5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

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Texto Áureo

“Ora, o Deus de esperança vos encha de todo o gozo e paz em crença, para que abundeis em esperança pela virtude do Espírito Santo.”  (Rm 15.13)

Verdade Prática

O fruto do Espírito é um dos temas mais vibrantes da ética cristã, pois mostra para o mundo o que Espírito Santo colocou dentro de cada um de nós.

OBJETIVO GERAL

Demonstrar que o Fruto do Espírito é um dos temas mais vibrantes da vida cristã.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Conceituar o fruto do Espírito;

Distinguir e relacionar fruto do Espírito e dons espirituais;

Conscientizar que o Espírito se opõe à Carne.

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LEITURA DIÁRIA

Segunda – Rm 7.15-19 O apóstolo mostra o conflito interior do religioso formal

Terça – Rm 8.5 Existe uma diferença visível entre os incrédulos e os crentes em Jesus

Quarta – Rm 8.8,9 Quem tem o Espírito de Cristo, este pertence a ele

Quinta – 2 Co 4.16 Os que estão em Cristo se renovam a cada dia no ser interior

Sexta – Gl 2.20 O Senhor Jesus vive naquele que está crucificado com Ele

Sábado – Cl 3.5 A carne deve ser subjugada pelo Espírito Santo

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Gálatas 5.16-26

16 – Digo, porém: Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne.

17 – Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis.

18 – Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei.

19 – Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia,

20 – idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,

21 – invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus.

22 – Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.

23 – Contra essas coisas não há lei.

24 – E os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências.

25 – Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.

26 – Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros.

HINOS SUGERIDOS: 178, 315, 541 da Harpa Cristã

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INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Fruto do Espírito e dons espirituais não deveriam ser exclusivistas, mas duas realidades complementares que revelam todo o conselho de Deus. Quem é cheio do Espírito deve desejar o Fruto do Espírito na mesma intensidade que deseja os dons espirituais. Se os dons são sinais poderosos para a evangelização e edificação da igreja, o fruto do Espírito é o testemunho poderoso de uma natureza purificada em meio à geração corrompida. Ora, no meio das trevas quem é luz é como quem segura uma tocha iluminada a meia-noite. Assim, o fruto do Espírito é o testemunho do “eu crucificado” com Cristo. Esse “eu” não é mais regido pelos instintos primitivos e animalescos da Carne, mas pela direção harmoniosa, calma e serena do Espírito Santo.

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INTRODUÇÃO

O fruto do Espírito é o resultado de uma vida cristã abundante e manifestada no relacionamento entre os irmãos e irmãs na igreja e no lar, na convivência com os descrentes no trabalho e na sociedade. Por isso, devemos entender o conflito entre a carne e o Espírito e a função do fruto do Espírito.

Comentário

Aqui ele mostra: 1. Que existe em cada pessoa uma luta entre a carne e o espírito (v. 27). 2. Que é nosso dever e interesse, nessa luta, ficar do lado da parte melhor (w. 16,18). 3. Ele especifica as obras da carne, que devem ser vigiadas e mortificadas, e o fruto do Espírito, que deve ser desenvolvido e estimado, e mostra a importância disso (w. 19-24). Então conclui o capítulo com uma advertência contra o orgulho e a inveja.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 563.

Nesta vida, o homem sem ser cristão tem suas lutas internas, às quais pode dar inúmeras classificações. Lutas internas foram enfrentadas por Agostinho, Lutero, dentre outros, mas em destaque desejo citar o grande apóstolo dos gentios, Paulo, que em seus escritos deixou claro sobre a colisão que se dá entre a carne e o Espírito (G15.17). Pelo lado do “homem interior”, o apóstolo sentia prazer na Lei de Deus, mas, por outro lado, era consciente de algo que lutava e guerreava contra a sua mente (Rm 7.22, 23).

Para o pastor Eurico Bergstén, o homem interior é formado pela junção da alma e do espírito, que é a parte imaterial, observe:

A alma junto com o espírito forma o “homem interior”, a parte imaterial de todo ser humano. Embora a alma e o espírito estejam inseparavelmente unidos, tanto dentro como fora do corpo, existe uma diferença entre eles. A Bíblia diz que a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito” (Hb 4.12). (BERGSTÉN, 2006, p. 130)

O trabalho da alma e orientar a vida do corpo, buscando contato com o mundo ao redor; já o espírito é a parte humana que procura conceder ao homem a capacidade de relacionamento com Deus.

Podemos dizer que a guerra começa no interior do homem, pois a sua alma é a sede dos sentimentos (Sl 42.2). Na alma está centrada a inteligência, os desejos, vontade, intelecto e o querer (Jó 23.13; Sl 139.1; Pv 19.2), as paixões e o temperamento (Lc 12.19). Ao contrário da alma, que busca mais um relacionamento com as coisas físicas, o espírito do homem procura conduzi-lo ao sentimento de desejar Deus e a sua Palavra.

O homem sem Deus deseja servi-lo, porém dominado pela natureza pecaminosa, seu espírito sempre ira inclinar-se para uma vida de pecado, pois seu espírito, que e uma lâmpada divina (Pv 20.27), está separado de Deus (Ef 2.1-5; Tt 1.15; 2 Co 4.4).

Para que o homem natural vença a vida pecaminosa, ele precisa que o seu espírito interior seja vivificado pelo Espírito Santo de Deus (Cl 2.13; Ed 1.1), o qual convence do pecado (Jo 16.8,10).

Querido irmão, note então que o homem, tendo a parte que deseja, tem paixões, relaciona-se com as coisas desta vida; mas a alma também tem no seu interior a consciência (Rm 2.15,16), a qual lhe acusa quando comete algo errado, porém concede-lhe tranquilidade quando faz o bem.

Tendo a alma relacionamento com a vida física por meio do corpo, o espírito, que é a janela aberta para Deus, busca servi-lo, mas não consegue porque não há no seu ser a presença do Espírito Santo, razão pela qual o homem sem Deus sempre se volta para as coisas deste mundo e para os desejos do seu corpo. Quando o espírito humano é fortalecido pelo Senhor passa a ter certeza de que é filho de Deus e começa a produzir os Frutos do Espírito Santo (Rm 8.16).

Gomes. Osiel,. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Editora CPAD. pag. 06-07.

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PONTO CENTRAL:

O Fruto do Espírito tem como fonte o próprio Espírito Santo.

I – O FRUTO DO ESPÍRITO NA VIDA DO CRENTE

O crente em Jesus é alguém que vive sob os domínios do Espírito; ele é liberto da lei e dos rudimentos deste mundo, mas isso não significa uma vida passiva. O fruto do Espírito é a expressão do Espírito na vida do crente.

1. Definição.

Jesus nos salva e nos dá o Espírito Santo, nos renova e coloca em nós o desejo de fazer o que é bom e agradável a Deus. O fruto do Espírito é o resultado natural de um processo de amadurecimento e a consequência de um processo natural de crescimento espiritual. Ele surge gradativamente dentro de nós como resultado da regeneração do Espírito Santo de forma instantânea e também gradativa por meio do crescimento na graça de nosso Senhor Jesus Cristo, como acontece com a santificação. O apóstolo apresenta nove modalidades do fruto (v.22).

Comentário

O apóstolo Paulo faz um contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Se as obras falam de esforço, o fruto é algo natural. Donald Guthrie diz que a mudança das “obras” para “fruto” é importante porque remove a ênfase do esforço humano. As obras da carne são resultado do nosso labor; o fruto do Espírito é realização do Espírito em nós. Concordo com R. E. Howard quando escreve: “Uma obra é algo que o homem produz por si mesmo; um fruto é algo que é produzido por um poder que não é dele mesmo”.516 O fruto do Espírito tem origem sobrenatural, crescimento natural e maturidade gradual.

James Hastings aborda três verdades importantes sobre o fruto do Espírito: 1) a natureza do fruto; 2) sua variedade; e 3) seu cultivo. O fruto de que Paulo está tratando é a criação do Espírito Santo. Ele não brota da nossa natureza, nem é produto da educação mais refinada. Esse fruto é variado, uma vez que Paulo menciona nove virtudes morais que são produzidas pelo próprio Espírito. Finalmente, esse fruto precisa ser cultivado de forma espontânea para que se tome proveitoso e assaz saboroso.

LOPES, Hernandes Dias. GALATAS A carta da liberdade cristã.Editora Hagnos. pag. 247-248.

O Espírito Santo e o Caráter do Crente

Na teologia organizada por Stanley M. Horton, segundo as palavras de David Lim, em se tratando do fruto do Espírito Santo, ele é bem direto em afirmar categoricamente que tem relação com crescimento e caráter. Observe:

Qual é o relacionamento entre os dons e o fruto do Espírito?

O fruto tem a ver com o crescimento e o caráter; o modo de vida é o teste fundamental da autenticidade. O fruto em Gálatas 5.22,23, consiste nas “nove graças que perfazem o fruto do Espírito — o modo de vida dos que são revestidos pelo poder do Espírito Santo que neles habita”. Jesus disse: “Por seus frutos os conhecereis”. (Mt 7.16-20; […] Lc 6.43-45) (HORTON, 1996, p. 488)

A palavra caráter fala das qualidades inerentes de uma pessoa, essas qualidades determinam a conduta e a concepção moral. O fruto do Espírito, na vida do crente, trabalha para que o caráter de Cristo seja real, ou melhor, Ele deseja que a santidade que há em Deus brilhe em nosso ser.

Na terra o cristão precisa viver procurando expressar o caráter de Cristo, alcançando o nível de sua espiritualidade (Hb 4.13). Podemos admirar o caráter de muita gente neste mundo, mas para termos o caráter de Jesus Cristo precisamos ter um viver dominado pelo Espírito Santo, pois Ele produzirá em nós a qualidade de vida que Deus deseja. Ao usar a palavra fruto, o apóstolo Paulo está evidenciando o caráter que Deus espera de seus filhos, na distinção entre fruto e dons é importante saber que nem todos os crentes terão os mesmos dons, mas em relação ao fruto do Espírito Santo, todos os crentes precisam ter.

