6 LIÇÃO 2 TRI 23 – PAI ZELOSOS E FILHOS REBELDES

 

6 LIÇÃO 2 TRI 23 – PAI ZELOSOS E FILHOS REBELDES

 

 

TEXTO ÁUREO

 

Vós, filhos, obedecei em tudo a vossos pais, porque isto é agradável ao Senhor. (Cl 3.20)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

O modo de criar e educar tem impacto no comportamento de nossos filhos no mundo, mas não anula a responsabilidade individual das escolhas deles.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Cl 3.21; Ef 6.4 O papel dos Pais na educação dos filhos

 

Terça – 2Tm 3.16,17 A Bíblia como fundamento da educação dos filhos

 

Quarta – 1Sm 15.22,23 A obediência como virtude dos filhos

 

Quinta – 2Co 12.14 A responsabilidade dos Pais para com os filhos

 

Sexta – 1Pe 5.8 É preciso ser sóbrios e vigilantes contra as armadilhas do diabo

 

Sábado – Nm 6.13-21 Uma descrição do nazireado

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Juízes 13.1-7,24; 14.1-3

 

Juízes 13

 

1 – E os filhos de Israel tornaram a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor, e o Senhor os entregou na mão dos filisteus por quarenta anos.

 

2 – E havia um homem de Zorá, da tribo de Dã, cujo nome era Manoá; e sua mulher era estéril e não tinha filhos.

 

3 – E o Anjo do Senhor apareceu a esta mulher e disse-lhe: Eis que, agora, é estéril e nunca tens concebido; porém conceberás e terás um filho.

 

4 – Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda.

 

5 – Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre e ele começará a livrar Israel da mão dos filisteus.

 

6 – Então a mulher entrou e falou a seu marido, dizendo: Um homem de Deus veio a mim, cuja vista de um anjo de Deus, terribilíssima; e não lhe perguntei de onde era, nem ele me disse o seu nome.

 

7 – Porém disse-me: Eis que conceberás e terás um filho, agora, pois, não bebas vinho nem bebida forte e não comas coisa imunda; porque o menino será nazireu de Deus, desde o ventre até o dia da sua morte.

 

24 – Depois, teve esta mulher um filho e chamou o seu nome Sansão; e o menino cresceu e o Senhor o abençoou.

 

Juízes 14

 

1 – E desceu Sansão a Timna; e vendo em Timna a uma mulher das filhas dos filisteus,

 

2 – subiu, e declarou-o a seu pai e a sua mãe, e disse: Vi uma mulher em Timna, das filhas dos filisteus; agora, pois, tomai-a por mulher.

 

3 – Porém, seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Tomai-me esta, porque ela agrada aos meus olhos.

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

Nesta lição vamos estudar a criação de Sansão a fim de extrair importantes lições sobre a educação dos filhos. Embora vivessem num período de desvio espiritual coletivo e de décadas de jugo, Manoá e sua esposa seguiram as orientações do Anjo do Senhor com zelo e temor. Assim, Sansão nasceu e cresceu nazireu, sendo muito abençoado por Deus.

Contudo, como sabemos, a despeito do comprometimento de seus pais em criá-lo nos caminhos do Senhor para cumprir a importante missão de libertar o seu povo, Sansão usou seu livre-arbítrio para quebrar alguns desses ensinos. Ao longo desta aula, vamos compreender que, a nossa fidelidade a Deus, ainda que seja valiosa como exemplo aos nossos filhos, não é hereditária e nem compulsória. Como pais temos a responsabilidade de semear a Palavra do Senhor, ensinando aos nossos filhos no caminho que se deve andar (Cf. Pv 22.6).

Contudo, cientes de que a consequência dessa criação foge ao nosso controle, ela não escapa da soberania do Todo-Poderoso. Não obstante, o último juiz de Israel ter feito más escolhas, por fim, houve um quebrantamento e retorno às preciosas lições deixadas por seus pais, cumprindo assim o desígnio divino.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Apresentar o contexto pecaminoso de Israel e a fidelidade dos pais de Sansão ao Senhor;

II) Identificar o comprometimento dos pais de Sansão com a sua formação moral e espiritual sob a bênção divina;

III) Conscientizar de que a conduta falha de Sansão na vida adulta, assim como as suas consequências, foi de responsabilidade pessoal e intransferível, fruto de seu livre-arbítrio, nem sempre seguindo a educação recebida.

 

B) Motivação: Vivemos sob uma cultura de banalização da culpa parental, como se o desenvolvimento do caráter de um ser humano dependesse única e exclusivamente de sua criação. Como se equilibrar entre a missão divina de criar filhos nos caminhos de Deus e o excesso de informações, desafios culturais, diferentes perspectivas de educação e tudo mais que influencia na formação ética dos nossos filhos? Como não desanimar diante da imprevisibilidade de nosso empenho e esforços na criação deles? Por meio deste estudo, vamos refletir sobre essas importantes questões.

 

C) Sugestão de Método: Peça que todos em classe fiquem em silêncio por um momento e lembrem-se de si mesmos mais jovens, por volta da adolescência, por exemplo. Em seguida, peça que também se recordem de seus pais ou responsáveis nesse período: O que mais os recomendaram , um exemplo, lição ou lembrança marcante com eles. Por fim, peça que lembrem de algo que só vieram a compreender após a vida adulta ou mesmo após terem filhos.

Encerre esse momento com uma singela oração, pedindo que o Espírito Santo dê a cada um a sabedoria necessária para fazer o melhor por seus filhos, não desanimando diante das escolhas infelizes de alguns deles. Reforce que, sob o nosso controle está apenas a decisão sobre o que ensinar enquanto eles estiverem vivendo a menoridade. Já o que farão com tal ensino na vida adulta é de responsabilidade deles, primeiramente, diante de Deus e, depois, diante dos homens.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Ao final do último tópico, reforce a importância de ensinarmos a Palavra de Deus aos nossos filhos, sobretudo, praticando-a na intimidade do lar. Estimule-os a crerem na força da poderosa Mensagem do Evangelho e de seus exemplos transmitidos na criação de seus filhos.

Conforte aos que não tiveram a oportunidade de conhecer o Senhor antes e aos que sentem que é tarde demais para os seus filhos, lembrando-os de que a oração, paciência e amor operam milagres em Cristo (Cf. 1 Co 13.13; Tg 5.16).

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 93, P-39, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula.

1) O texto “A criação de Sansão”, localizado ao final do segundo tópico, endossa que, a despeito das preocupações de Manoá e de sua esposa em educar o filho segundo a vontade divina, ao crescer, o último Juiz de Israel se desviou da educação recebida. Tal exemplo fornece um consolo aos pais que se sentem culpados quando os filhos optam por não seguir a Jesus;

2) O texto “Não se apavore, a colheita ainda não se perdeu”, localizado no terceiro tópico da lição, explica que, a crise de fé dos nossos filhos pode ser na verdade o caminho para uma genuína e intransferível aliança com Deus.

Hinos Sugeridos: 225, 256, 354 da Harpa Cristã

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

A história da família de Sansão se dá num contexto de pressão social, escassez e sofrimento impostos pelos filisteus sobre os israelitas, por volta do século XI a.C. O filho de Manoá nasceu por um desígnio de Deus no tempo dos juízes, sendo o 12° e o último juiz em Israel.

Apesar de ele ter nascido para cumprir um desígnio divino, na defesa de Israel, tinha um temperamento irascível e rebelde. É possível constatar isso ao longo de sua vida pessoal de acordo com a Bíblia. Na presente lição, veremos que os pais de Sansão foram zelosos em sua educação, mas seu filho tornou-se rebelde.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Desde que Israel conquistou Canaã, por volta de 1400 a.C., e o tempo dos juízes, depois da morte de Josué, os historiadores chegaram à conclusão de que a Era dos Juízes tenha sido entre 1375 e 1050 a.C. O período dos juízes foi um tempo em que Israel, sem ter um líder específico, formou um tipo de confederação, ou seja, de tribos unidas.

Pelo menos 13 juízes de tribos diferentes desempenhavam a função de líderes do povo. Alguns anos depois, surgiu Samuel, criado na casa de Eli, o sacerdote, o qual se tornou o seu substituto como líder daquela nação, profeta e juiz. Samuel foi o último dos juízes e o primeiro dos profetas.

Na verdade, Sansão foi o 12º juiz em Israel. Desde que morreram os três últimos juízes, Ibsã, Elom e Abdom, Israel ficou sem uma liderança. Nesse contexto, surgiu Sansão, nascido de uma mulher estéril, mas escolhida por Deus para ser a mãe, e que tinha como pai um homem chamado Manoá, da tribo de Dã. Foi num tempo em que “cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos” (Jz 21.25).

Nos dias em que nasceu Sansão, a Bíblia afirma: “E os filhos de Israel tornaram a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor, e o Senhor os entregou na mão dos filisteus por quarenta anos” (Jz 13.1).

Essa é a história de Sansão, de seus pais e de uma família israelita que viveu num tempo de pressão social, de escassez e de sofrimento infligido pelos filisteus, por volta do século XI a.C.

A despeito de Sansão ter nascido para cumprir um desígnio de Deus na defesa de Israel, como homem ele tinha um temperamento irascível e rebelde, demonstrado ao longo de sua vida. Seus pais, “Manoá e sua esposa” (cujo nome não aparece no texto), não tinham filhos devido à esterilidade da esposa; contudo, pela vontade do Senhor, um anjo anuncia àquela mulher que seria mãe de um filho muito especial.

Encontramos na Bíblia histórias de algumas mulheres que foram agraciadas por Deus e deixaram de ser estéreis como: Sara, mulher de Abraão e mãe de Isaque; Rebeca, mulher de Isaque e mãe de Esaú e Jacó; Raquel, mulher de Jacó e mãe de José e Benjamim; Ana, mulher de Elcana e mãe de Samuel; Isabel, mãe de João Batista. Voltando ao tempo dos juízes, Deus agraciou uma mulher temente a Ele, que não é identificada por um nome, senão o de seu marido, Manoá, e envia um anjo para anunciar-lhe o nascimento de um filho que se chamaria Sansão.

