12 Lição 3 Tri 20 – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

12 Lição 3 Tri 20 – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

11 Lição 3 Tri – Esdras vai a Jerusalém ensinar a Palavra

TEXTO ÁUREO

“Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas?” (2 Co 6.14)

VERDADE PRÁTICA

O lar foi instituído por Deus para ser uma bênção, desde que seja observada a orientação divina na sua formação.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Gn 2.18-24 – O casamento, uma instituição divina

Terça – Êx 34.10-16; Dt 7.3 – Deus reprova o casamento misto

Quarta – Jz 14.1-16 – A tragédia de um casamento misto

Quinta – Gn 24.38-67 – Um casamento aprovado por Deus

Sexta – Cl 3.19; Tt 2.4 – O amor, a base do casamento

Sábado – Êx 12.12-23 – A proteção do lar

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Esdras 9.1-4; Neemias 13.23-26; 9.38; 10.1,29,30

Esdras 9

1 – Acabadas, pois, essas coisas, chegaram-se a mim os príncipes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas não se têm separado dos povos destas terras, seguindo as abominações dos cananeus, dos heteus, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus,

2 – porque tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e assim se misturou a semente santa com os povos destas terras, e até a mão dos príncipes e magistrados foi a primeira nesta transgressão.

3 – E, ouvindo eu tal coisa, rasguei a minha veste e o meu manto, e arranquei os cabelos da minha cabeça e da minha barba, e me assentei atônito.

4 – Então, se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel, por causa da transgressão dos do cativeiro; porém eu me fiquei assentado atônito até ao sacrifício da tarde.

Neemias 13

23 – Vi também, naqueles dias, judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas.

24 – E seus filhos falavam meio asdodita e não podiam falar judaico, senão segundo a língua de cada povo.

25 – E contendi com eles, e os amaldiçoei, e espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos, e os fiz jurar por Deus, dizendo: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para vós mesmos.

26 – Porventura, não pecou nisso Salomão, rei de Israel, não havendo entre muitas nações rei semelhante a ele, e sendo amado de seu Deus, e pondo-o Deus rei sobre todo o Israel? E, contudo, as mulheres estranhas o fizeram pecar.

Neemias 9

38 – E, com tudo isso, fizemos um firme concerto e o escrevemos; e selaram-no os nossos príncipes, os nossos levitas e os nossos sacerdotes.

Neemias 10

1 – E os que selaram foram Neemias, o tirsata, filho de Hacalias, e Zedequias,

29 – firmemente aderiram a seus irmãos, os mais nobres de entre eles, e convieram num anátema e num juramento, de que andariam na Lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus; e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do SENHOR, nosso Senhor, e os seus juízos e os seus estatutos;

30 – e que não daríamos as nossas filhas aos povos da terra, nem tomaríamos as filhas deles para os nossos filhos;

HINOS SUGERIDOS: 88, 193, 515 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Salientar o perigo das uniões ilícitas.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apresentar o combate de Esdras e Neemias com o casamento misto;

Explicar o porquê de um judeu não poder se casar com uma pagã;

Destacar a sobrevivência do povo judeu;

Aconselhar a respeito do casamento de crentes;

Incentive a espera em Deus.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

O casamento constitui o elemento de unidade do povo de Deus. Por isso, o Antigo Testamento proibia a união mista. Esta trazia uma cultura alheia a do povo de Deus e o consequente pecado de idolatria. A Bíblia menciona a idolatria do rei Salomão como influência clara da religião de suas esposas estrangeiras. Contra esse perigo que Esdras e Neemias se levantam, pois a prática de casamento mistos era comum no meio do povo. Israel não poderia ser reconstruído com o perigo de cair novamente na idolatria e violar sua identidade como povo de Deus. Por isso os líderes da reconstrução exortam ao povo a manter a pureza de seus princípios espirituais outorgados pela Lei de Deus.

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INTRODUÇÃO

Nesta lição iremos estudar o grave problema do casamento entre judeus e mulheres pagãs. Veremos a enérgica ação de Esdras e de Neemias para solucionar este problema, e também o que a Palavra de Deus diz sobre o assunto.

Na lei de Deus, aparece a ordem: “Não faças concerto com os moradores da terra, nem tomes das suas filhas para os teus filhos… (Êx 34.11-16; Dt 7.3,4). Foi por este motivo que o sacerdote Esdras, conforme a leitura da nossa lição, ficou perplexo, quando tomou conhecimento de que o povo, depois de haver voltado do exílio, tomava mulheres dos povos gentílicos em redor, misturando a semente santa.

O povo começou a seguir as abominações dos povos. Ele, então, chorou, rasgou os seus vestidos, e buscou com profunda dor a ajuda de Deus, reconhecendo que eles, com isto, haviam deixado os mandamentos, violando-os, aparentando-se com os povos destas abominações (Ed 9.1-14). O resultado deste movimento foi uma purificação e tomada de atitude firme em obediência à Palavra de Deus (Ed 10.1-13).

PONTO CENTRAL

A união ilícita é um perigo espiritual.

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I – ESDRAS E NEEMIAS COMBATEM O PERIGO DO CASAMENTO MISTO

1 – A ira e a reação de Esdras.

Quando Esdras foi informado que muitos judeus, morando em Judá, haviam se casado com mulheres pagãs, ele ficou muito angustiado. Manifestando sua profunda tristeza, rasgou seu vestido, sua capa, e arrancou os cabelos, tanto de sua barba como de sua cabeça, e assentou-se atônito na praça. A notícia da reação de Esdras espalhou-se pela cidade, e muitos reuniram-se a ele. Na hora do sacrifício da tarde, Esdras dobrou seus joelhos diante do povo, e orou a Deus (Ed 9.6-15). E todo povo chorou com grande choro (Ed 10.1).

2 – O efeito da atitude de Esdras foi imediato.

Secanias, um judeu bem conhecido, e que se havia casado com uma mulher estranha, disse a Esdras diante de todo o povo: “Agora, pois, façamos concerto com o nosso Deus, de que despediremos todas as mulheres e tudo o que é nascido delas, conforme o conselho do Senhor e dos que tremem no mandado do nosso Deus; e faça-se conforme a Lei” (Ed 10.3). Disseram a Esdras: “Levanta-te, pois, porque te pertence este negócio, e nós seremos contigo; esforça-te” (Ed 10.4).

3 – O arrependimento do povo.

Esdras levantou-se e ajuramentou a todos que fariam conforme as palavras de Secanias. E o povo jurou! (Ed 10.5). Todos os que haviam retornado do cativeiro foram convocados, e Esdras falou-lhes: “Vós tendes transgredido e casastes com mulheres estranhas […] fazei confissão ao SENHOR […] apartai-vos […] das mulheres estranhas”. E responderam todos: “Assim seja; conforme as tuas palavras, nos convém fazer” (Ed 10.10-12). Sobre este negócio foram postos que Jônatas e Jazeias, auxiliados por dois levitas. Eles receberam a incumbência de supervisionar o encerramento definitivo destas uniões proibidas pela lei de Deus (Ed 10.15,16).

Antes mesmo da chegada de Esdras a Jerusalém, Neemias já havia enfrentado o problema do casamento misto. Vários judeus, inclusive alguns sacerdotes, haviam se casado com mulheres estranhas. Neemias os fez jurar que não mais fariam isto (Ne 13.25). Neemias afastou de entre os sacerdotes e de entre os levitas aqueles que eram estranhos, e contratou novos sacerdotes e levitas para preencherem os cargos vagos. Um dos netos do sumo sacerdote Eliasibe era genro de Sambalate, e foi afastado por Neemias (Ne 13.25-30).

SÍNTESE DO TÓPICO I

Esdras combateu o perigo da união mista com contundência.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A exclusividade implícita nesta resposta ecoou repetidamente nas advertências de Esdras e Neemias ao povo remanescente para separar-se das populações circunvizinhas, sobretudo na prática matrimonial.

