6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

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Texto Áureo

Lembra-te, agora: qual é o inocente que jamais pereceu? E onde foram os sinceros destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo.” (Jó 4.7,8)

Verdade Prática

Embora Transcendente, Deus tem prazer em se relacionar com o homem terreno.

OBJETIVO GERAL

Destacar o pensamento teológico de Elifaz que faz uma defesa contundente da religião tradicional segundo a qual somente os pecadores sofrem.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Apontar a defesa de Elifaz acerca da justiça retributiva;

Mostrar a associação de Elifaz a respeito do pecado à quebra da tradição religiosa;

Identificar o abismo que Elifaz diz existir entre o Criador e a criatura.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 4.1-4 Sobre a paciência para ouvir

Terça – Jó 4.4-6 Você tem confiança em Deus?

Quarta – Jó 4.6-8 O inocente pereceu? Os retos foram destruídos?

Quinta – Jó 15.1-4 O sábio daria respostas vazias?

Sexta – Jó 22.1,2 O homem será de algum proveito para Deus?

Sábado – Jó 22.3-5 O Todo-Poderoso tem prazer em que você seja justo?

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 4.1-8 ; Jó 15.1-4; 22.1-5

Jó 4

1 – Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse:

2 – Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderia conter as palavras?

3 – Eis que ensinaste a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas.

4 – As tuas palavras firmaram os que tropeçavam e os joelhos desfalecentes tens fortalecido.

5 – Mas agora, que se trata de ti, te enfadas; e tocando-te a ti, te perturbas.

6 – Porventura não é o teu temor de Deus a tua confiança, e a tua esperança a integridade dos teus caminhos?

7 – Lembra-te agora qual é o inocente que jamais pereceu? E onde fôramos sinceros destruídos?

8 – Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade, e semeiam mal, segam o mesmo.

1 – Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse:

2 – Porventura proferirá o sábio à sabedoria? E encherá do vento oriental o seu ventre,

3 – Arguindo com palavras que de nada servem, e com razões, de que nada aproveita?

4 – E tu tens feito vão o temor, e diminuis os rogos diante de Deus.

Jó 22

1 – Então respondeu Elifaz, o temanita, dizendo:

2 – Porventura será o homem de algum proveito a Deus? Antes a si mesmo o prudente será proveitoso.

3 – Ou tem o Todo-Poderoso prazer em que tu sejas justo, ou algum lucro em que tu faças perfeitos os teus caminhos?

4 – Ou te repreende, pelo temor que tem de ti, ou entra contigo em juízo?

5 – Porventura não é grande a tua malícia, e sem termo as tuas iniquidades?

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Neste mundo, só quem comete pecado sofre? Muitos têm uma percepção teológica parecida com a de Elifaz, conforme veremos nesta lição. A justiça retributiva, embora seja uma lei que está presente nas Escrituras Sagradas, nem sempre dá conta de toda a realidade. O Livro de Jó mostrará exatamente isso. O sofrimento que o patriarca passava nada tinha a ver com a consequência de algum pecado cometido no passado. E importante aprendermos essa lição a fim de não proferirmos julgamentos precipitados em relação ao sofrimento de um irmão ou de uma irmã em Cristo.

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INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos o discurso de Elifaz. Ele é o primeiro amigo de Jó a expor sua concepção teológica acerca da situação degradante em que se encontrava o homem de Uz. Nesse sentido, veremos que, para Elifaz, ajustiça retributiva é certa, ou seja, só os pecadores sofrem e os justos não passam por revezes. Para ele, Jó contrariou esse ensinamento, atacou a forma religiosa de pensar e, portanto, feriu a ortodoxia que deveria guardar. Finalmente, veremos também as respostas de Jó a cada acusação de Elifaz.

PONTO CENTRAL

Não só os pecadores sofrem.

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I – OS PECADORES NO CONTEXTO DA JUSTIÇARETRIBUTIVA

1. A lei da semeadura e da colheita.

Depois de firmar um princípio oriental de cordialidade, Elifaz se dirige a Jó com uma defesa contundente do pensamento teológico tradicional – a justiça retributiva. Ele está firmemente convencido de que a lei de causa e efeito é um princípio da ortodoxia teológica que não pode ser contraditado.

2. O homem colhe o que plantou.

Essa primeira parte de seu discurso compreende os capítulos 4 e 5, em que defende que o homem colhe o que plantou: “Segundo eu tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam isso mesmo” (Jó 4.8). Para Elifaz nós habitamos em um universo moral que exige consequências de nossas ações. A Bíblia mostra esse princípio. Por exemplo, o salmista confirma que Deus é bom e justo e, por isso, recompensa os bons e pune os maus (Sl 1.6). O Novo Testamento também atesta esse princípio: “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos, [.] mas o rosto do Senhor é contra os que fazem males” (1 Pe 3.12).

Portanto, Elifaz defende que o pecado sempre produz consequências, masque somente os pecadores pagam por isso. Assim, segundo Elifaz, se Jó estava sofrendo era porque havia pecado. Cabia a Jó, então, assumir a responsabilidade moral de seu pecado. Não havia outra opção. Quantos são os que fazem acusações precipitadas quando alguém passa por momentos delicados na vida? Ao julgar precipitadamente, muitos cometem injustiças e esquecem de que Deus é quem pode ver todo o lado da questão.

3. A queixa de Jó.

Em sua defesa, Jó se contrapõe à teologia de Elifaz (Jó6-7). Essa teologia era a base de como se imaginava o universo governado por uma lei moral de causa e efeito: Há uma recompensa para os bons e punição para os maus. Elifaz não estava de todo errado, mas equivocou-se quando pensava que esse pressuposto era o único existente. Tratava departe da verdade mas não de toda. Sua teologia não se aplicava no caso de Jó. O patriarca não aceita a tese de Elifaz e, por isso, sente-se alienado de Deus, (6.1-7), de si mesmo (6.8-13) e de seus amigos (6.14-23). Isso leva Jó a se queixar de Deus (Jó 6.1-13).

