3 Lição 4 tri 20 Jó e a realidade de Satanás

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3 Lição 4 Tri Jó e a realidade de Satanás
A Fragilidade Humana e a Soberania Divina

Texto Áureo

“E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles.” (Jó 1.6)

Verdade Prática

Segundo as Escrituras, Satanás é um ser real, portador de personalidade e só o venceremos com as armas espirituais.

OBJETIVO GERAL

Destacar que Satanás não é um ser auto existente, mas criado; e que sua ação não se sobrepõe a soberania de Deus.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I – Explicitar que o Livro de Jó não procura explicar a origem de Satanás, mas que seus atributos revelam quem ele é;

II – Afirmar que as obras do Diabo são visíveis e que o Livro de Jó revela sua natureza maligna;

III – Sublinhar o ocaso do Diabo, isto é, seus intentos sobre Jó não foram alcançados.

LEITURA DIÁRIA

Segunda: Jó 1.6               O Diabo se apresenta diante de Deus

Terça: Jó 1.7,8                 Satanás e o testemunho de Deus a respeito de Jó

Quarta: Jó 1.9,10              Só é possível servir a Deus na bonança?

Quinta: Jó 1.11                 A acusação do Diabo a Jó diante de Deus

Sexta: Jó 1.12                  Deus impõe limites a Satanás

Sábado: Jó  2.4,5             O Diabo pede permissão para tocar na saúde de Jó

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 1.6-12; 2.4,5

Jó 1

6 – E vindo um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles.

7 – Então, o SENHOR disse a Satanás: De onde vens? E Satanás respondeu ao SENHOR e disse: De rodear a terra e passear por ela.

8 – E disse o SENHOR a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem sincero, e reto, e temente a Deus, e desviando-se do mal.

9 – Então, respondeu Satanás ao SENHOR e disse: Porventura, teme Jó a Deus debalde?

10 – Porventura, não o cercaste tu de bens a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está aumentado na terra.

11- Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema de ti na tua face!

12- E disse o SENHOR a Satanás: Eis que tudo quanto tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do SENHOR.

Jó 2

4 – Então, Satanás respondeu ao SENHOR e disse: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.

5 – Estende, porém, a tua mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema de ti na tua face!

HINOS SUGERIDOS: 212, 224, 225 da Harpa Cristã

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Uma das coisas mais perigosas é uma ideia que revela determinado extremo. Acerca de Satanás há pelo menos duas. A primeira tende a negar sua existência. A segunda, supervaloriza a ação maligna como se Satanás fosse uma entidade onipotente.

O Livro de Jó revela a realidade do Diabo. É o livro mais claro em relação ao assunto do Antigo Testamento. Entretanto, de maneira equilibrada, podemos aprender que o Diabo tem determinada ação no mundo, mas ele não é maior que Deus, nem muito menos exerce ação autônoma.

O livro mostra com clareza que o Diabo está submetido a Deus. Essa compreensão é alentadora, pois não podemos ignorar a sua ação, mas também não devemos supervalorizá-la porque maior é Deus que que nos salvou.

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INTRODUÇÃO

Uma das constatações que o leitor logo chega ao ler o Livro de Jó é que o Diabo existe. Ele é um ser real. Todo o mal descrito poeticamente no livro é visto a partir da realidade de Satanás. Todo sofrimento experimentado pelo homem de Uz, mesmo sem a consciência histórica disso, foi motivado por uma ação maligna. Ali, o Diabo assume o caráter pessoal de uma criatura. Nesse aspecto, o livro mostra como o Diabo pode interferir na vida humana. Portanto, nesta lição abordaremos algumas questões relativas à existência e à realidade de Satanás a partir do contexto de Jó.

PONTO CENTRAL

O Diabo é um ser espiritual, mas não é auto existente.

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I – O LIVRO DE JÓ E A NATUREZA DE SATANÁS

1. Um ser espiritual.

O Livro de Jó não procura provar a origem do Diabo, mas o revela como um ser real. O livro destaca algumas características da natureza de Satanás que nos permitem conhecê-lo melhor. Em primeiro lugar, conforme o livro apresenta, o Diabo é um ser espiritual e encontra-se na mesma categoria dos anjos, representada no texto pela expressão “os filhos de Deus” (Jó 1.6). Os anjos são seres espirituais que não pertencem à dimensão natural, mas à sobrenatural. Isso explica, por exemplo, a capacidade da rápida locomoção do Diabo quando rodeava a Terra e passeava por ela (Jó 1.7).

2. Um ser criado. Satanás é um ser criado.

Mesmo sendo um anjo, dotado de natureza espiritual, ele não é auto existente. Ao contrário de Deus, que criou todas as coisas, o anjo que se tornou Satanás teve uma origem. Nem sempre o Diabo foi Diabo. Ele fora um anjo bom como os demais. Assim, ele é uma criatura, não o Criador. Por isso, o livro revela que Satanás tem suas ações limitadas por Deus. Ele pode fazer muitas coisas, mas não tudo (Jó 1.12; 2.7). Como ele não é auto existente e, semelhante às outras criaturas que povoam o universo, não é um ser incriado, o Diabo é uma criatura limitada. Assim, Satanás usou de seu conhecimento e perspicácia para atacar Jó.

3. Um ser dotado de personalidade.

Além do fato de ser um ente espiritual, o Diabo é dotado também de personalidade. Ele é uma pessoa e se apresenta como tal. No Livro de Jó o vemos assumindo atributos de um ser pessoal. Ele fala e possui capacidade argumentativa (Jó 1.9-11). Essa mesma característica aparece de forma mais explicita na tentação de Cristo (Mt 4.1-11; Lc 4.1-13).

No livro, além de se expressar verbalmente, Satanás também demonstra possuir conhecimento. Ele sabe o que se passa na Terra e como se comportam os homens. Ele conhecia a vida de Jó. Isso faz dele um ser perspicaz. O apóstolo Paulo sabia que o Diabo é um ser que possui perspicácia quando disse não lhe ignorar os “ardis” e que ele se valia de métodos sofisticados para atingir as pessoas (2 Co 2.11; Ef 6.11).  Assim, Satanás usou de seu conhecimento e perspicácia para atacar Jó.

SÍNTESE DO TÓPICO I

O Diabo é um ser espiritual criado e dotado de personalidade.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Sugerimos que você inicie este tópico fazendo indagações acerca da natureza do Diabo. Pergunte aos alunos o que eles acham acerca das características de Satanás: É um ser espiritual? É um ser criado ou incriado? É dotado de personalidade? São perguntas importantes que devem levá-los à compreensão de como a Bíblia revela a natureza do Diabo.

Por isso, após ouvir atentamente as respostas dos alunos, desenvolva o tópico levando em consideração que a palavra Satanás significa “adversário”. Nas palavras de Myer Pearlman, essa palavra descreve a intenção persistente de o Diabo obstruir os propósitos de Deus. É uma oposição que se revelou nas seguidas tentativas de impedir o plano divino de cumprir a atividade predita em Gênesis 3.15: a vinda do Messias.

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II – O LIVRO DE JÓ E AS OBRAS DE SATANÁS

1. Dor e sofrimento.

A introdução do Livro de Jó apresenta Satanás como um ser capaz de agir contra o ser humano (Jó 1.12; 2.6). Através de suas ações é possível conhecer a natureza maligna de suas obras. É da natureza do Diabo provocar dor e sofrimento aos seres humanos. No livro, Satanás impõe ao patriarca um sofrimento, até então, sem precedentes, pois ninguém sofreu como Jó no Antigo Testamento. Primeiramente, o Diabo atingiu as posses dele, o que fez o patriarca sofrer ao ver o seu patrimônio destruído repentinamente. Da mesma forma, houve grande sofrimento em Jó quando ele viu a tragédia se abater sobre sua casa, pois sua família foi devastada. Entretanto, o sofrimento do homem de Uz não cessou com a perda da família. O Diabo o infligiu com uma doença que o fez padecer dor e isolar-se de todos.

