2 LIÇÃO 2 TRI 23 – A PREDILEÇÃO DOS PAIS POR UM DOS FILHOS

 

 

2 LIÇÃO 2 TRI 23 – A PREDILEÇÃO DOS PAIS POR UM DOS FILHOS

 

 

 

TEXTO ÁUREO

 

E amava Isaque a Esaú, porque a caça era do seu gosto, mas Rebeca amava a Jacó. (Gn 25.28)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

A preferência de filhos dentro do lar gera divisão e promove o egoísmo na formação deles.

 

LEITURA DIÁRIA

 

 

Segunda – Rm 12.2 A vontade de Deus sempre é perfeita

 

Terça – Gn 25.21 Deus abre a madre da mulher estéril

 

Quarta – Sl 127.3-5 Os filhos são herança para os pais

 

Quinta – Gn 49.3; cf. Sl 78.51 A primazia do filho primogênito na família

 

Sexta – Ef 6.1-3 Os filhos devem honrar e obedecer a seus pais

 

Sábado – Ef 6.4 Os pais não devem provocar a ira aos filhos

 

Hinos Sugeridos: 175, 318, 426 da Harpa Cristã

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Gênesis 25.19-28

 

19 – E estas são as gerações de Isaque, filho de Abraão: Abraão gerou a Isaque;

 

20 – e era Isaque da idade de quarenta anos, quando tomou a Rebeca, filha de Betuel, arameu de Padã-Arã, irmã de Labão, arameu, por sua mulher.

 

21 – E Isaque orou instantemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu.

 

22 – E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi-se a perguntar ao Senhor.

 

23 – E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor.

 

24 – E, cumprindo-se os seus dias para dar a luz, eis gêmeos no seu ventre.

 

25 – E saiu o primeiro, ruivo e todo com a uma veste cabeluda; por isso, chamaram o seu nome Esaú.

 

26 – E, depois, saiu o seu irmão, agarrando sua mão ao calcanhar de Esaú; por isso,se chamou o seu nome Jacó. E era Isaque da idade de sessenta anos quando os gerou.

 

27 – E cresceram os meninos. E Esaú foi varão perito na caça, varão do campo; mas Jacó era varão simples, habitando em tendas.

 

28 – E amava Isaque a Esaú, porque a caça era do seu gosto; mas Rebeca amava a Jacó.

 

 

PLANO AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

Na lição desta semana, veremos que, quando desviamos das normas de convivência saudável que Deus estabeleceu em sua Palavra, o relacionamento familiar é profundamente prejudicado. No Livro de Gênesis, encontramos a predileção dos filhos por parte do casal Isaque e Rebeca. O presente relato bíblico nos ensina que é uma tragédia moral e espiritual quando os pais preferem qualquer um dos filhos. Estes são herança do Senhor (SL 127.3) e cabe aos pais a responsabilidade com o desenvolvimento saudável e equilibrado do ponto de vista físico, emocional e espiritual dos filhos (Ef 6.4). Vale destacar que a formação do caráter dos filhos tem como referência o relacionamento sadio entre os pais, o qual é a principal referência para os filhos.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Apresentar o plano de Deus para a família de Isaque e Rebeca;

II) Apontar a predileção dos filhos como uma das principais causas de conflito familiar;

III) Explicar os malefícios da predileção na formação e desenvolvimento físico, emocional e espiritual dos filhos.

B) Motivação: Isaque e Rebeca foram infelizes na criação dos filhos porque não souberam esperar o cumprimento das promessas divinas e não atentaram para os malefícios emocionais que a predileção pode trazer para as relações familiares. Para que os filhos cresçam de maneira saudável é fundamental que os pais entendam que o amor de Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.11). Cada ser humano tem as suas características peculiares e é relevante no plano de Deus para alcançar as famílias.

C) Sugestão de Método: Realize um painel com seus alunos. Convi­de pastores e ministros que fazem parte do ministério da igreja para um

diálogo sobre a criação dos filhos. É importante que você, professor(a), seja o(a) mediador(a). Peça que cada um deles expresse um conselho sobre a predileção em relação aos filhos. Em seguida, abra espaço para os alunos perguntarem sobre o tema. Ao final, ore ao Senhor para que haja cura das possíveis decepções causadas em razão da predileção. Reforce que devemos pedir a Deus sabedoria para não cometermos injustiça no cumprimento de nossos papéis familiares.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Depois de apontar os malefícios da predileção para a

formação do caráter dos filhos, faz a seguinte pergunta: Como a predileção tem afetado a relação entre pais e filhos no seio familiar atual? Que exercícios devem ser praticados para evitar esse tipo de conflito entre irmãos?

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz

reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio às Lições Bíblicas Adultos. Na edição 93, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) Para aprofundar o primeiro tópico, o texto “Entenda como seus filhos se sentem” ressalta que ouvir os filhos é o primeiro passo para lidar com as suas percepções e administrar conflitos entre irmãos;

2) Para aprofundar o segundo tópico, o texto ‘’Amando uns aos outros’’ mostra a importância do afeto familiar. Se uma família deseja desenvolver seus laços afetivos é essencial que os filhos tenham a certeza do amor recíproco de seus pais.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIOS

 

A história de Isaque e Rebeca parece uma infeliz repetição da de Abraão e Sara. Por algumas vezes, Abraão não soube lidar com os sentimentos de sua esposa, cometendo erros pelos quais pagou um alto preço.

Nesta lição, estudaremos a respeito da predileção de filhos pelo casal Isaque e Rebeca. Veremos que quando isso acontece na família, os resultados são conflitos intermináveis que fazem do lar um ambiente hostil para a criação dos filhos. Obviamente, essa não é a vontade de Deus para a família cristã.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A história de Isaque e Rebeca parece uma repetição da história de Abraão e Sara. Por algumas vezes, Abraão não soube administrar sua liderança sobre os sentimentos de sua mulher Sara e acabou por cometer erros pelos quais pagou um preço muito caro. Isaque não soube como agir no tratamento com seus filhos gêmeos, Esaú e Jacó. Em Gênesis 25.28, o texto revela a atitude de preferência de cada um dos cônjuges, Isaque e Rebeca.

