12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

Texto Áureo

Portanto, ide, ensinar todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espirito Santo. (Mt 28.19)

Verdade Prática

Chamamos de discipulado na fé o aprendizado por meio de um discípulo por meio de seu mestre, na igreja, para ajudar a desenvolver o seu crescimento espiritual.

OBJETIVO GERAL

Esclarecer a urgência do discipulado.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Conceituar o discipulado;

Elencar o tripé do discipulado: Palavra, Comunhão e Serviço;

Mostrar que o discipulado gera um crescimento sadio para a igreja.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Mt 4.23 – O ensino da Palavra acompanha a evangelização

Terça – At 11.25,26 – Saulo de Tarso foi convidado para conduzir o discipulado em Antioquia da Síria

Quarta – At 19.9,10 – O objetivo principal do apóstolo Paulo em Éfeso foi a educação cristã

Quinta – Fp 4.9 – Aprendemos a verdade cristã com os nossos mestres

Sexta – 2 Tm 3.14-17 – A Bíblia é a fonte do discipulado

Sábado – Tt 3.14 – No discipulado aprendemos o funcionamento da vida cristã

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 28:16-20; Atos 2:42-47

Mateus 28:16-20

16. E os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha designado.

17. E, quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.

18. E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra.

19. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;

20. Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.

Atos 2:42-47

42. E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações.

43. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos.

44. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.

45. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister.

46. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração,

47. Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

HINOS SUGERIDOS: 75; 302; 556 da Harpa Cristã

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

A relação mestre e discípulo é modelo bíblico do verdadeiro discipulado. Talvez essa relação seja vista de maneira desconfiada atualmente, pois o olhar de certa parte da sociedade moderna revela desconfiança para qualquer proposta em que veem uma relação de opressão entre mestre e discípulo, professor e aluno. Infelizmente, essas ideias modernas têm descaracterizado o ideal bíblico de discipulado.

O ensino bíblico mostra que é necessário que haja alguém experiente e idônea que ensine e pessoas dispostas a aprenderem com o objetivo de atingir a estatura de varão perfeito (Ef 4.11-14). Na fé cristã, a relação entre o mestre e o discípulo é atemporal. O nosso mestre por excelência é o Senhor Jesus. Espere-se que os crentes mais experientes atuem no sentido de ensinar aos mais novos a imitarem o nosso Senhor e Salvado (1 Co 11.11).

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

INTRODUÇÃO

O discipulado acompanha a pregação do Evangelho desde o principio e é de fundamental importância como base inicial na formação cristã no novo convertido. A forma que a igreja local o desenvolverá somará na formação do caráter cristão para o bem ou para o mal.

Comentário
O que é discipulado?

Durante a Idade de Ouro da Grécia, o jovem Platão podia ser visto caminhando pelas ruas de Atenas em busca de seu mestre: o maltrapilho, descalço e brilhante Sócrates. Aqui, provavelmente, estava o início de um discipulado. Sócrates não escreveu livros. Seus alunos escutavam atentamente cada palavra que ele dizia e observavam tudo o que ele fazia, preparando-se para ensinar a outros. Aparentemente, o sistema funcionou. Mais tarde, Platão fundou a Academia, onde Filosofia e Ciência continuaram a ser ensinadas por 900 anos.

Jesus usou relacionamento semelhante com os homens que ele treinou para difundir o Reino de Deus. Seus discípulos estiveram com ele dia e noite por três anos. Escutavam seus sermões e memorizavam seus ensinamentos. Viram-no viver a vida que ele ensinava. Então, após sua ascensão, confiaram as palavras de Cristo a outros e encorajaram-nos a adotar o seu estilo de vida e a obedecer ao seu ensino. Discípulo é o aluno que aprende as palavras, os atos e o estilo de vida de seu mestre com a finalidade de ensinar outros.

O discipulado cristão é um relacionamento de mestre e aluno baseado no modelo de Cristo e seus discípulos, no qual o mestre reproduz tão bem no aluno a plenitude da vida que tem em Cristo que o aluno é capaz de treinar outros para que ensinem outros.

Um estudo cuidadoso do ensino e da vida de Cristo revela que o discipulado possui dois componentes essenciais: a morte de si mesmo e a multiplicação. São essas as ideias básicas de todo o ministério de Jesus. Ele morreu para que pudesse reproduzir nova vida. E ele requer que cada um de seus discípulos siga o seu exemplo.

Phillip. Keith,. A formação de um Discípulo. Vida Nova. pag. 19-20.

Você realmente é um Discípulo?

Jesus demonstrou seu compromisso para com a seleção de qualidade escolhendo apenas alguns homens dentre a multidão. (Lucas 6:13) “O homem de quem tinham saído os demônios, rogou-lhe que o deixasse estar com ele: Jesus, porém, os despediu dizendo: Volta pra casa e conta aos teus tudo o que Deus fez por ti. Então foi anunciando por toda a cidade todas as cousas que Jesus lhe tinha feito. (Lucas 8:38,39)

Um grande executivo de Recursos Humanos, Ele estava acostumado á revelar grandes lideres de negócios, confidenciou a uma pessoa próxima à única vez, que foi surpreendido. Ele sempre costumava a fazer tirar o paletó e afrouxar o nó da gravata, colocar os pés em cima da mesa e falar de futebol, família, carros ou qualquer outro assunto até que ele via que a pessoa estava à vontade e daí fazia a seguinte pergunta:

– Qual é o objetivo da sua vida?

Ele disse que é impressionante que executivos de alto nível se intimidam diante dessa pergunta.

Certo dia durante uma entrevista com um candidato, depois de ter feito tudo que estava acostumado a fazer, fez a pergunta.

O candidato respondeu sem pestanejar disse: – Ir para o céu e levar comigo o maior numero de pessoas que puder Pela primeira vez na carreira daquele profissional ele disse que ficou sem saber o que dizer.

“Indo ele caminho fora, alguém lhe disse: Seguirte-ei para onde quer que fores. Mas Jesus lhe respondeu: As raposas têm seus covis e as aves do céu ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.

A outro disse Jesus: Segue-me. Ele, porém, respondeu: Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa os mortos sepultar seus próprios mortos.

Tu, porém, vai e prega o reino de Deus” ( Lucas 9 57-60)

Esses homens tinham prioridades erradas ou estavam presos a afetos antigos e por isso foram excluídos. Alguns que quiserem estar com Ele receberam a resposta que não poderiam.

O propósito do discipulado é equipar alguém que morreu para si mesmo a reproduzir noutras pessoas um caráter como o de Cristo.

Você tem um propósito eterno em sua vida?

No alto de uma montanha, três árvores sonhavam com seu futuro.

A primeira disse assim: Quero ser um baú cheio de tesouros.

A segunda disse: Quero ser um grande navio e transportar reis e rainhas.

E chegou a vez da terceira árvore, então ela disse: Quero ficar aqui e ser tão grande que, quando alguém olhar para mim, as pessoas se lembrem de Deus, disse a terceira.

Um dia, lenhadores cortaram as árvores.

Da primeira, fez-se uma manjedoura para animais.

Da segunda, um pequeno barco.

Da terceira, vigas que ficaram jogadas num depósito.

Todas ficaram desiludidas e tristes com seu destino.

Numa bela noite cheia de luz e estrelas, uma mulher colocou seu bebê recém-nascido na manjedoura.

E a primeira árvore viu que guardava o maior tesouro do mundo.

Anos depois, o barco transportava um homem adormecido quando principiou uma tempestade.

O homem levantou-se e disse paz, acalmando a tormenta.

E a segunda compreendeu que levava o rei do Céu e da Terra.

Tempos mais tarde, numa sexta-feira, as vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nelas.

A terceira árvore sentiu-se terrível e cruel.

Mas, no domingo seguinte, ela soube que o homem havia morrido para salvar a humanidade.

As pessoas sempre lembrariam de Deus e de seu Filho quando olhassem para a cruz.

