2 Lição 4 tri 20 Quem era Jó

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A fragilidade Humana e a soberania de Deus

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Texto Áureo

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.”(Jó 1.1)

Verdade Prática

Quem zela por um caráter irrepreensível obtém testemunho acerca de sua integridade.

OBJETIVO GERAL

Demonstrar que Jó foi um homem rico, mas que, diferente dos demais, tinha um caráter íntegro.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I- Mencionar que Jó procurou viver de forma íntegra e justa;

II – Citar a prosperidade de Jó como consequência do favor de Deus;

III- Destacar a piedade pessoal de Jó como modelo para os crentes.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 1.1    Um homem sincero, reto, temente a Deus e desviava-se do mal

Terça – Jó 1.2         Um homem com uma família sólida

Quarta – Jó 1.3       Um homem materialmente próspero

Quinta – Jó 1.4        Um homem com uma família festiva

Sexta – Jó 1.5         Um homem de vida piedosa

Sábado – Jó 1.8      Um homem de caráter irrepreensível, testemunhado pelo próprio Deus

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 1.1-5

1 – Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e este era homem sincero, reto e temente a Deus; e desviava-se do mal.

2 – E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.

3 – E era o seu gado sete mil ovelhas, e três mil camelos, e quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; era também muitíssima a gente ao seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do Oriente.

4 – E iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam e convidavam as suas três irmãs a comerem e beberem com eles.

5 – Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.

HINOS SUGERIDOS: 61, 133, 236 da Harpa Cristã

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INTERAGINDO COM O PROFESSOR

É possível ser próspero e, ao mesmo tempo, ter um caráter íntegro e piedoso? Esta pergunta faz sentido porque não é pouco comum correlacionar o defeito de caráter de uma pessoa com o advento de seu sucesso. O leitor da Bíblia Sagrada sabe do cuidado que as Escrituras apontam para a relação humana com o dinheiro. Sim, a Palavra de Deus diz que o “amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males” (1 Tm 6.10).

Isso ocorre por causa do “apego”, da “ambição” que o homem desperta diante do dinheiro ou de algum bem material. Essa disposição pode aniquilar a nossa integridade e piedade. Mas ao longo da lição, veremos um modelo de integridade, prosperidade e piedade conjugado com o temor do Senhor. Que o exemplo de Jó fale aos nossos corações.

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INTRODUÇÃO

O autor sagrado não elabora uma biografia de Jó, mas traça um perfil que diz muito sobre esse gigante da fé. Jó foi um homem diferente, não em natureza, pois ele era igual aos demais de sua época. Todavia, foi, sem dúvida, distinto na espiritualidade. Ele foi um homem que não apenas possuía bens materiais e uma família sólida, mas mantinha profunda comunhão com Deus. Assim, nesta lição destacaremos alguns traços da vida e espiritualidade de Jó.

PONTO CENTRAL

O temor do Senhor é a base de uma vida reta e íntegra.

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I – UM HOMEM DE CARÁTER IRRETOCÁVEL

1. Íntegro (sincero) (v.1).

O caráter define o que uma pessoa é de verdade. Ela é vista a partir dos valores que governam a sua vida interior. O “mau-caráter” define uma pessoa que não merece confiança, que é desonesta e que, portanto, não possui valores nobres. Jó não era um homem sem pecado, mas tinha um caráter irretocável. Nesse sentido, os primeiros versículos do livro possuem vários adjetivos que descrevem o seu caráter.

No primeiro, o autor o apresenta como um homem íntegro. A palavra “íntegro”, que traduz o hebraico tām, possui o sentido de inocente, sem culpa. No grego, segundo a Septuaginta, a palavra alethinós remete ao que é verdadeiro. Assim, podemos afirmar que Jó era sincero nas intenções, afeições e diligente nos esforços para cumprir seus deveres para com Deus e os homens.

2. Reto (v.1).

Ele também era um homem reto que, no hebraico yāšār, tem um sentido de alguém justo, direito. Na Septuaginta, de acordo com o grego amemptos, possui o sentido de irrepreensível. Portanto, o homem de Uz era justo, reto, direito e se comportava de maneira irrepreensível.

3. Temente a Deus e desviava-se do mal (v.1).

Jó é descrito como alguém temente a Deus, que desviava-se do mal. Estas palavras, de acordo com os termos relativos ao hebraico, sur e yare, traduzem a ideia de alguém que prestava reverência a Deus e evitava o mal. Já na Sepetuaginta, os termos relativos ao grego, theosebés e apecho, trazem o sentido de alguém devotado ao culto e à adoração a Deus e que, por isso, mantinha o mal sempre à distância.

As Escrituras mostram que, muito antes de Salomão, Jó praticava o que o homem mais sábio do mundo, posteriormente, ensinaria: “Teme ao SENHOR e aparta-te do mal” (Pv 3.7).

SÍNTESE DO TÓPICO I

Jó era um homem íntegro, reto, temente a Deus e desviava-se do mal.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Inicie o tópico fazendo uma reflexão acerca do “temor do Senhor” e sua relação com uma vida sabiamente vivida. Fale aos alunos que os livros de sabedoria do Antigo Testamento, como Provérbios, e o próprio Livro de Jó, colocam o “temor do Senhor” como princípio primeiro para uma vida de sabedoria.