O velho Isaque amava mais a Esaú, e Rebeca amava mais a Jacó. Esse preferencialismo no meio da família por parte dos pais produziu um conflito interminável, não só entre Esaú e Jacó, mas também entre os pais, Isaque e Rebeca. Os filhos perceberam a distinção que cada um dos pais fazia em relação a eles e, naturalmente, os dois procuravam agradar aquele que o atendia diferentemente.

Ora, o lar existe para que o pai exerça sua liderança e autoridade sobre todos. Quando há comunicação saudável e amorosa entre pais e filhos, quando há respeito, afeto e amor, os filhos têm seus referenciais nos pais e o relacionamento familiar se torna agradável e estimulante. Mas quando os pais agem com escolha preferencial por um dos filhos, o ambiente se torna hostil.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 29-30.

 

 

Esta seção conduz-nos a Jacó e Esaú, os irmãos gêmeos que competiam e chegaram a ser progenitores de duas nações distintas. Até hoje vemos reflexos disso, no conflito árabe-israelense.

O nome de Jacó foi mudado para Israel, onde achamos o começo do nome da nova nação. Seus filhos tornaram-se os patriarcas da nova nação, e seus descendentes multiplicaram-se de forma incrível no Egito.

Somente ao serem libertos da servidão egípcia foi que os israelitas reclamaram a posse do território que lhes fora prometido, tornando-se assim, finalmente, a nação que Deus havia prometido a Abraão. Há toda uma sequência: Israel-Árabes (em Sara e Hagar); Israel-Árabes (em Isaque e Ismael); Israel-Árabes (em Jacó e Esaú).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 174.

 

 

PALAVRA CHAVE: PREDILEÇÃO

 

 

I – O PLANO DE DEUS PARA A FAMÍLIA E SUA PRESCIÊNCIA

 

 

 1- O Plano divino para a família de Isaque e Rebeca.

 

Isaque e Rebeca faziam parte de um plano maior de Deus. Ao conhecer Rebeca e tomá-la por esposa, Isaque não esperava o que viria pela frente. Quando ele descobre a esterilidade de Rebeca, a Bíblia diz que o patriarca orou ao Senhor para que a madre de sua esposa fosse aberta (Gn 25.21).

Somente 20 anos depois dessa oração, com 60 anos de idade, Isaque recebeu a notícia de que Rebeca estava grávida (Gn 25.26; cf. 25.20). Portanto, nada pode impedir o plano de Deus, pois quando Ele opera, seus desígnios se cumprem no tempo certo. Assim, no tempo perfeito de Deus, Rebeca gerou dois meninos.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Mais uma vez destacamos a presciência de Deus. Na história desse casal, não há dúvidas de que os desígnios de Deus seriam realizados na vida de Isaque e Rebeca. Eles faziam parte da promessa feita a Abraão. Os dois, certamente, não podiam imaginar que faziam parte de um plano muito maior para as suas vidas.

Strong, em sua Teologia Sistemática, diz que “Deus conhece perfeita e eternamente todas as coisas que são objeto do seu conhecimento quer reais ou possíveis, passadas, presentes ou futuras”.1 Ora, a presciência divina não deve ser confundida com a vontade pré-determinante de Deus. Strong diz: “Em virtude da sua sabedoria Deus escolhe os mais elevados fins e usa os mais adequados meios para cumpri-los”.

Ao conhecer Rebeca por esposa, Isaque ficou deslumbrado pela beleza dela e não podia imaginar o plano de Deus com essa mulher e o que viria à frente. De repente, ambos descobrem que Rebeca era estéril. Diz a Bíblia que Isaque orou ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril (Gn 25.21). Somente vinte anos depois, com 60 anos de idade, Isaque teve a notícia de que sua esposa, Rebeca, estava grávida (Gn 25.26). Nada podia interferir no plano de Deus, porque quando Ele opera nenhum de seus desígnios deixam de ser cumpridos. No tempo de Deus, Isaque e Rebeca geraram dois meninos, gêmeos, para a alegria do casal. Ambos oraram a Deus para que Deus abrisse a madre de Rebeca e, quando ela engravidou, a alegria foi imensa, porque o Senhor ouviu a oração do casal.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 31-32.

 

 

[…] a oração de Isaque por Rebeca (25.19-21). Isaque casou-se com Rebeca quando tinha quarenta anos de idade e orou por ela vinte anos até que ela concebesse. Isaque é o único patriarca monogâmico. Rebeca era estéril.

O Senhor ouviu-lhe as orações, e Rebeca concebeu. Se Abraão esperou 25 anos para que Deus abrisse a madre de Sara, Isaque orou vinte anos para que Deus fizesse o mesmo com Rebeca, o que mostra que a paciência e a perseverança na oração era uma marca de Isaque. Jacó teve de trabalhar catorze anos para conseguir Raquel, e José precisou esperar 22 anos para encontrar sua família. Nosso tempo está nas mãos de Deus, como diz o salmista: Nas tuas mãos, estão os meus dias… (Sl 31.15).

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

Isaque orou ao Senhor. Rebeca era estéril, tal como o fora Sara, antes dela; e a questão tornou-se motivo especial de orações. A oração funciona, e o homem espiritual não a dispensa. O vs. 26 mostra que a esterilidade de Rebeca prolongou-se por vinte anos. Isaque tinha quarenta anos de idade quando se casou (vs. 20), mas seus filhos gêmeos nasceram quando seu pai estava com sessenta anos de idade.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 174.

