7 LIÇÃO 4 TRI 22 A RESPONSABILIDADE É INDIVIDUAL

 

7 LIÇÃO 4 TRI 22 A RESPONSABILIDADE É INDIVIDUAL

7 LIÇÃO 4 TRI 22 A RESPONSABILIDADE É INDIVIDUAL

 

TEXTO ÁUREO

 

“ A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.” (Ez 18.20)

VERDADE PRÁTICA

 

Para além da responsabilidade individual, a Palavra de Deus se posiciona contra o fatalismo, isto é, contra a ideia de que tudo está determinado por um rígido destino

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Dt 24.16 Na lei de Moisés, cada um vive e morre pelos seus próprios atos

 

Terça – Ec 12.14 Os seres humanos são responsáveis pelos seus atos

 

Quarta – Jr 31.29 A parábola das uvas verdes e os dentes, um ditado falso

 

Quinta – Ez 18.2,3 Os exilados da Babilônia deviam rejeitar o uso dessa máxima

 

Sexta At 17.30 Deus oferece oportunidade de arrependimento aos pecadores

 

Sábado – Jo 17.12 É possível o justo se desviar e perder a salvação

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Ezequiel 18.20-28

 

20 – A Alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele.

 

21 – Mas, se o ímpio se converter de todos os seus pecados que cometeu, e guardar todos os meus estatutos, e fizer juízo e justiça, certamente viverá; não morrerá.

 

22 – De todas as suas transgressões que cometeu não haverá lembrança contra ele; pela sua justiça que praticou, viverá.

 

23 – Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? Diz o Senhor JEOVÁ; não desejo, antes, que se converta dos seus caminhos e viva?

 

24 – Mas, desviando-se o justo da sua justiça, e cometendo a iniquidade, e fazendo conforme todas as abominações que faz o ímpio, porventura viverá? De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá.

 

25 – Dizeis, porém: O caminho do Senhor não é direito. Ouvi, agora, ó casa de Israel: Não é o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos torcidos?

 

26 – Desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por ela; na sua iniquidade que cometeu, morrerá.

 

27 – Mas, convertendo-se o ímpio da sua impiedade que cometeu e praticando o Juízo e a Justiça, conservará este a sua alma em vida.

 

28 – Pois quem reconsidera e se converte de todas as suas transgressões que cometeu, certamente viverá, não morrerá,

 

 

Hinos Sugeridos: 71, 422, 484 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

 

1- INTRODUÇÃO

 

A Salvação é individual. Você já deve ter ouvido essa expressão. É muito comum em nossas igrejas. O que está por trás dessa expressão é a perspectiva da responsabilidade individual diante de Deus. A Palavra de Deus mostra exatamente essa perspectiva. O pecado é um ato individual e não há nada que o justifique diante de Deus. A Única saída para o ser humano pecador é arrepender-se de seus pecados e crê no Evangelho.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Explicar a máxima usada em Israel;

II) Expor a respeito da abrangência da salvação;

III) Pontuar a reação de Israel.

B) Motivação: Vivemos um tempo em que as responsabilidades individuais são solapadas pelas realidades contextuais. Há quem defenda que o criminoso não pague pelos seus crimes por causa de sua ”circunstância econômica”. A Palavra de Deus mostra que ricos e pobres, homens e mulheres, enfim, o ser humano de modo geral precisa se arrepender dos seus próprios pecados (Lm 3.39; At 3.19).

C) Sugestão de Método: Até que aqui vimos três leis do ensino: a lei do professor, a lei do aluno e a lei da comunicação. Agora veremos a quarta lei: a lei da lição. Essa lei pode ser resumida pela seguinte sentença: ”a verdade a ser ensinada deve ser aprendida através de uma verdade já conhecida”. Só se apresenta um novo conceito depois que o conceito ensinado esteja bem estabelecido. A partir dessa compreensão, você deve levar em conta:

1) Certifique-se de que o aluno compreende o assunto A antes de apresentar o assunto B (por exemplo, só ensine a respeito da salvação depois que os alunos aprenderem a respeito da gravidade do pecado);

2) Trace objetivos progressivos de ensino que constam na lição.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Traga exemplos que mostrem o quanto o ser humano é responsável pelas suas atitudes. A história de confissão do pecado do rei Davi traz um bom exemplo para o fechamento desta lição.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e sub­sídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.39, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto ”Responsabilidade Individual (Ez 18.1-20)” traz uma explicação teológica a respeito da relação do pecado dos pais com a vida dos filhos; 2) O texto ”Os Justos podem Cair da graça (Ez 18.21-32)” traz uma excelente abordagem a respeito da possibilidade da queda do justo.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

O ponto de partida desta lição é uma máxima muito usada em Jerusalém e, também, entre os exilados de Babilônia que diziam: ”Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram” (Jr 31.29; Ez 18.2). Com base nesse ditado, eles diziam que estavam sendo punidos por causa dos pecados de seus antepassados.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Esse oráculo é uma resposta a uma máxima popular equivocada proveniente de Jerusalém, mas que dominava o pensamento dos exilados em Babilônia. Eles diziam que estavam sendo punidos por causa dos pecados de seus antepassados. Era um questionamento sobre a justiça de Deus e por isso eles não acreditavam nas profecias de Jeremias e Ezequiel sobre a destruição da cidade e do templo, visto ser Javé um Deus justo. O discurso do Profeta refuta esse ditado e reafirma um princípio que vem desde Moisés, de que a responsabilidade é individual: “Os pais não serão mortos por causa dos filhos, nem os filhos serão mortos por causa dos pais; cada um será morto pelo seu próprio pecado” (Dt 24.16). Esse provérbio era, na verdade, uma desculpa do povo para alegar injustiça divina pelo castigo de Israel. Essa antítese contraria a realidade, pois Deus retribui e pune os culpados.

O discurso de Ezequiel está estruturado e quatro partes principais. A primeira é a introdução (18.1-4), onde está o tema da profecia: “A pessoa que pecar, essa morrerá” (18.4); a segunda é uma descrição hipotética de justiça e injustiça de pais e filhos (18.5-18); a terceira trata da responsabilidade individual, a perfeita justiça divina (18.19-29); e, finalmente, há uma exortação ao retorno a Javé (18.30-32).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 85.

 

 

Responsabilidade individual (18.1-32)

Os vss. 1-4 declaram o princípio da responsabilidade pessoal, e o restante do capitulo ilustra este princípio. Algumas passagens afirmam que os filhos (descendentes) de um homem podem sofrer e morrer por causa dos pecados paternos.

Outras passagens enfatizam a responsabilidade pessoal. O conceito de união da comunidade era muito forte na mentalidade hebraica; assim, o que os antepassados fizeram, os descendentes compartilham, como se a raça fosse um único ser manifestando-se em tempos diferentes. Este conceito era forte entre os hebreus, mas a responsabilidade individual não se perdeu. Os exilados culparam seus antepassados pelas calamidades que sofreram (ver Jer. 31.27-30). Mas qualquer pessoa veria que aqueles ímpios mereciam o que receberam, por causa de suas próprias obras iníquas. A raça compartilhou um pacto, mas cada indivíduo era responsável por agir de acordo com as suas pretensões. A Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura se aplica às coletividades (às nações), mas também aos indivíduos.

O presente capítulo é paralelo a Eze. 12.21-28, sendo que os dois respondem a um provérbio do povo, que negava a iminência do julgamento de Yahweh. Quando a comunidade é julgada, obviamente os indivíduos também o são. O indivíduo culpado de rebeldia pode sofrer, enquanto a comunidade escapa da mão pesada de Deus. Quem toma as decisões é a mente divina, não a mente manipuladora dos homens.

A vida mencionada neste capítulo provavelmente é a vida terrena, física. O homem que observa a lei de Deus vive por mais tempo, com prosperidade, mas os pecadores morrem jovens, em meio à miséria. Alguns intérpretes veem aqui uma referência a vida além do sepulcro e falam de julgamentos eternos. Não é provável que este trecho de Ezequiel contenha um ensino desta natureza. De qualquer modo, o texto pode ser aplicado desta maneira. É precário usar textos do Antigo Testamento para ensinar tais doutrinas.

A Lei Dá Vida. Quer dizer, a lei, quando observada, dá vida física longa e próspera, segundo o conceito hebraico. Ver Deu. 4.1; 5.33; 6.2 e Eze. 20.11.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3245.