2. Acusar.

O Diabo é capaz de infligir dor e sofrimento, mas não só isso. Ele também acusa. Faz parte de sua natureza acusar. Foi o que ele fez com Jó (Jó 1.10,11). O Diabo o acusou de praticar uma religiosidade motivada por interesse. Assim como fez, posteriormente, com o apóstolo Pedro, querendo cirandá-lo (Lc 22.31,32), o Diabo quis fazer o com Jó. O livro do Apocalipse mostra a acusação como a missão do Diabo (Ap 12.10).

3. Tentar.

Por outro lado, devemos destacar a atuação de Satanás na tentação para o mal. Também faz parte de sua natureza tentar pessoas. Pelo texto sagrado, podemos inferir que o Diabo impulsionou os sabeus e os caldeus, povos até então nômades, a dizimarem os bens de Jó (vv.12,14,17). É uma característica do Diabo incitar e tentar para o mal (1 Cr 21.1).

SÍNTESE DO TÓPICO II

No Livro de Jó, as obras de Satanás são representadas pela dor, sofrimento, acusação e tentação.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Satanás […] ressalta que Jó tem sido recompensado de todas as formas possíveis – Porventura, não o cercaste tu de bens a ele? (10). Ele e sua família eram protegidos de todo e qualquer tipo de perigo, e Satanás conclui: A obra de suas mãos abençoaste, e o seu gado está aumentando. Um sucesso incomum aparece em tudo que Jó realiza. Essa prosperidade, cobra Satanás, é a recompensa de Deus pela fidelidade de Jó.

Depois de acusar a Deus de comprar a lealdade de Jó, Satanás o desafia dizendo que uma reversão na condição próspera de Jó redundaria em sua deserção: Mas estende a tua mão […] e verás se não blasfema de ti em tua face (11). Isto é, ele renunciaria completa e abertamente a Deus e sua forma piedosa de vida.

Deus não abandona Jó nas mãos de Satanás, mas Ele dá permissão para testar a disposição de Jó em permanecer leal e devoto: Eis que tudo quanto tem está na tua mão (12). Observe, no entanto, que existe um limite para o teste: Somente contra ele não estendas a tua mão. Com tal autorização, Satanás age rapidamente para cumprir o seu propósito, confiante no sucesso de seu empreendimento” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon:Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.29).

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III – O LIVRO DE JÓ E O OCASO DE SATANÁS

1. Queda e ruína de Satanás.

O vocábulo “ocaso”, quando usado em sentido figurado, é definido pelo Dicionário Aurélio como “fim, final, queda e ruína”. O Livro de Jó retrata de forma nítida o ocaso final de Satanás. A vitória de Jó foi uma derrota para ele. Em quase todo o livro, Deus se mantém em silêncio e oculto, mesmo o leitor tendo consciência que Ele está lá e que o seu silêncio fala alto.

Por outro lado, o Diabo não aparece mais a partir do capítulo 3 e não é mais mencionado no restante do livro. Não é, pois, propósito do livro pô-lo em evidência, nem tampouco superestimar o mal. O Livro de Jó mostra que Satanás não conseguiu o seu intento, que era fazer com que Jó blasfemasse. O Diabo é capaz de infligir dor e sofrimento, mas não só isso. Ele também acusa.

2. Jó e o testemunho de Deus.

O Livro tem um início dramático, mas um final apoteótico. Jó foi submetido a uma prova de fogo, e mesmo sendo chamuscado pelas chamas do sofrimento, saiu vivo e vitorioso. Deus nunca o abandonou. A graça estava oculta, mas estava lá. No momento oportuno ela se manifestou (Jó 38.1). Da mesma forma que a graça de Deus se manifestou trazendo salvação a todos os homens (Tt 2.11), ela também se manifestou trazendo alívio, paz e livramento a Jó. Deus mesmo, no momento certo, testemunhou que Jó era o homem que Ele sempre disse que era: justo, reto e temente a Deus (Jó 42.7,8).

SÍNTESE DO TÓPICO III

O Livro de Jó mostra indiretamente o ocaso do Diabo, e, ao mesmo tempo diretamente, o testemunho de Deus a respeito de Jó.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“O termo hebraico (tam) usado na afirmação, este era homem sincero (perfeito, ou ‘íntegro’, ARA), é de grande interesse para os teólogos da santidade. O significado principal da raiz é plenitude de caráter. No caso de Jó, não significa perfeição no sentido absoluto. Jó afirma que ele é tam (27.5), mas ele também admite suas fraquezas humanas (9.1ss; 13.26). Jó mantém a integridade básica do seu caráter. Tudo faz parte de uma mesma disposição. Os olhos e o coração estão focados no que é íntegro (cf. Mt 6.22; At 2.46).

O coração de Jó não está dividido (Sl 12.2). A vontade de Jó pertence a Deus e ele não abre mão disso (2.9,10; 27.5). Além de ser sincero (perfeito/íntegro), também lemos que Jó era reto e temente a Deus; e desviava-se do mal. Não havia falta em Jó. Ele preenchia todos os requisitos dos seus dias de um homem exemplar. Na narrativa, essas qualidades em Jó não constituem a avaliação de homens, mas sim, a do próprio Deus” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, pp.27-28).

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CONCLUSÃO

O Livro de Jó, mesmo poeticamente, apresenta Satanás de forma real, e a partir da revelação divina na história bíblica. Dessa forma, Satanás é um ser dotado de personalidade. Ele possui grande conhecimento e age com perspicácia. Não deve, portanto, ser ignorado.

Todavia, mesmo o livro tendo deixado esse fato em oculto, Jó sempre esteve debaixo das soberanas mãos de Deus. O Maligno não o tocou como quis, mas apenas da forma que Deus permitiu. Isso nos lembra a afirmação de João (1 Jo 5.18). Por isso devemos descansar em Deus.

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VOCABULÁRIO

1) Ente: O que existe, o que é; ser, coisa, objeto. Ser humano; pessoa, indivíduo.

2) Perspicaz: Que tem agudeza de espírito; sagaz, inteligente.

3) Ardil: Ação que se vale de astúcia, manha, sagacidade; ardileza.

4) Apoteótico: Que lembra apoteose; glorificante.

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PARA REFLETIR

A respeito de “Jó e a Realidade de Satanás”, responda:

• Como o Livro de Jó mostra Satanás?

O Livro de Jó não procura provar a origem de Satanás, mas o mostra como um ser real.

• Além de ser um ente espiritual, de que o Diabo é dotado?

Além do fato de ser um ente espiritual, o Diabo é dotado também de personalidade.

• Como o prólogo do Livro de Jó apresenta Satanás?

O prólogo do Livro de Jó apresenta Satanás como um ser capaz de agir contra o ser humano (Jó 1.12; 2.6).

• Além de infligir dor e sofrimento, o que o Diabo faz?

O Diabo é capaz de infligir dor e sofrimento, mas não só isso. Ele também acusa e tenta.

• Como Deus se mantém ao longo de quase todo o Livro de Jó?

Em quase todo o livro, Deus se mantém em silêncio e oculto, mesmo o leitor tendo consciência que Ele está lá e que o seu silêncio fala alto.

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INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

A REALIDADE DA EXISTÊNCIA do diabo.

O diabo é um ser real ou seja é um ser que existe.

Se o diabo não existisse, a BÍBLIA SAGRADA, não faria tantas referências à sua pessoa.

Vejamos algumas. Mat¨4:1-11, 13:38-39, 25:41; Luc¨4:1-13; João¨8:44, 13:2; At¨10:38, 13:10; Ef¨4:27, 6:11; 1ªTim¨3:6−7; 2ªTim¨2:26; Heb¨2:14; Tiago¨4:7; 1ªPed¨5:8; 1ªJoão¨3:8, 10; Jud¨9; Apoc¨12:9, 20:2, 10.

Além de conhecido como diabo, também é conhecido como satanás.

A seguir, alguma passagens em que é chamado por satanás. 1ºCrô¨21:1; Jó¨1:12; Sal¨109:6; Zac¨3:2; Mat¨4:10; At¨5:3; 1ªCor¨7:5; 1ªTim¨5:15; Apoc¨20:2.

Faria. José Joaquim Gonçalves de,. Doutrina Cristã Acerca do diabo.

