2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

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Texto Áureo

“Assim, pois, as igrejas em toda a Judeia, e Galileia, e Samaria tinham paz e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo.” (At 9.31)

Verdade Prática

A atuação do Espírito é continua e dinâmica na igreja, na vida dos crentes e os conduz desde a conversão até ao final da jornada cristã.

OBJETIVO GERAL

Ensinar que o Espírito Santo atua no plano de redenção.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo l refere-se ao tópico l com seus respectivos subtópicos.

I – Desenvolver o ensino sobre o Espírito Santo como promessa nas Escrituras;

II – Destacar o Espírito Santo como “Consolador” e “Ensinador”,

III – Asseverar que o Espírito Santo tanto reprova como convence o mundo.

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LEITURA DIÁRIA

Segunda – Nm 11.17 O Espírito Santo exerce também a função de juiz

Terça – 1 Sm 16.14 O Espírito Santo reprova a desobediência

Quarta – 1 Co 6.11 O processo da salvação é realizado em nome de Jesus e pelo Espírito Santo

Quinta – Ef 1.13,14 O penhor do Espírito é a garantia da nossa herança

Sexta – Fp 3.3 A verdadeira adoração cristã é no Espírito Santo

Sábado – Tt 3.5 Fomos transformados pelo poder do Espírito de Deus

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 16:7-13

7 – Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.

8 – E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.

9 – Do pecado, porque não creem em mim;

10 – Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;

11 – E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.

12 – Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.

13 – Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.

HINOS SUGERIDOS: 360, 447, 470 da Harpa Cristã

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INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Na aula desta semana, estaremos diante de um assunto glorioso: a atuação do Espírito Santo no plano divino de redenção. A cada época da história, a Igreja é tentada a deixar a dependência do Espírito Santo para experimentar métodos secularizados que não glorificam a Deus. Esse fenômeno ocorreu no período antigo, no médio, no moderno e ocorre no contemporâneo.

Um dos objetivos da Escola Dominical, dentre muitos outros, é conscientizar os alunos de que não se pode substituir a mais antiga e atual forma de convencer o homem sem Deus de seu real estado: a dependência na ação do Espírito Santo para agir no coração do pecador. Além de Ele atuar para convencê-lo, o Espírito capacita o emissor da mensagem, dando-lhe poder e manifestando sinais sobrenaturais para confirmá-la. É maravilhoso viver na dependência do Santo Espírito!

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INTRODUÇÃO

Aprendemos a lição passada quem é o Espírito Santo e agora vamos estudar sobre a ação dele no processo da salvação da humanidade e na edificação dos crentes. Jesus disse que não nos deixaria órfãos quando se referiu ao Consolador que está nos crentes. Vivemos essa referência do Espírito no dia a dia.

Comentário
O Consolador que Vem para Ficar

Depois da Ultima Ceia, Jesus falou aos seus discípulos a necessidade de sua morte, ressurreição e ascensão. Seu ensino sobre o Espírito Santo é de vital importância a essa altura. Ele os deixaria, porém jamais se esqueceria dos que o amaram. Ele rogaria ao Pai, que lhes desse outro Consolador (Paracleto) que nunca os abandonaria (João 14.16).

O Consolador é identificado por Jesus como o Espírito da Verdade (João 14.17; 15.26; 16.13; 1 João 4.6). A verdade era o que Jesus proclamava da parte de Deus (João 1.17; 8.40,45,46; 18.37), e Ele próprio é a Verdade (14.6). A Palavra de Deus também é a verdade (17.17). O Espírito Santo guia para toda a verdade (16.13), e é também a Verdade (1 João 5.6).

O Consolador é identificado como o Espírito Santo enviado pelo Pai em nome de Jesus (isto é, invocando o seu nome). Como o Espírito da Verdade, Ele ensinaria aos discípulos todas as coisas, e traria à memória deles tudo quanto Jesus dissera (João 14.26).

Ele também testificaria ao mundo a respeito de Jesus, e capacitaria os crentes a fazê-lo de igual modo (João 15.26,27; ilustrado em Atos 5.32). Como Consolador e Guia em toda a verdade, Ele também convenceria o mundo sobre o pecado, mostraria os acontecimentos futuros (relacionados com a vinda de Cristo e com a consumação dos séculos), e glorificaria a Jesus, ao receber as palavras de Cristo (que são de Deus) e transmiti-las aos seus discípulos (João 16.13-15).

Assim como Jesus mostrou (explicou, revelou, interpretou, tornou conhecida a natureza e a vontade) o Pai, o Espírito Santo explicaria, revelaria, interpretaria, tornaria conhecida a natureza e a vontade de Jesus (João 16.12,13). Ele é, portanto, o Portador e o Ensinador da verdade que há em Jesus. Ele mostra que Cristo é o Revelador do Pai, o Salvador, o Perdoador dos pecados, o Senhor ressurreto, o Batizador no Espírito, o Rei vindouro e o último Juiz. Para os discípulos, seus ensinos, o desdobramento da verdade em Jesus e sua obra de lembrá-los as palavras de Cristo, garantiam a exatidão de sua pregação e teologia, e assim lhes deram a certeza da inerrância do Novo Testamento a respeito da doutrina.

O mesmo Mestre continua sua obra de ensino em nós, não mediante novas revelações, mas através de um novo entendimento, de uma nova compreensão, nova iluminação. Mas Ele faz mais do que nos mostrar a verdade. Ele nos leva à verdade, e nos ajuda a colocá-la em prática e torná-la real e eficaz em nossa vida, de modo que Cristo habite em nós, e nós realizemos a sua obra de uma maneira que o glorifique.

HORTON. Stanley. M. O que a Bíblia Diz Sobre o ESPÍRITO SANTO. Editora CPAD.

O AGENTE NA REGENERAÇÃO

A regeneração não é produzida pelo batismo, pela vontade humana (João 1:13), ou qualquer outra obra, mas é uma obra especifica de Deus na alma. Como o vento (poderoso, fora do controle do homem e invisível) esta obra não é produzida, controlada ou entendida pelo homem (João 3:8). Esta obra frequentemente atribuída ao Espírito Santo é uma ação instantânea e completa de Deus sobre a alma. Mesmo que Deus venha a usar meios para salvar os eleitos, deve ser entendido que a própria regeneração não é um esforço conjunto. A Bíblia apresenta o novo nascimento como imperativo e não como mandamento (João 3:3).

Agora estamos diante de uma importante pergunta sobre o lugar do evangelho na regeneração. A Palavra de Deus é frequentemente mencionada em conexão com o novo nascimento (I Cor 4:15; Tiago 1:18; I Pedro 1:23; Salmos 119:93). Qual é a parte exata que o evangelho tem nessa obra? Alguns exageram ao ensinar que muitos são regenerados sendo que nunca ouviram o evangelho. Vamos considerar este assunto.

Duarte. Mateus,. FEST – Filemom Escola Superior de Teologia. Pneumatologia.

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PONTO CENTRAL:

O Espírito Santo atua de maneira continua e dinâmica para salvação.

I – O ESPIRITO SANTO COMO PROMESSA

A salvação da humanidade foi um projeto do Deus Trino e Uno, planejado antes da fundação do mundo. Cada pessoa da Trindade exerce função específica no plano da salvação e o espírito é a parte dessa história salvífica juntamente com o Pai e o Filho.

1.  A promessa Messiânica.

A promessa existe porque existe o plano, e não é o plano Qualquer. Isso envolve como Três Pessoas da Trindade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (1 Pe 1.2). Deus diversificadas vezes e diversas maneiras, pelos profetas, uma vinda de seu filho como Salvador do mundo (Rm 1.2).

Isso significa participação do Espírito Santo de modo que a promessa Messiânica é acompanhado da promessa do Espírito (Is 32,15; 42,1,2; Is 61,1), confirmada no Novo Testamento (Mt 12,18; Lc 4,18-21). A salvação e a plenitude do Espírito são anunciados de antemão no antigo testamento para todo o povo (Is 44.3; Jr 2.28-32).