 

 

Antes de recapitular a história de Israel e as lições que podemos aprender com ela, devemos tratar de uma questão importante de interpretação. No capítulo 18, Ezequiel ensinou que os filhos não eram castigados pelos pecados dos pais, mas neste capítulo ele parece dizer que os pecados passados de israelitas como nação (cuidadosamente registrados) foram a causa do fracasso dos judeus e da invasão babilônia. “Julgá4os-ias tu, ó filho do homem, julgá-los4as? Faze-lhes saber as abominações de seus pais” (Ez 20:4). Essa declaração do Senhor sugere que Deus estava julgando os judeus por aquilo que seus pais haviam feito.

No entanto, não era isso o que o Senhor estava dizendo a Ezequiel. Ao recapitular a história de seu povo, Deus estava julgando aquela geração, pois era culpada dos mesmos pecados de seus antepassados: incredulidade e rebelião. Jeremias disse que sua geração de judeus era ainda pior que seus pais (Jr 16:12)! Nesse resumo histórico, Deus provou que havia sido coerente ao tratar com os judeus. Os exilados haviam se queixado de que Deus não havia tratado seu povo com justiça (Ez 18:2, 19, 25, 29), mas sua história nacional provava que Deus não apenas era justo com eles, mas também misericordioso e longânimo. O Senhor não estava castigando os judeus do tempo de Ezequiel pelos pecados que seus pais haviam cometido séculos antes, mas sim porque os contemporâneos de Ezequiel haviam cometido exatamente os mesmos pecados! Foi por isso que Deus fez essa recapitulação da história de Israel.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. IV. Editora Central Gospel. pag. 246-247.

 

 

Palavra-Chave: RESPONSABILIDADE

 

 

I – SOBRE A MÁXIMA USADA EM ISRAEL

 

 

1- Uma máxima equivocada.

 

O ditado popular ”Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram” se baseava numa interpretação equivocada sobre o terceiro mandamento do Decálogo (Êx 20.5; Dt 5.9). A maldição não é hereditária, ela só permanece quando os filhos continuam nos pecados dos pais; veja a expressão ”daqueles que me aborrecem”. É um princípio divino estabelecido desde a lei de Moisés (Dt 24.16). Isso é lembrado na história de Israel (2 Rs 14.5,6).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Na abertura do oráculo Javé dirige o questionamento aos israelitas, no plural, lembrando que desde o princípio Ezequiel foi enviado “aos filhos de Israel” (2.3). A pergunta é: “O que vocês querem dizer, vocês, que ficam repetindo este provérbio a respeito da terra de Israel: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? (18.2). Essa máxima era muito usada em Jerusalém (Jr 31.29) e, também, entre os exilados de Babilônia (Ez 18.2).

Esse provérbio era metafórico; as “uvas verdes” são os pecados, e os “dentes embotados” se referem à consequência deles. Esse dito popular refletia o ceticismo dos exilados, que se consideravam injustiçados, ou seja, estavam sendo condenados e punidos por causa do pecado dos seus antepassados. Era uma crítica à justiça divina.

Esse dito popular se baseava numa interpretação antiga, mas equivocada, do segundo mandamento do Decálogo: “porque eu, o Senhor, seu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam” (Êx 20.5). Nada há nesse preceito que dê sustentação ao desdenhoso provérbio dos israelitas, pois a punição divina se mantém em caso de continuidade, “daqueles que me odeiam”. Isso porque a maldição só continua nas gerações que continuarem nos pecados dos pais (Dt 24.16; 2Rs 14.6). Na nova aliança, quem vem para Jesus torna-se nova criatura (2Co 5.17).

Esse pensamento das uvas verdes vai na contramão do pensamento bíblico (Dt 24.16); isso é lembrado na história de Israel (2Rs 14.5, 6). O conceito de responsabilidade continuada pelos pecados ancestrais era herança do segundo mandamento, uma vez que a continuidade das gerações humanas impede que a pessoa se isole do grupo. Quando Jeremias escreve: “Nossos pais pecaram e já não existem; nós é que recebemos o castigo pelas suas iniquidades” (Lm 5.7), ele está dizendo que os pecados dos seus antepassados conduziram a sua descendência nas mesmas transgressões para as gerações seguintes e conclui dizendo: “Ai de nós, porque pecamos!” (Lm 5.16).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag.86-87.

 

 

Os descendentes dos idólatras não podiam escapar ao desprazer de Yahweh, para quem mil anos é como se fosse um dia (II Ped. 3.8; Sal. 90.4). Podemos ter certeza de que os juízos de Deus são justos, e envolvem os filhos dos idólatras porque geralmente participam dos pecados de seus pais. Mas em casos de inocência, esses juízos eram suspensos. Todavia, persistiam circunstâncias adversas, criadas anteriormente. Ademais, existe aquela genética espiritual que transmite atitudes e costumes de pais para filhos, etc., provocando assim a ira divina. Ver Eze. 18.20 quanto à responsabilidade de cada indivíduo, o outro lado da moeda.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 391.

 

 

Cada qual será morto pelo seu pecado. Temos aqui a décima terceira das vinte leis apresentadas na seção de Deu. 23.15-25.19. Há uma pequena seção de introdução em Deu. 23.15. O Código de Hamurabi (lei 230) permitia a morte vicária de um filho por seu pai, ou de um pai por seu filho, embora não tenha sido encontrada nenhuma alusão literária que mostre que essa lei tivesse sido alguma vez cumprida. Mas a legislação mosaica proibia qualquer prática semelhante. Em certo sentido espiritual, os pecados de um pai poderiam contaminar seus filhos, e o castigo divino poderia sobrevir por esse motivo. Ver Deu. 5.9, quanto a esse princípio, além de várias interpretações a respeito. O senso de responsabilidade era muito despertado em Israel, e a responsabilidade comunal sempre ficava implícita na responsabilidade pessoal. Apesar disso, nenhuma punição capital, em Israel, podia ser transferida de uma pessoa para outra.

Uma das aplicações da lei era tentar controlar as desavenças entre as tribos nômades, em face das quais toda uma família, ou mesmo um clã inteiro, poderiam ser aniquilados, por causa de uma infração de um de seus membros. Houve casos assim em Israel (ver Jos. 7.24,25 e II Sam. 21.1-9). Em Israel, em algumas poucas ocasiões, o pecado de um homem resultou na morte de toda a sua família, e a ordem para tal execução foi baixada pelas autoridades. Esta lei tinha por finalidade controlar a matança coletiva, por causa dos erros de um único homem. Ver II Reis 14.6, onde a clemência de Amazias foi elogiada quando ele obedeceu ao princípio ideal desta lei.

“Esta lei modifica a antiga crença de que a culpa afetava todo um grupo social, especialmente uma família (ver Núm. 16.31-33; Jos. 7.24,25; I Sam. 21.19)”

(Oxford Annotated Bibie, comentando sobre o presente versículo).

Outra aplicação era que o testemunho de um pai contra seu filho, ou de um filho contra seu pai, não era aceitável, em casos que envolvessem punição capital. Outras testemunhas idôneas tinham de ser encontradas (conforme diz o Targum de Jonathan). Nesse caso, o trecho de Deu. 21.18 ss. não apresenta nenhuma exceção.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 845.

 

 

O versículo 19 contradiz uma interpretação teológica do versículo 2. De acordo com a interpretação tradicional, o provérbio apresentaria o povo acusando Deus de injustiça porque ele havia visitado os pecados dos pais sobre os filhos. No entanto, no versículo

19 eles perguntam por que ele não deveria fazê-lo. A primeira afirmação apresenta uma rejeição da teologia tradicional; a segunda afirmação uma exigência para a sua execução. É inconcebível que a intervenção dos argumentos do profeta tenha tido um efeito tão dramático neles.

O problema que o provérbio coloca para Ezequiel não é em relação à punição dos filhos pelos pecados dos pais, ou mesmo uma questão de teodiceia. Ao contrário, reflete um fatalismo materialista, uma resignação para regras cósmicas imutáveis de causa e efeito, uma paralisia rancorosa da alma, que deixara os exilados sem esperança e sem Deus. Entendendo-se que as acusações dizem respeito a Deus, acusa-o de desinteresse ou impotência diante das atuais crises dos exilados. Todos aqueles anos colocaram sua confiança no patrono divino só para descobrir que eram vítimas de uma lei imutável do universo: o destino de uma geração é inexoravelmente determinado pelas ações das prévias gerações.” A teologia deles e o Deus deles os havia traído.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 1. Editora Cultura Cristã. pag. 515.

 

 

2- Jeremias e Ezequiel trataram do assunto.

 

A palavra profética em Jeremias é escatológica. A seção de Jeremias 30-33 é o Livro da Consolação, que não foi editado separadamente como Lamentações, essa parte da profecia anuncia a restauração de Israel e de Judá e contempla o futuro glorioso da nação unificada. Esse oráculo está nesse contexto, como nos revela também a profecia no livro de Jeremias (Jr 31.29,30). É nesse contexto escatológico que nunca mais será pronunciado em Israel tal provérbio popular. Mas a proibição anunciada por Ezequiel é imediata (Ez 18.2,3).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os pecados do povo foram acumulados geração após geração, mas o castigo do cativeiro era responsabilidade daquela geração.