Considerando-se a temática desse capítulo, torna-se difícil julgar o papel dos pais de Sansão quanto à educação moral e espiritual dada ao filho. Certamente, eles sabiam que esse filho teria caraterísticas distintas, visto que seria um libertador de Israel, mas, mesmo assim, não conseguiram impedir que Sansão se tornasse um homem com atitudes carnais.

Manoá e sua esposa procuraram ensinar ao filho os princípios morais e espirituais e o comportamento diferenciado que Sansão deveria ter em relação aos povos inimigos de Israel. A despeito do temor de Deus no coração dos pais de Sansão, eles não conseguiram controlar as ações de seu filho e a consciência do seu papel futuro na vida do seu povo.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 101-103.

 

 

Sansão foi uma personagem ao mesmo tempo forte e fraca, que tem arrebatado a imaginação de muitos autores e criadores de filmes. A sua vida envolveu todos os elementos de intriga, suspense, vitória e tragédia que compõem as boas histórias. O autor sagrado do livro de Juízes dedicou cem versículos a Gideão, e noventa e seis a Sansão, o que significa que eles foram campeões de audiência. De acordo com as divisões modernas e artificiais do Antigo Testamento, o relato sobre Gideão ocupa três capítulos; e a história sobre Sansão, quatro.

Sansão era homem que gostava de namoriscar com o pecado e amava a violência. No fim, essas duas coisas o reduziram a nada. Mas mesmo no fim, ele foi glorificado, porquanto conseguiu matar um maior número de inimigos constantes, em sua morte, do que tinha sido capaz de fazê-lo em vida (ver Juí. 16.30).

Apesar de sua grande capacidade como matador, tanto na vida como na morte, Sansão não conseguiu livrar Israel da servidão que fora imposta pelos filisteus. Sua carreira foi seguida por um período histórico de confusão, guerra civil e violência. Foi Davi quem, afinal, pôs cobro à ameaça dos filisteus, o que só aconteceu cerca de cem anos depois de Sansão.

“Os filisteus invadiram as terras costeiras da Palestina pouco depois dos encontros armados entre Ramsés III (do Egito) e os chamados povos do mar, em algum tempo entre 1220 A. C. e 1180 A. C. Por meio de assaltos armados, negócios pacíficos e, provavelmente, casamentos mistos, eles fizeram sentir a sua presença nos vales que levavam às terras altas da Palestina, conforme fica demonstrado pela influência crescente de sua cerâmica, após os meados do século XII A. C.

As fontes informativas bíblicas e os remanescentes arqueológicos concordam que houve um período de relações mútuas entre os israelitas e os filisteus, por volta de 1150 e 1050 A. C. E foi quando esta última data já se aproximava que os filisteus começaram a pressionar os judaítas e os efraimitas com maior empenho. Os episódios que envolveram Sansão refletem uma situação longe de estar resolvida, mas quando ainda não havia guerra franca entre os dois povos” (Jacob M. Myers, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1053.

 

PALAVRA-CHAVE: INSTRUÇÃO

 

 

I – OS PAIS DE SANSÃO

 

 

1- Uma situação espiritualmente deplorável.

 

O capítulo 13 de Juízes mostra que “os filhos de Israel tornaram a fazer o que parecia mal aos olhos do Senhor” (v.1). Por isso, Deus entregou Israel na mão dos filisteus por 40 anos (Jz 13.1).

Era um contexto em que o povo vivia na prática do pecado, onde poucas famílias temiam a Deus e procuravam guardar seus mandamentos. Entretanto, havia um casal fiel ao Eterno, que recebeu uma visita do Anjo do Senhor.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Tementes a Deus no meio de uma geração pervertida

Naquele tempo, quando as famílias de Israel estavam sem orientação espiritual, Manoá e sua esposa temiam ao Senhor e, certamente, aguardavam o dia em que Deus libertaria o seu povo da opressão filisteia. O povo vinha praticando toda sorte de pecados e, por isso, Deus os entregou nas mãos dos filisteus por quarenta anos (Jz 13.1).

Contudo, havia no meio daquele povo algumas poucas famílias que ainda temiam a Deus e procuravam guardar os seus mandamentos. Manoá e sua mulher esperavam em Deus por uma mudança e aceitavam aquela situação sem murmurar. A mulher de Manoá, pelo fato de não poder dar filhos ao marido, provavelmente ainda sofria o repúdio das outras famílias, uma vez que naquela cultura uma mulher estéril estava debaixo da maldição de Deus. O casal suportava tudo isso com resignação e temor a Deus.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 103-104.

 

 

Tendo os filhos de Israel tornado a fazer o que era mau. “A monótona espiral descendente de Israel atingiu o seu ponto mais acentuado com a sétima apostasia a ser registrada no livro de Juízes. Ver Jui. 3.5-7,12-14; 4.1-3; 6.1,2: 8.33-35 e 10.6-9. Essa sétima e última apostasia do livro de Juízes parece ter sido uma fase de adoração idólatra que já havia sido descrita em Juízes 10.6, a qual incluía a veneração a divindades dos filisteus (no ocidente). Uma opressão causada por aquele povo resultou na opressão complementar provocada pelos filhos de Amom (no oriente)”. (F. Duane Lindsey, in loc.).

O livro de Juizes registra sete apostasias; sete períodos de servidão e sete livramentos. Porém, o final da história de Sansão não nos confere uma ideia clara sobre algum livramento em decorrência das mortes dos filisteus, durante a sua vida e por ocasião de sua morte (ver Jui, 16.30).

Por quarenta anos. O povo de Israel agonizou por longo tempo, devido aos assédios constantes dos filisteus.

A menção da Bíblia a esse número específico de anos de servidão pode ser um indício de que, após tal período, Israel gozou de liberdade essencial em relação aos filisteus. Ellicott (in loc.) afirmou que aqueles quarenta anos terminaram com a batalha de Ebenézer (ver ISam. 7.12). Alguns eruditos supõem que esse período de opressão tenha começado ao mesmo tempo que se iniciou a opressão dos filhos de Amom (historiada no capítulo 11 de Juízes), embora esta última tenha perdurado por mais tempo que aquela.

A narrativa bíblica mostra-nos que a ameaça e a opressão sob os filisteus continuaram até os dias de Davi, cerca de um século mais tarde. Ver II Sam. 5.1725. Aqueles “povos do mar” organizaram uma pentápole, ou seja, uma confederação de cinco cidades: Gaza, Asquelom, Asdode (a estratégica estrada costeira), Gate e Ecrom (no começo da Sefeiá, ou seja, no início da região montanhosa de Judá (cf. Jos. 13.3).

Quando os filisteus fizeram avançar as suas tropas na direção leste, penetrando assim nas terras das tribos de Benjamim e de Judá, isso inaugurou a real opressão de Israel por parte dos filisteus, naqueles lugares, o que continuou até os tempos de Samuel (ver I Sam. 7.10-14).

Que Sucedeu aos Danitas? A maior parte dessa tribo transferiu-se mais para o norte, a fim de escapar dos assédios constantes dos hostis filisteus. Contudo, alguns deles permaneceram no sul, nas terras tradicionais da tribo. Os pais de Sansão achavam-se entre os que permaneceram em seu território antigo. Sansão foi um herói danita.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1054.

 

 

Ele tinha diante de si uma nação a proteger (v.1). A frase inicial desse versículo aparece no Livro de Juízes com uma regularidade monótona (3:7, 12; 4:1, 2; 6:1; 10:6, 7) e pode ser vista aqui pela última vez. Apresenta o período mais longo de opressão que Deus permitiu que seu povo sofresse: quarenta anos sob o domínio dos filisteus.

Os filisteus1 faziam parte dos “povos do mar” que, no século doze a.C., migraram de uma região da Grécia para a planície costeira de Canaã. Durante a conquista, os israelitas não conseguiram tomar essa região (Js 13:1, 2). Ao estudar o mapa da Terra Prometida, vê-se que a existência dessa nação concentrava-se em torno de cinco cidades principais: Asdode, Gaza, Asquelom, Gate e Ecrom (1 Sm 6:1 7). A terra entre a região montanhosa de Israel e a planície costeira era chamada de “Sefelá”, que significa “terras baixas” e que separava a Filístia de Israel.

Sansão nasceu em Zorá, cidade na tribo de Dã próxima à fronteira com a Filístia, e, em várias ocasiões, atravessou essa fronteira para servir a Deus ou para satisfazer os próprios apetites.

Sansão julgou Israel “nos dias dos filisteus” (Jz 15:20), o que significa que seus vinte anos como juiz transcorreram durante os quarenta anos de domínio filisteu. De acordo com o Dr. Leon Wood, o começo da opressão filistéia pode ser datado de ca. 1095 a.C ., estendendo-se até 1055 a.C ., quando Israel conquistou sua vitória em Mispa (1 Sm 7).

Mais ou menos no meio desse período ocorreu a batalha de Afeca, na qual Israel foi vergonhosamente derrotado pelos filisteus, perdeu a arca da aliança e três sacerdotes (1 Sm 4). A sugestão de Wood é que o mandato de Sansão como juiz teve início por volta da mesma época da tragédia de Afeca e que sua principal função foi perturbar os filisteus e impedir que conseguissem invadir a terra e ameaçar o povo.

É interessante observar que o texto não apresenta qualquer evidência de que Israel tenha clamado a Deus pedindo libertação em algum momento do domínio filisteu.

Uma vez que haviam desarmado os israelitas (1 Sm 13:19-23), os filisteus não se preocupavam com a possibilidade de uma rebelião.

Juízes 15:9-13 indica que os israelitas pareciam estar acomodados a sua situação e não queriam que Sansão causasse qualquer tumulto. E assustador como nos acostumamos rapidamente à servidão e aprendemos a aceitar essa condição. Se os filisteus tivessem sido mais severos com os israelitas, talvez o povo tivesse clamado a Jeová pedindo socorro.