Ele se queixa pela sua atual situação. É uma queixa fundamentada ainda nos antigos pressupostos teológicos: Ele era justo, não estava em pecado, portanto não merecia sofrer. Em seguida, Jó se queixa a Deus (Jó 7. 11-21), desejando abrir uma porta de diálogo com o Altíssimo. Ele não quer explicações baseadas em teorias teológicas antigas, mas uma conversa sincera através de um relacionamento como o Criador, onde ló fala com Ele e Deus fala com Jó. No momento da dor, a melhor coisa a se fazer é se dirigir pessoalmente a Deus.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Elifaz traz a lei retributiva, da semeadura e da colheita; mas Jó contesta essa lei em relação a si mesmo.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Antes de iniciar o primeiro tópico é importante contextualizar mais uma vez o aluno a respeito da estrutura do Livro de Jó. Informe a ele que a partir desta lição iniciaremos o estudo da parte principal do livro: os diálogos de Jó com os seus amigos Elifaz, Bildade e Lorar (Jo 4.1-25.6). Para facilitar esse processo, leve em conta o seguinte: Há pelo menos três ciclos de diálogo entre Jó e seus amigos; (1) O primeiro 4.1-14.22) está assim organizado: Elifaz e Jó (4.1-7.21), Bildadee Jó (8.1-10.22), Zofar e Jó (11.1-14.22); o segundo ciclo (15.1-21.34) está estruturado assim: Elifaz e Jó (15.1-17.16), Bildade e Jó (18,19), Zofar e Jó(20,21); Finalmente, o terceiro ciclo de diálogo (22.1-25.6) está organizado desta forma: Elifaz (22), Jó (23.1-24.25) e Bildade (25.1-6). Exponha essa estrutura aos alunos, pois certamente os ajudará na melhor compreensão desses diálogos.

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II – OS PECADORES NO CONTEXTO DA TRADIÇÃORELIGIOSA

1. Ortodoxia engessada.

Em seu segundo discurso (Jó 15.1-35), Elifaz argumenta que as palavras de Jó são uma ameaça ao dogma religioso aceito: “E tu tens feito vão o temor e diminuis os rogos diante de Deus”(15.4). Assim, se Jó estivesse certo, a religião tradicional, que sempre ensinou a prosperidade dos bons e o sofrimento dos maus, estaria errada. Nesse aspecto, Jó era uma ameaça àquela forma de pensar. Por isso Elifaz ataca Jó de uma forma contundente dizendo que suas palavras não revelam sabedoria, mas são palavras ao vento.

2. Uma ameaça à tradição religiosa.

A partir do versículo 7 do capítulo15, Elifaz apela para a tradição religiosa como forma de validar seu princípio teológico: “Que sabes tu, que nós não saibamos? Que entendes, que não haja em nós? Também há entre nós encanecidos e idosos, muito mais idosos do que teu pai” (15.9,10). Segundo Elifaz, ainda que fosse homem sábio, Jó não era mais sábio nem mais antigo do que o dogma que ele estava negando.

3. Um defensor celeste.

Em sua defesa, Jó se contrapõe ironicamente ao argumento de Elifaz (Jó 16-17). Aqui não podemos esquecer de que a resposta de Jó deve ser ouvida na forma poética, conforme o fazemos em salmos, orações e súplicas recitados assim. Isso evita um literalismo rígido que empobrece o sentido do texto, quando este é poético, e, consequentemente, transforma Jó em um sacrílego.

Nesse texto Jó reclama, mas não blasfema contra Deus. Ele tem consciência de que a teologia de seu amigo firmava-se na terra, mas o homem de Uz apelava aos céus. Sua fé o projeta para o alto, à procura de quem possa defendê-lo. Ele quer um defensor que interceda por ele no céu (Jó 16.18-17.2). O patriarca se expressa e poética, mas sua mensagem é profética. Seu anseio por um mediador prenuncia o justo advogado, Jesus Cristo (1 Jo 1.5.7).

SÍNTESE DO TÓPICO II

Diante do novo discurso de Elifaz, Jó reclama, mas não blasfema contra Deus.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Jó também afirmava possuir uma sabedoria igual ou superior à dos seus amigos. Elifaz sarcasticamente pergunta acerca da base de sua afirmação: És tu, Porventura, o primeiro homem que foi nascido? (7). Jó havia admitido que a sabedoria vinha com a idade (12.12). ironicamente Elifaz pergunta se Jó se Considerava um ser especial, alguém que ouviu o secreto conselho de Deus (8) no princípio dos tempos. Ele também pergunta: A ti somente limitaste a sabedoria? A sabedoria aqui referida é a sabedoria divina.

Será que Jó, como membro do conselho celestial, tinha acesso ao conhecimento dos mistérios de Deus? Elifaz responde à pergunta que ele mesmo levantou, concluindo que Jó, na verdade, não é mais sábio do que eles: Que sabes tu, que nós não saibamos? Na verdade, existe alguém nomeio deles (seria o próprio Elifaz?) que tem idade para ser pai de Jó (10).Se existe uma relação entre idade e sabedoria, então existe alguém muito mais sábio do que Jó.

Elifaz também afirmou em seu primeiro discurso ter recebido sabedoria por meio de revelação divina” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.55).

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III – OS PECADORES DIANTE DE UM DEUS INFINITO

1. Deus não se importa com quimeras humanas.

Em seu terceiro discurso (Jó 22), Elifaz apela para a transcendência divina ao atacar Jó. Grosso modo, a transcendência diz respeito ao conjunto de atributos do Criador que ressalta a sua superioridade em relação à criatura. Significa que Deus está acima da Criação e não é limitado por ela. Realça, portanto, a infinitude divina em contraste com a finitude humana (Jó 22.1-3). Para Elifaz, o sofrimento de Jó era um atestado de que ele havia pecado e que, por isso, Deus o havia abandonado; Ele era grande e não poderia se envolver em quimeras humanas, principalmente nas do pecador Jó.

A teologia de Elifaz destaca um Deus transcendente, porém, distante, que não se importa muito com o que acontece aqui na terra, indiferente às coisas que criou (Jó 22.12). Não adiantava Jó chorar ou reclamar. Ele precisava se arrepender.

2. Deus caminha com os homens.

Nessa parte da poesia Jó expõe seus argumentos de forma mais clara (Jó 23.1-24.25). Ele demonstra que nunca negou a transcendência de Deus como Elifaz quer dar a entender. Ele reconhece que Deus é excelso e pode fazer o que intenta: “Mas, se ele está contra alguém, quem, então, o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará” (J 23.13). Todavia, esse é apenas um lado da história. Jó está consciente que esse Deus, embora grande, também caminha com os homens (Jó 23.10).

A ideia no texto hebraico é que Jó passa a ficar cada vez mais seguro e consciente, não apenas de seu caminhar com Deus, mas do caminhar de Deus com ele. É exatamente isto: Não devemos temer mais em ficar diante de Deus, pois o andar com Ele é reto. Em Cristo Jesus, Deus caminha com os homens; sendo o Altíssimo transcendente, envolve-se com os seres humanos nos diversos detalhes da vida.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Enquanto para Elifaz Deus não se importava com as quimeras humanas, para Jó Ele caminhava com os homens.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Somente parte desta resposta a Elifaz, de forma semelhante às outras, é dirigida diretamente aos amigos. Jó também se dirige a Deus, e também há um tipo de conversa introspectiva que Jó tem consigo mesmo. O apelo prévio de Jó a Deus (13.20-28) permaneceu sem resposta. Deus aparentemente recusou-se a responder a Jó ou revelar-se a ele. Jó tinha a esperança de que seu apelo honesto aos céus convenceria seus amigos da integridade dele.

