13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

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Texto Áureo

“E o SENHOR virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía. ” (Jó 42.10)

Verdade Prática

A restauração do ser humano acontece em razão do amor e da misericórdia de Deus, e não como consequência do esforço pessoal, piedade ou atos de bondade.

OBJETIVO GERAL

Mostrar o grande amor de Deus evidenciado na prosperidade de seus filhos.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico l com os seus respectivos subtópicos.

Sublinhar a atitude humilde de Jó em receber a repreensão divina pelos equívocos cometidos;

Destacar a espiritualidade de Jó demonstrada na intercessão pelos seus amigos;

Comentar sobre o último estado de Jó e suas implicações positivas para o entendimento do livro.

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LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 42.2 Deus tudo pode e seus planos serão plenamente executados

Terça – Jó 42.5 A beleza de uma experiência pessoal com Deus

Quarta – Jó 42.7,8 A repreensão de Deus aos amigos de Jó

Quinta – Jó 42.9 Os amigos de Jó obedecem a ordenança de Deus

Sexta – Jó 42.10 Deus restaura a sorte de Jó e lhe devolve tudo em dobro

Sábado – Jó 42.12 O último estado de Jó foi melhor que o primeiro

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 42:1-17

1 Então respondeu Jó ao SENHOR, dizendo:

2 Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido.

3 Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso falei do que não entendia; coisas que para mim eram maravilhosíssima,, e que eu não compreendia.

4 Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu ensina-me.

5 Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.

6 Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

7 Sucedeu, pois, que, acabando o Senhor de dizer a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.

8 Tomai, pois, sete bezerros e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós, e o meu servo Jó orará por vós; porque deveras a ele aceitarei, para que eu não vos trate conforme a vossa loucura; porque vós não falastes de mim o que era reto como o meu servo Jó.

9 Então foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o Senhor lhes dissera; e o Senhor aceitou a face de Jó.

10 E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía.

11 Então vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram acerca de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro.

12 E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.

13 Também teve sete filhos e três filhas.

14 E chamou o nome da primeira Jemima, e o nome da segunda Quezia, e o nome da terceira Quéren-Hapuque.

15 E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.

16 E depois disto viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.

17 Então morreu Jó, velho e farto de dias.

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HINOS SUGERIDOS: 46, 108, 186 da Harpa Cristã

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Chegamos ao encerramento de mais um de trimestre. Essa é uma excelente oportunidade para fazer um diagnóstico de como foi a sua performance de educador ou educadora crist. Procure avaliar como a sua turma se comportou ao longo do trimestre. Como foi o método usado, a interação e a percepção dos alunos. Isso pode ser feito por meio de perguntas individuais aos alunos.

Você pode pesquisar na internet uma série de modelos de avaliação e adaptá-los a fim de que tenha uma amostra em sua classe. O importante é que você não deixe escapar a oportunidade de fazer uma auto avaliação, bem como avaliar toda a classe.

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INTRODUÇÃO

Nesta última lição trataremos sobre a restauração de Jó. Veremos que ela se dá quando ele se humilha diante de Deus e intercede por seus amigos. Constatamos também que o testemunho de Deus sobre Jó provou ser verdadeiro, e seus amigos tiveram de se retratar. Durante toda provação, ele se manteve íntegro e não lhe foi atribuída impiedade alguma. Pelo contrário, o Senhor o restaurou de forma grandiosa.

Comentário 1

Salomão diz: “Melhor é o fim das coisas do que o princípio delas,” Eclesiastes 7.8. Foi assim aqui na história de Jó; no anoitecer houve luz. Encontramos três coisas neste livro que, eu confesso, me perturbaram muito; mas achamos todas as três injustiças corrigidas, totalmente corrigidas, neste capítulo, todas as coisas colocadas nos seus devidos lugares.

I. Foi uma grande aflição para nós vermos que um homem tão santo quanto Jó ficou tão impaciente, irritado e desassossegado consigo mesmo, e especialmente ouvi-lo discutir com Deus e se dirigir a Ele com palavras impróprias; mas, embora ele caia assim, ele não é totalmente rejeitado, pois aqui recupera a sua calma, se recompõe e corrige o seu pensamento novamente através do arrependimento, sente muito por ter dito coisas erradas, retira o que disse, e se humilha perante Deus, w. 1-6.

II. Foi igualmente uma grande aflição para nós vermos Jó e seus amigos com tantas divergências, não só divergindo em suas opiniões, mas dizendo uns aos outros muitas palavras duras, e passando censuras severas uns para os outros, embora eles fossem todos muito sábios e muito bons; mas aqui vemos estas injustiças corrigidas igualmente, as diferenças entre eles felizmente ajustadas, a discussão resolvida, todas as reflexões irritantes que haviam feito uns dos outros perdoadas e esquecidas, e todos se juntando em sacrifícios e orações, mutuamente aceitos por Deus, w. 7-9.

III. Foi uma aflição para nós vermos que um homem de piedade e utilidade tão eminentes quanto Jó foi tão injustamente afligido, sofreu tanto, ficou tão doente, tão pobre, foi tão acusado, tão desprezado, e feito o próprio centro de todas as calamidades da vida humana; mas aqui nós temos esta injustiça corrigida também; Jó é curado de todas as suas enfermidades, mais honrado e amado do que nunca, enriquecido com o dobro de bens que tinha antes, cercado de todos os confortos da vida, e como um grande exemplo de abundância como tinha tido de aflição e paciência, w. 10-17.

Tudo isto está escrito para o nosso aprendizado, para que nós, quando estivermos sob estes e outros motivos semelhantes de desânimo que viermos a enfrentar, pela paciência e consolação desta escritura possamos ter esperança.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 203-204.

Comentário 2

O escritor português Camilo Castelo Branco fez certa vez uma declaração sobre a felicidade que, à primeira vista, parece quadrar perfeitamente à história de Jó: “A felicidade vem a troco de lágrimas, como a consolação do salvamento a preço das agonias do naufrágio”.

Esta conclusão, porém, não consegue transcender o drama sagrado; vai este além da perspectiva meramente humana. O problema aqui, como já vimos, não é a felicidade; é o sofrimento do justo. Isto porque o patriarca, quando feliz, não era feliz; chegando-lhe a infelicidade, começou a entender as bases da felicidade verdadeira. E, agora, não passando de ruínas, depara-se com a felicidade das felicidades: o encontro experimental com Deus.

Neste capítulo, veremos como o Senhor vira-lhe o cativeiro, transformando-o num dos mais bem-aventurados homens de todos os tempos. As provações, de que fora alvo, tiveram sobre a sua vida um efeito maravilhoso: conduziram-no a viver uma sublime comunhão com o Senhor.

O mesmo haverá de acontecer com você. Se o sofrimento hoje parece-lhe estranho, amanhã os resultados que deste haverão de advir tornar-se-ão bem familiares; todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus.

Vejamos, pois, como o Senhor vira o cativeiro daqueles que lhe são caros.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 185-186.

PONTO CENTRAL:

Deus restaura o ser humano por causa de seu amor e misericórdia.

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I – A HUMILHAÇÃO DE JÓ

1. O Jó humilhado.

Os capítulos 38, 39 e 40 demonstram como Deus expôs a Jó sua onipotência na Criação e sapiência em preservá-la. Ele mostrou que o patriarca era incapaz de, não apenas compreender a dinâmica da Criação, mas, sobretudo, fazer algo parecido com ela.

Jó se convenceu de que seus próprios questionamentos eram injustos. Se ele não era capaz de fazer o que Deus fez, então, com que direito criticava os caminhos divinos? Se apenas uma das criaturas de Deus era capaz de impor terror em Jó, como se comportaria ele diante do Criador dessas criaturas?

