3 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NO NOVO TESTAMENTO

 

3 LIÇÃO 1 TRI 23 – O AVIVAMENTO NO NOVO TESTAMENTO

 

 

TÉTO ÁUREO

 

“Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.”  (Jo 4.10)

 

VERDADE PRÁTICA

 

A Palavra de Deus revela raízes de um verdadeiro avivamento espiritual, que perpassa a história.

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Mt 7.28: Jesus ensinava com autoridade, diferentemente dos escribas

 

Terça – Mc 16.6-8: Jesus venceu a morte, ressuscitando ao terceiro dia

 

Quarta – Lc 2.10-14: Jesus: alegria, paz e boa vontade aos homens

 

Quinta – Jo 1.3,4: Jesus: criação, vida e luz para os homens

 

Sexta – At 1.8: A promessa de Jesus a respeito do Espírito Santo

 

Sábado – Ap 1.7: Jesus voltará visível e gloriosamente

 

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 4.7-15

 

7 – Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.

 

8 – Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.

 

9 – Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos)?

 

10 – Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.

 

11 – Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?

 

12 – És tu maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?

 

13 – Jesus respondeu e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede,

 

14 – mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.

 

15 – Disse-lhe a mulher: Senhor, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede e não venha aqui tirá-la.

 

 

HINOS SUGERIDOS:  42, 84, 122 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

 

INTRODUÇÃO

 

Professor(a), nesta terceira lição veremos um panorama geral a respeito do avivamento no Novo Testamento. Percorreremos os Evangelhos, o livro de Atos dos Apóstolos e as Epístolas, concluindo o livro de Apocalipse.

Sabemos que são nos ensinos de Jesus que encontramos a mais poderosa mensagem de Deus para a humanidade, capaz de transformar o mais vil pecador e acender a chama divina do Espírito Santo.  Os apóstolos, comissionados pelo Senhor e revestidos de poder, levaram esta mensagem poderosa as nações, pois todo avivamento tem como resultado a conversão de pecadores. Basta ver os textos de Atos dos apóstolos, onde em um só dia três mil pessoas foram convertidas (At 2.41). Deus é imutável e o Novo Testamento nos revela o plano dEle para as nações e o seu desejo de que a Igreja, de maneira avivada, cumpra com a sua missão proclamadora, anunciando o Reino de Deus até que Cristo venha.

 2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Apresentar o avivamento nos Evangelhos;

II) Saber como se deu o avivamento no livro de Atos dos Apóstolos;

III) Conhecer o avivamento nas Epístolas e no Apocalipse.

 

B) Motivação: Jesus conferiu aos discípulos e a nós uma missão evangelística e discipuladora (Mt 28.19,20). Para cumprirmos, enquanto Igreja, a nossa missão neste mundo tenebroso, precisamos estar revestidos de poder. Como está o seu nível de relacionamento com o Espírito Santo? Você tem buscado seguir a recomendação bíblica e se encher dEle diariamente (Ef 5.18)?

 

C) Sugestão de Método: Sente-se com os alunos em círculo. Explique que Jesus tem um compromisso com a sua Igreja e com aqueles que proclamam a sua Palavra. Esse compromisso pode ser visto e mais bem compreendido mediante os milagres e maravilhas realizados por Jesus nos Evangelhos e livro de Atos. Diga que estes tinham o propósito de glorificar o nome de Jesus e expandir o Reino de Deus. Depois, peça a um aluno e uma aluna que citem um milagre narrado no livro de Atos (cura do coxo – At 3.1-9; ressurreição de Dorcas – At 9.36-42; Pedro livre da prisão – At 12.1-12). Em seguida diga que Jesus continua operando milagres e maravilhas, porém, não podemos nos esquecer que o maior milagre e maravilha que podemos presenciar é a conversão de um pecador a Cristo. Você já experimentou esse milagre em sua vida?

 

 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Após apresentar um panorama do avivamento no Novo Testamento, estimule os alunos a refletirem a respeito da maneira como eles têm proclamado o Evangelho, anunciando o Reino de Deus: Tenho cumprido a missão que Cristo me conferiu até que Ele volte? Estou disposto/a a reconhecer a necessidade de um avivamento? Desejo isso?

 

 4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

 

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “O livro de Atos”, para apoio do segundo tópico, apresenta um resumo a respeito deste livro que é uma continuação do Evangelho de Lucas; 2) O texto “Epístolas”, para o apoio do terceiro tópico, mostra que o livro de Atos é um relato histórico vital para as epístolas de Paulo e de outros apóstolos.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

 

Nesta lição, temos um panorama geral a respeito do avivamento no Novo Testamento. Estudaremos o avivamento trazido por Cristo mediante aos homens comissionados por Ele para proclamar a mensagem de Boas-Novas para Israel e o mundo. Desse modo, nosso Senhor trouxe a mais poderosa mensagem que os homens ouviram: a mensagem do Reino de Deus. Os apóstolos do Senhor transmitiram essa gloriosa mensagem por meio de epístolas e livros.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Houve muitos avivamentos no Antigo Testamento ou na antiga aliança. Todos eles, porém, tiveram, por assim dizer, um tempo de validade. Uns duraram mais, e outros, menos. No capítulo anterior, vimos um resumo dos momentos em que o Senhor Deus visitou o seu povo de forma extraordinária; sempre em resposta ao clamor do povo, tendo à frente um líder espiritual, um profeta, ou um rei, como foi no caso de Davi, Asa, Josafá, Josias e outros.

No Novo Testamento, todavia, podemos constatar que os avivamentos tiveram períodos mais longos. O maior dos avivamentos na época da Igreja foi o trazido por nosso Senhor e salvador Jesus Cristo. Ele, sim, trouxe um avivamento não apenas para Israel, como acontecia no Antigo Testamento, mas também um avivamento para o mundo. Os judeus rejeitaram-no e perderam a maior e mais preciosa oportunidade de ter a sua nação apresentada ao mundo como o povo eleito para representá-lo em toda a terra: “Mas, agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome; tu és meu” (Is 43.1).

O avivamento no Novo Testamento começa com Jesus, mas não termina com Ele. A sua mensagem ultrapassa os tempos e a história e é projetado para todos os séculos. A mensagem de Cristo não foi para um período determinado, em resposta a uma situação particular de um povo. A sua mensagem é a revelação de Deus para toda a humanidade:

Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3.16,17).

Neste capítulo, temos um panorama geral do avivamento no Novo Testamento. Em capítulos posteriores, veremos mais detalhadamente o avivamento trazido por Cristo, bem como momentos especiais, quando o Senhor usou homens chamados por Ele para proclamar a sua Palavra de salvação para Israel, para algumas pessoas e para o mundo. Na verdade, Jesus veio ao mundo para trazer a mensagem mais poderosa e impactante que os homens já ouviram: a mensagem do Reino de Deus.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

PALAVRA-CHAVE: Novo Testamento

 

 

I – O AVIVAMENTO NOS EVANGELHOS

 

 

O Novo Testamento é a revelação última de Deus para o mundo. Abordamos, primeiramente, o avivamento em João, pois sua mensagem é a mais objetiva da parte de Cristo para uma missão gloriosa entre os homens.

 

 1. O AVIVAMENTO EM JOÃO

 

O Evangelho de João foi escrito entre os anos 80 e 95 d.C. Sua abordagem difere dos outros três evangelistas. Daí não considerarmos esse Evangelho um livro sinótico.

No encontro de Jesus com a mulher samaritana, uma “água” diferente é revelada aos homens: “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). Esse versículo é o resumo da missão redentora de Jesus: Preencher o vazio da alma com a salvação, sanar as necessidades espirituais e emocionais do ser humano. Só Jesus pode fazer isso. Esse encontro entre o Salvador e a mulher samaritana mostra que o fruto da mensagem divina traz vida aos que estão mortos espiritualmente (Cl 2.12,13). Esse é o maior de todos os avivamentos que uma pessoa pode experimentar.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Evangelho de João, escrito entre 80 e 95 d.C., tem uma abordagem diferente dos outros três evangelistas — daí não ser considerado um Evangelho sinótico. Narra diversos fatos no ministério de Jesus que não constam nos outros evangelhos.

O Evangelho do Filho de Deus

João tem narrativa um tanto distinta de Mateus, Marcos e Lucas.

Na sua narrativa, os três Evangelhos sinóticos revelam o ministério de Jesus, enfatizando o seu Reino, os seus milagres e a sua humanidade — como Lucas —, sem deixar de demonstrar a sua divindade. Já o Evangelho de João destaca desde o início o aspecto divino de Jesus, o Filho de Deus. Os versículos-chave que expressam essa visão estão registrados em João 20.30,31: Jesus, pois, operou também, em presença de seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

A divindade de Jesus

De modo bem profundo, João teve a revelação, dada pelo Espírito Santo, acerca da divindade de Jesus. Ele viu a eternidade de Jesus quando escreveu os primeiros versículos do seu livro: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus” (Jo 1.1,2). Outros textos bíblicos confirmam essa conclusão do evangelho de João (Rm 9.5; Hb 1.8; Mt 3.17 e refs). Ele tem todos os atributos absolutos de Deus:

onipresença (Mt 28.20); onisciência (Jo 2.24); onipotência (Mt 28.18); imutabilidade (Hb 13.8); eternidade (Jo 8.58; Cl 1.15-18);

Jesus, o Criador

João recebeu a revelação de que Jesus, além de ser Deus, é também o criador de todas as coisas: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele, estava a vida e a vida era a luz dos homens” (1.3,4). Paulo corrobora a afirmação de João “porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele” (Cl 1.16 – grifo acrescido).

Os sinais da glória e da divindade de Jesus

Podemos resumir a mensagem de João sobre Jesus com vários textos que indicam de forma clara e evidente a sua divindade. Com base na Bíblia de Estudo Pentecostal, na introdução do comentário sobre João, o texto da Bíblia apresenta “as evidências comprobatórias” da divindade de Cristo, que incluem:

1) Sete sinais. Jesus revelou claramente a sua identidade através destes sinais: (I) a transformação da água em vinho em Caná (2.1-11); (II) a cura do filho de um oficial do rei (4.46-54); (III) a cura do paralítico de Betesda, enfermo há 38 anos (5.2-15); (IV) a multiplicação dos cinco pães e dois peixes para quase cinco mil homens, fora mulheres e crianças (6.1-15); (V) Jesus andando sobre o mar (6.16-21); (VI) a cura de um cego de nascença (9.1-41); e (VII) a ressurreição de Lázaro (11.1-46).

2) Sete sermões. Jesus revelou a sua grande sabedoria através destes sermões: (I) o sermão de Jesus a Nicodemos, em que Ele fala sobre o grande amor de Deus pela humanidade e a salvação ou condenação (3.1-21); (II) a pregação de Jesus à mulher de Samaria, quando Ele revela-se como o Messias (4.4-42); (III) Jesus declarasse Filho de Deus e igual ao Pai (5.19-47); (IV) Jesus declara-se o pão da vida para os que nEle creem (6.22-59); (V) o ensino de Jesus no Templo causa dissensão entre os judeus (7.37-44); (VI) Jesus declara-se como a luz do mundo (8.12-30); e (VII) Jesus apresenta-se como o bom Pastor (10.1-21).

3) Sete declarações “Eu sou”. Jesus revelou figuradamente aquilo que Ele é como redentor da raça humana através destas declarações: (I) “E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. (6.35); (II) Jesus declara a sua missão: “Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8.12); (III) Jesus declara que dá a sua vida, e ninguém a tira dEle: “Por isso, o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém má tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar e poder para tornar a tomá-la […]” (10.17,18); (IV) Jesus declara que é o bom Pastor: “Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (10.11); (V) Jesus declara que é a ressurreição e a vida: “Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (11.25); (VI) Jesus promete “outro Consolador”: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (14.16); e (VII) Jesus declara-se “a videira verdadeira” (15.1).

