3 LIÇÃO 2 TRI 22 JESUS, O DISCÍPULO E A LEI

   

 

3 LIÇÃO 2 TRI 22 JESUS, O DISCÍPULO E A LEI    

 

TEXTO ÁUREO

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.” (Mt 5.20)

 

 

VERDADE PRÁTICA

Os seguidores de Jesus são chamados a viver a justiça do Reino de Deus. Essa justiça, baseada na Nova Aliança em Cristo, nasce no interior do crente e reflete no exterior da vida.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Mt 5.17; Rm 3 31 Jesus não veio revogar a Lei nem contradizer os profetas

 

Terça – Hb 1.1-3 O Senhor Jesus Cristo cumpriu fielmente a Lei

 

Quarta – G1 3 24 A função da Lei é levar o homem a Cristo

 

Quinta – 1 Tm 1.5 O fim do mandamento: coração puro, boa consciência e fé sincera

 

Sexta – Rm 7.12; Rm 3.31; A Lei é santa e está estabelecida em Cristo Jesus, o nosso Senhor

 

Sábado – Rm 13.8-10; G1 5.6,25 A Lei está cumprida no amor e dinamizada em nós pelo Espírito Santo

 

 

Leitura Bíblica em Classe

 

Mateus 5.17-20

17 – Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim abrogar, mas cumprir.

 

18 – Porque na verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.

 

19 – Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprirá e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.

 

20 – Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

 

 

Hinos Sugeridos: 13,25,23 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

Qual é a relação entre Jesus e a Lei? E o que Ele deseja que seus discípulos aprendam acerca dessa relação. Basicamente, esta lição tem como propósito mostrar que a relação de Jesus com a Lei apenas nos mostra que a nossa justiça é elevada. Logo, o objetivo de estudaremos essa relação de Jesus com a Lei é o de trazer aos cristãos um compromisso profundo com a justiça de Deus.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Mostrar que Jesus cumpriu toda a Lei;

II) Comparar a Letra da Lei com a Verdade do Espírito;

III) Conceituar a Justiça do Reino de Deus.

B) Motivação: O que é justiça? Na perspectiva bíblica, a palavra justiça tem a ver com retidão, integridade, honestidade. O Sermão do Monte nos convida a cu ltivar a retidão, a integridade e a honestidade para viver a justiça do reino divino.

C) Sugestão de Método: Ao iniciar o Terceiro tópico, pergunte aos alunos o que eles entendem por justiça. Dê um tempo para que eles exponham o que pensam. Ouça-os com atenção. Em seguida, exponha o tópico conceituando a palavra justiça, destacando seu aspecto reto, íntegro e honesto.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

  1. A) Aplicação: Viver a retidão, a integridade e honestidade são desafios diante de um mundo relativista. Por isso, mostre aos alunos as esferas concretas em que seremos provados em nossa justiça: família, escola e universidade, trabalho, amizades etc.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

  1. A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas. Na edição 89, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.
  2. B) Auxílios Especiais: Ao final dos tópicos, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “O Princípio Básico”, localizado ao final do segundo tópico, é uma reflexão a respeito de como nosso Senhor compreendia a Lei;

2) O texto “ Sobre a Justiça”, localizado ao final do terceiro tópico, há uma reflexão a respeito da comparação da “justiça” de Jesus com a dos fariseus, bem como o padrão elevado exigido de nós pelo nosso Senhor.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

Nesta lição, estudaremos a respeito da relação de Jesus com a Lei e o que Ele deseja de seus discípulos. Veremos que o Senhor Jesus cumpriu toda a Lei, destacaremos a diferença entre a Letra da Lei e o Espírito e, finalmente, analisaremos a justiça do Reino de Deus. No Sermão do Monte, podemos perceber, com clareza, que nosso Senhor não destruiu a Lei nem o ensino dos profetas, mas os cumpriu e os aperfeiçoou. Assim, como seus seguidores, a nossa justiça deve transcender a dos escribas e fariseus (Mt 5.20).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Ao nos depararmos com Mateus 5.17-20, não devemos pensar que se trata de uma porção separada do que vinha sendo tratado anteriormente, mas é uma continuação do Sermão da Montanha. Essa seção é o introito de uma nova parte do Sermão. Isso porque nos versos anteriores a ênfase de Cristo está firmada em descrições detalhadas sobre aquilo que o crente é ou deve ser.

Como antes Jesus dissera o que o crente deve ser, jamais devemos nos esquecer de como a nossa vida deve continuar sendo, de modo que sumariamente na primeira parte do Sermão do Monte Jesus mostra o padrão de vida que aqueles que querem fazer parte do Reino devem ter. Doravante, esse comportamento precisa ser o de uma vida santa e reta, e tal temática será trabalhada até o capítulo 7 de Mateus, versículo 14.

Podemos dizer que Mateus 5.17-20 é a introdução para tudo o que Jesus irá tratar. Com base nessa passagem, o Mestre divino estava procurando circunscrever o que realmente deve definir a real vida cristã. O método adotado por Cristo para ensinar aos seus discípulos começa com os princípios básicos; somente depois Ele irá se preocupar com os pormenores.

Como parte introdutória, a começar pelos versículos 17 e 18, Jesus fala que tudo quanto passaria a expor aos seus discípulos estava em plena consonância com o Antigo Testamento, ou seja, o que falaria seria conforme estava escrito nas Escrituras. Na outra parte, a partir dos versos 19 e 20, Jesus deixa claro que sua exposição e explicação não estariam afinadas conforme julgavam ou interpretavam os escribas e fariseus. Cabe aqui as palavras de John Stott, que diz:

Jesus começa esta seção do sermão dizendo aos Seus discípulos que não deveriam, nem por um instante, imaginar que ele havia vindo para abolir o Antigo Testamento ou qualquer parte dele.

O modo como Jesus formula a afirmação sugere que algumas pessoas estavam profundamente incomodadas com sua visível atitude em relação ao Antigo Testamento. Jesus valorizou grandemente o Velho Testamento, saber desse detalhe é relevante para que jamais se tenha negatividade quanto ao mesmo, pois se tratava da Palavra de Deus, com a qual Cristo tinha plena ligação.

Pelo que Jesus dissera antes, que seus filhos deveriam produzir boas obras, na verdade elas deveriam ser frutos da Palavra de Deus, como bem salientado pelo salmista, quando diz que aquele que prioriza as Escrituras como Palavra de Deus para sua vida dá o seu fruto na estação própria e as folhas não murcham (Sl 1.2,3). Se, na verdade, os escribas e fariseus tivessem deixado suas vidas serem tocadas pela Lei de Deus, de modo real e profundo, eles não teriam se tornado hipócritas e religiosos frios. Os escribas e fariseus acreditavam que eram guardiões da Lei, mas não a guardavam verdadeiramente no coração.

Não podemos apenas conhecer a Bíblia — tanto o Diabo como os antigos judeus a conheciam. Mais do que isso, precisamos deixar que a Palavra de Deus fale aos nossos corações, nos rendendo aos seus ensinos com temor e reverência, deixando que Deus nos fale por intermédio dela, para que possamos produzir um viver que de fato corresponda ao querer do Senhor.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 51-53.

 

 

As declarações de Jesus registradas nessa passagem são as mais surpreendentes de todas as que Jesus faz nesse sermão. Jesus reafirma o caráter eterno da lei. R. C. Sproul diz que, no sermão do monte, encontramos a exposição mais detalhada da lei de Deus em todo o Novo Testamento. Os judeus usavam o termo “lei” em quatro acepções diferentes:

1) Os Dez Mandamentos;

2) O Pentateuco;

3) A lei e os profetas;

4) A lei oral ou a tradição dos anciãos.

É óbvio que a lei que Jesus quebrou, como curar em dia de sábado, não foi a lei de Deus, mas a tradição dos escribas, que distorceu e desfigurou a lei de Deus.

Os escribas e fariseus se apresentavam como os grandes guardiões da lei e acusavam Jesus de violá-la, porém eram os fariseus que deturpavam a lei tanto por meio de suas tradições como por intermédio de uma vida hipócrita.

Eles desobedeciam à lei que afirmavam proteger. Para corrigir esse mal-entendido, Jesus deixa claro que não veio para revogar a lei ou os profetas, mas para os cumprir. A lei, como verdade de Deus, não contém erros nem pode falhar.

Os céus e a terra passarão, mas os detalhes da lei se cumprirão à risca. Violar a lei de Deus e ensiná-la aos homens com deturpações é considerado um grave pecado, porém observá-la e ensiná-la traz grande recompensa. A justiça dos súditos do reino não é externa nem teatral como a dos escribas e fariseus; antes, é interna, sincera e real. Uma justiça apenas de aparência não é suficiente para alguém entrar no reino dos céus.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 191-192.

 

 

Neste ponto, Jesus começa a apresentar sua interpretação em contraste com a interpretação dos escribas e fariseus. Em nossa análise, veremos como os melhores estudiosos judeus estavam completamente errados em seu entendimento da Lei e dos Profetas. Os escribas e fariseus eram altamente instruídos e profundamente dedicados à compreensão e à observância da lei. Isso serve como alerta para nós. A Bíblia é clara o suficiente para que qualquer cristão compreenda seu significado básico. Mesmo assim, ela é distorcida e mal interpretada em todas as gerações. Essas distorções acontecem não porque há algo de errado com a clareza da Palavra de Deus, mas porque há algo de errado conosco. Nós nos achegamos à Bíblia com a mente obscurecida pelo pecado. Devemos resistir à tentação de ler algo que não está nela ou de tentar usá-la, conforme Lutero disse, como um nariz de cera que moldamos para defender nossas inclinações e tendências. Aqui nosso Senhor faz um alerta importante sobre como devemos entender a lei de Deus.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 83-84.

 

Palavra-Chave: JUSTIÇA

 

 

I- JESUS CUMPRIU TODA A LEI

 

 

1- Um compromisso com o passado.

