13 LIÇÃO 1 TRI 2022 A LEITURA DA BÍBLIA E A EDUCAÇÃO CRISTÃ

 

13 LIÇÃO 1 TRI 2022 A LEITURA DA BÍBLIA E A EDUCAÇÃO CRISTÃ

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. ” (1 Tm 4.13)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

A leitura e o estudo da Bíblia fortalecem a fé e a comunhão com Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – 2 Tm 3.16 O estudo da Bíblia deve instruir o crente, expor e corrigir o erro

 

Terça – 1 Pe 1.25 A Bíblia é a fonte de autoridade permanente

 

Quarta – Mt 28.19,20 A Bíblia nos ordena a evangelizar e a ensinar

 

Quinta – SI 1.2 O cristão deve ler diariamente a Bíblia

 

Sexta – Ef 4.13 A leitura da Bíblia conduz o crente a tornar-se parecido com Cristo

 

Sábado – Jo 14.26 0 Espírito Santo abre o entendimento para compreensão da Bíblia

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Timóteo 4.6-16

 

6 – Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido.

 

7 – Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade.

 

8 – Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.

 

9 – Esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação.

 

10 – Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis

 

11 – Manda estas coisas e ensina-as.

 

12 – Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, no amor, no espírito, na fé, na pureza.

 

13 – Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá.

 

14 – Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério.

 

15 – Medita estas coisas; ocupa-te nelas, para que 0 teu aproveitamento seja manifesto a todos.

 

16 – Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.

 

 

Hinos Sugeridos: 306, 505, 556 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

Nosso objetivo nesta lição é mostrar a importância da Bíblia como uma ferramenta de ensino-aprendizagem para a vida. Como praticar a Palavra de Deus sem antes compreendê-la? Por isso, mais do que ler, é vital estudar as Sagradas Escrituras, que é apta para ensinar, para redarguir, para corrigir e para nos instruir em toda a justiça (Cf. 2 Tm 3.16). Que os nossos alunos compreendam que, independente do seu tempo de conversão, precisamos continuar aprendizes do Mestre dos mestres por toda a caminhada cristã, através do estudo de sua Palavra. Portanto, a Escola Dominical é, além de um a dádiva e privilégio, uma necessidade para todo cristão.

 

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

  1. A) Objetivos da Lição:
  2. I) Frisar que o crente precisa estudar a Bíblia até a volta de Cristo;
  3. II) Evidenciar que a busca do Espírito Santo é primordial para a compreensão correta das Sagradas Escrituras;

III) Enfatizar a importância da Escola Dominical para todo cristão e Explicar que a leitura bíblica deve ser uma disciplina diária na vida do crente.

B) Motivação: Deus se revela gloriosamente através da sua Palavra. Quem deseja conhecer e prosseguir em conhecer ao Senhor precisa estudar a Bíblia e buscar o Espírito Santo que a inspirou, pois sem Ele todo conhecimento é vão.

C) Sugestão de Método: Escolha uma pessoa com um testemunho marcante envolvendo a relevância da Escola Dominical em sua caminhada cristã. Pode ser a respeito de uma experiência de conversão, batismo no Espírito Santo, evangelização, libertação, alguma descoberta que, através do estudo em classe, a libertou do jugo de um pecado ou acusação. As possibilidades são inúmeras. Conclua reforçando a importância deste espaço de aprendizado e crescimento espiritual que Deus nos proporciona através da Escola Dominical.

 

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

  1. A) Aplicação: Encoraje sua classe a iniciar um estudo bíblico devocional. Além, evidentemente, de esforçar-se para nunca faltar à Escola Dominical. Inclusive, você também pode propor um grupo de apoio ou resgate aos irmãos que não têm conseguido ser assíduos às aulas. Reforce que o tempo de igreja ou quantidade de vezes que já lemos a Bíblia não nos isenta de permanecermos estudantes das Sagradas Escrituras. Jamais podemos perder a humildade e a capacidade de sermos aprendizes do Mestre dos mestres, Jesus.

 

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão: Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios às Lições Bíblicas. Na edição 88, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará um auxílio que dará suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “O que é a meditação bíblica? ”, que aprofunda o primeiro tópico, nos traz a reflexão do quanto a Palavra de Deus é uma fonte inesgotável de aprendizado, requerendo leitura e meditação constante até o fim da nossa jornada terrena;

2) O texto “ Porque estudar a Bíblia”, expande o terceiro tópico, enfatizando que devemos estudar a Bíblia regularmente, pois ela é a voz de Deus para nós.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

A Educação Cristã tem como finalidade a formação espiritual e o desenvolvimento do caráter do cristão. A Escola Dominical, dentre outros, é uma agência educadora no contexto da Igreja. A fonte para o ensino é a Bíblia Sagrada, autoridade suprema de fé e prática para o salvo em Cristo. A leitura e o estudo das Escrituras servem de base para o conteúdo programático a ser observado tanto em sala de aula como fora dela.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Educação Cristã tem como finalidade a formação espiritual e o desenvolvimento do caráter do cristão. A Escola Dominical (ED), dentre outros, é uma agência educadora no contexto da Igreja. A fonte para o ensino é a Bíblia Sagrada, autoridade suprema de fé e prática para o salvo em Cristo. A leitura e o estudo das Escrituras servem de base para o conteúdo programático da ED a ser observado tanto em sala de aula como fora dela. Seus principais objetivos são ganhar almas, desenvolver o caráter e preparar o salvo para o serviço cristão. Nesse propósito, enfatiza-se que seus alunos são instruídos e motivados à leitura e ao estudo da Bíblia e, sobretudo, a pautar suas vidas na autoridade das Escrituras Sagradas.

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

A China foi um dos primeiros países a possuir escola sistemática. Não eram construídos prédios escolares. O governo não provia escolas, apenas controlava o ensino. De três em três anos era preparado um exame de primeiro grau, que durava um dia. Meses mais tarde realizava-se o exame de segundo grau; o aluno deveria conhecer toda a obra de Confúcio. O grau máximo de ensino, o terceiro grau, era realizado em Pequim, capital da China. O aluno recebia o grau de Mandarim.

Enquanto o ideal da educação chinesa era o da humildade, o indivíduo devia conservar a educação recebida e passa-la a seus filhos. O ideal da educação grega era o da beleza do corpo e do espírito. Ginástica para o corpo e música para o espírito. A instrução musical consistia no ensino da literatura e da música nacionais. O objetivo era desenvolver o espírito de lealdade à pátria.

A educação romana era inteiramente ministrada em família. O pai tinha poder ilimitado sobre os filhos e era responsável por sua educação moral, cívica e religiosa. Não existiam escolas, mas o jovem romano devia aprender a reverenciar os deuses, a ler e conhecer as leis de seu país. O ideal da educação romana era o militar. Ser um herói era o desejo de todo jovem romano.

O Cristianismo surgiu trazendo um novo sopro de vida em um mundo cujos costumes se haviam corrompido. As escolas começaram a surgir ao lado dos conventos e das igrejas.

Era ensinado, além das doutrinas da igreja e das Escrituras, gramática, dialética, retórica, geometria, aritmética, música e astronomia. A gramática consistia no estudo do (‘conteúdo e das formas literárias. A dialética reduzia-se à lógica formal, enquanto a retórica compreendia o estudo das regras e dos métodos de composição literárias em prosa e verso. A geometria compreendia a atual geografia, história natural e botânica. A aritmética consistia simplesmente de cálculos práticos do dia-a-dia. E a música não passava de um conjunto de regras sobre canções sacras, teoria do som, e relação entre a harmonia e os números.

EDUCACAO CRISTA. IBADEP – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus no Estado do Paraná. 1 Ed Maio/2001.

 

 

Palavra-Chave: ESTUDO

 

 

I – A BÍBLIA É O LIVRO TEXTO DA ESCOLA DOMINICAL

 

 

1- O currículo adotado.

 

A Escola Dominical (ED) é por excelência “ ensino bíblico ”. As revistas que integram o currículo são de Lições Bíblicas. A Bíblia é o livro base para todo o seu ensino-aprendizagem (Jo 5.39). O currículo da ED preserva a autoridade suprema da Palavra de Deus como única regra infalível de fé e prática (2 Tm 3.14-17). Em vista disso, as doutrinas bíblicas reproduzidas no material didático servem como padrão para o viver diário e a formação do caráter cristão (Sl 119.105). O conteúdo expressa a ortodoxia professada pelas Assembleias de Deus, contribui para manter a unidade doutrinária da igreja e atua como antídoto contra as heresias.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O vocábulo curriculum é de origem latina e significa “pista de corrida”. Era um caminho ou uma trilha que orientava o corredor até o seu objetivo final. O renomado teólogo e educador Antônio Gilberto apresenta a seguinte definição para currículo: “É um grupo de assuntos constituindo um curso de estudos, planejado e adaptado às idades e necessidades dos alunos. Em outras palavras, são os meios educacionais adotados, visando aos objetivos do ensino”.

Nesse diapasão, o referido autor estabelece as seguintes considerações sobre o currículo da ED:

(1) Deve abranger os principais assuntos bíblicos necessários ao conhecimento e à experiência do crente; (2) Tal currículo deve ser devidamente dosado, visando ao desenvolvimento de uma vida cristã ideal e uma personalidade cristã que em tudo honre a Cristo, perante a Igreja e o mundo; (3) Deve ser um currículo graduado, mas também, ao mesmo tempo inter-relacionado, por ser a vida cristã um todo indivisível.

Nessa concepção, um bom currículo é o resultado de um trabalho organizado e meticulosamente planejado. Na elaboração do currículo da ED, observa-se sua conformidade com as doutrinas bíblicas, um programa completo e abrangente de ensino das Escrituras e atividades de aprendizagem com aplicação das verdades aprendidas. Ao contrário disso, escreve Antônio Gilberto, “um simples conjunto de lições bíblicas sem sequência continuada, sem relacionamento entre si e sem levar em conta os agrupamentos de idade, não pode ser chamado de currículo, e não atingirá o alvo desejado no ensino da Palavra”.

Visando alcançar tais objetivos, a ED prima pela excelência do “ensino bíblico”. As revistas que integram o currículo são de lições bíblicas. A Bíblia é o livro base para todo o seu ensino aprendizagem (Jo 5.39). O currículo da ED preserva a autoridade suprema da Palavra de Deus como única regra infalível de fé e prática (2 Tm 3.14-17). Em vista disso, as doutrinas bíblicas reproduzidas no material didático servem como padrão para o viver diário e a formação do caráter cristão (Sl 119.105). O conteúdo expressa a ortodoxia professada pelas Assembleias de Deus, contribui para manter a unidade doutrinária da igreja e atua como antídoto contra as heresias.

As Características do Currículo da Educação Cristã

O currículo utilizado pela Educação Cristã em seus vários departamentos, embora tecnicamente idêntico ao das escolas seculares, possui algumas particulares que não podem jamais ser ignoradas pelo magistério eclesiástico. Nosso currículo tem de ser bíblico, evangélico, profético, devocional, e tem de levar o cristão a ser um membro útil da sociedade, a fim de que, através de seu testemunho, possa glorificar o nome de Deus.

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

Procedente do latim, a palavra currículo significa literalmente correr. Significa também atalho e corte. Por que, em didática, veio esta palavra adquirir uma conotação tão particular? Talvez em razão de descrever a trajetória de um aluno durante sua formação escolar. Uma corrida cheia de conteúdos que, bem definidos e encadeados, conduzem o educando a um fim desejado.

Antônio Gilberto, um dos maiores educadores cristãos do Brasil, assim define o currículo: “E um grupo de assuntos constituindo um curso de estudos, planejado e adaptado às idades e necessidades dos alunos. Noutras palavras: é um meio educacional para atingir os objetivos do ensino”.

O currículo pode ser definido também como a soma dos resultados da aprendizagem planejada e alcançada por uma instituição de ensino.

Não podemos chamar de currículo uma única matéria, nem diversas matérias sem afinidades ou sem encadeamento lógico entre si. O currículo, para fazer jus a esta nomenclatura, tem de se constituir num grupo de matérias ideologicamente orientadas, e que visem a formação integral do aluno na área do conhecimento por ele escolhida. Em seus Princípios Básicos de Currículo e Ensino, leciona a professora Dalila Sperb: “Currículo é tudo que acontece na vida de uma criança, na vida de seus pais e seus professores. Tudo que cerca o aluno, em todas as horas do dia, constitui matéria para o currículo. Currículo é o ambiente em ação. Currículo também significa planejamento de aprendizagem”.

Um currículo bíblico

Evangélicos, temos a Bíblia Sagrada como a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus — nossa única regra de fé e prática.

Como não poderia deixar de ser, os currículos de todos os departamentos da Educação Cristã têm de ser, necessariamente, bibliocêntricos. Ou seja: haverão de ter a Bíblia como a autoridade final e máxima. Nenhum a orientação filosófica, ideológica e até mesmo teológica pode estar acima da Palavra de Deus. Ela é soberana!

