5 LIÇÃO 1TRI 2022 COMO LER AS ESCRITURAS

  5 LIÇÃO 1TRI 2022 COMO LER AS ESCRITURAS

5 LIÇÃO 1TRI 2022 COMO LER AS ESCRITURAS

 

TEXTO ÁUREO

“E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês?” (At 8.30)    

VERDADE PRÁTICA

As técnicas de interpretação auxiliam na compreensão da Bíblia, mas não são infalíveis; por isso, não podem ser colocadas acima da autoridade da Palavra de Deus.  

LEITURA DIÁRIA

 Segunda – Dn 9.2 Todos os leitores da Bíblia também a interpretam  

Terça – Rm 15.4 Tudo o que está escrito é verdadeiro e serve para o nosso ensino  

Quarta – At 2.39 As Escrituras ensinam a atualidade do Batismo no Espírito Santo e dos Dons Espirituais  

Quinta – 1 Jo 5.20 Necessitamos do Espírito Santo para discernir as verdades bíblicas  

Sexta – Mc 16.20 As verdades bíblicas são confirmadas quando experimentadas pela Igreja  

Sábado – At 17.11 As experiências devem ser submetidas ao crivo das Escrituras Sagradas  

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 8.26-30

26 – E o anjo do Senhor falou a Filipe, dizendo: Levanta-te e vai para a banda do Sul, ao caminho que desce de Jerusalém para Gaza, que está deserto.  

27 – E levantou-se e foi. E eis que um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, o qual era superintendente de todos os seus tesouros e tinha ido a Jerusalém para adoração,  

28 – Regressava e, sentado no seu carro, lia o profeta Isaías.  

29 – E disse o Espírito a Filipe: Chega-te e ajunta-te a esse carro.  

30 – E, correndo Filipe, ouviu que lia o profeta Isaías, e disse: Entendes tu o que lês?  

Hinos Sugeridos: 129, 368, 559 da Harpa Cristã

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

Se é importante conhecer a estrutura da Bíblia para bem manejá-la, mais importante ainda é lê-la adequadamente. Não são poucos os erros e os enganos por causa da má interpretação das Escrituras Sagradas. Por isso temos de dar a devida importância ao assunto que impacta diretamente a qualidade da fé do leitor da Bíblia. Que tenhamos sabedoria para ler a Bíblia e compreendê-la adequadamente.

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição:

I) Expor que a Bíblia precisa ser interpretada;

II) Pontuar os pressupostos pentecostais para a leitura da Bíblia;

III) Apresentar os princípios básicos de interpretação bíblica.

B) Motivação: Ler e interpretar a Bíblia de maneira adequada deve ser o objetivo de todo aluno da Escola Dominical. Como compreender os ensinos de Jesus nos Evangelhos? Como aplicar hoje a mensagem do apóstolo Paulo em suas epístolas? Sem dúvida essas questões nos motivam para a presente lição.

C) Sugestão de Método: Sugerimos que você pergunte aos alunos como eles leem a Bíblia. Permita que eles exponham as próprias experiências. Aproveite as respostas da classe para desenvolver o primeiro tópico (A Bíblia Precisa Ser Interpretada), principalmente o subponto que diz respeito às limitações dos leitores.

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Desafie os alunos a lerem a Bíblia de maneira metódica e sistemática, de acordo com os pontos apresentados na lição. Se for o caso, proponha a classe um plano de leitura anual e estabeleça metas para cumpri-lo durante o ano.

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão: Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios às Lições Bíblicas. Na edição 88, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição. B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará um auxílio que dará suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “ O Autor como fator determinante do significado” aprofunda o tema da interpretação, no primeiro tópico, focando na importância da intenção do autor sagrado ao escrever um livro da Bíblia;

2) O texto “ Tipos de Autoridade Religiosa” aprofunda a importância da autoridade canônica e o valor da experiência espiritual como uns dos pressupostos pentecostais para a leitura da Bíblia.    

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

  A leitura e o estudo das Escrituras são um dever e um privilégio. Por isso, temos que zelar pelo conhecimento bíblico e estar conscientes da necessidade de aplicar o texto sagrado em nossas vidas. Tiago alerta que devemos ser cumpridores da Palavra e não apenas os ouvintes (Tg 1.22). Nesta lição, veremos a importância dos princípios basilares da interpretação bíblica.    

COMENTÁRIO

 

Nesse propósito, a Bíblia Sagrada deve ser lida e interpretada. No cumprimento dessa tarefa, somos auxiliados pela exegese e pela hermenêutica. Contudo, nenhuma das técnicas de interpretação está acima da autoridade da Palavra de Deus. O que a igreja crê e professa deve ser interpretado à luz da própria Escritura. Neste capítulo, veremos a importância dos princípios basilares da interpretação bíblica.

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

A importância que tem o estudo cuidadoso da Bíblia, com todos os elementos auxiliadores, bem se pode avaliar pelo que ficou dito nos dois capítulos precedentes relativamente à origem divina e ao propósito das diferentes partes escriturísticas. A grandeza e a dificuldade da tarefa são elevadas pelas circunstâncias que se ligam à preparação dos livros sagrados. Muitos foram os seus autores; as datas da sua composição alcançam muitos séculos. Foram escritos em muitos lugares, na Arábia, na Judéia, em Babilônia, e nos centros da civilização ocidental, sendo por isso inteiramente diversas as alusões, as figuras, as expressões, segundo os costumes, as cenas, e os hábitos daquele tempo e daqueles povos muito diferentes dos da Europa moderna. O assunto dos livros sagrados é tão variado quanto o número de seus autores: na Bíblia se podem ver leis e histórias, salmos, provérbios, profecias, biografias, e epístolas. Livros inteiros, e partes deles, fazem referências aos povos idolatras, como Isaías e Naum, enquanto outras partes tratam somente dos judeus; um dos evangelhos era destinado aos hebreus convertidos, e outro aos gentios. As epístolas variam em tom e estilo, conforme as pessoas a quem foram dirigidas, e a condição das igrejas naquele tempo. Tudo isto o leitor deve saber antes de procurar interpretar as Escrituras. E, como as relações do Povo Escolhido com as nações circunvizinhas eram de gênero diverso e sempre mutáveis, as histórias desses povos lançam muita luz sobre as narrações bíblicas. A importância de um cuidadoso estudo da Bíblia se verá quando mais adiante considerarmos a dificuldade de comunicar aos homens, em linguagem humana, quaisquer ideias sobre a verdade religiosa e espiritual. Entramos em novas regiões do pensamento e vamos nos familiarizando com ideias que a palavra não pode muitas vezes explicar. Disto deriva o caráter largamente figurativo de muitas coisas que a Bíblia contém, como desenvolvidamente se mostrará em outra seção. Menciona-se, porém, o fato desde já para mostrar a necessidade da preparação mental e espiritual para o estudo eficaz da palavra de Deus. Revised. Joseph Angus., História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008.    

 

É óbvio que não podem os ler a Bíblia por muito tempo antes que surja a questão referente ao seu “significado” e quem ou o que determina esse significado. Não podem os ler a Bíblia sem possuir algum propósito para o fazer. Em outras palavras, usando uma terminologia mais técnica, todas as pessoas que leem a Bíblia o fazem com uma teoria “hermenêutica” em mente. A questão não é se alguém possui tal teoria, mas se essa “hermenêutica” está clara ou confusa, adequada ou inadequada, correta ou incorreta. Robert H. Stein. Guia básico para a interpretação da Bíblia. 1 Ed. 1999. Editora CPAD. pag. 15.    

 

Palavra-Chave: LEITURA

 

I – A BÍBLIA PRECISA SER INTERPRETADA

 

   1.   A importância da exegese.

 

  O termo “exegese” vem do grego ex, traduzido como “fora”, e agein com o sentido de “guiar”. Literalmente significa “guiar para fora”, isto é, extrair a intenção das palavras de um texto. Assim, o alvo da exegese é deixar que as Escrituras digam o que o Espírito Santo pretendia no seu contexto original. Dessa forma, para não fazer o texto significar aquilo que Deus não pretendeu, é necessário um minucioso exame das Escrituras (2 Tm 2.15). Por exemplo, estudo das línguas bíblicas, dos fatos da história, da cultura e dos recursos literários usados no texto sagrado cooperam na compreensão do real significado das palavras inspiradas (Ef 3.10-18).    

COMENTÁRIO

 

    O termo “exegese” vem do grego “ex”, traduzido como “fora”, e “agein”, com o sentido de “guiar”. Literalmente, significa “guiar para fora”, isto é, extrair a intenção das palavras de um texto. Quando se fala de exegese bíblica, entende-se o termo como explicação e interpretação de um ou mais textos bíblicos. O exegeta reformado Uwe Wegner defende que “a exegese quer ajudar a compreender os textos bíblicos, apesar da distância de tempo e espaço e das diferenças culturais”. Os teólogos pentecostais concordam com essa assertiva, e acrescentam que o alvo da exegese é deixar que as Escrituras digam o que o Espírito Santo pretendia no seu contexto original. Para sustentar o alicerce da interpretação, usa-se a hermenêutica como metodologia da exegese bíblica. A palavra “hermenêutica” origina-se do verbo grego “hermeneuein”, cujo significado é igual ao da exegese, ou seja, “interpretar”.

Contudo, deve-se deixar clara a diferenciação entre um termo e outro. A hermenêutica bíblica designa os princípios que regem a interpretação dos textos; a exegese descreve as etapas ou os passos que cabe dar em sua interpretação. Em síntese, a hermenêutica apresenta as regras e a exegese é a prática dessas regras. Diante dessas conceituações e com o propósito de evitar as falácias, interpretação superficial ou equivocada da Bíblia, a hermenêutica e a exegese apresentam ferramentas que auxiliam na correta interpretação e aplicação dos textos sagrados. Nesse objetivo, para não fazer o texto significar aquilo que Deus não pretendeu, é necessário um minucioso exame das Escrituras (2 Tm 2.15). Por exemplo, o estudo das línguas bíblicas, dos fatos da história, das questões sociopolíticas, das particularidades da cultura e dos recursos literários usados no texto sagrado coopera para a compreensão do real significado das palavras inspiradas (Ef 3.10-18). Portanto, a exegese não deve e não pode ser menosprezada durante a leitura e o estudo da Bíblia. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

“O homem nos seus negócios seculares cansa-se e depaupera-se, mas examinar diligentemente as Escrituras é para ele uma coisa aborrecida e pesada. Poucos desejam ser fortes nas Escrituras, embora estejam convencidos de que o seu grande interesse está no conhecimento das doutrinas e lições da Bíblia, “LOCKE, Commomplace Book, Prefácio. “Uma restrita análise gramatical, e uma rígida observância das regras exegéticas, conduzem o espírito aos mesmos princípios de verdade que os teólogos piedosos e esclarecidos acham nos seus estudos.” THOLUCK “As diferentes controvérsias entre os intérpretes tem geralmente levado à conclusão de que os antigos pontos de vista protestantes a respeito do significado do texto sagrado são corretos.” WINER.

“Aquele que se contentar com o uso destes meios e puser de parte os preconceitos… em que muitos envolvem todas as questões, adquirirá de certo a compreensão da Sagrada Escritura; se não for em tudo, será na maior parte, e, se não for imediatamente, com certeza será depois” WHITAKER, Disput. ofScrip., p, 473, “Quem não crê, não experimenta; quem não experimenta, não pode saber.” ANSELMO. “O mais inculto dos cristãos, que sabe ler a Bíblia somente na sua língua e emprega toda a diligência em lê-la a seu modo, não só alcançará os conhecimentos práticos essenciais à salvação, mas com a benção de Deus terá aprendido tudo o que diz respeito à sua religião de tal forma que será muito difícil, senão impossível, arrastá-lo por argumentos sofísticos ou pelas falsas asserções daqueles que pretendem enxertar suas opiniões nos oráculos de Deus.” HORSLEY. “Pectus est quod facit theologum.” Moto de NEANDER. Revised. Joseph Angus., História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008.    

 

Palavra. Esse termo vem do grego, ex, «fora-, e agein, «guiar», ou seja, «liderar» ou «explicar”. A palavra portuguesa exegese é usada para indicar «narrativa», «tradução» ou «interpretação». Dentro do contexto teológico, a ênfase recai sobre a interpretação de modos formais de explicação que podem ser aplicados a algum texto, a fim de se compreender o seu sentido. Na linguagem técnica, a exegese aponta para a interpretação de alguma passagem literária especifica, ao mesmo tempo em que os princípios gerais aplicados em tais interpretações são chamados hermenêutica (que vede). Contraste com Eisegese, Temos provido um artigo separado sobre a Eisegese, Eisegese significa ler no texto aquilo que alguém quer encontrar ali, mas que, na realidade, não se encontra no mesmo, ou então significa distorcer um texto para adaptar às próprias ideias do intérprete. Portanto, o quanto a exegese é séria, a eisegese não passa de uma burla. A maioria das pessoas que se envolve na exegese também pratica alguma eisegese. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 617.    

 

   2.   As limitações dos leitores.

 

  Nesse aspecto é preciso reconhecer que toda a vez que lemos a Bíblia, estamos interpretando. Isso porque todos os leitores são também intérpretes (Dn 9.2). O problema dessa constatação reside nas ideias que trazemos conosco antes mesmo de começarmos a leitura da Bíblia (Ef 4.22). Por conseguinte, nem sempre o “ entendimento” daquilo que lemos reproduz a verdadeira “intenção” do Espírito Santo (2 Pe 3.16). Em virtude de nossa inclinação pecaminosa que nos induz ao erro (Rm 8.7), precisamos usar métodos sadios que nos auxiliem na interpretação das Escrituras (Rm 12.2). Essa é uma nobre tarefa atribuída a todo salvo em Cristo Jesus (1 Tm 4.13; Ap 1.3).    

COMENTÁRIO

 

 Nesse aspecto é preciso reconhecer que toda a vez que lemos a Bíblia estamos interpretando. Isso porque todos os leitores são também intérpretes (Dn 9.2). O problema dessa constatação reside nas ideias que trazemos conosco antes mesmo de começarmos a leitura da Bíblia (Ef 4.22). O erudito D. A. Carson adverte que “é fácil demais aplicarmos ao texto bíblico as interpretações tradicionais que recebemos de terceiros. Então, podemos involuntariamente transferir a autoridade das Escrituras para as nossas interpretações tradicionais”. Em vista disso, nem sempre o “entendimento” daquilo que lemos reproduz a verdadeira “intenção” do Espírito Santo (2 Pe 3.16).

Acerca dessa realidade, Walter Henrichsen anota que “nas questões de religião o cristão se submete, consciente ou inconscientemente, a uma das seguintes autoridades, acatando-a como autoridade última: a tradição, a razão, ou as Escrituras”. Nossa avaliação é que a tradição não é totalmente um erro, uma vez que muitas práticas da Igreja são essencialmente bíblicas, porém, o que se deve combater é “a elevação da tradição a um status igual ou até mesmo superior das Escrituras”.6 Cristo advertiu que se tornar prisioneiro da tradição invalida a Palavra de Deus (Mc 7.13). Quanto ao uso exclusivo da razão na interpretação bíblica, tal prática constitui-se em verdadeira tragédia para a fé. Liberalismo, cientismo e modernismo são os termos comumente utilizados para descrever esse tipo de conduta. Nossa teologia pentecostal afirma que defensores dessas teorias causam inevitáveis consequências ao Evangelho, tais como: “incredulidade, leniência para com o pecado; relativismo moral e ético; relaxo para com a evangelização, etc.”.