Comentário 1

O Arrependimento de Jó (42.1-6)

O primeiro discurso divino reduziu Jó a um silêncio atônito, mas não arrancou dele nenhuma ação. Ver Jó 40.3-5. Ele confessou que “nada significava” e pôs a mão sobre a boca. Mas agora ele agia, respondendo positivamente, ao ver a luz no fim do túnel de seus sofrimentos. Jó confessou sua ignorância e arrogância. Ele esteve errado ao abusar de Deus com suas queixas amargas.

Ele falou de assuntos sobre os quais pouco ou nada sabia; confessou que havia coisas “altas demais para ele”, e que não deveria ter saído a falar infantilmente sobre elas. Jó, porém, experimentou uma espécie de experiência mística (vs. 5), vendo Deus, ou seja, Sua teofania. Por conseguinte, ele se “arrependia” e abominava a si mesmo. Naturalmente, ele era um pecador, mas as coisas tinham ficado claras, já que ele não sofria por causa de algum estado pecaminoso, nem era punido em razão desse estado. Ver Jó 2.3. Seus sofrimentos tinham sido grandes demais para serem lançados na conta de sua vida moral.

Não obstante, quando fitou a Deus, Jó viu a massa lamentável em que se transformara e arrependeu-se de todas as palavras duras e de todos os atos maus que tinham caracterizado sua vida. O humilhado Jó podia agora avançar para a cura e para a restauração, o que encontramos no epílogo do livro.

“Na primeira reação de Jó (ver Jó 40.3-5), ele admitiu seu caráter finito diante da exibição divina de numerosas maravilhas da natureza, acima, neste mundo e debaixo da terra. Mas ele não se submeteu à soberania de Deus para livrar-se de seu orgulho. Agora, em sua segunda reação e resposta, Jó confessava essas duas coisas. Avassalado pela força de beemote e leviatã, Jó sentiu sua inadequação para conquistar e controlar o mal que eles representavam.

Portanto, Jó viu novamente a grandeza do poder e da soberania de Deus… Seus esforços por cortar o plano de Deus foram, agora, vistos como fúteis” (Roy B. Zuck, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2037.

Comentário 2

Jó se Arrepende (42.1-6)

Jó é convencido da grande majestade e sabedoria de Deus. Ele admitiu depois do primeiro discurso de Deus que estava fora de lugar. Agora ele percebe que seu pensamento rebelde estava completamente errado.

Bem sei que tudo podes (2). Jó está impressionado com o poder incomparável de Deus. Nada está além da sua capacidade. Nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido significa que Deus pode fazer qualquer coisa que Ele planeja fazer.

Jó repete as palavras de Deus para ele quanto a encobrir conselho sem conhecimento (3). Ao fazê-lo, ele admite que é culpado, conforme havia sido acusado. Ele reconhece que falou acerca de coisas que estão muito além do seu conhecimento e experiência.

“Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito” (5, NVI) indica que o conhecimento de Jó acerca de Deus era limitado demais. Era um conhecimento acadêmico. Seus amigos (e o ensinamento religioso) haviam falado acerca de Deus. Ele mesmo havia passado esse tipo de informação para outras pessoas. Com base no que havia ouvido ele tinha se empenhado na discussão especulativa a respeito da natureza de Deus.

Mas os conceitos defendidos por seus amigos eram inadequados para se ajustar às suas circunstâncias. Os seus próprios conceitos o levaram a levantar acusações contra Deus que eram acusações rebeldes e blasfemas. Agora ele mudou — Agora te vêem os meus olhos. Jó não mais confia em uma verdade baseada em boatos. Ele foi confrontado por Deus pessoalmente.

Quais são os resultados de uma confrontação como essa? Arrependimento. Por isso, me abomino (6). A palavra abomino significa derreter, dissolver, definhar. Deus acusou a Jó de pensar demais acerca de si mesmo. Agora Jó está dizendo: Não sou nada (veja SI 58.8). Ao ver Deus, Jó percebe quão insignificante ele realmente é (cf. Is 6.5).

Jó vê a si mesmo como Deus o vê, mas ele também vai além da autodepreciação —me arrependo no pó e na cinza. Do que Jó se arrepende? Dos pecados de que seus amigos o acusaram? De reivindicar uma integridade que ele não possui? Não. Ele se arrepende das suas acusações presunçosas contra Deus e especialmente do orgulho que essas acusações demonstraram.

Esta é a resposta que o autor do livro estava aguardando. A miséria de Jó continua com ele. Suas amizades foram destruídas ou severamente prejudicadas. Nenhuma das desgraças e tragédias perpetradas por Satanás foram removidas. Deus não cedeu ao desejo de Jó de um debate acerca da justiça divina em relação à administração do mundo. O que Jó veio a conhecer é que os caminhos de Deus estão além da capacidade de compreensão do homem. Portanto, Deus não pode ser censurado nem questionado em nenhuma circunstância da vida.

Mas Jó aprendeu mais. Ele descobriu por experiência própria que, não importa até que ponto possamos nos afundar na pressão do sofrimento, a esperança cresce na alma e produz uma fé persistente. A conversa de Jó com Deus provou que a confiança humilde nele é a única posição razoável que o homem pode ter. Ele, e somente Ele, é Deus. Ele é plenamente digno de uma confiança absoluta. Mas essa confiança não fica sem recompensa. Quando Jó trilhou por esse caminho, ele encontrou a Deus. Ele o viu, o Criador e Sustentador do universo.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 94.

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2. Reverência e submissão.

Diante da assombrosa visão da Criação de Deus, Jó agora exclama: “Bem sei eu que tudo podes” (Jó 42.2). Esse versículo demonstra sua atitude de reverência e submissão diante de Deus. Ele percebe que tudo o que aconteceu em sua vida tinha um desígnio divino e, portanto, era tolice discutir ou questionar com a sapiência divina: “Quem é aquele, dizes tu, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso, falei do que não entendia” (Jó 42.3; cf. 38.2).

Ao repetir a censura que Deus lhe fizera anteriormente, no capítulo 38, Jó demonstra não ver mais injustiça alguma nas ações de Deus. Ele admite que agiu com presunção, pois desconhecia os sábios propósitos divinos.

Comentário 1

Ele deu resposta a Yahweh, o nome distintivo de Deus entre os hebreus, o que demonstrava que o livro estava destinado aos leitores hebreus.

Todas as coisas são conhecidas por Yahweh e estão sob o Seu controle; Ele pode fazer todas as coisas. Ver no Dicionário o verbete intitulado Atributos de Deus, onde são enfatizados assuntos como onipotência e onisciência de Deus, Ver no Dicionário os artigos separados sobre esses assuntos.

Os discursos divinos exerceram efeito! Jó viu Deus conforme Ele é, e também viu a si mesmo conforme ele realmente era (vs. 6). A cura estava a caminho.

Ele confiou em Deus para fazer o que é certo, abandonando sua conversa infantil sobre o caráter arbitrário de Deus, Sua justiça e Sua indiferença. Deus provou a debilidade de Jó (ver Jó 40.15; 41.34), em contraste com Jó (ver Jó 40.8-14), Deus era competente para tratar com o mundo. Nenhum mal pode emanar da parte de Deus Pai (ver Tia. 1.13,17).

Quem é aquele, como disseste…? Os ousados discursos de Jó tiveram o efeito de ocultar o conselho divino, sendo conversas inchadas sem grande conhecimento.

Ele falou do que não compreendia, proferindo coisas por demais elevadas para ele. Em outras palavras, conforme dizemos em uma expressão idiomática moderna, “ele estava fora do seu elemento”. Schopenhauer disse sobre Hegel e Fichte: “Eles são sacos cheios de vento na filosofia”.

E, por causa dessa declaração, ele perdeu sua posição na Universidade de Berlim. Jó, pois, agora, confessava ser o saco de vento da teologia e perdeu a sua arrogância. “Agora estava abandonada a ideia de que ele poderia refutar ousadamente qualquer das acusações ‘falsificadas’ de Deus (ver Jó 23.4-7; 31.35,36)” (Roy B. Zuck, in loc.).

