2 LIÇÃO 4 TRI 22 VEM O FIM

  2 LIÇÃO 4 TRI 22 VEM O FIM

2 LIÇÃO 4 TRI 22 VEM O FIM

 

TEXTO ÁUREO

 

‘E tu ó filho do homem, assim diz o Senhor JEOVÁ acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem, sobre os quatro cantos da terra. (Ez 7.2)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

O atalaia de Deus soa o alarme do iminente perigo, anuncia que o inevitável juízo divino se aproxima.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Ez 7.24-26 O fim é uma referência à destruição de Jerusalém

 

Terça – 2 Rs 21.12-14 Deus anunciou a chegada do “fim” com mais de cem anos de antecedência

 

Quarta – Jr 27.6,7 Nabucodonosor foi constituído como o azorrague divino para açoitar Jerusalém

 

Quinta – Jr 26.3 O livramento de Judá e Jerusalém pode acontecer se houver arrependimento

 

Sexta – 2 Cr 36.14-16 A apostasia e a rebelião contra Deus resultaram na destruição da cidade e do Templo

 

Sábado – Gl 6.7 A nação de Judá precisava colher o que plantou

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Ezequiel 7.1-10

 

1 – Depois, veio a palavra do SENHOR a mim, dizendo:

 

2 – E tu, ó filho do homem, assim diz o Senhor JEOVÁ acerca da terra de Israel: Vem o fim, o fim vem sobre os quatro cantos da terra.

 

3 – Agora, vem o fim sobre ti, porque enviarei sobre ti a minha ira, e te julgarei conforme os teus caminhos, e trarei sobre ti todas as tuas abominações.

 

4 – E não te poupará o meu olho, nem terei piedade de ti, mas porei sobre ti os teus caminhos, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu sou o SENHOR.

 

5 – Assim diz o Senhor JEOVÁ: Um mal, eis que um só mal vem.

 

6 – Vem o fim, o fim vem, despertou-se contra ti; eis que vem;

 

7 – vem a tua sentença, ó habitante da terra. Vem o tempo; chegado é o dia da turbação, e não da alegria, sobre os montes.

 

8 – Agora, depressa derramarei o meu furor sobre ti, e cumprirei a minha ira contra ti, e te julgarei conforme· os teus caminhos, e porei sobre ti todas as tuas abominações:

 

9 – E não te poupará o meu olho, nem terei piedade; conforme os teus caminhos, assim carregarei sobre ti, e as tuas abominações estarão no meio de ti; e sabereis que eu, o SENHOR, castigo.

 

10 – Eis aqui o dia, eis que vem; veio a tua ruína; já floresceu a vara, reverdeceu a soberba.

 

 

Hinos Sugeridos: 334, 469, 570 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

A lição desta semana tem como propósito analisar o capítulo 7 do Livro de Ezequiel, que tem como base o juízo de Deus para a terra de Israel, bem como para o mundo. Aqui, a profecia de Ezequiel transborda para a dimensão global. O estudo dessa porção bíblica tem como um dos principais objetivos, avaliar o nosso relacionamento com Deus. Estamos diante de um Deus soberano que um dia pedirá contas de cada ato do ser humano. Como cristãos, estamos conscientes dessa realidade espiritual futura?

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Apresentar de modo geral a profecia do capítulo 7 de Ezequiel;

II) Enfatizar o sentido, as expressões repetidas sobre o fim e repetição da sentença;

III) Identificar o inimigo que servirá como instrumento do juízo divino.

B) Motivação: A mídia, de modo geral, nos revela uma série de fatos que mostra uma impiedade genera­lizada: Corrupção política; práticas violentas contra pessoas indefesas; expansão de poderes paralelos que escravizam pessoas de baixa renda nas comunidades periféricas das cidades; generalização da cultura da pornografia; naturalização do aborto etc. A Bíblia mostra que o Deus todo­-poderoso não está alheio à cultura de pecado dos seres humanos. Ele não dorme.

C) Sugestão de Método: Para introduzir a primeira lição, a partir do texto da motivação, leve para a sala de aula, notícias que mostram o quanto o processo de pecado tem se aprofundado no mundo. Correlacionar esse quadro com o capítulo 7 de Ezequiel, e inicie a exposição do primeiro tópico enfatizando a iminência do fim na profecia de Ezequiel. Deixe claro que a impiedade concreta por parte dos habitantes de Israel é a razão para o juízo de Deus. E acrescenta que não será diferente nos últimos dias.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Estar consciente a respeito do juízo de Deus não significa viver com medo do juízo iminente. A vida cristã não é só juízo, mas também misericórdia, alegria e paz. Entretanto, a doutrina do juízo divino também é uma doutrina bíblica que não pode ser ignorada pelos cristãos. É preciso observar todo o conselho de Deus.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto ”A Profecia no capítulo 7” pontua aspectos do juízo divino e o correlaciona com os nossos dias; 2) O texto ”A Descrição da Destruição” enfatiza o nível de destruição segundo o juízo divino.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIOS

 

O juízo divino descrito no discurso profético do capítulo 7 é endereçado à ”terra de Israel”, ou seja, particularmente aos seus habitantes, mas tem implicações globais. Os contemporâneos de Ezequiel na Babilônia, e até mesmo em Jerusalém, recusaram a mensagem dos profetas, principalmente de Ezequiel e Jeremias, por não acredi­tarem que Javé permitisse que os ímpios conquistassem a cidade e destruísse o Templo.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Como atalaia da casa de Israel, Ezequiel soa o alarme do iminente perigo e anuncia o oráculo num estilo poético e dramático de que a destruição se aproxima. A profecia sobre o fim no capítulo 7 foi composta no gênero literário poético. É original de Ezequiel, escrita na língua hebraica; não se trata de um trabalho de um poeta posterior. O objetivo do estilo poético é causar impacto nos leitores originais. A poesia se sobressai não apenas pela sua beleza, mas também pela facilidade de memorização de sua mensagem.

Algumas versões da Bíblia, como a Nova Almeida Atualizada (NAA), destacam os trechos poéticos dos livros proféticos para facilitar a visualização.

O juízo divino descrito nesse discurso profético é endereçado à “terra de Israel”, ou seja, particularmente aos seus habitantes, mas tem implicações universais. Os contemporâneos de Ezequiel na Babilônia e até mesmo em Jerusalém recusaram as mensagens dos profetas, principalmente as de Ezequiel e Jeremias, por não acreditarem que Javé permitisse aos ímpios conquistar a cidade e destruir o templo.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 27.

 

 

 

O tema principal é o julgamento iminente de Judá, na forma de ataque do exército babilónico. O fim para Judá estava próximo. Os babilônios praticavam genocídio, mas Yahweh fizera o decreto e também transformara a espada babilónica na Espada do Senhor. O dia do ataque seria o Dia do Senhor, uma temível demonstração de Sua ira: seria o dia decisivo. Alguns intérpretes veem aqui uma profecia do dia do Senhor escatológico: a finalização das profecias. Ver sobre esse termo no Dicionário. Mas é duvidoso que a profecia deste capítulo tenha um alcance tão grande.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3215.

