3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

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Texto Áureo

“Porque, na verdade, João batizou com água, mas vos sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.” (At 1.5)

Verdade Prática

Ser batizado no Espírito Santo é uma experiência espiritual perfeitamente distinta da nossa conversão, e para nós, essa é uma verdade apresentada nas Escrituras.

OBJETIVO GERAL

Conscientizar a respeito do Batismo no Espírito Santo como uma verdade revelada nas Escrituras.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo l refere-se ao tópico l com seus respectivos subtópicos.

Conceituar o Batismo no Espírito Santo;

Mostrar o propósito do Batismo no Espírito Santo;

Destacar o recebimento e a evidência do Batismo no Espírito Santo

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Lc 24.49 O batismo no Espírito Santo é um revestimento dado aos crentes

Terça – Jo 1.33 E o Senhor Jesus que batiza no Espírito Santo

Quarta – Mt 3.11 Há uma diferença inconfundível entre o batismo em águas e o batismo no Espírito Santo

Quinta – At 2.38,39 Uma promessa para todos os crentes em todas as épocas e em todos os lugares

Sexta – At 10.44-46 As línguas são os sinais físicos e iniciais do batismo no Espírito Santo

Sábado – 1 Co 13.8-10 A manifestação das línguas vai continuar até a vinda de Cristo

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1- Cumprindo-se o dia de Pentecoste, estavam todos reunidos num lugar.

2- e, de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados.

3- E foram vista por eles línguas repartidas, como de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.

4- E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhe concediam que falassem.

5- E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu.

6- E, correndo aquela voz, ajuntou-se uma multidão e estava confusa, porque cada um os ouvia falar em sua própria língua.

7- E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! Não são galileus todos estes homens que estão falando?

8- Como pois os ouvimos, cada um, em nossa própria língua em que somos nascidos?

9- Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia e Capadócia, e Ponto e Ásia,

10- e Frígia, e Panfília, Egito e partes da Líbia junto a Cirene, e forasteiros romanos (tanto judeus como prosélitos),

11- e cretenses, e árabes, todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.

12- E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: “Que quer isto dizer? “

13- E outros, zombando, diziam: “Estão cheios de mosto”.

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HINOS SUGERIDOS: 24, 155, 387 da Harpa Cristã

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

O Batismo no Espírito Santo é uma experiência distinta da salvação. Ele reflete a busca por uma aproximação mais pessoal do crente com Deus. Por isso, e de modo geral, o movimento pentecostal tem a vocação de fazer oposição contra uma formalidade intelectual da vida cristã.

A maravilhosa experiência do Espirito capacita o crente a ser eficaz no testemunho do Evangelho ao mundo, e não por refinamento formal e intelectual, embora este possa ter um importante papel desde que esteja sob o domínio do Espírito.

Quando a Palavra de Deus é proclamada sob o poder do Espírito, sua veracidade é confirmada. Assim, é o Espírito que confirma a Palavra, não o formalismo intelectual e os padrões humanos de convencimento. Portanto, é preciso desejar essa experiência, comunicá-la e estimulá-la entre os alunos. Uma vida sob a virtude do Espírito é a vontade de Deus para a eficácia da evangelização.

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INTRODUÇÃO

O pentecostalismo é uma reação contra uma estrutura formal e exageradamente intelectualizada do comportamento cristão. Estudar as escrituras não precisa ser sinônimo de formalismo. O propósito fundamental do batizar do Espírito Santo é a busca de uma aproximação de um Deus pessoal e real.

Comentário

Temos aqui a narrativa da vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus. Observe:

I Quando e onde ocorreu a vinda do Espírito Santo, pois são detalhes particularmente notáveis para a maior certeza das coisas.

1. A vinda do Espírito Santo sobre os discípulos de Jesus ocorreu quando o dia de Pentecostes se cumpriu.

Esta é referência à maneira de falar sobre a instituição desta festa: Sete semanas inteiras serão (Lv 23.15), contando-se do dia da oferta das primícias, que era o dia logo após a Páscoa, o décimo sexto dia do mês de abibe, o dia em que Jesus ressuscitou. Cumprindo-se esse dia, ou seja, havia passado completamente a noite precedente e uma parte do dia.

(1) O Espírito Santo desceu na hora de uma festa solene, porque havia uma grande multidão em Jerusalém proveniente de todas as regiões da nação e prosélitos de outros países. Essas pessoas tornariam a festa mais pública e espalhariam sua fama mais cedo e mais rápido, contribuindo muito para a propagação do evangelho em todas as nações. Como se deu na Páscoa e se dá hoje, as festas judaicas serviram para divulgar os cultos e as festividades do evangelho.

(2) Esta festa de Pentecostes era feita em memória do recebimento da lei no monte Sinai, de onde datamos a incorporação da igreja judaica. O Dr. Lightfoot entende que foram mil e quatrocentos e quarenta e sete anos antes deste Pentecostes. Era pertinente, pois, que o Espírito Santo fosse dado nessa festa, em fogo e em línguas, para a promulgação da lei evangélica, não para uma nação, mas para toda criatura.

(3) Esta festa de Pentecostes ocorreu no primeiro dia da semana (Jo 20.1,19), mais uma referência ao valor desse dia. E outra confirmação de ser ele o sábado cristão (este é o dia que fez o Senhor, SI 118.24).

O domingo é um memorial permanente na igreja destas duas grandes bênçãos: a ressurreição de Jesus e o derramamento do Espírito, ambas ocorridas nesse dia da semana. Isso serve para justificar nossa observância desse dia sob o nome oficial e título honorífico de o dia do Senhor (Ap 1.10), fazendo-nos ainda vivenciar a santificação desse dia em louvores a Deus particularmente por duas grandes bênçãos. Na minha opinião, a cada dia do Senhor, durante o ano, devemos mencionar de modo pleno e específico, em nossas orações e louvores, estas duas bênçãos. E o que fazem algumas comunidades ao mencionarem a ressurreição de Jesus no dia da Páscoa e o derramamento do Espírito cm pequena dose aos domingos. Quando o fizermos, que o seja com sentimento apropriado!

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 12.

O livro de Atos contém mais de 70 referências ao Espírito Santo. Uma vez que ele registra a vinda do Espírito e dá exemplos dos derramamentos do Espírito sobre as pessoas, é natural nos voltarmos para esse livro em busca de uma terminologia específica para o batismo no Espírito.

 As seguintes expressões são utilizadas de forma intercambiada:

Batizado no Espírito (1.5; 11.16). Como uma metáfora, o ponto de correspondência é que isso é uma imersão no Espírito. Um escritor, entre outros, interpreta esse batismo à luz da metáfora do “derramar”, dizendo que não significa imersão num líquido, mas, sim, um “dilúvio” ou ser “aspergido com um líquido que é derramado de cima”. Ele aplica essa metáfora ao batismo em águas, optando pela “aspersão” como um modo para o batismo em águas. Sua metodologia é questionável. Não se pode tentar explicar uma metáfora utilizando outra metáfora, muito menos aplicando os resultados a outra coisa (batismo em águas).

Anthony de Palma. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo. Editora CPAD. pag.17-18.

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PONTO CENTRAL:

O batismo no Espírito Santo é uma verdade revelada nas escrituras.

I – O QUE SIGNIFICA ”BATISMO NO ESPIRITO SANTO”?

O Novo Testamento nos ensina que a salvação é uma coisa e o batismo no Espírito é outra. São duas bênçãos espirituais distintas concedidas por Deus em Cristo.

1. O fenômeno do Pentecoste (vv.2-4).

João Batista anuncia que Jesus é o que batiza no Espírito Santo (Mt 3.11; Mc 1.8; Lc3.16; Jo 1.33). Nesse sentido, batizado no Espírito Santo é identificado como receber poder do alto e a ”promessa do meu Pai” (Lc 24.49). Os discípulos deveriam esperar o seu cumprimento em Jerusalém (At 1.4-5). Não há dúvida de que a descida do Espírito no dia do Pentecostes é uma referência esse batismo (vv.2-4).

Chegamos a essa conclusão também pela explicação do apóstolo Pedro aos demais apóstolos (At 11.15-16). Isso reforça a ideia de que ”Cheios do Espírito Santo” no presente ter contexto se refere a ser ”batizado no Espírito Santo”, mas em outras partes do novo testamento indica uma vida na plenitude e no fervor do Espírito (At 4.8-31; 7.55; 13.52; Ef 5.18)

Comentário

Este é um sinal visível do dom que os discípulos receberam. Eles viram línguas repartidas, como que de fogo (v. 3), as quais pousaram – ekhatise. Não foram as línguas repartidas que pousaram, mas Ele, o Espírito (assim significado), que pousou sobre cada um deles, como ocorreu com os profetas de antigamente.

Ou conforme a descrição do Dr. Hammond: “Houve o surgimento de algo parecido com a luz de fogo em chamas sobre cada um deles, que se dividiu e, assim, assumiu a semelhança de línguas divididas ou repartidas próximo das suas cabeças”. A chama de uma vela é algo semelhante a uma língua. Existe um meteoro que os naturalistas chamam ignis lambens – uma chama suave, não um fogo voraz, como fora este.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 13.

A descida do Espírito Santo (2.1-4)

Cristo subiu, e o Espírito Santo desceu. O Cristo ressurreto ascendeu aos céus e enviou o Espírito a fim de habitar para sempre com a igreja.

Destacamos aqui alguns pontos importantes.

Em primeiro lugar, o significado do Pentecostes (2.1a).

Ao cumprir-se o dia de Pentecostes… A palavra pentecoste significa o quinquagésimo dia. Pentecostes era a festa que acontecia cinquenta dias após o sábado da semana da Páscoa (Lv 23.15,16), portanto era o primeiro dia da semana. E também chamado de Festa das Semanas (Dt 16.10), Festa da Colheita (Êx 23.16) e Festa das Primícias (Nm 28.26). Cristo ressuscitou como as primícias dos que dormem e durante quarenta dias deu provas incontestáveis de sua ressurreição com várias aparições a seus discípulos.

Dez dias após sua ascensão, o Espírito Santo foi derramado no Pentecostes. John Wesley afirma que, no Pentecostes do Sinai no Antigo Testamento e no Pentecostes de Jerusalém no Novo Testamento aconteceram duas grandes manifestações de Deus, a legal e a evangélica; uma da montanha e a outra do céu; a primeira terrível, e a segunda, misericordiosa.

Em segundo lugar, a espera do Pentecostes (2.1b).

 … estavam todos reunidos no mesmo lugar. Os 120 discípulos estavam congregados no cenáculo em unânime e perseverante oração, quando, de repente, o Espírito Santo foi derramado sobre eles. Estribados na promessa do Pai anunciada por Jesus, havia no coração deles a expectativa do revestimento de poder. Todos estavam no mesmo lugar, com o mesmo propósito, buscando o mesmo revestimento do Espírito.

Em terceiro lugar, o derramamento do Espírito no Pentecostes (2.2-4).

O historiador Lucas registra a descida do Espírito com as seguintes palavras:

De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem (2.2-4)

O derramamento do Espírito Santo foi um fenômeno celestial. Não foi algo produzido, ensaiado, fabricado.

Aconteceu algo verdadeiramente do céu. Foi incontestável e irresistível. Foi soberano, ninguém pôde produzi-lo. Foi eficaz, ninguém pôde desfazer os seus resultados. Foi definitivo, ele veio para ficar para sempre com a igreja. Aquilo que aqui se denomina ficar cheio, também é chamado de batismo (1.5; 11.16), derramamento (2.17,18; 10.45) e recebimento (10.47).69 William MacDonald diz que a vinda do Espírito envolveu um som para ouvir, um cenário para ver e um milagre para experimentar. O versículo 1 informa-nos que todos estavam reunidos no mesmo lugar.

