12 Lição 4 Tri 20 Quando Deus se Revela ao Homem

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Texto Áureo

“Então, o SENHOR respondeu a Jó desde a tempestade.” (Jó 40.6)

Verdade Prática

Mesmo transcendente, e distinto de sua criação, Deus se revela ao homem mortal.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que Deus se revelou ao homem para mostrar-lhe seus propósitos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Ensinar que Deus se revela aos homens;

Pontuar que a criação expressa a glória de Deus;

Acentuar que nossa justiça jamais se sobreporá a divina.

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LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 38.1 Deus se revela a Jó do meio de um redemoinho

Terça – Jó 38.3,4 As inquirições de Deus a Jó

Quarta – Jó 39.1,2 Deus pergunta a Jó a respeito da natureza dos animais

Quinta – Jó 40.6,7 Deus ordena a Jó que se cinja como homem

Sexta – Jó 40.8-10 O homem pode ser vestir de majestade e glória?

Sábado – Jó 41.1,2 Pode alguém discutir com o Todo-Poderoso?

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 38.1-4;39.1-6; 40.15-18,24; 41.1-3

Jó 38:1-4

1 Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho e disse:

2 Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?

3 Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu responde-me

4 Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.

Jó 39:1-6

1 Sabes tu o tempo em que as cabras montesas têm filhos, ou consideraste as dores das cervas ?

2 Contarás os meses que cumprem, ou sabes o tempo do seu parto?

3 Elas encurvam-se, produzem para terem seus filhos, e lançam de si as suas dores.

4 Seus filhos enrijam, crescem com o trigo; saem, e nunca mais tornam para elas.

5 Quem despediu livre o jumento montês, e quem soltou as prisões ao jumento bravo,

6 Ao qual dei o ermo por casa, e a terra salgada por morada?

Jó 40:15-18

15 Contemplas agora o Behemot, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi.

16 Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre.

17 Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos.

18 Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro.

Jó 41:1-3

1 Poderás tirar com anzol o leviatã, ou ligarás a sua língua com uma corda?

2 Podes pôr uma corda no seu nariz, ou com um espinho furarás sua queixada?

3 Porventura multiplicará as suas suplicações para contigo? ou brandamente te falará?

HINOS SUGERIDOS: 363, 380, 434 da Harpa Cristã

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INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Já se perguntou o quanto Deus é grande, infinito, e que não cabe em nossa imaginação? E nós, seres pequenos, tão limitados e injustos? Como é possível um ser tão santo, justo e infinito relacionar-se com outros seres tão contrários à sua própria natureza? Na lição de hoje veremos o quanto esse Deus tão grande se revela e relaciona com seres tão pequenos. Em Cristo Jesus, nós temos o privilégio de adentrarmos confiantemente à presença dEle. O caminho do trono divino está aberto a todo o crente por meio do Filho de Deus, Jesus Cristo. É um privilégio e um maravilhoso presente desfrutarmos da presença de Deus.

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INTRODUÇÃO

Nesta lição vamos estudar como Deus se revelou a ló e dialogou com o patriarca (Caps. 38- 41). Esse episódio marca o ápice do Livro de Jó, pois mostra a quebra do silêncio divino. Ao longo desse estudo veremos que as respostas de Deus não são precisas, segundo a objetividade que os humanos esperam. Jó, portanto, é desafiado a comparar sua habilidade e sabedoria com as divinas e a responder quem, de fato, age com justiça no mundo.

Comentário

Os Discursos de Deus. A Voz Salda do Redemoinho: A Presença Manifesta

(38.1 -42.6)

Deus é Todo-poderoso e Majestático! Jó Percebe Sua Pequenez e Reconhece a Vaidade de Suas Palavras (38.1 – 40.5)

Em sua arrogârcia, Jó havia exigido uma entrevista com o Poder (El), a fim de apresentar seu caso diante do tribunal divino e provar sua inocência (ver Jó 9.3; 14.20; 23.35 e 31.35-37). Finalmente, manifestou-se a temível presença de Deus. Jó não foi acusado pelo Todo-poderoso de ter transgredido, conforme afirmaram os quatro críticos. Mediante um interrogatório irônico, foi mostrado quão pequeno Jó era, como homem, em comparação com Deus. A sabedoria e o poder de Deus aparecem então como além de qualquer imaginação ou investigação humana.

A Sabedoria do Criador. Jó é silenciado (38.1-40.5). O Criador tem poder sobre todas as forças cósmicas (40.6-42.6): poder sobre hipopótamo (40.15-24); poder sobre o leviatã (41.1-26); poder sobre todos os inimigos imagináveis (41.27-34).

Mais de Setenta Perguntas Deixadas sem Resposta. As perguntas dizem respeito a coisas que o conhecimento dos dias do autor sagrado não podia responder.

A lista foi reduzida pelo conhecimento moderno, mas, como é óbvio, permanecem os grandes mistérios da natureza sobre os quais sabemos muito pouco. Essas perguntas revelam a natureza da majestade e da transcendência do Criador, em comparação com o estado humilhado e apequenado dos homens. Jó não foi repreendido por causa de alguma transgressão, mas pela atitude arrogante em sua busca para descobrir por que ele, um inocente, estava sofrendo tantas dores.

Apesar de Jó não poder responder às perguntas e se sentir confuso diante delas, o episódio representou um conforto, porquanto, de súbito, suas orações foram respondidas, e ele descobriu que Deus não estava indiferente! Oh, Senhor, concede-nos tal graça! A sessão de perguntas e respostas não foi o debate que Jó imaginara ter com o Ser divino.

Deus não respondeu à solicitação de Jó de comparecer ao tribunal divino. Antes, o Poder de Deus o intimou! Jó foi repreendido por ser tão arrogante ao desafiar os caminhos de Deus. Nenhuma aplicação lhe foi dada, entretanto, quanto aos caminhos divinos. Jó ficou contava apenas com a própria fé. Mas a presença divina foi confortadora, embora também aterrorizante, porque Deus agiu, preocupou-se e tomou-se disponível para o homem.

Deus deixou o Seu silêncio e, de repente, tomou-se dolorosamente imanente.

Naturalmente, em tudo isso, temos o Deus voluntarista, cuja vontade é suprema e não deve ser posta em dúvida pela razão. Ver na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia o verbete chamado Voluntarismo.

Nessa confrontação com o Ser divino, encontramos a mais longa declaração feita por Deus, na Bíblia. Os críticos louvam a excelência das ideias e o modo de expressão. “Sua exuberante exaltação das maravilhas de Deus na natureza excede todas as outras exclamações de Seu poder criativo. Não admira que Jó tenha silenciado, humilhando-se e arrependendo-se!” (Roy B. Zuck, in loc.).

Estamos tratando com um grande livro de poesia, que atingiu o clímax nos discursos que se seguem. A excelência poética das ideias e expressões do livro de Jó garantiu sua preservação através dos séculos, reservando para ele uma posição permanente no cânon hebraico das Sagradas Escrituras.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2018.

A CONVERSA DE DEUS COM JÓ Jó 38.1—42.8

O maior desejo de Jó, expressado muitas vezes, era que Deus lhe concedesse uma audiência para que toda a questão da sua integridade e sofrimento pudesse ser resolvida. Nesta parte do livro, o desejo de Jó é finalmente satisfeito, mas não na forma como ele estava esperando.