Ao contrário da maioria dos juízes anteriores, Sansão não livrou seu povo da dominação estrangeira, mas começou um processo de libertação que seria concluído por outros (13:5). Uma vez que era um herói poderoso e imprevisível, Sansão causou medo e perturbação nos filisteus (16:24), impedindo que destruíssem Israel como as outras nações invasoras haviam feito. Seriam necessárias as orações de Samuel (1Sm 7) e as conquistas de Davi (2 Sm 5:1 7-25) para concluir o trabalho que Sansão havia começado dando a Israel a vitória absoluta sobre os filisteus.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 143-144.

 

 

2- A mulher agraciada.

 

O casal era formado por um homem chamado Manoá, da tribo de Dã, e sua esposa, que era estéril (Jz 13.2). Foi para essa mulher que o Anjo do Senhor apareceu, dizendo: “Eis que, agora, és estéril e nunca tens concebido; porém conceberás e terás um filho” (Jz 13.3). Dessa forma, a mulher de Manoá surge no cenário do livro de Juízes, escolhida pelo Senhor para ser mãe do “remidor de Israel”.

Sua história é semelhante à de Sara, Rebeca e Ana, que tiveram a esterilidade revertida para gerar vidas que desempenhariam uma função importante para a glória de Deus. Sob uma fé inabalável, a mulher de Manoá, devido ao favor gracioso de Deus, geraria um filho que libertaria 0 povo judeu do jugo dos filisteus.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Essa mulher que surge no cenário dessa história maravilhosa é citada apenas como a mulher de Manoá. Apesar disso, foi escolhida pelo Senhor para ser a mãe de um dos maiores heróis do povo de Israel.

A mulher de Manoá temia ao Senhor, confiava no seu poder e cria que Ele podia reverter a sua esterilidade. Ela orou a Deus e foi ouvida. Aquela mulher recebeu a visita de um anjo da parte de Deus que lhe declarou:

Eis que, agora, és estéril e nunca tens concebido; porém conceberás e terás um filho. Agora, pois, guarda-te de que bebas vinho ou bebida forte, nem comas coisa imunda. Porque eis que tu conceberás e terás um filho sobre cuja cabeça não passará navalha; porquanto o menino será nazireu de Deus desde o ventre e ele começará a livrar a Israel da mão dos filisteus. (Jz 13.3-5)

Por causa da sua fé inabalável em Deus, mulher de Manoá foi agraciada por Ele, com um filho que iria libertar o povo judeu das mãos dos filisteus.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 104.

 

 

Um homem de Zorá, da linhagem de Dã.

Era um lugarejo na fronteira entre os territórios originalmente doados a Dã e a Judá, do outro lado do vale de Bete-Semes, pouco mais de vinte e dois quilômetros a oeste de Jerusalém. No começo, Zorá pertencia à tribo de Judá (ver Jos. 15.20), mas posteriormente acabou ficando com os danitas.

Chamado Manoá. Esse homem, sem dúvida, era dotado de espiritualidade, visto ter sido visitado por um anjo, e foi destacado pelo Senhor para ser pai de um dos juizes, por meio de quem houve uma das grandes intervenções divinas em Israel. Era homem dedicado à oração, e de grande devoção pessoal.

Cuja mulher era estéril. A maior calamidade que poderia atingir uma mulher israelita, e que com frequência é mencionada nas páginas do Antigo Testamento, era a esterilidade. Mediante uma intervenção divina, a esterilidade da esposa de Manoá chegou ao fim. Cf. Gên. 16-17; I Sam. 1.2 e Luc. 1.7 ss. Ela é identificada com a Hazelelponi de I Crônicas 4.3. O nome dessa mulher significa “a sombra caiu sobre mim”. Esse nome também assume a forma de Zelelponi.

A maior parte da tribo de Dã já se tinha mudado para o vale do Hulé (ver o capítulo 18 de Juízes), ao norte do lago ou mar da Galileia, perto do lago assim chamado.

E nunca tiveste filhos. A calamidade de não ter filhos era o maior temor das mulheres israelitas. Em algumas poucas ocasiões registradas, para propósitos especiais, essa maldição foi anulada mediante a intervenção pessoal do Anjo de Yahweh. As promessas relativas à suspensão da esterilidade algumas vezes eram adiadas, mas nenhuma delas jamais falhou, E filhos especiais,

nascidos daí, cuja carreira seria importante para o povo de Israel, sempre foram a causa dessas divinas intervenções.

De acordo com o teísmo, Deus criou e continua presente, recompensando, punindo e guiando. O deísmo, em contraste, ensina que, apesar de talvez haver uma força criativa divina (pessoal ou impessoal), essa força abandonou o seu universo, deixando-o entregue ao governo das chamadas leis naturais, que operam bem, embora com muitas falhas. E essas falhas é que explicariam o problema do mal.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1054.

 

 

A história de Sansão é prefaciada pelo relato de um anúncio antecipado de seu nascimento por um anjo, tal como nos casos de Isaque (Gn 17.2,9,10) e João Batista (Lc 1.11-17).

O Anjo (3) apareceu à mulher de um homem da tribo de Dã chamado Manoá (“descanso”, “calmo”) que vivia em Zorá (2), a moderna Sar’a, 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, em Sefelá ou nas planícies costeiras de Judá. A esposa de Manoá, cujo nome nunca é mencionado, era estéril.

Clyde Ridall. Comentário Bíblico Beacon. Juizes. Editora CPAD. pag. 137.

 

 

3- Recebendo orientações divinas.

 

O Anjo do Senhor deu orientações bem precisas a respeito da criança que iria nascer Isso porque Sansão seria um nazireu desde o ventre materno (Jz 13.5), ou seja, ele seria um homem separado e consagrado para cumprir um desígnio de Deus (Nm 6.13-21). Cabia aos seus pais ensiná-lo e orientá-lo quanto aos requisitos do nazireado.

Sansão não poderia beber vinho ou qualquer outra bebida considerada forte; não poderia comer coisa considerada imunda (Jz 13.4.); não poderia ter os cabelos cortados e, finalmente, não poderia tocar em cadáver ou quaisquer outras coisas que representassem uma quebra de voto de nazireu.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os pais receberam as orientações do anjo do Senhor acerca desse filho (Jz 13.4,5)

A orientação do anjo do Senhor à mulher de Manoá foi que esse filho seria consagrado a Deus e seria um nazireu. O texto diz literalmente: “[…] porquanto o menino será nazireu de Deus” (Jz 13.5). Quando Sansão se tornou um homem, sua índole rebelde não aceitou muito bem o seu nazireado, por isso, era responsabilidade de seus pais ensiná-lo e orientá-lo quanto às obrigações do seu chamado. A palavra “nazireu” “significa ser separado”, ou “consagrado”. É uma palavra do hebraico nazir, que deriva da raiz nazar, que significa: “separar; consagrar; abster-se”.

Pelo fato de ser consagrado para o serviço de Deus, um nazireu deveria cumprir uma série de restrições. Tornar-se um nazireu significava que o homem seria separado e consagrado para cumprir os desígnios de Deus. Além da abstinência do vinho ou qualquer outra bebida levedada, não deveria cortar seus cabelos durante o período do nazireado; não tocaria jamais em qualquer tipo de cadáver, ou qualquer coisa que representasse contaminação (Nm 6).

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag.

 

 

Agora, pois, guarda-te. A mãe de Sansão precisou passar por uma preparação especial, que consistia em uma vida separada, santificada, observando criteriosamente os preceitos de Moisés, evitando alimentos e contatos imundos, não bebendo bebidas fortes, a fim de que fosse a mãe conveniente de um futuro nazireu (ver o quinto versículo).

A tradição mística tem mostrado quão importante é o preparo espiritual e moral das mães de filhos especiais. Uma boa mãe é capaz de atrair uma boa alma, e a vontade e a bênção de Deus estarão sobre a criança. Mas uma mãe ruim atrairá uma alma ruim, e a vontade benfazeja de Deus pode ser anulada nesse sentido.

A própria ciência tem demonstrado a importância de a futura mãe evitar cigarros e bebidas fortes, pois essas coisas podem contaminar o feto.

Por sua vez, a teologia mostra-nos quão importante é a preparação e a pureza espiritual para o nascimento de uma criança especial, que tenha de cumprir uma missão importante. Compare-se isso à história de João Batista, que desde o ventre materno foi cheio do Espírito Santo (ver Lucas 1.15). Uma das cenas mais lamentáveis que se pode ver é uma mulher grávida a fumar cigarros.

Esse é um ato imundo e eminentemente egoísta, que demonstra pouco ou nenhum interesse pelo feto. E também existem outras questões espirituais lamentáveis. As mães podem corromper seus próprios filhos por seus hábitos espirituais impuros. Ver no Dicionário o artigo chamado Limpo e Imundo.

O menino será nazireu consagrado a Deus. O adjetivo nazireu significa “consagrado”. Um nazireu era alguém que fazia um voto especial de dedicar-se de modo especial a Yahweh. Esse voto de nazíreado geralmente era por um curto período; mas Sansão seria um nazireu por toda a vida. 

O menino de Manoá, pois, seria um homem santo que livraria o povo de Israel da opressão dos filisteus. Todavia, Sansão acabou não mantendo integralmente a sua santidade ou devoção ao Senhor, e isso o derrubou em meio a seus inimigos pagãos. Sua biografia poderia ter sido muito diferente, se ele tivesse conservado íntegro o seu nazireado.

As três condições principais do nazireado eram estas:

Abstinência de qualquer bebida alcoólica.

Nenhum contato com os mortos (observância das leis do limpo e imundo).

Os cabelos não podiam ser rapados ou aparados. Ver o versículo 14 deste capítulo quanto a outros comentários.

“Nos casos de Jefté e de Sansão, os israelitas aprenderam o poder que repousa sobre os votos individuais, capaz de exibir o heroísmo oculto e misterioso do espírito humano, que pode salvar as pessoas de afundarem nas maiores profundezas da maldade” (Ellicott, in loc., citando Ewald). Esses votos tornaram- se um poderoso instrumento em favor do bem. Jefté fez um voto isolado, precipitado e pecaminoso; Sansão tinha uma devoção por toda a sua vida. Por esse motivo, tornou-se um virtual super-homem.

