12 LIÇÃO 4 TRI 22 IMERSOS NO ESPÍRITO NOS ÚLTIMOS DIAS

 

12 LIÇÃO 4 TRI 22 IMERSOS NO ESPÍRITO NOS ÚLTIMOS DIAS

12 LIÇÃO 4 TRI 22 IMERSOS NO ESPÍRITO NOS ÚLTIMOS DIAS

 

TEXTO ÁUREO

 

”Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” (Jo 7.38)

VERDADE PRÁTICA

 

O rio da vida, que representa o fluir do Espírito Santo, passa no meio do povo de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Gn 2.8-10 O rio do jardim do Éden aparece no limiar da humanidade

 

Terça– Is 44.3 Rios de águas representam também o derramamento do Espírito Santo

 

Quarta– Ez 36.35 A terra será restaurada no Milênio como o Éden

 

Quinta Jl 3.18 O profeta Joel profetiza sobre um rio fluindo da Casa de Deus para toda a Judá

 

Sexta – Zc 14.8 O rio revelado ao profeta Zacarias é similar ao de Ezequiel

 

Sábado – Ap 22.1,2 O rio puro da água da vida flui do trono de Deus no mundo vindouro

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Ezequiel 47.1-12

 

 

1 – Depois disso, me fez voltar à entrada da casa, e eis que saíam umas águas de debaixo do umbral da casa, para o oriente; porque a face da casa olhava para o oriente, e as águas vinham de baixo, desde a banda direita da casa, da banda do sul do altar.

 

2 – E ele me tirou pelo caminho da porta do norte e me fez dar uma volta pelo caminho de fora, até a porta exterior, pelo caminho que olha para o oriente; e eis que corriam umas águas desde a banda direita.

 

3 – Saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; e mediu mil côvados e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos tornozelos.

 

4 – E mediu mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos joelhos; e mediu mais mil e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos lombos.

 

5 – E mediu mais mil e era um ribeiro, que eu não podia atravessar, porque as águas eram profundas, águas que se deviam passar a nado, ribeiro pelo qual não se podia passar.

 

6 – E me disse: Viste, filho do homem? Então, me levou e me tornou a trazer à margem do ribeiro.

 

7 – E, tornando eu, eis que à margem do ribeiro havia uma grande abundância de árvores, de uma e de outra banda.

 

8 – Então, me disse: Estas águas saem para a região oriental, e descem à cam­pina, e entram no mar; e, sendo levadas ao mar, sararão as águas.

 

9 – E será que toda criatura vivente que vier por onde quer que entrarem esses dois ribeiros viverá, e haverá muitíssimo peixe; porque lá chegarão essas águas e sararão, e viverá tudo por onde quer que entrar esse ribeiro.

 

10 – Será também que os pescadores estarão junto dele; desde En-Gedi até En-Eglaim, haverá lugar para estender as redes; o seu peixe, segundo a sua espécie, será como o peixe do mar Grande, em multidão excessiva.

 

11- Mas os seus charcos e os seus lamaceiros não sararão; serão deixados para sal.

 

12 – E junto do ribeiro, à sua margem, de uma e de outra banda, subirá toda sorte de árvore que dá fruto para se comer; não cairá a sua folha, nem perecerá o seu fruto; nos seus meses produzirá novos frutos, porque as suas águas saem do santuário; e o seu fruto servirá de alimento, e a sua folha, de remédio.

 

 

Hinos Sugeridos:5, 387, 553 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

O capítulo 47 é um dos capítulos mais conhecidos dos leitores do livro de Ezequiel. Nesta lição, veremos que este capítulo tem um aspecto escatológico, sob uma relação com o período do Milênio; esse capítulo tem um aspecto pneumatológico, ou seja, as águas descritas no livro podem ser comparadas ao enchimento do crente com o Espírito Santo; e, finalmente, o presente capítulo desdobra a visão escatológica do livro com o reaviva­ mento geológico do vale do Mar Morto. Portanto, a lição desta semana tem lições preciosas para a vida cristã.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Expor o aspecto escatológico do capítulo 47 de Ezequiel;

II) Apontar a implicação pneumatológica da profecia.

III) Descrever o contexto geológico do vale do Mar Morto.

B) Motivação: Uma das imagens mais bonitas no livro de Ezequiel é as águas do Templo sendo levadas ao Mar Morto, sarando as suas águas. E uma belíssima imagem do que o Espírito Santo faz na vida do ser humano hoje.C) Sugestão de Método: É muito importante que você procure avaliar como os alunos poderiam aplicar esta lição a situações da vida deles. Nesse sentido, sugerimos as seguintes perguntas durante a conclusão:

1) Se fosse ensinar essa lição, o que você enfatizava?

2) O que você entende por aspecto escatológico?

3) O que você entende por aspecto pneumatológico? Ouça atentamente a sua classe, em seguida, procure trazer unidade as respostas de acordo com a explicação dos tópicos respectivos da lição.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Traga exemplos que mostrem o quanto o Espírito Santo agiu na vida de pessoas. Incentive a sua classe a buscar uma experiência poderosa do Espírito Santo.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.41, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto ”Águas através do Tem­plo” aprofunda a imagem das águas saindo do Templo; 2) O texto ”Sarando o Mar Morto” amplia a descrição da purificação do Mar Morto.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

Essa primeira parte do capítulo 47 é a continuação da visão do Templo de Ezequiel (40.1,2). A primeira parte, versículos 1-6, se concentra nas águas que fluem de debaixo do umbral do Templo e, à medida que essas águas sanadoras vão fertilizando as áreas estéreis do vale do Mar Morto, seguem aumentando o seu volume até se tornar um rio caudaloso. A segunda parte, versículos 7-12, descreve o efeito milagroso dessas águas, trazendo vida ao Mar Morto e à toda a região do Arabá. A presente lição foca o aspecto escatológico da visão, mostra a implicação pneumatológica da profecia e o contexto geológico do vale do Mar Morto.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os capítulos 40 a 48 são partes de um mesmo oráculo e formam uma única unidade literária. Esses oráculos foram entregues ao profeta “no vigésimo quinto ano do nosso exílio, no princípio do ano, no décimo dia do mês, catorze anos após a queda da cidade de Jerusalém, nesse mesmo dia, veio sobre mim a mão do Senhor, e ele me levou para lá” (40.1). Trata-se de um retorno à visão original da margem do rio Quebar (1.1-3).

A visão continua e essa data corresponde a 28 de abril de 573 a.C. Os 25 anos têm como ponto de partida o ano de 597 a.C., quando Javé entregou a Ezequiel os primeiros oráculos (1.2). Apesar de essa data ser a última do livro, não foi a última da carreira de Ezequiel, pois dois anos depois disso “a palavra do Senhor” veio ao profeta, “no vigésimo sétimo ano, no primeiro mês” (29.17). Quando esses oráculos foram organizados em forma de livro, os editores ou o próprio Ezequiel não os dispuseram em ordem cronológica.

Com essa visão do rio da vida em Ezequiel, retornamos à visão da visita às dependências do templo. Essa última unidade do livro pode ser dividida em três subunidades: a) o novo templo (40.1–43.12); b) a nova forma de adoração a Deus (43.13–46.24); e, c) a nova partilha da terra entre as tribos (47.1–48.35).

A visão dessa última parte do livro é extensa e abrange muitos aspectos teológicos. Essa primeira seção do capítulo 47 é a continuação da visão do templo de Ezequiel (40.1, 2).

A primeira parte dessa seção, os versículos 1-6, se concentra nas águas que fluem de debaixo do umbral do templo; e, à medida que essas águas sanadoras vão fertilizando as áreas estéreis do vale do mar Morto, seguem aumentando o seu volume até se tornarem um rio caudaloso. A segunda parte, os versículos 7-12, descreve o efeito milagroso dessas águas ao levar vida ao mar Morto e a toda a região do Arabá.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 135-136.

 

 

O Rio que Flui do Templo; Fronteiras (47.1-23)

Este capítulo se divide naturalmente em três seções: 1. vss. 1-12 (o rio sagrado); 2. vss. 13-20 (as fronteiras da Nova Terra); 3. vss. 21-23 (a posição dos prosélitos no Israel restaurado). O rio sagrado completa as descrições da área sagrada que incluía o templo complexo. A fonte do rio se situava debaixo do limiar do templo: a água fluía da área do altar para o Portão Oriental e, daí, para o exterior, chegando finalmente ao mar Morto. Não há menção de tributários, o fluxo aumentando enquanto flui, pelo poder de Yahweh. Atingindo uma distância de 4 mil côvados do templo, já era suficientemente largo para que ninguém pudesse atravessá-lo. As águas eram tão poderosas, que fizeram do mar Morto um mar de água doce que se toma a fonte de muita vida, fora e dentro dele.