A pergunta principal levantada no livro é: “Porventura Jó teme [serve] a Deus em vão? ” (1-9). Esta é, em última análise, uma pergunta acerca do tipo de relacionamento que existe entre o homem e Deus.

Satanás (o satanás; veja comentários em 1.6) e os amigos de Jó concordam essencialmente na resposta dessa pergunta. Satanás não acredita que Jó “manterá sua integridade” sem uma recompensa. Os amigos acreditam que a prosperidade material desfrutada por um homem é a recompensa pela integridade e que, portanto, a falta de recompensa é a evidência imediata de pecado.

O autor e poeta retratou a Jó como vencedor sobre esses inimigos. Ficou provado que Satanás estava errado porque Jó não “amaldiçoa a Deus” com a perda da saúde e da riqueza. Jó derrota os amigos e suas argumentações. Ele argumenta persuasivamente a partir das realidades da vida de que riqueza e bênçãos nem sempre são resultantes de retidão.

No entanto, Jó não sobreviveu à sua provação sem ficar com marcas dela. Seu relacionamento com Deus não ficou esclarecido. A própria atitude de Jó é o seu problema. Ao defender sua integridade, ele contestou a integridade de Deus e o fez parecer injusto. Deus parece não mostrar uma consistência perceptível em sua jurisdição moral do mundo. Esta é uma questão que deve ser resolvida a partir de agora.

Jó deseja ter uma oportunidade de estar diante de Deus para poder justificar-se. Parece que ele acha que pode apelar para a natureza moral de Deus a fim de neutralizar a inimizade que Deus aparentemente exerce contra ele. E acerca dessa questão que Deus fala com Jó. Ele não entra numa disputa judicial com Jó, mas mostra a ele o verdadeiro relacionamento que sempre deve existir entre Deus e o homem, entre o infinito e o finito.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 88.

PONTO CENTRAL:

Deus se revela ao ser humano.

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I – A REVELAÇÃO DE UM DEUS PESSOAL

1. O Deus que tem voz.

O Altíssimo havia falado nos dois primeiros capítulos, mas essa fala era totalmente desconhecida por Jó e seus amigos ao longo do livro. Assim, até o capítulo 38, houve muitas falas sobre Deus. Jó falou, sua mulher e seus amigos falaram. Todavia, Deus mesmo no falou durante todo esse período. Ele estava o tempo todo presente, mas sem dizer nada a Jó. Até que quebrou o silêncio: “Depois disto, o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho” (Jó 38.1).

Comentário

Finalmente, o próprio Senhor rompe o silêncio, falando “do meio de um redemoinho” (38.1; 40.6). Embora não houvesse total Falta de um redemoinho” (38.1; 40.6). Embora não houvesse total Falta de preparo para isto (ver acima, pág. 265, nota 303), o que Ele diz é bem supreendente tanto pelo conteúdo como pelo estilo.

Seus discursos são dirigidos exclusivamente a Jó, uma resposta tardia a um pedido que Jó fizera repetidas vezes, pedido este que Foi sua palavra final (31.35). Não são, no entanto, aquilo que Jó pedira. A petição deste foi que se apresentasse uma acusação Formal, com itens específicos aos quais se dispõe a responder, um veredito do seu Juiz que confiantemente espera que seja uma declaração da sua inocência. Nenhum dos dois é oferecido, embora a Forma do interrogatório cruzado possa soar às vezes como uma acusação de que Jó estultamente obscurecera os desígnios de Deus “com palavras sem conhecimento” (38.2).

Mesmo assim, os dois longos recitais de Deus não são respostas às perguntas que têm atormentado a Jó e às quais seus amigos não conseguiram responder. Pelo menos num primeiro exame não parece que tenham coisa alguma a ver com a questão central pela qual Jó sofreu tio severamente apesar de ter feito tudo quanto é humanamente possível para manter um bom relacionamento com Deus. Parece que o Senhor nada diz acerca disto. Realmente, Ele faz muito poucas declarações ou afirmações positivas.

Seus discursos não são oráculos; responde às perguntas de Jó com um dilúvio de contra-perguntas. Este interrogatório, mantido por longo tempo, não é apenas uma peculiaridade formal. A função das perguntas precisa ser corretamente compreendida. Como dispositivo retórico, uma pergunta pode ser outra maneira de fazer um pronunciamento, muito usada pelos oradores. Para Jó, as perguntas nos discursos do Senhor não são tais declarações indiretas de fetos; são convites, sugestões acerca de descobertas que fará à medida que procura descobrir suas próprias respostas.

Não são catequéticas, como se o conhecimento de Jó estivesse sendo testado. São educativas, no sentido verdadeiro e original daquele tempo. Jó é levado a sair pelo mundo. As perguntas são retóricas somente no sentido de nenhuma delas ter qualquer resposta proposta por Jó. Mas isto não é porque as perguntas não têm respostas. Seu efeito original de inculcar em Jó o reconhecimento da sua própria ignorância não visa humilhá-lo. Pelo contrário, a mais alta nobreza de cada pessoa é ser matriculada desta maneira pelo próprio Deus na Sua escola de Sabedoria. E a sala de aulas é o mundo!

Para Jó, as descobertas emocionantes para as quais Deus o leva oferecem-lhe um avanço gigantesco no conhecimento, conhecimento de si próprio e de Deus, porque os dois sempre andam juntos na Bíblia. Esta mudança na mente de Jó é tão radical que poderia ser chamada uma conversão; mas não é semelhante, de modo algum, àquela primeira conversão, inevitável para qualquer pessoa que queira entrar na família de Deus, quando o pecador arrependido renuncia seus maus caminhos e xecebe o perdão.

Semelhante arrependimento não é requerido da parte de Jó, não se pede dele que abra mão da sua declaração de que está com razão. O próprio feto de que Deus não aparece (conforme apareceram os amigos) com uma lista dos pecados de Jó é, em si mesmo, prova suficiente de que esta não era necessária. Para Jó, basta que Deus fàle, seja como for. Tudo quanto precisa saber é que as coisas ainda vão bem entre ele e Deus. Sabendo disto, não se importa com o que lhe acontece. É esta certeza que é restaurada pelos discursos do Senhor.

Nesta situação, pouco importa o que os amigos discutem. Qualquer tópico servirá para uma conversa satisfatória entre amigos. Estão desfrutando da companhia uns dos outros. Isto, porém, não quer dizer que o conteúdo dos discursos do Senhor seja irrelevante; por algum meio mais indireto e sutil, levam Jó à satisfação completa.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 267-269.

Observemos aqui: 1. Quem fala – é o Senhor, Jeová, não um anjo criado, mas o próprio Verbo eterno, a segunda pessoa da bendita Trindade, pois é por Ele que os mundos foram criados, e Ele não é outro; é o Filho de Deus. Aqui, fala a mesma pessoa que, posteriormente, falou do monte Sinai. Aqui, Ele começa com a criação do mundo, ali, com a redenção de Israel do Egito, e de ambas podemos deduzir a necessidade da nossa submissão a Ele.