Em vez disso, ele é acusado do uso astuto das palavras para ocultar o seu pecado (15.5-6). Elifaz tenta convencer Jó de que seus amigos o abandonaram, e Jó reage com ira, movido por profunda dor”. (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.57).

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CONCLUSÃO

Estudamos o pensamento teológico de Elifaz, um dos amigos de Jó. Para ele só os maus sofriam os infortúnios da vida. Ele estava convencido deque ao se negar a reconhecer de que estava em pecado, Jó de punha contra a religião tradicional que sempre associou as desgraças ao cometimento de algum pecado. Para ele, Jó estava abandonado por Deus e isso era uma prova irrefutável de que havia pecado. Jó o contrapôs e defendeu sua integridade e comunhão diante de Deus.

VOCABULÁRIO

Sacrílego: Que ou aquele que comete sacrilégio (profanação de lugares, objetos e pessoas que apresentam caráter sagrado).

Quimeras: combinação heterogênea ou incongruente de elementos diversos.

Ortodoxia: Conformidade absoluta com um certo padrão, norma ou dogma

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PARA REFLETIR

A respeito de “A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?”, responda:

1 – O que se quer dizer com o pensamento teológico tradicional de Elifaz?

R: Elifaz se dirige a Jó com uma defesa contundente do pensamento teológico tradicional – a justiça retributiva.

2 – O que Jó deseja ao abrir uma porta de diálogo com Deus?

R: Uma conversa sincera através de um relacionamento direto com o Criador onde Jó fala com Ele e Deus fala com Jó.

3 – Qual o argumento do segundo discurso de Elifaz?

R: No seu segundo discurso (Jó 15.1-35), Elifaz argumenta que as palavras de Jó são uma ameaça ao dogma religioso aceito (15.4).

4 – Segundo a lição, qual consciência Jó tem a respeito da teologia de seu amigo?

R: Ele tem consciência de que a teologia de seu amigo se firmava na terra, mas o homem de Uz apelava aos céus.

5 – O que Jó demonstra e reconhece nos seus argumentos?

R: Ele demonstra que nunca negou a transcendência de Deus como Elifaz quer dar a entender. Ele reconhece que Deus é excelso e pode fazer o que intenta.

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EM BREVE INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

O trecho de Jó 4.1-11 fala sobre o dogma da justiça.

Nenhum homem poderia sofrer como Jó estava sofrendo, a menos que fosse culpado de alguma transgressão, aberta ou secreta. Elifaz pregou a Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura, ou a lei do carma. Isso, como é claro, é uma das respostas para o problema do mal.

Os ímpios recebem aquilo que semeiam.

Mas o livro de Jó é mais profundo e pergunta: “Por que os inocentes sofrem?’. Jó sofreu sem causa (ver Jó 2.3) ou, pelo menos, não merecia seus sofrimentos por haver pecado ou por ser injusto. Podemos supor que houvesse alguma razão divina, mas certamente não a barganha cósmica com Satanás, que o autor usa como um artifício literário para introduzir o livro. Os justos não sofrem por causa de alguma barganha de Deus com Satanás.

Sinceridade dos “Consoladores’ de Jó.

O livro de Jó insiste nesse ponto. As ideias dos três amigos de Jó eram parciais e, algumas vezes, completamente erradas, mas eles mesmos eram sinceros. Eles vieram de longe para falar com o amigo (ver Jó 2.11). A preocupação deles por Jó era genuína, mas sua teologia inadequada não solucionou o problema do mal nem, especificamente, por que Jó, um homem inocente, sofria. O silêncio inicial deles devia-se ao respeito que sentiam por Jó e ao espanto diante das calamidades que viam (Jó 2.13).

A amizade é um dos principais temas da literatura de sabedoria oriental e hebreia, e não há razão alguma em supormos que os amigos de Jó se mostrassem hostis para com ele. Bons amigos reprovam quando isso se faz necessário. Algumas vezes esses amigos estão com a razão e, outras, estão enganados e também não têm todas as respostas, mais do que nós.

Elifaz falou primeiro,

o que provavelmente indica que era o mais idoso dos três amigos e também o mais respeitado por sua sabedoria. Como indivíduo dogmático que era, pensou saber todas as respostas e acreditou que o alegado enigma dos sofrimentos de Jó poderia ser facilmente explicado pelo seu discurso. Ele era um indivíduo dogmático que havia tido impressionante experiência espiritual envolvendo o aparecimento de um espírito (vss. 13 ss.). Essa experiência, ao que se presume, dera a ele autoridade para falar, pois, afinal, Jó não tinha passado por tão gloriosa prova; portanto, Jó era um homem abaixo de Elifaz quanto à realização espiritual, e dotado de sabedoria inferior.

Erroneamente,

Elifaz pensava que seu dogma era autenticado pela sua experiência. Mas aprendemos, mediante a observação, que pessoas de todas as espécies de denominações e religiões passam por impressionantes experiências espirituais, sem que isso possa ser tomado como poder autenticador para suas crenças. Não obstante, tais experiências não devem ser desprezadas. Pode haver algum significado nelas, como também nenhum significado.

Precisamos testar cada caso individualmente e nada aceitar somente porque as pessoas dizem isto ou aquilo, ou porque têm vivido experiências espirituais.

“Elifaz era um indivíduo religioso cujo dogmatismo repousava sobre uma experiência notável e misteriosa (vss. 12-16). Porventura um espírito passara alguma vez diante da face de Jó? Os pelos de sua carne já se tinham eriçado alguma vez? Pois então que Jó se mantivesse manso, enquanto alguém tão superior quanto Elifaz declarasse a causa dos infortúnios dele.

Elifaz disse muitas coisas verdadeiras (como seus dois amigos também disseram) e por várias vezes chegou a mostrar-se eloquente; mas permaneceu duro e cruel, um homem dogmático que precisava ser ouvido por causa de uma notável experiência” (Scofetí Relerence Bible, in loc.).

A observação do dr. Scofield, naturalmente, não fez justiça a Elifaz. Mais do que um sujeito dogmático, Elifaz era um sábio oriental, um ancião respeitado por todos. Mas sua teologia era deficiente. Ele pensava saber mais do que realmente sabia, o que corresponde à condição da maioria dentre nós (se não de todos nós).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1879-1880.

O evangelista americano Stanley Jones, analisando a ação da graça divina no coração humano, faz esta belíssima confissão: “A graça me comprou. A graça me ensinou. A graça me prendeu. Agora a graça me possui”. Se hoje nos achamos afeitos a esta maravilhosa doutrina, até ao Século XVI, muito sofreram os cristãos por desconhecer a eficácia, o alcance e a transcendência da graça de Deus na regeneração, na justificação e na santificação daqueles que, pela fé, recebem a Cristo Jesus.

