7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

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A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

Texto Áureo

“ Se teus filhos pecaram contra ele, também ele os lançou na mão da sua transgressão. ” (Jó 4.7,8).

Verdade Prática

A existência do sofrimento não quer dizer que haja pecado oculto.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que nem sempre o sofrimento é consequência de um pecado oculto, como pensava Bildade.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Destacar o argumento de Bildade que contrastava o pecado com o caráter santo e reto de Deus;

Explicar a concepção de Bildade que associava o pecado à quebra da moralidade religiosa;

Esclarecer a argumentação de Bildade que contrapunha a pequenez humana com a grandeza de Deus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 8.1,2 Até quando falarás tais coisas?

Terça – Jó 8.3,4 Deus perverteria o direito e a justiça?

Quarta – Jó 18.1,2 Como se usam as palavras?

Quinta – Jó 18.3-4 Que tipo de tratamento é devido?

Sexta – Jó 25.1,2 A soberania de Deus

Sábado – Jó 25.3-5 Qual é a condição do homem?

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 8.1-4; Jó 18.1-4; 25.1-6

Jó 8

1 Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse:

2 Até quando falarás tais coisas, e as razões da tua boca serão qual vento impetuoso?

3 Porventura, perverteria Deus o direito, e perverteria o Todo-Poderoso ajustiça? 4 Se também teus ele filhos os pecaram contra ele, lançou na mão da sua transgressão.

Jó 18

1 Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse:

2 Até quando usareis artifícios em vez de palavras? Considerai bem, e, então, falaremos.

3 Por que somos tratados como animais, e como imundos aos vossosolhos?

4 O tu, que despedaças a tua alma na tua ira, será a terra deixada por tuacausa? Remover-se-ão as rochas do seu lugar?

Jó 25

1 Então, respondeu Bildade, o suíta, e disse:

2 Com ele estão domínio e temor; ele faz paz nas suas alturas.

3 Porventura, têm número os seus exércitos? E para quem não se levanta a sua luz?

4 Como, pois, seria justo o homem perante Deus, e como seria puro aquele que nasce da mulher?

5 Olha, até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos.

6 E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um bicho!

HINOS SUGERIDOS:

255, 256, 539 da Harpa Cristã

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Deus é reto e justo. Ele é santo. Nesta lição veremos a contraposição que Bildade faz do caráter de Deus com o pecado humano. Logo, se Deus é santo e justo Ele não compactua com o pecado oculto de uma pessoa. Essa é uma doutrina correta. A constatamos ao longo de toda a Escritura. Entretanto, a acusação de pecado oculto se aplicaria a Jó?

O livro deixa claro que no. O problema de Jó não era o pecado oculto. Embora seu amigo Bildade o acusasse, ele estava certo de que não havia nada a esconder. O diálogo de Jó e Bildade deve nos levar a seguinte reflexão: os problemas que se abatem na vida dos servos de Deus quase sempre não podem ser explicados de forma simplista.

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INTRODUÇÃO

Nesta aula, estudaremos sobre a Teologia do segundo amigo de Jó, Bildade. Veremos que ela apresenta o caráter justo e reto de Deus em contraposição ao suposto pecado oculto de Jó. Estudaremos também a defesa de Bildade por uma moralidade rígida, fundamentada em meros preceitos religiosos, sem, contudo, guiar-se por princípios espirituais. E, finalmente, analisaremos a ideia de que, segundo Bildade, Deus é um ser muito distante e que, devido a sua onipotência e grandeza, está muito longe do mortal. Ele, portanto, é inacessível. Ao longo de cada argumento de Bildade, veremos a contraposição de Jó.

BILDADE

No hebraico, «filho da contenção» ou «senhor Adade». Foi um dos confortadores molestos de Jó e segundo de seus oponentes, dentro da vívida discussão filosófica, moral e religiosa que houve entre eles (Jó 2:11; 8:1, 18:1; 25:1). Alguns supõem que, em face de ser ele chamado de «o suíta», na primeira dessas referências, ele pode ter sido descendente de Abraão e Quetura, através de Sua (Gên. 25:2), o que faria dele membro de uma tribo de nômades arameus, que vivia na região suleste da Palestina. Entretanto, outros estudiosos insistem em que, em face da total ausência de genealogias no livro de Jó, isso significa que a obra foi uma novela religiosa e filosófica, sem pretensões históricas.

As referências dadas acima mostram as intervenções de Bildade. As ideias por ele defendidas são: a. A justiça estava envolvida na triste condição a que Jó fora reduzido, b. Os filhos de Jó haviam morrido por motivo de pecado, c. Se Jó se arrependesse, Deus devolver-lhe-ia a prosperidade, d. A história mostra que Deus castiga os ímpios, fazendo prosperar os retos. e. Os pecadores nada recebem nesta vida além de miséria e de desonra após a morte. f. Finalmente, Bildade exaltou a perfeição de Deus, em contraste com a imperfeição de todas as outras coisas. Na verdade, porém, alguns desses argumentos de Bildade não correspondem aos fatos. Assim, os justos com frequência sofrem, ao passo que os iníquos prosperam. Essa é uma das razões da complexidade do problema do mal (ver o artigo). O livro de Jó é um estudo sobre esse problema. (ID NTI)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3927.

Quem Foi Bildade

Também não possuímos muitas informações acerca de Bildade. Limita-se a Bíblia a informar que este amigo de Jó era um suíta. Certamente morava ele em Canaã, ou em suas imediações, pois:

a) falava uma língua aparentada a de Jó e a de seus amigos;

b) não demorou em encontrar-se com Elifaz e Zofar quando combinaram vir consolar o patriarca;

c) sua visão de mundo era bem parecida com a de seus dois outros companheiros. Conclui-se ter sido Bildade um semita que habitava no território cananeu, onde Sua, à semelhança de Temã, era um dos muitos pequenos reinos ali estabelecidos.

No Livro de Jó, temos três discursos de Bildade, nos quais realça ele a prosperidade como a evidência de uma vida aprovada por Deus. Eis por que, agora, despreza a Jó; neste, vê o sinal da ira divina. N o drama do patriarca, cumpria-se o que disse Ovídio: “Enquanto o homem tem uma vida próspera, conta sempre com um numeroso grupo de amigos; tão logo a adversidade o visita, os pretensos amigos o abandonam”.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 146.

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PONTO CENTRAL:

Quando há sofrimento não se quer dizer que há pecado Oculto.

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I – O PECADO EM CONTRASTE COM O CARÁTERJUSTO E SANTO DE DEUS

1. Deus é justo e reto.

A teologia de Bildade (Jó 8.1-22) possui semelhanças com a de seu amigo, Elifaz. Para esse segundo amigo, as ações de Jó não poderiam ser justificadas, pois elas condenavam a Deus, revelando que Ele punia pessoas justas. Por outro lado, como Deus não era injusto, então, Jó deveria reconhecer o seu pecado, pois ele estava sendo terrivelmente afligido. Assim, a teologia de Bildade pode ser classificada em duas esferas: a dos maus e a dos bons. Por exemplo, Bildade assevera que os filhos de Jó foram mortos porque eram maus (8.4); por outro lado, como um homem que alegava ser justo e bom, Jó poderia desfrutar novamente do favor de Deus se reconhecesse o seu pecado (Jó 8.5).