Ligados com o Espírito Santo de Deus todos os crentes são como uma grande árvore que produz o mesmo fruto. Os cristãos só podem ser como Jesus Cristo, mediante ao fruto do Espírito, quando Ele nos enche e nos domina, então, as virtudes cristãs aparecem (Cl 3.5,12).

Podemos dizer que o Espírito Santo é o vigia da vida do crente. Ele passa a nos controlar de tal modo que não deixa entrar em nossa vida aquilo que contraria a vontade de Deus e age também para que não entre aquilo que não satisfaz a Deus.

Quem não vive dominado pelo Espírito Santo não pode crescer, visto que ainda está dominado pelos desejos pecaminosos, os quais produzem um estilo de vida baixo, comprometido e que foge dos padrões divinos. A produtividade na vida do crente e a formação do seu caráter vêm quando o Espírito Santo habita, o qual nos leva a ter prazer na Palavra de Deus e nos concede uma vida maravilhosa (SI 1.3; Jo 15.4,5).

Gomes. Osiel,. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Editora CPAD. pag. 25-26.

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2. “O fruto”, no singular.

Alguns expositores estranham o fato de Paulo contrapor “as obras da carne” (v.19) com o “fruto do Espírito” (v. 22), no singular, quando era de se esperar “frutos”. O missionário Eurico Bergstén explica esse singular ilustrando esse fruto como uma laranja e seus gomos. O “fruto” que aparece logo em seguida é o amor (“caridade”, na Versão Almeida Corrigida – 1969), diz o missionário, as oito virtudes seguintes são os reflexos do amor: “gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (v. 22).

Donald Gee chama o fruto do Espírito de nove modalidades do fruto. A forma singular sugere que nelas se produz a unidade de caráter de Cristo, as nove graças mencionadas, todas elas em contraste com as confusões das obras da carne.

Comentário

“… o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (5.22,23). Segundo Juarez Marcondes Filho, o fruto do Espírito não pode ser criado artificialmente nem pode ser simulado. Ninguém frutificará alheio à operação do Espírito Santo. Vale ressaltar que Paulo não fala de frutos, mas do fruto. Essas nove virtudes são como que gomos de um mesmo fruto. Não podemos ter um fruto e ser desprovidos de outros. As nove virtudes produzidas em nós pelo Espírito podem ser classificadas em três áreas: 1) a atitude do cristão para com Deus; 2) a atitude do cristão para com outras pessoas; e 3) a atitude do cristão para com ele mesmo.

LOPES, Hernandes Dias. GALATAS A carta da liberdade cristã.Editora Hagnos. pag. 248.

O Fruto do Espírito

Para evidenciar a vida de comunhão com Deus, Paulo começa agora a falar do que acontece com aqueles que se submetem ao Espírito Santo: em lugar de obras aparecem o fruto e em lugar de carne aparece o Espírito. As mais belas virtudes cristãs são destacadas na vida daqueles que vivem sob o controle do Espírito Santo.

O singular fruto, como sempre é usado por Paulo, na verdade trata-se de um recurso para destacar a unidade que o Espírito

Santo cria na vida daqueles que se sujeitam a Ele, produzindo as diversas virtudes, mas tendo uma só fonte.

No viver carnal a desunião é grandiosa, ao contrário daqueles que vivem sob a vida dinâmica do Espírito Santo, que busca levar o crente a viver como Jesus viveu neste mundo, tendo um só sentimento, em total perfeição (Gl 4.19). O viver na carne traz diversos problemas, conflitos, pecados, mas o viver no Espírito produz uma vida segundo o querer de Jesus.

A lista de Paulo começa da seguinte maneira:

a) Amor (Agãpe). É importante entender que Paulo não está dizendo aqui, que as demais virtudes vêm do amor, na verdade, ao o amor é a decisão de tudo (1 Co 13.13; 1 Jo 4.8).

b) Gozo (Cbard — alegria com motivos certos). Quer dizer alegria, não é produto do crente, mas vem ao crente por meio de Jesus e do Espírito (Jo 15.11; 1 Ts 1.6).

c) Paz (Eiréne — ordem, segurança, felicidade, ausência de ódio, vida confiante no que Cristo fez). Essa paz vem de Cristo e concede tranquilidade ao crente (Jo 14.27; Fp 4.6), ela visa atingir também os relacionamentos.

d) Longanimidade (makrothumía-paciência). Dominado por esse fruto o cristão não se apressa em tomar atitude ásperas de imediato, nem fica dominado com o sentimento de vingança, mas deixa tudo nas mãos de Deus (Rm 12.19).

e) Benignidade (Crestótes — generosidade, amabilidade). A ênfase está em fazer o bem e envolve atitudes sociais.

f) Bondade (Agatbosyne — retidão, bondade benéfica). Essa bondade trata-se mais de uma conduta, alguém que faz o bem porque é reto e sua alma aborrece o mal. Dominado por esse fruto o cristão nunca agirá com intenções e motivos maléficos.

g) Fidelidade (Pístis — entenda que não se trata de fé, mas sim de fidelidade, lealdade). São diversos os conceitos que essa palavra recebe, mas nesta ocasião ela ganha uma conotação de integridade, dignidade que merece confiança (Mt 23.23; 2 Tm 4.7; Tt 2.10).

h) Mansidão (Praótes—gentileza, faz o bem para o outro com toda humildade, pois o eu camal está subjugado).

i) Domínio próprio (Encrateia— autocontrole. Domínio sobre os desejos e as paixões, especialmente os apetites sensuais). Estudiosos falam desse controle como um ato de reprimir com mão forte, por intermédio do Espírito, os desejos do eu carnal.

Observe que no tocante às obras da carne, Paulo diz que aqueles que são dominados por ela jamais entrarão no reino dos céus. Para as obras carnais existe restrição, exigências, mas quanto às obras do Espírito Santo, Paulo diz que não há Lei, ou melhor, restrição. Não há Lei para frear o fruto do Espírito, pois todas as virtudes do fruto do Espírito são benéficas para nossa vida (Rm 8.4; 1 Tm 1.9). O cristão deve procurar sempre viver sob o poder do Espírito Santo para que esses frutos estejam em sua vida (Jo 15.2; Ef 5.9; Cl 3.12; 1 Co 13.7).

Gomes. Osiel,. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Editora CPAD. pag.

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3. Andar no Espírito (v.16).

Ser guiado pelo Espírito significa, na linguagem paulina, vitória sobre os desejos e impulsos carnais. “Andar no Espírito” é uma expressão que indica viver corretamente em humildade, submissão e santidade. O apóstolo Paulo usa termos similares para se referir a esse estilo de vida dos crentes: “para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus” (Cl 1.10); “andar e agradar a Deus” (1 Ts 4.1); “andai em amor” (Ef 5.2); “andai como filhos da luz” (Ef 5.8); “andai nele” (Cl 2.6). O apóstolo Pedro nos ensina: “andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação” (1 Pe 1.17).

Comentário

Ter a consciência da presença do Espírito Santo de Deus em nossa vida é fundamental para que possamos desenvolver uma comunhão permanente com Ele, como também aprender dEle, depender dEle para tudo, para orar, evangelizar, pregar e decidir. A ênfase de Jesus para que os discípulos tivessem o Espírito Santo e fossem para Jerusalém, para serem revestidos de Poder, para que as suas vidas fossem controladas por Ele, pois assim o Espírito Santo produziría vida, dons e frutos (Lc 24.49; At 1.8; G15.16-25).

Mas é importante sabermos de uma coisa: o Espírito Santo não somente nos dá todas essas bênçãos, Ele passa a viver em nós para que possamos desenvolver o estilo de vida que Deus deseja que tenhamos, para tal, Ele usa a “santificação”, com o intuito de separar o crente do pecado e para que seja um instrumento de Deus.

O Espírito Santo age assim para que a pessoa viva não mais sob o domínio do pecado, para que sinta prazer em viver para Deus e fazer a sua obra neste mundo (Rm 8.2.9; lCo 6.11; 2 Ts 2.13,14). O Espírito Santo deseja que sejamos como Jesus, e, para isso, Ele procura nos afastar daquilo que compromete a nossa comunhão com Deus (Rm 8.29; 1 jo 3.2).

É claro que o Espírito Santo não vai fazer isso de modo abrupto, Ele sabe que quando uma pessoa aceita a Jesus como seu Senhor e-Salvador, essa separação do mundo é feita de modo gradativo, que para sermos iguais a Jesus, leva tempo, é por isso que a Bíblia trata o nosso novo nascimento como infância espiritual, que leva um tempo para chegarmos ao padrão que Deus deseja (lPe 2.2-32; 3.18; 2Tm 2.15).

A cada momento da nossa vida o Espírito Santo nos aponta o que é certo e que é errado. A santidade que Ele exige de nós não é compulsiva, ascética, mística, ostracista e sem conhecimento. Por meio da Palavra de Deus o Espírito Santo trabalha paulatinamente, até que se chegue à varonilidade, ao padrão de vida que Deus deseja que tenhamos (Ef 4.11-14). Sabemos que muitos não entenderam a santidade exigida pelo Espírito Santo, daí as muitas más interpretações e aberrações que nesse particular surgiram, a santidade passou a ser vista de modo negativo.