Não pense você, hajam sido os teólogos romanos os únicos a posicionarem-se contra a doutrina da graça.

Era a teologia de Elifaz em tudo semelhante às apostilas da Santa Sé. O molesto amigo de Jó ensinava comprazer-se Deus com um relacionamento meramente comercial. Se lhe agradarmos; e lhe fizermos o que nos pede; se lhe atendermos às demandas, nenhum mal permitirá Ele venha sobre nós. Doutra forma, insinuava Elifaz, como nos haveremos diante de suas cobranças?

Infelizmente, não são poucos os que servem a Deus, tendo como motivação esta teologia tão nociva. Conforme veremos mais adiante, o fato de servirmos fielmente a Deus não nos torna imunes às lutas, às dificuldades e às provações. Pelo contrário! Somos, às vezes, mais atribulados do que os ímpios.

Mas, que importa? Se Cristo está ao nosso lado, haveremos de nos regozijar até nas adversidades. Esta é a obra da graça!

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 133-134.

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I – OS PECADORES NO CONTEXTO DA JUSTIÇA RETRIBUTIVA

1. A lei da semeadura e da colheita.

A justiça de Deus requer a retribuição. Mas o próprio juízo divino também tem um aspecto remediai. Os dois polos da justiça divina são declarados em Rom. 1:32, em comparação com I Ped. 4:6.

Há atos de vindicação, que contrabalançam a injustiça. Esses são atos de justiça (Juí. 5:11; II Sam. 15:4; Sal. 82:3; Isa. 58:2,3; Ecl. 7:15 e 8:14).

A justiça, embora vindicativa e retributiva, também deve manifestar-se temperada pela misericórdia. Não há justiça divina crua, ou seja, retribuição não-condicionada pelo amor. O primeiro capitulo de Romanos mostra-nos que Deus não estaria errado se aplicasse uma justiça nua, constituída somente por vingança e retribuição.

Porém, a partir do terceiro capítulo de Romanos, Paulo mostra-nos que, de fato, a justiça divina não opera dessa maneira inflexível. A intervenção do evangelho serve de prova desse fato. Aqueles a quem Deus tem de julgar, também procurou salvar, ele através da elaborada missão de Cristo, uma missão com um aspecto terreno, outro no hades e outro no céu (I Ped. 3: 18-4:6).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4603.

[…] se o Senhor nosso Deus designa qualquer coisa para nós, quer seja bom ou mal, traga bênção ou aflição, seja vergonha ou honra, prosperidade ou adversidade, tenho de considerar bom e realmente sagrado, e tenho de dizer: Esta é uma bênção pura e preciosa.

Não sou digno disso que isto me toque. Assim diz o profeta: “Justo é o Senhor em todos os seus caminhos e santo em todas as suas obras” (SI 145.17). Se dou louvores a Deus por tais questões e as considero boas, santas e excelentes, eu o santifico em meu coração.

Mas os que consultam os livros da lei reclamam que está sendo feita uma injustiça a eles. Dizem que Deus está dormindo e não ajudará os justos e conterá os injustos — eles o desonram e nem o consideram justo nem santo. Mas quem é cristão deve atribuir justiça a Deus e injustiça a si, deve considerar Deus santo e ele profano e deve dizer que em todas as suas obras e ações Deus é santo e justo. E o que Ele requer. […] Se cantamos Deogratias e Te Deum laudamus e dizemos: Deus seja louvado e bendito, quando o infortúnio nos colher, é o que Pedro e Isaías chamam uma verdadeira santificação ao Senhor. (M5, pp. 555, 556).

GEISLER. Norman. Teologia Sistemática INTRODUÇÃO A TEOLOGIA A Bíblia Deus A Criação. Editora CPAD. pag. 834.

2. O homem colhe o que plantou.

Segundo eu tenho visto. É perfeitamente possível que Paulo tenha citado este versículo (de forma livre) quando nos deu a lei da colheita segundo a semeadura, em Gál. 6.7,8.

Dentro da teologia e da filosofia, essa lei é aplicada de maneira bastante ampla. A Igreja Cristã Ocidental confina sua operação a uma única vida terrena e, depois, a algum lugar de punição.

Mas a Igreja Ortodoxa Oriental faz da preexistência da alma parte da questão. Pecados e fracassos de outras existências também devem ser seguidos com a retribuição apropriada; as boas obras devem também receber a devida retribuição, e o bem que tiver sido feito deve ter sua recompensa.

As religiões orientais fazem a lei da colheita segundo a semeadura (o carma) aplicar-se a uma série de vidas, mediante muitas reencarnações. Isso significa que agora você pode estar pagando por algum mal cometido na idade Média.

Coligir benefícios é o lado positivo da lei, e isso também se aplica a uma longa fileira de vidas.

Pode-se perceber, por meio dessas explicações, que a lei da colheita segundo a semeadura desfruta de larga aplicação no pensamento humano. Elifaz tinha uma versão dessa aplicação: o homem é punido neste mundo físico devido ao mal que ele pratica. Sua mente não ia além disso.

Ele era cego o bastante para supor que, tendo dito isso, houvesse explicado o problema do sofrimento humano, mas isso é apenas um começo, quando estamos tratando com o problema do mal.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1881.

Elifaz, no entanto, vai longe demais.

Uma coisa é apelar para um princípio abstrato que parece evidente em si mesmo para a mente de um homem que tem senso moral. Outra coisa bem diferente é aplicá-lo ao caso específico de Jó. Elifaz alega que nunca observou uma exceção à regra: “Sega-se aquilo que se semeia.” Como o salmista que podia dizer de modo tão complacente: “Fui moço, e já, agora, sou velho, porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão” (SI 37.25), Elifaz merece a resposta: “Você não viu muita coisa!”.

A doutrina não se baseia em eventos observados. O caso de Jó não se encaixa neste caso. Sua fé, agora, deve navegar por uma tempestade de fatos contraditórios.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 110.

Os homens colhem aquilo que semeiam (4.7-11).

Para provar que a confiança em Deus e a vida reta resultam em benefícios, Elifaz aponta para aquilo que ele acredita ser a verdade evidente. Qual é o inocente que jamais pereceu? (7). A resposta que se espera a essa pergunta é que os justos não são levados à destruição por meio das dificuldades.

Pelo contrário, a destruição é o destino dos ímpios. Contra os ímpios vem o hálito do Senhor [.„] o assopro da sua ira (9), isto é, o vento furioso e destruidor do julgamento de Deus. Além do mais, existe um princípio divino em ação. E a lei da colheita. Aqueles que semeiam o mal segam isso mesmo (8).