Vimos neste livro varias características de um discípulo verdadeiro onde você pode analisar sua vida se realmente tem sido alguém segundo o coração de Deus ou tem sido um mero frequentador de igreja, mas que na verdade conhece a Deus parcialmente, por intermédio dos outros não tendo verdadeiramente uma intimidade com Deus.

Por muito tempo fui um frequentador assíduo de igreja, mas não havia conhecido Jesus, pois meu caráter era distorcido, eu não me parecia com Jesus era apenas um falsificador do Reino de Deus que parecia ser cristão, mas lá dentro não era de verdade.

Hoje você tem a oportunidade de mudar isto em sua vida, através de uma atitude de fé e de coragem.

Se você deseja hoje se tornar um discípulo de Jesus, gostaria de sugerir uma oração: Diga assim.

Senhor Jesus, eu tenho te conhecido de ouvir falar, mas hoje quero te conhecer de andar contigo, não tenho sido um verdadeiro discípulo, mas quero hoje uma mudança do meu caráter, tenho te conhecido como salvador da minha vida, mas hoje quero te conhecer como o Senhor, dono e único proprietário de minha vida, obrigado pelo perdão dos meus pecados em nome de Jesus, amém.

Que Deus te abençoe ricamente em todas as áreas de sua vida. Você é agora um discípulo e como discípulo tem uma grande obra de Deus a realizar, mãos a obra você tem autoridade para mudar esta geração!

Wesley. Jessé,. Você Realmente é um Discípulo?. Editora No Teu Esconderijo. pag. 85-90.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

PONTO CENTRAL:

Discipular é atuar no crescimento e desenvolvimento do Cristão.

I – O QUE É O DISCIPULADO

O termo “discipulado” vem de “discípulo”, que significa “aprendiz, aluno, seguidor”. Isso vale no âmbito secular e religioso. Qualquer sentido desse termo se aplica ao cristão.

1. O discípulo.

O termo se aplica com frequência nos evangelhos aos seguidores de Jesus (Mt 5.1; Jo 2.12). Disso segue o discipulado, ensino para ser seguidor de Cristo, ou seja, é o ensino bíblico básico para o novo convertido desenvolver-se espiritualmente. Trata-se de instruções que abrangem vários aspectos da vida, na área espiritual, emocional e social. O ministério do ensino ocupa espaço relevante no cristianismo, aparece na lista dos dons da graça de Deus: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino” (Rm12.7).

Comentário

A palavra …… está relacionada a ideia de «disciplina… Isso é muito instrutivo, porque. acima de tudo, dos verdadeiros discípulos requer-se disciplina. Jesus não chamava homens meramente para que O seguissem. Ele exigia que eles renunciassem a tudo. Isso é assim, porque o discipulado envolve questões de vida e morte, porquanto o alvo do mesmo ê a vida eterna (que vide). O presente artigo, portanto, fornece uma detalhada exposição sobre a natureza desse alvo, que é a participação, afinal, na natureza divina. A própria vida cristã é uma disciplina. Quando os homens a reduzem a algo menos do que isso. O cristianismo deixa de ser a religião que foi fundada por Jesus. ~ possível a existência de uma sociedade religiosa na qual as pessoas se reúnem e desfrutam da companhia umas das outras, e até mesmo cumprem algumas boas obras, sem reterem a natureza de um verdadeiro discipulado. Suponho que muitos aspectos da maioria das denominações evangélicas refletem essa situação. em nossos dias.

Características Básicas de um discípulo

1. Um discípulo creu na doutrina de Cristo (João 3 17 A 1 26):

2. Ele passou pela experiência do novo nascimento (João 3:3-5).

3. Ele renunciou a tudo (Mar. 8:34). Notemos que nesse texto Jesus chamou os seus discípulos dizendo-lhes que deviam renunciar ao mundo, a fim de obter a vida eterna, o que incluía o tomar a cruz.

4. O discípulo dedica-se a uma vida de sacrifício, a fim de justificar o dom da vida eterna, que recebeu (Luc, 14:26).

5. Ele dedica-se à vida disciplinada (que vide).

6. Ele é um aprendiz, alguém que está interessado em avançar na doutrina de Cristo (Heb. 6:1 ss).

7. Ele se interessa por ajudar a aumentar o número dos discípulos, em obediência à Grande Comissão (Mat. 28:19,20).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 180-181.

A ideia de discipulado é muito antiga. Era comum entre os gregos, mas raramente mencionada no AT (lCr 25.8; Is 8.16; 50.4), contudo foi um aspecto proeminente no Judaísmo subsequente. Sempre envolveu uma relação entre mestre e aluno. Derivado dos verbos ‘’aprender” o discipulado denotava um processo de aprendizagem, mas seu uso indicava a necessidade de adotar a filosofia, as práticas e o modo de vida do seu professor (cp. Xen. Mem. 1.6.3). A proximidade física do aluno para com seu professor também se encontrava implícita no significado do discipulado, embora haja exemplos em que o significado tenha sido ampliado para incluir alunos separados de seus mestres por séculos (Dio Chrysostrom 38 [55], 3-5; Jo 9.28, onde os judeus contemporâneos de Jesus se declaram discípulos de Moisés).

Discipulado é também um conceito proeminente e importante no NT. João Batista tinha seus discípulos (Mt 9.14), os fariseus os deles (22.16), e até Paulo os seus (At 9.25).

Mais frequentemente, todavia, a palavra “discípulo” era usada para descrever a relação entre Jesus e seus seguidores. No sentido mais amplo ela incluía todos os que criam nele (Jo 8.30,31), ou que vinham a aprender dele (Mt 5.1,2). Em certa ocasião estes discípulos eram muitos (Lc 6.17), e incluíam pessoas de todas as camadas da sociedade, de pecadores a escribas (Mt 8.18; Mc 1.16-20; 2.13-15; Lc 6.14-15; Jo 19.38). Muitos destes eram da Galileia, mas nem todos (Jo 7.3).

A palavra discípulo também era usada de forma restrita, se referindo a um grupo ou a todo círculo de amigos íntimos de Jesus (Mt 10.1; 11.1; Lc 9.54; Jo 6.8), um sinônimo usado com frequência para os Doze.

Todos os discípulos de Jesus eram aprendizes aos quais era exigido que “obedecessem” a sua palavra (Jo 8.31,32); isto significava não apenas que eles ouvissem o que ele dizia, mas também que tinham de adotar seus ensinamentos como seu modo de vida (Lc 6.40; Jo 15.7,8).

Seus ensinamentos cobriam muitos tópicos, mas se resumia em um único mandamento, amor (Jo 13.34); e embora o discipulado tivesse muitas facetas, ele se resumia em um único conceito — obediência a este mandamento (13.35).

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 189.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

2. A Grande Comissão (Mt 28.18-20).

É o nome que se dá à comissão que o Senhor Jesus designou para a evangelização das nações. O verbo “ensinar” em “ensinai todas as nações” (Mt 28.19a), ou: “façam discípulos de todas as nações” (Nova Almeida Atualizada), é mathèteuõ, “fazer discípulo, discipular”. O discipulado não é opção, é mandamento divino para a edificação e crescimento espiritual de cada cristão. Além do discipulado, Ele também ordenou que esses novos discípulos guardem o que aprenderam: “ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado” (Mt 28.20). Ou seja, as doutrinas e os pontos doutrinários que Jesus ensinou. O livro de Atos mostra os apóstolos no cumprimento dessa palavra (At 2.42; 4.1,2:5.21,28).

Comentário

Então observe: [1] Até que ponto a sua comissão é estendida: a todas as nações. “Ide, e ensinai todas as nações”. Não que eles devessem ir todos juntos a todo lugar, mas por consentimento deveriam se dispersar de modo a poderem melhor difundir a luz do Evangelho. Agora isso se mostra claramente como a vontade de Cristo.

