11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

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Texto Áureo

“Ao aflito livra da sua aflição e, na opressão, se revela aos seus ouvidos” (Jó 36.15)

Verdade Prática

O sofrimento não deve ser visto apenas sob o aspecto punitivo, mas principalmente, educativo.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que o sofrimento pode ser usado por Deus com fim pedagógico.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Explicitar

que Deus, como soberano, pode se revelar e falar por meio do sofrimento;

Destacar

que a soberania de Deus não se sobrepõe ao seu amor;

Afirmar

que Deus não tem prazer no sofrimento, mas pode usar as adversidades para nos educar.

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LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 32.21 É possível tratar o homem com imparcialidade?

Terça – Jó 33.4 O Espírito de Deus é criador

Quarta – Jó 34.3 O cultivo da plena atenção

Quinta – Jó 35.5 O que revela o esplendor do céu?

Sexta – Jó 36.5 Deus é grande e não despreza ninguém

Sábado – Jó 36.26 O limite do ser humano para compreender Deus

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 32.1-4 ; 33.1-4; 34.1-6; 36.1-5

Jó 32.1-4

1 Então aqueles três homens cessaram de responder a Jó; porque era justo aos seus próprios olhos.

2 E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus.

3 Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos, porque, não achando que responder, todavia condenavam a Jó.

4 Eliú, porém, esperou para falar a Jó, porquanto tinham mais idade do que ele.

Jó 33:1-4

1 Assim, na verdade, ó Jó, ouve as minhas razões, e dá ouvidos a todas as minhas palavras.

2 Eis que já abri a minha boca; já falou a minha língua debaixo do meu paladar.

3 As minhas razões provam a sinceridade do meu coração, e os meus lábios proferem o puro saber.

4 O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida.

Jó 34

1 Respondeu mais Eliú, e disse:

2 Ouvi, vós, sábios, as minhas razões; e vós, instruídos, inclinai os ouvidos para mim.

3 Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar prova a comida.

5 Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito.

6 Apesar do meu direito sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.

Jó 36: 1-5

1 Prosseguiu ainda Eliú, e disse:

2 Espera-me um pouco, e mostrar-te-ei que ainda há razões a favor de Deus.

3 De longe trarei o meu conhecimento; e ao meu Criador atribuirei a justiça.

4 Porque na verdade, as minhas palavras não serão falsas; contigo está um que é sincero na sua opinião

5 Eis que Deus é mui grande; contudo, a ninguém despreza; grande é em força de coração.

HINOS SUGERIDOS: 363, 380, 434 da Harpa Cristã.

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INTERAGINDO COM O PROFESSOR

O sofrimento na vida do cristão deve ser um meio pedagógico. Ele serve para esmagar a soberba humana, polir o caráter do crente, prover crescimento e desenvolvimento ao cristão Este o não é o mesmo depois que passa pela “escola do sofrimento”. Não por acaso o apóstolo Paulo pôde dizer: “Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade.

Posso todas as coisas naquele que me fortalece” (Fp 4.12,13). Esse é o caminho que o Senhor nosso Deus quer que atinjamos: ser experimentado ,amadurecidos e crescidos. Que ouçamos a voz de Deus no sofrimento!

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INTRODUÇÃO

Veremos a teologia de Eliú exposta em quatro grandes discursos teológicos (Jó 32-37). Esses discursos se contrapõem ao que Jó e seus amigos proferiram. Para Eliú, os amigos de Jó falharam na exposição de suas ideias ao patriarca. Este, por outro lado, se equivocar ao apresentar o seu conceito de Deus para fundamentar sua defesa. Assim, mostraremos que Eliú revela um Deus soberano que age segundo o seu conselho e no est obrigado a dar respostas ao homem, além de não haver qualquer injustiça em suas ações, pois, segundo o jovem amigo de Jó, o sofrimento é uma ação pedagógica de Deus para corrigir o homem.

Comentário
ELIÚ

No hebraico, «Ele é o meu Deus» ou então «Meu Deus é Pai». Cinco homens têm esse nome, nas páginas do Antigo Testamento, a saber

Um dos chamados «amigos» ou «consoladores» de Jó. Era jovem ainda quando se envolveu nas intricadas discussões existentes no livro de Jó acerca do problema do mal. Por que os homens sofrem? Eliú ficou indignado ante os raciocínios de Jó e consternado diante do fracasso dos outros «amigos» que não conseguiam derrotar a Jó na argumentação. Eliú, pois, apresentou um longo discurso, no qual argumentou que o sofrimento tem certo propósito disciplinador (Jó 32:6—37:24). De fato, essa é uma resposta comum para tentar explicar por que motivo o ser humano sofre, e como é evidente, reveste-se de algum valor, embora existam outras respostas. Eliú é descrito (Jó 32:2) como «filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão». Isso pode significar que ele descendia de Buz, filho do irmão de Abraão, Naor.

O livro de Jó tem sido considerado por muitos como uma lenda ou parábola, porquanto não aparecem ali genealogias no tocante a Jó, o que parece ser uma displicência imperdoável (do ponto de vista judaico) se é que, de fato, Jó foi uma personagem histórica. No entanto, temos aqui um informe genealógico, no tocante a uma das personagens envolvidas no debate. Também deveríamos pensar que não é dada a genealogia de Elias e, nem por isso, ele é conhecido como uma mera figura lendária. A questão relativa a Jó e mais amplamente discutida no artigo sobre esse livro.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4220.

Tem o sofrimento alguma serventia?

Joseph De Maistre responde afirmativamente: “Creio no fundo de minha alma e sinto em minha consciência que, se o homem pudesse viver neste mundo isento de todo sofrimento, acabaria por se embrutecer”. Estaria Jó de acordo com De Maistre? Não somente chancelaria tais palavras, como haveria de assinalar: não fora o sofrimento, jamais viria a compreender a perfeita e agradável vontade de Deus.

Começou Jó a entender a pedagogia do sofrimento através do judicioso discurso de um jovem teólogo que, ao contrário de seus molestos amigos, pauta cada uma de suas palavras na sabedoria que vem diretamente de Deus.