Um currículo evangélico

Além de bíblico, nossos currículos apresentarão o Senhor Jesus como o Salvador da humanidade. Se não o fizerem, embora bíblicos, estarão incompletos. Há currículos bíblicos vazios do Evangelho. O que dizer dos utilizados pelos judeus? São bíblicos? Todavia, com batem a doutrina evangélica, por desconsiderarem a Jesus como o Filho de Deus e o Messias de Israel.

Que os nossos currículos mencionem a obra de Cristo no Calvário e a sua eficácia na transformação completa do homem numa nova criatura!

Um currículo profético

Nossos currículos, para serem completos, têm de ser igualmente proféticos. Falarão à nossa geração, reconduzindo-a a Deus, e mostrando-lhe as reivindicações da Bíblia Sagrada. Apesar de técnicos, não devem estar mumificados num a escolástica irrelevante e especulativa; têm de ser vivos.

Os currículos da Educação Cristã não podem se limitar à correção bíblica e evangélica; têm de ser relevantes e proclamar a Cristo à nossa geração. Há currículos que, apesar de biblicamente perfeitos e evangelicamente corretos, não possuem a suficiente unção do Espírito Santo para mudar situações. A pergunta, aqui, faz-se inevitável: a Bíblia, por si mesma, já não é suficiente? Todavia, se não for proclamada na unção do Espírito de Deus, pouca diferença fará em nossa sociedade. Haja vista a Igreja Católica e não poucas igrejas protestantes que, embora tenham a Bíblia, da Bíblia se divorciaram. Elas não possuem o poder de João Hus, Savonarola e Martinho Lutero. Os fariseus também se diziam repositórios das Sagradas Escrituras; todavia, por causa de suas entediantes tradições, eram desprovidos da autoridade divina para transmitir a mensagem das Escrituras à sua geração.

Por conseguinte, não permitam os que a tecnicidade do currículo acabe por sufocar-nos a relevância profética que a Palavra de Deus demanda de cada um dos componentes do magistério cristão. O currículo tem de ser tecnicamente perfeito; mas, que também seja profeticamente transformador.

Um currículo devocional

O currículo não pode ser apenas informador; tem de ser, acima de tudo, formador. Se o aluno sair da Escola Dominical, ou de um seminário bíblico, apenas mobiliado intelectualmente, a Educação Cristã não terá alcançado seus objetivos em relação a este educando; pois este terá de ser conduzido, pelo educador cristão, a manter uma estreita comunhão com o seu Salvador. Eis porque nossos currículos precisam estar com prometidos devocíonalmente com cada um dos membros do corpo discente.

Devocionalmente sadios, os educandos tornar-se-ão uma bênção tanto para as suas igrejas quanto para a sociedade.

Conclusão

Um currículo bíblico, evangélico, profético e devocional. Este é o grande desafio da Educação Cristã, cujo alvo supremo é conduzir o homem, através do Evangelho de Cristo, à perfeição espiritual. Não podemos, sob hipótese alguma, nos conformar aos currículos que, desprezando a Deus e menosprezando a supremacia de sua Palavra, dão mais valor ao intelecto do que à alma. E o resultado não poderia ser mais desastroso.

Que o objetivo de nossos currículos seja levar o homem a Deus, e que o homem seja transformado diariamente à imagem de Cristo, pelo Espírito Santo, conforme está declarado em 2Co 3.18. Se esta meta não for alcançada, falharemos em nossa missão de educadores. Por conseguinte, repensemos cada etapa de nossos currículos. E que este cuidado pedagógico resulte na salvação de milhões de preciosas almas.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Teologia da Educação Cristã. Editora CPAD. pag. 122-123; 129-132.

 

 

2- A prática pedagógica.

 

No contexto da Escola Dominical é muito importante observar a metodologia, bem como o objetivo a ser alcançado em cada lição. Desse modo, torna-se indispensável que o texto bíblico seja o referencial permanente da prática pedagógica. Nesse sentido, o ensino não deve ser limitado a “ transferência de conhecimento”, mas sobretudo, o estudo das verdades reveladas deve instruir, expor e corrigir o erro (2 Tm 3.16), a fim de produzir verdadeira transformação na velha natureza humana (Ef 4.22,23). A ED terá cumprido o seu papel educacional cristão quando for perceptível as mudanças na vida dos alunos que atestem o Novo Nascimento e o crescimento espiritual (1 Co 6.10-12).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A prática pedagógica é a expressão das atividades rotineiras que são desenvolvidas no âmbito da ED. É o somatório de todas as atividades planejadas com o intuito de possibilitar o processo educativo. As múltiplas dimensões da prática pedagógica compreendem, entre outros: a gestão, os professores, os alunos, a metodologia, o material didático, a avaliação e a relação professor aluno.

Destaca-se que uma boa prática pedagógica requer o comprometimento de todos, em especial, a capacitação e o preparo dos professores acerca de seus saberes e deveres. É responsabilidade do corpo docente planejar as aulas de acordo com o currículo estabelecido; dominar o assunto a ser ensinado; despertar e manter o interesse dos alunos.

Nesse aspecto, convém ressaltar a importância e o papel preponderante do professor da ED. A performance do corpo docente é fundamental para conquistar a atenção, manter a frequência e assiduidade dos alunos. Um professor despreparado ou desmotivado servirá de pedra de tropeço no processo ensino aprendizagem. Portanto, é da competência da gestão da ED a responsabilidade da escolha e o compromisso da capacitação dos professores. Nesse propósito, recomenda-se a promoção de eventos que possam contribuir na qualificação dos professores, tais como seminários teológicos, cursos de capacitação, congressos e conferências da ED. Nas atividades da igreja local, faz-se necessário conhecer as principais limitações a fim de propiciar atividades pedagógicas que possam equacionar as dificuldades e maximizar o ensino das Escrituras.

Nessa perspectiva, no contexto da ED, cabe aos gestores priorizar a excelência da prática pedagógica, e aos professores compete o “fazer pedagógico” com qualidade. Dentre outros aspectos, enfatizamos o uso de metodologia adequada às faixas etárias, bem como o objetivo a ser alcançado em cada lição. Desse modo, torna-se indispensável que o texto bíblico seja o referencial permanente da prática pedagógica. Nesse sentido, o ensino não deve ser limitado a “transferência de conhecimento”, mas, sobretudo, o estudo das verdades reveladas deve instruir, expor e corrigir o erro (2 Tm 3.16), a fim de produzir verdadeira transformação na velha natureza humana (Ef 4.22,23). A ED terá cumprido o seu papel educacional cristão quando forem perceptíveis mudanças na vida dos alunos que atestem o novo nascimento e o crescimento espiritual (1 Co 6.10-12).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

O Que É Pedagogia?

Pedagogia é uma ciência ou disciplina do ensino que começou a se desenvolver no século XIX. Popularmente a Pedagogia é vista como o modo de ensinar. Tem pedagogia quem ensina bem. Uma pessoa estuda ou se serve da pedagogia para ensinar melhor a matéria, a utilizar técnicas de ensino; desse modo, o pedagógico seria o metodológico.

Há muitas definições para o termo Pedagogia. Vejamos algumas delas:

A Pedagogia é a ciência ou disciplina cujo objetivo é a reflexão, ordenação, a sistematização e a critica do processo educativo. (Wikipédia)

A Pedagogia é a função ou trabalho do professor; ensino; a arte ou ciência de ensinar; métodos de instrução, (wiktionary)

A Pedagogia é a condução do saber; preocupa-se com o ato de ensinar e de aprender, (cefetpa)

A Pedagogia é a teoria que investiga a teoria e a prática da educação nos seus vínculos com a prática social global. (Libâneo,1994)

Pedagogo – Especialista em pedagogia; aquele que ensina crianças (wiktionary)

Objetivo Da Pedagogia

A pedagogia tem como objetivo principal a melhoria no processo de aprendizagem dos indivíduos, através da reflexão, sistematização e produção de conhecimentos. Como ciência social, a pedagogia está conectada com os aspectos da sociedade e também com as normas educacionais do país.

Para se compreender com mais profundidade o que é Pedagogia, é preciso explicar seu objeto de estudo, a educação ou prática educativa. Educação compreende o conjunto dos processos, influências, estruturas, ações, que intervêm no desenvolvimento humano de indivíduos e grupos na sua relação ativa com o meio social e natural, num determinado contexto de relações entre grupos e classes sociais, visando a formação do ser humano. A educação é, assim, uma prática humana, uma prática social, que modifica os seres humanos nos seus estados físicos, mentais, espirituais, culturais, que dá uma configuração à nossa existência humana individual e grupai. (J.C. Libâneo)

3) Temas Abordados Pela Pedagogia:

A pedagogia estuda diversos temas relacionados à educação, tanto no aspecto teórico quanto no prático.

Aprendizado de conhecimentos

Métodos e sistemas pedagógicos

Dificuldades de aprendizado

Didáticas e práticas pedagógicas

Conteúdos educacionais

O aluno no processo educativo

O papel do professor no processo educacional

CETADEB – Centro Educacional Teológico das Assembleias de Deus no Brasil. pag. 13-15.

 

 

3- O padrão ético e moral.

 

A Bíblia é a principal fundamentação para a ética e a moral cristã. O texto bíblico é divinamente inspirado e, portanto, permanece inalterado (Mt 24.35). Os valores cristãos são permanentes, pois sua fonte de autoridade é imutável (1 Pe 1.25). Em suma, a Palavra de Deus não pode ser relativizada, revogada ou ajustada aos interesses humanos (Is 40.8). Assim, no propósito de cumprir o seu papel de instituição educadora, a Escola Dominical também atua como multiplicadora dos princípios éticos e dos valores morais da fé cristã. A Igreja que zela pelo ensino sólido das Lições Bíblicas não é influenciada pelo erro, mas estabelece o padrão moral e ético a ser observado pelos cristãos (1 Tm 4.6; 2 Tm 3.10).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Historicamente o conceito de ética surgiu na Grécia antiga (IV século a.C.). Quando os códigos ainda não estavam escritos e positivados, a própria consciência estabelecia a ética a ser observada (Rm 2.14-15). A palavra “ética” possui origem no vocábulo grego ethos (costumes ou hábitos). No latim é usado o termo correspondente mos (moral), com o sentido de “normas” ou “regras”. Assim, “ética e moral referem-se ao conjunto de costumes tradicionais de uma sociedade e que, como tais, são considerados valores e obrigações para a conduta de seus membros”.

Esses termos são muito próximos e na práxis diária são confundidos como sinônimos. Porém, didaticamente é possível defini-los separadamente:

A ética trata dos princípios e valores que orientam a conduta de uma pessoa. A moral é a prática dessa conduta ética. A ética trata dos princípios e a moral da prática baseada nesses princípios. Sendo assim, ética e moral não são a mesma coisa, mas estão conectadas – ética e moral são como a teoria e a prática. Por exemplo, se eu tenho um princípio ético que me orienta a dizer a verdade, minha conduta moral será mentir ou não.

Nesse enfoque, a ética cristã tem como objetivo indicar a conduta ideal para a retidão do comportamento humano. O fundamento da ética e da moral cristã são as Escrituras Sagradas. Desse modo, a ética cristã não pode ser desassociada da moral e dos bons costumes preconizados nas doutrinas bíblicas. É verdade que não se pode desprezar a tradição da Igreja, as leis civis e criminais, as variadas literaturas e nem tampouco os bons costumes adotados pela sociedade, entretanto, para o cristão, toda e qualquer prática e conduta precisa passar pelo crivo e pelo aval da Palavra de Deus (Hb 4.12).

Por conseguinte, o texto bíblico é divinamente inspirado e, portanto, permanece inalterado (Mt 24.35). Os valores cristãos são permanentes, pois sua fonte de autoridade é imutável (1 Pe 1.25).

Em suma, a Palavra de Deus não pode ser relativizada, revogada ou ajustada aos interesses humanos (Is 40.8). Assim, no propósito de cumprir o seu papel de instituição educadora, a ED também atua como multiplicadora dos princípios éticos e dos valores morais da fé cristã. A Igreja que zela pelo ensino sólido das lições bíblicas não é influenciada pelo erro, mas estabelece o padrão moral e ético a ser observado pelos cristãos (1 Tm 4.6; 2 Tm 3.10).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

MORALIDADE

A base dessa palavra é o termo mos (Moris), ccstume», «vontade», «uso», A ela corresponde a palavra ética, que vem do grego, éthos, um virtual sinônimo de mos. Naturalmente, a moralidade difere, dependendo de cada individuo, e não segue, necessariamente, meros costumes, hábitos ou volições pessoais, conforme a palavra indica, literalmente.

