8 LIÇÃO 1 TRIMESTRE 2022 A LEI E OS EVANGELHOS REVELAM JESUS

 

8 LIÇÃO 1 TRIMESTRE 2022 A LEI E OS EVANGELHOS REVELAM JESUS

8 LIÇÃO 1 TRIMESTRE 2022 A LEI E OS EVANGELHOS REVELAM JESUS

 

 

TEXTO ÁUREO

“Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. ” (Dt 6.4)

 

VERDADE PRÁTICA

A Lei não salva, mas esboça o plano da redenção em Cristo confirmado nos Evangelhos.

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Ne 10.29 A Lei do Senhor foi dada pelo ministério de Moisés

 

Terça – Gl 3.13 A obra de Cristo na Cruz do Calvário nos resgatou da maldição da Lei

 

Quarta – Gl 1.8 O Evangelho de Cristo é a única mensagem divinamente inspirada

 

Quinta – Lc 18.18-24 A mera observância de códigos não salva

 

Sexta – Mc 16.16 É preciso crer e estar em Cristo para ser salvo

 

Sábado – Jo 3.16 Os Evangelhos ensinam que o amor de Deus é a base da salvação

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Deuteronômio 6.4-9; Lucas 1.1-4

 

Deuteronômio 6

 

4 – Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.

 

5 – Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças.

 

6 – E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração;

 

7 – E a s intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te.

 

8 – Também as atarás por sinal na tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos.

 

9 – E a s escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

 

Lucas 1

1 – Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram,

 

2 – Segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra,

 

3 – Pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio;

 

4 – Para que conheças a certeza das coisas de que já estás informado.

 

 

Hinos Sugeridos: 18, 20, 291 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

INTRODUÇÃO

A Lei esboça o plano de redenção em Cristo confirmado pelos Evangelhos. Por isso que o Pentateuco e os Evangelhos têm relação profunda na revelação da pessoa de Jesus Cristo. Quando o cristão lê o Antigo Testamento, ele tem o Novo Testamento como base, principalmente nos Evangelhos, para compreender a Lei. Por isso, compreendemos que toda a Bíblia tem como tema principal a pessoa bendita de Jesus Cristo.

 

 

APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Apontar que a Lei era transitória e esboçava o plano da redenção em Cristo;

II) Afirmar que os Evangelhos são boas-novas do Reino de Deus e da salvação em Cristo;

III) Ressaltar que a Lei não salva, mas a obediência ao Evangelho transforma as vidas.

 

B) Motivação: Os princípios e valores que norteiam a Lei do Antigo Testamento são os mesmos que estão presentes nos Evangelhos. Ambos se concentram em Jesus e revelam o Filho de Deus.

C) Sugestão de Método: Antes de iniciar a lição, recorde a lição 4 que diz respeito à estrutura da Bíblia. Rememore a composição do Pentateuco e dos Evangelhos. Mostre o quanto é importante possuir tanto uma visão global (estrutura da Bíblia) quanto uma visão específica (Lei e Evangelho) a respeito da Palavra de Deus.

 

 

CONCLUSÃO DA LIÇÃO

A) Aplicação: A Bíblia toda é a Palavra de Deus. Portanto, não devemos nos relacionar com a Bíblia de maneira excludente, com o se o Antigo Testamento não servisse mais por causa do Novo. Este, no entanto, confirma aquele.

 

 

4 – SUBSÍDIO AO PROFESSOR

A) Revista Ensinador Cristão: Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios às Lições Bíblicas. Na edição 88, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará um auxílio que dará suporte na preparação de sua aula:

1) O auxílio teológico “ Leis e mandamentos” aprofunda o primeiro tópico a respeito da revelação de Jesus na Lei;

2) O auxílio de educação cristã “ Os Ensinamentos de Jesus sobre a Lei ” contribui para o aprofundamento do segundo tópico, em que os Evangelhos e a mensagem de Jesus se destacam.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

A Lei e os Evangelhos pertencem respectivamente ao Antigo e ao Novo Testamento. São livros sagrados de origem divina que integram o cânon das Escrituras. Possuem igual autoridade como regra de fé e A prática, porém, com funções distintas. Os preceitos e as narrativas da Lei têm aplicações nos Evangelhos. Na lição de hoje, estudaremos a relação entre o Pentateuco e a Mensagem de Cristo.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Lei e os Evangelhos pertencem respectivamente ao Antigo e ao Novo Testamento. São livros sagrados de origem divina que integram o cânon das Escrituras. Possuem igual autoridade como regra de fé e prática, porém, com funções distintas. Os preceitos e as narrativas da Lei têm aplicações nos Evangelhos. A função da Lei era transitória; ela revela o pecado, mas também aponta o plano da salvação em Cristo (Gl 3.24,25).

Significa que a Lei não salva, mas esboça o plano da redenção em Cristo confirmado nos Evangelhos. A obra expiatória do Senhor Jesus nos libertou da condenação da Lei (Gl 3.10-13). Nesse sentido, todo o sistema mosaico foi abolido. Nos Evangelhos, as boas-novas dessa salvação estão reveladas. Em suma, as obras da Lei não justificam, mas pela graça somos salvos, por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo. Neste capítulo, estudaremos a relação entre o Pentateuco e a mensagem de Cristo.

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam,” Jo 5.39. “Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra,” 2Tm 3.16, 17. Essa coleção de escritos entregue por autoridade divina aos judeus por Moisés e os profetas, e que a Igreja Judaica sempre recebeu como divinamente inspirada, inclui trinta e nove livros, os nomes dos quais são os seguintes: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares, Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias. Estes livros coletivamente têm tido uma variedade de títulos, cada um dos quais serve para indicar alguma excelência desses escritos, em contra distinção a todos os outros. Os judeus os dividiram em três classes, que eles denominaram, 1. TORÁ; 2. NEVIIM; 3. KETUVIM: ou, como algumas vezes expressamos, a LEI, os PROFETAS e os HAGIÓGRAFOS.

A Lei, incluída no Pentateuco, ou os primeiros cinco livros, eles consideravam como vindo imediatamente do próprio Deus a Moisés. Os PROFETAS, maiores e menores, (com o quais eles relacionaram Josué, Juízes, os dois livros de Samuel e os dois livros de Reis,) eles receberam como mensageiros extraordinários, derivando sua autoridade de Deus sem a intervenção do homem, e proferindo predições e admoestações conforme eram movidos pelo Espírito Santo.

Os HAGIÓGRAFOS, contendo os Salmos, Provérbios, Jó, Cantares, Rute, Lamentações, Eclesiastes, Ester, Daniel, Esdras, Neemias e Crônicas, eles reconheceram como divinamente inspirados também, mas não como tendo sido dados em ocasiões extraordinárias como as em que a lei e os diferentes oráculos pronunciados aos profetas foram comunicados. 1. A totalidade destes livros coletivamente, eles algumas vezes denominaram HA-MIKRA, a LEITURA, enfaticamente significando que estes registros eram exclusivamente dignos de serem lidos e estudados, por causa de sua importância, antiguidade e inspiração divina. Foi deste epíteto dos escritos sagrados dos judeus que Maomé tomou emprestado o termo Alcorão, que ele antepôs como prefixo às suas alegadas revelações, e que tem o mesmo significado que o hebraico HAMIKRA, ambos significando a LEITURA. 2. A fim de distinguir estes livros sagrados de todos os demais, eles foram chamados pelos judeus, nos lugares onde a língua grega prevaleceu, AI-GRAPHAI, as ESCRITURAS, ou ESCRITOS, como sendo exclusivamente dignos de serem escritos e preservados; 1. Por causa de sua alta importância. 2. Porque eles continham os escritos mais antigos no mundo, o Decálogo, ou Dez Mandamentos, uma parte do livro de Êxodo, sendo provavelmente a primeira produção relativa uma ordem religiosa em caracteres alfabéticos jamais vista pelo homem, e o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés, sendo inquestionavelmente o mais antigo registro em existência.

3. TESTAMENTO, Aliança, ou PACTO era outro termo usado antigamente para designar estes oráculos divinos, visto que eles continham o pacto ou o acordo feito entre Deus e o povo de Israel. São Paulo chama os livros sagrados de antes do tempo de Cristo hé Palaia Diathèké, O VELHO PACTO, 2Co 3.14, que é um título muito próprio e descritivo do sublime tema desses livros. Este apóstolo evidentemente considera o Velho e NOVO Testamentos como dois PACTOS, Gl 4.24, e, ao comparar estes dois juntos, ele chama um de o VELHO Pacto, o outro de o NOVO, um de o primeiro, o outro do que é recente. Em oposição ao VELHO Pacto, que devia terminar no Novo, ele chama este de melhor, mais excelente, Hb 7.22; 8.6, e eterno, Hb 13.20, porque ele nunca deve ser alterado, ou terminar em algum outro, e deve durar eternamente. A palavra pacto [NT: em inglês, covenant] nós emprestamos do latim convenio, de conjuntos, e venio, eu venho, significando um contrato ou acordo feito entre duas partes, para cumprir as condições às quais elas estão mutuamente obrigadas.

 

O VELHO Pacto, em suas partes essenciais, era muito simples: EU SEREI VOSSO DEUS, VÓS SEREIS MEU POVO, o espírito do qual nunca foi alterado. O povo devia considerar Jeová como o único objeto de sua adoração religiosa, colocar toda sua esperança e confiança nele, e servi-lo à Sua maneira, de acordo com as normas prescritas que Ele devia lhes mostrar. Esta era a parte deles. Quanto à Sua, Deus devia aceitá-los como Seu povo, dar-lhes Seu Espírito para guiá-los, Sua misericórdia para perdoá-los, Sua providência para sustentá-los e Sua graça para preservá-los para a vida eterna. Mas tudo isto estava associado com a rígida observância de uma grande variedade de ritos e cerimônias, simultaneamente expressivos da santidade de Deus, da pureza da justiça divina e da excessiva pecaminosidade e estado de total desamparo do homem. Uma boa parte dos quatro últimos livros de Moisés é empregada na prescrição e ilustração destes ritos e cerimônias, e o que é chamado o NOVO PACTO é o complemento ou o cumprimento e perfeição do todo. 4. Quando os escritos dos evangelistas e dos apóstolos foram acrescentados, para distingui-los dos outros, eles foram chamados Hé Kainé Diatheké, o NOVO PACTO, ou TESTAMENTO, significando o NOVO acordo feito entre Deus e TODA a humanidade, tanto gentios como judeus, o primeiro ou VELHO Pacto sendo feito principalmente em favor dos últimos, cujo novo pacto foi ratificado pela encarnação, sofrimentos, morte e ressurreição de Jesus Cristo, como a seguinte compilação de PRINCÍPIOS demonstram. Os livros contendo este NOVO PACTO ou Testamento são em número de vinte e sete, e foram divididos em quatro categorias:

I. Os EVANGELHOS. II. Os ATOS dos Apóstolos. III. As EPÍSTOLAS. IV. O APOCALIPSE, ou Revelação. Os nomes destes livros são os seguintes: O Evangelho de São Mateus, Marcos, Lucas e João. Os Atos dos Apóstolos, provavelmente escritos por São Lucas. As Epístolas de São PAULO: – aos Romanos – Primeira e Segunda aos Coríntios – aos Gálatas – aos Efésios – aos Filipenses – aos Colossenses – Primeira e Segunda aos Tessalonicenses – Primeira e Segunda a Timóteo – a Tito – a Filemon – e aos Hebreus. – A Epístola de São TIAGO. – A Primeiras e Segundas Epístolas de São PEDRO. – A Primeira, Segunda e Terceira de São JOÃO. – A Epístola de São JUDAS. – e o livro do Apocalipse, ou Revelação, provavelmente escrito por São JOÃO, o autor do evangelho e das três epístolas acima mencionadas. Tendo concedido uma visão geral da Bíblia, como uma coleção de escritos sagrados, pode ser necessário, em benefício dos jovens e inexperientes, fornecer um relato mais específico do conteúdo ou assunto de cada livro incluído nesta coleção.

ADAM CLARKE. Comentário Bíblico de Adam Clarke. Pentateuco. pag. 11-13.

 

 

Palavra-Chave: REVELAR

 

 

I – O PENTATEUCO: A LEI DE DEUS

 

 

   1.  Os cinco livros da Lei.

 

Pentateuco é uma palavra que deriva de dois termos gregos, penta e teuchos, que significa “ cinco volumes”. Trata-se do conjunto formado pelos cinco primeiros livros do Antigo Testamento: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. No texto hebraico, e pelos judeus ainda hoje, esses volumes são denominados de “ Torá” com o sentido de “ instrução, ensino, direção”. A totalidade do Pentateuco é identificada, nas páginas da Bíblia Sagrada, como a “ Lei” (Êx 24.12; Mt 5.17); a “ Lei de Moisés” (Js 8.31,32; At 13-39); a “ Lei de Deus” (Ne 8.8; Rm 7.22); e a “ Lei do Senhor” (Ne 10.29; Lc 2.22,23).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Pentateuco é uma palavra que deriva de dois termos gregos, penta (cinco) e teuchos (estojo para o rolo de papiro). A junção desses termos tradicionalmente significa “cinco volumes”. Stanley Ellisen informa que “os livros antigos eram escritos em rolos, geralmente de nove metros de comprimento, mais ou menos o tamanho necessário para acomodar de Gênesis até Deuteronômio”. Portanto, a expressão “pentateuco” corresponde ao conjunto formado pelos cinco primeiros livros do Antigo Testamento. O título desses livros corresponde à primeira palavra do texto hebraico, e na língua portuguesa obedece à tradução do grego da Septuaginta: Gênesis (“começo”), versão do hebraico bereshit (“no princípio”); Êxodo (“saída”), versão do hebraico Shemôt (“os nomes de”); Levítico (“aquilo que é dos levitas”), versão do hebraico wayyiqrã (“E Ele chamou”); Números (“aritmética, números, estatística”) versão do hebraico “Bemidbãr” (“no deserto de”); Deuteronômio (“segunda promulgação da lei”), versão do hebraico “Debãrim” (“palavras”).

No texto hebraico, e pelos judeus ainda hoje, esses volumes são denominados de “Torá” com o sentido de “instrução, ensino, direção, orientação”. A Torá assume o significado genérico de “livro da lei”, com abrangência de todas as normas (Dt 4.44; 17.18; 31.9) e está associado ao nome de Moisés (Js 8.31,32; 23.6; 2 Rs 14.6).

O historiador judeu do século I Flávio Josefo menciona, centenas de vezes, Moisés como o autor do livro de Gênesis. Dentre elas, cita-se: “Moisés fala ainda mais particularmente da criação do homem […]”, “Moisés narra em seguida como Deus plantou do lado do oriente um jardim muito delicioso […]”.

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

A Palavra

O vocábulo Pentateuco vem do grego pente, «cinco», e teúchos, «livro», «rolo» (originalmente, um vaso ou implemento). A referência é aos primeiros cinco livros do Antigo Testamento, formadores de uma unidade básica: os livros de Moisés. O vocábulo foi aplicado a princípio, a esses livros, no século II D.C.; posteriormente, foi empregado por Orígenes, e a partir daí, se tomou uma designação comum para os livros em apreço. Contudo, há eruditos que pensam que a coletânea deveria incluir os seis primeiros livros da Bíblia, formando assim um Hexateuco (vide). Ainda outros pensam que a verdadeira unidade é formada pelos quatro primeiros livros da Bíblia, do que resultaria um Tetrateuco. E, nesse caso, o Deuteronômio seria uma adição posterior, uma repetição ou comentário dos quatro livros anteriores.

 

Códigos Legais Distintos de Pentateuco

Muitos eruditos não creem que o Pentateuco consista em um único código, o mosaico- antes, pensam poder distinguir níveis diversos de códigos. Cs níveis por eles propostos são os seguintes:

O código de pacto (Exo. 20:22-23:33).

O código dos anátemas e maldições (Deu. 27:15-26). Esse seria essencialmente litúrgico, e não legal.

Os dez mandamentos, em duas edições: Deu. 5:6-21 (com base em D); e Êxo. 20:2-17 (com base em S).

O código deuterocanônico (Deu. 12-26), um sermão de Moisés expandido sob a forma de código.

O código de santidade (chamado H, uma unidade separada, Lev. caps. 17-26, que teria acabado incorporado em S), escrito em hebraico posterior e compilado em cerca de 570 A.C.

O código sacerdotal (legislação distinta de narrativa, caps. 25-31; 35-40; Lev. 1-16; Núm 1:1-10:28; fragmentos: elementos de Êxo. caps. 1-24; Lev. caps. 17-26; Num. caps. 11-36; Deu. caps. 31-34 e porções consideráveis de Josué). Seria uma espécie de comentário histórico sobre o Pentateuco embrionário.

 

Teologia do Pentateuco e Sua Importância Religiosa

«O Pentateuco precisa ser definido como um documento que empresta a Israel a sua compreensão e sua etiologia da vida. Ali, através de narrativas, poemas, profecia e lei, é revelada a vontade de Deus acerca da tarefa do povo de Israel no mundo» [A. Bentzen, Introduction to the Old 7esfamenf,1952, II, pág. 77).

«Um registro de revelações e reações às mesmas, o Pentateuco testifica os atos salvatícios de Deus, o soberano Senhor da história e da natureza. O ato central de Deus, no Pentateuco (e, de fato, em todo o Antigo Testamento), é o êxodo de Israel do Egito. Ali Deus irrompeu na consciência do povo de Israel, revelando-se como o Deus redentor… Tendo provado poderosa e abertamente ser ele o Senhor, no ato do êxodo, Deus conduziu os israelitas à percepção de ser ele o criador e sustentador do universo, bem como o dirigente da história… A graça divina não somente é revelada em seu livramento e orientação, mas também na outorga da lei e na iniciação do pacto… Sem importar qual tenha sido a origem do Pentateuco, agora destaca-se como um documento que possui uma rica unidade interior. É o registro da revelação de Deus na história e de seu senhorio sobre a história. Testifica tanto sobre a reação de Israel como sobre sua falha, por não reagir devidamente. Testifica a santidade de Deus, que o separa dos homens, e também a seu gracioso amor, que vincula os homens com ele, segundo as suas condições» (ND).

 

Fatos Importantes a Notar. O Pentateuco é o começo e o alicerce de todas as revelações judaico-cristãs subseqüentes. Procura descobrir o começo de todas as coisas, apresentando Deus como a fonte de toda a vida. A partir dai, procura conferir-nos noções sobre o começo do homem, e como o mesmo relaciona-se com Deus, ou deve relacionar-se com Ele. Os três nomes divinos, Yahweh, Elohim e Adonai, cada qual com sua própria significação (respectivamente, o Eterno, o Todo-Poderoso e o Senhor), aludem a maneiras pelas quais Deus relaciona-se à sua criação. Seus variegados tipos de literatura e a complexidade de sua mensagem encontram seu mais perfeito cumprimento na pessoa do Cristo que veio (I Cor. 10:11).