Eliú tinha dito: Deus fala aos homens, e “ninguém atenta para isso” (Jó 33.14); mas eles não puderam deixar de perceber isto, e temos a palavra mui firme dos profetas (2 Pe 1.19). 2. Quando Deus falou: “Depois disto”. Depois que todos eles tinham falado, e ainda assim não tinham atingido o seu objetivo, então foi o momento de Deus (cujo juízo é de acordo com a verdade) se interpor. Quando não sabemos quem está com a razão, e talvez tenhamos dúvidas se nós mesmos podemos estar, isto pode nos satisfazer: o dia do Senhor está perto, no vale da Decisão (J1 3.14).

Jó tinha silenciado seus três amigos, mas não pôde convencê-los da sua integridade. Eliú tinha silenciado Jó, mas não conseguiu levá-lo a reconhecer que tinha se comportado mal nesta contenda. Mas agora, Deus vem, e faz as duas coisas, convence Jó, primeiramente, de suas palavras imprudentes, e o faz clamar, Peccavi – Agi mal; e, tendo humilhado Jó, Deus o honra, convencendo seus três amigos de que tinham sido injustos com ele. Estas duas coisas Deus fará, mais cedo ou mais tarde, pelo seu povo: Ele lhes mostrará os seus erros, para que possam se envergonhar deles, e mostrará aos outros as suas justiças, e a exibirá como a luz, para que possam se envergonhar de suas censuras injustas a eles.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 185-186.

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2. A poderosa manifestação de Deus.

A cena, sem dúvida, é impactante, parecida com a da pesca maravilhosa (Lc 5.1-11).Quando Simão Pedro, após seguir a orientação de Jesus, pegou uma grande quantidade de peixes ao recolher as redes que havia lançado, imediatamente exclamou: “Senhor, ausenta-te de mim, por que sou um homem pecador” (Lc 5.8). A Majestade divina impactou Pedro.

Não foi diferente com o patriarca Jó. Ele ouviu a voz que tanto ansiava por ouvir. O Altíssimo revelou-se pessoalmente. Jó estava diante de uma manifestação teofânica de Deus, e Este falava-lhe do meio de um redemoinho. Essa forma de manifestação divina é confirmada ao longo das Escrituras, como, por exemplo, com Moisés (Êx 19.16-19). Isso mostra que Deus não é impessoal. Pelo contrário, Ele é um Ser que se revela e fala com homens. Jó teve a sua vida transformada depois de ouvi-lo.

Comentário

Finalmente, a Resposta Divina! Afinal, veio a manifestação divina pela qual Jó tanto pleiteara (ver Jó 9.3; 14.20; 28.35 e 31.35-37). Por muito tempo as orações de Jó ficaram sem resposta, e Deus parecia indiferente, exceto pelo fato de que continuava a massacrá-lo com dores. O poder divino apareceu em meio a um redemoinho. No hebraico, essa palavra é searah, “tempestade acompanhada por ventos fortes” (ver II Reis 2.1,11; Isa. 20.24) ou redemoinho (ver Sal. 107.25 e Isa. 29.6). Ironicamente, através de uma dessas tempestades é que os filhos e filhas de Jó foram mortos.

Um novo temporal foi assim assínalado como o começo de um Novo Dia. A dor seria revertida, mas não antes de Jó ter sido humilhado por uma ofuscante exibição do poder e da sabedoria divina. A tempestade se dissiparia por Sua própria fúria, e a terra inteira seria limpa. Cf. outras tempestades divinas, em Exo. 19.16,17 e I Reis 19.19. Não está claro, entretanto, se devemos compreender que houve uma tempestade literal de elementos físicos, ou que Jó passou por poderosa experiência mística de alguma espécie, semelhante a uma tempestade. Pessoalmente, estou convencido de que devemos apostar na segunda dessas possibilidades.

A tempestade de Jó foi visionária, e não física e, pela mesma razão, avassaladora. ‘ De acordo com o uso bíblico, o redemoinho é o meio das teofanias e designa uma tempestade de natureza específica (cf. Naum 1.3; Zac. 9.14; Sal. 18.7-15; 50.3; Eze. 1.4 e Hab. 3). Note o nome divino Yahweh, que mostra que o autor tencionava falar a uma audiência formada por hebreus” (Samuel Terrien, in loc.). A versão caldaica contém fala em “redemoinho de tristeza”, expressão alegórica ou mística, não um redemoinho formado de elementos físicos. O Targum concorda com essa avaliação. Jó estava sujeito a grande manifestação divina, e não a uma tempestade literal de vento e chuvas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2018.

O Senhor (1) é Yahweh (Javé), o Deus dos hebreus. De um redemoinho é literalmente “de uma tempestade”. Não está claro se o autor teve a intenção de ser literal ou figurado na linguagem que usa. No entanto, é a linguagem bíblica da teofania (veja SI 18.8-12; Ez 1.4, 28; mas veja também 1 Rs 19.11-12).

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 89.

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3. O Deus que está presente.

Expositores bíblicos destacam que Deus se revela como “Jeová’, o Deus do pacto. Entre os capítulos 3 e 37 aparecem várias referências a Deus como El Shaddai, o Deus Todo-Poderoso. Na teologia tradicional exposta pelos amigos de Jó essa era uma forma fria e distante de se referir a Deus. Um Deus que existe, mas que está longe dos homens. Dessa forma El Shaddai era, no entendimento deles, o nome que identificava Deus como forte e poderoso, mas distante e indiferente. Essa visão tradicional de Deus acabou por exaltar sua soberania, mas diminuir sua compaixão e misericórdia.

Nesse contexto, Jó clama por encontrar a Deus, chegar ao seu trono (Jó 23.3,8,9). Esse era o grande dilema do homem de Uz: pensar que Deus o havia abandonado. O patriarca nada sabia dos bastidores celestiais, onde o Diabo apostou na sua falta de integridade. Ele não sabia a razão do silêncio de Deus, daí toda a sua angústia e desespero por se sentir sozinho e abandonado. Para ele, o Criador se escondeu para não ouvir sua defesa. Mas o grande propósito do Livro de Jó revela que, mesmo quando estamos às escuras, andando somente por fé, e não por vista, Deus está presente e próximo de nós.

Comentário

EL-SHADDAI

Esse nome divino também nunca aparece em nossa versão portuguesa, a exemplo de El-Roí e de outros. Todavia, diferente do caso de El-Roí, El-Shaddai não é um erro textual e, sim, um dos nomes autênticos de Deus, dentro do texto hebraico. A nossa versão portuguesa a traduz sempre por «Deus Todo-Poderoso». Algumas referências bíblicas são: Gên. 17:1; 28:3; 35:11; 43:14; Êxo. 6:3; Núm. 24:4,16; Rute 1:20,21; Sal. 68:15; 91:1; Joel 1:15; Eze. 1:24. Somente no livro de Jó, a expressão é usada por trinta e uma vezes. Ver o artigo geral sobre Deus, Nomes de, onde esse nome é amplamente ventilado.