Comentário
A Justiça de Deus

Rom. 1:17: Porque no evangelho é revelada, de fé em fé a justiça de Deus, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

1. Essa justiça designaria a natureza intrinsecamente santa de Deus, o seu próprio carater justo (ver Rom. 3:5).

2. Talvez seja usada no sentido de que Deus vindica a sua justiça, ou seja, torna conhecida qual seja essa justiça.

3. Todavia, essa justiça não é meramente a descrição de um atributo divino, mas também subentende uma espécie de natureza que ele injeta nos remidos. Os homens, uma vez transformados segundo a imagem de Cristo, em sentido bem real e literal, participam da santidade de Deus (ver Mat. 5:48). A passagem de Isa. 46:13 também contribui para esclarecer esse aspecto, onde lemos: «Faço chegar a minha justiça, e não está longe; a minha salvação não tardará; mas estabelecerei em Sião o livramento e em Israel a minha glória». Isso indica a doação das perfeições morais aos remidos. E é a agência do evangelho que produz essa natureza moral nova nos homens.

A santidade de Deus se desenvolve nos homens por meio da atuação do Espírito Santo, e essa atuação tem prosseguimento até que os remidos atinjam a perfeição absoluta, quando então os crentes serão santos como é santo o seu Pai celestial. Isso pode envolver a eternidade inteira, mas o processo tem inicio quando do primeiro exercício da fé em Cristo e em seu evangelho, continuando nas experiências da conversão, da santificação, da regeneração e da glorificação. Essa modificação moral produz a modificação metafísica.

4. Essa justiça de Deus se manifesta por intermédio da fé, porquanto tem início através do princípio da fé, como também tem continuação e é sustentada pela fé, tudo o que é obra do Espírito Santo, que leva a alma humana a depender de Cristo. Por conseguinte, a justiça de Deus não se torna realidade por meio de alguma disciplina mental, e nem através de qualquer resolução intelectual, e nem mesmo por qualquer cerimônia religiosa.

Mas depende exclusivamente da operação do Espírito de Deus. E, quando a alma de um indivíduo é sintonizada com essa operação, passa a exercer fé. Assim, pois, a fé consiste na sintonização da alma com Deus e seu Cristo, uma total entrega da personalidade inteira a Jesus Cristo, a fim de que possa ser operada na alma a elevada obra divina, descrita no presente versículo.

5. A justiça de Deus no homem, pois, não é apenas uma declaração legal, que afirma que um homem está perfeito em Cristo; antes, é a produção real dessa retidão no indivíduo; pois estar perfeito em Cristo é a mesma coisa de ter sido transformado por ele. É a esse aspecto de nossa salvação que denominamos de «santificação».

6. O adjetivo grego «dikaios» (reto, justo) vem da mesma raiz que deu a palavra «justiça», que aparece no presente versículo; isso ilustra o sentido dessa palavra.

a. Esse adjetivo é usado com relação a Deus e a Jesus Cristo. Com relação a Deus: I João 1:9; João 17:25; Apo. 16:5 e Rom. 3:26. Com relação a Cristo: I João 2:1; 3:7; Atos 3:14; 7:52 e 22:14. No presente versículo esse vocábulo indica a norma eterna da santidade divina.

b. Esse adjetivo, «justo», também é usado com referência aos homens, não meramente para denotar um caráter reto, mas também dando a entender alguma forma de atribuição ou participação na própria santidade essencial de Deus. O termo justiça é utilizado como algo possível para a personalidade humana, na passagem de Rom. 6:13,16,18,20.

Nesse trecho, o contexto mostra-nos que essa justiça decorre de nossa união espiritual com Cristo, na forma de um batismo espiritual, que é a identificação dos crentes com a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, em condições místicas. Em outras palavras, os benefícios da morte de Cristo—morte para o pecado, desvencilhamento completo do poder e efeito do reino das trevas—e os benefícios de sua ressurreição são produzidos por uma forma de contato real com o Espírito Santo.

7. Portanto, por justiça devemos compreender o que é feito tanto na justificação como na santificação —os resultados dessas medidas divinas, operados na alma do crente. A forma verbal de «justificar», no grego, é «dikaioo», o que, nas páginas do N.T., pode algumas vezes significar alguma forma de pronunciamento judicial acerca dos direitos que um homem tem de ficar diante de Deus, em Cristo Jesus. Todavia, perderemos inteiramente de vista a ideia da justificação se ignorarmos o fato de que isso também significa fazer justo, não se resumindo a uma mera declaração sobre aquela retidão que decorre da posição correta do crente, diante de Deus, em Cristo.

Por meio da justificação, o indivíduo recebe o «dom da justiça». E é a pessoa que recebe esse dom que reina em Cristo, conforme aprendemos em Rom. 5:17. Assim sendo, a justificação não consiste em uma simples declaração estéril que reconhece a legitima posição de alguém em Cristo, mas antes, requer que tal indivíduo se torne verdadeiramente justo. Essa verdade não tem sido vista com muita clareza pela igreja cristã moderna, ainda que, felizmente, aquilo que aqui é comentado sobre a justificação é transferido para a doutrina da santificação, segundo a maioria dos sistemas teológicos.

«A retidão absoluta, tal como a graça e a verdade absolutas, revelou-se pela primeira vez no cristianismo. Trata-se daquela justiça que não somente instaura a lei da letra, e requer a retidão da parte dos homens e que, em seu caráter de juiz, profere a sentença e mata; mas é igualmente aquilo que finalmente se manifesta na união com o amor, ou seja, a graça divina em forma de retidão, produzindo essa retidão no homem…»; ou ainda, em suma:

«A justiça de Deus é a auto comunicação da retidão que procede da parte de Deus, que se torna justiça na pessoa de Cristo, o qual, em seus sofrimentos, como nossa propiciação, satisfez a justiça da lei (em consonância com as exigências da consciência), e que, mediante o ato da justificação, aplica ao crente, para santificação de sua vida, os méritos da expiação de Cristo». (Lange, em Rom. 1:17).

Bibliografia. B DAVI IIB ND NTI QS

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4604.

Se teus filhos pecaram contra ele. Bildade feriu Jó com sua grande faca ao relembrar-lhe como seus filhos tinham morrido miseravelmente, “Naturalmente, dies morreram por serem pecadores. Deus os cortou desta vida. E tu, Jó, estas. sofrei ido pôr causa de teus pecados, e em breve Deus também te cortará, se não te arrependeres.”

Bildade ignorou o mistério do sofrimento dos inocentes com uma pergunta retórica. Em seguida, sua ira inspirou-o a mostrar-se cruel. Elifaz ainda demonstrou alguma simpatia; mas Bildade assemelhou-se mais a um boxeador que salta quando a campainha toca. Bildade era o campeão de Deus, enquanto Jó era o ofensor de Deus. Bildade feriu Jó com sua adaga, “precisamente onde sabia que feriria mais fundo: no coração do pai cujos filhos tinham morrido. Seus filhos eram pecadores, e essa era a razão pela qual morreram prematuramente” (Samuel Terrien, in ioc.).