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I – O LIVRO DE JÓ E A NATUREZA DE SATANÁS

1. Um ser espiritual.

Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor. Os filhos de Deus eram seres divinos ou subdivimos que compartilhavam da natureza da deidade. Cf. Jó 2.1; 38.7; Gên. 6.2; Sal. 29.1; 82.1,6; 89.6; Dan. 3.25. Esses filhos apresentavam-se periodicamente diante do Pai para prestar contas (cf. I Reis 22.19; Zac. 6.5). O autor sacro descreve a cena de uma corte real do Oriente: o rei em seu trono, e seus filhos (os quais, naturalmente, se ocupavam em muitas atividades, privadas e públicas) entrevistados pelo pai para certificar-se de que tudo corria bem.

Provavelmente, está em vista aqui alguma visão primitiva dos abhis. Lembremos que eles eram chamados elohim (deuses). Alguns estudiosos insistem em que temos aqui uma espécie de politeísmo, no qual haveria Deus e deuses. Outros estudiosos insistem em que Deus é Pai por criação, e nenhuma comunidade dotada de natureza divina é assumida. Seja como for, na redenção, os homens aparecem como partícipes da natureza divina (ver II Ped. 1.4).

A redenção eleva os homens acima da posição dos anjos e confere-lhes participação genuína na natureza divina, embora em escala finita. Contudo, a participação do indivíduo remido na divindade aumenta cada vez mais. Visto que há uma infinitude com a qual seremos cheios, também deve haver infinito enchimento. O homem remido se aproxima mais e mais da infinitude. A glorificação é, pois, um processo etemo, e o homem avança de um estágio de glória para outro nesse processo (ver II Cor. 3.18). Essa é a obra eterna do Espírito.

Veio também Satanás entre eles. Alguns intérpretes tentam distinguir Satanás do restante dos filhos de Deus, como se deles não fizesse parte, mas de alguma maneira estivesse associado ao grupo. Essa é, contudo, uma interpretação artificial e forçada, baseada no dogma. Seja como for, não encontramos aqui um Satanás vil e rebelde, que era o quadro projetado sobre ele no judaísmo posterior, adotado pelo cristianismo. Esse filho de Deus já aparece como uma espécie de adversário, conforme o sentido da palavra Satanás.

Mas ainda não era um ser maligno. Em outras palavras, temos aqui, no livro de Jó, um estágio de desenvolvimento da doutrina de um diabo pessoal, o príncipe do mal e cabeça do exército de seres espirituais malignos. O significativo é que as “tribulações de Jó” foram ideia de Satanás. Ele queria pôr fim ao fingimento piedoso, removendo as supostas causas da piedade, ou seja, a prosperidade física e material.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1864.

Satanás entre os filhos de Deus (v. 6), um inimigo (esse é o significado de Satanás) de Deus, dos homens, e de todo o bem: ele forçou a sua entrada em uma congregação dos filhos de Deus que veio para se apresentar diante do Senhor. Isso significa: 1. Uma reunião dos santos na terra. Adeptos da religião, na era patriarcal, eram chamados de “Os filhos de Deus” (Gn 6.2); eles promoviam então assembleias religiosas em épocas determinadas para a sua realização. O Rei vinha para encontrar os seus convidados; os olhos de Deus estavam sobre todos os presentes.

Mas havia uma serpente no paraíso, um Satanás entre os filhos de Deus; quando eles se reuniram, o inimigo se posicionou entre eles para confundi-los e perturbá-los, e procurou se colocar ao lado direito deles para se lhes opor. O Senhor te repreenda, Satanás! Ou: 2. Uma reunião dos anjos no céu. Eles são os filhos de Deus, cap. 38.7.

Eles vieram prestar contas das suas atividades na terra e receber novas instruções. Satanás era originalmente um deles; Mas como caíste, O Lúcifer! Ele não fará mais parte dessa congregação, porém ainda assim está aqui representado, como se comparecesse entre eles, ou como se fosse intimado a comparecer como um criminoso ou alguém que é tolerado momentaneamente, embora não passe de um intruso.

Seu interrogatório, como ele veio até ali (v. 7): O Senhor disse a Satanás: De onde vens? Ele sabia muito bem de onde o inimigo vinha, e com qual intenção ali chegou, que assim como os anjos bons vinham para fazer o bem, ele vinha em busca de uma autorização para fazer o mal; mas ao chamá-lo para prestar contas, lhe mostraria que ele estava sob controle e autoridade.

De onde vens? O precioso e bendito Senhor faz essa pergunta: 1. Como se estivesse desejando saber o que o trouxe ali. Está Saul entre os profetas? Satanás entre os filhos de Deus? Sim, pois ele se transforma em um anjo de luz (2 Co 11.13,14), e pareceria um deles. Note que é provável que um homem possa ser um filho do diabo e ainda assim ser encontrado nas reuniões dos filhos de Deus neste mundo, e lá passar despercebido aos homens, mas ainda assim será identificado pelo Deus que tudo vê.

Amigo, como entraste aqui? Ou: 2. Como se estivesse indagando o que ele andara fazendo antes que entrasse ali. Talvez essa mesma pergunta tenha sido feita ao restante daqueles que se apresentaram perante o Senhor, “De onde vieste?” Devemos prestar contas a Deus de todos os lugares que frequentarmos e de todos os caminhos que percorrermos.

O relato que ele faz de si mesmo e do passeio que havia feito. Eu venho (diz ele) de passear por aqui e por ali na terra. 1. Ele não podia fingir havia estado fazendo qualquer bem, não podia prestar contas de si tal como os filhos de Deus, que se apresentaram diante do Senhor, que haviam cumprido as suas ordens, servindo aos interesses do seu reino, e ajudando os herdeiros da salvação. 2. Ele não admitiria que estivera praticando qualquer mal, que estivera atraindo os homens para longe da fidelidade a Deus, ludibriando e destruindo almas; não. Não cometi maldade, Provérbios 30.20.

Teu servo não foi a lugar nenhum. Ao dizer que havia andado por aqui e por ali na terra, ele declarava que havia se conservado dentro dos limites a ele designados, e não os havia ultrapassado; pois o dragão foi jogado na terra (Ap 12.9) e ainda não foi confinado ao seu local de tormento. Enquanto estamos nesta terra estamos dentro do seu alcance.

E o inimigo penetra com tamanha sutileza, rapidez e determinação em todos os cantos desta terra, que não podemos estar a salvo de suas tentações em lugar nenhum, pelas nossas próprias forças ou recursos. 3. Ainda assim, ele parece dai- algumas demonstrações de seu próprio caráter.

(1) Talvez isso seja dito de uma forma orgulhosa, e com um ar de arrogância, com se fosse realmente o soberano deste mundo, como se os reinos deste mundo e as suas glórias fossem dele (Lc 4.6), e agora tivesse andado no circuito de seu próprio território.

(2) Talvez isto tenha sido dito com irritação e descontentamento. Ele havia andado para lá e para cá, e não pode encontrar descanso; era um fugitivo e um nômade como Caim na terra de Node.

(3) Outra possibilidade é que tenha sido dito cuidadosamente: “Eu tenho trabalhado arduamente, indo para lá e para cá”, ou (como alguns interpretam) “procurando em toda parte na terra”, realmente em busca de uma oportunidade para fazer o mal. Ele caminha até os limites permitidos buscando a quem possa destruir. Cabe a nós, portanto, sermos sensatos e vigilantes.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 6.

2. Um ser criado. Satanás é um ser criado.

Somente contra ele não estendas a tua mão. A barganha cósmica reduziu o bom homem, Jó, a quase nada. Quanto ao problema teológico envolvido nessa questão, ver a introdução a Jó 1.9-12. Os estudiosos ultraconservadores compreendem o texto literalmente: pode Satanás barganhar com Deus e causar dano aos justos? Os críticos pensam nisso como uma ideia absurda, atribuindo-a à primitiva teologia judaica, agora ultrapassada. Alguns deles objetam em transformar a questão num problema teológico, supondo que o ‘ambiente celestial” e a ‘barganha cósmica” sejam apenas artifícios literários, e não proposições teológicas. Seja como for, seria bastante ridículo transformar tão controvertidos textos do Antigo Testamento em base de qualquer doutrina cristã importante.