Esdras ouviu a reclamação que o povo, os sacerdotes e os levitas tinham se casado com indivíduos das nações vizinhas descrentes, uma abominação que resultou na mistura da raça santa com os que os cercavam (Ed 9.2). Como fizeram os antepassados dessas nações séculos antes, eles entraram na terra da promessa para levar as práticas más dos habitantes cananeus (vv.11,12).

Esdras ficou tão indignado com este desarranjo das linhas demarcatórias que ordenou o divórcio peremptório sempre que houvesse casamentos mistos (Ed 10). Anos mais tarde, Neemias retomou a causa. Ordenou que os israelitas que tinham se separado das nações vizinhas pagãs renovassem os votos do concerto ao Senhor (Ne 9.2) e se contivessem, daí em diante, de casarem-se entre nacionalidades diferentes (10.28). De interesse especial para Neemias, foi o problema do casamento entre judeus com as mulheres de Asdode, Amom e Moabe. Comparou essas alianças com as de Salomão, que resultaram no fim da monarquia (Ne 13.13-27)” (ZUCK, Roy (Ed.). Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.215).

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II – POR QUE UM JUDEU NÃO DEVIA CASAR COM UMA PAGÃ?

1 – Deus havia proibido o casamento misto (Dt 7.2-4; Êx 34.16; Js 23.12,13).

A desobediência a esta ordem de Deus era um ato de rebelião. A finalidade desta proibição era evitar que o judeu viesse a seguir a religião de sua mulher pagã.

2 – A história de Israel registra vários exemplos das consequências nefastas do casamento misto.

Vejamos:

a. Salomão, filho de Davi, rei de Israel, o que construiu o grande Templo em Jerusalém, contaminou-se por causa dos casamentos com mulheres pagãs. Elas perverteram seu coração, e ele passou a seguir os seus deuses estranhos (1 Rs 11.1-9). Como consequência do seu pecado no reino de seu filho Reoboão as dez tribos do Norte separaram-se, e constituíram-se em um reino independente sob a liderança de Jeroboão (1 Rs 12.16-19).

b. Acabe, rei de Israel, casou-se com Jezabel, princesa sidônia (1 Rs 16.31). Jezabel fortaleceu o culto a Baal em Israel, e perseguiu os profetas de Deus (1 Rs 18.4).

SÍNTESE DO TÓPICO II

Deus proibiu a união mista entre os judeus porque a consequência dessa prática é nefasta conforme a história de Israel mostra.

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III – A SOBREVIVÊNCIA DO POVO JUDEU

Existem judeus até os dias de hoje, porque, embora espalhados por quase todos os países do mundo (Lc 21.24), não se misturaram com os povos, no meio dos quais passaram a viver, conservando-se sempre separados. Este é o resultado da obediência à orientação dada na lei divina, que inspirou outras leis que regem os judeus em todo o do mundo, as quais proíbem que uma pessoa judia se case com uma não judia.

A preservação do povo judeu é considerado um milagre, quando se aliam as tremendas perseguições que sofreram durante séculos em muitos países, como por exemplo Espanha, Polônia, Inglaterra, por ocasião da Segunda Guerra Mundial, o nazismo na Alemanha.

SÍNTESE DO TÓPICO III

A preservação do povo judeu é considerada um milagre.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

“[Prometemos] que não daríamos as nossas filhas aos povos da terra, nem tomaríamos as filhas deles para os nossos filhos’ (10.30), preceituava o ‘firme concerto’. Na ocasião em que ele fora firmado, a pureza racial fora tema de preocupação comum, e eles ‘apartaram de Israel toda mistura’ (13.3), indo além do que mandava a lei, que excluía apenas amonitas e moabitas. Não obstante, o zelo pela natureza do sangue israelita, e em fazer tudo para agradar a Deus, que presumivelmente instigara tal exclusivismo, evaporara-se.

Quando Neemias retornou a Jerusalém, encontrou lá ‘judeus que tinham casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas’ (13.23).

O motivo pode ter sido a paixão, é claro, porém é mais provável que haja sido prudência (se é que se pode chamar assim), que tinha os olhos na oportunidade e nos casamentos por dinheiro, prestígio ou alguma outra forma de lucro mundano. E, em alguns casos, Neemias descobriu que a língua falada em casa, por decisão dos pais, era estrangeira. […] (13.24). Isso enfureceu Neemias, não apenas pela quebra do voto, mas porque as crianças seriam incapazes de partilhar da adoração em Israel, ou aprender eficazmente a Lei; consequentemente, não estariam aptas a transmitir a fé aos filhos que viriam a ter, e assim estaria em risco a futura unidade espiritual da nação israelita da nação de Israel” (PACKER, J. I. Paixão Pela Fidelidade: Sabedoria extraída do livro de Neemias. Rio de Janeiro: CPAD

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IV – UMA PALAVRA FINAL SOBRE O CASAMENTO DOS CRENTES

A maior bênção que Deus deu à humanidade foi o envio de Jesus Cristo para ser o Salvador do mundo. Mas no sentido material, a maior bênção que Deus dá ao ser humano é o casamento. A orientação que a Bíblia dá ao crente quanto ao casamento é: “E fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor” (1 Co 7.39). A Bíblia explica em 2 Co 6.14-17 as implicações da expressão NO SENHOR, e cada crente que estiver pensando em casar-se deve meditar profundamente sobre este texto.

Que Deus guarde cada crente de algum dia aceitar um jugo desigual com um infiel. Porque assim como o casamento na direção do Senhor enseja a possibilidade de uma felicidade sem limites, o casamento de um crente com um descrente com muita probabilidade será uma infelicidade. Casamento é uma união total entre homem e mulher. Jesus disse: “Não são mais dois, mas uma só carne” (Mt 19.6).

Casamento

Isto fala de uma perfeita união entre os cônjuges, envolvendo o corpo, a alma e o espírito de ambos. Casando-se o crente com um que não é crente, pode naturalmente obter união de corpo e em parte de alma, mas é impossível que haja união de espírito, pois enquanto um pertence ao reino de Deus o outro é do reino das trevas (2 Co 6.14). Que diferença tremenda, que abre uma brecha muito triste na união. Ainda que o crente tenha pedido perdão a Jesus por esta falta cometida, vive agora preso a um outro com quem não tem nenhuma união no espírito. É impossível calcular o sofrimento que uma união desta natureza tem causado.

Também a parte não crente, não respeita a parte crente, pois sabe que ele errou contra a Bíblia, amando mais o casamento do que a Deus. Em lugar de ter-se estabelecido um lar cristão, uma plataforma do evangelho, aumentando, assim, a influência espiritual da Igreja, houve um triste recuo. Um soldado de Cristo passou para o lado oposto. Em lugar de um lar cristão, com uma viva influência sobre os filhos (2 Tm 1.4,5; At 7.20,21), forma-se um lar sem definição espiritual. Os filhos estão desprovidos de ajuda espiritual (Ne 13.23,24).

SÍNTESE DO TÓPICO IV

O casamento é a união total entre um homem e uma mulher.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Conclua a lição esclarecendo aos alunos o princípio de unidade que o nosso Senhor Jesus ensinou na oração sacerdotal de João 17.18-24. É importante ressaltar que os princípios eternos do Reino de Deus devem ser aplicados à vida inteira. Então, por que não aplicaríamos essa coerência no casamento, uma das decisões mais importantes do futuro de uma pessoa?

Tome exemplos bíblicos como o de Sansão, no livro de Juízes, e o de Salomão, no livro de 1 Reis, destacando as dificuldades espirituais que esses dois líderes passaram. As consequências de suas escolhas foram catastróficas, não só para eles mesmos, mas, sobretudo, para o povo que eles representavam. Finalize dizendo que em relação ao casamento, a decisão sempre afeta mais de uma pessoa. Ela traz consequência para toda a família.

