6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

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TEXTO ÁUREO

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor.”(Hb 12.14)

VERDADE PRÁTICA

Santificação é especialidade do Espírito Santo; ela é instantânea e ao mesmo tempo progressiva, pois acompanha o crescimento espiritual do crente.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – 1 Sm 2.2 Nenhum atributo divino é tão solenizado nas Escrituras como a santidade de Deus

Terça – 1 Ts 5.23 O Deus que santifica o espírito, a alma e o corpo

Quarta – Ef 5.25-27 O Senhor Jesus é o santificador da igreja

Quinta – Rm 15.16 O Espírito Santo é o que santifica, pois Ele é santo em si mesmo

Sexta – 1 Co 6.11 A obra da santificação é realizada pelo Filho e pelo Espírito Santo

Sábado – Ap 15.4 Somente Deus é santo em si mesmo

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OBJETIVO GERAL

Mostrar o quanto devemos estar comprometidos com a ética do Espírito.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apresentar a santificação no Antigo Testamento;

Explicar a santificação no Novo Testamento;

Aplicar o exemplo de santificação à vida dos alunos.

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

1 Pedro 1.13-23

13 – Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios e esperai inteiramente na graça que se vos ofereceu na revelação de Jesus Cristo,

14 – como filhos obedientes, não vos conformando com as concupiscências que antes havia em vossa ignorância;

15 – mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver,

16 – porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

17 – E, se invocais por Pai aquele que, sem acepção de pessoas, julga segundo a obra de cada um, andai em temor, durante o tempo da vossa peregrinação,

18 – sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais,

19 – mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,

20 – o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós;

21 – e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus.

22 – Purificando a vossa alma na obediência à verdade, para caridade fraternal, não fingida, amai-vos ardentemente uns aos outros, com um coração puro;

23 – sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.

HINOS SUGERIDOS: 247, 363, 455 da Harpa Cristã

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INTERAGINDO COM O PROFESSOR

O tema da santificação, infelizmente, muitas vezes é desenvolvido numa perspectiva negativa, e perde-se a glória e a beleza que o assunto reflete.

É preciso enfatizar que a vida de santidade está amparada na glória de Deus. O Deus santo nos separou, nos tomou para Ele. Não há outra opção, não podemos dividir sua glória, pois Ele não a dá a outrem. Assim, santidade é a capacidade de viver aqui na Terra de modo que enalteça o nosso Deus. Quem experimenta verdadeiramente o novo nascimento não se contenta em viver de maneira menos elevada do que preceitua o santo Evangelho.

Fomos chamados para ser embaixadores do Reino de Deus. Representamos um reino glorioso, majestoso e amoroso. Não há como desejar nada inferior a isso.

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INTRODUÇÃO

Deus é absolutamente santo; Sua santidade é infinita e inigualável; Ele é santo em si mesmo, em sua essência e natureza (Ap 15.4). Sua vontade é que os crentes reflitam esse caráter de santificação no seu modo de vida. Vamos estudar, então, o que é ser santo e a necessidade de se ter uma vida santa.

COMENTARIOS:

O cântico dos vitoriosos é também o “Cântico do Cordeiro”, porque Ele é o juiz de todos os inimigos do povo de Deus. E um cântico que tanto os santos do Antigo Testamento como os do Novo hão de cantar. O cântico chama atenção primeiramente para a identidade de Deus, e para a natureza de suas obras. Ele é o mesmo El Shaddai (“Senhor Todo-poderoso”) que se revelou a Abraão, e que tem continuado poderosamente a executar e a cumprir suas alianças e promessas no transcorrer dos séculos. Seus caminhos, tanto como seus atos, são “justos e verdadeiros”. Até seus atos de juízo revelam seu caráter santo, e sua justiça genuína. O salmista Davi declarou: “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos, e santo em todas as suas obras…

HORTON. Stanley. M. Serie Comentário Bíblico Apocalipse As coisas que Brevemente devem acontecer. Editora CPAD.

Acrescenta-se uma tríplice justificativa. Pois só tu és santo (―devoto‖). Na maioria das passagens em que ocorre, esta palavra (hósios) é relacionada com a atitude das pessoas que se evidenciam como consagradas a Deus e fiéis à lei. Aplicada a Deus, ela somente pode ter o significado de que Deus é fiel a si próprio e está pronto para preservar de forma extraordinária a sua divindade. No final ele é Deus intocável, e precisamente somente ele (Sl 86.10). Esse pensamento da soberania exclusiva reconquistada por Deus determina todas as afirmações. Ela constitui o alvo dos milagres e caminhos de Deus.

Adolf Pohl. Comentário Esperança Apocalipse. Editora Evangélica Esperança.

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PONTO CENTRAL

É preciso ter uma vida santa, estar comprometido com a ética do Espírito.

I – A SANTIFICAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO

A santidade de Deus se originou nEle mesmo; ela é a plenitude gloriosa de sua excelência moral. Essa verdade é revelada desde o Antigo Testamento. Deus exige santidade de seu povo porque Ele é santo. Os antigos hebreus levavam a santidade a sério.

1. A santificação.

A ideia predominante de santificação ou santidade no Antigo Testamento é de separação tanto de pessoas como de lugares e coisas para o serviço sagrado. Separar daquilo que é comum ou imundo: “para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10). O profano é alguém que se mostra indiferente no que diz respeito ao sagrado (Ez 22.26). O verbo hebraico qadash, “ser santo, ser santificado, santificar, ser posto à parte”, é o mais usado no Antigo Testamento, aparece 830 vezes, incluindo os seus derivados, e cuja ideia central é separar do uso comum para o serviço de Deus, consagrar (1 Sm 7.1).

COMENTARIOS:

O termo hebraico kadash envolve as ideias de separar, consagrar, tornar santo, mostrar que algo é santo. O vocábulo grego agiázo significa “separar” (para algum uso sagrado), “santificar”, “dedicar”, “reverenciar”, “purificar”, “tratar como santo”. Ver o artigo separado sobre a Santificação. Os sinônimos encontrados na Bíblia, que se referem ao ato de santificar e à santificação, são: consagrar, devotar, dedicar, reverenciar. A ideia de separação sagrada com frequência faz parte inerente do termo.

Coisas Santificadas:

1. Oferendas. Ofertas especiais de vários tipos eram apresentadas pelos sacerdotes, as quais eram consideradas santas (Êxo. 28:38). Os dízimos eram santificados para uso dos sacerdotes (Núm. 18:29). Os indivíduos ritualmente imundos eram separados dos adoradores, visto que não haviam cumprido os requisitos da santificação cerimonial (Lev. 22:3).

2. Edifícios. Lugares dedicados à adoração e ao serviço a Yahweh eram reputados lugares santos (Lev, 16:19). Isso era aplicado até aos lugares que eram temporariamente estabelecidos com essa finalidade (I Reis 8:64). O tabernáculo e o templo, com todos os seus imóveis e utensílios, também eram considerados santos (Exo. 20:8-11; Eze. 20:20).

3. Ocasiões Especiais. Festas e festivais eram períodos separados para a adoração a Yahweh e para a celebração de eventos especiais. Isso incluía o ano do jubileu (ver a respeito), celebrado a cada 50 anos (Lev. 25:1O).

O sétimo dia de cada semana era santificado, dedicado à adoração ao Senhor (Gên, 2:3; Eze. 20:20).

4. Os Sacerdotes. Arão e seus filhos foram originalmente consagrados às funções sacerdotais. E então os seus descendentes continuaram a tradição. Ver Êxo. 29. Cristo pós fim ao antigo tipo de oficio sacerdotal, quando se tomou o nosso grande Sumo Sacerdote (Heb. 9: 11). Deus se consagrava por amor ao seu povo (João 17:19). Agora, todos os crentes formam uma raça eleita, um sacerdócio real. Deles é requerido que se santifiquem, não menos que os sacerdotes originais (I Ped. 2:9).