 

 

Lamentação por Causa da Queda de Judá. 7:1-27.

Ezequiel 7 é o clímax dos capítulos 4-6. Parcialmente lírico, parcialmente homilético, declara que chegou o momento do castigo final de Israel. Quatro oráculos curtos de desgraça dão início ao capítulo (vs. 1-18) com o tema repetido, “chegou o fim” (vs. 2.4), “chegou o mal” (vs. 5-9), “chegou o dia” (vs. 10, 11), “chegou o momento” (vs. 12, 13). As cenas finais da desolação do estado (vs. 14-27) descrevem a inutilidade da defesa (vs. 14-18), a riqueza da cidade se tornando a presa do invasor (vs. 19-22), e a estupefação tomando conta de todas as categorias sociais (vs. 23-27). A cidade (vs. 13-15), o rei (v. 27), o Templo (vs. 20-22), e o inimigo (v.24) são todos mencionados de maneira enigmática. O capítulo abunda em repetições e o hebraico apresenta muitos problemas textuais.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Ezequiel. Editora Batista Regular. pag. 34.

 

 

Neste capítulo, a chegada da destruição da terra de Israel é profetizada mais detalhadamente com expressões comoventes freqüentemente repetidas, com a finalidade de que, se possível, eles pudessem ser despertados para impedi-la através do arrependimento. O profeta deve dizer-lhes: I. Que será uma destruição completa, uma destruição incondicional e total, que lhes trará um fim, um fim desprezível, w. 1-6. II. Que é uma destruição que está próxima, quase às portas, w. 7-10. III. Que é uma destruição inevitável, porque através do pecado eles a haviam trazido sobre si mesmos, w. 10-15. IV Que a sua força e riqueza não seriam obstáculos para ela, w. 16-19. V Que o templo, no qual eles confiavam, seria destruído, w. 20-22. VI. Que pelo fato do pecado que trouxe a destruição ter sido geral, esta seria uma destruição universal, w. 23-27.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 643.

 

 

Palavra Chave: FIM

 

 

I – SOBRE A PROFECIA

 

1- Introdução (vv.1,2a).

 

Ezequiel introduz a profecia com a fórmula usual dos profetas de Israel ”veio a palavra do Senhor a mim. (v.1). A chancela de autoridade divina ”assim diz o Senhor Jeová” é a marca registrada dos profetas de Javé. Isso mostra que Deus é a fonte da profecia (2 Pe 1.20,21). Era uma comunicação divina incon­fundível, diferentemente da natureza da atividade profética inicial, que ocorria por meio de visões. Essa fórmula verbal de revelação indicava ser a mensagem recebida de forma externa, direta e audível.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O anúncio do juízo divino não começa no capítulo 7, mas vem desde o capítulo 5. Ezequiel começa com a cidade de Jerusalém no capítulo 5 e muda-se para o centro de Judá, nas montanhas de Israel, no capítulo 6, e se estende para toda a terra de Israel (7.2), Jerusalém (5.5, 8) e em seguida alcança os montes e vales de Israel (6.3, 4), concluindo com o julgamento universal (v. 2b).

Ezequiel anuncia que está chegando a hora do acerto de contas de Judá e Jerusalém com o Deus Javé. O tempo estava próximo, considerando a data do seu chamado para o ministério profético que Ezequiel diz ser o “quinto ano do cativeiro do rei Joaquim” (1.2).

Joaquim foi levado para a Babilônia quando foi deposto do trono de Jerusalém e substituído por Zedequias (2Cr 36.9, 10). Era o ano 598 a.C.; aproximadamente, cinco anos depois, esses oráculos divinos foram entregues ao profeta, o que ocorreu cerca de sete anos antes do cumprimento dessa profecia (2Rs 25.1-4).

7.1, 2 Ezequiel introduz a mensagem usando a forma tradicional dos profetas do Antigo Testamento: A palavra do Senhor veio a mim, e, em seguida, a usual fórmula de autoridade espiritual: assim diz o Senhor Deus. O discurso tem endereço certo; primeiro, a respeito da terra de Israel, para dizer que “Chegou o fim!” ou, literalmente, “o fim vem”. A palavra “fim” no hebraico é qēts, que significa “fim, destruição, ruína, morte, condenação”, ou, com o artigo definido haqēts, “o fim”. Trata-se de um substantivo usado em contexto de julgamento (Gn 6.13; Am 5.1820; 8.2). Ele aparece cinco vezes nos versículos 2, 3 e 6 e isso evidencia a intensidade do julgamento.

Cerca de cento e cinquenta anos antes, o profeta Amós usou a mesma construção hebraica ba‘ haqēts, “vem o fim”, ao anunciar o fim do Reino do Norte: “Chegou o fim sobre o meu povo Israel” (Am 8.2). Essa mensagem de Amós se cumpriu na queda de Samaria em 722 a.C. (2Rs 17.23), o que leva os expositores do Antigo Testamento a interpretarem um paralelo com a palavra profética anunciada por Ezequiel sobre a queda de Jerusalém ocorrida em 587/586 a.C. Ezequiel mostra que Jerusalém está no mesmo caminho.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 28-29.

 

 

Veio ainda a palavra do Senhor. Note-se como o capítulo 7 inicia com as mesmas palavras que introduzem o capítulo 6 (ver as notas em Eze. 6.1). O oráculo é um decreto e, ao mesmo tempo, uma profecia que podia ser quebrada ou modificada; era iminente e cheia de terrores para Judá.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3215.

 

 

Nós temos aqui uma advertência feita com a devida antecedência sobre a destruição da terra de Israel, que estava agora se aproximando rapidamente. Deus, através do profeta, não apenas envia avisos sobre ela, mas a repetirá nas mesmas expressões, para mostrar que a coisa é certa, que está próxima, que o próprio profeta está abalado por eles e deseja que eles também o estejam, mas os encontra surdos, estupefatos e impassíveis. Quando a cidade está em chamas, os homens não recorrem a palavras bonitas e a expressões incomuns para com elas fazerem um relato da situação, mas choram pelas ruas, em voz alta e lamuriosa: “Fogo! fogo!” Assim o profeta aqui proclama: Um fim! Um fim! Ele chegou, Ele chegou! Eis que Ele chegou! Aquele que tiver ouvidos para ouvir, ouça!

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 643.

 

 

2- Extensão (v.2b).

 

A expressão hebraica ‘adamah ysrael para ”terra de Israel” (v.2) aparece 17 vezes no livro de Ezequiel e em nenhum outro lugar do Antigo Testamento. Isso indica a ira divina sobre o povo de Israel no seu próprio território. Mas ninguém deve restringir esse castigo somente a Jerusalém, pois ele tem também um caráter cósmico, portanto, extensivo a outros lugares. Isso fica claro pelo uso da expressão escatológica ”o fim vem sobre os quatro cantos da terra” (v.2), que aparece na Bíblia para se referir a toda a terra (Is 11.12; Ap 7.1).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Em outras palavras, o discurso do Profeta aponta que a destruição é um fato; ela é real e está próxima. A profecia deixa claro que o juízo não é apenas para Israel nem somente para uma única época, mas tem alcance universal: sobre os quatro cantos da terra. Essa expressão aparece na Bíblia para se referir a toda a terra (Is 11.12; Ap 7.1). O discurso profético foi escrito em forma poética, e isso serve para chamar a atenção de todo aquele que lê essa Palavra.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 29.

