8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

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Texto Áureo

[…] Bem-aventurado os que ouvem a palavra de Deus e a guardam. (Lc 11.28).

Verdade Prática

A autoridade divina da Bíblia deriva de sua origem em Deus, e isso por si só encerra a suprema autoridade das Escrituras com plena e total garantia da infalibilidade.

OBJETIVO GERAL

Demonstrar o nosso compromisso com a palavra de Deus.

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OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

  • Afirmar a autoridade da Bíblia:
  • Mostrar o zelo pela boa doutrina:
  • Pontuar os cuidados quanto aos modismos.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Js 1.8 A Bíblia é o nosso manual de instrução para a vida

Terça – Mc 7.13 O Senhor Jesus chama as Escrituras Sagradas de a Palavra de Deus

Quarta – Lc 4.4 O poder da Palavra de Deus é capaz de vencer o Diabo

Quinta – Ef 6.17 A Bíblia é chamada de espada do Espírito

Sexta – 2 Tm 3.14-17 A Palavra de Deus é divinamente inspirada e apta para nos ensinar

Sábado – Hb 4.12 A Palavra de Deus é viva e poderosa, capaz de transformar vidas

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LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

2 Timóteo 2:14-19; 2 Pedro 1:20,21

14 – Traze estas coisas à memória, ordenando-lhes diante do Senhor que não tenham contendas de palavras, que para nada aproveitam e são para perversão dos ouvintes.

15 – Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.

16 – Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade.

17 – E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto;

18 – Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns.

19 – Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.

2 Pedro 1:20,21

20 – Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação.

21 – Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.

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HINOS SUGERIDOS: 259; 499; 506 da Harpa Cristã.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

O compromisso com a palavra de Deus é uma das nossas maiores preocupações como Movimento. Para nós, a Bíblia é inspirada e inerrante em toda sua dimensão e, por isso, é a única regra de fé e prática para a vida cristã. Cremos que toda experiência espiritual genuína não pode contrariar a Palavra de Deus. A Bíblia é a referência para avalizar toda experiência pessoal e coletiva. Ela é a bussola que norteia a nossa jornada espiritual. Por meio dela somos guiados pelo Espirito Santo até o dia em que seremos arrebatados para estar para sempre com o senhor. É preciso estar comprometido integralmente com ela. A razão de a Escola Bíblica Dominical existir é ensinar a Palavra de Deus a todas as pessoas. Eis, portanto, a mais importante causa para que todos os agentes dessa escola estejam comprometidos com a Bíblia sagrada.

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INTRODUÇÃO

Nós somos apegados à Palavra e buscamos a orientação do Espírito Santo para nos ajudar na interpretação das Escrituras. Vamos estudar a revelação dos pentecostais clássicos e a leitura da Bíblia, a maneira como nós observamos as regras gramaticais e o contexto histórico e literário para compreender melhor o texto sagrado.

Comentário

O amor e o compromisso com a Palavra de Deus são um dos legados deixados pelos nossos pais na fé. Muitos pioneiros foram desfavoráveis a seminários e cursos formais de teologia, no entanto, todos defenderam com todas as suas forças a leitura e o estudo da Bíblia. O hábito da leitura diária da Bíblia é parte da cultura do nosso povo.

Soares. Esequias,.O verdadeiro Pentecostalismo. A atualidade da doutrina Bíblica sobre a Atuação do Espírito Santo. Editora CPAD.

I. INTRODUÇÃO BÍBLICA OU BIBLIOLOGIA

Pela Bíblia, Deus fala em linguagem humana, para que o homem possa entendê-lo. Por essa razão, a Bíblia faz alusão a tudo que é terreno e humano. Ela menciona países, montanhas, rios, desertos, mares, climas, solos, estradas, plantas, produtos, minérios, comércio, dinheiro, línguas, raças, usos, costumes, culturas, etc. Isto é, Deus, para fazer-se compreender, vestiu a Bíblia da nossa linguagem, bem como do nosso modo de pensar. Se Deus usasse sua linguagem, ninguém o entenderia. Ele, para revelar-se ao homem, adaptou a Bíblia ao modo humano de perceber as coisas. Destarte, o autor da Bíblia é Deus, mas os escritores foram homens. Na linguagem figurada dos Salmos e das diversas outras partes da Bíblia, Deus mesmo é descrito e age como se fosse homem. A Bíblia chega a esse ponto para que o homem compreenda melhor o que Deus lhe quer dizer. Isto também explica muitas dificuldades e aparentes contradições do texto bíblico.

II. O ÂMBITO DESTE ASSUNTO

A Bibliologia estuda a Bíblia sob os seguintes pontos de vista:

1. Observações gerais sobre sua leitura e estudo.

2. Sua estrutura, considerando sua divisão, classificação dos livros, capítulos,

versículos, particularidades e tema central.

3. A Bíblia considerada como o Livro Divino, isto é, como a Palavra escrita de

Deus.

4. O Cânon sagrado: sua formação e transmissão até nós.

5. A preservação e tradução do texto da Bíblia. Isto aborda as línguas originais e os manuscritos bíblicos.

6. Inclui ainda elementos de história geral da Bíblia, inclusive o Período Interbíblico ou Intertestamentário, e de auxílios externos no estudo da Bíblia: geografia bíblica, usos e costumes antigos orientais, sistemas de medidas, pesos e moedas; cronologia bíblica geral, história das nações antigas contemporâneas; estudos das personagens e dos livros da Bíblia, e das dificuldades bíblicas.

III. A RAZÃO DA NECESSIDADE DAS ESCRITURAS

Deus se tem revelado através dos tempos por meio de suas obras, isto é, da criação (SI 19.1-6; Rm 1.20). Porém, na Palavra de Deus temos uma revelação especial e muito maior. É dupla esta revelação: a) na Bíblia, que é a PALAVRA DE DEUS ESCRITA, e b) em Cristo, que é PALAVRA DE DEUS VIVA (Jo 1.1). Esta dupla revelação é especial, porque tornou-se necessária devido à queda do homem.

IV. A NECESSIDADE DO ESTUDO DAS ESCRITURAS

Isto está implícito em Salmo 119.130; Isaías 34.16; 2 Timóteo 2.15; 1 Pedro 3.15, e nos conduz a dois pontos de suma importância: a) porque devemos estudar a Bíblia, e b) como devemos estudar a Bíblia.

Estudar é mais que ler; é aplicar a mente a um assunto, de modo sistemático e constante.

1. Porque devemos estudar a Bíblia

a. Ela é o único manual do crente na vida cristã e no trabalho do Senhor. O crente foi salvo para servir ao Senhor (Ef 2.10; 1 Pe 2.9). Sendo a Bíblia o livro texto do cristão, é importante que ele a maneje bem, para o fiel desempenho de sua missão (2 Tm 2.15). Um bom profissional sabe empregar com eficiência as ferramentas de seu ofício. Essa eficiência não é automática: vem pelo estudo e prática. Assim deve ser o crente com relação ao seu manual – a Bíblia. Entre as promessas de Deus nesse sentido, temos uma muito maravilhosa em Isaías 55.11. Deus declara aí que sua Palavra não voltará vazia. Portanto, quando alguém toma tempo para estudar com propósito a Palavra de Deus, o efeito será glorioso quanto à edificação espiritual e ao engrandecimento do reino de Deus.

b. Ela alimenta nossas almas (Jr 15.16; Mt 4.4; 1 Pe 2.2). Não há dúvida de que o estudo da Palavra de Deus traz nutrição e crescimento espiritual. Ela é tão indispensável à alma, como o pão ao corpo. Nas passagens acima, ela é comparada ao alimento, porém, este só nutre o corpo quando é absorvido pelo organismo. O texto de 1 Pedro 2.2 fala do intenso apetite dos recém-nascidos; assim deve ser o nosso desejo pela Palavra. Bom apetite pela Bíblia é sinal de saúde espiritual.

Como está o seu apetite pela Bíblia, leitor?

c. Ela é o instrumento que o Espírito Santo usa (Ef 6.17). Se em nós houver abundância da Palavra de Deus. o Espírito Santo terá o instrumento com que operar. É preciso, pois, meditar nela (Js 1.8; SI 1.2). Ê preciso deixar que ela domine todas as esferas da nossa vida, nossos pensamentos, nosso coração e, assim, molde todo o nosso viver diário.

Em suma: precisamos ficar saturados da Palavra de Deus.

Um requisito primordial para Deus responder às nossas orações é estarmos saturados da sua Palavra (Jo 15.7). Aqui está, em parte, a razão de muitas orações não serem respondidas: desinteresse pela Palavra de Deus. (Leia o texto outra vez.) Pelo menos três fatos estão implícitos aqui: a) Na oração precisamos apoiar nossa fé nas promessas de Deus, e essas promessas estão na Bíblia, b) Por sua vez, a Palavra de Deus produz fé em nós (Rm 10.17). c) Devemos fazer nossas petições segundo a vontade de Deus (1 Jo 5.14), e um dos meios de saber-se a vontade de Deus é através da sua Palavra.

Na vida cristã, e no trabalho do Senhor em geral, o Espírito Santo só nos lembrará o texto bíblico preciso, se de antemão o conhecermos (Jo 14.26). – É possível o leitor ser lembrado de algo que não sabe? Pense se é possível! Portanto, o Espírito Santo quer não somente encher o crente, mas também encontrar nele o instrumento com que operar a Palavra de Deus.