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V – ESPERA EM DEUS

Findamos este estudo sobre o casamento misto, onde a Palavra de Deus é muito clara neste apelo:

“Espera em Deus” (SI 27.14; 37.7). Jovem! O seu desejo de ter um lar, e experimentar a riqueza do amor de um companheiro ou de uma companheira é natural. Lembra-te de que Deus ouve a oração. Quando Eliezer orou, pedindo que Deus mostrasse quem seria a noiva de Isaque, recebeu uma gloriosa resposta (Gn 24.12-27). Glória a Deus! Uma escolha precipitada, olhando somente para o que está diante de seus olhos (1 Sm 16.7), pode impedir que recebas aquele ou aquela que Deus tem preparado para ti. Entrega pois a tua vida e o teu futuro a “Deus, faz que o solitário viva em família” (SI 68.6). Deus, que trouxe a companheira para Adão (Gn 2.22), poderá fazer isto por ti. Espera pois no Senhor!

SÍNTESE DO TÓPICO V

Ouça este bom conselho: “Espera em Deus”.

PARA REFLETIR

A respeito de “Esdras e Neemias Combatem o Casamento Misto ”, responda:

1 – No tocante aos casamentos mistos, qual era a recomendação do Senhor a Israel?

“Não faças concerto com os moradores da terra, […] tomes mulheres das suas filhas para os teus filhos” (Êx 34.12,16).

2 – Qual foi a reação de Esdras ao tomar conhecimento de que os judeus haviam se unido às mulheres pagãs em casamento?

Angustiou-se muito, rasgou as vestes e arrancou os cabelos, num sinal de pesar pela rebeldia do povo.

3 – Que famoso rei de Israel comprometeu sua vida espiritual em consequência de casamentos mistos?

Salomão.

4 – No tocante ao casamento, o que recomenda a Bíblia para o crente?

“Está livre para casar, contanto que seja no Senhor”.

5 – Por que os casamentos mistos eram perigosos para o povo judeu?

Porque ameaçavam a fé hebraica e a própria sobrevivência do povo de Israel.

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INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

Nem contrairás matrimônio. Os israelitas não podiam mesclar-se com os cananeus. Paulo advertiu contra o poder corruptor de um jugo desigual (ver II Cor. 6.14 ss.), tendo falado sobre o fato de que um pouco de fermento leveda a massa inteira (ver I Cor. 5.6). Os cananeus estavam sendo julgados por causa da iniquidade deles.

Casamentos mistos não somente corromperiam o povo de Israel, mas também encerrariam os israelitas em um mesmo pacote com os pagãos, e em breve o juízo divino aniquilaria as massas, Israel inclusive. Com a passagem dos séculos, os israelitas foram proibidos até de manter relações sociais com os povos pagãos, e não somente de celebrar casamentos mistos. Esse foi o motivo da sobrevivência do judaísmo em um mundo hostil. A fé espiritual deles fluiu rápida e profundamente, por estar confinada dentro de corredores estreitos.

O Targum de Jonathan afirma que aquele que se casava com um pagão casava-se com seus ídolos; e quase sempre assim acontecia. A relação matrimonial exerce grande poder para elevar moralmente ou para degradar.

Elas fariam desviar teus filhos de mim. Uma das maneiras mais eficazes de promover a idolatria consistia em casamentos mistos com povos idólatras. Não demorou muito tempo, depois que essa proibição foi baixa- da, para que Israel recebesse um notável exemplo disso, com uma praga subsequente que matou vinte e quatro mil pessoas (ver o capítulo 25 de Números).

Não havia nenhuma razão para supor que as coisas seriam diferentes disso, mera- mente porque Israel se tinha mudado da Transjordânia para a parte ocidental da Palestina. Conforme declarou Sêneca, eles podiam ter passado por uma mudança de ambiente, mas não mudança de coração. Também houve o exemplo posterior de Salomão, o qual, embora tenha sido o homem mais sábio dos homens, não foi capaz de resistir à corrupção introduzida em sua vida pelas suas muitas esposas, incluindo a idolatria.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 789.

Eles não deveriam se casar com aqueles que escaparam da espada, vv. 3,4. As famílias dos cananeus eram antigas, e é provável que alguns deles fossem chamados de honoráveis, o que poderia tentar os israelitas, especialmente aqueles que tinham menos importância em suas tribos, a procurar uma aliança com eles, para enobrecer o seu sangue. Outro motivo tentador seria, especialmente, o conhecimento que tinham daquela terra. Este poderia ser útil aos israelitas no desenvolvimento da nação.

Mas a religião e o temor a Deus devem prevalecer sobre todas essas considerações. Aparentar-se com eles era, portanto, proibido porque era perigoso. Essa mesma circunstância demonstrou ser de trágicas consequências para o mundo antigo (Gn. 6.2). E milhares, no mundo de hoje, têm sido destruídos por causa de casamentos profanos, pecaminosos e ímpios. Pois existe, nos casamentos mistos, mais motivos para se temer que o cônjuge bom seja pervertido, do que a esperança de que o cônjuge mau seja convertido.

O acontecimento comprovou a racionalidade dessa advertência: Eles farão desviar teu filho de mim. Salomão pagou caro por essa insensatez aqui mencionada. Nós encontramos um arrependimento público por esse pecado de contrair matrimônio com esposas estranhas, e os cuidados tomados para corrigi-lo (Ed 9 e 10 e Ne 13).

Há também um alerta no Novo Testamento para que os cristãos não se prendam a um jugo desigual com os infiéis, 2 Coríntios 6.14. Aquele que, ao escolher o seu cônjuge, não se mantém pelo menos dentro dos limites de uma profissão justificável da religião, não pode se assegurar de que terá uma ajuda adequada. Uma das paráfrases caldeias acrescenta aqui, como uma razão para essa ordem (v. 3): Pois aquele que se casa com idólatras, na verdade se casa com os seus ídolos.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 582.

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I – ESDRAS E NEEMIAS COMBATEM O PERIGO DO CASAMENTO MISTO

1 – A ira e a reação de Esdras.

1. A Tristeza de Esdras pela Negligência Moral (9.1-4)

Conhecedores do zelo de Esdras pela lei e o seu desejo de vê-la obedecida por seu povo, alguns dos líderes judeus de Jerusalém contaram-lhe um problema que aparentemente já lhes tinha causado grande preocupação. O povo não se mantivera afastado de seus vizinhos pagãos como fora aconselhado fazer segundo a lei de Deus. Muitos deles tinham se casado com pessoas que pertenciam a famílias de nações vizinhas. A referência à semente santa  significa “a raça sagrada se misturou com os povos da terra”. Entre eles estavam alguns que eram considerados seus líderes – a mão dos príncipes e magistrados foi a primeira nesta transgressão.

Ao ouvir essa notícia, de acordo com o conhecido costume oriental, Esdras rasgou a sua veste para mostrar sua enorme tristeza e, até mesmo, arrancou os cabelos da sua cabeça e da sua barba (3). Este comportamento chamou a atenção de muitos dos judeus que se reuniram ao seu redor, alguns por mera curiosidade, mas outros para compartilhar a sua dor. Neste estado de espírito, ele ficou assentado atônito (4; espantado ou consternado) no pátio do Templo até a hora do sacrifício da tarde.

Para uma mente ocidental, essa descrição do pesar de Esdras parece enormemente exagerada; mas ela serve para ressaltar a grave natureza do pecado e o horror com que ele é encarado pelos verdadeiros filhos de Deus. Esdras, aqui, era um representante da Lei para o povo, e era muito apropriado que ele demonstrasse como abominava essa desobediência geral da nação.

2. A Oração de Esdras (9.5-15)

Na hora do sacrifício da tarde (5), Esdras deixou a sua tristeza, que o tinha mantido ocupado durante horas. Com as roupas rasgadas ele se ajoelhou perante Deus para orar pelos seus compatriotas pecadores. Essa oração de humilde confissão e de fervorosa intercessão a favor daqueles que tinham pecado é uma das notáveis orações das Escrituras.

Esdras começa com uma expressão pessoal de vergonha, porque ele se identifica com os seus irmãos pecadores. A seguir, ele faz uma exposição da história de seu povo como uma longa história de quedas (pecados) e transgressões, pelas quais foi necessária a punição de Deus, o qual permitiu que eles fossem levados cativos por nações gentílicas (de não judeus).

