6 LIÇÃO 1 TRIMESTRE 2022 A BÍBLIA COMO UM GUIA PARA A VIDA

  6 LIÇÃO 1 TRIMESTRE 2022 A BÍBLIA COMO UM GUIA PARA A VIDA

6 LIÇÃO 1 TRIMESTRE 2022 A BÍBLIA COMO UM GUIA PARA A VIDA

 

TEXTO ÁUREO

“Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.” (Sl 119.105)  

VERDADE PRÁTICA

A Bíblia é um guia seguro para a nossa caminhada cristã. Alicerçados nos ensinos da Palavra de Deus, somos instigados a viver com sabedoria e prudência.

LEITURA DIÁRIA

  Segunda – 1 Co 10.4 Nossa vida deve ser edificada na rocha, que é o próprio Cristo, e a sua Palavra   Terça – Jo 8.12 Cristo é a luz do mundo e quem o segue não anda em trevas   Quarta – Pv 3.7 O mero conhecimento sem a prática não produz sabedoria   Quinta – Pv 2.6 Deus é a fonte de toda a verdadeira sabedoria   Sexta – Ef 1.7,8 A graça de Deus nos faz alcançar o perdão, e ainda a sabedoria e a prudência   Sábado – Ef 5.15 A Bíblia nos exorta a viver prudentemente, e não como néscios    

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Salmos 119.97-105

  97 – Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia.   98 – Tu, pelos teus mandamentos, me fazes mais sábio que os meus inimigos, pois estão sempre comigo.   99 – Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque medito nos teus testemunhos.   100 – Sou mais prudente do que os velhos, porque guardo os teus preceitos.   101- Desviei os meus pés de todo caminho mau, para observar a tua palavra.   102 – Não me apartei dos teus juízos, porque tu me ensinaste.   103 – Oh! Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais doces do que o mel à minha boca.   104 – Pelos teus mandamentos, alcancei entendimento; pelo que aborreço todo falso caminho.   105 – Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho.   Hinos Sugeridos: 141, 458, 498 da Harpa Cristã    

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

Nesta lição, temos como propósito mostrar que a Bíblia é um verdadeiro guia para a nossa vida. Quem põe em prática seus ensinamentos será considerado um verdadeiro sábio. A Bíblia é um livro divino que nos ensina a sabedoria de todas as áreas da vida. Neste livro está presente o que precisamos para viver de maneira que glorifique a Deus. Que os nossos alunos permitam que a Bíblia seja o guia da vida deles!  

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

A) Objetivos da Lição: I) Enfatizar que o crente deve alicerçar a sua vida na Bíblia; II) Esclarecer que Deus é a fonte da verdadeira sabedoria; III) Mostrar que o salvo em Cristo deve viver com sabedoria e prudência. B) Motivação: A sabedoria e a prudência são virtudes que resultam do propósito resoluto de viver os ensinamentos da Bíblia. Quem as leva sério e as põem em prática se torna mais sábio e prudente na maneira de viver. C) Sugestão de Método: Escolha um trecho do livro de Provérbios e mostre a atemporalidade da sabedoria ali presente no texto. As opções de textos bíblicos de sabedoria são abundantes. Explique que o livro de Provérbios foi escrito com 0 propósito de fazer dos leitores, pessoas mais sábias.  

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: Desafie a classe a colocar em prática a sabedoria das Escrituras. Aqui você pode usar o mesmo trecho escolhido em Provérbios para encorajar os alunos a praticar uma verdadeira sabedoria.  

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão: Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios às Lições Bíblicas. Na edição 88, p.39, você encontrará um subsídio especial para esta lição B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará um auxílio que dará suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “ Entenda a História da Escritura como Todo” aprofunda o primeiro tópico, mostrando a importância de compreender a Bíblia de maneira global para aplicá-la como guia em nossa vida; 2) O texto “ O Caráter do Professor Cristão” auxilia na aplicação do segundo tópico de maneira que o docente da Escola Dominical tenha um caráter guiado pela Bíblia no dia a dia.    

INTRODUÇÃO COMENTÁRIOS

A Bíblia, quando obedecida, torna-se um verdadeiro guia para o viver cristão. Cristo nos adverte ao exame das Escrituras porque nelas estão reveladas as palavras de vida eterna (Jo 5.39). Tiago assevera que a Palavra de Deus transforma a nossa natureza, e nos conduz pela vereda da salvação (Tg 1.21). Nesta lição, veremos que a Escritura é um alicerce constituído de sabedoria e prudência para a vida.    

 

COMENTÁRIOS

 

Bíblia Sagrada, quando crida e obedecida, torna-se um seguro, autêntico e verdadeiro guia para o viver cristão. O texto sagrado aponta para Cristo como o único caminho que conduz à vida abundante (Jo 10.10). O próprio Cristo nos adverte ao exame das Escrituras porque nelas estão reveladas as palavras de vida eterna (Jo 5.39). O apóstolo Tiago assevera que a Palavra de Deus transforma a nossa natureza, e nos conduz pela vereda da salvação (Tg 1.21). Em vista disso, Peter Davids assinala “não ser suficiente que a pessoa esteja convencida a respeito de Jesus; a pessoa deve entregar-se a Cristo, aceitar seu ensino, e essa fidelidade é o estilo de uma nova vida”. Nessa nobre tarefa, a imutável e inerrante Palavra de Deus alumia o caminho que devemos trilhar com plena segurança. O Senhor Jesus alerta que a porta é estreita, e o caminho é apertado, porém, é o único que leva à vida, e poucos há que o encontram (Mt 7.14). Nesse aspecto, Tasker lembra que “o que torna o caminho estreito difícil de achar é a existência de numerosos mestres falsos que têm as suas próprias fórmulas para o bem-estar do homem”. Assim, por meio da irrestrita obediência às Escrituras e o temor a Deus, recebemos sabedoria e prudência para andar como filhos da luz (Ef 5.8). Neste capítulo, veremos que a Escritura serve como alicerce de sabedoria e prudência. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Tiago enfatiza três verdades vitais aqui. Em primeiro lugar, o verdadeiro crente nasce da Palavra de Deus (1.18). A Palavra de Deus é a divina semente. Quando ela é aplicada em nosso coração pelo Espírito Santo, acontece o milagre do novo nascimento. Nascemos, assim, de cima, de Deus, do Espírito. Recebemos, portanto, uma nova natureza, uma nova vida. Em segundo lugar, o verdadeiro crente acolhe a Palavra (1.21). Há uma preparação própria para receber a Palavra: “Pelo que, despojando-vos de toda sorte de imundícia e de todo vestígio do mal…”. A Palavra de Deus é comparada a uma semente, e o coração do homem, a um solo. Antes de lançarmos a semente precisamos preparar a terra. Jesus falou de quatro tipos de solo: o solo endurecido, o superficial, o congestionado e o frutífero (Mt 13.1-23).

Antes de acolhermos a Palavra, precisamos remover a erva daninha da impureza e da maldade. Também é requerida uma atitude correta para receber a Palavra: “… recebei com mansidão a palavra em vós implantada…” A mansidão é o oposto da ira (1.19). E necessário adubar o terreno para que a semente frutifique. A Palavra deve ter raízes profundas em nossa vida. Aceitamos de bom grado a transformação que Deus opera em nós através da Palavra. Tiago fala ainda acerca do resultado da recepção da Palavra: “… a qual é poderosa para salvar as vossas almas”. Quando nascemos da Palavra, ouvimos a Palavra, recebemos a Palavra e praticamos a Palavra, podemos ter garantia da salvação. Em terceiro lugar, o verdadeiro crente pratica a Palavra (1.22-25). Não basta ouvir ou ler a Palavra, é preciso praticá-la. Não basta apenas o conhecimento da verdade, é necessário também a prática da verdade. Muitos crentes marcam sua Bíblia, mas a Bíblia não os marca. Há grandes benefícios em se praticar a Palavra. Primeiro, quem pratica a Palavra conhece a si mesmo (1.23,24).

A Palavra aqui é comparada não com a semente, mas com o espelho. O principal propósito do espelho é o autoexame. Quando você olha para dentro da Palavra e compreende o que ela diz, você conhece a você mesmo: seus pecados, suas necessidades, seus deveres e suas recompensas. Ninguém olha no espelho e logo vai embora sem fazer nada. Você olha no espelho para saber se já penteou o cabelo, se já lavou o rosto ou se a roupa está bem passada. Você olha no espelho para ver as coisas como elas são. Quando você olha no espelho, você descobre que tipo de pessoa você é e como você está. Há alguns perigos quanto ao espelho que precisamos evitar: devemos evitar olhar apenas de relance no espelho. Muitas pessoas não estudam a si mesmas quando leem a Bíblia. Muitas pessoas leem a Bíblia todo dia, mas não são lidas por ela, não a observam.

Muitos leem por um desencargo de consciência, mas não se afligem por não colocar sua mensagem em prática. Há sempre o perigo de você se ver no espelho e não fazer nada a respeito. Leia esta história: Conta-se a história de um homem idoso, bastante míope, que tinha grande orgulho em atuar como crítico de arte. Um dia, ele visitou um museu com alguns amigos e, imediatamente começou a fazer suas críticas sobre vários quadros. Parando diante de um quadro de corpo inteiro, começou a dar a sua opinião. Ele havia deixado seus óculos em casa e não podia ver a pintura com clareza. Com ar de superioridade, ele comentou; A constituição física desse modelo está simplesmente em desacordo com a pintura. O sujeito (um homem) é bastante rústico e está miseravelmente vestido. De fato, ele é repulsivo, e foi um grande erro para o artista selecionar esse modelo de segunda classe para pintar o seu retrato’. O velho camarada foi seguindo em seu caminho, quando sua esposa o puxou para o lado e sussurrou em seu ouvido: ‘Querido, você estava se olhando no espelho’.

Devemos tomar cuidado para não esquecermos o que vemos no espelho. Muitas vezes lemos a Bíblia tão distraidamente que nem conseguimos ver quem nós somos, como está a nossa aparência. Não temos convicção de pecado. Não sentimos sede de Deus. Não falamos como Isaías: “Ai de mim!”. Não falamos como Pedro; “Senhor, aparta-te de mim, porque eu sou um pecador”. Não falamos como Jó: “Eu me abomino no pó e na cinza”. Devemos nos acautelar para não fracassarmos em fazer o que o espelho mostra. Não basta ler a Bíblia, é preciso praticá-la. Não basta falar, é preciso fazer. Reunimo-nos muito para conhecer e pouco para praticar. Gastamos os assentos dos bancos e pouco as solas dos sapatos. Segundo, quem pratica a Palavra torna-se verdadeiramente livre (1.25).

 

Por que Tiago chama a Lei de Deus de “lei perfeita, lei da liberdade?” É porque quando a obedecemos, Deus nos liberta. Aquele que comete pecado é escravo do pecado (Jo 8.34). Disse Jesus: “Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sois meus discípulos; e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (Jo 8.31,32). Deus não deu a Sua lei como meio de salvação, mas a deu como um estilo de vida para os salvos, aqueles que haviam sido redimidos (Êx 20.2). Terceiro, quem pratica a Palavra torna-se bem-aventurado no que realizar (1.15). Ouvir a palavra sem praticá-la é enganar-se a si mesmo. E como se olhar no espelho, ver a roupa suja e não fazer nada. Ouvir a Palavra e não praticá-la é ter uma falsa religião. O fim é o engano, é a tragédia. Mas, quem obedece à Palavra é bem-sucedido em tudo quanto faz (Js 1.6-8). LOPES. Hernandes Dias. TIAGO Transformando provas em triunfo. Editora Hagnos. pag. 32-35.      

 

Ponto Chave: GUIA

 

 

I – A BÍBLIA É UM ALICERCE PARA A VIDA

       1.   A Palavra de Deus é alicerce.   Importante ressaltar que a Bíblia é a única infalível revelação escrita, divinamente inspirada (2 Tm 3.16; Ap 1.1). Quem ouve e coloca em prática a Palavra de Deus é comparado a uma pessoa prudente cuja casa é alicerçada sobre a rocha (Mt 7.24). Nesta ilustração de Jesus, a casa simboliza a vida. A vida deve ser edificada nos ensinos de Cristo a fim de alcançar a virtude e um destino glorioso (Jo 3.16). O próprio Cristo é a rocha (l Co 10.4). Ele tem as palavras de vida eterna (Jo 6.68). A síntese desse grande ensinamento é que nem as crises dessa vida e nem a eternidade poderá abalar quem está firmado em Cristo e na sua Palavra (Mt 7.25).  

