5 LIÇÃO 3 TRI 22 A SUTILEZA DO MATERIALISMO E DO ATEÍSMO

 

5 LIÇÃO 3 TRI 22 A SUTILEZA DO MATERIALISMO E DO ATEÍSMO

5 LIÇÃO 3 TRI 22 A SUTILEZA DO MATERIALISMO E DO ATEÍSMO

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis.” (Rm 1.20)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

Tanto o materialismo quanto o ateísmo são expressões máximas de um coração endurecido pelo pecado e de olhos cegados por Satanás.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Hb 1.1 Deus se deu a conhecer ao mundo

 

Terça – Gn 12.1-3 Deus se revela graciosamente ao ser humano

 

Quarta – Rm 1.22; SI 53.1 A vã sabedoria humana faz o homem tornar-se “louco”

 

Quinta – 2 Co 4.4 O deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos

 

Sexta – Gn 1.1,2 Deus é o Criador de todas as coisas

 

Sábado – Gn 1.26-28 O homem é a imagem e semelhança de Deus

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Romanos 1.18-23

 

18 – Porque do céu se manifesta a ira de Deus Sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça;

 

19 – porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus Iho manifestou.

 

20 – Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;

 

21 – porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e 0 seu coração insensato se obscureceu.

 

22 – Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

 

23 – E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.

 

 

Hinos Sugeridos: 107, 218, 228 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

O propósito desta lição é apresentar o perigo e a incompatibilidade da cultura materialista moderna com os princípios da fé cristã. Por isso, mostraremos o perigo da filosofia materialista e ateísta e como a igreja deve se comportar diante dela. Essa lição traz luz para responder o porquê de muitos movimentos contemporâneos surgirem para confrontar a Igreja.

 

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Conceituar o Materialismo e o Ateísmo;

II) Rastrear as raízes do Materialismo e do Ateísmo;

III) Pontuar os pressupostos do Materialismo e do Ateísmo;

IV) Afirmar o posicionamento da Igreja de Cristo.

B) Motivação: Toda visão de mundo tem um pressuposto. Se uma visão de mundo, que defende que o homem é só matéria, tiver a oportunidade de criar leis, planejar a cultura, e etc., fará isso solapando os valores espirituais, a sacralidade da vida e da Criação. Essa questão forma o pano de fundo para os assuntos contemporâneos do aborto, eutanásia e ortotanásia, por exemplo.

C) Sugestão de Método: Esta lição, a partir da Bíblia, procura compreender os pensamentos que dominam o mundo. Por isso não perca de vista que o nosso objetivo é ter um olhar sobre a Bíblia diante de uma cultura que precisa ser lida e compreendida por nós. Por isso, à luz da Bíblia, e de acordo com o contexto de sua classe, traga aplicações que revele a gravidade de uma visão materialista e ateísta aplicada à vida das pessoas. Por exemplo, regimes totalitários como os da antiga União Soviética, os campos de concentração perpetrados por Hitler etc.

 

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

Aplicação: É preciso que se aplique à vida do aluno a verdade de que nós somos a imagem do Criador. Essa afirmação teológica clássica traz a dimensão da dignidade do ser humano. Só podemos falar de dignidade humana pressupondo a existência de um Deus cuja referência de sua natureza é o amor. Sem Ele, não há dignidade humana.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 91, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “O Homem Rejeita a Revelação Divina” é uma reflexão que amplia o conteúdo do primeiro tópico;

2) O texto “O Criador é o Deus da Bíblia?” traz uma afirmação que enaltece as verdades da Bíblia.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

Nesta lição vamos estudar o Materialismo e o Ateísmo. Pomos o materialismo e o ateísmo juntos porque são como as duas faces de uma mesma moeda. Conduzem-se por princípios e pressupostos semelhantes. Nas duas últimas décadas vimos um despertar tanto do materialismo como do ateísmo. Na verdade, a expressão máxima de um tipo de materialismo militante, agressivo e inimigo da fé cristã tem se manifestado no neoateísmo. É mais uma sutileza do engano e um ardil de Satanás contra a Igreja de Cristo. Como cristãos, precisamos estar prontos a dar razão ou explicação de nossa fé, mesmo para os que não acreditam ou desdenham dela (1Pe 3.15). Isso inclui os materialistas e os ateístas.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Na lição bíblica sobre o materialismo e ateísmo a que este livro serve de apoio tratamos de alguns conceitos sobre os quais esses temas se fundamentam. Contudo, um aprofundamento nessas temáticas exige que se analise tanto o materialismo como o ateísmo em seus aspectos filosóficos e doutrinários. Somente vendo como se sistematizaram ideologicamente poderemos entender suas implicações práticas. Isso porque, ao contrário de outros sistemas filosóficos que se limitaram ao debate acadêmico, tanto o materialismo como o ateísmo saíram do debate meramente acadêmico para ganharem existência concreta no contexto social. Em outras palavras, se objetivaram. Somente enxergando-os dessa forma, enquanto ideologias filosoficamente estruturadas, é que poderemos contrastá-los com os princípios esposados pela fé cristã.

Foi o alemão Karl Marx quem deu os contornos doutrinários à filosofia materialista e a converteu em uma poderosa força ideológica capaz de criar sistemas políticos e contrapor à doutrina cristã. Nações e governos foram influenciados pelo marxismo e sua ideologia chegou a criar modelos teológicos dentro de determinados setores do cristianismo. Isso pode ser ilustrado pelo comunismo, regime dominante em países como Rússia e China, e pela Teologia da Libertação, tão bem conhecida em nossa pátria.

Contudo, convém destacar que o marxismo, como qualquer outra ideologia, sofreu transformações e atualizações. A partir da década de 1930, por exemplo, o neomarxismo apresentou uma nova leitura, uma atualização da doutrina marxista clássica. Por ter grande influência e efeitos práticos em solo brasileiro, é sobre o neomarxismo que nosso texto se deterá em analisar.

Por outro lado, o ateísmo também se atualizou. A partir dos anos 2000, o neomarxismo tratou de reavir a velha teoria materialista e lhe dar um contorno ideológico e doutrinário mais sofisticado e ao mesmo tempo mais digerível para a sociedade. Esse novo materialismo vem vestido em uma suposta roupagem científica em vez da meramente filosófica que marcou sua primeira versão. Nomes como Richard Dawkins e Sam Harris, somente para citar os dois principais defensores do neomarxismo, se tornaram verdadeiras celebridades. Para nosso estudo, é esse modelo que nos interessa visto sua oposição ferrenha e declarada à fé cristã.

Gonçalves. José,. Os Ataques Contra a Igreja de Cristo. As Sutilezas de Satanás neste Dias que Antecedem a Volta de Jesus Cristo. Editora CPAD. 1ª edição: 2022.

 

 

Há alguns anos, presenciei em sala de aula um professor pregar que a grande solução para os problemas da humanidade é o fim da religião.

Segundo ele, o mundo só seria melhor com a vitória do ateísmo. Claro que não pude ficar calado. Comecei amistosamente um debate em que as ideias dele foram confrontadas e, ao final, a maioria esmagadora da turma, que antes assistia calada e condescendente suas afirmações, optou por discordar dele. Mas, nem sempre é assim. Há professores que sequer aceitam o debate e quem discordar de suas posições é rechaçado rápida e acidamente.

Tal posicionamento é mais comum do que se imagina. Está não só nas universidades, mas na mídia.

Cristãos e suas posições são ignorados flagrantemente em debates. São discriminados, escanteados. A fé é vista como arquiinimiga da Ciência e dos “avanços sociais”. É taxada como “coisa de ultrapassado e fanático”.

Enquanto isso, as afirmações de ateus e liberais são vistas como genuínas, puras e perfeitas científica e socialmente. E quando alguém tenta contradizer isso, mesmo que polidamente, começa a guerra.

Veja o que está acontecendo nos Estados Unidos.

Ali, surgiu um movimento de contra-ataque a essa onda liberal, demonstrando a cosmovisão cristã como (1) a alternativa mais coerente para entender a vida e (2) um movimento sadio de contra-cultura com um sólido arcabouço científico. Resultado? Os ateus e liberais, pegos de surpresa pelas fortes argumentações da cosmovisão cristã, têm se esforçado desesperadamente para esconder ou minimizar essas argumentações e desacreditar o cristianismo como nunca antes fizeram em toda a história daquele país. Já estão, inclusive, apelando, partindo para um ataque baixo, nervoso, emocional e intolerante. Vamos aos nomes.

Recentemente, três cientistas norte-americanos de destaque internacional lançaram livros pedindo exatamente o fim da religião. Não que eles pensem, ingenuamente, que um dia não mais existirão religiões no mundo, mas seus ataques pretendem influenciar o aumento das mordaças sobre a fé, para que ela perca a sua relevância. Para esses cientistas, o maior mal do mundo atende pelo nome de “religião” ou “fé”. Principalmente “fé cristã”.

O primeiro foi o zoólogo britânico Richard Dawkins, um dos mais conhecidos pesquisadores do evolucionismo. Ele publicou em setembro de 2006 o livro The GodDelusion (publicado no Brasil sob o título “Deus, um delírio”), com base em um documentário que fez para a tevê britânica.

Logo em seguida, ainda em 2006, o neurocientista norte-americano Sam Harris lançou Letter to a Christian Nation (Carta a uma Nação Cristã).

Sua obra tenta desafiar a fé cristã, criticando-a com frágeis argumentos pró-ateísmo. O último, publicado em novembro de 2006 (e no Brasil em dezembro), é do filósofo norte-americano Daniel Dennett. Chama-se Breaking the Spell (Quebrando o encanto: a religião como fenômeno natural), e pretende explicar o surgimento da fé e o papel das religiões. Como define matéria publicada na revista Época, edição 443, de 13/11/06 (A igreja dos novos ateus), a mensagem central das três obras é que “a religiosidade faz mais mal do que bem à humanidade”.

Isto é, “Se não conseguimos vencê-los no debate, vamos eliminá-los!”

Bem “sadio”, não?

São essas ideias que têm sido propaladas hoje em dia, contando com todo o apoio da mídia, às vezes veladamente, às vezes não. Não estou dizendo com isso que creio que o mundo vai se tornar menos religioso devido a esses ataques. Não, o problema não é esse. A maioria dos seres humanos sempre será religiosa. O problema está na influência desse discurso anti-religioso nas decisões políticas que afetam a sociedade como um todo.

Essas ideias liberais anti-religiosas estão embutidas em atos políticos, em omissões descabidas ou em projetos de lei que vez por outra aparecem propondo limites à liberdade religiosa e criando mecanismos inibidores da proclamação da mensagem do evangelho em sua integralidade.

Daniel., Silas. A Sedução das Novas Teologias. Editora: CPAD. pag. 214-215.

 

 

Palavra-Chave: MATERIALISMO

 

 

I – COMPREENDENDO O MATERIALISMO E O ATEÍSMO

 

 

1- O Materialismo.

