4 LIÇÃO 1 TRI 23 – O MINISTÉRIO AVIVADO DE JESUS

 

4 LIÇÃO 1 TRI 23 – O MINISTÉRIO AVIVADO DE JESUS

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galileia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.”  (Lc 4.14)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

O alcance espiritual da vida de um crente avivado revela a extraordinária atuação do Espírito Santo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Lc 1.35 – O nascimento de Jesus sob virtude do Espírito

 

Terça – Lc 4.14 – O ministério de Jesus sob a virtude do Espírito

 

Quarta – Mt 4.1 – Jesus conduzido pelo Espírito ao deserto

 

Quinta – Mt 6.9-13 – A oração modelo de Jesus para os discípulos

 

Sexta – Mt 3.13-21- O batismo de Jesus e a confirmação do Espírito

 

Sábado – Lc 4.18,19 – A missão de Jesus e o propósito de seu ministério

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Lucas 4.14-22

 

14- Então, pela virtude do Espírito, voltou Jesus para a Galileia, e a sua fama correu por todas as terras em derredor.

 

15- E ensinava nas suas sinagogas e por todos era louvado.

 

16- E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler.

 

17- E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito:

 

18- O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração,

 

19- a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.

 

20- E, cerrando o livro e tornando a dá-lo ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele.

 

21- Então, começou a dizer-lhes: Hoje, se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.

 

22- E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca, e diziam: Não é este o filho de José?

 

 

HINOS SUGERIDOS:  175, 190, 311 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

 1. INTRODUÇÃO

 

Professor(a), na lição deste domingo veremos que Jesus, o Filho de Deus, se fez carne para nos salvar e nos aproximar novamente do Pai. Sem Jesus a humanidade estaria perdida. O Salvador iniciou o seu ministério terreno na Galileia e realizou o seu primeiro milagre em uma festa de casamento (Jo 2.1-12). Jesus ensinou, pregou, curou os enfermos, libertou os oprimidos pelo Inimigo e logo “a sua fama correu por todas as terras em derredor” (Lc 4.14). Jesus foi bem-sucedido em seu ministério e tudo o que Ele realizou foi “pela virtude do Espírito Santo”. O ministério de Jesus causou um impacto sobre o seu povo, os judeus. Nosso Senhor teve um ministério avivado e vitorioso porque a sua mensagem era proclamada sob a autoridade do Espírito Santo.

 

 2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar Jesus e a pessoa do Espírito Santo; II) Explicar a importância da oração no ministério de Jesus Cristo; III) Conscientizar de que Jesus teve uma vida na unção do Espírito.

 

B) Motivação: Jesus foi bem-sucedido em seu ministério terreno porque enquanto homem teve uma vida na unção do Espírito. Para sermos vitoriosos em nosso ministério enquanto cristãos, precisamos seguir o exemplo de Jesus e vivermos uma vida na unção do Espírito Santo. Para isso precisamos orar, ler e obedecer a Palavra de Deus e jejuar, como fez o nosso Salvador. Como está o seu ministério? Você tem buscado seguir o exemplo de Jesus Cristo?

 

C) Sugestão de Método: Sente-se com os alunos em círculo. Ore para iniciar a aula e em seguida faça a seguinte pergunta: O Espírito Santo agiu, atuou na vida de Jesus? Ouça as respostas com atenção e incentive a participação de todos. Explique que Jesus, já adulto, foi batizado por João, e nesse momento o Espírito Santo veio sobre Ele em “forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3.22). Então, pelo poder do Espírito Ele volta para sua terra, a Galileia, para ensinar nas sinagogas. Diga que ao chegar em Nazaré, o Mestre leu o texto de Isaías que dizia: “O Espírito do Senhor é sobre mim […]” (Lc 4.18).

 

 3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Após enfatizar que o Senhor Jesus teve um ministério avivado porque foi ungido pelo Espírito Santo, faça a seguinte pergunta: Você tem buscado a unção do Espírito Santo para exercer o seu ministério com excelência? Está disposto/a a deixar as coisas deste mundo e buscar tão somente glorificar o nome do Pai como fez o Senhor Jesus?

 

 4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

 

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) Para aprofundar o primeiro tópico, o texto “Jesus e o Espírito Santo” mostra o relacionamento profundo de Jesus com a terceira Pessoa da Trindade; 2) Para aprofundar o segundo tópico, o texto “Se Jesus é Deus por que precisou orar?” nos mostra que na posição de Deus, Cristo não precisava orar, mas Ele o fez para manter a comunhão e companheirismo próprios da Deidade e para nos deixar o exemplo. Na qualidade de homem, estando revestido de um corpo humano, a oração era tão essencial a Ele como fora a todos os patriarcas.

 

 

INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

 

Jesus iniciou o seu ministério na Galileia, provocando grande repercussão diante do povo, pois “a sua fama correu por todas as terras em derredor” (Lc 4.14). Isso aconteceu porque “pela virtude do Espírito Santo, Jesus voltou para a Galileia” (Lc 4.14). Nesta lição, veremos o impacto do ministério do Senhor sobre o povo. Além de um ministério avivado, sua mensagem era proclamada sob a autoridade do Espírito Santo.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O ministério de Jesus teve início na Galileia e provocou grande repercussão diante do povo, pois “a sua fama correu por todas as terras em derredor” (Lc 4.14b). Ali, Ele demonstrou como era usado por Deus, vivendo cheio do Espírito Santo. Ele não se deslocou para a Galileia simplesmente por gostar da região ou por ser bem aceito e reconhecido pelas pessoas, mas chegou ali “pela virtude do Espírito” (Lc 4.14a). Ao mesmo tempo, quando pregava na sinagoga, Jesus sofreu grande desconfiança por parte dos que o ouviam. Ali, Ele declarou a sua missão, e houve grande oposição à sua pessoa, a ponto de expulsarem-no da cidade:

E todos, na sinagoga, ouvindo essas coisas, se encheram de ira. E, levantando-se, o expulsaram da cidade e o levaram até ao cume do monte em que a cidade deles estava edificada, para dali o precipitarem.

Ele, porém, passando pelo meio deles, retirou-se (Lc 4.28-30).

Um grande ensino para nós, que lideramos igrejas, chamado por Deus para essa grande missão. Precisamos ser e estar “cheios do Espírito Santo” para podermos cumprir de maneira correta e elevada o que nos foi confiado por Deus e saber que nunca teremos o apoio unânime dos que nos ouvem.

Hoje, há líderes eclesiásticos, pastores, dirigentes de congregações ou de departamentos e outros órgãos nas igrejas que buscam trabalhar segundo “métodos e técnicas de administração”.

Não tenho nada contra tais métodos, mas tudo pode fracassar caso não haja a direção do Espírito Santo, pois a obra do Senhor é, acima de tudo, de caráter espiritual; ela tem o seu lado organizacional e deve ser bem administrada, mas nunca o líder deve confiar nos seus cursos que, porventura, possui, em termos acadêmicos ou teológicos: “Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, este dá muito fruto, porque sem mim nada podereis fazer” (Jo 15.5). É indispensável, portanto, ser cheio do Espírito Santo. Ultimamente tem surgido no meio de algumas igrejas uma tal de “teologia coaching”, “ministério coaching”. Isso é algo que precisa ser evitado.

O método coaching, voltado para o desenvolvimento humano e empresarial, além de usar técnicas administrativas, usa a “linguagem Ericksoniana”, que é uma técnica de hipnose:

A hipnose ericksoniana é um método de hipnose indireta criada por Milton Erickson. Considerado como o pai da hipnoterapia, foi um psiquiatra e psicólogo americano. Erickson descobriu que a sugestão indireta poderia resultar em uma mudança comportamental terapêutica. Ele preferiu conversar com clientes usando metáforas, contradições, símbolos e antídotos para influenciar seu comportamento, em vez de ordens diretas.

Princípios e técnicas da administração científica podem ser usados com êxito na administração eclesiástica, desde que feito com sabedoria, examinando tudo e retendo o que é bom (1 Ts 5.21), mas jamais podem substituir a presença e a direção do Espírito Santo. Um servo de Deus, pastor ou líder de igreja ou outro trabalho na igreja local não pode deixar ser influenciado por métodos que usam técnicas de hipnose. Jesus era homem e era (e é) Deus. Ele era, porém, guiado pelo Espírito Santo. Na Galileia, Ele “ensinava nas suas sinagogas, e por todos era louvado” (4.16).

Num sábado, na sinagoga, lendo o profeta Isaías, Ele disse:

O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor(Lc 4.18,19).

Essa era a razão pela qual a mensagem de Jesus sobrepujava de longe a mensagem dos escribas e fariseus. Eles baseavam-se no legalismo puro e simples, frio e calculista. Jesus promoveu verdadeiro avivamento, que se espalhou por todo o mundo e chegou até nós, porque o Espírito do Senhor era sobre Ele e ungiu-o para cumprir a sua gloriosa missão. Que Deus nos ajude a entender essa verdade. Precisamos ser cheios do Espírito Santo para obtermos êxito e vitória em nosso ministério.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Nos versículos 14 e 15, Lucas resume os primeiros dias do ministério de Jesus. Cheio do Espírito, Jesus percorre a Galileia. Para seu ministério ali, Ele faz de Cafarnaum sua sede (Lc 4.31). Notícias sobre seu ensino se espalham por toda a Galileia e regiões circunvizinhas, despertando curiosidade e excitação. Em resultado do seu ensino nas sinagogas, todas as pessoas têm muitas coisas boas a dizer sobre Ele (v. 15).

Jesus então volta a Nazaré, onde Ele foi criado. Como era de seu costume durante a juventude, Ele vai à sinagoga no sábado para adorar. Ele não só assiste o culto, mas também participa. Os cultos na sinagoga eram bastante informais e consistiam em orações, leitura da Escritura, comentários e doação de ofertas para os pobres.9 A pedido Jesus toma o livro do profeta Isaías.

Tendo sido cheio do Espírito no batismo (Lc 3.22), Ele lê Isaías 6l.l,210 e se identifica como profeta ungido. Ele é o Messias profético, ungido pelo Espírito para proclamar as boas-novas.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 339.

 

 

Mas: 1. De lá Ele veio pela virtude do Espírito. O mesmo Espírito que o qualificou para o exercício de seu ofício profético, o inclinou fortemente a ele. O Senhor Jesus não iria esperar por um chamado dos homens, porque Ele tinha a luz e a vida em si mesmo. 2. Ali Ele ensinou em suas sinagogas, em seus lugares de culto público, onde eles se reuniam, não, como no templo, para serviços cerimoniais, mas para os atos morais de devoção, para ler, expor e aplicar a Palavra, para orar e louvar, e para a disciplina da congregação; estas coisas passaram a ser mais frequentes desde o cativeiro, quando o culto cerimonial estava próximo de expirar. 3. Ao agir desta forma, o Senhor alcançou uma elevada reputação. E a sua fama correu por todas as terras em derredor (v. 14), e foi uma boa fama; porque (v. 15) Ele era louvado por todos. Todos o admiravam, e o exaltavam; eles nunca tinham ouvido uma pregação como está em toda a sua vida. Agora, a princípio, Ele não enfrentou desprezo ou contradição; todos o glorificavam, e não havia ninguém que o difamasse.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 549.

 

 

 

I – JESUS E A PESSOA DO ESPÍRITO SANTO

 

 

 1. O Espírito Santo na vida de Jesus

 

a) No nascimento.

 

O anjo Gabriel deu a seguinte notícia a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). Aqui, vemos o papel do Espírito Santo como executor divino do mistério da encarnação: Sob a virtude do Espírito, nosso Senhor se tornou o Emanuel. Isso significa “Deus conosco”; o Deus que se fez homem e habitou entre nós (Jo 1.14).

 

b) No batismo.

 

Antes de iniciar o seu ministério na Galileia, Jesus submeteu-se ao batismo de João, no Rio Jordão. Ao sair da água, “viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo sobre Ele. E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17). Era uma manifestação indubitável da Santíssima Trindade: o Pai declarando Jesus como seu “Filho amado”; o Filho, Jesus, saindo da água; e o Espírito Santo, materializado em forma de pomba, descendo sobre Ele.

 

c) Na tentação.