Diz o original hebraico: “Deus os jogou fora”, como se eles fossem um lixo inútil. Jogar fora significa a destruição e o esquecimento da morte. Eles sofreram a inevitável consequência de seus atos tolos.

“Certamente esse ataque cruel e sem coração feriu Jó profundamente. Afinal de contas, ele tinha oferecido sacrifícios para encobrir os pecados de seus filhos (ver Jó 1.5)” (Roy B. Zuck, in ioc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1901.

Jó não havia dito isto. Acredita na justiça de Deus, mas não consegue vê-la. O suíta vê as implicações perigosas das perguntas de Jó, que não podem ser respondidas. Porque as ações de Deus correspondem ao comportamento do homem, Bildade pode retroceder seu raciocínio.

Os filhos de Jó devem ter pecado. Isto é chegar muito perto do centro da questão, porque Jó tinha se preocupado exatamente com isto e, pelos sacrifícios, fizera provisões até mesmo contra os pecados ocultos deles (1.5). Bildade não reconhece a possibilidade do perdão. Nada pode vir entre o pecado e suas consequências. A única alternativa é ser puro e reto (v. 6a; a segunda destas palavras é aquela aplicada a Jó no Prólogo).

Nesta base, Jó pode buscar a Deus e ser recompensado. Deus enriquecerá (uma possibilidade alternativa de despertará) a Jó, restaurando suas propriedades legítimas.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 137-138.

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2. Uma compreensão limitada da natureza de Deus.

Bildade traz consigo uma compreensão incompleta e limitada da natureza de Deus, o que faz com que ele pense que o sofrimento de Jó seja a consequência deum pecado oculto. Assim, outra compreensão é evidente: Jó deve demonstrar que é realmente bom e que merece o favor uma compreensão incompleta e limitada da natureza de Deus, o que faz com que ele pense que o sofrimento de Jó seja a consequência de um pecado oculto. Assim, outra compreensão é evidente: Jó deve demonstrar que é realmente bom e que merece o favor de Deus.

E uma teologia que destaca uma meritocracia humana no processo de justificação diante de Deus: “Mas, se tu de madrugada buscares a Deus e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia se fores puro e reto, certamente, logo despertará por ti e restaurar a morada da tua justiça” (8.5,6). Logo, o enfoque de Bildade não é a graça que flui de Deus, mas o esforço humano que, por mérito próprio, pretende justificar o homem diante de Deus.

Comentário

Mas, se tu buscares a Deus. O arrependimento era a solução mágica, conforme Bildade insistiu. Um homem precisa buscar e suplicar a Deus, presumivelmente fazendo os sacrifícios e emendas pelos resultados de pecados antigos. Então o favor divino estaria garantido, e, como um passe de mágica, os sofrimentos de Jó terminariam. Se Jó fosse puro e reto, então a misericórdia divina poria fim a seus intensos sofrimentos. O fato de que eles continuavam sem dar-lhe descanso mostrava que Jó era um pecador incansável, que nunca se arrependera. Se Jó se arrependesse, teria feito o seu papel e, então, Deus traria a parte Dele e curaria Jó.

O segundo crítico de Jó, portanto, perdeu completamente de vista que a Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura (ver a respeito no Dicionário) não explica todo o sofrimento que há no mundo. Os inocentes podem sofrer e realmente sofrem. O problema do mal está repleto de enigmas. A lei do carma é poderosa, e a retribuição é necessária e útil, porquanto cura, e não meramente castiga. Mas não podemos explicar todas as coisas e condições más apelando a essa lei. Jó havia apelado a Deus (ver Jó 7.20,21), mas seus críticos supunham que seu apelo carecesse de sinceridade moral.

Deus havia arrebatado as propriedades de Jó. Mas, se ele se arrependesse, obteria novas propriedades, “restauração da justiça de tua morada”, onde Deus entraria em comunhão com o seu proprietário. Suas antigas propriedades eram cenário de segredos e pecados graves, ou não teriam sido destruídas pelas forças da natureza. Alguns estudiosos espiritualizam “morada” neste versículo, pensando significar a alma. Jó prosperaria espiritualmente, mas essa é uma explicação anacrônica.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1901.

Bildade começa o seu discurso interpelando Jó sobre a sua maneira de encarar o problema, indagando: Até quando proferirás palavras impetuosas, irrefletidas e impensadas? Assim apenas apresenta a ideia de Jó culpar a Deus pela sua má sorte, e também pela de toda a humanidade, pois, se Deus era injusto cora Jó, o seria igualmente com todos os homens, coisa impossível ao Todo-Poderoso. Deus não pode perverter o direito das Suas criaturas, e trata a todas com imparcialidade e justiça. Bildade advoga a absoluta justiça de Deus, que trata a todos por igual. Portanto, a causa da situação não pode residir em Deus, mas em Jó.

Se os teus filhos pecaram, Jó receberam a paga. Foram aniquilados por causa da sua falta. Portanto, se tu buscares a Deus e ao Todo-Poderoso pedires misericórdia, e se fores reto e justo, ele sem demora despertará em teu favor e te ajudará (v. 6). A justiça da tua causa será restabelecida e voltarás a ser o que Jó foste.

Portanto, o assunto não está com Deus, mas contigo, que deves ser mais humilde, menos arrogante, para que o teu primitivo estado volte às tuas mãos. A colheita e a semeadura são sempre correspondentes, e quem semeia males colhe males. Verifica bem o teu caso, pois não será com palavras fortes que será resolvida a tua situação. Se fores reto e puro, Ele sem demora despertará em teu favor (v. 6). É a velha tecla de Elifaz: Jó não era reto no seu procedimento. Com certeza, os amigos ali estavam juntos e um ouvia o que o outro dizia e aproveitava os argumentos de um para serem usados pelo outro.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

A Prosperidade como Evidência da Bênção de Deus

Predecessor da Teologia da Prosperidade, afirmou Bildade a seu amigo Jó: “Mas, se tu de madrugada buscares a Deus e ao Todo-poderoso pedires misericórdia, se fores puro e reto, certamente, logo despertará por ti e restaurará a morada da tua justiça. O teu princípio, na verdade, terá sido pequeno, mas o teu último estado crescerá em extremo” (Jó 8.5-7).

Como julgar suas declarações? Embora lógicos em sua aparência; apesar de exteriormente aceitáveis; e, conquanto teologicamente consumíveis, os enunciados de Bildade não se achavam de acordo com o pensamento divino. Tais postulados em muito se assemelhavam às proposições que Satanás apresentou ao Cristo no deserto. Eram verdades fora de seu contexto; portanto, inválidas.

Mas, o que vem a ser a Teologia da Prosperidade? Por que é ela tão perigosa?

1. Definição. Se nos detivermos na História da Igreja Cristã, constataremos que, todas as vezes que a economia mundial é ameaçada por uma recessão, surgem teólogos que, aproveitando-se das circunstâncias, põem-se a enfatizar a posse dos bens materiais como o mais importante legado da vida.

De início, essa ênfase parece inofensiva; é até recebida como a última revelação de Deus. Com o tempo, porém, começa a reclamar uma doutrina até se fazer teologia; daí a sua sistematização é um passo. Defini-la não é difícil; combatê-la, sim. Por conseguinte, é a Teologia da Prosperidade a doutrina, segundo a qual o crente, por ser filho de Deus, jamais enfrentará problemas financeiros e outras agruras, pois foi ele destinado a viver de maneira regalada; não tem de se defrontar com as provações tão comuns aos outros seres humanos.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 146-147.