  1. Alguns fil6ósofos e teólogos consideram a moralidade como algo natural e humano, objetando às ideias que falam sobre alguma mente divina ou cósmica que controlaria a moralidade. Isso corresponde à ética relativa ou ética situacional. Essa é uma moralidade a posteriori,
  2. A moralidade também poderia ser considerada a priori, isto é, dependente de regras que antecedem à experiência, presumivelmente alicerçadas sobre fontes extra-humanas ou sobre-humanas. Esse tipo de moralidade equivale à ética rigorosa ou formal, segundo a qual os homens não estabelecem as regras, mas são obrigados a obedecer às mesmas. Fichte (vide) emprestava à consciência moral um primado tal que ele alicerçou as suas ideias metafisicas sobre a mesma. O categórico imperativo de Kant, segundo ele, seria por demais rigoroso, e não dependente das circunstâncias. Esse categórico imperativo apresenta uma regra geral e absoluta: «Faze somente aquilo que gostarias que se tomasse uma lei universal».
  3. Também existe a moralidade das coisas boas. Essas coisas, embora não reputadas absolutas, são estáveis. Assim, a moralidade não seria algo absolutamente fixo, mas seria estável. As coisas boas valorizadas hoje, serão as mesmas coisas boas valorizadas amanhã. Após longos períodos de tempo, entretanto, poderá haver alguma leve modificação.
  4. Poderíamos conceber que a moralidade é derivada do processo evolutivo, e não de poderes divinos, uma variante da primeira possibilidade, acima. As leis morais seriam estabelecidas mediante a experiência, a necessidade e o uso costumeiro.
  5. Nietzche ensinava que há dois tipos de moralidade: a moralidade do senhor e a moralidade do escravo. Seriam meras conveniências sociais, e não, necessariamente frutos da vontade de qualquer força divina.
  6. Apesar de que ética e moralidade são sinônimos, alguns fil6sofos, como Santayana (vide), fazem distinção entre uma coisa e outra. Ele considerava a ética como uma disciplina racional. Mas para ele a moralidade nada era senão costume ou hábito, sujeito a desenvolvimento e modificações. Ele distinguia entre formas pré-racionais e p6s-racionais de moralidade.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 356.

 

 

Imutabilidade,

entretanto, não é a única característica divina necessária para uma ética cristã sistemática. Soberania é até mais importante.

Na filosofia platónica, os princípios da ética, embora diferenciem em detalhes daqueles do Cristianismo, são suficientemente imutáveis. Mas Deus, o criador do céu e da terra, não é soberano, segundo Platão; acima de Deus está um imutável Mundo de Idéias ao qual até ele deve se submeter.

Em tempos modernos, o ponto da questão é exemplificado na filosofia de Leibniz. Sua famosa frase de que esse é o melhor de todos os possíveis mundos, uma frase que o Candide de Voltaire ridiculariza com força brutal, depende do conceito de que vários possíveis mundos existam numa espécie de forma projetada independentemente de Deus. Porque Deus é bom, ele naturalmente escolheu o melhor projeto no tempo da criação. Entretanto, o mundo atual é o melhor possível. Esse segue exatamente Platão que, em seu Euthyphro, afirmou que o bem não é bom porque Deus o aprova, mas que Deus o aprova porque ele é antecedente e independentemente bom.

O filósofo judaico Filo, que viveu no tempo de Cristo, embora profundamente influenciado por Platão, fez uma alteração que mudou completamente a teologia platônica e a leibniziana. Essa alteração consistiu em tornar Deus supremo e colocar o Mundo das Ideias na mente de Deus. Filo escreveu: “Deus tem sido classificado conforme o único e a unidade; ou melhor, mesmo a unidade tem sido classificada conforme o único Deus para sempre, como tempo, que é mais jovem que o cosmos.” Nesta citação, Filo sujeita a matemática ao pensamento ativo de Deus. Similarmente, Deus não fará o bem porque o bem é independentemente bom, mas pelo contrário, o bem é bom porque Deus o quis.

Para o mesmo efeito, Calvino (Institutas, I, xiv, 1) escreveu: “Agostinho queixa-se justamente que é uma ofensa contra Deus perguntar por alguma razão de coisas maiores que a vontade dele.” Mais tarde (III, xxii, 2) ele diz: “quão excessivamente presunçoso é pesquisar somente dentro das causas da vontade Divina, a qual é de fato e é justamente denominada, ser a causa de tudo que existe. Se existe uma causa deve ser algo antecedente, visto que dela depende e é ímpio supor. A vontade de Deus é a maior regra de justiça, de modo que ele deve ser considerado justo devido a estas muitas razões e porque ele quer isso.”

A soberania de Deus é a chave para o problema básico da ética. Por que alguma coisa é boa, correta ou obrigatória? Nem utilitarismo, nem pragmatismo, nem sentimentalismo podem dar uma resposta racional. Calvino dá a resposta em linguagem muito precisa: “a vontade de Deus é a maior regra de justiça; de modo que ele deve ser considerado justo devido a esta razão e porque ele quer isso.” Deus estabelece as normas morais por decreto de soberania.

Que este princípio permeia a Bíblia, pode facilmente ser visto. Sem dúvida, o cristão espera que algo extemo a Deus o obrigue ou o induza a criar um certo número de satélites solares em vez de um número diferente. Deus poderia ter criado água com um ponto diferente de congelamento. Similarmente, não houve causa externa na sua escolha no detalhe do ritual mosaico. Ele não poderia ter desejado que o Tabernáculo tivesse sido hexagonal em vez de retangular? Semelhantemente, ele não poderia ter imposto ao homem outros mandamentos em vez dos Dez? Foi simplesmente decisão dele ter um Sábado a cada semana em vez de dois? Ou ele não poderia ter criado o mundo em cinco dias e ter feito um quarto mandamento diferente para colocá-lo no sexto dia da semana? Não é devido a vontade de Deus que os homens diferem dos animais e não poderiam os homens terem sido feitos de tal forma que, nesse caso, o sexto, o sétimo e o oitavo mandamentos não se aplicariam?

A onipotência e a soberania de Deus, como o conceito controlador do Cristianismo, resolve os problemas de toda esfera. O poder de Deus é a resposta às objeções científicas contra os milagres; sua vontade é a autoridade para o governo civil e a chave para a ciência política; e, similarmente, seus preceitos constituem a ética. O bem ou o correto não é o desejo do maior número a ser determinado por um cálculo impossível; o certo ou a justiça é o que Deus manda, e ambos devem ser descobertos pela leitura da Revelação escrita. As sanções não são as de Bentham, nem é a virtude sua própria recompensa; pelo contrário, Deus impõe a obrigação moral pelo gozo no céu e sofrimentos no inferno. Aqui está uma consistência lógica única ou pelo racionalista Leibniz ou pelo emociona- lista Stevenson; aqui está um detalhe prático fora do secularismo; aqui estão as sanções das quais Stalin e Hitler não poderiam escapar. Assim é a ética cristã.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 627-628.

 

 

SINÓPSE I

A Escola Dominical é um espaço de incentivo ao estudo e prática das Sagradas Escrituras. Por tanto, um local de crescimento espiritual tanto individual quanto coletivo.

 

 

II – A EDUCAÇÃO CRISTÃ E A FORMAÇÃO DE LEITORES DA BÍBLIA

 

 

1- Conceito de Educação Cristã.

 

A palavra “Educação” vem do Latim “educare”, que significa literalmente “guiar”, “instruir”, “conduzir” para fora. No texto do Novo Testamento, destaca-se a palavra grega paideia com o sentido de “instrução”. O Dicionário Bíblico Wycliffe assegura que, quando aplicada às crianças, a palavra tem sentido de treinamento e correção (Hb 12.5-11); no caso de adultos, se refere ao que desenvolve a alma, corrigindo erros e controlando as paixões (2 Tm 3.16). Em virtude disso, a Educação Cristã se fundamenta na revelação divina, seu livro texto é a Bíblia e a sua ocupação é o ensino sistemático e contínuo das doutrinas bíblicas (Mt 28.20; At 15.35; Cl 1.2 8 ,2 Tm 2.2).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

As palavras “educação” e “educar” vêm do latim educare, que significa literalmente “guiar”, “levar”, “tirar de”, “retirar”, “conduzir para fora”. No texto do Novo Testamento, entre outros, destaca-se o emprego da palavra grega paideia, com o sentido de “instruir”, “formar”, “ensinar” e “educar”. Na Grécia Antiga, a paideia referia-se tanto ao modo como à meta da educação. O Dicionário Bíblico Wycliffe assegura que, quando aplicada às crianças, “abrange todo o cultivo da mente e da moral e o emprego de ordens, admoestações e censuras com o objetivo de treinamento e correção” (Hb 12.5-11); e, no caso de adultos, “se refere aquilo que desenvolve a alma, corrigindo erros e controlando as paixões (2 Tm 3.16)”.

Em termos gerais, a educação é um processo contínuo de desenvolvimento e aperfeiçoamento do ser humano. No sentido formal, designa o ensino como um sistema que compreende tanto a teoria quanto a prática. No aspecto da Educação Cristã, entendemos que ela começa por Deus: “É Ele quem prescreve o que deseja que saibamos e nos ensina por meio de sua Palavra, a fim de vivermos, por graça, à altura do privilégio de nossa filiação”.

O Dicionário Teológico corrobora com essa definição nos seguintes termos: “programa pedagógico que, tendo por base a Bíblia Sagrada, visa ao aperfeiçoamento espiritual e moral dos que se declaram cristãos e daqueles que venham a entender o chamado do Evangelho de Cristo”. Em suma, a Educação Cristã molda o nosso viver segundo as Escrituras e produz crescimento e amadurecimento espiritual.

Nesse entendimento, reiteramos que o ensino-aprendizagem da Educação Cristã se fundamenta na revelação divina, cujo livro texto é a Palavra de Deus. No âmbito eclesiástico, especialmente na ED e no culto de doutrina, sua ocupação é o ensino sistemático e contínuo das doutrinas bíblicas (Mt 28.20; At 15.35; Cl 1.28, 2 Tm 2.2). Na esfera da sociedade civil, dedica-se à educação formal, como, por exemplo, colégios confessionais e instituições de ensino superior que oferecem formação acadêmica e intelectual com o embasamento e a práxis dos princípios cristãos (Mt 5.13-14; Rm 12.1-2).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

O que É a Teologia da Educação Cristã

Antes de buscarmos um conceito para a Teologia da Educação Cristã, é imprescindível que compreendamos satisfatoriamente dois termos: teologia e educação. Sobre eles, estaremos construindo a parte mais importante de nossa propositura; são os elementos básicos de nossa exposição.

  1. Teologia

Esta palavra é formada por dois vocábulos gregos: Theos, Deus e logia, estudo ou tratado. Etimologicamente, o termo teologia significa estudo de Deus. Desde que a palavra foi criada pelo grego erécides, seu conceito vem desdobrando-se e ramificando-se com respeitável abrangência. Acredita-se que uma das mais completas definições de teologia seja a do eminente pastor metodista William Burton Pope: “E a ciência de Deus e das coisas divinas, baseada na revelação feita ao homem por meio de Jesus Cristo e sistematizada em seus vários aspectos no âmbito da Igreja Cristã”.

Por conseguinte, a teologia, quando biblicamente conservadora, é a mais elevada reflexão acerca de Deus e de suas relações com o homem. Tendo como base este parâmetro, estaremos considerando as principais implicações da educação essencialmente cristã do ser humano, de acordo com a urgência que nos deixou o Senhor Jesus em sua Grande Comissão (M t 2 8 .1 9 ,2 0 e At 1.8).

  1. Educação

Procedente do vocábulo latino educatione, a palavra educação significa etimologicamente extrair. Em termos pedagógicos, educar pressupõe o desenvolvimento pleno das faculdades físicas, intelectuais, morais e espirituais do ser humano, implicando mudanças de comportamento no educando em virtude da educação recebida.

O conceito de educação tem variado de pedagogo para pedagogo. De acordo com Spranger, “a educação é uma realidade humana que se tem realizado por si mesma desde os mais primitivos tempos, embora sem teoria manifesta”. Para John Dewey, “o que a nutrição e a reprodução são para a vida fisiológica, é a educação para a vida social”. E m seus Princípios de Pedagogia, Petersen escreve: “A educação existe e ocorre tão originariamente, como a vida e suas funções existem e se realizam. Educar pertence, pois, ao ser do homem de maneira original e inseparável. A educação é algo dado, é uma função do que existe, da realidade”.

Os conceitos acima são basicamente utilitários; limitam-se a descrever a educação como um instrumento cuja única meta é tornar o ser humano um membro produtivo à sociedade. Seria este, porém, o principal alvo da educação? Com o alguns teóricos a definem, deixam eles a impressão de que a educação não passa de uma forma de escravizar o homem em benefício de um Estado opressor e totalitário. H aja vista os sistemas educacionais da Alemanha de Hitler e da Rússia de Stalin.

Atentem os aos sublimes ditames das Sagradas Escrituras, e haverem os de constatar que a verdadeira educação não é utilitarista; baseada nos profetas hebreus e nos apóstolos de Nosso Senhor, visa levar o homem a amar a Deus acima de todas as coisas e ao seu próximo com o a si mesmo. Aliás, estes são o s dois principais mandamentos da Lei Divina. Se o homem não aceita o plano de Deus para a sua vida, nenhuma educação será capaz de torná-lo benéfico à sociedade.

