para estorvá-lo na batalha contra o exército babilônico. Ora, se Habacuque se mostrou surpreso ao saber que Deus escolhera os caldeus para castigarem a desobediente Judá, temos um sinal de que o profeta escreveu seu livro no fim do reinado de Josias. Judá, nos tempos de Josias, simpatizava com os caldeus. Eles eram vistos, de certa forma, como aliados. Mas, em terceiro lugar, o último detalhe histórico que reforça a possível data é que os primeiros prisioneiros dos babilônios (inclusive Daniel e seus amigos) só foram levados depois da batalha de Carquemis, em 605 a.C. Nabucodonosor vai até o Egito e, retornando, invade Judá. A segunda invasão de Judá só se deu em 597 a.C.

O chamado cativeiro babilônico inicia oficialmente em 587 a.C. Ora, Habacuque só admitiu plenamente os caldeus como uma ameaça a Judá depois da réplica de Deus (Hc 1.5—2.1). Logo, a data mais provável é entre 609 e 605 a.C., pois os caldeus já eram vistos como um exército muito poderoso, mas ainda não haviam ameaçado Judá. Em síntese, esse é o contexto político dos tempos de Habacuque: a Assíria havia derrotado o Reino do Norte e estabelecido o cativeiro. A conquista de Judá parecia uma questão de tempo. No entanto, surge uma nova potência mundial, que se move arrasando o que há em seu caminho, como correnteza impossível de ser represada. São os caldeus.

Em pouco tempo, eles sublevaram-se contra os assírios e os esmagaram em confrontos sistemáticos e sucessivos. Em um primeiro momento, Judá se alegra, mas o tiro sai pela culatra. Outro ponto importante é o contexto moral e espiritual da época de Habacuque. Josias, que governou o Reino do Sul de 639 a 609 a.C., era neto de Manassés, possivelmente o rei mais ímpio de toda a história de Judá. Há quem sustente, concordando com a tradição rabínica, que Habacuque já profetizara mais cedo, durante o reinado de Manassés. Segundo a tradição judaica, ele teria sido um dos profetas aludidos em 2 Reis 21.10 e 2 Crônicas 33-10. De qualquer forma, Josias e Manassés são, sem dúvida, os reis cujas atividades mais marcaram o contexto espiritual e moral da geração do profeta. Manassés expandiu o paganismo em sua nação, depois ele mesmo se entregou ao culto pagão, abraçando a magia negra do Oriente, tendo até queimado seus filhos como sacrifício.

Era agoureiro e tratava com médiuns e feiticeiros (2 Cr 33.1-10). Amom, filho de Manassés, seguiu bem os passos maus do pai (2 Rs 21.19-26; 2 Cr 33.21-25). Seu filho Josias, no entanto, voltou-se para Deus. Aos 20 anos, Josias começou a fazer suas primeiras reformas (2 Cr 34.3b). Aos 26 anos (2 Cr 34.8), com a descoberta do Livro da Lei, o rei impulsionou suas reformas, as maiores que o Reino do Sul já experimentara. Como contemporâneo de Josias, Habacuque certamente se deixou levar pelo fervor que as reformas inspiravam. Ele acreditou que finalmente a justiça e a confiança no Deus vivo e verdadeiro haveriam de prevalecer em Judá.

Um bom sinal disso era que a Assíria, diante dos ataques caldeus, começava a perder a sua força. Porém, de repente, morre Josias. Joacaz, seu filho, assume o trono, mas só reina por três meses. Faraó Neco vem da campanha em Carquemis, depõe Joacaz e coloca seu irmão, Jeoaquim (ou Eliaquim), em seu lugar. Judá começa agora a pagar tributo ao Egito. E pior: a impiedade volta a reinar. As reformas haviam tido um resultado superficial. Não atingiram em cheio o coração do povo que, mal enterrara seu bom rei, já se entregava de novo ao paganismo. Habacuque fica indignado. O impacto é muito forte. Os fatos desiludem o profeta, traumatizam-no, fragilizam sua esperança. Habacuque está abalado. Desmancha-se em lamentos. Resolve, então, clamar ao Senhor e o faz desesperadamente. Mas o céu parece de bronze. O profeta-levita está perturbado por causa da impiedade de Judá. Entretanto, enquanto o coevo Jeremias preocupa-se mais com a falta de arrependimento do povo, Habacuque, desiludido, preocupa-se com a aparente relutância de Deus em julgar. Violência e desconsideração para com a lei de Deus campeiam incontidamente (Hc 1.2-4). O profeta clama, mas Deus parece mudo, distante e insensível ao que está acontecendo.  

 

SOFONIAS

Nos dias de Josias, sabemos que houve um período de avivamento e reforma em Judá (2 Cr 34—35) e, ao que tudo indica, Sofonias participou intensamente desse processo, antecipando-se a ele, profetizando sobre os pecados de Judá e as mudanças que a nação precisava, como podemos ver em passagens como a dos versículos 4 e 5 do capítulo primeiro. Os versículos de 4 a 13 do capítulo 1 e os primeiros sete versículos do capítulo 3 são todos de denúncias de pecados que grassavam em Judá e de pregação de arrependimento e reformas que só se concretizariam nos dias de Josias. Por ter acesso ao palácio, com certeza as profecias de Sofonias devem ter chegado aos ouvidos do rei Josias e encontrado eco no seu coração, inspirando-o a realizar as reformas que necessitava fazer. A Bíblia nos informa que, ainda aos 8 anos de idade, Josias começou a buscar ao Senhor (2 Cr 34.2) e, com certeza, sua busca a Deus o tornou sensível à mensagem profética.

Talvez até o próprio Sofonias tenha sido um instrumento de Deus para influenciar e despertar Josias espiritualmente em sua infância e adolescência. Pouco tempo após as profecias de Sofonias, as reformas de Josias começaram. Elas tiveram início no décimo segundo ano do seu reinado, o que põe sua execução por volta do ano 627 a.C. (2 Cr 34.3). Essa primeira fase das reformas durou seis anos (2 Cr 34.8), e o paralelo entre o que representaram e as profecias de Sofonias é extremamente significativo, isso porque se percebe claramente que o conteúdo que o profeta recebera de Deus para entregar ao povo quanto ao que precisava ser feito (Sf 1.4-6) foi materializado e executado cabalmente pelo reinado de Josias (2 Cr 34.3-7).

O evento que catalisou a segunda e grande fase dessas reformas foi, como sabemos, a descoberta do Livro da Lei no Templo do Senhor (2 Cr 34.8-21). Diz a Bíblia que, ao acompanhar a leitura do texto sagrado, o jovem rei logo percebeu ainda mais a enormidade do pecado do seu povo e conclamou-o ao arrependimento e a mais reformas necessárias (2 Cr 34.8—35.19). No momento da leitura do texto sagrado, Josias mui provavelmente deve ter se lembrado das profecias de Sofonias, só que este, ao que tudo indica, já era falecido nessa época, posto que quando o rei ordena ao sumo sacerdote Hilquias, a Aicão, a Abdom, a Safa, o escrivão, e a Asaías, ministro do rei, que procurem um profeta do Senhor para consultarem a Deus sobre o assunto, estes não procuram o profeta Sofonias, que seria a primeira escolha, aquela mais provável, mais buscam a profetisa Hulda, que também morava em Jerusalém (2 Cr 34.21,22).

Logo, tudo leva a crer que Sofonias já era falecido quando da segunda fase de reformas de Josias. Por essa época, Jeremias já devia ter cerca de cinco anos de ministério profético. Ou seja, Deus não deixou o seu povo sem voz profética nesse período: sai o ancião Sofonias, entra o jovem Jeremias. A maioria dos expositores bíblicos coloca, por todos esses fatores, a profecia de Sofonias por volta do ano 630 a.C., isto é, três anos antes do início da primeira fase de reformas de Josias; e a morte do profeta, durante a realização dessa primeira fase de reformas, quando o ministério de Jeremias estava começando. Alexandre Coelho e Silas Daniel. Os Doze Profetas Menores. Editora CPAD. pag. 25-26; 56-57; 73-75; 80-81.    

 

3- Os profetas Pós-exílio.  