A expressão confusão do rosto (7) pode ser traduzida como “desgraça completa”. Agora, em sua providência, Deus havia abrandado os corações dos reis persas e tornado possível o retorno dos judeus à sua própria terra. Uma estabilidade no seu santo lugar (8; hebr., “prego”, “cravo”, ou “estaca de tenda”) – o significado é que Deus lhes havia proporcionado um lugar de segurança. Nos desse uma parede (9) não se refere literalmente às muralhas de Jerusalém.

Elas foram reconstruídas mais tarde, sob o comando de Neemias. A frase aqui é uma expressão figurada que significa “ter proteção” (Berk.). Será possível que, apesar da bondade do Senhor, eles serão novamente culpados de tal pecado? Finalmente, com o reconhecimento da justiça de Deus, ele deixa o povo nas mãos do Senhor para fazer com eles o que julgar adequado. Sobrevivemos (15) significa “nós somos o remanescente que escapou” (Smith-Goodspeed).

Nos versículos 5-15 podemos ver “uma oração de penitência”. (1) Uma confissão da culpa do grupo, quando uma pessoa se identifica com o seu povo, 5,6; (2) nós não acreditamos e fomos punidos no passado, 7; (3) Deus, no passado, mostrou uma graça maior do que os nossos pecados anteriores, 8,9; (4) com conhecimento, pecamos outra vez, 10-14; (5) nós somente podemos confessar, mas é o que fazemos, 15.

Demaray. C. E. Comentário Bíblico Beacon. Esdras. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 500-501.

Após passar um dia em um silêncio atordoado, as primeiras palavras de Esdras são dirigidas àquele que ouve as orações. Sua posição de joelhos com os braços estendidos para o céu era convencional para aquela época; no entanto, a posição de Esdras é descritiva, não normativa. Não se pode legislar sobre a posição de Esdras como sendo a única posição correta para a oração cristã, hoje. Isso é ainda mais esclarecido quando vemos que o manto e as vestes de Esdras estão rasgados, um claro sinal de angústia e luto. Suas ações atrairiam a atenção para a seriedade da ofensa e a gravidade da situação.

Na oração, Esdras confessa o pecado, identificando-se com o povo confessando o pecado coletivo. Embora ele se refira a Deus como “meu Deus”, ele confessa as “nossas iniquidades”. O pecado que ele confessa é o da desobediência aos mandamentos de Deus. Esdras reconhece que o exílio foi o resultado direto do pecado do povo, mas que o retomo do exílio foi o resultado direto do amor imutável de Deus para com seu povo (v. 9). “As citações nos versículos 11-12 são um conglomerado de expressões emprestadas de várias partes das Escrituras.”

 De fato, os ecos de Levítico 18 e Ezequiel 37 classificam o pecado do casamento misto como uma abominação e indicam o culpado como moralmente impuro. Na oração, Esdras confessa o pecado do casamento misto com pagãos. Ele não pode acreditar que o povo agiu mais uma vez contra a Lei de Deus, especialmente após ter experimentado a graça de Deus que lhe permitiu retornar do exílio.

O versículo 14 contém duas perguntas retóricas. A primeira, “Tomaremos a violar os teus mandamentos e a aparentar-nos com os povos destas abominações?”, exige um “não” como resposta. A segunda pergunta, “Não te indignarias tu, assim, contra nós, até de todo nos consumires?”, exige uma resposta positiva. Na oração, Esdras exalta a Deus e afirma a justiça e a retidão de Deus.263 Somente confessando seu pecado e invocando a graça de Deus o povo pode ter esperança de escapar da penalidade que trouxe sobre si mesmo por desobedecer a Palavra de Deus.

Ainda que as coisas estejam melhorando, o texto deixa claro que o leitor deve esperar por mais. O povo não retomou toda sua terra, o templo é menos glorioso que o de Salomão, e ainda não há um rei davídico no trono. Essas grandes expectativas serão cumpridas apenas por meio da primeira e segunda vindas de Cristo.

A oração de Esdras é um monumento à importância da oração para o líder cristão atual. Programas, não importa quão elaborados ou extravagantes, nunca poderão substituir uma profunda vida de oração. Como Esdras, precisamos aprender a confessar o pecado pessoal e o coletivo. Como Esdras, precisamos aprender a nos identificar com as pessoas a quem ministramos. O líder com uma atitude de “mais santo do que vós” (santarrão) não irá longe, enquanto que o líder que se humilha, a fim de identificar-se com aquele que errou, terá sucesso em ser como nosso Senhor Jesus “que a si mesmo se esvaziou”, assumiu a forma de servo e humilhou-se por amor a nós (Fp 2.7-8).

Tiberius Rata. Comentário do Antigo Testamento Esdras e Neemias. Editora Cultura Cristã. pag. 96-98

2 – O efeito da atitude de Esdras foi imediato.

Esdras liderava pelo exemplo. Ele orou e chorou pelos pecados do povo, e porque era um verdadeiro líder as pessoas seguiram seu exemplo. Líder e seguidores choraram juntos pelo pecado dos casamentos com mulheres estrangeiras. Porém, visto que arrependimento significa mais do que chorar pelos pecados, Secanias encoraja Esdras a agir. Ainda que ele não esteja listado entre os culpados, Secanias é um líder leigo que se identifica com o povo. Ele admite culpa: “Nós temos transgredido contra o nosso Deus, casando com mulheres estrangeiras”.

A expressão “mulheres estrangeiras” aparece dez vezes no Antigo Testamento. Ela aparece pela primeira vez em conexão com o rei Salomão, que se casou com mulheres estrangeiras identifica- das como moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hititas. Tanto o contexto de Reis quanto o de Esdras-Neemias sugere que essas mulheres eram “idólatras e não judias”. Assim, “não foi o casamento com estrangeiros que causou tal consternação em Esdras, mas com estrangeiros que, quer sincretistas quer pagãos, eram idólatras”.

Secanias tinha conhecimento da lei que proibia o casamento misto, e admite a culpa. Ele não minimiza isso, dizendo que “todo mundo está fazendo o mesmo”. Mais importante, ele não perde a esperança de que as coisas podem ser corrigidas. “No tocante a isto, ainda há esperança para Israel”, são suas relevantes palavras de confiança. Secanias também conhece a história. Ele sabe que Deus deseja ter um relacionamento com o seu povo, e que ele faz isso por meio de alianças. Secanias certamente não estava alheio aos pactos que Deus fez com Abraão, Moisés e Davi. As estipulações da aliança são extremas.

Os culpados pelo pecado de casamentos com mulheres estrangeiras devem se comprometer a “despedir” não apenas as mulheres, mas também os filhos. Embora a proposta pareça dura à vista da compreensão cristã contemporânea, a proposta visava a resguardar os filhos de Deus de profanar a sagrada instituição do casamento. “Despedir” é a expressão usada em conexão com o divórcio em Deuteronômio 24.3. Visto que os homens judeus se casaram com mulheres estrangeiras em desacordo com a Lei de Deus, esses casamentos eram considerados ilegais desde o início. Secanias encoraja Esdras a agir e lhe garante o apoio do povo. A exortação “sê forte” poderia ter lembrado Esdras das palavras encorajadoras de Moisés a Josué (Dt 31.7), e das palavras de Deus a Josué (Js 1.6,9).

Tiberius Rata. Comentário do Antigo Testamento Esdras e Neemias. Editora Cultura Cristã. pag. 99-100.

A iniciativa do povo

Ao invés de fustigar um povo relutante até que agisse, Esdras afligiu a consciência dele ao ponto de o povo agora conclamá-lo para somar a iniciativa. O desespero dele, que está aparente, provoca-os a procurar esperança para Israel a qualquer custo (2-3), e a entrega de si mesmo à mágoa desperta-os para sentirem impaciência por uma resposta mais positiva — conforme testificam no v. 4 seu conselho dinâmico e sua sincera promessa de ajuda.