A destruição dos ímpios é descrita mais adiante nos versículos 10-11 por meio de uma outra figura vívida —a dissolução de uma cova de leões. Davidson ressalta que existem cinco palavras usadas em relação ao leão nestes versículos: o bramido do leão, o leão feroz, os leõezinhos, o leão velho (forte) e os filhos da leoa. Elifaz traça um paralelo entre o ímpio e o leão em duas situações: em primeiro lugar, a força deles; e em segundo lugar, a sua natureza violenta.

Os ímpios experimentarão o que experimenta um forte leão que ruge. A sua presa é tirada subitamente da sua boca e seus dentes […] se quebrantam, e ele acaba morrendo por falta de comida. Os filhos [da leoa], então desamparados, andam dispersos porque não têm nenhum provedor de comida. Da mesma maneira, desastre ou julgamento recairão sobre homens perversos cuja natureza violenta é semelhante à do leão (veja 5.2-5).2

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 36.

3. A queixa de Jó.

Elifaz havia oferecido um discurso ortodoxo. Mas a ortodoxia dele não se aplicava ao caso de Jó. Sua calamidade era grande demais. Ultrapassava qualquer julgamento divino razoável, quanto a qualquer pecado secreto que ele pudesse ter praticado. Seus infortúnios tinham de estar envolvidos em fatores que ainda não tinham sido ventilados. Jó era um homem inocente que estava sofrendo (Jó 2.3).

Jó continuou com sua resposta a Elifaz, tomando, de forma marcante, a posição de um pessimista, tão evidente em sua lamentação do capítulo 3. Os pessimistas argumentam que a própria vida é um mal, e que a salvação consiste na sensação de toda a existência, na redução ao nada. Isso garantiria paz a todos os sofredores.

“Jó sofria porque a vida humana, de modo geral, é um serviço duro. Ele estava sujeitado à condição de um homem mortal que levava a vida de um soldado ou mercenário (vss. 1-3). A dor física faz as noites e os dias parecer intermináveis (vss. 4 e 5)” (Samuel Terrien, in loc.).

A vida nada é senão dor, e ela tem uma miserável e dolorosa duração. Não vale a pena viver, era o pensamento central de Jó, embora ele nunca tivesse proferido tais palavras. A vida é ridiculamente breve, e até essa brevidade está plena de dores absurdas. A vida passa como se fosse um vento, e esse vento é um tufão.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1890; 1897.

Para sermos generosos com Elifaz, suponhamos que sua repreensão fosse gentil, e não zombeteira. Mesmo assim, Jó é magoado por ela. Sua resposta é uma tremenda explosão emocional. Defende a si mesmo poderosamente, protestando contra a insinuação do seu amigo de que deva haver, nalguma parte da sua vida, alguma falha que precisa de correção.

Jó insiste que suas palavras desenfreadas são plenamente justificadas (6.2-7). Ainda deseja morrer (6.8-10); sua esperança de que seus amigos lhe dessem refrigério foi desfeita, deixando-o ainda mais desesperado (6.11-23). Desafia-os a serem diretos nas suas acusações (6.24-30). Depois, volta para o tema da sorte infeliz do homem. A esperança pelo alívio requer mais forças do que qualquer homem possui para suportar firmemente.

A única saída é a morte, e quanto mais cedo melhor (7.1-10).

Visto que este remédio acha-se exclusivamente nas mãos de Deus, Jó volta-se para Ele com maior paixão (7.11-21). Nas suas palavras de encerramento, olha para dentro do abismo da dúvida, a pior tortura para a pessoa que ama a Deus — precisa ter alguma medida de compreensão dos caminhos de Deus para proteger sua mente contra o pensamento de que Deus não é justo.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 124-125.

A Resposta de Jó a Elifaz (6.1—7.21)

A resposta de Jó pode ser dividida em três partes.

Na primeira, ele justifica suas queixas no capítulo 3 e se defende da repreensão do seu amigo, insistindo (como da primeira vez) em que a morte continua sendo sua única esperança (6.1-13).

Na segunda, ele mostra profunda tristeza e desapontamento pela atitude que seus amigos demonstram em relação a ele (6.14-30).

E, na terceira, ele lamenta amargamente seu grande sofrimento e implora para que Deus o deixe sozinho e o deixe morrer (7.1-21).

Elifaz não acusou Jó diretamente de pecado. Isso ocorrerá mais tarde. Ele apenas manifestou surpresa pelo desespero e impaciência do amigo. Jó usa essa crítica como base para a sua resposta.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 39.

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

6 Lição 4 tri 20 A Teologia de Elifaz: Só os pecadores Sofrem?

II – OS PECADORES NO CONTEXTO DA TRADIÇÃORELIGIOSA

1. Ortodoxia engessada.

Tornas vão o temor de Deus. O temor de Deus é o princípio da sabedoria (ver Pro. 1.7). Rejeitando o temor de Deus, Jó tinha assim anulado até uma sabedoria primitiva que houvesse em si mesmo.

Ele quebrou (hebraico literalmente a reverência a Deus (cf. Jó 4.6 e Sal. 2.11).

Servi ao Senhor com temor e alegrai-vos nele com tremor.

(Salmo 2.11)

A totalidade da piedade e da adoração pode ser chamada de “o temor de Deus”. Ver Eclesiastes 12.14; Isa. 29.13. Em sua irreverência e declarações blasfemas contra Deus, Jó lançara fora a piedade em geral e tinha-se tomado vão e pretensioso.

É terrível cair nas algemas de uma mente fechada. Tal mente não está meramente “fechada para reparos”; ela está realmente fechada! O orgulho tinha fechado a mente de Elifaz, e Jó a tinha ferido (cf. os vss. 2,3,10). A tradição também tinha fechado a mente de Bildade. Jó tinha caído nas algemas da intolerância, uma qualidade constante de indivíduos inclinados para o dogmatismo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1926.

Jó não somente é estulto, como também é perigoso. Suas palavras são uma ameaça à sã religião. O hebraico tem simplesmente “temor”, mas trata-se certamente de uma forma curta da frase consagrada temor de Deus que é atribuído a Jó em 1.1, 8; 2.3, e equiparado com a sabedoria em 28.28.

A NEB até mesmo tem Jó sabotando sua própria religião (“você até mesmo expulsa o temor de Deus da sua mente”), ao passo que a TEV tem Jó minando a religião doutras pessoas (“você desanima as pessoas de temerem a Deus”). Se, na realidade, aqui “Elifaz estigmatiza as ideias de Jó como sendo uma ameaça à sociedade” (Rowley, pág. 134), a questão passa a não ser desenvolvida. A ênfase recai sobre o dano que Jó está causando a si mesmo.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 173.

2. Uma ameaça à tradição religiosa.

Que sabes tu, que nós não saibamos? Se Jó reivindicava ter o monopólio da sabedoria e ser o Homem primevo, o fato é que todas as suas reivindicações de sabedoria superior eram mentirosas. Ele não sabia mais do que sabiam seus amigos-críticos, de modo que poderia receber as instruções deles. Ver um argumento similar usado por Jó em Jó 12.3 e 13.2, onde ele foi repreendido por seus amigos-críticos.