O elemento isolado, Shaddai, deve ser traduzido por «Poderoso». Tem raízes na palavra hebraica sadad, «violento». A Septuaginta traduz a expressão inteira por pantokrátor, «todo-poderoso». Conforme pensam alguns estudiosos, é possível que originalmente o nome indicasse algum deus tribal (que vide); mas, firmando-se o monoteísmo, tornou-se apenas um título para o verdadeiro Deus, entre outros títulos, na concepção dos hebreus. Os trechos de Deuteronômio 32:17 e Josué 24:2 podem ser entendidos como alusivos a uma época ainda politeísta em Israel. O politeísmo foi-se modificando para o henoteísmo e este, por sua vez, para o monoteísmo. Não há como negar que o conceito de Deus foi se aprimorando com a progressão da história e da revelação escrita. E isso sucedeu tanto em Israel como entre muitos outros povos. Há documentos egípcios que confirmam esse título, embora com a forma de Shadai-’ammi

Há estudiosos que pensam que shaddai seria uma referência aos seios femininos, dando a entender, simbolicamente, a ideia de nutrição e força. É possível que as primeiras representações da divindade que usava esse nome tivessem o formato de uma figura com muitos seios. Diana dos Efésios (ver Atos 19:24), segundo a arqueologia tem demonstrado, era uma figura feminina com mais de uma dúzia de seios. Ver o artigo sobre Artemis. Todavia, no que toca ao nome El-Shaddai, tudo isso é pura conjectura de alguns.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4222.

1.       Preferimos que Deus nos fale por meio do brilho do Sol, mas, por vezes, ele precisa nos falar por meio da tempestade. Foi assim que ele falou no monte Sinai (Êx 19:16-19; Hb 12:18). Ezequiel viu a glória de Deus numa tempestade e ouviu a voz do Senhor lhe falando (Ez 1 – 2).

2.       O discurso de Deus a Jó concentra-se em suas obras na natureza e é constituído de 77 perguntas intercaladas de comentários. Jó havia desafiado Deus, dizendo: “Interpela-me, e te responderei ou deixa-me falar e tu me responderás” (Jó 13:22). Deus havia aceitado o desafio de Jó.

3.       Deus passa a ser chamado de “O S E N H O R “, ou seja, o Deus Jeová, um nome que (exceto em 12:9) não havia sido usado no Livro de Jó desde os dois primeiros capítulos. Em seus discursos, os homens o haviam chamado de “Deus” e de “Todo-Poderoso”, mas não de “Jeová”. Esse foi o nome que Deus revelou a Israel séculos depois (Êx 3:13ss), o nome que se referia a sua auto existência (“EU SOU O QUE SOU”) e a sua relação pessoal de aliança com seu povo.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 78-79.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Deus se revela ao homem e se mostra presente diante da angústia.

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SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Antes de iniciar esta penúltima lição, faça um pequeno resumo do trimestre. Selecione os principais temas estudados neste trimestre e revise-os na classe. Retome, por exemplo, a historicidade de Jó, de sua terra, o seu drama, as críticas implacáveis de seus amigos, as principais respostas de Jó, a resposta de Eliú e a resposta reveladora de Deus.

A ideia é que o aluno tenha uma visão de todo o trimestre e, assim, aproveite o máximo o estudo acerca de como Deus se revelou ao justo Jó. Você, professor, professora, tem o desafio de, além de ensinar o conteúdo bíblico, transmiti-lo da maneira mais clara, objetiva e fácil possível. Nesse sentido, o método pedagógico faz toda a diferença.

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II – A REVELAÇÃO DE UM DEUS SÁBIO

1. Na mecânica celeste.

Deus convida Jó a contemplar o universo e vê-lo como funciona (Jó 38). Há uma mecânica celeste que rege os fenômenos naturais de forma que garanta sua perfeita regência. O Criador desafia Jó a contemplar tudo isso e ver como seu funcionamento harmônico atende a um propósito superior.

De fato, o salmista disse que “os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1). Jó se comportara como um grande sábio, mas Deus mostrou-lhe que ele nada sabia. Por isso, o Criador o desafia a contemplar o mar e o sol (Jó 38.8-15), pois ele nada sabia da origem dos oceanos, da grandeza da luz solar e, menos ainda, das dimensões da Criação.

Comentário

Deus também indaga a Jó acerca da sua ligação com a criação dos oceanos. A pergunta básica ainda continua: “Onde estavas?” Afigura é de um ser gigante nascido da madre (8) do universo, colocando nuvens como sua vestidura (9). A medida que o mar se avolumava, Deus colocou limites para ele, para que ficasse restrito a um determinado território (8-11).

Dias e noites fazem parte da criação de Deus. Cada manhã se mostra a alva (12). Ela envia luz para as extremidades da terra (13). Por meio da sua luz o mal perpetuado sob a cobertura da escuridão pode ser vencido (13,15). O versículo 14 descreve o efeito do sol da manhã sobre a aparência do mundo. “A terra toma forma como o barro sob o sinete; e tudo nela se vê como uma veste” (NVI).

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 89.

Ou, quem encerrou o mar com portas, quando irrompe da madre? (v. 8). Uma das grandes belezas da natureza é esse imenso lençol de água, contido dentro de um círculo de ferro, lutando para avançar terra adentro, e não conseguindo. Deus pôs portas e trancas ao mar, de maneira que não avança, a não ser quando há necessidade de Deus mostrar a sua soberania sobre tudo. Então temos um maremoto, um cataclismo qualquer.

As maiores marés não conseguem vencer esta barreira. As nuvens são a sua vestidura, e a escuridão, as suas fraldas (v. 9). Bela frase poética. Deus pôs trancas e ferrolhos ao mar e deu ordens às ondas orgulhosas: Até aqui viras e não mais adiante (v. 11). Esta lei é a segurança da vida; se não fosse esta lei, quem confiaria construir cidades à beira do mar?

Há uma cidade construída em cima do mar, Veneza, na Itália. As águas quase entram nas casas, e a porta de entrada de muitas fica virada para o mar. Quem seria capaz de dormir com o mar assim batendo na porta e não acordar sobressaltado? Todos dormem, e este autor quando dormiu duas noites naquela cidade, leu, na primeira, este trecho de Jó e dormiu seguro, certo de o mar não passar da medida que o Criador lhe deu. Ele obedece.

As marés entram pela cidade a dentro e vão até a catedral de S. Marcos, uma das grandes belezas arquitetônicas do mundo, mas não passam dali. Bendito seja o Senhor e Criador, que assim ordenou a vida! O interessante é que os homens crêem instintivamente nestas coisas e vão adiante nas suas atividades; porém não creem naquele que orienta a natureza, de maneira que as suas obras são feitas em segurança.

2) Sobre a madrugada (vv. 12-15).

Acaso, desde que começaram os teus dias, deste ordem à madrugada e fizeste a alva saber o seu lugar? (v. 12). A madrugada infalível, que toda manhã ocorre, depois de a noite findar o seu circuito em volta de si mesma. Até que ponto o poeta entenderia este fenômeno das madrugadas, sucedendo-se à noite, não sabemos; entretanto, parece intuitivo, soubesse elas serem o resultado de uma revolução da terra em torno do seu eixo. Admitem alguns comentadores que esta observação estaria baseada no conhecimento de então de que o sol girava em volta da terra e se escondia depois de meia viagem. O certo nós ignoramos, pois qualquer das duas opiniões seria cabível aqui.

Segundo a teoria Ptolemaica, a terra era imóvel, apoiada nalguma coisa, e o sol girava ao redor dela. Era isso que se sabia, antes de Galileu destronar a terra e a colocar no seu lugar de satélite do sol, e não o sol satélite da terra. Jó, diria Deus, desde que começaram os teus dias, deste alguma ordem à madrugada para que se pegasse às orlas da terra, às suas franjas? Jó era de ontem e as madrugadas eram muito velhas.