Dizer alguém que Deus não prejudicou Jó, mas permitiu que Satanás o fizesse, não exime o texto de sua dificuldade. Eu jamais permitiria que um assassino mutilasse meu filho. Se ele o fizesse, estando em meu poder impedir o crime, então eu seria culpado do crime como cúmplice. Além disso, o texto não é aliviado de sua dificuldade se destacarmos que Satanás estava limitado em sua má ação: ele não podia matar Jó. Cf. II Cor. 12.7,9, onde vemos Paulo sendo assediado por Satanás (por permissão de Deus), para que se mantivesse humilde.

Ver também I Tes. 2.18, quanto às limitações impostas ao principio do mal no mundo. Sabemos que o mundo inteiro está no colo do Maligno, que opera suas maldades e colhe seus frutos através de toda a espécie de matança e destruição. Mas supor que Deus desfere essa força para atacar Seus filhos é uma teologia perturbadora, independentemente de quem a defendeu ou defende ainda.

O Targum, em comentário sobre o presente versículo, mostra Satanás a agir pela “autoridade” de Deus, e o mal como se fosse originado na “presença do Senhor”. Caros leitores, não compro essa teologia, e por “comprar” uso a expressão inglesa que significa aceitar. Que os estudiosos ultraconservadores a comprem.

Samuel Terrien observa aqui que o autor sagrado não tinha “consciência dos problemas teológicos levantados por tal desenvolvimento e que qualquer comentário relativo à aveldade divina está fora de lugar”. Mas a razão pela qual o autor sacro não tinha consciência de problemas teológicos é que ele defendia uma teologia primitiva incompatível com as ideias mais avançadas de Deus no Novo Testamento. Além disso, na verdade, não há no caso nenhuma crueldade divina. Esse fator, na realidade, é apenas um elemento infeliz da história, conforme o autor sacro a apresentou, não refletindo como as coisas realmente são. Se a cena da corte celestial e a barganha cósmica são meros artifícios literários, então não haverá nenhum problema.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1867.

Sem importar o termo empregado acerca desse ser, em todas as descrições bíblicas está em vista um ser real, vivo, e não meramente um símbolo do mal. Evidentemente foi um dos espíritos criados por Deus (ver Eze. 1:5 e 28: 12-14). Ocupava posição extremamente exaltada e muitos acreditam que poder maior que o seu só se encontra no próprio Deus. (Ver Eze. 28: 11-15.) A mesma passagem indica que, originalmente, Satanás não era um ser pervertido, mas perfeito em sua personalidade e obras.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 102.

Sua origem. Satanás não é eterno ou auto-existente. O monoteísmo escriturístico não deixa lugar para qualquer conceito de um dualismo eterno entre o bem e o mal. Suas limitações são consistentes com sua natureza como um ser criado. As palavras de Jesus em João 8.44 indicam que Satanás é um ser caído. A afirmação de que “jamais se firmou na verdade” indica não somente seu passado caído, mas seu caráter apóstata resultante. Satanás caiu sob a condenação de Deus por causa do orgulho ambicioso (lTm 3.6).

Embora vários intérpretes se recusem a aplicar Ezequiel 28.11-19 a Satanás e, reconhecidamente ele não é mencionado aqui, todavia muitos eruditos sustentem que a passagem deve ser compreendida em face seu valor e deve ser aceita como indo além do rei humano de Tiro, referindo-se assim a Satanás, o governante invisível e a verdadeira fonte de tal pompa e orgulho como de Tiro. Visto assim, a passagem explica claramente a origem de Satanás como um ser criado, sua posição original de poder e dignidade sobre o universo criado, pelo menos sobre esta terra, e sua queda por causa do orgulho. Isaías 14.12-14 é uma passagem complementar.

Endereçada a “Lúcifer”, “a Estrela da Manhã”, esta passagem igualmente é sustentada por muitos como indo além do rei da Babilônia e referindo-se a Satanás, o príncipe do sistema mundial ímpio, do qual a Babilônia era tipo. Visto assim, a quíntupla afirmação de Lúcifer, “Eu” (vv. 13,14) retrata a auto-exaltação rebelde de Satanás que marca o início do conflito entre a vontade de Deus e a vontade própria de Satanás. Esta interpretação de Ezequiel 28.12-15 e Isaías 14.12-14 lança muita luz sobre a questão da origem de Satanás, e está em harmonia com a figura escriturística das íntimas relações de Satanás com os governantes mundiais (Dn 10.13; Jo 12.31; Ef 6.12).

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 6. pag. 486.

3. Um ser dotado de personalidade.

Afirmou João Calvino que Satanás é um teólogo perspicaz. E foi com toda a sua argúcia teológica e filosófica, que o Maligno apresentou-se diante de Deus para acusar a Jó. O que me espanta não é o fato de Satanás caluniar o patriarca de forma tão desabrida; o que me causa estranheza é a sua audácia em discutir teologia com o próprio Deus. Que a discussão fosse com Lutero ou com Spurgeon! Mas debater teologia com a fonte da teologia? E a sua audácia não para aí. Encarreira ele argumentos tão contrários a Deus, que se tem a impressão de que o Senhor nada entende de teologia.

Foi este o adversário que se levantou contra Jó.

Apresentando-se diante do Todo-Poderoso como um misto de teólogo, filósofo e promotor, pôs-se a incitar Deus contra o homem mais íntegro daquela época.

Aliás, Satanás não é apenas perspicaz; é também, como descreveu-o Thomas Cosmades, um ser que não trabalha ao acaso, mas ataca sistematicamente.

Quem nos defenderá do acusador? Assim como Deus fez a apologia de Jó, está sempre pronto a levantar-se em nosso socorro. Se o Senhor é por nós, quem será contra nós?

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 55-56.

1, O diabo, É UMA PESSOA.

O que caracteriza uma pessoa não é, como podem pensar alguns, um corpo, como o corpo do ser humano.

Uma pessoa possui três características essenciais, quais sejam.

01, INTELIGÊNCIA.

02, AFEIÇÃO.

03, VONTADE.

Estas três características constitutivas de um ser pessoal lhe dão alguns poderes, os quais alistamos a seguir:

A, PODER DE PENSAR.

B, PODER DE SENTIR.

C, PODER DE QUERER.

D, PODER DE CONSCIÊNCIA PRÓPRIA, OU SEJA, O PODER DE PENSAR EM SI MESMO.

E, PODER DE DIRIGIR-SE A SI MESMO.

Confirmemos, à luz da BÍBLIA, todos estes poderes dos quais o diabo é possuidor, tanto quanto qualquer pessoa.

III, 1, A, O diabo, E O SEU PODER DE PENSAR.

Só quem pensa, ou raciocina, pode, entre outras coisas, dialogar e mentir:

01, Em Jó¨1:6-12, 2:1-6, o diabo (satanás) dialoga com DEUS.

02, Em João¨8:44, JESUS CRISTO, diz que o diabo é mentiroso e pai da mentira.

III, 1, B, O diabo, E O SEU PODER DE SENTIR.

Só quem sente, pode sentir:

01, Orgulho, Is¨14:13-14;.

02, Insatisfação, Mat¨12:43-44.

03, Desejo, João¨8:44.

III, 1, C, O diabo, E O SEU PODER DE QUERER.

Só quem tem o poder de querer, pode deliberar:

01, Sobre o que fará, Is¨14:13-14.

02, Sobre onde irá, Luc¨11:24-26.

III, 1, D, O diabo, E O SEU PODER DE CONSCIÊNCIA PRÓPRIA.

Só quem tem consciência própria, pode referir-se a si mesmo:

01, Eu subirei ao Céu, Is¨14:13-14.

02, Eu tornarei para minha casa, Luc¨11:24-26.

III, 1, E, O diabo, E O SEU PODER DE DIREÇÃO PRÓPRIA.

Só quem tem o poder de dirigir-se a si mesmo, pode ir aonde deseja:

01, Então vai, Luc¨11:24-26.

02, Anda em derredor de alguém, 1ªPed¨5:8.