A educação não é um mero acúmulo de informações. É formação integral do indivíduo. O que dizer daqueles que, apesar das informações armazenadas, não passam de ignorantes morais e pigmeus éticos? Alguns dos sequazes de Hitler detinham os mais cobiçados títulos acadêmicos da Europa; acham-se, porém, na galeria dos monstros da humanidade. Por outro lado, não são poucos os cristãos que, conquanto nenhuma escolaridade possuam, encontram -se perante Deus como, se dos homens, fossem os mais ilustrados. E m Provérbios, o temor do Senhor é descrito como o princípio da sabedoria (Pv 1.7).

  1. Educação Cristã

E a ciência magisterial da Igreja Cristã que, fundamentada na Bíblia Sagrada, tem por objetivos:

  1. a) A instrução do ser humano no conhecimento divino, a fim de que ele volte a reatar a comunhão com o Criador, e venha a usufruir plenamente dos benefícios do Plano de Salvação que Deus estabeleceu em seu amado Filho. O apóstolo Paulo compreendeu perfeitamente o objetivo da Educação Cristã: “Admoestando a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria; para que apresentemos todo homem perfeito em Jesus Cristo” (C l 1.28).
  2. b) A educação do crente; para que este logre alcançar a perfeição preconizada nas Sagradas Escrituras: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.1 6,17).
  3. c) A preparação dos santos} visando capacitá-los a cumprir integralmente os preceitos divinos da Grande Comissão: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 T m 2 .1 5 ).
  4. A Teologia da Educação Cristã

E a ciência teológica que tem por objetivo fundamentar biblicamente o magistério eclesiástico, ordenando sistematicamente suas conclusões, a fim de levar a Igreja, na capacitação do Espírito Santo, a refletir, a conscientizar-se e a cumprir plenamente sua missão pedagógica.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Teologia da Educação Cristã. Editora CPAD. pag. 13-16

 

 

A Educação Religiosa No Novo Testamento

A Educação Judaica. É notório a curiosidade de toda a criança saudável. Os famosos “por quês” muitas vezes nos irritam, mas também nos dão oportunidades para ensinar verdades preciosas a nossos filhos. O menino judeu crescia vendo os objetos e hábitos de seus pais, cujos significados espirituais lhes eram ensinados por determinação do próprio Deus (Dt 6.20; Js 4.6,7). Sabemos, pela História e pela tradição judaica, que ligada a cada sinagoga, havia uma escola elementar. Sua frequência era obrigatória. O menino judeu começava a sua educação religiosa e moral aos seis anos. Estudava a Lei, os Profetas, a poesia e a história do seu povo; aprendia também os ritos e as cerimônias. Dos dez ’aos doze anos de idade ele complementava sua educação religiosa estudando as interpretações orais da Lei e as tradições dos anciões, tal fato é comprovado na vida do judeu Saulo (At 22.3). Lucas 2. 46, 47 mostra Jesus entre os doutores da Lei e nos faz compreender que o menino Jesus frequentou tal escola. Aos treze anos o menino passava a frequentar a sinagoga, onde continuamente eram estudados a Lei e os Profetas. Alguém lia um texto e o explicava, linha por linha, como Jesus fez conforme Lucas 4.17-21.

Jesus – o Mestre. Não devemos confundir o ministério de Jesus, olhando-0 apenas como Mestre, esquecendo-nos que Ele é em primeiro lugar nosso Salvador e Senhor. Durante o Seu ministério, Jesus ensinava, pregava e curava (Mt 4.23). Jesus ensinava sempre que surgia oportunidade. Ele ensinava a poucos (Jo 3.3-21), ou a muitos (Mc 6.34); ensinava no Templo (Mc 12.35), nas casas (Mc 2.1,2), ou ao ar livre (Mt 5.1). Seus métodos eram os mais variados. Ele pregava sermões (Mt 5); usava ilustrações (Mt 5.13- 16); ensinava por parábolas (Mt 13.3), ou mesmo realizava um milagre para ensinar (Mt 12.9-13). Comumente os discípulos, os amigos e mesmo os inimigos, se dirigiam a Jesus chamando-0 Rabi ou Mestre. Ele mesmo declarou: “Vós me chamais o Mestre e o Senhor e dizeis bem; porque eu o sou.” (Jo 13.13). Devemos ensinar porque Jesus ensinava e porque Ele assim ordenou (Mt 28.19, 20). Se cuidarmos melhor da educação cristã de nossos filhos, e dos nossos convertidos, veremos nossos templos mais cheios e menos de nós choraremos pela salvação de nossos filhos adultos. Muitos se desviam, levados por ventos de doutrina (Ef 4.14), ou queimados pelo sol por falta de raiz espiritual (Mt 13.6), por falta de uma base sólida na Palavra de Deus.

O Ensino dos Apóstolos. Jesus ensinou em toda e qualquer ocasião àqueles que se dispunham a ouvi-lo. Além disso, Ele procurou treinar um grupo especial para ensinar: os apóstolos. Eles deveriam dar continuidade à Sua missão, “pregar o Evangelho do reino e ensinar a todas as nações”. Atos 2.42 diz que os novos crentes perseveraram na doutrina dos apóstolos. Isto acontecia porque eles a ensinavam. O livro de Atos dos Apóstolos é uma crônica na qual encontramos os apóstolos ensinando às ovelhas de Cristo. Paulo e Barnabé-estiveram| um ano em Antioquia (At 11.26), ensinando e preparando ensinadores que ali ficariam e ensinariam, enquanto o Espírito Santo os levasse a outras igrejas. Em Éfeso, Paulo esteve por três anos (At 20.31), e em Corinto ele permaneceu um ano e seis meses (At 18.11), ensinando a Palavra de Deus. Paulo foi, sem dúvida, o maior ensinador da Igreja Primitiva, mas os outros apóstolos também exerceram com êxito este precioso ministério. As epístolas são uma prova do quanto eles se preocupavam com o ensino da sã doutrina. As perseguições que tiveram início com a morte de Estevão, continuaram por três séculos. Durante este período, os pais da Igreja não cessaram de ensinar. Escondidos nas casas ou nas catacumbas de Roma, eles ensinavam aos que se convertiam ao Cristianismo. Depois de certo tempo, o ensino deixou de ser valorizado. Aos poucos os cristãos começaram a afastar-se dos ensinos de Cristo. A Igreja principiou a dar maior valor aos ritos e às tradições. Cristo passou a ser colocado em segundo plano, enquanto que métodos ensinados por Ele foram deixados de lado.

À Reforma, A História secular registra o grande evento da Reforma. Deus levantou homens como Lutero, para reconduzirem o Seu povo ao caminho da verdade. A Bíblia foi traduzida por Lutero e desde então muitos livros foram escritos para ajudar-nos a pôr em prática os ensinos de Cristo. Deus deixou bem claro o que deseja que façamos a este respeito. Em 2 Timóteo 2.2 está escrito: “E o que de minha parte ouviste… transmite a homens fieis e também idôneos para instruir a outros”. Esta é a nossa responsabilidade: ensinar e preparar ensinadores para que o reino de Deus continue a crescer.

Não é Conceito Novo. A educação cristã não é uma inovação, nem pretendemos que outra cousa seja ensinada além da verdade que Jesus ensinou. Usar os métodos e princípios modernos da educação é voltar ao modo de ensino de Jesus. Há muita semelhança entre os mais modernos métodos de pedagogia e a maneira simples, clara e objetiva de Jesus ensinar Suas preciosas verdades. Não é imitar os métodos seculares de educação. Ao contrário, o sistema usado atualmente nas escolas públicas foi copiado do método usado nas escolas de educação religiosa. Através dos anos foram surgindo várias organizações voltadas à educação religiosa: seminários, institutos bíblicos, escolas para aperfeiçoamento de obreiros, tornando-se verdadeiras escolas de profetas, procurando instruir homens fiéis para que pudessem ensinar a outros.

A Escola Dominical. Dentro de nossas igrejas, a Escola Dominical é a mais importante agência de educação religiosa. Homens, mulheres e crianças são levados a Cristo pela Escola Dominical e nela recebem alimento sólido para o bom crescimento espiritual. Além da Escola Dominical temos organizações especiais para jovens, Escola Bíblica de Férias para crianças, Círculo de Oração e estudo da Palavra, para senhoras, etc. Estes trabalhos precisam ser bem orientados para não perderem sua função educativa. Muita coisa ainda pode ser feita. Oremos para que Deus levante homens e mulheres e os capacite para o ministério do ensino. Que as nossas igrejas sintam o peso da responsabilidade que está sobre ela nesse sentido.

Lugar da Educação Cristã. A conversão é resultado da operação direta de Deus na alma do homem. A educação cristã não pode salvar ninguém, mas pode conduzir as pessoas ao conhecimento de Deus, tornando-se um canal para a operação da graça divina. A conversão não é um fim, mas o início de uma nova vida. O recém-nascido espiritual necessita crescer na “… graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo…” (2 Pe 3.18). A educação cristã favorece o seu perfeito desenvolvimento.

EDUCACAO CRISTA. IBADEP – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus no Estado do Paraná. 1 Ed Maio/2001.

 

 

2- Objetivos da Educação Cristã.

 

O Senhor Jesus confiou à Igreja a tarefa da Grande Comissão (Mt 28.19,20; Mc 16.15). Trata-se de uma ordenação proclamadora e de um mandato educacional. É responsabilidade dos discípulos de Cristo evangelizar e ensinar (1 Tm 4.13; 2 Tm 4.2). Nesse aspecto, a Escola Dominical desempenha com excelência o papel de agência educadora, porque a evangeliza enquanto ensina, atendendo os dois lados da ordem de Jesus. Nessa compreensão, o saudoso teólogo Antônio Gilberto enfatizava que são três os principais objetivos da Educação Cristã:

(a) Ganhar alma para Jesus (2 Co 12.15);

(b) Desenvolver a espiritualidade e o caráter cristão (G1 5.22); e

(c) Treinar o cristão para o serviço do Mestre (2 Tm 2.15).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O Senhor Jesus confiou à Igreja a tarefa da Grande Comissão (Mt 28.19-20; Mc 16.15). Nesse aspecto, o ensino cristão sempre esteve relacionado ao IDE estabelecido por Jesus. A incumbência é tanto de formação de indivíduos como de transformação da sociedade.

Trata-se de uma ordenança proclamadora e de um mandato educacional. É responsabilidade dos discípulos de Cristo evangelizar e ensinar as doutrinas bíblicas (1 Tm 4.13; 2 Tm 4.2).

Em vista disso, Paulo enfatiza a necessidade da dedicação ao ensino (Rm 12.7). O apóstolo aponta para o indispensável “esmero” e “diligência” da Igreja no exercício do dom de ensinar.

Desse modo, o ministério da Educação Cristã se reveste de notável importância, uma vez que, bem estruturado, pode cabalmente cumprir a missão ordenada à Igreja. Sua atividade é imprescindível no propósito de evangelizar e ensinar. Os agentes da Educação Cristã nas Assembleias de Deus são diversificados e possuem áreas de abrangência variadas, entre eles, ratifica-se o culto de ensino e a ED, e, ainda, acrescenta-se a obra evangelística e missionária, a formação teológica, bem como, já citado, a atuação por meio de uma escola de cunho confessional da educação básica ou de nível superior.

Nessa estrutura, destaca-se o papel de excelência da ED como maior agência de Educação Cristã, porque evangeliza enquanto ensina, atendendo os dois lados da ordem de Jesus: fazer discípulos e ensinar (Mt 28.19,20). Ao contrário do culto de doutrina, que reúne em um único auditório todas as faixas etárias, o currículo da ED merece destaque pela sua abrangência específica. Nesse mister, Antônio Gilberto enfatiza três principais objetivos da ED, a saber: (a) Ganhar almas para Jesus, o que requer dedicação para conduzir o aluno a aceitar a Cristo (2 Co 12.15); (b) Desenvolver a espiritualidade e o caráter cristão, o que engloba empenho na formação dos hábitos cristãos (Gl 5.22); e, (c) Treinar o cristão para o serviço do Mestre, o que demanda propiciar oportunidades para a capacitação de obreiros (2 Tm 2.2,15).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

O Ensino deve ter Objetivos Definidos

Os objetivos geram em torno do aluno: O que quero que ele sinta, que ele aprenda. Abaixo damos 7 pontos que o ensino bíblico deve visar de modo definido:

O aluno e suas relações com Deus. Is 64.8

O aluno e suas relações com o Salvador Jesus, Jo 14.6

O aluno e suas relações com o Espírito Santo, Ef 5.18. Mostrar para o aluno que o Espírito Santo convence, Jo 16.8; Regenera, Tt 3.5; Santifica, Rm 8.2; Ensina, Jo 14.26; Capacita para vencer, At 1.8; Guia, Jo 16.13.