Também há entre nós encanecidos e idosos. Há certa igualdade entre os homens, porquanto todos são criaturas de Deus, que Ele sustenta em Suas mãos.

Mas conforme os homens envelhecem, presumivelmente ficam mais sábios; no círculo de amigos de Jó havia homens idosos, alguns deles mais velhos que seu pai. Assim, ao que se presume, havia um acúmulo de sabedoria reunido por eles, sobre o qual Jó nada conhecia, pelo que ele não era um homem grande e sábio, e ainda tinha muito que aprender. No entanto, prosseguindo em sua atitude de superioridade, ele não era o tipo de pessoa que alguém pudesse ensinar.

Ele era arrogante e duro. Era um pecador endurecido, que desempenhava o papel de sábio. Não admirava aos amigos de Jó que Deus o punisse da forma que fazia! Jó reivindicava conhecer grandes segredos diretamente de Deus, mas seus segredos eram pecados secretos.

O Targum declara que Elifaz e Bildade eram homens idosos, mais velhos que o pai de Jó, mas esse comentário é duvidoso. Elifaz não estava apontando para si mesmo como entre os homens mais idosos e sábios. Mas ele conhecia as tradições dos sábios e concordava com a doutrina deles, diferentemente do arrogante Jó.

John Gill tem um curioso comentário neste ponto: “A verdade é aquele antigo e bom caminho, o caminho mais antigo, mas o erro é quase tão antigo quanto a verdade. Há, pois, um caminho pelo qual homens ímpios caminham. Uma pretensão de antiguidade, cuidadosamente observada, pode conduzir ao erro (Jer. 6.16 e Jó 22.15)”.

“Combater a teologia deles era mostrar falta de respeito pelos mais idosos, insulto impensável naqueles dias” (Roy B. Zuck, in loc.). A verdade, entretanto, jaz noutro lugar. Para alguém avançar no conhecimento e na espiritualidade, é forçado a combater contra antigas teologias e práticas. Os sistemas ficam estagnados, por pararem seus trens nas estações das tradições e das denominações. Mas a verdade prossegue para novas estações.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1927.

Para depreciar ainda mais as declarações de Jó, Elifaz o sujeita a uma série de perguntas humilhantes. É uma ironia o fato de seu interrogatório atingir o estilo da entrevista posterior com o Senhor que Jó achará tão saudável (capítulos 38ss.). A presente passagem fica em quiasmo com a anterior, porque as acusações iniciais de Elifaz, de estultícia (w. 2-3) e de ir religiosidade (4) estão elaboradas na ordem inversa: a iniquidade (5-6) e a ignorância (7ss).

A frase sem igual, o primeiro homem deu origem a muita discussão.

“Uma alusão ao mito do homem primitivo, que existia antes da criação do mundo” (Rowley, pág. 134) não tem sido provada. Ao ligar os w . 7 e 8, é sugerido que o homem de antes da criação “ficou sabendo dos planos de Deus no conselho divino” (Rowley, ibid.). A estrutura quiástica da estrofe demonstra que duas fontes de conhecimento estão em mente: a antiguidade (7 e 10) e a iniciação aos segredos de Deus (8 e 9).

Jó não tem nenhuma destas qualificações. Dois indícios adicionais são necessários para solucionar o problema do v. 7. A mesma ideia é achada no Salmo 90.2, onde se empregam verbos semelhantes mas substantivos diferentes. Somente Deus é “mais velho do que os montes;” não se fala de um homem primitivo, e não pode ser Adão, porque ele foi criado depois dos montes. O segundo indício vem do paralelismo do próprio versículo.

Ao invés de homem leia “terra” como um paralelo a outeiros. A preposição serve para as duas linhas. A pergunta é: “Pensas que és o primeiro — nascido antes da terra, dado à luz antes dos outeiros?”

As acusações não são merecidas. Jó não fez alegações tão exageradas. Declarara meramente ser tão inteligente quanto seus amigos (12.3), e não ter um monopólio do conhecimento (v. 8).

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 174-175.

3. Um defensor celeste.

Já agora sabei que a minha testemunha está no céu. Testemunha. Jó agora apela para a esperança de que outra testemunha cooperasse com ele, em sua inocência. Ele viu a possibilidade de uma testemunha interceder e pleitear em favor dele no Tribunal Celeste. Tal testemunha tornar-se-ia seu advogado perante Deus, para defendê-lo. Os intérpretes compreendem variegadamente a referência a essa testemunha no céu, a saber:

1. Talvez as próprias palavras de Jó, ao chegar ao tribunal celeste, se tornassem suas testemunhas. Elas seriam ouvidas, e Jó seria considerado inocente.

A testemunha, entretanto, é personificada no vs. 20, e isso não se ajusta muito bem à ideia de palavras.

2. Talvez o próprio Deus esperasse tornar-se a testemunha de Jó e, finalmente, inocentá-lo, estando convencido pelos insistentes argumentos de Jó. Nesse caso, o Juiz também tornar-se-ia uma testemunha e intercederia pelo homem acusado. Esse é um significado um tanto desajeitado, mas não impossível.

3. Talvez esteja em pauta algum ser angelical, deixado indefinido, mas real, que poderia tomar o caso de Jó a fim de defendê-lo.

4. Jó parece retornar a Jó 9.33, onde existe a ideia de um intercessor. Possivelmente, ao longo do caminho, sua fé nessa ideia foi fortalecida, tendo adquirido mais alguns detalhes. Nesse caso, poderíamos vincular Jó 9.33 a Jó 19.25, onde temos o Vindicador{o Redentor de algumas traduções). Nesse caso, os versículos poderiam assumir um sentido messiânico, se realmente Cristo, o Redentor, estiver em Jó 19.25.

Este versículo está sujeito a muitas interpretações, e também podemos cristianizar o texto em demasia, vendo o Redentor (conforme entendemos esse termo) com o sentido de Jó 19.25. Em Jó 19.25, temos uma espécie de redenção, porque Jó, uma vez morto, voltaria à vida. É um erro, porém, empurrar esta ideia demasiadamente à redenção cristã. Seja como for, no texto presente, Jó não estava falando sobre a redenção espiritual.

Apenas esperava que alguma testemunha convencesse Deus a interromper seus sofrimentos físicos, e, assim sendo, salvar sua vida física. O quanto, finalmente, Jó prosseguiu para além disso é uma questão aberta. Ver a exposição sobre Jó 19.25 quanto a um completo tratamento dos potenciais desse texto, o que demonstra algum crescimento na teologia de Jó.

