13 LIÇÃO 2 TRI 22 A VERDADEIRA IDENTIDADE DO CRISTÃO

 

13 LIÇÃO 2 TRI 22 A VERDADEIRA IDENTIDADE DO CRISTÃO

13 LIÇÃO 2 TRI 22 A VERDADEIRA IDENTIDADE DO CRISTÃO

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” (Mt 7.21)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

No Reino de Deus, não basta ouvir para se identificar com o Salvador, é preciso praticar o que se aprendeu.

 

LEITURA DIÁRIA

 

 

Segunda – 1Co 4.20 Reino de Deus não consiste só em palavras, mas em virtude

 

Terça – 1Jo 3.18 Não devemos amar só de palavras, mas por obras e em verdade

 

Quarta – Sl 127.1 O alicerce de toda a nossa edificação espiritual

 

Quinta – 1Co 3.10 A consciência de como estamos edificando o nosso alicerce

 

Sexta – 1Co 11.1; Ef 5.1; 1Ts 1.6 Imitando o divino mestre na arte de viver

 

Sábado – 1Jo 3.2 Para ser semelhante ao nosso Senhor Jesus

 

 

Hinos Sugeridos: 33 ,77, 577 da Harpa Cristã

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

 

Mateus 7.21-27

 

21 – Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

 

22 – Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?

 

23 – E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

 

24 – Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha.

 

25 – E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha.

 

26 – E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia.

 

27 – E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.

 

 

PLANO DE AULA

 

 

1- INTRODUÇÃO

Mediante a graça e a misericórdia do Pai, hoje somos súditos do Reino de Deus e, com o tal, precisamos fazer a diferença, vivendo como “sal” e “luz” neste mundo tenebroso. Não basta dizer que é crente, proferir o nome de Jesus e ouvir as suas palavras: é preciso mais — praticar o que aprendeu com o Mestre. Não podemos ser apenas ouvintes, mas praticarmos, pois o Reino de Deus não consiste somente de palavras, mas em virtude.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Explicar como se dará a condenação dos falsos seguidores de Jesus;

II) Conscientizar sobre em quem estamos alicerçados;

III) Compreender que Jesus é a nossa verdadeira identidade.

B) Motivação: A nossa fé pode ser demonstrada somente por palavras? Os milagres transformam o caráter? Em quem estamos alicerçados? Jesus Cristo é a nossa verdadeira identidade?

C) Sugestão de Método: Sugerimos que para a introdução da lição, você faça a seguinte pergunta: A pregação, os milagres e maravilha realizados em nome de Jesus são provas cabais de um verdadeiro discípulo de Cristo? Incentive a participação dos alunos e ouça as respostas com atenção, fazendo as observações necessárias. Explique que Deus não se impressiona com as lisonjas humanas e a falsa piedade. Nem todo que diz “Senhor, Senhor” (Mt 7.1) entrará no Reino de Deus. Enfatize que haverá condenação para os falsos seguidores.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: O Sermão do Monte é o código de ética dos súditos do Reino de Deus. Precisamos conhecer esse código de ética e viver tudo o que Jesus Cristo ensinou no seu mais importante sermão. Que sejam os mais bondosos e éticos em nossas palavras e atitudes, mostrando ao mundo a luz de Jesus Cristo. Você foi chamado(a) para fazer a diferença. Então como você tem vivido?

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas. Na edição 89, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final dos tópicos, você encontrará dois auxílios que darão suporte na preparação de sua aula

1) O primeiro texto, “O Julgamento divino”, trata sobre os falsos discípulos. Esta é uma reflexão extraída a do Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento a respeito de Mateus 7.21,22;

2) O texto “A Conclusão do Sermão” foi extraído do Comentário Bíblico Beacon e trata da parábola de Jesus a respeito dos construtores sábios e os construtores tolos;

3) O terceiro texto, “O Epílogo do Sermão”, também foi extraído do Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento e tem como objetivo analisar a conclusão de Jesus Cristo no Sermão do Monte.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIOS

 

Chegamos à última lição a respeito do Sermão do Monte. Em sua mensagem conclusiva, Nosso Senhor mostra aos discípulos que eles devem fazer a diferença no mundo. Nesta lição, veremos que essa diferença não pode ser só de palavras, mas principalmente no modo de viver. É preciso ouvir e praticar o que Jesus ensinou. Nisto consiste a verdadeira identidade dos discípulos de Jesus.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

João diz que todos quantos receberam a Cristo como salvador tornaram-se filhos de Deus, isso porque não nasceram da carne e nem do sangue, nem da vontade do homem, mas de Deus. Nós nos tornamos filhos de Deus por meio do novo nascimento (Jo 3.3,5), doravante, passamos a portar em nosso ser a verdadeira identidade de filhos de Deus, pois o propósito do Pai pela morte de seu Filho Jesus Cristo, é nos tornar semelhantes a Ele (Rm 8.29). O Pai quer que tenhamos seus traços.

Portar a verdadeira identidade é ser idêntico, parecido com Cristo, o Filho de Deus; é viver e andar como Ele andou, exercendo o papel de sal e luz neste mundo; é ser sincero em sua atitudes, é ter uma casa, ou melhor, uma vida firmada naquilo que é certo e verdadeiro, de modo que ela permanecerá firme contra todo tipo de tempestade.

Para se ter a identidade de filho de Deus não basta simplesmente conhecer manuais de como ser religioso, ou fazer meditações. De nós mesmos jamais produziremos o padrão de vida que Deus deseja; afinal, nossa justiça é como um trapo imundo (Is 64.6) e a purificação verdadeira só vem mediante a fé em Jesus (1Jo 3.3).

Quando fizemos a leitura dos versículos anteriores, fazendo menção aos falsos profetas, ainda que se disfarçassem de ovelhas, não demoraria para que a verdadeira identidade deles fosse revelada, porém, logo que chegamos em Mateus 7.21-23, Jesus passa a dirigir-se para cada um de nós e mostra que o que realmente tem valor para Deus é um viver em total retidão e santidade. Sem essa verdade ninguém jamais verá a Deus (Hb 12.14).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 237-238.

 

 

Nos versículos anteriores do Evangelho de Mateus, Jesus pro- feriu alertas solenes aos ouvintes a respeito do caminho que eles decidem seguir. O caminho para a perdição é espaçoso, a porta que leva a ele é larga, e, por isso, muitos seguem este rumo; já o caminho para a vida é difícil, e a porta é estreita, de modo que poucos a encontram. Em seguida, ele os advertiu para que ficassem vigilantes em relação aos lobos que se vestem com pele de ovelhas com o intuito de se aproximar e corromper a congregação. A impressão é que esses alertas são apresentados em ordem crescente, e tal progressão parece culminar no trecho que está diante de nós agora. Considero estas as palavras mais aterradoras que já saíram da boca de Jesus.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017. Editora Cultura Cristã. pag. 176.

 

 

Jesus está mais preocupado com o nosso “caminhar” do que com o nosso “falar”. Ele quer que seus seguidores pratiquem o que é certo, e náo que falem simplesmente as palavras certas. A nossa casa (que representa a nossa vida) só suportará as tempestades da vida se fizermos o que é correto ao invés de simplesmente falarmos sobre o que é correto.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 54.

 

 

Palavra-Chave: IDENTIDADE

 

 

I – A CONDENAÇÃO DOS FALSOS SEGUIDORES DE JESUS

 

1- Uma fé só de palavras?

 

Em Mateus 7.1, o texto diz: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor!” . Esse texto mostra que, no Reino de Deus, apenas expressar palavras em seu nome não basta, mas é preciso colocar em prática o que se diz. Por isso, o apóstolo Paulo escreve que o Reino de Deus não consiste só em palavras, mas principalmente em virtude (1Co 4.20). O apóstolo João ensina que não devemos amar só de palavras, mas por obra e em verdade (1Jo 3.18). É claro que o Senhor Jesus não rejeita a confissão verbal e sincera, quando esta resulta de um coração transformado (Rm 10.9,10). Sim, a fé cristã também é confissão. Entretanto, para que essa confissão seja autenticamente cristã tem de ser genuína e sincera, provada pelas verdadeiras ações submetidas ao senhorio do nosso Salvador.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Muitos dos escribas e dos fariseus tinham em sua mente que a forma como procediam nos seus ensinos e no relacionamento com Deus, o Senhor, na verdade, seria a crença correta, contudo, a crença deles era mais verbalista. Jesus esclarece que algumas pessoas podem chamá-lo de Senhor, viver como se fossem verdadeiros cristãos, mas Jesus não é o seu Senhor. Muitos podem usar o nome de Jesus aparentando servi-lo de verdade, mas tudo não passa de ilusão.

Existem pessoas que são ortodoxas quanto à doutrina, aprendem e ensinam sobre Cristo, sua natureza e chamam-no de Senhor, todavia, não farão parte do Reino. É importante levar em consideração que Jesus não está com esse ensino combatendo a ortodoxia, visto ser ela de vital importância para o cristão. Não podemos viver a vida cristã se não acreditarmos que Jesus é o Filho de Deus, o qual foi enviado pelo Pai, se fez carne e habitou entre nós (Jo 1.14; Fp 2.1-5), e é claro que devemos chamá-lo de Senhor, pela ação direta do Espírito Santo (1Co 12.13). Mas a grande questão é que quando passo a depender da minha ortodoxia, isso poderá me levar à condenação.

Ninguém entrará no Reino dos céus sem que ao menos reconheça Jesus como Senhor (Fp 2.11). Nem todo grupo religioso que diz Senhor, Senhor, entrará em seu Reino. Tiago é bem incisivo em afirmar que até os demônios creem (Tg 2.19); lendo Marcos 5.7, uma legião de demônios sabia e reconhecia Jesus como Filho de Deus, mas esse conhecimento não alterava nada na vida deles.