Em primeiro lugar, a aliança da peculiaridade, feita com os judeus, deveria agora ser cancelada e abolida. Essa palavra pôs abaixo o muro da divisão, que, por tanto tempo, havia excluído os gentios de uma igreja-estado visível; e, embora os apóstolos – quando foram enviados pela primeira vez – tenham sido proibidos de entrar no caminho dos gentios, agora eles foram enviados a todas as nações. Em segundo lugar, a salvação de Cristo deveria ser oferecida a todos, e ninguém seria excluído, a menos que alguém se excluísse por incredulidade e impenitência. A salvação que eles deveriam pregar é uma salvação comum; qualquer que quiser, venha, e aproveite o beneficio da isenção; porque em Cristo Jesus não há nenhuma diferença entre judeus e gregos.Em terceiro lugar, o cristianismo deve estar entrelaçado com as constituições nacionais, de modo que os reinos do mundo se tornem reinos de Cristo.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 399.

«… Ide, portanto, fazei discipulos … ». Algumas traduções dizem ·ensinai todas as nações». Porém, «fazei discípulos é tradução melhor, embora em Ma t. 13:52 seja usada essa expressão com o sentido de «instruir». O fazer discípulos envolve, em primeiro lugar, a necessidade do evangelismo ou da pregação do evangelho; mas também sub entende um exercício de treinamento e orientação, de forma que esses discípulos sejam melhor firmados e instruídos na plenitude da mensagem das Escrituras Sagradas. A palavra «portanto·, provavelmente é uma glosa, pois é omitida pelos mss Aleph, A E FH KM SU V, Gamma e outros. Todavia e porção muito antiga do texto, por causa do Códex do Vaticano, como também dos mss Delta e Fam Pi. Aglosa é excelente, conforme a maioria dos intérpretes concorda prontamente, porque mostra que essa ação de fazer discípulos dentre todas as nações, repousa na autoridade universal de Cristo.

Por conseguinte, sem importar o que aconteça, algum sucesso está garantido; e o que parece ser fracasso, cm realidade não pode sê-lo. Se tragédias acontecerem, se mártires surgirem, se um tratamento vergonhoso for dado aos pregadores, se desumanidades forem perpetradas contra os discípulos, devemos saber que tudo será por causa de Jesus, e que a vitória e o sucesso final estão plenamente assegurados. Se males forem cometidos contra os discípulos de Cristo ״ o que parece não ter remédio, todavia. Deus curará a tudo, porque cm Cristo está toda a autoridade, não somente neste mundo, mas também no céu. E, assim sendo, dessa promessa flui um rio de paz e de segurança. Da mesma maneira como a horrenda crucificação de Jesus foi prontamente sarada, final e completamente, pela ressurreição, assim também todos os recuos e derrotas dos verdadeiros discípulos serão sarados, porquanto a autoridade de Jesus Cristo garante isso.

«…de todas as nações …» Todas as limitações fronteiriças são aqui removidas, como também se verifica em M a t. 10:5. Assim foi estabelecida a universalidade da comissão apostólica. A questão sobre como os discípulos haveriam de receber de incorporar-se na igreja, ainda não fora respondida; e ainda não haviam sido feitas as revelações, dadas a Paulo, que identificam a igreja como organismo quase totalmente gentílico, uma noiva gentílica, e também aquelas outras que falam da alta chamada dessa igreja, que será transformada completamente segundo a imagem de Cristo. Todas essas coisas haveriam de ser esclarecidas mais tarde e podemos ler acerca delas em trechos como Rom.8; Efé. 1; Col. 1; Heb. 5. O desenvolvimento dessa semente é deixado nas mãos do Espirito Santo, através do ministério dos apóstolos. Todas as nações certamente incluiria os judeus; mas a mensagem não ter ia mais alcance provinciano. Um dos principais temas deste evangelho de Mateus é o de demonstrar a universalidade da mensagem cristã; e este é o trecho central desse tema. Assim sendo, encontramos nesta passagem a grande Magna Carta do empreendimento missionário do cristianismo.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 654.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

3. A educação cristã.

A “doutrina dos apóstolos” (At 2.42) está dentro do corpo doutrinário que Jesus ensinou aos seus discípulos durante o seu ministério terreno e que depois o Espírito Santo se encarregou de orientá-los (Jo 14.26). O currículo de qualquer um dos nossos cursos teológicos constam diversas disciplinas sobre Deus e Jesus, o Espírito Santo e a Trindade; sobre os anjos, o homem e o pecado; sobre a expiação e a salvação, sobre a morte e a ressurreição dos mortos; sobre a sua vinda e a igreja. Jesus falou e ensinou sobre tudo isso e muito mais, como a teologia prática, a ética, aquilo que o cristão deve praticar no seu dia a dia. O ensino, nesse contexto, pode se referir também aos cursos de teologia.

Comentário

Educação Cristã

É a ciência magisterial da Igreja Cristã que, fundamentada na Bíblia Sagrada, tem por objetivos:

a) A instrução do ser humano no conhecimento divino, a fim de que ele volte a reatar a comunhão com o Criador, e venha a usufruir plenamente dos benefícios do Plano de Salvação que Deus estabeleceu em seu amado Filho. O apóstolo Paulo compreendeu perfeitamente o objetivo da Educação Cristã: “Admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo” (Cl 1.28).

b) A educação do crente; para que este logre alcançar a perfeição preconizada nas Sagradas Escrituras: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2T m 3.16,17).

c) A preparação dos santos, visando capacitá-los a cumprir integralmente os preceitos divinos da Grande Comissão: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 T m 2.15).

A Teologia da Educação Cristã

E a ciência teológica que tem por objetivo fundamentar biblicamente o magistério eclesiástico, ordenando sistematicamente suas conclusões, a fim de levar a Igreja, na capacitação do Espírito Santo, a refletir, a conscientizar-se e a cumprir plenamente sua missão pedagógica.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Teologia da Educação Cristã. Editora CPAD. pag. 5-6.

Os vss. 42 e 43 são editoriais, escritos pelo autor sagrado, que se utilizou dos mesmos para vincular duas narrativas separadas, isto é, aquela referente ao dia de Pentecoste e aquela atinente à vida comunal da igreja cristã primitiva, na qual alude às grandes características dessa comunidade.

Após a conversão de um número substancial de judeus, que formou o começo da comunidade cristã primitiva, formou-se definitivamente a igreja, a despeito do fato de que muitos dos primeiros cristãos continuaram sendo judeus devotos (conforme também se depreende de sua adoração no templo de Jerusalém, mencionada no vs. 46). Esses cristãos, em adição à manutenção do antigo modo judaico de adoração, davam ouvidos à doutrina dos apóstolos, que foi o começo da formação de um dogma cristão distinto, com práticas fixadas segundo o exemplo apostólico, baseados sobretudo sobre os ensinamentos do próprio Senhor Jesus, conforme haviam sido preservados pelos apóstolos e outras testemunhas oculares primitivas. (Quanto a maiores detalhes sobre a natureza e o desenvolvimento desse corpo distinto de ensinamentos, que posteriormente se solidificaram e foram canonizados nos diversos livros do Novo Testamento, ver a nota anterior, no primeiro ponto, na introdução a esta secção). A introdução mostra. que esta era uma das características distintivas da primitiva igreja cristã distinguiam-se dos judeus incrédulos seguindo o credo cristão, conforme estava o mesmo contido na doutrina dos apóstolos.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 71.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

SÍNTESE DO TÓPICO I

O vocábulo discípulo no Novo Testamento carrega consigo a ideia de seguidor de Jesus Cristo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

O saudoso e grande educador cristão, Howard Hendricks, escreveu uma obra clássica em Educação Cristã, Discipulado: o Caminho para firmar o caráter cristão. Como o título da obra diz, o discipulado tem a ver com o desenvolvimento do caráter exemplar do cristão para servir ao próximo e influenciá-lo na convivência.