A teologia de Jó no capítulo 16 ainda não havia crescido o bastante para que ele pudesse falar sobre um Redentor em qualquer sentido significativo. Certamente nada existe no texto presente como a justificação cristã. Jó estava apenas pleiteando por sua vida física, não pela justificação de uma alma imaterial. Essa doutrina não fazia parte da teologia patriarcal, e só entrou no Antigo Testamento nos Salmos e nos Profetas, e, ainda assim, não muito claramente.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1933.

Jó tem confiança de que tem testemunha… no céu. A identidade de que assim advoga a sua causa tem sido procurada com cuidado.

Jó claramente está esperando que haja algum agente para ajudá-lo a resolver sua disputa e manter o direito do homem contra o próprio Deus (21a). O Redentor de 19.25 é o candidato óbvio. Mas se este é Deus ou outra pessoa, é questão para disputa.

Aqui, notamos dois aspectos importantes. Deus é Aquele que ouve o clamor do sangue derramado; e Deus é Aquele que está no céu, segundo a Bíblia. E Jó tem apelado a Deus de modo consistente.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 181.

Somente parte desta resposta a Elifaz, de forma semelhante às outras, é dirigida diretamente aos amigos. Jó também se dirige a Deus, e também há um tipo de conversa introspectiva que Jó tem consigo mesmo. O apelo prévio de Jó a Deus (13.20-28) permaneceu sem resposta. Deus aparentemente recusou-se a responder a Jó ou revelar-se a ele.

Jó tinha a esperança de que seu apelo honesto aos céus convenceria seus amigos da integridade dele. Em vez disso, ele é acusado do uso astuto das palavras para ocultar o seu pecado (15.5-6). Elifaz tenta convencer Jó de que seus amigos o abandonaram, e Jó reage com ira, movido por profunda dor.

Milo L. Chapman., . Comentário Bíblico Beacon. Jó. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 57.

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III – OS PECADORES DIANTE DE UM DEUS INFINITO

1. Deus não se importa com quimeras humanas.

Porventura será o homem de algum proveito a Deus? “Em seu papel de autonomeado sustentador de uma forma exaltada de teísmo, Elifaz esticou uma verdade a um ponto absurdo. Sem dúvida, Deus não precisa do homem (a palavra hebraica sugere um homem forte, vigoroso ou mesmo um sábio). O renomado mestre, Elifaz, admitiu que nem mesmo um membro de sua profissão é proveitoso para Deus! Ao mesmo tempo, a religião é proveitosa para o homem” (Oxford Annotated Bible, comentando sobre o vs. 2).

Essa doutrina diz que Deus não somente existe e criou todas as coisas, mas também se faz presente para controlar, guiar, recompensar e punir. Ele não é indiferente para com os homens. No deísmo (ver também a respeito no Dicionário), Deus, embora iniciador de todas as coisas, está ausente do universo e deixa que as leis naturais cuidem das coisas. Portanto, Deus não intervém diretamente na história humana, nem positiva nem negativamente.

Elifaz repreendeu Jó por sua pretensão de ter algum valor para Deus, reclamando Dele por causa de sua adversidade. Ele até poderia ser um homem bom, mas nem isso seria algo em favor de Deus, nem Lhe adicionaria coisa alguma. Contudo, há a retribuição divina. O homem perverso sentirá a ferroada dolorosa da ira divina.

Ou tem o Todo-poderoso interesse em que sejas justo…? “A bondade do homem não traz a Deus nenhum benefício. Deus nada ganharia se o homem fosse justo, conforme Jó vociferava. Visto que Deus não é afetado se uma pessoa é próspera e outra é pobre (cf. Jó 21.23-26), elas deverão ser assim por causa de sua retidão ou falta de caráter. Como poderia uma pessoa explicar assim, indiscriminadamente, condições aparentes? Elifaz simplesmente não podia aceitar a ideia de que Deus era responsável por qualquer desvio para longe da justiça” (Roy B. Zuck, in loc.).

Elifaz proclamava que a religião, pelo menos em parte, consiste em “auto-interesse”, ou seja, envolve egoísmo, tal e qual Satanás havia dito (ver Jó 1.9). Assim surge em cena o tema principal do livro. Pode a adoração e o serviço a Deus ser desinteressados? Ou um homem serve a Deus somente em beneficio próprio, que ele esperava derivar desse serviço?

Um corolário do tema principal é o problema do mal, que indaga por que os homens sofrem e por que sofrem como sofrem. Como é óbvio, isso está intimamente relacionado ao problema da qualidade da adoração e da espiritualidade humana. Pode o sofrimento anular a adoração? Nesse caso, trata-se de uma adoração de qualidade espúria e egoísta.

Mas se Elifaz exaltava a majestade de Deus, ele se esqueceu de exaltar a bondade do Senhor: Deus por certo está interessado no homem e intervém na história humana, o que é uma noção básica a qualquer conceito do teísmo.

Porque, como o jovem esposa a donzela, assim teus filhos te esposarão a ti; como o noivo se alegra da noiva, assim de ti se alegrará o teu Deus.

(Isaías 62.5)

Digo-vos que, assim, haverá maior júbilo no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não necessitam de arrependimento (Lucas 15.7)

Dizer-se que os homens são basicamente inúteis a Deus não anula o valor que Deus dá aos seres humanos, por causa de Sua graça e bondade.

Sentimos que nada somos, pois tudo és Tu e em Ti;

Sentimos que algo somos, isso também vem de Ti;

Sabemos que nada somos – mas Tu nos ajudas a ser algo.

Bendito seja o Teu nome – Aleluia!

(Alfred Lord Tennyson)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1954.

Aqui, Elifaz insinua que o fato de Jó ter se queixado tanto de suas aflições, mostrava que ele pensava que Deus fora injusto ao afligi-lo: mas esta era uma insinuação forçada; Jó estava longe de pensar isto. O que Elifaz diz aqui, portanto, se aplica a Jó de maneira injusta, mas é, em si mesmo, muito verdadeiro e bom.

Quando Deus nos faz bem, não é porque tenha alguma dívida para conosco; se tivesse, poderia haver alguma desculpa para dizer, quando Ele nos aflige: “Ele não lida conosco com justiça”. Mas quem quer que imagine que, por alguma ação meritória, fez com que Deus estivesse em dívida com ele, que prove esta dívida, e certamente não deixará de ser compensado: “Quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?” (Rm 11.35). Mas Elifaz mostra, aqui, que a justiça e a perfeição do melhor homem do mundo não é nenhum benefício, nem traz qualquer proveito real para Deus, e por isto tal homem não pode ser considerado como merecendo qualquer coisa dele.