 

O Materialismo é a doutrina segundo a qual a matéria é a única realidade que existe. Nesse aspecto, ele nega a realidade do mundo espiritual, uma vez que a vida espiritual está fora do mundo material conhecido. Os materialistas entendem que por não haver outra realidade além da material, a religião se torna desnecessária. Isso porque, segundo eles, a religião existe em função de uma verdade revelada que se encontra fora do domínio da matéria. Dessa forma, O Materialismo diz que os milagres se tornam não apenas desnecessários, mas impossíveis de existirem. Assim, a revelação divina, conforme exposta na Bíblia (cf. Hb 1.1), é rejeitada como mera superstição e produto da imaginação humana.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Definição do Materialismo. Consideremos as citações abaixo:

A doutrina de que os fatos da experiência podem ser todos explicados mediante referência à realidade, às atividades e às leis da física ou da substância material (WA).

A teoria que diz que o universo, em sua totalidade, incluindo toda vida e mente, pode ser reduzido e explicado em termos de matéria em movimento. Isso pode ser aplicado, igualmente, aos sistemas que, embora considerem que a consciência não pode ser reduzida a termos de energia física, ainda assim consideram-na dependente da matéria quanto à sua existência, e pensam que seus processos só podem ser explicados quando correlacionados aos processos fisiológicos, estando assim sujeitos às leis que governam o movimento e a energia físicos (MM). A segunda parte dessa definição pode ser ilustrada pelo pensamento de Aristóteles, que concebeu a substância alma distinta do corpo, embora capaz de sobreviver à morte do corpo, não dependendo do mesmo quanto à sua existência, portanto.

O materialismo é aquela doutrina filosófica que diz que as únicas coisas que existem são substâncias materiais. Os fenômenos mentais, a consciência, as sensações e os sentimentos são explicados como modificações da substância material-sem a introdução de substâncias mentais ou espirituais distintivas ©.

Naturalismo. Esse é apenas um outro nome para a forma mais radical de materialismo. Todas as coisas são constituídas de matéria, e nada existe que não seja apenas átomos em movimento. O que existe é a matéria.

O que sucede é apenas matéria em movimento. Portanto, a existência consiste nos átomos em movimento.

Naturalismo Critico. Esse sistema procura evitar o sobre naturalismo, afirmando que a verdade pode ser que não podemos reduzir tudo ao princípio material.

Assim, temos de considerar a possibilidade da de coisas como a mente e alguma substância imaterial. Mas, se tal substância existe, então ela deve ser concebida como algo natural, e não sobrenatural, como parte integral do nosso próprio mundo, e não algo fora do mundo. Essa posição nega o substancialismo, uma ideia fundamental do problema corpo-mente, O substancialismo assevera que a alma é uma substância que não pertence à ordem natural das coisas, antes, ela teria vindo de longe, e, finalmente, volta para longe, para o mundo de luz. Segundo esse ponto de vista, o homem é um ser transcendental, embora cativo por algum tempo (principalmente por razões morais), a um corpo físico.

Materialismo prático. Apesar de talvez existirem Deus, os espíritos, as almas, seres e acontecimentos imateriais, para os que assim pensam a única coisa que importa neste mundo são os eventos materiais. Até mesmo certos crentes são materialistas práticos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 157-158.

 

 

O TEATRO DA MORALIDADE DE HOJE

A sirene que chama muitas pessoas hoje em dia é a que reivindicou o coração e a alma de Bernard Nathanson por tanto tempo: a crença de que o objetivo da vida é o ganho material, que a realização, o progresso e o prazer sexual são “tudo o que há”. A América e outros países do ocidente têm uma indústria altamente desenvolvida e tecnologicamente avançada — a industria da propaganda – criada para nos atrair com a promessa de redenção através do materialismo e do comercialismo.

Toda vez que ligamos a televisão ou abrimos uma revista ou jornal, somos bombardeados com as boas novas do comercialismo: para cada necessidade, cada insegurança, cada preocupação existe um produto à venda que pode satisfazer as nossas necessidades, levantar a nossa autoestima e acalmar a nossa preocupação. Os publicitários investem muito dinheiro na contratação de psicólogos para sondarem a psique do ser humano e apontar nossas ânsias e necessidades mais profundas. Então elaboram imagens sedutoras e frases apropriadas para nos prender, levando-nos a pensar que adquirindo os produtos anunciados satisfaremos aquelas necessidades fundamentais.

COLSON. Charles.; PEARCEY. Nancy. E agora como viveremos? Editora CPAD. pag.276-277.

 

 

Um Argumento Transcendental contra o Materialismo

O Materialismo tenta reduzir tudo à matéria, fazendo a exclusão da mente.19 Esta proposta é autodestrutiva porque independente da análise que façamos da matéria, sempre haverá um “eu” que fica do lado de fora do objeto da minha análise. Mesmo quando analiso a mim mesmo, existe um “eu” que transcende a “mim.” Jamais consigo capturar o meu “eu” transcendental (o ego); somente consigo pegá-lo, por assim dizer, a partir do “canto do meu olho.” Se eu tentar colocar o meu “eu” no tubo de ensaio, surgirá um “mim,” para o qual o “eu” inapreensível estará olhando. Sempre haverá mais do que “mim”; existe o “eu” que não é meramente o “mim.” Ao contrário do materialismo, portanto, nem tudo é reduzível ao “eu.” A mente antecede e é independente da matéria.

GEISLER. Norman. Teologia Sistemática INTRODUÇÃO A TEOLOGIA Pecado, Salvação, A Igreja e as Últimas Coisas. Editora CPAD. pag. 45-46.

 

 

2- O Ateísmo.

 

De uma forma bem simples, o Ateísmo é a doutrina que nega a existência de Deus, sobretudo, a de um Deus pessoal conforme revelado na Bíblia (Cf. Gn 12.1-3). É de fácil constatação que o Ateísmo anda de mãos dadas com o Materialismo. Ambos negam a realidade espiritual e afirmam matérias como a única existente e possível. Convém dizer que o Ateísmo é tão antigo quanto o Diabo. De forma que se torna ineficaz a tentativa de antropólogos e sociólogos mapearem a sua origem a partir do homem das cavernas. Outras causas, e não as de natureza meramente material, tornam-se necessárias para explicar o Materialismo e Ateísmo.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

ATEÍSMO

É impossível dar uma definição simples de um termo como ateísmo, pelo que expomos as várias formas por ele assumidas:

A palavra vem do grego a, «não», e theos, «Deus». Ê a descrença na existência de um deus, Deus ou deuses específicos, a descrença em conceitos que os homens têm de deus, Deus ou deuses. Ou então, é a negação de qualquer realidade sobrenatural.

  1. Descrença nos deuses populares. Sócrates, que pendia para o monoteísmo, era um ateu (ou talvez, um agnóstico), no tocante à multidão de deuses da sociedade ateniense. Outro tanto se dava com Platão.

Os pagãos chamavam os primeiros cristãos de ateus.

  1. De modo geral, a descrença no tipo de deus, Deus ou deuses que os homens imaginam. Assim, alguém pode declarar-se ateu em relação ao Deus das batalhas, apresentado em alguns trechos do Antigo Testamento, mas não um ateu que não creia na existência de Deus, em alguma apresentação refinada.
  2. A rejeição dos deuses da superstição, incluindo o Deus do Antigo e do Novo Testamentos, quando se pensa estar Ele em foco. Xenófanes, Heráclito e outros, nos tempos antigos, assim diziam, sem incluírem o Deus da Bíblia. Freud achava que a origem da religião é a neurose das massas, e outros têm visto na religião um instrumento para controle das massas. Tais individuas, é óbvio, não têm conceito de um Deus vivo. Pode-se incluir o marxismo dentro dessa classificação geral.
  3. No positivismo logico. ~ tolice falar sobre a existência de Deus, de modo positivo ou negativo. Não temos percepção, e, portanto, não temos conhecimento de Deus. Ele pode existir ou não, mas não é. Um objeto de nosso conhecimento, pelo que é um desperdício de tempo participar da controvérsia do

teísmo contra o ateísmo. Ambos afirmam-se conhecedores de informes que não possuem. O ateísmo diz que o conhecimento sobre Deus existe, mas é negativo. Portanto, Deus não existe. O teísmo, por sua vez, afirma que tal conhecimento existe, e é positivo. Portanto, Deus existe. O positivismo lógico diz que ambos estio equivocados, pois o conhecimento de Deus não é disponível. No positivismo temos um ateísmo prático, mas não te6rico. Deus não teria sentido para a vida, não sendo um fator que determina as ações, e assim sendo, para-todos os efeitos práticos, pode ser considerado inexistente.

  1. Ateísmo prático-moral. Admite-se a existência teórica de Deus, um postulado necessário para explicar causa, desígnio, etc. Mas a existência de Deus não exerce qualquer influência sobre a vida, não sendo um fator determinante na escolha e na ação.

Deus não é uma força moral. As decisões são tomadas sobre outras bases. Até mesmo alguns cristãos professas são ateus práticos.

  1. Ateísmo panteísta: Deus é a alma do universo e o universo é o corpo de Deus. Tudo é Deus. Do ponto de vista judaico-cristão, o panteísmo é uma forma de ateísmo.
  2. Deus como o Espírito Absoluto, como dizia Hegel. Deus é um tipo de força cósmica, que une em tomo de si todas as coisas, sendo a fonte de todas as coisas, embora não seja uma pessoa, em qualquer sentido. Muito menos é uma pessoa em três: Pai, Filho e Espirito Santo. Essa forma de filosofia segue o ateísmo, a julgar pelos padrões cristãos, porquanto não reconhece o tipo de Deus que tem sentido para os cristãos. Porém, isso não nega que há discernimentos quanto à natureza de Deus, nessas especulações.
  3. Ateísmo naturalista. Não há tal coisa como algo fora da natureza, e na natureza não encontramos deus, Deus ou deuses. Não há o sobrenatural, pelo que não há Deus, em termos convencionais.
  4. Ateísmo politeísta, Se há uma multidão de deuses, então não há um verdadeiro Deus em contraste com deuses falsos. Pois, para nós, Deus indica um ser distinto de todos os outros seres, muito mais elevado.

O politeísmo destrói o caráter distinto de Deus, pelo que é uma forma de ateísmo.

  1. Ateísmo absoluto. Deus não existe, sob qualquer definição. Não há deus (ou Deus) na terminologia sofisticada da teologia ou da filosofia. Toda ideia de Deus é vã. Não há deus (ou Deus) conforme insistem que há tanto o judaísmo como o cristianismo, em suas respectivas doutrinas.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 363.

 

 

ATEÍSMO O adjetivo bíblico atheos ocorre apenas uma vez no NT (Ef 2.12). Ele é traduzido pela expressão “sem Deus”, e significa um estado religioso idólatra, não um estado de ateísmo como o mundo é agora comumente entendido. Não há nenhum substantivo bíblico para “ateísmo” ou “ateu”, mas a ideia é descrita em passagens como, “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus” (Sl 14.1; 53.1).

A Associação Americana para o Avanço do Ateísmo foi fundada no estado de Nova York em 1925; e, em 1929 a Liga de Militantes Ateus foi organizada “para atingir o alvo comunista de destruir os fundamentos religiosos da velha sociedade”. (Referências bibliográficas muito breves a estes dois movimentos ateis tas são encontradas na obra, Twentietk Century Encyclopediu ofReligious Knowledge, I, 91ss.).

Não se pode encontrar informações sobre estes movimentos ateístas dogmáticos em edições atuais de obras de referência geral como a Enciclopédia Britânica e o Almanaque Mundial.