Até este momento, mantivera-se Eliú calado, enquanto Jó e seus interlocutores terçavam armas em torno do sofrimento do justo. Mas, agora, esgotados os argumentos de ambas as partes, resolve o jovem teólogo falar. Terá argumentos conclusivos? Veja como será respondida a pergunta que vem você fazendo insistentemente ao Senhor:

Por que o justo tem de sofrer? Existe algum propósito em todo este sofrimento?”

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 165-166.

PONTO CENTRAL:

O sofrimento deve ser visto sob o aspecto pedagógico.

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I – O SOFRIMENTO COMO UMA FORMA DE REVELARDEUS

1. Deus é soberano (33. 14,15).

Nesse primeiro discurso, Eliú destaca a queixa de Jó porque Deus não lhe respondera. Para o jovem amigo do patriarca, este não leva em conta a majestade divina que distingue o Criador de suas criaturas. Nesse sentido, Jó havia ignorado que Deus é infinitamente maior do que o homem e não precisa explicá-lo acerca suas ações nem de seu silêncio.

Comentário

Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos. Deus realmente fala, mas o homem, em sua ignorância, não O ouve. Isso se dá, pelo menos em parte, porque o homem, carregado de pecados, não pode ser atingido pela Palavra divina. Ademais, Deus fala em mistérios, em uma linguagem que os pecadores não podem compreender. Alguns homens simplesmente não se acham onde possam ouvir a Deus. Deus não está surdo a apelos como os de Jó.

Era Jó que estava surdo para com Deus. Deus faia de várias maneiras, conforme Eliú passou a demonstrar. Deus é um revelador, mas o homem se esquece disso. Um pregador que conheci disse estar em terreno de oração. Em outras palavras, numa situação e condição em que as orações de uma pessoa podem ser ouvidas e respondidas por Deus. Eliú falou sobre um homem que estava em terreno apropriado para ele ouvir. Em outras palavras, esse homem estava em uma condição na qual podia ouvir a voz de Deus. Jó, como é óbvio, não estava nesse terreno, pois, de outro modo, não se queixaria por Deus não responder às suas orações.

Parte importante do teste de Jó era que Deus tinha deixado de responder às suas orações. Mas isso não acontecia porque Jó fosse culpado. Havia outras razões, até então ocultas.

Modos Divinos de Comunicação e a Resposta Humana (33.15-30)

Em sonho ou em visão de noite. Eliú, que pensava ser recebedor da iluminação, tinha elevado respeito tanto por visões quanto por sonhos. Há artigos sobre essas manifestações do misticismo no Dicionário; e, como é óbvio, Deus pode comunicar-se com os homens através desses meios e realmente o faz.

Quando um homem está dormindo e sua percepção dos sentidos está fechada, então ele pode receber alguma espécie de sonho ou visão. Esses são meios místicos de comunicação porque, realmente, existem sonhos espirituais. O longo artigo sobre Sonhos penetra nesses assuntos, pelo que não estendo aqui a questão.

E, como é óbvio, visões válidas comunicam toda a espécie de mistérios e conhecimentos que precisamos saber, embora também existam misticismos falsos e reivindicações frívolas sobre coisas que não são verdadeiras. Ver o artigo geral denominado Misticismo. As revelações são uma subcategoria do misticismo.

Precisamos do toque místico em nossa vida, pois esse é um dos meios do desenvolvimento espiritual. Ver no Dicionário o artigo chamado Desenvolvimento Espiritual, Meios do. Não devemos esquecer o elemento ético. A santificação põe o homem no terreno do desenvolvimento. Eliú falava demais e também se jactava em ser um grande místico, mas parece que tinha experiência válida suficiente para ser um pequeno místico. Demos crédito a ele por isso. Ele tinha algo de valor para comunicar.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1998.

Jó tinha se queixado de que Deus o mantinha completamente no escuro a respeito do significado de suas atitudes com ele, e por isto concluiu que Deus lidava com ele como seu inimigo.

“Não”, diz Eliú, “Ele fala contigo, mas não atentas para isso; de modo que a culpa é tua, e não dele; e Ele deseja o teu verdadeiro bem, mesmo naquelas dispensações que recebes tão mal”.

Observe, de modo geral:

1. Que grande amigo é Deus do nosso bem-estar: “Deus fala uma e duas vezes” (v. 14). E um sinal da sua benevolência o fato de que apesar da distância e das desavenças entre nós e Ele, ainda assim Ele se alegre em falar conosco. E uma evidência dos seus benevolentes desígnios o fato de que Ele se alegre em falar conosco, sobre os nossos próprios interesses, para nos mostrar qual é o nosso dever o qual é o nosso interesse, o que Ele exige de nós e o que podemos esperar dele, e para nos falar sobre as nossas falhas e nos advertir do perigo que corremos, para nos mostrar o caminho e nos guiar nele.

Isto Ele faz uma vez, duas vezes, repetidas vezes; quando uma advertência é negligenciada, Ele faz outra, não desejando que ninguém pereça. Deve ser preceito sobre preceito, e linha sobre linha. E assim, para que os pecadores não tenham desculpas.

2. Que inimigos nós mesmos somos do nosso próprio bem-estar: “Ninguém atenta para isso”, isto é, ninguém dá ouvidos ou considera isto, ninguém discerne ou compreende isto, ninguém está ciente de que é a voz de Deus, nem recebe as coisas reveladas, pois para ele são tolices; o homem fecha os seus ouvidos, frustra os seus próprios desejos, rejeita o conselho de Deus contra si mesmo, e assim não se torna mais sábio, nem pelos ditames da própria sabedoria.

Deus nos fala pela consciência, por providências, e por ministros, e sobre todos eles Eliú fala aqui detalhadamente, para mostrar a Jó que Deus estava, ao mesmo tempo, mostrando-lhe a sua vontade e fazendo-lhe uma gentileza, mesmo agora, quando parecia mantê-lo no escuro e tratá-lo como um estranho, e conservá-lo em aflição e tratá-lo como um inimigo. Não havia, então, até onde se sabe, nenhuma revelação divina por escrito; portanto, isto não é aqui mencionado, entre os métodos pelos quais Deus fala com os homens, ainda que hoje este seja o método principal.

