2 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO

 

2 LIÇÃO 1 TRI 23 - O AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO

2 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Então, disse: Eis que eu faço um concerto, farei diante de todo o teu povo maravilhas que nunca foram feitas em toda a terra, nem entre gente alguma.” (Êx 34.10a)

 

VERDADE PRÁTICA

 

A Bíblia revela que Deus responde ao seu povo com muitos avivamentos como resposta às orações e súplicas.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – 2 Cr 34.31 O concerto real para guardar os mandamentos santos

 

Terça – Ed 1.1-11 Ordem divina para reconstruir o Templo em Jerusalém

 

Quarta – 2 Cr 14.1-6 A Abolição de toda a idolatria em Judá

 

Quinta – Jl 2.23-27 Deus promete abundância e prosperidade ao seu povo

 

Sexta – 2 Cr 8.1-6 Salomão constrói várias cidades após a manifestação da glória

 

Sábado – Êx 19.16-19 O avivamento com fogo e trovões

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

2 Crônicas 34.29-33

 

29- Então, o rei convocou e ajuntou todos os anciãos de Judá e Jerusalém.

 

30- E o rei subiu à Casa do SENHOR com todos os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém, e os sacerdotes, e os levitas, e todo o povo, desde o maior até ao menor; e ele leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro do concerto, que se tinha achado na Casa do SENHOR.

 

31- E pôs-se o rei em pé em seu lugar e fez concerto perante o SENHOR, para andar após o SENHOR e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo as palavras do concerto, que estão escritas naquele livro.

32- E fez estar em pé a todos quantos se achavam em Jerusalém e em Benjamim; e os habitantes de Jerusalém fizeram conforme o concerto de Deus, do Deus de seus pais.

 

33- E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de Israel; e a todos quantos se achará em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao SENHOR, seu Deus; todos os seus dias não se desviaram de após o SENHOR, Deus de seus pais.

 

 

Hinos Sugeridos: 30, 75, 89 da Harpa Cristã

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

Nesta lição, temos o propósito de fazer um panorama dos avivamentos em diferentes momentos na história de Israel. Embora a palavra não apareça claramente nos textos do AT, e inconteste que, em diferentes

ocasiões, juntamente com o povo, o rei da ocasião fazia um movimento de retorno aos primeiros fundamentos revelados na Tora. Muitas vezes o apelo a esse retorno vinha por meio dos profetas e, atendendo a eles, o rei tomava a iniciativa de acabar com as idolatrias, trazer de volta os princípios das leis e restaurar a adoração no Templo. A partir desse estudo no AT, veremos o quanto se faz necessário uma busca sincera por um avivamento espiritual

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Analisar exemplos de avivamentos no AT;

II)Constatar a importância da confissão de pecados e do retorno à Bíblia;

III) Desenvolver o aspecto corretivo da Palavra de Deus e o perigo do formalismo.

B) Motivação: Na lição anterior, vimos que um dos muitos significados que podemos dar ao Avivamento é o retorno às primeiras obras. Nesta lição, percebemos dois temas importantes: confissão de pecados e retorno à Bíblia. Esses dois aspectos são indispensáveis para a busca de um verdadeiro avivamento espiritual.

C) Sugestão de Método: Após expor o primeiro tópico da lição, escreva na lousa o seguinte: confissão de pecados e retorno à Bíblia. Pergunte à classe o que passa pela mente ao ler essas duas expressões. Ouça as respostas atentamente. Em seguida, correlacione essas duas expressões ao tema do terceiro tópico: a necessidade do avivamento para hoje.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Ao finalizar o terceiro tópico, mostre a classe que uma das lições preciosas que o AT nos ensina a respeito da busca de um avivamento é a disponibilidade para reconhecer o erro, confessando-o ao Senhor, e, posteriormente, uma convicção profunda para fazer diferente de acordo com o que a Palavra de Deus ensina por meio de Jesus Cristo e seus apóstolos.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão, Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na Edição 92, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) texto “Oração e Confissão de Neemias é uma reflexão a respeito da oração e confissão que aprofunda o segundo tópico desta lição, 2) O texto “O Formalismo destrói a Espiritualidade da Igreja” é uma alerta que pode ajudar a aplicar melhor o terceiro tópico. Leve em conta esses dois textos na elaboração de sua aula.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIOS

 

Houve momentos em que o povo israelita deixou-se levar por práticas estranhas que provocaram a ira de Deus e a consequente punição da nação. Quando essa situação parecia não ter saída, um homem, ou uma mulher de fé, levanta­va-se de maneira humildade e quebrantada, buscando a Deus e confessando os pecados do povo. Então, o Altíssimo ouvia as orações e enviava do céu um avivamento como chuva serôdia. Registros como esse, no Antigo Testamento, fundamentam o ensino desta lição.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

No Antigo Testamento, temos diversos avivamentos e reavivamentos ocorridos em ocasiões diferentes. De modo geral, esses movimentos eram provocados por Deus em resposta aos que a Ele clamavam por mudanças em situações de frieza espiritual, de pecaminosidade acentuada, ou de rebelião contra Deus, pela prática de atos contrários à sua Lei ou aos seus mandamentos. Podemos refletir sobre alguns desses momentos especiais em que a nação israelita deixou-se dominar por posturas estranhas que provocaram a ira de Deus e os seus castigos.

Quando tudo parecia não ter saída ou solução, houve alguém com fé que, com humildade e quebrantamento, buscou a Deus, fazendo confissão pelos pecados do povo, e o Senhor ouviu as orações e enviou do Céu um avivamento como uma chuva serôdia.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

O padrão bíblico de avivamento está na Bíblia

Os primórdios do avivamento bíblico aparecem em Gênesis. Segundo Coleman, o que se pode chamar de “o grande despertamento geral” ocorreu nos dias de Sete, pouco depois do nascimento de seu filho Enos: “Então se começou a invocar o nome do Senhor” (Gn 4.26) (12). O nome Enos quer dizer fraco ou doente. O que é deveras significativo. Considerando o assassinato de Abel (Gn 3.9-15) e o aparecimento cada vez mais forte de doenças na raça humana, o nome Enos era bastante adequado. “É provável que fosse um reflexo da consciência da depravação humana e da necessidade da graça divina” (13). À parte desta indicação não existe nenhum outro relato de avivamento no princípio da história da raça humana. O relato subsequente do dilúvio ilustra de modo dramático o que acontece com um povo que não se arrepende de seus pecados.

Depois temos os patriarcas que por vários séculos lideraram o povo de Deus. Sempre que a vitalidade espiritual do povo se desvanecia, eles agiam como a força que promovia novo vigor. O breve avivamento na casa de Jacó é um bom exemplo disso (Gn 35.1-15). Mais tarde, sob a liderança de Moisés, há períodos empolgantes de refrigério, especialmente nos acontecimentos ligados à primeira páscoa (Ex 12.21-28), na outorga da lei do Senhor no Sinai (Ex 19.1-25; 24.1-8; 32.1-35.29) e no levantamento da serpente de bronze no monte Hor (Nm 21.4-9).

No tempo de Josué um despertamento espiritual predominou em suas campanhas, como na travessia do rio Jordão (Js 3.1-5.12) e na conquista de Ai (Js 7.1-8.35). Mas quando terminaram as guerras e o povo se assentou para desfrutar os despojos da vitória, uma apatia espiritual se apoderou da nação. Sabendo que seu povo estava dividido, Josué reuniu as tribos de Israel, em Siquém, e exigiu que cada um escolhesse, de uma vez por todas, a quem servir (Js 24.1-15). Um verdadeiro avivamento segue-se a esse desafio, prosseguindo durante “todos os dias de Josué, e todos os dias dos anciãos que ainda viveram muito tempo depois de Josué, e sabiam toda a obra que o Senhor tinha feito a Israel” (Js 24.31).

O período de trezentos anos de liderança dos juízes mostra os israelitas, de quando em quando, traindo o Senhor e servindo a outros deuses. O juízo de Deus é inevitável. Então, após longos anos de opressão, o povo se arrepende e clama ao Senhor (Jz 3.9,15; 4.3; 6.6,7; 10.10). Em cada ocasião Deus responde as orações, enviando-lhes um libertador que liberta o povo na vitória contra os inimigos. Um dos maiores movimentos avivalistas aparece no final desse período, sob a direção de Samuel (I Sm 7.1-17).

Tempos de renovação ocorreram periodicamente no período dos reis. A marcha de Davi, entrando com a arca em Jerusalém, possui muitos ingredientes de um avivamento (2 Sm 6.12-23). A dedicação do templo, no início do reinado de Salomão, é outro grande exemplo (I Rs 8). O avivamento também chega a Judá nos dias de Asa (I Rs 15.9-15). E Josafá, outro rei de Judá, lidera uma reforma (I Rs 22.41-50), bem como o sacerdote Joiada (2 Rs 11.4-12.16). Outro poderoso despertamento é vivenciado na terra sob a liderança do rei Ezequias (2 Rs 18.1-8). Por fim, a descoberta do livro da lei, durante o reinado de Josias, dá início a um dos maiores avivamentos registrados na Bíblia (2 Rs 22,23; 2 Cr 34,35).

Ainda, sob a liderança de Zorobabel e Jesua, outra vez começa a reacender um novo avivamento (Ed 1.1-4.24). Tendo as intimidações dos inimigos induzido os judeus a interromperem a reconstrução do templo, os profetas Ageu e Zacarias entraram em cena para instigar o povo a prosseguir (Ed 5.1-6.22; Ag 1.1-2.23; Zc 1.1-21; 8.1-23). Setenta e cinco anos depois, com a chegada de outra expedição liderada por Esdras, novas reformas são iniciadas em Jerusalém, dando-se mais atenção à lei (Ed 7.1-10.44). O avivamento alcança o auge poucos anos depois, quando Neemias se apresenta para completar a construção dos muros de Jerusalém e estabelecer um governo teocrático (Ne 1.1-13.31).

Uma oração por avivamento e a promessa de sua ocorrência encontramos também em Joel 2.28-32; Habacuque 2.14-3.19 e Malaquias 4.

O PADRÃO BÍBLICO DE AVIVAMENTO.

