13 LIÇÃO 3 TRI 20 – A VIGILÂNCIA CONSERVA PURA A IGREJA

13 LIÇÃO 3 TRI 20 – A VIGILÂNCIA CONSERVA PURA A IGREJA
13 LIÇÃO 3 TRI 20 – A VIGILÂNCIA CONSERVA PURA A IGREJA

13 Lição 3 Tri 20 – A vigilância conserva pura a Igreja

TEXTO ÁUREO

“E as coisas que vos digo digo-as a todos: Vigiai. ” (Mc 13.37).

VERDADE PRÁTICA

Através da vigilância, a Igreja se manterá pura e não se afastará do modelo traçado por Cristo, rejeitando assim as inovações e o mundanismo dos nossos dias.

OBJETIVO GERAL

Sinalizar a necessidade de o aluno cultivar uma vida de oração e de vigilância.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apontar o sentido da expressão “à meia-noite”;

Revelar que “à meia-noite” é o início de um novo dia;

Expor que “à meia-noite” é a hora das trevas;

Destacar que “à meia-noite” marca a vinda do noivo;

Ressaltar o clamor da “meia-noite” como um brado de alerta.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Ef 4.1-16 – O padrão divino para a Igreja

Terça – Mc 16.17-20; At 19.11 – Numa igreja pura Deus opera maravilhas

Quarta – 1 Tm 3.14-16 – A Igreja é a coluna da verdade

Quinta – Ef 2.19-22 – A Igreja é a família de Deus

Sexta – Ef 1.17-23; 5.23 – Cristo, a cabeça da Igreja

Sábado – SI 90.17; At 9.31 – Deus confirma o trabalho da Igreja

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Mateus 25.1-13

1 – Então, o Reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.

2 – E cinco delas eram prudentes, e cinco, loucas.

3 – As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.

4 -Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.

5 – E, tardando o esposo, tosquenejaram todas e adormeceram.

6 – Mas, à meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! Saí-lhe ao encontro!

7 -Então, todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.

8 – E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.

9 – Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós; ide, antes, aos que o vendem e comprai-o para vós.

10 – E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

11 – E, depois, chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, senhor, abre-nos a porta!

12 – E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.

13 – Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir, o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Vigilância remonta a uma atenção objetiva para consigo mesmo diante de Deus, uma consciência de passar em revista o nosso coração diante do Pai. Esse exercício requer pureza interior, honestidade para consigo mesmo. Só consegue fazer isso quem compreendeu profundamente as implicações do Evangelho na vida presente e na do porvir. Assim, à luz da pessoa bendita de Jesus Cristo, somos estimulados a vigiar em todo tempo. O nosso Senhor nos disse que deveríamos ficar despertados para compreender os tempos em que vivemos e conservar a fé até que Ele venha buscar a sua noiva. Sejamos, pois, vigilantes!

INTRODUÇÃO

Chegamos à última lição deste trimestre. Mais uma vez o Espírito Santo quer nos despertar dizendo que o tempo se abrevia (1 Co 7.29). Meditemos hoje na parábola de Jesus, escrita em Mateus 25.1-11, onde encontramos 10 virgens que ouviram o clamor da meia-noite (v.6) mas apenas cinco delas estavam preparadas para ele. Deus nos abra os corações para compreendermos a sua Palavra, pois temos a necessidade de estar devidamente preparados! Amém.

PONTO CENTRAL

É preciso vigilância para conservar a pureza da Igreja.

13 LIÇÃO 3 TRI 20 – A VIGILÂNCIA CONSERVA PURA A IGREJA

I – MEIA-NOITE: O DIA QUE JÁ PASSOU

À meia-noite (exatamente às 24 horas, o dia terminou definitivamente. Tudo o que nele aconteceu pertence ao passado, ao dia de ontem. Este é o sentido da expressão à “meia-noite”. Ela nos fala de um dia, de um período de tempo que terminou. Do ponto de vista bíblico, o período de tempo (“o dia”) que está para terminar é a dispensação da Igreja (Rm 11.25; Lc 21.24), e no momento em que Jesus arrebatar a sua Igreja fiel, este período haverá terminado definitivamente. Vivemos, portanto, os últimos momentos da Igreja aqui na terra.

A Bíblia diz que somos o sustentáculo da verdade (1 Tm 3.15). Que grande é a nossa responsabilidade! Por isso Jesus mandou que trabalhemos enquanto é dia ( Jo 9.4 ), pois a NOITE há de vir, e então não será possível fazer mais nada!

SÍNTESE DO TÓPICO I

À meia-noite o dia findou, tudo o que aconteceu pertence ao passado, ao ontem.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Esta lição deve reproduzir um apelo prático para a vida espiritual dos alunos. Por isso, ao introduzir esta lição, mencione o quanto que o Novo Testamento é mencionado ao lado da vigilância espiritual. A razão para isso é que a vigilância necessária não é uma questão meramente humana, mas espiritual.

Necessitamos da graça de Deus, da orientação do Espírito Santo e de sua parceria para resistir a tudo o quanto pretende nos tirar do alvo, da meta do Reino de Deus. É preciso cultivar uma vida de oração e de vigilância.

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II – MEIA-NOITE: INÍCIO DE UM NOVO DIA

Este fato diz respeito ao mundo inteiro. Aproxima-se o momento exato, a meia-noite, quando um novo dia vai raiar. Que dia será esse? O atalaia responde: – “Vem a manhã e vem também a noite” (Is 21.11,12).

1. A manhã começará.

Um novo dia, o dia da eternidade, cujo início se dará quando Jesus chamar para si aqueles que lavaram suas vestiduras em seu precioso sangue. Esse é o dia de Jesus Cristo (1 Co 1.8; 2 Co 1.14; Fp 1.6,10; 2.16). Naquele momento, melhor do que nunca, Jesus verá o fruto do seu trabalho e de seu sofrimento (Is 53.11). Os que são do Senhor ressuscitarão e serão transformados, os vivos (1 Co 15.23), e Jesus levará a sua Noiva para a sala das bodas, onde a Igreja e o Cordeiro se unirão para todo o sempre (2 Co 11.2; Ap 19.9; 21.9). Desde já oremos e digamos: “Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (Ap 22.20).

2. A noite vem.

Quando Jesus levar a Noiva, começará também o “dia da ira do Cordeiro”, para o mundo que rejeitou a Jesus (Ap 6.16,17). O grande lagar da ira de Deus será pisado sem misericórdia (Ap 14.9; 15.7; 16.19; 19.15). As trevas dominarão a terra (Is 8.21,22). Para os homens que não houverem dado crédito às palavras de Deus começará o dia da vingança, e a ira de Deus será executada repentinamente, assim como foi nos dias de Noé (Gn 7.11,12; Mt 24.39).

SÍNTESE DO TÓPICO II

À meia-noite é o anúncio de um novo dia, mas também a chegada da noite também.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“O cumprimento dessa profecia [ Mt 24.15, ‘abominação da desolação de que falou o profeta Daniel’ ] ocorreu em dezembro 167 a.C., quando Antíoco Epifânio colocou um símbolo cultual pagão no altar dos holocaustos, e dedicou o templo de Jerusalém ao deus grego, Zeus. Mas tanto Daniel quanto Jesus viram um cumprimento mais importante. Daniel 12.1 dá um pulo para a frente, para o tempo da Grande Tribulação, e a identifica como ‘um tempo de angústia, qual nunca houve, desde que houve nação até aquele tempo’. Jesus também identificou aquele tempo como a ‘grande aflição’ (Mt 24.21).

No mundo presente, muitos crentes já estão sofrendo aflição, mas a Grande Tribulação será marcada pela ira de Deus mais do que qualquer coisa que o mundo já tem conhecido, conforme indica Apocalipse 6–18. Naquele período, também surgirá um ditador mundial, o Anticristo” (HORTON, Stanley (Ed.) Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 633,34).

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III – AS ARMAS ESPIRITUAIS INDISPENSÁVEIS AO CRENTE

Para o povo de Deus, familiarizado com as Escrituras, nada parece estranho nem admirável, quando vemos trevas, angústias e dificuldades, pois sabemos, pela Bíblia, que estas coisas anunciam a vinda iminente de Jesus. O “lugar escuro” em que vivemos (2 Pe 1.18), parece iluminado pelas promessas gloriosas da Palavra de Deus. As nossas almas se consolam com as profecias, pois quanto mais escura a noite, mais perto estamos da vinda de Jesus.

1. A natureza sente as trevas.

Quando Jesus morreu, o Sol deixou de brilhar e houve trevas na terra (Mt 27.45). Hoje, toda a natureza geme, pelas coisas que hão de sobrevir à terra (Rm 8.22,23). Por isso há terremotos, peste, fome, catástrofes de toda a ordem: A Bíblia já previu tudo isto (Lc 21.11,25).

2. Os homens sentem as trevas.

A Bíblia fala de tempos difíceis, quando o homem, em particular, será atormentado por tentações de toda espécie (1 Tm 4.18; 2 Tm 3.1-4). As perseguições à Igreja, o ódio aos crentes e a corrupção moral, provam que já anoiteceu há muito tempo (Lc 17.28; 21.12,16,17).

3. As nações estão em trevas.

Há guerras e rumores de guerras (Lc 21.9; Mt 24.6). O perigo de guerras nucleares, biológicas e químicas constituem uma sombra ameaçadora, que paira sobre todo o mundo (Lc 21.25,26). O mundo já se preparou para a maior catástrofe todos os tempos, a Grande Tribulação (Mt 24.21), e não há lugar para recuo. As trevas da meia-noite já chegaram.

SÍNTESE DO TÓPICO III

A expressão “meia-noite” denota que a natureza sente as trevas e que as nações estão em trevas.

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IV – MEIA-NOITE A VINDA DO NOIVO

Durante milênios, os salvos cantaram e falaram da segunda vinda de Jesus, muitos crentes, que esperavam aquele dia, dormiram no Senhor, guardando a fé; e os que hoje vivem, esperam ansiosos a segunda vinda de Jesus! Mas, a partir da “meia-noite”, ninguém mais dirá que “Jesus virá”. Pelo contrário: À meia-noite ouvir-se-á o clamor de júbilo incontido que encherá terra e o céu: será a Noiva exclamando: “CHEGOU O NOIVO”!!! Em Mateus 25.10 está escrito: “Chegou o esposo”.