 

Os profetas de Judá Pós-exílio são três: Ageu, que persuadiu o povo a reconstruir o Templo (Ag 1.2-6), e Deus prometeu prover os recursos da construção (Ag 2.8), e assegurou que a glória dessa casa seria maior do que a da primeira (Ag 2.9); Zacarias, que animou o povo e Zorobabel a concluírem o Templo, com a mensagem “ não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6), e anunciou a vinda do Messias, como o renovo do Senhor (Zc 3.8); Malaquias, que repreendeu o desleixo dos sacerdotes (Ml 1.7,8), os pecados do povo (Ml 3.5), e a negligência com os dízimos e ofertas (Ml 3-8,9 ). O livro encerra o cânon do Antigo Testamento e conclui com a promessa de que o Dia do Senhor está vindo (Ml 4.4-6).    

 

COMENTÁRIO    

 

Ageu era um homem idoso quando começou a profetizar (Ag 2.3). O início de seu ministério se deu no ano 520 a.C., correspondente ao “sexto mês do segundo ano do rei Dario” (Ag 1.1). Nesse tempo, após 17 anos de paralisação, a obra do Templo foi retomada. Ageu persuadiu o governador Zorobabel, o sumo sacerdote Josué, os líderes judeus e o povo a concluir a reconstrução do Templo de Jerusalém (Ag 1.2-9; 2.2,4). Deus prometeu prover os recursos da construção (Ag 2.8) e assegurou que a glória dessa casa seria maior do que a da primeira (Ag 2.9). O livro encerra com uma mensagem de esperança. Deus fará abalar céus e terra para abençoar o seu povo, e, numa referência a Cristo, estabelecerá o Reino messiânico para sempre (Ag 2.21-23).

Zacarias era membro da família sacerdotal (Ne 12.4). Foi comissionado profeta em 520 a.C., no segundo ano de Dario (Zc 1.1). Esdras registra que Zacarias e Ageu atuaram juntos para despertar o povo, Josué e Zorobabel a concluir o Templo (Ed 5.1,2; 6.14). Com a mensagem “não por força, nem por violência, mas pelo meu Espírito” (Zc 4.6) o profeta advertia que, embora fosse necessário o esforço humano, tanto o retorno do exílio, como a reconstrução da cidade e do Templo eram obras do poder divino. Zacarias é considerado o mais messiânico dos profetas menores. Ele anuncia a vinda do Messias como o renovo do Senhor (Zc 3.8), e, nos capítulos 1.7–6.8 apresenta uma profunda descrição acerca de Cristo. Malaquias significa “mensageiro”, e seu ministério teve início por volta de 433 a.C.

Nessa época, a reconstrução do segundo Templo de Jerusalém já estava concluída (Ml 1.10; 3.1,10). A mensagem do profeta consistia em exortar os repatriados do exílio a uma vida de adoração e santidade. Ele repreendeu o desleixo dos sacerdotes que apresentavam no altar do Senhor pão imundo e animais com defeito (Ml 1.7,8); os pecados do povo, tais como feitiçaria, adultério, falsidade, fraude, extorsão e exploração dos necessitados (Ml 3.5). Igualmente denunciou a negligência com os dízimos e ofertas (Ml 3.8,9). O livro encerra o cânon do Antigo Testamento e conclui com a promessa de que o Dia do Senhor estava vindo (Ml 4.5.6). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

AGEU

Em 586 a.C., Jerusalém foi destruída por Nabucodonosor em sua terceira investida contra Judá. O cativeiro duraria até 538 a.C., quando Ciro, rei da Pérsia, que havia derrotado os caldeus, promulga um decreto permitindo o retorno dos exilados judeus para a sua terra. Apenas dois anos após esse decreto, o povo que retornara inicia a reconstrução do Templo de Jerusalém. Porém, seis anos depois, no ano 530 a.C., essa obra, ainda inconclusa, é interrompida, porque Cambises — sucessor de Ciro, que falecera — decretou o embargo da obra de reconstrução, dando ouvidos a denúncias falsas de povos vizinhos inimigos de Israel. Somente após o falecimento de Cambises, quando Dario Histaspes assume o Reino da Pérsia, o povo judeu recebe autorização de novo para reconstruir o Templo. Só que em vez de os judeus voltarem-se para o projeto de reconstrução, relaxam totalmente.

Eles invertem suas prioridades e começam a se preocupar mais em adornar suas próprias casas e fazer crescer seus negócios pessoais. Simplesmente, abandonam o compromisso que haviam assumido, logo quando voltaram do exílio, de reconstruir o Templo do Senhor. O tempo se passa e vem um período de seca e escassez sobre o povo judeu, que acaba voltando-se para Deus para saber o porquê de Ele ter permitido que esses males sobreviessem ao seu povo. E, então, o ano de 520 a.C. e já haviam se passado, portanto, dez anos da interrupção da reconstrução do Templo. E nesse contexto que Deus levanta o ancião Ageu como profeta para responder à pergunta do seu povo, para conclamá-lo ao arrependimento e para despertá-lo a voltar ao seu compromisso de reconstruir o Templo em Jerusalém. Nessa época, o governador de Israel era Zorobabel e o sumo sacerdote chamava-se Josué (Ag 1.1). Ambos aparecem também no Livro de Zacarias.  

 

ZACARIAS

O livro de Zacarias é preponderantemente escatológico. O seu contexto histórico é o mesmo de Ageu, mas a diferença é que enquanto Ageu trazia mensagens da parte de Deus que, em sua maioria, remetiam aos problemas imediatos do povo, com apenas alguns vislumbres de um futuro bem mais distante, as profecias de Zacarias eram, em sua maioria, voltadas para esse futuro mais amplo e remoto. Por outro lado, o propósito imediato dessas revelações escatológicas dadas por Deus a Zacarias era também responder a um estado pelo qual o povo de sua época passava. Esse futuro escatológico foi apresentado por Deus com o objetivo original de consolar e animar os judeus em seu estado de vicissitudes experimentado naquelas primeiras décadas pós-exílio. Deus queria que o povo soubesse que aquela situação desalentadora pós-exílio não era o final da história, que o fim de Israel seria especial e, portanto, valiam a pena os esforços empreendidos no presente. O povo deveria levantar a cabeça e olhar para a frente com esperança, porque o finai de Israel seria glorioso.

Agora, os judeus estavam sem rei, despojados e sob o governo de um povo estrangeiro, mas, no futuro, a nação seria completamente restaurada e se tornaria, inclusive, a sede do governo do Messias sobre toda a Terra (Zc 2.10-13 e capítulo 8). Essa mensagem trouxe ânimo ao povo para que terminasse a reconstrução do Templo (Ed 5.1). Esse reinicio começou durante o ministério de Ageu, que antecedera em dois meses o ministério de Zacarias (Ag 1.1 c/c Zc 1.1). Este, por sua vez, teve um ministério profético mais longo do que o de Ageu. Finalmente, em um segundo plano, essas profecias deveriam também ser registradas para a posteridade com o objetivo de fazer com que o povo de Deus, durante a história, se conscientizasse do plano divino para o fim dos tempos, sobretudo no que concerne ao futuro de Israel. Não por acaso, o tema central do livro, enfatizado nos últimos capítulos, é o Messias. Eis o contexto e o propósito do Livro de Zacarias. Nas próximas páginas, nos deteremos na análise do conteúdo e do significado de suas mensagens. Porém, antes disso, é preciso apreciar, para fins práticos de estudo, como podem ser divididas as suas profecias.   MALAQUIAS Sua Mensagem Malaquias tem pelo menos quatro temas principais em sua profecia.

Ele trata do desprezo dos israelitas pelos sacrifícios no templo. Os sacrifícios que os israelitas deveriam apresentar ao momento de adoração deveriam ser pautados pelo que eles tinham de melhor. Mas Deus os acusa de serem relaxados quando apresentavam suas ofertas: “Ofereceis sobre o meu altar pão imundo e dizeis: Em que te havemos profanado?

Nisto, que dizeis: A mesa do Senhor é desprezível. Porque, quando trazeis animal cego para o sacrificardes, não faz mal! E, quando ofereceis o coxo ou o enfermo, não faz mal! Ora, apresenta-o ao teu príncipe; terá ele agrado em ti? Ou aceitará ele a tua pessoa? — diz o Senhor dos Exércitos” (Ml 1.7,8).

Trata dos casamentos com vizinhos estrangeiros Deus condena os filhos de Israel pela prática dolosa do divórcio com suas esposas judias, a fim de se casarem com mulheres estrangeiras. Pelo teor do texto, entendemos que se tratava de homens com certa idade, que desprezavam a esposa com quem tinham se casado na juventude para contraírem núpcias com mulheres estrangeiras mais novas.

