11 Lição 3 Tri 20 Esdras vai a Jerusalém Ensinar a Palavra de Deus

11 Lição – Esdras vai a Jerusalém ensinar a Palavra
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11 Lição Esdras vai a Jerusalém Ensinar a Palavra de Deus

TEXTO ÁUREO

“E provaram a boa palavra de Deus.” (Hb 6.5a)

VERDADE PRÁTICA

A Palavra de Deus é semelhante a uma afiada espada; é poderosa e penetrante.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – 2 Pe 1.16-21: A Palavra de Deus é inspirada

Terça – 1 Rs 8.54-61: A Palavra é digna de confiança

Quarta – Nm 23.18-23: Deus confirma a sua Palavra

Quinta – Sl 119.97-104: A Palavra de Deus deve ser lembrada

Sexta – 2 Co 9.9-15: A Palavra deve ser semeada

Sábado – Ef 6.17: A Palavra é a base da nossa vitória

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Esdras 8.1-12

1 – Estes, pois, são os chefes de seus pais, com as suas genealogias, os que subiram comigo de Babilônia no reinado do rei Artaxerxes:

2 – dos filhos de Fineias, Gérson; dos filhos de Itamar, Daniel; dos filhos de Davi, Hatus;

3 – dos filhos de Secanias e dos filhos de Parós, Zacarias, e com ele por genealogias se contaram até cento e cinquenta homens;

4 – dos filhos de Paate-Moabe, Elioenai, filho de Zeraías, e, com ele, duzentos homens;

5 – Dos filhos de Secanias, o filho de Jaaziel, e com ele trezentos homens;

6 – e dos filhos de Adim, Ebede, filho de Jônatas, e, com ele, cinquenta homens;

7 – e dos filhos de Elão, Jesaías, filho de Atalias, e, com ele, setenta homens;

8 – e dos filhos de Sefatias, Zebadias, filho de Micael, e, com ele, oitenta homens;

9 – dos filhos de Joabe, Obadias, filho de Jeiel, e, com ele, duzentos e dezoito homens;

10 – e dos filhos de Selomite, o filho de Josifias, e, com ele, cento e sessenta homens;

11 – e dos filhos de Bebai, Zacarias, o filho de Bebai, e, com ele, vinte e oito homens;

12 – e dos filhos de Azgade, Joanã, o filho de Hacatã, e, com ele, cento e dez homens; Filho de Hacatã, e com ele cento e dez homens.

HINOS SUGERIDOS: 409, 509, 545 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Mostrar a eficácia da Palavra de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o

objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Discorrer sobre o envio de Esdras por Artaxerxes a Jerusalém;

Ressaltar que Esdras ensinou a Palavra ao povo;

Asseverar que a Palavra de Deus deve ser ensinada ao povo;

Elencar os resultados do ensino da Palavra de Deus.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

O Antigo Testamento mostra que a Lei do Senhor estava intrinsecamente ligada a vida de todo o povo e, por isso, ela também era o elemento aglutinador que formava a identidade dos judeus. Assim, Esdras estava ciente de que para iniciar a reconstrução religiosa do povo era necessário começar pelo ensino da Lei do Senhor, pois sem ela não há identidade espiritual nem moral. Atualmente, podemos afirmar que a Palavra de Deus é o elemento central para gerar avivamento, crescimento e desenvolvimento do caráter do cristão. Amemos a Palavra de Deus, busquemos conhecê-la!

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INTRODUÇÃO

O grande valor do ensino da Palavra de Deus é o assunto desta lição. Veremos como o governo da Pérsia enviou Esdras a Jerusalém, a fim de verificar se a vida eclesiástica dos judeus estava conforme a lei de Deus.

PONTO CENTRAL

A Palavra de Deus é eficaz.

I – ARTAXERXES ENVIA ESDRAS

1. Os judeus sob o domínio dos Persas.

Quando o reino da Pérsia derrotou Babilônia, os judeus que viviam naquele lugar passaram automaticamente ao domínio do governo persa. Os judeus puderam logo constatar que os persas eram mais brandos do que os babilônicos.

2. Esdras é enviado a Jerusalém, para ensinar a lei de Deus.

 No seu contato com Esdras, escriba e sacerdote, o rei ficou impressionado com o elevado grau de conhecimento que Esdras possuía da lei do Deus de Israel, e quis, junto com seus sete conselheiros, enviá-lo a Jerusalém a fim de inquirir acerca da situação espiritual dos residentes ali (Ed 7.14).

3. A importante carta que o rei enviou com Esdras.

O rei enviou com Esdras uma carta escrita em aramaico, que está registrada em Esdras 7.12-26. Através desta carta o rei decretou:

a) Qualquer judeu, que assim desejasse, poderia acompanhar Esdras a Jerusalém (v.12).

b) Os que fossem a Jerusalém poderiam levar consigo ouro e prata, voluntariamente dados pelo rei e seus conselheiros, ou dados como ofertas voluntárias do povo (v.15).

c) Os vasos sagrados, que ainda estavam na Babilônia, seriam restituídos (Ed v.19).

d) Qualquer despesa seria paga pelo tesouro do rei.

e) Não seriam impostos aos servidores do templo: direitos, tributos, rendas (v.24).

f) Esdras poderia nomear regentes e juízes, para que a vida eclesiástica viesse a funcionar conforme a lei de Deus (v.25).

Esdras louvou a Deus, que tinha inspirado o rei a fazer tudo isto, estendendo-lhe a beneficência perante o rei (vv. 27,28).

SÍNTESE DO TÓPICO I

Ataxerxes envia Esdras a Jerusalém, onde o líder escriba e sacerdotal tem o objetivo de ensinar a Lei de Deus ao povo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

O professor precisa tocar o coração e mente com imagens vivas que façam sentido para a vida do aluno.

Essas imagens devem brotar a partir do conteúdo da lição. Saiba que a imaginação é um instrumento poderoso para aplicar o ensino da Palavra de Deus ao coração e mente do aluno. Por isso, sugerimos que você tome exemplos de líderes que atuaram para propagar o ensino da Lei aos rincões de Israel. Use histórias vivas sobre o Moisés, o homem que Deus entregou o Decálogo. Também o juiz, sacerdote e profeta Samuel. Você pode encerrar a construção dessas imagens com o Senhor Jesus como a Palavra encarnada de Deus na história. O Pai leva tão a sério a sua Palavra que enviou seu Filho para encarná-la no mundo.

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II – ESDRAS ENSINA A PALAVRA AO POVO

1. Esdras sai da Babilônia e vai a Jerusalém.

Conforme a ordem do rei Artaxerxes, Esdras viajou para Jerusalém acompanhado de um grupo de judeus, alguns eminentes líderes do povo (Ed 8.2). Recusando a escolta militar oferecida pelo rei, para garantir-lhes a segurança durante a viagem, Esdras e seus companheiros preferiram confiar na segurança de Deus. Assim sendo, jejuaram e oraram para que tivessem uma boa viagem (Ed 8.21), e Deus os ouviu e os guardou durante todo o trajeto. Assim chegaram em paz a Jerusalém, onde ofereceram holocaustos a Deus (Ed 8.35). O povo ao ouvir a leitura, começou a chorar e a lamentar-se.

2. O encontro de Esdras com Neemias.

Quando Esdras chegou a Jerusalém encontrou Neemias, o qual vinha sendo o líder espiritual dos judeus em Judá. Posto a par da situação, Neemias uniu-se a Esdras na tarefa para a qual este havia sido enviado.

3. Esdras ensina a Palavra ao povo.

Na festa dos tabernáculos, no dia primeiro do mês sétimo houve santa convocação (Lv 23.34,35). O povo se ajuntou como um só homem diante da porta das águas (Ne 8.1), e Esdras trouxe o livro da lei. A lei de Deus foi lida ao povo desde a alva até ao meio-dia. Havia sido construído um púlpito de madeira para aquele fim, e em pé, ao lado de Esdras, havia um grupo de 13 auxiliares (Ne 8.4). Ainda cooperava um grupo de levitas, e o objetivo era fazer todo o povo entender o que estava sendo lido no livro da lei de Deus (Ne 8.8).

4. O ensino foi maravilhoso.

O povo ao ouvir a leitura, começou a chorar e a lamentar-se. Neemias e Esdras tiveram que intervir, exortando-os a que se alegrassem no Senhor, porque a alegria do Senhor é nossa força (Ne 8.10). O povo então foi comer, beber e festejar, porque todos entenderam as palavras que lhes fizeram saber (Ne 8.12).

SÍNTESE DO TÓPICO II

Esdras ensina a Palavra ao povo e há um grande despertamento espiritual.

SUBSÍDIO BIBLIOGÓGICO

“Um dos aspectos mais importantes da experiência dos israelitas no monte Sinai foi o de receberem a lei de Deus através de seu líder, Moisés. A Lei Mosaica (hb. torah, que significa ‘ensino’) admite uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (21.1–23.33); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (24.12–31.18).

[…] A lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (19.4-6; 20.1-17; 21.1–24.8) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33).

A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (20.2). Antes, pela lei Deus ensinou ao seu povo como andar em retidão diante dEle como seu Redentor, e igualmente diante do seu próximo. Os israelitas deviam obedecer à lei mediante a graça de Deus a fim de perseverarem na fé e cultuarem também por fé, ao Senhor (Dt 28.1,2; 30.15-20)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.146).

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III – A PALAVRA DE DEUS DEVE SER ENSINADA

1. Deus ordenou que a sua Palavra fosse ensinada a todo o povo de sete em sete anos (Dt 31.9-12).

Além da leitura da Lei de Moisés, que se fazia a cada sábado (At 15.21), os Escritos e os Profetas deveriam ser lidos e explicados ao povo, em convocação solene, a cada sete anos.

2. Jesus ordenou o ensino da sua Palavra.

Na GRANDE COMISSÃO Jesus ordenou que seus discípulos ensinassem todas as nações a guardarem tudo o que lhes tinha mandado (Mt 28.19,20).

3. O apóstolo Paulo conhecia a importância do ensino da Palavra.

Vejamos: “Conjuro-te pois diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo… que pregues a palavra…” (2 Tm 4.1,2). “O que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros (2 Tm 2.2). “Se é ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7).

SÍNTESE DO TÓPICO III

A Palavra de Deus deve ser ensinada porque é ordenança de Deus, ratificada por Jesus e confirmada pelos apóstolos.