 

Quando nosso Senhor começou a ensinar, seu propósito nunca foi o de desconstruir tudo ou não valorizar o passado relativo aos ensinos da Lei e dos Profetas. A expressão “não pensem” revela exatamente isso (Mt 5.17 – NAA). Ora, Jesus sabia que o ensino da antiga dispensação era valioso, verdadeiro, bom e belo. Ele jamais ousara ser um revolucionário, portador de um espírito destrutivo, como o apóstolo Paulo também não (cf. Rm 3.31). Assim, aprendemos, com Jesus, que não é possível construir um futuro bom se não preservarmos as coisas boas que os antigos nos legaram.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Sendo bem direto, pela leitura que se faz do Sermão do Monte, Jesus começa seu discurso com princípios maravilhosos, suas palavras são doces e suaves, mas não demorará muito para que comece a tocar no ponto nevrálgico, ou melhor, na interpretação fria e negativa dos fariseus, de modo que entendemos que o divino Mestre apresenta seu ensino com uma nova interpretação viva, opondo-se ao legalismo frio dos escribas e fariseus. A crítica de Jesus a esses homens da época não era sem base. Ele procurou desmascará-los porque visavam atrair e prender pessoas em torno de si mesmos, com intenções erradas, o que se comprova muito bem na passagem de Mateus 23.

Com as explicações acima, se entende que Jesus não veio para desfazer da Lei, mas para defendê-la daqueles que a interpretavam ao seu bel prazer, porém o primeiro problema que irá surgir é quanto à pessoa que daria essa nova explicação. Por não ser fariseu e nem fazer parte dos grandes sistemas rabínicos da época, como poderia então ser dogmático? Quem seria esse homem para opor-se àqueles que haviam estudado, que faziam parte de uma história, uma tradição religiosa e que eram os representantes do povo?

No demais, a postura e o comportamento de Jesus eram totalmente dissonantes. Além de confrontar a intepretação de tais grupos, juntava-se com publicanos e pecadores, bebia e comia com eles.

Acrescente-se a isso que seus ensinos misturavam graça e amor (Mt 11.19). Frente a tudo isso, parece que alguns duvidaram dEle como não cumpridor da Lei, razão pela qual o Mestre asseverou dizendo: “Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas; não vim para revogar, vim para cumprir” (Mt 5.17, ARA).

No dia a dia de Cristo, ensinando nas regiões da Palestina, ficou claro que em momento algum Ele se opôs à Lei e aos profetas, que é uma referência ao Pentateuco e ao restante do Antigo Testamento (Mt 5.17; Lc 16.16). Se os escribas valorizavam Moisés, Jesus fazia muito mais, pois agia com verdade e sinceridade (Mt 8.4; Jo 5.46). Se os escribas falavam em boas obras, Jesus também as fez (Mt 5.16).

Quando Jesus disse que não veio para revogar a Lei e os profetas, mas, sim, para cumprir, deixava claro a todos que não se propunha a ser um pregador ou mestre de novidade, um revolucionário qualquer, que não queria em momento algum confrontar os ensinos antigos, ou seja, o Antigo Testamento. Pelo contrário, buscava harmonizar cada ação sua com as passagens veterotestamentárias, porque seu objetivo maior era cumpri-las.

O que Jesus Cristo queria de fato era reorganizar tudo aquilo que seus opositores haviam desorganizado, escravizando o povo com seus sistemas religiosos pesados, com leis e normas sem qualquer respaldo divino. Ele fez isso com espírito de brandura, sinceridade, compaixão, prudência e sabedoria, não com base em novidades, com o objetivo de desmoralizar o sistema antigo. Seu objetivo era levar cada pessoa a entender que seu propósito maior era que todos se voltassem à Palavra de Deus e que em momento algum estaria sendo contra ela.

Pastores, teólogos e professores da Bíblia devem ter todo o cuidado ao introduzir um novo assunto ou tema em relação às Escrituras, buscando sabedoria e graça divina, para que as pessoas jamais levantem qualquer suspeita de que há intenções contrárias. Isso pode ser por demais sério e prejudicial à comunidade de salvos, a Igreja, e ainda pode ser que, pelo nosso procedimento imprudente, gere certas precipitações na vida de alguns cristãos.

Podemos analisar que muitos assuntos novos em relação às Escrituras foram introduzidos por Pedro e Paulo com muita cautela, ligando o Novo ao Antigo Testamento com total maestria. Pedro ligou o acontecimento do Pentecoste com Joel 2.28 (At 2.14-17), e Paulo ligou o tema da justificação não como sendo um assunto propriamente seu, mas que constava nas páginas da Antiga Aliança (Rm 3.21; 4.7; Gl 3.6-22; 4.21-31).

Portanto, queridos irmãos, Jesus não destruiu a Lei, não fez qualquer objeção contra ela, nem jamais a menosprezou, mas cumpriu todo o Antigo Testamento sujeitando-se cabalmente e cumprindo-o, por meio das profecias, tipos e símbolos, quando se apresentou como o Cordeiro substituto que pagou nossos pecados na cruz (Cl 2.14).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 53-56.

 

 

Há algo aqui no grego que simplesmente não pode ser traduzido para a nossa língua. A palavra grega para “lei” é nomos, da qual se origina o termo antinomianismo. No entanto, a palavra que Jesus emprega no início do versículo 17 é parte do verbo nomizõ, que significa “pensar ou conjeturar”. Ela tem um significado mais forte que a simples tradução “Não penseis”. Certa vez, enquanto procurava uma vaga para estacionar, deparei-me com uma placa que dizia: “Nem pense em estacionar aqui.” Ela transmitia bem o recado. Tal é a força do que Jesus está dizendo aqui: “Não permitam que este tipo de pen- sarnento entre em sua mente. Não pensem que vim destruir a lei.” O verbo ali, kataluõ, vem da raiz lyõ, que significa “soltar, desprender, destruir”. Esta era a palavra utilizada na cultura grega quando uma construção era demolida. Jesus estava dizendo: “Não pensem, nem mesmo por um minuto, que eu vim destruir a lei.”

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 85.

 

 

Ele começa dizendo-lhes que não imaginem, nem por um momento, que ele veio para revogar a lei ou os profetas, isto é, todo o Velho Testamento ou qualquer parte dele. O modo como Jesus enunciou esta declaração negativa dá a entender que alguns já pensavam exatamente isso que ele agora estava contradi-zendo. Embora o seu ministério público tivesse começado há tão pouco tempo, os seus contemporâneos estavam profundamente perturbados com a sua suposta atitude para com o Velho Testamento. Talvez a controvérsia sobre o sábado já tivesse explodido (tanto o incidente das espigas arrancadas no sábado quanto a cura do homem da mão mirrada, também no sábado, são colocados por Marcos antes mesmo da escolha dos doze). Certamente, desde o começo do seu ministério, as pessoas foram atingidas por sua autoridade. “Que vem a ser isto?” perguntavam. “Uma nova doutrina! Com autoridade ele ordena aos espíritos imundos, e eles lhe obedecem” (Mc 1:27). Portanto, era natural que muitos perguntassem que relação havia entre a sua autoridade e a autoridade da lei de Moisés. Eles sabiam que os escribas submetiam-se à lei, pois eram “mestres da lei”. Dedicavam-se à sua interpretação e declaravam não haver qualquer outra autoridade além daquela que citavam. Mas, com Jesus, a coisa não era tão clara assim. Ele falava com autoridade própria. Gostava de usar uma fórmula jamais usada por qualquer profeta antigo ou escriba contemporâneo.

Ele apresentava alguns de seus mais impressionantes pronunciamentos com “Em verdade digo”, falando em seu próprio nome e com sua própria autoridade. E que autoridade era esta? Será que estava se colocando como uma autoridade que se opunha à sagrada lei, à palavra de Deus? Parecia assim, para alguns. Por isso a pergunta, enunciada ou não, à qual Jesus agora respondia inequivocamente: Não penseis que vim revogar a lei ou os profetas. Muita gente continua perguntando, hoje em dia, embora de diferentes maneiras, que relação existe entre Jesus e Moisés, entre o Novo e o Velho Testamento. Considerando que Jesus aproveitou a oportunidade, falando explicitamente sobre o assunto, não devemos nos acanhar de imitá-lo. Ele veio (observe-se, a propósito, que ele tinha consciência de que viera ao mundo com uma missão) não para revogar a lei e os profetas, deixando-os de lado ou anulando-os, nem tampouco para endossá-los de maneira estéril e literal, mas para cumpri-los.

STOTT, John. Contracultura cristã. A mensagem do Sermão do Monte. Editora: ABU, 1981, pag.33-34.

 

 

2- Jesus não veio destruir a Lei.

 

Para muitos opositores, Jesus era um agitador, revolucionário, destruidor da tradição recebida (Jo 5.15). Por isso, nosso Senhor foi alvo de falsas acusações pelos seus críticos (Mt 26.59-61). Entretanto, os Evangelhos deixam claro que Jesus ensinou sobre a justiça conforme o que Moisés, a Lei e os profetas ensinaram. No lugar de enfraquecer a Lei, Ele devolvia o verdadeiro sentido dela, já abandonado pelos mestres judeus (Mt 8.4; Mc 7.10; Lc 16.31; Jo 5.46). Jesus enfatizou o sentido perfeito da Lei (Mc 7.5-13). Ele mesmo, a continuação da revelação divina, mostrava que essa revelação é progressiva para a perfeição, não retrógrada nem estática. Nesse sentido, a fé e o ensino da Palavra de Deus devem nos levar ao verdadeiro crescimento espiritual, com o bem ensinou o salmista (SI 1.2,3; 119.1,97).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Há diversas interpretações quanto à questão de Jesus ter cumprido ou não a Lei. Uma linha de pensamento expõe que Jesus veio tão somente para dar continuação à Lei, ou seja, Ele seria um grande mestre judeu e, na essência, os Evangelhos seriam uma exposição da velha Lei. O criador do cristianismo seria Paulo, originando-se dele certas doutrinas, porque, na verdade, o evangelho não tratou sobre justificação, santificação, dentre outros assuntos; tudo isso foi obra de Paulo.

Uma segunda linha de pensamento é mais pesada e está firmada no texto de João 1.17. Ela afirma que Jesus aboliu completamente a Lei e introduziu a graça, o que prontamente se compreende que o cristão não tem nada a ver com a Lei, de modo que o tal vive completamente debaixo da graça, sem ter que falar na Lei.

O que podemos dizer com certeza é que Jesus não somente cumpriu a Lei, mais do que isso, Ele deu uma honra sublime a ela mais do que fizeram os escribas e fariseus, uma vez que estes a interpretavam de modo tão pesado que enfadava o povo, acrescentando tradições diversas (Mt 23.3), e tão somente por meio dela é que se poderia obter a salvação. Nesse caso, estavam desprezando o Antigo Testamento em real inteireza, ao passo que Jesus fez o contrário, por exemplo, quando pedia que as pessoas praticassem boas obras. Ele não agia assim com base na exigência da Lei, mas devido a uma nova implantação da verdadeira justiça no interior da vida de cada um, aqueles que já eram bem-aventurados (Mt 5.2-12; Lc 6.20-23).

Pelo exposto, nenhum escriba ou fariseu por mais inteirado que fosse nas questões e tradições judaicas poderia fazer com a Lei o que Jesus fez; isso acontece por causa de sua autoridade messiânica.

Inclusive, o escritor da Carta aos Hebreus escreve que Ele é maior do que Moisés (Hb 3.3; Mt 16.18), de modo que estaria apto a cumprir toda a Lei e dar-lhe novos princípios.

Lendo o texto de Mateus 5.16, podemos entender que essas “boas obras” tratavam da gratidão por causa da salvação recebida, mas elas só poderiam ser alcançadas mediante o cumprimento das exigências espirituais como descritas no Antigo Testamento.

Jesus estava consciente do que viera fazer neste mundo. Como o Messias prometido, teria de estar de acordo com a Lei, já que seria impossível de sua parte não a cumprir ou desfazer-se dela, anulando a.

Ele deveria cumprir tudo o que os profetas asseveraram. Ao dizer que veio para cumprir a Lei, Jesus dá uma nova interpretação ao conceito messiânico, fato que nem sempre o Antigo Testamento deixou claro no sentido de cumprimento; no demais, Ele também expressa sua consciência da missão redentora como o Messias.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 56-58.

 

 

Os opositores de Jesus insinuavam que ele estava sabotando a revelação de Deus dada a Moisés. Porém, longe disso, Jesus afirmou categoricamente que nem um i ou um til da lei jamais passarão até que tudo se cumpra.

A Palavra de Deus é inerrante e infalível. A mente que a produziu não é humana, mas divina. A verdade nela contida não caduca com o tempo, mas é eterna. A lei apontava para Cristo. Os profetas falaram de Cristo. A lei cerimonial era uma sombra da realidade que é Cristo.

Ele é o fim da lei (Rm 10.4). Os profetas anunciaram o nascimento, a vida, o ministério, as obras, a morte, a ressurreição e o senhorio de Cristo. Tudo isso, rigorosamente, se cumpriu nele.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 193-194.

 

 

 

 

3- Jesus cumpriu e aperfeiçoou a lei.

 

O verbo “Cumprir” (Mt 5.17), do grego plêroô, traz a ideia de tornar cheio, completar, encher até o máximo fazer abundar, fornecer ou suprir liberalmente. Assim, a perspectiva pela qual Jesus cumpriu a Lei é que Ele lhe deu perfeição, conforme nos revela essa expressão: “ […] foi dito aos antigos: […] Eu, porém, vos digo” (Mt 5.21,22). Ora, em momento algum Jesus conflitou com as Escrituras do Antigo Testamento, mas as harmonizou plenamente. Por isso, diferentemente dos escribas e fariseus, que usavam da Lei para abusar do povo (Mt 23.4; Lc 11.46), o Senhor Jesus a aperfeiçoou (Mt 5.19). O que era visto com a sombra cedeu espaço para a realidade do pleno cumprimento profético (Lc 4.16 -21). Em Jesus, o que era visto por meio do Decálogo e dos profetas, concretizou-se fielmente em nosso Senhor, conforme nos revela o escritor aos Hebreus (Hb 1.1-3).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Antigo Testamento traz a revelação da lei e dos profetas, e o Novo Testamento apresenta Jesus e o evangelho.

Não há conflito nem contradição entre a antiga e a nova dispensações. Jesus não veio para deitar por terra a lei e os profetas. Veio para cumprir tudo que a lei simbolizava e tudo o que os profetas disseram. A lei é a promessa; Jesus é o cumprimento da promessa. A lei era a sombra; Jesus é a realidade.

Jesus não veio para desautorizar a lei, mas para cumpri-la. Não veio para refutar os profetas, mas para ser a essência de tudo o que eles disseram. Jesus cumpriu a lei em seu nascimento, em seus ensinamentos e em sua morte e ressurreição. Nessa mesma linha de pensamento, John Charles Ryle escreve: Tomemos cuidado para não desprezar o Antigo !estamento, sob nenhum pretexto. A religião do Antigo Testamento é o embrião do cristianismo. O Amigo testamento é o evangelho em botão; o Novo Testamento é evangelho aberto em Hor. O Antigo !’estamento é o evangelho brotando; o Novo Testamento é o evangelho já em espiga formada. Os santos do Antigo Testamento enxergaram muitas coisas como que por um espelho, obscuramente. Porém, todos contemplavam pela fé o mesmo salvador e foram guiados pelo mesmo Espírito Santo que hoje nos guia.

Warren Wiersbe diz corretamente que Jesus cumpriu os tipos e as cerimônias do Antigo Testamento para que esses não fossem mais necessários ao povo de Deus (Hb 9-10).

Colocou de lado a antiga aliança e firmou uma nova. Nessa mesma linha de pensamento, A. T. Robertson explica que a palavra “cumprir” significa “encher por completo”.

Foi o que Jesus fez com a lei cerimonial, que apontava para ele. Jesus também guardou a lei moral. “Ele veio completar a lei, revelar a total profundidade do significado que estava ligado a quem a guardava”. Resta claro que Jesus não contradiz o que foi dito, mas o coloca em foco ético mais nítido, numa espécie de intensificação radical das exigências da lei.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 192-193.

 

 

Cristo está afirmando muitas coisas nas duas frases do versículo 17. Ele nos lembra de que já veio. Em outros lugares, ele nos diz de onde veio. Aquele que ascendeu ao céu no final da vida é o mesmo que primeiro desceu do céu. Jesus também diz aqui que uma das razões pelas quais ele veio foi o cumprimento da lei de Deus. Certamente ele cumpriu a função da lei obedecendo-a em cada ponto. Ele também atendeu ao ensino dos profetas personificando todas as profecias feitas por eles. Sabemos que tanto a lei quanto os profetas apontam para a vinda de Jesus, e, quando ele veio, esta expressão reveladora foi cumprida. Muitos dizem: “Jesus não veio para destruir, mas para cumprir; logo, uma vez cumprida, a lei foi destruída.” Isso está errado. O contexto deixa claro que, quando Jesus fala sobre o cumprimento da lei, ele não apenas cumpre todos os seus aspectos em perfeita obediência, como o faz sem destruí-la, conforme veremos na exposição dos mandamentos.

“A Lei e os Profetas” no versículo 17 abrange todo o Antigo Testamento. Na Lei – 0 Pentateuco ou o Torá – os fariseus dispunham de 613 leis específicas, as quais eles procuravam explicar e obedecer. Com toda certeza, a medida completa delas nunca foi cumprida por um único fariseu sequer, mas a plenitude de suas exigências foi obedecida perfeitamente por Jesus.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 85-86.

 

 

O verbo traduzido por “cumprir” (plërösai) significa literalmente “encher” e indica, como Crisóstomo disse, que “suas palavras (sc. de Cristo) não eram uma revogação daquelas primeiras, mas uma exposição e o cumprimento delas”. Para captarmos o sentido total dessas palavras, precisamos nos lembrar de que “a lei e os profetas”, isto é, o Velho Testamento, contêm diversos tipos de ensinamentos. A relação de Jesus Cristo com eles difere, mas a palavra “cumprimento” abrange todos eles.

Primeiro, o Velho Testamento contém ensinamento doutrinário. “Tora”, geralmente traduzido por “lei”, significa, na verdade, “instrução revelada”; e o Velho Testamento realmente instrui-nos sobre Deus, sobre o homem, sobre a salvação, etc. Todas as grandes doutrinas bíblicas se encontram nele. Mas, ainda assim, foi apenas uma revelação parcial. Jesus o “cumpriu” todo, no sentido de completá-lo com a sua pessoa, seus ensinamentos e sua obra. O Rev. Ryle resumiu-o assim: “O Velho Testamento é o Evangelho em botão, o Novo Testamento é o Evangelho em flor. O Velho Testamento é o Evangelho no limbo; o Novo Testamento é o Evangelho na espiga.” Segundo, o Velho Testamento contém profecia preditiva. Grande parte dela contempla o dia do Messias, profetizando-o por meio de palavras ou apresentando-o em figuras e tipos. Mas não passa de previsões. Jesus a “cumpriu” integralmente, no sentido de que o predito aconteceu com ele. A primeira declaração do seu ministério público foi: “O tempo está cumprido…” (Mc 1:14). Suas próprias palavras aqui, (Eu) vim, denotam essa mesma verdade.