4) E, por fim, este é o maior e mais maravilhoso sinal: a ressurreição corpórea de Jesus como o sinal supremo e a prova máxima de que Ele é o Cristo, o Filho de Deus (20.31).

Diante de tantos sinais da sua divindade e missão, podemos dizer que João registrou momentos especiais do avivamento espiritual, trazido por Jesus ao mundo quando Ele, sendo Deus, fez-se homem e habitou entre nós para vivenciar a realidade do ser humano sob o domínio do pecado: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). Ele é o Verbo de Deus: “No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.1-3).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Precisamos tirar as sandálias dos nossos pés. O território no qual vamos caminhar doravante é terra santa. O evangelho de João é o santo dos santos de toda a revelação bíblica. E o livro mais importante da história. Steven Lawson chama-o de o monte Everest da teologia, o mais teológico dos evangelhos. Charles Erdman o considera o mais conhecido e o mais amado livro da Bíblia. Provavelmente, é a mais importante peça da literatura que há no mundo. Para William Hendriksen, o evangelho de João é o livro mais maravilhoso já escrito. Lawrence Richards o descreve como “o evangelho universal”.

Mateus apresentou Jesus como Rei, Marcos como servo e Lucas como homem perfeito. João, por sua vez, apresenta Jesus como Deus. Os três primeiros evangelhos são chamados sinóticos porque têm grandes semelhanças entre si. João, porém, distingue- se dos demais em seu conteúdo, estilo e propósito.

Charles Swindoll diz que não temos quatro evangelhos; temos apenas um evangelho, escrito de quatro pontos de vista diferentes. Temos uma biografia elaborada por quatro testemunhas, cada escritor provendo uma perspectiva peculiar. Nessa mesma linha de pensamento, Andreas Kostenberger afirma: “Os quatro evangelhos bíblicos apresentam o único evangelho da salvação em Jesus Cristo, segundo quatro testemunhas importantes: Mateus, Marcos, Lucas e João”.

O evangelho de João tem um propósito específico: apresentar Jesus como o Verbo divino que se fez carne, o criador do universo, revelador do Pai, o Salvador do mundo, por meio de quem recebemos, pela fé, a vida eterna (20.30,31). Concordo com John MacArthur quando ele diz que o objetivo de João era tanto apologético, “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, como evangelístico, e que crendo tenhais vida em seu nome” (20.31).

O propósito de João nos capítulos 1-12 é apresentar o ministério público de Jesus e, nos capítulos 13-21, apresentar seu ministério privado. Os capítulos 1-12 abrangem um período de três anos; os capítulos 13-21, exceto o capítulo 21, abrangem um período apenas de quatro dias. A primeira parte do livro enfatiza os milagres de Jesus, enquanto a segunda parte recorda os discursos feitos aos seus discípulos.

E E Bruce diz com acerto que todo o evangelho enfatiza que Jesus é o Filho eterno do Pai, enviado ao mundo para sua salvação. Gundry declara que, acima de qualquer consideração, João é o evangelho da fé. De fato, o verbo “crer” é a palavra-chave do presente evangelho. A palavra grega pisteuo, traduzida por “crer”, aparece 98 vezes no evangelho de João. Mas o que significa “crer”? Não se trata apenas de um assentimento intelectual acerca de Jesus. Significa confessar a verdade como verdade; e mais: significa confiar. Crer em Jesus, portanto, é colocar plena confiança nele como Salvador. Isso quer dizer que devemos colocar nossa confiança nele, e não apenas em sua mensagem.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 11-12; 16-17.

 

 

Características Especiais

Oito características ou ênfases principais destacam o Evangelho segundo João. (1) Jesus como “o Filho de Deus”. Do prólogo do Evangelho, com sua sublime declaração: “vimos a sua glória” (1.14), até à sua conclusão na confissão de Tomé: “Senhor meu, e Deus meu! ” (20.28), Jesus é Deus, o Filho encarnado. (2) A palavra “crer” ocorre 98 vezes, equivalente a receber a Cristo (1.12). Ao mesmo tempo, esse “crer” requer do crente uma total dedicação a Ele, e não apenas uma atitude mental. (3) “Vida eterna” em João é um conceito-chave, referindo-se não tanto a uma existência sem fim, mas à nova qualidade de vida que provém da nossa união com Cristo, a qual resulta tanto na libertação da escravidão do pecado e dos demônios, como em nosso crescimento contínuo no conhecimento de Deus e na comunhão com Ele. (4) Encontro de pessoas com Jesus. Temos neste Evangelho 27 desses encontros individuais assinalados. (5) O ministério do Espírito Santo, pelo qual Ele capacita o crente, comunicando-lhe continuamente a vida e o poder de Jesus após sua morte e ressurreição. (6) A “verdade”. Jesus é a verdade; o Espírito Santo é o Espírito da verdade, e a Palavra de Deus é a verdade. A verdade liberta (8.32); purifica (15.3). Ela é a antítese da natureza e atividade de Satanás (8.44-47, 51). (7) A importância do número sete neste Evangelho: sete sinais, sete sermões e sete declarações “Eu sou” dão testemunho de quem Jesus é (cf. a proeminência do número “sete” no livro de Apocalipse, do mesmo autor). (8) O emprego doutras palavras de destaque como: “luz”, “palavra”, “carne”, “amor”, “testemunho”, “conhecer”, “trevas” e “mundo”.

438/852

STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

 

 2. O AVIVAMENTO EM MATEUS

 

O Evangelho de Mateus foi escrito cerca de 60 d.C. É considerado o Evangelho do Reino ou o Evangelho do Rei. As expressões “Reino dos Céus”, “Reino” ou “Reino de Deus” aparecem mais de 30 vezes no texto. O propósito primário de Mateus é revelar aos judeus, e depois ao mundo, que Jesus é o Messias prometido no Antigo Testamento por meio dos profetas. Assim, Mateus revela o real avivamento que o mundo poderia vivenciar (Mt 4.13-17).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Mateus foi escrito cerca de 60 d.C. É considerado o Evangelho do Reino, ou o evangelho do Rei e do Messias. A expressão “Reino dos céus”, “Reino” ou “Reino de Deus” aparece mais de trinta vezes no seu texto. O objetivo de Mateus é revelar, primeiramente aos judeus e depois a todo o mundo, que Jesus é o Messias prometido no Antigo Testamento por meio dos profetas — eles, porém, não o receberam (Jo 1.11) — e mostrar aos homens o Reino de Deus (Is 42.1; 53). O grande “mistério” dessa revelação foi que Jesus não veio ao mundo com pompas, nem com poder de um rei à frente de um poderoso exército humano. Ele veio como Filho do Homem, nascido pobre, num berço humilde, como um servo humilde, sofredor. Os judeus jamais entenderam essa condição, e a maior parte do mundo nunca a absorveu.

A maior revelação de Deus para a humanidade

Jesus veio trazer ao mundo a maior e mais profunda revelação da realidade humana desde a sua origem no Éden. Ele trouxe o maior avivamento que o mundo podia ver e vivenciar:

E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia das nações, o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou. Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus. (Mt 4.13-17)

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Mateus e o Espírito Santo

A apresentação de Mateus acerca do Espírito Santo é mais extensa que a de Marcos, mas não é tão desenvolvida quanto a de Lucas ou João. As características salientes de sua pneumatologia incluem o seguinte:

1) O Espírito Santo foi o agente da concepção de Jesus (Mt 1.18).

2) O batismo com o Espírito Santo e com fogo distingue o ministério de Jesus do de João Batista (Mt 3). O fogo é principalmente um batismo de julgamento. João Batista declara que Jesus é quem batiza para avisar os fariseus e saduceus que Ele fará justiça (Mt 3-11,12); Mateus indica aqui e em outro lugar (Mt 28.19) que o batismo com o Espírito Santo e o batismo de fogo são dois batismos diferentes. Os dois grupos endereçados na pregação de João Batista em Mateus são: (a) os verdadeiramente arrependidos; e (b) os fariseus e saduceus. Como está implícito na fórmula batismal em Mateus 28.19, o batismo com o Espírito Santo é para os crentes arrependidos. O fogo é para as árvores que não dão frutos (Mt 3-8-10).

3) Como em Marcos, a cena do batismo em Mateus identifica que Jesus é quem está associado com o Espírito Santo e que, portanto, é quem batiza. Nesta mesma ocasião, a voz do céu associa Jesus com o Messias, o Ungido (Mt 3.16,17).

4) O Espírito Santo guia Jesus (Mt 4.1).

5) O Espírito de Deus capacita Jesus a proclamar julgamento e levar a justiça à vitória. Mateus considera esta capacitação como cumprimento da profecia relativa à capacidade de jesus curar e/ou sua manifesta evitação de conflito com os fariseus. Mateus vê o Espírito como a fonte da autoridade de Jesus (Mt 12.15-21).

6) Os títulos “o Espírito”, “o Espírito Santo” e “o Espírito de Deus” são sinônimos (Mt 12).

7) O Espírito do Pai falará através dos crentes, quando eles forem confrontados pelas autoridades (Mt 10.19,20).

8) Falar contra as obras de Jesus é falar contra o Espírito Santo, que é pecado capital (Mt 12.22-32).

9) Como Marcos, o poder de Jesus fazer exorcismos e confrontar o Diabo é atribuído por Mateus à capacitação que Jesus recebeu do Espírito Santo (Mt 12.28).

10) Os profetas falaram pelo Espírito Santo (Mt 22.43).

11) Os discípulos de Jesus devembatizar emnome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Toda autoridade é dada a Jesus. Antes da ressurreição, Jesus opera pela autoridade do Espírito Santo. Jesus dispensa poder aos discípulos na Grande Comissão (Mt 28.18-20). O material de Mateus sobre o Espírito

Santo serve a dois de seus interesses distintos: o papel da Igreja (eclesiologia) e a identificação de Jesus (cristologia). Mateus fala das questões da Igreja quando os outros escritores dos Evangelhos não o fazem (e.g., Mt 16.17-19; 18.15-20; 20.1-16; 28.18-20). Mateus vê o Espírito Santo como a fonte de inspiração e autoridade para a Igreja (Mt 10.19,20; 28.18-20), Seguindo a direção de Marcos, Mateus ressalta a ligação de Jesus com o Espírito Santo para demonstrar sua filiação. Ele mostra que embora Jesus tenha se humilhado, aceitando o batismo pelas mãos de João Batista, Jesus é maior que João Batista. A descida do Espírito Santo em resultado do batismo de Jesus comprova a profecia de João Batista, de que o que viria depois dele lhE seria superior no Espírito Santo (Mt 3.11-17).

O entendimento da obra do Espírito Santo, comum ao material paulino e joanino e a Lucas e Mateus, indica uma pneumatologia muito difusa e básica, que excede o conteúdo apresentado em Marcos (Shelton, 1991, pp. 7-9).

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 7.

 

 

Características Especiais

São sete as características principais deste Evangelho.

(1) É o mais judaico dos quatro Evangelhos.

(2) Contém a exposição mais sistemática dos ensinos de Jesus e do seu ministério de cura e libertação. Isto levou a igreja, no século II, a usá-lo intensamente na instrução dos novos convertidos.

(3) Os cinco sermões principais já mencionados contêm os textos mais extensos dos Evangelhos sobre o ensino de Jesus (a) durante seu ministério na Galileia, e (b) quanto a escatologia (as últimas coisas a acontecer).

