12 LIÇÃO 4 TRI 2021 A CORAGEM DO APÓSTOLO PAULO DIANTE DA MORTE

  12 LIÇÃO 4 TRI 2021 A CORAGEM DO APÓSTOLO PAULO DIANTE DA MORTE

12 LIÇÃO 4 TRI 2021 A CORAGEM DO APÓSTOLO PAULO DIANTE DA MORTE

 

TEXTO AUREO

“E assim nós, que vivemos, estamos sempre entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também em nossa carne mortal.” (2 Co 4.11)    

VERDADE PRATICA

O Espirito Santo nos prepara para sofrer por Jesus Cristo e suportar as angústias e aflições na obra de Deus.    

LEITURA DIARIA

 

Segunda – At 9.15 É preciso padecer pelo nome de Jesus  

 

Terça – At 20.24 Não devemos tomar nossa vida por preciosa  

 

Quarta – At 21.13,14 Não se pode impedir a vontade de Deus  

 

Quinta – At 20.17-38 O encorajamento de Paulo aos anciãos  

 

Sexta – At 21.27,28 Acusações contra o apóstolo Paulo  

 

Sábado – 2 Co 4.17 Uma leve e momentânea tribulação    

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

  Atos 21.7-15

7- E nós, concluída a navegação de Tiro, viemos a Ptolemaida, e, havendo saudado os irmãos, ficamos com eles um dia.

8- No dia seguinte, partindo dali Paulo e nós que com ele estávamos, chegamos a Cesareia; e, entrando em casa de Filipe, o evangelista, que um dos sete, ficamos com ele.

9- Tinha este quatro filhas donzelas, que profetizavam.

10- E, demorando-nos ali por muitos dias, chegou da Judeia um profeta, por nome Ágabo;

11- e, vindo ter conosco, tomou a cinta de Pauto e, lingando-se os seus próprios pés e mãos, disse: Isto diz o Espirito Santo; Assim ligarão os judeus, em Jerusalém, o varão de quem é esta cinta e o entregarão nas mãos dos gentios.

12- E, ouvindo nós isto, rogamos-lhe, tanto nós como os que eram daquele lugar, que não subisse a Jerusalém,

13- Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus.

14- E, como não podiamos convencê-lo, nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor!

15-Depois daqueles dias, havendo feito os nossos preparativos, subimos a Jerusalém.    

HINOS SUGERIDOS: 234, 294, 382 da harpa Crista

 

OBJETIVO GERAL

 

Conscientizar a respeito da coragem diante da morte.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

  I- Mostrar a consciência de Paulo quanto a padecer por Jesus;   II- Apontar a coragem para enfrentar as ameaças de morte;   III- Destacar as acusações e prisão de Paulo no Templo.    

 

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

 

O nosso tempo é marcado pelo imediatismo. Pouco de nós se prepara a morte. Aliás, só de ouvir a palavra “morte”, muda o humor, a tristeza domina o ambiente. A vida e o ministério de Paulo mostram que a coragem diante da morte não é escapismo, mas resultado concreto da dimensão profunda da fé que domina a vida do cristão. Essa dimensão salvífica mudou o olhar do apóstolo para o que faz sentido na vida concreta. Dessa forma, ter de escolher entre estar com Cristo e permanecer na Terra, o apóstolo não tinha dúvida: escolheria estar com Cristo. Para Paulo, permanecer neste mundo só se justificaria se fosse para desgastar-se pela causa do Evangelho.    

PONTO CENTRAL: Tenha coragem diante da morte.

 

COMENTÁRIO INTRODUÇÃO

  Nosso Senhor deseja que tenhamos consciência a respeito do nosso chamado no Reino de Deus. Muitas vezes, esse chamado requer fazer a sua vontade, mesmo que essa atitude coloque em risco a nossa vida. É sobre essa coragem para fazer a vontade de Deus que estudaremos nesta lição.    

Comentário

    A coragem demonstrada por Paulo não seria real se ele não tivesse a certeza de estar obedecendo a orientação do Espírito Santo. Por trás de sua coragem, havia uma convicção extraordinária no seu coração de que ele deveria enfrentar os algozes e que, certamente, sofreria muito, até ser morto, mas com a certeza inconfundível de que teria cumprido sua missão de padecer pelo nome de Jesus. Paulo foi advertido pelos profetas de que ele sofreria em Jerusalém e, apesar das advertências para não ir a Jerusalém, preferiu o impulso interior sob a direção do Espírito Santo. Em seu ministério, Paulo sofreu perseguições, açoites, fome, sede, frio e outros tipos de sofrimentos físicos por causa do evangelho de Cristo.

O apóstolo entendia que os sofrimentos pelos quais passava eram um modo de Deus aperfeiçoar sua vida diante do Senhor; por isso, Paulo desenvolveu uma teologia acerca do sofrimento muito diferente da equivocada teologia da prosperidade. Essa pseudoteologia da prosperidade não admite que o crente possa sofrer no corpo e na alma. Entretanto, Paulo não evita saber que sofreria perseguições, tribulações na carne, açoites e prisões por amor do nome de Jesus. Mesmo sendo avisado pelo Espírito Santo que passaria por tudo em Cesareia e Jerusalém, nenhuma vez o Espírito disse-lhes para desistir ou para não ir.

Paulo entendia a essência do seu chamado de que, além de tornar-se o apóstolo dos gentios, ele iria padecer pelo nome de Jesus. Ele também sabia que havia algo superior aos sofrimentos escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel. E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At 9.15,16). Ele não foi chamado para ter uma posição de destaque na igreja, por causa da sua inteligência e cultura, mas, sim, para levar o nome de Jesus diante dos gentios e dos judeus e que haveria de padecer muito por esse nome. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Jerusalém preparava-se para o Dia de Pentecostes; já estava cheia de judeus provenientes de todo o império. Paulo e seus amigos abrigaram-se na casa de Mnasom. Era uma residência senhorial, rodeada por um muro alto, e os cristãos que gozavam da hospitalidade do seu proprietário tinham todo conforto. Na casa de Maria, Paulo encontrou alguns dos líderes da igreja. Tiago, o irmão de Jesus, era um deles.

Ele havia envelhecido e seu cabelo branco e encaracolado chegava-lhe aos ombros, à moda nazarena. Paulo saudou a igreja, e contou-lhe a história da sua terceira viagem. Ele atravessara os Portões da Cilícia para a Galácia, e depois de visitar todas as igrejas dali, fora para Éfeso, onde permanecera três anos. Viajara depois para a Europa e pregara aos santos de Filipos, testemunhando de Cristo nas regiões interioranas do Ilírico. Chegara finalmente a Corinto, e iniciara uma campanha que o levou a muitas outras cidades da Grécia. A história de quatro anos de trabalho foi apresentada em rápidas pinceladas. Os crentes de Jerusalém ficaram também conhecendo a igreja rebelde de Corinto, e como está se arrependera e afastara-se do mal. A seguir, como se para confirmar suas palavras, Paulo apresentou um saco pesado de dinheiro, dizendo ser uma contribuição dos coríntios à igreja-mãe. Aquela oferta era um socorro aos irmãos reduzidos à pobreza por causa da fé em Cristo. Ball. Charles Ferguson. A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo. Editora CPAD. pag. 90.    

 

 

O mesmo Paulo que já havia enfrentado prisões e açoites enfrentará agora uma série de solavancos existenciais: prisão, acusação e conspiração. Não espere gratidão, mas cadeias e tribulações Paulo estava indo a Jerusalém para levar as ofertas levantadas entre as igrejas gentílicas para os pobres da Judeia. Seu coração estava cheio de amor, e suas mãos, cheias de dádivas. Sua motivação era a mais pura, e seu propósito, o mais elevado. Porém, os judeus pagaram o bem com o mal. Em vez de alegrarem-se com sua generosidade, conspiraram contra Paulo para matá-lo. Lopes, Hernandes Dias. Paulo, o Maior Líder do Cristianismo. Editora Hagnos. 1 Ed. 2009.    

 

Paulo está de malas prontas para viajar rumo a Jerusalém. Será a última vez que o velho apóstolo colocará os pés na cidade de Davi. Embora um dos propósitos da sua viagem seja levar uma oferta colhida entre os crentes gentios para os crentes judeus, ele sabe que as curvas do futuro lhe reservam cadeias e tribulações. Paulo não nutre esperanças falsas; sabe que será preso. Não caminha na direção dos holofotes, mas rumo à prisão e à morte. Paulo chega a pedir oração à igreja de Roma para não ser morto pelos rebeldes judeus nessa arriscada viagem a Jerusalém (Rm 15.30,31). Marshall observa que o discurso em Mileto marca o fim da obra missionária de Paulo, conforme o relato em Atos. De lá, o apóstolo viajou para Jerusalém, onde seria preso, encarcerado, sujeitado a vários processos e finalmente despachado a Roma para comparecer diante do Imperador. Werner de Boor, por sua vez, não considera o caminho do sofrimento de Paulo sinônimo de perturbação e interrupção, mas o auge de sua atuação. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 427-428.  

 

I – A CONSCIÊNCIA DE PAULO QUANTO A PADECER POR JESUS

 

   1.   A insistência de Paulo em ir a Jerusalém.

 

Nas primeiras lições deste estudo, vimos que, por meio da resposta divina a Ananias, nosso Senhor disse que Paulo haveria de padecer pelo seu nome (At 9.15). Esse tempo havia chegado para o apóstolo, haja vista o seu desejo de ir a Jerusalém, mesmo após ouvir o profeta Ágabo dizer-lhe que os judeus o entregariam nas mãos dos gentios (At 21.11). Entretanto, por meio do Espírito Santo, Paulo discerniu que era a vontade de Deus que ele enfrentasse prisões e açoites pelo nome de Jesus, conforme ele mesmo reconhece: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira” (At 20.24). A profecia de Ágabo, porém, não tinha caráter decisivo, mas deixava o apóstolo com a consciência livre para ir ou não a Jerusalém. Ele sabia que seu sofrimento era inevitável, primeiramente, em Cesárea; depois, em Jerusalém. É preciso que todo obreiro tenha pleno discernimento das circunstâncias por fazer a vontade de Deus.    

 

Comentário

 

Desde o momento em que Paulo deixou Mileto, no encontro de despedida com os seus companheiros, ele não perdeu o alvo de chegar a Jerusalém. Parece um contrassenso de Paulo ao insistir em ir a Jerusalém, mesmo depois de ouvir Ágabo, o profeta, dizer-lhe o que aconteceria com ele nessa cidade (At 21.10). Seria teimosia de Paulo? Teria ele qualquer resquício de arrogância, ou de atitude independente, em aceitar a palavra dos profetas? Creio piamente que nenhum sentimento negativo de arrogância ou teimosia estivesse influenciando as atitudes de Paulo, pois há momentos decisivos na vida de um servo de Cristo, especialmente um líder, pastor, que compete somente a ele decidir. Um dos dons do Espírito é a capacidade de discernimento; por isso, o obreiro precisa aprender a discernir a vontade de Deus, mesmo que essa vontade divina contrarie a razão. Por esse motivo, não vale nem influência familiar ou de amigos, mesmo que bem intencionados, mas o que deve valer é a voz interior do Espírito, e a essa voz deve-se obedecer. Sendo assim, temos que avaliar uma mensagem profética e o que o Espírito Santo falou.