Repetidas vezes ele declarou que as Escrituras deram testemunho dele, e Mateus enfatiza isto mais do que qualquer outro evangelista, através da sua repetida fórmula: “Ora, tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta . . .” O clímax foi a sua morte na cruz, na qual todo o sistema cerimonial do Velho Testamento, sacerdócio e sacrifício, cumpriu-se perfeitamente. Então as cerimônias cessaram. Sim, como Calvino com razão comentou: “Apenas o uso deles foi abolido, pois o seu significado foi confirmado mais plenamente.” Não passavam de uma “sombra” do que estava por vir; a “substância” pertencia a Cristo. Terceiro, o Velho Testamento contém preceitos éticos, ou a lei moral de Deus. Mas eles são frequentemente mal interpretados e até mesmo desobedecidos. Jesus os “cumpriu”, em primeiro lugar, obedecendo-os, pois ele “nasceu sob a lei” e estava determinado (como já dissera João Batista) a “cumprir toda a justiça”. “Ele, na verdade, nada tinha a acrescentar aos mandamentos de Deus”, escreveu Bonhoeffer, “exceto isto, que ele os guardou”. Ele fez mais do que obedecê-los pessoalmente; ele explica o que a obediência implicará para os seus discípulos. Ele rejeita a interpretação superficial da lei, dada pelos escribas c fornece ele mesmo a verdadeira interpretação. O seu propósito não é mudar a lei, muito menos anulá-la, mas “revelar toda a profundidade do significado que pretendia conter”. Portanto, ele a cumpre, anunciando as exigências radicais da justiça de Deus”.

É isto que ele destaca no restante de Mateus 5, apresentando exemplos, conforme veremos. Em cada geração da era cristã, sempre houve aqueles que não conseguiram acomodar-se à atitude de Cristo para com a lei. O famoso herege do segundo século, Marcion, que reescreveu o Novo Testamento, eliminando as referências que este faz ao Velho, naturalmente apagou esta passagem. Alguns dos seus discípulos foram mais além. Atreveram-se até a inverter o seu significado, mudando os verbos de modo que a sentença, então, passasse a dizer o seguinte: “Eu vim, não para cumprir a lei e os profetas, mas para aboli-los!” Seus correlativos hoje em dia parecem ser aqueles que abraçaram a chamada “nova moralidade”, pois declaram que a própria categoria da lei fica abolida para o cristão (embora Cristo tenha dito que não veio para aboli-la), que nenhuma lei tolhe agora o povo cristão, exceto a lei do amor, e que na realidade a ordem para amar é agora o único absoluto. Sobre estes, voltarei a falar mais tarde. Por ora, basta enfatizar que, de acordo com este versículo (v. 17), a atitude de Jesus para com o Velho Testamento não foi de destruição e descontinuidade mas, antes, de continuidade construtiva, orgânica. Ele resumiu sua posição numa simples palavra: não “abolição”, mas “cumprimento”.

STOTT, John. Contracultura cristã. A mensagem do Sermão do Monte. Editora: ABU, 1981, pag. 34-35.

 

 

SINOPSE I

Jesus Apresentou um compromisso com o passado, pois ele não veio destruir a lei, mas aperfeiçoá-la

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

A Lei “A lei revelava a vontade de Deus quanto à conduta do seu povo (19.4-6; 20.1-17; 21.1-24.8) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33). A lei não foi dada com um meio de salvação com Deus (20.2). Antes, pela lei Deus ensinou ao seu povo com o andar em retidão diante dEle como seu Redentor, e igualmente diante do seu próximo.” Amplie mais o seu conhecimento, lendo a Bíblia de Estudo Pentecostal, publicada pela CPAD, p.146.

 

 

II- A LETRA DA LEI, A VERDADE DO ESPÍRITO

 

 

1- O que a expressão “letra da Lei” significa?

 

De acordo com as cartas de Paulo, a expressão “letra da Lei” diz respeito ao Antigo Concerto. Essa letra expressa os desígnios de Deus em forma de proibições escritas que revelam o pecado e levam à condenação, como nos mostra Romanos 7.7-25. Em suma, dominado pela fraqueza da carne e sem força, o homem seria levado à morte diante da letra da Lei. A função da Lei é mostrar a malignidade do pecado e a impossibilidade do homem em salvar-se. Nesse sentido, ela serviu com o paidagôgos (do grego), isto é, um pedagogo, um guia, que nos levou a Cristo (Gl 2.4). Um exemplo que revela essa função é a relevância dos profetas do Antigo Testamento para despertar o povo ao verdadeiro arrependimento diante de Deus. Entretanto, o judaísmo transformou a “letra da Lei” em um sistema de normas frias e sem vida.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Para termos uma compreensão clara sobre o que seria a letra da Lei, nada melhor do que atentar para a citação paulina que diz: “o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica (2 Co3.6, ARA).

Por meio do substantivo neutro letra, que do grego é grámma, fala de carta, qualquer escrito, documento ou registro. No entanto, pela citação feita por Paulo, prontamente entendemos que ele está fazendo um contraste entre a letra que mata e o espírito que dá vida.

Esse contraste é entre a Lei como um sistema de salvação que exigia obediência perfeita, o que se provou ser impossível ao homem cumprir (Rm 3.19,20; 7.1-14; 8.1-11; Gl 3.1-14); e o evangelho, que falava da salvação como um dom mediante a graça de Deus por intermédio de Jesus Cristo.

Paulo entendia a Lei como boa, ademais, ela exerceu seu papel pedagógico, que era o de levar vidas para Cristo (Gl 3.15,19), pois, como dito antes, no seu aspecto geral a Lei se referia ao Pentateuco e aos profetas. Nas palavras do apóstolo Paulo, porém, a letra que mata não era propriamente a Lei que foi dada por Deus, mas, sim, a interpretação judaica corrompida imposta pelo judaísmo, que a transformou num sistema totalmente sem vida que escravizava as pessoas (Is 1.10-20; Jr 7.21-26).

O próprio Antigo Testamento já trazia lampejos da antecipação da graça (Ez 37.1-14; 47.1-12), o que se concretizou definitivamente em Cristo. Por intermédio de Jesus, o novo tempo da graça e da verdade chegou (Jo 1.17;4. 23; 6.63; Rm 2.28).

Em sua essência, a letra da Lei era a verdadeira Palavra de Deus, à qual Jesus obedeceu, dando-lhe grande valor; todavia, a letra que matava era um sistema criado pelos próprios escribas e fariseus como normas pesadas, requintadas de tantas exigências, usadas de modo impróprio, que levaria o homem à morte.

A letra da lei como um código escrito exteriormente, como foi dado a Moisés da parte divina, expressava a vontade soberana do Senhor como também suas proibições. Contudo, é preciso entender que quem procurasse viver totalmente em obediência ao Senhor teria vitória. Devido ao poder da natureza pecaminosa, para muitos era impossível cumprir toda a Lei, e, além disso, o pecado era cada vez mais incitado, levando as pessoas à morte (Rm 8.3; 7.7-25).

Em Salmos 19.7 está escrito que “a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma”. O substantivo feminino torah, do hebraico, quer dizer lei, orientação, instrução, orientação (humana ou divina), conjunto de ensino profético, instrução na era messiânica, conjunto de orientações ou instruções sacerdotais, conjunto de orientações legais.

Com essas palavras, queremos dizer que não havia problema na Lei, porém, desde o momento em que Deus firmou um pacto com Israel, apesar de sua bondade e todo o cuidado dispensado, o povo jamais agiu como o Senhor queria, pelo contrário, não cumpriu com as responsabilidades do pacto assumido, de modo que nos livros históricos do Antigo Testamento se notará as constantes rebeliões dos israelitas para com a vontade do Senhor (Jr 31.32).

Diante desse cenário, o profeta Jeremias ansiava por uma Nova Aliança. Ele tinha consciência de que na Antiga Aliança Deus havia declarado o que realmente queria do seu povo, porém, não forneceu um poder ou método ao homem a †m de que fosse capaz de cumprir tais exigências. Por outro lado, na Nova Aliança Deus iria colocar essa Lei dentro do coração de cada um deles, de modo que eles teriam Deus como o Senhor e se tornariam seu povo (Jr 31.33). Nessa mesma linha de pensamento caminhou o profeta Ezequiel (Ez 36.26,27).

Na Nova Aliança o que iria impulsionar e mover o povo a Deus e ao cumprimento de sua Palavra seria a presença gloriosa do Espírito Santo, isso porque Ele faria uma verdadeira transformação. Assim, quando Paulo diz que a letra mata, não estava dizendo que aquilo que o Senhor deu a Moisés era imperfeito, sem valor, e sim que o uso inadequado dela como sistema de regras pesadas, exigindo cumprimento pleno pelo homem para se ter a salvação, era impossível, e gerava morte. Doravante, pela Nova Aliança o poder do Espírito Santo capacitaria o homem a viver a vontade do Senhor.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 58-60.

 

 

Os fariseus teriam estado muito interessados em observar o que estava acontecendo com os cristãos, especialmente com relação às leis judaicas. Na verdade, a sua própria existência envolvia a obediência detalhada às leis e tradições judaicas — e a verificação de que todos fizessem a mesma coisa. A filosofia dos judaizantes era alguma coisa como: “Se você não consegue derrotá-los nem unir-se a eles, então tente modificá-los, absorvendo-os no seu meio”. A situação do judaísmo, que Jesus repetidas vezes confrontou no seu ministério, era algo de que os judeus não desistiam facilmente. Aqueles ainda comprometidos com esse sistema queriam forçar os fiéis a seguirem todas as regras dos judeus, para torná-los escravos do sistema legal religioso.

A circuncisão, com o seu significado inerente (veja 2.3, acima), era um bom primeiro passo. Obviamente, eles não se viam como tentando escravizar a ninguém, mas Paulo entendia que este era o fim definitivo da obediência exigida a todas as leis e tradições judaicas.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 267.

 

 

o evangelho pregado aos gentios é o evangelho da liberdade (2.3-5). Vejamos o relato do apóstolo: Contudo, nem mesmo Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se. E isto por causa dos falsos irmãos que se entremeteram com o fim de espreitar a nossa liberdade que temos em Cristo Jesus e reduzir-nos à escravidão; aos quais nem ainda por uma hora nos submetemos, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós (2.3-5).