O aluno e suas relações com a Bíblia, SI 119.105. Despertar no aluno o interesse de ler a Bíblia e aceita-la como a Palavra divinamente inspirada, 2 Tm 3.16.

O aluno e suas relações com a Igreja. At 2.44. Conhecer o propósito e missão da Igreja local.

O aluno e suas relações consigo mesmo, Fp 1.21; 3.13,4. Estar feliz, realizado consigo mesmo.

O aluno e suas relações com os colegas, Mt 12.31. Ser bom e justo. Respeitar o direito dos outros.

EDUCACAO CRISTA. IBADEP – Instituto Bíblico das Assembleias de Deus no Estado do Paraná. 1 Ed Maio/2001.

 

Educação Cristã

Origem e objetivos. Ideias e práticas educacionais começam com o nascimento da nação. Os estudos do AT têm há muito reconhecido uma dupla origem para Israel: o primeiro, começando com o chamado de Abraão e o segundo, com Moisés e o Êxodo. Os israelitas foram chamados a entenderem a si mesmos como povo de Deus e a saber como eles podiam servir ao Senhor que os tinha chamado. Assim, o objetivo primário de toda a atividade educacional era religioso (Gn 18.19). O alvo era treinar o jovem a conhecer e servir ao Senhor (Dt 6.7; Pv 1.7) para que por intermédio de suas vidas eles não abandonassem este caminho (Pv 22.6). Assim a educação religiosa centrou sua atenção na Torá e objetivou a educação de judeus para a vida. Não foi meramente uma educação para subsistência, mas interessada nas pessoas e na formação do caráter. O saber não estava divorciado do ser e do fazer, e o bom caráter era visto como resultado de um relacionamento certo com Deus pelo estudo da Torá. A autoridade da Torá abraçou a vida como um todo, desde o berço até a sepultura. Ninguém era velho ou novo demais para aprender. Todo aspecto da vida foi também envolvido. Da época de Esdras em diante, a vida dos judeus foi centrada na Torá. Eles ficaram conhecidos como “o povo do livro”. Com isto eles se separavam de todos os outros povos.

É dito que o objetivo da educação dos judeus era exclusivamente religioso, negligenciando o desenvolvimento cultural. No judaísmo posterior, a preocupação com a Torá se desenvolveu em um sistema legalista de separação de cabelo que levou a absurdos, e em muitas situações levou a auto justificação dos judeus como se vê nas páginas do NT. Apesar desta visão estreita, os objetivos educacionais dos judeus tiveram sucesso onde o sistema de Esparta, Atenas e Roma falharam. Estes sistemas falharam em função de objetivos defeituosos. Pode-se dizer que o sistema de Esparta apontou para a destruição do indivíduo no serviço ao estado. Pode-se dizer que o sistema de Atenas apontou para treinar o indivíduo no serviço da cultura. Em Roma o treinamento do indivíduo foi no serviço do estado. O objetivo em Israel foi treinar o indivíduo no serviço de Deus. O objetivo em Roma, Esparta e Atenas malogrou em um nível moral. O sistema deles não continha a fé capaz de desafiar indiferença e superficialidade. Portanto, eles perderam o senso de direção e falharam. E dito que ”o Mundo greco-romano estava decaindo e morrendo pela falta de verdadeiros ideais educacionais” (W. M. Ramsey, The Education of Christ, pág. 66). A educação judaica nunca perdeu seu senso de direção. A sua intenção não era educação em conhecimento acadêmico e técnico, mas educação em santidade (Lv 19.2). Apesar do povo de Israel frequentemente esquecer os ideais, sempre houve sacerdotes, profetas, escribas, sábios, rabinos e professores para relembrá-los. Deus era o centro e não o homem; retidão era o alvo e não o interesse próprio (Êx 19.6).

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2. pag. 263.

 

 

3- A capacitação dos alunos.

 

Capacitar significa “tornar capaz”, “preparar ” e “qualificar”. Na Educação Cristã, o processo de desenvolvimento do caráter e habilitação do cristão para servir no Reino de Deus acontece por meio do estudo acurado da Bíblia. Desse modo, os alunos são formados não apenas como leitores do texto bíblico, mais qualificados ao exame e minucioso das Escrituras (At 17.10,11). Essa meta somente pode ser atingida por meio da leitura diária das Escrituras Sagradas (SI 1.1,2), sob a iluminação do Espírito Santo (Ef 1.17,18), e da aplicação dos princípios hermenêuticos, tais como, as regras gramaticais e o contexto histórico e literário (1 Ts 5 -21).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os processos educativos, seus currículos e metodologias, como já observado, integram a prática pedagógica adotada em uma instituição de ensino. O objetivo é fazer com que as pessoas aprendam e modifiquem seu comportamento. Na Educação Cristã, o procedimento não é diferente. Contudo, na esfera eclesiástica, a diferença se fundamenta no livro texto adotado: a Palavra de Deus.

Não obstante, o processo da aprendizagem é o mesmo. O Manual da Escola Dominical define aprendizagem como “a mudança de conduta do educando, pelo conhecimento adquirido, pela prática, e pela experiência resultante de seu aprendizado. Não havendo mudança de comportamento de quem está a aprender, não houve real aprendizagem”.

Em busca dessa excelência, a Educação Cristã esmera-se em capacitar seus alunos. A capacitação é um processo permanente e deliberado de aprendizagem com a finalidade de “tornar capaz”, “preparar” e “qualificar” pessoas. O aprendizado cristão se alicerça nas Escrituras Sagradas; por conseguinte, o aluno é orientado e incentivado à leitura da Bíblia. Entretanto, a leitura bíblica não pode ter intenção meramente intelectual de acúmulo de conhecimento.

Nesse quesito, o Guia Cristão de Leitura da Bíblia apresenta um triplo propósito: “descobrir os conteúdos; compreender as verdades; e aplicar as mensagens”. Dessa forma, a formação continuada de leitores da Bíblia se concentra em capacitar os alunos a “conhecer, entender e viver a Palavra de Deus”.

Isso posto, reiteramos que, na Educação Cristã, o processo de desenvolvimento do caráter e habilitação do cristão para servir no Reino de Deus acontece por meio do estudo acurado da Bíblia.

Assim sendo, os alunos são formados não apenas como leitores do texto bíblico, mas qualificados ao exame minucioso das Escrituras e habilitados para ensinar a outros (At 17.10,11; 2 Tm 2.2). Essa meta somente pode ser atingida por meio da leitura diária das Escrituras Sagradas (Sl 1.1,2), sob a iluminação do Espírito Santo (Ef 1.17,18), e da aplicação dos princípios hermenêuticos, tais como as regras gramaticais e o contexto histórico e literário (1 Ts 5.21).13 Para tanto, é imprescindível manter a disciplina na leitura bíblica, no aprendizado e no exercício do devocional diário.

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

«…mais nobres…» «Talvez a tradução melhor dessas palavras seja ‘mais liberais’, no sentido de serem isentos de preconceitos, em contraste com os judeus de Tessalônica». (F.J. Foakes Jackson, «The Acts of the Apostles», 1931, págs. 161 e 162).

«Em Tessalônica, muitos judeus, por motivo de orgulho e de preconceitos se recusaram a ouvir a mensagem do evangelho. Mas aqui os judeus acolheram alegremente os dois visitantes judaicos. Paulo havia exposto as Escrituras diariamente, tanto aqui como em Tessalônica; mas os bereanos, ao invés de se ressentirem ante a apresentação que para eles era uma novidade, examinavam (o vocábulo grego usado aqui, ‘anakrino’, significa fazer passar pelo crivo, fazendo uma pesquisa cuidadosa e exata, como se fora um processo legal, conforme aparece em Atos 4:9; 12:19, etc.) as Escrituras por si mesmos. Os bereanos estavam intensamente interessados na nova mensagem de Paulo e Silas, mas queriam compreender as coisas por si mesmos. Que nobre atitude! A pregação de Paulo fazia de seus ouvintes estudantes bíblicos». (Robertson, in loc.).

«O dever da interpretação pessoal, pois, é aqui deixado bem claro». (Hovey, in loc.).

«…nobres…» Vemos aqui a necessidade da interpretação pessoal das Escrituras. A palavra ‘nobre’, que literalmente traduzida do grego seria ‘bem nascido’, como em I Cor. 1:26, tal como a maioria dos vocábulos de origem similar, tinha… uma grande latitude de significado. Neste caso indica o temperamento generoso e leal que idealmente deveria caracterizar aqueles de nobre origem. Essa foi exatamente a qualidade que o apóstolo e o historiador mais admiraram nos bereanos. Não se mostraram escravos dos preconceitos. Ver notas completas sobre a nobreza espiritual em Atos 17:13.

A pesquisa honesta das Escrituras nos leva a encontrar verdadeiras joias. «Pérolas podem ser encontradas nas águas profundas das Escrituras; que Deus nos envie muitos outros mergulhadores, que as possam achar! Não aceitas uma moeda, ó homem, sem primeiro examiná-la. Por que razão, pois, aceitarias superficialmente um credo, o qual, caso seja falso, te infligirá posteriormente uma perda irreparável? É dotado de mente verdadeiramente nobre aquele cuja mente está alicerçada não no homem, e, sim, na Palavra de Deus». (Starke, in loc.).

«…eram de mais nobre disposição; não pendiam para a inveja, e, sim, para a inquirição». (Alford, in loc.).

«…examinando as Escrituras…« «…para verificarem se a interpretação cristã das Escrituras do Antigo Testamento, exposta pelo apóstolo, era a verdadeira». (Brown, in loc.).

«Esses de Beréia tinham uma melhor disposição, não se tendo mostrado tão amargos e morosos e tão mal inclinados para com tudo que não estivesse de acordo com a sua mentalidade… Nem julgaram previamente a causa e nem se deixaram arrastar pela inveja contra seus expositores; mas, pelo contrário, deram a ambos uma justa atenção, sem demonstrarem qualquer paixão ou parcialidade». (Matthew Henry, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 358.

 

 

A nobreza da igreja bereana (17.10-12)

Os missionários foram para Bereia, cerca de 72 km a oeste de Tessalônica. Essa era uma cidade um tanto distante das principais passagens. Afastada das principais rotas de comércio e viagem do Império, era o lugar ideal para se manter longe dos inimigos. Howard Marshall sugere que Paulo não foi mais distante porque esperava retornar dentro em breve para Tessalônica; como registrou mais tarde, porém, Satanás nos barrou o caminho (lTs 2.18).

Os cristãos bereanos foram mais nobres que os crentes de Tessalônica e isso por duas razões.

Em primeiro lugar, porque receberam a Palavra com avidez (17.10,11a). Os bereanos tinham fome da Palavra, por isso a receberam com intensidade. John Stott destaca que Lucas relata as missões em Tessalônica e Bereia com surpreendente brevidade. Porém, um ponto para o qual ele chama a atenção é a atitude adotada pelo pregador e pelos ouvintes perante as Escrituras, como demonstram os verbos empregados. Em Tessalônica, Paulo arrazoou, expôs, demonstrou, anunciou e persuadiu, enquanto que em Bereia os judeus receberam a mensagem com avidez, examinando diligentemente as Escrituras. Nem o pregador nem os ouvintes usaram as Escrituras de forma superficial; pelo contrário, Paulo expôs as Escrituras e os judeus de Bereia as examinaram.

Em segundo lugar, porque receberam a Palavra com questionamento crítico (17.1 lb, 12). Os bereanos estudaram a Palavra não apenas com entusiasmo, mas também com profundo cuidado, atenção e senso crítico. O verbo grego anakrino, “examinar”, empregado aqui pelo apóstolo Paulo, é usado para investigações judiciais, quando, por exemplo, Herodes interrogou a Jesus (Lc 23.14,15), o Sinédrio a Pedro e João (4.9), e Félix a Paulo (24.8). Esse verbo implica integridade e ausência de preconceito. Desde então, o adjetivo “bereanos” tem sido aplicado a pessoas que estudam as Escrituras com imparcialidade e atenção.

Os bereanos demonstraram zelo em ouvir aquilo que Paulo tinha a dizer, e, desta forma, encontraram com ele todos os dias (e não meramente aos sábados). Howard Marshall aponta que a resposta dos bereanos à Palavra não foi meramente emocional, mas baseada numa convicção intelectual. Como resultado, um número considerável tanto de judeus como de gregos se converteu. A receptividade fervorosa da Palavra associada a um exame meticuloso redundou num crescimento explosivo da igreja em Bereia (17.12). Tanto em Tessalônica como em Bereia há destaque à receptividade das mulheres, especialmente aquelas de alta posição social (17.4,12).

LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 333-334

 

 

SINÓPSE II

No Novo Testamento, Jesus Cristo é chamado por mais de dez vezes de Rabi. Nosso grande Mestre nos ensina continuamente sobre a importância da educação, exortação e instrução na Palavra de Deus.

 

 

AUXÍLIO DE VIDA CRISTÃ

“O que é a meditação bíblica?