 

Depois do batismo, Jesus foi conduzido “pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1– grifo meu). Ali, experimentou o jejum de “quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome” (Mt 4.2). Em todas as investidas satânicas, Jesus foi vencedor, usando a poderosa Palavra de Deus. A cada ataque, nosso Senhor respondia: “Está escrito […]”. Assim, fica claro que se o Senhor Jesus não tivesse a presença do Espírito Santo, o resultado de suas provações não seria satisfatório.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

No nascimento de Jesus

Quando Jesus nasceu, o anjo Gabriel foi dar o anúncio a Maria, o que causou grande espanto a ela, pois era virgem, fazendo-a indagar como poderia aquilo acontecer se ela não era casada: “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35). Na sua encarnação, Jesus fez-se homem, mas não deixou de ser Deus. Todavia, para tornar-se o Emanuel, o Espírito Santo exerceu o seu papel de executor divino do mistério da encarnação.

 

No batismo de Jesus

Na sua infância, criado pela sua mãe e pelo pai adotivo, José, Jesus foi um menino educado segundo a Lei de Moisés. Ao oitavo dia de nascido, foi apresentado no Templo, onde foi circuncidado (Lc 2.21-24). Na sua adolescência, certamente auxiliou o seu pai na carpintaria, pois, ao iniciar o seu ministério, ainda jovem, era conhecido como “o carpinteiro, filho de Maria” (Mc 6.3). Antes de começar a proclamar o seu evangelho, Jesus submeteu-se ao batismo para arrependimento, realizado por João Batista, no rio Jordão. Ao sair da água, “[…] viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo sobre ele. E eis que uma voz dos céus dizia:

Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.16,17).

Ali, houve uma manifestação indubitável da Trindade. O Pai, declarando Jesus como o seu “Filho amado”; Jesus, o Filho, saindo da água; e o Espírito Santo, materializado “como pomba”, descendo sobre Ele.

 

Na tentação de Jesus

Após o batismo em águas, Jesus foi conduzido “pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo” (Mt 4.1– grifo acrescido). Ali experimentou o jejum “quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome” (4.2). Ele suportou e venceu as três investidas do Diabo contra a sua pessoa, começando pela área do instinto mais forte do ser humano: o da fome; depois no questionamento sobre a sua identidade: Filho de Deus; e, em seguida, na área do poder humano: em busca de glória terrena.

Jesus foi vencedor em todas essas investidas satânicas e, usando a poderosa arma da Palavra de Deus a cada ataque, respondeu, dizendo: “Está escrito”; “Então, o diabo o deixou; e eis que chegaram os anjos, e o serviram” (ver Mt 4.1-11). Se Ele não tivesse a presença do Espírito Santo na condição humana, jamais teria vencido a terrível opressão e tentação malignas.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

NASCIMENTO

A resposta de Maria instiga Gabriel a lhe exortar que deixe de ter medo. Ele lhe dá uma mensagem quádrupla (w. 31-33):

1) Ela dará à luz um filho que receberá o nome de Jesus.

2) A grandeza do filho estará além de qualificação; Ele será o Filho de Deus (cf. SI 2.7).

3) Ele regerá do trono de Davi como Rei de Israel (cf. 2 Sm 7.12ss; SI 89-29)

4) Ele reinará para sempre. Este Reino não será entendido como reino terreno; é o reinado de Deus, o prometido Reino messiânico que Jesus esclarece nos seus ensinos e através dos seus milagres. Maria tem dificuldade em entender o que o anjo lhe contou. Sendo virgem, ela não tem ideia de como ela pode ter um filho. Seu casamento não fora consumado fisicamente. Gabriel diz que o nascimento de Jesus será provocado pela vinda do Espírito Santo sobre ela e pela sombra do poder de Deus. Lucas tipicamente vincula o Espírito Santo com o poder de Deus (veja esp. At 1.8). O verbo “descer” (eperchomai, em Lc 1.35) também é usado para se referir à promessa do Espírito que vem sobre os discípulos no Dia de Pentecostes (At 1.8). A sombra (episkiazo) diz respeito à presença de Deus (cf. Êx 40.35) e nos faz lembrar da nuvem que deu sombra como sinal da presença divina na transfiguração (Lc 9-34). A presença poderosa de Deus repousará sobre Maria, de modo que a criança que ela gerar será o Filho de Deus. Concebido pelo Espírito Santo, Ele será santo como alguém especialmente ungido pelo Espírito (Lc 4.1ss). A linguagem de Lucas é claramente trinitária: o Altíssimo, o Filho de Deus e o Espírito Santo.

Lucas não dá indicação exata de quando Maria concebeu Jesus; esse nascimento milagroso não tem paralelo. Pessoas como Abraão e Sara (Gn 18.10-19) e Zacarias e Isabel (Lc 1.7-25), que estavam em idade muito avançada para gerarem filhos, receberam filhos por Deus. O poder extraordinário de Deus superou a esterilidade e idade avançada desses casais. Mas o nascimento de Jesus não se ajusta a esse padrão. No seu caso, Deus não venceu a incapacidade dos pais terem filhos, mas a engravidou na ausência completa de um pai humano (Brown, 1974, pp. 360- 362). O nascimento de Cristo é um acontecimento dos últimos dias e introduz uma nova era que culminará no julgamento final e na salvação dos redimidos. A glória da vinda de Deus em carne exigia um milagre como o nascimento virginal para indicar a coisa poderosa que Deus estava fazendo por nossa salvação. O Filho se abaixa até a nossa fraqueza e entra como bebê em nosso mundo. Embora completamente humano, Ele só tem um pai humano; mas nós cremos que o Único nascido da virgem é Deus e o Senhor de Maria — absolutamente sem igual; Ele é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.

Quando Deus chama Maria para ser a mãe do seu Filho, Ele põe a fé dela em teste incomum: Ela terá fé para crer que Deus pode criar vida nela? Zacarias não creu no milagre menor de Deus superar a esterilidade e a idade avançada. Agora Deus chama Maria para crer que ela dará à luz ao Salvador, e que Ele entrará no fluxo de nossa vida por concepção virginal. O anjo lhe encoraja, mostrando que Isabel, que se pensava ser estéril, vai ter um filho com idade avançada (v. 36). Durante seis meses uma nova vida está se mexendo no útero desta anciã. Como é possível que Isabel tenha um filho? Como é possível que Maria, uma virgem, conceba? Gabriel assegura a Maria que “para Deus nada é impossível” (v. 37; cf. Gn 18.14). Deus pode fazer milagres!

Como “serva do Senhor”, Maria se rende à palavra de Deus e diz ao anjo: “Cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (v.38). Ela está disposta e pronta a servir a Deus e ser usada pelo Espírito Santo para dar à luz o Salvador.

A mensagem que Maria recebe do anjo sobre a concepção maravilhosa de um Filho, levanta a pergunta se Deus pode criar vida. O nascimento de Jesus pelo trabalho milagroso do Espírito Santo responde com um ressoante “Sim!” Deus, que cria a vida, recria a vida daqueles que recebem pela fé este Filho nascido da virgem. O encontro com o anjo leva Maria à obediência da fé. Não é surpresa que ela esteja entre os crentes quando o Espírito Santo desce sobre toda a comunidade no Dia de Pentecostes (At 1.12-14). Ela deu a resposta apropriada à palavra de Deus e à sua graça — em humildade, fé e obediência.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 322-323.

 

 

NASCIMENTO

Jesus relacionava-se com o Espírito Santo desde o primeiro momento de sua existência humana. O Espírito Santo veio sobre Maria, e o que dela nasceu tinha o direito de ser chamado santo. Através do nascimento virginal, o Filho de Deus tomou sobre si natureza humana. A união das naturezas divina e humana resultou numa Pessoa, Jesus Cristo (Jo 1.14). Nota-se o efeito da operação divina no nascimento de Jesus pelo fato de ser Ele isento de pecado, pela inteira consagração e consciência ininterrupta de que era Deus o seu Pai. Rompera-se, finalmente, o poder do pecado, e aquEle nascido de uma virgem , embora homem, foi santo e Filho de Deus. O segundo Homem veio do céu (1 Co 15.47). Sua vida vinha de cima (Jo 8.23), seu decurso era uma vitória sobre o pecado, e o resultado, a vivificação da raça humana (1 Co 15.45). AquEle que não tinha pecado e ainda podia salvar a outros, só poderia ter nascido do Espírito Santo.

Myer Pearlman. Lucas, O Evangelho do Homem Perfeito. Editora CPAD. pag. 29-30.

 

 

BATISMO

Testemunho Divino no Rio Jordão (3.16,17). Três coisas principais aconteceram neste evento: os céus se abriram, o Espírito Santo desceu e uma voz do céu proclamou que Jesus é o Filho de Deus. Cada um destes fatos reveladores merecem atenção.

Os céus foram rasgados (cf. Mc 1.10). A palavra “abriram” expressa a ideia de revelação. A experiência de Jesus é rememorativa à chamada do profeta Ezequiel, que estava de pé ao lado do rio Quebar quando os céus se abriram; ele teve visões de Deus e o Espírito de Deus entrou nele (Ez 1.1; 2.2).

A pomba desceu. A associação do Espírito Santo com uma pomba era rara nas escrituras hebraicas e judaicas até o tempo de Jesus. O símbolo da pomba tornou- se imagem frequente no cristianismo. Em Gênesis 1.2, o Espírito pairou sobre as águas, o que pode ser alusão a uma pomba, como John Milton presume tão eloquentemente na sua obra Paraíso Perdido-,

Tu dos primeiros

Estavas presente, e com grandiosas asas abertas

Como pomba sentaste a chocar o vasto abismo

E o tornaste grávido.

O Espírito Santo capacitou os profetas do Antigo Testamento (e.g., Ez 2.2; Mq 3.8; Zc 7.12), e as profecias relativas ao Messias prediziam uma acompanhante dotação do Espírito (e.g., Is 42.1,5; 61.13). Assim Jesus recebe uma unção e capacitação especiais do Espírito Santo para proclamar a mensagem de Deus e fazer maravilhas. A vinda do Espírito sobre Ele é sinal de que Ele é o Messias, o Cristo (lit., “o Ungido”). Isto não significa que esta é a primeira vez que Jesus foi envolvido com o poder do Espírito; Ele foi concebido do Espírito Santo (Mt 1.20; Lc 1-35) e obviamente foi guiado pelo Espírito ao ministrar no templo quando era menino (Lc 2.46-52). Nem significa que Jesus foi “adotado” pelo Espírito no batismo e nesse momento tornou-se Messias, pois Ele era o Filho de Deus antes do batismo (Mt 1.20; 2.15; Lc 1.35; 2.49; Jo 1.1,14,18; 3.16).

A voz do céu falou: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3.17; em Mc 1.11 lemos: “Tu és o meu Filho amado, em quem me comprazo”; em Lc 3-22: “ Tu és meu Filho amado; em ti me tenho comprazido” [ênfases minhas]). Esta mensagem reflete duas passagens do Antigo Testamento: “Tu és meu Filho; eu hoje te gerei” (SI 2.7), e: “Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho, o meu Eleito, em quem se compraz a minha alma; pus o meu Espírito sobre ele” (Is 42.1). O Salmo 2 descreve a entronização do rei Davi. No antigo Oriente Próximo, quando o rei assumia o trono, era considerado o filho do deus nacional, e assim o poder da deidade era investido no rei. Em sua coroação ele era considerado “gerado” do deus. Israel também considerava que o seu rei estava investido com o poder de Javé, o Deus deles.

A segunda parte da declaração da voz do céu alude a Isaías 42.1: “Meu Servo/ Filho, Meu Eleito/Amado, em quem minha Alma se deleita” (tradução minha; veja também Gn 22.2). As palavras “servo”, “criança”, “filho” (todas traduções do termo grego pais) assume sentido messiânico em Isaías. “Amado” era usado como título messiânico nos círculos cristãos (cf Mt 17.5; Mc 1.11; 9-7; Lc 3-22; 2 Pe 1.17). A tradução do termo grego ho agapetos (lit., “o Amado”) pela expressão “a quem eu amo”, ainda que leitura possível, não trata a expressão como título messiânico. A palavra agapetos às vezes se refere a um único filho ou filha (e.g., Gn22.2,12,l6;Jz 11.34; Mc 12.6; Lc 20.13).