O termo todos, que aparece mais uma vez no versículo 4, deve ser entendido no sentido de que não só os doze estão presentes, mas também as mulheres e os outros discípulos mencionados em 1.13-15. Foi sobre todos esses, e não só sobre os doze, que o Espírito desceu.

Três fatos nos chamam a atenção.

Primeiro, o derramamento do Espírito veio como um som (2.2). Não foi barulho, algazarra, falta de ordem, histeria, mas um som do céu. A palavra grega echos, usada aqui, é a mesma usada em Lucas 21.25 para descrever o estrondo do mar. O derramamento do Espírito foi um acontecimento audível, verificável, público, reverberando sua influência na sociedade. Esse impacto atraiu grande multidão para ouvir a Palavra.

Segundo, o derramamento do Espírito veio como um vento (2.2). O vento é símbolo do Espírito Santo (Ez 37.9,14; Jo 3.8). O Espírito veio em forma de vento para mostrar sua soberania, liberdade e inescrutabilidade. Assim como o vento é livre, o Espírito sopra onde quer, da forma que quer, em quem quer. O Espírito sopra onde jamais sopraríamos e deixa de soprar onde gostaríamos que ele soprasse.

Como o vento, o Espírito é soberano; ele sopra irresistivelmente.

O chamado de Deus é irresistível, e sua graça é eficaz. O Espírito sopra no templo, na rua, no hospital, no campo, na cidade, nos ermos da terra e nos antros do pecado.

Quando ele sopra, ninguém pode detê-lo. Os homens podem até medir a velocidade do vento, mas não podem mudar o seu curso. Como o vento, o Espírito também é misterioso; ninguém sabe donde vem nem para onde vai.

Seu curso é livre e soberano. Deus não se submete à agenda dos homens nem se deixa domesticar.

Terceiro, o derramamento do Espírito veio em línguas como de fogo (2.3). O fogo também é símbolo do Espírito Santo. Deus se manifestou a Moisés na sarça em que o fogo ardia e não se consumia (Ex 3.2). Quando Salomão consagrou o templo ao Senhor, desceu fogo do céu (2Cr 7.1). No Carmelo, Elias orou, e fogo desceu (lR s 18.38,39). Deus é fogo. Sua Palavra é fogo. Ele faz dos seus ministros labaredas de fogo. Jesus batiza com fogo, e o Espírito desceu em línguas como de fogo.

O fogo ilumina, purifica, aquece e alastra. Jesus veio para lançar fogo sobre a terra. Hoje, muitas vezes, a igreja está fria. Parece mais uma geladeira a conservar intacto seu religiosismo do que uma fogueira a inflamar corações. Muitos crentes parecem mais uma barra de gelo do que uma labareda de fogo. Certa feita alguém perguntou a Dwight Moody: “Como podemos experimentar um reavivamento na igreja?”. O grande avivalista respondeu: “Acenda uma fogueira no púlpito”. Quando gravetos secos pegam fogo, até lenha verde começa a arder.

John Wesley disse: “Ponha fogo no seu sermão, ou ponha o seu sermão no fogo”.

Matthew Henry diz que o fogo foi dado como sinal de cumprimento da predição de João Batista relativa a Jesus: Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11), ou seja, com o Espírito Santo, como fogo.

Os discípulos estavam na Festa de Pentecostes celebrando o recebimento da lei no monte Sinai. A lei foi dada em fogo, por isso foi chamada “lei de fogo” como o evangelho é chamado “evangelho de fogo”. A missão de Ezequiel foi confirmada por uma visão de brasas de fogo ardente (Ez 1.13), e a de Isaías, por uma visão de brasa viva que lhe tocou os lábios (Is 6.6,7). O Espírito, como o fogo, derrete o coração, separa e queima a escória, e acende sentimentos santos e devotos na alma. É na alma, como o fogo que está sobre o altar, que são oferecidos os sacrifícios espirituais. Este é o fogo que Jesus veio lançar na terra (Lc 12.49).

Quarto, o derramamento do Espírito traz uma experiência pessoal de enchimento do Espírito Santo (2.4). Aqueles discípulos já eram salvos. Por três vezes Jesus havia deixado isso claro (Jo 13.10; 15.3; 17.12). De acordo com a teologia de Paulo, se eles já eram já salvos, já tinham o Espírito Santo, pois o apóstolo escreveu: […] Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele (Rm 8.9). Jesus disse: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino (Jo 3.5).

Além de já terem o Espírito Santo, após sua ressurreição Jesus ainda soprou sobre eles o Espírito Santo, e disse: […] Recebei o Espírito Santo (Jo 20.22). Mas a despeito de serem regenerados pelo Espírito e de receberem o sopro do Espírito, eles ainda não estavam cheios do Espírito. Uma coisa é ter o Espírito Santo, outra é o Espírito Santo ter alguém. Uma coisa é ser habitado pelo Espírito, outra é ser cheio dele. Uma coisa é ter o Espírito presente, outra é tê-lo como presidente.

Você, que tem o Espírito, está cheio do Espírito?

A experiência da plenitude é pessoal (At 2.3,4). O Espírito desce sobre cada um individualmente. Cada um vive sua própria experiência. Ninguém precisa pedir, como as virgens néscias, azeite emprestado. Todos ficaram cheios do Espírito. Concordo com Matthew Henry quando diz: “Para mim está claro que não só os doze apóstolos, mas todos os 120 discípulos foram igualmente cheios do Espírito Santo nessa ocasião”. Logo que eles ficaram cheios do Espírito, começaram a falar as grandezas de Deus (2.11). Sempre que alguém ficou cheio do Espírito no livro de Atos começou a pregar (At 1.8; 2.4,11,14,41; 4.8,29-31; 6.5,8-10; 9.17-22). A plenitude do Espírito nos dá poder para pregar com autoridade. Certa feita, David Hume, o patrono dos agnósticos, foi visto correndo pelas ruas de Londres. Alguém o abordou: “Para onde você vai, com tanta pressa?” . O filósofo respondeu: “Vou ver George Whitefield pregar”. O questionador lhe perguntou, espantado: “Mas você não acredita no que ele prega, acredita?”. Hume respondeu: “Eu não acredito, mas ele acredita!”. Um crente cheio do Espírito prega a Palavra com poder e autoridade.

Matthew Henry diz que eles foram cheios com a graça do Espírito e ficaram, mais do que nunca, sob a sua influência santificadora. Agora, eles eram santos, espirituais, menos apegados a este mundo e mais familiarizados uns com os outros. Ficaram mais cheios do consolo do Espírito, alegraram-se mais no amor de Jesus e na esperança celestial, e, nisso, todas as suas aflições e medos foram absorvidos.

Eles também foram, como prova disso, enchidos com os dons do Espírito Santo, que é o propósito específico do evento narrado neste texto.

LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 50-55.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

2. Duas bênçãos distintos.

Quem Nasceu de novo tem o Espírito Santo (Jo 3.5-8). Essa verdade é ensinada por clareza no Novo Testamento. O Espírito habita em todos os crentes em Jesus, sejam eles Pentecostais ou não (1Co 3.16; 6.19). Quem não tem o espírito não é cristão (Rm 8.9). Sabemos que a experiência de ser batizado no Espírito Santo é distinta da experiência da conversão porque os discípulos já tinham a vida eterna e o Espírito mesmo antes do dia de Pentecoste (Lc 10.20; Jo 20.22).

Todos os presentes No cenáculo por ocasião da descida do Espírito eram crentes, e isso confirma a nossa doutrina Pentecostal de que a benção de ser batizado no Espírito Santo é distinta da conversão (At 8.12-17; 9.17; 19.2-6).

Comentário

I Paulo catequizou esses poucos discípulos efésios.

Ele ficou sabendo, provavelmente por Áquila e Priscila, que eram crentes, tinham aceitado Jesus e entregado a Ele os seus nomes. Agora o apóstolo os submete a um exame.

1. Esses discípulos creram no Filho de Deus, mas Paulo pergunta se eles haviam recebido o Espírito Santo (v. 2), se haviam crido no Espírito, cuja operação na mente dos homens, para convicção, conversão e consolação, foi revelada algum tempo depois da doutrina de Jesus ser o Cristo, se conheciam e tinham aceitado esta revelação.

E isso não era tudo. Depois da ascensão de Jesus, os apóstolos e outros discípulos receberam dons extraordinários do Espírito Santo, e esses recebimentos eram repetidos ocasionalmente. Tinham eles participado desses dons? “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes ? (v. 2). Vós já recebestes em vós mesmos o selo da verdade da doutrina de Cristo?”

Hoje, não devemos esperar tais dons extraordinários como tiveram então. O cânon do Novo Testamento foi encerrado e ratificado há muito tempo, e dependemos dele como a mais segura palavra de profecia. Mas há o penhor do Espírito dado a todos os crentes, que é para eles o antegozo (2 Co 1.22; 5.5; Ef 1.13,14). Agora cabe a todos nós que professamos a fé cristã avaliar seriamente se recebemos ou não o Espírito Santo.

O Espírito Santo é prometido a todos os crentes e é para todos os que o buscam (Lc 11.13). Muitos são enganados neste assunto, pensando que receberam o Espírito Santo quando na verdade não foi o que aconteceu. Assim como há pretendentes aos dons do Espírito Santo, assim há às suas graças e consolações. Devemos nos examinar com rigor: Recebemos o Espírito Santo quando cremos?

A árvore se conhece pelos frutos que dá. Estamos produzimos os frutos do Espírito? Estamos sendo guiados pelo Espírito? Estamos andando no Espírito? Estamos sob o governo do Espírito?

2. Esses discípulos admitiram sua ignorância nesse assunto: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo (v. 2). Essa informação nos é desconhecida. Pelas Escrituras do Antigo Testamento, sabemos – e não duvidamos – que há a promessa do Espírito Santo, e que essa promessa se cumprirá em seu devido tempo.

Mas, por tanto tempo, estivemos fora do fluxo de informações sobre essa questão que não ficamos sabendo se o Espírito Santo já foi dado como espírito de profecia”. Eles sabiam (como observa o Dr. Lightfoot) que, de acordo com a tradição da nação judaica, depois da morte de Esdras, Ageu, Zacarias e Malaquias, o Espírito Santo partira de Israel, subira ao céu e, depois, nunca mais ouviram falar que Ele voltara. Pelo modo como falavam, percebe-se que o esperavam, tentavam imaginar por que não ouviram falar da sua volta e estavam prontos a receber essa nova bênção.

A luz do evangelho, como a luz da aurora, foi brilhando mais e mais, gradualmente (Pv 4.18). A descoberta de verdades ainda não ouvidas iluminou mais e desencadeou mais informações a pessoas que nunca haviam ouvido falar sobre isso.

3. Paulo investigou como esses discípulos foram batizados, se eles nem tinham ouvido falar sobre o Espírito Santo. Se eles tivessem sido batizados pelos ministros de Cristo, teriam sido informados a respeito do Espírito Santo e batizados em seu nome. “Vós não sabeis que Jesus, sendo glorificado, por conseguinte o Espírito Santo foi dado? Em que sois batizados, então? (v. 3).

Isso é estranho e fora do comum. O quê? Vós sois batizados e ainda não sabeis nada sobre o Espírito Santol Se vós ainda não sabeis nada sobre o Espírito Santo, o vosso batismo certamente foi nulo, pois o significado e o selo da lavagem da regeneração é o recebimento do Espírito Santo.

Desconhecer o Espírito Santo é tão incompatível com a confissão sincera do cristianismo quanto é desconhecer Jesus Cristo”. Aplicando essa verdade a nós, dá a entender que todo aquele que não recebeu e se submeteu ao Espírito Santo foi batizado inutilmente e recebeu a graça de Deus em vão. Essa também é uma avaliação que devemos fazer frequentemente, não só para a honra de quem nos deu vida nova, mas para o serviço daquele que nos batizou, para que saibamos que resposta dar ao propósito de nosso nascimento e de nosso batismo.

