4 LIÇÃO 4 TRI 22 QUANDO SE VAI A GLÓRIA DE DEUS

 

4 TRI 22 QUANDO SE VAI A GLÓRIA DE DEUS

4 LIÇÃO 4 TRI 22 QUANDO SE VAI A GLÓRIA DE DEUS

 

TEXTO ÁUREO

 

”E a glória do SENHOR se alçou desde o meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade.” (Ez 11.23)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

Deus abandona o Templo e retira a sua glória por causa das abominações do povo.

 

LEITURA DIÁRIA

 

 

Segunda – Êx 40.34 O Tabernáculo representava a presença de Deus

 

Terça – 2 Cr 7.2,16 Deus escolheu o Templo de Jerusalém para habitar o seu nome

 

Quarta – Êx 33.18-22 A glória de Deus, às vezes, significa a face e a presença de Deus

 

Quinta – Sl 24-7-10 O Deus verdadeiro, revelado nas Escrituras, é o Rei da Glória

 

Sexta – Jo 1.14 A glória de Deus foi revelada no Senhor Jesus

 

Sábado – 1 Co 2.8 Jesus, como Senhor da Glória, é também o Rei da Glória

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

 

Ezequiel 9.3; 10.4,18,19; 11.22-25

 

Ezequiel 9

 

3 – E a glória do Deus de Israel se levantou do querubim sobre o qual estava, até à entrada da casa; e clamou ao homem vestido de linho, que tinha o tinteiro de escrivão à sua conta.

 

Ezequiel 10

 

4 – Então, se levantou a glória do SENHOR de sobre o querubim para a entrada da casa; e encheu-se a casa de uma nuvem, e o átrio se encheu do resplendor da glória do SENHOR.

 

18 – Então, saiu a glória do SENHOR da entrada da casa e parou sobre os querubins.

 

19 – E os querubins alçaram as suas asas e se elevaram da terra aos meus olhos, quando saíram; e as rodas os acompanhavam e pararam à entrada da porta oriental da Casa do SENHOR; e a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles.

 

Ezequiel 11

 

22 – Então, os querubins elevaram as suas asas, e as rodas as acompanhavam; e a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles.

 

23 – E a glória do SENHOR se alçou desde o meio da cidade e se pôs sobre o monte que está ao oriente da cidade.

 

24 – Depois, o Espírito me levantou e me levou em visão à Caldéia, para os do cativeiro; e se foi de mim a visão que eu tinha visto.

 

25 – E falei aos do cativeiro todas as coisas que o SENHOR me tinha mostrado.

 

 

Hinos Sugeridos: 23, 189, 248 Harpa Cristã

 

 

PALNO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

A presença de Deus pode deixar o seu povo? Na lição anterior estudamos a respeito das abominações do Templo, que teve a idolatria como principal ato de rebelião contra o Deus de Israel. A consequência: a glória de Deus deixou o Templo. Essa glória representa a pre­sença divina entre o povo. Então, isso pode acontecer hoje? É possível Deus abandonar o seu povo por causa dos pecados deliberados? Na lição desta semana veremos que sim. É preciso cuidar para que a presença de Deus não se afaste de nossas vidas, pois é muito preciosa. Não podemos viver sem a presença de Deus.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Conceituar· a ”glória” de Deus;

II) Explicar a reti­rada da glória de Deus;

III) Relacionar o segundo Templo com a glória de Deus.

B) Motivação: Não podemos viver sem a presença de Deus. Hoje, ela está representada com a doce habitação do Espírito Santo na sua Igreja. Essa presença envolve poder, santificação e desenvolvimento do fruto do Espírito. Que o ensino deste capítulo de Ezequiel nos motive a valorizar a doce presença do Santo Espírito.

C) Sugestão de Método: Há um livro clássico denominado ”As Sete Leis do Ensino”, editado pela CPAD. O processo de aprendizagem basicamente acontece de acordo com as leis contidas nesta obra. A primeira lei diz respeito ao professor, a Lei do professor: ”O pro­fessor deve saber o que ensina”. Nesse sentido, o professor deve se preparar com rigor para fazer a sua exposição. A aula de um professor dedicado deve apresentar:

1) Autenticidade: Pratique o que você ensina, e ensine que você pratica;

2) Boa interpretação: faça uma interpretação bíblica sadia do texto que fundamenta a lição e exponha com segurança a Palavra de Deus;

3) Organização: Tenha uma visão clara a respeito do que vai ensinar, pois você está conduzindo o aluno por uma jornada. Essa é a primeira lei de sete.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Faça uma revisão da lição de maneira que leve a sua classe a pensar a respeito dos atos e práticas que podem entristecer o Espírito Santo e, como consequência trágica, o seu afastamento.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e sub­sídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto ”A Glória de Deus,, traz uma dimensão mais ampla para a expressão ”A Glória de Deus”; 2) O texto ”Presença e idolatria” aprofunda o segundo tópico enfatizando a pre­sença de Deus e o perigo da idolatria.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

A glória de Deus representava a presença de Javé no Templo. Quando Deus mandou Moisés construir o Tabernáculo, explicou a razão dessa ordem: ”E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25.8). Essa presença não era incondicional, o povo tinha compromissos de acordo com a aliança feita no Sinai, mas esse pacto havia sido violado. O objetivo da presente lição é esclarecer sobre a retirada da glória de Deus do santuário de Jerusalém.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A glória de Deus baixou do céu à terra primeiramente no tabernáculo, no dia de sua dedicação. Depois disso, essa cena se repetiu por ocasião da inauguração do templo de Jerusalém pelo rei Salomão. Ela representava a presença de Javé no templo. Quando Deus mandou Moisés construir o tabernáculo, explicou a razão dessa ordem: “E me farão um santuário, e habitarei no meio deles” (Êx 25.8). Essa presença não era incondicional, o povo tinha compromissos, a aliança feita no Sinai, mas esse pacto havia sido violado. O objetivo da presente lição é esclarecer sobre a retirada da presença do santuário de Jerusalém.

Os capítulos 8 a 11 descrevem a segunda visão de Ezequiel. No capítulo 8, o foco foi a denúncia das abominações que estavam ocorrendo no templo, violando, assim, a santidade de Deus. O capítulo 9 mostra o julgamento divino como resposta a essas abominações, e o 10 evidencia como a glória de Deus aos poucos começar a se deslocar, até que, finalmente, no capítulo 11, ela se retira por completo de Jerusalém.

Essa retirada aconteceu em alguns estágios:

1) a glória se levanta do querubim sobre a arca da aliança (9.3);

2) passa para a entrada do templo (10.4);

3) paira sobre os querubins e, aos poucos, afasta-se completamente do templo (10.18) e

4) por fim, a glória de Deus se põe sobre o monte das Oliveiras (11.23).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag.49-50.

 

 

Um santuário. Ou seja, o tabernáculo (ver a respeito no Dicionário), lugar onde a presença de Deus poderia manifestar-se de modo especial. O termo santuário refere-se a inteira área sagrada fechada, incluindo o átrio. Foram baixadas instruções divinas quanto à sua construção (Êxo. 25.9,40; 26.30; 27.8). Deus foi 0 seu arquiteto. O trecho de I Crô. 28.19 diz-nos que houve algum modelo divino envolvido na estrutura, e que os judeus tolamente imaginaram que havia um tabernáculo paralelo mais elevado, no próprio céu, e que foi copiado do tabernáculo terrestre. Essa ideia, parecida com a dos universais e os particulares de Platão, é ventilada em Heb. 9.23 ss, onde há notas completas no Novo Testamento Interpretado. “A noção de um modelo celestial de templos, objetos de culto e leis é universal no antigo Oriente Próximo” (J. Edgar Parke, in Ioc.). “Assim como a obra de criação precisou de sete dias, e assim como a edificação do segundo templo ocupou sete anos (I Reis 6.38), assim também a ereção do tabernáculo precisou de sete meses (cf. Êxo. 19.1 ss.; 24.18; 34.28; 40.17). A narrativa de Êxo. 39.1-31 divide-se em sete parágrafos, assinalados pela expressão ‘e Yahweh ordenou a Moisés’; 0 que também se vê em Êxo. 40.17-32. O editor arranjou a série de comandos em sete seções (25.1 ss.), cada qual começando com as palavras ׳e Yahweh falo u a Moisés, dizendo’. Algumas das seções, por sua vez, estão subdivididas em sete partes, cada qual começando pelas palavras ‘e farás”. (J. Coert Rylaarsdam, in Ioc.). Assim, o registro escrito foi feito com grande previsão e execução, visto estarem sendo tratadas questões de grande importância.