COMENTÁRIO

 

    Importante ressaltar que a Bíblia é a única infalível revelação escrita, divinamente inspirada (2 Tm 3.16; Ap 1.1). Quem ouve e coloca em prática a Palavra de Deus é comparado a uma pessoa prudente cuja casa é alicerçada sobre a rocha (Mt 7.24). Na última seção do sermão do Monte, pouco antes do epílogo, Cristo narra a parábola dos “construtores sábios e os construtores tolos” (Mt 7.24-27). Os editores do Comentário Bíblico Pentecostal chamam atenção para o paralelismo clássico apresentado na parábola: “o sábio constrói sobre a rocha; o tolo constrói sobre a areia”. E quem é o sábio? “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras [de Cristo], e as pratica” (Mt 7.24); consequentemente o tolo é “aquele que ouve estas minhas palavras [de Cristo], e não as cumpre” (Mt 7.26). Nessa ilustração de Jesus, a casa simboliza a vida. A pessoa prudente constrói a sua casa e estabelece toda a sua vida em submissão genuína à Palavra de Cristo. A pessoa desobediente constrói sobre o fundamento frouxo da confiança própria e de falsas esperanças. Ambas as construções sofrem com as intempéries da vida: a chuva torrencial, a inundação e o temporal (Mt 7.25,27).

Esses elementos simbolizam os tempos difíceis da nossa vida: perseguições, traições, doenças, violências e sofrimentos diversos. É importante notar que Cristo já tinha ensinado que o Pai “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt 5.45). Significa que ninguém está imune das adversidades da vida. Entretanto, existe uma diferença crucial entre os dois construtores, em especial no enfrentamento desses problemas. A casa edificada sobre a rocha, apesar de ter sido ferozmente combatida, nem caiu e nem quebrou (Mt 7.25). Porém, um toque dramático é acrescentado à casa fundada na areia: “caiu, e foi grande a sua queda” (Mt 7.27). A parábola claramente ensina que nossa vida deve estar edificada nos ensinos de Cristo a fim de alcançar a virtude e um destino glorioso (Jo 3.16). O próprio Cristo é a rocha sobre a qual devemos edificar a nossa casa (1 Co 10.4). É somente pela nossa união com Cristo que podemos ter esperança e segurança. Ele tem as palavras de vida eterna (Jo 6.68). A síntese desse grande ensinamento é que nem as crises dessa vida e nem a eternidade poderá abalar quem está firmado em Cristo e na sua Palavra (Mt 7.25). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Ilustração Final (7.24-27). Aquele que ouve e pratica é como um homem que construiu a sua casa sobre a rocha. Quando as tempestades batem contra a casa com toda a sua fúria, ela ainda permanece firme. O termo enchente, utilizado por algumas versões, significa, literalmente, rios. O clima da Palestina é como o do sul da Califórnia, sob muitos aspectos. Os leitos dos rios ficam secos durante a maior parte do ano. Mas quando as chuvas do inverno e da primavera chegam, surgem as inundações. Jesus retratou o ouvinte descuidado como um homem que de forma insensata construiu a sua casa sobre a areia, e então a perdeu. As casas na Palestina são em sua maioria construídas com pedras ou com tijolos secos ao sol. Quando as tempestades dissolvem a argamassa, as paredes tendem a cair. Ralph Earle. Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Editora CPAD. Vol. 6. pag. 69.    

 

Os verdadeiros seguidores de Jesus não irão apenas ouvir as Suas palavras, mas praticá-las, permitindo que a mensagem faça diferença em sua vida. Nesse ensino, Jesus explicou que o verdadeiro seguidor, que pratica as Suas palavras, é como a pessoa que constrói a sua casa sobre a rocha. Aquele que “constrói sobre a rocha” é um discípulo que ouve e obedece, e não um impostor. Praticar a obediência é construir sobre o sólido alicerce das palavras de Jesus, a fim de enfrentar as tempestades da vida. Mesmo em meio à chuva, à inundação, e aos ventos, o alicerce que estiver sobre a rocha não será afetado. 7.26,27 Em contraste com a pessoa sábia (7.24), a pessoa insensata ouve o ensino de Jesus e o ignora.

Embora as duas pessoas tenham construído suas casas, e essas casas até pareçam idênticas, somente uma suportará o teste. Somente a pessoa que ouve e pratica a vontade de Deus receberá a recompensa. A casa construída sobre a areia irá desabar. Quando vierem as tempestades, a pessoa não terá firmeza, a sua vida se despedaçará, e o fim será uma grande queda – o juízo final, a destruição (7.13,14), e a separação de Deus (7.22,23). Assim como o caráter é revelado pelos frutos (7.20), a fé é revelada através das tempestades. A pessoa sábia, que procura agir de acordo com a Palavra de Deus, edifica a sua vida de forma que esta possa suportar qualquer dificuldade ou problema. Será o alicerce, e não a casa, que determinará o que acontecerá no dia do juízo final. Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 55.    

 

   2.   A Palavra de Deus é luz.

 

  Os Salmos declaram que a Palavra de Deus é “ lâmpada para os pés” e “ luz para o caminho” (Sl 119.105). Significa que a Bíblia possui orientações para cada passo do nosso viver e instruções para todo o curso da nossa vida. Pedro fala da Palavra com o “ um a luz que alumia em lugar escuro” (2 Pe 1.19). Quer dizer que a luz das Escrituras dissipa a escuridão espiritual e nos conduz em segurança pelo caminho da vida eterna. Cristo disse: “ Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas” (Jo 8.12); e Paulo ensina que devemos andar como filhos da luz (Ef 5.8), isto é, afastados da prática do pecado (1 Jo 3.6).  

COMENTÁRIO

 

  Os Salmos declaram que a Palavra de Deus é “lâmpada para os pés” e “luz para o caminho” (Sl 119.105). Ao dissertar acerca desse salmo, Charles Spurgeon escreveu: “um dos benefícios mais práticos dos textos sagrados é a orientação nos atos da vida diária; esta tocha não é enviada para nos assombrar com seu brilho, mas para nos orientar com a sua instrução”. Quer dizer que a Bíblia possui orientações para cada passo do nosso viver e instruções para todo o curso da nossa vida. No salmo em questão, Davi guia os seus passos pelas Escrituras e assume o compromisso de guardar os seus estatutos (Sl 119.106). O apóstolo Pedro fala da Palavra como “uma luz que alumia em lugar escuro” (2 Pe 1.19).

Sobre essa declaração, o Comentário de Aplicação Pessoal discorre que “temos as Escrituras como a nossa luz e o Espírito Santo para esclarecer e nos orientar, à medida que aprendemos mais sobre a verdade”. Implica dizer que aquele que não é guiado pelas Escrituras encontra-se desorientado, cedo ou tarde irá tropeçar, e consequentemente sucumbirá. Somente a luz das Escrituras dissipa a escuridão espiritual e nos conduz em segurança pelo caminho da vida eterna. A respeito disso, Cristo declarou: “Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas” (Jo 8.12). Essa afirmação do Senhor Jesus lembra a coluna de fogo que orientou os filhos de Israel durante a noite nas suas peregrinações no deserto (Êx 13.21). O Comentário Bíblico Beacon enfatiza que “da mesma maneira como Jeová era o seu guia e Iluminador naquela ocasião, assim também Jesus é o EU SOU, sempre presente, sempre iluminado, dispersando a escuridão”.6 E, nessa direção, também Paulo ensina que devemos andar como filhos da luz (Ef 5.8), isto é, afastados da prática do pecado (1 Jo 3.6). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Observe aqui: 1. A natureza da palavra de Deus e a grande intenção de entregá-la ao mundo; ela é lâmpada […] e luz. Ela revela-nos coisas sobre Deus e nós mesmos que, do contrário, não conheceríamos; ela mostra-nos o que está errado e é perigoso; ela guia-nos em nosso trabalho e caminho; na verdade, o mundo seria um lugar sombrio sem ela. Ela é uma lâmpada que podemos levantar para nós e tomar em nossa mão para nosso uso particular (Pv 6.23). O mandamento é a lâmpada que continua a queimar com o óleo do Espírito; ela é como as lâmpadas do santuário e a coluna de fogo para Israel. 2. O uso que devemos fazer dela. Ela deve ser não só luz para os olhos para gratificá-los e encher nossa mente com especulações, mas também lâmpada para os [»ossos] pés […] e luz para o [vosso] caminho para nos guiar na arrumação correta de nossa conversa tanto na escolha de nosso caminho, em geral, e dos passos, em particular, que damos nesse caminho, para que não tomemos um caminho falso nem demos um passo em falso no caminho correto. Assim, somos realmente sensíveis à bondade de Deus conosco em nos conceder essa lâmpada e essa luz quando a tornamos o guia de nossos pés, do nosso caminho. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 642.    

 

Alguém disse bem que a maior de todas as habilidades é a confiabilidade, fato que se aplica especialmente à vida cristã. Considerando que desejamos que Deus seja fiel a nós, é errado Deus esperar que sejamos fiéis a ele? A fidelidade é uma demonstração de fé, que vem de ouvir e receber a Palavra de Deus (Rm 10:17; 2 Ts 2:13). O salmista descreve diversas áreas nas quais a fidelidade manifesta-se na vida daquele que crê. Os pés (v. 105). Este versículo combina duas imagens bíblicas conhecidas: a vida é um caminho (vv. 32, 35, 101, 128; 16:11; 23:3; 25:4) e a Palavra de Deus é a luz que nos ajuda a seguir o caminho certo (v. 130; 18:28; 19:8; 36:9; 43:3; Pv 6:23; 2 Pe 1:19).

O mundo antigo não conhecia iluminação como a que temos hoje; as pessoas carregavam consigo pequenos potes de cerâmica contendo óleo, e a luz dessas lamparinas iluminava apenas o próximo passo do caminho. Não vemos o percurso todo de uma só vez, pois quando seguimos a Palavra, caminhamos pela fé. Cada ato de obediência mostra o passo seguinte, e, por fim, chegamos a nosso destino. Dizem que vivemos numa “era esclarecida”, mas, na verdade, vivemos em um mundo coberto de trevas (Jo 1:5; 3:19; 8:12; 12:46; Cl 1:13; 1 Pe 2:9), e somente a luz de Deus pode nos guiar pelo caminho certo. Se obedecermos à Palavra, continuaremos andando na luz (1 Jo 1:5-10). WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 305-306.    

 

   3.   A Palavra de Deus é imutável.

 

  Tendo a inspiração divina como pressuposto, ratificamos novamente que a Palavra de Deus é a nossa autoridade final de fé e prática (2 Pe 1.21). A Bíblia difere de outros livros porque seus ensinos são fidedignos e confiáveis, não erram e nem falham (Jo 10.35). Desse modo, o texto bíblico permanece inalterado (Mc 13.31). Por conseguinte, os princípios bíblicos têm aplicação hoje, assim como o tiveram antigamente (Is 55.11) – Os padrões da ética e da moral cristã não sofrem mudanças (l Pe 1.20). Portanto, os valores cristãos são permanentes, pois a fonte de autoridade é permanente (Mt 5.18). Assim sendo, o comportamento e o caráter do cristão se alicerçam nas doutrinas bíblicas (Ef 2.20).  

COMENTÁRIO

 

  Tendo a inspiração divina como pressuposto, ratificamos que a Palavra de Deus é a nossa autoridade final de fé e prática (2 Pe 1.21). A Bíblia difere de outros livros porque seus ensinos são fidedignos e confiáveis, não erram e nem falham. O Senhor Jesus declarou enfaticamente que “a Escritura não pode ser anulada” (Jo 10.35). Compreende-se a partir dessa sentença que a Escritura não pode ser invalidada (Mc 7.13), isto é, a Palavra de Deus não pode ser colocada de lado quando seu ensino não convém ou não agrada as pessoas. Não pode ser ressignificada para atender aos ideais e aspirações do humanismo. O que está escrito permanece escrito. Desse modo, o texto bíblico permanece inalterado e “imexível”. Cristo foi quem assegurou essa certeza ao declarar: “passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão” (Mc 13.31). Deus não muda (Ml 3.6), Ele é fiel ao concerto estabelecido, e, por conseguinte, a sua Palavra é imutável. O apóstolo Tiago escreve que em Deus “não há mudança, nem sombra de variação” (Tg 1.17).