Tanto os exilados na Babilônia como os que estavam em Judá e em Jerusalém acreditavam ou se justificavam numa ideia falsa de que estavam pagando pelos pecados dos pais, mesmo depois da destruição de Jerusalém (Lm 5.7). Javé, entanto, proibiu enfaticamente o povo de pronunciar essa máxima: Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, vocês nunca mais repetirão esse provérbio em Israel (18.3). Na profecia de Jeremias, essa proibição é escatológica, depois a restauração de Israel (Jr 31.29).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 87.

 

 

Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Um Provérbio Popular.

Se os dentes da pessoa não são perfeitos, certas comidas os incomodam. Sabemos que as bactérias cavam nos dentes buracos microscópicos, os quais que estão presentes muito antes de essas cáries serem visíveis. Os buracos microscópios criam uma sensibilidade. Uvas são bastante ácidas e irritam os dentes cariados. Obviamente, os antigos não anteciparam tais explicações científicas, mas nem por isso deixaram de sofrer consequências desagradáveis pelos dentes cariados.

O povo inventou o absurdo de que o filho do homem que comeu uvas verdes sofreria os resultados da acidez que perturbou o pai! Dizer que os filhos sofrem por causa dos pecados dos pais é, espiritualmente, semelhante absurdo. O provérbio comum contém interpretação de textos como Êxo. 20.5.0 presente capítulo anula tanto o ensino de Êxo. 20.5 como a sua interpretação popular. Que os intérpretes lutem com a reconciliação dos dois ensinos. O autor aqui não se preocupa com harmonia teológica.

Conclusão. O remanescente no exílio da Babilônia continuava sofrendo terrores, às mãos de seus capturadores. Antes, haviam sofrido os ataques violentos do inimigo. Sofreram porque “os pais pecaram”. Estavam ceifando o que semearam. Judá era o próprio modelo da idolatria-adultério-apostasia, e Yahweh perdeu a paciência com suas vagueações morais e espirituais.

Para a verdade que possa estar presente em tais declarações, como em Êxo. 20.5; 34.6-7 e Deu. 5.9, ver as notas nestes lugares. O apóstolo Paulo fala algo semelhante em Rom. 5.12 ss. Como o próprio autor do presente trecho não se preocupou em reconciliar as ideias opostas, representadas por Êxo. 20.5 (de um lado) e o presente texto (do outro), também não me preocupo aqui em tentar uma reconciliação. As minhas notas, na introdução ao capítulo 18 do presente livro, e os trechos mencionados, entram no problema.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3245.

 

 

3- O problema em nosso tempo.

 

A doutrina das “uvas verdes e dentes embotados” que predominou o imaginário popular de Israel (Jr 31.29; Ez 18.2) veio a ser parte do cardápio doutrinário de um movimento infiltrado em algumas igrejas conhecido como “Batalha Espiritual”. Essa parte do ensino é a conhecida extravagante doutrina da maldição hereditária.

Quando alguém se converte a Cristo, deixa de aborrecer a Deus, logo, essa passagem do terceiro mandamento do Decálogo não pode se aplicar aos crentes (Rm 5.8-10), pois eles se tornam em uma nova criatura, pois “as coisas velhas já passaram, e eis que tudo se fez novo” (2Co 5.17). Devemos orar e agir para que esses ensinos equivocados não prosperem em nossas igrejas (Jd v.3).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Maldição Hereditária

O primeiro texto encontra-se em Levítico 19.31; 20.6 [versão King James]:

Não vos voltareis para os que têm espíritos familiares, para serdes contaminados por eles. Eu sou o Senhor. E a alma que se voltar para os espíritos familiares, eu me voltarei contra ela, e a eliminarei do meio do meu povo.

O erro cometido pela versão inglesa King James [ou do Rei Tiago], que usa as palavras “espíritos familiares” em lugar de “os que consultam os mortos [necromantes] nem para os feiticeiros”, dá imaginação aos intérpretes da maldição hereditária para fazerem a Bíblia dizer o que ela nunca disse.

[As versões em português mais conhecidas não contêm essa expressão. No entanto, Levítico não está falando de “espíritos familiares” que passam, por exemplo, de um avô para um neto, mas sim da adivinhação, da consulta aos mortos e da feitiçaria, que são práticas abomináveis a Deus. O capítulo 19, verso 31 fala tão-somente de algumas leis já proferidas e que agora ganham forma de reiteração divina, para que o povo não se contamine com as abominações das outras nações ao seu redor, porque Deus os chamou para serem diferentes dos outros povos, em termos de vida, atitudes e comportamentos.

Por outro lado, Levítico 20.6 salienta a questão das diversas penas que Deus instituiu para punir os que, porventura, desobedecem aos seus mandamentos.

O segundo texto-prova dos adeptos da maldição hereditária é Êxodo 20.5,6:

Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor, teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço misericórdia em milhares aos que me amam e guardam os meus mandamentos.

Nota-se que o texto em tela serve de antítese à teoria da maldição hereditária. Analisemos:

No v. 5, onde lemos:”… até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem”, não se refere a netos e trinetos.

O sentido é de continuidade da ira, da sua durabilidade, e não de sua extensão biológica. Em contrapartida, no verso 6 lemos que a misericórdia divina é para com milhares.

Milhares aqui também não é uma figura matemática, mas designa a extensão ilimitada do amor de Deus. De modo que Êxodo 20.5,6 não está falando em transferência congênita, mas sim — repito — da durabilidade do juízo divino, ou seja, sempre que houver necessidade de juízo, haverá juízo. Assim como a misericórdia de Deus sempre se manifestará na vida dos fiéis.

O texto supra está asseverando, categórica e determinantemente, que o agente punidor da transgressão da lei é o próprio Deus, que julga aqueles que praticam atos abomináveis, e não algo que passa de geração a geração como um tipo de encantamento.

O texto também deixa muito claro que o juízo de Deus só cai sobre os transgressores da lei, mas enquanto eles forem transgressores, pois,ao deixarem de sê-lo — o que só é possível através de expiação do sangue de Jesus —, deixam de estar sob a punição de Deus. Logo, deixam de ser amaldiçoados, como está escrito em Romanos 8.1: “Portanto, agora, nenhuma condenação [maldição, punição, juízo] há para os que estão em Cristo Jesus”.

A maldição a que o texto se refere trata-se do juízo moral previsto na lei sobre os desobedientes, enquanto desobedientes. O texto não está aludindo absolutamente à maldição congênita, mas ao fato de que a desobediência impertinente, persistente e incontinente é sempre razão para o juízo de Deus, apareça ela onde aparecer e em qualquer geração. Assim como a obediência será sempre motivo para a misericórdia de Deus se manifestar. Até porque não podemos nos esquecer do princípio bíblico de que sob a lei todos os homens estão condenados, mas sob a graça todos podem ser salvos.

Finalmente, o texto de Êxodo não associa o juízo de Deus à possessão demoníaca, embora tenhamos a absoluta consciência de que isso eventualmente possa até acontecer na vida de quem vive em desobediência. Mas ela não tem nada a ver com possessão demoníaca. Pelo contrário, fala do juízo de Deus previsto na lei sobre os desobedientes.

Ora, convenhamos, se a maldição a que o texto se refere trata-se do juízo sobre aqueles que transgridem a lei, pergunto: de que forma uma oração de desligamento pode cancelar uma maldição divina? Mais: como uma regressão pode livrar uma pessoa que está debaixo do juízo da lei de Deus?

A conclusão é simples: essa prática, com base na Palavra de Deus, é pura temeridade e inconsequência de quem a ensina. Além disso, a Bíblia também afirma que Deus não condena o filho por causa do erro do pai nem vice-versa.

Assim pontifica o profeta:

Mas dizeis: Por que não levará o filho a maldade do pai?

Porque o filho fez juízo e justiça, e guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso, certamente viverá. A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele [Ez 18.19,20].

Estamos confundindo duas coisas completamente diferentes: consequências de ordem meramente natural e juízo moral de Deus. Enquanto as consequências naturais quase sempre acontecem por conta da própria imprevidência humana, o juízo legal de Deus acontece na vida dos transgressores e de forma bem individual. Jesus, no entanto, diz: E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz porque suas obras eram más.

Lima. Paulo Cesar,. O que está por trás do G-12. Editora CPAD: 1 Ed 2000. pag. 93-96.