Para que eu possa habitar no meio deles. Um lugar onde a presença divina pudesse ter comunhão com os homens, na verdade um lugar humilde em comparação com as riquezas do culto do Egito e de outras nações, mas um lugar onde havia reais manifestações da divindade, e não próprias da idolatria. Ver também Êxo. 29.42-46; 40.34-38 quanto à ênfase sobre a habitação entre os homens. Como é claro, isso tipificava a encarnação do Logos (João 1.1,14), a habitação maior e o acesso superior.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 414.

 

 

O versículo 8. Deixe-me fazer um santuário

mikdash, um santo lugar, como Deus poderia habitar; foi que parte do tabernáculo que foi chamado o lugar mais sagrado, no qual o sumo sacerdote entrava apenas uma vez por ano, no grande dia da expiação.

Que eu possa habitar no meio deles

“Esta”, diz Ainsworth, “era o fim principal de todos, e esta todas as informações deverão ser encaminhadas, e por isso, eles devem ser abertos por este santuário, como Salomão templo depois, foi o lugar de oração, e do serviço público de Deus, Levítico 17:4-6; Mateus 21:13, e isso significava a Igreja, que é a morada de Deus em Espírito, 2 Coríntios 6:16; Efésios 2:19-22; Apocalipse 21:2,3, e era um sinal visível de Deus presença e proteção, Levítico 26:11,12; Ezequiel 37:27,28; 1 Reis 6:12,13, e de sua levando-os a sua glória celestial Porque, assim como o sumo sacerdote entrava no tabernáculo, e através do véu no lugar mais sagrado onde Deus habitava; assim Cristo entrou no Santo dos Santos, e também entrar pela véu, isto é, a sua carne viu a utilização deste pelo apóstolo. Hebreus 9:1-28; 10:1-18.

Assim, o santuário deve ser aplicado como um tipo, um para. Cristo pessoa, Hebreus 8:2; 9:11,12; João 2:19-21 2 Para cada. Cristão, 1 Coríntios 6:19 3 Para a Igreja, ambos em particular, Hebreus 3:6; 1 Timóteo 3: 15 e universal, Hebreus 10:21: e foi por causa do muito extensa significação deste edifício, que as coisas diferentes a respeito deste santuário são particularmente estabelecido por Moisés, e por isso aplicado de diversas maneiras pelos profetas e pelos apóstolos. “- Veja Ainsworth. Como a habitação neste tabernáculo foi a maior prova de graça e de misericórdia para com os israelitas de Deus, por isso tipificado habitação de Cristo pela fé nos corações dos crentes, e dando-lhes a prova maior e mais seguro de sua reconciliação com Deus, e de sua amar e favorecer a eles; ver Efésios 1:22; 3:17.

ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke. Pentateuco. pag.327-328.

 

 

Palavra-Chave: GLÓRIA

 

 

I – SOBRE A GLÓRIA DE DEUS

 

A glória de Deus baixou do céu à terra primeiramente no Tabernáculo, no dia de sua dedicação. Depois disso, essa cena se repetiu por ocasião da inauguração do Templo de Jerusalém pelo rei Salomão.

 

1- O significado de ”glória”.

 

O contexto ajuda a esclarecer o sentido do termo. A palavra hebraica é kavod, que literalmente significa ”peso”, e nesse sentido literal, só aparece duas vezes no Antigo Testamento (1Sm 4.18; 2Sm 14.26). A Septuaginta, antiga versão grega do Antigo Testamento, emprega vários termos, entre eles: doxa, ”glória, resplendor, poder, honra, reputação”, e time, ”valor, honra”. Mas, nas visões de Ezequiel, ”glória” indica o resplendor pela presença do Senhor. Essa é a descrição feita pelo próprio profeta (Ez 1.26-28; 8.2). O vocábulo hebraico shekinah, geralmente usado entre os crentes como ”glória”, não aparece na Bíblia, porém, é frequente no judaísmo.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A glória do Deus de Israel. Já citada em Ezequiel 8.4, “glória” traduz o termo kavod, do hebraico. Conforme o léxico de Baumgartner, seu sentido não teológico pode ser “peso, riqueza, glória, honra”. No seu uso teológico, pode significar “a glória dada a Javé, a glória de Javé ou a manifestação de Javé”. Nas visões de Ezequiel, “glória” indica o resplendor pela presença do Senhor (Ez 1.28; 3.12, 23; 8.4; 9.3; 10.4, 18-19; 11.22-23; 39.21; 43.2, 4-5; 44.4). Essa é a descrição feita pelo próprio profeta (1.26-28; 8.2).

O vocábulo hebraico shekhinah, embora usado com frequência entre os crentes como “glória”, não aparece na Bíblia. A palavra pertence ao chamado hebraico talmúdico e significa “morada em”, comumente usada entre os judeus para “presença de Deus”, e, às vezes, para se referir ao próprio Deus. O Talmude é uma antiga literatura religiosa dos judeus identificada nos evangelhos como “tradição dos anciãos” porque, naqueles dias, esses preceitos eram orais e só foram codificados a partir do século 5 d.C. Os rabinos a associam ao Espírito de Deus, porque o Talmude diz: “A Shekhinah do Senhor nunca se afastará desse lugar” (uma referência ao Muro das Lamentações).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 51.

 

 

Definição Geral

A glória consiste em honra exaltada, em louvor ou reputação, ou em alguma coisa que ocasiona o louvor ou é o objeto desse louvor. O termo pode ser sinônimo de «adoração» ou de «louvor adorador». Também pode significar esplendor, magnificência e bem-aventurança, em sentido terrestre ou celestial. Outrossim, pode referir-se a resplendor ou brilho, às emanações de luz, ao halo imaginado em tomo de figuras santificadas, ou ao esplendor e brilho do Ser divino. A própria presença de Deus pode ser chamada de glória, por causa de seu estado exaltado.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. 11 ed. 2013. pag. 912-913.

 

 

GLORIA Um conceito importante da Bíblia, a palavra “glória” é a tradução de uma variedade de palavras hebraicas e gregas, sendo a mais comum kabod, no Antigo Testamento, e doxa, no Novo Testamento. Originada do conceito hebraico de “peso, dignidade, excelência”, a palavra “glória”, em sentido doutrinário, é usada referindo-se a Deus nos Salmos 19.1 e 63.2, falando de como Ele é magnífico, tremendo, inigualável.

Essencial ao uso da palavra no Antigo Testamento é a ideia da glória do Senhor (Is 6.3). Nesse sentido, a glória está ligada à revelação, e consiste na manifestação da natureza de Deus. O assunto específico de Isaías 6 é a revelação da santidade, e a majestosa santidade e glória de Deus, que estão intimamente relacionadas. Algumas vezes, no Antigo Testamento, esta manifestação aproxima-se de uma aparição física irresistível de glória, esplendor ou brilho (Lv 9.23; Ex 33.18ss.). Teologicamente, isto é representado pelos termos “presença”, ou “glória Shekina”.

No Novo Testamento, a glória do Senhor é vista em conexão com Jesus Cristo de várias maneiras. A narrativa do nascimento no relato de Lucas mostra que o primeiro advento do Messias foi marcado pela aparição da glória do Senhor (Lc 2.9,14,32). Esta glória, a soma de toda a perfeição da Trindade, esteve velada durante o ministério terreno do Cristo encarnado, exceto por um breve lampejo durante a transfiguração (Lc 9.28ss.), e em momentos cruciais do ministério de Cristo (Jo 2.11; 11.40). Em Hebreus 1.3, delineia-se Jesus Cristo como o resplendor ou a radiação da glória de Deus.

Pela graça soberana, o crente do Novo Testamento é visto compartilhando essa glória até certo ponto (Rm 8.30; 2 Co 4.6). Na ressurreição, o crente será transformado e assim será semelhante ao Salvador glorificado, em uma condição muito superior àquela que ele percebe ou imagina agora, e irá compartilhar a glória escatológica de Cristo (1 Pe 5.4; Ap 21.23). Cada crente estará livre da natureza pecadora e decaída, e terá um corpo ressuscitado.