Nestes versículos, Eliú mostra como Deus ensina e admoesta os filhos dos homens por intermédic de suas próprias consciências. Observe:

A ocasião e oportunidade adequadas para estas admoestações (v.15): “Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens”, isolados do mundo e das atividades dele. E uma boa oportunidade para que eles se isolem em seus próprios corações, e para conversar com eles, quando estão em suas camas, quietos e solitários (SI 4.4). E o momento em que Deus lida pessoalmente com os homens.

1. Quando Ele enviava anjos – mensageiros extraordinários – em suas missões, normalmente escolhia este momento para a transmissão de suas mensagens, pois este é o momento quando, pelo sono profundo que cai sobre os homens, os sentidos físicos ficam restringidos e a mente fica mais livre para receber as comunicações imediatas da luz divina. Desta maneira Ele deu a conhecer a sua vontade aos profetas, por meio de visões e sonhos (Nm 12.6); desta maneira Ele advertiu Abimeleque (Gn 20.3), Labão (Gn 31.24), José (Mt 1.20); desta maneira Ele fez com que Faraó e Nabucodonosor conhecessem coisas que somente viriam a acontecer no futuro.

2. Quando Ele incitava a consciência, aquela sua representante na alma, para fazer os seus serviços, Ele aproveitava a oportunidade, fosse quando o sono profundo caía sobre os homens (pois, embora os sonhos se originem principalmente da fantasia, alguns podem se originar da consciência) ou quando estavam letárgicos, naquele estado entre adormecidos e despertos, refletindo à noite sobre as atividades do dia anterior, ou planejando na madrugada as atividades do dia seguinte; então é um momento apropriado para que seus corações os repreendam pelo que fizeram de errado, e admoestá-los sobre o que deveriam fazer (veja Isaías 30.21).

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 161-162.

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2. O orgulho do homem priva-o de ouvir Deus.

Todavia, mesmo sendo um ser transcendente, Deus não deixa de se revelar ao homem quando julgar necessário. Por isso, Eliú no aceita o argumento de Jó sobre o silêncio de Deus, pois Ele fala ao homem de várias maneiras, incluindo sonhos e visões(Jó 33.14,15). De acordo com Eliú, o problema não é o silêncio do Altíssimo, mas o orgulho humano que não lhe permite escutá-lo. O jovem acredita que mesmo o patriarca considerando-se moralmente puro, padece do pecado de orgulho (Jó 33.17). Na visão de Eliú, a revelação de Deus tem o propósito delivrar o homem da soberba que o conduziria à morte (Jó 33.17,18).

Comentário

Para apartar o homem do seu desígnio. A iluminação divina afasta o pecador de seus feitos e corta o seu orgulho. O pecador arrogante, Jó, seria humilhado e assim tornar-se-ia um candidato apropriado para a cura. Mas enquanto ele continuasse a vangloriar-se de sua inocência, sua condição apenas iria tornando-se cada vez pior.

Os castigos de Deus são, assim, vistos como disciplinadores, e esse era o grande discernimento de Eliú, que ele repetiria no capítulo 36.

Para guardar a sua alma da cova. Compare-se isso com algo similar, em Sal. 103.4: “Quem da cova redime a tua vida e te coroa de graça e misericórdia”.

Eliú não estava apresentando a ideia de redenção do hades (seol), que não fazia parte da teologia patriarcal. Ele apenas dizia que Jó, uma vez curado, não seria em breve um homem morto, apodrecendo na sepultura. Segundo ele, o pobre homem poderia prolongar sua vida como efeito do arrependimento apropriado.

Ele “o preservaria da morte prematura” (Samuel Terrien, in loc.). Ele não sofreria de morte violenta, como a morte à espada. Seria protegido e teria um longo período de paz e prosperidade. Neste capítulo, a palavra “cova” significa sepultura, usada por cinco vezes: vss. 18, 22, 24, 28 e 30.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1999.

A finalidade e a intenção das admoestações que são enviadas.

1. Manter os homens longe do pecado, e particularmente do pecado da soberba (v. 17). Para que Ele possa “apartar o homem do seu desígnio”, isto é, dos seus maus propósitos, para que possa mudar o seu estado de espírito e o curso da sua vida, a sua disposição e inclinação, ou impedir algum pecado em particular em que ele corra o risco de cair, e também para que Ele possa afastar o homem da sua obra, possa fazê-lo deixar a obra do homem, que opera para o mundo e a carne, e possa colocá-lo para realizar a obra de Deus.

Muitos homens foram interrompidos em um caminho pecaminoso pelas oportunas repreensões da sua própria consciência, dizendo: Não faças esta coisa abominável que o Senhor aborrece. Particularmente, desta maneira Deus esconde a soberba dos homens, isto é, esconde deles aquelas coisas que são o motivo da sua soberba e impede que a sua mente permaneça sobre elas, apresentando-lhes as razões que têm para ser humildes.

Para que Ele possa esconder do homem a soberba (assim alguns interpretam), para que possa arrancar aquela raiz de amargura que é a causa de muito pecado. Deus humilhará e esconderá a soberba de todos aqueles para os quais Deus tem misericórdia armazenada. A soberba torna as pessoas ansiosas e resolutas na busca de seus propósitos; eles desejam ter as coisas à sua maneira, e por isto Deus os aparta de seus desígnios, mortificando a sua soberba.

2. Proteger os homens da destruição (v. 18). Enquanto os pecadores estão buscando seus maus propósitos, e gratificando a sua soberba, as suas almas estão se precipitando para a cova, para a espada, para a destruição, tanto neste mundo como no futuro; mas quando Deus, pelas admoestações da consciência, os retira do pecado, Ele desvia desta maneira as suas almas da cova, do abismo sem fundo, e os salva da destruição pela espada da vingança divina, de modo que a iniqüidade não será a sua ruína.