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IV – RESULTADOS DO ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

1. O ensino da Palavra gera temor a Deus:

a) Deus falou: “Ajunta-me o povo e os farei ouvir a minha palavra, para que me temam todos os dias que na terra viverem” (Dt 4.10). “Guarda os mandamentos do Senhor para o temer” (Dt 8.6).

b) Pelo temor a Deus o crente se aparta do mal (Pv 3.7), se desvia do mal (Pv 16.6), e aborrece o mau caminho (Pv 8.13).c) Como resultado do ensino da lei nos dias de Esdras, o povo confessou os seus pecados, apartou-se de deuses estranhos, adorou ao Senhor seu Deus, e com Ele fez firme concerto (Ne 9.1-3,38). A Palavra de Deus é o PODER de Deus (Rm 1.16).

2. O ensino da Palavra implanta normas espirituais nos crentes.

Essas normas dão forma às manifestações da Nova Vida naquele que se converte, naquele que, pela operação do Espírito de Deus, passa a andar nos estatutos de Deus (Ez 36.27). Vejamos algumas destas manifestações da nova vida:

a) O crente é honesto a toda prova (Rm 12.17; 2 Co 8.21; Fp 4.8; 1 Pe 1.12; Hb 13.18).

b) O crente jamais mente (Is 63.8; Ef 4.25; 1 Jo 2.28). O crente tem o testemunho de sua consciência, no Espírito Santo, de que não mentiu (Rm 9.1). Jesus disse: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não, porque o que passa disso é de procedência maligna” (Mt 5.37).

c) O crente jamais se apodera de alguma coisa que não seja dele. “Aquele que furtava não furte mais” (Ef 4.28). Zaqueu depois de salvo queria restituir aquilo que havia defraudado (Lc 19.8).

d) O crente vive uma vida moral que é exemplo de pureza. “A prostituição e toda a impureza nem ainda se nomeie entre vós” (Ef 5.3).

e) O crente jamais dá falso testemunho de alguém (Êx 20.16; Pv 10.18; Tg 4.11).

Pelo conhecimento podemos saber que Deus quer que todos os homens venham ao conhecimento da verdade.

3. O ensino da Palavra dá conhecimento.

A igreja de Corinto foi enriquecida porque, pelo ensino da Palavra de Deus, havia recebido conhecimento (1 Co 1.5). Consideremos:

a) O conhecimento consolida a força (Pv 24.3), porque pelo conhecimento podemos saber o que nos é dado gratuitamente por Deus (1 Co 2.12). Pelo conhecimento da verdade podemos alcançar plena libertação (Jo 8.32). Pelo conhecimento podemos saber que Deus quer que todos os homens venham ao conhecimento da verdade (1 Tm 2.4).

b) Pelo conhecimento podemos saber como agradar a Deus (2Co 5.9). Agradar a Deus não é resultado da nossa própria força, mas o próprio Deus nos dá graça para agradá-lo.

SÍNTESE DO TÓPICO IV

O ensino da Palavra de Deus gera temor, estabelece normas espirituais nos crentes e dá conhecimento.

SUBSÍDIO BIBLIOGÓGICO

“Quando o povo ouviu e entendeu a Palavra de Deus, todos experimentaram uma profunda convicção de pecado e da culpa.(1) Os trechos da lei que continham uma clara revelação da condição espiritual do povo podem ter sidos Lv 26 e Dt 28; trechos estes que falam da bênção ou juízo divino, conforme a obediência ou desobediência do povo à Palavra de Deus.(2) Nos avivamentos, o choro, quando acompanhado de profundo arrependimento (cf. cap. 9), é um sinal da operação do Espírito Santo (ver João 16.8 nota). Sentir tristeza pelo pecado e abandoná-lo resulta em perdão divino e alegria da salvação (ver v.10 nota; Mt 5.4)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.743).

PARA REFLETIR

A respeito de “Esdras vai a Jerusalém Ensinar a Palavra”, responda

• Por que Esdras foi enviado a Jerusalém?

Para ensinar a Palavra de Deus.

• Em que língua estava escrita a carta que o rei persa enviou com Esdras?

Na língua aramaica.

• Quando Esdras começou a ensinar a Palavra de Deus?

Na festa dos Tabernáculos.

• Que importante líder judaico ajudou Esdras nesta importante tarefa?

Neemias.

• De acordo com a lição, qual o primeiro resultado gerado pelo ensino da Palavra de Deus?

O temor a Deus.

INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

ENSINO

I. A Importância do ensino cristão.

1. Ensinemos por meio de palavras, pela mensagem dos hinos, pela força do exemplo. O ensino faz parte da Grande Comissão (ver Mat. 28:20).

2. Os dons espirituais existem para servir de auxilio no ministério do ensino, e o alvo de tudo é a maturidade espiritual, o crescimento e o aperfeiçoamento dos santos (ver Efé. 4:11 e ss).

3. Os verdadeiros mestres são dádivas divinas à igreja, para seu beneficio (ver Efé. 4:11). E o dom do «conhecimento. é dado especialmente aos mestres, a fim de que sejam eficazes em seu ministério (ver I Cor. 12:8).

4. O ensino tem um efeito edificador. Portanto, é importante, se a igreja tiver de ser ..edificada», O ensino é vital para esse propósito.

5. As Escrituras Sagradas nos foram transmitidas nessa forma escrita a fim de que o ministério do ensino fosse facilitado e se tomasse mais eficaz.

6. Acima de tudo o mais, Cristo foi o Mestre supremo. Se seguirmos o exemplo que nos deixou, sem dúvida haveremos de ensinar.

7. Aqueles que somente evangelizam, negligenciando o ensino cristão, terão de contentar-se com uma igreja infantil, carnal, com disputas e cisões na igreja local. Um povo faminto espiritualmente, será um povo infeliz.

8. A ausência de ensino cristão arma o palco para a apostasia. (ver Heb. 6:1 e ss).

9. Chega um tempo, na vida de cada crente, que se espera que ele se tome um mestre, e não um aprendiz (ver Heb. 5:12).

10. Observemos a importância emprestada por Paulo à necessidade de haverem homens bons que sejam mestres de outras pessoas na fé cristã, para que esta possa passar de uma geração à outra (ver 11 Tim, 2:2).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 390.

I – ARTAXERXES ENVIA ESDRAS

1. Os judeus sob o domínio dos Persas.

Após relatar a história da monarquia e do templo, até o exílio, o autor do livro de Esdras passa por cima do período em que o templo ficou arruinado, quando os principais homens de Judá encontravam- se na Babilônia, e registrou o retorno predito, o que, finalmente, levaria à reconstrução do templo, sob as ordens de Zorobabel (da linhagem de Davi) e de Josué (da linhagem de Arão). Em seguida, o autor sagrado descreveu o estabelecimento da nova comunidade judaica, durante o período de 538-433 A.C.

A sorte mudou, e os judeus, no cativeiro, caíram sob o domínio da Pérsia, quando Ciro conquistou a Babilônia, em 539 A.C. O livro de Esdras alista certo número de reis persas. Se considerarmos os livros de Esdras e Neemias como uma unidade, então acharemos ali os nomes de Ciro (539-530 A.C.), que permitiu que alguns cativos judeus retornassem à Palestina; Cambises (530-522 A.C.); Gaumata (pseudo Esmerdis, 522 A.C), que foi um usurpador; Dario

1 (522-486 A.C.), citado nos capítulos quinto e sexto do livro de Esdras; Xerxes I (486-465 A.C.), referido em Esdras 4.6; Assuero, da rainha Ester; Dario e Xerxes que invadiram a Grécia, mas sem sucesso (a história narrada por Heródoto); Artaxerxes I (464-424 A.C.), aludido em Esd. 4.7-23 e 7.1 -10.44. O ministério inteiro de Neemias cabe dentro desse último período.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1731.

1 .1 – 0 livro de Esdras tem início em 538 a.C., 48 anos depois de Nabucodonosor destruir Jerusalém, derrotar o reino de Judá, e levar os judeus para a Babilônia como cativos (2 Rs 25; 2 Cr 36). Nabucodonosor morreu em 562 a.C., e pelo fato do os seus sucessores não terem sido fortes, a Babilônia foi conquistada pela Pérsia em 539 a.C., pouco antes dos eventos registrados neste livro. Tanto os babilônios quanto os persas tinham uma política amistosa em relaçáo aos seus cativos, permitindo que estes possuíssem terras e casas, e desempenhassem trabalhos comuns. Muitos judeus, como Daniel. Mardoqueu, e Ester, foram elevados a posições destacadas na naçáo. O rei Ciro. Da Pérsia, foi um passo além: Permitiu que muitos grupos de exilados.

incluindo os judeus, retornassem às suas pátrias. Ao agir assim, esperava ganhar a lealdade deles, e deste modo estabelecer zonas que servissem como barreiras em torno das fronteiras de seu império. Para os judeus, este foi um dia de esperança, um novo começo.

Ciro, rei da Pérsia (539-530 a.C.), já havia iniciado sua ascensão ao poder no Oriente Próximo, unificando os medos e os persas em um forte império. Enquanto conquistava as cidades, tratava os habitantes com bondade. Embora não fosse um servo de Deus. Ciro foi usado pelo Altíssimo para fazer com que os judeus voltassem a sua pátria. Ciro pode ter tido conhecimento da profecia de Isaías 44.28—45.6. escrita com mais de um século de antecedência, a qual predisse que o próprio Ciro ajudaria os judeus a retornarem a Jerusalém. Daniel, um destacado oficial do governo (Dn 5.29; 6.28), poderia estar familiarizado com a profecia. O livro de Daniel tem mais a dizer sobre Ciro.

Jeremias profetizou que os judeus permaneceriam no cativeiro por 70 anos (Jr 25.11; 29.10). O período de 70 anos tem sido calculado de dois modos diferentes: 1) do primeiro cativeiro em 605 a.C. (2 Rs 24.1} até o altar ser reconstruído pelos exilados que retornaram, em 537 (Ed 3.1-6), ou 2) da destruição do Templo em 586 até os exilados terminarem de reconstruí-lo cm 515. Muitos estudiosos preferem a segunda abordagem porque o Templo ora o enfoque principal da nação, e era considerado o bem mais importante que possuíam. Sem o Templo, os judeus não se considerariam restabelecidos como nação.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 644.

2. Esdras é enviado a Jerusalém, para ensinar a lei de Deus.

Porquanto és mandado da parte do rei. Sete conselheiros foram convocados para aconselharem sobre a questão da missão de Esdras. Essa missão deveria ser autorizada pelo tribunal superior, que foi assim autorizado pelo próprio rei. Eles ajudariam Esdras a investigar as circunstâncias em Jerusalém, e a pôr as coisas em ordem ali.