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. 2 Ed. 2007. pag. 870.

 

 

2- A glória de Deus.

 

Ela se manifestou aos filhos de Israel quando Moisés dedicou o Tabernáculo a Deus (Êx 40.34,35). Era a presença de Deus no meio do povo que acompanhou Israel nas suas jornadas no deserto até o início do reinado de Salomão. Período em que a Arca da Aliança foi transferida do Tabernáculo para o Templo que Salomão construiu em Jerusalém, a glória de Deus encheu toda a Casa (2 Cr 5.13,14) e, da mesma forma, no culto de dedicação do Templo (2Cr 7.1,2). Desde então, Ele se comprometeu em manter seus olhos fixos e os seus ouvidos atentos à oração nesse Templo. Mas essa promessa nunca foi incondicional, e parece que o povo havia se esquecido disso (2Cr 7.14-16).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Tendo Salomão acabado de orar, desceu fogo do céu. Os vss. 1-3 são comentários do cronista, material que não se encontra no trecho paralelo de I Reis. E, naturalmente, os críticos supõem que sejam ornamentos imaginários do autor sagrado, que se afastou de sua fonte informativa a fim de destacar o drama da narrativa. Cf. Lev. 9.23,24 quanto a um relato similar a respeito dos sacrifícios oferecidos por Arão.

Orar. Aqui a referência é à oração eloquente de Salomão (II Crô. 6.12-21). Salomão orou para que o templo cumprisse o propósito para o qual fora construído ser um lugar de adoração e justiça para todos os povos. O caráter distintivo da nação de Israel seria provado desse modo. Ver Deu. 4.4-8 sobre essa distinção. Mas Israel também seria a fonte de uma bênção universal, em antecipação à era do evangelho (II Crô. 6.33).

“Todo ato de adoração era acompanhado por sacrifícios. A língua preternatural de fogo acendeu a massa de carne e foi um sinal da aceitação, por parte do Ser divino, da oração de Salomão (ver Lev. 9.24 e I Reis 18.38). A glória do Senhor encheu a casa com o que era símbolo da presença e da majestade de Deus (ver Èxo. 40.35)” (Jamieson, in Ioc.). Era a glória da Shekinah do Senhor, conforme explica o Targum. Cf. I Reis 8.10,19 e ver no Dicionário o artigo intitulado Shekinah.

Os sacerdotes não podiam entrar na casa do Senhor. A glória de Yahweh fechou temporariamente o acesso ao templo. Nem os próprios sacerdotes que tinham autorização para ministrar ali podiam entrar. O templo abriria uma nova avenida de acesso, mas, pelo momento, o povo deveria ficar boquiaberto diante da majestosa presença de Deus. Naturalmente, a própria estrutura do templo falava sobre a limitação do acesso. Mas quando o crente se tomou o templo do Espírito (I Co. 3.16) e a Igreja se tomou, coletivamente falando, o lugar da manifestação da presença de Deus, o Seu templo (ver Efé. 2.20-22), então essas limitações foram eliminadas.

Quando passou o momento de terror, então os sacerdotes procederam com seus sacrifícios necessários, a fim de santificar a ocasião (vss. 5 ss.).

Cf. o vs. 2 com II Crô. 5.14 e I Reis 8.11. O autor sagrado queria que reconhecêssemos a presença manifestada nas ocasiões próprias e que houve contatos com o Ser divino. Isso reflete o teísmo. O toque místico é parte necessária de nossa espiritualidade e um agente poderoso que facilita nosso crescimento espiritual.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1653.

 

 

GLÓRIA DE DEUS

Ver Rom. 3:23.

Essas palavras «…glória de Deus…» são diversamente interpretadas, segundo a lista dada abaixo:

Seria o caráter verdadeiro que o homem pode possuir. Isso seria a «glória de Deus», porquanto o homem foi criado segundo a imagem de Deus. Em outras palavras, o homem fica aquém desse caráter tencionado.

Seria a ufania com que o homem se «gloria» diante de Deus, em sentido negativo, uma ufania falsa; mas, igualmente, em um sentido genuíno, o gloriar-se verazmente em Deus. Ninguém pode fazer aquilo que os judeus se ufanavam de conseguir, conforme aprendemos em Rom. 2:17. Ninguém pode verdadeiramente gloriar-se em Deus, estando ainda em seu estado de perdição, porque está alienado de Deus.

Seria a imagem de Deus. O homem haverá de ser transformado segundo a imagem moral de Deus, e, por intermédio de Cristo virá a ser um autêntico filho de Deus, feito de conformidade com a sua imagem. No entanto, fica aquém desse alvo, por causa do pecado.

Seria a glória da vida eterna, isto é, a participação na imortalidade essencial de Deus, na vida necessária e independente de Deus. (Ver os trechos de João 5:25,26 e 6:57). Segundo essa quarta posição, é impossível para o homem vir a obter a vida eterna.

Seria a própria pessoa de Deus, em sua glória essencial, ficando particularmente destacados os seus atributos; e, no presente contexto, estaria em foco a santidade perfeita de Deus, que é a sua glória. Nesse caso, o homem não pode atingir esse alvo, por causa do pecado; e nem mesmo pode entender tal verdade, quanto menos alcançá-la.

Seria o lugar da habitação de Deus, os céus, pois ele habita na glória.

Embora todas as seis interpretações dadas acima encerrem alguma verdade que pode ser demonstrada pelas Escrituras, em Rom. 3:23, a glória de Deus é a aprovação divina que é necessária para a realização da salvação. A natureza pecaminosa dos homens arruina esta aprovação, que, então, vem através da pessoa e missão de Cristo, e a identificação dos homens com ele. Quanto à palavra glória usada no sentido de reconhecimento ou honra, ver Fil. 1:11; I Ped. 1:7; I Tim. 1:17; Heb. 2:7; II Ped. 1:17.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. 11 ed. 2013. pag. 914.

 

 

SINOPSE I

 

A expressão ”glória de Deus” aparece no livro de Ezequiel como presença de Deus.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

A GLÓRIA DE DEUS

 

”[ …] A Expressão ‘glória de Deus’ tem emprego variado na Bíblia. Às vezes, descreve o esplendor e majestade de Deus (cf.1 Cr 29.11; Hc 3.3-5), uma glória tão grandiosa que nenhum ser humano pode vê-la e continuar vivo’ (ver Êx 33.18-23). Quando muito, pode-se ver apenas um ‘aparecimento da semelhança da glória do Senhor’ (cf. a visão que Ezequiel teve do trono de Deus, Ez 1.26-28). Neste sentido, a glória de Deus designa sua singularidade, sua santidade (cf. Is 6.1-3) e sua transcendência (cf. Rm 11.36; Hb 13.21). Pedro emprega a expressão magnífica glória como um nome de Deus” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1183).

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

A SHEKHINAH

 

Convém salientar que a palavra hebraica Shekhinah, muito usada nas igrejas para ”glória de Deus”, não é bíblica, pertence ao chamado hebraico talmúdico e significa ”morada em”, comumente usada entre os judeus para ”presença de Deus”, e, às vezes, referindo-se ao próprio Deus. O Talmude é uma antiga literatura religiosa dos judeus identificada nos Evangelhos como ”tradição dos anciãos” porque, naqueles dias, esses preceitos eram orais, e só foram codificados a partir do século 5 d.C. Os rabinos associam-na ao Espírito de Deus, porque o Talmude diz: ”A shekhinah do Senhor nunca se afastará desse lugar” (uma referência ao Muro das Lamentações) (por Esequias Soares).

 

 

II – SOBRE A RETIRADA DA GLÓRIA DE DEUS

 

Essa retirada aconteceu em alguns estágios:

a) a glória se levantou do querubim sobre a Arca da Aliança;

b) passou para a entrada do Templo;

c) pairou sobre os querubins e, aos poucos, afastou-se completamente do Templo;

d) Por fim, a glória de Deus se pôs sobre o Monte das Oliveiras.

 

 

1- O querubim e a nuvem (9.3; 10.4).

 

O profeta está se referindo aos dois querubins do propiciatório da Arca da Aliança (2 Cr 5.8) ou às quatro criaturas da visão inaugural do capítulo? Qualquer que seja a interpretação, a verdade é que isso indica a retirada da presença de Deus. Essa nuvem está associada à presença pessoal de Javé durante a peregrinação do deserto (Êx 13.21), no Tabernáculo (Êx 33.7-10), permanentemente desde a inauguração do Tabernáculo (Êx 40.34,35) e, finalmente, no Templo (1Rs 8.10,11). Essa presença divina atingiu o seu clímax com a manifestação do Filho de Deus: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

 

 

COMENTÁRIOS

 

(…) se levantou do querubim. Os querubins são um dos elementos do templo, estendem suas asas sobre a arca da aliança e acompanham seus deslocamentos (1Sm 4.4; 2Sm 6.2). Javé estava sentado acima dos querubins. Não está claro se nesse verso é um dos dois querubins do propiciatório da arca da aliança (2Cr 5.8) ou uma das quatro criaturas da visão inaugural do capítulo 1. Qualquer que seja, está claro que a glória começa a se mover em direção à entrada do templo.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 51.

 

 

A glória de Deus de Israel se levantou do Querubim. Lá em cima, Yahweh andava no seu trono-carro, atravessando o céu como um cometa. Através de Seu anjo e, às vezes, Ele mesmo, o Senhor guiava o profeta no circuito da cidade, para que visse a vasta expressão de corrupções daquele lugar (capítulo 8).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3220.

 

 

Nesse momento, a atenção de Ezequiel muda dos homens no pátio para a visão da glória divina se levantando dos querubins. O leitor deve reconhecer a expressão: a glória do Deus de Israel do capítulo 8.4, que funciona como uma variação estilística de “a glória de Yahweh”. No entanto, a palavra querubim ocorre aqui pela primeira vez no livro. Ainda que o plural seja mais comum em outros pontos, o singular citado aqui não deve ser considerado um erro. Não somente concorda com o sufixo da palavra seguinte, ‘ãlãyw, o capítulo seguinte, repetidas vezes, emprega a forma singular (10.2, 4, 7, 9, 11).

Esse singular pode ser intencional para distinguir essa figura do kèrübim que terá uma parte importante no capítulo 10. Embora a derivação de kèrúb permaneça um mistério em parte por causa da raiz que não aparece em outras línguas semíticas do oeste, há certa conexão com o acadiano kuribu, uma espécie de seres divinos ou semidivinos, o que parece provável.” Mas o uso que Ezequiel faz de hakkèrúb, “o querubim”, é entendido melhor à luz da autêntica tradição israelita.

De acordo com Êxodo 25.18-22 e 37.7-9, dois querubins de ouro olhavam um para o outro das extremidades da tampa especial da arca da aliança (hakkappõret). Dessa posição, entre esses querubins dentro do Santo dos santos, Yahweh costumava falar a Moisés (Êx 25.22; Nm 7.89). De fato, Yahweh era tido como entronizado entre as criaturas. Quando Salomão construiu o templo, dentro do Santo dos santos colocou dois querubins gigantes de 4 metros cada um, cujas asas enchiam a sala, e abaixo deles estava a arca em seu lugar fixo.

Sendo de descendência sacerdotal, Ezequiel tinha familiaridade indubitável com as imagens dos querubins no templo. Aparentemente, essa visão ofereceu-lhe uma oportunidade que era impossível na vida real – pôde dar uma olhada no santo lugar, no interior do palácio divino, o Santo dos santos. Ali, observou a glória de Deus se levantar de seu trono, acima da arca do pacto, e se mover até a entrada do templo. Para Ezequiel, o movimento da glória divina deve ter tido um significado amedrontador. Aquilo sinalizava que a lei de Yahweh fora suspensa e levantava a possibilidade de sua partida daquela cidade. A acusação/ racionalização por parte do povo que Yahweh os havia abandonado estava a ponto de se cumprir, quando isto acontecesse não haveria mais esperança. Ao inserir esta observação aqui, o autor intencionalmente fez uma correlação com a partida de Yahweh em relação ao julgamento de Jerusalém.

A narrativa dos executores começa no versículo 3b com Yahweh enviando uma chamada aos seus agentes de julgamento, o narrador é nomeado pela primeira vez. Não houve nenhum questionamento quanto à sua identidade antes disto, mas ao inserir o tetragrama neste ponto, o autor enfatizou que a sentença que está a ponto de ser imposta sobre o povo de Jerusalém vem da deidade que reside e reina no templo.

Taylor. John B,. Ezequiel. Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 294-295.

 

 

2- A retirada da presença de Deus (10.18).

 

A glória de Javé pairou sobre os querubins e, aos poucos, afastou-se completamente do Templo. O profeta contempla essa glória se levantando da porta e se movendo para a carruagemtrono que estava parada para descer em cima dos querubins.

Nessa visão, Ezequiel acompanha a glória de Deus flutuando sobre os querubins e vê a carruagem divina se mover para a porta principal do Templo para a sua partida definitiva. A saída da glória de Deus representa a retirada de sua presença. Com isso, se aproxima a destruição do Templo. Essa Casa foi destruída pelos caldeus em 587 a.C, “no mês quarto, aos nove do mês” (2Rs 25.3-10; Jr 39.2; 52.6), que corresponde a 14 de agosto de 587.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

O Profeta contempla a retirada da glória de Javé: A glória do SENHOR saiu da entrada do templo e (…) a glória do Deus de Israel estava no alto, sobre eles. Na visão, a glória não se movimenta pelo recinto, mas o deixa. Ela para sobre os querubins e as rodas e os acompanha até a entrada do portão leste do templo (v. 19). E é o terceiro estágio da retirada da glória de Deus que se completará no capítulo 11 com o final da visão.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 56.

 

 

Então saiu a glória do Senhor. Cf. o vs. 4 deste capítulo. A glória de Yahweh saiu do Santo dos Santos e hesitava um pouco na entrada do templo (ver Eze. 9.3). Lá estava o trono-carro pronto para partir. A Pessoa e a Glória do Senhor logo partiriam no seu veículo. Ésta partida da presença e da glória de Yahweh marca o início do fim da cidade, que ficaria totalmente sem proteção. A espada do exército babilónico era a Espada do Senhor. Cf. Deu. 31.17. A maldição divina arrasaria a cidade e a reduziria a pó. Cf. Osé. 9.12.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3222.

 

 

Após ter terminado a seção a respeito da carruagem e dos querubins que a conduziam, a narrativa principal começa com o anúncio da segunda fase da partida, em estágios, de Yahweh do templo. O profeta assiste ao kãbôd se levantar da porta, mover-se para onde a carruagem-trono estava parada, e a vê descer em cima dos querubins. Com a carga divina no lugar, os querubins se levantam e se transportam para o portão leste do templo, provavelmente o portão do átrio exterior. Durante todo o tempo, o profeta é capaz de observar a glória de Deus de Israel flutuando sobre os querubins, aguardando sua viagem fmal.

Vale a pena observar que pela primeira vez desde o capítulo 8 versículo 16 o templo é referido como A casa de Yahweh (bêt-yhwh). A designação mais simples, habbayit, “a casa”, usada na narrativa do meio, reflete a alienação sobre a relação Yahweh e o templo. Difamado pelas abominações, descritas no capítulo 8, e destruído pela matança de 9.7, havia por tudo isto cessado de ser sua residência. A expressão bêt-yhwh ocorre mais uma vez em 11.1, mas a partida da glória sinaliza o fim de um relacionamento que existiu por quase quatro séculos. O rei divino abandonou sua residência.

Taylor. John B,. Ezequiel. Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 312.

 

 

3- Por fim a glória de Deus se pôs sobre o Monte das Oliveiras (11.23).

 

A presença de Deus no Templo era privilégio de Israel, mas isso exigia responsabilidade de modo que a glória de Deus não podia habitar com os pecados do povo. Mas a Casa de Deus era profanada com as práticas pagãs mais abomináveis (Ez 11.21). Ezequiel viu a glória de Deus partindo do Templo para o Monte das Oliveiras. Dali, ascendeu ao céu para retornar no fim dos tempos, não mais no Templo de Jerusalém, mas no Templo do Milênio (Ez 44.2-4). Com a retirada da presença de Deus, o Templo ficou vulnerável juntamente com a cidade de Jerusalém. Interessante que o Monte das Oliveiras é também o local da ascensão de Jesus (At 1.9-11).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

A glória do Senhor (…) está a leste da cidade. Depois de tratar do juízo e da esperança, o texto volta ao deslocamento da glória de Deus. Os querubins e as rodas a acompanhavam. A glória saiu do meio de Jerusalém e seguiu ao monte que está a leste da cidade, o monte das Oliveiras, onde está o principal portão que dá acesso ao templo e aponta na direção da Babilônia.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 58.

 

 

A glória do Senhor subiu do meio da cidade. Yahweh, sentado em Seu trono-carro, levantou voo, parou momentaneamente em cima do monte das Oliveiras, a colina que fica a oriente da cidade, onde o sol se levanta. Um pôr-do-sol caiu sobre Jerusalém. A glória sumiu. O sol voltaria para aquele lugar quando o Segundo templo fosse construído, mas 70 anos de escuridão dominariam todos os judeus para que um remanescente pudesse ser purificado (ver. Jer. 25.11). Naquele mesmo lugar, na visão de um profeta posterior (Zac. 14.4), o Senhor é representado em pé, no dia do julgamento final. Naquele lugar, Jesus proclamou a destruição da cidade rebelde no seu dia (Mat. 24; Luc. 21.20). Daquele lugar, Jesus ascendeu (Luc. 24.50-51). No presente versículo, a visão da partida da glória de Yahweh termina.

Jarchi chama esta partida de terceira remoção da glória Shekinah de Jerusalém. Os rabinos foram capazes de encontrar nada menos do que dez abandonos da glória do Senhor a Israel (T. Bab. Roshhashana, foi. 31.1).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3225.

 

 

Aparentemente, ao menos de acordo com a forma atual da narrativa da visão, quando Yahweh havia tenninado sua refutação das afirmações falsas dos moradores de Jemsalém quanto à propriedade e aos privilégios de seus compatriotas exilados, a contemplação do profeta retoma à carmagem-trono celestial. Ela fora observada pela última vez parada no portão leste do átrio interior do templo. A correspondência verbal entre os versículos 22 e 10.19 sugere uma retomada intencional daquele episódio. O voo até a montanha leste da cidade marca o estágio final no itinerário do kãbôd como observado pelo profeta. Era de se esperar um episódio final, com a glória divina deixando o Monte das Oliveiras e desaparecendo no céu oriental. Mas o final da atual visão reflete sua preocupação principal: a partida de Yahweh do templo. De qualquer modo, em relação a uma pessoa dentro da cidade, 0 Monte das Oliveiras representa o horizonte oriental.

Ezequiel não fomece maior informação quanto às viagens do merkabah ou seu destino fínal. Será que a glória tomou o rumo da Babilônia em cumprimento à promessa de Yahweh de ser “um santuário limitado”, para os exilados (v. 16), oferecendo-lhes assim o mesmo conforto que Ezequiel havia recebido no momento de sua inauguração? Parece que não, pois esta solução conecta a visão inaugural do profeta muito de perto com esta visão do templo, que aconteceu mais de um ano mais tarde. Devemos, no entanto, visualizar a carmagem-trono transportando a glória de volta a seu lugar eterno e real nos céus. Ezequiel não oferece confirmação alguma desta interpretação, mas uma tradição posterior parece entender isto assim, incluindo a visão de Daniel dos Dias Antigos em 7.9-10 e 13-14, e a visão de João do Senhor entronizado em Apocalipse 4.1 -11. Os dois textos colocam o merkabah nos céus. De qualquer maneira, Ezequiel viu a glória sair do templo e ir em direção ao oriente. Ela não reaparece novamente em 20 anos, quando numa maravilhosa visão da esperança futura de Israel a história é invertida e a glória retorna da mesma direção de onde havia saído (43.1-5).

Taylor. John B,. Ezequiel. Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 341-342.

 

 

SINOPSE II

 

A retirada da glória se deu mediante a retirada do querubim da Arca da Aliança, deslocando­-se para o Monte das Oliveiras.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

PRESENÇA E IDOLATRIA

 

”Um terceiro aspecto da glória de Deus é a sua presença e poder espirituais. Os céus declaram a glória de Deus (Sl 19.1; cf. Rm 1.19,20) e toda a terra está cheia de sua glória (Is 6.3; cf. Hc 2.14), todavia o esplendor da majestade divina não é comumente visível, nem notado. Por outro lado, o crente participa da glória e da presença de Deus em sua comunhão, seu amor, justiça e manifestações, mediante o poder do Espírito Santo. […] Por último, o AT adverte que qualquer tipo de idolatria é uma usurpação da glória de Deus e uma desonra ao seu nome. Cada vez que Deus se manifesta como nosso Redentor, seu nome é glorificado (ver SI 79.9; Jr 14.21). Todo o ministério de Cristo na terra redundou em glória ao nosso Deus (Jo 14.13; 17.1,4,5)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1183).

 

 

III – SOBRE O SEGUNDO TEMPLO

 

Ciro, rei da Pérsia, baixou o decreto que pôs fim ao cativeiro de Judá em 539 a.C., e, pouco tempo depois, partiu de Babilônia a primeira leva de judeus de volta para Judá. No seu decreto de libertação, o rei incluiu a reconstrução do Templo em Jerusalém (2 Cr 36.20- 23; Ed 1.1,2).

 

1- O segundo Templo.

 

Conhecido como o Templo de Zorobabel, foi inaugurado no sexto ano de Dario” (Ed 6.15), que corresponde ao ano 516 a.C. Não era uma construção com a mesma dimensão e beleza arquitetônica da primeira Casa, não dava para comparar com o Templo de Salomão (Ag 2.3). O pensamento no período pós-exílio era de que o retorno da glória de Deus era escatológico (Ml 3.1).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Quem há entre vós que, tendo edificado, viu esta casa na sua primeira glória? Poucas pessoas da época de Ageu tinham visto o templo de Salomão.

Além disso, literatura e tradições orais falavam a respeito. Cf. Esd. 3.12. Muita gente ridicularizava a ideia do segundo templo, emitindo opiniões desfavoráveis acerca da pobreza relativa do segundo templo. Em primeiro lugar, não existiam os mesmos recursos que Davi e Salomão tiveram. Em segundo lugar, faltavam os artífices especialistas que Salomão contratou. O produto terminado do segundo templo seria um substituto triste para o templo de Salomão, construído durante a época áurea da nação de Israel.

De fato, na estimativa de muita gente, seria como nada. A pergunta que essa gente fazia, era: “Nesse caso, para que continuar construindo?” Por outra parte, qualquer templo decente certamente seria melhor que nenhum templo. Yahweh não estava solicitando que aqueles judeus empobrecidos duplicassem a obra magnificente de Salomão. Simplesmente, esperava que eles fizessem o melhor ao seu alcance. Era óbvio que, por meio do que já fora construído do segundo templo, este não se compararia à glória do templo da época áurea de Israel; e alguns críticos insistiam em dizer aos outros precisamente isso. Suas críticas idiotas estavam desencorajando os trabalhadores e adiando o término do projeto.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3650.

 

 

Quem está entre vós, que viu esta casa na sua primeira glória? Quem de vocês tem viu o templo construído por Salomão? A fundação da casa atual tem sido colocada sobre 53 anos após a destruição do templo construído por Salomão e apesar de esta profecia foi proferida 15 anos depois da fundação deste segundo templo, mas ainda podem sobreviver alguns dos que tinha visto o templo de Salomão.

É não em seus olhos Certamente os judeus nesta época não tinha nem homens nem meios para fazer qualquer construção, tais esplêndidos como que erguido por Salomão. O presente não era nada quando comparado com o antigo.

ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke. Ageu e Sofonias.

 

 

2- O Templo de Herodes.

 

O Templo de Zorobabel foi reformado e ampliado por Herodes, Magno. Ele conseguiu persuadir os judeus dizendo que o atual Templo não estava à altura da antiga glória. Os trabalhos se iniciaram cerca do ano 15 a.C., e continuava em andamento nos dias do ministério terreno de Jesus, 46 anos depois (Jo 2.20), conhecido como ”Segundo Templo”. Era o cartão postal de Jerusalém (Mc 13.1; Lc 21.5). A Construção só foi concluída em 66 d.C.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Entendendo o templo à luz do Novo Testamento, Jesus anunciou o seu fim, como fizeram Ezequiel e os demais profetas. A glória de Deus se retirou do templo antes de sua destruição (Mt 23.38, 39).

Jesus disse: “E aqui está quem é maior do que Salomão” (Lc 11.31), o construtor do templo. Ele se declarou maior do que o templo: “está aqui quem é maior do que o templo” (Mt 12.6). Quando Jesus curou o paralítico em Cafarnaum, disse: “Filho, perdoados estão os teus pecados” (Mc 2.5). Era uma mensagem velada dirigida aos sacerdotes de que a função do templo estava para ser concluída em breve.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 60.

 

 

O que eles responderam: “‘Em quarenta e seis anos, foi edificado este templo’, v. 20. O trabalho do Templo sempre foi um trabalho demorado, e tu podes fazê-lo tão depressa?”

Aqui: [1] Eles mostram ter algum conhecimento. Eles puderam dizer quanto tempo o Templo esteve em construção. O Dr. Lightfoot calcula que foram necessários exatos quarenta e seis anos, a partir da fundação do Templo de Zorobabel, no segundo ano do governo de Ciro, para completar a construção do Templo, no ano 32 de Artaxerxes. E o mesmo período desde que Herodes iniciou a construção deste Templo, no décimo oitavo ano do seu reinado, até esta época, quando os judeus se referiram como exatos quarenta e seis anos: oikodomethe – este templo foi construído. [2] Eles mostram mais ignorância, em primeiro lugar, do significado das palavras de Cristo. Observe que os homens frequentemente incorrem em graves enganos por interpretarem literalmente aquilo de que as Escrituras falam figuradamente.

Que abundância de enganos houve quando se interpretou: “Isto é o meu corpo”, de uma maneira corpórea e carnal! Em segundo lugar, do poder todo-poderoso de Cristo, como se Ele não pudesse fazer nada além do que qualquer outro homem poderia. Se eles soubessem que tinha sido Ele quem criou todas as coisas em seis dias, eles não teriam julgado tamanho absurdo que Ele construísse um templo em três dias.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 771.

 

 

O Templo de Herodes

Informações sobre esse templo derivam principalmente dos escritos de Josefo. Há algumas informações no Talmude. A arqueologia adiciona um pouco mais, porém não temos descrições detalhadas, como acontece no caso do templo de Salomão. Rigorosamente falando, o templo de Herodes foi o Terceiro Templo, tendo essencialmente substituído o segundo sem derrubá-lo (obviamente). Um templo de Deus não poderia ser derrubado, mas poderia ser substituído, se tal substituição fosse feita por meio de adição ou alteração. Herodes, o Grande, tinha um ego enorme e não havia como deixar o Segundo Templo humilde como era. De fato, ele ultrapassou a glória até mesmo do Templo de Salomão. O trabalho começou no 18° ano do reino de Herodes (em tomo de 20 ou 21 a.C.). Levou apenas cerca de um ano e meio para terminar o próprio templo, mas para terminar as cortes foram necessários outros oito anos. Prédios subsidiários foram

então adicionados e o trabalho estendeu-se pelos reinos dos sucessores de Herodes. A tarefa toda foi completada na época de Agripa II, quando Albino era o procurador (64 d.C.), totalizando 46 anos de trabalho. Josefo conta- nos que as cortes do templo de Herodes ocupava 500 cúbitos. A área do templo era construída em terraços, uma corte sobre a outra, com o templo localizado no nível superior. Isso deixava o templo facilmente visível de Jerusalém e suas redondezas. A aparência era, assim, bastante impressionante, como podemos inferir também em Mar. 13.2, 3. Esse templo ocupava mais espaço do que os outros, assim era necessário fazer mais plataformas para a fundação. Para realizar isso, o Vale de Cedrom teve de ser parcialmente aterrado, o que também ocorreu em parte com o vale central (chamado de Tiropaeon). O monte do templo foi estendido, assim, a uma largura de 280 m. Enormes rochas foram empregadas para fazer os muros do leste e do oeste, muitas delas com 1,5 m de altura e de 1 a 3 m de comprimento. Uma delas media 12 m por 4 m! No canto sudeste foi construído um muro gigante que subiu 48 m acima do Vale de Cedrom. Um pórtico ou varanda foi construído ao redor de todos os quatro lados. Ele tinha colunas de mármore de 25 cúbitos de altura.

O pórtico real, na extremidade sul, possuía quatro fileiras de colunas. Josefo (Ant. 20.9.221) conta- nos que o pórtico ao longo do lado leste foi construído por Salomão. Cf. João 10.23 e Atos 3.11 e 5.12.0 próprio templo era cercado por um muro de 3 cúbitos de altura que separava o local sagrado da corte dos gentios. Era nesse muro que havia advertências que proibiam a entrada dos gentios em qualquer área além de sua corte, tendo como penalidade a morte. A corte dos gentios ficava, por assim dizer, na extremidade do templo; depois havia a corte das mulheres e então a corte de Israel (aberta a homens judeus apenas), a corte dos sacerdotes e finalmente o naos, o próprio templo com o lugar sagrado e com o santo dos santos.

Esse naos ficava em uma plataforma ainda mais alta. Apenas os sacerdotes podiam entrar no local sagrado e no santo dos santos e, ainda assim apenas no Dia da Expiação. Oito portões levavam ao monte do templo (Josefo, Ant. 15.11.38). O Misna estabelece o número de portões em cinco (Mid. 1.3) O magnífico templo de Herodes foi destruído em 70 d.C. como resultado da contínua agressão aos judeus por Roma, tendo por principal objetivo a independência. Tito comissionou Josefo para convencer os judeus a render-se para que o templo fosse preservado, mas ninguém deu ouvidos. Ampla agressão e massacre daí resultaram e tudo dentro do templo e ao redor dele que pudesse ser queimado, o foi. Curiosamente, isso ocorreu no décimo dia do 15o mês (AB), o mesmo dia no qual o rei da Babilônia destruiu o templo de Salomão.

Jesus, o Cristo, havia sido crucificado, e a glória do Senhor havia partido de Jerusalém e de seu templo. A justiça foi feita em 70 d.C. O sistema sacrificial nunca foi reativado, sendo que o Grande Sacrifício, o Cordeiro do Senhor, havia cumprido Sua missão de sofrimento e trazido o perdão para os pecados do povo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. 11 ed. 2013. pag. 314.

 

 

3- A presença do Filho de Deus.

 

Não há registro de que a glória do Senhor tinha enchido a Casa na inauguração por Zorobabel, diferentemente de Moisés, quando inaugurou o Tabernáculo (Êx 40.34,35), e de Salomão, na inauguração do Templo (2Cr 7.1,2). Foi o Senhor Jesus que trouxe a glória de Deus quando ministrou no Templo de Herodes (Ag 2.7; Jo 1.14). A sua presença nele fez a glória da segunda casa ser maior do que a da primeira (Ag 2.9; Mt 21.12,14,15; Lc 2.46). O Templo desempenhava várias funções em Israel como lugar de perdão, do encontro com Deus, da presença divina, era o centro espiritual da nação.

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Em seu Evangelho, João ressalta que Jesus sentiu cansaço Jo 4:6 e sede Jo 4:7. Agitou-se no espírito e comoveu-se Jo 11:33 e chorou abertamente Jo 11:35. Quando estava na cruz, sentiu sede Jo 19:28, morreu Jo 19:30 e sangrou Jo 19:34. Depois de sua ressurreição, provou a Tomé e aos outros discípulos que ainda possuía um corpo real Jo 20:24-29, porém glorificado.

De que maneira “o Verbo se fez carne”?

Pelo milagre do nascimento virginal (Is 7:14; Mt 1:18-25; Lc 1:26-38). Assumiu uma natureza humana sem pecado e se identificou conosco em todos os aspectos da vida, desde o nascimento até a morte. “O Verbo” não era um conceito abstrato nem uma filosofia, mas uma Pessoa real, que podia ser vista, tocada e ouvida. O cristianismo é Cristo, e Cristo é Deus.

A revelação da glória de Deus é um tema importante no Evangelho. Jesus revelou a glória de Deus em sua Pessoa, em suas obras e em suas palavras. João relata sete sinais maravilhosos (milagres) que declararam publicamente a glória de Deus (Jo 2:11). A glória da antiga aliança era passageira, mas a glória da nova aliança em Cristo é crescente (ver 2 Co 3). A Lei podia revelar o pecado, mas não removê-lo. Jesus Cristo veio com plenitude de graça e verdade, e essa plenitude encontra-se à disposição de todos os que crerem nele (Jo 1:16).

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. N.T. Vol. I. 1 Ed 2006. Editora Central Gospel. pag. 367.

 

 

…vimos a sua glória…

Novamente vemos aqui uma alusão às manifestações de Deus nas páginas do V.T. Ali lemos que Deus se manifestou de maneiras que pudessem ser percebidas e compreendidas pelos homens. (Ver Êx. 16:10; 24:16: I Reis 8:11; Is. 6:3 e Eze. 1:28). Entretanto, ocasionalmente—resplandecia—uma glória maior do que a comum, na pessoa de Cristo, a ponto mesmo dos homens terem dificuldade em suportar tais manifestações. Isso se verificou particularmente quando da transfiguração de Jesus. (Comparar Luc. 9:31 com II Ped. 1:16,17). Em alguns dos milagres operados por Cristo essa glória se evidenciou de modo todo especial. (Ver João 2:11: 11:4,40). Essa glória se manifestou, embora com menor resplendor, na vida e no caráter perfeitos de Jesus, isto é, em seu cumprimento da ideia absoluta do que seja um verdadeiro homem.

Philip Schaff (1/1 loc., no Lange’s Commentary) distingue quatro estágios nessa glória de Cristo:

A glória do estado anterior à encarnação, na preexistência, que o «Logos» desfrutava junto ao Pai. (Ver João 17:5).

A manifestação simbólica e preparatória dessa glória, no V.T., conforme vista pelo olho profético, como no trecho de Is 12:41.

Sua revelação visível, na forma humana, na vida e na obra do Verbo encarnado, que resplandecia em cada milagre, conforme se vê, por exemplo, no trecho de João 2:11.

A manifestação final é perfeita de sua glória divino-humana, na eternidade, e da qual todos os crentes haverão de compartilhar, segundo se lê em João 17:24.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 274.

 

 

SINOPSE III

 

Não há registro no Antigo Testamento de que a glória do Senhor tinha enchido a segunda Casa. O Senhor. Jesus a trouxe ao ministrar no Templo.

 

 

IV – SOBRE O SENHOR JESUS E O TEMPLO

 

Assim como a glória do Senhor deixou o Templo antes de sua destruição pelos caldeus, da mesma forma aconteceu com o segundo Templo. A diferença é que a segunda Casa foi substituída definitivamente pelo Senhor Jesus.

 

 

1- Explicação teológica.

 

Jesus disse: ”Eis aqui está quem é maior do que Salomão” (Lc 11.31), o construtor do Templo; Ele declarou-se maior do que o Templo: ”está aqui quem é maior do que o templo” (Mt 12.6). Quando Ele curou o paralítico em Cafarnaum, disse: ”Filho, perdoados estão os teus pecados” (Mc 2.5). Era uma mensagem velada dirigida aos sacerdotes de que a função do Templo estava para ser concluída em breve. Com a vinda de Jesus ao mundo, o Templo tornou-se redundante: ”E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Da mesma maneira como as obrigações dos sacerdotes no Templo superam os regulamentos do sábado a respeito do trabalho, também o ministério de Jesus transcende o Templo. Os fariseus estavam tão preocupados a respeito dos rituais da religião que se esqueceram do propósito do Templo — trazer as pessoas a Deus. Como Jesus Cristo é maior do que o Templo, Ele pode trazer as pessoas a Deus de uma forma muito melhor. O nosso amor e a nossa adoração a Deus são muito mais importantes do que os instrumentos de adoração criados pelos homens.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 1. pag. 80.

 

 

Quem é maior do que o templo, ablativo de comparação. Qual é o maior? Jesus pode estar se referindo a si mesmo como o Cristo. Pode ser que ele queira dizer que “a obra de Cristo e seus discípulos era de maior importância do que o Templo”. “Se o Templo não tinha de ser subserviente às normas sabáticas, quanto menos o Messias!

T. ROBERTSON. COMENTÁRIO Mateus e Marcos. À Luz do Novo Testamento Grego. Editora CPAD. 1 Ed. 2011. pag. 138.

 

 

2- O fim do Templo.

 

O que o Senhor Jesus vinha insinuando ou ensinando de maneira indireta, na última semana do seu ministério terreno Ele falou diretamente: ”Não ficará pedra sobre pedra que não seja derribada” (Mt 24.2; Mc 13.2); ”dias virão em que se não deixará pedra sobre pedra que não seja derribada” (Lc 21.6). Jesus anunciou o fim do Templo como fizeram Ezequiel e os demais profetas. A glória de Deus se retirou do Templo antes de sua destruição (Mt 23.38,39).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

Com a vinda de Jesus ao mundo, o templo tornou-se redundante (Jo 1.14). Quando Jesus no alto da cruz com grande voz entregou o espírito, “o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mt 27.51). Estava definitivamente concluída a missão do templo. Desde então, é em Jesus que temos a redenção e o perdão de nossos pecados. Não existe mais o templo de Jerusalém, mas Deus habita no cristão individualmente (Jo 14.23; 1Co 6.19).

O templo de Herodes, ou segundo templo, foi destruído no ano 70 d.C. conforme o Senhor Jesus havia anunciado de antemão (Mt 24.2; Mc 13.2; Lc 21.6). Com a vinda de Jesus ao mundo e a sua morte pelos pecadores, o templo se tornou supérfluo (Mt 12.6; 27.51; Mc 15.38; Lc 23.45). Curiosamente, segundo o historiador judeus, Flávio Josefo, essa destruição aconteceu exatamente no mesmo dia da destruição do templo de Salomão, no nono dia do quarto mês (2Rs 25.3; Jr 52.6). As Escrituras esclarecem as causas da queda de Jerusalém e da destruição do templo pelos caldeus em 587/586 a.C.: o pecado do povo, idolatria, prostituição, violência e injustiça social.

Nesses capítulos sobre as abominações, julgamento e juízo, aprendemos que Deus é soberano e não se rende às vontades humanas. Deus é soberano, transcendente, imanente, santo e justo.

A exigência era que o povo buscasse a santidade e a justiça por meio da obediência aos estatutos divinos (Lv 20.7-8; 22-24). Vivendo dessa forma, a identidade do povo refletiria o Deus a quem serviam.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 60-61.

 

 

Ele fala do destino de Jerusalém (w. 38,39): “Eis que a vossa casa vos ficará deserta”. Tanto a cidade quanto o Templo, a casa de Deus e as casas dos habitantes, tudo seria arrasado. Mas o significado particular diz respeito ao Templo, de que eles se orgulhavam e que lhes tinha sido confiado; aquele monte sagrado, que os fazia tão arrogantes.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. 1Ed 2008. pag. 307.

 

 

[…] uma profecia dramática de Jesus (23.38,39). Toda a casa dos judeus foi desolada quando Jesus se retirou deles; e o templo, a santa e bela casa, tornou-se uma desolação espiritual quando Cristo finalmente o deixou. Jerusalém foi longe demais para ser resgatada da destruição que buscou para si mesma, diz Spurgeon. A rejeição do reino da graça implica a exclusão do reino da glória. Os judeus, tão arrogantes e soberbos ao rejeitarem Cristo, o Messias, veriam sua casa ficar deserta. Eles, que rejeitaram o convite da graça encarnado na pessoa de Jesus em sua primeira vinda, só voltariam a vê-lo no julgamento final, em sua gloriosa segunda vinda, quando então seria tarde demais! Quando uma nação ou um homem persiste em rejeitar Cristo, o fim é inevitável. Sua casa ficará deserta. Deus já não habita mais ali: essa é a desgraça final.

Soa, então, terrível esta frase: Tendo Jesus saído do templo ia-se retirando (24.1).

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 694.