4. Esses discípulos confessam que foram batizados no batismo de João – eis to Ioannou baptismo, (v. 3), ou seja, como entendo, eles foram batizados no nome de João e não pelo próprio João (ele estava muito longe de tal pensamento), mas por alguns dos seus discípulos fracos e bem-intencionados. Eles, inadvertidamente, mantiveram o nome de João como líder de um partido, retendo o espírito e a noção de outros discípulos que ficaram com ciúme do aumento do interesse das pessoas por Jesus Cristo e apresentaram a João queixa disso (Jo 3.26).

Um ou mais destes discípulos, que foram muito edificados pelo batismo de João de arrependimento, para o perdão dos pecados (Lc 3.3), não pensando que o Reino dos Céus do qual ele falara se encontrar próximo estava mesmo tão comprovadamente próximo, promulgaram aquela noção, se acomodaram ao que já possuíam e consideraram que não havia nada melhor que persuadir outros a fazer também o mesmo. Assim, por ignorância, num zelo cego pela doutrina de João, eles batizaram, aqui e ali, um ou outro em nome de João, ou, como foi narrado aqui, no batismo de João, não olhando além de si mesmos, nem dando mais nenhuma orientação aos que eles batizavam.

5. Paulo explica a esses discípulos a verdadeira intenção e significado do batismo de João, aplicando-o principalmente a Jesus Cristo. Dessa forma, ele corrige o erro das pessoas que os batizaram no batismo de João e que não os orientaram a procurar mais nada, senão a se acomodarem com isso.

Esses que foram deixados na ignorância ou conduzidos ao erro por ineficiência da educação que tiveram não devem ser desprezados nem rejeitados pelos que são mais bem informados e ortodoxos, mas devem ser compassivamente instruídos e mais bem ensinados, como tais discípulos foram por Paulo.

(1) O apóstolo reconhece que o batismo de João foi uma coisa muito boa enquanto vigorou: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento (v. 4). Por meio desse batismo, ele exigiu que as pessoas se arrependessem dos seus muitos pecados, os confessassem e deles se convertessem. E levar alguém até esse ponto é alcançar grande vitória.

Mas: (2) O apóstolo mostra para esses discípulos que o batismo de João tinha referência mais ampla. João nunca designou que as pessoas que batizava deveriam se acomodar a esse nível, pois – explica Paulo – ele disse ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo (v. 4), que o batismo de arrependimento tinha o desígnio único de preparar o caminho do Senhor e dispor as pessoas a receber alegremente Jesus Cristo, sobre quem ele pôs grandes expectativas e a quem se dirigiu: Eis o Cordeiro de Deus (Jo 1.39).

“João foi um grande e bom homem, mas ele foi apenas o arauto – Jesus Cristo é o Príncipe. O batismo de João foi a varanda para vós passardes, não a casa para vós repousardes.

Portanto, foi totalmente errado vós serdes batizados no batismo de João.”

6. Quando Paulo mostrou a esses discípulos o erro em que estavam, eles aceitaram de bom grado a nova revelação e foram batizados em nome do Senhor Jesus (v. 5). Quanto a Apoio, de quem se disse que conhecia somente o batismo de João (cap. 18.25), ele entendeu corretamente o significado desse rito quando batizado, embora conhecesse somente esse batismo.

Contudo, quando compreendeu mais pontualmente o caminho do Senhor (cap. 18.26), ele não foi batizado de novo, assim como os primeiros discípulos de Jesus, que foram batizados com o batismo de João e sabiam que isso se referia à proximidade da vinda do Messias (e, tendo isso em vista, se submeteram ao rito), não foram batizados de novo.

Mas para estes discípulos que foram batizados tendo em vista João e nada mais, como se ele fosse o salvador deles, isso consistia num erro fundamental e tão fatal quanto houvessem sido batizados em nome de Paulo (1 Co 1.13). Logo, quando vieram a entender melhor as coisas, eles desejaram e foram batizados em nome do Senhor Jesus, não pelo próprio Paulo, como temos razão para pensar, mas por alguns dos que o auxiliavam.

Conclui-se, então, que não havia uma correspondência entre o batismo de João e o batismo de Jesus, ou que, em essência, eles não eram o mesmo. Muito menos se conclui que os que foram batizados em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (que é a forma designada do batismo de Jesus, Mt 28.19), possam ser batizados de novo no mesmo nome, pois os que foram batizados em nome do Senhor Jesus nunca tinha sido batizados dessa maneira anteriormente.

II Como Paulo conferiu os dons extraordinários do Espírito Santo a esses discípulos efésios (v. 6).

1. Paulo orou solenemente para que Deus desse a esses discípulos esses dons. É o que significa a expressão impondo-lhes Paulo as mãos (v. 6), um gesto que os patriarcas usavam para abençoar e sobretudo para transmitir a grande custódia da promessa, como em Génesis 48.14. Sendo o Espírito a grande promessa do Novo Testamento, os apóstolos o transmitiam pela imposição de mãos: “O Senhor te abençoe com aquela bênção, a bênção das bênçãos” (Is 44.3).

2. Deus concedeu a bênção pela qual Paulo orou: Veio sobre eles o Espírito Santo (v. 6) de maneira inesperada e poderosa, e eles falavam línguas e profetizavam como falaram os apóstolos e os primeiros convertidos gentios (cap. 10.44). Este fato servia de introdução do evangelho em Éfeso e incutia na mente das pessoas a expectativa de grandes coisas que viriam.

Alguns estudiosos pensam que o propósito era qualificar estes doze homens para a obra do ministério e que esses doze foram os anciãos de Éfeso, a quem Paulo entregou o cuidado e governo daquela igreja. Eles receberam o Espírito de profecia para que pudessem entender os mistérios do Reino de Deus e então receberam o dom de línguas para que pregassem a toda nação e língua. Que mudança maravilhosa ocorreu de repente nestes homens!

Ainda há pouco eles nem mesmo tinham ouvido que houvesse o Espírito Santo; mas agora estão cheios do Espírito Santo, pois o Espírito, como o vento, assopra onde quer e quando quer (Jo 3.8).

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 207-208.

Depois que Apoio partiu de Éfeso, Paulo chegou, tendo passado por — tendo feito uma viagem missionária através (cf. 13.6) — todas as regiões superiores. A palavra grega para “superior” não foi encontrada em outros lugares, exceto nos livros médicos (onde é usada para a parte superior do corpo), como admitem Lake e Cadbury. Regiões superiores quer dizer “interior” do ponto de vista de Éfeso. Paulo simplesmente veio por terra e, chegando a Éfeso, encontrou alguns discípulos (1).

A identidade destes discípulos é uma das questões mais discutidas do estudo de Atos. A opinião antiga prevalecente, começando com Crisóstomo (séc. IV), dizia que eram discípulos de João Batista. Esta ideia foi expressa por Adam Clarke nos seguintes termos: “É provável que fossem judeus asiáticos que, tendo estado em Jerusalém cerca de 26 anos antes, haviam ouvido as pregações de João e tinham recebido o batismo, acreditando na vinda de Cristo, que João anunciara.

Mas parece que até essa ocasião eles não tinham recebido mais nenhum outro ensino sobre a religião cristã”. Ele também diz: “Aqueles que não receberam estas bênçãos do Espírito Santo, qualquer que seja a sua profissão, não conhecem nada melhor que o batismo de João: este batismo é bom, excelente em seu gênero, mas ineficaz para a salvação daqueles que vivem sob o meridiano do cristianismo”.

Diante desta opinião, podemos colocar a interpretação de Alexander: “Alguns (i.e., uns poucos) discípulos, não de Apoio ou de João Batista, mas de Cristo, como é sempre o significado dessa palavra quando usada absolutamente… e assim fica subentendido pela maneira como foi tratada por Paulo”. Da mesma forma, Lake e Cadbury falam sobre os discípulos: “Isto quer dizer cristãos, tanto pelo uso de mathetas em Atos como pelo contexto”. Bruce repete esta opinião e acrescenta um ponto, ao comentar: “Provavelmente, as palavras ‘discípulos de Cristo’, de acordo com o significado de mathetes em outras passagens, foram usadas de forma absoluta; eles haviam sido discípulos de João, portanto deveriam esperar que isto fosse afirmado explicitamente”.

A estes discípulos Paulo fez a seguinte pergunta: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? (2, ou “quando vos convertestes”)

 A tradução revisada mantém a primeira frase. Qual está correta? A frase literal grega diz “Recebestes [o] Espírito Santo tendo crido?” A pergunta é a seguinte: Será que o particípio aoristo “tendo acreditado” indica uma ação anterior, ou simultânea ao verbo principal? Os melhores gramáticos da língua grega estão de acordo ao afirmar que o particípio aoristo geralmente indica uma ação anterior. Mas em algumas passagens do NT, ele expressa, sem qualquer dúvida, uma ação simultânea, e a maioria dos estudiosos confirma que isto acontece neste caso.

Na verdade, o assunto está resolvido, não com base na gramática científica, mas na pressuposição teológica. Obviamente, em si mesma a pergunta de Paulo não pode ser usada como prova textual a favor ou contra a doutrina de ser cheio do Espírito Santo como uma segunda obra da graça, subsequente à conversão. Entretanto, toda esta passagem (1- 7) parece claramente semelhante à experiência dos discípulos no dia de Pentecostes.

A resposta desses “discípulos” foi: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo”. Esta é a tradução correta do grego. Mas em João 7.39, a mesma construção grega foi traduzida da seguinte forma: “O Espírito Santo ainda não fora dado”. Talvez, esta seja a melhor tradução aqui (cf. ASV — “Nem sequer ouvimos falar de que o Espírito Santo tenha sido dado”). Como já foi mencionado muitas vezes, João Batista falava sobre o Espírito Santo (Mt 3.11 e passagens paralelas).

Mas o que estes homens claramente não sabiam era que Ele havia sido enviado no Pentecostes. Parece que estes discípulos não tinham estado em contato com a igreja cristã, ou talvez tivessem deixado a Palestina antes do Pentecostes e ficado isolados dos seguidores de Jesus desde essa época.

Ainda resta alguma coisa a ser dita sobre a tradução literal incluída aqui (KJV, RSV, NEB, Phillips). Page insiste que “a única tradução possível do grego é: “Nós nunca ouvimos falar sobre a existência de um Espírito Santo”.

Bruce sugere uma solução que é fiel ao grego e, no entanto, abre caminho para a interpretação acima, quando escreve: “Provavelmente, a expressão pneuma hagion deva ser entendida aqui em um sentido especial, de o Espírito Santo ter sido enviado no Pentecostes sem uma manifestação exterior”.

Paulo manifestou sua surpresa perante a resposta deles, ao fazer uma segunda pergunta: Em que sois batizados, então? (3) Eles disseram: No batismo de João. Paulo explicou que o batismo de João era o batismo do arrependimento (4), mas que o próprio João Batista havia dito ao povo que cresse no que após ele havia de vir, i.e., em Jesus (Os manuscritos mais antigos omitem aqui a palavra Cristo).

E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus (5). Está claro que estes “discípulos” não haviam recebido o batismo cristão antes deste episódio.

Impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam — lit., “passaram a falar” — línguas e profetizavam. Como havia acontecido em Samaria (8.17), o Espírito Santo foi concedido através da imposição de mãos apostólicas. Em relação a passar a falar línguas, Adam Clarke escreve: “Eles receberam o miraculoso dom de falar diversas línguas, e nestas línguas ensinavam ao povo as grandes doutrinas da religião cristã, pois parece que este é o significado da palavra epropheteuon, profetizavam, como foi usada acima”.

A questão de falar em línguas tem sido um tema de discussão da igreja cristã nos tempos modernos. Ela é mencionada apenas três vezes em Atos, em conexão com o Pentecostes original (2.4), com o Pentecostes dos gentios (10.46), e com o Pentecostes efésio (19.6). Em cada uma destas ocasiões, a questão está relacionada com o recebimento do Espírito Santo. Por outro lado, nada é mencionado sobre falar em línguas quando os convertidos samaritanos receberam o Espírito (8.17).