Desse modo, contrapondo a posição que coloca a autoridade final de interpretação na “tradição” ou na “razão”, o pentecostalismo se apresenta como ortodoxo e coloca a Escritura “no lugar em que ela tem de estar como a nossa suprema e inquestionável árbitra em matéria de fé e prática. Se a Escritura diz, é a nossa obrigação ser lhe obediente sem quaisquer questionamentos”. Com essa percepção, reafirma-se que a Bíblia é o supremo tribunal de recursos, isto é, a Escritura é a autoridade última em questões de fé, normas, conduta, percepção e visão de mundo para o autêntico cristão. No entanto, em virtude de nossa inclinação pecaminosa que nos induz ao erro (Rm 8.7), precisamos usar métodos sadios que nos auxiliem na interpretação das Escrituras (Rm 12.2). O teólogo D. A. Carson insiste que “estamos lidando com os pensamentos de Deus; somos obrigados a nos esforçar ao máximo para entendê-los verdadeiramente e explicá-los com clareza”. Essa é uma nobre tarefa atribuída a todo salvo em Cristo Jesus (1 Tm 4.13; Ap 1.3). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

O primeiro requisito para o estudo das Escrituras é inquestionavelmente a posse de uma mente humilde e piedosa. Adquirimos assim o hábito de sincera e reverente atenção por tudo o que a Escritura revela, e desejamos aquele ensino do Espírito Santo às nossas almas, o qual foi por Deus prometido aos que o procuram. Esta disposição mental é essencial à aplicação de todas as regras de interpretação. Verdade análoga se pode aplicar em relação a qualquer outro assunto de inquérito. Para se compreender a verdadeira poesia deve possuir-se gosto poético. O estudo da filosofia requer um espírito filosófico. Um naturalista precisa conhecer perfeitamente o sistema indutivo que Bacon ensinou; deve pôr de parte os preconceitos e fazer humilde investigação no templo da natureza. Ε esse mesmo princípio que deve ser aplicado ao estudo da Bíblia. Deve para isso haver uma inteligência clara e um coração vigilante. Revised. Joseph Angus., História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008.    

 

A NECESSIDADE DO ESTUDO DAS ESCRITURAS Isto está implícito em Salmo 119.130; Isaías 34.16; 2 Timóteo 2.15; 1 Pedro 3.15, e nos conduz a dois pontos de suma importância: a) porque devemos estudar a Bíblia, e b) como devemos estudar a Bíblia. Estudar é mais que ler; é aplicar a mente a um assunto, de modo sistemático e constante. Porque devemos estudar a Bíblia Ela é o único manual do crente na vida cristã e no trabalho do Senhor. O crente foi salvo para servir ao Senhor (Ef 2.10; 1 Pe 2.9). Sendo a Bíblia o livro texto do cristão, é importante que ele a maneje bem, para o fiel desempenho de sua missão (2 Tm 2.15). Um bom profissional sabe empregar com eficiência as ferramentas de seu ofício. Essa eficiência não é automática: vem pelo estudo e prática. Assim deve ser o crente com relação ao seu manual – a Bíblia. Entre as promessas de Deus nesse sentido, temos uma muito maravilhosa em Isaías 55.11. Deus declara aí que sua Palavra não voltará vazia. Portanto, quando alguém toma tempo para estudar com propósito a Palavra de Deus, o efeito será glorioso quanto à edificação espiritual e ao engrandecimento do reino de Deus. Ela alimenta nossas almas (Jr 15.16; Mt 4.4; 1 Pe 2.2). Não há dúvida de que o estudo da Palavra de Deus traz nutrição e crescimento espiritual. Ela é tão indispensável à alma, como o pão ao corpo. Nas passagens acima, ela é comparada ao alimento, porém, este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo.

O texto de 1 Pedro 2.2 fala do intenso apetite dos recém-nascidos; assim deve ser o nosso desejo pela Palavra. Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual. Como está o seu apetite pela Bíblia, leitor? Ela é o instrumento que o Espírito Santo usa (Ef 6.17). Se em nós houver abundância da Palavra de Deus. o Espírito Santo terá o instrumento com que operar. É preciso, pois. meditar nela (Js 1.8; SI 1.2). Ê preciso deixar que ela domine todas as esferas da nossa vida. nossos pensamentos, nosso coração e, assim, molde todo o nosso viver diário. Em suma: precisamos ficar saturados da Palavra de Deus. Um requisito primordial para Deus responder às nossas orações é estarmos saturados da sua Palavra (Jo 15.7). Aqui está, em parte, a razão de muitas orações não serem respondidas: desinteresse pela Palavra de Deus. (Leia o texto outra vez.)

Pelo menos três fatos estão implícitos aqui: a) Na oração precisamos apoiar nossa fé nas promessas de Deus, e essas promessas estão na Bíblia, b) Por sua vez, a Palavra de Deus produz fé em nós (Rm 10.17). c) Devemos fazer nossas petições segundo a vontade de Deus (1 Jo 5.14), e um dos meios de saber-se a vontade de Deus é através da sua Palavra. Na vida cristã, e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos lembrará o texto bíblico preciso, se de antemão o conhecermos (Jo 14.26). – É possível o leitor ser lembrado de algo que não sabe? Pense se é possível! Portanto, o Espírito Santo quer não somente encher o crente, mas também encontrar nele o instrumento com que operar a Palavra de Deus. Ter o Espírito e não conhecer a Palavra, conduz ao fanatismo. Pessoas assim querem usar o Espírito em vez de Ele usá-las. Conhecer a Palavra e não ter o Espírito conduz ao formalismo. Estes dois extremos são igualmente perigosos. Ela enriquece espiritualmente a vida do cristão (SI 119.72). Essas riquezas vêm pela revelação do Espírito, primeiramente (Ef 1.17).

O leitor que procurar entender a Bíblia somente através do intelecto, muito cedo desistirá do seu intento. Só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus (1 Co 2.10). Um renomado expositor cristão afirma que há 32.000 promessas na Bíblia toda! Pensai que fonte de riqueza há ali! Entre as riquezas derivadas da Bíblia está a formação do caráter ideal, bem como a moldagem da vida cristã como um todo. É a-Bíblia a melhor diretriz de conduta humana; a melhor formadora do caráter. Os princípios que modelam nossa vida devem proceder dela. A falta de uma correta e pronta orientação espiritual dentro da Palavra de Deus. especialmente quanto a novos convertidos, tem resultado em inúmeras vidas desequilibradas, doentes pelo resto da existência. Essas, só um milagre de Deus pode reajustá-las. Pessoas assim, ferem-se a si mesmas e aos que as rodeiam.

A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Tudo que Deus tem para o homem e requer do homem, e tudo que o homem precisa saber espiritualmente da parte de Deus quanto à sua redenção, conduta cristã e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Deus não tem outra revelação escrita além da Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar o Livro e apropriar-se dele pela fé. O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo, e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo. O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo, e praticar a Bíblia para ser santo. Como devemos estudar a Bíblia Leia a Bíblia conhecendo seu autor. Isto é de suprema importância, é a melhor maneira de estudar a Bíblia. Ela é o único livro cujo autor está sempre presente quando é lida. O autor de um livro é a pessoa que melhor pode explicá-lo. A Bíblia é um livro fácil e ao mesmo tempo difícil; simples e ao mesmo tempo complexo. Não basta apenas ler suas palavras e analisar suas declarações.

Tudo isso é indispensável, mas não basta. É preciso conhecer e amar o Autor do Livro. Conhecendo o Autor, a compreensão será mais fácil. Façamos como Maria, que aprendia aos pés do Mestre (Lc 10.39). Esse é ainda o melhor lugar para o aluno! Leia a Bíblia diariamente (Dt 17.19). Esta regra é excelente. Presume-se que todos os crentes não leem a Bíblia diariamente: não é de admirar haver tantos crentes frios nas igrejas. Não somente frios mas anãos, raquíticos, mundanos, carnais, indiferentes. Sem crescimento espiritual, Deus não nos pode revelar suas verdades profundas (Mc 4.33; Jo 16.12; Hb 5.12). É de admirar haver pessoas na igreja que acham tempo para ler, ouvir e ver tudo, menos a Palavra de Deus. Motivo: Comem tanto outras coisas que perdem o apetite pelas coisas de Deus! É justo ler boas coisas, mas, é imprescindível tomar mais tempo com as Escrituras. É também de estarrecer o fato de que muitos líderes de igrejas não levam seus liderados a lerem a Bíblia. Não basta assistir aos cultos, ouvir sermões e testemunhos, assistir a estudos bíblicos, ler boas obras de literatura cristã: é preciso a leitura bíblica individual, pessoal. Há crentes que só comem espiritualmente quando lhes dão comida na boca: é a colher do pastor, do professor da Escola Dominical, etc. Se ninguém lhes der comida eles morrerão de inanição. Ler a Bíblia com a melhor atitude mental e espiritual. Isto é de capital importância para o êxito no estudo bíblico. A atitude correta é a seguinte: a) Estudar a Bíblia como a Palavra de Deus, e não como uma obra literária qualquer,

b) Estudar a Bíblia com o coração, em atitude devocional, e não apenas com o intelecto. As riquezas da Bíblia são para os humildes que temem ao Senhor (Tg 1.21). Quanto maior for a nossa comunhão com Deus, mais humildes seremos. Os galhos mais carregados de frutos são os que mais abaixam! É preciso ler a Bíblia crendo, sem duvidar, em tudo que ela ensina, inclusive no campo sobrenatural. A dúvida ou descrença, cega o leitor (Lc 24.25). Leia a Bíblia com oração, devagar, meditando. Assim fizeram os servos de Deus no passado: Davi (SI 119.12,18); Daniel (Dn 9.21-23). O caminho ainda é o mesmo. Na presença do Senhor em oração, as coisas incompreensíveis são esclarecidas (SI 73.16,17). A meditação na Palavra aprofunda a sua compreensão. Muitos leem a Bíblia somente para estabelecerem recordes de leitura.

Ao ler a Bíblia, aplique-a primeiro a si próprio, irmão, senão não haverá virtude nenhuma. Leia a Bíblia toda. Há uma riqueza insondável nisso! É a única maneira de conhecermos a verdade completa dos assuntos nela contidos, visto que a revelação de Deus que nela temos é progressiva. – Como o leitor pensa compreender um livro que ainda não leu do princípio ao fim? Mesmo lendo a Bíblia toda, não a entendemos completamente. Ela, sendo a Palavra de Deus, é infinita. Nem mesmo a mente de um gênio poderia interpretá-la sem erros. Não há no mundo ninguém que esgote a Bíblia. Todos somos sempre alunos (Dt 29.29; Rm 11.33,34; 1 Co 13.12). Portanto, na Bíblia há dificuldades, mas o problema é do lado humano. O Espírito Santo, que conhece as profundezas de Deus, pode ir revelando o conhecimento da verdade, à medida que buscamos a face de Deus e andamos mais perto dele. Amém. Silva, Antônio Gilberto da, A Bíblia através dos séculos. Editora: CPAD. 15 Edição 2004    

 

  3.   A natureza das Escrituras.

 

  Nesse ponto, ratificam os que a necessidade de a Bíblia ser interpretada acha-se na natureza da própria Palavra de Deus. Como já estudado, o texto bíblico foi escrito majoritariamente em duas línguas distintas (hebraico e grego), no período aproximado de 1600 anos, por cerca de 40 autores que viveram em épocas e culturas diferentes. Portanto, os textos canônicos possuem particularidades que não podem ser ignoradas. Dentre tantas, podemos citar as narrativas, as poesias, as crônicas, as profecias e as parábolas que precisam ser interpretadas, sob a orientação do Espírito Santo, observando as regras gramaticais e o contexto histórico e literário de quando foram redigidas (Mt 5.18).    

COMENTÁRIO

 

Nesse ponto, ratificamos que a necessidade de a Bíblia ser interpretada acha-se na natureza da própria Palavra de Deus. Como já estudado, o texto bíblico foi escrito majoritariamente em duas línguas distintas (hebraico e grego), no período aproximado de 1600 anos, por cerca de 40 autores que viveram em épocas e culturas diferentes. Portanto, os textos canônicos possuem particularidades que não podem ser ignoradas. Dentre tantas, podemos citar as narrativas, as poesias, as crônicas, as profecias e as parábolas que precisam ser interpretadas, sob a orientação do Espírito Santo, observando as regras gramaticais e o contexto histórico e literário de quando foram redigidas (Mt 5.18). Em virtude dessas características, no período dos Pais da Igreja, o desenvolvimento dos princípios da hermenêutica e da exegese deu-se basicamente em três grandes centros:

(a) A Escola de Alexandria, que era dotada de um espírito conciliatório e tentava harmonizar a doutrina cristã com a filosofia da época por meio de uma abordagem alegórica;

(b) A Escola de Antioquia, que era caracterizada pela abordagem literal das Escrituras, na busca pelo sentido primário pretendido pelo autor; e (c) A Escola Ocidental, que ficou marcada pelo acréscimo de outro elemento, a saber, a autoridade da tradição e da Igreja na interpretação da Bíblia. Essa última escola adentrou a Idade Média, e, nessa época, a interpretação bíblica ficou refém da tradição e dos concílios da Igreja. Quanto a essa deplorável situação, Hugo de São Vitor (1096-1141 d.C.) escreveu o seguinte: “aprende-se primeiro o que deves crer e então vai à Bíblia para encontrar confirmação”. Nesse contexto, na Alemanha foi deflagrada a Reforma Protestante (1517 d.C.). E, com a influência da Renascença, se passou a dar atenção ao conhecimento das línguas originais a fim de entender a Bíblia. A compreensão histórico-gramatical começou a ser valorizada. Os dois grandes expoentes são Martinho Lutero e João Calvino. É de Calvino a célebre frase: “O intérprete deve permitir que o autor diga o que realmente diz, invés de lhe atribuir o que pensamos que devia dizer”. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Já notamos muitas particularidades da língua grega. Outras há porém que seria difícil, e mesmo impossível, indicar distintamente na tradução. Vamos apenas dar alguns exemplos com o fim de mostrar quanto é importante e interessante o estudo daquela língua.1. Os tempos em grego. A força dos diferentes tempos deve ser especialmente notada. Assim em 1 Jo 3.9. “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado… e não pode pecar”. O original mostra que o significado é “por hábito não comete pecado, por hábito não pode pecar”.

Ε mais o caráter que se quer designar do que os atos. Em 1 Co 15.26, “O último inimigo que há de ser abolido”‘, quer dizer “que está sendo abolido”, visto que o tempo expressa não só o processo como também o resultado. Exemplos do uso do passado imperfeito encontramos em Mc 5.34. “Ele expunha todas as coisas a seus discípulos”, isto é, era seu costume fazer isso. O imperfeito apresenta uma ação continuada, o aoristo uma ação completada. As vezes a distinção embora exista, é muito sutil para ser notada na tradução. (1 Co 10.4, Tg 2:22).