5. Deus. O nome do Senhor deve ser considerado santo por todo o seu Povo (Lev. 22:32). Ele não é santificado somente em relação à doutrina, mas, acima de tudo, através dos atos e formas de adoração de seu povo. Jesus declarou, na oração do Pai Nosso: ” … santificado seja o teu nome.;” (Mal. 6:9).

6. Os Crentes do Novo Testamento. Já vimos no quarto ponto, que todos os crentes são sacerdotes, dentro da dispensação do Novo Testamento. O trecho de Rom. 12:1,2 refere-se especificamente à necessidade de o crente viver separado da maneira de viver do mundo, inteiramente dedicado ao Senhor, mediante a renovação de seus hábitos mentais. Vero artigo geral sobre a Santificação.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 6. Editora Hagnos. pag. 87.

SANTIFICAÇÃO

Palavra derivada do lat. sanctus; do verbo heb. qadash, “ser separado, consagrado”; do substantivo grego hagiasmos, “consagração”, “purificação”, “santificação”; do verbo hagiazo, “santificar”, “separar das coisas profanas ou consagrar”, “purificar ou santificar”.

O breve catequismo de Westminster define a santificação como “a obra da livre graça de Deus, pela qual somos renovamos na totalidade de nosso ser, conforme a imagem de Deus, e nos tornamos cada vez mais capacitados a morrer para o pecado e viver para a justiça”. Esta definição, no entanto, apesar de útil ao chamar a atenção à graça soberana de Deus, assim como à responsabilidade de cada cristão, tende a confundir a regeneração com a santificação. As principais ideias relacionadas à santificação são a separação daquilo que é pecaminoso, por um lado, e, por outro, a consagração àquilo que é justo e que está de acordo com a vontade de Deus. A Santificação precisa ser distinguida da justificação.

Na justificação, Deus atribui ao crente, no momento em que recebe a Cristo, a própria justiça de Cristo, e a partir de então vê esta pessoa como se ela tivesse morrido, sido sepultada e ressuscitada em novidade de vida em Cristo (Rm 6.4-10). É uma mudança que ocorre “de uma vez por todas” na condição legal ou judicial da pessoa diante de Deus. A santificação, em contraste, é um processo progressivo que ocorre na vida do pecador regenerado, momento a momento. Na santificação ocorre uma cura substancial da separação que havia ocorrido entre Deus e o homem, entre o homem e os seus companheiros, entre o homem e si mesmo, e entre o homem e a natureza.

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1762.

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2. A consagração.

O termo “consagrar” significa investidura de funções sagradas, em outras palavras, é dedicar-se ao serviço de Deus, e isso pode ser pessoas, coisas ou possessões (Lv 27.28,29). Consagração e santificação são termos distintos, mas podem significar a mesma coisa dependendo do contexto: “que façam vestes a Arão para santificá-lo” (Êx 28.3) ou: “que façam vestes para Arão para consagrá-lo” (Nova Almeida Atualizada). O verbo hebraico para “consagrar” é o mesmo para “santificar, ser santo”. Trata-se de uma exigência justa e necessária para os sacerdotes levitas (Êx 30.30) e para o tabernáculo com todos os seus utensílios, pois se baseiam na santidade de um Deus santo: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos” (Is 6.3).

COMENTARIOS:
CONSAGRAR, CONSAGRAÇÃO
1. Uso geral.

Como crentes, somos convidados a dedicar ou consagrar as nossas vidas a Jesus Cristo, como parte natural de nossa inquirição espiritual.

A palavra consagrar vem do latim consecrare, formado por con, «inteiramente», e sacer, «santo». Portanto, «consagrar» e santificar são sinônimos. Os termos hebraicos usados no Antigo Testamento incluem as ideias de separação de algum uso comum ou profano e de separação para o serviço divino. Coisas e pessoas eram separadas para o serviço divino, ou seja, eram consagradas. Nessa separação há uma aceitação das coisas e das pessoas, em suas novas funções. Assim, Aarão e seus filhos usavam vestes especiais, em suas funções sacerdotais, corno sinal de sua aceitação e consagração (Êxo, 29:29,33,35). Animais também eram consagrados, conforme vemos em Êxo, 29:22, 31,34. Outro tanto no caso das ofertas movidas (Lev. 8:27,28), e nas oblações de cheiro suave (Lev. 8:28).

No Novo Testamento. As palavras gregas empregadas são: 1. Egkainizo, «dedicar; 2. teleióo, «completar» e’ 3. agiázo, «santificar», A primeira delas encontra-se em Heb. 9:18 e 10:20, em conexão com o novo e vivo caminho aberto pelo Senhor, dando acesso aos lugares e privilégios celestiais. Ele abriu e consagrou para nós esse novo caminho. Essa palavra pode significar «renovar», «inaugurar», «dedicar». O substantivo é usado para indicar a ideia de rededicação, como por exemplo, a purificação e rededicação do templo de Jerusalém, pelos Macabeus (I Macabeus 4:36·39). A segunda delas tem o sentido primário de «completar», «realizar», «levar a termo», «aperfeiçoar». Essa palavra grega era usada no vocabulário das religiões misteriosas para indicar iniciação e consagração. Aparentemente, é com base nesse uso técnico que o Novo Testamento aplica o vocábulo à consagração e iniciação de alguém em um oficio qualquer. Em Hebreus 7:28, teleióo é usada para descrever como o Filho de Deus, o nosso Sumo Sacerdote, foi aperfeiçoado em seu oficio e função.

Sua eterna dedicação a esse oficio, fica assim salientada.

A terceira dessas palavras, agiázo, «santificar», «reconhecer como qualificado», é usada, por exemplo, em João 10:36; 17:17,19; I Cor. 7:14; I Tim. 4:5; II Tim. 2:21. Quando é aplicada a Jesus, a ideia envolvida é a de perfeita dotação de graça e de verdade, juntamente com a ideia de autodedicação de Jesus à sua obra remidora. No tocante a seus discípulos, o termo indica o fato de que foram separados e consagrados para essa função. Quando aplicado aos alimentos, o vocábulo indica que os mesmos são purificados para o consumo humano. No tocante ao cônjuge incrédulo, no caso de um casamento misto, o termo aponta para a legitimidade desse relacionamento.

Jesus foi aperfeiçoado quanto à sua natureza humana e quanto à sua inquirição espiritual (Heb. 2:10; 5:9; 7:28). Nisso, Jesus agiu como Pioneiro, porque, como homem, tal como qualquer outro homem, ele precisou sujeitar-se ao processo do aprendizado. Isso em nada prejudica ou diminui o conceito da divindade de Jesus Cristo; mas apenas nos apresenta um paradoxo. Tal necessidade harmonizasse à. verdadeira humanidade de Jesus.

2. A Consagração Cristão.

Jesus chamava os homens à. renuncia (Mar. 8:34 ss). Ele não convidava os homens a incorporarem seus ensinamentos em sua vida e maneira de pensar. Quase todos nós estamos envolvidos no afã da incorporação, e não na tarefa da renúncia; mas isso não reflete um verdadeiro discipulado cristão. Alguns crentes deixam tudo e passam a seguir ao Senhor; mas a maioria permanece onde se acha, incorporando em suas vidas alguns elementos da fé e da prática cristãs.

Paulo exortou aos crentes de Roma a repelirem toda a conformidade com o mundo, conformando-se de forma total e nova com Cristo. Isso requer a total renovação da mente, de acordo com o principio espiritual. Ver Rom. 12:1,2. O Novo Testamento inteiro, em certo sentido, é a convocação dos homens para consagrarem suas vidas ao novo e vivo caminho.

O propósito da consagração é a espiritualização. Os crentes estão envolvidos em uma evolução espiritual, no fim da qual ele deixará de ser mortal para tomar-se imortal; no fim da qual ele deixará de ser humano para revestir-se da natureza divina. Ver II Cor. 3:18 e Col. 2:10. Nesse processo, chega-se a compartilhar da imagem de Cristo, tal como ele compartilha da imagem de Deus. Entretanto, esse elevado alvo não poderá cumprir-se sem a total consagração ao Senhor. A própria vida espiritual é uma longa tentativa de consagração, onde os sucessos parciais vão-se tomando sucessos mais completos.

