7 LIÇÃO 4 TRI 2021 PAULO O PLANTADOR DE IGREJAS

 

7 LIÇÃO 4 TRI 2021 PAULO O PLANTADOR DE IGREJAS

 

TEXTO AUREO

“Eu plantei: Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. (1 Co 3.6)  

VERDADE PRATICA

A experiência com Cristo é o mais poderoso fator motivacional para plantar igrejas

LEITURA DIARIA

 

Segunda – Rm 15.20 Igrejas plantadas em lugares onde Cristo não foi anunciado  

Terça – Ef 3.1 A plantação de igrejas se deu entre os gentios  

Quarta – 1 Co 9.16 Pregar o Evangelho é uma obrigação  

Quinta – Rm 13.1-3 Antioquia, o ponto de partida do ministério de Paulo  

Sexta – At 16.9 O Espírito Santo direcionou Paulo na missão  

Sábado – At 26.14,19 A verdadeira motivação para a missão    

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

1 Coríntios 3.6-9; Atos 13.1-3; 16.1-5,9,10

  1 Coríntios 3   6- Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.   7- Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. 8- Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão, segundo o seu trabalho.   9- Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.   Atos 13   1- Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.   2- E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.   3- Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.   Atos 16.1-5,9,10   1- E chegou a Derbe e Listra. E eis que estava ali um certo discípulo por nome Timóteo, filho de uma judia que era crente, mas de pai grego,   2- do qual davam bom testemunho os irmãos que estavam em Listra e em Icônio.   3- Paulo quis que este fosse com ele e, tomando-o, o circuncidou, por causa dos judeus que estavam naqueles lugares; porque todos sabiam que seu pai era grego.   4- E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidas pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém   5- de sorte que as igrejas eram confirmadas na fé e cada dia cresciam em número.   9- E Paulo teve, de noite, uma visão em que se apresentava um varão da Macedônia e lhe rogava, dizendo: Passa à Macedônia e ajuda-nos!   10- E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho.    

HINOS SUGERIDOS: 53, 375, 530 da Harpa Cristã

 

OBJETIVO GERAL

Motivar a igreja local para plantar mais igrejas.

 

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Mostrar que Paulo foi um desbravador sob uma gloriosa obrigação;  

Sinalizar Antioquia como ponto de partida para o crescimento da igreja;  

Pontuar as características de um plantador de igrejas.      

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

    Nesta lição, perceberemos o quanto o espírito desbravador do apóstolo Paulo se relaciona com a origem do Movimento Pentecostal no mundo. Em seus primórdios, e durante a sua rica história, plantar igreja a partir de círculos de oração nas casas, ponto de pregações foram estratégias dadas para que hoje tornássemos um dos maiores segmentos do mundo. Solicite aos alunos para relacionar o processo de plantação de igrejas que vemos na vida e no ministério do apóstolo Paulo com a realidade atual na dimensão concreta do nosso bairro, cidade, estado e país.    

PONTO CENTRAL: A experiência com Cristo é o fator motivacional para plantar igrejas.

 

COMENTÁRIO INTRODUÇÃO

Nesta lição, estudaremos sobre o processo de plantação de igreja que o apóstolo Paulo executou. Veremos que ele foi um desbravador da causa do Mestre no mundo pagão, e seu ponto de partida no ministério foi Antioquia, quando enviado para outras regiões do mundo onde o Evangelho foi com Cristo e o pregado. Também refletimos sobre as características do plantador da igreja local frente aos desafios atuais.    

Comentário

    Paulo foi um especialista em linguagem figurada para ilustrar verdades espirituais; sem dúvida, ele aprendeu com Jesus. O título deste capítulo sugere uma metáfora especial, numa linguagem figurada para falar da dinâmica do plantio de igrejas. Esse plantio envolve um trabalho duplo: do homem e de Deus. Nós, seus servos, semeamos, isto é, plantamos igrejas como sementes na terra. A figura do plantio remete-nos à agricultura. O apóstolo Paulo utiliza essa figura para compará-la com a Igreja, que é “lavoura de Deus”, a qual cresce e desenvolve-se naturalmente. O trabalho do lavrador é limpar a terra, ará-la e semear a semente, mas o processo de desenvolvimento é natural. Como lavoura de Deus, fomos plantados por alguém que evangelizou — trabalho humano indispensável. Paulo usou da perspicácia espiritual que tinha para amenizar uma situação de política eclesiástica provocada por uma contenda que estava havendo entre os membros da igreja de Corinto acerca da predileção pastoral entre Paulo e Apolo (1 Co 3.3-5). Ele declarou que tanto ele quanto Apolo foram apenas ministros pelos quais aqueles irmãos creram, mas, independentemente do mérito de cada um, pertence a Deus dar o crescimento ao plantio (1 Co 3.6-9). O Senhor da lavoura é Deus, e tudo o que fizermos nessa lavoura, o seu desenvolvimento, vem do Senhor da Igreja. Ao fim de tudo, Paulo ensina que somos cooperadores de Deus e que a igreja, em si mesma, é a lavoura de Deus (1 Co 3.9). Nesse sentido, existe o trabalho que só Deus faz, e, por outro lado, existe o trabalho que só nós fazemos. No que tange a Deus, Ele é quem dá o crescimento e faz com que a semente da planta germine, apareça e cresça (1 Co 3.7). O trabalho de plantar igrejas é nosso, mas é Deus quem as faz germinar, frutificar e crescer. Esse trabalho está dentro da grande Comissão deixada por Jesus. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Escrevendo sobre o papel de Paulo como protótipo missionário, o Dr. R. E. Speer, notável missionário e estadista, disse: “O primeiro missionário assentou para todos os tempos as linhas e os princípios da obra missionária bem-sucedida.” Paulo foi, acima de tudo, um missionário desbravador que deixou atrás de si uma linha de novas igrejas pujantes de vida. É um fato significativo que os maiores avanços missionários dos últimos cinquenta anos têm os princípios missionários de Paulo, redescobertos ou reafirmados. O livro de Atos foi o primeiro manual missionário do mundo, incorporando tanto a história como a filosofia das missões. Há nele abundância de cenas e acontecimentos missionários típicos que proveem valiosa orientação para o trabalho missionário em qualquer época. Ele relata fracassos e sucessos. Revela princípios e indica métodos. É o comentário de Deus sobre os problemas encontrados na maioria dos campos missionários de hoje. Cobrindo um período de trinta e três anos, ele é uma demonstração vivida do que pessoas comuns podem realizar durante uma existência. Sanders., J. Oswaldo. Paulo o Líder. Uma visão para a liderança cristã Hodierna. Editora: Vida. pag. 69-70.    

I – PAULO, O DESBRAVADOR SOB UMA GLORIOSA OBRIGAÇÃO

 

   1. Paulo, o desbravador.

Paulo foi, sem dúvida, o grande desbravador da fé cristã no mundo gentílico. Ele dedicou a sua vida para proclamar o Evangelho e cumprir a missão entre os pagãos. O apóstolo contribuiu grandiosamente na implantação de inúmeras igrejas e no crescimento da fé cristã. Não houve quem plantasse tantas igrejas, em tão pouco tempo, como o apóstolo dos gentios. Sua vida e ministério constrangem a semear o Evangelho e a plantar igrejas em lugares onde pessoas nunca ouviram falar do Evangelho das Boas-Novas (Rm 15.20).    

Comentário

    Quando Paulo escreveu esta epístola aos Romanos, estava a caminho da capital do império. Esperava poder demorar-se ali por algum tempo, ensinando aos discípulos, recebendo e dando benefícios espirituais, apesar de não ter sido o fundador daquela igreja. (Ver Rom. 1:11,12). Sua regra geral, entretanto, era prosseguir continuamente para novos territórios, uma vez que as igrejas fundadas em uma região estivessem suficientemente fortes para se autopropagarem, sem a necessidade de sua presença. A isso ele considerava o seu chamamento, embora não seja essa necessariamente, a vocação de todos os ministros, e nem mesmo de todos os evangelistas. Na qualidade de apóstolo dos gentios, Paulo tinha de visitá-los, em suas muitas nações. Contudo, sua chamada apostólica não lhe permitia demorar-se por tempo demais em um só lugar. Tinha a realizar uma tarefa imensa, a qual tinha de cobrir uma área geográfica gigantesca. «…esforçando-me…» Essa palavra é tradução de um verbo grego que, originalmente, significa «ser encontrado como honrado». Daí é que se derivou o sentido de esforçar-se ou ter uma ação ambiciosa, como quem busca uma elevada honraria. O sentido, pois, é «esforçar-se até ao ponto de receber honra», um esforço suficiente para ser atingido esse alvo. (Comparar com II Cor. 5:9 e I Tes. 4:11). No grego posterior, entretanto, essa palavra perdeu essa idéia de «emulação». «Essa nobre ambição de Paulo não está dentro do alcance de alguns ministros do evangelho, os quais só podem edificar sobre fundamento alheio, conforme Apoio fazia em Corinto. Porém, o pregador e ministro pioneiro tem uma dignidade e uma glória toda sua». (Robertson, in loc.). «…deste modo por pregar o evangelho…» Isso limita as palavras que figuram no versículo anterior: «…tenho divulgado o evangelho…» Paulo jamais procurara pregar onde o cristianismo já fora estabelecido. Está envolvido aqui um ponto de honra, embora não de rivalidade… pois o dever do apóstolo Paulo envolvia o fundamento, e não a sobrestrutura. (Ver I Cor. 3:10). «Está em foco a mesma confiança em sua chamada, e a mesma ufania que limitava essa confiança, não se vangloriando ele daquilo que Cristo fizera por intermédio de outros, porque também não fazia incursões na esfera de outros, tudo 0 que permeia as idéias expressas no décimo capítulo da segunda epístola aos Coríntios». (James Denny, in loc.). «Paulo, sendo um homem duro, foi chamado para fazer um trabalho extremamente árduo; havia muitos instrutores, mas Paulo foi o maior progenitor; havia muitos que regavam, mas Paulo foi o maior plantador. Aventurava-se ao primeiro arranco em muitas localidades, e sofreu grandemente por causa disso. Mencionou esse fato como uma das provas de seu apostolado». (Matthew Henry, in loc.). Paulo dizia tudo isso, conforme o contexto nos mostra, a fim de demonstrar qual era a autoridade com que exortava assim aos crentes gentios de Roma, e com que autoridade ele passaria ali algum tempo, exortando-os e ensinando-os. Seu ministério fora larga e sobriamente autenticado. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 684-865.    

 

Paulo, o missionário pioneiro Paulo foi, sem sombra de dúvidas, o maior missionário da igreja de todos os tempos. Ele plantou igrejas nas províncias da Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia Menor. Conforme E E Bruce, nas principais cidades às margens das mais importantes vias das províncias da Síria-Silícia, de Chipre, da Galácia, da Ásia, da Macedônia e da Acaia, havia comunidades de crentes em Cristo para testemunhar a atividade apostólica de Paulo. Em toda a parte, seu objetivo era pregar o evangelho onde ele ainda não tinha sido anunciado. Tendo completado sua obra no Oriente, olhava para o Ocidente e se propunha evangelizar a Espanha. Destacaremos a seguir aqui alguns pontos importantes de seu pioneirismo. Em primeiro lugar, os limites de sua ação missionária. “[…] de maneira que desde Jerusalém e circunvizinhanças até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo” (15.19b). Paulo vai desde o extremo Oriente, em Jerusalém, até ao Ocidente, ao Ilírico. Seguindo a rota do sol, seu caminho o conduziu do Leste para o oeste, até a costa do mar Adriático. A indicação deve sugerir ao leitor a marcha triunfal do evangelho do Oriente ao Ocidente e o sentimento de que tudo o que jaz a leste de Roma já havia sido atingido. Essa região da Ilíria se situava na costa ocidental do mar Adriático, na Macedônia, e corresponde aproximadamente à Albânia e à parte sul do que era a antiga Iugoslávia. Lucas não registra, no livro de Atos, nenhuma visita de Paulo ao Ilírico. Em segundo lugar, a filosofia de sua ação missionária. “Esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio; antes, como está escrito: Hão de vê-lo aqueles que não tiveram notícia dele, e compreendê-lo os que nada tinham ouvido a seu respeito” (15.20,21). William Hendriksen diz que Paulo se considerava um desbravador de trilhas para o evangelho, um missionário pioneiro, um plantador de igrejas.” Seu chamado era para lançar os fundamentos (1 Co 3.10). Sua vocação era semear, e não regar (1 Co 3.6). Paulo era um plantador, e não um mantenedor de igrejas. John Stott tem razão quando diz que o próprio chamado e o dom de Paulo, como apóstolo dos gentios, eram para ele ser o pioneiro da evangelização do mundo gentílico, e deixar aos outros, especialmente aos presbíteros locais ali residentes, o cuidado pastoral das igrejas.” Leenhardt acrescenta que Paulo desejava terras virgens. A prioridade do seu apostolado era não passar onde outros haviam já trabalhado. Não que receasse dos conflitos de autoridade; é que a tarefa era urgente. Paulo chegou a ponto de excluir de seu apostolado a prática generalizada do batismo (1 Co 1.17), sem dúvida porque se reservava a apenas lançar os alicerces, deixando a outros o cuidado do labor de mais longa duração, que era a instrução preliminar ao batismo (1 Co 3.10). Paulo se apressa não por política eclesiástica, mas por fidelidade à vocação: os gentios estão à espera! LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 477-478.    

 

Ele pregou em lugares nos quais não tinham ouvido o evangelho antes (w. 20,21). Ele cultivou o terreno inculto, lançou os alicerces em muitos lugares e introduziu o cristianismo onde nada mais que a idolatria e a feitiçaria, e todo sorte de demonismo, reinavam por muitas eras. Ele abriu caminho, e por essa razão, necessariamente encontrou mais dificuldades e desencorajamentos em seu trabalho. Aqueles que pregavam na Judéia tinham nesse aspecto uma tarefa muito mais fácil do que Paulo, que era o apóstolo dos gentios; pois eles entraram no trabalho de outros (Jo 4.38). Paulo, sendo um homem resistente, foi chamado para o trabalho mais duro; havia muitos mestres, mas Paulo era o pai na fé, muitos que regavam, mas Paulo era o grande plantador. Bem, ele era um homem corajoso que fazia o primeiro ataque ao palácio do homem forte e armado do mundo gentílico, que primeiro assaltou os interesses de Satanás aqui, e Paulo era aquele homem que se aventurou no primeiro ataque em muitos lugares, e sofreu muito por isso. Ele menciona isso como prova do seu apostolado; pois a função dos apóstolos era principalmente trazer aqueles que estavam fora e lançar os fundamentos da Nova Jerusalém (ver Ap 21.14). Não é que Paulo não tenha pregado em muitos lugares onde outros tinham estado trabalhando antes dele; mas ele principal e essencialmente se dispunha para o bem daqueles que estavam em trevas. Ele tomava cuidado “…para não edificar sobre fundamento alheio”, para que ele não desaprovasse nisso o seu apostolado, e desse motivo para aqueles que procuravam alguma razão para desaprová-lo. Ele cita, sobre isso, Isaías 52.15: “Aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que eles não ouviram entenderão”. Assim diz o profeta, no mesmo sentido. Isso fez o sucesso da pregação de Paulo mais notável. A transição das trevas para a luz é mais sensível do que o renovo e o crescimento daquela luz. E, geralmente, o maior sucesso do evangelho acontece quando ele chega a um lugar; posteriormente, as pessoas se tornam à prova de sermão. HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento ATOS A APOCALIPSE Edição completa. Editora CPAD. pag. 414-415.    

   2. Uma gloriosa obrigação.

O apóstolo foi chamado por Cristo para pregar o Evangelho aos gentios. Por isso, na Bíblia, vemos a expressão: “Eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo por vós, os gentios” (Ef 3.1). Seu compromisso com os gentios estava firmado em Cristo, o nosso Senhor. Nesse sentido, toda sua ousadia, coragem e precisão, no ministério de plantação de igrejas levavam em conta esse compromisso com Cristo, “pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho” (1 Co 9.16). Assim, Paulo passou a pregar ousadamente a Cristo nas sinagogas, anunciando que Ele é o Filho de Deus. Essa ousadia e coragem recebemos diretamente do Espírito Santo.      

Comentário

    «…pesa essa obrigação…» No original grego, a palavra aqui traduzida por «…obrigação…» é «anagke», que significa «necessidade», «compulsão». E a forma adverbial dessa palavra indica algo feito «por compulsão». «…pesa…». No grego temos «epikeimai», que significa «pressionar em volta», «pressionar sobre», «mostrar-se urgente», «impor a». E assim vemos que o apóstolo usa os termos mais fortes para falar de sua comissão, como algo necessário para ele, que lhe era urgente realizar, como um impulso vindo de fora de sua vontade, a despeito do fato de que sua vontade precisava cooperar finalmente com tal impulso, porquanto, de outro modo, não haveria valor moral no que ele fizesse. O apóstolo relembrava aqui o seu contato com o Senhor Jesus, na estrada de Damasco (ver Atos 9:6), onde recebera sua notável visão celestial.