 

 

Quatro cantos da terra. A origem da expressão se encontra na crença de que a terra tinha o formato chato, retangular, ou era uma planície retangular; com quatro cantos literais.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3215-3216.

 

 

A expressão Terra de Israel {’admat yisrã’êl) é distintivamente ezequieliana, ocorrendo repetidas vezes nesse livro, mas em nenhum ponto no Antigo Testamento. Em comparação com ’eres, “solo, terra”, com a qual é geralmente comparada e ocasionalmente substituída, ’àdãmâ é uma designação melhor e menos formal para o território nacional. Por si mesmo o termo fala da terra, do piso, onde alguém vive e de onde se tira o sustento. Ser dirigido para fora da ’àdãmâ é ser sentenciado a uma vida de perpétuo e errante vagar, até mesmo sob ameaça de morte. Em âmbito nacional ’ãdãmâ representa a base de saúde e de bem-estar econômico do povo. Vindo da boca de Ezequiel no exílio, a expressão leva um significado especial.

 

Ezequiel adapta a fórmula para os próprios propósitos, concentrando-se na terra em vez do povo como objeto da ira de Deus. Declara inicialmente que o fim envolve os quatro cantos da terra {’arba^at kanèpôt hã’ãres), uma figura literária derivada da oficina de alguém que trabalha com roupas e estica uma peça retangular de roupa (cf Dt 22.12). Em Jó 38.13 a terra é poeticamente comparada a um lençol que é tomado pelas “pontas” e sacudido de maneira que o perverso é lançado fora, assim como migalhas de pão de uma toalha de mesa. Quando combinado com hã’ãres, “a Terra” em outros contextos, kanèpôt toma um significado universal com insinuações escatológicas. Ezequiel, assim, adaptou um termo escatológico para uso num contexto não escatológico, a fim de enfatizar a severidade do desastre que aguarda a terra.^* Para Ezequiel, o fim de Israel pode muito bem ser o fim do mundo.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel. Editora Cultura Cristã. pag. 247,248.

 

 

 

3- Quando? (vv.3a, 8a).

 

O ”agora” no versículo 3 é no hebraico ‘attah ”agora” que ressalta a iminência do fim. Esse advérbio reaparece no versículo 8 acrescido da palavra ”depressa”, assim ”depressa derramarei o meu furor sobre ti”. Essa urgência é também demonstrada pela construção gramatical do verbo hebraico ba’, “vir”, que aparece dez vezes nesse curto trecho da profecia. Em quatro delas a ação está em andamento, pois o particípio hebraico indica uma ação contínua e ininterrupta: ”eis que um só mal vem” (v.5b); ”eis que vem” (v.6b): vem a tua sentença” (v.7a); ”Eis aqui o dia, eis que vem” (v.10).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Agora o fim chegou sobre você, povo de Israel. Esse oráculo divino de juízo foi entregue a Ezequiel quando Judá já estava no cativeiro e as dez tribos do norte estavam na diáspora (1.1-3). Mas, desde Moisés, Israel foi instruído que a idolatria e a apostasia levariam a nação ao castigo: a destruição e a diáspora (Lv 26.33-37; Dt 28.25, 36, 37). A recente queda de Samaria em 722 a.C. deveria servir de exemplo para o povo. O profeta Jeremias iniciou o seu ministério por volta do ano 627 a.C., “no décimo terceiro ano do reinado de Josias” (Jr 1.2), visto que a data aceita para a ascensão de Josias ao trono de Judá aconteceu em 640 a.C.

Durante todo esse tempo, Jeremias anunciava essa mesma mensagem, cerca de trinta anos antes de Ezequiel, que foi constituído profeta “no quinto dia do quarto (…) no quinto ano de cativeiro do rei Joaquim” (1.1, 2). Essa data, segundo os expositores do Antigo Testamento, corresponde a 31 de julho de 593 a.C. Foram muitos anos de ensinos, exortações e apelos ao arrependimento, mas não houve mudança de atitude nem retorno para Deus. A nação continuou na idolatria e nas abominações até que o cálice da ira de Javé estava prestes a transbordar: Enviarei a minha ira sobre vocês. Eu os julgarei segundo os seus caminhos e farei cair sobre vocês todas as suas abominações. O “agora” é no hebraico ‘attah, ressalta a iminência do fim. Esse advérbio reaparece no versículo 8 acrescido da expressão “em breve”, assim:

“Agora, em breve, derramarei o meu furor sobre você”, ou “depressa” na ARC. Essa urgência é também demonstrada pela construção gramatical do verbo hebraico ba‘, “vir”, que aparece dez vezes nesse curto trecho da profecia.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 30-31.

 

 

Agora vem o fim sobre ti. A idolatria-adultério-apostasia de Judá receberia, logo, seu devido castigo. A paciência divina se esgotara. A Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura escreveria o “fim” de Judá. Yahweh não podia mais tolerar as condições perversas e os corações duros. O dilúvio do pecado tinha tomado conta da terra. Não haveria mais misericórdia.

Lançou contra eles o furor da sua ira: cólera, indignação e calamidade, legião de anjos portadores de males. (Salmo 78.49)

“A taça de sua iniquidade está quase cheia, e minha paciência chegou ao fim” (Adam Clarke, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3216.

 

 

O agora de abertura (atta) enfatiza a iminência da vinda da destruição. A construção da frase seguinte, haqqês ãlayik, “o fim está sobre vós”, depois do padrão hinèni ãlayik em 5.8, faz que “o fim” seja quase concreto, como que se alguns inimigos estivessem prestes a atacar. Similarmente, o uso do verbo sillah, “liberar”, com ’ap, “ira”, trata a ira divina como se fosse uma fiecha a ser lançada (cf 5.16), ou um embaixador a ser comissionado.”

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel. Editora Cultura Cristã. pag. 248.

 

 

SINOPSE I

 

O profeta Ezequiel anuncia a hora do acerto de contas de Judá e Jerusalém com o Deus Javé.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

A PROFECIA NO CAPÍTULO 7

 

Basicamente, no capítulo 7, podemos desenvolver seis aspectos da profecia de juízo contra Israel:

1) será uma destruição completa (vv.1-6);

2) Uma destruição iminente (vv.7-10);

3) uma destruição inevitável (vv.10-15);

4) não haveria obstáculo para essa destruição (vv.16-19);

5) o templo não seria poupado (vv.20-22);

6) uma destruição universal (vv.23-27).

A Bíblia de Estudo Pentecostal traz um comentário que resume esse estado de coisa, fazendo conexão com os acontecimentos para estes últimos dias: ”O dia da ira e da destruição estava bem próximo dos israelitas. Sua rebelião contra Deus terminaria abruptamente (vv.2,3,6), quando Ele os castigasse pelas suas abomina­ções; poucos sobreviveriam. Hoje, até parece que Deus não está atento à iniquidade e a imoralidade das nações Porém, a Bíblia nos assegura repetidas vezes que o dia do Senhor está perto (cf. Am 5.18-20), um dia de grande julgamento, que trará destruição e a ira divina sobre o mundo inteiro (ver 1 Pe 4.7,17. Assim como o dia do Senhor veio, por fim, contra Judá, assim também virá contra todos os ímpios, impuros e arrogantes deste mundo (ver 1 Ts 5.2)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1179).