(4) Este Evangelho, de modo específico, identifica eventos da vida de Jesus como sendo cumprimento do AT, com mais frequência do que qualquer outro livro do NT.

(5) Menciona o reino dos céus (reino de Deus) duas vezes mais do que qualquer outro Evangelho.

(6) Mateus destaca (a) os padrões de retidão do reino de Deus (5–7); (b) o poder divino ora em operação no reino, sobre o pecado, a doença, os demônios e a morte; e (c) o triunfo futuro do reino, na vitória final de Cristo, nos fins dos tempos.

(7) Mateus é o único Evangelho que menciona a igreja como entidade futura pertencente a Jesus (16.18; 18.17).

STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

 

 3. O AVIVAMENTO EM MARCOS

 

No Evangelho de Marcos, Jesus é apresentado como servo em três aspectos. Primeiro, ele mostra Jesus como o servo vencedor sobre as enfermidades, os demônios, as forças da natureza e a morte.

Segundo aspecto, o evangelista apresenta Jesus como o servo sofredor, maltratado pelos líderes judaicos, sacerdotes, traído por Judas, um de seus discípulos (Mc 14.10,11), e humilhado pelos soldados romanos (Mc 15.1-20).

Terceiro, Marcos apresenta Jesus como servo triunfante. A mensagem do anjo às mulheres, que foram ao seu túmulo, afirma: “[…] Já ressuscitou, não está aqui” (Mc 16.6-8). Assim, nosso Senhor foi morto, mas ressuscitou triunfante ao terceiro dia, vencendo a morte, o pecado, o mundo e o Maligno.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O Evangelho de Marcos inclui-se entre os Evangelhos sinóticos, semelhantes ou com a mesma visão dos fatos narrados nas Escrituras, sobre o ministério terreno de Jesus. Foi escrito entre 55 e 65 d.C. Segundo se entende, foi dirigido aos romanos. Não traz detalhes da vida de Jesus — a sua genealogia, o seu nascimento, a sua infância ou juventude —, como se pode encontrar nos outros Evangelhos. A narrativa de Marcos abrange, desde o seu início, as atividades de Jesus, a começar com os seus milagres, sinais e maravilhas. E rapidamente o faz, pois passa de um texto para outro de forma bem objetiva.

Evangelho do Servo

O seu Evangelho é chamado de “o Evangelho do Servo”. Ele mostra Jesus como o Servo de Deus que atua de forma incansável e poderosa. Enquanto os outros Evangelhos retratam muitos sermões de Jesus, Marcos apresenta dezoito milagres por Ele operados, e somente quatro das suas parábolas. Desde o início, é uma mensagem de avivamento. Os judeus estavam acostumados e cansados de ouvir palavras vazias dos escribas, dos fariseus e saduceus, mas a mensagem de Jesus era plena de poder e de autoridade: “E aconteceu que, concluindo Jesus este discurso, a multidão se admirou da sua doutrina, porquanto os ensinava com autoridade e não como os escribas” (Mt 7.28,29).

O Servo em três dimensões

Marcos apresenta no seu evangelho Jesus como Servo em três dimensões.

a) Primeiro, ele mostra Jesus como o Servo vencedor.

Descreve, desde o início, os milagres de Jesus com incrível riqueza de detalhes nas suas atividades à beira do mar da Galileia, nas sinagogas ou no Templo.

Ele relata Jesus como o servo vencedor sobre as enfermidades, curando leprosos (1.40-45), paralíticos (2.1-12), cegos (8.22-26; 10.46-52), deficientes (3.1-12), com hemorragia crônica (5.21-34) e outras diversas doenças (Mc 1.40; 7.31-35).

Também mostra Jesus como o vencedor sobre os demônios. Ele libertou o endemoninhado de Cafarnaum (1.21-28), o endemoninhado gadareno (5.1-20), a filha da mulher cananeia (7.24-30) e um jovem lunático de uma casta de demônios (9.14-29).

Jesus também tem poder sobre as forças da natureza. Ele acalmou uma grande tempestade (4.35-41), andou sobre o mar e acalmou outra tempestade (6.45-51), multiplicou pães e peixes, alimentando cerca de cinco mil homens, além das mulheres e crianças (6.30-44; cf. Mt 14.21) e outra vez multiplicou pães e peixes para quatro mil pessoas. E Jesus é vencedor sobre a morte, pois ressuscitou a filha de Jairo (Mc 5.35-43).

b) Em segundo lugar, mostra Jesus como o Servo sofredor.

Depois de só ter feito o bem, operando milagres, sinais e maravilhas entre o povo, Jesus despertou a inveja e a maldade dos homens, principalmente dos líderes judaicos, dos sacerdotes:

E, dali a dois dias, era a Páscoa e a Festa dos Pães Asmos; e os principais dos sacerdotes e os escribas buscavam como o prenderiam com dolo e o matariam. Mas eles diziam: Não na festa, para que, porventura, se não faça alvoroço entre o povo. (Mc 14.1,2)

Como se não bastasse a malícia dos sacerdotes judeus, Jesus foi traído por ninguém mais do que um dos seus apóstolos. Judas foi subornado para entregar Jesus nas mãos dos seus inimigos:

E Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais dos sacerdotes para lho entregar. E eles, ouvindo-o, alegraram-se e prometeram dar-lhe dinheiro; e buscava como o entregaria em ocasião oportuna. (Mc 14.10,11)

Depois da última Páscoa e da Santa Ceia (Mc 14.12-26), Jesus foi preso injustamente, pois não fizera mal algum, e foi ouvido pelo Sinédrio, o tribunal religioso dos judeus. Instantes depois, Pedro negou-lhe três vezes (14.66-72). Em seguida, foi levado ao governador romano, Pilatos, que, não vendo razão alguma para condená-lo, quis soltá-lo, só que os sacerdotes incitaram a multidão para pedir a morte de Jesus e a libertação de um ladrão e homicida chamado Barrabás.

Entregue aos soldados romanos, Jesus sofreu grande humilhação, cuspiram no seu rosto, feriram-no e colocaram uma coroa de espinhos sobre a sua cabeça (15.1-20). Dali, Jesus foi levado ao Calvário, onde o crucificaram entre dois malfeitores. Lá Ele sentiu a mais terrível dor no seu sofrimento atroz. Jesus expirou à hora nona, por volta das 15h no horário romano. Parecia o fim da sua missão e da sua vida, mas os céus e a terra viram a sua grande vitória sobre a morte.

c) Em terceiro lugar, Jesus foi o Servo triunfante! Marcos registra que, no terceiro dia, na antemanhã do domingo, quando as mulheres levaram unguentos para o seu corpo, tiveram a maior surpresa das suas vidas. A pedra não estava fechando o túmulo.

Um anjo apresentou-se a elas, deixando-as muito assustadas: Porém ele disse-lhes: Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram. Mas ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que ele vai adiante de vós para a Galileia; ali o vereis, como ele vos disse. E, saindo elas apressadamente, fugiram do sepulcro, porque estavam possuídas de temor e assombro; e nada diziam a ninguém, porque temiam (Mc 16.6-8).

Como prometera, Jesus foi morto, mas ao terceiro dia ressuscitou triunfante sobre a morte, sobre o pecado, sobre o mundo e sobre o Maligno.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

O estudo do Evangelho de Mancos revelará os seguintes fatos: 1) sua exiguidade – é o mais breve dos Evangelhos; 2) os atos de Jesus são enfatizados mais que seus discursos; 3) a introdução é suscinta, consistindo de um só versículo; 4) palavras tais como “imediatamente” e “logo” são encontradas por todo o livro.

Estes fatos são uma indicação da natureza do evangelho ora em estudo.

Marcos é o “Evangelho da Ação”, mostrando Jesus como o Servo do Senhor, labutando incansavelmente na esfera da redenção do homem. A mensagem, ou tema, do livro, pode ser resumida com as palavras de 10.45: “Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos”. Alguns estudiosos veem Jesus neste Evangelho como o Poderoso Conquistador, levando adiante sua campanha para a libertação da raça humana de toda a morte e pecado.

O trecho, em estudo, mostra como o Obreiro preparava-se para a obra: mediante o ministério de João Batista entre o povo; e pelo revestimento de poder espiritual vindo do alto. Primeiro, João Batista preparou o povo para Cristo; depois, preparou Cristo para o povo.

Myer Pearlman. Marcos, O Evangelho do Servo de Jeová. Editora CPAD. 6 Ed. 2006. pag. 7-8.

 

 

Data

O martírio de Pedro por meio de crucificação foi predito por Jesus (Jo 21.18,19; 2Pe 1.14). H á autores cristãos do início da Era Cristã que afirmam que isso ocorreu em Roma, em conexão com a perseguição de Nero aos cristãos em 64 d.C. Mas esses autores expressam opiniões diferentes acerca de se Pedro estava vivo ou não quando Marcos escreveu esse evangelho. Clemente de Alexandria e Orígenes criam que Pedro ainda estava vivo, enquanto Ireneu e o autor do Prólogo anti-Marcião do evangelho de Marcos acreditavam que ele estava morto. Pode-se deduzir que essa também era a opinião de Papias, em bora ele não afirme isso categoricam ente.

Essa é a opinião mais defendida hoje, com a consequência de que se considere em geral que o evangelho de Marcos tenha sido escrito c. 65 d.C. Harnack, no entanto, tinha a opinião de que o evangelho foi escrito “durante a sexta década do século I, no mais tardar” (Date of the Acts and o f the Synoptic Gospels, 1911, p. 133), pois para ele não era fato incontestável que Pedro tivesse morrido antes de Marcos ter escrito o evangelho. Harnack achava que, em virtude de como termina o livro de Atos, não precisava de explicações o fato de esse livro ter sido escrito antes da morte de Paulo, e isso em 62 d.C., ou perto disso, e, nesse caso, o “primeiro livro” de Lucas (At 1.1), i.e., seu evangelho, teria sido escrito pouco antes disso, e o evangelho de Marcos, por consequência (muito evidentemente uma fonte do evangelho de Lucas), teria sido ainda antes. É difícil perceber qualquer razão convincente para se abandonar a argumentação de Harnack. N a sua referência ao relato de Marcos, T . W. Manson declarou: “A composição do evangelho pode ser datada vários anos antes da época comumente aceita” (Studies in the Gospels and Epistles, p. 45), sugerindo entre 58 e 65 d.C. (ibid., p. 5).

Características

O evangelho de Marcos é o mais breve dos evangelhos do cânon. E conciso e repleto de ação, uma característica que seria cativante para a m ente prática dos romanos, para quem, sem dúvida, foi originariam ente escrito. A parte dedicada aos atos de Jesus, em comparação com as suas palavras, é maior no evangelho de Marcos do que nos outros. Dezoito milagres são registrados, em contraste com apenas quatro parábolas completas. Nota-se um número excepcionalmente grande de relatos de expulsão de demônios por parte de Jesus (1.23-27,32-34; 3.11,22-27; 5.1-20; 7.25-30; 9.17-29). O evangelho fornece poucos comentários acerca desses acontecimentos, e em geral as ações falam por si mesmas.

Diferentemente de biografias comuns, o evangelho de Marcos não relata nada acerca do nascimento de Jesus, seu crescimento e aparência; tampouco especifica a duração do seu ministério público, nem sua idade na época da crucificação. Cerca de um terço do relato é dedicado à descrição dos oito dias entre a entrada de Jesus montado no jumento e sua ressurreição.

Bruce; F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. Editora Vida. pag. 1603-1604.