Jó, pois, deveria ter tido a mesma atitude de Davi e poupado a si mesmo muitas tribulações:

Senhor, não é soberbo o meu coração, nem altivo o meu olhar; não ando ã procura de grandes cousas, nem de cousas maravilhosas demais para mim.

(Salmo 131.1-2)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2037.

Comentário 2

Jó confessa: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado (42:2). Se esta humildade surgisse no começo do capítulo 3, evitar-se-ia uma batalha literária e filosófica, como não há outra em toda a literatura humana. Se isso houvesse acontecido, também se privaria a humanidade deste admirável drama litero-filosófico, com o que não concordaríamos. Portanto, foi bom que só agora Jó descobrisse que Deus tudo pode e nada há que ouse tolher as suas atividades. A demonstração do poder e da glória de Deus é à mais admirável sublimidade no livro que estudamos.

Tudo quanto sabemos de Deus, a respeito do seu poder, da sua bondade, do seu amor por este rniindo, não chega ao ponto de podermos dispensar o livro de Jó. Para nós, é o mais expressivo documentário que existe sobre teologia, teogonia e muitas outras ciências, que só nos últimos tempos se tomaram mais ou menos conhecidas. Então bem haja a ferida aberta nas carnes de Jó, os seus lamentos, as suas queixas infundadas, pois por meio delas fomos beneficiados com esta obra.

Estamos chegando ao fim da nossa tarefa de apreciação do livro, e Jó sentimos as saudades que vamos ter, por nos afastarmos de Jó, para irmos não sabemos bem para onde; talvez à parte alguma. Somos gratos ao Criador, que nos deu esta oportunidade de estudar o grande livro. Ignoramos se algum dia nossa obra será publicada. De nossa parte, Jó estamos pago pelo esforço desenvolvido. Pago, e bem pago. Muito lucramos, e aprendemos bastante.

Quem é aquele, como disseste, e que sem conhecimento encobre o conselho? (v. 3). Jó estava curado de vez. Não falaria mais, porque os fatos eram demasiado maravilhosos para ele: coisas que não conhecia (v. 3). De fato, a revelação dos objetos e seres nos céus, na terra e por toda a natureza eram coisas que ele não podia mesmo conhecer, pois achamos que, para entender este livro, o estudante tem de ser poeta, filósofo, astrônomo, biologista, naturalista, zoólogo, antropólogo e ter um acervo de conhecimentos outros, que nenhum mortal é capaz de reunir.

Assim, disse muito bem: coisas que eu não conhecia. Pois quem pode conhecer a Deus e os seus planos? Quem possui o condão de penetrar nas mansões celestiais e ali conviver com o Criador de tudo que existe? Ninguém jamais teve este privilégio, e por isso não se entende o mundo onde se vive.

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3. Uma experiência viva com Deus.

A postura de Jó diante de Deus muda drasticamente. Ele ainda continua a se dirigir a Ele, mas não da mesma forma que fazia. Agora sua atitude é humilde, reflexo de uma experiência viva com Deus, conforme descrita nas seguintes palavras: “Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos” (Jó 42.3). Para Jó, Deus era conhecido apenas de ouvido, mas agora o patriarca viu o Criador.

Comentário 1

Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Com essas palavras, Jó citou a voz divina que lhe tinha sido endereçada e confessou que a verdade fazia parte da pergunta. Ele estava ocultando o conselho, mediante seus discursos tolos. A citação foi feita a partir das palavras de Deus, em Jó 38.2, proferidas no início do primeiro discurso divino. A exposição: naquele ponto aplica-se também aqui.

Por isso me abomino, e me arrependo. O Arrependimento de Jó. Pontos a considerar:

1. Jó não disse que seus pecados tinham causado seus sofrimentos, pois, afinal, o próprio Deus havia declarado que ele sofria “sem causa” (ver Jó 2.3).

2. A terrível tríade dos consoladores molestos de Jó (ver Jó 16.2), bem como Eliú, dependeram da explicação de uma Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura, como se isso resolvesse todos os problemas atinentes à razão do sofrimento dos homens e por que eles sofrem como sofrem. Mas essa explicação, que esclarece grande parte do sofrimento humano, não era a solução para o caso de Jó, pois ele, como indivíduo inocente, ainda assim sofria.

3. Sem embargo, temos uma verdadeira confissão de pecado. Jó jamais afirmara não ter nenhum pecado. Ele tão-somente havia insistido sobre o fato de serem seus sofrimentos tão grandes, que não podiam ser explicados por seus pecados. Ele também confessara ter plantado algumas sementes do mal na juventude (ver Jó 13.26), mas não sentia que estava sofrendo por causa desses erros.

A confissão de pecados, que vemos no presente versículo, por conseguinte, era a arrogância por haver falado infantilmente contra Deus, em seus discursos ousados. Naturalmente, ele obteve uma boa visão de todos os seus pecados e sua confissão abriu caminho para a cura e a restauração, sobre o que o epílogo trata, embora seus pecados não fossem a causa de suas dores.

4. Para que Jó fosse curado e restaurado, ele teve de experimentar a presença de Deus e crescer espiritualmente. Dessa maneira, seus sofrimentos atuaram como medida disciplinadora que provocou o seu crescimento espiritual.

5. Além disso, os sofrimentos de Jó faziam parle do seu destino, para seu crescimento espiritual. Os homens que sofrem, se aceitam corretamente esse sofrimento, ganham terreno espiritual inteiramente à parte de seus pecados.

6. Jó tinha sido um egocêntrico em sua suposta sabedoria e espiritualidade superior. Ele foi um homem exemplar, conforme deixa claro o prólogo. Contudo, sua visão de Deus o tornou um homem muito mais teocêntrico do que ele era, e isso foi necessário ao seu crescimento.

Embora Jó tivesse sido um homem exemplar, em comparação a Deus ele se “dissolvia no nada”; então, ele desprezou a si mesmo, como uma criatura pecaminosa, e arrependeu-se no pó e na cinza. Arrepender-se no pó e na cinza era uma “cerimônia externa usada pelas pessoas chorosas e penitentes (ver Jó 2.8 e Jon. 3.6) como expressão da sinceridade do arrependimento” (John Gill, in loc.).

7. Jó foi reduzido ao auto aborrecimento, uma experiência especial para os homens que usualmente são arrogantes acerca de quem são e do que fazem. Estando assim reduzido, Jó pôde ser exaltado em sua restauração. Jó abominou suas palavras, mas também abominou a si mesmo. Ele atingiu o máximo de humildade. A humildade é uma virtude espiritual que falta ao ser humano e faltava também a Jó.

Humilhai-vos, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele, em tempo oportuno, vos exalte.

(I Pedro 5.6)

8. Amargura e orgulho tinham-se seguido à sua perda de riquezas, familiares e saúde (ver Jó 32.2; 33.17; 35.12,13 e 36.9). Ele tinha de libertar-se desses sentimentos antes que pudesse ser restaurado. Mas não foram eles que causaram as suas dores; ele já estava sofrendo quando essas coisas lhe sobrevieram; na verdade, as dores de Jó é que as causaram.

9. “Por isso me abomino.” As palavras hebraicas por trás dessa declaração são obscuras. Mas provavelmente estão relacionadas a uma raiz que significa “dissolver-se no nada”: eu me arrependo. A palavra hebraica aqui usada não era comumente empregada para indicar o arrependimento de pecados, mas é um vocábulo que expressa o máximo de tristeza e auto depreciação. Tal experiência seguiu, em vez de preceder, a visão de Deus” (Oxford Annotated Bible, comentando sobre o vs. 6 deste capítulo).

10. A Presença. “O problema do qual o livro de Jó é a discussão mais profunda encontra aqui a solução. Levado à presença de Deus, Jó revelou-se a si mesmo. Em nenhum sentido um hipócrita, mas piedoso e possuidor de uma fé que toda a sua aflição não pôde abalar, Jó, ainda assim, possuía autojustiça e era falho quanto à humildade. O capítulo 29 desvendou plenamente essa questão. Na presença de Deus, entretanto, ele antecipou, por assim dizer, a experiência de Paulo (ver Fil. 3.4-9), e o problema foi solucionado.