Ele é plenamente confiável, sua Palavra é absolutamente constante. Deus não mente (Nm 23.19), e nem pode mentir (Hb 6.18). Portanto, os princípios bíblicos e as doutrinas revelados nas Escrituras têm aplicação hoje, assim como tiveram antigamente (Is 55.11). Em suma, os padrões da ética e da moral cristã não sofrem mudanças (1 Pe 1.20). Os valores cristãos são permanentes, pois a fonte de autoridade é permanente (Mt 5.18). Não cabe ao cristão contradizer e nem ajustar as Escrituras para atender aos interesses das ideologias pós-modernas. Assim sendo, o comportamento e o caráter do cristão se alicerçam nas doutrinas bíblicas (Ef 2.20). Os textos aqui citados, e tantos outros que por falta de espaço não foram mencionados, atestam que a Bíblia Sagrada é exatamente aquilo que ela afirma ser: a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

Temos aqui as palavras de Jesus, suas profecias e ensinamentos. São certas como a lei, e não podem falhar, mesmo que passem o céu e a terra. Nesta afirmativa temos uma espécie de p rim e ira declaração do cânon, pois quando as palavras de Jesus foram registradas, imediatamente assumiram posição «canônica», em nada ficando a perder para as Escrituras do A.T . Não admira, pois que evangelhos (juntamente com dez epístolas paulinas) tenham formado o cânon original do N.T., e que, muito antes de qualquer formalização do «cânon», as palavras de Jesus fossem consideradas «autoritárias» Proverbialmente, «…o céu e a terra …» são as coisas mais perduráveis.

Mas são transitórias, em comparação com as palavras d Cristo. De fato, finalmente, se dissiparão. Naturalmente, sua palavra é continua, não podendo ser contida em um livro ou em uma coleção de livros. Sempre dependeremos de sua palavra doadora de vida. Muito temos ainda que aprender que elo ainda não nos pode dizer; c sempre as coisas serão assim. A aplicação imediata do vocábulo «palavras», neste caso, é o pequeno apocalipse (suas predições; mas, por extensão, todas as suas palavras devem ser incluídas, aquelas que já foram ditas, aquelas que estão sendo ditas, e aquelas que ainda serão ditas. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 774.    

 

SINÓPSE I

A vida do crente está alicerçada na imutável Palavra de Deus: a luz para o nosso caminho.

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

“Entenda a História da Escritura como um Todo Um aspecto de importância vital sobre a Bíblia em seu contexto é compreender a sua história global. Uma razão pela qual temos dificuldade em entender e viver os trechos da Bíblia é que não conseguimos compreender o quadro geral, a história global. Perguntei a David [S. Dockery] sobre a importância de compreender o panorama geral da Bíblia. Ele respondeu: ‘Acredito que precisamos entender a grande história, desde a criação até o livro de Apocalipse, e entender que Deus não se revelou apenas em determinados momentos, para pessoas em particular, mas o fez de forma progressiva.  

À medida que o tempo passava na história bíblica. Deus revelou mais e mais aspectos de seu plano para a humanidade. Nós vemos a progressão, por exemplo, nas alianças que Ele fez com as pessoas. Ele fez uma aliança com Abraão, uma aliança que foi amplificada com Davi, e depois ainda mais ampliada na nova aliança prometida em Jeremias. A aliança se cumpre quando começamos ler Mateus 1, à medida que Mateus traça a genealogia e a história de Jesus através das alianças do Antigo Testamento. […] O panorama geral evita que leiam os passagens fora do contexto ou atribuímos à Bíblia algo que não está nela’” (GUTHRIE, George. Lendo a Bíblia Para a Vida: Seu Guia para Entender e Viver a Palavra de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.35)    

 

II – A BÍBLIA NOS TORNA PESSOAS SÁBIAS

 

   1.   O conceito de sabedoria.

 

  O substantivo hebraico para sabedoria é hokmãh; e o seu correspondente em grego é sophia. Ambas as palavras têm o sentido de “ habilidade”, “experiência” e “ qualidade de quem é sábio”. A obra Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal assegura que “ a sabedoria reúne o conhecimento da verdade com a experiência do cotidiano”. Significa que o conhecimento absorvido pela mente deve ser aplicado em todas as situações da vida (Pv 4.5-8 ). Nesse aspecto, o conhecimento sem a prática não produz sabedoria (Pv 3.7).  

COMENTÁRIO 

 

  O substantivo hebraico para sabedoria é “hokmãh”. O Dicionário Vine anota que essa palavra aparece 141 vezes no Antigo Testamento, e, na maior parte das vezes, em Jó, Provérbios e Eclesiastes. O termo significa “o conhecimento e a habilidade de fazer escolhas certas no momento oportuno. A consistência de fazer a escolha certa é indicação de maturidade e desenvolvimento”. A palavra correspondente para sabedoria em grego é “sophia”, e está relacionada e se assemelha com a prática da prudência, isto é, “a capacidade de discernir modos de ação com vistas aos seus resultados”. Em síntese, ambos os termos têm o sentido de “habilidade”, “experiência” e “qualidade de quem é sábio”. O teólogo Russel Joyner assegura que a Bíblia coloca a sabedoria no âmbito da prática, por isso a verdadeira sabedoria “reúne o conhecimento da verdade com a experiência do cotidiano”.

Significa que o conhecimento absorvido pela mente deve ser aplicado em todas as situações da vida. A orientação de provérbios “adquire a sabedoria, adquire a inteligência” (Pv 4.5) sublinha que não é suficiente acumular informações e encher o intelecto de conhecimento. A sabedoria ultrapassa o conhecimento dos fatos, das leis e das ciências. Nesse aspecto, o conhecimento sem a prática adequada do aprendizado não produz sabedoria (Pv 3.7). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.  

 

  SABEDORIA destreza, habilidade, consequentemente: criterioso, usando razão habilmente, inteligência ampla e cheia e entendimento. Estas são de longe as palavras mais comuns na Bíblia a serem traduzidas pelo termo “sabedoria”, embora existam outros termos de ocorrência menos frequente traduzidos também como “sabedoria”: em hebraico discernimento, prudente; conselho ou entendimento). MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 276.     Termos Relativos aos Tipos de

 

Sabedoria

Chokmah (também transliterado como hokmah): habilidade ou destreza na arte (Exo. 28.3; 31.6, et ai.); habilidade mais elevada de raciocínio, prudência, inteligência (Deu.4.6; 34:9; Pro. 10.1, et ai.).

Sakal, ser prudente, circunspecto (l Sam. 18.30;Jó 22.2, et al)o

Tushiyah, retidão, bom conselho e compreensão (Já 11.6; 12.16; Pro. 3.21, etal.).

Binah, compreensão, introspeção, inteligência (Pro. 4.7; 5.5; 39.26; Deu. 4.6; I Crô. 12.32; Dan. 1.20; 9.22; 10.1, et ai.).

Sophia (no Novo Testamento), palavra geral para todos os tipos de sabedoria, divina e humana (Luc. 1.17; 11.31,49; Atos 6.3,1O;,Rom. 11.31;I Cor. 1.17,19;Efé. 1.8,17;Tia. 1.5; 3.13,15, 17; IIPed. 3.15;Apo. 5.12; 13.18; 17.9,etal.).

Caracterização Geral Ter sabedoria é pensar bem e agir bem em qualquer empreendimento realizado, seja secular ou espiritual. Deus é a principal fonte de todo o bom pensamento e óe toda a boa realização, pois seu espírito vive no homem, é expresso nele e conduz O caminho. A sabedoria pode ser destreza mecânica e habilidade nos trabalhos manuais (Êxo. 28.3); a arte dos mágicos (Gên. 41.8; Êxo. 7.11); sagacidade, aprendizado, experiência, aplicação do conhecimento (Já 12.2; 38.37; Sal. 105.22); as filosofias engenhosas dos pagãos (I Cor. 1.20; 2.5; 3.19). A sabedoria é um atributo de Deus (I Tim, 1.17; Jud. 25) e um presente especial de Deus ao homem (Atos 6.10; I Cor. 2.6; 12.8; Efé, 1.17; Tia. 1.5; 3.15-17). Jesus, o Cristo, era a sabedoria personificada (l Cor. 1.30). A sabedoria era tratada como uma Senhora Nobre que é tanto profetisa quanto professora (Pro. 1.20-33; 9.1-6). Esta mulher é mãe e esposa, e pode tomar-se irmã de alguém (Cantares de Salomão; Pro. 7.4; 31.1 O). Como esposa e mulher, é uma boa conselheira e mestra (Pro. 8.6-10, 14). É contrastada com a mulher ignorante e profana (Pro. 9.13-18). A Boa Senhora “seduz” aos bons pensamentos e atos; a senhora ignorante está interessada apenas no corpo, em seus apetites e adornos (Pro. 2.16; 5.3-20; 7.5-27). Este motivo de Sabedoria Feminina repete-se em outros livros judaicos, como Sabedoria de Salomão, Siraque, Baruque e em algumas passagens dos materiais do Qumran. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. pag. 7.    

 

   2.   Deus é a fonte da sabedoria.

 

  A sabedoria é um dos atributos divinos (Dn 2.20; Rm 16.27). Portanto, Deus é a sua fonte (Pv 2.6; Ef 1.16,17). A sabedoria divina é inescrutável (Rm 11.33) Toda a sabedoria dos santos provém da parte de Deus (Ef 1.8,9). Em resumo, visto que Deus é a verdadeira sabedoria, as suas palavras e seus atos são igualmente sábios (Sl 19.7; Pv 3.19). Nesse sentido, todos que vivem de acordo com os preceitos da Palavra de Deus são considerados pessoas sábias (l Co 2.6,7).  

COMENTÁRIO

 

    A sabedoria é um dos atributos divinos (Dn 2.20). As Escrituras nos exortam a adorar “o único Deus sábio” (Rm 16.27; 1 Tm 1.17; Jd 1.25). Ele é a única fonte da genuína sabedoria (Pv 2.6; Ef 1.16,17). O erudito Louis Berkhof analisa que “pode-se considerar a sabedoria de Deus como um aspecto do seu conhecimento […] ela indica o fato de que Ele sempre busca os melhores fins possíveis, e escolhe os melhores meios para a consecução dos seus propósitos”. Nesse entendimento, Charles Hodge afirma que “todas as obras de Deus declaram sua sabedoria. Elas mostram, desde as menores até as maiores, a mais prodigiosa adaptação de meios para a concretização do sublime fim do bem-estar de suas criaturas e para a manifestação de sua própria glória”. Mercê dessas verdades, ratifica-se que somente Deus é detentor de tamanha sabedoria.

O apóstolo Paulo assevera que a sabedoria divina é inescrutável (Rm 11.33). A Bíblia ainda ensina que toda a sabedoria dos santos provém da parte de Deus segundo o beneplácito da sua vontade (Ef 1.8,9). Por meio da graça, Deus faz os crentes transbordarem com sabedoria e discernimento (1 Co 1.21, 24; 1 Tm 1.14). Paulo escreve que Deus fez Cristo ser a sabedoria em nós (1 Co 1.30). Nesse aspecto, William Hendriksen ratifica que essa sabedoria “é a capacidade de aplicar o conhecimento para melhor proveito, capacitando uma pessoa a usar os meios mais eficazes para alcançar a meta mais elevada”.13 Isso implica a compreensão do plano divino da salvação e da aplicação das Escrituras no dia a dia da caminhada cristã. Em resumo, visto que Deus é a verdadeira sabedoria, as suas palavras e seus atos são igualmente sábios (Sl 19.7; Pv 3.19). Portanto, todos que vivem de acordo com os preceitos da Palavra de Deus são considerados pessoas sábias (1 Co 2.6,7). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

A Maior Fonte de Toda Sabedoria ” … ao Rei eterno, imortal, invisível, único Deus” (I Tim. 1.17); “… o único Deus, nosso Salvador” (Jud. 25). O teísmo bíblico representa Deus como o dono de qualidades humanas mais nobres em grau infinito. Platão transformou a sabedoria em um de seus “universais”, a partir da qual fluem todas as manifestações inferiores da mesma qualidade, e isto está em consonância com o pensamento bíblico. A sabedoria é atribuída à Deidade (I Reis 3.28; Isa. 10.13; 31.2; Jer. 10.12; 51.15; Dan. 5.11). Deus tomou conhecida Sua sabedoria na natureza e na revelação. Ele a abre à intuição humana se um homem for piedoso e estiver em busca de um caminho mais alto (Rom. 11.33; I Cor. 1.24,26; Tia. 1.5; Apo. 7.12; Atos 6.10; Efé. 1.17; Col. 1.9; 3.16). Logicamente, a despeito das revelações, a sabedoria divina não pode ser alcançada pelo homem em nenhum sentido completo, mas é meramente um aspecto da salvação do homem (o ser finito, em constante movimento em direção a Deus, o Infinito). Esse é um processo eterno. CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. pag. 7.    