A combinação de um salmo de entronização de Davi, que identifica o rei como filho de Deus, e o uso do título “Amado, com quem Deus se compraz”, acompanhado pela descida do Espírito Santo, mostra aos leitores de Mateus que Jesus é o Filho messiânico de Davi, o Filho de Deus capacitado pelo Espírito Santo para inaugurar o reinado de Deus e falar as suas palavras.

O uso de Mateus de “Este é o meu Filho” em vez de “Tu és o meu Filho ama do” levanta uma questão: Jesus foi o único que ouviu a voz, ou João Batista e/ou as pessoas também a ouviram? Não podemos saber com certeza. Se a leitura “este” é original, então muitas pessoas a teriam ouvido, e a ideia de que Jesus era o Messias teria se espalhado; contudo, tal não foi o caso na primeira parte do seu ministério.

De fato, durante algum tempo Jesus a considerou informação confidencial. E inevitável que o ministério de milagres de Jesus tivesse levado alguns a considerar a possibilidade de messiado. É possível que a voz disse “este”, e os circunstantes a ouviram; para Jesus teria tido o significado de “tu”, visto que dizia respeito a Ele diretamente. Se a voz tratasse Jesus por “tu” e houvesse espectadores que a ouvissem, então eles teriam tido a força de testemunhas concernentes a Jesus.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 27-29.

 

 

E, sendo Jesus batizado, saiu logo da água, e eis que se lhe abriram os céus, e viu o Espírito de Deus descendo como pomba e vindo sobre ele. A abertura dos céus representava a intervenção de Deus na humanidade através da presença humana de Deus em Jesus Cristo. É como se os céus tivessem se recolhido para revelar o invisível trono de Deus (Is 63.19-64.2). A ação do Espírito de Deus descendo como pomba era um sinal de que Jesus era o Messias e que a era do Espírito, predita pelos profetas, havia começado formalmente (Is 61.1). A descida do Espírito significava a obra de Deus no mundo; portanto, a chegada do Messias seria marcada pela descida do Espírito, nesse caso sob a forma de uma pomba. Essa seria a sua unção real (veja Isaías 11.2; 42.1).

E eis que uma voz dos céus dizia: Este é o meu Filho amado. Embora todos os crentes sejam chamados de “filhos de Deus” (ou “criaturas de Deus”), Jesus Cristo tem um relacionamento diferente e especial com Deus; Ele é o único Filho de Deus. A frase, “Em quem me comprazo” significa que o Pai tem grande satisfação, prazer e alegria no Filho, e isso está refletido em duas passagens do Antigo Testamento (SI 2.7 e Is 42.1). A voz do trono do céu descrevia a condição de Jesus como um Servo que iria sofrer e morrer e como um Rei que iria reinar para sempre.

Em 3.16,17 todas as três pessoas da Trindade estão presentes e ativas. A doutrina da Trindade, que se desenvolveu muito mais tarde na história da Igreja, ensina que Deus representa três pessoas, embora seja essencialmente uma única pessoa. Deus, o Pai fala, Deus o Filho é batizado e Deus o Espírito Santo desce sobre Jesus. Deus é um, ainda que em três pessoas ao mesmo tempo.

Esse é um dos incompreensíveis mistérios de Deus. Outras referências na Bíblia que falam sobre o Pai, o Filho e o Espírito Santo são: Mateus 28.19; Jo 15.26; 1 Coríntios 12.4-13; 2 Coríntios 13.13. Efésios 2.18; I Tessalonicenses 1.2-5; e 1 Pedro 1.2.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 30-31.

 

 

TENTAÇÃO

Na narrativa de Marcos a cerca da tentação de Jesus, lemos que o Espírito “impeliu” (ekballo) Jesus para o deserto a fim de ser tentado, visto que Marcos enfatiza as ações de Jesus no relato do seu Evangelho. Mateus e Lucas declaram que o Espírito “conduziu/levou” Jesus. Estes dois Evangelhos também registram o diálogo que Jesus teve com o Diabo, embora a ordem das tentações sejam diferentes.

Talvez a ordem de Mateus expresse a ordem cronológica, ao passo que a versão de Lucas exprime uma procissão geográfica de um local tradicional a partir de uma tentação à outra. Mateus e Marcos comentam que “chegaram os anjos e o serviram” (Mt 4.11; cf. Mc 1.13), depois que sua peleja com Satanás estava finda. A referência a “feras” (Mc 1.13) pode aludir à restauração da natureza caída do Messias (cf. Is 11.6- 9; SI 91-11-13; Testamento de Naftali 8.4).

2.3-1- As Peregrinações no Deserto (4.1). A precedente história de salvação fornece um contexto para a provação de Jesus no deserto. Os paralelos entre a tentação de Jesus e as peregrinações dos filhos de Israel no deserto depois do Êxodo são notáveis e explicam a razão

De Jesus ser exposto a esta prova. Ele esteve no deserto por quarenta dias antes de entrar em seu ministério, ao passo que os israelitas estiveram no deserto por quarenta anos antes de entrarem na Terra Prometida:

“E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te tentar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos ou não. E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheces- te, nem teus pais o conheceram, para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem”

(Dt 8.2,3).

Jesus deu-se melhor no teste do que Israel. Aqui Ele cumpre a tipologia de Israel no deserto, a qual Mateus já havia estabelecido com Jesus: “Do Egito chamei o meu Filho” (Mt 2.15). Embora Satanás seja o agente das tentações, Deus as usou para provar seu povo e, mais tarde, Jesus. O verbo peirazo significa “tentar”, mas também tem o sentido positivo de “provar, testar o caráter da pessoa” (e.g., SI 26.2; Jo 6.6; 2 Co 13.5; Hb 11.17; Ap 2.2). Note também o paralelo entre o maná e as pedras transformadas em pão.

Tradicionalmente os comentaristas enfatizam as diferenças entre as tentações. A tentação para tornar as pedras em pães testou-o fisicamente; a tentação para lançar- se do alto do templo testou o conceito que Ele fazia da natureza do seu ministério messiânico; e a tentação para adorai- o Diabo testou sua fidelidade espiritual a Deus. Não há dúvidas de que cada uma destas tentações afetou Jesus diferentemente, mas juntas elas tinham uma meta crucial: distrair Jesus de sua relação com Deus ou interrompê-la. As sugestões do Diabo involuntariamente foram úteis para a causa do Reino: O aço da resolução de Jesus em seguir Deus foi temperado no calor da tentação, a verdadeira natureza do seu ministério messiânico foi esclarecida e a primazia de sua relação com o Pai foi mantida e dada atenção indivisa.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 29-30

 

 

TENTAÇÃO

“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo”. Nessa narrativa, dois agentes invisíveis preparam-se para um grande confronto. Enquanto o Espírito Santo transporta Jesus ao lugar da tentação, encontra-se já o adversário preparado para o lentar. A tentação estava nos propósitos de Deus. O Senhor muitas vezes permite sejamos tentados para que o seu nome seja enaltecido, e Satanás, derrotado. Para o nosso próprio bem somos submetidos à tentação, embora pareça-nos contraditório. Não foi, por acaso, o que aconteceu a Jó?

Poderia a segunda pessoa da Trindade ser tentada?

Como Filho do homem, Jesus possuía alma passível de tentação e corpo sujeito a fome e canseira. Afinal, assumira ele a forma humana; revestira-se de carne para enfrentar batalhas, não para viver de forma contemplativa.

Nessa condição, o Senhor Jesus “como nós, em tudo foi tentado” (Hb 4.15).

Por que foi tentado? Em primeiro lugar, para iniciar seu ministério com um forte golpe contra Satanás, cujas obras viera destruir (1 Jo 3.8). Sua missão era finalmente expulsar o adversário da terra, assim como Deus o expulsara do Céu. Aqui, o Espírito mostra-se sábio estrategista.

Uma vitória retumbante sobre o chefe das hostes inimigas, logo de início, desmoralizaria todas as forças do mal.

Tal vitória seria mais que decisiva para o conflito que iria se desenrolar e cujo final já podemos pressentir. Cada demônio que, naquela época, vivesse a atormentar a humanidade, ficaria sabendo que o império do mal estava prestes a desmoronar-se.

Afugentado o maioral dos demônios, pôs-se Jesus imediatamente a expulsar as castas inferiores das trevas.

O Senhor Jesus foi ungido pelo Espírito Santo para exercer um ministério espiritual que acabaria por quebrar o poder que tem Satanás sobre os homens. Sua obra era “amarrar o homem valente” e “saquear-lhe a casa” (Mt 12.29). Satanás assustou-se ao ver o seu reino ameaçado.

Se pudesse, persuadiria Cristo a transferir seu ministério do plano espiritual para o natural. Era seu intento induzir o Senhor a substituir o programa espiritual por uma plataforma política.

Estudemos, agora, as tentações de Cristo como sendo três ataques distintos à sua espiritualidade. Na primeira, foi tentado a não ser espiritual; na segunda, a ser totalmente espiritual; e na terceira, a ser semi-espiritual.

Myer Pearlman. Mateus, O Evangelho do Grande Rei. Editora CPAD. 5 Ed. 2004. pag. 19-20.

 

 

 2. O Espírito Santo no ministério de Jesus

 

Com cerca de 30 anos, Jesus iniciou seu ministério terreno, depois de voltar do monte da tentação, no deserto da Judeia, pela Galileia (Lc 4.14,15). A Leitura Bíblica em Classe, desta lição, mostra que Jesus foi ungido pelo Espírito “para evangelizar os pobres”.

Esta era a missão de seu ministério. De modo geral, nosso Senhor sabia que, por causa dos bens terrenos, os ricos deste mundo não se interessam pela sua Palavra (Mt 19.23,24). Além disso, nosso Senhor foi ungido pelo Espírito para “curar os quebrantados do coração”. Só para explicar, quebrantados do coração são aqueles que têm um coração humilde, uma disposição para submeterem-se à vontade de Deus (Sl 34.18).

Por isso, nosso Senhor veio tocar o coração dos homens. Ainda mais, Ele também fez um convite aos “cansados e oprimidos” (Mt 11.28), apregoou “liberdade aos cativos” (Jo 8.31-36), aos que estão sujeitos à escravidão do pecado (Rm 8.20,21), deu “vista aos cegos” (Jo 9.39-41) e pôs “em liberdade os oprimidos”. Desse modo, o Espírito Santo atuava diretamente na obra do nosso Salvador.

 

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O ministério de Jesus teve início debaixo da unção do Espírito Santo. Era uma condição indispensável para cumprir a sua missão na terra, quando haveria de enfrentar todos os tipos de oposição que se podia imaginar, principalmente por parte dos líderes religiosos da época. Por inveja, muitas vezes, Jesus foi perseguido e ameaçado de morte; todavia, como Ele estava debaixo da unção de Deus, pelo Espírito Santo, pôde iniciar a sua obra, desenvolvê-la e concluí-la no patíbulo da cruz. Depois do batismo e da tentação, Ele declarou:

O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor. (Lc 4.18,19)

Nessa declaração profética, Jesus resumiu a sua missão terrena em seis objetivos, pelos quais Ele foi ungido pelo Espírito Santo:

a) Primeiro objetivo: Ungido “para evangelizar os pobres”.

Jesus tinha consciência das prioridades da sua missão. Ele elegeu como prioridade começar a evangelizar os pobres. Por que teria sido essa a sua visão para o início do seu ministério? Certamente, Ele sabia que o seu ministério seria curto, não ultrapassando três anos de pregação. Se começasse pelos ricos, teria perdido muito tempo e não obteria retorno para o seu glorioso trabalho. Ele disse num dos sermões:

Disse, então, Jesus aos seus discípulos: Em verdade vos digo que é difícil entrar um rico no Reino dos céus. E outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no Reino de Deus. (Mt 19.23-24)

Jesus era realista. As pessoas ricas, possuidoras de grandes patrimônios materiais, não sentem necessidade de Deus nas suas vidas. A maioria dá as costas para a pregação do evangelho.

Enquanto isso, os pobres são geralmente mais propensos a ouvir a mensagem de Cristo.

Não se trata de preconceito contra a riqueza, nem tampouco exaltação à pobreza, só que a realidade é essa. Assim, Jesus, como excelente planejador estratégico, decidiu por começar a pregar primeiramente aos pobres, não fazendo acepção de pessoas.

Também pregou a pessoas ricas como Zaqueu, homem de posição social elevada, mas, ao ouvir Jesus, reconheceu-se pecador, humilhou-se e converteu-se. Diante das pessoas, na casa de Zaqueu, Jesus disse: “E disse-lhe Jesus: Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.9,10).

Outro exemplo é o de Nicodemos, “príncipe dos judeus”. Ele procurou Jesus de noite e ouviu um dos seus maiores sermões acerca da salvação para “todo aquele que nele crê […] tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

 

b) Segundo objetivo: “[…] curar os quebrantados do coração”.

Esse termo tem significado interessante na Bíblia. Um coração quebrantado quer dizer um coração cheio de humildade e disposição para submeter-se à vontade de Deus. É o contrário de um coração endurecido, cheio de orgulho e autossuficiência. Esse tipo de coração agrada a Deus: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado e salva os contritos de espírito” (Sl 34.18). Na missão de Jesus, Ele veio para “curar” os que são “quebrantados de coração”. A sua Palavra, cheia de misericórdia e de amor pelos que sofrem as adversidades da vida, promove a cura interior, trazendo paz e descanso para a alma: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).

 

c) Terceiro objetivo: “apregoar liberdade aos cativos”.

Jesus incluiu na sua missão a libertação dos cativos espirituais, que são os oprimidos pelo pecado e pelo Diabo. Com a Queda, a humanidade passou a ser seduzida, enganada e voltada para a prática de tudo o que é contra a santidade de Deus. Na ilusão do pecado, o ser humano pensa que é “livre”. O Diabo prende as pessoas com uma “falsa liberdade”, escravizando-as através de vários meios de destruição, tais como vícios, fornicação, adultérios, prostituição, violência, falsas religiões, heresias e outras coisas que lhes prendem de tal forma, que são prisioneiros do pecado e da corrupção. Porém, quando a pessoa aceita a Cristo como o seu salvador, Ele promove a verdadeira liberdade — a liberdade para a salvação. Paulo teve a revelação dessa gloriosa liberdade:

Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. (Rm 8.20.21)

Falando sobre a sua missão de maneira eloquente, a libertação dos cativos espirituais:

Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente, sereis meus discípulos e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu:

Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora, o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres. (Jo 8.31-36 – grifo acrescido)

 

d) Quarto objetivo: “dar vista aos cegos”.

Na unção de Jesus pelo Espírito Santo, foi incluída a missão de “dar vista aos cegos”.

Jesus tinha poder sobre todos os tipos de enfermidades e até sobre a morte. Ele curou muitos enfermos em número não avaliado no seu evangelho. Entre os enfermos curados por Ele, houve cegos até de nascença (Mt 20.29-34; Jo 9.1-6), mas, no texto em apreço, Jesus certamente se referia a outro tipo de cegueira: a espiritual. Após curar um cego de nascença, Ele mostrou outro tipo de cego: E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam e os que veem sejam cegos. Aqueles dos fariseus que estavam com ele, ouvindo isso, disseram-lhe: Também nós somos cegos? Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos, por isso, o vosso pecado permanece. (Jo 9.39-41)

A cegueira espiritual é a causa de todos os males morais e humanos que afligem a humanidade. Ela leva a maioria das pessoas a ser dominadas pela incredulidade, que é a mãe de todos os tipos de pecados. Sem crer em Deus, ou os homens tornam-se os seus próprios deuses ou, então, elegem outros “deuses” nas suas vidas. A cegueira espiritual seduz as pessoas para acreditar e praticar falsos ensinos e heresias das mais estranhas. Milhões de falsos deuses são adorados na Índia, inclusive ratos e outros animais, além de adorarem o rio, o Sol, a Lua, etc. O mesmo ocorre no budismo, no xintoísmo, no espiritismo e em tantas expressões religiosas que levam o ser humano para longe de Deus, o Senhor.

Por causa dessa cegueira, a juventude está sendo destruída nas drogas, na violência e na prostituição. Por causa dela, homens fazem guerras, lutas e pelejas quase sempre em busca do poder passageiro, desejados pelas mentes sem Deus. Assim, Jesus declarou que “os que veem” tornem-se cegos. E Ele tem o remédio para a cura desse terrível mal: o seu sangue, que nos purifica de todo pecado (1 Jo 1.7).

 

e) Quinto objetivo: “a pôr em liberdade os oprimidos”.

Em toda a história, como consequência do pecado que passou a todos os homens (Rm 5.12), tem havido opressão sob diversas formas contra muitas pessoas. Desde que passou a existir o governo humano, os mais fortes oprimem os mais fracos. Governos ditatoriais, geralmente materialistas, que adotam a filosofia comunista, procuram oprimir as pessoas, privando-as das suas liberdades individuais. Na China, país de ditadura comunista, até cultos on-line são proibidos; lá a Bíblia é considerada um livro perigoso. Também há opressão por parte de governos que decretam religião oficial nos seus países, como nos países islâmicos, que oprimem as pessoas e proíbe-as de escolher a religião que desejarem seguir. Os cristãos são os mais perseguidos nesses países, onde a ditadura religiosa impera.

No ministério ungido de Jesus, Ele proclamou a liberdade aos cativos espirituais, àqueles que, por não conhecerem a Cristo, são seduzidos, escravizados e oprimidos pelo pecado, sob as suas mais diversas formas. A maioria das pessoas no mundo não conhece a Jesus e nem o seu evangelho libertador. Enganados e cegos, não percebem que estão debaixo de um jugo opressor do maligno. Por isso, Jesus garantiu: “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará […]. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente, sereis livres” (Jo 8.32,36). Ninguém e nenhuma instituição educacional, cultural ou social, e nenhum governo ou sistema político, ou mesmo terapias com psicólogos, psiquiatras ou psicanalistas no mundo conseguiram libertar tantas pessoas dos vícios, da violência, da prostituição e da opressão maligna do que a Igreja de Jesus, e tudo isso ela fez por meio da pregação do evangelho de Cristo.

Quantos no mundo, durante séculos e, principalmente, em tempos difíceis de isolamento social, como na pandemia, deram cabo da sua própria vida. Países riquíssimos da Europa e de outros continentes possuem índices elevadíssimos de suicídios. Por quê?

Porque são pessoas oprimidas que não conhecem o poder libertador de Jesus Cristo. Ele proclamou em convite maravilhoso:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma.

Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve. (Mt 11.28-30)

 

f) Sexto objetivo: “anunciar o ano aceitável do Senhor”.

Jesus, ao proclamar solenemente a sua missão, incluiu esse objetivo de “anunciar o ano aceitável do Senhor”. Ele citou isso com base no que diz o profeta Isaías setecentos anos antes de Cristo: “[…] a apregoar o ano aceitável do Senhor e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os tristes” (Is 61.1,2 – grifo acrescido).

O profeta Isaías incluiu na missão do Messias dois eventos de natureza oposta. O primeiro, “o ano aceitável do Senhor”, e o segundo, “o dia da vingança do nosso Deus”. Segundo alguns exegetas, o “ano aceitável” seria uma alusão ao Ano do Jubileu no Antigo Testamento. Era um ano muito esperado pelos hebreus, pois se celebrava somente a cada cinquenta anos. De acordo com a Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), em nota sobre Levítico 25.8-34, Três características distinguiam o ano do Jubileu (ano este, que ocorria a cada cinquenta anos). (1) Todos os escravos israelitas eram libertados. (2) Toda propriedade dos ascendentes que tivesse sido vendida era devolvida à família original. (3) A terra permanecia em repouso, sem cultivo. O propósito de Deus ao instituir esse ano especial era garantir a justiça e impedir os ricos de acumular riquezas e adquirir terras às custas dos pobres.

Cristo trouxe para Israel e para o mundo “o ano aceitável do Senhor”, o tempo de plena libertação da escravidão do pecado, do mundo, da carne e do Diabo. Esse “ano aceitável” já é presente. Os salvos já o experimentam desde quando aceitaram a Cristo. A salvação em Cristo é abrangente e profunda Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedecestes de coração à forma de doutrina a que fostes entregues. E, libertados do pecado, fostes feitos servos da justiça […]. Mas, agora, libertados do pecado e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. (Rm 6.17,18,22)

Porém, de modo bem evidente, Jesus não disse que traria no seu ministério “o dia da vingança de nosso Deus” (Is 61.2). Isso porque esse dia ainda não chegou. Virá na consumação dos séculos, no juízo de Deus sobre os ímpios, sobre a humanidade incrédula e rebelde contra o Senhor.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Depois da leitura da Lei, foi dado a Jesus o pergaminho que continha o livro do profeta Isaías. Os pergaminhos eram “livros” antigos feitos em papiros unidos por costuras de modo a criar uma longa tira que era então presa a uma vareta em cada extremidade. Jesus abriu o livro, ou seja, desenrolou o pergaminho, até encontrar o ponto que queria ler.

Jesus leu Isaías 61.1,2. As palavras de Isaías retratavam a libertação de Israel do exílio na Babilônia como um Ano Jubileu (ano aceitável), quando todas as dívidas seriam canceladas, todos os escravos libertados, e todas as propriedades voltariam aos seus donos originais (Lv 25). Mas a libertação do exílio na Babilônia não tinha trazido o cumprimento que o povo tinha esperado; eles ainda eram um povo dominado e oprimido. Isaías estava profetizando uma futura era messiânica, uma época em que alguém viria no Espírito do Senhor para fazer coisas maravilhosas. Esta passagem oferecia muitas expectativas para um povo oprimido. Depois de ler Jesus disse: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos”. Ao dizer estas palavras, Jesus estava se proclamando como Aquele que iria tomar realidade estas boas notícias (versão NTLH).

Quando Jesus lia esta passagem de Isaías ao povo na sinagoga, Ele parou na metade de 6.12 depois das palavras “a anunciar o ano aceitável do Senhor”. (A frase seguinte de Isaías 61.2, no entanto, é… o dia da vingança do nosso Deus.

Isto não será cumprido até que Jesus retorne à terra outra vez. Nós agora estamos sob a graça de Deus; a sua ira ainda está por vir).

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 343.

 

 

A missão singular de Jesus (Lc 4.17-21)

Jesus recebe o livro do profeta Isaías e ele mesmo abre o livro no exato lugar onde estava definida a sua missão. Mais uma vez, é ressaltado que o Espírito Santo está sobre ele e o ungiu para cumprir essa sublime missão. Ao terminar a leitura, Jesus afirmou categoricamente que essa profecia de Isaías estava se cumprindo nele (Lc 4.21). Aqui ele se autoproclama o Messias de Deus. A missão de Jesus abrange cinco áreas.

Em primeiro lugar, evangelizar os pobres (Lc 4.18). A evangelização é a proclamação das boas novas de salvação, e os pobres não são apenas os desprovidos de bens materiais, mas os pobres que, não importando sua condição social, reconhecem sua total falência espiritual e desesperadamente se apegam à rica graça de Deus, a fim de serem salvos.

Em segundo lugar, proclamar libertação aos cativos (Lc 4.18). O ser humano, não importa sua condição política, económica e social, é prisioneiro da carne, do mundo e do diabo. Ele não pode libertar a si mesmo; precisa ser liberto. Não pode desvencilhar-se de suas próprias amarras; precisa ser colocado em liberdade. Jesus é o libertador. Aqueles que o conhecem verdadeiramente são livres.

Em terceiro lugar, restaurar a vista aos cegos (Lc 4.18). Jesus não apenas curou cegos, dando-lhes visão para verem as maravilhas da criação, mas também abriu os olhos dos cegos espirituais, para verem as maravilhas da graça de Deus. Ele é a luz do mundo (Jo 8.12). O diabo cegou o entendimento dos incrédulos (2Co 4.4), mas Jesus é a luz que ilumina a todo o homem (Jo 1.9). O homem natural não consegue ver as maravilhas da lei de Deus nem se deleitar em seus preceitos. Só Jesus pode tirar as vendas dos olhos e arrancar o homem do império das trevas.

Em quarto lugar, libertar os oprimidos (Lc 4.18). Os judeus eram súditos de Roma. Estavam oprimidos política e economicamente. Mas Jesus veio para libertar os oprimidos do diabo. Nenhuma religião pode arrancar do coração humano essa opressão. Nenhum rito sagrado pode aliviar o homem desse peso esmagador. Nenhum esforço humano pode atenuar essa situação.

Em quinto lugar, apregoar o ano aceitável do Senhor (Lc 4.19). O ano do jubileu era o tempo oportuno, quando as dívidas eram canceladas e as terras eram devolvidas aos donos originais. Esse ano do jubileu era uma demonstração da graça de Deus que, por meio de Cristo, trouxe aos pecadores o perdão de seus pecados e a vida eterna.

LOPES. Hernandes Dias. Lucas Jesus o Homem Perfeito. Editora Hagnos. 1 Ed 2017.

 

 

SINOPSE I

O Espírito Santo teve uma participação ativa na vida e no ministério de Jesus.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

JESUS E O ESPÍRITO SANTO

 

“Jesus está em profundo relacionamento com a terceira Pessoa da Trindade. Já de início, o Espírito Santo leva a efeito a concepção de Jesus no ventre de Maria (Lc 1.34,35).

O Espírito Santo veio sobre Jesus no seu batismo (Lc 3.21,22). Nessa ocasião, o relacionamento entre ambos assume um novo aspecto, que somente pela encarnação seria possível. Lucas 4.1 deixa claro que esse revestimento do Espírito Santo preparou Jesus para enfrentar Satanás no deserto e para a inauguração de seu ministério terrestre.

O batismo de Jesus tem desempenhado um papel crucial na cristologia, e devemos examiná-lo em profundidade.

Jesus é a figura chave no derramamento do Espírito Santo. Depois de levar a efeito a redenção mediante a cruz e a ressurreição, Jesus subiu ao Céu. De lá, juntamente com o Pai, Ele derramou e continua derramando o Espírito Santo em cumprimento à promessa profética de Joel 2.28,29 (cf. At 2.23). Essa é uma das maneiras mais importantes de hoje conhecermos Jesus: na sua qualidade de Doador do Espírito” (HORTON, Stanley (Ed). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, pp. 332,333).

 

 

II – JESUS E A ORAÇÃO NO SEU MINISTÉRIO

 

 1. O Valor da Oração

 

A oração do Pai-Nosso aparece em duas versões nos Evangelhos: a primeira, em Mateus 6.9-13; a segunda, em Lucas 11.2-4. Em Mateus ela se encontra no contexto do Sermão do Monte. Ali, a oração do Pai-Nosso não cumpre mera orientação litúrgica, mas revela o coroamento de um estilo de vida sem hipocrisia e exibicionismo religioso (Mt 6.5-9).

Dessa forma, uma pessoa avivada se dirige a Deus como o “Pai Nosso”, “santifica” o nome dEle, deseja a “vinda do Reino”, anela por viver a “vontade de Deus”, a cada dia está na dependência do Senhor (“dá-nos o pão nosso”), confessa os pecados e pede perdão, ela suplica por proteção a Deus e, finalmente, sabe que dEle é o Reino, o poder e a glória para sempre (Mt 6.5-9). Essa oração revela uma vida humilde e quebrantada diante de Deus.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A Oração do Pai Nosso

Somente Mateus registra essa oração padrão, ensinada por Jesus. Em meio ao Sermão da Montanha, após proferir vários ensinos preciosos sobre o que Ele preconizou para os seus seguidores, Jesus incluiu o ensino sobre como orar e disse para eles que não deveriam orar como “os hipócritas”, que oravam “em pé nas sinagogas e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens” (Mt 6.5). Jesus deu orientações sobre como se deve orar, segundo a sua vontade, de forma até didática, quando se tratar de oração individual.

Ele orientou até mesmo sobre a discrição na oração. O Senhor Deus não se impressiona com exibições de santidade na oração: “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (6.6); e ainda exortou para não se imitar os hipócritas, que usavam de repetições sem sentido:

E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos. Não vos assemelheis, pois, a eles, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário antes de vós lho pedirdes. (6.7-9)

Em seguida, ensinou a oração padrão, que é referência para todas as outras:

Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém! (Mt 6.9-13).

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Jesus disse: “Portanto, vós orareis assim”. Seu padrão era louvar a Deus (6.9), interceder pela Sua obra no mundo (6.10), pedir a provisão das necessidades pessoais e diárias (6.11), e pedir auxílio para as lutas cotidianas (6.12,13). Esse padrão ajuda os crentes a compreenderem a natureza e o propósito das orações pessoais no seu relacionamento com o Pai.

A frase, Pai nosso, que estás nos céus, indica que Deus é santo e majestoso; Ele transcende tudo o que está na terra. Mas Ele também é uma pessoa e é amável. A primeira linha desse modelo de oração representa uma afirmação de louvor e um compromisso de honrar o santo nome de Deus. Os cristãos, que trazem o santo nome de Cristo, devem ser responsáveis por honrá-lo em todos os aspectos das suas vidas. Quando oramos para que o nome de Deus seja santificado, estamos orando para que o mundo honre o Seu precioso Nome, e aguardamos a volta de Cristo – a ocasião em que isso se tornará realidade.

6.10 O desejo, Venha o teu Reino se refere ao reinado espiritual de Deus, e não à libertação de Israel do domínio de Roma.

Deus anunciou o seu Reino no pacto com Abraão (8.11; Lc 13.28) e os judeus religiosos ainda estavam esperando por ele.

Os seguidores de Jesus reconhecem que o Reino começou com sua chegada na terra.

Os leitores de Mateus entenderam que o Reino deve estar presente no coração dos crentes, porque é lá que Cristo reina (Lc 17.21). Aguardar a vinda do reino de Deus é orar para que mais e mais pessoas façam parte dele. Essa oração também reafirma a crença de que Deus irá estabelecer o novo céu e a nova terra, e que a sua glória será conhecida por todas as nações (SI 110.1)

Orar dizendo seja feita a sua vontade não implica resignação ao destino, mas esta é uma oração para que o perfeito propósito de Deus seja realizado no mundo (na terra) da mesma forma como é realizado no céu.

Os versículo 11 e 12 são pedidos a favor de necessidades pessoais. Devemos confiar que Deus proverá, diariamente, aquilo que Ele sabe que precisamos. A palavra hoje sugere que não devemos nos preocupar com aquilo que Deus já sabe que precisamos (6.8). Os crentes devem confiar em Deus, que Ele concederá a cada um à Sua provisão, e não devem se preocupar. O fato de Deus nos dar o alimento cotidiano, não nega a responsabilidade que as pessoas têm de trabalhar. Na verdade, a atitude de orarmos deste modo é o reconhecimento de que Deus é Sustentador e Provedor.

“Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores”.

Um crente que compreende a grandeza do perdão que recebeu pode, sinceramente, estender esse perdão aos outros pelas ofensas que tenham feito. O outro aspecto desse versículo revela o egoísmo de uma pessoa que procura o perdão de Deus, mas que se recusa a perdoar os outros. Jesus explica isso melhor em 6.14,15.

A palavra grega traduzida como tentação não significa “atração para fazer o mal”, mas um “teste”. Às vezes, Deus permite que seu povo seja “testado” pela tentação. Mas esse teste sempre tem um propósito: Deus está sempre trabalhando para aperfeiçoar seu povo, ensiná-lo a depender dele, e fortalecer seu caráter para torná-lo mais parecido consigo. A maneira como o faz, é diferente na vida de cada pessoa. A oração, então, é para não cedermos à tentação.

Jesus queria que seus seguidores confiassem em Deus durante os momentos de provação, e que orassem para que Ele os livrasse do maligno e das suas artimanhas.

Todo cristão luta contra a tentação, e os crentes que oram utilizando estas palavras entendem sua natureza pecadora, e a sua necessidade de depender de Deus diante da tentação.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 47-48.

 

 

O conteúdo da oração — as petições da oração em relação a nós (6.11-15)

Depois de rogarmos para que o nome de Deus seja santificado, que seu reino venha e que sua vontade seja feita, Jesus passa a ensinar-nos a rogar ao Pai por nós mesmos. Mais uma vez, ele destaca três áreas, que comentamos a seguir.

Em primeiro lugar, em relação ao presente, devemos pedir o suprimento de nossas necessidades (6.11). Devemos pedir não luxo, mas pão. Pedir não egoisticamente, mas pedir o pão nosso. Pedir pão não para o acumularmos, mas o pão de cada dia. Spurgeon diz que não pedimos o pão que pertence a outros, mas somente para o que é honestamente o nosso próprio alimento. A palavra “pão” aqui deve ser entendida como símbolo de todas as nossas necessidades físicas e materiais. Deus nos criou pelo seu poder, nos redimiu por sua graça e nos sustenta por sua providência.

Em segundo lugar, em relação ao passado, devemos pedir o perdão das nossas dívidas (6.12). Temos dívidas impagáveis com Deus e não podemos saldá-las. Nossas dívidas são os nossos pecados. Precisamos não só de pão para o nosso corpo, mas também e, sobretudo, de perdão para a nossa alma.

Riqueza material sem perdão espiritual é consumada miséria.

Esse é o único item da oração que Jesus amplia (6.14,15), mostrando que o perdão divino a nós está condicionado ao perdão que concedemos ao próximo. O perdão vertical só acontece quando o horizontal é uma realidade.

Em terceiro lugar, em relação ao futuro, devemos pedir livramento da tentação (6.13a). A tentação em si não é pecaminosa, mas, se cairmos em tentação, pecamos contra Deus, contra o nosso próximo e contra nós mesmos. Precisamos, portanto, rogar a Deus para nos livrar do mal, ou seja, do maligno.

Nossas tentações procedem do nosso coração corrupto e do tentador maligno. Precisamos nos acautelar.

O propósito da oração (6.13b)

Jesus conclui a oração como começou, com Deus.

Devemos reconhecer três verdades gloriosas, como vemos a seguir.

Em primeiro lugar, a Deus pertence o reino. O reino é do Senhor e do seu Cristo. Esse reino não é político nem geográfico. E o domínio de Deus sobre seus súditos. E o governo universal de Cristo nos corações.

Em segundo lugar, a Deus pertence o poder. Ele tem todo o poder nos céus e sobre a terra. Seu poder é ilimitado. Ele pode tudo quanto quer. Nada lhe é impossível.

Em terceiro lugar, a Deus pertence a glória para sempre. Deus não dá sua glória a ninguém, nem mesmo a divide com ninguém. Ele tem glória em si mesmo, e toda a criação proclama a sua glória. Sua glória está em seu filho e também na igreja.

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 219 – 220.

 

 

 2. Uma Vida de Oração

 

Nos Evangelhos podemos perceber várias ocasiões de oração no ministério de Jesus. Ele orou para escolher seus discípulos (6.12-16), fez uma oração de gratidão por Deus se revelar aos humildes por ocasião do envio dos 70 discípulos (Lc 10.21; Mt 11.25).

Logo, aprendemos, com Jesus, a importância de uma vida de oração, pois mesmo sendo Deus, na condição humana, nosso Senhor buscava comunhão com o Pai por meio da oração. Além disso, sua vida de oração, no Getsêmani, também nos ensina que a vontade do Pai sempre é a melhor (Mt 26.36-46).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Além de ensinar a orar, Jesus foi um exemplo na oração. Mesmo sendo Deus na condição humana, Ele buscou ao Pai em diversas ocasiões.

Ele orou no batismo

“E aconteceu que, como todo o povo se batizava, sendo batizado também Jesus, orando ele, o céu se abriu” (Lc 3.21). Mateus não registra o que Jesus orou, mas “o céu se abriu” com a sua oração.

Isso é um exemplo para nós! Se queremos mesmo ver o céu ser aberto com as bênçãos de Deus sobre nós, então devemos orar sempre.

Ele orou para escolher os seus discípulos

Jesus deu um exemplo maravilhoso sobre como devem ser escolhidos obreiros para a sua obra. Ele tinha um número maior de seguidores, mas resolveu escolher apenas doze para caminharem ao seu lado, no maior curso de evangelização que houve no mundo.

Para selecioná-los, contudo, não apenas olhou para eles e viu a aparência de cada um, ou o seu grau de instrução, ou mesmo o caráter de cada um; Ele passou uma noite de vigília, orando a Deus: E aconteceu que, naqueles dias, subiu ao monte a orar e passou a noite em oração a Deus. E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles, a quem também deu o nome de apóstolos: Simão, ao qual também chamou Pedro, e André, seu irmão; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu; Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que foi o traidor. (Lc 6.12-16)

Que saibamos orar a Deus, o Senhor, quando tivermos que escolher alguém para realizar a sua obra em nosso ministério.

Ele orou grato a Deus por revelar-se aos humildes Depois que enviou os setenta discípulos “de dois em dois, a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir”, eles trouxeram com muita alegria um relatório maravilhoso do que o Senhor operara por meio deles no nome de Jesus. Jesus fez-lhes saber que eles foram bem-sucedidos, porque os guardou, pois lhes declarou que vira “Satanás, como um raio, cair do céu”, e que se alegrassem muito mais por estarem os seus nomes escritos nos céus:

Naquela mesma hora, se alegrou Jesus no Espírito Santo e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste essas coisas aos sábios e inteligentes e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve. (Lc 10.21; Mt 11.25)

Temos uma grande verdade revelada por Cristo nessa oração.

Deus não revela as suas verdades e nem os seus mistérios a pessoas que se julgam grandes, orgulhosas ou presunçosas, “a pessoas que se julgam grandes”, “aos sábios e inteligentes”, segundo o mundo, mas revela-as “às criancinhas”, “aos pequeninos” (Mt 11.25), ou seja: Deus quer trabalhar com os humildes, os simples, que não se exaltam a si mesmos.

Jesus orou três vezes no Getsêmani

Antes de ser preso e levado ao Calvário, Jesus foi ao Getsêmani com os seus discípulos:

A primeira oração. Chegando ali, deixou-os e disse: “[…] Assentai-vos aqui, enquanto vou além orar. E, levando consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu, começou a entristecer-se e a angustiar-se muito”. Foi uma oração cheia de tristeza:

Então, lhes disse: A minha alma está cheia de tristeza até à morte; ficai aqui e vigiai comigo. E, indo um pouco adiante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passa de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres. E, voltando para os seus discípulos, achou-os adormecidos; e disse a Pedro: Então, nem uma hora pudeste vigiar comigo? Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. (Mt 26.36-41 – grifo acrescido)

Nessa oração, Jesus deixou um precioso ensino sobre a atitude que devemos ter quando oramos ao Senhor Deus. Ele pediu ao Pai que, “se possível”, afastasse dEle aquela tribulação, mas concluiu a sua primeira oração, dizendo: “[…] todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. Essa é uma resposta aos que propagam a chamada “confissão positiva” da tal “teologia da prosperidade”, segundo a qual o crente tem o direito de “exigir”, “determinar” e “decretar”, e Deus, por sua vez, tem que atender as suas exigências na oração. Esses pregoeiros triunfalistas precisam voltar ao evangelho e aprender com Jesus a lição do Getsêmani.

A segunda oração. Com a alma cheia de angústia, Jesus foi mais adiante e orou ao Pai:

E, indo segunda vez, orou, dizendo: Meu Pai, se este cálice não pode passar de mim sem eu o beber, faça-se a tua vontade. E, voltando, achou-os outra vez adormecidos, porque os seus olhos estavam carregados. (Mt 26.42,43)

Jesus mais uma vez demonstrou a sua humildade e submissão à vontade do Pai. Ele não decretou e nem determinou que Deus mudasse aquela situação angustiante, mas repetiu: “[…] faça-se a tua vontade”.

A terceira oração. Mais uma vez, voltando do lugar solitário onde fora orar, Jesus encontrou os seus discípulos adormecidos:

E, deixando-os de novo, foi orar pela terceira vez, dizendo as mesmas palavras. Então, chegou junto dos seus discípulos e disse-lhes: Dormi, agora, e repousai; eis que é chegada a hora, e o Filho do Homem será entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos, partamos; eis que é chegado o que me trai. (Mt 26.44-46 – grifo acrescido)

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

A Oração na Vida e no Ministério de Jesus

Ao estudarmos sobre a prática da oração na vida e no ministério de Jesus, devemos primeiramente atentar para sua natureza única. O Senhor Jesus Cristo é tanto divino quanto humano. Ele é tanto o Filho de Deus quando o Filho do Homem, o que, de imediato, suscita quatro perguntas:

A quem o Senhor Jesus dirigia suas orações?

Já que Jesus é Deus, estaria Deus orando a Deus?

Sendo Deus, estaria Jesus orando a si mesmo?

Se Jesus é Deus, por que precisou orar?

A quem o Senhor Jesus dirigia suas orações?

O registro é claríssimo. Por dezoito vezes os Evangelhos nos dão conta de que Jesus dirigiu suas orações ao Pai celestial. Em cinco delas, Ele incluiu um termo ou expressão descritiva a respeito desse Pai. É sempre a Ele que Jesus ora. Não há o menor indício de qualquer outro ser a quem suas orações fossem dirigidas: “Ó Pai, senhor do céu e da terra” (Mt 11.25; Lc 10.21); “Meu Pai” (Mt 26.39,42); “Aba, Pai” (Mc 14.36); “Pai santo” (Jo 17.11); “Pai justo” (Jo 17.25) e “Pai” (Mt 11.26; Lc 10.21; 11.2; 22.42; 23.34,46; Jo 12.27,28; 17.1,5,21,24). Atendendo à petição dos discípulos, que queriam saber como orar, Jesus os instruiu a começar do seguinte modo: “Pai nosso” (Mt 6.9). Quando disse “Meu Pai”, Jesus não estava falando consigo mesmo nem se dirigindo a outra entidade se não aquEle a quem seus lábios evocara.

Numa única ocasião, Jesus não se refere ao Pai em sua oração:

“Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46).

Entretanto, essa foi a maneira que Ele achou de fazer suas as palavras do Salmo 22, adequadas à expressão de seus sentimentos sobre a cruz (SI 22.1,7,8,14-17).

J á que Jesus é Deus, estaria Deus orando a Deus?

A resposta a esta segunda pergunta não é tão simples como a anterior, pois entra no terreno de uma teologia bastante profunda. O fato de que Jesus é Deus está fortemente estabelecido nas Escrituras (Mt 1.23; Jo 20.28; Hb 1.8). Quando se revestiu da natureza humana, Ele deixou de lado a sua glória, mas não a sua deidade (Fp 2.5-7).

Em sua identificação conosco, quando se fez homem, Ele continuou a ser plenamente Deus tanto quanto era plenamente homem. Ele não se opôs a aceitar os limites próprios de um corpo físico.

Consequentemente, Ele usou a voz para se comunicar com o Pai.

Ninguém pode negar que há uma evidente comunhão dentro da Deidade (Gn 1.26). A natureza dessa comunhão por certo está acima da compreensão humana, mas sua essência pode ser percebida, pelo menos em parte, nas orações registradas de Jesus ao Pai.

Sendo Deus, estaria Jesus orando a si mesmo?

Embora às vezes o ser humano fale consigo mesmo, como no Salmo 42.11, ninguém duvida que orar a si mesmo é um absurdo.

Como Filho de Deus, Jesus é verdadeiramente Deus, mas também é a segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Não, Jesus não estava orando a si mesmo, pois cada Pessoa divina é distinta. Por conseguinte, Deus Filho estava orando a Deus Pai.

Se Jesus é Deus, por que precisou orar?

Embora seja Deus, enquanto esteve aqui na Terra Jesus não era somente Deus — era o Deus-Homem. Na posição de Deus, Ele não precisava orar (exceto para manter aquela comunhão e companheirismo próprios da Deidade, como já mencionamos). Mas, na qualidade de homem, estando revestido de um corpo humano, sendo descendente legítimo de Abraão (Fp 2.7; Mt 1.1), a oração era tão essencial a Ele como o fora a Abraão e seus descendentes.

Cerca de quinze séculos antes do início do ministério de Jesus na Terra, Moisés anunciou: “O senhor, teu Deus, te despertará um profeta do meio de ti, de teus irmãos, como eu; a ele ouvireis” (Dt 18.15). Os pontos de semelhança entre Jesus e Moisés são numerosos e notáveis. Por exemplo, na infância, ambos foram miraculosamente poupados da ira de um monarca que estava no poder; ambos tornaram-se salvadores de seu povo; e ambos foram descritos como humildes (Nm 12.3; Mt 11.29). Embora não possamos destacar aqui todos os pontos de similaridade entre os dois, queremos observar a óbvia semelhança na vida de oração que ambos cultivavam. Conforme foi dito no capítulo 2, a vida inteira de Moisés foi governada pela oração e nela baseada. Assim também Jesus. A oração destacou-se em cada aspecto e fase de sua vida e ministério. A Bíblia cita numerosos exemplos de oração durante o curto período de três anos e meio do ministério de Jesus. Há evidências de que a oração era a própria respiração da vida de Jesus, tal como acontecia com Moisés. Jesus vivia uma vida disciplinada.

Os Evangelhos registram determinados hábitos que Ele fazia questão de cultivar. Um deles era frequentar regularmente a sinagoga aos sábados, o que, naturalmente, incluía um período de oração (Mt 21.13; Lc 4.16). Não é errado pensar que Jesus tenha ido diariamente à sinagoga ou ao Templo — dependendo do lugar onde Ele estivesse — para dedicar-se à oração.

Além disso, dando apoio à ideia da constância de Jesus na oração, temos sua declaração direta, feita aos discípulos, de que os crentes têm “o dever de orar sempre e nunca desfalecer” (Lc 18.1).

Outrossim, já bem no início de seu ministério, a Bíblia mostra a dedicação e a importância, de Jesus à oração. “E, levantando-se de manhã muito cedo, fazendo ainda escuro, saiu, e foi para um lugar deserto, e ali orava” (Mc 1.35). Outras referências indicam que essa era uma disciplina contínua (Mt 14.23; Mc 6.46; Lc 5.16; 9-18,28).

Além disso, em situações de extrema significância, a oração desempenhava um papel particularmente importante em seu ministério.

Robert L. Brandt e Zenas J. Bicket. Teologia Bíblica da Oração. Editora CPAD. pag. 165-167.

 

 

A oração é uma comunicação multifacetada entre os crentes e o Senhor. Além de palavras como “oração” e “orar”, essa atividade é descrita como invocar a Deus (Sl 17.6). Invocar o nome do Senhor (Gn 4.26), clamar ao Senhor (Sl 3.4), levantar nossa alma ao Senhor (Sl 25.1), buscar ao Senhor (Is 55.6), aproximar-se do trono da graça com confiança (Hb 4.16) e chegar perto de Deus (Hb 10.22). MOTIVOS PARA A ORAÇÃO. A Bíblia apresenta motivos claros para o povo de Deus orar.

(1) Antes de tudo, Deus ordena que o crente ore. O mandamento para orarmos vem através dos salmistas (1Cr 16.11; Sl 105.4), dos profetas (Is 55.6; Am 5.4,6), dos apóstolos (Ef 6.17,18; Cl 4.2; 1Ts 5.17) e do próprio Senhor Jesus (Mt 26.41; Lc 18.1; Jo 16.24). Deus aspira a comunhão conosco; mediante a oração, mantemos o nosso relacionamento com Ele.

(2) A oração é o elo de ligação que carecemos para recebermos as bênçãos de Deus, o seu poder e o cumprimento das suas promessas. Numerosas passagens bíblicas ilustram esse princípio. Jesus, por exemplo, prometeu aos seus seguidores que receberiam o Espírito Santo se perseverassem em pedir, buscar e bater à porta do seu Pai celestial (Lc 11.5-13). Por isso, depois da ascensão de Jesus, seus seguidores reunidos permaneceram em constante oração no cenáculo (At 1.14) até o Espírito Santo ser derramado com poder (At 1.8) no dia de Pentecostes (At 2.1-4). Quando os apóstolos se reuniram após serem libertos da prisão pelas autoridades judaicas, oraram fervorosamente para o Espírito Santo lhes conceder ousadia e autoridade divina para falarem a palavra dEle. “E, tendo eles orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (At 4.31). O apóstolo Paulo frequentemente pedia oração em seu próprio favor, sabendo que a sua obra não prosperaria se os crentes não orassem por ele (Rm 15.30-32; 2Co 1.11; Ef 6.18, 20; Fp 1.19; Cl 4.3,4).

Tiago declara inequivocamente que o crente pode receber a cura física em resposta à “oração da fé” (Tg 5.14,15).

(3) Deus, no seu plano de salvação da humanidade, estabeleceu que os crentes sejam seus cooperadores no processo da redenção. Em certo sentido, Deus se limita às orações santas, de fé e incessantes do seu povo. Muitas coisas não serão realizadas no reino de Deus se não houver oração intercessória dos crentes. Por exemplo: Deus quer enviar obreiros para evangelizar. Cristo ensina que tal obra não será levada a efeito dentro da plenitude do propósito de Deus sem as orações do seu povo: “Rogai, pois, ao Senhor da seara que mande ceifeiros para a sua seara” (Mt 9.38). Noutras palavras, o poder de Deus para cumprir muitos dos seus propósitos é liberado somente através das orações contritas do seu povo em favor do seu reino. Se não orarmos, poderemos até mesmo estorvar a execução do propósito divino da redenção, tanto para nós mesmos, como indivíduos, quanto para a igreja coletivamente.

REQUISITOS DA ORAÇÃO EFICAZ. Nossa oração para ser eficaz precisa satisfazer certos requisitos.

(1) Nossas orações não serão atendidas se não tivermos fé genuína, verdadeira. Jesus declarou abertamente: “Tudo o que pedirdes, orando, crede que o recebereis e tê-lo-eis” (Mc 11.24). Ao pai de um menino endemoninhado, Ele falou assim: “Tudo é possível ao que crê” (Mc 9.23). O autor de Hebreus admoesta-nos assim: “Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé” (Hb 10.22), e Tiago encoraja-nos a pedir com fé, não duvidando (Tg 1.6; cf. 5.15).

(2) Além disso, a oração deve ser feita em nome de Jesus. O próprio Jesus expressou esse princípio ao dizer: “E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.

Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei” (Jo 14.13,14). Nossas orações devem ser feitas em harmonia com a pessoa, caráter e vontade de nosso Senhor.

(3) A oração só poderá ser eficaz se feita segundo a perfeita vontade de Deus. “E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. Uma das petições da oração modelo de Jesus, o Pai Nosso, confirma esse fato: “Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6.10; Lc 11.2; note a oração do próprio Jesus no Getsêmani, Mt 26.42). Em muitos casos, sabemos qual é a vontade de Deus, porque Ele no-la revelou na Bíblia. Podemos ter certeza que será eficaz toda oração realmente baseada nas promessas de Deus constantes da sua Palavra. Elias tinha certeza de que o Deus de Israel atenderia a sua oração por meio do fogo e, posteriormente, da chuva, porque recebera a palavra profética do Senhor (18.1) e estava plenamente seguro de que nenhum deus pagão era maior do que o Senhor Deus de Israel, nem mais poderoso (18.21-24).

(4) Não somente devemos orar segundo a vontade de Deus, mas também devemos estar dentro da vontade de Deus, para que Ele nos ouça e atenda. Deus nos dará as coisas que pedimos, somente se buscarmos em primeiro lugar o seu reino e sua justiça. O apóstolo João declara que “qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que é agradável à sua vista”. Obedecer aos mandamentos de Deus, amá-lo e agradá-lo são condições prévias indispensáveis para termos resposta às orações. Tiago ao escrever que a oração do justo é eficaz, refere-se tanto à pessoa que foi justificada pela fé em Cristo, quanto à pessoa que está a viver uma vida reta, obediente e temente a Deus — tal qual o profeta Elias (Tg 5.16-18; Sl 34.13,14). O AT acentua este mesmo ensino. Deus tornou claro que as orações de Moisés pelos israelitas eram eficazes por causa do seu relacionamento obediente com o Senhor e da sua lealdade a Ele (ver Êx 33.17 nota). Por outro lado, o salmista declara que se abrigarmos o pecado em nossa vida, o Senhor não atenderá as nossas orações (Sl 66.18; ver Tg 4.5 nota). Eis a razão principal por que o Senhor não atendia as orações dos israelitas idólatras e ímpios (Is 1.15). Mas se o povo de Deus arrepender-se e voltar-se dos seus caminhos ímpios, o Senhor promete voltar a atendê-lo, perdoar seus pecados e sarar a sua terra (2Cr 7.14; cf. 6.36-39; Lc 18.14). Note que a oração do sumo sacerdote pelo perdão dos pecados dos israelitas no Dia da Expiação não seria atendida se antes o seu próprio estado pecaminoso não fosse purificado (ver Êx

26.33 nota; ver o estudo O DIA DA EXPIAÇÃO).

(5) Finalmente, para uma oração eficaz, precisamos ser perseverantes. É essa a lição principal da parábola da viúva importuna (Lc 18.1-7; ver 18.1 nota). A instrução de Jesus: “Pedi… buscai… batei”, ensina a perseverança na oração (ver Mt 7.7,8 nota). O apóstolo Paulo também nos exorta à perseverança na oração (Cl 4.2 nota; 1Ts 5.17 nota). Os santos do AT também reconheciam esse princípio. Por exemplo, foi somente enquanto Moisés perseverava em oração com suas mãos erguidas a Deus, que os israelitas venciam na batalha contra os amalequitas (ver Êx 17.11 nota).

Depois de Elias receber a palavra profética de que ia chover, ele continuou em oração até a chuva começar a cair (18.41-45). Numa ocasião anterior, esse grande profeta orou com insistência e fervor, para Deus devolver a vida ao filho morto da viúva de Sarepta, até que sua oração foi atendida (17.17-23).PRINCÍPIOS E MÉTODOS BÍBLICOS DA ORAÇÃO EFICAZ.

(1) Quais são os princípios da oração eficaz? (a) Para orarmos com eficácia, devemos louvar e adorar a Deus com sinceridade (Sl 150; At 2.47; Rm 15.11; ver o estudo O LOUVOR A DEUS. (b) Intimamente ligada ao louvor, e de igual importância, vem a ação de graças a Deus (Sl 100.4; Mt 11.25,26; Fp 4.6). (c) A confissão sincera de pecados conhecidos é vital à oração da fé (Tg 5.15,16; Sl 51; Lc 18.13; 1Jo 1.9). (d) Deus também nos ensina a pedir de acordo com as nossas necessidades, segundo está escrito em Tiago: deixamos de receber as coisas de que precisamos, ou porque não pedimos, ou porque pedimos com motivos injustos (Tg 4.2,3; Sl 27.7-12; Mt 7.7-11; Fp 4.6). (e) Devemos orar de coração pelos outros, especialmente oração intercessória (Nm 14.13-19; Sl 122.6-9; Lc 22.31,32; 23.34; ver o estudo A INTERCESSÃO).

(2) Como devemos orar? Jesus acentua a sinceridade do nosso coração, pois não somos atendidos na oração simplesmente pelo nosso falar de modo vazio (Mt 6.7). Podemos orar em silêncio (1Sm 1.13) ou em voz alta (Ne 9.4; Ez 11.13). Podemos orar com nossas próprias palavras, ou usando palavras diretas das Escrituras. Podemos orar com a nossa mente, ou podemos orar através do Espírito (i.e., em línguas, 1Co 14.14-18). Podemos até mesmo orar através de gemidos, i.e., sem usar qualquer palavra humana (Rm 8.26), sabendo que o Espírito levará a Deus esses pedidos inaudíveis. Ainda outro método de orar é cantar ao Senhor (Sl 92.1,2; Ef 5.19,20; Cl 3.16). A oração profunda ao Senhor será, às vezes, acompanhada de jejum (Ed 8.21; Ne 1.4; Dn 9.3,4; Lc 2.37; At 14.23; ver Mt 6.16 nota).

(3) Qual a posição apropriada, do corpo, na oração? A Bíblia menciona pessoas orando em pé (8.22; Ne 9.4,5), sentadas (1Cr 17.16; Lc 10.13), ajoelhadas (Ed 9.5; Dn 6.10; At 20.36), acamadas (Sl 63.6), curvadas até o chão (Êx 34.8; Sl 95.6), prostradas no chão (2Sm 12.16; Mt 26.39) e de mãos levantadas aos céus (Sl 28.2; Is 1.15; 1Tm 2.8).

Stamps, Donald C,. Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD. pag. 555-557.

 

 

SINOPSE II

A oração teve um papel importante no ministério terreno de Jesus.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

 SE JESUS É DEUS, POR QUE PRECISOU ORAR?

“Embora seja Deus, enquanto esteve aqui na Terra Jesus não era somente Deus — era o Deus-Homem. Na posição de Deus, Ele não precisava orar (exceto para manter aquela comunhão e companheirismo próprios da Deidade). Mas, na qualidade de homem, estando revestido de um corpo humano, sendo descendente legítimo de Abraão, a oração era tão essencial a Ele como fora a Abraão e seus descendentes.

A oração destacou-se em cada aspecto e fase da vida e ministério de Jesus. A Bíblia cita numerosos exemplos de oração durante o curto período de três anos e meio do ministério de Jesus. Há evidências de que a oração era a própria respiração da vida de Jesus. O Salvador vivia uma vida disciplinada. Os Evangelhos registram determinados hábitos que Ele fazia questão de cultivar. Um deles era frequentar regularmente a sinagoga aos sábados, o que, naturalmente, incluía um período de oração.

Não é errado pensar que Jesus tinha ido diariamente à sinagoga ou ao Templo — dependendo do lugar onde Ele estivesse — para dedicar-se à oração.

Além disso, dando apoio à ideia da constância de Jesus na oração, temos sua declaração direta, feita aos discípulos, de que os crentes têm ‘o dever de orar sempre e nunca desfalecer’ (Lc 8.1)” (BRANDT, Robert L.; BICKET, Zenas J. Teologia Bíblica da Oração: O Espírito nos Ajuda a Orar. Rio de Janeiro: CPAD, p. 166).

 

 

III – UMA VIDA NA UNÇÃO DO ESPÍRITO SANTO

 

Com unção nos referimos a uma vida de serviço sob a confirmação do Espírito Santo, a semelhança da atuação do Espírito no ministério de Jesus (Lc 4.8).

 1. A Unção do Espirito na Vida do Obreiro.

 

O obreiro tem muitas atribuições na obra do Senhor. Ele exerce a liderança administrativa, a atividade do ensino e alguns, até mesmo, da música cristã. Por isso, é muito fácil essas atividades caírem na rotina e se tornarem meramente burocráticas. Mas o obreiro ungido sabe que o Espírito Santo renova as suas forças, não permite que veja a obra do Senhor com mero olhar humano e, de maneira graciosa, vê a confirmação do seu ministério quando o Senhor salva vidas por meio de uma pregação ungida, quando crentes mudam atitudes por causa de um ensino dirigido pelo Espírito, quando há edificação espiritual por meio de um louvor bem executado na presença de Deus (1Co 14.26).

Mas todo esse bem do Senhor, inevitavelmente, é acompanhado de uma vida piedosa. Por isso, o obreiro do Senhor não deve negligenciar a oração, o jejum e o estudo devocional da Palavra de Deus (1Tm 4.7). Esses exercícios piedosos são o alimento espiritual diário e permanente de todo obreiro avivado na obra do Senhor.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Nenhum ministério vinculado à Igreja do Senhor Jesus pode ser bem-sucedido se os que nele são envolvidos não tiverem uma vida na unção do Espírito Santo. Como já fizemos alusão, a maior falha da Reforma Protestante (século XVI), com Martinho Lutero, João Calvino, Ulrico Zuínglio e outros reformadores, foi não dar o devido valor à unção e à ação do Espírito Santo. Faltou o Solus Spiritus.

Houve grandes avivamentos na Europa, mas depois se desvaneceram porque lhes faltava a marca da unção do Espírito Santo.

Todos os grandes avivamentos, como visto nos capítulos 2 e 3 sobre o Avivamento no Antigo e no Novo Testamentos, começaram com algumas características fundamentais e indispensáveis.

Primeiro, sob a fundamentação na Palavra de Deus; segundo, com muita oração e com a unção do Espírito Santo. Assim foi no ministério de Jesus e no dos seus apóstolos, que continuaram a missão que lhes foi confiada, bem como em grandes movimentos avivados nos séculos passados.

Nos dias de hoje, na maior parte do mundo, como dissemos, parece que uma “frente fria espiritual tem caído sobre o mundo”, inclusive sobre países e nações que já experimentaram a manifestação do poder de Deus. Que o Senhor nos abençoe e nos guarde! E que possamos ver o cumprimento da promessa de Deus de derramar o seu Espírito de forma abundante:

Porque derramarei água sobre o sedento e rios, sobre a terra seca; derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade e a minha bênção, sobre os teus descendentes. (Is 44.3) E há de ser que, depois, derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas, naqueles dias, derramarei o meu Espírito. (Jl 2.28,29)

No Pentecostes, quando do derramamento e do batismo no Espírito Santo, diante de pessoas de nada menos de quinze nações, com os sinais evidentes da poderosa manifestação do Espírito Santo, como nunca acontecera, Pedro pôs-se em pé e proclamou o significado daquele maravilhoso acontecimento diante dos que achavam que os discípulos estariam embriagados:

Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos sonharão sonhos; e também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e minhas servas, naqueles dias, e profetizarão; e farei aparecer prodígios em cima no céu e sinais em baixo na terra: sangue, fogo e vapor de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua, em sangue, antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor; e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (At 2.16-21 – grifo acrescido).

“Os últimos dias”, de acordo com a mensagem do Novo Testamento, começaram com a vinda de Jesus ao mundo para revelar o evangelho da Salvação e só terminarão quando da sua segunda vinda para pôr fim à Grande Tribulação, libertar Israel da destruição pelos seus inimigos e implantar o seu reino milenial.

Antes disso, os últimos dias trarão juízo divino sobre todo o principado do mal, sobre os demônios e o seu líder. Será o “[…] dia da ira e da manifestação do juízo de Deus, o qual recompensará cada um segundo as suas obras” (Rm 2.5,6). Tudo isso acontecerá “antes de chegar o grande e glorioso Dia do Senhor”. A primeira parte dos “últimos dias” é plena de bênçãos e maravilhas da parte de Deus. A segunda parte, porém, será de juízo sobre toda impiedade e sobre todos que fazem rebelião contra Deus, Cristo, a sua Palavra e a sua Igreja.

Renovato. Elinaldo,. Aviva a Tua Obra. O chamado das Escrituras ao quebrantamento e ao poder de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023.

 

 

Quando a Igreja nasceu, no Dia de Pentecostes, Deus começou a chamar “pastores” para apascentar os rebanhos de fiéis que se levantariam ao redor do mundo. Os pastores devem ser responsáveis pelo cuidado, direção e ensinamentos que uma congregação recebe. Eles são dons para a igreja (Ef 4.11), líderes necessários que devem ter vidas exemplares. Seu chamado ao ministério é de procedência divina (At 20.28); seu exemplo é Jesus Cristo, e o poder para fazerem esta incrível obra vem do Espírito Santo.

Julgo que os pastores têm de ser pentecostais p a ra que apascentem igrejas também pentecostais. Essa é ordem de Deus. Visto que vivemos num dos tempos mais complicados e plenos de avanços tecnológicos que este mundo jama is viu, é crucial que os líderes da Igreja do Senhor sejam não só cheios mas também guiados pelo Espírito Santo. As pessoas são complexas; suas dificuldades e problemas, também. Somente Deus pode capacitar-nos a entendê-las e ajudá-las. A medida que os pastores empenham-se em auxiliar os que se acham nas garras do alcoolismo, das drogas, do divórcio e de outras incontáveis tragédias, precisam urgentemente de poder e discernimento do Espírito para ministrar. Os métodos para se alcançar as pessoas mudam; entretanto, nossa mensagem não pode mudar. A mensagem pentecostal, os dons do Espírito Santo e a pregação do Evangelho com sinais e maravilhas são absolutamente importantes para o século XXI.

Como pastores, precisamos tão-somente do poder do Espírito Santo para guiar-nos em qualquer esforço que vise libertar e dar direção às pessoas. Há duas razões para isso. A primeira é que, nesta altura da história, as pessoas enfrentam necessidades críticas. As vicissitudes nos lares e os males da sociedade são talvez maiores do que os de qualquer outra geração.

Paralelo a isso está a necessidade de a Igreja Pentecostal satisfazer as atuais demandas e exigências sem, todavia, comprometer a mensagem que lhe confiou o Senhor. Estamos envolvidos nas urgências sociais, mas nossa mensagem não deve tornar-se um evangelho social. Esta geração não pode diluir a mensagem que nos foi entregue. Se a igreja pôr em risco suas características pentecostais, frustrará o propósito pelo qual Deus a levantou.

Quando a Escritura diz: “As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam” (1 Co 2.9), Deus está falando com a igreja. Precisamos buscar a Deus para saber o que Ele tem reservado para nós e para os nossos ministérios. A credito que não temos começado sequer a arranhar a superfície desse desafio. Não devemos nos descuidar, pensando que só porque somos pentecostais já temos experimentado tudo o que Deus tem.

Muitas coisas tem Ele para nós, as quais iremos descobrindo à medida que porfiarmos por andar no Espírito. É minha oração que você se já continuamente cheio com o Espírito Santo, e experimente tudo o que Deus lhe tem reservado.

Raymond Carlson -Thomas E .Trask – Loren Triplett – Dick Eastman -Tommy Barnett Charles T. Crabtree – John Bueno – Zenas J. Bicket – Nancie Carmichael. Manual Pastor Pentecostal Teologia e Práticas Pastorais. 3 Ed. 2005. pag. 7.

 

 

 2. A Unção do Espirito na Vida do Crente.

 

Viver uma vida na unção do Espírito não é privilégio apenas dos que exercem vocação ministerial na igreja local. A Palavra de Deus diz que nós somos “o sacerdócio real”, chamados para anunciar “as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9).

Mais precisamente, Deus chamou cada crente a comunicar o Evangelho em todos os lugares em que seus pés tocarem (Mt 28.19; Ef 6.15). Mas para isso, a nossa vida deve estar debaixo da unção do Espírito (Mt 25.4). Então, exerceremos influência poderosa em nossa família, na faculdade, no local de trabalho ou em quaisquer esferas da sociedade. Assim, seremos testemunhas poderosas de Jesus sob a unção do Espírito Santo (Jo 14.26). 

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Que contraste (1 Pe 2.9) com os crentes! Mais uma vez Pedro enfatiza nossa posição privilegiada. Fazemos parte de uma geração escolhida, de um sacerdócio real (corpo de reis que exercem o ofício sacerdotal), de uma nação santa (incluindo judeus e gentios, Ef 2.12-20), e de um povo feito propriedade particular de Deus.

Tais expressões (1 Pe 2.9) faziam parte da promessa feita por Deus a Israel no Sinai. Se tivessem ouvido sua voz e guardado sua aliança, estas coisas seriam verdades para eles (Êx 19.5,6). Mas, devido a sua desobediência, estas relações e ministérios nunca chegaram a ser cumpridos na íntegra. Fez-se necessária a Nova Aliança para conduzir judeus e gentios a um novo corpo. Sob a Lei, somente algumas pessoas eram separadas como sacerdotes. A massa do povo, que não era descendente de Arão, não tomava parte no ministério do templo.

Mas sob a graça, todos os crentes fazem parte do sacerdócio.

O cristão não precisa de ninguém, somente de Jesus, para lhe dar acesso ao Santo dos santos, à presença de Deus (Hb 10.19,20).

Ao entrarmos de posse dos privilégios sacerdotais, proclamamos os louvores daquEle que nos tirou do reino das trevas à sua maravilhosa luz, revelada em Cristo e comunicada a nós, e através de nós por Ele (Is 9.2; 60.1; Jo 8.12; 9.5; 12.35,36).

HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico I e II Pedro. A razão da nossa fé. Editora CPAD. pag. 30-31.

 

 

A nossa identidade espiritual é clara (2.9a)

Em contraste com os descrentes que rejeitaram a Cristo e nele tropeçaram, nós, povo de Deus, somos identificados por Pedro como um povo escolhido por Deus para a salvação e também para uma missão especial no mundo. Vejamos.

Em primeiro lugar, nós somos raça eleita. Vós, porém, sois raça eleita… (2.9). Pedro toma emprestada a profecia de Isaías: … ao meu povo, ao meu escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor (Is 43.20b,21). Pedro vê os crentes como o corpo de Cristo, a igreja. Assim como Deus escolheu Israel dentre as nações para ser seu povo exclusivo, escolheu pessoas de entre todas as nações para formar sua igreja. Somos uma raça escolhida por Deus dentre todos os povos da terra. Mueller diz que os cristãos formam uma nova raça, diferente tanto de judeus como de gentios.

O Senhor não escolheu Israel porque era um grande povo, mas porque o amava (Dt 7.7,8). Assim também, Deus nos escolheu com base em seu amor e em sua graça. Jesus foi categórico: Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros (Jo 15.16).

Em segundo lugar, nós somos sacerdócio real. … sacerdócio real… (2.9). Somos não apenas sacerdotes na casa de Deus, mas sacerdócio real, porque servimos ao Rei dos reis e porque esse serviço é realizado em prol do reino de Deus. O adjetivo descritivo real dá a entender a existência de um reino e de um rei. O Messias é tanto sacerdote quanto rei, conforme a profecia de Zacarias: Será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono (Zc 6.13). Warren Wiersbe observa corretamente que, no tempo do Antigo Testamento, o povo de Deus possuía um sacerdócio, mas agora é um sacerdócio. Todo cristão tem o privilégio de entrar na presença de Deus (Hb 10.19-25). Ninguém se achega a Deus por meio de alguma pessoa aqui na terra, mas pelo único mediador, Jesus Cristo (lTm 2.5).

Em terceiro lugar, nós somos nação santa…. nação santa… (2.9). Pedro retrata o povo de Deus como uma nação santa, o que significa que seus cidadãos foram separados para servir a Deus. Deus nos escolheu para a salvação mediante a santificação e para a santificação. Deus nos salvou do pecado, e não no pecado.

Em quarto lugar, nós somos povo de propriedade exclusiva de Deus. … povo de propriedade exclusiva de Deus… (2.9).

Ao longo dos séculos, Deus tem tomado para si o seu próprio povo. Esse povo, diferente de todas as nações do mundo, é um bem precioso para Deus, a herança de Deus. Existe independentemente de laços nacionais, pois tem um relacionamento especial com Deus. Ele pertence a Deus, que o comprou com o sangue de Jesus Cristo. Holmer tem razão em dizer que “nenhuma outra pessoa pode reclamar direitos de posse sobre o povo, senão unicamente Deus”.158 Assim como Deus não divide sua glória com ninguém, também não nos reparte com ninguém. Somos dele, só dele. O nosso valor não é devido a quem nós somos, mas a quem Deus é. O valor não está na pessoa possuída, mas no possuidor. A grandeza do cristão está no fato de pertencer a Deus. Porque somos propriedade exclusiva de Deus, temos valor infinito!

LOPES. Hernandes Dias. 1 Pedro Com os pés no vale e o coração no céu. Editora Hagnos. pag. 73-75.

 

 

SINOPSE III

 

Jesus teve uma vida de serviço sob a confirmação do Espírito Santo.

 

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição, vimos que o Senhor Jesus teve um ministério avivado porque foi ungido pelo Espírito Santo. Ora, se o Senhor Jesus, sendo Deus, foi ungido pelo Espírito Santo para desenvolver o seu ministério, por que conosco seria diferente? Vivamos, pois, uma vida de serviços na causa do Mestre, de modo que o Espírito Santo confirme a nossa vocação.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

 1. Segundo a lição, qual o papel do Espírito Santo no mistério da encarnação?

O Espírito Santo foi como executor divino no ministério da encarnação: Sob a virtude do Espírito, nosso Senhor se tornou o Emanuel.

 

 2. Cite pelo menos três objetivos no ministério de Jesus ao ser ungido pelo Espírito Santo.

“Para evangelizar os pobres”; “curar os quebrantados do coração’ e apregoar “liberdade aos cativos”.

 

3 . O que a oração do Pai-Nosso revela?

Essa oração revela uma vida humilde e quebrantada diante de Deus.

 

 4. O que o obreiro não deve negligenciar?

Não deve negligenciar a oração, o jejum e o estudo devocional da Palavra de Deus.

 

5. Por que Deus chamou cada crente?

Deus chamou cada crente a comunicar o Evangelho em todos os lugares em que seus pés tocarem.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

 Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

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