Merece também uma referência especial o uso do “pronome pessoal” como sujeito do verbo, para exprimir ênfase do contraste. Em Mt 1.21. “Ele salvará o seu povo dos seus pecados”. No grego o pronome sujeito é muito expressivo, dando a entender que é ele e nenhum outro, que há de salvar. Muitas vezes porém não se pode conservar na tradução a idéia do original. Outros exemplos: θέβφ ΰιΐκ em Mt 5.18, quer dizer “digo-vos”; mas έβώ θέβφ ϋιΐκ como aparece geralmente no Sermão da Montanha, tem mais forço, “pois eu digo-vos”, mostrando assim a autoridade do que fala. Em Jo 5.39 “examinais (sem pronome expresso) as escrituras porque vós cuidais”… O pronome vós implica uma censura aos fariseus pela sua inconsistência. Em 1 Co 1.23. “Nós pregamos a Cristo crucificado”, manifestando o pronome nós o contraste com os doutrinadores gregos e judaicos. Em Mt 28.5. “vós não tenhais medo”, isto é como os guardas tiveram. Ver também Jo 9.34, 10.36, 13.6; At 4.20 22.21; 1 Co 15.30; 1 Jo 4.10.

Esta forma enfática é muitas vezes um bom auxílio na interpretação. O artigo definido. As particularidades da língua grega em nenhum lugar são mais belas e instrutivas do que no uso do artigo. Ε preciso lembrar que a língua grega tem só um artigo, o definido. O artigo indefinido exprime-se no Novo Testamento por εζς- “um certo”, e às vezes por είς- “um”; mas geralmente a ideia de indefinido se expressa pela omissão do artigo. Em Mt 13.3 “um semeador” é em grego ό ζπείροκ, literalmente “o (homem) semeador”: o artigo assinala o semeador definido no quadro concreto que é apresentado.

Como o quadro é típico, o sentido não é mal representado pela tradução “um semeador”; mas a tradução ganha em vivacidade seguindo a ideia do grego: “o semeador”. Usos especiais do artigo: a Com os nomes próprios, quando se trata de pessoas bem conhecidas, emprega-se geralmente o artigo. Mas acontece também que justamente por serem bem conhecidas seus nomes às vezes vêm desacompanhados de artigo. Lemos ΊδζοΟς- e ό Ίδζοΰς- no Novo Testamento: Ver Mt 1.1,16; 2.16, 19. Quando os nomes se repetem omite-se o artigo no primeiro mencionado. Mas há muitas exceções a esta regra Χρζζηός* nos Evangelhos e nos Atos toma quase invariavelmente o artigo dizendo-se “o Cristo”, “o Messias”, Mt 2.4, 11.2, 22.42; João 7.31, 12.34; Atos 17.3. Mas nas Epístolas já não é assim. Nas de Paulo aparece noventa vezes a expressão “‘o Cristo”; e cento e vinte sem o artigo “Cristo”. O nome do Espírito Santo Πκεύια Άβίοκ requer o artigo quando é tomado pessoalmente; mas quando se faz apenas referência à sua manifestação ou aos seus dons no homem, então quase sempre se omite.

A tradução literal em João 7:39 é:” (o) Espírito ainda não era” com omissão do artigo; mas o sentido é – “o Espírito Santo ainda não fora dado”. Em Atos 19.2, “nós nem sequer ouvimos que haja Espírito Santo” quer dizer: “não sabemos se o Espírito Santo foi dado”. Comparar João 16.3 com João 20.22. O nome de Deus umas vezes tem o artigo e outras não: εεός- ou ό εεός- diferença está em que sem o artigo apenas se quer significar a divindade, e com o artigo queremos representar Deus, como revelado aos homens: o “nosso Deus”. Ver 1 Co 3.6-10. Κύρζος-, Senhor, quando se refere a Cristo naturalmente toma o artigo, mas à medida que se vai tornando nome próprio pode ser omitido. Na tradução dos LXX, como Senhor equivale a Jeová, acha-se geralmente sem artigo. Com nomes abstratos ou com palavras que simplesmente denotam uma qualidade em abstrato, o artigo é omitido. Mas quando a abstração épersonificada o artigo é empregado.

Assim em 1 Co 13.1 se diz “se eu não tiver amor”, uma afeição do caráter (artigo omitido); mas no verso 4. “o autor é sofredor”; (artigo expresso) e desta maneira por todo o capítulo. Assim em Rm 5.13, “o pecado estava no mundo”, o artigo é omitido no original, pois se trata de um atributo do caráter, já no verso 12, quando se fala que o pecado entrou no mundo o artigo é usado pois se trata de uma abstração personalizada. Ε a respeito dos nomes – morte, circuncisão, natureza e outros – Ver 1 Co 15:26; Jo 7.22, 23; 1 Co 11.14; Mt 11.19; Fl 3.3. Os números no abstrato (ηόεκ, unidade, o estado de ser um) e o infinitivo substantivado, xò πζζηεΰεζκ o ato de crer, pertencem a esta classe. O uso do artigo com κόιος lei, é especial. Quando κόιος-, não traz artigo, trata-se de uma lei divina, mas não do código que a compreende: Ver Rm 2:12,22,25,3:20,28,31,13.10; Gl 2.16, 19; 3.2,5,10. Quando κόιος- vem com artigo a referência é à Lei de Moisés, salvo quando a significação é limitada pelas palavras seguintes.

0 uso do artigo com palavras e frases especiais:

1) Tem artigo, em geral, os nomes de coisas, que possuem existência individual na natureza: o céu e a terra, Mt 5.18; o sol, 24:29, o verão, Mc 13:28; a luz, o Sal, a água. 2) Para indicar a espécie de animais ou de coisas, e não apenas alguns seres, as respectivas palavras têm geralmente o artigo: os homens, Mt 6.1; os cães, 7.6; as serpentes, Mt 10.16; a figueira, Lc 21.29; as naus, Tg 3.4. 3) Nomes de agentes representando uma classe, tomam o artigo: o operário, Mt 10.10; o publicano, Mt 18.17; o pastor, Mt 25.32 4) Na frase έζς- ηοκ αζώκα ou ηοσς- αζώκας- para a idade ou idades eternidade), a idéia é num caso a de um todo e no outro de épocas sucessivas. O ponto de vista é diferente mas o significado é o mesmo intensificado na frase έζς- ηοσς- αζώκας- ηώκ αζώκφκ, “para todo ο sempre”, “pelos séculos dos séculos”, Hb 13.21 e outros. 5) Com adjetivos ou pronomes indefinidos significando todo, cada, muitos, outro, etc., o uso do artigo merece especial consideração. ‘Toda a casa” é πάς- ό οίηος-, “cada casa” ou toda casa é πάς- οίηος-. Ver Ef 3.15. “toda família” ; 2 Tm 3.16. “toda Escritura”. “Muitos” e “os muitos” devem também ser distinguidos; o último denotando frequentemente a maioria, às vezes a unanimidade. Rm 5.15,19. As exceções a estas regras são numerosas, mas podem facilmente classificar-se. O termo anartro em gramática significa “sem artigo”. Palavras anartras em grego podem ser as seguintes: a) Em geral quando o sentido é tão claro que não ofereça dúvida alguma, não há artigo como: Certos nomes da natureza: Mt 13.6; 1. Co 15.41; 2 Pedro 3.10; Tg 1.6. e superlativos e numerais ordinais. Comparar Mc 15.33; Mt 14.25; 22.38. b) Nomes que em si mesmo não tem uma significação bem determinada, mas que são definidos pelo contexto. c) Nomes usados genericamente, e que são regidos de preposições: Mt 17.9; Mc 10.37; Jo 1.1; 16.4; Rm 8.4; 1 Co 14.19, 28, 35. O uso, na verdade notável, da omissão do artigo, deve chamar a nossa atenção para a ideia contida na palavra anartra. Em Hb 1.1-2. havendo Deus antigamente falado pelos profetas, agora nos falou por aquele que é Filho: έκ σίώ. Ε assim 7.28. Ver Também 1 Co 14.4 em Jo 3.6. o que ê nascido da carne, é carne. Ε em Rm 11.6. a graça já não égraça. O artigo nas enumerações. A regra é esta: quando duas ou mais palavras têm relação entre si e são descritivas de uma só coisa ou pessoa, ou de uma só classe de seres ou de qualidades, o artigo precede somente a primeira, como: Mt 12.22. “o cego e mudo”: Ver também Jo 6.40, Rm 2.3, EJ2.20, e 5.20,1 Jo 2.4. Semelhantemente não se repete o artigo, quando uma única classe de coisas, ou de qualidades, é descrita pela enumeração de suas partes. Ef 3.18. “qual seja a largura, comprimento e altura…” Mt 20.19, At 8.6,1 Co 11.22. Ε também quando as palavras empregadas exprimem uma só ideia, embora complexa: Fl 2.17, “sobre o sacrifício e serviço da vossa fé”. Cl 2.22, Tt 2.13,2 Pe 1.10. Igualmente, quando duas ou mais pessoas praticam uma só ação, ou quando um único ato é dirigido contra duas ou mais coisas. Mt 17.1 “Pedro (artigo), Tiago e João”. Lc 19.11; Atos 3.11; 17.15. Ao contrário repete-se o artigo quando se quer distintamente designar cada coisa, como em Mt 23.23. Tt 3.4; “a benignidade e a caridade de Deus”. Ε também repetido o artigo quando as palavras empregadas não são descritivas de uma só coisa, ou do que como tal é considerado. Em Lc 12.11 trata-se de três diferentes classes de tribunais: Comparar com Mc 15.1. Hb 11.20. Isaque abençoou tòv ‘Ιαηώα e ημκ Ήζαω, duas bênçãos diferentes. Ver 2 Ts 1.8. Outros exemplos sobre as regras mencionadas em que elas são de especial importância: Tt 2.13; 2 Ts 1.12; Ef 5.5; 1 Tm 5.21; Jd 4. Revised. Joseph Angus., História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008.    

 

A MARAVILHOSA UNIDADE DA BÍBLIA ATESTA A AUTORIA DIVINA A maneira pela qual a Bíblia foi produzida milita contra a sua unidade. A Bíblia foi redigida em dois continentes, foi redigida em três idiomas, e sua composição e compilação estendeu-se em lento progresso através de dezesseis séculos. As diversas partes da Bíblia foram escritas em diferentes épocas e nas mais variadas circunstâncias. Partes dela foram escritas em tendas, em desertos, em cidades, em palácios, em prisões; em tempos de iminente perigo e em ocasiões de arrebatadora alegria. Entre os seus escritores havia juízes, reis, sacerdotes, profetas, patriarcas, primeiros ministros, boiadeiros, escribas, soldados, médicos e pescadores. Contudo, apesar desses variados artífices, circunstâncias e condições, a Bíblia é um só Livro; por trás de suas muitas partes há uma inconfundível unidade orgânica.

A Bíblia contém um sistema de doutrina, um código de ética, um plano de salvação e uma regra de fé. Pois bem, se hoje fossem selecionados quarenta homens diferentes de posições e vocações tão variadas que incluíssem funcionários, autoridades, políticos, juízes, clérigos, médicos, agricultores e pescadores, e a cada um se pedisse para contribuir com um capítulo de um livro sobre teologia ou sobre governo da igreja, quando as suas diversas contribuições fossem coligidas, se houvesse alguma unidade quanto a eles, poder-se-ia dizer verdadeiramente que era um só livro; ou, que se diria se as suas diferentes produções variassem tanto quanto ao valor literário, ao fraseado e ao conteúdo, que seria uma simples massa heterogênea, uma coleção multiforme, uma verdadeira miscelânea?

Mas não é isso que vemos no Livro de Deus. Apesar de a Bíblia ser um volume de sessenta e seis livros, escritos por quarenta homens diferentes, e de tratar de uma tão larga variedade de temas que cobrem quase toda a gama da pesquisa humana, vemos que ela é um só Livro, o Livro (não os livros) — a Bíblia. E mais: Se selecionássemos espécimes de literatura dos séculos terceiro, quinto, décimo, quinze e vinte da era cristã, e os juntássemos num só tomo, que unidade e harmonia veríamos nessa coleção? Os escritores refletem o espírito do seu tempo e da sua geração, e as composições de homens que vivem no meio de influências muitíssimo diversas e separados por séculos, têm pouco ou nada em comum uns com os outros.

Contudo, embora as mais antigas porções do Cânon Sagrado tenham tido sua origem num passado remoto, no mínimo no século quinze a.C., ao passo que os escritos de João só foram concluídos no fim do século primeiro d.C., não obstante vemos uma perfeita harmonia em todo o conteúdo das Escrituras, desde o primeiro versículo de Gênesis até o último versículo de Apocalipse. As grandes lições éticas e espirituais apresentadas na Bíblia, quem quer que as tenha ensinado, concordam umas com as ouras. Quanto mais a pessoa realmente estuda a Bíblia, mais convicta fica de que por trás das numerosas bocas há uma só Mente que domina e controla tudo. Imagine o dileto leitor quarenta pessoas de diferentes nacionalidades e possuidoras de diferentes graus de cultura musical visitando o órgão de alguma catedral e, a longos intervalos de tempo e sem nenhum conluio prévio, tocando sessenta e seis notas, as quais, quando combinadas, transmitiriam o mais grandioso oratório jamais ouvido; isso não indicaria que por trás dessas quarenta pessoas havia uma só mente presidindo a execução, um só maestro?

Quando ouvimos uma grande orquestra, com uma imensa variedade de instrumentos executando suas diferentes partes mas produzindo melodia e harmonia, vemos que por trás desses musicistas há a personalidade e o gênio do compositor. E quando adentramos o recinto da Academia Divina e ouvimos os coros celestiais cantando o Cântico da Redenção, tudo em perfeita consonância e harmonia, sabemos que foi o próprio Deus que escreveu a música e que pôs o cântico nas bocas dos cantores que a executam. Submetemos agora à apreciação do leitor duas ilustrações que demonstram a unidade das Escrituras Sagradas. Algumas grandes concepções percorrem toda a Bíblia como uma fieira de pérolas preciosas. A primeira e principal pérola é o Plano Divino de Redenção. Justamente como o fio escarlate bordeja todo o cordame da armada inglesa, assim uma aura carmesim circunda cada página da Palavra de Deus.