Concluímos, portanto, que o diabo é uma personalidade pessoal, ou seja, é uma pessoa, pois é detentor de todos estes poderes.

Por isto DEUS conversa com o diabo, tratando-o, sem nenhum subterfúgio, como um ser pessoal, Jó¨1:7-12, 2:1-7.

III, 2, O diabo, É UM ESPÍRITO, PORÉM, DECAÍDO E IMUNDO.

Já vimos no início deste capítulo, que o diabo é um anjo, ou seja, um ser angelical e espiritual.

Ao ser criado por DEUS, o diabo era um ser espiritual e angelical (QUERUBIM) perfeito em todos os aspectos, Ez¨28:12-19¨(12-15).

Porém, como já vimos, desde o momento da sua queda, com a consequente condenação e degradação, o que fora QUERUBIM perfeito, deixou de o ser pelo PODER, GLÓRIA, MAJESTADE E JUSTIÇA DE DEUS, Ez¨28:11-19¨(16-19).

Entretanto, apesar de decaído, continuou sendo um ser espiritual, como antes o era.

Porém, após sua queda, já que o diabo é o príncipe (principal) dos demônios Mat¨9:34, 12:24; Mar¨3:22; Luc¨11:15, Deus o fez espírito imundo, Mat¨12:43; Mar¨5:2; Luc¨4:33.

Após sua condenação, é que passou a ser diabo, nome que significa, acusador, caluniador.

Este seu atributo de acusador pode, muito bem, ser visto em Jó¨1:9-11, 2:4-5.

Portanto o surgimento do diabo, como espírito decaído e imundo, aconteceu, apenas e tão-somente, após a sua desobediência a DEUS, com sua consequente condenação.

Assim sendo, DEUS não criou o diabo para se lhe opor, transformou, isto sim, um querubim que se lhe opôs num espírito imundo, derrotado e condenado para todo o sempre.

Faria. José Joaquim Gonçalves de,. Doutrina Cristã Acerca do diabo.

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II – O LIVRO DE JÓ E AS OBRAS DE SATANÁS

1. Dor e sofrimento.

Somente contra ele não estendas a tua mão. A barganha cósmica reduziu o bom homem, Jó, a quase nada. Quanto ao problema teológico envolvido nessa questão, ver a introdução a Jó 1.9-12. Os estudiosos ultraconservadores compreendem o texto literalmente: pode Satanás barganhar com Deus e causar dano aos justos? Os críticos pensam nisso como uma ideia absurda, atribuindo-a à primitiva teologia judaica, agora ultrapassada.

Alguns deles objetam em transformar a questão num problema teológico, supondo que o ‘ambiente celestial” e a ‘barganha cósmica” sejam apenas artifícios literários, e não proposições teológicas. Seja como for, seria bastante ridículo transformar tão controvertidos textos do Antigo Testamento em base de qualquer doutrina cristã importante.

Dizer alguém que Deus não prejudicou Jó, mas permitiu que Satanás o fizesse, não exime o texto de sua dificuldade. Eu jamais permitiria que um assassino mutilasse meu filho. Se ele o fizesse, estando em meu poder impedir o crime, então eu seria culpado do crime como cúmplice.

Além disso, o texto não é aliviado de sua dificuldade se destacarmos que Satanás estava limitado em sua má ação: ele não podia matar Jó. Cf. II Cor. 12.7,9, onde vemos Paulo sendo assediado por Satanás (por permissão de Deus), para que se mantivesse humilde. Sabemos que o mundo inteiro está no colo do Maligno, que opera suas maldades e colhe seus frutos através de toda a espécie de matança e destruição. Mas supor que Deus desfere essa força para atacar Seus filhos é uma teologia perturbadora, independentemente de quem a defendeu ou defende ainda.

O Targum, em comentário sobre o presente versículo, mostra Satanás a agir pela “autoridade” de Deus, e o mal como se fosse originado na “presença do Senhor”. Caros leitores, não compro essa teologia, e por “comprar” uso a expressão inglesa que significa aceitar. Que os estudiosos ultraconservadores a comprem.

Samuel Terrien observa aqui que o autor sagrado não tinha “consciência dos problemas teológicos levantados por tal desenvolvimento e que qualquer comentário relativo à aveldade divina está fora de lugar”. Mas a razão pela qual o autor sacro não tinha consciência de problemas teológicos é que ele defendia uma teologia primitiva incompatível com as ideias mais avançadas de Deus no Novo Testamento. Além disso, na verdade, não há no caso nenhuma crueldade divina. Esse fator, na realidade, é apenas um elemento infeliz da história, conforme o autor sacro a apresentou, não refletindo como as coisas realmente são. Se a cena da corte celestial e a barganha cósmica são meros artifícios literários, então não haverá nenhum problema.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1867.

A permissão que Deus concedeu a Satanás para afligir Jó como um teste da sua sinceridade. Satanás desejava que Deus fizesse isso: Estende tua mão agora. Deus autorizou-o a fazê-lo (v. 12): “Tudo quanto tem está na tua mão; torna o teste tão severo quanto puderes; faça a ele o teu pior”. Agora: 1. É de admirar que Deus concedesse a Satanás uma autorização tal como essa, que entregasse a alma dessa pomba na mão do inimigo, um cordeiro como esse para um leão como aquele; mas Ele o fez para a sua própria glória, para a honra de Jó, para a explicação da Providência, para o encorajamento do seu povo aflito em todas as eras, e para criar um caso que, sendo julgado, poderia ser um precedente útil.

Ele permitiu que Jó fosse testado, assim como permitiu que Pedro fosse peneirado, mas tomou os cuidados necessários para que a sua fé não lhe faltasse (Lc 22.32) e que a prova desta fosse encontrada em louvor, honra e glória, 1 Pedro 1.7. Mas, 2. É um grande consolo que Deus tenha o diabo preso, e em uma grande corrente, Apocalipse 20.1. Ele não podia atormentar Jó sem a permissão que pediu e obteve de Deus, e não mais do que aquilo que tinha obtido: “Somente contra ele não estendas a tua mão; não interfira no corpo dele, mas apenas em suas posses”. E um poder limitado o que o diabo possui; ele não tem poder para perverter os homens senão o que eles próprios lhe conferem, nem poder para afligi-los a não ser o que lhe é concedido de cima.

A partida de Satanás dessa reunião dos filhos de Deus. Antes que eles se dispersassem, Satanás saiu (como Caim, Gênesis 4.16) da presença do Senhor; ele não se deteve por mais tempo na presença do Rei (como Doegue, 1 Samuel 21.7) do que o necessário para que tivesse concluído o seu intento maligno.

Ele saiu: 1. Contente por ter alcançado o seu objetivo, e orgulhoso da permissão que recebera para fazer mal a um homem bom; e, 2. Decidido a não perder tempo, e colocar rapidamente o seu projeto em prática. Ele saia agora, não para ir de um lado para o outro, perambulando pela terra, mas com um rumo certo: lançar-se sobre o pobre Jó, que está cuidadosamente prosseguindo no caminho do seu dever, e nada sabe do assunto. Não temos conhecimento daquilo que ocorre entre os bons e os maus espíritos com respeito a nós.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 8.

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2. Acusar.

Então respondeu Satanás ao Senhor. O Adversário (Satanás), que se deleita em dificultar a vida dos homens, embora deva prestar contas a Yahweh, na verdade tinha observado o esplêndido Jó, mas não se impressionara. Por que Jó não seria piedoso? Ele tinha tudo e não era perturbado. A bênção de Deus o cercava por todos os lados. Sua família era protegida. Ele tinha poder e fama. Tudo quanto fazia, prosperava. Suas terras sempre produziam boas colheitas. Seu comércio sempre obtinha bons lucros. Qual homem vivo não louvaria a Deus se gozasse dessas condições?

Dai emerge a principal pergunta do livro. Haverá algo como a espiritualidade desinteressada? Não será a espiritualidade do homem apenas outra forma de egoísmo, um agente mediante o qual ele obtém vantagens?