Ele começará a livrar a Israel. Sansão deu início ao livramento de Israel dos filisteus, “mas não foi senão nos dias de Davi que os israelitas foram totalmente remidos do poder deles” (Adam Clarke, in loc.). O livramento efetuado por Davi ocorreu cerca de cem anos depois de Sansão.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1054.

 

 

O anjo apareceu à mulher e disse-lhe que ela teria um filho. Ela deveria se abster de vinho (feito de uvas), de bebida forte (feita de outros frutos ou grãos) e de comer qualquer coisa que fosse cerimonialmente imunda (4).

O filho seria nazireu de Deus (5) desde seu nascimento. Em sinal disso, não seria passada navalha em sua cabeça. Os nazireus (“consagrado”, “dedicado”) eram pessoas de ambos os sexos que faziam um voto de separar-se para Deus, tanto para toda a vida como por apenas um período específico. Eles não eram eremitas e não necessariamente ascetas.

Observavam três proibições: não deveriam tomar vinho ou bebida forte, nem comer qualquer fruto da vide; não deveriam aparar ou cortar o cabelo; e não poderiam ficar cerimonialmente imundos por meio de contato com um corpo morto (Nm 6.1-21). Uma vez que o cabelo do nazireu não era cortado, a palavra foi transferida para uma vinha que não era podada no sétimo e também no qüinquagésimo ano (Lv 25.4,5,11), e passou a significar também “vinha não podada”. Ele começará a livrar a Israel, uma obra continuada por Samuel, Saul e Davi.

Clyde Ridall. Comentário Bíblico Beacon. Juizes. Editora CPAD. pag. 137.

 

SINOPSE I

 

O Senhor escolheu Manoá e sua esposa para serem pais do “remidor de Israel”.

 

II – O NASCIMENTO DE SANSÃO E SUA FORMAÇÃO

 

 

1- O nascimento e desenvolvimento de Sansão.

 

Conforme a promessa, Sansão nasceu de uma mulher estéril. Ele cresceu debaixo da bênção do Senhor (Jz 13.24). Tanto era assim, que o Espírito Santo o dirigia para o campo de Dã (Jz 13.25).

Não havia dúvida de que a vida de Sansão estava sob a vontade soberana de Deus. Ela foi proveniente de um grande milagre executado pelo Altíssimo na vida de sua mãe.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Manoá e sua mulher foram abençoados por que viram a Deus e tiveram o cumprimento da promessa do nascimento de Sansão (Jz 13.24,25).

O texto de Juízes 13.24,25 diz: “e o menino cresceu, e o Senhor o abençoou. E o Espírito do Senhor o começou a impelir de quando em quando para o campo de Dã, entre Zorá e Estaol”. Conforme a promessa, nasceu Sansão para ser aquele que libertaria o seu povo da servidão aos filisteus. Sansão foi abençoado por Deus desde o seu nascimento, quando o Espírito de Deus veio sobre ele para torná-lo o grande libertador de Israel.

Quando ele já tinha uns 20 a 25 anos de idade, aproximadamente, diz a Palavra de Deus que o Espírito do Senhor começou a agir na sua vida (v. 25). Contudo, a despeito do que veio a ser e fazer de errado nos próximos vinte anos, Sansão não foi abandonado por Deus. A soberania divina e a compaixão do Pai foram demonstradas em seus dias.

Sansão foi abençoado por Deus desde o seu nascimento, quando o Espírito de Deus veio sobre ele, para torná-lo o grande libertador de Israel.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 105-106.

 

 

Deu a mulher à luz um filho. Temos aqui o nascimento de Sansão (ver Juí. 13.3 ss.), e isso significa que a promessa feita pelo anjo não demorou a cumprir-se. Sansão foi o “filho prometido”. Ele teve uma infância maravilhosa.

Era saudável e excepcionalmente vigoroso. O próprio Yahweh o estava abençoando. Seus fracassos futuros não poderiam lançar uma sombra negra sobre os anos de juventude, pois sua vida era promissora e muito abençoada. Além disso, embora Sansão tenha falhado de muitas maneiras, nada conseguiu diminuir o sucesso final de seu ministério.

Sansão foi um instrumento imperfeito, mas isso não impediu que ele realizasse a sua missão. Em um sentido bem real, Sansão é o quadro fiel de qualquer homem espiritual. Sempre poderemos descobrir alguma falha em seu comportamento. Sempre haverá alguma mácula no seu caráter. Porém, devemos deter-nos no êxito em cumprir a missão para a qual tal pessoa foi criada.

“Deus tem muitos tipos diferentes de bênçãos, e as bênçãos aqui aludidas parecem ter sido as bênçãos da saúde, da força física e da coragem” (Ellicott, in loc.).

“Yahweh forneceu provas evidentes de que o menino estava debaixo da proteção peculiar do Altíssimo; e isso levava-o a aumentar diariamente em estatura e em uma força física extraordinária” (Adam Clarke, in loc.).

… não somente com uma força física incomum, mas também com dotes mentais notáveis, com o Espírito e com as graças do Espírito; com a graça e as bênçãos derivadas e com a Sua presença graciosa. Cf. Sal. 21.3,6; Efé. 1.3” (John GUI, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1056.

 

 

No tempo devido ela deu à luz seu filho e o chamou Sansão (24), um nome que significa “como o sol”, embora Adam Clarke baseie-se num termo caldeu com as mesmas consoantes para chegar ao significado de “servir”. O menino cresceu, e o Senhor o abençoou (24). A expressão é similar àquilo que foi dito sobre Samuel em 1 Samuel 3.19.

O Espírito do Senhor começou a impeli-lo de quando em quando (25). O termo traduzido aqui como impelir também significa “pedir”, “empurrar”, “levar a fazer”. A referência ao campo de Dã também é feita em 18.12, em relação a um acampamento a oeste de Quiriate-Jearim em Judá. A localização exata é desconhecida, a não ser pelo fato de que ficava entre Zorá (veja o comentário do v.2) e Estaol, talvez a moderna Eshu’a.

Os “fundamentos para uma família piedosa” são mostrados nos versículos 15-25. (1) Manoá e sua esposa receberam um anjo “sem saber” (w. 15,16); (2) os dois apresentaram um sacrifício ao Senhor (w. 17-19); (3) eles reconheceram o elemento divino na vida (w. 20,21); (4) eles receberam a palavra de Deus com fé (w. 22,23); (5) a bênção de Deus repousou sobre sua família (w. 24,25).

Clyde Ridall. Comentário Bíblico Beacon. Juizes. Editora CPAD. pag. 137.

 

 

2- A família de Sansão.

 

O menino Sansão, no plano terreno, estava sob a responsabilidade de seus pais. Embora o texto bíblico não traga muitos detalhes do relacionamento dos pais de Sansão, podemos inferir que Manoá e sua esposa tinham uma vida conjugal de confiança e profunda piedade:

a) a esposa de Manoá compartilhou diretamente com ele a respeito do Anjo;

b) Manoá orou insistentemente pedindo orientação de como criar a criança;

c) os dois estavam juntos e contemplaram a visão do anjo subindo em meio às chamas do altar (Jz 13.6,8,9,11,20).

Nesse aspecto, podemos perceber que o relacionamento entre esposo e esposa tem impacto direto na formação dos filhos. Certamente, Sansão cresceu em um lar cuja relação baseava-se em amor, comunhão e piedade a Deus.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os problemas da paternidade em relação aos filhos

No ato da criação da família, o Senhor deu ao homem a liderança sobre os assuntos familiares. O relacionamento sadio entre marido e esposa é de importância fundamental para que os filhos sejam criados com equilíbrio e muito amor.

Ainda que haja compartilhamento com a esposa na educação dos filhos, a liderança sobre os filhos e sobre a casa cabe ao pai. A existência de um lar começa com os pais, e os filhos entram numa estrutura social que foi o próprio Deus que estabeleceu.

O Criador instituiu princípios para que a família seja feliz. O primeiro princípio é o relacionamento do casal como marido e esposa. O segundo princípio é o relacionamento dos pais com os filhos. A atitude diária dos pais para com os filhos gera amor, comunhão e responsabilidade.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 108-109.

 

 

Deus ouviu a voz de Manoá. Elohim estava próximo e ouviu a oração de Manoá. Afinal, ele orou sinceramente em favor de seu filho, e não meramente por si mesmo. E o anjo do Senhor voltou e apareceu novamente à mulher, quando Manoá, uma vez mais, não estava presente.

Contudo, a mulher queria que seu marido estivesse presente, para ser testemunha daquele acontecimento estonteante; e assim correu a chamá-lo e, felizmente, o anjo esperou a chegada de Manoá. Isso indica que o Espírito de Deus estava controlando todos os acontecimentos, e estes sucediam conforme era mister que ocorressem.

A mesma mensagem que tinha sido dada à mulher foi dada também ao homem. O palco estava sendo armado para o drama especial. Houve momentos de esplêndida comunhão, e podemos estar certos de que Manoá e sua esposa nunca mais foram as mesmas pessoas. Viveram todos os seus dias com os olhos do espírito contemplando o anjo, ouvindo a sua voz.

Podemos dizer que eles ficaram desapontados pelo fato de Sansão ter sido um homem poderoso e débil, que dava dois passos para trás cada vez que dava um passo para frente. Pois Sansão não guardou fielmente o seu voto.

Ele acabou caindo no descrédito. Não obstante, de modo geral (embora em meio a muitas falhas), ele realizou a missão para a qual viera a este mundo. Assim é a história da maioria dos homens. O positivo mistura-se com o negativo.

No Que Se Transformou Sansão? Acompanhar a vida e o desenvolvimento espiritual deste juiz é algo muito instrutivo. Há estudos que mostram que, espiritualmente falando, os pais deveriam receber menos crédito pelos filhos que se saem bem, e menos culpa pelos filhos que não se saem bem.

Existe o que poderíamos chamar de carga genética, tanto física quanto espiritual, que tem uma maneira de prevalecer no fim. Essa carga genética pode pender para o bem ou para o mal. Isso, contudo, não exime os pais de seus deveres para com os filhos; mas fatos dessa natureza ajudam-nos a obter uma perspectiva melhor sobre o que significa ser pai ou mãe.