 

 

Maldição Hereditária

 

O que é maldição? Vejamos:

1)Dicionário Aurélio: “Ato ou efeito de amaldiçoar ou maldizer”. Maldizer: “praguejar contra; amaldiçoar”. Maldito: “Diz-se daquele ou daquilo a que se lançou maldição”.

 

2) Dicionário Teológico: “Praga que se arroga a alguém. Locuções previamente formadas encerrando desgraças e insucessos”.

 

3) Bíblia Online: “Chamamento de mal, sofrimento ou desgraça sobre alguém (Gn 27.12; Rm 3.14). Os que quebram a Lei estão debaixo de maldição. Cristo nos salvou dessa maldição, fazendo-se maldição por nós (Gl 3.10-13)”.

 

Difícil é conciliar a “Teologia da Maldição Hereditária” com a Palavra. Os que defendem a existência de crentes amaldiçoados por maldições provindas de antepassados, admitem que é possível estarmos de posse de uma herança maldita, por nós desconhecida, e difícil de ser detectada no tempo e no espaço. O remédio seria QUEBRAR, ANULAR, AMARRAR, REPREENDER essa maldição. Feito isso, o crente ou não crente estaria leve, liberto e livre de todo peso. Nem ele nem os seus descendentes sofreriam mais os danos desse mal.

 

A maldição hereditária – segundo os que a defendem – surge em decorrência de um trabalho de feitiçaria ou de qualquer outra ação maligna lançada contra outra pessoa (a vítima). Uma pessoa em sofrimento pode ter sido consagrada, antes ou depois do seu nascimento, às entidades demoníacas. Uma palavra má pode ter sido lançada sobre a vida de uma família, que nunca prosperará e será vítima de enfermidades e angústias.

 

As pessoas sem temor a Deus, sem vida em Cristo, sem vida no altar, estão sujeitas a problemas muito maiores do que esses, pois estão condenadas à morte eterna. Sem Cristo a maldição nunca acaba Vejamos quais as promessas para os que aceitarem a salvação que há em Cristo Jesus:

 

“Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8.1). Poderia ocorrer o caso de os salvos em Cristo carregarem, ainda, maldições herdadas?

 

“Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram, tudo se fez novo” (2 Coríntios 5.17). Ocorreria uma situação em que o NOVO carrega, ainda, coisas velhas?

 

“Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida” (João 5.24). Dar-se-ia o caso de alguém entrar no céu, carregando maldições?

 

“Mas se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1.7). A maldição lançada contra os salvos seria mais eficaz do que o sangue de Jesus? Mais poderoso não é Aquele que está em nós?

 

“Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3.13). Jesus tomou sobre si nossas maldições, e carregou nossos pecados.

 

“Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). Dar-se-ia o caso de o crente ficar livre das correntes do pecado, mas permanecer amarrado, ainda, às maldições resultantes de pecados cometidos por seus antepassados?

 

“Ele mesmo levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça. Pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pedro 2.24). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3.13). Morremos para o mundo e para o pecado, mas não teríamos morrido para possíveis maldições sobre nós lançadas? A cruz nos salvou da maldição da lei, mas o sangue de Jesus teria sido impotente para nos livrar de maldições hereditárias?

 

Fica difícil de imaginar que uma pessoa beneficiária de tantas bênçãos possa carregar sobre si o fardo das maldições. A solução para livrar-se delas é aceitar a salvação que há em Cristo Jesus. As maldições não alcançarão os justos, porque os muros de nossa fortaleza espiritual estão íntegros, sabendo-se que “a maldição sem causa não virá” (Provérbios 26.2). Aos que se julgam debaixo de maldição, Jesus faz um convite e uma promessa: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” (Mateus 11.28).

Estudo Anônimo.

 

 

MALDIÇÕES HEREDITÁRIAS: SIM OU NÃO?

 

INTRODUÇÃO

A superdimensão que estão dando ao assunto…

A tendência de não se examinar bem e fielmente tudo o que a Bíblia tem a dizer.

Entendendo o texto básico – Êxodo 20:5

“Não te encurvarás a elas nem as servirás, pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso que visita a maldade dos pais nos filhos, até a terceira e a quarta geração daqueles que me odeiam”.

– a visita de Deus aqui não é chamada de maldição, certamente inclui algum tipo de castigo;

– está ligada ao pecado da idolatria – conforme o versículo 4 “Não farás para ti imagem de escultura, nem, semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra”.

– o público alvo da visita está bem definido “daqueles que me odeiam”.

É preciso fechar o pensamento de Deus lendo o versículo 6 “mas faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.

Esse é o Deus a quem servimos. Se você o ama, você está abençoando suas gerações futuras, sem tirar de nenhum deles a responsabilidade individual.

 

A RESPONSABILIDADE DIANTE DE DEUS

Ezequiel 18:2 a 4

“Que tendes vós, vós que dizeis esta parábola acerca da terra de Israel: Os pais comeram uvas verdes e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o Senhor Deus, nunca mais direis este provérbio em Israel. Pois todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”.

Esse texto:

– afirma de maneira clara a responsabilidade individual diante de Deus;

– reclama o direito inalienável de só o Senhor Deus julgar os seus filhos;

– nega de forma transparente a possibilidade do pecado do pai ser castigado no filho. O que se confirma nos versículos 19 e 20 “Contudo perguntais: Por que não levará o filho a maldade do pai? Porque o filho fez justiça e juízo, guardou todos os meus estatutos, e os praticou, por isso certamente viverá.

A alma que pecar, essa morrerá. O filho não levará a maldade do pai, nem o pai levará a maldade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele, e a impiedade do ímpio cairá sobre ele”.

– obedecer e servir a Deus é uma decisão absolutamente pessoal;

– o filho pode, e em muitos casos deve, fazer opção diferente da que fez o seu pai;

– um pai pode gerar tanto um filho obediente e honesto como um mau caráter. Veja o contexto, capítulo 18 inteiro;

– a maldição hereditária tende a isentar o indivíduo da sua responsabilidade e culpa diante de Deus. Não vejo esta possibilidade em nenhuma parte da Bíblia.

 

A OBRA DE JESUS DIANTE DA MALDIÇÃO

Gálatas 3:11-14

“É evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. Ora, a lei não é da fé, mas: o que fizer estas coisas por ela viverá. Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, pois está escrito: ‘maldito todo aquele que for pendurado no madeiro’. Ele nos resgatou para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a promessa do Espírito.”

– a obra de Cristo foi completa para os que estão nele – 2 Coríntios 5:17

“E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”;

– nada precisa ser acrescentado a não ser a fé nele e no que ele fez;

– quebrar maldições hereditárias na vida de crentes em Jesus é tentativa de anular, mesmo que inconscientemente, o que o Senhor realizou cabalmente na cruz.

 

FECHANDO PARCIALMENTE O ESTUDO

1 João 1:9

“Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.”

Colossenses 2:14

“Havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós, cravando-o na cruz e, tendo despojado os principados e potestades, os exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz.”

– o caminho para a vitória em relação aos pecados na vida do crente é a confissão;

– o caminho para a vitória é a posse, pela fé, daquilo que o Senhor Jesus já fez por cada um de nós. Amém.

Pr. Mateus Esteves dos Santos

 

 

SINOPSE I

 

A máxima popular ”Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram” remetia à ideia de que os filhos pagariam os pecados dos pais.

 

 

II – SOBRE A SALVAÇÃO PARA TODOS OS SERES HUMANOS

 

 

1- Há esperança para o pecador (vv. 21,22,23).

 

Essa ideia está muito clara no capítulo inteiro, que, para não deixar dúvidas, Ezequiel afirma de maneira direta (vv.4,20), reiterando diversas vezes com exemplos claros e ilustrações. A vontade de Deus é a salvação de todos os seres humanos para que ninguém se perca, e nisso o profeta antecipa o pensamento do Novo Testamento (Jo 5.40; 1Tm 2.4; 2Pe 3.9).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O questionamento dos exilados apresentado no início do oráculo: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram?” (v. 2), é respondido e explicado ao descrever sobre um perverso que deixa o pecado: ele será perdoado e viverá; se, por outro lado, o justo voltar a pecar, ele morrerá. Ezequiel esclarece com clareza os oráculos divinos sobre a forma de Deus tratar com os seres humanos. Javé não tem prazer nem alegria no sofrimento do ímpio, antes deseja perdoar o pecador, mas não dá para ajudar a quem não se ajuda: Não desejo eu muito mais que ele se converta dos seus caminhos e viva? Essa é uma pergunta retórica, ou seja, uma afirmação em forma de pergunta. No final do discurso Javé faz um apelo ao povo para que se converta (v. 31).