Todos os meios espirituais de desenvolvimento estio envolvidos nesse processo, como o treinamento espiritual do intelecto, no estudo dos documentos sagrados e de outros livros, a oração, a meditação, a santificação, a prática da lei do amor e os toques místicos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos. pag. 889.

CONSAGRAÇÃO

Esta é primeiramente uma palavra utilizada no AT, e traduz vários verbos heb. e seus substantivos derivativos (haram, “dedicar”; qadash, “pôr de lado”; male, “encher a mão”; e nazar, “separar”). A ideia comum destas palavras hebraicas parece ser a de separar algo ou alguém para o serviço peculiar ao Senhor: sacerdotes (Êx 28.1-3; 30.30), coisas (Js 6.19), dias de festa (Ed 3.5), sacrifícios (Lv 7.37), ganhos (Mq 4.13). A palavra também é usada para descrever o procedimento pelo qual alguém que foi contaminado pode recuperar o acesso à presença do Senhor (Nm 6.7-12). No NT, a versão KJV em inglês usa esta palavra para traduzir duas palavras gregas. Hb 10.20 declara que Jesus consagrou (enkaini-zo, “renovou”) um novo e vivo caminho para Deus. A passagem em Hebreus 7.28 mostra que Jesus é eternamente consagrado (teleioo, “aperfeiçoado”) como o nosso grande Sumo Sacerdote.

A versão RSV em inglês prefere usar esta palavra para traduzir hagiazo, geralmente traduzida na KJV como “santificar” ou “santificação”. A ideia em sua raiz ainda é a de separar do uso secular (mundano) para o serviço divino. Há alguns exemplos de coisas sendo separadas para Deus (cf. Mt 23.17,19), mas primeiramente a ideia é de separar as pessoas para Deus. A ênfase é mudada do indivíduo excepcional para todo o corpo de cristãos. O ato da consagração ocorre primeiramente no momento da conversão. O agente é sempre Deus; o objeto é o homem (cf. Hb 2.11). No entanto, a ideia de separação e capacitação para o serviço é encontrada no caso de Jesus (Jo 17.19), pois consagrou a si mesmo, e dos apóstolos (Jo 17.17) a quem Deus assim consagrou. Algumas passagens parecem envolver o crescimento ou o desenvolvimento do cristão em uma vida santa (cf. 1 Ts 5.23).

De interesse particular é o fato de que o adjetivo para este verbo (hagios) é uma das designações mais comuns para o crente. Geralmente traduzida como “santo”. A ideia no mundo é que todo crente é um santo, alguém consagrado, alguém que está separado do mundo e que pertence a Deus. Ser um santo é a nossa vocação, e nos tornarmos santos é o nosso objetivo na vida. A prática moderna de aplicar a palavra apenas para grandes cristãos, especialmente dos períodos antigos, é totalmente antibíblica. O uso bíblico nos justifica ao dizer que cada crente verdadeiro é um santo; ele foi consagrado por Deus para Si mesmo através de Jesus Cristo. F. L. F.

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 446-447.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

3. A purificação.

O termo tahor, “puro, limpo”, derivado do verbo taher, “ser limpo, puro”, e qadosh, “santo”, do verbo qadash, pertencem ao mesmo campo semântico. Ambos se aplicam à santidade de Deus (Is 6.3; Hc 1.13) como também às pessoas que se aproximam dEle e se purificam de toda sorte de pecado e idolatria (Sl 51.10; Ez 36.25). O termo grego equivalente a taher na Septuaginta é katharizo, “tornar limpo, limpar, purificar” e a qadash é hagiazo, “santificar, consagrar”. O adjetivo hagíos, “santo”, traduz 20 palavras hebraicas do Antigo Testamento como qadash, qadosh, qodesh, entre outras. São termos frequentes e importantes no Novo Testamento.

COMENTARIOS:

PURIFICAÇÃO

Esboço:

1. A Palavra

2. No Antigo Testamento

3. No Novo Testamento

1. A Palavra

Essa palavra portuguesa vem do latim, purus, «puro», e facere, «fazer», dando a entender qualquer agência ou condição que purifica alguém, em sentido ético, espiritual, ritual ou cerimonial.

2. No Antigo Testamento

O povo de Israel foi escolhido por um Deus santo para ser o seu povo, esperando, como consequência disso, que esse povo viesse a compartilhar de sua santidade (ver Lev. 11:44,45; 19:2; 21:26). A lei mosaica enfatizava tanto o aspecto cerimonial quanto o aspecto ético da pureza (ver Lev. 20:22-26 — os homens deviam viver separados do pecado). Mas as formas cerimonial e ritualista da purificação também eram importantes. Essa questão é longamente ventilada no artigo intitulado Limpo e imundo. Ver também sobre a imundícia. Na mentalidade dos antigos hebreus, naturalmente, não se fazia a clara distinção que hoje se estabelece entre questões éticas e questões cerimoniais. Para os israelitas, o que era apenas cerimonial revestia-se de alta importância ética.

A imundícia, contraída através do contato com objetos imundos, animais, alimentos, etc., requeria purificação. Utensílios e vestes imundas eram lavados em água corrente. Mas objetos de barro e cerâmica, por serem porosos, se ficassem cerimonialmente imundos, precisavam ser destruídos (ver Lev. 15:12). Os metais algumas vezes eram purificados fazendo-se os mesmos passarem pelo fogo (ver Núm. 31:32,33). Pessoas que ficassem cerimonialmente imundas precisavam separar-se da congregação, e não podiam participar da adoração formal (ver Núm. 5:2,3); antes, precisavam lavar-se e oferecer sacrifícios (ver Lev. 3.6). Se alguém tocasse em um cadáver, era mister passar por uma elaborada cerimônia de purificação (ver Núm. 19). Havia uma cerimônia de purificação no caso de ex-leprosos (ver Lev. 14). Os israelitas que se tornassem cerimonialmente imundos, e se recusassem a passar pelos ritos de purificação, tinham de ser executados (ver Núm. 19:19).

À parte da lei mosaica, há a impureza moral, e essa também precisa de purificação. Esses conceitos vieram a fazer parte da ideia de uma santidade mais profunda (ver Sal. 51:7; Eze. 36:24). Antigos conceitos de imundícia incluíam quatro aspectos principais: alimentos, funções sexuais, lepra e contato com cadáveres, especialmente no caso dos sacerdotes. A essa lista foram adicionadas as impurezas morais, em um conceito crescente do que se faz mister para que uma pessoa seja considerada santa. Sem dúvida, os salmos e os escritos dos profetas devotam maior atenção à pureza ótica e à necessidade de o pecador ser purificado de seu pecado, do que os livros anteriores do A. Testamento. A mensagem geral dos salmos e dos profetas convoca os homens para que se afastem dos males corruptores como a idolatria, a sensualidade e a busca desenfreada pelos prazeres.

3. No Novo Testamento

Aí encontramos o desenvolvimento dos melhores aspectos do ensino dos israelitas acerca da purificação, como acerca de muitas outras questões. A pureza cerimonial fica inteiramente para trás, conforme nos ensina o décimo quarto capítulo da Epístola aos Romanos. Isso, no começo do cristianismo, pareceu revolucionário, para dizermos o mínimo. Esse novo ponto de vista foi antecipando-nos ensinamentos de Jesus (ver Mar. 7:19 e comparar com Atos 10:15). O concílio de Jerusalém (historiado no décimo quinto capítulo de Atos) não requereu que as elaboradas regulamentações cerimoniais judaicas tivessem qualquer aplicação aos gentios convertidos ao Senhor.

À medida que a Igreja foi-se afastando de seu centro inicial— Jerusalém—o antigo judaísmo foi fenecendo, como o poder impulsionador da nova fé. Ver Tito 1:15; I Tim. 4:4. No Novo Testamento, pois, encontramos a ênfase sobre a corrupção moral, que é a verdadeira causa da condenação de uma alma. O sangue de Cristo, derramado uma única vez, tornou-se o agente da purificação (ver I João 1:7; Heb. 1:3; 9:14), uma vez aplicado mediante a fé. Isso refere-se ao poder salvatício de Cristo, em sua missão, na qual ele veio salvar e santificar.