Comentário

Deus provocará uma mudança derramando o seu Espírito, tornando-se como água em um solo improdutivo. O aguaceiro será tão grande que será como inundação de rios sobre a terra seca. Isto trará bênçãos maravilhosas da parte de Deus. No entanto, este derramamento é no futuro. Isto não devia vir sobre as pessoas nos dias de Isaías, mas sobre os seus descendentes (cf. 32.15; 59.21; Jr 31.33,34; Ez 36.26,27; 37.14; 39.29; J1 2 .2 5 -2 9; Zc 12.10 a I3.1).

O derramamento inicial foi no Dia de Pentecostes (At 2.4,17,18). Mas haverá um cumprimento mais extenso para Israel na restauração milenial.

HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico Isaias. Editora CPAD. pag. 385.

As bênçãos da aliança que Ele lhes assegurou (w. 3,4).

(1) Aqueles que estão cientes das suas necessidades espirituais, e da insuficiência da criatura em supri-las, terão abundante satisfação em Deus: “Porque derramarei água sobre o sedento” que tem sede de justiça. Ele será saciado. A água será derramada sobre aqueles que verdadeiramente desejam as bênçãos espirituais acima de todos os prazeres dos sentidos.

(2) Aqueles que estão áridos, como a terra seca, serão regados com a graça de Deus, com rios dessa graça. E o próprio Deus lhes dará o crescimento. Se a terra estiver muito seca, Deus terá rios de graça com que regá-la.

(3) A água que Deus derramará é o seu Espírito (Jo 7.39), que Ele derramará sem medida sobre a semente, isto é, Cristo (G1 3.16), e por medida sobre toda a semente dos fiéis, sobre toda a semente suplicante e lutadora de Jacó (Lc 11.13). A grande promessa do Novo Testamento é que Deus, ao ter enviado o seu servo, Jesus Cristo, e tendo-o sustentado, enviará o seu Espírito para nos sustentar.

(4) Esse dom do Espírito Santo é a grande bênção da efusão abundante que Deus tinha reservado para os últimos dias: Eu derramarei o meu Espírito’’, isto é, a minha bênção; porque quando Deus dá o seu Espírito, Ele dá todas as outras bênçãos.

(5) Essas bênçãos estão reservadas para a semente e os descendentes da igreja; porque a aliança da graça consiste em uma bênção muito grande: Eu serei Deus para ti e para a tua posteridade. A todos quantos foram feitos para participar dos privilégios da adoção, Deus dará o espírito de adoção.

(6) Haverá um grande aumento da igreja. Assim ela se espalhará para lugares distantes. Desse modo ela será propagada e perpetuada até tempos futuros: Ela brotará “… entre a erva”, tão rapidamente “… como salgueiros junto aos ribeiros das águas”, e tudo o que é virtuoso e digno de louvor será eminente e excederá ao redor delas, assim como os salgueiros ultrapassam a erva entre a qual crescem (v. 4). Observe que é uma grande felicidade para a igreja e um grande prazer para os homens de bem ver uma geração esperançosa e promissora. E isto será assim se Deus derramar o seu Espírito sobre eles, aquela bênção, sim, a bênção das bênçãos.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. pag. 198-199.

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2. Na antiga aliança.

Há uma diferença da atuação do Espírito Santo antes e depois do Pentecostes. As múltiplas manifestações do Espírito são conhecidas dentre antigo testamento, e uma delas era a capacitação de pessoas para obra específicas, como a de profetas (Nm 12.6) ou a de liderança (Jz 6.34; 1 Sm 16.13). Essas habilitações eram espirituais: profecias (Nm 11.25), revelações (Ez 8.3) e milagres (1 Rs 18.12); também aptidões individuais, artísticas (Êx 31.3) e habilidades para liderança militar e política ( Jz 3.10; Zc 4.6,7).

Comentário

Enquanto a estrela de Davi se levantava (em breve ele se tornaria nacional- mente conhecido), a estrela de Saul descia. Saul mergulhou em progressiva deterioração, que envolveu tanto má disposição (ou fraqueza mental) diante da qual ele perdeu o controle, quanto a influência de um espírito maligno, um demônio. Não sabemos identificar o avanço da teologia ou demonologia de Israel na época, por- tanto é impossível determinar exatamente o que o autor sacro quis dizer aqui. A teologia judaica posterior falava em seres malignos ou demônios.

Foi assim que Saul, que antes recebera o impulso do Espírito de Deus, agora, em sua degradação, contava com um espírito maligno que vexava sua mente e 0 transformava em nada. O deslize que 0 afetou, todavia, foi gradual, como ocorre no caso da maioria das deteriorações. “O efeito da partida do Espírito Santo foi que, daquela hora em diante, 0 generoso rei tornou-se presa de forte melancolia e vítima de uma inveja torturante, que só aumentava conforme o tempo passava. Isso 0 espicaçava à loucura, arruinando sua vida e maculando a ótima promessa de seus primeiros anos” (Ellicott, in loc.).

Os servos de Saul sugeriram que boa música poderia ajudá-lo em suas condições, e por isso Davi, reputado como excelente músico, foi convidado a servir ao rei. Assim, as circunstâncias cooperaram juntamente para trazer Davi perante os oficiais da corte real, levando-o a atrair a atenção dos anciãos. Ele precisaria desse apoio para subir ao trono.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1181.

Os efeitos favoráveis da sua unção: desde aquele dia em diante, o Espírito do SENHOR se apoderou de Davi (v. 13). A sua unção não foi uma cerimônia vazia, mas um poder divino foi acrescentado a esse sinal instituído, e ele sentiu-se em seu interior investido de sabedoria, coragem e interesse pelo bem-estar público, com todas as qualificações de um príncipe, embora não visíveis em suas circunstâncias externas. Ele estava plenamente satisfeito de que sua eleição era de Deus. A melhor evidência de sermos predestinados para o reino da glória é o fato de sermos selados com o Espírito da promessa e nossa experiência de uma obra da graça em nosso coração.

Alguns entendem que sua coragem, que fez com que matasse o leão e o urso, e sua extraordinária habilidade na música, eram consequência e evidência da vinda do Espírito sobre ele. De qualquer forma, isso o tornou o amável salmista de Israel (2 Sm 23.1). Após tê-lo ungido, Samuel foi para Ramá em segurança, e nunca mais lemos a respeito dele, a não ser uma única vez (cap. 19.18), antes de lermos acerca de sua morte. Agora ele se retirou para morrer em paz, uma vez que seus olhos tinham visto a salvação, e o cetro tinha sido levado à tribo de Judá.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. pag. 286.

Quando o Espírito do Senhor se retirou, Deus não deixou Saul simplesmente sozinho para seguir seu próprio caminho. “Um espírito mau da parte do Senhor” o assombrava (aterrorizava) (1 Sm 16.14,16,23; 18.10; 19.9). Isso é difícil para a nossa compreensão. Não é indicado que esse espírito era um demônio, porque viera da parte do Senhor. Alguns entendem que o espírito mau era da parte do Senhor no sentido restrito de ter sido permitido por Deus. Mas o texto hebraico parece mais enfático do que isso. Na realidade, em 1 Samuel 18.l0 a expressão é abreviada para mau espírito de Deus, e em 19.9 para mau espírito do Senhor (Jeová). Vinha com bastante frequência (1 Samuel 16.23), e pelo menos em uma ocasião levou Saul a “profetizar” (1 Samuel 18.10).

É possível que uma chave para o entendimento disso se ache em Isaías 45.7 onde Deus diz: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal”. Aqui, o mal é o inverso da paz (que inclui o bem-estar, a saúde, a prosperidade e a bênção) e não o inverso do bem. Deus nunca é o autor do mau moral, do pecado. Mas é o Deus santo que envia juízos contra os pecadores, assim como Ele fez contra o Egito (Êxodo 12.12).