O que deve ser enfatizado é que o relato sobre o Pentecostes original parece indicar claramente que os discípulos começaram a falar cerca de quinze línguas diferentes no dia de Pentecostes (2.5-11). Como Pedro estabeleceu uma relação muito próxima entre o que aconteceu no Pentecostes e o que aconteceu na casa de Cornélio (15.8-9), seria justo supor que os crentes cheios do Espírito Santo em Cesaréia também passaram a falar línguas inteligíveis. Como Adam Clarke indica (na citação acima), parece que isto também aconteceu em Éfeso.

Estes “discípulos” de Éfeso representam um bom exemplo de “Andar na Luz”: 1. Eles se arrependeram com a pregação de João Batista (3-4); 2. Foram batizados como cristãos sob o ministério de Paulo (5); 3. Foram cheios do Espírito Santo (6).

É nos versículos 5-6, e não na pergunta do versículo 2, que podemos encontrar a prova mais substancial relacionada às duas obras da graça. Aqui o quadro é claro e indiscutível, tal como no capítulo 8. Estes discípulos (2) foram batizados em nome do Senhor Jesus (5). Depois disto, impondo-lhes Paulo as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles (6). Aqui foram retratadas duas experiências distintas. Aqui existe a prova de que aqueles que creram e passaram a ter a fé cristã ainda precisam ser cheios do Espírito Santo como uma experiência subsequente.

Lucas diz que todos os que assim receberam o Espírito eram cerca de uns doze varões (7). Parece estranho que a palavra “cerca” tenha sido usada para um número tão pequeno de crentes. Alexander sugere uma boa explicação: “Ele pode ter tido a intenção de evitar a falsa impressão de que todos os irmãos em Éfeso… estavam neste estado infantil de ignorância e atraso. Assim, a palavra todos pode ser entendida como todos mencionados, ou pelo menos”.

Esta seção (1-7) pode ser apresentada sob o título da pergunta de Paulo: “Recebestes vós já o Espírito Santo?” 1. Uma minuciosa pergunta para todos os discípulos (1-2); 2. Uma preparação adequada (2-5); 3. Uma segunda bênção aos crentes (5-6). (A. F. Harper)

Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Atos. Editora CPAD. Vol. 7. pag. 350-352.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

3. Conceito teológico.

Ser batizado no Espírito Santo inicia o crente no serviço e não na salvação. Isso significa ser revestido do Poder do alto e diz respeito à capacitação dos crentes em Jesus para Estação do evangelho e edificação espiritual (Lc 24.49). Trata-se de uma experiência que ocorre após ou junto a regeneração (At 9.17; 10.44-48).

Todas as promessas sobre o batismo do Espírito Santo se cumprir integralmente no derramamento de Pentecostes e continuam até à atualidade. Cremos e ensinamos que tal experiência Deus disponibilizou para todos os crentes, homens e mulheres, jovens e idosos, escravos e livres (At 2.18) em todos os lugares em todas as épocas (At 2.38-29).

Comentário

A ajuda que eles teriam na pregação do Evangelho.

Esta missão para a qual eles são chamados aqui é uma vasta, uma incumbência muito grande e difícil, especialmente considerando a oposição que este serviço iria encontrar, e os sofrimentos que o acompanhariam. Se, portanto, eles perguntarem, “Para essas coisas, quem é idôneo?”, aqui está uma resposta pronta: “Eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder”, v. 49.

Aqui Ele garante que, em pouco tempo, o Espírito seria derramado sobre eles, em maiores quantidades do que nunca, e com isto eles receberiam todos aqueles dons e graças que eram necessários para que realizassem esta grande missão; e, portanto, eles devem permanecer em Jerusalém, e não sair para a missão, até que isto tenha acontecido.

[1] Aqueles que recebem o Espírito Santo são, desta maneira, revestidos de um poder do alto, um poder sobrenatural, um poder acima de qualquer poder que eles tenham, pessoalmente; este poder é do alto, e por isto, atrai a alma para as alturas, e a faz desejar as alturas.

[2] Os apóstolos de Cristo nunca poderiam ter plantado o seu Evangelho, e estabelecido o seu reino no mundo, como fizeram, se não tivessem sido revestidos com tal poder; e as suas realizações extraordinárias provam que havia uma excelência de poder, que os acompanhava.

[-3] Este poder do alto era a promessa do Pai, a grande promessa do Novo Testamento, assim como a vinda de Cristo foi a promessa do Antigo Testamento. E, se é promessa do Pai, podemos ter certeza de que é inviolável, e o valor daquilo que é prometido é inestimável.

[4] Cristo não abandonaria os seus discípulos até que fosse chegada a hora para o cumprimento desta promessa. A descida do Espírito ocorreu apenas dez dias depois da ascensão de Cristo.

[5] Os embaixadores de Cristo devem permanecer no local designado até que tenham recebido seu poder, e não devem aventurar-se na sua missão até que tenham recebido instruções e credenciais completas.

Embora possamos pensar que nunca houve tanta pressa para a pregação do Evangelho como agora, ainda assim os pregadores devem aguardar até que sejam revestidos com o poder do alto. Eles deveriam permanecer em Jerusalém – mesmo sendo um local perigoso – porque era ali que receberiam a gloriosa promessa do Pai, Joel 2.28.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 740.

Esta tarefa de ser testemunha não deveria ser executada com os esforços dos próprios discípulos. Obviamente, estes seguidores, escondidos por trás de portas trancadas com medo dos judeus ali mesmo em Jerusalém, dificilmente pareceriam o tipo de pessoas que poderiam levar a mensagem por todo o mundo.

Mas Jesus não estava esperando que eles o fizessem por sua própria conta – Ele iria enviar o que seu Pai tinha prometido – o Espírito Santo (Jo 14.15-27; 16.5-15). Jesus lhes disse que ficassem na cidade de Jerusalém até que fossem revestidos do poder do alto. Jesus lhes prometeu o poder (o Espírito Santo em cada um deles) que os capacitaria a serem testemunhas (At 1.8). Depois da sua exaltação e da sua ascensão, o poder lhes seria dado (At 2.1-4).

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 476.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

SÍNTESE DO TÓPICO I

O batismo no Espírito Santo é um revestimento de poder que diz respeito à capacitação do crente para pregar o evangelho e edificar a igreja

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Muitos têm dúvidas quanto à natureza do batismo no espírito. Há os que a confundem com a salvação. Você pode aproveitar essa oportunidade para desfazer essa confusão, perguntando a respeito dessa questão.

Ao expor o primeiro tópico, explicando o que o batismo do Espírito Santo não é salvação, pois ele diz respeito a experiência de poder para o serviço; enquanto a salvação é uma experiência de regeneração e justificação do pecador.

Todos que foram regenerados, justificados, ou seja, salvos pela graça de Deus, podem receber o batismo no Espírito Santo. Essa experiência a profunda Mas a nossa comunhão com Deus, potencializa o nosso serviço no reino e permite caminhar em fervor na vida cristã. Assim, atue em favor de que a sua classe não foi fundada batismo no espírito santo Com salvação, pois são experiências distintas na vida do crente.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

II – O PROPÓSITO NO BATISMO NO ESPIRITO

Considerando que ser batizado no Espírito Santo não é salvação, e ambas as experiências são coisas distintas, como verdade Pentecostal fundamentadas de maneira robusta no Novo Testamento, então, é necessário saber qual o propósito desse batismo.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

1 – Finalidade.

O propósito Central é a capacitação do Espírito para o serviço Divino como: a) o poder para uma vida são tem serviço eficaz; b) a pureza ou Santificação simbolizada pelas línguas de Fogo (Mt 3.11; At 15. 8-9); c) o revestimento pleno do Poder de Deus, ”todos foram Cheios do Espírito Santo”; d) a proclamação ou o testemunho de Cristo (At 1.8) concedido de várias formas pelo Espírito: ”segundo o Espírito Santo lhe concedia que falassem”.

Comentário

Que o poder que os discípulos receberão para a execução deste trabalho será suficiente. Eles não tinham força própria, nem sabedoria ou coragem suficiente.

Eles faziam parte inata das coisas loucas e tolas deste mundo (1 Co 1.27). Eles não possuíam a petulância de comparecer como testemunhas de Cristo em seu julgamento, nem agora seriam capazes disso. “Mas vós recebereis o poder do Espírito Santo que vem sobre vós” (assim pode ser lido), “e vós sereis incentivados e movidos por um espírito melhor do que o vosso próprio.

Vós tereis poder para pregar o evangelho e prová-lo pelas Escrituras do Antigo Testamento” (o que, depois que foram cheios do Espírito Santo, cap. 2.4, admiravelmente fizeram, cap. 18.28) “e confirmá-lo com milagres e sofrimentos.” Veja que as testemunhas de Jesus receberão poder para o trabalho para o qual Ele as chama.

Aqueles a quem Ele emprega no seu serviço, os capacita e os confirma nesse empreendimento. Que a influência que os discípulos exercerão será grande e muito extensa: “Vós sereis testemunhas de Jesus, e promovereis a sua causa” . (1) “Vós começareis em Jerusalém, e muitos receberão o vosso testemunho.

Aqueles que não o aceitarem ficarão indesculpáveis.”

(2) “Com isso, a luz que vós tendes brilhará em toda a Judéia, onde outrora vós labutastes em vão.”

(3) “Em seguida, vós passareis para Samaria, ainda que em vossa primeira missão vós tivésseis sido proibidos de pregar em cidades samaritanas.”

(4) “Vossa utilidade alcançará até aos confins da terra, e vós sereis bênçãos para o mundo todo.”

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 7.

Vida Correta

O batismo no Espírito não pode ser separado de suas implicações no que se refere a uma vida dentro dos padrões de justiça. Ele é, afinal de contas, uma imersão naquEle que é chamado Espírito Santo. A ênfase do livro de Atos é na evangelização do Império Romano pelo poder do Espírito, mas isso não elimina a obra do Espírito na vida pessoal do crente, o que simplesmente não é uma ênfase em Atos. Alguém que é realmente cheio de dominado pelo Espírito Santo não viverá uma vida incorreta. Os pentecostais precisam estar cuidadosos para não enfatizar o batismo no Espírito apenas como o falar em línguas e a evangelização mundial. Fazer isso é excluir ou restringir a obra do Espírito em outros aspectos da vida de um crente.

Um problema básico com alguns dos crentes de Corinto era que eles continuavam a falar em línguas (cuja autenticidade Paulo não questionou) sem permitir ao Espírito agir internamente em suas vidas. O artigo 7 da “Declaração de Verdades Fundamentais” da Assembleia de Deus dos Estados Unidos atesta que, em parte, com o batismo no Espírito Santo, “vem a capacitação com poder para a vida e o serviço”. Eu compreendo “para a vida” como sendo “para uma vida correta”. Se as pessoas que professam terem sido batizadas no Espírito Santo não estão vivendo uma vida que agrada a Deus, é porque não permitiram que a experiência se manifestasse em seus estilos de vida.

O batismo no Espírito não resulta em santificação instantânea (nada resulta!), mas deveria fornecer um ímpeto adicional para o crente perseguir uma vida que agrade a Deus.

Anthony de Palma. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo. Editora CPAD. pag. 93-94.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

2. – A capacitação do Espírito.

É do conhecimento da maioria que a ideia do termo ”batismo” é imersão; ser batizado significa ser mergulhado. As expressões como ”derramar” o Espírito sobre os irmãos e as irmãs ou ”serem cheios” do Espírito para se referir ao batismo no Espírito Santo podem lançar luz sobre o propósito dessa promessa, pois, ser imerso significa capacitação, isso é a revelação do Mistério de Deus (Ef 3.5), Poder para testemunhar de Jesus (At 1.8), profetizar (At 11.28) e realizar milagres (Rm 15.19).

