5 LIÇÃO 4 TRI 22 CONTRA OS FALSOS PROFETAS

  5 LIÇÃO 4 TRI 22 CONTRA OS FALSOS PROFETAS

5 LIÇÃO 4 TRI 22 CONTRA OS FALSOS PROFETAS

 

TEXTO ÁUREO

 

‘E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” (2Pe 2.1)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

Os falsos profetas contrapõem a Palavra de Deus e lançam dúvidas no coração do seu povo

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Dt 18.20-22 Os falsos profetas e predições não cumpridas

 

Terça – Mt 7.15-20 Os falsos profetas, suas heresias e erros doutrinários

 

Quarta – 1 Rs 22.24 Os falsos profetas se apresentam como exclusivos de Deus

 

Quinta – Jr 28.15 Uma das especialidades dos falsos profetas é enganar o povo

 

Sexta – 2 Tm 3.8 A verdade e as falsificações

 

Sábado – Mt 24.11 A multiplicação dos falsos profetas indica um sinal dos tempos

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

 

Ezequiel 13.1-10

 

1 – E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

 

2 – Filho do homem, profetiza contra os profetas de Israel que são profetizadores e diz aos que só profetizam o que vê o seu coração: Ouvi a palavra do SENHOR.

 

3 – Assim diz o Senhor JEOVÁ: Ai dos profetas loucos, que seguem o seu próprio espírito e coisas que não viram!

 

4 – Os teus profetas, ó Israel, são como raposas nos desertos.

 

5 – Não subistes às brechas, nem reparastes a fenda da casa de Israel, para estardes na peleja no dia do SENHOR.

 

6 – Veem vaidade e adivinhação mentirosa os que dizem: O SENHOR disse; quando o Senhor os não enviou; e fazem que se espere o cumprimento da palavra.

 

7 – Não vedes visão de vaidade e não falais adivinhação mentirosa, quando dizeis: O SENHOR diz, sendo que eu tal não falei?

 

8 – Portanto, assim diz o Senhor JEOVÁ: Como falais vaidade e vedes a mentira, portanto, eis que eu sou contra vós, diz o Senhor JEOVÁ.

 

9 – E a minha mão será contra os profetas que veem vaidade e que adivinham mentira; na congregação do meu povo, não estarão, nem nos registros da casa de Israel se escreverão, nem entrarão na terra de Israel; e sabereis que eu sou o Senhor JEOVÁ.

 

10 – Visto que, sim, visto que andam enganando o meu povo, dizendo: Paz, não havendo paz; e um edifica a parede de lodo, e outros a rebocam de cal não adubada.

 

 

Hinos Sugeridos: 127, 386, 505 Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

A Palavra de Deus deixa claro a existência dos falsos profetas no meio do povo de Deus. O Senhor Jesus falou a respeito disso no Evangelho de Mateus: ”porque surgirão […] falsos profetas” (Mt 24.24). Essa trágica realidade também estava presente no ministério do profeta Ezequiel. Este tinha uma palavra de juízo; os falsos profetas tinham ”palavras de bênçãos”. A presente lição é um alerta para o crente viver de maneira prudente. É preciso sensibilidade e discernimento espiritual para discernir a fonte das profecias.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Conceituar o termo profeta;

II) Refletir a respeito dos falsos profetas;

III) Conscientizar a respeito das mensagens falsas.

B) Motivação: A função do profeta do Antigo Testamento era a de transmitir a mensagem de Deus ao povo; ao passo que os falsos profetas transmitiam a mensagem do próprio coração. Que perigo é atribuir a Deus uma mensagem falsa proveniente do coração humano. É preciso refletir a respeito das implicações disso para a vida cristã.

C) Sugestão de Método: Na lição anterior, apresentamos a lei do professor como a primeira lei do ensino. Nesta lição, apresentaremos a segunda lei do ensino: a lei do aluno. Essa lei pode ser sintetizada assim: ”o aluno deve estar interessado na verdade a ser aprendida”. Essa lei não quer dizer que depende só do aluno o interesse em aprender. Se o professor sabe o que ensina, como na lei anterior, ele também deve ser capaz de estimular esse interesse do aluno. É uma via de mão dupla. Por isso,

1) ouça os alunos antes de ensinar, certificando que eles realmente entenderam o que você ensinou;

2) engaje-se com esforço sincero, de maneira que haja resposta positiva para a seguinte pergunta: ”como vou conseguir a atenção dos alunos?”;

3) Seja um catalisador de boas estratégias, pois estas são essenciais para engajar alunos para a disposição de aprender.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Não esqueça que para uma boa conclusão é importante uma revisão. Procure aplicar aos alunos o tema com exemplos vivos que eles os identificam no cotidiano. Era assim que Jesus ensinou as maiores lições.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e sub­sídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.38, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Os Profetas do AT” traz uma perspectiva geral do ministério dos profetas no AT; 2) O texto ”Profetas apóstatas” traz um aprofundamento a respeito dos falsos profetas em Ezequiel.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

Depois do pronunciamento do juízo divino sobre a cidade de Jerusalém com seus príncipes e o próprio rei de Judá, Ezequiel se dirige agora contra os falsos profetas. Foi um longo e doloroso combate contra esses inimigos de Deus, dos profetas verdadeiros e da nação. O desafio maior para Jeremias, na cidade de Jerusalém, e para Ezequiel, na Babilônia, era o fato de esses embusteiros estarem blindados por uma liderança religiosa e civil que havia se apostatado.

 

 

Comentário

 

 

Os profetas bíblicos são reconhecidos por judeus, cristãos e até mesmo por muçulmanos no mundo inteiro. Eles são parte de uma corporação fundada por Moisés e Arão no deserto (Nm 11.25-29), mas os profetas existem desde o princípio do mundo (Lc 1.70; 11.50). Os profetas são a voz de Deus na terra. É fato que onde há verdadeiro há também falso, por isso Moisés advertiu o povo sobre o surgimento de falsos profetas mesmo entre os profetas legítimos (Dt 18.18-22).

O apóstolo Pedro lembra muito bem que, da mesma forma que no meio dos profetas enviados por Deus surgiram também os falsos profetas, no seio da igreja haverão de se levantar falsos profetas e falsos mestres (2Pe 1.19–2.1). Há dois casos emblemáticos no Antigo Testamento que podem ser usados como amostras da declaração de Pedro. O relato de Zedequias, filho de Quenaana, e sua companhia de profetas, que conseguiram impressionar o rei Acabe (1Rs 22.5-28; 2Cr 18.4-27), e o de Hananias, um falso profeta que decidiu desafiar o profeta Jeremias, mas se deu mal (Jr 28.1-17).

Jeremias profere um duro e longo discurso contra esses embusteiros. Os falsos profetas estavam também na Babilônia e se comunicavam com os seus colegas em Jerusalém (Jr 29.20-28).

Como testemunha independente entre os exilados em Quebar, Ezequiel confirma o testemunho de Jeremias. Depois do pronunciamento do juízo divino sobre a cidade de Jerusalém com seus príncipes e o próprio rei de Judá, Ezequiel se dirige nessa passagem contra os falsos profetas.

O presente oráculo é análogo ao de Jeremias 23.9-40. Foi um longo e doloroso combate contra esses inimigos de Deus, dos profetas e da nação. O desafio maior para Jeremias, na cidade de Jerusalém, e para Ezequiel, na Babilônia, era o fato de esses embusteiros estarem acobertados por uma liderança religiosa e civil que havia apostatado. O oráculo pode ser dividido em três partes: a) a obra dos profetas insensatos (13.1-7); b) o julgamento de Deus sobre os profetas ímpios (13.8-16) e c) maneiras das falsas profetisas (13.17-23).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 63-64,

 

 

Oráculos contra os Falsos Profetas e Falsas Profetisas (13.1-23)

Ezequiel deu dois sinais (ver Eze. 12.3-6 e 18-20) e, então, cinco mensagens (ver as notas em Eze. 12.21). O capítulo 13 descreve a terceira mensagem (oráculo). As duas primeiras deram advertências contra os escamecedores que perverteram as mensagens do profeta, negaram a validade de suas profecias, ou afirmaram que, se verdadeiras, elas não se realizariam nos seus dias. A terceira mensagem desenvolve o assunto, afirmando que os falsos profetas e as falsas profetisas diziam mentiras e tinham visões falsas. Estes declararam que haveria paz e prosperidade nos seus dias, em vez de terror. Garantiram, também, que Yahweh e outros deuses os inspiraram. De fato, eles eram hipócritas, mentirosos, atores corruptos, simuladores, entusiastas auto-enganados, idólatras e apóstatas.

“O conflito entre profetas verdadeiros e falsos foi dramatizado pelo incidente que envolveu Micaías, filho de Inlá. Ele fez oposição aos 400 profetas de Baal e contra Acabe e Jezabel. Ver I Reis 22.8-26; houve também o conflito entre Jeremias e Hananias, o terrível (Jer. 28). Amós recusou identificar-se com os falsos profetas de seu tempo (Amós 7.14). Tanto Miquéias como Isaías participaram do conflito (Miq. 2.11; Isa. 9.15). Os falsos profetas guiaram o povo para a destruição, afirmando que tudo estava bem, enquanto tudo estava muito ruim” (Theophile J. Meek, in loc.).

O povo era enganado com falsas esperanças. Corrupções internas facilitaram o trabalho dos falsos profetas. As pessoas foram “vítimas contentes” da liderança corrupta da época; quiseram ouvir mentiras, porque a verdade lhes perturbava a vida.