 

Fontes de sabedoria Onde um homem poderia obter sabedoria era uma pergunta de grande importância tanto para os escritores dos livros da Bíblia como dos da literatura não-bíblica.

Naturalmente adquirida. A habilidade humana para adquirir sabedoria é reconhecida; mas tal sabedoria, de acordo com a Bíblia, vem apenas do “temor do Senhor” (Pv 1.7). Para o judeu, a sabedoria era a aplicação da verdade divina à experiência humana e somente “os loucos desprezam a sabedoria e o ensino”. Os jovens eram especialmente encorajados a se aplicarem à busca pela sabedoria; a fazer seus ouvidos atentos à sabedoria e a inclinar seus corações ao entendimento (2.2). O autor do Salmo 49 mostra a sabedoria dos seus anos de experiência quando anuncia, “A minha boca falará da sabedoria; e a meditação do meu coração será de entendimento” (ARC). Aquilo que segue são as observações do autor sobre a vida e a morte. Especialmente no Salmo 73 há uma união do pensamento humano com a verdade divina, os dois combinando para resultar em sabedoria. O escritor deste Salmo diz: “Em só refletir para compreender isso, achei mui pesada tarefa para mim; até que entrei no santuário de Deus” (SI 73.16,17). O autor da Sabedoria de Salomão faz seu apelo para que os homens busquem a sabedoria:

“A sabedoria é radiante e não fenece, e ela é facilmente contemplada por aqueles que a amam, e se deixa encontrar por aqueles que a buscam” (6.12 BJ).

Aprendizagem. Os escritos dos rabinos interessados na interpretação da lei consequentemente se tomaram o depósito da sabedoria, e aqueles que estudavam a lei obtinham o tesouro da sabedoria. Provérbios apresenta o conselho prático que conduz a uma vida feliz e bem sucedida, o que este livro chamava de “sabedoria”, uma qualidade tão ética que era um passo curto da moralidade que igualava lei à sabedoria que se igualava à lei. Na Apócrifa, o livro de Eclesiástico (A Sabedoria de Jesus, Filho de Siraque) apresenta uma interpretação moral e religiosa da lei que, semelhantemente prefigurava esta identificação da sabedoria com a lei. É incorreto dizer que a sabedoria é equivalente a lei em Eclesiástico, mas a identificação dos dois definitivamente estava em vista. Nos dias do NT, o conhecimento dos rabinos da sabedoria e sua interpretação da lei eram tão definidos que aqueles que não eram educados no rabinismo poderiam ser descritos como amaldiçoados (Jo 7.49).

Revelação. A sabedoria não é atribuída com frequência à deidade no AT (lRs 3.28; Is 10.13; 31.2; Jr 10.12; 51.15; Dn 5.11). Mesmo nos livros de Sabedoria é raro que Deus seja descrito como sábio (Jó 9.4; SI 104.24; Pv 3.19). Provavelmente é assim porque, na avaliação dos escritores do AT, a sabedoria de Deus transcendia tanto a sabedoria humana que seu conhecimento e entendimento não eram descritos adequadamente pelo mesmo termo que ressaltava as capacidades humanas. Na Apócrifa os escritores posteriores estavam mais dispostos a falar da sabedoria de Deus (Eclo 42.21; Baruque 3.32). No NT há várias referências à sabedoria de Deus (Rm 11.33; ICo 1.24; Ap 7.12).

O ponto de vista bíblico parece ser que a sabedoria vem de Deus, deve ser encontrada com Deus, em vez de Deus ser sábio. Depois de perguntar onde é o lugar do entendimento, Jó responde dizendo “Deus lhe entende o seu caminho, e ele é quem sabe o seu lugar” (28.23). A sabedoria humana é, então, dada por Deus. E dada em resposta à oração, como previamente observado, quando os homens buscam seu conselho. No NT a sabedoria de Deus está especialmente associada com seu Espírito. Em última análise, o homem possui sabedoria apenas como um dom de Deus; ela vem pela revelação divina. Este é especialmente o conceito do NT (At 6.10; ICo 2.6; 12.8; Ef 1.17; Cl 1.9; 3.16; Tg 1.5; 3.15-17); mas também é indicado no AT (1 Rs 3.11 ss., Ec 2.26; Is 11.2; Dn 1.17). MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 279-280.    

 

   3.   O temor é o princípio da sabedoria.

 

  A Bíblia registra que “O temor do Senhor é o princípio do saber” (Pv 1.7 – NAA). A frase “ temor do Senhor” não significa ter medo de Deus, mas expressa reverência e adoração (Dt 10.12). Essa atitude é o preceito pelo qual se inicia a sabedoria. O temor a Deus produz entendimento (Rm 12.1,2). E, por meio da obediência às Escrituras, os cristãos passam a viver como pessoas sábias (Ef 5.15). Em contraste, os que rejeitam ao Senhor e à sua Palavra permanecem na ignorância (Sl 14.1).  

 

COMENTÁRIO

 

  A Bíblia registra que “o temor do Senhor é o princípio do saber” (Pv 1.7, ARA). A expressão “temor do Senhor” aparece doze vezes no livro de Provérbios, e no modo imperativo “Temei ao Senhor” é encontrado outras quatro vezes (Pv 1.7,29; 2.5; 3.7; 8.13; 9.10; 10.27; 14.2,26,27; 15.16,33; 16.6; 22.4; 23.17; 24.21). A reiterada repetição dessa frase denota o princípio fundamental da religião revelada: “o temor a Deus”. O Dicionário Bíblico Wycliffe apresenta o seguinte conceito para a palavra “temor”: Um temor santo (heb. yir’a, gr. phobos) que significa ter grande temor ou respeito pela majestade e santidade de Deus, uma reverência piedosa (Gn 20.11; Sl 34.11; At 9.31; Rm 3.18). Davi fala desse temor como sendo limpo e puro (Sl 19.9); […] Este temor é dado por Deus e permite que o homem respeite a autoridade de Deus, obedeça aos seus mandamentos, se desvie do mal (1Sm 12.14,20-25; Sl 2.11; Pv 8.13; 16.6) e busque constantemente a santidade (2Co 7.1; Fp 2.12).

Os gentios convertidos ao judaísmo, que criam em Deus, eram chamados de tementes a Deus (At 10.2,22; 13.26). Diante dessa definição, “temer ao Senhor” não significa ter medo, fobia ou terror de Deus; ao contrário, expressa reverência, gratidão e adoração ao Todo-Poderoso (Dt 10.12). Essa atitude é o preceito pelo qual se inicia a sabedoria. O temor ao Senhor é o primeiro e controlador princípio, não é uma etapa que se abandona, não é apenas um método correto de pensamento, mas, sim, um relacionamento correto de submissão e adoração a Deus. O temor a Deus é o ponto de partida que produz o verdadeiro entendimento, o sábio proceder (Rm 12.1,2).

Aqui importa ressaltar, como já observado, que o conhecimento e a sabedoria não são a mesma coisa, embora os termos estejam relacionados entre si. Uma pessoa iletrada pode ultrapassar em encontrado outras quatro vezes (Pv 1.7,29; 2.5; 3.7; 8.13; 9.10; 10.27; 14.2,26,27; 15.16,33; 16.6; 22.4; 23.17; 24.21). A reiterada repetição dessa frase denota o princípio fundamental da religião revelada: “o temor a Deus”.14 O Dicionário Bíblico Wycliffe apresenta o seguinte conceito para a palavra “temor”: Um temor santo (heb. yir’a, gr. phobos) que significa ter grande temor ou respeito pela majestade e santidade de Deus, uma reverência piedosa (Gn 20.11; Sl 34.11; At 9.31; Rm 3.18). Davi fala desse temor como sendo limpo e puro (Sl 19.9); […] Este temor é dado por Deus e permite que o homem respeite a autoridade de Deus, obedeça aos seus mandamentos, se desvie do mal (1Sm 12.14,20-25; Sl 2.11; Pv 8.13; 16.6) e busque constantemente a santidade (2Co 7.1; Fp 2.12).

Os gentios convertidos ao judaísmo, que criam em Deus, eram chamados de tementes a Deus (At 10.2,22; 13.26). Diante dessa definição, “temer ao Senhor” não significa ter medo, fobia ou terror de Deus; ao contrário, expressa reverência, gratidão e adoração ao Todo-Poderoso (Dt 10.12). Essa atitude é o preceito pelo qual se inicia a sabedoria. O temor ao Senhor é o primeiro e controlador princípio, não é uma etapa que se abandona, não é apenas um método correto de pensamento, mas, sim, um relacionamento correto de submissão e adoração a Deus. O temor a Deus é o ponto de partida que produz o verdadeiro entendimento, o sábio proceder (Rm 12.1,2). Aqui importa ressaltar, como já observado, que o conhecimento e a sabedoria não são a mesma coisa, embora os termos estejam relacionados entre si.

Uma pessoa iletrada pode ultrapassar em sabedoria quem tem elevado grau de instrução. O conhecimento é adquirido pelo estudo, mas a sabedoria resulta da compreensão de todos os fatos relevantes a respeito da vida, inclusive as coisas espirituais. E, assim, por meio do entendimento e obediência às Escrituras, os cristãos passam a viver como pessoas sábias (Ef 5.15). Em contraste, os que rejeitam o Senhor e a sua Palavra permanecem na ignorância (Sl 14.1). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.  

 

  TEMOR O medo é uma das principais emoções humanas. O trecho de Hebreus 2: 15 reconhece quão importante é essa emoção, dentro da experiência humana, declarando que, por causa do temor da morte, os homens passam a vida inteira na escravidão ao diabo. Existem temores benéficos e temores prejudiciais. O melhor temor de todos é o temor a Deus e das coisas que devemos evitar. Os temores prejudiciais são desnecessários, além de demonstrarem imaturidade e falta de fé.

Temores Benéficos 1. O Temor de Deus. Deus é o mais apropriado objeto do nosso temor (1sa. 8:13). Deus é o autor do nosso temor (ler. 32:39); o temor a Deus consiste no ódio ao mal (pro. 8:13), na sabedoria (Jó 28 :28; Sal. 111: 10). O temor a Deus é um tesouro para os santos (Pro. 15: 16); serve-lhes de força santificadora (Sal. 19:7-9). O temor a Deus nos é ordenado (Deu. 13A; Sal. 22:23). É inspirado pela santidade de Deus (Apo. 15:4). A grandeza de Deus nos inspira a temê-lo (Deu. 10:12). A bondade de Deus leva-nos também a temê-lo (1 Sam. 12:24). O temor a Deus conquista o perdão divino (Sal. BOA). As admiráveis obras de Deus inspiram-nos ao temor a Deus (Jos. 4:23,24). Os juízos de Deus levam os homens a temê-lo (Apo. 14:17). O temor a Deus é algo necessário como parte da adoração ao Senhor (Sal. 5:7). Faz parte do serviço que prestarnos aDeus (Sal. 2:11; Heb. 12:28).

O temor a Deus inspira os homens a um governo justo (ll Sam. 23 :3). O temor a Deus é umainfluência aperfeiçoadora (lI Cor. 7: 11).As Escrituras ajuda-nos a compreendero temor a Deus (pro. 2: 15).

OTemor de Deus Residente no Homem. Aqueles em quem há o temor a Deus agradam o Senhor Deus (Sal. 147:11). Deus compadece-se dos tais (Sal. 103:13). Eles são aceitos por Deus (Atos 10:35). Eles recebem de sua misericórdia (Sal. 103: 11,17; Luc. 1:50); eles confiam em Deus (Sal. 115:11; Pro. 14:26). Eles afastam-se do mal (Pro. 16:6); eles têm comunhão com pessoas dotadas das mesmas atitudes santificadas (Mal. 3: 16). Deus cumpre os desejos daqueles que o temem (Sal. 145:19); e a vida deles é prolongada na terra (Pro. 10:27).