Naquele glorioso momento, o poder do Espírito Santo operará milagres (Rm 8.11; Fp 3.21), pois os que morreram em Cristo ressuscitarão com corpos gloriosos, e os que estiverem vivos serão transformados, e todos juntos serão arrebatados ao encontro com o Senhor nos ares (1 Ts 4.11-18; 1 Co 15.51-54). Seremos arrebatados ao céu, para não sofrermos a dor e a desgraça que atingirá o mundo todo. Iremos entrar nas moradas que Jesus foi nos preparar, e para as quais fomos comprados com o seu precioso sangue (Ap 7.14).

SÍNTESE DO TÓPICO IV

A expressão “meia-noite” denota a vinda infalível do Noivo.

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V – O CLAMOR DA MEIA-NOITE, UM BRADO DE ALERTA

“Mas à meia-noite ouviu-se um clamor:

Aí vem o esposo”! (Mt 25.6). É este o clamor que ouvimos em nossos dias. Meu irmão, você está ouvindo já este clamor? Está escutando como o Espírito Santo diz ao mundo e aos salvos que Jesus vem breve? Está atento aos sinais dos tempos e ao cumprimento das profecias? (Lc 21.28,29; 1 Pe 1.19). Quem tem ouvidos para ouvir, ouça o que o Espírito diz à Igreja (Ap 2.7). Mas aqueles que já ouviram a voz do Espírito Santo devem divulgar as Palavras eternas do evangelho, enquanto houver tempo! Fomos chamados por Deus para sermos atalaias, e nossa função é despertar o povo! (Ez 3.17-21; Hc 2.1-3). Temos que anunciar aos homens que Jesus vem breve.

Obreiros e crentes em geral:

não nos cansemos de anunciar a volta de Jesus! Não é bastante que uma vez tenhamos sido feitos filhos da luz, e vestidos de vestes nupciais. Precisamos vigiar e permanecer prontos para a vinda do Senhor. Por isso diz a Bíblia: “Guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (Ap 3.11). Os membros da igreja de Filadélfia eram agradáveis a Deus, mas precisavam “guardar” o que haviam recebido do Senhor, para não serem roubados. É isso que a Palavra de Deus nos ensina, com a ordem “Vigiai” (Mc 13.36,37).

1. O sono espiritual é um sinal dos últimos tempos.

O sono pode ser causado, primeiramente, pela desobediência como aconteceu a Jonas (Jn 1.6). Quando obedecemos a Deus, somos revestidos do poder do Espírito Santo (At 5.32), para não adormecermos. Também a preguiça causa sono (Pv 24.30-33).

Quando Davi ficou em casa, desocupado, enquanto o seu exército combatia, caiu em tentação (2 Sm 11.1.2). Por isso é uma bênção para o crente estar muito ocupado na igreja do Senhor, servindo-o ali!

Esgotamento espiritual, por falta de renovação, também pode causar sono. Está escrito que Abraão teve que lutar contra o sono ao pé do altar (Gn 15.12). Precisamos do poder de Deus, para ficarmos fortes e resistir a tudo, inclusive ao sono.

2. Seremos guardados vigilantes, se usarmos os meios que Deus põe à nossa disposição.

Ele nos desperta pela sua Palavra. Jesus despertou seus discípulos, falando-lhes (Mt 26.45,46). Como é preciosa a Palavra de Deus! Quem a estuda com atenção, encontra sempre incentivo e despertamento. Aleluia! O Espírito Santo nos conserva vigilantes e acordados. Ele é como o óleo na lâmpada (Mt 25.1-8). Vive, pois, uma vida, onde há inteira liberdade para o Espírito de Deus operar (2 Co 3.17), e isto o conservará preparado para o encontro com o Senhor. A oração é outro fator de importância, para o qual Jesus chama a nossa atenção. Disse Ele: “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26.41; Mc 13.33).

E acrescentou:

“O espírito está pronto, mas a carne é fraca”, significando que, se os discípulos orassem, o Espírito prevaleceria sobre a carne. Por que a oração é um recurso tão importante para nos manter vigilantes? Sim, porque pela oração vivemos em comunhão com Deus. Então ficamos fortes e felizes! Sim, porque pela oração vivemos em comunhão com Deus. O rosto de Moisés resplandecia quando tinha estado com Deus, no monte (Êx 34.29) Semelhantemente, também, Estêvão (At 6.15).

A oração é uma arma eficaz contra Satanás (Ef 6.18).

Quando combatemos e prevalecemos contra o nosso inimigo, permanecemos vigilantes. A oração é, finalmente, o meio pelo qual recebemos as bênçãos de Deus. A oração nos enche de sua graça, e nos faz prontos para o grande culto nas nuvens. Que Deus nos guarde, a todos, vigilantes, a fim de podermos ver, um dia, a glória de Deus! Estejamos atentos à nossa conduta, sempre buscando a santificação e purificação, para que não apareça alguma mancha em nossos vestidos, porque “qualquer que nEle tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, como também ele é puro” (1 Jo 3.3). Assim estaremos sempre preparados, e um dia o veremos tal como Ele é (1Jo 3.2).

SÍNTESE DO TÓPICO V

Se estivermos vigilantes seremos guardados do sono espiritual e discerniremos os dias.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“A Bíblia indica dois aspectos da Segunda Vinda de Cristo. Por um lado, Ele virá como o Preservador, Libertador ou Protetor ‘da ira vindoura’ (1 Ts 1.10). ‘Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira’ (Rm 5.9). Devemos manter-nos espiritualmente vigilantes, viver a vida sóbria, equilibrada com domínio próprio, e usar a armadura do Evangelho: a fé, o amor e a esperança da salvação, ‘porque Deus não destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros” (HORTON, Stanley (Ed.) Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.632).

13 LIÇÃO 3 TRI 20 – A VIGILÂNCIA CONSERVA PURA A IGREJA

CONCLUSÃO

Quando o clamor da meia-noite for ouvido, diz a Bíblia que o seu sentido é o seguinte: SAÍ-LHE AO ENCONTRO! É precisamente isto que o Espírito Santo quer dizer atualmente: “Prepara-te para te encontrares com o teu Deus” (Am 4.12). E nós devemos estar prontos a responder: “Já a sua Noiva se aprontou” (Ap 19.7,8). Lemos em Mateus 25.7 que, ao ouvir o clamor da meia-noite, as virgens começaram a preparar as suas lâmpadas. Meu irmão, a tua lâmpada está preparada hoje?

Que Deus permita que nas nossas lâmpadas, nas nossas vidas, se cumpram as palavras de Lucas 12.35,36: “Estejam cingidos os vossos lombos, e acesas, as vossas candeias. 36 E sede vós semelhantes aos homens que esperam o seu senhor, quando houver de voltar das bodas, para que, quando vier e bater, LOGO possam abrir-lhe” (Grifo nosso). O Espírito Santo nos está despertando hoje para que estejamos nesta condição. Estejamos atentos e sensíveis a sua voz. Amém.

PARA REFLETIR

A respeito de “A Vigilância Conserva Pura a Igreja”, responda:

• Segundo 1 Timóteo 3.15, o que somos?

Sustentáculos da verdade.

• Por que devemos trabalhar enquanto é dia?

Porque a noite vem, quando ninguém mais poderá trabalhar.

• De acordo com a lição, o que representa a meia-noite para a Igreja?

O início de um novo dia.

• O que nos assinala o sono espiritual?

Os últimos tempos.

• Como as virgens prudentes esperaram o noivo?

Com as lâmpadas cheias de azeite.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

INTRODUÇÃO E COMENTÁRIOS

Parábola das Dez Virgens (25.1-13)

Nenhuma história mais impressionante poderia ser contada para exemplificar a necessidade de estarmos permanentemente preparados para a vinda de Cristo. Jesus usou uma figura familiar, e que é muito íntima dos corações humanos – a de um casamento.

Ele descreveu dez virgens (1) que tomaram as suas lâmpadas (em grego, lampas) e saíram ao encontro do esposo. Cinco delas eram prudentes (2) – isto é, “sábias” ou “cuidadosas com os seus interesses” – mas as outras cinco eram loucas (em grego, morai). As prudentes levaram azeite em suas vasilhas (4), mas as loucas não levaram azeite consigo (3).

Enquanto o esposo tardava – literalmente “enquanto o tempo passava” – todas as virgens tosquenejaram e adormeceram (5). O primeiro verbo é aoristo e significa “inclinar a cabeça para frente”. Assim, ele sugere “começar a inclinar a cabeça e cochilar”. O segundo verbo está na forma imperfeita (contínua) e indica que elas continuavam dormindo.

A imagem aqui é a de um típico casamento judaico na Palestina.

O noivo, acompanhado pelos seus amigos, vai até à casa da noiva, e a leva em uma procissão alegre até à sua própria casa. Na tarde do Natal de 1949 o autor encontrou uma grande procissão nupcial na estrada entre Jerusalém e Amã. Os homens estavam a cavalo, alguns caminhando, e a noiva e as suas damas iam sobre camelos, com grandes cobertas sobre as suas cabeças para impedir que fossem vistas.

Trench opina que as virgens “se uniram à procissão em algum ponto conveniente, e entraram, juntamente com o resto do cortejo nupcial, no salão do banquete”. Por outro lado, Edersheim diz que a parábola implica que o noivo tinha vindo de muito longe, e estava a caminho da casa da noiva. “Consequentemente, a procissão nupcial vai ao encontro do noivo em Sua chegada, para acompanhá-lo até o lugar das bodas.” Morison simplesmente comenta que ir ao encontro do esposo significa: “Recebê-lo por ocasião de sua vinda para a sua noiva”.

Havia dez virgens, uma vez que esse era o número exigido para a cerimônia. Nenhuma noiva é mencionada, pois no ensino espiritual da parábola, as virgens assumem o lugar da noiva.

A meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo! (6). Todas as virgens se levantaram rapidamente e prepararam as suas lâmpadas (7). O verbo grego é kosmeo, do qual deriva “cosmética”, e significa “arrumar, arranjar, preparar” ou “enfeitar, adornar”. Elas provavelmente cortaram a parte queimada dos pavios. Não havia nada para limpar.

Em desespero, as loucas voltaram-se às prudentes, pedindo azeite: porque as nossas lâmpadas se apagam (8). Mas o texto grego diz claramente “as nossas lâmpadas estão se apagando” – literalmente “estão se extinguindo”. Esta é uma verdade muito mais forte, e um aviso muito mais abrangente. Existem muitos cristãos que ainda não perderam toda a sua vida espiritual, mas cujas lâmpadas estão ficando mais fracas. Eles precisam perceber que estão correndo o risco de ficar nas “trevas exteriores”, assim como as virgens loucas.