Embora andasse então pervertido em’ seus caminhos, fazia-o por ignorância; mas, quando lhe foi mostrado o caminho do direito, correspondeu imediata e completamente. Sua reação favorável foi superior àquela que ordinariamente se verifica entre outros seres humanos, agrilhoados ao pecado, às debilidades morais produzidas pela queda no mesmo. Também relembrava que desde o tempo de seu nascimento (ver Gál. 1:15,16) o Espírito de Deus o seguia, preparando-o para a sua missão. E foi naquele primeiro encontro com Cristo que foi comissionado para ser vaso escolhido, a fim de levar o nome de Cristo perante os gentios, os reis e os filhos de Israel. (Ver Atos 9:15). Posteriormente Paulo foi separado pelo Espírito Santo, a fim de trabalhar na missão para a qual fora chamado. (Ver Atos 13:2). Essa comissão foi reiterada, estando ele no templo dè Jerusalém. (Ver Atos 22:21). Não havia meios que lhe permitissem rejeitá-la. (Ver Rom. 1:14; Gál. 1:15 e ss. e Eze. 3:17 e ss.). Sua comissão era qual uma pressão sobre ele. Por conseguinte, o fato de que Paulo pregava a Cristo Jesus não redundava em glória para ele mesmo; e nem extraía glória alguma do fato de que o fazia gratuitamente, ao passo que outros homens, de menor estatura espiritual e realizadores de um serviço de bem menor envergadura, cobiçosamente exigiam paga por parte da igreja, ainda que Paulo, algumas vezes, tivesse sido tentado a ufanar-se disso, tendo sucumbido a essa tentação. É verdade que ele não era «forçado» a pregar gratuitamente o evangelho, ainda que sentisse a premente «obrigação» de pregá-lo. Contudo, isso não era base para ele jactar-se. «…ai de mim se não pregar o evangelho…» A palavra aqui traduzida por «…ai…» é «ouai», no original grego, que expressa dor ou lamento, quando usada como uma exclamação. A forma substantivada significa «calamidade». O que Paulo queria dizer aqui, mui provavelmente, era:

  1. Uma tristeza íntima, sentida por alguém infiel ante grande graça e comissão, num sentimento de auto reprovação.
  2. Além disso, ele quis dar a entender que o Senhor também desaprovava essa atitude, resultando em grande tristeza para o apóstolo.
  3. Mas não há que duvidar que ele também indica que lhe sobreviria algum severo julgamento, se ele tivesse desobedecido a essa comissão. Essa desobediência provavelmente teria incluído a recusa de vir a Cristo, em primeiro lugar, prosseguindo ele em sua carreira de assolador e destruidor da igreja cristã. E se porventura ele se tivesse recusado a vir a Cristo e a aceitar a sua comissão para o serviço cristão, receberia severo julgamento diante do trono de Cristo, de conformidade com as condições expressas em II Cor. 5:10.

Era uma ideia generalizada entre os gregos, o que transparece com frequência nas suas tragédias, que lutar contra a «necessidade» é atitude que só pode produzir os piores resultados, embora o vocábulo grego «anagke» por muitas vezes indicasse uma sorte cruel e cega, geralmente sem razão e sem justiça, ao passo que a «necessidade» de que Paulo fala se refere à vontade benévola de Deus. Há uma imensa diferença entre esses dois conceitos, ainda que a vontade de Deus não seja menos necessária do que a sorte cega imaginada pelas tragédias gregas. É errôneo supormos que os outros apóstolos achegaram-se a Cristo com menor intensidade na «necessidade», porquanto o trecho de João 15:16 informa-nos de maneira diversa. Outrossim, o que foi a verdade na experiência de Paulo é verdade na experiência de todos os seres humanos que se aproximam de Cristo e o servem, apesar dessa necessidade geralmente ser realizada através de métodos menos conspícuos e dolorosos.

A vontade de Deus opera em todos, em todos os lugares. Todos os homens, no mundo inteiro, reagem favorável ou desfavoravelmente à vontade do Senhor, e o bem-estar ou o juízo consequentes são determinados de acordo com essa atitude. (Quanto a notas completas sobre o conceito da «providência divina», ver os trechos seguintes: João 7:6; 11:4; Atos 7:9,10; 10:17; 16:10; 25:4; 27:25; Rom. 8:20; I Cor. 7:17. Esses comentários são acompanhados do adorno de poesias). «Ele se realizava na medida em que era capaz de dar livre curso à causa por causa da qual fora capturado, e pela qual era possuído. Esse cumprimento resulta em recompensas com o que o exercício de outros direitos e privilégios nem se pode comparar. Tão arrebatado era ele pela necessidade de proclamar o evangelho de Cristo, e tão envolvido estava ele pelo seu senso do fim iminente desta dispensação e do retorno do Senhor, em triunfo, que ele pôs de lado todos os fatores inibidores e todos os preconceitos, esquecendo-se de todas as suas predileções pessoais, levando a tolerância e a reconciliação ao seu alcance máximo, a fim de que pudessem ceder, quantos fossem possíveis, às suas persuasões urgentes e intensas, tornando-se então crentes convictos no Senhor Jesus Cristo». (John Short, in loc.). CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 138-139.    

 

Porque, se prego o evangelho. Para mostrar quão importante era que não fosse privado da razão de gloriar-se, Paulo realça o que teria sucedido caso não fizesse nada mais do que cumprir fielmente seu ministério, ou, seja, que ele não teria feito mais do que aquilo que o Senhor lhe impusera como uma necessidade imprescindível. Ao realçar esse fato, ele está dizendo que não tinha, nesse aspecto, nenhuma razão para gloriar-se, já que isto era algo em que não tomara parte. Mas alguém poderia perguntar a que gênero de glória Paulo se refere aqui, pois em 2 Timóteo 1.3 ele declara orgulhar-se na execução de seus deveres como mestre “com consciência pura”. Minha resposta é que ele fala de um motivo para gloriar-se com o qual possa desafiar os falsos apóstolos, quando se punham no posto de observação com o fim de caluniá-lo. como veremos a seguir, de forma mais clara. Todavia, esta é uma afirmação notável.

Aprendemos dela, em primeiro lugar, a natureza da vocação que os ministros recebem, e quão fortemente se acham unidos a Deus; e, em segundo lugar, o que o ofício de pastor envolve e o que intrinsecamente inclui. O homem, uma vez chamado, deve pôr indelevelmente em sua cabeça que ele não é mais livre para retroceder, quando bem lhe convir, se porventura as frustrações arrebatarem seu coração, ou as tribulações o esmagarem; porquanto ele está dedicado ao Senhor e à Igreja, e se acha firmemente amarrado por um laço sagrado, o qual lhe seria pecaminoso desamarrar. No tocante ao segundo ponto, Paulo diz que uma ameaça de maldição paira sobre sua cabeça, caso ele não pregasse o evangelho. Por quê? Porque fora chamado para tal mister, e por essa mesma razão ele é dominado por uma compulsão que o impele. Como, pois, poderia alguém que assume a mesma responsabilidade evitar tal constrangimento? Que gênero de “sucessão apostól ica” é esse, no caso do papa e dos bispos mitrados, os quais demonstram que nada há mais incompatível com seu papel do que a responsabilidade de ensinar? Calvino. João,. Série de Comentários Bíblicos João Calvino Vol. 10. 1 Coríntios. Editora Edições Parakletos. pag. 277-278.    

 

A natureza precisa dos motivos de Paulo é obscura, mas é relacionada à sua pregação do evangelho. A pregação não é motivo de jactância porque para ele não é uma questão de escolha. Ele foi “compelido” (v.l6, literalmente, “me é imposta essa obrigação”). Não escolheu pregar o evangelho, mas deve fazê-lo conforme o chamado divino. Suas palavras relembram as de Jeremias: “Então, disse eu. Não me lembrarei dele [do Senhor] e nâo falarei mais no seu nome; mas isso foi no meu coração como fogo ardente, encerrado nos meus ossos; e estou fatigado de sofrer e nâo posso” (Jr 20.9). Paulo foi comissionado desta maneira no momento de sua conversão (At 9-6, 15; 22.21). Se não pregar, sofrerá grandes aflições (“ai de mim se não anunciar o evangelho!”). Não explica a natureza da aflição, mas é suficiente perceber que o fracasso em pregar o evangelho seria calamitoso para ele. Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 989-990.    

   3. Plantação de igreja, uma parceria.

A plantação da igreja envolve um trabalho duplo: do homem e de Deus. Nós, seus servos, plantamos igrejas como sementes na terra. Nas cartas de Paulo, a imagem da plantação aparece, em especial, na Primeira Carta aos Coríntios (1 Co 3.6-9). O apóstolo dava o devido mérito desse processo a Deus (1 Co 3.6). E nós somos os seus cooperadores e, a igreja, a lavoura e o edifício de Deus (1. Co 3.9). Nesse divino ministério de plantação de igreja, à luz do ensino de Paulo, fica claro que o trabalho de semear e plantar é nosso, mas quem faz germinar, frutificar e crescer é Deus. Deus e o homem cooperam na plantação de igrejas.    

Comentário

    A igreja é um campo e o seu alvo é a quantidade. Paulo mostra agora que a igreja é o campo onde Deus semeia. Cristo comparou o coração humano a um terreno onde a semente da Palavra é semeada (Mt 13.10,18-23). A igreja é como um campo que deve produzir fruto para Deus. Jesus disse que cada um de nós é ramo da videira verdadeira (Jo 15.1). O propósito do ramo é produzir frutos. Se ele não produzir frutos é cortado e lançado fora. A tarefa do ministério é cultivar o solo, semear a semente, regar a planta e fazer a colheita dos frutos. Nós somos como os obreiros que trabalham nesse campo, e esse campo é a própria igreja.

Na igreja há diversidade de ministérios. Há aqueles que preparam o terreno, os que regam o que foi semeado, e aqueles que colhem o fruto na hora da colheita. Quais são as lições que Paulo está ensinando? Em primeiro lugar, Paulo esvazia a controvérsia sobre o culto à personalidade. Quando Paulo pergunta: “Quem é Apoio? E quem é Paulo?” Ele mesmo responde: “Servos por meio de quem crestes” (3.5). Assim, Paulo denuncia a infantilidade e a carnalidade da igreja (3.4), pois seus membros estavam andando segundo os homens. Paulo elabora argumentos para esvaziar a controvérsia sobre o culto à personalidade no versículo 5. O que ele está dizendo é que a ênfase deve recair sobre Deus e não sobre o obreiro. Devemos tirar os nossos olhos dos instrumentos e colocá-los em Jesus. Quem é Paulo? Quem é Apoio? No texto original a pergunta não é quem, mas o quê? No texto grego o termo está no neutro. Paulo não pergunta quem é Paulo ou quem é Apoio; ele pergunta: O que é Paulo e o que é Apoio? Quando Paulo faz essa pergunta, usando o neutro, ele desvia a atenção dos crentes da pessoa dos pregadores e concentra a atenção deles em suas funções. O culto à personalidade é um grave desvio da igreja neste século. Atualmente as pessoas estão dando muito mais ênfase ao mensageiro do que à mensagem; estão focando mais o portador do evangelho do que o evangelho em si mesmo. Paulo estava dizendo à igreja de Corinto: Não pensem que eu sou um dono de igreja. Não me coloquem num pedestal. Eu sou apenas um servo, Apoio também é apenas um servo. A palavra “servo”, usada aqui, é diáconos aquele que serve. E errado concentrar a atenção no servo do Senhor, devemos olhar para o Senhor dos servos. Paulo está dizendo com isso que na Igreja de Deus não há donos, chefes nem caudilhos. Não há ninguém que possa ser colocado no pedestal. A Igreja só tem um dono e um Senhor e esse Senhor é Jesus Cristo. Paulo não está querendo menosprezar o obreiro, mas exaltar a Jesus. Ele destaca a importância do servo, quando pergunta: “O que é Paulo? O que é Apoio? Servos por meio de quem crestes”.

Paulo e Apoio foram usados por Deus para levar o evangelho aos coríntios. Por meio deles é que o evangelho chegou até a igreja de Corinto. Portanto, o que está em destaque é o evangelho e não os instrumentos que Deus usou para anunciar o evangelho. Ambas as funções são importantes, tanto a de Paulo (plantar) quanto a de Apoio (regar), mas são inúteis, se Deus não der o crescimento. Cometemos um grave pecado contra Deus, quando damos mais importância aos mensageiros do que à mensagem, quando destacamos mais aqueles que pregam o evangelho do que o próprio conteúdo do evangelho. Em segundo lugar, Paulo ensina a diversidade de ministérios na igreja. Diz o apóstolo Paulo: “Eu plantei, Apoio regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (3.6,7). Deus chama uns para preparar o terreno, outros para semear, outros para regar e ainda outros para colher. Há vários ministérios na igreja e nenhum é mais importante do que o outro. A ênfase não recai nos obreiros, mas em Deus que dá o crescimento. A igreja é como um corpo que tem diversos membros, com diversos ministérios e diversos dons.

A vida e o crescimento da igreja são um milagre que só Deus pode realizar. O crescimento numérico pode até ser fabricado, mas o crescimento espiritual só Deus o produz. Leon Morris destaca o fato de que o verbo usado por Paulo para “dar crescimento” está no tempo contínuo, ao passo que os verbos “plantar” e “regar” estão no aoristo. Paulo e Apoio fizeram a obra que lhes competia, a qual é vista como consumada. Mas a atividade de Deus, de dar o crescimento, era contínua. Em terceiro lugar, Paulo ensina a interdependência dos ministérios na igreja (3.8). Paulo, Apoio e Pedro não estavam competindo na igreja entre si; ao contrário, cada um estava fazendo o seu trabalho sob o senhorio de Cristo. Há diversidade de ministérios, mas unidade de propósitos. O plantar e o regar são tarefas vitais e cada uma depende da outra. Não estamos competindo na obra, estamos trabalhando todos para o Senhor da obra. Não somos rivais, somos parceiros, cooperadores de Deus. Nós não estamos brigando para ter um espaço ao sol na igreja. Nós somos um. Nós estamos no mesmo barco, no mesmo time, na mesma obra e com o mesmo objetivo. Em quarto lugar, Paulo ensina que não há espaço para vaidades pessoais no ministério da igreja. A grande ênfase de Paulo é sobre Deus e não sobre o homem. Quando a igreja começa a colocar o seu foco e holofotes no homem, demonstra imaturidade espiritual. Paulo diz: “Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho” (3.8). Quando a igreja coloca os holofotes sobre o obreiro, ela subtrai a glória que é de Deus. Aqueles que promovem o culto à personalidade ou buscam glórias para si mesmos e se colocam num pedestal estão usurpando a glória que só a Deus pertence.

Paulo diz que só Deus pode dar o crescimento: “Eu plantei, Apoio regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento” (3.6,7). O trabalho humano sem a ação de Deus não produz resultados. Ninguém fabrica conversão. Conversão não é um efeito psicológico de massa. Não é produto de algum impacto teatral, em que você cria um efeito psicológico sobre o auditório. Conversão é obra soberana e milagrosa do Espírito Santo de Deus. Só Deus pode realizar o crescimento espiritual da igreja. Também apenas Deus pode recompensar os obreiros (3.8). A recompensa dá-se pela fidelidade do obreiro. O critério para a recompensa não é o resultado, mas o trabalho fiel: “Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho”. E bom sermos encorajados. E necessário sermos encorajadores. Paulo recomenda a igreja a estimular e a fortalecer uns aos outros. Cometeríamos um grave pecado, porém, se dependêssemos de recompensas, reconhecimentos e aplausos humanos para fazermos a obra de Deus. A recompensa vem de Deus. É por isso que a Bíblia diz que a recompensa é por causa da fidelidade no trabalho: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre muito te colocarei” (Mt 25.21). LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios Como Resolver Conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 57-61.    

 

Quem, pois, é Paulo? Ele agora começa a tratar da estima em que os ministros devem ser considerados e o propósito para o qual foram separados pelo Senhor. Ele, porém, nomeia a si e a Apoio antes dos outros para que evitassem a aparência de inveja.”? “Que outro trabalho é o dos ministros”, pergunta ele, “senão o de conduzir-vos à fé por meio de sua pregação?” De tal fato Paulo infere que não deve haver ostentação em homem algum, porquanto a fé não permite que alguém se glorie senão exclusivamente em Cristo. Segue-se que aqueles que exaltam excessivamente os homens, os privam de sua genuína dignidade. Pois a mais importante de todas as coisas é que eles sejam ministros da fé, em outros termos, que conquistam seguidores, sim, mas não para si próprios, mas para Cristo. Não obstante, embora pareça que ele, portando-se assim, está subtraindo a autoridade dos ministros, na verdade não lhes está conferindo menos do devido. Pois ele lhes confere uma grande honra ao dizer que obtemos nossa fé por intermédio do ministério deles. Não só isso, a eficácia da doutrina extema [externce doctrince] recebe aqui a extraordinária aprovação quando é expressa como o instrumento do Espírito Santo; e os pastores são honrados não com um título de distinção comum quando lemos que Deus os usa como ministros para ministrar os incomparáveis tesouros da fé.

E conforme o Senhor deu a cada um. No grego de Paulo, a partícula de comparação, úç, como, é colocada depois de íKacm*), a cada um mas a ordem foi invertida. Portanto, para que o significado fique mais claro, prefiro traduzir “como a cada um” [sicut unicuique], em vez de “a cada um como” [unicuique sicut], Além disso, em algumas cópias, a partícula kou, e, se perdeu, de modo a ficar a frase assim: “ministros através de quem crestes, como o Senhor deu a cada um.” Se ficarmos com esta redação, a segunda frase será acrescida para explicar a primeira, de modo que Paulo pôde realçar o que quis significar com o termo ‘ministro’. É como se dissesse: “Ministros são aqueles cujo trabalho Deus utiliza; não aqueles que estão confiantes em seus próprios esforços, mas aqueles que são guiados por sua mão, como instrumentos.” Todavia, a redação que tenho adotado está, em minha opinião, mais próxima da verdade. Se a seguirmos, a oração será mais rica, porque consistirá de duas sentenças, como seguem: Em primeiro lugar, ministros são aqueles que põem seus serviços à disposição de Cristo, de modo a poderem crer nele. Além do mais, eles não possuem nada propriamente seu, em que possam se orgulhar, visto que nada realizam movidos por sua própria iniciativa, mas unicamente pelo dom de Deus, e cada um segundo sua própria medida — o que revela que tudo o que uma pessoa possui é derivado de outra fonte. Finalmente, ele os mantém todos juntos como por um vínculo comum, visto que tinham necessidade de assistência mútua.

Eu plantei, Apoio regou. Ele desnuda ainda mais claramente a natureza desse ministério através de uma similitude, na qual a natureza da palavra e o uso da pregação são mui apropriadamente ilustrados. A fim de que a terra produza fruto, são necessários todos os processo da agricultura, como a aradura, a semeadura etc. Mas quando tudo isso tiver se processado, o trabalho do agricultor seria vão se o Senhor não der “o crescimento” vindo do céu mediante a influência do sol e, ainda mais, por seu próprio, maravilhoso e secreto poder. Portanto, mesmo que o cuidado do agricultor não fosse eficiente, e a semente que ele semeia não fosse produtiva, contudo é tão-só pela bênção de Deus que ela se torna produtiva.