Talvez você me pergunte: como é possível alguém ler a Bíblia, falar sobre Cristo e não ser verdadeiramente cristão? Sem que haja a implantação da nova natureza divina no homem, vindo do alto pelo novo nascimento (Jo 3.3,5), as verdades das Escrituras serão para ele um tipo de filosofia de vida, buscarão viver para o Senhor simplesmente por temer o castigo eterno, e não por reconhecerem que são pecadores que necessitam do Salvador, sua fé é apenas mental.

Além do elemento de uma crença mental, existe também o elemento do fervor carnal, ou seja, por vezes, um pregador ou irmão poderá ser muito fervoroso, levando as pessoas a julgarem-no como espiritual, zeloso com as coisas de Deus, mas devemos ter todo o cuidado nesse quesito, pois pode ser apenas de um zelo carnal, mas que não é marcado pelo verdadeiro conhecimento (Rm 10.2). O nosso fervor deve se firmar no servir a Cristo com amor (Rm 12.11), caso contrário, tudo será pura carnalidade.

Quando atentamos bem para Mateus 7.21, Jesus mostra que nem todos que pregam, ensinam ou fazem supostas maravilhas são verdadeiros, porque o que falam de seus lábios jamais condiz com o que fazem. A expressão Senhor, Senhor, proferida de sua boca nada mais é do que uma artimanha. Os tais se mostram servos fiéis de Jesus, porém, a vida prova o contrário (Ml 1.6; Lc 6.46). Por vezes, uma pessoa pode querer apresentar uma santidade ou piedade tremenda, mas, na verdade, o que busca são lucros, vantagens humanas, tudo não passa de mentira, como falou Paulo e Pedro (1Tm 6.5; At 19.24; Fp 3.7). Os verdadeiros servos de Deus são pobres de espírito (Mt 5.3).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 238-40.

 

 

Ele mostra, a través de uma clara exposição de razões, que uma visível profissão de fé, embora seja digna de nota, não basta para nos levar ao céu, a não ser acompanhada por uma correspondente conduta (w. 21-23). Todo julgamento pertence ao Senhor J e sus, as chaves foram colocadas em suas mãos. Ele tem o poder de prescrever novos termos de vida ou morte e de julgar os homens de acordo com eles. Essa é uma solene declaração que está em conformidade com esse poder. Portanto, observe que:

  1. A lei de Cristo foi estabelecida (v. 21). “Nem todos aqueles que dizem Senhor, Senhor, entrarão no reino dos céus”, no reino da graça e da glória. Esta é uma resposta ao Salmo 15.1. “Quem habitará no teu tabernáculo?”

A igreja militante. E quem morará no teu santo monte? A igreja triunfante. Cristo está mostrando aqui:

(1) Que não basta dizer as palavras “Senhor, Senhor” para ter Cristo como nosso Mestre, ou para se dirigir a Ele professando nossa religião. N as orações a Deus e nas conversas com os homens, devemos invocar o Senhor Jesus Cristo. Quando dizemos ’’Senhor, Senhor”, estamos dizendo bem, pois é isso que Ele é (Jo 13.13). Mas será que imaginamos que isso é suficiente para nos levar ao céu, que essa expressão de formalidade deveria ser recompensada ou que E le sabe e exige que o coração esteja presente nas demonstrações essenciais? Os cumprimentos entre os homens são uma demonstração de civilidade, retribuída com outros cumprimentos, e nunca são expressos como se fossem serviços reais. E o que dizer destes em relação a Cristo? Pode haver uma aparente impertinência na oração “ Senhor, Senhor”, mas se as impressões interiores não forem acompanhadas pelas correspondentes expressões exteriores, nossas palavras serão como o metal que soa ou como o sino que tine. Isso não nos deve impedir de dizer “ Senhor, Senhor”, de orar, e de sermos sinceros nas nossas orações, de professar o nome de Cristo, com toda clareza; porém jamais devemos expressar alguma forma de piedade sem o poder de Deus.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 87.

 

 

 

 

2- Os milagres não transformam o caráter.

 

O versículo 23 do capítulo 7 revela a justificativa dos impenitentes a respeito dos milagres que fizeram em nome de Jesus. Infelizmente, muitos pensam que realizar grandes milagres, ou desenvolver grandes ministérios em nome de Cristo é a prova de fazer a vontade de Deus. Nosso Senhor, quando do seu ministério terreno, nunca se impressionou com as lisonjas humanas (Lc 11.27,28). A Bíblia rechaça a falsa piedade (Tg 2.18-20). Aqui, o ensino do Senhor Jesus mostra que a pregação, os milagres e maravilhas realizados em seu nome não são provas cabais de um verdadeiro discípulo de Cristo. Nosso Senhor mostra que haverá condenação para os falsos seguidores de Jesus, pois eles serão desmascarados e não entrarão no Reino de Deus (Mt 25.31-46). Sejamos, pois, cuidadosos quanto aos movimentos que dão ênfase apenas em milagres e maravilhas, mas não cuidam do desenvolvimento do caráter cristão (Gl 5.22-24).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Todo cristão deve ser consciente de que vivemos em um mundo de fenômenos sobrenaturais. Os que lidam com as pesquisas de tais fenômenos mostram que há pessoas que possuem ou demonstram ter poderes psíquicos para realizar curas, adivinhar o futuro, falar outros idiomas sem haver estudado, expulsar demônios, lidar com espíritos.

Não negamos que fenômenos sobrenaturais possam acontecer, mas existem três fontes para isso: o homem, Satanás ou Deus. É preciso reconhecer qual é a fonte certa. Por esse motivo, João diz que não se deve crer em qualquer espírito (1Jo 4.1).

É fácil para o mundo aplaudir aqueles que exibem seus supostos poderes miraculosos, porque tais “obras” podem parecer verdadeiras, mas não são. Devemos ser conscientes de que o simples fato de alguém realizar grandes feitos em nome de Cristo não é o critério correto para se dizer que ele tem comunhão com Deus. Outrossim, a aprovação da maioria não quer dizer que tal profeta seja verdadeiro.

As realizações poderão vir de uma das três fontes acima mencionadas, daí a necessidade de se ter toda a cautela necessária.

No versículo 22 de Mateus 7, Jesus menciona três atitudes que alguém poderá fazer usando o seu nome. A primeira é profetizar, cujo sentido é falar sob a inspiração divina uma mensagem espiritual, como também fazer predição do futuro. Seria uma pessoa que, dotada do dom de profecia, ministra ao Corpo de Cristo (1Co 12.28; Ef 4.11). O uso de profecia em Mateus fala de alguém que estava exercendo a posição de mestre na igreja.

Alguém pode profetizar algo verdadeiro sem que sua vida seja verdadeiramente transformada. Podemos ver isso na pessoa de Balaão: o que ele falava acerca de Israel era verdade, mas era um falso profeta (Jd 1.11; Ap 2.14).

É possível sim que uma pessoa, em uso do nome de Cristo, faça grandes maravilhas, cure, pregue, profetize, fale línguas, sem que seja vindo da fonte verdadeira, Cristo, originando-se do homem sob o poder e eficácia de Satanás. Quando lemos 1 Coríntios 13.1-3, Paulo deixa bem claro que uma pessoa pode fazer todas essas obras mencionadas acima sem caráter, sem vida, sem comprometimento com Cristo, sem amor. Isso prova que maravilhas ou grandes feitos não contribuem para a mudança de caráter, nem para a entrada no Reino.

A segunda questão é quanto ao ato de expulsar demônios. Não se pode negar a realidade do mundo espiritual; para combatê-lo, o cristão precisa estar revestido da armadura de Deus (Ef 6.10-20). Jesus deu poder aos seus discípulos para expulsarem demônios (Mt 10.1), e a igreja, ao longo de sua existência, tem se valido dessa autoridade para combater esse poder maléfico. Porém, nesse ensino de Cristo, uma pessoa pode até expulsar demônios e ficar fora do Reino de Deus, pelo fato de sua vida não ser realmente transformada. Mateus 10.1 fala que os doze apóstolos receberam poder. Isso incluía Judas, cujo fim trágico revelou que ele não era realmente transformado.

Por fim, tem-se o uso do substantivo feminino milagres, que do grego é dúnamis, poder, força, habilidade. Poder inerente, poder que reside numa coisa pela virtude de sua natureza, ou que uma pessoa, ou coisa, mostra e desenvolve, poder para realizar milagres, poder moral e excelência de alma, poder e influência própria dos ricos e afortunados, poder e riquezas que crescem pelos números, poder que consiste em ou baseia-se em exércitos, forças, multidões, sendo mais direto falar de obras poderosas, admiráveis e incríveis.

O apóstolo Paulo mostra que o cristão pode receber de Deus o dom de realizar de milagres (1Co 12.10). O ministério desse próprio apóstolo foi confirmado com sinais e maravilhas (Rm 15.19). Observe que aqui Jesus não combate a prática de sinais e maravilhas, mas a sentença vem para aqueles que usavam o seu nome para esse fim sem que realmente tivessem suas vidas transformadas.

Antes falamos das fontes por intermédio das quais esses milagres podem acontecer. É preciso saber que os verdadeiros têm sua fonte em Deus, e os pseudomilagres têm sua fonte em Satanás. Para compreendermos isso, basta lermos Êxodo 7.11-22, em que é dito que os magos de Faraó fizeram o mesmo que Moisés, em relação a transformar o cajado em serpente e as águas do Nilo em sangue, mas logo em Êxodo 8.18, com suas ciências ocultas, não puderam fazer o mesmo. Em Mateus 24.24, Jesus falou sobre os falsos profetas e seus milagres não verdadeiros; Paulo revela tudo e diz que a operação desses milagres é pelo poder de Satanás (2Ts 2.8.9).

Queridos irmãos, estejamos atentos para uma coisa: apenas a realização de obras espetaculares e milagres não serve como sinal para confirmar ou autenticar que uma determinada pessoa é escolhida ou usada por Deus. Somos alertados na Bíblia quanto aos falsos profetas (Dt 13.1-5) e falsos milagres, os quais se realizam pelo poder de Satanás (2Ts 2.8-12).