As virgens prudentes rejeitaram o pedido (9). À primeira vista isto parece egoísmo. Mas sob o ponto de vista da verdade espiritual que está sendo ensinada aqui, esta atitude era inevitável. Trench interpreta corretamente a intenção deste versículo: “Ele nos diz que todos os homens devem viver pela sua própria fé”. A graça de Deus não é transferível de um ser humano para outro. Cada um deve guardar o seu próprio estoque.

Mas enquanto as virgens loucas foram comprar mais azeite, o esposo chegou. Aquelas que estavam preparadas, ou apercebidas (a mesma palavra usada em 24.44), entraram com ele para as bodas – o “banquete de casamento” que normalmente durava de uma a três semanas – e fechou-se a porta (10). Isto sugere a advertência solene de que algum dia terminará o período das provações para cada indivíduo. Então a porta do seu destino eterno se fechará para sempre. Não haverá uma segunda oportunidade na próxima vida.

Por fim, chegaram as virgens loucas, mas encontraram a porta fechada. Dentro havia luzes, alegria e felicidade; fora, tudo era triste escuridão. As virgens gritaram desesperadas: Senhor, senhor, abre-nos a porta! (11). Mas era tarde demais. O esposo não reconheceu as suas vozes (12) e àquela hora da noite ele não ousaria abrir a porta para estranhos que poderiam ser “desmancha-prazeres”.

Qual é o ensino desta parábola? Ele está resumido no versículo 13: Vigiai, pois, porque não sabeis o Dia nem a hora em que o Filho do Homem há de vir. A parábola nos ensina que devemos estar preparados a qualquer momento para a iminente volta do nosso Senhor, prontos para encontrá-lo quando Ele chegar. Para fazer isso, devemos manter a nossa experiência cristã atualizada. Como o azeite é um exemplo reconhecido do Espírito Santo, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a sugestão é que devemos estar cheios do Espírito se quisermos estar preparados adequadamente. Todo homem precisa de toda a graça de Deus que lhe estiver disponível, se quiser fazer toda a vontade de Deus e estar preparado para a volta de nosso Senhor Jesus Cristo.

Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 169-170.

JESUS CONTA A PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS / 25.1-13

Jesus contou as seguintes parábolas para esclarecer ainda mais o que significa estar pronto para a sua volta, e como viver até que chegue este dia. A parábola das dez virgens (25.1-13) ensina que cada pessoa é responsável pela sua condição espiritual.

Alguns serão incluídos, ao passo que outros, não. Nenhuma parábola isolada descreve completamente a nossa preparação. Ao contrário, cada uma delas apresenta uma parte do todo.

25.1 Todos os casamentos desta época em Israel incluíam uma procissáo do noivo até a casa da família da noiva. Estas dez virgens saíram ao encontro do esposo, que estava vindo à casa da noiva para unir-se à procissão de volta à sua vasa para a cerimônia e o banquete nupcial. Isto acontecia à noite e em vilas e aldeias sem luz nas ruas, de modo que suas lâmpadas iluminavam o caminho. Todos deviam carregar a sua própria lâmpada.

25.2-7 As virgens loucas não estavam preparadas; elas não levaram consigo azeite para suas lâmpadas. Se as suas lâmpadas se apagassem, elas não seriam capazes de acendê-las outra vez. As virgens prudentes tinham trazido consigo azeite em suas vasilhas. Finalmente, à meia-noite, o esposo chegou. Todas se levantaram e prepararam suas lâmpadas, preparando-se para a procissão.

25.8,9 As virgens loucas perceberam que as suas lâmpadas se apagavam, mas as virgens prudentes explicaram que elas não tinham o suficiente para dividir. Isto não era egoísmo, mas sim a percepção de que se elas dividissem o seu pouco azeite, então todas as tochas ficariam fracas e não haveria luz suficiente para a procissão nupcial.

O enfoque de Jesus aqui está no despreparo das pessoas imprudentes. Quando Jesus retornar para levar seu povo ao céu, nós precisaremos estar prontos. A preparação espiritual não pode ser comprada, nem emprestada no último minuto. Ninguém pode confiar em algum outro semelhante. O nosso relacionamento com Deus deve ser particular.

25.10-12 Enquanto as virgens loucas saíram para comprar azeite, o esposo chegou e todos seguiram para o banquete nupcial. O foco central desta parábola está nas palavras e fechou-se a porta. O que Jesus quer dizer, novamente, é que não estar preparado na hora certa significa perder completamente a oportunidade. Existe uma finalidade para o fechar da porta. Aqueles que estiverem fora não terão outra oportunidade para entrar.

25.13 Jesus concluiu com a aplicação de que os seus verdadeiros seguidores devem vigiar e estar preparados, porque Ele irá retornar quando eles menos o esperarem. Deus pode postergar o seu retorno por mais tempo do que preferiríamos ou esperaríamos.

Precisamos estar preparados para tal demora – considerando o custo do discipulado e perseverando fielmente, até que Ele volte.

Aqueles que são infiéis devem perceber que negligenciar o convite de Cristo pode levar a consequências irreversíveis e que a oportunidade para crer pode passar.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 146-147.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

I – MEIA-NOITE: O DIA QUE JÁ PASSOU

Esses mistérios são os seguintes:

1. Os mistérios do reino dos céus (ver Mat. 13:3-50). Todos esses mistérios, de uma maneira ou de outra, estão associados à redenção humana.

2. O mistério da cegueira de Israel, o que envolve o propósito de Deus por detrás dessa cegueira, incluindo principalmente a ideia de que isso contribui para a salvação dos gentios e para o chamamento da igreja, embora também inclua a ideia de que essa cegueira envolve um período particular de tempo, cujas provisões não são permanentes. (Ver Rom. 11:25; ver também as notas que desenvolvem melhor essa questão, mais abaixo).

3. O mistério do arrebatamento dos santos, no fim da presente dispensação—o arrebatamento. (Ver I Cor. 15:51,52 e I Tes. 4:14-17).

4. O mistério da igreja, o corpo místico único de Cristo, composto tanto de judeus como de gentios, como a Noiva de Cristo. (Ver Efé. 3:1-11; Rom. 16:35; Efé. 5:26-32; 6:19 e Col. 4:3).

5. O mistério da habitação íntima do Cristo vivo no crente, que é o segredo da santidade e da transformação segundo a sua imagem. (Ver Gál. 2:20 e Col. 1:26,27).

6. O mistério de Cristo, isto é, Jesus Cristo como a plenitude encarnada da deidade, em quem habita toda a sabedoria divina. (Ver Col. 2:2,9 e I Cor. 2:7).

7. O mistério mediante o qual a piedade é restaurada ao indivíduo. (Ver I Tim. 3:16).

8. O mistério da iniquidade. (Ver II Tes. 2:8 e Mat. 13:33).

9. O mistério das sete estrelas e das sete igrejas. (Ver Apo.l:20).

10. O mistério de Babilônia. (Ver Apo. 17:5,7).

11.0 mistério da vontade de Deus, a restauração de todas as coisas. Eph. I 1:10.

Voltando ao «mistério» referido no versículo que ora comentamos, e que alude ao «endurecimento» de Israel, no que se relaciona com a completa salvação da igreja cristã e com a chamada da mesma dentre as nações gentílicas, isso envolve as seguintes principais verdades:

1. Existem certos elementos humanos por detrás da cegueira dè Israel. (No tocante a esse tema, ver todo o décimo capítulo da epístola aos Romanos).

2. Contudo, de alguma maneira, por toda a questão também transparece certo decreto da vontade divina, de tal modo que nem todas as explicações dessa cegueira de Israel podem ser descobertas pela sabedoria humana. De alguma maneira, pois, tal cegueira faz parte do plano divino.

3. Essa cegueira visa prover, para as nações gentílicas, a oportunidade de ouvirem e aceitarem o evangelho, o que contribuirá para a formação da Noiva de Cristo, onde os remidos serão transformados segundo a imagem de Cristo, moral e metafisicamente falando, tornando-se participantes da própria natureza divina. (Ver Rom. 11:12-24 quanto a esse tema: ver também Rom. 8:29 e II Ped. 1:4, acerca dos detalhes do que isso significa).

4. Essa cegueira de Israel não será permanente, mas antes, tem por finalidade dar tempo suficiente para que se complete o plano divino relativo aos gentios, incluindo o chamamento de «todos os membros» da igreja cristã.

5. Essa cegueira ainda redundará, finalmente, na completa restauração nacional de Israel, ou seja, o cumprimento do plano divino sobre essa nação, 0 que satisfará todas as provisões do pacto abraâmico, o que a simples chamada do «remanescente» não pode satisfazer. (Ver Rom. 11:26).

6. Em termos bem latos, pode-se dizer que o «mistério», neste versículo, consiste de todo o plano ou esquema da redenção, conforme a Paulo fora revelado, e mediante o qual os judeus e os gentios, por semelhante modo, serão incluídos no reino de Deus, o que também inclui os métodos particulares, utilizados por Deus, na concretização desse plano, métodos frequentemente invisíveis e desconhecidos, mas nem por isso inoperantes. A cegueira de Israel faz parte integrante desse quadro, pois, mas a restauração eventual de Israel também faz parte do mesmo, conforme se aprende no vigésimo sexto versículo, o qual deve ser incluído na declaração do mistério geral deste texto.

«.. .a plenitude dos gentios…» Esse endurecimento ou cegueira haveria de dar ao evangelho sua oportunidade histórica para ser oferecida aos povos gentílicos; e a pregação do evangelho entre os gentios mostrar-se-ia eficaz, cumprindo o plano divino acerca deles, mediante o chamamento da igreja cristã. É interessante que essa expressão tem merecido certa variedade de interpretações, conforme a lista abaixo:

1. Seria o complemento dos gentios, ou seja, que certo número de gentios haveria de ser acrescentado ao número total dos remidos, o que serviria para «complementar» ou completar o número dos remidos em Israel. Wordsworth (m loc.) fala sobre «o número completo da tripulação do navio», isto é, da igreja, considerada como «arca da salvação», o que poderia significar o acréscimo de um número suficiente de elementos gentílicos aos judeus já salvos, a fim de completar o número total que comporá a igreja cristã. Isso faz parte da verdade total, mas não é a verdade específica que Paulo salienta aqui.