A Pesquisa Moderna. Estudos realizados por cientistas dos fenômenos psíquicos têm demonstrado que a psique humana é perfeitamente capaz de produzir visões totalmente independentes de Deus ou de demônios. Tais visões podem ser meramente sonhos no estado acordado, ou puras invenções psíquicas que não têm nada que ver com a realidade.

Mas, para os inventores, são absolutamente reais. Podem existir fontes demoníacas, mas as experiências místicas podem ser naturais e humanas, não divinas ou demoníacas. Além disso, os mentirosos gostam de glorificar- se, afirmando ser líderes espirituais que têm visões do alto. Sempre encontram discípulos ingênuos que acreditam em suas mitologias.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3228.

 

 

No capítulo anterior tinha sido feita menção às visões vãs e às adivinhações lisonjeiras com que o povo de Israel se permitia enganar (v. 24). Agora, todo este capítulo é dirigido contra elas. Os profetas fiéis de Deus são mais rígidos com os falsos profetas do que com qualquer outro tipo de pecadores, não porque eles fossem os seus mais perversos inimigos, mas porque eles faziam a maior afronta a Deus, e o maior dano ao Seu povo.

Aqui, o profeta nos mostra o pecado e a punição, I. Dos falsos profetas, w. 1-16. II. Das falsas profetisas, w. 17-23. Tanto os profetas como as profetisas estavam de acordo em tranquilizar os homens em seus pecados, e sob o pretexto de consolar o povo de Deus, adulá-los com esperanças de que ainda teriam paz. Mas ficará provado que os profetas eram mentirosos, que as suas profecias eram meras trapaças e as expectativas do povo, ilusões. Pois Deus os fará saber que “Seu é o que erra e o que faz errar” e que ambos devem prestar contas a Ele, Jó 12.16.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 670.

 

 

Palavra-Chave: FALSIDADE

 

 

I – SOBRE OS PROFETAS

 

A função dos profetas era apresentar Deus ao povo e ensinar a lei de Moisés, ao passo que os sacerdotes apresentavam o povo a Deus. Os falsos profetas, pelo contrário, tinham a função de contrapor os profetas de Javé e desencaminhar o povo dos caminhos do SENHOR.

 

1- O termo ”profeta”.

 

A palavra hebraica usada para ”profeta” é naví, cuja etimologia é ainda discutida, mas a ideia primária é de ”porta-voz, orador”. Isso pode ser compreendido no relato do chamado de Moisés, em Horebe (Êx 4.10-15), e o próprio texto esclarece o significado do ofício: “Eis que te tenho posto por Deus sobre Faraó; e Arão, teu irmão, será o teu profeta” (Êx 7.1). Mas as três principais palavras hebraicas são naví, roeh e hozeh, como aparecem em 1 Crônicas 29.29: “os atos, pois, do rei Davi, assim os primeiros como os últimos, eis que estão escritos nas crônicas de Samuel, o vidente, e nas crônicas do profeta Natã, e nas crônicas de Gade, o vidente”.

 

 

Comentário

 

 

Termos e Definições

A palavra hebraica para «profeta» é nabi, que vem da raiz verbal naba. Essa palavra significa «anunciador», «declarador», e, por extensão, aquele que anuncia as mensagens de Deus, frequentemente recebidas por alguma revelação ou discernimento intuitivo. Ademais, os profetas usavam vários meios de adivinhação e envolviam-se em oráculos. Os termos hebraicos roeh e hozeh também são usados. Ambos significam «aquele que vê», ou seja, «vidente». Todas as três palavras aparecem em I Crô. 29:29. Os eruditos procuram estabelecer distinções entre elas, mas talvez sejam meros sinônimos, usados para emprestar variedade literária às composições escritas. Nabi é termo usado por mais de trezentas vezes no Antigo Testamento. Alguns poucos exemplos são Gên. 20:7; Exo. 7:1; Núm. 12:6; Deu. 13:1; Juí. 6:8; I Sam. 3:20; II Sam. 7:2; I Reis 1:8; II Reis 3:11; Esd. 5:1; Sal. 74:9; Jer. 1:5; Eze. 2:5; Miq. 2:11.

É possível que essa palavra também fosse usada para designar a missão profética. Um título comumente aplicado aos profetas era «homem de Deus», que ocorre por cerca de setenta e seis vezes no Antigo Testamento. Cerca de metade dessas ocorrências é usada em referência a Eliseu, e outras quinze dizem respeito a um profeta cujo nome não é dado (I Reis 13).

Além disso, a expressão é usada para designar Moisés, Elias, Samuel, Davi e Semaías. Por sua vez, roeh figura por doze vezes no Antigo Testamento: I Sam. 9:11,18,19; II Sam. 15:27; I Crô. 9:22; 26:28; 29:29; II Crô. 16:7,10; Isa. 30:10. Sete dessas ocorrências aplicam- se a Samuel. Hozeh figura por dezenove vezes: I Crô. 21:9; 25:5; 29:29; II Crô. 9:29; 12:2,15; 19:2; 29:25,30; 33:18,19; 35:15; II Sam. 24:11; II Reis 17:13; Isa. 29:10; Amós 7:12; Miq. 3:7. Ainda outros títulos dados aos profetas são: Atalaia (no hebraico, sophim): Jer. 6:16; e Eze. 3:17; e pastor (no hebraico, raah): Zac. 11:5,16.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. 11 ed. 2013. pag. 423-424.

 

 

Um exame das atividades e dos escritos dos profetas esclarece a tarefa profética do AT. O profeta agia como porta-voz de Deus, recebendo a mensagem dele e proclamando-a em concordância com os seus mandamentos. Visto que há um só Deus, o profeta verdadeiro deve necessariamente ser um profeta deste Deus. A palavra, contudo, pode ser usada por qualquer um que pretendesse ou realmente cresse que era um porta-voz de Deus ou de algum outro deus.

Os profetas e a profecia são designados no AT por uma série de termos diferentes. Por exemplo,

1 Crônicas 29.29 usa três palavras diferentes (riK~i, N’33 e nrn, para indicar homens que realizaram a tarefa profética. “Porque ao profeta (iPiu) de hoje, antigamente, se chamava vidente (TOO)” (1 Sm 9.9). Elias, um dos mais típicos de todos os profetas, é mencionado como “o homem de Deus” trinta e seis vezes. (Para discussão, veja IB, abaixo).

O exame dos usos da palavra “profeta” (N’33) leva a certa definição. Isso não se toma evidente não a partir da primeira ocorrência da palavra, mas da segunda. A primeira ocorrência dá pouco indício de seu significado: é dito a Abimeleque que Abraão é profeta e orará por ele (Gn 20.7). Essa é a única vez em que a palavra aparece no livro de Gênesis, e ela revela pouco significado do termo, além do fato do profeta ter um relacionamento íntimo com Deus e poder orar com eficácia. A declaração supõe que Abimeleque tinha uma ideia do que era um profeta.

A compreensão mais plena sobre o significado da palavra é evidente a partir de sua segunda ocorrência (Êx 7.1). Aqui há uma repetição, numa linguagem um pouco figurada, da idéia expressa literalmente em Êxodo 4.10-16, após Moisés declarar que sua falta de eloqüência tornaria impossível para ele agir como representante de Deus perante o Faraó. Deus disse que nomearia o irmão de Moisés, Arão, que era bom orador, para acompanhá-lo. Moisés poderia dizer a Arão o que falar, e Arão transmitiria a Faraó. O Senhor disse: “ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus” (Êx 4.16). Essa ideia é resumida nas palavras: “Então, disse o Senhor a Moisés: Vê que te constituí como Deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta” (Êx 7.1).

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 1058.

 

 

2- Outros termos para designar os profetas de Deus.

 

Há diversos termos usados para os profetas como mensageiro (2 Cr 36.15,16); embaixador (Ag1.13); servo de Deus e do Senhor (1 Rs 14.18; 2 Rs 9.7); e homem de Deus (Dt 33.1; 1Sm 9.6). A palavra “profeta” é de origem grega, prophétés, de pro, ‘antes’, e da raiz, phe, do verbo phémi, “falar”. Isso talvez justifique o conceito que mais se popularizou, com o passar do tempo, de ”prever o futuro”, revelar algo impossível de se saber por meio de recursos naturais (1Sm 9.6).

 

 

Comentário

 

 

Essas palavras derivam-se do grego pro, «antes*, «em favor de», e phemi, «falar», ou seja, «alguém que fala por outrem», e, por extensão, «intérprete», especialmente da vontade de Deus. Tais palavras gregas, naturalmente, estão por detrás do termo português «profeta».

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. 11 ed. 2013. pag. 424.

 

 

Essa passagem indica claramente que a palavra profeta significa “aquele que transmite uma mensagem de um deus”. Essa definição se encaixa no uso de todos os vários termos, e é particularmente enfatizada nos seguintes versículos, entre muitos outros: Amós 3.8: “(…) Falou o Senhor Deus, quem não profetizará?”; Jeremias 1.7,17: “… porque a todos a quem eu te enviar irás; e tudo quanto eu te mandar falarás … dispõe-te e dize-lhes tudo quanto eu te mandar; não te espantes diante deles, para que eu não te infunda espanto na sua presença”; Ezequiel 3.4: “Disse-me ainda: Filho do homem, vai, entra na casa de Israel e dize-lhe as minhas palavras”.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 1058-1059.

 

 

3- Os falsos profetas.

 

Profetizar falsamente era crime em Israel sob pena de morte conforme a lei de Moisés (Dt 13.1-5; 18.20-22). Curiosamente, os mesmos termos hebraicos navi’ roeh e hozeh, usados para os profetas do Deus vivo, ou videntes corno Samuel e Gade, são também aplicados aos falsos profetas, é o contexto que vai identificar entre o verdadeiro e o falso no Antigo Testamento. Às vezes, quando o sentido não se refere aos profetas legítimos, a Septuaginta é mais específica e emprega a palavra grega pseudoprophétés, ”falso profeta” (Jr 6.13; Zc 13.2). É a mesma palavra usada pelo apóstolo Pedro (2 Pe 2.1).