O Pentateuco e a Teologia do Novo Testamento. Antes de tudo, o Deus da antiga criação é também o Deus da nova criação, por meio de seu Filho. Essa circunstância distingue o cristianismo de todas as religiões e filosofias. Apesar de persistirem mistérios quanto ao modo e ao tempo da nova criação, pelo menos dispomos do grande fato de que essa criação envolverá uma intervenção divina, um plano divino, um alvo divino. A queda do homem no pecado tomou-se parte essencial do pensamento cristão, acompanhado pela necessidade de redenção que o êxodo e a entrada na Terra Prometida tipificavam. Muitas passagens do Novo Testamento empregam esse simbolismo, encontrando muitas lições religiosas e morais que se estribam sobre o relato do Antigo Testamento. O quinto capítulo da Epístola aos Romanos dá-nos a doutrina dos dois homens, o primeiro e o segundo Adão. Ver o artigo intitulado Dois Homens, Metáfora dos. Ver também Êxodo. O conceito de pacto (havendo alguns deles no Pentateuco) é muito importante dentro do pensamento cristão. Ver o artigo geral sobre os Pactos. Paulo deixou claro que a fé cristã repousa sobre os atos históricos remidores, registrados no Pentateuco (ver Gál. 3 e Rom. 4). A fé do Antigo Testamento é a mesma do Novo Testamento. A fé de Abraão é a nossa fé, e nós somos filhos espirituais de Abraão. O antigo legislador, Moisés, foi substituído pelo Novo Legislador, Jesus Cristo (segundo se aprende em João 1:17). O Sermão da Montanha repousa sobre esse conceito e esclarece-nos bastante sobre a nova lei que Cristo ensinou. Ver Mat. 5-7. A lei exerceu sua função vital de mestre-escola, que nos conduziu a Cristo (ver Gál. 3). Através de seus muitos ritos e cerimônias, a lei ilustrou aspectos diversos do ofício remidor de Cristo, segundo também a Epístola aos Hebreus ilustra com muitos detalhes.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 4992- 4993; 4996-4997.

 

 

A base para toda a teologia cristã é a doutrina da criação. Sem a doutrina bíblica da criação como apresentada no livro de Gênesis, o Cristianismo não pode ser apropriadamente distinguido dos outros sistemas filosóficos do Oriente, que são panteístas e identificam suas divindades com o universo. Não há qualquer registro da criação em todo o mundo como o do livro de Gênesis. Nenhuma tentativa moderna de explicar a origem do universo dá uma explicação mais satisfatória do que a apresentada em Gênesis. Tudo o que o NT fala sobre a salvação perde seu significado sem Gênesis 3 e o restante do Pentateuco, com sua revelação progressiva de Deus. O plano redentor de Deus tem significado apenas à luz da queda do homem como apresentada em Gênesis. O apóstolo Paulo deixa claro em Gálatas 3 e Romanos 4 que o Evangelho cristão está baseado na história da aliança encontrada no Pentateuco. A fé cristã é a mesma fé de Abraão, e a mesma fé dos israelitas que guardaram a aliança com Deus e usaram as instituições religiosas que Moisés estabeleceu do modo que Deus pretendia que elas fossem usadas. Estas mesmas instituições religiosas apontaram e prepararam de modo crescente para o Cristo por vir. O resto da Bíblia, tanto o AT como o NT, tem suas raízes no Pentateuco. O apóstolo Paulo disse que a lei é um professor — um tutor para levar os homens a Cristo (G13). Ninguém pode ser conduzido a Cristo a menos que aprenda do tutor o que Deus é, e o que o pecado é. O Pentateuco lançou o fundamento, mas fez ainda mais; através de seus símbolos rituais ensinou como Deus efetuaria a redenção do homem.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 912-913.

 

 

   2.   A grandeza da Lei.

 

Estuda-se a Lei sob três aspectos:

a) morais, que possuem validade permanente para todos os povos;

b) cerimoniais, que tratam da liturgia religiosa dos judeus; e,

c) civis, que dizem respeito à responsabilidade do israelita como cidadão.

Nossa Declaração de Fé ensina que “a Lei de Moisés é o mais importante código de leis da antiguidade por sua santidade, por seu caráter espiritual e por sua autoridade divina: ‘a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom […] a lei é espiritual’ (Rm 7.12,14) ” (p.151). Contudo, enfatiza o documento doutrinário, que a grandeza da Lei vai além de tudo isso, pois nela, Deus esboça o plano da redenção humana em Cristo: “ Porque o fim da lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Estuda-se a Lei, de modo didático, sob três aspectos: (a) morais, que possuem validade permanente para todos os povos porque “tratam dos princípios básicos morais sem concessão”; (b) cerimoniais, que tratam da liturgia dos judeus e compreendem as “festividades religiosas, o sistema de sacrifício e da adoração no santuário, os alimentos limpos e imundos e as instruções sobre a pureza ritual, entre outros preceitos”; e, (c) civis, que dizem respeito à responsabilidade do israelita como cidadão, tais como os “regulamentos jurídicos e instruções que regiam a nação de Israel”.

Contudo, na verdade, essas três partes integram uma mesma Lei, isto é, a Lei de Moisés — o Pentateuco.

Henrietta Mears resume cada livro do Pentateuco em uma frase, a saber: “em Gênesis o mundo foi feito, em Êxodo se narra a marcha, Levítico contém a Lei, em Números as tribos são contadas, em Deuteronômio a Lei é repetida”. Em concordância com essas sentenças, a Declaração de Fé das Assembleias de Deus ensina que “a Lei de Moisés” é o mais importante código de leis da antiguidade por sua santidade, por seu caráter espiritual e por sua autoridade divina: “a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom […] a lei é espiritual” (Rm 7.12,14). Contudo, enfatiza o documento doutrinário que a grandeza da Lei vai além de tudo isso, pois nela Deus esboça o plano da redenção humana em Cristo: “Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

Cristo, como o fim da lei, tem sido interpretado de várias maneiras. As interpretações a respeito desse problema se dividem essencialmente em três principais categorias, com algumas subcategorias, como segue:

Cristo seria o alvo da lei. (Assim pensavam Crisóstomo, Calvino, Beza, Bengel, Alford, e muitos outros), a. Ou no sentido que o «alvo» da lei é o de tornar o homem justo, alvo esse cumprido em Cristo; ou b. no sentido que a lei conduz o homem a Cristo como mestre-escola do homem (ver Gál. 3:24). Essa ideias não é antipaulina, sendo até mesmo paralela às ideias daquele apóstolo; mas não parece ser isso o que Paulo queria dizer especificamente, neste ponto.

Cristo seria o cumprimento da lei, com todos os seus símbolos e exigências. Essa ideias está contida em Mat. 5:17, porquanto é verdade que Cristo cumpriu todas as mensagens simbólicas da lei, com seus sacrifícios e cerimônias (assim cumprindo a lei cerimonial); além do que Cristo é a concretização moral das exigências da lei moral, tendo-se tornado, por isso mesmo, 0 grande modelo para todos os homens.

Adam Clarke (in loc.) expressou essencialmente esse ponto de vista, quando escreveu: «Onde termina a lei, Cristo começa. A lei termina com sacrifícios representativos; Cristo começa com a oferta real. A lei é o nosso mestre-escola que nos conduz a Cristo; a lei não pode salvar, mas deixa-nos à porta da salvação, onde a salvação pode ser encontrada com exclusividade. Cristo, na qualidade de sacrifício expiatório pelo pecado, foi o grande objeto de todo o código de sacrifícios instituído por Moisés; a paixão e a morte de Cristo foram o cumprimento desse grande objetivo e desígnio. Basta que se separe a morte sacrificial de Cristo da lei, que esta última perde toda a sua significação, porque é impossível que o sangue de touros e bodes possa tirar pecados; razão também pela qual 0 Messias é apresentado a dizer: ‘Sacrifícios e ofertas não quiseste; ofertas queimadas e ofertas pelo pecado não requereste; então eu disse: Eis-me aqui, venho para fazer a tua vontade; um corpo me foi preparado’ (Sal. 40:6,7 e Heb. 4:1-10). E isso prova que Deus jamais tencionou que os sacrifícios oferecidos segundo a lei fossem reputados como a ‘expiação pelo pecado’, mas antes, eram apenas um tipo ou representação dessa expiação; mas ‘a expiação’ mesma foi o sacrifício do próprio Cristo. Assim sendo, ele foi o fim da lei, no tocante aos seus sacrifícios. E, visto que os sacrifícios eram oferecidos meramente em busca do perdão do pecado, da justiça ou da justificação, Cristo é o fim da lei, quanto a essa justificação de ‘todo aquele que nele crê’, por ter ele morrido por causa de suas ofensas e por ter ele ressuscitado visando sua justificação, tendo estabelecido a paz através do sangue de sua cruz».

Pelo contrário, Cristo é o término da lei. Assim pensavam Agostinho, Lutero, Tholuck, Meyer, Hodge, Vincent, Newell, Robertson, e muitos outros. No dizer de Robertson (in loc.): «Cristo pôs ponto final à lei como meio de salvação (ver Rom. 6:14; 9:31; Efé. 2:15; Col. 2:14), conforme se vê também em Luc. 16:16. Cristo é o alvo ou meta da lei (Gál. 3:24). Cristo é o cumprimento da lei (Mat. 5:17; Rom. 13:10 e I Tim. 1:5). Mas aqui (tal como Denny) a principal ideia de Paulo é que Cristo pôs ponto final à lei como método de salvação, para ‘todos os que crêem’, sem importar se são judeus ou gentios. Cristo escreveu ‘finis’, sobre a lei, como meio de graça».

A lei, como meio de salvação, era uma noção judaica extremamente comum, refletida nas páginas do N.T., mas mencionada apenas como um caso hipotético, e não como uma possibilidade real.

Todavia, o terceiro capitulo da epístola aos Romanos, além dos que se seguem imediatamente, mostram-nos que Paulo considerava essa «realização» uma impossibilidade. (Ver Heb. 7:18,19, onde somos informados que o mandamento anterior foi anulado). E a passagem de Rom.5:20 mostra-nos que a lei foi «acrescentada» à economia divina, depois que a justificação mediante a fé já estava em funcionamento. Sim, a lei foi adicionada a fim de transmitir uma melhor compreensão sobre o pecado e sobre as exigências da santidade, e não para servir de agente salvador.

Em Cristo, tudo quanto a lei «porventura» dissera concernente à salvação, ou que aparentemente oferecera, foi anulado, extirpado. Cristo sobrepujou a lei, conforme também aprendemos em trechos como Rom. 3:21 e Gál. 3:25. Paulo, pois, estava expondo a ideia de exclusivismo mútuo, da lei e do sistema da graça. (Ver as notas expositivas sobre essa questão, em Rom. 4:4,14).

Cristo é o fim da lei «como base da justiça». Em outras palavras, aquela justiça de Deus, a sua própria natureza moral, que ele requer que os homens possuam, não pode vir através do sistema legalista, mas só pode vir por intermédio de Cristo; e isso por meio de sua vereda mística, através do contato com o Espírito Santo, devido ao seu poder de transformação.

«‘Fim’ no sentido de término ou conclusão. Cristo foi quem pôs fim às funções da lei, por tê-la superado». (Sanday, in loc.).’

«A lei persegue ao homem até que este se refugia em Cristo; ״ então a lei como que lhe diz: ‘Encontraste o asilo; não mais te perturbarei. Agora és sábio; agora estás em segurança’». (Bengel, in loc.).

«Aquele método particular de obtenção da justiça (através da lei), é visto como um método fracassado. Naturalmente, isso é um fato evidente somente para aqueles que têm o discernimento necessário para tanto. O legalismo é uma maneira de servir a Deus tão de acordo com 0 orgulho humano que até mesmo crentes continuamente revertem ao mesmo. Qualquer pessoa que confie em costumes ou convenções, em formalidades e observâncias, no esforço individual ou na realização coletiva, em todos os pontos essenciais está dependendo de um método cuja insuficiência já foi largamente desmascarada. Mas assim que uma pessoa realmente percebe o que Jesus Cristo foi e o que ele fez por nós, torna-se impossível para ela acreditar que, mediante a observância de estatutos, possa agradar a Deus. Entregarmo-nos à santidade perscrutadora e ao amor remidor que são desvendados em Cristo é o único caminho pelo qual podemos obter posição apropriada diante de Deus, e é isso, precisamente, que a fé possibilita.. .Dessa maneira, foi-nos apresentado: a. 0 fracasso e a bancarrota do legalismo; b. os sinais característicos da alternativa oferecida pelo evangelho (que é): i. alicerçada na fé; e na universal em seu escopo. Ambos esses últimos temas serão expostos nos versículos que se seguem». (Gerald R. Cragg, in loc.).

Mediante o reconhecimento do valor das interpretações de números (1) e (2) nem por isso caímos no absurdo em que caem alguns, supondo que «Cristo observou a lei por nós». O ensino neotestamentário não estipula uma «observância vicária da lei», de tal modo que a justiça de Cristo, nesse sentido, nos seja atribuída, a nós que não podíamos guardar a lei. A questão da justiça de Deus, bem pelo contrário, ultrapassa completamente a todas as considerações próprias da lei, exceto que, na realidade, mediante o poder transformador do Espírito Santo, as suas exigências justas, que nos mostram qual é a santidade de Deus Pai, se tornam as grandes características das nossas almas, e isso de maneira crescente, à medida em que nos vamos tornando mais e mais semelhantes a Cristo. Pois se a obediência de Jesus Cristo à lei mosaica pudesse ser-nos imputada, a sua morte por nós teria sido inútil.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 771.

 

 

a relação de Cristo com a lei (10.4).

Os judeus acusavam Cristo de ser transgressor da lei e, por isso, o levaram à cruz. Todavia, eles não discerniram qual era a real relação entre Cristo e a lei. Pensavam que podiam ser salvos mediante a lei, porém a finalidade da lei não era lhes dar a salvação, mas evidenciar seus pecados, tomá-los pela mão e levá-los ao Salvador, que é Cristo. Geoffrey Wilson está certo quando diz que os não crentes esperam conseguir justiça pelas obras da lei, mas esta relação com a lei foi extinta por Cristo para todos os crentes, que, portanto, não mais a consideram o instrumento de sua justificação.

Precisamos entender dois pontos aqui:

O que Paulo quer dizer quando afirma que o fim da lei é Cristo? Cranfield defende a posição de que a palavra grega telos, “fim”, pode ser interpretada de três maneiras: 1) cumprimento; 2) alvo; 3) término. Segundo o autor, os pais da igreja em geral parece ter pendido para a combinação de (1) e (2). Tomás de Aquino, Lutero, Calvino e Bengel, todos entenderam este versículo como exprimindo uma relação positiva entre Cristo e a lei.

Já Stott reduz o significado da palavra grega telos, “fim”, a apenas dois significados. Pode significar tanto “alvo” como “término”. Cristo é o fim da lei em ambos os sentidos:

– Cristo é o fim da lei no sentido de ser o alvo da lei. Tudo na religião judaica apontava para a vinda do Messias — seus sacrifícios, o sacerdócio, os cultos no templo, as festas religiosas e as alianças. Sua lei revelava que os judeus eram pecadores e precisavam de um Salvador. No entanto, em vez de deixarem que a lei os conduzisse a Cristo (G1 3.24), eles adoraram a lei e rejeitaram o Salvador. A lei é a placa que indica o caminho da glória, mas a placa não é o caminho.

A lei não tem poder de oferecer justificação; apenas conduz o pecador ao Salvador que justifica. Cranfield esclarece este ponto: “A declaração segundo a qual Cristo é o alvo para o qual a lei sempre se orientou é inteiramente apropriada, pois Cristo, de fato, é o seu alvo, o seu objetivo, o seu significado e a sua substância e, fora dele, ela não pode absolutamente ser corretamente entendida”.

– Cristo é o fim no sentido de ser a terminação da lei. Esta é a ênfase primordial das palavras de Paulo. Cristo é a terminação da lei no sentido de que, com ele, a velha ordem, da qual a lei fazia parte, foi eliminada, para ser substituída pela nova ordem do Espírito.854 Cristo é o fim da lei, pois por meio de sua morte e ressurreição ele encerrou o ministério da lei para os que creem. A justiça da lei, agora, se cumpre na vida do cristão por meio do poder do Espírito (Rm 6.14; 8.4).

Na mesma linha de pensamento, John Stott diz que Cristo é o fim da lei tanto no sentido de “alvo”, significando que a lei apontava para Cristo, como no sentido de “terminalidade ou conclusão”, indicando que Cristo aboliu a lei. E no último sentido que Paulo fala. Ao abolir a lei, Cristo não nos desobrigou de suas exigências morais, mas nos justificou diante de Deus. Cristo é o fim da lei para a justiça de todo aquele que crê (10.4). Quando se trata de salvação, Cristo e a lei são alternativas incompatíveis. Se a justiça decorre da lei, não vem por intermédio de Cristo; e se ela se dá por meio de Cristo, não decorre da lei.

O que Paulo quer dizer quando afirma ‘‘para justiça de todo aquele que crê”? John Murray diz que a justiça que Cristo proveu, visando nossa justificação, possui tal natureza que satisfaz todas as exigências da lei do Senhor, em suas sanções e demandas. Vale ressaltar que Paulo declara ser Cristo o término da lei para todo o crente que crê, e toda a sua declaração visa apenas confirmar que todo o crente rompe definitivamente com a lei, como um meio de alcançar a justiça.

Precisamos deixar claro que, ao escrever que “morremos” para a lei e fomos “libertados” dela (7.4,6) e já não estamos mais “debaixo dela” (6.15), Paulo estava referindo-se à lei como a forma de sermos justificados com Deus.8,8 Porque estávamos em Cristo em sua morte e ressurreição, cumprimos nele todas as exigências da lei e todas as demandas da justiça. Em Cristo nós, que cremos, cumprimos a lei. Por isso, aquele que crê é justificado não por intermédio de sua própria justiça, como queriam os judeus, mas pela justiça de Cristo imputada a nós.

LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 348-350.

 

 

   3.   A Lei e a fé cristã.

 

A Escritura afirma que a função da Lei era transitória (Hb 10.1). Ela foi dada para revelar o pecado e demonstrar a necessidade da graça (Gl 3.19), e assim serviu de “ aio” para nos conduzir à redenção em Cristo (Gl 3.24). A Lei encerrou a humanidade debaixo do pecado (Gl 3.22). Desse modo, ninguém pode ser salvo pelas obras da Lei (Gl 2.16). Nesse aspecto, a obra de Cristo nos resgatou da maldição da Lei (Gl 3.13), e nos deu vida mediante o Evangelho (2 Tm 1.10). Cristo, o único sem pecado, cumpriu a Lei, e inaugurou a dispensação da graça (Ef 3.2; Hb 4.15). Agora, livres da Lei, vivemos debaixo da graça divina (Rm 6.14). E, todo aquele que permanece em Cristo, não vive pecando (1 Jo 3.6).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A Escritura afirma que a função da Lei era transitória (Hb 10.1). O texto de Hebreus descreve que a Lei não passava de uma sombra, e não a imagem exata das coisas, e que a necessidade de oferecer sacrifícios ano após ano demonstra a ineficácia do ritual levítico. O autor da Epístola já tinha declarado que a Lei nada aperfeiçoou (Hb 7.19). Essa é uma declaração que atesta a insuficiência da antiga aliança para efetuar a redenção da humanidade. Por isso, pela Lei ninguém será justificado diante de Deus (Gl 3.11).

Donald Hagner destaca que “a lei era apenas um estágio antecipatório dos bens futuros, não possuía em si mesma significado duradouro, ou final”. Martinho Lutero ensinou que “a função primária da lei de Moisés consistia em fazer com que as pessoas se sentissem culpadas, para que reconhecessem sua pecaminosidade e aceitassem que mereciam a ira de Deus”. O apóstolo Paulo assevera que a Lei era uma medida temporária, ela foi dada para revelar e punir o pecado, e assim demonstrar a necessidade da graça (Gl 3.19).

Nessa perspectiva, a Lei encerrou a toda a humanidade debaixo do pecado (Gl 3.22,23). Assim sendo, ninguém pode ser salvo pelas obras da Lei (Gl 2.16). Não obstante, a Lei também serviu de “aio” para nos conduzir à redenção em Cristo (Gl 3.24). Rudolf Gwalther pondera que a Lei “não se opõe a Cristo, antes nos leva a Ele e incentiva a nos voltarmos para Ele”. Desse modo, a Lei nos faz conscientes do pecado e nos leva a buscar refúgio e misericórdia em Deus.