É uma ironia. A seguir, descreve-se o efeito da madrugada sobre o ímpio, que só ama as trevas, onde vive cometendo os seus pecados. Para estes, a noite é sempre desejável, e não as madrugadas. Estas os sacodem dos seus amados refúgios de impiedade e indignidade. Os filhos da luz amam a luz (João 1:9). A terra, modelada como o barro debaixo do solo, toma a forma de um vestido, em que se torna a madrugada. Lindo! A beleza desta luz colorida, Deus a desvia dos Ímpios, e, como um lanceiro, de braço levantado, diz: Covil para todos vocês (v. 15). A madrugada é o sinal de alerta dos que trabalham e produzem, e a cintura dos perversos, que só vivem das trevas.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

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2. Na dinâmica da vida.

Se Jó nada sabia sobre a ordem da criação, muito menos sabia sobre a providência divina para mantê-la (38.39-41). Jó deveria ser capaz responder às seguintes questões Como veio a existir a Criação? Como ela é preservada? Saberia Jó explicar como Deus faz para alimentar os leões e  seus filhotes? Como as cabras monteses Conseguiam dar cria a seus filhotes e protegê-los dos predadores (39.1-4)? E sobre o jumento e o boi selvagem? O avestruz? 0 cavalo de guerra? O falcão? A águia?

Está claro que há uma providência divina que preserva as coisas criadas,  pois todos esses animais foram projetados por um design inteligente com suas peculiaridades, modo de ser e de viver. Se Jó não sabia como explicar como eles viviam e se comportavam, o que o levava a pensar que poderia discutir com Deus de igual para igual? Era hora, portanto, de reconhecer o seu lugar e se humilhar diante da majestade divina.

Comentário

O panorama dos fenômenos naturais selecionados termina em 38.38. O restante do primeiro discurso do Senhor, e a maior parte do segundo, dedicam-se às coisas vivas mais próximas à observação do homem. É difícil relacionar estas criaturas extraordinárias com o homem, quanto ao propósito delas. Embora tenha sido colocado na posição de domínio sobre o mundo, nenhum homem caçaria uma presa para uma leoa!

Deus, porém, fornece alimento para semelhante animal. Explique isto!

Esta pequena poesia acerca do corvo tem sido colocada em dúvida, por estar encaixada entre as leoas e as cabras. Semelhante argumento tem pouca força. Os pintainhos do corvo são descritos implorando a Deus pedindo alimento, assim como faz o homem faminto na sua necessidade. Colocar estas aves indefesas lado a lado com a leoa rapace ressalta a benevolência de Deus para com todas as Suas criaturas. O homem pode, então, aprender a tomar seu lugar lado a lado com estas outras criaturas de Deus.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 279.

Deus providencia alimento para as criaturas inferiores, e é pelas suas providências, e não por qualquer cuidado ou esforço nosso, que elas são alimentadas. O capítulo seguinte é inteiramente dedicado aos exemplos do poder e da bondade de Deus com os animais, e por isto alguns transferem ao capítulo seguinte os três últimos versículos deste capítulo, que falam da provisão que é feita: 1. Aos leões (w. 39,40).

Tu não tens a pretensão de que as nuvens e estrelas tenham qualquer dependência de ti, pois elas estão acima de ti, mas sobre a terra tu te julgas superior a todos; vejamos, então: “Porventura, caçarás tu presa para a leoa?” Tu te valorizas pelo gado que já possuíste, pelos bois, pelos jumentos, e pelos camelos que se alimentam no teu estábulo; mas “satisfarás a fome dos filhos dos leões, quando se agacham nos covis e estão à espreita nas covas?” Não, não precisarás fazê-lo, eles podem se arranjar sem ti; tu não podes fazê-lo, pois não tens com que satisfazê-los; não ousarás fazê-lo; se viesses para alimentá-los, eles se apoderariam de ti.

Mas Eu o farei. Veja a autossuficiência da divina providência: ela tem com que satisfazer o desejo de todas as coisas vivas, até mesmo as mais vorazes. Veja a generosidade da divina Providência, que, onde ela deu vida, dará sustento, até mesmo àquelas criaturas que não somente não são úteis para o homem, como são perigosas para ele. E veja a sua soberania, que permite que algumas criaturas sejam mortas para o sustento de outras.

As inofensivas ovelhas são despedaçadas, para satisfazer o apetite dos le- õezinhos, que, apesar disto, às vezes têm que sofrer fome, como punição pela sua crueldade, ao passo que aos que temem a Deus não faltam coisas boas. 2. Aos filhotes de corvos (v. 41). Da mesma maneira que os animais de rapina, também as aves de rapina são alimentadas pela divina Providência. Quem, senão Deus, “prepara para os corvos

o seu alimento?” O homem não o faz; ele cuida somente das criaturas que são, ou podem vir a ser, úteis a ele. Mas Deus tem consideração por todas as obras das suas mãos, até mesmo as mais humildes e menos valiosas. Os filhotes de corvos são necessitados de uma maneira especial, e Deus os alimenta (SI 147.9). O fato de que Deus alimente as aves, particularmente estas aves (Mt 6.26), é um encorajamento para confiarmos nele para a obtenção do nosso pão diário.

Veja aqui:

(1) A aflição em que se encontram frequentemente os filhotes de corvos: Eles “andam vagueando, por não terem que comer”. Os mais velhos, dizem eles, os negligenciam, e não os alimentam, como outras aves alimentam os seus filhotes; e, na verdade, os que são vorazes com os outros normalmente são bárbaros com os seus, e não naturais.

(2) O que eles devem fazer, nesta aflição: Eles clamam, pois são criaturas ruidosas e clamorosas, e isto é interpretado como um clamor a Deus. Sendo o clamor da natureza, é considerado como dirigido ao Deus da natureza. A interpretação de maneira tão favorável ao clamor dos jovens corvos pode nos encorajar em nossas orações, ainda que possamos apenas clamar: Aba, Pai.

(3) O que Deus faz por eles. De uma maneira ou de outra, Ele os sustenta, de modo que crescem e chegam à maturidade. E aquele que cuida desta maneira dos jovens corvos certamente não deixará de cuidar do seu povo ou dos seus. Sendo este apenas um exemplo, entre muitos, da compaixão divina, pode nos dar oportunidade para pensar no quanto bem Deus nos faz, todos os dias, além do que temos ciência.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 191-192.

12 Lição 4 Tri 20 Quando Deus se Revela ao Homem

3. Na necessidade de se conhecer melhor a Deus.

Era preciso que Jó contivesse seu orgulho. De fato, ele falou muita verdade sobre Deus, mas ignorou o quanto não sabia acerca do Criador. A revelação de Deus sobre a mecânica celeste e da vida não foi uma censura à integridade e sinceridade do patriarca. Aos olhos de Deus, ele permanecia um homem justo e íntegro, mas falto de humildade, pois agiu de forma presunçosa ao questionar a majestade divina. Era necessário, portanto, que conhecesse melhor a Deus.

Cada contorno da Criação, cada formação de uma vida e cada ato de preservação da Criação é Deus dando-se a conhecer ao ser humano. Reconheçamos o agir do Criador no universo e em nossa vida.

Comentário

Um humilde desafio que Deus apresentou a Jó. Após ter amontoado sobre ele muitas perguntas difíceis, para lhe mostrar, por sua evidente ignorância nas obras da natureza, que juiz incompetente ele era dos métodos e planos da Providência, ele bate o prego com mais uma exigência, que se apresenta aqui por si só como a aplicação da totalidade.