A história do ateísmo, antigo (Lucrécio) e pós-medieval, é bem apresentada na obra Anti-Theistic Theorieg de Robert Flint. Albert Camus apresenta uma história de ateísmo europeu em seu livro, The Rebel.

O ateísmo dogmático hoje está longe de estar morto, mas ele geralmente prefere usar outros nomes, como por exemplo “naturalismo”.

Na obra Naturalism and the Human Spirit, H, T. Costello apresenta uma tese dos naturalistas: “Não existe o sobrenatural”. Ele continua, “O naturalista agora olha para o grande trono branco, onde se assentava o próprio Jove, e exclama, ‘Graças a Deus, aquela ilusão se foi’” (pp, 295ss.), Ludwig A. Feuerbach (1804-1872) está corretamente classificado como uni ateu materialista.

Ele ensinou que “Mann ist was er issí” (“O homem é aquilo que come”; veja a obra History of Philosophy de Wiihelm Windelband, p. 641). Contudo, um artigo atual sobre “Ateísmo” (Enciclopédia Britânica, II, 600) sugere que não se é ateu se, como Feuerbach afirma (Essence of Christianity, traduzido por Eliot, p. 21), embora negando a existência de Deus, se aceite os atributos “amor, sabedoria, justiça”.

O ateísmo com o qual os cristãos estão principalmente preocupados não é tanto o da negação dogmática de que “Deus exista” de alguma forma, mas o da negação de que Cristo é “galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). J. O. B., Jv.

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 233.

 

 

SINOPSE I

 

O Materialismo postula que a matéria é a única realidade que existe. O Ateísmo é a doutrina que nega a existência de Deus.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

O HOMEM REJEITA A REVELAÇÃO DIVINA

 

“[Rm 1.18-32] Paulo começa seu argumento explicando que o indiciamento divino do gênero humano é resultado de a humanidade rejeitar a revelação recebida de Deus. […] Porque Deus se revelou a si mesmo (pois, caso contrário, Ele é incognoscível) por meio de sua criação; homens e mulheres são moralmente responsáveis pelo que pode ser conhecido acerca dEle (Rm 1.19,20). É o que os teólogos chamam ‘revelação natural’, ou seja, a revelação de Deus pelo mundo físico. O que é revelado é o ‘poder eterno’ e a ‘natureza divina’ do Criador. Esta ‘verdade’, ou seja, a realidade de que há um Criador a quem a criação deve responder, é suprimida por sua criação à medida que homens e mulheres vivem de modo a rejeitar a supremacia de Deus. Em resumo, eles são ‘inescusáveis’ (v.20) e merecem a ira que está sobre eles. A humanidade não é acusada por não ter encontrado Deus, mas por não ter respondido à iniciativa de Deus” (Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. CPAD, 2017, p.18)

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

O ATEÍSMO É ELITISTA

 

“O ateísmo é muito elitista, o que é irônico porque ele apresenta-se como a religião do homem comum. A Verdade é que, no seu elitismo, o ateísmo age como se as tradições, leis e restrições que os humanos têm adotado quase que universalmente não se aplicam aos ateus.” Amplie mais o seu conhecimento, lendo a obra Inimaginável, editada pela CPAD, p.103.

 

 

II – RAÍZES DO MATERIALISMO E ATEÍSMO

 

 

1- A consequência do pecado.

 

Biblicamente, o ateísmo é uma consequência da Queda. Com a entrada do pecado no mundo, a incredulidade e a consequente rejeição a Deus tomaram conta do coração humano. Em Romanos 1.18-23, observamos que o apóstolo destaca que Deus pode ser conhecido através das coisas criadas. A Criação revela o Criador. Isso deveria conduzir os homens a buscarem e glorificarem a Deus. Contudo, isso não acontece porque os homens que se dizem sábios “se tornaram tolos” (Rm 1.22 – NAA). O salmista destacou: “Disse o néscio no seu coração: Não há Deus” (SI 53.1). Um coração endurecido pelo engano do pecado é a causa do mal que há na vida do homem, inclusive é a fonte de sua mente egoísta, materialista e ateia (Mc 7.21,23).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Jesus ensina duas verdades axiais:

Em primeiro lugar, a verdadeira pureza tem a ver com o coração e não com o estômago (7.18-20). Jesus está acabando com a paranoia da religião legalista das listas intermináveis do pode e não pode. Jesus está declarando puros todos os alimentos. Não podemos considerar impuro o que Deus tornou puro (At 10.15). O alimento desce ao estômago, mas o pecado sobe ao coração. O alimento que comemos é digerido e evacuado, mas o pecado permanece no coração, produzindo contaminação e morte.

Em segundo lugar, os grandes males procedem do coração e não do ambiente externo (7.21-23). Jesus aponta o coração como a fonte dos sentimentos, aspirações, pensamentos e ações dos homens. Essa fonte é, também, a fonte de toda contaminação moral e espiritual. Jesus não tinha ilusões sobre a natureza humana como alguns teólogos liberais e mestres humanistas da atualidade.

Marcos cita doze pecados que brotam do coração. Os seis primeiros estão no plural e os outros no singular. Os primeiros seis indicam más ações, enquanto os últimos seis falam do estado do coração, do direcionamento maligno, bem como das palavras que são relacionadas a essas ações. Há outras listas de pecados registradas no Novo Testamento.

O termo introdutório “os maus desígnios”, dialogismoi, literalmente significa “os maus diálogos”. Uma pessoa está quase sempre dialogando em sua própria mente, arrazoando, cogitando, deliberando. Esses diálogos provocam ações e estimulam o estado interior.

Vejamos primeiro, as seis ações pecaminosas.

Prostituição – O termo pornéia indica o pecado sexual em geral, todo comportamento sexual ilícito, seja dentro ou fora do casamento. A prostituição inclui a pornografia, a fornicação, o adultério, o homossexualismo, bem como toda impureza moral.

Furtos. Na língua grega há duas palavras para furto: kleptes e lestes. Lestes é o bandoleiro, assaltante. Barrabás era um lestes (Jo 18.40). Kleptes é um ladrão. Judas era um ladrão quando subtraía da bolsa (Jo 12.6). A palavra usada aqui é klopai. O furto é a apropriação daquilo que não nos pertence. É a posse intencional daquilo que pertence a outro: seja o governo civil, o próximo, ou mesmo Deus.

Homicídios. Inclui tanto o ato quanto o desejo de tirar a vida do próximo. Esse pecado inclui tanto o ódio, quanto o assassinato.

Adultérios. Essa é a violação dos laços do matrimônio, envolvendo um ato sexual voluntário entre um homem e uma mulher que não seja o seu cônjuge. Jesus ampliou a transgressão desse pecado para o olhar cobiçoso (Mt 5.28).

A avareza. Avareza é um apego idolátrico às coisas materiais, sonegando toda sorte de ajuda ao próximo nas suas necessidades. O termo usado é pleonexiai, o desejo ardente de ter o que pertence a outros. A ganância é como uma peneira que nunca fica cheia.

As malícias. Isso poderia muito bem ser um somatório de todas as manifestações iníquas, tanto as já mencionadas quanto as outras.

Veja em seguida os pecados que retratam o estado do coração:

Dolo. O dolo pode ser definido como artimanhas do engano.

Lascívia. Impulso pecaminoso como luxúria e licenciosidade.

Inveja. É o desprazer de ver uma pessoa possuir algo. William Hendriksen diz que esse é um dos pecados mais destrutivos da alma. Ela é como podridão nos ossos (Pv 14.30). Nossa palavra inveja vem do latim invidia, que significa “olhar contra”, ou seja, olhar com má vontade para outra pessoa por causa do que ela tem ou é. Foi a inveja que provou a morte de Abel, jogou José no poço, provocou a revolta de Core, Datã e Abirão, levou Saul a perseguir Davi, gerou as palavras rancorosas do “irmão mais velho” do pródigo e crucificou Jesus.

Blasfêmia. Palavras abusivas e difamações. Refere-se à difamação do caráter, ao xingamento, à calúnia, linguagem desdenhosa ou insolente dirigida contra outra pessoa, seja diretamente para ela, ou pelas suas costas.

Soberba. A tendência maligna de imaginar-se melhor, mais hábil ou maior do que os outros.

Loucura. William Hendriksen diz que esse termo resume as cinco propensões e palavras anteriores.

O remédio é um novo coração. É mais difícil ter um coração limpo do que mãos limpas. De fato, é impossível ter uma vida aceitável a Deus, com nossos corações contaminados longe de sua graça purificadora. O evangelho trabalha de dentro para fora, provendo a motivação interna necessária para adquirir caráter justo e para livrar-se “de toda impureza e acúmulo de maldade” (Tg 1.21).

LOPES. Hernandes Dias. Marcos O Evangelho dos milagres. Editora Hagnos. 1ª Ed. 2006.

 

 

Diante disso fez Jesus esta revolucionária declaração de que nada do que entra no homem pode fazê-lo imundo. Com um gesto estava apagando as leis pelas quais os judeus tinham sofrido e tinham morrido. Não é estranho que os discípulos estivessem assombrados. O que em realidade quis dizer Jesus é que as coisas não podem ser imundas nem limpas em nenhum sentido realmente religioso do termo. Só as pessoas podem realmente ser contaminadas; e o que contamina a pessoa são suas ações, que são produto de seu próprio coração. Esta doutrina era nova e bombasticamente nova. Os judeus tinham, e têm ainda, todo um sistema de coisas puras e impuras. Com um pronunciamento terminante Jesus declarou tudo isso sem importância, afirmando que a impureza não tem nada que ver com o que alguém introduza em seu corpo, e sim exclusivamente com o que sai de seu coração.

Vejamos as coisas que Jesus enumera como as que saem do coração e poluem ao homem.

Começa com os maus pensamentos (dialogismoi). Todo ato pecaminoso externo é precedido por um ato interno de decisão; portanto, Jesus começa com o mau pensamento do qual procede a má ação.

Logo vêm as fornicações (porneiai); mais adiante mencionará * os adultérios (moiqueiai); mas a palavra fornicações é muito ampla – significa toda classe de vício sexual.

Logo seguem os furtos (klopai). Em grego há duas palavras para designar a um ladrão: kleptes e lestes. Lestes é um bandoleiro; Diabinho era um lestes (João 18:40) e um bandoleiro pode ser um homem muito valente, embora fora da lei. Kleptes é um ladrão; Judas era um ladrão quando subtraía da bolsa (João 12:6). Um kleptes é um ladrão enganoso e desprezível, que não tem sequer uma certa audácia galante que deve ter um bandoleiro.

Logo na lista vêm assassinatos e adultérios, e seu significado é claro. Logo vêm as avarezas (VM, cobiças) (pleonexiai). Pleonexia vem de duas palavras gregas que significam ter mais. Tem sido definido como o maldito amor ao ter; “o espírito que arrebata o que não é correto ter”, “o funesto apetite do que pertence a outros”. É o espírito que se apodera das coisas, não para as acumular, como o avarento, a não ser para as gastar em lascívias luxos. Cowley a define como “o voraz apetite de lucro, não pelo ganho em si, mas sim pelo prazer de dilapidá-la imediatamente através de todos os canais do orgulho e o luxo”. Não é o afã de dinheiro e coisas, inclui o desejo de poder e a insaciável concupiscência da carne. Platão disse: “O desejo do homem é como uma peneira ou um copo perfurado que tenta encher mas nunca pode.” Pleonexia é esse afã de ter que está no coração do homem que vê a felicidade nas coisas e não em Deus.