Fala do Dia do Senhor

Esse não é um dia em que Deus há de acertar as contas com seus inimigos. “Então, vereis outra vez a diferença entre o justo e o ímpio; entre o que serve a Deus e o que não o serve. Porque eis que aquele dia vem ardendo como forno; todos os soberbos e todos os que cometem impiedade serão como palha; e o dia que está para vir os abrasará, diz o Senhor dos Exércitos, de sorte que lhes não deixará nem raiz nem ramo” (Ml 3.18,4.1).

Fala da infidelidade na entrega dos dízimos Malaquias repreende seus contemporâneos pelo descaso na entrega dos dízimos. Pela falta dessa contribuição, faltava mantimentos na Casa do Senhor, e os israelitas não conseguiam ver o fruto do seu trabalho.

‘’Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas. Com maldição sois amaldiçoados, porque me roubais a mim, vós, toda a nação” (Ml 3.8,9). Portanto, não era o caso de um israelita ou dois não entregarem seus dízimos, mas toda a nação! Alexandre Coelho e Silas Daniel. Os Doze Profetas Menores. Editora CPAD. pag. 88-89; 94-95; 105-107.    

 

AGEU

O primeiro livro profético de tempos pós-exíiicos foi o de Ageu, que registra quatro discursos dirigidos aos judeus que retornaram do exílio a Jerusalém, entre agosto e dezembro de 520 A.C. A comunidade, com dezoito anos de existência, estava desencorajada devido ao fracasso nas colheitas, à seca e à hostilidade das populações vizinhas, a ponto de que já se dispunha a retornar à Babilônia.

Ageu repreendeu-os por terem deixado o templo semidestruído. Após terem iniciado uma pequena estrutura, Ageu falou novamente, convocando o povo a construir um edifício ainda mais glorioso que o de Salomão. Ele também queria restaurar a monarquia, tendo Zorobabel como monarca. Ageu foi diferente dos outros profetas reformadores anteriores ao exílio, por ser mais sacerdotal em caráter, salientando a adoração no templo e os rituais, como a chave para maior prosperidade. Ageu foi um dos chamados doze profetas menores, e o primeiro dentre os três que profetizaram após o retorno dos judeus do cativeiro babilónico (ver no Dicionário o artigo a respeito). Esses profetas são chamados menores não por haverem sido menos importantes do que os profetas maiores, mas apenas porque os volumes que escreveram são menos volumosos.

Propósito

O alvo era encorajar os desanimados repatriados a reconstruir o templo, restabelecendo a autoridade civil e religiosa da nação, e reconhecendo a vida comunitária, após o padrão do estado judaico original. Israel não tinha por intuito ser apenas um ajuntamento de pessoas em certo lugar, para então surgir um governante que organizasse as coisas. Antes, Israel deveria ser uma teocracia e uma fraternidade, com propósito e serviço espirituais. Não bastava os israelitas serem libertados do cativeiro. A restauração geral de Israel, em todos os seus aspectos, era algo necessário. Deus os escolhera como um povo, e deles era exigido que correspondessem a essa responsabilidade.   ZACARIAS Zacarias era um contemporâneo mais jovem de Ageu e os dois trabalharam na mesma época e no mesmo local (Jerusalém, por volta de 520 A. C.).

Assim, é correto chamar as profecias dos dois de “livros companheiros”, já que eles se uniram nos esforços de corrigir os mesmos problemas espirituais dos exilados que retornaram a Jerusalém após o cativeiro babilónico. Propósito Os exilados voltaram a Jerusalém com entusiasmo, mas logo isso acabou. Trabalho duro os havia deixado cansados e eles estavam dispostos a permitir que o templo permanecesse parcialmente terminado. Além disso, eles haviam perdido zelo pela renovação do yahwismo na Nova Jerusalém. O livro foi escrito para agitar o povo apático; para refutá-los por sua grande variedade de pecados e para mobilizá-los a acabar o Segundo Templo e estabelecer seu culto como a religião nacional. Uma atitude relaxada precisou ser substituída por fortes prioridades espirituais. O povo precisou voltar a manter um relacionamento viável de pacto com Yahweh, renovando os antigos Pactos (ver a respeito). Uma teocracia devia ser restabelecida, e o povo tinha de ter fé na restauração de todas as coisas e nações sob a liderança de Israel. O povo precisava ser entusiástico sobre a Esperança Messiânica.    

 

MALAQUIAS

No hebraico, “meu mensageiro”. Na Septuaginta, Malachías. A Septuaginta dá a idéia de que essa palavra não indica um nome próprio, e, sim, um substantivo comum, “meu mensageiro”. E muitos eruditos modernos preferem seguir a Septuaginta, embora sem razão, pois o nome desse profeta foi, realmente, Malaquias, cujo significado é “meu mensageiro”. Propósito O profeta Malaquias parece ter-se preocupado tanto quanto os profetas Ageu e Miquéias acerca da deterioração espiritual dos exilados repatriados. Apesar de Malaquias não estar em posição de despertar o entusiasmo acerca da construção de algum símbolo visível da presença divina entre o povo, como estiveram aqueles outros dois profetas, ainda assim ele foi capaz de apontar, de dedo em riste, para o centro da enfermidade espiritual que havia afetado os habitantes da Judéia. O seu grande propósito consistia em restaurar a comunhão dos judaítas com o Senhor.

E isso ele procurava fazer indicando, diante dos seus contemporâneos, as causas do declínio espiritual e mostrando-lhes, ato contínuo, os degraus pelos quais eles deveriam subir, até que a vida espiritual da comunidade judaica pudesse ser revigorada. Tendo plena consciência de que aqueles elementos deletérios que haviam precipitado a catástrofe do exílio babilónico, em 597 A.C., ainda estavam bem presentes na ordem social de sua época, Malaquias esforçava-se deveras por instruir aos seus conterrâneos as lições ensinadas pela história, guiando-os a um estado de espiritualidade mais profunda. Para ele, esse era o remédio precípuo para as perigosas condições morais, religiosas e espirituais em que se encontravam os habitantes da Judéia nos seus dias.

À semelhança de Ageu, que falara antes dele cerca de um século, a preocupação dominante de Malaquias era que os judeus reconhecessem as prioridades espirituais. Se isso fosse conseguido, as caóticas condições vigentes sofreriam uma reversão. “Por vossa causa (então) repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos. Todas as nações vos chamarão felizes, porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o Senhor dos Exércitos” (Mal. 3.11,12). Sim, se houvesse correção dos abusos, haveria tanto prosperidade material quanto felicidade individual, e boa fama entre as nações estrangeiras. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3645; 3659-3560; 3701-3702.    

 

   4- Os demais profetas.  

 

O profeta Jonas foi enviado para pregar em Nínive, a capital da Assíria (Jn 1.2). A mensagem era de destruição por causa da maldade do povo (Jn 3.4). Porém, a nação se converteu, e Deus cancelou o juízo sobre ela (Jn 3.8-10). Contudo, 150 anos depois, Naum profetizou a condenação de Nínive (Na 1.1,9). Os Assírios foram destruídos pela insistência em praticar a crueldade (Na 3.1-4). Obadias denunciou a soberba dos Edomitas (Ob 1.1-3). Eles eram descendentes de Esaú e praticavam violência contra Judá (Ob 1.8-11). Por essa razão, Deus os condenava à destruição (Ob 1.15,16), enquanto Judá seria restaurada (Ob 1.17).    

 

 

COMENTÁRIO    

 

Jonas era um profeta do Norte, mas foi enviado para pregar em Nínive, a capital da Assíria (Jn 1.2). Seu livro é datado por volta de 762 a.C., quando a Assíria ainda era dotada de poder e grandeza (Jn 1.2). A mensagem era de destruição por causa da maldade da nação (Jn 3.4). O império era inimigo implacável de Israel, e o nacionalismo de Jonas o levou a desobedecer à ordem divina (Jn 1.3; 4.1,2). No entanto, após ser punido e liberto do ventre do grande peixe (Jn 2.1,10), Jonas pregou aos ninivitas, a nação se converteu, e Deus cancelou o juízo sobre eles (Jn 3.8-10).