 

 

Comentário

 

 

Curiosamente, os mesmos termos hebraicos nāvî’, “profeta”, rō’eh, e ḥōzeh, “vidente”; usados para os profetas do Deus vivo, ou videntes como Samuel, Natã e Gade (1Cr 29.29), são também aplicados aos falsos profetas. É o contexto que vai diferenciar o verdadeiro e o falso. A Septuaginta emprega 10 vezes a palavra grega pseudoprophētēs, “falso profeta”, para traduzir nāvî’ (Jr 6.13; 33.7, 8, 11, 16 [26.7, 8, 11, 16]; 34.8 [27.9]; 35.1 [28.1]; 36.1, 8; 29.1, 8 [29.1, 8];39 Zc 13.2). É a mesma palavra usada pelo apóstolo Pedro (2Pe 2.1). A mensagem contra eles é porque profetizam o que lhes vem do coração (v. 2b). Jeremias teve também de profetizar contras os colegas deles em Jerusalém (Jr 23.16). Falar em nome de Javé sem que ele tenha mandado constituía crime em Israel (Dt 18.20-22), e era o que eles estavam fazendo. Assim, o ofício que exerciam não era legítimo, pois não eram pessoas qualificadas para o exercício do ministério. Diziam que o seu discurso era a palavra de Javé (vv. 6, 7). No entanto, eles precisavam ouvir a palavra de Deus (v. 2c).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 65.

 

 

Profetas verdadeiros e falsos

Os falsos profetas deviam ser separados dos verdadeiros por meio de três testes.

O primeiro era doutrinário. Em Deuteronômio 13, a motivação do falso profeta era levar o povo para longe do Deus que havia revelado a si mesmo no êxodo do Egito (Dt 13.2,5-7,10). Ainda que a palavra do falso profeta fosse acompanhada por aparentes sinais e prodígios (vv. 1,2), ela devia ser rejeitada não apenas porque introduzia uma novidade (vv. 2-6), mas porque aquela novidade contradizia a revelação de Deus no êxodo (vv. 5,10). Portanto, o primeiro teste era doutrinário e requeria que o povo de Deus conhecesse a verdade de modo que, pela comparação, reconhecesse o erro.

O segundo teste era prático e exigia paciência.

Está escrito em Deuteronômio 18.21,22: a palavra do Senhor sempre se cumpre. Isso requer paciência porque, como está escrito em Deuteronômio 13-1,2, uma falsa palavra pode estar apoiada por aparente prova espiritual. O chamado de Deuteronômio 18.21,22 é um chamado à paciência. Se pairar alguma dúvida real sobre a veracidade de uma palavra profética, espere a confirmação dos eventos.

O terceiro teste é moral e convoca a um diligente discernimento. De todos os profetas, Jeremias foi o mais afligido em seu espírito pela presença de falsos profetas e por essa razão desenvolveu a mais longa e sustentada consideração sobre o problema (Jr 23.9-40). Sua resposta é marcante e desafiadora: o falso profeta será caracterizado como um homem de vida iníqua (vv. 11-14) cuja mensagem não possui qualquer advertência moral, mas, pelo contrário, encoraja os homens em seus pecados (vv. 16-22).

Philip W. Comfort e Walter A. Elwell. Dicionário Bíblico Tyndale. Editora geográfica. pag. 1498.

 

 

FALSO PROFETA O Falso Profeta (Ap 19.20; 20.10), também chamado “a segunda besta” ou, ainda, “a outra besta” (Ap 13.1118), é um líder religioso que é associado à primeira Besta, o líder político do período da Tribulação, como seu subordinado. Ele aparece no poder no meio da Tribulação, no momento em que a primeira Besta, ou o Anticristo {q.v.), assume o poder político mundial (Ap 13.7) e ele, o poder religioso.

Talvez seja um judeu, uma vez que Apocalipse 13.11 pode indicar que ele surge “da terra”, ou da Palestina. (Em gr. a palavra ge pode significar “mundo” ou “terra”). Ele move-se no reino religioso, pois aparece como um cordeiro (Ap 13.11), E capacitado por Satanás, recebendo o seu poder da primeira Besta (Ap 13.12). Ele promove a adoração à primeira Besta, e força a terra a adorá-la (Ap 13.12). Seu ministério e autoridade são autenticados por milagres e sinais que ele opera através do poder satânico (Ap 13.13,14).

O mundo incrédulo é enganado por ele e adora a primeira Besta como se esta fosse o próprio Senhor Deus (Ap 13.14,15). Ele detém o poder da vida e da morte para forçar a adoração à primeira Besta (Ap 13.15). Sua autoridade estende-se ao reino económico, e ele usa este poder económico para impor a sua vontade (Ap 13.16,17). Se houver algum crente naquele dia, poderá reconhecê-lo por causa do sinal que foi dado para identificá-lo (Ap 13.18).

O Falso Profeta, junto com Satanás e a primeira Besta, formam um triunvirato do mal, a obra-prima do engano de Satanás. O mundo será dominado por eles durante a última metade do período da Tribulação nos âmbitos político, religioso e económico, como uma imitação do governo mundial que Deus exercerá sobre a terra no Milénio, por intermédio de Jesus Cristo, o Messias. J. D. P.

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. 2 Ed. 2007. pag. 760.

 

 

SINOPSE I

 

Além do termo ”profeta” há ou­tros que a Bíblia apresenta para esse ofício: mensageiro, embaixador, servo de Deus e do Senhor.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

OS PROFETAS DO AT

 

”Os profetas do AT eram homens de Deus que, espiritualmente, achavam-se muito acima de seus contemporâneos. Nenhuma categoria, em toda a literatura, apresenta um quadro mais dramático do que os profetas do AT. Os sacerdotes, juízes, reis, conselheiros e os salmistas, tinham cada um, lugar distintivo na história de Israel, mas nenhum deles, logrou alcançar a estatura dos profetas, nem chegou a exercer tanta influência na história da redenção. […] Os profetas exerceram considerável influência sobre a composição do AT. Tal fato fica evidente na divisão tríplice da Bíblia Hebraica: a Torá, os Profetas e os Escritos (cf. Lc 24.44)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 1995, p.1001).

 

 

II – SOBRE OS FALSOS PROFETAS EM EZEQUIEL

 

 

1- Os dois lados.

 

Tudo na vida tem seu lado positivo e seu lado negativo. Como há o bem, há também o mal; como há galardão, há castigo; como há amigos, há inimigos; como há bênção, há maldição; como há verdadeiro, há mentiroso; como há justo, há injusto; como há vida, há morte; como há céu, há inferno. Assim também como há profetas legítimos enviados por Deus, há falsos profetas provenientes da parte de Satanás.

 

 

Comentário

 

 

O termo falsos profetas não está no V.T., mas a perspectiva histórica acertou em designá-los assim. Havia duas classes de falsos profetas: aqueles que eram representantes de algum objeto de culto, outro que não o verdadeiro Deus, como, por exemplo, Baal, Moloque (cons. o desafio de Elias aos profetas de Baal, I Reis 18:19 e segs.); e aqueles que falsamente se propunham a falar em nome de Jeová (cons. a oposição de Micaías aos profetas de Acabe, I Reis 22:5-28). A mais forte acusação desses enganadores foi feita por Jeremias, que se lhes opôs com base moral, pessoal e política (Jr. 23:9-32). Durante os últimos suspiros de Jerusalém, Hananias se opôs a Jeremias na pátria (Jr. 28) e Acabe, Zedequias e Semaías se lhe opuseram na Babilônia (Jr. 29:15-32). Ezequiel neste capítulo também denuncia os falsos profetas e as falsas profetizas. (Veja A.B. Davidson, “The False Prophets”, O.T. Prophecy, págs. 285-308).

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Ezequiel. Editora Batista Regular. pag. 55-56.

 

 

Essa advertência foi dirigida aos falsos profetas, que declaravam mensagens mentirosas, ditas com a intenção de ganhar popularidade, para agradar as pessoas. Os falsos profetas não se importavam com a verdade, como fazia Ezequiel. Acalmavam as pessoas, transmitindo uma falsa sensação de segurança, tornando o trabalho de Ezequiel ainda mais difícil. Tome cuidado com as pessoas que distorcem a verdade para obter poder e popularidade.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1045.

 

 

2- Apresentação (v.2).

 

A expressão ”profetas de Israel” só aparece mais duas vezes no Antigo Testamento e somente em Ezequiel (13.16; 38.17). Não existe, nas Escrituras hebraicas, uma palavra específica para ”falso profeta”. O termo ”profeta” pode se aplicar a falsos profetas, tanto os de Jerusalém (Jr 5.30,31; 14.13-18) quanto os que estavam entre os exilados na Babilônia (Jr 29.8-10,21-23) e também aos falsos doutrinadores da atualidade (2 Pe 2.1). Ezequiel descreve ainda a natureza da atividade profética desses enganadores do povo. Os ”profetizadores”, ou ”que profetizam”, ou ainda, ”estão profetizando do”, é um pleonasmo, uma redundância até certo ponto sarcástica. Ele denuncia os falsos profetas que ”profetizam o que vê o seu coração” (v.2).