Ao que parece, Deus fez uma pequena pausa, como Eliú tinha feito, para dar tempo a Jó para dizer o que ele tinha a dizer, ou para pensar no que Deus tinha dito; mas Jó estava em tamanha confusão que permaneceu calado; portanto, Deus aqui o faz responder, w.1,2. Não é dito que isto ocorra através de uma voz falando do meio do vento forte, como antes; portanto, alguns pensam que Deus disse isto com uma voz tranquila e baixa, que causou sobre Jó um efeito maior do que o vento forte, como aconteceu no caso de Elias, 1 Reis 19.12,13.

A minha doutrina cairá como a chuva, e então ela fará maravilhas. Embora Jó não tivesse falado nada, lemos que Deus lhe respondeu; pois o precioso e bendito Senhor conhece os pensamentos dos homens, e pode dai1 uma resposta apropriada ao silêncio deles.

Aqui: 1. Deus lhe faz uma pergunta convincente: “Porventura, o contender contra o Todo-poderoso é ensinar? Poderá ele ditar a sabedoria de Deus ou impor a sua vontade? Receberá Deus instrução de todo queixoso impertinente, e mudará as medidas que tomou para agradá-lo?” Esta é uma pergunta que traz consigo o desdém.

Porventura, a Deus se ensinaria ciência? cap. 21.22. E sugerido que aqueles que contendem com Deus, na prática querem ensiná-lo como consertar a sua obra. Pois se contendermos com os homens, que são como nós mesmos, como se não tivessem feito bem alguma coisa, devemos ensiná-los como fazer melhor; mas será que é algo aceitável que qualquer homem ensine ao seu Criador? Aquele que contende com

Deus é com justa razão considerado seu inimigo; e pode ele até aqui achar ter prevalecido nas disputas a ponto de querer ensiná-lo? Nós somos ignorantes e de visão curta, mas diante dele todas as coisas estão nuas e patentes; nós somos criaturas dependentes, mas Ele é o Criador soberano; será que podemos querer ensiná-lo? Alguns leem assim: Há alguma sabedoria em contender com o Todo-Poderoso? A resposta é fácil: Não.

Esta é a maior loucura do mundo. Há sabedoria em contender com Ele, visto que certamente será a nossa destruição se nos opusermos a Ele, e um benefício indescritível aos nossos interesses se nos sujeitarmos a Ele? 2. Ele exige uma resposta rápida à pergunta: “Quem assim argúi a Deus, que responda a estas coisas em sua própria consciência, e as responda assim, Longe esteja de mim contender com o Todo-poderoso ou ensiná-lo.

Responda ele a todas as perguntas que fiz, se puder. Responda ele pela sua presunção e insolência, responda no tribunal de Deus, para a sua confusão.” Estes têm pensamentos elevados sobre si mesmos, e pensamentos desprezíveis a respeito de Deus: os que reprovam qualquer coisa que Ele diga ou faça.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 196.

O primeiro discurso de Deus mostrou a Jó que ele havia sido presunçoso em seu desejo de debater com Deus. A exposição acerca da criação colocou Jó no seu devido lugar, mas ainda não havia tratado da atitude flagrantemente incrédula de Jó. Este tinha acusado Deus de ser injusto na sua forma de governar o mundo. O segundo discurso trata desse assunto.

Deus primeiro desafia a Jó por este tê-lo criticado (40.6-14) e ironicamente convida Jó a sentar-se, se ele puder, no lugar de Deus e governar o mundo. Segue-se uma descrição de Beemote e Leviatã,3 provavelmente representações da vitória de Deus sobre as forças caóticas no universo. Se raciocinarmos de trás para frente, do que foi alcançado com o propósito dessas descrições, essa revelação serve para levar Jó ao arrependimento em vez de a uma mera submissão em 39.1—40.6. Acerca deste ponto, Terrien argumenta que o intervalo de tempo entre a submissão de Jó e sua penitência é confiável psicológica e teologicamente.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 191.

A providência de Deus é, sem dúvida, extraordinária. Em sua sabedoria e poder, Deus supervisiona todo o universo e se certifica de que todas as criaturas recebam os cuidados de que necessitam. Nós, seres humanos, temos dificuldade de manter o maquinário da vida operando corretamente, mas Deus dirige todo o universo com tal precisão que construímos nossas leis científicas sobre sua criação.

O Senhor fez desfilar diante da imaginação de Jó uma série de seis feras (leoa, cabra, corça, jumento selvagem, boi selvagem e cavalo) e quatro aves (corvo, avestruz, falcão e águia). A providência de Deus é, sem dúvida, extraordinária (ver Sl 104). Em sua sabedoria e poder, Deus supervisiona todo o universo e se certifica de que todas as criaturas recebam os cuidados de que necessitam.

Nós, seres humanos, temos dificuldade de manter o maquinário da vida operando corretamente, mas Deus dirige todo o universo com tal precisão que construímos nossas leis científicas sobre sua criação. “Então, Jó”, perguntou o Senhor, “se você não é capaz de ser bem-sucedido nem com esses animais, como pretende sair-se bem quando se encontrar comigo no tribunal? Quão forte pensa que é?

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 79.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Deus se revela como sábio na mecânica celeste e na mecânica da vida.

12 Lição 4 Tri 20 Quando Deus se Revela ao Homem

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“A Criação do Mundo-vv. 4-11. Para humilhação de Jó, aqui Deus lhe mostra a sua ignorância, até mesmo a respeito da terra e do mar. Embora tão próximos, embora tão grandes, ainda assim Jó não era capaz de explicar a sua origem, muito menos do céu, acima, ou do inferno, abaixo, que estão tão distantes, e nem das várias partes da matéria que são tão minúsculas, e menos ainda dos conselhos divinos. A respeito da fundação da terra.

Se ele tem uma percepção tão poderosa, como pensa ter, dos conselhos de Deus, que forneça alguma explicação da terra sobre a qual vive, e que é dada aos filhos dos homens. 1. Que ele diga onde estava,  quando este mundo inferior foi criado, e se ele forneceu conselhos para auxiliar naquela maravilhosa obra (v.4).

As tuas pretensões são elevadas; podes ter pretensões a isto? Estavas presente  quando o mundo foi criado?” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.186).

12 Lição 4 Tri 20 Quando Deus se Revela ao Homem

III – A REVELAÇÃO DE UM DEUS PODEROSO E JUSTO

1. O Behemot o Leviatã.

Nos capítulos 40 e 41, Deus faz referências a duas grandes criaturas. Ele chama a atenção de Jó para a natureza indomável desses animais, a fim de ilustrar seu poder divino. Algumas Bíblias traduzem esses termos como hipopótamo e crocodilo, respectivamente.

Enquanto o Behemot representava a força bruta de um animal por excelência, o Leviatã se parece mais com uma criatura com poderes sobrenaturais. Ele se apresenta, por exemplo, dessa forma em Isaías 27. Assim, o Behemot e o Leviatã representam o ápice da força tanto natural como sobrenatural, assim como é o inexplicável e maravilhoso mundo criado por Deus. Mesmo poderosos, Behemot e Leviatã estavam debaixo da mão de Deus.

Comentário

Podes tu, com anzol, apanhar o crocodilo…? Trigésima Segunda Pergunta.

