12 LIÇÃO 2 TRI 22 A BONDADE DE DEUS EM NOS ATENDER

 

12 LIÇÃO 2 TRI 22 A BONDADE DE DEUS EM NOS ATENDER

 

12 LIÇÃO 2 TRI 22 A BONDADE DE DEUS EM NOS ATENDER

 

TEXTO ÁUREO

 

“Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” (Mt 7.11)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

Deus é um Pai amoroso que concede aos seus filhos aquilo que realmente é bom para eles

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Lc 11.9 A bondade do Pai em atender seus filhos

 

Terça – Lc 11.9-10 O Pai bondoso nos concede o Espírito Santo

 

Quarta – Lc 11.11-13 Somos maus, mas suprimos as necessidades de nossos filhos

 

Quinta – Mt 22.37-38 Ame a Deus com todo o teu coração, alma e pensamento

 

Sexta – Mt 22.39 Ame ao próximo na mesma dimensão de si mesmo

 

Sábado – Sl 145.13 Deus é bondoso em tudo que faz

 

 

Hinos Sugeridos: 126, 131, 232 da Harpa Cristã

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

 

Mateus 7.7-20

 

7 – Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.

 

8 – Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre.

 

9 – E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão ao seu filho, lhe dará uma pedra?

 

10 – E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?

 

11 – Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?

 

12 – Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.

 

13 – Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;

 

14 – E porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.

 

15 – Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.

 

16 – Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem -se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?

 

17 – Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus.

 

18 – Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons.

 

19 – Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.

 

20 – Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

Na lição deste domingo, veremos um dos atributos de Deus ressaltados por Jesus no Sermão Monte: a bondade. Ele é um Pai amoroso que concede aos seus filhos aquilo que é essencial para sua subsistência. A bondade do Pai também é revelada a nós mediante o sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário. Quando o buscamos em oração, Ele nos atende, ajuda e socorre pela sua bondade. Pela sua bondade somos instados a entrar pela porta estreita e estar cuidadosos a respeito dos falsos profetas. O que seria de nós se Deus não olhasse-nos com bondade, misericórdia e amor, pessoas tão imperfeitas?

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Compreender o significado da bondade de Deus;

II) Conscientizar de que só existem dois caminhos;

III) Advertir contra a mentira dos falsos profetas.

B) Motivação: Você reconhece a bondade de Deus em sua vida? Tem procurado andar pelo caminho estreito, sempre buscando agradar ao Senhor? Deus não força a pessoa a andar em seus caminhos, pois é uma escolha pessoal. Você tem tomado o cuidado com as mentiras dos falsos profetas?

C) Sugestão de Método: Sugerimos que para a introdução da lição, você faça a seguinte pergunta: Qual o caminho que leva ao céu, o estreito ou o largo? Explique que o caminho que conduz ao céu é bem estreito, por isso muitos desistem e outros preferem os atalhos ou caminhos mais largos. Vamos para o céu mediante a graça de Jesus, mas tal verdade não significa que não temos que nos esforçar para chegar ao nosso destino final.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: O caminho que nos leva ao céu é estreito, difícil e exige renúncia e sacrifício. Quem gosta de pregar facilidades são os falsos profetas. Precisamos estar vigilantes. Neste mundo enfrentamos dores, tentações e dificuldades. Contudo, há uma recompensa para nós: um dia estaremos para todo o sempre junto do Pai. Por isso, não podemos desistir. Também não podemos pegar atalhos. O caminho que conduz ao céu é somente um: Jesus Cristo. Ele é o único caminho, a única verdade e sem Ele estamos perdidos (Jo 14.6).

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas. Na edição 89, p.42 você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final dos tópicos, você encontrará dois auxílios que darão suporte na preparação de sua aula

1) O primeiro texto “Dois Caminhos” trata do caminho largo e do estreito, citados por Jesus no Sermão do Monte;

2) O segundo texto, “Os Verdadeiros Profetas e os Falsos” tem como objetivo mostrar a advertência de Jesus a respeito dos falsos profetas.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIOS

 

Nesta lição, aprenderemos que Deus é bom e que Ele ouve as nossas petições, suprindo A todas as nossas necessidades: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-a ” (Mt 7.7). Veremos também que aqueles que entraram pela porta estreita conseguem viver segundo os preceitos de Deus propostos por Cristo no Sermão do Monte. O Senhor é bom e aqueles que têm uma vida de comunhão com Ele e procuram viver cheios do Espírito Santo (Ef 5.18), examinando a Palavra, não serão jamais enganados pelos falsos profetas (Mt 7.15).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Neste capítulo, abordaremos a passagem de Mateus 7.7-20, que trata de dois aspectos: a bondade de Deus e os falsos profetas. É claro, teremos que condensar as explicações, sem perder sua real essência. Logo que nos deparamos com Mateus 7.7-11, Jesus está assegurando e nos encorajando a lançarmo-nos sob os cuidados do nosso Pai eterno, como fez Abraão pela fé (Hb 11.8) e o próprio Senhor Jesus (Jo 16.32).

Nossa vida neste mundo é marcada por espinhos, aflições, lutas, desafios constantes, sempre temos que escalar novas montanhas, e não vamos encontrar nenhuma passagem bíblica que nos diga que o Senhor Deus tornará nossa peregrinação mais suave, sem problemas.

O próprio Senhor Jesus disse que no mundo teríamos aflições (Jo 16.33), porém, quando lemos a passagem de Mateus, temos a garantia de que, quando nos voltamos para o Pai em oração, Ele nos ouvirá, pois é sua bondade é grandiosa e é isso que nos faz avançar, lutar, vencer.

Não podemos tomar Mateus 7.7-11 como sendo uma afirmação geral de que tudo que pedirmos Deus irá fazer. Também essa passagem não pode ser tomada de modo isolado; ela envolve as demais partes do assunto envolvido. Olhando para os seis primeiros versículos do capítulo 7, o tema que Jesus vinha tratando era quanto ao julgamento injusto e como proceder de modo correto. Em nossa compreensão, isso é por demais difícil. Entendemos que é um padrão elevado para nós, porém, para procedermos corretamente à altura dos ensinos que nosso Mestre está propondo, o melhor caminho é o da oração. Por intermédio dela teremos a graça divina e sabedoria para agir da melhor forma.

Jesus quer que oremos ao Pai reconhecendo primeiramente as nossas necessidades espirituais, e não de coisas. Quando isso acontece, sei o quanto sou miserável e me rendo aos seus pés (Mt 7.24). A intensidade dos verbos pedir, bater e buscar tem sua ênfase de que preciso insistir na oração com Deus para que eu possa desenvolver um nível de vida espiritual mais perfeita. Isso pode ser visto nas passagens de Lucas 11 e 18. A nossa fome não deve ser por bens materiais, fama, sucesso, mas, sim, da justiça de Deus em nossa vida (Mt 5.6). Paulo, quando teve seu ser invadido pela presença de Cristo, passou a desejá-lo mais e mais, de modo que passou a não mais valorizar as coisas que antes eram vistas por ele como sendo de grande importância (Fp 3.7,13,14).

Depois que tomamos consciência da nossa necessidade espiritual, do que realmente somos (Sl 51.5) e nascemos de novo em Cristo Jesus (Jo 1.11,12), Deus passa a ser o nosso Pai. O maior problema é que tem muita gente pedindo, buscando e batendo, mas que é dominada pela velha natureza. Seus pedidos são egoísticos, e não são atendidos porque não são filhos verdadeiros (Tg 4.3). Quando temos consciência de que Deus é nosso Pai, sabemos que Ele tem o melhor plano para nossa vida. Ele está sempre velando por nossas vidas e não importa o que nos aconteça, estaremos sempre bem guardados, pois somos seus filhos (Rm 8.15) e Ele nunca nos dará algo que possa nos prejudicar.

Ao lermos os versículos 13 e 14 de Mateus, entendemos claramente que nosso Senhor Jesus nos ensina que entrando pela porta estreita e trilhando o caminho apertado iremos sempre nos deparar com grandes perigos, embaraços, empecilhos que procuram fazer com que deixemos de correr bem e nos levam a errar o alvo. Além disso, surgirão também os falsos profetas (Mt 7.15,16); estes procurarão desfazer tudo quanto Jesus ensinou, ficarão às portas, nem entrando, nem deixando outros entrarem, afinal, o alvo deles é não deixar que vivamos a verdadeira fé trilhando o caminho apertado e a porta estreita.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 220-222.

 

 

JESU S ENSINA SOBRE O CAM INHO PARA O CEU / 7.13,14

Nos versículos finais do Sermão do Monte, quatro diferentes contrastes representam as quatro advertências que enfocam o futuro julgamento final. Jesus estava falando sobre o Reino dos céus e descrevendo claramente que alguns irão entrar, e outros não. A base para o destino final de uma pessoa começa com as suas decisões a respeito do próprio Senhor Jesus.

JESU S ENSINA SOBRE OS FRUTOS NA VIDA DAS PESSOAS / 7.15-20

Jesus advertiu os seus seguidores contra os falsos mestres. Muitos oradores eloquentes afirmam ter importantes ideias para os ouvidos dos cristãos. Existem, literalmente, centenas de seitas competindo para recrutar novos membros. Podemos acrescentar à lista aqueles que apresentam aspectos sociais sobre a doutrina da igreja, e que surgiram de pequenas e grandes denominações — existe uma fascinante exibição de escolhas. Jesus queria que seus seguidores fossem capazes de separar os bons (ensinos que levam a Cristo), dos maus (ideias paralelas, aparentemente saudáveis, que alguns tentam incluir no Evangelho), e daquilo que é pernicioso (os falsos ensinos).