Tito foi levado por Paulo como um exemplo de que é possível um gentio ser salvo sem ser circuncidado. Para os judaizantes a presença de um gentio incircunciso na igreja era uma afronta, enquanto para Paulo era a evidência da eficácia da graça e da liberdade do evangelho. Se cedesse à pressão dos judaizantes para circundar Tito, Paulo estaria comprometendo a essência do evangelho. A própria liberdade cristã estaria danificada. Isso seria voltar à escravidão da lei.

E claro que a liberdade cristã não é sinônimo de licenciosidade (5.13). Adolf Pohl está certo ao conjeturar que o cristão livre não é o ser humano deixado solto, mas aquele que vive com seu libertador e para o seu libertador. Fora do senhorio de Cristo a liberdade é uma ilusão; tão-somente encobriríamos nossas paixões e desejos com uma palavra grandiosa.

John Stott está absolutamente correto, quando escreve: Introduzir obras da lei e fazer a nossa aceitação depender de nossa obediência a regras e regulamentos era fazer o homem livre retroceder para a escravidão. Neste princípio Tito era um teste. Era verdade que ele era um gentio incircunciso, mas era também um cristão convertido. Tendo crido em Jesus, fora aceito por Deus em Cristo, e isso, dizia Paulo, era suficiente. Nada mais era necessário para a sua salvação, como o confirmou mais tarde o Concílio de Jerusalém (At 15.11).

Quando se tratava da defesa do evangelho, Paulo era absolutamente inflexível. Esses falsos irmãos, como espiões e traidores, como agentes de serviço secreto, introduziram-se furtivamente na igreja para perturbar os crentes e perverter o evangelho. Mas encontraram em Paulo um muro de concreto, uma rocha inabalável e um apóstolo intransigente. Paulo era flexível com os irmãos fracos, mas inflexível com os falsos irmãos. Quando se trata da verdade do evangelho não podemos ceder uma polegada nem transigir com uma vírgula. Negociar a verdade é cair na vala da apostasia. David Stern defende claramente que aqueles que insistem na circuncisão dos gentios (2.3-5) não possuem um evangelho melhor e mais puro, mas uma perversão do evangelho (1.6-9), reprovada pelas próprias pessoas para cuja autoridade eles apelavam (2.8,9; 5.11).

LOPES, Hernandes Dias. GALATAS A carta da liberdade cristã. Editora Hagnos. pag. 85-86.

 

 

2- A perspectiva teológica da Lei.

 

Para os judeus, a Lei apresentava sua completude por meio de uma tríplice divisão: moral, cerimonial e judicial. A Lei Moral envolve os Dez Mandamentos (Êx 20.1-17); a cerimonial refere-se à adoração do povo de Deus no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo (Êx 25.1-31.17); a judicial tem a ver com diversas responsabilidades civis (individuais e sociais) (Êx 21.1-23.19). Pelo sistema da antiga Lei, havia um falso entendimento de que o homem poderia viver de maneira justa segundo o seu próprio mérito e que, por isso, seria possível salvar-se. Ora, o apóstolo Paulo refutou sabiamente esse falso entendimento (Gl 2.16; Tt 3.5). Em suas cartas, o apóstolo deixou bem claro que o Senhor Jesus cumpriu toda a Lei e que, por isso, pôs fim ao Sistema de Lei Mosaico, de modo que Ele oferece um novo e vivo caminho para se chegar a Deus (Jo 14.6; Hb 10.19,20), uma nova aliança que concede justificação e paz ao salvo (Rm 5.1).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Em sua completude, a Lei, como foi dada aos filhos de Israel, era composta em três partes: moral, judicial e cerimonial. Encontramos os Dez Mandamentos na lei moral (Êx 20.1-17), além de outros princípios. A lei judicial envolvia o relacionamento entre os judeus e pode ser vista nos capítulos 21 a 23 de Êxodo. Constam nessa passagem informações sobre como cada pessoa deveria se comportar com a outra e o que se deveria fazer ou não fazer. Já na lei cerimonial estavam as questões atreladas aos sacrifícios, aos holocaustos, os ritos, os sistemas de adoração, e pode ser encontrada no livro de Levítico.

De modo geral, tudo isso era o conteúdo da Lei; era a essa Lei que Jesus estava se referindo em Mateus. Lembrando que sua ênfase estava relacionada aos ensinos sobre o comportamento e conduta do homem, sobre a verdadeira vida.

É preciso que o leitor tenha todo o cuidado quando for estudar a Lei na perspectiva que Jesus a introduz no livro de Mateus.

Primeiramente, porque no versículo 17 sua ênfase é pela totalidade da Lei, mas, quando passamos para a leitura do versículo 21, sua ênfase é quanto à lei moral. Na perspectiva bíblica e teológica, já se compreende que a Lei é uma referência ao Pentateuco, ao passo que os profetas envolviam os livros proféticos do Antigo Testamento. Esses profetas eram vozes altissonantes que em sua missão agiam interpretando a Lei e chamando o povo para cumpri-la com fidelidade, visto que os males que sofriam eram por causa da desobediência; por esse motivo, procuravam chamar o povo para um retorno, incentivando-os para que todos fizessem uma releitura da Lei. Duas coisas caracterizavam os profetas na missão que desempenhavam: eram pregadores e também videntes.

Entendemos que Jesus valorizou a Lei em todos os sentidos, não veio nem para acabar com ela, nem acrescentar algo novo, mas mostrou total e plena obediência, porquanto sabia do seu grande valor, de modo que o verbo “cumprir” implicaria estar sujeito a tudo aquilo que a Lei e os profetas disseram (Lc 24.25-27).

Jesus esclarece que aquilo que a Lei dizia era irrevogável, permanente, e, para confirmar isso, faz uso do céu e da terra, que são sinais de permanência, de modo que enquanto eles estiverem em seus lugares, coisa alguma da Lei poderá ser mudada (Mt 5.18).

Jesus estava dizendo que os mínimos detalhes da Lei deveriam ser cumpridos e obedecidos. Com essa posição, Ele estava evidenciando o grande valor da Lei e, quando fez o acréscimo de “em verdade vos digo”, por meio de sua autoridade divina estava reforçando a ideia de que a Lei de Deus, isto é, o Antigo Testamento, deve ser totalmente obedecido e cumprindo em todo os seus mínimos detalhes.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag.

 

 

Todas as pessoas são pecadoras condenadas diante de Deus: os tementes a Deus, os judeus respeitadores da lei, e os “pecadores gentios”, igualmente. Porém, todos são justificados com Deus, não por fazerem as obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo. Esta é a doutrina da “justificação”.

Deus justifica as pessoas apesar da sua culpa, as perdoa, e então as torna seus filhos e herdeiros. A lei à qual ele estava se referindo poderia significar as Escrituras dos judeus, além das leis acrescentadas pelos fariseus. Se as pessoas pudessem ser salvas pela obediência à lei, então Cristo não precisaria ter morrido. Mas a realidade é que peias obras da lei nenhuma carne será justificada.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 272.

 

 

Tanto ele como Pedro, judeus como eram, haviam descoberto que a salvação jamais pode ser alcançada pelas “obras da lei” (16); mas deve vir mediante a fé em Cristo Jesus (16), fé essa que tem origem nEle e que depende exclusivamente dEle (cf. Rm 3.26). Esse grande verbo paulino, «justificar» emerge aqui. A justificação envolve mais que o perdão dos pecados; no Breve Catecismo de Westminster é definida como segue: «A justificação é um ato da graça livre de Deus, mediante o qual Ele perdoa todos os nossos pecados e nos aceita como justos aos Seus olhos, baseado somente na retidão de Cristo, a nós imputada, e recebida exclusivamente pela fé». É justamente o contrário da condenação (cf. Rm 8.33-34).

DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Gálatas. pag. 16.

 

 

3- A Lei e a verdade do Espírito.

 

Nosso Senhor cumpriu todo o Antigo Testamento, obedecendo perfeitamente à Lei, cumprindo os tipos, sombras, símbolos e profecias. A causa dessa realidade perfeita é a morte substitutiva de Jesus e, por isso, hoje, os cristãos são declarados justos pelo mérito da obra de Cristo (Rm 3.21-26; 10.4). Em conformidade com esse evento salvífico, o apóstolo Paulo diz que a letra mata, mas o Espírito vivifica (2 Co 3.6). Isso mostra que o Novo Concerto revelou-se na pessoa de Jesus, que gera vida, e não mais na letra pesada da Lei, que gera morte (Rm 6.23). Ou seja, de um código exterior de normas para um código interior e dinamizado na vida pelo Espírito; de palavras registradas em tábuas de pedra para palavras cravadas no coração. O Espírito Santo traz vida em Cristo e grava a vontade de Deus em nossa consciência e coração (Rm 8.2; 1 Co 15.45; 1Tm 1.5).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Jesus não se manifestou contra a Lei, mas a exaltou grandiosamente. Com isso entendemos que a Lei exigia algo que o homem não poderia cumprir, devido à sua natureza pecaminosa, que o tornava fraco (Rm 8.3). Entretanto, passa agora a estar em ação o Espírito Santo, que gravaria no coração do homem o querer ou a vontade do Senhor (Rm 8.2; 1Co 15.45; At 15.9), levando o mesmo a corresponder com os requisitos do Deus Santo (Rm 8.4).

O leitor da Palavra de Deus facilmente notará, por meio das palavras de Paulo, a diferença entre as duas dispensações: da Lei e do Espírito. O apóstolo Paulo argumenta que o ministério de Moisés, ainda que tendo brilho, era transitório. Isso evidencia que havia nesse ministério o esplendor da glória de Deus, isto é, a revelação de sua vontade, de modo que sua conclusão é que se o ministério gravado em pedras tinha glória (Rm 7.7,8; 1Co 15.16), quanto maior glória teria o ministério do Espírito, o qual concederia a verdadeira vida (Gl 3.5).

A distinção entre o ministério da antiga Lei gravada em pedras e do Espírito é algo sério, posto que a primeira apenas mostrava a doença, mas não falava sobre a esperança de cura; na Nova Dispensação, porém, por meio do evangelho, há esperança para a cura da doença que mata o homem, o pecado. Essa cura é o sangue de Jesus Cristo. É no evangelho que o homem pode viver a verdadeira justiça e a santificação requeridas por Deus (Rm 1.16; 8.39).

Portanto, queridos irmãos, entendemos que na Nova Dispensação o ministério do Espírito Santo seria completamente diferente do da Antiga Aliança, visto que na Nova os pecados seriam perdoados para não serem mais lembrados e, a partir de então, o homem seria capacitado e motivado pelo Espírito de Deus para realizar o que não conseguira quando vivia pela força da Lei (Jr 31.31; Ez 36.25-27; Rm 8.3,4).

Nesse contraste que Paulo faz entre a Lei que mata e a vida que vem do Espírito, em momento algum o apóstolo está dizendo que houve qualquer ato de aviltamento com o Antigo Testamento. Como dito antes, a letra que matava se referia à Lei de Moisés, mas usada inadequadamente pelos judeus (Tt 3.5) levando o homem ao desespero, como aconteceu com Paulo. De agora em diante, tanto a Antiga Escritura como os Evangelhos estariam unidos e passariam a ser instrumentos pelos quais o Espírito Santo iria transmitir a verdadeira vida ao homem.

Quando Paulo fala que o Espírito vivifica, ele está fazendo alusão ao novo concerto da revelação que se concretizou em Cristo, de modo que doravante não se falaria mais em um código escrito em pedra, mas esse novo seria dinâmico e espiritual introduzido nos corações para que pudesse viver e fazer a vontade do Senhor. Nisso consiste a Lei e a verdade do Espírito.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 62-64.

 

 

Colin Kruse interpreta esta expressão: “[…] porque a letra mata […]” (3.6), dizendo que o código escrito (a lei) mata quando usada de modo impróprio, isto é, como um sistema de regras que devem ser observadas a fim de estabelecer a auto-retidão do indivíduo (Rm 3.20; 10-14).

Usar a lei dessa forma inevitavelmente conduz à morte, visto que ninguém pode satisfazer às suas exigências e, portanto, todos ficam sob sua condenação. O ministério do Espírito é completamente diferente. E o ministério sob a nova aliança, sob a qual os pecados são perdoados para nunca mais serem lembrados, e as pessoas são motivadas e capacitadas pelo Espírito a fim de realizar aquilo que a aplicação imprópria da lei jamais poderia conseguir (Jr 31.31-34; Ez 36.25-27; Rm 8.3,4).

O ministério do Espírito traz vida, porque na nova aliança o pecador é substituído por Cristo, e, em Cristo, ele recebe o perdão de seus pecados. O Filho de Deus veio ao mundo como nosso representante e fiador. Quando ele foi à cruz, Deus lançou sobre ele a iniquidade de todos nós (Is 53.6). Ele foi feito pecado por nós (2Co 5.21) e maldição por nós (G1 3.13). Ele foi ferido e traspassado pelas nossas transgressões. Quando estava suspenso entre a terra e o céu, o próprio sol cobriu o seu rosto e houve trevas sobre a terra.

Nem mesmo o Pai pôde ampará-lo. Naquele momento, ele bebeu sozinho todo o cálice da ira de Deus contra o pecado. Então, vitoriosamente pegou o escrito de dívida que era contra nós, rasgou-o, anulou-o, encravou-o na cruz e bradou: “Está consumado” (Jo 19.30)! Cristo morreu a nossa morte, para vivermos sua vida. Pela morte de Cristo temos vida abundante e eterna. O ministério do Espírito é aplicar em nós os benefícios da redenção de Cristo.

LOPES, Hernandes Dias. II Coríntios O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldade. Editora Hagnos. pag. 80-81.

 

 

Este versículo termina com um curto provérbio – a letra mata, e o Espírito vivifica. A “letra”, ou o antigo concerto, refere-se às Escrituras do Antigo Testamento, o resumo da lei de Moisés. A carta de Paulo aos Romanos mostra que ele negava inequivocamente que a observância à lei pode levar à salvação.

Na verdade, a lei somente torna as pessoas conscientes do seu pecado, o pecado que, em última análise, leva à morte (Rm 2.29; 3.19,20; 6.23; 7.6). Tentar ser salvo observando as leis do Antigo Testamento irá acabar em morte.

Somente crendo no Senhor Jesus Cristo se pode receber a vida eterna, por intermédio do Espírito Santo. Ninguém, exceto Jesus, cumpriu a lei perfeitamente; assim, todo o mundo está condenado à morte. Sob o novo concerto, a vida eterna vem do Espírito Santo. O Espírito dá uma nova vida a todos aqueles que creem em Cristo.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 204.

 

 

4- Qual é o propósito da Lei para os discípulos de Cristo?

 

Vimos que Jesus cumpriu toda a Lei. Nesse sentido, cabe perguntar: há propósito da Lei para os cristãos? O apóstolo Paulo responde essa questão mostrando que a Lei é santa (Rm 7.12), está estabelecida (Rm 3.31), se cumpre no amor (Rm 13.8-10; Gl 5.14) e opera atualmente por meio do Espírito Santo, que dinamiza a vida interior do cristão (Rm 8.2,9; Gl 5.6,25). Portanto, é Jesus Cristo quem impacta, aperfeiçoa e, por meio do Santo Espírito, implanta no interior do crente o verdadeiro sentido da Lei (Gl 4.3-7).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Quando o cristão se depara com esse texto: “Porque o Cristo, para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4), prontamente entende que se Jesus já cumpriu toda a Lei, então não há necessidade alguma de se voltar para o Antigo Testamento, podendo rejeitá-lo por completo. É preciso muito cuidado nesse sentido, pois muitos estão rejeitando o Antigo Testamento para ficar apenas com o Novo, esquecendo-se de que ambos se completam.

Jesus esclareceu que o Antigo Testamento testificava sobre sua pessoa e obra (Jo 5.39; Lc 24.27). Ainda há que se dizer que é nas Escrituras Antigas que constam ensinos sobre a criação do mundo, a origem do pecado, a promessa da vinda do Salvador, dentre outros assuntos importantes, de modo que sua utilidade para os novos salvos em Cristo é relevante. .

Tudo o que os profetas falaram foi por inspiração divina, não são meramente frases poéticas. O que se procurava alcançar, em suas declarações, era despertar o povo para viver a vontade do Senhor, sabendo que brevemente o esperado Messias iria chegar para o cumprimento de tudo. Podemos dizer que no Antigo Testamento se tem a promessa, no Novo, o total cumprimento das revelações divinas que foram dadas ao longo do tempo (Gl 4.4). Assim, não há como se falar em Novo Testamento sem o Antigo Testamento.

À luz de Mateus 5.17,18, como já explicado, Jesus mostrou que o Antigo Testamento era a Palavra de Deus, por isso procurou cumpri-la.

Semelhantemente, devemos proceder como nosso divino Mestre, jamais pondo em dúvida a autoridade da Antiga Escritura, pois durante sua vida, Jesus sempre fez menção a muitas passagens veterotestamentárias durante seus ensinos e deixou claro que elas não podem falhar: “Se ele chamou deuses àqueles a quem foi dirigida a palavra de Deus, e a Escritura não pode falhar” (Jo 10.35, ARA).

Por meio dos ensinos de Paulo em relação à Lei, entendemos que ela jamais perde sua validade, porque é santa (Rm 7.22). Desse modo, ela está estabelecida e cumprida (Rm 3.31; 13.8-10; Gl 5.14).

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 64-66.

 

 

Os versículos acima, citados a partir das Escrituras, condenam a todos, mas especialmente aqueles que estão sob a lei, os judeus. Aqueles que leem estes versículos silenciam. Não há mais desculpas para dar.

Nem qualquer autodefesa. Ninguém tem quaisquer desculpas; todos são condenáveis diante de Deus. E se os judeus – o povo especial escolhido por Deus – nada podem dizer em sua própria defesa, então ninguém pode.

No silêncio que enche o tribunal, um pensamento é claro: culpado das acusações. A responsabilidade pela culpa deve ser acatada, muito embora toda explicação e desculpa tenham falhado. Somos responsáveis diante de Deus porque Ele é o nosso Criador, a fonte pessoal que está por trás do padrão (a lei), e o Juiz fidedigno. Devemos nossa existência e obediência a Ele.

Com esta afirmação abrangente, Paulo conclui seus argumentos de abertura que descrevem o estado da perdição humana. O propósito da lei não é trazer a salvação, mas nos alertar sobre o pecado.

A única maneira das pessoas se tornarem justificadas diante de Deus, é serem declaradas justas pelo próprio Deus. Ninguém pode fazê-lo ao tentar seguir o que a lei de Deus ordena, ou seja, mantendo certas tradições, como a circuncisão, a fim de ser identificado como um judeu e assim permanecer sob as promessas da aliança de Deus. Essas tradições estão relacionadas com a identificação com o povo de Deus, e com a manutenção do relacionamento com esse povo.

Novamente Paulo conduz ao ponto principal: Ser um judeu instruído, fiel e seguidor da lei, não torna uma pessoa justa. A lei não era algo de que os judeus deveriam se vangloriar; pelo contrário, ela foi dada para eliminar a ostentação de qualquer um e alertar a todos sobre o pecado e sobre a constante necessidade da graça de Deus. A lei só torna dolorosamente claro que as pessoas não a estão obedecendo.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 33-34.

 

 

Um dos aspectos mais importantes da experiência dos israelitas no monte Sinai foi o de receberem a lei de Deus através do seu líder, Moisés. A Lei Mosaica (hb. torah, que significa “ensino”), admite uma tríplice divisão: (a) a lei moral, que trata das regras determinadas por Deus para um santo viver (20.1-17); (b) a lei civil, que trata da vida jurídica e social de Israel como nação (21.1 — 23.33); e (c) a lei cerimonial, que trata da forma e do ritual da adoração ao Senhor por Israel, inclusive o sistema sacrificial (24.12 — 31.18). Note os seguintes fatos no tocante à natureza e à função da lei no Antigo Testamento.