Ficou então compreendido que o ritual do Antigo Testamento era mera prefiguração da verdadeira purificação, que obtemos em Jesus Cristo (ver Heb. 9:13 ss. 23). E os fariseus (vide) vieram a tomar-se símbolo de uma fanática rigidez, de acordo com a qual o que é meramente cerimonial ocupa o lugar dos verdadeiros valores éticos. Lamentavelmente, a Igreja cristã, em alguns de seus segmentos, retém esse elemento ritualista em suas várias formas de legalismo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Editora Hagnos. pag. 512-513.

PUREZA E IMPUREZA, REGULAMENTOS SOBRE Aspecto da religião hebraica que tem importância física, cerimonial, moral e espiritual.

Embora o sentido de pureza e de impureza seja específico dentro de cada contexto, um sentido pode aflorar dentro do outro e ilustram um ao outro. Os contextos físico e cerimonial apontam para um estado moral do adorador e para um relacionamento espiritual entre Deus e seu povo.

A visão do AT do relacionamento do povo com Deus se expressa em linhas morais e pessoais — a natureza pessoal de Deus é expressa na entrega, feita por ele, da Lei a Moisés. O caráter pessoal e constantemente único do Senhor de Israel o tornou um ser completamente diferente em termos morais dos muitos deuses das culturas pagãs. Diferentemente do Senhor, os baalins dos cananeus eram caprichosos e cruéis; ninguém esperava que fossem sempre éticos. O Senhor de Israel, por outro lado, era digno de confiança por manter sua palavra (uma comunicação verbal por meio de seus profetas escolhidos). Ninguém, nem mesmo o sumo sacerdote ou o rei, estava acima da lei, que expressava não somente o caráter de Deus, como também sua vontade soberana para o indivíduo e a nação. Sua firmeza moral acompanhava suas intervenções miraculosas na história para proteger seu povo, julgá-lo e a seus inimigos e redimir a própria humanidade.

A pureza conforme definida no livro de Levítico, portanto, estava sempre condicionada pela presença do Deus pessoal, que deu a lei. A medida que o povo buscava aproximar-se do Senhor, necessariamente o fazia nos termos dele e, portanto, dentro dos moldes das cerimônias cúlticas que ele prescrevera. Detalhes das cerimônias levíticas foram determinados para ilustrar as implicações morais do pecador se aproximar de Deus e a provisão divina para que seu povo se tornasse moralmente limpo diante dele.

O significado do sistema levítico foi claramente declarado nas palavras do salmista: “Quem poderá subir ao monte do Senhor? Quem poderá entrar no seu Santo Lugar? Aquele que tem as mãos limpas e o coração puro, que não recorre aos ídolos nem jura por deuses falsos” (Sl 24.3,4).

O estado de ser puro não depende apenas de ações externas, mas também de um relaciona mento interior com Deus. Como consequência, a incapacidade do pecador em satisfazer as exigências morais de um Deus santo leva à sua completa dependência de Deus e da provisão divina para satisfazer-lhe as exigências. Essa provisão foi detalhada na lei.

Perspectiva do Novo Testamento

O NT não rejeitou o conceito de puro e impuro do AT, mas o reinterpretou em um novo contexto. Enfatizou em particular o aspecto moral do conceito, bem como a identificação da impureza com o pecado.

Os Evangelhos foram escritos no contexto da lei do AT, e seus acréscimos, por fariseus e saduceus. Jesus obedeceu à lei, mas teve divergências constantes com a prática casuísta (o sistema) que crescera em torno dela. Jesus ensinou que a verdadeira corrupção vinha do coração do pecador, não da contaminação exterior (Mc 7.14-23; Lc 11.39-41). Um elemento central em seu ensino foi seu ataque ao cerimonialismo dos fariseus.

Desse modo, afirma-se que Jesus “interiorizou” a lei. Seria mais correto dizer que ele deu ênfase às exigências da lei na vida interior das pessoas. A perversidade intrínseca dos demônios é enfatizada pelo uso do termo “espírito imundo” em todos os Evangelhos. Na verdade, a palavra “imundo” sempre aparece nos Evangelhos no contexto do espírito, um detalhe que ilustra, no NT, a mudança de ênfase: da impureza ritual para o pecado e sua culpa.

Um importante episódio na vida da igreja primitiva ocorreu em Atos 10, quando Deus ensinou ao apóstolo Pedro que os gentios náo eram impuros e que este deveria recebê-los. O resultado foi a conversão de Cornélio.

A afirmação de Jesus de que a impureza tem origem no coração deu fruto na doutrina da liberdade cristã do apóstolo Paulo. Ele, um fariseu que podia dizer que nunca havia transgredido uma lei exterior, veio a perceber que nada é impuro em si mesmo (Rm 14.14-20). Em todas as suas cartas, a purificação é resultado da obediência de coração fluindo da regeneração; ela se baseia no poder purificador da expiação (v. 6.19; lTs 2.3,4, onde a impureza é estritamente moral).

A expiação de Cristo foi o agente purificador final para o pecado e seus resultados morais (Hb 9.14,22; l jo 1.7), fazendo na realidade o que o sangue de bois e bodes apenas tipificava. Desse modo, os que são lavados no sangue do Cordeiro (Ap 7.14) são vistos vestindo roupas brancas e limpas (15.6; 19.8-14). Esse sangue, simbolizando a vida entregue e a morte experimentada pelo Filho a pedido do Pai, satisfaz os atributos da justiça pessoal do Deus trino. O perdão pessoal dos pecadores é moralmente possível porque o caráter pessoal de um Pai justo foi vindicado.

Deus pode ser na história somente o que ele é eternamente: justo e ao mesmo tempo o justificador dos crentes em Cristo (Rm 3.24-26).

Philip W. Comfort e Walter A. Elwell. Dicionário Bíblico Tyndale. Editora geográfica. pag. 1514-1515; 1517.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

SÍNTESE DO TÓPICO I

O Antigo Testamento mostra que a santidade de Deus se originou nEle mesmo, ela é a plenitude gloriosa de sua excelência moral.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Reflita com a classe o que conversamos na interação acima. A santidade revela a plenitude gloriosa da excelência moral de Deus e, por isso, ela é elevada. O fracasso de muitos em vivê-la não altera em nada o santo ideal de Deus para o homem, que é a sua imagem e semelhança. Nesse sentido, mostre a beleza da santidade, o valor elevado de representar o Reino de Deus com coerência e sinceridade de coração.

O ideal santo está em Deus, não no homem. Ainda temos o Espírito Santo como a fonte de toda a santidade, que nos ajuda a manifestar o caráter de Cristo. Apresente esse santo ideal a sua classe, e ore com ela, a fim de que o Santo Espírito esclareça o padrão bíblico de uma vida santa.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

II – A SANTIFICAÇÃO NO NOVO TESTAMENTO

Santificação, santidade e seus cognatos são termos comuns ao Antigo e ao Novo Testamento e trazem o mesmo conceito. Na nova aliança, santificação é a semelhança do caráter de Cristo e o efeito real da salvação na vida cristã.

1. Uma obra da Trindade.

O Novo Testamento torna explícito o que antes estava implícito no Antigo, e isso diz respeito também à obra salvífica do Deus trino. A fé cristã confessa a existência de um único Deus, que subsiste eternamente em três Pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, iguais em poder, glória e majestade (Mt 28.19). De modo que a obra da santificação, um atributo divino, é realizada pela unidade na trindade como pela trindade na unidade (1 Co 6.11; 1 Ts 5.23; 2 Ts 2.13). São as três Pessoas atuando na obra da redenção (1 Pe 1.2).