 

 

II – SOBRE O FIM

 

1- Sentido (vv.2b, 3a, 6).

 

A palavra ”fim” do hebraico, qéts, ”fim, destruição, ruína, morte, condenação”, ou ha-qéts, ”o fim,” trata-se de um substantivo usado em contexto de julgamento (Gn 6.13; Am 5.18-20; 8.2). Ele aparece cinco vezes nos versículos 2, 3 e 6 num discurso poético cujo objetivo é causar impacto nos leitores originais. A literatura poética bíblica se sobressai não apenas pela sua beleza, mas também pela facilidade do povo em memorizar sua mensagem.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Vem o fim. O terrível castigo de Yahweh poria fim a uma nação inteira, como uma execução. Judá era como um gigante adormecido; de súbito, ele acorda, mas é tarde demais; flechas já haviam penetrado em seu corpo. O golpe fatal já fora administrado. As palavras para “acorde” e “fim” têm sons semelhantes no hebraico, assim temos um trocadilho. Cf. Amós 8.2, onde há algumas semelhanças.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3216.

 

 

O alarme abre com uma nota pontiaguda: Um fim! Ofim chegou! A forma anártrica do primeiro qês e a ausência do verbo anterior (cf V. 6) refletem a urgência do anúncio e contribui com sua força retórica. Dentro da tradição profética, o anúncio “O fim chegou” representa uma fórmula profética padronizada que deveria ter lançado terror sobre qualquer um que a tivesse ouvido (ver Gn 6.13; Jr 51.13; Lm 4.18; Am 8.1-2). Seu significado é refletido na interpretação de Amós quanto à fruta de verão: “Chegou o fim para o meu povo de Israel!

Não os tolerarei” mais!” (8.2). No caso de Amós, isto significa que o tempo da graça para a nação acabara. Yahweh cessaria de se relacionar com eles com base nas promessas do pacto e traria sobre eles o efeito das maldições (8.3-14).

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel. Editora Cultura Cristã. pag. 247-248.

 

 

2- Expressões repetidas sobre o fim.

 

A repetição das expressões ”Vem o fim, o fim vem” (v.2); ”Agora, vem o fim” (v.3); ”Vem o fim, o fim vem” (v.6); ”eis que vem; veio a tua ruína” (v.10) chama a atenção de qualquer leitor. Talvez a intenção de Ezequiel, como atalaia de Israel, tenha sido causar pânico no destinatário original. Os profetas, durante séculos, vinham chamando o povo, que era conhecedor da lei de Moisés e do Pacto do Sinai, ao arrependimento. Agora, o povo estava sendo informado de que o juízo divino era real.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A profecia esclarece o sentido desse “fim”. É mais uma vez reiterada a fórmula de autoridade: Assim diz o Senhor Deus. O Profeta deixa claro que isso não é brincadeira e que seus interlocutores devem levar o assunto a sério, que essa mensagem vem diretamente de Deus, e não uma sentença humana. Depois de lembrar a fonte do discurso, o Profeta explica o que quer dizer com o “fim” usado na sua pregação: Calamidade após calamidade, e reitera o que vem sendo dito sobre o fim desde o versículo 2: eis que vêm. Depois de esclarecer que o fim é uma sequência de calamidades, ainda de forma genérica, sem detalhes, pois estes aparecem mais adiante, a palavra profética reitera e reforça que o dia se aproxima: Chegou o fim! O fim chegou, já despertou contra você! Esse reiterado aviso é enfático e quatro vezes mostra que a ação está em andamento, pois o particípio hebraico indica uma ação contínua e ininterrupta, conforme a ARC: eis que um só mal vem (v. 5b); eis que vem (v. 6b); Eis aqui o dia, eis que vem (v. 7a); Eis aqui o dia, eis que vem (v. 10a). Essa construção gramatical com ação verbal em andamento fala de urgência.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 31-32.

 

 

Vem um fim, o fim chegou (w. 2,3,6): Agora veio o fim sobre ti – o fim para o qual toda a sua maldade tinha uma tendência, do qual Deus lhes havia falado frequentemente e ao qual ela finalmente chegaria, quando através de Seus profetas Ele havia lhes perguntado: O que tu farás no final disso? – o fim em função do qual todos os julgamentos anteriores haviam operado, como os meios para desencadeá-lo (agora a destruição deles será completada) – ou o fim, isto é, o término de sua pompa, a destruição completa de sua nação, como o dilúvio foi o fim de toda a carne, Gênesis 6.13. Eles haviam se iludido com esperanças de que logo veriam o fim de seus problemas. “Sim,” diz Deus: “O fim chegou, mas um fim deprimente, não o fim esperado” (o qual é prometido aos remanescentes fiéis entre eles, Jeremias 29.11); “E o fim, aquele fim sobre o qual tu foste tão frequentemente avisado, aquele fim derradeiro para o qual Moisés desejava que atentasses (Dt 32.29), do qual Jerusalém não se lembrou, e por isso caiu de um modo surpreendente,” Lamentações 1.9.

Esse fim demorou a chegar, mas agora chegou. Embora a destruição dos pecadores venha lentamente, ela com certeza chega. “Chegou. Ela te espreita. Está pronta para te aprisionar.” Isso talvez aponte para mais adiante, para a última destruição daquela nação pelos romanos, da qual a destruição dos caldeus era um sério aviso. E ainda mais adiante, para a destruição final do mundo dos incrédulos. O fim de todas as coisas está próximo.

E o fim de Jerusalém era um sinal do fim do mundo, Mateus 24.3. O, se todos nós pudéssemos ver o fim dos tempos e dos dias, que está tão próximo, e o fim ainda mais próximo do nosso próprio tempo e dos nossos dias, para que pudéssemos assegurar uma boa recompensa final! Daniel 12.13. Esse fim vem sobre os quatro cantos da Terra. A destruição, como será final, será, portanto, total. Nenhuma região da terra escapará. Não, nem mesmo aquela que estiver mais distante. Tal será a destruição do mundo. Todas essas coisas serão dissolvidas. Assim será a destruição dos pecadores. Ninguém poderá evitá-la. O, quem dera a maldade dos iníquos pudesse chegar logo ao fim, antes que ela os levasse ao fim!

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 643-644.

 

 

3- A repetição da sentença.