Comentário

Esse milagre é evidenciado pelo contexto da narrativa. A reação dos peregrinos que estavam em Jerusalém para o dia de Pentecostes corrobora com o pensamento dos pentecostais clássicos. “Todos, atônitos e perplexos, perguntavam uns aos outros: — O que será que isso quer dizer? Outros, porém, zombando, diziam: — Estão bêbados!” (At 2.12, 13). Os peregrinos ficaram admirados com tudo o que viam e ouviam, e alguns deles pensaram até que o grupo de Jesus estava embriagado. A pergunta deles: “O que será que isso quer dizer?” E a resposta dos escarnecedores: “estão bêbados”, são sinais claros de que “as outras línguas” do Pentecostes não eram idiomas humanos reais.

Esses detalhes são evidências robustas de que se trata de línguas ininteligíveis ou extáticas.

Os peregrinos de Jerusalém presenciaram as línguas, e o apóstolo Pedro explica: “Mas o que está acontecendo é o que foi dito por meio do profeta Joel” (At 2.16). Isto o quê? O derramamento do Espírito com todos os sinais e, dentre eles, a glossolalia. O apóstolo continua no seu sermão que os últimos dias já começaram e, desde então, homens e mulheres, jovens e anciãos, servos e livres, independentemente do seu status social ou posição na igreja são todos moradas do Espírito: “E acontecerá nos últimos dias, diz Deus, que derramarei o meu Espírito sobre toda a humanidade.

Os filhos e as filhas de vocês profetizarão, os seus jovens terão visões, e os seus velhos sonharão. Até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei o meu Espírito naqueles dias, e profetizarão” (At 2.17, 18). Esse discurso de Pedro é uma citação ipsis litteris de Joel 2.28,29, exceto a frase, “nos últimos dias, diz Deus” (v. 17) e a expressão, “e profetizarão” (v. 18).

Ser batizado no Espírito Santo é uma experiência distinta da conversão e que capacita o cristão para testemunhar de Jesus e ter uma vida cristã abundante e vitoriosa. Essa manifestação do Espírito é atual e concedida a quem a buscar com fé, obediência, humildade e persistência (Lc 11.9-13), cujo sinal físico, visível inicial do recebimento é o falar em línguas. A promessa de ser batizado no Espírito Santo é para toda a Igreja. Isso engloba todos os cristãos em todos os lugares e em todas as épocas, de modo que as línguas são inseparáveis. Dos três sinais manifestos no dia de Pentecostes com a descida do Espírito Santo, somente o “falar em outras línguas” veio para ficar, e ele se repete ainda hoje.

Soares. Esequias,.O verdadeiro Pentecostalismo. A atualidade da doutrina Bíblica sobre a Atuação do Espírito Santo. Editora CPAD.

A imagem do Novo Testamento para o batismo no Espírito, se colocada literalmente, dá a impressão de que o Espírito é primeiro externo ao indivíduo (“derramado sobre”, “batizado em”, “descendo/vindo sobre”) ou que nós precisamos pensar sobre ele em termos quantitativos (“cheio com”). Mas, como vimos anteriormente, o Espírito passa a habitar em todos os crentes no momento de seu arrependimento e da fé em Cristo. Assim, o batismo no Espírito é uma obra adicional do já presente Espírito Santo.

Anthony de Palma. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo. Editora CPAD. pag. 96.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

3. – Uma necessidade real e atual.

O Espírito Santo veio no dia de Pentecostes porque os discípulos precisavam que a sua mensagem fosse revestidas de poder para salvar os pecadores (Lc 24.47-49; At 1.8). Como receber esse batismo? É o Senhor Jesus que batiza (Mt 3.16; Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33). Todos os crentes devem buscar essa promessa para sua edificação e crescimento espiritual.

Não existe regras rígidas do novo testamento para recebê-lo, pois Deus atende a casos individuais de modos diferentes, mas é necessário arrependimento sincero, fé nas promessas do batismo no Espírito, oração e paciência (At 2.38-39; Lc 11.9-13).

Comentário

Pedro e os outros apóstolos, em poucas palavras, orientam os ouvintes para o que têm de fazer e o que esperar depois de o terem feito (vv. 38,39). Nosso dever é motivar os pecadores convencidos, pois as ovelhas quebradas têm de ser ligadas (Ez 34.16). Devemos lhes dizer que, embora o caso seja triste não é desesperador; á esperança para eles.

1. Pedro mostra aos pecadores o curso de ação que eles têm de tomar.

(1) Arrependei-vos (v. 38). Esta é a tábua da salvação depois do naufrágio. “Que o sentimento desta culpa horrenda que veio sobre vós por terdes matado Jesus vos desperte a uma reflexão penitente acerca de todos os outros pecados (como a demanda de uma grande dívida revela todas as dívidas de um falido) e a um arrependimento amargo e pranto por eles.” João Batista e Jesus tinham pregado este mesmo dever. Agora que o Espírito foi derramado, a prédica continua sendo a mesma: “Arrependei-vos (Mt 3.2), arrependei-vos (Mt 4.17). Mudai de opinião. Mudai vossos caminhos.

Admiti uma reflexão tardia”.

(2) Cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo (v. 38), quer dizer, “crede firmemente na doutrina de Cristo, e submetei-vos à sua graça e autoridade. Fazei uma confissão solene e franca disto e ponde-vos sob a obrigação de cumpri-la, submetendo-se a ordenação do batismo. Convertei-vos a Cristo e à sua religião santa, e renunciai a infidelidade” .

Os pecadores tinham de ser batizados em nome de Jesus Cristo. Eles criam no Pai e no Espírito Santo, que falavam pelos profetas. Mas também tinham de crer no nome de Jesus, que Ele é o Cristo, o Messias prometido aos pais. “Aceitai Jesus por vosso Rei e, através do batismo, prometei solenemente lealdade a Ele. Aceitai-o por vosso Profeta, e ouvi-o. Aceitai-o por vosso Sacerdote para Ele fazer expiação por vós.” Ao que parece, este é o significado restrito aqui, pois eles tinham de ser batizados em nome de Jesus Cristo para- perdão dos pecados no débito de sua justiça.

(3) Esta exigência pesa sobre cada pessoa em particular: Cada um de vós (v. 38). “Mesmo vós que fostes os maiores pecadores, se vos arrependerdes e crerdes, sereis bem-vindos para serdes batizados.

E vós que pensais que foram os maiores santos, mesmo assim é necessário que vos arrependais, creiais e sejais batizados. Em Cristo, há suficiente graça para cada um de vós, mesmo que sejais muitos, e há graça adequada ao caso de cada um de vós. O Israel de antigamente foi batizado em Moisés no acampamento, o conjunto inteiro dos israelitas de uma vez só, quando eles atravessaram a nuvem e o mar (1 Co 10.1,2), pois o concerto da peculiaridade era nacional. Mas agora cada um de vós deve ser batizado separadamente em nome de Jesus Cristo, e tratar por si mesmo deste importante assunto” (veja Cl 1.28).

2. Pedro encoraja os pecadores a tomar o curso de ação:

(1) “Será para perdão dos pecados. Arrependei-vos dos vossos pecados, e eles não serão vossa desgraça. Sede batizados na fé de Cristo, e na verdade sereis justificados, fato que jamais seríeis sob a lei de Moisés. Tende este objetivo e dependais de Jesus Cristo para esse fim, e o tereis. Como o cálice na Ceia do Senhor é o Novo Testamento no sangue de Cristo para perdão de pecados, assim o batismo é no nome de Cristo para perdão de pecados.

Lavai-vos, e sereis lavados” (v. 38). (2) “Vós recebereis o dom do Espírito Santo como nós o recebemos, pois esta é uma bênção geral. Alguns de vós recebereis estes dons externos, mas cada um de vós, se fordes sinceros na fé e no arrependimento, recebereis a sua graça e consolo internos, e sereis selados com o Espírito Santo da promessa (Ef 1.13).” Note que todos os que recebem o perdão dos pecados recebem o dom. do Espírito Santo (v. 38). Todos os que são justificados são santificados.

(3) “Os vossos filhos ainda terão, como sempre, uma parte no concerto e um direito de posse ao seu selo externo.

Vinde a Cristo para receberdes esses benefícios inestimáveis, pois a promessa do perdão dos pecados e o dom do Espírito Santo são para vós e para vossos filhos” (v. 39). Estava muito explícito: Eu derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade (Is 44.3). E: O meu Espírito […] e as minhas palavras […] não se desviarão […] da tua posteridade, nem |…] da posteridade da tua posteridade (Is 59.21). Quando Deus fez o concerto com Abraão, Ele disse: Eu estabelecerei o meu concerto entre mim, e ti e a tua semente depois de ti em suas gerações, […] para te ser a ti por Deus e à tua semente depois de ti (Gn 17.7).

Por conseguinte, todo israelita circuncida seu filho de oito dias de idade. Então era oportuno que o israelita que, pelo batismo, estivesse prestes a entrar em uma nova dispensação deste concerto, perguntasse: “O que será de meus filhos? Eles devem ser rejeitados ou aceitos junto comigo?” Pedro responde: “Aceitos, sem dúvida, pois a promessa, essa grande promessa de Deus ser Deus para vós, é tanto para vós quanto para vossos filhos agora como sempre o foi.”

(4) “Ainda que a promessa seja oferecida a vossos filhos como sempre o foi, contudo não está mais, como estivera, restrita a vós e a vossos filhos, mas diz respeito […] a todos os que estão longe (v. 39)” e, acrescentaríamos, aos filhos destes, pois a bênção de Abraão vem sobre os gentios por meio de Jesus Cristo (G13.14). Por muito tempo, a promessa pertencera exclusivamente aos israelitas (Rm 9.4), mas agora é enviada aos que estão longe, às mais remotas nações gentias e a cada uma delas em particular, a todos os que estão longe.

E a esta generalidade que a limitação a seguir: a tantos quantos, tem de se referir, a tantas quantas pessoas em particular de cada nação que Deus, nosso Senhor, chamar eficientemente à comunhão de Jesus Cristo. Perceba que Deus faz que seu chamado alcance aqueles que estão muito longe e que ninguém vem senão aqueles a quem Ele chama.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 23-24.

Os Resultados do Batismo no Espírito Poder para Testemunhar

Nos círculos pentecostais, nenhum aspecto dos propósitos do batismo no Espírito tem recebido mais atenção do que a sua utilização para a evangelização do mundo. Isso é firmemente baseado em Atos 1.8: “recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra”. O livro de Atos é um comentário desses dois temas relacionados, que os discípulos receberiam poder quando o Espírito viesse sobre eles e de que eles seriam testemunhas de Jesus por todo o mundo.

Quando Jesus disse aos seus discípulos que eles seriam suas “testemunhas”, o pensamento não é tanto que seriam seus representantes, embora isso seja verdade, mas sim que iriam atestar a sua ressurreição. A ideia do testemunho ocorre ao longo do livro de Atos; ela é aplicada geralmente aos discípulos (1.8,22; 2.32: 3.15; 5.32; 10.39.41; 13.31) e especificamente a Estêvão (22.20) e a Paulo (22.15; 26.16). A evangelização mundial pelos pentecostais, que aconteceu no século XX, é um testemunho da realidade da experiência pentecostal.

Infelizmente, alguns historiadores e missiologistas da igreja moderna foram lentos ao reconhecer a tremenda contribuição do movimento pentecostal com relação à propagação do evangelho por todo o mundo.

Os pentecostais não podem e não se atrevem a negar a obra maravilhosa (3 frequentemente sacrificial dos missionários ao longo da história da Igreja, que não experimentaram o batismo no Espírito como compreendido pelos pentecostais. Nós agradecemos a Deus por todos os corpos eclesiásticos e todas as agências missionárias que contribuíram para a empreitada missionária mundial. E como outros assuntos previamente discutidos, a diferença entre esses missionários e os pentecostais está no nível da gradação.