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3. A imperfeição humana.

Diante da defesa teológica feita por Bildade, Jó pergunta: ”Como Se justificaria o homem para com Deus?” (16 9.2). Ora, Deus é infinitamente sábio e justo. Jó está consciente de que nenhuma perfeição humana o habilitou a aproximar-se de Deus. Dessa forma a autopurificação não passava de presunção: “Ainda que me lave com água de neve, e purifique as minhas mãos com sabão, mesmo assim me submergirás no fosso, e as minhas próprias vestes me abominarão” (Jó 9.30,31).

A linguagem é poética, mas ela afirma objetivamente a doutrina da santidade de Deus e a pecaminosidade humana. Deus é santo e Jó, um pecador. Entretanto, essa não era a questão para Jó. O grande questionamento dele poderia ser feito da seguinte forma: ” É verdade que onde há sofrimento há pecado?” Seus amigos responderiam: sim; Jó, um retumbante não.

Deus já havia testemunhado acerca da integridade e da justiça de Jó. Isso deixa claro que nem sempre o sofrimento é fruto de uma imperfeição moral ou resultado de um pecado pessoal. Esse era o caso de Jó.

Comentário

Ainda que me lave com água de neve. Jó reconhece aqui a futilidade de limpar-se para agradar a Deus. O arrependimento seria a neve que purifica, bem como o cáustico com o qual ele lavaria as mãos. Mas, se não era o arrependimento, que poderia ser? De alguma maneira, Jó tentaria lavar-se perante Deus e esperar o melhor resultado. O melhor não consiste na salvação da alma, mas no alívio e na cura do corpo. Talvez Jó até chegasse a pensar no sacrifício apropriado. Jó 1.5. Talvez isso exercesse alguma espécie de efeito purificador.

Com cáustico. Os antigos árabes usavam um álcali misturado com óleo, como se fosse sabão. Essa mistura era bastante eficaz como purificador, embora não fosse muito agradável.

Talvez haja aqui uma alusão ao antigo rito da lavagem das mãos como sinal de inocência, o ato usado por Pilatos (ver Mat. 27.24). Mas não sabemos dizer se esse ato é assim tão antigo. Seja como for, Jó não tinha fé na autopurificação. Deus não daria nenhuma atenção a tal ato (vs. 31).

Mesmo assim me submergirás no lodo. Se Jó se desse ao trabalho de passar por ritos e cerimônias para tornar-se puro diante de Deus, sem importar o que viesse a empregar, Deus não prestaria a mínima atenção. De fato, o Senhor lançaria o homem “limpo” em uma fossa! E faria isso levado pelo desprazer, porquanto o “homem limpo” continuaria imundo com o seu pecado.

Esse homem seria tão vil que até suas roupas torná-lo-iam abominável diante de Deus! Ou a ideia pode ser que o Deus arbitrário lançaria um homem inocente no abismo imundo, para ver quão sujo ele ficaria. Em outras palavras, ele pensava ser inútil apelar a Deus sob quaisquer circunstâncias. Jó falava aqui no enigma inerente de tratar com um Deus transcendental, cujos caminhos são inescrutáveis.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1908.

Em contraste com os amigos, que constantemente recomendarão remédios religiosos para conservar o relacionamento entre Jó e Deus, ele vê, a despeito da sua piedade destacada, que a autopurificação é impossível, e, realmente, é uma presunção. Embora a lavagem das mãos (30) possa ser cerimonial, sem dúvida Jó pretende aqui representar uma total purificação moral. Tudo em vão. Jó diz de modo horrível que Deus o submergirá no lodo. Alguns comentaristas veem nesta declaração repugnante o pessimismo de Jó no seu mais baixo ponto. Visto que Deus faz tudo, é Ele quem toma sujos os homens. Mas as palavras seguintes corrigem esta impressão unilateral.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 147.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Deus é justo e reto; o ser humano é imperfeito.

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SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Para explicar melhor este primeiro tópico, é importante que você faça uma reflexão doutrinária acerca da justiça de Deus e da imperfeição do ser humano. São duas áreas teológicas que estudamos nas disciplinas de Teologia (estudo de Deus) e Antropologia Bíblica (estudo do homem). Dominar esses dois temas é muito importante para desenvolver o presente tópico com segurança. Para auxiliá-lo nessa tarefa sugerimos duas boas obras editadas pela CPAD: Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal, organizada por Stanley Horton; Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé, de Stanley Horton e William W. Menzies.

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II – O PECADO VISTO COMO QUEBRA DAMORALIDADE TRADICIONAL

1. Moralismo por tradição.

Bildade (Jó 18.1-21) também está comprometido na defesa da moralidade que ele acredita ser a correta. Para ele não havia nada errado quando fez a defesa da justiça divina, da mesma forma que acreditou estar correto quando defendera a moralidade dos seus dias. Todavia, não podemos falar de uma ética ou teologia moral de Bildade, mas simplesmente de um moralismo fundamentado na tradição (18.1-21).

Comentário

Jó tentava desesperadamente encontrar alguma razão para o sofrimento humano, além da razão óbvia: a lei da colheita segundo a semeadura. Jó sabia que não estava pagando por seus pecados, embora, como seja óbvio, ele tivesse pecados.

Contudo, seu sofrimento era tão gigantesco que não podia ser explicado à base de seus pecados. Ele simplesmente não tinha pecados tão grandes. O porquê de seus sofrimentos continuava escapando dele. Em contraste, seus amigos-críticos continuavam a tocar a mesma antiga música: a Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura revolveria cada caso de sofrimento, incluindo o de Jó.

Os amigos de Jó eram indivíduos dogmáticos e tradicionalistas que resolviam todos os problemas mediante alguma declaração vinda do passado e por dogmas obtidos em seus pequenos círculos. Eles não tinham nenhuma resposta para isso e até se recusavam a considerar a questão. Quando Galíleu asseverou que a terra estava em movimento e orbitava ao redor do sol (duas heresias em sua época!), os cientistas e teólogos recusaram-se a, ao menos, olhar em seu telescópio! Eles sabiam de tudo, portanto para que investigar? Jó, porém, defendia a investigação livre.

Bildade continuou a falar, empregando os tesouros da tradição. Belos truísmos foram proferidos, mas ele não via que poderia haver algo acima do que ele sabia. Ele tinha, convenientemente, posto a verdade em sua própria pequena sacola.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1936.

O segundo discurso de Bildade é menos complexo. Não é mais do que uma longa e severa crítica sobre o destino dos perversos (5-21), introduzida por poucas repreensões dirigidas a Jó (2-4). Embora pise o mesmo terreno do discurso anterior de Elifaz (15.17-35), as diferenças refletem os temperamentos contrastantes dos dois homens.

Elifaz é manso, e um bom pastor dentro da sua maneira de entender as coisas. Bildade, um tradicionalista, está satisfeito com as velhas ideias, e obviamente deixou de dar valor aos pensamentos de Jó, porque não concordam com os seus. Ao passo que Elifaz enfatiza as preocupações mentais dos perversos, Bildade focaliza suas aflições externas.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 185-186.