Seguem as maldades. Em grego há duas palavras para mau: kakos, que descreve algo que é mau em si mesmo, e lhes pôr que descreve uma pessoa ou uma coisa que é ativamente má. O recipiente térmico que aqui se usa é poneriai. O homem que é poneros é aquele em cujo coração há o desejo de fazer o mal. É, como diz Bengel, “instruído em todos os creme e completamente equipado para infligir o mal sobre qualquer”. Jeremy Taylor descreve esta poneria como a “aptidão para jogar sujo, para deleitar-se nos males e tragédias; amar o incomodar a nosso próximo e causar-lhe dificuldades; aborrecimento, perversidade e mau gênio em nossas relações”. A poneria não só corrompe ao homem que a padece, corrompe também os que a ouvem. Poneros – o Maligno – é o título de Satanás. O pior dos homens, que faz a obra de Satanás, é o homem que, sendo ele próprio mau, faz a outros tão maus quanto ele.

Logo segue dolos, que se traduz engano (BJ, fraude). Vem de uma palavra que significa ceva. Emprega-se, por exemplo, para uma armadilha para ratos. Quando os gregos estavam sitiando a Tróia e não podiam conseguir entrar na cidade, enviaram aos troianos o presente de um grande cavalo de madeira, como se fosse um sinal de boa vontade.

Os troianos abriram suas portas e o introduziram na cidade. Mas o cavalo estava cheio de gregos que durante a noite saíram e semearam a morte e a devastação na Tróia. Isso exatamente é dolos. Dolos é um proceder matreiro, ardiloso, enganoso e traiçoeiro.

Vem logo na lista a lascívia (VM, luxúria) (aselgeia). Os gregos definiam a aselgeia como “uma disposição da alma que rechaça toda disciplina”, como “um espírito que não reconhece restrições, se lança a tudo o que seu capricho e desenfreada insolência lhe sugerem”. A grande característica do homem que é culpado de aselgeia é que perdeu toda decência e vergonha. O homem mau pode ocultar seu pecado, e sempre buscará ocultá-lo, mas o homem que tem aselgeia peca sem escrúpulo e nunca vacila em escandalizar a seus semelhantes. Jezabel foi o exemplo clássico de aselgeia quando edificou em Jerusalém, a Cidade Santa, um altar pagão. A inveja é literalmente o olho mau, o olho que olhe o êxito e a felicidade de outro de maneira tal que se pudesse lhe jogaria uma maldição.

Logo vem a maledicência. A palavra é blasfêmia (VM.). Quando este termo se refere a palavras contra o homem, significa calúnia; quando se refere a palavras contra Deus, é blasfêmia. Significa insultar ao homem ou a Deus.

Segue a soberba (hyperefania). A palavra grega significa literalmente “alguém mostrar-se por cima”. Descreve a atitude do homem que “tem certo desprezo por todos, menos por si mesmo”. O interessante desta palavra, no uso que os gregos lhe davam, é que descreve uma atitude que pode não fazer-se pública jamais. Pode ser que alguém, no íntimo de seu coração, esteja sempre comparando-se com os demais. Até pode aparentar humildade, mas em seu foro íntimo ser soberbo. Às vezes, certamente, a soberba é evidente. Os gregos tinham uma lenda sobre isto. Diziam que os Gigantes, os filhos do Tártaro e Ge, em sua soberba, tentaram alvoroçar o céu e foram expulsos por Hércules. Isso é hyperefania. É levantar-se contra Deus; é “invadir as prerrogativas de Deus”. Por isso foi chamada “o cúmulo de todos os vícios”, e é por isso que “Deus resiste aos soberbos” (Tiago 4:6).

Finalmente, vem a insensatez (afrosune). Isto não significa a insensatez devida a debilidade intelectual e falta de cérebro; significa insensatez moral. Descreve, não o homem desprovido de miolo, e sim o que, como dizemos, se faz de louco.

É uma lista verdadeiramente terrível a que Jesus apresenta das coisas que saem do coração humano. Quando entramos em analisá-la não podemos evitar que nos percorra um estremecimento. Entretanto, convoca-nos, não a um afastamento desdenhoso dessas coisas, e sim a um honrado exame de nossos corações.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Marcos. pag. 176-179.

 

 

Primeiro, volta-se ao v. 15: E dizia: O que sai do homem, isso é o que o contamina. O fato de a idéia retornar uma terceira vez no v. 23 mostra um interesse decidido da parte de Jesus em mostrar que, quando diz que os males vêm “de dentro” do homem, ele não está investindo contra malvados notórios, mas pensa em nós todos. Primeiro ele esclarece o que significa “de dentro do homem”: Porque de dentro, do coração. Trata-se do ser humano como tal. Já ali, no coração, o mal o ataca, não só depois, com alimentos e coisas. Já ali, na decisão fundamental, ele se alia ao mal e se torna parque de diversões de paixões e desvios egoístas. Nós não agimos com maldade depois de apertados, empurrados, atraídos de fora, antes, “sois maus”, diz o Senhor (Mt 12.34). “Maus” tem o sentido de dissonância gritante, de degeneração, comparada com a condição normal. Em nossa essência fomos criados para a dignidade, mas na verdade só produzimos todas as coisas feias imagináveis: Procedem os maus desígnios, que tomam posse dos olhos, das orelhas, das palavras, das mãos e dos pés, criando assim fatos da falta de liberdade e de pureza: a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Aqui está o problema: enquanto nós revolucionamos, reformamos e disciplinamos furiosamente, nosso coração continua longe de Deus e do nosso próximo. O fato de passarmos tão ao largo do problema, apesar de ele se manifestar de modo tão imediato e irrefutável, pode ser um sintoma da nossa negação irada e do desespero secreto. Praticamente tudo podemos mudar, só não o coração errado e incapaz de achegar-se a Deus. Não há quantidade de água que ajude, o muito lavar de mãos não fará o coração servir a Deus. Mas o fato de Jesus abordar este tema de modo tão franco é um sinal da sua autoridade transformadora: Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem.

Adolf Pohl. Comentário Esperança Evangelho de Marcos. Editora Evangélica Esperança.

 

 

2- A cegueira espiritual.

 

O pecado é a causa primária da incredulidade humana e, consequentemente, a fonte do seu Materialismo e Ateísmo. Contudo, convém destacar que as Escrituras mostram que a cegueira espiritual também é causada por Satanás. É exatamente isso o que o apóstolo Paulo diz: “nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (2Co 4.4). O Diabo trabalha no coração dos incrédulos e os cega para a realidade espiritual. O homem endurecido pelo pecado, e cego pelo Diabo, não consegue enxergar Deus, mesmo que Ele se revele de forma bem clara e objetiva como descreve a Carta aos Romanos.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O diabo interfere na mente dos ouvintes. O diabo é chamado por Paulo de “deus deste século” (4.4). A palavra grega aion, “século, era”, refere-se a toda aquela massa de pensamentos, opiniões, máximas, especulações, esperanças, impulsos, objetivos, aspirações correntes a qualquer época no mundo.

O diabo não dorme, não tira férias nem descansa.

Ele age diuturnamente buscando obstaculizar a obra da evangelização. Ele age não nas emoções, mas na mente.

Ele cega não os olhos, mas o entendimento. Ele torna o evangelho ininteligível para os incrédulos e para aqueles que perecem.

Simon Kistemaker diz corretamente que em Corinto muitos se recusavam a aceitar o evangelho, e, para estes, ele permanecia encoberto. A causa disso, porém, não se achava no próprio evangelho, que era suficientemente claro, nem em Cristo, que havia comissionado os apóstolos, mas nos ouvintes que rejeitavam a mensagem de Cristo.

William MacDonald ilustra essa verdade dizendo que em nosso universo físico, o sol está sempre brilhando.

Contudo, nem sempre nós o vemos brilhar. A razão disso é que algumas vezes, nuvens densas se interpõem entre nós e o sol. Assim acontece com o evangelho. A luz do evangelho está sempre brilhando. Deus está sempre buscando resplandecer sua luz nos corações dos homens. Mas Satanás põe várias barreiras entre os incrédulos e Deus. Pode ser a nuvem do orgulho, da rebelião, da justiça própria ou centenas de outras coisas.

O diabo ataca os incrédulos com a cegueira espiritual. Assim como os judeus tinham um véu sobre o coração que só era removido pela conversão (3.15,16), assim também, ainda hoje, o diabo que é o príncipe das trevas (Ef 2.2), mantém os incrédulos sob um manto de trevas para que não lhes resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Os que estão perdidos não são capazes de entender a mensagem do evangelho, pois Satanás os mantém em trevas.

Warren Wiersbe diz que o mais triste é que Satanás usa mestres religiosos (como os judaizantes) para enganar as pessoas. Ray Stedman diz que o deus deste século conseguiu acostumar os incrédulos a viver com ilusões.

Eles são levados a crer em fantasias e a considerar ilusões como sendo realidades.

LOPES, Hernandes Dias. II Coríntios O triunfo de um homem de Deus diante das dificuldade. Editora Hagnos. pag. 99-100.

 

 

«…cegou…» Isso para impedir a «iluminação» referida em II Cor. 3:18. Deve haver uma atitude acolhedora, por p arte da mente e da alma do indivíduo, para que a luz do evangelho venha a brilhar da parte da glória de Cristo, e se mostre eficaz. Satanás puxa o véu para sobre as mentes e corações dos incrédulos. Alguns deles tornam-se incapazes de serem atingidos pela mensagem do evangelho, não se deixando convencer, pelo menos nesta esfera terrena, conforme a experiência humana nos ensina claramente.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 323.

 

 

Embora o evangelho que Paulo pregava fosse uma apresentação clara da salvação, ele admitiu que o Evangelho poderia estar encoberto, ou obscuro, para alguns. Ele explicou que existem dois tipos de pessoas – aquelas que receberão a vida eterna e aquelas incrédulas. A descrição que Paulo faz aqui da maneira como Satanás (o deus deste século) cegou os entendimentos dos incrédulos é remanescente da sua experiência de conversão, na estrada para Damasco. Embora Paulo pudesse ver perfeitamente bem, ele tinha estado cego à verdade espiritual. De forma ingênua e fanática, ele tinha perseguido os cristãos, jurando destruí-los de qualquer maneira. Em um momento magnífico, entretanto. Cristo tinha aberto caminho em meio à ilusão de Satanás e tinha revelado a verdade a Paulo. Uma visão gloriosa de Cristo finalmente tinha aberto os olhos de Paulo à verdade. Apropriadamente, ele tinha ficado fisicamente cego durante algum tempo (At 9.1-18).

Em vez de estar cegos por Satanás, como os incrédulos, os crentes reconhecem que Jesus é a imagem de Deus (veja também Cl 1.15). Deus Pai, como Espírito, é invisível (1 Tm 6.16). Entretanto, o Filho de Deus é a expressão visível de Deus. Jesus não apenas reflete o Pai, mas, como Deus, Ele revela Deus a nós (Jo 1.18; 14.9; Hb 1.1,2). A glória de Cristo expressa a glória divina.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 207-208.

 

 

SINOPSE II

 

O Materialismo e o Ateísmo são consequências diretas do pecado e da cegueira espiritual idealizada pelo deus deste século.