Nenhum homem pode pescar o leviatã e retirá-lo das águas. Na verdade, o leviatã é alguma espécie de fera gigantesca, que respira fogo (vss. 19-20), pelo que a ideia inteira de o capturar é simplesmente absurda. Quanto à sua identificação, e como ele e o beemote representam animais míticos, dotados de algumas características físicas, ver as introduções a Jó 40.15 e ao presente capítulo. O autor sagrado realmente tinha mudado para uma nova categoria. Ele não estava apenas aumentando sua seção zoológica (ver Jó 38.39-39.30).

É ridícula a tentativa de eliminar as descrições que ultrapassam qualquer animal, extinto ou vivo, chamando-as de “exageros poéticos”. Caros leitores, Jó não teria nenhuma razão para temer o hipopótamo (beemote) e o crocodilo comum (leviatã). Ver a exposição em Jó 3.8 para saber como devemos aproximar-nos de uma explicação. Não ignoremos o pensamento dos tempos antigos, impondo sobre tais passagens as ideias comuns que apreciamos, para aplicá-las a uma exegese, quando nosso conforto mental for ameaçado.

Ver sob o título Caos, anteriormente, especialmente o segundo parágrafo, quanto às qualidades do animal descrito que não se ajustam a nenhuma realidade terrena.

Algumas vezes os crocodilos eram apanhados por anzóis com chamarizes (Heródoto liv. ii. cap. 70), de maneira que os intérpretes se deixam enganar, atribuindo à passagem a presença daquele animal comum. Cordas eram usadas para fechar a imensa boca dos crocodilos, de modo que eles não pudessem ferir seus captores.

Mas descrições que se prestam para falar dos crocodilos não podem ser usadas para anular as descrições que vão além do que poderíamos dizer sobre o animal ora descrito. Seja como for, é certo que o animal em questão não poderia ser apanhado conforme se fazia com o crocodilo, em cuja captura os antigos não encontravam nenhuma dificuldade.

Continua neste capítulo o segundo discurso divino, que se estende até Jó 42.6. Ver as notas de introdução em Jó 40.15, onde o beemote está em vista. Ali demonstro que o poeta mudou sua atenção para uma nova categoria de poderes. Ele não estava apenas continuando sua seção zoológica (ver Jó 38.39-39.30). As descrições dadas vão além de qualquer coisa conhecida e natural, embora, com relação aos animais míticos, o que é físico e comum esteja misturado às descrições mitológicas. Até aos deuses eram conferidas qualidades e emoções humanas.

Ver a exposição em Jó 40.15, quanto a uma argumentação completa. O leviatã certamente não é o humilde crocodilo a que alguns intérpretes o reduzem e, então, invocam descrições que não se ajustam aos “exageros poéticos”. Antes, o autor sacro estava entrando nos relatos sobre semideuses, monstros míticos e coisas similares, que Jó pouco conhecia e, por alguma informação a respeito, saberia mais ou menos o que lhe estava sendo dito. Tais histórias faziam parte da atmosfera religiosa dos antigos.

O ponto frisado nas passagens concernentes ao beemote e ao leviatã é que Deus controla todas as forças, cósmicas ou terrestres, não tendo sido apanhado de surpresa pelo problema do mal. Ele sabia muito bem por que os homens sofrem e Dor que sofrem como sofrem. E sabia muito bem por que os inocentes sofrem, embora boas respostas nem sempre estejam disponíveis, mediante tais enigmas. Ademais, a providência divina finalmente cuidará do problema do mal.

A Identidade do Leviatã. 1. O crocodilo. Esta é a opinião mais comum dos intérpretes que querem evitar referências míticas. Mas devemos lembrar que o que é mítico para nós era assunto sério para os antigos, e os mitos eram e continuam sendo, pelo menos algumas vezes, veículos esplêndidos para comunicar verdades espirituais, tal como se dá no caso das parábolas. 2. Alguns intérpretes falam em um animal, atualmente extinto, parecido com um dragão. Como o fogo sai da boca e do nariz do leviatã (vss. 19-20), dificilmente ele pode representar um animal físico e real, sendo perfeito para retratar alguma fera mitológica. 3.

O lotão de sete cabeças da mitologia ugarítica é um bom candidato. 4. A baleia, o golfinho ou algum dinossauro marinho, atualmente extinto, são pobres conjecturas que não se ajustam ao contexto.

O Caos. O texto sagrado certamente fala sobre os poderes do caos e, animais marinhos míticos com frequência tinham esse simbolismo nas histórias antigas. A mensagem é que Deus tem poder sobre o caos ou sobre qualquer outra força, visível ou invisível. Portanto, a providência divina é garantida para o governo do mundo e de todas as criaturas inteligentes, incluindo Jó, o homem que sofria como vítima inocente. Uma vez humilhado, Jó ainda seria restaurado pela graça e pela misericórdia de Deus. Seu caso parecia de solução impossível, mas não estava acima da providência de Deus.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2032-2033.

É mostrado que Jó era incapaz de dominar o leviatã.

1. Que ele não poderia apanhá-lo, como um pequeno peixe, pescando com um anzol, w. 1,2. Ele não tinha uma isca com a qual poderia enganá-lo, nenhum um anzol com que apanhá-lo, nenhuma linha de pesca com que puxá-lo para fora da água, nem um espinho para atravessar as suas guelras, e também não seria capaz de levá-lo para casa.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 201.

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2. Justiça e graça.

Se Jó não é capaz de lidar nem com Behemot nem com o Leviatã, então, como poderia tratar desse mundo complexo? Ele agiria com justiça ao tratar dos complexos dilemas humanos? Deus deseja mostrar a Jó o seu erro ao dizer que o Criador não havia sido justo com ele nem com o ímpio (Jó 6.29; 27.1-6; 21.29-31; 24.1-7). Nesse sentido, Jó seria capaz de tratar com o mundo de forma melhor que Deus, como deu indiretamente a entender nas sua argumentações?

Ele não era capaz de domar sequer duas criaturas criadas por Deus. Logo, jamais poderia ser igual ou mais justo que o próprio Criador, nem, muito menos, auto justificar-se diante dEle. Só a graça de Deus poderia justificá-lo. Ele dependeria somente da graça divina. Não há nada que possa justificar o ser humano diante de Deus, senão a sua maravilhosa graça (Ef 2.8).

Comentário

Acaso anularás tu, de Tato, o meu juízo? Vigésima Nona Pergunta. Seria Jó culpado de adoração e serviço divino egoístas? “As novas indagações de Yahweh peretram até o âmago do problema apresentado pelo livro de Jó e delineiam com grande clareza a sua configuração: o propósito do livro não era essencialmente discutir o sofrimento dos inocentes ou a prosperidade dos ímpios e, sim, meditar sobre o significado da religião pura (ver sobre 1.9) e, por conseguinte, sobre a justificação pela fé” (Samuel Terrien, in loc.).

Naturalmente, o dr. Terrien exagera um pouco, porque o livro não aborda a questão da salvação da alma (sobre cuja questão não oferece nenhum ensinamento), mesmo porque isso seria anacronismo. Os princípios apresentados no livro, no entanto, podem tocar nesses elementos, quanto a essa maneira de pensar. Jó asseverou sua própria inocência, mas pôs em dúvida a questão da justiça de Deus.