Sendo assim, as medidas extremas que Esdras passou a obrigar cada seção da sociedade aceitar sob juramento (5) eram totalmente segundo a escolha dos líderes do povo, e muito mais obrigatórias por causa disto. Mesmo seu conselho desempenhou um papel bem modesto: o conselho do SENHOR tomou seu lugar dentro do consenso dos piedosos e dos preceitos da lei (3). Pelo que conseguimos entender, aquele conselho nem sequer foi explícito, mas apenas uma inferência da aflição dele.

Kidner. Derek,. Esdras e Neemias Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 73.

3 – O arrependimento do povo.

O nono mês do calendário judaico é o mês do solstício do inverno de Quisleu, que traz a Israel as primeiras chuvas de inverno. O tremor do povo tinha causas internas e externas. A chuva gelada e forte de inverno os fez miseráveis de uma perspectiva física, mas o seu pecado os fez miseráveis de uma perspectiva espiritual. Tem sido dito que a verdade te libertará, mas, antes disso, ela te fará miserável. Esdras não refreia e não compromete a verdade. Em vez disso, ele confronta o povo de modo direto, dizendo: “Vós transgredistes casando-vos com mulheres estrangeiras”.

A expressão “fazei confissão ao Senhor” também pode ser traduzida como “Dai graças ao Senhor”. Portanto, fazer confissão significa exaltar a Deus. Williamson aponta corretamente que “o penitente que renunciou seu pecado e se lançou sobre as misericórdias de Deus proferiu esse verdadeiro louvor de confiança e amor, de onde brota a confissão”.

A confissão dos pecados deve ser seguida pelo fazer a vontade de Deus, não a própria. “Separai-vos” aponta para o coração da santidade de Deus. Ser santo significa ser separado do mundo e separado para os propósitos de Deus. As exortações de Esdras “fazei o que é do seu agrado” e “separai-vos” apontam para o duplo aspecto da santidade. Ser santo significa ser separado do mundo, mas também significa ser separado para Deus – para fazer sua vontade e sua obra. Não se pode fazer um sem o outro. E preciso se apartar daquilo que faz a pessoa ser profana ao invés de santa.

No caso dos repatriados, isso significava separação de suas esposas estrangeiras e da população local que adorava deuses mortos e estrangeiros. Santidade, portanto, não é somente mais importante que o relacionamento humano mais íntimo, mas é o mais importante, uma vez que se concentra na relação da pessoa com um Deus santo.

Tiberius Rata. Comentário do Antigo Testamento Esdras e Neemias. Editora Cultura Cristã. pag. 101-102.

Esdras apresentou a acusação nesse grande julgamento. Ele lhes disse por qual motivo os havia convocado. Era porque percebeu que desde que haviam retornado do cativeiro tinham multiplicado o delito de Israel ao casar-se com mulheres estranhas, tinham acrescido aos seus pecados anteriores essa nova transgressão, que certamente era uma forma de introduzir a idolatria, o mesmo pecado pelo qual tinham sofrido e do qual (ele esperava) tinham sido curados em seu cativeiro; e ele os convocou para que confessassem seu pecado a Deus, e, tendo feito isso, se declarassem prontos e dispostos a fazer a sua vontade, como deveria ser deixado claro para eles (o que será feito por todos aqueles que se arrependem daquilo que trouxe o seu desprazer) e, particularmente, que se separassem de todos os idólatras, especialmente das mulheres idólatras (w. 10,11).

Acerca desse tópico, podemos supor, ele expandiu, e provavelmente fez uma outra confissão de fé agora como havia feito no capítulo 9, para a qual ele requereu deles um Amém.

O povo submeteu-se não somente à jurisdição de Esdras em geral, mas à sua inquirição e determinação nessa questão: “Conforme as tuas palavras, nos convém fazer (v. 12). Pecamos ao misturar-nos com as nações, e, com isso, corremos o risco não somente de sermos corrompidos por elas, porque somos frágeis, mas de nós perdermos no meio delas, porque somos poucos; estamos, portanto, convencidos de que existe uma necessidade absoluta de nos separarmos deles novamente”. Não há esperança para pessoas que estão convencidas, não somente de que é bom participar dos seus pecados, mas de que é indispensavelmente necessário: devemos fazê-lo, ou estamos inadequados.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 803-804.

12 Lição 3 Tri 20 – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

II – POR QUE UM JUDEU NÃO DEVIA CASAR COM UMA PAGÃ?

1 – Deus havia proibido o casamento misto (Dt 7.2-4; Êx 34.16; Js 23.12,13).

“A assinatura de tratados com idólatras levaria ao envolvimento em suas refeições sacrificiais (Êxo. 34.15), e a casamentos mistos com suas filhas, muitas das quais não passavam de prostitutas cultuais ou prostitutas físicas em favor das suas divindades (Osé. 34.15)” (John D. Hannah, in loc).

O mau exemplo de Salomão foi muito significativo. A contaminação, mui naturalmente, resulta do contato com o que é profano. Aquelas coisas que nos cercam, aquelas coisas a que damos atenção, aquelas coisas que ocupam 0 nosso tempo, nossa leitura, nossas atividades, nossos empreendimentos, essas coisas podem fazer de nós pessoas melhores ou pessoas piores.

Os casamentos mistos são um campo especialmente fértil do sincretismo (Deu. 7.3,4)” (J. Edgar Park, in loc.). Isso posto, essas proibições acerca de contatos com a adoração pagã estavam alicerçadas sobre o temor do poder sedutivo da idolatria (ver Êxo. 23.24). Cf. o problema neotestamentário dos crentes comerem coisas oferecidas a ídolos, uma continuação daquele antigo problema, em I Cor. 10.27,28. O problema haverá de prosseguir, com maior ou menor gravidade, enquanto houver idolatria capaz de atrair as pessoas, o que acontece mesmo nas modernas formas de idolatria.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 459.

Eles devem, particularmente, tomar cuidado para não se casarem com as mulheres da terra, w. 15,16.

Se eles se casassem com as filhas daqueles povos, estariam em perigo de se casar com os seus deuses. Este é um tipo de corrupção da natureza em que é mais provável que os maus venham a corromper os bons, do que os bons venham a reformar os maus. O caminho do pecado é ladeira abaixo. Aqueles que fazem amizade com os idólatras, aos poucos acabarão se apaixonando pela idolatria. E aqueles que são convencidos a comer dos sacrifícios dos idólatras, acabarão, por fim, oferecendo os mesmos sacrifícios.

Corte o mal pela raiz. (2) Para que eles não pudessem ser tentados a fazer deuses de fundição, deveriam destruir completamente aqueles a quem encontrassem, como também tudo o que pertencesse a estes, tanto os altares como os bosques (v. 13), para que, se fossem deixados de pé, e fossem trazidos, com o tempo, não fizessem uso deles ou que tomassem por padrão, ou se enfraquecessem pelo ódio e temor da idolatria. Os despojos da idolatria deveriam ser destruídos por serem considerados afrontas ao Deus santo, e uma grande reprovação para a natureza humana. Jamais seja dito que os homens que alegam ser racionais foram, alguma vez, culpados de tais absurdos, como fazer os seus próprios deuses e adorá-los.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 345.

2 – A história de Israel registra vários exemplos das consequências nefastas do casamento misto.

A Rebelião, e Jeroboão Foi Feito Rei (12.16-20)

Os líderes de Israel já haviam apresentado sua queixa (12.4), mas não está claro se Jeroboão estava disposto a atender a alguma outra demanda caso fosse apresentada. Depois de receber a resposta dele, eles tiveram a certeza de que não seriam contemplados com nenhuma consideração por parte do descendente de Davi; portanto se perguntaram: “Que parte temos nós com Davi?” (16; cf. 2 Sm 20.1).

Esses são os fatos conhecidos sobre os eventos que aconteceram na época da divisão entre Judá e as tribos do Norte. O que está escrito nos versículos 17-20 reflete o ponto de vista de um evento já consumado. O reinado de Roboão ficou limitado a governar sobre Judá, inclusive sobre as tribos do Norte que habitavam as cidades de Judá (17). Mais tarde, Roboão acompanhou seu capataz, Adorão (18; cf. 4.6), em uma tentativa de persuadir as tribos do Norte; porém, Adorão foi apedrejado e Roboão quase perdeu a vida. A palavra tributo (18) deve ser entendida como “trabalho escravo” (Berk).