Quem deseja entender melhor a questão da santidade precisa se ater a alguns textos bíblicos. Por exemplo, é no primeiro livro da Bíblia que encontramos o conceito de santificação, pois, no seu sentido usual, a palavra “santificar” significa separar. Veja em Gênesis 2.3, a Bíblia diz que Deus santificou o sétimo dia, você sabe que não existe dia santo, então, podemos entender que aqui o autor está falando de separar um dia não para ser santo, e, sim, para um propósito especial, esse dia tem um valor ético, para o descanso do homem. O conceito de santificar também se aplica à separação de homens para servirem a Deus, em Êxodo 28.41, observamos essa ideia, homens separados para o uso exclusivo da obra de Deus.

A Bíblia fala ainda no livro de Êxodo 40.9 que até mesmo vasilhas e outros objetos eram separados para a obra de Deus, note que a santificação não está sendo tratada como um estado de moralidade, e, sim, de separação. Então, ser santificado significa ser separado para o uso de Deus; agora, uma coisa deve ser levada em consideração, a palavra santificar, que significa separar, carrega também a ideia de transformação, isto é, aqueles que foram separados para o uso de Deus, são pessoas que foram transformadas pelo seu poder, para serem usadas em sua obra, por meio dessa transformação o homem passa a viver em comunhão com Deus. Um cristão só pode viver em comunhão, só pode fazer o trabalho de Deus com prazer, se a sua vida já foi realmente transformada (Rm 12.1-21; Hb 12.14).

A santificação no aspecto bíblico pode ser definida de três maneiras:

a) Definitiva. Essa santificação é posicionai, acontece quando a pessoa por meio da fé crê em Jesus Cristo, tem uma nova natureza aplicada em sua vida por meio do Espírito Santo de Deus e todos os seus pecados já foram perdoados. Então definitivamente essa pessoa está em uma nova posição em Cristo Jesus (1 Co 1.2);

b) Progressiva. Esse tipo de santificação vai acontecendo a cada momento na vida do cristão e pode ser definido como crescimento espiritual, crescimento na graça de Cristo Jesus (1 Pe 3.18), enquanto a santificação definitiva fala de perdão, a santificação progressiva trata de crescimento;

c) Final. Em Filipenses 3.12,13 Paulo deixa claro que busca ainda algo que está para o futuro, ou seja, a verdadeira perfeição final. Essa transformação final só acontecerá com a entrada do cristão no lar celestial, isso porque ele já foi transformado completamente, sendo assim, esse tipo de santificação é chamado de santificação final. Essa santificação é descrita por João, ele fala que na entrada do cristão no Céu, o cristão será semelhante a Cristo Jesus (1 Jo 3.2), então, a santificação final fala da total transformação do crente na sua entrada na glória. Em Hebreus 10.10, vemos que o autor fala sobre a santificação definitiva, que já aconteceu na vida do crente, isto e, já foram santificados, no verso 14, ele fala sobre a santificação progressiva, a santificação final da perfeição do crente, à semelhança de Jesus.

Gomes. Osiel,. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Editora CPAD. pag. 16-19.

«…Andai…» Expressão comum que indicava a maneira de viver, os costumes da vida diária, o impulso geral e a direção de uma vida humana.

O andar, por ser uma ação contínua, requer uma atenção contínua, um conflito espiritual e uma busca contínuos. (Quanto ao «andar», como trigo». (Faucett, in lo c), indicação da maneira de viver, ver também as passagens de Marc. 7:5; João 8:12; Atos 21:21; Rom. 6:4; 8:4; I Cor. 3:3 e Fil. 3:18. Quanto ao «andar» como uma metáfora espiritual, ver as notas expositivas sobre Rom. 13:13).

«…no Espírito…», ou seja, no âmbito de sua influência. Alguns eruditos, entretanto, pensam que se deve compreender essas palavras como «pelo Espírito», ou seja, por sua agência ativa, como quando, de maneira bem real, ele exerce seu poder transformador sobre a alma, para que adquira a imagem de Cristo, que é o grande propósito da redenção, de conformidade com o evangelho. Ambas essas ideias, todavia, expressam verdades.

Na qualidade de crentes, ficamos sob uma nova área de influência, em um novo ambiente; mas também contamos com a agência ativa do Espírito Santo em nossas vidas, o que nos torna mais e mais semelhantes a Cristo, até que, finalmente, chegamos a compartilhar plenamente de sua imagem. (Ver II Cor. 3:18).

Paulo já tivera ocasião de demonstrar que a mera pressão da lei não pode produzir nem a vida eterna e nem a santidade. Na realidade, a lei serve de obstáculo tanto para uma como para outra dessas coisas, porquanto ela se alia ao princípio do pecado-morte.

Ao invés dessa pressão legal, o crente conta com a «agência» do Espírito Santo, que ê poderosíssima força espiritual, capaz de dar a vitória na santidade, uma vez que a vontade humana ceda perante a mesma. Não faz parte das funções da lei nem dar a vida e nem santificar.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 505.

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SÍNTESE DO TÓPICO I

O fruto do Espírito revela o crente que vive sob os domínios do Espírito.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Abra a aula de hoje, perguntando: O que é mais importante? Ser batizado no Espírito Santo ou viver o fruto do Espírito? Após ouvir as respostas, de acordo com as Escrituras, diga que essa pergunta não faz sentido algum para o crente. Em nenhum lugar da Bíblia se ensina essa “escolha”, pois tanto um quanto o outro são igualmente importantes na vida do crente e da igreja. Tanto o Batismo no Espírito Santo, e a realidade dos dons espirituais, quanto o fruto do Espírito são realidade de uma única fonte: o Espírito Santo. Ao expor o conteúdo desse primeiro tópico, deixe claro que para vencer a Carne é preciso “andar no Espírito”; e só “anda no Espírito” quem manifesta o fruto do Espírito. Logo, só há um jeito de crucificar a carne: o fruto do Espírito.

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II – DIFERENÇA E RELAÇÃO ENTRE O FRUTO E OS DONS DO ESPÍRITO

Os dons espirituais e o fruto do Espírito têm a sua origem numa mesma fonte e ambos glorificam a Cristo, mas se trata de coisas distintas. O amor, por exemplo, não é um dom (1 Co 14.1).

1. Diferença.

O que há em comum entre essas duas fases abençoadas da nossa redenção é a fonte de origem. A primeira e a maior modalidade do fruto do Espírito é o amor, as demais modalidades são reflexos do amor. O apóstolo Paulo usa o amor como representante do fruto do Espírito ao comparar o fruto com os dons do Espírito. O amor é superior aos dons, é o “caminho ainda mais excelente” (1 Co 12.31). Por essa razão, o amor encabeça essa lista (Gl 5.22); e em outras passagens prevalece a supremacia do amor (1 Co 13.13; Gl 5.13; 6.1,2). Paulo afirma ainda que os dons sem o amor não são “nada” (1 Co 13.1-3) e são passageiros (1 Co 13.8-10), mas o amor é eterno.

Comentário

O grandioso capítulo do Amor da Bíblia Sagrada não é uma digressão, nem tampouco uma interpolação de uma composição já existente, escrita por Paulo ou por outra pessoa, na discussão dos dons espirituais. Suas referências aos vários dons espirituais teriam feito pouco sentido se já existissem isoladamente. Isto é, sua menção de línguas, profecias, mistérios, ciência, e fé, indicam que foi escrito para esta ocasião específica e que formou uma ponte necessária entre a existência dos dons (cap.12) e sua operação (cap.14).

Várias notas preliminares estão em ordem:

1) A palavra para amor, agape não era comumente usada antes do primeiro século. Os escritores do Novo Testamento, porém, apresentam-na como a principal virtude de um cristão. Consta aproximadamente 115 vezes no Novo Testamento.

2) O amor não é um dom espiritual, como aqueles que Paulo discute neste contexto e noutras passagens. É, antes, uma virtude, um aspecto do fruto do Espírito (G1

5.22,23). “O amor não é um charisma [dom], mas um completo modo de vida” (Carson, 57).

3) A essência do amor é a doação sacrificial de si mesmo, às vezes a favor de algo ou alguém que não o merece. Os exemplos supremos são o próprio Deus (Jo 3-16) e Jesus (Ef 5.25).

4) Paulo não coloca o amor em oposição aos dons, implicando que se deve escolher entre os dois. Deve-se compreender corretamente que o apóstolo está ensinando a respeito de ambos. Em 14.1 os coríntios são incentivados a buscar dois propósitos: o amor e os dons espirituais.

5) Paulo não questiona a validade dos dons, mas a falta de amor por parte dos cristãos nas ocasiões em que os dons são manifestados.

6) A divisão do capítulo entre os versos 31a e 31b pode parecer inadequada. Provavelmente seria melhor concluir o capítulo 12 com a primeira parte do verso 31ª.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 1020.

Os Dons Mais Excelentes

1. Os melhores dons são aqueles que possuem maior poder de edificação, e isso aponta, principalmente, para a profecia.

2. Os ministros mais bem dotados espiritualmente são os apóstolos, os profetas e os mestres, porquanto esses são hábeis na edificação.

3. Paulo situa em últimos lugares aqueles dons que podem servir para glorificar ao homem, quando abusados, como as línguas e os milagres. Isso não significa, entretanto, que ele tenha proibido o uso desses dons, mas somente que ele nos oferece classificações gerais quanto à sua utilidade na comunidade cristã.

Buscando Os Dons Espirituais

1. A noção inteira da busca, pelos dons espirituais está envolvida na indagação: «Como posso melhorar a mim mesmo, de modo a que minha utilidade para os outros vá crescendo»

2. O trecho de Efé. 4:12 e ss. mostra-nos que os dons (e as pessoas assim dotadas) têm por intuito a promoção das perfeições de Cristo nos homens, e não a glorificação de um homem acima de outro. O orgulho humano penetra em todas as formas de realização, incluindo as realizações de natureza espiritual. Os homens abusam até mesmo das melhores coisas.