A palavra mal também é traduzida por adversidade, aflição e calamidade. Deus frequentemente se referia aos seus juízos, dizendo que traziam o mal (1 Reis 21.20; 22.18; Jeremias 4.6; 6.19). Mais tarde, Sofonias (1.12) profetizou o juízo divino contra as pessoas descuidadas que se acomodavam em seus pecados e que diziam: “O Senhor não faz bem nem faz mal”. O espírito que o Senhor enviou sobre Saul não era, portanto, nem um espírito mau nem um demônio no sentido do Novo Testamento, mas um espírito de julgamento.

Alguns o comparam com 1 Reis 22.19-23. Outros entendem que é como um anjo da vingança.

A causa desse juízo contra Saul foi, portanto, plenamente sobrenatural. O que ele tinha não era mera doença, enfermidade, ou distúrbio mental. Esse espírito de juízo o atingiu, precipitando-se sobre ele e para dentro dele. A graça de Deus foi retirada, mas o juízo divino permaneceu em operação.

Alguns entendem que a música de Davi, que aquietava a Saul, demonstra que a dimensão natural afeta a sobrenatural. (14) E verdade que a Bíblia não estabelece uma clara distinção entre ambas, e nem nós conseguimos estabelecê-la dentro da nossa experiência.

Devemos lembrar-nos, porém, que Davi não era um harpista comum. Era ungido pelo Espírito Santo.

HORTON. Stanley. M. O que a Bíblia Diz Sobre o ESPÍRITO SANTO. Editora CPAD.

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3. A promessa do Consolador.

A vinda do Consolador estava associada a Volta de Jesus ao Céu: ”convém que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não vira a vós” (v. 7). Isso porque o cumprimento dessa promessa estava vinculada à obra expiatória do Calvário (At 2.32,33). Jesus disse também que tinha muita coisa para ensinar aos seus discípulos, mas ele ainda não estava preparado para ouvir, não poderia suportar a mensagem sem ação do Espírito (v. 12). Jesus precisava voltar ao pai para possibilitar a vinda do consolador.

Comentário

Esta passagem, no começo do décimo sexto capitulo do quarto evangelho, enfatiza a vantagem que resultaria, tanto para os discípulos como para o mundo inteiro, da retirada do Senhor Jesus para os céus; pois somente assim é que o Espírito Santo poderia dar início ao seu ministério. Ê nesta descrição, pois que encontramos o texto central, em todo ο N.T., acerca da missão geral do Espirito de Deus no mundo e entre os homens.

A declaração que há em João 15:26 menciona parte do ministério descrito em João 14:25,26. frisando que o oficio do Espirito Santo consiste em transformá-los segundo a própria imagem, moral e metafísica, da pessoa do Senhor Jesus.

A quinta declaração, em João 16:12-15, reitera essa mensagem ainda com maior profundeza e demonstra que o Espírito Santo só realiza aquilo que glorifica a Cristo, pois o seu ministério visa atuar especificamente como <<o·alter ego>>do Senhor Jesus.

Esse ministério do Espirito Santo necessariamente gira em torno de Cristo, visando a sua glória, porque é justamente na sua imagem que 0í crentes estão sendo transformados. Jesus έ o padrão e o alvo, e a ele cabe a glória que se deriva do sucesso dessa operação, glória essa que se reflete sobre todos quantos estão sendo dessa maneira transformados. O trecho de II Tes. 1:12 descreve essa dupla glorificação, ao dizer: «…a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vós, e vós nele segundo a graça do nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo».

No que diz respeito à passagem cm João, assim comenta Olshauscn (in loc.): ·Essa é uma das mais expressivas passagens e um dos mais profundo» discursos de Cristo. Com algumas grandes pinceladas gerais, ele pinta tudo e cada aspecto do ministério do Espirito divino nesta terra: sua operação com referência tanto aos indivíduos como em referência às massas, tanto sobre os crentes como sobre os incrédulos».

No que concerne à mensagem principal do sétimo versículo deste décimo sexto capítulo do quarto evangelho, diz Dods (in loc.): «A retirada da presença corporal de Cristo era a condição essencial de sua presença espiritual universal». Além disso, poderíamos acrescentar que o ministério do Espírito Santo foi posterior e dependente do ministério terreno de Cristo, uma vez terminado este último ministério, com sua morte, ressurreição, ascensão e entrada em seu oficio de mediador nas alturas.

Uma vez completada essa obra que pertencia a Jesus Cristo, o Espirito de Deus pôde então ocupar-se de sua incumbência, nesta esfera terrestre. (Quanto a outros trechos bíblicos que versam sobre a conexão existente entre a partida de Cristo deste mundo e a vinda do Espírito Santo, ver os trechos de João 7:39 e Atos 2:33).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 556.

Que a partida de Cristo era absolutamente necessária para a vinda do Consolador, v. 7. Os discípulos se recusavam tão firmemente a crer nisto, que Cristo viu motivos para afirmá-lo com uma solenidade mais do que usual: “Digo-vos a verdade”. Nós podemos confiar na verdade de tudo o que Cristo nos disse. Ele não tem desejos de se aproveitar de nós. Agora, para deixá-los mais tranquilos, aqui Ele lhes diz que:

1. De maneira geral, era conveniente para eles que Ele partisse. Esta era uma doutrina estranha, mas, se era verdadeira, era suficientemente confortável, e lhes mostrava o quanto a tristeza que sentiam era absurda.

“Convém”, não somente para mim, mas também para vocês, “que eu vá”. Embora eles não vissem isto, e se recusassem a crer nisto, era verdade. Observe que:

(1) Aquelas coisas que são realmente convenientes para nós sempre nos parecem dolorosas. Particularmente, nossa partida, quando terminarmos nossa jornada nesta terra.

(2) Nosso Senhor Jesus é sempre favorável àquilo que é mais conveniente para nós, quer pensemos assim ou não. Ele não lida conosco de acordo com a loucura de nossa própria escolha, mas graciosamente a rejeita e nos dá o remédio que não estamos dispostos a tomar, porque Ele sabe que ele é bom para nós.

2. Era conveniente porque tinha o objetivo do envio do Espírito. Observe:

(1) Que a partida de Cristo tinha o objetivo da vinda do Consolador.

[1] Isto está expresso de maneira negativa: “Se eu não for, o Consolador não virá”. E por que não? Em primeiro lugar, assim estava decidido nos conselhos divinos a respeito deste assunto, e a medida não devia ser alterada.

A terra será abandonada por causa deles? Aquele que dá livremente pode recolher um dom antes que conceda outro, embora desejássemos retê-los a todos, carinhosamente.

Segundo lugar, é suficientemente coerente que o embaixador extraordinário fosse chamado de volta, antes da vinda do enviado, que deveria residir permanentemente.

Terceiro lugar, o envio do Espírito deveria ser o fruto da compra de Cristo, e esta compra seria feita pela sua morte, que envolveria sua partida.

Quarto lugar, seria uma resposta à sua intercessão dentro do véu. Veja cap. 14.16. Desta maneira, este presente deve ser pago pelo Senhor Jesus, e também pedido a Ele, para que possamos aprender a dar-lhe o devido valor. Em quinto lugar, o grande argumento que o Espírito iria utilizar para convencer o mundo seria a ascensão de Cristo ao céu, e sua acolhida aqui. Veja o versículo 10, e também cap. 7.39. Finalmente, os discípulos devem se desacostumar da sua presença física, a qual eles são muito capazes de amar, antes de estarem plenamente preparados para receber os auxílios e os consolos espirituais de uma nova dispensação.

[2] Está expresso de maneira positiva: “Se eu for enviar-vo-lo-ei”, como se ele tivesse dito: “Confiem que eu proverei de maneira efetiva, de modo que vocês não percam com minha partida”. O Redentor glorificado não deixa de se preocupar com sua igreja na terra, nem irá deixá-la sem os auxílios necessários. Embora Ele parta, Ele envia o Consolador, ou melhor, Ele parte com o propósito de enviá-lo. Desta maneira, embora uma geração de ministros e cristãos parta, outra se ergue em seu lugar, pois Cristo irá sustentar sua própria causa.

(2) Que a presença do Espírito de Cristo na sua igreja é muito melhor, e mais desejável, que sua presença física.

Realmente, era conveniente para nós que Ele partisse, para nos enviar o Consolador. Sua presença física poderia estar em um lugar por vez, mas seu Espírito está em toda parte, em todos os lugares, em todos os momentos, sempre que dois ou três estiverem reunidos no seu nome. A presença física de Cristo atrai os olhos dos homens, mas seu Espírito atrai seus corações. A letra mata, mas o Espírito do Senhor vivifica.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 1000.

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SÍNTESE DO TÓPICO I

A participação do Espírito Santo como Promessa é vista Na promessa Messiânica, na antiga aliança e na pessoa de Jesus Cristo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Uma das mais belas definições acerca da palavra ”Promessa” é ”esperança que se fundamenta em ao concreto e aparente” (Caudas Aulete Online). A promessa do espírito santo foi concretizada nas escrituras e ao longo da história da igreja. Ainda hoje, milhares de pessoas experimento dia após dia a doce presença do Santo Espírito. Há razões de sobra para que o crente deposite a sua confiança confiança na promessa do Espírito Santo.

Por isso, ao final da exposição desse tópico, auxiliado pelas informações acima, ou nas que o Espírito Santo de impulsionar, faça uma aplicação no sentido de que seus alunos se conscientize de que a promessa do espírito santo ainda é real e está disponível a quem crer e buscar lá. Talvez haja alguém na sua classe que ainda não experimentou o batismo no Espírito Santo. Quem sabe não chegou a hora de Jesus batizar? Você é o instrumento disponível para conscientizar seu aluno, e aluna, acerca dessa preciosa promessa.

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II – O ESPIRITO SANTO CONSOLA E ENSINA

O Consolador é enviado pelo pai em nome de Jesus para ensinar os discípulos e fazê-lo lembrar de tudo que o filho ensinou e para testificar dEle.

1. O Consolador (v.7).

Vimos na lição passada a base Bíblica da consubstancialidade do Consolador, o espírito santo, com o filho. O termo grego parakletos vem da preposição para, ”ao lado de, próximo”; e do verbo kaléo, ”chamar, convocar”, de modo que essa palavra significa ”defensor, advogado, intercessor, auxiliador, ajudador, paracleto”. Esse vocábulo só aparece 5 vezes no Novo Testamento, quatro vezes se refere ao Espírito Santo (Jo 14.16,26; 15.26; 16,7) e uma ao Senhor Jesus, traduzido por ”Advogado” (1 Jo 2.1). A ideia de parákletos é de alguém chamado para estar ao lado para ajudar. A tradução, ”Consolador”, é a mais apropriada no contexto da Promessa anunciada por Jesus no evangelho de João.

Comentário

A localização das cinco declarações de Jesus, a respeito do Espírito Santo, sc encontram nos trechos seguintes: João 14:15-17; 14:25,26; 15:26,27 e 16:5-11. (Todas essas quatro declarações contêm o vocábulo grego paracletos). A quinta passagem (João 16:12-15) é uma declaração paralela sobre o Espirito Santo, na qual não foi empregado o vocábulo paracletos, entretanto.

A promessa central dessa declaração se encontra em João 14:15-17, onde se lê que o divino Ajudador está encarregado de um ministério perpétuo entre os discípulos, entre cies e no íntimo deles, porquanto 0 seu serviço consiste em transformar os homens na imagem mesma de Cristo Jesus. Por isso é que o Espírito Santo ficaria com os crentes ·para sempre». Outrossim, ele é chamado de Espirito da verdade, em João 14:17, 15:26 e 16:13. (Quanto a completas notas expositivas sobre o sentido dessa designação, ver as passagens de João 14:17 e 15:26).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 556.

O envio do Espírito dependia do fato que Cristo entrasse na glória de seu Pai segundo sua natureza humana. Ele, como o exaltado Filho do homem, teria e empregaria seu poder para lhes enviar o Consolador. “Este é o significado destas palavras: Se eu não partir, isto é, se eu não morro e seja afastado desta essência e vida corporal, então nada está ganho, mas vós permaneceis onde estais agora, e tudo permanecerá no modo antigo como foi antigamente e ainda é: os judeus sob a lei de Moisés, os gentios em sua cegueira; todos sob o pecado e a morte, e disso nenhum pode ser resgatado nem ser salvo.

Se assim fosse, nenhuma escritura seria cumprida e eu teria vindo em vão, e tudo seria sem sentido, tanto o que os santos pais antes de vós, e vós mesmos, creram e esperaram. Mas se eu partir e morrer e realizar o que deus tem decidido em seu desígnio para realizar por meu intermédio, então o Espírito Santo virá a vós, e atuará em vós, e vos dará a coragem que vos tornareis meus agentes e coparticipantes, mudeis o mundo inteiro, ab-rogueis a lei ou o judaísmo, destruais a idolatria gentia, e repreendais e mudeis o mundo inteiro, assim que vossa doutrina há de permanecer e penetrar eternamente, ainda que isto desagrade ao diabo e o mundo inteiro.

Este é o dom e a glória que minha partida vos traz. (7) Notemos: Estas palavras de Cristo mostram que nós cristãos de hoje temos mais benefício da obra do Consolador, o Espírito Santo, do que tiveram os discípulos da presença pessoal e visível do Senhor, quando ele habitou entre eles na forma de servo.

KRETZMANN. Paul E. Comentário Popular da Bíblia Novo Testamento Volume 1. Editora Concordia Publishing House.

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

2. O Ensinador.

O Espírito Santo é alguém como Jesus da mesma substância, glória poder e majestade razão pela qual o Senhor se refere a ele Como ”outro Consolador” (Jo 14.16). Alguém com a mesmas prerrogativas do Filho. Jesus disse que o pai ensina (Jo 6.45). O ensino era parte do ministério de Jesus (Mt 4.23; 7.29). De modo que essa tarefa é parte também da atuação do Espírito Santo: ”mas aquele Consolador, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome vos ensinará todas as coisas e vos isso para lembrar de tudo quanto vos Tenho dito”(Jo 14.26). O Espírito nos ensina a compreender as escrituras para evangelização (1 Co 2.13)

Comentário

No entanto, o Espírito de Deus também age como conselheiro e mestre, porquanto instrui aos homens c guia os remidos a toda a verdade. Também desempenha as funções de um advogado, porquanto faz intercessão pelos crentes, segundo o oitavo capítulo da epístola aos Romanos destaca tão vividamente para nós.

Porém, em todos os sentidos e o tempo todo o Espirito Santo e um «Ajudador», pelo que também, segundo nos parece, essa é a tradução mais acertada do termo grego «paracleto», presente declaração do Senhor Jesus sobre o paracleto nos é dada com o intuito de mostrar-nos que o Espírito Santo é um Espírito de verdade, cabendo-lhe o ofício de ensinar essa verdade de Deus aos homens. Ele é o Espirito de verdade pelos seguintes motivos:

1. Em si mesmo, ele é divino c veio da parte de Deus; assim sendo, em si mesmo ele e a verdade, c veio a fim de trazer-nos a verdade de Deus.

2. Ele ensina as importantes verdades sobre o pecado, a retidão e o julgamento (notas completas em João 16:18).

3. Ele ensina ao mundo através dos poderes intuitivos internos dos homens. «Este mundo surdo jamais perdeu qualquer parcela da influência do Espírito» (Emerson).

4. Sua tarefa especial é ensinar a verdade de Cristo aos homens, qual diferença Cristo faz a um mundo pecaminoso, e onde Cristo levará os homens em seu voo para o infinito. João 16:13,14.

5. Ele faz os homens se lembrarem das palavras de Cristo. Essas palavras estão agora contidas no N.T. Ele nos dá entendimento sobre elas, e em suas mãos elas se tornam uma força transformadora em nossas vidas. Essa é a mensagem especifica do versículo ã nossa frente. João 16:13 reitera-a incisivamente.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 534.

Com que missão Ele seria enviado: Ele fará duas coisas: [1] Ele “vos ensinará todas as coisas”. Como um Espírito de sabedoria e revelação, Cristo era um professor para seus discípulos. Se Ele os deixai’, agora que eles têm tão pouca proficiência, o que acontecerá com eles?

Ora, o Espírito os ensinará, será seu professor permanente.

Ele lhes ensinará todas as coisas necessárias, para que eles mesmos aprendam, e para que ensinem a outros. Pois aqueles que desejam ensinar as coisas de Deus devem, antes, ser ensinados sobre Deus. Esta é a obra do Espírito. Veja Isaías 59.21. [2] Ele “vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito”. Cristo lhes tinha ensinado muitas lições boas, de que eles tinham se esquecido, e que seriam procuradas quando precisassem delas.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 985.

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

3. O Ajudador.

A versão revisada de Almeida Traduz parákletos por ”Ajudador”. De fato, o Espírito nos ajuda na vida diária, Ele imprimir em nosso caráter de Cristo e nos conduzirá até o final de nossa jornada. Ele nos ajuda em nossa fraqueza (Rm 8.26), Jesus disse que o ajudador ”vos para lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (Jo 14.26b). Ninguém vai se lembrar de algo que não viu, ouviu, leu ou aprendeu antes.

Lembrança é algo que vem da memória, que já está nela. Essa ajuda do Espírito não nos desobriga de estudar a bíblia. É bom ressaltar essa verdade porque ainda há os que defendem a ideia de que não é preciso estudar e nem se preparar para fazer a obra de Deus.

Comentário

Eles não guardavam a lembrança de muitas coisas porque não compreendiam corretamente seu significado. O Espírito não iria ensinar-lhes um novo Evangelho, mas fazê-los lembrar-se daquilo que já lhes tinha sido ensinado, levando-os ao entendimento destas coisas. Todos os apóstolos deviam pregar, e alguns deles, escrever, as coisas que Jesus fazia e ensinava, para transmiti-las a nações distantes e a gerações futuras.

Se eles tivessem sido deixados à sua própria sorte a partir de então, algumas coisas necessárias poderiam ter sido esquecidas, outras, mal interpretadas, por causa da traição da sua lembrança. Por isto o Espírito é prometido, para capacitá-los verdadeiramente a encontrar a ligação e registrar o que Cristo lhes tinha dito. E o Espírito da graça é dado a todos os santos, para lhes lembrar todas as coisas, e nós, pela fé e pela oração, devemos nos comprometer com Ele a guardar aquilo que ouvimos e conhecemos.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 984-985.

O apóstolo Paulo passa dos gemidos da criação e da igreja para os gemidos do Espírito Santo. Numa ordem crescente Paulo, como maestro habilidoso, leva a sinfonia do gemido ao seu apogeu. Os gemidos estão presentes na terra e no céu, dentro dos filhos de Deus e até mesmo nas entranhas da própria divindade.

Duas verdades solenes devem ser aqui destacadas:

Em primeiro lugar, a assistência do Espírito em nossa fraqueza (8.26). Nós somos mais que vencedores não porque somos fortes. O cristianismo diverge frontalmente da psicologia de autoajuda. Paulo afirma que somos fracos.

Não somos um gigante adormecido; não temos poder inato. A ajuda não vem de dentro, mas do alto; a vitória não resulta da autoajuda, mas de ajuda do alto. Três fatos devem ser aqui observados:

a. Temos fraquezas (8.26). A nova era está equivocada ao afirmar que a força vem de dentro. As religiões místicas estão erradas ao ensinar que há uma espécie de divindade dentro das pessoas que precisa ser conhecida e libertada.

A verdade é que somos fracos, limitados e contingentes.

Temos fraquezas físicas, emocionais, morais e espirituais.

O tempo esculpe rugas em nossa face e deixa nossas pernas bambas, nossos joelhos trôpegos, nossas mãos descaídas e nossos olhos embaçados. Cada fio de cabelo branco que surge em nossa cabeça é a morte nos chamando para um duelo. Nossas fraquezas nos esmagam. Tropeçamos nos mesmos erros, incorremos nas mesmas falhas e caímos nas mesmas armadilhas.

O bem que queremos não praticamos, mas o mal que odiamos, esse o fazemos. Somos ambíguos, contraditórios, paradoxais. Há uma guerra constante instalada em nosso peito, um conflito permanente no campo de batalha da nossa mente. Uma esquizofrenia existencial fincada nos meandros da nossa alma nos arrasta para direções opostas. Nossos desejos secretos denunciam a gravidade da nossa doença moral. Nossos pensamentos íntimos revelam quanto o pecado nos atingiu. Todos nós temos os pés de barro. Temos nosso calcanhar-de-aquiles. Todos nós temos fraquezas!

b. Não sabemos orar como convém (8.26). John Stott diz que nossa fraqueza decorre de não sabermos orar convenientemente.

 Somos fracos porque não conseguimos manter comunhão ininterrupta com o Deus onipotente. Nosso maior problema não está em nossas fraquezas, mas em nosso distanciamento daquele que é onipotente. Concordo com Geoffrey Wilson quando diz: “A inabilidade na oração não é apenas uma ilustração da fraqueza do crente, mas também uma explicação dessa fraqueza”.

A oração é a respiração da alma. Quem não tem intimidade com Deus não pode ser forte. Nas palavras de Leenhardt: “A fraqueza da oração não está em seu laconismo; está é na pobreza de sua substância. Não é bastante orar; é preciso orar como convém”. Não sabemos orar como convém porque somos faltos de discernimento. Muitas vezes pedimos a Deus uma pedra, pensando que estamos pedindo um pão; pedimos uma cobra, pensando que estamos pedindo um peixe; pedimos o que nos destruirá, pensando que estamos pedindo o que nos dará vida. Não sabemos orar como convém porque somos impacientes.

Queremos pressionar Deus com a urgência da nossa agenda. Queremos que nossa vontade seja feita no céu em vez de buscar que a vontade de Deus seja feita na terra.

c. O Espírito nos assiste em nossa fraqueza (8.26). O Espírito não nos escorraça por causa de nossas fraquezas nem sente nojo de nós. Não nos deixa entregues à nossa sorte. Encurva-se para tomar o nosso fardo e levá-lo por nós. Quando nos sentimos cansados, ele nos toma no colo.

Fortalece-nos quando o peso da vida nos pressiona além da conta.

A palavra grega traduzida por “assistir” significa mais que “assistir”. O sentido é que o Espírito toma sobre si nossa carga não somente para nos ajudar e socorrer, mas sobretudo para nos aliviar, carregando todo o peso por nós. Nossa fraqueza nos levaria ao desfalecimento e ao desespero, não fosse a assistência do Espírito. Há momentos na vida em que se ajuntam sobre nossa cabeça nuvens escuras. Nessas horas, sentimo-nos encurralados por tempestades devastadoras. E a enfermidade grave que chega; é a dor atroz do luto que se instala; casamento ferido mortalmente pelo divórcio; pecado que tenazmente nos assedia.

James Hastings diz que aquele que pode confessar “eu creio no Espírito Santo” encontrou um amigo divino. Para ele, o Espírito Santo não é uma influência, uma energia ou alguém distante, mas um consolador presente a quem Cristo enviou para estar sempre conosco. Que bendita esperança a de termos o Espírito Santo, Deus onipotente, assistindo-nos em nossas fraquezas. Aquele que embelezou os céus e a terra e por seu poder criador espalha vida em todo o universo é o mesmo que nos assiste em nossas fraquezas.

LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 303-307.

As assistências que o Espírito nos dá na oração.

Ele “…ajuda as nossas fraquezas”, o que significa principalmente as nossas fraquezas na oração, as quais nos atacam mais facilmente nesse caso, contra o que o Espírito socorre. O Espírito na Palavra ajuda; há na Palavra muitas regras e promessas para a nossa ajuda.

O Espírito no coração ajuda, habitando em nós, operando em nós, como um Espírito de graça e de súplica, especialmente com respeito às fraquezas sob as quais estamos quando passamos por um estado de aflição, momento em que a nossa fé está mais vulnerável; o Espírito Santo foi derramado para essa finalidade. Ajuda, synantilambanetai – levanta conosco, em frente de nós, ajuda como fazemos com alguém que levanta um fardo, levantando-o em frente da pessoa, do outro lado – nos ajuda, isto é, faz conosco o nosso esforço e emprega a força que temos. Todavia, não devemos nos sentar e esperar que o Espírito faça tudo; quando o Ele for adiante de nós, devemos nos mover.

Não podemos fazer isso sem Deus e Ele não o fará sem nós. Que ajuda? Ora, “…o mesmo Espírito intercede por nós…”, dita os nossos pedidos, faz conhecidas as nossas petições, compõe os nossos apelos por nós. Cristo intercede por nós no céu e o Espírito intercede por nós em nossos corações; dessa maneira, Deus tem suprido graciosamente encorajamento para o remanescente que ora. O Espírito, como um Espírito de iluminação, nos ensina pelo que orar, como um Espírito de santificação, opera e desperta orações de ação de graças, como um Espírito de conforto, silencia nossos temores e nos ajuda em relação a todos os nossos desânimos.

O Espírito Santo é a fonte de todos os nossos desejos e aspirações em relação a Deus. Ora, essa intercessão que o Espírito realiza ocorre: (1) “…com gemidos inexprimíveis”. A força e o fervor daqueles desejos que o Espírito Santo opera são com isso insinuadas. Pode haver oração no Espírito em que não há nenhuma palavra falada; como __ oraram Moisés (Ex 14.15) e Ana (1 Sm 1.13). Não são a retórica e a eloquência, mas a fé e o fervor de nossas orações que o Espírito, como um intercessor, opera em nós.

Inexprimíveis’, eles são tão confusos, a alma está em tal inquietação com tentações e problemas, que nós não sabemos o que dizer, nem como nos expressar. Aqui o Espírito está intercedendo com gemidos inexprimíveis. A operação do Espírito ocorre quando não podemos fazer outra coisa senão clamar: Aba, Pai, e nos dirigir a Ele com uma ousadia humilde e santa.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 356-357.

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

SÍNTESE DO TÓPICO II

O Espírito Santo atua como Consolador, Ensinador e Ajudador do crente

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

”Uma das verdades ensinadas pelo Espírito Santo é que não podemos recitar uma fórmula mágica do tipo: amarro Satanás; amarro e a mente; amarro minha carne. Agora, Espírito Santo, creio que os pensamentos e as palavras que se seguem vem todos de ti! Não nos é lícito usar encantamento para submeter Deus à nossa vontade. João admoesta a igreja: ”Provai se os espíritos são de Deus” (1 Jo 4.1). Significa que devemos permitir ao Espírito Santo da Verdade orientar-nos na tarefa de interpretar a palavra de Deus e atestar, pelas escrituras, os nossos pensamentos e os de outras pessoas.

Há perigos genuínos nesse assunto. Certo autor reivindicou, na capa de seu livro: ‘ previsões cem por cento corretas as coisas do porvir’. A tarefa do leitor, com ajuda do Espírito Santo, seguir o exemplo dos bereanos que o próprio Espírito encomenda através das palavras de Lucas. Eles  persistiam ‘ examinando cada dia nas escrituras se essas coisas .eram assim’ (At 17.11).

Cada crente deve ler e compreender a palavra de Deus e os ensinam a respeito dela. O crente pode fazer assim confiadamente, na certeza de que o Espírito Santo, que habita em cada um de nós, irá levar-nos a toda a verdade” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia sistemática: uma perspectiva Pentecostal. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD,2006. pp.398-99).

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

III – O ESPIRITO SANTO REPROVA E CONVENCE O MUNDO

Uma vez realizada a obra de Redenção o espírito veio para convencer o mundo do pecado da justiça e do juízo. A salvação está disposição de todos, mas há a necessidade de alguém persuadir a humanidade. Esse alguém é o Espírito Santo.

1. O Espírito Santo convence o mundo do Pecado (v.9).

A ideia do verbo ” convencer ” é persuadir. Isso é observado em outras passagens do novo testamento (Jo 8.46; 16.8; 1 Co 14.24; Tt 1.9). É o Espírito Santo que convence ou persuade o mundo do pecado. Jesus disse pecado e não pecados isso porque Ele não está falando de alguns pecados ou transgressões específicas (Rm 3.23), mas de incredulidade, isso é o pecado: ”do pecado, porque não crê em mim”.

Antes mesmo que alguém cometa alguma coisa, Jesus havia dito que qual pessoa já estava condenada (Jo 3.18). É o Espírito que torna as pessoas conscientes do seu estado de miséria espiritual e as leva a reconhecer o senhor Jesus Cristo como seu Salvador (Tt 3.5).

Comentário

·…convencerá o mundo do pecado…· Essas palavras falam principalmente do tremendo pecado de rejeição do Messias, do que é acusada, antes de todos os outros, a comunidade judaica incrédula. (Ver Atos 3:18-20; 7:7; 8:45 e 15:22). Está particularmente cm foco o pecado da incredulidade, porquanto a Luz veio ao mundo, mas os homens rejeitaram a Luz. Ora isso forma o princípio mesmo do pecado a atitude que os deixava perdidos no pecado, impossibilitados de sua recuperação da prisão espiritual do pecado. Disso se seguiu a desobediência, posto que o oposto da fé não é simplesmente a incredulidade, e. sim a desobediência, segundo se depreende claramente de João 3:19,36.

Dessa maneira, partindo da incredulidade para com Deus e para com o seu Cristo, surge a rebeldia contra a vontade divina, porque toda a desobediência e rebelião de alguma maneira retrocede, em suas raízes, até o pecado da incredulidade.

E então, dessa rebeldia, origina-se toda aquela imensa variedade e profundidade de pecados que pode ser encontrada no mundo atual. Ora, o Espírito Santo é que convence o mundo dessas coisas. Ele veio fazer-se a consciência do mundo, por assim dizer, pois não fora ele e o mundo seria muito mais pervertido do que é. já que ele restringe os homens tanto no nível do consciente como do inconsciente.

O mundo sem o Espirito

1. Por todo lado se vê ódio e violência insensata, evidências da profunda malignidade do homem. Mas o Apocalipse mostra que uma vez removido o Espírito, ocorrerão coisas mil vezes piores.

2. A terra se transformará em uma selva de violência e ódio, imprópria para lugar de habitação do homem. Os governos da terra perderão o controle sobre seus próprios povos.

3. Alguns psicólogos propositalmente têm procurado eliminar ou diminuir o senso de pecado do ser humano, chamando-o por outros nomes, alguns dos quais chegam a ser cumprimentos. Mas, uma vez que o homem seja totalmente liberado para pecar, com o impulso das forças satânicas o homem perceberá a tragédia de sua natureza decaída.

4. Mas até esse caos finalmente redundará cm bem, conforme se vê em Rom. 8:20 c 11:32.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 556-557.

“Do pecado, porque não creem em mim” (v. 9).

[1] O Espírito é enviado para convencer os pecadores do pecado, e não simplesmente falar-lhes sobre ele. Na convicção, há mais do que isto. E provar-lhes, e forçá-los a reconhecer, assim como aqueles (cap. 8.9) que foram convencidos pelas suas próprias consciências. Fazê-los conhecer suas abominações.

O Espírito convence da realidade do pecado, de que fizemos isto e aquilo; da falha no pecado, de que fizemos mal em fazer isto e aquilo; da tolice do pecado, de que agimos contra a razão e contra nossos verdadeiros interesses; da sujeira do pecado, de que por ele nos tornamos odiosos a Deus; da fonte do pecado, a natureza corrupta; e, por fim, do fruto do pecado, cujo fim é a morte. O Espírito demonstra a depravação e a degeneração de todo o mundo, pelas quais todo o mundo é culpado diante de Deus.

[2] Ao convencer, o Espírito se prende especialmente ao pecado da incredulidade, que consiste no fato de não se crer em Cristo. Em primeiro lugar, por este ser um grande pecado dominante. Havia, e há, muitas pessoas que não creem em Jesus Cristo, e elas não se dão conta de que este é seu pecado. A consciência natural lhes diz que matar e roubar são pecados. Mas é a obra sobrenatural do Espírito convencê-las de que há um pecado em não crer no Evangelho, e rejeitar a salvação que ele oferece.

A religião natural, depois que nos fornece suas melhores revelações e orientações, estabelece e nos deixa sob esta obrigação adicional, que, a qualquer revelação divina que nos seja feita, a qualquer tempo, com evidências suficientes que provem sua origem divina, nós devemos aceitar e sujeitar-nos. Transgredem esta lei aqueles que, quando Deus nos fala por intermédio do seu Filho, rejeitam aquele que fala, e, por isto, é pecado.

Em segundo lugar, por este ser um grande pecado destruidor. Todo pecado é destruidor em sua própria natureza. Porém, nenhum pecado pode destruir aqueles que creem em Cristo e se mantêm em santificação. De modo que é a incredulidade que destrói os pecadores. É por esta causa que eles não podem entrar no repouso, que não podem escapar à ira de Deus. Este pecado combate contra o remédio.

Em terceiro lugar, por este ser um pecado que está no fundo de todo pecado. Assim Calvino interpreta. O Espírito irá convencer o mundo de que a verdadeira razão pela qual o pecado reina entre eles consiste no fato de que eles não estão unidos a Cristo pela fé. Ne putimus vel guttam unam rectitudinis sine Christo nobis inesse – Não devemos supor que, separados de Cristo, tenhamos sequer uma gota de retidão.

Calvino.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 1001.

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

2. O Espírito santo convence o mundo da Justiça (v.10).

A justiça que o Espírito Santo convence o mundo é a justiça impecável de Cristo (Jo 8.46). Isso porque Jesus morreu e ressuscitou dentre os mortos e está a destra de Deus intercedendo por nós (Rm 1.4; Hb 7.25). Ele voltou para o Pai e o mundo não o vê, mas o Consolador Continua persuadindo as pessoas da Justiça de Cristo.

É por meio do espírito que todos nós chegamos a convicção de que necessitamos a salvação. O Consolador nos leva a Jesus o nosso Advogado: ”temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E Ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo mundo” (1 Jo 2.1,2)

Comentário

·…da justiça… · Temos aqui um avanço maior, cm relação à ideia anterior, pois o Espirito de Deus não meramente ensina aos homens no que consiste o pecado, convencendo-os dessa realidade, mas também ensina-lhes no que consiste a justiça. E ele haveria de tomar-se o Mestre necessário dessa verdade porque o Senhor Jesus não mais estaria entre os homens, com sua presença corporal, não mais podendo servir de exemplo, ante os olhos dos homens, no que consiste a retidão, como homem que exibisse essa realidade para os seus semelhantes, como um homem poderia ensiná-la para os outros.

A natureza da justiça

1. O versículo fala sobre a obra de Cristo, que permitiu aos homens serem justificados, e portanto, compartilharem de sua retidão. (Ver Rom. 5:11).

2. Também aludimos à obra do Espirito que transforma moralmente aos homens, para que participem da própria santidade de Deus. (Ver notas completas em Mat. 5:48).

3. Também há a questão da implantação das virtudes positivas do Espírito nos homens, Gál. 5:22,23.

4. O alvo da retidão é a plena participação na própria natureza de Deus.

11 Ped. 1:4.

5. Alguns intérpretes veem aqui a «justiça» realizada no julgamento, ou a vindicação de Deus contra o mal.

6. Outros veem aqui a vindicação da justiça de Deus, por haver ressuscitado a Jesus dentre os mortos, a despeito da violência dos homens e de terem estes rejeitado a missão dele.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 557.

“Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais”, v. 10. Nós podemos interpretar isto:

[1] Como a justiça pessoal de Cristo. Ele convencerá o mundo de que Jesus de Nazaré era Cristo, o Justo (1 Jo 2.1), assim como o centurião reconheceu (Lc 23.47): “Na verdade, este homem era justo”. Os inimigos de Jesus lhe atribuíam as piores características, e as multidões não se convenciam, ou não queriam se convencer, de que Ele não era um homem mau, o que fortalecia seus preconceitos contra sua doutrina. Mas Ele é justificado pelo Espírito (1 Tm 3.16), Ele prova ser um homem justo, e não um enganador. E então o ponto é realmente ganho, pois Ele é o grande Redentor ou a grande trapaça. Mas uma trapaça, nós temos certeza de que Ele não é. Agora, por qual meio ou argumento o Espírito irá convencer os homens da sinceridade do Senhor Jesus?

Em primeiro lugar, o fato de que eles não mais o verão irá contribuir, de certa maneira, para a remoção dos seus preconceitos.

Eles não mais o verão na semelhança da carne pecadora, na forma de um servo, que fez com que eles o desprezassem. Moisés foi mais respeitado depois de ser removido do que antes.

Mas, em segundo lugar, sua ida ao Pai traria uma convicção completa disto. A vinda do Espírito, segundo a promessa, era uma prova da exaltação de Cristo à direita de Deus (At 2.33), e uma demonstração da sua justiça, pois o santo Deus nunca colocaria um enganador à sua direita.

[2] Como a justiça de Cristo transmitida a nós, para nossa justificação e salvação, que é a justiça eterna que o Messias devia trazer, Daniel 9.24. Veja que, em primeiro lugar, o Espírito irá convencer os homens desta justiça. Tendo, pela convicção do pecado, lhes mostrado a necessidade que tinham de justiça, para que isto não os levasse ao desespero, Ele irá lhes mostrar onde ela pode ser encontrada, e como eles podem, se crerem, ser absolvidos da culpa e ser aceitos como justificados, diante de Deus.

Era difícil convencer desta justiça àqueles que tentavam estabelecer a sua própria (Rm 10.3), mas o Espírito o fará. Em segundo lugar, a ascensão de Cristo é o grande argumento apropriado para convencer os homens desta justiça: Eu “vou para meu Pai”, e, como evidência de que serei bem recebido junto a Ele, “não me vereis mais”. Se Cristo tivesse deixado alguma parte da sua missão inacabada, Ele teria sido enviado de volta. Mas agora que temos a certeza de que Ele está à direita de Deus, temos a certeza de que somos justificados por meio dele.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 1001-1002.

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

3. O Espírito Santo convence o mundo do juízo (v.11).

Jesus disse ainda: ”e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado”. O ”príncipe deste mundo” é uma referência a Satanás, derrotado com a vitória de Cristo no Calvário (Jo 12.31-33; 14.30). O Espírito Santo convence o mundo do juízo, ou seja trata-se de julgamento. Que julgamento? Nossos pecados foram julgados em Cristo na cruz nas perdeu as multidões do mundo que vieram a Jesus pela ação do Espírito Santo.

Mas, esse julgamento se refere ao mesmo tempo ao julgamento de satanás, que já começou e será concluído na consumação dos séculos (Mt 25.41; Ap 12.7-10; 20.10). O diabo ainda luta numa batalha que já foi perdida. Esse ”juízo” é uma referência ou julgamento de nossos pecados na cruz do Calvário e ao mesmo tempo ao julgamento de satanás, que já foi vencido por Jesus de sua morte e ressurreição.

Comentário

«…« ׳ do juízo …· Um senso moral correto exige que os atos humanos sejam recompensados ou punidos, segundo forem, respectivamente, bons ou maus visto que o homem é responsável diante de Deus por todos os seus atos.

Descrevendo o julgamento

1. Este incluirá o cumprimento absoluto da lei da semeadura e da colheita, ver Gál. 6:7,8.

2. Será conforme as obras do indivíduo (Rom. 2:6), mesmo no caso do crente (II Cor. 5:10).

3. O juízo não será apenas retributivo. Também restaurará a uma glória secundária. (Isso é anotado cm I Ped. 4:6 e Efé. 1:10).

4. A tragédia do juízo é que aqueles que não obtêm a vida eterna, como eleitos de Deus, sofrerão uma perda infinita, por essa mesma razão, a despeito dos benefícios que Deus proporcione a eles.

5. Ver notas completas sobre 0 «julgamento», em Apo. 14:11.

6. O julgamento, no presente texto, parece estar especificamente relacionado à rejeição da missão salvaticia de Cristo por parte dos homens, e, particularmente, a obstinação das autoridades religiosas dos judeus, que rejeitaram essa missão apesar de evidências esmagadoras. Eventualmente, o Espirito convencerá aos homens do fantástico erro dessa atitude.

No que tange ao termo ·…mundo…», conforme aqui é empregado, temos a levar em conta os seguintes pontos: 1. Não se refere meramente aos judeus, embora, algumas vezes, o vocábulo possa ter esse sentido estrito. 2. Também não se refere apenas às nações gentílicas, ainda que noutras oportunidades esse seja o seu sentido. 3. Trata-se antes de um uso universal cm sua aplicação, referindo-se à humanidade inteira. (Quanto a notas sobre o vocábulo grego ·kosmos», em seus usos nas páginas do N.T., ver as notas referentes ao trecho de João 15:19).

No que concerne à palavra «…convencer…*, alistamos os pontos abaixo para melhor esclarecer a sua significação:

1. A ideia de ·reprovar» faz parte do sentido, isto é. condenar a maldade; embora, neste caso, não esgote essa ideia todo o sentido do termo.

2. «Convencer· é o seu sentido geral, (al como um advogado argumenta sobre um caso qualquer c convence outros sobre qualquer ocorrência, apresentando um bom juízo sobre a natureza dessa ocorrência ou ideia. O Espírito Santo é quem argumenta diante dos homens sobre o caso, conduzindo-os ao correto conhecimento da verdadeira natureza do pecado, da justiça e do julgamento. Portanto, também podemos traduzir esse termo por «convencer», pois encerra a ideia central.

3. Alguns estudiosos também veem aqui a ideia de condenação, dizendo que 0 Espírito Santo convencerá o mundo por condenar os homens maldosos em seus atos. o que expressa uma verdade quando aplicada ao pecado e ao julgamento.

No grego antigo (como nos escritos de Homero), esse vocábulo era usado · para indicar reprimenda», ׳reprovação, «opróbrio». (Assim também figura em passagens bíblicas como Luc. 3:19; I Tim. 5:20; Tito 1:13 e Apo. 3:19).

Porém, na literatura dos antigos tribunais, expressava convicção, persuasão, no sentido de iluminar e vencer o erro, de demonstrar a justiça, de fazer justiça. (Assim, por exemplo, é que o vocábulo é usado em Tia. 2:9 e João 8:9). Este segundo uso é essencialmente o mesmo que aparece neste versículo do décimo sexto capítulo de João. O Espírito Santo deixa claro qual a natureza do pecado, da justiça e do julgamento, convencendo o mundo—a humanidade inteira—da natureza verdadeira dessas coisas, e fazendo aparecerem os legítimos resultados de tal conhecimento, ou na forma de recompensa (para aqueles que obedecem), ou na forma de julgamento (para aqueles que se mostram rebeldes).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 557.

“Do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado”, v. 11. Observe aqui:

[1] O Diabo, o príncipe deste mundo, foi julgado, foi considerado como um grande enganador e destruidor, e, como tal, recebeu julgamento e a execução foi realizada, em parte. Ele foi expulso do mundo gentílico quando seus oráculos foram silenciados, e seus altares, abandonados. Foi expulso do corpo de muitos, em nome de Cristo, cujo poder milagroso continua na igreja. Ele foi expulso das almas das pessoas, pela graça de Deus, através da operação do Evangelho de Cristo. Ele caiu como um relâmpago do céu.

[2] Este é um bom argumento, com o qual o Espírito convence o mundo do juízo, isto é, em primeiro lugar, da santidade e santificação inerentes, Mateus 12.18. Pelo juízo do príncipe deste mundo, fica evidente que Cristo é mais forte que Satanás, e pode desarmá-lo e destituí-lo, e estabelecer seu trono sobre a ruína do dele.

Em segundo lugar, de uma nova e melhor dispensação das coisas. Ele irá mostrar que a missão de Cristo no mundo foi a de estabelecer as coisas para endireitá-lo, e dar início aos tempos de transformação e regeneração. E Ele prova isto com o fato de que o príncipe deste mundo, o grande mestre do desgoverno, é julgado e expulso.

Tudo estará bem quando for quebrado o poder daquele que fazia tantas maldades. Em terceiro lugar, do poder e do domínio do Senhor Jesus. Ele convencerá o mundo de que todo o juízo é dado ao Senhor Jesus, e que Ele é o Senhor de tudo e de todos. A evidência disto é que Ele julgou o príncipe deste mundo, feriu a cabeça da serpente, destruiu aquele que tinha o poder da morte, e despojou os principados.

Se Satanás foi dominado desta maneira por Cristo, nós podemos ter a certeza de que nenhum outro poder pode se erguer diante dele. Em quarto lugar, do dia do juízo final: todos os inimigos obstinados do Evangelho e do reino de Cristo certamente receberão, por fim, seu tratamento, pois o Diabo, seu cabeça, será julgado.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 1002.

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

SÍNTESE DO TÓPICO III

O Espírito Santo convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

”Paulo nos revela que se confessarmos com a nossa boca que Jesus é Senhor e realmente cremos que Deus o ressuscitou dentre os mortos, seremos salvos. Porque, quando cremos no coração, somos justificados. E, quando confessamos que Deus ressuscitou Jesus dentre os mortos vivos somos salvos ( Rm 10.9,10). Paulo nos garante que ninguém pode dizer: ‘ Jesus é Senhor ‘, a não ser pelo Espírito Santo ( 1 Co 12.3). Impossível aos hipócritas ou falsos Mestres falarem, da boca para fora, as palavras ‘ Jesus é Senhor ‘.

Mas dizer que Jesus é verdadeiramente Senhor (que envolve o compromisso de seguir e de cumprir sua vontade, ao invés de os nossos próprios planos e desejos) exige a presença do espírito santo dentro de nós e o coração e espírito novos, conforme conclama Ezequiel 18. 31. Nosso próprio ser confessa que Jesus é Senhor à medida que o Espírito Santo começa a transformar-nos segundo a imagem de Deus” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma perspectiva Pentecostal. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.396).

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

CONCLUSÃO

Diante do exposto Ficamos sabendo que o sentido de Consolador aplicado ao Espírito é inerente à sua natureza e obra. O espírito santo atua na igreja para guiar o povo de Deus de forma coletiva com as ovelhas individualmente e age também no mundo no processo da salvação.

2 Lição 1 Tri 21 A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção

PARA REFLETIR

A respeito de “A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção”, responda:

Por que Jesus precisava voltar ao Pai?

Jesus precisava voltar ao Pai para possibilitar a vinda do Consolador.

Qual é a ideia de parakletos?

A ideia de parakletos é de alguém chamado para estar ao lado para ajudar.

Quem imprime em nós o caráter de Cristo?

O Espírito Santo.

De que pecado e justiça o Espírito convence o mundo?

O pecado da incredulidade (Jo 16.9) e a justiça impecável de Jesus (Jo 8.46).

A que se refere o juízo sobre o qual o Espírito convence o mundo?

Esse “juízo” é uma referência ao julgamento de nossos pecados na cruz do Calvário e ao mesmo tempo ao julgamento de Satanás, que já foi vencido por Jesus da sua morte e ressurreição.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

O VERDADEIRO PENTECOSTALISMO

1 Lição 1 Tri 21 A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

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