Porque, o que é mais espantoso do que a semente apodrecendo para então germinar? Semelhantemente, a Palavra do Senhor é semente frutífera por sua própria natureza. Os ministros são, por assim dizer, agricultores que preparam a terra e semeiam. Então outros auxílios se agregam, como, por exemplo, a irrigação. Os ministros são igualmente responsáveis por esses deveres quando, havendo semeado a semente no solo, prestam tanto auxílio quanto possível à própria terra, até que ela dê à luz o que concebeu. Todavia, a influência real para a fertilidade de seu trabalho emana, naturalmente, do milagre da graça divina – não um produto do esforço humano. Observe-se, entretanto, nesta passagem, quão necessária é a pregação da Palavra, e quão indispensável é que a mesma seja feita continuamente. Certamente que não seria mais difícil para Deus abençoar a terra sem qualquer diligência por parte dos homens, de modo a produzir fruto por sua própria vontade do que extrair ou, melhor, forçar sua produção através de uma grande medida de aplicação por parte dos homens, com muito suor e frustração. Visto, porém, que o Senhor assim determinou [1 Co 9.14] que o homem labutasse e a terra por sua vez correspondesse a seu cultivo, então procuremos agir concordemente. De igual modo, não existe nada que impeça a Deus de poder ele implantar fé nas pessoas dormentes, caso ele o queira, sem qualquer auxílio humano. Ele, porém, o determinou de outra maneira, a saber, que a fé nasce do ouvir. Portanto, a pessoa que se sente segura de que pode receber fé, desconsiderando esses meios, age precisamente como se os agricultores, desistindo do arado, negligenciando a semeadura e abandonando todo o cultivo, abrissem sua boca e esperassem a comida cair do céu nela. Descobrimos agora o que Paulo tem em mente com referência à incessante” pregação da Palavra. Certamente que a semeadura não bastará se a semente não for assessorada pelo frequente uso de outros agentes corroborantes. Portanto, aquele que já recebeu a semente ainda precisa regar, e não deve desistir até que tenha atingido a plenitude do desenvolvimento; em outros termos, até o fim de sua vida [terrena]. De Apoio, pois, que sucedeu Paulo no ministério da Palavra em Corinto, diz-se ter regado o que Paulo semeara. Nem o que planta é alguma coisa. É evidente, à luz do que ficou expresso, que a obra deles [os ministros] não é de modo algum insignificante.

Por isso é preciso que entendamos a razão por que a deprecia como fez. Aliás, antes de tudo é preciso observar que ele costumava discorrer de duas maneiras sobre os ministros.)l!,; como também sobre os sacramentos. Porque às vezes ele fala de um ministro como alguém ordenado pelo Senhor, no primeiro caso regenerando as almas, e no segundo para alimentá-las visando à vida eterna, à remissão de pecados, à renovação das mentes humanas, ao estabelecimento do reino de Cristo e à destruição de Satanás. Consequentemente, Paulo designa o ministro não só com o dever de plantar e regar, mas também o mune com o poder do Espírito Santo para que seu labor não venha a ser improdutivo. Assim, em outra passagem [2Co 3.6], ele o chama ministro do Espírito, e não da letra, já que ele imprime a Palavra do Senhor nos corações dos homens. Em contrapartida, ele às vezes fala do ministro como sendo um servo, não um mestre; como um instrumento, não uma autoridade; e. em suma, como homem, e não Deus. Visto por esse prisma, ele nada lhe deixa senão seu trabalho; aliás, morto e impotente, a menos que o Senhor lhe confira poder eficaz pela operação de seu Espírito. A razão consiste em nisto: quando é simplesmente uma questão de ministério, não devemos atentar demasiadamente para o ser humano, mas para Deus que está operando no homem pela graça do Espírito.

Não significa que a graça do Espírito está sempre atada à palavra do homem, mas que Cristo estende seu próprio poder ao ministério que ele instituiu, de tal forma que fica evidenciado que o mesmo não foi instituído em vão. Por este prisma. Cristo não subtrai nem reduz nada que lhe pertença com o fim de transferi-lo ao homem. Porquanto ele não está separado do ministro, e, sim, que, ao contrário, declara-se que seu poder é eficaz no ministro. Visto, porém, que, através da depravação de nosso juízo, às vezes tiramos vantagem deste fato para valorizar demais o homem, precisamos fazer uma distinção a fim de corrigir esta falha: o Senhor deve ser colocado de um lado e o ministro, do outro. É assim que se torna evidente que a necessidade do homem está nele mesmo, e quão plenamente carente é ele de poder. Portanto, aprendamos desta passagem que os ministros sãos postos lado a lado com o Senhor à guisa de comparação. A razão para tal comparação é que os homens, atribuindo pouco valor à graça de Deus, são excessivamente liberais em enaltecer os ministros; e assim furtam a Deus daquilo que por direito lhe pertence e o transferem para si próprios. Entretanto, Paulo sempre mantém o mais pleno senso de proporção, pois quando afirma que “Deus é quem dá o crescimento”, ele quer dizer que os esforços dos próprios homens não ficam sem sucesso. Veremos em outra passagem que o mesmo raciocínio se aplica também aos sacramentos.

Portanto, ainda que nosso Pai celestial não rejeite nosso labor no cultivo de seu campo, não permitindo que o mesmo seja improdutivo, não obstante ele deseja que seu êxito dependa exclusivamente de sua bênção, de modo que todo louvor permaneça sendo seu. Portanto, se queremos granjear algum benefício de nosso labor, de nosso esforço, de nossa diligência, então devemos conscientizar-nos de que não lograremos progresso a menos que o Senhor faça prosperar nossa obra, nossos esforços e nossa perseverança, a fim de que encomendemos a sua graça nós mesmos e tudo quanto fazemos. Ora, aquele que planta e aquele que rega são um. Ao considerar outro fator, Paulo demonstra que os coríntios estão erroneamente tirando vantagem dos nomes de seus mestres, no interesse de seus partidos e facções. Estão equivocados porque tais mestres unificam seus esforços em prol de uma e a mesma coisa, e de modo algum podem estar separados ou divididos sem ao mesmo tempo abandonarem os deveres de seu ofício. “Eles são um”, diz Paulo.

Em outros termos, se acham tão conectados, que sua união não permite separação, porque todos devem ter um objetivo em vista, e todos servem ao único Senhor e estão engajados na mesma obra. Daí, se porventura se dedicam seu labor ao fiel cultivo do campo do Senhor, então manterão a unidade; e, através de mútua comunicação, ajudarão uns aos outros – eis uma questão bem diferente de seus nomes servirem de motivo ou tema de acirradas controvérsias. Aqui temos uma excelente passagem para estimular os ministros à unidade. Entrementes, contudo, indiretamente, ele reprova os mestres ambiciosos que viviam a provocar divisões, e assim tornavam evidente que não eram servos de Cristo, mas escravos da vanglória, ou, seja, não se davam ao trabalho de plantar ou regar, ao contrário, se ocupavam em arrancar e queimar. Cada um receberá seu próprio galardão. Aqui Paulo ensina que o alvo de todos os ministros deve ser, antes de tudo, não ficar de espreita com o intuito de arrancar os aplausos da multidão, e, sim, agradar o Senhor. Ele procede assim com vistas a convocar os mestres ambiciosos a comparecerem diante do trono do juízo divino, os quais haviam se intoxicado com as glorificações do mundo e em nada mais pensavam; e ao mesmo tempo admoestar os coríntios quanto à futilidade daquele vão aplauso arrancado pela elegância de expressão e vã ostentação.

Ao mesmo tempo, ele descerra nestas palavras a imperturbabilidade de sua própria consciência, porquanto se aventura a antecipar, destemidamente, o juízo de Deus. Pois a razão por que os ambiciosos tentavam encomendar-se aos olhos do mundo consiste em que nunca tinham aprendido a devotar-se a Deus, e nunca tinham posto diante de seus olhos o reino celestial de Cristo. Por conseguinte, assim que Deus se deixa ver, esse tresloucado desejo de conquistar a aprovação humana se desvanece. Porque somos cooperadores de Deus. Aqui temos o melhor argumento. Estamos engajados nas lides do Senhor, e é a ele que consagramos nossos labores. Portanto, visto ser fiel e justo, ele não nos decepcionará no tocante a nossa remuneração. Por essa razão, a pessoa que olha para o ser humano e espera dele sua remuneração está cometendo um grave erro. Aqui temos um admirável enaltecimento do ministério, ou, seja, que quando Deus realiza a obra inteiramente movido por si mesmo, ele nos chama, insignificantes mortais122 que somos, para sermos seus coadjuvantes e nos usa como instrumentos. Certamente que a perversão que os papistas fazem deste texto com o fim de estabelecer o livre-arbítrio vai além de toda medida da estupidez, porquanto Paulo está aqui ensinando, não que os homens sejam capazes de efetuar algo por suas próprias faculdades naturais, mas que o Senhor age através deles por sua mera graça.

Quanto à explicação que alguns dão de que Paulo, sendo um operário de Deus, era um coopera dor junto a seus colegas, isto é, os demais mestres, em minha opinião este ponto de vista parece dissonante e forçado; aliás, nenhuma razão nos compele a dar guarida a uma distinção tão engenhosa. Pois o seguinte concorda com a intenção do apóstolo, a saber: quando é função própria de Deus construir seu templo ou cultivar sua vinha, ele convoca ministros para que sejam cooperadores com ele, pois dos quais somente ele trabalha; mas, ao mesmo tempo, de tal maneira que, por sua vez, eles trabalham com ele visando a um fim comum. No tocante à remuneração das obras, vejam-se minhas instituías, 3.1 S. Lavoura de Deus, edifício de Deus. Estas expressões podem ser explicadas de duas maneiras. Podem ser tomadas ativamente, neste sentido: “Vós fostes plantados no campo do Senhor mediante o esforço de outras pessoas, de maneira que o Pai celestial mesmo é o legítimo Agricultor e o Autor desta plantação. Além disso, fostes edificados por pessoas, de maneira que o Senhor mesmo é o legítimo Mestre de obra. Ou poderiam ser tomadas passivamente, assim: “Nós trabalhamos em cultivá-lo, em semear a Palavra de Deus em vós e em regar. Todavia, não fizemos tal coisa por nossa própria causa, ou para que o fruto venha a ser nosso; senão que devotamos nosso serviço ao Senhor. Em nosso anseio de ver-vos edificados, não fomos impelidos a levar em conta nossas vantagens pessoais, mas pela preocupação de ver em vós uma lavoura e um edifício de Deus. A segunda interpretação parece-me ser a melhor. Porque entendo Paulo como que desejando expressar aqui que os genuínos ministros não trabalham para si próprios, mas para o Senhor. Daqui se segue que os coríntios estavam equivocados ao se sujeitarem aos homens, quando de direito pertenciam exclusivamente a Deus. E em primeiro plano ele de fato os denomina de “lavoura de Deus”, mantendo a metáfora já iniciada; e daí, a fim de operar a transição e ampliar a discussão, ele emprega outra metáfora, a saber, a arquitetura. Calvino. João,. Série de Comentários Bíblicos João Calvino Vol. 10. 1 Coríntios. Editora Edições Parakletos. pag. 102-109.    

 

O plantio é importante; o ato de regar ou cultivar é igualmente importante; mas o que realmente tem importância é o crescimento e a colheita; e somente Deus é responsável por esse aspecto da lavoura espiritual. Não é errado alguém honrar ao semeador ou ao cultivador; mas é errôneo transformar qualquer deles em objeto de veneração, o que só pertence a, Jesus Cristo e a Deus Pai. Paulo e Apoio, como ê evidente, não podiam ser responsabilizados pelas divisões surgidas na igreja de Corinto. Paulo sempre se referiu a Apoio com o máximo respeito, jamais tendo-o atacado por motivo de qualquer erro da parte dele. Ambos esses líderes cristãos estavam perfeitamente satisfeitos em serem apenas instrumentos nas mãos de Deus, ainda que seus seguidores os tivessem transformado em heróis a cabeças das facções em que aquela igreja se dividira. Pode-se contrastar a atitude de Paulo e de Apoio com a atitude de certos «líderes modernos», os quais, na realidade, com frequência se mostram exageradamente soberbos, não fazendo qualquer objeção em serem transformados em objetos de veneração e exagerado respeito por parte dos homens, no seio mesmo da cristandade.

Com imensa frequência, certos líderes eclesiásticos, longe de repreenderem as facções surgidas por causa de «personalidades», de fato são os cabeças dessas facções! Tais líderes, pois, não menos do que os seus seguidores, são indivíduos carnais. Porquanto, longe de encorajarem esse espírito faccioso, deveriam repreendê-los, porque são supostos possuidores de um maior conhecimento espiritual e das verdades bíblicas. O presente versículo indica que o trabalho de evangelização em Corinto «começou» com Paulo, pois ele plantou, então esse trabalho teve «prosseguimento» sob a liderança de Apoio, pois ele regou. Isso também podemos aprender no décimo oitavo capítulo do livro de Atos, que narra a história. Isso não significa, entretanto, que Apoio não tenha conquistado novos convertidos, porquanto Paulo fala em termos relativos, e não absolutos. Paulo salienta aqui que o verdadeiro fruto espiritual jamais é produto meramente humano, ainda que instrumentos humanos possam estar envolvidos nessa obra gloriosa.

 

O Senhor Jesus ensinou essencialmente a mesma coisa, em sua parábola sobre o crescimento da semente plantada, em Marc. 4:26-29. Mas o plantio e o regar, feitos pelo homem, seriam aspectos igualmente inúteis, não fosse o crescimento que Deus dá à planta. Toda a forma de vida procede de Deus; o homem pode, tão-somente, criar certas condições e circunstâncias favoráveis, sob as quais a vida vegetal pode medrar. E até mesmo a capacidade de criar essas circunstâncias favoráveis vem da parte de Deus, dada a certos homens, segundo aprendemos no versículo anterior. Os dois primeiros verbos, plantar e regar, no original grego, estão no tempo aoristo, o que indica algum ato histórico bem definido. Mas o terceiro verbo, aqui traduzido por «o crescimento veio», está no imperfeito, o que, melhor traduzido, diria, «estava dando o crescimento», o que indica a operação contínua de Deus, produzindo vida, uma vez que as condições favoráveis foram criadas. Aquele que confere a vida é quem deve ser glorificado, porquanto somente Deus é verdadeiramente digno dessa glorificação. (Com isso comparar o trecho de Rom. 11:32,36). Um agricultor pode lançar a semente no terreno preparado por outrem, ou por ele mesmo. Mas nenhum agricultor pode criar a semente, e nem a potencialidade vital que a semente traz em si mesma. Também não pode fazer a semente manifestar essa potencialidade vital na forma de fruição. Tais mistérios pertencem à mente e às operações divinas. E isso se torna ainda mais verdadeiro no caso da vida eterna, que nos é dada em Cristo e através dele, porquanto essa vida eterna é de origem divina. A vida eterna consiste em uma modalidade de vida, e não meramente de existência sem fim, conforme essas referências e notas expositivas bem destacam. A participação na vida e na natureza divinas é o ponto culminante da existência, o alvo mesmo de toda a existência humana, conforme a última dessas referências, dadas acima, o demonstra. Paulo não falava de modo absoluto, como se a personalidade humana não tivesse qualquer valor. Essa possibilidade é enfaticamente contradita pelo estudo que Paulo apresenta em seguida acerca dos «galardões», da edificação da vida cristã em Cristo, e dos resultados que devem ser esperados. O oitavo capítulo da epístola aos Romanos nega tal tese. De fato, a totalidade do N.T. é uma demonstração da vastíssima valia da alma humana. Porém, no serviço do evangelho, no que concerne à dispensação da vida eterna a outros, um homem não representa qualquer coisa, não devendo ser glorificado em qualquer sentido, como se fora alguma coisa especial, porquanto somente Deus é a fonte originária e o despenseiro e alvo da vida, devendo ser ele glorificado como tal.

Com esse argumento, pois, o apóstolo dos gentios indica a perversidade envolvida na outorga de glória aos homens, os quais não passam de criaturas, e, no que diz respeito ao evangelho, cooperadores. Os ministros do evangelho, quando autênticos, isto é, quando são «espirituais», e não «carnais» não se fazem competidores entre si, como igualmente não encorajarão e nem se alegrarão com facções criadas por questões pessoais. Contudo, o carnal coração humano é muito mais inclinado a fazer de certos homens seus «heróis», aos quais pode ver e admirar, do que pende por louvar verdadeiramente a Deus, o qual, para ele, pode ser apenas um conceito vago e abstrato. Sim, o que era Paulo? e o que era Apoio? O próprio Paulo retruca: são apenas servos (ver o sexto versículo), são nada (ver o sétimo versículo). A semente pertence a Deus; o potencial da vida também; o campo onde é plantada a semente igualmente é de Deus; os ministros, que plantam e regam, são dele; a fruição da vida, por igual modo são dele. Por conseguinte, ele, e somente ele, pode ser objeto de adoração. Os demais são meros irmãos, e nenhum deles pode ser elevado acima dos outros. «Nesta passagem, os ministros do evangelho são postos em contraste com o Senhor; e a razão dessa comparação e que a humanidade, se por um lado admite com má vontade a graça de Deus, por outro lado se mostra riquíssima nos seus elogios aos ministros humanos.

Dessa maneira, pois, furtam de Deus aquilo que lhe pertence com todo o direito, visando transferir tal elogio para si mesmos». (Calvino in loc.). «…alguma cousa…» Essas palavras têm o sentido de «alguma coisa digna de ser mencionada?». O valor da personalidade humana consiste no fato de que, uma vez remida pelo sangue de Cristo, mediante as contínuas operações do Espírito Santo, ela pode entrar no processo de transformação íntima, até finalmente ser completamente restaurada’ em Cristo, vindo assim a participar de tudo quanto ele é e tem (ver Rom. 8:29). Mas o homem caído no pecado, por si mesmo, vale pouquíssimo, e dificilmente pode receber a glória que pertence exclusivamente a Deus. As palavras «…são um…» podem ser entendidas de várias maneiras, a saber: Poderiam significar «um em Cristo», mediante a comunhão mística, assim compartilhando de sua graça e valor. Também poderiam significar um quanto ao destino, que é a transformação segundo a imagem de Cristo. (Ver Rom. 8:29). Também poderia estar em vista o sentido de um quanto ao propósito nesta vida, isto é, compartilhando do, ministério de Cristo, por serem seus colaboradores. Por igual modo, sabendo que os obreiros estão todos em uma só «categoria», entenderíamos que não passa de uma perversidade carnal a elevação de um acima de outro, degradando ou diminuindo este último. Além disso, em comparação com Deus, os obreiros do evangelho estão todos em um mesmo nível, não passando de meros servos e nada representando, realmente. Não obstante, comparados entre si não são iguais; e o restante deste versículo salienta esse fato abundantemente, porquanto alguns deles trabalham mais intensamente e com mais sincera dedicação. Todavia, Deus é o juiz de todos, sendo o Senhor quem recompensará a cada qual, segundo o serviço prestado. Portanto, essas diferenças entre os homens não são motivo para nos gloriarmos nos homens, para elevar a um em detrimento de outro, criando facções na igreja cristã, o que serve tão-somente para destruir nossa unidade em Cristo.