 

 

 4. O AVIVAMENTO EM LUCAS

 

O Evangelho de Lucas, “o médico amado” (Cl 4.14), é considerado “o evangelho do Filho do Homem” (Lc 19.10) pelos estudiosos. Nenhum outro evangelista retrata tão bem a humanidade de Jesus.

Lucas registra o nascimento singular do Salvador (Lc 2.1-7), bem como a mensagem dos anjos aos pastores (Lc 2.10-14). Um novo tempo que chegava para Israel e o mundo. Era o avivamento enviado dos céus.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O Evangelho de Lucas é considerado pelos estudiosos “o Evangelho do Filho do Homem” (cf. Lc 19.10). Nenhum outro evangelista retrata tão bem a humanidade de Jesus. Enquanto Marcos começa a sua narrativa com os milagres de Jesus, e João inicia abordando a divindade dEle, Lucas, que era “o médico amado” (Cl 4.14), tem o interesse e o cuidado de buscar informações e detalhes de aspectos bem humanos de Jesus:

Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio, para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado. (Lc 1.1-4 – grifos acrescidos)

Prenúncio do avivamento

Na condição de médico, exercendo a medicina do seu tempo, Lucas mostra que teve uma sensibilidade para inteirar-se de fatos bem característicos da humanidade de Jesus. Ele inicia narrando a experiência do sacerdote Zacarias, que teve a revelação de que ele, sendo avançado em idade, e a sua mulher, idosa e estéril, haveria de gerar um filho, a quem lhe poria o nome de João. O anjo era ninguém menos que Gabriel, assistente diante de Deus (Lc 1.5-25).

Depois de seis meses que Isabel ficou grávida, o anjo Gabriel foi enviado a Nazaré. Ali se dirigiu a uma jovem por nome Maria, que era noiva de um homem chamado José. A palavra do anjo Gabriel causou impacto em Maria quando o mensageiro celestial avisou que, mesmo virgem, seria mãe de um filho, a quem colocaria o nome de Jesus (Lc 1.26-30).

O avivamento com júbilo nos corações

Lucas relata impressionantemente como Jesus nasceu: como uma humilde criança num berço de palha. A partir do anúncio do nascimento de Jesus, o avivamento começou com louvores a Deus.

Maria entoou um hino de adoração ao Senhor, chamado pela literatura cristã de “Magnificat”. Depois do nascimento de João Batista, o seu pai, Zacarias, também cantou um belo hino, exaltando a Deus. Cheio do Espírito Santo, proclamou grandes verdades, dizendo:

E Zacarias, seu pai, foi cheio do Espírito Santo e profetizou, dizendo:

Bendito o Senhor, Deus de Israel, porque visitou e remiu o seu povo! E nos levantou uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo, como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo, para nos livrar dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos aborrecem e para manifestar misericórdia a nossos pais, e para lembrar-se do seu santo concerto e do juramento que jurou a Abraão, nosso pai, de conceder-nos que, libertados das mãos de nossos inimigos, o servíssemos sem temor, em santidade e justiça perante ele, todos os dias da nossa vida (Lc 1.67-75).

Esse trecho de Lucas define bem o que foi o avivamento mandado por Deus mediante o nascimento de Jesus Cristo.

O avivamento com o nascimento de Jesus

Jesus nasceu em meio a uma viagem do seu pai adotivo e da sua mãe. José teve de deslocar-se de Nazaré a Belém numa distância de aproximadamente 150 quilômetros para alistar-se com Maria num recenseamento decretado por César Augusto, imperador romano, que dominava a Palestina. Nada que o Senhor Deus programa acontece por acaso. Por não haver lugar para o casal viajante, José teve de levar Maria para dar à luz ao seu filho numa estrebaria:

E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. (Lc 2.6,7)

Naquela noite santa, um grupo de pastores estava no campo em Belém. De repente, em plena madrugada, o anjo do Senhor veio sobre eles e deu-lhes a maravilhosa notícia do nascimento do Salvador do homem:

E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo, pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: achareis o menino envolto em panos e deitado numa manjedoura. E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus e dizendo: Glória a Deus nas alturas, paz na terra, boa vontade para com os homens! (Lc 2.10-14)

Foi uma mensagem que anunciou o maior avivamento de que o mundo teve notícias.

Seguindo a orientação dos anjos, os pastores foram a Belém e descobriram o que nunca imaginavam:  E foram apressadamente e acharam Maria, e José, e o menino deitado na manjedoura. E, vendo-o, divulgaram a palavra que acerca do menino lhes fora dita. E todos os que a ouviram se maravilharam do que os pastores lhes diziam. Mas Maria guardava todas essas coisas, conferindo-as em seu coração. E voltaram os pastores glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, como lhes havia sido dito. (Lc 2.16-20)

Os pastores ficaram maravilhados com o que viram naquele lugar, onde os animais alimentavam-se, e saíram divulgando o que ouviram dos mensageiros celestiais e constatado por eles mesmos.

Era um novo tempo chegando para Israel e para o mundo. Era o avivamento enviado dos céus. Lucas relata a infância de Jesus e os fatos marcantes da sua vida e ministério. Quase na mesma sequência de Marcos, ele narra as curas e milagres que Jesus operou.

O avivamento do Salvador do Mundo

O evangelho de Lucas mostra Jesus como o grande salvador Todo-poderoso. Ele revela aos seus seguidores que haveria de pregar o evangelho, mas que haveria de sofrer e morrer para ser o grande vencedor (9.22). Certamente, a mensagem de Jesus, proferida na casa de Zaqueu, o publicano, pode resumir a sua grande missão ao fazer-se homem e habitar entre os homens: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (19.10).

Com toda a certeza, Lucas mostra Jesus como o Filho do Homem, mas também como o Filho de Deus, que trouxe ao mundo a mensagem poderosa do evangelho, como disse Paulo: Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). A mensagem de Cristo é a mensagem do maior e mais poderoso avivamento que haveria de chegar para a humanidade. Não é teoria, nem filosofia, nem mesmo sabedoria humana. É salvação, cura, libertação, transformação de vidas — é comunhão com Deus. É o maior avivamento da história! Infelizmente, a maioria das pessoas não tem esse entendimento.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

O mesmo eminente erudito, Ernest Renan, que designou o evangelho de Mateus como «o mais importante livro que jamais foi escrito», declarou que o evangelho de Lucas é «o mais belo livro que jamais foi escrito». Buckner B. Trawick («The New Testament as Literature», Gospels and Acts, pág. 50), acredita que o evangelho de Lucas é o mais amado dos livros. E é amado por todos porque seu próprio autor sempre demonstrou sinais de ternura. Contentou-se em perder-se inteiramente em Alguém maior do que ele e o seu livro mostra que ele amava à humanidade com uma afeição genuína. Era o «médico amado» conforme o apóstolo Paulo o chamou (ver Col. 4:14).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 1.

 

 

Características Especiais

São oito as características principais do Evangelho segundo Lucas. (1) Seu amplo alcance no registro dos eventos na vida de Jesus, desde a anunciação do seu nascimento até a sua ascensão. (2) A qualidade excepcional do seu estilo literário, empregando um vocabulário rico e escrito com um domínio excelente da língua grega. (3) O alcance universal do Evangelho — que Jesus veio para salvar a todos: judeus e gentios igualmente. (4) Ele salienta a solicitude de Jesus para com os necessitados, inclusive mulheres, crianças, os pobres e os socialmente marginalizados. (5) Sua ênfase na vida de oração de Jesus e nos seus ensinos a respeito da oração. (6) O notável título de Jesus neste Evangelho, a saber: “Filho do Homem”. (7) Seu enfoque sobre a alegria que caracteriza aqueles que aceitam a Jesus e a sua mensagem. (8) Sua ênfase na importância e proeminência do Espírito Santo na vida de Jesus e do seu povo (e.g., 1.15, 41, 67; 2.25-27; 4.1, 14, 18; 10.21; 12.12; 24.49).

STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

 

SINÓPSE I

 

O Novo Testamento mostra o avivamento que a mensagem de Jesus pode revelar ao mundo.

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

 

Sinóticos

 

“[Do hb. Besorah; do gr. evangelion, Boas-Novas; do gr. synoptikós] Literalmente, eis o que significa este vocábulo: ‘o que de um só golpe de vista abrange várias coisas’. Assim são chamados os três primeiros Evangelhos. Embora enfoquem a vida de Jesus por diferentes prismas, Mateus, Marcos e Lucas [João não é um sinótico] proporcionam, em virtude de suas semelhanças, uma visão de conjunto da vida, do ministério e da paixão de Jesus Nosso Senhor”. Amplie mais o seu conhecimento, lendo a obra Dicionário Teológico, editada pela CPAD, p.103.

 

 

II – O AVIVAMENTO EM ATOS DOS APÓSTOLOS

 

 

A mensagem do livro de Atos transcende a história da Igreja Primitiva. Ela mostra que o Evangelho ultrapassou as fronteiras de Israel, chegando aos gentios de maneira impactante e avivada.

 

 

 1. O AVIVAMENTO NA IGREJA PRIMITIVA

 

No primeiro capítulo de Atos, o evangelista registra as palavras de Jesus, quando nosso Senhor disse aos apóstolos em sua despedida: “Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” (At 1.5). O cumprimento dessa promessa na vida da Igreja seria o maior avivamento ocorrido na história.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A promessa do derramamento do Espírito Santo

Lucas escreve o livro, destinando-o a um homem chamado Teófilo, e poderia ser apenas uma longa carta pessoal ao seu ilustre amigo. O Espírito Santo, porém, identificou esse trabalho e fez com que essa mensagem, dirigida a uma pessoa de bem e interessada nos fatos sobre Cristo e a sua Igreja, fosse incluída no cânon do Novo Testamento. Logo no primeiro capítulo, Lucas registra a palavra de Jesus quando se despedira dos seus apóstolos:

E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias. (At 1.4,5 – grifo acrescido)

Os apóstolos já eram salvos desde que creram em Jesus e tornaram-se os seus seguidores fiéis, exceto o que o traiu. Poderiam ter continuado a evangelizar de imediato após a volta de Jesus aos céus, mas faltava-lhes algo de maior importância: o batismo no Espírito Santo, bênção de poder do alto, distinta da conversão: “[…] mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias”. O verbo ser está no futuro do presente: “sereis batizados”. Eles eram nascidos de novo, mas precisavam de poder para evangelizar após Jesus ausentar-se deles para os céus. Era a promessa do maior avivamento que a Igreja haveria de experimentar depois do retorno de Cristo aos céus.

Lucas registra a preocupação dos discípulos sobre a restauração do reino a Israel. Parece que não perceberam a promessa de Jesus do batismo no Espírito Santo. Em resposta, Jesus disse-lhes que não deveriam preocupar-se com “os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder” (1.7). Ato contínuo, Jesus chamou-lhes a atenção para o que era mais importante naquele momento para eles e para a sua Igreja: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (1.8). Jesus reforçou e assegurou que, pelo seu Espírito Santo, a Igreja haveria de receber e experimentar o maior avivamento da história.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Dando uma ordem específica. “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, Jo 14.16; J1 2.281 que (disse ele) de mim ouvistes ״. O batismo do Senhor Jesus,

no Jordão, foi o sinal para Ele iniciar seu ministério. Assim, também, a Igreja precisava de um batismo que a preparasse a cumprir um ministério de alcance mundial. Não seria o ministério de criar uma nova ordem e, sim, de proclamar aquilo que Cristo já havia realizado. Mesmo assim, só no poder do Espírito Santo poderia tamanha obra ser levada a efeito.