3. Como podemos buscar esses dons? Através do desenvolvimento espiritual, e não como um meio de tomar um atalho para chegar mais depressa à espiritualidade. Através da santidade é que devemos buscar as realizações espirituais. Sem a santificação, os dons serão imitações de poderes estranhos. Antes, que cada crente conte ao Senhor a sua necessidade, e como deseja servir ao próximo.

Que peça ao Senhor por dons que lhe permitam servir melhor a seus semelhantes. Que apresente a ele uma vida que possa manusear os dons sem cair em abusos. Dessa maneira, a vontade divina do Senhor dará ao crente dons espirituais. E que se utilizem os meios de desenvolvimento espiritual, como o estudo dos documentos sagrados, a oração, a meditação, a prática da lei do amor, a santificação, etc. Assim agindo, tornar-te-ás um candidato para recebimento dos dons espirituais.

4. A discussão de Paulo, neste capítulo, não tem por escopo desencorajar as pessoas de buscarem os dons espirituais, e, sim, visam a ajudá-las a evitar os abusos. Na medida em que a espiritualidade se desenvolve no seio de uma igreja, os dons mais facilmente sujeitos a abusos—línguas e milagres—vão cedendo lugar a expressões espirituais superiores, que não podem ser facilmente duplicadas ou imitadas. Portanto, esperemos que haja avanço, e não mera restauração dos dons. Talvez o processo histórico-espiritual tenha deixado de lado certos dons (aqueles mais facilmente sujeitos a abusos), e esteja prestes a trazer-nos algo superior, em torno do que todos os verdadeiros crentes se possam unificar. Roguemos isso da parte do Senhor, e esperemos para ver o que ele fará conosco.

«…E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente…» Ê recomendável o crente buscar os dons espirituais mais elevados. Não obstante, há um «caminho», o da ação moral, que produz ainda mais prontamente o nosso retorno a Deus, mais do que o exercício de todos os dons espirituais mais elevados. O exercício dos dons espirituais é algo «excelente»; más aqui temos algo «sobremodo excelente», algo ainda mais excelente que o exercício dos melhores dons espirituais. Paulo se referia à vereda do «amor cristão», conforme ele passaria a mostrar, no que é agora o décimo terceiro capítulo desta epístola.

Alguns intérpretes, entretanto, compreendem que a vereda do amor cristão é o caminho por excelência, que nos conduz à obtenção dos dons espirituais, e não algo a ser contrastado com eles.

Naturalmente que essa ideia também expressa uma verdade; pois é através do amor que o uso dos dons espirituais deve ser controlado, bem como é através do mesmo que os dons espirituais precisam ser desenvolvidos, conforme também é esclarecido no décimo terceiro capítulo desta epístola. Ê por essa razão que Alford diz (in loc.): «…ele ‘Paulo’ não traça a comparação entre o amor e os dons, mas tão-somente mostra que esse é o único caminho através do qual os dons espirituais podem tornar-se eficazes no sentido mais elevado». Realmente, esse parece ser o sentido requerido aqui, quando consideramos o trecho de I Cor. 14:1, com seu mandamento, que diz: «Segui o amor, e procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis».

Não obstante, há uma maneira de buscar o amor cristão por causa do valor desse amor, e não meramente como elemento de edificação e aprimoramento dos dons espirituais. Ora, o amor é o dom do qual todos podem participar; não há aqui qualquer limitação, porquanto o Espírito Santo haveria de conferir esse dom a todos os crentes, sem qualquer distinção. Por isso é que o amor é mais para ser desejado do que mesmo os dons espirituais, por melhores e por mais desejáveis que eles sejam.

«O amor é mais justo e melhor em si mesmo, sendo a causa do que é mais justo e melhor em todas as outras coisas». (Platão, Simpósium, 197).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 201.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

2. Os dons na igreja.

Convém relembrar que os dons são importantes. Isso não significa que devemos desprezá-los. É a vontade de Deus que os irmãos e as irmãs não ignorem os dons espirituais (1 Co 12.1), que busquemos os melhores (12.31) e “não desprezeis as profecias” (1 Ts 5.20).

Os dons são comparados a um andaime numa construção; a igreja, a um edifício (1 Co 3.10-12; Ef 2.20-22). Não é possível uma construção prosseguir sem o andaime, mas uma vez concluída a obra, o andaime é dispensado. No céu não haverá necessidade dos dons, mas eles são uma necessidade imperiosa na vida da igreja hoje, pois ela precisa do poder do alto para combater o reino espiritual das trevas (Ef 6.10-12). Segundo Apocalipse 21 e 22, no mundo vindouro não há necessidade desses recursos do Espírito.

Comentário

Portanto, podem estar aqui em foco os «poderes» ou «manifestações espirituais», embora essas manifestações sejam definidas como «dons», no restante deste décimo segundo capítulo. Essa palavra pode ser do gênero masculino ou do gênero neutro, o que significa que pode indicar pessoas ou coisas, respectivamente; mas aqui a ideia de «coisas» se torna auto-evidente.

«…a respeito…» Provavelmente uma referência à inquirição feita pelos crentes de Corinto, em uma missiva dirigida a Paulo, como também se vê em I Cor. 7:1. Ou então essa expressão pode ser uma simples designação de modificação de assunto, em que se passaria para outro tema.

«…não quero que sejais ignorantes…» Essa fórmula paulina indica os assuntos que merecem nossa cautelosa atenção.

Porém, também pode estar subentendido que a despeito de todo o seu pretenso conhecimento, bem como da posse de tais dons, devido ao seu abuso, faltava-lhes o conhecimento essencial a respeito desses dons e de seu propósito. Aqueles coríntios vinham usando os dons espirituais para sua própria exaltação, como parte de suas facções e de sua adoração a «heróis», ao invés de fazerem-no para a glória de Cristo. Ora, isso era uma «ignorância» essencial sobre a questão da natureza e do uso dos dons espirituais.

«…irmãos…» Essa palavra é de vez em quando usada por Paulo para suavizar suas declarações ásperas, mostrando seu afeto, reconhecendo que estava identificado com eles, em Cristo, conforme tem sido frequentemente empregado em outros trechos desta epístola. (Ver I Cor. 1:11,26; 2:1; 3:1 e 10:1). Paulo também empregou a expressão «meus amados», em I Cor. 10:14. Mas, em I Cor. 11:1, volta ele a empregar a palavra «irmãos». «…ignorantes…», isto é, acerca dos meios, dos usos e dos propósitos dos dons espirituais, especialmente em face do fato que servem para exaltar a Jesus Cristo e devem proceder da parte do Espírito Santo, em contraste com sua anterior idolatria, que envolvia todas as modalidades de elementos prejudiciais (ver o segundo versículo). Os verdadeiros dons espirituais e seu devido emprego devem ser encarados como um sinal digno de confiança que os crentes de Corinto tinham abandonado sua adoração idólatra, pertencendo agora a um novo Senhor. Porém, os abusos por eles cometidos punham tudo isso em dúvida.

O grande derramamento do Espírito, que se observa na posse e uso dos autênticos dons espirituais, é tema da profecia de Joel. Até mesmo a antiga literatura judaica se referia ao mesmo como sinal da «nova era». Porém, o emprego desses dons espirituais deve ser feito de acordo com regras espirituais, pois, de outro modo, nada significarão.

«Tendo os crentes de Corinto se desviado de um cristianismo simples, prático, agora empregavam os dons do Espírito sem qualquer preocupação de edificarem a igreja. Antes, davam maior valor às características mais espetaculares, aquelas que eram capazes de mais facilmente impressionar os sentidos. Por essa razão é que Paulo se sentiu constrangido a instruí-los no ‘verdadeiro e correto uso desses dons, advertindo-os contra a possibilidade de confundir a inspiração genuína com a excitação fanática (Neander, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 189-190.

O apóstolo lhes diz que não queria que eles fossem ignorem quanto à sua origem nem quanto ao seu uso. Eles vinham de Deus e deviam ser usados para Ele. Eles se desviariam se ignorassem tanto um quanto o outro desses aspectos. Note que a informação correta é de grande utilidade para todas as práticas espirituais. E um péssimo serviço que prestam os homens capacitados quando não conhecem ou não atentam para a natureza e o uso coreto dos dons com os quais eles são dotados.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 479.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

SÍNTESE DO TÓPICO II

Os dons espirituais e o fruto do Espírito têm a sua origem numa mesma fonte: o Espírito Santo. Ambos glorificam a Cristo.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

SUBSÍDIO VIDA CRISTÃ

“A Palavra de Deus fala claramente da recompensa que o crente tem ao dar liberdade ao Espírito Santo para que produza as características de Cristo no seu interior. Em 2 Pedro 1, a Bíblia nos fala da necessidade de o crente desenvolver as dimensões espirituais de sua nova vida em Cristo. Com este desenvolvimento vem a maturidade, a firmeza e a perseverança, que permitem ao crente viver vitoriosamente no tocante à velha e pecaminosa natureza adâmica. No versículo 10, a Palavra de Deus diz: ‘Porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis. Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no Reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo’ (2 Pe 1.10,11).

O fruto é uma coisa viva.

Se você entregou o controle de sua vida ao Espírito Santo, Ele infalivelmente produzirá em você o fruto do Espírito em uma colheita contínua e abundante. Ele é chamado ‘o Espírito de vida’ (Rm 8.2; Ap 11.11). Portanto, o seu fruto espiritual deverá ser crescente, nutrido e completo, reluzente, vistoso e sadio” (GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A Plenitude de Cristo na Vida do Crente. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2019, p.22).

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

III – O ESPÍRITO SE OPÕE À CARNE

O que levou o apóstolo ao assunto foi o contexto das igrejas da Galácia. O abuso da liberdade cristã, a antinomia, de um lado, e o legalismo, de outro estavam dando ocasião à carne, levando à falta de amor e à desunião (Gl 5.13-15).

1. O legalismo.

Há um acentuado contraste entre estar na carne e andar no Espírito. O apóstolo mostra que para ser legalista, viver de acordo com a lei, depende da carne, mas para viver no Espírito, depende da graça de Deus (Gl 5.16-18). O sistema legalista que os opositores de Paulo, os judaizantes (Gl 2.14), ensinavam nas igrejas da Galácia, é egocêntrico, motivado pela carne e gera competição espiritual que resulta em desavença (Gl 5.15).

Comentário

O Amor cumpre a Lei (5.14,15)

Como apoio ao imperativo surpreendente de “servir uns aos outros” como escravos em amor, Paulo declara que toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo (14). A primeira vista, esta declaração contradiz tudo que ele laboriosamente argumentara com referência às obras da justiça. Se a lei tinha somente uma função temporária que foi ab-rogada pela vinda de Cristo, então por que o crente deveria se preocupar em cumprir a lei?

Não há dúvida de que Paulo usa a palavra “lei” (nomos) de dois modos diferentes, mas não devemos interpretar esta constatação com o sentido de que o termo tenha significados intrinsecamente contraditórios. Em Romanos e Gálatas, onde Paulo está combatendo os judaizantes, ele usa o termo no sentido em que seus oponentes o usavam, qual seja, “um sistema legalista”. Quando Paulo usa a palavra desta maneira, que podemos dizer que é polêmica, precisamos entendê-la como esforço de obter salvação pelas boas obras — obras da justiça. O crente está morto para tais obras da lei (cf. Rm 7.4,6). Por outro lado, o que Paulo entendia da lei, em seu sentido básico como padrão divino, tem exigências obrigatórias para todos os homens. Estas exigências só podem ser satisfeitas ou cumpridas por Cristo (cf. Rm 8.4). O amor (agape) que Paulo exorta que os gálatas expressem não é humano; é o amor de Deus e o fruto do Espírito.

Assim, toda11 a lei com todas as suas exigências cumprem-se através do amor de Deus (Cristo), conforme é expresso na vida do crente. Em muitas traduções, a palavra se cumpre é substituída por “se resume”.12 A razão para isto é a passagem paralela em Romanos 13.9: “Se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume [anakephalaioo]: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo”. Devemos observar que na passagem de Romanos o resumo diz respeito aos mandamentos, alguns dos quais Paulo acabara de relacionar, que estão “resumidos” no “grande mandamento”.

Mesmo neste contexto (Rm 13.8-10), ele deixa claro que o amor é o cumprimento ipleroo epleroma) da lei. Ainda que os mandamentos estejam resumidos no grande mandamento, a lei inteira se cumpre no amor. Isto significa que todas as exigências da lei de Deus são totalmente obedecidas através do amor. Está claro que o cristão não está isento das exigências da lei. Deus não pode favorecer os que fazem o que ele proíbe. Esta obediência não é o meio de obter salvação, mas o resultado do dom da graça de Deus — o Espírito Santo.

A expressão numa… palavra é reconhecida facilmente como citação de Levítico 19.18 (LXX), que Paulo usou em Romanos 13.9 e que Jesus aludiu como o segundo grande mandamento.13 Tiago a denomina de “lei real” (Tg 2.8). Não há melhor comentário sobre isso que Lucas 10.27-37, Romanos 12 a 15 e 1 Coríntios 13.

O Paulo invariavelmente prático aplica o princípio do amor ao que obviamente era o problema urgente na Galácia: Se vós, porém, vos mordeis e devorais uns aos outros, vede não vos consumais também uns aos outros (15). E lógico que os judaizantes não tinham convencido todos os convertidos de Paulo. O resultado foi discussão acalorada e dolorosa. Paulo descreve a cena como animais selvagens em combate mortal. A ordem e os tempos verbais dos termos usados caminham para um clímax: mordeis, devorais e consumais dão indicação da devastação completa e absoluta. Não há que duvidar que a cena feriu Paulo mais do que tudo: Ver seus convertidos amados destruindo-se mutuamente. Não há quadro mais triste em qualquer igreja em qualquer época. O único remédio adequado é o amor que faz a pessoa servir em vez de consumir seus semelhantes.

R. E. Howard. Comentário Bíblico Beacon. Galatas Editora CPAD. Vol. 9. pag. 67.

A Oposição entre Espírito e Carne (5.16-18)

Nesta subdivisão, Paulo admoesta os crentes gálatas a andar no Espírito, para que os desejos da carne não venham a ser satisfeitos. Ele mostra que os desejos do Espírito e os desejos da carne se opõem diretamente um ao outro. Aquele que é conduzido pelo Espírito não está mais sob a lei que leva à escravidão da carne.

Como indicado no versículo 13, o serviço de amor ao qual os crentes gálatas foram admoestados a fazer não era mero afeto ou sentimento humano. Era amor divino. Para alcançar este tipo de amor era necessário viver numa relação vital com Deus, descrito neste contexto como viver pelo Espírito. Paulo dá um imperativo novo, mas relacionado: Digo, porém: Andai em Espírito (16). O verbo grego traduzido por andai (peripateo) é termo comum no Novo Testamento. Nos Evangelhos Sinóticos é usado exclusivamente em sentido literal; no Evangelho de João, Apocalipse e Atos tem geralmente o significado literal.

Nos escritos de Paulo sempre é usado em sentido figurado, significando “viver” ou “portar-se”, “conduzir-se”. Para viver essa vida de amor, os gálatas têm de viver pelo Espírito. Neste contexto, Espírito (pneuma) não se refere ao espírito humano nem ao Espírito divino do ponto de vista independente um do outro, mas ao Espírito divino quando Ele habita o espírito humano. O homem interior do crente tem de estar sob a força motivadora e capacitadora do Espírito Santo. Isto está em contraste diametral com a vida anterior, que era motivada pelos desejos da carne.

Esta vida nova vivida permanentemente debaixo do Espírito é possibilitada pela apresentação da crise pessoal a Deus (ver comentários em 2.20). Antes de viver em tal relação, a pessoa tem de primeiro entrar nela. Esta é a dupla preocupação de Paulo.

O apóstolo preferiu declarar a conseqüência negativa do andar pelo Espírito: E não cumprireis a concupiscência da carne (16). Quando o homem de fé vive e anda pelo Espírito, duas coisas acontecem: a) A concupiscência (luxúria, “desejos”, BAB, BJ, CH, NTLH, NVI) da carne (pecaminosa, cf. BV) não se cumpre, ou seja, não é satisfeita.17 É porque o homem de fé não vive de acordo com a carne. Paulo descreve vividamente os desejos satisfeitos da carne como “as obras da carne” (19-21). b) A segunda coisa que acontece quando o crente anda pelo Espírito é o resultado positivo: A vida do crente produz o fruto do Espírito (começando com o amor). O contexto (15) indica que o problema imediato era a falta desta frutificação de amor entre os irmãos gálatas.

Como comprovação de sua declaração, Paulo enfatiza a oposição completa e total entre a carne e o Espírito. Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro (17). Esta forma verbal que Paulo usa foi traduzida com precisão: Acarne cobiça (“deseja”; AEC, NVI; “anseia”, BAB) contra o Espírito. E comum este verbo ser compreendido e traduzido como substantivo, por exemplo: “Os desejos da carne são contra o Espírito”.18 Se, como ocorre frequentemente, o verbo tem a força de substantivo, então é a mera descrição de dois modos de vida contraditórios. Este entendimento está em harmonia com a outra passagem importante, onde o Espírito é contrastado com a carne.

Paulo usa o versículo 17 para fundamentar a declaração feita no versículo precedente. Os desejos da carne não serão satisfeitos se o crente andar pelo Espírito, porque a vida pelo Espírito é totalmente oposta ao modo de vida pela carne. Os desejos da carne não serão mais satisfeitos se o crente andar pelo Espírito, porque tais desejos representam dois modos de vida contrastantes: São totalmente antitéticos.

Este versículo, retirado do contexto, é usado para ensinar a “teoria das duas naturezas”, que afirma que o crente sempre está dividido entre duas forças igualmente poderosas. O resultado desta teoria é o crente viver duas vidas: servindo a Deus com sua natureza superior (ou nova natureza) e servindo ao pecado com a natureza inferior (ou velha natureza, i.e., a carne). Esta bifurcação faz violência séria ao pensamento de Paulo. De maior importância, ignora o contexto; em vez de confirmar a declaração de Paulo, esta interpretação a contesta. Ignora o claro ensino paulino que diz que o poder da carne pecaminosa foi destruído pela cruz. A carne, como instrumento do pecado, foi erradicada (ver comentários em 5.24).

Antes de Paulo fazer o contraste entre as “obras da carne” e o “fruto do Espírito”, ele adiciona uma observação importante: Para que não façais o que quereis (17). O texto grego não diz: “Por isso vocês não podem fazer o que vocês querem” (NTLH; cf. CH), mas para que não façais o que quereis. A oposição do Espírito à carne é tamanha que resulta em proteção vital para o crente que anda pelo Espírito. Ele não precisa fazer o que ele por si mesmo faz. Não é que ele seja incapaz de seguir os próprios desejos, mas que ele não tem o poder de segui-los quando são contrários à vontade de Deus. Isto significa que, quando o crente anda pelo Espírito, os desejos do Espírito substituem os desejos da carne.

Tendo definido o contraste, Paulo retorna ao tema, mas usa termos ligeiramente diferentes, antes de descrever o contraste. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei (18). A expressão guiados pelo Espírito é paralela à expressão andai em Espírito (16). Porém, o termo guiados enfatiza a submissão do crente ao Espírito. A frase não estais debaixo da lei é rememorativa de Romanos 6.14, onde, no meio de uma descrição vívida da libertação do pecado pela morte com Cristo, Paulo faz a mesma observação, acrescentando: ”Mas [vós estais] debaixo da graça”. As alternativas rígidas estão constantemente na mente de Paulo. A vida debaixo do Espírito, com a vitória sobre a carne, está em antítese direta com a vida debaixo da lei, a qual estes convertidos estavam pensando em voltar.

Hoje, o crente em Cristo não enfrenta a mesma ameaça da escravidão à lei, mas é muito real a rígida alternativa entre viver debaixo do Espírito e viver debaixo do pecado. Viver debaixo do Espírito é a única proteção contra viver debaixo do pecado.

R. E. Howard. Comentário Bíblico Beacon. Galatas Editora CPAD. Vol. 9. pag. 68-69.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

2. A Carne e o Espírito.

A palavra grega sarx, “carne”, tem muitos significados na Bíblia, principalmente nos escritos paulinos. Pode significar fraqueza física (Gl 4.13), o corpo (Gl.4.13), o ser humano (Rm 1.3), o pecado (v.24), os desejos pecaminosos (Rm 8.8). O contexto determina o significado dela. No contexto das “obras da carne” significa o conjunto de impulsos pecaminosos que dominam o ser humano. Da mesma maneira a palavra grega pneuma, “espírito”, que se aplica ao Espírito Santo, ao espírito humano, aos anjos e aos espíritos imundos. É só prestar atenção ao contexto para saber a que espírito o escritor sagrado está se referindo. A oposição do Espírito contra a carne na vida cristã mostra que “os que são de Cristo crucificaram a carne com as suas paixões e concupiscências” (v.24). É isso que acontece conosco diariamente: a morte do “eu”.

Comentário
Andando na Carne versus Espírito

Já definimos o homem no seu aspecto tricotômico e esclarecemos o sentido de sárks e sôma, porém, para de fato entendermos a guerra entre carne e Espírito, ainda precisamos saber mais sobre o peneâma ou espírito. Muitos teólogos têm procurado saber se o homem já vem com o espírito ou se ele o recebe no momento de sua conversão. Para alguns estudiosos ou teólogos, o espírito não faz parte da vida do homem que não aceitou a Jesus como seu Salvador, nesse caso ele é composto apenas de duas partes naturais: corpo e alma.

Para ratificar tal pensamento fazem uso de algumas citações de Paulo, afirmando que Deus enviou o seu espírito aos corações dos que são salvos (G1 4.6; Rm 8.11; 1 Co 6.19; 2 Co 1.22), desse modo o espírito aqui seria entendido como o Espírito Santo habitando no homem, fazendo oposição às obras da carne. Precisamos fazer distinção entre o Espírito Santo de Deus e o espírito do homem. Na Teologia Sistemática Pentecostal há uma definição precisa sobre o espírito que habita no homem, que lhe foi dado no ato de sua criação:

Em relação ao homem, o Senhor disse: “Façamos”, e deu-lhe o sopro ou o fôlego da vida. Ele foi feito alma vivente, expressão que se aplica, tanto ao homem quanto aos animais, esclarecendo-se, no entanto, que aos animais Deus concedeu vida, mas não o fôlego da vida, concedido exclusivamente ao ser humano. Chafer afirmou: “Aquele sopro de Deus foi a outorga do espírito, que estava tão longe das outras formas de vida que estão no mundo da mesma forma que Deus está distante de sua criação”. (GILBERTO, 2006, p. 263)

Não podemos pensar no espírito humano como sendo o poder do Espírito Santo, mas sim como algo que vem diretamente de Deus para capacitar o homem a procurar estar em comunhão com Ele. O escritor Myer Pearlman, falando do espírito do homem, diz:

O espírito humano, representando a natureza suprema do homem, rege a qualidade de seu caráter. Aquilo que domina o espírito torna-se atributo de seu caráter. Por exemplo, se o homem permitir que o orgulho o domine, ele tem um espírito altivo (Pv 16.18). Conforme as influências respectivas que o dominem, um homem pode ter um espírito perverso (Is 19.14); um espírito rebelde (Sl 106.33); um espírito impaciente (Pv 14.29), um espírito perturbado (Gn 41.18), um espírito contrito e humilde (Is 57.15; Mt 5.3). Pode estar sob um espírito de servidão (Rm 8.15), ou ser impelido pelo espírito de inveja (Nm 5.14). Assim é que o homem deve guardar o seu espírito (Ml 2.15), dominar o seu espírito (Pv 16.32), pelo arrependimento tornar-se um novo espírito (Ez 18.31), e confiar em Deus para transformar o seu espírito (Ez 11.19) […]. (PEARLMAN, 1977, p. 73)

Mesmo o homem tendo o espírito, que é o centro da vida humana, e que uma de suas funções é a consciência (Rm 2.15.16), esse espírito luta para vencer, mas sua alma está dominada pela natureza pecaminosa, de modo que seu espírito luta, mas perde porque não está vitalizado pelo Espírito Santo de Deus (Ef 2.1-5; Cl 2.13; lTm 5.6).

Nas saudações que Paulo faz direcionadas aos crentes, como no caso de Gálatas: “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja, irmãos, com o vosso espírito. Amém.” (G1 6.18). Na verdade, era uma maneira do apóstolo cumprimentar os crentes que agora gozavam de íntima comunhão com Deus.

Dessa forma concorda também o doutor Donald Guthrie:

Seja… com o vosso espírito: é significativa a menção de Paulo ao “espírito” a esta altura desta Epístola, porque já disse muita coisa acerca do Espírito Santo, e esta forma como uma conclusão condigna. Trata os gálatas como sendo um povo espiritual. Cf. Filipenses 4.23; 2 Timóteo 2.4.22, para a expressão. (GUTHRIE, 1999, p. 197)

O espírito do homem é, na verdade, uma capacitação divina que lhe concede inteligência, capacidade para buscar a Deus, de modo que, quando ele recebe o evangelho por meio da graça, recebe capacitação para andar na lei do Espírito Santo (Rm 8.1,2).

O doutor William Barclay, em seu livro As Obras da Carne e o Fruto do Espírito, fala sobre o espírito do homem:

No pensamento de Paulo, o espírito do homem é aquela parte que Deus implantou nele; é a presença e o poder de Deus dentro dele; é a vinda do Cristo ressurreto para residir dentro do homem. E o resultado é uma ligação entre o homem e Deus que lhe dá uma nova comunhão com Deus e um novo poder para expressar essa comunhão na forma e na beleza da vida. (BARCLAY, 1988, p. 18)

O homem regenerado, que passa a ter a presença do Espírito Santo de Deus em sua vida, pode manter seu corpo para glória de Deus (Rm 8.23; 12.1; 1 Co 6.20), nosso corpo só pende para o mal quando estamos dominados pelo poder da natureza pecaminosa. Categoricamente afirmamos que o espírito do homem não é o Espírito Santo. Veja o que diz Eurico Bergstén:

Assim, podemos observar com clareza que o “espírito do homem não significa o Espírito Santo operando no homem, mas que esse espírito é um órgão do seu “homem interior”, onde o Espírito Santo opera, fazendo-o ouvir a voz de Deus (cf. At 2.7). (BERGSTÉN, 2006, p. 133)

A guerra entre sárx e o Espirito é porque as obras da carne ou pecados são perversos, é bom lembrar que carne, na definição precisa de sárx, vai mais alem que simplesmente carne ou ser humano (Rm 3.20), na verdade Paulo fala de sárx como uma grande inimiga do Espírito, sempre se opondo a Ele.

O cristão não pode andar na carne, antes deve crucificar sua carne com paixões e desejos para poder andar em Espírito (Rm 7.5; 8.5; G1 5.24; Rm 7.14). Os que estão no poder da carne estão sujeitos ao pecado.

A carne, entendida como natureza pecaminosa, na verdade manifesta-se constantemente em oposição às obras do Espírito Santo. Os que vivem na carne estão enfermos e são incapazes de cumprir aquilo que Deus deseja, pois nela não existe bem algum (Rm 8.3; 7.18). O corpo é apenas um veículo que a natureza pecaminosa usa para expressar suas obras, por isso que Paulo diz que o corpo pode ser transformado, mudado, ao contrário da carne, isto é, da natureza pecaminosa, jamais ela pode ser transformada.

Lendo Romanos 7.25, Paulo diz que é por intermédio da natureza pecaminosa que o homem serve ao pecado. Quem anda na carne, conforme disse Paulo, jamais poderá agradar a Deus (Rm 8.8), pois ela conduz o homem a um tipo de vida de ações baixas, pecaminosas, por isso nunca é bom lhe dar liberdade (Gl 5.13). Antes, o importante é estar em Cristo, desse modo os desejos pecaminosos estarão crucificados (Gl 5.24). Existem dois tipos de semeadura, uma na carne e a outra no Espírito. Os que vivem semeando na carne sempre irão colher corrupção, mas os que vivem no Espírito irão colher a vida eterna (Gl 6.8).

O homem sem Deus tem seu espírito humano contaminado pelo pecado, por isso que seu andar na carne produz as obras da carne, e é impossível que consiga produzir alguma coisa para Deus, ainda que tenha desejo para isso, pois o que o domina todo o seu ser é a natureza pecaminosa.

Gomes. Osiel,. As Obras da Carne e o Fruto do Espírito. Editora CPAD. pag. 10-13.

A vida cristã é um campo de batalha. Trava-se nesse campo uma guerra sem trégua entre a carne e o Espírito. O Espírito e a carne têm desejos diferentes, e é isso o que gera os conflitos.

Destacamos aqui três pontos importantes.
Em primeiro lugar,

como vencera batalha interior. “Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne” (5.16). A “carne” representa o que somos por nascimento natural, e o “Espírito”, o que nos tornamos pelo novo nascimento, o nascimento do Espírito. A carne tem desejos ardentes que nos arrastam para longe de Deus, pois os impulsos da carne são inimizade contra Deus. Os desejos da carne levam à morte. A palavra grega epithumia, traduzida por “concupiscência”, é geralmente usada no sentido de ansiar por coisas proibidas.

A única maneira de triunfar sobre esses apetites é andar no Espírito. Se alimentarmos a carne, fazendo provisão para ela, fracassaremos irremediavelmente. Porém, se andarmos no Espírito, jamais satisfaremos esses apetites desenfreados da carne.

Adolf Pohl diz que todos os povos conhecem bem a ideia de que a vida é como um caminho que precisa ser trilhado.

O movimento básico da vida humana, portanto, é o passo da caminhada. Trata-se de mais do que um mecânico “esquerda-direita, esquerda-direita”. Todo caminho inclui um “de onde” e um “para onde”. Podemos desviar-nos do caminho. Assim o “andar” constitui um movimento com sentido, direção e, por conseguinte, qualidade. Da parte da carne surgem pressões transversais. Contra elas Paulo faz valer agora forças pneumáticas. Andem no Espírito.

A carne tem uma inclusão para aquilo que é sujo.

Somente pelo Espírito de Deus podemos caminhar em santidade. Warren Wiersbe ilustra isso da seguinte maneira: A ovelha é um animal limpo, que evita a sujeira, enquanto o porco é um animal imundo, que gosta de se revolver na lama (2Pe 2.19-22). Depois que a chuva cessou e que a arca se encontrava em terra firme, Noé soltou um corvo, mas a ave não voltou (Gn 8.6,7). O corvo é uma ave carniceira, portanto deve ter encontrado alimento de sobra. Mas, quando Noé soltou uma pomba (uma ave limpa), ela voltou (Gn 8.8-12). Quando soltou a pomba pela última vez e ela não voltou, Noé soube, ao certo, que ela havia encontrado um lugar limpo para pousar e que, portanto, as águas haviam baixado. A velha natureza é como o porco e o corvo, sempre procurando algo imundo para se alimentar. Nossa nova natureza é como a ovelha e a pomba, ansiando por aquilo que é limpo e santo.

Em segundo lugar,

como entender a natureza dessa batalha interior. “Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer” (5.17). Fomos salvos da condenação e do poder do pecado, mas não ainda da presença do pecado. No campo do nosso coração ainda se trava uma guerra sem pausa, o conflito permanente entre a carne e o Espírito. Eles são opostos entre si. Alimentar, portanto, a carne é ultrajar, entristecer e apagar o Espírito. Precisamos sujeitar nossa vontade ao Espírito em vez de entregar o comando da nossa vida à carne.

William Hendriksen fala sobre essa batalha para três grupos diferentes de pessoas: 1) o libertino não tem esse conflito porque segue suas inclinações naturais; 2) o legalista que confia em si mesmo não consegue vitória nesse conflito; 3) o crente experimenta um conflito agonizante, mas alcança a vitória, pois o Espírito que nele habita o capacita a triunfar.

Em terceiro lugar,

como viver livre da condenação do preceito exterior. “Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei” (5-18). Estar sob a lei significa derrota, escravidão, maldição e impotência espiritual, porque a lei não pode salvar (3.11-13,21-23,25; 4.3,24,25; 5.1). É o Espírito que nos põe em liberdade (4.29; 5.1,5).491 A lei exige de nós perfeição e por isso mesmo nos condena, pois não somos perfeitos. Estar sob a lei é estar sob maldição, pois maldito é aquele que não persevera em toda a obra da lei para cumpri-la. Porém, quando somos guiados pelo Espírito, já não estamos debaixo da tutela da lei e, por isso, somos livres.

O Espírito não é apenas um vendedor de mapas para o destino da liberdade; é o próprio guia que nos toma pela mão, nos guia pelo caminho até a glória final. O Espírito é visto como um guia, a quem se espera que o cristão siga.

LOPES, Hernandes Dias. GALATAS A carta da liberdade cristã.Editora Hagnos. pag. 238-241.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

3. Os vícios (vv.19-21).

O apóstolo apresenta uma lista com 15 vícios, que ele chama de “obras da carne” (vv.19-21). Outras listas aparecem em outras epístolas paulinas (Rm 1.29-31; 1 Co 6.9,10; 1 Tm 1.9,10). Paulo não pretende ser exaustivo; essas listas são representativas em Gálatas, pois ele acrescenta: “e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus” (v.21). Podemos classificar esses vícios em três categorias: a) sexo ilícito: prostituição, impureza e lascívia; b) pecados de ordem religiosa: idolatria e feitiçaria; c) pecados de ordem social: inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices e glutonaria.

Comentário

Há outras listas de pecados semelhantes a essa nos escritos de Paulo (Rm 1.18-32; ICo 5.9-11; 6.9; 2Co 12.20,21; Ef 4.19; 5.3-5; Cl 3.5-9; lTs 2.3; 4.3-7; lTm 1.9,10; 6.4,5; 2Tm 3.2-5; Tt 3.3,9,10). Essa lista, embora extensa, não é exaustiva, pois não esgota todas as obras da carne, uma vez que Paulo conclui dizendo: “… e coisas semelhantes a estas” (5.21). Vamos classificar essas obras da carne em cinco grupos.

Em primeiro lugar, os pecados sexuais. “Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia” (5.19). John Stott diz que a nossa velha natureza é secreta e invisível; mas as suas obras, as palavras e atos pelos quais ela se manifesta são públicos e evidentes. A palavra grega faneros, traduzida por “conhecidas”, significa claro e manifesto.

Os primeiros três pecados da lista são pecados da área sexual. Essas três palavras são suficientes para mostrar que todas as ofensas sexuais, sejam elas públicas ou particulares, “naturais” ou “anormais”, entre pessoas casadas ou solteiras, devem ser classificadas como obras da carne.

Essas palavras revelam uma progressão na transgressão.

Prostituição indica pecado em área específica da vida: a área das relações sexuais; impureza indica profanação geral da personalidade, manchando toda esfera da vida; lascívia indica amor ao pecado tão despreocupado e tão audacioso que a pessoa deixa de se preocupar com o que Deus ou os homens pensam de suas ações.

• Prostituição. A palavra grega porneia, traduzida por “prostituição”, refere-se a toda sorte de pecado sexual, seja adultério, fornicação, masturbação, incesto ou homossexualismo. Trata-se de um termo amplo que descreve toda sorte de relacionamentos sexuais ilícitos e imorais. Quando Paulo escreveu essa carta, no século 1, a imoralidade sexual era uma prática comum no mundo gentílico. William Barclay diz que porneia é a prostituição, e porne é uma prostituta. Há probabilidade de que todas essas palavras tenham ligação com o verbo pernumi, que significa “vender”.

Essencialmente, porneia é o amor que é comprado ou vendido – o que não é amor de modo algum. Na Grécia o relacionamento sexual antes e fora do casamento era praticado sem nenhuma vergonha. Os gregos tinham amantes para o prazer, concubinas para as necessidades diárias do corpo e esposas para gerar filhos. Quase todos os grandes pensadores gregos tinham suas amantes.

Alexandre Magno tinha sua Taís; Aristóteles tinha sua Herpília; Platão sua Arquenessa; Péricles sua Aspásia; Sófocles sua Arquipe. Roma aprendeu a pecar com a Grécia. Quando a frouxidão moral grega invadiu Roma, tornou-se tristemente mais grosseira. A classe alta da sociedade romana tornou-se obscenamente promíscua. O palácio transformou-se em um antro de prostituição. A sociedade desde o mais alto escalão.

A capacitação do Espírito para uma vida santa até o mais simples era cheia de homossexualidade.

E com esse pano de fundo que Paulo escreve sobre as obras da carne.

• Impureza. A palavra grega akatharsia, traduzida por “impureza”, é um termo mais geral, o qual, embora às vezes possa denotar impureza ritual, refere-se aqui à impureza moral. Essa impureza inclui a impureza dos atos, palavras, pensamentos e intenções do coração.

William Barclay diz que o termo era usado para descrever o pus de uma ferida não desinfetada.

• Lascívia. A palavra grega aselgeia, traduzida por “lascívia”, significa literalmente a libertinagem de modo geral, mas sem dúvida é usada aqui para a lascívia nas relações sexuais. Aselgeia refere-se à devassidão, um apetite libertino e desavergonhado. Trata-se daqueles atos indecentes que chocam o público. Um homem entregue à lascívia não conhece freio algum, só pensa no seu prazer e já não se importa com o que pensam as pessoas.

Em segundo lugar, os pecados religiosos. “… idolatria, feitiçarias…” (5.20a). Esses dois pecados falam de ofensa a Deus, pois são uma perversão do culto a Deus. Lightfoot diz que, se eidololatria, “idolatria”, é o impudente culto prestado a outros deuses, “feitiçarias” é o intercâmbio secreto com os poderes do mal.

• Idolatria. A palavra grega eidolatria, traduzida por “idolatria”, refere-se à adoração de deuses feitos pela mão do homem. E o pecado no qual as coisas materiais chegam a ocupar o lugar de Deus. Idolatria é colocar qualquer coisa antes de Deus e das pessoas. Devemos adorar a Deus, amar as pessoas e usar as coisas.

• Feitiçarias. A palavra grega pharmakeia, traduzida por “feitiçarias”, significa uso de remédios ou drogas.

O termo significa também o uso de drogas com propósitos mágicos. A linha divisória entre a medicina e a magia não era muito nítida naqueles dias, como continua ocorrendo em muitas culturas tribais hoje em dia.