Uma anotação feita pelo historiador indica que a rebelião contra a casa de Davi ainda não havia sido dominada por Roboão, ou pelos reis que o seguiram, até a data em que esse registro foi feito. Pouco tempo depois que a assembleia de Siquém havia se dissolvido, o povo novamente se reuniu e oficialmente escolheu Jeroboão como seu rei (20)6.

Harvey E. Finley. Comentário Bíblico Beacon I e II Reis. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 315-316.

O povo estava confiante e resoluto em sua revolta.

Ele se ressentiu muito com a provocação que Roboão lhe tinha feito, se enfureceu com suas ameaças, concluiu que aquele governo, que no seu início era tão arrogante, seria cada vez mais intoleravelmente penoso, e por essa razão, chegou imediatamente a essa decisão, por unanimidade: Que parte temos nós com Davi? (v. 16). Aqui eles falam de Davi, aquele grande benfeitor da nação, de forma muito inapropriada, chamando-o de filho de Jessé, um homem não maior do que seus vizinhos. Quão rapidamente bons homens, e seus bons serviços em relação ao público, são esquecidos!

A rapidez da decisão também merece censura. Com o tempo, e com administração prudente, eles podiam ter estabelecido o contrato original com Roboão para mútua satisfação. Tivessem eles perguntado quem tinha dado esse conselho a Roboão, e se esforçado para remover esses maus conselheiros para longe dele, a ruptura poderia ter sido impedida; por outro lado, seu zelo pela liberdade e propriedade eram bem adequados àquele povo livre. Acaso é Israel um, servo ? Ou um escravo nascido em casa? Por que, pois, veio a ser presa? (Jr 2.14) Eles estavam inclinados a serem governados, mas não a serem oprimidos. Proteção atrai fidelidade, mas a destruição não.

Não é de se estranhar que se desligaram os israelitas da casa de Davi (v. 19) se a casa de Davi desviou-se das grandes finalidades de seu progresso, que era de serem ministros de Deus para o bem deles. Mas neste caso, rebelar-se contra a semente de Davi, a quem Deus tinha elevado ao reino (legando-o à sua semente) e estabelecer outro rei em oposição àquela família, era um grande pecado (ver 2 Cr 13.5-8). A isso Deus se refere em Oséias 8.4: eles fizeram reis, mas não por mim. E aqui isso é mencionado para louvor da tribo de Judá, que ela seguiu a casa de Davi. (w. 17,20), e, pelo que parece, ela achou Roboão melhor do que suas palavras, e nem ele governou com o rigor ameaçado no início.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 493.

12 Lição 3 Tri 20 – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

III – A SOBREVIVÊNCIA DO POVO JUDEU

Jesus expressou simpatia e preocupação com as pessoas que teriam dificuldade em fugir por estarem grávidas ou por terem filhos pequenos. Estas pessoas literalmente estariam correndo para salvar suas vidas de grande aflição. Se náo conseguissem escapar, cairiam a fio de espada e para todas as nações seriam levados cativas. De acordo com o historiador Josefo, noventa e sete mil pessoas foram levadas prisioneiras durante a guerra e mais de um milhão de pessoas foram mortas.

Jerusalém, a cidade santa, será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem.

Estas palavras devem ter sido terríveis para qualquer judeu. Os “tempos dos gentios” começaram com a destruição de Jerusalém pelos babilônios em 586 a.C. e o exílio do povo judeu. Já não mais uma nação independente, Israel ficou sob o controle de governantes gentios.

Na época de Jesus, Israel era governada pelo império romano, e um general romano iria “pisotear” a cidade em 70 d.C. Jesus estava dizendo que a dominação do povo de Deus pelos seus inimigos iria continuar até que Deus decidisse interrompê-la. A expressão “tempos dos gentios” se refere não somente às repetidas destruições de Jerusalém, mas também à perseguição continuada e crescente do povo de Deus até o fim.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 453.

Quando Tito entrou na cidade, destruiu seus muros, incendiou o templo e jogou tudo por terra, ele não poupou velhos nem crianças, nem homens nem mulheres, mas promoveu uma chacina sem precedentes. Os restantes foram levados cativos pelo mundo, na maior diáspora de todos os tempos, desde o ano 70 d.C. até 14 de maio de 1948, quando Israel retornou ao seu território como nação. Jesus ainda proclama:

… até que os tempos dos gentios se completem, Jerusalém será pisada por eles (Lc 21.24b).

O que essas palavras significam? Concordo com S. Greijdanus, Lenski e William Hendriksen ao apontarem que o tempo de opressão para Jerusalém durará desde sua destruição até o tempo da parousia. A pretensão, portanto, de que esse tempo se findou em 14 de maio de 1948, quando Israel se tornou um Estado independente, não nos parece plausível, pois ainda hoje somente um de cada cinco judeus vive em Israel. Também essa cidade está dividida entre judeus e árabes e vive em permanente conflito. Finalmente, a imensa maioria dos judeus que moram em Jerusalém não considera Jesus como seu Senhor e Salvador.

LOPES. Hernandes Dias. Lucas Jesus o Homem perfeito. Editora Hagnos.

12 Lição 3 Tri 20 – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

IV – UMA PALAVRA FINAL SOBRE O CASAMENTO DOS CRENTES

6.14,15 Depois de apelar apaixonadamente aos coríntios para que abrissem seus corações para ele, Paulo os exortou: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis”. Ele insistiu para que eles não formassem laços com os incrédulos porque isto poderia enfraquecer o seu compromisso, a sua integridade, ou os seus padrões cristãos.

Anteriormente, Paulo tinha explicado que não se associar com os incrédulos não significava isolar-se deles (veja 1 Co 5.9,10). Os coríntios deveriam até mesmo permanecer com seus cônjuges não-crentes (1 Co 7.12,13). Para dar testemunho aos seus vizinhos, os crentes deveriam adotar alguns dos costumes das pessoas a quem estivessem testemunhando, desde que não pecassem (1 Co 9.2).

Então, o que significa “não se prender a um jugo desigual”?

A imagem é de ligar dois animais diferentes, como um boi e uma mula, para arar um campo. No entanto, como o arado poderia ser puxado de maneira desigual, o peso carregado poderia sofrer uma queda; este procedimento não daria certo (veja Dt 22.10). Da mesma maneira, um crente e um não-crente pertencem a categorias diferentes. Ligar-se com pessoas não crentes poderia levar a um desastre. A igreja em Corinto estava tendo problemas para se desligar das práticas imorais de seus vizinhos incrédulos.

Paulo estava dizendo aos coríntios que evitassem qualquer situação que pudesse comprometer a sua fé ou a sua moral cristã. Por que? Porque a justiça não pode ter sociedade com a injustiça; a luz não pode ter comunhão com as trevas; Cristo e Belial (o diabo) não podem viver em harmonia. Portanto, que parte pode ter o fiel com o infiel? Como este versículo se aplica a todas as parcerias e alianças, o casamento certamente se enquadra neste ensino.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 219-220.

Uma aliança desigual (6.14-16)

Na vida crista, há relacionamentos que precisamos cultivar e outros que precisamos abandonar. Algumas verdades importantes são aqui abordadas.

Em primeiro lugar, uma exigência clara (6 .14a). “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos […]” (6.14a).

A expressão ginesthe heterozygountes, “jugo desigual”, contém a ideia de alguém estar num jugo desnivelado. O pano de fundo aqui é a proibição de pôr animais de natureza diferentes sob o mesmo jugo. Havia uma proibição de “lavrar com junta de boi e jumento” (Dt 22.10) e também de fazer cruzamento de animais de diferentes espécies (Lv 19.19). Além do mais, o boi era um animal limpo, enquanto o jumento era impuro (Dt 14.1-8).