 

Os versículos 4 e 9 estão repetidos. Ninguém deve se surpreender com a intensidade esse juiz anunciado de antemão, pois é compatível com a natureza divina (Na 1.3). Um dos objetivos desse juízo é a erradicação da idolatria, a causa das abominações (vv.3,4,8,9), visto que a casa de Israel recusou esse remédio pelo arrependimento (2 Cr 36.16). Todos estão sendo informados, de antemão, sobre a causa da destruição e lhes é dada a oportunidade de arrependimento. É uma reflexão relevante, também em nossos dias, porque somos seres morais e prestaremos contas a Deus pelos nossos atos (Ec 12.13,14; Gl 6.7).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Ninguém deve se surpreender com a dureza do castigo de Jerusalém anunciado de antemão, ou seja, o fato de Deus afirmar que não terá piedade: Os meus olhos não terão piedade, e eu não os pouparei. Essas palavras estão repetidas no versículo 9. Isso porque o castigo é compatível com a justiça divina; todos são informados de antemão sobre a causa da destruição e lhes é dada a oportunidade de arrependimento. A idolatria com as abominações subsequentes é um atentado contra a santidade de Deus e não pode ficar impune. É importante entender que Deus é soberano e tem o direito de aplicar o juízo da maneira que quiser, mas o castigo divino é proporcional à gravidade do pecado e não faz nada que contrarie a sua natureza: eu darei o que vocês merecem por seus atos, e farei com que paguem por todas as suas abominações.

Dessa forma, os filhos de Israel ficarão sabendo que Javé é Deus: E vocês saberão que eu sou o Senhor.

Duas vezes os oráculos deixam claro que o castigo será sem misericórdia; dessa vez Deus não terá piedade deles (vv. 4, 8).

Parece intrigante a todos nós que um Deus infinitamente bondoso, cuja misericórdia é de geração em geração (Sl 100.5) e cuja benignidade dura para sempre (Sl 117.2), mande o Profeta dizer: Os meus olhos não terão piedade, e eu não os pouparei” (vv. 4, 9).

Todos nós precisamos entender que o juízo de Deus em passagens bíblicas como essa diz respeito a um castigo específico; não significa que a ira divina será perpetuamente sobre o povo. Toda mensagem de ameaça e de destruição é seguida por uma promessa de restauração futura. Isso vem também desde Moisés (Lv 26.44, 45) e se vê nos profetas (Is 40.2; Jr 31.9-12). A terceira parte do livro de Ezequiel está repleto dessas promessas.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 30.

 

 

Sabereis que eu sou o Senhor. Esta expressão ocorre 63 vezes neste livro. Ver as notas em Eze. 6.7. Está em foco a soberania de Deus, controlando todas as coisas, pois Ele recompensa o bem e castiga o mal. Ver no Dicionário o verbete intitulado Soberania de Deus. O vs. 4 praticamente duplica o vs. 3. Os vss. 3-4 são essencialmente repetidos em 8-9, para ênfase. O capítulo 7 tem uma série de repetições e Eze. 5.11 já nos deu os elementos principais dos vss. 3-4.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3216.

 

 

Ezequiel explica a resposta divina com uma declaração tripla do princípio pelo qual Yahweh usará para lidar com a terra de Israel. Primeiramente, punirá a terra por manter aquela conduta (dèrãkím, lit. “maneiras”). Jugar Embora sõpat geralmente signifique “enviar uma decisão judicial”, o contexto sugere que aqui, assim como em 36.19, a execução da sentença está também em jogo. Em segundo lugar, fará que sintam o peso de suas próprias abominações. Em terceiro lugar, fará que sintam o peso de suas próprias condutas. Estas duas sentenças envolvem a expressão nãtan ‘^al, que significa “responsabilizar alguém por alguma coisa” ao colocar responsabilidades sobre uma pessoa e ao penalizá-la de acordo com o que fez. Isto representa uma versão abreviada da forma mais ampla da expressão idiomática: “colocar a conduta/abominações de alguém sobre a cabeça (desse alguém)” (9.10; 11.21; 16.43; 22.31).” Com grande economia de vocabulário, Ezequiel declara que assim como as pessoas têm se comportado, da mesma maneira serão tratadas; o destino de uma pessoa é meramente o resultado de suas ações. Yahweh, pessoalmente, irá garantir que isto aconteça. Não permitirá que qualquer aparência de piedade interfira com sua ação determinada. Quando concluir tudo, o povo o reconhecerá como Deus.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel. Editora Cultura Cristã. pag. 248-249.

 

 

SINOPSE II

 

O capítulo 7 traz uma série de expressões e sentenças que confirmam o sentido de des­truição total no fim.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

“A DESCRIÇÃO DA DESTRUIÇÃO

 

Quando chegar a vez do sofrimento de Judá, a destruição será completa. A última parte do versículo 10 e a primeira parte do versículo 11 foram traduzidas da seguinte forma: ‘A arrogância floresceu. A insolência brotou. A violência tomou a forma de um rebento de maldade’ (Smith-Goodspeed). Na expressão: nem haverá lamentação (11), a palavra que foi traduzida por lamentação também pode se referir àquilo que é glorioso ou bonito. A RSV traz ‘preeminência’, mas admite numa nota de rodapé que o hebraico não é claro. A passagem provavelmente significa que nada de importante ou de extraordinário será deixado em toda a terra” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, pp.444,45).

 

 

III – SOBRE O INIMIGO

 

1- ”Já floresceu a vara” (v.10).

 

Ezequiel faz uma analogia botânica, uma metáfora que se perdeu no tempo. A palavra profética anuncia: ”veio a tua ruína; já floresceu a vara, reverdeceu a soberba” (Ez 7.10). O que essas palavras significam? Há diversas interpretações que não cabem neste comentário, mas dentre as três principais, a mais aceitável é a que considera essa ”vara” como o rei Nabucodonosor. Assim como o rei da Assíria foi o chicote de Deus para açoitar Samaria, os filhos de Israel do Reino do Norte (2 Rs 17.3; Is 10.5; 20.1), da mesma forma Javé usou o rei da Babilônia, Nabucodonosor como azorrague para chicotear Jerusalém, em Judá (Jr 27.8; 51.20-24).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Eis o dia! Eis que chegou! é uma reafirmação daquilo que o Profeta vem anunciando desde início do oráculo. O versículo 10 é de difícil interpretação, porque o verdadeiro significado da metáfora botânica: Brotou a sentença, já floresceu a vara, reverdeceu a arrogância” se perdeu ao longo da história. A controvertida palavra tsepîrâ vista no versículo 7 reaparece novamente nessa passagem, traduzida como “sentença”. A iminência de destruição é reiterada mais uma vez na profecia.

A que ou a quem o profeta se refere com a expressão já floresceu a vara? São diversas interpretações. O par de palavras hebraicas tsitz paraḥ na frase tsatz hamaṭṭēh paraḥ significa “brotou, a vara floresceu”. Alguns expositores do Antigo Testamento acreditam que os destinatários dessa mensagem associavam essa passagem à vara de Arão que floresceu, por causa do uso dessas duas palavras, tsitz paraḥ, que aparecem em Números 17.8.

Mas a maioria deles não leva essa interpretação a sério, pois esse par de palavras aparece também em outras partes (Sl 92.8 [7]; Is 27.6). A palavra maṭṭēh, “vara, galho, ramo”, reaparece mais adiante acompanhada de ‘oz’, “força, poder, forte”, representando o símbolo de autoridade (19.11, 12).