Quando falamos em profecias, expulsar demônios e milagres, sempre haverá aqueles que irão querer imitar o poder de Cristo e dos seus seguidores. Os tais não têm a aprovação de Deus, por isso serão julgados e condenados, não tendo permissão para entrar no Reino.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 240-244.

 

 

[…] um crente verdadeiro é conhecido não apenas pelas suas obras (7.22,23). Esses falsos crentes pleitearão, no dia do juízo, o reconhecimento de suas obras portentosas: profecia, expulsão de demônios e muitos milagres.

Todas as obras aqui mencionadas são sobrenaturais.

Não se questiona a realidade delas, mas se reprovam todas, porque a vida daqueles que as praticaram estava imiscuída em iniquidade. Deus não está interessado apenas no que fazemos, mas também, e sobretudo, em como o fazemos. Deus requer obra certa e motivação certa. Ele quer verdade no íntimo. Concordo com A. T. Robertson quando ele diz que naquele dia Jesus lhes arrancará a pele de ovelha e exporá o lobo voraz.

[…] um crente verdadeiro será distinguida do crente falso no dia do juíza (7.23). Enquanto caminhamos neste mundo, o joio estará misturado com o trigo, mas, no dia do juízo, os falsos crentes serão desmascarados e ouvirão seu veredito do reto juiz: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 243.

 

 

OS IMPOSTORES

Mateus 7:21-23

Esta passagem tem uma característica surpreendente. Jesus está disposto a aceitar que muitos dos falsos profetas farão e dirão coisas maravilhosas e impressionantes. Devemos recordar como era o mundo daquela época. Os milagres eram fatos comuns da vida, e sua frequência em parte deve atribuir-se à concepção da enfermidade que era comum na antiguidade. Na antiguidade todas as enfermidades eram consideradas obra do demônio. Quando alguém adoecia era porque algum demônio tinha conseguido exercer uma influência maligna sobre ele, ou introduzir-se em alguma parte de seu corpo. As curas, portanto, eram feitas mediante exorcismos.

Um dos resultados desta concepção da enfermidade era que muitas das doenças eram o que hoje chamaríamos psicológicas, o mesmo que sua cura. Se alguém conseguia convencer-se de que um demônio se havia possesso dele e o tinha sob seu poder, sem dúvida que caía presa de alguma enfermidade. E se alguém podia convencê-lo de que o poder do demônio sobre ele tinha sido quebrantado, sem lugar a dúvida o homem se curava. Na antiguidade qualquer um podia acreditar que estava possesso por um demônio e em conseqüência estava doente, e também podia acreditar que um bom exorcismo era capaz de expulsar o demônio, e portanto, simultaneamente, de curar a enfermidade.

Os dirigentes da Igreja nunca negaram que os pagãos pudessem fazer milagres. Para competir com os milagres que se atribuem a Jesus, Celso citou milagres atribuídos a Esculápio e a Apolo. Orígenes, que procurou responder a seus argumentos, nem por um momento nega a possibilidade destes milagres “pagãos”. Limita-se a afirmar: “Esse poder curativo não é em si mesmo bom ou mau, e está ao alcance de ímpios assim como ao das pessoas honestas” (Orígenes, Contra Celso, 3:22).

Até no Novo Testamento encontramos a referência a um exorcista judeu que acrescentou o nome de Jesus a seu repertório de palavras mágicas, e com sua ajuda expulsava demônios (Atos 19:13). Houve mais de um enganador que, fingindo servir a Jesus, a única coisa que fazia era usar seu nome para produzir resultados maravilhosos nos possessos de demônios que iam a ele para lhe pedir ajuda.

O que Jesus afirma nesta passagem é que ninguém pode usar seu nome, tratando-se de uma impostura, sem que chegue o dia da verdade, quando deverá prestar contas. Ali se conhecerão seus verdadeiros motivos, e será afastado da presença de Deus.

Há nesta passagem duas grandes verdades eternas. Há somente uma forma de demonstrar a sinceridade de alguém, e é na prática. As palavras bonitas jamais servirão como substituto das boas ações. Há uma só prova de amor e é a obediência. Não vale nada dizer que amamos a alguém, se fizermos coisas que sabemos que ofendem mortalmente a quem dizemos amar.

Quando meninos muito provavelmente dissemos a nossa mãe: “Mãe, gosto de você.” E é muito provável, também, que nossas mães nos olhassem com muito carinho e um pouco de tristeza, e nos dissessem: “Queria que você o demonstrasse um pouco em seu comportamento.” Com muita freqüência confessamos a Deus com nossos lábios e o negamos em nossas vidas. Não é difícil recitar um credo, mas sim é difícil viver uma vida cristã. A fé sem uma vida que a expresse é uma contradição de termos. O amor sem obediência é uma impossibilidade.

Atrás desta passagem está a idéia do juízo. Em cada uma de suas partes podemos reconhecer a certeza de que algum dia se ajustarão as contas. É possível que alguém consiga manter a máscara e o disfarce durante algum tempo, mas sempre chega o momento em que toda falsidade fica manifesta, e todo disfarce é arrancado. Possivelmente possamos enganar com nossas palavras aos homens, mas jamais poderemos enganar a Deus. “De longe penetras os meus pensamentos” (Salmo 139:2). Ninguém pode enganar a Deus, que vê o coração.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Mateus. pag. 311-313.

 

 

3- Fazendo a vontade do Pai.

 

O verdadeiro discípulo de Cristo é o que vive em total obediência a Deus, fazendo sua vontade: “ […] Mas aquele que faz a vontade do meu Pai, que está nos céus” (Mt 7.21). Do grego thelêma, a palavra vontade significa uma determinação, escolha ativa, ou passiva, inclinação (desejo, prazer, vontade). Fazer a vontade do Pai é obedecer com determinação aos seus preceitos, a sua Palavra. Jesus é o nosso grande modelo de fazer a vontade de Deus, Ele fez isso em tudo, sempre obediente. Essa é também uma condição que Deus nos exige para entrar em seu Reino. Nesse sentido, todos quantos querem fazer a vontade de Deus procuram fugir do pecado. Por isso devemos orar a Deus assim: “Seja feita a tua vontade” (Mt 6.10 cf. 26.39-42; SI 103.20,21). É a vontade do Pai que o Espírito Santo produza o verdadeiro caráter de Cristo em nós. Portanto, oremos como o salmista: “ Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus; guie-me o teu bom Espírito por terreno plano” (Sl 143.10).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O apóstolo João falou que existe o filhos de Deus e o filhos do Diabo (1Jo 3.10). Ninguém vai sair por aí dizendo que é filhos do Diabo, mas eles existem sim. O grande problema de Satanás é fazer com que as pessoas que são seus filhos pensem que são filhos de Deus. Como é dito em 2Cor 11.14,15, ele se transforma em anjo de luz. Faz isso porque seu desejo é que as pessoas vivam uma vida de aparências, pensando estar caminhando para o céu, dizendo Senhor, Senhor, sem de fato estar comprometidas com Ele.

Satanás consegue seduzir pessoas para que vivam uma vida cristã superficial, um cristianismo nominal, e, para consolidar seu intento maléfico, concede a elas poder para realizar os supostos sinais, levando a realmente crer que estão em Deus. Para vencer tal engano é que Jesus adverte seus discípulos a não ouvir os falsos profetas e identificá-los por suas doutrinas erradas e seus frutos podres. Não há como ser enganado por milagres porque Jesus falou aos seus seguidores que o mais importante não seriam os sinais, mas, sim, ter a ciência de que seus nomes estariam escritos no livro da vida (Lc 10.20).

Em Lucas 10.20, mais uma vez, Jesus traz à tona o ensino que havia dito no Sermão do Monte, mostrando que é possível também que os que estão fora do Reino façam “obras grandiosas”, mas esse não é o critério para se avaliar quem realmente é crente e vive em comunhão com Cristo. Antes, o mais valioso é ter a certeza se realmente o coração está puro, se desenvolve um viver em santidade, se faz a vontade do Senhor. Não se pode jamais querer identificar um cristão simplesmente pelo lado exterior, pelas aparências. Nosso olhar tem que ir além da superfície, tem que alcançar as profundezas, como fez Jesus quando olhou para Natanael e o identificou como um israelita sem dolo (Jo 1.47).

Jesus encerra seu ensino falando do Dia do Juízo contra os falsos profetas. Ele mostra que o que realmente valoriza é um relacionamento que uma pessoa constrói com Ele, reconhecendo-o e aceitando-o como Senhor e Salvador, procurando fazer a sua vontade e obedecendo a sua Palavra. No dia do acerto final de contas, aqueles que não confessaram a Cristo verdadeiramente sofrerão a condenação eterna, ao passo que aqueles que confessaram verdadeiramente a Cristo neste mundo serão aprovado perante o Pai (Mt 10.31), pois o pecado, as falsas obras, tudo será julgado, e os que viviam em falsidade sofrerão vergonha eterna, mas os que viveram na fé serão recompensados.

Não se pode identificar o verdadeiro pastor, cristão, pregador, mestre, profeta, os quais realizam feitos admiráveis, somente pelos sinais, uma vez que, aparentemente, estes podem apresentar um estilo de vida de suposta comunhão com Deus, mas, na verdade, não obedecem a sua Palavra, antes, andam segundo o seu querer. Não demorará para que a sua real identidade seja revelada, quando perante os olhos daquEle que tudo vê será dito: “Nunca vos conheci, apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.23).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 244-246.

 

 

[…] um crente verdadeiro é conhecido pela obediência (7.21). Quem vai entrar no reino dos céus não são aqueles que fazem profissões de fé ortodoxas e emocionantes, nem aqueles que fazem obras milagrosas, mas os que obedecem à vontade do Pai. Não é possível substituir obediência por performance. Tasker tem razão ao dizer que Jesus afirma aqui com grande ênfase que a conduta correta, o fazer a vontade do Pai, e não a adoração de lábios, é que constitui o passaporte para a travessia da porta que conduz à vida e que resulta num veredito de absolvição naquele dia do juízo.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 243.