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 53.

 

 

Exortações Finais aos Cidadãos do Reino. 7:13-27.

13,14. Entrai pela porta estreita. Para aqueles que já entraram, pela fé, em relação com Cristo (como também aos outros que estavam ouvindo; v. 28) nosso Senhor descreve a impopularidade relativa de sua nova posição. A ordem de porta e caminho sugerem a porta como entrada para o caminho, símbolo da experiência crucial do crente com Cristo, a qual introduz à vida piedosa. Os cristãos primitivos eram chamados de aqueles “do Caminho” (Atos 9:2; 19:9, 23; 22:4; 24:14, 22). Enquanto a grande massa de humanidade está sobre o caminho espaçoso que conduz à perdição (ruína eterna), a outra porta e o outro caminho são ao estreitos que precisam ser procurados. Mas o mesmo Deus que providenciou Cristo, a porta e o caminho (Jo. 14:6), também leva os homens a encontrarem a porta (João 6: 44). Vida. Contrastando aqui paralelamente com perdição e assim uma referência ao estado de bem-aventurança no céu, ainda que esta vida eterna comece na regeneração.

15-20. Aqueles que entram pelo caminho apertado precisam se precaver contra os falsos profetas, que dizem guiar os crentes mas que na realidade praticam a mentira. Disfarçados como ovelhas não deve ser entendido como a vestimenta do profeta, mas é um contraste evidente aos lobos perversos. O povo de Deus de todas as épocas precisou estar alerta contra os líderes mentirosos (Dt. 13:1; Atos 20:29; I Jo. 4:1; Ap. 13:11-14). Pelos seus frutos. As doutrinas proferidas por esses falsos profetas, mais do que as obras que praticam, uma vez que a aparência exterior pode não despertar suspeitas. O teste do profeta é a sua conformidade com as Escrituras (I Co. 14:37; Dt. 13:1-5). Árvore má. Uma árvore arruinada, sem valor, inútil. A falta de utilidade de uma árvore como essa exige a sua imediata retirada do pomar para que não prejudique as outras.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Mateus. Editora Batista Regular. pag. 33.

 

 

Palavra-Chave: BONDADE

 

 

I – A BONDADE DE DEUS

 

 

1- Definição de bondade.

 

A palavra “bondade” é definida como qualidade ou caráter de bom; boa índole, benevolência, brandura e boa ação. Filosoficamente, a bondade é descrita como sendo o princípio mais elevado da moral. Na visão grega, a benignidade era vista como o mais sublime atributo. Assim, a bondade no aspecto filosófico é vista como um valor que é atribuído à ação de uma pessoa. A bondade é um dos atributos de Deus, mas não do homem. O apóstolo Paulo declarou: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Rm 7.18). Ao pecar, o homem se tornou um ser desprovido da justiça original e sem estima para as coisas santas relacionadas a Deus, passando a ter a tendência para o mal e para as práticas imorais, daí a razão da ênfase de Jesus para o Novo Nascimento (Jo 3.3). Somente entrando pela porta estreita e pelo caminho apertado (Mt 7.14), poderemos desfrutar da graça divina e ter a nossa natureza transformada para, de fato, fazermos o que é bom.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

No aspecto filosófico, a bondade é caracterizada como algo transcendente. Sua essência consiste naquilo que é bom, que nesse sentido pode ser conceituado como o bem maior. Pode-se observar que há uma relação do nome Deus em inglês, God, com o sentido de bom good. Por vezes, alguns filósofos fizeram uso do substantivo Deus apontando para o bem supremo, mais sublime.

Nas palavras do filósofo Hegel, a bondade é vista como a coincidência de uma vontade humana com a vontade universal, isto é, a vontade racional: a correção de vontade, e, por conseguinte, de ação, com base em princípios metafísicos. Ainda na perseguição de uma definição apropriada para a palavra bondade, alguns filósofos passaram a entender essa palavra como sendo superior ao termo direito, pois o direito envolve aquilo que é justo, porém, a bondade pratica a misericórdia e evidencia amor em todas as situações da vida.

Pela ótica filosófica, a definição da palavra bondade não está simplesmente sendo vista como algo natural, mas transcendente, de modo que isso nos leva ao entendimento de que será na Bíblia e na teologia que o verdadeiro significado de bondade terá seu real sentido, pois, no aspecto humano, sua definição não ultrapassa esses limites: qualidade de quem tem alma nobre e generosa e é naturalmente inclinado a fazer o bem; benevolência, benignidade, magnanimidade, ação que reflete essa qualidade, atitude amável, cortês; delicadeza.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 223.

 

 

BONDADE Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, dois elementos aparecem em particular: uma bondade que se baseia na misericórdia (hesed, chrestotes), e uma que se baseia na bondade moral de Deus (tob, agathosune). Desta maneira, em algumas ocasiões, a bondade de Deus é manifesta: “A terra está cheia da bondade do Senhor” (Sl 33.5; cf. Sl 52.1; 107.8); “Desprezas tu as riquezas da sua benignidade [bondade]… ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?” (Rm 2.4). Em outras ocasiões, a perfeição e a bondade de Deus vêm à tona (Nm 10.32; Sl 16.2; 23.6; G1 5.22; 2 Ts 1.11).

Um dos frutos do Espírito é a bondade (agathosune) no sentido da santidade e da justiça cristã (G1 5.22). Isto está de acordo com o objetivo da nossa vida cristã, que é o de sermos semelhantes ao nosso Pai Celestial, tanto em caráter quanto em atitudes, assim como Cristo nos ensinou no Sermão do Monte (Mt 5.48).

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 322-323.

 

 

BOM; BONDADE

Ideias Bíblicas

Deus é amor, e, portanto, é o ser supremamente bom, bem como a origem de toda a bondade (I João 4:6). Através do amor, as boas obras visam o beneficio do próximo. Quando Deus amou o mundo de tal maneira (ver João 3:16), ele fez a missão de seu Filho revestir-se do proveito máximo. O bem mais alto é uma qualidade transcendental, relacionado ao ser divino. (Ver Sal. 34:3 e 149:9).

Os homens tornam-se bons quando a bondade divina passa a ser cultivada neles, pelo Espírito Santo, pois a bondade é um dos aspectos do fruto do Espírito de Deus (ver Gál. 5:22).

O homem bom é superior ao homem meramente justo, porquanto, além de ser alguém dotado de ética correta, ele é generoso, demonstrando amor em sua vida (ver Rom. 5:7).

A criação de Deus é boa, pois ali ele manifestou suas ideias e seus atos (Gên. 3:5).

A prosperidade é um bem provido aos homens por Deus. Essa prosperidade pode ser material ou espiritual (ver Jos. 23:14 ss; 1 Reis 22:8 e Jó 2:10).

A lei de Deus é boa, porquanto faz a alma prosperar. Ver Deu. 30:15 ss; Pirke Aboth 6:3: «O que é bom é simplesmente a Torah», Ver Rom, 7:12.

O Novo Testamento dá continuidade aos conceitos de bom exarados no Antigo Testamento. O homem é uma boa obra de Deus, criado para praticar o que é bom (Efé. 2:10). As boas obras dos crentes glorificam a Deus (Mat, 5:16).

A vontade predestinadora de Deus faz todas as coisas contribuírem juntamente para o bem do crente, e o propósito disso é levá-lo a compartilhar da imagem e natureza do Filho, afinal. Em outras palavras, a salvação (que vide) é o bom ato de Deus, aplicado ao homem (Rom. 8:29).

Todas as virtudes cristãs são boas e precisam ser cultivadas (Gál. 5:22,23; Fil. 4:8). Essas virtudes devem ser objetos constantes de nossos pensamentos, a fim de que elas se manifestem em nossas vidas. A alma é moralmente transformada por meio dessas boas qualidades, e a transformação moral nos conduz à perfeição (Mat. 5:48). E isso, finalmente, nos leva à transformação metafísica, de tal modo que os remidos compartilharão da própria natureza divina (IICor. 3:18; 11Ped. 1:4). Isso tem paralelo na ideia platônica de que o mais exaltado aspecto da inquirição ética é a transformação metafisica no mundo das ideias.

A bondade de Deus garante tanto o poder quanto o cumprimento final de seus planos cosmológicos, por meio dos quais ele chegará a restaurar todas as coisas (Efé. 1:10). O primeiro capítulo da epistola aos Efésios mostra-nos que essa bondade será reconhecida pela criação inteira, e o oitavo capitulo de Romanos contém a mesma ideia. E então o problema do mal (que vide) encontrará perfeita solução.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 551-552.

 

 

2- A bondade de Deus no aspecto bíblico.

 

Nas Escrituras Sagradas, a bondade é definida como a qualidade do que é bom (Êx 33-19). Deus é bom por natureza, por isso João disse que Ele é amor (1Jo 4.8) e fonte de toda a benignidade, de modo que podemos expressar que o real e verdadeiro bem é transcendente e está em Deus (Sl 34.8). O texto de Mateus 19.16-26 mostra a pergunta do jovem rico a respeito da vida eterna: “Bom Mestre, que bem farei, para conseguir a vida eterna?” Então Jesus pergunta: “ Porque me chamas bom?” Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, Jesus deixa claro ao jovem “ que a salvação não vem por meio de boas obras, se estas não forem acompanhadas pela fé e pelo amor a Deus”. A fé e o amor são implantados em nossos corações mediante a ação do Espírito Santo.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Na Bíblia, a bondade não é compreendida apenas por uma definição de termos, mas, sim, de essência, posto que Deus é bom por natureza, dEle emana todos os bons atos de bondade, pois Ele é amor (1Jo 4.6). A expressão da bondade divina tem sua dimensionalidade universal e humana no texto áureo da Bíblia: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Aquilo que os filósofos buscaram de transcendentalidade na conceituação de bondade expressa-se claramente em Deus, que concede o bem mais sublime, elevado, para morrer pela humanidade.