Nas Escrituras o Plano de Redenção é central e fundamental. Em Gênesis vemos registradas a criação e a queda do homem para mostrar que ele é passível de redenção e dela necessita. A seguir vemos a promessa do Redentor, pois é preciso que o homem tenha diante de si a esperança e a expectação de um Salvador. Segue-se depois um elaborado sistema de ofertas e sacrifícios que representam pictoricamente a natureza da redenção e a condição sob a qual se concretiza a salvação. No começo do Novo Testamento temos os quatro evangelhos, e eles expõem a Base da redenção, a saber, a encarnação, a vida, a morte, a ressurreição e a ascensão do Redentor. Em seguida vem o Livro de Atos, que ilustra repetidamente o Poder da Redenção, mostrando que é um poder adequado para operar seus grandes resultados na salvação tanto de judeus como de gentios. Finalmente, em Apocalipse são-nos expostos os triunfos finais da redenção, a Meta da Salvação ― os redimidos habitando com Deus em perfeita união e comunhão. Vemos assim que, embora grande número de meios humanos tenham sido empregados nos escritos da Bíblia, suas produções não são independentes umas das outras, mas são partes complementares e suplementares do grande todo; e vemos que uma só sublime verdade é comum a todos elas, a saber, a necessidade que o homem tem da redenção e a provisão de Deus de um Redentor.

E a única explicação deste fato é a seguinte: “Toda a Escritura é inspirada por Deus”. Em segundo lugar, dentre todas as numerosas personalidades apresentadas na Bíblia, vemos que uma sobressai a todas, sendo não meramente proeminente, mas também preeminente. Exatamente como na cena revelada no capítulo cinco de Apocalipse vemos o Cordeiro no centro das multidões celestes, assim também vemos que nas Escrituras é dado o lugar que só é próprio para a sua singular Pessoa. Consideradas de um certo ponto de vista, as Escrituras são realmente a biografia do Filho de Deus. No Antigo Testamento temos a Promessa da encarnação do nosso Senhor e da sua obra mediadora. Nos evangelhos temos a Proclamação da sua Missão e as Provas das suas reivindicações e da sua autoridade messiânicas. Em Atos temos uma demonstração do seu Poder de salvar e a execução do seu Programa missionário.

Nas epístolas vemos uma exposição e ampliação dos Preceitos de Cristo para a educação do seu Povo. Ao passo que em Apocalipse contemplamos a revelação ou Apresentação da sua Pessoa e a Preparação da terra para a sua Presença. Vê-se, pois, que a Bíblia é peculiarmente o Livro de Jesus Cristo. Cristo não somente deu testemunho das Escrituras, mas também cada seção das Escrituras dá testemunho dele. Cada página do Santo Livro traz estampada a sua fotografia, e cada capítulo traz o seu autógrafo. Ele constitui o único grande tema da Bíblia, e a única explicação deste fato é que o Espírito Santo superintendeu a obra de todos e de cada um dos escritores das Escrituras. Vê-se, ademais, a unidade das Escrituras no fato de que ela é inteiramente isenta de reais contradições. Apesar de diferentes escritores muitas vezes terem descrito os mesmos incidentes — como, por exemplo, o registro que os quatro evangelistas fizeram do ministério e da obra redentora do nosso Senhor — e apesar de haver considerável variedade nas narrativas de tais incidentes, não há reais discrepâncias. A harmonia existente entre eles não aparece na superfície, mas muitas vezes só se descobre mediante um prolongado estudo, embora seja um fato que, queira-se ou não, a referida harmonia existe. Além disso, há perfeito acordo doutrinário entre todos os escritores da Bíblia. O ensino dos profetas e o ensino dos apóstolos sobre as grandes verdades da justiça de Deus, das exigências da sua santidade, da completa ruína do homem, da imensa malignidade do pecado, e do caminho da salvação, são inteiramente harmoniosos. Isso pode parecer coisa fácil de realizar. Mas quem tem bom conhecimento da natureza humana e tem lido amplamente os escritos dos homens, reconhecerá que nada senão a inspiração dos escritores pode explicar esse fato. Em parte alguma vemos dois escritores não inspirados, por mais parecidos que sejam em seus sentimentos religiosos, que concordem em todos os pontos de doutrina. Na verdade, inteira coerência de sentimentos não se encontra nem sequer nos escritos do mesmo autor em diferentes períodos. Em seus últimos anos, a exposição de Spurgeon de algumas doutrinas foi muito modificada em relação às suas declarações dos primeiros tempos do seu ministério. O aumento de conhecimento faz com que os homens mudem suas ideias sobre muitos assuntos.

Mas entre os escritores da Escritura há realmente a mais perfeita harmonia, porque obtiveram seu conhecimento da verdade e do dever, não por esforços de estudo, mas da inspiração feita pelo Santo Espírito de Deus. Logo, quando vemos que na produção de quarenta diferentes homens há perfeita concordância e concórdia, consonância e unidade, harmonia em todos os seus ensinos, e vemos que os mesmos conceitos permeiam todos os seus escritos, é impossível resistir à conclusão de que por trás de suas mentes, e guiando suas mãos, havia a mente soberana do próprio Deus. Não é verdade que a unidade da Bíblia ilustra a inspiração divina da Bíblia e demonstra a veracidade da sua própria asserção de que “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas…” (Hb 1.1)? Arthur Walkington Pink; A inspiração divina da Bíblia. Editora Monergismo. 1ª edição, 2013.      

SINÓPSE I

As Escrituras Sagradas precisam ser interpretadas para que todos conheçam o verdadeiro significado da mensagem.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO 

O Autor como fator determinante do significado O método mais tradicional para o estudo da Bíblia, no entanto, tem sido o de analisar o significado como algo controlado pelo autor. De acordo com esse ponto de vista, o significado é aquele que o escritor, conscientemente, quis dizer ao produzir o texto. Dessa maneira, a epístola aos romanos deve ser interpretada à luz do que Paulo quis passar aos seus leitores quando escreveu – se estivesse vivo, bastaria que nos dissesse o que desejava transmitir. O significado, portanto, é exatamente o que o apóstolo considerava como tal. […] Negar que o autor determina o significado do texto também levanta uma questão ética – a de se estar roubando a criação de alguém. Analisar um texto à parte da intenção de quem o escreveu é como roubar uma patente de um inventor ou uma criança recém-nascida de sua mãe. Ao registrar-se um trabalho sob 0 nome de seu autor se está admitindo, pelo menos tacitamente, que essa obra a ele pertence. O uso do nosso significado para substituir o pretendido pelo autor é uma espécie de plágio. Um escrito assemelha-se ao testamento” (STEIN, Robert H. Guia Básico para a Interpretação da Bíblia: Interpretando conforme as regras. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.23,25).    

 

II – PRESSUPOSTOS PENTECOSTAIS PARA LER A BÍBLIA

 

   1.   Autoridade da Bíblia.

  Uma das marcas do Pentecostalismo é o seu compromisso inegociável com as Escrituras. Cremos na inspiração divina, verbal e plenária da Palavra de Deus, nossa autoridade final em questões de fé e prática (2 Tm 3.16). Portanto, ao ler o livro sagrado temos como pressuposto sua inerrância e infalibilidade. Tudo o que está escrito é verdadeiro e serve para o nosso ensino (Rm 15.4). Nessa compreensão, refutamos a relativização e a desobediência aos preceitos bíblicos (Ap 22.19). Acatamos suas doutrinas, reconhecemos a realidade do sobrenatural, a literalidade dos milagres e a atualidade do Batismo no Espírito Santo e dos Dons Espirituais (At 2.39).    

COMENTÁRIO

 

    Uma das marcas do Pentecostalismo é o seu compromisso inegociável com as Escrituras. Cremos na inspiração divina, verbal e plenária da Palavra de Deus, nossa autoridade final em questões de fé e prática (2 Tm 3.16). Portanto, ao ler o livro sagrado, temos como pressuposto sua inerrância e infalibilidade. Tudo o que está escrito é verdadeiro e serve para o nosso ensino (Rm 15.4). Nessa compreensão, refutamos a relativização, ressignificação e desobediência dos preceitos bíblicos (Ap 22.19). Acatamos suas doutrinas, reconhecemos a realidade do sobrenatural, a literalidade dos milagres e a atualidade do batismo no Espírito Santo e os dons espirituais (At 2.39). Esse entendimento é chancelado pelos proeminentes teólogos pentecostais William Menzies e Stanley Horton na obra Doutrinas Bíblicas, na qual lemos:

A origem divina e a autoridade das Escrituras asseguram-nos ser a Bíblia também infalível, ou seja: incapaz de erro, ou de orientar de maneira enganosa, ludibriadora ou desapontadora a seus leitores […] Tal inerrância e infalibilidade aplicam-se a toda a Palavra de Deus, e inclui tanto a inerrância das revelações quanto a dos fatos narrados. As Escrituras revelam-nos a verdade. Essa percepção pentecostal sinaliza que a autoridade da Bíblia Sagrada é suprema. O que está escrito deve ser crido e obedecido, jamais questionado ou relativizado. Com essa premissa, repudiamos o liberalismo teológico, tais como a teoria de demitização do texto bíblico proposta por Rudolf Bultmann, para quem “a Bíblia só é crível se dela extirparmos os mitos — milagres, sinais, teofanias e outras revelações sobrenaturais”. Contestamos o método hermenêutico proposto por Bultmann de redescobrir o significado oculto atrás de supostas concepções mitológicas. Nesse diapasão, a teologia pentecostal ratifica o seu compromisso com a autoridade bíblica. Essa postura identifica os pentecostais como o povo cuja regra áurea de fé e prática repousa na autoridade da Bíblia Sagrada. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

A Bíblia tem muita coisa a dizer sobre a sua própria autoridade. Na realidade, “a autoridade das Escrituras é o grande pressuposto de toda a pregação e doutrina bíblica”. Os escritores das Sagradas Escrituras afirmam constantemente que escreveram a Palavra viva de Deus. Quando o Antigo Testamento é citado no Novo, lemos freqüentemente afirmações como “diz o Senhor” e “o Espírito Santo diz”, ou equivalentes (p.ex., At 1.16; 3.24,25; 2Co 6.16). O que “a Escritura diz” e o que “Deus diz” são, na realidade, simplesmente a mesma coisa, caso após caso. A Escritura é até personificada, como se fosse Deus (cf. G13.8; Rm 9.17). Foi B.B. Warfield quem constatou acuradamente que os escritores do Novo Testamento podiam falar da Escritura fazendo exatamente o que a Escritura registra como sendo Jeová fazendo. “E isto naturalmente subentende autoridade”, acrescenta Ridderbos.

A frase “está escrito” {gegraptai), usada muitas vezes no Novo Testamento, comprova-o fartamente acima de qualquer dúvida. Quando examinamos os escritos do Novo Testamento, notamos de imediato que nada menos do que a autoridade dos escritos do Antigo Testamento é atribuída aos escritores do Novo Testamento (cf. Rm 1.15; lTm 2.7; G1 1.8,9; lTs 2.13). Gegraptai é usado em textos do Novo Testamento e o texto apostólico é colocado paralelamente com escritos do Antigo Testamento (cf. 2Pe 3.15,16; Ap 1.3). O conceito de fé encontrado no Novo Testamento é coerente com esse testemunho, pois a fé é simplesmente obediência ao testemunho dos apóstolos, ou seja, a Escritura do Novo Testamento (cf. Rm 1.5; 16.26; 10.3).

Devemos observar: O testemunho apostólico distingue-se fundamentalmente a esse respeito de outras manifestações do Espírito, que exige da congregação (ekklesià) não somente obediência, mas também discernimento crítico entre o verdadeiro e o falso (cf. lTs 5.21; ljo 4.1). Pois esse testemunho merece fé e obediência incondicionais, em seu escrito e também em sua forma verbal. Portanto, a autoridade da Escritura não está na inteligência ou no testemunho. Ela não é encontrada na pessoa de Moisés, Paulo ou Pedro. A autoridade é encontrada no próprio Deus soberano. O Deus que “soprou” as palavras por meio dos escritores humanos está por trás de toda afirmação, toda doutrina, toda promessa e toda ordem contidas na Escritura. Afinal, aconteceu que “Deus, outrora, [falou], muitas vestes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas’ (Hb 1.1). Posteriormente, o apóstolo Paulo fez uma afirmação tão arrojada que deve nos impressionar, se a lermos cuidadosamente. Ele disse à igreja de Corinto — “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo” (ICo 14.37).

Sua autoridade, como um escritor da Escritura soprada por Deus, está acima de toda outra autoridade. Por quê? Porque ele é um apóstolo, o qual, breve veremos claramente, é comissionado especialmente pelo Senhor para lançar a fundação da igreja cristã (cf. Ef 2.20; Ap 21.2,14). Ele era um enviado especial do próprio Senhor. Sua palavra, portanto, era o mandamento real do Senhor! Todos devem submeter-se à autoridade dessa Palavra, sem rebelião ou reserva. Por quê? Porque essa Palavra tem uma autoridade da mais distinta natureza. Ela tem sua origem na vontade de Deus, não do homem. E é ao mesmo tempo completa e final (cf. Hb 1.2, “nestes últimos dias, nosfaloupelo Filho”). Sobre essa autoridade Paulo escreve: Porque as armas da nossa lutas não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda altivez se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão. (2Co 10.4-6). O teólogo luterano Edward WA. Koehler, escrevendo no início do nosso século, conclui corretamente que “ela [isto é, essa autoridade que nos vem da própria Bíblia] requer aceitação imediata e absoluta de cada afirmação da Bíblia da parte do homem”. Dr. John H. Arm Strong. Sola Scriptura, Numa época sem fundamentos, o resgate do alicerce bíblico. Editora Cultura Cristã. 1 Ed. 2000. pag. 89-91.

 

Autoridade da Bíblia. Sua autoridade é reconhecidamente interna. A Bíblia autentica-se a si mesma. Mas, na medida em que’ contém provas históricas incluindo os milagres que comprovavam a intervenção divina, ela é externamente autenticada. O poder de seus ensinamentos envolve uma autoridade interna. As realidades históricas sobre as quais ela se alicerça (como a vida de Cristo, as Suas palavras, ressurreição, etc.) lhe conferem uma autoridade externa ou oficial. O consenso dos crentes, através dos séculos, em favor da autoridade da Bíblia, tomou-se outro fator de autoridade externa. As declarações dos pais da Igreja e dos concilios, que resultaram na canonização formal da Bíblia, formam uma autoridade oficial e externa.

 

Sinais de autoridade no Novo Testamento: Cristo tinha autoridade para perdoar pecados (Luc. 5:24), para expelir demônios (Mar. 6:7), para conferir a filiação divina (João 1:12), e Suas obras eram autoritárias (Mat. 7:29). A origem da autoridade é Deus, que enviou o Filho (João 3:17; 4:34; 5:23;’6:29, etc.), Para os primitivos discípulos, a ressurreição de Jesus foi a mais potente autenticação daquilo que Jesus dissera e fizera, e por conseguinte, do que estava escrito acerca dEle, quanto à Sua pessoa e autoridade sobre os homens. Ver o artigo sobre a ressurreição. Assim sendo, Jesus comissionou a outros (dando-lhes autoridade), para levarem avante a Sua missão (Mat. 28: 18 ss), porquanto «toda autoridade. Lhe fora dada, a fim de que, por Sua vez, Ele desse dessa autoridade a outros, para que o representassem.