COMENTARIOS:
«…no Espírito do nosso Deus…»

Todas as bênçãos que nos são conferidas por intermédio de Cristo, são medidas pelo seu Santo Espírito, porque o Espírito Santo é o «alter ego» do próprio Cristo. Ele é o «divino paraclete», isto é, aquele chamado para o nosso lado, a fim de ajudar-nos. (Quanto a notas expositivas sobre as declarações de Jesus acerca do «divino paraclete», e que ilustram as variegadas maneiras como ele ajuda aos crentes, ver João 14:16). Todas as realidades espirituais mencionadas neste versículo, como a lavagem, a santificação, a justificação, etc., são obras efetuadas pelo Espírito Santo.

Por conseguinte, no que tange à justificação, não está em foco apenas uma declaração forense. Antes, o Espírito Santo é o instrumento da transmissão real de santidade para os homens, a saber, a própria justiça de Deus.

Por semelhante modo, a vida cristã realmente só funciona quando está alicerçada sobre a deidade inteira. Devemos observar os três nomes santos, Pai, Filho e Espírito Santo, todos envolvidos nessa questão, o que significa que a fórmula trinitária é encontrada aqui, tal como na fórmula batismal, em Mat. 28:19.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 85.

Ele os relembra da mudança que o evangelho e a graça de Deus operaram neles: E “é o que alguns têm sido” (v. 11), tais notórios pecadores como ele estava dizendo. A palavra grega é tauta tais coisas foram alguns de vocês, mais monstros que homens. Note que alguns que são eminentemente bons após a sua conversão foram extraordinariamente perniciosos antes. Quantum mutatus ab illo! Quão gloriosa mudança a graça produz!

Ela transforma os mais vis dos homens em santos e filhos de Deus. Tais foram alguns de vocês, mas vocês não são o que eram. “Mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espirito do nosso Deus”. Note que a maldade dos homens antes da conversão não é obstáculo para a sua regeneração e reconciliação com Deus. O sangue de Cristo e a lavagem da regeneração podem purificar de toda culpa e corrupção. Aqui está uma mudança retórica da ordem natural: mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados. A santificação é mencionada antes da justificação; e ainda o nome de Jesus Cristo, pelo qual somos justificados, está colocado antes do Espírito de Deus, por quem somos santificados. Nossa justificação depende do mérito de Cristo, nossa santificação, da operação do Espírito, mas ambas andam juntas.

Note que ninguém é purificado da culpa do pecado e reconciliado com Deus através de Cristo, a não ser aqueles que também são santificados pelo Espírito. Todos os que são justificados na visão de Deus são santificados pela graça de Deus.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 451.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

2. Natureza da santificação.

Não há no Novo Testamento ritual de purificação cerimonial ou legal de santificação, diferentemente da realidade do sistema mosaico. A santificação pode ocorrer de maneira instantânea, isso quando o pecador recebe a salvação em Jesus pela fé (1 Co 1.30). Ela é chamada teologicamente de santificação posicional referente à mudança da posição de pecador para santificado (1 Co 1.2). Isso é obra do Espírito Santo que passa a habitar no interior do crente (1 Co 3.16; 2 Tm 1.14).

COMENTARIOS:

A justificação é um tema paralelo. E isso apesar de alguns estudiosos não concordarem que a justificação seja mais que uma simples declaração forense da parte de Deus, a nosso respeito. Na verdade, a justificação envolve mais que uma mera declaração divina. (Ver as notas expositivas sobre Rom. 3:24 e 28, onde essa questão é devidamente esclarecida).

O tornar-se alguém perfeito ou santo como Deus (ver Mat. 5:48), em que o crente virá a compartilhar de sua perfeita natureza moral, envolve muitíssimo mais do que apenas a ausência de pecado, ou do que o perdão dos pecados. É igualmente a participação na natureza moral positiva de Deus, conforme descobrimos em Gál. 5:22,23. O Espírito Santo é quem forma em nós a natureza moral positiva de Deus, proporcionando-nos as qualidades de Jesus Cristo, como, por exemplo, a sua bondade, a sua alegria, a sua longanimidade, etc. E precisamos admitir que isso envolve muito mais do que a mera ausência de pecado. A «justiça» que temos aqui, por conseguinte, fala sobre a natureza moral transformada dos remidos, o que se alicerça e se origina em nossa fé e em nossa intimidade mística com Jesus Cristo. Ver também os trechos de Rom. 10:4,10; 6:13; Gál. 4:5 e Fil. 3:9. E ver igualmente a passagem de Rom. 1:17.

Natureza Da Santificação

1. A santificação é a continuação da conversão, e, na realidade, é apenas um outro nome dado à total transformação que Cristo opera em nós: primeiramente no aspecto moral (para participarmos da própria santidade de Deus, ver Mat. 5:48), e então no aspecto metafísico (para compartilharmos das virtudes positivas de Deus, e, finalmente, de sua própria natureza divina, segundo se vê nas notas sobre Gál. 5:22 e Efé. 3:19).

2. A santificação, portanto, é um termo que usamos a fim de dizermos como a «salvação» vai se concretizando em nós, especialmente do ponto de vista ético. (Ver as notas sobre a «salvação», em Heb. 2:3).

3. A santificação não é uma opção, que podemos aceitar se nos for conveniente, ou rejeitar se suas exigências nos parecerem difíceis demais. A santificação é um aspecto real da salvação, porquanto estamos sendo salvos do pecado e seu poder. Sem a santificação, ninguém jamais verá Deus (ver Heb. 12:14).

4. A santificação é fruição da justificação, servindo de elo necessário com a glorificação. Assim, a cadeia dourada da salvação que Deus dá conta, como um de seus elos, com a santificação.

5. Apesar de haver um aspecto inicial da santificação (quando Deus nos separa do mundo, por ocasião da conversão), e de haver um aspecto contínuo da santificação (quando Deus vai formando em nós a natureza moral de Cristo), também existe um aspecto futuro na santificação (que não seremos completamente libertados do princípio do pecado, quando tivermos plenamente formadas em nós as virtudes morais positivas de Deus, como o amor, a bondade, etc.). E esse aspecto futuro será um processo eterno, porquanto a natureza moral positiva de Deus é infinita.

6. A santificação é realização do Espírito (ver I Cor. 6:11). Pode ser imitada pelo esforço humano, pelas resoluções nobres, mas o homem não pode produzir a santificação autêntica.

7. Sem a santificação, é impossível alguém herdar o reino de Deus (ver I Cor. 6:9-11).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 25-26.

Santificação Progressiva.

Esta é uma visão de Calvino e de todos os cristãos que defendem uma teologia Reformada. Esta só pode ser corretamente entendida quando se percebe que ela destaca que a santificação, conforme ensinada na Bíblia Sagrada, aparece em três aspectos.

Posicional. Todos aqueles que são regenerados ou salvos são posicionalmente vistos como totalmente santificados em Cristo. Por esta razão, embora o apóstolo Paulo tenha censurado o cristianismo dos coríntios, classificando-o como carnal (1 Co 5.1; 6.1-8), ele ainda diz que eles são santificados em Jesus Cristo e chamados de santos (1 Co 1.2; 6.11; cf. At 20.32; Hb 10.10; 1 Pe 1.2; Jd 1). O livro aos Hebreus funciona como uma ponte entre este aspecto e a santificação experimental que vem a seguir (Hb 2.17; 9.13ss.; 12.14). Uma vez que o conhecimento da santificação posicionai depende de uma compreensão mental da verdade bíblica, ele possui uma natureza instantânea, “de uma vez por todas”, como ocorre na percepção de todos os outros conhecimentos, os quais alguns confundem com a própria perfeição.

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1762.

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3. Uma necessidade.

A nova vida em Cristo é o novo nascimento (Jo 3.3). Ao nascer, a criança continua o seu crescimento físico e mental, e isso se aplica também à vida espiritual (Hb 5.12,13; 1 Pe 2.2). Apesar de a santificação ser instantânea, ela é ao mesmo tempo progressiva (Pv 4.18; 2 Co 3.18). A salvação em Cristo é acompanhada da santificação, e seu agente ativo é o Espírito Santo. A vida cristã é uma carreira (Gl 5.7; Fp 3.13,14). Assim, é a santificação progressiva que nos torna mais semelhantes a Cristo. Não se trata de um tema secundário, pois sem ela “ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

COMENTARIOS:
As ações do apóstolo diante dessa convicção.