Para auxiliá-lo nessa reflexão, leve em conta o seguinte fragmento textual: “Sabedoria e o temor do Senhor. […] ‘O temor do Senhor’ é central à literatura sapiencial, ocorrendo 14 vezes em Provérbios e várias vezes em Jó. […] Além de ser o ponto de partida ou início da sabedoria, o temor do Senhor também é ‘o princípio primeiro e controlador’, ou ‘a essência e o coração’ da sabedoria” (ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.287).

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II – UM HOMEM SÁBIO E PRÓSPERO

1. Um conselheiro sábio.

Há pessoas ricas que nem são sábias nem tampouco prósperas. Possuem conhecimento, mas não entendimento; riquezas, mas não prosperidade.

Jó distingue-se nesse aspecto.

Ele foi um homem sábio, rico e próspero. A Bíblia afirma que Jó era “maior do que todos os do Oriente” (Jó 1.3). “Maior” aqui não pode ser entendido apenas como uma referência a bens materiais, mas também à sua sabedoria. Estudiosos destacam que Jó era mais importante em sabedoria, riqueza e piedade do que qualquer outra pessoa daquela região e ressaltam o reconhecimento da sabedoria de Jó conforme se destacava a sabedoria dos orientais expressa em provérbios, canções e histórias. Isso fazia dele um homem proeminente, a quem as pessoas recorriam com frequência em busca de conselho e orientação (Jó 29.21,22).

2. Um homem próspero.

O homem de Uz não era apenas rico, mas, sobretudo, próspero. O texto sagrado destaca que, além de sua esposa, ele tinha sete filhos e três filhas (v.2). Para os padrões da época, possuía uma família com o formato ideal. Ele também era um fazendeiro bem sucedido. Em sua fazenda havia sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, e quinhentas jumentas; e tinha também muitíssima gente a seu serviço (v.3).

3. Uma prosperidade baseada no “ser”.

Jó, portanto, possuía um grande patrimônio e uma bela família. Sua prosperidade se refletia na relação harmoniosa entre ele, sua família, seus negócios e, sobretudo, Deus. Não era uma prosperidade estabelecida somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Jó era um homem conhecido por sua sabedoria e prosperidade.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“As posses de Jó, incluindo seus filhos […] e filhas, são registradas para provar a retidão desse homem (2-3). O ponto principal de discussão entre Jó e seus amigos vai ser o significado da prosperidade material.

Acreditava-se naquela época que a família e os rebanhos eram bênçãos de Deus para uma pessoa reta. A riqueza de Jó significava que ele desfrutava do favor de Deus de uma maneira excepcional. Os números usados (sete, três e cinco), enumerando os filhos de Jó e seus rebanhos, são expressões adicionais da sua integridade.

Cada filho tinha sua própria casa. As filhas provavelmente moravam na casa do pai. Cada filho realizava uma festa, em casa de cada um no seu dia (4). Não está claro aqui se esses banquetes eram realizados no dia do aniversário de um deles ou, visto que havia sete filhos, o autor estaria descrevendo uma vida tão ideal que os filhos de Jó estavam frequentemente celebrando e se entretendo mutuamente em uma comunhão harmoniosa.

Em cada evento, a piedade de Jó é ilustrada pelo fato de que ele sempre oferecia holocaustos (5) pelos seus filhos, se caso um deles pudesse ter pecado inadvertida ou secretamente. Essa frase, e os santificava, ilustra um uso comum no Antigo Testamento de santificação como um cerimonial de consagração ou separação” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.25).

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III – UM HOMEM DE PROFUNDA PIEDADE PESSOAL

1. Um homem dedicado à família.

O primeiro capítulo de Jó diz: “Iam seus filhos e faziam banquetes em casa de cada um no seu dia; e enviavam e convidavam as suas três irmãs a comerem e beberem com eles” (1.4). O ambiente descrito aqui é de uma família em harmonia que, de forma feliz, festejava a vida. De forma alguma o texto sugere dissolução, bebedice ou licenciosidade nessas comemorações. Eram confraternizações feitas no ambiente familiar.

2. Um homem de moral e piedade.

Jó foi um homem que possuía uma forte moralidade e uma sólida espiritualidade. Além de seu caráter irretocável, o texto deixa claro que ele tinha uma vida piedosa (Jó 1.5). Essa piedade está presente não apenas nos primeiros capítulos, mas em todo o livro. Mesmo nos momentos de desespero, como consequência de sua provação, ele sempre mantinha seus olhos em Deus. Essa piedade era a causa da dedicação de Jó à família.

3. Um homem de vida consagrada.

A piedade de Jó está evidente no cuidado espiritual que ele tinha com os filhos. Jó sempre orava por eles: “Sucedia, pois, que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura, pecaram meus filhos e blasfemaram de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.” (Jó 1.5).