O Temor de Deus como uma Virtude. Os homens deveriam orar a fim de receberem o temor a Deus (Sal. 86:11). O temor a Deus é exibido na vida cristã autêntica (Col. 3:22). Também demonstramos nosso temor a Deus quando damos aos nossos semelhantes uma razão para a nossa expectação espiritual (I Ped. 3: 15). O temor a Deus é uma atitude que deveríamos manter com constância (Deu. 14:23; Pro. 23: 17). Deveríamos ensinar aos outros o temor a Deus (Sal. 34: 11). Quem teme a Deus tem vários pontos de vantagem (Pro. 15: 16; 19:23; Ecl. 8:12,13). Os ímpios, por sua vez, não sabem o que é temer a Deus (Sal. 36: 1; Pro. 1:29; Rom. 3: 18).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. pag. 336.    

 

T E M O R

Pressentimento emocional ou medo do perigo ou da desgraça iminente. Frequentemente mencionado como a causa das pessoas desejarem a religião. No entanto, o temor somente não pode ser responsabilizado pela verdadeira religião, uma vez que os homens são impelidos a se aproximarem de Deus, o objeto de sua adoração. Ninguém deseja estar perto do ser que teme. O conceito bíblico de temor tem uma dimensão muito mais ampla que a de nossa palavra comum em português, que denota simplesmente medo ou terror. Embora esse significado forme uma parte essencial da imagem bíblica, não representa de modo algum seu significado principal, especialmente em se tratando do temor a Deus – uma reverência inspirada pelo temor respeitoso. Há, é claro, um lugar legítimo para o temor a Deus no sentido inferior, ansioso. Lemos na Carta aos Hebreus “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (10.31, ARC).

Jesus ensinou que devemos temer a Deus porque ele tem o poder de punir o pecado e entregar pessoas à destruição final (Lc 12.4,5). O temor tem um papel construtivo de capacitar os homens a perceber a degeneração de sua alma e sua necessidade de perdão divino. A primeira ocorrência de tal temor pode ser encontrada em Gênesis 3, onde Adão e Eva fogem da presença do Deus santo, cujo mandamento eles haviam desprezado de modo grosseiro. Seu temor era inteiramente justificável porque eles haviam sido severamente advertidos de que a desobediência incorreria em grave juízo. O temor é muito naturalmente a consequência lógica do pecado (Gn 3.10; 4.13,14; Pv 28.1). A Bíblia apresenta uma lista de pessoas que são atormentadas por uma profunda ansiedade (Caim, Saul, Acaz e Pilatos). A angústia assombra o ímpio (Jó 15.24), surpreende o hipócrita (Is 33.14) e consome os malfeitores (Sl 73.19), cuja vida sem fé é caracterizada pelo temor (Ap 21.8).

O poderoso exército do faraó ficou praticamente paralisado pelo temor enquanto Deus se deslocava contra ele (Ex 15.16), e o amigo de Jó, Bildade, falou dos homens sendo assombrados por onde quer que apressem seus passos (Jó 18.11). O temor tem uma tendência de imobilizar as pessoas ou de afetar seriamente suas atividades. Isso é especialmente verdade com relação aos espiritualmente descompromissados. O temor de Saul para com o povo fez com que ele transgredisse os mandamentos de Deus (ISm 15.24). Os pais, cujo filho cego foi milagrosamente curado por Jesus, tiveram medo de apoiar Cristo porque temiam os judeus (Jo 9.22). Na parábola dos talentos, Jesus contou de um homem cujo temor o impediu de realizar sua tarefa (Mt 25.25). Jesus Cristo, por meio de sua morte substitutiva, sua ressurreição e sua intercessão junto aos crentes é o único que pode libertar do temor.

O apóstolo Paulo encorajou os romanos (Rm 8.15) informando-os de que, com sua conversão a Cristo, eles receberam o Espírito Santo, não com espírito de temor ou de escravidão, mas com o espírito de adoção, segundo o qual poderiam dirigir-se a Deus como “Abba” (a palavra aramaica normalmente usada pelas crianças judias para dirigirem-se a seus pais). Esta é a palavra com a qual nosso Senhor Jesus se dirigia ao seu Pai celestial e que os cristãos, em razão de sua adoção na família de Deus, podem também usar ao falar com Deus (Gl 4.6). Recipientes do amor de Deus receberam uma força dinâmica por se desfazerem de suas ansiedades (1J0 4.18). O temor infundado pode prejudicar os esforços do povo de Deus. Jeremias foi advertido por Deus de não temer a face de seus oponentes (Jr 1.8) para que Deus não permitisse que a calamidade sobreviesse a ele (v. 17).

Chamados semelhantes à coragem foram feitos a Ezequiel, o contemporâneo de Jeremias, e a muitos outros (Js 1.7-9; Ez 2.6). Nós percebemos que mesmo pessoas piedosas são tentadas a temer e podem ser temporariamente dominadas pelo medo (Sl 55.5). Portanto, Deus repetidamente aconselha seu povo a não sucumbir a essa tentação (Is 8.12; Jo 14.1,27). Ele lhes diz que lancem suas ansiedades sobre o Deus de sua redenção, cujo cuidado por suas ovelhas é infinito (IPe 5.7). A fé, portanto, é o componente indispensável do destemor, conforme observado nas palavras de Isaías: “Tu conservarás em paz aquele cuja mente está firme em ti; porque ele confia em ti” (Is 26.3, ARC). Os salmistas repetidamente enfatizam o papel da fé na vitória sobre o medo (Sl 37.1; 46.2; 112.7). A fé genuína é expressa no termo reverente e animada por ele, e esse é o sentido básico da ideia bíblica do temor a Deus. A menos que haja uma consciência pessoal da soberania tremenda e majestosa de Deus, é impossível haver uma fé robusta no coração (Sl 5.7; 89.7).

Embora os cristãos devam estar livres do temor dos homens (Hb 13.6), da morte (2.15) e da vida em geral (2Tm 1.6,7), eles nunca deverão perder seu senso de temor de Deus. Essa consciência nem sempre conduz à verdadeira sabedoria (Sl 111.10), mas fornece direção ao filho de Deus por toda a vida (Ef 5.21; Fp 2.12). Os que amam a Deus aprendem sobre o temor saudável ao buscarem as Escrituras (Pv 2.3-5), a Palavra de Deus, às quais os israelitas antigos eram ordenados a se apegar e a obedecer, como evidência de sua reverência a Deus (Dt 6.2). Em Atos 10.2, Cornélio e sua família foram chamados de “tementes a Deus” por causa de seu elevado respeito pelo Deus de Israel e porque temiam essa pessoa. A verdadeira reverência a Deus deve invariavelmente expressar-se em boas obras e em uma vida de santidade (2 Co 7.1). Esse temor santo é na verdade a fonte da alegria (Sl 2.11) e uma verdadeira fonte de vida (Pv 14.27). O temor do Senhor é mais valioso que a maior de todas as riquezas materiais (15.16), porque o Senhor tem prazer naqueles que por ele possuem respeito tão elevado (Sl 147.11). Philip W. Comfort e Walter A. Elwell. Dicionário Bíblico Tyndale. Editora geográfica. pag. 1749-1750.    

   4.   Os benefícios da sabedoria.

 

  O salmista declara que o ato de meditar na Palavra de Deus, o tornou mais sábio do que todos à sua volta (Sl 119.98-100). Essa afirmação significa que ele adquiriu sabedoria ao aplicar os preceitos do Senhor na sua vida. Salomão assegura que a pessoa sábia tem muitos benefícios (Pv 9.12). Dentre eles, acumula conhecimento (Pv 10.14); ganha alma (Pv 11.30); tornar-se próspero (Pv 19.8); e exerce domínio próprio (Pv 29.11). Em vista disso, somos advertidos a empregar esforços na busca da sabedoria (Pv 4.7)  

COMENTÁRIO

 

  O salmista declara que o ato de meditar na Palavra de Deus o tornara mais sábio que todos a sua volta (Sl 119.97-100). Essa afirmação significa que ele adquiriu sabedoria ao aplicar os preceitos do Senhor na sua vida. Davi expressa seu profundo amor pela Lei do Senhor, e faz dela a sua meditação diária (Sl 119.97). Como resultado, tornou-se mais sábio do que os inimigos (Sl 119.98); mais entendido que os mestres (Sl 119.99); e mais prudente que os anciãos (Sl 119.100). Ao comentar esse texto, Spurgeon assinala que “ele tinha sido ensinado a observar no coração e na vida os preceitos do Senhor […] Ele tinha a Palavra dentro de si, e assim superou seus adversários; ele meditava nela, e assim ultrapassou seus amigos; ele a praticava, e assim ofuscou os seus antepassados”. Salomão assegura que a pessoa sábia tem muitos benefícios: “Se fores sábio, para ti sábio serás; e, se fores escarnecedor, tu só o suportarás” (Pv 9.12).

Nesse versículo, destaca-se o conceito da responsabilidade individual. Derek Kidner sublinha que as pessoas recebem benefício ou sofrem por causa do caráter que cada um possui (Pv 10.1). O texto bíblico ressalta que, em última análise, quem ganha ou perde é a própria pessoa. Desse modo, aquele que teme ao Senhor desfruta das benesses da sabedoria, dentre elas, acumula conhecimento para usar na ocasião certa (Pv 10.14); conquista outras almas para também serem sábias (Pv 11.30); em virtude do bom senso, torna-se próspero em todos os seus caminhos (Pv 19.8); e não apenas controla seus impulsos, mas exerce o domínio próprio (Pv 29.11). Em vista disso, a Escritura nos adverte com frequência a empregar esforços na busca da sabedoria (Pv 2.2; 3.21; 4.5,7; 16.16; 23.23). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.  

 

  O bom método por meio do qual adquiriu o aprendizado. Em sua juventude, ele dedicava-se ao negócio nos campos como pastor; a partir de sua juventude ele dedicou-se aos negócios da corte e do acampamento. Então, como ele conseguiu obter uma grande quantidade de aprendizado? Aqui, ele conta-nos como conseguiu isso, Deus foi o autor disso: tu […] me fazes mais sábio. Toda verdadeira sabedoria é de Deus. Ele adquiriu-a por meio da palavra de Deus, pelos teus mandamentos e teus testemunhos. Estes podem fazer-[nos] sábio[s] para a salvação e para que o homem de Deus seja […] perfeitamente instruído para toda boa obra. 1. Estes, Davi pegou para ser sua companhia constante: “Estão sempre comigo, estão sempre na minha mente, sempre diante dos meus olhos”.

O homem bom carrega sua Bíblia com ele para todo lugar que vai, se não nas mãos, em sua mente e em seu coração. 2. Estes, ele tomou para objeto prazeroso de seu pensamento; eles eram sua meditação não só como assuntos de especulação para seu entretenimento, como os estudiosos meditam sobre suas noções, mas como assunto de interesse para sua correta administração, como homens de negócios pensam em seus negócios para que os possam fazer da melhor maneira. 3. Estes ele tomou como regras determinantes para todos seus atos: guardo os teus preceitos, ou seja, tenho consciência de cumprir minha obrigação em tudo. A melhor forma de aperfeiçoar o conhecimento é permanecer e abundar em todas as circunstâncias de séria piedade; pois se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina, conhecerá a doutrina de Cristo, a conhecerá cada vez mais (Jo 7.17). O amor pela verdade prepara para a luz dela; os limpos de coração, […] verão a Deus aqui.

A grande eminência que ele alcança nisso. Ao estudar e praticar os mandamentos de Deus e torná-los sua regra, ele aprendeu a se conduzi[r] com prudência em todos os seus caminhos (1 Sm 18.14). Ele sobrepujou seus inimigos em inteligência; Deus, por esses meios, tornou-o mais sábio para desconcertar e derrotar os desígnios deles contra ele do que eles o eram para projetar suas tramoias. A sabedoria celestial apresenta o ponto, pelo menos, contra a política carnal. Ao guardar os mandamentos, garantimos que Deus está do nosso lado e o tornamos nosso amigo, e, sem dúvida, isso é mais sábios que os que o tornam inimigo deles. Ao guardar os mandamentos, garantimos a paz e a calma da mente que nossos inimigos roubariam de nós, e isso é sábio para nós, mais sábio do que eles o são para eles mesmos, para este mundo e também para o outro.