Nesse aspecto, a obra de Cristo nos resgatou da maldição da Lei (Gl 3.13), e nos deu vida mediante o Evangelho (2 Tm 1.10).

Somente quando Cristo veio, a Lei finalmente foi cumprida (Mt 5.17-20). A revelação divina se consumou em Cristo (Hb 1.1,2). Cristo, o único sem pecado é mediador de um melhor concerto, de uma Nova Aliança: a dispensação da graça (Ef 3.2; Hb 4.15; 8.6; 12.24).

Agora, livres do jugo da Lei, vivemos debaixo da graça divina (Rm 6.14). E, todo aquele que permanece em Cristo não vive pecando, porque é nascido de Deus (1 Jo 3.6,9).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

«…não estais debaixo da lei…» Em que sentido ou sentidos essa declaração de Paulo deve ser compreendida? Os pontos alistados abaixo respondem.׳

No sentido que os povos gentílicos nunca estiveram sob a legislação mosaica, o que inclui tanto as leis morais como as cerimoniais, conforme se verifica através de toda a discussão sobre esses primeiros capítulos desta epístola aos Romanos.

No sentido de que a lei não pode produzir a «salvação», que supostamente seria adquirida pelo homem que a observasse criteriosamente. Os crentes não estão debaixo da lei, a fim de observá-la e assim «ganharem» a salvação, em parte ou inteiramente.

Os mandamentos do sistema legalista não são obrigatórios para os crentes, e tudo quanto for alcançado no terreno da santidade, sê-lo-á pela lei do Espírito, e não através do conceito legalista. A piedade vem através da religião mística, e não através da religião legalista.

O crente não está debaixo da lei como se esta fosse o guia de sua vida, conforme vários intérpretes cristãos têm erroneamente imaginado. A lei, como princípio legalista que é, não presta um melhor serviço, «orientando» e concedendo a vitória sobre o pecado, na vida diária; isto é obtido através da regeneração produzida pelo Espírito. Não se pode começar pela graça e terminar pela lei. Pois a graça também nos provê o padrão de conduta do crente; mas, paralelamente a isso, nos confere o poder no íntimo para vivermos à altura desse padrão (0 qual, diga-se de passagem, é muito mais elevado e espiritual do que o padrão apresentado pela lei, conforme se depreende claramente das palavras do próprio Senhor Jesus, em Mat. 5:21,22,27,28,33,34,38,39,43,44). O que guia ao crente é a lei do Espírito no íntimo, isto é, aquela lei que é capaz de ensinar 0 homem interior, e que, ao mesmo tempo, capacita a alma a seguir tais instruções divinas. Tudo quanto é justo, dentro do princípio legal da lei mosaica, é espiritualizado dentro da lei do Espírito.

É bem provável que quando Paulo fez esta declaração, de que o não estarmos sob a lei realmente é uma ajuda que nos capacita a ter uma vida vitoriosa, se referia ao pensamento já expresso em Rom. 5:20. A lei mosaica, longe de produzir a santidade no indivíduo, na realidade «aumentava» a intensidade do pecado, em suas diversas atividades. Em contraste com isso, a graça divina nos livra. Portanto, não estar alguém debaixo da lei presumivelmente fica eliminada, em seu caso, a ação provocativa da lei no que tange ao pecado.

«…e, sim, da graça…» A palavra «…graça…» é aqui empregada a fim de representar um inteiro e novo sistema, tal como a palavra «lei» nos traz à mente o sistema inteiro da legislação mosaica. A graça subentende o plano eterno de Deus Pai, em Cristo. A Palavra eterna é assim representada no que se relaciona ao homem, no que diz respeito à sua encarnação, à sua vida, à sua morte expiatória, à sua ressurreição doadora de vida, ao dom de seu «alter ego», o Espírito Santo, 0 qual dá prosseguimento e leva a bom termo a sua obra terrena, e a vinda da era eterna dourada. Cristo é a personificação da graça, e o sistema da graça representa tudo aquilo que o Senhor Jesus é para o crente, tal como Moisés era sinônimo do judaísmo. O sistema da graça cuida final e eficazmente do problema do pecado em sua inteireza, sem importar se se trata da condenação à morte física e à morte espiritual, ou se se trata da perversão da presente expressão de conduta diária. Somente através da graça divina, conforme fica subentendido no «caminho de Jesus», é que podemos esperar a vitória final sobre o pecado e seus efeitos daninhos.

Como A Graça Opera, A Fim De Dar-Nos Vitória Sobre O Pecado

A palavra «graça», neste caso, refere-se ao sistema espiritual da graça, em contraste com o sistema da lei. Sob Moisés, os homens receberam um conhecimento para eles elevado demais. Ficaram sabendo o que havia de errado, mas foram deixados sem poder para resistir ao pecado. De fato, a lei revigorou o pecado. Sob a graça, pelo contrário, o ministério do Espírito nos é conferido, pois ele é o alter ego de Cristo, o qual faz de nós o seu templo (ver Efé. 2:20), e, dessa forma, nos transforma.

O método mosaico era «legalista», isto é, consistia de uma lei que exigia coisas dos homens, encorajando o orgulho humano. Abria caminho para os méritos humanos como maneira de considerar-se a obtenção da salvação. Portanto, não podia prover aos homens o dom divino, a saber, a salvação da alma.

O caminho do Espírito é místico. Esse vocábulo, consoante à sua definição mais básica, significa que entramos em «contato» com algum poder superior, especificamente, Deus, 0 Espírito Santo, Cristo. Esse contato capacita-nos a cumprir os requisitos da retidão, não com perfeição impecável, mas com vitórias sobre 0 vício e o pecado.

No trecho de Rom. 6:12, demos notas sob o título «Como pôr fim a esse reino do pecado», onde há certo número de sugestões que têm aplicação aqui. Assim perceberemos que tais meios, todos eles em seu conjunto, foram providos pelo poder do Espírito, o qual é o agente do «método da graça» da salvação.

O trecho de Rom. 8:2 fala sobre a «lei do Espírito», a qual opera em nós; e é através desse novo princípio que obtemos a vitória. Essa nova lei foi escrita em nossos corações, pelo que se torna em uma característica da alma, e não mero conhecimento mental.

O Espírito Santo é o poder por detrás dos meios de desenvolvimento espiritual. O método da graça opera através de tais meios. (Ver as notas sobre os mesmos em Rom. 6:11).

Obviamente, o método da graça abre a provisão necessária para a santificação, uma importantíssima realidade e doutrina cristã, o que é amplamente comentado em I Tes. 4:3.

O alvo maior das operações do Espírito, o que, paralelamente, é o aspecto mais elevado da salvação, é a transformação do indivíduo segundo a própria imagem de Cristo, de tal modo que o crente vai passando de um estágio de glória para outro, em contínua ascensão. (Ver notas completas a respeito em II Cor. 3:18). Ê óbvio que a pessoa assim beneficiada, dificilmente se vê sujeita ao reino do pecado.

«Muitas almas honestas existem que não podem crer que a obediência a Deus possa ser garantida a não ser através da lei. Dizem essas pessoas: «Dê inteira liberdade a um homem, e já não se poderá mais controlá-lo». Consideremos, entretanto, os pontos seguintes:

Nenhum ser humano, na realidade, foi jamais controlado inteiramente pelo princípio da lei. A nação de Israel, que Deus sujeitou sob a lei, e isso mediante «maravilhosas e gloriosas manifestações de sua própria presença e autoridade», imediatamente renunciou à obediência que haviam prometido prestar-lhe.

Consideremos a relação existente entre a noiva e o seu noivo. Essa relação é um laço de amor, em que todos se deleitam por buscar o bem-estar do outro. Não se trata de uma relação imposta por qualquer lei. O marido não sai andando pela casa baixando regras para a esposa observá-las ׳, como se a continuação dessa relação matrimonial dependesse dessa observância! Tais regras são baixadas para os servos! Não obstante, descobrimos que a esposa pergunta ansiosamente a seu esposo o que ele quer para o almoço, e como, em qualquer outro sentido, ela possa agradá-lo e ser-lhe útil. Ora, tudo isso se deriva do princípio do amor, e não da lei!

Ora, Deus declara, e isso repetidamente, que fomos tirados de debaixo do princípio da lei por causa da morte de Cristo. Agora, estamos debaixo dá graça, e assim, produzimos fruto para Deus. Servimos em «novidade de espírito», o que só pode significar (a exemplo da esposa, que se deleita ante a possibilidade de agradar ao seu esposo) aquele espírito de serviço voluntário, ditado pela devoção pessoal, que anima todo o verdadeiro crente.

Não há a menor esperança, entretanto, de que qualquer pessoa venha a exibir a disposição e a capacidade de perceber o poder desse plano divino da ‘novidade de espírito’, enquanto tal pessoa não tiver percebido e crido que realmente ela morreu com Cristo —que ela mesma era tão má que todo 0 seu «velho homem» foi crucificado juntamente com Cristo; a fim de que agora, estando em relação matrimonial com um outro, isto é, com aquele que ressuscitou dentre os mortos, possa ela produzir fruto digno para Deus.

Que Deus pode ser Deus-Salvador, e não somente Legislador, é algo que a mente humana isolada não pode conceber, porquanto isso só pode ser recebido pela fé. Que naqueles que não estão debaixo da lei se cumpre tudo, e mais ainda! — quanto a lei requer, parece uma insensatez para todos quantos não têm fé, a fé bíblica e neotestamentária na graça de Deus, em Cristo Jesus. ־

Sete realidades são experimentadas pelos crentes, desde que passam pela crucificação e pela vinda do Espírito Santo, e que não eram experimentadas antes, pelos próprios crentes, a saber:

O pecado foi eliminado na cruz. Antes, ano após ano, o pecado só vinha sendo «encoberto».

Nosso velho homem foi crucificado juntamente com Cristo —abrindo assim o caminho para o completo livramento do poder do pecado, através da presença habitadora do Espírito Santo.

Cristo é glorificado em nós. (Ver Atos 1:3 e João 7:39).

O Espírito Santo foi dado dispensacionalmente no dia de Pentecoste; e então, tendo ouvido e crido no evangelho, os crentes individuais são por sua vez selados pelo «Espírito Santo da promessa» (ver Efé. 1:13), 0 qual também testifica, no coração dos crentes, na qualidade de «Espírito do Filho de Deus», de que agora eles são filhos adultos de Deus.

No dia de Pentecoste, Deus começou a criar «novas criaturas em Cristo Jesus» (ver II Cor. 5:17), ou, conforme diz Tia. 1:18: «…para que fôssemos como que primícias das suas criaturas». Cristo, o primogênito dentre os mortos, é 0 Cabeça de sua nova criação.

Os crentes, desde o dia de Pentecoste em diante, foram batizados em um corpo, o Corpo de Cristo, tendo-se tornado membros de Cristo e membros uns dos outros, algo novo e maravilhoso!

Após o dia de Pentecoste a «casa de Deus» não era mais a cidade de Jerusalém, e, sim, passou a ser «entre os crentes», em qualquer lugar onde se encontrem eles —mesmo que apenas dois ou três estejam reunidos em nome de Cristo, porquanto ali estará também ele (ver Mat. 18:19,20), e ali estará igualmente o Espírito Santo (ver I Cor. 3:16 e Efé. 2:21,22)». (Newell, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 674-675.

 

 

– O reinado da escravidão. Quando o pecado reina, os homens se tornam capachos de sua implacável tirania. O reinado do pecado é um domínio de opressão. O pecado escraviza e mata. Os súditos do pecado vivem prisioneiros de suas paixões e oferecem os membros do seu corpo à iniquidade.

– O reinado da liberdade. Quando a graça reina, os homens se tornam livres. A graça destrona o pecado. Destrói o senhorio do pecado e capacita o crente a oferecer- se a si mesmo, e a tudo o que lhe pertence, em amorável serviço a Deus.603 Em vez de viver sob a tirania do pecado, eles podem voluntariamente se consagrar a Deus e oferecer os membros do seu corpo para a prática da justiça. Estar debaixo da lei é aceitar a obrigação de guardá-la e assim incorrer em sua maldição e condenação (G1 3.10). Estar debaixo da graça é reconhecer a nossa dependência da obra de Cristo para a salvação, e assim ser justificados ao invés de condenados.

LOPES. Hernandes Dias. Romanos O Evangelho segundo Paulo. Editora Hagnos. pag. 603-604

 

SINÓPSE I

A Lei esboça o plano da redenção em Cristo. Pelos méritos da cruz de Cristo, fomos resgatados da maldição da Lei.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

“Leis e mandamentos

Na Bíblia uma grande seção, de Gênesis a Deuteronômio, é chamada de ‘Lei’. A ‘Lei’ pode, também, se referir ao Antigo Testamento como um todo (Jo 10.34; 12.34; 15,25; 1 Co 14.21 referem -se à Lei, mas indicam outra parte do Antigo Testamento). Porém, normalmente, a Lei é associada com Êxodo 20 – Deuteronômio 33. Dentro desta seção, não encontramos outros materiais, senão leis. Todavia, visto que há mais de seiscentos mandamentos e leis, encontrados em Gênesis-Deuteronômio, estes cinco livros normalmente são denominados de ‘A Lei’. (Gênesis, por sua vez, não contém nenhum material sobre a lei, mas é parte da Lei, porque serve como uma introdução à Êxodo – Deuteronômio e porque se aceita que Moisés escreveu todos os livros. De fato, porém, a maioria destes cinco livros, chamada de ‘Pentateuco’, consiste em narrativas)” (STEIN, Robert H. Guia Básico para a Interpretação da Bíblia: Interpretando conforme as regras. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, pp.207-08).

 

 

 

 

 

 

II – OS EVANGELHOS: A MENSAGEM DE CRISTO

 

 

   1.   O conceito de Evangelho.

 

O termo “evangelho” tem origem no grego euangelion com o significado de “ boas novas”. Refere-se à mensagem do Reino de Deus e da salvação por meio de Cristo (At 15.7; 20.24). Seus autores são chamados de evangelistas, que significa “ portadores de boas-novas”. Os três primeiros, Mateus, Marcos e Lucas, são chamados de “sinóticos” porque são semelhantes entre si. Os sinóticos registram, especialmente, o ministério de Jesus na Galileia. O quarto Evangelho, João, tem peculiaridades próprias e enfatiza o ministério de Cristo na Judéia. Ressalta-se que, embora retratada de modo distinto, a mensagem dos Evangelhos é única (Gl 1.8).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O termo “evangelho” tem origem no grego evangelion com o significado de “boas novas”. Refere-se à mensagem do Reino de Deus e da salvação por meio de Cristo (At 15.7; 20.24). Seus autores são chamados de evangelistas, que significa “portadores de boas-novas”. Benito Marconcini sublinha que os evangelistas “empregam um gênero literário novo e único que os distingue de qualquer obra daquela época e até mesmo dos outros escritos neotestamentários”.

De fato, os Evangelhos se destacam entre as Escrituras como o principal testemunho sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus.

Philip Comfort enfatiza que os Evangelhos “mantêm consistentemente o foco das atenções em Jesus, sendo o propósito óbvio da narrativa contar a história dos ensinamentos e obras dEle […] Mais de um quarto dos relatos é tributado ao julgamento, crucificação e ressurreição de Jesus”.

Os três primeiros, Mateus, Marcos e Lucas, são chamados de Evangelhos “Sinóticos”. Esse adjetivo, “sinótico”, vem do termo grego “synopsis”, que significa “ver em conjunto”. A designação passou a ser utilizada a partir do século XVIII em razão do alto grau de semelhança desses evangelistas nas narrativas do ministério de Jesus. Os Sinóticos registram, especialmente, o ministério de Jesus na Galileia e se concentram nas curas, exorcismos e o ensino por parábolas.

A. Carson oferece uma sequência geográfica geral comum, a saber: ministério na Galileia, retirada para o norte, ministério na Judeia e Pereia, e o ministério final em Jerusalém. O quarto Evangelho, João, tem peculiaridades próprias e enfatiza o ministério de Cristo na Judeia, especialmente nas visitas periódicas de Jesus a Jerusalém. O discípulo amado registra algumas curas significativas, mas não faz referência aos exorcismos e às parábolas. João destaca os discursos mais profundos do Senhor Jesus.

Ressalta-se que, embora retratada de modo distinto, a mensagem do evangelho é única (Gl 1.8). Há somente um evangelho, apresentado de quatro maneiras. É indispensável lembrar que os Evangelhos não têm o propósito de fornecer um diário detalhado com o registro de todas as ações e ensinos de Jesus.

O evangelista João afirmou que havia “muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (Jo 21.25), reiterou que muitos sinais de que Jesus fez não estavam escritos no seu Evangelho (Jo 20.30), mas que os que estavam registrados serviam para despertar a fé: “para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). O Guia Cristão de Leitura da Bíblia ratifica que os Evangelhos “não são biografia de Jesus e não nos fornecem todas as informações que poderíamos desejar ter. Entretanto, contêm tudo que precisamos saber a fim de compreender a relevância de Jesus e do que Ele fez por nós”.

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

Mensagens Centrais do Evangelho

Ver o artigo separado sobre o Evangelho.

Ver o artigo geral sobre a Salvação, que descreve a mensagem essencial das boas novas do evangelho cristão.

O evangelho revela o poder de Deus para produzir a redenção humana, com tudo quanto está implicado na mesma (Rom, 1:16).

O evangelho é o instrumento do Espirito (I Tes. 1:5).

O evangelho é a mensagem da transformação dos remidos segundo a imagem de Cristo (Rom. 8:29), através de muitos estágios de glória (11 Cor. 3:18).

Isso leva os remidos a participarem da natureza divina (Col. 2:10).

Homens insensatos negligenciam o poder e a atuação do evangelho (I Cor. 11:18 ss).

No evangelho é revelada a justiça de Deus (Rom. 1:16,17).

O evangelho é a palavra da verdade (Efé. 1:13).

O evangelho está oculto dos ímpios e dos incrédulos (11 Cor. 4:3,4).

A reação da fé produz o poder salvaticio de Deus (Heb.4:2).

O evangelho foi dado por revelação divina, e não pelo engenho, pela experiência e pela capacidade de raciocínio dos homens (Gâl, 1:11.12).

O evangelho terá. Afinal, uma aplicação universal. Os eleitos serão remidos (ver sobre Redenção). Todas as outras almas humanas serão restauradas, como é explicado no artigo sobre Restauração. É impossível que qualquer ser inteligente esteja fora do alcance do poder redentor restaurador, afinal. A missão de Cristo é universal, tendo seus aspectos terrenos, infernais e celestiais. Ver o artigo separado sobre a Descida de Cristo ao Hades que explica esta parte de sua missão. O evangelho foi pregado aos mortos, como I Ped. 4:6 afirma.

Negligenciamos um aspecto importante do trabalho do evangelho quando deixamos de fora este aspecto.

Podemos ter certeza de que o evangelho é muito mais poderoso e eficaz do que muitas igrejas pregam hoje.

Não honramos Deus diminuindo a revelação sobre a natureza do evangelho para preservar conceitos primitivos sobre a natureza do julgamento. O julgamento é remedial, não meramente retributivo. I Ped, 4:6 declara isto, e o mistério da vontade de Deus, Efé, 1:9.10, – depende do fator remedial do julgamento.

O evangelho não anula o julgamento. Porém, o julgamento faz, realmente, parte da esperança do evangelho, sendo que é um dedo da mão amorosa de Deus. O julgamento efetua a vontade de Deus para restaurar, afinal. I Ped. 4:6, certamente, ensina isto.

Acredito que o julgamento entrará nas eras eternas e operará nelas. E impossível dizer até que ponto, na eternidade futura, o trabalho restaurador, através do julgamento (e outros meios), operará. Efé. 1:9,10 ensinam que os grandes ciclos de tempo criarão, afinal, uma nova ordem na qual Deus restaurará tudo.

O julgamento. – operando nestes ciclos -, em algumas das eras eternas, terá efeitos benéficos.

A restauração será gradual e não será caracterizada por uma conclusão única ou rápida. Mas o que sabemos é que o mistério da vontade de Deus é restaurar tudo em Cristo (o Lagos). Não há um evangelho verdadeiro (boas notícias) sem as diversas dimensões da missão de Cristo. Esta missão incluiu sua descida ao hades. Ele espalhou as boas novas até no próprio lugar do julgamento. Ainda hoje, sua luz brilha ai também. Sua missão é tridimensional: terra, hades, céus. Não há evangelho sem estes conceitos esperançosos.

O evangelho que se prega em muitas igrejas hoje é pessimista, dando uma verdadeira promessa somente a um mesquinho número de pessoas. Este evangelho é unidimensional (terrestre), e não ecoa a mensagem do grande amor e da eternidade de Deus. (AM B E NO NTI STONE TA Z)

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 3. pag. 604, 606.

 

 

Uso do Termo

Originalmente, o termo “evangelho” tinha referência à mensagem da salvação através de Cristo e apenas depois o termo foi usado para designar documentos escritos. Evangelho (eúccYYéA.iov), que significa “boas novas,” não era usado em um sentido religioso no culto do imperador romano. A ascensão dele ao trono e seus decretos eram “boas notícias” ao povo. Entretanto, mais importante é o antecedente hebraico iü’3, usado no AT (Is 40.9; 52.7; 61.1). O “servo do Senhor’, que estava para vir, declararia boas novas aos homens. Jesus veio pregar o evangelho (Mt 11.5; Lc 4.18) no cumprimento da profecia.

“O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo’’ (Mc 1.15). Jesus Cristo, o portador das Boas Novas, foi ele mesmo o conteúdo e substância do evangelho. Nas epístolas de Paulo, o evangelho é o testemunho de Jesus (Rm 1.3). A palavra é sempre singular. Um evangelista é alguém que leva-ashõas notícias (2Tm 4.5). No início do 2- séc., o termo começou a ser usado para o relato escrito da salvação (Did. 15.3s. 2 Ciem. 8.5). Porém, houve- apenas um evangelho. A pessoa que declara outro evangelho é anátema (G1 1.8s.). As quatro obras chamadas “os evangelhos” são realmente quatro registros de um evangelho. Justino Mártir foi o primeiro a usar a palavra no plural, quando escreveu sobre as “memórias compostas pelos apóstolos chamadas evangelhos” (Apol. 66.3).

Durante aquele tempo, o perigo da confusão passou, embora ainda era o “evangelho segundo Mateus”, não evangelho de Mateus. A graça de Deus tinha passado repentinamente na história, e as notícias disto foram as Boas Novas. Um evangelista não era o escritor de um evangelho, mas um portador da própria mensagem. Os quatro evangelhos foram planejados para fazer isso também, e permaneceram anónimos. Essas obras constituem um novo fenómeno literário. Elas não são biografias como tais, pois omitem muito material normalmente encontrado em uma biografia, tais como desenvolvimento do caráter, fatos de formação e cronologia. Elas são mais parecidas com biografias, do que com qualquer outra coisa.

Elas são históricas na forma; seu primeiro objetivo é apresentar os dados de tal forma que as Boas Novas sejam muito aparentes. Isto é responsável pela ênfase pesada em cada evangelho sobre os dias finais da vida terrena de Jesus e sua ressurreição. Os evangelhos não são produções literárias; seus escritores não são homens letrados. Eles não seguiam nenhum modelo ou forma convencional. Cada um procurava dar um retrato de Cristo conforme ele o via em sua perspectiva. Nos dias de tradição oral, quando testemunhas oculares estavam acessíveis para transmitir informações vitais sobre a vida e ministério de Jesus, a necessidade de evangelhos escritos não era grande. A palavra falada era considerada mais altamente que os relatos escritos. Com o desaparecimento gradual da testemunha ocular, por morte, a necessidade de registros escritos tomou-se crucial. Felizmente para a igreja, tais relatos já tinham estado em processo de compilação e composição muito antes da primeira geração morrer (veja artigos de vários evangelhos para datas). A dispersão da igreja por todo o mundo fez até alguma coisa mais para criar a demanda para evangelhos escritos. Lucas compôs sua obra de dois volumes para satisfazer tal necessidade (Lc 11-4).

Necessitava-se de documentos escritos para instruir novos convertidos e para ensinar as pessoas, bem como para uso no culto público. Por volta do final do 2- séc., os quatro evangelhos quase foram universalmente aceitos, não apenas como autênticos, mas como canônicos — iguais as Escrituras do AT. Os testemunhos valiosos de Clemente de Alexandria, Tertuliano, Papias e Irineu, indicam que todos os evangelhos originaram-se da era apostólica. Poucos documentos antigos têm tal confirmação tão próxima às datas da sua composição. Seus escritores não tinham ambição por glória literária; eles desejavam apenas registrar a mensagem da salvação.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 654-655.

 

 

   2.   A mensagem do Reino de Deus.

 

Em Mateus, o Senhor Jesus, após o batismo nas águas (Mt 3.16), e sua vitória na tentação do deserto (Mt 4.11), passou a pregar a chegada do “Reino dos Céus” (Mt 4.17). Nos outros sinóticos, a pregação do reino também aparece como tema central da mensagem de Cristo (Mc 1.15; Lc 4.43). E João enfatiza que o reino divino não é deste mundo (Jo 18.36). Os Evangelhos indicam que as profecias messiânicas se cumpriram em Cristo (Lc 4.18 -21). Neles, Jesus é apresentado como o Filho de Davi, e o Filho de Deus (Mt 1.1; Mc 1.1). Sua vinda inaugura o começo do Reino e requer a conversão dos pecadores (Jo 3.5). O Reino aponta para a soberania de Deus sobre todas as coisas, no presente (Lc 17.21) e no futuro (Lc 1.33).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Em Mateus, o Senhor Jesus, após o batismo nas águas (Mt 3.16) e sua vitória na tentação do deserto (Mt 4.11), deu início ao seu ministério público e passou a pregar a chegada do “Reino dos céus” (Mt 4.17). A expressão “Reino dos céus” aparece 32 vezes no Evangelho de Mateus, em contrapartida a expressão “Reino de Deus” é usada apenas 5 vezes (Mt 6.33; 12.28; 19.24; 21.31,43).

Alguns estudiosos do Novo testamento tentaram estabelecer uma diferença entre essas duas expressões, porém, Warren Wiersbe anota que “por uma questão de reverência ao nome santo do Senhor, os judeus não pronunciavam o nome Deus, substituindo-o por céus”. David Stern salienta que “a palavra céus era utilizada numa tentativa de evitar a palavra Deus; e até os dias de hoje, a expressão o reino dos céus na religião substitui na literatura religiosa judaica reino de Deus”. Em suma, a expressão “Reino dos céus” é reverente substituição para “Reino de Deus”.

Nos demais Evangelhos Sinóticos, a pregação do Reino também aparece como tema central da mensagem de Cristo. Em diversos textos em que Mateus emprega a frase “Reino dos céus”, Marcos e Lucas usam “Reino de Deus” (Mc 1.15; Lc 4.43). Todos os Sinóticos registram que a condição de entrada no Reino é o arrependimento: “Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4.17); “arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.15); “eu não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” (Lc 5.32).

João Batista, o percursor de Jesus, já exortava o povo ao arrependimento em vista do Reino de Deus que chegava (Mt 3.2; Mc 1.4; Lc 3.3). O Senhor Jesus, durante o seu ministério, constantemente alertava a seus ouvintes acerca da necessidade do arrependimento (Mt 9.13; 11.21; 21.32; Mc 6.12; Lc 13.3,5; 15.7).

Robert Mounce elucida que, “para participar do Reino de Deus, o arrepender-se não era apenas sentir tristeza por causa de alguma coisa, mas envolvia uma real mudança de direção”.

No seu Evangelho, João usa a expressão “Reino de Deus” (Jo 3.3,5). Em seus registros, o evangelista esclarece que o Reino de Deus não é deste mundo (Jo 18.36). Cristo ensinou que a natureza desse Reino não é terrena. Esse Reino está estabelecido no interior das pessoas (Lc 16.20,21). A riqueza, a autoridade e a glória desse Reino são espirituais (Mt 26.53). Contudo, os judeus esperavam um líder político que os libertasse do jugo romano, mas Jesus veio exercer soberania espiritual no coração do povo para os libertar do jugo do pecado (Mt 18.11; Mc 8.36; Lc 19.10; Jo 6.15). Não obstante, essa verdade não nega a realidade do Reino vindouro (Lc 22.30).

O anúncio da chegada do Reino constatava que as profecias messiânicas se cumpriram em Cristo (Lc 4.18-21). Os Evangelhos apresentam Jesus com os títulos messiânicos, tais como Filho de Davi, Rei dos Judeus, Filho de Deus, Cristo, Salvador e Senhor (Mt 1.1; 2.2; Mc 1.1; Lc 2.11; Jo 1.41). Sua vinda inaugura o começo do Reino e requer a conversão dos pecadores (Jo 3.5). O Reino abrange a obra Redentora de Cristo e a sua promessa de voltar (Jo 8.28; 14.3). O Reino aponta para a soberania de Deus sobre todas as coisas, agora no presente (Lc 17.21) e igualmente no Reino futuro, que será tanto temporal quanto espiritual (Lc 1.33).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

Caracterização Geral

Antes de tudo, devemos dizer que não há qualquer diferença entre «reino de Deus» e «reino dos céus». Alguns estudiosos têm pensado que a primeira dessas expressões é mais abrangente, abarcando todas as inteligências criadas, nos céus e na terra, ao passo que a segunda delas descreveria o governo de Deus em algum lugar ou em alguma circunstância específica, como o reino do Messias. Porém, a expressão «reino dos céus» é usada no evangelho de Mateus com respeito a questões vinculadas ao «reino de Deus», nos outros evangelhos. Para exemplificar, em Mat. 3:2, lemos que João Batista veio pregando o reino dos céus; mas, na passagem paralela de Mar. 1:14, lemos que ele veio pregando o reino de Deus. É claro que o Batista não veio pregando dois reinos diferentes. Marcos e Lucas não usam as palavras «reino dos céus», mas descrevem as mesmas realidades mediante a expressão «reino de Deus». Usualmente, Mateus alude ao esperado reino messiânico, ao governo do Messias sobre o trono de Davi. A expressão deriva-se de Daniel 2:34-36,44; 7:23-27, que alude àquele Reino, divinamente estabelecido e que será estabelecido à face da terra quando a pedra cortada sem ajuda das mãos tiver posto fim ao sistema mundial gentílico. Esse foi o reino que Deus prometeu a Davi (II Sam. 7:7-10), que foi descrito nos escritos dos profetas (Zac. 12:8) e que foi confirmado a Jesus Cristo mediante o anjo Gabriel (Luc. 1:32,33). De acordo com Mateus 3:2, esse reino está «próximo», porquanto em breve se concretizará. Teria um cumprimento preliminar nesta dispensação (Mateus 13), e teria um aspecto profético, o reino que será estabelecido quando da segunda vinda de Cristo, ou «parousia» (vide) (Mat. 24:29-35).

Por que «reino dos céus» é usado, em vez de «reino de Deus»? Os judeus tinham profundo respeito pelo nome divino. Portanto, no evangelho de Mateus, escrito principalmente a leitores judeus, é empregada a expressão reino dos céus como um eufemismo, para evitar tantas menções ao nome de Deus.

Nos evangelhos sinópticos, a pregação do reino é o tema central. Não podemos duvidar que João Batista, seus seguidores, Jesus e os seus discípulos pensassem que o reino de Deus haveria de ser estabelecido na terra. O reino de Deus foi uma oferta genuína feita a Israel; mas a oferta foi rejeitada. Isso posto, a vontade divina apresentou aos gentios o esplendor da Igreja e de nossa era da graça. De nada nos adianta tentar imaginar como o reino de Deus poderia ter sido genuinamente oferecido ao povo de Israel, ao mesmo tempo em que ele tinha de ser rejeitado, a fim de que pudesse surgir a Igreja cristã. Essas razões pertencem aos mistérios ocultos de Deus.

Em sentido bem amplo, poderíamos definir esse reino como composto por aqueles que reconhecem, adoram, amam e obedecem a Deus, como o único Deus vivo e verdadeiro. Portanto, esse reino pode ser concebido como existente no céu, ou então no coração dos homens regenerados. Os remidos, pois, comporiam o reino de Deus. A Igreja seria a coletividade formada por esses remidos, nos céus e na terra. Sem importar qual forma assuma, esse reino incorpora a luz do mundo, sendo a vida e o sal da terra. Jesus nasceu para ser Rei, e, de muitas maneiras onde ele consegue impor-se como tal, aí está o reino de Deus. Por esta razão, o reino de Deus é chamado de «reino de Cristo, o Filho», por causa de sua administração. Mas é chamado reino de Deus, porque Deus é a autoridade final, por detrás desse reino. No evangelho de Mateus é chamado «reino dos céus» porque o céu é a habitação de Deus. Finalmente, a autoridade real de Jesus Cristo será exercida em todos os lugares (Efé. 1:10), quando então haverá a unidade de todas as coisas em torno da pessoa de Cristo.

 

O Reino Como Virtudes Cristãs Cardeais.

O reino de Deus consiste na justiça, na paz, na alegria e no Espírito Santo.

O reino de Deus, neste caso, é a vida cristã, desde seus primórdios, quando da regeneração, incluindo a participação na justiça de Deus, através de Jesus Cristo, e suas aplicações práticas na vida cristã, através da santificação, isto é, a vida diária na real retidão divina, a qual já nos havia sido atribuída, e que agora nos é proporcionada no homem interior, como transmissão real, por obra e graça do Espírito Santo. Equivale à «paz com Deus», bem como a paz que os crentes têm uns com os outros. Também é a mesma coisa que a nossa alegria no Espírito Santo, atitude jubilosa essa que deveria caracterizar todos aqueles que foram libertados dos seus pecados.

Aqueles que preferem dar saliência a questões de dieta, manifestando-se contra ou a favor da abstinência de determinados alimentos, e que assim fazendo provocam grande confusão no seio da igreja, não enfatizam as coisas que realmente têm valor e são de vital importância no que tange à vida cristã. O apóstolo desejava que primeiramente percebêssemos quais são as coisas que realmente se revestem de importância, e então vivêssemos de tal modo a destacar essas coisas de real valor, rejeitando questões laterais e secundárias, que geralmente conduzem a contenda, e não à preservação do vínculo da paz e do amor no seio da irmandade.

O reino de Deus é justiça. Paulo só podia ter querido dizer o que vinha descrevendo tão intensamente por toda esta Epistola aos Romanos, isto é, a «justiça atribuída» a nós por Deus, por intermédio de Cristo. (Ver Rom. 4:3 e 3:21).

O Reino Consiste de Retidão

O reino consiste de retidão imputada, mediante a qual recebemos uma correta posição diante de Deus, através de Cristo. Essa é a santidade de Deus, na qual se postam os crentes. (Ver Rom. 3:21; 4:11 e 5:13).

Trata-se da santidade de Deus, que se torna real na vida do crente, através do poder do Espírito, na santificação (ver as notas em

I Tes. 4:3 no NTI).

Trata-se da retidão divina finalmente aperfeiçoada, em que as virtudes espirituais positivas de Deus são implantadas no crente (ver Mat. 5:48).

Em sua aplicação prática, isso ensina-nos que existem certos elementos indiferentes, que nada têm a ver com a santidade, como a guarda de dias especiais, as questões de dieta, etc. Ao ensinar-se essa lição, as Escrituras recomendam-nos que não façamos campanhas em prol de coisas não-essenciais, para que a unidade da igreja não seja ameaçada. A verdadeira santidade promove a paz e a concórdia.

Paz. Existe aquela paz de Deus que é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo, e que é uma qualidade formada na alma, mediante o exercício ou operação do Espírito de Deus. Essa paz também faz parte integrante da transformação moral dos crentes. Essa paz é verdadeiramente formada no íntimo dos remidos, de tal maneira que ela permite que estes vivam em harmonia tanto com Deus como com os seus irmãos na fé e com os seus semelhantes, além de viverem em paz com suas próprias almas. Esse aspecto da «paz», bem possivelmente, era o que Paulo tinha especificamente em mente, quando usou esse vocábulo neste versículo. Não nos olvidemos, todavia, que a paz dos crentes, uns com os outros, se fundamenta sobre a paz com Deus. Ver o artigo sobre Paz.

Alegria. Essa qualidade, igualmente, é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo. Tal alegria não pode ser duplicada pelos esforços humanos, esforços de natureza religiosa oj não. Trata-se de orna qualidade de bem-estar, que envolve não-meramente as sensações corporais e as circunstâncias externas da vida material, mas até mesmo a própria alma. A alma que se sente segura em Cristo, por ter vindo a conhecer a verdadeira vida, sua beleza e seu alvo glorioso, desfruta intensamente de sua posição em Cristo, e se enche de esperança. A felicidade, tanto a temporal como a eterna, é o grande resultado disso. Ver Gál. 5:22,23.

Os Crentes Como um Reino. Apo. 1:16.

E nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai; nos constituiu no reino. O autor sagrado evidentemente toma por empréstimo ideias do trecho de Êxo. 19:6, onde Deus prometeu a Moisés, que, após a miraculosa libertação de Israel, da escravidão egípcia, Israel estava destinada a tornar-se um «reino de sacerdotes, uma nação santa», o que significa que aquele povo tornar-se-ia uma «teocracia». A promessa ao «novo Israel», por conseguinte, é que este tornar-se-á, por semelhante modo, uma teocracia, mas não pertencente a este mundo, e, sim, ao celestial. Cada remido haverá de ser um rei; cada remido haverá de ser um sacerdote. Essa promessa sem dúvida alguma está vinculada ao conceito do «milênio» que aparece em Apo. 20:6 (comparar com Apo. 5:10 e I Ped. 2:9), mas não há razão para limitarmos esse conceito a isso.

O grego aqui empregado pelo autor sagrado leva-nos a entender que ele diz, «constituiu-nos um reino, «sacerdotes», porquanto ele usa o nominativo e não o genitivo, que teria usado se ele tivesse querido dizer «reino de sacerdotes». Vários intérpretes supõem que o autor queria que compreendêssemos isso, mas que seu grego (conforme sucedeu com frequência), saiu de seu controle, e ele terminou por traduzir equivocadamente a passagem que usava, extraída do A.T. E essa ideia é possível, considerando-se o grego deficiente deste livro. (Ver o artigo sobre o Apocalipse, seção VIII, acerca do, tipo de grego que nele foi empregado). Porém, a despeito do mau grego empregado, uma profunda verdade nos é transmitida. O «novo Israel» tornar-se-á um reino de reis, e, nesse reino, cada homem será um sacerdote.

Notemos, no sétimo capítulo do livro aos Hebreus, como Melquizedeque aparece como «rei-sacerdote». Assim também se aprende em I ped. 2:9, a nosso próprio respeito.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. pag. 623-625.

 

 

O reino de Deus no ensino de Jesus

A centralidade do tema. A palavra “reino” é encontrada cinquenta e cinco vezes em Mateus, vinte vezes em Marcos, quarenta e seis vezes em Lucas e cinco vezes em João. Quando autorizado, é feito uso da palavra para fazer referência aos reinos seculares e para versões paralelas dos mesmos ditos de Jesus, a frase “o reino de Deus” e expressões equivalentes (e.g., “reino do céu”, “seu reino”) aparecem cerca de oitenta vezes. A palavra “rei” é usada também para Jesus com considerável frequência, mas só raramente em referência a Deus (Mt 5.35; cp. 18.23; 22.2). O verbo “governar” é raro (Lc 1.33; cp. 19.14,27).

Essas estatísticas mostram a grande importância do conceito no ensinamento de Jesus. De acordo com Mateus (3.2), João Batista também falou do reino do céu em palavras que antecipavam as de Jesus. O resumo introdutório de Marcos sobre a mensagem de Jesus deixa claro que o reino de Deus era seu tema central (Mc 1.15; cp. Mt 4.17). Jesus afirmou que sua tarefa era pregar o Evangelho do reino (Lc 4.43), e os evangelistas repetem suas palavras (Mt 4.23; 9.35; Lc 8.1; 9.11; cp. 16.16; At 1.3). Ele designou seus discípulos para proclamar a mesma mensagem (Mt 10.7; 24.14; Lc 9.2; 10.9). Pode, portanto, existir pouca dúvida de que a frase “o reino de Deus” expresse o tema principal de seu ensinamento.

A natureza do reino de Deus.

Sua iminência. Ao fazer do reino ou reinado de Deus o tema de sua pregação, Jesus não teve que atrair interesse para a sua mensagem ou explicar ao povo o que ele queria dizer. Embora suas ideias fossem, na maioria das vezes, erroneamente direcionadas, especialmente como resultado de suas esperanças limitadamente nacionalistas, o povo tinha alguma ideia do que o reino de Deus significava (Mt 18.1; 20.21; Mc 11.10; 15.43; Lc 14.15; 17.20; 19.11; 23.42,51; cp. At 1.6). À primeira vista, portanto, o novo elemento no ensinamento de Jesus estava relacionado não com o caráter do reino, mas com o tempo da sua vinda. O tempo estava totalmente cumprido e o reino de Deus estava próximo (Mc 1.15). O que Deus tinha planejado desde o começo (Mt 25.34) e o que os homens tinham esperado por séculos, estava perto.

Este modo de colocar o assunto indica que por reino de Deus Jesus queria dizer a ação real de Deus no fim da era ao invés do presente e eterno governo de Deus no céu, porque seria estranho dizer que o segundo estava próximo. Certamente Jesus falou do reino eterno de Deus (Mt 25.34s.), pois é baseado no fato de seu presente governo que a esperança de sua futura ação depende.

O que Jesus quis dizer com o reino de Deus estar “próximo”? A palavra grega (fjyYVKev) pode legitimamente ser traduzida “está perto” ou “tem chegado”. Será que Jesus quis dizer que a ação real de Deus estava para acontecer naquela ocasião de que ele falava, ou que já estava acontecendo? É uma decisão difícil em bases puramente linguísticas, embora a balança da probabilidade favoreça a primeira interpretação. O problema deve ser solucionado ao levar-se em conta todo o ensino de Jesus.

No começo do séc. 20 estudiosos como J. Weiss e A. Schweitzer advogaram uma interpretação agora conhecida como “Escatologia Consequente” (Konsequente Eschatologie). Eles afirmaram que Jesus pregava que o reino de Deus estava muito perto, e que com essa frase ele se referia exclusivamente ao final e visível ato de Deus em estabelecer seu reino. Jesus esperava o fim da era quase de imediato; a inauguração da nova era teria lugar através de um evento cataclísmico glorioso. Apoio para esta opinião pode ser encontrado nos textos que falam dessa era transcendental e de sua vinda (Mt 6.10; cp. Lc 11.2; Mt 8.11; cp. Lc 13.29; Mt 16.28; cp. Mc 9.1; cp. Lc 9.27; Mt 22.1-14; cp. Lc 14.16-24; Mt 26.29; cp. Mc 14.25; cp. Lc 22.16,18; 21.31) ou na iminente vinda do Filho do homem (Mc 13. 26-30; 14.62) e da futura entrada no reino (Mt 5.20; 7.21; 8.1 ls.; cp. Lc 13.28s.; Mt 18.3; cp. Mc 10.15; cp. Lc 18.17; Mt 25.34; Mc 9.47).

Cerca de 30 anos depois uma interpretação diferente do ensino de Jesus foi apresentada, principalmente por C. H. Dodd. Ele adotou a tradução de Marcos 1.15 que sugere que o reino já havia chegado na ocasião em que Jesus estava falando, e ele mostrou que várias outras declarações indicavam que o reino já estava presente durante seu ministério (Mt 10.7; cp. Lc 10.9,11; Mt 11.12; cp. Lc 16.16; Mt 12.28; cp. Lc 11.20; Lc 17.20s.). A própria manifestação e ministério de Jesus eram o ato final de Deus para a salvação do homem, e o reino de Deus não significava algum ato apocalíptico poderoso no fim da história, mas o gracioso e soberano ato de Deus em trazer redenção aos homens em Jesus. Essa teoria ganhou o nome de “Escatologia Realizada”, visto que ela defendia que os eventos escatológicos já haviam acontecido; a frase alemã sich realisierende Eschatologie também é usada para descrevê-la.

O resultado de intensa discussão nos anos recentes tem mostrado que nenhuma das teorias é sustentável por si só. Cada uma só pode ser defendida às custas de responder à evidência da outra, frequentemente por métodos muito duvidosos. A teoria Weiss-Schweitzer prestou atenção unilateral ao que foi dito sobre o futuro advento do reino e ignorou as declarações às quais Dodd posteriormente prestou atenção. Dodd, de sua parte, foi pouco convincente em suas tentativas de interpretar as declarações sobre o futuro de acordo com seu conceito de que o reino já havia chegado. O estudo mais cuidadoso das evidências para determinar a época, feita por W. G. Kümmel, demonstrou que Jesus falou tanto da presença como da vinda futura do reino.

Uma vez que essa polaridade ou dualismo foi reconhecida, o problema é explicá-la. (a) R. Bultmann e seus seguidores têm frisado a primazia dos elementos futuros no ensino de Jesus, mas têm também reinterpretado as declarações de Jesus em categorias existenciais, de tal modo que o conceito de uma vinda real e futura do reino tem sido efetivamente negada, (b) A solução do próprio Kümmel foi restringir a presença do reino à sua presença em Jesus; na sua própria pessoa a futura consumação já havia chegado, mas separado da sua presença o reino não está presente, e sua vinda encontra-se no futuro, (c) Outros, tirando suas sugestões de Marcos 9.1 têm feito distinção entre a vinda do reino no ministério de Jesus e sua vinda futura em poder (e.g., A. M. Hunter), ou entre a revelação velada do reino no ministério de Jesus e sua manifestação aberta no final dos tempos (e.g., C. E. B. Cranfield), ou entre a maneira parcial provisória de sua manifestação no ministério de Jesus, e sua futura manifestação completa (e.g., H. Ridderbos). Existem elementos de verdade em todas essas várias tentativas de elucidação, e elas podem ser combinadas umas com as outras (como alguns estudiosos o fazem), mas (d) talvez a afirmação mais satisfatória sobre esse assunto seja aquela que é sugerida independentemente por R. Schnackenburg e G. E. Ladd, que distinguem entre o cumprimento e a consumação da promessa do reino do AT. “Para Jesus, o reino de Deus era o governo dinâmico de Deus, que tinha invadido a história em sua própria pessoa e missão para trazer aos homens, na presente era, as bênçãos da era messiânica, e que se manifestaria mais uma vez ainda no fim da era, para trazer essa salvação messiânica ã sua consumação” (G. E. Ladd, op. cit. 303). Por esta terminologia a realidade do advento do reino no ministério de Jesus é salvaguardada.

Provavelmente é trabalho perdido tentar mostrar que um aspecto ou outro da vinda do reino tinha maior significado para Jesus. Embora o verdadeiro número de afirmações que se referem explicitamente à vinda futura seja maior, é verdade que o ensinamento sobre a presença do reino era especialmente característico de Jesus, e continha novas ideias sobre sua natureza. A verdade é que os dois aspectos não foram rigorosamente separados por ele. A vinda futura estava perto porque Deus tinha começado a agir; o tempo presente estava cheio de significado porque Deus já estava trazendo sua dádiva de salvação final aos homens.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 117-119.

 

 

   3.   A mensagem da Salvação.

 

Nos Evangelhos, Jesus é identificado por três títulos principais: Salvador, Cristo e Senhor (Lc 2 .11). Mateus registra que Ele veio para salvar o povo dos pecados (Mt 1.21). Marcos afirma que é preciso crer em Cristo para ser salvo (Mc 16.16). Lucas assevera que Ele veio salvar o que estava perdido (Lc 19.10). João esclarece que Ele é o Salvador do mundo (Jo 4.42). Por isso a mensagem da salvação é um ato do amor da graça divina pelos méritos de Cristo (Jo 3.16). Os elementos dessa salvação incluem fé no sacrifício de Cristo, arrependimento de pecados e Novo nascimento (Jo 3.3,15). Nesse sentido, Cristo declarou: “aquele que crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Como já observado, Jesus é identificado por vários títulos messiânicos. Nesse ponto, destacamos as expressões contidas no anúncio angelical: Salvador, Cristo e Senhor (Lc 2.11). Ao se dirigir aos pastores no campo, o anjo enfatiza a obra salvífica de Jesus.

Em diversas outras passagens, essa mensagem de Jesus como o Salvador do pecado é repetida nos Evangelhos (Mt 1.21; 4.15,16; 12.21; 20.28; Mc 10.45; Lc 1.78,79; 19.10; 11.19,20; Jo 3.16,17; 4.10,14; 5.25; 6.50,51; 7.37,38). A expressão Cristo significa “ungido”. Jesus é anunciado como o Messias e libertador de Israel (Jo 1.41; 4.25). O termo Senhor não é meramente pronome de tratamento; refere-se a um título divino. Por isso, para o cristão existe um só Senhor, Jesus Cristo (1 Co 8.6).

O evangelista Mateus registra que Jesus veio para salvar o povo de seus pecados (Mt 1.21). Aqui convém lembrar que o nome “Jesus” é oriundo da expressão hebraica “Iavé salva” ou “Iavé é salvação” e aponta para a sua nobre missão. O propósito da vinda de Jesus se revela no nome que lhe foi dado, isto é, Ele veio salvar os pecadores (1 Tm 1.15). O evangelista Marcos afirma que é preciso crer em Cristo para ser salvo (Mc 16.16). Nossa Declaração de Fé ensina que “somente a fé na morte expiatória de Jesus e o arrependimento podem remir o pecador e levá-lo ao Criador. Essa salvação é um ato da graça soberana de Deus pelo mérito de Jesus Cristo e não vem das obras (Ef 2.8,9) ”. Dessa forma, reitera-se que a salvação está disponível a todos os que creem, estando condicionada à fé e ao arrependimento em Cristo Jesus.

O evangelista Lucas assevera que Jesus veio salvar o que estava perdido (Lc 19.10). Esse ensinamento ocorreu em casa de Zaqueu, o corrupto cobrador de impostos. Depois de crer no Salvador, o publicano demonstrou sua fé ao prometer indenizar as pessoas que tinha defraudado (Lc 19.8). A fé salvadora transformou o caráter daquele homem que outrora era ganancioso e materialista. Diante dessa mudança, disse-lhe Jesus: “Hoje, veio a salvação a esta casa” (Lc 19.9). Em passagens similares, Cristo ensinou que seu principal ofício era curar os doentes e buscar os pecadores (Mt 9.12; Mc 2.17; Lc 5.31). Craig Evans sublinha que “Jesus chama a todos ao arrependimento: religiosos e irreligiosos, sadios e doentes, ricos e pobres”.

O evangelista João esclarece que Jesus é o salvador do mundo (Jo 4.42). O contexto dessa declaração envolvia os samaritanos que creram nEle por causa da sua Palavra (Jo 4.41). Significa que a graça salvífica está disponível para todos os homens (Tt 2.11). Por isso, a mensagem da salvação é um ato do amor e da graça divina pelos méritos de Cristo, que foi enviado pelo Pai “para que o mundo fosse salvo por ele” (Jo 3.16,17). Em vista disso, ratifica-se que os elementos dessa salvação incluem fé no sacrifício de Cristo, arrependimento de pecados e novo nascimento (Jo 3.3,15). Nesse sentido, Cristo declarou: “aquele que crê em mim tem a vida eterna” (Jo 6.47).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

Nossa palavra “salvação” vem do latim salvare, que significa “salvar”, e de salus, que significa “saúde” ou “ajuda”. A palavra hebraica traduzida em português por “salvação” indica segurança. O termo grego soteria, e suas formas cognatas, tem a idéia de cura, recuperação, redenção, remédio, bem-estar e resgate. Essa palavra pode ser usada em conexões totalmente fisicas e temporais, ou no que diz respeito ao bem-estar da alma, presente e eterna.

A idéia de “salvar”, quando usada para indicar a salvação espiritual, fala do livramento do pecado, da degradação moral e das penas que devem seguir-se, como ojulgamento divino. Mas o livramento também nos confere algo, a saber: o perdão, a justificação, a transformação moral e a vida eterna, que consiste na participação na própria vida de Deus, no seu “tipo” de vida. A discussão a seguir explica mais amplamente a natureza desse “livramento para alguma coisa”, bem como desse “livramento de alguma coisa”.

  1. Salvação Segundo o Antigo Testamento

Embora a salvação com freqüência apareça ali apenas como algo no tempo, como da ira de algum inimigo (“o justo viverá por sua fé”, em Hab. 2:4; fala da preservação física), há passagens, como Isa. 45: 17, Dan. 7: 13 ss. E Isa. 53, que entram no nível espiritual da salvação. Os rabinos, após o período patriarcal, criam na alma, no pós-vida, nos lugares celestiais. Mas, a salvação, nas páginas do Antigo Testamento, jamais tomou alguns aspectos revelados no Novo Testamento, especialmente no tocante à plenitude da filiação, em que os homens assumem a natureza do próprio Cristo, a fim de terem sua mesma glória e herança. Esse é um conceito que escapou a teologia dos judeus, e continua a ser ignorado e desconhecido na maioria das igrejas de hoje, onde a salvação é reduzida ao perdão dos pecados e à mudança de endereço para os céus, após a morte física.

Salvação no Novo Testamento.

Até mesmo uma leitura superficial revelará que nem todos os autores do Novo Testamento têm o mesmo ponto de vista acerca da salvação. Não obstante, seus pontos de vista são suplementares, e não contraditórios. A visão da plenitude da salvação é mais clara em alguns escritores sagrados do que em outros.

Nos Evangelhos Sinôpticos.

A salvação vem por meio de Jesus (ver Luc. 19:9). Ele veio para salvar (ver Mar. 3:4; Luc. 4: 18; Mar. 18: 11; Luc. 9:56 e MaL 20:28). Sua missão impõe certa obrigação moral sobre os homens (Mar. 8:35; Luc. 7:50; 8:12; 13:24 e Mat. 10:22). A salvação requer um coração contrito, a receptividade como a de uma criança, a renúncia de tudo por causa de Cristo.

Ela nos conduz à vida eterna, à salvação da alma (ver Mat. 7:13,14 e Mar. 8:34 e ss.). Isso envolve a associação com Jesus em seu reino (ver Mat. 13; Mar. 8:38), que é visto como algo ao mesmo tempo celestial e terreno. Ver Mat. 3 2 e o artigo sobre a doutrina do Reino. Envolve a inquirição e a final possessão das perfeições morais (ver Mat. 5:48). Nos evangelhos sinópticos, entretanto, nunca temos a descrição dos níveis mais altos da transformação segundo a imagem de Cristo, em que passamos a ser o que ele é e a possuir o que ele tem. O evangelho normalmente pregado nas igrejas evangélicas se eleva somente até o nível dos evangelhos sinópticos, o que deixa de lado especiais e maiores revelações, como aquelas dadas a Pedro e. mormente, a Paulo.

No Evangelho de João. Nesse evangelho temos um ponto de vista mais similar ao de Paulo do que aos dos evangelhos sinópticos. O princípio de filiação é associado à salvação, e isso é um discernimento penetrante. Fica subentendido que aquilo que é o Filho, nisso nos transformamos, pois também seremos autênticos filhos do Pai celeste. Somente no evangelho de João, de maneira mais clara e como descrição direta, é que temos o conceito da participação do homem na vida “necessária” e “independente” de Deus, o Pai. Há muitas “modalidades” de vida, a começar pelos animais unicelulares, passando por animais mais completos, do mar, da terra e dos ares.

Finalmente chegamos ao homem, o qual incorpora em si mesmo os aspectos físico e espiritual da vida, de maneira especial. As evidências mostram que toda a vida é dual, e talvez imortal; pelo menos toda e qualquer vida tem uma porção psíquica, que talvez seja o controle real do desenvolvimento físico. A fotografia Kirliana tem demonstrado o fato. Trata-se de um processo fotográfico, similar à radiologia que fotografa a aura existente ao redor de todas as coisas vivas, mostrando que todas as coisas possuem dualidade. Existem formas de vida que cobrem e possuem a parte física, e essas, evidentemente, são as inteligências que dirigem o desenvolvimento físico desde a concepção, mantendo a vida física. Não obstante, o homem, em alto grau, é uma incorporação da vida espiritual com a vida física. Além disso, há a vida puramente espiritual, dos seres celestiais. Mas a vida inteira, incluindo a desses últimos, é vida dependente, isto é, depende de Deus para ser sustentada. Toda a vida, abaixo da vida de Deus, é vida “não-necessária”. isto é, pode existir ou pode ser reduzída a nada, por ser vida potencialmente perecível. Mas Deus é o pináculo de toda a vida, sua fonte e sustentáculo. Já o “tipo” de vida de Deus é diferente. Ele é independente, dependendo somente dele mesmo para continuar a viver; e também é vida necessária. isto é, não pode deixar de existir. Sim, Deus tem vida “independente”, porque depende somente de si mesmo para existir; e tem vida “necessária” porque essa forma de vida não pode deixar de existir. Foi esse o tipo de vida que o Filho recebeu por ocasião de sua encarnação, na posição de Cabeça federal da raça remida. E, através dele, os remidos também recebem essa forma de vida.

(Assim nos ensinam os trechos de João 5:25,26 e 6:57, um dos mais elevados conceitos de todo o NT). Os homens chegam a compartilhar dessa forma de vida. tornando-se muito mais elevados que os anjos e membros autênticos da família divina, possuidores da natureza divina (ver 11 Ped.1 :4). Notemos que o elevadíssimo tipo de vida exposto no Evangelho de João fez parte integral da salvação, sendo mediado através da ressurreição.

No Livro de Atos. Neste ponto retornamos ao terreno dos evangelhos sinópticos, conforme se poderia antecipar do fato de que Lucas, seu autor, também é o autor do evangelho de Atos, um dos evangelhos sinópticos. O perdão dos pecados, o arrependimento, a conversão, a entrada no reino celestial, são elementos da salvação, mas não cobrem a revelação inteira, embora destaquem os conceitos primários da salvação, que são indispensáveis.

Não pode haver glorificação sem o perdão dos pecados e o arrependimento. mas esses são apenas os passos iniciais da salvação. O Livro de Atos é essencialmente uma narrativa sobre como o evangelho de arrependimento se propagou entre todas as nações. (Ver Atos 2:38, 4:12 e 16:30 e ss.)

Nas Epístolas Paulinas. Neste ponto encontramos os conceitos mais elevados, os quais são enumerados neste parágrafo. i. Rom. 8:29: a salvação envolve nossa transformação segundo a imagem moral e metafísica de Cristo, em que compartilharemos de sua natureza essencial; ti. Efé, I :23: ser “salvo” significa vir a possuir, finalmente, a “plenitude de Cristo”, que é tudo para todos; ih Efé. 3: 19: ser “salvo” significa compartilhar finalmente de “toda a plenitude de Deus”, em sua natureza, atributos e perfeições; iv. Col. 2:9, 10: ser “salvo” significa participar da plenitude da divindade, tal como o Filho dela participa; v. II Cor. 3: 18: tudo isso é produzido pelas operações do Espírito, que nos amolda segundo a natureza moral de Cristo, e então segundo a sua natureza metafísica; vi. a filiação sumaria a obra: aquilo que o Filho é, isso seremos; aquilo que ele possui, nós possuiremos. Cristo é tanto o Caminho como é o Pioneiro do Caminho. Ele assumiu a natureza humana e, na qualidade de homem, foi espiritualizado para compartilhar da divindade, na qualidade de Deus-homem, um novo modo de tal participação. É essa participação na divindade que foi aberta a todos os homens que nele confiam (ver Rorn. 8: 17,29,30), tornando-os capacitados a receber sua herança, sua natureza, sua imagem e sua glorificação. Para Paulo, pois, ser salvo é tornar-se aquilo que é o Filho de Deus, é compartilhar do que ele possuí. Esse é o mais elevado conceito que o homem conhece. Exige arrependimento e perdão de pecados, mas esses são apenas meios para atingirmos a glorificação.

Nos Escritos de Pedro. A passagem de II Ped. 1:4 encerra a declaração mais significativa. Mostra-nos que chegamos a participar da divindade, da natureza divina, escapando da corrupção que há no mundo, para que as promessas de Deus se cumpram em nós.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 6. pag. 54-55.

 

 

JESUS, O TEMA DAS ESCRITURAS

A Bíblia está repleta de Jesus. Toda a profecia o tem como tema. As Escrituras nos fornecem a linha da descendência de Cristo, o Messias de Deus. Ele havia de ser a semente da mulher; da raça de Sem; da linhagem de Abraão, por meio de Isaque e Jacó; da tribo de Judá e da família de Davi. As Escrituras registram eventos futuros relacionados à Pessoa e ministério terreno de Cristo. Desde o lugar do seu nascimento até a sua segunda vinda e seu reino eterno – tudo foi predito em termos inequívocos, do Gênesis ao Apocalipse.

Cristo, do Gênesis ao Apocalipse

Estudiosos da Bíblia têm calculado que mais de trezentos detalhes proféticos foram cumpridos fielmente em Cristo. Aqueles que ainda não foram cumpridos, referem-se à sua segunda vinda e ao seu reino, ainda futuros.

a) Cristo no Pentateuco

O Pentateuco compreende os primeiros cinco livros da Bíblia, escritos por Moisés. Eles falam de Cristo como o descendente da mulher, o nosso Cordeiro Pascal, q nosso Sacrifício pelo pecado, Aquele que foi levantado para nossa cura e redenção, e o Verdadeiro Profeta.

b) Cristo nos Livros Históricos

Os livros históricos agrupam os livros da Bíblia que vão desde Josué até o livro de Ester. Da dramaticidade dos seus relatos, se sobressai a figura singular do Salvador como: o Capitão da nossa salvação, o nosso Juiz e Libertador, o nosso Parente Resgatador, o nosso Rei Soberano, o Restaurador de nossas vidas, e a divina corte de apelação das causas perdidas.

c) Cristo nos Livros Poéticos

O conjunto de livros que formam a seção dos livros poéticos compreende os livros de Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares. Na Bíblia eles se irmanam na exaltação do Senhor Jesus Cristo como o nosso Redentor que vive, o nosso Socorro e Alegria, a Sabedoria de Deus só achada pelos diligentes madrugadores, o Alvo Verdadeiro, e o Amado da nossa alma.

d) Cristo nos Livros Proféticos

Os livros proféticos do Antigo Testamento são os livros compreendidos desde Isaías até Malaquias. Neles o espírito profético vaticina a humanização, humilhação e glorificação do Messias. Eles o apresentam como o Messias que há de vir, o Renovo da Justiça, o Filho do homem, o Soberano de toda a terra cujo trono jamais será removido, o Marido fiel, o Restaurador benevolente, o Lavrador divino, o nosso Salvador imutável, a nossa Ressurreição e Vi¬da, a Testemunha Fiel contra as nações rebeldes, a nossa Fortaleza no dia da angústia, o Deus da nossa salvação, o Senhor Zeloso, o Desejado de todas as nações, o Pastor ferido, o Sol da Justiça.

e) Cristo no Novo Testamento

O Cristo vaticinado no Antigo Testamento encontra nos escritos do Novo a sua maior expressão. Este o apresenta como o Messias manifesto, o Servo de Deus, o Filho do homem, o Filho de Deus, o Senhor redivivo, a divina Causa da nossa justificação, o Senhor nosso, a nossa Suficiência, o nosso Libertador do jugo da Lei, o nosso Tudo em todas as coisas, a nossa Alegria e Gozo, a nossa Vida, Aquele que há de vir, o Senhor que vai voltar, o nosso Mestre, o nosso Exemplo, o nosso Modelo, o nosso Senhor e Mestre, o nosso Intercessor junto ao Pai, a Preciosa Pedra Angular da nossa fé, a nossa Força, a nossa Vida, o nosso Caminho, Aquele que há de vir com milhares dos seus santos e anjos, e o Triunfante Rei dos reis e Senhor dos senhores.

Raimundo F. de Oliveira. As Grandes Doutrinas da Bíblia. Editora CPAD.

 

 

De acordo com Cullmann a essência da mensagem cristã é tanto a história da salvação (Heilsgeschichte) quanto a existência cristã. A característica essencial do Cristianismo, que o distingue das outras religiões, é o fato do ato divino central na história da morte e ressurreição de Jesus Cristo. Somente no Judaísmo o histórico é de igual importância fundamental. O ponto focal do Cristianismo não é a metafísica, mas a história. A redenção é algo realizado por Deus por meio de Cristo no tempo.

Cullmann afirma: “A história redentora é o coração de toda a teologia que está baseada na Bíblia. Ela representa um aspecto essencial de toda a teologia. É a perspectiva da qual os próprios objetos de toda a teologia cristã, Deus e Cristo, são vistos. Obviamente os objetos da teologia são Deus e Cristo, no entanto, a perspectiva da qual são vistos não é a da especulação metafísica ou existencialista, mas antes a da história redentora” (Soli Deo Gloria, org. J. McDowell Richards. pag. 13).

Nos tempos antigos, a história da redenção foi desafiada em nome de uma filosofia metafísica (Gnosticismo); mais recentemente está sendo desafiada em nome de uma posição existencial (Filosofia Moderna). Mas agora, como então o Cristianismo prova ser invulnerável a todas estas tentativas de destruí-lo. Como as Escrituras deixam claro que a própria essência do Cristianismo é a história da redenção. A desistorização de Bultmann do NT em termos da abordagem extendida de Heidegger, mostra um desvio trágico do Cristianismo histórico. A teologia é, deste modo, reduzida a antropologia e um outro evangelho é pregado.

Uma palavra adicional deveria ser dada para diferenciar entre aqueles da posição da Heilsgeschichte e aqueles de uma posição tradicionalmente mais conservadora. Embora ambas as escolas concordem com a objetividade histórica e o significado divino da obra redentora de Deus, elas não concordam quanto as bases sobre as quais estes eventos bíblicos devem ser interpretados. Os da escola da Heilsgeschichte tendem a olhar para alguma experiência existencial supraracional para discerni-la, enquanto que os da escola mais conservadora tendem a olhar para o registro divinamente inspirado da Escritura como basicamente definitivo sobre seu significado.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 403.

 

 

SINÓPSE II

Os Evangelhos são as Boas-Novas que proclamam o Reino de Deus e a mensagem de salvação em Jesus Cristo.

 

 

AUXÍLIO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

“Os Ensinamentos de Jesus sobre a Lei

[…] Nos dias de Jesus, os fariseus se concentravam especialmente na maneira como o povo judeu estava vivendo a lei, e suas discussões com Jesus sobre o assunto, algum as vezes degeneravam em divergências acaloradas e até mesmo conflitos perigosos. Então perguntei a Craig [Blomberg] sobre como deveríamos ler e entender o ensinamento de Jesus sobre a lei no Antigo Testamento. […] Ele respondeu medindo cuidadosamente as palavras: Ao lermos o Sermão da Montanha, em Mateus 5.17-20, vemos que Jesus aborda essa questão com mais clareza. Ele o faz em uma fase de seu ministério em que já havia sido tão contra cultural que o povo perguntava: ‘Este é o homem que, de alguma maneira, subjugará a autoridade da lei de Deus que é sagrada, perfeita, eterna e imutável’ Jesus começa dizendo: ‘Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas’; mas logo a seguir Ele diz: ‘não vim ab-rogar, mas cumprir’ (note que Ele não usa palavras que seriam o oposto natural de ‘ab-rogar’, como ‘preservar sem mudar’)” (GUTHRIE, George. Lendo a Bíblia Para a Vida: Seu Guia para Entender e Viver a Palavra de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.172).

 

 

III – UMA MENSAGEM TRANSFORMADORA

 

 

   1.   A transformação do caráter.

 

O caráter é definido como “a maneira própria de cada pessoa agir e expressar-se”. Na Lei, o Decálogo, ou os Dez Mandamentos, apresenta as orientações básicas para o modo de viver dos israelitas (Êx 20.1-17). Esses princípios também são aplicados nos Evangelhos (Mc 10.19), exceto a guarda do sábado (Mt 12.2-4). Contudo, a mera observância de códigos não pode salvar ninguém (Lc 18.18-24). Somente a graça divina é capaz de transformar o caráter humano. Por meio da ação do Espírito Santo, e da obediência ao Evangelho, o homem pode compartilhar a natureza do caráter de Deus (Mt 5.48). Desse modo, a mensagem do Evangelho de Cristo produz substancial mudança no caráter do cristão (Lc 19-8 ,9).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O caráter é definido como “a maneira própria de cada pessoa agir e expressar-se”. Nicola Abbagnano define o caráter como “o modo de ser ou de comportar-se habitual e constante de uma pessoa, na medida que individualiza e distingue a mesma pessoa.

O caráter é a marca distintiva de cada pessoa que regula a sua forma de pensar, de sentir, de desejar, de proceder e reagir de forma habitual. Em vista disso, a pessoa dotada de um caráter firme mantém sua postura, persegue o mesmo ideal e não se move facilmente de seus princípios. De outro lado, a pessoa de um caráter volúvel frequentemente oscila na forma de agir, sua postura muda de acordo com as circunstâncias. Essa atitude demonstra a fraqueza e a hipocrisia de um caráter malformado.

Antonio Gilberto pondera que “o caráter é um componente da personalidade. É adquirido e não herdado. Resulta da adaptação progressiva do temperamento às condições do meio-ambiente: o lar, a escola, a igreja, a comunidade e o estado socioeconômico”.

Portanto, o caráter pode ser forjado, mudado e transformado.

Na Lei de Moisés, o Decálogo, ou os Dez Mandamentos, apresenta as orientações básicas para o modo de viver e agir dos israelitas (Êx 20.1-17). Os três primeiros mandamentos dizem respeito à teologia e os demais se referem a ética. A ética são os fundamentos da moral. A ética e a moral referem-se ao conjunto de costumes, valores e obrigações adotados em uma sociedade. Os princípios éticos e morais do Decálogo também são aplicados nos Evangelhos (Mc 10.19), exceto a guarda do sábado (Mt 12.2-4).

Contudo, a mera observância de códigos não pode salvar a ninguém (Lc 18.18-24).

Somente a graça divina é capaz de transformar o caráter humano.

A mudança de caráter implica mudança de comportamento. Como já visto, quando o caráter de Zaqueu foi curado, ele mudou radicalmente de postura (Lc 19.8; cf. Ef 4.28-31). Hebreus nos adverte que, sem mudança de vida, ninguém verá a Deus (Hb 12.14). Paulo descreve que o poder transformador do evangelho opera em nós de glória em glória (2 Co 3.18). Por meio da ação do Espírito Santo, e da obediência ao evangelho, o homem pode compartilhar a natureza do caráter de Deus (Mt 5.48). Desse modo, a mensagem do evangelho de Cristo produz substancial mudança no caráter do cristão (Lc 19.8,9).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

CARÁTER, MORAL E ESPIRITUAL

  1. Caráter Moral Origem. Por que as pessoas são como são? Elas já nascem com suas aptidões, ou desenvolvem-nas no decorrer da vida? A filosofia, a sociologia, a genética e a teologia procuram todas encontrar solução para a questão. Alguns estudiosos supõem que o caráter e as características da personalidade são frutos do desenvolvimento, com base na experiência de cada um, condicionadas pelo meio ambiente. Entretanto, os estudos sobre a mentalidade criminosa indicam que algumas crianças, desde a mais tenra idade. exibem tendências para atos criminosos, embora criadas entre outras crianças perfeitamente normais. Alguns cientistas supõem que haja o concurso de defeitos cerebrais ou genéticos que explicam esse fenômeno. Ainda que, por enquanto, não existam sólidas evidências para servirem de base à assertiva. Aqueles que acreditam na pré-existência da alma, de mistura ou não com a reencarnação (conforme os pais alexandrinos da Igreja pensavam), falam em uma história da alma separada do corpo, tanto antes quanto depois da encarnação, os quais também dizem que a herança genética é essencialmente destituída de importância, no tocante ao caráter básico do indivíduo. Nesse caso, o caráter dependeria do desenvolvimento, embora a longo prazo, pois envolveria a própria história da alma. E a alma, ao associar-se a um corpo físico, dá continuação à sua história, melhorando ou piorando.

Mas, de acordo com esse ponto de vista, o caráter é trazido desde a história da alma, não sendo um desenvolvimento que ocorre somente durante esta existência terrena, e nem mesmo dependente do estágio infantil. lan Stevenson, professor de psiquiatria e parapsicologia da Universidade de Virgínia, nos Estados Unidos da América, nunca se sentiu satisfeito com a teoria freudiana do caráter. Por essa e por outras razões, embarcou em uma carreira que o levou a investigar a reencarnação (que vide) em profundidade com a ajuda de métodos científicos.

A teologia, por sua vez, admite a possibilidade da intervenção divina nessa questão da formação do caráter. Podemos meditar sobre o caso de João Batista, cheio do Espírito Santo desde o ventre materno (Luc. 1:15). Paulo dizia que sabia que havia sido separado para a sua missão, desde antes dó seu nascimento (Gâl. 1:15). Aqueles que acreditam na preexistência da alma não veem nisso qualquer atuação arbitrária de Deus, – e nem mesmo uma atuação alicerçada sobre algum misterioso propósito divino. A entidade João e a entidade Paulo teriam estado atarefadas no desenvolvimento da alma por muito tempo, e já haviam atingido uma elevada posição. Precisamente por essa razão eles foram escolhidos para cumprir as elevadas missões de que foram encarregados. Outro tanto sucede a cada pessoa, em todas as missões de que os indivíduos são encarregados. As tarefas da vida de cada um dependem, essencialmente, do que cada qual faz a si mesmo, até aquele ponto. A teologia judaica, da época de Cristo em diante, vem ensinando que os grandes profetas de Israel teriam mais de uma missão terrena. Jeremias, por exemplo, era identificado com Moisés, como se fossem uma mesma entidade. Esse conceito tem reflexos na narrativa do Novo Testamento, como em Mateus 16:14, onde o povo judeu tentou identificar Jesus com um dos antigos profetas.

Profundos mistérios circundam essas questões, mas é quase certo que o caráter não depende, essencialmente, de variações ambientais. Aqueles que têm criado filhos podem testificar que cada criança exibe seu caráter ‘básico, desde o começo, com notáveis diferenças entre uma criança e outra. As tentativas dos pais para treinar e modificar são úteis e necessárias, e a conversão religiosa (que vide) muito transforma o indivíduo. Porém, existe um material básico sobre o qual essas forças atuam, que raramente é ultrapassado em qualquer grau mais elevado, pois esse material sempre exibirá suas qualidades inerentes. Nem mesmo a conversão religiosa transcende, de modo absoluto, essas qualidades fundamentais, porquanto existem pessoas religiosas em todos os estágios de desenvolvimento de caráter, o que não pode ser inteiramente explicado por seu desenvolvimento espiritual subsequente à conversão.

 

  1. Caráter Moral-Desenvolvimento. Ó Espirito de Deus ocupa-se da tarefa de nossa transformação espiritual. O caráter básico de cada um de nós, o nosso próprio desenvolvimento, apressa ou retarda essa atuação do Espírito. Mas, cada um de nós pode transcendendo a estágios anteriores, e, assim, ir-se aprimorando (11 Cor. 3:18). Essa é a mensagem do evangelho. O cultivo dos vários aspectos do fruto do Espirito (Gâl. 5:22,23) nos confere maior força de caráter. Portanto, deveríamos mostrar-nos otimistas sobre o que o poder do Espírito Santo pode fazer na nossa vida despeito da partida lenta, quanto ao caráter básico de onde todos partimos. Não há que duvidar que a conversão não deixa todas as pessoas envolvidas no mesmo nível espiritual. Existem convertidos que logo tornam-se gigantes espirituais; enquanto que outros são pigmeus espirituais.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. pag. 648-649

 

 

   2.   A restauração da família.

 

Na Lei, a dissolução do casamento era permitida por qualquer motivo (Dt 24.1-4). Essa concessão banalizava a união conjugal, e provocava rupturas na família. Nos Evangelhos, Cristo ensina que o propósito divino para o casamento é a união indissolúvel entre um homem e uma mulher (Gn 1.27; 2.24; Mt 19.4,5). Esse ensino é enfatizado com as seguintes palavras: “o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.6). As exceções são justificadas em casos de morte (Rm 7.2), infidelidade (Mt 5.32) e deserção do lar pelo descrente (1 Co 7.15). E, mesmo nas situações de traição e abandono, a mensagem cristã apresenta o perdão e a reconciliação como atitudes preferíveis (Mt 5.9,44; 18.21,22).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A Constituição Federal do Brasil prescreve que “para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento”. Assim, o conceito constitucional de família tem sua base compreensiva nas relações monogâmicas e heterossexuais.

No livro de Gênesis, Deus instituiu a família com princípios reguladores da monogamia e da heterossexualidade (Gn 1.27; 2.24). Porém, desde cedo, parte dos homens negligenciaram essa ordenança divina. Lameque instituiu a poligamia (Gn 4.19). As cidades de Sodoma e Gomorra praticavam promiscuidade sexual, incluindo a homossexualidade, e, por isso, foram destruídas para servir de exemplo aos que vivem de modo desordenado (Gn 19.24; 2 Pe 2.6).

Somada a essas práticas, a dissolução do casamento por qualquer motivo era autorizada pela Lei Mosaica (Dt 24.1-4). Essas concessões banalizavam a união conjugal, e provocava rupturas na família. Nos Evangelhos, Cristo restaura o propósito divino para o casamento: a união monogâmica e indissolúvel entre um homem e uma mulher (Gn 1.27; 2.24; Mt 19.4,5). Nesse aspecto, nossa Declaração de Fé rejeita “qualquer configuração social que se denomina família, cuja existência é fundamentada em prática, união ou qualquer conduta que atenta contra a monogamia e a heterossexualidade, consoante o modelo estabelecido pelo criador e ensinado por Jesus”.

No ensino ratificado por Cristo, a indissolubilidade do casamento é enfatizada com as seguintes palavras: “o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.6). Por essa razão, nossa Declaração de Fé não reconhece a união conjugal realizada entre pessoas divorciadas, em desacordo com o preconizado pelo Senhor Jesus.

As exceções são justificadas em casos de morte (Rm 7.2), infidelidade (Mt 5.32) e deserção do lar pelo descrente (1 Co 7.15). E, mesmo nas situações de traição e abandono, a mensagem cristã apresenta o perdão e a reconciliação como atitudes preferíveis (Mt 5.9,44; 18.21,22).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

Myer Pearlman, na cerimônia de casamento em seu Manual do Ministro, afirma o seguinte: “No jardim do Éden, Deus instituiu essa união a partir do primeiro casal humano, a fim de tomar feliz toda a humanidade. Desde então os seres humanos o têm praticado e, para dar-lhe consistência, o têm legalizado. Pode-se dizer que o casamento é o contrato jurídico de uma união espiritual”. Essa declaração é confirmada na Bíblia e na História.

As Escrituras Sagradas mostram que o casamento foi instituído por Deus no jardim do Éden (Gn 2.18-25) e sancionado pelo Senhor Jesus em sua presença nas bodas de Caná da Galileia (Jo 2.1-11). O propósito, entre outros, é a felicidade, o companheirismo mútuo do casal e a procriação, a maneira legítima da multiplicação dos seres humanos sobre a Terra.

DESVIO DO PRINCÍPIO MONOGÂMICO

A monogamia foi instituída pelo Criador, porém a poligamia foi criada pelos homens. O primeiro polígamo da história foi Lameque (Gn 4.19). A declaração bíblica “e apegar-se-á à sua mulher” (Gn 2.24) fala da monogamia, isto é, o princípio do casamento de um homem com uma única mulher e vice-versa. O código de Hammurabi, escrito em acádico na antiga Caldeia e datado de 1750 a.C., prevê a poligamia nos parágrafos 146 e 148. Historiadores, sociólogos e arqueólogos são unânimes em afirmar que havia desvios do casamento monogâmico na Palestina pré-semítica, como a poligamia e a poliandria (TENNEY, 2008, p. 976). Os patriarcas hebreus viveram nesse contexto social, e nós encontramos na Bíblia o reflexo da sociedade do antigo Oriente Médio. O texto de Gênesis 16.1-4, narrando a história de Sara, que deu sua criada Agar por mulher a Abraão para que esta pudesse gerar filho, parece-nos uma prática muito estranha à nossa cultura ocidental e, sobretudo, à ética cristã; entretanto, por mais que nos pareça estranho, isso na época era lei. Está registrado nos parágrafos 144-147 do Código de Hammurabi, muito tempo antes do Concerto do Sinai. A mesma coisa fez Raquel, ao conceder sua serva Bila a Jacó que para que lhe gerasse filhos (Gn 30.3-8). Jacó casou com duas irmãs, Leia e Raquel, e teve concubinas (Gn 29.28-31; 35.22).

O adultério naquela época se configurava quando envolvia alguém que fosse casado. Ora, se a lei de Moisés não apresenta o mesmo conceito de adultério que o cristianismo, logo os heróis do Antigo Testamento não podem ser reputados adúlteros, pois a lei não condenava essa prática, e alguns deles viveram antes mesmo da promulgação da lei, no Sinai. Se a lei não proíbe, não pode ser pecado. Só haverá contravenção ou crime a partir do momento em que a lei for sancionada e posta em vigor. “Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado não havendo lei” (Rm 5.13). Assim, essas práticas do Antigo Testamento, anteriormente mencionadas, hoje são pecados, pois são condenadas no Novo Testamento. Salomão pecou pelo fato de não observar Deuteronômio 17.17, que proíbe aos reis de Israel adquirir para si haréns, como faziam os antigos monarcas do Oriente Médio, e casar com mulheres estrangeiras (Ne 13.26), o que era proibido pela lei de Moisés (Dt 7.1-4). Salomão agiu dessa forma motivado por alianças políticas, mas pagou muito caro por isso, pois a poligamia e os casamentos mistos o levaram ao desvio (lRs 11.1-4), e isso trouxe complicação para Israel durante muito tempo.

No antigo Oriente Médio isso era mais uma questão de ostentar poder (1 Rs 11.1-3). A poligamia nunca foi um mandamento da lei de Moisés, mas estava implícita em três ocasiões: 1) “Mas, se a desposar com seu filho, fará com ela conforme o direito das filhas. Se lhe tomar outra, não diminuirá o mantimento desta, nem a sua veste, nem a sua obrigação marital” (Êx 21.9,10); 2) “Quando um homem tiver duas mulheres, uma a quem ama e outra a quem aborrece, e a amada e a aborrecida lhe derem filhos, e o filho primogênito for da aborrecida […]” (Dt 21.15); e 3) na lei do levirato, pois a lei não prescrevia se o cunhado deveria ser solteiro (Dt 25.5).

Os judeus abandonaram essa prática, mas os muçulmanos ainda a mantêm. Israel, que ainda está na lei de Moisés, aboliu a poligamia. Isso ocorreu em 950 d.C., quando o rabino Guershom proclamou a takaná (regulamento interno da sinagoga), estabelecendo a monogamia de caráter regional e provisório. Essa takaná vigorou por 400 anos, até 1350. Aos poucos, as sinagogas de outras jurisdições foram adotando essa prática, de modo que com o tempo esse princípio se universalizou.

Expirado o prazo, ninguém se preocupou com a renovação. A monogamia, todavia, já se tornara regra sem exceção e assim perdurou até a atualidade em Israel (MEZAN, vol. III, s/d, p. 149). O Novo Testamento restabeleceu o princípio monogãmico original da criação (Mt 19.5; ICo 7.2; lTm 3.2).

Jesus disse que, se uma mulher casada for de outro homem, comete adultério contra o seu marido, se ele estiver vivo; e da mesma forma o marido, se for de outra mulher, comete adultério contra a sua mulher, se ela estiver viva (Mc 10.11,12). Jesus foi mais profundo, cortando o mal pela raiz, pela causa, e não pelo efeito. Ele declarou: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar já em seu coração cometeu adultério com ela” (Mt 5.27,28). É verdade que nem sempre podemos impedir que as aves pousem em nossa cabeça, mas podemos impedir que ali façam ninhos. Ninguém está livre de ser sobressaltado por pensamentos pecaminosos, mas qualquer cristão pode perfeitamente impedir que esses pensamentos sejam cultivados (Cl 3.1-5).

A INDISSOLUBILIDADE

A natureza indissolúvel do casamento vem desde a sua origem: “Portanto, deixará o varão o seu pai e a sua mãe e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne” (Gn 2.24). O Senhor Jesus Cristo disse que essa passagem bíblica significa a indissolubilidade do casamento: “Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.5,6). É uma união íntima entre duas pessoas de sexos opostos que assumem publicamente o compromisso de viverem juntas; é uma aliança solene, um pacto sagrado, legal e social. Não existe no universo, entre os seres vivos inteligentes, uma intimidade maior do que entre marido e mulher, exceto apenas entre as três pessoas da Trindade.

O voto solene de fidelidade um ao outro “até que a morte os separe”, que se ouve dos nubentes numa cerimônia de casamento, não é mera formalidade. Isso tem implicações profundas diante de Deus: “Porque o SENHOR foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade” (Ml 2.14). O compromisso que os noivos assumem é diante de Deus, independentemente de o casal ser ou não crente em Jesus. Isso diz respeito ao casamento per si, vinculado de maneira intrínseca à sua natureza, pois assim Deus estabeleceu essa aliança “até que a morte os separe”. Esse voto, ou “juramento”, não é para ser desfeito. Os noivos precisam ser conscientizados dessa responsabilidade e para isso é muito importante o curso obrigatório para noivos nas igrejas.

O divórcio é por natureza um pecado contra o princípio divino de indissolubilidade do casamento. Os pais e os jovens da Igreja necessitam de orientação pastoral. É muito importante a realização de encontros casais, tratando de assuntos de família, e também de encontro de jovens, abordando questões relacionadas a namoro, noivado e casamento.

Todas as igrejas deveriam promover cursos de noivos para os que estão com casamento marcado.

A escolha do cônjuge deve ser feita sob a direção de Deus. Uma das primeiras coisas a ser observada é o bom testemunho e se o futuro cônjuge realmente demonstra conversão genuína ao evangelho de Jesus Cristo, assumindo responsabilidade em seus compromissos. Outro ponto importante que precisa haver nos dois é o amor e a admiração mútua. Quando o casamento é baseado apenas na beleza física e na atração erótica, a chance de felicidade duradoura é remota. A maneira pela qual a moça ou o moço trata os pais também mostra qual será o seu comportamento como cônjuge depois de casado. É nesse momento que cada um precisa ser mais racional do que emocional; é uma decisão seria que ninguém pode errar. Há os que são “lobo na pele de ovelha” e conseguem esconder seu intento, sua má índole e seus vícios; esse caso só se resolve com oração. Quem busca a direção divina jamais será enganado. Deus é o maior interessado no bem-estar de seus filhos e de suas filhas. O noivado é para discutir o projeto para a vida de casados, quantos filhos virão, quando isso deve acontecer, qual deve ser a atividade da esposa com relação a trabalho e estudo, e no caso de ela trabalhar fora de casa como deve ser o orçamento familiar.

Tudo isso deve ser avaliado e discutido antes para evitar surpresas desagradáveis após o casamento.

Os casados têm o dever de se esforçarem para assegurar a felicidade do cônjuge. O sexo é uma necessidade na vida conjugal. A Bíblia afirma que marido e mulher “são uma só carne”, como já vimos. Isso fala de comunhão, de unidade física, intelectual e espiritual. Unidade física é o relacionamento sexual dentro do casamento, que tem o aval divino, por ser uma prática pura e santa aos olhos de Deus, a ponto de o apóstolo Paulo comparar o ato conjugal à comunhão mística de Cristo com a sua Igreja (2Co 11.2; Ef 5.25,32).

A mulher não deve negar-se ao marido e da mesma forma o marido à mulher, exceto quando de comum acordo para a consagração, ou mesmo em caso de cansaço proveniente de um duro e longo período de trabalho ou de enfermidade. Fora isso, recusar o outro é um perigo muito grande. A Bíblia declara que “a alma farta pisa o favo de mel, mas à alma faminta todo amargo é doce” (Pv 27.7). Todos os casados devem se cuidar para não deixar seu cônjuge faminto, a fim de não correr o rico de vê-lo envolvido em caso amoroso com outras pessoas, o que é especialidade Satanás (ICo 7.3-5).

A sexualidade humana não é apenas para a procriação; Deus a criou para a felicidade e a satisfação dos seres humanos. O livro de Cantares de Salomão é uma demonstração disso, assim como outras partes das Escrituras Sagradas (Pv 5.15-19; Ec 9.9). Esse relacionamento deve ser segundo a Palavra de Deus: “Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará” (Hb 13.4). Deus julgará os que preferem as práticas vis e pervertidas, que violam a santidade do ato conjugal, seguindo o padrão imoral do mundo e da prostituição. Nós fomos chamados à santificação, e não para a impureza: “O que Deus quer de vocês é isto: que sejam completamente dedicados a ele e que fiquem livres da imoralidade.

Que cada um saiba viver com a sua esposa de um modo que agrade a Deus, com todo o respeito e não com paixões sexuais baixas, como fazem os incrédulos, que não conhecem a Deus” (lTs 4.3-5, NTLH). Temos aqui uma exortação à santidade e à honra da relação sexual dentro do casamento, evitando os excessos e as perversões.

Soares. Esequias,. Casamento, Divórcio E Sexo A Luz Da Bíblia. Editora CPAD. pag. 13-17; 66-68.

 

 

“Não tendes lido?” É como se dissesse: “Vocês, gente que sempre estão jactando-se de seu conhecimento da lei, nem sequer têm lido Gn. 1:27 e 2:24?” É de lembrar Gl. 4:21. Veja-se C. N. T. sobre essa passagem. Então, se os fariseus conhecerem Gn. 1:27, também sabem que, mesmo Adão tendo sido criado antes de Eva, foi criado imediatamente varão; portanto, com mira a unir-se intimamente com Eva, que foi criada depois do mesmo corpo de Adão, como uma mulher. Em consequência, cada um foi feito para o outro, com o propósito definido de unir um homem com uma mulher. Os que estão ansiosos para divorciar-se não fazem caso deste fato.

Acrescente-se a isto Gn. 2:24, onde Deus ordena que por esta mesma razão — isto é, devido ao fato de que a união entre os dois tinha o propósito de ser tão íntima e que foram destinados um para o outro (veja-se Gn. 1:27 e 2:23) — o homem deixará seu pai e sua mãe, e o fará em consideração de uma união mais íntima e duradoura, ou seja, “se unirá à sua mulher, e os dois serão uma carne”; sim, “já não são mais dois, porém uma só carne”, diz Jesus.

É claro que Jesus considerava Gn. 2:24 (em combinação com Gn. 1:27) como uma ordenança divina, e não como uma pura descrição do que geralmente ocorre na terra. E visto que não se está fazendo injustiça ao original hebraico de Gn. 2:24 ao expressar a ideia desta instituição divina na tradução — por isso “deixará o homem … e se unirá”, não simplesmente “um homem deixa e se une” — que boa razão haveria para não expressá-la? Nesta passagem (Gn. 2:24), portanto, a tradução do RA 1960 é preferível à adotada por outras versões modernas, por exemplo, Bíblia de Jerusalém e Bíblia Pastoral Latino-americana.

Jesus considerava o casamento como uma união indissolúvel, uma união até que a morte os separe, uma instituição definitivamente divina, instituição na qual não há que intrometer-se, o que é claro pelo seguinte: a. De outro modo seu argumento perderia sua força; b. os que O escutavam não necessitavam que lhes fosse dito que é costume que os homens se casem; e c. isto está em harmonia com as palavras que seguem imediatamente, ou seja, Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.

Isto não quer dizer que um homem comete um pecado ao não se casar. Antes, significa que os que decidem casar-se devem considerar o casamento como uma instituição divina, um estado no qual eles devem conduzir-se de tal modo que não só se estabeleça a verdadeira união — sexual, naturalmente; note-se “se unirá a sua mulher”, mas também união espiritual, moral e intelectual — mas também se veja cada vez mais firmemente cimentada.

Foi Deus quem fez possível esta união (Gn. 1:27). Foi Deus também quem deu o mandamento, “Frutificai-vos …” (Gn. 1:28). Também foi Ele quem disse: “Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn. 2:18). Foi Deus quem trouxe Eva a Adão para que fosse a esposa deste (Gn. 2:22). Certamente, de todos os aspectos, foi Deus quem estabeleceu o casamento como uma instituição divina (Gn. 2:24; Mt. 19:5, 6). O casamento portanto é um “estado honroso”. Portanto, que nenhum homem separe o que Deus uniu!”

Os fariseus se acostumaram tanto a falar do divórcio e a descuidar a ordenança divina do casamento, que até agora se negam a aceitar a exposição que Jesus faz de Gn. 1:27 e 2:24. Preferem muito mais enfatizar a possibilidade do divórcio:

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Editora Cultura Cristã. pag. 953-954.

 

 

Os fariseus tinham citado palavras de Moisés no livro de Deuteronômio; Jesus também citou palavras de Moisés (Gn 1.27; 2.24), mas Ele voltou ao livro de Gênesis, ao princípio, referindo-se ao estado ideal da criação e em particular, do casamento. Ao criar macho e fêmea, o plano de Deus era que no casamento o marido e a esposa fossem uma só carne. A esposa não é uma propriedade, mas uma pessoa criada à semelhança de Deus. Jesus faz uma distinção: o casamento, criado por Deus, e o seu mandamento absoluto de que seja uma união permanente, versus as provisões escritas centenas de anos mais tarde, que toleraram o divórcio por causa da natureza completamente pecadora das pessoas (19.8). Os fariseus consideravam Deuteronômio 24.1 como um documento a favor do divórcio.

Mas Jesus se concentrou no casamento e não no divórcio. Os fariseus consideravam o divórcio um assunto mais legal que espiritual; o casamento e o divórcio eram meras transações similares a comprar e vender terras (com a mulher sendo tratada como uma propriedade). Mas Jesus condenou esta atitude, esclarecendo a intenção original de Deus; que o casamento traga uma união que ninguém seja capaz de separar.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 1. pag. 117.

 

 

 

   3.   A regeneração da sociedade.

 

Nossa Declaração de Fé afirma que a estrutura dos Dez Mandamentos, que fazem parte da Lei, diz respeito a Deus e à sociedade, e envolve pensamento, palavras e obras. O Senhor Jesus ensinou que todo o sistema mosaico – a Lei e os Profetas – está resumido em duas ações: amar o Senhor e amar o próximo (Mt 22.37-40). Os Evangelhos asseguram que o amor de Deus para com a humanidade é a base da salvação (Jo 3.16; 15.13). Em vista disso, os cristãos receberam a missão de proclamar essa mensagem às nações (Mt 28.19). Assim sendo, a Igreja fiel e guiada pelo Espírito, ao pregar e viver o Evangelho, torna-se sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Nossa Declaração de Fé afirma que “a estrutura dos Dez Mandamentos se resume no amor a Deus e ao próximo, diz respeito a Deus e à sociedade e envolve pensamento, palavras e obras”.

Desse modo, todo o sistema mosaico — a Lei e os Profetas — está resumido em duas ações: “amar a Deus e amar ao próximo como a si mesmo” (Mt 22.37-40). O amor a Deus deve ser pleno. Deus requer um amor que envolve a pessoa toda: “coração, alma e entendimento” (Dt 6.5; Mc 12.30; Lc 10.27). O amor ao próximo se estende a todas as pessoas, inclusive ao inimigo (Lv 19.18; Mt 5.44; Lc 10.29-37).

Os Evangelhos asseguram que o amor de Deus para com a humanidade é a base da salvação (Jo 3.16; 15.13). Por conseguinte, a virtude do amor é o princípio basilar de todas as ações do crente salvo por Cristo, entre tantas: “o amor não faz mal ao próximo” (Rm 13.10); “o amor não se conduz de forma inconveniente” (1 Co 13.5, NAA); “o amor não se alegra com a injustiça” (1 Co 13.6, NAA). Em vista disso, os cristãos receberam a missão de proclamar a mensagem do amor de Cristo às nações (Mt 28.19). Esse amor perdoa, salva, cura, liberta e regenera a sociedade. Assim sendo, a Igreja fiel e guiada pelo Espírito, ao pregar e viver o evangelho, torna-se em sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14).

Baptista., Douglas, A Supremacia das Escrituras a inspirada, inerrante e infalível palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2021.

 

 

REGENERAÇÃO

Este assunto não é apresentado de forma muito proeminente no AT, embora possa ser visto em passagens como Isaías 57.15 e Salmo 51.10. No entanto, pode ser inferido a partir das passagens que falam de uma regeneração nacional. Passagens que falam da salvação de todo Israel por ocasião da segunda vinda de Cristo, indicam a regeneração dos israelitas sobreviventes (Jr 24.7; 31.3lss,; 32.38ss.; Ez 11.19; 36.24-27; 37.14; Rm 11.26). Zacarias 12.10-14 e 13.6 refere-se ao arrependimento de indivíduos judeus.

No NT, o termo palingenesia é usado em relação à restauração escatológica (Mt 19.28) de todas as coisas. Em Tito, na única outra vez em que a palavra é usada, ela se refere à salvação do indivíduo (Tt 3.5). Outras expressões do NT sâo usadas para a mesma verdade, mas todas têm em comum a idéia de uma mudança dramática semelhante, e denominada novo nascimento. O novo nascimento significa renascer ou nascer do alto (Jo 3.3; 1 Pe 1.23), ser nascido de Deus (Jo 1.13), ser gerado por Deus (1 Pe 1.3), ser vivificado (Ef 2.5; Cl 2.13). Esta renovação ocorre pelo poder do Espírito Santo (Jo 3.5; Tt 3.5) e faz do homem uma nova criatura (q.v.; 2 Co 5.17; Ef 2.5; 4.24).

A regeneração deve ser distinguida da justificação.