Considerando que ele ainda não tinha alcançado, ele continuava avançando: “Mas prossigo (v. 12), dioko continuo com vigor, como alguém que deseja ganhar o prémio. Esforço-me para alcançar mais graça e fazer mais bem e nunca pensar que j á fiz o suficiente: para alcançar aquilo para o que fui também preso por Cristo Jesus”. Observe:

[1] De onde vem a nossa graça? De estarmos presos por Cristo Jesus. A nossa felicidade e salvação não estão no fato de alcançarmos a Cristo primeiro, mas de Ele nos alcançar. “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1 Jo 4.19).

A nossa segurança não está no fato de conquistarmos a Cristo, mas de Ele nos conquistar, “…mediante a fé, estais guardados na virtude de Deus, para a salvação” (1 Pe 1.5). Considere então:

[2] O que é a felicidade do céu? E alcançar aquilo para o que fomos também presos por Cristo. Quando Cristo nos alcançou, foi para nos levar ao céu; e alcançar aquilo para o que Ele nos alcançou é obter a perfeição da nossa felicidade. Ele acrescenta (v. 13): “…uma coisa faço (esse era seu grande cuidado e preocupação), e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim”. Existe um esquecimento pecaminoso de pecados passados ou misericórdias passadas, que precisam ser lembrados para o exercício do arrependimento constante e da gratidão a Deus. Mas Paulo esqueceu as coisas que estavam para trás porque não estava contente com a medida atual da graça: ele queria mais e mais. Assim ele epekteinomenos – estendeu-se para a frente, dirigindo-se para o seu alvo.

Este é um indicativo de uma preocupação intensa.

O alvo do apóstolo:

“…prossigo para o alvo, pelo prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (v. 14). Ele seguia firme em direção ao alvo. Assim como aquele que corre uma corrida e nunca desiste antes do final, mas continua seguindo em frente o mais rapidamente possível, assim aqueles que têm o céu em mente devem continuar seguindo em frente com desejos santos e esforços e preparativos constantes. Quanto mais preparados estivermos para o céu mais rapidamente deveremos seguir em frente. O céu é chamado aqui de alvo, porque é isso que cada cristão genuíno tem em vista, semelhantemente ao arqueiro que mantém os seus olhos fixos no alvo que deseja acertar. Pelo prémio da soberana vocação.

Observe: O chamado cristão é uma soberana vocação.

Sua fonte é do céu e seu destino é o céu. O céu é o prémio da soberana vocação; to brabeion – o prémio pelo qual lutamos, e corremos, e combatemos, o que alvejamos em tudo que fazemos, e o que recompensará todos os nossos esforços. Manter os nossos olhos no céu é muito proveitoso na caminhada cristã. Isto serve de norte para tudo que fazemos e para nos vivificar em cada passo que damos; ele é de Deus, de quem devemos esperá-lo.

A vida eterna é o dom gratuito de Deus (Rm 6.23), por meio de Cristo Jesus; ela deve vir a nós por meio da sua mão. O único caminho para o céu é por intermédio de Cristo.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 624.

Diferente dos judaizantes, Paulo não considerava ter alcançado a maturidade espiritual; ele não era tudo o que sabia que deveria ser, mas vivia em absoluta confiança quanto à sua salvação definitiva. Nós, cristãos.

sabemos que seremos salvos; contudo, devemos ter a perfeição como nosso alvo (Mt 5.48), sem fingirmos que o pecado não existe (1 Jo 1.8). Como Paulo, devemos nos concentrar em um objetivo: esquecer as coisas que atrás ficam e avançar para as que estão adiante. O passado não deve ser usado como uma barreira para o futuro, como uma desculpa para desistir, ou para evitar a conduta espiritual correta em seu relacionamento com Deus. Paulo iria esquecer o seu passado, com todas as suas credenciais e realizações (e pecados), e, como um atleta em uma corrida, com todo o seu corpo se esforçando para alcançar a linha final, prosseguiria em direção ao seu alvo (3.14).

Como um corredor esforçando-se para chegar à linha de chegada, Paulo prosseguia para alcançar o final da corrida e receber o prêmio. Embora Paulo não tenha identificado o prêmio, parece que, a partir de seus escritos acima, o prêmio se refere a ganhar o pleno conhecimento de Jesus Cristo (veja também 1 Co 9.24; 2 Tm 4.7,8). Paulo esforçava-se para ganhar o prêmio, mas todos quantos terminam a corrida também o ganham. O pleno conhecimento de Cristo é o prêmio finai pelo qual os crentes alegremente deixam de lado todas as outras coisas.

Pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Alguns pensam que esta expressão se refere ao arrebatamento; outros dizem que significa o chamado para ser salvo; há ainda outros que o ligam ao elevado propósito ou à elevada vocação de Paulo como apóstolo. Contudo, por causa do uso que Paulo faz da metáfora dos jogos atléticos, parece mais natural entender a “vocação” como o chamado dos atletas para a posição de vencedor. Desse modo, o chamado celestial é a convocação para que todos nós ganhemos o prêmio mais elevado, o prêmio do vencedor, a salvação.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 385-386.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

SÍNTESE DO TÓPICO II

No Novo Testamento a santidade é a semelhança do caráter de Cristo.

SUBSÍDIO APOLOGÉTICO

“Os cristãos também estão familiarizados com o conceito de santidade. Quando ensinou os discípulos a orar, o Senhor Jesus disse que deveriam começar com as palavras: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome (Mt 6.9). A palavra ‘santificado’ é antiga variante da palavra ‘santo’. A primeira e mais importante coisa que os crentes têm de fazer é deliberadamente separar o nome de Deus como algo especial. Deus tem de ser o valor supremo dos crentes, os quais devem lembrar-se desse fato quando se dirigem a Ele. (É, então, muito triste quando esse conceito, fundamental para a expressão da vida cristã, se perde em uma oração formal, murmurada sem pensar pela congregação eclesiástica).

[…] Não precisamos pensar muito para perceber que, aos olhos de muitas pessoas, Deus perdeu sua glória e valor. A santidade degenerou-se em um conceito exclusivamente negativo. Longe de pensar-se na santidade de Deus como algo glorioso, elas associam a santidade com a monotonia e ausência de vida e cor – o oposto da glória” (LENNOX, John C. Contra a Correnteza: A inspiração de Daniel para uma época de Relativismo. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, pp.49-50).

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

CONHEÇA MAIS

Sobre a Santificação

“A santificação é o processo mediante o qual Deus está purificando o mundo e os seus habitantes. Seu alvo derradeiro é que tudo, tanto as coisas animadas quanto as inanimadas, seja purificado de qualquer mancha de pecado ou de impureza. Com essa finalidade, Ele tem proporcionado os meios de salvação mediante Jesus Cristo. E, no fim dos tempos, Ele pretende consignar ao fogo tudo quanto não pode ou não quer ser purificado (Ap 20.11 – 21.1; ver também 2 Pe 3.10-13), e assim tirar da Terra tudo o que é pecaminoso.” Leia mais em: “Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal”, 2019, pp.407-08.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

III – A SANTIFICAÇÃO APLICADA AO CRENTE

O Espírito Santo é a fonte de santidade, e o Senhor, o seu padrão. Todos os crentes desejam se parecer com Jesus e viver de maneira a agradar a Deus. A santificação do crente é obra do Deus trino.

1. A comunidade de Jesus.

As epístolas do Novo Testamento visam fortalecer as igrejas e exortá-las à uma vida santa diante de Deus e da sociedade. O texto (1 Pe 1.13-16) não é diferente. O status de Israel como propriedade peculiar de Deus, “reino de sacerdotes e nação santa” (Êx 19.6), é revigorado na igreja (1 Pe 2.9). O ensino petrino mostra que o estilo de vida dos crentes revela o caráter de Cristo. Aqueles irmãos que vieram do paganismo são agora norteados pelo Espírito Santo, que vive neles e, por isso, renunciaram às práticas dos gentios.