1. A piedade do homem não é lucro, não é ganho, para Deus (w. 1,2).

Pudéssemos ser dignos de Deus por alguma coisa, seria pela nossa piedade, por sermos justos, e por fazer nosso caminho perfeito. Se isto não tiver mérito, certamente nada mais terá. Um homem não consegue fazer de Deus seu devedor, pela sua piedade, e honestidade, e obediência às suas leis, muito menos poderá fazê-lo pela sua inteligência, e aprendizado, e política terrena. Agora Elifaz pergunta se algum homem poderia ser de algum proveito para Deus. Certamente, não. De maneira nenhuma. “Antes, a si mesmo o prudente será proveitoso”.

Observe que a nossa sabedoria e piedade são aquilo pelo que nós somos, e provavelmente seremos, grandes ganhadores. “A sabedoria é excelente para dirigir” (Ec 10.10). “A piedade para tudo é proveitosa” (1 Tm 4.8). “Se fores sábio, para ti sábio serás” (Pv 9.12). Os ganhos da religião são infinitamente maiores do que as suas perdas, e assim ficará evidente, quando forem comparados. Mas um homem pode ser de algum proveito para Deus? Não, pois a perfeição de Deus é tanta, que Ele não pode receber nenhum benefício ou vantagem dos homens; o que pode ser acrescentado ao que é infinito? E tal é a fraqueza e a imperfeição do homem, que ele não pode oferecer nenhum benefício ou lucro a Deus.

Pode a luz de uma vela ter algum proveito para o sol, ou a gota do balde para o oceano? Aquele que é sábio será proveitoso para si mesmo, para a sua própria orientação e defesa, para o seu próprio crédito e consolação; certamente com a sua sabedoria ele poderá se entreter e enriquecer.

Mas poderá ser de algum proveito a Deus? Não; Deus não precisa de nós, nem dos nossos serviços. Nós seríamos destruídos, destruídos para sempre, sem Ele, mas Ele é feliz, feliz para sempre, sem nós. Será de algum proveito para Ele, trará algum acréscimo real à sua glória ou riqueza, se fazemos perfeitos os nossos caminhos? Suponhamos que fossem completamente perfeitos, mas são melhores que Deus? De modo algum; e muito menos estando estão tão aquém de serem perfeitos.

2. Não é prazer para Ele.

Deus realmente expressou na sua palavra que tinha prazer nos justos; os seus olhos os contemplam, e o seu prazer está neles e nas suas orações; mas tudo isto não contribui em nada para a infinita satisfação e prazer que a Mente Eterna tem em Si mesmo. Deus pode ter prazer sem nós, embora nós pudéssemos ter apenas um pouco de prazer em nós mesmos sem os nossos amigos. Isto engrandece a sua condescendência: o fato de que, embora os nossos serviços não tragam nenhum real proveito ou prazer para Ele, ainda assim Ele os convida, encoraja e aceita.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 111.

2. Deus caminha com os homens.

Mas, se ele resolveu alguma cousa, quem o pode dissuadir? O Deus Voluntarista. Deus, em Sua vontade suprema, não dava atenção ao devoto que era tão zeloso e inocente. E continuava a fazer a Sua vontade. “O que Ele deseja, isso Ele faz” (Revised Standard Version). E isso incluía ignorar o pobre sofredor, Jó, e até adicionar más dores às suas grandes agonias. Deus obedecia a Seus próprios padrões e não era obrigado a abençoar o homem justo. Seus padrões não eram, necessariamente, aqueles que Ele tinha imposto ao homem.

Dentro desse sistema, a razão se esvai e é desconsiderada. Poder é direito. Algo está certo porque Deus o faz; Deus não faz algo porque isso está correto pelos padrões humanos. Ninguém pode questionar a Deus, a despeito da injustiça óbvia das situações. Deus é chamado aqui de imutável, em Seus caminhos voluntaristas, e não em seus caminhos beneficentes, como em Sal. 33.5.

Suas misericórdias também perduram para sempre (ver I Crô. 16.34), mas Jó não falava sobre isso.

De fato, ele lamentava o fato de Deus persistir em Sua punição, quando nenhuma misericórdia podia ser encontrada. A persistência de Deus na perseguição deixava Jó perplexo (vs. 15). Deus tinha posto a Sua soberania antes do sofrimento humano, como sua causa. Nenhum homem pode mudar Sua mente e fazer Deus desviar-se de Seus decretos de punição.

Note o leitor como até Paulo, influenciado por uma teologia primitiva dos hebreus, caiu nesse modo voluntarista de pensamento, em Rom. 9. Caros leitores, o voluntarismo é uma teologia deficiente, sem importar quem o defenda; ele oblitera o amor de Deus; ignora e distorce um conceito melhor de Deus, que a revelação cristã trouxe, no geral, do Novo Testamento.

Eis que arrebata a presa! Quem o pode impedir? Quem lhe dirá: Que fazes?

(Jó 9.12)

Para mim tudo é o mesmo; por isso digo: tanto destrói ele o íntegro como o perverso.

(Jó 9.22)

Melhor: Deus é amor{ I João 4.8). Os decretos de Deus são beneficentes. O próprio julgamento é remediai (ver I Ped. 4.6).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1960.

Alguns entendem que Jó aqui se queixa de que Deus lidou injustamente com ele, ao passar a puni-lo sem o menor abrandamento, embora ele tivesse evidências tão incontestáveis para apresentar sobre a sua inocência.

Eu reluto em pensar que o santo Jó acusasse o Deus Santo de ter cometido alguma iniquidade, mas a sua queixa é, realmente, amarga e irritada, e ele se convence de um tipo de paciência, à força, o que ele não consegue fazer sem acusar Deus de tê-lo tratado com crueldade, mas ele deve suportar isto, porque não pode evitar: o pior que ele diz é que Deus o trata de maneira incompreensível e inexplicável.

Ele apresenta boas verdades, e verdades que eram capazes de um lhe beneficiar (w. 13,14).

1. Que os conselhos de Deus são imutáveis:

Ele tem uma disposição, e quem, então, o desviará? Não tem conselheiros por cujo interesse possa ser convencido a alterar os seus propósitos; Ele é um, consigo mesmo, e nunca altera a sua vontade, nunca altera as suas medidas. A oração prevaleceu para modificar o caminho de Deus e a sua providência, mas a sua vontade ou o seu propósito jamais foram modificados; porque conhecidas de Deus são todas as suas obras.

2. Que o seu poder é irresistível:

O que a sua alma quiser, isso fará, e nada poderá ficar no seu caminho ou sugerir-lhe novos conselhos. Os homens desejam muitas coisas que não podem fazer, ou não conseguem fazer, ou não ousam fazer. Mas Deus tem uma soberania incontestável: a sua vontade é tão perfeitamente pura e correta que é altamente apropriado que Ele busque todas as suas determinações. E Ele tem um poder incontrolável. Ninguém fica em seu caminho. Tudo o que o Senhor quis, ele o fez (SI 135.6), e sempre o fará, pois é sempre o melhor.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 120.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

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