Ter o Espírito e não conhecer a Palavra, conduz ao fanatismo. Pessoas assim querem usar o Espírito em vez de Ele usá-las. Conhecer a Palavra e não ter o Espírito conduz ao formalismo. Estes dois extremos são igualmente perigosos.

d. Ela enriquece espiritualmente a vida do cristão (SI 119.72). Essas riquezas vêm pela revelação do Espírito, primeiramente (Ef 1.17). O leitor que procurar entender a Bíblia somente através do intelecto, muito cedo desistirá do seu intento. Só o Espírito de Deus conhece as coisas de Deus (1 Co 2.10). Um renomado expositor cristão afirma que há 32.000 promessas na Bíblia toda! Pensai que fonte de riqueza há ali! Entre as riquezas derivadas da Bíblia está a formação do caráter ideal, bem como a moldagem da vida cristã como um todo. É a-Bíblia a melhor diretriz de conduta humana; a melhor formadora do caráter. Os princípios que modelam nossa vida devem proceder dela.

A falta de uma correta e pronta orientação espiritual dentro da Palavra de Deus. especialmente quanto a novos convertidos, tem resultado em inúmeras vidas desequilibradas, doentes pelo resto da existência. Essas, só um milagre de Deus pode reajustá-las. Pessoas assim, ferem-se a si mesmas e aos que as rodeiam.

A Bíblia é a revelação de Deus à humanidade. Tudo que Deus tem para o homem e requer do homem, e tudo que o homem precisa saber espiritualmente da parte de Deus quanto à sua redenção, conduta cristã e felicidade eterna, está revelado na Bíblia. Deus não tem outra revelação escrita além da Bíblia. Tudo o que o homem tem a fazer é tomar o Livro e apropriar-se dele pela fé. O autor da Bíblia é Deus, seu real intérprete é o Espírito Santo, e seu tema central é o Senhor Jesus Cristo. O homem deve ler a Bíblia para ser sábio, crer na Bíblia para ser salvo, e praticar a Bíblia para ser santo.

Silva, Antônio Gilberto da, A Bíblia através dos séculos. Editora: CPAD.

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PONTO CENTRAL:

Amamos a palavra de Deus e somo comprometidos com ela.

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I – A AUTORIDADEDA BÍBLIA

Nós herdamos dos reformadores do século 16 o conhecido Sola Scriptura, “somente as Escrituras”, um dos cinco pilares da Reforma Protestante.

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1. Sola Scriptura.

Cada um dos cinco solae representa a chave de cada doutrina central dos reformadores como Lutero, Zuínglio, entre outros. O brado de Sola Scriptura significa que a Bíblia é a única regra de fé e prática para a vida cristã, e é por meio dela que podemos conhecer a Deus e entender a sua vontade (2 Tm 3.14-17). Os católicos romanos têm a Bíblia e a Tradição; as testemunhas de Jeová tem a Tradução do Novo Mundo, e mais a revista A Sentinela; os mórmons têm a Bíblia e mais o Livro de Mórmone outras publicações como fonte de autoridade espiritual.

Comentário

Nossa declaração de fé é esta: cremos, professamos e ensinamos que a Bíblia Sagrada é a Palavra de Deus, única revelação escrita de Deus dada pelo Espírito Santo, escrita para a humanidade e que o Senhor Jesus Cristo chamou as Escrituras Sagradas de a “Palavra de Deus; ״ que os livros da Bíblia foram produzidos sob inspiração divina: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil” (2 Tm 3.16 – ARA). Isso significa que toda a Escritura foi respirada ou soprada por Deus, o que a distingue de qualquer outra literatura, manifestando, assim, o seu caráter sui generis. As Escrituras Sagradas são de origem divina; seus autores humanos falaram e escreveram por inspiração verbal e plenária do Espírito Santo: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espirito Santo” (2 Pe 1.21). Deus soprou nos escritores sagrados, os quais viveram numa região e numa época da história e cuja cultura influenciou na composição do texto.

Esses homens não foram usados automaticamente; eles foram instrumentos usados por Deus, cada um com sua própria personalidade e talento. A inspiração da Bíblia é especial e única, não existindo um livro mais inspirado e outro menos inspirado, tendo todos o mesmo grau de inspiração e autoridade. A Bíblia é nossa única regra de fé e prática, a inerrante, completa e infalível Palavra de Deus: “A lei do Senhor é perfeita” (SI 19.7), É a Palavra de Deus, que não pode ser anulada: “e a Escritura não pode falhar” (Jo 10.35 -ARA).

Soares. Esequias,. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Editora CPAD. pag. 25-26.

A Bíblia é a única fonte de autoridade espiritual para as Assembleias de Deus. Nós, assembleianos, não somos herdeiros diretos da Reforma, mas professamos também os seus conhecidos cinco pilares: sola Scriptura, sola fide, sola gratia, solus Christus e soli Deo gloria”. Cada um dos cinco solae representa a chave de cada doutrina central dos reformadores do século 16 e se relacionam, contrapondo os ensinos da Igreja Católica. Quem no século 21 são os herdeiros da Reforma Protestante? É uma pergunta interessante. Antonio Gouveia de Mendonça, num artigo publicado na Revista USP 67, intitulado O protestantismo no Brasil e suas encruzilhadas, divide a reforma em três ramos: anglicano, luterano e calvinista, ou reformado propriamente dito.

Mendonça afirma: “Feita aquela ressalva quanto ao anglicanismo, os protestantes propriamente ditos são os luteranos e calvinistas que se espalham pelo mundo em numerosa diversificação, particularmente estes últimos”. Continua o artigo:

Então, protestantes seriam aquelas igrejas que se originaram da Reforma ou que, embora surgidas posteriormente, guardam os princípios gerais do movimento. Essas igrejas compõem a grande família da Reforma: luteranas, presbiterianas, metodistas, congregacionais e batistas. Estas últimas, as batistas, também resistem ao conceito de protestantes por razões de ordem histórica, embora mantenham os princípios da Reforma.

Com base nessa classificação, os assembleianos e os outros grupos não católicos, no geral poderiam ser considerados herdeiros da Reforma. A teologia das Assembleias de Deus se harmoniza com os princípios básicos da Reforma. O pilar, sola Scriptura, “somente as Escrituras”, significa que a Bíblia é a única regra de fé e prática para a vida cristã e é por meio dela que podemos conhecer a Deus e entender a sua vontade (2 Tm 3.14-17), e não as Escrituras e a Tradição juntas.; Sola fide, “somente a fé”, a justificação dos nossos pecados só é possível por meio da fé, e não a fé e mais as boas obras, não existe nenhuma boa obra que possamos fazer para conquistá-la ou merecê-la (Rm 3.28). Sola gratia, “somente a graça”, a salvação é gratuita e oferecida por Deus por meio de Jesus Cristo e não depende de nós mesmos, não a merecemos, mas Deus a concede porque ama a humanidade (Rm 3.24).100 Solus Christus, “somente Cristo”, o Senhor Jesus Cristo é o único Salvador do mundo, a salvação só é possível por meio dele, Jesus é o único que pode interceder pela humanidade inteira, pois veio ao mundo e viveu sem pecado algum, se entregou para que nossas iniquidades fossem perdoadas (Jo 14.6), e não Cristo e a igreja, como no sistema católico. Soli Deo gloria, “somente a Deus a glória”, Deus não divide a sua glória (Is 42.8) e não glória a Deus e honra especial a Maria.

Soares. Esequias,.O verdadeiro Pentecostalismo. A atualidade da doutrina Bíblica sobre a Atuação do Espírito Santo. Editora CPAD.

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2. Nossos fundamentos.

Os pentecostais ainda são vistos por alguns não pentecostais e cessacionistas como um movimento que baseia suas crenças e práticas nas emoções e ensina a crença no Cânon aberto. São interpretações equivocadas a nosso respeito. Nós cremos que a revelação canônica se encerrou com os apóstolos do Novo Testamento (1 Co 15.8). A nossa fonte de autoridade é unicamente a Bíblia, conforme a Declaração de Fé das Assembléias de Deus: “A Bíblia é a nossa única regra de fé e prática… não necessitamos de uma nova revelação extraordinária ou pretensamente canônica” (2 Pe 1.19-21).

Comentário

1. Estrutura. Adotamos o Cânon Protestante e ensinamos, pois, que a Bíblia contém somente 66 livros inspirados por Deus, estando dividida em duas partes principais, Antigo e Novo Testamento, ambos escritos por ordem de Deus num período de 1.600 anos aproximadamente e por cerca de 40 homens de estratigrafias distintas, os quais escreveram em lugares e em épocas diferentes, como Moisés: “Disse mais o Senhor a Moisés: Escreve estas palavras; porque, conforme o teor destas palavras, tenho feito concerto contigo e com Israel” (Êx 34.27); Jeremias (cerca de 800 anos depois): “[…] veio esta palavra do Senhor a jeremias, dizendo: Toma o rolo de um livro e escreve nele todas as palavras que te tenho falado sobre Israel, e sobre Judá, e sobre todas as nações, desde 0 dia em que eu te falei a ti, desde os dias de Josias até hoje” (Jr 36.1,2); e o apóstolo João (no final do primeiro século da era cristã):”[…] E disse-me: Escreve, porque estas palavras são verdadeiras e fiéis” (Ap 21.5). Entretanto, a pluralidade de escritores e os diferentes lugares e épocas em que foi escrita não comprometeram a sua singular homogeneidade, pois se trata do pensamento de um único autor: Deus.

Soares. Esequias,. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Editora CPAD. pag. 26.

O nosso enfoque é sobre as Escrituras. O nosso Cremos, publicado no expediente do jornal, Mensageiro da Paz, declara:

“Cremos na inspiração divina verbal e plenária da Bíblia Sagrada, única regra infalível de fé e prática para a vida e o caráter cristão (2 Tm 3.14-17)”.101 Mas, os pentecostais ainda são vistos por alguns não pentecostais e cessacionistas como um movimento que baseia suas crenças e práticas nas emoções e que ensina a crença no Cânon aberto. São interpretações equivocadas a nosso respeito.