 

 

Comentário

 

O oráculo começa com a introdução profética tradicional, indicando a fonte do discurso: A palavra do Senhor veio a mim. Essa palavra é uma ordem para Ezequiel profetizar contra os profetas de Israel (v. 2). Ezequiel ridiculariza esses mensageiros usando o título de “profetas”, como eram conhecidos. Essa expressão “profetas de Israel” só aparece três vezes no Antigo Testamento e apenas Ezequiel faz uso dela (vv. 2, 16; 38.17). É um título louvável e de alto nível; no entanto, o contexto revela que os profetas tinham traído sua posição de privilégio.

O contexto da profecia deixa claro que os destinatários originais dessa mensagem são falsos profetas (vv. 3-7). Não existe no Antigo Testamento hebraico a palavra “falso profeta”. A diferença entre o verdadeiro e o falso se reconhece pelo contexto ou adjetivo que acompanha a palavra “profeta”. Deus fala deles usando a expressão “meus servos, os profetas” (2Rs 9.7; 17.13; Jr 7.25). Moisés, Samuel, Elias e Eliseu são chamados nas Escrituras de “homens de Deus” (Dt 33.1; 1Sm 9.6; 2Rs 4.9). O termo é aplicado a Eliseu 29 vezes, a Moisés 7 vezes e a Samuel 6 vezes, sem contar o seu emprego aos profetas anônimos (1Sm 2.27; 1Rs 20.28; 2Cr 25.7, 9).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 64-65.

 

 

Os profetas de Israel… exprimem… o que lhes vem do coração. Existe profecia mental que nada tem que ver com o Espírito:

As capacidades normais da psique humana podem produzir vários tipos de manifestações, inclusive profecias. Precognição é uma propriedade da mente do ser humano. Ver sobre este título na Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Todas as pessoas, em sonhos, preveem o futuro todas as noites, mas não têm o conhecimento necessário para reconhecer este fato. Ver no Dicionário o artigo intitulado Sonhos.

Homens religiosos tendem a ser auto-enganados, sempre se levando muito a sério. Gostam de glorificar-se, como se fossem profetas de Deus. Reivindicam autoridade, mas não são inspirados pelo Espírito. Suas imaginações férteis produzem “profecias” que nada têm que ver com a verdade.

Alguns homens são simplesmente mentirosos e enganadores. Não são auto- enganados, mas gostam de enganar os outros. Num tipo de esporte doentio, eles sempre encontram pessoas humildes que acreditam nas suas afirmações tolas.

Na introdução ao capítulo presente, há notas que se aplicam ao problema das visões falsas. Essas notas são acompanhadas por referências bíblicas que tratam do assunto. De qualquer maneira, o profeta que produzia suas próprias profecias, mas dava o crédito a Yahweh, era culpado de blasfêmia. Yahweh tinha seus mediadores (Jer. 1.9), escolhidos e autorizados pelo Espírito. A falsificação de uma mensagem espiritual é um crime grave. Um castigo apropriado é sempre aplicado em tais casos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3228.

 

 

Ezequiel aqui se refere sarcasticamente aos profetas de Israel, falsos profetas que profetizando dizem o que lhes vem do coração, isto é, suas emoções e desejos. Ele desmascara a fonte (v. 3), o conteúdo (vs. 4, 5) e o resultado de sua mensagem (vs. 6, 7) e o destino dos falsos profetas (vs. 8, 9).

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Ezequiel. Editora Batista Regular. pag. 56.

 

 

3- O desserviço dos falsos profetas (v.3).

 

Eles são chamados de ”loucos”, em hebraico é nabal, ”ser insensato, tolo”. O nabal afronta a Deus (Sl 74.22), zomba daqueles que confiam em Deus (Sl 39.8) e não acredita em Deus (Sl 14.1; 53.1). Ezequiel afirma que eles ”seguem o seu próprio espírito e coisas que não viram!” (v.3). Não se trata de mera tolice, mas de alguém que blasfema contra Deus: ”que o inimigo afrontou ao SENHOR, e que um povo louco blasfemou o teu nome” (Sl 74.18).

 

 

Comentário

 

 

A essência da denúncia contra eles começa com a sentença: Ai dos profetas insensatos, que seguem o seu próprio espírito sem nada terem visto! O ai, do hebraico hôy, uma interjeição muito comum nos profetas, citada 50 vezes, indica lamento e dor; e 40 vezes “envolvem advertências negativas ou ameaças de castigo físico por parte de Deus”. Seguem três razões iniciais para o ai: a) insensatez ou loucura, b) seguir o seu próprio espírito e c) a falsa visão.

Os falsos profetas no discurso de Ezequiel são classificados como insensatos. A ARC emprega o termo “louco” para traduzir do hebraico nabal, “ser insensato, tolo”. O nabal afronta a Deus (Sl 74.22), zomba daqueles que confiam em Deus (Sl 39.8) e não acreditam em Deus (Sl 14.1; 52.1). Não se trata de mera tolice, mas de alguém que blasfema contra Deus (Sl 74.18). Eles seguem o seu próprio espírito; a espiritualidade deles é a sua própria criação, diz Horace D. Hummel: “O Espírito Santo e a divina inspiração não desempenham nenhum papel na teologia deles”. A expressão sem nada terem visto! (v. 3c) diz respeito à falsa visão; trata-se de uma manifestação narcisista. O verbo “ver” nessa passagem em hebraico é rā’âh, de onde vem a palavra rō’eh, que pode ser traduzida por “aquele que vê as coisas divinas”, em referência ao vidente (1Sm 9.9, 11, 18, 19). Esse verbo aparece nos profetas indicando uma visão (Is 30.10; Am 7.8; 8.2) e também em Ezequiel 1.1; 8.3; 40.2. Esses falsos profetas arrogavam para si mesmos uma autoridade espiritual que não possuíam para contrapor os profetas legítimos.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 65-66.

 

 

Ai dos profetas loucos. Os falsos profetas eram amaldiçoados por Yahweh. Falsificavam suas mensagens e as atribuíam ao Senhor. Eles mesmos eram a fonte de suas falsidades. Ver no Dicionário o artigo intitulado Profetas Falsos, para maiores detalhes. Tais homens seguem seus próprios espíritos, ou outros espíritos, não o Espírito de Deus.

Sete Características Distintas Daqueles Enganadores. 1. Sua fonte de informação não era Yahweh. 2. Os falsos profetas andam em sua própria sabedoria, não na sabedoria de Yahweh. 3. São freqüentemente corruptos moralmente. 4. Suas profecias não se realizam, revelando-se mentirosas. 5. Suas mensagens não melhoram as pessoas moral e espiritualmente. 6. São autogloríficados, homens arrogantes e orgulhosos. 7. São autodestruidores.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3228.

 

 

Loucos (3) é o hebraico nabal, que abrange muito mais do que a mera tolice. O louco era espiritual e moralmente insensível; inclinava-se à blasfêmia (SI 74:18) e ao ateísmo (SI 14:1); era sovina e arrogante, como o homem que tinha este nome, Nabal do Carmelo (1 Sm 25); era capaz de imoralidade grosseira (2 Sm 13:13). Era, na realidade, a própria antítese de tudo quanto o sábio representava em termos de percepção espiritual, auto-disciplina, controle-próprio, piedoso temor e humildade.

Descrever profetas com a palavra louco era, portanto, linguagem muito forte, mas quando nos lembramos que Jeremias havia acusado dois deles de adulterarem com as esposas dos vizinhos (23:14; 29:23), percebemos que era plenamente justificada. A totalidade de Jeremias 29 precisa realmente ser lida em conjunto com as denúncias de Ezequiel a fim de se apreciar a complexidade do problema que estes dois homens de Deus tinham de enfrentar.

A condenação dos profetas é baseada, no entanto, não em qualquer imoralidade ou vilania da qual fossem culpados, mas, sim, na maneira em que compõem seus pronunciamentos. Isto, incidentalmente, lança muita luz sobre a genuína consciência profética em Israel. Estes profetas loucos profetizam o que lhes vem do coração (2; em hebraico, o coração, lèb, era o órgão do pensamento e da vontade como também a sede das emoções).

A frase paralela, que seguem o seu próprio espírito (3), sugere um conflito entre o espírito humano e o Espírito de Deus. O profeta verdadeiramente inspirado devia estar tão dominado pelo Espírito de Deus que seu próprio espírito ficasse em sujeição à Sua influência. Havia na profecia o senso da invasão divina que produzia uma mensagem de qualidade “outra”, sobrenatural em si mesma. Não era simplesmente o produto de uma mente humana. Isto não significa que os processos comuns do pensamento fossem desprezados pelos profetas: o artifício e a perícia das suas composições dão testemunho deste fato.

Significa, no entanto, que o pensamento humano tinha de ser aceso e elevado a um grau de intensidade mais alto por meio do Espírito antes de um profeta ter a certeza de que era verdadeiramente um porta-voz do Senhor. Embora alguns procurassem forçar este estado por meios infligidos a si mesmos, tais como os profetas de Baal no monte Carmelo, o profeta verdadeiro sabia que não era sua própria realização. “Falou o SENHOR Deus, quem não profetizará?” (Am 3:8).

Taylor. John B,. Ezequiel. Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 110-111.

 

 

4- As ”raposas do deserto” (v.4).

 

Esse quadro é uma metáfora dos chacais em meio às ruínas em cidades e civilizações devastadas. Isso significa, na verdade, que eles estão sendo chamados de ”pro­fetas-chacais”. Essa linguagem é uma demonstração do caráter destrutivo e o perigo que os falsos profetas representam à nação, e hoje, à Igreja de Cristo (2 Co 11.3,4,13-15). Jeremias apresenta um duro discurso contra eles em Jerusalém (Jr 23.9-40). Os israelitas caminhavam para a ruína ao passo que eles deveriam se ajuntar aos profetas de Deus para ajudar a reparar ”a fenda da casa de Israel” (v. 5).