Ele superou seus mestres e tinha mais entendimento que todos eles. Ele quer dizer que todos que foram seus mestres, que condenaram sua conduta e tomaram para si a tarefa de prescrever para ele (observando os mandamentos de Deus, ele administrava seus assuntos de tal maneira que parecia, no evento, que ele tinha adotado as medidas corretas, e eles, as erradas) ou que deveriam ter sido seus mestres, os sacerdotes e os levitas, que se assentavam na cadeira de Moisés e cujos lábios deviam ter guardado conhecimento, mas que negligenciaram o estudo da lei e se importavam com suas honras e ganhos e apenas com as formalidades de sua religião; assim, Davi que conversava muito com as Escrituras tomou- se mais inteligente que eles por esse meio. Ou talvez ele queira dizer aqueles que foram seus mestres quando era jovem; ele edificou tão bem sobre as fundações que eles estabeleceram que, com a ajuda de sua Bíblia, tornou-se capaz de ensinar a eles, de ensinar a todos eles. Agora, ele não era mais um bebê que precisava de leite, mas tinha os sentidos exercitados (Hb 5.14).

Isso não é uma acusação contra nossos mestres, mas, antes, uma honra para eles aperfeiçoar-nos tanto que os excedemos, e não precisamos deles. Pregamos para nós mesmo por meio da meditação e, assim, temos mais entendimento do que todos os [nossos] mestres, pois alcançamos o entendimento de nosso coração, o que eles não alcançam. 3. Ele ultrapassou os velhos, quer os de seu tempo (ele era jovem, como Eliú, e eles eram muito velhos, mas o fato de observar os preceitos de Deus lhe ensinou mais sabedoria que todos os muitos anos deles, Jó 32.7,8) quer os de tempos anteriores; ele mesmo cita o provérbio dos antigos (1 Sm 24.13), mas a palavra de Deus deu-lhe melhor entendimento das coisas do que poderia ter alcançado por meio da tradição e de todo aprendizado transmitido pelas eras precedentes. Em suma, a palavra escrita é um guia mais seguro para o céu que todos os doutores e pais, os mestres e anciãos da igreja; e a observação dos escritos sagrados ensina-nos mais sabedoria que todos os escritos deles.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 641-642,    

 

Os teus mandamentos me fazem mais sábio. Os mandamentos, uma das dez palavras usadas para indicar a lei, representa o quinto termo usado pelo autor sagrado. Esses mandamentos tornavam o salmista mais sábio que seus inimigos. A palavra hebraica miswah foi usada vinte e uma vezes no Salmo 119. Até mesmo neste minúsculo salmo de sabedoria, o poeta sagrado trouxe à tona os brutais inimigos que lhe buscavam tirar a vida. Nosso homem estava sendo afligido e precisava de proteção contra aqueles réprobos. Aqui, porém, ele não levantou a Deus uma petição contra eles, o que fez com tanta frequência até este ponto, mas tão-somente salientou que ultrapassara em muito aqueles homens maus em termos de sabedoria espiritual. Eu os tenho sempre comigo. Esta declaração significa que a lei era a companheira constante do poeta, sempre ocupando a sua mente, sempre contemplada e empregada em sua vida, para sua própria espiritualidade, e como um guia para suas boas obras em beneficio alheio. Algumas traduções, porém, dizem que seus inimigos o viviam assediando com seus ataques.

Mas o versículo gira em torno dos mandamentos, que visavam a segurança, o livramento e, evangelicamente falando, a salvação (ver II Tim. 3.15-17), que alguns intérpretes enxergam no texto. Kimchi fazia dos inimigos do salmista os agentes da sabedoria de nosso homem, porquanto as aflições a que esses inimigos o lançavam levaram-no a meditar sobre a lei de Deus, através de proteção; mas não é isso o que está em vista aqui, embora possa também exprimir uma verdade. Compreendo mais do que todos os meus mestres. O poeta sacro não somente estava à frente de seus inimigos no campo da sabedoria, mas ultrapassava os próprios mestres. Por que isso era verdade? Porque ele passava mais tempo meditando do que eles; e, considerando o amor da mente dos hebreus pela lei, não era uma pequena realização. Conforme Paulo disse, ele labutara mais abundantemente do que eles todos (ver I Cor. 15.10). Os mestres humanos são contrastados com o Mestre divino da lei, com o qual ele não se equiparava, mas sua mente era sempre influenciada pela lei, dando ao salmista uma sabedoria cada vez maior. Em outras palavras, ele crescia cada vez mais no entendimento, bem como no poder de aplicar corretamente a lei em sua vida diária.

Dessa maneira, nosso homem se tornava um homem mais e mais espiritual, bem como um agente mais eficaz para servir ao próximo mediante boas obras. Sua espiritualidade era expansiva, e não introvertida. De modo geral, os rabinos não gostavam do homem que afirmava ter maior sabedoria que os seus mestres, o que, segundo eles pensavam, poderia solapar-lhes a profissão. Por isso este versículo foi distorcido para dizer: “De todos os meus mestres adquiri sabedoria”. Isso está em acordo com o pensamento geral, mas, a bem da verdade, não é o que o salmista disse. Fausset (in loc.) vê os mestres do salmista negligenciando a lei e imiscuindo-se na política, mas o texto não dá o menor indício disso. O poeta simplesmente afirmou ser mais zeloso e mais intenso em sua devoção à lei. Sou mais entendido que os idosos. Agora o autor sagrado reforça e expande sua ousada declaração do vs. 99 sobre ser mais sábio que seus mestres. De acordo com o que lemos em certas traduções, ele era mais entendido do que os antigos, mas em nossa versão portuguesa e outras encontramos que ele era mais entendido que os idosos. Seja como for, essa é uma reivindicação bastante ousada. Os idosos eram tidos em altíssimo respeito.

Nosso poeta, entretanto, ultrapassava a todos eles em entendimento. Os intérpretes sentem-se desconfortáveis quanto à fanfarronice do poeta: ele era mais sábio que seus mestres, mais sábio que os antigos, e mais sábio que os idosos. Até onde sabia, era o homem de número um quanto ao conhecimento e queria que as pessoas soubessem disso. Estou supondo, entretanto, que o poeta estivesse com a razão, pois criou um salmo de 176 versículos para louvar a lei! O poeta que o compôs era o fanático número um, o estudante número um, e o pensador número um sobre a lei; e sua devoção à lei estava rendendo dividendos. O homem tornou-se o aluno número um. De fato, ele tinha devotado toda a vida e energia à lei. Vamos dar-lhe crédito, portanto! Cf. este texto com a glorificação de Eliú aos antigos (ver Jó 8.8-10; 12.12 e 32.6,7,9). Novamente, este versículo tem sido distorcido pelos rabinos que não podem suportar sua ousadia e nos oferecem a seguinte distorção: “Obtive compreensão dos antigos”. Mas não era isso que o salmista estava reivindicando. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2447-2448.    

 

SINÓPSE II

 

Deus é a fonte da sabedoria e, por isso, o temor do Senhor é o princípio de toda a sabedoria. Logo, meditar e aplicar a Bíblia em nossa vida nos torna pessoas sábias.

 

AUXÍLIO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

 

“ O Caráter do Professor Cristão S. Lewis admite que muitas pessoas reconhecem que certas qualidades de caráter (prudência, temperança, justiça e fortaleza, ou seja, ‘virtudes cardeais’) são virtuosas e valem a pena perseguir. Contudo, ele sugere que os cristão s identificam virtudes fora do escopo da norma. Entre as virtudes teológicas, estão a fé, a caridade e a esperança (centradas em Deus; Pv 18.2; 19.3; 23.9). Enquanto a Bíblia defende a abnegação, a humildade, a generosidade e a compaixão para com os outros, o mundo defende o egocentrismo, o orgulho, o consumo e o julgamento. A maturidade em Cristo evidencia-se no fruto do Espírito, no crescimento em conhecimento, no fortalecimento cada vez maior em perseverança e paciência e, por fim, no ser agradecido. […] A verdadeira transformação da mente do cristão manifesta-se na transformação do caráter e no testemunho verbal e não verbal. […] Torna-se claro que a verdade da Palavra de Deus é realmente ‘aprendida’ quando é vivida na comunidade de fé e no mundo” (LINHART, Terry. Ensinando as Próximas Gerações: O Guia Definitivo do Professor de Jovens. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.51-52).    

III – A BÍBLIA E A PRUDÊNCIA PARA A VIDA

 

   1.   O conceito de prudência.

 

  O Dicionário Wycliffe esclarece que o termo hebraico arum é usado no sentido positivo para identificar uma pessoa sensata (Pv 14.8,15,18; 15.5), e que o adjetivo grego synetos enfatiza uma decisão inteligente (Pv 16.21). O Dicionário Vine destaca que o substantivo grego phronesis e suas declinações denotam sabedoria prática (Lc 1.17; Ef 1.8), e que synetos sugere avaliação que precede a ação (l Co 1.19). Em termos gerais, a prudência é a virtude que evita ações temerárias. Nesse aspecto, com cautela e bom senso, uma pessoa prudente é capaz de discernir e fazer a escolha correta (Dt 30.19; Lc 10.42).  

 

COMENTÁRIO

 

    O Dicionário Bíblico Wycliffe informa que o termo hebraico “arum” é usado no sentido positivo para identificar uma pessoa sensata: “a sabedoria do prudente é entender o seu caminho” (Pv 14.8); “o prudente atenta para os seus passos” (Pv 14.15); “os prudentes se coroarão de conhecimento” (Pv 14.18); e “o que observa a repreensão prudentemente se haverá” (Pv 15.5). Porém, a expressão ainda pode ser empregada no mau sentido para identificar alguém sagaz ou astuto: “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo” (Gn 3.1); “Ele aniquila as imaginações dos astutos […] Ele apanha os sábios na sua própria astúcia” (Jó 5.12,13); “tu escolheste a língua dos astutos” (Jó 15.5); e “tomaram astuto conselho contra o teu povo” (Sl 83.3, ACF). Destaca igualmente que a expressão hebraica “bin” e o adjetivo grego “synetos” apontam para uma decisão inteligente: “o sábio de coração será chamado prudente” (Pv 16.21); “o procônsul Sérgio Paulo, que era um homem inteligente” (At 13.7, NAA). Desse modo, no aspecto positivo, os textos sinalizam uma conduta não precipitada.

O Dicionário Vine enfatiza que o substantivo grego “phronesis” e suas declinações implica “ter entendimento” e denota “sabedoria prática, prudência na administração dos negócios” (Lc 1.17; Ef 1.8). Já o substantivo “synesis” é traduzido por “inteligência” e sugere “rapidez de apreensão”, a “consideração penetrante que precede a ação” (1 Co 1.19). Essa concepção pode ser vista equitativamente nos tratados da filosofia aristotélica: O ato prudente considera as circunstâncias, prevê as possíveis consequências, analisa os antecedentes, compara a ação com obras semelhantes, pondera os prós e contras, reprime as paixões que escurecem a razão, delimita os interesses próprios da decisão correta. O exame e a reflexão poderão realizar-se com maior ou menor velocidade dependendo do indivíduo e da magnitude e qualidade da ação. Tomás de Aquino (1225-1274 d.C) define a prudência como razão reta do agir (latim: recta ratio agibilium).

Considera como uma virtude própria da razão prática. Em outras palavras, Aquino ensina que é próprio do homem prudente a capacidade de deliberar bem em vista de certo fim. Em vista disso, em termos gerais, a prudência é a virtude própria da boa escolha que evita ações temerárias. Refere-se à faculdade crítica de avaliar situações e encontrar a maneira adequada de abordagem na busca da melhor solução. Nesse aspecto, com cautela e bom senso, uma pessoa prudente é capaz de discernir e fazer a escolha correta. Contudo, convém esclarecer que biblicamente a prudência está unida estreitamente à sabedoria. E, como já visto, a sabedoria procede de Deus (Ef 1.8,9). Por isso, a prudência é sobretudo uma virtude de quem é sábio, e, portanto, habilitado a realizar as escolhas certas (Dt 30.19; Lc 10.42). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

A sabedoria do prudente é entender o seu próprio caminho. Um homem tem sabedoria para orientá-lo em seu caminho, ajudando-o a caminhar como deve fazê-lo. O homem aprende a lei e então obedece a seus ditames no andar diário. Ver no Dicionário o verbete chamado Andar. O homem prudente (que é esperto no bom sentido; no hebraico, ‘arum) considera cuidadosamente seus atos e sabe por que faz certas coisas, mas não outras. Ele tem mente instruída e segue essa mente. Não se deixar enganar com facilidade. Antítese. Em contraste, o insensato vive sempre tão cheio de sua insensatez que ilude a si mesmo e lança-se a enganar outras pessoas. O resultado é que tal pessoa segue uma vereda insensata, precipitada e prejudicial. Cf. Pro. 14.18,24,29. Um insensato pode até pensar que o seu caminho é certo (ver Pro. 12.15), mas isso faz parte de ser enganado e não é uma estimativa verdadeira das coisas. Quanto à metáfora da vereda, ver Pro. 4.11; e quanto aos caminhos do homem bom e do homem mau contrastados, ver Pro. 4.27.