A justificação muda o relacionamento do crente com Deus. A regeneração afeta sua natureza moral e espiritual e a transforma.

A justificação remove sua culpa; a regeneração, sua atrofia espiritual, de forma que ele passa da morte espiritual paia a vida espiritual. A justificação traz o perdão dos pecados; a regeneração, a renovação da vida espiritual para que o indivíduo possa atuar como um rilho de Deus.

A regeneração também deve ser distinguida da santificação (q.v.). A santificação, ou a vida de crescimento progressivo na graça, começa somente após a regeneração e continua até que o crente vá estar com Cristo.

Contudo, a santificação é citada em termos similares à regeneração. O cristão é exortado a ser transformado pela renovação de sua mente (Rm 12.2), a revestir-se do novo homem (Ef 4.22-24; Cl 3.9,10), e a considerar-se morto para o pecado, mas vivo para Deus (Rm 6.3-11). Estas passagens mostram que o período de santificação do crente começa com sua regeneração.

Os teólogos da Reforma fazem uma distinção adicional e colocam a regeneração antes da fé, mostrando que o Espírito Santo deve trazer nova vida antes que o pecador possa, pela capacitação de Deus, exercitar a fé e aceitar a Jesus Cristo. No entanto, isto não significa que a regeneração possa ocorrer sem que a fé imediatamente a suceda, porque elas estão unidas (Ef 2,8). Uma não ocorre sem a outra.

As igrejas Católica Romana e Anglicana ensinam uma forma de regeneração batismal, e algumas igrejas da Reforma até falam da regeneração ocorrendo “’antes, durante, ou depois do batismo”. As Escrituras, porém, não ensinam a regeneração batismal de modo algum.

Embora Pedro fale do batismo salvando o crente (1 Pe 3.21), ele diz que a regeneração é causada pela Palavra de Deus (1 Pe 1.23), como faz Tiago (Tg 1.18). Parece claro que o que Pedro quer dizer é que o batismo no Espírito salva, a aplicação real do sangue de Cristo pelo Espírito Santo aos nossos pecados na regeneração. Cristo coloca tal ênfase no ato de fé de aceitá-lo como Salvador (Jo 3.16,36; 5.24), que qualquer regeneração, sem um conhecimento racional dele e uma aceitação pessoal não é sequer considerada. As objeções nas Escrituras para a circuncisão e para a observação da lei como um meio de regeneração mostram que qualquer ensino de uma eficácia de batismo ex opere operato também não tem lugar. A Palavra de Deus fornece o conteúdo daquilo em que uma pessoa deve crer para ser salva, e o batismo significa e confessa o poder purificador do sangue de Cristo para remover os pecados; mas a fé salvadora, dada como um dom ao homem no momento da regeneração, é a condição.

PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1658-1659.

 

 

[..] o cerne da grande comissão (28.19).

T. Robertson diz corretamente que aqui está o programa mundial do Cristo ressurreto.íu Iodos os verbos desse versículo estão no gerundio, mas fazer discípulos é uma ordem.

Indo + batizando + ensinando – fazei discípulos. Robert Mounce apresenta assim essa ideia: “Tanto baptizontes quanto didaskontes são participios governados pelo imperativo matbeteusate. A ideia principal da sentença é ‘fazer discípulos mediante o batismo e o ensino’”.

Fica claro que Jesus não mandou fazer fãs. Quem precisa de fãs são os artistas. Jesus não mandou fazer admiradores.

Os atores e jogadores de futebol é que buscam admiradores. Jesus não mandou apenas evangelizar e ganhar almas, abandonando os bebês espirituais. Ele quer discípulos. Jesus não mandou apenas recrutar crentes e encher as igrejas de pessoas. Ele quer convertidos maduros.

Um discípulo é um seguidor. Isso implica: 1) fazer do reino de Deus seu tesouro; 2) renunciar a tudo por amor a Jesus; 3) guardar as palavras de Jesus. Hoje, temos muita adesão e pouca conversão. Temos grandes ajuntamentos e pouco quebrantamento. Temos igrejas cheias de pessoas vazias de Deus e vazias de pessoas cheias de Deus. Temos grandes multidões que buscam as bênçãos, mas não a Deus. São religiosos, mas não discípulos de Cristo.

[..] o alcance da grande comissão (28.19).

A ordem de Jesus é: Fazei discípulos de todas as nações. A palavra “nações” significa “etnias”. Onde houver um povo, com sua língua, cultura e raça, ali o evangelho deve chegar.

Deus comprou com o sangue de Cristo aqueles que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9). Esses devem ser chamados e discipulados. Concordo com John A. Broadus quando ele diz que o cristianismo é essencialmente uma religião missionária.

[..] as implicações da grande comissão (28.19). Há duas implicações no cumprimento da grande comissão. A primeira delas é a integração dos novos convertidos.

Fazer discípulo implica integrar o indivíduo à igreja, por meio do sacramento do batismo em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo. David Stern é oportuno quando escreve: “O Novo Testamento não ensina o triteísmo, que é a crença em três deuses. Ele não ensina o unitarismo, que nega a divindade de Jesus, o filho, e do Espírito Santo. Não ensina o modalismo., que diz que Deus aparece às vezes como o Pai, às vezes como o filho, e às vezes como o Espírito Santo, como um ator trocando as máscaras”.

Embora a palavra “Trindade” não apareça nas Escrituras, o conceito dela está por toda a Bíblia. Todo convertido deve ser batizado e integrado à igreja.

A igreja é importante. Não existe crente isolado, “desigrejado”, fora do corpo. Uma ovelha fora do rebanho é presa fácil do devorador. Uma brasa fora do braseiro logo se cobre de cinzas. A igreja foi instituída por Cristo, e os novos crentes devem ser integrados a ela pelo batismo.

A segunda implicação é que a grande comissão envolve ensino aos novos convertidos. Três coisas merecem destaque nesse ensino. Primeiro, ensinar o que Jesus mandou (28.19) . Não se trata de ensinar doutrinas de homens, modismos, tradições humanas e legalismo, mas ensinar o que Jesus ordenou. Segundo, ensinar todas as coisas (28.19).

Ensinar não apenas as coisas mais agradáveis. Devemos ensinar toda a verdade, toda a Palavra, e dar não apenas o leite, mas também o alimento sólido. Terceiro, ensinar a guardar (28.19). Russell Norman Champlin tem razão ao dizer que devemos observar que o ensino precisa incluir os ensinamentos morais e éticos do Senhor Jesus, além de quaisquer outros ensinamentos que formam o corpo de doutrinas que ele nos deixou. Robert Mounce explica que o ensino aqui está estabelecido como algo ético, mais do que doutrinário. Ensinar não é apenas guardar na cabeça doutrinas certas, mas é obedecer a essas doutrinas. O discípulo é aquele que obedece. Hoje, as pessoas querem conhecer, mas não querem obedecer. Jesus disse: Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando (Jo 15.14).

LOPES. Hernandes Dias. Mateus Jesus, O Rei dos reis. Editora Hagnos. pag. 820-823.

 

 

Poderíamos dizer que esta passagem é de um significado tão fundamental que deve dizer-se algo a respeito de cada palavra ou combinação de palavras.

“Ide”

Isto se põe num contraste bastante forte com o “não vão” de Mt 10:5. Cf. Mt 15:24. É evidente que o particularismo do período anterior à Sua ressurreição deu agora lugar definitivamente ao universalismo. Não é que Jesus tenha mudado de opinião. É muito claro a partir da história dos magos não judeus (Mt 2:1–12) que deviam adorar ao Rei recém-nascido e de outras passagens tais como Mt 8:11, 12; 15:28; 21:43; 22:8–10, que a evangelização do mundo esteve desde o princípio incluída no propósito de Deus. Veja-se também Jo. 3:16; 10:16. Como se assinalou, tampouco Mateus tinha em mente algo menos que isto.

Mas como foi tal em conexão com 10:5, “Estava no plano de Deus que o evangelismo se propagasse entre as nações desde Jerusalém”. Cf. At. 1:8. Portanto, a ordem divinamente instituída foi, “ao judeu primeiro, e também ao grego” (Rm. 1:16). O momento de fazer preparativos sérios para a propagação do evangelho através do mundo tinha chegado agora.

“Ide” também implica que os discípulos — e isto vale para os filhos de Deus em geral — não devem concentrar toda sua atenção em “vir” à igreja. Devem também “ir” levar as preciosas notícias a outros. Naturalmente, não podem “ir” a menos que antes tenham “vindo” e a menos que se mantenham tanto vindo como indo. Eles não podem dar a menos que estejam dispostos a receber.

“Portanto”

Isto já foi explicado em conexão com “a grande declaração”. Em poucas palavras isto significa: Ide, a. porque seu Senhor assim o ordenou; b. porque Ele prometeu comunicar a força necessária; e c. porque Ele é digno da homenagem, e a fé e a obediência de todo homem.

“Fazei discípulos”

O original diz literalmente, “Portanto, tendo ido, fazei discípulos …” Nestes casos tanto o particípio como o verbo que lhe segue pode ser — no caso presente deve ser — interpretado com força de imperativo. “Fazei discípulos” é em si mesmo um imperativo. É um mandato enérgico, uma ordem.

Mas, o que quer dizer precisamente fazei discípulos”? Não é exatamente o mesmo que “fazei convertidos”, embora naturalmente o segundo fica implícito. Veja-se sobre Mt 3:2; 4:17. O termo “fazei discípulos” põe algo mais de ênfase no fato de que tanto a mente como o coração e a vontade devem ser ganhas para Deus. Um discípulo é um aluno, um aprendiz. Veja-se sobre 13:52. Também veja-se sobre Mt 11:29 para as palavras relacionadas.

Portanto, os apóstolos devem proclamar a verdade e a vontade de Deus ao mundo. É necessário que os pecadores saibam a respeito de sua própria condição perdida, de Deus, de Seu plano de redenção, de Seu amor, de Sua lei, etc. Entretanto, isto não é suficiente. O verdadeiro discipulado implica muito mais. Um entendimento puramente mental até agora não tem feito nenhum discípulo. É parte do quadro, de fato uma parte importante, mas só uma parte. A verdade aprendida deve ser praticada. Deve ser apropriada pelo coração, a mente e a vontade, para que se permaneça ou continue na verdade. Só então se é verdadeiramente “discípulo” de Cristo (Jo. 8:31).

Não deveria outorgar-se imediatamente a cada pessoa que se apresenta como candidato a membro de uma igreja todos os direitos e privilégios que pertencem aos membros. Há expositores que põem toda a ênfase em que “as bodas estava cheia de convidados” (Mt. 22:10). Eles esquecem os vv. 11–24.

“De todas as nações”

Veja-se sob o cabeçalho “Ide”.

“Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”

O verbo principal é “fazei discípulos”. Subordinado a este será: a. batizando-os, e b. ensinando-os. Neste tipo de construção gramatical seria completamente errado dizer que, porque a palavra batizando-os precede à palavra ensinando-os, a pessoa deve ser batizada antes de ser instruída. É muito natural que batizar seja mencionado primeiro, pois embora uma pessoa seja batizada uma vez (ordinariamente), continua sendo instruída através de toda sua vida.

Os conceitos “batizar” e “ensinar” são simplesmente duas atividades, coordenadas uma com a outra, mas ambas subordinadas a “fazer discípulos”. Em outras palavras, por meio de ser batizada e instruída uma pessoa chega a ser um discípulo, subentendido, naturalmente, de que este indivíduo está preparado para o batismo e disposto a apropriar-se do ensino. O contexto deixa muito claro que Jesus aqui está falando daqueles que são o suficientemente amadurecidos para ser considerados objetos da pregação. Aqui Ele não está falando de crianças pequenas.

A fim de estar preparado para o batismo requer-se o arrependimento (At. 2:38, 41). Requer-se “receber a palavra” (At. 2:41). Isto também mostra que o batismo deve ser precedido por certa quantidade de ensino.

O batismo deve ser em nome — note-se o singular: um nome; portanto um Deus — do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Um nome, como se indicou anteriormente — veja-se sobre Mt. 6:9; 7:22; 10:22, 41, 42; 12:21 — representa aquele que o usa. Portanto, “sendo batizados em nome de”, significa “sendo levados à uma relação vital com” aquele Um, considerado tal como Ele Se revelou.

Devemos batizar “em” ou “a” nome? O debate sobre isto tem sido sustentado já por muitos anos.906 Agora, visto que até em português — pelo menos no trato familiar — “em” tem frequentemente o sentido de “dentro de” — “crianças, entrem na casa” — uma decisão sobre este ponto não pode ser tão importante como alguns tentam fazê-lo aparecer. Entretanto, considerando tudo, creio que “em” com o sentido de “dentro de” pode justificar-se. Nem “em” no sentido de “dentro de” nem “em” no sentido de “a” são necessariamente errados. Para ambos os sentidos poderiam apresentar-se bons argumentos. Mas quando dizemos “Eu te batizo em nome de”, poderia entender-se que se diz “Eu te batizo por mandato de” ou “pela autoridade de”, o que certamente não é o que se quis dizer. 1Co. 1:13 parece dizer, “foram batizados em — com o sentido de ‘dentro’ — do nome de Paulo?” Deste modo ao v. 15, “… batizados em — com o sentido de ‘a’ — meu nome”. Cf. 1Co. 10:2. E deste modo aqui em Mt. 28:19, “em — com o sentido de ‘a’ — o nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” tem bom sentido.

Não é que o rito do batismo em si leve uma pessoa a uma união vital com o Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, segundo as Escrituras o seguinte é certo: a. a circuncisão era um sinal e um selo da justiça de Cristo aceita pela fé (veja-se Rm. 4:11 em seu contexto); b. o batismo tomou o lugar da circuncisão (Cl. 2:11, 12); c. portanto, também o batismo deve ser considerado como um sinal e um selo da justiça de Cristo aceita pela fé.

De acordo com isto, quando por meio da pregação da Palavra uma pessoa foi levada das trevas à luz e confessa que o Deus triúno, Pai, Filho e Espírito Santo é o único objeto de sua fé, esperança e amor, o sacramento do batismo é o sinal e o selo de que Deus o Pai o adota como Seu filho e herdeiro; que Deus Filho lava seus pecados por Seu precioso sangue; e que Deus Espírito Santo habita nele e o santificará; na realidade comunicando-lhe aquilo que objetivamente já tem em Cristo e, por fim, levando-o da igreja militante à igreja triunfante.

“Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”

Como já se comentou, este ensinar precede e também segue o batismo. A igreja primitiva insistia em que a pessoa a quem tinha sido proclamado o evangelho, antes de ser admitida como membro devia dar amostra de arrependimento genuíno e de possuir os conhecimentos básicos do cristianismo. “A igreja primitiva estava tão interessada na edificação como no evangelismo, tanto na santificação como na conversão, tanto no governo da igreja como na pregação”.

Que tal ensino não deve cessar quando uma pessoa foi batizada entende-se das palavras, “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Considere-se:

Todos os maravilhosos discursos de Cristo.

Todas as Suas parábolas; tanto em a. como em b. está incluído grande quantidade de “mandatos” tanto implícitos como explícitos. Entre eles estão:

“Declarações” preciosas, tais como: “Permanecei em mim … que vos ameis uns aos outros … dareis testemunho também” (Jo. 15:4, 12, 27); “Amai a vossos inimigos” (Mt. 5:44); “Negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Lc. 9:23).

Predições específicas e promessas ou garantias: “O que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede” (Jo. 6:35); “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu tenho vencido o mundo”. Repare-se nas instruções implícitas para a conduta cristã.

Acrescente-se isto: as lições sobre a cruz, a hipocrisia, a proclamação do evangelho; sobre a oração, a humildade, a confiança, o espírito perdoador, a lei.

E não está o relato da permanência de Cristo sobre a terra — as narrações de suas curas, viagens, sofrimentos, morte, ressurreição, etc. — cheio de “mandatos” implícitos?

“Ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”, – que ordem! Para os onze em primeiro lugar e para todos os mestres ordenados; mas num sentido certamente também para toda a igreja, todos os seus membros. Cada verdadeiro membro é uma testemunha.

À vista do fato de que depois da ascensão de Cristo havia certa indecisão da parte dos líderes cristãos para proclamar o evangelho aos gentios (veja-se At. 10:14, 28; 11:1–3, 19; Gl 2:11–13), há aqueles que creem que a Grande Comissão é em si um mito ou que a igreja se esqueceu logo dela. Eles sustentam que no livro de Atos, nas epístolas e no livro de Apocalipse não se percebem rastros de sua influência.

Como se pode estar tão seguro disto? Acaso não testemunham as seguintes passagens a possível influência, entre outros fatores, da Grande Comissão? Vejam-se At. 2:38, 39; 3:25; 4:12; 10:45; 11:1, 18; 13:46–49; 14:27; 15:7–11, 12, 13–19; 17:30; 19:10; 21:19, 20a; 22:15, 21; 26:15–20; 28:28; Rm. 1:5, 14–16; 11:32; Gl 2:9; 3:28; Ef. 3:8, 9; Cl. 3:11; 1Tm. 1:15; Ap. 7:9, 10; 22:17.

HENDRIKSEN. William. Comentário do Novo Testamento. Mateus. Editora Cultura Cristã. pag. 1324-1330.

 

 

SINOPSE III

A observância dos preceitos da Lei não salva, mas por meio da ação do Espírito, a obediência ao Evangelho muda as vidas.

 

 

CONCLUSÃO

 

A função da Lei era transitória; ela revela o pecado, mas, também aponta o plano da salvação em Cristo (Gl 3.24,25). O Senhor Jesus nos libertou da condenação da Lei (Gl 3.10-13). Nos Evangelhos, as Boas-Novas dessa Salvação estão reveladas. Em suma, as obras da Lei não justificam, mas pela graça somos salvos, por meio do arrependimento e da fé em Jesus Cristo.

 

 

VOCABULÁRIO

Aio: Encarregado da educação doméstica das crianças de famílias nobres ou ricas; um “ pedagogo”.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

 

1- Qual o sentido dos cinco volumes denominados de Torá?

No texto hebraico, e pelos judeus ainda hoje, esses volumes são denominados de “ Torá” com o sentido de “ instrução, ensino, direção”.

 

 

2- Como a totalidade do Pentateuco é identificada?

A totalidade do Pentateuco é identificada, nas páginas da Bíblia Sagrada, como a “ Lei” (Êx 24.12; Mt 5.17); a “ Lei de Moisés” (Js 8.31,32; At 13-39 ); a “ Lei de Deus” (Ne 8.8; Rm 7.22); e a “ Lei do Senhor” (Ne 10.29; Lc 2.22,23).

 

 

3- Segundo a lição, qual a distinção marcada pela geografia entre os Evangelhos Sinóticos e o Evangelho de João?

Os sinóticos registram, especialmente, o ministério de Jesus na Galileia. O quarto Evangelho, João, tem peculiaridades próprias e enfatiza o ministério de Cristo na Judéia.

 

 

4- O que os Evangelhos indicam quanto às profecias messiânicas?

Os Evangelhos indicam que as profecias messiânicas se cumpriram em Cristo (Lc 4.18-21).

 

 

5- Em quais ações o sistema mosaico está resumido, segundo o ensinamento de Jesus?

O Senhor Jesus ensinou que todo o sistema mosaico – a Lei e os Profetas – está resumido em duas ações: amar a Deus e amar o próximo (Mt 22.37-40)

 

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Uma resposta para “8 LIÇÃO 1 TRIMESTRE 2022 A LEI E OS EVANGELHOS REVELAM JESUS”

  1. Achei maravilhoso ter encontrado estes comentários dos tópicos desta lição 8. Irei ministrá-la e para mim foi de grande valia este conteúdo explicado.
    Parabéns aos mestres desta postagem!

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