As crianças são indivíduos e agem como tais desde o começo de sua vida. É conforme disse Baha Ullah: “A pior coisa que pode acontecer a um pai é saber os ensinamentos certos, mas não transmiti-los a seu filho”.

Portanto, que Deus nos livre desse grave erro! Cumpre-nos fazer o melhor que está ao nosso alcance, e deixar o resultado nas mãos de Deus, pois, afinal, Ele é o grande Agente Ativo em todos os casos que estabelecem a diferença entre o sucesso e o fracasso de uma vida humana.

Josefo informou-nos de que a mulher “rogou” que o anjo ficasse até que seu marido voltasse. Porquanto era muito importante que ambos ouvissem a mesma mensagem e estivessem unidos no mesmo interesse e nos mesmos esforços (ver Antiq. 1.5, cap. 8, sec. 3).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1054.

 

3- A formação de Sansão.

 

Pela citação da trajetória de fé de seus pais, podemos inferir que Manoá e sua esposa criaram Sansão de acordo com as orientações recebidas pelo Anjo do Senhor. Na vida adulta, podemos ver que Sansão observava o protocolo do nazireado (Nm 6.1-7), vindo a violá-lo progressivamente mais tarde.

Mas os seus pais fizeram a parte deles, educando-os segundo a orientação divina recebida. Além disso, eles cumpriam os papéis esperados de país para aquele contexto.

Infelizmente, veremos que Sansão teve fraqueza de caráter e não honrou o voto de nazireu para com o Senhor. O que mostra que há pais zelosos que ensinam seus filhos no caminho em que devem andar, mas, infelizmente, algumas vezes, os filhos escolhem o caminho oposto.

Por isso, a partir de uma certa idade, a responsabilidade diante de Deus é individual (Ez 18.20; Rm 2.6). Outrossim, por exemplo, Caim e Abel tiveram a mesma formação, mas comportamentos completamente distintos (Gn 4.1-5).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O cuidado dos pais de Sansão não foi suficiente para que o filho não se desviasse dos propósitos divinos para a sua vida Todos nascemos com a natureza pecaminosa entranhada em nosso ser. Se a educação e a disciplina ajudam na formação de caráter de uma pessoa, nem todas as pessoas conseguem evitar os ímpetos de sua natureza pecaminosa. A criação de Sansão não foi muito diferente.

Embora seus pais lhe tenham transmitido ensinamentos baseados na Lei de Deus, ele abriu mão desses princípios para fazer a sua própria vontade. Um exemplo disso foi na ocasião em que Sansão declarou aos seus pais o desejo de casarse com uma mulher das filhas dos filisteus. Apesar de os pais não aprovarem essa decisão, Sansão insistiu nesse casamento misto, como vemos em Juízes 14.3:

A atitude diária dos pais para com os filhos gera amor, comunhão e responsabilidade.

Porém seu pai e sua mãe lhe disseram: Não há, porventura, mulher entre as filhas de teus irmãos, nem entre todo o meu povo, para que tu vás tomar mulher dos filisteus, daqueles incircuncisos? E disse Sansão a seu pai: Tomai-me esta, porque ela agrada aos meus olhos.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 109.

 

 

NAZIREU Pessoa leiga de qualquer sexo que estava presa a um voto especial de consagração ao serviço de Deus durante um período defmido ou durante toda a vida (Nm 6,1-5). Sua abstinência era assunto pessoal, mas não como membro de um grupo como os recabitas (.q.v.). Geralmente, o voto era feito voluntariamente, mas os pais às vezes faziam a consagração dos filhos para a vida toda, como nos casos de Sansão (Jz 13), de Samuel (1 Sm 1.9-11) e de Joâo Batista (Lc 1.15,80; Mc 1.6),

Um nazireu: (1) não podia participar do fruto da vinha; (2) nâo podia cortar o cabelo (veja Cabelo); (3) tinha que permanecer livre de todas as impurezas, inclusive de tocar o corpo de pessoas mortas (Nm 6.3-8). Em caso de profanação era prescrito um ritual de purificação (Nm 6.9-12). Ao final do período de separação, o nazireu obedecia a um procedimento especial para a finalização de seu voto, que incluía seu comparecimento perante o sacerdote com certas ofertas especiais, e também deveria raspar a cabeça e queimar o cabelo cortado (Nm 6.13-21).

Durante a monarquia, Deus denunciou que homens apóstatas estavam forçando os nazireus aDebervinho (Am 2.11,12). Quando estava em Corinto, Paulo fez um voto temporário de nazireado, taivez para obter a proteção divina naquela cidade; esse período terminou quando foi a Cencréia onde cortou o cabelo (Àt 18.18).

Mais tarde, Paulo foi persuadido a se purificar como nazireu, junto com quatro crentes judeus em Jerusalém, e a pagar pelo término dos sacrifícios relacionados ao voto daquele grupo (At 21.18-26). E. M. B.

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. 2 Ed. 2007. pag. 1347.

 

 

A forma mais correta da palavra é «nazireado», «nazireu», embora alguns grafem, em outras línguas, nazarita». A palavra portuguesa vem do hebraico nazir, derivada de nazar, «separar», «consagrar», «abster-se». Além disso, há a considerar o termo nezer, «diadema», «coroa de Deus», termo algumas vezes aplicado à cabeleira não-tosquiada dos nazi- reus, cabeleira essa considerada sua coroa e adorno. E dessa outra palavra hebraica que alguns pensam que se deriva a forma «nazarita».

Comparar isso com I Cor. 11:15. O voto do nazireado envolve a consagração especial de pessoas ou coisas a Deus (ver Gên. 49:26; Deu. 33:16). Está especificamente em pauta o caso dos nazireus, cujos cabelos compridos serviram de emblema de sua separação ao serviço do Senhor, cabelos esses que eram reputados a coroa de glória deles. Ver Núm. 6:7. Comparar com II Sam. 14:25,26.

Caracterização Geral

Os nazireus formavam grupos ascéticos no judaísmo. Eles tomavam vários votos, como abster-se de vinho, não entrar em contato com qualquer coisa imunda, ou não aparar os cabelos. Entre os antigos hebreus, esses votos eram vitalícios (ver a história de Sansão).

E o trecho de Amós 2:12 sugere que os nazireus eram muito prestigiados em Israel. A legislação posterior, entretanto, permitia que tais votos fossem limitados quanto ao tempo (ver Josefo, Guerras 2:15,1). Mas, um elemento que nunca foi abandonado foi o de um severo ascetismo (vide).

O voto do nazireado aparece em Núm. 6:1-20. Ninguém podia fazer tais votos por um período inferior ao de trinta dias. Sansão, Samuel e João Batista (de acordo com muitos eruditos), foram nazireus vitalícios. A instituição do nazireado tinha por intuito tipificar a separação e um modo de viver santificado e restrito.

A cabeleira crescida simbolizava a virilidade e virtudes heróicas. As madeixas de cabelos simbolizavam uma simplicidade infantil, poder, beleza e liberdade. Maimônides, um sábio judeu sefardi (falecido em 1204), referiu-se à dignidade dos nazireus como equivalente à de um sumo sacerdote.

E antes dele, Eusébio, o grande historiador eclesiástico da Igreja antiga, asseverou, em termos enfáticos, que os nazireus tinham acesso ao Santo dos Santos, em Israel (História Eclesiástica 2,23). Os pais podiam dedicar seus filhos homens a esse grupo religioso separatista. Entretanto, os nazireus não viviam em comunidades separadas, e nem lhes era vedada a associação com outras pessoas, ou de se ocuparem em atividades comuns. Viviam na comunidade de Israel como símbolos de dedicação especial a Yahweh. Essa era a principal função dos nazireus. E eles mostravam-se ativos no serviço religioso e nas práticas ritualistas.

Origem do Nazireado

O sexto capítulo do livro de Números fornece-nos as regras acerca da questão, embora alguns estudiosos suponham que temos ali uma confirmação e regularização da prática, e não um começo absoluto da mesma. É possível que, a certa altura dos acontecimentos, a prática tenha penetrado no corpo da legislação mosaica. E os argumentos que dizem que a prática do nazireado foi tomada por empréstimo de povos pagãos, como os egípcios, não convencem e nem têm sido acolhidos pela maioria dos eruditos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 4. 11 ed. 2013. pag. 466.

 

 

 

SINOPSE II

 

Os pais de Sansão foram fiéis às orientações do Senhor sobre a criação e nazireado do filho.

 

 

AUXÍLIO DEVOCIONAL

A CRIAÇÃO DE SANSÃO

 

“Sansão é uma das poucas pessoas nas Escrituras cujo nascimento foi anunciado a seus pais. Ele compartilha esta honra com Isaque, João Batista, e Jesus. Os pais de Sansão eram israelitas devotos que acreditaram na predição e pediram que Deus lhes mostrasse como deviam criar seu filho. A sua oração foi atendida. Sansão devia ser criado como um nazireu — uma pessoa que devia ser consagrada a Deus (veja Nm 6.1-8).

Os nazireus não bebiam vinho, não cortavam seus cabelos, e deviam cumprir algumas outras exigências. É surpreendente que o autor não expresse suas ideias, nesta e em outras histórias do livro de Juízes. Ele simplesmente conta a história, sem moralizar nem comentar. Mas as histórias falam por si mesmas, particularmente no caso de Sansão. Diferentemente de Jefté, Sansão tinha pais devotos e amorosos. Ainda quando era adolescente, ‘o Espírito do Senhor o começou a impelir’ (Jz 13.25).

Os muitos defeitos de Sansão dificilmente podem ser atribuídos aos seus pais, ou a Deus. Que consolo para os pais cristãos devotos cujos filhos não optaram por seguir a Jesus. Cada mãe ou pai atormentado, que olha para trás e se pergunta, ‘O que foi que eu fiz?’ ou ‘O que foi que eu deixei de fazer?’ pode encontrar consolo na história de Sansão.

Os pais de Sansão não falharam. As deficiências que posteriormente destruíram Sansão estavam no próprio Sansão” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Devocional da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.155).