 

 

Que será necessário – para nossa felicidade – fazer a vontade de Cristo, que, na verdade, é a vontade do Pai celestial. A vontade de Deus, como Pai de Cristo, é a verdade que está no Evangelho, onde Ele é conhecido como Pai do nosso Senhor Jesus Cristo e, a través dele, o nosso Pai. Esta é a vontade de Deus: que creiamos em Cristo, nos arrependamos dos nossos pecados, vivamos uma vida santa e amemos uns aos outros. Essa é a sua vontade: a nossa santificação. Se não obedecermos à vontade de Deus, estaremos zombando de Cristo ao chamá-lo de Senhor, da mesma forma como fizeram aqueles que o vestiram com um manto suntuoso e disseram: “Salve, Rei dos Judeus”. Dizer e fazer são duas coisas que muitas vezes estão separadas nas palavras dos homens: existe aquele que diz: “Eu vou, senhor”, porém já mais dá sequer um passo na direção prometida (cap. 21.30). Mas Deus reuniu essas duas coisas no seu mandamento, e nenhum homem poderá separá-las se quiser entrar no Reino dos céus.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 87.

 

 

 

SINOPSE I

Os falsos seguidores de Jesus Cristo serão condenados.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

O Julgamento Divino

“Os discípulos não serão julgados pelo que dizem ou pelas maravilhas que fazem, mas pelo caráter vivenciado neste mundo. Jesus sustenta que misericórdia dada será recebida com misericórdia (Mt 5.7; 6.14). Isto nunca pode ser simples sobras de justiça, uma vez que os verdadeiros crentes sabem o quão desesperadamente eles carecem de misericórdia, a misericórdia de Deus (Mt 5.7; 6.12). Mateus quer que o título ‘Senhor’ (kyrios) seja mais que mero título de respeito, visto que ele está escrevendo depois da ressurreição de Jesus e que Jesus assume a prerrogativa divina do juiz do tempo do fim (Mt 7.23). A expressão ‘naquele Dia’ (v. 22) refere-se ao dia do julgamento (cf. Mt 24.36; Lc 10.12). Repare também na característica de Mateus: ‘Reino dos Céus’ (Mt 7.21). Este ‘governo de Deus’ requer atos de misericórdia com o sinal de que a misericórdia de Deus foi recebida no coração, pois o seu Reino de misericórdia visa dar perdão jurídico, bem como transformar a natureza, disposição e caráter do recipiente” (ARRINGTON, French L; STRONSTAD, Roger (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.62).

 

 

II – EM QUEM ESTAMOS ALICERÇADOS?

 

 

1- O alicerce começa pelo ouvir.

 

Para ser um verdadeiro discípulo de Cristo é preciso ouvir a sua Palavra (Mt 7.24). Suas palavras são eternas, espírito e vida (Jo 6.33,68). Por meio delas, o interior do ser humano é transformado verdadeiramente. Atente para a expressão “ minhas palavras” (Mt 7.24). No grego, a palavra é logos, mas, no texto, ela se encontra no genitivo (um modo da gramática grega) cuja ideia central é de posse. Não é qualquer palavra que devemos ouvir, mais a de Jesus. Essa palavra é poderosa, é o logos, conforme a linguagem de João, Jesus Cristo é a essencial Palavra de Deus, a sabedoria perfeita unida ao Pai (Jo 1.1; Cl 1.17; 1Jo 1.1). Assim, os que querem construir a sua casa espiritual precisam começar a ouvir o que o grande engenheiro da eternidade disse. Ele é o alicerce de nossa edificação espiritual (Sl 127.1).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Quem deseja entender a importância do ouvir deve atentar para o que falou Salomão. Ele disse que a sabedoria vem pelo ouvir, falou que o ouvir é melhor do que qualquer sacrifício (Ec 5.1). Aquele que despreza o ouvir, até sua oração será abominável (Pv 28.9), e responder antes de ouvir é estultícia (Pv18.13). Mas aqui iremos falar da importância de ouvir Jesus. Nossa vida espiritual só pode começar bem se procurarmos ouvi-lo, pois Ele é o dono da vida e somente dEle vêm as palavras de vida eterna (Jo 6.68).

Mateus 7.24 (ARA) começa com Jesus se expressando: “Todo aquele, pois que ouve estas minhas palavras […]”. Na verdade, Ele estava se referindo à aplicação do Sermão do Monte. O que se tem nos versículos 24-27 é a seção que podemos considerar como o desfecho ou o epílogo. Interessante começarmos dando uma definição do verbo ouvir, que do grego é akoúo, estar dotado com a faculdade de ouvir, não surdo. Ouvir, prestar atenção, considerar o que está ou tem sido dito, entender, perceber o sentido do que é dito; ouvir alguma coisa.

Se quisermos ter uma verdadeira vida espiritual, não podemos sair por aí ouvindo qualquer pessoa ou mestre. O essencial é começar ouvindo a Cristo, pois só poderá ter acesso aos portais do Reino celestial, à verdadeira salvação, ao destino verdadeiro, aqueles que procurarem ouvi-lo. Jesus é o maior Pedagogo do mundo, pois suas palavras são cheias de vida e de verdade, elas vinham diretamente do Pai (Jo 14.10). Além disso, falando de Jesus como grande Pedagogo, J. M. Price escreve:

Ninguém esteve melhor preparado, e ninguém se mostrou mais idôneo para ensinar do que Jesus. No que toca às qualificações, bem como noutros mais respeitos, Jesus foi o mestre ideal. Isto é verdade tanto visto do ângulo divino como do humano. No sentido mais profundo, Jesus foi “um mestre vindo da parte de Deus”. Muitos elementos contribuíram para prepará-lo eficientemente para o magistério. Alguns elementos eram meramente humanos; outros, divinos; alguns lhe eram inerentes, e outros, ele os desenvolveu. Quando os consideramos, nos sentimos estimulados e inspirados para cumprir nossa tarefa de professor.

Quem começa ouvindo o maior Pedagogo do mundo vai ter sabedoria para escolher as coisas excelentes e praticar o que há de melhor, e do modo certo. É ouvindo a Cristo que não apenas seremos diferentes, mas viveremos de modo diferente. Por meio do genitivo grego μου τοὺς λόγους (Minhas palavras), o que procede dos lábios de Jesus Cristo dará uma vida de qualidade e estabilidade.

A Bíblia descreve Salomão como o homem mais sábio da terra. Ele foi terceiro rei do reino unido de Israel, reinou de 970 a 93l a.C., em lugar de Davi, seu pai.

No Comentário Bíblico Beacon,32 seus expositores, com maestria, dão uma de†nição precisa sobre a sabedoria de Salomão:

O antigo Oriente Próximo podia reivindicar um considerável depósito de sabedoria (hokma) antes da época de Salomão. O historiador reconheceu isto quando fez referência a toda a sabedoria dos egípcios. Como se sabe hoje em dia, isto remonta à era das pirâmides, até mesmo à época de Djozer da pirâmide de Step (aproximadamente 2650-2600 a.C). Nos tempos de Salomão havia mais gente interessada em sabedoria, como por exemplo, todos os do Oriente, ou seja, os edomitas. No entanto, o filho de Davi superou a todos.

Sem dúvida, esta é uma justa comparação. Ao consideramos a supremacia de Israel, Salomão poderia perfeitamente ter sido insuperável na sua época, em termos dos seus interesses pessoais e da sua habilidade para enigmas. É atribuída a ele a autoridade do Salmo 89, um dos cânticos de ensino ou de “sabedoria.

Esse homem era grandemente sábio e sabemos que tal sabedoria vinha do Senhor, porém, com toda sabedoria o final de sua vida foi totalmente um fracasso (1Rs 1-11). Creio que para alguém naquela época ouvir Salomão falar era por demais valioso, agora imagine ouvir Jesus falar, ensinar, posto que Ele mesmo disse: “A rainha do Sul se levantará, no juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão” (Mt 12.42, ARA).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 246-248.

 

 

Somente a casa cujos alicerces são firmes pode suportar os embates da tormenta. E somente a vida cujo fundamento é firme pode suportar as provas. Jesus exigia duas coisas.

Exigia que os homens o ouvissem. Uma das maiores dificuldades que enfrentamos hoje é que com muita frequência os homens não sabem o que Jesus ensinou, ou o que a Igreja prega. Pior ainda, têm ideias muito erradas do que Jesus ensinou ou do que prega a Igreja. Um dos deveres importantes de toda pessoa honesta consiste em não condenar a uma pessoa ou a uma instituição sem antes tê-la escutado – e isto, precisamente, é o que hoje a maioria não faz. O primeiro passo para uma vida cristã é dar a Jesus uma oportunidade para nos falar.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Mateus. pag. 314.

 

 

  • Ouve estas minhas palavras». Jesus faz aqui ·a aplicação· do sermão.

Esta secção (vss. 24-27) é o epílogo do sermão. Provavelmente Jesus usou essas palavras em outras circunstâncias, noutros sermões, para mostrar a necessidade que o povo tinha de receber o Cristo do reino. Diversos indícios mostram que ele não se referiu só ao reino literal, sobre a terra, o reino político, mas também aludiu ao reino dos céus, à salvação, ao destino dos seres humanos. Para que alguém alcance esse destino e o reino dos céus, os lugares celestiais, é mister que ouça c pratique as palavras do Rei.

Ouve …pratica. Esses dois aspectos sempre andam juntos (ver Tia. 1:22-25). Nesse ponto é que falhavam os falsos profetas. É o que os discípulos falsos apenas fingiam fazer. E é isso que os discípulos autênticos devem fazer.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 336.

 

 

2- A importância do bom alicerce.