Toda a essência da real bondade está em Deus. Isso foi o que Jesus disse: “Respondeu-lhe Jesus: Por que me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos” (Mt 19.17, ARA). Os homens não convertidos manifestam certo nível de bondade, ou seja, ela é relativa, e, para que sua prática de bondade venha realmente a ser benéfica, é necessário que seja transformado pelo poder do evangelho, pois logo nascerá em sua vida o fruto do Espírito, que tem como um de seus aspectos a bondade (Gl 5.22).

Esse homem agora não será apenas justo, correto, mais do que isso, evidenciará atos de amor e misericórdia em tudo que for fazer (Rm 5.7).

A bondade de Deus não é vista somente em sua essência e transformação da vida do pecador, mas ela é presenciada em sua criação (Gn 1.31). Em cada coisa criada se percebe não apenas seus atos santos, grandiosos, maravilhosos, mas suas ideias, propósitos, tudo isso foi feito para o bem do homem nesta vida. É da própria terra e da natureza que o ser humano tira seu sustento, suas riquezas, isso quer dizer que a prosperidade alcançada pelo homem por meio do trabalho se deve à bondade de Deus (Dt 8.7; 11.10,12; Pv 10.22).

Essa riqueza é denominada de material, mas dEle vem também a riqueza espiritual (Jó 2.10), sua possibilidade nasce da vivência e meditação com a Lei de Deus (Dt 30.15).

A bondade divina se faz presente no Antigo e no Novo Testamento, sendo que neste último tal bondade está presente na vida daquele que está em comunhão com Deus, porquanto, como já está transformado, será um instrumento na terra para fazer o bem a todos (Ef 2.10), sendo que tudo o que faz não é para si, mas, sim, para o louvor e glória do Senhor (Mt 5.16).

Por fim, podemos asseverar que a bondade de Deus é compreendida também no seu aspecto teológico, pois a mudança compreenderá também o universo físico e humano. Tudo será restaurado e isso é o maravilhoso (Ef 1.10). Cada cristão deve sempre estudar sobre a bondade de Deus na Bíblia. Agindo assim, irá glorificá-lo constantemente.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 224-225.

 

 

Por que me perguntas acerca do que é bom?·Os mss mais antigos, como Aleph e B D L trazem as palavras tais como são citadas aqui. Diversas traduções, como AC e KJ. dizem «Por que me chamas bom?» Essas versões seguem os mss CE FG H KM SUV, Delta e Fam Pi. Mas essa frase representa uma harmonização feita pelos escribas, baseada no texto de Marc. 10:17. O original do evangelho de Mateus é: «Por que me perguntas acerca do que é bom?». Todavia, o logos original provavelmente é aquele que se encontra em Marcos: «Por que me chamas bom?» O autor do evangelho de Mateus, portanto, modificou o «logos» original para evitar a impressão de que Jesus não se considerava bom, ou pelo menos não tão bom quanto Deus, pois isso poderia ser interpretado como sugestão contrária à divindade de Cristo.

A forma preservada por Mateus parece indicar que Cristo quis provocar uma discussão filosófica sobre a natureza da bondade, mas isso não é provável.

Bom só existe um. Jesus provocou uma discussão teológica, talvez querendo saber qual a opinião daquele homem sobre a sua pessoa, ou talvez para mostrar ao homem que, apesar de ser religioso e autoridade entre os judeus, ainda lhe faltava o conhecimento básico do conceito de bondade. Ê possível que aquele homem imaginasse que a bondade consiste de uma série de boas ações, e não da imitação da bondade última, que só existe na personalidade de Deus. O homem era zeloso, mas sem profundidade.

Provavelmente quis ouvir dos lábios de Jesus uma nova lei, uma nova expressão espiritual, diferente da quilo que já estudara e lhe fora ensinado.

Talvez pensasse que um ato de magia poderia completar as exigências para a entrada na vida além, a vida eterna. A resposta dada por Jesus, Bom só existe um, teve o propósito de mostrar-lhe que a bondade não se baseia em uma série de ações, nem em um ato mágico que ele pudesse revelar, e sim, na personalidade de Deus, que é o summum honum. Jesus antes já ensinara: «Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 487.

 

 

Respondeu-lhe Jesus: Por que me perguntas acerca do que é bom? Bom só existe um. Se queres, porém, entrar na vida, guarda os mandamentos.

Certamente o que Deus pede em Sua lei é bom, porque o próprio Deus é o Sumo Bem. Por que perguntar a Jesus a respeito “do que é bom” quando Deus o Pai o revelou de maneira tão clara? Se aquele que formula a pergunta pensa que poderá obter a vida eterna fazendo bem, então que guarde os mandamentos.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. 1 Ed 2001. Editora Cultura Cristã. pag. 966.

 

 

3- A bondade de Deus no aspecto teológico.

 

Teologicamente o termo bondade é amplo e envolve santidade, retidão, verdade, amor, benevolência, graça e m misericórdia. Logo, fica evidente que apenas o Deus da Bíblia é verdadeiramente bom. Podemos ver a bondade dEle no seu amor para conosco (Jo 3.16). Amor que revela a perfeição divina. Também podemos ver a benignidade do Senhor no seu cuidado conosco, atendendo às nossas necessidades (SI 23.1; Mt 7.11). O Senhor é bom e a sua graça é dispensada até para os que não merecem nada. Mesmo sendo imperfeitos, jamais daremos aos nossos filhos uma pedra por pão ou uma serpente por peixe. Então, o que o Deus bondoso não fará em nosso favor se pedirmos tudo em oração, segundo a sua perfeita vontade?

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

No aspecto teológico, a bondade de Deus faz parte de um dos seus atributos morais, sendo descrita como parte de sua essência; não é uma manifestação momentânea, casual. Quando faz o bem ou manifesta atos de bondade, Ele faz isso porque realmente é bom por natureza.

Deus é um ser bondoso, do qual emanam as boas dádivas para nós (Tg 1.17). Essa bondade é confirmada por aqueles que têm suas mentes esclarecidas pelo Espírito Santo de Deus, pois constatam tanto no seu ser quanto em seus atos essa verdade bíblica. O salmista nos aconselha a provar o quanto o Senhor é bom (Sl 34.8), e, quando fazemos isso, temos o melhor padrão para entendermos o que é bom no sentido estético e ético.

Teologicamente falando, o padrão mais elevado do conceito de bondade está em Deus, que se revela no seu próprio caráter. Ele só aprova aquilo que condiz com sua natureza (Sl 119.68). Quando atentamos para os Salmos bíblicos que exaltam a bondade de Deus, alguns mostram-na revelada na criação (Sl 104), outros exibem a bondade divina agindo em favor do seu povo, Israel (Sl 106 3 107). Na essência, esse ser divino é bom, por isso o apóstolo Paulo nos aconselha na prática a termos experiência com a boa vontade de Deus para conosco (Rm 12.2).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 226.

 

 

[…] a generosidade de quem atende à oração (7.9-12). Um pai terreno, por mais que ame seus filhos, nem sempre dá o melhor para eles, mas o nosso Pai celeste, sendo perfeito e nos amando com amor perfeito, dá-nos o melhor. Como o Pai age conosco, devemos agir com o nosso próximo, fazendo a ele o que gostaríamos que ele fizesse a nós. Essa é a regra de ouro dos relacionamentos.

Essa é a regra do amor. Essa é a síntese da lei e dos profetas. A. T. Robertson diz que a forma negativa dessa regra de ouro (7.12) consta em Tobias 4.15: “Não faças a ninguém o que não queres que te façam”. Esse dito era usado por Hillel, Fílon, Isócrates e Confúcio. Jesus, porém, cita o dito na forma positiva. Concordo com R. C. Sproul quando ele escreve: “Não podemos controlar o que os outros dizem a nosso respeito ou fazem conosco, mas podemos controlar o que dizemos a respeito deles e fazemos com eles. Devemos pensar em fazer por eles, em vez de fazer com e contra eles”.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 239-240.

 

 

Os recursos dados por Deus

Por que Jesus fala sobre a oração neste ponto de sua mensagem? Estes versículos dão a falsa impressão de ser uma interrupção.

Todos somos humanos e falíveis; todos cometemos erros. Apenas Deus julga com perfeição. Portanto, é preciso orar e buscar a sabedoria e orientação de Deus. “Se, porém, algum de vós necessita de sabedoria, peça-a a Deus” (Tg 1:5).

O jovem rei Salomão sabia que não possuía a sabedoria necessária para julgar Israel, de modo que orou a Deus, e o Senhor, em sua graça, respondeu à sua oração (1 Rs 3:3ss). Se queremos discernimento espiritual, devemos sempre pedir a Deus, buscar sua vontade e bater à porta que conduz a ministérios mais elevados. Deus supre a necessidade de seus filhos.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. Editora Central Gospel. 1 Ed 2006. pag. 35.

 

 

SINOPSE I

Deus é bom e atende aos seus filhos que invocam em oração

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

“Pedir, Buscar, Bater: Jesus fala da oração (7.7-12)

O relacionamento com Deus é verdadeiramente uma coisa ‘ em secreto’. Os incrédulos não podem ver, tocar nem sentir ‘Deus’. Nem nós! Quando oramos, damos um salto de fé, confiando em um Ser incrível para atuar em nosso nome no universo material. À medida que começamos a praticar a oração, precisamos da certeza provida pelas Promessas de Jesus”. Amplie mais o seu conhecimento, lendo O Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, CPAD, p.36.