Os Apóstolos possuíram extraordinária autoridade, conforme transparece, claramente, – no livro de Atos (ver Atos 5: 1 ss. quanto a um notável exemplo disso; ver também Atos 15, o primeiro concilio da Igreja, que envolveu os apóstolos). Os trechos de Joio 20:21,22 e Mat. 16: 17 proveem-nos textos que provam a autoridade dos apóstolos. Ademais, o próprio Novo Testamento é essencialmente um produto dos apóstolos e seus discípulos imediatos, servindo de declaração autoritária sobre quem era Jesus e qual o significado de Sua vida para nós outros. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 400-401.    

 

   2.   A iluminação do Espírito Santo.

 

  A doutrina da Iluminação se refere à atuação do Espírito Santo na vida do crente, que o capacita a discernir as verdades da Palavra de Deus (Ef 1.17,18; 1 Jo 5.20). Somente o estudo racional não é suficiente para o entendimento da revelação escrita de Deus. Contudo, a iluminação não é uma fonte paralela de revelação e nem substitui o exame das Escrituras; ao contrário, pois à medida que estudamos, o Espírito nos concede a compreensão. A iluminação não aumenta e nem altera a Bíblia, apenas elucida o que já foi revelado pelo Espírito. Assim, o conhecimento da Palavra produz comunhão com Deus, vida de oração, obediência e santificação (2 Pe 1.3-10).    

COMENTÁRIO

 

    A doutrina da Iluminação se refere à atuação do Espírito Santo na vida do crente, que o capacita a discernir as verdades da Palavra de Deus (Ef 1.17,18; 1 Jo 5.20). Portanto, a iluminação se faz necessária para a compreensão da Bíblia. O ser humano toma conhecimento da salvação por meio das Escrituras, mas somente o estudo racional não é suficiente para o entendimento da revelação escrita de Deus. É imprescindível que haja iluminação do coração e da mente. William Menzies atesta que o Espírito Santo “nos ilumina a mente para que compreendamos a Sua Palavra conforme no-la transmitiram os autores sagrados (1Co 2.12; Ef 1.17,18) ”. Entre as operações do Espírito Santo está o ensino e a iluminação da verdade: “o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas” (Jo 14.26); “Ele vos guiará em toda a verdade” (Jo 16.13). Nesse quesito, Lewis Chafer argumenta que esse despertamento pode ser retardado pelo pecado ou pela imaturidade do crente. Essa realidade explica a diferença entre o cristão espiritual, que “discerne todas as coisas”, e o cristão carnal, que não pode receber as verdades mais profundas e vitais (1 Co 2.14-16).

Nesse entendimento, Chafer assinala uma tríplice divisão da humanidade em sua atitude em relação à Palavra de Deus: (1) O homem natural ou não-regenerado não pode receber as Escrituras, visto que elas são discernidas pelo Espírito, e o homem natural, conquanto educado com tudo o que o olho, o ouvido e o poder de raciocínio possam comunicar, não recebeu o Espírito; portanto, toda a revelação é “loucura” para ele (1Co 2.14); (2) O homem espiritual está numa posição de receber toda verdade (não há sugestão de que ele já a alcançou). Ele é habitado pelo Espírito Santo e todos os ajustes a respeito da sua vida diária são feitos com a finalidade de que o Espírito Santo não possa ser obstruído em seu ministério de ensino dentro do seu próprio coração (1Co 2.15); (3) O cristão carnal demonstra sua carnalidade por sua incapacidade de receber as verdades mais profundas que são comparados a uma comida sólida em contraste com o leite (1Co 3.1-3).

Nessa perspectiva, os cristãos na Ásia Menor foram exortados a ter “iluminados os olhos do entendimento” (Ef 1.18a). Trata-se de uma operação do Espírito que resulta em “iluminação interior”. Implica ter um conhecimento mais claro, e, certamente, inclui uma compreensão plena, não somente clareza intelectual, mas também a clareza espiritual e experimental da Palavra de Deus. Contudo, a iluminação não é uma fonte paralela de revelação e nem substitui o exame das Escrituras, ao contrário, pois, à medida que estudamos, o Espírito nos concede a compreensão. A iluminação não aumenta e nem altera a Bíblia; apenas elucida o que já foi revelado pelo Espírito. Assim, o conhecimento da Palavra produz comunhão com Deus, vida de oração, obediência e santificação (2 Pe 1.3-10). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Os homens necessitam que Deus os ensine, não porque seja propriamente difícil a linguagem bíblica, ou seja incompreensível a doutrina da Escritura, – porque aquilo que é mais mal compreendido é justamente o que está mais claramente revelado – mas porque, não os ensinando o Espírito Santo, eles não aprenderão, nem conhecerão aquelas verdades que são reveladas somente aos que as sentem. Quando Cristo apareceu no mundo, a luz brilhou nas trevas, mas as trevas não a compreenderam. A impureza da alma havia prejudicado a vista espiritual. A cegueira mental produziu ignorância, e a alienação da “vida em Deus” foi logo causa e efeito agravado de uma inteligência entenebrecida; Ef 4.18.

A origem do ensino divino está claramente revelada: os cristãos são ensinados pelo Senhor, que deu à igreja noutro tempo o espírito de sabedoria e de revelação” e que é “O Deus de Nosso senhor Jesus Cristo, o Pai da Glória”; Ef 1.17, Os meios para assegurar este ensino estão igualmente revelados. “Aos mansos Ele guiará em justiça, aos mansos Ele ensinará o seu caminho”. O que quiser fazer a vontade divina “pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus” Jo 7.17. ” Se alguém tiver necessidade de sabedoria, peça-a a Deus, e lhe será dada.” Uma docilidade infantil, um coração obediente, um gênio submisso e piedoso são evidentemente essenciais ao estudo proveitoso da palavra do senhor. Bene orasse est bene studuisse: Orar bem é estudar bem. Ε preciso acrescentar que o Espírito de Deus não comunica ao espírito do cristão por mais dócil obediente e piedoso que seja, qualquer doutrina da Escritura, ou ainda a sua significação, que já não esteja contida na própria Escritura. Faz os homens sábios até ao que está escrito, mas não além disso.

Quando Cristo abriu os olhos do entendimento aos Seus apóstolos, foi “para que eles pudessem compreender as Escrituras.” Lc 24.45. O Salmista pediu a Deus que lhe abrisse os seus olhos, para que ele pudesse ver as maravilhas da lei divina; SI 119.18. “A Bíblia e pela Bíblia” mostra o objeto e o método da sabedoria divina. “A lei e ao testemunho!” Exclama o profeta, “se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva”; Is 8.20. Este princípio essencial da interpretação bíblica é tirado da própria Bíblia. Ocupa o mesmo lugar também no ensino do Divino Mestre, pois no primeiro dos seus discursos, de que temos conhecimento, ele afirmou a Nicodemos que ‘”aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus,” isto é, não pode compreender a natureza, nem participar das bênçãos desse reino. Comparar também 1 Co 2.14; 12.8; 1.21; 1 Jo 2.20, 27; 2 Co 4.2 6. 1 Pe 2.1; Tg 1.21; SI 25.4, 5; 119.88; 2 Tm 3.15; etc. Revised. Joseph Angus., História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008.    

 

COMO ENSINADOR O Espírito Santo pode e irá ajudar todo crente a interpretar e compreender corretamente a Palavra de Deus e a sua obra contínua neste mundo. Ele nos levará a toda a verdade. Esta promessa, no entanto, exige também que cooperemos com o nosso esforço. Devemos ler com cuidado e com oração. Deus jamais teve a intenção de fazer da Bíblia um livro de difícil compreensão para o seu povo. Porém, se não nos dispusermos a cooperar com o Espírito Santo mediante o estudo e a aplicação de regras sadias de interpretação, nosso modo de entender a Bíblia – nossa regra infalível da fé e conduta – ficará carregado de erros.

O Espírito Santo nos levará a toda a verdade à medida que lermos e estudarmos cuidadosamente a Bíblia, sob sua orientação. Uma das verdades ensinadas pelo Espírito Santo é que não podemos recitar uma fórmula mágica do tipo: “Amarro Satanás; amarro minha mente; amarro minha carne. Agora, Espírito Santo, creio que os pensamentos e as palavras que se seguem vêm todos de ti!” Não nos é lícito usar encantamentos para submeter Deus à nossa vontade. João admoesta a Igreja: “Provai se os espíritos são de Deus” (1 Jo 4.1). Significa que devemos permitir ao Espírito da Verdade orientar-nos na tarefa de interpretar a Palavra de Deus e a testar, pelas Escrituras, os nossos pensamentos e os de outras pessoas. Há perigos genuínos neste assunto. Certo autor reivindica, na capa do seu livro: “Este livro foi escrito no Espírito”. Outra reivindicação do seu livro: “Predições cem por cento corretas das coisas do porvir”.

A tarefa do leitor, com a ajuda do Espírito Santo, é seguir o exemplo dos bereanos, que o próprio Espírito recomenda através das palavras de Lucas. Eles persistiam “examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11). Cada crente deve ler, testar e compreender a Palavra de Deus e os ensinos a respeito dela. O crente pode fazer assim confiadamente, na certeza de que o Espírito Santo, que habita em cada um de nós, irá levar-nos a toda a verdade. Ainda há um outro aspecto da obra do Espírito Santo como Ensinador: a preparação de Jesus, o Filho encarnado de Deus, para sua tarefa de Rei, Sacerdote e Cordeiro sacrificial. O Espírito Santo veio sobre Maria e lançou a sua sombra sobre ela, gerando nela Jesus, o Filho de Deus. O Espírito Santo foi ensinando o Menino Jesus de tal maneira que, aos 12 anos de idade, deixou atônitos os mestres no Templo. “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2.40). Depois de seu batismo no Jordão, Jesus que, segundo a descrição, estava cheio do Espírito Santo, lutou contra o adversário durante quarenta dias (Lc 4.1-13). Jesus continuou a andar cheio do Espírito Santo. Por isso, sempre que o diabo buscou oportunidade para tentá-lo ainda mais, os resultados foram os mesmos. Jesus “como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15; ver também 2.10-18). Se estivermos cheios do Espírito Santo na luta contra nossa carne e contra o Adversário, também poderemos vencer nossas tentações com a ajuda do Espírito. Cristo veio para nos salvar dos nossos pecados, e não neles. O Espírito Santo estava ativo no ministério de Jesus e no dos discípulos.

O Espírito Santo estava operante na pregação e nos milagres dos 12 discípulos e depois com os 72 que Jesus enviou a pregar o Reino de Deus. Outro aspecto dessa tarefa é a ajuda do Espírito para lembrar-nos de tudo quanto Jesus tem dito. Podemos lembrar somente das coisas que já sabemos e das quais nos esquecemos pela falta de prática. Essa- ajuda da parte do Espírito Santo exige que os crentes estudem e memorizem a Palavra, com a certeza de que o Espírito lhes lembrará de tudo quanto Jesus tem dito, quando precisarem. 37 Os que se deleitam na Palavra de Deus e nela meditam tornam-se como árvores plantadas à beira de um riacho (SI 1.2,3). Em Lucas 24.6-8, os discípulos são perguntados por que procuram os vivos entre os mortos. Decerto as palavras dos mensageiros foram usadas pelo Espírito para fazê-los lembrar das palavras de Jesus.

Em João 2.19, Jesus disse: “Derribai este templo, e em três dias o levantarei”. Ninguém entendeu o que Jesus quis dizer, porém, “quando, pois, ressuscitou dos mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isso; e creram na Escritura e na palavra que Jesus tinha dito” (2.22). João 12.16 é um exemplo semelhante dessa obra do Espírito Santo. Além disso, o Espírito Santo também é o Ensinador do descrente. Nessa tarefa, o Espírito (segundo as palavras de Jesus) convence o mundo “do pecado, e da justiça, e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado” (Jo 16.8-11).

Esse fato combina com a obra do Espírito Santo de atrair a pessoa à salvação. Em João 14.6, Jesus declara: “Ninguém vem ao Pai senão por mim”. Em João 6.44, afirma: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, o não trouxer”. E o Espírito Santo quem atrai cada ser humano a Deus, embora muitos recusem essa atração. Ele nunca deixa de clamar, sem cessar: “Mas por que morrereis? Arrependei-vos e vivei!” A atividade do Espírito Santo como aquEle que dá testemunho de Cristo começa no Antigo Testamento e continua até hoje.

O Espírito Santo inspirava os profetas do Antigo Testamento à medida que escreviam as profecias acerca do Messias vindouro. Isso não significa que o autor humano ou seu auditório – imediato ou indireto – compreendessem sempre o impacto de tudo quanto estava sendo escrito ou lido. Isaías 11.1,2 é um bom exemplo de uma profecia messiânica facilmente reconhecível: Porque brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, e o Espírito de sabedoria e de inteligência, e o Espírito de conselho e de fortaleza, e o Espírito de conhecimento e de temor do Senhor. Outros textos bíblicos, como Isaías 53 e Salmos 110.1, exigiram mais ajuda do Espírito Santo e, até certo ponto, de alguma luz, recebida após a ressurreição.

É evidente que nem os discípulos nem os fariseus reconheciam um Messias sofredor, nem estavam esperando um assim. Lucas nos informa que o Espírito Santo deu testemunho do Cristo que estava para vir, através de João Batista, dos pais deste, de Maria e de Simeão e Ana, em Jerusalém (ver Lc 1-3). Em João 16.13-15, Jesus declara que a obra do Espírito Santo não é falar por conta própria, mas somente aquilo que o Pai e o Filho lhe mandam dizer. ILUMINAÇÃO A doutrina da iluminação do Espírito envolve a obra do Espírito Santo na pessoa, levando-a a aceitar, entender e apropriar-se da Palavra de Deus. Anteriormente, já havíamos considerado várias evidências internas e externas que confirmam ser a Bíblia a Palavra de Deus.

No entanto, mais poderosa e mais convincente que todas elas são o testemunho interior do Espírito Santo. Embora as evidências sejam importantes, e o Espírito Santo possa fazer uso delas, em última análise é a voz autorizada do Espírito, no coração humano, que produz a convicção de que a Escritura é, de fato, a Palavra de Deus. Sem o Espírito Santo, a humanidade nem aceita, nem entende as verdades oriundas de Deus. A rejeição da verdade divina pelos incrédulos acha-se vinculada à sua falta de entendimento espiritual. As coisas de Deus são por eles consideradas loucuras (1 Co 1.22,23;2.14). Jesus descreveu os incrédulos como aqueles que ouvem, mas não compreendem (Mt 13.13-15). Por causa do pecado “se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se lhes o coração insensato” (Rm 1.21-ARA). “O Deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho” (2 Co 4.4).

Sua única esperança para receberem o entendimento espiritual, ou para perceberem a verdade da parte de Deus, é a iluminação do Espírito (Ef 1.18; 1 Jo 5.20). Essa percepção espiritual inicial resulta na regeneração, mas também abre a porta para uma nova vida de crescimento no conhecimento divino. Embora as promessas de João 14-16, a respeito da orientação e ensino a serem ministrados pelo Espírito Santo, façam referência especial aos discípulos de Jesus que seriam usados para escrever o Novo Testamento, há um sentido contínuo em que esse ministério do Espírito relaciona-se a todos os cristãos.

“O mesmo Ensinador também continua a sua obra de ensino dentro de nós, não por meio de trazer uma nova revelação, mas por meio de trazer novo entendimento, nova compreensão, nova iluminação. Mas Ele faz mais do que nos mostrar a verdade. Ele nos coloca dentro da verdade, e ajuda-nos a pô-la em prática”. É importante manter juntas a Palavra escrita de Deus e a iluminação do Espírito Santo: O que o Espírito ilumina é a verdade da Palavra de Deus, e não algum conteúdo místico oculto nessa revelação. A mente humana não é deixada de lado, mas vivificada à medida que o Espírito Santo elucida a verdade.

“A revelação é derivada da Bíblia, e não da experiência, nem do Espírito Santo como uma segunda fonte de informação paralela à Escritura e independente desta”. Nem sequer os dons de expressão vocal, dados pelo Espírito Santo, têm a mínima igualdade com as Escrituras, pois eles também devem ser julgados pelas Escrituras (1 Co 12.10; 14.29; 1 Jo 4.1). O Espírito Santo nem altera nem aumenta a verdade da revelação divina dada nas Escrituras. Estas servem como padrão objetivo necessário e exclusivo através das quais a voz do Espírito Santo continua a ser ouvida. A iluminação do Espírito Santo não visa ser um atalho para se chegar ao conhecimento bíblico, nem um substituto do estudo sincero da Palavra de Deus. Pelo contrário: é à medida que estudamos as Escrituras que o Espírito Santo vai nos outorgando entendimento espiritual, que inclui tanto a crença quanto a persuasão.

“As pesquisas filológicas e exegéticas não são usualmente “locais” para sua operação, pois é no coração do próprio intérprete que Ele opera, criando aquela receptividade interior pela qual a Palavra de Deus é realmente ‘ouvida’.”  O Espírito, fazendo como que a Palavra seja ouvida pelo coração, e não apenas pela cabeça, produz uma convicção a respeito da verdade que resulta numa apropriação zelosa desta mesma Palavra (Rm 10.17; Ef 3.19; 1 Ts 1.5; 2.13).

A neo-ortodoxia tende a confundir a inspiração com a iluminação ao considerar que as Escrituras “se tornam” a Palavra de Deus quando o Espírito Santo aplica seus escritos aos corações humanos. Segundo a neo-ortodoxia, a Escritura é revelação somente quando e onde o Espírito Santo fala de modo existencial. O texto bíblico não tem nenhum significado objetivo específico. “Posto que não existem verdades reveladas, mas somente verdades da revelação, o modo de uma pessoa interpretar um encontro com Deus pode ser diferente da maneira como outra pessoa entende igual situação”. Os evangélicos, contudo, consideram a Escritura como a Palavra escrita e objetiva de Deus, inspirada pelo Espírito na ocasião em que foi escrita. A comunicação verdadeira a respeito de Deus está presente na forma proposicional, quer a reconheçamos, quer a rejeitemos.

A autoridade da Escritura é intrínseca devido à inspiração, e não depende da iluminação. E independente do testemunho do Espírito Santo, e antecede a este. O Espírito Santo ilumina o que Ele já tem inspirado, e a sua iluminação encontra-se vinculada exclusivamente com a Palavra escrita. HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD.  

 

O Divino Interprete. Durante o ministério do Senhor Jesus, os discípulos foram os beneficiários de suas instruções sendo que grande parte das mesmas envolvia a questão da interpretação do Antigo Testamento. E o Senhor continuou a instrui-los a esse respeito, mesmo após a sua ressurreição (Luc. 24:25-27,32,44-47). As interpretações dadas por Jesus estavam escudadas na autoridade de sua própria pessoa divina. Jesus prometeu que o Espirito Santo continuaria a instruir os discípulos quanto à verdade divina (Joio 16:12 ss),

Ao crente é proporcionado um certo «instinto» espiritual no tocante à verdade, devido à presença do Espírito. Diz Joio a esse respeito: Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar. Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em v6s, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as cousas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou» (I 1010 2:26,27; cí, I João 2:20,21). O crente é assim instruído de que não há necessidade de ser ele iludido por falsos ensinos.

O falso ensino também é aludido em II Pedro 1:20,21, onde se lê: sabendo, primeiramente, isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espirito Santo». As palavras de particular elucidação» mui provavelmente aludem ao próprio profeta, em cujo caso, elas meramente sublinham o fato de que toda profecia é de origem não-humana, mas é divina. Por outra parte, pode se referir aos leitores (porquanto os leitores de Pedro haviam sido convidados a darem atenção à palavra profética, no vs. 19), o que significa que em vista do fato da profecia ter sido dada pelo Espirito, agora s6 pode também ser interpretada pelo Espirito.

O «direito de julgamento privado» não nos dá licença para distorcer as Escrituras, e nem para nos entregarmos a uma exegese desequilibrada e fantasiosa; antes, esse direito fala sobre a liberdade que temos de seguir os próprios princípios de interpretação usados pelo Espirito Santo, a saber, aqueles princípios hermenêuticos ensinados pelas próprias Escrituras Sagradas. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 481.      

 

   3.   O valor da experiência.

 

  O texto sagrado é útil para o ensino, repreensão, e correção a fim de tornar o salvo perfeito (2 Tm 3.16,17). Essas declarações demonstram que a Bíblia deve ser aplicada ao nosso viver diário. As verdades bíblicas são confirmadas quando experimentadas pela Igreja do Senhor (Mc 16.20). Nesse aspecto, por exemplo, cremos que o livro de Atos não apenas descreve a experiência pentecostal da Igreja Primitiva, como também a torna válida para os nossos dias (At 2.1-4,38,39). Ressalta-se, porém, que nem a experiência nem a tradição da Igreja podem estar acima da autoridade bíblica. Somente a Escritura é que pode autenticar, e até mesmo corrigir, a experiência ou a prática da Igreja, caso seja necessário (2 Tm 4.2).    

COMENTÁRIO

 

 

O valor da experiência é, por vezes, mal interpretado em alguns círculos evangélicos. Com frequência, os pentecostais são injustamente acusados de colocar a experiência acima da autoridade da Palavra de Deus. Porém um dos princípios hermenêuticos ensina o crente a “interpretar a experiência pessoal à luz da Escritura, e não a Escritura à luz da experiência pessoal”. Significa que, por mais importante que seja a experiência pessoal, ela não é a autoridade final de nossa fé. As experiências precisam do aval das Escrituras para ser validadas. Toda e qualquer experiência que contraria os preceitos bíblicos deve ser desconsiderada.

Paulo asseverou que, se até um anjo do céu vos anunciar outro evangelho, tal experiência deve ser rejeitada (Gl 1.8). De outro lado, a experiência também não pode ser negligenciada. As doutrinas bíblicas devem ser experimentadas e vividas pelos crentes em Jesus. Nossa Declaração de Fé faz várias assertivas acerca dessa necessidade, dentre elas estão: (a) O aceitar Jesus como a experiência da salvação, quando o Espírito Santo passa a habitar no novo crente (1 Co 3.16); (b) O batismo nas águas como um testemunho público da experiência anterior, o novo nascimento, mediante a qual o crente participa espiritualmente da morte e da ressurreição de Cristo (Cl 2.12); (c) O batismo no Espírito Santo como uma experiência espiritual que ocorre após ou junto à regeneração, sendo acompanhada da evidência física inicial do falar em outras línguas (At 2.4).

Nessa compreensão, o texto sagrado é útil para o ensino, repreensão e correção a fim de tornar o salvo perfeito (2 Tm 3.16,17). Essas declarações demonstram que a Bíblia deve ser aplicada ao nosso viver diário. As verdades bíblicas são confirmadas quando experimentadas pela Igreja do Senhor (Mc 16.20). Nesse aspecto, por exemplo, cremos que o livro de Atos não apenas descreve a experiência pentecostal da Igreja Primitiva, como também a torna válida para os nossos dias (At 2.1-4, 38, 39). Ressalta-se, porém, que a experiência ou a tradição da Igreja não podem estar acima da autoridade bíblica. Somente a Escritura é que pode autenticar e até mesmo corrigir a experiência ou a prática da Igreja, caso seja necessário (2 Tm 4.2). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

 

A BÍBLIA TEM DIREITOS SINGULARES, ÚNICOS, SOBRE NÓS Um livro singular, único, merece atenção única. Como Jó, devemos poder dizer: “Tenho apreciado mais as palavras da tua boca do que o pão de que necessito” (Jó 23.12, VA). Se, afinal, a história nos ensina alguma coisa, certamente ensina que as nações que mais honraram a Palavra de Deus têm sido mais honradas por Deus. E o que se pode dizer da nação, pode-se igualmente dizer da família e do indivíduo.

Os maiores intelectos de todos os séculos hauriram sua inspiração da Escritura da Verdade. Os mais eminentes estadistas têm testificado o valor e a importância do estudo da Bíblia. Benjamin Franklin disse: “Jovem, meu conselho a você é que cultive a familiaridade com as Escrituras Sagradas e nelas tenha firme fé, porquanto fazer isso é do seu certo e seguro interesse”. Thomas Jefferson fez esta declaração como sua opinião: “Tenho dito e sempre direi que o estudo minucioso e aplicado do Livro Sagrado fará melhores cidadãos, melhores pais e melhores maridos”. Quando perguntaram à finada rainha Vitória qual o segredo da grandeza da Inglaterra, ela apontou para a Bíblia e disse: “Esse Livro explica o poder da Grã-Bretanha”.

Daniel Webster certa vez afirmou: “Se cumprirmos os princípios ensinados na Bíblia, o nosso país continuará próspero e prosperando, mas, se nós e a nossa posteridade negligenciarmos suas instruções e sua autoridade, ninguém poderá dizer que tremenda catástrofe nos sobrevirá repentinamente e sepultará toda a nossa glória numa profunda obscuridade. A Bíblia é, dentre todas as demais obras publicadas, o Livro para advogados bem como para teólogos, e tenho dó do homem que não consegue encontrar nela um rico suprimento de pensamento e de regra de conduta”. Quando Sir Walter Scott estava morrendo, chamou para o seu lado o homem que o atendia e lhe pediu: “Leia-me algo do Livro”.

“Que livro?”, respondeu seu servidor. “Existe somente um Livro”, foi a resposta do moribundo, e acrescentou: “A Bíblia!”. A Bíblia é o Livro pelo qual viver e pelo qual morrer. Portanto, leia a Bíblia para ser sábio, creia nela para ser salvo, pratique-a para ser santo. Como outra pessoa disse: “É importante que você saiba a Bíblia na cabeça, que a armazene no coração, que a mostre na vida e que a semeie no mundo”. “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16,17). Arthur Walkington Pink; A inspiração divina da Bíblia. Editora Monergismo. 1ª edição, 2013.    

 

SINÓPSE II

A Bíblia é a autoridade final, o Espírito Santo nos auxilia na sua compreensão e a experiência confirma as verdades bíblicas.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

“Tipos de Autoridade Religiosa Autoridade Canônica. A autoridade canônica sustenta que as matérias bíblicas, contidas no cânon das Escrituras, são a revelação autorizada de Deus. A Bíblia tem uma mensagem clara e definitiva para as nossas crenças e para o nosso modo de vida. Os proponentes desta opinião afirmam que: (1) a Bíblia é autoridade em virtude de sua autoria divina; e (2) a Bíblia fala com clareza a respeito das verdades básicas que apresenta. Todas as questões de fé e conduta estão sujeitas à autoridade da Bíblia de modo que os itens da crença teológica devem, ou ter apoio bíblico (explícito ou implícito, ou ser repudiados. A experiência como autoridade. A primeira fonte interna da autoridade é a experiência. O indivíduo relaciona- -se com Deus no âmbito da mente, da vontade e das emoções. Considerando a pessoa com o unidade, os efeitos experimentados, nos demais, quer subsequente quer simultaneamente. De fato, a revelação de Deus tem o seu efeito na totalidade da pessoa humana. […] [Porém, não é fidedigna a experiência isolada e que se arvora como fonte de autoridade para mediar a revelação de Deus” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.46,48).    

 

III – REGRAS BÁSICAS DE INTERPRETAÇÃO

 

   1.   A Escritura é sua própria intérprete.

 

  A “hermenêutica” tem origem no termo grego hermeneutikós que, na teologia, designa os princípios que regem a interpretação dos textos sagrados. Lutero desenvolveu a máxima de que a Escritura tem de ser interpretada e entendida por si própria (Is 8.20). Significa que devemos estudar a Bíblia seguindo o método pelo qual uma parte do texto auxilia na compreensão de outro texto. Essa afirmação é legítima porque a coesão da Escritura é o resultado de um único autor divino (Pv 30.5,6). Embora esse método seja legítimo, o estudante das Escrituras precisa do auxílio de regras básicas para uma correta interpretação.    

COMENTÁRIO

 

    Como já visto, a “hermenêutica” designa os princípios que regem a interpretação dos textos sagrados. E, conforme observa Gordon Fee, “embora a palavra abranja o campo inteiro da interpretação, inclusive a exegese, também é usada no sentido mais estreito de procurar a relevância contemporânea dos textos antigos”. Nesse propósito, Martinho Lutero (1483-1546 d.C.) desenvolveu a máxima que a Escritura tem de ser interpretada e entendida por si própria (Is 8.20). Durante a Reforma Protestante, em 15 de junho de 1520, por meio da bula Exsurge Domine, Lutero foi acusado de interpretar as Escrituras pelo espírito humano, em oposição à tradição e a interpretação oficial da Igreja Católica. Em sua defesa, Lutero insistiu que a Bíblia deve ser interpretada por ela mesma: “Eu não quero ser elogiado por ser mais culto do que todos, mas por ter somente a Escritura por regra. Também não quero que ela seja interpretada pelo meu próprio espírito ou por qualquer espírito humano, mas entendida por si própria e por seu próprio espírito”. Essa afirmação culminou na máxima “a Escritura é a sua própria intérprete”. No sentido passivo, a frase indica que as passagens obscuras da Bíblia devem ser lidas à luz das mais claras. Porém, esse não é o único sentido possível.

Em seus escritos, Lutero falou da Escritura como sujeito ativo, isto é, no engajamento com a Palavra de Deus, é tarefa do exegeta permitir que o Espírito da Escritura o ilumine (Sl 119.105). Desse modo, apesar de a Bíblia possuir uma heterogênea estrutura literária, dezenas de autores distintos, e aspectos culturais e históricos diversos, Lutero ensinou que o seu significado “era claro para quem presta atenção à gramática do texto e à liderança do Espírito”. Essa propositura, valida o estudo das Escrituras seguindo o método pelo qual uma parte do texto auxilia na compreensão de outro texto, e assim ilumina o entendimento do intérprete. Tal afirmação é verdadeira porque a coesão da Escritura é o resultado de um único autor divino (Pv 30.5,6). Contudo, embora esse método seja legítimo, a estudante das Escrituras precisa do auxílio de regras básicas para uma correta interpretação. Esse cuidado é importante para não incorrer no erro de fazer um texto significar aquilo que Deus nunca pretendeu. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

As Escrituras Interpretam a si mesmas. A autoria múltipla das Escrituras transparece em grande variedade de estilos, vocabulário e ênfases que ali se veem. Mas, por baixo dessa grande variedade, existe uma unidade básica de doutrina. Os estudos modernos sobre o kérugma (a coisa proclamadas) do Novo Testamento têm tendido a sublinhar a unidade dos pregadores e escritores da Igreja Primitiva. Estudos similares quanto ao Antigo Testamento, desvendam-nos que ali a unidade gira em torno da pessoa do Deus soberano e justo, que redimiu do Egito ao seu povo de Israel, conduzindo-o à Terra Prometida.

Outrossim, a unidade dos dois Testamentos é o constante pressuposto dos autores sagrados do Novo Testamento. Essa unidade, naturalmente, é resultado da obra inspiradora do Espirito de Deus, o real Autor das Escrituras. Isso significa, por sua vez, que a verdadeira interpretação das Escrituras demonstrará a harmonia da Bíblia consigo mesma. E isso não requer nenhum método artificial ou forçado, e, sim, procura fazer justiça tanto ao sentido natural de cada trecho bíblico como à unidade das Escrituras como um todo. Isso não quer dizer, por outro lado, que a interpretação de cada texto nos seja dada através de um sistema dogmático adredemente preparado.

Mas significa que devemos conservar em mente o fato de que, por detrás de todos os autores humanos avulta o Espírito Santo, porquanto isso é o que a pr6pria Bíblia afirma a seu respeito. Também importa não nos olvidarmos do fato de que a Bíblia contém muitos exemplos de interpretação, porquanto os próprios autores do Novo Testamento interpretaram o Antigo Testamento. E os princípios hermenêuticos por eles aplicados têm a chancela da inspiração divina do Espírito, por detrás de suas interpretações. Nisso vemos que o Espírito Santo é o nosso guia na correta interpretação das Santas Escrituras. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 481.      

 

   2.   Princípios de interpretação bíblica.

 

  Dentre os princípios gramaticais, históricos e literários, enfatizam que o texto bíblico tem sentido único e sempre que possível deve ser interpretado literalmente. Nesse aspecto, é preciso tomar cuidado com as expressões de uso simbólico/alegórico. Por exemplo, Cristo disse: “Tomai, comei, isto é o meu corpo” (Mt 26.26). Esse texto mostra que “corpo” aqui não está no sentido literal, mas no figurado. Outro princípio refere-se ao contexto, isto é, analisar os versículos que precedem e seguem o texto que se estuda. Diz a máxima que “ texto fora do contexto é pretexto”. Desse modo, observando esses princípios, a Bíblia precisa ser interpretada no todo, nenhuma doutrina pode basear-se em um único texto ou em hipóteses particulares (2 Pe 1.20).    

 

COMENTÁRIO

 

    Nossa Declaração de Fé assegura que os pentecostais interpretam as Escrituras “sob a orientação do Espírito Santo, observando as regras gramaticais e o contexto histórico e literário”. O historiador Isael de Araujo enfatiza que o método histórico-gramatical vem sendo reafirmado como uma reação ou alternativa em relação ao método histórico-crítico, que foi intensamente difundido no século XX:

A interpretação histórica se refere ao contexto em que os livros da Bíblia foram escritos e às circunstâncias em jogo. A interpretação gramatical se refere à apuração do sentido dos textos bíblicos mediante estudo das palavras e das frases em seu sentido normal e claro. Em termos simples e objetivos, há três estágios para o método: observação (o que diz o texto), interpretação (o que quer dizer o texto) e aplicação (o que o texto quer dizer para nós). Nessa concepção, o artigo em comento destaca que “os defensores desse método na hermenêutica pentecostal argumentam que a intenção autoral propagada pelo método histórico-gramatical é testada pelo tempo (desde os primórdios da igreja com a escola de Antioquia) e ideal para um sadio método de interpretação bíblica pentecostal”. Em contrapartida, debate-se a construção da “hermenêutica pentecostal” em solo brasileiro.

Essa discussão resultou na publicação de um manifesto do Conselho de Doutrina e Comissão de Apologética da CGADB, com os seguintes esclarecimentos: A Hermenêutica Pentecostal sadia não é uma negação do método histórico-gramatical. Por outro lado, não é um apego rigoroso e absoluto a esse método, cujo emprego não conduziu a fé reformada à compreensão e crença na atualidade da obra do Espírito Santo, tal qual prometida por Jesus e vivenciada pelos apóstolos e pelas igrejas do Novo Testamento. Conquanto se valha de ferramentas da erudição bíblica, a Hermenêutica Pentecostal não flerta com quaisquer das aplicações do método histórico-crítico ou da atual crítica literária e histórica que negam a plena inspiração das Escrituras e a literalidade dos milagres. Concordes com esse posicionamento, dentre os princípios gramaticais, históricos e literários, enfatizamos que o texto bíblico tem sentido único e sempre que possível deve ser interpretado literalmente. Nesse aspecto, é preciso tomar cuidado com as expressões de uso simbólico/alegórico.

Por exemplo, Cristo disse: “Tomai, comei, isto é o meu corpo” (Mt 26.26). Esse texto mostra que corpo aqui não é no sentido literal, mas no figurado. Outro princípio refere-se ao contexto, isto é, analisar os versículos que precedem e seguem o texto que se estuda. Diz a máxima que “texto fora do contexto é pretexto”. Desse modo, observados esses princípios, a Bíblia precisa ser interpretada no todo, nenhuma doutrina pode basear-se em único texto ou em hipóteses particulares (2 Pe 1.20). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Além dessa tão importante atitude de reverente consideração pela Bíblia, podem ainda ser formuladas certas Regras de Interpretação. Não são elas peculiares à Escritura: exigem simplesmente em relação a esta aquelas qualidades de bom senso e de imparcialidade, que o estudo de qualquer obra literária requer. A primeira regra de interpretação bíblica é: interpretar gramaticalmente o texto, tendo em vista a significação das palavras, a forma das frases, e as particularidades idiomáticas da língua empregada.

O sentido das Escrituras tem de ser determinado pelas palavras: um verdadeiro conhecimento das palavras dá o conhecimento do sentido. A significação das palavras é fixada pelo uso da língua. O uso deve ser determinado todas vezes que for possível pela própria escritura. As palavras da Escritura devem ser tomadas no seu sentido comum, a não ser que tal sentido se mostre incompatível com outras palavras da frase, com o argumento, com o contexto ou com outras partes da Escritura. Entre dois sentidos diferentes, deve ser geralmente preferido o mais compreensível para os ouvintes ou para os primeiros leitores da passagem inspirada, tomando em conta a maneira de pensar daquela época, bem como as expressões figurativas que eram tão familiares que não ofereciam dúvida alguma quanto à sua significação.

O verdadeiro significado de uma passagem da Escritura não é encontrado, pois, em cada sentido que as palavras possam ter, nem está em cada sentido exato que as palavras têm, mas sim no sentido que os escritores inspirados lhe quiseram dar ou que o Espírito Santo lhes quis dar, embora imperfeitamente compreendido pelos escritores. Esses importantes pontos serão inteiramente esclarecidos nas páginas seguintes. Revised. Joseph Angus., História, Doutrina e Interpretação da Bíblia. Editora Hagnos, 1 Ed. 2008.    

 

 

A Hermenêutica como um Modo de Interpretar – Princípio de Interpretação da Bíblia As línguas originais devem ser lidas e compreendidas, ou então, o estudioso precisa ter acesso a textos fidedignos, que transmitam fielmente o sentido do texto original. O estudioso também deveria .consultar não apenas uma, mas muitas traduções, para então julgar os seus méritos comparativos, quanto a casos específicos. Deveria ter cuidado para evitar envolvimento na manipulação sofista de vocábulos ou expressões hebraicas e gregas. Quase qualquer coisa pode ser ensinada, através da manipulação indevida dos textos.

As próprias traduções oficiais, algumas vezes, envolvem-se nesse tipo de atividade. Consideremos os muitos sermões que têm sido pregados com base nas supostas diferenças entre agapáo e philéo (palavras essas que são meros sinônimos), na tentativa de explicar o trecho de João 21:15 ss. O Tipo de Literatura a ser examinado. O estudioso precisa examinar prosa, poesia, alegoria, trechos literais e trechos simbólicos. Consideremos os apocalipses, com seus fantásticos símbolos. Atualmente, muitos pregadores supõem que sempre devemos entender literalmente um texto, a menos que haja razões especiais para interpretarmos o mesmo simbolicamente.

Mas, no caso dos apocalipses (incluindo o Apocalipse de João), a interpretação literal desvia para longe da verdade, em vez de conduzir à verdade. Uma estrela que cai, por exemplo, é o símbolo apocaliptico de um anjo, e não uma alusão a alguma catástrofe cósmica, a algum acontecimento astronômico. As pragas de insetos e animais grotescos não apontam para pragas incomuns. Antes, falam sobre as atividades demoníacas. Se quisermos compreender o Apocalipse de João, em nosso Novo Testamento, teremos de familiarizar-nos com os livros pseudepígrafos, onde os símbolos se assemelham muito com os do Apocalipse.

Em meu comentário sobre o Apocalipse, no NTI, procurei apresentar ao leitor aquilo que os próprios autores sagrados pensavam acerca dos símbolos que empregaram; e isso, necessariamente, nos conduz ao fundo da linguagem simbólica empregada nos livros pseudepígrafos. Pano de Fundo Histórico. Precisamos entender um livro dentro do contexto histórico no qual foi escrito. Quando o Apocalipse fala sobre Roma, indica a Roma do tempo do paganismo, e não a Igreja Católica Romana, e nem os protestantes cismáticos. Infelizmente, o livro de Apocalipse tem servido de campo de batalha entre as denominações cristãs. Entretanto, João estava atacando Roma. É um erro tentar modernizar o que os profetas disseram. Isso não significa que eles não falaram sobre coisas do fim de nossa dispensação. Mas significa que muitas de suas predições diziam respeito à sua própria época, a curto prazo, e não a longo prazo. Consideremos, além disso, a história da criação. Precisamos entender que o autor sagrado não tinha consciência da imensa antiguidade do globo terrestre.

Ele falou sobre a raça adâmica, mas não sabia acerca da imensa expansão da história astronômica e geológica da humanidade, que antecede à história recente da raça adâmica. Isso posto, é impossível extrair do livro de Gênesis alguma declaração dogmática sobre a idade da terra. Além disso, devemos entender que ele se referiu a um certo aspecto da história antiga, e não à totalidade dessa história, que está perdida nas brumas do tempo. Quando o autor sagrado falou sobre o dilúvio, referiu-se a um relato genuíno. Porém, não tinha consciência do fato de que já tinham ocorrido outras catástrofes universais similares. Heródoto diz-nos que os egípcios sabiam que tinha havido mais de um dilúvio, chamando os gregos de crianças, porque só sabiam de um desses dilúvios. Não deveríamos fazer com que registros parciais da história tomem o lugar da história total.

A ciência e outras referências literárias podem aumentar o nosso conhecimento sobre essas coisas. No tocante ao pano de fundo histórico, precisamos ter um conhecimento funcional da história narrada na Bíblia, bem como as histórias dos povos envolvidos no relato bíblico. Em caso contrário, não seremos capazes de determinar o significado de muitos textos. Quando lemos sobre Abraão, precisamos conhecer os costumes matrimoniais de sua época, como também costumes sobre heranças, sobre leis pré-mosaicas, etc., sob pena de muitas passagens da Bíblia permanecerem obscuras para nós. Quando Abraão mentiu, dizendo que Sara era sua irmã, pensamos que ele cometeu um grande mal. De certa feita ouvi uma mensagem, dada em uma escola dominical, por um professor que se mostrava muito perturbado diante do fato de Abraão não haver protegido Sara, ao pespegar uma mentira sobre ela. No entanto, a verdade é justamente o oposto. Naqueles tempos, os chefes tribais (denominados reis, nas páginas da Bíblia), nos dias do Antigo Testamento, podiam fazer o que bem entendessem com as mulheres que passassem por seus territórios, fossem elas solteiras ou casadas!

Facilmente, Sara poderia ter-se tornado parte do harém de um daqueles chefes; e ninguém pode agora dizer que Abraão estava disposto a sacrificar a virtude de Sara para salvar a própria pele. Talvez somente assim estivesse salvando a vida dela também. Apesar disso parecer revoltante para a moderna mentalidade evangélica, essa era a dura realidade nos dias de Abraão. Condições Geográficas e Meteorológicas. Os povos antigos viviam limitados por sua geografia local, pelo clima em que viviam e pela fertilidade das terras que ocupavam. O temor da fome, entre outras coisas, produziu a adoração às forças da natureza, o sacrifício de crianças a certos deuses, cujos favores buscavam, além de outras coisas desse jaez.

Para os cananeus, Baal era o deus da chuva, que cuidaria das terras e as tornaria férteis. Os poderes do relâmpago e do trovão, além de outras forças naturais, não eram entendidos. Esses poderes eram atribuídos a seres divinos, bons ou maus. Isso originou todo o desenvolvimento de uma teologia primitiva, completa com deuses de todas as espécies, que controlariam todas as facetas das atividades humanas. Ver o artigo sobre os Deuses Falsos. Diferenças Culturais. Precisamos saber algo sobre os próprios hebreus, além de entender porque acreditavam em certas coisas e faziam certas coisas. Ao estudarmos a história de um povo qualquer, temos de compreender o meio ambiente em que eles viviam, bem como toda a sua formação.

Ficamos perplexos diante das intermináveis guerras de Israel, diante da imensa crueldade, das matanças sem sentido, ao mesmo tempo em que supunham que estavam agindo por orientação divina. Origenes, por isso mesmo, queixou-se do ponto de vista primitivo sobre Deus, em muitos trechos do Antigo Testamento, tendo procurado eliminar essa dificuldade mediante uma interpretação alegórica, onde o aspecto histórico não era devidamente enfatizado. Além disso, ele buscava um conhecimento maior na mensagem mística de alguma passagem, inteiramente à parte da história ali narrada. Ver os artigos intitulados Alegoria e Interpretação Alegórica. Revelações Preliminares. Dentro da interpretação do Antigo Testamento, nunca nos devemos olvidar do fato de que estamos tratando de revelações anteriores e inferiores àquelas que nos são ‘feitas no Novo Testamento. Isso posto, devemos usar de cautela para não transformarmos em dogmas alguma teologia antiga, que corresponda a algum nível anterior da revelação divina. Poderiamos destacar o conceito de Deus como uma questão básica quanto a isso.

O Novo Testamento nos presenteia uma visão superior sobre o Ser divino. Para ilustrar, no Pentateuco não há qualquer ensino sobre a alma, não há qualquer promessa de recompensa aos que praticarem o bem, depois desta vida, e nem há qualquer ameaça àqueles que agirem mal, depois desta vida. Além disso, no Antigo Testamento encontramos um sistema legalista, baseado sobre as’ obras humanas, que Paulo ultrapassou. Isso não significa, entretanto, que não encontremos ali uma mensagem rica, de onde podemos extrair muitas lições valiosas. Porém, não podemos ficar dependentes da mensagem do Antigo Testamento, quando se trata de formular a nossa teologia. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 96-97.    