Como sacerdote de seu lar, Jó cumpria o ritual do culto em favor de sua família. O levantar cedo ou de madrugada, como expressão idiomática do hebraico bíblico, é uma forma de enfatizar a piedade de Jó. Essa devoção é demonstrada pela consagração vivida por ele. O texto diz que ele se santificava”.

O vocábulo português “santificava” traduz o termo  hebraico, qadash, que possui o sentido de ser separado ou consagrado. Uma pessoa que é consagrada é uma pessoa que ora, uma pessoa que ora é uma pessoa consagrada. Portanto, à luz da vida de Jó, somos instados a viver uma vida consagrada diante de Deus e dos homens.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Jó tinha uma vida dedicada à família e devotada a Deus por meio de uma vida consagrada.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Jó não teve de isolar-se para tornar-se piedoso. Foi justamente como pai de família, homem de negócios e membro de uma sociedade politicamente organizada, que ele pontificou-se como o melhor ser humano de seu tempo. Ninguém precisa isolar-se para tornar-se santo; santo nasce exatamente em meios às tentações.

Todos os heróis da fé destacaram-se como membros participativos da sociedade. O que dizer de Noé? Ou de Abraão, Isaque e Jacó? Ou dos profetas? Isaías e Ezequiel eram casados. E o exemplo do próprio Cristo?

Ele não se afastou dos homens para redimi-los; Emanuel resgatou-nos estando entre nós e fazendo-se como um de nós.

Enganam-se os que julgam ser a santidade o produto de uma vida solitária. Santidade é serviço; é dedicação integral ao Senhor Jesus; é desviar-se do mal e ter a parecença do Cordeiro de Deus” (ANDRADE, Claudionor de. Jó: O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Propósito. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.37).

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CONCLUSÃO

Destacamos três aspectos importantes acerca da vida de Jó: caráter, prosperidade e piedade. Só compreenderemos devidamente a vida desse gigante da fé do Antigo Testamento a partir dessa matriz.

É possível que alguém seja rico, mas não possua caráter algum; da mesma forma é possível que alguém possua valores morais sem, contudo, esboçar piedade alguma. Todavia, ninguém terá um caráter irretocável, não apenas fragmentos ético-morais; prosperidade, não apenas posses; piedade, não apenas religiosidade se não conhecer a Deus na intimidade. Jó era assim: íntegro, reto, temente a Deus e se desviava do mal.

VOCABULÁRIO

Septuaginta: A primeira e mais antiga tradução grega do texto hebraico do Antigo Testamento.

Afeições: Afeto, afeiçoamento.

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PARA REFLETIR

A respeito de “Quem era Jó”, responda:

• O que podemos afirmar acerca de Jó?

Podemos afirmar que Jó era sincero nas intenções, afeições e diligente nos esforços para cumprir seus deveres para com Deus e os homens.

• Como Jó é descrito no primeiro versículo?

Jó é descrito como alguém temente a Deus, que desviava-se do mal.

• O que fazia de Jó um homem proeminente a quem as pessoas recorriam com frequência em busca de conselho e orientação?

O reconhecimento de sua sabedoria.

• Em que estava estabelecida a prosperidade de Jó?

A prosperidade de Jó não estava estabelecida somente no “ter”, mas, principalmente, no “ser”.

• Do que o homem Jó foi possuidor?

Jó foi um homem possuidor de uma forte moralidade e sólida espiritualidade.

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INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

Nesse único substantivo, é-nos possível fazer um admirável sumário da biografia de Jó. Em virtude de sua fé em Deus, foi-se destacando como um vencedor até ser reconhecido como o maior dos varões de sua geração. Isto significa que todo aquele que se entrega a Deus torna-se um herói por mais insignificante que seja aos olhos do mundo.

Jó não era uma figura lendária; era tão humano como o mais humano dos humanos. E se Deus lhe trabalhou a humanidade não foi para mitologizá-la; trabalhou-a para que, regalando-lhe as limitações, mostrasse que é justamente na fraqueza que Ele nos aperfeiçoa o seu ilimitado poder. Somente a Bíblia é capaz de apresentar os seus heróis de maneira tão bela e completa.

Num memorável discurso, declarou Charles Spurgeon: “A fé capacita-nos a regozijarmo-nos no Senhor de tal forma que nossas fraquezas tornam-se vitrines de sua graça”.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 30-31.

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I – UM HOMEM DE CARÁTER IRRETOCÁVEL

1. Íntegro (sincero) (v.1).

Ele era um homem íntegro. Em outras palavras, ele não tinha inadequações espirituais dominantes. Jó era inculpável, isto é, era moralmente são. Cf. Gên. 6.9, onde o mesmo é dito sobre Noé, e Gên. 17.1, sobre Abraão.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1863.

A palavra “íntegro”, originária do vocábulo latino íntegru, significa inteiro, perfeito, exato, completo, imparcial e inatacável. A Vulgata Latina, contudo, preferiu usar o termo simplex para exemplificar esta virtude de Jó. Em certo sentido, este vocábulo é mais forte do que aquele; denota algo que, de tão perfeito e completo, não comporta qualquer análise.