A mensagem do livro demonstra o amor divino para com todas as nações. Ao tratar de sua morte e ressurreição, Jesus a comparou ao evento do profeta Jonas (Mt 12.39-41; Lc 11.29-32). Naum era um profeta da vila de Elcós (Na 1.1) cuja localização é incerta, mas que provavelmente ficava em Judá. Ele profetizou a condenação de Nínive e dessa vez não houve arrependimento (Na 1.1,9). Pouco mais de um século antes, em 722 a.C., os assírios tinham deportado e torturado o reino de Israel. O reino de Judá também era atormentado pela tirania dos ninivitas. Por fim, Deus ordenou a destruição dos assírios pela insistência em praticar a crueldade (Na 3.1-4). Em 612 a.C., conforme vaticinado pelo profeta (Na 1.8), os babilônios sitiaram Nínive por três meses e a subjugaram quando o rio Tigre transbordou e destruiu os muros da cidade. Tinham se passado 150 anos desde o episódio envolvendo o profeta Jonas. Obadias é o profeta menor com o registro da mensagem mais curta dos livros proféticos.

São apenas 21 versículos com referência ao julgamento de Edom (Ob 1.1). A data do livro é muito disputada. No versículo 11, o profeta faz menção a um evento histórico envolvendo Jerusalém. A maior parte dos eruditos conservadores acredita que se trata da queda de Jerusalém em 586 a.C., assim a composição do livro teria ocorrido por volta de 585 a.C., um ano antes do exílio babilônico. Obadias denunciou a soberba e a arrogância dos edomitas (Ob 1.1-3). Eles eram descendentes de Esaú e praticavam violência contra Judá (Ob 1.8-11). Por essa razão, Deus os condenava à destruição (Ob 1.15-16), enquanto Judá recebia a promessa de restauração (Ob 1.17). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

JONAS

Esse profeta e homem de Deus ouviu a palavra do Senhor: “E veio a palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim” (Jn 1.1). Jonas foi chamado para pregar aos inimigos do povo de Deus, os assírios, que tinham um histórico de crueldades para com os povos dominados. Tal mensagem era um desafio aos israelitas daqueles dias. Deus era Deus dos israelitas, e não um Deus que deveria mostrar compaixão para com outras nações. E Jonas aprendeu isso do próprio Deus: “… não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens, que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?” (Jn 4.11).

Se para os dias de Jonas tal mensagem era inconcebível, o mesmo ocorreu nos dias de Jesus. Nos dias em que o Senhor esteve nesta terra, trouxe a mensagem do Reino de Deus primeiramente aos judeus, mas não desprezou os estrangeiros. A mulher siro-fenícia, os gregos que queriam ver Jesus, a mulher samaritana e o centurião são exemplos de que Deus se interessa por todas as pessoas, e não apenas pelos israelitas. Mesmo depois da vinda do Espírito Santo, no dia de Pentecostes, os então apóstolos tiveram dificuldades em administrar esse tipo de conflito. A nacionalidade dos estrangeiros atrapalhava a pregação do evangelho — pelo menos para os primeiros cristãos! Pedro inicialmente teve dificuldades em entender que Deus o estava chamando para falar a um gentio, Cornélio.

Mesmo depois de ter recebido a revelação divina, quando chegou à casa do centurião, não sabia o que fazer: E disse-lhes: Vós bem sabeis que não é lícito a um varão judeu ajuntar-se ou chegar-se a estrangeiros; mas Deus mostrou-me que a nenhum homem chame comum ou imundo. Pelo que, sendo chamado, vim sem contradizer. Pergunto, pois: por que razão mandastes chamar-me? (At 10.28,29) Jonas, portanto, é o exemplo do judeu de seus dias, mas também de outras épocas. Mas como veremos, Deus trabalharia na visão de Jonas, de forma que ele viesse a entender que o Senhor não resume sua atuação salvífica aos filhos de Israel. Ainda mostrando Jonas como um homem tributário do seu tempo, vemos que ele não apenas reconhece a voz de Deus, mas tenta fugir dela. Quando confrontado pelos marinheiros durante a tempestade que acometeu a embarcação em que estava, ele diz: “Eu sou hebreu e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca. Então, os homens se encheram de grande temor e lhe disseram: Por que fizeste tu isso? Pois sabiam os homens que fugia de diante do Senhor, porque ele lho tinha declarado” (Jn 1.9,10).

Ele já deveria saber que, sendo profeta do Deus que fez o mar e a terra seca (por sinal, muito desejada naquele momento…), não poderia fugir da presença divina. A mão de Deus sempre é mais longa do que imaginamos. Mas não culpemos Jonas. Quantas vezes agimos como ele, praticando coisas que são contrárias aos preceitos divinos e tentando fugir de sua presença?   NAUM Naum significa “compassivo”, mas a mensagem que ele traz, pelo menos em parte, é uma demonstração do juízo de Deus. Por isso é preferível dividir sua mensagem em duas partes: a condenação de Nínive e o consolo aos judeus. Naum apresenta o limite da tolerância divina para com os inimigos do seu povo. Isso não anula o fato de que Ele é misericordioso, mas também demonstra que há um limite para que as atitudes de um povo sejam toleradas. O principal objetivo de Naum foi consolar Judá com referência ao seu feroz inimigo, a Assíria.

No seu recado profético, Naum revelou o detalhado plano divino para destruir e devastar Nínive completamente. Essa mensagem foi entregue ao povo de Judá a fim de lembrá-los da soberania do Senhor sobre todas as nações, e que Ele não tolera por muito tempo aqueles que governam com pilhagem e violência… Era uma mensagem muito positiva para os israelitas, aqueles que estavam padecendo nas mãos dos assírios. Não é a toa que o nome Naum significa “consolação”, pois sua mensagem era um consolo aos israelitas, que esperavam o juízo de Deus para os seus inimigos. Naum começa seu livro com a expressão “peso de Nínive”, uma referência à pesada sentença do Deus de Israel contra o império conhecido por suas conquistas e crueldades. A forte mão de Deus se absteve temporariamente de punir àquela nação, mas como o Império Assírio manteve suas maldades, revogando o arrependimento originário advindo da pregação de Jonas, a destruição não tardaria. Sobre a mensagem do profeta, comenta Matthew Henry: Dizia respeito a Nínive, e à monarquia assíria, da qual este era o assento real.

Cerca de 100 anos antes disso Judá tinha, em nome de Deus, predito a rápida derrubada dessa grande cidade; mas, então, os ninivitas se arrependeram e foram poupados, e esse decreto não saiu. Os ninivitas viram então o quão era vantajoso para eles deixarem os seus maus caminhos; era a salvação da cidade. No entanto, logo depois, eles voltaram a ele novamente; ela se tornou pior do que antes, uma cidade sangrenta e cheia de mentiras e roubos. Eles se arrependeram de seu arrependimento, voltaram como o cão para o seu vômito, e por fim se tornaram piores do que haviam sido. Então, Deus não lhes enviou este profeta, como Jonas, mas esta profecia, para ler a eles a sua condenação, que era agora irreversível. Note que a suspensão temporária da pena não continuará se o arrependimento não continuar.  

 

OBADIAS

Obadias traz sua profecia contra os descendentes de Esaú, os edomitas. Os “irmãos” dos israelitas seriam duramente julgados pela forma com que os trataram quando estavam sendo atacados pelos invasores. Esse tratamento desprezível dado ao povo de Deus em um momento em que estavam vulneráveis foi motivo suficiente para que Deus declarasse a queda de Edom. Relatos nos dizem que a maldade dos edomitas chegou ao cúmulo de preparar armadilhas para os israelitas que conseguiram escapar da cidade com vida: Refugiados judeus, para salvarem suas vidas, correram para a nação vizinha de Edom, primos raciais que como Judá, eram descendentes de Abraão e Isaque.

Mas Edom recebeu seus primos? Não, Edom lhes preparou uma emboscada. Então Edom os prendeu, e os entregou aos invasores, e saqueou de Judá tudo o que tinha ficado para trás. Os muitos pecados de Israel foram o motivo de seu exílio e da perda temporária de sua nação. Mas isso não era motivo para que Edom aproveitasse a situação e colocasse em prática seu desprezo pelos israelitas, tratando-os com malignidade. Alexandre Coelho e Silas Daniel. Os Doze Profetas Menores. Editora CPAD. pag. 48-50; 66-67; 41-42.  