Segundo os rabinos, essa parte da profecia é uma referência à Babilônia.18 Se a interpretação rabínica puder ser confirmada, podese dizer que Ezequiel estaria dando uma pista sobre a identidade do inimigo invasor. Jeremias, durante mais de vinte anos, apresentou as descrições dos invasores, e todas as características indicavam os caldeus; no entanto, eles só são identificados pelo nome “Babilônia” a partir do capítulo 20 (Jr 20.4), e o nome de Nabucodonosor, rei de Babilônia, aparece só a partir do capítulo 21 (Jr 21.2). No entanto, em Ezequiel, o nome dele é mencionado apenas quatro vezes no livro, duas nas profecias contra Tiro e Egito (26.7; 29.18) e duas contra o Egito (29.19; 30.10). Mas existe explicação para essa diferença.

Jeremias iniciou seu ministério mais de vinte anos antes da ascensão de Nabucodonosor ao trono de Babilônia, o que aconteceu em 605 a.C., quando bateu Faraó Neco, rei do Egito, na Batalha de Carquemis (Jr 46.2). Ezequiel, por sua vez, foi constituído profeta e atalaia para a casa de Israel quando parte da população de Judá já se encontrava no cativeiro, na Babilônia, sob o domínio de Nabucodonosor. Ninguém entre os exilados e em Judá tinha dúvida sobre quem seria o seu algoz. A frase Brotou a sentença, já floresceu a vara (v. 10b), para o opressor, parece ser a melhor interpretação: “Ezequiel pode já estar visualizando o agente da ira de Yahweh, Nabucodonosor. A vara que floresceu é sua; ele é o insolente, ou o violento, ou o maligno que criou o tumulto refletido nas linhas seguintes ao versículo 11”.

Essa “vara” é o “chicote” que o Profeta usa metaforicamente para castigo do seu povo.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 34-35.

 

 

Vara. A palavra hebraica assim traduzida é hamatteh. Por emenda, alguns substituem por hammutteh, injustiça. Cf. Eze. 9.9. Talvez o versículo sugira que a vara de Yahweh, batendo nos ímpios, efetue justiça. A palavra vara torna possível uma metáfora fina: a vara floresce e, florescendo, produz golpes temíveis. A vara do Senhor cumpre Seu propósito de julgamento. Mas, se devemos entender injustiça como a palavra correta, então compreendemos que os muitos pecados de Judá enchem a terra como ervas daninhas que tomam conta de tudo. As plantas das iniquidades florescem na agricultura do diabo. A NCV traz “a violência tem crescido”. O orgulho, um dos principais pecados do povo, também cresce, e a vingança divina corta todo o crescimento pernicioso pelas raízes.

A metáfora da vara provavelmente foi sugerida pela experiência de Arão, quando sua vara floresceu (Núm. 17). Ou, talvez, estivesse em vista a amendoeira de Jeremias (Jer. 1.11-12). De qualquer maneira, a vara que floresceu mostra que a ira de Deus estava crescendo e em breve floresceria. Os frutos produzidos seriam terrivelmente amargos e venenosos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3216.

 

 

O galho floresceu. O profeta começa com uma analogia botânica cujo significado foi perdido ao longo dos séculos quanto à entrega do oráculo,*’ e cuja ambiguidade continua a refutar certas interpretações. Quando a audiência de Ezequiel ouviu esta expressão, imediatamente pensaram na vara de Arão que havia brotado, produzira brotos e botões, e finalmente dera nozes maduras, depois do que foi colocada na tenda do pacto.“ No entanto, a ligação entre esses textos é obscura pelo fato de que no caso de Arão o florescer da vara serviu como sinal da eleição de Arão, e não um sinal de um mal. Várias explicações deste texto ambíguo são possíveis.

A primeira é que matteh pode ser tomado como mutteh, e tratado como a forma hapax no capítulo 9.9. O sentido de “justiça pervertida” (paralelo a dãmím, “derramamento de sangue”), o que é requerido no último texto, certamente seria apropriado aqui, dada a associação dos termos com zãdôn, “insolência”, hãmãs, “violência”,“ e resa’, “impiedade”. No entanto, esta apresentação causa um problema lógico, pois tem ações más florescendo antes de brotarem.*“ A segunda explicação que “o galho floresceu” pode ser constmída como um emblemático das noções expressas nos dois períodos seguintes, em que o galho se refere à vara dos govemantes opressores.

O verbo sís, “florescer”, expressa numa única palavra as noções contidas em pãrah, “brotar”, e qüm lé, “crescer”. Ezequiel, assim, mudou o que originalmente era um símbolo positivo da eleição e da legitimação da autoridade em um bastão emblemático de opressão e maldade. A terceira explicação é que Ezequiel pode já estar visualizando o agente da ira de Yahweh, Nabucodonosor.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel. Editora Cultura Cristã. pag. 253-254.

 

 

2- ”Reverdeceu a soberba” (v.10b).

 

O rei Nabucodonosor extrapolou os limites, foi cruel na aplicação dos castigos (2 Rs 25.7; 2 Cr 36.17; Jr 52.10,11), Deus não mandou o rei proceder dessa maneira, por isso o furor de Javé se acendeu contra a Babilônia (Jr 51.34,55,56). Essa reação divina é exemplar, pois, ainda hoje, Deus julga os poderosos que abusam da autoridade e cometem atrocidades. Às vezes, isso respinga também no próprio povo; mas o castigo definitivo é individual e na eternidade.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A palavra profética acrescenta: (…) reverdeceu a arrogância. A violência se ergueu para servir de vara de maldade (…) (vv. 10b, 11a). Essa declaração combina bem com o poder e a força do império babilônico. Assim como o rei da Assíria foi o chicote de Deus para açoitar Samaria, os filhos de Israel do Reino do Norte (2Rs 17.3; Is 10.5; 20.1), da mesma forma, Javé usou o rei da Babilônia, Nabucodonosor, como azorrague para chibatar Jerusalém, em Judá (Jr 27.8; 51.20-24). Mas o rei Nabucodonosor extrapolou os limites e foi cruel na aplicação dos castigos (2Rs 25.7; 2Cr 36.17; Jr 52.10, 11).

Deus não mandou o rei proceder dessa maneira, por isso o furor de Javé se acendeu contra a Babilônia (Jr 51.34, 55, 56). Nessa passagem, a profecia anuncia a vez do castigo de Babilônia (Jr 50.31, 32). Essa reação divina é exemplar, pois, ainda hoje, Deus julga os poderosos que abusam da autoridade e cometem atrocidades. Às vezes, isso respinga também no próprio povo, mas o castigo definitivo é individual e na eternidade.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 36.

 

 

Reverdeceu a soberba. A vara obviamente representava o exército babilónico, pragas, seca, fome e outras calamidades de poder destrutivo. A arrogância do povo tinha apressado o florescimento da vara, ou a arrogância deste versículo é a do exército destruidor. Cf. Jer. 50.31-32. Mas provavelmente está em vista “a oposição ousada do povo de Judá contra Deus”.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3216.

 

 

3- O rei Nabucodonosor.