 

Quanto ao fato que os obreiros ocupam um mesmo nível no serviço, sendo elementos mutuamente interdependentes, e não rivais entre si, diz Robertson (in loc.). «Mediante essa ousada metáfora, que Paulo expandiu, ficou demonstrado que tanto aquele que planta como aquele que rega trabalham juntos. Se ninguém plantasse, regar seria uma atividade inútil. Se ninguém regasse, a planta daria em nada… Deus conferirá a cada qual o que seu trabalho merece. Esse é o pagamento que o pregador certamente receberá. Poderá obter pouco demais ou muito demais neste mundo, por parte dos homens. Porém, a devida recompensa virá de Deus. Essa recompensa é infalível, e será adequada». ; Diz também Wordsworth (in loc.), a respeito da mesma igualdade entre os obreiros do evangelho: «Deus é um só. Ele é o único ‘agente’. Mas os homens são instrumentos em suas mãos; e são um devido ao fato que estão unidos em Cristo. Mas não são aquilo que alguns querem fazer deles com seus partidos, ‘pessoas’ separadas, ‘cabeças’ rivais e ‘líderes’ de seitas que se opõem entre si». «…galardão…» Essa palavra se deriva do termo grego cujo sentido ordinário é «salário». Figuradamente usada, essa palavra indica qualquer «recompensa», ou seja, um «galardão» pelo serviço prestado. (Ver II Clemente 3:3; I Cor. 9:7; Mat. 5:46 e ‘6:l).

 

Nesta epístola primeira aos Coríntios essa palavra, no original grego, é empregada por quatro vezes, a saber, em I Cor. 3:8,14 e em 9:17,18. A parábola dos trabalhadores da vinha (ver Mat. 20:1-15) deixa claro que até mesmo os galardões são conferidos por motivo da graça divina, segundo a vontade do Senhor, o que não envolve somente a salvação da alma, portanto. (Ver Efé. 2:8,9). Sendo assim as realidades espirituais, não há qualquer contradição entre as palavras do Senhor Jesus e as de Paulo; porquanto outras palavras de Cristo, como no caso da parábola das minas, deixam claro que os galardões serão fixados em proporção às habilidades outorgadas e fielmente cumpridas. Ambas essas ideias são verdadeiras, por conseguinte: Deus não está debaixo da obrigação de galardoar, mas ele mesmo se obrigou a isso. Pode galardoar conforme bem quiser, mas agradou-lhe fazê-lo de acordo com meios que os homens compreendem, isto é, segundo a proporção das habilidades conferidas e dos serviços prestados no espírito de fidelidade. (Comparar o décimo quarto versículo deste mesmo capítulo, e também ver as notas expositivas sobre II Cor. 5:10, quanto a comentários sobre os «galardões», além daquilo que é dito neste ponto) Qual será o ponto de vista materialista sobre os galardões? Algumas mentalidades não ascendem mais alto, permitindo-lhes pensar nos galardões em termos que não sejam de meras possessões físicas, que pensam receber do «outro lâdo» da existência. Esse conceito sempre aparece vinculado a pensamentos de vivendas luxuosas e grande abundância de bens materiais. Bem longe disso, os galardões consistem muito mais do que sucede a uma pessoa, envolvendo seu valor intrínseco, seu nível de transformação segundo a imagem de Cristo, do que daquilo que essa pessoa receberá. O alvo mesmo desta existência é de participarmos de tudo quanto Cristo é e possui; é de assumirmos sua imagem moral e metafísica, tornando-nos santos como ele é santo, sendo aquilo que ele é, participando de sua essência, isto é, da divindade, segundo essa divindade se encontra nele. (Ver II Ped. 1:4; Efé. 3:19).

 

Assim, pois, o que uma pessoa fizer, durante sua peregrinação terrena, isso é o que determinará o seu nível de participação em Cristo, com que ela entrará nos lugares celestiais. Não há razão alguma em pensarmos que, ao ali chegar, tal pessoa ficará estagnada em seu desenvolvimento, porquanto a eternidade se estenderá infinitamente à sua frente; e a perfeição absoluta é o alvo culminante, já que todos os crentes, eventualmente, haverão de compartilhar daquilo que Jesus Cristo é, porquanto disso consiste a sua promessa, e o propósito de Deus não será cumprido enquanto isso não se tornar uma realidade. Não obstante, a questão dos galardões, a retribuição positiva por aquilo que tivermos feito de bom ou de mau (ver II Cor. 5:10), é uma questão extremamente séria, tal como todos os demais aspectos da vida são sérios. Os galardões também são apresentados nas Escrituras sob a forma de «coroas». Alguns receberão a «coroa da justiça», o que subentenderá grande avanço na direção das perfeições morais de Cristo. Todos os crentes, de certa maneira, receberão a «coroa da vida» e a «coroa incorruptível», pois ambas indicam a participação na vida eterna, nos lugares celestiais, embora alguns em maior grau do que outros, visto terem avançado um pouco mais pela vereda da participação na vida divina, conforme ela se encontra na pessoa de Cristo. (Ver II Cor. 3:18). Além dessas, há ainda a «coroa da glória», a qual envolve uma grande glorificação em Cristo, em sentido geral.

Alguns crentes serão mais prontamente glorificados do que outros, recebendo também um maior grau de glória, ao darem entrada nos lugares celestiais. Posto que a glorificação faz parte da salvação, então os galardões também fazem parte da mesma, porquanto apontam para diversos aspectos da glorificação dos remidos. Segundo esse ponto de vista lato sobre a salvação, certos aspectos da mesma são adquiridos por nós, ainda neste mundo, embora tudo com base na graça de Deus; pois, se o Senhor não está obrigado a galardoar a ninguém, ele mesmo se impôs essa obrigação, não sendo forçado a isso por qualquer força externa. Em certo sentido, dentro da doutrina bíblica dos galardões, falamos acerca de níves diversos de glória; e essa é uma doutrina neotestamentária bem definida. Obter uma coroa dessas, portanto, redunda em glória para Cristo Jesus, pois os remidos são descritos a depositarem suas coroas aos seus pés, diante do seu trono. (Ver Apo. 4:10). E interessante que as coroas podem ser perdidas, mesmo depois de ganhas, enquanto estivermos neste mundo, conforme vemos em Apo. 3:11. O trecho de II João 8 subentende a mesma verdade com relação aos «galardões». A permanência em Cristo é uma medida necessária para preservamos aquilo que já conseguimos. (Ver II João 9). «…segundo o seu próprio trabalho…» Cada qual será galardoado em face do trabalho distintamente «seu», feito por ele mesmo, deixando entendido que o galardão obtido será conquista pessoal. Deus conhece o valor comparativo dos seus ministros; os homens desconhecem tal valor. Portanto, ninguém pode elevar um obreiro acima de outro, com isso causando o aparecimento de uma facção. E ainda que porventura o homem tivesse a sabedoria para fazer a estimativa correta, isso estaria inteiramente fora de lugar, porquanto se trata de uma prerrogativa que pertence exclusivamente a Deus. «No trabalho ministerial tanto há certa individualidade como há certa unidade. Entretanto, isso não é algo que deva ser observado pelos homens; mas será devidamente reconhecido pelo grande Senhor». (Shore, in loc.). Paulo deixa aqui entendido o que ele declara abertamente no quinto capítulo de sua segunda epístola aos Coríntios, isto é, que todo o labor dos crentes deve visar agradar ao Senhor, e não aos homens, e nem mesmo a si próprios, se, por esse intermédio, os outros homens vierem a elevá-los a oposições de glória, o que os crentes simplesmente não merecem. Pequena troca na posição das palavras daria a tradução literal do grego, neste caso, a saber: «…somos cooperadores de Deus…», o que indica a ideia de possessão, «somos… de Deus». Há versões, entretanto, que dizem: «somos cooperadores em favor de Deus», ficando destacada mais a ideia de origem. Isso é mais ou menos o que transparece na tradução portuguesa que serve de base textual deste comentário. Os Cooperadores De Deus

  1. Eles são «de Deus», o que denota o seguinte: a. Ele é a causa e a fonte da habilidade que têm de se identificarem dessa maneira com ele (ver Γ Cor. 15:10). Pela graça de Deus eu sou o que sou, e faço o que faço. b. A ideia de possessão também se faz presente: «pertencemos a Deus» (somos «de Deus»), c. Tudo quanto porventura estivermos fazendo, estará sendo feito em cooperação com o poder divino.
  2. Outros estudiosos veem a Deus como o objeto do labor efetuado: nosso objetivo seria servir a Deus. (Ver II Cor. 5:20). Aquilo que fazemos, fazemo-lo para cumprir a missão que nos foi dada por Deus, a fim de glorificá-lo, cumprindo os seus desígnios.
  3. Seja como for, a expressão dá a entender uma íntima associação com o Espírito Santo, na missão conferida a cada remido.
  4. O resultado prático disso é que nenhum indivíduo pode jactar-se em si mesmo, pois, se lhe foi dada uma missão espiritual qualquer, Deus é a origem e o alvo da mesma. Ele inspira em nós o bem e o efetua em nós; ele inspira os nossos esforços e lhes confere bom êxito. A ele seja toda a glória, portanto! Essa expressão é uma censura contra o espírito de partidarismo que havia em Corinto. Uma censura contra a adoração a ídolos humanos e contra o denominacionalismo.

Os estudiosos que pensam aqui, no original grego, temos o genitivo como possessivo, opinam que Deus aparece nesta passagem como o principal sócio na aventura da vida de cada crente, participando de suas realizações, derrotas, alegrias e tristezas. Essa é uma verdade, embora não possamos estar certos sobre como podemos compreender o genitivo que envolve o termo «Deus». A interpretação do presente versículo oferece várias possibilidades, cada uma das quais representa uma verdade, embora não tenhamos certeza sobre o que Paulo queria dar a entender neste ponto. (Com isso comparar os trechos de II Cor. 5:20 e 6:1). Assim sendo, alguns intérpretes sugerem a tradução «…cooperadores uns com os outros no serviço de Deus…» Mas essa sugestão não goza do apoio do original grego; pois se Paulo tivesse querido dizer isso, tinha meios claros para expressá-lo no grego. Contudo, essa sugestão apresenta uma verdade, embora talvez não seja aquela que o apóstolo queria dar a entender. Ora, se os homens podem estar tão intimamente associados com Deus, a ponto de poderem ser chamados de seus «cooperadores», então dificilmente é próprio que sejam estabelecidas distinções entre eles, com o aparecimento de «heróis» deste e daquele partido, o que só serve para derrubar por terra a harmonia que deve haver na igreja cristã e entre os seus ministros. Os ministros, pois, são um com Deus, nesse serviço do evangelho, e não rivais; e ninguém tem o direito de lançar uns contra os outros. «…lavoura de Deus…» Essa é a metáfora empregada nos versículos sexto a nono deste capítulo; embora agora ela figure com uma pequena variação. Está aqui em foco a «terra cultivada» pertencente a Deus. Bengel comenta sobre essa expressão, dizendo que a mesma abarca «o campo, o jardim e o vinhedo». Deus é quem toma a terra produtiva, enquanto que aos homens compete criar as condições próprias para a produção agrícola. Nos versículos sexto a oitavo deste capítulo, esse labor é pintado como algo efetuado neste mundo, e a produção consiste dos crentes trazidos aos pés de Cristo. Mas, neste nono versículo, a «terra cultivada» é a própria igreja cristã, por ser esse o resultado natural do fato de ter o campo (que representa o mundo) produzido fruto. A obra divina tem andamento na forma da irrigação e do cultivo, porquanto, nesse terreno cultivado, muito fruto pode ser produzido em todas as vidas individuais dos crentes. O objetivo dessa produção de fruto é que, mediante as operações do Espírito Santo, a natureza de Jesus Cristo vá sendo formada no íntimo de cada remido. (Ver Gál. 5:22,23; Rom. 8:39 e II Cor. 3:18). O fato de que todos os crentes pertencem desse modo a Deus, e que neles se cumprem o mesmo propósito e a mesma glória, é algo que tira toda a razão da existência de facções, em que alguns homens são exaltados às custas de outros. Seja como for, toda a glória pertence exclusivamente a Deus, porquanto todos os resultados positivos, na forma de vida eterna e de transformação segundo a imagem de Cristo, têm por origem a influência divina. «…edifício de Deus…» Com essa metáfora Paulo passa da metáfora da agricultura para a metáfora da arquitetura, na qual ele prossegue até o décimo sétimo versículo deste capítulo. Esse edifício é um templo, uma morada apropriada para o Espírito de Deus, que não pode ser contaminado por qualquer forma de pecado, incluindo a inveja, as contendas e as facções. Pode-se observar aqui a palavra enfática «…Deus…», por três vezes repetida, fazendo contraste com aquilo que pode ser dito acerca da glória humana:

  1. Somos colaboradores de Deus.
  2. Sois campo de Deus.
  3. Sois a casa de Deus, o seu templo.

Ora, isso deveria servir de grande fator unificador na igreja. Mas os indivíduos de mente carnal, inclinada para as contendas e facções, embora crentes, ignoram esses fatos. A repentina modificação na metáfora é característica do estilo paulino. (Ver outras instâncias disso, como segue: Em II Cor. 10:4-8, a metáfora sobre a vida militar cede lugar à metáfora sobre arquitetura. Nos três Vss. de I Cor. 9:7; Efé. 3:17 e Col. 2:6,7 vemos diferentes imagens serem apresentadas em rápida sucessão). Com base no vocábulo grego por detrás da palavra portuguesa «lavoura» é que surgiu o nome próprio «Jorge», o que talvez explique por qual razão esse apelativo era tão comum na igreja cristã primitiva. «Paulo se utiliza de duas vividas metáforas a fim de salientar seus argumentos e a fim de sublinhar uma grave advertência. Esses quadros como que adquirem vida. Ele compara uma comunidade cristã a um jardim, que um pregador ou evangelista plantou, e que outro rega, mas do qual a fonte de beleza e vitalidade é Deus. Pouca diferença existe entre o que planta e o que cuida do jardim; e cada qual será recompensado de conformidade com o seu trabalho; mas Deus, que lança mão deles é quem, em última análise, é o responsável tanto pelo jardim como por sua utilidade e beleza. ‘Eu plantei, Apoio regou; mas Deus é quem dá o crescimento’. Incidentalmente, se Paulo houvesse levado um pouco mais adiante a sua belíssima metáfora, poderia ter acrescentado pois certamente teria pensado nisso, e tal pensamento é frutífero que um jardim seria algo monótono se dispusesse apenas de um tipo de flores. Dentro dos propósitos de Deus, porém, há espaço suficiente para todo o tipo de personalidade dom e instituição, bem como para muitos jardineiros. Mas não nos olvidemos que tudo é um único jardim, plantado por Deus, e cujo Espírito sustenta a sua vida». (John Short, in loc.). A metáfora do jardim subentende o «crescimento orgânico» da igreja de Cristo. A metáfora do «edifício» enfatiza a adaptação mútua das partes componentes, e, talvez, a necessidade de todas essas porções para formação correta do edifício. Ambas essas metáforas enfatizam tanto os direitos que Deus tem sobre sua igreja em todas as coisas como o erro daqueles que fazem de meros homens «grandes autoridades». Talvez seja melhor compreendermos a palavra «…lavoura…», que aqui aparece, como o ato de lavrar, que prepara a terra a ser lavrada. E o vocábulo «…edifício…» talvez seja mais apropriadamente traduzido como «edificação», isto é, o processo pelo qual um edifício é levantado. Nos trechos de Jer. 18:9; 24:6 e Eze. 26:9,10 encontramos juntas as metáforas do plantio e da edificação. Nas epístolas I e II Coríntios e Efésios o ato dê edificar é uma metáfora comum. (Além desses livros citados, ver os trechos de Atos 9:31; 20:32; Jud. 20 e I Ped. 2:5, quanto a essa questão). CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 42-45.    

SÍNTESE DO TÓPICO I

O apóstolo Paulo foi um desbravador de Cristo sob uma gloriosa obrigação.

 

SUBSÍDIO PEDAGÓGICO

Leve em conta as seguintes estratégias para começar a aula na classe a partir dos seguintes fatores:

  • Inicie a aula com uma oração
  • Distribua sete tirinhas com a referência bíblica de acordo com a ordem da seção LEITURA DIÁRIA:
  • Peça para cada aluno ter a referência bíblica recebida. Entretanto, leve em conta a ordem conforme a seção LEITURA DIÁRIA:

Essa ação ajuda a quebrar o gelo na classe e introduzir o assunto.        

II – ANTIOQUIA, O PONTO DE PARTIDA PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA

 

   1. Uma igreja missionária.

A igreja em Antioquia era rica em líderes (At 13.1-3), pois nela havia “profetas e doutores, a saber: Barnabé, Simeão cognominado Niger, Lúcio de Cirene, e ainda Manaen, companheiro de infância do tetrarca Herodes, e Saulo” (v.1). Ali, foi o ponto de partida de Paulo para a extraordinária obra de plantar igrejas entre os gentios. Juntamente com Barnabé, sob jejum, oração e imposição de mãos (v.3), ele foi enviado ao vasto campo do mundo gentílico para pregar o Evangelho e plantar igrejas.    