Aquilo que afasta os homens do pecado os salvará do inferno, salvará da morte uma alma (Tg 5.20). Veja que graça é estar sujeito às restrições de uma consciência desperta. Fiéis são as feridas, e gentis são os grilhões deste amigo, pois graças a eles a alma é salva da condenação, pela qual pereceria eternamente.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 162.

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3. Uma ponderação importante.

Além de sonhos e visões, Eliú também destaca que Deus usa a enfermidade como canis de comunicação entre Deus e o homem (Jó 33.19-22). Por causa dela, Ele pode enviar um anjo para anunciar a Jó o seu dever por (Jó 33.23), dizer o que ele deve fazer e, também, interceder em favor da saúde do patriarca. Dessa forma, esse mensageiro anuncia o que é justo e bom a fim de recuperar o estado de justiça que Jó desfrutava antes da enfermidade.

As funções que são atribuídas a esse mensageiro-mediador fazem com que os intérpretes bíblicos vejam nesse ser celeste uma referência ao anjo do Senhor, uma teofania do Senhor Jesus Cristo (Gn 16.9; 22.11; Ex 3.2; Jz6.11). Não há dúvidas de que esse mediador é a mesma testemunha celestial que Jó pedia que defendesse a sua causa (Jó 16.19) e o redentor que o justificasse depois de sua morte (Jó 19.25). Nesse sentido, conforme podemos atestar no livro, o ministério desse mensageiro é um ato decorrente inteiramente da graça de Deus em favor de Jó para mediar sua causa e resgatá-lo (33.24).

Comentário

Então Deus terá misericórdia dele. A graça divina intervém em favor do homem arrependido, livrando-o da morte prematura. A “cova” é mencionada uma vez mais. Cf. os vss. 18, 22, 24, 28 e 30 (em um total de cinco vezes). É anacronismo fazer tudo isso se referir à salvação nos lermos evangélicos. O autor sacro tão-somente falava no livramento da morte física prematura. Não obstante, o princípio da graça e da mediação estão aqui, juntamente com o princípio da redenção.

Redime-o. O significado da palavra hebraica por trás desta tradução é incerto.

Trata-se de um hapax legomenon, termo usado somente uma vez em toda a Bíclia. Alguns estudiosos emendam o texto e dizem “redime”, ou seja, “redime-o”, conforme faz a nossa versão portuguesa. Cf. Sal. 49.8. Se permanecermos com a palavra usada no texto massorético (ver no Dicionário o artigo chamado Massora (Massorah); Texto Massorético), poderemos supor que esteja em pauta alguma frase como “deixa-o ir-se”, “deixa-o sozinho”. Nesse caso, o poeta queria ver Jó libertado de descer para o abismo. O Targum e a versão siríaca optam pela outra palavra hebraica como representante do original e falam sobre o resgate.

Achei resgate. O resgate não é definido, mas o autor sagrado provavelmente tinha em mente a expiação efetuada por meio de sacrifícios. Provavelmente, ele escreveu depois da lei de Moisés haver sido dada, embora tenha colocado seu livro no período patriarcal. Mesmo então, havia sacrifícios de expiação, e a lei de Moisés desenvolveu ainda mais essa noção. “O resgate não é definido, mas pode-se reconhecer facilmente a linguagem dos profetas e dos salmistas, particularmente Isa. 43.3. Aqui o resgate pode ser obtido, talvez, pela paciente resistência do sofrimento (cf. Jó 36.18)” (Samuel Terrien, in loc.). Cf. este versículo com Êxo. 21.30.

O resgate é um sexto meio de ajudar o pecador, um modo de conceder o favor divino. Ver o vs. 19, quanto a uma lista, e o gráfico no fim do capitulo 37, sobre as contribuições de Eliú à discussão, certos discernimentos que ele tinha, mas que outras pessoas não possuíam.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.

Os homens também são advertidos por Deus através da corriqueira experiência da doença. Jó a conhece perfeitamente. Nenhum indício de um oráculo falado acompanha esta revelação. A lista de horríveis sintomas dada por Eliú termina com outra referência à morte que confronta o doente. O v. 22 oferece um paralelo com o v. 18. À palavra mmtym, “os que matam,” embora possa significar os portadores da morte, não é uma designação muito boa para os habitantes da cova. O texto de Pope, “as águas da morte” (pág. 251), tem muita coisa a seu favor.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 248.

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SÍNTESE DO TÓPICO I

Para Eliú, o sofrimento revela um Deus soberano que ataca a soberba do ser humano.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Inicie a aula de hoje fazendo uma reflexão sobre a soberania de Deus e O orgulho humano. Uma das questões mais difíceis para o ser humano é aceitar algo que saia do seu domínio. Muito sofrimento hoje tem como causa a não aceitação de determinada realidade. Diante dela, o desespero passa a dominar, o medo passa a ser constante, o grau de ansiedade e estresse aumenta. Entretanto, quando olhamos para a Bíblia percebemos que homens e mulheres puderam reconhecer a voz de Deus de dentro do sofrimento.

É por isso que estamos estudando o Livro de Jó, pois esse patriarca experimentou a Deus na “escola do sofrimento”. Deixe claro para a classe que quando isso acontece, crescemos em maturidade e espiritualidade

.Portanto, estimule os alunos a perguntarem o que Deus quer falar conosco na “escola do sofrimento.”

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II – O SOFRIMENTO COMO MEIO DE REVELAR AJUSTIÇA E A SOBERANIA DE DEUS

1. Ajustiça de Deus demonstrada.

Quando defende a justiça de Deus, Eliú faz coro com seus amigos na acusação contra Jó. Em sua perspectiva, os argumentos de Jó não passavam de insolência. Como pode o Todo-Poderoso agir com injustiça conforme Jó deixou subtender? Deus jamais age injustamente, pois isso contraria sua própria natureza (Jó 34.10,12).

Comentário

Na verdade, Deus não procede maliciosamente. Realizar um ato errado ou perverter a justiça (conforme Jó acusou Deus) era algo impossível, uma perversão da própria ideia da natureza de Deus. Nesse caso, de onde vem toda a dor que nos assedia, chegando mesmo a atingir homens bons, de maneira tão arbitrária e inútil?