 

 

I- PANORAMA DOS AVIVAMENTOS NO ANTIGO TESTAMENTO

 

1- O avivamento no tempo de Moisés.

 

Quando José, o filho de Jacó, morreu, o povo israelita sofreu com a tirania de Faraó que não conhecia a história de benefícios que os judeus receberam da parte de Deus, no governo de José (Êx 1.8,9,13,14; At 7.18,19). Nesse contexto, Moisés foi divinamente chamado no Monte Horebe, e viu uma sarça que queimava, mas não se consumia.

Ao se aproximar daquela imagem, Deus o chamou para libertar o seu povo do Egito, dizendo: “Eu sou o Deus de teu pai, o Deus De Abraão, o Deus De Isaque e o Deus de Jacó. E Moisés encobriu o seu rosto, porque temeu olhar para Deus” (Êx 3.6). Diante dessa visão, o Senhor esclareceu que o enviaria ao Egito a fim de libertar seu povo (At 7.32-35).

Por intermédio de Moisés, o Soberano exerceu juízo sobre Faraó, de maneira poderosa, enviando 10 pragas ao Egito, fazendo com que o rei deixasse o povo israelita sair daquele país.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O Antigo Testamento é rico em períodos de avivamento e reavivamento entre o povo de Israel. Nada menos de doze eventos dessa natureza podem ser encontrados no tempo da antiga aliança em ocasiões e situações diferentes. Podemos constatar que houve avivamento no reinado de Davi (2 Sm 6–7); no reino de Asa (2 Cr 14.1-16); com Josafá (2 Cr 17–20); no tempo de Joiada (2 Cr 23–24); no reinado de Ezequias (2 Cr 29–32); com Zorobabel (Ed 1–6); no reino de Josias (2 Cr 34–35); no ministério de Esdras (Ed 1.7-10); e também com Neemias (Ne 1–13); com Esdras (Ed 7–10) e por meio de Joel (1–2).

Neste estudo, escolhemos alguns desses avivamentos como representativos do que o Senhor fez no Antigo Testamento, segundo os seus planos e propósitos. Veremos que, em todos eles, o padrão para o avivamento sempre foi, com algumas variações, uma sequência dada pelo Senhor: (1) uma grande crise, com decadência espiritual e moral; (2) o reconhecimento dos pecados contra Deus; e (3) a humilhação e o quebrantamento para orar e buscar a face do Senhor. Como resultado, Deus, no seu imenso amor, envia o perdão, a graça e a misericórdia a quem se arrepende e busca o seu favor: “Misericordioso e piedoso é o Senhor; longânimo e grande em benignidade” (Sl 103.8).

O sofrimento de Israel no Egito

Deus nunca se viu sem uma testemunha dos seus divinos propósitos ou dos seus planos para um povo, uma nação ou uma igreja. Moisés aparece quando o povo de Israel estava escravizado no Egito pouco tempo depois do falecimento de José, quando se levantou “um rei, que não conhecia José” (At 7.18). Enquanto José era vivo e governava o Egito, o povo experimentou longos anos de paz, saúde e prosperidade. No entanto, quando morreu, o povo sofreu, foi oprimido e torturado sob o peso da tirania do Faraó que não o conheceu e nem reconheceu os grandes benefícios que o seu povo recebera da parte de Deus no governo de José (Êx 1.13,14; At 7.18-19).

O chamado de Moisés

Deus já o houvera escolhido para a grande missão de ser o libertador de Israel da escravidão egípcia. O Senhor manifestou-se a ele de forma estranha. Moisés viu uma árvore — uma sarça — que queimava, mas não se consumia. Ao aproximar-se daquela visão, o Senhor falou com Moisés e chamou-o para ser o libertador e tirar o seu povo do Egito.

O avivamento do Sinai

O sofrimento de Israel tornara-se cruel e insuportável, mas o Senhor estendeu a sua mão e, através de Moisés, operou tantos sinais, prodígios e maravilhas na terra do Egito que Faraó apressou-se em libertar os israelitas. Com a dureza do Faraó, o Senhor enviou as dez pragas, incluindo a morte dos primogênitos, e o Faraó não pôde resistir à dura mão de Deus sobre o seu reino e sobre o seu povo. Sem dúvida alguma, a ação de Deus foi um grande avivamento em resposta ao clamor e aos gemidos do povo. Outro grande avivamento ocorreu quando Moisés foi chamado pelo Senhor para receber os Dez Mandamentos.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Moisés, o libertador do seu povo (7.17-36)

O próximo a aparecer na cena é Moisés. Aqui, possivelmente, Estêvão se alongou um pouco mais, porque foi acusado de falar contra Moisés (6.11). Estêvão, portanto, não deixa seus juizes em dúvida quanto ao imenso respeito pela liderança de Moisés e sua lei. A vida de Moisés pode ser dividida em três períodos de quarenta anos cada.

No primeiro período (0-40 anos) Moisés pensa que é forte. Ele nasceu num tempo perigoso, pois foi exposto a um cruel destino; contudo, nesse cenário foi resgatado por uma extraordinária providência para ser educado na corte de Faraó. Moisés torna-se um homem douto em toda ciência do Egito, reconhecido como um indivíduo poderoso em palavras e obras. E na sua força que tenta ser o libertador do seu povo, mas seus irmãos o rejeitam como tal (7.23-28).

No segundo período (40-80 anos), Moisés reconhece que é fraco. Ao ser rejeitado como libertador do seu povo, foge para a terra de Midiã, onde se estabelece como peregrino, casa-se e tem filhos. Troca o trono do Egito pelo deserto, as carruagens pelo cajado e o conforto na corte pelo calor tórrido do deserto. E nesse deserto que Deus lhe aparece e lhe convoca para ser o libertador de Israel. O mesmo Moisés rejeitado pelos israelitas como autoridade e juiz é agora escolhido por Deus como chefe e libertador do seu povo, com a assistência do Anjo que lhe aparece na sarça (7.29-35).

No terceiro período (80-120), Moisés aprende que Deus é tudo. Já octogenário, Moisés vai ao Egito, libertando o povo de Israel da amarga escravidão. Deus manifesta na terra dos faraós o seu poder, através de portentosos milagres, triunfando sobre Faraó e o panteão de deuses adorados naquela terra (7.36)

Para os judeus, Moisés estava acima de todos os homens que haviam obedecido ao mandato de Deus. Era literalmente o homem que havia deixado um reino para responder ao chamado de Deus para conduzir seu povo. William Barclay corretamente destaca: “O homem de grandeza não é aquele que, como os judeus, está atado a seu passado e apegado aos seus privilégios; o homem verdadeiramente grande é aquele que está pronto a responder ao chamado: sai e deixa para trás toda a comodidade e tranquilidade que tinha”.

LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 159-160.

 

 

Além de bíblica e evangélica, a mensagem de avivamento há de ter ainda outra característica. Refiro-me àquele toque dos céus que levou Moisés e Samuel a se erguerem como os maiores arautos de Jeová na Aliança Antiga, e que impulsionou Isaías e os demais hagiógrafos a perenizarem as palavras que lhes ia insuflando o Eterno. Este toque é a autoridade que força o profeta a apresentar-se como embaixador de Deus. Este toque faz-se tão necessário, hoje, como naqueles idos já tão distantes, quando a idolatria ameaçava afogar cada aliança.

Andrade. Claudionor Corrêa de,. Fundamentos Bíblicos De Um Autêntico Avivamento. Editora CPAD. 1ª edição: 2014. pag. 72.

 

 

2- O avivamento no tempo de Samuel.

 

Deus usou o profeta Samuel para denunciar a maldade do povo rebelde, a apostasia e o desprezo pelo sagrado, no tempo do sacerdote Eli (1Sm 3.13,14,20,21). Então, uma guerra contra os filisteus se instalou na região de Efraim (Ebenézer) e os israelitas foram derrotados. Resultado: a Arca foi tomada, os filhos de Eli, que eram sacerdotes, foram mortos; e, ao saber da tragédia com seus filhos, bem como da tomada da Arca pelos filisteus, o sumo sacerdote Eli também morreu (1Sm 4.11-22).

Foi no contexto desses acontecimentos que Samuel exortou os israelitas ao arrependimento (1Sm 7.2-6). Assim, o povo se humilhou e buscou ao Senhor, que lhe deu uma grande vitória (1 Sm 7.10-13). Um grande avivamento chegou em Israel! E Samuel “julgou a Israel todos os dias da sua vida” (1 Sm 7.15).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

No tempo de Samuel, o último dos juízes e o primeiro entre os profetas, houve desvios espirituais e morais entre o povo de Israel.

O povo pecava constantemente. Diante disso, o Senhor usou o profeta para denunciar ao povo as suas maldades, a sua apostasia e desprezo ao seu Deus.

A trágica derrota para os filisteus

Como temos visto, antes de haver um avivamento, sempre houve uma situação de crise espiritual e moral; sempre houve uma decadência ou afastamento de alguém, de uma liderança, de um povo ou de uma igreja para longe de Deus. Na época de Samuel, o povo de Israel entrou por um caminho perigoso de desobediência. O sacerdote Eli, homem chamado por Deus, começou bem, mas terminou mal o seu ministério. Eli deixou-se levar pelas atitudes pecaminosas dos filhos e não os repreendeu. Deus rejeitou-o (1 Sm 3.13,14). No seu lugar, levantou Samuel, reconhecido pelo povo como “profeta do Senhor” (1 Sm 3.20,21). Israel foi derrotado pelos filisteus. Os israelitas, então, levaram a Arca para o seu arraial, imaginando que o objeto mais sagrado do santuário fosse impedir a derrota diante dos inimigos. Não adiantou nada. A derrota foi maior, e o pior aconteceu: a Arca foi tomada pelos filisteus na batalha, e os sacerdotes, filhos de Eli, morreram na peleja. Ao saber da tragédia, o sacerdote Eli morreu de forma trágica (1 Sm 4.11-22).

As condições para a vitória

Em pleno exercício do sacerdócio, Samuel diz ao povo o caminho para a vitória:

Então, falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao Senhor, e servi a ele só, e vos livrará da mão dos filisteus. (1 Sm 7.3)

Ele mostrou o padrão de Deus para retornar ao centro da sua vontade: (1) conversão de todo o coração; (2) preparar o coração para Deus; e (3) deixar todos os ídolos e servir somente a Deus, o Senhor. Para tanto, precisavam seguir o modelo das condições para o avivamento de 2 Crônicas 7.14: humilhação, oração, busca da face de Deus e conversão dos pecados.