Cristo dirigiu suas palavras a homens que possuíam íntimo relacionamento espiritual com Ele. Já tinham sido enviados a pregar, armados com poderes espirituais específicos (Mt 10.1). A eles fora dito: “Alegrai-vos antes por estarem os vossos nomes escritos nos céus” (Lc 10.20); sua condição moral já tinha sido definida com as palavras: “Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado” (Jo 15.3). Seu relacionamento com Cristo foi ilustrado mediante a figura da videira e dos ramos (Jo 15.5). Eles já conheciam a presença do Espírito nas suas vidas (Jo 14.17); já tinham sentido o sopro do Cristo ressurreto quando ele lhes disse: “Recebei o Espírito Santo”.

Mesmo assim deviam esperar a promessa do Pai! Isto nos mostra a importância deste revestimento.

Myer Pearlman. Atos, E a Igreja se Fez Missões. Editora CPAD. Ed. 1995. pag. 9.

 

 2. A DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

 

O batismo no Espírito Santo, registrado em Atos 2, é o comprimento da promessa de Deus feita em 835 a.C (Jl 2.28,29). Esse evento trouxe um avivamento espiritual no nascimento da Igreja.

Antes da chegada do Espírito Santo, nosso Senhor reuniu os discípulos e deu-lhes “a Grande Comissão” (Mc 16.15-18). Dias depois, receberam o cumprimento da gloriosa promessa, quando foram cheios do Espírito Santo (2.1-3), para executar “a Grande Comissão”. Para pregar o Evangelho é preciso receber o avivamento que vem do alto.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A chegada do batismo no Espírito Santo, registrado em Atos 2, foi o cumprimento da promessa de Deus 835 anos a.C.: E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito (Jl 2.28,29).

Antes da chegada do Espírito Santo, como Jesus prometera, Ele reuniu os discípulos depois de ter ressuscitado, deu-lhes “a Grande Comissão” (Mc 16.15,16) e prometeu-lhes o maior avivamento do qual eles seriam protagonistas e testemunhas: E estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome, expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e imporão as mãos sobre os enfermos e os curarão. (Mc 16.17,18 – grifo acrescido)

Depois de prometer a virtude do Espírito Santo sobre os seus discípulos para estes serem testemunhas com poder desde Jerusalém e “até aos confins da terra” (1.8), Jesus subiu aos céus de maneira surpreendente e gloriosa ante os olhares perplexos dos discípulos, que ficaram ansiosos, até que dois anjos “vestidos de branco” trouxeram-lhes a gloriosa mensagem de que o Cristo que eles acabavam de ver subir aos céus haveria de voltar da mesma forma como subira (1.11).

Houve um pequeno intervalo de dias antes do cumprimento da promessa do derramamento do Espírito Santo. Até que, cinquenta dias após a Páscoa, da qual Jesus participou pela última vez e instituiu a Ceia, os discípulos estavam reunidos “no mesmo lugar” (2.1), no cenáculo (1.13), na comemoração do Dia de Pentecostes.

Passaram cerca de dez dias em oração, esperando o cumprimento da gloriosa promessa:

Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar; e, de repente, veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. (2.1-3)

Com aquele maravilhoso evento sobrenatural, chegou ao mundo o início do maior avivamento espiritual para a humanidade. Ele veio para o mundo, pois foi através dele que os discípulos foram liberados por Jesus para pregar o evangelho “por todo o mundo” e “a toda a criatura” (Mc 16.15,16).

Foi apenas o começo do grande avivamento pentecostal. Dali em diante, os apóstolos, cheios do poder de Deus, pregaram o evangelho de Cristo em Jerusalém e, dali, levaram a mensagem de salvação a todos os lugares onde puderam chegar. Foram usados para curar enfermos e libertar os oprimidos do Maligno. Pedro e João curaram um coxo “desde o ventre de sua mãe” (3.1,2). Foi grande o alvoroço. Os líderes religiosos foram tomados de inveja, e os apóstolos foram presos. No dia seguinte, já libertos, falaram com mais ousadia, mostrando que Jesus

[…] é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos […]. E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus. (4.11,12,31)

Depois instituíram o diaconato (At 6); sofreram grande perseguição, quando Estêvão foi o primeiro mártir do cristianismo, sendo morto por apedrejamento vendo os céus abertos, “e o Filho do Homem […] à mão direita de Deus” (6.8-15; 7.1-60). Com a conversão de Saulo, houve uma grande expansão do evangelho por todas as partes, e as Boas Novas foram pregadas com poder até mesmo dentro da prisão (28.16-31).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

O rei Davi planejou a edificação do Templo e reuniu os materiais necessários. Mas foi Salomão, seu sucessor, quem o erigiu (1 Cr 29.1,2). Jesus igualmente planejou a Igreja durante seu ministério terreno (Mt 16.18;

18.17). Preparou os materiais humanos, porém deixou ao seu sucessor e representante, o Espírito Santo, o trabalho de erigi-la. Foi no dia de Pentecoste que esse templo espiritual foi construído e cheio da glória do Senhor (cf. Êx 40.34.35; 1 Rs 8.10.11; Ef 2.20,2). O dia de Pentecoste era o aniversário da Igreja, e o cenáculo, o local do seu nascimento.

I ־ O Dia

“E, cumprindo-se o dia de Pentecostes…” O nome “Pentecoste” (derivado da palavra grega “cinquenta”) era dado a uma festa religiosa do Antigo Testamento. A festa era assim denominada por ser realizada 50 dias após a Páscoa (ver Lv 23.15-21). Observe sua posição no calendário das festas. Em primeiro lugar festejava-se a Páscoa. Nela se comemorava a libertação de Israel no Egito. Celebravam a noite em que o anjo da morte alcançou os primogênitos egípcios, enquanto o povo de Deus comia o cordeiro em casas marcadas com sangue. Esta festa tipifica a morte de Cristo, o Cordeiro de Deus, cujo sangue nos protege do juízo divino.

No sábado, após a noite de Páscoa, os sacerdotes colhiam o molho de cevada, previamente selecionado. Eram as primícias da colheita, que deviam ser oferecidas ao Senhor. Cumprido isto, o restante da colheita podia ser ceifado. A festa tipifica Cristo, “as primícias dos que dormem” (1 Co 15.20). O Senhor foi o primeiro ceifado dos campos da morte para subir ao Pai e nunca mais morrer. Sendo as primícias, é a garantia de que todos quantos nele creem segui-lo-ão pela ressurreição, entrando na vida eterna.

Quarenta e nove dias eram contados após o oferecimento do molho movido diante do Senhor. E no quinquagésimo dia – o Pentecoste – eram movidos diante de Deus dois pães. Os primeiros feitos da ceifa de trigo. Não se podia preparar e comer nenhum pão antes de oferecer os dois primeiros a Deus. Isto mostrava que se aceitava sua soberania sobre o mundo. Depois, outros pães podiam ser assa- dos e comidos. O significado típico é que os 120 discípulos no cenáculo eram as primícias da igreja cristã, ofereci- das diante do Senhor por meio do Espírito Santo, 50 dias após a ressurreição de Cristo. Era a primeira das inúmeras igrejas estabelecidas durante os últimos 19 séculos.

O Pentecoste foi a evidência da glorificação de Cristo. A descida do Espírito era como um “telegrama” sobrenatural, informando a chegada de Cristo à mão direita de Deus. Também testemunhava que o sacrifício de Cristo fora aceito no Céu. Havia chegado a hora de proclamar sua obra consumada.

O Pentecoste era a habitação do Espírito no meio da Igreja. Após a organização de Israel, no Sinai, o Senhor veio morar no seu meio, sendo sua presença localizada no Tabernáculo. No dia de Pentecoste, o Espírito Santo veio habitar na Igreja, a fim de administrar, dali os assuntos de Cristo.

Myer Pearlman. Atos, E a Igreja se Fez Missões. Editora CPAD. Ed. 1995. pag. 16-19.

 

 

PENTECOSTE. Pentecoste era a segunda grande festa sagrada do ano judaico. A primeira grande festa era a Páscoa. Cinquenta dias após esta, vinha a festa de Pentecoste, nome este derivado do gr. penteekostos (=quinquagésimo). Era também chamada Festas das Colheitas, porque nela as primícias da sega de grãos eram oferecidas a Deus (cf. Lv 23.17). Da mesma forma, o dia de Pentecoste simboliza, para a igreja, o início da colheita de almas para Deus neste mundo.

UM VENTO… IMPETUOSO, E… LÍNGUAS REPARTIDAS, COMO QUE DE FOGO. As manifestações externas de um som como de um vento poderoso e das línguas de fogo (vv. 2,3) demonstram que Deus estava ali presente e ativo, de modo poderoso (cf. Êx 3.1-6; 1 Rs 18.38,39). O fogo talvez simbolize a consagração e a separação dos crentes para Deus, visando a obra de glorificar a Cristo (Jo 16.13,14) e de testemunhar dEle (1.8). Estas duas manifestações antecederam o batismo no Espírito Santo, e não foram repetidas noutros relatos similares do livro de Atos.

STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

 

SINOPSE II

 

O livro de Atos dos Apóstolos nos mostra as condições para um avivamento verdadeiro.

 

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

O livro de Atos

 

“Lucas escreveu Atos como continuação do seu primeiro livro, o Evangelho de Lucas. O Terceiro Evangelho registra o que Deus realizou através das ações e ensinos de Jesus ungido pelo Espírito Santo, ao passo que Atos enfatiza a continuação da obra de Jesus feita por suas testemunhas capacitadas pelo Espírito. O prefácio de Atos liga este livro ao Evangelho de Lucas e fornece um resumo.

 

Em Atos 1.1, Lucas se refere ao seu Evangelho como um registro ‘de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar’; ele rememora os eventos principais de Lucas 24:

 

1) As aparições do Cristo ressurreto aos discípulos;

2) A promessa do batismo com o Espírito Santo, e

3) A ascensão do Cristo ressurreto ao céu.

 

Atos registra a continuação do ministério de Jesus. Desde o início até à conclusão do seu ministério terreno, tudo o que Jesus fez e disse foi dirigido e capacitado pelo Espírito. O segundo volume de Lucas narra uma história semelhante, que focaliza uma comunidade de discípulos ungidos pelo Espírito que continuam a fazer e ensinar as coisas que Jesus tinha começado a fazer e a ensinar durante seu tempo na terra” (Comentário Pentecostal Novo Testamento. Vol. 1. 4.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp.623,24).

 

 

III – O AVIVAMENTO NAS EPÍSTOLAS

 

 

1. NAS EPÍSTOLAS DE PAULO

 

Após a sua dramática conversão, o apóstolo Paulo passou por uma radical transformação de vida. De perseguidor, Deus o transformou em “pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios” (2 Tm 1.11). Não por acaso, ele escreveu 13 cartas entre igrejas e pessoas.

Em suas epístolas destinadas às igrejas, podemos destacar temas como a “justificação pela fé” em Romanos (Rm 5.1); a salvação em 1 e 2 Coríntios; a transformação do corpo por ocasião da volta de Jesus em 1 e 2 Tessalonicenses (1 Ts 4.16,17); o advento da alegria dos salvos em Filipenses (Fp 4.4). Todavia, e especialmente, vale destacar o apelo do apóstolo aos efésios: “mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18). Esse apelo continua a ecoar atualmente.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O apóstolo Paulo escreveu treze dentre os vinte e sete livros do Novo Testamento. O antigo perseguidor dos cristãos foi apanhado por Cristo na estrada de Damasco e passou por uma radical transformação em toda a sua vida. Foi transformado em “[…] pregador, e apóstolo, e doutor dos gentios” (2 Tm 1.11). Ele escreveu nove cartas a sete igrejas. Há diversas classificações das epístolas paulinas, mas podemos aproveitar a divisão das epístolas de Paulo em três categorias.

Cartas eclesiásticas

Dirigidas a igrejas: Aos romanos (57 d.C.). Ele escreve a sua epístola mais longa e mais profunda, sendo considerada por analistas bíblicos o mais importante livro do Novo Testamento. O tema de Romanos é “a justificação pela fé” (5.1), com base em Habacuque 2.4. Ela traz esperança e avivamento aos que creem em Cristo: “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (1.16,17).

Em 1 e 2 Coríntios (55/56 d.C.) e Gálatas (49 d.C.), Paulo traz uma mensagem soteriológica, mostrando Cristo, o grande salvador, que, tendo sido “as primícias dos que dormem”, garante na sua vinda a ressurreição dos que são fiéis a Ele.

Em 1 e 2 Tessalonicenses (51 e 52 d.C.), com o tema da volta de Cristo, a mensagem escatológica, plena de esperança e avivamento, com promessa de ressurreição dos salvos em Cristo e arrebatamento dos vivos e transformados na vinda do Senhor (1 Ts 4.16,17).

Cartas da prisão

Foram escritas quando Paulo esteve preso em meados do primeiro século da era cristã. São elas: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom (carta pessoal), todas por volta de 62 d.C.

Não obstante a situação em que se encontrava Paulo, privado da sua liberdade, ele não se deixou abater. Do cárcere, o apóstolo mostrou a sua fé e fortaleza em Cristo e expressa inspiração e alegria, avivamento, vitória e gratidão por sofrer por amor a Ele. Em Filipenses, Paulo demonstra a sua profunda alegria, mesmo na prisão, sendo chamada a “Epístola da alegria” ou “Epístola do Sorriso”: “Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos” (Fp 4.4).

Cartas pastorais

São as dirigidas a pastores ou líderes de igrejas, a saber, 1 e 2 Timóteo e Tito (65 a 67 d.C.). A carta a Timóteo foi escrita enquanto Paulo estava preso. Nessas cartas, o tema comum é a defesa da sã doutrina, o relacionamento dos líderes com todas as pessoas, o cuidado para não se deixar levar por falsos líderes. Paulo também dá ênfase às qualidades que devem ter os que desejam o ministério.

Profundamente doutrinárias, essas cartas enfatizam as condições para que os líderes e as igrejas cumpram a vontade de Cristo e possam ser avivadas. Perto da sua morte, ele escreveu:

Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. (2 Tm 4.6-8)

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

As Cartas Existentes de Paulo — Na maioria das traduções modernas, quatorze, das vinte e uma cartas, são atribuídas a Paulo. Os nomes e ordem são: Romanos, I e II Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, I e II Tessalonicenses, I e II Timóteo, Tito, Filemom e Hebreus. Os textos gregos modernos têm como título, para estas quatorze cartas, somente a preposição “a”, seguida pelo nome do receptor. Os problemas críticos de cada carta serão discutidos no capítulo respecti¬vo que trata de cada uma.

A Ordem de Composição — Ê lamentável que a ordem canônica das cartas de Paulo não seja cronológica. A presente ordem é basicamente a de extensão e se é escrita a uma igreja ou a um indivíduo. Romanos é a mais extensa e Filemom a mais curta. As nove primeiras são dirigidas a sete igrejas diferentes, e as quatro últimas, a três indivíduos diferentes. Por causa de problemas críticos, Hebreus é colocada por último no corpus paulino, embora alguns dos manuscritos gregos mais antigos a tenham entre Romanos e I Coríntios. Uma ordem cronológica talvez mostrasse mais claramente os problemas encontrados por uma igreja que emergia e indicaria o padrão teológico em desenvolvimento, de Paulo e da Igreja. O método a seguir, de agrupamento das cartas, é baseado na narrativa contida em Atos e em informação colhida das próprias cartas. Este agrupamento não é conclusivo, mas é usado para mostrar o acordo geral entre os estudiosos do Novo Testamento, numa aproximação ao estudo do Novo Testamento.

Epístolas escritas durante a Segunda Viagem Missionária (49:52 d.C): I e II Tessalonicenses, de Corinto.

Epístolas escritas durante a Terceira Viagem Missionária (52-56 d.C): I Coríntios, de Éfeso; II Coríntios, da Macedônia; Gálatas e Romanos, de Corinto.

Epístolas escritas de Roma durante o primeiro aprisionamento romano (58-60 d.C): Efésios, Filipenses, Colossenses, Filemom.

As Epístolas Pastorais (62-65 d.C): I Timóteo, da Macedônia; Tito, da Macedônia ou de Corinto; II Timóteo, de Roma, pouco antes da morte de Paulo.

Outra maneira de classificação é ver-se a ordem cronológica como representando ênfases teológicas especiais. A correspondência tessalonicense lida com escatologia; as cartas da Terceira Viagem Missionária tratam, primariamente da soteriologia; as cartas da prisão acentuam a cristologia; as pastorais têm a eclesiologia como a ênfase dominante. Este agrupamento teológico não é conclusivo, porque muitas das cartas contêm todas estas doutrinas; mas a ênfase teológica principal de cada uma é observada.

Deve-se ressaltar, todavia, que muitos estudiosos do Novo Testamento, incluindo este escritor, crêem que Gálatas foi escrita de Antioquia da Síria, antes da Segunda Viagem Missionária. Outros sentem que Efésios foi escrita muito mais tarde, por um discípulo de Paulo, como introdução a uma coleção das cartas de Paulo. Alguns acham que, de algum modo, Paulo está por trás da Epístola aos Hebreus como autor, dando ao amanuense completa liberdade em sua composição e publicação, esta última tendo ocorrido após a morte de Paulo e antes da destruição de Jerusalém em 70 d.C.

A Preservação e Coleção das Cartas de Paulo — Num estudo em profundidade, das cartas de Paulo, conclui-se que ele escreveu tanto como pastor quanto como “mestre dos gentios” (I Tim. 2:7). A maioria de suas cartas existentes foi escrita para situações específicas; contudo, Paulo foi capaz de distinguir entre a ordem do Senhor e seu próprio conselho pessoal (I Cor. 7:6, 25, 40). Algumas de suas cartas parecem ser dirigidas a uma audiência mais ampla, ao invés de a um grupo específico. A Epístola aos Efésios é basicamente deste tipo. Contudo, mesmo nesta, ele escreveu com a consciência de sua chamada como apóstolo. Paulo cria possuir autoridade, e que sua palavra era de importância, quer para situações locais quer para uma audiência mais universal. Nem todas as suas cartas, todavia, foram suficientemente universais em sua aplicação, e muitas deixaram que se perdessem. A referência em Apocalipse 3:16 à apostasia da igreja em Laodicéia pode indicar que a carta a essa igreja, referida em Colossenses 4:16, não foi preservada por essa razão. Pela época de II Pedro (68 d.C), contudo, “todas as cartas de Paulo” estavam sendo aceitas em paridade com “outras escrituras”. Seria de grande interesse e importância saber-se o que “todas as cartas de Paulo” e as “outras escrituras” abrangem, mas seria apenas conjetura, a esta altura, na pesquisa bíblica.

Embora Clemente de Roma e Inácio de Antioquia conhecessem algumas das cartas de Paulo, a coleção concreta e existente mais antiga é o Cânon de Marcião, de cerca de 140-150 d.C. Esta lista inclui uma coleção editada de dez cartas de Paulo (em ordem: Gálatas, I e II Coríntios, Romanos, I e II Tessalonicenses, Laodicenses (Efésios), Colossenses, Filipenses e Filemom). As Pastorais foram, provavelmente, rejeitadas pelo fato de Marcião ter sido um gnóstico. O Fragmento Muratoriano (cerca de 180 d.C.) inclui as Pastorais nas treze epístolas de Paulo, Hebreus não estando na coleção. O mais antigo manuscrito grego (P 46 ) das epístolas de Paulo que foi preservado data de cerca do fim do segundo século. Este manuscrito, pelo fato de colocar Hebreus entre Romanos e I Coríntios, indica Paulo como sendo o autor de Hebreus. II Tessalo¬nicenses, Filemom e as Pastorais estão ausentes do manuscrito preserva¬do, mas a ausência poderia ser devida à possível perda das últimas folhas, que conteriam estas cinco cartas.

É impossível fixar-se uma data para a primeira coleção completa das epístolas de Paulo. O que é certo, contudo, é que há ampla evidência, do final do primeiro século e início do segundo, de que as cartas de Paulo circulavam largamente e eram estimadas como autoridade em doutrina. A história da preservação e colecionamento destas cartas perdeu-se para nós. Contudo, o processo deve ter-se iniciado cedo conforme está evidente na declaração contida em II Pedro 3:15,16, e porque a coleção foi aceita pelo final do segundo século.

Broadus David Hale. Introdução Ao Estudo Do Novo Testamento. Editora JUERP.

 

 

AS CARTAS

Escrever cartas era algo comum na época apostólica.

A questão “epístolas ou cartas?” intrigou os estudiosos ao longo do século XIX. Talvez seria certo dizer que alguns dos escritos de Paulo se enquadram na categoria das cartas, de forma pura e simples, enquanto outros foram elaborados mais no estilo de “epístolas”, cartas pastorais ou encíclicas que tinham o propósito de circulação mais ampla. Se considerarmos os extremos, Filemom se enquadra na primeira categoria, Romanos talvez na segunda. Acerca de Paulo e de outros autores de cartas do N T, Stephen Neil escreveu o seguinte: “Eles não escrevem exatamente como escreveram Platão ou Demóstenes; mas eles sabiam o que queriam dizer, e foram diretamente ao ponto com a objetividade e economia de palavras que são a condição indispensável da verdadeira arte de escrever. Há uma diferença enorme entre o vigor e a precisão geral dos autores do Novo Testamento e o jargão quebrado e entrecortado de muitos autores dos papiros”.

Temos 13 cartas no N T que trazem a assinatura de Paulo. Poderiam ser consideradas simplesmente uma coleção de cartas antigas; mas cartas antigas envelhecem em mais formas do que som ente em aparência. Elas deixam de ser relevantes; os seus autores e leitores se tornam coisa do passado. As mensagens que traziam já não se aplicam. Como é diferente o caso, no entanto, quando começamos a examinar essa coleção de cartas!

Sem entrar em detalhes agora, elas cintilam com vida; falam ao coração; penetram na consciência; elas possuem uma qualidade que não está condicionada ao tempo, e isso as torna sempre atuais. Mesmo que as circunstâncias imediatas que lhe deram origem tenham se tornado história antiga, os princípios permanentes dos seus ensinos lhe conferem importância.

Bem se disse: “Não encontraríamos nessas cartas uma reflexão tão viva do seu autor se elas não fossem, em geral, cartas reais, enviadas a pessoas específicas em circunstâncias definidas, causadas por necessidades particulares, e representando, como uma verdadeira carta sempre faz, o que o autor gostaria de ter dito em pessoa, se a distância não o tivesse impedido de fazê-lo (2Co 10.11)” .

Aliás, a reflexão acerca da personalidade e da experiência essencial do autor fornecida por essas cartas nos dá tudo de que precisamos para compreender o coração desse grande homem de Deus. Um missionário famoso de algumas gerações passadas, Dan Crawford, falava da “centelha paulina”. Podemos discernir essa centelha por toda essa coleção de cartas.

A ordem em que estão dispostas as cartas de Paulo no N T em geral segue a sua extensão.