É notório que, tão somente, o Espírito Santo através dos profetas alertou-o dos perigos que ele enfrentaria em Jerusalém. Entretanto, Paulo sabia que era o cuidado do Espírito em alertá-lo e, por isso, deixou-se orientar pela voz interior do Espírito Santo para ir em frente. Ele discerniu a vontade de Deus de que deveria enfrentar as prisões e açoites pelo nome de Jesus. Em Atos 20.24, Paulo abre o coração aos obreiros que estiveram em Mileto e disse-lhes: “Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira” (At 20.24). A mensagem que o Espírito havia dado aos profetas não tinha um caráter decisivo de “não ir a Jerusalém”, mas deixava livre a consciência do apóstolo para “ir ou não”. Todo obreiro precisa ter a capacidade de discernir a vontade de Deus, e Paulo sabia que era inevitável o que ele sofreria pelo nome de Jesus, primeiro em Cesareia e, depois, em Jerusalém. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Paulo partiu para Jerusalém em companhia de cristãos da Beréia, Tessalônica, Derbe e Éfeso, juntamente com Lucas e Timóteo. Sabia, com certeza, que sob alguns aspectos estava dando um passo temerário, porque na sua jornada se deteve em Mileto e mandou chamar os anciãos da At 20,4-6 igreja de Éfeso. Durante a conversa que teve com eles deu-lhes claramente a entender que não esperava revê-los. Sabia que o mais que podia esperar dos judeus eram “cadeias e tribulações”.

Todavia, como em ocasiões anteriores antepôs à sua segurança a glória do seu Amo e Senhor: “Mas não considero preciosa a minha própria vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e cumpra o ministério que recebi do Senhor Jesus, de dar testemunho ao evangelho da graça de Deus”. Quando chegou a Jerusalém, os temores e expectativas de Paulo se confirmaram plenamente. Relatos trazidos à Judéia por judeus forasteiros continham informações exageradas da ruptura de Paulo com o Judaísmo. Não mencionavam as concessões que Paulo fizera às vezes aos preconceitos judaicos. Tiago, que era agora o chefe da igreja de Jerusalém, explicou-lhe mais cabalmente a situação: “Vês, irmão, como abraçaram a fé milhares de judeus e são todos zelosos partidários da Lei. Ora, ouviram dizer de ti que ensinas os judeus dispersos no meio dos gentios a apostatarem de Moisés, dizendo-lhes que não circuncidem mais seus filhos e não sigam os costumes”. Drame., Jhon. Paulo. Editora EP. pag. 97-98.    

 

O apóstolo Paulo sintetiza o seu ministério em três verdades sublimes ao declarar aos presbíteros de Efeso: Porque em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, conquanto que eu complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus (20.24). Destacamos a seguir essas três verdades:

  1. Vocação (20.24). Paulo diz que recebeu o ministério do Senhor Jesus. Não se lançou no ministério por conta própria; foi chamado, vocacionado e separado para esse trabalho. Paulo não se tornou pastor porque buscava vantagens pessoais. Não entrou para as lidas ministeriais buscando segurança, emprego ou lucro financeiro. Não entrou no ministério com motivações erradas. O mesmo Senhor que lhe apareceu em glória no caminho de Damasco, esse também o chamou, o separou, o capacitou e o revestiu de poder para exercer o ministério. E o senso de vocação que dá ao pastor forças nas horas difíceis. A certeza do chamado divino é que lhe dá direção em tempos tenebrosos. E a convicção de que o Espírito Santo nos constituiu bispos sobre o rebanho que nos dá paz para continuarmos no trabalho, mesmo diante de circunstâncias adversas.
  2. Abnegação (20.24). Paulo diz que não considerava a sua vida preciosa para si mesmo desde que cumprisse o seu ministério. O coração de Paulo não estava nas vantagens auferidas do ministério. Ele não atuava no ministério cobiçando prata ou ouro. Não participava de uma corrida desenfreada em busca de prestígio ou fama. Seu propósito não era ser aplaudido ou ganhar prestígio entre os homens.

Na verdade ele estava pronto a trabalhar com as próprias mãos para ser pastor. Estava pronto a sofrer toda sorte de perseguição e privação para pastorear. Estava disposto a ser preso, a sofrer ataques externos e temores internos para pastorear a igreja de Deus. Estava pronto a dar a própria vida para cumprir cabalmente seu ministério.

  1. Paixão (20.24). A grande paixão de Paulo era testemunhar o evangelho da graça de Deus. A pregação enchia o peito do velho apóstolo de entusiasmo. Ele sabia que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Sabia que a justiça de Deus se revela no evangelho. Sabia que a mensagem do evangelho de Cristo é a única porta aberta por Deus para a salvação do pecador. Paulo se considerava um arauto, um embaixador, um evangelista, um pregador, um ministro da reconciliação. Sua mente estava totalmente voltada para a pregação. Seu tempo era totalmente dedicado à pregação. Mesmo quando estava preso, Paulo sabia que a Palavra não estava algemada.

LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 415-416.    

 

   2.   De Mileto para Tiro.

 

  Paulo tomou uma embarcação que ia de Mileto para Tiro (At 21.6,7) e sua despedida em Mileto foi muito especial. O apóstolo decidiu, em seu coração, que deveria ouvir a voz do Espírito e partir (At 20.17-38: 21.1-6). Nada mais o prenderia, nem mesmo os filhos da fé que ele fizera para Cristo. Em Tiro, Paulo se encontrou com discípulos da cidade e foi ali que lhe aconselharam a não ir a Jerusalém, pois enfrentaria muitas ameaças. Esses irmãos oraram de joelhos na praia pelo e com o apóstolo (At 21.3-5). Nesse lugar havia o bálsamo espiritual misturado à tristeza da despedida. Esse episódio mostra o quanto devemos cuidar um dos outros, principalmente, quando nos encontramos numa missão espiritual.    

 

Comentário

 

    Quando Paulo ainda estava em Cesareia, os seus amigos mais próximos tentaram demovê-lo de ir a Jerusalém (At 21.12), mas, percebendo o carinho de todos e o esforço em fazê-lo retroceder, disse: “Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus” (At 21.13). Aqueles irmãos, vendo que a sua decisão era irredutível, acomodaram-se e reconheceram que a vontade de Deus é perfeita e que Ele sabe o que é melhor para cada um de nós. Paulo, então, com o coração cheio de amor pelas igrejas, quis aproveitar o trajeto da viagem para visitar algumas dessas igrejas plantadas por ele anteriormente, tomando uma embarcação que ia de Mileto para Tiro (At 21.1-16). A despedida de Paulo dos irmãos de Éfeso que foram a Mileto para encontrá-lo e a emoção da última vez que o veriam foi algo muito especial, mas Paulo estava decidido em seu coração de que deveria ouvir a voz do Espírito e viajar (At 21.6,7).

Ele e alguns companheiros que o acompanhavam tomaram um navio comercial e passaram por Cós, Rodes, Pátara, na costa sudeste de Lícia. Depois embarcaram em outro navio que navegou direto até o porto de Tiro. Nada o prenderia, nem mesmo o amor que tinha para com aqueles filhos na fé que ele conquistou para Cristo. Nessa cidade, Paulo aproveitou para encontrar-se com os cristãos e foi em Tiro que eles aconselharam-no, mais uma vez, a não ir a Jerusalém, porque ele enfrentaria muitas ameaças. Cenário emocionante foi quando aqueles cristãos seguiram Paulo até a areia de uma praia, e todos, com os joelhos postos ao chão, oraram juntamente com ele (At 21.4,5). Foi um bálsamo de consolo – misturado a uma tristeza de que não veriam mais o incansável apóstolo Paulo do Espírito Santo para aceitarem a vontade soberana do Senhor. Em nossos tempos modernos, a sensibilidade espiritual para aceitar a vontade de Deus quase sempre é questionada por aqueles breiros em que a obediência tem sua base nas conveniências pessoais, e não na vontade de Deus. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

As estações da viagem paulina são fáceis de identificar no mapa. Não havia ligações marítimas diretas para o fluxo de passageiros. As pessoas viajavam em navios mercantes cujo roteiro era estabelecido pelo destino da carga. Logo que Paulo zarpou de Mileto, porto nas proximidades de Éfeso, viajou até Cós, pequena ilha ao sul de Mileto; no dia seguinte, partiu para Rodes, ilha maior a sudeste, e, dali seguiu para Pátara, a leste de Rodes (21.1). Prosseguiu viagem de Pátara para a Fenícia, numa longa viagem de 650 km (21.2), bordejando a ilha de Chipre e navegando direto para Tiro, onde o navio deveria ser descarregado (21.3). Em Tiro, a principal cidade da Fenícia, Paulo se encontrou com os discípulos e permaneceu ali sete dias. Nessa cidade, Paulo recebeu uma profecia, alertando-o a não ir a Jerusalém (21.4). Marshall sugere que o significado dessa palavra deveria ser interpretado assim: “Se é isto que vai lhe acontecer, não faça a viagem para lá”. Após uma semana entre os crentes de Tiro, Paulo se despediu em clima de profunda emoção e cordialidade, prosseguindo sua viagem rumo a Jerusalém (21.5,6). LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 428.    

 

Depois que Paulo e seus companheiros se separam dos seus amigos amados de Éfeso, eles deixam Mileto de navio. De acordo com Atos, a partida marca o fim do ministério de Paulo na área egéia. Lucas narra as fases da viagem de Mileto a Tiro e nota que o navio para em vários portos. Ele parece esboçar a jornada dia a dia. O primeiro dia os leva à pequena ilha de Cós, cerca de sessenta e cinco quilômetros de Mileto. O vento é favorável, e o navio navega ao sul daquela ilha. No segundo dia, eles chegam ã grande ilha de Rodes, à sudoeste da Ásia Menor, e no terceiro dia, navegam a leste ao porto da cidade de Pátara, na costa sudeste de Lícia. Em Pátara, eles passam para um navio maior que ia à Fenícia. Eles navegam diretamente por mar aberto ao porto de Tiro. Paulo e seus companheiros passam ao sul de Chipre, onde Paulo e Barnabé tinham pregado na primeira viagem missionária (At 13.4-12).

Eles ancoram em Tiro, onde ficam durante alguns dias. Eles podem ter permanecido lá por causa das demoras causadas pela carga e descarga do navio ou por causa da necessidade de baldeação para um navio que fosse para Cesaréia. A demora em Tiro dá a Paulo e seus companheiros a oportunidade de encontrar os crentes de lá. Provavelmente a Igreja naquela cidade tinha sido estabelecida em resultado da difusão dos cristãos por perseguição (veja At 8.1-4; 11.19; cf. Lc 6.17; 10.13,14).

Talvez a comunidade cristã daquela localidade fosse pequena, visto que alguns dias depois, quando Paulo e seus amigos se preparavam para partir, “cada um com sua mulher e filhos” os acompanha até a praia para os despedir (v. 5). Depois de achar os crentes, Paulo e seus companheiros de viagem ficam com eles durante sete dias. Alguns deles têm o dom de profecia, e eles advertem Paulo sobre o que ele vai enfrentar em Jerusalém. “Pelo Espírito” eles o exortam a não ir àquela cidade (v. 4). Estes avisos inspirados parecem opostos à direção dada anteriormente pelo Espírito Santo (At 20.22,23).

O melhor modo de interpretar isto é que o Espírito revelou a estes profetas o sofrimento iminente de Paulo em Jerusalém, e eles de comum acordo o exortam a não ir. São os profetas, não o Espírito, que dizem ao apóstolo para não se apressar em ir àquela cidade que mata os profetas (Lc 13-34). Apesar das advertências, Paulo reconhece um impulso superior a seguir. Sua decisão de ir a Jerusalém foi tomada sob a direção do Espírito, e agora o Espírito continua impelindo-o para aquela cidade perigosa. Paulo sabe que cativeiro o espera, e avalia o custo. Embora os perigos sejam grandes, ele tem de seguir a direção do Espírito. Quando chega o momento de Paulo e seus companheiros retomarem viagem, a cena da partida está cheia de ternura e emoção. Toda a comunidade cristã — homens, mulheres e crianças—os escoltam até ao navio. Estes crentes se ajoelham com Paulo e seus companheiros e oram fervorosamente para que Paulo seja levado com segurança pelos perigos que se aproximam. Depois de uma despedida afetuosa, os dois grupos cristãos seguem caminhos separados: “Subimos ao navio; e eles voltaram para casa”. A cena da partida deve ter permanecido uma memória querida para os cristãos em Tiro. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 751-752.    