 

 

II – HÁ DOIS CAMINHOS PARA ESCOLHER

 

 

1- A porta e o caminho no aspecto bíblico.

 

Ao apresentar as figuras da porta e do caminho no Sermão do Monte, Cristo estava dando ênfase à ação de se iniciar algo novo, uma nova comunhão. A porta fala de acesso a uma nova e viva experiência com Jesus (Jo 10.9); e o caminho é a nova conduta adotada por aqueles que abandonaram a trilha do pecado, e agora seguem o melhor e único caminho (Jo 14.6).

É importante atentar para os costumes da época em que Cristo fez menção à porta e ao caminho. É bem possível que, ao mencionar estes termos, Ele estivesse pensando na cidade de Jerusalém, pois as cidades, em sua maioria, eram muradas e tinham algumas portas largas e outras estreitas. No período noturno as portas grandes eram fechadas, permitindo apenas que ficassem abertas as portas estreitas. Essa portinhola era chamada de fundo de agulha e quem desejasse passar por ela teria de fazer muito sacrifício. Às vezes, a passagem de um camelo com mercadoria por meio dela era impossível, sendo necessária a retirada da bagagem, e, ainda assim, a pessoa teria que passar ajoelhada. Foi nessa condição que Jesus afirmou que “estreita é a porta, e apertado, o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem ” (Mt 7.14).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Vamos começar esse ponto fazendo uma inversão. Primeiramente, destacaremos a palavra caminho, porque à luz das páginas do Antigo Testamento era algo bem conhecido de todos. Em Salmos 1.1, faz-se menção a dois caminhos: o primeiro, dos pecadores; o segundo, dos justos (Sl 1.6). A palavra caminho é um substantivo masculino que do hebraico é derek, cujo significado é estrada, distância, jornada, maneira, vereda, direção. Expressa também um hábito. Caminho, no aspecto figurado, tem dois sentidos: um refere-se ao curso da vida; o outro fala do caráter moral.

No Salmo em questão, temos a distinção clara entre o viver do ímpio e do justo, ou melhor, da conduta de cada um. Jó deixou bem claro que Deus conhecia o seu caminho, sua conduta de vida, por isso iria sair daquela prova como ouro (Jó 23.10). Paulo disse que o Senhor conhece os que são seus (2Tm 2.19), destacando também um viver santo com Cristo. Em Mateus 7.13, Jesus fala sobre a conduta dos ímpios, quando faz menção à palavra caminho.

O que se tem na figura do caminho são dois modos de vida, isto é, o caminho do justo e o caminho do ímpio. O justo evita o caminho comprometedor dos ímpios e procura seguir os projetos de Deus, nisso é que consiste sua felicidade. Não há da parte do justo nenhum prazer de aceitar os princípios expressados pelos pecadores; pelo contrário, o justo tem um contentamento glorioso, maravilhoso, que é meditar na Palavra de Deus, o que resultará em um prazer sem igual cuja vida será sempre cheia de bons frutos e seu futuro final já está garantido, pois depositou todo o seu viver em Deus.

No Salmo 1, o salmista primeiro mostra o caminho ou proceder do ímpio. Como seu viver é maléfico e pecaminoso, ele não tem estabilidade como o caminho dos justos, que é representado como uma árvore bem plantada. Os ímpios serão varridos como restos de palha, deixando apenas o grão. Esses tais não irão nunca participar na eternidade com os justos, pois Deus conhece, ou melhor, tem interesse apenas no caminho dos justos, e, quanto aos ímpios pecadores, serão destruídos.

Quando lemos Atos 9.2 (ARA), os crentes da Igreja Primitiva eram chamados de aqueles “do caminho”. I. Howard Marshall, falando desse caminho, escreve que se referia a uma descrição dos cristãos como sendo “os que eram do Caminho” é uma peculiaridade de Atos.

Pressupõe o emprego do termo “o Caminho” para significar, na realidade, o “cristianismo”.

Por trás desse termo, há, outrossim, a ideia do “caminho do Senhor, de Deus” (At 18.25,26), como o “caminho da salvação” (At 16.17). Deus indicou o caminho ou modo de vida que os homens devem seguir se desejam ser salvos (Mc 12.14); a declaração dos cristãos de que o caminho deles era aquele indicado por Deus levou ao uso absoluto do termo, como aqui.

Em relação à porta, que do grego é púle, quer dizer portão, porta, do tipo mais largo no muro da cidade, num palácio, numa cidadezinha, no templo, numa prisão; no aspecto metafórico, quer dizer o acesso ou entrada num estado. No aspecto espiritual, fala da entrada para o caminho a †m de viver uma experiência nova com Cristo Jesus (Jo 10.9). É por meio dessa passagem ou porta que o cristão poderá desenvolver um viver piedoso.

Uma porta serve como um acesso para bênção ou maldição (Gn 4.7; 28.17), simboliza grandes oportunidades — isso foi dito por Paulo (1Co 16.9). Também há portas que se abrem no Senhor (2Co 2.12). No demais, o Senhor Jesus coloca diante de sua igreja a porta aberta (Ap 3.8). Em relação a essa porta aberta, escreve George Ladd:

Partindo do contexto de que Cristo tem autoridade absoluta para abrir a porta do Reino de Deus, isto pode ser uma promessa de que a Igreja tem entrada garantida no Reino de Deus escatológico, apesar do conflito óbvio travado com os judeus. No Novo Testamento, no entanto, a ideia de porta aberta aparece diversas vezes para indicar uma porta de oportunidade, principalmente para a pregação do Evangelho (1Co 16.9; 2Co 2.12; Cl 4.3; At 14.27). Não está longe a ideia de que Cristo pôs diante da igreja uma grande oportunidade de difundir o evangelho, apesar de ela ser pequena e fraca. Do ponto de vista do contexto, a primeira interpretação é preferível.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 227-229.

 

 

A base para o julgamento.

Uma vez que existem falsos profetas pelo mundo afora, devemos ter cuidado para não ser enganados. O maior perigo, porém, é enganar a si mesmos. Os escribas e fariseus haviam se convencido de que eram justos e de que os outros eram pecadores. É possível conhecer a linguagem correta, acreditar intelectualmente nas doutrinas, obedecer às regras e, ainda assim, não ter a salvação. Jesus emprega duas ilustrações para nos ajudar a julgar a nós mesmos e aos outros.

As duas portas e os dois caminhos (vv.13, 14). Trata-se, evidentemente, do caminho para o céu e do caminho para o inferno.

Todos gostam da porta larga e do caminho espaçoso. No entanto, a fé não pode ser julgada por estatísticas, pois nem sempre a maioria tem razão. Só porque “todos fazem” alguma coisa, não quer dizer que estão fazendo o que é certo.

Na verdade, é justamente o contrário: o povo de Deus sempre foi um remanescente, uma minoria neste mundo, e não é difícil descobrir por quê: a porta que conduz à vida é estreita, e o caminho é solitário e penoso.

É possível andar no caminho espaçoso e levar conosco “bagagens” de pecado e de desejos mundanos. Mas, se tomarmos o caminho estreito, teremos de abrir mão de todas essas coisas.

Eis, portanto, o primeiro teste: nossa profissão de fé em Cristo custou alguma coisa?

Caso a resposta seja negativa, não foi uma profissão verdadeira. Muitas pessoas que “creem” em Jesus Cristo nunca deixam o caminho largo e tudo o que ele oferece. Têm uma vida cristã fácil que não exige coisa alguma.

Jesus diz que o caminho estreito é difícil. Não se pode escolher duas estradas e tomar dois rumos diferentes ao mesmo tempo.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. 1 Ed 2006. Editora Central Gospel. pag. 36.

 

 

2- O que as duas portas e os dois caminhos ilustram para nós?

 

A porta estreita é a que conduz à vida eterna (Jo 10.7-9). Jesus estava mostrando que há um único caminho que pode conduzir o pecador à vida eterna com Deus. Os atos religiosos e as boas obras não podem levar o homem ao céu; somente a fé em Jesus Cristo poderá conduzi-lo à vida eterna com Deus. Certa vez, Jesus declarou: “ Porfiai por entrar pela porta estreita, porque eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão” (Lc 13.24). O verbo porfiar no grego significa “esforçar-se com zelo extremo, empenhar-se em obter algo”; isso fala do desejo daqueles que querem andar no caminho estreito, que anelam ter um novo caráter e a vida eterna com Deus.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

As bênçãos que são prometidas por Cristo aos que fazem parte do Reino são maravilhosas, em especial quando se diz: Bem-aventurados (Mt 5. 5-9). No entanto, é preciso entender que a entrada e permanência nele envolve momentos bons e difíceis. Jesus promete consolo aos que choram e terra para os mansos, e, ao mesmo tempo, diz que seus seguidores serão perseguidos, caluniados (Mt 5.10,11), e que precisam ter um viver justo, que esteja acima dos escribas e dos fariseus (Mt 5.20), não devem jamais odiar os inimigos, mas orar por eles.

No quesito porta e caminho, para saber o que vem primeiro e realmente qual a definição precisa sobre essas duas expressões, teólogos e estudiosos do Novo Testamento se debateram apresentando diversas teorias, uns chegando a usar Lucas 13.23,24 para se referir à porta do Reino no sentido escatológico. O certo é que a porta vem antes do caminho, e aqui ela não tem a definição de morte (Mt 16.18), mas se refere a uma escolha consciente para andar pelo caminho certo, ou seja, aponta para a conversão que é seguida pela santificação, que a cada dia requer que crucifiquemos nossos desejos pecaminosos em Cristo.