 

 

Comentário

 

 

A comparação com os chacais revela a ação destrutiva desses falsos profetas: Os seus profetas, ó Israel, são como chacais entre as ruínas, ou “raposas do deserto” (ARC). Essa associação dos chacais com ruínas aparece em outros lugares no Antigo Testamento (Is 13.22; 34.13; Jr 9.11; 10.22; 49.33; 50.39; 51.37; Ml 1.3). Mas Ezequiel emprega outra palavra para “chacal “ou “raposa”, shû‘āl, “um mamífero onívoro do gênero canis” 42 (Ne 4.3 [3.35 no Antigo Testamento hebraico]). O termo aparece também em Lamentações: “Pelo monte Sião, que está abandonado, vagueiam os chacais” (Lm 5.18). Esse quadro é uma metáfora dos chacais em meio às ruínas em cidades e civilizações devastadas. Isso significa, na verdade, que eles estão sendo chamados de “profetas-chacais”.

O profeta Jeremias apresenta um longo e duro discurso contra eles em Jerusalém (Jr 23.9-40).

A comparação dos falsos profetas com os chacais do deserto é uma demonstração do caráter destrutivo e do perigo que os falsos profetas representam à nação, e hoje à igreja de Cristo (2Co 11.3, 4, 13-15). Os discípulos desses falsos profetas e/ou falsos doutores (2Pe 2.1, 2) ainda estão por aí desencaminhando o povo e disseminando heresias. Devemos estar atentos a todos os movimentos estranhos que aparecem nas igrejas.

A denúncia continua: Vocês não foram consertar as brechas, nem fizeram muralhas para a casa de Israel. Essa linguagem metafórica mostra o completo desvio da função de um verdadeiro profeta. Os profetas eram ensinadores ungidos e escolhidos por Deus para instruir a nação a viver na presença de Javé, para tornar conhecida sua vontade e, também, para anunciar as coisas futuras (Nm 12.6; 1Rs 19.16; Jr 18.18). Deus levantou, preparou e inspirou profetas para admoestar Israel sobre o perigo da idolatria. Os profetas legítimos apresentavam Deus ao povo e desempenhavam o papel de reformadores religiosos ou patriotas, e não hesitavam em enfrentar até reis desobedientes à vontade de Deus (1Rs 18.18).

Esses homens de Israel lutavam contra a idolatria e zelavam pela pureza religiosa, justiça social e fidelidade a Deus. Sua mensagem devia ser recebida na íntegra por toda a nação (2Cr 20.20). No entanto, Javé está desapontado com esses falsos profetas que se escondem como chacais entre as ruínas, ao passo que deveriam consertar as brechas, como fizeram muitos profetas, mas eles se corromperam. Essa linguagem metafórica, consertar as brechas, significa que eles nada faziam para corrigir os defeitos do povo e instruí-lo nos caminhos de Javé.

A figura da muralha na frase: nem fizeram muralhas para a casa de Israel reaparece com leve diferença mais adiante (22.30). Isaías usa fraseologia com o mesmo enfoque (30.13). Era função do profeta ensinar o povo para protegê-lo da destruição pelos inimigos.

Mas nenhum deles se predispunha a cumprir a sua missão. A comunidade de Israel caminhava para a ruína, ao passo que eles deveriam se ajuntar aos profetas de Deus para ajudar a reparar a fenda da casa de Israel.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 66-67.

 

 

Os teus profetas… são como raposas entre as ruínas. As raposas no deserto “devastam os vinhedos” (Can. 2.15). Israel era o vinhedo (Sal. 80.8-15; Isa. 5.1-7; 27.2; Jer. 2.21). No deserto, as raposas têm pouco para comer e ficam vorazes e astutas, para devorar o restante da comida, antes que outro animal lhes roube a oportunidade. Os falsos profetas são raposas espirituais, prontos para destruir e devorar. Eles trabalham para a ruína, não para o bem, do povo. De fato, o falso profeta faz “das ovelhas” sua comida.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3228.

 

 

SINOPSE II

 

Assim como há profetas legítimos enviados por Deus, há falsos profetas provenientes da parte de Satanás

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

PROFETAS APÓSTATAS

 

”Em total descaso dos grandes princípios do concerto que eles tinham jurado cumprir, o povo de Deus havia tomado para si outros deuses e feito outras alianças. Não admira que o Senhor levantasse Ezequiel e outros profetas para confrontar o povo por essa apostasia. Para piorar as coisas, muitos dos próprios profetas conduziram ao caminho do declínio espiritual. É verdade que na maioria dos casos eles eram auto designados porta-vozes sem terem a mensa­gem do Senhor (Ez 13.1-7). Tinham tampado as rachaduras dos muros de segurança do concerto de Israel, muros que estavam em desintegração (v.10), anunciando paz onde não havia paz (v.16). Por fim, estes charlatões, com todos os instrumentos de adivinhação, seriam expostos ao que verdadeiramente são – cegos que guiam cegos – e caíram na arruína (vv.8,9,17-21)” (ZUCK, Roy. (Ed). Teologia do Antigo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp.401-02).

 

 

III – SOBRE A GERAÇÃO DAS MENSAGENS FALSAS

 

Israel já havia experimentado falsos profetas e opositores à obra de Deus, como Zedequias, filho de Quenaana, (1Rs 22.11,12,24,25). Mas a febre da crença em mentiras e em falsas profecias é semelhante ao interesse e à busca com avidez espantosa pelas mensagens falsas na atualidade.

 

 

1- O profeta no Antigo Testamento.

 

A palavra ”profeta”, quando se refere aos profetas legítimos, vem sempre acompanhada de um qualificativo que o identifica como tal, ”mensageiros de Deus, e desprezaram as suas palavras, e escarneceram dos seus profetas” (2 Cr 36.16); ”a qual dissera pelo ministério de seu servo Aías, o profeta” (1 Rs 14.18). Deus fala deles no Antigo Testamento usando a expressão ”meus servos, os profetas” (2Rs 9.7; 17.23; Jr 7.25).

A maioria deles era mal vista pelas autoridades corruptas que se apartaram da lei de Moisés. O povo de Deus foi e sempre será destratado pelo mundo. Jesus disse: ”Se o mundo vos aborrece, sabei que, primeiro do que a vós, me aborreceu a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso, é que o mundo vos aborrece” (Jo 15.18,19). A Igreja experimenta ainda esse desprezo no mundo inteiro.

 

 

Comentário

 

 

No AT hebraico são encontradas diversas palavras cujo significado preciso deve ser determinado mais pelo uso do que pela etimologia. Entre elas, aquela que ocorre mais frequentemente é nabi’. Vánas tentativas foram feitas pelos estudiosos para descobrir o significado etimológico dessa palavra (c f My Servants the Prophets, pp. 56-57), porém os resultados não foram satisfatórios. Entretanto, sua utilização comum mostra a força que possui. Dessa forma, em Deuteronômio 18.186, Deus afirma que o profeta (nabi’) declarara tudo que Ele lhe ordenar. Novamente, em Exodo 7.1, essa palavra tem o mesmo significado. Outras passagens são Êxodo 4.15,16; Jeremias 1.17a; 15.19 etc. Em todas elas, e na verdade através de todo o AT, a palavra nabi’ aparece como aquele que declara uma mensagem em nome de um superior.

No AT, não há nenhuma ênfase na maneira pela qual a divina revelação é recebida, mas sim sobre a proclamação da mensagem. A esse respeito, a religião divinamente revelada do AT é considerada como sendo de natureza bastante prática. Em muitas culturas pagãs, por outro lado, o que é proeminente é a maneira pela qual o vidente recebeu a mensagem.

Parece que não é a proclamação propriamente dita, mas o obscuro cenário de mistério que recebe a maior ênfase. Nesse ponto, o AT mostra um contraste muito grande com o mundo pagão. Não há dúvida de que a mensagem profética não é de origem humana, mas divina (2 Pe 1.20,21), e por essa razão o profeta do AT era diferente do adivinhador pagão ou vaticinador da Antiguidade. Enquanto o adivinhador poderia ter recebido sua “mensagem” ou presságios através de métodos de invenção humana, as palavras do profeta originam-se de sonhos e visões enviadas por Deus. Miquéias afirmava que estava cheio de poder – do Espírito do Senhor – para tornar conhecidos à nação de Israel os pecados que haviam praticado (Mq 3.8).

Duas outras palavras, ro’eh e hozeh, ambas particípios, dizem respeito àquele que vê, e são praticamente usadas como sinónimos.

Em ambas, a força recai sobre o método de receber a revelação, isto é, de ver. Ro’eh e hozeh eram homens que recebiam a mensagem que Deus lhes havia enviado. É difícil dizer se essa visão acontecia através dos olhos físicos, ou de uma visão, ou se a palavra poderia estar referindo-se a uma visão metafórica como um discernimento sobrenatural.

E possível que o vidente fosse simplesmente um homem que com seu “olho interior” enxergava a verdade que Deus lhe enviava.

Ao mesmo tempo, está claro a partir de uma comparação entre as principais passagens nas quais essa palavra ocorre (por exemplo, 1 Sm 9.9; Is 30.9,10) que ro’eh e hozeh eram porta-vozes de Deus. Sua função era a mesma do nabi’. Resumindo, podemos dizer que o profeta do AT, por qualquer nome que porventura lhe fosse designado, era aquele em cuja boca Deus havia colocado suas Palavras, e que transmitia essas preciosas Palavras ao povo.

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. 2 Ed. 2007. pag. 1607.