 

JONAS Ocasião e Propósitos do Livro O livro de Jonas é uma ilustração veterotestamentária da verdade contida em João 3.16. “Deus amou o mundo de tal maneira”, que tomou as providências para que houvesse uma missão de misericórdia, com a finalidade de prover remédio para o pecado e para a degradação moral e espiritual. Se Deus teve tanto interesse pela sorte de Nínive, então todos os povos devem ser vistos como objetos de Seu amor. Se os estudiosos liberais estão com a razão, então um dos propósitos do livro de Jonas era atacar os preconceitos judaicos, mostrando que Deus está interessado nos pagãos, e não meramente no povo de Israel. Nesse caso, teríamos um propósito polêmico no livro.

Também poderíamos encarar esse propósito como didático. O autor não estaria sendo beligerante. Estava meramente procurando ensinar Israel acerca do interesse de Deus pelos demais povos da terra. O perdão divino é muito amplo; Seu amor vai desde os mais altos céus até os mais profundos infernos. Outro propósito possível era mostrar que a própria nação de Israel deveria interessar-se pelas missões às nações. Nesse caso, o livro é uma espécie de antigo evangelho, cujo intento é impelir à atividade missionária. O Julgamento é Remediai. Deus não tem prazer na destruição e na dor. Contudo, destruição e dor podem ser aplicadas quando se fazem necessárias. O juízo divino tem por escopo produzir nos homens o arrependimento. O trecho de I Ped. 4.6 mostra que esse princípio continua atuante no pós-túmulo, e não apenas durante a vida biológica do indivíduo.  

NAUM

Propósito. O livro de Naum tem, basicamente, duplo propósito. O primeiro é profetizar sobre o julgamento de Nínive mediante a providência vingadora de Deus; e o segundo é um poderoso alento consolador à nação de Judá, que seria tirada de sob o tacão assírio. A razão desse julgamento aparece em Naum 3.4,5. “Tudo isso por causa da grande prostituição da bela e encantadora meretriz, da mestra de feitiçarias, que vendia os povos com a sua prostituição e as gentes com as suas feitiçarias. Eis que eu estou contra ti, diz o Senhor dos Exércitos…”. Por semelhante modo, da mesma maneira que Nínive seria destruída, Judá seria liberada do dominio assírio. “Mas de sobre ti, Judá, quebrarei o jugo deles, e romperei os teus laços…” (1.13).

Principais Ensinos Teológicos. Se contemplarmos o mundo através do prisma formado por Naum, os acontecimentos históricos serão polarizados em uma antítese. Os poderes mundiais são todos representados pela Assíria e por Judá, emblemas dos inimigos de Deus e do Seu reino, respectivamente. Por igual modo, se olharmos através desse prisma de Naum, a teologia está distintamente dividida em duas facções adversárias: os bons e os maus. Os bons serão eternamente consolados, e os maus serão devidamente julgados na perdição eterna. Os bons são retrata dos como não tendo nenhuma mácula. Contudo, em seu livro, o autor não reflete as características da história interior ou os méritos de sua própria geração.

E o ensino que recolhemos do retrato sobre a nação de Judá não é o de julgamento do povo de Deus, e, sim, de refúgio para aqueles que se vaiem da fortaleza que é o Senhor (1.7). Através do profeta Jonas, Deus revelou a Sua longanimidade; mas Naum foi usado para anunciar outro tipo de ensino sobre as atitudes de Deus. Naum nos fala sobre o poder de Deus, um poder capaz de controlar a natureza e os homens, um poder que libertaria a nação de Judá (1.13). Mediante o exemplo de Nínive, aprendemos um lado espantoso dos atributos de Deus. Acima de tudo, aprendemos que aquele que blasfema contra Deus não deixa de receber a sua paga.  

 

OBADIAS

Obadias é o mais curto livro do Antigo Testamento, pois consiste em apenas vinte e um versículos. Nada se sabe sobre o profeta Obadias, e as poucas tradições que falam sobre ele não são dignas de confiança. Mas, embora o seu livro seja tão minúsculo, muitos eruditos creem que não foi um único autor que o produziu por inteiro, e que partes do livro vieram de diferentes épocas. De acordo com eles, alguns dos oráculos do livro foram proferidos ou escritos pouco depois da queda de Jerusalém frente aos babilônios, o que deu início ao cativeiro babilónico (587—586 A.C.). Talvez Obadias tenha-se vaiido das coleções de declarações que haviam sido oralmente transmitidas peias escolas dos profetas. Isso poderia explicar as incríveis similaridades entre os vss. 1-9 e Jer. 49.7-22.

Mesmo nesse caso, porém, aquelas declarações refietem bem o ponto de vista de Obadias. Obadias foi, primariamente, um poeta que exprimiu algumas questões proféticas. Edom havia-se aliado a outras nações a fim de derrubar Menaém e despojar Judá, num ato inacreditável e imperdoável que foi denunciado por Obadias (vss. 10-14). À semelhança de Joel, Obadias passou a descrever profeticamente o julgamento dessas nações. Ademais, em visão profética, ele previu a voita de Judá à sua terra, o domínio de Judá sobre Edom e o triunfo universal de Yahweh. Alguns estudiosos acreditam que o livro de Obadias foi escrito às vésperas do avanço árabe-nabateu (cerca de 312 A.C.), que haveria de conquistar os edomitas, e que Obadias estava clamando por vingança pelo que Edom havia feito contra Judá. Sal. 137.7 refere-se à maliciosa alegria expressa por Edom diante da destruição de Jerusalém e dos subsequentes sofrimentos causados peio cativeiro babilónico. Foi isso o que fez Obadias sentir-se tão ultrajado, sendo também a principal inspiração dessa profecia condenatória contra Edom.

Propósito do Livro Arrogantemente, os edomitas rejubilaram-se diante das derrotas de Judá (e isso sem importar se mais cedo ou mais tarde na história), chegando a prestar ajuda aos saqueadores. Eles detinham e maltratavam judeus que fugiam, ou chegavam mesmo a vendê-los como escravos. Isso foi um ultraje entre aparentados, racial e historicamente falando. Desse modo, Obadias esboçou como seria tomada vingança contra Edom, e então ocorreria a vitória final de Judá, por meio do temível Dia do Senhor. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3550; 3595-3596; 3537-3538.    

 

SINÓPSE II

Os doze profetas menores foram usados por Deus antes e depois do exílio do povo escolhido.    

 

III – O LIVRO DO APOCALIPSE    

    1- Autoria, propósito e destinatários.  

O Dicionário Bíblico Wycliffe assevera que o termo grego apokalypsis significa “revelação especial de Deus ao homem em Jesus Cristo” (Lc 17.30; Rm 8.18; 2 Ts 1.7; 1 Pe 1.13). No versículo de abertura, o livro atesta ser a “revelação de Jesus Cristo” (Ap 1.1a), assegura que o propósito é “ mostrar as coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1.1b) e apresenta o apóstolo João como seu autor (Ap 1.1c). Os destinatários são identificados pelas cidades das sete Igrejas da Ásia Menor: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Filadélfia, Laodiceia e Sardes (Ap 1.11). O livro encerra o cânon do Novo Testamento, e revela a vitória final do Reino de Deus.    

 

COMENTÁRIO    

 

O Dicionário Bíblico Wycliffe assevera que o termo grego apokalypsis significa “revelações especiais de Deus ao homem em Jesus Cristo” (Lc 17.30; Rm 8.18; 2 Ts 1.7; 1 Pe 1.13).7 A palavra é uma combinação de apo (da parte de) e kalupto (encobrir) com o sentido de “revelar algo que estava encoberto”. No versículo de abertura, o livro atesta ser a “revelação de Jesus Cristo” (Ap 1.1a), assegura que o propósito é “mostrar as coisas que brevemente devem acontecer” (Ap 1.1b). Como literatura apocalíptica, o livro “descreve a futura graça de modo a encorajar os obedientes, e descreve o futuro castigo para desencorajar os desobedientes”.

A obra apresenta o apóstolo João como seu autor (Ap 1.1, 22.8). No século III, Dionísio de Alexandria questionou a autoria joanina alegando diferenças de linguagem, vocabulário e estilo entre o Evangelho de João e o Apocalipse. Porém, os primeiros patriarcas da Igreja confirmaram que a autoria era de João. Por exemplo, Justino de Roma em seu “Diálogo com Trifão”, escrito por volta do ano 155 d.C., assegura que João recebeu a revelação acerca do milênio, da ressurreição universal e do juízo final.9 A data da escrita do Apocalipse ocorreu por volta do ano 95 d.C. João recebeu a revelação exilado na ilha de Patmos durante o reinado de Domiciano (81-96 d.C.). Os destinatários são identificados pelas cidades das sete Igrejas da Ásia Menor (atual sudoeste da Turquia). Embora a mensagem sirva para todos os crentes, em todas as partes do mundo e em todos os tempos, especificamente os primeiros leitores habitavam em: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Filadélfia, Laodiceia e Sardes (Ap 1.11).