Mas Eliú insistia em não haver nenhuma corrupção ou capricho no trato de Deus para com os homens. Deus é o “Criador Fiel”, que sempre faz o que é bom. Ele não se parece com o temível deus dos gregos, Zeus, que feria os homens por qualquer razão, ou mesmo sem nenhuma razão.

Bildade negou que Deus pudesse perverter a justiça (ver Jó 8.3), e Eliú repete aqui essa noção, para efeito de ênfase. O homem continuava a raciocinar com base em sua fraca teologia, que não levava em conta as causas secundárias. Contudo, para Jó “as tendas dos tiranos gozam paz” (Jó 12.6). Para Jó, Deus parecia indiferente ao destino dos homens (capitulo 12).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.

A clareza com que esta verdade é exposta, tanto negativamente como afirmativamente.

1. Ele não faz mal a ninguém: “Longe de Deus a impiedade, e do Todo- poderoso, a perversidade!” (v. 10). Isto é inconsistente com a perfeição da sua natureza, e também com a pureza da sua vontade (v. 12): “Deus não procede impiamente; nem o Todo-poderoso perverte o juízo”. Ele não pode fazer, nem fará, algo errado, nem tratará nenhum homem com crueldade. Ele nunca inflige o mal da punição, exceto onde encontra o mal do pecado, e não o faz em nenhuma proporção indevida, pois isto seria proceder impiamente ou cometer perversidade. Se lhe forem feitas apelações, ou se Ele tiver que dar uma sentença definitiva, Ele terá em mente os méritos da causa, e não fará acepção de pessoas, pois isto seria perverter o juízo.

Ele nunca fará nenhum mal a nenhum homem, nem negará a nenhum homem nenhum direito, mas os céus, em breve, anunciarão a sua justiça. Como Ele é Deus, e por isto é infinitamente perfeito e santo, não pode fazer o mal, nem permiti-lo nos outros, não mais do que Ele pode morrer, ou mentir, ou negar a Si mesmo. Embora Ele seja Todo- Poderoso, nunca usa o seu poder, como os homens poderosos freqüentemente fazem, para sustentar a injustiça. Ele é Shaddai – Deus auto-suficiente (Todo- poderoso), e por isto não pode ser tentado pelo mal (Tg 1.13), a fazer algo injusto.

2. Ele dispensa justiça a todos (v. 11): “Segundo a obra do homem, ele lhe paga”. As boas obras serão recompensadas, e as más serão punidas ou exigirão satisfação; de modo que, mais cedo ou mais tarde, neste mundo ou no que há de vir, Ele fará com que cada um receba os resultados do caminho que escolheu.

Esta é a regra da justiça distributiva: dar a cada homem de acordo com as suas obras. Aos justos, tudo lhes irá bem; ai dos ímpios, tudo lhes irá mal. Se os serviços em que perseveramos agora ficarem sem recompensa, e os pecados em que persistimos agora ficarem impunes, ainda assim virá um dia em que Deus dará a cada homem segundo as suas obras, com juros pela demora.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 167.

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2. O caráter justo de Deus.

Para não haver dúvida, Eliú passa a descrever o caráter justo de Deus:

(1) Ele age com justiça quando retribui ao homem o que ele merece (Jó 34.11);

(2) Deus não precisa prestar contas de seus atos a ninguém, visto que não recebeu autoridade de nenhum outro ser criado (Jó34.13);

(3) como o provedor da vida humana, Ele tem todo o poder de manter ou não a humanidade (Jó 34.14,15);

(4) o Todo-Poderoso não faz acepção de pessoas, quer sejam reis, nobres ou pobres (Jó 34.16-20);

(5) Deus é onisciente e como tal conhece os passos e as intenções de todos os homens sem precisar inquiri-los em juízo (J6 34.21-25); (6) Ele é justo para punir os maus (Jó 34.25-30).

Comentário

Eliú repete a verdade, evidente em si mesma, de que Deus não pode praticar a perversidade. liga três pensamentos a esta proposição.

Primeiramente, infere da supremacia de Deus como Criador que não deve prestar contas a pessoa alguma (13). Isto nos deixa à beira de um abismo. Se, pois, tudo quanto Deus fez está certo por definição, e se, por Ele ser Soberano, causa tudo quanto acontece, segue-se que tudo é certo, desaparecendo a categoria do mal. Em segundo lugar, os w. 14 e 15 especificam que todo ser vivente depende de Deus para sua existência, de modo que Ele, de modo indiscriminado ou universal, pode retirar esta dádiva da existência sem errar ao fazer assim. Este é um belo reconhecimento de Deus como dono de tudo, e uma bela homenagem ao Seu poder.

Mas não deixa fundamento para dizer que qualquer ato de Deus é “bom” ao invés de “mau.” “O poder faz o direito,” é o resumo da doutrina de Eliú, e nesta ênfase chega bem próximo ao argumento de Jó. Foge da dificuldade, no entanto, ao apelar para a doutrina de que Deus retribui a cada pessoa conforme o comportamento dela (11), declarando isto em termos grosseiros e individualistas. Mas é justamente isto que está sendo batido, e não é resposta alguma ao problema.

Visto que os verbos estão no singular, as perguntas que se seguem são endereçadas a Jó. A NEB fornece o nome.

As referências a povo e reinar nos w. 29-30, parecem completar uma estrofe que começa no v. 18 com referências paralelas á rei e príncipes. Se o governo de monarcas humanos não pode ser questionado, é inconcebível que 0 universo seja governado por alguém que aborrecesse o direito (17).

Esta é uma mera asseveração. Por que o poder supremo não pode ser demoníaco (segundo os nossos padrões)? Ou um Absoluto “além do bem e do mal,” pensamento este irresistível a muitas mentes humanas, e que frequentemente ameaça a confiança que Jó tem na bondade de Deus.

Isto nunca poderia ser mais do que uma cega afirmação da fé, ou é razoável esperar algum tipo de explicação da justiça dos atos de Deus que parecem errados segundo nossos julgamento moral?