O adjetivo estreito do grego é stenós, que significa apertado. A ideia que se tem é que só dá para passar uma pessoa, que figuradamente quer dizer que quem tem muita bagagem, por exemplo, da justiça pessoal, do egoísmo, da avareza, do rancor, não tem como passar; é preciso negar-se a si mesmo para poder entrar por ela (Mt 16.24-26; Gl 2.20; 6.14).

Lendo o texto de Hebreus 11.10, compreendemos que as pessoas que trilham o caminho apertado estão seguindo o modelo traçado por Cristo, ao passo que o modelo do caminho espaçoso foi modelado por Satanás. Aqueles que escolhem o caminho traçado por Cristo terão poucos companheiros, porém é bom lembrar que sempre há servos fiéis a Deus na terra e que no final a multidão de salvos será incontável (Rm 9.27; 11.5; Ap 7.9).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 229-231.

 

 

O julgamento do falso caminho (7.13,14)

Há somente duas portas e dois caminhos. Pela porta larga entram muitas pessoas. Pelo caminho largo transitam multidões. Nesse caminho tudo é possível, nada é proibido.

Esse caminho conduz à perdição. A outra porta é estreita, e são poucos os que entram por ela. O caminho é apertado, e são poucos os que o encontram, mas esse é o caminho que conduz à vida.

H á aqui duas lições solenes a considerar, como vemos a seguir.

Em primeiro lugar, o caminho da perdição é a estrada das liberdades sem limites (7.13,14). O mundo oferece prazeres, diversões, riquezas, sucesso, fama, e nada exige em troca. Nessa estrada das facilidades, é proibido proibir.

Nesse caminho espaçoso, o homem é convidado a beber todas as taças dos prazeres. Nessa jornada de prazeres imediatos, nada é sonegado ao homem. Mas esse caminho congestionado conduz à perdição.

Em segundo lugar, o caminho da vida é a estrada da renúncia (7.13,14). O caminho estreito é sinuoso, íngreme e apertado. Exige renúncia, sacrifício e esforço. Poucos são aqueles que o encontram, mas o seu final é a glória, a vida eterna.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 240.

 

 

Examinemos a diferença entre os dois caminhos.

(1) É a diferença entre o fácil e o difícil. Nunca há vias fáceis que conduzam à grandeza; esta sempre é produto do esforço. Hesíodo, o antigo poeta grego, escreve: “A maldade pode se ter em abundância com facilidade, o atalho é liso, e ela habita muito perto; mas frente à virtude os deuses imortais colocaram o suor.” Epicarmo disse: “Os deuses nos exigem trabalho duro, como preço de todas as coisas boas.” O homem ardiloso não deseja as coisas brandas”, adverte, “porque terminará recebendo as duras.”

Em certa oportunidade Edmund Burke pronunciou um grande discurso no Parlamento inglês, onde era deputado. Ao terminar, alguns observaram que seu irmão, Richard Burke, estava submerso em profundos pensamentos. Perguntaram-lhe o que estava pensando, e respondeu: “Estava-me perguntando como fez Edmund para monopolizar todo o talento de nossa família; mas depois lembrei que quando todos nós estávamos jogando, ele estava invariavelmente trabalhando.”

Mesmo que algo se faz com aparente facilidade, essa facilidade mesma é, sem dúvida, o resultado de muito trabalho duro e perseverante. A habilidade do concertista de piano, ou a do campeão no campo de golfe, não se alcança sem muito suor.

Nunca houve outro caminho que conduzisse à grandeza que o caminho do trabalho, e algo que prometa ser um atalho não é mais que uma miragem e uma armadilha.

(2) É a diferença entre o caminho longo e o curto. É muito estranho que algo surja perfeito e acabado, sem que haja custado um longo esforço. A grandeza, em geral, provém de muito tempo dedicado ao trabalho e à contínua atenção aos detalhes.

Horácio, em sua Poética, recomenda a Pisón que quando escrever algo o guarde durante nove anos antes de publicá-lo. Conta-lhe de um discípulo que costumava levar exercícios a Quintílio, o famoso crítico, o qual normalmente lhe dizia: “Apaga-o e atira-o ao lixo, não o forjaste, deves devolvê-lo ao fogo e à bigorna.”

A Eneida, de Virgílio, foi o trabalho dos últimos dez anos de sua vida. Quando estava a ponto de morrer, seu propósito foi destruir a obra porque a considerava imperfeita, e o teria feito se seus amigos não o tivessem detido. A República, de Platão começa com uma afirmação muito singela: “Ontem fui ao Pireo, com Glauco, filho do Aristão, para oferecer uma oração à deusa.”

No manuscrito de Platão, de seu próprio punho e letra, havia correções que indicam como lhe ocorreram sucessivamente pelo menos treze versões diferentes desta primeira frase. O grande mestre da literatura grega trabalhou infatigavelmente com uma só oração, até conseguir a cadência exata que se adequava ao texto que queria produzir.

Um dos poemas imortais da literatura universal é a Elegia escrita em um cemitério rural, de Thomas Gray. Seu autor a escreveu no verão de 1742, e só em 12 de junho de 1750 começou a circular, entre o grupo mais íntimo de seus amigos. Sua perfeição lapidária custou ao autor oito anos de trabalho.

Ninguém chegou a produzir uma obra mestra tomando um atalho. Neste mundo, constantemente nos são oferecidos atalhos, a promessa de resultados imediatos; e o caminho longo, cujos resultados se produzem a longo prazo. As coisas de valor duradouro nunca se produzem instantaneamente; o caminho longo, em última análise, é sempre o mais adequado.

(3) É a diferença entre o caminho disciplinado e o indisciplinado. Nada se obteve jamais sem uma estrita disciplina. Muitos atletas e muitos homens comuns arruinaram suas possibilidades por abandonar a disciplina e permitir uma atitude descuidada.

Coleridge é a suprema tragédia da indisciplina. Nunca houve uma mente tão grande que produzisse tão pouco. Abandonou a Universidade de Cambridge para entrar no exército; abandonou o exército porque, apesar de sua erudição, não podia pôr o cabresto num cavalo. Ingressou em Oxford, para reiniciar seus estudos, mas também saiu desta universidade sem obter grau acadêmico algum. Lançou um periódico, chamado The Watchman e o abandonou depois de publicar dez números. Tem-se dito a seu respeito: “Perdia-se em visões de trabalho que seria bom fazer mas que jamais faria. Coleridge possuiu todos os dons que fazem um grande poeta, exceto um, o da concentração no trabalho.” Em sua cabeça e sua mente tinha inumeráveis livros, segundo ele mesmo dizia: “terminados, embora falta escrevê-los”. “Estou em vésperas”, diz, de enviar à imprensa dois volumes em oitavo.” Mas os livros nunca foram compostos fora de sua mente, por não submeter-se à disciplina de sentar-se a escrevê-los.

Ninguém alcançou a eminência, e uma vez alcançada conseguiu mantê-la, sem disciplina no trabalho:

(4) É a diferença entre o trabalho reflexivo e a irreflexão. Aqui chegamos ao centro do problema. Ninguém escolheria o caminho fácil, curto e indisciplinado se refletisse sobre o assunto. Neste mundo tudo tem dois aspectos – o que tem no momento e o que terá amanhã. O caminho fácil poderá parecer muito tentador no momento, e o caminho difícil muito pouco atrativo. A única forma de organizar corretamente nossa escala de valores é ver não somente o princípio mas também a meta de nossos caminhos, ou seja ver todas as coisas não somente à luz do tempo, mas também à luz da eternidade.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Mateus. pag.300-303.

 

 

3- A escolha entre os dois caminhos.

 

Neste mundo só há dois caminhos a serem percorridos: o da vida e o da morte, como bem falou o profeta Jeremias (Jr 21.8). Infelizmente, a escolha de muitos é pelo caminho amplo, pois nele não há restrições, tudo é permitido. Contudo, muitos homens e mulheres escolheram trilhar o caminho estreito, onde todas as coisas são lícitas, mas nem tudo convém (1Co 10.23). Pela porta larga é possível passar as obras da carne (Gl 5.19-21): prostituição, impureza, inimizades, porfias, pelejas e todo tipo de pecado. Contudo, o destino da porta larga e do caminho espaçoso é a eternidade sem Deus. Porém, os que escolhem o caminho apertado, um dia vão morar no céu e serão como a luz da aurora e como luzeiros no firmamento (Pv 4.18).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Jesus apresentou a todos os dois caminhos, os quais são representados por duas portas, sendo que uma é estreita e a outra larga. A entrada para o Reino de Deus acontece somente por meio da porta estreita, e o caminho a se seguir por essa porta é apertado, mas seu destino é a vida eterna. A porta larga leva o transeunte a um caminho espaçoso, e nele há muita facilidade, comodidade, pode-se escolher a direção que se quer seguir, mas tem um destino certo, o inferno.

Pelo ensino de Cristo, ficou evidente que os que quiserem receber a vida eterna para entrar no céu devem escolher a porta estreita e o caminho apertado, que falam de Jesus, uma vez que fora dEle não há como se ter a salvação. O que entendemos com esse ensino ilustrativo de Jesus é que o nosso destino depende de nossa decisão. Caso escolhamos viver um cristianismo que permite tudo, nosso destino estará comprometido, porém, se optarmos em viver uma vida santa, entrando pela porta estreita e trilhando o caminho apertado, nosso futuro será maravilhoso.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 231-232.