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2. A subversão da ordem moral.

Na verdade, Bildade simplesmente repete o que já vem sendo defendido por gerações passadas, todavia, acrescentando alguns contornos aos seus pressupostos teológicos. Para ele as desgraças sofridas por Jó ocorreram por causa da quebra da moralidade estabelecida. Como o entendimento de Bildade era o de que o universo é controlado por leis morais inflexíveis, ao quebrá-las Jó sofreu as consequências da mesma forma que sofre quem quebra a lei da gravidade.

Nesse aspecto, praticar a justiça é se ajustar à dinâmica dessas leis morais. Bildade acreditava que de nada adiantava Jó achar que os maus prosperavam, pois isso era apenas ilusão. No seu entendimento, a prosperidade dos maus assemelhava-se as raízes de uma árvore que foram cortadas, cujos ramos, embora mantenham a aparência de verdor por algum tempo, todavia, necessariamente murcharão (18.12-16). Ao não reconhecer isso, Jó estaria tentando subverter a ordem moral aceita.

Comentário
Mais figuras Filosóficas

A segunda série de figuras (vv. 11-13) é ainda mais candente que a primeira, e deve referir-se diretamente a Jó, mesmo que a anterior seja uma forma diplomática, uma acusação indireta do ímpio. Nesta, os assombros espantarão de todos os lados o ímpio, e o perseguirão a cada passo (v. 11). Jó queixava-se de visões espantosas, que se atribuem à doença ignorada, e deveria tratar-se de uma espécie de alucinação mental, que o fazia ver fantasmas por todos os lados, tirando-lhe o sono, tão necessário ao sofrimento do dia.

A calamidade virá faminta sobre ele, e a miséria estará alerta ao seu lado (v. 12). Foi isso justamente que aconteceu a Jó, mas Bildade prefere falar em tese, em lugar de dizer que isto tudo lhe aconteceu. Foi uma calamidade completa: perdeu toda a fazenda e a família, só restando três amigos, que não tinham capacidade para o entender.

Por cima de tudo, esta miséria lhe estava devorando os membros do corpo, e o primogênito da morte o devoraria (v. 13). Pensa-se que a frase do primogênito da morte” se refira à lepra, que estava consumindo aos poucos o corpo de Jó. Realmente, esta doença, incurável naquele tempo, era um sinônimo de morte.

A pessoa era logo separada da comunidade e da família, e tinha de colocar um pano no rosto, por baixo do nariz, para não contaminar os outros; e, quando se aproximava de alguém, tinha de gritar: “Leproso! Leproso!” Estava morto sob o primogénito da morte. Quando o livro foi escrito ainda não existia o Levítico, com todas as suas prescrições sanitárias, embora os princípios rudes, quanto à doença, fossem bem conhecidos em todo o Oriente. O leproso era um morto vivo e a lepra era -o primogénito da morte.

3. As Calamidades do Ímpio Se Avolumam (vv. 14-21)

Temos aqui novas figuras, ou ilustrações, que valem por um estudo à parte, que, infelizmente, aqui não pode ser feito. O perverso será arrancado da sua tenda e levado ao rei dos terrores (v. 14). É o cúmulo do que acaba de ser descrito nos versos anteriores. Atormentado, seria levado ao rei dos terrores, uma figura de chefia inexistente, mas imaginável. Jó assim teve de fazer. Arrancado da sua casa, desterrado para um subúrbio da cidade, junto do lixo da comunidade, coberto de moscas, raspando-se com um caco de barro, estava mesmo debaixo do domínio do rei dos terrores. Figura mais forte não é possível para descrever a desgraça do perverso. Arrancado da sua tenda, seria depois espalhado enxofre sobre ela, para que ninguém mais ali morasse.

Um comentador acha que o costume de espalhar sal sobre qualquer coisa amaldiçoada, para não mais se usar a terra ou o que seja, está aqui preconizado com o espalhar enxofre. Quer o sal, quer o enxofre, destroem as partes alimentícias da terra, de maneira que nada mais produz para o seu dono ou para outrem. É um lugar amaldiçoado para sempre. Na moderna higienização das cidades infestadas de qualquer sorte de peste, as casas são desinfetadas com enxofre, que destrói todos os elementos nocivos existentes: ratos, mosquitos, quaisquer insetos perigosos. Deitar enxofre na tenda do árabe era amaldiçoá-la para sempre.

As raízes das árvores secam com enxofre e as folhas murcham (v. 16). Quando alguém quer matar uma árvore, joga enxofre nas suas raízes. O que Bildade está dizendo é que tudo na vida de Jó está destruído, como se destrói uma praga perigosa.

Os seus arvoredos, as suas plantações, tudo fora destruído pelo enxofre. Ninguém mais tentaria plantar ali qualquer coisa, porque estava morta a terra, como morto estava de lepra o seu dono. Maldição maior não poderia ser atirada à face de Jó. Tudo nele estava destruído. Apanhado no laço que lhe armaram, destruído totalmente, assim também a sua casa e as suas fazendas estariam arrasadas. Nós entendemos que tudo isto são figuras, mas figuras que descrevem uma situação do fato. É isto, na religião de Bildade, que acontece ao perverso.

Depois de todo este expor é o, está destruição, até o nome do perverso será esquecido, nenhum político se lembrará de pedir uma praça ou uma rua para perpetuar o seu nome (v. 17). Não sabíamos que este costume, tão moderno, de colocar placas nas ruas e praças de uma cidade, para perpetuar o nome ilustre de alguma personalidade, Jó era usado em tempos tão antigos. É mesmo como disse Salomão: “Nada novo há debaixo do sol.”

Assim, esquecida, sem filhos, sem descendentes e tudo seu amaldiçoado, a memória de tal pessoa pereceria para sempre (v. 19). Jamais alguém lembrará o seu nome, porque a simples lembrança de tal criatura é indício de cumplicidade. Portanto, ninguém ousará recordar o nome do perverso. Vem-nos à mente Antônio Silvino, o grande bandoleiro do nordeste, e também Lampião, o grande bandoleiro baiano, porque, de um modo ou de outro, pertencem à história, se bem que a memória do ímpio não seja lembrada. Mas maior desgraça não se pode desejar a ninguém cio que está de não se lhe lembrar o nome. Tudo isto, por quê? Por causa do pecado. Em nenhuma obra da humanidade o pecado recebeu maior castigo e desprezo do que no discurso de Bildade. Uma destruição completa e total, não ficando nem herdeiros, nem fazendas, nem memória.

A simples menção de tal pessoa espantaria os vivos, criaria um sobressalto, e, portanto, quem ousaria mencionar o nome de tal criatura? O seu natalício estaria para sempre perdido, como se nunca tivesse nascido, e os do Oriente serão tomados de horror ao lembrar tal nome (v. 20). Supersticiosos como são e como eram, a lembrança de uma pessoa amaldiçoada causaria comoção e mal-estar, assombro e pavor. É como alguém que, ao pronunciar o nome do Diabo, se persigna e se benze, para que o excomungado se afaste.

O verso 21 termina, dizendo: Tais são, na verdade, as moradas do perverso, e este é o paradeiro dos queridos conhecem a Deus. E nós acrescentamos que esta foi a consolação que Bildade trouxe ao seu amigo, uma descrição digna do pior elemento humano, do mais degradado, do mais iníquo, do mais diabólico. Mesmo sabendo que se trata de poesia, ainda assim, tirando o que se pode tirar deste famoso discurso, uma lição fica: o pecado é, a ruína do homem e da sociedade.

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

Um criminoso perseguido (vv. 11-15). A morte é o “rei dos terrores” (v. 14), decidida a capturar o culpado onde quer que ele esteja. Se o criminoso fugitivo correr pelo caminho e escapar das armadilhas, então a morte enviará ajudantes para persegui-lo. O terror o assalta, a calamidade consome, aos poucos, suas forças e a tragédia espera pela sua queda (vv. 11, 12).

O criminoso assustado vai sucumbindo, mas ainda tenta prosseguir. Se voltar à tenda para se esconder, seus perseguidores o encontrarão, prenderão, arrastarão para fora e levarão ao rei dos terrores. Removem tudo da tenda e a queimam, espalhando enxofre sobre as cinzas. O fim desse homem é fogo e enxofre!

Uma árvore desarraigada (vv. 16-21). Por vezes, a morte não é tão dramática e súbita quanto a captura de um criminoso. Também pode ser gradual, como a morte de uma árvore. As raízes secam, os ramos começam a murchar e os galhos mortos são podados um a um. Logo, a árvore está morta por inteiro e é derrubada pelo homem. A morte da árvore ilustra a extinção de uma família, de uma “árvore genealógica”. Não apenas o indivíduo perverso é cortado, como também todos os ramos são podados, não deixando descendente algum para dar continuidade ao seu nome. (Lembre-se de que todos os filhos de Jó haviam morrido no vendaval.)

No Oriente, a extinção de uma família era considerada uma grande tragédia.

Jó havia usado uma árvore como uma ilustração de esperança e ressurreição (14:7- 11), mas Bildade discordou dele. De acordo com Bildade, uma vez que a árvore é derrubada pelo ser humano, esse é seu fim; não há esperança alguma para o perverso.

Apesar de Bildade estar se dirigindo ao homem errado pelos motivos errados, aquilo que disse sobre a morte deve ser levado a sério. A morte é um inimigo temido por todos os que não estão preparados para enfrentá-lo (1 Co 1 5:26), e a única forma de se preparar é crer em Jesus Cristo (Jo 5:24).

Para o cristão, morrer significa ir para o lar e estar junto do Pai no céu (Jo 14:1-6), adormecer na terra e despertar no céu (At 7:60; Fp 1:21-23), entrar no descanso (Ap 14:13) e numa luz mais fulgurante (Pv 4:18).

Nenhum dos retratos apresentados por Bildade aplica-se àqueles que são salvos em Cristo.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 38-39.

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

3. Contemplando a cruz.

O capítulo 19 é dedicado à defesa de Jó. É inegável que Jó sabia que Deus atua em um universo moral e que tudo o que acontece está sob seu controle O homem de Uz estava convicto deque não havia quebrado nenhuma lei moral, sendo, portanto, inocente e que o seu sofrimento não teria razão aparente.

Mas diante das acusações dos amigos, ele está disposto a abandonar toda tentativa de se auto justificar (Jó 19. 21-24). Ele quer abandonar toda instância humana e apelar para um mediador (redentor) que defenderá sua causa. Ele não quer mais se defender; ao invés disso, apela para alguém totalmente justo, que vai ficar entre ele e Deus.

E aí que ele contempla a cruz: “Eu sei que meu redentor vive” (v.25). Apalavra “redentor” traduz o hebraico goel e significa alguém que defendia um familiar quando este não podia fazer sua própria defesa. Os primeiros líderes da Igreja entendiam que Jó predisse a ressurreição que será efetuada por Cristo no final dos tempos e da qual ele participará. O patriarca queria a intercessão desse justo, imparcial e eficiente mediador.

Comentário

Por que eu sei que o meu Redentor vive. A palavra hebraica goel é assim traduzida. A palavra admite ambas as ideias de vindicador e de redentor. Existe aquele parente redentor que vai buscar as propriedades que um homem vendera.

E existe aquele vingador do sangue, que vinga a morte de um parente e, assim sendo, recebe as honras de um remidor. Isso posto, o goel podia ser um redentor, um vingador ou um defensor dos oprimidos. Nesse ofício, ele seria um mediador. Deus, como goel, redimiu Israel do Egito (ver Êxo. 6.6; 15.13; Sal. 74.2).

Ele também redime do exílio (ver Isa. 41.14) da morte (ver Sal. 69.18; 2.14; Lam. 3.58; Osé. 13.14). Resta saber qual desses sentidos possíveis está no texto à nossa frente. Jó buscava vindicação (vss. 23 e 24), de modo que é provável que ele estivesse pensando em Deus como o divino vindicador, o qual finalmente defenderia o seu caso e diria “Jó era inocente, embora tenha sofrido”. Dessa maneira a honra de Jó seria restaurada, e seu nome seria limpo. Deus se levantaria para vindicar Jó e corrigir os seus atormentadores.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1942.

Ele crê na glória do Redentor e no seu próprio interesse nele (v. 25):

“Eu sei que o meu Redentor vive”, que existe e é a minha vida, “e que por fim”, ou no último dia, “se levantará sobre a terra” (ou acima dela).

Ele será levantado, ou se manifestará, no último dia (isto é, na plenitude dos tempos: o dia do evangelho é chamado de último dia, porque é a última dispensação) sobre a terra, indicando a sua encarnação; ou, Ele será levantado da terra (assim apontando para a sua crucificação), ou levantado e tirado da terra (assim se aplica à sua ressurreição), ou, como normalmente interpretamos, no fim dos tempos Ele aparecerá sobre a terra, pois virá com as nuvens, e todo olho o verá, tão próximo Ele virá desta terra.

Ele se levantará sobre o pó (este é o significado da palavra), sobre todos os seus inimigos, que serão pó debaixo dos seus pés; e Ele pisará sobre eles, e triunfará sobre eles. Observe aqui;

(1) Que existe um Redentor para os homens caídos, e que Jesus Cristo é esse Redentor. A palavra é Goel, que é usada com o significado do parente próximo, a quem pertence, pela lei de Moisés, o direito de redimir uma propriedade hipotecada (Lv 25.25). A nossa herança celestial foi hipotecada pelo pecado; nós somos incapazes de redimi-la; Cristo é nosso parente próximo, o parente próximo que é capaz de redimir; Ele pagou a nossa dívida, satisfez a justiça de Deus relacionada ao pecado, e assim removeu a hipoteca e fez uma nova definição da herança.

Cada um de nós também deseja o Redentor; nós somos vendidos para o pecado, e vendidos sob o pecado; o nosso Senhor Jesus operou em nós uma redenção, e proclama a redenção para nós, e assim Ele é. verdadeiramente, o Redentor.

(2) Ele é um Redentor vivo. Da mesma maneira como somos criados por um Deus vivo, também somos salvos por um Redentor vivo, que é, ao mesmo tempo, Todo-Po- deroso e eterno, e por isto capacitado para salvar todos aqueles que desejarem a salvação. Ele é aquele de quem se testifica que vive (Hb 7.8; Ap 1.18). Nós estamos morrendo, mas Ele vive, e nos assegurou que, como Ele vive, também nós viveremos (Jo 14.19).

(3) Há aqueles que, pela graça, têm um interesse neste Redentor, e podem, com bons motivos, chamá-lo de seu. Mesmo depois de ter perdido toda a sua riqueza e todos os seus amigos, ainda assim Jó não se separou de Cristo, nem interrompeu o seu relacionamento com Ele: “Ele ainda é o meu Redentor”. Este parente próximo aderiu a Ele, quando todos os seus outros parentes o abandonaram, e teve a consolação por isto.

(4) O nosso interesse no Redentor é algo que pode ser conhecido; e quando é conhecido, podemos triunfar nele, como suficiente para contrabalançar todas as nossas angústias; “Eu sei (observe com que atitude de certeza ele diz isto, como alguém confiante disto) que o meu Redentor vive”. Os seus amigos freqüentemente o acusaram de ignorância ou de possuir um conhecimento vão; mas aquele que sabe que Cristo é o seu Redentor sabe o suficiente, e sabe com bom propósito.

(5) Haverá um último dia, um dia final, um dia quando não haverá mais tempo (Ap 10.6). Este é um dia sobre o qual devemos pensar todos os dias. (6) O nosso Redentor neste dia irá se levantar sobre a terra, ou acima da terra, para convocar os mortos de suas sepulturas, e destiná-los a uma condição imutável; pois a Ele todo juízo é entregue. Ele se levantará, no final, sobre o pó a que a terra será reduzida pela conflagração.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 99-100.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Não se pode admitir a subversão da ordem moral, mas Jó estava certo deque não havia subvertido nada.

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

“Neste capítulo [18], Bildade disfere um segundo ataque contra Jó. No seu primeiro discurso (Jó 8), ele lhe tinha dado encorajamento para ter esperança de que tudo lhe sairá bem. Mas aqui não há uma palavra se quer sobre isto; ele ficou mais irritante, e está tão longe de ser convencido pelos argumentos de Jó que está ainda mais exasperado.

I. Ele reprova Jó de maneira contundente, como sendo arrogante e inflamado, e obstinado na sua opinião (vv.1-4).

II. Ele detalha a doutrina que tinha apresentado antes, a respeito da miséria dos ímpios e a ruína que os acompanha (vv. 5-21). Aqui, ele parece, o tempo todo, se fixar nas queixas de Jó sobre a infeliz condição em que se encontrava, de que ele estava nas trevas, confuso, preso, aterrorizado, e apressando-se para deixar o mundo. Esta, diz Bildade, ‘é a condição de um homem ímpio; e, portanto, és um deles’. […]

Aqui Bildade dispara suas flechas, e também suas palavras amargas, contra o pobre Jó, sem pensar que, embora ele (Bildade) fosse um homem sábio e bom, neste caso estava servindo os desígnios de Satanás, contribuindo para a aflição de Jó” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD,2010, p.92).

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III – O PECADO EM CONTRASTE COM A MAJESTADEDE DEUS

1. A grandeza de Deus.

O terceiro discurso de Bildade é feito para exaltar Deus e rebaixar Jó (Jó 25.1-6). Não há como negar que o longo debate entre Jó e seu amigo, esgotou o poder argumentativo de Bildade, o que fez com que ele repetisse várias vezes o que já havia dito. Na verdade, o seu último discurso no traz nada de novo. No capítulo 25 ele destaca a onipotência divina. Deus é grande e poderoso (v.2). Por isso nada há de errado quando Bildade defende a majestade do Altíssimo.

Todavia, como alguns autores destacam, Bildade acaba por criar um abismo que não existe entre a criatura ao Criador. O Deus defendido por ele não é o revelado na Bíblia. As ideias de Bildade se antecipam àquela defendida a milênios depois pelo deísmo do final do século XVIIl. Segundo os deístas, Deus criou o mundo, mas ausentou-se dele.

Comentário

A Deus pertence o domínio e o poder. Bildade exaltou a Deus. Ele queria contrastar Deus com o humilde e pecaminoso homem, entre os quais ele contava Jó. Deus é soberano, o Rei do universo, e todos O temem, exceto Jó, aquele pecador que continuava propagando sua própria inocência. As hostes do céu temem a Deus; homens sensatos O temem; justos O temem; mas não aquele verme, Jó. Deus, que habita nos altos céus, aplaca toda a oposição e estabelece a paz, até mesmo nas habitações mais elevadas de todas as criaturas, incluindo os santos anjos.

No entanto, Deus não teria conseguido estabelecer a paz com o rebelde, Jó. Cf. a paz trazida por Cristo na escala universal, em Col. 1.20 e Efé. 1.10. No céu, Deus mantém a harmonia, mas, na terra, é forçado a tolerar homens como Jó, que estão sempre semeando o caos. Seja como for, a profunda admiração nem sempre se transmuda em amor, sendo certo que a rebeldia de Jó não o fazia. Deus governa inúmeras forças, mas o minúsculo e miserável Jó resistia ao governo de Deus, sendo esse o motivo pelo qual ele sofria tão grandes dores.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1985.

Ele mostra o quanto Deus é glorioso, e daí deduz o quão culpado e impuro o homem é, diante dele (w. 2-4). Vejamos, então:

1. As grandes coisas que são ditas, aqui, sobre Deus, destinadas a impregnar Jó de uma reverência por Deus, e a examinar as suas reflexões sobre Ele e sobre as suas atitudes para com Ele: (1) Deus é o Senhor soberano de todos, e nele há uma gloriosa e grandiosa majestade. “Com Ele estão domínio e temor” (v. 2). Aquele que deu a existência tem uma autoridade incontestável para dar leis, e pode impor obediências às leis que dá.

Aquele que criou tudo tem o direito de dispor de tudo de acordo com a sua própria vontade, com absoluta soberania. Tudo o que desejar, Ele faz, e pode fazer, e não há quem lhe possa dizer, Que fazes?, ou Por que o fazes? (Dn 4.35). O fato de que Ele tem o domínio (ou seja Dominus – Senhor> indica que Ele é, ao mesmo tempo, o dono e o governante de todas as criaturas. Todas são suas, e todas estão sob a sua orientação e ao seu dispor. Consequentemente, Ele deve ser temido (isto é, reverenciado e obedecido), Ele é temido por todos os que o conhecem (os serafins cobrem o rosto diante dele), e, mais cedo ou mais tarde, todos serão levados a temê-lo.

O domínio dos homens frequentemente é desprezível, frequentemente desprezado, mas Deus é sempre terrível. (2) Os gloriosos habitantes do mundo superior obedecem a Ele perfeitamente e aquiescem inteiramente com a sua vontade: “Ele faz paz nas suas alturas”. Ele desfruta de uma perfeita tranquilidade. Os santos anjos nunca discutem com Ele, nem entre si, mas aquiescem inteiramente com a sua vontade, e a executam unanimemente, sem murmurar nem discutir. Assim a vontade de Deus é feita nos céus; e assim oramos que possa ser feita por nós, e por outros, na terra.

O sol, a lua e as estrelas, conservam seus cursos e jamais colidem entre si: mesmo nesta região inferior, que é frequentemente perturbada com tempestades, ainda assim, quando Deus deseja, Ele ordena a paz, convertendo a tempestade em calmaria (SI 107.29; 65.7). Observe que os lugares altos são seus lugares altos; pois “os céus são os céus do Senhor” (SI 115.16), de uma maneira peculiar. A paz é obra de Deus; onde a paz é feita, é Ele que a cria (Is 57.19). No céu há paz perfeita; pois ali há santidade perfeita, e ali está Deus, que é amor.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 125-126.

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

2. Onipotente, mas não ausente.

Jó responde a Bildade com ironia: “Como Ajudaste aquele que não tinha força e sustentaste o braço que não tinha vigor!” (16 26.2). Aqui, Jó não questiona a onipotência divina, mas a aplicação que Bildade faz desse conceito. O conceito de um Deus grandioso, que é soberano em suas ações, não deveria vir acompanhado também do conceito de um ser compassivo e amoroso? Deus não deve ser visto apenas em sua força, mas, sobretudo, por seu amor. Ele nunca exaltou seu poder e grandeza acima do seu amor. Ele não disciplina simplesmente porque é grande, forte e soberano, mas porque ama.

Diferentemente do conceito apresentado por Bildade, o Deus que a Bíblia apresenta é poderoso e glorioso, mas, principalmente, misericordioso e gracioso. Temos de cuidar para que no momento do sofrimento não manchemos a imagem de um Deus que não é só força, mas igualmente amor.

Comentário

Como sabes ajudar ao que não tem força! Usando de ironia, Jó procurou repreender a fútil tentativa de Bildade de fazê-lo confessar seus pecados e assim aliviar suas agonias. Bildade tinha tratado Jó como se ele fosse fraco e destituído de poder (cf. Jó 18.2) e sabedoria (ver Jó 18.2). Em sua réplica, Jó queixou-se de que o homem, na realidade, não o ajudou.

Ele apresentou discursos irrelevantes e degradou-o, em vez de levantá-lo, como um amigo deveria fazer. Não foi dado nenhum bom conselho. Os discursos de Bildade não explicaram o enigma dos homens sofredores, e mais, especificamente, a dor do próprio Jó. Jó precisava de um braço poderoso, mas tão-somente recebeu socos no rosto. Precisava do poder divino, mas só obteve os poderes que o homem dirigira contra ele.

A versão caldaica diz: “Por que fingiste prestar ajuda, quando tu mesmo estavas sem forças? Por que fingiste salvar-me, quando o teu próprio braço era fraco? Por que deste conselho, quando não tinhas entendimento? Como podes dizer que és a própria essência da sabedoria?”.

“Bildade nada fez para aliviar Jó de suas aflições físicas e de alma. Nem contribuiu, no mínimo, para ajudar Jó… Que tinham feito os amigos de Jó para convencê-lo do erro de seu caminho?” (John Gill, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1966.

Antes de engrandecer o poder Deus no Universo, Jó repreendeu Bildade por não lhe dar ajuda alguma (Jó 26:1-4). Jó não tinha poder algum, mas Bildade não o fortaleceu. De acordo com seus amigos, Jó não tinha sabedoria e, no entanto, Bildade não compartilhou com ele uma só migalha de sabedoria ou discernimento. “Com a ajuda de quem proferes tais palavras? E de quem é o espírito que fala em ti?” (v. 4). Se as palavras de Bildade tivessem vindo de Deus, teriam edificado Jó, pois ele havia clamado a Deus pedindo que lhe respondesse. A conclusão é que as palavras de Bildade vinham apenas dele próprio e, por isso, não fizeram bem algum a Jó.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. III. Editora Central Gospel. pag. 55.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Bildade defende a majestade de Deus, mas reforça o distanciamento dEle do ser humano.

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Deus é Exaltado e o Homem é Abatido [25] (vv.1-6). Bildade deve serelogiado aqui, por dois motivos:

1. Por não mais falar sobre o assunto sobre o qual ele e Jó divergiam. Talvez ele começasse a pensar que Jó estava certo, e então era justo não dizer mais nada sobre isto, como alguém que disputava pela verdade, ficaria satisfeito em ceder a vitória; ou, se ainda se julgasse certo, ainda assim sabia quando já tinha dito o suficiente, e não discutiria incessantemente pela última palavra.

Talvez, na verdade, uma razão pela qual ele e os demais deixaram diminuir este debate foi o fato de que percebiam que Jó e eles mesmos não divergiam tanto em opinião como pensavam: eles reconheceram que os ímpios podiam prosperar por algum tempo, e Jó reconheceu que eles seriam destruídos, no final; quão pequena, então, era a diferença! Se os contendores entendessem melhor uns aos outros, talvez se encontrassem mais próximos uns dos outros do que imaginavam.

2. Por falar tão bem sobre o assunto em que ele e Jó estavam de acordo. Se tivéssemos os nossos corações cheios de pensamentos respeitosos e reverentes sobre Deus e pensamentos humildes sobre nós mesmos, não seríamos tão propensos como somos a contender por questões de duvidosa controvérsia, que são assuntos intrincados ou insignificantes”(HENRY, Matthew. Comentário Bíblico Antigo Testamento: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2010, p.125).

7 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Bildade: Se Há Sofrimento Há Pedado Oculto?

CONCLUSÃO

Nesta lição vimos que o debate entre Bildade e Jó assume alguns contornos teológicos muito relevantes. Bildade faz três discursos teológicos e em cada um deles põe em destaque a sua crença. Ele não crê na inocência de Jó e, por isso, atribui o seu sofrimento à existência do pecado. Assim, ele orienta Jó a viver segundo os ditames da tradição e, como consequência, o empurra para um moralismo de natureza apenas religiosa. Por último, quando quer exaltar a grandeza de Deus a qualquer custo, acaba por criar um abismo intransponível entre o Criador e a criatura.

VOCABULÁRIO

Deísmo: Doutrina que considera a razão como a única via capaz de nos assegurar da existência de Deus, rejeitando, para tal fim, o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada.

Moralismo: Doutrina oi comportamento filosófico ou religioso que elege amoral como valor universal, em detrimento de outros valores existentes.

PARA REFLETIR

A respeito de “A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há pecado oculto?”, responda:

1- Como a teologia de Bildade pode ser classificada?

R: A teologia de Bildade pode ser classificada em duas esferas: a dos maus e a dos bons.

2- O que Deus já havia testemunhado de Jó?

R: Deus já havia testemunhado acerca da integridade e da justiça de Jó.

3 – Para Bildade, por que desgraças se abateram sobre Jó?

R: Para ele as desgraças sofridas por Jó ocorreram por causa da quebra da moralidade estabelecida.

4 – Segundo a lição, qual o significado da palavra “redentor”?

R: A palavra “redentor” traduz o hebraico goel e significa alguém que defendia um familiar quando este não podia fazer sua própria defesa.

5 – Como Deus deve ser visto conforme as Escrituras?

R: Deus não deve ser visto apenas em sua força, mas, sobretudo, por seu amor. Ele nunca exaltou seu poder e grandeza acima do seu amor. Ele não disciplina simplesmente porque é grande, forte e soberano, mas porque ama.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

6° Lição – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

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