 

 

III – PRESSUPOSTOS DAS DOUTRINAS MATERIALISTAS E ATEÍSTAS

 

 

1- Negação da existência de Deus.

 

Como vimos, o Materialismo e o Ateísmo consideram a matéria como a única realidade possível. Por isso, evidentemente, que tanto um quanto o outro têm como pressupostos de suas crenças e convicções a ideia de que Deus não existe. Neste caso, ambos dizem se firmar em “provas” científicas para negarem a existência de Deus e das demais verdades espirituais. Contudo, a negação de Deus por parte do ateu e do materialista não acontece em razão de fatos cientificamente provados nem tampouco porque os cristãos não apresentam fatos ou provas, mas porque eles se recusam em reconhecer as evidências apresentadas. As Escrituras deixam claro que “Deus Iho manifestou” (Rm 1.19). Em outras palavras, o ateu depende da não-fé dele, e não da ciência, para tentar provar que Deus não existe, uma vez que Ele já se manifestou claramente. Deus não está “longe de cada um de nós” (At 17.27).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A rejeição (1.21-23)

Paulo traça os passos pelos quais o mundo pagão descambou do conhecimento do Deus verdadeiro à idolatria mais degradada e abstrusa. Destacamos aqui quatro pontos:

Em primeiro lugar, conhecimento suficiente. “Porquanto, tendo conhecimento de Deus…” (1.21). O problema humano não é ausência do conhecimento de Deus, mas a negação de Deus. O homem possui suficiente conhecimento da verdade para garantir ser descrito como tentando abafá-la. Ele tem conhecimento suficiente, mas sufoca esse conhecimento. O homem quer tirar Deus do seu caminho, eliminar Deus do seu pensamento, banir Deus da sua vida.

O homem tem conhecimento suficiente de Deus para torná-lo indesculpável.

Em segundo lugar, rejeição consciente. “… não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, se tornaram nulos em seus próprios raciocínios…” (1.21). Em princípio, o pecado humano é pecado por omissão. Um duplo “não” os acusa (eles não glorificaram a Deus nem lhe deram graças). Portanto, no começo não está o “dizer não”, mas o “não dizer”. Geoffrey Wilson está certo em sua análise: “Quando os homens rejeitam a verdade, abraçam a mentira em seu lugar. A ausência da verdade sempre assegura a presença do erro”.

O homem rejeita conscientemente o conhecimento de Deus de duas formas: a. Deixando de glorificá-lo por quem ele é. O homem deveria olhar para a natureza e ver nela a glória de Deus.

Deixar de reconhecer os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua divindade nas obras da criação é privar Deus da sua própria glória. John Murray esclarece que glorificar a Deus como Deus não é aumentar a glória de Deus; significa meramente atribuir a Deus a glória que lhe pertence como Deus, ou seja, dar a ele, nos pensamentos, afetos e devoção, o lugar que lhe é devido, em virtude das perfeições que a própria criação visível manifesta.

Atribuir a criação ao acaso é despojar Deus de sua majestade.

Portanto, quando os povos pagãos, seja nos grandes centros urbanos, seja nas selvas mais remotas, dão glória aos seus ídolos, não fazem isso de forma inocente. Trata-se de uma rebelião deliberada.

Deixando de agradecer-lhe pelo que fez. Glorificamos a Deus por quem ele é e damos graças a Deus por aquilo que ele faz. A criatura deixa de ser grata para ser ingrata.

Deus criou a terra e a encheu de fartura. Deus deu ao homem vida, saúde, pão, as estações e tudo mais para o seu aprazimento. Contudo, a resposta do homem a todo esse bem é uma consciente e deliberada ingratidão.

Qual é a razão dessa rejeição consciente? Tudo começa na mente. Os homens se tornaram nulos em seus próprios raciocínios. O homem começou a pensar e tirou Deus como referência do seu pensamento. O homem começou a refletir e tirou Deus como fonte de todo o bem. O homem começou a criar as suas próprias hipóteses, e muitas filosofias foram inventadas. O homem tornou-se o centro e a medida de todas as coisas. Não havia mais espaço para Deus. O resultado é que, nesse vazio de Deus, o raciocínio do homem tornou-se nulo.

Em terceiro lugar, comportamento inconsequente. “… obscurecendo-se lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos” (1.21,22). O que começa na mente vai para o coração. O raciocínio errado leva o coração às trevas. Quando o homem perde o conhecimento de Deus, perde também a referência de santidade. Não sabe mais de onde vem, nem para onde vai. Torna-se totalmente louco, não compreendendo a si mesmo ou mesmo o universo em que vive. “E fatal confundir esclarecimento filosófico com iluminação espiritual, pois o efeito do pecado sobre a mente do homem é tornar sua suposta sabedoria em tolice”.

Um raciocínio nulo gera um coração obscuro. Uma mente sem Deus produz uma vida de trevas. Banir Deus deliberadamente da vida desemboca no obscurantismo moral, na loucura mais consumada. Essa é a situação hedionda em que os homens se meteram. Eles achavam que deixar Deus de fora seria um ato de sabedoria, mas Paulo diz que essa é a mais consumada loucura. Para William Hendriksen, tal obscurantismo indica embotamento mental, desespero emocional e depravação espiritual.

Charles Erdman arrazoa: “Essa é a divina estimativa dos mais orgulhosos filósofos da Grécia e de Roma, e de toda a blasonada sabedoria do Eufrates e do Nilo. Ainda hoje a mais obtusa infidelidade pode coincidir com a mais deslavada presunção. O moderno sábio adora-se a si mesmo.

Em quarto lugar, idolatria irreverente. “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis” (1.23). Aquilo que começou na mente e desceu ao coração deságua na religião. A pretensa sabedoria humana de rejeitar o conhecimento de Deus e mudar a glória do Deus incorruptível em imagens de homens, aves, quadrúpedes e répteis é a mais tosca loucura e o nível mais baixo da degradação espiritual. Em seu pensamento os seres humanos reduzem Deus a duas pernas, depois a quatro patas, e finalmente a rastejar sobre o ventre. E em todo o tempo eles se dizem sábios.

Partindo da adoração do Deus vivo e verdadeiro, a humanidade gradualmente desceu à idolatria e ao fetichismo. Warren Wiersbe diz que, se o homem não adora o Deus verdadeiro, adorará um deus falso, mesmo que ele próprio tenha de confeccioná-lo. A mente humana nunca é um vácuo religioso; se houver a ausência do que é verdadeiro, sempre haverá a presença do que é falso. A razão separada da fonte de luz conduziu os homens a um delírio de inutilidade. Geoffrey Wilson argumenta com propriedade que ainda hoje muitos religiosos alegam invocar seu deus por meio de imagens, afirmando que eles não se curvam à imagem em si. Arão fez um bezerro de ouro, mas não tinha a menor intenção de levar o povo a adorar a imagem. Ele disse: “Amanhã, será festa ao Senhor” (Ex 32.5). O bezerro era simplesmente um auxílio à devoção, mas o julgamento de Deus a respeito foi muito diferente: “Em Horebe, fizeram um bezerro e adoraram o ídolo fundido. E, assim, trocaram a glória de Deus pelo simulacro de um novilho que come erva” (SI 106.19,20).

Charles Erdman tem razão quando diz que aqueles que se recusam a render culto a Deus e não sentem prazer em prestar-lhe obediência são comumente os autores de teorias e crenças errôneas tão populares quanto vazias e absurdas.

LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 83-86.

 

 

A negação das pessoas em relação à sua própria consciência da existência de Deus é o que as deixa sem desculpas. Quando Paulo diz que elas conheciam a Deus [tendo conhecido a Deus], ele não estava descrevendo um conhecimento que podia salvá-las, mas um conhecimento que simplesmente reconhecia a existência de Deus. Ele estava descrevendo uma consciência da existência de Deus, que, se não suprimida, seria estimulada por Deus. Mas como os seres humanos, de fato, suprimiram a verdade sobre Deus, as seguintes calamidades se seguiram: (1) eles não o glorificaram como Deus; (2) eles não lhe deram graças; (3) nessa carência, começaram a ter ideias tolas a respeito de como Deus é; e (4) no final o seu coração insensato se obscureceu.

Quando as pessoas se recusam a reconhecer Deus como Criador, elas também falham em glorificar ou agradecer a Ele pelas suas dádivas – alimento, roupa, abrigo e até mesmo, a própria vida. Quando elas negam a Deus, abrem a porta para o mal. Omitir o que é bom, inevitavelmente conduz a comprometer-se com o mal. A ingratidão pode parecer algo pequeno, mas ela dá início à espiral descendente que leva à depravação.

Esquecer-se de agradecer a Deus por tudo que Ele é, e por tudo que Ele fez, revela um egoísmo perigoso. Isto causa pensamentos e planos fúteis, trevas, orgulho, cegueira, e finalmente a completa separação de Deus que irrompe em um dilúvio de pecados.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 22.

 

 

O versículo 21 é uma clarificação e ampliação do versículo 18 (cláusula final) e versículo 20. Confirma a afirmação de que, pela sua injustiça, essas pessoas ímpias estão constantemente tentando suprimir a verdade que lhes foi e lhes está sendo continuamente revelada, e que são, consequentemente, indesculpáveis.

Porque, embora conhecessem a Deus à luz de suas obras na criação, não o glorificaram: não o reconheceram como seu Deus e não lhe atribuíram a honra e louvor que lhe são devidos. Tampouco lhe retribuíram com ações de graças as bênçãos que constantemente recebiam. É evidente que eram os recipientes de bênçãos em profusão (Mt 5.45; Lc 6.35; At 14.17). Mas, ainda que realmente haja bênçãos que são comuns, a gratidão, na forma de retribuição, para eles não o é. Um notável exemplo é Lucas 17.11-19.

Em vez de louvar a Deus por todos os seus benefícios, tais pessoas se tornam fúteis em suas especulações. Em vez de seguir o conselho incorporado num hino:

Ergamos agora os corações e vozes

Enquanto nossa alma se rejubila

Em nosso Deus lá no alto,

a mente e o coração de tais pessoas permaneciam em um plano horizontal:

mantinham um diálogo consigo mesmas. Sua mente prosseguia arguindo, especulando. Seu coração evitava a ação de graças e a adoração.

Tal coração é fútil; aliás, pior que fútil. Sempre que as pessoas, em sua vaidade e ingratidão, começam a arrazoar consigo mesmas, sem constantemente checar os resultados de suas especulações com a revelação de Deus na natureza, História, consciência, especialmente, sempre que possível, com a Palavra de Deus, seus corações insensatos são obscurecidos.

Tal obscurecimento indica embotamento mental, desespero emocional e depravação espiritual.

Note a expressão “seus corações insensatos”. Nas epístolas de Paulo, a palavra coração (singular e plural) ocorre mais de cinquenta vezes.

O coração, segundo Paulo e a Escritura em geral, é o cubo da roda da existência humana, a fonte central de todos os seus pensamentos, palavras e atos. É o poder motivador que se oculta profundamente no íntimo do homem; aliás, tão profundamente, que Deus, unicamente ele, conhece seus segredos. Ver Provérbios 4.23; 23.7, Jeremias 17.9, 10, Mateus 12.34; 15.18, 19, Lucas 6.45, Romanos 8.27, 1 Coríntios 14.25 e 1 Tessalonicenses 2.4.