 

 

Eis que ponho diante de vós o caminho da vida e o caminho da morte. Aparentemente, este versículo oferece uma oportunidade de sobrevivência por meio do arrependimento, mas a mensagem parece ser que várias pessoas sobreviveriam se Judá simplesmente desistisse e se rendesse, antes de iniciada a matança. Dessa maneira, talvez alguma compaixão fosse obtida. Yahweh deixou na presença de Judá os caminhos da vida e da morte. Naturalmente, não há nenhuma ideia aqui da vida e da morte no sentido espiritual, de recompensas e punições para além-túmulo. Este versículo tem sido popularmente usado dessa maneira, mas não há base para isso. “O caminho da morte destinava-se aos que decidissem permanecer na cidade. Esses certamente morreriam. E o caminho da vida seria possível aos que se rendessem diante do inimigo que cercava Jerusalém. Essa era a única esperança que restava para aqueles que permanecessem na cidade, porquanto Deus tinha decidido ferir Jerusalém, deixando-a cair defronte da Babilônia. A resposta a essa mensagem de Jeremias acha-se em 28.1-4 de seu livro” (Charles H. Dyer, in toc). Veja o leitor como as coisas se tinham reduzido: o caminho da vida não era mais o caminho do arrependimento e da retidão. Agora era tarde demais para isso. Para sobreviver, os judeus tinham de submeter-se à misericórdia dos babilônios, em abjeta rendição. E a maioria dos judeus que assim fizesse, mesmo que se rendesse, seria morta.

“Vs. 8-10. Embora redigidos em uma linguagem tipicamente deuteronômica, estes versículos não são incoerentes com a atitude de Jeremias durante o cerco babilónico. O profeta aconselhou ao rei que se rendesse aos babilônios como o único caminho para a segurança (ver Jer. 38.17-18), mas o profeta foi aprisionado sob a acusação de deserção (ver Jer. 37.13-14). Contudo, é claro que ele tomou tal posição porque acreditava que Nabucodonosor era agente da vontade de Yahweh (cf. Jer. 27.6). Jeremias provou que não era um traidor de seu país ao preferir ficar na Palestina depois que os babilônios capturaram Jerusalém (ver Jer. 40.6)” (James Philip Hyatt, in loc.). Cf. o fraseado deste versículo com Deu. 30.15,19.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3053.

 

 

Guerra total, como era praticada no Oriente Próximo, significava que uma cidade ameaçada somente poderia salvar-se rendendo-se ao agressor. Os judeus sabiam disto muito bem, porém mesmo assim o conselho de Jeremias ainda soava suspeito a traição. A idéia da escolha entre dois caminhos vem de Dt 30: 15, 19. Em Mt 7: 13s, Cristo também falou de “dois caminhos”, e da dificuldade que muitas pessoas enfrentavam para achar aquele que levava à vida eterna. A vida que Jeremias pregava significava meramente “escapar da morte”. A expressão o vida lhe será como despojo é incomum, e aparece novamente em 38:2 e 39:18. Pode significar que assim como um caçador apanha sua presa com rapidez, para que não lhe escape, aquele que se entregar poderá arrebatar sua vida ao inimigo, que de outro modo a tomaria. Compare com a promessa feita a Baruque em 45:5, que implica em que ele sairia incólume de todos estes acontecimentos. A frase, porém, é de significado incerto.

K. Harrison. Leviticos. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 92.

 

 

SINOPSE II

Jesus mostrou que existe apenas dois caminhos: o Largo e o Estreito

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“Dois caminhos (Mt 7.13,14)

O caminho da morte e o da vida aparece no Antigo Testamento e na literatura cristã primitiva (Dt 11.26-28; 30.15-20). Jesus, de forma típica, apresenta as opções diante da audiência em paralelismo antitético: uma porta para a vida ou uma porta para a morte. A maioria das pessoas toma o caminho fácil, desastroso. A porta para a vida é fácil e restritiva; os verdadeiros discípulos são minoria. Dado o contexto de Mateus, a dificuldade da porta estreita é o caminho da justiça, na qual Jesus há pouco instruiu as por acesso às” (ARRINGTON, French L; STRONSTAD, Roger (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal – Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.61).

 

 

III – A MENTIRA DOS FALSOS PROFETAS

 

 

1- Cuidado com as falsas aparências.

 

Na advertência de Cristo contra os falsos profetas, o Mestre alerta a respeito da importância de estarmos sempre vigilantes, pois, além de perigosos e de seduzirem outros ao erro, os falsos profetas são lobos disfarçados de ovelhas. Sabemos que o lobo é o predador das ovelhas e que elas têm pouca capacidade para fazer sua defesa. Jesus fez menção aos falsos profetas logo depois do ensino a respeito dos dois caminhos, pois estes, com suas mentiras, acabam levando as pessoas para o caminho espaçoso que conduz à perdição. O crente precisa ter todo o cuidado e estar constantemente em oração, buscando discernimento espiritual para não ser iludido pela boa oratória e as palavras bonitas dos que se dizem profetas, mas não são. Os falsos profetas podem até parecer dóceis, mansos, se vestirem como ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes (At 20.29). Esses demonstram ter piedade, fazem longas orações, profetizam, mas é tudo aparência (2Tm 3.5).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Há advertências na Bíblia Sagrada, em especial no Novo Testamento, para se tomar cuidado com os falsos obreiros, aqueles que aparentam ser algo, quando não são. O apóstolo Pedro esclareceu que os últimos dias seriam caracterizados pela presença de falsos mestre e falsos profetas; por meio deles, os ensinos errados e as heresias viriam (2Pe 2.1).

O apóstolo João nos alerta quanto à necessidade de não dar crédito a todo e qualquer espírito (1Jo 4.1), visto que os tais, como disse Paulo, podem nos enganar, lembrando que Satanás se transforma em anjo de luz (2Co 11.14). Provavelmente, o apóstolo estivesse fazendo referência a Gênesis 3, dando ênfase no tocante à malícia da serpente que enganou Eva.

Existem profetas e mestres que aparentam estar preocupados com uma verdadeira piedade, ou desejando mostrar à igreja que são preocupados com o rebanho, quando, na verdade, não passam de lobos disfarçados, são obreiros do pecado e da liberdade perniciosa, pois defendem uma vida sem princípios bíblicos, doutrinas de homens e demônios. Eles incentivam o povo a entrar pela porta larga e viver no caminho espaçoso. Deles Paulo nos alertou: “Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo” (2Co 11.13, ARA).

No texto de Mateus 7.15, os falsos profetas são descritos como pseudoprophétes, ou seja, alguém que, agindo como um profeta divinamente inspirado, declara falsidades como se fossem profecias divinas. Jesus alertou que muitos deles iriam surgir (Mt 24.11,24). Faz se menção a um deles em Atos 5.37 — seu nome era Judas, o galileu.

Paulo disse aos líderes da igreja que depois de sua partida esses homens iriam surgir de dentro da própria igreja dizendo coisas perversas na intenção de conduzir outros pelo caminho largo (At 20.29). Muitos deles iriam fazer dos crentes negócios (2Pe 2.1-2).

Em Mateus 7.6, Jesus falou dos cães e dos porcos. Eles são apresentados como inimigos do Reino de Deus, mas os lobos são mais perigosos do que os dois, pois os cães e porcos são inimigos declarados, manifestam logo ódio contra o evangelho. Ao contrário, os lobos se disfarçam de verdadeiros profetas, infiltrando-se no meio do rebanho, e, como são fortes e perigosos, conseguem atacar as pobres ovelhinhas. Devemos ter todo o cuidado com eles.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 232-233.

 

 

[…] os falsos profetas parecem inofensivos (7.15). Os falsos profetas são lobos, mas se apresentam como ovelhas. São assassinos da verdade, mas andam com a Bíblia na mão. Têm a voz sedosa, mas seus dentes são afiados. Parecem inofensivos, mas são “lobos devoradores”.

Os falsos profetas já existiam nos tempos do Antigo Testamento. Jesus prediz a vinda de falsos cristos e falsos profetas, que desviarão muitos (24.24). No tempo determinado, eles surgirão como se fossem anjos de luz. Entre eles, haveria os judaizantes (2Co 11.13-15), os protognósticos (lTm 4.1; ljo 4.1). Por fora, parecem “ovelhas”, mas por dentro são “lobos devoradores”. Vale destacar que os lobos são mais perigosos do que cães e porcos.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 241.

 

 

Jesus, então, identificou um dos problemas que tomam o caminho es- treito difícil: falsos profetas. Ele disse: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (v. 15).

No período do Antigo Testamento, a maior ameaça à sobrevivência de Israel não era o poder militar dos filisteus, amalequitas ou assírios. A maior ameaça ao bem-estar do povo de Deus sempre foi a presença de falsos profetas em seu meio. Este era um grande problema na época em que Deus enviou o profeta Jeremias para chamar seu povo ao arrependimento. Parecia que, a cada vez que Jeremias abria a boca e dizia aos israelitas o que Deus faria se não mudassem de atitude, cem falsos profetas davam um passo à frente para contradizê-lo. Jeremias falou claramente aos israelitas que Deus destruiria o templo (7.14; 9.11) e os exilaria na Babilônia durante 70 anos (cap. 25), mas os falsos profetas replicaram: “Não, Deus não é assim. Ele é um Deus de amor. Nada jamais acontecerá ao templo. Ele não permitiria que os filhos de Abraão fossem levados cativos em terra estrangeira. Não deem ouvidos a esse Jeremias, pois temos paz.” (ver 6.14; 8.11; 14.13).