Quando foi criada a Convenção Americana das Assembleias de Deus em 1914, os líderes perceberam que havia a tentação de elevarem-se as revelações pessoais e outras manifestações místicas ao mesmo nível. Assim, era necessário fazer certo esforço para manter o equilíbrio entre os ensinos bíblicos e a experiência religiosa.

Somos emocionais? É verdade. Somos, sim, emotivos, pois Deus criou o ser humano, como afirma Brumback: “não apenas como um ser físico, intelectual e espiritual, mas também, como criatura emocional”. A emoção é um elemento inteiramente humano. A verdade é que as emoções, como qualquer outra dimensão da vida humana devem ser submetidas aos ensinos bíblicos. Brumback continua:

Pode ser que a teologia e o formalismo modernos abafariam todas as expressões exteriores de emoção, mas as Escrituras não o fazem. Examine as Escrituras como quiser, não encontraria nelas apoio dos cultos estoicos e puramente intelectuais, como se proclamam os dirigentes da Igreja atual.

Queremos dizer somente que as igrejas médias dos Pentecostais são ao menos iguais às igrejas não Pentecostais, quanto à apreciação da Palavra. Não podemos crer que as expressões de emoção, que não estorvam, mas antes aumentam, o desejo de crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, sejam considerados indecentes e fora de ordem.

Ou seja, como Brumback comenta, vemos que os pentecostais vivem uma vida plena, pois submetem não só o intelecto, mas toda a sua vida ao Senhor para serem usados pelo Espírito Santo. É preciso haver equilíbrio, não é só o intelecto ou só a emoção, mas corpo, alma e espírito, o ser humano como um todo sendo usado por Deus.

Soares. Esequias,.O verdadeiro Pentecostalismo. A atualidade da doutrina Bíblica sobre a Atuação do Espírito Santo. Editora CPAD.

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3. Não somos deístas.

Deísmo é a doutrina que afirma a existência de Deus, mas que Ele está muito longe de nós e não se envolve com os assuntos humanos. É como um relojoeiro que dá corda a um relógio e esquece-se dele. Nós somos teístas, isto é, cremos que Deus “nào está longe de cada um de nós” (At 17.27), Ele está interessado no ser humano (Hb 11.6). O fechamento do Canon Sagrado não significa que Deus abandonou suas criaturas e o seu povo. Nós cremos que Deus continua a se comunicar com o seu povo por meio dos dons espirituais (At 2.14-21). Entretanto, essa revelação não se reveste de autoridade canônica para a igreja. Deus se comunica conosco pela leitura de sua Palavra, pelos dons espirituais, sonhos, visões e até pelas coisas simples do dia a dia (At 2.17,18).

Comentário
I. Definição de deísmo

A palavra vem do latim deus, Deus. Os socinianos (que vide) introduziram o termo no século VI. Porém, veio a ser aplicado a um movimento dos séculos XVII e XVIII, que enfatizava que o conhecimento sobre questões religiosas e espirituais vem através da razão, e não através da revelação, que sempre aparece como suspeita e como instrumento de fanáticos e de pessoas de estabilidade mental questionável.

1. Essa circunstância outorga-nos a característica básica do deísmo: um conhecimento adquirido através da razão, e não através da revelação. A isso chamamos de religião natural, em contraste com a religião sobrenatural.

2. O termo deísmo também é usado para aludir à ideia de que existe uma primeira causa, que podemos chamar de deus, mas que não é intrinsecamente perfeita ou completa, e nem é o objeto apropriado de nossa adoração.

3. Na filosofia, o termo é usado em contraste com o teismo (que vide). Nesse caso, afirma que houve um deus ou força cósmica de algum tipo que deu origem à criação, mas que, ato continuo, abandonou a sua criação, deixando-a entregue ao controle das leis naturais. Assim sendo, Deus não teria qualquer interesse por sua própria criação, não intervindo, nem galardoando e nem castigando. Isso signifique. Que Deus está divorciado de sua criação, Em contraste, o teísmo ensina a presença de Deus na criação, intervindo, galardoando e punindo. O homem é responsável diante dos princípios divinos, e será devidamente galardoado ou punido, Segundo suas ações; mas, de acordo com o deísmo, isso dar-se-ia por meio de leis naturais, as quais, para todos os propósitos práticos, tornam-se uma divindade substituta.

II. Ateísmo Prático a muito difícil pensarmos nas leis naturais como uma divindade. Se elas são o nosso deus, então, apesar de existir um Ser Supremo, para todos os propósitos práticos, vivemos como ateus. Os deístas da Inglaterra, nos séculos XVII e XVIII, atacaram as chamadas religiões reveladas, especialmente o cristianismo. Eles asseveravam que as supostas revelações do Antigo e do Novo Testamentos são, na realidade, uma coleção de livros fabulosos e sem autenticidade. Lord Herbert de Cherbury (que vide; 1583-1648) tem sido chamado de pai do deísmo». Apresentamos os cinco pilares ou doutrinas do deísmo, na declaração introdut6ria do artigo sobre o Deísmo, contudo, ele era menos radical do que os deístas que se seguiram, pois ele insistia principalmente sobre a religião natural, através da lumen naturae, a luz da natureza, como o modo de se tomar conhecimento das verdades religiosas, em vez da revelação. – Os deístas mais extremados foram Thomas Morgan, Thomas Chubb e Thomas Woolston. a curioso que todos os três se chamassem Thomas, mas o mais provável é que –tudo foi mero acaso. Outros deístas de nota foram John Toland e Matthew Tindal. Este último despertou especial atenção por causa de seus ataques contra o bispo Butler (que vide). Seus escritos mais bem conhecidos foram Christianity as Old as the Criation e The Gospel, a Republication the Religion Nature.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 38.

Deísmo. Do fr. déisme (do lat. deus). Concepção, especialmente dos séculos XVII e XVIII, que afirma a existência de Deus como causa do Universo, porém nega sua intervenção providencial no mundo, bem como a ideia de uma revelação histórica, Admite apenas uma religião natural ou racional. Em seu livro Atheismus und Orthodoxie, Hans-Martin Barth mostra que no século XVII o deísmo foi sinonimizado com ateísmo, com base na tese de que um deus que não age, que não é providencia, é o mesmo que um deus inexistente. Por isso a ortodoxia classificou como ateu o filósofo e historiador ingl. Herbert de Cherbury (1583-1648), o pai ou avó do deísmo. Platão concordaria com essa avaliação, pois em Leis X ele diz que negar a providencia é negar a Deus. Lutero pensava que Deus seria um deus ridículos, se qualquer coisa acontecesse sem ele (WA 18, 718).

Schüler. Arnaldo., Dicionário Enciclopédico de Teologia. Editora: Ubra. pag. 153-154.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Este tópico apresenta a autoridade das Escrituras. O comentarista menciona o termo latino Sola Scriptura, que quer dizer “Somente as Escrituras”. Ao introduzir o presente tópico, sugerimos que você faça um relato histórico a respeito da importância do evento histórico que ajudou a estabelecer o princípio da Sola Scriptura: o movimento da Reforma Protestante com Martinho Lutero. Cuidado com o tempo. Procure fazer isso no máximo em 10 minutos. Para isso, sugerimos que pesquise a obra “Deus e o Seu Povo”, editada pela CPAD. Nela há um capítulo todo especial sobre o esse acontecimento histórico (p.121ss).

A ideia é que você mostre o quanto devemos zelar para não perder a simplicidade das Escrituras. O contexto do Movimento da Reforma mostra que quando se perde as raízes do cristianismo apostólico, perde-se também a credibilidade, a verdadeira espiritualidade e o temor a Deus. E essas raízes apostólicas encontram-se nas Escrituras Sagradas. O Sola Scriptura é uma convocação para voltar a essas raízes.

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SÍNTESE DO TÓPICO I

Somos um povo que cremos na autoridade da Bíblia para nossa fé e prática.

II – ZELO PELA DOUTRINA

O zelo pela doutrina tem ligações com a apologética cristã. Desde muito cedo na história, a igreja percebeu que a Bíblia precisa ser interpretada para que os crentes conheçam melhor o pensamento bíblico e a doutrina da igreja. Os credos e as confissões de fé são documentos produzidos pelas igrejas com esse propósito.

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1. Ensino ou instrução.

A palavra “doutrina” vem do latim doctrina, que literalmente significa “ensino” ou “instrução”. Mas o termo apresenta vários níveis de significado de acordo com o seu contexto. Quando o texto sagrado expressa: “e perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2.42), isso significa que os discípulos permaneciam seguindo o ensino dos apóstolos. Nesse caso, a palavra “doutrina” significa ensino, instrução (Dt 32.2). Estamos nos referindo aos ensinos bíblicos.

Comentário
DOUTRINA

Essa palavra significa «ensino… Vem do latim, doctrina, cuja forma verbal ~ docere, “ensinar”, O termo tem um sentido geral, podendo referir-se a qualquer tipo de ensino, como também pode indicar algum ensino especifico, como a doutrina da salvação.

Também pode envolver as ideias de crença, dogma, conceito ou principio fundamental ou normativo por detrás de certos atos. Esse vocábulo traz imediatamente às nossas mentes ideias e ensinamentos religiosos, porque usualmente é assim que o ouvimos ser dito. A expressão «a doutrina» pode aludir aos ensinamentos de Cristo, ou ao sistema de ensinos cristãos. Porém, o pr0p6sito da doutrina cristã é a mudança da vida dos cristãos, pelo que o termo não deve subentender meros conceitos intelectuais e religiosos, que compõem algum sistema. Essa palavra dá a entender aqueles ensinos usados pelo Espirito a fim de transformar almas humanas, tomando-as semelhantes ao seu Mestre.