“Satanás manifestou a pior forma de ceticismo e demonstrou incredulidade pela bondade humana’ (Ellicott, in ioc.). Ele levantou a questão da motivação à espiritualidade de Jó. Satanás não negou que, aparentemente, Jó era um modelo de piedade. Mas acreditava que nele nada restaria de piedoso, caso todas as bênçãos divinas lhe fossem removidas.

“É um sinal dos filhos de Satanás zombar e não dar crédito a nenhum homem por sua piedade desinteressada. O egoísmo, dizem eles, está no fundo da religião do melhor homem” (Fausset, in Ioc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1865

A prova da hipocrisia e do “mercenarismo” da devoção de Jó, que Satanás se compromete a fornecer se puder ter, pelo menos, a permissão para despojá-lo de sua riqueza. “Vamos colocar esta situação”, diz ele (v. 11); “torna-o pobre, desaprova-o, torna a tua mão contra ele, e então verás onde estará a sua religião; toca no que é dele, e então aparecerá o que ele realmente é. Veja se não blasfemará de Ti na tua face! Se não for assim, que em mim não se creia, e sim que eu seja designado como mentiroso e falso delator. Que eu pereça se ele não blasfemar de Ti”; assim alguns completam a imprecação que o próprio diabo modestamente ocultou, mas que os blasfemadores profanos da nossa época manifestam abertamente de uma forma insolente e audaciosa.

Deus declarou que Jó era o melhor homem então vivo: entretanto, se Satanás pudesse provar que aquele homem era um hipócrita, concluir-se-ia que Deus não possuía um servo fiel entre os homens e que não havia no mundo algo como uma devoção verdadeira e sincera, que a religião era um logro completo, e que Satanás era rei de facto – de fato, sobre toda a humanidade. Mas neste episódio ficou claro que Deus conhece aqueles que são seus, e não se engana a respeito de nenhum deles. (2) Todavia, se Jó conservasse a sua devoção, Satanás teria a satisfação de vê-lo extremamente atormentado. Ele odeia os homens bons, e se deleita nas aflições destes, tanto quanto Deus tem prazer na prosperidade deles.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 8.

O que fica evidente é que além de acusar Jó, o inimigo também acusou a Deus de não ter nenhum homem fiel na terra; sendo o inimigo o único e supremo rei do mundo, mas Deus sempre tem seus remanescentes, até Elias achou que estava só e o Senhor disse que tinha 7 mil que não havia se dobrado a Baal.

Deus tem seus remanescentes pós Éden Abel, em meio a corrupção Noé, na terra prometida Jacó, no Egito José… Deus da testemunho dos seus através da sua palavra.

Pb. Alessandro Silva.

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3. Tentar.

O Primeiro Teste: Mal Moral (1.14-15)

Jó era um homem rico que não tinha com o que se preocupar no mundo. O ataque de Satanás foi desfechado primeiramente contra as suas riquezas. É agonizante ser rico e de súbito tomar-se pobre, o que tem sido a experiência de tanta gente durante as grandes guerras. Conheço pessoalmente, na cidade de Guaratinguetá, no estado de São Paulo, um homem que foi um rico fazendeiro na Europa, mas perdeu tudo.

Ele terminou no Brasil, vendendo roupas masculinas! Mas ele continua a relembrar os “bons dias de antigamente”. O problema do mal não é algo que incomoda a mente. É antes algo contra o qual a alma tem de lutar. Na luta, estaremos tratando com a tessitura da vida e não com a lógica. Uma grande pergunta é: “Por que o mal é permitido no mundo de Deus?”. Mais importante ainda: “Como podemos vencer o mal e triunfar?”. Jó chegou a ver Deus, finalmente (ver Jó 19.27) e, na presença de Deus, encontrou a solução de como vencer o mal (mas não escapar dele).

Jó seria atingido de todas as direções e maneiras. Homens perversos movimentar-se-iam contra ele (vss. 14-15), praticando o mal moral. Em seguida, a natureza mover-se-ia contra ele, tornando-o vítima do mal natural. Essas são as duas classificações principais do problema do mal. Note-se como esses quatro testes ocorreram:

Males Morais e Naturais Alternados’.

1. Vss. 14-15: mal moral (sofrimentos provocados pela desumanidade do homem contra o homem).

2. Vs. 16: mal natural (sofrimentos provocados pela natureza).

3. Vs. 17: mal moral (sofrimentos provocados pelo homem).

4. Vss. 18-19: mal natural (sofrimentos provocados pela natureza).

De forma alternada (ver sobre o vs. 16), temos agora outro teste provocado pela vontade perversa do homem, um ato de desumanidade do homem contra o homem, depois de um ato de Deus sobre a natureza.

No vs. 16, salientei como o mal natural e o mal moral se alternavam, tomando miserável a vida de Jó. Portanto, temos dois testes da parte do mal natural (segundo e quarto) e dois testes da parte do mal moral (primeiro e terceiro). O problema do mal manifesta-se mediante essas duas maneiras principais. Os quatro testes destruíram quase tudo quanto Jó possuía, exceto alguns membros de sua família e ele mesmo. Ele continuava com boa saúde física, mas sua mente fora lançada na angústia.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1867-1868.

A natureza da tentação. O homem foi criado para adorar e servir ao Senhor. A tentação é uma incitação para pecar, i.e., adorar e servir a criatura em vez de ao Criador (Rm 1.25). A tentação chega ao centro de nosso relacionamento com Deus e seus propósitos. Uma circunstância temporal pode seduzir o tentado para longe de um bem eterno. Além disso, como M. G. Kyle sugeriu, a tentação é uma incitação dos desejos naturais dados por Deus para ir além dos limites estabelecidos por ele (e.g. glutonaria). O objetivo almejado pela tentação é alienação espiritual de Deus e escravização ao mau moral.

A fonte suprema de tentação é, certamente, a satânica. Ninguém vive num vazio, mas sob as influências do “tentador” em algum grau (Mt 4.3; lTs 3.5). Um dos estratagemas mais sagazes de Satanás é convencer a humanidade de que ele

morreu com a Idade Média. A maldade chocante da história recente tem revivido a crença no demoníaco. Satanás se mascara, algumas vezes, como um mensageiro da verdade religiosa (2Co 11.14).

A tentação pode surgir não apenas de Satanás, mas também do amor ao mundo. Como João explicou, isto inclui “a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida” (1 Jo 2.16). Sensualidade, cobiça e egoísmo fascinam o melhor dos homens. “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (ICo 10.12). Muita tentação, todavia, procede não do diabo ou do mundo, mas do próprio homem. Cada pessoa que é tentada, Tiago explica, “pela sua própria cobiça. Então, a cobiça, depois de haver concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte” (Tg 1.14,15).

Dessa forma, a tentação é uma incitação do mundo, da carne ou do diabo — para adorar e servi-los ao invés do Criador.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 5. pag. 833.

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III – O LIVRO DE JÓ E O OCASO DE SATANÁS

1. Queda e ruína de Satanás.

É notável e tocante a observação de que Satanás, obviamente inchado de orgulho por causa das perfeições e belezas de seu ser, além de sua vastíssima inteligência, deve ter realmente crido ser possível exaltar-se acima do próprio Deus, estabelecendo a si mesmo como a autoridade suprema do universo. (Ver Isa. 14: 13, 14). O seu plano era ousado, astucioso, incrível. Em tudo isso transparece que o mundo dos anjos, incluindo o próprio Lúcifer, fora dotado de livre-arbítrio perfeito quanto às suas ações, e que nenhum anjo estava forçado a servir e a adorar a Deus, a não ser pelos laços da razão, do amor e do senso de correção moral.

A elevada posição de Satanás nos céus é ilustrada pelo fato de que ele deve ter crido possuir bons motivos para esperar obter sucesso no mais ousado de todos os feitos jamais tentados – a derrubada do próprio Deus. Sua revolta começou onde ele se encontrava, na presença de anjos, que também são aceitos como seres dotados de grande poder e inteligência.

O trecho de Apo. 12:4 parece indicar o grau do seu êxito, e esse êxito foi realmente retumbante: mediante seu poder e astúcia, ele trouxe para debaixo de sua influência uma terça parte do reino celeste. Nada poderia indicar com maior clareza o poder de Satanás do que essa declaração simples. Quais promessas devem ter sido feitas aos outros anjos, e quais pensamentos devem ter atravessado a mente deles, só podemos conjecturar; mas eles certamente também devem ter compartilhado da ideia de Satanás de que o reino celeste poderia ser derrubado.

A rebeldia e o plano audaz do diabo não se limitaram ao reino celestial, porquanto nem bem Deus realizou a criação terrena, e eis que Satanás foi capaz de propagar sua rebeldia à face da terra, mediante a sua astúcia. E embora nossos progenitores originais tivessem sido alvos da redenção divina, Satanás tem conseguido alcançar muito maior porcentagem de sucesso entre os homens do que entre os anjos.

Não obstante, nem mesmo à superfície da terra o diabo tem conseguido provar que o governo de Deus não é justo, e nem que um ser dotado de vontade livre não pode preferir o bem, ao invés do mal. Um de seus argumentos desde o princípio deve ter sido que o governo de Deus não é inteiramente justo e bom. Também deve ter sido um de seus argumentos, desde o princípio, que uma criatura dotada de vontade livre não prefere os caminhos de Deus, ainda que tais caminhos sejam comprovadamente verídicos.

Também deve ser verdade que o próprio Satanás estava convicto da verdade de suas próprias opiniões, e que disso continua convicto. Também é possível que no momento, embora tenha sofrido algumas derrotas, em face de alguns notáveis sucessos por ele obtidos, ainda acredite que uma vitória final lhe será possível. Dessa forma, fica salientada outra particularidade ou realidade que é importante observar. Aqueles que resolvem crer na mentira sofrem ilusão, e isso é igualmente verdadeiro tanto entre os anjos como entre os homens.

Assim sendo, para uns e outros a verdade deve parecer absurda, e o papel feito à inteligência deles tão-somente aprofunda a ilusão em que estão mergulhados.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 102.

Sua condenação. A Escritura revela o resultado certo do conflito entre o bem e o mal e a inevitável condenação de Satanás e suas hostes. Jesus viu uma figura desta derrota final de Satanás na vitória dos setenta sobre as forças do mal (Lc

10.18). Jesus afirmou que, “o fogo eterno” foi preparado “para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41).

O livro de Apocalipse retrata o julgamento final executado sobre o diabo. No retomo de Cristo em glória, Satanás será confinado ao abismo sem fundo selado por 1.000 anos, durante este tempo a terra ficará livre de suas influências sedutoras e enganosas (Ap 20.1-3). No fim dos 1.000 anos Satanás estará livre de sua prisão e novamente reassumirá seu engano sobre os habitantes da terra com grande sucesso. Esta rebelião final será sumariamente esmagada pela ação divina e o diabo será lançado “no lago de fogo e enxofre” onde, com a besta e o falso profeta, “serão atormentados de dia e de noite pelos séculos dos séculos” (20.7-10). Sua condenação será compartilhar a punição eterna com aqueles que ele enganou (20.12-14).

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 487.

3 Lição 4 tri 20 Jó e a realidade de Satanás

2. Jó e o testemunho de Deus.

Tendo o Senhor falado estas palavras a Jó. Os consoladores molestos de Jó (ver Jó 16.2) tinham insistido na estrita operação de uma Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura (ver a respeito no Dicionário). Portanto, eles ^íesros deveriam colher o que haviam semeado. Eles perseguiram um homem nocente por causa de uma teologia deficiente, e tiveram de sofrer as dores enviadas pe^c céu. O Deus temível apareceu a Elifaz para transmitir-lhe a mensagem da corxle- nação. Ele passou por uma experiência mística notável, como um sonho, jma visão ou a visita de uma teofania, e essa palavra se cumpriu. Houve apresentações falsas de Deus a atacar Jó.

Os três amigos de Jó exaltaram seus dogmas e suas tradições, onde não havia nenhum conceito que permitisse a um inocente sofrer. Por conseguinte, eles chegaram à conclusão de que Jó era culpado. A teologia deles era deficiente e, na verdade, todas as teologias o são. Temos de continuar aprendendo, a fim de que a verdade prospere entre nós. Não existe estagnação, nem há, em nenhum ponto da história, um sistema sem defeitos, erros e inadequações. E não existe, hoje em dia, um sistema que seja como Deus, isto é, perfeito. Ter como perfeição qualquer outra coisa além de Deus é criar um ídolo.

“Conforme Jó predissera, as coisas não correram bem para os seus três amigos (ver Jó 13.7-9). Eles pensavam conhecer os caminhos de Deus, mas não esperavam pelo que presenciaram! As palavras ‘meu servo, Jó’, ditas por Deus por quatro vezes, em Jó 42.7-8, apontam para sua posição restaurada de servo obediente e para a confiança do Senhor (cf. Jó 1.8 e 2.3)” (Roy B. Zuck, m loc.).

Quanto ao que sabemos sobre os três “consoladores”, ver as notas expositivas em Jó 2.11. Provavelmente Elifaz era o mais idoso (e sábio) dos três, pelo que foi escolhido como o instrumento que receberia a mensagem de repreensão divina.

Eiiú não é mencionado no epilogo nem no prólogo. Os críticos vêem nisso uma evidência de que seus discursos foram adicionados a um livro truncado, para preencher espaço, e não faziam parte do plano do autor original. Ver essa idéia na introdução ao capítulo 32. Os estudiosos conservadores supõem que os discursos de Eliú tenham sido essencialmente puros e irreprimíveis. Contra isso, podemos observar que ele repetiu os argumentos dos três amigos de Jó, embora tivesse contribuído muito mais para a discussão do que eles. Ver no fim do capitulo 37 o gráfico que ilustra as suas contribuições.

Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros. Isso para evitar que fossem severamente punidos, por causa da insensatez; eles precisariam de: 1. sacrifícios apropriados; e 2. orações medianeiras de Jó, que devem ter sido muito amargas, sem falar no elemento surpresa contido nelas. Eles apresentaram mal a verdade, pois não falara, em favor de Deus e perseguiram Jó com falsas acusações. Nem uma única vez aqueles homens miseráveis oraram por Jó, porém, o homem perseguido seria generoso e oraria por eles. Irados, eles procuraram ferir Jó e reivindicaram estar servindo a Deus, algo tão comum entre os perseguidores nos círculos religiosos.

A arrogância sempre se faz presente nesses casos. ‘Jó tinha anelado por um mediador entre si mesmo e Deus (ver “5 ‘ 3-2) visto que seus três compatriotas não intercedam por ele ironicamente entretanto ele mesmo se tornou o mediador em favor deles, embora eles não tivessem pedido nenhum mediador” (Roy B. Zuck, in loc.).

Oferecei holocaustos. Cf. Jó 1.5, onde vemos Jó fazendo tais sacrifícios em prol de seus filhos. Jó 1.2 mostra que Jó tinha sete filhos, sendo provável, pois, que ele oferecesse sete sacrifícios. Contudo, não parece haver coisa alguma de especial quanto ao número. Provavelmente, é por pura coincidência o número de sete animais em Jó 1.5, bem como no presente versículo. O número sete representa um sacrifício completo ou total. Ver no Dicionário o verbete chamado Holocausto.

Esta passagem deve ser comparada a Núm. 23.2-29. O livro de Jó foi escrito como se pertencesse à época dos patriarcas, e a discussão sobre a lei foi cuidadosamente evitada. Mas os sacrifícios expiatórios eram uma prática antiquíssima, antecedendo ao período patriarcal. Cf. também Eze. 4.22-25.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2039-2040.

Depois do que Jó escrevemos a respeito da maneira como Deus atendeu a Jó e de como ele foi solicitado a intervir como mediador dos seus três amigos, vale ressaltar que a sua elevação como líder espiritual foi bem maior que a sua elevação material. Qual teria sido, antes da sua doença, a atuação na sua tribo, não sabemos; apenas conjeturas, e nada mais. Agora estava creditado perante a sua comunidade como líder espiritual, como sacerdote, nos moldes antigos. Por quatro vezes foi ele louvado por Deus mesmo, como meu servo (vv. 7,8) (veja 1:8).