Comentário

    A porta de missões foi aberta a partir do momento em que a polêmica foi esclarecida e a igreja em Antioquia entendeu que o evangelho não se reservava a uma etnia, mas alcançava a todos. Os fariseus existentes no seio da igreja, que ainda estavam presos às restrições judaicas, tiveram em Paulo, um ex-fariseu, o principal defensor da posição de que “a graça de Deus era para todos”. Derrubadas essas muralhas judaicas, a igreja em Antioquia tornou se uma igreja rica em líderes (At 13.1,2), onde havia dentro da comunidade cristã “[…] profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo”. Paulo ainda estava despontando entre os líderes; mas, naquele início de tudo, Barnabé tinha uma posição mais elevada que ele. Note que Barnabé é o primeiro na lista, e Saulo aparece em último nessa lista de Atos 13.1,2. Saulo era um iniciante no ministério, mas foi nessa reunião da igreja que Saulo e Barnabé foram consagrados e enviados a pregar o nome de Jesus, plantando igrejas, onde quer que chegassem. Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

A direção do Espírito na obra missionária (13.1-4) A igreja de Antioquia era aberta às pessoas. Os cinco líderes mencionados (Barnabé, Simeão por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém e Saulo) simbolizam a diversidade étnica e cultural de Antioquia. Barnabé era um judeu natural da ilha de Chipre. Simeão era africano, uma vez que a palavra Niger significa “de compleição escura”. Alguns sugerem que esse Simeão é o mesmo homem de Cirene que levou a cruz de Cristo (Lc 23.26). William Barclay observa que seria um fato maravilhoso que o homem cujo primeiro contato com Jesus foi levar-lhe a cruz — uma tarefa que lhe deve ter molestado amargamente — agora seja um dos principais responsáveis por levar diretamente a história da cruz a todo o mundo. Lúcio era de Cirene, ou seja, do norte da África. Manaém tinha conexões com a aristocracia e a corte, pois era irmão de leite de Herodes Antipas, o rei que mandou matar João Batista e escarneceu de Jesus em seu julgamento. Saulo era judeu, nascido em Tarso da Cilicia, e também cidadão romano. Vale destacar que entre os cinco veteranos em Antioquia, com admirável modéstia, Saulo estava contente com a posição mais inferior. A igreja de Antioquia era também aberta a Deus. A igreja estuda a Palavra de Deus (13.1), busca a face de Deus em oração (13.3) e obedece a Deus (13.3); tem profetas e mestres, ou seja, prega e ensina a Palavra (At 13.1), mas quem a dirige na obra missionária é o Espírito Santo (At 13.2). O Espírito Santo é livre e soberano na condução dos destinos da igreja. A orientação do Espírito é segundo a Palavra, e não à parte dela. O Espírito se manifesta a uma igreja centralizada na Palavra e a uma igreja que ora e jejua (At 13.2,3).

 

Concordo com Howard Marshall quando ele diz que o Espírito fala por intermédio de homens (4.25), e deve-se supor que um dos profetas da igreja de Antioquia recebeu a mensagem que os conclamou a separar dois dos seus líderes para a tarefa por Deus conferida. O Espírito Santo não age à parte da igreja, mas em sintonia com ela. E a igreja que jejua e ora. E a igreja que impõe as mãos e despede, mas é o Espírito quem envia os missionários. Assim, os missionários exercem seu ministério pelo Espírito Santo. Foi o próprio Espírito que enviou os missionários para o campo de trabalho (At 13.3,4). Simon Kistemaker tem razão, porém, em apontar que o culto de ordenação mostra claramente que os missionários e a igreja estão unidos na obra de missões. John Stott reforça essa verdade nos seguintes termos: Não seria certo dizer que o Espírito enviou, instruindo a igreja a fazê-lo, e que a igreja os enviou, por ter recebido instruções do Espírito? Esse equilíbrio é sadio e evita ambos os extremos.

O primeiro é a tendência para o individualismo, pelo qual uma pessoa alega direção pessoal e direta do Espírito, sem nenhuma referência à igreja. O segundo é a tendência para o institucionalismo, pelo qual todas as decisões são tomadas pela igreja sem nenhuma referência ao Espírito. Apesar de não podermos negar a validade da escolha pessoal, ela só é sadia e segura quando vinculada ao Espírito e à igreja. Não podemos fazer a obra de Deus sem a direção do Espírito Santo. Ele nos foi enviado para estar para sempre conosco. Ele nos guia a toda a verdade. Precisamos do Espírito Santo. Dependemos do Espírito Santo. A igreja não pode conseguir uma única conversão sem a obra do Espírito Santo. Os pregadores não terão virtude e poder para pregar sem a ação do Espírito Santo. Howard Marshall nos lembra acertadamente que a principal lição de Lucas é que a missão é inaugurada pelo próprio Deus. Lucas relata que eles desceram para Selêucia (13.4). Essa cidade estava localizada às margens do rio Orontes e próxima à costa do Mediterrâneo. Selêucia servia como porto marítimo para a cidade de Antioquia. O historiador continua, registrando que dali navegaram para Chipre (13.4). Kistemaker diz que, em dia limpo de nuvens em Selêucia, os apóstolos podiam enxergar a linha costeira e o complexo montanhoso de Chipre. A viagem de travessia das águas levava menos de um dia. Chipre era a terra natal de Barnabé (4.36), que portanto conhecia intimamente os habitantes, as sinagogas judaicas e a cultura. Chipre era uma grande ilha, de 223 km de comprimento e 96 km de largura. Sua importância econômica se devia às minas de cobre, e agora, ao fato de ser uma província senatorial. Lucas assinala também que, quando chegaram em Salamina, eles começaram a proclamar a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus (13.5). Salamina era uma cidade portuária da costa leste de Chipre, situada próxima ao norte da moderna cidade de Famagusta. Era um centro comercial onde mercadores da Cilicia, Síria, Fenícia e do Egito negociavam azeite de oliva, vinho e grãos. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 254-256.    

 

O cap. 13 marca uma etapa significativa nesta história. Até aqui, Jerusalém e a Judéiatêm sido o cenário das atividades dos crentes, sendo Pedro a personagem preeminente. Agora, todavia, muda-se a base de operações (pelo menos para os propósitos de Lucas que deixou de lado outras esferas de atividades) para a Antioquia da Síria, e Paulo torna-se o centro de atenção. A própria frase com que Lucas se refere à igreja de Antioquia — termo quase técnico no grego — parece indicar seu novo “status”. Os cristãos deixam de ser meramente um “grande número” de pessoas (11:21) para tornar-se agora “a igreja” naquela cidade (cp. 11:22 onde a mesma forma de expressão é empregada para a igreja de Jerusalém), estando prontos, como igreja, a levar o evangelho mais longe um pouco, objetivando “até os confins da terra” (1:8). Temos neste capítulo a primeira peça de obra missionária planejada, de nosso conhecimento, embora a decisão da igreja quanto a encetar esse trabalho não tenha partido dela mesma, mas havia sido uma reação ao clamor do Espírito, de quem partiu a iniciativa e em cujo poder a obra se realizaria. NEB coloca um título para esta seção:

“A Igreja Rompe Barreiras”, mas Lucas toma o cuidado de enfatizar que tais mudanças não constituíam expedientes humanos, mas o curso da história da salvação é que prosseguia. 13:1 / A igreja de Antioquia incluía alguns profetas e mestres. Não ficou claro se esta nota significa que havia dois grupos de ministros, ou se o título descritivo duplo aplicava-se a todos. Seja como for, todos pareciam usufruir certo “status”, de modo que poderiam bem ser chamados de “presbíteros da igreja na Antioquia”, cuja posição oficial era enfatizada por seus dons especiais — presbíteros como os de 1 Timóteo 5:17, que trabalhavam duramente “na pregação e no ensino”. A função deles talvez fosse análoga à dos Doze, nos primeiros dias da igreja. Podíamos chamá-los de “os cinco”. Seus nomes contêm muitas coisas interessantes, abrangendo vasta gama de contextos sociais e possivelmente raciais. Barnabé é mencionado em primeiro lugar, talvez como o de maior prestígio, ou fé (veja as disc. sobre 4:36 e 11:24). A seguir, há um Simeão. Seu nome é judaico, mas acrescentou-se-lhe outro nome latino, Níger, “o preto”. Visto vir associado a uma pessoa de Cirene, julga-se que ele próprio teria vindo do norte da África, e seria o Simão cireneu que ajudou a carregar a cruz de Jesus (Lucas 23:26).

Todavia, se Lucas intencionava tal identificação, é estranho que ele escreva o nome desse discípulo de modo tão diferente. Pode ser, então, que Níger tenha sido acrescentado exatamente para fazer distinção entre este Simeão e o outro, o cireneu, e mais ainda, para diferençá-lo de todos os outros Simeões da igreja (p.e., 10:5s.). O terceiro, Lúcio, tem nome latino. Isto pode significar que ele seria de origem gentílica, não porém necessariamente (veja a nota sobre 12:12). A menção do lugar de seu nascimento sugere que ele poderia ter sido um dos homens de Cirene (“alguns d e… Cirene”, 11:20), os primeiros a anunciar as boas novas aos gentios de Antioquia. Há poucas razões para pensarmos ser ele o autor de Atos. Novamente os nomes são escritos de modos diferentes, e se Lucas evitou divulgar sua própria identidade noutras passagens, exceto quando às vezes usa o pronome “nós”, é muito improvável que aqui ele se ocultasse dessa maneira. Tampouco há razões para identificá-lo com o Lúcio de Romanos 16:21. O quarto, Manaém, isto é, Menahem, é de interesse especial por causa de sua associação com a corte do rei Antipas. Evidências de inscrições gregas sugerem que ele havia recebido um título de honraria por ser companheiro e confidente do tetrarca.

Assim é que Manaém pode ter sido a fonte de informações de Lucas a respeito de Herodes Antipas (Lucas diz mais coisas a respeito de Herodes do que qualquer outro evangelista). O nome de Manaém é judaico. Significa “consolador” e encontra-se em Josefo (Antigüidade 15.373-379), como sendo o nome de um essênio que previu (ele também era profeta) que Herodes o Grande haveria de tomar-se rei. A associação desse nome aos governadores idumeus pode ser mera coincidência. Por outro lado, de vez que a profecia se cumpriu, Manaém pode ter-se tornado um dos nomes prediletos entre os herodianos. É possível que Manaém pertencesse às classes mais elevadas. O último nome é o de Paulo, ainda em sua forma judaica, Saulo, segundo o costume de Lucas até este ponto (veja a disc. sobre o v. 9). 13:2 / Fomos apresentados aos líderes da igreja de Antioquia. Agora vamos ver a igreja em pleno culto. A palavra traduzida por servindo é a que se empregou em geral na LXX para designar o culto dos sacerdotes e levitas no templo (gr. leitourgein; cp. nossa palavra “liturgia”). O sujeito eles refere-se de modo particular aos profetas e mestres, mas não se aplica a eles apenas, visto que a igreja toda estaria envolvida tanto no culto como na decisão que se tomou nessa ocasião (cp. 1:15; 6:2, 5; 14:22; 15:22). Visto estarem jejuando, podemos concluir que a igreja toda vivia num estado de grande expectativa. Não muito depois disto, o jejum com frequência precedia um “dia elevado” (cp. Didache 7.4), e eles talvez julgassem que esse “dia elevado” estava prestes achegar.

Essa expectativa ligava-se ao seu reconhecimento (e à realidade na vida deles) do senhorio de Jesus — servindo eles ao Senhor. Além disso, é possível que já estivessem orando a respeito de uma obra missionária, e estivessem inquirindo do Senhor quem seria o líder, aguardando a resposta de Deus às suas orações. Esta possibilidade baseia-se numa partícula grega quase impossível de ser traduzida, mas capaz de colocar certa ênfase na sentença. Seria como se o Espírito estivesse afirmando o que já haviam proposto — “sim, na verdade”, apartai-me a Barnabé e a Saulo (Paulo usa a mesma expressão, ‘separar’, a seu próprio respeito em Romanos 1:1 e Gálatas 1:15). Esta mensagem poderia ter vindo através de um dos profetas, mas a igreja estava convencida de que fora o Espírito quem chamara estes dois homens, e os convocara para uma obra do próprio Espírito: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. Este verbo está na voz média — “eu os tenho chamado para mim mesmo”. Ambos aceitaram o chamado e assim foi que Paulo veio a tornar-se, no dizer de Ramsay, “São Paulo, o Viajante”. 13:3 / A igreja reagiu tão depressa quanto seus líderes, e comissionou os para o trabalho. De novo o contexto é de oração e jejum; o chamado dos apóstolos recebeu expressão formal pela imposição de mãos, presumivelmente pelos líderes do povo.

Não foi tanto uma “ordenação”, mas um ato identificador mediante o qual a igreja, em certo sentido, partiu junto com os que seguiram em seu nome. Foi também um símbolo da oração da igreja implorando bênçãos sobre os missionários (veja a disc. sobre 6:6). Não se diz na verdade que seria uma viagem missionária, mas isso fica bem implícito. Tampouco se diz alguma coisa quanto ao sustento dos obreiros. Sabemos, todavia, que ambos, Barnabé e Paulo, aderiram depois ao princípio do sustento próprio (cp. 1 Coríntios 9:6; veja a disc. sobre 18:3), podendo ser essa a base sobre a qual eles iniciaram. David j. Williams. Comentário Bíblico Contemporâneo. Atos. Editora Vida. pag. 247-249.      

 

   2. A primeira viagem missionária

Paulo e Barnabé pregaram em Chipre (13.4). Neste lugar, o apóstolo desmascarou o feiticeiro Elimas, o encantador, e ganhou o procónsul para Cristo. Mais adiante pregou na sinagoga de Antioquia da Pisídia, onde os judeus lhe fizeram oposição (13.45), e, ao mesmo tempo, os gentios alegraram-se, creram e o Espírito Santo se fez presente ali. O mesmo aconteceu em Icônio, Listra, Derbe (14.1-28). Ora, no trabalho de evangelização e implantação de igrejas há muitos desafios. Uns recebem a Palavra, outros a rejeitam, outros ainda zombam. O trabalho de implantação da igreja não é fácil, mas o Espírito Santo opera, fala aos corações e dá o crescimento à obra de Deus.    

Comentário

    As primeiras igrejas da gentilidade Das visitas de Paulo resultaram conversões à fé em Cristo, quer entre “tementes a Deus” quer entre pagãos propriamente ditos. Paulo começou a compreender a importância da sua própria vocação. As experiências que foi acumulando nessa época de sua vida convenceram-no igualmente de que os convertidos do paganismo deviam ser admitidos à fraternidade cristã sem serem obrigados à circuncisão ou à observância de outras prescrições da Lei judaica. Descobrira Paulo, após a sua conversão, que o seu novo relacionamento com Jesus Cristo também estabelecera um novo relacionamento com as outras pessoas — inclusive aquelas que ele em outras circunstâncias teria desprezado. Verificava que agora, conquanto tivesse sido um judeu dos mais observantes, estava unido de um modo novo e mais profundo aos pagãos não-judeus, uma vez que eles também aceitaram as reivindicações que Jesus Cristo fizera sobre as suas vidas. Depois da sua experiência na estrada de Damasco, era com isto que Paulo passara a contar. Fora-lhe claramente indicado que ele devia desempenhar uma missão muito especial na difusão da mensagem cristã por todo o mundo. Quando Paulo e Barnabé voltaram para Antioquia da Síria, verificaram que a igreja local concordava com eles nesse ponto, e se congratulava com eles pelo êxito obtido na evangelização dos povos da Ásia Menor meridional. Drame., Jhon. Paulo. Editora EP. pag. 45-46.    

 

 

A Igreja de Jerusalém teve seus altos e baixos. Quando a perseguição aumentou, os nazarenos viram-se obrigados a esconder-se. Alguns até saíram da Palestina, e procuraram refúgio noutras terras. Grande número dirigiu-se a Damasco. Outros foram até Antioquia, a linda capital romana da Síria, a cerca de 480 quilômetros ao norte de Jerusalém. Em Antioquia, muitos judeus estrangeiros haviam se tornado seguidores de Jesus. Eles eram mais liberais, e o medo do sumo sacerdote não os constrangia. Alguns haviam nascido na Grécia, outros na costa africana de Cirene, e outros em Chipre. À medida que o Evangelho lhes era pregado, grande número veio a crer. E o Espírito de Deus atuava na pregação levando também muitos gentios de Antioquia a se converterem. E isso muito aborreceu aos cristãos hebreus, pois estavam certos de que Jesus Cristo pertencia somente a eles, e a única maneira de tornar-se nazareno seria tornarse, primeiro, um prosélito da sinagoga.

 

BARNABÉ EM ANTIOQUIA

O movimento de Antioquia cresceu tanto que um sinal de alarme foi enviado à igreja mãe. Em Jerusalém, após as deliberações, Barnabé, com sua mente aberta e esclarecida, foi enviado a fim de investigar a autenticidade das proclamadas conversões dos gentios. Barnabé ouvira os argumentos dos judeus de mente estreita e também dos judeus oriundos de Chipre. Vira igualmente as multidões de gentios que haviam abandonado seus ídolos, e agora professavam alegremente a Cristo. Barnabé não podia negar a realidade daquelas conversões. Essas pessoas também haviam sofrido por Cristo; algumas, apesar de desprezadas por sua própria gente, regozijavam-se por sua salvação. Barnabé, impressionado com o que via, levantou-se para falar. Não criticou os gentios, nem ordenou que se afastassem da Igreja até serem instruídos no Judaísmo. Pelo contrário: maravilhou-se porque a graça de Deus estendia-se além das fronteiras de Israel. Ele os exortou a que se agarrassem a Jesus, mesmo em face das perseguições, e jamais desistissem da fé. Suas palavras alegraram os ouvintes; houve perfeita unidade na Igreja. E o Senhor acrescentava diariamente os que iam sendo salvos.

 

O CHAMADO PARA ANTIOQUIA

Ao perceber a obra esplêndida que se poderia realizar em Antioquia, Barnabé só pôde pensar num único homem – alguém que encontrara em Jerusalém, que fora criado numa cidade gentia, e que possuía muitas das qualificações exigidas para uma grande liderança. E mais que isso: o Senhor lhe colocara no coração o ministério para os gentios. A imagem de Saulo de Tarso formou-se na mente de Barnabé. Tempos atrás, vira-o arder com a missão de pregar a Cristo aos estrangeiros. Se Saulo pudesse ir a Antioquia com seu fervoroso zelo e suas palavras poderosas! Sem mais delongas, Barnabé percorreu os 25 quilômetros até o porto de Selêucia. Encontrou aí um barco e, após um longo dia no mar, chegou ao rio Cnido, onde as velas foram amadas e os compridos remos o levaram corrente acima, até o porto de Tarso. Será que encontraria Saulo? Quando Barnabé finalmente o encontrou, ambos se abraçaram. Eles não se viam há oito anos. Barnabé Contou a história, e Saulo prestou atenção a cada palavra. Havia de fato uma grande obra a ser feita em Antioquia, e essa era a porta que Deus lhe estava abrindo! Saulo assentiu em partir imediatamente. Ao embarcarem, Saulo foi informado do debate em Jerusalém a respeito de Cornélio e da admissão dos gentios na Igreja. Soube que Pedro mudara de opinião sobre o assunto.

 

SAULO EM ANTIOQUIA

Com meio milhão de habitantes, Antioquia da Síria era a terceira maior metrópole do Império Romano. Os muros da cidade eram tão fortes, que as suas ruínas ainda podem ser visitadas. Eram largos e possuíam muitas torres. O monte Silpio levantava-se no centro da cidade, e achava-se coalhado de barracas, onde aquartelavam-se os soldados romanos que guardavam a região. Muitos reis haviam despendido grandes somas para tornar Antioquia ainda mais bela. Ali havia jardins, lagos e palácios magníficos. Herodes adornara uma de suas ruas com colunas de mármore, numa extensão de cerca de três quilômetros. Fora da cidade, encontrava-se um grande anfiteatro onde eram realizados jogos e corridas. O povo de Antioquia adorava as estrelas e vários ídolos, em cuja honra tinham construído majestosos templos. No lado oposto da cidade, o grande escultor Licos modelara uma enorme cabeça adornada com uma coroa. Esculpira-a num grande bloco de pedra que se projetava do solo. A figura tornou-se o símbolo de Antioquia, assim como a Estátua da Liberdade viria a ser o símbolo da América. Até hoje ela pode ser vista em muitas das moedas de Antioquia. Como em todo o império era intensa a busca pelo prazer e ociosidade.

Antioquia não fugia à regra. Da porta de Dafne, uma estrada estendia-se por oito quilômetros, até o bosque de Dafne e o templo de Apoio, pontilhada pelas casas e jardins dos mais abastados. O bosque, um dos lugares mais aprazíveis de toda a região, era palco de orgias tão desenfreadas que até os próprios romanos delas se escandalizavam. Visitantes chegavam a Antioquia, vindos de todas as partes do mundo: africanos, gregos, romanos, persas, egípcios e judeus. As pessoas enchiam as ruas e, num espírito de permanente feriado, consideravam o bosque de Dafne o lugar mais interessante e animado do mundo. Saulo foi levado à cidade. O Evangelho de Jesus Cristo penetrara em alguns corações e o poder do Espírito Santo operava nos judeus e gentios igualmente. Apesar de toda a sua grandeza, Antioquia continuava faminta e necessitada. Barnabé levou o amigo a reunião da igreja. Era uma assembleia quase tão forte quanto a de Jerusalém. Saulo conheceu vários líderes da igreja, entre os quais Manaem, um parente de Herodes Antipas. Ele era um homem de alta posição em Antioquia. Havia também Simeão, o Africano, Lúcio de Cirene e tantos estrangeiros de rincões desconhecidos que Saulo foi levado a regozijar-se em seu meio. Em Jerusalém e em todos os outros lugares, os seguidores de Jesus eram chamados de nazarenos, mas em Antioquia receberam outro nome. O povo chamou-os de “cristãos” para zombar deles. O nome outrora pronunciado em tom de desprezo nos é hoje motivo de orgulho. Como qualquer rabino em Israel, Saulo estabeleceu-se em seu ofício, pois os fabricantes de tendas sempre encontravam trabalho. Dessa forma, ganhava seu sustento, mas a principal razão de sua presença em Antioquia era ajudar a Igreja a fortalecer-se na fé. Saulo visitava diariamente a sinagoga e os bazares, e muitas vezes ficava à beira da estrada enquanto o povo ia lotando as pistas de corridas. Ele chamava a todos ao arrependimento, exortando-os a se voltarem para Deus. Dizia-lhes que Jesus de Nazaré – que há dez anos fora crucificado em Jerusalém e ressuscitara ao terceiro dia – era o Cristo das Escrituras: o Filho de Deus enviado ao mundo para salvar os homens do pecado. Saulo chamou-os do vazio da idolatria para a plenitude da vida cristã. Os amantes do prazer, mercadores, turistas, e mulheres da sociedade – ninguém podia ingorar a eloquência de Barnabé e a grande sabedoria de Saulo. Não Podiam deixar de admirar lhes a coragem e o zelo, mesmo em face da multidão escarnecedora. Pelo menos não havia sumo sacerdote ali para levantar a mão contra eles. O ministério do Evangelho estava desimpedido e a Igreja crescia rapidamente; cada cristão era uma incansável testemunha de Jesus. Durante um ano, Saulo trabalhou pelo Evangelho nessa importante cidade. Falava com empenho, e o Senhor tornava produtivos o seu ensino e pregação. Não demorou muito, e Antioquia já era um centro cristão mais forte que Jerusalém, pois a igreja, aqui, não sofria quaisquer distúrbios. Ball. Charles Ferguson. A vida e os Tempos do Apostolo Paulo. Editora CPAD. pag. 48-49.    

 

ANTIOQUIA E O AFLUXO DE CONVERSOS

Antioquia era uma importante cidade, no contexto da parte oriental do Império Romano. Havia sido uma cidade fundada por Antíoco – general de Alexandre o Grande – como capital do seu império, no final do século IV a.C. Estava a poucos quilômetros do Mediterrâneo, no final da rota da seda que ia até a China. Tendo sido capital do império selêucida, tornou-se, a partir de 64 a.C., capital da província romana da Síria. À época de Paulo, era a terceira maior cidade do Império Romano, atrás apenas de Roma e Alexandria, com talvez mais de duzentos mil habitantes. As escavações arqueológicas confirmam essa pujança, assim como a diversidade de grupos humanos que viviam na cidade. Segundo os Atos dos Apóstolos, foi em Antioquia que começaram a ocorrer conversões numerosas de não judeus:

Não anunciavam a Palavra a ninguém que não fosse judeu. Contudo, alguns deles, habitantes de Chipre e da cidade de Cirene, chegaram a Antioquia e começaram a pregar também aos gregos, anunciando-lhes a Boa-nova do Senhor Jesus (At 11,19-20). Não se sabe, portanto, de quem partiu a iniciativa. A Igreja de Jerusalém enviou Barnabé a Antioquia e, ao constatar a situação, buscou Paulo em Tarso. Passaram um ano juntos a pregar em Antioquia. Foi nesse momento que, pela primeira vez, foram chamados de cristãos. Como movimento judaico, eles eram chamados de nazarenos, pobres, seguidores do caminho. O nome “cristão” já denotava a presença de não judeus. No ano 43 d.C., na época do imperador romano Cláudio, em meio a uma fome, a comunidade de Antioquia decidiu ajudar os irmãos de Jerusalém, com a intercessão de Barnabé e Paulo. Os rumos do movimento dos seguidores de Jesus passavam por mudanças substanciais e Paulo, ainda que não tenha sido seu iniciador, será decisivo, na fase seguinte. Vasconcelos. Pedro L. Funari. Pedro Paulo A.,. Paulo de Tarso Um Apóstolo para as Nações. Editora Paulus. Editora Paulus.    

 

   3. A segunda viagem missionária.

Depois do Concílio de Jerusalém (At 15). Paulo visitou igrejas já plantadas, a partir das regiões do Oriente para o Ocidente, envolvendo a Ásia e a Europa. De fato, nessa segunda viagem houve uma mudança de rumo sob a direção do Espírito, quando ele teve a visão de um macedónio que dizia: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16.9). Paulo empreendeu uma viagem que incluía Derbe, Listra, Troas, Filipos e Tessalônica. Beréia, Atenas, Corinto, Éfeso. Outras cidades foram alcançadas pelo ímpeto evangelístico do apóstolo e inúmeras igrejas foram plantadas. Quando estamos na dependência do Espírito Santo, temos uma visão ampliada acerca do Reino de Deus.    

Comentário

    A segunda viagem missionária de Paulo iniciou-se no capítulo 16, depois da propalada reunião em Jerusalém no capítulo 15. Logo que Barnabé e Paulo deixaram Jerusalém, voltaram para Antioquia e esclareceram sobre as decisões de Jerusalém. Com eles estavam os dois enviados, Judas e Silas, que foram delegados pelos apóstolos para darem as respostas aos questionamentos da igreja. Os dois enviados, Judas e Silas, ficaram algum tempo em Antioquia, e, depois de cumprida a missão delegada pela igreja de Jerusalém, Judas voltou imediatamente a Jerusalém, mas Silas resolveu ficar mais um pouco. Barnabé e Paulo resolveram permanecer por mais um tempo, ensinando e pregando na cidade a Palavra do Senhor (At 15.35). Depois de consagrados para a missão, tiveram a iniciativa de voltar à mesma região da primeira viagem para ver como estavam as igrejas plantadas e confirmar a fé dos novos convertidos (At 15.36). Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

Nessa visão apareceu «…um varão macedônio…» e muitos têm indagado como é que Paulo percebeu que era um homem dessa região. Mas não é mister supormos que ele conhecesse alguém, pessoalmente, daquela região, com quem já estivesse familiarizado, para saber desse fato. Porquanto as experiências místicas com frequência são acompanhadas de um conhecimento das coisas que se poderia denominar de intuitivo. Nesses casos, uma pessoa pode simplesmente saber de coisas para as quais não encontra explicações racionais ou empíricas. Algumas vezes as visões precisam ser interpretadas, e essa interpretação pode ser fornecida por indivíduos que nada têm a ver com essas visões, mas que recebem discernimento quanto ao sentido dos símbolos que as visões geralmente encerram. Lucas, o homem que teria aparecido na visão de Paulo. W.M. Ramsay, em sua grande obra, St. Paul, the Traveller and the Roman Citizen, (Londres: Hodder and Stoughton, 1896, pág. 200 e s.), conjeturou que o varão que apareceu na visão conferida ao apóstolo Paulo foi Lucas.

 

Ele pensa que Lucas pode ter sido nativo da cidade de Filipos, e que Paulo se encontrou com ele em Trôade, quando então sugeriu ao apóstolo a sua missão notável na Europa. Porém, não há qualquer evidência comprobatória em favor dessa conjetura, e não há qualquer prova bíblica de que Lucas era natural da cidade de Filipos. Qual foi a natureza dessa visão? Não foi simplesmente uma forma de sonho, embora, algumas vezes, os sonhos possam ser muito significativos, como meios orientadores na vida, em termos gerais; e existem mesmo sonhos que nos podem orientar sobre questões específicas. (Quanto a notas expositivas sobre os «sonhos». Essa experiência de Paulo, entretanto, mui provavelmente tomou a forma de uma «aparição». Essa aparição poderia ter uma forma irreal, no sentido de que nenhuma pessoa verdadeira ou espírito chegou até à presença de Paulo, mas antes, o formato humano que apareceu foi simplesmente uma criação da providência divina. E possível que o que teve lugar, nessa oportunidade, seja o varão que foi visto, foi a forma real da alma, ou seja, a projeção da psique do varão da Macedônia.

 

Nesse caso, alguma pessoa real esteve envolvida nesse caso, a qual, mediante algum meio estranho e misterioso, teve permissão de aparecer a Paulo. Os modernos estudos no campo da parapsicologia têm demonstrado que a alma de uma pessoa qualquer pode vaguear algumas vezes independentemente do corpo, obtendo ou dando informação. Para certos indivíduos, isso é uma ocorrência comum, e, para outros, sucede com grande raridade. Uma das mais poderosas evidências em prol da sobrevivência da alma após a morte física é a teoria de que atualmente está sendo estudada a sério nos meios universitários, e que envolve o fenômeno da bilocalização, que sucede até aos nossos próprios dias. Perguntamos: se a inteligência de um homem pode projetar-se para fora do corpo, até mesmo nesta vida, por que essa inteligência não poderia sobreviver à morte física? Charles Tart, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, em Davis, nos Estados Unidos da América do Norte, nos últimos anos da década de 1960, fez experiências diversas com a questão das projeções psíquicas, das quais resultaram um relatório favorável à possibilidade da bilocalização da personalidade humana·. No caso dessa visão de Paulo, alguns intérpretes bíblicos pensam que um anjo, que teria assumido uma forma humana, apareceu ao apóstolo, transmitindo-lhe a mensagem orientada do que necessitava e isso é uma forte possibilidade. «O homem (da visão) empregou o plural a si mesmo. Era como que o grito da Europa por Cristo». (Robertson, in loc.).

Esse fato é outro meio para observarmos como a providência divina guiava os passos do grupo missionário. (Ver as notas expositivas que aparecem em relação ao décimo versículo deste capítulo, e que versam sobre esse tema). «…Macedônia…» Era um-território centralizado nas planícies adjacentes ao golfo de Tessalônica, que acompanhava os grandes vales dos rios que por ali passavam, até às montanhas dos Bálcãs. Nós remotos tempos históricos esse território era dominado por barões cavaleiros sob uma casa real helenizada, monarcas esses que exerceram a hegemonia sobre os negócios gregos desde o século IV a.C. Depois de Alexandre o Grande, dinastias macedônias governaram os territórios por toda a bacia oriental do mar Mediterrâneo, até que foram ultrapassadas pelos romanos. Em 167 a.C., a Macedonia foi dividida em uma série de quatro federações republicanas (ao que talvez faça referência o trecho de Atos 16:12). Posteriormente, porém, essas federações caíram sob o domínio romano. A província desse nome abarcava a porção norte da Grécia moderna, desde 0 mar Adriático até ao rio Hebro. Depois de 4 a.C., 0 procônsul romano passou a residir em Tessalônica, enquanto que a assembleia se reunia em Beréia. Essa província incluía seis colônias romanas, uma das quais era Filipos. Paulo obteve um extraordinário sucesso em sua pregação naquela região, e sempre parecia relembrar-se, com prazer, das visitas que ali fizera. «A Macedonia era um mui vasto país da Europa; e anteriormente consistia, conforme nos informa Plínio (ver História Natural , 1,4, cap. 10) em cento e cinquenta povoados ou nações, e era chamada Ematia; derivou o seu nome de Macedonia de Macedo, filho de Júpiter e de Tida, filha de Deucalião. De conformidade com Ptolomeu (Geografia, 1,3, cap. 13), era limitada ao norte pela Dalmácia, pela Mísua superior e pela Trácia; a ocidente pelo mar Jônico; ao sul pelo Epiro; e a oriente por parte da Trácia e pelos golfos do mar Egeu». (John Gill, in loc.).

 

Várias referências bíblicas mostram-nos que Paulo se relembrava dos crentes da Macedonia com profundo afeto (ver lTes. 1:3 e Fil. 4:1)e sempre ansiava por retornar ali (ver Atos 20:1 e II Cor. 1:16). Foi naquele território que Paulo obteve seus mais retumbantes sucessos, e, através de seu ministério, o cristianismo penetrou na Europa, para nunca mais ser expulso dali, em contraste com grande parte do trabalho cristão efetuado na Ásia Menor e em outras regiões. «… Passa…e ajuda-nos…» «…mediante a oração e a pregação, derrubando o reino de Satanás, destruindo a superstição e a idolatria, iluminando os olhos dos homens, e fazendo-os se voltarem das trevas para a luz, do poder de Satanás para Deus, e, finalmente, salvando-os da completa ruína e destruição». (John Gill, in loc.). «Sim! A literatura e a arte da Grécia, e o poder romano subjugador e que governava nobremente, tinham fracassado, não podendo atingir as mortais enfermidades de nossa natureza decaída; e todo o paganismo, na pessoa daquele varão macedônio, clamava pela vinda de sua única cura eficaz, que aqueles missionários da cruz possuíam, e somente aguardavam a oportunidade fornecida por essa chamada, para administrá-la». (Brown, in loc.). CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 330-331.

 

    Trôade era o principal porto para os viajantes, entre a Ásia e a Macedônia. Pode ser que a visão que Paulo teve de um homem macedônio que lhe rogava: Passa à Macedônia, e ajuda-nos tenha alguma relação com a importância daquela cidade. (Quanto a sonhos como meio de orientação divina, cp. 2:17; 10:9ss; 18:9; 23:11.) A presença de macedônios na cidade pode ter dado forma ao sonho, embora a mensagem sem dúvida viesse de Deus. Foi um clamor por ajuda de natureza espiritual. David j. Williams. Comentário Bíblico Contemporâneo. Atos. Editora Vida. pag. 307.    

SÍNTESE DO TÓPICO II

 

A igreja de Antioquia foi o ponto de partida para Paulo plantar inúmeras igrejas.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Atos 13 foi o início da primeira viagem missionária de Paulo. A igreja estava envolvida no envio de Paulo e Barnabé, mas o plano era de Deus. Por que Paulo e Barnabé foram a tais lugares? (1) Por que o Espírito Santo os dirigiu. (2) Eles seguiram pelas estradas do Império Romano, o que tornou a viagem mais fácil. (3) Visitaram populações e centros culturais importantes, a fim de alcançarem tantas pessoas quanto fosse possível. (4) Foram as cidades que possuíam sinagogas; falaram primeiro aos judeus, com esperança de que estes recebessem a Jesus como o Messias e ajudassem a divulgar as Boas Novas aos demais povos.   Paulo e Silas iniciaram uma segunda viagem missionária, com a finalidade de visitar cidades onde Paulo já havia pregado. Desta vez, fizeram um trajeto maior por terra, não por mar, viajaram ao longo da estrada romana (por um desfiladeiro em meio às montanhas Taurus), que ligava a Cilícia às cidades de Derbe, Listra e Icônio, a noroeste. O Espírito Santo lhes instruiu a não irem à Ásia; por esta razão, dirigiram-se a Bitinia, no norte. Novamente o Espírito Santo lhes disse não, então passaram pela parte ocidental, por Misa, a fim de chegarem à cidade portuária de Troade” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, pp.1508,29).    

CONHEÇA MAIS

*Plantando Igrejas     “Não onde Cristo houvera sido nomeado. O esforço ministerial de Paulo centralizava-se nas missões. Optou por concentrar seus esforços nas áreas onde o evangelho não tinha sido pregado suficientemente e assim facultou àqueles que não tinham ouvido a oportunidade de aceitarem a Cristo.” Para ler mais, consulte a “Bíblia de Estudo Pentecostal”, editada pela CPAD, p.1726.    