(1) A lei foi dada por Deus em virtude do concerto que Ele fez com o seu povo. Ela expunha as condições do concerto a que o povo devia obedecer por lealdade ao Senhor Deus, a quem eles pertenciam. Os israelitas aceitaram formalmente essas obrigações do concerto (24.1-8).

(2) A obediência de Israel à lei devia fundamentar-se na misericórdia redentora de Deus e na sua libertação do povo (19.4).

(3) A lei revelava a vontade de Deus quanto a conduta do seu povo (19.4-6; 20.1-17; 21.1—24.8) e prescrevia os sacrifícios de sangue para a expiação pelos seus pecados (Lv 1.5; 16.33). A lei não foi dada como um meio de salvação para os perdidos. Ela foi destinada aos que já tinham um relacionamento de salvação com Deus (20.2). Antes, pela lei Deus ensinou ao seu povo como andar em retidão diante dEle como seu Redentor, e igualmente diante do seu próximo. Os israelitas deviam obedecer à lei mediante a graça de Deus a fim de perseverarem na fé e cultuarem também por fé, ao Senhor (Dt 28.1,2; 30.15-20).

(4) Tanto no AT quanto no NT, a total confiança em Deus e na sua Palavra (Gn 15.6), e o amor sincero a Ele (Dt 6.5), formaram o fundamento para a guarda dos seus mandamentos. Israel fracassou exatamente nesse ponto, pois constantemente aquele povo não fazia da fé em Deus, do amor para com Ele de todo o coração e do propósito de andar nos seus caminhos, o motivo de cumprirem a sua lei. Paulo declara que Israel não alcançou a justiça que a lei previa, porque “não foi pela fé” que a buscavam (Rm 9.32).

(5) A lei ressaltava a verdade eterna que a obediência a Deus, partindo de um coração cheio de amor (ver Gn 2.9 nota; Dt 6.5 nota) levaria a uma vida feliz e rica de bênçãos da parte do Senhor (cf. Gn 2.16 nota; Dt 4.1,40; 5.33; 8.1; Sl 119.45; Rm 8.13; 1Jo 1.7).

(6) A lei expressava a natureza e o carácter de Deus, i.e., seu amor, bondade, justiça e repúdio ao mal. Os fiéis israelitas deviam guardar a lei moral de Deus, pois foram criados à sua imagem (Lv 19.2).

(7) A salvação no AT jamais teve por base a perfeição mediante a guarda de todos os mandamentos. Inerente no relacionamento entre Deus e Israel, estava o sistema de sacrifícios, mediante os quais, o transgressor da lei obtinha o perdão, quando buscava a misericórdia de Deus, com sinceridade, arrependimento e fé, conforme a provisão divina expiatória mediante o sangue.

(8) A lei e o concerto do AT não eram perfeitos, nem permanentes. A lei funcionava como um tutor temporário para o povo de Deus até que Cristo viesse (Gl 3.22-26). O antigo concerto agora foi substituído pelo novo concerto, no qual Deus revelou plenamente o seu plano de salvação mediante Jesus Cristo (Rm 3.24-26; ver Gl 3.19, nota com matéria adicional sobre a natureza e função da lei no AT).

(9) A lei foi dada por Deus e acrescentada à promessa “por causa das transgressões” (Gl 3.19); i.e., tinha o propósito (a) de prescrever a conduta de Israel; (b) definir o que era pecado; (c) revelar aos israelitas a sua tendência inerente de transgredir a vontade de Deus e de praticar o mal, e (d) despertar neles o sentimento da necessidade da misericórdia, graça e redenção divinas (Rm 3.20; 5.20; 8.2).

STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

 

SINOPSE II

Letra da Lei diz respeito ao Antigo Concerto; a verdade do Espírito diz respeito a vida em Cristo que grava a vontade de Deus no coração.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“O Princípio Básico

Os oponentes de Jesus o criticavam por não guardar as minúcias das observâncias tradicionais da lei judaica.

Aqui Jesus deixa claro que Ele não está ausente para destruir a lei, mas para cumpri-la e até intensificá-la. Ele fixa padrões mais altos. Seu principal interesse é a razão de a lei existir; Ele insiste que guardar a lei começa com a atitude do coração. Por este princípio Jesus afirma simultaneamente o valor das pessoas e da lei. Neste aspecto Ele cumpre a lei antecipada por Jeremias: ‘Porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo’ (Jr 31.33b). Como sucessor de Moisés, Jesus dá a palavra final na lei. Mas o que Ele quer dizer quando fala que cumpre a lei? Não significa que Ele simplesmente a observa.

Nem quer dizer que Ele anulou o Antigo Testamento e as leis (como sugerido por Márcion e os hereges gnósticos). A obra de Jesus e sua Igreja está firmemente arraigada na história da salvação. Em certo sentido, Jesus deu à lei uma expressão mais plena, e em outro, transcendeu a lei, visto que Ele se tornou a corporificação do seu cumprimento. Mateus vê o cumprimento da lei em Jesus semelhantemente ao cumprimento da profecia do Antigo Testamento: O novo é como o velho, mas o novo é maior que o velho. Não só o novo cumpre o velho, mas transcende. Jesus e a lei do novo Reino são o intento, destino e meta final da lei” (ARRINGTON, French L; STRONSTAD, Roger (Eds.) Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2003, p.44 ).

 

 

III- A JUSTIÇA DO REINO DE DEUS

 

 

1- Quem é grande no Reino de Deus?

 

Mateus 5.18-19, mostra que são considerados ‘‘grande no Reino de Deus” os que se acham fiéis e cumpridores de toda a lei de Cristo. Consequentemente, são rebaixados à condição de menores os que negligenciam, removem, separam, violam o menor dos mandamentos de Deus e não atentam para a sua instrução, quer por omissão, quer por transgressão. Assim, como discípulos de Cristo e cidadãos do Reino de Deus, devemos cumprir e ensinar a lei divina a partir do poder do Espírito Santo que transforma, aperfeiçoa e concede-nos graça e verdade (Jo 1.16,17).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Entre os rabinos judeus, se fazia a divisão da Lei em 613 mandamentos. Havia os que eram negativos e positivos. Do lado negativo se tinha um total de 356 mandamentos, e do lado positivo outros 248. Isso fazia com que constantemente surgissem debates quanto ao que seria pesado e leve. Um exemplo de mandamento leve seria o que consta em Deuteronômio 22.6, e foi nessa questão que um escriba queria saber a opinião de Jesus sobre o maior mandamento, ao que prontamente respondeu (Lc 10.27).

Mas é preciso que se compreenda que o ensino e a interpretação que Jesus vai trazer quanto à Lei não seguia os parâmetros do judaísmo frio, trivial e intolerante, cheio de legalismo. Ainda que Cristo levasse em consideração que algumas exigências fossem de maior importância do que outras, como se vê em Mateus 5.19, Ele realçou com precisão as coisas mais importantes da Lei, como, por exemplo, o juízo, a misericórdia e a fé (Mt 23.23). É compreensível que Jesus valorizasse toda a Lei, inclusive a lei moral, como se verá em Mateus 5.21. Tudo isso deveria ser observado.

Em relação ao que é pequeno ou grande no Reino dos céus, Jesus esclarece que aquele que violar um dos menores mandamentos e ensinar a outros, isto é, ainda que seja doutor em teologia, filosofia, grande exegeta e hermeneuta, não importa, será considerado como o menor em seu Reino. Aquele, porém, que procurar praticar e ensinar os mandamentos conforme estão escritos, como ensinado por Jesus, será grande em seu Reino. Essa última expressão fala de alguém que vive ou procede segundo a verdade (1Jo 1.31), e, pela leitura que se faz de Mateus 18.1-4, tal ensino é verdadeiro tanto agora como na eternidade.

Como servos de Cristo, devemos guardar a Palavra de Deus e ensiná-la aos outros como realmente deve ser ensinada, não vendo qualquer parte dela como inferior, pequena, sendo passível de não cumprimento, visto que os reais seguidores de Cristo, em especial os mestres e doutores, sabem que para serem cooperadores do Mestre neste mundo e fazer algo para o seu Reino, precisam reverenciar, respeitar, obedecer e cumprir a Palavra de Deus, pois todos são conscientes de que a justiça que faz parte do Reino tem harmonização perfeita com os princípios morais exarados no Antigo Testamento.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 66-67.

 

 

A pessoa que minimiza o significado da antiga lei à parte da interpretação de Jesus da lei será chamado o menor no Reino (Mt 5.19). A palavra lyo (v. 19) significa relaxar, quebrar ou anular. Mais tarde, quando o gnosticismo menosprezou o mundo material e segregou a salvação a uma jurisdição espiritual, mítica ou não-histórica, os pais da igreja primitiva foram prontos em insistir na validade da obra de salvação de Deus no tempo, no espaço e na história como demonstrado no Antigo Testamento. Sem o contexto histórico, precedente e a promessa do velho, a declaração do novo pode significar qualquer coisa que algum autodenominado profeta queira significar.

A pressuposição de que Jesus estava perpetuando o mero legalismo e elevando o lance legalista evapora-se no calor da advertência de Jesus encontrada no versículo 20: “Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus”. A questão era a qualidade e fim da lei, e não sua quantidade.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 45.

 

 

MÍNIMO no reino. Os mestres que interpretam erroneamente e assim ensinam, levam outros a errar por seus ensinos; esses homens serão—os menores— no reino. E provável que Jesus fizesse alusão especial ao reino do Messias, por ele oferecido. Nesse reino, tais mestres teriam pouca importância, em contraste com a posição antes ocupada. Talvez a interpretação seja mais ampla do que essa, segundo fazem alguns comentaristas, que aplicam as palavras até mesmo ao «céu» ou ao «inferno».

O apóstolo Paulo parece ensinar algo semelhante em I Cor. 3:1 3-15: «…manifesta se tornará a obra de cada um … se permanecer a obra de alguém…. receberá galardão… se queimar, sofrerá dano… será salvo, todavia, como que através do fogo». Mas a interpretação principal é aquela dada acima.

Grande. Não o maior. Só Deus poderia fazer tal declaração. O serviço bem feito, segundo as regras de Deus, merece o galardão dado por Deus.

Provavelmente Jesus pensou nos santos do V.T., nos profetas e em Moisés.

Foram exemplos de grandes» indivíduos. Pregaram, mas também obedeceram aos mandamentos de Deus.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 309.

 

 

2- A Justiça do reino de Deus.

 

A compreensão da justiça do Antigo Testamento, baseada no binômio lei-obra, gerou orgulho pessoal e confiança nas próprias ações dos judeus para justificarem a si mesmos. No Novo Testamento, há exemplos a esse respeito: o jovem rico que agiu assim para atingir o supremo bem (Mt 19 .16 -26); o fariseu que, por meio de sua justiça própria, achava-se melhor que o publicano (Lc 18.9-17); o sacerdote e o levita que, firmados numa justiça própria, não atentaram para a aflição do próximo (Lc 10.25-37). Mas Jesus ensina aos seus discípulos que a nova justiça no Reino de Deus é interior, moral e espiritual e não se trata mais daquela velha justiça exterior, cerimonial e legalista. Por isso, a justiça exigida pelo Senhor Jesus aos seus discípulos é superior à dos escribas e fariseus. É uma justiça mais sublime, elevada e interior. Essa justiça só pode ser obtida mediante a fé, nos permitindo viver de maneira justa e piedosa (Rm 3.21,22; Rm 8.2-5) e, assim, entrar no Reino de Deus.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Logo que lemos Mateus 5.20, vemos que Jesus faz um páreo entre a justiça ensinada pelos escribas e fariseus com a justiça realmente que Deus se agrada, a qual todo verdadeiro cidadão do Reino de Deus deve ter. A compreensão perfeita do ensino de Cristo quanto ao que ensinavam os escribas e fariseus se verá realmente no tipo de justiça que tinham. Eles ensinavam sobre homicídio, adultério, juramento de modo literal, mas não atentavam para o que realmente a pessoa era.

Jesus ensina que a justiça do Reino teria que estar em consonância plena com a Lei de Deus (Mt 22.34-40), esse foi o motivo de Ele dizer: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai Celeste” (Mt 5.48, ARA). O Senhor Jesus levaria em consideração não somente o que a pessoa iria fazer, mas, sim, o que realmente ela seria, para Ele somente os feitos externos praticados perante os olhos humanos não teriam importância de modo isolado, mas envolveria o lado interno, o coração, que já havia sido transformado pelo poder da Palavra, procurando corresponder com a perfeição do Pai.

Agora é fácil notar a diferença entre a justiça ensinada por Jesus e aquela ensinada pelos escribas e fariseus. A justiça que o crente recebe vem pela fé em Cristo Jesus, não dependendo de qualquer esforço humano; ao contrário dos escribas e fariseus, em que a justiça ensinada estava firmada em cumprimentos de atos e esforços humanos. Desse modo, alcançariam a verdadeira vida que Deus desejava.

É preciso entender que os escribas e fariseus eram fortes. Os escribas eram considerados doutores, mestres e expositores do Antigo Testamento; os fariseus apresentavam-se como cumpridores e praticantes da Lei com toda minúcia e escrúpulos. Jesus diz que os novos discípulos que desejassem fazer parte do seu Reino teriam quer ter uma justiça superior à dos escribas e fariseus.

A justiça proposta pelo escribas e fariseus estava baseada naquilo que é aparente, superficial, externo, não envolvia o coração, pois procuravam justificar-se a si mesmos diante dos homens (Lc 16.15), enquanto o coração estava cheio de extorsão e intemperança (Mt 23.25), e jamais chegariam à perfeição de Deus. A justiça requerida por Cristo, que começou a ser dita em Mateus 5.8, fala dos limpos de coração e acontece por uma mudança divina, jamais do próprio esforço do homem.

Podemos dizer que a justiça dos escribas e fariseus era fruto de uma mente enganosa, de modo que apresentavam seus argumentos e raciocínios corruptos, por isso estavam sempre anulando a Palavra de Deus (Mt 15.3.6). A justiça que utilizavam era criada por eles mesmos, estava firmada no eu, de modo que se julgavam justos (Mt 18.9-14).

Os escribas e fariseus não tinham a sede de justiça como foi ensinado por Jesus (Mt 5.6). Jesus queria que os seus servos tivessem uma justiça que levasse a cada um a olhar para si mesmo e, como isso se voltar para o Pai, buscando dEle a real justiça (Lc 15.17-19). A justiça ensinada por Cristo não exalta o ego humano, pois sempre busca a glória de Deus (Mt 5.16; Mt 6.1,2).

Assim sendo, podemos dizer que a justiça presente hoje nos filhos de Deus origina-se na justiça que vem de Cristo, que lhes foi imputada e alcançada pela fé (Rm 3.21,22). Ela habilita o cristão a viver retamente para que possa entrar no Reino proclamado por Jesus.

Gomes. Osiel,. Os Valores do Reino de Deus: A Relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022. pag. 68-70.

 

 

Uma justiça de faixada não é suficiente para entrar no reino dos céus (5.20)

Jesus deixa claro que os escribas e fariseus, que torciam a lei e oprimiam o povo com um discurso legalista, ostentando uma santidade aparente e uma justiça apenas exterior, estavam fora do reino dos céus. Para entrar no reino dos céus, é necessário não ostentar, mas ser humilde de espírito.

E necessário não se gabar de sua justiça, mas chorar pelos seus pecados. E necessário não defender seus direitos, mas ser manso. E necessário ter fome não de prestígio, mas de justiça. E necessário não oprimir os órfãos e as viúvas, mas ser misericordioso. E necessário não agasalhar hipocritamente toda sorte de imundícia no coração, mas ser limpo de coração. E necessário não ferir as pessoas com seu legalismo pesado, mas ser pacificador. E necessário não criar contendas e odiar as pessoas em nome de Deus, mas se dispor a sofrer por causa da justiça. Essa é a justiça que excede em muito a justiça dos escribas e fariseus.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 195.

 

 

Jesus está dizendo que precisamos fazer tudo aquilo que os fariseus faziam e ainda mais. Como pode ser isso, uma vez que possuímos a justiça de Cristo imputada em nós? Sem ela, pereceriamos, e talvez seja isso o que Jesus está dizendo aqui. Precisamos alcançar justiça maior do que a dos escribas e fariseus, caso contrário não entraremos no céu. Contudo, não acho que é isso o que Jesus quis dizer aqui. O que ele está afirmando é que quem recebe sua justiça deve ir além dos escribas e dos fariseus. Estes eram tão meticulosos na observância das palavras da lei, que negligenciaram o espírito. A forma antinomiana é tentar manter 0o espírito da lei e não se importar com as palavras. E o que fazemos? Bem, aquilo com que Deus realmente se importa é o espírito da lei, não as palavras. O que ele deseja, entretanto, é que as pessoas sigam tanto o espírito quanto as palavras da lei.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017 Editora Cultura Cristã. pag. 87.

 

 

SINOPSE III

O Sermão do Monte esclarece que as bem-aventuranças são a verdadeira felicidade para quem nasceu de novo.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

Sobre a Justiça

“[…] Os fariseus eram zelosos em guardar tanto a lei escrita quanto a oral. Ao explicar o verdadeiro significado da Palavra de Deus, Cristo estava prestes a revelar um a justiça que ‘ultrapassava’ qualquer justiça que os fariseus imaginassem possuir, guardando os mandamentos. Como cidadãos do Reino de Jesus, você e eu somos chamados para viver uma vida justa. Mas devemos evitar o engano dos fariseus. Não devemos confundir a verdadeira justiça, ou supor que, por fazermos determinadas coisas e evitarmos outras, alcançamos elevada espiritualidade. O que fazemos é importante, é verdade. Mas Deus está mais interessado no que somos” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.557).

 

 

CONCLUSÃO

 

Jesus não veio para desfazer a Lei, nem viveu com um legalista. Porém, soube conservar o que havia de bom na antiga Lei, dando-lhe uma nova dinâmica de vida. Nosso Senhor deseja que nossas vidas sejam elevadas espiritualmente, semelhantes ao caráter e conduta dEle, deixando de lado toda frieza espiritual e, aquecidos pelo Espírito Santo, abraçando o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus Cristo.

 

 

VOCABULÁRIO

 

Binômio: que tem dois nomes ou dois termos.

Estático: sem movimento parado, imóvel.

Retrógada: que anda para trás, não avança.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Segundo a lição, Jesus tinha o propósito de destruir a Lei?

Quando nosso Senhor começou a ensinar, seu propósito nunca foi o de desconstruir tudo ou não valorizar o passado relativo aos ensinos da Lei e dos Profetas.

 

2- Qual é a tríplice divisão da Lei?

Para os judeus, a Lei apresentava sua completude por meio de uma tríplice divisão: moral, cerimonial, judicial.

 

3- De acordo com a lição, o que a letra da Lei expressa?

Essa letra expressa os desígnios de Deus em forma de proibições escritas que revela o pecado e leva à condenação, como nos mostra Romanos 7.7-25.

 

4– Como o Senhor Jesus cumpriu todo o Antigo Testamento?

Nosso Senhor cumpriu todo o Antigo Testamento, obedecendo perfeitamente a Lei, cumprindo os tipos, sombras, símbolos e profecias.

 

5- O que é a justiça no Reino de Deus?

Jesus ensina aos seus discípulos que a nova justiça no Reino de Deus é interior, moral e espiritual e não se trata mais daquela velha a justiça exterior, cerimonial e legalista.

 

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 1° Trimestre 2022 

 

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