As doutrinas formalizadas na forma de credos tendem a estagnar a viva energia dos ensinamentos de Cristo. Seus ensinos apontam para categorias do ser que não podem ser expressas distintamente como conceitos verbais.

Quando Jesus convidou: «…aprendei de mim… » (Mat. 11:29), certamente ele não estava pensando em alguma sistematização de ideias a seu respeito, e, sim, na capacidade transformadora de sua doutrina e Espirito, capaz de transformar seus discípulos (aprendizes).

As palavras gregas assim traduzidas são didaskalia e didachê, Essas duas palavras aparecem, juntas, por quarenta e oito vezes no Novo Testamento grego. A ideia essencial é «ensino», a comunicação de conhecimentos. O ensino do Antigo Testamento sobre a lei e os preceitos de Deus tinha o intuito de levar os homens a defrontarem-se com os requisitos divinos da conduta humana (Exo, 4:15; Deu. 4:1,5; 6:1,6,7).

Esse tipo de conceito é transferido para o Novo Testamento. Nas epístolas pastorais já nos aproximamos da ideia de um sistema doutrinário formal, pelo que encontramos a sã doutrina do evangelho, contrastada com as imoralidades do paganismo (ver I Tim. 1:9-11; 6:13; Tito 1:9; 2:1-5,9,10).

O kerugma, -pregação-, do Novo Testamento (ver I Cor. 1:21) é o meio usado na evangelização, é como se toma conhecida a mensagem de Cristo. O didachi é o meio de instruir as pessoas na nova vida cristã. O kerugma tem suas exigências éticas e espirituais, O didache é aquela instrução que dá detalhes sobre como podemos cumprir esses requisitos. Nenhum desses vocábulos pode ser entendido como uma mera comunicação e instrução verbal. Ambos os processos devem ser impulsionados pelo Espírito, a fim de fazer qualquer coisa pelo homem que se desviou muito de Deus. Quando o ancião de 11 João 9 e 10 referiu-se à doutrina da encarnação, usando a palavra didaehê, ele não estava meramente prestando alguma informação.

Antes, ele dava a entender que o Cristo encarnado é uma pessoa viva, que comungará, com os nossos espíritos e nos transformará. Portanto, a doutrina não consiste meramente naquilo em que cremos. Antes, trata-se de uma maneira de viver.  De outra sorte, a fé cristã seria apenas uma outra filosofia.

Paulo fala no DOM DE ENSINAR (ver Efé. 4:11), conferido a indivíduos especiais da Igreja cristã, a fim de que a mensagem cristã possa ser anunciada de forma mais eficaz. Esses homens, antes de tudo, devem santificar-se, ou a sua mensagem cairá por terra. Também precisam ser impulsionados por Deus, e devem mostrar-se ativos. Desse modo, o didachi terá oportunidade de fazer valer sua obra transformadora.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 228-229.

Ele começa com uma aplicação solene do que estava prestes a dizer ao povo (v. 2): “Goteje a minha doutrina como a chuva”. “Ela será uma chuva punitiva e abrangente, sobre os rebeldes”, é a explicação de um dos parafrastas caldeus à primeira sentença. A chuva às vezes é enviada como castigo, com cujo testemunho o mundo sofreu o dilúvio. E assim também a palavra de Deus, embora para alguns seja restauradora e renovadora, um cheiro de vida para vida, para outros é mortal e terrível, um cheiro de morte para morte. Ela será como um orvalho doce e consolador àqueles que estiverem devidamente preparados para recebê-lo. Observe: (1) O assunto deste cântico é a doutrina. Ele lhes tinha dado um cântico de louvor e graças (Êx 15), mas este é um cântico de instrução, pois em salmos, e hinos, e cânticos espirituais, não somente devemos dar glória a Deus, mas ensinar e admoestar, uns aos outros, Colossenses 3.16. Consequentemente, muitos dos salmos de Davi são chamados Masquil – que instruem. (2) A doutrina é adequadamente comparada à chuva e a chuvisco, que vêm do alto, para tornar frutífera a terra e cumprir aquilo para que foram enviados (Is 55.10,11), e não esperam pela sabedoria ou vontade do homem, Miquéias 5.7.

É uma misericórdia ter esta chuva caindo frequentemente sobre nós, e é nosso dever beber dela, Hebreus 6.7. (3) Ele lhes promete que a sua doutrina irá cair e destilar como o orvalho, e o chuvisco, que descem silenciosamente e sem ruídos. A palavra pregada provavelmente será frutífera quando vier gentilmente, e ressoar de uma forma doce e suave nos corações e afetos dos ouvintes. (4) Ele indica a aceitação do povo à sua doutrina, e que ela lhes seria tão doce, e agradável, e bem-vinda a eles, como a chuva sobre a terra sedenta, Salmos 72.6. E a palavra de Deus provavelmente nos fará bem, quando for desta maneira aceitável. (5) O erudito bispo Patrick interpreta como uma oração para que suas palavras, que foram enviadas do céu a eles, possam impregnar os seus corações e suavizá-los, como a chuva amolece a terra, tornando-os, assim, frutíferos em obediência.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Gênesis a Deuteronômio. Editora CPAD. pag. 661-662.

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2. O conteúdo da fé.

A palavra doutrina se aplica também a um corpo básico e coerente do ensino cristão, como os credos. Trata-se de um ensino sistemático sobre os dados da revelação. A fonte do conteúdo doutrinário é a própria Palavra de Deus auxiliada pela experiência cristã e com ajuda do intelecto humano (1 Tm 4.16; 2 Tm 3.16). Isso se faz por meio do ensino, da instrução. Quando o apóstolo Paulo diz: “Traze estas coisas à memória”

(v.14), ele está se referindo à sã doutrina, contrapondo “os falatórios profanos” (v.16). Os credos e as confissões de fé são dois tipos distintos de documentos eclesiásticos, mas com o mesmo propósito, interpretar as Escrituras para sintetizar o ensino da igreja. Os credos são genéricos e as confissões de fé são mais elaboradas e específicas.

Comentário

No grego, a palavra «…Recomenda…» é «upomimnesko», que significa «relembrar». Portanto, temos aqui um outro piedoso «lembrete», tal como no oitavo versículo, onde as notas expositivas deveriam ser consultadas.

Nesta oportunidade, o «supervisor presidente» é exortado a relembrar aos pastores sob sua influência quais sejam os seus deveres, sobretudo com referência aos hereges e suas doutrinas.

«…estas cousas…» No grego é «tauta», que é usado pelo autor sagrado como meio de «revisar» o que acabara de dizer, ou como introdução ao que estava prestes a afirmar. Neste caso, a palavra serve de introdução. (Ver I Tim. 3:14; 4:6,11,15; 5:7,21; II Tim. 1:12; 2:14; Tito 2:15 e 3:8).

«…nada aproveitam…·» No grego temos aqui um adjetivo, «chresimos», que significa «útil», «benéfico», «vantajoso». As disputas por causa de meras palavras somente provocam contendas; não preparam o indivíduo para viver melhor, para buscar o bem, para ajudar outros a fazerem o mesmo; antes, destroem o desejo e a vontade de viver na prática da piedade.

«…subversão…» No grego é «katastrophe», «ruína», «destruição», o contrário da ideia da «edificação da verdade». Sua forma verbal significa «abalar», «destruir», «transtornar», «desviar». Tais disputas serviam apenas para «abalar» o curso da inquirição espiritual, «desviando» os homens acerca do que realmente é importante na religião revelada, o que «arruinava» suas vidas espirituais. Alguns intérpretes acreditam que o sentido completo de «ruína» deve ser aplicado aqui, a saber, o julgamento dos perdidos. Pelo menos isso fica subentendido, posto que a oposição era feita contra os hereges, sendo natural pensar-se que aqueles que aderissem às suas ideias sofreriam ruína.

«…contendas de palavras…» No grego é «logomachein», forma infinitiva de «logomachia», que se acha em I Tim. 6:4. Tanto a forma verbal como a forma nominal se encontram somente nestas «epístolas pastorais», sendo uma das cento e setenta e cinco palavras dessa categoria. (Quanto a notas expositivas sobre as «peculiaridades linguísticas das epístolas pastorais», e o que isso significa com referência à autoria, ver a primeira secção, parte quarta da introdução às mesmas.

 «Debates improfícuos» é o que está em foco, onde as palavras e seus «significados sutis» ocupam a posição central, ao invés de sólidos ensinamentos morais acerca da vida piedosa. Alguns estudiosos, porém, veem aqui certo reflexo dos ensinamentos judaicos, pois estes estudavam os vocábulos do A.T. e procuravam descobrir sentidos místicos ocultos nas letras e em seus acentos. Porém, é mais provável que devamos pensar aqui na imitação dos gnósticos aos sofistas, para quem a habilidade retórica era imprescindível, e mediante o que qualquer «caso» podia ser provado, a despeito de seu ínfimo valor. Ora, isso conduzia os homens somente à inveja, às dissensões, à calúnia, a suspeitas vis, conforme lemos em I Tim. 4:6. Os primeiros capítulos da primeira epístola aos Coríntios, que enfatizam a perversão da «sabedoria», indicam que muitas dificuldades foram causadas no seio da igreja por crentes que se deleitavam na aplicação de argumentos sofistas. Comparar isso com o trecho de I Cor. 4:20, que diz:

«Porque o reino de Deus consiste, não em palavra, mas em poder». É provável que em qualquer região onde havia escolas de filosofia grega, alguma dificuldade na igreja tenha sido causada pelas «batalhas de palavras», pois sempre haveria alguns convertidos ao cristianismo que retinham vinculação e gosto pelas disputas filosóficas.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 378.