O padrão da ação era a lei de Moisés, o documento por trás das reformas finais de Esdras. Os conselheiros deveriam ser conhecedores das “questões judaicas’ e saber escrever relatórios que seriam enviados ao rei da Pérsia. Caberia a Esdras tomar decisões e fazer alterações. Ou então, a investigação seria feita exclusivamente por Esdras, e os conselheiros eram apenas oficiais persas chamados para ajudar o rei a lidar com as questões da missão de Esdras.

Nesse caso, seria difícil identificar a função exata dos conselheiros (quanto a essa questão), embora o rei devesse tomar suas decisões em consonância com o parecer dos conselheiros. Cf. Ester 1.14. Os conselheiros eram “sete príncipes da Pérsia e da Média’, que viam o rosto do rei e tinham a mais alta autoridade na terra, depois do rei.

Heródoto (História 111.31; VII.8; VIII.67) chamou esses homens de “os mais nobres persas’, e eles eram os mais altos conselheiros do rei.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1755.

Essa carta encontra-se em aramaico. Foi incluída no texto sagrado tal como escrita pelo rei ou seus escribas. A introdução é normal, como em toda correspondência oficial, tratava-se de um decreto real, referendado pelos sete conselheiros (ministros; conf. Ester 1:15 e Heródoto 3:84). O fim era inquirir dos negócios da província de Judá e das condições do povo e da religião. Portanto, Esdras era portador de uma lei que o capacitava para qualquer trabalho que desejasse fazer.

Mesquita. Antônio Neves de,. Livro de Esdras. Editora JUERP.

3. A importante carta que o rei enviou com Esdras.

A Carta e o Decreto de Artaxerxes (7.11-28)

Em resposta a um aparente pedido de permissão de Esdras para empreender uma missão de ensino em Jerusalém, Artaxerxes, o rei da Pérsia, promulgou um decreto, cujo conteúdo ele incluiu em uma carta endereçada ao sacerdote Esdras (12). A última parte do versículo 12 é obscura e traduzida simplesmente como “as mais sinceras saudações” (Smith-Goodspeed). Moffatt traduz “saudações, etc.”. A versão Berkeley observa que “o autor assim indica uma omissão intencional”. De acordo com esse decreto, Esdras recebeu plena permissão para realizar a viagem a Jerusalém. Ele também recebeu autorização do rei e dos sete conselheiros (cf. Et 1.14) a agir como o mensageiro do rei para fazer inquirição em Judá e em Jerusalém (14) e para levar aos exilados que retornavam um generoso presente do tesouro do rei para ajudar nos serviços do Templo.

O versículo 19 indica que nem todos os utensílios usados na adoração no Templo tinham sido devolvidos anteriormente (1.7-11). Os remanescentes teriam que ser devolvidos agora. Adicionalmente, Artaxerxes ordenou a todos os tesoureiros que estão dalém do rio (21) que fizessem contribuições de até duzentos mil dólares americanos em prata, 1.150 alqueires de trigo e aproximadamente 3.500 litros de azeite (Berk.). Um convite especial estendeu o decreto a todos os judeus que decidissem acompanhar Esdras nesta missão. Artaxerxes, cuja religião envolvia a adoração de muitos deuses, estava ansioso por garantir as graças do Deus do céu (23), como reconhecia que era o Senhor Deus. No politeísmo (a adoração a muitos deuses) sempre há lugar para mais um. A fé de Israel, por outro lado, reconhecia somente o Senhor como Deus e não admitia a existência de nenhum outro.

O versículo 24 talvez seja o primeiro exemplo de isenção de impostos para os ministros. Embora não tivesse a autoridade de um governador, como tinham Zorobabel e Neemias, Esdras recebeu a autoridade para indicar magistrados e juizes (25) para agir nos assuntos religiosos. Ele também tinha o poder de infligir a pena de morte, se necessário, a quem se lhe opusesse. No final do capítulo, Esdras louva a Deus por colocar esse desejo no coração do rei (27) e por tê-lo inspirado a fazer tão generoso decreto a favor deles.

Demaray. C. E. Comentário Bíblico Beacon. Esdras. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 498.

1) Prata e Ouro para o Templo (vv. 15-20)

Os judeus que não podiam voltar, por causa dos seus negócios, davam liberalmente para o custeio dos serviços religiosos (v. 16). Ainda atualmente fazem isso.

Com esse dinheiro, Esdras deveria comprar novilhos e bodes para os sacrifícios, e o que restasse podia ser usado conforme achasse por bem Esdras (v. 18). Era uma prova de confiança na honestidade do enviado. Se o que Esdras havia recebido do rei e de seus conselheiros e mais os donativos do povo não bastassem Para as necessidades da Casa de Deus, Esdras estava autorizado a pedir aos governadores além do Eufrates o que preciso fosse (v. 21).

2) AUTORIZAÇÃO para Receber Tudo Que Posse NECESSÁRIO (vv. 21-23)

Além da liberalidade do decreto, como vimos antes, o rei deu ordens aos tesoureiros de aquém do Eufrates para darem ao sacerdote Esdras o que ele pedisse, até os limites: cem talentos de prata, cem coros de trigo, cem batos de vinho e até cem batos de azeite e sal à vontade. Calculando os 100 talentos de prata, e os cem coros de trigo, os cem batos de vinho e cem batos de azeite, encontramos convertidas estas moedas e estas medidas em valores ocidentais, uns 100.000 dólares, 800 alqueires de trigo, 2.800 litros de vinho e outro tanto de azeite. Uma liberalidade admirável.

O rei reconhece que o que estava fazendo para a Casa de Deus e do povo era uma obrigação, pois não queria que a ira de Deus caísse sobre o seu reino, seus filhos e ele mesmo. Eram tementes a Deus, ou diriam alguns, supersticiosos. Estes monarcas deveriam ter aprendido que o Deus dos judeus era um Deus pessoal, e que não era um ídolo como qualquer dos muitos que os outros povos adoravam.

3) Outras Obrigações Legais do Decreto (vv. 24,25)

Todos os que serviam no Templo ficavam isentos do pagamento de impostos,

pedágios ou direitos alfandegários (v. 24). Antigamente os pastores no Brasil, bem como os jornalistas e magistrados estavam isentos de certos impostos, como de renda, recebiam abatimentos em passagens, etc. Depois todos foram igualados aos demais cidadãos. Cremos que esteja certa esta medida, para não haver favoritismos. Todavia, os que vivem do Evangelho deveriam gozar de certas vantagens, como ocorre nos EE.UU., em que um pregador paga 50% do bilhete de trem. Isto, para facilitar a propaganda da religião. Esdras estava também autorizado a nomear magistrados e juízes para a administração das coisas do Estado. Era uma incumbência admirável, imposta a um judeu por um rei gentio.

4) Os Rigores da Lei (v. 26)

Esdras estava armado de tantos poderes, que, se desejasse pô-los em prática, – arruinaria muita gente. Naturalmente estas prescrições destinavam-se aos judeus, sobre os quais Esdras tinha sido investido de autoridade, se bem que naqueles tempos os limites jurisdicionais não fossem muito fixos. A lei de Deus devia ser observada sob pena de morte, desterro, confisco de bens e prisão. Já se imaginou um decreto de tal natureza?

Mesquita. Antônio Neves de,. Livro de Esdras. Editora JUERP.

II – ESDRAS ENSINA A PALAVRA AO POVO

1. Esdras sai da Babilônia e vai a Jerusalém.

Apregoei ali um jejum. Esdras tinha resolvido fazer uma longa e perigosa viagem. A proteção divina era necessária. Assim, as orações eram reforçadas pelo jejum que falava em humildade e na necessidade de ajuda extra-humana. Dores e privações auto infligidas tinham em mira influenciar o poder divino, por meio da piedade e da misericórdia, levando-o a atender o solicitador. Cf. II Samuel 12.16 ss. e Isaías 58.3.

Para lhe pedirmos jornada feliz. A principal petição era uma viagem segura, livre do ataque de poderes hostis, fossem esses soldados ou ladrões, ou seja, homens ímpios e desarrazoados de qualquer tipo (ver II Tessalonicenses 3.2). Além disso, haveria perigos durante a jornada, como acidentes e enfermidades que poderiam prejudicar a todos, mas especialmente às crianças. Alguns estudiosos pensam que a palavra “jornada”, aqui usada, é metafórica, a “jornada da vida”, tomando a oração de Esdras generalizada. O caminho do Novo Israel seria abençoado por Deus, se tivesse de ser bem-sucedido, mas a outra ideia provavelmente é o que está em destaque aqui.

Para nossos filhos. O que mostra que famílias inteiras estavam de partida para Jerusalém, mulheres e crianças, perfazendo um grande grupo de quatro mil a cinco mil peregrinos. As crianças necessitariam de cuidados divinos especiais, como é sempre o caso.

Para tudo o que era nosso.

Os judeus estavam viajando com muita bagagem, o que os ajudaria a estabelecer residência em Jerusalém. Também haveria os tesouros do templo quanto ao culto divino. Haveria grande perigo de saque.

É provável que eles tenham levado consigo animais domésticos, alguns para serem abatidos nos sacrifícios e outros para servirem de alimento e no trabalho. Isso representava “riquezas” que tinham que ser protegidas. O pequeno bando, mui provavelmente, também seguia armado, mas não seria capaz de resistir muito a um ataque. O livro de I Esdras menciona animais de porte.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1758-1759.

Um Jejum como Preparo para a Viagem (vv. 21-23)

Os geógrafos ainda não identificaram o canal ou rio que corria para Ava. Talvez um canal dos muitos que havia em Babilônia e que tenha desaparecido agora. Reunidos numa multidão de quase 2. 000 pessoas – mulheres, meninos e alguns velhos Esdras achou que era bom praticar um jejum, como preparativo para o longo caminho. O valor do jejum nas práticas religiosas evangélicas caiu da moda, e modernamente tal prática tem causado mais mal do que bem, em alguns grupos. Entre os judeus era e é boa prática. Porque não o seria entre todos que buscam a Deus? A preocupação de Esdras era o caminho, que, além de longo, oferecia muitos perigos de inimigos. No trato com o rei, Esdras teria dito que o seu Deus cuidaria dele e dos seus companheiros, de maneira que agora teve vergonha de pedir soldados para proteção, como aconteceu na primeira volta. Outras informações já foram dadas quando estudamos a vinda de Zorobabel.