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

Jó é grandemente exaltado e sai honrado. Ele era apenas um contra três, um mendigo agora contra três príncipes; contudo, tendo a Deus do seu lado, ele não precisava temer o resultado, embora milhares se colocassem contra ele. Observe aqui: (1) Quando Deus se manifestou em favor dele: Acabando o Senhor de dizer a Jó aquelas palavras… (v. 7). Depois de tê-lo convencido e de humilhá-lo, e de tê-lo levado ao arrependimento pelo que ele havia dito de errado, então o precioso e bendito Senhor o reconheceu no que ele havia dito bem, o consolou, e colocou honra sobre ele; mas não até então; pois não estamos prontos para a aprovação de Deus até que nos julguemos e nos condenemos; mas então Jó assim pleiteou a sua causa, porque aquele que dilacerou nos curará, aquele que feriu nos atará.

O Consolador convencerá, João 16.8. Veja através de que método devemos esperar a aceitação divina; nós devemos primeiro ser humilhados sob as repreensões divinas. Depois que Deus, falando estas palavras, tinha causado um certo sofrimento, Ele se voltou e teve compaixão, de acordo com a multidão das suas misericórdias: pois Ele não contenderá para sempre, mas debaterá em justa medida, e impedirá o seu vento turbulento no dia em que enviar o seu vento oriental.

Agora que Jó tinha humilhado a si mesmo, Deus o exaltou. Os verdadeiros penitentes acharão favor em Deus, e aquilo que disseram e fizeram de errado não será mais mencionado contra eles. Deus fica satisfeito conosco quando somos levados a abominar a nós mesmos devido aos pecados que praticamos. (2) Como Deus se manifestou a Jó. E tido como certo que todas as ofensas de Jó são perdoadas; porque se ele for dignificado, como entendemos que é aqui, sem dúvida será justificado. Jó havia às vezes afirmado, com grande segurança, que Deus o livraria no final, e que ele não seria envergonhado em relação à sua esperança.

[1] Deus se refere a ele, por diversas vezes, como o seu servo Jó, sim, quatro vezes em dois versículos; e Ele parece sentir prazer em chamá-lo assim, como antes das suas aflições (cap. 1.8): “Observaste tu a meu servo Jó? Embora Jó seja pobre e desprezado, ele é meu servo. Ele é tão caro para mim quanto quando estava em prosperidade. Embora ele tenha os seus defeitos, e seja sujeito às mesmas paixões que os outros, embora ele tenha contendido comigo, tenha se ocupado na tentativa de anulai’ o meu juízo, e tenha obscurecido o conselho através de palavras sem conhecimento, ele vê o seu erro e se retrata; portanto, ele ainda é o meu servo Jó.”

Se nós ainda mantivermos firme a integridade e a fidelidade de servos de Deus, como fez Jó, embora possamos por algum tempo ser privados do crédito e do conforto da comunhão com o precioso e bendito Senhor, seremos restaurados a ela no final, assim como ele foi. O diabo havia prometido provar que Jó era um hipócrita, e os seus três amigos o haviam condenado como um homem iníquo; mas Deus reconhecerá aqueles a quem Ele aceitar, e não permitirá que eles sejam destruídos pela malícia do inferno ou da terra. Se Deus disser, “Bem está, servo bom e fiel”, não importará se alguém disser o contrário.

[2] Deus reconhece que Jó tinha falado, a seu respeito, aquilo que era reto, mais do que os seus antagonistas. Ele havia dado um relato muito melhor e muito mais verdadeiro da Providência divina do que eles. Eles tinham feito uma injustiça a Deus ao considerarem a prosperidade como uma marca da verdadeira igreja, e a aflição como uma indicação certa da ira de Deus; mas Jó havia agido bem ao afirmar que o amor e o ódio de Deus devem ser julgados pelo que está nos homens, e não pelo que está diante deles, Eclesiastes 9.1.

Observe, em primeiro lugar, que fazem a maior justiça a Deus e à sua providência aqueles que têm em vista as recompensas e os castigos do outro mundo mais do que os deste mundo, e com a perspectiva de que estes resolvam as dificuldades da administração atual. Jó havia situado algumas coisas como estando reservadas para o juízo futuro, e para o estado futuro, mais do que os seus amigos; portanto, ele falou a respeito de Deus aquilo que era reto, agindo muito melhor do que os seus amigos.

Em segundo lugar, embora Jó tivesse falado algumas coisas erradas, e até mesmo a respeito de Deus, com quem ele se tornou ousado demais, ele é elogiado por aquilo que falou corretamente. Devemos não só não rejeitar aquilo que é verdadeiro e bom, mas, acima de tudo, não negar o louvor que é devido ao precioso e bendito Senhor, embora apareça neste louvor uma mistura de fragilidade e imperfeição humana.

Em terceiro lugar, Jó estava certo, e seus amigos estavam errados; no entanto, ele estava sofrendo e eles estavam sossegados – uma clara evidência de que não devemos julgar os homens e os seus sentimentos considerando apenas a sua aparência exterior e os seus recursos financeiros. Somente Aquele que vê os corações dos homens é capaz de julgar a cada um de um modo infalível.

[3] Deus proferirá a sua palavra a favor de Jó que, apesar de todas as injustiças que os seus amigos lhe tinham feito, continua sendo um homem tão bom, e de um espírito tão humilde, terno, e perdoador que se disporá a orar prontamente por eles, e usará o seu prestígio no céu a favor deles: “O meu servo Jó orará por vós. Eu sei que ele orará. Eu o perdoei, e ele tem a consolação do perdão; portanto, ele vos perdoará.”

[4] Deus constitui Jó como o sacerdote da sua congregação, e promete aceitar tanto a sua pessoa como a sua mediação a favor dos seus amigos. “Ide ao meu servo Jó e oferecei holocaustos; eu os aceitarei por causa dele.” Deus torna reis e sacerdotes, para Si mesmo, aqueles a quem Ele lava dos pecados que praticaram. Os verdadeiros penitentes não só acharão favor como suplicantes por si mesmos, como também serão aceitos como intercessores a favor dos outros. Foi uma grande honra que Deus assim colocou sobre Jó, ao designá-lo para oferecer sacrifícios pelos seus amigos, como ele anteriormente costumava fazer pelos seus próprios filhos, cap. 1.5. E este também foi um feliz presságio da sua restauração à sua prosperidade.

De fato, este foi um bom passo nessa direção, o fato de que ele foi deste modo, restaurado ao sacerdócio. Assim ele se tornou um tipo de Cristo; somente através de Jesus Cristo é que nós nos tornamos aceitáveis a Deus. As nossas ofertas também só são aceitas através do precioso e bendito Salvador; veja 1 Pedro 2.5. “Ide ao meu servo Jó”; ou “Ide ao meu servo Jesus” (de quem por algum tempo Deus Pai escondeu o seu rosto), “colocai os vossos sacrifícios em sua mão, pedi que Ele seja o vosso Advogado, pois através dele eu aceitarei; mas fora dele, deveis esperai’ ser tratados conforme a vossa loucura.” E, assim como Jó orou e ofereceu holocausto por aqueles que tinham afligido e ferido o seu espírito, também Cristo orou e morreu pelos seus perseguidores, e vive sempre intercedendo pelos transgressores.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 206-207.

3 Lição 4 tri 20 Jó e a realidade de Satanás

Conclusão

Já devidamente autorizado, sai o Diabo da presença do Senhor, a fim de tentar a Jó, A partir daquele instante, o melhor dos homens daquela época enfrentaria sete calamidades distintas. Em tudo seria provado; seria irresistivelmente testado em tudo. Provação semelhante jamais seria imposta sobre qualquer ser humano. Aliás, somente Cristo viria a sofrer mais do que Jó.

Mas, em todas as coisas, seria Jó um vencedor. Está você no crisol? Tempestades já se mostram no horizonte de sua vida? Não se desespere. Deus está no controle de tudo. Ainda que Satanás pense estar levando alguma vantagem sobre a nossa vida, achamo-nos escondidos em Cristo Jesus, nosso Senhor.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 68-69.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

3 Lição 4 tri 20 Jó e a realidade de Satanás

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3 Lição 4 tri 20 Jó e a realidade de Satanás

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