Ver Jó 19.6-7 e 27.2. Ele condenou Deus por fazê-lo sofrer e por fazer prosperar os ímpios. Ele tinha dito que o bem ou o mal não faziam nenhuma diferença. No fim, tanto o bom quanto o ímpio seriam destruídos pelo Deus de vontade arbitrária (ver Jó 9.22). Jó se apresentou como modelo de virtudes, mas suas amargas acusações o tomavam culpado de insolência teológica. Ele não era um transgressor, mas sua arrogância deixava atônitos os circunstantes, e o colocava em posição embaraçosa.

Suas queixas modificariam sua adoração pura? Sua adoração era, verdadeiramente, desinteressada, ou Satanás tinha vencido em sua argumentação?

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2029-2030.

Que não devemos contender com Deus por justiça, que o Senhor é justo e santo em seus tratos para conosco, mas que somos injustos e profanos na nossa conduta para com Ele; temos muito pelo que nos culpar, mas nada pelo que culpá-lo (v. 8): “Porventura, também farás tu vão o meu juízo? Tomarás exceções ao que digo e faço, e trarás um mandado de erro, para reverter o juízo que dei como errôneo e injusto?” Muitas das queixas de Jó traziam em si uma tendência como esta: Eu clamo em relação ao erro, ele diz, mas não sou ouvido; mas uma linguagem dessa não deve ser permitida de modo algum.

O juízo de Deus não pode e nem deve ser considerado vão, pois estamos certos de que ele está de acordo com a verdade; portanto, questioná-lo é uma grande insolência e iniquidade em nós. “Me condenarás,” diz Deus, “para te justificares? Deve a minha honra sofrer para a manutenção da tua reputação? Será que devo ser acusado de tratar injustamente contigo porque de outra forma não podes te ver livre das censuras sob as quais estás?” O nosso dever é condenarmo-nos a nós mesmos, para que Deus seja notoriamente justo. Davi, portanto, está pronto a reconhecer o mal que fez aos olhos de Deus, para que Deus possa ser justificado quando falar e claro quando julgar, Salmos 51.4. Veja Neemias 9.33 e Daniel 9.7.

Mas são muito soberbos, e muito ignorantes tanto a respeito de Deus como de si mesmos, aqueles que, para se livrarem, tentarão condenar a Deus; e se aproxima o dia em que, se o erro não for retificado a tempo pelo arrependimento, o juízo eterno será tanto a refutação da alegação como a confusão do prisioneiro, pois os céus declararão a justiça de Deus e o mundo todo se tornará culpado diante dele.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 197.

O termo “beemote” usado em algumas versões é uma transliteração da palavra

hebraica que significa uma “super-fera”. Hoje em dia, é provável que os caçadores bem equipados, com suas armas modernas, não sejam intimidados pelo tamanho nem pela força do hipopótamo, mas nos tempos das lanças e flechas, tratava-se de um inimigo descomunal. O hipopótamo possuía um corpo vigoroso, com músculos fortes e ossos resistentes como bastões de ferro.

Em termos comparativos, o corpo do homem era fraco e fácil de ferir. O hipopótamo passa os dias vagando pelo rio – seu corpo escondido debaixo da água – e se alimenta da vegetação carregada dos morros pelas chuvas; o homem, por sua vez, precisa trabalhar arduamente para ganhar seu pão de cada dia.

No tempo de Jó, era praticamente impossível capturar o hipopótamo, mas como é fácil capturar um homem! O termo “leviatã” é a transliteração de uma palavra hebraica, cujo radical significa “envergar, retorcer”. O termo era usado para descrever os “monstros marinhos” que, supostamente, habitavam o Mediterrâneo. Na mitologia, o leviatã era um monstro com várias cabeças que dominava sobre as águas e não temia homem algum.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 80.

SÍNTESE DO TÓPICO III

O Behemot e o Leviatã revelam um Deus poderoso e justo.

12 Lição 4 Tri 20 Quando Deus se Revela ao Homem

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“Deus tinha feito a Jó muitas perguntas humilhantes e perturbadoras, no capítulo anterior; agora, neste capítulo: I. Ele exige uma resposta a elas, [40] vv.1,2. II. Jó se submete em um silêncio humilde, vv.3-5. III. Deus passa a argumentar com ele, para a sua convicção, a respeito da infinita distância e desproporção entre ele e Deus, mostrando que Jó não era de modo algum páreo para Deus. O Senhor o desafia (vv.6,7) a competir consigo, se ousar, na questão da justiça (v.8), do poder (v.9), da majestade (v.10), e do domínio sobre a soberba (vv.11-14), e dá um exemplo do seu poder em um determinado animal, aqui chamado de ‘Behemot’, vv.15 24. [..]

A descrição aqui apresentada do leviatã, um peixe muito grande, forte e terrível, ou animal marinho, tem o objetivo de convencer Jó ainda mais da sua própria impotência, e da onipotência de Deus, para que Jó possa ser humilhado pela sua loucura de se fazer tão ousado para com o Senhor.

Para convencer Jó da sua própria fraqueza, ele é aqui desafiado a dominar e amansar este leviatã, se puder, e se fazer seu senhor (vv.1-9); visto que ele não pode fazer isso, deve reconhecer que é totalmente incapaz de permanecer na presença do grande Deus, v.10″ (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, pp.200-01).

12 Lição 4 Tri 20 Quando Deus se Revela ao Homem

CONCLUSÃO

Neste estudo mostramos como Deus se revelou a Jó de uma forma maravilhosa. O que Jó tanto desejava finalmente aconteceu: o encontro com Deus. Este se revelou a Jó não para recriminá-lo, mas para revelar-lhe o quão imperfeito ele era e o quanto conhecia pouco acerca da majestade divina. O Criador mostrou a Jó que, apesar de seu silêncio, Ele sempre esteve presente e no controle de todos os acontecimentos. Cabendo, portanto, ao homem louvá-lo em toda e qualquer situação.

VOCABULÁRIO

Design Inteligente: Projeto inteligente, desenhado propositalmente. Traz a ideia de um Ser inteligente que planejou e arquitetou toda a Criação.

12 Lição 4 Tri 20 Quando Deus se Revela ao Homem

PARA REFLETIR

A respeito de “Quando Deus se Revela ao Homem” responda

1 – Como que o Altíssimo se revelou pessoalmente a Jó?

R: Jó estava diante de uma manifestação teofânica de Deus, e Este falando-lhe do meio de um redemoinho.

2 – Qual propósito o Livro de Jó revela?

R: O grande propósito do Livro de Jó revela que, mesmo quando estamos às escuras, andando somente por fé e não por vista, Deus está sempre próximo e presente.

3 – Qual o convite que Deus faz a Jó?

R: Deus convida Jó a contemplar o universo e vê-lo como funciona.

4 – Deus censurou Jó com a revelação da mecânica celeste e da vida?

R: A revelação de Deus sobre a mecânica celeste e da vida não foi uma censura a integridade e sinceridade do patriarca.

5 – O que Deus deseja mostrar a Jó?

R: Deus deseja mostrar a Jó o seu erro ao dizer que o Criador não havia sido justo com ele nem com o ímpio.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Veja outras Lições.

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

6° Lição – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

7° Lição – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?

8° Lição – A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?

9° Lição – Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

10° Lição – A Última Defesa de Jó

11° Lição – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

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