 

III – CARACTERÍSTICAS DE UM PLANTADOR DE IGREJAS

 

   1. Motivado pelo chamado.

Como vemos em Paulo, um plantador de igrejas deve estar consciente do chamado divino em sua vida. Deus nos chama e confirma esse chamado no Corpo de Cristo (At 9.17-22). Na vida de Paulo, tudo começou no caminho para Damasco (At 9.4,5). Esse começo tornou-se um elemento motivador no ministério do apóstolo (At 26.14,19). Sempre há um ponto de partida em que somos tomados pela consciência daquilo que Deus nos chamou para fazer. Essa consciência do chamado é o fator motivacional que nos faz enfrentar os desafios diante de nós. Deus ainda chama!  

Comentário

    Como Tudo Começou na Vida de Paulo Na presciência divina, Paulo já estava separado para ser um plantador de igrejas. O Senhor viu no mundo gentio “o potencial natural” para receber a semente do evangelho que se germinaria e frutificaria no mundo. O testemunho da conversão de Paulo e a confirmação da sua chamada para “ser o apóstolo dos gentios” (At 9.15) é uma prova desse propósito divino. Impactado pela gloriosa e dramática experiência do caminho de Damasco, foi a semente que germinou de forma rápida a ponto de esse homem querer dizer a todo o mundo quem era Jesus e como foi o seu encontro transformador com Ele. De repente, esse homem tornou-se um pregador ardoroso do evangelho. Sua fama de perseguidor dos discípulos de Cristo amedrontava muita gente que acreditava que o famoso Saulo de Tarso fingia ser cristão para depois prender e mandar matar (At 9.20). Entretanto, ele ousadamente passou a visitar as sinagogas e pregar a Cristo. Sua mensagem limitava-se a declarar que aquele a quem ele perseguia era, de fato, o Cristo de Deus. Inflamado pela Experiência, mas ainda Despreparado para a Missão (At 9.19-21)

 

Assim como Deus, ao criar a terra, capacitou-a com mecanismos de funcionamento para que ela produzisse plantas, árvores frutíferas e água para dar vida ao potencial natural que a terra tinha, do mesmo modo, no plano espiritual, numa linguagem figurada, a terra do coração dos seres humanos possui um potencial natural de multiplicação e reprodução das coisas vivas. Foi o que aconteceu com Paulo, que, sem demora, se converteu, e a consciência de sua missão era como uma flama do Espírito para convencer o mundo de que havia conhecido Jesus e de que havia descoberto que Ele era o verdadeiro Messias, o Salvador e Senhor de todos. Para ser um plantador de igrejas, o seu conhecimento dos ensinos de Cristo era limitado. Seu ímpeto para anunciar o evangelho era grande, e ele sabia que tinha uma missão a cumprir, mas que não estava suficientemente preparado para o desafio do plantio da semente. Ele, com poucos dias de conversão, ia às sinagogas, a partir de Damasco, mas foi logo odiado e perseguido por ter mudado de postura religiosa anunciando a Jesus como o Salvador e Senhor. As oposições foram fortes e ameaçadoras; então, ele entendeu pelo Espírito que precisava ser mais bem preparado e tomou a direção do Espírito Santo indo para a Arábia, onde se reclusou por três anos até obter novas revelações do próprio Senhor para poder voltar e dar prosseguimento ao plantio de igrejas como desejava. (Gl 1.16,17). Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

O apóstolo Paulo havia acabado de afirmar que recebera uma experiência mística válida, isto é, um contato real com a divindade, a saber, com o Senhor Jesus Cristo. Essa experiência apagou o seu antigo ódio figadal contra o nome de Jesus, tendo-lhe iluminado a alma, tendo-lhe aberto os olhos do entendimento, tendo-o livrado do poder de Satanás, que até então o dominara, e tendo transferido a sua alma para o reino onde Deus impera. Os seus pecados foram perdoados, ele entrara no processo da santificação, e a sua grande esperança se tornara a herança prometida por Deus, da qual ele começara a participar por meio da atuação do Espírito Santo. Ora, tudo isso Paulo havia anunciado e prometido a tantos quantos seguissem a Cristo Jesus, mediante a confiança nele, tal como o próprio Paulo também havia feito. Saulo de Tarso não deixará de corresponder ativamente a essa iluminação divina, porquanto ela foi avassaladora, tendo transformado todas as suas atitudes básicas, seus desejos e suas ambições. CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 518.    

 

 

Paulo confessa a Agripa que não foi desobediente à visão celestial, mas prontamente e com senso de urgência começou a anunciar o evangelho aos judeus em Damasco, ao povo de Jerusalém e em toda a região da Judeia, e também aos gentios. Paulo percorreu, com paixão na alma, com fogo no coração e com a verdade nos lábios, as regiões mais longínquas do Império, não regateando esforços, mas empunhando sempre com bravura o estandarte do evangelho. Atravessou províncias, rompeu fronteiras, marchou pelas estradas, cruzou desertos, navegou os mares, percorreu cidades e vilas, entrou em templos e sinagogas, falou nas praças, nas ilhas, na praia, nas escolas, nas prisões, nos régios salões das altas cortes, pregando a escravos e livres, vassalos e reis, grandes e pequenos, sábios e ignorantes, às multidões e aos solitários. LOPES. Hernandes Dias. Atos. A ação do Espírito Santo na vida da igreja. Editora Hagnos. pag. 476.    

 

   2. Experimentado no deserto da vida.

O apóstolo foi experimentado no deserto da Arábia (Gl 1.17,18). Para forjar o nosso caráter, muitas vezes Deus nos leva ao deserto da vida para falar ao nosso coração (Os 2.14). Ali, somos capacitados por Deus para topar contra os grandes desafios na missão de pregar o Evangelho e plantar igrejas. O Senhor trabalha em nosso temperamento, caráter e personalidade. As experiências que passamos ao longo da vida podem ser oportunidades de Deus para forjar o nosso caráter.    

Comentário

    No capítulo anterior, escrevemos um pouco sobre a experiência de Paulo no deserto da Arábia; mas, neste capítulo, sob uma visão mais contextual com o tema, voltamos a falar dessa experiência. Lucas, o narrador de Atos dos Apóstolos, não falou nada dos três anos de Paulo na Arábia. Não se sabe o porquê, mas poderia ser um modo de respeitar ao silêncio que Paulo precisava na escola do deserto. O próprio Paulo deu testemunho dessa sua reclusão no deserto da Arábia quando escreveu sua carta aos Gálatas (Gl 1.15-20). Foi no deserto que Paulo aprendeu como deveria proceder para ser o grande missionário para os gentios. Ele não foi para Jerusalém para aprender com os apóstolos que lá estavam, como Pedro, João e Tiago, nem procurou qualquer outro tipo de ajuda. Sabedor das restrições da igreja em Jerusalém e até mesmo dos apóstolos,

Paulo entendeu que o Espírito queria ensinar-lhe em particular. Imaginemos o homem dinâmico, ativista, obstinado e incansável submetendo-se à reclusão de um deserto para estar a sós com Jesus. Enquanto os apóstolos de Jesus haviam ficado com Ele por quase quatro anos aprendendo como deveriam implantar a sua igreja na terra, Paulo não teve essa oportunidade. Pelo desígnio divino, Paulo foi escolhido por Jesus para tornar-se um apóstolo que venceria as barreiras políticas, sociais e espirituais do mundo gentio, pois foi chamando para plantar igrejas ao redor do mundo. O deserto foi sua grande escola de aprendizagem para o ministério, e ele teria que, antes de treinar seu espírito naquele deserto, colocar à prova sua obstinação e orgulho pessoal e submetê-los ao Senhor Jesus. Desertos são estéreis, secos e solitários, e Deus levou-o a aprender a dominar os ímpetos de sua alma e ser modelado como “um vaso de barro” para a sua obra (At 9.15). O deserto tem a força de despir-nos de nosso orgulho e revestir-nos de humildade. Por outro lado, os desertos vestem-nos de humildade e simplicidade para fazermos a obra de Deus. A Experiência depois do Deserto O silêncio e o vazio do deserto propiciaram o desejo de conhecimento acerca da doutrina de Cristo, e, quando regressou da Arábia, Paulo foi para Damasco, onde tudo começou. Corajosamente é cheio do Espírito Santo, Paulo reiniciou suas visitas às sinagogas de Damasco, além de fortalecer a fé dos cristãos existentes na cidade, pregando sobre Jesus com conhecimento e poder (At 9.22-25).

 

Mas não durou muito tempo para que os inimigos gratuitos de Paulo começassem a persegui-lo em Damasco. Então, ele foi a Jerusalém e esforçou-se para desfazer a imagem negativa do antigo Saulo de Tarso no seio da comunidade dos cristãos, porque ainda havia restrições para com ele se, de fato, havia se convertido e se era realmente um discípulo ou não. Os mais experientes líderes em Jerusalém enviaram-no a Tarso, a sua cidade natal. O ímpeto evangelístico continuava a agitar seu coração, e ele não se calava, mas pregava sobre Jesus sem nenhum medo. Nesse tempo, Barnabé, que havia sido enviado pelos apóstolos a Antioquia, com o fim de fortalecer a fé de uma igreja florescente que havia lá, buscou a Paulo e trouxe-o de Tarso para ajudá-lo no pastoreio da igreja em Antioquia (At 11.19-25). Por um ano inteiro, os dois ensinaram aquela igreja na fé em Cristo. Os dois, Barnabé e Paulo, foram enviados para disseminar o evangelho e plantar igrejas em outras cidades e foram abençoados em sua primeira viagem missionária no mundo gentio. A conversão dos gentios chamou a atenção de judeus cristãos que ainda entendiam que a igreja era só para os judeus, levantando uma polêmica sobre o direito à salvação deles. Essa polêmica acabou levando Paulo e Barnabé a Jerusalém para ouvir a palavra dos apóstolos sobre a questão (At 15.1,2). Cabral. Elienai,. O Apostolo Paulo, Lições de Vida e Ministério do Apostolo do Gentios para a Igreja de Cristo. Editora CPAD. Ed. 1, 2021.    

 

 

Cursos de pós-graduação Escreveu F. B. Meyer: “Todos nós temos necessidade de ir à Arábia para aprender lições como essas. O próprio Senhor foi conduzido ao deserto. E de uma forma ou de outra, toda alma que realizou uma grande obra no mundo passou por períodos semelhantes de obscuridade, sofrimento, desapontamento ou solidão.” Embora o apóstolo tenha usufruído a vantagem de um excelente treinamento religioso e acadêmico, antes de atingir a máxima utilidade de realizar o propósito eterno de Deus para os gentios, ele teve de empreender um curso de pós-graduação. Seu espírito indômito tinha de ser temperado, mas sem nenhum arrefecimento do seu zelo. Para alcançar isto, era necessário um período de recolhimento e solidão, pois a solidão é um elemento importante no processo de maturação. A liderança espiritual não alcança seu melhor desenvolvimento sob o clarão da publicidade. Além disso, uma vez que Deus tem em mira a qualidade em seus instrumentos escolhidos, o tempo não lhe importa. Nós estamos sempre apressados, mas ele não. Diferentemente de muitos hoje, Paulo não correu de imediato para seu novo trabalho, mas com sabedoria buscou a solidão. Desejava estar a sós para meditar e relacionar o presente com o passado. “Não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia, e voltei outra vez para Damasco” (Gálatas 1:16, 17).

É estranho que Lucas não mencione a estada de Paulo na Arábia. A tendência doentia de hoje é empurrar os recém-convertidos para a proeminência antes que realmente hajam firmado os pés. Paulo evitou esta armadilha. É provável que se tenham passado doze anos de tranquilo treinamento e esforço evangelístico antes que ele se lançasse à sua flamejante carreira missionária. Não se sabe ao certo o exato local desses anos de reclusão. Alguns acham que ele foi para o Sinai; outros, e neste grupo encontra-se Sir William Ramsay, pensam que ele foi para a região adjacente ao leste de Damasco. A revolução que ocorreu em sua vida foi tão devastadora que ele precisava de tempo para ajustar seus pensamentos. Ali, através do Espírito, com infinito vagar, Deus ensinou e preparou o mensageiro escolhido que devia abrir o mundo para o evangelho. Ele tinha de rever todo o curso de verdade do Antigo Testamento à luz da nova revelação que ele recebera. As implicações de longo alcance, não sonhadas, dos sofrimentos e morte do Messias tinham de ser reconsideradas. Agora ele tinha de reformular sua teologia ao longo de linhas radicalmente distintas.

 

Durante esses dias e anos formativos, sob instrução do Espírito, estava ele inconscientemente armazenando fatos e argumentos que deviam mantê-lo em boa forma nos dias vindouros de controvérsia e oposição. Ali, também, ele abandonou o intolerável peso do legalismo farisaico e abraçou a doutrina da livre mas custosa graça. Após este período de reclusão na Arábia, Paulo voltou a Damasco (Gálatas 1:17), e três anos mais tarde foi a Jerusalém. Ele desejava, em primeiro lugar, pela comunhão com Pedro, aprender mais de primeira mão acerca do Senhor; e, em segundo lugar, esforçar-se por conquistar os rabinos para o novo movimento, no que foi amargamente desapontado. Sanders., J. Oswaldo. Paulo o Líder. Uma visão para a liderança cristã Hodierna. Editora: Vida. pag. 24-25.    

 

   3. A igreja segundo as Escrituras.

Toda a estratégia de um plantador de igreja deve levar em conta as Sagradas Escrituras. Nas Escrituras, vemos que igreja local é um lugar onde devemos ter um relacionamento pessoal com Deus; onde há amor pelo pecador; onde há batismo no Espírito Santo para o exercício do serviço; profusão dos dons espirituais, ministeriais e de serviço (1 Co 12.28-31); há de se ter autoridade do alto para expulsar demônios e curar enfermos; há de ter pregação fiel da Palavra de Deus com a autoridade do Espírito, e vida de oração, pois os ministros não podem deixar de perseverar na Palavra e na oração (At 6.4). Nessa igreja batizamos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, partilhamos da ceia do Senhor e aguardamos a sua volta para nos encontrar com Ele. Não podemos perder de vista que nós plantamos, mas é Deus que dá o crescimento e aprova a obra (1 Co 3.6).    

Comentário

    A necessidade de compreendermos que não somos completos em nós mesmos e que precisamos uns dos outros. Paulo escreve: “Ora, vós sois corpo de Cristo; e, individualmente, membros desse corpo. A uns estabeleceu Deus na igreja, primeiramente, apóstolos; em segundo lugar, profetas; em terceiro lugar, mestres; depois, operadores de milagres; depois, dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas” (12.27,28). Todos os membros da igreja têm dons, mas ninguém tem todos os dons espirituais. Paulo pergunta: “Porventura, são todos apóstolos? Ou, todos profetas? São todos mestres? Ou, operadores de milagres? Têm todos dons de curar? Falam todos em outras línguas? Interpretam-nas todos?” (12.29,30). Paulo faz uma saraivada de perguntas retóricas e para todas elas precisamos responder um não sonoro e rotundo. Paulo está dizendo que nós precisamos uns dos outros. Não existe nenhum crente, na igreja, completo em si mesmo. Não somos autossuficientes; dependemos uns dos outros. E assim que a Igreja de Cristo funciona! LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios Como Resolver Conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 237-238.    

 

No início do capítulo, ele falou de dons [facultatibus]: agora ele prossegue discutindo os ofícios, e devemos prestar especial atenção a esta ordem dos elementos. Visto que o Senhor só designou os ministros depois de dotá-los com os dons indispensáveis e capacitá-los para o cumprimento dos deveres a que foram destinados. É preciso deduzir deste fato que as pessoas completamente destituídas de qualificações, que se impõem na Igreja, não passam de fanáticos, dominados por um espírito maligno. Por exemplo, há muitos que se gabam de que foram movidos pelo Espírito a agir, e se orgulham de haver recebido uma vocação secreta de Deus, quando todo o tempo não vão além de obtusa e rematada ignorância. Mas de fato a ordem natural é que os dons vêm antes do ofício efetivo. Como, pois, ele já demonstrou supra, seja qual for o dom que um indivíduo receba de Deus, o mesmo deve ser subserviente ao bem comum, ele agora declara que os ofícios são distribuídos de tal maneira que todos possam juntos, por meio de esforços combinados, edificar a Igreja, e cada indivíduo segundo sua própria medida. Primeiramente, apóstolos.

Ele não inclui em sua lista todos os tipos de ofícios. E de fato isso não era necessário, pois tudo o que ele pretendia era citar exemplos. Em Efésios 4.11 há uma lista mais completa dos ofícios que são constantemente indispensáveis para o governo da Igreja. Apresentarei a razão para isso quando tratar desta passagem, se o Senhor não permitir; não obstante, nem mesmo ali se faz menção de todos eles. No tocante à passagem que se acha diante de nós, devemos observar que alguns dos ofícios, aos quais Paulo está se referindo, são permanentes, enquanto que outros são temporários. Os ofícios permanentes são aqueles que são indispensáveis ao governo da Igreja. Os temporários, em contrapartida, são aqueles que foram designados, no início, para a fundação da Igreja e o estabelecimento do Reino de Cristo, os quais cessaram de existir desde então. O ofício de mestre [officium doctoris] pertence à primeira classe; e o de apóstolo, à segunda. Pois o Senhor designou [creavit] os apóstolos para que difundissem o evangelho pelo mundo todo. Não lhes designa quaisquer limites territoriais, nem paróquias, mas queria que agissem como seus embaixadores, por onde quer que fossem, entre os povos de cada nação e língua. Neste aspecto, eram diferentes dos pastores que estão limitados, por assim dizer, a suas igrejas [locais]. Porquanto o pastor não tem um mandado para pregar o evangelho no mundo inteiro, mas simplesmente cuida da Igreja que lhe foi confiada.