Como essas cidades estavam localizadas em uma rota bastante movimentada com estradas que formavam uma conexão entre elas, acredita-se que o livro de Apocalipse pretendia ser uma carta circular a ser lida em cada uma dessas igrejas. O livro encerra o cânon do Novo Testamento, e revela a vitória final do Reino de Deus. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

AUTORIA , Duas posições extremas são tomadas quanto à questão da autoria aos livros Joaninos (que consistem do evangelho de João, de três epístolas de João e do Apocalipse), a saber: 1. Teria havido um único autor desses cinco livros, o qual foi o apóstolo João. 2. Cada um desses cinco livros teria tido um autor diferente, pelo que nenhuma conexão real com o apóstolo João pode ser demonstrada entre eles. A resposta mais simplista a ambas essas posições extremas consiste da afirmativa que o evangelho e as epístolas de João foram escritas por um autor (João ou um discípulo imediato seu), ao passo que o Apocalipse teria sido de autoria de um outro João, o ancião. À sia Menor, embora também pertencente à escola joanina. Essa declaração simplista está sujeita a todas as formas de objeção e disputa; mas é tão boa como qualquer outra ideia que já tenha sido apresentada. Pelo menos é certo que o evangelho de João e o livro de Apocalipse não podem ter sido escritos pelo mesmo autor. O grego do evangelho de João é simples, quase infantil, embora gramaticalmente correto.

Mas o grego do livro de Apocalipse é bárbaro, com muitos desacordos quanto ao gênero, além de erros verbais. Foi escrito por algum judeu que tinha o grego como sua segunda língua, o qual não se interessava especialmente pelos casos gregos, pela concordância em gênero, etc. Pensava ele em hebraico, e algumas de suas declarações só podem ser compreendidas quando é reconstituído um «hebraico tentativo» (ou aramaico). Contudo, a despeito de todos os abusos feitos contra o idioma grego, ele se sentia «à vontade» em seu manuseio. Sem dúvida falava o grego e o usava em seus contatos diários. Em alguns lugares consegue momentos de eloquência, e, a despeito da sua má gramática, ocasionalmente produz algumas das melhores porções literárias que o grego conhece. De fato, produziu ele o maior dos «apocalipses», e isso não foi realização pequena para quem usou um «segundo idioma». Podemos supor que, se ele tivesse escrito sua obra em aramaico, o resultado literário teria sido ainda maior. Justino Mártir atribuía o livro de Apocalipse ao apóstolo João (ver «Confirmação Antiga», imediatamente acima).

Esse ponto de vista veio a ser largamente aceito na igreja, conforme a secção anterior o demonstra; em alguns lugares, entretanto, essa posição era ardorosamente combatida, e até mesmo rejeitada. O próprio livro não afirma ser de autoria de João, o «apóstolo»; e poderíamos supor corretamente que se ele o tivesse realmente escrito, ter-se-ia identificado como tal. Outrossim, se João, o apóstolo, o escreveu, não há razão para supormos que não tivesse recebido reconhecimento antigo e universal, conforme sucedeu no caso das epístolas de Paulo. O fato que somente nos meados do século II D.C. é que seu autor foi identificado como o apóstolo João e que mesmo assim muitos continuavam a rejeitar sua autoridade, sob qualquer consideração, especialmente como livro de autoria joanina, mostra-nos que é quase impossível que o próprio apóstolo João tivesse sido o seu autor. Destino.

O destino também é claramente afirmado em Apo. 1:4, bem como em seus capítulos segundo e terceiro, a saber, as «sete igrejas» da Asia Menor. Provavelmente uma cópia do livro foi enviada para cada uma delas, e não apenas as cópias individuais das pequenas cartas. Às igrejas foi ordenado que lessem a composição inteira (ver Apo. 1:3). Na Ásia Menor havia maior número de igrejas do que apenas aquelas sete, e podemos supor que não demoraram a receber cópias da mesma. Alguns estudiosos têm pensado que essas sete igrejas representam sete períodos distintos da história da igreja: mas isso é repelido por outros. Seja como for, representam as principais condições que podem ser encontradas na igreja universal, em qualquer período de história. Ê interessante a observação que o Apocalipse foi aceito como autoritário, isto é, «canônico», inicialmente na Asia Menor. (Ver a secção II da presente introdução).  

MOTIVO E PROPÓSITOS

Motivo. Deve ser óbvio, por aquilo que foi dito nas secções I e V desta introdução, que o «motivo» que provocou a escrita deste livro foi uma grande perseguição tão severa que os cristãos primitivos só poderiam pensar que viviam nos dias imediatamente anteriores à «parousia» ou segundo advento de Cristo. A maioria dos estudiosos crê que essa foi a perseguição movida por Domiciano, o «segundo Nero», que houve pouco antes do fim do primeiro século de nossa era. A literatura apocalíptica tem a característica de tenta r «saltar por cima» das crises presentes a fim de dirigir a mente dos fiéis para um futuro triunfo sobre os inimigos, com o estabelecimento da retidão. A última declaração do Apocalipse promete o retomo de Cristo para «breve».

Em meio à morte e à destruição, os discípulos de Cristo esperavam o breve cumprimento das, promessas referentes a «parousia». Dentre o reinado de Domiciano esperavam o aparecimento do anticristo para breve. O anticristo será a concretização do mal absoluto, pois ele será o servo perfeito de Satanás (ver o décimo terceiro capítulo deste livro). E os cristãos primitivos criam que uma vez que se estabelecesse seu império mundial, logo Cristo voltaria, a fim de destruir o seu ímpio império. Este livro, portanto, foi escrito a fim de encorajar aos cristãos, pois o fim parecia bem próximo, ou seja, o «começo» do fim, o que eles podiam observar pessoalmente com facilidade.

Este livro, pois, infunde «esperança» aos crentes que sofriam, relembrando-os sobre o «mundo eterno» que eventualmente seria estabelecido, ao passo que os reinos humanos, caracterizados, pela cobiça e pelo poder, seriam reduzidos a nada. Domiciano decretou o «culto ao imperador» de um modo que seus predecessores nunca tinham feito. Ele fez disso uma prova de lealdade ao império. Os cristãos, naturalmente, se recusavam a adorar ao imperador como se fosse um «deus», e as consequências disso foram desastrosas para os crentes. Desenvolveu-se até mesmo o culto à família dos Flávios, na qual se encarnaria a natureza divina da família de Domiciano. Mediante sua suposta divindade, além de sua «ascendência divina», procurou estabelecer um governo absoluto sobre os corpos e as almas dos homens.

Promoveu ele a sua «divindade» através de holocaustos públicos. Os espectadores que vaiassem seus gladiadores eram executados, sob a alegação que tinham mostrado falta de respeito, para com sua natureza divina. Os próprios cortesãos de Domiciano tinham de chamá-lo «Senhor e Deus». Ao seu próprio leito ele, ridiculamente, chamava de «leito de um deus»; as festividades por ele instituídas eram denominadas «banquetes sagrados», e até o peixe servido nesse s banquetes era considerado «sagrado». A história confirma a violência de Domiciano ao pôr em vigor todos os aspectos do «culto ao imperador».

Não somente perseguiu aos cristãos, mas também mandou matar e banir a políticos, filósofos e até mesmo membros de sua família que parecessem oferecer-lhe resistência. Mandou executar seu primo, o cônsul Clemente, porque este parecia haver adotado o modo de vida judaico, o que, segundo pensava Domiciano, fizera dele um ateu. Os livros de I Clemente, escritos de Roma, e Hebreus, escrito a cristãos romanos, evidenciam claramente as tremendas perseguições dessa época da história.   Propósitos. O propósito imediato da composição deste livro foi o de contrabalançar o temor e o desespero que, naturalmente, tomou conta da igreja cristã, o que talvez conduziu alguns à apostasia. Pois este livro mostra que o Senhor Jesus Cristo é o verdadeiro governante, o qual, finalmente, haverá de esmagar os poderes malignos, ao estabelecer o seu reino.