Jeremias, por fim, cansou-se disso. Ele foi até Deus e disse:

[…] sirvo de escárnio todo o dia; cada um deles zomba de mim.

Porque, sempre que falo, tenho de gritar e clamar: Violência e destruição!

Porque a palavra do Senhor se me tomou um opróbrio e ludibrio todo o dia.

Quando pensei: não me lembrarei dele e já não falarei no seu nome, então, isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais (20.7b-9).

Você entende 0 que ele estava dizendo? Ele estava reclamando porque sua mensagem impopular a respeito do juízo iminente colocava-o constantemente sob o ataque dos falsos profetas e, por isso, tinha de suportar a reprovação do povo. Por esse motivo, ele decidiu parar; decidiu não falar mais em nome de Deus. Mas não conseguiu. Ele expressou: “isso me foi no coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; já desfaleço de sofrer e não posso mais.” O profeta não podia parar de pregar a mensagem que Deus lhe transmitira.

No final, Deus consolou Jeremias com a promessa de dar conta dos fal- sos profetas. Ele lhe disse: “o caminho deles será como lugares escorrega- dios na escuridão; serão empurrados e cairão nele; porque trarei sobre eles calamidade, o ano mesmo em que os castigarei” (23.12).

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017. Editora Cultura Cristã. pag. 173-174.

 

 

 

2- Como detectar os falsos profetas?

 

De acordo com a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, “ podemos facilmente identificá-los, porque, em seus ensinamentos, minimizam a Cristo e glorificam a si mesmos”. Também podemos identificá-los por seus frutos (Mt 7.16). A árvore pode estar frondosa, com muitas folhas e oferecendo uma boa sombra, mas se ela não der bom fruto, será cortada (Mt 7.19). A imagem do fruto, usada por Cristo, se refere ao caráter e à conduta do profeta. Ainda podemos acrescentar mais um elemento significativo para detectar o falso profeta: seu ensino. Se ele ensinar “alguma outra doutrina e se não conforme a com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Tm 6.3), é soberbo, nada sabe e não deve ser reconhecido com o profeta do Senhor.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Não precisamos ir longe para detectamos os falsos profetas. Jesus disse: “Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (Mt 7.16, ARA). O fruto aqui prova a real essência ou natureza do que a coisa é, apontando para duas coisas: os ensinos e as obras desses impostores. Árvores boas dão bons frutos. É impossível colher uvas do espinheiro, que por natureza só produz espinhos; nem se pode colher figos de abrolhos, uma erva daninha. Diz-se que há variedades de formas nesse tipo de planta, e algumas dão flores parecidas com as da figueira. O uso de espinheiro e abrolho feito por Cristo era para ilustrar o caráter comprometedor desses falsos profetas, os quais não têm nada para oferecer, seus frutos são imprestáveis.

A boa árvore que é bem cuidada, cultivada, alimentada, com certeza, dará bons frutos, ao contrário da árvore má, que é podre, estragada, e por isso só dará fruto maus. Aqueles que não vivem a vida espiritual sadia darão vinho azedo, com muito ácido, ensinarão o liberalismo teológico, crença sem compromisso com a Palavra, serão relativistas, adotarão concepções da pós-modernidade, como bem falou Isaías: deram uvas bravas (Is 5.4). Em Gênesis, há uma repetição constante que diz que o fruto é segundo a sua espécie (Gn 1.11).

A pessoa que realmente foi transformada pelo poder do evangelho tem a sua natureza mudada, seus frutos serão conforme a transformação ocorrida no seu interior (Mt 3.8).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 233-234.

 

 

[…] os falsos profetas são conhecidos por sua doutrina e suas obras (7.16-18). Um falso profeta não é apenas um lobo, mas também uma árvore má. A seiva que o alimenta vem do maligno. A mensagem que está em sua boca é a mentira. Por ser uma planta venenosa, nenhum fruto nutritivo pode ser colhido dele. Uma árvore má não pode produzir bons frutos, apenas frutos maus, pois essa é sua natureza. Tanto sua doutrina como sua vida são pervertidas.

Tanto suas palavras como suas obras são carregadas de veneno.

[…] os falsos profetas serão condenados (7.19). Porque os falsos profetas são como uma árvore má, serão cortados e lançados ao fogo. Sua condenação é inexorável.

Seu destino é a destruição. Em quarto lugar, os falsos profetas precisam ser identificados (7.20). Teologia errada desemboca em vida errada.

Ensino falso deságua em práticas erradas. Um falso mestre nunca será um padrão de santidade nem jamais andará piedosamente. Porque é uma árvore má, seus frutos serão maus. Desta forma, pelos frutos podem ser identificados, julgados e condenados.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 241-242.

 

 

Falsos profetas disfarçados

Os falsos profetas na época de Jeremias propagavam falsos ensinamentos abertamente, mas Jesus alertou contra um tipo mais insidioso de falso mestre: aquele que usa máscaras. Tais falsos profetas não se parecem com falsos profetas. Pelo contrário, parecem ser bondosos e gentis. Têm aparência de cordeiros. A realidade, entretanto, é que são lobos vorazes disfarçados de cordeiros. Eles sussurram no ouvido das pessoas na tentativa de fazê-las entrar pela porta larga.

Como eles podem ser identificados? Jesus revelou uma marca de identificação: “Pelos seus frutos os conhecereis” (v. 16a). Em outras palavras, eles podem ser reconhecidos por aquilo que produzem, pelas consequências que geram à vida da igreja. O liberalismo do século 19 foi possivelmente o maior lobo que a igreja já enfrentou. Embora poucos pudessem enxergá-lo na época, o fruto daqueles liberais é evidente agora. As grandes catedrais da Europa atualmente são, na maior parte, mausoléus. A pregação do liberalismo no século 19 esvaziou a igreja. Ela não produziu valor algum, fruto algum. Esse é sempre o resultado de falsos ensinamentos na igreja.

Ao discorrer sobre 0 tema da frutificação, Jesus fez uma pergunta retórica cuja resposta é óbvia: “Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (v. 16b). Em locais como Napa Valley, na Califórnia, vinícolas bem cultivadas estendem-se por quilômetros ao longo das colinas. Nessas vinhas, crescem cachos maravilhosos de uvas. Em nenhum lugar, entretanto, é possível ver uvas nascendo em espinheiros ou abrolhos. As uvas inevitavelmente indicam quais plantas são videiras. Se há uvas, a planta na qual elas crescem certamente não é um espinheiro nem um abrolho.

Jesus prosseguiu: “Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons” (v. 17-18). O agricultor procura árvores produtivas, árvores que dão frutos; não árvores que produzem frutos corrompidos. Ele é capaz de diferenciar as árvores boas das árvores ruins pelo fruto que produzem, pois a qualidade da árvore deter- mina a qualidade do fruto. Esta não é uma regra complexa de agronomia. Se a árvore estiver corrompida, seu fruto será corrompido. E, naturalmente,  agricultor não precisa de uma árvore assim para nada. Logo, “Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo” (v. 19).

Jesus resumiu seu ensinamento com estas palavras: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis” (v. 20). Temos de abrir os ouvidos ao ensina- mento de Jesus e tapá-los ao ensinamento da cultura, que é totalmente desordenado. Se quisermos viver, precisamos permanecer longe do caminho espaçoso. Precisamos procurar a porta pela qual os homens devem entrar. Todas as outras portas conduzem para a perdição. Devemos buscar o caminho apertado, pois somente ele conduz à vida, independentemente do que os homens digam.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017. Editora Cultura Cristã. pag. 174-175.

 

 

3- Uma análise criteriosa.

 

Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento vamos encontrar muitos falsos profetas que se levantaram para tentar enganar os servos de Deus. Em geral, eles profetizavam somente aquilo que as pessoas desejavam ouvir e não se cansavam de dizer que foi o Senhor que disse. Ao ensinar a respeito do futuro, Jesus afirmou que “ surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos” (Mt 24.11). Por isso, precisamos vigiar para não ser enganados.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Como já citado, não devemos julgar ninguém precipitadamente, é sempre imprescindível que haja uma análise minuciosa dos fatos, bem criteriosa. Essa verdade pode ser vista no próprio ensino de Jesus. Observe que por duas vezes Ele diz: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16,20).

O conhecer aqui no grego é epiginósko, 1) tornar-se completamente conhecido, saber totalmente, conhecer exatamente, conhecer bem; 2) conhecer, reconhecer, pela visão, audição, ou por certos sinais, reconhecer quem é a pessoa. O tempo é futuro, a voz depoente média e o modo indicativo. Na verdade, a ênfase de Cristo é para se conhecer muito bem, pois é pelo conhecimento dos frutos que se notará a verdadeira natureza desses falsos profetas.

Jesus esclarece que esses impostores não ficarão impunes, pois, como são árvores podres, não produzem o que é bom. A sentença divina virá — serão cortados e lançados no fogo. No Novo Testamento, em especial nos Evangelhos, há ênfase de que aquilo que é podre, imundo, inútil, será cortado e lançado fora. Dos lábios de João Batista vieram as duras palavras sobre o machado à raiz da árvore que não dá bom fruto: tem que ser cortada (Mt 3.10).

A falta da produtividade daquilo que é bom é a grande prova de que tal árvore precisa ser cortada e lançada no fogo (Jo 15.6).

Amados irmãos, saibamos que apenas professar uma fé, ir à igreja, sem um compromisso verdadeiro com Cristo, não irá eximir ninguém da sentença do juízo da parte de Cristo. É necessário que a produtividade de bons frutos seja uma realidade constante em nosso viver diário, pois se estamos sendo inúteis, deve haver a remoção para que outro ocupe o nosso lugar, porque árvores que não produzem nada prejudicam as outras que estão no pomar.