O rio obviamente fala da restauração de Israel e da nova vida que caracterizará o pais. Haverá também uma Nova Terra, com novas e mais amplas fronteiras, não seguindo (com precisão) as velhas fronteiras de Israel. Os vss. 13-23 dão estas descrições. O capítulo 48 continua o tema da terra, descrevendo as novas divisões para as tribos, diferentes das do velho Israel depois da conquista da Terra Prometida. “Os estrangeiros sempre estarão contigo”, portanto, há necessidade de regulamentos que sejam aplicados a eles. Este é o tema dos vss. 21-23.

O Rio Sagrado (47.1-12)

O rio sagrado é um tema conhecido nas referências históricas e idealistas de diversos lugares da Mesopotâmia, incluindo-se Canaã. Cf. Joel 3.18; Zac. 14.8 e Apo. 22. A água que flui do trono de Deus (isto é, o templo, Eze. 43.7) traz vida e é tão poderosa que f82 do mar Morto um mar de água doce. A desolação do deserto de Judá dá lugar às águas, e uma nova vida floresce, tomando-se um Paraíso.

A Nova Era será uma Nova Criação, um Paraíso, anulando todos os efeitos da queda de Adão e Eva. Os temas das águas sagradas, árvores frutíferas e condições de utopia se baseiam na história original do Éden e seu jardim plantado por Deus. O país inteiro de Israel tornar-se-á o novo Paraíso. Jerusalém e seu templo ideal são as fontes de bênçãos que transformam um país inteiro. A profecia é obviamente escatológica, pertencendo ao Reino do Messias, o tempo de restauração nacional. Alguns intérpretes veem neste texto uma descrição do Milênio.

E, assim, todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades.

(Romanos 11.26)

Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

(Isaías 11.9)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3352-3354.

 

 

Embora tanto a forma como o estilo contrastem 47.1-12 de 47.13-48.35, este segmento compartilha com o restante do livro um vocabulário comum e o interesse pela terra.’ Sua função no alto do mapa literário de Israel se compara com o papel de 43.13-27 em relação à “Torá do templo”. Assim como o altar precisava ser limpo de sua profanação antes que o sistema de adoração do templo pudesse ser estabelecido, a terra precisava, igualmente, ser renovada antes que ela pudesse desempenhar o papel que lhe fora designado no relacionamento divindade-nação-terra.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 620.

 

 

Palavra-Chave: IMERSÃO

 

 

I – SOBRE O ASPECTO ESCATOLÓGICO

 

1- A nascente do rio (v.1).

 

Vimos, na primeira lição do trimestre, que o livro de Ezequiel antecipa o aspecto apocalíptico nas Escrituras Sagradas. A visão nessa passagem é futurista e literal, e as evidências, tanto internas quanto externas, dão sustentação para uma interpretação escatológica e literal. O ”umbral da casa” é uma referência ao templo da visão do profeta (40.1,2).

Os detalhes desse complexo, como dimensões de áreas, dependências e medidas, sugerem um templo literal. Isso é simples de entender. Se os dois que foram destruídos, o de Salomão (2 Rs 25.9) e o de Herodes (Lc 21.6), eram literais, não faz sentido o novo Templo ser uma mera visão idealista, corno símbolo ou figura para transmitir ideias ou simbologia. De igual modo, a promessa divina do novo Templo é também literal (Jl 3.18; Zc 14.8).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Já está claro que o livro de Ezequiel antecipa o aspecto apocalíptico nas Escrituras Sagradas. As quatro linhas de interpretação apocalíptica são preterista, idealista, histórica e futurista. Isso se aplica também ao livro de Apocalipse, mas o nosso enfoque é sobre Ezequiel. A escola preterista se relaciona exclusivamente aos acontecimentos contemporâneos do profeta, o contexto do cativeiro e destruição de Jerusalém, e exclui o futurismo, pois tais profecias teriam se cumprido no passado.

Segundo o pensamento idealista, as visões de Ezequiel seriam símbolo e figuras para transmitir ideias ou simbologias. De acordo com a interpretação historicista, essas visões seriam um prenúncio dos acontecimentos históricos desde o cativeiro babilônico até o fim dos tempos. O futurismo é uma interpretação literal e inclui a linha historicista.

A primeira parte desse oráculo é narrativa no seu estilo e forma. Depois disto, ou seja, depois de o Profeta ser levado ao templo para conhecer as suas dependências e dimensões e receber a visão do retorno da glória de Deus, ele recebe essa visão: o homem me fez voltar à entrada do templo. Esse é o mesmo “homem cuja aparência era como a do bronze” da visão do templo (40.3) que continua como cicerone nesse “tour”.

A visão continua: e eis que água saía de debaixo do limiar do templo e corria na direção do leste. A promessa divina do novo templo remete a uma fonte de águas vivas procedendo do templo, que não é nem o templo de Salomão, que a essa altura da revelação já estava destruído, nem o templo de Herodes, pois os detalhes da profecia mostra ser um templo para os últimos dias (Jl 3.18; Zc 14.8). O leste do templo é exatamente a direção para onde a glória de Deus se dirigiu quando se retirou do templo de Salomão (11.23), e de onde a glória de Javé retornará para o novo templo (43.1, 2): porque a fachada do templo dava para o leste (v. 1b).

A fonte das águas é o próprio Deus, pois as águas fluem do novo templo: A água vinha de debaixo do lado direito do templo, do lado sul do altar (v. 1c). O limiar do templo, ou “umbral da casa” (ARC), é uma referência ao templo da visão do profeta (40.1, 2). Há certo paralelismo entre essa visão de Ezequiel e a revelação do apóstolo João em Apocalipse (Ap 22.1, 2), mas ambas as profecias tratam de eventos diferentes. A visão de Ezequiel é do milênio, e o capítulo 22 de Apocalipse fala sobre o mundo vindouro.

São quatro interpretações sobre a descrição do templo de Ezequiel. a) Refere-se ao templo físico literal que vai ser construído em Israel. Essa hermenêutica histórico-gramatical literal dita que a visão seja entendida como referência a uma estrutura física futura comparável ao templo de Salomão, a não ser que o texto exija uma análise figurativa. b) A visão é figurativa de um templo celestial ideal que nunca se pretendeu ser construído ou estabelecido na terra. c) É a descrição de uma visão figurativa de um templo ideal. d) É a representação de um templo celestial real que desceria e seria estabelecido na terra nos últimos dias.

O oráculo é um quadro escatológico e apocalíptico. A visão nessa passagem é futurista e literal; as evidências tanto internas quanto externas dão sustentação para uma interpretação escatológica e literal. Os detalhes desse complexo, como dimensões de áreas, dependências e medidas, sugerem um templo literal. Se os dois templos que foram destruídos, o de Salomão (2Rs 25.9) e o de Herodes (Lc 21.6), eram literais, não faz sentido o novo templo ser uma mera visão idealista, como símbolo ou figura para transmitir ideias ou simbologia. A ideia de um templo literal estava na agenda dos profetas (Jl 3.18; Zc 14.8).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 136-138.

 

 

Depois me fez voltar à entrada do templo. “O homem (anjo?) me dirigiu de volta para a porta do templo. Vi água saindo debaixo do limiar do templo, para o oriente” (NCV). O próprio templo confrontava com o oriente. O autor descreve uma grande mudança, abandonando seu tema de cozinhas e comidas, para mostrar uma visão do magnífico rio. “O riacho de água viva, fluindo da presença de Deus, corria para o oriente e passava ao lado sul do altar. Ezequiel saiu do templo pelo Portão do Norte e viu a água saindo do templo no lado sul do Portão Oriental, descendo para o vale de Cedrom” (Charles H. Dyer, in loc.).

O quadro que Zacarias retrata (14.8) é de um grande rio que se divide em duas partes: a metade fluindo para o mar Morto e a outra para o mar Mediterrâneo. É artificial supor que os dois profetas tivessem tido uma visão comum, com detalhes diferentes. De qualquer maneira, alguns intérpretes entendem a profecia em termos literais, enquanto outros veem símbolos na descrição: metaforicamente, o profeta descreve Deus como a fonte de todas as bênçãos.

Vem, Fonte de todas as bênçãos,

Afina o nosso coração para cantar o teu louvor.

Riachos de misericórdia, que nunca falham,

Inspiram canções de alto louvor.

(Robert Robinson)

Adam Clarke entende todo o texto como uma descrição da efusão da luz do evangelho, pela qual os povos são iluminados. Outros também apresentam esta interpretação, enquanto os literalistas insistem no literalismo das profecias. O Talmude coloca as águas fluindo do Santo dos Santos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3354.

 

 

A primeira estrutura. A cena inicial dessa caricatura literária encontra o profeta sendo trazido de volta para a entrada do templo {habbayit) pelo guia celestial. Se esse texto originalmente se seguia a 44.1,2, como alguns afirmam, o ponto de origem terá sido a porta oriental externa. De acordo com a presente disposição, entretanto, Ezequiel foi visto, por último, inspecionando as cozinhas sacrificiais (46.21-24). Agora ele está perplexo diante da visão de um pequeno rio fluindo debaixo do miptãn, “limiar”, uma designação arquitetônica para a laje de pedra na base de uma porta, visível para alguém que observa de fora.