Naquele tempo pensava-se que esse reino seria estabelecido dentro em breve (ver Apo. 22:20); assim sendo, havia boas razões para os crentes se encorajarem a sofrer pelo bem, como espirito triunfal até. O autor sagrado assegura a seus leitores que sem importar quão negra fosse a noite, o Dia estava próximo, o qual também os vingaria das perseguições que experimentavam, porquanto o «direito» seria universalmente estabelecido, ao qual pregavam e no qual criam. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 6. pag. 354; 3557-3558.    

 

Apocalipse é a grande consumação das Escrituras, assim como o Gênesis é o livro das primeiras coisas, onde o homem fracassou pelo pecado. Este livro apresenta as últimas coisas, onde aparece o homem salvo e triunfante em Cristo. E bom que se observe o grande contraste existente entre esses dois livros: Gênesis

A antiga criação.

A entrada de Satanás.

O casamento do primeiro Adão.

Surgem as primeiras lágrimas no mundo.

O paraíso é perdido.

É vedado o caminho da árvore da vida.

Morte entra no mundo.

A vida é limitada.

Entra a maldição no mundo.

A primeira cidade é um fracasso.

A comunhão com Deus é rompida.

A lua e as estrelas iluminam as noites.

Velho céu e velha terra.

Surgem as primeiras dores.

O homem começa a fugir de Deus.

O mar é separado da terra seca.

  Apocalipse

A nova criação.

O juízo de Satanás.

O casamento do segundo Adão.

Enxugadas todas as lágrimas.

Paraíso restaurado.

O acesso à árvore da vida é livre.

A morte é vencida.

A vida é eterna.

Não há maldição.

Cidade dos salvos, um sucesso.

A comunhão divina é restaurada.

Não haverá noite.

Novos céu e terra.

Não haverá mais dor.

O homem verá a face de Deus.

O mar já não existe.

  Pelo seu alto conteúdo profético e por sua natureza altamente simbólica, o livro do Apocalipse é um livro que não deve ser negligenciado pelos cristãos. Fala de guerras e também de paz triunfante e final sobre o mundo. O Apocalipse, do grego apokallupsus, significa “revelação”, ou seja, o afastamento do véu, manifestando algo oculto ou encoberto. O livro contém segredos divinos revelados por Cristo a João e, finalmente, de João à Igreja (Apocalipse 1.1, 2).

O Apocalipse é, sem dúvida, um dos livros mais fascinantes e váliosos da Bíblia, visto que nele João pôde olhar pelo corredor do tempo e revelar o plano de Deus para os séculos. Trata-se de um livro de difícil interpretação e, por esta razão, mesmo que compreendamos muitas coisas sobre ele, só o compreenderemos mais perfeitamente a medida em que os eventos nele contidos estiverem se aproximando do seu cumprimento final. Mesmo assim, este livro é uma janela da revelação divina sobre todos os eventos futuros. Basta compararmos Daniel 12.4, 9 com Apocalipse 22.10 para vermos como Deus quer mostrar aos seus servos as coisas que brevemente devem acontecer (Apocalipse 1.1).

O Apocalipse é o apogeu da revelação divina; é a revelação final de Deus ao seu povo. Contém a última mensagem de Jesus à Igreja concernente a sua vinda: Certamente cedo venho (Apocalipse 22.20b). Assim, podemos dizer que nos Evangelhos somos levados a crer em Cristo; nas epístolas somos levados a amá-lo; e no Apocalipse somos levados a esperá-lo.   A autoria do livro O autor é João, o evangelista, apóstolo do Senhor Jesus (Apocalipse 1.1, 4, 9 e 22.8). Irineu, nascido em cerca de 130 d.C. e discípulo de Policarpo, que por sua vez foi discípulo de João, afirma que o velho apóstolo, após ter retornado do seu banimento para a ilha de Patmos, permaneceu em Éfeso até a sua morte, o que ocorreu no reinado de Trajano, por volta dos anos 97 ou 98. Já em meados do segundo século, o livro do Apocalipse foi atribuído a João. Obras e escritores do mesmo período afirmam o mesmo. Justino Mártir, que viveu em Éfeso por volta de 135 d.C., disse: “Além disso, um homem entre nós, de nome João, um dos apóstolos de Cristo, profetizou em uma revelação que lhe foi feita que aqueles que tiverem confiado em nosso Cristo passarão mil anos em Jerusalém, e que após a ressurreição universal, terá lugar o julgamento” (História Eclesiástica 4.12, de Eusébio).

Eusébio ainda cita Eurígenes, dizendo: “(…) Ele (João) também escreveu Apocalipse, quando se ordenou que ocultasse e não registrasse as vozes dos sete trovões”. Papias, falecido no ano 130, conheceu João pessoalmente, tendo transmitido informações de primeira mão a Melito, o qual foi bispo de Sardes (160 a 190 d.C.), que conhecia e usava o livro do Apocalipse. É significativo o fato de que Melito viveu em Sardes, uma das cidades às quais o livro foi originalmente enviado (Apocalipse 3.1). É natural que ele tenha aceitado o livro antes mesmo de ter sido aceito em outras partes da cristandade antiga. O Cânon Muratório (200 d.C.) atribui o Apocalipse ao apóstolo João. A tradição primitiva é confirmada pelos pais do terceiro século, como Tertuliano, Hipólito e Eurígenes.

Eles atribuem o livro ao apóstolo João e o fazem sem qualquer indício de existir uma ideia diferente a respeito deste assunto. A conclusão de Gerhard Maier é que nenhum outro livro do Novo Testamento tem uma tradição mais forte ou mais antiga sobre a sua autoria do que o livro do Apocalipse. Época e local do livro Como se pode ver, atribuir ao livro do Apocalipse a época do reinado de Domiciano (já no final deste reinado, digamos nos anos 95 ou 96) tem o apoio da maioria dos pais da igreja primitiva. Segundo o historiador Eusébio, João pastoreava a igreja em Éfeso quando foi exilado por Domiciano no ano 95. Voltou a Éfeso no ano seguinte, tendo escrito o livro do Apocalipse nesse meio tempo (História Eclesiástica, 111.20).

Clemente de Alexandria fala ainda da atividade posterior de João nos seguintes termos: “Quando logo após a morte do tirano (Domiciano), ele voltou da ilha de Patmos para Éfeso, e foi logo visitar as regiões vizinhas a fim de instalar bispos em alguns lugares, em outros, para pôr em ordem as congregações; e, em outros ainda, para ordenar aqueles que foram designados pelo Espírito Santo”. Patmos é uma ilha rochosa escarpada com cerca de 10 quilômetros de largura por 15 de comprimento, situada a uns 80 quilômetros a sudeste de Éfeso.

A ilha era usada por autoridades romanas como um local de exílio, e João diz ser este o motivo de estar ali, ou seja, por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo (Apocalipse 1.9). Vitorino afirmou que o exílio de João foi acompanhado de trabalhos forçados nas minas de sal em Patmos. No entanto, poucos autores mencionam este fato. Sabe-se, também, que estando já velhinho, João assentava-se ao púlpito da igreja em Éfeso, levantava a sua mão, e assim falava à igreja: “Filhinhos, amai-vos uns aos outros”. E ali terminou os seus dias, na época do imperador Trajano (98 a 117). Paixão, Waldemar Pereira. Apocalipse, a Revelação Final. Editora Kairos. 1 edição 2009. pag. 11-16.    

 

    2- Uma mensagem de esperança.  

 

Na revelação, Cristo disse a João: “ escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que vão acontecer” (Ap 1.19). Significa o registro do passado, presente e futuro. No passado, João testificou da Palavra de Deus (Ap 1.2). No presente, todos devem guardar as palavras da profecia (Ap 1.3,22.14). No futuro, irá se cumprir a esperança da volta de Jesus (Ap 1.7). Desse modo, o livro nos ensina a viver com Deus no presente, a fim de participar da eternidade com Ele. As revelações do futuro atestam que Deus controla a história (Ap 14.7,8); Satanás será derrotado (Ap 20.10); o pecado será banido; e aqueles que vencerem herdarão a Nova Jerusalém (Ap 21.2-4). Por isso, somos encorajados a clamar: “Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20).    