Sitiado pelos falsos ensinadores e pelas pressões inevitáveis de um ministério que crescia, Timóteo pode ter se sentido tentado, às vezes, a abandonar a sua fé ou modificar a sua doutrina. Paulo aconselhou Timóteo a olhar para o seu passado e permanecer naquilo que havia aprendido sobre Jesus, coisas que ele sabia que eram completamente verdadeiras. Os falsos ensinadores podiam se mover constantemente para ideias e conceitos novos e mais estimulantes para se discutir e se comentar, mas Timóteo precisava permanecer firme naquilo que tinha aprendido e em que acreditava firmemente. Isto não significa que Timóteo não precisasse continuar estudando, mas que o básico que ele tinha aprendido com pessoas em quem confiava nunca mudaria.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 538.

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3. A nossa confissão de fé e a Bíblia.

A nossa confissão de fé não é de autoria particular, pois expressa o pensamento e a vida da igreja. Esse documento é submetido às Escrituras e estão em conformidade com elas. A nossa Declaração de Fé ocupa extraordinária importância na vida da igreja como sumário doutrinário da Bíblia e ajuda para sua compreensão, além de servir como proteção contra as falsas doutrinas. Entretanto, a Palavra final é a Bíblia, a Declaração de Fé expressa a doutrina oficial da Igreja. Há no Novo Testamento embriões de credos e confissões de fé (Mt 16.16; Fp 2.8-11; 1 Tm 6.13) que foram desenvolvidos ao longo da história da Igreja.

Comentário

Os nossos primeiros missionários serviram em nosso país na evangelização e no ensino da Palavra. O zelo deles pela doutrina contribuiu para a unidade doutrinária das Assembleias de Deus. A espera entre o início das Assembleias de Deus e as primeiras instituições de ensino teológico foi de cerca de 40 anos. Nessas primeiras décadas, a prioridade deles era a evangelização e o discipulado. Além disso, os grupos pentecostais das diversas partes dos Estados Unidos e Europa não se viam como uma denominação, mas como o Movimento do Espírito, Movimento Pentecostal. Os nossos pais jamais pretendiam fundar uma Assembleia de Deus institucional, eles eram contra institucionalizar o movimento. Eles sabiam o que estavam querendo e para onde estavam conduzindo a igreja. Todos eles conheciam a Bíblia e eram muito apegados a ela.

O conhecimento bíblico deles se percebe pela qualidade teológica da letra dos hinos da Harpa Cristã. Dificilmente você encontra ali um deslize doutrinário em qualquer desses poemas. O missionário Gunnar Vingren estudou teologia no Seminário Teológico Sueco da Igreja Batista em Chicago entre 1904 e 1909. A CPAD publicou por ocasião do Centenário das Assembleias de Deus a monografia de graduação de Gunnar Vingren apresentada em Chicago em 1909, O Tabernáculo e Suas Lições.106 Os primeiros educadores preocupavam-se com o crescimento espiritual dos santos e incentivavam o estudo da Bíblia, porém, temiam que cursos formais de teologia viessem intelectualizar demais a fé pentecostal.

O compromisso dos nossos pais com a Palavra, mesmo num período de escassez de ensino teológico, evidencia-se no esforço dos missionários e dos primeiros líderes em criar mecanismos para disponibilizar o ensino da Palavra a todos os crentes. A princípio, o ensino era à distância.

Em 1919, os missionários Gunnar Vingren, Otto Nelson e outros, em Belém do Pará, fundaram o jornal Boa Semente, com circulação nacional, que veio a ser o órgão oficial das Assembleias de Deus, pois o jornal, Voz da Verdade, já circulava desde 1917, mas não era órgão oficial e deixou de existir. Havia, ainda, outro jornal, Som Alegre, mas a 1ª. Assembleia Geral da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil CGADB, realizada em Natal, em janeiro de 1930, determinou que os dois jornais se fundissem num só. “O título escolhido foi Mensageiro da Paz, cujo primeiro número saiu em 1º. De dezembro de 1930”.

 É atualmente o órgão oficial da CGADB, e cada edição traz a síntese da Confissão de Fé, o Cremos, os 16 artigos das Assembleias de Deus no Brasil. O Mensageiro da Paz, durante anos, numa coluna especial, trazia um curso teológico à distância. Não era muito, mas cumpria o papel de um instituto bíblico. A principal agência de ensino bíblico que ajudou a suprir essa lacuna foi a Escola Bíblica Dominical.

As primeiras lições até 1930 foram publicadas em forma de suplemento no jornal, Boa Semente, e essa parte do periódico se chamava, “Estudos Dominicais”, escritos pelo missionário Samuel Nyström, eram lições em forma de esboços, preparadas para três meses. A partir de 1930, por decisões da 1ª. Assembleia Geral da CGADB, foram publicadas as Lições Bíblicas, inicialmente trimestrais, mas logo passaram a ser semestrais, principalmente por causa das condições logísticas da época em um país de dimensões continentais. Segundo a apresentação do volume 01 da Coleção Lições Bíblicas – 1934-1940: “Os primeiros comentadores foram os missionários Samuel Nyström, Frida Vingren, e depois o missionário Nils Kastberg”. Desde então essas lições são publicadas ininterruptamente para ensino e edificação do povo de Deus.

O terceiro instrumento que os nossos pais usaram para suprir a falta de seminários e institutos bíblicos são as conhecidas escolas bíblicas de obreiros (EBO). A primeira Escola Bíblica, segundo o historiador das Assembleias de Deus, Isael de Araújo, aconteceu no Rio de Janeiro em 1929, e os palestrantes foram Gunnar Vingren e sua esposa Frida Vingren, que falaram sobre “como ter um espírito excelente”, “A vida de Jesus”, “A igreja e os dons espirituais” e “A segunda vinda de Cristo”. Essa primeira EBO foi ministrada pelo casal missionário.

A formação teológica dos obreiros das Assembleias de Deus deve-se fundamentalmente à divulgação do ensino teológico das Escolas Bíblicas de Obreiros. Elas “desempenharam papel decisivo na estruturação teológica do movimento pentecostal no Brasil”.

Ainda hoje elas são realizadas nas principais igrejas do Brasil. Sua duração é, geralmente, de 15 dias ou um mês, mas há igrejas em que sua duração é de uma semana, e outras, de 10 dias. Eram convidados pastores e educadores de outras localidades do país, ou do exterior, para ministrar sobre matérias bíblicas: pentecostais, teologia, eclesiologia e ética ministerial, como Samuel Nyström, J. P. Kolenda, Eurico Bergstén, N. Lawrence Olson, João de Oliveira, Alcebíades Pereira de Vasconcelos, Estêvam Ângelo de Souza, Orlando Boyer, Emílio Conde, Reginald Hoover entre outros. Todos eles eram mestres respeitáveis e de reputação nacional. Eles foram responsáveis pela construção do pensamento teológico das Assembleias de Deus. Hoje, mesmo com o atual crescimento de escolas teológicas, as Escolas Bíblicas de Obreiros continuam disseminando ensinos teológicos em todo o país. Muitos dos atuais educadores passaram por um instituto bíblico. A erudição não anula o fervor do Espírito, para ser intelectual pentecostal não há necessidade de “jubilar” o cérebro.

A primeira instituição de ensino teológico só foi inaugurada por João Kolenda Lemos em outubro de 1958, o Instituto Bíblico das Assembleias de Deus IBAD em Pindamonhangaba, no interior paulista. Em 1962, o missionário N. Lawrence Olson fundou o Instituto Bíblico Pentecostal – IBP na cidade do Rio de Janeiro. Na década de 1970, o missionário Bernhard Johnson fundou a Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus EETAD depois a Faculdade Teológica das Assembleias de Deus FAETAD em Campinas, SP. Em 18 de janeiro de 2001, a 35ª. Assembleia Geral da CGADB, presidida pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, reunida em Brasília, DF, fundou as Faculdades Evangélicas de Tecnologia, Ciências e Biotecnologia da CGADB FAECAD. A primeira turma de formandos do Curso de Bacharel em Teologia colou grau no dia 12 de setembro de 2009.

Desde muito cedo na história, a igreja percebeu que a Bíblia precisa ser interpretada para que os crentes conheçam melhor o pensamento bíblico e a doutrina da igreja. Os credos e as regras de fé são documentos produzidos pelas igrejas com esse propósito. Os antigos credos gerais, como o Credo dos Apóstolos, os Credos Nicenos, o Credo de Atanásio entre outros são um exemplo dessa realidade. Os nossos pioneiros tinham consciência dessa realidade e se preocupavam com o crescimento espiritual do rebanho. Todos eles encorajavam o povo à leitura da Bíblia, eram apegados às Escrituras e dedicados ao ensino da Palavra, mas a forma de exercer esse ministério se distinguia da maneira das igrejas tradicionais da época.

Soares. Esequias,.O verdadeiro Pentecostalismo. A atualidade da doutrina Bíblica sobre a Atuação do Espírito Santo. Editora CPAD.

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SÍNTESE DO TÓPICO II

A nossa confissão de fé não é de autoria particular, pois expressa o pensamento e a vida da igreja. Esse documento é submetido às Escrituras e está em conformidade com elas.

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SUBSÍDIO DOUTRINARIO

Credo/confissão de fé, regra de fé ou declaração de fé são inter- pretações autorizadas das Escrituras Sagradas aceitas e reconhecidas por uma igreja ou denominação. Todas as igrejas ou denominações no mundo possuem algum tipo de conjunto de crenças, seja ele escrito ou não, não importando 0· nome dado aos ensinos que norteiam a vida da instituição cristã. A Bíblia é a Palavra de Deus e a única autoridade inerrante para a nossa vida. Não é um credo, mas, sim, sua fonte primária. Na explicação de Philip Schaff, “A Bíblia é a Palavra de Deus ao homem; o Credo é a resposta do homem a Deus. A Bíblia revela a verdade em forma popular de vida e fato; o Credo declara a verdade em forma lógica de doutrina. A Bíblia é para ser crida e obedecida; o Credo é para ser professado e ensinado”. Em outras palavras, a Bíblia precisa ser interpretada e compreendida para uma adoração consciente a Deus.