 

 

III – A FRAQUEZA DE CARÁTER DE SANSÃO

 

 

1- Sansão subestimou o poder do inimigo.

 

Sansão sabia da unção que estava sobre a sua vida para vencer seus inimigos. Certa feita, ele foi cercado por mais de mil soldados filisteus armados, mas Sansão os matou com uma queixada de jumento (Jz 15.15,16).

Entre muitas proezas, ele encontrou um leão nas vinhas de Timna, o qual rasgou-o como quem rasga um cabrito porque o Espírito do Senhor veio sobre o juiz de Israel para matar esse filho de leão (Jz 14.5,6). Assim, Sansão foi acostumando-se com a vitória sobre os inimigos até que mais tarde ele seria vítima dessa subestimação (Jz 16.18-22).

Não por acaso, o apóstolo Pedro alerta a igreja a respeito das artimanhas do Diabo: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1 Pe 5.8). Infelizmente, muitos filhos subestimam as circunstâncias que rondam suas vidas e ignoram a experiência dos pais.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Sansão não levou a sério as ameaças dos filisteus, por isso não temia enfrentá-los. Na vida cristã, não podemos subestimar as artimanhas do Diabo. O apóstolo Pedro escreveu em sua primeira epístola: “Sede sóbrios, vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar” (1Pe 5.8). Sansão sabia que sobre a sua vida havia uma unção especial que o tornava um homem diferente e forte, para vencer seus inimigos.

De fato, Sansão subestimou o poder dos inimigos. Precisamos saber que os nossos inimigos espirituais percebem quando estamos fortes e quando estamos fracos. Eles buscam oportunidades em nossa vida, quando deixamos de vigiar e preferimos dormir o sono da negligência, porque o inimigo de nossas almas, o Diabo, nos espreita e procura nos tomar de surpresa.

Quando Sansão passou a confiar mais em sua própria força do que na força do Senhor, começou, de fato, a fazer concessões ao Inimigo sem perceber.

Havia dois inimigos que Sansão tinha contra si: o seu próprio ego, que era um inimigo interior, e o povo filisteu, que era um inimigo exterior.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 110-111.

 

 

Ao mesmo tempo em que os crentes podem lançar as suas preocupações sobre Deus, eles ainda precisam ser sóbrios e vigiar.

Assim como os soldados esperam e vigiam, os crentes também devem estar constantemente alertas quanto aos ardis do inimigo. Toda perseguição que os crentes enfrentavam, em última análise, reduzia-se a uma única fonte: “o diabo, vosso adversário”. O diabo tem outros nomes — Satanás, o Acusador, Belzebu -, mas ele é a origem de todo o mal e de toda a iniquidade que há no mundo. Ele odeia a Deus e é o arqui-inimigo de Deus; portanto, ele também odeia o povo de Deus e é seu inimigo.

Embora Satanás não tenha poder contra Deus, ele faz o que pode para prejudicar o povo de Deus. Pedro o descreveu como andando em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. Os leões atacam animais doentes, jovens, ou desgarrados; eles escolhem vítimas que estejam sozinhas, ou, que não estejam alertas. Os leões andam silenciosamente, observando e esperando, e atacam repentinamente quando as suas vítimas menos esperam.

Pedro advertiu os crentes a que estivessem alertas quanto a Satanás, especialmente em épocas de sofrimento e perseguição, pois ele espreita a terra (Jó 1.7), procurando alguém a quem ele ou os seus demônios possam atacar e derrotar. (Para mais informações sobre demônios, veja os comentários sobre Mc 1.23-26 e Ef 6.12.)

Quando os crentes se sentem sozinhos, fracos, desamparados, e desgarrados dos outros crentes, eles podem se concentrar tanto nos seus próprios problemas, que se esquecem de vigiar quanto ao perigo. Nestas ocasiões, os crentes são particularmente vulneráveis aos ataques de Satanás, que podem vir sob várias formas, frequentemente atingindo o ponto mais fraco da pessoa – tentação, medo, solidão, preocupação, depressão, perseguição. Portanto, Pedro e Paulo insistiam para que os crentes estivessem sempre alertas quanto aos ardis de Satanás.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 734.

 

 

[…] a identidade do adversário. …o diabo, vosso adversário… (5.8b). O diabo não é uma lenda, um mito, um espantalho para intimidar os místicos. E um anjo caído, um ser maligno, assassino, ladrão, destruidor. E a antiga serpente, o dragão vermelho, o leão que ruge. É assassino e pai da mentira. Veio roubar, matar e destruir. Temos um adversário real, invisível e medonho. Não podemos subestimar seu poder nem suas artimanhas.

[… as estratégias do adversário…. anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar (5.8c). Três coisas aqui nos chamam a atenção.

O diabo espreita. Ele anda em derredor. Busca uma brecha em nossa vida. Vive rodeando a terra e passeando por ela (Jó 1.7; 2.2). O diabo não dorme nem tira férias. E incansável em sua tentativa de nos apanhar em suas armadilhas.

O apóstolo Paulo diz que precisamos ficar firmes contra as ciladas do diabo (Ef 6.11). A palavra “ciladas” vem do grego metodeia, que significa “métodos, estratagemas, armadilhas”. O diabo tem um grande arsenal de armadilhas. Pesquisa meticulosamente nossos pontos vulneráveis. Não hesita em buscar brechas em nossa armadura. Precisamos acautelar-nos!

O diabo intimida. O leão ruge não quando ataca a presa, mas para espantá-la. Seu rugido é para fazer a presa dispersar-se do bando. Quando uma presa se desprende do bando, o leão a ataca implacavelmente. E muito difícil uma presa escapar da investida de um leão quando esta se isola. O ataque é súbito, violento, fatal.

O diabo devora. O diabo não veio para brincar, mas para devorar. Ele mata. E homicida e assassino. Há muitas pessoas arruinadas, feridas e destruídas por esse devorador implacável. Ele é o Abadom e o Apoliom (Ap 9.11), conhecido como o destruidor.

[…] as armas de vitória contra o adversário. Sede sóbrios e vigilantes… resisti-lhe firmes na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo (5.8a,9). Pedro nos oferece quatro armas importantes para o enfrentamento dessa luta espiritual.

A sobriedade. A palavra grega nepsate, traduzida por “sede sóbrios”, significa “domínio próprio”, especialmente na área da bebida alcoólica. Um indivíduo que perde o equilíbrio, o siso e a lucidez é uma vítima indefesa na batalha espiritual. Quando o diabo consegue dominar a mente de uma pessoa, consegue destruir-lhe a vida. Há dois extremos perigosos nessa batalha espiritual.

O primeiro é subestimar o diabo. Há indivíduos que escarnecem do diabo como se ele fosse uma formiguinha indefesa. A Bíblia diz que nem o arcanjo Miguel se atreveu a proferir juízo infamatório contra o diabo (Jd 9). O segundo extremo é superestimar o diabo. Há igrejas que falam mais no diabo que em Jesus. Há redutos em que o diabo tem até acesso ao microfone. Há pregadores que entabulam longas conversas com o diabo. Há escritores que recebem até mesmo revelações do diabo. Há aqueles que atribuem ao diabo qualquer dor de cabeça que uma aspirina resolveria. Essas atitudes não têm amparo nas Escrituras. Precisamos ter sobriedade nesse combate cristão.

A vigilância. A palavra “vigilantes” indica a atitude de esperar de olhos abertos, acompanhando o que se passa e sempre perscrutando o horizonte na expectativa da chegada do Senhor. O diabo vive rodeando a terra e bisbilhotando a vida das pessoas. Não hesita em atacar uma pessoa sempre que encontra uma brecha. Precisamos manter os olhos abertos e os ouvidos atentos. O diabo é a antiga serpente. E astuto, sutil. Sua estratégia é falsificar tudo o que Deus faz.

De acordo com a parábola do joio e do trigo, em todo lugar em que Deus planta um cristão, o diabo planta um impostor (Mt 13.24-30,36-43). Precisamos agir como o governador Neemias, que, em tempo de ameaças, colocou metade de seus homens empunhando as armas e a outra metade trabalhando (Ne 4.16). Oliver Cromwell dava o seguinte conselho às suas tropas: “Confiai em Deus e mantende a pólvora seca”. Sintetizando essas duas primeiras armas (sobriedade e vigilância), Kistemaker escreve:

A sobriedade é a capacidade de olhar para aquilo que é real com a mente clara, e a vigilância é um estado de observação e prontidão. A primeira característica descreve uma pessoa que luta contra sua própria disposição, enquanto a segunda mostra a prontidão para se responder às influências externas. Um cristão deve sempre manter-se alerta tanto contra forças internas como externas que desejam destruído. Essas forças vêm do maior adversário do ser humano, Satanás.

A fé. Precisamos resistir ao diabo firmes na fé. A fé é um escudo contra os dardos inflamados do maligno (Ef 6.16). Não podemos acreditar nas mentiras do diabo nem dar crédito às suas falsas promessas. Warren Wiersbe diz que tanto Pedro como Tiago dão a mesma fórmula para o sucesso nessa batalha espiritual: Sujeitai-vos a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós (Tg 4.7). Antes de se manter firme diante de Satanás, é preciso curvar-se diante de Deus.

Kistemaker é oportuno quando diz que a palavra fé pode ser compreendida tanto no sentido subjetivo da fé pessoal e confiança em Deus, como no sentido objetivo, ou seja, referindo-se ao conjunto das doutrinas cristãs. Aqui, o contexto favorece o sentido objetivo.

O sofrimento. Em tempos de prova, tendemos a pensar que estamos sozinhos nessa refrega e que ninguém está sofrendo como nós. Uma das armas do diabo para nos atingir é superdimensionar nossa dor e apequenar nosso consolo. Precisamos abrir os olhos e entender que existem outros irmãos passando pelas mesmas provações e enfrentando as mesmas batalhas. E errado imaginar que somos os únicos a travarmos esse tipo de batalha, pois nossa “irmandade espalhada pelo mundo” enfrenta as mesmas dificuldades.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Pedro Com os pés no vale e o no céu. Editora Hagnos. pag. 176-179.