O conteúdo mental determina a direção do andar, ou seja, da conduta diária e constante. A versão da Septuaginta contém a segunda linha: “A insensatez dos insensatos leva-os a errar”, em que a palavra hebraica para enganar, math’eh, foi levemente emendada para mirmah, “errar”. Alguns pensam que isso reflete o original hebraico, que o texto massorético padronizado perdeu. CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2606.    

 

 

O grande reformador João Calvino diz na introdução das Institutas da religião cristã que nós só podemos conhecer Deus porque ele se revelou a nós. Isso é um fato acima de questionamento. Também é uma verdade incontroversa que não podemos conhecer a nós mesmos, a não ser pelas lentes da sabedoria. O pecado nos tornou seres ambíguos, contraditórios e paradoxais. Somos seres em conflito. Conflito com Deus, com o próximo, com nós mesmos e com a natureza. Há uma esquizofrenia instalada em nosso peito. O bem que queremos fazer, esse não fazemos; mas o mal que não queremos, esse praticamos. O prudente, portanto, é aquele que busca entender o seu próprio caminho, e isso à luz da Palavra de Deus, pela iluminação do Espírito Santo. O tolo, com sua estultícia, além de viver enganado acerca de sua identidade e do seu destino, ainda faz da vida uma corrida inglória com o propósito de enganar outras pessoas. O tolo não sabe o que faz. Sua vida é uma miragem. Seus conselhos são perversos. Seus lábios são cheios de engano. Seu caminho desemboca na ruína. LOPES. Hernandes Dias. Provérbios, Manual de sabedoria para a vida. Editora Hagnos. pag. 252-253;  

 

   2.   A prudência dos justos.

 

  A pregação de João Batista tinha como finalidade converter “ os rebeldes à prudência dos justos” (Lc 1.17). Nesse sentido, a mensagem da salvação em Cristo não apenas restaura o pecador, mas também o faz andar por veredas de retidão (Pv 4.18; 2 Co 5.17). Paulo declara que a graça de Deus nos traz sabedoria e prudência (Ef 1.8). A sabedoria para compreender a verdade, e a prudência para agir corretamente, segundo a vontade de Deus (Ef 1.9). Essas dádivas são aperfeiçoadas pela oração, leitura das Escrituras e comunhão com o Espírito Santo (l Ts 5.17; 2 Tm 3.14-15; Ef 5.18).  

COMENTÁRIO

 

  Esse termo é empregado pelo evangelista Lucas quando descreve o ministério de João Batista. A missão do precursor do Messias é converter o coração “dos pais aos filhos” e os rebeldes à “prudência dos justos” (Lc 1.17). Ao discorrer sobre essa última declaração, Matthew Henry observa que “a verdadeira religião é a sabedoria dos homens justos, diferentemente da sabedoria do mundo. Sermos religiosos é, ao mesmo tempo, a nossa sabedoria e o nosso dever; nisto existe tanto equidade quanto prudência”. Significa que o Evangelho tem como desígnio trazer as pessoas de volta para Deus. E, quando isso acontece, os ignorantes, desobedientes e rebeldes de outrora se tornam sábios, justos e prudentes.

Essa sabedoria prática que orienta e corrige o viver diário é o resultado da verdadeira conversão a Cristo. Aqueles que experimentam o novo nascimento desenvolvem o caráter e praticam a boa conduta dos justos. Nesse sentido, a mensagem da salvação em Cristo não apenas restaura o pecador, mas também o faz andar por veredas de retidão. Salomão assegura que “a vereda dos justos é como a luz da aurora” (Pv 4.18). Hernandes Lopes considera que não se trata apenas de um caminho iluminado, “mas um caminho cuja luz vai crescendo como a luz do sol até ser dia perfeito […] sua história começa na conversão e avança no processo da santificação, mas seu alvo é a glorificação, o dia perfeito”. O apóstolo Paulo declara que a graça de Deus nos alcança o perdão, e ainda a sabedoria e a prudência (Ef 1.7,8). A sabedoria para compreender a verdade revelada, e a prudência para agir corretamente, segundo a vontade de Deus (Ef 1.9). Essas dádivas são aperfeiçoadas pela oração, leitura das Escrituras e comunhão com o Espírito Santo (1 Ts 5.17; 2 Tm 3.14,15; Ef 5.18). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

A palavra «…que…», com a qual se inicia este versículo, alude à «graça» divina, mencionada no versículo anterior, a fonte originária do bem-estar humano, a começar pelo perdão dos pecados. Esse verbo, no grego, pode ser intransitivo, o que lhe dá o sentido de «…com que ele abundou para conosco…» ou pode ser transitivo, o que lhe confere o sentido de «…que ele fez abundar para conosco…»Ambas possibilidades expressam verdades, e o sentido não é alterado se adotarmos uma ou outra dessas possibilidades. A maioria dos intérpretes, entretanto, prefere pensar nesse verbo como transitivo, ainda que existam exemplos, nos escritos de Paulo, onde o verbo aparece como intransitivo. (Ver os trechos de Rom. 5:15; I Cor. 14:2; II Cor. 1:5,7; 8:2; 10:12 e Fil. 1:26).

«…derramou abundantemente…» vem do termo grego «perisseuo», que significa «ser mais do que suficiente», «sobrar», «estar presente em abundância», ou seja, «extremamente rico», «transbordante e Isso é dito acerca da «graça divina» que nos foi oferecida. Esta foi capaz de conferir-nos o perdão dos pecados, a redenção, e todas as demais bênçãos espirituais daí resultantes, incluindo até mesmo a «glorificação» final. É por meio dessa graça que fomos «salvos» (ver Efé. 2:8,9). Por conseguinte «das obras». Foi necessário o derramamento abundantíssimo da graça de Deus para levar o pecador de volta ao Senhor, para transformá-lo segundo a imagem de Cristo, levando o crente a compartilhar de tudo quanto ele possui e de tudo quanto ele é. As descrições sobre a graça divina, que encontramos neste versículo, mostram-nos que os esforços humanos mais empenhados não servem de base para a salvação da alma, a despeito do fato que toda a graça divina é recebida pelo livre-arbítrio humano.

E assim realmente tem de ser, porque Deus não impõe sua graça gratuita a quem quer que seja. «…em toda a sabedoria e prudência …» O quinto versículo deste capítulo mostra-nos que os decretos divinos, embora sejam absolutos em si mesmos, não estão baseados no vácuo ou em caprichos; antes, são alicerçados em um desígnio divino razoável, coerente com o amor e a misericórdia de Deus. Assim também o presente versículo mostra-nos que a graça divina é abundantemente derramada sobre nós não de maneira arbitrária, sem razão ou desígnio, mas antes, se fundamenta, antes de tudo, na «sabedoria». No original grego temos aqui a palavra «sophia», que significa «sabedoria», e que aponta para o «conhecimento total» que Deus possui, o que o capacita a «usar» de sua graça de maneira sábia. Esse conhecimento total leva em conta todos os fatores possíveis, pesando todos os valores e medindo todas as consequências possíveis. Portanto, foi mediante essa sabedoria que a tudo ultrapassa, e que aqui é chamada de «toda a sabedoria», para efeito de ênfase, que Deus derramou sobre os seus eleitos a sua superabundância. Isso, por sua vez, significa que o plano divino deve ser bom, exequível, capaz de produzir os resultados esperados—e assim a salvação tornar-se-á uma realidade completa, na forma exata como Deus a previu.

E Jesus Cristo é a personificação mesma da sabedoria divina, porquanto é em Cristo que toda essa sabedoria se concentra e se cumpre. «…prudência…» No grego é «phronesis», isto é, «compreensão», «discernimento», «inteligência». Trata-se de uma aplicação e atributo da sabedoria, aquele fator do discernimento de Deus que o leva a aplicar corretamente a sua sabedoria. Fica-nos assegurado, pois, que o plano divino da redenção humana é ao mesmo tempo imaculado e perfeito por estar baseado no discernimento divino. Tudo isso nos mostra quão inútil é defender o sistema da salvação pelas obras, porquanto isso faria a salvação ser alicerçada sobre homens imperfeitos e fracos, e não sobre a sabedoria de Deus. A reprimenda contra a falsa religião. Indiretamente, Paulo podia estar condenando as ideias dos gnósticos, que se gloriavam em sua sabedoria supostamente secreta. Os gregos davam grande valor à «sabedoria».

Mas o apóstolo dos gentios mostra agora o pináculo da sabedoria. Cícero dizia que a sabedoria é «a principal de todas as virtudes». Os judeus pensavam que a lei continha a palavra final da sabedoria de Deus. Mas o apóstolo como que respondia: «Não é assim. Pois há o evangelho de Jesus Cristo, baseado na graça divina, que é conferida em meio a sabedoria e prudência». Dessa maneira, o «problema» das boas obras, visando a salvação, fica resolvido. Os homens pensam que não é «razoável» que a salvação seja «gratuita». Eles «raciocinam» que deve custar muitíssimo, e, assim sendo, esforçam-se sobremaneira. De fato, a salvação é caríssima, mas não é adquirida da maneira que os homens imaginam.

É verdade que é preciso trabalho para ser adquirida, mas o trabalho da missão terrena de Cristo, a sua morte e a sua vida ressurreta aplicada às nossas almas. Além disso, há a obra do Espírito Santo, o qual forma Cristo em nós. Nesse sentido, «obras» e «graça» são uma e a mesma coisa, porquanto são apenas duas maneiras diversas de considerar a mesma realidade. Contudo, não estão em foco aqui as nossas «boas obras», e, sim, a obra divina «em nós», o seu poder transformador; e também nada disso depende do nosso próprio mérito, e, sim, do mérito de Cristo, porquanto somos «aceitos no Amado» (ver o sexto versículo). A sabedoria de Deus: É aquela sabedoria que não pode ser desvendada pela razão humana, porquanto é elevada demais para o homem.

E essa é a sabedoria que serve de alicerce para a aplicação da graça de Deus. Ora, isso soluciona inúmeros problemas teológicos e práticos, ainda que tal conceito não seja universalmente acolhido, nem mesmo no seio da igreja evangélica. «A sabedoria atuou no traçado do plano remidor; a prudência, na execução do mesmo através de meios, e ao fazer todos os arranjos necessários e providenciais». (Faucett, in loc.). Sim, no entanto, a sabedoria de Deus pode parecer «loucura» ou «insensatez» para os homens, conforme aprendemos em I Cor. 1:18 e ss. «Se dirigíssemos nossa atenção para as novidades do pensamento, durante nosso próprio período de vida terrena, observaríamos que quase todas as ideias realmente novas se revestem de um certo aspecto de insensatez quando são apresentadas pela primeira vez». (Alfred North Whitehead). Embora esse citado autor houvesse falado sobre ideias científicas, podemos aplicar sua declaração ao terreno do «discernimento espiritual», que ultrapassa em muito o que é comum e tradicional. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 537-538.    

 

Deus não apenas recebe e perdoa àqueles que ele reconciliou consigo mesmo como filhos; ele também os ilumina com a compreensão do seu propósito. Sua graça é derramada sobre nós em toda a sabedoria e prudência (1.8). A palavra grega sophia, “sabedoria”, é o conhecimento que olha para o coração das coisas, que as conhece tal como realmente são, e phronesis, “prudência”, é a compreensão que leva a agir corretamente.52 Como William Barclay diz: “Cristo outorga aos homens a habilidade de ver as grandes venturas da eternidade e de resolver os problemas de cada instante”. Os homens têm essa sabedoria e prudência porque Deus revela o mistério da sua vontade. Esse mistério é a maneira pela qual Deus traz a uma unidade restaurada o Universo inteiro, que se tornara desordenado devido à rebelião e ao pecado do homem. LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pag. 28.    