A resposta que Eliú oferece para este problema não está totalmente clara. Enfatiza que o conhecimento de Deus é completo e infalível (21,22, 25a, 28b), de modo que Suas ações estão além da compreensão humana.

Já estamos familiarizados com semelhantes tentativas de proibir a pesquisa humana. Em 24.1, Jó queria saber por que Deus não dirigida tribunais públicos com sessões regulares, de modo que ficasse patente que a justiça estava sendo feita. Eliú responde que os julgamentos de Deus são inflingidos sem prévio aviso e sem processo (20, 24 (sem os inquerir), 25b). Esta resposta é estimulada, nSò tanto pela indignação contra os maus, mas, sim, pela atenção para com o clamor do pobre (28). E é feito publicamente (26) aos que são notoriamente perversos (27), e tudo sem parcialidade (19).

Os governantes opressores, no entanto, parecem ser os objetos especiais da destruição da parte de Deus, e o fato de que podem ser quebrados repentinamente sem ajuda humana (20), parece ser evidência suficiente para Eliú de que Deus está operando.

Nenhuma explicação é necessária, de modo que Jó não tem motivos de queixa porque Deus tem guardado silêncio no que diz respeito a ele. Deus não está obrigado a dar explicações a homem algum, as quais, de qualquer maneira, um homem poderia não compreender porque não vê toda a realidade dos fatos, ao passo que Deus vê tudo. Mas os w. 29-30 não são satisfatórios, e alguns têm achado neles um pensamento mais escuro e mais perturbador.

Mesmo se Deus estiver inativo, deixando o mal sem refreá-lo, quem o condenará? Se Ele escolher esconder Seu rosto, quem pode levá-Lo a revelá-lo? A única explicação possível, ressaltada pela NEB, é que “faz reinar o ímpio” para castigar “uma nação teimosa.”

Os profetas conseguiram conceber o pensamento de que o assírio era a vara da ira de Deus (e.g. Is 10.5), e Habacuque podia pensar a mesma coisa acerca dos babilônios. Mas sempre acrescentavam que estas nações, apesar de terem sido usadas por Deus de tal maneira, eram plenamente responsáveis por suas más ações, e, no devido tempo, pagariam por elas.

Isto, porém, envolve um estágio histórico, a culpa coletiva, e longos períodos de tempo, que não são usados no livro de Jó. Assim, o problema permanece focalizado na aparente injustiça na maneira de Deus tratar um só homem: Jó.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 252-253.

A Justiça de Deus é Defendida (34.10-20)

Novamente Eliú apela a homens de entendimento (10) para ouvir sua defesa acerca da equidade de Deus. Deus recompensa cada um […] segundo o seu caminho (12). De que maneira Deus poderia proceder impiamente? Isto seria contrário à sua natureza.

Eliú vê duas razões básicas por que é impossível para Deus realizar uma ação perversa. A primeira é que Deus é o Criador de tudo que existe. Ele não recebeu seu poder e autoridade de ninguém. Ele é Aquele que deu a vida e Aquele que a sustenta. Portanto, não faz sentido Ele fazer algo errado (13-15).

Moffatt acredita que o argumento é baseado não no poder de Deus, mas no seu cuidado pelo homem:

Não, nunca Deus fará o mal, nunca o Todo-poderoso agirá injustamente — ele não é nenhum vice-rei governando a terra! — seu coração e sua mão estão sobre o universo, e se de fato retirasse o seu espírito e o seu fôlego, a humanidade pereceria de uma só vez, e o homem voltaria ao pó (12-15).

A segunda proposta apoiando a justiça de Deus é formulada em forma de pergunta. Porventura o que aborrecesse o direito governaria? (17). A justiça é um pré-requisito para governar. E inconcebível que um súdito questione a autoridade do seu rei (18). Quanto mais um homem seria tolo em questionar a ação de Deus.

Além disso, Deus não tem motivo para a injustiça, visto que Ele é Aquele que criou o rico e o pobre, bem como as pessoas comuns e os príncipes (19). Ele não mostra parcialidade em sua administração da justiça. Esse é o motivo por que todos os homens morrem […] e passam (20). Sem mão significa “sem a mão humana” (RSV). Jó tem usado esse fato para ilustrar a ação indiscriminada da parte de Deus. Eliú o usa para ilustrar o tratamento igual de Deus para com o homem.

Consequências da Rebelião contra Deus (34.21-37)

Não existe maneira de se esconder de Deus. Os olhos de Deus estão sobre os caminhos de cada um (21). Ele vê todos reflete a onisciência e significa que Deus trata cada pessoa de uma maneira absolutamente justa. Porque não precisa considerar muito no homem (23); não há necessidade de um homem ir a juízo diante de Deus, como Jó fez. Visto que Deus conhece as suas obras (25), seu julgamento do ímpio é infalível, seja para com um povo, seja para com um homem só (29). É impossível debaixo dessas circunstâncias que a hipocrisia seja bem-sucedida (30). O versículo 29 parece mais uma vez afirmar a soberania de Deus. Smith o traduziu da seguinte forma:

Se ele silenciar, quem pode condenar?

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 83-84.

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

3. A defesa da soberania de Deus.

Atente para a seguinte pergunta: “Será que Deus deve recompensá-lo segundo o que você quer ou não quer?” (Jó 34.33 – NAA). Eliú encerra o capítulo mostrando a Jó que Deus, em sua soberania e livre vontade, não tem a obrigação de agir segundo o querer do homem. Sendo soberano, Ele não está sujeito a qualquer julgamento humano. Por todo o livro de Jó o autor destaca a soberania divina. Um exemplo disso está claro no uso da palavra “Todo-poderoso” que ocorre 31vezes.

Para Eliú, portanto, por ser Soberano, Deus Jamais age com injustiça como Jó dera a entender. Todavia, é preciso destacar duas coisas sobre fala de Eliú. Primeiramente, ele, assim como seus amigos, erra por partir do princípio de que Jó havia cometido pecado. Em segundo lugar, Eliú exalta apenas ajustiça de Deus e nada diz acerca de sua misericórdia. Para ele, o Altíssimo havia posto sua justiça soberana acima do seu amor, o que é um erro crasso. Deus, sem dúvida alguma, é justo; mas grandiosamente amoroso e misericordioso.

Comentário

Pois retribuirá ao homem segundo as suas obras. A posição teológica antiga, a doutrina da Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura (ver a respeito no Dicionário), uma vez mais foi trazida como argumento para debate entre Jó e seus críticos. De fato, os homens colhem aquilo que semeiam (ver Gál. 6.7,8), mas algumas vezes o sofrimento acomete um inocente. Os quatro críticos terríveis de Jó não encontraram essa doutrina em seus livros de teologia. Talvez o caos possa atacar e, realmente, ataca os justos, tanto quanto os injustos, por isso precisamos orar por proteção contra essa possibilidade.

Além disso, existem os mistérios do reino de Deus, que não somos capazes de sondar. A lei da retribuição opera agora em parte, e em parte operará depois desta vida (ver Jer. 32.19; Rom. 2.6; I Ped. 1.17 e Apo. 22.12), mas não pode explicar todos os aspectos do problema do mal: por que os homens sofrem e por que sofrem como sofrem? A teologia patriarcal não antecipava que, após esta vida, “haveria recompensas ou punições”, de modo que Eliú falava somente das coisas más que acontecem aos pecadores, aqui nesta vida. Mas a experiência humana demonstra a inadequação dessa doutrina. Outros fatores explicam melhor os sofrimentos humanos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2003.

Para que tu a desprezes (33). Leia-se “porque tu a desprezas”. O sentido do versículo é: “Ditarás tu, a Deus, a recompensa que hás de receber simplesmente porque desprezas a que Ele te deu?” Note-se como Eliú vinca bem a sua separação de Jó.

DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Jó. pag. 64.

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

SÍNTESE DO TÓPICO II

Para Eliú, o sofrimento revela o caráter justo e soberano de Deus.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

“A teologia da prova. Adiantando-se em seu discurso, exclama Eliú: Pai meu! Provado seja Jó até ao fim’ (Jó 34.36). Recorramos ao hebraico: Avi ybahenYöb ad-netsah. O vocábulo ybahen comporta os seguintes sinônimos: provar, refinar como ouro, fundir como metal. Por conseguinte, deveria Jó, como o mais precioso dos metais, ser intensamente provado até que todas as impurezas e imperfeições lhe fossem tiradas. Observe que Eliú roga a Deus seja o patriarca provado até o fim. Se Jó tem de ser acrisolado, que lhe seja completo o crisol; até ao m: ad-netsah.

A provação haveria de perdurar enquanto fosse necessária. Não fora Jó suficientemente provado? Entretanto, teria ele de suportar toda a ardência daquele cadinho até que viesse a entender a soberania de Deus. Doutra forma, jamais chegaria à estatura de perfeito varão (16 34.36b)” (ANDRADE, Claudionor de. Jó: O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Propósito. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.168).

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

III – O SOFRIMENTO COMO UM INSTRUMENTOPEDAGÓGICO DE DEUS

1. O caráter pedagógico do sofrimento (36.7-15).

Há uma diferença entre o pensamento teológico de Eliú e ode seus amigos. Elifaz, Bildade e Zofar acreditavam que o sofrimento de Jó era por causa de um pecado cometido por ele e sua recusa em reconhecê-lo. Eliú também crê dessa forma, mas vai além. Embora compreenda que, durante sua provação, Jó se comportou deforma pecaminosa, Eliú introduz a ideia de que O sofrimento tem um caráter pedagógico (Jó 36.15). O caráter pedagógico do sofrimento está na capacidade de nos fazer refletir e voltar para Deus. Dessa forma, os justos aprendem com o sofrimento.

Comentário

Ao aflito livra por meio da sua aflição. Em contraste com os pecadores hipócritas, o pobre homem reto tem acesso a Deus. Ele o ouve; Ele o livra; Ele o faz prosperar. Tal homem tem vida longa e cheia de alegria, e morre feliz! A única exceção é que isso nem sempre acontece de fato, embora seja um bom ideal. “A aceitação apropriada das aflições é o caminho da salvação” (Samuel Terrien, in loc).

Deus abre os ouvidos dos pecadores e mostra-se ativo para corrigir a situação. Mas o pecador precisa encorajar a abertura divina, e não rejeitá-la, como Jó fizera (na estimativa de Eliú). Para Eliú, Deus não estava indiferente para com o homem nem tratava bem aos maus, e mal aos bons; muito menos tratava ambos da mesma maneira (ver Jó 9.22).

Nos dias antigos, nos Estados Unidos, os homens deixavam a parte oriental para ocupar a parte ocidental do país. Tinham de atravessar leitos de rios e cruzar montanhas íngremes. Assim o faziam, eram bem-sucedidos e muito aprendiam pelo caminho. Agora, aviões a jato voam “por cima” do território e levam pessoas tão rapidamente, que mal se pode acreditar. Mas ninguém aprende coisa alguma.

Eliú, entretanto, dizia que a “viagem através das tristezas” pode ensinar algo de valor. Os hipócritas, contudo, nada aprendem.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2010.

Embora pareça um pouco lacônico, este versículo parece resumir a tudo. Há um jogo sutil nos sons das raízes aqui, impossível de captar numa tradução. O instrumental por meio de é favorecido, embora “de” (para fora de) é outro significado possível. De qualquer maneira, a ideia do pobre ser salvo pela sua pobreza (Dhorme prefere esta nuança, ao invés de aflição, ou de “sofrimento,” NEB), é declarada de modo paradoxal. É Deus quem salva; a adversidade fornece a ocasião, tirando-se o devido proveito dela.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 260.

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

2. Adorando a Deus na tormenta.

No capitulo 36 e versículo 26, Eliú afirma que Deus é grande, e nós o não compreendemos. Para ilustrar o argumento de grandeza de Deus, ele faz uma explanação sobre a ação de Deus nas estações do ano: Outono, Inverno, Primavera e Verão. O argumento de Eliú tem por objetivo demonstrar a grandeza de Deus sobre a criação e como esse fato deve fazer com que Jó o reconheça como grande e o louve como tal (Jó 36.24-25).