 

 

O v. 26, com o v. 20, mostra um período de espera de uns vinte anos. A maneira pela qual Deus prefacia uma obra excepcional com dificuldades excepcionais, muitas vezes haveria de tomar esta forma; homens como José, Sansão e Samuel vieram ao mundo só depois de tristeza e oração.

Derek Kidner. Gênesis. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag. 140.

 

 

 2- O propósito presciente de Deus.

 

Deus sabia antecipadamente o futuro de Esaú e de Jacó. Ele sabia de antemão o que haveria de acontecer com os filhos gêmeos de Isaque e Rebeca (Gn 25.23). Isso indepen­dia das circunstâncias que envolvessem essa história. Por isso, o Senhor atendeu a oração de Isaque e Rebeca concebeu filhos gêmeos (Gn 25.21). Entretanto, conforme as crianças se desenvolviam, alguns meses depois os gêmeos já lutavam entre si no ventre da esposa de Isaque (Gn 25.22).

 

No caso dos gêmeos, Esaú e Jacó, Deus sabia que, criados como agentes livres, eles seriam rivais. Aqui, estamos abordando a presciência de Deus, um atributo divino que indica o pre-conhecimento de todas as coisas. Devemos ressaltar que esse atributo não é causativo, isto é, ele não implica determinismo na vida do ser humano. Contudo, o Senhor tem um propósito para a vida de cada pessoa; muitas vezes não o compreendemos, mas sabemos que a vontade dEle é perfeita (Rm 12.2).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A presciência divina é uma qualidade da onisciência de Deus que se refere ao fato de que o Senhor conhece de antemão tudo o que ainda está por acontecer. Deus conhece todas as coisas, incluindo o futuro. O sábio Salomão declarou que “os olhos do Senhor estão em toda parte” e conclui que Ele está “observando atentamente os maus e os bons” (Pv 15.3, NVI). O rei Davi, em Salmos 139.1,2, diz: “Senhor, tu me sondaste e me conheces. Tu conheces o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento”.

Deus sabia por antecedência o futuro de Isaque e Jacó. O plano estava feito e estabelecido. Isso não significa determinismo, mas significa que Deus sabia o que haveria de acontecer com os gêmeos de Isaque e Rebeca, independentemente dos elementos circunstanciais que envolveram essa história.

Mesmo que não compreendamos os desígnios de Deus, sabemos que a vontade do Senhor é perfeita. Quando Rebeca percebeu que estava grávida, houve grande alegria entre o casal.

Porém, no desenvolvimento da gestação, alguns meses depois, os gêmeos já lutavam entre si no ventre de Rebeca. Presciência é o pré-conhecimento divino de todas as coisas. Ela não é causativa, mas é o que determina que algo aconteça. No caso dos gêmeos, Esaú e Jacó, Deus sabia que eles, criados como agentes livres para fazerem o que quisessem, seriam rivais.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 29-30.

 

 

[…] a eleição da graça (25.23). Henry Morris diz que os homens normalmente pensam que os filhos primogênitos deveriam receber maior honra e herança, mas Deus não necessariamente trabalha por essas vias. Na linhagem messiânica, é significativo que nem Sete, nem Isaque, nem Jacó, nem Judá, nem Davi foram primogênitos. Essa trama familiar, portanto, longe de frustrar o propósito divino, apenas a confirma. A eleição divina é incondicional. Deus amou a Jacó e aborreceu a Esaú (Ml 1.2,3). O apóstolo Paulo deixa isso claro:

E não ela [Sara] somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú (Rm 9.10-13).

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

Duas nações. Os dois fetos já sentiam o destino, já estavam em conflito, já sentiam em si mesmos seus poderes regenerativos, prevendo duas nações em choque que deles descenderiam. Eles eram grandes demais para ficarem confina- dos em um lugar tão apertado. As profecias feitas pelos familiares de Rebeca (Gên. 24.60) já estavam tomando forma.

Este versículo vinte e três parece ter tido origem em um antigo poema, ou ter originado um poema. Ellicott procurou dar-lhe um formato poético moderno:

Duas nações há no teu ventre,

Dois povos, nascidos de ti, se dividirão:

Um povo será mais forte que o outro,

E o mais velho servirá ao mais moço.

Dois filhos, totalmente diferentes um do outro, cresceriam e se tornariam homens em conflito; e homens em conflito tornar-se-iam nações adversárias.

Os edomitas viriam de Esaú; os israelitas viriam de Jacó. Ver no Dicionário os artigos intitulados Edom, Idumeus e Israel. Esaú foi um habilidoso caçador, deleitando-se na vida ao ar livre; Jacó era homem comum que habitava em tendas e preferia uma vida pacífica, cuidando de suas vacas e de suas ovelhas.

Uso da Passagem por Paulo. As tradições judaicas concernentes a Esaú são muito severas, crivando-o de adjetivos pesados e enfatizando a sua impiedade, algo que não transparece em nenhuma passagem do Antigo Testamento que fato sobre ele. Paulo tirou proveito dessa apreciação adversa dos judeus acerca dele, utilizando-a em Romanos 9.10-13. Ali, Jacó representa os eleitos, e Esaú, os não- eleitos, um, amado, e outro, odiado. Felizmente, outros textos do Novo Testamento vão além dessa drástica avaliação e projeção, oferecendo esperança na missão mais ampla de Cristo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 174-175.

 

 

O mais velho servirá ao mais moço. A existência deste oráculo lança importante luz sobre as intrigas do capítulo 27 (ver coment.). Também expressa a soberana escolha de Deus, como o esclarece Paulo em Rm 9:11,12.

Derek Kidner. Gênesis. Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag.141.

 

 

SINOPSE I

 

Os desígnios de Deus se cumprem no tempo certo.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

“ENTENDA COMO SEUS FILHOS SE SENTEM

 

Para estabelecer os seus filhos numa identidade forte e positiva, em primeiro lugar você precisa entender como eles se sentem. Sempre que um filho diz ao seu pai: ‘Você não entende’, sinais de alarme deveriam disparar na mente desse pai. Isso não quer dizer que seus filhos tenham razão quanto ao que sentem.

No entanto, o passo essencial para ajudar uma pessoa a lidar com as suas percepções. A criança que diz que o seu pai não a compreende pode estar desejando que a escutem – e ouçam. Sempre que os nossos filhos nos dizem isso, a maioria de nós faz a coisa mais fácil – fica zangado se afasta. Afinal, sempre é mais fácil reagir do que compreender.

[…] Tiago deu o seguinte conselho: ‘Todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar’ (Tg 1.19). Acho que isso é particularmente necessário para os pais. As crianças irão romper as suas regras e o seu coração, mas quando você se comunicar com os sentimentos delas, estabelecerá uma conexão que tornará a cura muito mais fácil” (YOUNG, Ed. Os 10 Mandamentos da Criação dos Filhos: O que fazer e o que não fazer para criar ótimos filhos? Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.44).

 

 

II – O CONFLITO FAMILIAR

 

 

1- A esterilidade de Rebeca.

 

Na antiguidade, uma mulher estéril era vista como uma pessoa amaldiçoada. Por serem impedidas de procriar, mulheres inférteis eram consideradas inferiores a ponto de, num casamento, os maridos terem o direito de repudiá-las.

No caso de Isaque, ao perceber que Rebeca não podia dar-lhe filhos, orou ao Senhor para que a esterilidade de Rebeca fosse desfeita e ela pudesse gerar. Como vimos, Deus ouviu o clamor de Isaque (Gn 25.21).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

É interessante notar nessa história que a esterilidade de Rebeca e outros fatos relacionados com Isaque são similares à história de Abraão e Sara, e, não por mera coincidência, as experiências de ambas as famílias tinham um mesmo propósito disciplinar da fé. No propósito divino estava inserido em seu contexto o modo de Deus trabalhar com as circunstâncias.

Mas o que é esterilidade feminina, especialmente, nesse caso? É a dificuldade de conseguir gravidez e é chamada, também, “infertilidade”. Os médicos associam a esterilidade feminina a diversos fatores, como doenças hormonais, anatômicas, que podem ser alterações no útero, ovários e fator tubário. Também denominados problemas de autoimunes, genéticos e infecciosos. No caso de Rebeca, tudo indica que ela não apresentava problemas físicos, senão o problema da infertilidade.

Naquela época não havia os recursos médicos que a vida moderna oferece. Portanto, o que prevalecia era a busca de solução da parte do Criador. Isaque e Rebeca oraram a Deus e tiveram a resposta positiva conforme diz o texto de Gênesis 25.21: “E Isaque orou instantemente ao Senhor por sua mulher, porquanto era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu”. Entretanto, tudo quanto aconteceu com Isaque e Rebeca objetivava ensinar-lhes a confiar em Deus e na dependência dEle.

Na antiguidade, a esterilidade de uma mulher era vista como maldição divina. Mulheres inférteis eram consideradas inferiores como mulheres porque não podiam procriar. Se, depois do casamento, o marido descobrisse que a mulher com quem se casara era estéril, podia repudiá-la. Sem dúvida, um modo injusto para com as mulheres. No caso de Isaque e Rebeca, quando o patriarca percebeu que sua mulher não podia lhe dar filhos, orou a Deus para que a esterilidade de Rebeca fosse desfeita e ela pudesse gerar, e Deus ouviu a oração de Isaque. Não é o único caso da intervenção de Deus na vida de uma mulher; há vários exemplos não só no Antigo Testamento, mas também no Novo Testamento e nos tempos atuais.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 33-34.

 

 

Deus e a Esterilidade. Era questão séria uma mulher não poder ter filhos na antiguidade. E ainda era coisa mais séria quando 0 Pacto Abraâmico dependia da fertilidade.

Deus teve de intervir por várias vezes: com Sara (Gên. 15.2-6; 18.12-14); com Rebeca (este texto); com Raquel (Gên. 29.31; 30.22,23). Posteriormente, com a mãe de Sansão (Juí. 13.2-7); com Ana (I Sam. 1.2-20); e com Isabel, no Novo Testamento (Luc. 1.7-13). As pessoas assim envolvidas creram em um ato especial de Deus, para corrigir a situação.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 174.

 

 

Isaque tinha quarenta anos de idade quando se casou. Embora fosse filho único e a pessoa de quem deveria vir a semente prometida, ainda assim ele não teve pressa em casar-se. Ele tinha sessenta anos de idade quando seus filhos nasceram (v. 26), de modo que, depois de casar-se, não teve filhos durante vinte anos. Observe que embora o cumprimento da promessa de Deus seja sempre garantido, frequentemente é lento e parece ser contradito pela Providência, para que a fé dos crentes possa ser testada, a sua paciência exercitada e as graças esperadas durante muito tempo possam ser mais bem vindas quando chegarem.

Enquanto esta graça tardava, Isaque não se aproximou do leito de uma serva, como tinha feito Abraão, e como fez Jacó posteriormente. Pois ele amava Rebeca, cap. 24.67. Mas: 1. Ele orou: Ele “orou instantemente ao Senhor” por sua mulher. Embora Deus tivesse prometido multiplicar a sua família, ele rogou por isto. Pois as promessas de Deus não devem substituir, mas incentivar, as nossas orações, e serem aproveitadas como a base da nossa fé. Embora ele rogasse por esta graça com muita frequência, e continuasse com as suas súplicas por muitos anos, e ela não fosse concedida, ainda assim ele não deixou de rogar por isto. Pois os homens devem orar sempre e nunca desfalecer (Lc 17.1), orar sem cessar, e bater até que a porta seja aberta. Ele orou por sua mulher.

Alguns entendem que ele orou com sua mulher. Observe que maridos e esposas devem orar juntos, o que é sugerido na advertência do apóstolo, Para que não sejam impedidas as suas orações, 1 Pedro 3.7. Os judeus têm uma tradição que diz que Isaque, por fim, levou a sua esposa consigo ao monte Moriá, onde Deus tinha prometido multiplicar a semente de Abraão (cap. 22.17), e ali, em oração com ela, e por ela, implorou o cumprimento da promessa feita naquele mesmo lugar. 2. Deus ouviu a sua oração, e recebeu a sua súplica. Observe que os filhos são presentes de Deus. Aqueles que permanecem constantes em oração, como Isaque, descobrirão, por fim, que não buscaram em vão, Isaías 45.19.

HENRY. Matthew. Comentário Bíblico Matthehw Henry. Deuteronômio.  Editora CPAD. 4 Ed 2004. pag. 133.

 

 

 2- O conflito: “E os filhos lutavam no ventre dela” (Gn 25.22).

 

Naquele tempo, do ponto de vista social, a geração de filhos herdeiros era importante para as famílias (Sl 127.3-5). Por isso, Abraão e Sara precipitaram-se na promessa de Deus com uma substituta, a serva Agar, para gerar o filho desejado, e pagaram um preço alto.

Diferentemente de seu pai, Isaque buscou ajuda do alto para superar o problema da esterilidade de Rebeca. Entretanto, uma vez grávida, para a felicidade do casal, Rebeca começou a afligir-se por causa de um movimento excessivo dentro do seu ventre. A esposa de Isaque orou ao Senhor a respeito da questão e ouviu de Deus que havia dois povos no seu ventre, e que o menor dominaria sobre o maior (Gn 25.23)..

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

“E os filhos lutavam no ventre dela” (Gn 25.22). Dentro da vontade permissiva de Deus, por razões maiores que a nossa compreensão possa imaginar, o Senhor permitiu que no ventre de Rebeca houvesse a concepção de dois meninos.

Porém, ainda antes de nascerem, Rebeca percebeu que as duas crianças se movimentavam de forma quase que assustadora dentro do seu ventre. Na realidade, iniciou-se dentro de Rebeca uma luta de proeminência que ela não sabia explicar. Literalmente, o texto diz que “os filhos lutavam dentro dela” (Gn 25.22).

No versículo seguinte, Rebeca não estava entendendo aquele movimento dentro de seu ventre e foi perguntar ao Senhor, que lhe disse: “Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor”. Até que os dois nasceram e a busca pela proeminência familiar continuou. Os dois cresceram e tornaram-se homens, cada qual com o seu estilo de vida completamente distinto um do outro.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 35.

 

 

[…] a angústia de Rebeca (25.22,23). Rebeca não apenas ficou grávida, mas grávida de gêmeos. Os filhos lutavam dentro do seu ventre, a ponto de angustiá-la e levá-la a desesperar-se da própria vida. Nesse caudal de dor, Rebeca consulta o Senhor, buscando discernimento por intermédio da oração.

Deus lhe responde, dizendo que havia duas nações no seu ventre, dois povos nascidos dela, que haveriam de se dividir. Deus disse ainda que um povo seria mais forte que o outro e que o mais velho serviria ao mais moço. Essa revelação expressa a soberana escolha de Deus, como esclarece o apóstolo Paulo em Romanos 9.11,12.

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

O Conflito Eterno. Sempre haverá conflito. O conflito árabe-israelense tem tido várias manifestações. Houve a luta entre Sara e Hagar, transferida para Isaque e Ismael. Hoje temos a luta entre os israelenses e os árabes, descendentes de Isaque e Ismael. Neste versículo o conflito dava-se no ventre de Rebeca, entre os gêmeos, Jacó e Esaú. O propósito divino sempre foi o de separar e desenvolver. Um propósito governava a linhagem Abraão-lsaque-Jacó. Outro propósito governava a linhagem Abraão-Ismael-Esaú.

A linhagem de Rebeca, através de Jacó, produziu a nação de Israel. A outra linhagem produziu os ismaelitas e os edomitas, os quais, em considerável proporção, se mesclaram com várias nações árabes. Assim, Deus abençoou ambas as linhagens, mas de diferentes modos. Israel tornou-se mestra das nações e guardiã das revelações divinas, que culminaram no Messias, Jesus. Mas isso aconteceu a fim de que todas as nações viessem a ser abençoadas. O propósito de Deus é grandioso e amplo. Onde não redime, restaura, do que Isaque e Ismael são tipos.

Por Quê? A luta no ventre de Rebeca era de natureza existencial. Rebeca indagava o que poderia estar sucedendo. Era apenas natural que ela tivesse consultado o Senhor (vs. 23). Adam Clarke lançou a culpa sobre “a primeira vez em que uma mulher engravida”, mas a questão envolvia muito mais do que isso.

Fantasias têm embelezado o texto. Alguns intérpretes judeus dizem que Rebeca teria consultado Sem ou Melquisedeque, ou que ela teria ido a algum altar especial, como o de Betei ou o de Berseba, a fim de obter resposta. Isso é possível. As pessoas costumam visitar santuários quando enfrentam problemas graves.

Lutavam. No hebraico, esmagavam. A violência predizia mais violência futura.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 174.

 

 

Ainda, durante o período da gravidez, Rebeca notou que algo de anormal se passava dentro de si, o que a preocupou seriamente, a ponto de perguntar se valia a pena viver.

Inquirindo ao Senhor sobre o que seria aquilo, respondeu que duas nações diferentes estavam dentro dela, e ao mesmo tempo anunciou a inversão do costume de que o menor serviria ao maior. Este problema tem dado muito o que pensar aos teólogos, mas Deus ainda continua com a palavra, para dizer que tem poder de revogar as tradições e costumes. O mais velho era o herdeiro da herança paterna, porém, agora, seria o contrário. A doutrina da eleição divina ou da predestinação é um consolo e uma segurança, ainda que não se possa compreender. Sobre este incidente Paulo baseia grande parte de sua Carta aos Romanos.

Mesquita. Antônio Neves de,. Livro de Genesis. Editora JUERP.

 

 

 3- O favoritismo do casal pelos filhos.

 

Em termos de personalidade e de temperamento, Esaú e Jacó cresceram como pessoas diferentes. Em Gênesis 25.25-28, Deus revela a Rebeca as diferenças entre os gêmeos. O ‘’menor’’ (Jacó) teria uma descendência forte e o ‘’maior’’ (o mais velho e, por isso, primogênito, Esaú) servirá ao menor.

No capitulo 27, já idoso e cego, Isaque achava que logo morreria. Por isso, preocupava-se em abençoar a Esaú com a bênção patriarcal do ‘’direito da primogenitura’’. Alicerçado nos padrões legais do direito daquele tempo, dedicava-se a Esaú, pois este o satisfazia com o prazer das caças que levava para o patriarca.

Entretanto, sabendo que havia um plano especial de Deus para o filho mais novo, Rebeca favorecia Jacó. Essa predileção praticada pelos pais de Esaú e Jacó produziria um grande conflito na família.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O princípio básico estabelecido pelo Criador da família é a união de todos os seus membros, mesmo sendo cada um distinto em termos de personalidade e temperamento. Esaú e Jacó cresceram como pessoas distintas em termos de personalidade e temperamento. No texto de Gênesis 25.25-28, está relatado que Deus havia revelado a Rebeca as diferenças entre os gêmeos. O “menor” (Jacó) teria uma descendência forte e o “maior” (o mais velho, Esaú) haveria de servir ao menor.

No capítulo 27, Isaque estava velho e cego, e achava que morreria logo. Por isso, se preocupava com o dia que abençoaria Esaú com a bênção patriarcal do “direito da primogenitura”. Entretanto, Rebeca, a mãe, sabia que havia um plano especial de Deus com Jacó e, por essa razão, ela tinha um favoritismo especial para com Jacó. Mas o velho Isaque, alicerçado nos padrões legais do direito patriarcal, dedicava-se a Esaú, até porque Esaú o satisfazia com o prazer das caças que lhe trazia. Até então, Isaque não havia entendido o plano de Deus para com os seus filhos.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 37-38.

 

 

[…] o erro de Isaque e Rebeca na criação de Esaú e Jacó (25.28).

Isaque e Rebeca cometeram um erro primário na educação de seus filhos, isto é, tiveram predileção por um filho em detrimento do outro, e, assim, jogaram um filho contra o outro. Colocaram uma cunha no relacionamento deles e abriram uma fenda de animosidade entre os filhos, dividindo, assim, seu próprio lar.

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

Isaque gostava de Esaú, de seu temperamento e franqueza, enquanto que Rebeca gostava de Jacó. Assim, estava a casa dividida entre os dois filhos. Esse espírito de mau governo doméstico causou, não pouco dissabores, tanto aos dois filhos como aos pais.

Mesquita. Antônio Neves de,. Livro de Genesis. Editora JUERP.

 

 

SINOPSE II

 

A predileção dos filhos é uma das causas de conflito na família.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

“AMANDO UNS AOS OUTROS

 

Maridos e esposas devem se amar mutuamente. As Escrituras não dei­xam nenhuma dúvida sobre isso, e os filhos sabem instintivamente que é a verdade (Ef 5-6). Portanto, se uma família deseja desenvolver seus laços afetivos, é essencial que os filhos te­nham a certeza do amor recíproco de seus pais. Elton Trueblood se expressa dessa maneira: ‘É Responsabilidade De todo pai fazer com que filho saiba que ele ama profundamente a sua mãe.

 

Não existe nenhuma boa razão para que todo afeto seja escondido ou praticado em segredo. Um filho que cresce entendendo que seus pais se amam dispõe de uma maravilhosa base de estabilidade. O verdadeiro amor entre os pais não pode ficar escondido. Os filhos ouvirão o amor através das ternas palavras pronunciadas quando eles se separam ou mesmo naquele tom de voz reprimido usado quando alguém está zangado.

 

Eles verão o amor em um toque gentil, no amoroso encontro das mãos quando caminham pelo parque ou em uma sub-reptícia troca de sorrisos. Os filhos precisam ver que os pais sentem afeto um pelo outro. […] Observar uma terna afeição física entre os país irá aumentar a segurança dos filhos e sutilmente os encorajar a prática do amor.

 

[…] Se desejarmos construir o amor na família, a disciplina do afeto familiar exige começar com o óbvio: o amor a Deus e o amor ao próximo. Se isso não existir, ou estiver em falta, vai ser muito difícil construir o amor na família” (HUGHES, Kent & Bárbara. Disciplinas da Família Cristã. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp. 34,35).

 

 

III – O PROBLEMA DA PREDILEÇÃO POR FILHOS NA FAMÍLIA

 

 

 1- Esaú, o filho predileto de Isaque.

 

Isaque demonstrou fraqueza ao receber o agrado de Esaú, que lhe trazia a carne de caça do campo, ignorando, dessa forma, a profecia divina de Gênesis 25.23. Por força dos padrões sociais da época, o primogênito tinha a primazia no futuro da família (Gn 49-3; cf. Sl 78-51).

Por isso, Isaque pensava que deveria ministrar a bênção patriarcal com direito de primogenitura a Esaú, o mais velho. Entretanto, ele não compreendeu o propósito de Deus para seus filhos. Isaque não percebeu que havia algo superior em relação aos dois filhos e que o Senhor agiria para que nenhum dos dois filhos se sentissem prejudicados.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Esaú, o filho primogênito, tinha a preferência do pai, Isaque Nenhuma desculpa cabe para que um pai ou mãe escolha um dos filhos para desfrutar de sua preferência. Quando interesses materiais ou emocionais prevalecem acima dos princípios que devem nortear a educação dos filhos, envolvendo amor e disciplina, produzirá, indiscutivelmente, mágoas, conflitos e divisão dentro do lar. Isaque demonstrou sua fraqueza egoísta e carnal porque seu primogênito, Esaú, o agradava trazendo-lhe a carne de caça do campo que satisfazia, tão somente, pois não conseguia pensar no futuro da família. Isaque ignorou a profecia divina de Gênesis 25.23.

Por força dos padrões sociais da época, o primogênito tinha a primazia nos destinos futuros da família. Isaque, por ser idoso e por estar acometido de cegueira, percebia que seu tempo de vida estava próximo do fim. Ele sabia, também, que a bênção patriarcal deveria ser ministrada, conferindo a bênção do direito de primogenitura a Esaú, o mais velho. Isaque não abriu a mente para aceitar e entender o desígnio de Deus para seus filhos. Ele não compreendeu que havia algo superior em relação aos dois filhos e que o Senhor agiria para que os seus filhos não se sentissem prejudicados. Então, o que lhe valia era cumprir o desígnio de Deus para os filhos pelo sistema patriarcal.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 39-40.

 

 

Bruce Waltke tem razão em dizer que o primogênito mantinha a posição de honra no seio da família, tanto que Israel, como primogênito de Deus, recebe uma posição de honra entre as nações (Êx 4.22; Jr 31.9).

O primogênito da madre (Êx 13.2; Dt 15.19) e as primícias do solo (Dt 18.4; Ne 10.38,39) pertencem singularmente ao Senhor.

O primogênito desfruta de status privilegiado (43.33; 49.3) e o direito de sucessão (2Cr 21.3); assim, por sua primogenitura, ele recebe uma porção dobrada da herança paterna (Dt 21.17).

LOPES. Hernandes Dias. Gênesis, O Livro das Origens. Editora Hagnos. 1 Ed. 2021.

 

 

Isaque amava a Esaú, pois este preparava apetitosas refeições para seu pai com suas caças, embora por certo também por outras razões. Esaú servia a Isaque. Dava uma atenção especial a seu pai. Procurava satisfazer às necessida- des de Isaque.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 175.

 

 

 2- Jacó, o filho predileto de Rebeca.

 

Percebendo que a bênção patriarcal poderia ser conferida a Esaú, o filho mais velho, Rebeca resolveu interferir na ordem dos fatos e, sem consultar a Deus, antecipou a bênção patriarcal para o mais novo. Embora soubesse que a bênção pertencia a Jacó, conforme Deus havia revelado anteriormente, Rebeca colocou-se acima do plano divino e interferiu nos acontecimentos com uma atitude mentirosa.

 

Sabedora de que Esaú quebrou princípios da obediência e do respeito aos pais, casando-se com uma mulher estrangeira (Gn 26.34,35), Rebeca arquitetou um plano para que Isaque abençoasse a Jacó com a benção da primogenitura. Assim, deu instruções precisas a Jacó.

 

O plano de Rebeca consistia em preparar um cabrito assado, pegar um couro peludo de um bode e vesti-lo em Jacó. Este deveria levar o assado ao pai e imitar a voz de seu irmão. Toda essa trapaça revelava a fraqueza do caráter de Rebeca.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Jacó, o filho menor tinha a preferência da mãe, Rebeca A mãe, Rebeca, percebeu que a bênção patriarcal poderia ser conferida a Esaú, o filho mais velho, o qual não se preocupava com a liderança espiritual da família. Rebeca não foi sábia nem temente a Deus, mas foi astuta o suficiente para interferir na ordem dos fatos e, sem consultar a Deus, preferiu antecipar a bênção do velho pai para Jacó. Ela sabia que a bênção deveria pertencer a Jacó, conforme Deus lhe havia revelado anteriormente. Porém, ela se colocou acima do plano divino e interferiu no projeto de Deus com uma atitude de engano e mentira. Ela sabia que Esaú já havia quebrado alguns princípios, entre os quais, casar-se com mulher estrangeira (Gn 26.34-35).

Sem medir consequências, Rebeca arquitetou um plano para enganar o velho Isaque para abençoar a Jacó com a bênção da primogenitura. Sua influência sobre Jacó o tornou um homem cheio de artimanhas e mentiras ao longo de sua vida, mesmo tendo recebido na infância o legado do avô Abraão do temor a Deus. Ela instruiu cuidadosamente Jacó naquilo que ele deveria fazer. Sua ideia era aquela que se dissemina hoje de que “os fins justificam os meios”. Sabendo que Esaú havia saído para o campo para encontrar alguma caça e prepará-la para satisfazer seu pai, Rebeca arquitetou seu plano astucioso para enganar o velho Isaque. Ela e Jacó resolveram agir na ausência de Esaú e prepararam um cabrito bem temperado ao gosto do velho Isaque e o assaram. Rebeca pegou o couro peludo de um bode e o vestiu em Jacó, para que ele levasse o assado para o pai e imitasse a voz de Esaú. Foi uma trapaça de Rebeca, que queria a bênção para o filho Jacó.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 40-41.

 

 

Rebeca… amava a Jacó. Pois este estava sempre em casa, dando atenção às necessidades dela, sempre presente para dar e receber afeto. Divisões afetivas como essa sempre criam problemas nas famílias, e aquele que é mais amado nem sempre é 0 que mais merece amor. As crianças sentem-se preteridas quando não há demonstrações adequadas de amor por parte de seus pais, ou quando veem que são amadas menos do que outras crianças da mesma família. Alguma competição doméstica tem vantagens. Mas esse tipo de competição é prejudicial.

“Temos aí uma antiga prova de apego paterno sem base a um filho, em detrimento de outros… os interesses da família ficavam divididos, e a casa se punha em oposição a si mesma. Os frutos desse apego tolo sem base puderam ser vistos no futuro, no longo catálogo de males naturais e morais entre os descendentes de ambas as famílias” (Adam Clarke, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 175.

 

 

Rebeca tinha em mente o oráculo de Deus, que tinha dado a preferência a Jacó, e por isto ela o preferia, no seu amor. Se é lícito que os pais façam uma diferença entre seus filhos, por qualquer motivo, sem dúvida Rebeca estava certa, pois ela amava aquele a quem Deus amava.

HENRY. Matthew. Comentário Bíblico Matthehw Henry. Deuteronômio.  Editora CPAD. 4 Ed 2004. pag. 134.

 

 

 3- O problema da predileção pelos filhos.

 

Além do conhecimento que os pais tinham acerca do conflito entre os dois filhos, faltou a Isaque, como o líder da família, a habilidade e a sabedoria para contornar o embate existente. Por outro lado, Rebeca não avaliou os danos morais e espirituais nos seus filhos. O presente relato bíblico nos ensina que é uma tragédia moral e espiritual quando os pais preferem qualquer um dos filhos.

 

Estes são herança do Senhor (Sl 127.3) e Deus concedeu esse privilégio para que os pais sejam uma bênção para a vida de seus filhos. Portanto, quando os pais não fazem a predileção pelos filhos, eles evitam um futuro de traumas e problemas emocionais. Nesse sentido, os pais têm responsabilidades no desenvolvimento saudável e equilibrado do ponto de vista físico, emocional e espiritual dos filhos (Ef 6.4).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Existe uma palavra de exortação do apóstolo Paulo para os pais que diz o seguinte: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos” (Ef 6.4). À primeira vista, parece que o texto nada tem a ver com a questão de preferencialismo dentro de casa. Já dissemos que no sistema da cultura patriarcal na antiguidade, o pai tinha autoridade absoluta sobre a família e especialmente sobre os filhos (Êx 21.7; Dt 21.18-21). O pai era o responsável pela educação dos filhos e pelo bem-estar deles, especialmente com os meninos, que deviam ser educados para o futuro.

Além do conhecimento que os pais tinham acerca dos dois filhos, faltou a Isaque, como o líder da família, a habilidade e a sabedoria para saber contornar o conflito existente. Isaque e Rebeca provocaram os filhos à ira, ao ódio e a se tornarem filhos rancorosos. Quando Esaú vendeu para Jacó o “seu direito de primogenitura” por um prato de lentilhas (Gn 25.29-34), não podia imaginar que sua mãe, Rebeca, não se esqueceria da negociação feita com Jacó. Rebeca não avaliou os danos morais e espirituais nos seus filhos.

Ela não confiou em Deus o suficiente para esperar a intervenção divina para colocar aquela situação no seu verdadeiro lugar. A verdade é que Isaque tinha um tratamento preferencial por Esaú, mesmo sabendo que Esaú tinha uma índole rebelde. Rebeca, por outro lado, preferia e favorecia ao filho Jacó. Isaque e Rebeca não souberam amar seus filhos pelo que eles eram como indivíduos, suas personalidades e sentimentos.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 41-42.

 

 

[…] A cega parcialidade de Isaque por seu primogênito, sem levar em conta as qualificações de caráter do filho para a liderança familiar, trouxe divisão à família. Como resultado, afrontas, miséria e injustiça marcaram a relação entre os dois irmãos e seus descendentes durante séculos.

A preferência de Isaque por Esaú parece ter se baseado, pelo menos em parte, em sua paixão pela carne de caça. A dimensão em que o patriarca deixou seu amor e seu senso de justiça e piedade serem controlados por seu apetite é surpreendente e desapontadora. Além disso, sua experiência se tornou uma advertência.

Mostrar preferência a um filho sobre o outro inevitavelmente gera ciúmes, divisão, amargura e inimizade.

Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia. Genesis Editora: Casa Publicadora Brasileira. pag. 378-379.

 

 

SINOPSE III

 

Os pais têm responsabilidades no desenvolvimento saudável e equilibrado dos filhos.

 

 

CONCLUSÃO

 

Na Palavra de Deus, encontramos normas que servem de convivência saudável e cristã para a vida familiar. No Novo Testamento, o apóstolo Paulo admoesta aos pais quanto a criação dos filhos (Ef 6.1-4).

Nessa orientação, os filhos devem ser obedientes a eles (Ef 6.1-3) e os pais não devem provocar a ira aos filhos (Ef 6.4). Assim, quando o casal não respeita a personalidade dos filhos, tratando-os com predileção, infelizmente, o resultado é o conflito entre os membros da família.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- O que Isaque não esperava que viria pela frente?

A esterilidade de Rebeca

 

2- O que a presciência de Deus indica?

Indica o pré-conhecimento de todas as coisas.

 

3- O que a predileção praticada pelos pais de Esaú e Jacó produziu?

Produziu um grande conflito familiar.

 

4- O que Isaque ignorou? E que plano Rebeca arquitetou? Isaque ignorou a profecia divina de Gênesis 25.23.

Rebeca arquitetou um plano para que Isaque abençoasse a Jacó com a benção da primogenitura ao se passar pelo irmão.

 

5- Segundo a lição, o que o relato bíblico da família de Isaque e Rebeca nos ensina?

O presente relato bíblico nos ensina que é uma tragédia moral e espiritual quando os pais preferem qualquer um dos filhos.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Acesse mais:  Lições Bíblicas

 

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