Assim, o povo humilhou-se e agiu segundo a orientação sábia de Samuel:

Então, os filhos de Israel tiraram dentre si os baalins e os astarotes e serviram só ao Senhor. Disse mais Samuel: Congregai todo o Israel em Mispa, e orarei por vós ao Senhor. E congregaram-se em Mispa, e tiraram água, e a derramaram perante o Senhor, e jejuaram aquele dia, e disseram ali: Pecamos contra o Senhor. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mispa. (1 Sm 7.4-6)

A vitória depois do arrependimento

Os inimigos filisteus arregimentaram-se mais ainda contra Israel.

Mesmo já convertidos dos seus pecados, os filhos de Israel tiveram grande temor. Então, rogaram a Samuel que este não cessasse de clamar ao Senhor por livramento. O profeta ofereceu sacrifício a Deus e clamou ao Senhor, “e o Senhor lhe deu ouvidos” (1 Sm 7.9b). A vitória foi retumbante para a glória de Deus:

E sucedeu que, estando Samuel sacrificando o holocausto, os filisteus chegaram à peleja contra Israel; e trovejou o Senhor aquele dia com grande trovoada sobre os filisteus e os aterrou de tal modo, que foram derrotados diante dos filhos de Israel. (1 Sm 7.10)

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

“Arrependimento Nacional. Enquanto a arca esteve em Quiriate-Jearim, houve um período de paz entre Israel e os filisteus. Eleazar fora consagrado para tomar conta da arca da aliança. Durante todo esse período, Samuel, profeta da nação, deve ter servido quieta e constantemente como pastor…

Aqueles anos não foram um tempo de ócio para ele, porquanto logo chegou o dia em que ele chamou o povo para um ato de arrependimento nacional (vs. 3). O motivo óbvio para qualquer reavivamento religioso parece ter sido a promessa de vitória sobre os inimigos. Contudo, por si só, isso não poderia ter produzido um arrependimento de âmbito nacional e universal” (John C. Shroeder, in loc).

A mera presença da arca devolvida não era suficiente. Israel foi chamado à obediência e ao serviço ao Deus da arca. “O que era essencial era a submissão ao Deus da arca (vs. 4)” (Eugene H. Merrill, in loc).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1147.

 

 

Samuel como Juiz (7.3-17)

Samuel havia sido reconhecido como profeta do Senhor há muito tempo. Agora ele assume o seu lugar na história sagrada como o último dos juízes. Estes eram líderes militares por cujas mãos o Senhor trouxe libertação para o seu povo. Também serviam em um trabalho civil, em razão do respeito que os seus companheiros tinham por eles. Embora não saibamos a idade de Samuel na época da captura da arca pelos filisteus, provavelmente estava na casa dos seus quarenta anos na época em que ocorreram os seguintes eventos.

Samuel convocou o povo de Israel para com todo o coração retornarem [converterem-se] ao Senhor (3). Os desastres dos últimos anos e a ocupação pelos filisteus tinham preparado o caminho para essa convocação, pois lamentava toda a casa de Israel após o Senhor (2). Converter-se ao Senhor é a expressão familiar do Antigo Testamento para descrever o genuíno arrependimento. Somente um afastamento sincero dos falsos deuses e um serviço decidido ao Deus verdadeiro poderia abrir caminho para a libertação divina das mãos de seus inimigos.

Os baalins e os astarotes (4) representam os deuses dos cananeus e de grande parte do Oriente Próximo daquela época. Baalins é a forma plural de baal, uma palavra que significa “senhor”, “possuidor” e “marido”. Originalmente um substantivo comum, a palavra passou a ser usada como um nome próprio para descrever as várias divindades locais que supostamente controlavam a fertilidade das terras e dos rebanhos. Também era usada para descrever o baal supremo ou senhor de um país. A adoração aos baalins era viciosa e depravada. Astarote era uma deusa também conhecida como Astarte, adorada pelos fenícios e pelos cananeus. Era correspondente à Vênus dos gregos, e era a deusa do sexo e da fertilidade.

O passo seguinte de Samuel foi reunir o povo em Mispa, quase treze quilômetros ao norte de Jerusalém, e não distante da cidade de Ramá, que era a sua terra natal e onde ele havia estabelecido a sua moradia (1.19; 7.17). Este era um local tradicional de encontro das tribos (Jz 20.1-3; 21.1,5,8; 1Sm 10.17). Ali o povo jejuava, confessava seus pecados e orava. Tiraram água, e a derramaram perante o Senhor (6) como uma libação. Esta não era uma forma comum de adoração entre os israelitas, mas provavelmente está indicada em 2 Samuel 23.16. Há várias suposições de que representa a oração, a absolvição, a purificação, o ato de fazer um voto, ou uma penitência.

T. Purkiser, M. A.. Comentário Bíblico Beacon I e II Samuel. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 191.

 

 

3- O avivamento no tempo de Josias.

 

Depois do reinado de Ezequias, rei de Judá; Manassés, seu filho, corrompeu-se, caiu na idolatria e no culto aos demônios, ergueu altares nos pátios da casa do Senhor, fez passar seus filhos pelo fogo e usou de práticas ocultistas (2 Cr 33.1-10). Como punição, Deus enviou exércitos assírios para o prenderem com cadeias. Entretanto, Manassés se arrependeu, Deus ouviu sua oração e lhe restituiu o reino (1 Cr 33.11-13). Após a morte de Manassés, seu filho, Amom, reinou em seu lugar. Infelizmente, esse rei não seguiu o exemplo do pai e governou de maneira corrupta. Por isso, seus servos o mataram e o povo declarou Josias rei em seu lugar (2 Cr 33.11-25).

Diante desse momento incerto, o rei Josias realizou uma verdadeira reforma espiritual na vida da nação. Ele derrubou altares aos demônios, destruiu imagens de esculturas e estendeu essas medidas saneadoras a outras cidades. Ele mesmo ficou à frente dessas ações para levar o povo de volta aos pés do Senhor (2Cr 34.1-7). A situação espiritual era tão decadente, que até o livro da Lei havia se perdido no Templo, mas foi achado durante as obras do santuário (2Cr 34.14,15). Assim, o Altíssimo usou a reforma do rei Josias para conduzir o povo a um novo avivamento espiritual (2Cr 35.16-19).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Israel em decadência espiritual

O povo de Israel deixou-se levar pelas influências malignas e voltou-se outra vez para longe dos seus santos caminhos. Em lugar de buscar ao Senhor e agradecê-lo pelas bênçãos e livramentos experimentados na sua história, o povo seguiu o exemplo dos seus antecessores que, depois de prosperar, deram as costas para o Senhor.

a) A terrível idolatria. Depois do reinado de Ezequias, considerado um bom rei, governou o país o seu filho, Manassés, que realizou um governo corrupto e marcado pela idolatria, a ponto de levantar altares aos baalins e encurvar-se perante os astros.

Manassés construiu altares aos ídolos e demônios em ambos os pátios da “Casa do Senhor” e levou o povo a fazer “pior do que as nações que o Senhor tinha destruído de diante dos filhos de Israel.

E falou o Senhor a Manassés e ao seu povo, porém não lhe deram ouvidos” (2 Cr 33.1-10).

b) O juízo de Deus e a reconciliação. Em resposta à rebelião de Manassés e de Israel, o Senhor mandou os exércitos da Assíria, que o prenderam com cadeias. Diante da amarga situação, Manassés arrependeu-se, humilhou-se e clamou ao Senhor. E Deus ouviu a sua oração e restituiu-lhe o reino: “[…] então, reconheceu Manassés que o Senhor é Deus”. Como consequência do seu arrependimento, Manassés reconstruiu muros, tirou da Casa do Senhor os deuses estranhos e reparou o altar do Senhor que estava destruído. Ele morreu reconciliado com Deus, e o seu filho, Amom, foi o seu sucessor. Em lugar de seguir o exemplo do pai, honrando ao Senhor, o jovem monarca fez ainda pior do que ele. O seu reinado durou pouco. Os seus servos mataram-no e a toda a sua família. E fizeram Josias rei no seu lugar (2 Cr 33.11-25).

Josias – um rei usado por Deus

Josias tinha tudo para ser um mau rei. Era filho de Amom, que fora um péssimo chefe de Estado e que se comportou de modo reprovável diante de Deus. Todavia, colocou-se diante de Deus como o seu servo para fazer a sua santa vontade. Assumiu o reino ainda criança, com apenas oito anos de idade, como quase sempre acontecia quando a norma era passar o governo de pai para filho.

Na adolescência, com 16 anos, “começou a buscar o Deus de Davi, seu pai” e, no duodécimo ano, com vinte anos, “começou a purificar a Judá e a Jerusalém dos altos, e dos bosques, e das imagens de escultura e de fundição” (2 Cr 34.1-3).

a) Era o começo de um grande e poderoso avivamento. Josias programou e realizou uma verdadeira limpeza na vida espiritual corrompida da nação. Ele derribou altares aos demônios, destruiu imagens de esculturas, reduzindo-as a pó, e estendeu essas medidas saneadores da adoração a Deus em outras cidades, como em Manassés, Efraim, Simeão e até mesmo em Naftali e os seus arredores. Ele próprio ficou à frente dessas medidas drásticas, porém necessárias, para levar o povo de volta aos pés do Senhor (2Cr 34. 4-7). Além do zelo pelo lado espiritual da nação, Josias foi um grande administrador. O Templo estava destruído, carecendo de reforma e reconstrução. Josias buscou homens de confiança e promoveu a reconstrução do santuário com recursos postos nas mãos de homens hábeis e fiéis (2 Cr 34.8-14).

b) Acharam o livro da Lei. Mesmo com todo o empenho de Josias em buscar ao Senhor com o seu povo, a situação espiritual de Israel era tão decadente que, durante quase vinte anos, a Lei do Senhor não tinha sido valorizada. Até o livro da Lei estava perdido.

Durante a reconstrução do Templo, liderada pelo sumo sacerdote Hilquias, ajudado por homens que “trabalhavam fielmente na obra”, houve uma descoberta jamais esperada em meio aos escombros do Templo:

E, tirando eles o dinheiro que se tinha trazido à Casa do Senhor, Hilquias, o sacerdote, achou o livro da Lei do Senhor, dada pelas mãos de Moisés.

E Hilquias respondeu e disse a Safã, o escrivão: Achei o livro da Lei na Casa do Senhor. E Hilquias deu o livro a Safã. (2 Cr 34.14-15)

Quando Josias tomou conhecimento de que o livro da Lei, dado por Moisés para o povo de Israel, houvera sido achado, foi grande a sua preocupação:

Sucedeu, pois, que, ouvindo o rei as palavras da Lei, rasgou as suas vestes. E o rei deu ordem a Hilquias, e a Aicão, filho de Safã, e a Abdom, filho de Mica, e a Safã, o escrivão, e a Asaías, ministro do rei, dizendo:

Ide, consultai ao Senhor, por mim e pelos que restam em Israel e em Judá, sobre as palavras deste livro que se achou, porque grande é o furor do Senhor, que se derramou sobre nós; porquanto nossos pais não guardaram a palavra do Senhor, para fazerem conforme tudo quanto está escrito neste livro (2 Cr 34.19-21 – grifo acrescido).

c) A avivamento com juízo de Deus. O Senhor usou a profetisa

Hulda para responder ao rei que mandou consultar ao Senhor pela gravíssima situação do povo de terem desprezado a Lei do Senhor durante tanto tempo. Ela primeiramente falou sobre o juízo de Deus sobre Israel e que traria todas as maldições que constavam no livro perdido:

Assim diz o Senhor: Eis que trarei mal sobre este lugar e sobre os seus habitantes, a saber, todas as maldições que estão escritas no livro que se leu perante o rei de Judá. Porque me deixaram e queimaram incenso perante outros deuses, para me provocarem à ira com toda a obra das suas mãos; portanto, o meu furor se derramou sobre este lugar e não se apagará (2 Cr 34.24,25).

O rei Josias, entretanto, tinha o reconhecimento de Deus de que era um homem sábio, humilde e santo. E, pela profetisa Hulda, o Senhor mandou dizer a ele o seguinte:

Porém ao rei de Judá, que vos enviou a consultar ao Senhor, assim lhe direis: Assim diz o Senhor, Deus de Israel, quanto às palavras que ouviste: Como o teu coração se enterneceu, e te humilhaste perante Deus, ouvindo as suas palavras contra este lugar e contra os seus habitantes, e te humilhaste perante mim, e rasgaste as tuas vestes, e choraste perante mim, também eu te tenho ouvido, diz o Senhor. Eis que te ajuntarei a teus pais, e tu serás recolhido ao teu sepulcro em paz, e os teus olhos não verão todo o mal que hei de trazer sobre este lugar e sobre os seus habitantes. E voltaram com esta resposta ao rei. (2 Cr 34.26-28 – grifo acrescido)

Diante da resposta de Deus, o rei Josias tomou urgentes medidas para atender à vontade do Senhor, provocando um dos maiores avivamentos do Antigo Testamento:

Convocou toda a liderança do povo (v. 29);

Convocou todo o povo de Judá para ir ao Templo com ele (v.30a);

Ele próprio fez questão de ler o livro da Lei, no livro achado no Templo (v.30b);

Ele pôs-se de pé e “fez concerto perante o Senhor, para andar após o Senhor e para guardar os seus mandamentos, e os seus testemunhos, e os seus estatutos, com todo o seu coração e com toda a sua alma, cumprindo as palavras do concerto, que estão escritas naquele livro” (v.31);

Josias eliminou todas as abominações praticadas pelo povo de Israel: “E Josias tirou todas as abominações de todas as terras que eram dos filhos de Israel; e a todas quantos se achara em Israel obrigou a que com tal culto servissem ao Senhor, seu Deus; todos os seus dias não se desviaram de após o Senhor, Deus de seus pais” (v.33);

E, para concluir medidas e providências que revelavam um grande avivamento entre o povo, Josias celebrou a Páscoa em Jerusalém, conforme todo o rito previsto na Lei de Moisés. A Páscoa deixara de ser celebrada desde o tempo do profeta Samuel. Dezoito anos depois, Josias restaurou essa festa determinada por Deus: “E os filhos de Israel que ali se acharam celebraram a Páscoa naquele tempo e a Festa dos Pães Asmos, durante sete dias. Nunca, pois, se celebrou tal Páscoa em Israel, desde os dias do profeta Samuel, nem nenhuns reis de Israel celebraram tal Páscoa como a que celebrou Josias com os sacerdotes, e levitas, e todo o Judá e Israel que ali se acharam, e os habitantes de Jerusalém. No ano décimo oitavo do reinado de Josias, se celebrou essa Páscoa” (2 Cr 35.1-18 grifo acrescido).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Josias, 640-608 a.C. (34.1—35.27)

Nos relatos do reinado de Josias, o cronista difere do escritor de Reis ao separar as reformas iniciais daquelas que vieram após a descoberta da lei (cf. 2 Rs 22.1-23.30).

Ascensão (34.1,2). Josias era um ano mais velho do que Joás quando começou o seu reinado de trinta e um anos em Jerusalém. Ele andava por um caminho reto à medida que seguia ao Senhor.

A reforma (34.3-7,33). Josias promoveu sua reforma durante toda a sua vida. Estas reformas começaram no duodécimo ano (3) de seu reinado, quando ele tinha vinte anos de idade. Elas foram o resultado de sua atitude de começar a buscar o Deus de Davi quando tinha dezesseis anos de idade. Para liderar a outros, é necessário que o líder se aprofunde em sua vida espiritual. As reformas do rei consistiram em: (a) purificar a nação dos altos, bosques e imagens esculpidas e de fundição (3); (ò) destruir os altares de Baal e queimar os ossos dos sacerdotes sobre os seus altares (4,5); (c) estender a sua influência até o território que havia sido ocupado pelo Reino do Norte (6,7). A frase em seus lugares assolados (6) é traduzida em algumas versões como “no meio das suas ruínas”.

Robert L. Sawyer. Comentário Bíblico Beacon I e II Cronicas. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 473.

 

 

O Reinado de Josias v.1-7

Acerca de Josias somos informados: 1. Que ele assumiu o trono quando era muito jovem, com apenas oito anos de idade (contudo a sua infância não o privou do seu direito), e ele reinou por trinta e um anos (v. 1), um tempo considerável. Eu temo, porém, que no início do seu reinado as coisas tenham sido em boa parte como tinham sido no tempo de seu pai, porque, sendo uma criança, ele deve ter deixado a administração delas com outros; de modo que só foi no seu duodécimo ano, ou seja, muito tempo depois que ele assumiu o trono, que a reforma começou, v. 3. Ele não pôde, como aconteceu com Ezequias, executá-la imediatamente. 2. Que ele reinou muito bem (v. 2), foi aprovado por Deus, andou nos caminhos de Davi, sem se desviar deles nem para a direita nem para a esquerda; porque há erros em ambas as mãos. 3. Que enquanto era jovem, com cerca de dezesseis anos de idade, ele começou a buscar a Deus, v. 3. Temos motivos para pensar que ele não teve uma educação tão boa quanto Manassés (e já terá sido uma boa coisa se aqueles que estavam ao seu redor não se esforçaram para corrompê-lo); contudo, ele buscou a Deus quando era jovem.

E o dever e o interesse dos jovens, e será particularmente a honra dos jovens, que tão logo cheguem à idade do entendimento, comecem a buscar a Deus; porque aqueles que o buscam cedo, o acharão. 4. Que no duodécimo ano do seu reinado, quando é provável que tenha assumido inteiramente a administração do governo em suas próprias mãos, Jo- sias tenha começado a purificar o seu reino do que havia sobrado da idolatria; ele destruiu os altos, os bosques, as imagens de escultura, os altares, e todos os utensílios da idolatria, w. 3, 4. Ele não só os lançou fora como fez Manassés, mas os despedaçou, reduzindo-os a pó. E dito aqui que esta destruição da idolatria ocorreu em seu duodécimo ano, mas também foi dito (2 Rs 23.23) que foi no seu oitavo ano. Algo provavelmente foi feito neste sentido no seu duodécimo ano; então ele começou a remover a idolatria, mas está boa obra encontrou oposição, de forma que ela não foi totalmente feita até que tivessem encontrado o livro da lei seis anos depois. Mas aqui toda a obra é reunida de forma abreviada, o que foi muito mais amplamente e particularmente relatado nos livros dos Reis. Seu zelo o levou a fazer isto, não só em Judá e Jerusalém, mas também nas cidades de Israel, visto que ele tinha alguma influência sobre elas.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 768-769.

 

 

SINOPSE I

 

Neste tópico destacamos os exemplos de avivamento no tempo de Moisés, de Samuel e do rei Josias.

 

 

II- CONFISSÃO DE PECADOS E RETORNO A PALAVRA DE DEUS

 

1- O chamado de Neemias.

 

Neemias se achava na função de copeiro do rei Artaxerxes, da Pérsia, quando foi informado da miséria em que a cidade de Jerusalém se encontrava. Apesar de o Templo estar reconstruindo, os muros da cidade estavam fendidos “e as suas portas, queimadas a fogo” (Ne 1.3). Neemias orou durante quatro meses com grande lamentação (Ne 1.4).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Por causa da desobediência ao Senhor, o povo de Israel, com as suas dez tribos (Reino do Norte), foi levado cativo à Assíria, no reinado de Peca, em 740 a.C., e o restante, em 721 a.C.;5 em 597 a.C., no reinado de Joaquim (Dn 1.1), foi a vez de Judá (Reino do Sul) ser levado à Babilônia, por ordem de Nabucodonosor.6 Ali, os cativos tiveram certa liberdade religiosa com Daniel, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, mas o seu filho, Belsazar, orgulhou-se e perdeu o reino para os medos e os persas (Dn 5.28-31), que foi conquistado por Dario, o medo. Foi um tempo de grande crise espiritual e moral para o povo de Israel.

Deus Chamou Neemias

O seu nome significa “Deus consola”. No momento em que se informou da crítica situação de Jerusalém, Neemias achava-se na função de copeiro do rei Artaxerxes, da Pérsia. Catorze anos depois da expedição de Esdras (444 a.C), Neemias foi informado da miséria em que se encontrava Jerusalém, mesmo depois de o Templo já estar reconstruído (Ne 1.1.2). A missão de Neemias era reconstruir os muros de Jerusalém que estavam fendidos “e as suas portas, queimadas a fogo” (Ne 1.3). Já temos uma grande lição aqui.

Não adianta nada ter um templo bonito se os crentes estão em desobediência ao Senhor Deus. O resultado é miséria espiritual, que pode levar à ruína moral e material. Templo sem muro é igreja sem doutrina, sem proteção. Portas queimadas são sinônimos do liberalismo que domina muitas igrejas; são portas que permitem a entrada do mundanismo. Por acaso, não é o que está ocorrendo com grande parte das igrejas evangélicas em nosso país, as quais perderam a sua identidade e os padrões norteadores da conduta cristã?

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

O Chamado de Neemias

Quem era Neemias. Seu nome significa “Deus Consola”. Era filho de Hacalias. Pouco se sabe a respeito de sua família. Ele tinha um irmão, por nome Hanani (Ne 7.2). No momento em que se informou da crítica situação de Jerusalém, ele se achava na função de copeiro do rei Artaxerxes, da Pérsia. Era uma função de plena confiança do monarca. O copeiro sempre tinha acesso ao rei. Segundo Warren, “O copeiro do rei era uma combinação do primeiro ministro, guarda-costas, agente pessoal de segurança e ajudante do rei. Era a pessoa na qual o rei mais confiava.

Suas responsabilidades incluíam a obrigação de provar o vinho antes que o rei o bebesse, para assegurar-se de que não estava envenenado. Artaxerxes lhe confiava a própria vida”.

Não consta que Neemias pertencesse a uma família importante. Residia no palácio como membro de um povo que estava sob o domínio estrangeiro. Possivelmente, fosse um verdadeiro servo de Deus que soube dar testemunho de sua fidelidade e amor ao seu povo. Deus usa pessoas independente de sua classe social, função ou cargo que exerça. A sua exigência é que seja um servo fiel.

Chamado por Deus.

Catorze mios depois da expedição de Esdras (444 a.C), Neemias foi informado da miséria em que se encontrava Jerusalém, apesar de o Templo já estar reconstruído (Ne 1.1.2). A missão de Neemias era reconstruir os muros de Jerusalém que estavam fendidos “e as suas portas, queimadas a fogo” (Ne 1.3). Aqui já temos uma grande lição. Não adianta ter um templo bonito se os crentes estão em desobediência ao Senhor.

O resultado é miséria espiritual, que pode levar à ruína moral e material. Templo sem muro é igreja sem doutrina, sem proteção. Portas queimadas são sinônimo do liberalismo que domina muitas igrejas. Portas que permitem a entrada do mundanismo. Será não é isso o que está ocorrendo com grande parte das igrejas evangélicas em nosso país? Perderam sua identidade e os padrões norteadores da conduta cristã.

Orando em tempos de crise. “Assentei-me e chorei…” (Ne 1.4). Crise significa tanto ameaça quanto oportunidade. Neemias era um honrado oficial do rei da Pérsia. Ao tomar conhecimento da situação de seu povo em Jerusalém, sentiu-se tocado para fazer alguma coisa. Mas antes orou a Deus. Sua longa oração (Ne 1.5-10), com lágrimas, lamento, jejum, adoração, súplica, confissão de pecados e intercessão, é um exemplo de como um homem de Deus deve posicionar-se em momentos de crise. Ele seguiu o que Deus declarou em 2 Crônicas 7.14. Hoje, no meio evangélico brasileiro, há muitos pregadores, cantores, mas poucos gostam de orar. Para orar não se cobram cachês, não se disputam lugares. Muitos falam, mas poucos se quebrantam em oração.

Renovato. Elinaldo,. O livro de Neemias, Integridade e coragem em tempos de crise. Editora CPAD. Ed. 2011.

 

 

Disseram-me. A Triste Sorte de Judá. O relatório de Esdras sobre as condições em Judá e em Jerusalém parece ter sido rósea demais. Os que residiam em Jerusalém falavam de uma realidade mais dura. O pcvo era pobre e miserável; vivia em estado de aflição; as muralhas da cidade tinham sido derrubadas, tornando-os vítimas fáceis de qualquer inimigo. Em breye veremos, no presente livro, que havia conflitos internos e oposição. A despeito dos decretos de Ciro (Esd. 1.1 ss.) e Artaxerxes (Esd. 7), havia muitos que não queriam ver Jerusalém e Judá restauradas, e faziam o que podiam para opor-se aos esforços dos judeus, embora o governo persa lhes fosse favorável.

“As condições em Jerusalém anunciadas pelos amigos de Hanani (vs. 3)… pareciam requerer uma calamidade recente de algum tipo… Neemias poderia ter ignorado ou esquecido esses relatórios, mas ele tinha uma imaginação suficientemente boa para perceber o que eles queriam dizer, e também tinha um senso de lealdade e de responsabilidade a fim de considerar esses relatórios com preocupação. A despeito de sua própria alta e afluente posição, ele sentia ‘a grande tribulação e a vergonha’ de seus compatriotas” (Charles W. Gilkey, in loc.).

Nossa história do período não é muito completa, de modo que não sabemos dizer que grande aflição tinha sobrevindo a Jerusalém. Mas uma série de eventos muito graves parece ter acontecido.

Adam Clarke, talvez corretamente, observou que as muralhas derribadas provavelmente significavam que uma parte tinha sido reconstruída sob a liderança de Esdras. Nesse caso, a referência primária não era ao que os babilônios tinham feito contra a cidade, em 587 A. C.

Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me e chorei. Cf. a aflição, as lamentações e o jejum de Neemias às mesmas reações de Esdras, antes dele (ver Esd. 9.3 ss.). Grandes emoções correspondem a uma grande preocupação pelo bem-estar do povo. Cl. Jó 2.8,12,13. Adam Clarke faz o tempo de lamentações ir do mês de quisleu (dezembro) até o mês de nisã (abril), cerca de quatro meses, a. Nee. 1.1 a 2.1.

Seja como for, Neemias, pensando constantemente no desastre que havia atingido Jerusalém, passou longo tempo profundamente preocupado. Isso tinha de transformar-se, finalmente, em ação. “Nem toda boa obra é efetuada as pressas. A oração e a vigilância são necessárias para que haja algo completo. Muitas boas obras têm sido arruinadas por atos apressados” (Adam Clarke, in loc.).

Em contraste com este versículo, comparado a Nee. 2.1, Josefo diz-nos que Neemias compareceu diante do rei persa imediatamente, ou seja, agiu de imediato.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1775.

 

 

2- A confissão de pecados.

 

“[…] E faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, que pecamos contra ti, também e a casa de meu pai pecamos” (Ne 1.6b). Esse foi um dos pontos altos da oração de Neemias. Na condição de um intercessor, ele se incluiu entre os pecadores, mencionando a casa de seu próprio pai. Neemias confessou, mas “De todo nos corrompemos contrária, não guardamos os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, te servo” (Ne 1). A confissão dos pecados é condição indispensável para viver um verdadeiro avivamento espiritual.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

“[…] e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, que pecamos contra ti; também eu e a casa de meu pai pecamos” (Ne 1.6b). Esse, certamente, foi um dos pontos altos da oração de Neemias. Ele tinha consciência do pecado do seu povo, da sua desobediência e rebeldia perante Deus.

E, na condição de um intercessor, ele confessou que se incluía entre os pecantes, incluindo a casa do seu próprio pai. Nessa hora, as sementes da vitória já estavam sendo lançadas. Neemias não orou como certos crentes, inclusive obreiros, que encobrem os pecados do povo, da sua família e deles próprios. Ele confessou mais: “De todo nos corrompemos contra ti e não guardamos os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo” (Ne 1.7).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Ele fez confissão de pecados,”…e faço confissão pelos pecados dos filhos de Israel, que pecamos contra ti; também eu e a casa de meu pai pecamos” (Ne 1.6b). Esse certamente foi um dos pontos altos da oração de Neemias. Ele tinha consciência do pecado de seu povo, de sua desobediência e rebeldia perante Deus. E, na condição de um intercessor, confessou que se incluía entre os pecadores, incluindo a casa de seu próprio pai. A partir desse momento lançou as sementes da vitória. Neemias não orou como certos crentes, inclusive obreiros, que encobrem os pecados do povo, de sua família e os dele próprio. Confessou mais: “De todo nos corrompemos contra ti e não guardamos os mandamentos, nem os estatutos, nem os juízos que ordenaste a Moisés, teu servo” (Ne 1.7).

O intercessor coloca-se no lugar daqueles por quem intercede. Neemias foi um intercessor exemplar. Sabia o valor da confissão verdadeira. Sabia que, diante de Deus, ninguém se esconde. Como Davi, entendia que Deus tudo sabe e tudo vê. “Se subir ao céu, tu aí estás; se fizer no Seol a minha cama, eis que tu ali estás também; se tomar as asas da alva, se habitar nas extremidades do mar, até ali a tua mão me guiará e a tua destra me susterá. Se disser: decerto que as trevas me encobrirão; então, a noite será luz à roda de mim. Nem ainda as trevas me escondem de ti; mas a noite resplandece como o dia; as trevas e a luz são para ti a mesma coisa” (SI 139.8-12).

Ele era homem humilde e sabia o valor da confissão sincera. Diz a Bíblia: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13).

Renovato. Elinaldo,. O livro de Neemias, Integridade e coragem em tempos de crise. Editora CPAD. Ed. 2011.

 

 

Sua confissão penitente do pecado; não somente Israel pecou (não era muito humilhante confessar isso), mas eu e a casa de meu pai pecamos (v. 6). Dessa forma, ele próprio se humilha, e se envergonha, nessa confissão. De todo nos corrompemos (eu e minha família junto com os outros) contra ti (v. 7). Na confissão de pecado, precisamos reconhecer a perversidade dessas duas coisas: que é uma corrupção de nós mesmos e uma afronta a Deus; é corromper-se contra Deus, estabelecendo as corrupções do nosso próprio coração em oposição aos mandamentos de Deus.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Josué a Ester. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 807.

 

 

3- Avivamento pelo ensino.

 

No tempo de Neemias, o ensino da Palavra de Deus foi uma marca que precedeu a avivamento, Neemias mandou que fosse lida a Palavra de modo didático, pausadamente, para que o povo entendesse o que Deus requeria de suas vidas naquele momento crucial para a história judaica, após anos de cativeiro em terra estrangeira Além da leitura, explicavam-se significado de cada expressão.

E o povo entendeu Como resultado, sobrevém um poderoso avivamento sobre o povo houve quebrantamento verdadeiro, alegria e festas. Ali, na praça principal, “diante da Porta das Águas, iniciou-se um poderoso avivamento na história de Jerusalém pós-exílio (Ne 8.1-12).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Todos os verdadeiros avivamentos na história do povo de Israel e no seio da Igreja ao longo dos séculos só tiveram resultados duradouros no meio da comunidade quando começaram e prosseguiram firmados na Palavra de Deus. Avivamentos sem a Palavra de Deus são apenas movimentos avivados que passam com o tempo e não deixam mudanças significativas na vida e no comportamento das pessoas envolvidas. O avivamento no tempo de Neemias teve a marca do ensino da Palavra de Deus.

Neemias mandou que a Palavra fosse lida de modo didático, pausadamente, para que o povo entendesse o que o Senhor Deus requeria dos que o serviam naquele momento crucial para a história de Israel após anos e anos de cativeiro em terra estranha. Diz o texto: “E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e sábios; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei” (Ne 8.3). Além da leitura, havia a explicação do significado de cada expressão. E o povo entendeu. Como resultado, sobreveio poderoso avivamento entre todos. Houve quebrantamento verdadeiro, e não simples remorso. Houve alegria, houve festas, e o povo dispôs-se a trabalhar na reconstrução.

O texto bíblico revela-nos que houve uma fome e uma sede de ouvir a Palavra de Deus: E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel. (Ne 8.1)

Ali, na praça principal, “diante da Porta das Águas”, iniciou-se um poderoso avivamento na história de Jerusalém.

Como resultado do grande avivamento, o Templo foi reconstruído, e os muros foram restaurados. Os arautos tocavam as suas trombetas, convocando os habitantes de Jerusalém e cidades vizinhas para um grande evento no centro da cidade. Certamente, a praça estava arborizada. Havia um cenário apropriado para a grande reunião festiva em que todo o povo deslocou-se dos lugares onde habitavam para chegar ao centro de Jerusalém.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Só o ensino da Palavra de Deus produz verdadeiro avivamento no meio da igreja local. Nos nossos dias, há uma onda de movimentos evangelísticos produzidos por ação humana com o objetivo de atrair multidões a vidas por novidades e modismos. Tais movimentos carecem da base fundamental e consistente, que é o ensino da Palavra de Deus.

Todos os verdadeiros avivamentos na história do povo de Israel e no seio da Igreja, ao longo dos séculos, só tiveram resultados duradouros quando começaram e prosseguiram alicerçados na Palavra de Deus. Avivamentos sem a Palavra de Deus são apenas movimentos que passam com o tempo e não geram mudanças significativas na vida e no comportamento das pessoas envolvidas. O avivamento, no tempo de Neemias, teve a marca do ensino da Palavra de Deus.

Neemias, o líder da reconstrução, e Esdras, o sacerdote, eram homens que se dedicavam ao estudo da Palavra do Senhor. Ao reunirem o povo na praça principal da cidade, sem meios de transmissão da mensagem, deve ter sido uma tarefa extraordinária e difícil, mas eles o fizeram. Repassaram para o povo o conteúdo da lei do Senhor para a vida dos habitantes de Jerusalém. Eles não tinham preocupação com a oratória, nem com a retórica nem com a eloqüência do discurso.

Simplesmente leram a palavra de modo didático, pausadamente, para que o povo entendesse o que Deus requeria dos que o serviam naquele momento crucial para a história de Israel após anos e anos de cativeiro em terra estranha. Diz o texto: “E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio- dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei. (Ne 8.3). Além da leitura, havia a explicação do significado de cada expressão. O povo entendeu, e como resultado, sobreveio poderoso avivamento no meio deles. Houve um quebrantamento verdadeiro, e não um simples remorso. Houve alegria, festa, e o povo se dispôs a trabalhar na reconstrução.

Um Verdadeiro Culto de Doutrina

Reunidos para ouvir a palavra. Diante do que Deus fizera através do esforço denodado dos israelitas, sob a liderança de Neemias, na edificação dos muros em redor do Templo, o povo sentiu necessidade de ter sua edificação espiritual também. Como foi dito anteriormente, não adiantaria um templo lindo com admirável beleza arquitetônica se o povo não tivesse o temor de Deus, um quebrantamento para adorar ao Senhor. Templo sem a presença de Deus é corpo sem alma, sem espírito.

O texto bíblico nos revela que houve uma fome e uma sede de ouvir a Palavra de Deus. “E chegado o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o Senhor tinha ordenado a Israel” (Ne 8.1). Ali, na praça principal, “diante da Porta das Águas”, iniciou-se um poderoso avivamento na história de Jerusalém.

O Templo construído, os muros restaurados. Os arautos tocavam suas trombetas convocando os habitantes de Jerusalém e cidades vizinhas para um grande evento no centro da cidade. Certamente a praça estava arborizada. Havia um cenário apropriado para a grande reunião festiva em que todo o povo se deslocou dos lugares onde habitavam para chegar ao centro de Jerusalém.

Não era para assistir a um show de grupos musicais nem ouvir um artista da época, mas o ajuntamento impressionante acontecera para que o povo ouvisse a Palavra de Deus. Se fosse hoje, aquele grande evento teria a cobertura de alguns órgãos da imprensa, “…o povo se ajuntou como um só homem.” Isso nos fala não só de reunião, mas de união e integração do povo de Israel, a fim de ouvir a Palavra de Deus.

Hoje, em algumas igrejas, há pouca participação dos membros nos cultos de ensino da Palavra de Deus. Reuniões de estudo da palavra são desprezadas por grande parte dos crentes, sobretudo dos mais jovens. No entanto, quando se anuncia a presença de um cantor famoso faltam lugares para os espectadores. Isso é sintoma de fastio da Palavra. É sintoma de doença espiritual de extrema gravidade. O crente que ama a Deus ama a sua Palavra. Disse o salmista: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia!” (Sl 119.97).

Esdras traz o livro da lei de Deus. O povo, sofrido, após anos de cativeiro, tinha sede de ouvir a Palavra de Deus (Am 8.11). Esdras, o escriba, levou o livro para a praça. Na verdade, era um grande rolo, provavelmente de pergaminho, que seria desenrolado pouco a pouco, à proporção que o sacerdote fizesse a leitura dos textos da lei (Ne 8.2). Não foi feita uma leitura rápida do livro. Esdras o leu, pausadamente, para que todo o povo entendesse bem o ensino que seria ministrado. Durante cerca de seis horas, das seis da manhã até ao meio-dia, foi feita a leitura do livro da lei.

O povo estava atento à leitura da palavra. “E leu nela, diante da praça, que está diante da Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens, e mulheres, e entendidos; e os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei. (Ne 8.3). Podemos imaginar o que estava acontecendo, enquanto Esdras lia o livro da lei. Homens, mulheres, adultos e jovens, todos voltados em direção ao púlpito, ouvindo com muita atenção cada palavra que era lida perante todos.

O sacerdote-escriba estava de pé, sobre um púlpito de madeira, para melhor se fazer ouvir pelo povo. A seu lado, á direita, estavam homens de confiança, líderes auxiliares, que compunham “o ministério local” (Ne 8.4). Vale a pena lembrar que a leitura e explicação dos textos do livro duraram sete dias, durante seis horas por dia (Ne 8.3,18).

O clima era de reverência, de respeito e atenção à Palavra de Deus. As pessoas não ficavam andando de um lado para o outro, nem conversando distraídas. Todos queriam ouvir e entender a mensagem de Esdras. Quando Esdras abriu o livro, todo o povo se pôs em pé em reverência à leitura da Palavra de Deus (Ne 8.5). Certamente esse é um fundamento bíblico para o saudável hábito de se colocar de pé quando é lida Palavra de Deus. Esse deve ser o comportamento dos crentes em Jesus nas igrejas locais. Alguém pode escutar, mas não ouvir a leitura da Palavra e sua explicação por estar desatento durante a ministração.

Renovato. Elinaldo,. O livro de Neemias, Integridade e coragem em tempos de crise. Editora CPAD. Ed. 2011.

 

 

A Leitura e Obediência à Lei de Deus. 8:1-18.

No primeiro dia do sétimo mês, Esdras leu a Lei para o povo. O povo chorou por causa do pecado, mas seus líderes fizeram-no se lembrar do caráter alegre desse dia. No dia seguinte os lideres descobriram na Lei que todos os judeus deviam celebrar a Festa dos Tabernáculos; por isso essa festa foi celebrada por todos e com grande solenidade.

O capítulo deveria começar com a última sentença de 7:73: “Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades”. Esdras 3:1 começa da mesma maneira, depois da lista daqueles que retomaram da Babilônia; mas a ocasião, é claro que é absolutamente outra. Na praça, diante da Porta das Águas. A praça ficava perto da extremidade sudeste do templo junto à Fonte de Giom no Vale do Cedrom. E disseram a Esdras, o escriba. Possivelmente Esdras estivera na Babilônia durante o período da construção do muro. Mas ele era a pessoa mais indicada para ler a Lei de Deus nesta ocasião, uma vez que Neemias era leigo.

Em o primeiro dia do sétimo mês. Esta era a Festa das Trombetas, a qual em 444 A.C. ocorreu a 27 de setembro. Só uma semana antes, o muro fora terminado (6:15). A Festa das Trombetas era a mais sagrada das luas novas, e começava no último mês dos festivais religiosos (Lv. 23:23-25; Nm. 29:1-6).

Desde a alva até ao meio-dia. Deveria ser cerca de seis horas, com a leitura da Lei feita por Esdras, alternando-se com apresentações instrutivas sobre a Lei feitas pelos levitas (vs. 7, 8).

Esdras, o escriba, estava num púlpito de madeira. Esta é a primeira menção de um púlpito na Bíblia. Por trás dele estavam seis (sacerdotes?) à sua direita e sete à sua esquerda (compare com o v. 7, onde treze levitas são mencionados participando).

Leram . . . claramente (em hebraico, meporosh) sugere não apenas uma exposição da Lei, mas também, possivelmente, uma tradução dela para o aramaico (cons. Ed. 4:18).

Este dia é consagrado ao Senhor vosso Deus … não pranteeis, nem choreis. A clara exposição da Palavra de Deus (provavelmente porções do Deuteronômio) poderosamente convenceu o povo do pecado e provocou lágrimas de arrependimento. Mas o único dia do ano que Deus tinha especificamente designado para lágrimas e tristeza era o Dia da Expiação (o décimo dia do sétimo mês). Portanto, a força deles se encontrava na alegria do Senhor (v. 10).

A regozijar-se grandemente. Observe a súbita mudança de emoções de 8:9 para 8:12! Também cons. Et. 9:19.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Neemias. Editora Batista Regular. pag. 16-18.

 

 

SINOPSE II

 

No Avivamento em Neemias, vemos três elementos importantes: chamado, confissão de pecados e ensino.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

ORAÇÃO E CONFISSÃO DE NEEMIAS

“Na oração que Neemias fez nisto ocasião (Ne 1.4-11), provavelmente proferida na intimidade de seu alojamento, mas fielmente registrada nas suas memórias, temos uma ideia de sinceridade e da devoção desse homem de Deus. G. Campbell Morgan nos deu uma boa descrição da sua oração: “O homem que orava estava cheio de beleza e revelava uma correta concepção de como deveria ser uma oração sob tais circunstâncias. Ela se iniciou com uma confissão. Sem reservas, ele reconheceu o pecado do povo e identificou-se com ele. Então ele prosseguiu reivindicando as promessas que Deus lhes havia feito, e terminou com um pedido pessoal e definindo de que o Senhor lhe desse graça aos olhos do rei” (Comentário Bíblico Beacon José Ester. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 3016, p.50)

 

 

III- O AVIVAMENTO E A PALAVRA DE DEUS

 

1- A Palavra de Deus corrige.

 

No Novo Testamento, há um padrão de culto a Deus de decência e ordem, como diz o apóstolo Paulo: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1Co 14.26).

Veja que o que marca essa orientação apostólica não é o exibicionismo espiritual ou mero emocionalismo nem as expressões irreverentes no culto. Aqui, há orientação para um culto avivado de acordo com a Palavra de Deus. Nesse culto, Deus pode enviar um avivamento genuíno como resposta ao quebrantamento espiritual e às orações do povo de Deus.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Em muitas igrejas, entende-se por avivamento a ocorrência de movimentos avivalistas, muitos deles expressos em atitudes exibicionistas, emocionalistas e carnais. Em várias igrejas pentecostais e neopentecostais nos últimos anos, apareceu um comportamento estranho em que pessoas, dizendo-se “cheias do Espírito Santo” ou “cheias de poder”, começaram a sair correndo dentro dos templos de um lado para outro; já outras começaram a rodopiar diante do auditório, e até mesmo pastores e pregadores exibiam-se de maneira esquisita, fazendo “aviãozinho”, “queda de asa” e outras práticas totalmente sem base bíblica e nunca vistas em qualquer denominação. Isso revela falta de doutrina da Palavra de Deus.

O verdadeiro culto a Deus

Diante de tais exibições de falso avivamento, temos que mostrar pela Palavra de Deus que tais práticas nada tem a ver com o culto neotestamentário. No Novo Testamento, temos o padrão de um culto a Deus com decência e ordem, como diz Paulo (1 Co 14.40).

Está escrito: “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14.26). Num ambiente dominado pela Palavra de Deus, com exposição de salmos, cânticos de louvor e doutrina, que é o ensino fundamentado nas Escrituras, o Senhor pode usar alguém com revelação, que é a manifestação dEle por meio de um servo ou serva que tem o dom de revelação, para mostrar a sua vontade sobre alguma área da igreja que precisa ser revelada para a glória de Deus ou para correção. Num culto verdadeiro, podem ocorrer línguas estranhas como sinal do batismo no Espírito Santo, ou de dom de variedade de línguas, desde que haja interpretação (1 Co 14.27). Em cultos assim, o Senhor Deus pode mandar um avivamento genuíno em resposta às orações e súplicas dos seus servos.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Warren Wiersbe diz que podemos concluir esse capítulo sintetizando-o em três verdades básicas: Edificação (14.1-5,26b), entendimento (14.6-25) e ordem (14.26-40).

a) Edificação (14.1-5). Paulo diz que o propósito dos dons é a edificação da igreja. Quem fala em outra língua edifica a si mesmo, enquanto quem profetiza edifica a igreja.

Paulo corrige os equívocos da igreja de Corinto que dava mais valor ao dom de variedade de línguas do que ao de profecia; mais valor à edificação pessoal do que à edificação da igreja, mostrando que a profecia é superior às línguas, pois aquela edifica a igreja, enquanto quem fala em línguas edifica apenas a si mesmo.

b) Entendimento (14.6-25). Paulo passa agora a falar sobre a questão do entendimento espiritual. No culto público é preciso ter discernimento. Você precisa sair do culto público e poder dizer: Eu entendi. A minha mente foi clareada.

c) Ordem (14.26-40). No culto da igreja de Corinto não existia ordem. Há duas coisas fundamentais que precisam sempre estar juntas no culto público: seja tudo feito para edificação (14.26b), e também tudo seja feito com decência e ordem (14.40). Deve haver ordem no culto. Alegria e gozo na presença de Deus não são a mesma coisa que êxtase.

O culto que agrada a Deus não é extático, mas um culto em que a sua mente está em plena atividade, suas emoções estão sendo alcançadas, e sua vontade é desafiada. Paulo dá várias orientações de ordem à igreja.

LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios Como Resolver Conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 269.

 

 

Nessa passagem, o apóstolo os reprova por sua desordem e se esforça em corrigir e regular sua conduta para o futuro.

Ele os censura pela confusão que introduziram na assembleia, pela ostentação de seus dons (v. 26): “Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem língua,…”; isto é: “Vós sois hábeis para confundir as diversas partes da adoração; e, enquanto um tem um salmo para pronunciar por inspiração, outro tem uma doutrina, ou revelação”; ou ainda: “Vós sois hábeis em serdes confundidos na mesma linha de adoração, muitos de vós tendo salmos ou doutrinas para propor ao mesmo tempo, sem esperar por ninguém. Não é isso perfeito tumulto? Isso pode edificar? No entanto, todas as práticas religiosas nas assembleias públicas devem ter esse ponto de vista: Faça-se tudo para edificação”.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 492.

 

 

2- Cuidado com o formalismo.

 

Com formalismo queremos dizer a respeito do que é formal, metódico e rigoroso. É o extremo oposto do mero emocionalismo e exibicionismo espiritual. É verdade que não é errado observar regras, preceitos e métodos. No entanto, o formalismo assume uma característica negativa quando o cuidado e o zelo, pelo que é formal, se sobrepõem à necessidade espiritual da igreja.

Ora, quando Deus envia um avivamento espiritual, o Santo Espírito tem liberdade na igreja, os corações estão sensíveis à voz de Deus, os dons espirituais atuam de maneira abundante, a atmosfera espiritual muda o ambiente. Deus age em favor do seu povo. Tudo é feito de acordo com a Palavra de Deus para a edificação dos santos (1 Co 14.26).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Formalismo “é a característica do que é formal; observância de regras, preceitos e métodos; rigor”. Em termos estritos, não é errado observar regras, preceitos e métodos. O formalismo, no entanto, assume uma característica negativa quando o cuidado e o zelo pelo que é formal supera o que é real e necessário. Nas igrejas, formalismo é a observância de normas estatutárias ou tradicionais com tanto exagero que não há lugar para a experiência legítima da unção de Deus no coração e na vida das pessoas.

No que diz respeito à busca do avivamento, é interessante não deixar que o formalismo frio, seco e sem graça impeça a busca da presença gloriosa do Espírito Santo, que é expressa por demonstrações equilibradas de adoração a Deus, num ambiente onde pode haver manifestações espirituais, tais como línguas estranhas, interpretação, curas divinas, libertação de oprimidos, unção de enfermos, salvação de almas, tudo de forma sobrenatural.

Quando o avivamento chega, a direção divina do culto sobrepõe-se à direção humana ou ministerial. Deus usa essa direção humana, só que de forma espiritual, de acordo com a Palavra de Deus.

Um avivamento genuíno que afastou todo formalismo ocorreu quando Salomão levou a “arca do concerto” para o seu lugar, ou seja, na Casa do Senhor (2 Cr 5.2,7). A presença de Deus, com a glória do Senhor, foi tão grande que, enquanto os levitas, os cantores e os sacerdotes adoravam a Deus, cantando e tocando os instrumentos de música, “[…] a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a Casa do Senhor” (v. 13). Houve um avivamento glorioso no Templo na sua inauguração:

e quando eles uniformemente tocavam as trombetas e cantavam para fazerem ouvir uma só voz, bendizendo e louvando ao Senhor, e quando levantavam eles a voz com trombetas, e címbalos, e outros instrumentos músicos, para bendizerem ao Senhor, porque era bom, porque a sua benignidade durava para sempre, então, a casa se encheu de uma nuvem, a saber, a Casa do Senhor; e não podiam os sacerdotes ter-se em pé, para ministrar, por causa da nuvem, porque a glória do Senhor encheu a Casa de Deus. (2 Cr 5.13,14 – grifo acrescido)

Que o Senhor Deus nos abençoe e que nos cultos pentecostais não haja desprezo à Palavra de Deus, com o excesso de cânticos e apresentações musicais, mas que a adoração seja equilibrada, com louvor, oração e ministração da santa Palavra de Deus.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Aquele culto seria marcante não apenas para mim, mas para quantos que, naquela noite de domingo, celebrávamos ao Senhor na Assembléia de Deus em São Bernardo do Campo, SP. Desde o início dos trabalhos, já podíamos sentir a presença de Deus. Não estaria exagerando se dissesse que, naquela já distante noite, abrira-se o céu de forma extraordinária sobre a nossa igreja.

O culto transcorria de uma forma tão bela, tão perfeita e tão celestial, que nem dava para ver o tempo passar. À se melhança de Pedro, João e Tiago, tínhamos vontade de construir cabanas para ficar permanentemente ao lado de Jesus naquele monte de transfigurações e poder.

Nossos louvores eram, de imediato, enlevados ao trono de Deus. Com que júbilo o coral se apresentou! Com que vigor a orquestra executou aqueles hinos avivados e singelamente pentecostais! Eu diria que, naquela noite, ajuntaram-se os coros celestes às nossas vozes para, em perfeita harmonia, adorar a Cristo no poder do Espírito.

Houve, naquela noite, conversões de almas, batismos no Espírito Santo, curas divinas e manifestações de dons espirituais.

Naquela minha igreja, pouco ouvira falar de formalismo; era uma palavra que inexistia em nossas devoções. Éramos um autêntico cenáculo. Tínhamos a impressão de estar na Jerusalém dos apóstolos e dos ardentes discípulos de Nosso Senhor.

Infelizmente, não são poucas as igrejas que vêm caindo nas malhas do formalismo. E este, conforme veremos no transcorrer deste capítulo, somente poderá ser desestruturado por um poderoso avivamento. E, assim, à semelhança dos primeiros discípulos, haveremos de usufruir os tempos de refrigério. Urge que voltemos de imediato ao cenáculo!

O QUE É 0 FORMALISMO

O Formalismo pode ser definido como a ênfase exagerada às formas externas da religião em detrimento de sua essência – a comunhão plena com o Deus Único e Verdadeiro.

Também é conhecido como liturgismo e ritualismo. É a liturgia pela liturgia. Muito combatido pelos profetas e por Nosso Senhor (Is 29.13; Mt 6.1-6), é um dos maiores obstáculos à expansão do Reino de Deus.

A própria Igreja Católica, que ostenta um pomposo cerimonial, condena o ritualismo que, em sua terminologia, recebe a alcunha de rubricismo por causa das letras vermelhas que, nos missais e breviários, indicam o modo de serecitar ou celebrar o ofício. Não obstante tal preocupação, os católicos emprestam à liturgia uma importância exagerada.

E o mesmo parece estar acontecendo com algumas igrejas evangélicas que, ao invés de buscar o poder de Deus, conformam-se com um culto epidérmico e sem a presença do Espírito Santo. Era o que acontecia com os judeus nos dias do último profeta do Antigo Testamento.

O FORMALISMO CANSA A DEUS

O culto levítico fora instituído, a fim de que Israel adorasse a Deus de forma verdadeira e amorosa (Lv 20.7). Os seus vários sacrifícios, oferendas e oblações deveriam ser subentendidos como figuras dos bens futuros (Hb 10.11). Infelizmente, os israelitas passaram, com o decorrer do tempo, a adorar a própria adoração. Acabaram por considerar o culto superior ao cultuado. E isso trouxe-lhes consideráveis prejuízos. Haja vista o que aconteceu à serpente de bronze (Nm 21.8; 2 Rs 18.4).

Na vida dos judeus, cumprira-se o que, certa feita, afirmou Charles Montesquieu: “A maior ofensa que se pode fazer aos homens é tocar nas suas cerimônias e nos seus usos”.

De tal maneira o formalismo contagiou os judeus que, no tempo de Jeremias, passaram eles a considerar o Templo do Senhor como mais importante que o Senhor do Tempo (Jr 7.4).

Achavam que, apesar de suas iniquidades, os sacrifícios e oblações, que pensavam eles endereçar ao Altíssimo, ser-lhes-iam mais do que suficientes para torná-los aceitáveis diante de Deus (Jr 3.1-15). Como estavam enganados! Afim de que também não nos enganemos, recitemos esta oração feita por John L. Williams: “Senhor, que a nossa preocupação não seja apenas pelo ritual, mas, sim, pela abertura de nossos corações”.

Assim é o cristianismo nominal. Supõe que o seu credo, ortodoxia, história e costumes são suficientes, em si mesmos, para manter os benefícios da graça. Todavia, não basta ser cristão; é urgente ter o Cristo. Não é suficiente ser pentecostal; é necessário ser a habitação do Espírito Santo. Não é bastante ser ortodoxo; é imperioso acreditar na Palavra de Deus, e obedecê-la incondicionalmente. Não é muito ter uma linda história, é indispensável prosseguir como um movimento do Espírito; caso contrário: ficaremos estagnados como uma denominação burocrática e empírica. Enfim, não basta ser igreja; é necessário que sejamos Reino de Deus e corpo de Cristo.

Se não buscarmos de imediato o avivamento, o formalismo acabará por comprometer-nos dolorosa e irremediavelmente a espiritualidade.

Andrade. Claudionor Corrêa de,. Fundamentos Bíblicos De Um Autêntico Avivamento. Editora CPAD. 1ª edição: 2014. pag. 125-129.

 

 

FORMALISMO

Esse termo é usado, dentro do vocabulário da ética, a fim de descrever o forte apego às observâncias escrupulosas quanto a regras externas. Os formalistas presumem que estão adquirindo méritos, bem como a capacidade de evitar o castigo merecido, através dessa estrita observância.

Os críticos desse tipo de ética frisam que o mesmo pode pôr em perigo a autonomia do espírito humano, dando preferência à letra que mata, — em vez de preferir o espírito que vivifica. Também debilita o anelo humano pela transformação do homem interior, que então se expressa mediante atos extemalizados, visto que faz das regras o elemento todo-importante e todo-poderoso. A verdade, porém, é que um homem pode fazer coisas boas sem ser bondoso. Um indivíduo pode enfatizar a mera forma externa, ao mesmo tempo em que despreza o conteúdo real. Sobre isso falou Paulo, quando escreveu: «…tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes» (II Tim. 3:5). Emanuel Kant e a ética deontológica (vide) têm sido acusados desse erro; e os cristãos primitivos acusaram os judaizantes e os legalistas precisamente dessa perversão. Em tudo isso o que mais importa é a lei do amor. Se alguém é possuidor do verdadeiro amor, então estará cumprindo a lei (Rom. 13:8 ss). Para possuir o verdadeiro amor, o indivíduo precisa ter espiritualidade genuína. Se alguém possui essa espiritualidade, nunca terá de se preocupar demasiadamente com as regras do jogo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. 11 ed. 2013. pag. 806.

 

 

SINOPSE III

 

A Palavra de Deus corrige o caminho para a prática espiritual equivocada e, ao mesmo tempo, alerta para o perigo do formalismo.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

“O FORMALISMO DESTRÓI A ESPIRITUALIDADE DA IGREJA

Algumas igrejas supõem que lhes basta a ortodoxia para serem tidas como Reino de Deus. Haja vista a Igreja de Éfeso. Em todo o Novo Testamento, não havia igreja mais conformada à sã doutrina que essa. No entanto, já não possuía o primeiro amor (Ap 2.4). Além da ortodoxia doutrinária, a Igreja verdadeiramente avivada haverá de ser o templo do Deus vivo e a morada do Espírito Santo (1 Tm 3.15).

 

Doutra forma: será destruída pelo formalismo. Se a igreja não viver de avivamento em avivamento; se não voltar ao cenáculo, se não reviver a realidade do Pentecostes, acabará por ser absorvida por um culto frio e estereotipado. E, não demorará muito, deixara de existir. Não foram poucas as igrejas que desapareceram no decurso da história. Existiam, mas não tinham vida. E o que é isso senão evidência de óbito espiritual?” (ANDRADE, Claudionor Corrêa. Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2004, p.129).

 

 

CONCLUSÃO

 

Os avivamentos no Antigo Testamento sempre vieram como resposta ao quebrantamento espiritual e às orações do povo de Deus. Isso se dava sempre diante de uma situação de calamidade ou de decadência espiritual e moral. Por misericórdia e bondade, Deus promovia a restauração de Israel. Que esses avivamentos veterotestamentários nos despertem para fazer a vontade de Deus nestes tempos de frieza e mornidão espiritual atuais.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- O que Deus fez por intermédio de Moisés?

Por intermédio de Moisés, e exercer juízo sobre Faraó, de maneira poderosa enviando 10 pragas ao Egito, fazendo com que o rei egípcio deixasse o povo israelita sair do Egito

 

2- Qual foi a reação do povo à exortação de Samuel?

O povo se humilhou diante de Deus e buscou ao Senhor, que lhe deu uma grande vitória (1 Sm 7.10-13)

 

3- O que caracterizou o avivamento em Neemias?

Confissão de pecados e retomo à Palavra de Deus.

 

4- Qual foi a marca que precedeu o avivamento no tempo de Neemias?

No tempo de Neemias, o ensino da Palavra de Deus foi uma marca que precedeu o avivamento.

 

5- O que acontece quando Deus envia um avivamento?

Quando Deus envia um avivamento espiritual, o Santo Espírito bem liberdade na igreja, os corações estão sensíveis a voz de Deus, os dons espirituais atuam de maneira abundante, a atmosfera espiritual molda o ambiente. Deus age em favor do seu povo. Tudo é feita de acordo com a Palavra de Deus para edificação dos santos (1 Co 14.25)

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

  Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

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3 respostas para “2 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NO ANTIGO TESTAMENTO”

  1. Parabéns, gostei muito de como foi explicado e encaminhado para que o professor acompanhe todas as etapas de cada reino. Também como faz com que o professor se coloque, mergulhe no contexto no Antigo Testamento e trazendo para os dias atuais, na História e contexto, social, político e religioso, dando ao aluno todos os caminhos, que comparando o contexto do seu dia a dia, numa sociedade corrupta precisando se esquivar para não entrar nos caminhos de ingratidão e jamais colocar Deus em segundo plano; tendo a certeza de que Ele é a Causa Primeira, causadora de todas as outras causas. Portanto, dá a segurança e principalmente a confiança de que só existe Um Único e Suficiente Salvador, criador e responsável por tudo que existe. Deus é único e se revela como Pai, Filho e Espírito Santo, que nos leva por meio da Fé, sentir que Deus é único.

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