 

Os que lidam com a construção civil sobem o quanto é importante a construção dos alicerces. Quando se ergue um edifício com os alicerces mal estruturados, a ruína é certa. De início, todo investimento pesado deve ser nas bases. Por isso, pedagogicamente, ao concluir o Sermão do Monte, Jesus toma as figuras dos dois construtores e dois alicerces: um prudente, que edifica na rocha; outro insensato, que edifica na areia (Mt 7.24-27). As duas palavras gregas, ambas substantivos femininos, que aparecem no texto, é petra e amnos. Petra significa penhasco ou cordilheira de pedra, rocha projetada, solo rochoso, grande pedra, traz o aspecto metafórico de firmeza, fortaleza; amnos significa areia, terra arenosa, areia movediça, que metaforicamente quer dizer fraco, sem estabilidade.

Logo, quem constrói seus alicerces sobre a rocha está firme, estabilizado; mas quem constrói sobre a areia está fragilizado, instável. Quem edifica na rocha está firmado para suportar os revezes da vida; ainda que os ventos enfurecidos soprem, vindo de todas as direções, nada abalará a fé. Todavia, para a casa edificada na areia, que expressa indecisão, dúvida, negação, a queda é certa. Sigamos o conselho de Paulo: “ […] veja cada um como edifica sobre ele [o fundamento]” (1Co 3.10).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

No aspecto figurativo, somos comparados a uma casa. Isso está bem claro em Apocalipse 3.20. Assim, podemos começar fazendo uma pergunta: Por que grandes casas humanas caem? Por que grandes ministérios fracassam? Por que muitos casamentos acabam? A resposta é: porque muitas casas são construídas com tijolos errados, rebocadas e pintadas com a tinta da aparência (At 23.3). Para a casa ser bem edificada espiritualmente e não cair, a construção precisa ser feita com bons materiais (1Co 3.10,12; Lc 14.28), sobre um bom alicerce.

A vida espiritual não pode ser construída de qualquer maneira, colocando qualquer tipo de material como palha, feno, madeira, ouvindo qualquer pessoa (Sl 1.1,2). Daí a razão de Paulo dizer: “Veja cada um como edifica” (1Co 3.10,12). É preciso, da parte do edificante, muita sabedoria e prudência na edificação de sua vida espiritual. Quem procura edificar sua vida nas palavras dos homens, e não nas palavras de Cristo, pode ter certeza de que a sua construção caíra, pois somente Jesus edifica a casa (Sl 127.1).

Antes de Cristo Jesus vir, muitos estavam edificando as suas vidas em meros discursos de doutores, como era o caso dos escribas. Eles fundamentavam seus conhecimentos em tradições humanas, conforme o próprio Senhor Jesus falou (Mt 15.9). A autoridade de Jesus vinha diretamente do Pai. Quem praticasse as suas palavras, estaria bem seguro.

Só quem tem sabedoria é que poderá saber escolher o bom material para alicerçar a sua casa. Nesse caso, Mateus deixa claro que Jesus é a pedra, do grego pétra, que significa rocha, rochedo. Na Septuaginta, fala de uma rocha sólida, nativa. O imprudente, tolo ou insensato (o adjetivo moros, no grego) fala de uma pessoa tola, ímpia, incrédula (Sl 14.1), sem juízo, não sabe de nada, vai construir sua casa sobre a areia (substantivo feminino que do grego é ammos, terra arenosa). A areia constitui massa de pouca resistência a pressões, não aguenta pressão. O imprudente é facilmente atraído pelas coisas do mundo, não tem raiz, logo cai (Mt 13.20,21; 2Tm 4.10).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 248-250.

 

 

Mateus leva à conclusão a presente coleção de pronunciamentos de Jesus registrando a parábola dos dois construtores, notável exemplo da forma poética pela qual o nosso Senhor apresentou grande parte do seu ensino. A parábola sublinha a verdade de que, na esfera espiritual, acima de todas as demais, o ouvir não tem valor se não resultar em ação.

O modo cristão de viver jamais pode ser praticado, a menos que se baseie em alicerce sólido, e o único alicerce seguro é o próprio Cristo (ver 1 Coríntios 3.11). O homem cuja fé em Cristo é real e sincera, poderá edificar sobre esta fé, e o fará, o edifício do caráter cristão, que resistirá às tempestades de incompreensão e desapontamento, de cinismo e dúvida, de sofrimento e perseguição, quando ameaçarem destrui-lo. De acordo com as palavras de 2 Pedro 1.5-7, ele reunirá toda a sua diligência para associar com a sua fé, a virtude; “ com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio; com o domínio próprio, a perseverança; com a perseverança, a piedade; com a piedade, a fraternidade; com a fraternidade, o amor” (VPR, RA). Por outro lado, o homem que presta culto de lábios a Cristo, e cujo coração está longe dele, não tem sólido alicerce sobre o qual construir, e embora por algum tempo o edifício do seu caráter possa parecer seguro e estável como o do homem de fé, não obstante, chegado o dia da provação e da adversidade, cairá com retumbante fragor.

V. G. Tasker, Mateus, Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. 1 Ed 1980. pag. 67-68.

 

 

3- A relevância do praticar.

 

Escutar e praticar as palavras de Cristo são as provas de que o discípulo está pronto para viver em plena obediência a Deus. Ao que ouve e pratica (Mt 7.24,26), o Senhor Jesus o chamou de construtor prudente, do grego, phronimos, que aparece como adjetivo e quer dizer inteligente, sábio; pois a pessoa prudente não fundamentou a sua vida nos efêmeros postulados humanos, m as na grande rocha eterna, o Senhor Jesus. Já o segundo construtor é descrito como insensato, pois ouve, mas não pratica os ensinos do Mestre. Aqui, do grego môros, aparece com o adjetivo tolo, ímpio, incrédulo, motivo pelo qual os que são assim, não atentam para as palavras de Jesus. Assim, percebem os dois tipos de pessoas nesta seção bíblica em estudo: o prudente e o insensato. O prudente procura agir corretamente de acordo com o que ouviu. O insensato ouve, mas despreza o ensino de Cristo, não opõe em prática. Com que tipo de pessoa do Sermão do Monte você mais se identifica? Sobre qual fundamento você tem edificado? Na rocha ou na areia?

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O verbo praticar no grego é poiéô, e quer dizer produzo, ganho, provejo, pratico, uso de construir, formar, modelar. Note que está no tempo presente, voz ativa, modo indicativo. O verbo edificar do grego, que aparece no texto, é okodómêse (tempo-aoristo, voz ativa, modo indicativo). Fala do ato de alguém construir uma casa, fazer uma construção, mas no sentido metafórico significa construir com sabedoria para promover crescimento (1Co 3.10; Tg 1.5).

Importante dizer que só pode se lançar ao ato da construção aquele que for sábio, pois o insensato ouve o ensino de Jesus, mas o ignora, isto é, não pratica o que Ele disse; porém, há algo de especial para aquele que busca fazer a vontade de Deus. Primeiramente, revela o quanto é sábio e prudente, e além disso haverá recompensa para a sua vida.

Vemos em Mateus 7.24-27 o contraste entre os dois tipos de construtores. Os dois constroem as suas casas, inclusive ambas têm a mesma aparência. Contudo, apenas uma delas suportará o teste quando vier a tempestade. O que ouviu as palavras de Jesus, mas não fez caso delas, frente aos vendavais que virão, como não tem raiz, firmeza, sua construção será de pouca duração (Mt 13.21), sua vida sofrerá destruição total, que é uma referência ao juízo divino (Mt 7.13,14), sendo separado definitivamente de Deus (Mt 7.22,23). Dessa forma ficou revelado que aquele que aparentava ser realmente de Cristo, de estar firmado nEle, sua fé não passou pelo teste da tempestade, mas revelou de fato como era a construção de sua vida.

Queridos, saibamos que o ouvir e o praticar não podem estar desassociados da vida cristã. Essas duas palavras precisam andar e estar juntas em nossa vida. Se assim não for, a imprudência e a escolha de materiais péssimos para a construção de nossas casas espirituais irá acontecer; não somente isso, a queda é certa. Os falsos profetas serão condenados porque ouvem os ensinos de Cristo, mas o ignoram, não praticando; já os autênticos servos de Cristo são ouvintes e praticantes da Palavra.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 250-251.

 

 

O julgamento do falso fundamento (7.24-27)

Jesus termina seu célebre sermão citando dois construtores, duas casas e dois fundamentos. Ele também fala sobre as circunstâncias que virão sobre essas casas: chuva no telhado, vento na parede e rios no alicerce. Uma casa fica de pé e permanece inabalável diante da tempestade; a outra desaba, sendo grande sua ruína. Charles Spurgeon diz que de alto a baixo, e de todos os lados, vieram as provações:

chuva, inundações e vento. Nenhum anteparo é interposto, pois todos esses combateram aquela casa. A casa que estava edificada sobre a rocha não caiu; a outra desabou. O construtor que edificou sobre a rocha é prudente; o que edificou sobre a areia é insensato. O sábio construtor é aquele que ouve as palavras de Jesus e as coloca em prática; o insensato é aquele que, mesmo ouvindo-as, não obedece.

O construtor sábio investe no fundamento, aquilo que ninguém vê, para dar segurança à casa na hora da tempestade.

O construtor insensato não investe no alicerce e, mesmo sua casa tendo bela aparência nos tempos de bonança, não consegue resistir à força da tempestade.

Ao longo da história, muitos foram os ataques ao fundamento da igreja. Os fariseus rejeitaram Cristo, a pedra fundamental da igreja, mesmo prestando lealdade a Abraão (Jo 8.56), a Moisés (Jo 5.46) e a Deus Pai (Lc 10.16; Jo 5.23). Fica claro que os fariseus não podiam rejeitar Jesus sem rejeitar Abraão, Moisés e até mesmo Deus Pai. Nos primeiros séculos do cristianismo, o gnosticismo rejeitou Jesus, ao afirmarem seus seguidores ter conhecimentos secretos, percepções superiores ao ensinamento dos apóstolos.