Se as reordenarmos em sequência cronológica, encaixando-as na medida do possível no seu contexto de acordo com o registro de Atos dos Apóstolos, elas começam a revelar mais dos seus tesouros; tornam-se auto-explicativas em maior medida do que se esse contexto for ignorado. As cartas podem ser classificadas em quatro grupos, e essa talvez seja a forma mais comum de tratá-las. Os critérios para isso são o tópico tratado e o estilo usado. Se aceitarmos essa classificação, podemos ordená-las da seguinte maneira:

Escatológicas’. 1 e 2Tessalonicenses

Evangélicas’. 1 e 2Coríntios; Gálatas;

Romanos

Da prisão: Efésios; Colossenses;

Filemom; Filipenses

Pastorais. I Timóteo; Tito; II Timóteo

G. Findlay, ao discutir as primeiras cartas de Paulo, fez o seguinte comentário: “As cartas aos Tessalonicenses contêm pouco material relacionado diretamente com o que estamos acostumados a chamar de doutrinas da salvação […] No segundo grupo dos escritos de São Paulo […] o caso é totalmente diferente.

Aqui nos encontramos com a cruz em cada curva […] A redenção conquistada por Cristo forma o seu tema central e predominante, assim como a sua segunda vinda está no centro das cartas aos Tessalonicenses.

Por isso, as intitulamos coletivamente de epístolas evangélicas…”’ (The Epistles of Paul the Apostle, p. 54-5).

Bruce; F. F. Comentário Bíblico NVI: Antigo e Novo Testamento. Editora Vida. pag. 1518.

 

 

 2. NAS EPÍSTOLAS GERAIS (OU UNIVERSAIS)

 

As epístolas universais apresentam oito documentos. Aparentemente sem perspectivas avivalistas, elas revelam princípios que dão suporte à verdadeira vida cristã. Essas epístolas revelam a supremacia de Cristo em todas as esferas da vida; o valor da fé e da salvação, acompanhadas de boas obras; o valor da santificação e do amor de Deus derramados nos corações dos salvos. Esses princípios apontam para uma vida cristã avivada.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Essas epístolas são em número de oito. Os seus ensinos, aparentemente sem cunho avivalista, demonstram condições para que haja a verdadeira vida cristã. Incluem os seguintes livros:

Hebreus (67 a 69 d.C.), que revela a supremacia de Cristo em todos os aspectos, bem como a supremacia da nova aliança em relação ao Antigo Testamento, também alertando para o perigo da apostasia.

Tiago (45–49 d.C.) é uma carta que ressalta o valor da salvação e da fé acompanhadas de boas obras, sem as quais a fé é morta.

1 e 2 Pedro (entre 60 e 68 d.C.) são cartas que ressaltam o valor da fé e do sofrimento por Cristo com esperança, amor e santidade, condições indispensáveis para o avivamento espiritual.

1, 2 e 3 João (todas entre 85 a 95 d.C.) ensinam o cristão a ter uma vida santa diante de Deus, com justiça e alegria (1.4). Nelas o “apóstolo do amor” enfatiza o maior dos mandamentos, que é amar a Deus “e ao próximo como a si mesmo”, e declara que “quem aborrece a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos (1 Jo 2.11): “Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida […]” (3.15), ou seja: sem amor não há salvação; sem amor não pode haver avivamento.

As cartas de 1, 2 e 3 João também alertam quanto aos falsos mestres.

E, por fim, Judas (70–80 d.C.), cuja mensagem é a batalha “pela fé que uma vez foi dada aos santos (1.3).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

As Epístolas Gerais. Este é um grupo de sete epístolas que, nos antigos manuscritos, vem imediatamente depois dos Atos dos Apóstolos, e, portanto, antes das epístolas paulinas, talvez porque sejam as obras dos apóstolos mais velhos e, de modo geral, representem o tipo judeu de cristianismo.

A sua representação da verdade difere, naturalmente, das Epístolas Paulinas, mas está em perfeita harmonia com ela. Entre essas Epístolas Gerais, estão:

As escritas a uma comunidade de cristãos:

A Epístola de Tiago;

As duas Epístolas de Pedro;

A primeira Epístola de João;

A Epístola de Judas.

As escritas a um indivíduo:

A segunda Epístola de João; (?)

A terceira Epístola de João.

Dessas sete epístolas, a primeira de Pedro e a primeira de João foram aceitas, de modo geral, como canônicas, desde o princípio, ao passo que as outras cinco estiveram, a princípio, sujeitas à dúvida, e somente gradualmente encontraram aceitação por toda a igreja. No entanto, nunca foram consideradas espúrias.

A razão por que essas epístolas são chamadas gerais ou católicas, é um enigma. Foram apresentadas várias interpretações para o nome, mas nenhuma delas é inteiramente satisfatória. Alguns afirmam que elas receberam esses nomes, porque contêm a única doutrina católica que foi transmitida às igrejas pelos apóstolos; mas esta não é uma característica dessas epístolas, uma vez que as de Paulo contêm a mesma doutrina.

Outros afirmam que o adjetivo católico foi usado por alguns dos pais da igreja, no sentido de canônico, e aplicado por eles, em primeiro lugar, à primeira Epístola de Pedro e à primeira de João, para indicar a sua aceitação geral, e posteriormente, a todo o grupo. Mas esta explicação é improvável, porque (1) há poucas evidências de que a palavra católico tenha sido equivalente a canônico; e (2) é difícil ver, se este realmente foi o caso, por que a palavra não teria sido aplicada também às Epístolas Paulinas, que foram todas aceitas desde o princípio. Outros, ainda, pensam que as epístolas receberam esse nome porque não eram destinadas a uma pessoa ou igreja, como as epístolas de Paulo, mas a grandes partes da igreja.

Consideramos que esta é a melhor explicação para o nome, uma vez que é a que mais está em harmonia com o significado usual da palavra, e explica melhor a maneira como é usada na literatura dos pais da igreja. Ainda assim, embora o nome não possa ser considerado inteiramente correto, por um lado a segunda (?) e a terceira Epístolas de João são endereçadas a indivíduos, e, por outro, a Epístola aos Efésios também é uma carta circular. Essas duas epístolas de João provavelmente foram incluídas neste grupo por causa de seu pequeno tamanho e de sua íntima conexão com a primeira Epístola de João.

Louis Berkhof. Introdução ao Novo Testamento. Editora CPAD. 1 Ed 2014. pag. 116-117.

 

 

Os Autores. De acordo com uma estimativa muito rígida, poderíamos afirmar que as epístolas do Novo Testamento foram escritas por cinco pessoas. Essas pessoas foram Paulo, Pedro, João, Tiago e Judas. Porém, alguns estudiosos pensam que há outros autores envolvidos nas chamadas epístolas paulinas, especialmente as chamadas «epistolas pastorais»; mas há outras epístolas de autoria paulina duvidosa, como Colossenses e Efésios. A segunda epístola de Pedro não é atribuída a Simão Pedro, pela maioria dos estudiosos; e, até mesmo, a primeira epístola de Pedro é posta em dúvida, quanto à autoria petrina, devido ao grego excelente em que foi escrita. Alguns estudiosos supõem que um ou mais autores estiveram envolvidos nas epistolas joaninas; e, naturalmente, a epístola aos Hebreus não foi escrita por Paulo. O problema de autoria é debatido nos artigos referentes a cada um desses livros. O que fica claro em tudo isso é que não sabemos exatamente quantos autores estiveram envolvidos na produção dessas epístolas, e nem o assunto reveste-se de grande importância. O que é importante é se estamos pondo em prática os ensinamentos ali contidos.

Assuntos Abordados. É impossível fazer um sumário dos muitos e grandiosos assuntos tratados nas epístolas do Novo Testamento em um único parágrafo. Porém, certas diretrizes básicas podem ser salientadas: 1. Escatologia (I e II Tessalonicenses); 2. soteriologia (Gálatas, Romanos, I e II Coríntios); 3. cristologia (Colossenses,. Efésios, Filipenses); 4. eclesiologia (I e II Timóteo, Tito); 5. problemas pessoais (Filemom); 6. ética (Tiago); 7. polêmica e heresias (Judas. II Pedro); 8. considerações pastorais (I e II Pedro; I, II e III João); 9. polêmica e teologia comparadas (Hebreus).

Esse tipo de esboço, naturalmente, é apenas uma sugestão, visto que as categorias se justapõem. Para exemplificar, oito dos livros do Novo Testamento contêm ataques contra a antiga heresia gnóstica, pelo que, pelo menos em parte, são obras polêmicas. Essas epistolas são: Efésios, Colossenses, I e II Timóteo, I, II e III João e Judas. O evangelho de João e o livro de Apocalipse também contêm material dessa natureza.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. 11 ed. 2013. pag. 408.

 

 

 3. NO APOCALIPSE

 

O último livro da Bíblia (90-96 d.C.) traz revelações singulares a respeito dos fins dos tempos: a revelação do Cristo glorificado (Ap 1.1); a revelação de coisas passadas (Ap 1.19); a revelação de coisas em relação à Igreja (Ap 2 e 3); em relação às nações; o Arrebatamento da Igreja, o Tribunal de Cristo (2 Co 5.10), a entrega dos galardões, as Bodas do Cordeiro (Ap 4–22).

Depois de sete anos, em que haverá a Grande Tribulação na terra, o Tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro no céu, Jesus voltará em glória e será visto por todos os habitantes da Terra (Ap 1.7). Ele dará fim à Grande Tribulação e implantará gloriosamente o seu Reino Milenial. Nesse dia, o mundo viverá o maior e o último avivamento da história.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O último livro da Bíblia (90–96 d.C.) tem uma mensagem singular sobre o fim dos tempos. Nele, vê-se a revelação do Cristo glorificado (1.1); a revelação de coisas passadas (1.19); a revelação de coisas em relação à Igreja (2–3) e em relação às nações (4-22).

A grande mensagem do avivamento é o arrebatamento da Igreja, o tribunal de Cristo (2 Co 5.10) para a entrega de galardões e as Bodas do Cordeiro na união eterna entre Cristo e a sua Noiva (Ap 19.9); grandes eventos catastróficos globais, como juízo de Deus sobre a humanidade ímpia, que rejeita Cristo como Salvador, e a Grande Tribulação (Ap 7.13,14); depois dos sete anos, em que haverá no Céu o tribunal de Cristo e as Bodas do Cordeiro em meio à Grande Tribulação, Jesus voltará em glória e será visto por todos os habitantes da terra (Ap 1.7). Jesus dará fim à Grande Tribulação e implantará o seu reino milenial:

O Milênio será um período literal de mil anos, e não uma utopia, como ensinam certos teólogos revisionistas da Palavra de Deus. No período milenial, Jesus governará a Terra, juntamente com sua Igreja glorificada, preparando-a para ingressar no “perfeito Estado Eterno”. Sem sombra de dúvidas, no Milênio, o mundo viverá o maior avivamento de toda a história.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Apocalipse é uma palavra derivada do grego apokalypsis. No latim, é revelatio, que significa revelar, expor à vista e, metaforicamente, descobrir uma verdade que se achava oculta” (Dicionário da Bíblia, John D. Davis).

O Apocalipse foi escrito pelo apóstolo João mais ou menos no ano 96 d.C., logo após ter sido solto por Nerva, substituto de Domiciano, o imperador sob cuja crueldade ele foi exilado na Ilha de Patmos. Ao regressar a Éfeso, agora com liberdade, João passou ali os últimos dias de vida na Terra, onde escreveu esse livro.

O Espírito Santo divide o livro em três partes (1.19):

  1. “As coisas que viste”; as que João presenciou antes de escrever o livro (cap. 1).
  2. “As que são”; as existentes nas sete igrejas, no tempo em que João escreveu o Apocalipse (caps. 2 e 3).
  3. “As que hão de acontecer”; as constantes dos capítulos 4 a 22.