Os piedosos são afligidos para que possam ser conduzidos ao autoconhecimento e ao autojulgamento. Tais aflições não são penais por causa de seus pecados, mas são remediais e purificadoras. O livro de Jó fornece uma sublime ilustração da verdade anunciada em I Cor. 11.31-32 e Heb. 12.7-11. O melhor de tudo é que tais autoconhecimento e autojulgamento são o prelúdio para maior frutificação (vss. 7-17; João 15.2). Cf. Jos. 5.13,14; Eze. 1.28; 2.1-3; Dan. 10.5-11″ (Scofield Reference Bible, sobre Jó 42.6, fornecendo anotações brilhantes e espirituais).

A Presença. Encontramos a solução para o problema do mal na presença de Deus. Nem por isso, temos uma resposta intelectual ao problema; mas, na presença de Deus, sabemos que o bem deve triunfar e que há razões genuínas para explicar o enigma do sofrimento. Ainda não aprendemos muitas dessas razões, mas, na presença de Deus, sentimos que elas existem. Ademais, sabemos que há cura e prosperidade no Espirito, finalmente. “O problema filosófico não fica resolvido, mas é transfigurado pela realidade teológica do arrebatamento divino-humano” (Oxford Annotated Bible, comentando sobre o vs. 5 deste capitulo).

Na Introdução ao livro de Jó, seção V, apresento um sumário de “respostas” ao problema do mal, que o livro registra. Conspícua por sua ausência, é qualquer argumentação de que o pós-vida soluciona todos os problemas da dor, na vida presente. O livro de Jó não apela para a noção da sobrevivência da alma e recompensas e punições como meio de explicar ou infundir esperança quanto ao sofrimento humano nesta vida. A teologia patriarcal ainda não havia avançado a esse ponto, mas isso se tornou uma resposta a qualquer discussão moderna sobre o problema.

Os molestos consoladores de Jó são repreendidos Deus reverte a fortuna de Jó. Paz e abundância material substituem a enfermidade e a carência.

Tive um professor de latim que observou diante de mim, certo dia, que as tragédias gregas são superiores à história de Jó, porquanto a experiência humana mostra que o homem esmagado morre esmagado. Por outro lado, algumas vezes, grandes reversões caracterizam a presente vida do ser humano.

Nem sempre precisamos esperar pelo céu para prosperar e ficar livres dos sofrimentos e dos problemas. Alguns eruditos pensam que o término “exageradamente otimista”, que foi dado a Jó, indica que esse epilogo não fazia parte original do livro de Jó, mas, antes, foi adicionado por algum editor subsequente para “corrigir” o livro, criando um final que inspira a esperança e não o desespero.

Todavia, não há nos manuscritos nenhuma evidência quanto a essa conjectura, tanto no hebraico quanto nas versões. Portanto, afirmo novamente que Deus pode reverter um curso lamentável, transformando-o em um término de triunfo e alegria, nesta vida. Algumas vezes, o silêncio de pedra é quebrado de súbito, com a voz jubilosa de Deus vinda do céu, que abençoa e faz prosperar.

Oh, Senhor, concede-nos tal graça

Caros leitores, a sombra da mão de Deus cai sobre a seção final do livro de Jó; nós a vemos e nela percebemos a providência divina em nosso favor. E corretamente discernimos essa esperança, porque, afinal de contas, Deus é Deus de amor. Além disso, Deus é a solução para os problemas, e não a deidade que nos abandona em nossas dores. Os homens sofrem de maneiras horríveis, e até os inocentes sofrem. Mas isso não representa o capitulo final do livro da vida humana, tal como essa situação não terminou o livro de Jó. Em sentido real, o epílogo do livro de Jó é, igualmente, o epílogo de toda a existência humana. Para os remidos, haverá redenção, mas, para os perdidos, haverá restauração em uma glória menor. Certamente, é isso o que ensina Efé. 1.9-10.

Os homens que enfatizam demasiadamente o julgamento esquecem que ele é apenas um lado da mão divina amorosa, e é remediai, e não meramente retributivo, conforme ensina I Ped. 4.6. Não nos inclinemos diante de uma teologia inferior nem rejeitemos a esperança.

Portanto, permitamos que o epílogo de Jó fique como está. Que ele permaneça como o fim de um livro que versa sobre o sofrimento. Que o epilogo do livro de Jó represente toda a experiência humana e como as coisas finalmente terminam. As operações de Deus se estendem às eras futuras, muito para lá da morte biológica da raça humana. Nesse futuro, o amor continuará a operar e a restaurar. É exatamente isso o que podemos esperar da parte do Deus de amor.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2037-2039.

Comentário 2

Essa experiência mudou-lhe a forma de ser. Segundo o teólogo Roy Zuck, Jó possuía um conhecimento de Deus apenas por tradição, de segunda ou terceira mão; mas agora ele o conhecia por meio de uma experiência pessoal. Não podemos nos contentar com um conhecimento teórico acerca de Deus, mas devemos experimentá-lo. Quando temos experiências vivas com o Altíssimo, renunciamos aos nossos “achismos” (42.3), confessamos nossa miséria “no pó e na cinza” (42.6), rejeitamos o nosso orgulho e rebeldia. Deus é glorificado em todas as áreas da vida.

Em terceiro lugar, Jó é agora um crente que se regozija na experiência da comunhão com Deus (41:4-6). A sua enfermidade já passou a outro plano; agora

se sente alegre e feliz no conhecimento que teve do seu Criador (v. 5). Comparada a sua fé atual com o seu intelectualismo e bazófia anterior, ele se apresenta como uma criança, dócil e humilde ante o seu Senhor. A sua religião antes era puramente exterior, religião que denominaríamos de farisaísmo. Ele não tinha visto ainda a Deus, na realidade da vida, mas agora confessa: os meus olhos te vêem, e por isso me abomino (v. 6).

Que diferença! Antes um homem arrogante e desafiador de Deus, pedindo uma explicação razoável para o seu caso; agora um humilde e penitente adorador, considerando-se abominável. As perfeições humanas, vistas à luz da perfeição divina, dão esse resultado. A religião,anterior de Jó era, quando muito, um eco do que deveria ser, e jamais chegaria a realizar-se religiosamente diante de Deus sem essa doença terrível. Seria então o caso de dizermos: “Abençoada doença!”.

Sem desejarmos aumentar palavras, podemos concluir esta apreciação, confessando que Jó não foi o último a fazer esta descoberta. Quantos cristãos sinceros são levados a fazer juízos falsos a respeito do tratamento que recebem de Deus, apenas porque são bons freqüentadores da igreja, pagam dízimos, cantam e oram!

Na verdade, tudo isto é bom e necessário; mas, sem uma experiência pessoal e íntima da pessoa de Deus na vida, tais práticas se parecem com aquela oração do fariseu referida por Jesus em Lucas 18:9-14. Nós diríamos que Jó não havia ainda recebido a unção do Espírito divino. Sim, não a teria recebido nos termos do ensino de Atos. Mas ainda que a tivesse recebido, isso não bastaria, porque tantos hoje, que devem ter recebido o Espírito Santo, são uma miniatura de Jó.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

SÍNTESE DO TÓPICO I

A humilhação de Jó resultou em humildade, reverência, submissão e experiência com Deus.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Esta lição fala a respeito da restauração do justo. A medida que você desenvolver o assunto, deixe claro a importância de o crente experimentar pessoalmente a Deus. Além de conhecermos a Palavra, precisamos também conhecer o Deus da Palavra. E muito importante que os nossos alunos sejam estimulados a irem além da teoria: experimentar pessoalmente a Deus.