Seria irresponsável os pentecostais dizerem que os outros não sabem nada sobre o poder do Espírito. A associação entre poder (do grego dunamis) e o Espírito Santo é frequentemente feita no Novo Testamento, onde os dois termos são intercambiáveis (por exemplo, Lc 1.35; 4.14; At 10.38; Rm 15.19; 1 Co 2.4; I Ts 1.5). O poder do Espírito Santo concedido aos primeiros discípulos, no entanto, não pode ser restrito ao poder para evangelizar.

Anthony de Palma. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo. Editora CPAD. pag. 86-87.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

SÍNTESE DO TÓPICO II

O propósito central do batismo no Espírito é uma capacitação espiritual para o serviço divino.

SUBSÍDIO PEDAGOGICO-TEOLÓGICO

Ao finalizar esse tópico, pergunte se ser ”batizado no Espírito Santo” é o mesmo que ser ”cheio do Espírito”. Ouça a respostas. É corriqueiro muitos acharem que é a mesma coisa, mas sem atentarem para a complexidade dessas expressões de acordo com Lucas, em Atos, e Paulo, em Efésios.

Responda à pergunta mostrando que um expressão ”cheio do Espírito Santo” tem conotação distintas. Em Lucas (Atos), ela revela uma capacitação para o serviço; em Paulo (Efésios), a questão de caráter, vida Santa. Para fundamentar melhor essa resposta, leve em conta a seguinte explicação do professor Gutierres Siqueira; ” A terminologia ‘cheio do Espírito Santo’ tem o significado nos escritos de Lucas e de Paulo?

Os teólogos Pentecostais respondi que não, pois ser ‘cheios do Espírito Santo’ em Lucas está relacionado ao serviço e à mordomia cristã, enquanto que ser ‘cheio do Espírito Santo’ em Paulo está implicitamente ligado à questões de caráter e santidade. Longe de ser uma contradição, a um verdadeiro complemento, pois como ouvir sem o caráter cristão? Como manifestar os traços de Cristo e ainda permanecer inerte diante do serviço para o reino de Deus?

O que deve ficar claro na mente dos leitores da Bíblia é que ser ‘cheio batismo no Espírito Santo’ pode ser associado a ser ‘cheios do Espírito’ em Lucas mas não nas epístolas Paulinas. Sem dúvida o contexto ministerial de ambos determinou a ênfase diferenciada”. (Siqueira, Gutierres Fernandes. Revestidos de poder: Uma introdução a teologia Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.83).

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

III – O REVESTIMENTO E A EVIDÊNCIA DO BATISMO NO ESPIRITO SANTO

Nem todos os crentes em Jesus são batizados no Espírito Santo, apesar de a promessa divina ser para todas as pessoas que se convertem ao Senhor Jesus em todos os lugares em todas as épocas; mas todas elas têm o Espírito Santo (Rm 5.5).

1. As ”outras línguas”.

As ”outras línguas”, a glossolalia, são ininteligíveis, a evidência externa, física e inicialmente o batismo no Espírito Santo (vv.3,4). Mas, não só isso. Note que a nossa Declaração de Fé das Assembleias de Deus acrescenta: ”mas somente a evidência inicial a evidência continua da presença especial do Espírito como o ‘fruto do Espírito’ (Gl 5.22)  e a manifestação de dons (1 Co 14.1)”.

Sua fonte é o próprio Espírito Santo (vv.8,11). Em línguas os discípulos falavam das ‘grandezas de Deus’ (v.11) e, na casa de Cornélio todos ”os ouviram falar em línguas e magnificar a Deus” (At 10.46).

Comentário
LÍNGUA
A. Substantivos.

1. glõssa (γλώσσα) é usado acerca de: (1) “línguas […] como que de fogo”, que apareceram no Dia de Pentecostes; (2) “língua”, como órgão da fala (por exemplo, Me 7.33; Rm 3.13; 14.11; 1 Co 14.9; Fp 2.11; Tg 1.26; 3.5,6,8; 1 Pe3.10; 1 Jo 3.18; Ap

16.10); (3) (a) “idioma, língua”, junto com os termos phule, “tribo”, laos, “povo”, ethnos, “nação”, sete vezes em Apocalipse (Ap 5.9; 7.9; 10.11; 11.9; 13.7; 14.6; 17.15); φ) “o dom sobrenatural de falar em outro idioma sem tê-lo aprendido”; em At 2.4- 13, as circunstâncias foram registradas do ponto de vista dos ouvintes; para aqueles, em cuja língua as declarações foram feitas, pareciam como fenômeno sobrenatural; para outros, a gaguez de bêbedos; o que foi dito não foi dirigido primariamente à audiência, mas consistia em recontar “as grandezas de Deus” (cf. At 2.46); em 1 Coríntios, capítulos 12 e 14, é dito que o uso do dom de “línguas” é exercido nas reuniões das igrejas locais; 1 Co 12.10 fala do dom em termos gerais, e forma par com o dom de “interpretação de línguas”; 1 Co 14 dá instruções relativas ao uso do dom, sendo o objetivo supremo a edificação da igreja; a menos que a “língua” fosse interpretada, o falante não falaria “aos homens, senão a Deus” (1 Co 14.2);

ele estaria se edificando (1 Co 14.4), a menos que ele interpretasse (1 Co 14.5), em cujo caso sua interpretação seria do mesmo valor que o dom superior de profetizar, visto que ele estaria edificando a igreja (1 Co 14.4-6); ele tem de orar para que possa interpretar (1 Co 14.13); se não houvesse intérprete, ele devia se manter em silêncio (1 Co 14.28), pois todas as coisas deviam ser feitas “para edificação” (1 Co 14.26).

“Se eu for […] falando em línguas estranhas, que vos aproveitaria”, diz o apóstolo Paulo (expressando o grande objetivo em todo ministério oral), “se vos não falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou do ensino?” (1 Co 14.6). As “línguas” eram para sinal, não para os crentes, mas para os incrédulos (1 Co 14.22), e especialmente para os judeus incrédulos (veja 1 Co 14.21); cf. as passagens em Atos.

Não há evidência da continuação deste dom depois dos tempos apostólicos, nem, de fato, nos últimos tempos dos próprios apóstolos; deste modo, temos confirmação do cumprimento em de 1 Co

13.8, que este dom cessaria nas igrejas, da mesma maneira que as “profecias” e o “conhecimento” cessariam no sentido de conhecimento recebido por poder sobrenatural imediato (cf. 1 Co 14.6). A conclusão das Santas Escrituras proporcionou às igrejas tudo o que é necessário para a direção, instrução e edificação individuais e coletivas.

2. dialektos (διάλεκτος), “idioma, linguagem” (em português, “dialeto”), é encontrado em At 1.19; 2.6,8; 21.40; 22.2; 26.14. Veja IDIOMA.!

B. Adjetivo.

heteroglõssos (ετερόγλωσσος) é usado em 1 Co

14.21 “doutras línguas” (heteros, “outro de um tipo diferente”); Veja OUTRO (2), e A, n° 1; “outras línguas”·!

C. Advérbio.

hebraisti (ou ebraisti, segundo Westcott e Hort) (Έβραίστί), denota; (a) “em hebreu”, ou seja, “na língua hebraica” (Ap 9.11; 16.16); (b) no vernáculo aramaico da Palestina (Jo 5.2, “em hebreu”; Jo 19.13,17; 19.20 “em hebraico”; Jo 20.16, “em- hebraico”, ARA).|

Nota: Contraste com o termo hellenisti, “em grego”, encontrado em Jo 19.20; At 21.37 (“o grego”).! Veja também o termo rhõmaisti, no verbete LATIM.

W. E. VINE; Merril F. UNGER; Wllliam WHITE Jr. Dicionário VINE. Editora CPAD. pag. 754-755.

Falar em Línguas (Glossolalia)

“Glossolalia” é um termo técnico frequentemente utilizado para o falar em línguas; é uma forma combinada das palavras gregas lalia (“discurso”, “fala”) e glossa (“língua”, “linguagem”).

O fenômeno de falar em línguas, ao contrário do vento e do fogo, é integral para os discípulos que são cheios do Espírito. “E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia a verbalização inspirada” (v.4 – (tradução do autorl). A primeira observação importante é de que a minha expressão “verbalização inspirada” é uma tradução da palavra grega apophthengomai, que é utilizada na Septuaginta para discursos sobrenaturalmente inspirados, seja divinos (I Cr 25.1) ou demoníacos (Mq 5.12).

Especialmente importante é a observação de que essa mesma palavra pouco usual, que ocorre apenas três vezes no Novo Testamento, é utilizada em Atos 2.14 para introduzir o discurso de Pedro para a multidão. O discurso de Pedro naquele dia era na verdade a verbalização profética. A terceira ocorrência no Novo Testamento está em Atos 26.25. Paulo diz para Festo: “Não deliro [mainomai] ó potentíssimo Festo; antes digo [apophthengomai] palavras de verdade e de um são juízo”. Festo o tinha acusado de estar fora de seu juízo, possivelmente pela maneira de discursar de Paulo ser bastante animada. A questão é que Paulo falara sob o ímpeto direto do Espírito.

O registro diz que os discípulos “começaram [archomai] a falar noutras línguas” (At 2.4). Não existe indicação de que os discípulos tenham iniciado, ou de que eles mesmos “começaram” o falar em línguas. Recorrendo a essa ideia de “começar”, o ensino não tão incomum de alguns reconhecidos pentecostais diz: “Você começa e então o Espírito Santo assume controle”.

Mas archomai, nesse versículo, é um pleonasmo — uma peculiaridade gramatical em grego e em algumas outras línguas. Ele é algumas vezes chamado de “o auxiliar redundante”. Nessa construção gramatical, a tradução de archomai pode ser eliminada e o infinitivo “falar” é convertido ao modo indicativo.

O significado de “eles começaram a falar em línguas” é simplesmente “eles falaram em línguas”.14 Exemplos dessa construção gramatical são encontrados em outras passagens da Escritura. Um exemplo particularmente aplicável está em Atos II. 15, onde Pedro diz, referindo se à sua pregação para os parentes de Cornélio: “E, quando comecei a falar, caiu sobre eles o Espírito Santo”. Obviamente, o Espírito não desceu sobre aquelas pessoas no início da mensagem de Pedro (At 10.34-44). Os discípulos em Pentecostes falaram em línguas “conforme o Espírito ia dando-lhes verbalização inspirada” [tradução do autor], não sob o próprio ímpeto deles. A expressão “conforme” (kathos) pode ser traduzida como “na medida em que”. O fenômeno de falar em línguas é expresso de numerosas formas no Novo Testamento: Falar em outras línguas — Atos 2.4 Falarem línguas —Atos 10.46; 19.6; 1 Coríntios 12.30; 14.5,6.18,23

Falar numa língua — 1 Coríntios 14.2,4,13 Falar em línguas de homens e de anjos — I Coríntios 13.1 Falar em novas línguas — Marcos 16.17 Variedade de línguas — I Coríntios 12.10,28 Línguas — I Coríntios 13.8; 14.22 Uma língua — I Coríntios 14.14,19,26

A terminologia específica utilizada em Atos (“falar em línguas”; do grego glossais lalein) ocorre nessa forma precisa, junto com algumas variações, no tratamento de Paulo dos dons espirituais em I Coríntios 12 a 14. O termo grego de duas palavras não aparece em nenhum outro lugar na literatura canônica ou não canônica como um termo técnico para uma ocorrência não usual quando uma pessoa, sob o impulso do Espírito Santo (ou qualquer espírito), fala uma linguagem desconhecida a ele ou ela. Consequentemente, o fenômeno a que tanto Lucas quanto Paulo se referem é essencialmente o mesmo.

Diferentes interpretações têm sido feitas sobre a natureza da glossolalia bíblica. Os mais importantes pontos de vista serão abordados posteriormente; variações entre pontos de vista individuais têm sido minimizadas para chegar a uma compreensão mais clara da posição básica dos expoentes dessas diversas escolas.