 

   3.   Passando por Cesáreia.

 

  Nesta cidade, o apóstolo aproveitou a ocasião para fortalecer a fé dos cristãos de Cesareia. Ali, Paulo encontrou um dos diáconos eleitos em Jerusalém, que se tornara um evangelista inflamado pelo Espirito: Filipe. Este recebeu e hospedou o apóstolo e seus companheiros em sua própria casa. Segundo a narrativa de Lucas, Filipe era homem espiritual e suas quatro filhas donzelas eram profetisas (At 21.8,9) Nessa permanência de oito dias em Cesareia, Paulo não se organizou para ficar mais tempo, e resolveu seguir pela estrada até Jerusalém. É muito significativo quando o nosso coração, inflamado pela convicção do Espírito Santo, persevera em cumprir a missão outorgada por Ele.    

Comentário

    Após deixar a cidade de Tiro rumo a Cesareia, Paulo chegou a Ptolemaida, onde saudou os irmãos, permanecendo com eles por um dia (21.7). De Ptolemaida, o apóstolo viajou direto para a cidade de Cesareia, cerca de 64 km ao sul. Ali se hospedou na casa de Filipe, o evangelista, um dos sete diáconos da igreja de Jerusalém, cujas filhas eram profetisas (21.8,9). Filipe se estabelecera na cidade havia cerca de vinte anos (8.40). Desde então, sua família crescera (21.9). A magnífica cidade de Cesareia fora construída por Herodes, o Grande, para servir como porto para Jerusalém. Paulo se hospedou na casa de Filipe, que fugira de Jerusalém por causa da perseguição, quando Estêvão, seu companheiro, foi morto com a participação de Saulo. No passado Filipe teve de fugir do perseguidor Saulo. Agora os dois estão juntos como irmãos, o perseguidor como hóspede na casa do perseguido. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 429.    

 

O apóstolo e seus companheiros chegam ao porto de Ptolemaida, aproximadamente sessenta e cinco quilômetros ao sul de Tiro. Esta cidade era a antiga cidade de Aco (Jz 1.31) e foi renomeada em honra ao governante egípcio Ptolomeu II. Foi localizada diretamente em frente ao monte Carmelo, montanha relacionada com Elias e Eliseu, dois grandes profetas de Israel. Ptolemaida foi provavelmente evangelizada no mesmo tempo que Tiro (At 11.19, que indica que o Evangelho fora pregado por toda a Fenícia). Paulo também encontra uma comunidade cristã naquela cidade e passa a noite ali, desfrutando a comunhão dos crentes.

No dia seguinte, Paulo chega a Cesaréia, outros sessenta e cinco quilômetros diretamente ao sul. Aqui, o apóstolo e seus colegas de viagem se tornam convidados na casa de Filipe, o evangelista. Filipe é “um dos sete” diáconos carismáticos que tinham sido escolhidos emjerusalém (Át6.1-6). Ele se tornara eficiente evangelista, pregando o evangelho em Samaria e em todas as cidades desde Azoto a Cesaréia (At 8.4-40). Ele provavelmente estabeleceu a Igreja em Cesaréia, onde agora reside. Anteriormente Lucas mostrou que Filipe era um profeta cheio do Espírito (At 6.5); aqui ele indica que este profeta também tem quatro filhas solteiras, todas as quais com o dom da profecia. Nada é dito sobre elas profetizarem nesta ocasião.

A tradução do particípio presente (propbeteuousai) por “profetizavam”, implica que elas exerciam os poderes proféticos ocasionalmente. Mas o tempo presente alude a uma atividade contínua ou repetida. As filhas de Filipe exerciam o dom de profecia regularmente; seu ministério profético não é uma manifestação ocasional. Sob a inspiração do Espírito, eles se dedicam a pregar o evangelho. A referência a Ágabo no contexto imediato (v. 10) pode sugerir que elas são profetisas da ordem de Ágabo e, como ele, elas profetizavam sobre acontecimentos futuros. O Novo Testamento não deixa de mencionar o ministério de mulheres na igreja primitiva. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 752-753.    

 

Nós temos aqui Paulo e seus companheiros por fim chegados a Cesaréia, onde ele pretendia se demorar, sendo este o local onde o evangelho foi primeiramente pregado aos gentios, e onde caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra (cap. 10.1,44). Agora aqui nos é dito: Quem acolheu Paulo e seus companheiros em Cesaréia. Ele raramente tinha a oportunidade de ficar em uma hospedaria, mas, sempre que chegava, um amigo ou outro o recebia e dava-lhe as boas vindas. Note: Aqueles que navegaram juntos se separaram quando a viagem foi concluída, conforme suas ocupações. “Aqueles que eram responsáveis pela carga permaneceram onde estava o navio a fim de este ser descarregado (v. 3); outros, quando chegaram a Ptolemaida, seguiram seu caminho de acordo com suas tarefas; mas nós que éramos da companhia de Paulo íamos aonde ele ia, e chegamos a Cesaréia. ” Aqueles que viajam juntos por este mundo se separarão na morte, e então aparecerá quem pertence ao grupo de Paulo e quem não pertence. Agora, em Cesaréia:

  1. Eles foram acolhidos por Filipe, o evangelista, a quem nós deixamos em Cesaréia muitos anos atrás, depois que ele tinha batizado o eunuco (cap. 8.40), e ali nós agora o encontramos novamente. (1) Originariamente, ele era diácono, um dos sete que foram escolhidos para servil às mesas (cap. 6.5). (2) Ele agora, e já por muito tempo, era evangelista, alguém que trata de plantar e cuidar de igrejas, como os apóstolos fizeram e se dedicaram à palavra e oração; desse modo, ao servir bem como diácono adquhi.it para si uma boa posição; e tendo sido fiel sobre o pouco, foi colocado sobre muito. (3) Ele tinha uma casa em Cesaréia, capaz de abrigar a Paulo e a toda sua companhia, e recebeu a ele e aos outros muito bem.

E entrando em casa de Filipe, o evangelista, ficamos com ele. Assim convém aos que se tornaram cristãos e ministros, de acordo com suas capacidades, ser hospitaleiros uns para os outros, sem murmurações (1 Pe 4.9).

  1. Este Filipe tinha quatro filhas donzelas, que profetizavam (v. 9). Isso dá a entender que elas profetizaram sobre os problemas que Paulo teria em Jerusalém, como outros haviam feito, e o dissuadiram de partir; ou talvez elas profetizaram para seu conforto e encorajamento, em referência às dificuldades que ele teria pela frente. Aqui estava outro cumprimento daquela profecia de Joel 2.28, de um enorme derramamento do Espírito sobre toda carne de maneira que seus filhos e suas filhas profetizariam, isto é, prediriam coisas futuras.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 232-233.  

 

SÍNTESE DO TÓPICO I

 

O apóstolo Paulo tinha plena consciência acerca da inevitabilidade de padecer por Cristo.

    SUBSÍDIO PEDAGÓGICO

Inicie a aula desta semana com a seguinte pergunta: Você tem medo da morte? Deixe os alunos refletirem e responderem. Em seguida, procure relacionar na lousa, os motivos que os alunos alegam mais temer a morte. Geralmente, há motivos de caráter familiar, profissional, planejamentos futuros. A luz das respostas dos alunos, exponha este primeiro tópico, destacando a consciência que o apóstolo Paulo tinha a respeito da inevitabilidade de seu padecimento por Cristo. Ele sabia do perigo que corria, mas algo muito maior imperava em sua consciência e não o permitia retroceder no propósito de pregar o Evangelho.    

II – A CORAGEM PARA ENFRENTAR AS AMEAÇAS DE MORTE

 

   1.   A coragem do apóstolo pela voz do Espírito.

 

  Depois de ouvir a mensagem profética acerca do risco de morte que enfrentaria em Jerusalém, Paulo procurou ouvir a voz do Espírito ao seu coração. Isso deu-lhe uma certeza profunda de ir até o fim em seu ministério e, consequentemente, enfrentar qualquer ameaça. Note que a coragem do apóstolo Paulo não se baseava em si mesmo, mas no Espirito Santo. Por isso, serenamente, o apóstolo exortou os irmãos em Cesareia para que não o impedissem de ir a Jerusalém (At 21.13). Finalmente, aqueles irmãos entenderam que nada o deteria e disseram: “Faça-se a vontade do Senhor” (At 21.14). Precisamos aprender a ter a serenidade do Espírito Santo em todas as nossas decisões.    

 

Comentário

 

Enquanto Paulo estava em Cesareia, Agabo, conhecido profeta, desceu da Judeia e profetizou a prisão de Paulo em Jerusalém, acrescentando que os judeus o entregariam nas mãos dos gentios (21.10,11). Cerca de quinze anos antes, Paulo e Ágabo haviam trabalhado juntos levantando uma oferta para as vítimas da grande fome que assolou a Judeia (11.27-30). A profecia de Agabo foi a combinação de um ato e uma interpretação falada. John Stott diz que Agabo copiou a prática mímica de alguns profetas do Antigo Testamento, tais como Aias, que rasgou a veste de Jeroboão em doze pedaços (lR s 11.29ss); Isaías, que andou nu e descalço durante três anos (Is 20.3ss); e Ezequiel, que pôs cerco a uma representação simbólica de Jerusalém (Ez 4.1ss).

Ele tomou o cinto de Paulo, ligando com ele seus próprios pés e mãos (21.11).674 Esta é a segunda profecia que parece incompatível com aquilo que o Espírito dissera a Paulo (21.23,24). Paulo rejeitou abertamente o pedido dos discípulos e seguiu resoluto para Jerusalém, mesmo sabendo que acabaria sendo preso. Assim como os cristãos de Tiro, os cristãos de Cesareia imploraram a Paulo que não fosse a Jerusalém. Tanto a equipe que acompanhava Paulo como os discípulos de Cesareia tentaram demover o apóstolo de ir a Jerusalém, mas este os calou e respondeu com firmeza: Que fazeis chorando e quebrantando-me o coração? Pois estou pronto não só para ser preso, mas até para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus (21.13). Não conseguindo dissuadir o apóstolo de sua firme resolução de ir a Jerusalém, os irmãos se curvaram à vontade do Senhor (21.14). LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 429-430.    

 

A profecia de Ágabo tem grandioso efeito dramático (w. 12-14). Quando os companheiros de Paulo e os cristãos locais ficam sabendo disso, a coragem deles se exaure. Presumivelmente quando as profecias anteriores tinham sido dadas sobre o destino de Paulo, seus companheiros de viagem tinham permanecido calados. Mas nesta ocasião, eles se unem com os crentes locais insistindo que Paulo cancele a viagem. Movidos pelo grande amor que tinham por Paulo, todos suplicam que ele não vá a Jerusalém. A tristeza que estas pessoas manifestam dificulta Paulo fazer a vontade de Deus. Ele sabe que o que ele está a ponto de fazer ferirá aqueles a quem ele ama. Ele já está suportando um fardo pesado, mas o efeito da tristeza deles torna o fardo ainda mais pesado e parte seu coração. Contudo, apesar de sua angústia pessoal, Paulo permanece firme em seu propósito.