A última linha do v. 1 identifica o lugar de onde sai a água mais precisamente: mikketep habbayit hayèmãnit, “do lado direito da fachada do templo”, ketep é, também, um termo arquitetônico que se refere à parte da estrutura da porta que se estende horizontalmente da própria abertura até o próximo canto e verticalmente da base até pelo menos o alto da porta. Cada porta deveria ter quatro kètãpôt, dois dentro e dois fora. Mas como podemos imaginar o rio saindo do lado direito da fachada do templo e depois fluindo para o lado sul do altar, se, conforme 40.47, a fachada fica no lado oriental do templo? Por um lado, se o profeta, na qualidade de observador, está no ponto de referência, “direita” deve significar o lado norte da abertura da porta, caso em que a água precisaria fluir para o sul, ao longo do muro e depois voltar em (direção ao altar. Por outro lado, a planta do templo e a direção do correr do rio apontam para a orientação leste, caso em que hayèmanît significa tanto “direita” como “sul”.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 620.

 

 

2- O guia celestial (vv.2,3a).

 

Um personagem que aparece desde o início da visão do novo templo: ”um homem cuja aparência era como a aparência do cobre, tendo um cordel de linho na mão e uma cana de medir” (40.3) continua como cicerone nesse ”passeio”.

Esse anjo fez Ezequiel sair pelo portão do norte e, dessa forma, contornar o Templo no sentido horário em direção ao oriente. Isso porque a porta oriental estava fechada: ”Esta porta estará fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor, Deus de Israel, entrou por ela; por isso, estará fechada” (44.2). No período dos dois templos, essa porta nunca esteve trancada, e isso revela o caráter escatológico da visão.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O mesmo cicerone continua acompanhando o profeta: Ele me fez sair pelo portão do norte, para dar uma volta por fora, até o portão exterior, que dá para o leste (v.2). Esse anjo fez Ezequiel sair pelo portão do norte e dessa forma contornar o templo no sentido horário em direção ao oriente. Isso porque a porta oriental estava fechada: “Este portão permanecerá fechado; não deverá ser aberto. Ninguém entrará por ele, porque o Senhor, o Deus de Israel, entrou por ele. Por isso, permanecerá fechado” (44.2).

No período dos dois templos, a porta oriental nunca esteve trancada, e isso revela o caráter escatológico da visão. Essa porta era o acesso ao recinto sagrado, e, antes de Javé, o Deus de Israel, passar por essa porta, aparentemente os sacerdotes também passavam por ela. Mas, depois que Deus passar por ela para habitar entre os filhos de Israel (43.4,7), essa porta ficará fechada e, dessa forma, a tragédia de 11.23 nunca mais se repetirá.

Há nesse versículo uma figura de linguagem raríssima na Bíblia, a onomatopeia: e eis que a água borbulhava do lado direito (v.2b). O verbo hebraico usado para borbulhava foi bem pensado; só aparece uma vez no Antigo Testamento, mepakkim, “escoar”, como diz Block: “expressando o som do líquido borbulhando num frasco”. Lá estava Ezequiel, do lado de fora da porta, observando a água escoar lentamente debaixo da parede.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 138-139.

 

 

Ele me levou pela porta do norte. “O homem me trouxe para fora pelo Portão do Norte e me guiou do lado de fora, para o Portão Oriental. A água estava saindo do lado sul deste portão” (NCV). O Portão Oriental estava fechado, obrigando o profeta a sair pelo Portão do Norte. Uma vez fora, ele voltou ao Portão Oriental, para ver novamente a maravilhosa cena das águas fluindo para fora do templo e avançando para o vale de Cedrom.

Evito aqui as intermináveis interpretações metafóricas daqueles que entendem o texto simbolicamente, dando somente algumas poucas indicações de sentidos possíveis. Obviamente, a idéia principal é a de que o próprio Yahweh é a fonte de todas as bênçãos. As águas manavam de Seu santuário.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3354.

 

 

Havendo permitido que Ezequiel observasse o rio fluindo do limiar do santuário, o guia o conduz para fora do complexo do templo pela porta norte para o lado de fora da porta oriental. A rota mais direta desse ponto seria passar pela própria porta oriental, mas ela estava impedida para a passagem de pessoas (44.1,2).

Chegando do lado de fora da porta, Ezequiel observa a água escoando devagar debaixo da parede, no lado sul da estrutura da porta. Ele escreve a ação de escoamento da água com um hapax, mèpakkim, uma formação onomatopaica de pak, “garrafa”, expressando o som do líquido borbulhando num frasco. A escolha da expressão é intencional, realçando o tamanho modesto do rio na sua fonte – não é maior que o fluir da água que sai da boca de uma vasilha pequena.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 623.

 

 

3- Os novos frutos (v.12).

 

A linguagem dessa passagem é apocalíptica e escatológica e tem paralelo com o livro de Apocalipse (22.1,2). A visão de Ezequiel, em relação ”a toda sorte de árvore que dá fruto para se comer […] nos seus meses produzirá frutos novos”, se refere ao Milênio e a do apóstolo João, ao mundo vindouro, a eternidade. Mas ambos os textos são literais; no novo céu e na nova terra não existe mar. O Milênio é distinto do mundo vindouro (Ap 21.1), ver a Declaração de Fé das Assembleias de Deus no Brasil (XXIII.5).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A primeira parte do versículo 12 reitera a visão do versículo 7. A parte final dessa passagem mostra a grande variedade de árvores frutíferas, cujas folhas não murcharão, e elas nunca deixarão de dar o seu fruto. A grande variedade de todo tipo de árvores em ambos os lados do rio produz frutos abundantes: Nas duas margens do rio nascerá todo tipo de árvore frutífera. Essa parte interpretativa do oráculo mostra todo esse cenário de restauração e bênção para a humanidade; como os milagres das folhas verdes dessas abundantes árvores que nunca murcham.

Seus frutos novos a cada mês produzidos ininterruptamente só acontecem porque são regadas pelas águas que saem do santuário. Assim, o cicerone celestial conclui a revelação explicando que os seus frutos servirão de alimento, e as suas folhas, de remédio. Essa linguagem antecipa o cenário apocalíptico do mundo vindouro, que se mostra um empréstimo da revelação de Ezequiel. Em Apocalipse aparece a árvore da vida na praça da nova Jerusalém (Ap 22.2), e em Ezequiel são árvores abundantes nas duas margens do rio que fluem do santuário. Esse quadro profético é do milênio.

O rio da visão de Ezequiel sara as águas do mar Morto, mas não é o mesmo do mundo vindouro descrito em Apocalipse, pois na nova terra não haverá mar: “o mar já não existe” (Ap 21.1). Essa parte da profecia do apóstolo João mostra um aspecto do milênio, mas não se deve confundir com ele.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 142-143.

 

 

Nascerá toda sorte de árvore. Muitas árvores, nos dois lados do rio, que produzem abundância de vários tipos de frutos. Além disto, as árvores são perenes, nunca perdem suas folhas e nunca param de produzir. O rio transmite a elas superpoderes de produção. O autor informa que as árvores recebem a ajuda de Yahweh, tornando-se milagrosas.

A linguagem florida do auto nos impressiona com os poderes incomuns das árvores. A bênção de Deus não admite limites nem fraquezas. Cf. Sal. 1.3: “Ele (o justo) é como árvore plantada junto à corrente de águas, que, no devido tempo, dá o seu fruto” e Apo. 22.2: “A árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês, e as folhas da árvore são para a cura dos povos”.

O seu fruto servirá de alimento e a sua folha de remédio. Isto quer dizer que a justiça vencerá e anulará o pecado e seus resultados, afinal. Os literalistas, insistindo no seu literalismo, vêem árvores que produzem remédios materiais para doenças físicas. O poder de Deus está por trás de curas físicas e espirituais, portanto deixe-se esse poder fluir. Ver sobre as folhas que curam, em Apo. 22.2.

“O santuário é o centro e a fonte de saúde e prosperidade para a comunidade” (Theophile J. Meek, in ioc.).

Nesta terra as nossas esperanças mais queridas Comprovam-se vãs;

Nossos elos mais preciosos se rasgam à toa.

Mas no céu não há pancada de dor:

Encontra comigo ali!

Encontra comigo ali ao lado do rio cintilante,

Naquela cidade de encanto,

Onde a fé toma-se realidade.

(H. E. Blair)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3355.

 

 

A exposição do guia sobre o poder revigorante do rio do templo se conclui por uma volta rápida à quarta cena, especificamente às árvores que florescem em ambas as margens. Desta vez, o foco será na abundância do crescimento delas e nos seus benefícios para o uso humano. Esta imagem é obtida com alguns golpes impressivos do pincel literário. Primeiro, ambas as margens ficam cheias de kol-‘es (lit. “todas as árvores”), que sugere tanto profusão como variedade, correspondendo às espécies mencionadas no v. 10.

Segundo, como as árvores no Éden (Gn 2.15- 17), elas ficarão perpetuamente verdes e fornecerão um infindável suprimento de alimento (ma’àkâl). A impressão de regularidade e confiabilidade, refletida em lõ’-yittõm piryô, “seus fmtos não faltarão”, é traduzida mais concretamente com lohôdãSãyw yèbakkê e, “conforme seus meses produzirão fmtos frescos”. Este quadro de abundância contrasta com a mediocridade que caracteriza a produção no final de um tempo de colheita. Terceiro, além de satisfazer as sensibilidades estéticas, as folhas que nunca murcham (lõ’-yibbôl) têm uma função medicinal, oferecendo cura aos corpos doentes e feridos. Como no caso do mar Morto revigorado (v. 9), uma oração causai tira todas as dúvidas a respeito da fonte dessa fertilidade e dessa cura: porque suas águas nutrientes se originam (yasa) do santuário.

Com esse comentário, a interpretação da visão chega a uma parada abrupta. Tanto o profeta como o leitor são deixados maravilhados ante o poder doador de vida do rio que flui da morada de Yahweh.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 627-628.

 

 

SINOPSE I

 

O aspecto escatológico leva em conta a literalidade do novo Templo, o fechamento da porta do Templo e a frutificação das árvores no Milênio.

 

 

II – SOBRE A IMPLICAÇÃO PNEUMATOLÓGICA

 

1- As águas (vv. 3-6).

 

O ser celestial fez Ezequiel passar pelas águas, que ao caminhar o primeiro trecho de ”mil côvados”, ou ”quinhentos metros” (NAA) ”elas me davam pelos tornozelos” (v.3). Quinhentos metros mais adiante, as águas chegam aos joelhos e, depois de mais quinhentos metros, elas já estão nos lombos (v.4). Quinhentos metros mais além, essas águas já haviam se tornado num ribeiro e o profeta agora tinha que nadar (v.5).

Ele atravessou o ribeiro nadando, mas depois, o ser celestial trouxe o profeta de volta para a margem do ribeiro (v.6). Qual o propósito disso? Era necessário que Ezequiel visse a extensão e a profundidade do ribeiro para reconhecer a fonte de todos esses milagres. Essa experiência da imersão do profeta nas águas tem implicações teológicas profundas (Jo 7.37-39).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O ser celestial, tendo na mão um cordel de medir (v. 3), fez Ezequiel passar pelas águas, que ao caminhar rio abaixo, mediu quinhentos metros e me fez passar pela água, que me dava pelos tornozelos (v. 3b). Quinhentos metros mais adiante, as águas chegam aos joelhos e depois de mais quinhentos metros elas já estão nos lombos (v. 4). Quinhentos além, essas águas já haviam se tornado um ribeiro, e o profeta agora tinha que nadar (v. 5). Ele atravessou o ribeiro nadando, mas depois o ser celestial levou o profeta de volta para a margem do ribeiro (v. 6). Qual o propósito disso? Era necessário que Ezequiel visse a extensão e a profundidade do ribeiro para reconhecer a fonte de todos esses milagres; eles provêm de Deus como um filete de águas e se tornam um ribeiro capaz de fertilizar uma terra seca localizada numa região extremamente árida.

Essa experiência da imersão do profeta nas águas tem implicações teológicas profundas (Jo 7.37-39). Ao longo dos séculos, cristãos de todos os ramos do cristianismo reconhecem a estreita ligação teológica das águas com o Espírito Santo. Ezequiel imerso nessas águas pode perfeitamente ser comparado ao crente cheio do Espírito Santo, visto que a água é um dos símbolos do Espírito (1Jo 5.6), e nenhum livro do Antigo Testamento revela a identidade, os atributos e as obras do Espírito Santo como Ezequiel.

Isso está bem ilustrado na visão de Ezequiel inundado nas águas sanadoras que brotam do templo de Deus (vv. 3-5).

Das 378 vezes que o termo rûaḥ, “vento, sopro, hálito, espírito, Espírito”, aparece no Antigo Testamento, 52 vezes estão no livro de Ezequiel, e 14 vezes em referência ao Espírito Santo.116 O termo revela sua deidade absoluta e identidade com o próprio Javé (8.1-3); ele atua na obra da restauração e regeneração (36.24-28; 37.14; 39.29). O profeta Ezequiel anunciou um derramamento do Espírito Santo para a purificação (Ez 36.25, 33) e a capacitação dos purificados (Ez 36.27).

As águas terapêuticas do rio da visão de Ezequiel saem de debaixo do umbral, e as águas cristalinas que saem do trono de Deus e do Cordeiro, em Apocalipse, apontam para Cristo e o Espírito Santo. É significativo a presença do rio no Éden, no princípio, e no relato da criação e do rio da vida, no mundo vindouro, sendo que o rio da visão de Ezequiel fica entre eles, ou seja, entre o primeiro e o último. Vemos em tudo isso a restauração escatológica da terra e a efusão do Espírito sem medida.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 139-140.

 

 

Saiu aquele homem para o oriente, tendo na mão um cordel de medir; mediu mil côvados, e me fez passar pelas águas, águas que me davam pelos artelhos. Mil côvados equivalem a cerca de 465 m. O volume da água começou relativamente humilde, mas aumentou assustadoramente enquanto fluía, pelo poder de Yahweh, porque aquele rio não tinha tributários. O vs. 3 registra a primeira medida; as outras se seguem.

Mediu mais mil… Novas medidas foram tiradas a cada mil côvados, e a água continuava aumentando divinamente, impressionando ao profeta, que nunca tinha visto coisa semelhante. Na segunda medida, depois de mais mil côvados de distância do templo, verificou-se que as águas já tinham atingido a altura dos joelhos de um homem. Depois de mais mil côvados, a água atingiu a cintura; depois de mais mil côvados, a água havia subido tanto, que impedia qualquer passagem. O pequeno riacho tornou-se um poderoso rio.

Lições Simbólicas. Pesquisando as coisas divinas, entendemos algumas facilmente; mas suas propriedades se complicam e, logo, ficamos mergulhados no Mysterium Tremendum que é Deus (ver Rom. 11.33).

A abundância das águas representa as incomparáveis bênçãos que vêm do Deus Todo-poderoso. As águas sagradas são miraculosas e transformam tudo o que tocam: aquele que precisa de prosperidade, prospera; aquele que precisa de uma cura, é curado; aquele que precisa de portas abertas para servir, encontra muitas portas de acesso; aquele que carece de transformação espiritual, é transformado. Cada um recebe segundo suas necessidades e anelos. Oh, Senhor, concede-nos tal graça!

As Águas do Homem. De cada homem flui um riacho; alguns deles são poluídos; a poluição provoca doenças em outros; homens abastecidos ignoram as necessidades dos outros e a fome mata. Alguns mandam de si riachos fortes de benefícios para os outros, e a vida floresce. Cada homem é um riacho. De qual tipo é você?

Abre agora a fonte cristalina Donde fluem águas que saram.

(William Williams)

Viste isto, filho do homem? Uma lição maravilhosa foi proporcionada pelo anjo-guia. Chamando o profeta por seu título comum (anotado em Eze. 2.1), ele correu para mostrar ainda mais ante os olhos atônitos do profeta. O anjo guiou o profeta ao longo da margem do rio. Ele ficou em pé ali, observando a natureza da água, seu caminho, a grande quantidade de peixes que se movimentava na água limpa e saudável, as árvores ao longo da margem, todas floridas, produzindo os frutos da estação. Tudo era um toque divino para os homens na terra. Yahweh colocou Seu dedo naquele lugar e o transformou.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3354.

 

 

Na terceira cena, o guia do passeio assume, agora, um papel inteiramente familiar, simbolizado pelo instrumento de medida em sua mão. Se ele pegou, ou não, um instrumento diferente, o uso de um novo termo, qaw, alerta o leitor para uma possível mudança na significação. A primeira medição do templo e de seus arredores realçou sua planta simétrica e as graduações de santidade, a medida que se ia para o lado de dentro, em direção a habitação sagrada de Yahweh. Mas, agora, as intenções do guia mudaram.

Ezequiel o observa andando, com dificuldade, rio abaixo, medindo a distância do templo à medida que caminha. A terceira estrutura é, na verdade, subdividida em quatro cenários, que descrevem, em termos visuais vívidos, o aumento do volume do rio à medida que ele flui em direção ao leste. O estilo repetitivo dos três primeiros cenários reflete a maneira metódica do guia, mas a saída do padrão, no quarto cenário, sinaliza a tase culminante. Tendo a porta oriental como seu ponto de partida, o guia mede seu movimento a partir do templo, parando a intervalos de 1.000 cúbitos (cerca de 500 metros) para levar o profeta junto com ele. A cada intervalo, Ezequiel observa a profundidade da água onde anda com dificuldade. Os resultados são bastante fantásticos. Havendo começado com um simples filamento, o rio alcança seus tornozelos nos 1.000 cúbitos; seus joelhos, nos 2.000 cúbitos; e sua cintura, nos

3.000 cúbitos. Na marca dos 4.000 cúbitos, o filamento (mèpakkim) havia se tornado um rio (nahal), fundo demais para andar nele e suficientemente fundo para nadar nele. A essa altura, para a medição, deixando o profeta e o leitor extrapolarem um aumento geométrico no volume da água a cada 1.000 cúbitos, à medida que ele corre em direção ao mar O fato desse efeito ser alcançado sem a aparente contribuição de afluentes realça a grandeza do milagre.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 623-624.

 

 

2- O Espírito Santo.

 

A imersão de Ezequiel nessas águas pode ser comparada ao crente cheio do Espírito Santo, visto que a água é um dos símbolos do Espírito (1Jo 5.6). Os símbolos do Espírito Santo são reflexos das suas múltiplas operações. O próprio Jesus se referiu ao Espírito ao falar sobre o Espírito Santo no discurso de João 7.37-39.

O Espírito Santo é ilustrado como água, pois, assim como a água é indispensável à vida física de qualquer ser vivo, da mesma maneira o Espírito é indispensável à vida do crente. A água refresca, refrigera e dá, uma sensação de tranquilidade e bem-estar, e é isso que o Espírito Santo realiza na vida do crente (Is 44.3). Ademais, não podemos esquecer que o Senhor Jesus Cristo é a fonte de água viva (Jo 4.14).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Em nossa casa temos um reservatório que recebe água de duas fontes das montanhas através da casa. As pessoas que moravam ali antes de nós diziam que a quantidade de água destas duas fontes nunca varia. Sempre é a mesma, em tempos de seca ou de chuva. Nós usamos a água que precisamos, mas pela água corrente das fontes o reservatório está sempre transbordando. Literalmente é isto que quer dizer “ser cheio do Espírito”.

Todos os cristãos devem ser cheios do Espírito. Qualquer coisa menos que isto é só parte do plano de Deus para nossa vida.

O que a Bíblia quer dizer quando fala da plenitude do Espírito Santo? Vamos definir o termo: Ser cheio do Espírito é ser controlado ou dominado pela presença e pelo poder do Espírito. Em Efésios 5:18 Paulo diz: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito.” Ele está contrastando duas coisas. Alguém cheio de álcool é controlado ou dominada por este. A Presença e o poder do álcool sobrepujaram suas capacidades e atitudes normais.

É interessante que nós dizemos às vezes que alguém está “sob a influência” do álcool. Isto de certa forma traduz o que é ser cheia do Espírito. Estamos “sob a influência” do Espírito. Ao invés de fazermos as coisas baseadas somente em nossa força ou habilidade, Ele nos dá poder. Ao invés de fazermos somente o que nós queremos fazer, somos agora guiados por Ele. Infelizmente milhões de filhos de Deus não se alegram da riqueza espiritual ilimitada que está à sua disposição, porque não estão cheios do Espírito Santo.

Graham., Billy,. O Poder Do Espírito Santo. Editora Vida Nova. pag. 103.

 

 

Alguns comentários na verdade são feitos sobre a resposta dos homens de Éfeso: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo” (At 19.2). Isso não pode significar que eles não tinham conhecimento da existência do Espírito. Mesmo considerado, minimamente, que eles eram apenas discípulos de João Batista (não necessariamente de forma literal, mas seguidores que se identificavam com ele), certamente saberiam sobre o papel do Espírito Santo na vida e no ministério de João, incluindo as declarações de João de que Jesus iria batizar no Espírito Santo. A resposta deles precisa ser interpretada à luz de uma declaração similar encontrada no Evangelho de João.

Quando Jesus prometeu rios de água viva, o autor editorializa com a declaração: “E isso disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado” (Jo 7.39). A palavra “dado” não está no texto grego, mas é pressuposta, justificavelmente, para dar sentido àquilo que Jesus disse. Similarmente, em Atos 19.2 a declaração deveria ser compreendida para significar: “Nós nem mesmo ouvimos que o Espírito Santo tenha sido dado”.

É relevante que esse incidente tenha ocorrido cerca de 25 anos depois do dia de Pentecostes. Ele ensina, entre outras coisas, que a experiência pentecostal ainda estava disponível para crentes numa época bem distanciada daquele dia, tanto temporária quanto geograficamente.

Anthony de Palma. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo. Editora CPAD. pag. 49.

 

 

Quem é este maravilhoso Espírito Santo de graça? Se queremos ter intimidade com ele e sua cooperação, devemos conhecê-lo bem.

Embora as metáforas impessoais aplicadas ao Espírito Santo — fogo, vento, água, óleo, pomba e assim por diante — tenham base bíblica, elas têm sido tão amplamente usadas que algumas pessoas não sabem quem, na verdade, ele é.

Água

“Jesus pôs-se de pé, e clamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7:37-38).

Em muitos passagens na Bíblia a água é usada como símbolo do Espírito Santo. Por que esta metáfora é adequada? Se observarmos a relação que existe entre a água e a vida humana poderemos entender muitas coisas sobre o Espírito Santo.

Primeiro, a água é indispensável à preservação da vida. Um ser humano é composto de 60% de água. Se houver desidratação provocada por vômitos ou diarréia, a pessoa corre o risco de perder a vida física. De modo similar, o Espírito Santo é indispensável à nossa vida espiritual.

Nascemos de novo dele (João 3:5), e bebendo dele continuamente (1 Coríntios 12:13), podemos preservar nossa vida espiritual. Através do Espírito Santo nos tornamos vigorosos, fortes, podendo desfrutar vida plena sem jamais sentir sede (João 4:13-14).

A água é também indispensável para a limpeza de nosso corpo.

Se não tivermos acesso à água por tempo prolongado, nos tornaremos doentes, podendo até mesmo morrer, devido às complicações ocorridas pela falta de higiene. Não é verdade? Todos os dias lavamos nosso corpo, nossa roupa, utensílios de cozinha etc. Assim nossa vida espiritual deve ser lavada também pelo Espírito Santo. Por certo, somos limpos de nossos pecados ao crermos no sangue precioso de Jesus; mas o Espírito Santo — como se nos lavasse com água — refrigera-nos, renova nossos corações a fim de que possamos seguir em frente com vidas limpas, regeneradas (Tito 3:5).

O Espírito Santo é origem de vida para aqueles que são obedientes; porém ele é o Espírito de julgamento, uma torrente consumidora para os desobedientes. Nos dias de Noé, Deus usou o dilúvio condenando o mundo por seus pecados e desobediência (Gênesis 7).

Deus julgou Faraó e seu exército, destruindo-os no mar Vermelho (Êxodo 14:28). Em Atos 5, Ananias e Safira morreram ao serem julgados pelo Espírito Santo, pois lhe haviam mentido. Atos 13:8-13 conta a história de Elimas, um mágico que se tornou cego pelo Espírito Santo quando se opôs à pregação do evangelho por Paulo.

Cho. David Yonggi,. O Espírito Santo, Meu Companheiro. Conheça melhor o Espírito Santo e seus dons. Editora Vida. 1 Ed. 1993.

 

 

3- Imerso nas águas e no Espírito (vv.3-5).

 

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Trindade, ou seja, é uma pessoa (Mt 28.19). Como Ele pode ser uma pessoa e os crentes serem cheios dEle? ”Todos foram cheios do Espírito Santo” (At 2.4). Ser cheio do Espírito Santo é uma expressão que indica estar o cristão nos domínios do Espírito (At 4.8; Ef 5.18). Isso está bem ilustrado na visão de Ezequiel inundado nas águas sanadoras que brotam do Templo de Deus (Ez 47.3-5).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O verbo traduzido por encher (pimplemi), usado em Atos 2.4, está estreitamente ligado como Espírito (Lc 1.41,67; At4.8,31; 9.17; 13-9). Este verbo é usado por Lucas para indicar o processo de ser ungido com o poder do Espírito para o serviço divino. Ser cheio com o Espírito significa o mesmo que ser batizado com o Espírito ou receber o dom do Espírito (cf. At 1.5; 2.4,38).

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 632.

 

 

Todos foram cheios do Espírito Santo de maneira mais plena e poderosa que antes. Eles foram cheios com a graça do Espírito e ficaram mais que nunca sob a sua influência santificadora. Agora eles eram santos, espirituais, menos apegados a este mundo e mais bem familiarizados uns com os outros.

Eles ficaram mais cheios do consolo do Espírito, alegraram-se mais que nunca no amor de Jesus e na esperança celestial, e, nisso, todas as suas aflições e medos foram absorvidos. Eles também foram, como prova disso, enchidos com os dons do Espírito Santo, que é o propósito específico do evento narrado nesse texto.

Eles foram dotados de poderes milagrosos para proveito do evangelho. Para mim, está claro que não só os doze apóstolos, mas todos os cento e vinte discípulos foram igualmente cheios do Espírito Santo nessa ocasião. Todos os setenta discípulos, que eram homens apostólicos e envolvidos na mesma obra, bem como todos os demais que também pregariam o evangelho.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 14.

 

 

Qual é o efeito do Espírito Santo sobre todos os crentes? Lucas escreve: “Eles ficaram cheios”. Nós não devemos limitar o adjetivo todos como aplicável somente aos apóstolos, pois Pedro em seu sermão mostra que a profecia de Joel fora cumprida: “Vossos filhos e vossas filhas profetizarão” (v.17; Jl 2.28). E quando Pedro e João, subsequentemente, relataram aos crentes os comentários dos maiorais dos sacerdotes, todos ficaram cheios com o Espírito Santo (4.31). O efeito da habitação do Espírito Santo é o de que ele assume o controle total de cada crente.

O cristão que é cheio do Espírito passa a ser o seu porta-voz. No caso dos crentes de Jerusalém, eles falam em outras línguas e por meio disso provam que o Espírito Santo os controla e capacita.

Simon J. Kistemaker. Comentário do Novo Testamento Atos I. Editora Cultura Cristã. pag. 110-111.

 

 

SINOPSE II

 

A água é o maior símbolo da implicação pneumatológica de Ezequiel 47.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

ÁGUAS ATRAVÉS DO TEMPLO

 

”A repartição da terra que começou a ser descrita em 45.1-8 continua em 47.13 – 48.35. Mas aqui encontramos um interlúdio poético acerca de águas refrescantes para as nações. Elas vinham de debaixo do umbral da casa (Templo), para o oriente (1); essa água da redenção vinha de baixo, da banda do sul do altar. Em sua visão, Ezequiel foi levado para observar a corrente de água fluindo através do Templo. Visto que a água estava fluindo do lado sul, o profeta foi levado para fora pelo caminho da porta do norte […] até a porta exterior (2), e então para o leste, seguindo a correnteza das águas” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, pp.487).

 

 

III – SOBRE O CONTEXTO GEOLÓGICO DO VALE DO MAR MORTO

 

1- A abundância de árvores (v.7).

 

O Arabá, em hebraico a’ravah, literalmente ”árido”, mas aparece também no Antigo Testamento como ”planície” (Dt 1.1) ou ”deserto” (Is 35.1). É o nome de um vale (Js 18.18) que se estende desde a Galileia, no norte de Israel, e vai até o golfo de Ácaba, no sul do país, na margem do Mar Vermelho (Dt 1.1 – diante de Sufe).

Nessa região se localiza o Mar Morto (Js 3.16 – Mar Salgado), parte da região era território da antiga Pentápolis que incluía as cidades de Sodoma e Gomorra, cuja destruição trouxe esterilidade na região de modo que ali não nasce planta alguma, nem mesmo capim (Dt 29.23). No entanto, a palavra profética contempla o surgimento de ”abundância de árvores” (v.7) como resultado das bênçãos das águas vivificadoras. Esse quadro profético é do Milênio.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O profeta foi conduzido desde a nascente das águas vivas até as margens do rio: Quando cheguei lá, eis que à margem do rio havia grande abundância de árvores, dos dois lados do rio (v.7). As águas da visão de Ezequiel são sanadoras e milagrosas; elas fertilizam todas as áreas estéreis do vale do Arabá e saram as águas do mar Morto levando vida ao mar e às suas margens. A visão desse rio é literal, mostra o profeta imerso nele até o pescoço, fala do mar Morto, de pescadores, peixes reais e cujas águas vivificadoras fluem do templo do milênio.

O vale do Jordão é o Arabá (Js 18.18), em hebraico, ʿărāvâh, “estepe, deserto, planície desértica”, literalmente isso significa, “árido”. A NAA faz uso alternativo, “deserto” (Is 35.1) ou “planície” (2Sm 2.29; Zc 14.10), mas a transliteração “Arabá” ocorre com mais frequência (Dt 1.1, 7, Js 11.2, 16). Nessa região se localiza o mar Morto (Js 3.16), que se estende desde o mar da Galileia até o sul da Judeia, abrangendo “a Arabá e o Jordão por fronteira, desde Quinerete até o mar da Arabá, o mar Salgado” (Dt 3.17). Nessa parte está a região que pertencia à antiga Pentápolis das cinco cidades-estados: Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim, Zoar (Gn 14.2).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 140-141.

 

 

À margem do rio havia grande abundância de árvores. Uma multidão de árvores cresceu nos dois lados do rio, embelezando o ambiente e fornecendo frutos deliciosos a qualquer um que passasse. Temos aqui o tema do jardim do Éden, o Paraíso de Deus na terra, para o benefício de homens espiritualmente transformados.

As árvores obviamente têm qualidades espirituais, e o homem que come de seus frutos compartilha da vida divina (II Ped. 1.4). Cf. Gên. 1.28; 2.9 e Apo. 22.2, onde temos o mesmo tema. As árvores cresceram nos dois lados do rio, falando de uma vida abundante, uma provisão ampla, uma graça que superabunda.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3354.

 

 

A visão deixou Ezequiel perplexo, com os olhos arregalados. Ele é trazido de volta aos seus sentidos pelo comentário do guia, que, embora geralmente entendido como uma pergunta, faz mais sentido, neste contexto, como uma exclamação.” Obviamente, o profeta estava olhando! O guia, então, o conduz para fora da água, de volta á margem.

O terceiro wèhinnêh expressa sua surpresa diante de uma nova visão, que ele não havia observado antes. Em ambos os lados do rio, enfileiravam-se densos arvoredos. Quais as conclusões que o profeta tira dessa observação se pode apenas especular, conquanto, agora, ele deve ter reconhecido que estava testemunhando mais do que uma lição sobre o poder miraculoso que Yahweh tem para aumentar o volume das águas de um rio. Será que ele começou a “ver” a importância simbólica das águas?

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 624.

 

 

2- O Mar Morto (v.8).

 

Essas águas ”sendo levadas ao mar sararão as águas” (v.8). Esse ”mar” é o Mar Morto, ou mar de Sal (Gn 14.3), mar Salgado (Js 3.16), mar das Campinas, ou mar da Arabá (Dt 3.17 – NAA). Localiza-se na depressão mais profunda do planeta, 396 metros abaixo do nível do mar, e é alimentado pelas águas do Jordão e de uns poucos córregos menores.

Visto que o lago não possui escoamento natural, suas águas são eliminadas por meio de evaporação. Essas águas possuem uma salinidade incomum que vem desses riachos, fluindo através de solos salitrosos alimentados por fontes sulfurosas. Não há vida nessas águas, que contêm mais de 30% de sais minerais, ao passo que a média dos oceanos é de 3%. É uma fonte de riquezas minerais.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Essa segunda parte do oráculo é interpretativa. O ser celestial que atua como cicerone explica a visão a Ezequiel: Então me disse (v.8). Com essa expressão, ele introduz o discurso esclarecedor. Estas águas correm para a região leste, descem ao vale do Jordão e entram no mar, cujas águas ficarão saudáveis (v. 8b).

A descrição é de um conjunto de milagres: a fonte do rio, a travessia até o Arabá, a fertilidade da região. O rio começa com poucas águas saindo de debaixo do umbral do templo (v.1). O volume de águas aumenta até se tornar um ribeiro. Essas águas vão se avolumando em direção leste, do oriente, para o mar Morto, e fertilizam a terra árida.

As cidades de Sodoma e Gomorra são aquelas cuja destruição trouxe esterilidade na região, de modo que ali não nasce planta alguma, nem capim; é um deserto abrasador (Dt 29.23). No entanto, a palavra profética contempla o surgimento de grande abundância de árvores (v.7) como resultado das bênçãos das águas vivificadoras.

As águas sanadoras entram no mar, cujas águas ficarão saudáveis. O contexto desse oráculo mostra que se trata do mar Morto (vv.8,9,11), mar de Sal ou mar Salgado (Gn 14.3), “mar da Arabá, que é o mar Salgado” (Js 3.16). Seu nome em hebraico é iām hamelaḥ, literalmente, “mar de Sal”; a NAA usa “mar Salgado”, que na verdade é um lago de águas salgadas que mede cerca de 60 quilômetros de cumprimento e cerca de 22 quilômetros no ponto mais largo. Esse mar se localiza na depressão mais profunda do planeta, 396 metros abaixo do nível do mar, e é alimentado pelas águas do Jordão e de uns poucos córregos menores.

Visto que o lago não possui escoamento natural, suas águas são eliminadas por meio de evaporação. Essas águas possuem uma salinidade incomum que vem desses riachos fluindo através de solos salitrosos alimentados por fontes sulfurosas. Não há vida nessas águas, que contêm mais de 30% de sais minerais, ao passo que a média dos oceanos é de 3%. É uma fonte de riquezas minerais.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag.140-141.

 

 

Estas águas saem para a região oriental. As águas fluem para o oriente e chegam a Arabá (ver a respeito no Dicionário). Era (é) uma depressão na qual o rio Jordão e o mar Morto se situam. O termo é suficientemente amplo para incluir a continuidade desta depressão ao sul do mar Morto até o moderno wadi el-Arabá. De fato, o mar Morto tem, como um de seus nomes, “o mar de Arabá”. Aquele mar recebe água doce, mas, não tendo saída, acumula sai e outros minerais que chegam até 20% de seu volume. O sal mata toda a vida e, assim, o mar é realmente morto, não suportando vida alguma. Lagos salgados são aqueles sem saída, que acumulam sal das águas que chegam. As águas transportam sal do solo, um mineral natural do próprio solo, largamente difundido. A área ao redor do mar Morto também é morta, seca e deserta. Mas o fluxo poderoso do rio sagrado é tão abundante e forte, que torna o mar Morto um mar vivo, com água doce, fazendo com que as áreas adjacentes floresçam como a rosa (Isa. 35.1).

Os literalistas continuam com seu literalismo, mas o presente versículo pesa em favor da interpretação metafórica. Águas mortas tornam-se vivas, um processo possível somente com ampla saída das águas para outro lugar, produzindo uma drenagem que, aos poucos, elimina o depósito de sal. A implicação do texto é a de que o poder divino purifica as águas sem a necessidade de uma purificação gradual e física. A morte cede lugar à vida, em Judá e em todo o mundo, fato simbolizado pela cura das águas salgadas, onde nenhuma vida existia. O rio sagrado traz vida espiritual a todos os povos, fluindo do trono de Deus, que é a própria fonte da vida.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3354.

 

 

Embora Ezequiel possa ter interpretado o rio e as árvores na sua margem, a interpretação oferecida pelo guia não deixa dúvidas a respeito do significado desejado. A primeira estrutura do painel interpretativo dessa caricatura é essencialmente geográfica na natureza. Ezequiel aprende que esse rio, que desaparece no horizonte oriental, entra, eventualmente, no mar. O número 4 aparece novamente em quatro discretas expressões usadas para descrever o curso do rio.

Primeira, o rio flui ‘el-haggèlilâ haqqadmônâ (lit. “o circuito oriental”), uma vaga referência à região entre Jerusalém e o rio Jordão. Segunda, o rio desce até a Arabá. Atualmente, o nome identifica, geralmente, a depressão sul do Mar Morto, que termina no golfo de Aqabah, mas no AT o nome era usado, também, mais genericamente para o vale que vai do lago Tiberíades (Galileia), no norte, para o golfo de Aqabah, no sul. Ezequiel tem em mente a extremidade sul do vale do Jordão. Terceira, é mencionado que a água flui para o mar (hayyãmmâ). Ainda que yãm tenha, anteriormente, feito referência ao mar ocidental, viz., o Mediterrâneo, aqui, obviamente, significa o mar Morto. Quarta, o destino é definido mais precisamente como hayyãmmâ hammüsã’im, o mar de águas estagnadas. A expressão é textualmente problemática, mas o contexto apoia uma referência à natureza estagnada do mar Morto.

hammúsã’im é uma descrição apropriada para o mar Morto. A superfície dessa notável massa de água é de, aproximadamente, 400 m abaixo do nível do mar, tomando-a não só o ponto mais baixo no vale da calha do rio, mas, também, o mais baixo na superfície da terra. Com uma salinidade atualmente de 26-35 por cento, essa massa de água é, também, justificadamente, conhecida como “o mar de sal”. Três fatores contribuem para essa qualidade especial; os incomuns ribeiros salinos afluentes, que emergem de fontes sulfurosas e fluem ao longo do solo salitroso; a ausência de uma saída,

0 que significa que todos os seus minerais ficam presos; a atmosfera quente, seca, que produz uma taxa de evaporação igual, se não maior que o influxo da água dos rios e ribeiros tributários. Após milênios de acúmulo, as elevadas quantidades de sódio, magnésio, cálcio, potássio, e outras substâncias químicas deixaram o mar Morto virtualmente sem vida. Com exceção de alguns oásis, a vegetação ao longo de suas margens se limita a algumas espécies halófitas (apreciadoras do sal).

O mensageiro parece absorto pelos problemas geográficos que o curso desse rio apresenta. Para que a água flua de Jerusalém para o vale do Jordão, ela precisa descer para o Cedrom, subir para 0 monte das Oliveiras, e, depois, atravessar uma série de vales e cadeias de montanhas antes de alcançar seu destino. Se ele prevê, ou não, uma rachadura nas barreiras, como a que foi prevista em Zc 14.4, a cena clama por um ato miraculoso, o inverso daquilo que foi experimentado pelos israelitas no mar Vermelho. Em vez de criar uma passagem seca pelo mar, esse rio sagrado produz um curso de água pelo meio do deserto.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 624-625.

 

 

3- Vida no Mar Morto (vv.9,10).

 

A chegada das águas vivificadoras do Templo revive o Mar Morto e o resultado é a grande multiplicidade de peixes como no Mar Mediterrâneo, o ”mar grande” (v.10). Isso faz lembrar da criação no princípio (Gn 1.20,21).

Os pescadores em ”En-Gedi até En-Eglaim” (v.10) lançaram suas redes para apanhar os peixes, um cenário nunca visto até então na história. En-Gedi é um pequeno oásis localizado no deserto da Judéia, próximo ao Mar Morto (Js 15.62), onde Davi se acampou quando perseguido por Saul (1Sm 23.29; 24.1). En-Eglaim é uma localidade desconhecida, há quem afirme que fica na outra margem do mar, que seria hoje a Jordânia, mas a linguagem parece indicar sentido norte-sul e não leste-oeste.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A chegada das águas vivificadoras do templo revive o mar Morto, e o resultado é a grande multiplicidade de peixes: As águas do mar Morto se tornarão saudáveis, e tudo viverá por onde quer que esse rio passar (v. 9b). Isso faz lembrar da criação no princípio (Gn 1.20, 21). O nome “mar Morto” vem do fato de não haver nele vida; as águas são espessas, umapessoa deitada sobre as águas não consegue afundar nele dada a grande quantidade de sais mineiras.

Não há registro histórico de um cenário de vida como este: a abundância de árvores numa região extremamente árida, e águas e peixes no mar Morto, como no mar Grande (v. 10b) em hebraico, hāiām hāgadôl, nome bíblico do atual mar Mediterrâneo, que aparece 12 vezes no Antigo Testamento, somente em Números, Josué e Ezequiel.118 A palavra profética contempla mais essa bênção extraordinária: Desde En-Gedi até En-Eglaim haverá lugar para estender e secar as redes (v. 10).

En -Gedi é um pequeno oásis localizado no deserto da Judeia, próximo ao mar Morto (Js 15.62), onde Saul se acampou quando perseguia Davi (1Sm 23.29; 24.1). En-Eglaim é uma localidade desconhecida; há quem afirme que fica na outra margem do mar, que seria hoje a Jordânia, mas a linguagem parece indicar sentido norte-sul, e não leste-oeste. O cenário dos pescadores lançando suas redes no mar Morto e pescando não tem paralelo na história. Os pescadores em En-Gedi

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 141-142.

 

 

Onde as águas da vida fluem, a vida floresce, mesmo nos lugares desérticos. O próprio rio enxameia com vida de muitos tipos, e o que suas águas tocam também vive abundantemente. A água cria vida onde dominava a morte. O mar Morto tinha (tem) uma concentração seis vezes maior de sal do que o oceano e não pode suportar vida alguma, mas o poder miraculoso de Yahweh entra em cena e faz o mar viver; suas águas, por sua vez, dão vida a tudo ao redor.

Como as águas são “curadas”, assim os homens também são curados de sua morte espiritual. O velho mundo ímpio será transformado pelas águas do Novo Dia. Até a segunda morte deve findar pelo poder restaurador da Era do Reino, o dia escatológico de Yahweh. Nenhum poder no hades, na terra ou no céu pode anular o poder doador da vida da obra de Deus que será realizada, afinal. A Vida é o título do último capítulo da história da humanidade.

Junto a eles se acharão pescadores, As águas vivas produziram grande quantidade de peixes de todos os tipos, que, por sua vez, se tornaram a base de uma rica indústria de pesca. O empreendimento cresceu tanto, que se estendeu de En-Gedi a En-Eglaim. En- Gedi era uma habitação no meio da costa ocidental do mar Morto. A outra localidade não é conhecida hoje em dia: os intérpretes supõem que ficasse perto de Zoar, na costa sudoeste do mar, uma área na costa norte, perto de Khirbet Qumran.

De qualquer maneira, estão em vista lugares desertos que tinham pouca indústria, pois, de súbito, ficaram prósperos com a pesca. O mar Morto, antes um centro de cactos e lagartos, tornou-se o centro de uma grande indústria. Este acontecimento revolucionário demonstrou o poder do rio que vem do trono de Deus. Devemos entender toda esta história metaforicamente: pela graça de Deus, o pobre fica rico; rico, espiritualmente falando, com dinheiro o suficiente para as necessidades básicas. A média dos homens é um deserto espiritual que precisa das águas vivas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3355.

 

No momento em que o rio do templo alcança o “mar salgado”, suas águas são miraculosamente curadas, rãpã’ normalmente se refere à cura de um corpo doente, mas, neste caso, 0 milagre envolve a neutralização das perniciosas substâncias químicas existentes na água, de modo que ela se torna doce e a vida já não é mais impedida.

O kol quádruplo, “todo”, e a repetição de uma oração inteira, kol-‘àSer yãbô’ êãm[mã] nahálayim, “onde quer que o rio fluir”, no v. 9, enfatizam a inteireza da “cura”. Em linguagem reminiscente de Gn 1.20,21, os “enxames” (Sõras) do mar com “toda criatura vivente” (kol-nepeã hãyá) em “todos os lugares por onde o rio fluir”. A oração causal, ki bã’ü sãmmâ hammayim hã^êlleh, “porque estas águas chegaram ali”, não deixa dúvidas quanto à fonte da cura. A chegada das águas vivificado- ras do templo revive o mar Morto, que resulta na profusa multiplicação de peixes (lüè/iãyâ haddãgâ rabbâ mé’õd).

O verso 10 concretiza o quadro literário. Em todo o redor do mar Morto, desde En-gedi até En-eglaim, os pescadores estão trabalhando, estendendo suas redes e puxando sua pesca. En-gedi (‘Ain Jidi moderno) é um oásis florescente na margem ocidental do mar Morto, no lado contrário ao rio Arnon, em Moabe, cujas águas emergem de uma nascente permanente no alto de uma escarpa de 1.800 metros acima do lago e produzem uma faixa verde ao longo do rio em direção ao mar. En-eglaim é mais difícil de localizar, mas uma identificação com Eglate-Selísia, mencionado em Is 15.5 e Jr 48.34 em associação com Zoar, aponta para um lugar no lado oriental do mar Morto. Consequentemente, En-gedi e En-eglaim, localizados nos lados opostos do mar Morto, representam um merismus topográfico, realçando a totalidade da “cura” das águas. De leste a oeste, em toda a volta do lado, os pescadores estenderão suas redes para apanhar seus peixes.

A presente expressão, miStôah lahãrãmim, “um lugar para estender as redes”, expressa um sentido diferente de hãrãmim em 26.5, 14. No texto anterior, a imagem das redes estendidas havia servido como um aviso de julgamento para Tiro; a cidade será reduzida a uma rocha desnuda onde os pescadores secarão suas redes. Aqui, a figura simboliza bênção. Mas essas águas revividas são renovadas não só para a abundância da vida que elas sustentam, mas, também, para a variedade de suas espécies. De fato, o número de “suas espécies” (mînâh) vai rivalizar com o mar Grande (hayyâm haggãdôl), isto é, o Mediterrâneo. Pode-se vagamente imaginar um contraste maior do que esse entre o mar Morto e o mar Mediterrâneo.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 626-627.

 

 

4- Sobre os charcos lamaceiros com sal que não será restaurada (v.11).

 

Há ainda muitas controvérsias. Como a vida não se estende além das águas da salvação que fluem do Templo, talvez a morte continue nesses buracos salinos (Is 66.24; Jr 30.23,24; Ap 20.10). A descrição do Milênio em Isaías indica haver pecado e morte em escala reduzida, nascimento e envelhecimento (Is 65.20-23). Mas há quem afirme que esses charcos serão de grande utilidade para economia por causa da abundância das riquezas minerais, até para o tempero, como o sal para os sacrifícios (Ez 43.24), mas não há unanimidade sobre nenhum desses pensamentos.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Sobre os charcos lamaceiros com sal que não serão restaurados, há ainda muitas controvérsias. Mas os seus charcos e os seus pântanos não se tornarão saudáveis; serão deixados para o sal. Por mais estranho que isso possa parecer, ou seja, a bênção não ser total, o que acontece é que a vida não se estende além das águas da salvação que fluem do templo; talvez a morte continue nesses bolsões salinos (Is 66.24; Jr 30.23, 24; Ap 20.10).

A descrição do milênio em Isaías indica haver pecado e morte em escala reduzida, nascimento e envelhecimento (65.20-23). Mas há quem afirme que esses charcos serão de grande utilidade para a economia por causa da abundância das riquezas minerais, até para o tempero, como o sal para os sacrifícios (43.24), mas não há unanimidade sobre nenhum desses pensamentos.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 142.

 

 

A área do mar Morto era (é) uma fonte de sal e de outros minerais; caso se tornasse água doce, haveria perda. Para evitar isto, as águas vivas não tocam certos pântanos, e as águas estagnadas e, por issó, são fonte de sal e de outros minerais. O autor não se preocupa em informar a porcentagem das águas que ficariam salgadas, mas entendemos que seria o suficiente. A metáfora espiritual não precisa de detalhes precisos. Este versículo ensina que Deus supre todas as necessidades, de todos os tipos, dependendo das circunstâncias de cada pessoa. Cf. Apo. 22.11.

Uma aplicação absurda é aquela do calvinismo extremo, que declara que é para vantagem divina que alguns homens permanecem nos seus pecados, porque Deus aproveita também esta situação (“Quem é injusto, faça injustiça ainda”; Apo. 22.11). As áreas salgadas não têm nada que ver com almas perdidas. Também não falam de hereges e apóstatas. Aprendemos, em vez de tais absurdos, que:

O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3355.

 

 

Mas o guia informa Ezequiel a respeito das exceções desse notável quadro de vida. De acordo com o v. 11, a água nos pântanos {bissô’taw) e nos charcos (gèba’ayw) não se tomará doce. A região de pântanos da Lashon (Lisan, no árabe) que tem a forma de língua, a península saliente no mar, a partir da margem oriental, onde a água é pantanosa demais para os peixes, apresenta-se como o candidato mais provável para tais obscuros reservatórios de água.

A preservação de alguns bolsões de salinidade é intencional, reconhecendo-se o benefício econômico de alguns minerais encontrados tanto no mar Morto como ao redor dele. O sal (melah) não é apenas um valioso tempero e um agente preservador; a palavra funciona genericamente para uma ampla cadeia de substâncias químicas extraídas do mar.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 627.

 

 

SINOPSE III

 

A abundância de árvores como resultado das bênçãos das águas purificadoras na região do Mar Morto é a prova da nova realidade milenial.

 

 

AUXILIO TEOLÓGICO

SARANDO O MAR MORTO

 

”[47.8,9] – O vale do Jordão é a depressão geológica na qual o mar Morto se encontra. Esse mar tem uma água tão salgada que não há vida nela. As águas que vinham do altar desaguavam no mar Morto, sarando-lhe, de modo que a vida era novamente possível nele. Esta é outra característica da água que flui do Templo de Deus; ela dá vida. O poder de Deus pode transformar-nos, não importa quão apáticos ou corruptos possamos ser. Seu poder pode curar até mesmo aqueles que se sentem confusos e sem esperança” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1084).

 

 

CONCLUSÃO

 

As águas terapêuticas do rio da visão de Ezequiel saem de debaixo do umbral e as águas cristalinas que saem do trono de Deus e do Cordeiro, em Apocalipse, apontam para Cristo e o Espírito Santo. É significativa a presença do rio no Éden, no princípio. No relato da criação e do rio da vida no mundo vindouro, o rio da visão de Ezequiel fica entre eles, ou seja, entre o primeiro e o último. Vemos, em tudo isso, a restauração escatológica da terra e a efusão do Espírito sem medida.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Onde nasce o rio das águas vivificadoras?

O rio flui debaixo do umbral do templo (Ez 47.1).

 

2- Por que o cicerone celestial contornou o novo templo com Ezequiel?

Porque a porta oriental estava fechada: “Esta porta estará fechada, não se abrirá; ninguém entrará por ela, porque o Senhor, Deus de Israel, entrou por ela; por isso, estará fechada” (44.2).

 

3- O que significa ”imerso nas águas” ou ”cheio do Espírito Santo”?

Ser cheio do Espírito Santo é uma expressão que indica estar o cristão nos domínios do Espírito (At 4.8; Ef 5.18).

 

4- O que significa o surgimento de ”abundância de árvores” numa terra estéril?

Resultado das bênçãos das águas vivificadoras.

 

5- O que acontecerá com as águas do Mar Morto com a chegada das águas vivificadoras?

A chegada das águas vivificadoras do templo revive o mar Morto e o resultado é a grande multiplicidade de peixes como no mar Mediterrâneo, o ”mar grande” (v.10).

 

 

VOCABULÁRIO

 

Charcos: Água parada, rasa, suja e lodacenta que se espalha no chão.

 

Cicerone: Pessoa (normalmente profissional) que mostra e explica a visitantes ou a turistas os aspectos importantes ou curiosos de determinado lugar, guia.

 

Salitrosos: Que contém muito salitre (Nitrato de Potássio).

 

Sulfurosas: Diz-se de ou ácido que contém menos oxigênio que o sulfúrico (ácido usado na fabricação de fertilizantes, detergentes etc.).

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

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