Soares. Esequias,. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Editora CPAD. pag. 15.

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III – CUIDADO QUANTO AOS MODISMOS

O nosso cuidado com a doutrina deve ir além do combate aos modismos e servir para defender a nossa fé das seitas e heresias, refutar os erros que se opõem aos ensinos bíblicos e persuadir os contradizentes para que eles se convertam ao Evangelho. Devemos fazer o melhor para Deus.

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1. Modismo.

Essa palavra traz a ideia do que está na moda. Isso se aplica também no campo teológico. São os ventos de doutrina que vêm e se vão (Ef A.14), que tem caráter efêmero, passageiro, “que para nada aproveitam”. Em outras palavras, são inúteis e inaproveitáveis. Quem não se lembra do “dente de ouro”? Do dom da unção “cai-cai”, do sopro santo, do G-12, a febre dos anjos e de outras aberrações doutrinárias? Onde estão os seus promotores e expoentes? Não há como combater esses abusos e essas práticas exóticas sem o conhecimento adequado da Palavra de Deus (Tt 1.9).

Comentário

A palavra «…meninos…», neste versículo, é tradução do vocábulo grego «nepioi», que significa «infantes», criancinhas que ainda não falam, pois tal do erro; vocábulo vem da raiz que significa «sem fala». Essa palavra é usada em contraste com a ideia de «homem maduro», que aparece no versículo anterior, o alvo de nossa vida cristã. Paulo não indica aqui a «incapacidade», de receber ensinamentos superiores, como criancinhas que não podem comer carne (tal como o faz em I Cor. 3:1-3 e em Heb. 5:13).

Mas estão em foco os crentes espiritualmente imaturos, sem base firme, de temperamento inconstante, sujeitos a alterações criados pelos caprichos da mente, carregados ao redor por várias doutrinas, o que, neste ponto, mui provavelmente há uma alusão às heresias próprias- do gnosticismo, que assediavam a igreja cristã primitiva. (Ver as notas expositivas sobre o gnosticismo, em Col. 2:18).

«…agitados… levados…» Paulo lança mão de uma metáfora baseada nos costumes náuticos. (Ver também Tia. 1:6). Paulo já havia viajado por muitas vezes por mar. Sabia o que significava um navio ser apanhado por ventos fortes, ser açoitado pelas ondas e naufragar. Assim também os homens, quando não são firmes na fé em Cristo, são apanhados na voragem da tempestade de opiniões contrárias, de doutrinas erradas, sendo atirados de uma para outra posição, mudando facilmente de doutrinas e ideias. As doutrinas do gnosticismo eram especialmente perigosas, porquanto degradavam a pessoa do Senhor Jesus, fazendo dele apenas um dos «aeons» de seres angelicais, que teriam sido os criadores e que seriam os governadores de seu próprio pequeno mundo, ao passo que outros de tais seres, talvez um pouco maiores, teriam criado e governariam outros mundos. A doutrina gnóstica nem ao menos postulava que Cristo era necessariamente a maior dessas forças angelicais. Portanto, aqueles que fossem apanhados no temporal de ventos de doutrina tão contrários, estavam se encaminhando celeremente para o naufrágio. Paulo advertiu-os a esse respeito.

Isso pode ser comparado com o que escreveu Platão (ver Alcibíades i. 135): «Sócrates: Em um navio, se um homem tem o poder de fazer o que quiser, mas não tiver a habilidade da navegação, percebes o que sucederá a ele e aos demais marinheiros? Alcibíades: Sim, percebo que todos perecerão».

«…vento…» No dizer de Ellicott (in loc.): « (Essa palavra) expressa a atmosfera má onde as várias correntes de doutrina exercem a sua força».

«…pela artimanha dos homens…» Com essas palavras, Paulo introduz repentinamente uma outra metáfora. Talvez o apóstolo estivesse pensando em jogo de dados», querendo chamar a atenção ou para o acaso com que os dados caem ou para as astúcias dos homens que se entregam a esse jogo. O termo grego aqui usado é «kubeia», que vem de «kubos», ou seja, um «cubo» ou «dado». Por conseguinte, os falsos mestres são habilidosos ao convencer os homens de suas doutrinas, enganando e sendo enganados, para detrimento tanto deles mesmos como daqueles que lhe dão ouvidos. Astúcia, artimanha, ilusão, tudo está envolvido nessa metáfora.

«…pela astúcia com que induzem ao erro…» A tradução inglesa de Goodspeed diz aqui (vertida para o português), «…engenho na invenção do erro». A palavra «…astúcia…» é tradução do termo grego «panourgia», que pode ser usado em bom ou em mau sentido, para indicar «prudência» (ver Pro. 13:1), ou «astúcia» (ver Eclesiástico 21:12 e Jos. 9:4). Nos escritos clássicos, entretanto, quase sempre essa palavra era usada em mau sentido, isto é, «velhacaria», «conduta inescrupulosa». No N.T., esse vocábulo figura por cinco vezes, sempre com mau sentido, em Luc. 20:23; I Cor. 3:19; II Cor. 4:2; 11:3 e aqui. Na passagem de II Cor. 12:16 porém, essa palavra aparece em forma adjetivada, onde indica «astucioso», falando sobre os atos enganadores e velhacos dos homens. Tal engenho, aplicado para o mal, leva o indivíduo à «invenção» do erro, a «astúcias enganadoras». O termo grego «methodia», que quer dizer «invenção», «criação do sistema (a palavra em questão) do erro», subentende alguma forma de «planejamento deliberado», algum «sistema» de erro. A forma verbal desse vocábulo significa «defraudar», «enganar», «perverter». «Estratagemas» malignos estão aqui em foco, e isso resulta no «erro».

«…erro…» No grego é «plane», que significa, basicamente, «perambulação », «vagabundagem», ou seja, «ilusão», «engano». As doutrinas falsas concernentes a Cristo levam os homens ao erro que se desvia da vereda que conduz de volta a Deus. Alguns homens fazem outros se desviarem para caminhos escuros, propositadamente, apesar de que outros o façam por ignorância. Por isso Paulo exorta aqui aos seus leitores que estejam de tal maneira arraigados em Cristo, de tal maneira estejam maduros nele, que os ventos de falsa doutrina e os ludíbrios e enganos dos homens não sejam capazes de fazê-los negar a fé, de aceitarem credulamente doutrinas inventadas pelos homens, de imitarem os incrédulos, que não dispõem de princípios firmes para serem guiados na vida diária. Isso só serviria para tornar os crentes desleais a Cristo, que é o Cabeça da igreja.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 603-604.

O ideal da plena maturidade cristã está caracterizado no v. 14 por meio de seu aspecto negativo e no v. 15 por seu aspecto positivo. Em seu esforço para alcançar a meta e avançar naquela direção, os crentes são estimulados pelo desejo de já não ser mais como crianças necessitadas num barco que não podem controlar no meio do mar agitado pelas ondas na tempestade. Paulo sabia muito bem o que significava “ser lançado daqui para lá” pelas ondas. Enquanto escrevia esta carta, deve ter tido presente diante de si o quadro de gráfico espanto vivido na viagem que o levou à sua atual prisão em Roma (At 27:14–44, especialmente o v. 27). Mas o ser levados daqui para lá e girados em redemoinho “por toda rajada de vento de doutrina” é ainda pior que experimentar os perigos do mar. O que era realmente que o apóstolo tinha em mente quando assim admoestou os efésios?

Bem faremos aqui em ter em mente dois fatos: a. que a maioria dos leitores eram na verdade recentes convertidos do paganismo; e b. que, embora devamos, portanto, deduzir que a descrição era especialmente aplicável a eles, entretanto, o apóstolo não pode ter estado pensando somente nestes convertidos do mundo gentílico, visto que usa a primeira pessoa plural, dizendo, “que já não sejamos mais crianças levados daqui para lá”, etc. O fato de que os pagãos em sua cegueira e superstição sejam com frequência arrastados pelas ondas e os ventos da opinião pública, dando ouvidos às últimas novidades, ilustra-se graficamente no relato de Lucas sobre a experiência de Paulo e Barnabé em Listra. Primeiro sustentaram que Paulo era Mercúrio, e Barnabé Júpiter. Pouco depois esta mesma gente se deixou persuadir pelos ímpios judeus e apedrejaram a Paulo, deixando-o quase morto (At 14:8–20). Mas até os seguidores de Jesus têm muito que aprender com relação a isto. Um caso típico de instabilidade, antes de chegar a ser de fato “uma rocha”, foi Simão Pedro.

Nos Evangelho ele é descrito como homem que oscila constantemente de um extremo a outro. Nós o vemos agora caminhando ousadamente sobre as águas (Mt 14:28); a seguir se acha gritando: “Senhor, salva-me!” (Mt 14:30). Num momento faz uma gloriosa confissão (Mt 16:16). Ainda não se apagam os ecos desta notável declaração, quando começa a repreender o próprio Cristo a quem tinha confessado (Mt 16:22). Promete sua vida por Jesus (Jo 13:37). Horas mais tarde, ele se acha repetidamente vociferando “não sou seu discípulo” (Jo 18:17, 25). Depois da vitoriosa ressurreição de Cristo corre atrás de João rumo à tomba. Ao chegar, entra nela antes que João (Jo 20:4–6). Em Antioquia primeiro despreza todas as ideias de segregação racial e come com os gentios. Logo, ele se afasta totalmente dos convertidos do mundo pagão (Gl 2:11, 12).