A vontade de Deus é a salvação de todos os seres humanos e que ninguém se perca; nisso ele antecipa o pensamento do Novo Testamento (Jo 5.40; 1Tm 2.4; 2Pe 3.9). Mas o perdão divino é para quem confessa e deixa o pecado (Pv 28.13; Lc 24.42, 43). É necessário arrependimento (At 17.30), mas Judá não levava a palavra de Deus a sério (Jr 2.35, 36).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 87-88.

 

 

O Homem Mau que se Torna Justo Viverá (18.21-24)

Este trecho demonstra que certos casos podem ser revertidos. Um bom homem pode tornar-se corrupto; o homem corrupto pode tornar-se bom. Casos revertidos provocam destinos revertidos.

18.21

Mas se o perverso se converter de todos os pecados… A experiência mostra que situações morais e espirituais podem sofrer reversos. O arrependimento está disponível para o pecador; o bom homem está sujeito à influência da maldade e pode cair, anulando sua vida justa.

Certamente viverá. O homem mau de ontem se arrepende de seus erros e começa a seguir a lei, como o guia de sua vida (Deu. 6.4 ss.). O resultado desta mudança de vida é que ele viverá (Deu. 4.1; 5.33; 6.2; Eze. 20.1). A idéia original sobre esta vida era certamente a vida física, esperançosamente longa e próspera. No judaísmo posterior, a vida pós-túmulo entrou na questão, embora não tenhamos certeza do ponto ao qual a teologia de Ezequiel chegou. Mesmo que sua teologia falasse sobre a vida pós-túmulo, suas declarações dificilmente podem ser aplicadas à doutrina da vida eterna. Nossa teologia já avançou muito além do Antigo Testamento, portanto fiquemos com os Apóstolos, para definir tais questões. O artigo sobre o problema da segurança do crente, no Dicionário, apresenta uma discussão ampla.

Kimchi, representando o judaísmo posterior, comenta: “Viverá neste mundo e não morrerá no mundo que vem”. “O pecador penitente é tratado de acordo com a sua nova obediência” (Fausset, in loc.).

Segurança Eterna do Crente? Obviamente, este texto tem sido empregado na controvérsia sobre a segurança eterna do crente. Ver no Dicionário o detalhado artigo sobre este assunto. Ali são apresentados os dois lados dos conflitos, com seus textos de prova favoritos. Na minha opinião, é duvidoso empregar versículos do Antigo Testamento nesse debate, pois nem mesmo temos certeza de que o profeta Ezequiel quis entrar na questão de uma vida pós-túmulo e das condições que poderiam governar essa vida. Mesmo tocando nesse assunto, a luz do Antigo Testamento não seria suficiente para esclarecer tais questões.

Não haverá lembrança contra ele. O que o homem mau fez no passado é anulado. Yahweh, esquecendo as velhas transgressões do pobre pecador, olha somente para o presente justo daquele homem e o abençoa. A graça de Deus age assim, portanto não devemos surpreender-nos com a anulação de toda a grande massa de pecados. Todos temos grande quantidade de iniquidades para anular e esquecer. O homem, ontem tão miserável, hoje vive uma nova vida, pelo poder do Espírito que transformou (e está transformando) o seu coração. A mudança no homem é completa; o perdão de seus pecados é completo. Ele tem um novo coração. A iei de Moisés tornou-se efetiva na sua vida. Se o homem não esquecer a lei, cumprindo seus requisitos (Pro. 3.1), então Deus esquecerá sua vida anterior de pecados.

De todos os pecados que cometeu não se fará memória contra ele; juízo e justiça fez; certamente, viverá. (Ezequiel 33.16)

Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? diz o Senhor Deus.

Yahweh não é um sádico celestial que sente prazer em ver o pobre pecador sofrer e, finalmente, morrer. É Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno) que se declara contra o princípio de achar prazer na tragédia que traz sofrimento. Este título divino se encontra 217 vezes neste livro, mas somente 103 no resto do Antigo Testamento. Ele enfatiza a soberania de Deus. O Soberano, em última análise, é o Salvador, não o Destruidor. Até Seus julgamentos são expressões de Seu amor, pelo fato de que têm a intenção de restaurar, não de aniquilar.

Vemos a soberania de Deus perdoando o pecado e esquecendo o passado do pecador, Deus prefere que o homem viva. O versículo é contra o calvinismo radical e sua doutrina de reprovação (ver a respeito no Dicionário), que certamente é blasfema. Cf. I Tim. 2.4 e também II Ped. 3.9. E não devemos esquecer João 3.16, a iuz mais brilhante no céu do pecador.

Deus é amor (I João 4.8). Desejar ou achar prazer na morte do pecador é contra a natureza divina. Pessoalmente, sou contra toda doutrina de reprovação, ativa ou passiva. Considero ambas contrárias à natureza divina e à missão do Salvador.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 347-348.

 

 

A urgência do profeta se toma mais evidente ao passo que seu discurso progride. Mantendo seu compromisso com o chamado de atalaia, Ezequiel desafia seus ouvintes a encontrar vida por intermédio de três cláusulas condicionais, que, quando tomadas conjuntamente, resumem para o leitor a doutrina bíblica para o arrependimento. O arrependimento envolve uma mudança fundamental de direção, afastando-se de todo o pecado, e se comprometendo com a vontade de Deus. Assim como o velho caminho do pecado fora mencionado em ações específicas, também deve ser o novo comprometimento. O justo observa {sãmar) todos os decretos (kol-huqqõtay) de Yahweh, e pratica a justiça e a retidão. Pode se sentir o entusiasmo de Ezequiel quando anuncia o veredicto para aqueles que vão ao encontro destas condições: e/e certamente viverá! Não morrerá! A rebelião passada, expressa em atos, será desprezada, e a atual retidão será o que importa.

Por meio de uma pergunta retórica, que antecipa uma resposta negativa inequívoca, Ezequiel expressa as bases da esperança para os exilados: o comprometimento fundamental com Yahweh é para a vida, não para a morte. Deus não se alegra com a morte de ninguém, nem mesmo da pessoa ímpia. Seu desejo é que todos se arrependam e encontrem vida nele. Isto é o que o auditório de Ezequiel precisa para eles serem libertos de toda a cadeia de depressão e desespero – uma nova visão de Deus, um Deus que está do lado da bênção e da vida, não do lado da maldição e da morte (cf Dt 30.15-20). Que declaração impressionante da paciência e da misericórdia divina é esta! Em âmbito nacional, embora Israel estivesse em um estado de rebelião por gerações, a porta para um futuro permanecia amplamente aberta. O profeta promete àqueles em seu auditório que se arrependerem de seus pecados que encontrarão vida.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 1. Editora Cultura Cristã. pag. 532-533.

 

 

2- Refutando um pensamento fatalista (v.20).

 

Tanto os exilados na Babilônia como os que estavam em Judá e em Jerusalém acreditavam ou se justificavam numa ideia falsa de que estavam pagando pelos pecados dos pais, mesmo depois da destruição de Jerusalém (Lm 5.7). Deus proíbe o uso desse ditado popular porque a responsabilidade é individual.

O profeta Ezequiel fecha a porta fatalista do imaginário popular do povo de Judá e dos exilados de Babilônia. Ele torna claro o pensamento bíblico da responsabilidade individual de maneira textual e direta (v.20). A palavra “alma”, nesse contexto, significa a própria pessoa.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Na primeira parte do oráculo, fica comprovada a falsidade do dito popular, a falácia da tese do povo. Deus proíbe o uso desse ditado popular porque a responsabilidade é individual.

Quem pratica a justiça viverá, reitera o oráculo. É a doutrina da responsabilidade moral e espiritual tanto individual como coletiva. O destinatário original dessa mensagem é o povo de Israel. O profeta Ezequiel fecha com isso a porta fatalista do imaginário popular de Judá e dos exilados de Babilônia. Ele torna claro o pensamento bíblico da responsabilidade individual de maneira textual e direta: A pessoa que pecar, essa morrerá. É o princípio moral da lei da semeadura (Os 8.7; Gl 6.7) Essa ideia está muito clara no capítulo inteiro, e, para não deixar dúvidas, Ezequiel a afirma de maneira direta e a explica com exemplos claros e ilustrações.

As reiteradas explicações e exemplos esclarecem a contento que a lei da responsabilidade individual é justa e está de acordo com os atributos divinos. Javé é justo (Dt 32.4; Is 45.21). Esse atributo é manifesto no castigo do pecador e na premiação do justo: ele “retribuirá a cada um segundo as suas obras” (Rm 2.6). Esse atributo se harmoniza com a santidade de Deus. A Bíblia declara, com todas as letras, que somente Deus é justo, considerando justiça como atributo, no sentido absoluto de perfeição: “Deus é justo juiz” (Sl 7.11).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 87-88.