 

 

No Antigo Testamento

No trecho de Núm. 11:29, encontramos a declaração de Moisés em favor da liberdade que deve ser outorgada aos profetas. Ele desejava que todo o povo de Deus se compusesse de profetas. Ele não aprovou a tentativa de censura aos profetas. Com base nisso, podemos deduzir a idéia de que havia muitos que receberam o dom profético, embora somente os nomes de certos profetas nacionais tenham chegado a tornar-se familiares para nós. Podemos apenas supor que declarações extáticas eram comuns desde a história inicial do povo de Israel. Também houve videntes individuais que não eram figuras públicas de nota, mas que eram procurados para solução de problemas pessoais, sendo essa uma das funções secundárias dos profetas. O simples fato de que a palavra «profeta» ocorre por mais de trezentas vezes no Antigo Testamento mostra-nos a importância da função naquele contexto.

Abraão foi a primeira pessoa a ser chamada de «profeta» na Bíblia (ver Gên. 20:7). E Moisés foi o primeiro profeta nacional de Israel (ver Deu. 18:15-19). Então Moisés tornou-se uma espécie de modelo dos profetas de todos os tempos. Muitos rabinos chegaram a pensar que Jeremias fosse Moisés reencarnado. De acordo com tal tradição, os principais profetas voltariam para cumprir novas missões proféticas. Essa tradição também é exemplificada na doutrina acerca de Elias-João Batista. Observando esses fatos, podemos perceber a grande importância atribuída aos profetas, dentro da cultura hebréia.

Deus é quem prepara os profetas, conforme aprendemos em Êxo. 3:1-4:17; Isa. 6; Jer. 1:4-19; Eze. 1-3; Osé. 1:2; Amós 7:14,15; Jon. 1:1. Porém, um profeta falso pode ter a ousadia de autonomear-se (ver Jer. 14:14; 23:21).

A profecia provê uma espécie de consciência quanto à natureza da história. A noção hebréia da história era teísta. Yahweh era o poder que atuava por detrás da história de Israel, a força ativa de suas realizações. E os profetas desempenhavam um importante papel nesse processo. Ver Isa. 45:20-22; Éxo. 2:11 ss; Deu. 24:19-22. A própria lei mosaica foi dada por inspiração profética, cuja legislação governava toda a sociedade israelita, e serviu-lhe de guia na história.

Os Profetas-Estadistas. Descobrimos que alguns dos principais profetas da história de Israel aconselharam, ajudaram ou mesmo opuseram-se a reis. Com frequência eram perseguidos e foram martirizados, segundo Cristo frisou (ver Mat. 23:37). Jeremias foi um exemplo conspícuo de profeta perseguido e banido, caluniado de traição, como se fosse partidário da Babilônia opressora.

Os Sumos Sacerdotes como Profetas. Esperava- se que os sumos sacerdotes de Israel fossem capazes de profetizar. Ver sobre Sumo Sacerdote. Eles usavam o Urim e o Tumim (vide), que talvez fossem sortes ou pedras preciosas, mediante o que eles entravam em transe, sendo assim capazes de profetizar.

A Ordem Profética. Esta não foi abandonada à sua própria sorte. Havia toda uma instituição profética. Os profetas e os sacerdotes eram ambos líderes civis e religiosos na cultura dos hebreus. Isso foi oficializado nas posições ocupadas por Moisés e Aarão, e o ideal foi levado avante durante toda a história subseqüente de Israel. Foi feita a Moisés a promessa da perpetuidade do ofício profético em Israel (ver Deu. 18:9,15), que culminaria na pessoa do Messias, o maior de todos os profetas. Houve Moisés; então a sucessão dos profetas; então a fruição do ofício profético na pessoa de Jesus Cristo. Entre os dias de Josué e de Eli «as visões não eram frequentes» (I Sam. 3:1), o que significa que o ofício profético esteve em baixo nível. Mas esse ofício ressurgiu com os reis-profetas e com o aparecimento das escolas de profetas. Samuel, um levita da família de Coate (ver I Crô. 6:28), produziu um novo irrompimento da função profética e de reformas sociais (I Sam. 9:22). Não foi Samuel quem criou essa ordem, mas foi o instrumento de renovação do seu poder. Quanto às raízes da ordem profética, ver Deu. 13:1; 17:18; 18:20.

As Escolas dos Profetas. Essas surgiram nos dias de Samuel, e devido ao encorajamento que ele lhes deu. Ver I Sam. 19:18,20; II Reis 2:3,5; 4:38; 6:1. Essas escolas deram ao ofício profético um novo poder e perpetuidade.

A Inspiração Profética. A Bíblia ensina-nos que o Espírito Santo é o inspirador dos profetas (ver Núm. 11:17,25; I Sam. 10:6; 19:20; II Ped. 1:21). Os falsos profetas, por sua vez, falavam por iniciativa própria, de seu próprio ceração, de acordo com sua imaginação (ver Jer. 23:16; Eze. 13:3). Os modos de inspiração incluíam certas formas de adivinhação, conforme já foi mencionado. Ver o artigo intitulado Adivinhação. Mas também estavam envolvidos sonhos e visões (ver Núm. 12:6). Além disso, encontramos exemplos bíblicos de comunicação direta, mediante a voz divina, a Presença divina.

Os profetas adaptavam as suas mentes a condições favoráveis à recepção de revelações, como o transe (ver II Reis 3:15; I Sam. 10:5; I Crô. 25:1). Mas esse estado podia sobrevir subitamente, como nos casos de Paulo e de Pedro, no Novo Testamento. Algumas vezes, foram outorgadas visões das dimensões celestes, como nos casos de Isaías (ver Isa. 6) e de Paulo (ver II Cor. 12). Ver os artigos sobre Inspiração; Revelação e Misticismo. Tanto Isaías (ver Isa. 6:1) quanto Ezequiel (ver Eze. 1:1) «viram». Também havia o «assim diz o Senhor», a palavra de autoridade divina (ver Jer. 1:8,19; 2:19; 30:11; Amós 2:11; 4:5; 7:3). A palavra do Senhor «vinha» a homens impulsionados pelo Espirito (ver Isa. 7:3,4), inclusive pela voz exterior (ver I Sam. 3:3-9). Eram passíveis de receber revelações súbitas, algumas vezes de maneiras deveras estranhas (ver Núm. 22:31; II Reis 6:15-17).

Funções Proféticas. Vários itens do material exposto acima indicam essas funções. Oferecemos aqui um sumário: a. O recebimento de oráculos, privados ou particulares; b. o ofício didático acerca do pecado e da retidão (Isa. 58:1; Eze. 22:2; 43:10; Miq. 3:8), como também as atividades de pastoreio, consolação, aviso de juízo divino, chamada ao arrependimento (Isa. 40:1,2); c. o trabalho dos atalaias (Eze. 3:17; 33:7-9), como também a obra de um embaixador, dentro e fora de Israel (a mensagem gerai do livro de Jonas), o que incluía o evangelismo;

apesar dos profetas não serem sacerdotes no sentido pleno da palavra, o caso de Samuel mostra que eles também podiam desempenhar funções sacerdotais (ver I Sam. 16:6-13); e. o trabalho de conselheiros de reis e outros oficiais civis (II Sam. 7:3-16), o que dava aos profetas uma função própria de estadistas; f. os profetas derivavam de Moisés as suas funções, dando continuidade ao ofício profético, conferindo assim ao povo de Israel a consciência de ser um povo impar, preservando a identidade nacional (controlada pelas instituições santas e pelas leis escritas: — Isa. 45:20-22; 60:3; 65:25; £xo. 2:11 ss; Deu. 24:19-22; Miq. 5:4). Ver o décimo primeiro ponto, abaixo, no que concerne à importância da função profética quanto à literatura.

Os Profetas e as Escrituras. Os profetas foram os principais instrumentos usados por Deus para a redução das revelações divinas à forma escrita—as Sagradas Escrituras. Essa era uma função especial revestida de importância capital, porquanto dava ao oficio profético uma função que ultrapassava em muito aos limites da nação de Israel, tendo produzido um dos mais notáveis documentos espirituais do mundo, o Antigo Testamento. Costuma-se falar em profetas maiores e profetas menores, sobre cujo assunto damos artigos separados nesta enciclopédia. O Pentateuco (os primeiros cinco livros da Bíblia) foram produzidos por Moisés, o primeiro dos grandes profetas, talvez chegado às nossas mãos pela instrumentalidade de vários editores, redatores e outras pessoas que adicionaram certas porções. Muitos dos salmos de Davi têm natureza profética.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. 11 ed. 2013. pag. 424-425.

 

 

O profeta emprega duas figuras de linguagem para descrever uma maneira perversa na qual seus profetas levaram avante seus trabalhos. A primeira maneira é comparando-os com chacais no meio das ruínas. A imagem é perfeita dada a freqüente associação desses animais, de bando, noturnos e carniceiros e com as cidades devastadas e as civilizações devastadas.” Ezequiel não dá uma interpretação da símile, mas a figura convida os ouvintes a imaginar Israel como uma sociedade em ruínas. Em vez de ajudar a reconstruir a nação, os falsos profetas enfatizam sobre a devastação.

A segunda figura oferece uma imagem diferente de destruição: as fortificações ao redor da casa de Israel se deteriorarão. A metáfora compara Israel a uma vinha, ou um campo, que normalmente seria protegida de saqueadores humanos e animais por uma parede (gãdér). Quer construído de pedras soltas quer com argamassa, pelo abandono, a parede rapidamente se deterioraria. Quando apareciam brechas (pèrõsôt), uma ou duas reações eram requeridas daqueles responsáveis pela segurança da propriedade: ou ir e ficar em pé na brecha, afastando qualquer intruso, ou reparar o muro.