Anthony de Palma. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo. Editora CPAD. pag. 62-64.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

2. Função das línguas.

Elas sinalizam a presença do Espírito. O dom de línguas, pelo que se vê nos Capítulos 12 a 14 de 1 Coríntios, está associado à oração pessoal (1 Co 14.13-23). As línguas, em Atos, indicam o recebimento do Poder Profético (2.4; 19.6). As línguas as cartas Paulinas são também importantes, pois o apóstolo as descreve como língua do Espírito, por meio das quais conversamos com Deus em mistério; por meio delas oramos em espírito e louvamos a Deus (1 Co 14.14,16,17).

Esse dom, sem dúvida, é muito útil para a oração, as evoluções pessoais e o desenvolvimento de nossa sensibilidade ao Espírito (1 Co 14.2). Foram as línguas que sinalizaram o batismo de Cornélio (At 10.47). Que sinal tangível levou Simão Samaritano a desejar esse dom? (At 8.18).

Comentário

A narrativa de Atos 2.1-13 mostra que as línguas do Pentecostes são ininteligíveis, a glossolalia, que se distinguem das línguas humanas reais. Lucas emprega dois termos gregos para “línguas” na narrativa do dia de Pentecostes: glo¯ssa (vv. 3, 4, 11) e dialektos (vv. 6, 8).

Glo¯ ssa significa “língua”, como fala, linguagem, “idioma” e também membro ou órgão físico da boca (Tg 3.5), que aparece metaforicamente no relato de Lucas: “E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (v. 3). Ao serem cheios do Espírito Santo, os discípulos e as discípulas “começaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” (v. 4). A exegese das línguas permite os pentecostais clássicos interpretarem o falar em línguas como um dom do Espírito e de natureza ininteligível.

A palavra “outras” em grego é heteros, assim: lalein heterais glo¯ ssais significa “falar em outras línguas”. Segundo o Dicionário Vine, o adjetivo heteros “expressa uma diferença qualitativa e denota ‘outro’ de tipo diferente”. Lucas está falando de uma língua que só pode ser compreendida por um milagre.

O falar em línguas revela as grandezas de Deus: “todos os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” (v. 11). E quando Cornélio com sua família e amigos foram batizados no Espírito Santo, o apóstolo Pedro e a sua comitiva: “os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (At 10.46). Nessas línguas, glo¯ ssai, plural de glo¯ ssa, eles magnificam a Deus como em Pentecostes, eles falavam das grandezas de Deus. Mais adiante, o apóstolo Paulo revela que o dom de línguas é a linguagem do Espírito (1 Co 14.15). O termo grego para “línguas”, no derramamento do Espírito em Pentecostes, na casa de Cornélio e nos discípulos de Éfeso, é glo¯ ssa (At 10.46; 19.6).

O dialekto é a “linguagem” de um país ou região, “idioma, dialeto”. Fora da narrativa do Pentecostes, essa palavra aparece mais quatro vezes no Novo Testamento como idioma (At 1.19; 21.40; 22.2; 26.14). Quando esses peregrinos de Jerusalém se referem a sua língua materna, Lucas emprega o substantivo dialektos, “porque cada um os ouvia falar na sua própria língua” (v. 6); “Então como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?” (v. 8).

A manifestação das línguas nos discípulos era o dom de línguas, glossolalia, e os de fora ouviam em seu próprio idioma, em que cada um foi nascido. O milagre em Pentecostes foi duplo: os discípulos falaram línguas desconhecidas, a glo¯ ssa, e cada representante dessas 17 nações os ouvia cada um em sua própria língua, dialektos. Deus capacitou a cada um para que entendesse em sua própria língua, mas a língua que os discípulos falavam era ininteligível.

A glossolalia é a manifestação das línguas estranhas no batismo no Espírito Santo bem como das línguas como um dos dons espirituais. São línguas celestes e ininteligíveis. Trata-se de um termo técnico de origem grega, glo¯ ssa, “língua, idioma”, e de lalía, “modo de falar” (Mt 26.73), “linguagem” (Jo 8.43), substantivo derivado do verbo grego lalein, “falar”. A expressão lalein glo¯ ssais, “falar línguas” (1 Co 14.5), é usada no Novo Testamento para indicar a linguagem do Espírito (1 Co 14.15). É comum o uso do termo “glossolalia” nos temas pentecostais para designar o “falar em línguas”.

A xenolalia é outra coisa, é a habilidade de falar uma língua que o indivíduo não aprendeu. O termo vem do grego xenos, “estrangeiro, estranho”, e lalein, “falar”. Os pioneiros pentecostais da Rua Azusa pensavam que o dom de línguas fosse uma xenolalia, e por isso esperavam evangelizar rapidamente o mundo com esse recurso. Os precursores do avivamento da Rua Azusa, como A. B. Simpson e W. B. Godbey, entendiam o dom de línguas como uma xenoglossia missionária. Alguns pais da igreja chegaram a pensar dessa maneira, como Irineu de Lião em Contra as Heresias, no livro V.6.1, e também João Crisóstomo, patriarca de Constantinopla, em Homilia sobre 1 Coríntios 12.1, 2. Pahram defendeu essa ideia a vida inteira, mas a maioria dos pioneiros pentecostais da Rua Azusa abandonou rapidamente essa visão de “língua missionária”.

Segundo Robert Menzies, as línguas podem servir como ferramenta evangelística, mas em casos muito especiais, e o único exemplo xenolálico é o próprio Pentecostes: “E em Jerusalém estavam habitando judeus, varões religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu” (At 2.5).49 Mas, segundo Max Turner, Lucas não deixa evidência de que “glo¯ ssais lalein geralmente servia a um propósito evangelístico”. Mas, isso não significa necessariamente que Deus não tenha operado esse milagre ao longo da História.

O pastor Virgínio de Carvalho Neto, líder conhecido nas Assembleias de Deus no Brasil, pastor da Igreja de Aracaju, Sergipe, e presidente da Convenção daquele estado recebeu o milagre da xenolalia em 1974 para servir como missionário em Madagáscar. Ele recebeu do Espírito Santo a língua francesa, sem estudar e nem fazer qualquer curso dela, numa oração a sós com Deus, numa tarde, no seminário, e à noite, no culto, já estava entendendo a língua e se comunicando perfeitamente com os franceses. Nessa língua ele serviu 20 anos em Madagáscar como missionário e ainda hoje serve o reino de Deus nessa língua, atendendo a obra por toda parte, principalmente África e Ásia.

Trata-se de um testemunho incomum, mas é um fato real, estamos falando de alguém conhecido em nossas igrejas em todo o país e cuja idoneidade é inquestionável. Assim, fica claro que Deus age como, onde e quando quer, desde que não seja contrário as Escrituras.

Soares. Esequias,.O verdadeiro Pentecostalismo. A atualidade da doutrina Bíblica sobre a Atuação do Espírito Santo. Editora CPAD.

Muitos fazem distinção entre as línguas em Corinto e as concedidas pelo Espírito Santo no dia de Pentecoste. Algumas versões bíblicas traduzem “falar em línguas” de modo diferente em Atos e em Coríntios. Em Atos, dizem que se trata do falar noutros idiomas. Em Coríntios, afirmam que é o falar em êxtase, com sons estranhos. Não há, porém, evidência de que os coríntios estivessem em êxtase. Os espíritos dos profetas estão sujeitos aos mesmos. As instruções que Paulo deu no tocante à cortesia, e o amor e as limitações às línguas não fariam sentido se os que falavam não tivessem pleno controle dos seus sentidos e consciência do que acontecia em redor deles.

A verdade é que o que acontecia em Corinto forma um paralelo com o que aconteceu no dia de Pentecoste. No Pentecoste, a multidão ficou atônita no início, mas ninguém foi Salvo pelas línguas. Passado algum tempo, enquanto os 120 falavam em línguas estranhas, muitos não percebiam algum motivo” para o que os crentes faziam, e diziam que estavam cheios de vinho novo (doce e muito inebriante). Era simplesmente outra maneira de dizerem que pareciam estar fora de si, loucos. Há ocasiões hoje em que os incrédulos ouvem línguas faladas em seus próprios idiomas, contando as obras maravilhosas de Deus como no Pentecoste (Atos 2.11).(4) Mas Paulo torna claro que nas reuniões* ordinárias, em que não há pessoas que só entendam idiomas estrangeiros, o propósito e o uso das línguas estranhas são bastante restritos.

O dom de profecia, por outro lado, não é um sinal (sobrenatural) para o incrédulo (1 Coríntios 14.22). Sinal, aqui, é uma das palavras bíblicas para “milagre”. Porque a profecia está no seu próprio idioma, o incrédulo não a considera obviamente sobrenatural. Nem por isso a profecia deixa de ser um sinal para o crente. Ele está em harmonia com o Espírito Santo. Não precisa de línguas para deixá-lo saber que o sobrenatural está presente. Quando o dom de profecia se manifesta, o crente o reconhece como uma obra sobrenatural do Espírito Santo, cheia do seu poder.

Posto que o Espírito Santo opera através da verdade, aplicando-a aos corações na sua obra de repreender e de convencer (João 16.8), o incrédulo consegue entender o que o Espírito está transmitindo. Precisa passar pela sua mente, a fim de alcançar o seu coração.

Sendo assim, a profecia, dada no idioma que é compreendido por todos, leva os incrédulos ou os ignorantes ao ponto de se verem à luz do Evangelho e de reconhecerem que a mensagem provém de Deus. Isso os leva a prostrar-se em adoração diante de Deus, prestando-lhe as devidas honras. Ao invés de dizerem que estamos fora de nós mesmos, reconhecem que Deus está verdadeiramente entre nós (1 Coríntios 14.25).

Essa também foi a situação no dia de Pentecoste. Quando Pedro se levantou para falar, não citou seus próprios pensamentos. Ele anunciou conforme o Espírito Santo lhe concedeu que falasse, mas, desta vez, em profecia, e não em línguas. A palavra profética falou aos corações deles, conforme demonstra Atos 2.37,41.

Mediante a comparação com o dia de Pentecoste, vemos que a igreja não gastou todo o seu tempo falando em línguas, mas “perseverava na doutrina [ensino] dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (Atos 2.42). A palavra de Deus crescia, e se multiplicava o número dos discípulos (Atos 6.7). Estêvão, “cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais… E não podiam resistir à sabedoria, e ao espírito com que falava” (Atos 6.8,10). Desde o início, uma variedade de dons espirituais manifestava-se na Igreja.

Paulo reconhecia que é normal essa variedade de expressão. As palavras “que fareis, pois, irmãos?” (1 Coríntios 14.26) demonstram que Paulo desejava que os coríntios percebessem esse fato. A primeira regra para a expressão dos dons espirituais, conforme indica o capítulo 12, é que nenhum dom está destituído de importância, e que nenhum deve ser deixado de lado. “Cada um de vós” significa que todos devem ter algo para contribuir para a edificação do Corpo. Ninguém deve simplesmente acomodar-se no gozo do que recebe. Não está subentendido, tampouco, alguma distinção entre o aspecto natural e sobrenatural no ministério dos cristãos. Tudo provém do suprimento de Cristo (Efésios 4.16), e é ministrado pelo Espírito Santo e através dele.

Quando os crentes se reúnem, pois (usualmente numa casa), um pode ter um salmo (provavelmente um salmo do livro de Salmos) cantado sob a unção do Espírito Santo (usualmente, com acompanhamento musical). Outro pode trazer uma doutrina (ensino), ou seja: instrução iluminada pelo Espírito, tirada da Palavra de Deus. Outro pode apresentar uma revelação, ou seja: um dos dons de revelação, tal como uma palavra de sabedoria ou de conhecimento.

Ainda outro pode transmitir uma mensagem em línguas, e outro, uma interpretação. Não há uma “ordem do culto” predeterminada nesse quadro de uma reunião cristã, segundo o Novo Testamento.