A fala de Eliú põe em destaque o argumento contraditório de Jó, que por um lado magnificava a majestade de Deus, mas por outro murmurava contra Ele. Nesse aspecto, Eliú acerta em mostrar que a adoração e a murmuração não podem coexistir, são atitudes excludentes.

Jó 37.6-13 ilustra de forma poética o pensamento do orador. E uma metáfora da situação do patriarca, que no meio da tormenta, em todo o seu impacto e estrondo, pode contemplar o caráter pedagógico do amor de Deus.

Comentário

Eis que Deus é grande. A Oxford Annotated Bible afirma que agora temos o quinto discurso de Eliú, embora “sem a introdução usual… O Governante soberano da natureza, Seu propósito e Sua benevolência aparecem no desdobramento majestático das estações, como o outono (vss. 7-33), o inverno (Jó 37.1-13) e o verão (vss. 14-22), sequência que aponta para o calendário outonal, com a festividade do Ano Novo durante o outono” (o que é dito no vs. 26).

A grandeza da natureza inspira os homens a reflexão teológica. Para que haja tão grande efeito, também deve haver uma Causa, e essa causa é Deus. A natureza ensina duas coisas principais sobre o Ser divino: há um grande poder ali, bem como uma grande inteligência. Alicerçados sobre tais fatos, os teólogos inventaram as doutrinas da onipotência e da onisciência de Deus.

Nenhum ser humano pode sondar as questões do início de Deus, ou por quantos anos Ele tem existido. Nós o chamamos de eterno. Ele é dotado de uma infinitude que não pode ser investigada. Bertrand Russell afirmou, corretamente, que há certas perguntas que não podemos formular com proveito, e qualquer pergunta que sonde a eternidade ou a infinitude de Deus é obviamente fútil. Esses são simplesmente dogmas que aceitamos sem investigação alguma, pois há neles um sentido intuitivo. A natureza nos sugere esses atributos, mas o assunto está acima de nossos poderes de investigação.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2012.

O agnosticismo das traduções usuais não tem razão de ser, tendo em vista a homenagem que Eliú presta a Deus como Mestre incomparável no v. 22. O objeto o não consta do TM. Conforme demonstra o paralelo, a eternidade de Deus é concebível, mas não compreensível. Sabemos que Deus é grande. Esta é uma quantidade enorme de conhecimento positivo.

Mas nunca podemos saber exatamente quão grande Ele é. Mesmo assim, esta limitação consciente não invalida o que realmente sabemos, especialmente quando aquele conhecimento é fundamentado, não na especulação transcendental, mas, sim, na contemplação de Deus nas Suas obras múltiplas da criação.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 260.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Segundo Eliú, o sofrimento é um instrumento pedagógico para o cristão.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Depois de meditar longamente sobre o propósito do sofrimento do justo, declara H. Dieterlen: ‘Tudo depende do modo por que se sofre. Mas Deus sempre tem um pensamento de amor nas tristezas que nos envia’. Afinal, como enfatiza o apóstolo, todas as coisas concorrem juntamente para o bem daqueles que, sinceramente, amam a Deus. A pedagogia da conduzia a Jó através das mais difíceis prova. O Senhor e inimagináveis provas, a fim deque ele viesse a tornar-se um instrumento ainda mais valioso e útil para o seu Reino.

Quão maravilhosa é a pedagogia do sofrimento! Se incrédulos, ensina-nos a crer. Se intempestivos, disciplina-nos em um amor paciente e temperante. Se indiferentes, leva-nos a chorar com os que choram e a alegrar-se com os que se alegram. Sim, Deus educava a Jó por intermédio do sofrimento. E o mesmo está Ele fazendo com neste instante. Por isto, não se desespere! Este é o modo pelo qual o Senhor educa seus filhos” (ANDRADE, Claudionor de. Jó: O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Propósito. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.168).

11 Lição 4 Tri 20 – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

CONCLUSÃO

Vimos nessa lição três aspectos da teologia de Eliú. Primeiramente, o jovem amigo defende o direito de Deus ficar em silêncio mesmo quando achamos que ele deve falar. Acredita que Jó não consegue escutar a Deus devido o seu orgulho. Entretanto, o equívoco de Eliú está no fato de associar o sofrimento de Jó ao pecado. Segundo, ele destaca que Deus tem todo o direito de ser soberano e como tal agir com justiça. Todavia, ele se equivoca em colocar essa soberania acima de seu amor, pois, primeiramente, Deus é amor. E, finalmente, Eliú vê no sofrimento um papel pedagógico.

VOCABULÁRIO

Teofania: Aparição ou revelação da divindade; manifestação de Deus.

PARA REFLETIR

A respeito de “A Teologia de Eliú: O Sofrimento E uma Correção Divina?”, responda:

1 – O que Eliú destaca em seu primeiro discurso?

R: Nesse primeiro discurso, Eliú destaca a queixa de Jó porque Deus não lhe respondera.

2 – Segundo Eliú, qual o problema em relação ao silêncio de Deus?

R: De acordo com Eliú, o problema não é o silêncio do Altíssimo, mas o orgulho humano que não lhe permite escutá-lo.

3 – Cite pelo menos duas características do caráter justo de Deus.

R: 1) Ele age com justiça quando retribui ao homem o que ele merece (Jó 34.11): (2) Deus não precisa prestar contas de seus atos a ninguém, visto que não recebeu autoridade de nenhum outro ser criado (Jó 34.13).

4 – Quais são as duas coisas destacadas acerca de Eliú pelo comentarista? R: Primeiramente, ele, assim como seus amigos, erra por partir do princípio de que Jó havia cometido pecado. Em segundo lugar, Eliú exalta apenas ajustiça de Deus e nada diz acerca de sua misericórdia.

Fale acerca do caráter pedagógico do sofrimento.

R: O caráter pedagógico do sofrimento está na capacidade de nos fazer refletir e voltar para Deus.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Veja outras Lições.

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

6° Lição – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

7° Lição – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?

8° Lição – A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?

9° Lição – Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

10° Lição – A Última Defesa de Jó

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