Naturalmente, a nuança exata do significado do termo, em cada caso, depende do contexto. Às vezes, em Paulo, quando a palavra coração (corações) é usada, a ênfase é posta nas emoções ou sentimentos (Rm 1.24; 9.2), às vezes, no intelecto (Rm 10.6-9) e, às vezes, na vontade (Rm 2.5).

Ora, quando, em consonância com a presente passagem (1.21), o coração humano é obscurecido, segue-se que tudo quanto sentir, pensar, disser ou fizer, é dolorosamente afetado. Sua mente não pode arrazoar de forma correta; suas emoções não podem funcionar apropriadamente, comunicando paz e alegria a sua vida; e suas vontades nem mesmo tentarão estar em harmonia com a santa lei de Deus.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Romanos. Editora Cultura Cristã. pag. 94-95.

 

 

2- Negação de que o homem é um ser singular.

 

A Bíblia diz que Deus fez o homem a sua imagem e semelhança (Gn 1.26-28). Isso significa que o homem, ao contrário das demais coisas criadas, reflete a imagem do seu Criador. Não é errado, portanto, dizer que o homem é a coroa da Criação. Contudo, o Materialismo e o Ateísmo negam essa singularidade do ser humano em relação às demais espécies. Nesse aspecto, para eles o ser humano não possui uma alma imortal e, por isso, não passa de um simples produto da cadeia evolutiva.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Voltando ao início: A criação do homem

A evolução faz do homem um ser auto-existente, sem propósito. E na criação que encontramos o verdadeiro sentido e o valor do ser humano. A criação é a chave para entendermos o homem, mais do que a própria redenção.

Quando as pessoas começam a apresentação do evangelho a partir da queda, quase que podem dizer: “Errar é humano”, como dizia Shakespeare.

Mas errar não é humano, ou seja, não é algo próprio da humanidade pela criação, é algo que sobreveio com a entrada do pecado no mundo. Por isso, o problema não está no criador da humanidade, nem na criação em si, mas no que a criatura decidiu fazer com a liberdade que o criador soberanamente lhe concedeu. E muito importante estudar a criação, pois somente assim poderemos entender o ser humano, bem como a própria redenção.

No século 5o a.C., um filósofo chamado Protágoras disse que o “homem é a medida de todas as coisas”. De lá para cá, o humanismo, uma corrente filosófica, que como o próprio nome sugere, coloca o homem no centro das atenções, tem fomentado o pensamento da humanidade com a noção de que tudo existe por causa do homem. No humanismo, o homem aparece como a base de todos os valores e de toda excelência. Uma palavra que pode ser sinônima de “humanismo” é “egocentrismo”. Ou seja, tudo deve ser centralizado no homem e nos seus desejos. E nossa opinião que o humanismo tem causado mais problemas para o homem do que qualquer outro sistema filosófico.

O humanismo tenta fazer do ser humano o que ele não é.

Para entendermos o ser humano, precisamos voltar às primeiras páginas da Bíblia.

Marca registrada

Gênesis 1.26-31 é uma das passagens mais conhecidas da Escritura. E a narrativa histórica do sexto dia da criação, quando Deus criou o ser humano. Até então, Deus já havia criado todas as outras coisas, mas somente a respeito do homem ele disse, “façamos o homem à nossa imagem e semelhança”.

Hoekema expõe essa questão da seguinte maneira: “Deve-se notar também que a criação do homem foi precedida por uma deliberação ou conselho divino: ‘Façamos o homem…’ Isso demonstra novamente a ideia da singularidade da criação do homem. Esse conselho divino não é mencionado com relação a nenhuma outra criatura”. Como diz Bavinck:

Ao chamar à existência as outras criaturas, nós lemos simplesmente que Deus falou e essa fala de Deus trouxe-as à existência. Porém, quando Deus está prestes a criar o homem, ele primeiro conferencia consigo mesmo e decide fazer o homem à sua imagem e semelhança. Isso indica que, especialmente a criação do homem, repousa sobre a deliberação, a sabedoria, a bondade e a onipotência de Deus. (…) O conselho e a decisão de Deus são mais claramente manifestos na criação do homem do que na criação de todas as outras criaturas.

A imagem divina, portanto, é uma característica exclusiva da humanidade.

O que torna o homem tão especial? Num certo sentido, nós somos iguais a tantas espécies de seres vivos. Os pássaros voam em bandos, as bestas viajam em manadas e nós vivemos em tribos. Porém, há algo que nos torna diferentes de todas as demais criaturas de Deus. Nós sabemos e sentimos isso. A Bíblia explica o que é: Deus nos criou à sua imagem e semelhança.

Aspectos da ima g em Divina

Resumidamente, a imagem divina no homem pode ser vista em quatro sentidos.6 A primeira ideia é a de personalidade. Deus é um ser pessoal, e o homem feito à sua imagem dispõe dessa mesma personalidade. Isso não faz o homem ser “algo mais” que os animais, mas faz o homem ser “ímpar”.

A personalidade pressupõe consciência, conhecimento e responsabilidade.

A segunda ideia é a da espiritualidade. Deus é um ser espiritual, e os seres humanos também são personalidades espirituais. Apesar de ser criatura num sentido material, pois faz parte da matéria criada, o homem é também extra-material, pois tem em si o elemento espiritual, que o impele a viver uma vida além da matéria. Quando Deus fez o homem à sua imagem, colocou nele um senso insuperável da eternidade (Ec 3.11). E o que Paulo diz aos atenienses: “Pois nele vivemos, nos movemos e existimos” (At 17.28). Todos aspiram pelo divino. Ninguém consegue negar isso de modo completo. E por isso que não existe um ateu no sentido exato. Mesmo quando as pessoas negam a existência de Deus, lá no fundo elas sabem que ele existe. A imagem de Deus nos torna pessoas espirituais, capazes de nos relacionar e nos comunicar com Deus. O terceiro sentido em que a imagem de Deus afeta o ser humano é a da liberdade. Como ser pessoal e espiritual, Deus é um ser livre. Deus criou o ser humano com liberdade para amar, conhecer, confiar, desejar, obedecer, e também para se recusar a fazer essas coisas. A quarta característica pode ser chamada de expressividade.

Deus tem a capacidade de se expressar, de fazer sua vontade conhecida e de executá-la. Deus expressa a sua personalidade porque tem capacidade para isso. A Bíblia diz que Deus tem olhos, nariz, boca, ouvidos, mãos, cabelo, etc. Evidentemente que esse é um linguajar antropomórfico, pois são qualidades humanas aplicadas à divindade, para sugerir que ele consegue se expressar. O ser humano se expressa igualmente por meio de partes do seu corpo, e pode transmitir a sua personalidade, espiritualidade, virtudes, etc.

Van Groningen define: “Fica bem claro que pensar nos seres humanos feitos à imagem de Deus é considerar a relação ímpar de semelhança e um vínculo amoroso, vivo; é considerar o que os seres humanos são e quais as suas capacidades ímpares que os capacitam a funcionar, a se expressar e a exercer influência”. Machen tem uma definição ainda mais inspiradora: “Que mistério estupendo é isso! Aqui temos o homem, criatura finita, saído da mão criadora de Deus, e que anda pela terra com um corpo feito do pó da terra. E, apesar disso, este ser, tão insignificante como possa parecer à primeira vista, possui o dom estranho e terrível da liberdade pessoal, e é capaz de desfrutar uma relação pessoal com o Deus infinito e eterno”.

Lima. Leandro Antônio de,. Razão da esperança – Teologia para hoje. Editora Cultura Cristã. 1 Ed. 2006. pag. 157-160.

 

 

À nossa imagem. Os animais foram criados “conforme a sua espécie”, Mas o homem foi criado ״conforme a espécie de Deus”, ou seja, de acordo com a Sua natureza, o que prevê a final participação do homem na natureza divina. Esse é o nosso mais elevado conceito religioso. Paulo foi quem o desenvolveu. Há muitos mistérios ligados a ele.

A imagem (no hebraico, selem) fala sobre a imagem mental, moral e espiritual de Deus, O homem veio à existência compartilhando de algo da natureza divina: e em Cristo, essa imagem é grandemente fomentada, a ponto de os salvos virem a compartilhar da natureza divina, em um sentido finito, mas real. Os atributos de Deus como Sua veracidade, sabedoria, amor, santidade e justiça passam a ser atributos dos salvos, posto que parcialmente. Isso eleva o homem muito acima do reino animal.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 5-16.

 

 

SINOPSE III

 

A negação da existência de Deus e a negação da singularidade do homem são os pressupostos do Materialismo e do Ateísmo.

 

 

IV – RESPONDENDO AO MATERIALISMO E AO ATEÍSMO

 

 

1- Afirmando as verdades da Bíblia.

 

Qualquer resposta ao Materialismo e ao Ateísmo, e a seus derivados, como o neoateísmo, precisa partir das Escrituras Sagradas. É na Bíblia que encontramos as verdades sobre Deus de uma forma precisa e sem erros. Deus, portanto, se revelou nas páginas das Escrituras. As Escrituras mostram Deus como o Criador (Gn 1.1,2), sustentador e mantenedor do universo (Hb 13). A mesma Bíblia diz que “pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente” (Hb 11.3). É pelas Escrituras que ficamos sabendo que Deus se revelou de forma especial na pessoa bendita de Jesus Cristo, nosso Salvador (Hb 1.1-3).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

1.1 O escritor divide a história em dois segmentos ou eras: antes de Cristo e depois de Cristo. Ele chama o tempo anterior a Cristo de antigamente.

Durante aquela época, Deus usou profetas para revelar a sua mensagem ao povo. Os leitores judeus originais da carta teriam se lembrado de que Deus havia Mado muitas veres e de muitas maneiras aos seus pais, durante os tempos do Antigo Testamento. Deus havia falado a Isaías em visões (Is 6), a Jacó, em um sonho (Gn 28.10-22), e a Abraão e Moisés, pessoalmente (Gn 18; Êx 31.18). Deus havia ensinado Jeremias através de lições ilustrativas (Jr 13) e havia ensinado o povo através do casamento de um profeta (Os 1—3). Em outras passagens. Deus havia revelado a sua direção ao povo através de uma coluna de nuvem e uma coluna de fogo (Êx 13.21) e os havia guiado nas tomadas de decisão através do Urim e do Tumim (veja Êx 28.30; Nm 27.21).

1.2 O mesmo Deus que falou através dos profetas havia falado agora pelo Filho, ou seja, através de Jesus Cristo. Jesus completou e cumpriu a mensagem que foi originalmente trazida pelos profetas e pelos patriarcas. A frase “a quem Deus constituiu herdeiro de tudo” refere-se a Jesus como um herdeiro que assumirá a sua posição como príncipe do novo Reino. Referir-se a Cristo como o herdeiro lhe confere a mais elevada honra e posição.

Esta passagem alude à realeza do Filho, que é mencionado em Salmos 2.8.

Jesus trabalhou com Deus para criar o mundo: por quem fez também o mundo (veja também Jo 1.2; I Co 8.6; Cl 1.15,16). Jesus estava ativo no princípio dos tempos como o agente da criação, e Ele agirá no fim dos tempos como o herdeiro (veja SI 2.8; Rm 8.17; G14.7).