A travessia em linha reta seria bem mais curta (ver mapa), mas teriam de enfrentar o deserto sem água e as grandes tempestades de areia. Assim, subiriam ao longo do rio Eufrates, passando por onde foi o antigo reino de Mari, contemporâneo de Abraão, chegando aos subúrbios de Damasco, para então descerem pelo Anti-Líbano, até Jerusalém. Teriam certamente se lembrado de Arã, onde morou Abraão antes de ir à Palestina, e lá deviam ainda morar remanescentes da família de Naor.

Não se sabe quem seria o governador de Judá nesta data; possivelmente estaria unida a alguma outra satrapia, talvez a da Síria ou do Egito. Também não sabemos se Esdras tinha conhecimento da situação em Judá, ou não. Os correios naquele tempo eram escassos e só transitavam a serviço do Estado. Que ligações haveria entre os judeus, em Jerusalém, e os colonos, em Babilônia, também se ignora. Talvez uma completa ruptura de comunicações, e isso explica o espanto que se apoderou de Esdras, quando viu a situação a que chegara a colônia judaica quanto aos casamentos mistos. Terminamos esta seção entregando Esdras ao seu cargo em Jerusalém após longa viagem.

Os exilados que vieram do cativeiro ofereceram holocaustos ao Deus de Israel: Por todo o Israel, doze novilhos, noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros, e como oferta pelo pecado, doze bodes. Então Esdras comunicou as ordens recebidas do rei aos seus satrapas deste lado do rio, e ajudaram o povo na reconstrução da Casa de Deus. Esta reconstrução deve referir-se a reparos, pois a casa tinha sido construída às pressas e sob tremenda oposição, e seria mais do que natural que estivesse agora, tantos anos depois, carecendo de reparos. Não se confunda, pois, esta declaração de 8:36 com a reconstrução do Templo, porquanto isso foi feito no sexto ano de Dario Histaspes, 415 A.C. 4.

Mesquita. Antônio Neves de,. Livro de Esdras. Editora JUERP.

2. O encontro de Esdras com Neemias.

Não temos registro na Bíblia deste encontro, mas sabemos que aconteceu e que foi preparado por Deus. As forças se somaram aos contemporâneos Ageu e Zacarias, profetas enviado por Deus para guiar o seu povo na reconstrução física e espiritual da nação de Israel.

A contribuição de ambos trouxe renovo espiritual a nação, que deixou seus maus caminhos (casamento com estrangeiras, desunião, entre outros), cada um teve seu destaque em determinado período, e cada um influenciou a nação como líder do povo.

Eles trabalharam com afinco, não fazendo oposição entre sim, tendo um inimigo em comum; e nós que estamos liderando devemos ter a mesma percepção, pois só existe apenas um inimigo e ele é o mesmo que corrompeu Judas, Balaão, Alexandre o latoeiro.

A Obra do Senhor não se faz só, o próprio Jesus que chamou doze discípulos, para ajuda-lo, a obra do Senhor deve ser feita da mesma forma que foi no passado, se for necessário para o crescimento da obra o encontro de homens como Esdras e Neemias acontecera inúmeras vezes, como foi entre Paulo e Silas, entre o Apostolo Pedro e o Sobrinho de Barnabé, chamado de João Marcos, mas conhecido como Evangelista Marcos.

Comentário Presbítero Alessandro Silva

3. Esdras ensina a Palavra ao povo.

O ajuntamento do povo para ouvir a Palavra de Deus tem quatro características distintas que devem servir de modelo para a igreja contemporânea:

Em primeiro lugar, é espontâneo (8.1). Deus moveu o coração do povo para reunir-se para buscar a Palavra de Deus. Eles não se reuniram ao redor de qualquer outro interesse. Hoje o povo busca resultados e não a verdade; coisas materiais e não a Deus; benefícios pessoais e não a Palavra de Deus. Querem as bênçãos de Deus, mas não o Deus das bênçãos. Têm fome de prosperidade e sucesso, mas não têm fome da Palavra.

Em segundo lugar, é coletivo (8.2,3). Todo o povo, homens e mulheres, reuniram-se para buscar a Palavra de Deus. Ninguém ficou de fora. Pobres e ricos, agricultores e nobres, homens e mulheres, jovens e crianças. Eles tinham um alvo em comum: buscar a Palavra de Deus. Precisamos ter vontade de nos reunir não apenas para ouvirmos cantores famosos ou pregadores conhecidos, mas reunirmo-nos para ouvir a Palavra de Deus. O centro do culto é a pregação da Palavra de Deus.

Em terceiro lugar, é harmonioso (8.1). “Todo o povo se ajuntou como um só homem” (8.1). Não havia apenas ajuntamento, mas comunhão. Não apenas estavam perto uns dos outros, mas eram unidos de alma. A união deles não era em torno de encontros sociais, mas em torno da Palavra de Deus.

Em quarto lugar, é proposital (8.1): “[…] e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da lei de Moisés, que o Senhor tinha prescrito a Israel” (8.1). O propósito do povo era ouvir a Palavra de Deus. Eles tinham sede da Palavra. Eles tinham pressa de ouvir a Palavra. Não era qualquer novidade que os atraía, mas a Palavra de Deus.

LOPES. Hernandes Dias. Neemias, O líder que restaurou uma nação. Editora Hagnos. pag. 135-136.

Em chegando o sétimo mês.

As dificuldades cronológicas da passagem não deveriam cegar-nos para a importância espiritual do material. Esdras era um mestre poderoso. Ele não foi somente um pioneiro que ajudou a arranjar pessoas que quisessem voltar para Jerusalém. Talvez ele tivesse tido uma continuação do ministério do ensino, nos dias de Neemias, e, por algum tempo, os dois se tenham mostrados ativos em Jerusalém. Isso é o que o cronista parece indicar, mas pode ter sido apenas uma conveniência literária e idealista, que se deu por meio de deslocamento de um pouco de material que realmente (historicamente) pertencia a um tempo anterior. Ver a introdução acima a esta seção.

Todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça. Aquela foi uma ocasião importante, e tanto homens quanto mulheres foram à grande conferência de ensino. O livro da lei de Moisés era a fonte do material que estava sendo exposto. Alguma porção não-espedficada foi usada, como parte do livro de Deuteronômio, talvez, sem dúvida algo que se tomou parte do cânon das Escrituras hebreias. Ver no Dicionário o verbete denominado Cânon do Antigo Testamento.

Esdras queria fazer da minúscula nação do Novo Israel uma nação distintiva, digna de levar avante as antigas tradições. O poder para isso consistia em ter e obedecer à lei de Moisés. Quanto ao caráter distintivo de Israel, ver Deu. 4.4-8.

“Esdras aparece neste livro, pela primeira vez, tendo provavelmente estado na corte da Babilônia por doze anos” (Ellicott, in loc.).

Quanto ao livro da lei” usado por Esdras, cf. Esd. 7.6,10,14. Esd. 7.10 dá a comum tríplice designação da lei, anotada em Deu. 6.1. Os versículos referidos dão notas expositivas sobre o oficio de Esdras e sua habilidade como mestre da lei.

“A ocasião foi a celebração da festa do sétimo mês (Nee. 7.73). O começo de cada mês era celebrado como uma festa sagrada, mas essa festividade, no início do sétimo mês (tisri), tinha sido anteriormente guardada com distinguidas honras como a Festa das Trombetas, que se prolongavam por dois dias” (Jamieson, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1797.

4. O ensino foi maravilhoso.

Os efeitos da pregação da Palavra de Deus

A pregação fiel das Escrituras atinge as três áreas vitais da vida humana:

Em primeiro lugar, atinge o intelecto (8.8). A pregação é dirigida à mente. O culto deve ser racional. Devemos apelar ao entendimento (8.2,3,8,12). John Stott escreveu um livro com o título: “Crer é também pensar”. Nada empolga tanto quanto estudar teologia. O conhecimento da verdade enche a nossa cabeça de luz. O povo que conhece a Deus é forte e ativo (Dn 11.32).

Em segundo lugar, atinge a emoção (8.9-12). Esse fato pode ser provado por duas reações do povo ao ouvir a exposição da Palavra:

A primeira reação foi choro pelo pecado (8.9).

A Palavra de Deus produz quebrantamento, arrependimento e choro pelo pecado. O verdadeiro conhecimento nos leva às lágrimas. Quanto mais perto de Deus você está, mais tem consciência de que é pecador e mais chora pelo pecado. O emocionalismo é inútil, mas a emoção produzida pelo entendimento é parte essencial do cristianismo. E impossível compreender a verdade sem ser tocado por ela. O irmão André diz que se você consegue sempre esconder os seus sentimentos para com Deus, é melhor procurar um refrigerador bem grande lá no céu! Há muitos cristãos que parecem estar congelados!123

A segunda reação foi a alegria da restauração (8.10).

As festas deviam ser celebradas com alegria (Dt 16.11,14). A alegria tem três aspectos importantes: 1) Uma origem divina — “A alegria do Senhor”. Essa não é uma alegria circunstancial, momentânea, sentimental. E a alegria de Deus, indizível e cheia de glória. 2) Um conteúdo bendito – Deus não é apenas a origem, mas o conteúdo dessa alegria. O povo regozija-se não apenas por causa de Deus, mas em Deus: Sua graça, Seu amor, Seus dons. E na presença de Deus que há plenitude de alegria. 3) Um efeito glorioso — “A alegria do Senhor é a nossa força”. Quem conhece essa alegria não olha para trás como a mulher de Ló. Quem bebe da fonte das delícias de Deus não vive cavando cisternas rotas. Quem bebe das delícias de Deus não sente saudades do Egito. Essa alegria é a nossa força. Foi essa alegria que Paulo e Silas sentiram na prisão. Essa é a alegria que os mártires sentiram na hora da morte.

Em terceiro lugar, atinge a vontade (8.11,12).

Isso pode ser provado por duas decisões tomadas pelo povo depois de ouvir a Palavra: Primeira, obediência a Deus (8.12). O povo obedeceu à voz de Deus e deixou o choro e começou a regozijar-se. Segunda, solidariedade ao próximo (8.12). O povo começou não apenas a alegrar-se em Deus, mas a manifestar seu amor ao próximo, enviando porções àqueles que nada tinham. Não podemos separar a dimensão vertical da horizontal no culto.

LOPES. Hernandes Dias. Neemias, O líder que restaurou uma nação. Editora Hagnos. pag. 139-141.

Disse-lhes mais:

Ide, comei carnes gordas, tomai bebidas doces. Esdras recomendou aos levitas que orientassem o povo a parar de chorar e começar a regozijar-se. Ele disse: “Comei as gorduras e bebei as doçuras”, isto é, tende um tempo de festejos em casa, comendo, bebendo e gritando de alegria (e, provavelmente, dançando, como os hebreus se inclinavam por fazer). Os povos orientais apreciavam muito as carnes gordas, isto é, alimentos ricos, em contraste com as refeições ordinárias.