 

 

Tal rejeição seria custosa. Jesus disse: Eis que a vossa casa vos ficará deserta. Declaro-vos, pois, que, desde agora, já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor! (v. 38-39). Imagine a cena. Jesus disse ao povo: “vossa casa vos ficará deserta”. Todas as cabeças viraram para olhar em volta. As pessoas observaram os muros imponentes, o templo e as casas; tudo estava em perfeitas condições. O templo estava firme e forte. A cidade sobre a qual Jesus chorou estava fervilhando com as atividades comerciais frenéticas do dia a dia. Nada parecia diferente. Não havia qualquer aparência de desolação. Porém, Jesus disse que a desolação estava próxima. Esta foi outra prévia do sermão profético, no qual ele anunciaria a destruição do templo e da cidade, bem como sua própria vinda em juízo.

O que Jesus quis dizer quando falou: “já não me vereis, até que venhais a dizer: Bendito o que vem em nome do Senhor!’’? O povo de Jerusalém havia clamado estas palavras por ocasião de sua entrada na cidade alguns dias antes (21.9). Jesus parece ter profetizado seu retomo futuro, ocasião em que seu povo estaria verdadeiramente pronto para recebê-lo.

Como adendo, devo observar que este lamento é citado por muitos com o intuito de contestar a doutrina bíblica da eleição. O argumento é este: Jesus quis reunir as pessoas como a galinha ajunta os pintinhos; isto é, elas não estavam dispostas a ir até ele, e ele não as forçou. No entanto, este versículo nada nos ensina sobre eleição; apenas sobre o estado natural de todos, que é a indisposição. Sim, nós temos força de vontade para o que quisermos fazer, mas não para obedecer a Deus. Não podemos desejar ir a Cristo. Jesus explicou esta verdade quando disse: “ninguém poderá vir a mim, se, pelo Pai, não lhe for concedido” (Jo 6.65). O povo de Jerusalém recusou-se a ir a Jesus por simples falta de vontade. Ninguém vai a Cristo a menos que Deus, em sua misericórdia, abrande a dureza do coração de modo a tomar a pessoa disposta, e até mesmo ávida por se achegar a ele. Ele nos redime de nossa própria liberdade corrupta – que, na realidade, é servidão – porque fazemos o que queremos, não o que Deus quer que façamos.

Cristo, mesmo ciente de tudo isso, chorou por aqueles que não queriam. Nós também devemos chorar por eles.

Sproul., RC. Estudos bíblicos expositivos em Mateus. 1° Ed 2017. Editora Cultura Cristã. pag. 609-610.

 

 

3- A presença de Deus hoje.

 

Quando Jesus, no alto da cruz, com grande voz entregou o espírito, ”o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo” (Mt 27.51). Estava definitivamente concluída a missão do Templo. Assim, o Senhor Jesus substituiu, de uma vez por todas, o Templo. Desde então, é em Jesus que temos a redenção e o perdão de nossos pecados. Não existe mais o Templo de Jerusalém, mas Deus habita no cristão individualmente (Jo 14.23; 1Co 6.19).

 

 

COMENTÁRIOS

 

 

No entanto, os filhos de Israel estavam profanando o nome de Javé a ponto de descaracterizar sua imagem. Nessa situação, a glória de Deus se retira do templo. Brueggemann resume que, embora o templo representasse a presença divina na terra, “Deus se recusa a Ficar onde Deus não é honrado”.38 Deus nunca esteve e não está preso a nenhum lugar chamado “casa de Deus”. No nosso cotidiano de igreja, isso nos leva a pensar nas condições em que Deus se faz presente ou se ausenta do local.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 61.

 

 

Eles (as pessoas da Trindade) vêm fazer moradia com ele, e não meramente com o crente: em outras palavras, encontram uma comunidade, um lugar onde o Deus trino pode manifestar-se—·e essa comunidade forma um contraste com o mundo. Ele forma uma comunidade de crentes a igreja. Dessa forma ele edifica a casa espiritual para o crente individual (e uma casa espiritual no indivíduo) …,essa é a concretização neotestamentaria do fato de que Deus veio armar seu tabernáculo entre o seu próprio povo. (Ver Lev.26:11 e a profecia em Eze. 37:26).

A resposta esclarece que a manifestação, sendo de cunho espiritual, deve ser dada a indivíduos, e esses quando espiritualmente preparados». (Dods. in loc.).

Se o Espírito Santo ‘habita (menei. ver o vs. 17) em alguém, então esse coração se torna templo (naos) do Espírito Santo. (Ver I Cor. 3:16), tornando-se assim habitação apropriada para o Pai e para o Filho, uma realidade gloriosa e elevadora». (Robertson, in loc.).

Portanto, posto que ele Deus dessa maneira entra em forma invisível na região da alma, preparemos esse lugar, da mesma maneira que o caso admitir, a fim de que seja uma morada digna de Deus; pois se assim não o fizermos, ele, sim que disse tenhamos consciência, nos deixará e migrará para alguma outra habitação que lhe pareça mais excelentemente preparada.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 533.

 

 

Este amor, que tem a Jesus por objeto, recebe uma rica recompensa: “meu Pai (note-se meu, e veja-se sobre Jo 1:14) o amará”, etc. A pergunta “qual amor vem primeiro?” foi respondida com relação ao versículo 21b. Note-se que a expressão ativa “e meu Pai o amará”, corresponde à passiva “será amado por meu Pai” no versículo 21; por isso, veja-se também sobre esse versículo.

E viremos para ele e faremos nossa morada com ele. No Espírito (veja-se no contexto anterior) tanto o Pai como o Filho virão a (πρός, face a face com; veja-se sobre Jo 1:1) aquele que ama ao Senhor, e farão Sua morada com (παρά: junto a) ele.

Esta presença é muito real. Pode-se sentir sua ação. O Espírito convencerá do pecado, guiará ao arrependimento cotidiano, dará segurança de salvação, comunicará a paz de Deus que ultrapassa todo entendimento, admoestará, consolará; tudo isso com relação à Palavra. Dessa forma Cristo prometeu manifestar-Se aos discípulos, mas não ao mundo (veja-se sobre Jo 14:21, 22).

A cláusula, “e faremos nossa morada com ele”, (morada é μονή; veja-se sobre Jo 14:2) indica uma relação muito estreita e íntima. O Pai e o Filho, no Espírito e por meio dEle, estão sempre junto a (παρά) aqueles que amam a seu Senhor, dispostos a consolar, a alentar, e a dar toda a ajuda necessária.320 Já se mostrou que a promessa desta vinda, embora se refira primordialmente ao Pentecostes e à presente dispensação, recebe seu cumprimento final no retorno de Cristo e no novo céu e nova terra (veja-se sobre Jo 14:18).

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento João. Editora Cultura Cristã. pag. 679-680.

 

SINOPSE IV

 

A glória do Senhor deixou a primeira e a segunda Casa. Mas a segunda Casa foi substituída definitivamente pelo Senhor Jesus.

 

 

CONCLUSÃO

 

Concluímos que, em ambos os casos, tanto em Ezequiel como em Jesus, ambas gerações rejeitaram a Deus. No Antigo Testamento, substituíram Javé pelos ídolos e nos Evangelhos, substituíram a Justiça de Deus pela sua própria justiça: ”não conhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a sua própria justiça, não se sujeitaram à justiça de Deus” (Rm 10.3).

 

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Qual o significado de ”glória” na descrição da visão de Ezequiel?

Nas visões de Ezequiel, “glória” indica o resplendor pela presença do Senhor.

 

2- O que representa a saída da glória de Deus?

A saída da glória de Deus representa a retirada de sua presença.

 

3- Qual o pensamento do período pós-exílio sobre o retorno da glória de Deus?

O pensamento no período pós-exílio era de que o retorno era escatológico (Ml 3.1), o da glória de Deus

 

4- Por que a glória da segunda Casa foi maior do que a da primeira?

A presença de Jesus nele fez a glória da segunda Casa ser maior do que a da primeira (Ag 2.9; Mt 21.12, 14,15; Lc 2.46).

 

5- Quem substituiu o Templo de Jerusalém?

O Senhor Jesus substituiu de uma vez por todas o Templo.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

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2 respostas para “4 LIÇÃO 4 TRI 22 QUANDO SE VAI A GLÓRIA DE DEUS”

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