COMENTARIOS:

Que contraste (1 Pe 2.9) com os crentes! Mais uma vez Pedro enfatiza nossa posição privilegiada. Fazemos parte de uma geração escolhida, de um sacerdócio real (corpo de reis que exercem o ofício sacerdotal), de uma nação santa (incluindo judeus e gentios, Ef 2.12-20), e de um povo feito propriedade particular de Deus.

Tais expressões (1 Pe 2.9) faziam parte da promessa feita por Deus a Israel no Sinai. Se tivessem ouvido sua voz e guardado sua aliança, estas coisas seriam verdades para eles (Êx 19.5,6). Mas, devido a sua desobediência, estas relações e ministérios nunca chegaram a ser cumpridos na íntegra. Fez-se necessária a Nova Aliança para conduzir judeus e gentios a um novo corpo. Sob a Lei, somente algumas pessoas eram separadas como sacerdotes. A massa do povo, que não era descendente de Arão, não tomava parte no ministério do templo.

Mas sob a graça, todos os crentes fazem parte do sacerdócio.

O cristão não precisa de ninguém, somente de Jesus, para lhe dar acesso ao Santo dos santos, à presença de Deus (Hb 10.19,20).

Ao entrarmos de posse dos privilégios sacerdotais, proclamamos os louvores daquEle que nos tirou do reino das trevas à sua maravilhosa luz, revelada em Cristo e comunicada a nós, e através de nós por Ele (Is 9.2; 60.1; Jo 8.12; 9.5; 12.35,36).

HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico I e II Pedro. A razão da nossa fé. Editora CPAD. pag. 30-31.

A nossa identidade espiritual é clara (2.9a)

Em contraste com os descrentes que rejeitaram a Cristo e nele tropeçaram, nós, povo de Deus, somos identificados por Pedro como um povo escolhido por Deus para a salvação e também para uma missão especial no mundo. Vejamos.

Em primeiro lugar, nós somos raça eleita. Vós, porém, sois raça eleita… (2.9). Pedro toma emprestada a profecia de Isaías: … ao meu povo, ao meu escolhido, ao povo que formei para mim, para celebrar o meu louvor (Is 43.20b,21). Pedro vê os crentes como o corpo de Cristo, a igreja. Assim como Deus escolheu Israel dentre as nações para ser seu povo exclusivo, escolheu pessoas de entre todas as nações para formar sua igreja. Somos uma raça escolhida por Deus dentre todos os povos da terra. Mueller diz que os cristãos formam uma nova raça, diferente tanto de judeus como de gentios.

O Senhor não escolheu Israel porque era um grande povo, mas porque o amava (Dt 7.7,8). Assim também, Deus nos escolheu com base em seu amor e em sua graça. Jesus foi categórico: Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros (Jo 15.16).

Em segundo lugar, nós somos sacerdócio real. … sacerdócio real… (2.9). Somos não apenas sacerdotes na casa de Deus, mas sacerdócio real, porque servimos ao Rei dos reis e porque esse serviço é realizado em prol do reino de Deus. O adjetivo descritivo real dá a entender a existência de um reino e de um rei. O Messias é tanto sacerdote quanto rei, conforme a profecia de Zacarias: Será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono (Zc 6.13). Warren Wiersbe observa corretamente que, no tempo do Antigo Testamento, o povo de Deus possuía um sacerdócio, mas agora é um sacerdócio. Todo cristão tem o privilégio de entrar na presença de Deus (Hb 10.19-25). Ninguém se achega a Deus por meio de alguma pessoa aqui na terra, mas pelo único mediador, Jesus Cristo (lTm 2.5).

Em terceiro lugar, nós somos nação santa…. nação santa… (2.9). Pedro retrata o povo de Deus como uma nação santa, o que significa que seus cidadãos foram separados para servir a Deus. Deus nos escolheu para a salvação mediante a santificação e para a santificação. Deus nos salvou do pecado, e não no pecado.

Em quarto lugar, nós somos povo de propriedade exclusiva de Deus. … povo de propriedade exclusiva de Deus… (2.9).

Ao longo dos séculos, Deus tem tomado para si o seu próprio povo. Esse povo, diferente de todas as nações do mundo, é um bem precioso para Deus, a herança de Deus. Existe independentemente de laços nacionais, pois tem um relacionamento especial com Deus. Ele pertence a Deus, que o comprou com o sangue de Jesus Cristo. Holmer tem razão em dizer que “nenhuma outra pessoa pode reclamar direitos de posse sobre o povo, senão unicamente Deus”. Assim como Deus não divide sua glória com ninguém, também não nos reparte com ninguém. Somos dele, só dele. O nosso valor não é devido a quem nós somos, mas a quem Deus é. O valor não está na pessoa possuída, mas no possuidor. A grandeza do cristão está no fato de pertencer a Deus. Porque somos propriedade exclusiva de Deus, temos valor infinito!

LOPES. Hernandes Dias. 1 Pedro Com os pés no vale e o coração no céu. Editora Hagnos. pag. 73-75.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

2. Uma vida santificada.

Somos santificados pela Palavra (Jo 17.17), pelo sangue (Hb 9.12) e pelo Espírito (1 Pe 1.2). Podemos afirmar com Donald Gee que a “santificação é a semelhança do caráter de Cristo; é o efeito real da salvação através do qual a própria vida de Cristo permanece para sempre na vida e no caráter do crente”. Isto está muito longe de violência doméstica, mentiras, palavrões, intrigas e mexericos. Uma vida de santidade e cheia do Espírito mantém distância dessas coisas: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8.9). Deus é santo e por isso exige santidade de seu povo: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (vv. 15,16).

COMENTARIOS:

A expressão “tomai-vos santos” (1 Pe 1.15) poderia também ser traduzida como “tomai-vos sagrados”. Infelizmente, a linguagem corrente mudou o real significado da palavra santo. No Novo Testamento, santos eram simplesmente aqueles que haviam virado as costas ao mundo, ao orgulho e à justiça própria, para seguir a Jesus. As palavras santo, sagrado, santificado, dedicado, consagrado têm um sentido básico na Bíblia: ser separado para Deus como seu povo e para seu serviço. Conforme vimos no capítulo anterior, no Antigo Testamento, Deus conduziu seu povo a uma vida de santificação para que lhe fosse sagrado (Lv 19.2; 11.44; 20.7). A santidade divina era o parâmetro.

Em todos os tratados sobre a santidade divina que já li, a palavra é praticamente definidas como a separação de tudo que é mau, errado, pecaminoso,’ fraco, ou meramente maculado. Mas a separação que Deus requer de nós é mais que uma simples separação do pecado. É claro que, como lembra Paulo, temos de fazer morrer nossa natureza terrena, pois esta inclina-se à prostituição, impureza, paixão, lascívia e à avareza, que não deixa de ser idolatria.

Mas também temos de erguer o novo homem, no qual Cristo seja tudo e esteja em tudo. Estabeleçamos nossas afeições, pensamentos e atitudes pelas coisas de cima, guiados por Cristo e pelo que Ele tem preparado para nós (Cl 3.2,5,8-10).

Deus também tem de ser visto como santo de maneira positiva. A Bíblia, na realidade, demonstra que Ele mesmo se separou por amor a nós; dedicou-se ao cumprimento de seu grande plano, que culminará com a volta do Salvador e o estabelecimento de seu reino (Is 9.7). No Egito, muitos israelitas se haviam voltado à idolatria.

Mesmo assim, Deus os libertou. Não por serem eles bons, mas porque o Senhor Jeová queria que o seu santo nome (natureza, fidelidade e amor) fosse plenamente reconhecido (Ez 20.8,9).

O mesmo se pode dizer quanto às misericórdias que Deus lhes dispensou no deserto (Ez 20.14,22), e à restauração de Judá depois do exílio babilônico (Ez 20.44). O renascimento de Israel no final dos tempos, de igual modo, não é porque eles o mereçam; pois, apesar de sua descrença, tomarão a viver. Deus o fará por causa de seu santo nome (Ez 36.22-28). Sua santidade é a razão que o leva a execução de seus planos. Por conseguinte, se formos santos como Ele o é, tomar-nos-emos seus companheiros, cumprindo nossa parte em seu grande plano (1 Co 3.9).