1.3 Sob a aparência humana de Jesus como um carpinteiro judeu que se tornou pregador, estava o resplendor da glória de Deus. Jesus faz mais que meramente refletir a imagem de Deus; Ele é Deus. Tudo que está relacionado a Jesus expressa exatamente a imagem da pessoa de Deus. Portanto, Ele torna a essência e a natureza de Deus claras para nós (Jo 1. 18).

Os profetas só podiam dizer ao povo aquilo que eles viram e ouviram. Jesus é o próprio Deus — a sua mensagem vem diretamente da fonte divina.

Cristo não só criou o universo (1.2), Ele também o sustenta. Cristo trouxe o mundo à existência pela sua Palavra (Gn 1-2), e Ele sustenta o mundo com a sua Palavra onipotente (veja II.3). Cristo guia o mundo em direção ao seu futuro designado – o tempo em que Ele o receberá como a sua herança (1.2). Pelo fato de Cristo sustentar todas as coisas, nada na criação é independente dele.

Todas as coisas são unidas de uma maneira coerente e lógica, sustentadas e preservadas, impedidas de se dissolverem no caos.

Somente nele e pela palavra do seu poder encontramos o princípio unificador de toda vida. Ele é transcendente sobre todos os outros poderes.

O Senhor Jesus é capaz de fazer isto porque, depois de morrer e ressuscitar, Ele voltou ao céu e assentou-se no lugar de mais elevada honra. A morte de Jesus tinha realizado o que todos os sacrifícios de animais nunca poderiam fazer – purificou o povo da mancha do pecado. Esta declaração revela o tema central da carta: o sacrifício superior, suficiente e perfeito de Cristo pelos pecados.

Nenhum sacrifício pelo pecado poderia ser maior do que o sacrifício oferecido pelo Criador – a sua morte na cruz. Jesus purificou o mundo do domínio do pecado e tomou para si a penalidade pelos nossos pecados individuais ao morrer em nosso lugar.

Nenhuma outra penalidade precisa ser paga.

Nós podemos ser completamente purificados por causa da obra que Cristo fez.

Agora Cristo está assentado à destra da Majestade, nas alturas. Citando Salmos 110.1 o escritor combinou dois pensamentos do Antigo Testamento, expressando a grandeza de Deus e a posição de Cristo. Assentar-se à destra de um monarca era ser o “segundo no comando” – literalmente, “o braço direito”.

Isto oferece um retrato do poder e da autoridade de Cristo sobre o céu e a terra (veja também Mc 16.19; Rm 8.34). Salmos 110.1 é um texto crucial e proporciona uma força condutora neste livro. E a única passagem na Bíblia Sagrada onde outra pessoa além de Deus é descrita como entronizada em poder. Este versículo tornou-se um dos textos principais para a igreja primitiva, que o utilizou como um argumento para a divindade de Cristo.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 585.

 

 

0 Deus que Fala (1.1,2a)

Os primeiros quatro versículos formam um único período e constituem o prólogo de Hebreus. Nele lemos acerca da auto-revelação de Deus em seu Filho visível e histórico e a função deste Filho na criação, revelação, providência e redenção.

A sanidade e a certeza diante do caos e do murmúrio de muitas vozes são possíveis somente na redescoberta do fato de que Deus falou. Deus é iminente e transcendente nos afazeres dos homens. Jesus Cristo é o Autor e a Origem da fé cristã; ao nos defrontarmos com sua pessoa e ministério terreno estamos nos defrontando com Deus.

a) A revelação passada de Deus (1.1a). O autor inspirado está se referindo aqui não à revelação geral na natureza e na consciência, feita a todos os homens, mas à revelação especial, feita aos pais, i.e., à nação hebraica e seus antepassados. A pessoa de Deus, junto com sua santidade de caráter e vontade soberana para seu povo, foi revelada “muitas vezes e de várias maneiras”.1 Embora os tempos e os métodos variassem bastante, a forma era uniforme — pelos profetas. O escritor aos Hebreus está determinado a ajudar seus companheiros hebreus vacilantes a ouvir a mensagem completa de Deus transmitida por meio do seu Filho. E uma mensagem que excede em muito o que havia sido revelado até então, uma mensagem de redenção perfeita e que em seu caráter definitivo constitui um ultimato solene.

b) A revelação progressiva de Deus (1.1b). A auto-revelação de Deus foi progressiva pelo menos no sentido de que a palavra dos profetas era cumulativa. Quando nos referimos aos profetas entendemos que são não somente os que proferiram mensagens orais, mas todos os autores do Antigo Testamento. O que Deus disse por meio de Moisés aos israelitas no deserto também disse a Esdras e sua geração por meio do livro de Moisés. Da mesma forma que um pequeno córrego se transforma em um grande rio, a Palavra de Deus se torna compacta e completa, suficiente para preparar os judeus e aprovar esses cristãos hebreus, se tiverem olhos para ver e ouvidos para ouvir. Jesus considerou o Antigo Testamento uma testemunha adequada dele próprio (Jo 5.39-47).

c) A revelação perfeita de Deus (1.1b). As locuções contrastantes “antigamente” (1.1a) e nestes últimos dias são suficientes para descartar qualquer noção de que a revelação de Deus pode ser dissociada dos acontecimentos históricos. Pelo contrário, os acontecimentos estruturam as verdades derivadas deles. Embora a atenção seja aqui focada na revelação recente em um Filho, isto também é um acontecimento histórico concreto, na verdade uma Pessoa, identificada por todos os cristãos hebreus como Jesus de Nazaré. Encontramos aqui a revelação completa e culminante. Jesus Cristo é a Palavra final e completa de Deus ao homem; tudo que veio antes dele é parcial e preparatório, e tudo que veio depois é a ampliação e clarificação dessa Palavra. Deus fala por intermédio das palavras do nosso Senhor, mas também por meio dos acontecimentos do seu ministério redentor, sua concepção e nascimento, sua vida, morte, ressurreição e ascensão.

O Filho Encarnado (1.2b,3d)

a) Sua missão é especificada (1.3d). Nós tratamos primeiro desse aspecto, porque na mente do autor ele está subordinado (no momento) à identidade da pessoa de Cristo. Ele exprime isso de maneira muito sucinta, não como uma missão experimental, mas como uma missão cumprida: havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados.3 A Encarnação era necessária por causa do pecado do homem, e seu único alvo era a redenção do homem das garras do pecado. Todas as implicações dessa verdade serão esclarecidas nessa epístola.

b) Sua pessoa é identificada (1.2b,3). Um aspecto mais urgente é que os cristãos hebreus deverão ver a humilhação do seu Senhor como um interlúdio profundo, mas breve, entre a sua glória preexistente e a retomada dela. A cruz era uma ofensa para os judeus, e mesmo esses cristãos hebreus estavam em perigo de se envergonharem dela, como uma marca de fraqueza e derrota em vez de triunfo e poder. Era imperativo que vissem a cruz à luz daquele que sofreu nela. O poder redentor da sua morte não estava apenas no ato em si mas na identidade do Agente desse ato. Portanto, nestes versículos introdutórios contundentes, a breve referência à missão do Filho (v. 3) está fundamentada em cuidadosa identificação. Quem é esse Filho?

(1) O agente do poder de Deus (1.2). No versículo 2, vemos sua posição pré-encarnada como o Agente do poder criativo de Deus: a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo.4 Como Herdeiro, Jesus é o “dono legítimo” (NT Amplificado). Jesus não veio para negociar com o Diabo, mas para derrotar o usurpador com sua própria arma, a morte, e reivindicar aquilo que é seu (2.8-15; 1 Co 15.24,25).

A ação de Jesus em criar o universo material é secundária (sugerida por dia — por, lit., “por meio de” — com o genitivo) à do Pai, que é principal. Este é um conceito difícil e o seu significado completo pode nos iludir. Há uma base aqui para a doutrina de que o Filho é o Logos (Palavra) eterno, ao mesmo tempo que é o meio de expressão da divindade. Portanto, mesmo antes da criação, o Logos era essa natureza em Deus que possuía a capacidade de comunicação e concreção em potencial. Embora não seja o demiurgo dos gnósticos, o Logos era, não obstante, o mediador entre a ordem matéria-espaço-tempo e o espírito puro. Quando essas ideias dualistas de domínio (herdeiro) e criatividade são percebidas, mesmo que de forma vaga, a enormidade do pecado da rejeição de Cristo torna-se evidente (Jo 1.10-11).

(2) A expressão da Pessoa essencial de Deus (1.3ab). Fica claro que esse Filho não é somente um Agente mas um Aspecto (podíamos assim dizer) da própria divindade. Ele não pode ser dissociado do ser essencial do Pai. Em primeiro lugar, como o esplendor da sua glória, Ele revela de forma perfeita a majestade de Deus. No entanto, mais do que isto, Ele é a expressa imagem da sua pessoa (cf. Cl 1.15) ou, como a NVI traduz: a “expressão exata do seu ser”. Isto é mais do que a imagem de Deus na qual o homem foi criado e, certamente, muito mais do que a expressão da santidade de Deus por meio dos seus atos poderosos; não é nada menos do que a revelação de forma concreta e visível do próprio Deus. Mas, visto que não vemos no Filho encarnado a expressão exata ou completa dos atributos absolutos de imensidade, imutabilidade, ou infinidade, podemos inferir que o ser essencial de Deus é primariamente santo e, em Jesus, vemos a expressão exata da personalidade em sua atividade criativa e amor redentor.

(3) O braço da providência de Deus (1.3c). O Filho não é apenas o Agente da criação, mas Ele é o Agente da providência, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder. O poder de nosso Senhor não está na sua habilidade mobilizadora, mas somente na sua palavra falada. “Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra” (Mt 8.3). “Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança” (Mt 8.26). Em muitas dessas ocasiões, na verdade, ao longo de todo seu ministério, este domínio tranquilo sobre a natureza foi exibido. Seus milagres não eram o exercício de um dom especial que Deus podia ter dado temporariamente a um homem; eles eram o exercício de suas próprias prerrogativas. Como tal, eles não eram nada mais do que reflexos tímidos desse controle e supervisão mais amplos que mantêm o equilíbrio e a precisão no universo. E Aquele que é o Senhor das estrelas e planetas é Senhor das circunstâncias em nossa vida.

Esse senhorio pertence essencialmente ao Filho eterno. Na natureza humana da sua teantrópica pessoa Ele era sujeito à lei natural, como homem: Ele foi amamentado na sua infância; Ele cresceu em estatura e faculdades mentais; teve fome e sede; sofreu dor, tanto no corpo como na alma. Nosso Senhor nunca usou o seu poder para escapar ou aliviar os fortes vínculos com sua humanidade (Mt 4.3). Como Filho nascido de uma virgem, Ele foi sujeito à vontade de seu P^ti, e “aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu” (5.8). Mas seu senhorio essencial nunca se alterou. Quando ensinou e agiu, falou e agiu como homem, em respeito constante ao Pai. Porém, ao mesmo tempo, Ele falou e agiu — quer perdoando pecados ou curando corpos ou ressuscitando mortos ou acalmando as tempestades — com a segurança e a realeza do Senhor. A dialética do humano e do divino encontra sua síntese em suas próprias palavras: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30).