 

   3.   Os benefícios da prudência.

 

  O livro de Provérbios descreve os benefícios da prudência (Pv 1.1-6 ). Dentre eles, destaca-se: o autocontrole para não revidar ofensas (Pv 12.16); a humildade para não exibir conhecimento (Pv 12.23); a correta tomada de decisões (Pv 13.16); o pensar antes de agir para não ser influenciado (Pv 14.15); O alcance de boa reputação e alta posição (Pv 1 4 -35); a sujeição ao aprendizado e a correção (Pv 15.5); e o desviar-se do perigo por meio de soluções antecipadas (Pv 22.3). Nos Evangelhos, Cristo enfatizou que a pessoa prudente tem a Palavra de Deus como regra de vida (Mt 7.24); procede com retidão e cumpre seus deveres com fidelidade (Mt 24.45 ); por fim , cuida com esmero da sua vida espiritual e mantém acesa a chama do Espírito (Mt 25.4). Em vista disso, a Bíblia nos exorta a viver prudentemente, e não como néscios (Ef 5.15).  

 

COMENTÁRIO

 

  O livro de Provérbios descreve os propósitos e os benefícios da prudência (Pv 1.1-6). Nessa direção, o preâmbulo articula os objetivos do texto (Pv 1.2-6) e o seu destinatário (Pv 1.4,5). Cada versículo começa com a expressão “para”, com exceção do versículo 5, em que o termo não aparece, mas está implícito. Essa série de frases é um sumário das finalidades dos provérbios de Salomão, a saber: “para se conhecer a sabedoria e a instrução” (Pv 1.2a); “para se entenderem as palavras da prudência” (Pv 1.2b); “para aceitar o comportamento prudente” (Pv 1.3a); “para fazer o que é reto, justo e íntegro” (Pv 1.3b); “para dar perspicácia e discrição” (Pv 1.4); “[para] o sábio aumentar o aprendizado” (Pv 1.5a); “[para] o criterioso adquirir orientação” (Pv 1.5b); e “para entender um provérbio e os ditos dos sábios” (Pv 1.6).

Para alcançar essas metas, o livro apresenta instruções éticas no intuito de moldar o caráter que resulta em benesses para os que escutam e praticam as sábias instruções. Dentre elas, destaca-se: o autocontrole para não revidar ofensas (Pv 12.16). Ao contrário, aquele que não tem a capacidade de controlar as emoções é insensato. Bruce Waltke salienta que “os sábios consideravam essa disposição interna de exasperação uma emoção perigosa: ela mata o insensato (Jó 5.2) e deve ser contida; o sábio não a demonstra”. Outro proveito da prudência é a postura de humildade para não exibir conhecimento (Pv 12.23). Hernandes Lopes avalia que o prudente “não enaltece a si mesmo como um fariseu soberbo nem se compara aos demais apenas para se sobressair. A humildade é o caminho da honra, enquanto a altivez é a autopista da vergonha”.

A prudência, inclusive, favorece na correta tomada de decisões (Pv 13.16). Bruce Waltke comenta que a pessoa prudente se protege por meio de “um conhecimento que inclui ver o perigo de antemão e se refugiar, e que fala com cautela e prudência”. A pessoa prudente, ainda, pensa antes de agir para não ser influenciada (Pv 14.15). Derek Kidner sublinha que o tolo ou o ingênuo “aceita de segunda fonte aquilo que deveria ser averiguado por conta própria […] agindo de acordo com o estado dos sentimentos, e não com os méritos do caso”. O prudente, também, alcança boa reputação e alta posição (Pv 14.35). Hernandes Lopes anota que “se formos prudentes, ceifaremos favor; se formos indignos, colheremos fúria.

O empregado prudente que vive de forma irrepreensível, fala de forma irrefutável e realiza obras inegáveis goza do respeito e do favor de seus superiores”. O prudente, igualmente, sujeita-se ao aprendizado e a correção (Pv 15.5). Todo aquele que atende a repreensão e aceita humildemente a disciplina se comporta com prudência. O caminho da vida não é a rebeldia, mas a obediência. Além disso, a pessoa prudente desvia-se do perigo por meio de soluções cautelosas e antecipadas (Pv 22.3). Nos Evangelhos, Cristo enfatizou que a pessoa prudente tem a Palavra de Deus como alicerce e regra de vida (Mt 7.24). Nesse ponto, Tasker sublinha que “o homem cuja fé em Cristo é real e sincera poderá sobre esta fé, e o fará, construir o edifício do caráter cristão, que resistirá às tempestades de incompreensão e desapontamento, de cinismo e dúvida, de sofrimento e perseguição, quando ameaçarem destruí-lo”. Ademais, o Senhor ensinou que o servo prudente procede com retidão e cumpre seus deveres com fidelidade (Mt 24.45).

Mantém-se ocupado, cumprindo fielmente as suas tarefas, e desse modo se conserva preparado para quando o seu Senhor chegar. Na parábola das dez virgens, Jesus ensina que a pessoa prudente cuida com esmero da sua vida espiritual e mantém acesa a chama do Espírito (Mt 25.4). Myer Pearlman considera que “as virgens prudentes representam aqueles crentes que, reconhecendo possível demora do Noivo, não somente o aguardam pacientemente, como conservam-se diligentemente num estado espiritual apropriado a qualquer chamada repentina”. Em vista disso, a Bíblia nos exorta a viver prudentemente, e não como néscios (Ef 5.15). Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.    

 

As palavras «… vede prudentemente…» refletem os termos gregos. «blepete…abribos», cuja tradução mais literal seria «vede acuradamente», e cujo sentido é «dai grande atenção a». O cuidado, em nosso andar cristão, nos é aqui recomendado, a fim de que estejamos alertas, em estado de preparação espiritual, através da intimidade com Cristo e da instrução em Cristo. Não se trata de um resultado automático, porquanto subentende um desenvolvimento cuidadoso em Cristo, mediante o emprego de todos os meios espirituais postos à nossa disposição. «…como andais …» (Quanto ao «andar» como uma metáfora sobre a conduta geral na vida, em seus padrões e hábitos, ver as notas expositivas sobre os versículos segundo e oitavo deste capítulo, onde são dadas outras referências onde essa ideia é ainda mais desenvolvida. Tal expressão metafórica é frequente, segundo nos mostram as notas expositivas aludidas).

« …não como néscios… » Esta última palavra, no original grego é «asophos», a negativa simples do termo que significa «sábios»; pelo que seu significado é «embotado», «insensato», ainda que no texto à nossa frente isso se refira à condição espiritual de ignorância, que caracteriza aqueles que se acham em trevas, aos quais, portanto, falta a «iluminação» espiritual. Ê como se Paulo houvesse afirmado: «Não sejais semelhantes aos vossos vizinhos, que não possuem a luz de Jesus Cristo, continuando nos antigos caminhos vergonhosos, pois andam sob a influência do príncipe das trevas, nos desejos mórbidos de sua carne, cumprindo os seus desejos e os desejos da mente entenebrecida, por serem filhos da desobediência, das trevas e da ira». (Ver Efé. 2:2,3). «…e, sim, como sábios…» Neste ponto é empregada a palavra que usualmente significava «sábio», isto é, «sophos», ainda que em sentido espiritual. Essa palavra indica aqueles que foram espiritualmente iluminados, para que se tornem sábios, dotados de discernimento.

 

Os atos de Deus são todos efetuados com base na sabedoria, conforme o trecho de Efé. 1:8, onde também tal termo é comentado. Notemos que viver no pecado é demonstração de loucura; e que viver na retidão é prova de sabedoria. A totalidade do N.T. é demonstração das razões pelas quais as coisas são assim. O texto presente vincula as «trevas» e a «morte» com a «insensatez do pecado», ao mesmo tempo que a «vida» e a «luz» são ligadas à «sabedoria da santidade». E ndssa consciência também faz essa equiparação. E aquele que no homem interior testifica sobre essa verdade é o Espírito Santo. Cumpre-nos observar que este versículo é paralelo de Col. 4:5. (Quanto a todos os paralelos existentes entre esta epístola e a epístola aos Colossenses, ver a introdução ao trecho de Efé. 1:1, onde uma lista de tais paralelos é oferecida). Variante Textual·. O termo «prudentemente» acompanha o verbo «ver», de acordo com os mss P(46), Aleph, B, 17 e os escritos de Orígenes e Crisóstomo. Isso resulta em tradução similar à que encontramos na nossa versão portuguesa. Porém, esse termo aparece ligado com «andar», dando em resultado «Vede que andeis prudentemente», nos mss Aleph(5), ADGKLP e a maioria dos manuscritos posteriores, incluindo a grande massa de manuscritos cursivos. A diferença consiste da ordem de palavras: o primeiro caso diz «akribos pos», e o segundo caso diz «pos akribos». Todavia, isso não modifica o sentido da ordem em geral, sem importar como aceitemos o texto, embora a primeira forma conte com melhor apoio textual.

O uso apropriado da «luz» permite que o olho veja com mais exatidão; de fato, não havendo luz, a visão é inoperante. Portanto, uma vez que a luz de Cristo esteja conosco, podemos ver claramente o que nos compete fazer. A iluminação que nos vem da parte de Deus deveria eliminar toda a possibilidade de voltarmos à nossa antiga conduta. «Tropeçar ao meio-dia é prova de insensatez ou cegueira. Por igual modo, o abuso da luz que possuímos, não demorará a fazer-nos perdê-la, o que nos forçará a voltar às veredas das trevas». (Findlay,in loc.). Isso é exatamente o contrário do tipo de vida inerente nas palavras que dizem, …em nossos dias de pressa, de trabalho m a u feito e de desordem. Destaca-se aqui a sabedoria cristã.

Os gregos apreciavam muitíssimo a sabedoria (ver I Cor. 1:22); mas Jesus Cristo, sendo a luz, é também a sabedoria de Deus (ver I Cor. 1:24,30). E essa sabedoria, a despeito de pertencer ao outro mundo, muito tem a ver com a vida presente, porquanto não apenas sugere, mas exige a vida de santidade, de abandono dos antigos caminhos pagãos. A sabedoria vale mais que o ouro (ver Pro. 16:16); e a loucura de Deus é mais sábia que os homens (ver 1 Cor. 1:25). A sabedoria cristã não pode ser separada da santidade, tal como ninguém pode separar a santidade do estarmos na presença de Deus (ver Heb. 12:14), já que sem a santidade ninguém jamais verá a Deus. A santidade fala da transformação moral segundo a imagem de Cristo; e isso, por sua vez, provoca a transformação metafísica, mediante o que chegaremos a participar de tudo quanto Cristo é e possui. Portanto, é através-da sabedoria de Cristo que chegamos a ter a visão beatífica. Certamente que isso ultrapassa a toda a sabedoria humana, a qual despreza a gravidade do pecado, levando os homens a descerem pelo caminho descendente do orgulho e da ignorância insensatos. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 623-624.    

 

SINÓPSE II

 

A prudência é a sabedoria na prática. Ela nos leva a agir corretamente e sem precipitações, segundo a vontade de Deus.

 

CONCLUSÃO

  A Bíblia é um guia seguro para a nossa caminhada cristã. O texto sagrado aponta para Cristo: o único caminho que leva à vida (Mt 7.14). Nessa nobre tarefa, a imutável Palavra de Deus alumia o caminho que devemos trilhar. Assim , por meio da obediência às Escrituras, e o temor a Deus, recebem a sabedoria e prudência em nosso andar como filhos da luz (Ef 5.8).    

REVISANDO O CONTEÚDO

  1- Quem ouve e coloca em prática a Palavra de Deus é comparado a quê?

R: Quem ouve e coloca em prática a Palavra de Deus é comparado a um a pessoa prudente cuja casa é alicerçada sobre a rocha (Mt 7.24).  

 

2- Por que os valores cristãos são permanentes?

R: Os valores cristãos são permanentes, pois a fonte de autoridade é permanente (Mt 5.18).  

 

3- O conhecimento sem a prática produz sabedoria?

R: Não. O conhecimento sem a prática não produz sabedoria (Pv 3.7).  

 

4- Que ato, segundo o salmista, torna a pessoa mais sábia?

R: O salmista declara que o ato de meditar na Palavra de Deus o tornará mais sábio que todos à sua volta (SE 119.98-100).  

 

5- Cite pelo menos três benefícios da prudência.

R: Autocontrole, humildade e pensar antes de agir.  

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

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