A ideia que Paulo está transmitindo é que existem certas coisas que são essencialmente distintas e fundamentalmente incompatíveis, que jamais podem ser naturalmente unidas. Incluídos na metáfora estão o casamento (lCo 7.12-15) e, pelo menos, todos os problemas éticos de que se tratou na primeira carta aos Coríntios (6.5-10; 10.14; 14. 4).

O chamado cristão tem a finalidade de evitar esses relacionamentos íntimos com os pagãos que comprometem a coerência cristã no culto e na ética (lCo 5.9-13). Não se pretende nenhuma exclusividade farisaica. Paulo mesmo foi sensível à cultura da época, mas não à custa da integridade da fé cristã e dos seus padrões morais (lC o 9.19-23).

Um crente não deve pôr-se debaixo do mesmo jugo com um incrédulo em, pelo menos, duas áreas: vida conjugal e participação em práticas cultuais pagas. Vejamos um pouco mais detidamente essas duas áreas.

A vida conjugal.

O casamento entre um crente e um incrédulo está em desacordo com a Palavra de Deus (lCo 7.39). Esse princípio foi reprisado inúmeras vezes para o povo de Israel e repetidas vezes desobedecido (Ne 9.2; 10.28; 13.1-9,23-31). No caso de um crente já estar casado com um incrédulo, essa passagem não autoriza separação ou divórcio (1 Co 7.12-16).

As práticas cultuais pagãs.

O contexto prova que o propósito de Paulo nesse texto é proibir os crentes de se unirem com os incrédulos no culto pagão (ICo 10.14-22). Paulo ataca com vigor a tese da união entre todas as religiões. Ele resiste fortemente ao ecumenismo universalista. O pensamento de que toda religião é boa e todo caminho leva a Deus está em completo descompasso com a Escritura. Não há comunhão verdadeira fora da verdade.

Em segundo lugar, uma impossibilidade absoluta (6.14b-16a).

Paulo faz cinco perguntas retóricas e antitéticas e espera receber um sonoro não como resposta em todas elas.

Cada pergunta aborda uma área específica da vida. William MacDonald nos oferece uma interessante análise do texto como segue:

A esfera do comportamento moral. “Que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade?” (6.14). A justiça e a iniquidade não podem ter comunhão. São opostos morais.

Frank G. Carver diz que a incoerência é total entre a justiça do cristão (5.21) e a injustiça ou a ilegalidade do pagão.

A esfera do entendimento espiritual. “Ou que comunhão, das trevas com a luz?” (6.14).

As trevas e a luz não podem coexistir. Aonde a luz chega, as trevas precisam se retirar.

Antes da sua conversão, o homem é filho das trevas e habita no reino das trevas. Na conversão, ele é transportado para o Reino da luz. Simon Kistemaker diz que a luz e a comunhão andam juntas, mas a luz e as trevas pertencem a duas esferas diferentes. Escuridão espiritual é destituída não só de luz, como também de amor. Quem odeia seu irmão está nas trevas.

Paulo enfatiza o contraste entre Cristo e o Maligno como os principais governadores de suas respectivas esferas de justiça e iniquidade, luz e trevas, santidade e profanação. Uma pessoa crente está debaixo da autoridade de Cristo e deleita-se em obedecê-lo. O incrédulo, entretanto, é filho da ira, é governado pelo príncipe da potestade do ar, está na casa do valente, no reino das trevas, na potestade de Satanás. Participar da mesa de ídolos é o mesmo que participar da mesa dos demônios (lC o 10.14-22). Como é impossível servir a dois senhores ao mesmo tempo, um crente não pode participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios ao mesmo tempo.

A esfera da autoridade. “Que harmonia, entre Cristo e o Maligno?” (6.15).

A esfera da fé. “Ou que união, do crente com o incrédulo?” (6.15). Com essas palavras ele não está dizendo que crentes não podem ter contato nenhum com os incrédulos, pois, nesse caso, os crentes teriam de sair do mundo (1 Co 5.9,10).

Ele instrui os crentes a não compartilharem do estilo de vida dos incrédulos. O contexto aqui é relativo ao culto. Paulo não defendia uma vida eremita, monástica e isolada da sociedade, mas combatia frontalmente a ideia do crente participar de um culto pagão.

A esfera da adoração. “Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos?” (6.16). O templo é o lugar onde Deus escolhe habitar, embora ele não possa ser restrito apenas a um edifício feito por mãos humanas (lR s 8.27; 2Cr 6.18; Is 66.1,2; At 7.49,50). A comunidade cristã é o próprio templo da habitação de Deus, e, os crentes, como morada de Deus, não podem se envolver com o culto dos ídolos. Ídolos aqui não significam somente imagens de escultura, mas qualquer objeto que se interpõe entre a alma e Cristo. Esses ídolos podem ser dinheiro, prazer ou coisas materiais. Colin Kruse adverte que o perigo da idolatria jaz no envolvimento com os poderes demoníacos, ativos nos ídolos, provocando o zelo e a ira de Deus (ICo 8.4-6; 10.19-22).

Cada uma dessas palavras (sociedade, comunhão, harmonia, união e ligação) refere-se à presença de algo em comum. O termo “harmonia”, por exemplo, dá origem à nossa palavra “sinfonia” e se refere à bela música resultante quando os músicos leem a mesma partitura e seguem o mesmo regente. Que confusão seria se cada músico tocasse à própria maneira, diz Warren Wiersbe.

Em terceiro lugar, uma conclusão inequívoca (6.16b).

“Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (6.16b). Deus habita no crente individualmente (ICo 6.16-20) e também habita na igreja (ICo 3.16,17). O Deus que nem os céus dos céus podem contê-lo habita plenamente na igreja. O Pai (Ef 3.19), o Filho (Ef 1.23) e o Espírito Santo (Ef 5.18) habitam em cada crente. Somos a morada de Deus. Ele habita entre nós e em nós. Somos o seu povo, e ele é o nosso Deus. Simon Kistemaker menciona os três estágios dessa habitação de Deus entre seu povo: a encarnação (Jo 1.14), a habitação interior de Cristo no coração do crente (Ef 3.17) e a habitação de Deus com seu povo na nova terra (Ap 21.3).

Ter sociedade com a justiça, comunhão com as trevas, harmonia com o Maligno, união com o incrédulo e ligação com os ídolos é conspirar contra essa verdade bendita.

A lógica de Paulo é que os crentes devem efetuar essa ruptura porque a igreja é o templo do Deus vivente. O termo grego naós, “templo”, refere-se ao santuário interno onde a presença divina estava localizada, como distinção de toda a área do templo {hierorí) .

Uma separação necessária (6.17,18)

O apóstolo Paulo prossegue e diz: “Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2Co 6.17,18). Warren Wiersbe diz que a ordem de Deus para seu povo é “retirai-vos”, indicando um ato decisivo da parte deles. “Separai-vos”, por outro lado, sugere devoção a Deus com um propósito especial. A separação não é apenas um ato negativo de se retirar. Devemos nos separar do pecado para Deus.

Duas coisas devem ser aqui ressaltadas:

Em primeiro lugar, uma separação exigida (6.17).

“Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toques em coisas impuras […]” (6.17). Deus escolheu a igreja para ser um povo separado do mundo, embora no mundo. A igreja está no mundo, mas não é do mundo. Igreja deve estar no mundo, mas o mundo não deve estar na igreja, assim como um barco deve estar na água, mas a água não deve estar no barco. A igreja estava vivendo numa sociedade pagã, mas não devia fazer parte de suas práticas pagãs. O crente convive com pessoas não convertidas, mas não deve se associar às suas práticas pecaminosas. O crente deve se afastar de qualquer forma de mal, seja comercial, social ou religioso.

Essa separação é uma advertência encontrada em toda a Bíblia. Deus advertiu Israel a não se misturar com as nações pagãs (Nm 33.50-56). Os profetas insistiram com o povo de Israel para deixar os ídolos pagãos e adorar exclusivamente ao Senhor. Jesus falou sobre a necessidade de ser guardado da contaminação do mundo (Jo 17.14-17). A igreja foi exortada a não receber aqueles que rejeitam a doutrina de Cristo (2 Jo 10,11).