Além de suas dificuldades com Pedro, Paulo teve outras tristes experiências com a confusa e flutuante humanidade. Em sua primeira viagem missionária, João Marcos o tinha abandonado (At 13:13; 15:38). Os gálatas se apartaram do evangelho (Gl 1:6). E durante este mesmo tempo, enquanto Paulo escrevia suas “epístolas carcerárias”, alguns dos membros da igreja de Colossos devem ter estado num verdadeiro perigo de dar ouvidos aos falsos filósofos. O apóstolo sabe que não há nada tão estabilizador como ocupar-se dia após dia em serviço cheio de amor para Cristo. Ninguém aprende a verdade mais rápido que aquele que, com sinceridade de coração e consagração, ensina outros. Tomara que então, que os efésios desviem sua atenção das “mutretas dos homens”, e se submerjam totalmente na obra do reino. O pensamento do contexto aqui é: todos os santos, sob a direção dos apóstolos, profetas, evangelistas, “pastores e mestres”, unidos como um homem para a obra do ministério.

O termo “mutretas”, que se aplica a todos aqueles que na verdade tentavam desviar os crentes, é kubeia, de kúbos, que significa cubo, dado. Paulo tem em mente, então, o jogo de dados no qual eram usadas mutretas ou enganos para ganhar. Daí que a palavra chegou a significar mutreta; aqui “mutretas humanas”, «literalmente o talento, a prontidão para usar qualquer meio para tramar o erro». Os pensamentos e planos destas ardilosas pessoas estavam constantemente dirigidos para (grego πρός) «os métodos para enganar». Cf. Cl 2:4, 8, 18, 23; logo também Rm 6:17, 18; 2 Cor. 2:17; 11:13; Gl 2:4.

Agora, o erro jamais pode ser vencido por mera negação. Contra os enganos dos mestres do erro os efésios deviam apegar-se à verdade, isto é, praticar a integridade. E o que ministério (veja-se v. 12) pode ser mais nobre que aquele que, resistindo resolutamente ao erro, opondo contra ele a fidelidade “da palavra e a vida”, realiza tudo isso num espírito de amor? Existem dois grandes inimigos contra um ministério próspero, quer este se desenvolva entre crentes ou entre não-crentes. Um é o apartar-se da verdade, o acomodar-se à mentira, seja em palavras ou em atos. O outro é a fria indiferença com relação a corações e vidas, dificuldades e provas, das pessoas que se ostensivamente está procurando persuadir. Paulo tem a verdadeira solução: a verdade tem que ser posta em prática com amor (Ef 3:18; 4:2; 5:1, 2), que era exatamente o que ele fazia constantemente (2Co 2:4; Gl 4:16, 19; 1Ts 2:7–12); e ensinava outros a fazê-lo (1Tm 4:11–13). Na verdade, o amor (para o qual veja-se Ef 4:2) deve caracterizar todos os aspectos da vida. Mediante tal comportamento comunicaremos bênçãos não somente a outros, mas também a nós mesmos, visto que “cremos em todas as coisas nele que é a cabeça, a saber, Cristo”. Temos que crer em maior união com Ele. A mesma intimidade da consciente unidade com Cristo está enfatizada em Rm 6:5, onde a ideia é expressa dizendo que os crentes são “plantados juntamente” com Ele. Tais declarações não destroem de modo algum a infinita distinção entre Cristo e os crentes. Não indicam identidade mas intimidade. A distinção entre os crentes e seu Senhor se enuncia claramente aqui, visto que Ele é chamado “a cabeça” e eles são designados “todo o corpo”. O que se quer expressar ao dizer crescer em Cristo está interpretado pelo próprio apóstolo em Fp 1:21 – “Porque para mim o viver (é) Cristo, e o morrer (é) lucro”.

HENDRIKSEN. William. Exposição De Efésios. Editora Cultura Cristã. pag. 241-244.

8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

2. “Procura apresentar-te a Deus aprovado”.

Essa qualificação vem do Espírito de Deus. Apresentar-se a Deus aprovado significa estar disponível, testado e aprovado por Deus e reconhecido pela igreja (2 Co 10.18). Desde muito cedo na história do cristianismo que a igreja precisou enfrentar uma avalanche de heresias e aberrações doutrinárias ensinadas pelos falsos mestres (1 Tm 1.4,6,7; 4.7; Tt 1.9). Os maus obreiros e os obreiros fraudulentos (2 Co 11.13; Fp 3.2) serão desmascarados e reprovados (Mt 7.21-23).

Comentário

«..;procura apresentar-te…aprovado…» No grego é «spoudadzo», que significa «apressar-se», «ser zeloso», «ser urgente», «fazer todo o esforço». Seu objeto é «dokimos», no original grego, que significa «aprovado», palavra usada para indicar a genuinidade do metal das moedas. Também indica o sentido de «aprovado através de tribulações ou testes».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 378.

A palavra grega parastesai, traduzida por apresentar- -te, significa apresentar-se para o serviço. Dá a ideia de utilidade para e no serviço. Já a palavra dokimos, traduzida por aprovado, era usada para indicar o ouro e a prata purificados de toda a escória. Fazia referência ao dinheiro genuíno e não adulterado. Também era empregada para aludir a uma pedra lavrada, cortada e provada a fim de ser usada adequadamente na construção de um edifício. Uma pedra com alguma imperfeição era marcada com um A maiúsculo, representando a palavra grega adokimastos, que significa “provada e encontrada deficiente”.

LOPES. Hernandes Dias. 2 Timóteo. O testamento de Paulo à igreja. Editora Hagnos. pag. 66.

8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

3. ” … como obreiro que não tem de que se envergonhar”.

O termo “obreiro”, tanto em grego quanto em português, vem de “obra, trabalho” e tem significado amplo no Novo Testamento. No sentido literal, refere-se ao trabalhador do campo (Mt 20.1); no sentido metafórico, a todos os que se dedicam à obra de Deus (Mt 9.37,38) e de maneira geral aos apóstolos e demais oficiais da igreja (Lc 10.7; 1 Tm 5.18). A nossa Declaração de fé afirma: “O termo ‘obreiro’ é genérico e usamos praticamente para todos os cargos e funções na Igreja”.

Comentário

«…obreiro…» No grego é «ergates», «trabalhador», «obreiro». Este versículo não nos ordena diretamente o estudo diligente das Escrituras, conforme dizem erroneamente algumas traduções inglesas: «Estuda para mostrar-te aprovado…» Antes, a ordem é geral: «Faz tudo quanto estiver ao teu alcance, faz tudo quanto for necessário para obteres a aprovação de Deus à tua vida, trabalhando e ministrando como líder da igreja». Isso equivale a dizer defender a fé, propagá-la e evitar as «contendas de palavras» é outras atividades igualmente perniciosas. O obreiro do evangelho que seja aprovado por Deus é aquele que leva a sério e põe em prática os preceitos destas «epístolas pastorais».

Isso incluirá, naturalmente, um bom conhecimento da «mensagem cristã» (a Palavra da verdade), que lhe compete propalar. E um bom conhecimento exige estudo cuidadoso e dedicado das Escrituras. Portanto, apesar deste versículo não ensinar isso diretamente, é algo com frequência assim aplicado; e essa aplicação é legítima e necessária, posto que parcial.

Todo o crente que se mostre zeloso e pronto por ser aprovado pelo Senhor dificilmente se mostraria negligente no estudo do compêndio sagrado que ele usa como base de sua pregação e ensino, e também como guia para a sua própria vida. É espantoso que haja mestres e pregadores que atravessem os anos sem fazer qualquer esforço de aprimorar sua mensagem e seus métodos didáticos. A aplicação do presente versículo impediria isso, para benefício de muitíssimas igrejas locais. Muitos pastores se queixam que seu povo não frequenta os cultos, e pensam que toda a culpa reside nos membros. Mas não consideram que eles mesmos não tornam digno o esforço de frequência, pois aqueles que vão às suas igrejas têm consciência do ensinamento repetido e superficial que ali se ministra. Com demasiada frequência as igrejas se assemelham a escolas de primeiro grau, onde a cada ano os seus membros são forçados a repetir de ano. Uma escola pública que assim se conduzisse seria suspensa pelas autoridades estaduais.

«…a Deus…» É Deus quem deve aprovar-nos. Ele nos «testa» como o metal de uma moeda é aquilatado. Deus julga a qualidade do «tinido do nosso metal». (Comparar com I Cor. 9:27, onde Paulo se mostrou ansioso por ser «aprovado» na carreira cristã).

«…se envergonhar…» No grego é «anepaischuntos», forma privativa de «epaischunomai», «envergonhar-se», «ter pejo». Pode-se notar que essa questão de alguém envergonhar-se é enfatizada nas epístolas pastorais. (Ver II Tim. 1:8,12,16). Se um trabalhador estiver mal preparado, fazendo assim um serviço malfeito, terá de envergonhar-se de sua obra. Se um obreiro do evangelho mostrar-se ignorante e não souber como defender a sua mensagem, ficará envergonhado perante os seus oponentes, incluindo os hereges e aqueles que se opõem à mensagem cristã; ou então, se vier a sofrer perseguição, poderá ficar envergonhado de sua mensagem, de seu Senhor ou de seus superiores imediatos na fé. Por muitas razões um «obreiro» do evangelho pode ser envergonhado. Este versículo particulariza o fato que se envergonhará se fizer um serviço que não seja aprovado por Deus. Um obreiro pode ser envergonhado pelo seu caráter e pela sua própria vida, se estiver andando de maneira mundana e carnal, o que não o torna digno de ser chamado servo de Cristo.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 378-379.

O obreiro precisa apresentar-se primeiro a Deus como aprovado, para depois apresentar-se diante dos homens com eficácia. Seu papel não é torcer as Escrituras, mas manejá-la bem.