O Apocalipse é a revelação de Deus aos homens. É o esclarecimento sobre o juízo e a condenação dos ímpios e sobre a segurança e a garantia da vida eterna dos fiéis. O prefácio do livro deve ser considerado como um convite de Jesus aos seus servos, para receber as bênçãos no santuário do Senhor, a exemplo de Moisés, que tirou as sandálias dos pés para aproximar-se da sarça ardente. Assim deve ser a nossa atitude reverente ao entrarmos na presença de Deus.

“Revelação de Jesus” quer dizer Cristo revelando ou fazendo saber algo para a nossa instrução (1 Pe 1.7,13).

O segredo do Senhor é para os que o temem (SI 25.1; Mt 11.25; 13.10-13; 16.17). Quando temos um coração sincero e humilde, todas as parábolas e profecias nos são bem compreensíveis (Jo 15.15; leia Deuteronômio 29.29; Daniel 12.10; João 7.17; 1 Coríntios 2.9-16).

Armando Chaves Cohen. Estudos Sobre O Apocalipse Um comentário versículo por versículo. Editora CPAD. 8 Ed. 2008. pag. 7;9.

 

 

Título, Autor, Destinatário

“A Revelação de Jesus Cristo” (Ap 1.1) é o título inspirado pelo Espírito Santo para o livro de Apocalipse. “De Jesus Cristo” pode significar “por”, “de” ou “a respeito de” Jesus Cristo. Três sentidos se encaixam aqui. O que neste livro temos é um novo e excitante quadro de Jesus. Apesar de ser o mesmo Jesus dos evangelhos e do restante do Novo Testamento, em Apocalipse mostra-se triunfante. Somente Ele é digno de desatar os selos do livro da ira de Deus. Cumpre as profecias do Antigo Testamento referentes ao Dia do Senhor, trazendo tanto o julgamento como a restauração. Ele reivindica a justiça divina e completa a consumação do grande plano redentivo de Deus. Todavia, é ainda o Cordeiro de Deus no último e derradeiro cumprimento do governo divino na nova Jerusalém, no novo céu e na nova terra.

O livro informa-nos ter sido esta revelação de Jesus Cristo dada a João enquanto o evangelista era prisioneiro na Ilha de Patmos. Sua mensagem foi inicialmente direcionada às sete igrejas da Ásia. Estas comunidades cristãs foram, provavelmente, fundadas por Paulo durante seu ministério em Éfeso (At 19.10,20).

Características Literárias

Os eruditos identificam o estilo literário deste livro como apocalíptico. “Revelação” em Ap 1.1 é “Apokalupsis”, no grego; tem o sentido de “desvendar, descobrir, revelar”. Sua revelação de Jesus relaciona-se ao desvendamento dos segredos dos fins dos tempos. Muitas das verdades reveladas neste livro estiveram escondidas até este tempo. Outros tipos de literaturas apocalípticas são encontradas no Antigo Testamento, especialmente em Ezequiel e Daniel. Tais literaturas são marcadas por imagens simbólicas e visões dramáticas e previsões sobre o final dos tempos. O Apocalipse, contudo, identifica-se a si mesmo como uma profecia (Ap 1.3, 22.7,10,18,19). É ordenado a João que, escreva o que vê. O livro tem muitos pontos em comum com outros do Antigo Testamento. À semelhança dos livros proféticos, contém não somente profecias, mas cartas, discursos, diálogos, cânticos e hinos.

Os cânticos e hinos são proeminentes por causa da presença e da glória de Deus Pai e do Cordeiro que inspira adoração (veja 4.8,11, 5.8-13, 7.9-12, 11.15-18, 15.2-4, 19.1-8).

A linguagem do livro reflete o estilo dos escritores proféticos do Antigo Testamento. Na Ilha de Patmos, João deve ter meditado muito nas profecias, especialmente nas de Daniel, Ezequiel e Zacarias. Todavia, nenhuma delas é citada diretamente. As criaturas viventes de Apocalipse 4.5, por exemplo, são descritas com linguagem similar à das criaturas de Ezequiel 1. Neste, as criaturas são idênticas uma às outras. Em Apocalipse, entretanto, elas são diferentes uma das outras. Portanto, as criaturas de Apocalipse não são as mesmas descritas por Ezequiel. João está registrando uma nova revelação.

O livro é caracterizado também pelo uso de números, especialmente o sete: sete cartas, sete bênçãos (Ap 1.3, 14.13, 16.15, 19.19, 20.6, 22.7,14), sete selos, sete trombetas, sete trovões, sete taças. As sete cartas apontam para os eventos do final dos tempos. Os sete selos antecipam tais eventos. As sete trombetas trazem julgamento parcial, e antecipam o julgamento mais completo das sete taças da ira de Deus. As sete bênçãos e os sete trovões reforçam as promessas e os julgamentos divinos. Sete é considerado número sagrado, pois Deus descansou no sétimo dia. O sete, em Apocalipse, enfatiza que os propósitos divinos estão sendo executados.

As várias sequencias do número sete são seguidas por três visões do fim: o fim do sistema mundial de Babilônia, o fim do Anticristo e seu reinado, e o fim de Satanás e seu domínio. Então, todo o povo de Deus será reunido para estar em glória com Cristo na Nova Jerusalém. As diversas partes do livro são amarradas por repetições que dão suporte a todo o material, e atraem a nossa atenção à necessidade de se focalizar o livro como um todo.

A expressão “e eu vi” frequentemente introduz uma mudança no cenário, ou algum item novo no livro. Trovões, vozes e terremotos são mencionados em importantes pontos do livro (ver Ap 4.5, 8.5, 11.19, 16.18). Os interlúdios também são uma marca do Apocalipse, e ajudam a entrelaçar a mensagem de todo o livro numa unidade perfeita. Os interlúdios, ou parênteses, são encontrados de Ap 7.1 a 8.1, entre o sexto e o sétimo selo; e no capítulo 10.1 a 11.14, entre a sexta e a sétima trombeta. Também há personagens e anjos introduzidos entre as trombetas e as taças. Os sete trovões do capítulo 10 são importantes, pois deixam-nos cientes de que algumas coisas hão de acontecer, as quais nos são agora reveladas. Consequentemente, fica claro que o Apocalipse não é uma fotografia completa de tudo o que há de ocorrer no futuro. Há coisas que estão sob a autoridade do Pai, e que não foram nem o serão reveladas até que se tornem realidade (At 1.7).

Além disso, algumas coisas são colocadas a partir de uma perspectiva celestial, e outras são postas sob uma ótica terrena. A queda de Babilônia, por exemplo, é anunciada no capítulo 14; mas, nos capítulos 17 e 18, são-nos dados mais detalhes do evento. O livro é igualmente cheio de contrastes, os quais classificam os caracteres e os símbolos; todos eles olham à frente, ao triunfo final de nosso Deus e do seu Cristo.

Data

A maioria dos pais da Igreja e dos historiadores data o Apocalipse por volta de 95 a.D., no fim do reinado de Domiciano (81-96 a.D.). O imperador romano, nesse tempo, aproximava-se do ponto culminante de sua grandeza e prosperidade. Seus exércitos haviam adicionado os territórios da Grã-Bretanha e Alemanha a Roma, mas fracassaram na Dácia (Sudeste da Europa, incluindo a moderna Romênia). É bom notar que a Alemanha Oriental, Polônia, Escandinávia e Rússia jamais fizeram parte do Império Romano. Muitos acham isto significativo quando consideram a futura federação das dez nações dirigida pelo Anticristo. Tal federação parece ser composta de nações que, uma vez, constituíram o antigo Império Romano.

Alguns eruditos buscam datar o Apocalipse entre 54 e 58 a.D., durante o reinado de Nero. Segundo Papias, João teria morrido antes da destruição de Jerusalém em 70 a.D. Mas esse antigo escritor não merece confiança por ter errado em muitas outras coisas. Aliás, não temos rigorosamente os escritos de Papias, mas somente o que o historiador da Igreja, Eusébio de Cesaréia, que morreu em torno de 340 a.D., alega ser proveniente de Papias. (1)

Outros tomam o número 666 (Ap 13.18) para referir-se a Nero. (2) Nos dias do Império Romano, as letras eram usadas como números, pois os algarismos arábicos ainda não estavam em uso. A primeira letra do alfabeto, por exemplo, era usada para o número um; a segunda, para o número dois, e assim por diante. Ao se colocar “Nero César” (Imperador Nero) em letras hebraicas, estas somam 666. (3) Todavia, o Apocalipse foi escrito em grego. O uso do Alfa e do Ômega (primeira e última letra do alfabeto grego) mostra que se tinha em mente o alfabeto grego, não o hebraico. Além disso, a situação geral do livro encaixa-se no tempo de Domiciano, não no de Nero. A condição das Igrejas e a pressão dos tempos indicam um período posterior. Consideremos também de que são pequenas as evidências de que a perseguição de Nero aos cristãos houveram se estendido às províncias romanas da Ásia. Portanto, aceito 95 a.D. como a data em que o Apocalipse foi escrito.

HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico Apocalipse. As coisa que brevemente devem acontecer. Editora CPAD. 7 Impressão 2011.

 

 

SINOPSE III

 

O avivamento também é encontrado nas Epístolas e no Apocalipse.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

Epístolas

 

“O livro de Atos é um relato histórico vital para as epístolas de Paulo e de outros apóstolos. Todas as igrejas para as quais Paulo escreveu epístolas aparecem em Atos. A partir desse livro, tomamos conhecimento das circunstâncias nas quais essas igrejas em particular foram fundadas, o tipo de oposição que elas enfrentaram e sua resposta inicial ao evangelho. Isso torna a leitura dessas epístolas mais fácil e mais rica. Toda a teologia das epístolas de Paulo é teologia aplicada. Em outras palavras, ela representa os princípios do evangelho aplicados a cenários específicos. Entender esses cenários nos ajuda a ler sua teologia e, depois a aplicá-la em nossas próprias circunstâncias.

 

Apocalipse

 

O livro de Apocalipse começa com uma declaração da grandiosidade de Deus (1.4-8) e a descrição da visão recebida por seu autor, João (1.3-9, 9-18). O Cristo ressurreto instruiu João a escrever a visão e a enviar cartas para as sete igrejas, fornecendo as mensagens específicas de advertência e de encorajamento (1.19 — 3.22)” (Guia Cristão de Leitura da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.327,401).

 

 

 

CONCLUSÃO

 

 

O Novo Testamento é a revelação de Deus para a sua Igreja e a mensagem de salvação para toda a humanidade. Por isso, ao longo desse divino documento, podemos perceber a vontade de Deus para um avivamento genuíno do seu povo. No geral, o Novo Testamento revela o plano de Deus para o mundo, bem como suas diretrizes para que a Igreja exerça, de maneira avivada, a sua missão na Terra.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

  1. Por que o avivamento em João é tratado em primeiro lugar?

Porque sua mensagem é a mais objetiva da parte de Cristo para uma missão gloriosa entre os homens.

 

  1. Quais expressões identificam a pessoa de Jesus em Marcos?

Servo vencedor sobre as enfermidades, os demônios, as forças da natureza e a morte; servo sofredor e servo triunfante.

 

  1. O que a mensagem do livro de Atos mostra?

Mostra que o Evangelho ultrapassou as fronteiras de Israel, chegando aos gentios de maneira impactante e avivada.

 

  1. Para o propósito desta lição, qual apelo do apóstolo Paulo merece ser destacado?

Vale destacar o apelo do apóstolo aos efésios: “mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).

 

  1. Que princípios as epístolas gerais apontam?

Elas revelam princípios que dão suporte à verdadeira vida cristã.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

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