 

COMENTÁRIO    

 

Cristo disse a João: “Escreve as coisas que tens visto, e as que são, e as que depois destas hão de acontecer” (Ap 1.19). Significa o registro do passado, presente e futuro. No passado, João “testificou da Palavra de Deus” (Ap 1.2). O tempo verbal grego empregado aqui, o aoristo (“testificou”) provavelmente refere-se a um “aoristo epistolar”, porque a escrita “das coisas que ele viu” estaria no passado quando seus leitores a recebessem. A declaração também aponta o testemunho de João para as coisas já acontecidas, tais como a visão do Filho de Deus (Ap 1.10-17) e até mesmo o nascimento e a ascensão de Jesus (Ap 12.1.17). Ainda, a expressão indica que as “palavras desta profecia” são verdadeiras, portanto, divinamente inspiradas (Ap 22.7).

As “coisas que são” sinalizam aquilo que estava acontecendo no tempo presente do autor. Diz respeito à situação das Igrejas mostrada nos capítulos 2 e 3 do livro, mas que também se aplicam às igrejas de todas as épocas, tal como o dever de guardar as palavras da profecia (Ap 1.3, 22.14). As “coisas que hão de acontecer” revelam o futuro. Com algumas exceções de presente e passado, referem-se aos eventos narrados a partir do capítulo 4 que antecedem a volta de Jesus (Ap 1.7), e as coisas que acontecem depois, tais como a instauração do milênio (Ap 20.2,3), o julgamento final (Ap 20.13), o novo céu e a nova terra (21.1) e a nova Jerusalém (Ap 21.2).

O Comentário Bíblico Pentecostal faz o seguinte resumo dessa mensagem: (i) Deus está no controle, não Satanás; (ii) Espere pela volta do Cordeiro, e não pela Besta; (iii) Combata todas as suas batalhas com as armas do Espírito, e não com as do mundo; (iv) Quando estiver em dúvida, adore a Deus! A adoração é a maior e mais poderosa expressão de fé; (v) Você está sendo preparado para uma colheita; (vi) A noiva está quase pronta para as bodas com o Filho; (vii) Os preparativos para o casamento já foram feitos, as festividades do final da colheita começaram, e nenhum outro sinal é necessário.

Ouça… a última trombeta vai soar. Os temas acima enumerados devem refletir na maneira como vivemos. Sua mensagem apresenta a esperança de um presente e de um futuro com Deus. Ratifica-se que o livro nos ensina a viver com Deus no presente, a fim de participar da eternidade com Ele. As revelações do futuro atestam que Deus controla a história (Ap 14.7,8); Deus triunfará sobre o mal; Satanás será derrotado (Ap 20.10); o pecado será banido; e os eleitos herdarão a Nova Jerusalém (Ap 21.2-4). Por isso, somos encorajados a clamar “Ora, vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

a) O tema do livro de Apocalipse é a vitória de Cristo e de sua igreja sobre Satanás e seus seguidores (17:14). A intenção do livro é mostrar que as coisas não são como parecem ser. O diabo, o mundo, o anticristo, o falso profeta e todos os ímpios perecerão, mas a igreja triunfará. Cristo é sempre apresentado como Vencedor e conquistador (1:18; 5:9-14; 6:2; 11:15; 19:9-11; 14:1,14; 15:2-4; 19:16; 20:4; 22:3. Jesus triunfa sobre a morte, o inferno, o dragão, a besta, o falso profeta, a babilônia e os ímpios.

b) A igreja que tem sido perseguida ao longo dos séculos, mesmo suportando martírio é vencedora (7:14; 22:14; 15:2).

c) Os juízos de Deus mandados para a terra são uma resposta de Deus às orações dos santos (8:3-5).

LOPES. Hernandes Dias. Apocalipse: o Futuro Chegou, as Coisas que em Breve Devem Acontecer” Editora Hagnos. 1 Ed. 2005.    

 

A Esperança da Igreja (Ap 1.7) “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre Ele. Sim. Amém”. Apesar de João estar aproximando-se do fim de sua longa vida, esta esperança ainda acha-se firme nele. A vinda de Jesus, nas nuvens, será o cumprimento de Daniel 7.13, uma profecia que o próprio Cristo aplicou-se a si mesmo (Mt 26.64). No versículo sete, João olha para o futuro, e vislumbra-nos o que discorrerá com mais detalhes no capítulo 19. Com o pensamento no poder e no domínio de Cristo, o evangelista imediatamente manifesta a esperança da Igreja: “Ele vem com as nuvens”.

A maioria das pessoas a quem está escrevendo é gentia que, à semelhança dos crentes em Tessalônica, haviam se convertido dos ídolos para Deus, para servir Aquele que é vivo, Quando de seu retorno, “todos” (nações, povos e tribos)” lamentar-se-ão num terrível gemido por causa de sua presença. Contudo, este não é o desejo de Deus. A promessa feita a Abraão era de que este e a sua semente (Jesus) trouxessem a benção sobre todas as famílias da terra.

Mas devido à rejeição do mundo aos planos divinos, Jesus terá de retornar “como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo” (2 Ts 1.7). É claro que a Igreja não estará mais na terra quando Cristo retornar trazendo este julgamento. Nós já estaremos com Ele. São os que não foram arrebatados, por ocasião do rapto, é que hão de se lamentar sobre Ele.

Nos dias atuais, temos o privilégio de obter a salvação e receber o Espírito Santo. Entretanto, quando Jesus já houver retornado, triunfando sobre os exércitos do Anticristo, só restará aos descrentes o batismo do fogo do julgamento. João aqui adiciona “sim, certamente”. Com esta dupla afirmativa, não deseja necessariamente que o julgamento venha sobre o mundo, mas confirma a verdade da profecia. A vitória e o reino pertencem verdadeiramente ao Senhor. HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico Apocalipse. As coisa que brevemente devem acontecer. Editora CPAD. 7ª Edição 2011.    

 

SINÓPSE III

O livro do Apocalipse, escrito às sete Igrejas da Ásia Menor, traz uma mensagem de esperança e fortalecimento da fé.    

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

[Uma visão geral do Apocalipse] “Os cristãos da Igreja Primitiva, como os primeiros a receber o Apocalipse, devem ter ficado maravilhados com as suas profecias. Embora tantos séculos já tenham se passado, o livro continua a merecer atenção e estudo, pois bênçãos são prometidos a todos os que guardam a sua mensagem. Suas profecias centralizam-se em Jesus e nos últimos tempos, revelando o clímax e o triunfo final do plano divino […]. A razão e a autoridade com que o apóstolo escreve vêm da tremenda visão de Jesus como ‘um semelhante ao Filho do Homem’ (Ap 1.13), identificando-o com o mesmo personagem visto por Daniel (Dn 7.13,14), a quem foi dado ‘o domínio e a glória, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem’.  

Esta é uma identificação que o próprio Jesus fez de si mesmo durante seu ministério terreno (Mt 26.64). Além de utilizar o linguajar de Daniel, a descrição de Jesus feita por João usa também uma lingua­gem extraída de Ezequiel. Este tipo de descrição do Antigo Testamento, aliás, é aplicada somente a Deus Pai. Através dela, os leitores de João são lembrados de que Jesus é a revelação do Pai (Jo 14 .9 -11). A ordem vem de igual modo diretamente de Jesus, que determina a João que escreva às sete igrejas (Ap 2 e 3)” (HORTON, Stanley M. Apocalipse: As coisas que brevemente devem acontecer. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, pp.9-10).    

 

CONCLUSÃO

A mensagem dos profetas é de suma importância para despertar o cristão. Nos livros proféticos, a soberania, a justiça e a misericórdia divina estão claramente reveladas. Os fatos narrados comprovam o poder, a autoridade e o controle divino sobre todas as coisas. Eles nos servem de experiência de fé, que produz esperança (Rm 5.4).    

 

REVISANDO O CONTEÚDO

1- O que significa a palavra “ Profeta”?

Significa proclamador e intérprete da revelação divina.  

 

2- Em que local Ezequiel e Daniel profetizaram ?

Ezequiel e Daniel profetizaram na Babilônia.  

 

3- Cite os quatro profetas pré-exílio de Judá.

Joel, Miquéias, Habacuque e Sofonias.  

 

4- Para onde o profeta Jonas foi enviado a pregar?

Jonas foi enviado para pregar em Nínive.  

 

5- Segundo a lição, o que o livro de Apocalipse nos ensina?

O livro nos ensina a viver com Deus no presente, a fim de participar da eternidade com Ele.  

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 1° Trimestre 2022 

 

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