 

O nome ”Nabucodonosor” é de origem acádica, antiga língua da Mesopotâmia, Na­bú-kudurri-utsúr, que significa ”Nabu protegeu minha herança”. A forma que mais se aproxima do original no hebraico é Nebuchadre’tsar e aparece 30 vezes no Antigo Testamento, sendo quatro em Ezequiel (26.7; 29.18,19; 30.10). A forma alternativa é Nebuchadne’tsar (Jr 27.6,8,20; 28.3,11,14; 29.1,3); a Sep­tuaginta e Josefa empregam a forma grega, Nabouchodonosor. Ele era filho de Nabopolassar, que reinou 21 anos na Babilônia (625-605 a.C.). Nabucodonosor reinou 43 anos (605-562 a.C.).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O nome “Nabucodonosor” é de origem acádica, antiga língua da Mesopotâmia: Nabû-kudurri-utsûr significa “Nabu protegeu minha herança”. A forma que mais se aproxima do original no hebraico é Nebûchadre’tsar e aparece 30 vezes no Antigo Testamento, quatro delas em Ezequiel (26.7; 29.18, 19; 30.10). A forma alternativa é Nebûchadne’tsar (Jr 27.6, 8, 20; 28.3, 11, 14; 29.1, 3); a Septuaginta e Josefo empregam sua forma grega, Nabouchodonosor. Ele era filho de Nabopolassar, que reinou vinte e um anos na Babilônia (625-605 a.C.). Nabucodonosor reinou quarenta e três anos (605-562 a.C.). Alguns dados sobre os reis babilônicos são de Beroso, um sacerdote caldeu da época dos selêucidas. Em sua obra Babilônia, ele traça as linhagens dinásticas do império neobabilônico, tendo sido uma das fontes de Flávio Josefo, Eusébio de Cesareia e Cláudio Ptolomeu. O filho de Nabucodonosor que herdou o trono foi Evil-Merodaque (Jr 52.31; 2Rs 25.27). Segue a linhagem completa da dinastia.20

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 35-36.

 

 

Parece que Nabucodonosor passou pela adaptação aramaica do acádico Nabukudurri-usur, que significa «o (deus) Nabu protegeu minha herança». A transliteração hebraica desse nome é nebuchadrezzar. Na Septuaginta (vide) temos Nabouchodonosor. No latim, Nabuchodenesor. E não há que duvidar que daí é que se deriva a forma do nome em português. Houve dois reis babilónicos com esse nome: Nabucodonosor I, que reinou entre 1146 e 1123 A.C.; e então Nabucodonosor II, a figura mais famosa, que é mencionada nas páginas da Bíblia, e que reinou de 605 a 565 A.C. Ele era filho de Nabopolassar, o fundador do segundo império babilónico (ou caldeu), sobre as ruínas do império assírio.

Nabucodonosor II era casado com Amitis (Amu- hia), filha de Astiages, rei dos medos, provavelmente um casamento efetuado por interesses políticos. Nabucodonosor teve, pelo menos, três filhos: Amel-Marduque (também chamado Evil-Meredoque), que o sucedeu no trono, Marduque-Sum-Usur e Nabu- Suma-Lisir.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 4. 11 ed. 2013. pag. 434.

 

 

NABUCODONOSOR possivelmente aramaico ou forma [dissimulada] do acadiano Nabü-kudurri-usür “[o deus] Nabu tem protegido minha herança.” Dai o grego. O acadiano é estreitamente transliterado pelo hebraico 1S7Í073U3 como NEBUCHADREZZAR). Rei da Babilônia, 605-562 a.C.

Fontes. Além de 2 Reis 23.25, Jeremias 22, 32—40; 2Crônicas 36, Daniel e Esdras, uma crônica babilónica (BM 21946) resume os eventos de seus primeiros onze anos de reinado. Fora disto, duas breves inscrições históricas, textos em construções e cerca de 800 contratos são as únicas fontes externas contemporâneas deste reinado.

Família. Nabucodonosor era o filho mais velho de Nabopolasar, o fundador da dinastia caldéia ou neobabilônica da Babilônia. Ele se casou com Nitocris, cuja filha pode ter se casado com um filho de Nabonido, que posteriormente o sucedeu no trono. Ele também se casou com Amitis (Amuhia), filha de Astíages, rei dos medos, possivelmente como parte da ratificação de uma aliança política. Ele teve pelo menos três filhos, amêl-marduk, (Evil-Merodaque) que o sucedeu imediatamente, marduk-sum-usur e marduk-sum- lisir. Seu irmão era Nabu-suma-lisir.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 438.

 

 

4- A Babilônia.

 

O nome ”Babilônia” é também de origem acádica, Bâb-ilí, ”portão de deus”; o Antigo Testamento hebraico usa bâbel, ”Babel”, e a Septuaginta usa a forma grega Babylôn, ”Babilônia”. O nome do país é o mesmo da sua capital. Caldeus e babilônios eram, no princípio, povos distintos. A palavra kashdu significa ”conquistadores”, era usada para identificar as diversas tribos semitas que povoavam o norte do Golfo Pérsico, no sul da Babilônia, desde os dias de Abraão (Gn 11.28,31; 15.7). Isaías fala de babilônios e caldeus referindo-se ao mesmo império (Is 13.19; 47.1,5; 48.14,20).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A “terra dos babilônios” é literalmente a “terra dos caldeus”, do hebraico ‘eretz kashdîm (Jr 24.5; 25.12; 50.8, 25; 51.24) e do grego chaldaia ou chadaioi na LXX. O nome “Babilônia” é de origem acádica, Bâb-ilî, “portão de deus”, que no texto hebraico aparece Bâvel, “Babel” (Jr 50.1, 2, 13, 17, 18, entre outros), e, na LXX, Babylôn, “Babilônia”. O nome do país é o mesmo da sua capital.

Caldeus e babilônios eram no princípio povos distintos. A palavra kashdu, que significa “conquistadores”, era usada para identificar as diversas tribos semitas que povoavam o norte do Golfo Pérsico, no sul da Babilônia, desde os dias de Abraão (Gn 11.28, 31; 15.7).

Algumas vezes os caldeus ocuparam o trono da Babilônia até que se tornaram uma só nação. Isaías fala de babilônios e caldeus se referindo ao mesmo império (Is 13.19; 47.1, 5; 48.14, 20). Sua história vem desde Ninrode, neto de Noé (Gn 10.8-10), e a Torre de Babel (Gn 11.9). Veio a ser uma nação poderosa durante o império de Hamurabi (1793-1750 a.C.), rei que ficou conhecido pela descoberta em 1906 do código de leis que leva o seu nome, atualmente no Museu do Louvre, Paris. Depois desse período, o país entrou em declínio. Nabopolassar, pai de Nabucodonosor, declarou-se rei da cidade em 625 a.C. Essa dinastia durou até a queda de Babilônia em 539 a.C., quando os medos persas conquistaram a cidade (Jr 27.7; Dn 5.30, 31).

A localização geográfica da Babilônia é na Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque. A cidade veio a ser o centro irradiador da idolatria para outros povos. Os babilônios adoravam diversos deuses, que eram personificações da natureza, como Sin, o deus-sol de Ur e Harã; Ishtar, a deusa do amor e da guerra; e Enlil, o deus do vento e da terra. Bel era o nome de outra divindade, do acádico belo, “senhor”, equivalente a Baal, deus dos cananeus (Jr 2.8). Com o tempo, Bel veio a ser identificado como Marduque ou Merodaque, o patrono da cidade de Babilônia, que se tornou o deus principal no panteão babilônico (51.44; Is 46.1). Os versículos 12, 13 descrevem o cenário de devastação depois do julgamento divino, conforme anunciado nesses oráculos.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 36-37.