Vinhos doces provavelmente é o que se deve entender por “bebidas doces”. É isso que Septuaginta diz para a palavra hebraica, em Amós 9.13. A Vulgata diz: “vinho doce, temperado com mel”. O povo judeu também deveria mostrar-se generoso enviando presentes de alimentos finos para os que nada tivessem preparado para si mesmos (as “porções” do texto português). O dia era “consagrado a Yahweh’ como um dia de festa e regozijo, pelo que, quanto mais uma pessoa comesse, bebesse e gritasse de alegria, mais estaria honrando a Yahweh.

“… não era uma refeição comum, mas um banquete, que consistia nas mais ricas provisões, o melhor de alimentos e licores’ (John Gill, in loc.). Eles tinham recebido o melhor e supostamente deveriam dar o melhor aos outros, aos pobres, aos desabrigados, aos órfãos e às viúvas. Toda a comunidade deveria ter um suprimento abundante para regozijar-se naquele dia. Yahweh era a força deles e, pelo Seu poder, possibilitara aquela ocasião festiva. Eles tinham sido libertados da escravidão e do cativeiro. Estavam de volta a Jerusalém!

Então todo o povo se foi a comer, a beber. O povo correspondeu às instruções dadas pelos levitas e em breve estava a caminho de casa para fazer exatamente o que havia sido sugerido: eles comeram, beberam, regozijaram-se e enviaram porções a outras pessoas. O cronista repetiu aqui todos os elementos do vs. 10, assegurando que o povo “entrou no espírito da coisa”. Mediante tal regozijo, Esdras fez aquele dia tornar-se um sucesso tremendo. Ele associou a leitura da Bíblia com a alegria, pois, afinal de contas, os melhores prazeres são os espirituais, e não os carnais. O êxtase é uma das experiências místicas padrões.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1798-1799.

III – A PALAVRA DE DEUS DEVE SER ENSINADA

1. Deus ordenou que a sua Palavra fosse ensinada a todo o povo de sete em sete anos (Dt 31.9-12).

As Ordens para a Leitura do Concerto (31.9-13)

O concerto de Israel tinha de ser lido ao fim de cada sete anos,2 no ano da remissão (10; cf. 15.1-15), durante a Festa dos Tabernáculos (cf. 16.13-15). A responsabilidade da leitura foi dada conjuntamente aos sacerdotes e anciãos (9), ou seja, as autoridades religiosas e civis.

Levando em conta que só os homens tinham de comparecer à festa (16.16), no sétimo ano todo o Israel tinha de se reunir: homens, mulheres, meninos (“crianças”, NTLH) e os estrangeiros (11,12). Todos que desfrutam os benefícios do concerto também devem estar cientes de suas obrigações. Embora esta não fosse a única ocasião em que haveria ensinos sobre fatos e significados do concerto (cf. 6.6,7,2025), esta seria uma lembrança dramática e memorável para a nação inteira.

Jack Ford., A. R. G. Deasley. Comentário Bíblico Beacon. Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 483.

Era prática comum na conclusão de um tratado secular que o suserano entregasse uma cópia do mesmo ao vassalo, para ser colocado no santuário deste, sob o cuidado dos sacerdotes e sob os olhos dos deuses.

Além disso, com a morte do vassalo, seu sucessor era aprovado pelo suserano, mas era-lhe exigido ratificar ele mesmo o tratado. Não é necessário encontrar problema na declaração de que Moisés entregou um documento de alguma espécie a Josué, mesmo que este não fosse Deuteronômio tal qual o possuímos hoje . A escrita já estivera em pleno uso no Oriente Próximo por mais de mil anos quando Moisés escreveu seus livros.

Mesmo o uso do alfabeto já antecedia Moisés por mais de três séculos.

A lei escrita foi então confiada ao cuidado dos sacerdotes levitas que carregavam a arca, aqui mencionada como a arca da aliança de Javé, i.e. a arca que era o depositório das tábuas da lei.

Instruções são fornecidas para uma cerimônia solene de renovação da aliança a cada sete anos, precisamente no ano da remissão, na festa dos tabemáculos. O tempo determinado (mô‘èd) era uma das ocasiões regulares de festividades religiosas. Quanto ao ano da remissão, consultar 15: lss., e quanto à festa dos tabemáculos, consultar 16: 13-15.

Estes versículos fazem referência específica e explícita a um festival de renovação da aliança ao tempo da festa dos tabemáculos. Era uma ocasião em que todo o Israel virá a comparecer perante Javé… no lugar que Ele escolher. O significado exato desta expressão não é claro. Pode indicar que Israel era obrigado a comparecer ao santuário central a cada sete anos para renovar a aliança. Se todo o Israel. . . homens, mulheres, meninos e o estrangeiro se reunissem num só lugar, a terra ficaria absolutamente vazia e descuidada. Possivelmente todo o Israel seria representado no lugar que Javé escolhera, por um grupo simbólico de pessoas. Alguns comentaristas têm chegado a sugerir que um certo número de lugares era aprovado para a ocasião como lugares que Javé poderia escolher.

Seja qual for a opinião verdadeira, é claro que Israel tinha a obrigação de ouvir e aprender a temer (reverenciar) Javé vosso Deus e cuidem de cumprir todas as palavras desta lei. Em tratados seculares de suserania, de igual modo, instruções eram fornecidas para a leitura do tratado perante o povo vassalo a intervalos regulares. A frequência variava entre uma a três vezes por ano. Em Israel, é claro, além da cerimônia aqui descrita, as cerimônias regulares de culto e o ministério dos profetas ambos serviam para assegurar que uma proclamação constante da vontade de Javé seria feita. A leitura desta lei perante todo o Israel a cada sete anos, na festa dos tabemáculos, no ano da remissão, era uma ocasião especial para recordar a Israel suas obrigações pactuais.

Um outro valor de tal cerimônia de renovação da aliança era que as crianças, pelo menos uma vez durante a infância, talvez duas, podiam estar presentes junto a uma grande congregação e participar do grande ato de renovação da aliança. A participação de todo o Israel em tal cerimônia seria facilitada se houvesse vários lugares além do santuário central onde tal cerimônia pudesse ser realizada no dia indicado. Em nossos dias uma nação em oração pode ser representada por congregações espalhadas em todo o seu território. Se, contudo, o santuário central é o que se tem em vista aqui, parece que teria que haver apenas um comparecimento representativo, em vista das consideráveis dificuldades práticas em congregar toda uma nação de uma só vez.

I. A. Thompson. Deuteronômio Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 278-279.

2. Jesus ordenou o ensino da sua Palavra.

A comissão que Ele dá àqueles a quem Ele envia:

“Portanto, ide”. Essa comissão é dada:

(1) Primeiramente aos apóstolos, os principais ministros de estado no reino de Cristo, os arquitetos que colocaram o alicerce da igreja. Então aqueles que tinham seguido a Cristo na regeneração, assentaram sobre tronos (Lc 22.30): “Ide”.

Não se trata apenas de uma palavra de ordem, como aquela: Filho, vai trabalhar; mas uma palavra de ânimo: Ide, e não temais, não vos enviei? Ide, e fazei este trabalho.

Eles não devem se fixar e convocar as nações a ouvi-los; mas devem ir, e levar o Evangelho às portas das nações: “Ide”. Eles demonstravam uma grande afeição pela presença física de Cristo, apoiavam-se nela, e nela edificavam todas as suas alegrias e esperanças. Mas agora Cristo os desobriga de cuidarem de sua Pessoa, e os envia a outras terras para um outro trabalho. Como a águia desperta o seu ninho, move se sobre os seus filhos, para fazer-lhes voar (Dt 32.11), assim Cristo desperta os seus discípulos, para dispersá-los por todo o mundo.

(2) Aos seus sucessores, os ministros do Evangelho, cuja missão é transmitir o Evangelho de geração em geração, até o fim do mundo, em termos cronológicos, assim como era a sua missão transmiti-lo de nação em nação, até o fim do mundo, em termos geográficos; e nenhuma dessas tarefas pode ser considerada menos necessária. A promessa do Antigo Testamento de um ministério do Evangelho é feita em termos de sucessão (Is 59.21); e isto deve ser assim entendido. Caso contrário, como Cristo poderia estar sempre com eles até à consumação do mundo?

Cristo, em sua ascensão, não só “deu apóstolos e profetas, mas pastores e doutores” (Ef 4.11). Então observe: [1] Até que ponto a sua comissão é estendida: a todas as nações. “Ide, e ensinai todas as nações”. Não que eles devessem ir todos juntos a todo lugar, mas por consentimento deveriam se dispersar de modo a poderem melhor difundir a luz do Evangelho. Agora isso se mostra claramente como a vontade de Cristo.

Em primeiro lugar, a aliança da peculiaridade, feita com os judeus, deveria agora ser cancelada e abolida. Essa palavra pôs abaixo o muro da divisão, que, por tanto tempo, havia excluído os gentios de uma igreja-estado visível; e, embora os apóstolos – quando foram enviados pela primeira vez – tenham sido proibidos de entrar no caminho dos gentios, agora eles foram enviados a todas as nações.

Em segundo lugar, a salvação de Cristo deveria ser oferecida a todos, e ninguém seria excluído, a menos que alguém se excluísse por incredulidade e impenitência. A salvação que eles deveriam pregar é uma salvação comum; qualquer que quiser, venha, e aproveite o benefício da isenção; porque em Cristo Jesus não há nenhuma diferença entre judeus e gregos.

Em terceiro lugar, o cristianismo deve estar entrelaçado com as constituições nacionais, de modo que os reinos do mundo se tornem reinos de Cristo.

[2] Qual é a principal intenção dessa comissão: ensinar todas as nações. Matheteusate – “Admita-os como discípulos’, fazei o máximo para fazer das nações, nações cristãs”; não: “Ide às nações, e proclamai o juízo de Deus contra elas, como Jonas a Nínive, e como os outros profetas do Antigo Testamento” (embora tivessem motivo suficiente para esperar por isso, devido à maldade demonstrada pelas nações), mas: “Ide, e ensinai-as”. Cristo, o Mediador, ao estabelecer um reino no mundo, traz os povos das nações para serem os seus súditos; estabelecendo uma escola, traz os povos das nações para serem os seus alunos; levantando um exército para a execução da guerra contra os poderes das trevas, alista as nações da terra sob a sua bandeira. A obra que os apóstolos tinham a fazer consistia em estabelecer a religião cristã em todos os lugares, e era um trabalho honrado; as conquistas dos heróis poderosos do mundo não eram nada quando comparadas a isso. Eles conquistaram as nações para si mesmos, e as tornaram infelizes; os apóstolos as conquistaram para Cristo, e as tornaram felizes.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 399-400.

28.18-20 Quando alguém está morrendo ou nos deixando, nós prestamos atenção às suas últimas palavras. Jesus deixou os discípulos com algumas últimas palavras de instrução. Deus deu a Jesus todo o poder sobre o céu e a terra. Com base neste poder, Jesus disse aos seus discípulos ide e fazei discípulos (versão RA), pregando, batizando e ensinando. “Fazer discípulos” significa educar novos crentes sobre como seguir a Jesus, submeter-se à soberania de Jesus e assumir a sua missão de serviço misericordioso. Batizar é importante porque une o crente a Jesus Cristo em sua morte para o pecado, e em sua ressurreição para uma nova vida. O batismo simboliza a submissão a Cristo, a disposição para viver segundo a vontade de Deus, e a identificação com o povo da aliança de Deus. Batizar em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo é um gesto que afirma a realidade da Trindade, o conceito que veio diretamente do próprio Senhor Jesus. Ele não disse para batizar “nos nomes”, mas “em nome” do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.

Embora em missões anteriores Jesus tivesse enviado os discípulos somente aos judeus (10.5,6), a sua missão a partir de então seria a todas as nações. Isto é chamado de Grande Comissão. Os discípulos tinham sido bem treinados, e tinham visto o Senhor ressuscitado. Eles estavam preparados para ensinar as pessoas de todo o mundo a guardar todas as coisas que Jesus tinha mandado. Isto também mostrava aos discípulos que haveria um período entre a ressurreição de Jesus e a sua segunda vinda. Durante este período, os seguidores de Jesus tinham uma missão a cumprir – evangelizar, batizar e ensinar as pessoas a respeito de Jesus para que elas, por sua vez, pudessem fazer a mesma coisa.

As boas novas do Evangelho deveriam ser transmitidas a todas as nações.

Com este mesmo poder e autoridade, Jesus ainda nos ordena que contemos a outros sobre as boas-novas, e os façamos discípulos do reino. Nós devemos ir – seja à porta ao lado ou a outro país – e fazer discípulos. Esta não é uma opção, mas um mandamento a todos os que chamam Jesus de “Senhor”. Quando obedecermos, sentiremos conforto sabendo que Jesus está conosco todos os dias. Isto irá acontecer por meio da presença do Espírito Santo na vida dos crentes. O Espírito Santo será a presença de Jesus que nunca os deixará (Jo 14.26; At 1.4,5). Jesus continua a estar conosco hoje, por meio do seu Espírito.

Da mesma maneira como este Evangelho se iniciou, ele termina – Emanuel, “Deus conosco” (1.23).

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 171.

3. O apóstolo Paulo conhecia a importância do ensino da Palavra.

Além disso, Paulo está olhando muito à frente do período em que Timóteo for o guardião da mensagem de salvação. O jovem também tem de cuidar da integridade futura deste grandioso depósito da verdade: E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros (2). Em sentido literal, Timóteo recebeu a mensagem do apóstolo. Fora ele que declarara a verdade relativa a Jesus para a família de Timóteo, resultando em três gerações de seguidores de Cristo. Mas Timóteo também testemunhara a pregação missionária de Paulo em numerosas situações — experiência que muito deve ter aumentado seu conhecimento do evangelho.

Além disso, o apóstolo, auxiliado por outros pastores da igreja, ordenara Timóteo para a obra do ministério. Não há que duvidar que nesta ocasião fora colocada uma missão séria no coração do jovem. Nada disso fora feito às escondidas, mas entre muitas testemunhas. Há suficiente razão para concluirmos que o apóstolo tinha todas estas informações em mente quando falou do que de mim… ouviste. E agora Paulo o admoesta a transmitir o que recebeu a homens fiéis, os quais, por sua vez, os transmitirão a outros com toda a pureza e poder originais.

E verdade séria e tremenda que a mensagem salvadora que trouxe tais riquezas espirituais à nossa vida tenha vindo de inumeráveis gerações de crentes que nos precederam. E nossa responsabilidade garantir sua autenticidade, mantê-la intacta e passá-la adiante aos que vierem depois de nós, sem lhe diminuir a riqueza, pureza e poder. Nem é preciso dizer que este ideal não foi atingido em todas as ocasiões. O resultado é que a mensagem cristã às vezes fica diluída ou é poluída, requerendo que em toda geração haja a restauração da glória e poder primitivo do evangelho. Este poder surpreendente de auto-renovação na mensagem cristã é uma das maravilhas e glórias do evangelho.

J. Glenn Gould. As Epistolas Pastorais, A Primeira e a Segunda Epístolas a Timóteo A Epístola a Tito. Editora CPAD. Vol. 9. pag. 517-518.

o mordomo não apenas preserva, mas também transmite o evangelho. E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros (2.2). Não basta preservar o evangelho intacto, sem a contaminação das heresias disseminadas pelos falsos mestres; o evangelho precisa também ser transmitido com fidelidade. Concordo com Hans Burki quando ele diz: “A melhor maneira de preservar o evangelho é transmiti-lo”. O evangelho deve ser transmitido sem acréscimo nem subtração. E fato que a mensagem cristã por vezes se torna diluída ou poluída, requerendo que em toda geração haja a restauração da glória e do poder primitivos do evangelho.

O que Timóteo recebeu de Paulo, isso ele deve transmitir a homens fiéis e idôneos, os quais devem instruir outros indivíduos fiéis e idôneos, numa cadeia constante. Essa é a verdadeira sucessão apostólica. Não é sucessão de ofício, mas continuidade de mensagem apostólica. Duas coisas são exigidas aqui: fidelidade e capacidade de ensinar. Alguns são fiéis, porém não são capazes de transmitir o que receberam para favorecerem os destinatários. Outros têm aptidão pedagógica, mas não são fiéis na fé e no serviço.

William Barclay diz acertadamente que “todo cristão deve ver em si mesmo um vínculo entre duas gerações. Ele não somente recebe a fé, mas também deve transmiti-la a outros. Receber a fé é um privilégio; transmiti-la é uma responsabilidade. A tocha do evangelho precisa ser passada de geração a geração sem se apagar”. Nessa transmissão da verdade de mão em mão, Paulo divisa quatro estágios.

1. A fé fora confiada a Paulo por Cristo. Paulo chama essa fé de meu evangelho (1.12). Paulo não a recebeu nem a aprendeu de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo (G1 1.11,12).

2. O que por Cristo fora confiado a Paulo, este por sua vez o confiou a Timóteo. Assim, o meu depósito (1.12) passa a ser o bom depósito (1.14). A mesma verdade confiada a Paulo é, agora, confiada a Timóteo. Esta verdade corresponde às sãs palavras que Timóteo ouvira de Paulo por intermédio de muitas testemunhas.

3. O que Timóteo ouviu de Paulo, ele deve agora confiá-lo a homens fiéis. Os despenseiros de Deus devem ser fiéis (ICo 4.1,2). Devem ser homens confiáveis, leais e íntegros tanto no caráter quanto na mensagem.

4. Tais homens devem ser idôneos para instruir os outros. A verdadeira sucessão apostólica, diz Stott, percorre os quatro estágios na transmissão da verdade até atingir este último: de Cristo a Paulo, de Paulo a Timóteo, de Timóteo a homens fiéis, e de homens fiéis a outros. Ou seja, é uma sucessão de tradição apostólica em vez de uma sucessão de autoridade, sequência ou ministério apostólico. Deve ser uma transmissão da doutrina dos apóstolos, deles recebida sem distorções pelas gerações posteriores, passada de mão em mão como a tocha olímpica.

Em quarto lugar, a mensagem e o mensageiro precisam estar em harmonia (2.2). O evangelho apostólico precisa ser transmitido a homens fiéis e idôneos. A igreja cristã depende dessa cadeia ininterrupta de mestres.68 A vida de quem prega precisa estar em sintonia com a mensagem pregada. A vida do pregador é a vida da sua mensagem. Homens infiéis e inidôneos estão desqualificados para instruir outras pessoas. A vida do pregador é a vida da sua mensagem.

LOPES. Hernandes Dias. 2 Timóteo. O testamento de Paulo à igreja. Editora Hagnos. pag. 49-50.

IV – RESULTADOS DO ENSINO DA PALAVRA DE DEUS

1. O ensino da Palavra gera temor a Deus:

a)

As palavras aqui mencionadas eram as dez palavras, isto é, os dez madamentos (4: 13; 5: 22). Algo mais que o simples escutar de palavras havia acontecido em Horebe. Os atos salvadores de Deus revelados no êxodo e a declaração subseqüente das estipulações de Sua aliança, tinham como objetivo provocar uma reação de obediência em Israel. A única resposta adequada da parte de Israel era temer a Deus, isto é, reverenciá-lo, reconhecendo Sua soberania. Havia uma conexão íntima entre adoração e vida pois a reverência se expressaria através de adoração e obediência.

Por outro lado, o caminho da irreverência diante de Deus era o caminho da morte (30: 15—20). O verbo temer e o substantivo correspondente têm uma conotação rica em Deuteronômio e em todo o Velho Testamento.

Tanto o verbo quanto o substantivo podem indicar o medo típico dos escravos e são às vezes usados para descrever aqueles que pecaram (Gn 3: 10; Pv 10: 24; cf. At 24: 25; Hb 10:27,31; Ap 21:8). Com maior frequência, porém, a referência é a um medo santo, ou reverência, resultante da percepção que o crente tem do caráter de Deus. O “temor do Senhor” é um dos temas dominantes do Velho Testamento. Deve ser reconhecido como a resposta apropriada do homem a Deus.

É concedido por Deus e permite ao homem reverenciar a pessoa de Deus, obedecer os Seus mandamentos e detestar o mal (Jr 32: 40; Hb 5: 7). É o princípio da sabedoria (SI 111: 10), o segredo da retidão (Pv 8: 13), o dever básico do homem (Ec 12: 13). É apresentado como uma das características do Messias (Is 11: 2, 3). Em todas as épocas o povo de Deus foi exortado a cultivar o temor do Senhor e a andar nele (SI 34: 11; Jr 2: 19; At 9: 31; 10: 2; Ef 5: 21; Fp 2: 12). Gentios que aderiam à sinagoga eram chamados “tementes a Deus” (At 10: 2; 13: 16, 26). Em Deuteronômio, particularmente, o verbo ocorre em 4: 10; 5: 29; 6: 2, 13; 8: 6; 10:12,20; 14:23; 17:19; 28:58; 31:12,13, etc.

I. A. Thompson. Deuteronômio Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 102.

Não te esqueças. Cf. Deu. 4.9,23,31; 6.12; 8.11,14,19; 9.7 e 25.19.

Em Horebe. Trata-se do mesmo Sinai (ver a respeito no Dicionário). A men- sagem viera da parte de Yahweh e fora dada a Moisés.

As minhas palavras. Aqui significam os Dez Mandamentos (ver a respeito no Dicionário). Esses dez mandamentos tornaram-se a base da legislação mosaica, bem como as primeiras leis morais e espirituais, confirmando coisas que já tinham sido reveladas a Abraão, embora de maneira mais organizada.

Talvez seja uma verdade, conforme disse Ellicott (in loc.): “A congregação de Israel data do Sinai, da mesma maneira que a Igreja de Cristo data do Pentecoste”. É notável que a outorga da lei ocorreu cinquenta dias após o êxodo (a Páscoa), da mesma forma que 0 Pentecoste cristão teve lugar cinquenta dias após a ressurreição de Cristo.

“Não se pode exagerar a significação da palavra revelada de Deus, pois a demanda mais fundamental feita por Deus ao homem é: ‘Que queres que eu faça?’. Somente em resposta a essa pergunta é que a vontade do homem pode achar emancipação, sua vereda pode ser iluminada, e sua vida pode encontrar propósito’ (Henry H. Shires, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 772.

b)

Cuidado com a falsa sabedoria – Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao Senhor e aparta-te do mal (Pv 3.7). Nada é mais contrário à sabedoria do que a presunção. A sabedoria que se impõe pela empáfia e pela soberba é consumada tolice. O sábio é aquele que não faz propaganda de si mesmo. A sabedoria sempre anda de mãos dadas com a humildade. Sempre se veste de modéstia.

Salomão, no texto em apreço, dá três conselhos.

O primeiro deles é a necessidade imperativa da humildade. Só os humildes conhecem a essência da sabedoria. E só os humildes serão exaltados. O segundo conselho é a necessidade de sermos guiados na vida pelo temor ao Senhor. Só o temor a Deus nos livra de quedas e fracassos. Só o temor a Deus nos abre os portais da sabedoria. O terceiro conselho é a necessidade de nos afastarmos de tudo que é errado. Ninguém é regido pela sabedoria fazendo o mal e firmando alianças com aqueles que vivem na prática da injustiça. Humildade de coração, temor ao Senhor e santidade de vida são os pilares da verdadeira sabedoria. Buscá-la em outras fontes é cavar cisternas rotas. Tocar trombetas para fazer apologia de si mesmo é insensatez. Nenhum engano é mais perigoso do que o autoengano. Nenhuma humilhação é mais notória do que aquela colhida pelos que exaltam a si mesmos. Não construa monumentos a si mesmo. Viva para a glória de Deus. Fuja da falsa sabedoria!

LOPES. Hernandes Dias. Provérbios, Manual de sabedoria para a vida. Editora Hagnos. pag. 64.

TEMOR

O medo é uma das principais emoções humanas.  

O trecho de Hebreus 2: 15 reconhece quão importante é essa emoção, dentro da experiência humana, declarando que, por causa do temor da morte, os homens passam a vida inteira na escravidão ao diabo. Existem temores benéficos e temores prejudiciais.

O melhor temor de todos é o temor a Deus e das coisas que devemos evitar. Os temores prejudiciais são desnecessários, além de demonstrarem imaturidade e falta de fé.

I. Temores Benéficos
1. O Temor de Deus.

Deus é o mais apropriado objeto do nosso temor (1sa. 8:13). Deus é o autor do nosso temor (ler. 32:39); o temor a Deus consiste no ódio ao mal (pro. 8:13), na sabedoria (Jó 28 :28; Sal. 111: 10). O temor a Deus é um tesouro para os santos (Pro. 15: 16); serve-lhes de força santificadora (Sal. 19:7-9). O temor a Deus nos é ordenado (Deu. 13A; Sal. 22:23). É inspirado pela santidade de Deus (Apo. 15:4). A grandeza de Deus nos inspira a temê-lo (Deu. 10:12). A bondade de Deus leva-nos também a temê-lo (1 Sam. 12:24). O temor a Deus conquista o perdão divino (Sal. BOA). As admiráveis obras de Deus inspiram-nos ao temor a Deus (Jos. 4:23,24). Os juízos de Deus levam os homens a temê-lo (Apo. 14:17). O temor a Deus é algo necessário como parte da adoração ao Senhor (Sal. 5:7). Faz parte do serviço que prestarnos aDeus (Sal. 2:11; Heb. 12:28).

O temor a Deus inspira os homens a um governo justo (ll Sam. 23 :3). O temor a Deus é uma influência aperfeiçoadora (lI Cor. 7: 11).As Escrituras ajuda-nos a compreender o temor a Deus (pro. 2: 15).

2. O Temor de Deus Residente no Homem.

Aqueles em quem há o temor a Deus agradam o Senhor Deus (Sal. 147:11). Deus compadece-se dos tais (Sal. 103:13). Eles são aceitos por Deus (Atos 10:35). Eles recebem de sua misericórdia (Sal. 103: 11,17; Luc. 1:50); eles confiam em Deus (Sal. 115:11; Pro. 14:26). Eles afastam-se do mal (Pro. 16:6); eles têm comunhão com pessoas dotadas das mesmas atitudes santificadas (Mal. 3: 16). Deus cumpre os desejos daqueles que o temem (Sal. 145:19); e a vida deles é prolongada na terra (Pro. 10:27).

3. O Temor de Deus como uma Virtude.

Os homens deveriam orar a fim de receberem o temor a Deus (Sal. 86:11). O temor a Deus é exibido na vida cristã autêntica (Col. 3:22). Também demonstramos nosso temor a Deus quando damos aos nossos semelhantes uma razão para a nossa expectação espiritual (I Ped. 3: 15). O temor a Deus é uma atitude que deveríamos manter com constância (Deu. 14:23; Pro. 23: 17). Deveríamos ensinar aos outros o temor a Deus (Sal. 34: 11). Quem teme a Deus tem vários pontos de vantagem (Pro. 15: 16; 19:23; Ecl. 8:12,13). Os ímpios, por sua vez, não sabem o que é temer a Deus (Sal. 36: 1; Pro. 1:29; Rom. 3: 18).

II. Temores Prejudiciais

1. O principal temor prejudicial é o medo da morte, que escraviza os homens que não têm confiança no Senhor (Heb. 2: 15).

2. Há quem tema aos homens, que passam a governar-lhes a vida desnecessariamente (Rom. 13:6). O remédio para isso é a fé em Deus, a qual não permite que homens irracionais e malignos nos prejudiquem. O temor ao homem assemelha-se a uma armadilha (Pro. 29:25).

3. Qualquer temor prejudicial serve somente para encher a mente de ansiedade (Mal. 6:25 ss). A cura para esse tipo de temor é o reconhecimento de que Deus é o nosso Pai, e de que ele cuida de nós. As pessoas temem não obter as provisões básicas para as necessidades ftsicas; e esse temor chega a atormentá-las diariamente. Porém, se buscarmos em primeiro lugar ao Reino de Deus, e à sua justiça, então obteremos a vitória sobre o medo – porque veremos que tal receio não tem qualquer fundamento na realidade.

4. Há temores que resultam de nossa participação no pecado (Gên. 3:10; Pro. 28:1). Os ímpios fogem mesmo quando ninguém os está perseguindo. O senso de culpa de Caim tê-lo ficar fugindo (Gên. 4: 14). O senso de culpa de Herodes fê-lo sentir-se um miserável e temeroso, depois que mandara decapitar João Batista (Mal. 14: 1 ss). Os ímpios são assaltados por todas as formas de temores e de pressentimentos, de coisas que lhes podem acontecer(Jó 5:21; Isa. 7:25; 8:6; Apo, 18:10,15).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 336.

c)

No dia vinte e quadro deste mês se ajuntaram os filhos de Israel. ‘A festa dos tabernáculos terminou no vigésimo segundo dia do mês (ver Nee. 8.14).

A leitura da lei (capítulo 8) tomara o povo sensível para com o pecado. Portanto, os judeus começaram a identificar pontos de corrupção; os casamentos mistos e a idolatria figuraram como pecados mais destacados.

Deste mês. Corria o sétimo mês, tisri (setembro), o mês da Festa dos Tabernáculos, que tinha acabado de terminar.

… se ajuntaram.

A espiritualidade havia unido os judeus para formar uma comunidade forte, com alvos e sentimentos comuns. A comunidade agia como se fosse um homem que tivesse uma única atitude mental, pelo menos por algum tempo, concentrada na legislação mosaica. Portanto, por algum tempo houve um povo distintivo, conforme se esperava que eles fossem (ver Deu. 4.4-8).

Os da linhagem de Israel se apartaram de todos os estranhos. O espirito de comunidade dos filhos de Israel levou-os a ver como eles e seus pais tinham estado unidos no pecado. Por conseguinte, eles fizeram uma confissão nacional e universal no lugar da raça inteira, por assim dizer.

Os casamentos mistos eram o principal erro do momento, entre os judeus. Cf. o capítulo 10 do livro de Esdras, e como Esdras enfrentou esse problema. Esse problema agora se repetia, em grau menor, sem dúvida, mas mesmo assim suficiente para contaminar a nação.

Os pais da nação tinham deixado um mau exemplo que os hebreus e os judaítas seguiram estupidamente. Erros estúpidos, e a repetição desses erros, por gerações subsequentes, sempre trouxeram de volta a síndrome do pecado-calamidade-julgamento, que periodicamente se mostrava tão devastadora na história de Israel. Apenas recentemente, os judeus tinham passado pelo cativeiro babilónico, que quase pôs fim à nação de Judá. O remanescente que voltou do exílio babilónico renovou as coisas, o que é a mensagem de Esdras-Neemias. Portanto, era mister cuidar da questão do pecado, para manter as coisas renovadas.

Levantando-se no seu lugar, leram no livro da lei.

Outra reunião de maratona de leitura da Bíblia. Cf. Nee. 8.3, onde vemos Esdras lendo as Escrituras por seis horas! A quarta parte de um dia provavelmente indica três horas. Isso posto, o cronista disse-nos que leitores não-identificados leram por três horas, e então a congregação fez suas confissões durante outras três horas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1800.

O quebrantamento do povo (9.1-5)

Neemias, falando sobre o quebrantamento espiritual do povo que voltou do cativeiro, toca em cinco pontos importantes:

Em primeiro lugar,

o quebrantamento passa pela contrição diante de Deus (9.1). O povo caminhou da festa (8.13-18) para o jejum (9.1-3). O povo absteve-se de comida como uma forma de quebrar a rotina da satisfação automática dos apetites, para voltar-se para Deus.126 O povo jejuou e cobriu-se com pano de saco. Esse é um símbolo de contrição, arrependimento e profundo quebrantamento. O povo reconheceu o seu pecado. Reavivamento começa com choro, humilhação e quebrantamento diante de Deus (2Cr 7.14). Não podemos adorar o Rei da glória antes de contemplarmos a triste realidade do nosso pecado.

Qual foi a última vez que você jejuou para se quebrantar diante de Deus? Qual foi a última vez que você jejuou por causa dos pecados do povo de Deus?

Em segundo lugar,

o quebrantamento passa por uma separação de tudo o que Deus condena (9.2). Quebrantamento envolve obediência. O povo toma a decisão de deixar todos aqueles que não eram da linhagem de Israel para se consagrar ao Senhor. Aqueles que não haviam se convertido ao judaísmo não participavam dessa reunião. Eles não tinham a mesma fé e o mesmo Deus. Não há comunhão fora da verdade. O problema aqui não é racial, mas teológico (10.28). Unir-se aos outros povos era transigir com a fé, era aceitar o sincretismo, era uma espécie de ecumenismo.

Em terceiro lugar,

o quebrantamento passa pela confissão de pecado (9.2). Quando somos iluminados pela verdade, deixamos de nos justificar e, então, reconhecemos nossos pecados e os pecados dos nossos pais. Confissão é o maior sinal do arrependimento (Pv 28.13). A culpa é comunitária no tempo e no espaço (1.6; 9.2). A responsabilidade é coletiva. Não podemos nos isolar, somos uma família, um rebanho, um corpo. Quando um membro sofre, todos se entristecem com ele. Quando um membro cai, os outros devem corrigi-lo com espírito de brandura (Gl 6.1).

Em quarto lugar,

o quebrantamento é produzido pela leitura da Palavra de Deus (9.3). Quando a Palavra de Deus é lida, explicada e aplicada, então, os corações se derretem (8.8-10). Precisamos resgatar a supremacia da Escritura e a primazia da pregação na igreja. O Evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Toda a Escritura é inspirada por Deus. Só há um evangelho. Precisamos expor a Palavra com fidelidade, lágrimas e no poder do Espírito. A proclamação da Palavra produz mudança na vida do povo.

Em quinto lugar, só um povo que se levanta do quebrantamento pode exaltar a Deus de modo digno (9.4,5). Só os que choram pelos seus pecados podem se alegrar em Deus. Só os que se humilham diante de Deus podem ser restaurados por Ele. Vemos a glória de Deus quando molhamos os nossos olhos nas lágrimas do arrependimento. Os levitas têm uma visão gloriosa da transcendente majestade de Deus (9.5b).

LOPES. Hernandes Dias. Neemias, O líder que restaurou uma nação. Editora Hagnos. pag. 146-147.

2. O ensino da Palavra implanta normas espirituais nos crentes.

Porei dentro em vós o meu Espírito. Haverá mais em operação do que o velho pacto e a lei de Moisés, que guia (Deu. 6.4 ss.). Haverá atividade incomum do Espírito Santo, que inspira e transforma os homens, criando um novo andar. O povo, inspirado e capacitado pelo ministério do Espírito, andará nos estatutos e guardará os juízos divinos.

O profeta não abandona as velhas descrições, mas dá um papel importante à operação direta de Deus no coração do homem.

O Novo Pacto exigirá um novo modus operandide espiritualidade, mas a igreja cristã não está em vista aqui, como supõem alguns intérpretes. Israel, na sua restauração, é o assunto do texto. Existe uma realização ainda mais alta, em Cristo, que transforma os homens à Sua própria imagem (Rom. 8.29); neste processo, o homem redimido participará da natureza divina (II Ped. 1.4), de modo finito, mas real.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3314.

Falando em nome do Senhor, o profeta diz: Então (algum tempo depois da volta do povo de Israel ao seu país), espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados (25). Adam Clarke comenta: “A verdadeira água purificadora; a influência do Espírito Santo tipificada pela água, cuja característica é limpar, alvejar, purificar, refrescar, tornar saudável e frutífero”.

O Senhor então promete: E vos darei um coração novo (26). Isso significa com novos apetites e uma vontade renovada de servir a Deus. “Coração” no hebraico tem implicações volitivas, e não simplesmente emocionais como ocorre em nossa língua. Um espírito novo também será colocado dentro das pessoas — um novo anelo para realizar a vontade de Deus mesmo que isso signifique sacrifício pessoal. E perceba que tudo isso ocorrerá dentro. A religião estava basicamente voltada para o exterior, quando Israel era guiado pelos caminhos de Deus. Na nova obra que Deus fará, a fé será internalizada. A justiça será tão interiorizada que o que se sugere aqui é a justiça “comunicada”, de acordo com o ensino wesleyano-arminiano, em vez da justiça meramente “imputada” (considerando uma pessoa justa porque é de Cristo, quando ela, na realidade, não é justa).

Esse ponto alto da profecia do Antigo Testamento continua com a promessa de que o coração de pedra será tirado, e, em seu lugar, será colocado um coração de carne. Israel havia sofrido terríveis consequências devido ao seu coração de pedra. Muitas vezes, o povo teimava em andar nos seus próprios caminhos. Quanto mais andarmos de acordo com os nossos caminhos, mais endurecido ele fica; mais e mais nosso coração fica endurecido em relação ao chamado de Deus. Ezequiel vislumbra o tempo quando Deus, por meio de uma cirurgia, removerá o coração de pedra da mesma forma que um cirurgião extirpa um câncer. Então Deus colocará em seu lugar um coração que é responsivo aos seus desejos.

Para tudo isso é necessário uma capacitação. Essa capacitação é suprida pelo Espírito do Senhor, o Espírito Santo, habitando na alma confiante. Deus, portanto, diz: E porei dentro de vós o meu espírito e farei que andeis nos meus estatutos (27). Isso parece a mesma coisa que Joel havia visto (J12.28-29), que se cumpriu no Pentecostes (At 2) e teve sua reverberação em dezenas de milhares de pessoas no moderno movimento de santidade, liderado por John Wesley, no século XVIII. Acerca do versículo 27, Adam Clarke diz: “Aqui está a salvação que é um direito de primogenitura de todo crente em Cristo: a completa destruição de todo pecado na alma e a completa renovação do coração’, não há lugar para o pecado do lado de dentro, e para a injustiça do lado de fora”.

Em 36.25-38 observamos o “Pentecostes na Profecia de Ezequiel”. Então, espalharei água pura sobre vós, e ficareis purificados (25). 1) Um coração novo (26). 2) Um espírito novo (26). 3) Isso será possível por causa da habitação dinâmica do Espírito Santo: E porei dentro de vós o meu espírito (27).

J. Kenneth Grider. Comentário Bíblico Beacon. Ezequiel. Editora CPAD. Vol. 4. pag. 480.

3. O ensino da Palavra dá conhecimento.

Deus havia enriquecido a igreja coríntia. No entanto, os coríntios podem ter colocado muita ênfase sobre possuir os dons do Espírito, e náo uma ênfase suficiente em Deus, que lhes deu estes dons, ou em Cristo, que permitiu que eles tivessem estes dons. Eles tinham sido enriquecidos em sua palavra, ao falar a respeito de Deus, e em seu conhecimento dele. Os gregos davam muita importância à oratória e ao conhecimento. A graça de Deus tinha aumentado a capacidade deles de faiar sobre a sua fé, bem como o seu conhecimento e entendimento espirituais.

Estes fatos – tanto vistos pelo próprio apóstolo como relatados a ele por outros – serviram para confirmar o seu testemunho a respeito de Cristo aos crentes coríntios. As vidas transformadas destes crentes validaram a verdade da mensagem do Evangelho que lhes havia sido pregada.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 112.

Pela abundância de seus dons espirituais. A igreja de Corinto era famosa por isso. Eles não estavam atrás de nenhuma igreja na manifestação de qualquer dom (v. 7). Ele especifica palavra e conhecimento (v. 5). Onde Deus tem concedido esses dois dons, Ele tem dado grande capacidade para o seu uso. Muitos têm a flor da palavra mas não têm a raiz do conhecimento, e a sua conversão é infecunda. Muitos têm o tesouro do conhecimento, e querem a palavra para usá-lo para o bem dos outros, e, neste caso, ele está por assim dizer envolvido num guardanapo.

Mas, onde Deus concede ambos, um homem está qualificado para elevado proveito. Quando a igreja de Corinto foi enriquecida com toda a palavra e todo o conhecimento, era conveniente que muitos louvores fossem dados a Deus, especialmente pelo fato de esses dons serem um testemunho da verdade da doutrina cristã, uma confirmação do testemunho de Cristo entre eles (v. 6).

Eles eram “sinais, prodígios e dons do Espírito Santo”, pelos quais Deus levou testemunho aos apóstolos, em sua missão e doutrina (Hb 2.4), de maneira que, quanto mais abundantemente eles eram derramados sobre qualquer igreja, mais pleno testemunho era dado daquela doutrina pregada pelos apóstolos, e maior evidência comprobatória eles tinham de sua missão divina. E não é de admirar que, por terem tal fundamento para a sua fé, eles deviam viver na expectativa da vinda do Senhor Jesus Cristo (v.7).

É da natureza dos cristãos que eles esperem a segunda vinda de Jesus Cristo; toda a nossa religião atenta para isso: nós cremos nela, e a esperamos, e ela é a ocupação de nossa vida no sentido de nos prepararmos para ela, se realmente somos cristãos. E quanto mais confirmados estivermos na fé cristã, mais firme será a nossa fé na segunda vinda de nosso Senhor, e mais zelosa será a nossa expectativa por ela.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 429.

1 Lição – Daniel ora por um despertamento

2 Lição – Despertamento Espiritual – um milagre

3 Lição – O Despertamento renova o altar

4 Lição – A Construção do Templo enfrentou oposição

5 Lição – Zorobabel recomeça a construção do Templo

6 Lição – Neemias reconstrói os muros de Jerusalém

7 Lição – O povo de Deus deve separar-se do Mal

8 Lição – As causas da desunião devem ser Elienadas

9 Lição – Como vencer as oposições à obra de Deus

10 Lição – Provai se os espíritos são de Deus

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