Esta é a identidade tríplice que o escritor aos Hebreus procura estabelecer de maneira tão meticulosa no início do seu discurso: Agente na criação, o Logos da revelação, e o Senhor da providência.

O Senhor Vitorioso (1.3e—2.4)

a) O trono retomado (1.3e). Este Senhor divino é Aquele que assentou-se à destra da Majestade, nas alturas. Aqui temos o sujeito principal e o predicado do versículo 3. Tudo o mais modifica, identificando sua pessoa e especificando sua obra terrena. Afigura é de uma exaltação triunfante. Sua missão está cumprida, e Ele toma o seu lugar como “Vice-gerente” do Pai (simbolizado pela destra). Esse é o seu lugar legítimo, onde exercita seu pleno poder como advogado (Mt 29.18).

Richard S. Taylor. Comentário Bíblico Beacon. Hebreus. Editora CPAD. Vol. 10. pag. 25-27.

 

 

2- Fazendo uso correto da razão.

 

O Ateísmo e O Materialismo dizem recorrer ao uso da ciência para fundamentar seus pressupostos. Contudo, convém dizer que aquilo que eles denominam de “ciência”, na verdade, é um cientificismo, ou seja, a ciência usada fora de seus parâmetros e princípios para confirmar uma crença ou ideologia já previamente adotada. Isso porque a ciência, na verdade, não nega a existência de Deus, mas a confirma. O cristão, portanto, não precisa negar a sua racionalidade para acreditar em Deus. As Escrituras afirmam que somos “espírito, e alma, e corpo” (1Ts 5.23). Isso significa que somos seres integrais. A razão faz parte de nosso ser. Devemos usar nossa fé e também a nossa razão quando expressamos nossa confiança em Deus.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Apoio da razão a religião

Deus é o maior de todos os intelectos. Joseph Smith certamente estava certo ao dizer: «A glória de Deus é a sua inteligência». Referindo-nos aos atributos de Deus, conferimos-lhe todas as mais elevadas qualidades do intelecto, da razão e da racionalidade. Como, pois, os homens, criados à imagem de Deus, seriam destituídos de mente?

Apesar de que algumas verdades podem permanecer aparentemente incoerentes e autocontraditórias (como é o caso dos paradoxos; vide), muitas outras verdades estão sujeitas à nossa razão. E os próprios paradoxos poderão ser sondados por nossas mentes, quando nosso conhecimento aumentar o suficiente para tanto.

O apelo à razão é útil para testarmos reivindicações rivais de revelação, bíblicas ou extra bíblicas.

A fé cega é. verdadeiramente, conforme alguém já disse meramente «é crença em algo que não é verdadeiro».

À crença no poder da fé algumas vezes consiste meramente na crença nos dogmas de minha denominação religiosa. Os homens são arrogantes, e com frequência ocultam sua arrogância por detrás de uma suposta elevada espiritualidade, o que pode ser pouco mais do que a ignorância.

A ignorância não tem valor; mas homens tolos gostam de defender a ignorância como se estivessem defendendo a fé, o que não tem base alguma na realidade dos fatos. A nossa fé deve ser uma fé esclarecida.

A suposição de que a verdade é simples e abre-se diante da fé isolada é ridícula. Quanto mais vamos conhecendo sobre a verdade, tanto mais ficamos impressionados com a sua complexidade. A verdade precisa ser investigada por muitos ângulos e através de muitos meios, antes que possa ser desvendada.

A fé cega, que não raciocina, é uma violação da integridade da personalidade humana, que é uma unidade complexa. Uma das muitas capacidades da personalidade humana é a do raciocínio, e todas as capacidades humanas devem ser empregadas na busca pela verdade.

Embora a razão não crie revelações, estas devem ser examinadas pelo poder da razão.

A razão é uma guardiã da alma, capaz de anular um falso misticismo, falsas ideias e os exageros de pessoas religiosas imaturas.

A razão autêntica pesquisa humildemente em busca da verdade. A arrogância não é uma qualidade necessária da intelectualidade.

A razão é aliada da verdadeira fé. A razão e a fé são instrumentos de inquirição e descobrem as mesmas verdades. No caso de certas verdades, a razão pode encontrá-las com maior facilidade; por outra parte, a fé pode descobrir certas verdades com mais facilidade do que a razão. E também hâ verdades que requerem a utilização tanto da razão quanto da verdade.

A razão tem-se mostrado especialmente valiosa na busca por definições e provas de imortalidade, uma grande verdade religiosa. Ê bom crer, e ainda é melhor saber por qual motivo cremos.

Algumas mentes sentem-se mais à vontade com a razão do que com a fé, e, para elas, a razão é o melhor caminho.

A razão é especialmente eficaz em campos como a ética e metafísica. Sem algumas ideias verdadeiras (que precisam ser testadas), não podem subsistir nem a ética e nem a religião metafísica.

A fé (no caso de pessoas extremamente místicas) pode ser exagerada, manipulada por grande variedade de sistemas religiosos, alguns dos quais obviamente falsos, enquanto que outros sistemas contêm muitas ideias falsas. Pensemos sobre as muitas seitas cristãs que têm surgido com base em falsas reivindicações místicas A razão precisa dar sua contribuição, em algum ponto do caminho. Naturalmente, acima da razão precisamos testar empiricamente as ideias, sendo essa apenas uma outra maneira de obtermos conhecimentos. Ver o artigo geral intitulado Autoridade, quanto à teoria das fontes múltiplas da verdade.

Todos os dons de Deus são excelentes, e muito devem ser desejados e buscados. O poder da razão, que se origina no intelecto, é um dos preciosos dons de Deus. Desprezar esse dom é um absurdo. Aristóteles considerava Deus como o Intelecto. E todos os homens são intelectos, criados à imagem do Grande Intelecto. Isso faz parte da herança humana, que é uma pessoa espiritual. Ê um erro crasso desprezar essa herança divina que possuímos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 559-560.

 

 

Deus existe?

A pergunta que serve de título para este capítulo pode soar estranha numa obra de teologia. Porém, trata-se de uma pergunta que os incrédulos fazem e, talvez, algumas vezes até os crentes. De início, é preciso que se diga que a existência de Deus é a grande afirmação pressuposta pela Bíblia.

A Bíblia não tenta provar a existência de Deus, ela simplesmente a assume como um fato. O excelente teólogo reformado Louis Berkhof afirma: “Para nós a existência de Deus é a grande pressuposição da teologia”. De fato, nenhum teólogo poderia negar a existência de Deus, pois isso o faria automaticamente ficar sem profissão. Porém, ao longo da História, filósofos e teólogos têm debatido sobre a questão sobre se a mente humana pode ter certeza da existência divina. Será que a existência de Deus é algo que deve ser aceito somente pela fé? Ou será que é possível, a partir da razão e de argumentos racionais, provar a existência de Deus?

Desde já é preciso que se admita que a fé é absolutamente necessária para que se aceite a existência de Deus. Mas o ponto a ser discutido é: Esta fé se baseia em quê? Além do mais, o que poderia ser excluído desse princípio?

Quando é que a fé não é necessária? Será que temos provas suficientes para todas as nossas crenças, sejam religiosas, científicas ou morais? O fato é que cremos. Crer nada mais é do que exercitar a fé. Nesse sentido, os defensores de muitas teorias científicas modernas talvez sejam os mais crentes.

Eles acreditam em teorias, defendem essas teorias fanaticamente, e elaboram outras teorias com base nelas, O fato é que o ser humano decide em que crê e em que não crê. Uma pessoa pode ter todas as provas diante de si, e ainda assim negar a realidade de algum fato, desde que não queira acreditar nesse fato. Isso pode ser visto facilmente em tempos de eleição para cargos políticos, ou nos tribunais. Por outro lado, quando alguém deseja crer, nada o faz mudar de ideia, ainda que as provas sejam escassas. Uma coisa precisa ficar clara: mesmo que existissem provas explícitas da existência de Deus, as pessoas não deixariam de negar a existência dele. A questão deste capítulo não é a existência da fé em Deus, mas sim a racionalidade dessa fé. Crer irracionalmente não é uma fé saudável. A diferenciação que se pretende estabelecer aqui é que todos se guiam por algum tipo de fé, mas a fé autêntica é a que tem bases sólidas. Mas isso não quer dizer que a razão será o árbitro da fé, como se pretendia no Iluminismo. O único árbitro da fé é a revelação. A revelação é a base sólida sobre a qual edificar a fé.

Lima. Leandro Antônio de,. Razão da esperança – Teologia para hoje. Editora Cultura Cristã. 1 Ed. 2006. pag. 27-28.

 

 

SINOPSE IV

 

A Igreja se posiciona diante do Materialismo e do Ateísmo afirmando as verdades bíblicas e fazendo o uso correto da razão.

 

 

AUXÍLIO APOLOGÉTICA

O CRIADOR É O DEUS DA BÍBLIA?

“Você pode acreditar nas ideias do homem falível de que não existe Deus, ou confiar em sua perfeita Palavra, os sessenta e seis livros da Bíblia que dizem que Deus existe. O estimulante em ser cristão é saber que a Bíblia não é apenas outro livro religioso, mas, conforme afirma, é a Palavra do Deus Criador. Só a Bíblia explica por que existe beleza e feiura; vida e morte; saúde e doença; amor e ódio. Só a Bíblia fornece relato verdadeiro e confiável da origem de todas as entidades básicas da vida e de todo o universo” (HAM, Ken. Criacionismo: Verdade ou Mito? 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2011, p.28).

 

 

CONCLUSÃO

 

Vimos que as ideologias do Materialismo e do Ateísmo têm se revigorado nestes últimos tempos como sutilezas do engano que procuram espreitar a Igreja de Cristo. Como crentes não podemos “fazer vista grossa” a essa realidade nem tampouco negá-la. Estamos em melhor posição de combate porque já sabemos pelas Escrituras de onde elas procedem e, portanto, estamos em boa situação para combatê-las. Somente o Evangelho de Jesus Cristo, conforme revelado nas Escrituras Sagradas, pode romper a falsa blindagem posta no coração humano pelo Materialismo e Ateísmo, e dar o verdadeiro sentido da vida ao ser humano.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- O que é o Materialismo?

O Materialismo é a doutrina segunda a qual a matéria é a única realidade que existe.

 

2- O que é o Ateísmo?

De uma forma bem simples, o Ateísmo é a doutrina que nega a existência de Deus, sobretudo, a de um Deus pessoal conforme revelado na Bíblia (Cf. Gn 12.1-3).

 

3- Qual é a causa primária da incredulidade humana?

O pecado é a causa primária da incredulidade humana e, consequentemente, a fonte do seu Materialismo e Ateísmo.

 

4- Quais os pressupostos do Materialismo e do Ateísmo?

A negação da existência de Deus e a negação da singularidade do homem.

 

5- Onde encontramos a verdade sobre Deus de forma precisa e sem erros?

Na Bíblia.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

  Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

Acesse nossos grupos e tenha mais conteúdo:

Muito conteúdo sem sobrecarregar seu celular.
Grupo no Telegram
Acesse mais Conteúdo pelo Telegram
Grupo no WhastsApp
Mais conteúdo pelo WhatsApp

 

Please follow and like us:
Pin Share

2 respostas para “5 LIÇÃO 3 TRI 22 A SUTILEZA DO MATERIALISMO E DO ATEÍSMO”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.