Esse ataque continuou na Idade Média, quando a figura do papa usurpou a centralidade de Cristo como fundamento, cabeça da igreja e o único mediador entre Deus e os homens. No século 18, esse ataque continuou com o Iluminismo. No século 19, prosseguiu com o liberalismo e, no século 20, com o neoliberalismo. Hoje, o ataque ao fundamento da igreja vem do secularismo de um lado e do sincretismo de outro. Somente a casa edificada sobre a rocha ficará de pé. Somente em Cristo, o homem pode livrar-se da tempestade do juízo!

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 244-245.

 

 

O ÚNICO FUNDAMENTO VERDADERO

Mateus 7:24-27

Jesus era um especialista pelo menos em dois campos. Era um especialista na Escritura. O livro de Provérbios lhe deu a idéia principal que desenvolve nesta passagem: “Como passa a tempestade, assim desaparece o perverso, mas o justo tem perpétuo fundamento” (Provérbios 10:25). Aqui está o germe da imagem que Jesus usou, na qual aparecem duas casas e dois construtores. Mas Jesus também era um especialista no que concerne à vida. Era o artesão que sabia tudo com relação à construção de casas, e quando falava de fundamentos, ou alicerces, sabia perfeitamente bem do que estava falando. Não estamos diante de um exemplo pensado pelo erudito em seu estudo: é o exemplo que nos ofereceria qualquer homem prático.

Nem se trata, tampouco, de uma ilustração rebuscada; é o tipo de coisas que sucedem todos os dias. Na Palestina, quando se edifica uma casa é preciso pensar com antecipação. Há muitos terrenos que no verão são lugares aprazíveis e sombreados, mas no inverno se convertem em esmagadoras correntes de águas. Procurando um lugar para construir sua casa, a pessoa poderia achar um desses terrenos baixos arenosos, bem defendido dos ventos e do sol, e poderia pensar que esse era o lugar mais apropriado para sua edificação. Mas se era pouco previdente, não se daria conta de que sua casa estaria colocada justo no leito seco de um rio sazonal, e que durante o inverno a água a desintegraria. Até em um lugar comum era muito tentador começar a pôr os tijolos sobre o liso chão arenoso sem dar-se ao trabalho de cavar até chegar à rocha; mas assim se preparava o desastre.

Somente a casa cujos alicerces são firmes pode suportar os embates da tormenta. E somente a vida cujo fundamento é firme pode suportar as provas. Jesus exigia duas coisas.

[…] Exigia que os homens pusessem em prática o que ele dizia. O conhecimento só se torna importante e real para nós quando o traduzimos em ação. Seria perfeitamente possível aprovar com altas distinções um exame de ética cristã na universidade, sem ser cristão. O conhecimento deve transformar-se em ação; a teoria deve passar à prática; a teologia deve chegar a ser vida. Não tem sentido ir ao médico se não estamos dispostos a fazer as coisas que nos vai dizer que façamos. De pouco vale ir a um especialista de qualquer tipo se não estamos preparados para agir segundo suas recomendações. E entretanto, há milhares de pessoas que todos os domingos ouvem os ensinos de Jesus nas Iglesias, e que conhecem perfeitamente bem o que Jesus ensinou, e entretanto, não fazem nem o mais insignificante intento de pôr todo isso em prática. Se tivermos que ser seguidores de Jesus, nossas duas obrigações primeiras são ouvir e fazer.

Há alguma palavra na qual se resuma o significado de ouvir e fazer? Essa palavra existe, é obvio, e é obediência. Aprender a obedecer é o mais importante na vida.

Faz algum tempo pôde ler-se nos jornais a notícia de um marinheiro da Armada Real Inglesa que foi severamente castigado por ter quebrantado importantes disposições regulamentares de sua arma. O castigo foi severo ao ponto que muitos civis pensaram que se exagerou a nota, e assim o manifestaram de diversas maneiras. Um dos periódicos pediu a seus leitores que escrevessem cartas expressando sua opinião sobre o assunto. Um dos que reagiram foi alguém que tinha servido durante muitos anos. Segundo sua opinião, o castigo não era muito severo. Sustentava que a disciplina era absolutamente essencial, pois seu propósito era condicionar o homem a obedecer incondicionalmente e de maneira automática, e desta obediência podia depender até a própria vida do interessado. E citava um caso ocorrido em sua própria experiência. Em certa oportunidade estava a bordo de uma lancha, que rebocava outro navio muito maior e pesado. Este navio estava atado à lancha por meio de um cabo de aço. De repente, no meio do vento e as ondas, ouviu-se a voz do oficial encarregado: “Corpo a terra!” Todos os homens que estavam sobre coberta imediatamente se lançaram ao piso. Nesse mesmo momento estalou o cabo de reboque e seus pedaços açoitaram a coberta como uma serpente de aço enlouquecida. Se algum homem tivesse estado de pé, teria morrido instantaneamente pelo golpe. Mas toda a tripulação obedeceu automaticamente e ninguém saiu machucado. Se alguém parasse para discutir a ordem ou tivesse pedido esclarecimentos, teria sido homem morto. A obediência pode salvar a vida.

Esta é a classe de obediência que Jesus exige. Ele afirma que a obediência a suas palavras é o único fundamento firme para a vida; e sua promessa é que toda vida cimentada na obediência a Ele está segura, por fortes que sejam as tormentas que a açoitem.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Mateus. pag. 313-316.

 

 

SINOPSE II

Devemos estar alicerçados sobre a Rocha que é Jesus Cristo.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

“A Conclusão do Sermão (7.24-29)

a) Ilustração Final (7.24-27). Aquele que ouve e pratica é como um homem que construiu a sua casa sobre a rocha. Quando as tempestades batem contra a casa com toda a sua fúria, ela ainda permanece firme. O termo enchente, utilizado para algumas versões, significa, literalmente, rios. O clima da Palestina é como o do sul da Califórnia, sob muitos aspectos. Os leitos dos rios ficam secos durante a maior parte do ano. Mas quando as chuvas do inverno e da primavera chegam, surgem as inundações. Jesus retratou o ouvinte descuidado como um homem que de forma insensata construiu a sua casa sobre a areia, e então a perdeu. As casas na Palestina são em sua maioria construídas com pedras ou com tijolos secos ao sol. Quando as tempestades dissolvem a argamassa, as paredes tendem a cair.

b) A Reação da Multidão (7.28-29). Quando Jesus concluiu o seu sermão, o povo se admirou da sua doutrina ou melhor, do seu ‘ensino’. Ele ensinava com autoridade (29). As pessoas com uns sentiram a sua autoridade divina, que faltava aos escribas, e a reverenciaram .” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon: Mateus a Lucas. Vol.6. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.69).

 

 

III – JESUS: A NOSSA VERDADEIRA IDENTIDADE

 

 

1- Jesus, nosso maior pregador.

 

Muitos filósofos, cientistas e pessoas esotéricas gostam do pregador do Sermão do Monte. Os não religiosos veem Jesus como um ser iluminado, um grande mestre que não prega dogmas, não exige moralismos dos seres humanos, mas apenas ensina o amor, as boas virtudes, a moral. Para eles, esse seria o Jesus de Nazaré original. Apesar de belíssimas as mensagens de Jesus ensinadas no Sermão do Monte, não podemos isolá-las de todo o Novo Testamento. Os Evangelhos apresentam o Senhor Jesus como um pregador que chama pecadores ao arrependimento e para nascer de novo a fim de entrar no seu Reino (Mt 4.17; Jo 3.3). Assim, o Sermão do Monte não apresenta um mestre meramente humano, mas o Filho de Deus que nos trouxe salvação, o qual devemos imitá-lo em toda a nossa vida (1Co 11.1; Ef 5.1; 1Ts 1.6).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Duas coisas caracterizavam o ministério de Jesus: o ensino e a pregação (Lc 4.23). Ele fazia isso nas sinagogas. O culto que era desenvolvido nas sinagogas era marcado pelo louvor, oração, leitura e exposição da Lei feita por um rabino ou outra pessoa qualificada. O interessante é saber a razão de Jesus ter sido aceito para ensinar nessas sinagogas, visto que Ele não vinha de uma tradição judaica da época, tendo seguido grandes escolas. Na verdade, o que se conjectura é que devido aos grandes milagres operados e pelos ensinos que proferia, era visto por muitos como um bom mestre, o que levou à sua aceitação.

O propósito do ensino é transmitir conhecimento, porém, é mais do que isso. Trata-se da capacidade que uma pessoa tem de tirar da teoria e levar outra pessoa a colocar em prática aquilo que lhe foi transmitido, explicando de modo pormenorizado como deve viver e obedecer à fé que lhe foi pregada.

Mas é dito de Jesus também que Ele pregava. Do grego é o verbo kerússo, ser um arauto, oficiar como um arauto, proclamar como um arauto, sempre com sugestão de formalismo, gravidade e uma autoridade que deve ser escutada e obedecida; publicar, proclamar abertamente algo que foi feito. Usado na proclamação pública do evangelho e assuntos que pertencem a ele, realizados por João Batista, por Jesus, pelos apóstolos e outros mestres cristãos.

A pregação tem como objetivo instruir os cristãos, desejando ardentemente que cada um cresça na fé e na Palavra. Por intermédio da mensagem pregada, o pregador, no poder do Espírito, consegue penetrar na mente e no coração do ouvinte, razão pela qual Paulo incumbiu Timóteo dessa grande responsabilidade (2Tm 4.2). A pregação não pode ser descartada por um pastor, pois ela é uma ordem de Cristo (Mc 16.15).

Podemos dizer que Jesus é o nosso maior ensinador e pregador, modelo que deve ser seguido por todos os pregadores da atualidade.

Em Mateus 4.23, seu ministério era desenvolvido de três maneiras:

ensinando, pregando e curando. Quando ensinava, mostrava que estava interessado no aprendizado de todos; pela pregação, evidenciava seu cumprimento no dever e na missão para a qual veio a este mundo, salvar os pecadores; e, quando curava, buscava a integridade física das pessoas. No demais, esses milagres confirmavam ou autenticavam seu ensino e pregação, mostrando que realmente era o enviado de Deus.

Jesus sabia do valor da pregação, pois falou que a geração do tempo de Jonas se arrependeu pelo poder dela (Mt 12.41). Ele não pregava por fama, nem buscando posição ou reconhecimento por parte das pessoas, mas fazia isso procurando cumprir o seu dever, sabendo que somente pela pregação verdadeira e sincera é que as pessoas poderiam se arrepender e voltar para Deus.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 251-253

 

 

A menção de Jonas nos leva a uma comparação dos judeus dos dias de Jesus com a cidade pagã de Nínive (v. 41). Diz Jesus que no dia do julgamento final os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão; pois se arrependeram com a pregação de Jonas. A presente geração teve o privilégio de ouvir alguém que é maior do que Jonas. O gênero neutro de pleion levou alguns a tomar a palavra como significando “algo maior”, “alguma coisa maior”, mas Gundry tem razão ao afirmar que essa palavra enfatiza a qualidade como sendo distinta da identidade pessoal (p. 246; ECA traduz: quem é maior).

Robert h. Mounce. Comentário Bíblico Contemporâneo. Mateus. Editora Vida. pag. 133.

 

 

Se até os ninivitas arrependeram-se, não deveriam ter feito o mesmo os judeus?

Entretanto, os ninivitas se arrependeram; a maioria dos israelitas não (Jo. 1:11; 12:37). Gente com menos luz obedeceu uma pregação menos iluminada, mas gente mais iluminada se nega a obedecer a Luz do mundo. Faz-se a pergunta: “Mas, foi genuíno este arrependimento dos ninivitas, isto é, para salvação?” A resposta que se dá é que não, de outro modo Nínive não teria sido destruída. Objeção: a destruição de Nínive ocorreu ao redor do ano 612 a.C., isto é, quase um século e meio depois da pregação de Jonas. Portanto, é injusto acusar os ninivitas do tempo de Jonas dos pecados de uma geração muito posterior.

A Escritura não diz em nenhum lugar que o arrependimento de todos os ninivitas fora genuíno, mas tampouco deixa a impressão de que nenhum deles fora salvo; antes, o contrário. Que houve certamente conversões genuínas em Nínive, e possivelmente muitas, parece estar implícito tanto no livro profético como aqui em Mt. 12:41. A ideia de que o arrependimento dos ninivitas não foi genuíno, e que era somente do vício à virtude, está sujeito a outras três objeções: a. se ao falar da necessidade de arrependimento em Mt. 4:17 Jesus estava pensando num genuíno pesar pelo pecado, por que não podia ser assim aqui em 12:41? b. em 11:20–24 (cf. Lc. 10:13–15; 11:30) Nínive não se inclui na lista de cidades impenitentes do Antigo Testamento; e c. se o arrependimento a que se faz referência em Mt. 12:41 não é genuíno, é difícil explicar a declaração: “Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão”. É preciso destacar que a respeito destes “ninivitas” não se diz, como no caso dos de Sodoma e Gomorra, Tiro e Sidom, que no juízo será mais passível para eles (10:15; 11:22, 24), mas sim, como a rainha do sul (12:42), eles se levantarão no juízo e condenarão “esta” geração, isto é, a geração dos escribas, fariseus e seguidores deles. Visto que é ensino das Escrituras (Dn. 7:22; Mt. 19:28; 1Co. 6:2; Ap. 15:3, 4; 20:4) que os filhos de Deus vão participar do juízo final (por exemplo, louvando a Deus em Cristo por seus juízos), esta declaração de Jesus a respeito do papel de certos ninivitas na sessão do Grande Tribunal é compreensível se o arrependimento deles é genuíno.

Novamente, em palavras similares às de 12:6 (veja-se sobre essa passagem) os fariseus e escribas recebem um aviso da grandeza do pecado deles ao rejeitar e blasfemar a Cristo: E eis aqui está quem é maior do que Jonas. Esta grandeza superior foi explicada um pouco antes; veja-se a comparação, pontos a, b, c, e d, p. 561.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. 1 Ed 2001. Editora Cultura Cristã. pag. 718-721.

 

 

2- A autoridade do ensino de Cristo.

 

Quando o Senhor concluiu o ensinamento do Sermão do Monte, a multidão estava admirada, assombrada, maravilhada com o que acabara de ouvir. Ela via que o nosso Senhor ensinava com autoridade. Essa autoridade vinha diretamente do Pai (Jo 10.18; 17 2). Após ressuscitar, o Senhor Jesus disse: “ Toda autoridade me foi dada ” (Mt 28.18 – NAA). Isso deixa claro que o ensino de Jesus não é humano, mas divino e poderoso (Mt 5.18,20,22). Assim, somos chamados pela Palavra de Deus a reconhecer que a nossa autoridade para pregar, evangelizar e ensinar vem do Senhor Jesus, pois sua Palavra é viva e eficaz (Hb 4.12).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O que se tem em Mateus 7.28,29 é a conclusão de tudo que Jesus ensinou, mas o texto mostra o efeito que suas palavras causaram em seus ouvintes. Psicologicamente, os ouvintes de Cristo estavam como fora de si, fascinados, em grande espanto. Atente para a expressão “maravilhado”, que do grego é o verbo ekplesso, comumente, entrar em pânico, ficar chocado, espantar-se, ficar assombrado.

É por demais difícil no nosso português ou em outro idioma traduzir realmente o que aquelas pessoas estavam sentindo na mente e no coração, ainda que se fale em extasiado, maravilhado, pânico, admiração, perplexidade, não tem como dissecar sua essência. O certo é que ficaram fora de si.

O que causou impacto no coração dos ouvintes arrebatando seus sentidos foram duas coisas: a primeira, a doutrina que Jesus ensinava (do grego é didache, ensino, aquilo que é ensinado, doutrina, ensino a respeito de algo, o ato de ensinar, instrução); em segundo lugar, sua autoridade, que não vinha dos escribas nem dos fariseus, os quais quando iam ensinar apelavam para as escolas tradicionais da época, seus antigos professores, as opiniões dos mais notáveis rabinos e seguiam as tradições das interpretações. Isso era repetitivo e cansativo, pois muitos já sabiam de suas falas tediosas. A autoridade do ensino de Jesus vinha diretamente do Pai (Jo 7.16), tocava o espírito e a alma humana, gerava sede no coração dos mais humildes e conflito nas mentes mais brilhantes (Lc 15.1; Jo 3.4, 4.29).

Mas podemos analisar que as pessoas sentiam satisfação em ouvir Jesus porque viam sinceridade e verdade em suas palavras (Jo 14.6; 18.37), ao passo que o ensino dos escribas e dos fariseus estava em boa parte marcado de velhas tradições e inverdades (Mt 5.21). Outro motivo pelo qual o povo gostava de ouvir Jesus é que Ele não complicava, mas descomplicava, procurava tratar de assuntos não para polemizar, mostrar erudição, mas para que cada pessoa encontrasse uma razão para viver, uma vida melhor, pensasse na eternidade, no céu, não se prendia em coisas triviais (Mt 23.23; Lc 11.42). Jesus era bem sistemático e direito, nem prolixo e nem divagava no que falava.

Os discursos dos escribas e os fariseus eram secos, sem vida, estéreis; já Jesus procurava despertar a curiosidade das pessoas usando exemplos simples, normais, falando da luz, do sal (Mt 5.13-16; 6.26-30). Quem ouvia a Jesus gostava porque entendia que Ele não procurava ganhar seguidores com palavras bonitas, não queria chamar a atenção para si, mas viam que seu ensino era repleto de amor, que queria o bem e a salvação de todos, pensava em uma vida eterna e melhor para eles (Mt 5.44-48); ao contrário, os escribas e fariseus não tinham amor (Mt 23.13-15; Mc 12.40).

Como já dissemos, o povo via que o ensino de Jesus não vinha dos meros livros de tradições humanas, as fontes da época, das escolas de Hillel e Shamai, as quais eram fontes rotas (Jr 2.13); o seu ensino vinha do Pai (Jo 8.26), fazia parte de sua natureza, de modo que ao falar era algo que brotava do fundo do coração (Mt 5.17; 4.4,7,10). A palavra autoridade é um substantivo feminino grego, eksousía, poder de escolher, liberdade de fazer como se quer, licença ou permissão, poder físico e mental, habilidade ou força com a qual alguém é dotado, que ele possui ou exercita.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 253-255.

 

 

A grande declaração

Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Cf. Dn. 7:14; Mt. 16:28; 24:30; 26:64. Jesus aqui reclama para Si todo o poder e o direito para exercê-lo. Quando diz, “me foi dada”, naturalmente interpretamos isto como a alusão a um dom que Ele recebeu como Mediador ressuscitado. Poderia acrescentar-se: “como uma recompensa pela realização de sua obra mediadora, a expiação efetuada”. Mas não fez Ele uma declaração um tanto parecida muita antes de Sua morte e ressurreição? Veja-se Mt 11:27. Não só isto, acaso não exerceu também durante os dias da Sua humilhação poder sobre todas as enfermidades, incluindo a lepra, sobre a fome, demônios, ventos e ondas, corações humanos e até a morte? Acaso não demonstrou isto em muitas ocasiões? Certo, mas existe uma importante diferença. Antes de Seu triunfo sobre a morte o uso desse dom estava sempre restringido de algum modo. Por exemplo, teve que dizer ao leproso que não desse a conhecer que tinha sido curado (Mt 8:4). Os homens cegos a quem foram abertos os olhos recebem uma ordem parecida (Mt 9:30). Ele Se abstém de pedir ao Pai que envie legiões de anjos para resgatá-Lo (Mt 26:53). Claro que Ele mesmo não deseja esta ajuda, mas a autorrestrição também é restrição. Sim, levanta da morte a filha de Jairo, o filho da viúva de Naim, e a Lázaro. No momento de Sua morte alguns santos ressuscitam. Mas embora tudo isto seja certamente assombroso, não é o mesmo que exercer realmente um poder ilimitado sobre céu e terra, fazendo-o proclamar por todas as partes sem nenhuma restrição, e logo no fim do século levantar todos os mortos e julgar todos os homens. É a investidura do Cristo ressuscitado com esta soberania sem restrições e universal o que Jesus agora reclama para Si e que especialmente dentro de uns poucos dias, depois de Sua ascensão ao céu, começa a exercer. Esse é o galardão por Sua obra (Ef. 1:19–23; Fp. 2:9, 10; Ap. 5; etc.).

Por que faz Jesus esta declaração? Resposta: para que quando agora comissiona a Seus discípulos para proclamar o evangelho através do mundo, eles saibam que cada momento, cada dia, podem contar com Ele. Acaso não é este o claro ensino de passagens tão preciosas como Jo. 16:33; At. 26:16–18; Fp. 4:13; e Ap. 1:9–20? Não só isto, mas também todos estes discípulos e aqueles que mais tarde os seguirem devem exigir que cada um, em todas as esferas da vida, reconheça com alegria a Jesus como “Senhor dos senhores e Rei dos reis” (Ap. 17:14).

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. 1 Ed 2001. Editora Cultura Cristã. pag. 1323-1324.

 

 

É-me dado todo o poder no céu e na terra, um aoristo infinito. Jesus aproximou-se deles para fazer esta afirmação espantosa: agora Ele possuía a completude da autoridade de Deus. Ele falou como alguém que já estava no céu, tendo um panorama mundial e os recursos do céu às suas ordens. O poder ou autoridade que tivera durante a vida terrena fora grande (por exemplo, Mt 7.29; 11.27). Agora é ilimitado, incluindo a terra e o céu. O Cristo ressurreto, sem dinheiro, ou exército, ou estado governamental, comissiona este grupo de quinhentos homens e mulheres para conquistar o mundo. Ele os faz crer que a tarefa é possível, caso a empreendam com paixão extrema e poder sério. O Pentecostes ainda está por vir, mas a fé dinâmica reina nesse monte da Galiléia.

T. ROBERTSON. Comentário Mateus & Marcos. À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. pag. 335-336.

 

 

3- Jesus como nossa identidade.

 

Numa perspectiva a respeito da doutrina das Últimas Coisas, o apóstolo João disse que quando o Senhor Jesus se manifestar, o veremos e seremos semelhantes a Ele (1Jo 3.2). Entretanto, para chegarmos lá, é preciso andar como “ filhos de Deus” agora, desenvolvendo as beatitudes ensinadas por Jesus, sendo sal e luz neste mundo, priorizando a justiça de Deus, vivendo o amor de Cristo, orando, jejuando, ofertando de maneira sincera. Assim, vamos nos identificando cada vez mais com Jesus e formando a nossa verdadeira identidade. Portanto, somos chamados a entrar pela porta estreita, produzir frutos verdadeiros, rejeitar o formalismo e procurar fazer a vontade de Deus com verdade. Essa tem sido a sua identidade?

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O conceito de identidade é a qualidade do que é idêntico, do latim identitas, ātis, o mesmo. Jesus disse que devemos ser perfeitos como o Pai, isto é, nos identificarmos com Ele. Observe que o adjetivo perfeito, téleios, fala de algo que é levado a seu fim, finalizado, que não carece de nada para estar completo, adulto, maduro, maior idade. No momento em que nos identificamos com Cristo por meio de sua morte, depois por meio dos seus ensinos e de suas verdades, que sempre apontam para o Pai celestial, haveremos de sempre nos esforçarmos para expressar as características do Pai, amaremos a todos incondicionalmente, teremos fome e sede de justiça.

Querendo que os irmãos da Galácia tivessem a mesma identidade de Cristo, Paulo disse: “Meus filhos, por quem, de novo, sofro as dores de parto, até ser Cristo formado em vós” (Gl 4.19, ARA). Esses cristãos já haviam nascido de novo no Senhor, mas o que o apóstolo desejava era a total e plena formação da vida de Cristo na vida de cada um deles, que de fato todos fossem idênticos a Cristo (Ef 4.13; Fp 3.10).

Amados irmãos, percorremos a maior parte do ensino do Sermão do Monte. Todos os que realmente foram gerados pela semente incorruptível, os nascidos pela Palavra, serão revitalizados por Cristo e sobreviverão a todas as tempestades e intempéries, pois Ele é quem dá significado à verdadeira fé (Is 40.6-8; Rm 10.17). Somente assim produziremos as melhores virtudes, daremos sabor como sal e brilharemos como luz, amaremos a todos e nos firmaremos nos ensinos do Mestre para nossa casa se manter em pé, e nossa identidade em Cristo será uma realidade.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 255-256.

 

 

O tempo da revelação dos filhos de Deus em seu estado e glória próprios é determinado; e isso ocorrerá quando seu irmão mais velho vier para chamar e reunir a todos: “Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele”. A partícula ean, geralmente traduzida por se, é aqui traduzida por quando; pois se observa que a partícula hebraica ‘am (à qual se pensa que ela corresponde) significa isso, como o Dr. Whitby notou aqui; e não somente ean é às vezes usada para otan, mas alguns manuscritos até mesmo trazem aqui otan, quando. E, dessa forma parece apropriado traduzi-la dessa forma em João 14.3, em que lemos: “…se eu for e vos preparar lugar…”\ porém mais natural e propriamente: “…quando eu for e vos preparar lugar, virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, ou paralepsomai – eu vos levarei comigo, para que, onde eu estiver, estejais vós também”.

Quando a Cabeça da igreja, o Filho unigénito do Pai, aparecer, os seus membros, os adotados de Deus, aparecerão e serão manifestados juntamente com Ele. Eles podem então esperar na fé, esperança e desejo intenso, pela revelação do Senhor Jesus; assim como também a criação aguarda pela sua perfeição e “…a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 7.19). Os filhos de Deus serão conhecidos e manifestos pela semelhança com a Cabeça da igreja: “…seremos semelhantes a ele” – semelhantes a Ele em honra, poder, e glória. Seus corpos desprezíveis serão feitos como o corpo glorioso de Jesus Cristo; serão preenchidos com vida, luz e bem-aventurança a partir dele. “Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então, também vós vos manifestareis com ele em glória” (Cl 3.4).

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 919-920.

 

 

Não em alguma ocasião no futuro, nem quando Cristo retornar, mas, na verdade, agora os crentes já são filhos de Deus. Contudo, o povo de Deus tem um futuro, como João explicou: Ainda não é manifesto o que havemos de ser quando Cristo se manifestar. Os cristãos nasceram na família de Deus, e atualmente desfrutam da bondade e das bênçãos de Deus por meio de Cristo. Mas, no futuro, eles também irão compartilhar completamente da sua glória.

Os crentes ainda não conhecem os detalhes, mas sabem que, quando Ele se manifestar, serão semelhantes a Ele. Isto dá um ideia de como será esta glória futura. Cristo será revelado e nós, o seu povo, seremos como Ele, porque assim como Ele é o veremos. A palavra grega para “ver” envolve mais do que um acontecimento meramente fisiológico; significa “perceber”, “reconhecer”, e até mesmo “avaliar”. Para que as pessoas verdadeiramente conheçam tunas às outras – para que vejam umas às outras como realmente são -, elas precisam compartilhar experiências similares. Portanto, para ver Jesus como Ele realmente é, os cristãos precisam sentir o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos. Este era o desejo ardente de Paulo (veja Fp 3.7-14); era também o de João, como ele expressou no versículo seguinte.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 777.

 

 

SINOPSE III

Jesus é a nossa verdadeira identidade

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

“O Epílogo do Sermão (7.28,29)

É evidente que Mateus quer que esta seja a conclusão da primeira seção principal dos ensinos de Jesus, porque ele encerra com as palavras: ‘Concluindo Jesus este discurso ’ (v.28). Cada uma das cinco principais unidades pedagógicas que Mateus apresenta tem um desfecho narrativo semelhante (Mt 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1). Jesus é o novo Moisés que tem cinco apresentações principais da lei nova ou Torá, da mesma maneira que Moisés teve cinco livros da lei no Pentateuco […]. O que se segue é um a observação da resposta das multidões aos ensinos de Jesus, os quais elas reconhecem que são autorizados, ao contrário dos ensinos dos mestres da lei (veja também Mc 1.21-27; Lc 4.31-37). Mateus está direcionando o espanto das pessoas para as afirmações de Jesus, a fim de que Ele seja o Intérprete da nova lei, cujas palavras serão a base de julgamento no ajuste de contas do tempo do fim ” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.62).

 

 

CONCLUSÃO

 

O ensinamento do Sermão do Monte é para ser posto em prática, não apenas para ser admirado ou debatido. A sua preciosidade só pode ser provada verdadeiramente quando praticamos o que o sermão nos ensina. Então veremos o quanto a virtude do Reino de Deus tem um padrão elevado e celestial. Sua ética não é deste mundo, mas do céu. Para vivê-la é preciso ter o caráter transformado a fim de que, com o nosso viver, glorifiquemos a Deus.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Segundo a lição, o que a expressão “ Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor!” que dizer?

Esse texto mostra que, no Reino de Deus, apenas expressar palavras em seu nome não basta, mas é preciso colocar em prática o que se diz.

 

2- Quem é o verdadeiro discípulo de Cristo?

O verdadeiro discípulo de Cristo é o que vive em total obediência a Deus, fazendo sua vontade (Mt 7.21).

 

3- Que figuras o Senhor Jesus tomou para concluir o sermão?

A figura do sábio construtor e do tolo.

 

4- Como os Evangelhos apresentam a Jesus?

Os Evangelhos apresentam o Senhor Jesus como um pregador que chama pecadores ao arrependimento a nascer de novo para entrar no seu Reino.

 

5- Você tem se identificado com os ensinamentos do Sermão do Monte?

Resposta Pessoal.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 2° Trimestre 2022   

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