LOPES. Hernandes Dias. 2 Timóteo. O testamento de Paulo à igreja. Editora Hagnos. pag. 66-67.

8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

4. ”… que maneja bem a palavra da verdade”.

O verbo grego para “manejar bem” é orthotoméo, literalmente, “cortar reto”, cuja ideia é cortar em linha reta. A ideia é “manter o curso correto”. É uma palavra rara, aparece uma só vez no Novo Testamento e duas vezes na Septuaginta (Pv 3.6; 11.5). O emprego paulino dessa palavra é metafórico, e muitas interpretações já foram apresentadas ao longo dos séculos. A preocupação de Paulo é com o ensino correto da Palavra de Deus, com base numa exegese sólida com a aplicação para a edificação espiritual da igreja. Isso significa também não fazer uso da Palavra no púlpito para atacar algum desafeto entre os irmãos por meio de indiretas. Púlpito não é lugar de desabafo.

Comentário

«…maneja bem…» No grego é «orthotomeo», que literalmente significa «cortar reto». Talvez essa metáfora tenha sido inspirada pelas atividades dos lavradores que «aram em linha reta», ou pela atividade de um alfaiate, que precisa cortar direito o tecido com que trabalha. No grego posterior, do qual o N.T. é representante, a ideia de «cortar» se perdeu desse vocábulo, que veio a significar apenas «manusear corretamente». A tradução inglesa de Williams diz aqui «…que apresenta apropriadamente…» Não obstante, essas metáforas são instrutivas. Um bom ministro de Deus saberá como usar seus instrumentos para a execução de bom trabalho, tal como o lavrador é habilidoso com o seu arado ou o alfaiate com a sua tesoura. O obreiro cristão saberá como: 1. pregar e ensinar a Palavra; 2. defendê-la; 3. aplicá-la a si mesmo e a outros; 4. sofrer por ela; 5. e resguardá-la.

Muitas interpretações fantásticas têm sido dadas a este texto. Alguns veem aqui uma alusão ao «retalho das vítimas sacrificadas», por parte dos sacerdotes, de maneira apropriada e ordeira, como se isso desse exemplo aos ministros do evangelho, sobre como devem manusear a sua mensagem. Mas essa interpretação está longe da verdade.

Também não há aqui qualquer ideia de «cortar» ou «dividir» as Escrituras em secções determinadas, em que algumas secções se aplicam a nós e outras se aplicam aos judeus; e nem mesmo se destaca a ideia de «comparar as Escrituras», uma passagem com outra, de maneira correta, conforme alguns eruditos têm imaginado. E também não há qualquer indício aqui de «dividir a Palavra, para dar a cada ouvinte a porção de que ele necessita».

Também se deve rejeitar a idéia que aqui é ensinado que se deve «cortar reta a Palavra, a fim de desvendar seu conteúdo oculto», conforme outras interpretações mirabolantes têm sugerido. Ainda há aqueles que têm visto nestas palavras uma alusão ao «cortar o pão», que apontaria para o serviço dos mordomos da casa, que assim supririam as necessidades de todos.

Ainda há aqueles que pensam ver aqui alusões a «canas retas» ou ao «corte de pedras», a fim de colocá-las em seus devidos lugares. Todas essas interpretações talvez tenham algum valor como ilustrações desta passagem, mas não são diretamente ensinadas por este versículo.

«…apalavra da verdade…» (Ver os trechos de Col. 1:5 e Efé. 1:13 acerca dessa expressão). A palavra, «palavra», isoladamente ou em várias combinações, como aqui, «palavra da verdade», ou «palavra de Deus» (ver Atos 6:2; 12:24 e 13:5), «palavra do Senhor» (ver Atos 13:48), «palavra da vida» (ver Fil. 2:16) e «palavra de Cristo» (ver Col. 3:16), indicam todas, nas páginas do N.T., «o evangelho». Nestas epístolas indica, mais formalmente, a «fé cristã», a «doutrina ortodoxa cristã». Seja como for, não há qualquer alusão direta às Escrituras, quer do Antigo quer do Novo Testamentos. Mas essa «palavra», que é o evangelho e a doutrina cristã resultante, está contida nos documentos escritos da Bíblia, mormente nas páginas do N.T. Tudo isso está indiretamente incluso nessa expressão, embora o próprio autor sagrado não fizesse tal referência. Pois quando ele escreveu não existia o «cânon» do N.T. ainda.

«As maneiras comuns de manusear vergonhosamente a palavra da verdade são óbvias: negligenciando a Palavra de Deus e tratando-a com superficialidade; buscando consolo na Palavra, mas ignorando os seus desafios; tentando fazer a Palavra dizer o que queremos ouvir, ao invés de acolhermos a mensagem divina; enganando-nos a nós mesmos, ao imaginarmos que o mero ouvir a Palavra de Deus equivale ao obedecê-la».

(Noyes, in loc.).

«Quando estamos debaixo da influência da graça de Cristo, tudo redunda em nossa vantagem. Aquele que Deus chama para o seu serviço é munido de todas as qualificações necessárias. Seria exagero dizermos que Deus nunca chamou um homem, a fim de pregar o evangelho, sem que primeiramente o tenha qualificado de tal modo que tanto o obreiro como seu trabalho pareçam provir de Deus?» (Adam Clarke, in loc., comentando sobre Atos 4:37).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 379.

A palavra grega horthotomeo, traduzida por “manejar bem”, significa “cortar em linha reta”. Calvino relacionou essa palavra com um pai que divide os alimentos durante a refeição, cortando-os de tal maneira que cada membro da família receba a sua porção adequada. Essa palavra era utilizada na engenharia civil no sentido de “cortar um caminho em linha reta”, ou na agricultura no sentido de “conduzir o sulco em linha reta”. O significado espiritual é claro: o obreiro não pode torcer a Palavra. Precisa expô-la integralmente, fielmente, corretamente. Enquanto os falsos mestres desvirtuam as Escrituras (2.18; lTm 1.6; 6.21), o obreiro fiel deve manejá-la bem, ou seja, pregá-la com fidelidade. Outra interpretação possível, segundo John N. D. Kelly, é que Paulo está admoestando Timóteo a, quando pregar o evangelho, seguir um caminho estreito, sem se desviar por disputas acerca de meras palavras ou por conversas ímpias.

LOPES. Hernandes Dias. 2 Timóteo. O testamento de Paulo à igreja. Editora Hagnos. pag. 67.

8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

SÍNTESE DO TÓPICO III

Devemos combater aos modismos, defendendo a nossa fé das seitas e heresias, refutando os erros contra os ensinos bíblico e persuadindo os contradizentes para que se convertam ao Evangelho.

8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

São dois os propósitos das Escrituras Sagradas: revelar o próprio Deus e expressar a sua vontade à humanidade. Pelo primei- ro, dentre outras formas de revelação, Deus graciosamente revelou a si mesmo pela Palavra: “Havendo Deus, antigamente, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nos falou-nos, nestes últimos dias, pelo Filho” (Hb 1.1). Pelo segundo propósito, Deus expressa claramente a sua vontade redentora a todos e a cada um dos seres humanos sem nenhuma acepção de pessoas, por meio da fé em Jesus Cristo: “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Rm 1.17). Assim sendo, o Senhor Jesus Cristo é o centro das Escrituras. Ele mesmo disse: ״São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: convinha que se cumprisse tudo 0 que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos” (Lc 24.44). Tudo o que precisamos saber sobre Deus e a nossa redenção está suficientemente revelado em sua Palavra. Ela é o manual de Deus para toda a humanidade, e suas instruções visam, também, à felicidade humana e o bem-estar espiritual e social de todos os seres humanos.

Soares. Esequias,. Declaração de Fé das Assembleias de Deus. Editora CPAD. pag. 27-28.

8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

CONCLUSÃO

Nós temos compromisso com a Palavra de Deus e cremos que ela é a única revelação da Deus escrita para a humanidade. Diante disso, fica claro que nenhuma outra literatura exerce autoridade sobre a nossa vida.

8 Lição 1 Tri 21 Comprometidos com a Palavra de Deus

PARA REFLETIR

A respeito de “Comprometidos com a Palavra de Deus”, responda:

• Como Deus se comunica conosco atualmente?

Nós cremos que Deus continua a se comunicar com o seu povo por meios dos dons espirituais (At 2.14-21).

• O que significa “e perseveravam na doutrina dos apóstolos” (At 2.42)?

Que os discípulos permaneciam seguindo o ensino dos apóstolos.

• O que significa “modismo”?

O significado de “modismo” é o que está na moda. Isso se aplica também no campo teológico. São os ventos de doutrina que vêm e se vão (Ef 4.14), que tem caráter efêmero, passageiro, “que para nada aproveitam”. Em outras palavras, são inúteis e inaproveitáveis.

• Qual a preocupação do apóstolo Paulo com uso da frase “maneja bem a palavra da verdade”?

A preocupação de Paulo é com o ensino correto da Palavra de Deus, com base numa exegese sólida com a aplicação para a edificação espiritual da igreja.

Cessacionistas: Os que afirmam e ensinam que os dons espirituais cessaram nos dias atuais.

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.


1 – A Pessoa do Espírito Santo

2 – A Atuação do Espírito Santo no Plano da Redenção


3 – O Batismo no Espírito Santo

4 – A Atualidade dos Dons Espirituais

5 – Fruto do Espírito: o Eu Crucificado


6 – Santificação: Comprometidos com a Ética do Espírito


7 – Cultuando a Deus com Liberdade e Reverência

Estaremos apresentando conteúdo diferênciado aos professores que estaram usando nossas ferramentas (Site, Grupo do Telegram e Facebook). Vamos usar todo material disponivel para fazer a obra do Senhor Jesus.

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