Para julgarmos criteriosamente esses falsos profetas, temos de atentar tanto para suas doutrinas como também para suas obras. Eles podem enganar a muitos com seus disfarces, aparências, mas a grande e maior prova é estar atento aos seus ensinos, entender se realmente estão fundamentados nas Escrituras Sagradas. Caso sejam opostos à Palavra, rejeitemo-los imediatamente. Era dessa forma que se julgava um profeta no Antigo Testamento (Dt 13.1-5; 1Co 14.37).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 234-236.

 

 

Os crentes não irão somente enfrentar a deserção e a traição de dentro do corpo da igreja, como também surgirão muitos falsos profetas e os seus ensinos enganarão a muitos. O Antigo Testamento frequentemente menciona os falsos profetas (veja 2 Rs 3.13; Is 44.25; Jr 23.16; Ez 13.2,3; Mq 3.5; Zc 13.2). Os falsos profetas afirmavam receber mensagens de Deus, mas diziam o que o povo queria ouvir, mesmo quando a nação não estava seguindo a Deus. Nós temos falsos profetas hoje em dia, líderes populares que dizem às pessoas o que elas desejam ouvir – como “Deus quer que você seja rico”, “Faça o que os seus desejos lhe ordenarem” ou “Não existe pecado ou inferno”. Jesus disse que os falsos mestres viriam, e advertiu os seus discípulos, da mesma maneira como Ele nos adverte, a não ouvir às suas perigosas palavras.

Os falsos ensinos e a lassidão moral trazem uma doença particularmente destrutiva – a perda do verdadeiro amor por Deus e pelos outros. O amor esfria quando o pecado direciona a nossa atenção a nós mesmos e aos nossos desejos.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 141.

 

 

A respeito desses enganadores, observe aqui:

(1) Os pretextos sob os quais eles apareceriam. Satanás age maliciosamente quando aparece como um anjo de luz; o pretexto de um bem maior é, freqüentemente, o que encobre o mal maior.

[1] Apareceriam “falsos profetas” (w. 11-24). Os enganadores fingiriam ter inspiração divina, uma missão imediata e um espírito de profecia, quando tudo isso era uma mentira. Assim eles tinham sido anteriormente (Jr 23.16; Ez 13.6), como havia sido predito (Dt 13.3). Alguns pensam que os enganadores aqui indicados eram pessoas que tinham se estabelecido como professores na igreja, e tinham conquistado reputação por sê-lo, mas posteriormente traíram a verdade que tinham ensinado e se voltaram para o erro; e de pessoas assim, o perigo é ainda maior, porque elas são mais insuspeitas. Um falso traidor nas tropas pode causar mais mal que mil arquinimigos de fora.

[2] Apareceriam falsos Cristos: “Muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo” (v. 5), estes assumirão o nome peculiar a Ele, dizendo: “Eu sou o Cristo” – “falsos cristos” (v. 24). Havia, naquela época, uma expectativa geral pelo aparecimento do Messias; falava-se dele como sendo aquele que viria; mas quando Ele realmente veio, a nação o rejeitou; disso, aqueles que tinham ambição de serem famosos se aproveitaram, e se passaram por Cristo. Josefo fala de diversos impostores deste tipo, entre essa ocasião e a destruição de Jerusalém; um Teudas, que foi derrotado por Cóspio Fado. Outro, por Félix, outro, por Festo. Dosetheus disse que era o Cristo profetizado por Moisés. Origen adversus Celsum. Veja At 5.36,37. Simão, o mágico, fingiu ter “a grande virtude de Deus” (At 8.10). Nos anos posteriores, houve pessoas que fingiram como ele; um deles, cerca de cem anos depois de Cristo, chamava a si mesmo de Bar-cochobas – O filho de uma estrela, mas, na verdade, era Bar-cosba – O filho de uma mentira. Aproximadamente cinquenta anos antes, Sabbati-Levi tinha se estabelecido como Messias no império turco, e foi muito querido pelos judeus; mas dentro de pouco tempo, foi revelada a sua tolice. A religião papista, na verdade, estabelece um falso Cristo.

O papa se apresenta, em nome de Cristo, como seu substituto, mas invade e usurpa todos os seus ofícios, e passa a ser seu rival; e como tal, torna-se seu inimigo, um enganador, e um anticristo.

[3] Esses falsos Cristos e falsos profetas teriam seus agentes e emissários trabalhando em todos os lugares, para atrair pessoas (v. 23). Então, quando os problemas públicos forem grandes e ameaçadores, e as pessoas estiverem procurando qualquer coisa que se pareça com libertação, Satanás irá se aproveitar e impor-se a elas.

Eles dirão: Eis aqui o Cristo, ou: Ei-lo ali; mas não acreditem neles: o verdadeiro Cristo não luta, não clama, nem foi dito sobre Ele: “Ei-lo aqui! Ou: Ei-lo ali”! (Lc 17.21), portanto, se alguém disser isso sobre Ele, considere que é uma tentação. Os eremitas, cuja religião é vivida em uma vida monástica, dizem: Ele está no deserto; os sacerdotes, que dizem que a hóstia consagrada é Cristo, dizem: Ele está en tois tameiois – nos armários, no interior da casa. “Eis que Ele está neste santuário, naquela imagem”. Desta maneira, alguns se apropriam da presença espiritual de Cristo, em benefício de um grupo ou de uma crença, como se tivessem o monopólio de Cristo e do cristianismo; e assim pensam que o reino de Cristo deve erguer-se e cair, viver e morrer, com eles.

“Eis que Ele está nesta igreja, ou naquele concílio”. Mas “Cristo é tudo em todos”, e assim não é possível ficar dizendo que Ele está aqui ou ali; pois Ele vai ao encontro do seu povo com uma bênção em todos os lugares onde Ele registra o seu nome.

(2) A prova que eles ofereceriam por fazer o bem com esses pretextos: eles “farão tão grandes sinais e prodígios” (v. 24). Não seriam milagres verdadeiros, aqueles que são um selo divino, e com os que se confirma a doutrina de Cristo; portanto, se alguém tentar nos atrair por tais sinais e prodígios, nós devemos recorrer àquela regra dada antigamente (Dt 13.1-3): “Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos, porquanto o Senhor, vosso Deus, vos prova” . Mas esses eram “prodígios de mentira” (2 Ts 2.9), operados por Satanás (com a permissão de Deus), que é “o príncipe das potestades do ar” . Não foi dito: Eles realizarão milagres, mas sim: Eles farão grandes sinais. Eles nada são, além de um espetáculo; ou influenciam a credulidade dos homens por falsas narrativas, ou enganam os seus sentidos com truques de prestidigitação, ou artes de adivinhação, como faziam os mágicos do Egito com seus encantos.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 310-311.

 

 

SINOPSE III

Jesus advertiu quanto às mentiras dos falsos profetas.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

“Os Verdadeiros Profetas e os Falsos Profetas (7.15-23).

A advertência de Jesus sobre os falsos profetas têm uma lição oportuna para a igreja atual. Só Mateus registra a advertência sobre os falsos profetas que são lobos vestidos (endyma) como ovelha as (probaton). Estas duas palavras fazem parte do vocabulário preferido de Mateus: Ele usa o termo endyma para dizer que as roupas são necessidade básica (Mt 6.25,28) e para identificar especificamente as pessoas que usam vestuário exclusivo como parte do Reino de Deus (Mt 3.4; 22.11,12; veja também Mt 28.2,3); ele usa o termo probaton para descrever os eleitos ou o povo de Israel (e.g., Mt 10.6; 15.24; 25.32,33). Neste ponto Jesus enfatiza que às vezes os falsos profetas não podem ser discernidos só por palavras ou ações. Embora façam grandiosos milagres (Mt 7.22), podem ser falsificações. O Evangelho de Mateus torna o fruto dos profetas a verdadeira prova de tais ministérios. O caráter é essencial. O evangelista comenta muitas vezes o tema de árvores boas e ruins e seus frutos; seu interesse em produzir justiça o compele a repetir o tema. […] Em Mateus 12.33,35 Jesus une a acusação dos fariseus (de que Ele faz o bem pelo poder do mal) com dar maus frutos ou se a chama de blasfêmia contra o Espírito Santo” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.61).

 

 

CONCLUSÃO

 

A Bíblia revela que Deus é bom e que Ele partilha da sua benignidade com suas criaturas, cuidando delas, quer sejam boas, quer sejam más (Mt 5.45). Ele não somente providencia as coisas materiais para nós, mas, em especial a nossa salvação. A salvação é resultado da graça e do amor do Pai (Jo 3.16). Estejamos sempre em alerta, pois existem aqueles que querem macular e adulterar os ensinos de nosso Salvador Jesus Cristo.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- De acordo com a lição, defina a palavra “ bondade”. A palavra “ bondade” é definida como qualidade ou caráter de bom; boa índole, benevolência, brandura e boa ação.

 

2- Como a bondade é descrita filosoficamente?

Filosoficamente, a bondade é descrita como sendo o princípio mais elevado da moral.

 

3- Quais são os dois caminhos segundo Mateus 7.13,14?

O caminho estreito e o caminho largo.

 

4- Qual a porta que conduz à vida eterna?

É a porta estreita.

 

5- Como detectar os falsos profetas?

Podemos facilmente identificá-los, porque em seus ensinamentos, minimizam a Cristo e glorificam a si mesmos”. Também podemos identificá-los por seus frutos (Mt 7.16).

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 2° Trimestre 2022   

 

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