 

 

A alma que pecar, essa morrerá. A Doutrina. Agora o profeta chega à conclusão da discussão anterior: a responsabilidade pessoal opera na vida de todas as pessoas e na vida-coletiva de uma nação. A alma que pratica o pecado morrerá; a coletividade que pratica a maldade morrerá; a alma que pratica o bem viverá; a coletividade que pratica o bem viverá.

O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna.

(Romanos 6.23)

A doutrina de Ezequiel é uma afirmação poderosa da lei moral da colheita segundo a semeadura. Ver Gál. 6.7-8, no Novo Testamento Interpretado. O filho inocente de um pai corrupto viverá (vss. 14-17); o bom pai não participará dos resultados dos pecados de um filho rebelde (vss. 10-11). O bom homem terá a proteção de Yahweh e terá vida longa e próspera e, depois, da morte biológica, a vida eterna. Mas o homem maldoso enfrentará a ira de Deus. O seu sangue será sobre ele (vs. 13). Esta conclusão é lógica e verdadeira, e concorda plenamente com o princípio anunciado no vs. 4. Yahweh, o Criador de todas as almas, é também seu Juiz. Além disto, é o Legislador que deu sua lei como guia, tornando os homens responsáveis, porque tinham luz para o caminho.

O texto ensina responsabilidade moral e espiritual de todos os indivíduos, e também ensina responsabilidade da nação de Judá inteira. As duas manifestações são os dois lados da mesma moeda.

Os pais não serão mortos em lugar dos filhos, nem os filhos, em lugar dos pais; cada um será morto pelo seu pecado. (Deuteronômio 24.16)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3247.

 

 

Ezequiel responde ao desespero e perda de esperança por parte de seus ouvintes ao reiterar sua rejeição de qualquer noção determinista de responsabilidade intergeneracional. Se o filho pratica justiça e é reto, e segue fielmente as estipulações do pacto de Yahweh, certamente viverá. A pessoa que peca morrerá. Os filhos não sofrerão pela culpa de seus pais, nem os pais pela maldade de seus filhos. Ao declarar que a retidão da pessoa e a maldade serão creditadas somente à pessoa, Ezequiel tranca a porta quanto à antiga ilusão fatalista.’

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 1. Editora Cultura Cristã. pag.

 

 

3- Duas situações (vv.2,22,24).

 

O profeta explica, com clareza, os oráculos divinos sobre a relação de Deus com os seres humanos. Se o pecador abandona a sua vida cheia de pecados, todo tipo de maldade, iniquidade e se volta para Deus, tal pessoa é perdoada, e se “fizer juízo e justiça, certamente viverá; não morrerá” (vv.21,22).

Mas, se pelo contrário, o justo se desviar de sua justiça e cometer injustiça e iniquidade “conforme todas as abominações que faz o ímpio […] De todas as suas justiças que tiver feito não se fará memória; na sua transgressão com que transgrediu, e no seu pecado com que pecou, neles morrerá” (v.24). É possível, sim, o salvo perder a salvação temporariamente (Lc 15.32) ou definitivamente (2 Pe 2.20-22).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Assim como Deus não leva em conta os pecados de quem se converte dos seus maus caminhos, pela mesma moeda o justo que se desvia terá os registros de sua vida deletados. O princípio é o mesmo: o pecador que se arrepende viverá; quando ocorre o contrário, no caso de o justo se desviar, de todos os atos de justiça que praticou, nenhum será lembrado; na sua transgressão com que transgrediu e no seu pecado que cometeu, neles morrerá.

Se a ilustração é hipotética, então essa mensagem não pode se aplicar estritamente à morte física. Existem inúmeros tipos de folhetos e livretos evangelísticos que colocam lado a lado as passagens bíblicas: “A alma que pecar morrerá” e “o salário do pecado é a morte”. Então, o versículo de Ezequiel (18.4, 20) não poderia estar no mesmo contexto daquele do apóstolo Paulo (Rm 6.23)? É fato que aquilo que não está claro e compreensível pela simples leitura da Bíblia apresenta grande possibilidade de ser uma crença peculiar. É possível, sim, o salvo perder a salvação tanto temporariamente (Lc 15.32) como definitivamente (2Pe 2.20-22). O caso de Judas Iscariotes é emblemático, pois Jesus disse que ele se perdeu (Jo 17.12). Muitos teólogos de nosso tempo veem nesse discurso profético o embrião da soteriologia arminiana.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 89-89.

 

 

Desviando-se o justo da sua justiça… acaso viverá? Este único versículo contrasta com os vss. 20-23. Todos conhecemos casos de pessoas santas que se corromperam. Tais pessoas ficam sujeitas à condenação de Deus, seja no presente seja na vida além. Não sabemos se a teologia do profeta tinha avançado para considerações pós-túmulo. De qualquer maneira, o mesmo princípio se aplica à vida agora e à vida pós-túmulo. Mas não devemos esquecer o poder de Deus, que é dedicado à salvação. O homem que volta para o pecado sofrerá, mas a graça de Deus o restaurará, afinal, ainda nesta vida ou na vida pós-túmulo. Jesus pode alcançar homens onde quer que estejam, nesta vida ou além. O presente versículo é uma declaração arminiana, sem dúvida, mas nenhuma declaração deste tipo governa a eternidade. Haverá outros reversos. O homem que realmente começou na trilha espiritual pela atuação do Espírito terminará entre os salvos, a despeito de suas vagueações. O mesmo propósito redentor o seguirá; a vida é uma só. E, para o homem genuinamente bom, o propósito opera até efetuar o resultado desejado. Assim corre a minha fé. Entro em detalhes no artigo sobre a Segurança do Crente, no Dicionário. Haverá um dia final, quando a graça de Deus deixará de funcionar, terminando com a missão redentora do Logos? Acho que não. Assim correm meu sonho e minha doutrina, confiantes na graça de Deus para superar todas as negativas que os homens tanto” apreciam. A porta do inferno se fecha do lado de dentro, e pode ser aberta pela mudança da alma que recebe a graça de Deus. Sempre haverá a possibilidade de reversos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3248.

 

 

Os pecados passados não são levados em consideração contra aqueles que se arrependem, pela mesma moeda, a retidão passada também não será considerada em relação àqueles que se afastam desse comprometimento. Tomando emprestado o vocabulário do capítulo 3.20, Ezequiel apresenta um caso hipotético de alguém que anteriormente na vida havia sido uma pessoa reta, mas que subsequentemente se desviou (súb) ou “se arrependeu” daquele caminho. Com uma pergunta retórica ele se comportará desta maneira e ainda viverá? O profeta chama a atenção de seu auditório para refletir o destino apropriado para esse indivíduo. O princípio anterior permanece: os registros da vida da pessoa que era reta serão destruídos; a traição pelos pecados dos últimos dias determina o seu destino.

Ezequiel, assim, repudiou a noção de um “tesouro de mérito ou demérito” em duas narrativas. Primeiramente, uma geração não pode construir tal tesouro para a outra; cada indivíduo determina o próprio destino por sua própria conduta. Segundo, um indivíduo não pode construir tal tesouro em uma fase de sua vida e contar com isto para descontar por coisas erradas que fez depois. Nas palavras de Uffenheimer, “‘homem justo’ e ‘pecador’ não são conceitos que podem ser calculados em termos quantitativos, nos quais o passado tanto age como um fardo pesando sobre o presente, quanto como serve para aliviá-lo. Não, o que é decisivo a este respeito, somente e exclusivamente, é o presente de tal indivíduo, sua posição moral atual”. O destino do justo e do ímpio é determinado pelo presente, um momento de julgamento.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 1. Editora Cultura Cristã. pag. 533-534.

 

 

SINOPSE II

 

O ensino no livro de Ezequiel revela que a salvação está disponível a todos.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL (EZ 18.1-20)

 

”Aqui Ezequiel se torna um teólogo. Ele é geralmente um pastor, preocupado com o cuidado e a cura das almas; ou ele é um profeta, que declara conselhos de Deus com franqueza e determinação. Mas aqui se trata de doutrina. […] O que Ezequiel diz é que, mesmo que os filhos possam sofrer por causa dos pecados dos seus pais em uma ordem natural de causa e efeito, Deus não vai castigar um filho pelos pecados do pai e também não considerará justo o filho injusto porque seu pai foi justo. Duas vezes no capítulo Ezequiel diz: a alma que pecar, essa morrerá (4,20)” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol.4. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 456).

 

 

III – SOBRE A REAÇÃO DE ISRAEL

 

 

1- Uma pergunta retórica (v.25).

 

Na verdade, são duas perguntas: ”Não é o meu caminho direito? Não são os vossos caminhos torcidos?”. A pergunta retórica não espera resposta, trata-se de uma afirmação em forma de pergunta. É o que Javé afirma nessa passagem.