HORTON. Staleym. M. Serie Comentário Bíblico I e II Pedro. A razão da nossa fé. Editora CPAD. pag. 22-23.

Três verdades são aqui destacadas:

1. A santidade é imperativa porque o Deus que nos chama é santo. O termo grego hagios referente a Deus traz a ideia de “separado”. Fala sobre a singularidade divina em relação a todo o resto, a sua distinção como Aquele que é totalmente outro. Também expressa sua perfeição moral. Deus nos chama para sermos seus filhos e refletirmos seu caráter. Não fomos destinados apenas para a glória, mas para sermos semelhantes ao Rei da glória. Fomos chamados para sermos coparticipantes da natureza divina.

2. A santidade é imperativa porque precisa abranger todas as áreas da nossa vida. Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino. Todo o nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou do pecado para a salvação. Tornar-se santo inclui ambas as noções sobre santidade: o elemento de separação, em distinção ao profano, e o elemento ético ou moral.

3. A santidade é imperativa porque é uma clara exigência das Escrituras. Pedro citou Levítico 11.44 para sustentar seu argumento: “Sereis santos, porque eu sou santo”. Mueller diz que o apelo à palavra de Deus serve para ratificar com autoridade o que foi dito. Pedro não baseia sua exortação em seus próprios pensamentos, mas na palavra de Deus. Concordo com Warren Wiersbe quando diz que a Palavra revela a mente de Deus, de modo que devemos aprendê-la; revela o coração de Deus, de modo que devemos amá-la; e revela a vontade de Deus, de modo que devemos obedecê-la. O ser como um todo – a mente, o coração e a volição — precisa ser controlado pela Palavra de Deus.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Pedro Com os pés no vale e o coração no céu. Editora Hagnos. pag. 49-50.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

3. O que é ética?

A ética é o estudo da conduta. O termo vem da palavra grega ēthos, “hábito, costume”, que aparece somente uma vez no Novo Testamento, no plural, em um provérbio popular usado pelo apóstolo Paulo: “As más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33). A ética cristã é um estudo sistemático sobre os princípios e as práticas do que é certo e errado à luz das Escrituras Sagradas. Trata-se da parte da teologia que estuda o padrão de conduta conforme a vontade de Deus (Rm 12.1,2). O fruto do Espírito tem implicações éticas, e tal prática precisa ser treinada e se tornar hábito. Isso agrada a Deus e as pessoas, e por meio de nossa conduta até os incrédulos glorificam a Deus (Mt 5.16).

COMENTARIOS:

«…bons costumes…» No grego encontramos a palavra «ethe» (da qual raiz se deriva nossa palavra moderna «ética»). O significado original desse vocábulo era «lugar costumeiro», «assento». Daí se derivou a idéia de «costumes», e, em sua forma plural, os conceitos de «maneiras», «caráter», «moral».

«Lamentamos a má sorte dos mortais que leva um homem honesto a ter companhia com aqueles que desconsideram a religião. Em toda a questão, de fato, nada é pior do que as más companhias». (Esquilo, Sete contra Tebas, 593-595).

«Não vos deixeis iludir: a sedução jaz na filosofia distorcida sob cujo pálio o ceticismo é exposto, ficando ocultas as suas tendências desmoralizantes». (Findlay, in loc,)

O pior elemento desmoralizador a que Paulo se refere é não ter o indivíduo nenhuma dimensão eterna em sua vida, sobre o que possa basear considerações de ordem moral. O abandono da doutrina da ressurreição, por parte de certos membros da igreja de Corinto, segundo Paulo raciocinava, eventualmente produziria um efeito degradante. E Paulo já percebia que isso estava acontecendo na igreja de Corinto.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 259.

O apóstolo conclui seu argumento com um aviso, uma exortação e uma reprovação. 1. Um aviso contra as conversas perigosas de pessoas más, pessoas de vida e princípios negligentes. Ele diz: “Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes” (v. 33). E possível que alguns que diziam não haver ressurreição dos mortos fossem pessoas de vida negligente, e que se esforçavam para fundamentar suas práticas viciosas nesse princípio corrupto, e que tinham essa conversa em suas bocas frequentemente: “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”.

Ora, o apóstolo concorda que a ideia deles seria correta se não houvesse estado futuro. Mas, tendo refutado o princípio deles, ele agora adverte os coríntios de quão perigosa a conversa dessas pessoas pode ser. Ele lhes diz que eles provavelmente seriam corrompidos por ela, e adotariam seu modo de vida, se aceitassem os maus princípios deles. Más companhias e conversas têm a probabilidade de tornar pessoas más. Aqueles que querem manter a inocência devem cultivar boas companhias. O erro e o vício são contagiosos: e se queremos evitar o contágio, devemos ficar longe dos que foram contaminados. “Anda com os sábios e serás sábio, mas o companheiro dos tolos será afligido” (Pv 13.20).

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 501.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

SÍNTESE DO TÓPICO III

O Espírito Santo é a fonte de santidade, segundo o padrão de Jesus Cristo.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“É impossível e não há base bíblica para se crer que um avivamento que só recebe o Espírito Santo como inspirador da Palavra ou da ação, e não da santificação pessoal também, continue no seu poder. ‘Entristecer’ o Espírito de Deus por falta de santificação (Ef 4.30) com certeza termina também na ‘extinção’ do Espírito de Deus na sua manifestação (1 Ts 5.19). O plano divinamente equilibrado revelado no Novo Testamento é onde o Espírito Santo se assemelha na origem tanto do fruto como do dom; e para as duas abençoadas fases da nossa redenção Ele é bem-vindo e obedecido.

[…] [Também] existe o erro de que receber o batismo com o Espírito Santo torna o crente sem pecado, perfeito ou algo parecido com isso. A verdade bíblica é a de que, em seguida ao batismo com o Espírito, haja uma grande ‘porcentagem’ de santificação pessoal ainda necessária no crente, e isso se processa à medida que os filhos de Deus agora continuem a ‘andar em Espírito’ (Gl 3.2,3; 5.16-25). É inútil pensar que qualquer ‘benção’ ou ‘experiência’ possa substituir um ‘andar’ contínuo no Espírito – por mais útil que tal bênção possa muitas vezes ser” (GEE, Donald. Como Receber o Batismo no Espírito Santo: Vivendo e testemunhando com poder. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.60,61).

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

CONCLUSÃO

Sobre a santificação precisamos saber o significado, a sua importância e a sua necessidade. Isso evita confundir a santificação com regras externas típicas de religiões legalistas. A santificação é a marca de uma vida na plenitude do Espírito.

6 Lição 1 Tri 21 Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito

PARA REFLETIR

A respeito de “Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito”, responda:

• Qual a ideia predominante de santidade ou santificação no Antigo Testamento?

A ideia predominante de santificação ou santidade no Antigo Testamento é de separação tanto de pessoas como de lugares e coisas para o serviço sagrado.

• O que é santificação posicional?

A santificação que ocorre de maneira instantânea, isso quando o pecador recebe a salvação em Jesus pela fé (1 Co 1.30).

• O que é santificação progressiva?

Ao nascer, a criança continua o seu crescimento físico e mental, e isso se aplica também à vida espiritual (Hb 5.12,13; 1 Pe 2.2). É o mesmo processo que ocorre no desenvolvimento do caráter do crente.

• Por que Deus exige santidade do seu povo?

Deus é santo e por isso exige santidade de seu povo.

• O que é ética cristã?

A ética cristã é um estudo sistemático sobre os princípios e as práticas do que é certo e errado à luz das Escrituras Sagradas, trata-se da parte da teologia que estuda o padrão de conduta conforme a vontade de Deus (Rm 12.1,2).

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.


1 – A Pessoa do Espírito Santo

2 – A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção


3 – O Batismo no Espírito Santo

4 – A Atualidade dos Dons Espirituais

5 – Fruto do Espírito: o Eu Crucificado

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