 

   3.   Os perigos da hermenêutica pós-moderna.

 

  Nossa ortodoxia refuta todo e qualquer um que nega a inspiração verbal e plenária da Bíblia e sua consequente autoridade (2 Pe 1.21). Assim sendo, o intérprete não pode criar outro cânon dentro do cânon bíblico, ou seja, não cabe ao estudante fragmentar ou relativizar os textos inspirados. Não se pode empregar métodos subjetivos focados no leitor em prejuízo do texto e do autor bíblico. Ratificamos que as experiências devem ser submetidas ao crivo das Escrituras Sagradas (At 17.11). Por fim, reconhecemos que as técnicas hermenêuticas não são infalíveis. Durante o processo de aplicação dos métodos interpretativos necessitamos da iluminação do Espírito Santo (1 Co 2.12).    

COMENTÁRIO

 

A denominada hermenêutica pós-moderna nega que existe um sentido absoluto para a verdade bíblica, e, portanto, busca rever ou ressignificar a verdade revelada na Palavra de Deus. Nesse debate, a hermenêutica na perspectiva pentecostal também foi acusada de promover interpretações exclusivamente baseadas na experiência do leitor. Diante disso, as Assembleias de Deus no Brasil se manifestaram nos seguintes termos: É preciso estabelecer com firmeza com o que não comungam os pentecostais clássicos em termos de técnicas de interpretação. Isso é imperativo especialmente diante de métodos hermenêuticos pós-modernos, focados no leitor e não no autor e no texto, e que emprestam à experiência um lugar que a ela não cabe no processo interpretativo. Isso não é Hermenêutica Pentecostal. Em suma, nossa ortodoxia refuta todo e qualquer método que nega a inspiração verbal e plenária da Bíblia e sua consequente autoridade (2 Pe 1.21).

Assim sendo, o intérprete não pode criar outro cânon dentro do cânon bíblico, ou seja, não cabe ao estudante fragmentar ou relativizar os textos inspirados. Não se pode empregar métodos subjetivos focados nos anseios do leitor em prejuízo do texto e do autor bíblico. Ratifica-se que as experiências devem ser submetidas ao crivo das Escrituras Sagradas (At 17.11). Por fim, as Assembleias de Deus reconhecem que as técnicas hermenêuticas não são infalíveis. Durante o processo de aplicação dos métodos interpretativos, o crente necessita da iluminação do Espírito Santo (1 Co 2.12). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

O QUE PROPÕE A TEOLOGIA NARRATIVA? Seguindo os pressupostos desconstrutivistas, os teólogos emergentes ensinam que a interpretação de um texto bíblico pode ter vários significados, não sendo possível determinar um sentido único que seja apresentado como o verdadeiro. O sentido do texto não estaria dentro do texto, mas fora do texto. Não seria intratextual, mas extratextual. O significado e a interpretação de todos os textos bíblicos seriam, portanto, relativos e caberia a cada um extrair dos textos bíblicos, sem preocupar-se com regras de hermenêutica, as lições que achar interessantes, conforme a necessidade do momento. Em Uma ortodoxia generosa, Brian Mclaren declara que a Teologia Narrativa apresenta um novo conceito de ser bíblico sem estar preso a uma interpretação rígida das Escrituras e celebra o fato de que essa visão faz a Bíblia se tornar “não uma enciclopédia de consulta acerca das verdades morais e eternas, mas a narrativa dinâmica de Deus” (p. 190). Ele, inclusive, se diz incomodado com conceitos como “autoridade, inerrância, infalibilidade, revelação, objetiva, absoluta e literal” para se referir à Bíblia, e argumenta que esses conceitos são invenções, são uma “linguagem que frequentemente usamos em nossas explicações acerca do valor da Bíblia” e, portanto, não deveriam ser usados porque não aparecem na Bíblia. “Quase ninguém nota a ironia de se lançar mão da autoridade de palavras e conceitos extra bíblicos para se justificar a crença na autoridade suprema da Bíblia” (p. 183).

Porém, Mclaren esquece ou prefere ignorar que esses termos não foram criados do nada. Eles são conceitos inferidos da própria Bíblia quando esta fala sobre seu valor a seus leitores. E como ocorre com o termo trindade, que não aparece na Bíblia, mas nem por isso podemos dizer que a trindade ou triunidade divina é uma invenção humana, já que a Bíblia a expressa claramente. Mclaren não concorda com o uso desses conceitos para descrever o valor da Bíblia, conceitos estes depreendidos do próprio texto sagrado, e propõe uma única proposição sobre o valor das Escrituras, que é o que se segue: “O propósito da Escritura é de que equipar o povo de Deus para as boas obras. Uma declaração simples como esta não seria muito mais importante do que declarações com palavras estranhas ao vocabulário bíblico sobre ela mesma (inerrante, autoritativa, literal, revelatória, objetiva, absoluta, proposicional, etc)?” (p. 183).

Evitando esses outros conceitos e abrigando apenas aquele (que é tão bíblico como os demais), Mclaren apresenta uma definição da Bíblia incompleta com o intuito de dar sinal verde para todo tipo de interpretação da Bíblia e fazendo do texto bíblico tão somente uma inspiração para boas obras, quando as Sagradas Escrituras são bem mais do que isso. O que Mclaren e os emergentes desejam é apenas um cristianismo “politicamente correto”, bem ao estilo pós-moderno, que não confronte visões diferentes, que seja apenas uma “inofensiva” religião só de boas obras, e não uma fé que se baseia em (e prega e defende) verdades absolutas.

E para sustentar sua posição, o “guru” dos emergentes compara desonestamente os cristãos que defendem a Bíblia como tendo um conteúdo atemporal como sendo iguais aos racistas que se dizem cristãos, quando estes, assim como os emergentes, distorcem o significado do texto bíblico (pp. 189 e 190). Não é à toa que Mclaren defende a Bíblia como sendo “um documento de seu tempo” e não como “um documento atemporal” (p. 189).

Quem defende a Bíblia como um documento temporal considera que ela só poderá ser usada como um livro motivacional para boas obras e não como um livro que defende uma verdade absoluta (um termo que causa arrepios nos defensores do “politicamente correto”). Usando a velha estratégia emergente da generalização, que consiste em usar maus exemplos como prova de que a posição conservadora é errada, afirma Mclaren que “nós empacamos e vagamos sem rumo quando usamos a Bíblia como arma para ameaçar alguém, como uma ferramenta para intimidar os outros e fazê-los ver que estão errados, como um atalho para sermos aqueles que sabem tudo, que creem que a Bíblia tem todas as respostas”.

Ele ainda chama tudo isso de “defesa do status quo” e declara que “nada disso corresponde ao uso que Paulo, o apóstolo, queria que Timóteo, seu protegido, fizesse da Escritura”. O “guru” dos emergentes diz também que “infelizmente, justamente as pessoas que mais amam a Bíblia têm sido aquelas que a usam para esses outros propósitos, às vezes até negligenciando seu propósito essencial [o da Bíblia como inspiração para boas obras]”. Ou seja, para Mclaren, mesmo que um cristão conservador se destaque pelas boas obras, ele é lamentável quando defende verdades absolutas à luz da Bíblia, porque Paulo teria defendido a Bíblia apenas como tendo o propósito de inspirar boas obras (Mclaren baseia-se especialmente no final da passagem de 2 Timóteo 3.17) e não como um texto autoritativo, inerrante, infalível, proposicional e absoluto. Será que Paulo defendeu a Bíblia como tendo só esse valor?

Será que a própria Bíblia não fala dela mesma como tendo todos esses outros valores? Vejamos o que a própria Bíblia nos diz sobre esse assunto, inclusive os escritos de Paulo. Para começar, vejamos com atenção o que Paulo realmente está dizendo no texto destacado por Mclaren. Veja se Paulo está se referindo só a um propósito das Escrituras nessa passagem ou a dois: “Toda a Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus [1] seja perfeito e [2] perfeitamente instruído para toda a boa obra”.

A Bíblia não é só para nos “instruir perfeitamente para toda a boa obra” (no original grego, “equipar para toda boa obra”); é também para fazer com que o homem de Deus “seja perfeito”, isto é, correto em toda a sua forma de viver. Aliás, dizer como Mclaren diz que os verbos ensinar, redarguir, corrigir e instruir não dão a ideia de um objetivo proposicional, normativo e autoritativo da Bíblia é confiar demais na ingenuidade de todos os seus leitores. O vocábulo grego traduzido por “perfeito” em 2 Timóteo 3.17 é artios, que só aparece nessa passagem em todo o Novo Testamento. O vocábulo significa “provido”, “completo”, “perfeito” ou “aperfeiçoado”. Porém, em seu livro, Mclaren preferiu propositalmente a tradução menos indicada — “apto” — que favorecia a interpretação que ele queria dar ao texto, reforçando a segunda das duas funções das Escrituras mencionadas por Paulo nessa passagem, o que dá a entender que só existe uma função apresentada ali.

Quando Paulo fala que as Escrituras são, em primeiro lugar, para que o homem de Deus seja artios, ele está evocando o mesmo que afirma em Efésios 4, quando diz que Deus deu à Igreja apóstolos, profetas, evangelistas e pastores e mestres (homens que manejam a Palavra da Verdade) “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço [já que, para sermos bem equipados para as boas obras, precisamos ser cada vez mais artios], para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da f é e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro, e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4.12-15, grifos do autor). Daniel., Silas. A Sedução das Novas Teologias. Editora: CPAD. pag. 78-80.    

 

Formas pelas quais o Intérprete Pratica a Eisegese I) Quando força o texto a dizer o que não diz: O intérprete está cônscio de que a interpretação por ele asseverada não está condizente com o texto, ou então está inconsciente quanto ao objetivo do autor ou propósito da obra. Entretanto, voluntária ou involuntariamente, manipula o texto a fim de que sua loquacidade possa ser aceita como princípio escriturístico. Geralmente tal interpretação não possui qualquer justificativa lexical, cultural, histórica ou teológica, pois se baseiam em pressupostos ou premissas previamente estabelecidos pelo intérprete. Outro problema neste caso é o individualismo que embebe alguns na leitura da Bíblia.

O que se busca como interpretação “é o que as Escrituras significam para mim agora”, e não “o que elas significam em seu contexto”. 2) Quando ignora o contexto, sob pretexto ideológico: Poucas atividades hermenêuticas têm sangrado tanto o texto como o banimento do contexto. Ignorar o contexto é rejeitar deliberadamente o processo histórico que deu margem ao texto. O intérprete, neste caso, não examina com a devida atenção os parágrafos pré e pós-texto, e não vincula um versículo ou passagem a um contexto remoto ou imediato. Uma interpretação que ignora e contraria o contexto não deve ser admitida como exegese confiável. Existem pessoas que são capazes de banir conscientemente o contexto e o sentido do texto, simplesmente para forçar as Escrituras a conformarem-se com suas ideologias. 3) Quando ignora a mensagem e o propósito principal do livro: Um livro pode ser mais facilmente entendido quando se sabe qual é o propósito do autor e qual a mensagem que ele procura afirmar para seus contemporâneos.

A mensagem do livro e o propósito do autor são “almas gêmeas” da interpretação bíblica. Os assuntos genéricos tratados pelo autor precisam ser observados a partir dos propósitos e da mensagem do autógrafo. Quando ignoramos a mensagem principal e o propósito do livro, somos dispersivos na aplicação coerente do texto. Os livros de Lucas (LI-4), João (20.30, 31; 21.24,25), Atos (I), I Coríntios (5.1; 6.I;7.I;8.I,I2.I;I6.I) e muitos outros são melhor compreendidos quando conhecemos a in- tenção do autor, expresso no próprio autógrafo. 4) Quando não esclarece um texto à luz de outro: Os textos obscuros devem ser entendidos à luz de outros e segundo o propósito e a mensagem do livro. Recorrer a outro texto é reconhecer a unidade das Escrituras na correlação de ideias.

Por vezes, pratica-se eisegese por ignorar a capacidade que as Escrituras têm de interpretar a si mesmo. 5) Quando põe a “revelação” acima da mensagem revelada: Por vezes, aparecem indivíduos sangrando o texto sagra- do sob o pretexto de que “… Deus revelou”, ou “… essa veio do céu”. Estes colocam a pseudo-revelação acima da mensagem revelada. Quando assim asseveram, procuram afirmar in- falibilidade à sua interpretação, pois Deus, que “revelou”, autor principal da Escrituras, não pode errar. Devemos ter o cuidado de não associar o nome de Deus a mentira, pois Ele não pode contradizer o que anteriormente, pelas Escrituras, havia afirmado.  

Quando está comprometido com um sistema ou ideologia: Não são poucos os obstáculos que o exegeta encontra quando a interpretação das Escrituras afeta os cânones do sistema e as tradições de sua denominação. Por outro lado, até as ímpias religiões encontram justificativas bíblicas para ratificar as suas heresias. Kardec citava a Bíblia para defender a reencarnação! Muitos outros movimentos sectários torcem as Escrituras. Utilizar as Escrituras para apologizar um sistema ou ideologia pode passar de uma eisegese para uma heresia aplicada. Bentho., Esdras Costas,. Hermenêutica Fácil e Descomplicada. Editora CPAD. 1 Ed. 2003. pag. 69-72.  

 

SINOPSE III

A Escritura é a sua principal interpretação. Assim sendo, o uso da hermenêutica e a iluminação do Espírito auxiliam na correta interpretação.

 

CONCLUSÃO

A Bíblia Sagrada deve ser lida e interpretada. Nesse mister, somos auxiliados pela exegese e pela hermenêutica. Contudo, nenhuma das técnicas de interpretação estão acima da autoridade da Palavra de Deus. O que a igreja crê e professa deve ser interpretado à luz da própria Escritura.    

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

  1.   Qual é o significado do termo “Exegese”?

O termo “ exegese” vem do grego ex, traduzido como “fora”, e agein com o sentido de “guiar”. Literalmente significa “guiar para fora”, isto é, extrair a intenção das palavras de um texto.  

2.   Por que precisamos usar métodos sadios como auxílio na interpretação das Escrituras?

Em virtude de nossa inclinação pecaminosa que nos induz ao erro (Rm 8.7), precisamos usar métodos sadios que nos auxiliem na interpretação das Escrituras (Rm 12.2).  

3.   Segundo a lição, como podemos acatar a autoridade da Bíblia?

Acatamos suas doutrinas, reconhecemos a realidade do sobrenatural, a literalidade dos milagres e a atualidade do Batismo no Espírito Santo e os Dons Espirituais (At 2.39).  

4.   Acerca do valor da experiência, como vemos o livro de Atos?

Nesse aspecto, por exemplo, cremos que o livro de Atos não apenas descreve a experiência pentecostal da Igreja primitiva, como também a torna válida para os nossos dias (At 2.1-4, 3 8,39)  

5.   O que é enfatizado na interpretação bíblica dentre os princípios gramaticais, históricos e literários?

Dentre os princípios gramaticais, históricos e literários, enfatizam os que o texto bíblico tem sentido único e sempre que possível deve ser interpretado literalmente

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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