 

 

Nome

O termo acadiano babli, babUanl significa porta dos deuses. A palavra Babilônia era empregada para aludir à cidade que era capital da Babilônia. Ocupava o território que agora é o sul do Iraque. Por associação popular, o termo hebraico balai (confusão) (ver Gên. 11:9), foi ligado à Babilônia como o local onde houve essa confusão, causada pela impiedade. (Ver o artigo sobre a torre de Babel). Porém as duas palavras («porta dos deuses» e «confusão») não são a mesma coisa, exceto no conceito popular. Outros nomes da cidade que ora comentamos, nos textos babilónicos, são tin tir ki, «vida das árvores» ou «sede da vida», e e-ki, «lugar de canais». O termo «sesaque», que em algumas versões (mas não na nossa versão portuguesa), em Jer. 25:26 e 51:41, é considerado por alguns como um «atbash» (ver o artigo a respeito) que envolve o nome Babel, no qual «s» = «b», pode ser uma rara ocorrência do antigo nome da cidade, ses-ki.

Localização da cidade e do país; descrição.

A Babilônia ficava na terra de Sinear (ver Gên. 10:10), na região que agora fica no sul do Iraque, no sudoeste da Ásia. A cidade estava localizada às margens do rio Eufrates (ver Jer. 13:4,5,7 e 46:2,6). Um outro nome bíblico para ela era «a terra dos caldeus» (Jer. 24:5; Eze. 12:13). Na remota antiguidade, tinha o nome de Acade (ver Gên. 10:10). (Ver o artigo a respeito). O território posteriormente recebeu o nome de Caldéia, apelativo dado à região inteira, após o surgimento da dinastia caldaica (ver o artigo a respeito, e o quarto ponto do presente artigo). Assim, os babilônios também são qualificados como caldeus (ver Eze. 23:15,17,23). O país era regado pelos rios Tigre e Eufrates. A Bíblia localiza o jardim do Éden ali (ver Gên. 2:14), como também a torre de Babel, e a região para onde os judeus foram exilados (ver o cativeiro babilónico).

Descrição: De acordo com os modernos padrões de dimensão dos países, a Babilônia era pequena, pois tinha apenas cerca de 13.000 quilômetros quadrados. Era limitada ao norte pela Assíria (Samarra Jebel Hamrin. como fronteira); a leste pelas colinas da Pérsia (ver o artigo sobre Elão); a oeste pelo deserto da Arábia; e ao sul pelas praias do golfo Pérsico.

A cidade: A Babilônia estava localizada às margens do rio Eufrates (ver Jer. 13:4,5,7), chamado de «grande rio Eufrates», em Gên. 15:18. Era cercada por duas muralhas. A muralha externa teria sido construída por Belus e depois foi reparada por Nabucodonosor. A cidade tinha a forma de um quadrado. A extensão da circunferência das muralhas é dada com diferenças, pelos diversos autores, de 7.250 m a 9.650 m. Tinham entre 18 m a 21 m de altura. Eram suficientemente largas, no alto, para que um carro com quatro cavalos fizesse meia-volta em cima delas. Aquelas muralhas eram uma notável defesa para a época. Não obstante, aguardava-as a destruição (ver Jer. 51:58). A própria muralha seria derrubada, e a cidade seria arrasada.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. 11 ed. 2013. pag. 422.

 

 

BABILÔNIA, AT (Vm, acadiano bab-ilí, bãb- ilãni, “o portão de deus(es)”; grego BaphjXcòv). Capital da terra da Babilônia, no sul do Iraque, de onde a terra derivou seu nome.

Nome. A etimologia do nome Babel é dada como “confusão” (bãbal) (Gn 11.9), e por todo o AT a Babilônia é considerada o símbolo da confusão causada pela impiedade. O significado mais recorrente do nome era “portão de deus” (Babili). Não há evidência de que originalmente o nome não fosse semita. Raramente a partir de 2100 a.C., e com freqüência no período neo-babilônico a cidade era chamada de tin.tir.ki, “vida das madeiras”, possivelmente quando então cercada por bosques. Outro nome comum para a cidade era e.ki, “área do canal”, em virtude do papel-chave desempenhado pelo sistema local de irrigação. Sesak (Jr 25.26; 51.41 ARC, NVI, BJ) pode se referir a uma rara escrita ideográfica do nome Babilônia (ses.ki), embora em geral se assuma tratar-se de um criptograma (‘atbash; isto é, substituindo-se s=b etc.) como tradução do nome Babilônia.

Localização. A cidade da Babilônia encontra-se na terra de Sinar (Gn 10.10) e sua localização genérica na região da Babilônia nunca foi questionada. O local exato atualmente é marcado pelas ruínas de Bâbil, Qasr, ‘Amran ibn Ail, Merkes e Homera, bem como a aldeia moderna de Jumjummah, a cerca de 9,5 km a nordeste da cidade de Hillah e cerca de 80 km ao sul da moderna Bagdá. O rio Eufrates corre através das ruínas, que se estendem por vários quilômetros quadrados.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 656.

 

 

SINOPSE III

 

O versículo 10 dá uma pista a respeito da identidade do inimigo que vai causar todo o mal sobre Jerusalém: o rei Nabucodonosor.

 

 

CONCLUSÃO

 

Os julgamentos divinos na história mostram que o pecado jamais ficará impune e que a única maneira de escapar da condenação é através do arrependimento e da fé. Israel não tinha desculpa, não podia alegar ignorância, pois o povo dispunha de Moisés, do ensino dos antigos sábios, da revelação dos profetas e do conselho dos sacerdotes. O apelo dramático de Ezequiel é um exemplo clássico dessa verdade.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- O que indica a fórmula ”veio a palavra do Senhor a mim”?

E, qual a chancela de autoridade espiritual? ”Veio a palavra do Senhor a mim” era a fórmula dos profetas de Israel. E a chancela de autoridade espiritual é “Assim diz o Senhor Jeová”

 

2- Por que ninguém deve se surpreender com a intensidade do juízo anunciado?

Porque ele é compatível com a natureza divina (Na 1.3)

 

3- Quem Javé usou como chicote para açoitar Samaria e Jerusalém?

Samaria: o Rei da Assíria; Jerusalém: o rei da Babilônia.

 

4- Por que o furor de Javé se acendeu contra a Babilônia?

Porque o rei da Babilônia extrapolou os limites na aplicação dos castigos pois é compatível com a natureza divina (Na 1:3).

 

5- De onde vem o nome ”Babel” e qual o seu significado?

Vem da língua acádica, Bâb ili; que significa “portão de deus”; a Septuaginta usa a forma grega Babylôn, “Babilônia”

 

 

VOCABULÁRIO

 

Azorrague: Corda formada por várias correias presas num cabo ou pau; açoite.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

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