É um mergulho na vida interior que força o discípulo a confrontar consigo mesmo os ideais elevados do Evangelho de Jesus Cristo. E o melhor lugar para se refletir sobre isso na igreja local é a Escola Dominical. Ao introduzir a aula de hoje, lance algumas perguntas para a classe:

1) Em que medida o meu caráter se parece com o de Cristo?

2) Os valores que o Senhor Jesus nos estimula viver é impossível de realizar? (Mt 5.18);

3) Estamos muito ou pouco parecidos com Jesus?

De acordo com as respostas, aproveite esse momento para motivar os alunos a refletirem com seriedade sobre a importância de um verdadeiro discipulado na igreja local.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

II – O TRIPÉ DO DISCIPULADO: PALAVRA, COMUNHÃO E SERVIÇO

Essa trilogia, palavra, comunhão e serviço, era a marca da igreja de Jerusalém logo após o Pentecostes. Isso influenciou a maioria das igrejas de todos os lugares e em todas as épocas e continua valendo atualmente.

1. A Palavra.

A autoridade das Escrituras é singular e única, pois a sua fonte é o próprio Deus; elas foram faladas primeiramente pelos profetas do Antigo Testamento e depois pelos apóstolos do Novo Testamento (2 Pe 3.2). Os primeiros discípulos “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2.42a). Isso quer dizer que eles continuavam no aprendizado sob comando dos apóstolos. Esse ensino se baseava tanto nas Escrituras quanto na própria experiência dos apóstolos, os quais receberam a revelação diretamente de Jesus durante o seu ministério terreno e, depois de Pentecostes, do Espírito Santo (At 1.2-4; 1 Co 2.12,13). Na atualidade, não temos os apóstolos em pessoa conosco, no entanto, eles ainda nos ensinam pela Palavra de Deus, a Bíblia.

Comentário

Que lhes sejam mantidas sempre diante das mentes as palavras dos profetas do Antigo Testamento bem como os mandamentos que lhes foram dados pelos apóstolos do Senhor. Pedro refere-se aos ensinamentos apostólicos como um todo harmônico. Reconhece aqui a unidade e autoridade de toda a Bíblia – do Antigo e do Novo Testamento que estava em processo de formação e conclusão. Ambos fazem parte da revelação única e do plano único à redenção da humanidade.

HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico I e II Pedro. A razão da nossa fé. Editora CPAD. pag. 100.

Ele revela um amor sincero por eles, e uma preocupação fraternal por eles, ao escrever-lhes a mesma coisa, embora de outra forma. Sendo seguro para eles, não deve ter sido penoso para o autor escrever acerca do mesmo tópico, e seguir o mesmo propósito, por aqueles métodos que são os mais prováveis de serem bem-sucedidos. Para tornar mais atraente a questão, ele lhes diz que quer que se lembrem:

(1) “…das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas…”, que eram divinamente inspirados, tanto iluminados quanto santificados pelo Espírito Santo; e, visto que a mente dessas pessoas tinha sido purificada pela operação santificadora do mesmo Espírito, elas estavam mais preparadas para receber e reter o que veio de Deus pelos seus santos profetas.

(2) “…do mandamento do Senhor e Salvador, mediante os vossos apóstolos”; e por isso os discípulos e servos de Cristo devem considerar o que os enviados por Ele lhes declararam com sendo a vontade do seu Senhor. O que Deus falou pelos profetas do Antigo Testamento, e Cristo ordenou por meio dos apóstolos do Novo, precisa ser lembrado frequentemente; e os que transmitem essas coisas vão perceber as qualidades vivificadoras disso. E por essas coisas que a mente pura dos cristãos deve ser estimulada, para que eles sejam ativos e vivificados na obra da santidade, e zelosos e incansáveis no caminho para o céu.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 899.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

2. A Comunhão (At 2.42).

Ter tudo em comum e partilhar da mesma crença é comunhão. A palavra grega koinonia, “comunhão”, significa compartilhar ou participar mutuamente de algum evento comum ou acordo. No Antigo Testamento, a ideia de comunhão diz respeito ao relacionamento da pessoa com o seu próximo (Sl 133.1) e nunca do ser humano com Deus. Embora Abraão tenha sido chamado “amigo de Deus” (Is 41.8; Tg 2.23) e Moisés tenha falado com Deus face a face (Dt 34.10), eles não provaram a mesma comunhão com Deus como os crentes da nova aliança (Jo 15.14). A comunhão no Cristianismo envolve tanto o relacionamento entre os irmãos como também com o Pai, com o Filho (13o 1.3) e com o Espírito Santo (2 Co 13.13).

Comentário

«…e na comunhão… » Eis outra grande característica da primitiva comunidade cristã, a qual é comentada n3 segundo ponto da nota introdutória a esta secção, onde o comentário deve ser consultado. Pode-se examinar esta questão sob os pontos seguintes:

1.Essa sociedade se alicerçava sobre a fé comum em Cristo e no valor de sua morte expiatória (ideia essa igualmente expressa em Fil. 2:1).

2. A palavra comunhão pode indicar cooperação na obra do evangelho (segundo se vê também no trecho de Fil. 1:5), e é indubitável que isso também sucedia nessa comunidade primitiva.

3. «Comunhão», por semelhante modo, é termo usado para indicar as contribuições em prol dos necessitados, como se lê em Cor. 8:4 e 9:13, sendo essa, igualmente, uma característica daquela primitiva comunidade cristã, o que se tornava extremamente necessário, em face das perseguições que privavam famílias de outro modo abastadas, causando penúria entre os membros da comunidade cristã (ver o vss. 44 deste mesmo capítulo).

4. Esse termo, por igual modo, está associado & unidade de espírito e de amor entre os primitivos cristãos, o que era expresso especialmente pelo fato de que partiam juntos o pão, o que envolve o rito comemorativo do sacrifício do Senhor Jesus, na cruz. (Quanto a esse uso da palavra «comunhão», ver também I Cor. 10:16 e I João 1:3-7).

O trecho de I João 1:3-7 demonstra que a verdadeira comunhão, no sentido eminentemente cristão, só é possível quando se mantém relações corretas com Deus, especialmente no tocante à santidade, à pureza e à conduta espiritual correta na vida. Qualquer coisa menos que isso interrompe o companheirismo e a comunhão com Deus, e isso, por sua vez, interrompe 0 verdadeiro companheirismo entre os crentes. Quando o pecado penetra no acampamento dos santos, como o orgulho, o desejo de poder, a desconsideração para com 0 próximo, etc., primeiramente se parte a comunhão com Deus, e então, não muito depois, a comunhão entre os irmãos, porquanto o pecado é um elemento deletério.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 71.

Os crentes se dedicam à “comunhão”. A palavra “comunhão” (koinonia) expressa a unidade da igreja primitiva. Nenhuma palavra em nosso idioma traduz seu significado completamente. Comunhão envolve mais que um espírito comunal que os crentes compartilham uns com os outros. É uma participação comum em nível mais profundo na comunhão espiritual que está “em Cristo”. No lado humano, os crentes partilham uns com os outros, mas a qualidade da comunhão é determinada pela união com Cristo. Eles foram chamados à comunhão com Ele e participam juntamente na sua obra salvadora. Sua participação mútua nEle é efetuada pelo Espírito Santo (2 Co 13-13), e, “assim, se torna uma comunhão do Espírito Santo. E onde estão 0 Filho e o Espírito, está também o Pai, portanto, é uma comunhão com o Pai” (Rackham. 1953, p. 35). Estes primeiros discípulos são um pela fé em Jesus Cristo e pela comunhão uns com outros. Eles expressam amor e harmonia. Eles estão unidos de mente e coração.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 639-640.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

3. A comunhão na igreja de Jerusalém (2.44).

A igreja de Jerusalém, logo nos seus primeiros dias, deu ao mundo uma lição de koinonia, o que o texto sagrado diz é que não se trata apenas de compartilhar algo, mas também de unidade (At 4.32). “Coração” diz respeito ao centro da vida, a mesma inclinação. “Alma” é a sede das emoções, fala dos mesmos afetos e sentimentos (Fp 2.3; 1 Jo 3.16-18). Todos os crentes tinham o mesmo propósito, a mesma esperança, servindo ao mesmo Senhor.

Comentário

Os discípulos amavam uns aos outros afetuosamente.

Oh! Quão bom e quão suave é (SI 133.1) ver que era um o coração e a alma da multidão dos que criam (v. 32) e que não havia discórdia nem divisão entre eles. Observe aqui:

1. Havia multidões que criam (v. 32). Até em Jerusalém, onde a influência maléfica dos principais dos sacerdotes era muito forte, houve quase três mil convertidos em um dia e quase cinco mil em outro (cap. 2.41; 4.4). Além destes, todos os dias acrescentava o Senhor à igreja (cap. 2.47). É claro que todos eram batizados e possuíam a mesma confissão da fé, pois o mesmo Espírito que dotou os apóstolos com ousadia para pregar a fé de Cristo, dotou aqueles com ousadia para confessá-la. Veja que o crescimento da igreja é a sua glória e que a multidão dos que criam é mais que a sua qualidade. Agora a igreja resplandece e vem à luz, quando os convertidos vêm voando como nuvens ao seu seio e como pombas, às suas janelas (Is 60.1,8).

2. As multidões eram todas de um coração e de uma alma (v. 32). Embora houvesse muitos e numerosos indivíduos de diferentes idades, temperamentos e posições sociais no mundo que, talvez, antes de crerem eram completamente estranhos, quando se encontraram em Cristo, aproximaram-se uns dos outros como se fizesse muitos anos que se conheciam. Talvez proviessem de diferentes seitas judaicas, ou houvessem, antes da conversão, tido discórdias em questões civis. Mas agora tudo isso foi esquecido e abandonado. Eles eram unânimes na fé cujo fundamento era Cristo. Pelo fato de todos terem sido unidos ao Senhor, eles se uniram uns aos outros em amor santo. Este era o fruto santo da lei que Jesus, poucas horas antes da crucificação, deu aos discípulos: Que vos ameis uns aos outros (Jo 13.34), e de sua oração por eles quando estava para morrer: Para que todos sejam um (Jo 17.21). Temos motivos para supor que eles se dividiram em diversas congregações, ou assembleias de adoração, conforme se situavam suas residências, sob a responsabilidade de seus respectivos ministros. Mesmo isso não ocasionou ciúme ou inquietação, porque eram de um coração e de uma alma e amavam os membros de outras congregações tão verdadeiramente quanto os membros de suas próprias congregações. Esta era a situação que então vigorava e não percamos a esperança de vê-la novamente, quando o Espírito do alto for derramado sobre nós.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 44.

Crentes cheios do Espírito têm o coração aberto e o bolso também. O amor não consiste naquilo que falamos, mas no que fazemos. A comunhão passa pelo compartilhar. A unidade da igreja transformou-se em solidariedade. Pessoas eram mais importantes do que coisas, pois os crentes adoravam a Deus, amavam as pessoas e usavam as coisas. John Stott destaca que a venda de propriedades era voluntária e esporádica, à medida que surgia a necessidade de dinheiro. Adolf Pohl diz que aqui não se ensaiava um novo modelo social nem se definia um novo “conceito de propriedade”.

William Barclay é claro nesse ponto: “A sociedade chega a ser verdadeiramente cristã não quando a lei nos obriga a repartir, mas quando o coração nos move a fazê-lo”.

O reformador João Calvino, já no século XVI, ao analisar o texto em questão, escreve de forma vívida: Seria preciso que tivéssemos corações mais duros do que o aço para não sermos tocados pela leitura desta narrativa. Naqueles dias os crentes davam abundantemente daquilo que era deles; hoje, não nos contentamos em guardar egoisticamente aquilo que é nosso, mas, insensíveis, queremos roubar os outros. Eles vendiam os seus próprios bens naqueles dias; hoje, é o desejo de possuir que reina supremo. Naquele tempo, o amor fez com que a propriedade de cada homem se tornasse a propriedade comum para todos os necessitados; hoje, a desumanidade de muitos é tão grande que de má vontade concedem que o pobre more nesta terra e desfrute a água, o ar e o céu juntamente com eles.

LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 112-113.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

4. O Serviço.

Trata-se de um termo de significado amplo nas Escrituras Sagradas. O termo, visto isoladamente, quer dizer um trabalho realizado para alguém ou algo seguindo as suas instruções. O termo no Antigo Testamento se relaciona, na maioria das vezes, aos sacerdotes no santuário e também a qualquer pessoa temente a Deus (Js 24.15). Na primitiva igreja de Jerusalém, o serviço cristão está representado sumariamente na perseverança no ensino dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (At 2.42-47). É isso que Deus espera de cada um de nós no cumprimento da Grande Comissão.

Comentário

SERVIÇO

A principal palavra hebraica a ser considerada é abodah, que ocorre por cerca de cento e vinte vezes, de Gên. 29:27 a Eze. 44:14. Há pelo menos quatro outros sinônimos hebraicos, todos com o mesmo sentido. No grego, precisamos levar em conta quatro palavras, alistadas abaixo:

1. Douleía, «serviço escravo», que ocorre em Rom. 8:15,21: Gál. 4:24; 5:1 e Heb. 2:15.

2. Diakonía, «ministração», «serviço», que aparece po írinta e três vezes: Luc. 10:40; Atos 1:16,25; 6:1,4; 11 29:12:25. 20:24. 21:9; Rom. 11:13 12:7; 15:31; I Cor. 12:5; 16:15; II ta. 3.7-9: 1-1. 5:18 6:3; 8:4; 9:1,12,13; 11:8; Efé. 4:12; Col. 4.17; I Tim II Tim. 4:5,11; Heb. 1:14 e Apo. 2:19.

3. Latreía, «serviço reverente ou religioso*, que aparece por cinco vezes: João 16:2; Rom. 9:4; 12 1: Heb. >J:1,6.

4. Leitourgía, «serviço público» que é usada po’ seis vezos1 Luc. 1:23; II Cor. 9:12; Fil. 2:17,30; HeL. 8.6 9:21

Naturalmente, nessa exposição aas palavras usadas, estamos apresentando somente os substantivos e não os verbos respectivos.

Os conceitos bíblicos proeminentes, acerca do serviço, são de natureza religiosa, ainda que também haja alusões ao serviço meramente secular. Porém, o conceito atinge seu clímax no aspecto espiritual do serviço cristão, conWme se vê abaixo:

1. Serviço Secular. A primeira referência a esse tipo de serviço diz respeito ao serviço prestado por Jacó a Labão em troca de suas esposas (Gên. 30:26-29). A próxima alusão é ao serviço prestado por José ao Faraó (Gên. 41:46). Em seguida, temos menção ao trabalho escravo bem conhecido prestado pelos israelitas, no Egito, antes do êxodo, que fez «amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo; com todo o serviço em que na tirania» eles serviam (Êxo. 1:14). Jamais esquecido dessa dura servidão, Moisés determinou leis que proibiam a escravidão de israelitas por outros israelitas, e que regulamentavam o serviço de trabalhadores assalariados (Lev. 25:52). Um outro tipo de serviço secular era o serviço militar (Núm. 4:30,35,39,43; 31:12; II Tim. 2:4). Um belo exemplo de serviço doméstico foi aquele de Marta, que servia as mesas (Luc. 10:40; João 12:2).

2. Serviço Ritual. Dentre as duas variedades de serviço religioso, a mais antiga é a da adoração, vinculada ao sacerdócio, ao tabernáculo, ao altar ou ao templo de Jerusalém. O Antigo Testamento contém numerosas referências a esse tipo de serviço. Moisés intitulou a páscoa de serviço memorial (Êxo. 12:25 ss; 13:5). As taxas cobradas por ocasião do recenseamento eram investidas no custeio da adoração na tenda da congregação (Êxo. 30:16). Moisés consagrou os levitas para que servissem ao Senhor (Exo. 32:29). Dos levitas procediam os sacerdotes responsáveis pela «tenda da congregação e o santuário» (I Crô. 23:32; cf. Núm. 8:11,15), e para fazerem «o sen/iço dos filhos de Israel na tenda da congregação» (Núm. 8:19; cf. 8:24-26; 16:9; 18:4-6; 21-23,31). Esse serviço sacerdotal atingiu um ponto culminante notável na época de Zacarias (Luc. 1:23). Não somente o ato de adoração era chamado «serviço», conforme acontece até os nossos dias, mas também estavam envolvidos «todos os utensílios do serviço do tabernáculo, para a tenda da congregação» (Êxo. 39:40).

3. Serviço Espiritual. A medida que a revelação divina foi progredindo, o serviço foi adquirindo um sentido mais amplo e novo. O serviço cristão, por exemplo, requer uma dimensão horizontal, isto é, de homem para homem….tal como o Filho do homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos» (Mat. 20:28). Desse modo, Jesus estabeleceu exemplo e precedente para serem seguidos por todos os seus discípulos, de todas as épocas. Jesus nos deixou esse exemplo sobretudo em sua vida, morte e drama (João 13:3-17). Declarou ele: «Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará» (João 12:26). Os cristãos primitivos não tardaram a apreender o conceito ensinado por Jesus, de um total serviço religioso, incluindo o evangelismo e a ação missionária. Paulo esclareceu: «E também há diversidade nos serviços…» (I Cor. 12:5). Esse apóstolo chegou a agradecer a Jesus Cristo. «Sou grato para com aquele que me fortaleceu, a Cristo Jesus nosso Senhor, que me considerou fiel, designando-me para o ministério» (I Tim. 1:12), e se ufanava de seus cooperadores, nesse serviço cristão. Ver II Cor. 8:23. É muito apropriado que a primeira ordem de serviçais cristãos, que apareceu logo depois dos apóstolos, tenha sido a dos diáconos (Atos 6:1 ss). Que esse serviço não era apenas secular, apesar de terem sido escolhidos para servir às mesas, se depreende do fato de que Paulo deixou instruções claras, altamente espirituais, acerca da escolha dos diáconos, em I Tim. 3:8-13.

No original grego, é diakortia, que normalmente quer dizer, nc N.T., serviço espiritual, embora algumas vezes seja indicação das ministrações físicas aos enfermos e necessitados. Porém, até mesmo essa ministração física é de ordem espiritual, pois servir a outros dessa maneira, na realidade, é servir a Cristo, conforme encontramos em Mat. 25:35 e ss. (Ver ainda Atos 1:25; 6:4; 20:24; Rom. 11:3; I Tim. 1:12; II Tim. 4:5,11, quanto a outras ocorrências dessa palavra.) O «trabalho do ministério» é limitado neste contexto àquilo que é realizado em favor da igreja, através do exercício dos dons ministeriais, embora a menção dos «evangelistas» mostre que o trabalho entre os não-convertidos também é um aspecto vital para a igreja.

Efé. 4:12 não se refere a «ofícios eclesiásticos e suas funções», porquanto nada tão formal está em pauta aqui. Destacam-se aqui meramente os ministérios espirituais na igreja, que visam o benefício mútuo que nos é apresentado como o ideal. São focalizados aqui, tanto o ministério público como o particular, no seio da igreja, pois os dons são exercidos com toda a naturalidade. Quem quiser ser grande, que seja o escravo de todos, um serviço de instrumento dedicado ao Senhor, conforme o próprio Senhor Jesus indicou em Mat. 20:26. O Senhor Jesus foi o exemplo supremo de como se deve ser um servo (ver Mat. 20:28), porquanto veio para servir e não para ser servido.

Porém, os diáconos foram apenas o começo de um serviço ministerial diversificado. Mais tarde, o Espírito do Senhor inspirou a Igreja primitiva a desdobrar o ministério apostólico. Referindo-se a isso, ensina Paulo, em Efésios 4:11-13: «E ele mesmo (Cristo) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos, para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo…» Essa passagem, juntamente com seus paralelos, mostra-nos o alvo do serviço cristão, que é elevadíssimo. Somos cooperadores do Senhor, quando ministramos fielmente, contribuindo, cada um com sua parcela, para levar a bom termo o plano de Deus relativo a sua Igreja.

Esse plano é que todos os remidos tragam estampada, em suas próprias pessoas, a natureza divina do Filho bendito de Deus. Ver também II Cor. 3:18 e II Ped. 1:3,4. Não há serviço tão exaltado, e de tão imensas consequências, como o serviço que prestamos ao Senhor Jesus Cristo! Essa é uma das glórias do ministério cristão!

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 5278-5279.

SERVIÇO Na Bíblia Sagrada, os termos “serviço” e “servo” são usados no sentido de servir e ministrar. A escravidão ou serviços forçados são atestados desde os tempos mais remotos por todo o Oriente Próximo. O trabalho escravo era utilizado principalmente pelas famílias ricas, e também em projetos reais de construção, como a construção das irâmides no Egito, e, das cidades-armazém os Faraós antes do Exodo.

Na Palestina e na Síria, o escravo era geralmente um servo doméstico e nâo um trabalhador agrícola ou industrial. As tábuas de Alalakh na Síria mostram que um senhor tinha no máximo três escravos nos séculos XVIII e XV a.C. Os grandes proprietários de terras como os da Babilónia e da Assíria parecem ter preferido os trabalhadores livres á mão de obra escrava (I Mendelsohn, “On Slavery in Alalakh”, IEJ, V 11955], 65-72).

O preço médio dos escravos subiu gradativamente, como ocorreu com o preço de outras “mercadorias” durante o 2′ e o Ia milénio a.C. Para conhecer a notável correspondência entre os preços dos escravos mencionados nas Escrituras, e aqueles que estão registrados nas inscrições contemporâneas aos fatos bíblicos, veja a obra ae K, A. Kitchen, “Slave”, NBD, p. 1196.

O verbo hebraico mais frequente para “servir” é ‘abad, “trabalhar1’, “trabalho” (Ex 5.18; 20,9; 34.21), Ele geralmente significa servir a um senhor na condição de escravo (Êx 21.6; Dt 15.12,18 Jr 34.14), mas o substantivo ‘ebed além de “escravo” tem uma variedade de significados.

Por exemplo, em 2 Samuel 9.2a Ziba foi servo ou contratado de Saul; no verso 10, os vinte servos de Ziba eram homens escravos, e nos w. 2b, 11 “teu/seu servo” é uma expressão educada que demonstra humildade.

Devido ao poderoso controle do rei, a palavra ‘ebed também se refere àqueles que estão sujeitos ao seu controle, especialmente os seus mercenários, oficiais, e ministros, aqueles que se juntaram ao seu serviço.

O termo heb, na‘ar, “moço”, “servo” sugere que os assistentes eram normalmente jovens e solteiros (Gn 22.3; Nm 22.22; Jz 7.10ss.).

O verbo sharat significa “ministrar”, servir de uma formjyiessoal, assim como Josué ajudou Moisés (Ex 24.13; 33.11), A escrava ou criada era chamada de shipha (por exemplo, Agar Gn 16.1; 25.12) ou ’ama (Gn 20.17; Êx 23.12), cuja posição era frequentemente ade uma concubina ao seu senhor.

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1805-1806.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

SÍNTESE DO TÓPICO II

O tripé do discipulado bíblico é composto de Palavra, Comunhão e Serviço.

SUBSÍDIO DE TEOLOGIA PRÁTICA

“O Discipulado Contribui para Compreender a dimensão Sócio comunitária e a Formação de uma Nova Identidade. Além de muitas figuras e metáforas encontradas nas Escrituras sobre a Igreja, ela também é apresentada como uma família. A entrada ou a chegada de um novo discípulo na congregação resulta, dentre tantos outros benefícios espirituais, no desenvolvimento da autoestima e da auto aceitação.

Outro enorme benefício é o processo terapêutico desenvolvido pela ação efetiva de tornar-se parte de algo que possui reconhecido valor moral, psicossocial e espiritual. Por causa desse extraordinário benefício provocado pelo ato de aceitação da igreja, ao receber pessoas das mais variadas classes sociais, a igreja é interpretada por muitos como a última fronteira de espaço para uma identidade genuína e pessoal. Um novo discípulo, ao estar integrado em uma congregação, poderá dizer: ‘Estou feliz com a minha nova família’.

A Bíblia diz: ‘Deus faz com que o solitário viva em família’ (Sl 68.6)” (SILVA, Rayíran Batista da. O Discipulado Eficaz e o Crescimento da Igreja. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p.35).

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

III – O DISCIPULADO E O CRESCIMENTO SADIO DA IGREJA

A igreja precisa do processo do discipulado para cumprir o propósito da Grande Comissão. Não se trata de opção, é ordem de Jesus para a edificação e crescimento espiritual de cada cristão.

1. O crescimento espiritual.

O processo do discipulado tem por objetivo instruir o novo convertido sobre os vários aspectos da vida cristã. Todas as pessoas que vêm a Cristo precisam ser discipuladas, isso porque elas se tornaram novas criaturas (2 Co 5.17) e passam a viver uma nova experiência (Rm 6.A). Elas precisam ser ensinadas para o seu crescimento espiritual e amadurecimento na fé: “crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo” (2 Pe 3.18). Esse é o crescimento espiritual e sadio.

Comentário

Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno. Em vez de dar atenção às heresias dos escarnecedores, os crentes são desafiados a se apegarem ainda mais à Palavra. Quanto mais os crentes se alimentarem da Palavra, mais crescerão na graça e no conhecimento de Jesus Cristo. Quanto mais conhecermos a Cristo, mais cresceremos na graça. O conhecimento de Cristo é a raiz; a graça é o fruto. Não se trata apenas de conhecer um dogma, mas de conhecer uma Pessoa. Não é conhecimento a respeito de alguém, mas intimidade com esse alguém. Não se trata de conhecer qualquer pessoa, mas a Pessoa bendita de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O conhecimento não é apenas teórico, mas experimental. Há aqui um equilíbrio fundamental: conhecimento e graça; mente e coração, verdade e experiência. O conhecimento sem a graça é uma arma terrível, e a graça sem o conhecimento pode ser extremamente superficial. Combinando os dois, porém, temos uma ferramenta maravilhosa para edificar outras vidas e a igreja. Devemos sempre manter o equilíbrio entre a adoração e o serviço, entre a fé e as obras.

LOPES. Hernandes Dias. 2 Pedro e Judas. Quando os falsos profetas atacam a Igreja. Editora Hagnos. pag. 98.

Para ajudar-nos a não desviar do caminho certo, o apóstolo orienta sobre o que fazer (v. 18). (1) Precisamos crescer na graça. No início da epístola ele nos exortou a acrescentarmos uma graça à outra, e aqui nos aconselha a crescermos em toda graça, na fé, na virtude, e no conhecimento. Quanto mais forte for a graça em nós, tanto mais fortes e estáveis seremos na verdade. (2) Precisamos crescer no “…conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. “Continuem crescendo no conhecimento do Senhor. Esforcem-se para conhecê-lo de forma mais clara e mais ampla, para conhecer mais de Cristo a fim de que lhes seja mais útil, para que assim vocês sejam mais semelhantes a Ele e o amem mais”. Esse é o conhecimento de Cristo que o apóstolo Paulo perseguia e desejava que os outros obtivessem (Fp 3.10). Esse conhecimento de Cristo, como o que nos torna mais conformes a Ele, e o torna mais precioso para nós, certamente é de grande utilidade para guardar-nos de cair em tempos de apostasia geral; e os que experimentam esse efeito do conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo vão agradecer, depois de receberem tal graça dele, e vão louvá-lo, e se juntar ao nosso apóstolo, dizendo: “A ele seja dada a glória, assim agora como no dia da eternidade. Amém!”

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 906.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

2. O crescimento numérico.

O processo do discipulado proporciona à igreja, além do crescimento espiritual, o crescimento numérico (At 9.31). Note que o propósito da terceira a viagem do apóstolo Paulo não foi para plantar igrejas locais, mas para discipular e ensinar a igreja de Éfeso, formar e treinar obreiros para a seara do Senhor. Ele ficou ali durante três anos (At 18.22,23; 19.1; 20.31).

Comentário

Deus abençoou as igrejas com aumento de membros: Elas se multiplicavam (v. 31). Às vezes, a igreja se multiplica mais quando passa por aflições, como ocorreu com Israel no Egito. Mas se sempre fosse assim, os santos do Altíssimo acabariam sendo exterminados. Em outros períodos de tempo, a paz contribui para o seu crescimento, à medida que aumenta a oportunidade de ministros e incentiva aqueles que, a princípio, têm medo de sofrer. Ou, quando as igrejas andavam no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo, elas se multiplicavam. Os que não são ganhos pela palavra podem ser ganhos pela conversa e intercâmbio social com professores.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 101.

9.31). Lucas passa dos trabalhos de Saulo para a missão de Pedro aos gentios resumindo o estado da expansão da Igreja. A “igreja” (palavra no singular, ARA) se refere às igrejas na Judéia, Samaria e Galileia como um corpo espiritual. Todos os crentes pertencem a uma irmandade. A Igreja já avançou na terra dos judeus, e Lucas logo se concentrará na nova fase da missão da Igreja sob a direção constante do Espírito Santo — as regiões litorâneas de Lida e Jope (At 9-32-43) e, depois, Cesaréia (At 10.1—11.18).

A Igreja desfruta de paz visto que a perseguição cessou. A ausência de sofrimentos permite os crentes pela ajuda do Espírito a construir a Igreja espiritual e numericamente. A fé é fortalecida e o modo de vida dos crentes é determinado pelo temor reverente ao Senhor. Eles são ajudados pela consolação (paraklesis) do Espírito Santo. Isto é, o Espírito inspira a pregação e ensino ungidos, de forma que a Igreja é enriquecida e seu número cresce.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 678.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

3. O exemplo da igreja de Antioquia da Síria.

O público da igreja de Antioquia era gentio, identificado como “gregos” (At 11.20,21). Os apóstolos de Jerusalém enviaram Barnabé para discipulá-los (At 11.22). Ao se deparar com um grupo de gregos convertidos, ele concluiu que ninguém seria melhor do que Saulo para ensinar esses novos crentes de costumes estranhos. Barnabé não hesitou em buscá-lo em Tarso para essa nobre tarefa (At 11.25). Eles discipularam a igreja durante um ano inteiro. Assim, desde muito cedo na história do Cristianismo, a igreja se preocupa com o discipulado, pois fazer discípulo não é a mesma coisa que fazer membro de igrejas.

Comentário

Barnabé parece ter exercido considerável influência sobre Paulo, e desde o princípio tiveram várias associações, tendo viajado juntos em jornadas missionárias. Paulo não demorou, entretanto, a ultrapassar a Barnabé em poder e autoridade, pois ele era, verdadeiramente, o apóstolo dos gentios. No entanto, Barnabé participou da formação de Paulo, pois é com frequência que um personagem de menor envergadura se mostra importantíssimo na formação de um homem verdadeiramente grande. Barnabé, tal como Pedro e a maioria dos oficiais da igreja de Jerusalém, tinha seus preconceitos judaicos* pois era um «levita» (Atos 4:36), estando, presumivelmente, intimamente associado à corren te principal do pensamento judaico; mas foi capaz, a exemplo de Paulo e Pedro, de desligar-se desses preconceitos, tendo-se feito poderoso ministro do evangelho entre os gentios*. Contudo, à semelhança de Pedro, em ocasião posterior, fez algumas concessões desnecessárias às pressões dos judaizantes, e, temporariamente pelo menos, negou o seu conhecimento recém-adquirido sobre como Deus não faz acepção de pessoas. Por causa desse retrocesso, tanto Barnabé como Pedro foram severamente criticados por Paulo. (Ver Gál. 2:13).