 

 

2- A presunção de Sansão.

 

Visto que o Espírito do Senhor o capacitou a realizar grandes proezas que o homem comum não realizaria, Sansão não percebeu que tinha um terrível inimigo: o seu próprio ego. Este o levou a subestimar a presença de Deus em sua vida. Sua força vinha de Deus, mas ele agia como se viesse dele mesmo e, por causa disso, passou a anular a glória de Deus.

Sua atitude rebelde e presunçosa o levou a não dar o primeiro lugar para o Senhor, passando a buscar o prazer, a ociosidade e a luxúria (Jz 14.1; Jz 16.1). É muito triste quando os filhos não conseguem mais ver a benevolência do Senhor. Todavia, os pais devem continuar fiéis a Ele, sendo como faróis que encorajam os filhos rebeldes a se reconciliarem com Deus (Lc 15.11-32).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os dois maiores inimigos de Sansão

Havia dois inimigos que Sansão tinha contra si: o seu próprio ego, que era um inimigo interior, e o povo filisteu, que era um inimigo exterior.

Sansão tornou-se presunçoso porque o Espírito do Senhor o capacitou a realizar grandes proezas que homem comum algum jamais faria. Sansão não percebeu os seus dois maiores inimigos. O primeiro, o seu ego, levou-o a subestimar a presença de Deus em sua vida. Sua força vinha do Altíssimo, mas ele agia como fosse apenas sua, sem lembrar-se de que a força que tinha vinha do Senhor.

Por esse motivo, ele começou a anular a glória de Deus nas proezas que realizava. Sua atitude rebelde e presunçosa o levou a não dar o primeiro lugar ao Senhor. Incitado pela sua vaidade pessoal, Sansão iniciou uma jornada na busca de prazer, de ociosidade e de luxúria. Era o seu inimigo invisível e interior que o estava levando à derrota, porque ninguém usurpa a glória de Deus.

Na vida cristã, o pior inimigo que o cristão pode enfrentar é o inimigo que está dentro de cada um de nós. Trata-se de um inimigo impessoal, invisível, perigoso que se articula contra as coisas do Espírito. Na linguagem do Novo Testamento, esse inimigo é denominado “carne”, ou “o velho homem”, que cobiça contra as coisas do Espírito.

Por outro lado, o segundo inimigo era o povo filisteu, do qual começou a fazer pouco caso, zombando por várias vezes desse povo. Na verdade, os inimigos de fora só conseguem algum sucesso quando descuidamos deles. Sansão estava tão cheio de si que não imaginava ser dominado pelos filisteus.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 111-112.

 

 

 

Sansão revela seu segredo (16.15-17). Dalila resmungou: “Como você pode dizer que me ama se o seu coração não está perto de mim? Por três vezes você me enganou e recusou-se a me contar seu segredo”. Ao pedir-lhe e perturbá-lo todos os dias, a sua alma se angustiou até à morte (16), i.e., ele estava finalmente desgastado por sua persistência.

Descobriu-lhe todo o seu coração (17), ou seja, “ele lhe confidenciou”. O segredo de sua força estava no cumprimento de seu nazireado desde seu nascimento. Tal condição era expressa pela regra de que nenhuma navalha poderia tocar sua cabeça. Se seus cabelos fossem cortados, ele seria como um homem qualquer. É difícil determinar o que era maior: a força sobre-humana de Sansão ou sua estupidez asinina.

Sansão é traído (16.18-22). Jubilosa por ter conseguido finalmente descobrir o segredo desejado, Dalila envia uma mensagem aos príncipes dos filisteus, os quais, sem dúvida, já haviam se afastado desanimados depois dos repetidos fracassos. “Venham apenas mais esta vez”, implorou ela, “porque ele me contou tudo”. Assim, eles trouxeram o dinheiro na sua mão (18) para o “pagamento”. Tão logo Sansão dormiu com a cabeça no colo da moça, Dalila chamou um homem, e rapou-lhe as sete tranças do cabelo de sua cabeça; e começou a afligi-lo (19), ou “enfraquecê-lo, subjugá-lo” ou “humilhá-lo”.

Quando Dalila o despertou com as palavras familiares “os filisteus vêm atrás de você, Sansão!”, ele abriu os olhos e se vangloriou: “Vou sair como de costume e me livrar dos laços” ou, como pode ser traduzido a partir do hebraico, “eu sairei, rugirei e rosnarei”. Ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele (20). Sansão já tinha brincado demais com o pecado. Sua força já se fora.

Os filisteus o pegaram, arrancaram-lhe os olhos e o prenderam com correntes de bronze. Levaram-no para Gaza e, ali – como John Milton o descreve, “um cego em Gaza” – aquele que um dia fora um campeão poderoso foi colocado para moer grãos num moinho manual na prisão.

A história de Sansão alcança seu clímax nos versículos 15 a 21, onde vemos o resultado da “fascinação fatal do pecado”. (1) Foi um homem de grande força física (w. 14.6; 14.19; 15.14-16; 16.3; etc); (2) Teve uma mente fértil (w. 14.12-14); (3) Era moralmente fraco (v. 16.15); (4) Era espiritualmente infiel (w. 17,18); (5) o Senhor se tinha retirado dele (20).

Clyde Ridall. Comentário Bíblico Beacon. Juizes. Editora CPAD. pag. 143-144.

 

 

3- Manipulando o poder de Deus e brincando com o pecado.

 

Em Juízes 16.16-18, a Bíblia descreve como Sansão tratava as coisas espirituais. Ele entrou num terreno perigoso, “brincando” com a coisa santa. Ele obteve uma ideia falsa do poder de Deus. Iludido, pensava que poderia viver de qualquer maneira, pois estava certo de que o poder divino não lhe faltaria. Geralmente quem brinca com as coisas espirituais também passa a brincar com o pecado (Jz 16.1). Ele afrontou os conselhos de seus pais para se envolver com uma mulher estrangeira (Jz 16.4).

Deixou-se dominar pelas paixões carnais e passageiras. Infelizmente, alguns filhos de nossos arraiais passam a fazer as mesmas escolhas de Sansão. Nesse caso, os pais devem fazer o que se espera que eles façam: Educar os filhos no caminho do Senhor (Pv 22.6). Entretanto, saiba que as escolhas de seus filhos serão de inteira responsabilidade deles, quer para justificá-los quer para condená-los (Ec 11.9).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A força da carne anulou o bom senso de Sansão. Ele se deixou levar pela luxúria estimulada por Dalila, pela sua sensualidade, e acabou revelando o segredo do poder de Deus na sua vida, cujo sinal eram os seus cabelos compridos de nazireu (Jz 16.16-18). O segredo da força de Sansão estava em manter seus cabelos sem cortar.

Os cabelos eram, de fato, um símbolo da presença de Deus em sua vida. Não eram “os cabelos” propriamente dito, mas, sim, o sinal físico do qual Sansão não poderia banalizar. É claro que Deus se utiliza de coisas materiais e físicas para que nós, seus filhos, limitados nas coisas espirituais, possamos identificar o seu poder.

Deus não se limita às coisas materiais, mas Ele as usa para manifestar a sua glória. Quando revelou o segredo de sua força para Dalila, além de ter perdido os cabelos, perdeu muito mais: o Espírito de Deus apartou-se dele. Sansão imaginava que ainda tivesse o Espírito de Deus em sua vida; ele não sabia que o Espírito já havia se retirado.

Na verdade, a tragédia da vida de Sansão estava na ideia falsa que ele fazia do poder de Deus. Ele acreditou que poderia agir de qualquer maneira e fazer o que quisesse, que poderia até mesmo quebrar as regras; que poderia dar-se o direito de satisfazer suas paixões carnais como se Deus não tivesse mais ninguém para fazer a obra.

Sua displicência com os requisitos de Deus para serem cumpridos na sua vida era a marca de sua rebeldia. Ele começou a brincar com o pecado, como quem brinca com uma serpente venenosa até ser picado por ela. Sansão sabia que a unção de Deus era indispensável quando ele precisava destruir ou livrar-se dos filisteus.

Sua postura arrogante o fez imaginar que poderia agir com intemperança, porque Deus precisava dele. Quando assistimos hoje a certos pregadores desaforando o Diabo e brincando com as coisas do Inimigo de nossas almas, percebemos que estes podem cair no laço do Diabo cometendo pecados de imoralidade, porque acham que são tão importantes para Deus que o Senhor não os punirá pelos seus pecados. Sabemos que o resultado não será agradável. Sansão, por ser nazireu, não podia ingerir bebida forte, mas o fez muitas vezes. Ele não podia tocar corpo morto, mas o fez ao tocar o leão que matara nas vinhas de Timna. Ele não podia casar-se com mulher estrangeira, mas o fez não dando ouvidos ao conselho dos seus pais.

Ele desenvolveu a ideia de que era invulnerável ao pecado e, por isso, nenhuma punição viria sobre si da parte de Deus. Enquanto ele mantinha o segredo da sua unção sustentada pela misericórdia de Deus, nada de mal aconteceu, mas quando ele descobriu o seu coração ao Diabo não lhe restou mais nenhuma justiça, porque Deus tirou da sua vida a sua glória. A Bíblia diz que Deus deserdou Sansão e, literalmente está escrito: “Porque ele não sabia que já o Senhor se tinha retirado dele” (Jz 16.20). Quando se perde a sensibilidade da presença do Espírito de Deus, nada mais resta. Em 1 Tessalonicenses 5.19, o apóstolo Paulo escreveu aos tessalonicenses 5.19: “Não extingais o Espírito”.

Em outra ocasião, Paulo disse: “Não se enganem: de Deus não se zomba” (Gl 6.7, NAA).

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 113-115.

 

 

Importunando-o ela todos os dias. Por muitos dias, Dalila não alterou seu método de ataque. Ela só pensava no grande prêmio em dinheiro que poderia ganhar dos príncipes filisteus. A cobiça a impelia. E não havia amor para aplicar os freios. A alma de Sansão, por sua vez, “se encurtava” (conforme diz, literalmente, o original hebraico, diante de toda aquela conversa, conversa e mais conversa, lágrimas, lágrimas e mais lágrimas. Ela o estava desgastando. “A debilidade da alma dele, na totalidade da narrativa, ainda parece mais espantosa do que a força imensa de seu corpo” (Adam Clarke, in loc.).

Os dias de vida de Sansão (tal como acontecia à sua alma) estavam sendo encurtados. Ele estava à beira de um ataque de nervos. Dalila apressava a morte do amante através de mais de uma maneira. Abarbinel pensava que Sansão tinha consciência de sua morte, que já se aproximava.

Há estudos que demonstram que qualquer pessoa tem consciência, pelo menos um ano antes de sua morte, da iminência desta, mesmo que essa morte ocorra por acidente e a pessoa esteja perfeitamente saudável. E muita gente percebe a aproximação da morte bem antes de um ano. Os sonhos que todos nós temos nos avisam continuamente; mas esses avisos geralmente não são ouvidos ou são mal interpretados.

“… loucamente, ele ficou brincando com a chave de seu segredo. Chegou mesmo a arriscar-se, ao envolver a cabeleira em suas tolas brincadeiras. Depois disso, faltava apenas mais um passo para a catástrofe final” (Ewald, in loc.).

Descobriu lhe todo o seu coração. Finalmente, Sansão desvendou o terrível segredo. Seu coração apertado não conseguiu mais reter a verdade. É como dizemos: “Ele abriu seu coração” para Dalila. Ele revelou o seu voto de nazireado.

No meio de tanta matança, com frequência ele se contaminava cerimonialmente, quebrando aquela parte do voto que não permitia nenhum toque em cadáveres. Todavia, pelo menos ele nunca havia cortado os seus cabelos, outro requisito do voto de nazireu. E era ali que residia o segredo de sua tremenda força física. Na qualidade de homem especialmente dedicado a Yahweh, ele recebia do Senhor força especial para cumprimento da missão que o Senhor lhe havia dado. Mas, se ele violasse esse requisito do voto, então perderia, de súbito, a força divinamente concedida.

A força física de Sansão era miraculosa, nada tendo que ver com a genética. Deus haveria de abandoná-lo (ver o vs. 20 deste capítulo) se ele ousasse cortar sua cabeleira. No entanto, apesar de tão poderoso diante do inimigo, Sansão estava destinado a cair vitima fácil de uma mulher. Essa é, realmente, uma história muito antiga. Josefo opinava que Sansão deveria estar tonto de vinho enquanto brincava daquele jeito com o pecado. E isso ele dizia porque, verdadeiramente, o álcool solta a língua. Sem embargo, o próprio texto sagrado nem ao menos vislumbra essa possibilidade. Pois o voto do nazireado também não permitia que o indivíduo usasse de bebidas alcoólicas; e parece que Sansão, até ali, também estava obedecendo a esse requisito do voto, além de não tocar em seus cabelos.

A força física de Sansão não residia em seus cabelos, e, sim, no voto do nazireado, enquanto ele fosse obediente, pois era Yahweh quem lhe conferia aquela força. A desobediência, porém, arrebataria dele a presença divina, tornando Sansão uma pessoa comum. É sempre o elemento divino que faz um homem tornar-se fora do comum.

Vendo, pois, Dalila que já ele lhe descobrira todo o coração. O som da verdade é diferente do som da mentira. Todos nós somos enganados pela mentira; mas, quando a verdade nos é dita, “percebemos a diferença”. Trata-se de algo parecido com a temível aranha viúva-negra. Se você vir uma dessas aranhas, então poderá dizer: “Acho que esta é uma aranha viúva-negra”. Mas se você enxergar uma real aranha dessa espécie, terá certeza absoluta de que viu uma delas. Essa aranha é tão distintiva que ninguém poderá deparar-se com uma delas e duvidar de tê-la visto.

Vários intérpretes hebreus indicam que Dalila forçou Sansão a confirmar as suas palavras mediante juramentos que envolviam algum nome divino; mas o próprio texto sagrado não indica coisa alguma dessa natureza. A aparência de sua fisionomia, o tom de sua voz — isso era tudo quanto se fazia mister para Dalila perceber que Sansão, final e estupidamente, havia revelado o seu segredo.

E trouxeram com eles o dinheiro. Dalila estava tão certa de que Sansão, finalmente, revelara o seu segredo que ela exigiu e recebeu o seu prêmio, aqueles mil e cem siclos de prata (ver a respeito no quinto versículo deste capitulo). Para ela, a astúcia rendera ricos dividendos. O sucesso levou-a a exigir que lhe fosse dado o prêmio na hora.

Paulo relembrou a Timóteo qual o objetivo da missão divina que tinha recebido, bem como o inspirador dessa missão, o Senhor Jesus Cristo (ver II Tim. 2.8). Por meio da insistência cansativa de Dalila, Sansão esqueceu seu voto e perdeu a vida antes do tempo. Paulo corria a carreira cristã de olhos fixos no prêmio, a vida eterna, em Cristo Jesus (ver Fil. 3.14). Mas Sansão permitiu que a traição e um jogo tolo com o pecado desviassem o seu olhar da linha de chegada e do prêmio que estava diante dele. Ele tropeçou e caiu. Agora, estava tudo terminado. Ele deixou sua missão por acabar, embora não se possa dizer que tenha sido um fracasso completo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1066.

 

 

Sua alma estava contrariada até a morte – Que idiota consumado foi este homem forte! Poderia não ter visto o que viu, a partir do que já aconteceu, que Delila destinada à sua ruína? Depois brincando com ela, e que se encontra três vezes, ele finalmente se compromete a ela seu segredo fatal, e, assim, torna-se um traidor a si mesmo e ao seu Deus. Bem podemos adotar a observação sensata de Calmet sobre esta passagem: La foiblesse du caeur de Samson, dans cette torte histoire, est encore mais etonnante que la corps força de filho; “A fraqueza do coração de Sansão em toda esta história, é ainda mais surpreendente do que a força de seu corpo.”

Se viesse a ser rapado, a minha força irá de mim – A força milagrosa de Sansão não se deve supor a residir em seu cabelo ou em seus músculos, mas em que a relação em que ele se levantou para Deus como um Nazireu, essa pessoa estar vinculado por um voto solene de andar em uma estrita conformidade com as leis do seu Criador.

Era uma parte do voto do Nazireu para permitir a navalha não passar sobre a sua cabeça; e seu longo cabelo era a marca do seu Nazireado, e de seu voto a Deus. Quando Sansão permitiu que seu cabelo para ser arrancado, ele renunciou e quebrou o seu voto Nazireado; em conseqüência do que Deus o abandonou, e, portanto, somos informados, em Juízes 16:20, que o Senhor se tinha retirado dele.

ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke. Juízes.

 

 

SINOPSE III

 

As más escolhas de Sansão revelaram mais do seu caráter do que da sua criação.

 

 

AUXILIO VIDA CRISTÃ

NÃO SE APAVORE, A COLHEITA AINDA NÃO SE PERDEU!

 

“Por ter visto um ou mais desses sinais de advertência, não conclua que seu filho está perdido. Quando os filhos entram na adolescência e na juventude é muito normal se esforçarem para estabelecer a própria identidade e questionar a identidade que receberam de você. É normal os adolescentes serem influenciados pelo meio e amigos.

E, pelo fato de seus corpos estarem crescendo e mudando, a maioria é acometida por preguiça; até os melhores filhos podem ficar mal-humorados e debochados de vez em quando. Mas o mero fato de essas coisas serem normais não anula a verdade de que eles estão errados e, caso persistam no erro, você precisa ser mais alerta. […] Muitos jovens criados em lares cristãos acabam questionando a fé.

Eles desejam saber se são cristãos porque o Cristianismo é a verdade ou por padrão familiar. Eles veem que há um mundo cheio de pessoas que sinceramente têm outras crenças. Constatam que algumas dessas pessoas são bondosas e inteligentes, e esse fato pode levá-los a questionar se 0 Cristianismo é a verdade absoluta.

Não fique chocado se isso acontecer com o seu filho. A salvação tem de ser confirmada no coração de cada indivíduo; ela não é transferida meramente por laços de família. Tal questionamento pode ser, portanto, uma bênção para o seu filho, porque no final das contas pode resultar em uma reafirmação saudável do Evangelho” (FITZPATRICK, Elyse; NEWHEISER, Jim. Quando filhos bons fazem escolhas ruins. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.76).

 

 

CONCLUSÃO

 

A presente lição não teve o objetivo de explorar toda a história de Sansão, mas de enfatizar a sua chamada divina, sua formação e o desvio de caráter. Vimos que, muitas vezes, os pais são zelosos em criar seus filhos no caminho do Senhor, mas, infelizmente, quando alguns deles atingem certa idade, passam a ser rebeldes contra o Senhor e os próprios pais.

Nosso propósito é que os pais continuem a ser faróis como luzeiros que revelam aos filhos rebeldes o quanto equivocados espiritualmente eles estão; orando sempre, para que eles voltem ao caminho de justiça do Deus Altíssimo.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- O que o capítulo 13 de Juízes mostra?

Mostra que os filhos de Israel tornaram a fazer o mal aos olhos do Senhor, que os entregou nas mãos dos filisteus por 40 anos.

 

2- Cite pelo menos duas orientações do Anjo do Senhor à mãe de Sansão.

Sansão não podia beber vinho; comer coisa considerada imunda ou cortar os cabelos.

 

3- Segundo a lição, o que podemos inferir pelo texto bíblico?

Que Manoá e sua esposa criaram Sansão de acordo com as orientações recebidas pelo Anjo do Senhor.

 

4- O que não podemos subestimar, segundo a lição?

Não podemos subestimar a presença de Deus em nossa vida por causa do nosso próprio ego.

 

5- Segundo a lição, o que acontece com quem brinca com as coisas espirituais?

Geralmente quem brinca com as coisas espirituais também passa a brincar com o pecado (Jz 16.1).

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Acesse mais:  Lições Bíblicas

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2 respostas para “6 LIÇÃO 2 TRI 23 – PAI ZELOSOS E FILHOS REBELDES”

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