Esses recursos estilísticos são frequentes nas Escrituras, veja esses exemplos: ”Não é Arão, o levita, teu irmão?” (Êx 4.14); ”Não errais vós em razão de não saberdes as Escrituras e nem o poder de Deus?” (Mc 12.24; cf. Ez 8.6; Jo 4.35; 6.70; 1 Co 10.16). Depois de explicar essa verdade e apresentar os fatos vem a conclusão: os caminhos do Senhor são corretos e os do povo, torcidos.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O oráculo explica a falácia do imaginário popular na máxima das uvas verdes, e com isso Javé proíbe o uso desse dito pelo povo. O objetivo é mostrar que a responsabilidade é individual e que o fatalismo está completamente fora da agenda divina e das profecias de Ezequiel. Isso é feito com muita propriedade e clareza por meio de várias ilustrações hipotéticas. Os casos apresentados como exemplos mostram a misericórdia de Javé: quando o ímpio se converter e deixar seu mau caminho, receberá o perdão e viverá. E falam também sobre a justiça divina: quando o justo se desviar da retidão, os registros de sua vida serão destruídos.

Tanto os exilados na Babilônia quanto os judeus que ainda estavam na Judá e em Jerusalém acusam Javé de injustiça: O caminho do Senhor não é reto. Essa é outra maneira de dizer: “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram” (v. 2). Com isso, eles estão procurando um culpado por suas mazelas, os seus antepassados e agora o próprio Deus. Esse é um ponto que foi bem esclarecido. O outro ponto foi o pensamento que dominava o imaginário popular de que Deus estava sendo injusto em punir os filhos por causa dos pecados dos pais, veiculado pela máxima “Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram”. Javé primeiro proibiu o uso desse ditado para depois explicar a falácia desse provérbio reduzindo-o a cinzas pelas explicações e ilustrações nos versículos 5-18.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 89-90.

 

 

Dizeis: O caminho do Senhor não é direito. Este versículo fornece uma resposta à objeção do povo, que não gostou do discurso do profeta sobre a

responsabilidade pessoal. Aqueles pecadores tinham a coragem de declarar-se inocentes e não merecedores dos “maus-tratos” de Yahweh (administrados pelo exército babilónico). Continuavam culpando seus antepassados, cujos pecados supostamente excitaram a ira do Senhor, que reagiu empregando o chicote babilónico. O profeta os acusa de andar em caminhos toriuosos. Eles transgrediram as leis do Senhor e acusaram o próprio Deus de não seguir um caminho direito em relação a eles. Sendo culpados de pecados gritantes, proferiram blasfêmias no rosto de Yahweh! Os vss. 6-9 já ilustraram sua condição peiversa, mas as palavras do profeta caíram em ouvidos surdos. Todavia, ouviram o estrondo do ataque do exército babilónico.

Ouvi agora, ó casa de Israel. O reino do norte fora obliterado pela Assíria em 722 A. C. O cativeiro babilónico reduziu Judá a quase nada, de 596 em diante. O restante daquela nação foi chamado de “Israel” e, na restauração, começou tudo de novo. “Aquela casa”, no cativeiro, não abandonou seu caminho ímpio; neste versículo, ouvimos suas queixas contra os alegados maus-tratos de Yahweh, a Causa de todos os seus sofrimentos. Ver Eze. 2.5, onde a “casa de Israel” é chamada “a casa rebelde”. Este uso se repete em Eze. 3.1; 4.3; 6.11; 8.6.

Não é o meu caminho direito? não são os vossos caminhos tortuosos? A

palavra direito vem de uma raiz que fala sobre pesagem, ou equilíbrio. No uso metafórico, está em vista a justiça. A casa rebelde acusou Yahweh de fazer pesagem inexata, isto é, de praticar injustiça, castigando-a com o chicote babilónico, quando era inocente. A afirmação divina é que o castigo era exatamente de acordo com os merecimentos do povo. “Sua declaração afirma que Ele recompensa ou pune de acordo com os princípios justos e imutáveis da lei moral. Cada homem recebe o que semeou” (Ellicott, in loc.). Cf. Rom. 2.5-10 e Gál. 6.7-8.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3248.

 

 

É óbvio, por parte do segundo protesto feito pelos ouvintes, que rejeitaram não somente a oferta de Ezequiel, rejeitaram também a sua visão de Deus. A reação do apelo de Ezequiel que vem a seguir, para escolherem vida em vez da morte, demonstra que o problema do povo não era primariamente cosmológico, mas teológico. Enquanto afirmavam serem vítimas de uma lei universal imutável que estabelecia seus destinos em relação à conduta de seus pais, na verdade estavam diante da misericórdia de um Deus caprichoso, cujas ações são previsíveis e arbitrárias.

A palavra-chave neste texto é (Niphal), “serjusto, escrupuloso”, que a raiz no Qal denota: “medir, determinar”. O verbo aparece em Ezequiel somente no capítulo 33.17,20 (também no Niphal). Em ambos os contextos fala de arbitrariedade e incapacidade, falta de princípio, e até mesmo falta de senso. Fora destes dois textos, o Niphal ocorre somente em 1 Samuel 2.3, que se refere à medida e ao peso das ações de Yahweh {‘^ãlilôt). Nestes contextos, os exilados se tornaram convencidos de que a visão de Jeremias quanto a um Deus que se alegra no hesed, (Jr 9.23 [em português, 24]) era uma ilusão. Traiu os princípios do pacto ele mesmo; porque, então, deveriam esperar nele?

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 1. Editora Cultura Cristã. pag. 535.

 

 

2- Sobre a justiça.

 

Ezequiel deixa claro mais que o sol do meio-dia que a lei da responsabilidade individual é justa e está de acordo com os atributos divinos. Esse atributo é manifesto no castigo do pecador e na premiação do justo: ”o qual recompensará cada um segundo as suas obras” (Rm 2.6).

Esse atributo se harmoniza com a santidade de Deus. A Bíblia declara, com todas as letras, que somente. Deus é justo, considerando justiça como atributo, no sentido absoluto de perfeição: ”Deus é um juiz justo” (Sl 7.11).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Deus é justo juiz. O julgamento de Deus pode ocorrer de uma entre duas formas: pode vindicar o homem justo com bênçãos que se seguirão; e também pode condenar o ímpio com punições que se seguirão. Deus intervém na história humana e na vida dos indivíduos. Isso reflete o teísmo (ver a respeito no Dicionário). O Criador não abandonou a Sua criação, mas sempre que necessário intervém. Ele recompensa os bons e castiga os maus. Contraste-se o deísmo (ver também no Dicionário). De acordo com o deísmo, Deus abandonou o universo, entregando-o ao governo das leis naturais, as quais, embora impressionantes, estão cheias de defeitos e deficiências.

A Septuaginta diz: “Deus é um Juiz justo, forte e longânimo, não deixando manifestar Sua ira todos os dias”. Mas o sentido mais correto provavelmente é o que aparece na Revised Standard Version: “Deus… tem indignação todos os dias”. E a nossa versão portuguesa concorda com isso. Note o leitor, igualmente, as expressões antropomórficas: emoções tipicamente humanas são atribuídas a Deus. A personalização de Deus diminui deveras a Sua estatura, tornando-0 menor do que Ele realmente é. Mas é difícil falar sobre Deus sem empregar expressões comuns da linguagem humana.

Apesar de Deus ter indignação todos os dias contra os pecadores, devemos lembrar que o juízo é um dedo da amorosa mão de Deus. Não devemos condes- cender diante de uma teologia inferior, fazendo o julgamento divino ter somente um aspecto retributivo. Pois esse julgamento também é remedial. Ver I Ped. 4.6, no Novo Testamento Interpretado. Naturalmente, o julgamento final não está em pauta neste versículo; antes, enfatiza-se a destruição no mundo que os ímpios devem sofrer. Eles colherão o que tiverem semeado.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag.

 

 

O julgamento divino (11-17)

Deus é justo (11). A ênfase aqui está posta na realidade da reação contínua de Deus perante as más ações do homem (corrigindo deste modo qualquer inferência da impaciência humana em 6-7). Esta reação apresenta-se desenhada na alegoria da agressão irresistível – a espada afiada, o arco retesado, armas mortais e dardos inflamados – que o pecador encontra quando avança obstinadamente para a perdição porque recusa voltar-se (12) para o fato central da graça e da misericórdia divinas. Seguidamente, descreve-se toda a carreira da impiedade, no seu começo, a sua ação e o seu fim (14-16; cf. Tg 1.15).