Em terceiro lugar, os pecados sociais. “… inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas…” (5.20b,21a). Esses oito pecados envolvem transgressões ligadas aos relacionamentos. Inimizade é uma atitude mental que provoca e afronta outras pessoas. Porfias e ciúmes referem-se a rivalidades. As iras são acessos de raiva, e as discórdias dizem respeito às ambições interesseiras e egoístas que criam divisões na igreja. Dissensões e facções são termos análogos; o primeiro sugere divisão, e o segundo, rompimentos causados por um espírito partidário. As invejas indicam rancores e o desejo profundo de ter aquilo que os outros têm. Vamos detalhar um pouco mais esses termos.

• Inimizades. A palavra grega exthrai, traduzida por “inimizades”, significa hostilidade, animosidade.

Trata-se daquele sentimento hostil nutrido por longo tempo, que se enraíza no coração. A ideia é a de um homem que se caracteriza pela hostilidade para com seu semelhante. E o oposto do amor.

• Porfias. A palavra grega eris, traduzida por “porfias”, significa lutas, discórdias, contendas, querelas. Traz a ideia de alguém que luta contra a pessoa com a finalidade de conseguir alguma coisa, como posição, promoção, bens, honra, reconhecimento. E a rivalidade por recompensa.

• Ciúmes. A palavra grega zelos, traduzida por “ciúmes”, significa querer e desejar possuir aquilo que o outro tem. Podem ser tanto coisas materiais quanto reconhecimento, honra ou posição social. Implica entristecer-se não apenas porque não se tem algo, mas porque outra pessoa o tem.

• Iras. A palavra grega thumoi, traduzida por “iras”, significa arder em ira ou ter indignação. Trata-se de um temperamento violento e explosivo, presente em pessoas que estouram por qualquer motivo e manifestam destempero emocional. A palavra thumoi não é tanto um ódio que perdura quanto uma cólera que se inflama e se apaga no momento.

• Discórdias. A palavra grega eritheiai, traduzida por “discórdias”, significa conflitos, lutas, contendas.

Trata-se de um espírito partidário e tendencioso.

Descreve a pessoa que busca um cargo ou posição não para servir ao próximo, mas para auferir proveito próprio.

• Dissensões. A palavra grega dichostasiai, traduzida por “dissensões”, significa sedição, rebelião, e também posicionar-se uns contra os outros. Trata-se daquele sentimento que só pensa no que é seu, e não também no que é dos outros.

• Facções. A palavra grega aireseis, traduzida por “facções”, significa heresias, a rejeição das crenças fundamentais em Deus, Cristo, as Escrituras e a igreja. Envolve abraçar crenças sem o respaldo da verdade. E muito provável que Paulo tenha usado o termo com referência aos elementos divisores na igreja que desembocaram em grupos ou seitas. Tais grupos exclusivos (ou panelinhas) fragmentaram a igreja. E mais que natural que esses grupos se considerassem certos e todos os outros errados. Paulo condenou semelhante sectarismo, tachando-o de “obras da carne ”.

• Invejas. A palavra grega fthonoi, traduzida por “invejas”, vai além dos ciúmes. E o espírito que deseja não somente as coisas que pertencem aos outros, mas se entristece pelo fato de outras pessoas possuírem essas coisas. Os invejosos não apenas desejam o que pertence aos outros, mas anseiam que os outros sofram por perder essas coisas. Trata-se das pessoas que se alegram com a tristeza dos outros. Não é tanto o desejo de ter as coisas, mas o desejo de que os outros as percam. E entristecer-se por algum bem alheio.

Eurípedes chamou a inveja de “a maior enfermidade entre os homens”.

Em quarto lugar, os pecados pessoais. “… bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas…” (5.21b). Esses dois últimos pecados têm a ver com a intemperança ou o abuso e a falta de domínio próprio na área de comida e bebida.

• Bebedices. A palavra grega methai, “bebedices”, referese à pessoa que se embriaga na busca de sensualidade ou prazer. No mundo antigo tratava-se de um vício comum. Os gregos bebiam mais vinho do que leite.

Até as crianças bebiam vinho. A embriaguez, contudo, transforma homens em feras.

• Glutonarias. A palavra grega komoi, “glutonarias”, refere-se a uma busca desenfreada pelo prazer, seja em relação à comida ou a qualquer prazer. A palavra pode ser traduzida também por “orgias”. O termo tem uma história interessante. Komos era um grupo de amigos que acompanhavam o vencedor nos jogos depois de sua vitória. Dançavam, riam e cantavam suas canções. Também descreve os grupos de devotos de Baco, o deus do vinho. O termo significa rebeldia não refreada e desgovernada. E diversão que se degenera em licenciosidade.

Em quinto lugar, o julgamento para os que vivem na carne. “… a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam” (5.21c). Paulo não está falando de um ato pecaminoso, mas sim do hábito de pecar. Aqueles que praticam o pecado não herdarão o Reino de Deus.

Aqueles que vivem na prática do pecado e não se deleitam na santidade nem mesmo encontrariam ambiente no céu.

LOPES, Hernandes Dias. GALATAS A carta da liberdade cristã.Editora Hagnos. pag. 241-247.

As obras da carne podem ser esperadas prolificando livremente na atmosfera do legalismo. Um raio de ironia se percebe aqui ao fazer referência às obras – “Atentem para as realizações da carne!”

Em primeiro lugar vêm os pecados sensuais. Prostituição é um termo geral para imoralidade sexual. Impureza inclui toda sorte de corrupção sexual. Lascívia indica audácia descarada nesse tipo de vida.

Depois vêm os pecados religiosos. Idolatria é a devoção aos ídolos. A palavra grega que foi traduzida para feitiçarias encaixa-se no termo “farmácia” e significa basicamente a administração de drogas e poções mágicas, mas passou a representar todo o tipo de prática de feitiçaria (cons. Ap. 9:21; 18:23).

Um terceiro grupo abrange os pecados de temperamento. Esses passam por toda a escala desde inimizades, que é algo latente, passando pelas porfias, que é algo operante (indicando neste caso disputas devidas ao egoísmo), pelas dissensões (antes, divisões) e facções, ou exibições de espíritos partidários (invejas podem se relacionar às anteriores pois ajudam a criar divisões, como também podem ser associadas com o próximo item), até chegar aos homicídios (E.R.C.), o clímax dos antagonismos impropriamente acalentados.

Na quarta categoria podemos colocar as bebedices e glutonarias. A lista poderia ser ampliada – e coisas semelhantes. Aqueles que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus (cons. I Co. 6:9, 10). Um crente pode cair em semelhantes práticas do mal se andar de acordo com a carne. Por isso é que se faz a inclusão desta lista na sua presente posição dentro desta carta, onde a vida do cristão está sendo revista.

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Galatas. Editora Batista Regular. pag. 33-34.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

SÍNTESE DO TÓPICO III

O abuso da liberdade cristã e o legalismo revelam a oposição entre a Carne e o Espírito, pois ambos levam à falta de amor e desunião.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“A maturidade espiritual ajuda-nos a ter bons relacionamentos com as pessoas. Passamos a compreendê-las melhor e a reconhecer a melhor maneira de ministrar a elas. Devemos esforçar-nos para alcançar a união. As pessoas, ao observarem o nosso caráter e conduta, passarão a ter confiança em nós.

[…] O fruto é a maneira de se exercer os dons. Cada fruto vem acondicionado no amor, e qualquer dom, mesmo na sua mais plena manifestação, nada é sem o amor. ‘Por outro lado, a plenitude genuína do Espírito Santo forçosamente produzirá também frutos, por causa da vida renovada e enriquecida da comunhão com Cristo’. Conhecer o amor, poder e graça de Deus, inspiradores de reverente temor, deve fazer de nós vasos de bênçãos cheios de ternura. Não merecemos os dons. Nem por isso Deus se nega a nos revestir de poder. E passamos a ser obreiros do Reino, prontos para trazer a colheita. Subimos a um novo domínio” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.493).

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

CONCLUSÃO

Cabe a cada crente fazer uma análise introspectiva para verificar se suas inclinações são carnais ou espirituais. Salomão disse que o homem é aquilo que imagina a sua alma (Pv 23.7). Jesus disse que o homem fala aquilo do que seu coração está cheio (Lc 6.45). O pensamento de cada ser humano norteia seu comportamento. Se a mente é carnal, seu comportamento é carnal, que resulta em morte; se a mente é espiritual, seu comportamento é espiritual, que resulta em vida e paz.

5 Lição 1 Tri 21 Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

PARA REFLETIR

A respeito de “Fruto do Espírito: o Eu Crucificado”, responda:

• Defina “fruto do Espírito”.

O fruto do Espírito é o resultado natural de um processo de amadurecimento e a consequência de um processo natural de crescimento espiritual.

• O que significa “andar no Espírito”?

“Andar no Espírito” é uma expressão que indica viver corretamente em humildade, submissão e santidade.

• Quais são as modalidades do fruto do Espírito?

A primeira e a maior modalidade do fruto do Espírito é o amor, as demais modalidades são reflexos do amor.

• O que o apóstolo Paulo fala dos dons espirituais sem o amor?

Paulo afirma ainda que os dons sem o amor não são “nada” (1 Co 13.1-3) e são passageiros (1 Co 13.8-10), mas o amor é eterno

• Quais são os vícios denominados “obras da carne” (Gl 5.19-21)?

Podemos classificar esses vícios em três categorias: a) sexo ilícito: prostituição, impureza e lascívia; b) pecados de ordem religiosa: idolatria e feitiçaria; c) pecados de ordem social: inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices e glutonaria.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.


1 – A Pessoa do Espírito Santo

2 – A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção


3 – O Batismo no Espírito Santo

4 – A Atualidade dos Dons Espirituais

Estaremos apresentando conteúdo diferênciado aos professores que estaram usando nossas ferramentas (Site, Grupo do Telegram e Facebook). Vamos usar todo material disponivel para fazer a obra do Senhor Jesus.

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