No dia de Yahweh. Num estilo característico ezequieliano, o profeta sacode sua audiência ao mudar a nuança da parede. No versículo 5b, Israel não é mais a vinha protegida por uma cerca de pedras; ela é uma cidade cercada. Isto pode ser boa-nova; as más notícias são que o inimigo não é somente o exército de algum reino terreno, mas o próprio Yahweh.“

Essas imagens lidam com o entendimento comum que o papel do profeta era de manter as defesas espirituais da comunidade de Israel. De acordo com 20.29-30 isto deveria ter sido feito ao rogar por uma revitalização espiritual e moral. Mas esses profetas, que se autosserviam, negligenciavam suas responsabilidades sociais. Em vez de se colocarem em pé na brecha ao anunciar o mal, e reconstruírem o muro ao rogar pela renovação das relações do pacto no qual a verdadeira segurança deveria ser encontrada, ficavam remexendo as ruínas com intenção de tirar o maior proveito possível para eles. Como resultado, Yahweh, o Deus patrono de Israel, tornou-se o inimigo mais terrível deles.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel. Editora Cultura Cristã. pag. 379-380.

 

 

2- Os portadores de mensagens falsas (vv.6-8).

 

Deus revelou a Ezequiel as fraudes divulgadas pelos falsos profetas. Eles se posicionam como porta-vozes de Deus e se apresentam como enviados por Deus. Javé não os enviou e a mensagem que eles anunciam ao povo é ”adivinhação mentirosa” (vv. 6,7,9). Isso porque eles desencaminhavam o povo com notícias falsas, não somente sobre a verdade de Javé, mas também sobre assuntos políticos, militares e administrativos da nação (1 Rs 22.11,12; Jr 28.1-5). Essa mensagem desestruturava toda a sociedade, como as mensagens falsas de hoje. A mentira, e o oposto da verdade; trata-se da prática do engano, da falsidade e da traição. No contexto bíblico, a mentira vai além da prática intelectual da desonestidade, é uma distorção do verdadeiro eu e da nossa relação com Deus e o próximo (1Jo 2.4; 4.20).

 

 

Comentário

 

 

Deus revelou a Ezequiel as fraudes divulgadas pelos falsos profetas: As visões que eles tiveram são falsas e as adivinhações são mentirosas. Agora, Ezequiel deixa de lado as metáforas e se dirige a esses falsos profetas numa linguagem literal e direta. A palavra profética já havia tratado desse assunto antes, quando anuncia o fim das falsas visões (12.24). Eles se posicionam como porta-vozes de Deus, apresentam-se como enviados por Deus; porém, visto que Javé não os enviou, quando o Senhor não os enviou, a mensagem que eles anunciam ao povo é uma mentira, “adivinhação mentirosa”. E ainda esperam que a palavra se cumpra!

Antônio Neves de Mesquita diz que esses homens são “uma espécie de funcionários públicos assalariados para dizerem só o que agradava ao povo, com o desprezo do que diziam os profetas verdadeiros”. Ele afirma, em seguida, que se trata de homens “sem convicções religiosas, apenas desejando agradar aos que dominavam, constituíam-se em entrave aos verdadeiros enviados de Deus”.

Os falsos profetas desencaminhavam o povo com notícias falsas não somente sobre a verdade de Javé, mas também sobre assuntos políticos, militares e administrativos da nação (1Rs 22.11, 12; Jr 28.1-5). Essa mensagem desestruturava toda a sociedade. O profeta reitera o fato de que as visões são falsas. O que eles estão anunciando é um discurso mentiroso, quando disseram: “O Senhor diz”, sendo que eu não disse nada? Jeremias lutou muito contra esses anunciadores de mentiras que se autoproclamam indevidamente mensageiros de Javé (Jr 14.14, 15).

Javé explica a razão de estar contra os falsos profetas: Como vocês anunciam falsidades e têm visões mentirosas, por isso eu estou contra vocês. A sentença contra esse tipo de obreiro fraudulento já vinha desde Moisés (Dt 13.1-5; 18.20-22). Era crime falar em nome de Javé sem que ele o tivesse autorizado, mas parece que isso não intimidava os falsos profetas, que se sentiam protegidos pelos governantes. Eles contavam com a proteção do Estado, pois seus discursos agradavam as autoridades e a maior parte do povo, e, às vezes, eram até mesmo encomendados pela corte. O por isso é em hebraico lākhēn, que significa “por isso, por essa razão, portanto”, indica a transição da acusação para o anúncio do castigo. Esse é julgamento é por causa das visões mentirosas e profecias falsas. O discurso é uma reafirmação de sua fundamental oposição com o uso daquela tradicional fórmula de autoridade divina: assim diz o Senhor Deus.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 67-68.

 

 

Tiveram visões falsas e adivinhação mentirosa. A variedade de enganos: 1. O que eles falavam era falso, às vezes mentiras desgraçadas e propositais. 2. Eles tinham falsas visões que consideravam mensagens de Yahweh. 3. Sabiam que as falsas visões eram fruto de sua imaginação. 4. Falaram de visões que eram meramente produtos de “desejo”, como o são a maioria dos sonhos humanos. O que nós realmente queremos, nossos sonhos nos dão, no nosso mundo imaginário da noite. 5. Suas visões eram “esperanças” de seu coração, não realidades do mundo objetivo. Suas palavras facilmente enganaram o povo que quis ser enganado.

Judá já era uma nação perdida na idolatria-adultério-apostasia. Eram ovelhas do diabo que não resistiram aos profetas do diabo. Em alguns casos, os falsos profetas eram vítimas de auto-engano, e seus discípulos se tornaram cópias dos mestres.

Não tivestes visões falsas… quando dissestes: O Senhor diz, sendo que eu tal não falei? Para certos intérpretes, este versículo afirma que algumas visões dos falsos profetas eram reais. Aqueles profetas, realmente, sob certas circunstâncias, receberam uma previsão do futuro. Suas visões eram pervertidas e mal aplicadas e terminaram prejudicando o povo, em vez de ajudá-lo. Outros intérpretes veem aqui simplesmente mais uma referência às visões falsas e enganadoras, desprovidas de qualquer valor. Yahweh, de toda a maneira, não os intuiu em suas visões, verdadeiras ou falsas.

Sincretismo Doentio. Aqueles falsos líderes religiosos desenvolveram um sincretismo doente, no qual Yahweh era misturado a outros deuses, em uma “salada nojenta”. Eles abandonaram as velhas tradições, produzindo sua “nova religião”.

Ilusão e Auto-engano. Estudos psíquicos têm derríonstrado claramente que a psique humana é capaz de produzir ilusões visuais e auditivas. O cérebro-mente produz um mundo ilusório, que é perfeitamente real para seu criador. Um experimento colocou uma pessoa em uma cápsula, dentro de água. As percepções dos sentidos ficaram severamente limitadas. Dentro de 24 horas, as pessoas sujeitas a esta privação das percepções alucinam, criando um mundo mental. Este mundo é perfeitamente real para seus criadores. Tais pessoas podem facilmente acreditar em suas próprias profecias e visões falsas, e logo passam a ter discípulos que fielmente acreditam naquilo tudo. Ver II Tes. 2.11.

Eu sou contra vós outros, diz o Senhor Deus. Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno) declara-se contra a farsa e as falsificações dos falsos profetas. O julgamento divino irá abatê-los e isto acontecerá com todos os homens reprovados de Judá. Eles gritavam “paz e prosperidade”, mas seus gritos não funcionariam como defesa no dia da calamidade. Suas falsas profecias de paz não os protegeriam no dia da crise; eles seriam vítimas do exército babilónico. Seriam mortos na matança generalizada. Cf. Apo. 2.16. Eles ajudaram a promover a desintegração moral e espiritual do povo, que traria o fim da nação. O exército babilónico cometeria genocídio.

Senhor Deus. O título divino utilizado aqui implica que Yahweh tinha a capacidade e a vontade de acabar com a raça dos falsos líderes religiosos. Yahweh faria uma intervenção. Adonai-Yahweh, o Soberano, é o título mais comum de Deus, usado 217 vezes neste livro, enquanto no restante do Antigo Testamento ocorre somente 103 vezes.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3229.

 

 

Ezequiel abandona as metáforas e vai em direção ao ataque contra os falsos profetas. Estilisticamente falando, estes versículos são repetições, e a altemação do discurso de terceira para um discurso de segunda pessoa é uma distração. No entanto, o contraste entre a realidade e a pretensão é claro. Os profetas tiveram visões vazias e adivinhações enganosas (hãzú sãw’ wéqesem kãzãb), e então selaram seus pronunciamentos com o imprimatur de Yahweh. Ao concluir suas afirmações com a fórmula signatária declaração de Yahweh {nè’um yhwh), afirmaram publicamente a autorização divina por um lado, enquanto procuravam obrigar Deus a cumprir suas proclamações, por outro lado.

A última afirmação do versículo 6 contém duas formas raras. A primeira, wéyihãlú, representa a única ocorrência da forma Piei de yhl, “esperar, aguardar”, em Ezequiel (o Nifal ocorre em 19.5), usado aqui quanto a uma antecipação esperançosa. ”O infinitivo, lêqayyèm, é um neologismo, a forma Piei mais antiga comprovada de qwm. No hebraico bíblico o método padrão de escrever um juramento, pacto, voto, ordem, palavra, plano, ou promessa tem sido: “levar avante, colocar a efeito”, com uso do Hiphil de qüm. Aqui, Ezequiel cria outra expressão para expor uma ideia falaciosa: não se pode manipular Yahweh simplesmente com o uso de sua assinatura no final do pronunciamento, como se o próprio imprimatur possuísse algum poder semimágico.

No versículo 7 Ezequiel reitera os temas básicos do versículo 6, mas muda a construção para fazer que sua mensagem chegue ao seu destino. Ao transformar uma afirmação descritiva numa questão retórica, e ao mudar da terceira para a segunda pessoa do discurso direto, força seus ouvintes a interagir com suas acusações. Este oráculo é sobre eles! É o pronunciamento deles que foi caracterizado como vazio e enganador.” Podem forjar um selo de Yahweh em suas próprias afirmações, mas isto não irá mascarar a futilidade ou a falta de autoridade pessoal dos que se intitulam profetas. Yahweh não os comissionou (v. 6), nem mesmo falou com eles (v. 7). Em resumo, o problema de Ezequiel com os falsos profetas não é simplesmente que oferecem esperança ao profetizarem paz (ele mesmo o fará), mas que pelo fato de não serem enviados de Yahweh, pregam uma mensagem errada num momento errado.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel. Editora Cultura Cristã. pag. 380-381.

 

 

3- A ira de Deus contra os falsos profetas (v.10).

 

A sentença contra eles vinha desde Moisés (Dt 13.1-5; 18. 20-22). Falar em nome de Javé sem que Ele tivesse autorizado era crime, mas parece que isso não intimidava os falsos profetas porque se sentiam favorecidos pelos governantes. Eles contavam com a proteção do estado, pois seus discursos agradavam às autori­dades e a maior parte do povo, e às vezes, eram até mesmo encomendados pela corte.

Na época, eram funcionários públicos (Ez 13.19). Os discípulos desses falsos profetas e/ou falsos doutores (2 Pe 2.1,2) ainda estão por aí desencaminhando o povo e disseminando heresias. Devemos estar atentos a todos os movimentos estranhos que aparecem nas igrejas.

 

 

Comentário

 

Nessa seção, o julgamento de Javé contra os falsos profetas é reiterado com mais detalhes e intensidade. A acusação é específica e mais enfática e cheia de metáforas. Começa afirmando que eles andam enganando, sim, enganando o meu povo, anunciando ‘Paz’ quando não há paz. Os embusteiros da Babilônia reproduziam os mesmos discursos dos que estavam em Jerusalém (Jr 6.14; 8.11; 14.13, 14; 23.17). Miqueias já havia profetizado também contra eles antes (Mq 3.5). Esses enganadores usavam indevidamente o nome de Javé, apresentando-se como seu enviado, e na verdade suas mensagens eram visões inventadas para agradar ao povo com falsas esperanças de que o fim do cativeiro estava próximo. Eles são identificados como rebocadores de paredes ou de muralhas. A metáfora da parede sem argamassa, os profetas a cobrem com cal fala de uma construção malfeita com material de baixa qualidade, que não resiste à chuva nem ao vento.

Essa linguagem se refere ao discurso enganoso de destruição espiritual; em vez de edificar, eles fizeram um estrago muito grande em Israel, levando falsa esperança para o povo (22.28).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 70-71.

 

 

O povo deveria ter-se ocupado na construção de muros morais e espirituais, mas os profetas mentirosos distraíram a mente deles de tais tarefas. Isto deixou o povo sem as defesas necessárias para enfrentar a ameaça babilónica. Os muros morais e espirituais eram cheios de brechas. A mensagem dos falsos profetas, de “paz e prosperidade no nosso tempo”, escondeu as brechas. Os muros estavam caindo aos pedaços e ninguém percebeu. Cf. Jer. 6.14 e 8.11. Muitas vezes o “trabalho” de homens supostamente “espirituais” esconde situações ruins, em vez de revelá-las e transformá-las. A igreja de hoje é extremamente corrupta, seus “muros” são uma massa de escombros. A música do diabo diverte o povo, enquanto o espírito morre de fome.

Argamassa Fraca. Este tipo de material esconde os defeitos, mas não acrescenta força. A declaração “paz e prosperidade” não era um tijolo forte, mas fraco. O “material” daqueles depravados era uma farsa.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3229.

 

 

A força da determinação de Yahweh de lidar com falsos profetas se reflete na introdução enfática das acusações. Agora as acusações se tornaram específicas. Em princípio, Yahweh havia acusado o grupo falso por fazer pronunciamentos vazios e enganosos, agora ele é acusado de um crime social: levar o povo a se desviar. hit^ú é uma forma Hiphil aramaizada de derivada do hebraico mishinaico substituindo o bíblico, “desviar-se”.

A expressão evoca imagens de um pastor que em vez de guiar seu rebanho ao pasto e à segurança faz que se perca. Ao tomar uma metáfora mais comumente associada com uma liderança política Ezequiel colocou a responsabilidade para o conflito do povo de Yahweh {‘^ammi) precisamente sobre os ombros dos falsos profetas. No entanto, em vez de guiá-los a pastagens autênticas e ao descanso, os tem alimentado com afirmações vazias de paz. Eles têm, intencionalmente, enganado para um sentido falso de segurança com seus pronunciamentos de sãlôm, “bem-estar, salvação”.

Ezequiel não comenta o conteúdo de suas mensagens, mas os impostores exílicos eram, sem dúvida, como papagaios repetindo as mensagens proclamadas pelos que estavam em Jerusalém (Jr 6.14; 8.11; 14.13-14; 23.17). Jeremias, especificamente, denuncia Ananias por predizer um colapso iminente da Babilônia (28.1 – 11), que significaria libertação e salvação para a nação, o retomo dos exilados, e a manhã de uma nova era de paz e prosperidade. Tais mensagens produziram uma complacência ilusória entre a nação. Fingir que tudo estava bem quando a nação estava à beira do colapso espiritual, moral e político não mudaria a realidade.

Para ilustrar os efeitos enganadores de suas atividades, Ezequiel introduz uma nova metáfora. O que está acontecendo na casa de Israel pode ser comparado com a maneira como algumas pessoas constroem casas. Primeiro, as paredes são fracas, talvez por causa do barro usado nos tijolos, um barro de baixa qualidade, ou os tijolos não têm fibra suficiente para segurar o barro, a argamassa é deficiente. Mas em vez de corrigir os defeitos dos fabricantes do tijolo e dos pedreiros, tão logo os muros se erguiam, outros trabalhadores vinham e cobriam todas as evidências da baixa qualidade usando massa.

A palavra para massa, tãpêl, é rara e tem sido interpretada principalmente como “saliva”,™ “qualquer coisa que careça de um ingrediente essencial”, neste exemplo argamassa sem o ingrediente orgânico essencial para dar liga;” uma variante de tãpal, “rebocar, espalhar”, que se encaixa com o verbo tüah, “rebocar, cobrir, espalhar sobre”, associado com tãpêl por toda essa passagem (vs. 10-12, 14-15) e a afirmação paralela em 22.28; um cognato de tiplâ “vaidade”.’^ Enquanto os profetas do século 6» encontraram especialmente na palavra tpl uma expressão apropriada para falsos profetas, aqui Ezequiel parece ter se baseado em Jeremias, que condenou os profetas enganadores de Samaria usando tiplâ, porque “levaram meu povo para lugares errados”’“ ao profetizarem por Baal. É de especial ensino o texto de lamentações 2.14, que, talvez sobre influência de Ezequiel,’* fala de profetas tendo visões {hãzú) “vazias” (sãw’) e “futilidades” (tãpêl). Ezequiel oferece sua própria explicação do termo em 22.28: “eles espalharam (tãhú) tãpêl para eles, vendo o vazio (sãw’) e adivinhando falsidade (qõsêmtm kãzãb) para eles”.

Taylor. John B,. Ezequiel. Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 384-385.

 

 

SINOPSE III

 

No AT, a palavra profeta: quando se refere ao legítimo, aparece com a expressão qualificativa tal como ”mensageiro de Deus”.

 

 

CONCLUSÃO

 

O apóstolo Pedro deixa claro que onde há o verdadeiro há também o falso como aconteceu em Israel entre os profetas e isso haveria de acontecer também na igreja (2Pe 2.1). O boato é a propagação de uma notícia infundada, não oficial e de fonte desconhecida. O contexto mostra que divulgar informação enganosa é associação com o ímpio para se tornar falsa testemunha. Mesmo as coisas triviais do dia a dia podem terminar na justiça, pois elas destroem a reputação de qualquer pessoa.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Qual era a sentença para os falsos profetas segundo a lei de Moisés?

Profetizar falsamente era crime em Israel sob pena de morte co11forme a lei de Moisés (Dt 13.1-5; 18.20-22).

 

2- Qual a palavra grega empregada na Septuaginta para os falsos profetas?

A Septuaginta emprega a palavra grega pseudoprophêtês, “falso profeta” (Jr 6.13; Zc 13.2). É a mesma palavra usada pelo apóstolo Pedro (2 Pe 2.1).

 

3- O que indica o emprego metafórico da expressão “raposas do deserto”?

É uma metáfora dos chacais em meio às ruínas em cidades e civilizações devastadas. Isso significa, na verdade, que eles estão sendo chamados de “profetas-chacais”.

 

4- Por que os falsos profetas não se intimidavam em seu ofício em relação à lei?

Eles contavam com a proteção do estado, pois seus discursos agradavam às autoridades e a maior parte do povo, e às vezes, eram até mesmo encomendados pela corte. Eram na época funcionários públicos (Ez 13.19).

 

5- Onde estão os atuais discípulos dos falsos profetas e o que estão fazendo?

Eles ainda estão por aí desencaminhando o povo e disseminando heresias.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022  

 

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