O homem perverso dá origem, pela sua própria natureza, à falsidade e ao erro (14); o seu trabalho fracassa nos seus propósitos e torna-se um laço para ele próprio (15; cf. Sl 9.16); os seus planos e os seus métodos causam finalmente a sua ruína (16; cf. 1Sm 25.39; também Mt 21.33-41; 25.24-28). Todos estes pensamentos evocam no salmista uma convicção profunda de que Deus é digno de louvor, não só por causa da Sua justiça inata mas também devido à sua resposta segura a este apelo por julgamento. O nome de Deus é Jeová, o Altíssimo (17).

DAVIDSON. F. Novo Comentário da Bíblia. Salmos. pag. 22-23.

 

 

O Reto Juiz.

Aqui há largo alcance de visão que revela uma preocupação pela justiça universal que sempre foi a motivação por detrás dos apelos pessoais pela vindicação que Davi fazia. Não é apenas uma preocupação; é uma convicção: o juízo já está designado (6; cf. At 17:31, “estabeleceu um dia”). O hebraico do versículo 7 pede a Deus que “volte” às alturas (AV, RV), mas, como isto é o prelúdio ao juízo, pode ser que a palavra muito semelhante, que significa “toma o teu assento” (ARA remonta-te) seja a leitura certa. É uma passagem entre várias que mostram Deus exaltado como juiz, vencedor (cf. 68:18) e legislador (Is 2:2-4); o Novo Testamento, no entanto, acrescentou ao quadro uma dimensão nova e surpreendente, ao declarar exaltada a Cruz, e não somente o Trono, e ao inverter a ordem e propósito de 7a e 7b (cf. Jo 12:32), até que Cristo volte como Juiz (Mt 25:31ss.).

A minha retidão (8) não é considerada absoluta: é uma resposta às acusações registradas nos versículos 3 e 4 (cf. sobre 5:4-6). Davi, no entanto, tem fome e sede pelo triunfo da justiça em alcance maior; este pensamento domina os versículos 9-11, e sua certeza brota do fato que o próprio Deus é zeloso quanto ao assunto: realmente, a Sua indignação todos os dias (11) é mais constante do que qualquer zelo humano, pois não tende a se esfriar em meios termos ou desespero (que é a situação humana).

Kidner. Derek,. Esdras e Neemias Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 80.

 

 

3- O arrependimento (vv. 27,28).

 

Deus é justo e misericordioso. A retribuição ao pecador contumaz vem depois de muitos anos de apelo ao arrependimento sem resposta do povo. A resposta dada aos críticos deixa claro também que, mesmo o ímpio na sua impiedade, deixando o pecado e voltando a praticar a justiça, tem o perdão.

Todos precisam de arre­pendimento e buscar o perdão de Deus e não acusar o próprio Deus (Is 55.6,7; At 3.19). Essa história se repete em nossos dias, porque é tendência dessas pessoas culparem a Deus pelas suas mazelas. Devemos levar a Palavra de Deus a essas pessoas, pois nenhuma felicidade pode ser plena sem Jesus.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Mesmo diante de tudo isso, eles ainda ousam dizer que Javé não é justo. Agora eles precisam escutar. Deus responde aos rebeldes com uma pergunta retórica: Será que é o meu caminho que não é reto? Com isso o Profeta retoma nos versículos 26-28 o que foi dito antes sobre a bondade de Deus ao ímpio que se converte e sobre a justiça de Javé ao que se desvia para a injustiça.

Depois desses esclarecimentos, Javé pergunta de forma irônica: Não seriam muito mais os caminhos de vocês que são tortuosos? As suas perguntas retóricas são repetidas no versículo 29. O Profeta leva os destinatários de sua mensagem à reflexão. Eles deviam analisar o contexto religioso em que estavam vivendo e comparar com a tradição de Moisés e dos profetas. Mas isso não interessava a eles; era mais fácil lançar a culpar nos outros, nos antepassados e no próprio Deus.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 90.

 

 

A justiça de Deus é demonstrada e vindicada também quando o homem mau de ontem é o homem bom de hoje. O passado é anulado pelo presente; uma mudança de conduta reverte a avaliação divina. Este versículo repete, de modo mais abreviado, o que vemos nos vss. 21 -22, onde há notas expositivas completas.

Este versículo expande as ideias dadas nos vss. 21-22 e 27. O pecador de ontem pode ser o santo de hoje. O homem abandona seu caminho ímpio e o temor do Senhor começa a guiá-lo (ver em Pro. 1.7). Este homem estuda a lei e termina vivendo segundo as suas exigências. Assim, ele ganha vida (Deu. 4.1; 5.33; 6.2; Eze. 20.1). A justiça de Deus se vindica quando o homem mau de ontem recebe vida hoje, através do arrependimento e da mudança de vida. Contraste-se o caso de Judá, que fora boa ontem, mas corrupta hoje.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3248.

 

 

A reação do profeta a essas acusações é explícita e direta. Em vez de atribuir a Yahweh uma conduta caprichosa, Israel deveria estar olhando no espelho. Eles são aqueles cujo comportamento (derek) é sem escrúpulos. Estão condenados porque falharam em permanecer nos padrões de justiça e de retidão estabelecidos no pacto de Yahweh. Ao colocar o sapato no outro pé, Ezequiel reitera os princípios que governam a administração da justiça de Yahweh. Ele o faz ao repetir muitas das afirmações feitas anteriormente nos versículos 21 a 24, embora invertendo a ordem, […]

A não ser pela inversão da ordem dos casos, as alterações são pequenas. A mais significante é a frase: preservará sua própria vida (v. 27), que deposita maior ênfase num indivíduo como o mestre de seu próprio destino, do que a simples declaração “viverá”.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 1. Editora Cultura Cristã. pag. 536-537.

 

 

SINOPSE III

 

A acusação dos exilados em Babilônia contra Javé, seu Deus, de injustiça, se reverte contra eles mesmos.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

OS JUSTOS PODEM CAIR DA GRAÇA (EZ 18.21-32)

 

”Ezequiel explica que se o ímpio se converter de todos os seus pecados […] certamente viverá (21). Deus tem prazer em dar-lhe vida (23). Por outro lado, o profeta pergunta: desviando-se o justo da sua justiça […] porventura viverá? (24). A resposta é: ”Não”. De todas as suas justiças […] não se fará memória (‘Nenhum de seus atos justos será lembrado’, NVI) […] e no seu pecado com que pecou, neles morrerá (24). O profeta explica mais adiante: Desviando-se o justo da sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por ela; na sua iniquidade que cometeu, morrerá (26).

Essa pessoa realmente foi justa e realmente caiu de graça. Se ela não voltar para Deus, mas morrer em seu estado caído, sofrerá a ira santa de Deus. A ideia, aceita amplamente no Protestantismo, de que se alguém tornar-se um cristão não pode cair da graça e perder-se vai contra o ensino desse texto. Isso foi ensinado por João Calvino (1509-1564), pelos calvinistas nos tempos de Jacó Armínio, e continua sendo ensinado por muitos teólogos calvinistas, que, mesmo assim, aceitam o arminianismo em outros pontos importantes – e.g. que qualquer pessoa pode ser salva. É difícil entender como alguém pode conciliar a teologia de ‘uma vez na graça, sempre na graça’ como claro ensino bíblico dessa passagem” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, pp. 456,57).

 

 

CONCLUSÃO

 

Depois de refutar o imaginário popu­lar de que Deus estivesse sendo injusto pelo castigo do povo, o profeta chama os seus leitores para uma reflexão. Esse discurso soteriológico é muito importante e continua atual na vida da igreja e na pregação cristã. É nossa responsabilidade levar essa mensagem aos perdidos da terra.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- O que significava a máxima “os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram”?

Com base nesse ditado, eles diziam que estavam sendo punidos por causa dos pecados de seus antepassados.

 

2- Como se chama o movimento que hoje segue esse pensamento das uvas verdes e dentes embotados?

Esse movimento é conhecido como “Batalha Espiritual” que inclui a doutrina da maldição hereditária.

 

3– Por que Deus proibiu o uso desse ditado popular em Israel?

Deus proíbe o uso desse ditado popular porque a responsabilidade é individual. O profeta Ezequiel fecha a porta fatalista do imaginário popular do povo de Judá e dos exilados de Babilônia.

 

4- Qual a conclusão depois de Ezequiel explicar a verdade e apresentar os fatos?

Depois de explicar essa verdade e apresentar os fatos vem a conclusão: os caminhos do Senhor são corretos e os do povo, torcidos.

 

5- Qual a tendência das pessoas hoje ao explicar suas aflições?

É tendência dessas pessoas culparem a Deus pelas suas mazelas.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

Acesse mais:  Lições Bíblicas do 3° Trimestre 2022   

 

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