William Barclay fala sobre três áreas que, muitas vezes, um crente precisava abandonar ao converter-se a Cristo.

Primeiro, o seu ofício. Algumas profissões no mundo antigo estavam ligadas à idolatria. Em Efeso, por exemplo, muitas pessoas viviam da fabricação de imagens da deusa Diana. Ainda hoje há pessoas que trabalham com bebidas alcoólicas, tabaco, jogo, artigos religiosos ligados à idolatria e feitiçaria e várias outras coisas incompatíveis com a fé cristã.

F. W. Cherrington era um homem rico, herdeiro de uma grande cervejaria. Certa feita, ele viu um homem bêbado saindo de um bar e espancando a esposa. Ao olhar mais detidamente, ele viu que aquele bar ostentava um grande cartaz da sua cervejaria. Imediatamente, tomou uma decisão:

“O golpe que esse homem desferiu não derrubou apenas sua mulher, mas também a minha empresa”. No mesmo dia, ele tomou a decisão de mudar de ramo. Segundo, a vida social. Os crentes eram convidados a se assentar com os incrédulos em mesas de ídolos. As festas pagãs e os sindicatos comerciais, com seus padroeiros, eram coisas comuns no mundo pagão. Os crentes tinham que fazer uma escolha entre a prosperidade e a fidelidade; entre a popularidade e a obediência a Cristo. Terceiro, a vida familiar. A conversão, muitas vezes, trouxe grandes conflitos na família. Maridos, esposas e filhos eram abandonados pelos demais membros da família após sua conversão.

Em segundo lugar, uma comunhão oferecida (6.17b, 18).

“ […] e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (6.17b, 18).

Na mesma medida em que o crente se aparta do mundo, aproxima-se de Deus. Ele rompe vínculos com o mundo e estreita o relacionamento com Deus.

E um ledo engano fazer amizade com o mundo com o propósito de ganhá-lo para Deus. A amizade do mundo é inimizade contra Deus (Tg 4.4). Amar ao mundo é desprezar o amor de Deus (1 Jo 2.15-17). Conformar-se com o mundo, é deixar de ser transformado por Deus (Rm 12.1,2). Viver no mundo é ser condenado com ele (lC o 11.32).

LOPES, Hernandes Dias. II Coríntios O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldade. Editora Hagnos. pag. 170-176.

12 Lição 3 Tri 20 – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

V – ESPERA EM DEUS

Descansa no Senhor e espera nele.

O homem que confia também deve descansar no Senhor. Seu sono não será perturbado por pensamentos e temores negativos. Seu coração estará em paz, porquanto ele andará sob o favor do Poder celeste e será guiado pelo grande Intelecto. Ele não será perturbado por pensamentos sobre a prosperidade do ímpio, ao passo que ele mesmo é pobre. Nem andará preocupado porque o homem rico tem poder, que usa para cometer toda espécie de abuso e crime. As preocupações de um homem acerca de outro (do homem mau) por certo não terão efeito sobre a situação, mas apenas irão prejudicá-lo, visto que pensamentos negativos têm uma maneira de criar tanto enfermidades físicas quanto maus eventos.

… lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. (I Pedro 5.7)

O crente que se preocupar estará achando falta em Deus, porquanto duvida de Seu poder e planejamento. Ele pensa ser mais esperto do que realmente é, porque acha que sabe mais do que Deus o que deve ser feito. O original hebraico poderia ser aqui mais literalmente traduzido por “Calai-vos”, isto é, “Fazei silêncio diante Dele”, sem queixas ou acusações. “Calai-vos, em oposição a uma apaixonada autodefesa (vs. 8) e à ira, diante da prosperidade dos ímpios inimigos, é o que está aqui em vista. Cf. Sal. 38.3-15” (Fausset, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2167.

Que, no tempo certo, ele deveria ser fortalecido para suportar esse peso (v. 14).

Se ele diz isso para si próprio ou para os seus amigos, é tudo para um só. É isso que o encoraja: ele fortalecerá o teu coração, sustentará o teu espírito, e então o espírito sustentará a fraqueza. Em relação a essa força: (1) Mantende-vos perto de Deus e do vosso dever. Espera no Senhor, pela fé, e oração, e uma humilde resignação da sua vontade. Espera, pois, no Senhor. O que quer que façais, não fiqueis mais negligentes na vossa obediência a Deus. (2) Mantende os vossos espíritos no meio dos maiores perigos e dificuldades: animai-vos, deixai os vossos corações serem firmados, confiando em Deus, e as vossas mentes permanecerem com Ele, e então nenhuma dessas coisas vos poderá abalar. Aqueles que esperam no Senhor têm razões para se animar.

W. T. Purkiser, M. A.. Comentário Bíblico Beacon Salmos. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 301.

A fé religiosa de Abraão exerceu nítida influência no servo que também era homem profundamente piedoso. Parado junto ao poço, imediatamente antes da hora em que as moças saíam a tirar água, ele ergueu a voz em oração. Seu maior desejo era que a escolha da esposa para Isaque não fosse decisão sua, mas que fosse escolha de Deus. Conhecendo suas próprias dificuldades em discernir a vontade de Deus, ele pediu que o SENHOR, Deus (12), mostrasse sua vontade mediante uma série de acontecimentos.

Estes acontecimentos também serviriam a um propósito secundário, ou seja, revelar o caráter da moça. Tinha de ser uma jovem que mostrasse boa vontade pelo estranho, alguém que estivesse disposta a fazer a tarefa extra que denotava generosidade. Da parte de Deus, a série de acontecimentos mostraria a fidelidade às promessas do concerto. A palavra é traduzida por beneficência (12, chesed), mas tem o significado mais amplo de lealdade a promessas feitas e de misericórdia em tempos de dificuldades. A oração de Eliezer era de extrema confiança e de alta expectativa.

O servo estava no lugar certo, no momento certo, e submeteu suas necessidades a Deus. Antes que ele acabasse de falar (15), a resposta à oração começou a se desenrolar diante dos seus olhos. Rebeca, sobrinha de Abraão, apareceu junto ao poço. Ela satisfazia todas as exigências físicas e legais, mas não era o bastante; assim, o servo fez a pergunta-chave. Sem hesitação, ela lhe serviu água (18) e depois, espontaneamente, começou a tirar água (20) para os camelos. Boquiaberto, Eliezer viu seu pedido ser cumprido ao pé da letra.

Recompondo-se, o idoso homem deu um pendente de ouro (22) de grande peso e duas pulseiras de ouro. Esbaforido, ele perguntou pela família da moça. Ao saber que ela pertencia à linhagem de Abraão expressou muita alegria, de forma que sem se perturbar inclinou-se (26) e fez uma oração de louvor. O Deus do seu senhor confirmou as promessas, mostrando beneficência (27, chesed; também aparece nos w. 12,14) e verdade (emet).

As ações de Deus na vida dos que o seguem se correlacionavam com as promessas feitas a eles. Mas havia outra razão para este resultado surpreendente. O servo comportou-se no caminho de modo obediente e totalmente aberto para ser guiado pelo SENHOR. A preocupação de Abraão por seu filho, a obediência completa do servo e a generosidade sincera da moça combinaram com a orientação do Senhor para ocasionar um pleno cumprimento de maravilhas da promessa divina.

George Herbert Livingston, B.D., Ph.D. Comentário Bíblico Beacon. Gênesis. Vol.1. pag. 75-76.

12 Lição 3 Tri 20 – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

1 Lição – Daniel ora por um despertamento

2 Lição – Despertamento Espiritual – um milagre

3 Lição – O Despertamento renova o altar

4 Lição – A Construção do Templo enfrentou oposição

5 Lição – Zorobabel recomeça a construção do Templo

6 Lição – Neemias reconstrói os muros de Jerusalém

7 Lição – O povo de Deus deve separar-se do Mal

8 Lição – As causas da desunião devem ser Elienadas

9 Lição – Como vencer as oposições à obra de Deus

10 Lição – Provai se os espíritos são de Deus

11 Lição – Esdras vai a Jerusalém ensinar a Palavra

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