HORTON. Stanley. M. O que a Bíblia Diz Sobre o ESPÍRITO SANTO. Editora CPAD.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

3. – Atualidade das línguas.

A promessa de ser batizado no Espírito Santo é para toda a igreja. Isso engloba todos os Cristão em todos os lugares e em todas as eras (Jr 2.28-32; At 2.16-21), de modo que as línguas são inseparáveis o batismo no Espírito. Dos três sinais Sobrenaturais Manifesto no dia do Pentecostes com a descida do Espírito Santo, somente o ”falar em outras línguas” (v.4) veio para ficar, ele se repete (At 10.44-47; 16.6).

Mas, os outros dois: ” um som como de Vento veemente é Impetuoso ” (v.2) e ”línguas repartidas, como que de Fogo” ocorreram uma só vez, se eles não se repetem nunca mais.

Comentário
O Vento e o Fogo

Três fenômenos não usuais aconteceram naquele dia: “um som, como de um vento veemente e impetuoso”, “línguas repartidas, como que de fogo”, e o falar em línguas (At 2.1-4). (É tentador enxergar as três manifestações do Espírito Santo como indicações de sua atuação em salvação [vento], santificação [fogo] e serviço línguas.)

O vento e o fogo algumas vezes são chamados de teofanias — manifestações visíveis de Deus. Em ocasiões históricas, como a entrega da Lei, houve trovões, relâmpagos e nuvens densas, e um som muito alto de buzinas (Êx 19.16); então naquele dia histórico o Senhor se manifestou de um modo inesquecível com fogo e vento enviados do céu. Precisamos percebei; no entanto, que o vento e o fogo precederam o enchimento do Espírito: não foram par ti1 dele. E mais, em nenhum outro trecho no livro de Atos esses elementos são mencionados novamente em conjunção com pessoas sendo cheias com o Espírito.

Esses foram acontecimentos únicos e para marcar a total inauguração de uma nova era no procedimento de Deus com o seu povo.

O fenômeno audiovisual de vento e fogo é remanescente da entrega da Lei no monte Sinai (Êx 19.18; Dt 5.4); o vento não é mencionado em conexão com aquele evento, mas com a travessia do mar Vermelho (Êx 14.21), bem como em outras manifestações especiais no Antigo Testamento da presença de Deus (2 Sm 22.16; Jó 37.10: Ez 13.13; 37.914).

O vento é um emblema do Espírito Santo (Ez 37.9; Jo 3.8): de fato. a palavra hebraica niach tanto significa “vento” quanto “espírito”, como acontece com a palavra grega comparável pneuma.

A palavra grega para vento utilizada em Atos 2.2 (pnoé) é uma forma da mesma palavra grega. O fogo também está associado com o Espírito Santo no Antigo Testamento (Jz 15.14), na promessa de que Jesus iria batizar no Espírito Santo e fogo (Mt 3.11: Lc 3.16), e na identificação das “sete lâmpadas de fogo” com o Espírito Santo (Ap 4.5). Perceba a menção do Espírito Santo em conexão com a visão que Zacarias teve das sete lâmpadas (Zc 4.2-6).

Max Turner defende que a descrição da teofania de Pentecostes é “cheia de alusões ao Sinai com as quais a referência a ‘vapor de fumo’ da citação de Joel [por Pedro] vai especialmente coadunar”.

Além disso, o fenômeno do vento e do fogo no dia de Pentecostes precisa se relacionar à predição de João Batista de que Jesus iria batizar no Espírito Santo e fogo; a metáfora de João seguida a essa declaração certamente contém os elementos vento, que separa o trigo da palha; e fogo, que consome a palha (Mt 3.11,12: Lc 3.16,17). Marshall comenta: “O fogo em Atos precisa certamente ser relacionado em primeiro lugar com o fogo citado por João Batista”.

As interpretações da declaração de João Batista variam significativamente. As seguintes estão entre elas:

1. João predisse apenas o batismo de fogo, que seria um de julgamento. O grego deveria provavelmente ser traduzido como “no Espírito Santo, ou seja, fogo”. 0 Espírito Santo é o fogo.

2. João predisse apenas um batismo para os justos, que seria “no Espírito Santo, ou seja, fogo”.

3. Existem dois batismos, um no Espírito para os justos e um em fogo para os injustos. O primeiro é cumprido no livro de Atos, o segundo ó escatológico. João, como aconteceu com alguns profetas do Antigo Testamento, fala dos dois eventos; ele falhou ao distinguir entre o tempo do batismo no Espírito e o tempo do batismo de fogo.

4. Existe um aspecto duplo com relação ao único batismo: Espírito para os justos, fogo para os injustos. E um único batismo que, da perspectiva de João, seria experimentado por todos. O Espírito é “refinador para aqueles que se arrependeram, destruidor… para aqueles que permaneceram inpenitentes”.9 Menzies diz que “nós procuramos em vão por uma referência sobre o derramar messiânico do Espírito que purifica e transforma moralmente o indivíduo”. Segundo esse ponto de vista, a limpeza é geral, não pessoal.1″ Essa posição às vezes é argumentada com base em uma única preposição para os dois objetos no texto grego: não “no Espírito Santo e no fogo”, mas “no Espírito Santo e fogo”.

Enquanto o significado preciso da declaração de João Batista continua a ser discutido, existe pouca dúvida de que Jesus trouxe um significado novo. ou pelo menos adicional. Os discípulos, Ele disse, receberiam poder que seria intimamente conectado com sua missão de evangelização (At 1.8). E mais, o fogo no dia de Pentecostes não tinha natureza destruidora. Ele lembra mais o fogo da sarça ardente (Êx 3.2-5; At 7.30) e fala da presença e da santidade de Deus. Significativamente, a única outra referência simbólica a fogo no livro de Atos se relaciona ao incidente da sarça ardente, a nenos que alguém interprete o fogo da profecia de Joel simbolicamente (At 2.19).

Horton sugere que, em vista de sua ocorrência durante a festa de Pentecostes, o fogo significou a aceitação da parte de Deus do corpo da Igreja por exemplo o templo do Espírito Santo (I Co 3.16: Ef 2.21,22) e, então, a aceitação dos crentes individualmente como sendo também templos do Espírito Santo (I Co 6.19). Ele focaliza a atenção em incidentes do Antigo Testamento onde o fogo desceu sobre o altar, por exemplo com Abraão, e na dedicação tanto do tabernáculo quanto do templo de Salomão.

Oss diz que o fogo é associado no Antigo Testamento à sanção de Deus de atividades proféticas como discursos proféticos (Jr 5.14; 23.29; Ez 1.4—2.8) e julgamentos (Ez 15.4-8; 19.12,13). Ele conclui: “As línguas de fogo em Atos 2.3 podem muito bem ter simbolizado a própria sanção de Deus a respeito da atividade profética da Igreja”.

Anthony de Palma. O Batismo no Espírito Santo e Com Fogo. Editora CPAD. pag. 58-61.

A Nossa Participação em Pentecostes

Pentecostes inclui em seus efeitos não só os que estiveram presentes naquele momento, mas também os que participaram nos séculos por vir. Talvez possamos usar aqui a redenção como analogia. Cristo morreu uma vez, por todos; morreu por membros do Seu corpo que ainda não tinham nascido ou sido regenerados. Desta forma você e eu nos tornamos membros do Seu carpo, pela regeneração, através do derramamento do Seu sangue que aconteceu só uma vez. De modo que você e eu participamos de maneira similar desta nova realidade que é a Igreja.

Nós entramos no corpo, que foi formado com o batismo com o Espírito no dia de Pentecostes, quando “nos foi dado beber de um só Espírito” (1 Cor. 12:13), e cada crente se torna participante dos benefícios do corpo no momento da regeneração, da mesma forma que usufrui a justificação, pelo sangue de Jesus derramado por ele. Assim o Senhor acrescenta à Igreja os que vão sendo salvos (Atos 2:47).

Pode parecer estranho dizer que os crentes de hoje participam de um acontecimento de dois mil anos atrás. No entanto, a Bíblia traz muitos exemplos parecidos com a redenção e o batismo com o Espírito Santo. Em Amós 2:10 Deus disse ao Seu povo pecador: “Eu vos fiz subir da terra do Egito, e quarenta anos vos conduzi pelo deserto” (grifo meu), apesar de o povo do tempo do Profeta Amós viver centenas de anos depois do Êxodo. Fato é que a nação é toda como uma e contínua; o mesmo acontece com a Igreja.

Graham. Billy,. O PODER DO ESPÍRITO SANTO. Editora Vida Nova. pag. 88-89.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

SÍNTESE DO TÓPICO III

O batismo no Espírito Santo é para todas as pessoas, e sua evidenciação como línguas

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

” Falar em línguas é bom para Você Dos noves dons espirituais conhecidos na primeira Coríntios 12.8-10, somente a um atribui-se a força da edificação pessoal. ‘ o que fala língua estranha edifica-se a si mesmo’ (1 Co 14.4). E acrescentou o Paulo: ‘ quero que todos vós faleis em língua estranhas ‘ (1 Co 14,5), e ‘ dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos ‘ (1 Co 14.18). Certamente não há autoridade maior que Paulo nesse assunto.

Ele não poderia ser chamado de ‘teórico’. Seus ensinos vieram de experiências pessoais a escola do Espírito. E o Espírito Dirigiu em suas instruções aos Coríntios. O termo grego oikodom, empregado por Paulo e traduzido como ‘ edificar ‘ ou ‘ edificação ‘, significa formar ou ser formado. Aplicação desse termo ao homem espiritual conduz a ideia de crescimento e desenvolvimento do Espírito. Que Belo!

O homem que demonstra evidência de grande crescimento e desenvolvimento espiritual é o mesmo que testemunha: ‘ falo mais línguas do que vós todos ‘. Neste ponto, há uma lição para todos nós” (BRANDT, R. L. Falar Em línguas o maior Dom: pentecostais. Falta-nos algo? 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.46)

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

CONCLUSÃO

O que todo o povo Pentecostal preciso saber sobre o tema da lição? Que ser batizado no Espírito Santo é uma experiência distinta da conversão e que capacita o Cristão para testemunhar de Jesus e ter uma vida cristã abundante e vitoriosa. Essa manifestação do Espírito é atual e concedida a quem buscar com fé, obediência, humildade e persistência; cujo sinal físico, visível inicial do recebimento é o falar em línguas.

3 Lição 1 Tri 21 O Batismo no Espírito Santo

PARA REFLETIR

A respeito de “O Batismo no Espírito Santo”, responda:

1 – Como chegamos à conclusão de que a descida do Espírito no dia de Pentecostes se refere ao Batismo no Espírito Santo?

Chegamos a essa conclusão também pela explicação do apóstolo Pedro aos demais apóstolos (At 11.15,16).

2 – Como sabemos que a experiência do batismo no Espírito Santo é distinta da experiência da conversão?

Sabemos que a experiência de ser batizado no Espírito Santo é distinta da experiência da conversão porque os discípulos já tinham a vida eterna e o Espírito mesmo antes do dia de Pentecostes (Lc 10.20; Jo 20.22).

3 – Qual a finalidade do batismo no Espírito Santo?

É a capacitação do Espírito para o serviço divino.

4 – O que são as “outras línguas”?

As “outras línguas”, a glossolalia, são ininteligíveis, e evidencia externa, física e inicialmente o batismo no Espírito Santo.

5 – Para que serve o dom de línguas?

O dom de línguas, pelo que se vê nos capítulos 12 a 14 de 1 Coríntios, está associado à oração pessoal (1 Co 14.13-23). Esse dom, sem dúvida, é muito útil para a oração, as devoções pessoais e o desenvolvimento de nossa sensibilidade ao Espírito (1 Co 14.2).

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

O VERDADEIRO PENTECOSTALISMO

1 Lição 1 Tri 21 A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

2 Lição 1 Tri 21 O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

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