 

Em Efésios 4.11, Paulo inclui evangelistas na lista, depois dos apóstolos, porém os omite aqui, pois o mesmo transita diretamente da ordem mais excelente [a primo gradu] para os profetas. Por este termo [profetas] (em minha opinião) ele tem em mente não os que eram dotados com o dom de profetizar [vaticinar, predizer], mas os que eram dotados com um dom peculiar, não meramente para interpretar a Escritura, mas também para aplicá-la sabiamente para o presente uso. Minha razão para pensar assim é que ele prefere profecia a todos os demais dons, porque ela é a fonte mais excelente de edificação, recomendação esta que dificilmente pode aplicar-se à predição de eventos futuros. Além disso, quando define a obra do profeta, ou ao menos trata daquilo que o profeta deve principalmente fazer, ele declara que se dedicava à consolação, ao encorajamento e à doutrinação. No entanto, essas atividades são completamente distintas de predição. Este versículo, pois, nos ensina que os profetas são (1) destacados intérpretes da Escritura; e (2) homens dotados com extraordinária sabedoria e aptidão para compreender qual é a necessidade imediata da Igreja e falar-lhe a palavra exata de que ela carece para seu sustento. Eis a razão por que eles são, por assim dizer, embaixadores para comunicar a vontade divina. Pode-se traçar certa diferença entre eles e mestres, ou, seja: que a tarefa dos mestres consiste em preservar e propagar as sãs doutrinas (sana dogmata) para que a pureza da religião permaneça na Igreja. Não obstante, este título é também usado de diferentes formas, e provavelmente se refira aqui mais ao pastor-, a não ser que o leitor prefira tomá-lo num sentido geral, aplicando-o a todos aqueles que são dotados com a habilidade de ensinar, como é o caso em Atos 13.1, onde Lucas também os agrupa com os profetas. Tenho uma razão pessoal para não participar da opinião dos que restringem a tarefa do profeta à interpretação das Escrituras, ou, seja: Paulo ordena que somente dois ou três deles deviam falar [1 Co 14.29], e isso sucessivamente, o que não se harmoniza com a ideia de que não faziam outra coisa senão interpretar as Escrituras. Em suma, meu ponto de vista é que os profetas referidos aqui são homens habilidosos e experientes em notabilizar a vontade de Deus, aplicando as profecias, ameaças, promessas e todo o ensino da Escritura às necessidades vigentes da Igreja. Se porventura alguém tiver outra opinião, estou disposto a reconhecer que há espaço para a mesma, e não provocarei nenhuma controvérsia por causa disto.

 

Pois é difícil mudar a mente de alguém sobre os dons e os ofícios, dos quais a Igreja foi privada por tanto tempo, a não ser aqueles leves traços ou sombras destes que ainda podem ser percebidos. No tocante a prodígios [milagres] e dom de curas, já fiz menção deles no capítulo 12 de Romanos. Apenas que se observe que Paulo não está falando dos dons propriamente ditos, mas, sim do exercício deles. Visto que aqui o apóstolo está detalhando os ofícios, não posso aceitar o ponto de vista de Crisóstomo de que a palavra (a saber, assistência ou socorros) significa dar assistência aos fracos. Então o que ele tem em vista? Indubitavelmente, tampouco era ele um ofício ou um dom na Igreja de outrora, e do qual não temos nenhum conhecimento agora; ou talvez tenha algo a ver com a obra do diaconato ou, seja, o cuidado dos pobres. Prefiro a segunda explicação. Paulo, porém, faz menção de dois gêneros de diáconos em Romanos 12.8. e fiz relevante explanação sobre eles em meu comentário sobre essa passagem. Considero governos como sendo anciãos [seniores], os quais eram responsáveis pela disciplina. Pois a Igreja primitiva tinha seu Senado [senatus]m ou “Concílio dos Anciãos” para manter o povo em retidão devida. Ele revela isso em l Timóteo 5.17, onde faz referência à dupla ordem [duplicem ordinem] de presbíteros. O governo era, pois, realizado por presbíteros que excediam aos demais em sobriedade, experiência e autoridade. Ele inclui a variedades de línguas tanto o conhecimento de línguas quanto o dom de interpretá-las.

 

Os coríntios, porém, tinham dois dons distintos, visto que às vezes uma pessoa que falava muitas línguas não conhecia, contudo, a língua da igreja local com a qual ela estava lidando; e os intérpretes eram preparados para suprir tal deficiência. São todos apóstolos? É natural ter ocorrido que alguém fosse dotado com muitos dons e exercesse os dois dos ofícios aos quais Paulo faz referência; e de fato não há nenhum erro nisso. O que ele quer mostrar, antes de tudo, é que ninguém está tão plenamente equipado com tudo, que se sinta tão completo em si mesmo, e que não sinta nenhuma dependência de outras pessoas. Em seguida, ele quer mostrar que os ofícios, assim como os dons, são distribuídos de tal maneira que nenhum membro sozinho constitui o corpo inteiro. Pois a intenção dele, nesta passagem, é desarraigar tudo quanto fomente o orgulho, o ciúme, a arrogância e o menosprezo pelos irmãos; a indisposição, o egoísmo e tudo o mais que pertença a esse gênero de coisas. Desejai ardentemente os dons mais excelentes. Esta frase pode ser também traduzida “de valor mais elevado”, o que se adequa plenamente bem ao contexto. Não obstante, isso não faz qualquer diferença no significado. Pois ele está incitando os coríntios a valorizarem ou a lutarem, acima de tudo, pelos dons que possuem mais eficácia para a edificação. Pois era predominante entre eles o erro de se preocupar com a ostentação mais do que com as coisas que trazem benefício. Eis a razão por que negligenciavam a profecia. Ao mesmo tempo, todo o local estrugia com línguas; e embora fizessem um grande estardalhaço sobre isso, o saldo real era mui pouco. O apóstolo não está se dirigindo a indivíduos, como se quisesse que cada pessoa devesse almejar ser profeta, ou mestre, mas que todo seu esforço é no sentido de que os coríntios estivessem preocupados com a edificação mútua, esperando que assim se devotassem com todo ardor às coisas que se revelam mais eficientes para a edificação. Calvino. João,. Série de Comentários Bíblicos João Calvino Vol. 10. 1 Coríntios. Editora Edições Parakletos. pag. 391-395.    

 

Paulo introduz os nove dons nesta lista com as palavras “E a uns pôs Deus na igreja…” (v.28; veja v.18). A expressão “na igreja” pode ser entendida como um local ou universalmente. O significado universal se aplica ao menos ao caso dos apóstolos, que eram itinerantes (Barrett, 295). Os outros dons funcionariam principalmente, se não completamente, em nível local. Alguns, porém, argumentam que o significado primário seja a Igreja universal, da qual cada congregação local pode ser considerada como um “rebento” (Martin, 31). A lista inclui alguns dons — apóstolos, profetas, doutores, socorros, governos — que não estão na lista anterior (v.6-8).

 

Os três primeiros (“apóstolos… profetas… doutores…”) são claramente distintos dos demais em três pontos. 1) Por sua identificação como “primeiro”, “segundo” e “terceiro”, sustentam uma prioridade cronológica e funcional acima de todos os outros dons sobre os quais a Igreja é alicerçada e edificada (Barrett, 295). 2) Em algumas traduções são separados dos demais dons pela partícula grega men (“em” ou “por outro lado”), enquanto o advérbio epeita (“depois” ou “então”) introduz os demais. As sequências numéricas são abandonadas após os três primeiros. 3) A tríade é apresentada em termos de pessoas; o restante dos dons no verso 28, ao contrário de algumas traduções, são atividades. Bruce diz que os três primeiros representam os três ministérios mais importantes (122), e Barrett os chama de “o triplo ministério da palavra” (295). Paulo ocasionalmente usa o termo apóstolos (“apóstolo”) em um amplo sentido para denotar a função de ter sido envia do (Rm 16.7; 2 Co 8.23; Fp 2.25), porém geralmente usa-o em um sentido mais restrito, referindo-se às testemunhas de Cristo que viram o Senhor ressurreto e que foram definitivamente comissionadas por Ele para pregar o evangelho (veja comentários sobre 1.1 e 9-1)-

 

O termo apóstolo, em um sentido mais restrito, implica um único e exclusivo ministério desempenhado apenas por certos indivíduos (normalmente entendidos como sendo “os Doze” e Paulo). Este significado restrito é claramente visto em Efésios 2.20, onde os “apóstolos e profetas” têm, em conjunto, um ministério sem igual. Eles são o alicerce da Igreja (cf. também Ap 21.14), aqueles a quem e através de quem o mistério do evangelho foi revelado (Ef 3.4-6), e aqueles que, como na lista atual, encabeçam a lista dos líderes e dos dons de liderança (4.11). O termo prophetes (“profeta”) não tem um significado uniforme no Novo Testamento. Pode representar um grupo distinto em uma congregação (At 13.1), ou pode ser amplamente usado para designar qualquer pessoa que for impelida por um impulso profético. Embora na prática o dom da profecia seja limitado a um círculo relativamente pequeno, Paulo indica, pelo menos teoricamente, que está disponível a todos (1 Co 14.5, 24, 31; Fee, 621). Algumas passagens indicam que os profetas estavam em constante movimento (por exemplo, Mt 10.41; At 11.27,28 com 21.10; 15.22, 32). O Didache também fala sobre profetas peripatéticos, embora isto não deva ser generalizado significando que todos os profetas o eram (Morris, 175; Barrett, 295). O dom da profecia não é restrito aos homens. A profecia dejoel, citada por Pedro no dia de Pentecostes, diz: “os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão” (At 2.17).

 

Filipe teve quatro filhas solteiras que profetizaram (21.9), e Paulo falou anteriormente, nesta carta, sobre as mulheres que profetizavam na Igreja (1 Co 11.5; comentários adicionais sobre o dom da profecia são encontrados nas notas referentes a 12.10 e ao longo do capítulo 14, como também no Artigo D). Os “doutores” (didaskalos) constituíam um outro grupo importante de líderes na Igreja. São feitas alusões a estes tanto em condições pessoais quanto como “professores” ou “doutores” (1 Co 12.28,29; Ef4.11; cf. também At 13.1; 1 Tra 2.7; 2 Tm 1.11, Tg 3.1) e em condições impessoais, em termos mais gerais como “se [o dom de um homem] é ensinar…” (Rm 12.7; cf. Gl 6.6). Os doutores eram presumivelmente cristãos maduros que instruíam os outros sobre o significado da fé cristã, o que poderia incluir uma exposição das Escrituras do Antigo Testamento (Barrett, 295; Héring, 133). Será que em Efésios 4.11, Paulo combina o dom dos pastores e doutores em um papel de liderança? Será que ele quer dizer “professores-pastores” ou “pastores ensinadores”, ou está falando de dois ministérios distintos? Estudiosos igualmente competentes divergem sobre a interpretação deste verso. Este pode ser outro exemplo da imprecisão com que alguma terminologia carismática é usada. Mas há suficientes indicações em outras passagens, como pode se ver acima, de que o ensino constitui um ministério distinto. Não obstante, o pastor tem também o papel de ensinar. Observe que a qualificação necessária para que alguém seja um presbítero ou um pastor é que seja “apto para ensinar” (1 Tm 3-2). Este, então, é outro exemplo de sobreposição de dons espirituais. Semelhantemente, é possível que os “profetas e doutores” em Atos 13.1 não sejam dois grupos distintos, mas um grupo exercendo os dois ministérios. Dois dons previamente não mencionados estão incluídos na lista — socorro (antilempsis) e governos (kybernesis). Antilempsistansmite a ideia básica de ajuda ou apoio (Gerhard Delling, TDNT, 1.375- 76; Barrett, 295). Héring fala das “obras de caridade” (133).

 

Em sua forma verbal, o Novo Testamento usa este termo referindo-se à séria preocupação com o correto relacionamento entre os crentes (1 Tm 6.2) ou ainda referindo-se aos fracos (At 20.35; Delling, 1.375). O dom de kybernesis habilita o cristão a servir como um timoneiro ou piloto (o significado básico deste termo é dirigir ou pilotar) para a congregação (o substantivo relacionado kybernetes denota o piloto ou o capitão de um navio; veja At 27.11; Ap 18.17). Mas o alcance preciso desta atividade é indefinido. Provavelmente se trate do dom de liderar (veja Rm 12.8; 1 Ts 5.12; Hb 13.7, onde, contudo, são usadas palavras diferentes). É provável que estes dois últimos dons pressagiem o trabalho dos bispos/supervisores e cliáconos, que Paulo não mencionou em suas primeiras cartas (Banett, 296; Héring, 133; Robertson e Plummer, 281; Martin, 33; Fee discorda fortemente deste ponto de vista, 622, fn. 22). São mencionados pela primeira vez em Filipenses. 1. Os versos 29 e 30 são uma série de perguntas que exigem respostas negativas (“São todos apóstolos? São todos profetas?”). A maneira mais clara de se traduzir estas perguntas é: “Não são todos apóstolos, são?” Nenhum destes dons é dado igualmente a todas as pessoas, e ninguém pode reivindicar possuir todos os dons. Esta série de perguntas contém uma que é mais controversa do que as outras. “Falam todos diversas línguas?” Isto parece contradizer o ensino clássico do Pentecostes de que todos falarão em línguas no momento em que forem batizados no Espírito. A resposta Pentecostal é que as perguntas de Paulo aqui tratam de ministérios e dons que se relacionam a crentes e talvez a estranhos. Sua pergunta sobre o dom seguinte, a interpretação de línguas, relaciona tanto este dom como a glossolalia a um contexto de adoração. Uma situação de falar em línguas, no sentido de uma expressão audível em um contexto congre- gacional, que sejam obrigatoriamente interpretadas, realmente não é algo concedido a todos.

 

Mas isto não exclui o falar em línguas em um nível pessoal, não congregacional. Paulo se refere mais tarde à função auto-edificadora do falar em línguas. Será que Deus negaria a algum cristão algum meio de edificação espiritual? É ao menos sugestivo, se não programático, o relato de Lucas em Atos 2.4 de que no dia de Pentecostes todos aqueles que foram cheios do Espírito falaram em línguas, já que o adjetivo grego pantes (“todos”) é o sujeito de ambas orações. O verso 31a (“procurai com zelo [zeloo, desejar ardentemente] os melhores [meizond\ dons [charisma]”) é o tema de uma considerável discussão, ocasionada principalmente pela forma verbal zeloute (que pode ser uma ordem, uma declaração, ou uma pergunta) e o adjetivo meizona. Uma pergunta básica é: Existem realmente dons “melhores”? Este conceito parece militar contra muito do que Paulo disse anteriormente, especialmente em sua analogia do corpo. Mas, por outro lado, atribui prioridade a alguns dons. Em uma passagem paralela, por exemplo, sua ordem consiste em desejar especialmente o dom da profecia (14.1). Se alguns dons são realmente melhores do que outros, isto se devia ao fato de alguns dons serem mais úteis do que outros na edificação da Igreja. Uma ênfase do capítulo 14 é que, na Igreja, os dons inteligíveis são superiores àqueles que não o são (como no caso das línguas sem uma interpretação). Provavelmente a interpretação mais simples, como também a mais comum da parte a do verso 31, tome as palavras de modo literal. Paulo está incentivando os coríntios a desejarem avidamente os dons que são verdadeiramente maiores, isto é, aqueles que edificarão o corpo. A declaração paralela de Paulo está a favor desta interpretação: “procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (14.1).

 

Outro comentário que traduz a oração como uma declaração ao invés de uma ordem, é aquela que aparentemente consiste em uma repreensão “Vocês estão desejando avidamente o maior dom… ”. Em outras palavras, os coríntios estão seriamente buscando o que consideram ser os maiores dons (cf. 14.12). As três últimas palavras poderiam ser incluídas entre aspas para indicar a terminologia deles. Ainda que alguns dons sejam realmente maiores do que outros, os coríntios estão equivocados sobre a identificação destes dons, e em seu esforço para recebê-los (Bittlinger, 73). Martin endossa a essência “desta eminentemente sugestão razoável” (34-35). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 1017-1019.    

SÍNTESE DO TÓPICO III

Paulo tinha em Cristo a sua motivação para plantar igrejas.

 

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Paulo ressalta o fato de que todas as nossas considerações a respeito da Igreja e de sua missão não são meras abstrações, nem simples assuntos a serem estudados e debatidos. A Igreja é uma comunidade visível que reflete a missão de um Deus reconciliador. A Igreja deve ser a ‘hermenêutica do Evangelho‘, o lugar onde as pessoas poderão ver o Evangelho retratado em cores vivas (2 Co 3.3). Como o Evangelho pode ser suficientemente fidedigno e poderoso a ponto de levar as pessoas a crerem que um homem pendurado na cruz realmente tem a derradeira palavra nos assuntos humanos? Sem dúvida, a única resposta, a única hermenêutica, é uma congregação que crê nisso e que vive à altura de sua fé (Fp 2.15,16). Isso quer dizer: somente uma igreja ativa na missão pode dar a razão adequada para a necessidade da reconciliação que o mundo está pedindo aos brados sem ter consciência disso” (KLAUS, Byron D. A Missão da Igreja. 19.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, p.585).    

CONCLUSÃO

Vimos que muitos episódios na vida do apóstolo Paulo aumentaram sua visão para expandir a Igreja por todas as partes. É vontade de Deus que vidas sejam chamadas por Ele para se tornarem plantadoras de igreja. Pessoas que amem proclamar a Palavra de Deus para quem não a conhece e formar uma igreja local que glorifique a Deus e viva a fé com fidelidade ao nosso Senhor.    

PARA REFLETIR

  A respeito de “Paulo, o Plantador de Igrejas”, responda:  

  • A que a vida e o ministério de Paulo nos constrangem?

Sua vida e ministério nos constrangem a semear o Evangelho e a plantar igrejas em lugares onde pessoas nunca ouviram falar do Evangelho (Rm 15.20  

  • Qual o trabalho duplo que envolve a plantação de igreja?

A plantação da igreja envolve um trabalho duplo: do homem e de Deus.  

  • Qual foi o ponto de partida no ministério do apóstolo Paulo?

A igreja em Antioquia foi o ponto de partida de Paulo para a extraordinária obra de plantar igrejas entre os gentios.  

  • Qual foi a mudança de rumo no ministério de Paulo?

De fato, nessa segunda viagem houve uma mudança de rumo sob a direção do Espírito, quando ele teve a visão de um macedônio que dizia: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16.9).  

  • Onde o apóstolo foi experimentado?

O apóstolo foi experimentado no deserto da Arábia (Gl 1.17,18).  

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.                

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