A Septuaginta optou pelo vocábulo alelhinós que, em grego, significa verdadeiro, sincero.

No original hebraico, “íntegro” é uma palavra representada pelo substantivo tãm que, entre outras coisas, significa completo, certo, são e puro.

O vocábulo é encontrado apenas treze vezes no Antigo Testamento. Jacó também é assim descrito (Gn 25.27). Neste último caso, o vocábulo hebraico é usado para caracterizar um homem simples, pacato e calmo; a pessoa realmente integra é notabilizada por uma serenidade inexplicável; não se abala jamais. Thomas Watson tem a integridade como um perfeito sinônimo de simplicidade: “Quanto mais simples o diamante, mais ele brilha; quanto mais simples o coração, mais ele resplandece aos olhos de Deus”.

Quanta necessidade não temos de homens como Jó! Desgraçadamente, muitos são os crentes que já negociaram a sua integridade. Na igreja, santos; na sociedade, demônios. Justificando a sua iniquidade, alegam que a sua vida social nada tem a ver com a espiritual. Esta dicotomia, porém, é estranha à Palavra de Deus. O Senhor requer tenhamos uma postura irrepreensível tanto em público como em particular.

Jó não carecia de um marketing para cultivar-lhe a imagem, nem de um publicitário para cevar-lhe a postura, pois contava com o respaldo de Deus. Desfrutamos nós de igual conceito? Ou nossa integridade já é algo pretérito? Confúcio declarou ser a integridade a base de todas as virtudes; sem ela, nenhuma bondade é possível.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 33-34.

2. Reto (v.1).

Jó era homem reto. Em outras palavras, ele não se desviava dos padrões de Deus. Cf. o vs. 8 com Jó 2.3. Ele tinha um espírito reto e regras de retidão no coração, as quais observava em sua vida.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1863.

Devido ao relativismo moral de nossos dias, a retidão, que era um substantivo concreto, acabou por se acomodar à sua condição gramatical. Hoje não passa de algo abstrato e até utópico. Houve um tempo, todavia, que assim era definido um homem reto: imparcial, justo, direito. Era alguém que, moralmente, não apresentava qualquer curvatura ou desvio; em tudo, conformava-se com a justiça divina. Não tinha dois pesos, nem possuía duas medidas.

Sua palavra era: sim, sim; e: não, não. Inexistia nele o que se chama de vazio de justiça: um sim que pode ser não; e um não que talvez seja sim.

A tradução latina das Escrituras diz que “Job erat rectus”.

Nele não havia sinuosidade, nem casuísmo. Era um homem que, pondo-se a caminhar numa estrada, não se desviava nem para a direita nem para a esquerda; não fazia o jogo dos poderosos, nem comungava com as injustiças e os pecados da plebe.

Em. português, a palavra hebraica traduzida para retidão é yãshãr. Este vocábulo é usado para descrever um homem justo, reto e que, em todas as coisas, atende aos mais altos reclamos da justiça divina. Como alcançar semelhante padrão? Deseja o Senhor que todos os seus hlhos sejam considerados perfeitos em retidão.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 34.

3. Temente a Deus e desviava-se do mal (v.1).

Ele temia a Deus, a base de toda a piedade e espiritualidade. Tinha ele grande reverência por Deus e pelas coisas espirituais e, realmente, temia quebrar as regras morais e espirituais. Ele sabia que Deus é vingador do mal e queria evitar isso mediante uma atitude certa.

Jó se desviava do mal, aplicando todo o seu conhecimento e não pecando por mera curiosidade, por motivo de vantagem pessoal, ou por qualquer outra razão. Note-se que essa avaliação da espiritualidade de Jó foi repetida por Deus diante

de Satanás (ver Jó 1.8; 2.3). O autor diz que Jó era um homem inocente que estava prestes a sofrer. Seu sofrimento não foi provocado por nenhum carma negativo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1863.

Richard Alleine assim descreve o homem piedoso: “Aquele que sabe o que é ObservasteTu a Jó? ter prazer em Deus temerá a sua perda; aquele que viu sua face, terá medo de ver suas costas”. Esta declaração é um perfeito resumo do relacionamento de Jó com o Todo-Poderoso.

O patriarca temia a Deus não porque tivesse medo dEle; temia-o, porque nEle encontrava a verdadeira felicidade. Como poderia Jó viver longe do Senhor? A semelhança de Thomas Browne poderia ele afirmar: “Temo a Deus, contudo não tenho medo dEle”.

A expressão hebraica que descreve o homem temente a Deus: yará, evoca um medo santo e respeitoso pelo Todo-Poderoso.

Medo esse, aliás, que não tem a natureza do terror.

Através de seu temor a Deus, o patriarca Jó introduzirase em todos os princípios da sabedoria (Pv 1.7). Daí a razão de ser ele contato entre os homens mais sábios e piedosos de todos os tempos. Mui acertadamente escreveu o teólogo americano A. W. Tozer: “Ninguém pode conhecer a verdadeira graça de Deus, se antes não conhecer o temor de Deus”.

Alguns homens da Bíblia são singularmente destacados por seu temor a Deus. Haja vista Hananias, ajudante de Neemias na reconstrução dos muros de Jerusalém (Ne 7.2).

O idoso Simeão, que tomou o menino Jesus nos braços, também é realçado como temente ao Todo-Poderoso (Lc 2.25). E o centurião Corrnélio? (At 10.2). O peregrino Jacó evocava o Deus de seu pai como o Temor de Isaque (Gn 31.42). Carecemos de homens, mulheres e crianças que temam a Deus. Ser cristão não é suficiente; exige Deus lhe sejamos tementes em todas as coisas. Que o nosso temor sobressaia principalmente entre os que ainda não receberam a Cristo!

Anselmo,

que tantas contribuições trouxe ao pensamento evangélico, fez Comentário Bíblico: Jó uma afirmação, certa vez, que hoje seria considerada radical até mesmo por alguns crentes piedosos: “Se o inferno estivesse de um lado e o pecado do outro, eu preferiria saltar para o inferno a pecar deliberadamente contra o meu Deus”. Sabia ele perfeitamente que existe algo pior do que o inferno: o pecado.

O vocábulo hebreu utilizado para descrever o ato de se desviar do mal é sar. retirar-se, afastar-se de tudo quanto nos possa induzir à iniqüidade, cuja força gravitacional é a tentação.

Se fugirmos desta, não cairemos naquela. O processo que leva à queda é assim descrito por Tiago: “Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência” (Tg I.I4). Por conseguinte, é imprescindível que nos apartemos de tudo quanto é concupiscente. Esquivemo-nos, pois, do mal tão logo este se apresente. Em Gênesis, o pecado é apresentado como aquela serpente que se põe a espreitar os incautos: “Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás” (Gn 4.7).

N a Septuaginta, o referido versículo de Jó é assim traduzido:

“Afastando-se de todas as coisas más”. Os santos desviam-se do mal, pois sabem que o pecar contra Deus é pior do que o castigo eterno. Crisóstomo, o grande orador da igreja, é mui categórico e enérgico: “Prego e penso que é mais amargo pecar contra Cristo do que sofrer os tormentos do inferno”. Portanto, se não nos apartarmos do pecado, seremos destruídos. Diante do pecado não há segurança: “O sábio teme e desvia-se do mal, mas o tolo encoleriza-se e dá-se por seguro” (Pv 14.16).

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 34-36.

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II – UM HOMEM SÁBIO E PRÓSPERO

1. Um conselheiro sábio.

Possuía sete mil ovelhas… este homem era o maior de todos os do Oriente. Jó era um homem muito rico, com um total de 11.500 animais domesticados, divididos naqueles tipos de animais que os homens ricos precisam: animais de trabalho, animais que serviam como alimentação, e animais de transporte. Tal riqueza capacitava-o a ter uma casa muito grande, vastas propriedades e abundância de escravos, que mantinham todas as suas posses em boa ordem. Isso, de acordo com uma avaliação popular, era evidência da aprovação e da ajuda divina.

Jó era “o maior de todos os do Oriente”, expressão vaga que é inútil investigar. Ele era o maior homem de sua área e desfrutava de poder político e favor entre seus vizinhos. A área na qual ele vivia era o deserto da Arábia, conforme o vs. 1. “Ele era o chefe dessa área, mas não sabemos o quanto essa área se estendia. Os árabes ainda chamam o Haurã, ou seja, o distrito a leste de Jerusalém, de ‘terra de Jó” (Ellicott, in loc.).

A área onde Jó vivia ficava no “deserto” (Jó 1.19).

Era um lugar fértil, falando em termos agrícolas, e próprio para a criação de gado (ver Jó 1.3,14 e 42.12), provavelmente fora da própria Palestina. “O povo do Oriente era identificado com os habitantes de Quedar, no norte da Arábia (Jer. 49.28). Jó era também incomumente sábio.

Os homens do Oriente eram notórios por sua grande sabedoria, que eles expressavam artisticamente em provérbios, cânticos e histórias… Jó era altamente respeitável (ver Jó 29.7-li); sábio conselheiro (29.21 -24); empregador honesto (31.13-15,38,39); hospitaleiro e generoso (31.16-21,32); e fazendeiro próspero (31.38-40)” (Roy B. Zuck, in loc.). No entanto, esse homem foi ferido pela tragédia, por razões desconhecidas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864.

Um homem muito rico (v. 3).

Grande fazendeiro, com sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas. Era o maior de todos os criadores do Oriente. Pelo número de juntas de bois, podemos inferir das imensas áreas lavradas, com abundantes colheitas de cereais. Todos os chefes daquela região eram criadores, e, em geral, ricos. Esta região veio mais tarde a ser submetida pelos reis de Israel, que fizeram dela uma colônia (I Reis 22:48).

Os camelos eram usados para o transporte de mercadorias e outros centros de comércio, mais para o oriente, enquanto a lã das ovelhas era usada para o fabrico de tapetes, que ainda hoje são a tentação dos Povos Ocidentais. Até onde chegaria a influência deste grande homem, ignoramos, embora abrangesse muitas tribos e regiões.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

2. Um homem próspero.

Nasceram-lhe sete filhos e três filhas. Aquele homem inculpável e temente a Deus, que observava todas as leis da moralidade e da espiritualidade, também era um homem muito rico, próspero, conhecido e feliz. Nada lhe faltava. Portanto, esse é o homem que seria reduzido a nada. Vejamos, pois, como ele reagirá diante dessa nova situação. Não podemos acusá-lo de ter caído em pecados graves. Por que, pois, ele sofreu?

Isso, entretanto, nos deixa no mistério do Ser divino.

A fé precisa descansar o caso nesse ponto.

Jó tinha uma família feliz, uma boa esposa, sete filhos e três filhas. Eles formavam uma unidade familiar feliz, livre de preocupações, seja no campo econômico, seja no campo da saúde, seja em qualquer outro campo da vida diária. “Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão” (Sal. 127.3)” (Samuel Terrien, in toe). Para a mente dos hebreus, Jó tinha todas as indicações da aprovação divina.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1863.

Jó tinha uma família ideal de sete filhos e três filhas, sendo que os dois números, e a soma deles, são símbolos da perfeição, um claro sinal do favor divino.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 77.

3. Uma prosperidade baseada no “ser”.

Maximiliano García Cordero, professor da Universidade de Salamanca, na Espanha, considera hiperbólico o inventário da riqueza de Jó. Acrescenta ele que, mesmo para os dias de hoje, seria o patriarca considerado um poderoso sheik.

Eis a súmula dos seus bens: “Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente” (Jó 1.3).

Engana-se o professor Maximiliano.

Na verdade, não era Jó um simples fazendeiro, nem um sheik qualquer. Se levarmos em conta a utilização de seus camelos no transporte de mercadorias tanto para o Oriente quanto para o Ocidente, e se considerarmos a utilização da lã de suas ovelhas na confecção de tapetes e roupas, concluiremos ter sido o patriarca um grande capitão de indústrias e um respeitável financista internacional.

Apesar de toda essas riquezas, Jó não se deixava dominar por elas, pois o seu maior bem era Deus: o Sumo Bem. Logo: não passava ele de um simples mordomo de quanto possuía.

J. Caird alerta quanto aos perigos dos haveres materiais: “O que impede o homem de entrar no Reino de Deus não é o fato de possuir riquezas, mas o fato de as riquezas o possuírem”.

Jó era um homem rico de espírito pobre; nada presumia de si mesmo. Nas riquezas terrenas, via apenas pobreza. Mui acertadamente, afirmou Agostinho: “As riquezas terrenas acham-se repletas de pobreza”. Mais tarde, viria o patriarca confessar que, em momento algum de sua vida, confiara nas riquezas.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 37-38.

Ele era o maior dos qedemitas.

A afluência está em mente, e “mais rico” seria uma tradução melhor. Suas riquezas eram medidas em animais domésticos e, mais uma vez, os números indicam o ideal. Listas semelhantes de posses em Gênesis (e.g. Gn 2435) descrevem as riquezas dos patriarcas, o que sugere que o modo de vida de Jó era semelhante ao deles.

Mas o número de juntas de bois utilizadas para lavrar a terra, demonstra que Jó não era um nômade, como os beduínos, mas, sim, um agricultor com grande extensão de terras para lavoura (cf. Jó 1.14) bem como para pastagens. Isto concorda com o quadro mais completo de Jó, o cidadão nos capítulos 29-31. As relações em Gênesis frequentemente alistam escravos e escravas juntamente com os animais, e o substantivo abstrato ‘abuddãh, achado somente aqui e em Gênesis 26.14, pode ser outra maneira de referir-se a semelhantes possessões. Assim, ARA o pessoal ao seu serviço. Mas o verbo com esta raiz pode significar mais especificamente “cultivar (a terra),” e “lavoura”, então é uma possibilidade.

A versão “animais de trabalho” (NAB) tem menos para recomendá-la, visto que estes já foram explicitamente alistados.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 78.

2 Lição 4 tri 20 Quem era Jó

III – UM HOMEM DE PROFUNDA PIEDADE PESSOAL

1. Um homem dedicado à família.

Seus filhos iam às casas uns dos outros. Jó era homem ativo, que se movimentava e ia a muitos lugares, realizava muitas coisas e era bem-sucedido em tudo quanto fazia. Seus filhos eram honrados pelos vizinhos, sendo convidados para muitas festas, e as filhas (bonitas, sem dúvida) eram favorecidas, sendo convidadas para os lares de criadores de gado e fazendeiros prósperos, cujos filhos queriam tê-las como esposas. Essa “situação familiar” ajudava Jó a prosperar cada vez mais.

O texto, contudo, não dá a entender “prazeres descuidados”, que poderiam fazer parte da queda de Jó, conforme uma de minhas fontes pretende.

Peio contrário, Jó tinha uma boa família que era querida pelos seus vizinhos. Nenhum de seus filhos dava trabalho e todos seguiam o seu bom exemplo. Naturalmente, quando a tribulação chegou, sua família foi avassalada, mas isso foi resultado do sofrimento de Jó, não a causa. A pergunta que o autor sagrado apresenta é: “Por que os inocentes sofrem?”. Ele não falará sobre carma.

O autor sagrado enfatiza “o amor e a harmonia dos membros da família de Jó, em contraste com a mina que logo interrompeu tão bela cena de felicidade… A narrativa dá a entender que a série de festas eram os aniversários de cada filho ou filha” (Jamielson, in loc.). É possível que tais celebrações fossem confinadas a tempos específicos, provavelmente a festas de sete dias, nas quais mais de uma pessoa era honrada.

“Os filhos desse príncipe edomita eram, ao que tudo indica, solteiros, e, no entanto, cada um deles mantinha sua casa de uma maneira real (cf. II Sam. 13.7; 14.28 ss.). Tão incomum era a harmonia fraterna, que regularmente eles se reuniam para ter banquetes em família, para os quais convidavam seus irmãos, costume excepcional no antigo Oriente” (Samuel Terrien, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864.

Sete filhos e três filhas, o que, a bem da verdade, não era demais para um potentado oriental.

Não tinha harém como tantos outros da sua época. Uma feliz exceção. A sua religião era tal que não lhe permitia a poligamia. Os filhos, parece, não partilhavam muito da religião do pai, pois, em seus banquetes de rotina, cometiam demasias, que Jó se apressava a corrigir por meio de oferendas sacrificiais (v. 5). Era sacerdote familiar e possivelmente servia à sua comunidade. A Bíblia não nos informa muito largamente sobre o modo de viver dos povos primitivos, porém nos diz o sacerdócio tribal era uma das facetas religiosas daqueles dias.

Tomemos, por exemplo Melquisedeque, sacerdote em Salim (Jerusalém), e Jetro, nessa mesma região de Edom. Haveria muitos outros, vindos dos tempos primitivosquando não havia sacerdócio oficial à moda mosaica. Isso nos vem confirmar que o monoteísmo era a religião primitiva dos Povos, como nos informa Sir Charles Marston (1). O monoteísmo não um desenvolvimento do politeísmo, mas dá-se justamente o contrário. O mundo sempre foi monoteísta antes de ser politeísta; e, mesmo quando os ídolos encheram as nações da terra, o monoteísmo continuou a existir até os tempos de Moisés. Foram monoteístas os egípcios, os babilônios, os primitivos tirenos e tantos outros povos antigos.

Jó oferecia sacrifícios pelos filhos, que possivelmente se haviam exorbitado em seus banquetes, no decurso dos dias (v. 5).

Parece que os banquetes eram uma forma de vida dos jovens ricos, de modo que, cada semana, diríamos, um oferecia a seus irmãos o banquete semanal, e neles cometiam pecados contra Deus em seus corações (v. 5). Vê-se que era uma família rica, feliz e religiosa, sendo o pai o seu sacerdote. Não temos muita informação a respeito dessa norma familiar antiga; entretanto, sendo pequenas as comunidades, e o intercurso social, muito reduzido, levaria as famílias ricas a se reunirem, para fins religiosos e sociais, por meio de banquetes.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

2. Um homem de moral e piedade.

Chamava Jó a seus filhos e os santificava. Jó era homem piedoso, e assim fazia com que aquelas muitas festas se tomassem ocasiões de observância religiosa com o apropriado cerimonial de purificações e sacrifícios. Jó queria ter certeza de que, se algum de seus filhos tivesse pecado, esse pecado seria expiado, e nenhum empecilho viria de alguma inadequação espiritual. Ele se preocupava com que nenhum de seus filhos viesse a amaldiçoar secretamente a Deus. Ele considerava cuidadosamente o bem-estar espiritual de sua família.

O autor sagrado nos diz que Jó era próspero e piedoso, e que a tragédia atingiria um homem inocente; de nós espera-se que perguntemos: “Por quê?”. Jó era um homem muito rico, porquanto era rico tanto espiritual quanto materialmente. A prosperidade sempre arrasta sua própria ameaça. Os ricos acabam por voltar-se à idolatria de muitas espécies, literais e espirituais. Mas não era esse o caso de Jó. Ele provou que é melhor um crente ser rico do que pobre, e que o homem espiritual não tem dificuldade para manusear dinheiro, que, afinal, pode ser uma fonte de serviço espiritual.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864.

Os dias de seus banquetes poderiam subentender um ciclo semanal.

A sugestão de ZOckler de que os banquetes eram festas de aniversário (cf. “seu dia natalício” em Jó 3.1) é plausível, mas de difícil comprovação. Não se expressa nenhuma desaprovação desta vida agradável. Claro que não precisamos supor que passassem todo o seu tempo em lazer e que não trabalhassem. Não há indício algum de bebedice, licenciosidade ou preguiça.

Jó não expressa ansiedade alguma quanto a isto, embora tenha consciência do perigo de que possam deslizar para a profanação. Estas reuniões encantadoras da família fazem parte da atmosfera de bem-estar do começo da história. í>ão a marca da boa sorte, ou melhor, da bênção de Deus. Explicam, também, como toda a família, mas não os pais, poderia ser morta por uma tempestade que ferisse uma só casa.

O toque final desta cena feliz é o pai piedoso assegurando-se duplamente de que tudo estava bem. Como chefe da família, Jó era um sacerdote perante Deus. O pecado que teme que os filhos possam cometer, amaldiçoando a Deus no seu coração, é exatamente aquele que Satanás espera que Jó cometa (1.11; 2.5) e para o qual sua esposa o tenta (2.9).

A palavra traduzida blasfemado, aqui em 1.11; 2.5,9 (cf. 1, Rs 21.10,13), é literalmente “bendito.

” Pode ser um eufemismo introduzido pelos escribas, para evitar até mesmo a leitura de uma expressão tão horrível.

Driver e Gray (págs. 4ss.) têm uma extensa nota sobre o uso de semelhante antífrase Pode ser, no entanto, que a partir de semelhante prática a palavra realmente adquira o sentido oposto quando o contexto assim determinar.

A religião de Jó era interior e espiritual; mas reconhecia a necessidade das cerimônias e dos sacrifícios. Seu próprio ato de intercessão, ao oferecer holocaustos para restaurar a santidade (santificava) dos seus filhos, demonstra sua crença no poder de um mediador que, mais tarde, criará nele o desejo de que alguém fizesse a mesma coisa por ele.

A frase levantava-se de madrugada é uma expressão idiomática hebraica comum para a atividade zelosa, não necessariamente o horário do sacrifício. Assim o fazia Jó continuamente, lit. “todos os seus dias;” era um hábito de toda a sua vida.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 77-78.

3. Um homem de vida consagrada.

Os Sacerdotes da Família. Sabemos que originalmente o pai era o sacerdote da família. Mais tarde, entre o povo hebreu, surgiu o clã sacerdotal, os levitas, o que transformou a tribo deles em uma casta religiosa. Portanto, muitos dos deveres que cabiam antes aos sacerdotes foram formalizados em adoração pública. Mas a história de Jó é posta dentro do período patriarcal, quando o chefe de uma família era também o sacerdote da família.

Sem dúvida, é isso o que está por trás da cena referida neste versículo, onde Jó oferece pessoalmente os devidos sacrifícios. Presumimos que o autor sacro esteja atribuindo à sociedade árabe o tipo de condições que existiam na sociedade hebreia. Os árabes, afinal, eram filhos de Abraão e tinham as mesmas tradições essenciais dos hebreus.

E blasfemado contra Deus em seu coração. Cf. Jó 2.6,9. Satanás supunha que os homens dotados de riquezas, até mesmo o piedoso Jó, privados de seus bens materiais e de seus familiares, transformar-se-iam em amaldiçoadores de Deus.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864.

Conta-se que Bento de Núrsia,

em sua busca pela santidade e pela consagração irrestrita ao Senhor, resolveu abandonar a sua irmandade, a fim de se entregar mais intensamente aos exercícios espirituais. Já isolado e completamente só, veio a presumir ter alcançado o ideal ascético. No entanto, foi justamente aí, em pleno deserto, que começou a sofrer os maiores ataques do Diabo. Aparecia-lhe este com as sugestões mais irrecusáveis, com os apetites mais abertos e com os sonhos mais lúbricos.

Atormentado, Bento resolve voltar ao convívio com o semelhante para não se tornar íntimo do demônio. Jó não teve de isolar-se para tornar-se piedoso. Foi justamente como pai de família, homem de negócios e membro de uma sociedade politicamente organizada, que ele pontificou-se como o melhor ser humano de seu tempo. Ninguém precisa isolar-se para tornar-se santo; o santo nasce exatamente em meio às tentações.

Todos os heróis da fé destacaram-se como membros participativos da sociedade. O que dizer de Noé? Ou de Abraão, Isaque e Jacó? Ou dos profetas? Isaías e Ezequiel eram casados. E o exemplo do próprio Cristo? Ele não se afastou dos homens para redimi-los; Emanuel, resgatou-nos estando entre nós e fazendo-se como um de nós.

Enganam-se os que julgam ser a santidade o produto de uma vida solitária. Santidade é serviço; é dedicação integral ao Senhor Jesus; é desviar-se do mal e ter a parecença do Cordeiro de Deus.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 36-37.

2 Lição 4 tri 20 Quem era Jó

CONCLUSÃO

Assim era Jó! Um homem em todas as coisas perfeito, porque perfeito era o seu Deus. E chegado o momento de os crentes sermos conhecidos não somente por nossas palavras, mas principalmente por nossas boas obras. Como destaca o apóstolo Tiago, de nada vale a nossa fé se estiver desprovida de obras; é através destas que demonstramos a nossa confiança no Todo-Poderoso.

Que o Senhor nos ajude a alcançar o mesmo padrão de excelência que fez de Jó um dos homens mais perfeitos e íntegros de toda a História Sagrada. Não é um ideal inatingível, porque o próprio Cristo nos exorta a persegui-lo: “Sede perfeitos como vosso Pai que está nos céus é perfeito!”

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 38-39.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

1 Lição 4 tri 20 O Livro de Jó

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