A igreja-mãe de Jerusalém agia como coordenadora e inspetora da obra inteira do cristianismo. Alguns intérpretes têm considerado a questão da necessidade de inspeção por parte dos apóstolos, direta ou indireta, sobre a obra entre os gentios, pensando que isso teria sido um tema «artificial» de Lucas, isto é, contradito por tudo quanto se sabe acerca da autoridade apostólica, acerca de como se expandiu a igreja, antes da destruição de Jerusalém. O poder da igreja-mãe, entretanto, era perfeitamente real, embora a autoridade dos apóstolos em nada se assemelhasse à autoridade dos «bispos», como se vê hoje em dia. Pois os apóstolos agiam muito mais como uma força orientadora, aconselhadora. O trecho de Gál. 2:11-13 e os decretos apostólicos, do décimo quinto capítulo do livro de Atos, deixam claro que a igreja de Jerusalém realmente reivindicava possuir autoridade sobre as igrejas de outras regiões, incluindo a Síria e a Cilícia.

«Realmente não há nenhuma dificuldade em supormos que Barnabé, que já era figura proeminente da igreja de Jerusalém, tenha sido enviado para investigar as atividades de seus compatriotas cipriotas». (G.H.C. Macgregor, in loc.).

A seleção de Barnabé, para levar a efeito essa obra, mostra-nos bem claramente que a igreja de Jerusalém não queria usar de severidade, mas antes, de gentileza e de cautela, para com os labores cristãos entre os gentios. (Quanto a outras notas expositivas sobre «Barnabé», em contraste e comparação com Paulo, ver o vigésimo quarto versículo deste mesmo capítulo).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 237.

1. A igreja que estava em Jerusalém (v. 22) enviou Barnabé até Antioquia para cuidar desta igreja recém-nascida, fortalecer as mãos dos pregadores e do povo e dar fama à causa de Cristo naquela localidade.

(1) A igreja que estava em Jerusalém (v. 22) ouviu a excelente notícia de que o evangelho fora recebido em Antioquia. Os apóstolos tinham o desejo de saber como a obra estava indo nos países circunvizinhos. É provável que mantivessem correspondência com todas as regiões onde os pregadores estavam, de forma que afama destas coisas, do grande número de pessoas convertidas em Antioquia, logo chegou […] aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém. As pessoas que estão em posições mais eminentes na igreja devem preocupar-se com as que estão em esferas mais baixas.

(2) A igreja que estava em Jerusalém (v. 22) enviou sem demora Barnabé até Antioquia, Eles desejavam que ele fosse, ajudasse e incentivasse este início esperançoso. Eles o enviaram como emissário deles e representante do corpo inteiro para felicitá-los pelo sucesso do evangelho entre eles, como assunto de alegria para pregadores e ouvintes, e com ambos eles se alegraram. Ele tem de ir até Antioquia. Era um longo caminho, mas, mesmo que ficasse longe, ele estava propenso a empreender a viagem em prol de um serviço público. É provável que Barnabé tivesse um talento próprio para este tipo de trabalho, fosse disposto e sociável, gostasse de estar em movimento e tivesse grande prazer em fazer o bem no estrangeiro como outros tinham em fazer o bem em seu próprio país. Ele era como muitos são do espírito de Zebulom, que se alegrava nas suas saídas, como outros são do de Issacar, que se alegrava nas suas tendas (Dt 33.18). Sendo este o seu talento, ele era o mais adequado para ser empregado neste trabalho. Deus dá vários dons para vários serviços.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 120.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

SÍNTESE DO TÓPICO III

O verdadeiro discipulado contribui para o crescimento espiritual e numérico da igreja.

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“O discipulado eficaz estabelece a relação adequada entre a obra da treliça e a obra da videira: As igrejas tendem em direção à institucionalização, pela qual o foco muda da videira [orgânico] para a treliça [estrutura]. Em vez de fomentar o crescimento moral-espiritual dos discípulos, focaliza-se na manutenção de programas e estruturas eclesiásticas. A história é uma fiel testemunha do que ocorreu na igreja cristã a partir do quarto século d.C.

Por mais de 1200 anos, a maioria absoluta da igreja viveu distanciada do verdadeiro Evangelho, até que veio a Pré-Reforma, seguida da Reforma Protestante, como proposta de voltar a posicionar a igreja nos trilhos do Evangelho de Jesus Cristo.

Em parte, essa realidade também ocorre com muita frequência na história de cada igreja local. Por falta de investimento na vida espiritual das pessoas (obra da videira), enfatiza-se a manutenção de estruturas físicas e programas eclesiásticos (obra da treliça), causando, assim, enormes prejuízos ao corpo de Cristo e, além disso, impedindo-o de cumprir na terra a verdadeira missão.

Novas treliças (estruturas) devem ser criadas assim como antigas treliças devem ser ampliadas e restauradas, mas tão somente para servir a sustentação à videira, que deve continuar merecendo a principal atenção e continuar crescendo” (SILVA, Rayíran Batista da. O Discipulado Eficaz e o Crescimento da Igreja. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p.39).

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

CONCLUSÃO

Deus tem interesse no bem-estar social e espiritual do ser humano. Isso vale para igreja e para a sociedade. A educação com base nos princípios cristãos é importante porque, além dos valores espirituais, contribui na construção de uma sociedade civilizada. A base dos valores morais e espirituais é a Bíblia.

12 Lição 1 Tri 21 A Urgência do Discipulado

PARA REFLETIR

A respeito de “A Urgência do Discipulado”, responda:

A quem se aplica o termo “discípulo” nos evangelhos?

O termo se aplica com frequência nos evangelhos aos seguidores de Jesus (Mt 5.1; Jo 2.12).

O que é a Grande Comissão?

É o nome que se dá à comissão que o Senhor Jesus designou para a evangelização das nações.

O que envolve a comunhão no Cristianismo?

A comunhão no cristianismo envolve tanto o relacionamento entre os irmãos como também com o Pai, com o Filho (1 Jo 1.3) e com o Espírito Santo (2 Co 13.13).

Qual o objetivo do processo do discipulado?

O processo do discipulado tem por objetivo instruir o novo convertido sobre os vários aspectos da vida cristã.

Qual foi o propósito da terceira viagem missionária do apóstolo Paulo?

O propósito da terceira a viagem do apóstolo Paulo não foi para plantar igrejas locais, mas para discipular e ensinar a igreja de Éfeso, formar e treinar obreiros para a seara do Senhor. Ele ficou ali durante três anos (At 18.22,23; 19.1; 20.31).

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.


1 – A Pessoa do Espírito Santo

2 – A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção


3 – O Batismo no Espírito Santo

4 – A Atualidade dos Dons Espirituais

5 – Fruto do Espírito: o Eu Crucificado


6 – Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito


7 – Cultuando a Deus com Liberdade e Reverência

8 – Comprometidos com a Palavra de Deus


9 – Vivendo o Fervor Espiritual

10 – O Senhor Jesus Cura Hoje


11 – Compromissados com a Evangelização

Estaremos apresentando conteúdo diferênciado aos professores que estaram usando nossas ferramentas (Site, Grupo do Telegram e Facebook). Vamos usar todo material disponivel para fazer a obra do Senhor Jesus.

Faça parte do nosso grupo no telegram

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é telegram.jpg

Faça parte do nosso grupo no facebook

O atributo alt desta imagem está vazio. O nome do arquivo é Facebook.jpg

Please follow and like us:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *