2 LIÇÃO 2 TRI 22 SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO

  2 LIÇÃO 2 TRI 22 SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO

2 LIÇÃO 2 TRI 22 SAL DA TERRA, LUZ DO MUNDO

 

 

TEXTO ÁUREO

“Vos sois o sal da terra; […] Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13,14)

 

 

VERDADE PRÁTICA

A influência dos cristãos na sociedade é inevitável. Do ponto de vista bíblico, o mundo não pode estar indiferente aos verdadeiros seguidores de Cristo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Cl 4.6 Nossas palavras devem ser temperadas com sal

 

Terça – Lc 14.34-35 Não podemos perder a relevância

 

Quarta – Tg 1.17; Sl 104.2 Deus, o Pai das luzes

 

Quinta – Jo 15.8; 1Pe 2.12 A luz como um testemunho verdadeiro de boas obras

 

Sexta – 2Co 4.7 Um tesouro em vaso de barro

 

Sábado – Ef 5.15 Andando com prudência e bom senso

 

 

Leitura bíblica em classe

 

Mateus 5.13-16

 

13 – Vós sois o sal da terra; e, se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.

 

14 – Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;

 

15 – nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa.

 

16 – Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.

 

 

Hinos Sugeridos: 9, 11, 16 Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

A proposta desta lição é estudar sobre a importância de nossa influência como cristãos no mundo. Assim, analisaremos esse assunto a partir das metáforas do sal e da luz presentes no Sermão do Monte. Deus conta conosco para influenciar o mundo atual e, por isso, não podemos deixar de “salgá-lo”, bem como de “iluminá-lo”. O Evangelho nos chama para isso.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Apontar a função do sal;

II) Destacar a função da luz;

III) Refletir a respeito da influência dos discípulos de Cristo no mundo.

B) Motivação: Que tipo de influência você tem exercido nos lugares em que mora, estuda ou trabalha? Perguntas como esta são importantes para tornar mais concreto o assunto em estudo. O ensino do sal da luz requer de nós a adoção de uma postura influenciadora.

C) Sugestão de Método: Você pode pesquisar por meio de livros de história da Igreja e tomar exemplos cristãos que influenciaram a nossa história. Sugerimos que você pesquise nomes como William Wilberforce, John Wesley e outros. A partir desses exemplos, a lição pode ser mais bem aplicada.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

  1. A) Aplicação: Sugerimos que, ao final da aula, e a partir dos exemplos abordados na lição, você desafie seus alunos a um a resolução pessoal de tomar com o propósito de vida o ensinamento do Sermão do Monte no sentido de serem “sal” e “luz” em cada esfera de atuação.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas. Na edição 89, p.37» você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final dos tópicos, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “A Luz do Mundo”, localizado ao final do segundo tópico, é uma abordagem Bíblica a respeito da Imagem da “luz” no texto do Sermão do Monte;

2) O texto “Cem Anos depois”, inserido ao final do terceiro tópico, traz uma reflexão de Justino Mártir a respeito do impacto do Reino de Deus no mundo.

 

 

Palavra-Chave: INFLUÊNCIA.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

Nesta lição, enfatizaremos o papel de “sal e luz” que o cristão deve ter no Mundo. Não basta denominar-se ser cristão, mas sim fazer a diferença no lugar onde vivemos. Por isso, tomaremos duas metáforas pelas quais Jesus ensinou a respeito da relevância de seus discípulos no mundo: o sal e a luz. Como está ilumina o lugar de trevas, e aquela tempera e conserva o alimento, somos chamados a influenciar o mundo atual.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A passagem de Mateus 5.13-16, exposta por Cristo, tem como relevância dizer o que o crente deve evidenciar como um discípulo do Reino. Nos versículos anteriores, a tônica do Mestre pautou-se na essência, na natureza, declarando o que o cristão deveria ser. Não há problema algum de o cristão estar no mundo, ainda que este esteja na mais terrível corrupção moral e espiritual, nem se deve tomar a atitude monástica, ausentar-se dele. Na verdade, a grande diferença está na vida transformada, pois, como bem ensina Paulo, quem já passou pelo processo da transformação espiritual, recebendo uma nova mente, jamais irá padronizar-se com o estilo de vida pecaminosa, porquanto já experimentou a perfeita e agradável vontade do Senhor (Rm 12.2).

Jesus disse: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (Jo 17.15, ARA). Antes de subir aos céus, Ele capacitou seus discípulos com o ensino e o poder do Espírito Santo, tornando-os aptos para enfrentar todo o sistema maléfico do mundo pecaminoso e sob o controle do Maligno (1Jo 5.19).

Jesus não poderia tirar os discípulos desse mundo pecaminoso, visto que eles iriam dar prosseguimento ao grande projeto da salvação dos pecadores, uma vez que para isso foram vocacionados e treinados.

O que precisavam era tão somente serem guardados do Maligno.

O cristão conhecedor da Palavra, em especial desse ensino de Jesus, sabe da importância de estar neste mundo exercendo o papel de sal e de luz. Ele não teme contaminar-se com o mundo, pois já foi totalmente regenerado, transformado e recebeu uma nova mente, e, como membro da comunidade de salvos, poderá influenciar essa sociedade pecaminosa (1Co 5.10), brilhar como luz e proclamar as virtudes daquEle que nos tirou das trevas (Fp 2.15; 1Pe 2.9).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 36-37.

 

 

A influência da igreja no mundo (Mt 5.13-16)

No texto em tela, Jesus deixa de pronunciar bênçãos e passa a comunicar responsabilidades, diz R. C. Sproul. Jesus faz uma transição daquilo que somos para aquilo que fazemos.

A igreja e o mundo são essencialmente diferentes. A igreja é chamada do mundo, está no mundo, mas não é do mundo.

E enviada de volta ao mundo para testemunhar ao mundo.

A igreja só é relevante quando totalmente diferente do mundo. A amizade da igreja com o mundo é um desastre (Tg 4.4; ljo 2.15-17; Rm 12.2). Quando a igreja tenta imitar o mundo para atraí-lo, ela perde sua capacidade transformadora.

John Stott diz que, mesmo a igreja sendo perseguida pelo mundo (5.10-12), é chamada para servir a este mundo que a persegue (5.13-16).2 A igreja responde ao ódio e às mentiras do mundo com o amor e a verdade.

E digno de nota que, ao serem usados para o seu devido propósito, tanto o sal como a luz se desgastam. Isso é uma evidência eloquente de que não podemos desenvolver uma espiritualidade egocentralizada, como a dos fariseus, mas uma espiritualidade altruísta, como a de Jesus.

Jesus usa duas metáforas eloquentes para descrever a influência da igreja no mundo. A primeira delas é o sal, que trata de sua influência interna. A segunda é a luz, que descreve sua influência externa. O sal influencia sem ser visto.

A luz influencia sem deixar de ser vista. O sal influencia ao infiltrar-se. A luz influencia ao irradiar-se. O sal, embora não possa ser visto, é sentido. A luz, embora não possa deixar de ser vista, é reveladora.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 181-182.

 

 

Nas bem-aventuranças o caráter e bênção dos cidadãos do reino foram descritos. A bem-aventurança final era de caráter transicional. Descrevia a atitude do mundo para com os crentes no Senhor Jesus Cristo. Os dois “emblemas”, sal e luz, apresentados agora, descrevem o oposto, isto é, a influência do reino sobre o mundo, a resposta dos seguidores de Cristo para aqueles que os perseguem. Por meio destes dois emblemas ou metáforas se revela a verdade importante de que estas pessoas, a quem o mundo — incluindo o aparente piedoso mundo dos escribas e fariseus — mais odeia, são exatamente aquelas a quem mais deve. Os cidadãos do reino, não importa quão desprezados e quão insignificantes pareçam ser, somente eles, não os escribas e fariseus, são o sal da terra e a luz do mundo.

As palavras de Mt 5:13–16 mostram ao mesmo tempo quão diferentes do mundo e, entretanto, quão relacionados com o mundo estão os crentes. Aqui se condena a mundanalidade ou a secularização, mas também se condena a indiferença ou o isolamento. O sal é uma bênção quando continua sendo verdadeiro sal; a luz, enquanto é verdadeira luz. Mas é preciso jogar o sal sobre a carne, melhor ainda, esfregá-la na carne. A luz deve deixar brilhar na escuridão. Não se deve pôr sob uma coberta.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. Editora Cultura Cristã. pag. 368.

 

 

I- O SAL TEMPERA E CONSERVA

 

 

1– Definição.

 

Na Bíblia a palavra “sal” aparece com o substância branca usada com o tempero (Jó 6.6; Mc 9.50), remédio e conservante (Ez 16.4). No grego bíblico, há pelo menos quatro significados para a palavra halas, substantivo neutro para sal:

1) como tempero;

2) como substância fertilizante para a terra arável;

3) como substância que conserva os alimentos da deterioração;

4) como sabedoria e graça no discurso (Cl 4.6).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

No grego, sal é um substantivo neutro (hálas), que segundo Strong pode ser definido de quatro maneiras: 1) sal, com o qual a comida é temperada e sacrifícios são salpicados. 2) tipo de substância salina usada para fertilizar terra arável. 3) o sal é um símbolo de acordo durável, porque protege os alimentos da putrefação e preserva-os sem alteração. Consequentemente, na confirmação solene de pactos, os orientais estavam e estão até os dias de hoje acostumados a compartilhar do sal juntos. 4) sabedoria e graça exibida em discurso.

Do hebraico a palavra sal é melach, procedente de malach, rasgar, dissipar, (Nifal) ser dispersado, ser dissipado, salgar, temperar, dessa forma a palavra sal desde Gênesis (Gn 14.3) até chegar ao profeta Sofonias (Sf 2.9) surge aproximadamente trinta vezes. Além das definições dadas quanto ao sal, é importante atentar para o aspecto histórico em relação a esse elemento, em especial envolvendo o povo de Deus, os judeus. Somente assim poderemos compreender o que Jesus quis dizer ao falar: “Vós sois o sal da terra”.

Havia nas praias do Mar Morto uma fonte inesgotável de sal, fala-se também de uma montanha de sal com oito quilômetros de comprimento, que †cava na parte meridional do mesmo mar.

Provavelmente, foi sobre isso que falou o profeta Sofonias (Sf 2.9) e o que consta em 2 Samuel 8.13 ao fazer menção ao vale do Sal. No caso dos fenícios, eles conseguiam sal do Mar Mediterrâneo pela evaporação. Acredita-se que o sal que era usado pelos povos antigos se denominava sal-gema e era oriundo dos lagos de água salgada. Era um sal impuro e a parte exterior era sem sabor. A menção feita em Mateus 5.13 provavelmente foi a esse tipo de sal, pois, às vezes, era posto fora sendo visto como coisa inútil.

Ainda há que se destacar a aliança de sal, como é descrita no Antigo Testamento. Sabe-se que as ofertas de manjares deveriam ser salgadas com sal (Lv 2.13), de modo que tal aliança falava de um pacto perpétuo entre Deus e o seu povo (Nm 18.19; 2Cr 13.5). Na passagem de Deuteronômio 29.23, compreende-se que o sal tem o poder de queimação, motivo pelo qual pode se entender a esterilidade das praias do Mar Morto, e quando se atenta para Jeremias 17.6 tem-se a menção de terra salgada, uma referência direta a lugares improdutivos, secos (Jó 39.6; Sl 107.34; Ez 47.11; Sf 2.9).

Em Juízes 9.45 (ARA) está escrito: “Todo aquele dia pelejou Abimeleque contra a cidade e a tomou. Matou o povo que nela havia, assolou-a e a semeou de sal”. Quando uma cidade inimiga era vencida, de imediato, se espalhava sal sobre suas ruas, esse era um costume praticado e bem antigo, mostrando que o que se desejava era a contínua destruição para sempre.

A história fala também que boa parte do pagamento, isto é, o soldo dos soldados romanos, eram pagos em sal, o que revela seu grande valor, de maneira que nossa conhecida e moderna palavra salário vem dessa tradição.

Pelo exposto agora é fácil chegar a entender, pelos diversos significados simbólicos aplicados ao sal, a razão de Jesus figurá-lo ao cristão, indo além da importância de tempero (Jó 6.6), remédio (Ez 16.4) ou conservante. Seu grande destaque é visto no que tange à fidelidade, à preservação e ao sabor, mas, em especial, à sabedoria, pois o cristão como sal deve dar bom gosto em tudo (Cl 4.6).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 37-39.

 

 

 

SAL

Na Bíblia Sagrada são apresentados diferentes usos e funções para o sal. Uma associação comum com os alimentos na vida do antigo Oriente Próximo é manifestado através da pergunta de Jó: “Comer-se-á sem sal o que é insípido?” (Jó 6.6). Seu uso sagrado pode ser visto nas ofertas cerimoniais que faziam parte da adoração a Deus, praticada por Israel. O sal deveria ser misturado com as ofertas de manjares (Lv 2.13), e mais tarde passou a ser salpicado nas ofertas queimadas (Ez 43.24). Era um item que deveria estar sempre à mão no Templo (Ed 6.9). Às vezes, também era misturado com o incenso (Êx 30.35).

A expressão “Concerto de Sal” (ou Pacto de Sal; Nm 18.19; Lv 2.13; 2 Cr 13,5) provavelmente se refere a um antigo costume de confirmar uma aliança através de uma refeição entre as partes. Esta prática ainda perdura em nossos dias em meio aos árabes, que dizem:

“Existe sal entre nós”, após compartilharem uma refeição. Os adversários dos judeus que haviam retornado do cativeiro reivindicavam lealdade ao rei persa dizendo que eles comiam “o sal do palácio” (Ed 4.14).

O sal também era esfregado na criança recém-nascida (Ez 16.4), o que sugere alguma importância medicinal ou religiosa. Por último, alguns acreditam que os pais pagãos aplicavam o sal com a finalidade de restringir os ataques demoníacos.

Talvez o uso mais familiar e importante do sal na Bíblia ocorra naqueles contextos que lidam com as qualidades preservativas e fertilizantes do sal (Lc 14.34,35; veja Eugene P. Deatrick, “Salt, Soil, Savíor”, BA, XXV (1962), 41-48), Eliseu curou as águas de Jericó com sal (2 Rs 2.20,21). O fato do bom sal ter propriedades curativas e de tempero é usado por nosso Senhor como uma ilustração para levar os seus seguidores a uma vida responsável (Mt 5.13; Mc 9.50; Lc 14.34,35; Cl 4.6). O Senhor estava fazendo uma alusão ao complexo impuro do sal da Palestina, o qual pode perder sua salinidade através da desintegração física ou da mistura com gesso. Tal sal era geralmente encontrado nas cavidades salinas, nas proximidades do mar Morto (Sf 2,9; Ez 47.11).

Um último uso é incorporado na frase de nosso Senhor; “Cada um será salgado com fogo” (Mc 9.49), que associa o sal com o julgamento divino final. Uma ilustração vívida este uso figurativo do sal é vista nas referências incomuns ã transformação da esposa de Ló em uma estátua de sal (Gn 19.26).

O incidente é absolutamente descritivo da desobediência espiritual de seus vizinhos, tanto quanto de sua própria vida, quando a ira de Deus caiu sobre toda a área na forma de uma devastação instantânea e aridez (Dt 29.23; Sl 107.34; Jr 17.6; Sf 2.9). Neste sentido, Abimeleque espalhou sal nas ruínas de Siquém como um sinal de maldição da cidade ou talvez de “consagração” dela para seu deus, para que não fosse mais reconstruída (Jz 9.45; veja Stanley Gevirtz, “Jericho and Shechem: a Religio-Literary Aspect of City Destruction”, VT, XIII [1963], 52-62).

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1729-110.

 

 

SAL

No hebraico, melach (cerca de trinta ocorrências no Antigo Testamento); no grego, alas ou ais, com doze ocorrências no Novo Testamento em diversas categorias gramaticais. Cloreto de sódio, composto cristalino que tinha (e tem) diversos usos, quer naturais, quer espirituais.

Há ainda os usos simbólicos, morais e espirituais. O sal era um item comercial no Oriente, obtido de lagos de sal, especificamente do mar Morto, e da mineração.

Usos:

Condimento para temperar alimentos, tanto para os homens como para animais (Jó 6.6; Isa. 30.24).

Elemento necessário para ofertas e sacrifícios, seja em cereais, seja nos animais (Lev. 2.13).

Preservativo para alimentos (vegetais e animais), Êxo.30.35.

Auxílio à fertilização do solo para apressar a decomposição de excrementos (Mal. 5.13; Luc. 14.35).

Elemento medicinal usado para lavar bebês recém-nascidos e para outros tipos de limpeza (Eze. 16.4).

Dado como recompensa por serviços, juntamente com o óleo e o vinho, e, entre os romanos (e posteriormente), usado como pagamento, derivando daí a palavra “salário”.

Elemento destrutivo misturado ao solo dos inimigos para garantir a infertilidade por longos períodos (Juí. 9.45).

Item de comércio (Josefo, Ant. 13.4.9)

Usos figurativos:

Nas cerimônias do pacto, para falar sobre sinceridade e durabilidade (Núm. 18.19; 11 Crô. 13.5; Esd, 4.14).

Para simbolizar os ministérios sinceros dos homens bons em contraste com o serviço falso e frívolo de alguns (Mal. 5.13).

Para simbolizar a graça e a sinceridade do coração (Mar. 9.50).

Para falar da sabedoria e da fala sensível, livre de hipocrisia (Cal. 4.6)

Promotores falsos de fé religiosa têm falta de sal (isto é, de sinceridade e genuinidade; ver Mal. 5.13; Mar. 9.50).

Uma cova de sal representava a desolação (Sof. 2.9).

Salgar com fogo significa julgamento severo (Mar. 9.49); também poderia significar a purificação dos pecadores através de julgamentos.

O valor de um homem espiritual sincero o transforma no “sal da terra” (Mal. 5.13). Como genuíno homem de fé, ele dá valor à terra.

Para falar de coisas infrutíferas (Deu. 29.23; Sof. 2.9; Ju1. 9.45; Sal. 107.34)

Para simbolizar cura ou poderes de transformação (IIReis 2.20,21).

Para significar esterilidade e improdutividade (Deu. 29.23; Sof. 2.9).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. pag. 33

 

 

 

2- A importância do sal.

 

Podemos dizer que o sal tem a função de dar sabor, pois um alimento na medida certa de sal é saboroso (Jó 6.6). Essa função simboliza a vida moderada, equilibrada, de modo que traz uma ideia de boa influência do crente sobre o mundo. Outra função do sal é a de preservar o alimento da deterioração. Quando não havia tecnologia de refrigeração, preservava-se a carne esfregando-a no sal e deixando-a na salmoura. Essa função traz uma ideia de oposição ao mundo, pois os cristãos, como sal, são “esfregados” num mundo em processo de apodrecimento moral e espiritual (1 Jo 5.19).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Não podemos negar que o sal não somente preserva o alimento, mas concede-lhe sabor, daí o motivo de Jó falar: “Comer-se-á sem sal o que é insípido? Ou haverá sabor na clara do ovo?” (Jó 6.6). Esse texto deixa claro que ninguém deseja comer uma comida sem sabor, assim, uma pitadinha de sal como condimento pode ser bom, pois a comida insípida é tão repulsiva que causa até náusea.

Pela Bíblia, como supracitado, o sal tinha o papel do condimento nos alimentos (Jó 6.6), tanto para os homens como também para os animais (Is 30.24). Seu grande papel era o de preservar os alimentos, não deixando que eles entrassem em estado de putrefação (Êx 30.35).

Como valor medicinal, era usado no ato de se lavar os recém-nascidos (Ez 16.4), e, quando lemos Colossenses 4.6, a expressão “temperada com sal” fala de bom gosto, sensatez, sabedoria e equilíbrio.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 39-40.

 

 

[..] o sal é condimento e dá sabor (5.13).

Uma comida insossa é intragável. O sal tem o papel de dar sabor aos alimentos. Torna o alimento apetitoso, agradável ao paladar. O mundo está cansado de seu próprio pecado. O pecado cansa. O pecado adoece. O pecado escraviza. A presença da igreja no mundo, refletindo nele a glória de Deus, revela às pessoas uma qualidade de vida superlativa. Mostra ao mundo que a vida com Deus é deleitosa. Demonstra ao mundo que só na presença de Deus tem plenitude de alegria e delícias perpetuamente.

É importante ressaltar, outrossim, que, se a comida sem sal é intragável, uma comida com excesso de sal também é insuportável. A igreja não foi chamada para condenar o mundo, mas para demonstrar ao mundo o amor de Deus e chamar as pessoas do mundo ao arrependimento e à fé salvadora.

[…] o sal provoca sede (5.13). O sal tem a capacidade de provocar sede. Vivemos num mundo caído, onde as pessoas não têm sede pelas coisas espirituais nem apetência pelo pão do céu. A presença da igreja no mundo provoca esse interesse pelas coisas de Deus. A igreja como sal se insere, se infiltra e, assim, provoca nas pessoas o desejo de conhecer Deus. Sem a presença da igreja, o mundo se tornaria um ambiente insuportável onde viver. A igreja é o grande freio moral do mundo.

[…] o sal para ser útil precisa conservar sua salinidade (3.13). A eficácia do sal é condicional. Ele precisa conservar sua salinidade. Stott afirma corretamente que o cloreto de sódio é um produto químico muito estável, resistente a quase todos os ataques. Não obstante, pode ser contaminado por impurezas, tornando-se, então, inútil e até mesmo perigoso. O que perdeu a sua propriedade de salgar não serve nem mesmo para adubo. É óbvio que a salinidade do cristão é o seu caráter transformado pela graça, conforme descrito nas bem-aventuranças. Segue-se que, se os cristãos forem assimilados pelo mundo em vez de influenciarem o mundo, perderão complemente sua utilidade.

Concordo plenamente com Stott quando ele escreve:

“A influência dos cristãos na sociedade e sobre a sociedade depende da sua diferença, e não da sua identidade”. Nessa mesma linha de pensamento, Martyn Lloyd-Jones diz que a glória do evangelho é que, quando a igreja é absolutamente diferente do mundo, ela invariavelmente o atrai. É então que o mundo se sente inclinado a ouvir a sua mensagem.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 184-186.

 

 

O Sal e a Luz (5.13-16)

O “sal” é valorizado por dois atributos principais: gosto e conservação. Não perde sua salinidade se é cloreto de sódio puro. Isto nos leva à sugestão do que Jesus quis dizer quando disse com os discípulos deixariam de ser discípulos se eles perdessem o caráter de sal. O sal não refinado extraído do mar Morto continha mistura de outros minerais. Deste sal em estado natural o cloreto de sódio poderia sofrer lixiviação em consequência da umidade, tornando-o imprestável (Jeremias, 1972, p. 169). O ensino rabínico associava a metáfora do sal com sabedoria. Esta era a intenção de Jesus, visto que a palavra grega traduzida por “nada mais presta” tem “tolo” ou “louco” como seu significado radicular. É tolice ou loucura os discípulos perderem o caráter, já que assim eles são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e colhem o desprezo de ambos.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 43.

 

 

 

3- O cristão com o sal.

 

Como cristãos, devemos influenciar o mundo que se encontra em estado de podridão espiritual (Lc 14.34,35). Nesse aspecto, o cristão deve expressar os valores morais e espirituais do Evangelho em sua vida, opondo-se aos valores do mundo. Não esqueçamos, portanto, de nossa identidade verdadeira na relação que temos com este mundo, de acordo com as palavras de nosso Senhor: “vós sois o sal da terra”.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Na metáfora que Cristo faz comparando o cristão com o sal, Ele mostra que cada discípulo tem uma vida que dá sabor e que pode preservar. É preciso entender que esse mundo dominado pela natureza carnal pecaminosa irá cada vez mais de mal a pior. Desde o momento em que a carne começou a reinar, a situação do homem sem Deus é o caminho da podridão (Gn 6.3).

Não podemos jamais esperar que o mundo seja preservado do pecado por meio da educação, da ciência ou da filosofia. A história tem provado ao longo do tempo que muitos viveram nessa esperança, porém com a chegada da Primeira e da Segunda Guerra Mundial provou-se que a humanidade caminha para o pior. Sendo assim, Paulo disse: “Quando andarem dizendo: Paz e segurança, eis que lhes sobrevirá repentina destruição, como vêm as dores de parto à que está para dar à luz; e de nenhum modo escaparão” (1Ts 5.3, ARA).

As pessoas que não têm Cristo na vida, nem seu Santo Espírito, vivem dominadas pela carne e seus desejos e as obras que produzem são as mais horríveis (Gl 5.19-21), gerando os micróbios e germes da maldade que contaminam e conduzem ao estado de putrefação. Para deter essa contaminação e corrupção é que se faz necessária a presença do sal.

O mundo podre é dominado pela secularização e mundanismo, no demais, seu controle está nas mãos do Maligno (1Jo 5.19; 2Co 4.4), de modo que não há como a contaminação não se alastrar, porém com o sal presente, não apenas dentro do saleiro, ou seja, isolado, mas sendo aplicado na carne, conterá a contaminação. É preciso entender que não basta apenas destacar as qualidades do sal, sua brancura, poder antisséptico e seu sabor, sua real missão deve ser a de dar sabor e preservar, sendo que a última é mais destacável, pois visa combater a deterioração.

Nesse mundo vil e pecaminoso, quando o cristão atua como sal, vivendo a verdadeira vida cristã, ele pode combater a corrupção moral e espiritual. Entretanto, para que isso aconteça, ele precisa ter um viver segundo a Palavra de Deus, andar em santidade e verdade, desenvolver a prática da leitura e da oração, pois, dessa forma, não se contaminará com o mundo, mas será sal nesta Terra.

Temos visto o pecado aumentando, e a vida de moral comprometida, e não podemos negar nem fechar os olhos para essa realidade, posto que a Igreja em sua maior parte não tem exercido como deveria a pregação da Palavra, somente o evangelho faz a mudança que necessitamos, pois é o poder de Deus (Rm 1.16). Paulo deixou claro em sua primeira carta aos Coríntios que todos os demais sistemas falharam, inclusive a sabedoria humana, mas ele prioriza a mensagem da cruz (1Co 1.18-23). O sal exercendo seu papel leva a menos alcoolismo, menos drogas, menos adultério, menos divórcio, coisas que leis parlamentares não podem mudar, visto que somente Cristo concede a mudança (2Co 5.17).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 40-42.

 

 

A igreja é o sal da terra (5.13)

Tasker está coberto de razão ao dizer que a mais evidente característica geral do sal é que ele é essencialmente diferente do meio em que é posto. Seu poder está precisamente nessa diferença. Como o sal da terra, a igreja possui várias funções importantíssimas, as quais passamos a descrever a seguir.

[..] o sal é antisséptico e inibe a decomposição (5.13). Quando Jesus proferiu esse discurso, não havia refrigeração. A única maneira de preservar os alimentos da decomposição era o uso do sal. O sal impede a putrefação dos alimentos, preservando-os da corrupção. Plutarco diz que a carne é um corpo morto e forma parte de um corpo morto. Se abandonada a si mesma, logo perde seu frescor, mas o sal a preserva e impede sua corrupção. O sal é como uma nova alma enxertada no corpo morto.

Ainda hoje apreciamos a carne de sol. O sal a preserva e lhe dá sabor. A presença da igreja no mundo refreia o mal.

A igreja tem um papel antisséptico no mundo. Sua influência impede que o mundo deteriore em sua galopante corrupção.

Concordo com as palavras de Robert Mounce: “A conduta correta dos crentes impede que a sociedade fique rançosa completamente”.

  1. C. Sproul é enfático: “Uma das tarefas da igreja é impedir que o mundo se autodestrua”/’ E estou de acordo com Tasker quando ele diz que “os discípulos são chamados a ser um purificador moral em um mundo em que os padrões morais são baixos, instáveis ou mesmo inexistentes”.

Não somos chamados a ser o mel do mundo, mas o sal da terra. O sal precisa ser esfregado na carne e, quando isso acontece, ele arde, mas seu resultado é preservador.

E digno de nota que a igreja não é sal no saleiro, mas sal da terra. O sal precisa entrar em contato com aquilo que deve ser salgado para exercer o seu papel. A igreja não influencia o mundo isolando-se dele, mas entrando em contato com ele, sendo diferente dele, penetrando nele com sua saneadora influência. Muitas pessoas, ao se tornarem crentes, isolam-se das outras pessoas, trancam-se numa estufa, numa redoma de vidro, numa bolha espiritual, e se tornam sal no saleiro e depois sal insípido. Elas não se apresentam, não se inserem, não influenciam, não salgam. Tornam-se antissociais e antiespirituais.

John Stott é muito oportuno ao escrever:

O sal cristão não tem nada de ficar aconchegado cm elegantes e pequenas despensas eclesiásticas; nosso papel é o de sermos “esfregados” na comunidade secular, como o sal é esfregado na carne, para impedir que apodreça. E, quando a sociedade apodrece, nós, os cristãos, temos a tendência de levantar as mãos para o céu, piedosamente horronzados, reprovando o mundo não cristão; mas não deveriamos, antes, reprovar-nos a nós mesmos? Ninguém pode acusar a carne fresca de deteriorar-se. Ela não pode fazer nada. O ponto importante é: onde está o sal?

  1. C. Sproul, falando sobre a influência benfazeja da igreja no mundo como sal da terra, escreve:

O advento do cristianismo foi o que salvou a cultura ocidental da completa barbárie. C) sistema universitário foi uma invenção da igreja cristã. Foi a igreja cristã que introduziu as artes – música, pintura e literatura. Muitos dos maiores artistas mundiais foram cristãos, e o mesmo se aplica na esfera musical, com Bach, Mendelsohn, Hándel e Vivaldi. Além disso, a igreja cristã iniciou o movimento beneficente no mundo ocidental. Foi ela, em cumprimento à ordem de Jesus para cuidar dos órfãos, que introduziu os orfanatos. Fodas as sementes da abolição da escravatura haviam sido semeadas nas páginas do Novo Testamento. Logo, em um sentido muito real, a igreja de Cristo tem sido o conservante utilizado por Deus para evitar que a civilização ocidental venha a implodir em sua corrupção interna.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 182-184.

 

 

Então, o sal tem uma função especialmente negativa. Combate a deterioração. Igualmente os cristãos, mostrando-se como verdadeiros cristãos, estão combatendo constantemente a corrupção moral e espiritual. Com quanta frequência não ocorre que quando repentinamente se apresenta um cristão em meio de um grupo de indivíduos mundanos, retém-se a piada sem sabor com que alguém ia divertir a seus acompanhantes, fica sem se dizer a expressão profana ou fica sem execução o plano perverso? Certamente, o mundo é ímpio. Entretanto, só Deus sabe quanto mais corrompido seria sem o exemplo, a vida e as orações dos santos que refreiam a corrupção (Gn. 18:26–32; 2Rs. 12:2).

O sal age secretamente. Sabemos que combate a deterioração, embora não podemos vê-lo em operação. Não obstante, sua influência é muito real.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. Editora Cultura Cristã. pag. 368-369.

 

 

SINOPSE I

O sal tem as funções respectivas e dá Sabor e conservar os alimentos. À luz dessa imagem, somos chamados a influenciar a sociedade.

 

 

II- À LUZ ILUMINA LUGARES EM TREVAS

 

 

1- Conceito físico em metafórico.

 

A luz procede dos corpos celestes (própria, estrelas; refletida; lua, planetas etc.) que traz claridade e, por isso, é capaz de iluminar os objetos e torná-los visíveis. Assim, a lâmpada emite luz, o fogo espalha a luz. Enfim, a luz ilumina tudo e, portanto, não deixa lugar para trevas. Do ponto de vista bíblico, a luz pode ser aplicada metaforicamente a Deus (Sl 104.2; Tg 1.17); a Jesus (Jo 1.4-6); à Palavra de Deus (Sl 119.105); aos discípulos de Cristo (Mt 5.14).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Antes de penetrarmos no estudo da luz no seu sentido bíblico e teológico, vamos começar sua definição pelo lado da óptica, que é a parte da física que estuda a luz e os fenômenos luminosos. Em tempos bem remotos, os cientistas julgavam que a luz era composta de pequenos corpos, isto é, matéria, que se alastrava com grande rapidez; outros diziam que a luz era um tipo de onda que se propagava em um meio diferente denominado de éter, pois os cientistas não sabiam ainda que a luz poderia se proliferar no vácuo.

É claro que os cientistas ainda patinam nesse estudo, porquanto não sabem tudo sobre a luz, porém, o que se afirma é que ela pode ser estudada como onda, e se comporta como partícula, que são denominadas de prótons. A luz se propaga por meio de ondas no vácuo ou em um meio material e com uma velocidade muito grande, a maior que conhecemos: 300.000 km/s.

Vamos agora dar a definição de luz no aspecto bíblico. Para tal, faremos uso do Dicionário Bíblico Vida Nova, que diz:

Usada de modo simbólico na Bíblia para descrever a presença de Deus e o seu favor (Sl 27.1; 2 Co 4.6). Isso deu origem a uma oposição ética entre luz (o bem) e trevas (o mal), assim como em Jo 3.19; 2 Co 6.14. A santidade de Deus se expressa como “luz inacessível” (1 Tm 6.16; 1 Jo 1.5); os seus seguidores são, portanto, “filhos da luz” (Ef 5.8), chamados para refletir o mundo a luz divina (Mt 5.14). No Evangelho segundo João a luz se refere mais especificamente à revelação de Deus do seu amor em Cristo; Jesus é a luz do mundo (Jo 8.12).

A primeira vez que a palavra luz aparece na Bíblia é em Gênesis 1.3: “Disse Deus: Haja luz. E houve luz”. Luz fala de claridade; dia, brilho, vida, glória. No hebraico, é um substantivo feminino ‘owr, luz, luz do dia, luminosidade das luminárias celestes (lua, sol, estrelas), raiar do dia, alvorada, aurora. Entende-se que em Gênesis 3.14 há uma referência clara aos luminares que seriam portadores de luz executando suas tarefas no céu, exercendo posição de governo, e isso incluía também as estrelas. A grande questão é quanto à luz do versículo 3, o que seria propriamente ela? Champlin diz algo interessante, observe:

Várias cosmogonias falavam de uma luz primeva que nada tinha que ver com a luz solar. No relato do Gênesis temos essa luz antes da criação do Sol (v.14), o que só teve lugar no quarto dia da criação. As cosmogonias babilônica, indiana, grega e fenícia falam sobre essa luz primeva. Muita especulação estéril cerca a descrição dessa luz. Alguns supõem que a luz vinha do Sol, que já existia, mas que ainda não tinha sido posto como centro da órbita terrestre, conforme sucedeu mais tarde. Outros veem uma metáfora na expressão que não pode ser compreendida por meio de explicações literais.

Ainda hoje continuam as diversas concepções quanto ao versículo 3 no que se refere a essa luz, dizendo que poderia se tratar de um corpo luminoso que posteriormente transformou-se no sol. Afirmou-se também que poderia ser algo semelhante à coluna de fogo dos dias de Moisés, quando da peregrinação do deserto. Dizem também que seria a energia necessária para o habitat humano, posto que luz é energia. Na verdade, não se tem uma definição definitiva quanto a essa luz, mas gosto da colocação de Derek Kidner:

Haja luz. Notemos de passagem que o Fiat luz da Vulgata dá-nos a expressão “criação pelo fiat”. Luz, que emprestou seu nome a tudo o que comunica vida (Jo 1.4) e verdade (2Co 4.6), alegre dulçor (Ec 11.7) e pureza (Jo 1.5-7), com muita propriedade marca o primeiro passo do caos para a ordem. Assim como aqui ele precede o Sol, na visão final sobrevive a ele (Ap 22.5).

Podemos entender que Kidner está dizendo que a luz de Gênesis 3, o Fiat, seria o que comunica vida a tudo, e, pelo que sabemos, Jesus disse que estava no princípio de tudo dando vida (Jo 1.1-4). Seja como for, o importante é que a luz tem lições maravilhosas tanto para a vida moral como espiritual, inclusive as Escrituras falam de Deus como luz (1Jo 1.5), Jesus como luz (Jo 1.4-6), a Palavra como luz (Sl 119.105) e os cristãos salvos e comprometidos com os ensinos do Mestre são luzes neste mundo pecaminoso (Mt 5.14; Fp 4.15). Tudo isso reforça a ideia de claridade, brilho, luminosidade.

O homem sempre precisou da luz para viver. Em primeiro lugar, a luz produzida pelas fontes naturais: sol, fogo, relâmpago. Com o desenvolvimento da ciência, o homem foi capaz de produzir algumas fontes de luz artificiais como a vela e a lâmpada. Por meio da riqueza que a luz e seu efeito produzem para o homem desta terra, há riquezas maiores na luz divina, Jesus Cristo (Jo 8.12). Os verdadeiros filhos da luz expressam o caráter dessa luz (Ef 5.8; Tg 1.17).

O profeta Malaquias falou de Jesus como o Sol da Justiça (Ml 4.2).

Cientificamente, somos cônscios de que o sol é um corpo luminoso que tem luz própria, ao contrário da lua, que é um corpo iluminado, porque não tem luz própria, mas reflete a luz. Paulo diz que nós somos filhos da luz (1Ts 5.5), ou seja, não temos luz própria, mas refletimos a luz de Cristo, brilhamos por causa do brilho dEle em nossas vidas.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 42-45.

 

 

A Origem da Luz

As primeiras palavras registradas de Deus foram “Haja luz” (Gn 1.3). Assim, a luz começou a existir por causa de uma ordem direta de Deus. Ela foi considerada “boa”, foi separada da escuridão, e foi chamada “dia” (Gn 1.4,5).

Devemos observar que a luz existia antes da criação das fontes de luz do sol, da lua e das estrelas no quarto dia (Gn 1.14-19).

“Possivelmente, alguma coisa semelhante à difundida atividade eletromagnética da aurora boreal penetrou na noite caótica do mundo. O supremo foco de luz dos sóis, estrelas e sistemas solares levaram o processo inicial da criação ao se\i término, como condição essencial a toda vida orgânica” (ISBE, III, 1891).

E bastante significativo que Deus, que é luz (1 Jo 1.5) tenha iniciado seu projeto da criação com a luz. Antes de sua ordem, a terra não tinha forma (Gn 1 .2), e o ato de produzir luz formou uma associação direta e pessoal entre o Criador e sua criação. Paralelos a estas atitudes podem ser notados na direta associação de Deus com os israelitas, quando Ele os conduziu por uma coluna de fogo (Êx

13.21,22); e pela manifestação da glória da presença de Deus, quando o Tabernáculo (Ex 40.34-38) e também o Templo de Salomão (1Rs 8.11; 2 Cr 5.13,14) ficaram prontos.

A plena associação de Deus com sua criação teve início quando a Segunda Pessoa da Trindade, a luz do mundo (Jo 3.19; 8.12) se fez carne e habitou entre nós. Devemos notar ainda que na nova criação não houve necessidade da luz das velas, da lua, ou do sol (Ap 22.5; 21,23), “porque a glória de Deus a tem alumiado, e o Cordeiro é a sua lâmpada [literalmente, lâmpada ou fonte de luz]” (Ap 21.23; cf. Is 60.19,20).

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1185-1186.

 

 

 

 

2- O cristão como luz.

 

Nas palavras de Jesus não há dubiedades. Observe que Ele não disse: vos elevais ser a luz; mas sim; vós sois a luz. No Reino de Deus, o que se espera do cristão é que seja e viva como luz deste mundo. Ao referir-se ao crente como luz, Jesus faz menção às boas obras produzidas por cada um de nós. Essas obras se caracterizam pelos atos de amor e fé manifestos na vida do crente por meio de um testemunho verdadeiro diante dos homens (Jo 15.8; 1 Pe 2.12). Logo, a vontade de Deus é que as nossas boas obras resplandeçam como luz e sejam vistas por todos os homens e estes glorifiquem a Deus (Mt 5.16).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Para falar do cristão regenerado, Jesus fez uso da metáfora do sal e da luz. Na primeira, o que se destaca é o aspecto negativo, por outro lado a luz é positiva; a primeira age de modo discreto, enquanto a segunda é aberta, todos podem contemplar seu brilho. Os cristãos regenerados deixam o brilho da santidade de Deus ser contemplado por outros, pois, como luz que são, expressam ao mundo o conhecimento de Deus, bondade, sabedoria e justiça (Mt 6.22,23; Ef 5.8,9). As trevas, por outro lado, revelam desespero, escuridão e ignorância, e a luz expressa sabedoria, amor e riso.

Cada cristão deve estar consciente de que sua pequena luz brilha nesta Terra por causa da luz maior que habita no seu interior (Jo 8.12). É sempre bom relembrar que não somos o sol, que como corpo luminoso tem luz própria, mas somos como a lua, que apenas reflete a luz, é por isso que Paulo nos chama de filhos da luz (Ef 5.8). Para que possamos realmente transmitir luz à uma sociedade sem Deus precisamos estar ligados à corrente central elétrica da luz, Jesus.

Somente dessa forma poderemos refletir aos outros o seu brilho (Jo 15.4,5).

O cristão como luz tem de ter consciência do seu papel nesta Terra, que é transmitir o brilho de Cristo. Não é sua missão como Igreja ser voz interpretativa e atuante em questões políticas, sociais e econômicas, mas, sim, ser a luz de Cristo para espalhar a salvação.

Caso não proceda dessa forma, estará desviando a luz de seu verdadeiro curso.

A física diz que a quantidade de luz deve estar de acordo com a finalidade do ambiente em que está, para realmente se ter uma iluminação correta, e que a luz se propaga em linha reta. É claro, não queremos dizer com isso que em um momento necessário a Igreja não possa atender outras demandas, ela, todavia, não pode concentrar-se demasiadamente em tais questões, caso contrário, perderá de vez o seu foco e seu objetivo principal: a salvação dos pecadores (Lc 15.4; 1Co 9.16, 22), fortalecimento de outros na fé (1Pe 2.2; Ef 4.15), e que o nome de Deus em tudo seja glorificado (1Co 10.31).

Se vivermos como verdadeiros filhos de Deus, expressando o seu caráter, pela oração, leitura constante da Bíblia e vida santa, muitas pessoas serão atraídas por esse exemplo piedoso, de modo que é dessa forma que o brilho de Cristo vai contagiando a todos em diversos setores da vida e o nome de Deus passa a ser glorificado.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 45-47.

 

 

A igreja precisa praticar boas obras (5.16)

Quando a luz da igreja brilha, os homens devem ver não sua pujança, mas suas boas obras. A palavra grega kalos, traduzida por “boas”, indica que essas obras não devem ser apenas boas, mas também belas e atraentes. Mas a igreja não faz boas obras a fim de atrair a atenção dos homens para si; ela o faz para levá-los a conhecerem a bondade de Deus e glorificá-lo. Quando um cristão faz boas obras, ele as realiza pelo poder de Deus e para a glória de Deus.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 189.

 

 

A luz nas Escrituras indica o verdadeiro conhecimento de Deus (Sl 36:9; cf. Mt. 6:22, 23); a bondade, a justiça e a veracidade (Ef. 5:8, 9); júbilo e alegria, verdadeira felicidade (Sl 97:11; Is. 9:1–7; cf. 60:19). Simboliza o melhor que há na sabedoria, no amor e no riso, em contraste com as trevas, ou seja, o pior em ignorância, depravação e desespero. Quando menciona-se a luz, às vezes é posta ênfase numa qualidade — por exemplo, o conhecimento revelado; em outros casos a ênfase é posta em outra das qualidades, segundo o contexto o indique em cada caso. Em certos casos, o sentido da palavra “luz” poderia ser ainda mais amplo do que alguma das qualidades por si só poderia indicar. Poderia ser suficientemente ampla para incluir todas as bênçãos da salvação” (cf. Sl 27:1; Lc. 1:77–79). Possivelmente seja assim também aqui em 5:14.

A afirmação “Vós sois a luz do mundo” provavelmente significa que os cidadãos do reino não somente foram abençoados com estes dons mas que são também o meio usado por Deus para transmiti-los aos homens que os rodeiam. Os possuidores da luz se convertem em difusores da luz. Os crentes em forma coletiva são “a luz”. Individualmente são “luzes” (luzeiros, estrelas, Fp. 2:15). Ambas as ideias poderiam bem ter sido incluídas nas palavras faladas por Jesus, embora a ênfase está no coletivo.

Entretanto, os cristãos nunca são luz em si mesmos e por si mesmos. São luz “no Senhor” (Ef. 5:8). Cristo é a verdadeira e original luz do mundo (Jo. 8:12; 9:5; 12:35, 36, 46; 2Co. 4:6; cf. Sl 27:1; 36:9; 43:3; Is. 49:6; 60:1; Lc. 1:78, 79; 2:32). Os crentes são a luz do mundo num sentido secundário e derivado. Ele é “a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina” (Jo. 1:9).

Eles são as luzes que receberam a luz. Ele é o sol. Eles são como a lua, que reflete a luz do sol. Sem Cristo não podem brilhar. A lâmpada elétrica não dá luz por si mesma. Comunica luz somente quando está conectada e aberta a chave, de modo que a corrente elétrica gerada na planta lhe transmite. Assim também, enquanto os seguidores de Cristo permanecem num contato vivo com Ele, a luz original, são luz aos outros (cf. Jo. 15:4, 5).

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. Editora Cultura Cristã. pag. 371-372.

 

 

3- A luz em lugares de trevas.

 

Quando disse que não se pode esconder uma cidade edificada sobre o monte, Jesus referia-se à impossibilidade de esconder o brilho da luz. No Reino de Deus, cada crente é um a luz que brilha no mundo o tempo todo. Nesse sentido, a natureza de quem passou pelo Novo Nascimento é espalhar a “luz do mundo” por meio da própria vida. Por isso, o crente deve estar no lugar para o qual foi chamado, fazendo brilhar a luz por intermédio da boa obra (Mc 4.21; Lc 8.16; cf. Mt 5.14-16). Entretanto, é preciso atentar para esta verdade bíblica: o cristão não pode manter sua vida com o luzeiro pela própria força, mas por intermédio do Espírito Santo que o fortalece (Mt 25.4; At 7.55).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A luz não pode dar seu real brilho se não estiver no seu devido lugar. Para que possa ser radiante e visível, tem que estar no lugar certo. Para expressar essas verdades, Jesus usa duas ideias gerais. Na primeira, fala de uma cidade que está situada em uma colina, jamais ela poderá ficar escondida. Na segunda ideia, Jesus diz que jamais alguém iria colocar uma lâmpada debaixo do alqueire, um substantivo masculino de origem latina que fala de objeto de medida de secos de aproximadamente nove litros. Na verdade, o real propósito da lâmpada é iluminar, de modo que seu lugar apropriado é o velador, castiçal ou candelabro.

Tentar colocar uma lâmpada debaixo do alqueire, sabendo que sua missão é fornecer luz a todos que estão na casa, mostra que a pessoa que faz isso não tem inteligência nem sabedoria, mas é tola, não querendo que os habitantes da casa tenham bom acesso em seus cômodos. Semelhantemente, o cristão deve estar no velador para brilhar ou refletir a luz de Cristo ao mundo. Esse brilhar fala de sua conduta, caráter, procedimento, suas obras, sendo que tudo isso não é meramente produzido por seu esforço, mas são frutos da fé em Cristo Jesus e de sua justiça.

As obras que os crentes desenvolvem perante o mundo são resultado da ação salvadora de Deus em sua vida, de modo que todas elas quando praticadas glorificam a Deus. Tudo o que o crente faz nesta Terra para com outras pessoas tem o seu alicerce na fé verdadeira: a oração (Mt 6.6), a confiança em Deus (Mt 6.24-34), a ajuda aos necessitados (Mt 25.24-34) e um amor sem limites, envolvendo até os inimigos (Mt 5.44).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 47-48.

 

 

A metáfora da luz enseja-nos algumas lições oportunas, como vemos a seguir.

Em primeiro lugar, a luz é símbolo da verdade. O mundo jaz no maligno, e o diabo é o pai da mentira. Seu reino é reino de trevas. Mentiras filosóficas, morais e espirituais mantêm as pessoas prisioneiras do engano. A verdade é luz. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não podem prevalecer contra ela. A igreja é a luz do mundo e, onde a igreja chega com sua benfazeja influência, aí as trevas da ignorância, do engano e da mentira são dissipadas.

Em segundo lugar, a luz é símbolo da pureza. As trevas escondem a sujeira do pecado. O pecado é imundo. A iniquidade se aninha sob as asas da escuridão. Adultérios, roubos, assassinatos, mentiras, maldades e promiscuidades são maquinados e praticados debaixo do manto das trevas. A escuridão é lóbrega. As trevas escondem a podridão repugnante do pecado. Mas, onde a luz chega, ela vence as trevas, revela tudo que estava escondido pelas trevas e produz limpeza e purificação. Concordo com as palavras de R. C. Sproul: “A escuridão não é páreo para a luz”. A luz é símbolo de pureza.

A presença da igreja no mundo é saneadora!

Em terceiro lugar, a luz é símbolo de vida. Não há vida sem luz. Não houvera luz, e não haveria o fenômeno da fotossíntese. Sem fotossíntese, não haveria plantas e, sem elas, não haveria a oxigenação e, sem a oxigenação, não sobreviveríamos.

Logo, a presença da igreja no mundo é que mantém no mundo a vida. Sem a igreja no mundo, este perecería em seu pecado. Para influenciar o mundo, a igreja precisa ser antes de fazer, pregar aos olhos antes de pregar aos ouvidos, ter a vida certa, e não apenas a doutrina certa. Há muitas pessoas que são ortodoxas de cabeça e hereges de conduta. São ortodoxas na teoria e liberais na prática. Defendem doutrinas certas e vivem uma vida errada. São zelosas das tradições da igreja, mas vivem na prática do pecado. Pregam o que não vivem. Exigem dos outros o que não praticam. Coam um mosquito e engolem um camelo.

Em quarto lugar, a luz é símbolo de direção. Nos aeroportos do mundo inteiro, as pistas são iluminadas e circunscritas pela luz, a fim de que o piloto possa pousar com segurança. A luz aponta a direção certa a seguir. Quem anda na luz, sabe para onde vai. Quem anda na luz, não tropeça.

Jesus é a luz do mundo, pois tem luz própria. Ele é o sol da justiça. A igreja, mesmo não tendo luz própria como a lua, reflete no mundo a luz de Cristo, o sol da justiça.

Em quinto lugar, a luz é símbolo de alerta. A luz é colocada nas estradas sempre que um perigo jaz à frente. A luz alerta sobre o perigo e avisa aos viajantes sobre a necessidade de cautela. Assim, a igreja proclama ao mundo sua voz profética. A igreja exerce o papel de atalaia, mostrando ao mundo o perigo grande e grave de viver despercebidamente no pecado.

Em sexto lugar, a luz é símbolo de calor. A luz é fonte de aquecimento e sem luz não suportaríamos o frio glacial das baixas temperaturas. A presença da igreja no mundo torna a vida suportável.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 187-189.

 

 

Agora, visto que é tarefa da igreja brilhar para Cristo, não deveria permiti-la desvio de seu curso. Não é tarefa da igreja especializar-se em, nem emitir todo tipo de pronunciamentos a respeito de problemas econômicos, políticos e sociais. “A grande esperança para a sociedade na atualidade está num número crescente de cristãos individuais. Que a igreja de Deus se concentre nesta tarefa e não desperdice o tempo e as energias em assuntos que estão fora de sua esfera de atividade”.262 Isto não quer dizer que é sempre imperdoável um pronunciamento eclesiástico sobre a posição do evangelho quanto a este ou aquele problema que não seja especificamente teológico. Poderia haver situações em que um testemunho público iluminador deste tipo seja aconselhável e mesmo necessário, porque o evangelho deve ser proclamado “em toda a sua plenitude” e não estreitamente limitado à salvação das almas. Mas a tarefa primária da igreja continua sendo a difusão da mensagem da salvação, para que os perdidos possam ser achados (Lc. 15:4; 1Co. 9:16, 22; 10:33), os achados possam ser fortalecidos na fé (Ef. 4:15; 1Ts. 3:11–13; 1Pe. 2:2; 2Pe. 3:18), e Deus possa ser glorificado (Jo. 17:4; 1Co. 10:31). Aqueles que pelo exemplo ou a mensagem e as orações dos crentes se converteram, mostrarão o caráter genuíno de sua fé e amor exercendo sua influência para Deus em todas as esferas.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. Editora Cultura Cristã. pag. 372.

 

 

SINOPSE II

A luz um ambiente em Trevas. À luz desta imagem, somos convidados a fazer com que, por meio de um sincero testemunho, as nossas boas obras sejam vistas pelos homens e estes glorifiquem a Deus.

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

 

O Sal “O ensino rabínico associava a metáfora do sal com a sabedoria. Esta era a intenção de Jesus, visto que a palavra grega traduzida por ‘nada mais presta’ tem ‘tolo’ ou ‘louco’ com o seu significado radicular. É tolice ou loucura os discípulos perderem o caráter, já que assim eles são imprestáveis para o Reino e a Igreja, e colhe desprezo de ambos”. Amplie mais o seu conhecimento lendo o Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, publicado pela CPAD, p.43.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

“A luz do mundo (5.14-16).

As cidades antigas eram construídas com calcário branco, e desta forma reluziam com a luz do sol. Lâmpadas eram mantidas acesas nas casas durante toda a noite, dispostas em lugares altos. As duas imagens nos lembram de que a ‘luz’ não deve ficar escondida. Cristo deixa clara sua analogia. Os atos justos dos cidadãos são as luzes que fazem o reino visível a todos. Uma vez mais, nós vemos que o Reino dos Céus é um reino interior, que pode ser visto e deve ser procurado em todos os seus cidadãos” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.25).

 

 

III- DISCÍPULOS QUE INFLUENCIAM

 

 

1- Sendo “sal”.

 

O sal não aparece, pois atua de maneira oculta e silenciosa. Essa referência nos ensina que, antes de testemunharmos publicamente, é preciso renovar o “homem interior” (2 Co 4.16). Ou seja, antes de propagar uma mensagem pública, ela precisa ser verdadeira dentro de nós. Nesse sentido, o nosso testemunho não será titubeante. Assim, o sal poderá estar fora do saleiro, espalhando-se por todo o mundo.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Se eles fossem como deveriam ser, eles seriam como um bom sal, branco e miúdo e em muitos grãos, mas muito útil e necessário. Diz Plínio: “Sem o sal, a vida humana não se mantém”. Veja nisto: (1) Que eles devem estar, em si mesmos, temperados de acordo com o Evangelho, com o sal da graça; pensamentos e gostos, palavras e ações, tudo temperado com a graça (Cl 4.6). “ Tende sal em vós mesmos e… uns com os outros” (Mc 9.50).

(2) O que eles devem ser para os outros. Eles não devem apenas ser bons, mas fazer o bem, devem conquistar o seu lugar na mente das pessoas, não servir a nenhum interesse secular deles mesmos, mas devem poder se transformar no sabor e no tempero do Evangelho. (3) As grandes bênçãos que eles representam para o mundo. A humanidade, repousando na ignorância e na maldade, era um grande amontoado de coisas insípidas e prontas a apodrecer. Mas Cristo enviou os seus discípulos para que, pelas suas vidas e doutrinas, a temperassem com conhecimento e graça, e assim a tornassem aceitável a Deus, diante dos anjos e de todos aqueles que apreciam as coisas divinas. (4) Como eles devem esperar ser usados.

Eles não devem ficar amontoados, não devem sempre permanecer juntos em Jerusalém, mas devem se espalhar, como o sal sobre a comida, um grão aqui e outro ali; como os levitas se espalharam em Israel, para que, onde quer que vivessem, pudessem transmitir o seu sabor.

Alguns observaram que, embora os supersticiosos digam, tolamente, que é um mau presságio ter sal jogado sobre nós, na verdade é um mau presságio ter o sal retirado de nós.

Se não fossem como deveriam ser, eles seriam como o sal que perdeu o seu sabor. Se vocês, que devem temperar os outros, não têm sabor, são vazios de vida espiritual, de tempero e de vigor. S e um cristão é assim, especialmente se um ministro é assim, a sua condição é muito triste, pois: (1) Ele é irrecuperável: de que maneira ele poderá s e r temperado? O sal é um remédio para a comida sem sabor, mas não existe remédio p ara o sal insípido.

O cristianismo dá um gosto especial ao homem.

Mas se o homem absorvê-lo e continuar a professá-lo, e ainda assim permanecer vivendo do mesmo modo como um tolo, sem graça e insípido, nenhuma outra doutrina, nenhum outro meio poderá ser aplicado para dar-lhe sabor.

Se o cristianismo não puder fazê-lo, nada o fará. (2) Ele é infrutífero: consequentemente, ele não serve para nada. Para que ele poderá s e r usado, em que não cause mais mal que bem? Assim como um homem sem razão, é um cristão sem a graça. Um homem mau é a pior das criaturas, um cristão mau é o pior dos homens; e um ministro mau é o pior dos cristãos. (3) Ele está condenado à ruína e à rejeição. Ele será expulso da igreja e da comunhão de fé, para as quais ele representa um peso e uma mancha; e ele será pisado pelos pés dos homens. Que Deus seja glorificado através da vergonha e da rejeição daqueles por quem Ele foi rejeitado, e que não se fizeram adequados para nada, exceto para serem pisados.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 48-49.

 

 

Nosso Senhor aplica essa metáfora aos discípulos – e, por conseguinte, a nós – para mostrar que eles eram pessoas que acrescentam sabor ao mundo. Nós devemos ser o tempero que toma a vida mais saborosa. Os cristãos não são chamados a retirar-se do mundo. Não somos sal apenas da terra, mas para a terra, a fim de que possamos acrescentar este tempero saboroso à vida. Alguns cristãos são considerados rabugentos. Eles são sisudos e pare- cem não acrescentar qualquer alegria ou sabor a nada. Porém, de todas as pessoas, nós deveriamos ser os mais cheios de amor pela vida e contagiar os demais com esta alegria.

Algumas décadas atrás, Rebecca Manley Pippert escreveu um best-seller chamado Out of the Saltshaker [Fora do saleiro].1 Achei o título um pouco provocativo, pois ele capta a ideia de que o sal dentro do saleiro não consegue dar gosto a nada. O sal deve sair do saleiro. Jesus está dizendo que devemos ser 0 sal que sai do saleiro. Para que o sal seja útil, ele deve ser utilizado.

Uma empresa norte-americana fabricante de sal, a Morton Salt, tem um slogan mais ou menos assim: “Funciona até debaixo d’água.” A frase é memorável não apenas pela afirmação que faz em relação ao produto, mas também por sua inverdade. Sabemos o que acontece quando tentamos usar o saleiro em um ambiente muito úmido. Nem o sal Morton consegue sair da embalagem sendo apenas agitado.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 78.

 

 

O pequeno grupo de discípulos no monte, todos eles pessoas simples, e em sua continuação a comunidade de Jesus, devem ser sal da terra! Deduz-se que a terra é comparável a uma comida indigesta. Atualmente pode-se constatá-lo de novo em vista de tanta crueldade! Às vezes nos vem a pergunta por que este mundo decaído de Deus e, por isso, indigesto, não se arruinou há muito tempo em sua podridão e por que a paciência de Deus ainda continua. – Por causa do sal divino que ainda está no mundo, Deus poupa o mundo e retarda o seu julgamento definitivo!

Em meros termos de quantidade, a relação entre o número de seguidores de Cristo e o mundo será semelhante à proporção entre o grão de sal e a co-mida. Por isso é preciso não esmorecer por estar sozinho como cristão em um contexto ateu numericamente superior. O cristão continua tendo o chamado de salgar o seu contexto como uma comida. Essa é a promessa ao cristão que vive solitário. Na verdade, quantas vezes o poder de salgar de um pequeno grão foi imensuravelmente eficaz.

Ser sal é uma vocação importante. Entretanto, quem quiser cumpri-la precisa saber do sacrifício que está ligado a ela. Pois, quando o sal quer cumprir sua tarefa, precisa dissolver-se. O serviço do sal sempre acontece pela entrega de si próprio.

O sal que não se entrega, o sal que permanece no saleiro, perde o seu poder de salgar e por nada será revigorado como sal. No tempo de Jesus, o sal (obtido às margens do mar Morto ou de pequenos lagos na beira do deserto da Síria) facilmente adquiria um gosto insosso e mofado por causa da mistura maior de gesso ou restos de plantas. Por isso não podia ficar muito tempo armazenado. Precisava sair do saleiro, entrar nas comidas. – Assim os cristãos vivos precisam inserir-se no meio do mundo. Ademais, quando se diz que os discípulos devem ser sal da terra, o seu serviço de sal não tem limites. Eles são colocados em relação com a humanidade toda e com todas as suas esferas, também as esferas cultural, econômica e política. A palavra do sal vale não apenas horizontalmente até os confins da terra, mas também verticalmente, em todos os âmbitos da vida do ser humano de baixo para cima. – Assim, a primeira palavra do evangelho também é a última, a qual mostra aos seguidores de Cristo sua tarefa como sal da terra.

Expressando-o de outro modo: Ao cristão se diz que, aquilo que ele recebe da palavra e da oração, não o recebe para si sozinho. O sentido da pregação evangélica da palavra não é um estilo edificante na igreja, um clima emocionante e cerimonioso. Não, o sentido da palavra do sal é “trabalhar”, “agiotar” com o que nos foi confiado. Todo o mais é sal que não é sal e luz que não alumia. – Nada causa tanta aversão como um cristianismo egoísta que fica indiferente diante dos que ainda estão do lado de fora. Isso não é sal, mas sujeira, que para nada mais serve que ser lançado fora e pisoteado pelas pessoas. Uma palavra abaladora! Uma palavra de juízo com efeito profético incrível! “Não ter mais nenhuma outra utilidade que ser pisado!” Uma palavra terrível sobre um cristianismo que apenas se auto-satisfaz e não trabalha nem se multiplica.

Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança. 1° Ed. 1998.

 

 

2- Sendo “luz”.

 

Como luz, o cristão deve “brilhar” na família, na escola ou na universidade, no trabalho e em toda a sociedade. Os seguidores de Jesus não podem se esconder. Eles são chamados a andar na luz com o na luz Deus está (1 Jo 1.7). Logo, se o nosso caminho é luz, não pode haver trevas. Nesse caminho não há lugar para escuridão, pois o caminho de Deus é de luz que reflete sob sua Palavra (SI 119.105).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A igreja é a luz do mundo (5.14-16)

William Barclay diz que a luz tem três funções primordiais: ser vista por todos, servir de guia e servir como advertência. John Charles Ryle reforça que, entre todas as coisas criadas, a luz é a mais útil. A luz fertiliza o solo. A luz guia. A luz reanima. A luz foi a primeira coisa que Deus trouxe à existência. Sem a luz, este mundo seria um vazio obscuro.14 Se a igreja influencia ao inserir-se no mundo como sal, ela é vista como a luz. Sua mensagem aponta o caminho a seguir, e seu testemunho adverte acerca dos perigos ao longo do caminho.

A igreja exerce um papel positivo de transformação no mundo. A vida da igreja é sua primeira mensagem. A igreja só tem uma mensagem, se ela tem realmente vida. Sem testemunho, não há proclamação. A vida precede o trabalho.

O exemplo é mais importante do que a atividade.

O apóstolo Paulo diz que devemos resplandecer como luzeiros no mundo (Fp 2.15). Essa luz inclui o que o cristão diz e faz, ou seja, o seu testemunho verbal e as suas boas obras. Concordo com Stott quando ele diz que essas obras são obras da fé e do amor. Expressam não apenas a lealdade a Deus, mas também nosso interesse por nossos semelhantes. Sem as obras, o nosso evangelho perderia sua credibilidade; e Deus, a sua honra.’

Da mesma forma que o sal para ser útil precisa conservar sua salinidade, a luz para ser útil não pode ser escondida. A igreja precisa ser como uma cidade edificada sobre o monte ou como uma luz no velador. A verdade não pode ser escondida, mas proclamada. A igreja não pode se esconder, mas deve resplandecer. A luz aponta para algo ou alguém, e não para si mesma. Somos a luz do mundo, e a nossa luz deve refletir Cristo. Na medida em que espargimos no mundo a luz de Cristo, por meio das boas obras, o Pai é glorificado no céu e os homens são servidos na terra.

O fato de a igreja ser a luz do mundo implica que o mundo está em trevas. O diabo cegou o entendimento dos incrédulos. O reino do diabo é o reino das trevas (Cl 1.13).

Ele é o príncipe das trevas. As pessoas andam em trevas.

Suas obras são conhecidas como obras das trevas. Os pecadores não sabem de onde vieram nem para onde vão. Eles nem sabem em que tropeçam. Não apenas vivem nas trevas, mas aborrecem a luz. O papel da igreja no mundo, portanto, é vital.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 186-187.

 

 

“Vós sois a luz do mundo” (v. 14). Isto também dá indícios de que eles são tão úteis quanto o sal (“Nada é mais útil que o sol e o sal”), porém são mais gloriosos. Todos os cristãos são luz no Senhor (E f 5.8), e devem resplandecer como astros (Fp 2.15), mas ministram de uma maneira especial. Cristo chama a si mesmo de Luz do mundo (Jo 8.12), e eles são trabalhadores, juntamente com Ele, e têm uma parte da sua honra depositada sobre si mesmos. É verdade que a luz é doce, ela é bem-vinda; a luz do primeiro dia do mundo o foi, quando resplandeceu nas trevas; assim é a luz da manhã de cada dia; assim é o Evangelho, e aqueles que o transmitem, para todas as pessoas sensatas. O mundo estava em trevas, mas Cristo chamou os seus discípulos justamente para brilharem neste mundo; e, para que eles possam fazer isto, é dele que eles obtêm a luz.

Esta semelhança é aqui explicada em dois aspectos:

Sendo a luz do mundo, eles são reconhecidos e visíveis, e têm muitos olhos sobre si. Uma cidade que está edificada sobre um monte não pode ficar escondida. Os discípulos de Cristo, particularmente aqueles que são ativos e zelosos no seu ministério, se tornam notáveis e são observados como faróis de orientação. Eles trarão sinais (Is 7.18), serão homens portentosos (Zc 3.8); todos os seus vizinhos os estarão observando. Alguns os admiram, os elogiam, se alegram por eles e estudam para imitá-los; outros os invejam, odeiam, censuram e estudam para destruí-los. Desta forma, eles devem se preocupar em agir com cuidado, por causa dos que os observam; eles são espetáculos para o mundo, e devem tomar cuidado com tudo o que pareça mau, porque são muito observados. Os discípulos de Cristo eram homens desconhecidos antes que Ele os chamasse, mas o caráter que Ele lhes atribuiu lhes dignificou. E, como p regadores do Evangelho, eles criaram um padrão; e embora alguns os tenham condenado por isto, eram respeitados por outros, e se assentarão sobre tronos e julgarão (Lc 22.30). Pois Cristo irá honrar aqueles que o honram.

Sendo a luz do mundo, eles devem iluminar e dar luz aos outros (v. 15), e, portanto: (1) Eles se estabelecerão como luzes. Cristo acendeu estas candeias, elas não serão colocadas debaixo de alqueires (isto é, cestos), nem estarão sempre confinadas, como estão agora, às cidades da Galiléia, ou às ovelhas perdidas da casa de Israel, mas serão enviadas a todo o mundo. A s igrejas são os castiçais, os castiçais de ouro onde se colocam estas luzes, para que a sua luz possa ser difundida, e o Evangelho é uma luz tão forte, e transmite tanto da sua própria evidência, que, como uma cidade sobre um monte, ele não pode ficar escondido, não pode deixar de evidenciar que é de Deus a todos aqueles que não fecharem voluntariamente seus olhos a ele. Ele dará luz a todos aqueles que estiverem na casa, àqueles que forem atraídos a ele e vierem até ele. Aqueles a quem ele não der luz, devem agradecer somente a si mesmos; eles não estarão na casa com ele, não farão uma investigação imparcial e diligente dele, mas estarão envolvidos em seus próprios preconceitos. (2) Eles devem resplandecer como luzes: [1] Pela sua boa pregação. Eles deverão transmitir o conhecimento que têm para o bem dos outros; não escondê-lo sob um cesto, mas transmiti-lo. O talento não deve ficar envolto num pano, mas deve s e r transmitido.

Os discípulos de Cristo não devem se esconder na privacidade e na obscuridade, com a desculpa de contemplação, recato ou autopreservação, mas, por terem recebido o dom, devem ministrá-lo (Lc 12.3). [2] Pela sua vida correta. Eles devem s e r candeias que ardem e alumiam (Jo 5.35); devem evidenciar, pele seu comportamento, que são verdadeiramente seguidores de Cristo (Tg 3.13). Para os outros, eles devem representar instrução, orientação, estímulo e consolo (Jó 29.11).

Observe aqui, em primeiro lugar, como a nossa luz deve brilhar, realizando coisas boas que os homens possam ver e aprovar, obras que tenham boa reputação entre aqueles que não as têm, e que, portanto, lhes darão motivo para pensarem bem do cristianismo. Nós devemos realizar boas obras que possam ser vistas para a edificação de outros, mas não que possam ser vistas para a nossa própria ostentação; nós devemos orar em segredo, e o que estiver entre Deus e as nossas almas deve ser conservado conosco; mas aquilo que é aberto e óbvio à vista dos homens deve ser feito de modo coerente com a nossa profissão de fé, e de um modo que glorifique a Deus (Fp 4.8). Aqueles que estão à nossa volta não devem apenas ouvir falar das nossas boas obras, mas de vem veras nossas boas obras, para que possam se convencer de que a religião é algo m ais do que m eras palavras, e que não fazemos dela somente uma profissão de fé, mas que permanecemos sob o seu poder.

Em segundo lugar, para que finalidade a nossa luz deve resplandecer. Para que aqueles que vejam as nossas boas obras possam ser levados a glorificar, não a nós (que era o que os fariseus desejavam, e que prejudicava todo o seu desempenho), mas ao nosso Pai que está nos céus. Observe que a glória de Deus é o bem supremo que devemos procurai- em tudo o que fizermos na religião (1 Pe 4 .11). Neste centro, as linhas de todos os nossos atos devem se encontrar. Devemos não somente nos empenharmos para glorificar, nós mesmos, a Deus, mas também devemos fazer tudo o que pudermos para motivar os outros a glorificá-lo. A visão das nossas boas obras fará isto, dando-lhes: 1. Motivos para louvar a Deus. Em outras palavras: “Deixe que vejam as suas boas obras, para que possam enxergar o poder da graça de Deus em sua vida, e assim deem a Ele glória e ações de graças por ter concedido tal poder aos homens”.

Motivos de religiosidade.

Em outras palavras: “Deixe que vejam as suas boas obras, para que possam se convencer da verdade e da excelência da religião cristã. Que isto provoque uma emulação sagrada, para que imitem as suas boas obras, glorificando, deste modo, a Deus”. Observe que o comportamento regular, santo e exemplar dos santos pode fazer muita coisa com relação à conversão dos pecadores; aqueles que não têm conhecimento da religião podem, por meio disso, s e r levados a conhecê-la. Os exemplos ensinam. E aqueles que têm um preconceito contra a religião cristã podem, por meio deles, ser levados a amar o cristianismo. Consequentemente, existe uma virtude vitoriosa em um comportamento devoto.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 49-50.

 

 

Luz refletida

Vós sois a luz do mundo (v. 14). Isso soa estranho, pois Jesus disse que ele é a luz do mundo (Jo 8.12). Foi Jesus quem veio para as trevas, e as trevas não prevaleceram. Aqui ele toma esse título, “luz do mundo”, e o transfere aos discípulos. Evidentemente, a luz que Cristo traz ao mundo origina-se nele mesmo, ao passo que a luz que temos é recebida. Nossa luz é um reflexo da luz dele. Porém, se tivermos sua luz em nós, ela não pode ser escondida. Será manifesta.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 80.

 

 

3- A influência cristã.

 

Paulo disse que temos um tesouro em vasos de barro (2Co 4.7). Esse tesouro é a verdade do Evangelho. Nós devemos porta-la como bandeira num mundo que inteiramente jaz no Maligno (1 Jo 5.19). Com isso, influenciar a sociedade não significa que o crente seja excêntrico ou ostente alguma coisa. Pelo contrário! A postura de quem é sal e luz é a de um embaixador de uma pátria (2 Co 5.20), cujas referências são a longanimidade, a mansidão e a moderação, bem como outras virtudes do Fruto do Espírito (G1 5.22-24). Portanto, o modo de viver por meio de uma nova vida, e da prática de boas obras, levará os homens a glorificar a Deus. Ouçamos, pois, o conselho de Paulo: “ veja prudentemente com o andais” (Ef 5 -15).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os ensinos de Cristo presentes em Mateus 5.13-16 são bem incisivos e diretos, esclarecendo que todos aqueles que vivem nEle, a luz maior, irão influenciar esse mundo que se encontra nas trevas. Querendo ou não, as pessoas ímpias verão muitas boas obras desenvolvidas pelos discípulos de Cristo no seu viver diário.

A Igreja Primitiva é um grande exemplo para nós de como a comunidade de Cristo Jesus, vivendo plenamente seus ensinos, influenciou poderosamente a sociedade, impactando-a por meio de suas obras amorosas e vida piedosa para com Deus (At 2.42-47).

O cristão verdadeiro busca influenciar o mundo com o testemunho vivo que recebeu de Cristo. Ele não pratica boas obras para ser visto e aplaudido pelos homens, como procediam os escribas e fariseus, porquanto dessa maneira não influenciará em nada, pois não refletirá a luz de Jesus em seu ser, antes será fruto de seu próprio esforço, o que contraria o ensino da Palavra (Tt 3.5). Tudo o que o crente faz é para que o Senhor seja glorificado. Nossa luz deve ser acesa para influenciar e levar vidas a Cristo Jesus, não a nós mesmos (Sl 22.23; 1Co 10.31).

Quem procura viver conforme os ensinos de Cristo, buscando influenciar o mundo com sua vida e proceder verdadeiro pode ter a certeza de que gozará dos cuidados do Pai. Por isso que em Mateus 5.16 está escrito: “[…] e glorifiquem a vosso Pai. No Antigo e no Novo Testamento é dito que Deus é o nosso Pai bondoso, cuidando dos órfãos e viúvas, manifestando assim seu grande amor (Is 63.16; Ml 1.1,6; Nm 11.12; Sl 65.8). Tudo isso nos mostra que quem é filho do Pai que está no céu irá, por causa dessa paternidade, expressar sua identidade de filho de Deus, por intermédio de um viver diferente daquele exposto pelo mundo que não goza dos cuidados do Pai.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 48-49.

 

 

Às figuras do sal e da luz Jesus ainda acrescentou uma terceira, a da cidade sobre o monte. O Senhor quer expressar com ela o seguinte: Não há como vocês, discípulos, possam ficar escondidos neste mundo. As pessoas veem vocês! Reparam em vocês. Assim como não se pode passar ao largo de Jerusalém sem ter notado essa cidade sobre o monte, assim também não pode ser simplesmente ignorada a comunidade de Jesus na terra. Ela, enfim, está aí. Quer o mundo goste, quer não, precisa confrontar-se com ela. Fritz Rienecker. Comentário Esperança Evangelho de Mateus. Editora Evangélica Esperança. 1° Ed. 1998.

 

 

Os seguidores de Jesus devem agir como lâmpadas em candeeiros.

Devem deixar resplandecer sua luz diante dos homens (aoristo, imperativo, terceira pessoa) de tal modo que as pessoas lhes vejam as boas obras e glorifiquem ao Pai que está nos céus. Observe que a luz não se origina nos crentes; estes devem deixá-la brilhar: assim resplandeça a vossa luz. A luz é vista nas boas obras que realizam. Trata-se menos de uma mensagem dirigida ao intelecto e mais um modo de vida exibido diante das pessoas.

Quando os de fora veem que seguir a Cristo leva a uma vida de boas obras, glorificam não o crente, mas o Pai do crente, o Pai que está nos céus. Se as bem-aventuranças deixaram a impressão de que viver no reino é algo um tanto passivo, as metáforas do sal e da luz corrigem o mal-entendido.

Robert h. Mounce. Comentário Bíblico Contemporâneo. Mateus. Editora Vida. pag. 53.

 

 

SINOPSE III

Os cristãos são chamados a influenciar o mundo em que vive­mos, pois somos sal e luz.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

“Cem anos depois Justino Mártir, nascido em 100 d.C., escreveu a sua Apologia, […] a respeito do impacto do Reino de Deus no compromisso cristão, ele tem a dizer o seguinte:

Ao ouvir que procuramos um reino, você imagina, sem fazer nenhum a pergunta, que estamos falando de um reino humano; porém estamos falando daquele reino que é de Deus, que também é mencionado na confissão de fé feita por aqueles que são acusados de serem cristãos, embora saibam que a morte é a punição daqueles que o confessam.

Pois se procuraremos um reino humano, também deveríamos negar o nosso Cristo, para que não fôssemos mortos; e tentaremos escapar à detenção, para obtermos aquilo que esperamos. Mas com o os nossos pensamentos não estão fixados no presente, não nos preocupamos quando os homens nos matam, uma vez que a morte também é uma dívida que precisa, de qualquer modo, ser paga ”(RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.24).

 

 

CONCLUSÃO

Neste mundo dominado pelas trevas do pecado, só mesmo a influência dos servos de Cristo para promover a verdadeira mudança. É preciso que a luz divina brilhe a partir de nós para que todos vejam as nossas boas obras e glorifiquem o Pai. Mas também é preciso lembrar de que sem um verdadeiro testemunho o Evangelho não será levado a sério entre os homens. Entretanto, se o cristão mostrar uma vida verdadeiramente transformada, sincera e sem artificialismo, exerceremos o nosso papel de sal da terra e luz do mundo.

 

 

VOCABULÁRIO

 

Excêntrico: extravagante, fora dos padrões normais.

Ostentar: exibir, alardear.

Salmoura: Conservação de alimentos em sal.

Titubeante: hesitante, vacilante.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Qual a definição de sal?

A palavra “ sal” aparece com o substância branca usada com o tempero (Jó 6.6; M c 9.50), remédio e conservante (Ez 16.4).

 

 

2- Quais as duas funções do sal, segundo a lição?

Dar sabor e preservar os alimentos.

 

 

3- O que se espera do cristão no Reino de Deus?

No Reino de Deus, o que se espera do cristão é que “seja” e “ viva” como luz deste mundo.

 

 

4- Para qual verdade bíblica o crente deve atentar?

O cristão não pode manter sua vida com o luzeiro pela própria força, mas por intermédio do Espírito Santo que o fortalece.

 

 

5- De maneira concreta, qual o lugar em que o crente deve brilhar como luz?

Como luz, o cristão deve brilhar na família, na escola ou na universidade, no trabalho e em toda a sociedade.

 

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 1° Trimestre 2022 

 

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