Estimule-os para tal realidade. Se puder, busque biografias do meio pentecostal que destacam lindas experiências que homens e mulheres tiveram com o Senhor. Apresente-as à classe. Nesse sentido, a nossa história é muito rica. Aqui, sugerimos a Coleção Clássicos do Movimento Pentecostal, editada pela CPAD, para lhe auxiliar.

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

II – A INTERCESSÃO DE JÓ

1. A ira de Deus.

Após ter se dirigido a Jó, o Senhor volta-se para Elifaz, o temanita: “A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó.” (Jó 42.7). Estas palavras dizem muito sobre o conteúdo teológico do livro de Jó. Demonstram que as exposições feitas pelos seus amigos não eram todas verdadeiras, pois partiam de premissas falsas.

Eles não apenas acusaram o patriarca, mas associaram o seu sofrimento a algum pecado cometido por ele. Jó havia se humilhado, mas não do que lhe acusavam. Ele humilhou-se a respeito de suas falas precipitadas que revelavam orgulho e falta de bom senso. Em outras palavras, ele errou durante o seu sofrimento, mas não por conta de pecados cometidos antes do atual sofrimento.

Comentário 1

Estamos a caminho final do drama. É um quadro inteiramente novo o que vai entrar em cena. Até na composição literária é diferente. Até aqui temos lidado com poesia; agora entramos na prosa, como nos dois primeiros capítulos. Porque esta mudança de estilo também nos interessa pouco. Depois que Deus falou a Jó, virou-se para os seus três amigos, Elifaz, Bildade e Zofar, para os censurar acremente, por não terem tido palavras sábias como Jó.

Não disseram o que era reto,perante Deus. Portadores dos conceitos da sua época, cheios de conhecimentos teológicos mal aplicados, não tiveram uma palavra que pudesse desanuviar o caminho tenebroso em que Jó estava metido sem o saber.

Para eles, tudo se resumia num principio falso de que todo sofrimento é resultante de pecado cometido; nada mais sabiam do que isso. O que conheciam de Deus era de um Ser vindicativo, que não tem complacência para com o pobre pecador. A misericórdia, a graça, a bondade de Deus eram desconhecidas no seminário onde haviam estudado, apesar de essas

virtudes divinas sempre terem sido conhecidas na antiguidade. Por isso falsearam a doutrina a respeito de Deus. Não Assestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó (v. 7). Jó recebeu o maior elogio que um grande crente pode esperar de seu Deus. A teologia de Jó, mesmo com as suas falhas, era correta, e isso foi reconhecido. Era natural que se sentisse atingido, sem uma causa razoável, embora no conjunto, sempre tivesse Deus em sua mira dialogal, recebendo agora o justo prêmio. Não houve censura para Eliú. Por quê? Talvez por dissentir da teologia comum, de que todo sofrimento é resultante de pecado.

Mesmo querendo forçar Jó a mudar de atitude para com Deus, jamais afinou pelo diapasão dos seus colegas mais velhos. Colocar Jó numa posição de penitente era o seu esforço. É, fácil de ver que a teologia dos três amigos falseava o caráter divino nos seus fundamentos, dando-o como um Deus vingativo, cruel, à moda dos deuses pagãos. Deus pune o pecado, mas esta punição é amorosa e misericordiosa tanto que mandou o seu Filho ao mundo “para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Esse é o caráter divino, que os três amigos ignoravam.

Certo que Jesus ainda não tinha vindo ao mundo em carne, para revelar a bondade e a misericórdia de Deus, porém, nos muitos tratos com o povo israelita, Deus se tinha mostrado magnânimo e perdoador, num grau que não podia deixar dúvidas, quanto à sua maneira de tratar com os transgressores. Afinal, Deus é amor.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

2. O pecado dos amigos de Jó.

Representados por Elifaz (42.7.9), o mais velho, o pecado dos amigos de Jó oi evidentemente exaltar a justiça de Deus, mas limitar seu poder soberano. Para eles, todo sofrimento deveria ser uma consequência de um juízo divino como resposta a um pecado praticado. Como o livro de Jó demonstra, quando dentro dos propósitos de Deus, o sofrimento é uma manifestação de seu amor e graça e não uma forma de punição (Jó 1.8-12).

Paulo corrobora esse princípio quando diz que nos foi concedida a graça de padecermos por Cristo e não apenas de crermos nele (Fp 1.29). Nisto os amigos de Jó pecaram e, por isso, precisavam da intercessão do homem de Uz.

Comentário 1

Tendo o Senhor falado estas palavras a Jó. Os consoladores molestos de Jó (ver Jó 16.2) tinham insistido na estrita operação de uma Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura. Portanto, eles mesmos deveriam colher o que haviam semeado. Eles perseguiram um homem inocente por causa de uma teologia deficiente, e tiveram de sofrer as dores enviadas pelo céu. O Deus temível apareceu a Elifaz para transmitir-lhe a mensagem da condenação.

Ele passou por uma experiência mística notável, como um sonho, ou uma visão ou a visita de uma teofania, e essa palavra se cumpriu. Houve apresentações falsas de Deus a atacar Jó. Os três amigos de Jó exaltaram seus dogmas e suas tradições, onde não havia nenhum conceito que permitisse a um inocente sofrer. Por conseguinte, eles chegaram à conclusão de que Jó era culpado.

A teologia deles era deficiente e, na verdade, todas as teologias o são. Temos de continuar aprendendo, a fim de que a verdade prospere entre nós. Não existe estagnação, nem há, em nenhum ponto da história, um sistema sem defeitos, erros e inadequações. E não existe, hoje em dia, um sistema que seja como Deus, isto é, perfeito. Ter como perfeição qualquer outra coisa além de Deus é criar um ídolo.

“Conforme Jó predissera, as coisas não correram bem para os seus três amigos (ver Jó 13.7-9). Eles pensavam conhecer os caminhos de Deus, mas não esperavam pelo que presenciaram! As palavras ‘meu servo, Jó’, ditas por Deus por quatro vezes, em Jó 42.7-8, apontam para sua posição restaurada de servo obediente e para a confiança do Senhor (cf. Jó 1.8 e 2.3)” (Roy B. Zuck, In loc.).

Quanto ao que sabemos sobre os três “consoladores”, ver as notas expositivas em Jó 2.11. Provavelmente Elifaz era o mais idoso (e sábio) dos três, pelo que foi escolhido como o instrumento que receberia a mensagem de repreensão divina.

Eiiú não é mencionado no epilogo nem no prólogo. Os críticos veem nisso uma evidência de que seus discursos foram adicionados a um livro truncado, para preencher espaço, e não faziam parte do plano do autor original. Ver essa ideia na introdução ao capítulo 32. Os estudiosos conservadores supõem que os discursos de Eliú tenham sido essencialmente puros e irreprimíveis. Contra isso, podemos observar que ele repetiu os argumentos dos três amigos de Jó, embora tivesse contribuído muito mais para a discussão do que eles. Ver no fim do capitulo 37 o gráfico que ilustra as suas contribuições.

Então foram Elifaz… Bildade… e Zofar. A terrível tríade agiu conforme ordenado: sacrifícios foram devidamente oferecidos, e Jó desempenhou seu oficio de mediador. O resultado foi o perdão para aqueles que tinham errado. Portanto, esse é outro bom resultado que encontramos neste epílogo.

“O espírito perdoador de Jó serve de prefiguração do amor de Jesus Cristo e dos cristãos, quanto aos seus inimigos (ver Mat. 5.44; Luc. 23.34; Atos 7.60; 16.24,28,30,31)” (Fausset, in loc).

Tipo. Os que cristianizam o episódio veem em Jó um tipo de Jesus, o Mediador. Ver no Dicionário o verbete intitulado Mediação (Mediador). “Seu povo é aceito no Amado, tal como o são todos os seus serviços e sacrifícios de oração e louvor (Mat. 3.17; Efé. 1.16; I Ped. 2.5)” (John Gill, in loc).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2039-2040.

Comentário 2

Jó Intercede por seus Amigos, 42.7-9

Deus não aprovou a atitude que Jó teve em relação a Ele, mas Deus também não aprovou a atitude dos três amigos no seu debate com Jó. Deus se dirige a Elifaz: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos (7), porque o erro de vocês é mais sério do que o de Jó. Ele então os instrui a pedir que Jó ore (8) em favor deles. Isso foi feito, como o Senhor lhes dissera (9).

Nos versículos 1-10 vemos: “O Senhor é soberano”.

1) A onipotência de Deus, 1-2;

2) A incapacidade do homem de julgar a providência de Deus, 3-6;

3) A intercessão em favor dos nossos opositores, 7-10 (A. Maclaren).

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 95.

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

3. A oração de Jó.

Deus dirige-se aos amigos de Jó e aconselha-os irem ao patriarca para que este interceda por eles (Jó 42.7,8). Esse episódio mostra que uma teologia errada, evidentemente, conduz para uma crença igualmente equivocada. Os amigos de Jó defenderam Deus de forma enérgica e sincera, mas errada. O sofrimento do patriarca não veio como uma punição, mas como provação.

A fidelidade de Jó foi provada por Deus e ele foi aprovado pelo Criador, pois continuava íntegro e com seu caráter reto, conforme sua humilhação demonstrou. Agora, esse homem, outrora acusado de pecador pelos seus amigos, os socorrerá por meio da oração.

Comentário 1

Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros. Isso para evitar que fossem severamente punidos, por causa da insensatez; eles precisariam de: 1. Sacrifícios apropriados; e 2. orações medianeiras de Jó, que devem ter sido muito amargas, sem falar no elemento surpresa contido nelas. Eles apresentaram mal a verdade, pois não falara, em favor de Deus e perseguiram Jó com falsas acusações.

Nem uma única vez aqueles homens miseráveis oraram por Jó, porém, o homem perseguido seria generoso e oraria por eles. Irados, eles procuraram ferir Jó e reivindicaram estar servindo a Deus, algo tão comum entre os perseguidores nos círculos religiosos. A arrogância sempre se faz presente nesses casos. ‘Jó tinha anelado por um mediador entre si mesmo e Deus (ver Jó 16. 19-21), visto que seus três compatriotas não intercedam por ele. Ironicamente, entretanto ele mesmo se tornou o mediador em favor deles, embora eles não tivessem pedido nenhum mediador” (Roy B. Zuck, in loc.).

Oferecei holocaustos. Cf. Jó 1.5, onde vemos Jó fazendo tais sacrifícios em prol de seus filhos. Jó 1.2 mostra que Jó tinha sete filhos, sendo provável, pois, que ele oferecesse sete sacrifícios. Contudo, não parece haver coisa alguma de especial quanto ao número. Provavelmente, é por pura coincidência o número de sete animais em Jó 1.5, bem como no presente versículo. O número sete representa um sacrifício completo ou total. Ver no Dicionário o verbete chamado Holocausto.

Esta passagem deve ser comparada a Núm. 23.2-29. O livro de Jó foi escrito como se pertencesse à época dos patriarcas, e a discussão sobre a lei foi cuidadosamente evitada. Mas os sacrifícios expiatórios eram uma prática antiquíssima, antecedendo ao período patriarcal. Cf. também Eze. 4.22-25.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2039-2040.

Comentário 2

Então Deus erdena aos três amigos de Jó que tomem sete novilhos e sete carneiros, e vão ao seu servo Jó, para oferecer holocaustos por vós. E o meu servo Jó orará por vós, porque dele aceitarei a intercessão, para que eu não vos trate segundo a vossa loucura (v. 8). Assim Jó voltou ao seu antigo serviço sacerdotal, como Jó referimos. Era o sacerdote da família e talvez da sua tribo, uma espécie de Jetro ou Melquisedeque.

Ofereceria o holocausto, oraria, e as faltas dos três amigos seriam perdoadas. Aqui temos um exemplo bem frisante do sacrifício expiatório, tão admiravelmente exposto no livro de Levitico. Qualquer que tenha sido a era quando este livro foi composto, está de acordo com o ritual Levitico. Notemos apenas que o oferecimento do holocausto era um sacrifício de gratidão, como indica mesmo o termo hebraico, um “sacrifício que sobe”.

Não havia aqui propriamente o que agradecer, e, sim, algo por que interceder. Se isto valesse para outra referência à antiguidade do livro, ela seria oferecida, pois se trata, possivelmente, de um caso muito anterior à elaboração do ritual do Levítico como nós temos agora. Feito o oferecimento de Elifaz, Bildade e Zofar, o Senhor aceitou a oração de Jó (v. 7).

O patriarca orou e perdoou as ofensas cometidas por seus amigos, mediante falsas doutrinas a respeito de Deus e da conduta de Jó. Este foi louvado, e aqueles perdoados. Termina tudo mesmo à moda divina. Todos perdoados e louvados. Com Deus é assim mesmo. Ele demora uma noite, mas a alegria vem pela manhã (Sal. 30:5).

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

SÍNTESE DO TÓPICO II

Deus fez com que Jó intercedesse pelos seus amigos.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Mesmo em frangalhos, e mesmo não passando de ruínas, deveria Jó, naquele momento, atuar como sacerdote daqueles que muito o feriram com suas palavras. Que incrível semelhança com o Senhor Jesus Cristo! Nosso Salvador, embora tenha sido retratado pelo profeta como alguém desprovido de parecer e formosura, intercedeu por nós pecadores (Is 53.2,3,12).

Se este retrato que o profeta revela do Senhor parece forte, o que diremos da pintura que do mesmo Salvador faz Davi: “Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo’ (Sl 22.6)? No auge da angústia, Jó era mui semelhante ao Senhor Jesus. Mas quão distante achava-se ele da glória exterior do sacerdócio araônico! No entanto, caber-lhe-ia orar por seus amigos, e por seus amigos oferecer os sacrifícios prescritos pelo Senhor” (ANDRADE, Claudionor de. Jó: O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Propósito. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.191).

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

III – A RESTAURAÇÃO DE JÓ

1. Restauração moral e espiritual.

A restauração de Jó acontece primeiramente nas dimensões moral e espiritual. Convém destacar que as bênçãos recebidas por ele devem ser vistas como uma restauração e não retribuição. Não há uma teologia da retribuição no Livro de Jó, onde o ímpio é sempre punido e o justo sempre recompensado.

A mensagem de Jó é diametralmente oposta a esse princípio. A lição moral e espiritual do livro é que Deus abençoa os homens porque os ama e não porque estão envolvidos numa troca de favores em que prevalece uma barganha espiritual.

Comentário 1

‘ A disciplina pessoal de Jó não se completou, enquanto ele não passou da esfera de suas próprias tristezas para o trabalho de intercessão em favor de seus amigos; foi através desse ato de auto-esquecimento e auto-sacrificio que se processou o seu próprio livramento. Mas, quando ele orou por seus amigos, conforme somos informados, o Senhor mudou a sua sorte! Em outras palavras, ele foi restaurado e reintegrado na prosperidade, ainda mais do que o era no começo”(Ellicott, in loc).

A Lição Universal. O texto fala sobre a aplicação da lei do amor. Jó orou por aqueles que se tinham mostrado seus amargos inimigos. Aquele que segue a lei do amor abençoa e é abençoado.

Quando o Senhor restaurar a sorte do seu povo, então, exultará Jacó, e Israel se alegrará.

(Salmo 14.7)

“Deus estava agora prestes a mostrar a Jó a Sua misericórdia, que só pode ser revelada aos misericordiosos. Jó precisou perdoar seus amigos sem ressentimentos…

Aquele que ora por outrem não pode entreter inimizade contra ele.

Portanto, Jó orou e, quando orou por seus amigos, Deus mudou sua sorte” Adam Clarke, in loc).

“Note-se que a restauração de Jó é enfaticamente vinculada à sua atitude para com os amigos, porquanto o texto hebraico significa literalmente: ‘porque ele orou em favor de seu próximo’” (Samuel Terrien, in loc).

“Um homem bom orará não somente por si mesmo, conforme Jó sem dúvida o fez, mas também por outras pessoas, por seus amigos naturais e espirituais, por pessoas sem gentileza, e até pelos inimigos. E a oração do homem reto é muito aceitável diante do Senhor” (John Gili, in loc).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2040.

Comentário 2

Ouvistes qual foi a paciência de Jó (diz o apóstolo, Tiago 5.11) e vistes o fim que o Senhor lhe deu, isto é, qual o fim que o Senhor, no final de tudo, deu às suas aflições. No início deste livro tivemos a paciência de Jó sob as suas aflições, por um exemplo; aqui, na conclusão, para o nosso incentivo a seguirmos este exemplo, temos o resultado feliz das suas aflições e a condição próspera à qual ele foi restaurado depois delas, o que nos confirma que aqueles que perseveram são felizes.

Talvez, também, a prosperidade extraordinária com a qual Jó foi coroado depois das suas aflições, tivesse o propósito de ser para nós cristãos uma tipificação e uma ilustração da glória e da felicidade do céu, que as aflições deste tempo presente estão operando a nosso favor, e no que elas resultarão no final; isto será mais do que o dobro de todos os deleites e satisfações que desfrutamos agora, assim como a prosperidade posterior de Jó foi em relação à primeira, embora naquele momento ele fosse o maior de todos os homens do oriente. Aquele que suporta corretamente a tentação, quando for provado, receberá toda a riqueza, e honra, e consolação, da qual temos aqui um relato.

Deus se voltou a ele em caminhos de misericórdia; e seus pensamentos a respeito dele eram pensamentos do bem e não do mal, para lhe daí’ o fim esperado (ou melhor, inesperado), Jeremias 29.11. As suas aflições começaram na malícia de Satanás, a qual Deus restringiu; a restauração dele começou na misericórdia de Deus, à qual Satanás não poderia se opor. A queixa mais angustiante de Jó, e de fato a expressão mais triste de todas as suas queixas, sobre a qual ele colocou a maior ênfase, era de que Deus se manifestou contra ele.

Mas agora Deus claramente se manifestou em seu favor, e velou sobre ele para edificar e para plantar, assim como havia (pelo menos em sua compreensão) velado sobre ele para arrancar e para derribar, Jeremias 31.28. Isto colocou imediatamente uma nova face sobre estes assuntos, e todas as coisas agora pareciam muito agradáveis e promissoras, na mesma intensidade em que anteriormente pareciam melancólicas e aterrorizantes.

1. Deus virou o seu cativeiro, isto é, Ele corrigiu as suas injustiças e removeu todas as causas das suas queixas; Ele o soltou das amarras com as quais Satanás o havia amarrado por tanto tempo, e libertou-o das mãos cruéis às quais havia sido entregue.

Podemos supor que agora todas as suas dores e inquietações físicas foram curadas tão subitamente e tão completamente que a cura foi quase um milagre: A sua carne se tornou mais macia do que a carne de uma criança, e ele voltou aos dias da sua mocidade; e, além disso, Jó sentiu uma alteração muito grande em sua mente; ela estava calma e tranquila, e o tumulto estava todo acabado; todos os seus pensamentos inquietantes tinham desaparecido, seus temores estavam todos calados, e as consolações de Deus eram agora o deleite da sua alma na mesma intensidade que os seus terrores tinham sido o seu fardo.

A maré assim mudou, as suas aflições começaram a baixar tão rápido quanto tinham subido, exatamente quando ele estava orando pelos seus amigos, orando sobre o sacrifício que ele ofereceu por eles.

A misericórdia não voltou quando ele estava discutindo com os seus amigos; não, embora ele tivesse o direito ao seu lado, mas quando ele estava orando por eles; porque Deus é melhor servido e agradado com as nossas devoções fervorosas do que com as nossas discussões acaloradas. Quando Jó concluiu o seu arrependimento através deste gesto de perdoar as transgressões dos homens, então Deus concluiu a sua remissão virando o seu cativeiro. Note que nós estamos realmente cumprindo o nosso dever quando estamos orando pelos nossos amigos, se orarmos da maneira certa, porque nestas orações não só há fé, mas amor.

Cristo nos ensinou a orar com os outros e pelos outros ao nos ensinar a dizer, Nosso Pai; e, ao buscarmos a misericórdia para os outros, podemos achar misericórdia para nós mesmos. O nosso Senhor Jesus tem a sua exaltação e o seu domínio ali, onde Ele vive fazendo as intercessões. Alguns, pela virada do cativeiro de Jó, entendem a restituição que os sabeus e os caldeus fizeram do gado que tinham tirado dele. Se assim foi. Deus os inclinou, de uma forma maravilhosa, a fazer isso; e com estas coisas Ele começou o mundo outra vez. Provavelmente foi assim; aqueles saqueadores tinham engolido as suas riquezas, mas foram forçados a vomitá-las novamente, cap. 20.15.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 208-209.

Comentário 3

Ele lhes assegura que estava irado com eles: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos. Deus fica muito irado com aqueles que desprezam e censuram a seus irmãos, que triunfam sobre eles, e que os julgam severamente, seja pelas suas calamidades ou pelas suas fraquezas. Embora eles fossem homens sábios e bons, quando disseram coisas erradas Deus ficou irado com eles, e fez com que soubessem que estava irado.

Ele exige deles um sacrifício, para fazer a expiação pelo que haviam dito de errado. Cada um deles deveria trazer sete bezerros e sete carneiros para serem oferecidos a Deus em holocausto; ao que parece, antes da lei de Moisés, todos os sacrifícios, mesmo os expiatórios, eram totalmente queimados, e assim os holocaustos eram chamados de ofertas queimadas.

Eles achavam que tinham falado maravilhosamente bem, e que Deus era devedor a eles por defenderem a sua causa e que mereciam uma boa recompensa por isso; mas eles são informados de que, ao contrário, Ele está insatisfeito com eles, exige deles um sacrifício, e ameaça que, do contrário, os tratará segundo a loucura que expressaram. Deus com frequência fica irado com algumas coisas que estão em nós, e das quais nos orgulhamos; Ele também enxerga muitos erros naquilo que achamos que foi bem feito.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 207.

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

2. Restauração social e material.

A restauração de Jó também aconteceu nas dimensões social e material (Jó 42.11). As calamidades que sobrevieram sobre ele, especialmente, suas feridas físicas e emocionais, o expulsaram do convívio social. Ele suportou sozinho o que pensavam ser um julgamento de Deus. Mas agora todos veem a graça divina derramada de forma abundante sobre ele.

Era, portanto, a hora de voltar ao convívio social e desfrutar de tudo o que o Senhor lhe deu, pois “o SENHOR acrescentou a Jó outro tanto em dobro a tudo quanto dantes possuía” (Jó 42.10). A restauração que o Senhor Jesus faz na vida do ser humano leva em conta todas as dimensões da vida. Ele restaura a vida espiritual, moral, social, material, trazendo dignidade ao homem que teve, por meio da graça divina, a imagem de Deus restaurada.

Comentário 1

Mudou o Senhor a sorte de Jó. Aprecio a tradução da King James Version, “O Senhor mudou o cativeiro de Jó”, pois ela subentende que Jó estivera cativo dos poderes caóticos que causaram sua enfermidade e dor, bem como a perda de tudo quanto possuía.

Suas orações não foram respondidas, mas a voz do céu livrou-o de todos os seus adversários. Mas é provável que nossa versão portuguesa, que acompanha a Revised Standard Version, esteja mais correta. Jó intercedeu por seus amigos molestos e, no meio daquele serviço altamente humanitário, ele mesmo foi grandemente favorecido e ganhou da parte do Senhor o dobro de tudo quanto tivera. Sua juventude e suas forças físicas foram renovadas para assemelhar-se às da águia. Seu período de maldição havia terminado.

Em seguida, ele recebeu de volta todas as suas possessões materiais, em dobro, e uma nova família. O epílogo dá-nos conta do poder de Deus em curar e restaurar, revertendo as tragédias e os retrocessos. Também se destaca a intervenção divina em tempos difíceis, pelo que oramos e olhamos para o céu, a fim de recebê-la.

Jó foi abençoado com o “efeito de Ezequias”, recebendo vida além das expectações de seu código genético e de sua herança e condições físicas, porquanto ainda tinha coisas para fazer, e recebeu longa vida a fim de cumpri-las.

Oh, Senhor, concede-nos tal graça! (ver II Reis 20.6).

O problema do mal, pois, foi resolvido para Jó. Ver as notas expositivas no vs. 6, bem como a introdução ao epílogo, no vs. 7, quanto a um desenvolvimento do tema. Note-se que foi Deus quem redigiu o último capítulo do drama, e não as forças do caos.

Eliú tinha prometido que a juventude de Jó seria restaurada e ele teria um novo dia, se cumprisse as condições divinas: Sua came se robustecerá com o vigor da sua infância, e ele tornará aos dias da sua juventude.

(Jó 33.25)

Então vieram a ele todos os seus irmãos. A Jubilosa Reunião e Celebração.

As boas novas se espalharam rapidamente, e todos os ex-amigos, incluindo a terrível tríade e Eliú, bem como todos os seus parentes, reuniram-se na casa de Jó para um banquete de ação de graças. Todos eles trouxeram ao bom homem presentes, entre eles um anel de ouro, sinal especial de amizade. É provável que fosse, na realidade, um anel de nariz (ver Gên. 24.22,47 e Isa. 3.21). Esses presentes simbolizavam cortesia e amizade e, na ocasião, foram um sinal de alegria especial. A intervenção divina corrigira tudo quanto estava errado.

Isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos.

Este é o dia que o Senhor fez; regozijemo-nos e alegremo-nos nele. Oh! Salva-nos, Senhor, nós te pedimos; oh! Senhor, concede-nos prosperidade. Bendito o que vem em nome do Senhor.

(Salmo 118.23-26)

Jó foi restaurado; seus amigos voltaram; sua saúde lhe foi devolvida; agora ele era novamente um homem próspero. Foi permitido a Jó ver a reversão do passado e o alvorecer de um novo dia. O crocodilo abriu seus olhos, e o sol gloriosamente iluminou a terra inteira.

O hieróglifo egípcio para indicar a alvorada era um olho aberto de crocodilo. Essa fera era capturada encobrindo-se seus olhos com barro, e figurativamente tinha sido removido o barro dos olhos de Jó. Um novo dia amanhecera diante de Jó. Ele era um homem de oração e de observâncias religiosas, e não deixou seus amigos de fora, nem mesmo os que se tinham voltado contra ele. Esse era o segredo do poder de Jó.

Ora melhor aquele que ama mais.

Ele ora por todas as coisas, as grandes e as pequenas.

Pois o caro Deus que nos ama,

Ama a todos.

(Coleridge, adaptado)

Os amigos reunidos e os familiares de Jó lamentaram pelo que lhe havia acontecido, e o consolaram (o que deveriam ter feito antes, mas não o fizeram).

Talvez Jó ainda tivesse cicatrizes psicológicas, devido à má experiência. Falar sobre as coisas ajuda as pessoas a entrar em bons termos com as perdas, e a começar a esquecer a má sorte.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2040.

Comentário 2

O cativeiro de Jó (10) refere-se a todo sofrimento que ele passou. As amizades e sua honra foram restauradas (11). Sua riqueza foi duplicada (cf. 1.3 e 42.12). Ele foi agraciado com o mesmo número de filhos (cf. 1.2 e 42.13). Os nomes das suas três filhas são mencionados (14). Lemos que em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas com as filhas de Jó (15).

Também é mencionado que elas compartilhariam da herança com os seus filhos. Jó foi coroado com uma vida longa depois da sua provação — cento e quarenta anos (16) — a ponto de ver a sua descendência até à quarta geração. Sua morte foi feliz porque ele havia vivido bem a sua vida. Então, morreu Jó, velho e farto de dias (17).

Este livro não conta, de fato, por que os homens sofrem em nosso mundo. Ele pode ajudar aqueles que sofrem a suportar o sofrimento com paciência, e a manter a fé de acordo com os caminhos de Deus, mesmo quando esses caminhos são obscuros. Todavia, foi necessário que Alguém, carregando a cruz, mostrasse ao mundo claramente o que se pode alcançar por intermédio do sofrimento imerecido.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 95.

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

SÍNTESE DO TÓPICO III

A restauração de Jó se deu nas esferas moral, espiritual, social e material.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Afirmou um crítico literário, certa vez, que dois são os defeitos do Livro de Jó. O primeiro é que o antagonista da história –  Satanás- sai de cena ainda no prólogo. E o segundo é que, diferentemente dos dramas gregos, romanos e ingleses, a história de Jó tem um final feliz. Não obstante, acrescenta o crítico literário, o Livro de Jó é o mais belo poema de todos os tempos. O que os críticos literários seculares classificam como defeito, nós chamamos de perfeição.

Pois, de uma forma magistral, o autor sagrado pôde conduzir o drama de Jó sem a presença do adversário. E se o Livro de Jó é concluído com final feliz, é porque se manteve com absoluta fidelidade aos fatos. Se os gregos, romanos e ingleses não se afeitam aos finais felizes, os que servimos a Deus sabemos que, apesar das intempéries, sempre haverá um final surpreendente venturoso àqueles que confiam nas promessas de Deus.

Conforte-se na história de Jó! Se as suas angústias são grandes, maiores ser-lhe-ão as consolações. De toda essa provação, sairá alguém bem melhor. Em sua história, também haverá um final feliz” (ANDRADE, Claudionor de. Jó: O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Propósito. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.196-97).

13 Lição 4 Tri 20 Quando Deus Restaura o Justo

CONCLUSÃO

Chegamos ao final de mais um trimestre. Aprendemos que nem sempre os ímpios são punidos e nem sempre os justos são recompensados. Mas Deus julga os perversos e abençoa os justos, pois todos fazem parte de um universo governado por leis e princípios morais. Todavia, isso não é tudo. Deus é soberano e pode atuar fora das linhas que habitualmente acreditamos que Ele opere. Assim, podemos aprender que Deus não nos prova porque deseja nos punir, mas porque nos ama.

Ele deseja demonstrar ao seu adversário, o Diabo, que os homens podem servi-lo sinceramente, sem uma relação de troca. Jó provou que o Diabo estava errado e que Deus esteve sempre certo.

PARA REFLETIR

A respeito de “Quando Deus Restaura o Justo” responda:

1 – O que os capítulos 38, 39 e 40, do Livro de Jó, demonstram?

R: Os capítulos 38, 39 e 40 demonstram como Deus expôs a Jó sua onipotência na Criação e sua sapiência em preservá-la.

2 – Qual era o conhecimento de Jó acerca de Deus?

R: Segundo o teólogo Roy Zuck, Jó possuía um conhecimento de Deus apenas por tradição, de segunda ou terceira mão; mas agora ele o conhecia por meio de uma experiência pessoal.

3 – De quê Jó arrependeu-se?

R: Jó humilhou-se pelas suas falas precipitadas que revelaram orgulho e falta de bom senso.

4 – O que o episódio dos amigos de Jó pedindo-lhe intercessão a Deus mostra?

R: Esse episódio mostra que uma teologia errada, evidentemente, conduz para uma crença igualmente errada.

5 – O que Jó suportou sozinho?

R: Ele suportou sozinho o que pensavam ser um julgamento de Deus.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Veja outras Lições.

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

6° Lição – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

7° Lição – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?

8° Lição – A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?

9° Lição – Jó e a Inescrutável Sabedoria de Deus

10° Lição – A Última Defesa de Jó

11° Lição – A Teologia de Eliú: O Sofrimento É uma Correção Divina?

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