O verdadeiro objetivo da meditação bíblica não é ajudar ninguém a fugir da angústia ou do dissabor de uma doença grave, escondendo-se em um mundo fantasioso. Pelo contrário, a verdadeira meditação nos ajuda a aplicar a verdade bíblica a circunstâncias difíceis ou estressantes. Algumas palavras descrevem a meditação cristã da Escritura: refletir, ponderar e até ruminar. Assim como a vaca primeiro engole a comida para mais tarde regurgitá-la e mastigá-la outra vez; também o crente, em seu momento de reflexão, alimenta a memória com a Palavra de Deus e depois a traz de volta a seu consciente, quantas vezes forem necessárias. Cada nova ‘mastigação’ produz ainda mais nutrientes para o sustento da vida espiritual. A meditação, portanto, nada mais é que o processo de revolver a verdade bíblica na mente sem parar, de forma a obtermos maior revelação do seu significado e certificarmo-nos de que a aplicamos a nossas vidas diárias. […] [Um estudioso] certa vez disse que ‘meditar é despertar a mente, repensar e demorar-se sobre um assunto, aplicar a si próprio tudo que se sabe sobre a obra, os caminhos, os propósitos e as promessas de Deus’ ” (HODGE, K. A mente renovada por Deus. Rio Janeiro: CPAD, 2002, pp.85,86).

 

 

 

III – É PRECISO LER A BÍBLIA DIARIAMENTE

 

 

1- A leitura e a disciplina cristã.

 

A disciplina tem relação com “castigo ” e “punição”, mas também significa “ordem” e “obediência às regras”. O termo “discípulo” está relacionado com a “disciplina” e, por isso, todo o autêntico discípulo é disciplinado. Assim, em termos gerais, o zelo espiritual de um discípulo de Cristo repousa na prática das disciplinas cristãs. Dentre elas, estão a oração, a leitura da Bíblia e o jejum. A disciplina não é um meio de salvação, mas por meio dela conhecemos a perfeita vontade de Deus (Rm 12.1,2). A disciplina cristã requer regularidade e prioridade na busca da santificação (Rm 6.22). Portanto, a leitura bíblica, por exemplo, deve ser diária (SI 119.97; 1 Tm 4.13).

 

 

COMENTÁRIO

 

A disciplina tem relação com “castigo” e “punição”, mas também significa “ordem” e “obediência às regras”. O conceito se relaciona com a prática regular de certos princípios que pautam a atividade diária e as metas de uma pessoa. Com esse sentido, encontramos três símbolos na Bíblia que exemplificam a vida disciplinada: (a) o Soldado — a disciplina na aflição: “Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo” (2 Tm 2.3); (b) o Lavrador — a disciplina da paciência: “porque o que lavra deve lavrar com esperança, e o que debulha deve debulhar com esperança de ser participante” (1 Co 9.10); (c) o Atleta — a disciplina no treinamento: “os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio” (1 Co 9.24).

Em resumo, a “disciplina” compreende abnegação, regularidade, prioridade, metas e perseverança. Essas ações reivindicam renúncia e compromisso. Dentre as “disciplinas cristãs”, citamos a oração, a leitura da Bíblia e o jejum. Contudo, não podemos alcançar ou merecer o favor e a justiça do Reino de Deus meramente observando as disciplinas cristãs. Quem incorre nesse erro embarca no legalismo do qual Cristo já nos libertou (Rm 7.6). A disciplina cristã é um meio de nos aproximar de Deus. Paulo disse: “Quem semeia para a sua própria carne, da carne colherá corrupção; mas quem semeia para o Espírito, do Espírito colherá vida eterna” (Gl 6.8). Richard Foster escreveu que “o mesmo acontece com as Disciplinas Espirituais — elas são um meio de semear para o Espírito”.

Nesse sentido, o objetivo da disciplina cristã é propiciar intimidade singular com Deus por meio da “oração incessante” (1 Ts 5.17); “exame das Escrituras” (Jo 5.39); e a “prática do jejum” (1 Co 7.5).

Em vista disso, o autêntico discípulo observa os exercícios espirituais. O termo “discípulo” está relacionado com a “disciplina” e, por isso, todo o discípulo é disciplinado. Em termos gerais, o zelo espiritual de um discípulo de Cristo repousa na prática das disciplinas cristãs. Repete-se que a disciplina não é um meio de salvação, mas por meio dela conhecemos a perfeita vontade de Deus (Rm 12.1,2). A disciplina cristã, ratifica-se, requer regularidade e prioridade na busca da santificação (Rm 6.22). Portanto, a leitura bíblica, por exemplo, deve ser diária (Sl 119.97; 1 Tm 4.13).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

PAULO E A DISCIPLINA

Sendo assim, a declaração de Paulo a Timóteo, com relação à disciplina espiritual – “Exercita-te pessoalmente na piedade” (1 Tm 4.7) -, envolve-se não de uma importância transcendente, mas de uma urgência pessoal. Há outras passagens que ensinam disciplina, mas este é o grande texto das Escrituras. “Exercita” vem de gumnos, que significa “despido”, termo do qual se deriva a palavra ginásio. No grego clássico, nas competições atléticas, os participantes competiam sem roupa, de modo que não fossem estorvados. Portanto, a palavra “exercita” originalmente levava o significado literal de “exercitar-se despido”.

Nos tempos do Novo Testamento, referia-se a exercitar-se no sentido genérico. Mas era e é uma palavra com odor de ginásio – o suor de um bom exercício. “Fazer ginástica (exercitar, treinar) com o propósito da religiosidade” contém o sentimento do que Paulo está dizendo.

SUOR ESPIRITUAL

Em uma palavra, ele está conclamando ao suor espiritual! Da mesma forma que o atleta se descartava e competia gumnos – livre de tudo que pudesse eventualmente sobrecarregá-lo – devemos livrar-nos de todo estorvo, toda associação, hábito e tendência que impeça a piedade. Se queremos vencer, devemos despojar-nos até à nudez espiritual. O autor de Hebreus explica-o desta forma: “Portanto, também nós, visto que lemos a rodear-nos tão grande nuvem, desembarcando-nos de todo peso c do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança a carreira que nos está proposta” (Hb 12.1). Jamais chegaremos a lugar algum, espiritualmente, sem um despojamento das coisas que estão r\os atrasando. O que está pesando sobre você? O chamamento à disciplina requer que você se desfaça dessas coisas.

O chamado a treinarmos para a piedade também sugere que apliquemos toda nossa energia no sentido da religiosidade. Paulo retrata isto em outro lugar: “Todo atleta em tudo se domina… Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão” (1 Co 9.25-27). Suor intenso, energético! Devemos notar que uma frase aparece singularmente: “Exercita-te pessoalmente na piedade”, comenta o apóstolo, acrescentando: pois o exercido físico”. “Exercício” significa “fadiga corajosa”, e “físico” é a palavra grega da qual se deriva “agonizar.” Fadiga e agonia são apelos para quem quer ser piedoso.

Quando nos exercitamos séria e voluntariamente, entregamo-nos a todas as de disciplina e mesmo de dor, com o fim de ganhar o prêmio – correr cinco mil metros para competir nos cem da melhor maneira. A vida do cristão bem sucedido é cheia de suor!

Sem virilidade, não há maturidade! Sem disciplina, não há discipulado! Sem suor, não há santidade!

POR QUE AS DISCIPLINAS?

Compreendendo isto, chegaremos às razões deste livro, que são duas.

Primeiro, no mundo e na igreja de hoje, as vidas dos cristãos disciplinados são a esperança, não a regra. Isto é válido para homens, mulheres e para os profissionais do clero. Não podemos nos escusar, dizendo que sempre foi assim. Não foi! Por ser assim, várias razões de senso comum poderíamos ser provadas, tais como a pobreza na pregação ou a indolência. Porém, por trás de muita rejeição consciente à disciplina espiritual está o terror do legalismo para muitos, disciplina espiritual significa submeter-se a uma série de regi-as draconianas que ninguém pode cumprir – e que geram frustração e morte espiritual.

Mas nada pode estar mais longe da verdade, se entendemos o significado de disciplina e legalismo. A diferença está na motivação: O legalismo é egocêntrico; a disciplina mantém Deus no centro. O coração legalista diz: “Vou agir desta forma, para ter mérito diante de Deus”. O coração disciplinado diz: “Vou agir desta forma, porque amo a Deus e quero agradá-lo”. Há uma diferença infinita entre a motivação do legalismo e a da disciplina. Paulo conhecia isto implicitamente, e lutou contra a trama dos legalistas através de toda a Ásia Menor, sem ceder um centímetro. E agora ele clama para nós: “Exercita-te [disciplina-te] pessoalmente na piedade!” Se confundirmos legalismo com disciplina, fazemo-lo com o risco de nossa alma.

A segunda razão para este livro é que os homens estão muito menos inclinados e disciplinados espiritualmente que as mulheres. Um estudo recente levado a cabo na United Methodist Church (Igreja Metodista Unida) revela que 85 por cento dos assinantes do livrete sobre os princípios devocionais da denominação, The Upper Room (“O Quarto de Cima”), são mulheres. Mais ainda, a mesma estatística aplica-se a outro livrete devocional, Alive now (“Vivo Agora”), que tem 75 por cento de leitoras, f) Isto é corroborado pelo fato de que a surpreendente maioria de livros, em livrarias cristãs, são adquiridos por mulheres. As mulheres simplesmente leem mais literatura cristã que os homens!

Também é verdade que muito mais mulheres estão preocupadas com a prosperidade espiritual de seus companheiros que o inverso. A revista Todas Christian Woman (“A Mulher Cristã de Nossos Dias”) descobriu que artigos que focalizam o desenvolvimento espiritual dos maridos atingiram os maiores índices de leitura. Tudo isto é sustentado por severas estatísticas. O Instituto Gallup, em junho de 1990, conduziu uma pesquisa que revelou que 71 por cento das mulheres consultadas criam que a religião pode responder aos problemas de hoje, enquanto que apenas 55 por cento dos homens concordaram. Nas igrejas, 59 por cento da participação ativa é de mulheres contra 41 por cento de homens. Além do mais, as mulheres casadas que frequentam a igreja sem seus maridos excedem em número, na proporção de quatro por um, os homens que frequentam sem a esposa.

Por quê? Certamente o conhecido credo de autossuficiência do homem americano e seu individualismo contribuem para isso. Deve-se em boa parte a tuga masculina a qualquer coisa que crie um relacionamento (de que, obviamente, o Cristianismo faz parte!). Mas não reconhecemos que as mulheres são, por natureza, mais espirituais. O desfile dos grandes santos (homens e mulheres) através dos séculos, assim como o de homens espiritualmente exemplares, nas igrejas atuais, refuta claramente esta ideia. Mas persiste o fato de que os homens hoje precisam de muito mais ajuda para edificar uma disciplina espiritual do que as mulheres.

O que digo neste livro nasceu do coração e de meus estudos na Palavra »Ir Deus – de homem para homem. Ao escrever, imaginei meus próprios filhos crescidos, sentados à mesa com as xícaras de café nas mãos, enquanto t u lentava fazê-los entender o que acredito ser a disciplina essencial à religião. A Igreja, está precisando de homens de verdade, e nós somos esses homens!

APELO CÓSMICO

Não podemos dar ênfase exagerada à importância deste apelo para a disciplina espiritual. Ouçam a Paulo mais uma vez, em 1 Timóteo 4.7,8: “Exercita-te pessoalmente na piedade. Pois o exercício físico para pouco é

proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, porque tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”.

A disciplina fará uma enorme diferença nesta vida. Como irmãos, somos, cada um, elevados ou rebaixados pelas vidas interiores, uns pelos outros. Alguns de nós afetam aos outros como uma maré de alegria, elevando-os, mas alguns são como ressaca para o Corpo de Cristo. Se você é casado, a presença ou a ausência de uma disciplina espiritual pode servir para santificar ou amaldiçoar seus filhos e netos. A disciplina espiritual, portanto, alimenta uma grande promessa para esta vida.

Quanto à “vida futura”, a disciplina espiritual edifica a arquitetura da resistência da alma sobre o fundamento de Cristo – ouro, prata e pedras preciosas que resistirão aos fogos do juízo e permanecerão como um monumento a Cristo pela eternidade (1 Co 3.10-15).

Alguns podem minimizar a importância da disciplina espiritual agora, mas ninguém o faria então. “A piedade para tudo é proveitosa!” O cristão disciplinado dá e recebe de ambos os mundos – o atual e o que há de vir. A palavra “disciplina” pode despertar um constrangimento embrutecedor em algumas menies, sugerindo uma vida restrita, claustrofóbica. Nada mais equivocado! A disciplina obsessiva, quase maníaca de Mike Sangletary liberava-o para jogar como um selvagem no campo de futebol, busca de Hemingway pela palavra correta liberava-o para deixar uma marca na língua inglesa, tendo a sua frente apenas Shakespeare. Os milhões de esboços das grandes obras de Michelangelo, na Renascença, liberava-o para criar os céus da capela Sistina. A preparação de Churchill deixava-o livre para fazer grandes “improvisos” e brilhantes respostas. O penoso trabalho dos grandes músicos liberava sua genialidade. Assim, a disciplina espiritual liberta-nos do peso do tempo e permite elevar-nos com santos e anjos.

Estamos prontos a suar – a entrar no ginásio da disciplina divina? a despir- nos das coisas que nos impedem progredir? a nos disciplinarmos através do poder do Espírito Santo?

Eu o convido a entrar no ginásio de Deus nos próximos capítulos – para aquele suor santificante – para alguma dor e muito ganho. Deus está procurando bons homens!

Hughes, R. Kent. Disciplinas do Homem Cristão. Editora CPAD. 1 ed. 1991. pag.17-20.

 

 

A palavra disciplina vem do latim. disciplina, «instrução», «treinamento», «disciplina». A palavra discípulos, «aprendiz», está relacionada a ela. A forma verbal discere, significa «aprender». Nossa palavra portuguesa «discípulo», que quer dizer «aprendiz, ou «seguidor», deriva-se dessa raiz latina.

É óbvio, portanto, que o verdadeiro discípulo precisa ser uma pessoa disciplinada.

Usos específicos do termo:

Indica um modo de vida, que alguém aceita quando pertence a algum grupo especifico, ou quando abraça alguma ideologia especifica, supondo-se que esse meio de vida só pode ser mantido através da observância de certas normas e requisitos.

Indica qualquer sistema de ascetismo e mortificação.

Relaciona-se à ideia de açoite, objeto usado com propósitos disciplinadores na vida monástica.

Também indica os métodos mediante os quais um modo de vida é posto em execução, bem como as penas aplicadas aos que erram.

Indica o treinamento sistemático que prepara urna pessoa para alguma tarefa especifica, ou a fim de ser ela um membro melhor de alguma organização dotada de algum propósito a cumprir.

Também aponta para algum curso acadêmico ou alguma matéria de estudo.

Princípios da Disciplina

Os ministros do evangelho estio autorizados a estabelecer a disciplina nas igrejas (ver Mat. 16:19 e 18:18).

Estas são as suas caracterlsticas: a. npreciso que mantenha a sã doutrina (ver I Tim. 1:13).

Deve ser uma linha mestra para a ação (ver I Cor. 11:34 e Tito 1:5).

É mister que repreenda aos ofensores (ver I Tim.5:20).

Deve remover os ofensores obstinados (ver I Cor. 5:3 e ss e I Tirn. 1:20).

O homem espiritual submete-se à disciplina (ver Heb. 13:17).

Seu propósito ê edificar os crentes (ver II Cor. 10:8).

Deve estabelecer a boa ordem e a decência (ver I Cor. 12:40).

O amor cristão deve ser seu guia padrão (ver II Cor; 2:6-8).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 178-179.

 

 

2- A leitura e o aprendizado.

 

O aprendizado é parte intrínseca de um discípulo. Isso porque “discípulo” significa literalmente “aprendiz”. Uma máxima pedagógica afirma que “ler é aprender”. Desse modo, por meio da leitura da Bíblia aprendemos acerca de Deus e de seu plano de salvação (Rm 1.2-4). Esse aprendizado orienta o discípulo a torná-lo parecido com Cristo (Ef 4.13). Por isso, o aprendizado deve ultrapassar a teoria e ser aplicado na vida diária. Paulo repreende os “ que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Tm 3.7). Por essa razão, o apóstolo adverte a Timóteo a observar o aprendizado bíblico que o faria sábio para a salvação, pela fé em Cristo Jesus (2 Tm 3.14,15).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Como já argumentado, a leitura bíblica é uma disciplina cristã. E, como todo o ato disciplinado, a leitura requer dedicação. Como já afirmado, o termo “dedicação” tem o sentido de “esmero” e “diligência” no exercício de alguma atividade. Para bem trilhar esse caminho de crescimento e aprendizado, os objetivos do leitor da Bíblia devem ser bem definidos e obedecidos à risca. Nesse diapasão, corroboram-se as palavras do salmista que nos exorta ao exercício diário de leitura e meditação da Bíblia: “Antes, tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite” (Sl 1.2); “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97).

Na busca desse objetivo, se faz necessário: planejamento, adoção de um cronograma de leitura e estabelecimento de metas. Por exemplo: (a) definição do horário diário da leitura. Deve ser o horário em que pessoa se encontra mais bem disposta; (b) tempo destinado à leitura. Deve ser um tempo adequado para ao menos a leitura de um capítulo das Escrituras; e (c) metas a ser alcançadas. A meta é um importante fator motivador, tais como ler a Bíblia toda dentro de um determinado prazo que seja exequível. Não obstante, a leitura não pode ser superficial ou centrada em um amontoado de informações. A leitura deve promover acima de tudo o aprendizado.

O aprendizado é parte intrínseca de um discípulo. Isso porque “discípulo” significa literalmente “aprendiz”. Uma máxima pedagógica afirma que “ler é aprender”. Desse modo, por meio da leitura da Bíblia, aprendemos acerca de Deus e de seu plano de salvação (Rm 1.2-4). Esse aprendizado orienta o discípulo a tornar se parecido com Cristo (Ef 4.13). Por isso, o aprendizado deve ultrapassar a teoria e ser aplicado na vida diária. Paulo repreende os “que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Tm 3.7). Por essa razão, o apóstolo adverte Timóteo a observar o aprendizado bíblico que o faria sábio para a salvação, pela fé em Cristo Jesus (2 Tm 3.14,15).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

APerseverança É uma Necessidade (3.l4,15). Timóteo tem a responsabilidade de continuar naquilo que aprendeu e tornar-se cada vez mais convencido disto, a saber, da verdade do evangelho. A veracidade da doutrina de Timóteo está na integridade de seus mestres (tanto do apóstolo como também de sua mãe e de sua avó) e em seu conhecimento vitalício das Escrituras. Tal conhecimento mesclado com a fé em Cristo Jesus produz a “salvação”.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 1500.

 

 

A firmeza dos fiéis (3.14). A ordem de Paulo a Timóteo para permanecer firme nas Escrituras nunca foi tão oportuna quanto em nossa geração, pois, como diz Stott, “os homens se orgulham de inventar um novo cristianismo com uma nova teologia e uma nova moral, tudo isso dando sinais de uma nova reforma” Paulo ordena que Timóteo permaneça firme nas Escrituras, e isso porque ele não as aprendeu de nenhum aventureiro espiritual, mas, desde a infância, de sua avó e de sua mãe (1.15; 3.15) e mais tarde do próprio apóstolo Paulo, a quem Jesus confiara esse sagrado depósito (1.2; 1.6; 1.11,12; 3.10).

[..] a superioridade da Palavra de Deus em relação ao engano dos impostores (3.15-17). As Escrituras são sagradas, confiáveis e úteis. A Bíblia é o Livro dos livros: inspirada por Deus, escrita por homens santos, concebida no céu, nascida na terra, odiada pelo inferno, pregada pela igreja, perseguida pelo mundo e crida pelos fiéis. A Palavra de Deus é infalível, inerrante e suficiente. E vencedora invicta em todas as batalhas. Tem saído ilesa do ataque implacável dos críticos e das fogueiras da intolerância. A Palavra de Deus é a bigorna que tem quebrado todos os martelos dos céticos. Homens perversos se esforçam para destruí-la, queimá-la, escondê-la ou atacá-la, mas ela tem saído incólume de todas essas investidas. E viva e poderosa. E atual e oportuna. E a divina semente. Por meio dela somos gerados de novo. Por meio dela cremos em Cristo. Por meio dela somos fortalecidos. A Palavra de Deus é água para os sedentos, pão para os famintos e luz para os errantes. Por meio dela somos santificados e através dela recebemos poder. Ela é a arma de combate e o escudo que nos protege. E mais preciosa que o ouro e mais doce que o mel.

LOPES. Hernandes Dias. 2 Timóteo. O testamento de Paulo à igreja. Editora Hagnos. pag. 97-98.

 

 

3- A leitura e o devocional.

 

Um dos aspectos da adoração é o culto devocional (Jo 4 .23,24). Não se refere ao culto público que prestamos a Deus no templo, nem ao culto doméstico em família, mas aquele praticado de forma individual (SI 55.17). Inclui a oração, o louvor e a leitura bíblica. Essa atividade fortalece a comunhão com Deus (Sl 119.11,15,24). O devocional é também uma oportunidade para o estudo sistemático/indutivo das Escrituras, que, por ação do Espírito Santo, abre o nosso entendimento (Jo 14.26). O conhecimento bíblico ainda pode ser aprimorado por meio de pesquisas em periódicos como a nossa Declaração de Fé, que expressa a ortodoxia pentecostal (Jd 1.3).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A plena comunhão com Deus é o aspecto mais importante para uma vida cristã espiritualmente frutífera e bem-sucedida. Em vista disso, reforçamos que a leitura e o estudo sistemático das Escrituras Sagradas nos auxiliam a manter a necessária intimidade com Deus e a sua Palavra. Como afirmou o salmista, é possível guardar a Palavra no coração e, dessa forma, não pecar contra Deus (Sl 119.11). Significa que “ela deve ocupar os sentimentos, assim como o entendimento; toda a mente precisa estar impregnada com a Palavra de Deus”. Por conseguinte, o correto aprendizado bíblico conduz o crente à plena adoração. Aquele que se dedica em aprender a Bíblia descobre que a verdadeira adoração é praticada “em espírito e em verdade” (Jo 4.23).

Apesar de todo genuíno cristão concordar com essas afirmações, nem sempre o dia a dia do crente reflete a prática do devocional e da adoração devida. A falta de tempo, em virtude da agenda cheia e os mais variados compromissos são o pretexto mais comuns apresentados por boa parte dos evangélicos. No entanto, nenhuma atividade, seja eclesiástica, seja secular, pode ser mais importante que nosso devocional com Deus. Não é salvo aquele que conhece e até ensina a Bíblia, mas não mantém comunhão com o seu autor. É preciso ter em mente a mesma preocupação paulina: “Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado” (1 Co 9.27).

Portanto, recordamos que um dos aspectos da adoração é o culto devocional (Jo 4.23,24). Não se refere ao culto público que prestamos a Deus no templo, nem ao culto doméstico em família, mas aquele praticado de forma individual e constante (Sl 55.17).

Inclui a oração, o louvor, o jejum e a leitura bíblica. Essa atividade fortalece a comunhão com Deus (Sl 119.11,15,24). O devocional é também uma oportunidade para o estudo sistemático indutivo das Escrituras, que, por ação do Espírito Santo, abre o nosso entendimento (Jo 14.26). A intimidade com as Escrituras acontece, em primeiro lugar, com a leitura diária dos textos sagrados.

Depois, pela leitura de bons comentários da Bíblia. Dicionários e tratados de teologia enriquecem o nosso conhecimento bíblico tal como a nossa Declaração de Fé, que expressa a ortodoxia pentecostal (Jd 1.3).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

Os atletas americanos que competiram nas Olimpíadas de 1984 usaram o slogan: “Vamos pelo ouro”. A meta deles era alta: não apenas receber por suas realizações atléticas uma medalha de bronze ou de prata, mas alcançar uma medalha de ouro — o mais alto prémio. As palavras “Vamos pelo ouro” têm sido usadas desde então como slogan nos Jogos Olímpicos para incentivar os atletas a atingir metas elevadas, alcançar algo de grande valor para eles.

Nenhuma meta seria mais elevada do que ir pelo “ouro” das Escrituras.

A Bíblia muitas vezes se refere a si como ouro ou pedras preciosas, como o rubi, a fim de frisar o sublime valor do seu conteúdo. Por exemplo, Davi escreveu: “Os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente. Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino” (Sl 19-9,10). O Salmo 119, aquele que exalta a Palavra de Deus em quase todos os seus 176 versículos, inclui esta declaração pelo salmista: “Melhor é para mim a lei da tua boca do que inúmeras riquezas em ouro ou prata” (SI 119.72). No mesmo capítulo, o salmista escreveu que ele ama os mandamentos de Deus “mais do que o ouro, e ainda mais do que o ouro fino” (SI 119.127).

Como estudantes da Palavra, os professores cristãos devem garimpar o ouro da Escritura, cavando “filões” nas profundezas da Bíblia e peneirando as verdades das Escrituras para si mesmos. Exploração diária das riquezas da Palavra enriquece a vida — dando mais capacidade para os professores cristãos guiarem outros nas mesmas explorações.

 

POR QUE GARIMPAR OURO?

A Bíblia apresenta várias razões para todos os crentes, e certamente para os professores cristãos, serem estudantes diligentes da Bíblia.

Primeiro, a Bíblia nos ajuda a crescer espiritualmente. “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo, se é que já provastes que o Senhor é bom” (1 Pe 2.2,3). Sem a ingestão da Palavra, os cristãos ficam mal alimentados espiritualmente. Além do ouro, a comida é outro ingrediente ao qual a Bíblia se compara. É dito na Palavra que os juízos do Senhor são “mais doces do que o mel e o licor dos favos” (SI 19.10).

No Salmo 119.103 lemos: “Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca”.

Crentes que sejam espiritualmente fortes, que crescem e desenvolvem-se no homem interior, alimenta-se com a Palavra de Deus. O apóstolo João falou da relação entre estas duas situações em 1 João 2. l4 :“Eu vos escrevi, jovens, porque sois fortes, e a Palavra de Deus está em vós, e já vencestes o maligno”.

Segundo, a Bíblia nos guia. Quando você compra um aparelho de som, um cortador de grama ou um forno micro-ondas, vem junto um manual de instruções para orientá-lo no uso. Adquira um automóvel e o manual do proprietário no porta-luvas explica-lhe as características do veículo e como dirigir e cuidar dele. A Bíblia também é um manual. Fala-nos como é a vida e como tirar o melhor proveito dela. Como escreveu Irving Jensen: “Já pensou na Bíblia como um manual que vem junto com o produto’, que é você. A Bíblia e você foram projetados para estarem juntos, para serem inseparáveis. Ambos foram trazidos à existência pela mesma inspiração de Deus (Gn 2.7; 2 Tm 3 -16). A Bíblia foi dada para você, para estar com você. Este é o nítido desígnio de Deus”.

Na Bíblia, Deus nos fala sobre nós, sobre Ele e sobre nosso presente e futuro. E foi escrita para nos guiar na direção certa, para nos ajudar a tomar as decisões corretas. O salmista escreveu: “Lâmpada para os meus pés é tua Palavra e luz para o meu caminho” (SI 119.105), e: “A exposição das tuas palavras dá luz” (SI 119.130). Os “testemunhos” de Deus são os “conselheiros” do crente (SI 119.24).

Terceiro, a Bíblia guarda-nos do pecado. A Bíblia tem um efeito limpante no crente. Quando ele permite que o refletor da verdade de Deus brilhe em sua vida, contempla áreas que precisam de correção e limpeza. Davi também escreveu sobre este benefício da Palavra: “Por eles é admoestado o teu servo” (SI 19.11). A Palavra de Deus, escreveu o salmista, estava escondida no coração para que ele não pecasse contra Deus (SI 119-11).

No discurso que Jesus fez no Cenáculo, Ele falou aos discípulos com exceção de Judas: “Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3).

Como espelho, a Bíblia reflete nossas necessidades, e quando o crente obedece ao que a Palavra ordena, Deus o abençoa (Tg 1.23-25). E quando o crente peca, a Palavra traz restauração espiritual. “A lei do SENHOR é perfeita e refrigera a alma” (SI 19-7).

Quarto, a Bíblia instiga-nos para a maturidade espiritual. “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2Tm 3-16,17).

O verbo “ensinar” dá a entender que as Escrituras orientam os crentes na direção certa. “Redarguir” é o ministério da Bíblia que chama a atenção do crente quando este se desvia do caminho. “Corrigir” ou “restabelecer” fala do ministério da Palavra que traz o crente de volta para o caminho. E “instruir”, palavra que se refere à criação de crianças, sugere ajuda ao crente que permanece no caminho depois de ter sido restabelecido nele.

À medida que o professor cristão permite que o Espírito Santo implemente a Palavra de Deus nestas quatro maneiras na vida dele, ele fica “perfeitamente instruído para toda boa obra”. O vocábulo grego traduzido por “perfeitamente” também pode ser traduzido por “adequadamente”, significando em condição ou forma própria. A palavra vertida do grego para “instruído” insinua estar adequadamente aparelhado e abastecido para uma tarefa. O papiro grego usa esta palavra para aludir a um barco provido com dois remos e a uma prensa de azeite pronta para funcionar. Em outras palavras, à medida que nos apropriamos da Palavra de Deus, ficamos adequadamente aparelhados e abastecidos para a obra e serviço que Deus tem para nós.

Crescimento, direção, guarda e instigação — quatro razões para sermos estudantes consistentes e diligentes das Escrituras.

Os professores cristãos precisam dar o exemplo para os alunos no estudo da Bíblia. Se eles desejam que os estudantes manifestem o fruto do Espírito (G1 5.22,23) e sejam “cheios de frutos de justiça” (Fp 1.11), então devem fazer o mesmo. Se querem que os alunos se voltem para a Bíblia como fonte de alimentação espiritual, direção, limpeza e maturidade, devem estar sempre compenetrados na Palavra.

Isto revela o fato de que o professor primeiro deve ser estudante.

Ensino eficaz requer aprendizagem consistente. Se o professor deixa de estudar, a eficácia do seu ensino cai. Quando ele continua lendo, pesquisando, pensando, interagindo, sondando e perguntando, ele se mantém em boa disposição e em dia com seus assuntos. À medida que o professor exercita seus neurônios, alarga os horizontes intelectuais e aprofunda o conhecimento, ele tem melhores condições de ajudar seus alunos a fazer o mesmo.

Uma árvore sem água morre; um músculo sem movimento atrofia; uma pessoa sem comida falece. Da mesma forma o professor que para de aprender fracassa como mestre. Trata-se de verdade em qualquer ramo de ensino, mas sobretudo no ensinamento da Bíblia e seus assuntos relacionados. O professor cristão precisa beber continuamente das correntezas da Escritura. Ele deve alimentar-se perpetuamente da comida da Palavra. Sem nutrição espiritual ele não tem força pela qual nutrir os alunos.

A menos que estudemos e sigamos o método de Deus, não acharemos fácil levar outros a fazer o mesmo .A não ser que nossa vida esteja em sintonia com a Palavra, teremos dificuldade em colocar as pessoas em harmonia com os preceitos de Deus. Sem bens espirituais não temos algo para enriquecer os outros. Para mitigar a sede intelectual e espiritual das pessoas, nós mesmos precisamos beber da nascente das verdades de Deus.

As seções seguintes deste capítulo discutem maneiras de estudar a Bíblia (“garimpando o ouro”), princípios para interpretar a Palavra (“avaliando o ouro”) e ideias para pôr a Bíblia em prática (“investindo o ouro”). Estas três áreas são essenciais para todo professor que quer enriquecer sua vida com as riquezas da Palavra.

Gangel, Kennneth O. & Hendricks, Howard G. Kenm. Manual De Ensino Para O Educador Cristão. Editora CPAD. 1 ed. 1999. pag. 307-310.

 

 

NOSSA PRIORIDADE DIÁRIA

Agora chegamos num ponto importante. Sabemos que precisamos estar com Deus. E que isto deve acontecer todos os dias. E que este encontro não precisa durar o dia todo. E que a maior desculpa que damos é que, em meio à correria, não nos sobra tempo para isto.

Portanto, o melhor remédio para isto é fazer de seu período devocional com Deus a primeira atividade do dia. Se você o faz antes das outras coisas, não corre o risco de acabar ficando sem fazer.

O que fazemos quando nos encontramos financeiramente “apertados”, e temos várias contas a pagar, sabendo que talvez naquele dia ou semana não haja recursos suficientes para pagar tudo?

A maioria de nós tem experiência nisto. Começamos pagando as contas mais importantes, as prioritárias. E o resto ajusta-se depois.

Se conseguirmos transferir a mesma mentalidade e raciocínio para a prática do devocional, tudo será diferente. Estar com Deus é a conta prioritária a ser paga a cada dia, portanto devemos começar por ela, e o resto vai ajustando-se como der!

No início deste estudo usamos o exemplo do maná como uma figura desta busca diária. E o maná tem uma figura que se encaixa bem naquilo que estamos falando. Se ele não fosse colhido logo cedo, se derretia com o Sol. Em outras palavras, ou a pessoa começava seu dia com aquela atividade prioritária, ou acabava ficando sem ele. Com nosso devocional não deve ser diferente. Jesus nos deixou o exemplo:

“De madrugada, ainda bem escuro, levantou-se, saiu e foi a um lugar deserto, e ali orava.” Marcos 1:35

De modo semelhante ao ato dos israelitas de colher o maná antes do Sol se levantar, Jesus muitas vezes saía cedo de casa a fim de estar a sós com o Pai Celeste. Aqui ainda vemos outro princípio importante para nosso devocional: o texto diz que Cristo “foi a um lugar deserto”, o que fala da importância de estar a sós com Deus neste momento.

Estou convicto de que não há hora melhor para se ter o devocional do que ao amanhecer o dia. Lemos no Velho Testamento:

“De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando”.

Salmo 5:3

A oração sempre será algo abençoador, mas quando Deus dá ênfase ao fato de busca-lo logo de manhã, está valorizando aqueles que decidiram estar com Ele como a sua prioridade do dia. Buscar ao Senhor no início do dia é honra-Lo como o que de mais importante temos. E Deus está realmente interessado nisto! Veja o que o profeta Isaías declarou:

“O Senhor Deus… me desperta todas as manhãs, desperta-me o ouvido para que eu ouça como os eruditos”.

Isaías 50:4

Se dermos esta liberdade ao Senhor, priorizando o tempo com Ele, certamente perceberemos que o maior interesse neste tempo de qualidade ao início do dia, é do próprio Deus. Isaías afirmou que o Senhor o despertava para ter este tempo de comunhão. Para Moisés, Deus também fez este tipo de convite: “Subas pela manhã… e… põe-te diante de mim no cume do monte”.

Êxodo 34:2

Qual era a importância de subir ao monte pela manhã? A única que temos enxergado em cada versículo até agora: dar ao Senhor as primícias do dia.

Subirá., Luciano. O Devocional Diário. Editora Letras Santas. pag. 17-19.

 

 

SINOPSE III

Quem deseja ter Jesus com o Mestre precisa se portar como um disciplinado aluno. A prática diária da leitura bíblica é uma disciplina primordial ao genuíno discípulo de Cristo.

 

 

AUXÍLIO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

“Porque estudar a Bíblia? Certo autor anônimo corretamente declarou: ‘A Bíblia é Deus falando ao homem; é Deus falando através do homem; é Deus falando como homem; é Deus falando a favor do homem; mas é sempre Deus falando!

Porque devemos estudar a Bíblia?

Dentre as muitas razões destacam-se algumas:

Porque ela ilumina o caminho para Deus (Sl 119.105,130).

Porque ela é alimento espiritual para o crescimento de todos (Jr 15.16; 1 Pe 2.1,2). Sabemos que a boa saúde aguça o apetite. Tens apetite pela Bíblia? Se só tens apetite por leituras sem proveito, terás fastio pela Bíblia, o que é um mau sinal. Cuida disso…

Porque ela é o instrumento que o Espírito Santo usa na sua operação (Ef 6.17). Se queres que o Espírito Santo opere em ti, inclusive no ministério da oração (Jd v. 20), procura ter o instrumento que Ele utiliza — a Palavra de Deus. É que na oração precisamos apoiar nossa fé nas promessas de Deus, e essas promessas estão na Bíblia!

Porque ela nos vivifica (Sl 119.10 7)

(GILBERTO, Antônio. Manual da Escola Dominical. 3.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.22).

 

 

CONCLUSÃO

 

A Educação Cristã fundamenta o seu currículo na Inspirada, Inerrante e Infalível Palavra de Deus, a Bíblia. Seus principais objetivos são ganhar alma, desenvolver o caráter e preparar o salvo para o serviço cristão. Nesse propósito, seus alunos são instruídos à leitura e ao estudo da Bíblia e, sobretudo, a pautar suas vidas na autoridade suprema das Escrituras Sagradas. Aleluia!

 

 

VOCABULÁRIO

Intrínseca: Natureza de algo; próprio de algo; inerente.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Qual é o livro base da Escola Dominical?

A Bíblia Sagrada.

 

2- O que é importante no contexto da Escola Dominical?

Observar a metodologia, bem como o objetivo a ser alcançado em cada lição. Desse modo, torna-se indispensável que o texto bíblico seja o referencial permanente da prática pedagógica.

 

3- Em que a Educação Cristã se fundamenta?

A Educação Cristã se fundamenta na revelação divina, seu livro texto é a Bíblia e a sua ocupação é o ensino sistemático e contínuo das doutrinas bíblicas.

 

4- Quais os objetivos da Educação Cristã?

Três principais objetivos da Educação Cristã são: Ganhar alma para Jesus (2 Co 12.15); Desenvolver a espiritualidade e o caráter cristão (G1 5.22); Treinar o cristão para o serviço do Mestre (2 Tm 2.15).

 

5- Como o aprendizado deve ultrapassar a teoria?

O aprendizado deve ultrapassar a teoria ao ser aplicado na vida diária, nos tornando mais parecidos com Cristo.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 1° Trimestre 2022    Acesse nossos grupos e tenha mais conteúdo:

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2 respostas para “13 LIÇÃO 1 TRI 2022 A LEITURA DA BÍBLIA E A EDUCAÇÃO CRISTÔ

  1. A paz do Senhor, aula maravilhosa. Muito edificante para nossas vidas. Que Deus Continue abençoando. Sua vida sua família e seu ministério.🙏🛐

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