2. Outros estudiosos pensam que se trata da grande maioria dos gentios, que seriam conduzidos aos pés de Cristo. Isso se harmoniza bem com a interpretação literal das palavras, mas não parece ajustar-se bem à teologia paulina ordinária. Paulo mantinha a esperança de uma grande e universal melhoria da posição do homem perante Deus, através de Cristo, segundo se vê no segundo capítulo da epístola aos Filipenses e no primeiro e quarto caps, da epístola aos Efésios. Mas ele não faz disso a redenção dos eleitos, sobre o que esse versículo certamente fala.

3. Alguns eruditos chegam ao extremo de fazer disso a salvação total, universal, de todos os gentios, da mesma forma que somos informados que «todo o Israel» será salvo. Tais eruditos dão ares de universalismo decisivo a esta passagem. Isso importaria em uma tremenda doutrina, se porventura fosse o ensino aqui exarado (tal como aparece nas obras espúrias do Evangelho de Nicodemos, do Testamento de Abraão e de outras obras cristãs primitivas). Porém, essa opinião também labora contra a teologia paulina ordinária, embora seja possível como interpretação das palavras que figuram neste texto.

4. Outros sábios preferem vincular isso aos «eleitos», aos conhecidos de antemão, os predestinados, os gentios justificados em Cristo (conforme se vê no oitavo cap. de Romanos), bem como ao número completo que formará o corpo místico de Cristo, a igreja. Quando esse número completo (que é conhecido exclusivamente por Deus) tiver sido chamado do mundo, então haverá a plenitude dos gentios.

5. Uma pequena variação dessa quarta posição diz que haverá o número total de salvos, dentro do plano de Deus para a igreja cristã gentílica, embora sem dar qualquer ênfase especial a um certo número.

6. Ainda outros intérpretes falam sobre o tempo completo, durante o qual Deus estará tratando direta e especificamente com os gentios.

7. Finalmente, ainda um outro grupo de intérpretes acredita que essa expressão indica, meramente, «a totalidade dinâmica e orgânica do mundo pagão», ou seja, a «salvação entre a totalidade das nações gentílicas,» vistas como nações, e não como indivíduos.

A comparação deste com o décimo segundo versículo deste capítulo, que vê os judeus como nação, talvez empreste alguma força à última dessas sete diferentes interpretações; mas as de número quatro e cinco parecem ser as mais exatas. O plano divino sobre os gentios será necessariamente executado em sua inteireza, e as exigências exatas desse plano de redenção serão todas satisfeitas. Quando tudo isso se cumprir devidamente, haverá a plenitude dos gentios. Em outras palavras, o plano divino, concretizado entre as nações gentílicas, no chamamento da igreja cristã. Parece ser esse o pensamento requerido pelo texto. Não podemos divorciar isso, porém, das ideias paulinas expostas no oitavo capítulo desta epístola, ou seja, os conceitos de conhecimento prévio, predestinação, eleição, justificação e glorificação da igreja gentílica. Esse plano, em sua total realização, será a «plenitude dos gentios».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 799-800.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

II – MEIA-NOITE: INÍCIO DE UM NOVO DIA

1. A manhã começará.

(Quanto a outras referências ao «dia de Cristo», ver I Cor. 5:5; II Cor.1:14; Fil. 1:6,10 e 2:16). O vocábulo «…dia…» é aplicado a várias ações divinas decisivas, usualmente na forma de julgamentos. (Quanto a essa questão, ver os trechos de I Cor. 3:13 e Apo. 19:19, bem como as notas expositivas acerca dos mesmos).

O dia de Cristo revelará, isto é, lançará luz sobre os atos e motivos dos homens. E isso será através do juízo, da purificação, do exame perscrutador. Todavia, essa revelação também será a reversão da história antiga, bem como a inauguração de uma nova era ou dispensação. No que concerne aos crentes, essa revelação sujeitará a julgamento os motivos e ações dos crentes, conforme aprendemos em I Cor. 13:13 e II Cor. 5:10, onde essa questão é amplamente comentada. Mas esse juízo dos crentes não visará a determinação da salvação ou da perdição, mas tão-somente o recebimento ou perda dos «galardões», isto é, dos prêmios espirituais em face da fidelidade e da obediência, o que assumirá a forma de uma maior transformação segundo a imagem de Cristo.

Com essas ideias podemos confrontar algo que Paulo escreveu aos crentes de Filipos: «Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus». (Fil. 1:6).

Os crentes de Corinto haviam sido «confirmados», segundo lemos no sexto versículo deste capítulo. E essa mesma palavra é aqui novamente usada. Paulo esperava que essa confirmação ou fortalecimento tivesse prosseguimento na experiência dos crentes de Corinto até à vinda de Cristo, o que haveria de libertá-los do fardo da luta e da tensão espiritual. Paulo esperava que essa libertação ocorreria quando do segundo advento do Senhor, pensando que continuaria pessoalmente vivo quando isso tivesse lugar. Também desejava que os crentes continuassem no âmbito da graça de Cristo, embora sempre melhorando e avançando no progresso espiritual, até àquele dia.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 11.

2. A noite vem.

O pavor e o terror que tomariam conta de todos os tipos de homens naquele grande e terrível dia (v. 15). Nenhuma autoridade, nem grandeza, nem riquezas, nem valor, nem força, seriam capazes de sustentar os homens naquele dia; sim, até os pobres escravos, que, assim pensaríamos, não têm nada a temer, pois não têm nada a perder, estariam atónitos naquele dia.

Observe aqui: (1) A intensidade do seu pavor e assombro: seria tão forte que faria com que os fizesse suplicar, como homens perturbados e desesperados, aos montes e aos rochedos: “Caí sobre nós e escondei-nos”; estariam felizes por já não serem vistos; sim, felizes por já não terem existência alguma. (2) A causa do seu pavor, isto é, o rosto irado “…daquele que está assentado sobre o trono e da ira do Cordeiro”. Observe:

[1] Aquilo que desagrada a Cristo também desagrada a Deus; Eles são tão completamente um que o que agrada e desagrada a um agrada e desagrada a outro.

[2] Embora Deus seja invisível, Ele pode tornar os habitantes deste mundo sensíveis aos seus temíveis olhares de repreensão.

[3] Embora Cristo seja um cordeiro, mesmo assim pode ficar com raiva, até com ira, e a ira do Cordeiro é extremamente temível; pois se o Redentor, que aplaca a ira de Deus, for Ele mesmo nosso inimigo cheio de ira, onde teríamos um amigo que intercedesse por nós? Perecem sem esperança os que perecem pela ira do Redentor.

[4] Assim como os homens têm o seu dia da oportunidade e suas épocas de graça, assim Deus tem o seu dia de justa ira; e, quando vier esse dia, os pecadores de coração mais valente não serão capazes de se opor a Ele. Todos esses terrores de fato caíram sobre os pecadores na Judéia e em Jerusalém no dia da destruição, e todos cairão, com sua pior intensidade, sobre os pecadores impenitentes no juízo geral do último dia.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 981-982.

No Apocalipse, os inimigos de Deus e do Cordeiro veem os montes serem sacudidos e as rochas caírem; desesperados pedem a estes objetos inanimados que caiam sobre eles, porque ser esmagados por eles é preferível a enfrentar a ira divina. descreve-se a Deus como Aquele que está sentado no trono no céu e de cujo rosto ninguém pode esconder-se (Sl 139:7–12).

A frase a ira do Cordeiro só se encontra aqui no Novo Testamento. Isto não quer dizer que a ira está limitada ao Cordeiro e que se exclua a Deus. Nem tampouco transmite o pensamento de que um animal manso como o cordeiro não possa irar-se. A palavra Cordeiro é o símbolo do Cristo que enfrenta os Seus inimigos no final dos tempos. Estas pessoas são os adversários «[que] pelejarão contra o Cordeiro e o Cordeiro os derrotará» (Ap 17:14). Além disso, o Cordeiro abre os sete selos do rolo, e é o Cordeiro que desencadeia Sua fúria contra os Seus opositores. O Cordeiro, com o rolo da história do mundo na mão, é o Juiz que dirige Sua ira contra os Seus adversários.

Como deveríamos entender a ira do Cordeiro? É uma emoção do Senhor ou é o pronunciamento de castigo sobre os Seus inimigos? O contexto ajuda a responder esta pergunta, porque se repete a palavra ira no versículo seguinte junto com a expressão «o grande dia» (v. 17; cf. também Rm 1:18; Hb 3:11). Estas duas expressões apontam ao dia do juízo.

d. «Porque o grande dia de sua ira chegou, e quem pode manter-se em pé?» O texto grego diz literalmente: «Porque chegou o dia, o grande dia de sua ira». Enfatiza primeiro o verbo chegou, porque ocupa o primeiro lugar na frase, e logo o substantivo dia, que é seguido pelo adjetivo descritivo grande. Por dia do juízo se chama «o grande dia» e no Antigo Testamento «o dia do Senhor» (Is 13:9; Jl 2:11, 31; Sf 1:14, 15).

O verbo chegou está no tempo pretérito com uma conotação presente que espera uma realização futura.47 João descreve o quadro desse dia, embora o próprio dia ainda não chegou. Quer dizer, todos os terríveis transtornos na natureza e no universo acabam no grande dia do juízo, embora o cumprimento deste portento assustador deve ser esperado até a consumação.

Alguns manuscritos gregos empregam o pronome possessivo neutro «sua ira» em lugar do plural «a ira deles». Esta leitura é gramaticalmente correta em razão do sujeito singular «o Cordeiro». Mas no Apocalipse, João nunca chama Jesus Deus, mas com o emprego de pronomes coloca a Jesus no mesmo nível de Deus. Por exemplo, lemos: «serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos» (Ap 20:6); e «o trono de Deus e do Cordeiro estará nela, e seus servos o servirão» (Ap 22:3).

«E quem pode manter-se em pé?» Esta pergunta retórica tem a resposta implícita «ninguém senão a inumerável multidão». O salmista e os profetas do Antigo Testamento fizeram a mesma pergunta: «Quem pode fazer frente quando se acende tua ira?» (Sl 76:7b) e «quem poderá suportar o dia de sua vinda?» (Ml. 3:2; veja-se Na 1:6). Os inimigos de Deus não pedem misericórdia e não chegam a mostrar arrependimento genuíno. Pelo contrário, procuram esconder do Juiz, mas não podem fugir.

Palavras, frases e construções gregas em Ap 6:17 ἦλθεν — o tempo aoristo transmite o significado de que o grande dia «já chegou» (quer dizer, chegou quando começaram os sinais do fim descritos nos versículos 12–14).

Simom J. Kistemaker. New Testament Commentary: Revelation. Editora Cultura Cristã. pag. 341-343.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

III – AS ARMAS ESPIRITUAIS INDISPENSÁVEIS AO CRENTE

1. A natureza sente as trevas.

Os gemidos da criação não são de desespero, mas de esperança (8.21,22). A criação não se contorce com os gemidos da morte, mas geme como uma mulher prestes a dar à luz.

Seus gemidos não são de desespero, mas de gloriosa expectativa.

Ela não geme por causa de um passado inglório, mas por um futuro glorioso. John Stott tem razão ao dizer que os gemidos da criação não são dores que carecem de sentido e propósito, mas são dores inevitáveis no vislumbre de uma ordem nova.734 A escravidão da decadência dará lugar à liberdade da glória (8.21). Às dores de parto seguirão as alegrias do nascimento (8.22). Portanto, haverá continuidade e descontinuidade na regeneração do mundo, assim como na ressurreição do corpo. O universo não será destruído, mas libertado, transformado e inundado da glória de Deus.

William Hendriksen diz que essa transformação incluirá harmonização. Ausentes na natureza estão a paz e a harmonia.

Vários organismos parecem operar com propósitos conflitantes: estrangulam uns aos outros até a morte. Porém, então, haverá concórdia e harmonia por toda parte. A profecia de Isaías 11.6-9 atingirá seu cumprimento último: O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dado algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

Os gemidos da igreja (8.23-25)

Paulo passa dos gemidos da velha criação para os gemidos da nova criação; dos gemidos da natureza para os gemidos da igreja; dos gemidos da criação de Deus para os gemidos dos filhos de Deus. Com respeito aos gemidos da igreja, três verdades devem ser destacadas:

Em primeiro lugar, os gemidos da igreja não são gemidos de desespero, mas de esperança (8.23a). Os filhos de Deus gemem em seu íntimo porque, tendo experimentado as primícias do Espírito, anseiam ardentemente tomar posse definitiva da plenitude da salvação. As primícias eram a primeira porção da colheita, compreendida tanto como uma primeira prestação quanto como um penhor pelo pagamento final do todo.

O Espírito Santo é compreendido como uma antecipação da salvação final e um penhor de que todos os que têm o Espírito serão finalmente salvos. O Espírito é mais que uma garantia; é o antegozo dessa herança.

Vivemos na tensão entre o que Deus inaugurou (ao dar-nos seu Espírito) e o que ele consumará (quando se completar nossa adoção e redenção final); gememos em desconforto, desejando ardentemente o futuro. Os gemidos da igreja não são os soluços da alma, movidos pela desesperança, mas o anseio ardente daqueles que, tendo provado os sabores da bem-aventurança eterna, aguardam a glorificação, ou seja, a manifestação pública de sua adoção como filhos de Deus.

William Hendriksen corretamente diz que o próprio fato de os filhos de Deus agora serem habitados pelo Espírito Santo faz nascer dentro deles um doloroso senso de ausência. O que eles já possuem os faz famintos por mais, ou seja, pela salvação em toda sua plenitude. E nesse sentido que dor e esperança são aqui combinados.

Em segundo lugar, os gemidos da igreja não são de morte, mas de vida (8.23b). Os filhos de Deus não gemem com medo da morte; gemem pela ardente expectativa da ressurreição.

Não gemem por aquilo que são, mas por desejarem ardentemente aquilo que virão a ser. Não gemem pela fraqueza do corpo terreno, mas pelo anelo do revestimento do corpo de glória.

John Stott tem razão quando escreve:

É claro que já fomos adotados por Deus (8.15), e o Espírito nos assegura que somos filhos de Deus (8.16). Existe, porém, uma relação Pai-filho ainda mais rica e profunda que virá quando formos plenamente “revelados” como seus filhos (8.19) e “conformados à imagem do seu Filho” (8.29). Nós já fomos redimidos, mas nossos corpos não. Nosso espírito está vivo (8.11), mas aguardamos o dia em que receberemos um corpo semelhante ao corpo da glória de Cristo.

Em terceiro lugar, os gemidos da igreja não são aquilo que se vê, mas o anelo do que se não vê (8.24,25). Os filhos de Deus já foram salvos da condenação do pecado e estão sendo salvos do poder do pecado; mas ainda serão salvos da presença do pecado. Temos a garantia da salvação, mas não sua posse definitiva. Recebemos o Espírito como selo e garantia de que receberemos a posse final e definitiva, mas ainda aguardamos pacientemente o que não vemos.

LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 301-304.

Paulo retrata essa criação caída: toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. Considere todos os terremotos, enchentes, incêndios, secas, e epidemias – certamente esses fenômenos não fazem parte do propósito da criação, porém são consequências do reinado do pecado e da iniquidade. Assim como as dores de parto terminam com o nascimento da criança, também os gemidos e as dores da criação irão terminar com o nascimento da nova terra. Nós, cristãos, também gememos em nós mesmos, ansiosos pela nossa libertação do ciclo do pecado e da decadência (8.23). Estamos ansiosos esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo. Não estaremos sozinhos nesse processo, pois o Espírito Santo está gemendo conosco, exprimindo o anelo que temos em relação a Deus, e nos dando uma prévia da glória futura; temos as primícias do Espírito. Mas até o momento da nossa libertação e redenção devemos gemer, aguardar, e ter esperança.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 57.

2. Os homens sentem as trevas.

Timóteo não deve achar estranho o fato de haver pessoas más na igreja, porque a rede do evangelho inclui peixes bons e ruins (Mt 13.47,48). Jesus Cristo tinha predito (Mt 24) que viriam enganadores, e, portanto, não devemos ficar escandalizados por isso, nem pensar o pior da religião ou da igreja por causa disso. Mesmo no minério que contém o ouro há impurezas, e o trigo quando está deitado no campo vem acompanhado de uma grande parte de palha.

I Timóteo precisa saber que nos últimos dias (v. 1), nos tempos do evangelho, sobrevirão tempos trabalhosos.

Embora os tempos do evangelho fossem tempos de restauração em muitos sentidos, ele precisa saber que mesmo nos tempos do evangelho haveria tempos trabalhosos; não tanto por causa de perseguição de fora, mas por causa das corrupções internas. Esses seriam tempos difíceis, em que seria complicado para uma pessoa manter uma boa consciência. O apóstolo não diz: “Tempos trabalhosos virão, porque judeus e gentios se unirão para erradicar o cristianismo”; mas: “tempos trabalhosos virão, porque esses que têm aparência de piedade (v. 5) serão corruptos e perversos e farão um grande mal à Igreja”. Dois traidores dentro da guarnição podem fazer mais estrago a ela do que dois mil sitiadores do lado de fora.

Tempos trabalhosos virão, porque as pessoas serão más.

Observe:

1. O pecado torna os tempos trabalhosos. Quando há uma corrupção geral de conduta e de temperamento nas pessoas, isso torna os tempos perigosos para se viver; porque é difícil manter nossa integridade no meio da corrupção geral.

2. A vinda de tempos trabalhosos é uma evidência da verdade das predições bíblicas. Se o acontecimento nesse sentido não correspondesse à profecia, podíamos ser tentados a questionar a divindade da Bíblia. 3. Estamos todos preocupados em conhecer essas coisas, em crer e considerá-las, para que não sejamos surpreendidos quando virmos os tempos trabalhosos: Sabe, porém, isto.

II Paulo conta a Timóteo qual é o motivo que tornaria esses tempos trabalhosos, ou quais serão as marcas e sinais por meio dos quais esses tempos serão conhecidos (v. 2ss.).

1. O amor-próprio tornará os tempos trabalhosos.

Quem não ama a si mesmo? Mas, aqui se tem em mente um amor-próprio irregular e pecaminoso. As pessoas amam o seu eu carnal mais do que o seu eu espiritual.

Elas têm prazer em gratificar seus próprios desejos mais do que agradar a Deus e cumprir o seu dever. Em vez da caridade cristã, que cuida do bem-estar dos outros, elas somente se preocupam consigo mesmas e preferem sua própria gratificação à edificação da Igreja.

2. Avareza.

Observe: O amor-próprio traz consigo uma sucessão de pecados e prejuízos. Quando as pessoas são amantes de si mesmas, nenhum bem pode ser esperado delas, porque todo bem deve ser esperado daquelas que amam a Deus de todo coração. Quando a avareza geralmente prevalece, cada pessoa busca obter mais e manter aquilo que tem. Isso torna as pessoas perigosas umas para as outras e obriga a cada uma delas ficar de prontidão em relação ao seu próximo.

3. Orgulho e vanglória.

Os tempos são trabalhosos quando as pessoas, sendo orgulhosas de si mesmas, são presunçosas e blasfemas; blasfemas diante das pessoas a quem desprezam e as quais olham com escárnio, e blasfemas de Deus e do seu nome. Quando as pessoas não temem a Deus, não respeitam as pessoas, e vice-versa.

4. Quando os filhos são desobedientes aos pais e não cumprem as obrigações para com eles tanto no dever quanto na gratidão, e frequentemente nos interesses, tendo sua dependência deles e sua expectativa deles, eles tornam os tempos trabalhosos; pois, que tipo de maldade não cometerão aqueles que são abusivos contra os seus próprios pais e se rebelam contra eles?
5. Ingratidão e profanação tornam os tempos trabalhosos, e essas duas geralmente andam juntas.

Por qual motivo as pessoas se tornam profanas e sem temor a Deus, sendo ingratas em relação às misericórdias de Deus? A ingratidão e a impiedade andam juntas.

Não tem como chamar alguém com um nome pior do que chamá-lo de ingrato. Ingrato e impuro, corrompido com desejos carnais, que é um exemplo de grande ingratidão para com esse Deus que proveu tão bem para a manutenção do corpo. Abusamos dos seus dons, se os tornamos o alimento e combustível para os nossos desejos.

6. Os tempos são trabalhosos quando as pessoas não buscam andar de acordo com a natureza ou honestidade comum, quando estão sem afeto natural e são irreconciliáveis (v. 3).

Existe um afeto natural em todos. Onde quer que haja a natureza humana, deveria haver humanidade ou humanitarismo para com aqueles da mesma natureza, mas especialmente entre os familiares. Os tempos são trabalhosos quando os filhos são desobedientes aos seus pais (v. 2) e quando os pais não demonstram o afeto natural pelos filhos (v. 3).

Veja o tipo de corrupção da natureza que o pecado é, como destitui as pessoas daquilo que a natureza implantou nelas para a manutenção da sua própria espécie; pois o afeto natural dos pais pelos filhos é o que contribui muito para a conservação da humanidade na terra. Não é de admirar que essas pessoas que não estão ligadas por afetos naturais não estejam ligadas às alianças e pactos mais solenes. Elas são irreconciliáveis, ou implacáveis, que não se importam com os compromissos que assumiram.

7. Os tempos são trabalhosos quando as pessoas são caluniadoras umas com as outras, diaboloi – diabos uns com os outros, não se importando com o bom nome dos outros, ou com as obrigações religiosas de um voto ou juramento, mas achando que têm toda liberdade de pensar e falar o que bem desejarem (SI 12.4).
8. Quando as pessoas não têm controle sobre si mesmas e sobre seus próprios apetites:

não têm controle em relação aos seus próprios apetites, porque são incontinentes; em relação às suas próprias paixões, porque são cruéis; quando não há governo sobre seus próprios espíritos, e, portanto, são como uma cidade que está destruída e não tem paredes. Elas logo são incendiadas diante da menor provocação.

9. Quando aquilo que é bom e deveria ser honrado é geralmente desprezado e visto com desdém.

E o orgulho dos perseguidores quando olham com desdém para pessoas justas, embora sejam melhores do que seus vizinhos.

10.Quando as pessoas são geralmente traiçoeiras, obstinadas e arrogantes, os tempos são trabalhosos (v. 4) – quando as pessoas são traidoras, obstinadas, orgulhosas.

Nosso Salvador predisse que o irmão entregaria à morte o irmão, e o pai, o filho (Mt 10.21), e esses são o pior tipo de traidores. Esses que entregam suas Bíblias a perseguidores eram chamados de traidores, porque traíam a confiança depositada neles. Quando as pessoas são petulantes e inchadas de orgulho, conduzindo-se desdenhosamente para com todos, e quando esse temperamento geralmente prevalece, os tempos são trabalhosos.

11. Quando as pessoas geralmente são mais amigas dos deleites do que amigas de Deus.

Quando existem mais epicureus do que verdadeiros cristãos, então os tempos são realmente maus. Deus deve ser amado acima de tudo. E uma mente carnal e cheia de animosidade contra Ele aquela que coloca qualquer coisa na frente dele, especialmente uma coisa tão sórdida como os prazeres carnais.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 714-715.

3.1 Esta referência aos últimos dias revela o sentido de urgência de Paulo. Mas os avisos sobre os últimos dias certamente não eram exclusivos de Paulo. Este era um tema comum entre os líderes da igreja primitiva (veja At 2.17; Tg 5.3; 2 Pe 3.3; Jd 18). “Tempos trabalhosos” significam “difíceis de suportar, perigosos, problemáticos”. O aviso de Paulo merece a nossa completa atenção. Os “últimos dias” começaram depois da ressurreição de Jesus, quando o Espírito Santo veio sobre os crentes, no Pentecostes. Os últimos dias continuarão até a segunda vinda de Cristo.

Paulo podia estar falando sobre os últimos dias como um evento futuro (enfatizando condições existentes no final dos últimos dias) ou como uma realidade presente (enfatizando a verdade de que o estado de depravação no mundo está sempre pronto para a colheita). Isto significa que nós estamos vivendo nos últimos dias. Não deveria ser surpresa, então, ver a degeneração moral da sociedade à nossa volta. Paulo nos advertiu de que isto iria acontecer, como também Jesus o fez (veja Mt 24).

3.2 Quando as pessoas direcionam mal o seu amor – para si mesmos e para o dinheiro -, não pode sobrar amor para direcionar aos outros. Então, o resultado natural é a corrupção moral, como se nota nas características mencionadas a seguir. Ser presunçoso e soberbo retrata um coração cheio de orgulho, que se manifesta através de uma arrogância exterior. Tais características revelam um sentimento exagerado de importância própria e necessariamente levam ao desprezo dos demais. Blasfemar significa falar desrespeitosamente sobre Deus.

Estas pessoas não somente são culpadas por um sentimento exagerado da sua própria importância; elas também ofendem ao próprio Deus verbalmente.

A extensão da degeneração moral pode ser vista na rejeição dos laços humanos mais íntimos, com muitos abertamente desobedientes a pais e mães. Este comportamento viola voluntariamente o quinto mandamento, de honrar ao pai e à mãe (veja Êx 20.12). O mandamento foi dado porque Deus entendia a importância das famílias fortes. “Honrar” os pais significa falar bem deles e educadamente com eles. Também significa agir de uma maneira que mostre cortesia e respeito para com eles. Significa seguir os seus ensinos e o seu exemplo de colocar Deus em primeiro lugar. Os pais têm um lugar especial aos olhos de Deus.

Até mesmo os filhos que acham difícil ter um bom relacionamento com seus pais recebem o mandamento de honrá-los. Quando os pais não são respeitados e honrados, o resultado natural é a desobediência, e facilmente ocorre a ruptura da família. Paulo entendia que quando as famílias se separam, sobrevêm “tempo trabalhosos” (3.1).

As pessoas estão em uma situação triste quando são ingratas e não conseguem apreciar nada. Em Romanos 1.21, Paulo observou que a ingratidão vinha em segundo lugar, depois somente de desonrar a Deus, como uma causa justa para o julgamento de Deus sobre a humanidade. Isto os leva a não ter piedade (ou respeito pela religião). As pessoas que deixam Deus de lado para viver somente para sua própria satisfação podem ir somente em uma direção – rumo à maldade.

Instintivamente, eles resistem a qualquer pessoa ou ideia que os leve a se avaliarem segundo os padrões de Deus.

3.3 As pessoas não terão amor pelos outros, não terão afeto natural. A mesma palavra é usada somente em uma única outra passagem do Novo Testamento (Rm 1.31), onde Paulo listou as características das pessoas que rejeitavam a Deus e seguiam as suas próprias tendências. Na verdade, por estas pessoas amarem somente a si mesmas e ao seu dinheiro (as suas posses), como Paulo observou no versículo 2, elas não sentem amor por ninguém ou nada mais.

Pessoas irreconciliáveis não admitem os enganos ou as fraquezas das outras pessoas. Elas são inflexíveis, implacáveis, e frequentemente estão cheias de extrema amargura e ira pelos seus próprios ferimentos. Elas simplesmente se recusam a perdoar, mesmo se tiverem a oportunidade de fazê-lo. No final, elas tornam-se incapazes de perdoar, mesmo quando vêm a reconhecer a necessidade de fazê-lo.

Os caluniadores são rápidos para espalhar mentiras. Eles gostam de espalhar mexericos e comentários maldosos sobre outras pessoas. Destruir a boa reputaçáo de outras pessoas lhes dá um prazer perverso.

Sendo incontinentes, isto é, incapazes de se controlar, eles não conseguem restringir seus atos, seus sentimentos, ou suas palavras.

Pessoas cruéis, “brutas”, são como animais indomados, ou pessoas “não civilizadas”. Sáo insensíveis e rudes, chegando a ser violentas.

As pessoas podem ser tão más a ponto de, na verdade, se tornarem sem amor para com os bons, ou ainda inimigas do bem.

3.4 As duas características seguintes começam com o prefixo pro-, em grego, o que indica uma tendência a algum comportamento ou atitude.

Ser traidor significa trair alguém. Em alguns casos, a traição de outra pessoa pode melhorar a posição de alguém ou enriquecê-la; em outras ocasiões, a traição pode ser um ato de vingança. Quando isto está combinado com a calúnia (3.3), a verdade abandona o campo.

Ser obstinado também pode ser traduzido como ser “cabeça dura” e “impulsivo”. Estas pessoas agem de forma tola e descuidada, completamente despreocupadas com as consequências de seus atos para si mesmas ou para os outros. Elas estão determinadas a seguir seu próprio caminho, independentemente dos conselhos contrários.

Estas pessoas estão cheias de orgulho, tendo uma opinião exagerada da sua importância, inteligência, esperteza, aparência etc. O conceito é diferente dos “amantes de si mesmos” do versículo 2, pois aquela característica pode pelo menos ser disfarçada, ao passo que a verdadeira natureza do orgulho envolve ser notado por outros.

A lista termina, como começou, com aqueles cujo amor foi tão mal direcionado, que eles só conseguem pensar nos deleites, e não em Deus. Aqueles que deixam de reconhecer a Deus acabam não sendo capazes de amá-lo.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 534-535.

As nações estão em trevas.

Jesus predisse que nessa ocasião haveria grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais (21). Marcos usa quase as mesmas palavras. Aflição é thlipsis (veja o comentário sobre o versículo 9). Swete sugere: “O termo Thlipsis é usado aqui quase no seu sentido literal para a opressão diária do cerco”. Sempre se objetou que as palavras desse versículo são fortes demais, e por isso não poderiam ser aplicadas ao ano 70 d.C.

Mas Josefo escreve: “Penso que os infortúnios de todos os homens, desde o princípio do mundo, se comparados ao infortúnio dos judeus, não são tão importantes”.  Carr assim resume a situação: Não há palavras que possam descrever os incomparáveis horrores desse cerco.

Era a época da Páscoa, e os judeus de todas as partes estavam comprimidos dentro das muralhas. Três facções, inimigas entre si, estavam cravadas em Sião e no monte do Templo… o pátio do Templo estava inundado com o sangue da discórdia civil, que literalmente se misturava com o sangue dos sacrifícios.

Josefo afirma que mais de um milhão de judeus morreram nessa catástrofe, e que aproximadamente cem mil foram vendidos como escravos. Parece que a melhor maneira de interpretar o versículo 21 é permitir a aplicação dupla – à queda de Jerusalém em 70 d.C., e também à “grande tribulação” do final desta era.

Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 165-166.

O grande conflito

Jesus avisou sobre fugir rapidamente porque haverá, então, grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco haverá jamais. Grandes sofrimentos aguardavam o povo de Deus nos anos que se seguiriam. O historiador judeu Josefo registrou que quando os romanos saquearam Jerusalém e devastaram a Judéia, cem mil judeus foram levados prisioneiros, e um milhão e cem mil pessoas morreram assassinadas ou de fome. As palavras de Jesus também indicam, em última análise, o período final de tribulações no fim dos tempos, porque nada como isto já terá sido visto, ou será visto novamente. Ainda assim, a grande tribulação é aliviada por uma grande promessa de esperança para os crentes verdadeiros.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 142.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

IV – MEIA NOITE A VINDA DO NOIVO

A chegada do esposo, e o resultado do caráter diferente das virgens prudentes e das loucas. Veja o resultado disso:

[1] “Tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo” .

Observe que quanto àqueles que postergam a sua grande obra, deixando-a para o final, há uma probabilidade de mil para um de que eles não terão tempo de fazê-la. A obtenção da graça é uma obra que leva tempo, e não pode ser realizada com pressa. Ainda que a pobre alma desperta se dedique, sobre o leito de morte, ao arrependimento e à oração, em terrível confusão, ela dificilmente saberá por onde começar, ou o que fazer primeiro, e nessa hora vem a morte, vem o juízo e a obra está inacabada, e o pobre pecador está arruinado para sempre.

Este é o resultado de ter que ir comprar azeite, quando a pessoa precisaria usá-lo, e de ter que tentar obter a graça, quando precisaria usá-la.

“Chegou o esposo” . Note que o nosso Senhor Jesus virá ao seu povo, no grande Dia, como um esposo. Ele virá vestido com pompa e riqueza, para reunir-se com os seus amigos. Agora que o Esposo nos foi tirado, nós jejuamos (cap. 9.15), mas então haverá um banquete eterno.

Então o Esposo levará a sua esposa para estar onde Ele estiver (Jo 17.24), e se alegrará com a sua noiva (Is 62.5).

[2] “As que estavam preparadas entraram com ele para as bodas” .

Observe, em primeiro lugar, que ser glorificado eternamente é entrar com Cristo para as bodas, é estar na sua presença, e na mais íntima comunhão com Ele, em uma condição eterna de repouso, alegria e abundância.

Em segundo lugar, que irão para o céu no futuro aqueles que se prepararem aqui para o céu, que forem preparados para isso mesmo, e somente estes estarão ali (2 Co 5.5). Em terceiro lugar, que a característica repentina da morte e da vinda de Cristo até nós, nesta ocasião, não será obstáculos para a nossa felicidade, se tivermos nos preparado bem.

[3] “Fechou-se a porta” , como é normal quando todos os que podem entrar já chegaram.

Fechou-se a porta, em primeiro lugar, para assegurar aqueles que estão do lado de dentro; para que, tendo sido feitos colunas no templo de Deus, dele nunca mais saiam, Ap 3.12. Adão foi colocado no paraíso, mas a porta ficou aberta, e ele voltou a sair; mas quando os santos glorificados são colocados no paraíso celestial, a porta se fecha para que não saiam. Em segundo lugar, para excluir os que estão do lado de fora.

A condição dos santos e dos pecadores, então, será fixada de maneira inalterável, e aqueles que estiverem do lado de fora, nesta ocasião, ficarão do lado de fora para sempre. A porta é estreita, mas está aberta; mas então ela será fechada e trancada, e se abrirá um grande abismo. Isto é semelhante ao caso da porta da arca, que foi fechada depois que Noé entrou. Noé e aqueles que estavam dentro da arca foram, desta maneira, preservados; porém todos os demais foram, finalmente, abandonados.

[4] As virgens loucas chegaram quando era tarde demais (v. 11): “Depois, chegaram também as outras virgens” .

Observe, em primeiro lugar, que existem muitos que tentarão entrar no céu quando for tarde demais; como o profano Esaú queria “ ainda depois herdar a bênção” . Deus e a fé que Ele mesmo propôs serão glorificados por essas solicitações tardias, embora os pecadores não sejam salvos por elas. E para a honra do Senhor que, com fervorosa e importuna oração, aqueles que agora a desprezam, em breve correrão para ela, e então não a chamarão de lamuriosa e enganosa. Em segundo lugar, a vã confiança dos hipócritas os levará muito longe nas suas expectativas de felicidade. Eles irão até a porta do céu, e pedirão para entrar, porém isto não lhes será permitido; serão levados até a porta do céu por um conceito irreal que lhes diz que a sua condição é uma boa condição, mas, na realidade, serão lançados no inferno.

[5] Elas foram rejeitadas, como foi Esaú (v. 12): “Digo que vos não conheço” .

Observe que todos nós devemos nos preocupar em “buscar ao Senhor enquanto se pode achar” , pois virá um tempo em que Ele não será encontrado.

Houve um tempo em que o pedido: “Senhor, Senhor, abra-nos a porta” , teria tido bons resultados, em virtude daquela promessa: “Batei, e abrir-se-vos-á” ; mas agora é tarde demais. A sentença está solenemente comprometida com as palavras: “Em verdade, vos digo” , o que significa nada menos do que o Senhor jurar, na sua ira, que eles nunca entrarão no seu repouso. Isto evidencia que Ele decidiu, e que eles foram silenciados diante desta decisão.

Por fim, aqui está uma conclusão prática, que se extrai dessa primeira parábola (v. 13): “Vigiai, pois” .

Nós já lemos esta palavra antes (cap. 24.42), e aqui ela se repete como a advertência mais necessária. Considere que:

1. A nossa maior obrigação é vigiar e cuidar dos assuntos relativos à nossa alma com a máxima diligência e circunspeção. Estejam despertos, e estejam vigilantes.

2. Uma boa razão para que estejamos vigilantes é o fato de que a ocasião da vinda do nosso Senhor é muito incerta; nós não sabemos nem o dia, nem a hora. Por isso, devemos estar preparados todos os dias, e todas as horas, e não deixar a nossa vigília em nenhum dia do ano, e em nenhuma hora do dia. Temamos ao Senhor todos os dias, e o dia inteiro.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 332.

Enquanto eles estavam fora chegou o noivo. As versões Siríaca e Vulgata dizem que ele veio com sua esposa. Isto concorda perfeitamente com a perspectiva profética. O Senhor Jesus voltará do casamento com sua noiva, a igreja (1 Ts. 3:13). (O casamento se realiza no céu [Ef. 05:27] após o arrebatamento.) O remanescente fiel dos santos da tribulação vai ir com ele para o banquete de casamento. A festa de casamento é uma designação adequada da alegria e bênção do reino terreno de Cristo. As virgens prudentes entraram com ele para as bodas [ou a festa de casamento, JND), e a porta se fechou. Era tarde demais para qualquer outra pessoa a entrar no reino. Quando as outras virgens veio pedindo para ser admitido, o marido disse não saber uma prova clara de que eles nunca tivesse nascido de novo.

Macdonald,. Willian. Comentário Bíblico Popular Versículo por Versículo Novo Testamento. Editora Mundo Cristão.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

V – O CLAMOR DA MEIA-NOITE, UM BRADO DE ALERTA

“Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo”! (Mt 25.6).

A convocação surpreendente que elas ouvem, para se unirem ao esposo (v. 6): “A meia-noite, ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo!” Observe:

[1] Ainda que Cristo demore muito tempo, Ele virá, por fim; ainda que Ele pareça lento, a sua vinda é garantida.

Na sua primeira vinda, Ele foi esperado por muito tempo, por aqueles que esperavam a consolação de Israel; mas Ele veio na “plenitude dos tempos”. Também a sua segunda vinda, ainda que pareça demorar muito tempo, não está esquecida; os inimigos de Cristo irão descobrir, para sua desvantagem, que a abstenção não significa desobrigação; e os seus amigos irão descobrir, para o seu conforto, que “a visão é ainda para o tempo determinado, e até ao fim falará, e não mentirá… porque certamente virá, não tardará” (Hc 2.3). O ano dos redimidos está fixado, e virá.

[2] A vinda de Cristo se dará na nossa “meia-noite”, ou seja, quando menos estivermos esperando por Ele, e estivermos mais dispostos a fazer o nosso repouso.

A sua vinda para o alívio e consolo do seu povo certamente ocorrerá quando o bem pretendido parecer estar mais longe; e a sua vinda para acertar as contas com os seus inimigos ocorrerá quando eles pensarem que o dia do mal está mais distante de si mesmos. Foi à meia-noite que os primogênitos do Egito foram destruídos, e o povo de Israel, libertado (Êx 12.29). A morte sempre vem quando é menos esperada. A alma é solicitada “esta noite” (Lc 12.20). Cristo virá quando Ele quiser, para mostrar a sua soberania; e não nos dará a conhecer quando isso acontecerá, para nos ensinar qual é o nosso dever.

[3] Quando Cristo vier, nós deveremos nos apresentar para encontrá-lo.

Como cristãos, nós devemos estar atentos a todos os movimentos do Senhor Jesus, e estar sempre em sua presença, Quando Ele vier até nós por ocasião da nossa morte, nós devemos deixar o corpo, deixar o mundo, para encontrá-lo com afetos e obras da alma apropriadas às revelações que então esperaremos que Ele faça sobre si mesmo. “Saí-lhe ao encontro” é uma convocação para aqueles que estão sempre preparados, para que estejam verdadeiramente prontos.

[4] A primeira notícia da chegada de Cristo, e a convocação para ir encontrá-lo, será um despertamento: “Ouviu-se um clamor”.

A sua primeira vinda não foi observada, nem disseram: “Eis aqui o Cristo, ou: Ei-lo ali”; Ele “estava no mundo… e o mundo não o conheceu” ; mas a sua segunda vinda terá toda a observação de todo o mundo: “Todo olho o verá”. Haverá um clamor do céu, pois Cristo descerá com um brado: Ressuscitem, vocês, mortos, e venham para o juízo; e também haverá um brado da terra, um brado “aos montes e aos rochedos” (Ap 6.16).

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 330.

Era costume que o noivo chegasse ao entardecer. Contudo, as damas de honra precisam esperar muito tempo até que ressoe o grito: O noivo está chegando! Faz parte da tradição dos casamentos que o noivo chega atrasado. Ele deixa que esperem por ele. Na parábola que está diante de nós, as moças precisam esperar um tempo especialmente longo. Tornam-se sonolentas e acabam adormecendo. Todas as dez, O Senhor não as critica por terem adormecido. Porém, o que torna prudentes as moças prudentes e tolas as moças tolas é algo diferente. É o fato de que as sábias, para o caso de uma espera peculiarmente demorada, trouxeram consigo óleo de reserva, para reabastecer as lâmpadas. As néscia não se lembraram disso.

Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança.

1. O sono espiritual é um sinal dos últimos tempos.

Chegou-se a ele o mestre do navio, e lhe disse. Jonas havia desaparecido da cena. O capitão do navio saiu à procura dele. No porão, o mestre do navio achou Jonas a dormir, o que o deixou espantado. O navio precisava de toda a “ajuda sob a forma de oração” que pudesse obter. E talvez o Deus de Jonas fosse precisamente Aquele que poderia salvar o dia. O capitão ordenou que o envergonhado Jonas saísse de seu beliche e fosse para o convés da embarcação. Ali, ao contemplar o temível temporal, automaticamente ele começaria as suas orações interessarias diante de seu Deus.

Conforme disse certo homem: “É preciso crer em tudo, pois é daí que vêm os milagres”.

O capitão estava disposto a crer em tudo e sentia-se feliz porque agora mais um “deus” estava sendo solicitado. “Que tremenda lição objetiva é essa, para o povo de Deus, naquele tempo como agora, despertar da apatia e orar por pessoas que perecem neste mar da vida” (John D. Hannah, in toe.). Note o leitor o termo que designa Deus aqui, Elohim, o Poder. Em suas superstições politeístas, o capitão do navio, como é lógico, não tinha consciência do Poder divino.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3553-3555

O capitão do navio exigiu de Jonas as suas orações, v. 6.

O capitão do navio chegou-se a ele, e rogou que tivesse vergonha e se levantasse, tanto para orar pela sua vida como para se preparar para a morte; ele lhe deu: I, Uma repreensão justa e necessária: Que tens, dormente? Aqui nós elogiamos o capitão do navio, que lhe trouxe esta reprovação; pois, embora fosse um estranho a Jonas, ele era, naquele momento, como um membro da sua família; e devemos ajudar como pudermos quem quer que tenha uma alma preciosa, para salvá-la da morte.

Temos pena de Jonas, que precisou desta reprimenda; como um profeta do Senhor, se ele es tivesse em seu lugar poderia estar repreendendo o rei de Nínive, mas, estando fora do caminho do seu dever, ele fica sujeito às reprovações de um triste capitão de navio. Veja como os homens, por causa do seu pecado e da sua loucura, se diminuem e se tornam inferiores. Contudo, podemos admirar a bondade de Deus ao enviar a ele esta repreensão oportuna, pois este foi o primeiro passo na direção da sua recuperação, como o cantar do galo foi para Pedro. Note que aqueles que dormem durante uma tempestade podem muito bem ser indagados sobre o que está ocorrendo com eles.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 1053-1054.

2. Seremos guardados vigilantes, se usarmos os meios que Deus põe à nossa disposição.

26.42-45 Jesus deixou os três discípulos e retornou à sua conversa com o Pai (26.39). Jesus voltou novamente aos três discípulos e achou-os adormecidos. Apesar do seu aviso de que eles deveriam permanecer vigilantes, e orando para não ceder às tentações vindouras, os seus olhos estavam carregados. Jesus foi orar pela terceira vez. Durante estes períodos de oração, a batalha foi ganha. Jesus ainda tinha que ir até a cruz, mas Ele se submeteria humildemente à vontade do Pai e realizaria a tarefa apresentada diante dele.

Depois de muito tempo em oração, Jesus estava preparado para enfrentar a sua hora, que significava que tudo o que Ele tinha predito sobre a sua morte estava prestes a acontecer (veja João 12.23,24). Os discípulos tinham perdido uma excelente oportunidade de conversar com o Pai, e não haveria mais tempo para fazê-lo, pois a hora de Jesus era chegada. Assim, Jesus não lhes disse novamente para orar. Jesus tinha passado as últimas horas com o Pai, lutando com Ele, e submetendo-se humildemente a Ele. Agora Ele estava preparado para enfrentar o seu traidor e os pecadores que estavam vindo para prendê-lo.

26.46 Jesus despertou os três discípulos sonolentos (e provavelmente os outros oito, também) e os chamou. As Suas palavras: “Levantai-vos, partamos” não significam que Jesus tivesse a intenção de fugir. Ele estava chamando os discípulos a acompanhá-lo no encontro com o traidor, Judas, e a multidão que o acompanhava. Jesus se aproximou deles por sua livre e espontânea vontade; Ele foi ao encontro de seus acusadores, ao invés de esperar que viessem a Ele.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 156.

Embora eles continuassem enfadados e sonolentos, o Senhor não os repreendeu mais por isso; porque, embora o ofendamos diariamente, Ele não deseja nos repreender continuamente.

[1] Quando Ele se aproximou deles pela segunda vez, não encontramos que lhes tenha dito qualquer coisa (v. 43).

O Senhor os achou outra vez adormecidos. Poderia se pensar que Ele havia dito o suficiente para mantê-los acordados; mas é difícil nos recobrarmos de um espírito de cochilo. A segurança carnal, quando prevalece uma vez, não é facilmente removida. Os seus olhos estavam carregados, o que sugere que eles lutaram o quanto puderam, mas foram vencidos pelo sono, como a esposa: “Eu dormia, mas o meu coração velava” (Ct 5.2); portanto, o Mestre os olhou com compaixão.

[2] Quando Ele se aproximou pela terceira vez, alertou-os do perigo iminente (w. 45,46):

“Dormi, agora, e repousai” . Alguns pensam que isso foi dito com ironia: “Agora durmam se puderem, durmam se ousarem; Eu não lhes perturbaria se Judas e seu grupo de homens não viessem nos perturbar.” Veja aqui como Cristo lida com aqueles que sofrem ao serem vencidos pela segurança que sentem, e que não serão despertados por ela. Em primeiro lugar, às vezes, Ele os entrega ao poder dela: “Dormi, agora”.

Aquele que dorme, continue dormindo. A maldição do cochilo espiritual é o justo castigo do seu pecado (Rm 11.8; Os 4.17). Em segundo lugar, muitas vezes, Ele envia algum juízo alarmante, para despertar aqueles que não seriam tocados pela Palavra; e seria melhor que aqueles que não são alarmados por razões e argumentos ficassem alarmados pelas espadas e lanças do que deixados para perecer em sua segurança. Que aqueles que não creem sejam forçados a sentir.

Quanto aos discípulos:

1. Seu Mestre os avisou da aproximação iminente de seus inimigos, que provavelmente estavam dentro do campo de visão ou podiam ser ouvidos, porque eles vieram com velas e tochas, e é provável que tenham feito um grande barulho: “O Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores. E também, eis que é chegado o que me trai”. Note que os sofrimentos de Cristo não eram surpresa para Ele. Ele sabia o que, e quando, iria sofrer. Nesse momento, o extremo de sua agonia já havia passado, ou, ao menos, sido afastado.

Enquanto isso, com uma coragem destemida, Ele se dirige ao próximo encontro, como um campeão para o combate.

2. Ele rogou que eles se levantassem, e que partissem. O Senhor não disse: “Levantai-vos, e fujamos do perigo”, mas: “Levantai-vos, partamos ao seu encontro”. Antes de orar, Ele temia os seus sofrimentos, mas agora havia superado os seus temores. Mas: 3. Ele os faz entender a atitude de loucura que era dormir durante o tempo em que deveriam estar se preparando; agora o evento os achou despreparados, e foi um terror para eles.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 357.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

CONCLUSÃO

(4) A reação de todas as virgens em resposta a esta convocação (v. 7): “Todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas”, cortaram a parte queimada dos pavios, e as encheram de azeite, e foram, com toda a prontidão, se colocar na posição adequada para esperar o esposo. Observe que:

[1] Isto, no caso das virgens prudentes, evidencia uma verdadeira preparação para a vinda do Esposo. Até mesmo os que estão mais preparados para a morte, têm, com os seus sinais imediatos, algum trabalho a fazer, para verdadeiramente se prepararem, para que possam ser achados em paz (2 Pe 3.14), trabalhando, (cap. 24.46) e não serem achados nus (2 Co 5.3). Será um dia de investigação e de indagações, e nos compete pensarem como seremos encontrados.

Quando virmos a aproximação do dia, deveremos nos dedicar à questão da morte com toda a seriedade, renovando o nosso arrependimento pelo pecado, a nossa adesão ao concerto, o nosso adeus ao mundo; e as nossas almas serão levadas em direção a Deus, da forma mais adequada.

[2] No caso das virgens loucas, isto evidencia uma confiança vã, e uma presunção da benevolência da sua condição, e do seu preparo para o mundo por vir. Observe que até mesmo as graças falsas servirão para que um homem faça uma exibição quando vier a morrer, assim como terá feito durante toda a sua vida; as esperanças do hipócrita brilham quando ele está expirando, como um relâmpago antes da morte.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 356-357.

Então, por volta da meia-noite, ouve-se o anúncio: Vejam, o noivo! Saiam ao encontro dele! Para que as lamparinas dessem uma luz forte, está na hora de limpar o pavio e adicionar óleo, tirado da jarrinha de reserva. Em seguida as moças vão acompanhando a noiva, ao encontro do noivo, para recepcioná-lo com honras. O encontro se realiza, depois do que o noivo e seus companheiros e a noiva com suas acompanhantes, as moças, partem rapidamente para a casa do noivo.

Os acompanhantes dos noivos, como “filhos dos aposentos nupciais” (Mt 9.15), tinham uma posição de grande confiança. Sua primeira tarefa consistia em formar o cortejo nupcial. A noiva é carregada numa liteira (pessoas mais pobres possivelmente tinham de abrir mão disso). A noiva estava rodeada de seu futuro marido e seu círculo de amigos. O grupo de músicos puxa o cortejo. Vigorosos toques de tambor, alegres músicas de casamento cantadas pelo séquito, velhos e jovens se movimentam.

Todos trazem na mão um ramo de murta. No alegre cortejo chega-se à casa onde será o casamento. Ainda hoje, a cerimônia começa bem tarde nesse país quente, quando as lâmpadas já estão acesas. Sobre a mesa estão os candelabros. Quando o noivo, como dono da casa, pronuncia a oração de abertura sobre o primeiro cálice de bênção, um ar solene paira sobre a ampla comunhão de mesa. O primeiro lugar é ocupado pelo noivo, a lado dele está a noiva, depois sentam-se os familiares e as damas de companhia da noiva.

Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança.

Lição 13: A vigilância conserva pura a Igreja

1 Lição – Daniel ora por um despertamento

2 Lição – Despertamento Espiritual – um milagre

3 Lição – O Despertamento renova o altar

4 Lição – A Construção do Templo enfrentou oposição

5 Lição – Zorobabel recomeça a construção do Templo

6 Lição – Neemias reconstrói os muros de Jerusalém

7 Lição – O povo de Deus deve separar-se do Mal

8 Lição – As causas da desunião devem ser Elienadas

9 Lição – Como vencer as oposições à obra de Deus

10 Lição – Provai se os espíritos são de Deus

11 Lição – Esdras vai a Jerusalém ensinar a Palavra

12 Lição – Esdras e Neemias combatem o casamento misto

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