Ele não só está preparado para ser encarcerado (como foi profetizado), mas também pronto a enfrentar a morte em Jerusalém. Não é que ele veja alguma virtude em sofrer para benefício próprio, mas o que quer que ele sofra será “pelo nome do Senhor Jesus” (v. 13), isto é, como parte de sua devoção a jesus e ao serviço cristão. O apóstolo se sente compelido a seguir o padrão profético (cf. Lc 9.51 – 53; 13.22,33,34; 18.31-33; At 20.22-24) e morrer em Jerusalém se for da vontade de Deus. Entre estes crentes estão indubitavelmente os profetas cheios do Espírito. Eles e Paulo discordam quanto à questão de se ele deve ir a Jerusalém. Ambos reivindicam a inspiração do Espírito Santo.

Este incidente mostra claramente que crentes cheios do Espírito podem discordar sobre o que é a vontade do Senhor. Quando aparece uma contradição na direção divina, é imperativo que a Igreja exercite o discernimento espiritual. Raramente é fácil distinguir a revelação divina da interpretação humana. Um apelo para a direção divina não proporciona escape fácil das incertezas e ambiguidades da vida humana. O que soluciona a questão é o apelo de Paulo ao exemplo de Jesus e dos profetas que só vão a Jerusalém para sofrer e morrer. Isto convence os crentes. Este exemplo poderoso reúne novamente os dois lados da comunidade. Os amigos cristãos de Paulo deixam de tentar persuadi-lo a não ir para Jerusalém. Convencido da mão orientadora do Senhor, eles exclamam: “Faça-se a vontade do Senhor!” O Espírito ainda está guiando Paulo. É da vontade de Deus que ele vá a Jerusalém, e o que lá acontecerá estará de acordo com o plano divino. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 753-754.    

 

A santa coragem e intrepidez com que Paulo persistiu em sua resolução (v. 13).

  1. Ele os reprova por tentar dissuadi-lo.

Aqui há uma disputa de amor de ambos os lados, e afeições muito sinceras e fortes que colidem entre si. Eles o amam afetuosamente, e por isso se opõem à sua resolução; ele os ama do mesmo modo, e por isso os repreende por se oporem a ela: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração ? Eles foram um tropeço para ele, como Pedro foi para Cristo, quando, em um caso semelhante, ele disse: Mestre, poupa-te a ti mesmo. O lamento deles partiu seu coração. (1) Era uma tentação para ele, abalou-o, começou a debilitar e a diminuir sua resolução, e o fez começar a reconsiderar: “Eu sei que estou designado a sofrer, e vocês deveriam me animar e encorajar, e dizer algo que fortaleça meu coração; mas vocês, com suas lágrimas, partem meu coração, e me desencorajam. O que vocês pretendem com isso?

Nosso Mestre não nos disse que levemos nossa cruz? E vocês querem evitar que eu tome a minha?” (2) Era uma dificuldade para ele que eles o pressionassem tão seriamente naquilo que ele não os podia satisfazer sem prejudicar sua consciência. Paulo era de um espírito muito terno. Como ele mesmo estava em muitas lágrimas, assim ele teve uma consideração compassiva para com as lágrimas dos seus amigos; eles causaram uma grande impressão nele, e quase o levaram a se render a qualquer coisa. Mas agora isso parte seu coração, quando ele tem de negar o pedido dos seus amigos em lágrimas.

Era uma bondade indelicada, uma piedade cruel, de modo a atormentá-lo com suas dissuasões, e a acrescentar aflição ã aflição dele. Quando nossos amigos são convocados para sofrimentos, nós devemos mostrar nosso amor confortando-os e não chorando por eles. Mas observe: Esses cristãos em Cesaréia, se eles pudessem ter previsto os particulares daquele evento, o aviso geral do qual eles receberam com tanto pesai’, teriam aceitado melhor a ele por causa de si mesmos; porque, quando Paulo foi feito prisioneiro em Jerusalém, ele foi logo enviado a Cesaréia, o mesmo lugar onde ele estava agora (cap. 23.33), e lá ele continuou por pelo menos dois anos (cap. 24.27) como um prisioneiro em regime aberto, como parece (cap. 24.23), sendo dadas ordens de que ele deveria ter liberdade para ir até seus amigos, e seus amigos de vir a ele; de forma que a igreja em Cesaréia teve muito mais da companhia e ajuda de Paulo quando ele estava preso do que eles poderiam ter se ele estivesse em liberdade. Aquilo a que nós nos opomos, pensando operai’ muito contra nós, pode ser reordenado pela providência de Deus para trabalhar a favor de nós, que é uma razão por que deveríamos seguir a providência, e não temê-la.

  1. Todavia, ele repete sua resolução de ir adiante:

“Que fazeis vós, chorando desse modo? Eu estou pronto para sofrer tudo que está designado para mim. Eu estou completamente determinado a ir, não importa o que aconteça, e, portanto, é em vão que vós vos oponhais a isso. Eu estou disposto a sofrer, e então por que vós não quereis que eu sofra? Não estou eu mais próximo de mim mesmo, e mais capaz de julgar por mim mesmo? Se a dificuldade me pegasse desprevenido, isso realmente seria uma dificuldade, e vós poderíeis lamentar muito ao pensardes nela. Mas, louvado seja Deus, esse não é o caso. Ela é muito bem-vinda a mim, e, portanto, não deveria ser um terror para vós. De minha parte, eu estou pronto”, etoimos echo – eu me mantenho em prontidão, como um soldado para o combate. “Eu espero dificuldades, eu conto com elas, não serão nenhuma surpresa para mim. Foi-me dito uma vez quanto eu devo padecer” (cap. 9.16).

“Eu estou preparado para isso, por uma clara consciência, uma confiança firme em Deus, um desprezo santo pelo mundo e o corpo, uma fé viva em Cristo, e uma alegre esperança de vida eterna. Eu posso dar-lhe boas vindas, como nós fazemos a um amigo por quem esperamos, e fazer os preparativos. Eu posso, pela graça, não só suportá-la, mas alegrar-me com ela.” Sendo assim: (1) Veja até onde vai sua resolução: Dizem que eu devo ser preso em Jerusalém, e vocês querem me manter longe por medo disso.

Eu digo a vocês: “Eu não só estou pronto para ser ligado, mas, se a vontade de Deus for essa, estou pronto para morrer em Jerusalém-, não só perder minha liberdade, mas perder minha vida. ” É nossa prudência pensar no pior que pode nos acontecer, e nos preparar de acordo, para que possamos nos manter perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus. (2) Veja o que é que o domina assim, que o faz querer sofrer e morrer: é pelo nome do Senhor Jesus. Tudo aquilo que um homem tem ele dará por sua vida; mas a própria vida Paulo dará pelo serviço e honra do nome de Cristo. A aquiescência paciente dos seus amigos sobre sua resolução (v. 14). 1. Eles se entregaram à sabedoria de um bom homem. Eles tinham levado o assunto até onde puderam com decência; mas: “E como não podíamos convencê-lo, nos aquietamos. Paulo conhece melhor sua própria mente, e o que ele tem de fazer, e é melhor deixar que ele resolva isso, e não censurá-lo pelo que ele faz, nem dizer que ele é precipitado, obstinado e petulante, e tem um espírito de contradição, como algumas pessoas gostam de julgar aqueles que não agem da maneira que elas gostariam. Sem dúvida, Paulo tem uma boa razão para ficar firme em sua resolução, embora ele tenha motivos para manter isso para si, e Deus tem finalidades graciosas a atingir ao confirmá-lo nela.”

É falta de educação pressionar aqueles que em suas próprias tarefas não serão persuadidos. 2. Eles se submeteram à vontade de um bom Deus: Nos aquietamos, dizendo: Faça-se a vontade do Senhor! Eles não aprovaram sua resolução por sua teimosia, mas por sua voluntariedade em sofrer, e é a vontade de Deus que ele sofra. Pai nosso que estás nos céus, seja feita a tua vontade, não só é uma regra para nossas orações e para nossa prática, como é para nossa paciência. Isso pode se referir:

(1) À firmeza presente de Paulo; ele é inflexível, e não pode ser persuadido, e nisso eles vêem a vontade do Senhor. “Foi Ele quem forjou essa firme resolução nele, e então nós consentimos com ela.” Note: Na mudança dos corações de nossos amigos ou ministros, deste ou daquele modo (e pode ser um modo bem diferente do que nós poderíamos desejar), nós devemos ver a mão de Deus, e nos submeter a ela.

(2) Aos sofrimentos que se aproximam: “Se não há como evitar que Paulo enfrente a prisão, a vontade do Senhor Jesus seja feita. Nós fizemos tudo aquilo que nós poderíamos fazer de nossa parte para impedi-lo, e agora nós o deixamos com Deus, nós o deixamos com Cristo, a quem o Pai confiou todo julgamento, e então nós fazemos, não como queremos, mas como Ele quer. Note: Quando nós vemos a dificuldade se aproximando e de maneira particular a de nossos ministros ao serem silenciados ou afastados de nós, nos convém dizer: Faça-se a vontade do Senhor! Deus é sábio, e sabe como fazer tudo contribuir para o bem, e portanto “bem-vinda seja sua santa vontade”.

Não apenas: “A vontade do Senhor deve ser feita, e não há como evitar”; mas: “Que a vontade do Senhor seja feita, porque a sua vontade é a sua sabedoria, e Ele faz tudo de acordo com o conselho dela; que Ele, portanto, faça conosco e com os nossos como parecer bem aos seus olhos”. Quando surge uma dificuldade, isso deve acalmar nossas aflições, para que a vontade do Senhor seja feita; quando nós a virmos se aproximando, isso deve silenciar nossos medos para que se faça a vontade do Senhor, à qual nós devemos dizer: Amém, assim seja. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 233-234.    

 

   2.   A chegada em Jerusalém.

 

  Paulo foi para Jerusalém acompanhado por alguns discípulos de Cesareia (At 21.16). Sua recepção em Jerusalém foi feita de muito boa vontade pelos irmãos da igreja (At 21.17). A notícia de sua chegada rapidamente se espalharia pela cidade. A ocasião era festiva, e Jerusalém estava recebendo judeus de todas as partes do Império Romano para a tradicional festa de Pentecostes.  

 

Comentário

 

    A viagem de Cesareia até Jerusalém levava, pelo menos, dois dias. Um antigo discípulo de Jesus chamado Mnasom tinha casa em Jerusalém e, acompanhando Paulo na viagem para Jerusalém, Mnasom (Jasom) hospedou Paulo e seus companheiros em sua casa. No dia seguinte, Paulo teve uma acolhida amorosa da parte dos irmãos da cidade sendo recebido com grande alegria. A recepção dos irmãos em Jerusalém foi como beber um copo de água fria estando a garganta seca, porque não demorou muito para que boatos acerca da presença de Paulo fossem espalhados por toda a cidade. Jerusalém estava recebendo os judeus que vinham de todas as partes do Império Romano para a Festa tradicional do Pentecostes e Paulo desejou estar nessa festa. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Depois dos preparativos, então, Paulo e sua comitiva subiram para Jerusalém (21.15,16). John Stott levanta uma questão assaz complexa aqui. Será que Paulo agiu certo ao ignorar os amigos que lhe imploraram que abandonasse os seus planos? O que dizer das mensagens do Espírito Santo através dos profetas? Deveríamos acusar Paulo de teimosia ou admirá-lo por sua decisão inabalável? Vale ressaltar que, em Mileto, Paulo disse aos presbíteros de Éfeso que estava indo a Jerusalém obedecendo ao Espírito Santo (20.22, BLH), apesar das cadeias e tribulações. Lucas narra o acontecimento assim: E, agora, constrangido em meu espírito, vou para Jerusalém, não sabendo o que ali me acontecerá senão que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me assegura que me esperam cadeias e tribulações (20.22,23).

A grande questão é como conciliar essa convicção de Paulo com as profecias recebidas em Tiro (21.4) e Cesareia (21.11), pois em ambas o Espírito Santo é evocado. Em Tiro, as pessoas que falaram foram movidas pelo Espírito e em Cesareia Agabo afirma: Isto diz o Espírito Santo. Apesar disso, Paulo ignorou as duas mensagens e prosseguiu rumo a Jerusalém (21.14). Como resolver esse problema? Concordo com John Stott quando ele escreve: “Com certeza não se pode concluir que o Espírito Santo se contradisse, ordenando a Paulo que fosse, no capítulo 20, e anulando sua instrução no capítulo 21”. Werner de Boor diz que Lucas não está se referindo a uma instrução do Espírito que impeça Paulo de ir a Jerusalém, contradizendo assim a certeza espiritual inabalável em que Paulo se encontrava. Lucas está apenas ilustrando de modo concreto o que Paulo mencionou de forma geral em suas palavras aos presbíteros de Éfeso: Senão o que o Espírito Santo, de cidade em cidade, me revela, dizendo que me esperam prisões e tribulações (20.23).

 

John Stott defende que a melhor solução para esse impasse é fazer uma distinção entre uma predição e uma proibição. Com certeza, Ágabo apenas predisse que Paulo seria amarrado e entregue aos gentios (21.11); os apelos subsequentes a Paulo não são atribuídos ao Espírito e podem ter sido deduções falíveis feitas por homens, por causa da profecia do Espírito. Pois se Paulo tivesse ouvido os apelos de seus amigos, a profecia de Agabo não seria cumprida. Para Warren Wiersbe, os pronunciamentos proféticos podem ser entendidos como avisos (Prepare-se”), não como proibições (“Você não deve ir”). O propósito de Lucas é mostrar que, à semelhança de Jesus, Paulo manifestou no seu rosto a intrépida resolução de ir a Jerusalém, mesmo sabendo o que lhe esperava nessa cidade.

Em vez de considerarmos que Paulo se recusou a obedecer uma profecia, devemos admirá-lo por sua coragem e perseverança, pois não recuou nem mesmo diante da profecia de seu sofrimento. Paulo agiu como alguns soldados da Guerra Civil Espanhola: “Prefiro morrer de pé a viver de joelhos”. Nessa mesma linha de raciocínio, Warren Wiersbe aconselha que, em vez de acusarmos Paulo de ter transigido, devemos louvá-lo por sua coragem, pois, ao ir a Jerusalém, ele tomou a vida nas próprias mãos, a fim de resolver o problema mais premente da igreja: a fenda cada vez mais larga entre os judeus legalistas da “extrema-direita” e os cristãos gentios. Os problemas começaram a se formar na assembleia de Jerusalém (At 15), e os legalistas passaram a seguir Paulo e a tentar tomar seus convertidos. A situação era séria, e Paulo sabia que fazia parte não apenas do problema, mas também da solução. No entanto, não podia resolver nada à distância, por meio de representantes; teria de ir a Jerusalém pessoalmente. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 430-432.    

 

Depois de passar vários dias em Cesaréia, Paulo e seus amigos partem para Jerusalém, uma viagem de cerca de cento e cinco quilômetros. Leva aproximadamente dois dias para eles chegarem à Cidade Santa. Alguns dos cristãos em Cesaréia acompanham Paulo e seus companheiros de forma que eles podem lhes apresentar seu anfitrião, Mnasom. Mnasom não aparece em nenhuma outra parte do Novo Testamento. Ele era membro da Igreja em Jerusalém e morava ou na cidade ou próximo dela. Como Barnabé, ele era da ilha de Chipre e “discípulo antigo” (v. 16). Como cristão de muito tempo, ele pode ter se tornado crente depois da ressurreição dejesus e estar entre os discípulos quando o Espírito foi derramado no Dia de Pentecostes. Mnasom provê hospedagem para o grupo de Paulo durante sua permanência em Jerusalém. Os cristãos que os acompanham devem conhecer bem Mnasom e estão cientes de que ele está feliz em acomodar estes convidados. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 754.    

   3.   Paulo se depara com seus oponentes judeus.

 

  No dia seguinte à chegada em Jerusalém, Paulo encontrou-se com os anciãos e Tiago, o irmão do Senhor, um dos principais líderes da igreja em Jerusalém (At 21.18; Gl 2.9). Ali, todos ouviram do apóstolo o que Deus estava fazendo na vida dos gentios (At 21.19), glorificaram a Deus pelas maravilhas que Ele havia feito por intermédio do seu servo (At 21.20). Entretanto, os irmãos da igreja em Jerusalém não deixaram de mencionar a Paulo a acusação dos judeus que haviam recebido o Evangelho, mas estavam presos ao judaísmo (At 21.21). Esses judeus queriam um cristianismo judaizante, com costumes e ritos, tais como a circuncisão, a guarda do sábado, entre outros. Paulo, porém, era a antítese disso tudo.      

Comentário

 

    Tão logo Paulo havia chegado em Jerusalém, sua presença foi anunciada por muita gente que estava na cidade para os festejos do Pentecostes. Judeus helenistas vindos de outras partes do mundo haviam chegado, e alguns daqueles judeus inimigos de Paulo começaram a inflamar os judeus da cidade de que Paulo era inimigo da Lei Mosaica e do Templo. De início, Paulo não encontrou os principais líderes da igreja, tais como Pedro, João, André e os outros apóstolos em Jerusalém, senão Tiago, irmão do Senhor, que era, de fato, o líder principal da igreja em Jerusalém.

A notícia da presença de Paulo na cidade alvoroçou os judeus fanáticos para que ele não fosse recebido por ninguém. Paulo entendeu que deveria procurar os apóstolos que estivessem na cidade, mas foi à casa de Tiago e encontrou alguns anciãos da igreja, sendo saudado por todos, e os anciãos ouviram o que Deus fizera por meio do seu ministério entre os gentios. Todos glorificaram a Deus pelas notícias, mas não deixaram de informar a Paulo de que ele estava sendo acusado por judeus que diziam haver crido e recebido Jesus em seus corações, mas ainda estavam presos ao judaísmo. Na verdade, eles queriam um cristianismo judaico, praticando os costumes e ritos judaicos, tais como a circuncisão, a guarda do sábado e outras coisas mais. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.   

 

Destacamos quatro fatos importantes de sua estada. Em primeiro lugar, uma acolhida calorosa (21.17). Quando Paulo chegou a Jerusalém com sua comitiva, foi acolhido pelos irmãos com alegria. Sua recepção foi efusiva. Não havia tensão entre Paulo e os líderes da igreja de Jerusalém. Tanto Gálatas 2 quanto Atos 15 revelam essa unidade da igreja judaica e gentílica. A tensão estava na mente dos judaizantes que rejeitavam a ideia de gentios se tornarem cristãos antes de se fazerem judeus.

Em segundo lugar, um encontro com a liderança (21.18). No dia seguinte à chegada a Jerusalém, Paulo foi encontrar-se com Tiago, o líder da igreja, ocasião em que os presbíteros se reuniram para ouvirem o apóstolo. Nesse tempo era provável que Pedro e João não estivessem mais em Jerusalém. Uma vez que a igreja de Jerusalém havia crescido e agora tinha em seu rol dezenas de milhares de membros, seria necessário grande número de presbíteros para pastoreá-la.

Em terceiro lugar, um testemunho minucioso (21.19,20). Paulo relata minuciosamente, aos líderes da igreja de Jerusalém o que Deus fizera entre os gentios por seu ministério (lC o 15.10). Ao ouvirem o relatório missionário, todos deram glória a Deus e também contaram sobre as dezenas de milhares de judeus convertidos que se mantinham ainda zelosos da lei. John Stott diz que não se ouviu na igreja de Jerusalém nenhum murmúrio de desaprovação. Assim como na conversão de Cornélio (11.18), na evangelização dos gregos em Antioquia (11.22,23) e na primeira viagem missionária (14.27; 15.12), a evidência da graça de Deus para com os gentios era indiscutível, e a única resposta adequada era a adoração. O louvor de Tiago e dos presbíteros não era forçado, mas espontâneo e genuíno. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 432-433.      

 

Os cristãos em Jerusalém dão a Paulo e seus companheiros calorosa recepção. No versículo 18, Lucas se refere a “Tiago, e todos os anciãos”, que agora assumiram a total liderança da Igreja em Jerusalém. Mais provavelmente os anciãos são presididos por Tiago, o irmão do Senhor (At 12.17:15.13-21; 1 Co 15.7; Gl 1.19,20). Neste momento, Pedro e os outros apóstolos não estão em Jerusalém. Acompanhado por seus companheiros de viagem, Paulo se encontra com estes líderes no dia seguinte à chegada na cidade. Na reunião, o apóstolo deve ter apresentado a oferta das igrejas gentias à Igreja em Jerusalém, mas Lucas faz somente breve alusão sobre isso (At 24.17). Remanescente dos seus relatórios anteriores para a Igreja em Antioquia (At 14.24-28) e no Concilio de Jerusalém (At 15.4,12),

Paulo faz um relatório da sua obra missionária aos líderes da Igreja em Jerusalém. Indubitavelmente ele inclui detalhes como o fato de os gentios abandonarem a adoração de ídolos, a dádiva generosa das igrejas gentias e os derramamentos do Espírito Santo sobre os gentios. Deus abençoou grandemente o trabalho do apóstolo entre os gentios. Os líderes de Igreja recebem o informe de Paulo entusiasticamente. Eles glorificam e louvam a Deus pelo que Ele fez mediante o ministério de Paulo — fato que mostra que estes líderes estão em pleno acordo com o ensino e prática de Paulo. O sucesso da missão é atribuído a Deus. Depois que Tiago e os anciãos agradecem a Deus por ter operado por meio de Paulo, eles o exortam a reconhecer uma situação sensível: Alguns cristãos judeus ainda “são zelosos da lei” (v. 20). Eles informam que “milhares de judeus há que creem”, provavelmente na Judéia e Jerusalém, que são dedicados à lei de Moisés. Estes crentes suspeitam muito do apóstolo, porque ouviram que ele ensina, aos judeus que moram fora da Palestina, que não devem circuncidar seus filhos nem considerar costumes judaicos como as leis dietéticas e o comer com os gentios (v. 21).

Além disso, rumores têm circulado sobre a pregação de Paulo sobre um evangelho livre da lei. Os oponentes do apóstolo tinham torcido suas palavras, pois Paulo não tinha deixado de ser judeu depois de se tornar cristão. Quando a situação missionária exigia, ele estava disposto a se conformar com certas práticas judaicas por causa do evangelho (cf. At 21.26; 1 Co 9-19-23). Ele nunca tinha ensinado os cristãos judeus a não circuncidar os filhos. Ele tinha circuncidado Timóteo (At 16.3) e feito um voto nazireu enquanto estava na Acaia (At 18.18). Agora ele está em Jerusalém para a Festa do Dia de Pentecostes, uma festividade judaica. Observando tais rituais, ele nunca comprometeu o evangelho ou a liberdade cristã. Tiago e os anciãos reconhecem que tais rumores e acusações são falsos (v. 24).

 

Como os fariseus convertidos em Atos 15.5, estes cristãos judeus são zelosos para com a lei. Diferente deles, eles não objetavam a política de admitir gentios na Igreja ou ter comunhão com eles. Estes assuntos foram resolvidos (At 15.19-21.23-29). e as providências do Concilio de Jerusalém lhes são completamente aceitáveis. Antes, estes zelosos estão preocupados com as implicações do ensino de Paulo aos crentes que desejam permanecer fiéis ao estilo de vida judaico. Eles estão entusiasmados com a lei como presente de Deus a Israel e com o tradicional modo de vida judaico. O próprio Paulo tinha sido “extremamente zeloso das tradições de [seus] pais” (Gl 1.14), mas depois de conhecer Jesus Cristo ele abandonou a lei como meio de obter salvação (Fp 3-8,9). Alguns crentes judeus não acharam fácil abandonar seu antigo modo de vida. Como portadores da lei de Deus revelada no Antigo Testamento, eles continuam praticando a circuncisão e seguindo os costumes judaicos. Eles veem Paulo como ameaça à vitalidade do cristianismo judaico, especialmente entre os crentes judeus que moravam fora da Judéia (v. 21). Sabemos de Atos e das cartas de Paulo que o apóstolo ensinava a justificação à parte da lei (Rm 3.21,22) e da circuncisão (Rm 2.25-29).

É fácil ver como seus oponentes poderiam tomar algumas coisas que ele tinha dito e usá-las para convencer estes discípulos, “zelosos da lei”, de que ele era uma ameaça à expressão cultural do judaísmo. Estes crentes judeus não estão tentando tornar o cristianismo gentio em judaico, mas eles querem prevenir que o cristianismo judaico se torne gentio, a fim de que eles continuem a praticar as tradições dos pais. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 755-756.      

SÍNTESE DO TÓPICO II

A coragem do apóstolo Paulo para enfrentar a morte tinha como fonte o Espirito Santo.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“[…] Para o crente cujos pecados foram perdoados, a morte já não tem nenhum aguilhão. A morte é ganho, não perda (Fp 1.21,23). Além disso, o pecado e a lei estão intimamente associados, pois pela lei vem o conhecimento do pecado’ (Rm 3.20; cf. 7.7-11). Mas Cristo nos redimiu da maldição da lei (Gl 3.13). A morte, juntamente com os inimigos que trouxeram a morte a todos (o pecado e a lei), foram vencidos pela ressurreição (Fee, 805). Em louvor, Paulo exclama: ‘Mas graças a Deus, que nos dá a vitória [sobre a morte] por nosso Senhor Jesus Cristo’ (v.57). Deus ‘da’, não ‘dará”, a vitória. Os crentes participam na vitória de Cristo mesmo durante sua existência terrena, já que a morte perdeu seu poder aterrorizador. A morte, embora continue sendo um inimigo, está ‘incapacitada’, porque Cristo a venceu (Bruce, 156-57)” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento: Romanos-Apocalipse. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2012. p.252).      

 

III – ACUSAÇÕES E A PRISÃO DE PAULÒ NO TEMPLO

   

  1.   As acusações mentirosas contra Paulo.

 

  As acusações contra o apóstolo Paulo eram as seguintes: que ensinava que os judeus entre os gentios deviam se apartar da lei de Moisés; eles não de veriam circuncidar os filhos; nem andar segundo a lei de Moisés (At 21.21). Os judeus, oponentes de Paulo, torciam suas palavras e incitavam o povo a rejeitá-lo. Não obstante, Tiago e os anciãos da igreja fizeram a seguinte sugestão ao apóstolo: levar quatro homens que fizeram voto de nazireu; pagar as despesas deles; raspar a própria cabeça como demonstração de que praticava a lei (At 21.23,24). Ainda que isso de nada servisse para Deus, o apóstolo passou pelo ritual de purificação com os nazireus a fim de entrar no Templo (At 21.25,26). Ora, todo seguidor de Cristo deve estar pronto contra as falsas acusações dos oponentes da fé, quer os de fora, quer os de dentro.    

Comentário

 

    Nos versículos 18 e 19, Paulo foi à casa de Tiago e entregou as ofertas das igrejas gentias para ajudar os pobres de Jerusalém. Os anciãos que estavam presentes nesse encontro informaram a Paulo que havia sérias acusações contra si de que seus ensinos ofendiam a Lei Mosaica e os costumes tradicionais, que os judeus tanto respeitavam. Circulava um boato entre os judeus de que Paulo ensinava aos judeus cristãos a apartarem-se de Moisés e que não deveriam praticar o rito da circuncisão nos filhos. Eram judeus vindos de outras nações para a Festa do Pentecostes, e, ao saberem que Paulo estava na cidade e que era contra a Lei e contra o Templo, como lugar sagrado (At 21.18-26), torciam suas palavras e incitavam o povo a rejeitá-lo. Para amenizar a situação, Tiago e os anciãos da igreja sugeriram que Paulo reunisse quatro homens que tivessem feito o voto de nazireu e pagasse as despesas deles e raspasse ele a sua própria cabeça, como demonstração de que ele não era inimigo da Lei (At 21.23,24).

Paulo fez essa prática, ainda que para ele nada serviria em relação a Deus; mas, para satisfazer aqueles judeus oponentes e para obedecer a um pedido de Tiago e dos demais líderes da igreja (At 21.25), passou pelo ritual de purificação com os nazireus para poder entrar no Templo. Quando veio a Jerusalém, Paulo trouxe consigo alguns dos gentios convertidos para conhecerem os apóstolos e a igreja; porém, os judeus, logo que viram Paulo andando na cidade com alguns deles, especialmente o grego Trófimo, mentirosamente, acusaram Paulo de ter profanado o Templo, levando para dentro do mesmo os gregos que estavam com ele. A falsa religiosidade desses judeus oponentes ultrapassava os limites da decência e da sinceridade, e, por esse modo, tudo o que queriam era prender Paulo e condená-lo à morte. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Tiago estava preocupado com a chegada de Paulo a Jerusalém. Sabia que os boatos a seu respeito ainda não haviam sido dissipados. Circulava em Jerusalém uma falsa notícia de que Paulo ensinava os crentes judeus a apostatarem de Moisés, deixando de circuncidar seus filhos e de observar a lei de Moisés. Para prevenir o apóstolo de qualquer dissabor e também calar a boca dos críticos, Paulo foi aconselhado a purificar-se juntamente com toda sua comitiva, segundo a tradição dos judeus, fazendo o voto de nazireu e raspando a cabeça. Tiago relembra aos gentios que acompanhavam Paulo a necessidade de manterem os preceitos cerimoniais estabelecidos no Concílio de Jerusalém, abstendo-se de coisas sacrificadas aos ídolos, sangue, carne de animais sufocados e relações sexuais ilícitas.

 

Paulo e sua equipe aceitaram com prontidão essas reivindicações. Concordo com William Barclay quando ele escreve: “Há um momento em que fazer concessões não denota fraqueza, mas força”. Warren Wiersbe tem razão em dizer que a mesma graça que dava aos gentios a liberdade de se abster, também dava aos judeus a liberdade de observar seus costumes. Tudo o que Deus pedia deles era que aceitassem uns aos outros sem criar problemas nem divisões. Marshall acrescenta que não havia nenhuma transigência em Paulo ao fazer essas concessões, especialmente porque a respectiva oferta não lhe parecia irreconciliável com a oferta que Jesus fez de si mesmo como sacrifício pelo pecado. Citando F. F. Bruce, Marshall observa: “Um espírito verdadeiramente emancipado, tal qual aquele de Paulo, não é escravizado à sua própria emancipação.

Mais uma vez John Stott nos ajuda a entender esse problema da convivência harmoniosa entre os convertidos judeus (21.20) e gentios (21.25). Qual era a preocupação de Tiago? a) Não era o caminho da salvação (Tiago e Paulo concordavam que este era através de Cristo, e não da lei); b) não era o que Paulo ensinava aos gentios convertidos (ele ensinava que a circuncisão era desnecessária, e Tiago e o Concílio de Jerusalém haviam dito a mesma coisa); e c) não era a lei moral (Paulo e Tiago concordavam que o povo de Deus deve levar uma vida santa de acordo com os mandamentos de Deus), mas eram os costumes dos judeus (21.21). Tiago e Paulo estavam de acordo em termos doutrinários e éticos. A tensão entre eles era de natureza exclusivamente cultural. A solução a que chegaram, portanto, não sacrificava nenhum princípio doutrinário ou moral, apenas fazia uma concessão prática. Desta forma, Paulo cede em favor da evangelização e também da solidariedade judaico-gentia. Por outro lado, Tiago manifesta atitude similar ao louvar a Deus pela missão entre os gentios e ao aceitar a oferta das igrejas gentias. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 433-435.   

 

Tiago e os anciãos dão a Paulo a garantia de que sua observância dos costumes judaicos nesta ocasião não comprometerá a liberdade dos gentios. A liberdade fundamental dos gentios para com a lei já tinha sido estabelecida nas resoluções do Concilio de Jerusalém (At 15.20). No versículo 25, Tiago cita as condições do concilio textualmente. Visto que Paulo participou do Concilio de Jerusalém, ele está bem familiarizado com o decreto. Esta parte cio discurso de Tiago deve ser em benefício dos companheiros de Paulo e muda a atenção dos crentes judeus para os crentes gentios e sua liberdade em Cristo Paulo obedece ao pedido. No dia seguinte, para mostrar que ele está pronto a se conformar com os rituais de devoção judaica, ele vai ao templo para começar um período de purificação cerimonial e notificar quando ele e os quatro homens completarem este período.

Ele paga as taxas estipuladas para que cada um dos nazireus ofereça um sacrifício. Fazendo assim, o apóstolo reassegura aos crentes emjeru- salém sua compatibilidade pessoal com as tradições judaicas, contanto que elas não envolvam pôr o evangelho em situação suspeita. Muitos dos crentes judeus observavam as tradições como dever; Paulo não compartilha essas convicções.

A morte sacrifical de Cristo tornou desnecessários os sacrifícios no templo e o rito de purificação, e expôs seu real significado. Mas, de acordo como princípio de 1 Coríntios 9.20, Paulo estava preparado para viver sob a lei a fim de ganhar os judeus não-convertidos ao Evangelho. Nesta ocasião, ele se acomoda à ala da extrema direita do cristianismo judaico para lidar com a pressão negativa e os sentimentos severos que eles têm por ele. Ainda que o apóstolo esteja livre da lei, ele não permite que sua liberdade em Cristo se torne uma forma de escravidão. O exercício de sua liberdade serve a integridade do evangelho e a unidade da Igreja. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 756.      

 

   2.   A prisão do apóstolo e o enfrentamento contra seus algozes.

 

  A maioria dos judeus da Ásia, que veio para a Festa de Pentecoste, ao ver Paulo no Templo, começou a alvoroçar todo o povo, lançando mão ao apóstolo, acusando-o de inimigo de Moisés e profanador do Templo (At 21.27,28). Os homens que ouviram esses incitadores agarraram o apóstolo e o arrastaram para fora do Templo, fechando suas portas (At 21.30), Essa gente começou a pedir o linchamento (ou apedrejamento) de Paulo e essa notícia chegou ao comandante chamado Claudio Lisias. Este investigou o problema, prendeu e algemou o apóstolo, levando-o ao quartel-general que ficava na Torre Antônia, onde eram colocados seus presos (At 21.33). Não nos esqueçamos dos milhares de cristãos que têm sua liberdade cerceada por causa de sua fé em Cristo.    

Comentário

 

    Os judeus que tinham vindo da Ásia e reconheceram Paulo na cidade – logo que estava para chegar ao fim dos sete dias de purificação – incitaram os judeus da cidade e as autoridades contra Paulo e prenderam-no com violência. Paulo estava pronto para enfrentar seus oponentes, a maioria de judeus da Ásia que vieram para a Festa de Pentecostes, por mais de vinte anos depois. Quando viram Paulo no Templo, começaram a alvoroçar a todos quantos podiam ouvi-los contra Paulo, acusando-o de inimigo de Moisés e profanador do Templo. Os homens que ouviram os incitadores do alvoroço agarraram Paulo e arrastaram-no para fora do Templo, fechando as portas. Essa gente começou a pedir o linchamento ou apedrejamento de Paulo, e a notícia chegou ao Comandante chamado Cláudio Lísias, que investigou o problema e prendeu e algemou a Paulo e levou-o para o quartel–general, que ficava na Torre Antônia, onde colocavam seus presos. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Os judeus que viram Paulo no Templo quiseram agir sem a decisão de um tribunal, e matá-lo imediatamente. O comandante romano, porém, chegou a tempo e livrou Paulo de suas mãos — não porque simpatizasse At 21,30-36 com o apóstolo, mas provavelmente na esperança de evitar um tumulto popular. Esse comandante romano achou que Paulo devia ser algum tipo de agitador político. Mandou que Paulo fosse flagelado, para arrancar dele a verdade, mas Paulo alegou imunidade em relação a semelhante tratamento, pois era cidadão romano. Drame., Jhon. Paulo. Editora EP. pag. 100.    

 

Era a Festa de Pentecostes, e havia milhares de judeus em Jerusalém de todas as partes do mundo. Os judeus incrédulos vindos da Ásia, ao verem Paulo no templo, movidos pelo preconceito inflexível e pela violência fanática, numa atitude completamente diferente dos líderes da igreja de Jerusalém, alvoroçaram o povo e prenderam Paulo com violência. John Stott explica que, após as três épicas viagens missionárias, Lucas descreve os cinco julgamentos enfrentados por Paulo. O primeiro foi diante de uma multidão de judeus na área do templo (capítulo 22); o segundo, diante do supremo conselho dos judeus em Jerusalém (capítulo 23); o terceiro e o quarto em Cesareia, diante de Félix e Festo (capítulos 24 e 25); e o quinto, também em Cesareia, diante do rei Herodes Agripa II (capítulo 26). […]  fatos devem ser aqui destacados. […],um alvoroço medonho (21.27). Os judeus foram os grandes adversários de Paulo e os grandes opositores do evangelho.

Essa foi a principal tese de Lucas no livro de Atos (4.1— 5.42; 7.54-60; 8.1-4; 9.23-25; 21.27-36; 23.12-21). Foram os judeus que por todos os cantos provocaram tumultos e agora mais uma vez alvoroçam a multidão. Nesse clima de motim, os judeus agarraram e prenderam Paulo. […], uma acusação falsa (21.28-30). Esses judeus asiáticos espalharam boatos sobre Paulo. Os boatos normalmente não se baseiam em fatos; antes, alimentam-se de meias-verdades, preconceitos e mentiras. Esses críticos de plantão levantaram três acusações contra Paulo: acusaram-no de ensinar a todos a serem contra o povo, contra a lei e contra o templo.

Com respeito à lei, ainda que Paulo pregasse que Cristo era o fim da lei (Rm 10.4), não há evidência de que a atividade persuadisse os cristãos judeus a abandonar a circuncisão dos filhos ou os costumes judaicos. Romanos 14— 15 e 1 Coríntios 8— 10 mostram que Paulo estava considerando a existência de judeus (os irmãos fracos) que tinham diferenças com os gentios quanto ao que podiam comer, e Paulo defendia o direito de cada grupo ter seus próprios pontos de vista, e a necessidade de cada um demonstrar tolerância para com o outro. Em Corinto, parece que Paulo defendeu os hábitos judaicos a respeito das mulheres que deviam ter a cabeça coberta no culto (IC o 11.2-16). Já vimos que Paulo mandou circuncidar Timóteo (16.3), e, conforme Atos 18.18, ele mesmo fez um voto judaico nazireu.

A acusação, portanto, não tinha substância. Os judeus radicais pensaram que Paulo havia profanado o templo, introduzindo Trófimo, o efésio, no recinto sagrado. As acusações foram tidas por verdadeiras e a multidão se arremeteu contra Paulo com ensandecida violência. Na verdade, Paulo não estava profanando o templo, mas passando pela cerimônia de purificação, exatamente para não cometer profanação. Marshall diz que é irônico que esta fosse a acusação num período em que o próprio Paulo estava passando pela purificação a fim de não profanar o templo. Havia no templo um muro que separava o pátio dos gentios das demais áreas, e os gentios não tinham permissão de ir além do muro (Ef 2.14).

Uma inscrição solene no muro dizia: “Nenhum forasteiro pode ultrapassar esta barreira que cerca o santuário e seus recintos. Qualquer intruso pego em flagrante será o único culpado pela sua morte”. William Barclay afirma que essa lei era tão respeitada que os romanos davam aos judeus autorização para matar sumariamente quem a desobedecesse. Os judeus da diáspora gritavam por socorro, como se o pior sacrilégio estivesse sendo perpetrado diante de seus olhos. “O templo foi profanado!”. Esse foi o grito que alvoroçou a multidão: a crença profundamente enraizada no coração dos judeus de que não se podia derramar sangue no recinto do templo. Por isso arrastaram Paulo para fora. Imediatamente foram fechadas as portas.

E, no pátio externo do templo, a multidão tentou linchar Paulo. […], uma intervenção providencial (21.31b-36). O comandante Cláudio Lísias foi informado do motim e imediatamente se dirigiu à praça do templo com sua soldadesca, abortando a intenção dos judeus. Marshall diz que não levaria muito tempo para a notícia do distúrbio chegar à guarnição romana na cidade. Localizada na fortaleza Antônia, quartel-general da força de ocupação romana, ao noroeste do templo, era suficientemente alta para manter vigilância constante sobre os distúrbios embaixo, e dois lances de escadas a ligavam com o átrio dos gentios.

A guarnição em Jerusalém era uma coorte, que tinha nominalmente 760 soldados da infantaria e 240 da cavalaria, todos comandados por um oficial romano. Os judeus cessaram de espancar Paulo quando o comandante mandou acorrentá-lo, para saber quem era e o que havia feito o prisioneiro. Nesse ínterim a multidão ensandecida gritava de forma desordenada sem saber por que vociferava contra o apóstolo. Por essa razão o comandante mandou recolher Paulo à fortaleza para não ser despedaçado pela multidão tresloucada, que clamava pela sua morte.

A multidão gritava mata-o, da mesma forma que, quase trinta anos antes, outra multidão gritara contra outro prisioneiro (Lc 23.18). Lucas apresenta as autoridades romanas com amigos do evangelho, não como inimigos. O primeiro gentio a se converter foi Cornélio, um centurião romano (10.1-48). O primeiro convertido das viagens missionárias de Paulo foi Sérgio Paulo, o procônsul romano de Chipre (13.12). Em Filipos os magistrados romanos até pediram desculpas a Paulo e Silas pelo espancamento e pela prisão (16.35-40). Em Corinto, Gálio, o procônsul da Acaia, recusou-se a ouvir as acusações dos judeus contra Paulo (18.12-17). Em Efeso, o escrivão da cidade declarou inocentes os líderes cristãos (19.35-41).

Agora, em Jerusalém e Cesareia, Cláudio Lísias, o comandante militar, coloca Paulo sob sua proteção. Voltando ao paralelo entre Jesus e Paulo, tanto Pilatos no julgamento de Jesus como Cláudio Lísias no julgamento de Paulo consideraram-nos inocentes. Assim como Lucas dedicou grande parte de seu evangelho para tratar da prisão e morte de Jesus, também dedicou boa parte de Atos para narrar a prisão e a defesa de Paulo. O livro de Atos termina mostrando Paulo preso em Roma. Dessa primeira prisão Paulo foi solto e declarado inocente. De acordo com John Stott, Lucas faz questão de demonstrar que, aos olhos da lei romana, Jesus e Paulo eram inocentes, dirigindo a atenção para o antecedente que estabeleceu a legalidade da fé cristã, como resultado de seus julgamentos. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 435-439.    

 

   3.   Paulo dialoga com Lisias (At 21.37-40).

 

  No diálogo com Lisias, Paulo fala em um grego polido e o comandante, então, descobriu que o apóstolo não era o sicário egípcio procurado nas regiões do Império. Esse egípcio levantara uma sedição contra o imperador tempo atrás (At 21.38). Como Paulo se declarou cidadão romano, Lísias não mais o confundiu com esse sicário e mudou a forma de tratamento com o apóstolo (At 21.39,40). Mesmo ferido pelos açoites, manchado com o próprio sangue, mas estimulado pelo sentimento de martírio pelo seu Senhor, o apóstolo não perdeu a oportunidade de usar sua defesa para proclamar o Evangelho (v.40). Eis a razão de o apóstolo padecer pelo nome de Jesus: proclamar o Evangelho para as pessoas que o odiassem. As vezes somos provados por Deus e percebemos que sua vontade é para que o Evangelho seja anunciado por meio de nós ao enfermo no hospital, ao preso numa penitenciária, ao viciado numa cracolândia ou em qualquer outra circunstância desconfortável que Ele nos colocar. Estejamos atentos para os caminhos que o Espírito Santo quer nos levar.    

 

Comentário

 

 Quando Lísias, que era o comandante chefe romano, teve notícias de que havia um distúrbio na cidade, imediatamente levou consigo uma guarnição de soldados para impedir a turba furiosa que queria ferir e matar Paulo. Inicialmente, Lísias não sabia quem era Paulo e imaginou tratar-se de algum perigoso agitador. Porém, quando Lísias interroga Paulo, foi surpreendido por um homem que falava num grego polido, e, então, o comandante descobriu que Paulo não era o sicário egípcio procurado nas regiões do império. Lísias confundiu-o com esse sicário, e, quando Paulo declara-se cidadão romano, mudou a forma de tratamento com ele. Paulo, mesmo ferido em seu corpo pelos açoites e manchado com seu próprio sangue, era estimulado interiormente pelo sentimento de estar sofrendo pelo seu Senhor, Jesus Cristo. O apóstolo reivindica sua cidadania romana, mas Lísias era uma autoridade que não queria perder espaço para os judeus.

Ele, então, tirou a Paulo do meio da multidão, porque temia que o povo o linchasse, ordenou aos dois centuriões romanos que preparassem uma forte escolta e levasse-o para Cesareia. Em Cesareia, com uma carta de Lísias para Félix, o governador, iniciou-se outra situação de julgamento e o enfrentamento de outros sofrimentos (At 22.25–23.33). Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

A DEFESA DE PAULO Ao ver que Paulo era o centro de toda a confusão, o comandante romano supôs que fosse um criminoso e ordenou que o acorrentassem. A seguir, perguntou à multidão-. “Quem é esse homem e que mal ele fez?” Um rugido brotou da garganta de milhares de judeus, e na confusão Lísia nada conseguia entender. Ele detestava aqueles judeus rebeldes e suas escaramuças religiosas. Pareciam ser o único povo conquistado do império que precisava ficar sob constante observação, pois em cada festa religiosa colocavam em risco a paz romana. Agora, em meio à confusão daquela cena, cada um gritava uma coisa. Não conseguindo entender aqueles gritos selvagens, Lísias fez um gesto impaciente, dando um sinal aos seus homens. Imediatamente eles cercaram a Paulo e recolheram-no à fortaleza.

O povo mostrou-se desafiador; os gritos e caçoadas aumentaram. Os amotinados aproximaram-se tanto do prisioneiro que os soldados tiveram de levantá-lo e literalmente carregá-lo. Pelas vozes e atitude do povo, Lísias julgou ter capturado o agitador egípcio que, dias antes, havia reunido uma multidão no Monte das Oliveiras e ameaçado derrubar os muros de Jerusalém. Ao chegarem aos degraus, tendo deixado a multidão enfurecida lá embaixo, Paulo voltou-se respeitosamente ao seu captor e indagou em grego: “É-me permitido dizer-te alguma coisa?” (At 21.37).

Lísias ficou espantado ao ver o cativo “egípcio” dirigir-se a ele no idioma grego. Paulo explicou: “Na verdade que sou um homem judeu, cidadão de Tarso, cidade não pouco célebre na Cilícia; rogo-te, porém, que me permitas falar ao povo” (At 21.39). Lísias ficou impressionado ao ver a calma de Paulo diante do perigo e, com evidente admiração, permitiu que falasse. Enquanto os soldados guardavam os degraus, Paulo levantou a mão à multidão zangada, como sinal de que queria dirigir-lhe a palavra. Sua coragem fez com que se dispusessem a ouvi-lo. Na sua própria língua, Paulo começou o discurso. Abaixo dele havia um mar de rostos fechados. Aqui, um fariseu com seu manto branco; ali, um rabino em trajes talares; e por toda parte, olhos ardendo de ódio. Suas palavras foram diferentes das usuais, pois aquela gente não estava disposta a ouvir sermões. Varões, irmãos e pais, ouvi agora a minha defesa perante vós (At 22.1). O povo vibrou. Aquela era a sua amada língua hebraica. Quanto a mim, sou varão judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas criado nesta cidade aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus, como todos vós hoje sois (At 22.3).

Paulo aprendera que, como orador, devia prender a atenção da platéia dizendo-lhe as coisas que esta gostava de ouvir. Persegui este Caminho até à morte, prendendo e metendo em prisões, tanto homens como mulheres. Como também o sumo sacerdote me é testemunha, e todo o conselho dos anciãos; e, recebendo destes cartas para os irmãos, fui a Damasco, para trazer manietados para Jerusalém aqueles que ali estivessem, a fim de que fossem castigados (At 22.4,5). A seguir, contou-lhes a respeito da luz que brilhara sobre ele ao entrar na cidade de Damasco, e da voz e aparição do Senhor. Falou igualmente de Ananias, da recuperação da sua vista e da comissão divina para ir e pregar Cristo ao mundo.

Devido à sua súbita transformação de perseguidor em discípulo, os judeus de Jerusalém haviam se recusado a ouvi-lo. Certo dia, enquanto estava no Templo, caíra em transe. Ouvira a voz do Senhor, ordenando que deixasse Jerusalém e fosse pregar aos gentios. A multidão ouviu em silêncio até esse ponto, mas quando o nome gentio termo tão odiado foi dito, sentiu-se ferida em seu orgulho religioso. Cheios de raiva, recomeçaram a gritar. O ruído transformou-se subitamente num clamor enfurecido: “Tira da terra um tal homem, porque não convém que viva” (At 22.22).

Despindo-se, lançaram pó ao ar. Era a expressão evidente do seu desagrado, pedindo a morte de Paulo. Lísias não pôde entender a defesa de Paulo, porque não conhecia o idioma hebraico. Ao ver que o povo redobrava a fúria, mandou que o apóstolo fosse recolhido à segurança da fortaleza. Depois ordenou aos soldados que o açoitassem e obtivessem a verdade mediante tortura. Quando estavam atando Paulo com as correias, este perguntou ao oficial encarregado: “É-vos lícito açoitar um romano, sem ser condenado?” (At 22.25). Surpreso com a pergunta, o oficial ordenou aos soldados que interrompessem o castigo, e foi procurar Lísias. Repetindo as palavras de Paulo ao comandante, aconselhou-o: “Vê o que vais fazer, porque esse homem é romano” (At 22.26).

Lísias foi com o homem até ó poste, aonde Paulo estava acorrentado e com as costas nuas. “Dize-me, és tu romano?” (At 22.27). Quando Paulo afirmou que sim, Lísias mandou que o desamarrassem. Ele quase cometera um grande erro. Voltou-se então a Paulo e disse: “Eu, com grande soma de dinheiro alcancei o direito de cidadão”. Ao que Paulo replicou: “Mas eu sou-o de nascimento” (At 22.28). Os soldados receberam ordens para devolver as roupas de Paulo e ajudá-lo a vestir-se. O apóstolo foi então levado a uma cela de pedra, da qual esperava ser libertado no dia seguinte. Mas, ele passara pela porta de uma prisão romana, e em certo sentido, jamais seria verdadeiramente livre outra vez. Ball. Charles Ferguson. A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo. Editora CPAD. pag. 92-93.  

 

  […], um esclarecimento necessário (21.37-40). Com esta seção, começa a narrativa longa da prisão e dos julgamentos de Paulo, tanto em Jerusalém como em Cesareia, e da sua viagem para Roma, a fim de enfrentar o tribunal supremo.700 Ao ser levado para a fortaleza, Paulo pede permissão para falar à multidão amotinada. O comandante imaginava que Paulo fosse o egípcio que havia aliciado quatro mil sicários. Paulo responde declarando ser um judeu natural de Tarso, importante província do Império. A multidão silencia, e Paulo dirige-se a seu povo em língua hebraica. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 439.    

 

 

Os soldados estão a ponto de fazer com que Paulo entre na fortaleza para que ele seja interrogado, mas o apóstolo quer falar à turba. Ele se dirige ao chefe e pergunta se ele tem permissão para lhe dizer algo. Paulo surpreende o oficial romano falando com ele em grego. No mundo antigo, o grego era uma língua franca, mas o chefe tinha julgado mal Paulo como judeu e pessoa rude sem ter recebido educação. Ouvindo-o falar em grego fluente, o oficial muda de opinião acerca do prisioneiro e conclui que ele tem nas mãos um egípcio revolucionário, que recentemente tinha liderado um grupo de terroristas contra Jerusalém e sido derrotado pelos romanos.

Não há dúvida de que o homem a quem o comandante se refere é o falso profeta egípcio mencionado por Josefo (Guerras Judaicas-, Antiguidades Judaicas). De acordo com Josefo esta revolta egípcia ocorreu no tempo do governo de Félix (52-59 d.C.). Fiel à sua famosa tendência de exagerar, Josefo relata que o egípcio tinha liderado trinta mil homens para se revoltarem contra Roma. Os terroristas eram judeus extremamente nacionalistas, inimigos dos romanos e de todos os judeus simpatizantes a Roma. Os integrantes deste grupo fanático eram conhecidos por “homens do punhal” (sicários); eles adquiriram a alcunha por causa do punhal que eles levavam para executar os inimigos. Eles eram “cortadores de garganta”, dedicados terroristas políticos e assassinos. Este egípcio rebelde, colocando-se como profeta, tinha incitado um grupo de terroristas para se revoltar contra os romanos e instigado quatro mil dos seus seguidores no deserto a irem para o monte das Oliveiras e atacar Jerusalém (cf. v. 38), afirmando que eles veriam os muros da cidade caírem diante dos olhos. Félix, o governador romano da Judéia naqueles dias, acabou com a rebelião.

A maioria dos seguidores do profeta foi morta ou levada prisioneira, mas ele conseguiu fugir. Considerando que a revolta aconteceu há pouco tempo, o chefe romano presume naturalmente que Paulo é aquele falso profeta, que voltou para provocar outra revolta contra o governo. A resposta de Paulo ao chefe deixa claro que não há conexão entre os cristãos e os terroristas judeus. Ele chama a atenção para dois fatos: Ele é judeu por nacionalidade, não egípcio; e ele é cidadão de Tarso. Como judeu, Paulo tem todo o direito de entrar no pátio interno do templo. Por causa de sua herança judaica, ele certamente não é o tipo de pessoa que causaria uma revolta no templo. Ele não deve ser identificado como o falso profeta egípcio.

E, como cidadão de Tarso, o apóstolo procede de uma cidade ilustre localizada fora da Palestina. Era “ciclade não pouco célebre” (v. 39), pois Tarso tinha uma universidade e era cidade autônoma. A cidade era notória por seu significado cultural, intelectual e político. Paulo tem orgulho de ser cidadão daquela cidade famosa. Capacitado pelo Espírito, Paulo deseja falar aos que tentaram matá-lo. O chefe lhe concede o pedido. Ficando no topo da escadaria e cercado por soldados romanos, ele acena com a mão para que a turba silencie e então ele lhes fala “em língua hebraica” (v. 40). A frase que Lucas usa é te hebraidi dialekto (lit., “no dialeto hebraico”), mas vários estudiosos bíblicos estão convencidos de que era a popular língua semítica conhecida como aramaica. Os Rolos do Mar Morto mostram que o hebraico era uma língua viva no século I; assim, Paulo pode ter feito o discurso em hebraico (cf. At 22.2; 26.14). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 758-759.    

 

SÍNTESE DO TÓPICO III

As acusações mentirosas contra Paulo implicaram sua prisão.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

 

Paulo sofreu acusações de todos os tipos, mas sua consciência não o acusava. “A consciência é a percepção interior que testifica junto à nossa personalidade no tocante ao certo ou errado das nossas ações. Uma boa consciência diante de Deus dá o veredito de que não temos ofendido nem a Ele, nem à sua vontade. A declaração de Paulo (provavelmente com referência à sua vida pública diante dos homens) é sincera; note Fp 3.6, onde ele declara: ‘segundo a justiça que há na lei, irrepreensível’. Antes da sua conversão, ele chegou a crer que praticava a vontade de Deus ao perseguir os crentes (26.9). A dedicação de Paulo a Deus, sua total resolução em agradá-lo e sua vida ‘ir repreensível até mesmo antes de sua conversão a Cristo, deixam envergonhados e julgados os crentes professos que se desculpam de sua infidelidade a Cristo, alegando que todos pecam e que é impossível viver diante de Deus com uma boa consciência” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.1682).      

 

CONCLUSÃO

 

A atitude de sofrer pelo nome de Jesus tem sido abandonada nos tempos modernos. A visão que Paulo tinha da missão evangelizadora o fazia enfrentar toda e qualquer oposição e sofrimento. O apóstolo podia dizer: “Por que a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente” (2 Co 4.17).    

 

PARA REFLETIR

  A respeito de “A Coragem do Apóstolo Paulo diante da Morte”, responda:  

  • O que Paulo discerniu pelo Espírito Santo?

Por meio do Espirito Santo, Paulo discerniu a vontade de Deus para enfrentar prisões e açoites pelo nome de Jesus.  

  • O que havia na despedida de Paulo em Mileto?

Nesse lugar havia bálsamo misturado a tristeza da despedida.  

  • A quem Paulo procurou ouvir após a mensagem profética de risco de morte que enfrentaria em Jerusalém?

Paulo procurou ouvir a voz do Espírito ao seu coração.  

  • Com quem Paulo se encontrou ao chegar em Jerusalém?

Paulo foi para Jerusalém acompanhado por alguns discípulos de Cesareia (At 21.16).  

  • Quais eram as acusações contra o apóstolo Paulo?

As acusações contra o apóstolo Paulo eram as seguintes: que os judeus entre os gentios deviam se apartar da lei de Moisés; eles não deveriam circuncidar os filhos, nem andar segundo a lei de Moisés (At 21.21).    

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 4° Trimestre 2021  Acesse nossos grupos e tenha mais conteúdo:

Muito conteúdo sobre a Supremacia das Escrituras sem sobrecarregar seu celular.
Grupo no Telegram
Acesse mais Conteúdo pelo Telegram
Grupo no WhastsApp
Mais conteúdo pelo WhatsApp
Please follow and like us:
Pin Share

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *