13 LIÇÃO 2 TRI 23 – A AMIZADE DE JESUS COM UMA FAMÍLIA DE BETÂNIA

 

13 LIÇÃO 2 TRI 23 – A AMIZADE DE JESUS COM UMA FAMÍLIA DE BETÂNIA

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.” (Jo 11.5)

 

VERDADE PRÁTICA

 

Dentro da família, a amizade com Cristo evoca comunhão, conselho, simpatia e reciprocidade nos relacionamentos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Êx 33.11 Deus falava com Moisés como a um amigo

 

Terça – 2 Cr 20.7; Tg 2.23 Abraão, o amigo de Deus

 

Quarta – Lc 7.34 Jesus se fez amigo de publicanos e pecadores para alcançá-los

 

Quinta – Jo 15.15 Jesus trata seus discípulos como amigos

 

Sexta – Jo 11.11 Jesus trata a Lázaro como amigo

 

Sábado – Jo 11.3-5 O amor de Jesus por Marta, Maria e Lázaro

 

Hinos Sugeridos: 8, 200, 344 da Harpa Cristã

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 10.38-42; João 11.5,11

 

Lucas 10

 

38 – E aconteceu que, indo eles de caminho, entrou numa aldeia; e certa mulher, por nome Marta, O recebeu em sua casa.

 

39 – E tinha está uma irmã, chamada Maria, a qual, assentando-se também aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra.

 

40 – Marta, porém, andava distraída em muitos serviços e, aproximando-se, disse: Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir só? Dize-lhe, pois, que me ajude.

 

41 – E, respondendo Jesus disse-lhe: Marta, Marta, estás ansiosa e afadigada com muitas coisas,

 

42 – mas uma só é necessária; e Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada.

 

João 11

 

5 – Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

 

11 – Assim falou e, depois, disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

Nesta lição, temos como propósito abordar o tema da amizade da família cristã com a pessoa bendita de Jesus. Cremos que essa amizade com Jesus estimula a amizade entre os membros de nossa família.

A vontade de nosso Salvador é que a família cristã cultive uma verdadeira amizade tal qual a família de Betânia cultivava com Ele. Veremos que a amizade de Jesus com Marta, Maria e Lázaro torna-se uma imagem da amizade que a nossa família pode desfrutar com Jesus hoje.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

 

I) Explicar a vida social de Jesus;

 

II) Elencar os frutos da amizade com Jesus;

 

III) Ensinar lições que podemos aprender a respeito da amizade de Jesus com a família de Betânia.

 

B) Motivação: A amizade pode ser caracterizada por uma relação de afinidade, reciprocidade, respeito e confiança entre duas pessoas. Devemos cultivar esse tipo de relação com Jesus a partir de nossa família. Assim, é preciso desenvolver afeto, reciprocidade, respeito e carinho por Ele em nosso lar. É tempo de cultivar amizade com Jesus em família.

 

C) Sugestão de Método: Para introduzir a lição, reproduza na lousa, ou no data show, algumas características da relação de Jesus com a família de Betânia:

1) Jesus amava a família de Lázaro (Jo 11.5);

2) Jesus disse a respeito de Lázaro: “Lázaro, O nosso amigo, dorme” (Jo 11.11);

3) O Senhor Jesus sentiu a dor da família de Lázaro e chorou a sua morte (Jo 11.33,35). Apresenta esses três episódios descritos no Evangelho de João para mostrar o quanto o Senhor Jesus tinha afeto pela família de Betânia e foi tocado pela morte de Lázaro. Esses episódios refletem a grande amizade que o nosso Senhor desfrutava com essa família.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: A relação de amizade de Jesus com a família de Betânia pode ser real em nossa família. Quando cu ltivam os uma relação sincera e verdadeira com o nosso Senhor, podemos desfrutar do mais precioso relacionamento familiar regado de amor que brota da relação com Jesus.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 93, p.42, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “ Serviço e Devoção a Deus”, localizado ao final do segundo tópico, é um auxílio de vida cristã que aprofunda a questão do serviço e devoção de acordo com a personalidade de Marta;

2) O texto “Uma História de Amor”, localizado ao final do terceiro tópico, aprofunda o sentimento do amor na relação de Jesus com a família de Betânia.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

A amizade é um dos bens mais preciosos da vida. Nesta lição, estudaremos a relação de amizade de Jesus com a família de Marta, Maria e Lázaro. Veremos que essa família hospedou nosso Senhor em sua casa e, por isso, desfrutou de influências abençoadoras na vida cotidiana.

De fato, é uma história especial que nos ensina preciosas lições de como desfrutar de um relacionamento de santa amizade com o Senhor Jesus.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Um autor de livros na área social escreveu: “As amizades verdadeiras consistem em saber ouvir o que for preciso, dizer sinceramente o que se pensa, e permitir que a confiança e o respeito mútuo prevaleçam”.

No contexto desse capítulo, a amizade que Jesus nutria para com os três irmãos, Lázaro, Marta e Maria, é um exemplo de valor para que tenhamos amizades sinceras. No caso desses três irmãos, a amizade tinha um caráter especial, porque Jesus era o amigo que eles precisavam em todas as circunstâncias de suas vidas.

Todos sabemos que a amizade é um dos bens mais preciosos que uma pessoa pode usufruir em sua vida. As lições que aprendemos com a família de Marta, Maria e Lázaro ao hospedar Jesus e seus discípulos são da maior importância para o contexto da vida cotidiana.

Tanto Lucas quanto João relatam em seus Evangelhos um pouco da história dessa família que recebia Jesus em seu lar. Naturalmente, não era somente essa família que recebia Jesus com atenção e hospitalidade, mas no caso de Marta, Maria e Lázaro, a história ganha um sentido especial.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 218-219.

 

 

No meio do deserto de hostilidades enfrentado por Jesus em Jerusalém, havia um oásis em Betânia: a amizade de Marta, Maria e Lázaro. Jesus se hospedara na casa deles. Agora, essa família enfrenta um grave problema, uma enorme aflição.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 294.

 

 

AMIGO, AMIZADE

Amigo é uma pessoa com quem temos associação amigável, nos vários tipos de relacionamento humano: a. Um companheiro fiel ou vizinho ajudador (ver Gên. 38:20: Jer. 6:21; Luc. 11:5-8). b. Um aderente político (ver I Sam. 3:26; 2 Sam. 3:8). c. Uma pessoa amada (ver Deu. 13:6). d. Alguém fiel em seus relacionamentos (ver Sal. 35:14; Pro. 17:17). Também há falsos amigos (ver Pro. 18:14), aqueles que traem a amizade (ver Jó 6:14,27); aqueles que são egoístas (ver Pro. 19:4,6 s.).

A amizade com Cristo. Aqueles que se dedicam à observância dos mandamentos de Cristo são Seus amigos (ver Mat. 12:46-50 e João 15:14). Eles O amam e promovem a honra de Seu nome.

A amizade prejudicial é a amizade com o mundo (ver Tia. 4:4; Mat. 6:24; Luc. 16:13; I João 2:15 ss).

As amizades especiais, que envolvem um forte sentimento de amor, conforme a amizade de Davi e Jônatas (ver I Sam. 18:1-4 e 19:1-7).

A forma mais elevada de amizade, a amizade com Deus (ver II Crô. 20:7; Isa. 41:8; Tia. 2:23), é exemplificada no caso de Abraão, conforme se vê na referência de Tiago.

O amigo do noivo era João Batista (ver João 3:29). Alguns pensam que isso representa a classe dos remidos (como Israel), que não fazem parte da Igreja cristã. (I ID LAN NTI)

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. 11 ed. 2013. pag. 136.

 

 

PALAVRA-CHAVE: AMIZADE

 

 

I – A VIDA SOCIAL DE JESUS

 

1- Jesus foi um ser social.

 

Criado na casa de seus pais, na cidade de Nazaré, Jesus desenvolveu relações pessoais como qualquer pessoa. Como filho mais velho e obediente aos pais, Ele acompanhou José e aprendeu a profissão de carpintaria. No relacionamento social, Jesus convivia com pessoas, tanto as de dentro da família quanto as de fora, e estabelecia amizades.

Depois de deixar a casa de sua mãe, Ele se dispôs a seguir o projeto do Pai Celestial. Nesse tempo, peregrinou por toda a terra da Palestina, pregando o Evangelho, realizando prodígios e sinais como confirmação do seu ministério, e estabelecendo grandes amizades. Não por acaso, nosso Senhor admitiu aos seus discípulos: “Já não vos chamarei servos, […] mas tenho-vos chamado amigos” (Jo 15.15).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Pelo fato de Jesus ter-se revelado como o Verbo divino fazendo se carne (Jo 1.14), enquanto Ele viveu entre nós, prevalecia uma interrogação daqueles dias: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” (Mt 16.13). Depois de algumas respostas, Jesus interroga os discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15).

Mediante o contexto do assunto que estamos tratando neste capítulo, indago: Teve Jesus, como homem, uma vida social?

A vida de Jesus foi marcada pela relação humana. Tão logo iniciou seu ministério, Ele deixou o anonimato que tinha dos 12 aos 30 anos de idade, para, depois do batismo a que se submeteu feito por João Batista nas águas do rio Jordão (Lc 3.21,22), sair para o encontro com as pessoas e com as multidões.

Foi a partir daí que Jesus doou-se e entregou-se por toda a humanidade. Ele os tratou não apenas como servos, mas deu ênfase à amizade, dizendo-lhes: “Já vos não chamarei servos, […] mas tenho-vos chamado amigos” (Jo 15.15).

Jesus foi criado e viveu na casa de seus pais em Nazaré até os 30 anos, Ele desenvolveu suas relações pessoais como qualquer pessoa. Sendo o filho mais velho e obediente aos pais, Jesus acompanhou seu pai José e aprendeu a profissão de carpintaria.

No meio de seus irmãos e de pessoas de outras famílias, Jesus havia aprendido no ambiente social em que vivia a conviver com todos e fazer amizade com todos. Depois que tomou a decisão de deixar Nazaré e a casa dos pais, Jesus se dispôs a seguir o projeto do Pai celestial. Nesse tempo de suas andanças por toda a terra da Palestina pregando o evangelho e realizando prodígios, como sinal de seu ministério, Jesus atraiu multidões e fez grandes amizades.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 219-220.

 

 

[…] a intimidade singular (15.15). Está claramente demonstrado que Jesus não se satisfaz com obediência meramente servil. Seus amigos demonstram amizade quando fazem o que ele manda. Obediência é uma expressão de seu amor.

O amigo é diferente do servo. O servo trabalha sem que o senhor compartilhe com ele seus planos, sua obra, seus sentimentos. O amigo de Jesus tem não apenas sua palavra e sua companhia, mas também seu coração. Jesus compartilha com seus amigos tudo o que ouviu do Pai.

Ele traz os anelos do coração do Pai e os divide com seus amigos. John Wesley, pensando em sua conversão, descreveu-a como o momento em que ele trocou a fé de um escravo pela fé de um filho.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 399.

 

 

Também compreendemos que dessa maneira o Senhor Jesus emancipou os escravos, mas «…a emancipação e conversão deles para a liberdade não os separou dele; pelo contrário, elevou-os à categoria de amigos.

Pois embora antes já lhe fossem amigos (ver Luc. 12:4 e João 11:11), daquele momento em diante tornavam-se tais em sentido ainda mais alto; e apesar de que agora cessavam de ser seus servos, em sentido legal, contudo, no sentido da obediência voluntária, agora se tornavam seus servos mais autenticamente do que nunca antes (ver o vs. 20; Atos 4:29 e Rom. 1:1), tal como o Filho de Deus, como tal, era também o Servo de Deus…» (Imange. in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 546.

 

 

2- Uma casa hospedeira.

 

Havia uma família em Betânia que desfrutava de uma bonita amizade com o Senhor Jesus: a família de Marta, Maria e Lázaro (Jo 12.1,2).

Toda vez que ia à Jerusalém, Jesus procurava visitar essa família que se tornou especial em suas relações interpessoais. Era uma amizade sincera em que a família hospedava nosso Senhor de maneira acolhedora.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Por ser um homem sociável, Jesus se comunicava com todas as pessoas por onde passava. Toda vez que ia a Jerusalém, Ele procurava visitar Marta, Maria e Lázaro, uma família que se tornou especial nas suas relações pessoais e que vivia numa pequena aldeia chamada Betânia (Jo 12.1,2).

O texto não fala dos pais nessa casa, mas os três irmãos viviam e moravam juntos e, de vez em quando, hospedavam Jesus e seus discípulos.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 222.

 

 

Essa é a terceira vez que Maria está quedada aos pés de Jesus. Na primeira vez, esteve aos pés de Jesus para aprender (Lc 10.39); na segunda, prostrou-se aos pés de Jesus para chorar (11.32). Dessa feita, demonstra a ele seu acendrado amor por intermédio de uma generosa oferta (12.3).

Esse episódio ocorre seis dias antes da Páscoa, na casa de Simão, o leproso (Mc 14.6). Não sabemos ao certo se esse Simão era o pai dos três irmãos de Betânia, o marido de Marta, ou simplesmente um amigo da família.

Tanto Marta quanto Maria demonstram sua devoção a Cristo. Marta expressa sua consideração e afeição a Jesus mediante os pratos que preparou e colocou à mesa; Maria derrama um precioso perfume sobre a cabeça e os pés do seu Senhor.

O texto em apreço apresenta um contraste. Dessa feita, o contraste não é entre Maria e Marta (Lc 10.38-42), embora as peculiaridades das duas irmãs ainda estejam em evidência. O contraste agora é entre Maria e Judas Iscariotes. A avareza disfarçada de amor aos pobres deste e a oferta sacrificial daquela estão em flagrante oposição. Aos motivos de Maria contrapõem-se a falácia e a avareza do ladrão e traidor.2

Vale ressaltar que o gesto de Maria violou vários clichês culturais. Ela ofereceu o seu melhor a Jesus sem se importar com o protocolo, a etiqueta ou as regras culturais. Que regras ela violou? Primeiro, a sociedade esperava que, como mulher, ela estivesse servindo. Segundo, tocar os pés de outra pessoa era considerado algo degradante. E, terceiro, Maria não apenas tocou os pés de Jesus, mas também os enxugou com os seus cabelos, sendo estes a coroa e a glória da mulher.

O gesto de soltar os cabelos em público era indigno para uma mulher naquele tempo. Quarto, o caro perfume que ela derramou sobre os pés de Jesus era um tesouro que as mulheres guardavam para as suas próprias bodas.3 Mesmo quebrando paradigmas, o gesto de Maria, embora censurado pelos homens, foi enaltecido por Jesus. Destacaremos alguns aspectos do gesto de Maria.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 316-317.

 

 

Como um exemplo da sua bondade para com seus amigos em Betânia, a quem Ele amava, e de quem Ele seria afastado em pouco tempo. Esta é uma visita de despedida. Ele veio para despedir-se deles, e para deixar-lhes palavras de consolo para o dia da provação que se aproximava.

Observe que embora Cristo se afaste do seu povo por algum tempo, Ele lhes dá indicações de que parte com amor, e não com ira. Betânia aqui é descrita como sendo a cidade onde estava Lázaro, a quem Jesus “ressuscitara dos mortos”. O milagre realizado aqui coloca uma nova honra sobre o lugar, tornando-o notável.

Cristo veio para cá para observar que aproveitamento foi feito deste milagre, pois, onde Cristo realiza prodígios, e mostra sinais e favores, Ele acompanha estes lugares, para ver se a intenção dos milagres foi correspondida.

Ele observa os locais onde plantou com abundância, para ver se haverá uma boa colheita.

A gentil acolhida que seus amigos lhe proporcionaram:

“Fizeram-lhe… uma ceia” (v. 2), uma grande ceia, um banquete. Há uma sugestão de que esta seria a mesma que está registrada em Mateus 24.6ss., na casa de Simão. A maioria dos comentaristas pensa que sim, pois a essência da história e muitas das circunstâncias coincidem.

Mas aquela ceia está colocada depois do que foi dito dois dias antes da Páscoa, ao passo que esta se realizou seis dias antes. Além disto, não é provável que Marta servisse em qualquer casa que não fosse a sua. E por isto eu concordo com o Dr. Lightfoot em pensar que são dois eventos diferentes: aquela, no Evangelho de Mateus, aconteceu no terceiro dia da semana da Páscoa, mas esta, no sétimo dia da semana anterior, sendo o sábado dos judeus, a noite anterior à sua entrada triunfal em Jerusalém; aquela aconteceu na casa de Simão, esta, na de Lázaro.

Sendo ambas as mais públicas e solenes recepções oferecidas a Ele em Betânia, provavelmente Maria compareceu a ambas com este sinal do seu respeito, e o que ela guardou do seu unguento nesta primeira ocasião, quando utilizou apenas uma libra dele (v. 3), ela usou naquela segunda ocasião, quando o derramou todo, Marcos 14.3.

Vejamos o relato desta recepção. 1. “Fizeram-lhe… uma ceia”, pois, entre eles, normalmente, a ceia era a melhor refeição. Eles lhe fizeram esta ceia como sinal do seu respeito e gratidão, pois um banquete é feito pela amizade, e para que pudessem ter uma oportunidade de uma conversa livre e agradável com Ele, pois um banquete é feito para comunhão.

Talvez seja como uma alusão a esta e a outras recepções semelhantes feitas a Cristo, nos dias da sua carne, que Ele promete, àqueles que abrem a porta de seus corações a Ele, que ceara com eles, Apocalipse 3.20. 2. “Marta servia”. Ela mesma servia à mesa, como símbolo do seu grande respeito pelo Mestre. Embora fosse uma pessoa de um certo nível, ela não julgou que servir fosse uma atitude inferior, quando Cristo se sentou para a refeição.

Nem nós julgamos que seja uma desonra ou uma depreciação para nós nos curvarmos a qualquer serviço com o qual Cristo possa ser honrado. Anteriormente, Cristo tinha censurado a Marta, por estar “ansiosa e afadigada com muitas coisas”. Mas ela não deixou de servir por isto, como alguns que, quando são reprovados por algum extremo, irritados, vão ao outro extremo.

Não, ela ainda servia, não como naquela ocasião, à distância, mas agora ela ouvia as palavras graciosas de Cristo, que faziam bem-aventurados aqueles que, como disse a rainha de Sabá a respeito dos servos de Salomão, estavam sempre diante dele, que ouviam sua sabedoria (1Rs 10.8).

E melhor ser um garçom à mesa de Cristo do que um convidado à mesa de um príncipe. 3. “Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele”. O fato de que houve aqueles que realmente comeram e beberam com Jesus provou a verdade da ressurreição de Lázaro, assim como a do próprio Senhor Jesus, Atos 10.41.

Lázaro não se retirou para um deserto depois da sua ressurreição, como se, depois de ter feito uma visita ao outro mundo, devesse ser para sempre um eremita neste. Não, ele convivia familiarmente com as pessoas, como todos. Ele se sentou à refeição, como um monumento do milagre que Cristo tinha realizado. Aqueles a quem Cristo ressuscitou a uma vida espiritual são levados a se sentarem junto com Ele.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 938.

 

 

3- Jesus foi recebido por essa família.

 

Se entre os próprios irmãos havia os que não compreendiam a sua missão, Jesus encontrou em Marta, Maria e Lázaro acolhimento especial para a seu chamado. O episódio que marca essa amizade, após a missão dos setenta, é quando o nosso Senhor foi, com seus discípulos, para a aldeia de Betânia.

Nesse caso, Marta foi quem o recebeu e sua irmã, Maria, assentou-se aos pés dEle para ouvi-lo (Lc 10.38,39). Certamente, Jesus aproveitava essas caminhadas em missão para visitar os amigos.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A amizade de Jesus com essa família era um conforto especial porque seus irmãos, por não compreenderem a sua missão, o rejeitavam e o criticavam. Na última semana antes da sua morte, foi nessa casa que Jesus foi confortado e encontrou amizade sincera.

O texto bíblico diz que Jesus e seus discípulos estavam de caminho para Jerusalém indo para a Festa da Dedicação dos judeus. Jesus aproveitou a oportunidade da viagem para visitar seus amigos na vila de Betânia. Ao longo dos meus 56 anos de vida pastoral, angariei bons amigos e, sempre que posso, lembro-me deles e procuro de algum modo visitá-los.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 222.

 

 

Jesus e os Doze estavam viajando. Cf. 9:51. O nome da aldeia a qual chegaram não se menciona. Entretanto, Lucas afirma que Marta e Maria viviam ali.

Visto que Jo. 11:1 e 12:1–3 mencionam a estas mesmas irmãs e também a seu irmão Lázaro e nos informam que viviam em Betânia, sabemos que também aqui em Lc. 10:38 “num povoado” é Betânia. Lucas também conhecia este lugar (veja-se Lc. 19:29; 24:50) embora, por alguma razão, aqui não o nomeia.

Betânia estava situada a oriente de Jerusalém e na ladeira oriental do Monte das Oliveiras. Seu nome atual é el-cAzarîyeh (Cf. Lázaro). A distância entre Jerusalém e Betânia destaca-se como de oito estádios (Jo. 11:18), quer dizer, uns três quilômetros.

Das duas irmãs, Marta se nomeia em primeiro lugar, não somente aqui em Lc. 10:38, 39, mas também em Jo. 11:19, 20; 12:2, 3; enquanto em Jo. 11:5 ainda se menciona antes que “sua irmã e Lázaro”.

É verdade que em Jo. 11:1 Betânia chama-se a “aldeia de Maria e de sua irmã Marta”, mas a ordem em que se mencionam as duas irmãs ali, com Maria em primeiro lugar, pode-se explicar pelo fato de que a história continua no v. 2 com uma referência à unção do Senhor da parte de Maria. Note-se, além disso, que aqui em Lc. 10:38 somos informados que foi Marta quem recebeu a Jesus em seu lar.

Tem razão a conclusão de que Marta deve ter sido a mais velha — pelo menos das duas irmãs, e talvez até dos três irmãos — e que a casa pertencia a ela? Para começar com o último, a expressão seu lar ou sua casa provavelmente significa “a casa onde ela (assim como os outros dois) vivia”. Quanto ao primeiro, isto soa mais razoável. Ela, sem dúvida, pode ter sido a mais velha, mas isto tampouco é certo.

Estamos em terreno mais firme quando dizemos que das duas irmãs, segundo as retrata nas Escrituras, é Marta quem geralmente toma a iniciativa. Aqui em Lc. 10:38 é ela quem toma a iniciativa para estender cordiais boas-vindas a Jesus. Também é típico Jo. 11:20: “Marta, quando soube que vinha Jesus, saiu ao seu encontro; Maria, porém, ficou sentada em casa”. Some-se a isto Jo. 11:21, 28; 12:2. Não é impróprio que Maria seja chamada a “anfitriã”.

Tinha ela uma irmã, chamada Maria, e esta quedava-se assentada aos pés do Senhor a ouvir-lhe os ensinamentos.

Até este ponto temos uma cena de serenidade, de tranquilidade. Tudo está bem no belo lar de Betânia. Um momento antes Marta estendeu cordiais boas-vindas a Jesus.

E agora Maria, sua irmã, já está sentada aos pés do Senhor, os mesmos pés que numa ocasião posterior vai ungir (Jo. 12:3; cf. Mt. 26:6, 7; Mc. 14:3). Agora ela está aqui sentada, escutando com muita ânsia as palavras de vida que saem do coração e os lábios do Salvador. “Tudo está bem. Tudo está bem.”

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Lucas. Editora Cultura Cristã. pag. 716-717.

 

 

A aldeia onde moravam estas pessoas era Betânia, situada a cerca de três quilômetros de Jerusalém. Marta tinha uma irmã chamada Maria (10.39, que era provavelmente mais jovem, porque esta casa é descrita como pertencendo a Marta), e um irmão chamado Lázaro (que mais tarde Jesus ressuscitaria dos mortos, João 11).

Jesus não tinha vindo sozinho – tinha consigo doze discípulos, e todos precisavam ter seus pés lavados, tinham que ser acomodados, e precisavam ter uma refeição. No mundo antigo uma anfitriã respeitável honraria seus hóspedes com todas estas cortesias.

A impressão aqui, entretanto, é que Marta estava exagerando. Ela queria oferecer algo especial ao Mestre, mas devido a estes afazeres chegou a estar distraída, sobrecarregada e incapaz de desfrutar a presença destes convidados. Numa tentativa de servir a Jesus, ela não entendeu ou percebeu a razão pela qual Jesus estava ali.

Maria, no entanto, assentando-se… aos pés de Jesus, ouvia a sua palavra. Ela estava aproveitando a oportunidade de ouvir a Jesus. Marta, por sua vez, queria dar aos seus convidados um tratamento real – e não deveria ser criticada por isto. Contudo, ela permitiu que a sua preocupação se transformasse em irritação.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 397.

 

SINOPSE I

 

A família em Betânia recebeu Jesus em sua casa.

 

II – FRUTOS DA AMIZADE COM JESUS

 

1- Presença real do Filho de Deus.

 

Quando Marta, Maria e Lázaro descobriram em Jesus a resposta para todas as suas indagações, entenderam que essa relação com o Salvador era mais que mera relação social.

Era a presença real do Filho de Deus dentro de sua casa (Mt 10.40). Isso significa submeter-se voluntariamente aos seus ensinos e mandamentos, desfrutar um relacionamento especial em família com O Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap 19.16).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Era sempre uma alegria para a família de Betânia, mesmo que não haja nada escrito sobre os pais desses três irmãos, se já haviam morrido, ou se estavam vivos em outro lugar. Mas Jesus tinha prazer em estar naquela casa.

A narrativa de Lucas destaca, nessa família, apenas os irmãos, Lázaro, Marta e Maria. Em vista da liderança de Marta, conclui-se que ela fosse a mais velha, e Lázaro, o mais novo. O versículo 38 destaca Marta como a dona da casa.

No versículo 39, é Maria que se destaca, mais conhecida como Maria de Betânia, a qual por três vezes é citada nos Evangelhos.

Na verdade, os três irmãos haviam descoberto em Jesus a resposta a todas as suas dúvidas, e entenderam que a sua relação com Ele deveria ser algo mais que mera relação social de hospitalidade.

Entenderam que Jesus deveria ser recebido em sua casa com muito mais fidalguia do que um hóspede importante. Eles viam em Jesus um verdadeiro amigo da família. Havia nessa amizade um elemento mais forte do que mera religiosidade, pois Jesus, o Filho de Deus, era real e estava em sua casa.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 223.

 

 

Quem recebe a vocês, recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Tal é a promessa para os que, a despeito de saberem perfeitamente bem que serão desprezados e talvez até mesmo perseguidos por seus vizinhos, etc., acolhem e continuam a acolher os discípulos e sua mensagem.

São informados de que, quando aceitam esses homens em sua verdadeira atribuição, como representantes de Cristo plenamente autorizados, estão aceitando ao próprio Cristo.

Não só isso, mas visto que Jesus, por sua vez, era enviado do Pai (15.24; 21.37; Mc 9.37; 12.6; Lc 4.18; 10.16; Jo 3.17,34; 5.23,24,40; 9.4,7; 10.36; G1 4.4; Uo 4.9; etc.), ou seja, do amorável coração do próprio Pai que autorizou a seu Filho a comissionar a esses discípulos (Mt 28.18-20; Jo 17.18; 20.21), eles, de boa vontade, estão aceitando o próprio Pai no coração, na vida e no lar. E mesmo possível imaginar uma benção que seja mais rica que esta?

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus 1. 1 Ed 2001. Editora Cultura Cristã. pag. 676.

 

 

Quando Jesus disse isto, estava fazendo uso de um modo de expressar-se muito comum entre os judeus. Os judeus acreditavam que receber o enviado ou mensageiro de uma pessoa era como receber a essa mesma pessoa. Render honras a um embaixador era o mesmo que render honras ao rei que o tinha enviado.

Receber com amor o mensageiro de um amigo, era como receber o amigo em pessoa. Assumia-se esta atitude especialmente com respeito aos sábios e os homens que tinham sido instrutores na verdade de Deus.

Os rabinos diziam: “Quem oferece sua hospitalidade ao sábio é como se levasse a Deus a oferenda de seus primeiros frutos.” “Quem recebe o estudioso é como se recebesse a Deus.” Se um homem de Deus é verdadeiramente um homem de Deus, recebê-lo é como receber ao Deus que o enviou.

Nesta passagem podemos nos dar conta de quais são os elos da cadeia da salvação. É uma cadeia que tem quatro elos.

(1) Em primeiro lugar vem Deus, que por Seu amor inicia todo o processo da salvação.

(2) Em segundo lugar vem Jesus, que trouxe a mensagem aos homens.

(3) Em terceiro jogar vem o mensageiro humano, o profeta de Deus. O crente sincero que é um bom exemplo para outros, o discípulo que aprende os ensinos do Mestre, e então ele transmite a outros as boas novas que ele mesmo recebeu.

(4) Em quarto lugar vem o crente que recebe os homens de Deus e sua mensagem, que é a mensagem de Deus, e assim, fazendo isso encontra a vida para sua alma.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Mateus. pag. 427-428.

 

 

2- Desenvolvimento espiritual.

 

A amizade de uma família com Jesus converge em adoração, contrição e quebrantamento espiritual. Por três vezes, os autores dos Evangelhos citam atitudes distintas de Maria, irmã de Marta, em relação ao Senhor Jesus. Primeiro, em sua própria casa, quando Jesus visitou a família, Maria assentou-se aos pés de Jesus para ouvi-lo (Lc 10.39).

Segundo, na ocasião de tristeza pela morte de seu irmão, Lázaro, ela lançou-se aos pés dEle e chorou suas tristezas (Jo 11.32). E, por último, em casa, Maria adorou Jesus derramando sobre Ele um recipiente de unguento de nardo puro, ungindo seus pés e enxugando-os com os seus cabelos (Jo 12.3). Aqui, a lição é clara: a família que recebe Jesus em sua casa desenvolve um relacionamento profundamente espiritual com Ele.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Por três vezes, os autores dos Evangelhos citaram Maria de Betânia com três atitudes distintas de adoração ao Senhor Jesus como já citamos no texto.

Em sua própria casa, quando Jesus visitou a família, ela assentou-se aos pés dEle para ouvir a sua Palavra (Lc 10.39); depois, em ocasião de tristeza pela morte de seu irmão, Lázaro, ela lançou-se aos pés de Jesus chorando (Jo 11.32); e, por último, novamente em sua casa em Betânia, Maria adora a Jesus derramando sobre Ele um recipiente de unguento de nardo puro, ungindo os pés de Jesus e enxugando-os com seus cabelos (Jo 12.3).

A amizade de Jesus com essa família tinha, além do aspecto social, um caráter espiritual.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 224.

 

 

Destacaremos alguns aspectos do gesto de Maria.

Em primeiro lugar, Maria deu o seu melhor (12.3). Os evangelistas Marcos e Mateus não nos informam o nome da mulher que ungiu Jesus, mas João nos conta que foi Maria de Betânia, a irmã de Marta e Lázaro (12.1-3). Jesus estava na casa de Simão, o leproso, na cidade de Betânia, participando de um jantar. A descrição das irmãs de Lázaro – Marta servindo e Maria cultuando — novamente chama a atenção por sua semelhança com o retrato que Lucas traça no único trecho em que as menciona (Lc 10.38-41).

Esse jantar possivelmente foi motivado pela gratidão de Simão e Maria. Esta, num gesto pródigo de gratidão e amor, quebrou um vaso de alabastro e derramou o preciosíssimo perfume sobre a cabeça de Jesus. O perfume havia sido extraído do puro nardo, isto e, das folhas secas de uma planta natural do Himalaia, entre o Tibete e a índia. Pelo fato de a planta provir de uma região tão remota e ser transportada no lombo de camelos através de regiões montanhosas, era altamente cotada.

Em segundo lugar, Maria deu sacrificialmente (12.3). O gesto de amor e adoração de Maria foi publico, espontâneo, sacrificial, generoso, pessoal e desembaraçado.6 A libra de bálsamo equivalia a uns 327 gramas de perfume.7 Cada grama desse perfume excelente valia um denário. O total desse caro unguento equivalia ao salário de um trabalhador comum durante um ano inteiro. Maria deu não apenas o seu melhor, mas deu, também, sacrificialmente. Aquele perfume foi avaliado por Judas em 300 denários (12.4,5).

Representava o salário de um ano de trabalho. Assim como Davi, Maria se recusou a dar ao Senhor o que não lhe havia custado coisa alguma (2Sm 24.24). Judas Iscariotes fica indignado com Maria e considera seu gesto um desperdício. Ele culpa Maria de ser perdulária e administrar mal os recursos. Murmura contra ela, dizendo que aquele alto valor deveria ser dado aos pobres. Warren Wiersbe diz que Judas criticou Maria por desperdiçar dinheiro, enquanto ele desperdiçou a própria vida.8 O que Maria fez foi único em criatividade, régio em generosidade e maravilhoso em intemporalidade, diz William Hendriksen.9 Concordo com Werner de Boor quando ele diz que o amor não é calculista; o amor esbanja!10 O amor, depois de dar tudo, só lamenta não ter mais para dar!

Em terceiro lugar, Maria buscou agradar somente ao Senhor (12.7). Maria demonstrou seu amor a Jesus de forma sincera e não ficou preocupada com a opinião das pessoas a sua volta. Não buscou aprovação ou aplauso das pessoas nem recuou diante das suas críticas. O amor é extravagante, sempre excede! A devoção de Maria contrasta vivamente com a malignidade dos principais sacerdotes e a vil traição de Judas.

Em quarto lugar, Maria demonstrou amor em tempo oportuno (12.7). Maria demonstrou seu amor generoso a Jesus antes de sua morte e antecipou-se a ungi-lo para a sepultura (Mc 14.8). As outras mulheres também foram ungir o corpo de Jesus, mas, quando chegaram, ele já não estava lá, pois havia ressuscitado (Mc 16.1-6). Muitas vezes, demonstramos o nosso amor tardiamente.

A mais eloquente declaração do amor de Davi por seu filho Absaláo ocorreu depois da morte do filho. Absalão sempre quis ouvir isso de seu pai, mas, quando Davi declarou seu amor a ele, Absalão já não podia mais ouvir. Muitas vezes, enviamos flores depois que alguém morre, quando a pessoa já não pode mais sentir seu aroma.

Em quinto lugar, Maria foi elogiada pelo Senhor (12.7,8). Jesus chamou o ato de Maria de boa ação (Mc 14.6) e disse que seu gesto deveria ser contado no mundo inteiro, para que sua memória não fosse apagada (Mc 14.9). Jesus diz que os pobres precisam ser assistidos, mas eles estão sempre entre os homens; ele, porem, morreria nessa mesma semana, e apenas Maria discerniu esse fato para honrá-lo antecipadamente.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 317-319.

 

 

O respeito especial que Maria mostrou por Jesus, acima dos demais, ao ungir seus pés com um pouco de unguento, v. 3. Ela tinha “uma libra de unguento de nardo puro, de muito preço”. Alguns entendem que este unguento provavelmente se destinava ao seu próprio uso, mas, com a morte e a ressurreição de seu irmão, ela não costumava mais usar tais coisas.

Com este unguento, ela ungiu os pés de Jesus, e, como um sinal adicional da sua reverência por Ele, e negligência por si mesma, ela os enxugou com seus cabelos, e isto foi observado por todos os que estavam presentes, pois “encheu-se a casa do cheiro do unguento”. Veja Provérbios 27.16.

Sem dúvida, ela pretendia que isto fosse um símbolo do seu amor por Cristo, que tinha dado sinais muito verdadeiros do seu amor por ela e pela sua família, e, desta maneira, ela estuda o que vai fazer. Com isto, seu amor por Cristo parece ter sido:

(1) Um amor generoso.

Longe de economizar nos gastos necessários no serviço a Ele, ela é tão engenhosa a ponto de criar uma oportunidade para gastar uma grande soma em sua adoração, enquanto muitos procuram evitar isto. Se ela tivesse alguma coisa mais valiosa do que aquele unguento, esta seria trazida para a honra de Cristo. Observe que aqueles que amam a Cristo, amam-no verdadeiramente muito mais e melhor do que a este mundo, a ponto de estarem dispostos a entregar o que tiverem de melhor por amor a Ele.

(2) Um amor condescendente.

Ela não somente ofereceu a Cristo seu unguento, mas com suas próprias mãos o derramou sobre Ele, embora pudesse ter ordenado a algum de seus servos que o fizesse. Ela não ungiu sua cabeça, como era usual, mas seus pés. O verdadeiro amor, assim como não economiza gastos, também não economiza esforços, para honrar a Cristo.

Considerando o que Cristo fez e sofreu por nós, nós somos muito ingratos se julgamos que algum serviço é excessivamente difícil de realizar, ou é muito humilde para que nos curvemos e o realizemos, se Ele puder realmente ser glorificado.

(3) Um amor com fé.

Havia fé operando este amor, a fé em Jesus como o Messias, o Cristo, o Ungido, que, sendo tanto sacerdote quanto rei, foi ungido, como foram Arão e Davi. Observe que o Ungido de Deus será nosso Ungido. Deus derramou sobre Ele o óleo de alegria, mais do que sobre seus companheiros? Derramemos sobre Ele o azeite dos nossos melhores afetos, acima de tudo e de todos aqueles que disputam nossa atenção e afeto. Ao aceitarmos Cristo como nosso rei, nós devemos seguir os desígnios de Deus, indicando como nosso cabeça aquele a quem Deus, o Pai, indicou, Oséias 1.11.

O fato de que a casa se encheu com o cheiro do unguento pode nos indicar: (1) Que aqueles que recebem a Cristo em seus corações e em suas casas trazem um aroma doce a si mesmos. A presença de Cristo traz consigo um unguento e um perfume que alegram o coração. (2) As honras feitas a Cristo são consolos a todos os seus amigos e seguidores. Elas são, para Deus e para os homens bons, uma oferta que tem um cheiro suave.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 938-939.

 

 

3- Serviço concreto.

 

Se com Maria aprendemos uma espiritualidade profunda, com Marta aprendemos a importância do serviço em família. As preocupações de Marta com os trabalhos do lar indicam a intenção de agradar a Cristo, oferecendo-Lhe uma hospitalidade especial. Era um modo de Marta agradá-lo por meio de obras (Jo 12.2). Há os que condenam a atitude mais ativa de Marta com relação a Jesus.

É bem verdade que ela foi admoestada pelo Senhor quanto ao serviço desproporcional e a não esquecer do necessário (Lc 10.40). Entretanto, também é verdade que ela adequou esse serviço na perspectiva ensinada pelo Senhor Jesus (Jo 12.2). Quando a família estabelece uma relação de amizade a partir de Jesus, deve-se levar em conta o serviço mútuo para a manutenção do lar.

Em Jesus, cada membro da família deve ser ativo nas tarefas domésticas sem, contudo, esquecer-se do necessário: a prioridade espiritual (Lc 10.40-42).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

As preocupações de Marta com os trabalhos caseiros indicam a intenção de agradar a Cristo com uma hospitalidade especial. Era um modo de Marta agradar a Cristo com uma adoração em obras.

Jesus deu prioridade a um tipo de adoração que envolvia muito a obra do coração. O que chama a atenção nesse episódio da casa de Marta, Maria e Lázaro é a atitude de reconhecimento pelo que Ele fez ao ressuscitar a Lázaro.

Tanto Marta quanto Maria amavam Jesus e o viam como o Messias desejado por todo o seu povo. Marta, mais preocupada em ter a casa limpa e arrumada para receber o seu visitante, queria que Maria a ajudasse com as coisas da casa e deixasse para Lázaro as honras da casa.

A verdade era que as duas irmãs, mesmo contrastando no modo de servir a Cristo e reconhecer que Ele era o Salvador de suas almas, serviam-no com sinceridade: Maria, com o coração, e Marta, com as mãos. Ora, adoração é amor e dedicação, reconhecendo Deus como Senhor de suas vidas.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 224-225.

 

 

A mente de Marta vê-se atirada em todas as direções. «Como poderei cuidar de todos os detalhes desta elaborada comida: os aperitivos, a salada, a carne, as verduras, os aromatizantes e condimentos, os pães, as sobremesas, a distribuição dos convidados ao redor da mesa, etc.? E tudo isto para:

“Jesus e Lázaro, Maria e Marta, mais Pedro, André, Tiago e João, Filipe e Bartolomeu, Mateus e Tomé também, Tiago o menor e Judas, o maior, Simão Zelote e Judas, o traidor”.

A expressão Marta, Marta revela uma assinalada desaprovação, por certo, mas também um terno afeto e grave preocupação, porque, como Aquele que esquadrinha os corações sabe, Marta estava preocupava interiormente e zangada exteriormente.

Isto era muito claro pela maneira como se via, falava e agia. “Com muitas coisas”, como se dissesse: «Uma comida tão elaborada nem sequer é necessária. Além disso, há coisas que em excelência e importância ultrapassam de longe o comer».

“Pouco é necessário ou mesmo uma só coisa”, diz Jesus. Alguns interpretaram esta declaração como significando: “Um só prato teria sido suficiente”. Mas o que segue imediatamente certamente favorece a outra interpretação que tem uma acolhida mais ampla, ou seja: «A única coisa necessária é a porção que Maria escolheu, quer dizer, ouvir Minhas palavras».

Na realidade, pode haver algo maior em valor que uma devoção de todo coração e a adoração do Senhor Jesus Cristo, a revelação do Deus triúno? Essa e não outra coisa — por exemplo, este ou aquele prato de comida — é a porção que nunca será tirada de Maria, nem de ninguém que siga o seu exemplo. Veja-se Sl. 89:28; Jo. 10:28; Rm. 8:38, 39.

Às vezes se pergunta: «Mas não foi Jesus um pouquinho injusto com Marta? Afinal de contas, não tinha ela razão?» É preciso ter em mente o seguinte:

Exceto os toques finais, a comida já deveria estar preparada quando Jesus e seu grupo chegaram. Temos razões para crer que Ele tinha tomado cuidado de fazer com que sua anfitriã soubesse de Sua vinda. Não estava sempre enviando na frente homens para anunciar Sua chegada? Veja-se Is. 40:3–5; Ml. 3:1; Lc. 9:52; 10:1, 22:8.

Isto também significa que ao Ele chegar uma das irmãs deveria ter “atendido” ao honorável visitante. Digamos que «deveria ter estado preparada para sentar-se aos Seus pés para ouvir Suas palavras». O não fazê-lo, até sob condições comuns, teria sido descortesia, contrário às bons maneiras, mas neste caso teria sido extremamente irreverente. Assim que Maria fez o correto.

Lc. 10:40, “tenha deixado que eu fique”, etc., provavelmente dê a entender que mais cedo Maria também tinha estado fazendo sua parte na preparação da comida. Marta aprendeu a lição. Sabia que as palavras de repreensão de Jesus foram ditas com amor, porque “amava Jesus a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro” (Jo. 11:5).

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Lucas. Editora Cultura Cristã. pag. 718-720.

 

 

Jesus não culpou Marta por estar preocupada com a preparação da refeição, nem a repreendeu por tentar receber bem a Ele e a seus discípulos.

Mas Ele queria que ela entendesse que, por estar tão ansiosa, não estava tendo tempo para o que era mais importante – aquilo que Maria demonstrava através de sua atitude. Jesus queria que Marta reorganizasse suas prioridades. E possível que o ato de servir a Cristo degenere transformando-se em uma mera ocupação que já não mais será uma devoção completa a Deus.

Talvez ela pudesse ter preparado uma refeição menos abundante, para ter também tempo de sentar-se aos pés de Jesus e ouvir seus ensinos.

Mas Jesus não iria mandar que Maria se retirasse para ajudar nas tarefas da casa. Ela tinha escolhido estar aos pés de Jesus, e Jesus sabia que Ele não iria estar nesta terra para sempre. O seu tempo seria curto, e Ele não despediria aqueles que queriam ouvi-lo e aprender.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 397.

 

 

SINOPSE II

 

A família que cultiva a amizade com Jesus pode colher muitos frutos.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

SERVIÇO E DEVOÇÃO A DEUS

“Você está tão ocupado fazendo algo para Jesus, que deixa de passar momentos de comunhão com Ele? Não deixe que seu serviço se transforme em algo que vise a seu próprio interesse. Jesus não culpou Marta por estar preocupada com as tarefas domésticas.

Ele só pediu que ela estabelecesse corretamente as prioridades. É possível um serviço perder a essência, tornando-se um mero trabalho cheio de tarefas, totalmente desprovido da devoção a Deus” (Bíblia de Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, PP-1374-75).

 

 

III – LIÇÕES QUE APRENDEMOS COM A AMIZADE DE JESUS

 

1- Uma história de amor.

 

A história da amizade de Jesus com essa família nos leva a conhecer uma história de amor. Marta, Maria e Lázaro eram fiéis discípulos de Jesus. Ambos os irmãos criam em tudo o que o Mestre ensinava e, por isso, o reverenciavam de maneira honrosa e hospitaleira.

Eles amavam Jesus e eram amados por Ele (Jo 11.5). Aqui, aprendemos que o amor é o sentimento que deve nortear a relação da família cristã. Num lar em que se estabeleceu a amizade com Jesus não deve faltar o amor de Deus (1Jo 3.18).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Marta era uma mulher ativa, inquieta e impulsiva. Suas emoções eram intensas, e, quando falava, era direta e franca. Entretanto, Maria era sossegada, muito tranquila e contemplativa, e falava pouco do que sentia.

As duas tinham alegria em receber Jesus, o amigo especial. Naturalmente, sabemos que cada pessoa manifesta os seus sentimentos de modo distinto.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 225.

 

 

O amor de Jesus por Lázaro e suas irmãs não impediu que eles passassem pelo vale da morte, mas lhes trouxe vitória sobre a morte. Concordo com as palavras de Charles Erdman a respeito:

Quando a tribulação assedia um crente, é perigoso afirmar que o seu propósito é algum benefício, ou que o seu motivo é alguma bênção futura. Os propósitos de Deus estão além de nossa compreensão; o sofrimento é um mistério que nem sempre podemos desvendar. Mas é absolutamente certo que, para um amigo de Jesus, o resultado do sofrimento será algum bem eterno, alguma manifestação da glória de Deus.

Como conciliar o amor de Jesus com o nosso sofrimento? Vejamos a seguir.

A família de Betânia era amada por Jesus. Jesus amava Marta, Maria e Lázaro, mas, mesmo assim, Lázaro ficou enfermo. Se Jesus amava a Lázaro, por que permitiu que ele ficasse doente? Por que permitiu que suas irmãs sofressem? Por que permitiu que Lázaro morresse? Aqui está o grande mistério do amor e do sofrimento.

Marta e Maria fizeram a coisa certa na hora da aflição. Buscaram ajuda em Jesus. Elas sabiam que Jesus mudaria sua agenda e as atenderia sem demora.

Elas buscaram ajuda na base certa. Basearam-se no amor de Jesus por Lázaro, e não no amor de Lázaro por Jesus. Quem ama tem pressa em socorrer a pessoa amada. Hoje dizemos: “Jesus, aquele a quem amas está com câncer. Jesus, aquele a quem amas está se divorciando? Jesus, aquele a quem amas está desempregado”.

Por que Jesus não curou Lázaro a distância. Jesus poderia ter impedido que Lázaro ficasse doente e também poderia tê-lo curado a distância. Ele já havia curado o filho do oficial do rei a distância (4.46-54). Por que não curou seu amigo a quem amava? A atitude de Jesus parece contradizer o seu amor.

Alguns judeus não puderam conciliar o amor de Cristo com o sofrimento da família de Betânia (11.37). Eles pensaram que amor e sofrimento não podiam andar juntos. O fato de sermos amados por Jesus não nos dá imunidades especiais. O Pai amava o Filho, mas permitiu que ele bebesse o cálice do sofrimento e morresse na cruz em nosso lugar.

O fato de Jesus nos amar não nos torna filhos prediletos. O amor de Jesus não nos garante imunidade especial contra tragédias, mágoas e dores. Nenhum dos discípulos teve morte natural, exceto João. Jesus não prometeu imunidade especial, mas imanência especial. Nunca nos prometeu uma explicação; prometeu a si mesmo, aquele que tem todas as explicações.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 296-297.

 

 

Onde estão Marta e Lázaro, está também Maria. E agora João relata o que ele já mencionara brevemente em Jo 11.2. ―Então, Maria, tomando uma libra de bálsamo de nardo puro, mui precioso, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos.

O ―nardo é uma erva aromática indiana, de cuja raiz se extraía um óleo de perfume forte. Naturalmente também naquele tempo já existiam produtos falsos substitutos. Nardos ―puros‖ do estrangeiro distante são ―muito preciosos‖ e, por conseqüência, caros.

A ―libra de unguento aqui usada, de 300 gramas, é avaliada pelo negociante Judas em 300 denários, de modo que 1 grama custava 1 denário. Maria não usa esse óleo precioso de acordo com o costume para a cabeça de Jesus (Sl 23.5; Lc 7.46), mas sim para os pés de seu Senhor. E não enxuga o óleo transbordante com um pano, mas com o próprio cabelo. Tudo nesse gesto testemunha um grande e abnegado amor.

Maria deseja agradecer a Jesus de forma efusiva. Deseja honrá-lo sem restrições, e apesar disso preserva toda a distância dele, o Filho de Deus, que tem poder até sobre a morte. Somente ousa ungir seus pés, mas o faz com abundância extravagante.

―E encheu-se toda a casa com o perfume do bálsamo. Com razão viu-se nesse fato também um símbolo. O amor verdadeiro e dedicado a Jesus enche todos os arredores com um perfume precioso. Ali pode expandir-se também o ―perfume do conhecimento de Cristo‖ e alcançar muitas pessoas (2Co 2.14).

Werner de Boor. Comentário Esperança Evangelho de João. Editora Evangélica Esperança.

 

 

2- Compreender o outro.

 

Vimos que Marta e Maria tinham perfis distintos. Uma agia mais com o “coração” e outra mais com as “mãos”. Uma tinha uma emoção mais intensa, falava de maneira mais direta e franca; a outra, mais sossegada, tranquila, contemplativa e silenciosa.

Entretanto, ambas recebiam Jesus com alegria e honra. Em nossa família também é assim, na mesma casa habitam pessoas com personalidades diferentes umas das outras.

É preciso ter disposição para conhecer, compreender e administrar de maneira sábia e respeitosa a personalidade de cada membro da família. Talvez esse seja o maior desafio do amor em casa (cf. 1Co 13.4-7).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Com a intenção de querer agradar a Cristo, Marta queria oferecer o melhor da sua casa para Ele. Por isso, se distraía com muitos serviços, não se importando muito com o sentido espiritual da visita de Jesus.

Por ser inquieta, resolveu queixar-se com Jesus de que Maria, sua irmã, não ajudava em nada. Jesus, com especial carinho e respeito por Marta, pronunciou uma repreensão solene para que fosse menos ansiosa e soubesse dar prioridade aos cuidados com a sua alma.

Quando Jesus disse que Maria havia escolhido a melhor parte, que era a de ouvir a sua palavra, fez Marta entender que a adoração verdadeira coloca em primeiro lugar as coisas do Reino de Deus.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 226.

 

 

É como Cristo em suas negações (13.4-6). O amor se manifesta positivamente na paciência e na bondade. Ele também se revela negativamente através das restrições que coloca a si mesmo. Assim sendo, podemos confiar no amor tanto pelo que ele faz, como por aquilo que ele não faz.

1) O amor não sente inveja (13.4). Invejar é um verbo usado às vezes em um sentido favorável, como em 12.31: “Procurai com zelo os melhores dons”. Essa palavra significa basicamente “ser zeloso por ou contra qualquer coisa ou pessoa”.61 Quando usada em um contexto desfavorável, ela significa ser zeloso contra uma pessoa; portanto, ter ciúme ou sentir desprazer perante o sucesso de alguém.

2) O amor não se ufana (13.4, versão ARA). A expressão não trata com leviandade introduz uma vívida palavra que quer dizer “fanfarrão ou falador”.62 Ela é “usada em relação a alguém que louva suas próprias qualidades”.63 Essa advertência foi especialmente necessária aos coríntios, que eram inclinados a se orgulhar dos seus dons.

3) O amor não se ensoberbece (13.4). Ensoberbecer (physioutai) significa inflar, ofegar, suspirar. Portanto, quer dizer “inchado de orgulho, vaidade e autoestima”. É diferente de jactar-se, no sentido de expressar ativamente sentimentos de orgulho e egoísmo. Um homem pode ter um sentimento de auto exaltação e ser suficientemente inteligente para disfarçá-lo através de uma demonstração de religiosidade. Dessa forma, ele não irá se expor às críticas de ser uma pessoa soberba. O amor elimina esse sentido interior de auto-exaltação, assim como a sua manifestação exterior.

4) O amor não se porta com indecência (13.5). Aqui Paulo está falando sobre o perfeito amor e a maneira como ele opera na vida cristã. O “caminho mais excelente” é o caminho da santidade. O apóstolo não está se referindo simplesmente a um ideal a ser alcançado, mas indicando uma experiência de amor que está no tempo presente. O momento é agora. Esse amor não se porta com indecência, não faz nada que seja “vergonhoso, desonroso ou indecente”.64 O amor demonstra o devido respeito para com aqueles que têm autoridade, e uma adequada consideração pelas pessoas sobre as quais a autoridade é exercida. O amor “inspira tudo que é conveniente e próprio na vida, e protege contra tudo que é inconveniente e impróprio”.

5) O amor não é interesseiro (13.5). Jesus descreveu a abordagem básica à vida cristã quando falou sobre o grão de trigo que cai na terra e morre para que possa viver (Jo 12.24). Esse é o amor cristão que está em direta oposição ao interesse egoísta. O egoísmo e o amor não podem residir no espírito do mesmo homem. O amor não pode encontrar a sua própria felicidade às custas dos outros. Isso não significa que o homem não deva se preocupar com o seu próprio bem-estar, nem que ele deva se descuidar de sua saúde física, de seus bens, felicidade ou salvação.

Significa que o homem não deve fazer da sua felicidade pessoal e de seu bem-estar a principal motivação da sua vida. O amor leva o cristão a procurar o bem-estar dos outros, mesmo às custas do esforço, da abnegação e do sacrifício pessoal.

6) O amor não se irrita (13.5). O amor não se deixa provocar. “A leviandade é supérflua e dá um colorido diferente a uma afirmação que é absoluta: ele não é provocado, nem exasperado.se Quando usada em um sentido desfavorável, a palavra irritar significa “provocar a ira, enervar”. Portanto, o amor não é melindroso, nem hipersensível, e não se ofende. Somente o amor pode vencer as irritações reais ou imaginárias que uma pessoa experimenta na vida.

7) O amor não suspeita mal (13.5). A palavra traduzida como suspeita (logizetai) significa levar em conta, acusar, calcular ou registrar. O amor não soma, nem atribui más intenções ou desejos perniciosos a um homem. Como Godet explica: “O amor, em vez de registrar o mal como um débito em seu livro contábil, voluntariamente ‘passa uma esponja’ sobre aquilo que ele suporta”.

8) O amor não folga com a injustiça de qualquer espécie (13.6). O amor não participa de qualquer ato pessoal de pecado ou injustiça. Não se alegra com os vícios dos outros homens, nem encontra prazer quando outros se revelam culpados de algum crime. Pelo contrário, o amor se alegra com a verdade e encontra prazer nas virtudes dos outros. O amor e a verdade são irmãos gêmeos na família da fé. Esse amor não pode ser indiferente ou neutro; ele sempre é a favor de algum dos lados. O amor se retrai perante a injustiça, mas abraça a verdade.

O Amor é a Mais Abrangente de Todas as Graças (13.7)

Nesse ponto, o apóstolo muda seu tema de retumbantes afirmações negativas para emocionantes afirmações positivas. Os dons carismáticos, especialmente a glossolalia, estavam confinados apenas a algumas pessoas e tinham pouco valor prático. O amor, por outro lado, é tão amplo e abrangente quanto o espírito do homem que é moldado pela graça de Deus.

a) O amor tudo sofre, tudo suporta (13.7a). Na literatura clássica a palavra sofrer (stego) significava “cobrir, considerar em silêncio, manter confidencial”. Aqui, uma excelente tradução da ideia de Paulo é “o amor que lança um manto de silêncio sobre aquilo que é desagradável em uma outra pessoa”. Essa palavra também contém a ideia de suportar. Portanto, o amor pode ocultar ou suportar aquilo que é desagradável em alguém. Whedon comenta: “Assim como a mãe procura cobrir as faltas dos seus filhos, Paulo preferia ocultar os erros dos coríntios, ao invés de expô-los”. O amor afasta os ressentimentos e espera o melhor das pessoas, mesmo quando as aparências indicam o contrário.

b) O amor gera confiança nos outros (13.7b). Os coríntios formavam uma multidão de céticos. Sentiam dificuldade em confiar uns nos outros. A rivalidade em relação aos vários dons havia produzido um abismo em sua confiança. Paulo diz a esses filhos problemáticos que o amor acredita em tudo; o amor tudo crê. O verbo crer (pisteuei) significa ter confiança nos outros, colocar a melhor interpretação em seus atos e motivos. Certamente Paulo não está sugerindo que um cristão cheio de amor seja uma pessoa extremamente crédula que acredita em tudo o que é apresentado à sua mente. Ele quer dizer que o amor está pronto para acreditar no melhor que existe nos outros e a tolerar as circunstâncias.

c) O amor produz uma esperança perpétua (13.7c). O amor nunca desiste – ele acompanha o homem até os limites da sepultura, sempre esperando o melhor. O amor não produz uma espécie de otimismo sentimental que cegamente se recusa a enfrentar a realidade, e se nega a aceitar o insucesso como definitivo. Em vez de aceitar o insucesso dos outros, “o amor irá se firmar nessa esperança até que todas as possibilidades de tal resultado tenham desaparecido, e é compelido a acreditar que a conduta não é suscetível a uma justa explicação”.

d) O amor permanece firme (13.ld). O amor permanece forte perante o desapontamento, é corajoso na perseguição e não se queixa. Suportar (hypomeno) significa “manter a posição, recusar-se a ceder, resistir”.73 Dessa forma, quando o cristão não consegue mais acreditar ou esperar, ainda assim ele pode amar. Essa permanência não é uma simples aquiescência, mas uma reação silenciosa e estável a pessoas ou eventos que não merecem paciência. O amor é permanente.

Donald S. Metz. Comentário Bíblico Beacon. I Coríntios. Editora CPAD. Vol. 8. pag. 345-347.

 

 

O apóstolo Paulo destaca três verdades sobre o amor, que vamos considerar: O que é o amor? O que não é o amor? E o que o amor faz?

O que é o amor? O amor é paciente e benigno. O que não é o amor? O amor não é ciumento, não se ufana, não se ensoberbece. O amor não se conduz inconveniente, não procura os seus interesses e não se ressente do mal. O amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade. O que o amor faz? O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta; o amor jamais acaba.

O capítulo 13 de l Coríntios é profundamente apologético.

Paulo escreve esse texto para corrigir os problemas que a igreja estava vivenciando. Vamos examinar esses atributos do amor.

Em primeiro lugar, o amor é paciente (13.4). O amor paciente tem uma capacidade infinita de suportar. O termo grego makrothumein sempre descreve a paciência com pessoas e não com circunstâncias. Trata-se daquela pessoa que tem poder para vingar-se, mas não o faz. A palavra grega makrothumia é paciência esticada ao máximo. Num tempo em que os nervos das pessoas estão à flor da pele, o amor paciente é necessidade vital. Há pessoas que têm o pavio curto, e outras que nem têm pavio. As pessoas estão parecendo barris de pólvora: explodem ao sinal de qualquer calor. O amor tem uma infinita capacidade de suportar situações adversas e pessoas hostis. A ideia é a mesma da longanimidade. Quem ama tem um ânimo longo, um ânimo esticado ao máximo.

O amor é paciente com as pessoas. Ele tem a capacidade de andar a segunda milha. Quando alguém o fere, ele dá a outra face. Ele não paga ultraje com ultraje.

Em segundo lugar, o amor é benigno (13.4). A palavra “benigno” dá a ideia de reagir com bondade aos que nos maltratam. E ser doce para com todos. Agora, como é que a igreja de Corinto se comportava em relação à paciência e à benignidade do amor?

Na igreja de Corinto havia divisões e contendas. Não existia paciência entre os crentes. Ao contrário, eles não se suportavam e havia divisão entre eles. Eles não eram unidos e não tinham a mesma disposição mental. Eles não eram do mesmo parecer. Eles eram indelicados em suas atitudes entre si. E Paulo então diz que a terapia de Deus para corrigir esse problema é o amor. Porque o amor é paciente e também benigno. Alguns crentes da igreja estavam levando os próprios irmãos a juízo perante incrédulos. Eles faziam injustiça uns contra os outros. Eles não apenas brigavam dentro da igreja, mas estavam levando essas querelas para o mundo. O remédio para solucionar esse pecado é o amor.

O amor é paciente e é benigno.

Em terceiro lugar, o amor não arde em ciúmes, não se ufana e não se ensoberbece (13.4). O amor não se aborrece com o sucesso dos outros. Não é preciso ser um psicólogo para saber disto: Nós temos mais dificuldade de nos alegrarmos com os que se alegram do que chorar com os que choram.

Temos uma dificuldade imensa de celebrar as vitórias do outro, de aplaudir o outro e nos alegrarmos com o triunfo e o sucesso do outro.

O amor não se ufana. A palavra “ufanar”, nesse texto, significa cheio de vento. Tem gente que parece um balão, cheio de vaidades. E como um poço de vaidades.

“Não se ensoberbece.” Havia crentes na igreja de Corinto que estavam cheios de empáfiá e vaidade. Havia aqueles que se vangloriavam na presença de Deus (1.29). Havia outros que se vangloriavam em homens (3.21), numa espécie de culto à personalidade. Paulo corrige a igreja dizendo que essa prática é contrária ao amor. O amor não tem ciúmes.

Em quarto lugar, o amor não se conduz inconvenientemente nem procura seus próprios interesses (13.5). O amor é a própria antítese do egoísmo.196 Ele não é egocentralizado, mas outrocentralizado. Ele não vive para si mesmo, mas para servir ao outro. Leon Morris diz que o amor se preocupa em dar-se, e não em firmar-se. Por que temos contendas dentro de casa, no trabalho e na igreja? Porque estamos sempre lutando pelo que é nosso e nunca pelo que é do outro! Só há contenda quando você briga pelos seus interesses, quando o egoísmo está na frente. Mas quando você coloca a causa do outro na frente da sua necessidade não existe contenda.

Em quinto lugar, o amor não se exaspera e não se ressente do m al (13.5). O amor não é melindroso. Não está predisposto a ofender-se. O amor está sempre pronto para pensar o melhor das outras pessoas, e não lhes imputa o mal. O amor não é hipersensível. A hipersensibilidade é ‘ orgulho. Como se corrige isso? Através do amor que não se exaspera, que não se ressente do mal. Os crentes de Corinto estavam levando uns aos outros aos tribunais seculares diante de juizes não-cristãos (6.5-7). Estavam brigando, fazendo injustiça, criando confusão e levando seus conflitos e tensões para fora da igreja. Eram egoístas e carnais. Só a prática do amor poderia restaurar a vida espiritual daquela igreja.

Em sexto lugar, o amor não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade (13.6). Na igreja de Corinto havia práticas tão escandalosas que nem mesmo entre os pagãos se percebia. Pior do que a loucura de um homem deitar-se com a mulher do próprio pai foi a atitude da igreja em relação a esse fato. A igreja não lamentou, não chorou, antes se jactou da situação. Paulo, então, diz que o amor não se conduz inconvenientemente. O amor não pratica a injustiça, mas regozija-se com a verdade.

Em sétimo lugar, o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta (13.7). Paulo passa do que o amor não é para o que o amor faz. Alguns irmãos da igreja de Corinto estavam usando mal a sua liberdade cristã. Por agir sem amor, eles faziam tropeçar os irmãos mais fracos. Agora, Paulo diz para a igreja que o amor tudo sofre. Significa que você abre mão de um direito que tem a favor do seu irmão. A ética cristã não é regida simplesmente pelo conhecimento, mas, sobretudo, pelo amor.

Paulo diz também que o amor tudo crê. A igreja de Corinto estava duvidando do apostolado de Paulo, dando créditos às pessoas mentirosas que se opunham ao seu ministério. Davam crédito à mentira, mesmo contra o seu pai espiritual, o apóstolo Paulo (4.3-5; 9.1-3). A igreja regida pelo amor, porém, crê naquilo que recebeu da parte de Deus. Ela recebe da parte de Deus a verdade e não abre mão da verdade. Ainda que essa verdade sofra ataques de todos os lados. A igreja regida pelo amor está sempre, disposta a levar em conta as circunstâncias e ver nos outros o melhor.

Paulo ainda diz que o amor tudo espera. Esse é o olhar prospectivo. A ideia não é a de um otimismo irracional, que deixa de levar em conta a realidade. E antes a recusa em tomar o fracasso como final. Decorrente de tudo crê, vem a confiança que olha para a vitória final pela graça de Deus.

Prosseguindo, Paulo diz que o amor tudo suporta. Esse elemento traz a ideia de constância. Leon Morris diz que o verbo hupomeno denota não uma aquiescência paciente e resignada, mas uma fortaleza ativa e positiva. E a resistência do soldado que, no calor da batalha, não fraqueja, mas continua vigorosamente na peleja.

Por fim, Paulo afirma: “O amor jamais acaba” (13.8). O amor ágape nunca entra em colapso. Ele jamais sofre ruína. As muitas águas não podem apagá-lo (Ct 8.7).

David Prior aduz que, ao concluir esse parágrafo, Paulo trabalha três pontos importantes.

a) O amor e as trevas em nós mesmos (13.4b,5a). Com o uso de cinco negativas, cada uma precedendo um verbo, Paulo diz que o amor simplesmente não faz essas coisas: Ele não se entrega ao ciúme, ao ufanismo ou à arrogância; resiste à tentação de reagir com aspereza ou egoísmo. Esses pecados todos estavam presentes na igreja de Corinto.

b) O amor e as trevas dos outros (13.5b,6). Paulo menciona três maneiras pelas quais as faltas dos outros nos levam à falta de amor: 1) Há pessoas que nos provocam — não podemos permitir que as pessoas determinem o nosso comportamento. 2) Há pessoas que falam e fazem mal contra nós – é crucial reconhecer o perigo de regozijar-se com o fracasso dos outros, e particularmente manter uma lista dos erros cometidos. O amor além de perdoar, esquece; e não mantém um registro das coisas ditas e feitas contra nós.

3) Há um mal intrínseco em nós mesmos — podemos cair na armadilha de nos regozijarmos não com o que é bom e verdadeiro, mas com o que é obscuro e sórdido. Encontramos um falso alívio quando vemos os outros fracassando e caindo.

c) O amor e as aparentes trevas em Deus (13.7). A palavra tudo, repetida quatro vezes nesse versículo, torna claro que o amor não é uma qualidade humana, mas um dom do próprio Deus. E apenas o amor de Deus em nós que nos capacita a sofrer, crer, esperar e suportar. Muitas vezes somos esmagados pela pergunta: Por que, Senhor? Mas quando amamos, descansamos no fato de que Deus está no controle. Aconteça o que acontecer, ficamos firmes porque sabemos que Deus está trabalhando para o nosso bem final (Rm 8.28).

LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios Como Resolver Conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 245-250.

 

 

3- Ponderar quanto aos cuidados da vida.

 

Desejando agradar a Cristo, Marta trabalhava para dar o melhor da sua casa para Jesus. Por isso, acabou se distraindo com muitos serviços, esquecendo-se de priorizar também a parte espiritual de sua vida. Foi isso que nosso Senhor mostrou à Marta quando disse que ela andava distraída com muitos serviços (Lc 10.40).

Naturalmente, aqui, Jesus não ensina a ficarmos descansados com as nossas responsabilidades. Na verdade, sua Palavra é para quem está sobrecarregado com muitas atividades externas, como era o caso de Marta.

Nosso Senhor ensina que a vida não é só trabalho, pois “ nem só de pão viverá o homem” (Mt 4.4). A vida também tem a ver com o equilíbrio da alma e do espírito, pois o ser humano viverá de “ toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4).

Portanto, ter uma vida social agitada sem uma vida espiritual de raízes profundas é viver no vazio. Assim, em pouco tempo não teremos mais o fervor espiritual. A nossa família deve ser o ambiente em que a nossa vida com Deus seja potencializada a fim de que nossa vida social seja produtiva e abençoada.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Não se trata de “Maria, mãe de Jesus”, nem de “Maria Madalena”, mas nesse texto se trata de “Maria de Betânia”, irmã de Marta e Lázaro. Jesus, seis dias antes da Páscoa, e antes da sua prisão e crucificação, resolveu visitar seus amigos em Betânia.

Lázaro, que havia sido ressuscitado, estava presente numa ceia especial para Jesus e seus discípulos. Marta, como sempre, servia à mesa com os alimentos preparados; Lázaro estava assentado à mesa com Jesus e os demais convidados; e Maria, demonstrava uma devoção especial a Jesus, porque ela o via, de fato, como o Senhor, o Deus revelado.

Maria não consultou a ninguém e tomou 327,5 gramas (uma libra romana) de “bálsamo” ou “unguento” de nardo puro, de grande valor monetário, e o derramou sobre os pés de Jesus e os enxugava com os seus cabelos, numa demonstração de profunda adoração e devoção àquEle que era o seu Salvador e o que ressuscitara a seu irmão. Jesus, compungido pela ação espontânea de Maria, entendeu que ela, mesmo sem saber o que viria a acontecer com Ele – não muitos dias depois –, concentrou-se em adorá-lo.

modo de expressar a verdadeira adoração seria o de levantar as mãos ou permanecer silenciosamente sentado? Seria o de ajoelhar-se por algum tempo para oferecer louvores? Seria o de cantar hinos antigos ou modernos? Maria de Betânia fez o que seu coração desejava fazer: ela ungiu os pés de Jesus e enxugou-lhe com seus cabelos (v. 3). A verdadeira adoração flui como um rio caudaloso do coração que recebeu a graça de Deus. Devemos adorar o Senhor porque Ele é digno de adoração.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 226-227.

 

 

Então, se aproximou de Jesus e disse: Senhor, não te importas de que minha irmã tenha deixado que eu fique a servir sozinha? Ordena-lhe, pois, que venha ajudar-me.

Tanto trabalho e Maria só se senta ali, sem fazer nada! Marta explode de irritação. Sente-se exasperada. Sente que tem uma justa razão para estar completamente irritada. Em seu estalo não somente critica a Maria, mas também a Jesus por permitir que Maria sente-se ali ociosamente.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Lucas. Editora Cultura Cristã. pag. 718-719.

 

 

O incidente de Maria e Marta mostra que precisamos ouvir a palavra de Jesus e não deixar outros assuntos nos distrair. Embora o enfoque da história esteja nas duas mulheres, os princípios aplicam-se tanto a homens como a mulheres.

Marta e Maria, irmãs de Lázaro, moravam em Betânia, aldeia a cerca de três quilômetros de Jerusalém (Jo 11.1; 12.1-3). Quando Jesus e os discípulos entram na aldeia, Marta o recebe em casa como convidado. A irmã dela, Maria, é descrita como estudante sentada aos pés de Jesus e ouvindo suas palavras. Na cultura do século I, os mestres judeus não permitiam que as mulheres se sentassem aos seus pés. O que Jesus faz nesta ocasião é altamente incomum; Ele é o convidado de uma mulher na casa dela, e ensina uma mulher. Sem dúvida, Ele tem interesse em todas as pessoas.

Enquanto Maria ouve Jesus, Marta dá duro no trabalho preparando a melhor comida possível para Ele e os discípulos. Ela está desgostosa com Maria, que poderia ajudá-la na cozinha. Afinal de contas, Marta também gostaria de ouvir Jesus. Ficando cada vez mais frustrada, ela acusa Jesus de ser insensível com a situação. Ela pergunta: “Senhor, não te importas que minha irmã me deixe servir só?” Em grego esta pergunta é feita de modo que ela espera uma resposta positiva. Entretanto ela sente que Ele poderia ter sido mais sensível. Marta está convencida de que Jesus se preocupa e entende que ela precisa da ajuda de Maria. Ela espera que Jesus intervenha.

Mas Jesus não diz a Maria que ajude Marta com a comida, embora Ele responde com ternura para Marta (v. 41). A repetição: “Marta, Marta”, expressa intensa preocupação (cf. 2 Sm 19.4; Lc 22.31). Jesus sabe de sua ansiedade, e Ele se preocupa com a atitude dela: “Estás ansiosa e afadigada com muitas coisas”. Jesus a repreende com suavidade por estar distraída e preocupada com as responsabilidades domésticas. Marta precisa estabelecer algumas prioridades. Ele acrescenta que “uma [coisa] só é necessária”. Levando-se em conta o contexto, isto tem de se referir ao que Maria está fazendo — ouvindo o ensino de Jesus, ensino este que é ungido pelo Espírito e doador de vida. Por Maria ter escolhido se sentar aos pés de Jesus, ela “escolheu a boa parte”. Não que Marta agiu errado e mereceu condenação, mas Maria escolheu o que “não lhe será tirada”.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 388-389.

 

 

SINOPSE III

 

A amizade de Jesus com a família de Betânia é uma história de amor e cuidado.

 

 

AUXÍLIO DEVOCIONAL

UMA HISTÓRIA DE AMOR

“Jesus tinha um relacionamento longo e próximo com Maria, Marta e seu irmão Lázaro. Os versículos 1 e 2 desse capítulo […] foram escritos por João para nos lembrar de quão próximo Jesus era da pequena fa­mília de Betânia. E para nos ajudar a perceber que, quando Maria recorreu a Jesus, ela o fez com absoluta confiança de que Jesus responderia imediatamente. Afinal, Lázaro era ‘aquele que tu amas’, um amigo próximo e precioso.

Os versículos 1 e 2 também são dirigidos a nós, para aqueles momentos em que oramos por alguma necessidade desesperada e importante. Uma mãe ou pai cujo filho sofra de uma doença fatal. O desemprego que de repente nos ameaça com a perda de nosso lar.

Em tais ocasiões, lembramo-nos do amor de Jesus e dirigimos ao céu orações desesperadas e confiantes. Certamente o Senhor nos aliviará. Como poderia ser diferente a sua vontade amorosa?” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.688).

 

 

CONCLUSÃO

 

A nossa amizade com Jesus implica ter comunhão com Ele em todo o tempo de nossas vidas. Ele é o Amigo sem igual que nos conforta quando precisamos; consola quando choramos.

A família que cultiva a amizade com Jesus vive na dimensão do amor, procura compreender os outros membros da família e pondera os cuidados dessa vida. A família cristã com Jesus tem o privilégio de desfrutar de sua presença real no cotidiano. Portanto, não podemos viver sem a amizade do Senhor Jesus.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Como era formada a família em Betânia, amiga de Jesus?

Por Marta, Maria e Lázaro (Jo 12.1,2).

 

2- Segundo a lição, o que Marta, Maria e Lázaro descobriram e entenderam em Jesus?

Entenderam que essa relação com o Salvador era mais que mera relação social. Era a presença real do Filho de Deus dentro de sua casa (Mt 10.40).

 

3- Em que converge a amizade de uma família com Jesus?

A amizade de uma família com Jesus converge em adoração, contrição e quebrantamento espiritual.

 

4- À luz da história de amizade e amor com a família de Betânia, o que aprendemos sobre o amor em nossa família?

Aprendemos que o amor é o sentimento que deve nortear a relação da família cristã.

 

5- Que tipo de ambiente deve ser o da nossa família?

A nossa família deve ser o ambiente em que a nossa vida com Deus seja potencializada a fim de que nossa vida social seja produtiva e abençoada.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Acesse mais:  Lições Bíblicas

 

Acesse nossos grupos e tenha mais conteúdo:

Muito conteúdo sobre a Supremacia das Escrituras sem sobrecarregar seu celular.
Grupo no Telegram
Acesse mais Conteúdo pelo Telegram
Grupo no WhastsApp
Mais conteúdo pelo WhatsApp

Uma resposta para “13 LIÇÃO 2 TRI 23 – A AMIZADE DE JESUS COM UMA FAMÍLIA DE BETÂNIA”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *