8 LIÇÃO 2 TRI 23 – A IMPORTÂNCIA DA PATERNIDADE NA VIDA DOS FILHOS

 

8 LIÇÃO 2 TRI 23 –  A IMPORTÂNCIA DA PATERNIDADE NA VIDA DOS FILHOS

 

 

TEXTO ÁUREO

 

“E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor.” (Ef 6.4)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

Quando o padrão divino para a criação de filhos é negligenciado, as consequências são terríveis para a família cristã.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Sl 49.3 – Falar com sabedoria

 

Terça – Dt 6.6,7 – Leia a Palavra de Deus com seus filhos

 

Quarta – Ef 6.4 – Eduque seus filhos com disciplina

 

Quinta – Pv 22.6 – Ensine o caminho certo

 

Sexta – Sl 119.97-99 – Ensine seu filho a amar a Lei de Deus

 

Sábado – Js 24.15 – Eu e minha família serviremos a Deus

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

 

1 Samuel 2.12-17,22; 8.1-3

 

1 Samuel 2

 

12 – Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam o Senhor;

 

13 – porquanto o costume daqueles sacerdotes com o povo era que, oferecendo alguém algum sacrifício, vinha o moço do sacerdote, estando-se cozendo a carne, com um garfo de três dentes em sua mão;

 

14 – e dava com ele, na caldeira, ou na panela, ou no caldeirão, ou na marmita; e tudo quanto o garfo tirava o sacerdote tomava para si; assim faziam a todo o Israel que ia ali a Siló.

 

15 – Também, antes de queimarem a gordura, vinha o moço do sacerdote e dizia ao homem que sacrificava: Dá essa carne para assar ao sacerdote, porque não tomará de ti carne cozida, senão crua.

 

16 – E, dizendo-lhe o homem: Queimem primeiro a gordura de hoje, e depois toma para ti quanto desejar a tua alma, então, ele lhe dizia: Não, agora a hás de dar; e, se não, por força a tomarei.

 

17 – Era, pois, muito grande o pecado desses jovens perante o Senhor, porquanto os homens desprezavam a oferta do Senhor.

 

22 – Era, porém, Eli já muito velho e ouvia tudo quanto seus filhos faziam a todo o Israel e de como se deitavam com as mulheres que em bandos se ajuntavam à porta da tenda da congregação.

 

1 Samuel 8

 

1 – E sucedeu que, tendo Samuel envelhecido, constituiu a seus filhos por juízes sobre Israel.

 

2 – E era o nome do seu filho primogênito Joel, e o nome do seu segundo, Abias; e foram juízes em Berseba.

 

3 – Porém seus filhos não andaram pelos caminhos dele; antes, se inclinaram à avareza, e tomaram presentes, e perverteram o juízo.

 

 

PLANO DE AULA

 

 

1- INTRODUÇÃO

 

Nesta lição estudaremos a história das famílias de dois sacerdotes: Eli e Samuel. Veremos que, apesar da dedicação desses homens ao ministério, seus filhos não seguiram pelo caminho da fidelidade ao Senhor. Nosso propósito é que, a partir dessas duas histórias bíblicas, os pais homens reflitam a respeito de suas responsabilidades como pais cristãos quanto à paternidade bíblica. Há mandamento do Senhor para os homens quanto à criação de seus filhos.

 

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Apresentar o conceito de paternidade segundo a Bíblia;

II) Apontar os tipos de paternidade que são prejudiciais para a família;

III) Destacar a importância e o valor da paternidade responsável na formação espiritual e moral dos filhos.

 

B) Motivação: O cuidado da família, em especial a educação dos filhos, exige muita dedicação, tempo, compromisso e responsabilidade. Por isso, precisamos refletir e aprender sobre esse tema. As escolhas de um pai, seus exemplos pessoais e os tipos de relacionamento que formam com seus filhos podem trazer bons ou maus frutos.

 

C) Sugestão de Método: Para introduzir esta lição, inicie uma conversa com a sua turma. Pergunte aos alunos: “Qual foi a importância do seu pai na sua vida? Ou qual a melhor lembrança que você tem do seu pai?” Após a participação dos alunos, reflita que o relacionamento que vivenciamos com os nossos pais e com os nossos filhos pode trazer grande impacto para toda a família. Em seguida, apresente o primeiro tópico.

 

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Refletir, ensinar e motivar a prática de uma paternidade responsável é um grande desafio na atualidade. Infelizmente, alguns pais não assumem a responsabilidade paterna. Muitas famílias clamam pelo cuidado, ensino e disciplina de um pai presente e temente a Deus.

 

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 93, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

 

B) Auxílio s Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “ Os filhos dos sacerdotes”, localizado ao final do primeiro tópico, expõe os perfis dos filhos de Eli e de Samuel;

2) O texto “A falta de disciplina prejudica os filhos”, localizado ao final do segundo tópico, exemplifica essa verdade na história dos filhos de Eli.

 

 

Hinos Sugeridos: 50, 131, 558 da Harpa Cristã

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

Nesta lição, focaremos duas famílias que tiveram problemas na formação de seus filhos. Na família de Eli, seus filhos Hofni e Fineias, sob a conduta negligente de seu pai, tornaram-se profanos no exercício do sacerdócio.

Na família de Samuel, seus filhos Joel e Abias tornaram-se avarentos e gananciosos, não tendo respeito pelo que representavam para Israel.

A lição mostrará que os pais são os responsáveis pela boa formação moral e espiritual dos filhos, antes da igreja local e das instituições educativas.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Neste capítulo queremos analisar duas famílias sacerdotais dos tempos bíblicos. São famílias cujos pais não souberam cuidar dos filhos, e, por isso, esses filhos se tornaram rebeldes. São as famílias do sacerdote Eli e do sacerdote Samuel.

Na família de Eli, seus filhos Hofni e Fineias, por displicência de seu pai, tornaram-se profanos no exercício do sacerdócio, sem nenhuma experiência com Deus em suas vidas pessoais.

Por outro lado, na família de Samuel, seus filhos, Joel e Abias, tornaram-se avarentos e gananciosos, não tendo respeito pelas coisas sagradas do Tabernáculo. Além disso, como juízes foram injustos, sem que o pai soubesse. Agiam com atitude carnal e avarenta. A lição que aprendemos é que os pais são responsáveis pela boa formação moral e espiritual dos filhos, antes da igreja e da escola.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 139.

 

 

Há um sentido verdadeiro a partir do qual você deve ensinar seus filhos a temerem a Deus, e, principalmente, a temerem desagradá-lo. Não pense que você está cumprindo as responsabilidades da paternidade simplesmente quando faz seu filho se submeter a você. Se você for coerente e firme em sua disciplina, seu filho poderá obedecer-lhe porque teme violar seus padrões. Essa é uma reação bastante fácil de conseguir, mas não é o objetivo adequado na criação dos filhos. Seu filho deve temer transgredir os padrões de Deus, não meramente os seus. Você é apenas um intermediário com a responsabilidade de ensinar seu filho a temer Deus. Se seus filhos crescerem temendo apenas desagradar a você, mas não a Deus, o que eles farão quando você não estiver presente?

Seus filhos precisam crescer com a consciência de que quando eles agirem mal, isso não irrita apenas a mamãe; isso não apenas vai contra o papai; isso não causa apenas perturbação na família. Quando eles desobedecem, eles se colocam contra um Deus santo que pune aqueles que transgridem seus princípios justos.

O meu objetivo como pai não foi meramente fazer com que meus filhos temessem ser castigados pelo papai. Eu quis que eles temessem ser castigados pelo Deus deles.

Desejei que eles também temessem minha disciplina, é claro, mas isso foi incidental. Eu sabia que não poderia estar sempre por perto para mantê-los responsáveis, mas que Deus estaria. E as consequências de transgredirem a vontade de Deus são infinitamente maiores que qualquer desobediência no nível humano. Infelizmente, poucas crianças hoje crescem com essa consciência. Elas não são mais ensinadas a temer Deus, e isso é evidente em todas as áreas da sociedade.

Desde a idade mais tenra, ensine seus filhos que o pecado é uma ofensa capital contra um Deus santo. Ensine-lhes que de Deus não se zomba, e que eles colherão as consequências amargas de todo pecado que semearem. Plante neles um temor saudável de Deus. Sem esse tipo de temor, o arrependimento genuíno não é sequer possível.

Além do mais, quando seus filhos temerem Deus, eles também irão temer o pecado.

Esse certamente é um temor saudável a ser cultivado. Isso lhes poupará muito sofrimento na vida ao mantê-los longe do mal (ver Provérbios 16:6).

Isso também pode literalmente prolongar a vida deles. Provérbios 10:27 diz: “O temor do Senhor prolonga a vida, mas a vida do ímpio é abreviada.” Você quer dar a seu filho uma vida abundante e plena? Ensine-lhes o temor do Senhor. “O temor do Senhor é fonte de vida, e afasta das armadilhas da morte” (14:27). “O temor do Senhor conduz à vida: quem o teme pode descansar em paz, livre de problemas” (19:23).

Temer o Senhor é mais proveitoso do que as riquezas. “É melhor ter pouco com o temor do Senhor, do que grande riqueza com inquietação” (15:16).

“Aquele que teme ao Senhor possui uma fortaleza segura, refúgio para os seus filhos” (14:26).

MacArthur. John,. Pais sábios, Filhos brilhantes. Editora Thomas Nelson Brasil. 1 Ed. 2014.

 

 

PALAVRA-CHAVE: Paternidade

 

 

I – A PATERNIDADE DENTRO DA FAMÍLIA

 

 1. A primeira família.

 

Após a Queda, o primeiro casal criado, Adão e Eva, inicialmente gerou dois filhos, formando, assim, a primeira família (Gn 4.1,2). No princípio da humanidade, a figura do pai definia-se como o líder dentro do lar, responsável por prover alimento e cuidar da segurança de sua família.

O papel da mulher era o de cuidar dos filhos, da casa e ser a ajudadora de seu esposo. No caso de alguns sacerdotes, o exercício sacerdotal passava a ser mais importante do que a criação dos filhos.

Eli e Samuel, a despeito da vida ilibada perante Deus e o povo, foram displicentes com a sua própria família, principalmente, com seus os filhos.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Na sociedade brasileira, o modelo patriarcal se tornou a base social do Brasil. Numa família patriarcal, o pai é o chefe da família. É o pai quem deve prover os alimentos para todos e o que cuida da segurança dos filhos e da esposa. A Bíblia apresenta muitos exemplos de famílias patriarcais, bons e maus exemplos. Antes de tudo, o sistema patriarcal foi criado por Deus para que Adão e Eva, o primeiro casal, que vivia no jardim do Éden, vivesse sob esse sistema criado por Deus.

O homem e a mulher foram criados por Deus com caraterísticas biológicas diferentes para se tornarem um casal, mas quando se deixaram enganar pela “antiga serpente” e pecaram contra Deus, Adão perdeu a noção de sua responsabilidade. Depois da Queda Adão e Eva geraram os dois primeiros filhos. A despeito da Queda, tanto Adão quanto Eva cumpriam o seu desígnio na formação da primeira família na terra.

Portanto, no princípio da existência da humanidade, a família patriarcal era o tipo mais excelente para a manutenção da família. A figura do pai definia-se como o líder dentro do lar. A mulher, tinha o seu papel procriativo no sistema patriarcal. Era a segunda pessoa mais importante com autoridade dentro de casa.

No caso dos sacerdotes, Eli e Samuel, o exercício sacerdotal era, para eles, mais importante do que se preocupar em exercer seu sacerdócio dentro de casa com a esposa e os filhos. Os dois sacerdotes, Eli e Samuel, a despeito da vida ilibada perante Deus e o povo, foram displicentes com a própria família, principalmente, com os filhos.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 140-141.

 

 

O tema prioritário de tudo isso é a submissão. Deve haver uma submissão mútua entre todas as partes: a família como um todo se submete à liderança do pai; o pai se submete, em amor, a suprir as necessidades essenciais da esposa; os filhos se submetem à autoridade dos pais; e até os pais se submetem às necessidades dos filhos, oferecendo seu cuidado amoroso e conselho sem irritá-los. A submissão é o princípio orientador em tudo: “Sujeitem-se uns aos outros, por temor a Cristo” (Efésios 5:21).

MacArthur. John,. Pais sábios, Filhos brilhantes. Editora Thomas Nelson Brasil. 1 Ed. 2014.

 

 

É obrigação solene dos pais (gr. pateres) dar aos filhos a instrução e a disciplina condizente com a formação cristã. Os pais devem ser exemplos de vida e conduta cristãs, e se importar mais com a salvação dos filhos do que com seu emprego, profissão, trabalho na igreja ou posição social (cf. Sl 127.3).

(1) Segundo a palavra de Paulo em Ef 6.4 e Cl 3.21, bem como as instruções de Deus em muitos trechos do AT (ver Gn 18.19 nota; Dt 6.7 nota; Sl 78.5 nota; Pv 4.1-4 nota; 6.20 nota), é responsabilidade dos pais dar aos filhos criação que os prepare para uma vida do agrado do Senhor.

É a família, e não a igreja ou a Escola Dominical, que tem a principal responsabilidade do ensino bíblico e espiritual dos filhos. A igreja e a Escola Dominical apenas ajudam os pais no ensino dos filhos.

(2) A essência da educação cristã dos filhos consiste nisto: o pai voltar-se para o coração dos filhos, a fim de levar o coração dos filhos ao coração do Salvador (ver Lc 1.17 nota).

(3) Na criação dos filhos, os pais não devem ter favoritismo; devem ajudar, como também corrigir e castigar somente faltas intencionais, e dedicar sua vida aos filhos, com amor compassivo, bondade, humildade, mansidão e paciência (3.12-14, 21).

STAMPIS. Donald C. (Ed) Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

 

 

 2. A falta de autoridade no lar.

 

Os sacerdotes Eli e Samuel eram homens que exerciam autoridade no serviço sacerdotal, mas foram descuidados com relação à autoridade no lar. No contexto atual, a história se repete. Muitos obreiros cuidam bem das coisas espirituais e proveem as suas famílias, mas falham com suas responsabilidades a respeito da criação dos filhos. Esse desempenho negativo tem produzido inconsoláveis decepções dos filhos com seus pais.

É possível imaginar dois sacerdotes que ministravam em Israel no Tabernáculo, mas seus filhos tornaram-se profanos e enganosos perante toda a congregação de Israel (1Sm 2.12; 8.13)? Infelizmente, somente seus pais não percebiam que seus filhos apresentavam problemas de ordem moral e espiritual. Os velhos sacerdotes exerciam autoridade em todo o Israel, mas não a exerciam dentro de casa, porque os filhos os enganavam.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Martinho Lutero comentou em certa ocasião: “Quando a Bíblia fala, Deus fala”. Com esse conceito, entendemos que a Bíblia tem, por si mesma, autoridade moral suficiente para que obedeçam aos seus princípios.

Eli e Samuel eram homens que exerciam autoridade no serviço sacerdotal, mas foram displicentes com a autoridade no lar. Ambos eram extremamente radicais quanto à observância da Lei, mas não perceberam que os seus filhos não obedeciam à Lei. No caso de Eli, a Bíblia chama Hofni e Fineias de “filhos de Belial”. Eles eram filhos do sacerdote e cabia-lhes o dever sacerdotal, que herdariam depois da morte do pai. Visto que o pai estava velho e cego, seus filhos já estavam fazendo alguns trabalhos sacerdotais, mas não eram dignos no que faziam, e o velho Eli não os acompanhava nesses serviços.

No caso de Samuel, que era juiz do seu povo, aos seus filhos, Joel e Abias, os constituiu juízes em Berseba (1Sm 8.1,2), mas eles se tornaram avarentos e perverteram o juízo (1Sm 8.3). Hoje, no contexto atual da liderança pastoral, a história se repete, pois, muitos pastores cuidam muito bem da igreja e das famílias da igreja, mas não cuidam dos próprios filhos, lançando o peso desse cuidado sobre as esposas.

Num lar, cada cônjuge tem a sua parcela de responsabilidade e o pai não pode fugir à sua função paternal. Esse papel pastoral negativo tem produzido terríveis decepções a pais e filhos. Imaginem dois sacerdotes que ministravam em Israel no Tabernáculo, mas seus filhos tornaram-se profanos e enganosos perante toda a congregação de Israel. Porém, seus pais não percebiam que estava havendo problemas com seus filhos, de ordem moral e espiritual. Os velhos sacerdotes exerciam autoridade com todo o Israel, mas não a exerciam dentro de casa, porque os filhos os enganavam.

A autoridade de um pai está implícita nos princípios de obediência que a Palavra de Deus os ensina. Como um pai deve conduzir a sua família a fim de obter o comportamento correto dos filhos?

A autoridade de um pai deve ser baseada num relacionamento de amor e confiança. Se Eli e Samuel tivessem desenvolvido um relacionamento dando tempo e atenção aos seus filhos, possivelmente, eles teriam sido diferentes. Porém não devemos julgar os pais que fizeram o melhor que podiam para direcionar a vida de seus filhos para uma vida cristã vitoriosa, não podemos culpar os pais porque seus filhos, mesmo recebendo bons ensinamentos, se tornaram rebeldes.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 141-142.

 

 

Numa sociedade em que pais e filhos não são amigos, a depressão e outros transtornos emocionais encontram um meio de cultura ideal para crescerem. A autoridade dos pais e o respeito por parte de seus filhos não são incompatíveis com a mais singela amizade. Por um lado, você não deve ser permissivo nem um joguete nas mãos dos seus filhos, por outro, você deve procurar ser um grande amigo deles.

Estamos na era da admiração. Ou os seus filhos o admiram ou você não terá influência sobre eles. A verdadeira autoridade e o sólido respeito nascem através do diálogo. O diálogo é uma pérola oculta no coração. Ela é tão cara e tão acessível. Cara, porque ouro e prata não a compram; acessível, porque o mais miserável dos homens pode encontrá-la. Procure-a.

Cury. Augusto Jorge, Pais brilhantes, professores fascinantes. Editora Sextante. 1 Ed. 2003

 

 

Os Filhos de Eli. Hofni e Finéias não temiam a Deus e nem respeitavam aos homens, tendo-se tornado culpados de imoralidade e de sacrilégio. Eli estava criando o jovem Samuel como servo do templo, e, quanto a isso, fez um excelente trabalho; mas, no caso de seus próprios filhos, falhou grandemente.

Seja como for, seus melhores esforços de nada adiantaram, porquanto não fora capaz de impedir os maus intuitos e atos de seus filhos.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 1. 11 ed. 2013. pag. 325.

 

 

Eli é uma figura trágica de quem comparativamente pouco se conhece. Um velho homem com filhos incrédulos, ele criou Samuel quando criança sendo servo no templo. Eli é lembrado por seu protesto em vão contra os pecados de seus filhos, Hofni e Finéias.

Por causa desta falha o menino Samuel foi chamado a pronunciar a maldição de Eli e a remoção de sua família do ofício de sacerdote (1 Sm 3.11-14; cp. ISm 2.27-36). Finalmente quando o exército em agonia pediu pela Arca de Deus para ser usada como um talismã de sucesso em batalha, os dois filhos de Eli que seguravam a arca foram mortos e a Arca foi capturada. Ao ouvir as más notícias, Eli. um homem pesado, caiu de sua cadeira perto do portão da cidade e morreu com o pescoço quebrado. Ele tinha 98 anos.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 1. pag. 359.

 

 

 3. Os problemas de uma paternidade ausente.

 

Na vida da família, os pais são os responsáveis pela formação moral e espiritual dos filhos. O modo como os filhos são educados se revela nos seus padrões de comportamento quando se tornam adultos.

Especialistas atestam que a presença da figura paterna é muito importante para o desenvolvimento do indivíduo. Ela oferece uma espécie de sustentáculo afetivo. Nesse sentido, a ausência da figura do pai é um problema grave para a família. Há estudos que mostram o impacto da ausência paterna na formação dos filhos.

O pai cristão é uma referência de segurança para eles, de equilíbrio, controle das emoções e de estabelecimento de prioridades para a vida (1Tm 3.4).

Além disso, de modo geral, os pais transmitem aos filhos valores quanto à bondade, à gentileza, o falar correto, dentre muitos outros. Infelizmente, quando isso é negligenciado, o resultado pode ser desastroso. No caso dos sacerdotes em questão, eles não dispensavam tempo para os filhos que se tornaram rebeldes e profanos.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O grande problema das famílias de Eli e Samuel foi a ausência dos pais na vida da família, uma vez que eles são os responsáveis pela formação moral e espiritual dos filhos. O modo como os filhos são educados revela o profundo efeito nos padrões de comportamento quando eles se tornam adultos. O líder da família é sempre o pai, não a mãe.

A mãe corrobora com o pai para que a disciplina tenha sempre um caráter de responsabilidade mútua da parte do casal. Os pais devem ensinar os seus filhos quanto à bondade, à gentileza, às prioridades de suas vidas, o falar correto e o controle das emoções. Tudo isso é primordialmente trabalho do chefe da família, o pai. No caso dos sacerdotes, eles não dispensavam tempo para os filhos. Por isso, se tornaram rebeldes e profanos.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 143.

 

 

[…] ele deve governar bem a sua própria casa. A palavra “governar” significa uma administração misericordiosa, que traz direção e orientação (veja I Ts 5.12; 1 Tm 5.17), sem um controle rígido, cruel, tirânico, e autoritário. Este tipo de liderança familiar reflete a correspondência entre a igreja e o lar vista em Efésios 5.28-6.9.

Faz sentido que Paulo use este requisito, pois ninguém pode conduzir um lar eficientemente sem amor e firmeza, misericórdia e diretrizes. E, se os pais não exemplificam o que ensinam, dificilmente as crianças seguirão as diretrizes, exceto sob pressão. Existem dois pensamentos nesta frase: por um lado, embora seja verdade que os filhos devam respeitar e obedecer aos seus pais, o respeito e a obediência são subprodutos de uma liderança responsável em casa.

A melhor maneira de ver a capacidade de uma pessoa de lidar com uma grande responsabilidade é ver o seu desempenho com uma responsabilidade pequena. A capacidade de governar a sua casa é uma base de treinamento para a capacidade de um homem de administrar a família de Deus, que está reunida na igreja. O mesmo amor, compaixão, firmeza e misericórdia são necessários para as duas tarefas.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 495.

 

 

O primeiro rebanho do presbítero é sua família. Se ele fracassa em cuidar de sua casa, está desqualificado para cuidar da casa de Deus. Se não cria os filhos no temor do Senhor, não é capaz de exortar os filhos dos demais crentes. Se os próprios filhos não lhe obedecem nem o respeitam, dificilmente sua igreja lhe obedecerá e respeitará sua liderança.

John Stott diz corretamente que o pastor é chamado a exercer liderança em duas famílias, a dele e a de Deus, e a primeira é onde ele é treinado para poder atuar na segunda. Hans Bürki alerta que, se as famílias, mesmo as famílias nucleares de nosso tempo, não forem mais centros espirituais e locais de treinamento do amor experimentado de Deus, as igrejas se tornarão desertas, apesar de todo o ativismo. Por isso, cuidar das igrejas significa construir antes de tudo famílias saudáveis na fé.

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 80-81.

 

 

SINÓPSE I

 

A paternidade é uma função que proporciona um sustentáculo afetivo importante para o desenvolvimento da criança.

 

 

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

OS FILHOS DOS SACERDOTES

 

“Os filhos maus de Eli (2 Sm 2.12-17). Hofni e Fineias são descritos como filhos de belial e não conheciam ao Senhor […]. Nas Escrituras ‘conhecer’ ou ‘não conhecer’ o Senhor normalmente se refere a um conhecimento pessoal de Deus em adoração e obediência.

Os hebreus não consideravam o conhecimento primeiramente como algo intelectual, mas sim como algo completamente pessoal. O termo usado significava ‘ter proximidade de’, em vez de simplesmente ‘conhecer’. Mesmo treinados no ritual e nas cerimônias do Antigo Testamento e, sem dúvida, familiarizados com as exigências da lei, esses dois jovens eram maldosos e inescrupulosos em caráter pessoal […].

A passagem [de 1 Samuel 8.1-3] sugere que Samuel associou seus filhos consigo mesmo devido à sua própria idade avançada. Os seus próprios nomes expressavam a devoção que havia no coração de Samuel: Joel significa ‘O Senhor é Deus’, e a Abias quer dizer ‘O Senhor é Pai’. Infelizmente eles não corresponderam à esperança que seus nomes expressavam. Uma ironia semelhança entre os últimos anos de Samuel e de Eli está descrita no versículo 3. Nos dois casos, os filhos em quem se confiava provaram ser desleais” (Comentário Bíblico Beacon. Vol. 2. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, pp.182,193).

 

 

II – TIPOS DE PATERNIDADE EXTREMISTA

 

Não existe um padrão duplo quanto às regras morais dentro da família. O padrão ético é um só e a ética cristã orienta os pais quanto aos cuidados que devem ter na criação dos filhos. Há, pelo menos, dois tipos de paternidade que devem ser evitados e corrigidos.

 

 

 1. A paternidade autoritária.

 

O pai autoritário trata os filhos como se fossem elementos neutros, sem sentimentos, sem memória e sem vontade. Geralmente, a paternidade autoritária é aquela que tão somente dá ordens aos filhos. Esse tipo de autoridade de imposição sabe apenas manipular os filhos e exigir deles comportamentos forçados. Os filhos obedecem por medo, culpa, remorso e rancor.

O zelo extremo de certos pais os tem feito perder seus filhos, que se desviam e, infelizmente, alguns nunca mais voltam à igreja e, consequentemente, desviam-se da presença do Senhor. Esses pais precisam ouvir e praticar a Palavra de Deus que diz: “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O primeiro tipo é o da paternidade autoritária. Pais autoritários tratam os filhos como se fossem elementos neutros, sem sentimentos, sem memória e sem vontade. Geralmente, a paternidade autoritária apenas dá ordens aos filhos, e eles obedecem por medo e remorso. Esse tipo de autoridade de imposição sabe apenas manipular os filhos e exigir deles comportamentos forçados. Os filhos obedecem por medo, culpa e rancor. O zelo extremo de certos pastores os tem feito perder seus filhos, os quais se desviam e, alguns, nunca mais voltam à igreja.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 144.

 

 

Pais, não Provoqueis vossos

Filhos à Ira (6.4). Assim como a responsabilidade da esposa de se sujeitar é acompanhada pela responsabilidade do esposo de amar (5.22-33), aqui a obrigação que os filhos têm de obedecer é acompanhada pela responsabilidade dos pais em relação a seus filhos. Os pais são mencionados por causa de seu papel regulador como cabeças ou líderes da família (a responsabilidade da mãe está incluída nesta classificação),

A responsabilidade dos pais está definida em termos de comandos positivos e negativos:

1) No comando negativo, os pais não devem “provocar a ira a seus filhos” (6.4). Os pais terrenos são extremamente importantes na formação do conceito dos filhos a respeito do Pai celestial. Devem se lembrar que um relacionamento adequado com seus filhos é mais importante que o correto desempenho dos filhos. Os pais devem evitar irar, incitar ressentimentos ou desanimar seus filhos através da imposição de expectativas exageradas, ou de um severo ou injusto tratamento ou disciplina, e assim por diante. Isso não implica que os pais devam adotar uma política de não corrigir os seus filhos. Significa simplesmente que devem se conduzir de forma a não predispor seus filhos à desobediência ou rebelião.

2) Paulo dá aos pais uma ordem positiva: “Eduquem-nos” ou “criai-os na doutrina e admoestação do Senhor”. Os pais são responsáveis por tomar a iniciativa no lar de treinar e ensinar os filhos no que concerne ao Senhor. “Criar” significa sustentar ternamente ou dispensar amoroso cuidado e proteção. Essa tarefa é descrita mais detalhadamente de duas formas: (a) “Treinar” (paideia) significa criar e ensinar “principalmente porque se consegue pela disciplina e castigo” (BAGD, 608). Dessa forma, a expressão “criar” está relacionada ao desenvolvimento do caráter, enquanto (b) “ensinar” ou “instruir” (nouthesia) está relacionado a questões que envolvem o caminho da justiça.

No final do verso 4, a frase de Paulo, acompanhada de preposição “do Senhor”, pode ser interpretada de uma das duas seguintes maneiras. No caso do ablativo grego, ela significa “concernente ao Senhor”; no caso do genitivo, indica “o Senhor é o padrão ou a fonte que conduz”. Ambas as possibilidades são verdadeiras. Porque os filhos são uma “herança do Senhor” (Sl 127.3), “treinar” e “ensinar” são responsabilidades extremamente importantes dos pais e das mães. Embora o treinamento dos pais e a conduta dos filhos sejam muitas vezes menos que perfeitos, onde o relacionamento pai- filho é santo e correto, o resultado geralmente será correto e salutar (cf. Pv 22.6).

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 1261-1262.

 

 

O dever dos pais com os filhos (6.4)

Paulo exorta os pais não a exercer sua autoridade, mas a contê-la.293 Mediante o Pátria potestas, o pai podia não só castigar os filhos, mas também vendê-los, escravizá-los, abandoná-los e até mesmo matá-los. Sobretudo os fracos, doentes e aleijados tinham pouca chance de sobreviver.

Paulo ensina, entretanto, que o pai cristão deve imitar outro modelo. A paternidade é derivada de Deus (3.14,15; 4.6). Os pais devem cuidar dos filhos como Deus Pai cuida de sua família. Na verdade, é o Senhor quem cria os filhos por intermédio dos pais.

Paulo enfatiza é uma exortação negativa-. “E vós, pais, não provoqueis a ira dos vossos filhos” (6.4a). A personalidade da criança é frágil, e os pais podem abusar de sua autoridade usando ironia e ridicularização. O excesso ou ausência de autoridade provoca ira nos filhos. O excesso ou ausência de autoridade leva os filhos ao desânimo. Cada criança é uma pessoa peculiar e precisa ser respeitada em sua individualidade.

Os pais podem provocar a ira dos filhos por excesso de proteção ou favoritismo. Quando Isaque revelou preferência por Esaú, e Rebeca predileção por Jacó, eles jogaram um filho contra o outro e trouxeram grandes tormentos sobre si mesmos.

Há pais que provocam a ira em seus filhos revelando contínuo descontentamento com o desempenho deles. Os filhos não conseguem agradar os pais em nada. Semelhantemente, os pais provocam ira nos filhos por não reconhecer as diferenças entre eles. Cada filho é um universo distinto.

Outra forma de provocar ira nos filhos é o silêncio gélido, a falta de diálogo. Esse foi o principal abismo que Davi cavou no relacionamento com seu filho Absalão. Os pais podem provocar ira nos filhos por meio de palavras ásperas ou de agressão física. Finalmente, os pais podem provocar ira nos filhos por falta de consistência na vida e na disciplina. Os pais devem ser espelho dos filhos, e não carrascos deles.

William Hendriksen, nessa mesma linha de pensamento, aborda seis atitudes dos pais que provocam ira nos filhos: 1) excesso de proteção; 2) favoritismo; 3) desestímulo; 4) não reconhecimento do fato de que o filho está crescendo e, portanto, tem o direito de ter suas próprias ideias e de que não precisa ser uma cópia exata do pai para ter êxito na vida; 5) negligência; e 6) palavras ásperas e crueldade física.

Paulo ressalta são as exortações positivas (6.4). Paulo destaca quatro coisas:

Em primeiro lugar, os pais devem, cuidar da vida física e emocional dos filhos. “Mas criai-os” (6.4b). A palavra grega ektrepho, “criar”, quer dizer nutrir, alimentar. E a mesma palavra que aparece em 5.29. Calvino traduziu essa expressão por “sejam acalentados com afeição”. Hendriksen traduziu por “tratai deles com brandura”. As crianças precisam de segurança, limites, amor e encorajamento. Os filhos não precisam só de roupas, remédios, teto e educação, mas também de afeto, amor e encorajamento.

Em segundo lugar, os pais precisam treinar os filhos por meio da disciplina. “[…] na disciplina” (6.4c). A palavra grega paideia, “disciplina”, tem o sentido de treinamento por meio da disciplina. A disciplina se dá por meio de regras e normas, de recompensas e, se necessário, de castigo (Pv 13.24; 22.15; 23.13,14; 19.15). Só pode disciplinar (fazer discípulo) quem tem domínio próprio. Que direito tem um pai de disciplinar o filho, se ele mesmo precisa ser disciplinado? Russell Shedd diz que a palavra paideia, em grego, representa o treinamento que produz uma reação automática no filho, de modo que, quando o pai chama, ele vem.

Em terceiro lugar, os pais precisam encorajar os filhos através da palavra. “[…] e instrução” (6.4d). A palavra grega nouthesia, “admoestação”, quer dizer educação verbal. É educar eficazmente por meio da palavra falada, seja de ensino, seja de advertência, seja de estímulo. Se houver apenas advertência, os filhos ficam desanimados; se houver apenas estímulo, eles ficam mimados. Esse equilíbrio entre advertência e estímulo é fundamental para a educação dos filhos. Russell Shedd diz que essa palavra nouthesia quer dizer que os filhos devem começar, desde pequeninos, a distinguir entre o que é certo e o que é errado. Devem ser instruídos acerca do que é certo e errado, segundo o que Deus fala em sua Palavra.

Em quarto lugar, os pais são responsáveis pela educação cristã dos filhos. “[…] do Senhor” (6.4e). A expressão “do Senhor” revela que os responsáveis pela educação crista dos filhos não são: o Estado, a escola nem mesmo a igreja, mas os próprios pais. Sob a economia divina, os filhos pertencem, antes e acima de tudo, aos pais. Por detrás dos pais, está o Senhor. Ele é o Mestre e o administrador da disciplina. A preocupação básica dos pais não é apenas que seus filhos se submetam a eles, mas que cheguem a conhecer o Senhor a fim de obedecê-lo de todo o coração (Dt 6.4-8).

Os pais devem se preocupar mais com a lealdade dos filhos a Cristo do que com qualquer outra coisa; mais até mesmo do que com a saúde, com o vigor e o brilho intelectual deles, com a prosperidade material, com a posição social ou com que não sofram grandes tristezas e infortúnios.

Concordo com Wiliam Hendriksen quando diz que toda a atmosfera em que a educação é transmitida deve ser tal que o Senhor possa pôr sobre ela seu selo de aprovação, uma vez que o próprio cerne da educação cristã é este: conduzir o coração dos filhos ao coração do seu Salvador.

LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pag. 164-167.

 

 

 2. A paternidade permissiva.

 

Quando o pai não se importa com os princípios bíblicos e deixa à mercê dos filhos a liberdade para decidirem sobre o que quiserem, o fim será calamitoso. Essa paternidade, ou até mesmo a maternidade, é um tipo de tolerância sem freio algum, que induz a criança até a imaginar que seus pais não as amam e nem se importam com suas necessidades emocionais e físicas.

Ora, o pai permissivo é aquele que entende que os filhos devem tê-los como exemplo, mas não os corrigem quando cometem erros e nem os aconselham quando se decepcionam com situações mais complexas na vida. O sábio Salomão adverte-nos: “Visto como se não executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal” (Ec 8.11).

Os dois tipos de paternidade são negativos e prejudiciais ao bem-estar da família. A falta de uma paternidade segura, presente e responsável produz uma família infeliz.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O segundo tipo de paternidade negativa é a paternidade permissiva. É quando os pais não se importam com princípios e deixam à mercê dos filhos a liberdade para decidirem sobre o que quiserem.

É um tipo de tolerância sem freio algum que induz a criança a imaginar que seu pai não a ama, nem se importa com suas necessidades emocionais e físicas. Ora, os pais permissivos são aqueles que entendem que os filhos devem ter como exemplo a eles, mas não corrigem os filhos quando cometem erros, nem são aconselhados quando se decepcionam com experiências na vida.

O sábio Salomão disse em um dos seus pensamentos: “Visto como se não executa logo o juízo sobre a má obra, por isso o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto para praticar o mal” (Ec 8.11).

Ambos os tipos são negativos e prejudiciais ao bem-estar da família. A falta de uma paternidade segura, presente e responsável produz uma família infeliz.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 144.

 

 

Visto como não se executa logo a sentença sobre a má obra. Os vss. 11-13 são tentativas forçadas do editor piedoso, o qual tentou tornar o texto do filósofo mais aceitável aos ouvidos judeus. O vs. 10 deixa implícito que os ímpios não eram punidos, mas chegavam à morte acompanhados pelos elogios e aprovação dos homens.

Esse aspecto definitivamente era contra o ponto de vista ortodoxo de que os ímpios têm de sofrer o desfavor divino, na forma de calamidades, aqui mesmo na Terra, ou algo estaria faltando na justiça de Deus.

No entanto, o triste filósofo não via isso acontecendo, pelo menos em muitos casos de iniquidade. Na realidade, ele via exatamente o oposto. Os bons sofriam e os ímpios ficavam em liberdade. Mas o editor piedoso insistiu que, embora a retribuição divina pareça demorada, ela é certa. Além disso, o editor piedoso também propôs uma causa secundária, que combate a doutrina do louco filósofo, de que Deus é a Causa Única. Ele via a iniquidade humana, inspirada pelas vontades corruptas, como o agente que faz o relâmpago de Deus atingir em cheio os ímpios.

A posição do triste filósofo foi a de que homens bons e maus assim foram feitos por Deus, por Sua vontade inescrutável e propósito insondável, mas acabam sofrendo a mesma sorte lúgubre. O que acontece ao longo do caminho, se os ímpios prosperam e se os bons sofrem, entre os dois extremos do pó, é responsabilidade de Deus e não está aberto à inquirição.

Porém, o editor piedoso abre uma inquirição e vê demora no julgamento divino, embora esse julgamento, inevitavelmente, venha a ocorrer. É ridículo cristianizar estes versículos e ensinar que a longanimidade de Deus com o mal tem por intuito conduzir os homens ao arrependimento (ver Rom. 2.4). Esse é um bom princípio cristão, mas não foi antecipado pelo louco filósofo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2729.

 

 

Ele observou que a sua prosperidade os obstinou em sua maldade, v. 11. E verdade a respeito de todos pecadores em geral, e particularmente dos governadores perversos, que, visto como se não executa logo o juízo sobre a má obra, eles pensam que nunca será executado, e, por essa razão, eles desobedecem à Lei e seus corações estão inteiramente dispostos para praticar o mal; eles se aventuram a praticar muita malícia, buscam um maior alcance em seus desígnios maus, e estão seguros e destemidos nele, e cometem iniquidade com a mão erguida. Observe:

(1) A sentença é passada contra as más obras e os maus trabalhadores pelo justo Juiz do céu e da terra, até mesmo contra as más obras dos príncipes e grandes homens, como também contra as pessoas inferiores.

(2) A execução desta sentença é frequentemente adiada por muito tempo, e o pecador prossegue, não apenas sem punição, mas também próspero e bem-sucedido.

(3) A impunidade endurece os pecadores em impiedade, e a paciência de Deus sofre vergonhosamente abusos por parte muitos que, em vez de se renderem por isso ao arrependimento, são confirmados por isso em sua impenitência.

(4) Os pecadores comentados aqui decepcionam a si mesmos, pois, embora o juízo não seja executado logo, ele será executado ao menos de forma mais severa. A vingança chega lentamente, mas certamente vem, e a ira está ao mesmo tempo entesourada para o dia da ira.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 935.

 

 

 3. Eli criou filhos que se tornaram profanos.

 

O texto bíblico diz: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial” (1Sm 2.12). A palavra “belial” é um termo um pouco obscuro, mas o hebraico tem na palavra beliya-al, cujo prefixo bel e o seu sufixo ya’al podem significar “sem proveito, imprestável, inútil”.

Pode também significar “perversão ou ser pervertido”, e os filhos de Eli foram homens pervertidos e irreverentes, que não respeitavam as coisas sagradas do Tabernáculo (1Sm 2.13-17). É lamentável um pai que tinha uma posição especial de representação de Deus perante Israel, tornar-se um pai relapso com a família.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O texto bíblico diz: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial” (1 Sm 2.12). A palavra “belial” é uma palavra um pouco obscura, no hebraico tem na palavra “beliya-al”, cujo prefixo “bel” e o seu sufixo “ya’al” podem significar “sem proveito”, imprestável, inútil”. Quando o autor desse livro afirma que os filhos de Eli eram filhos de Belial, estava declarando que os dois, Hofni e Fineias, eram pervertidos, porque não respeitavam o Tabernáculo e profanavam o santuário, sem que Eli soubesse dos seus feitos.

Quando os sacrifícios eram oferecidos pelo povo, os filhos de Eli ordenavam ao moço que separasse o melhor da carne do sacrifício que deveria ser oferecida ao Senhor e tomasse para eles, sem o menor escrúpulo (1Sm 2.13-17). É lamentável um pai que tinha uma posição especial de representação de Deus perante Israel tenha sido um pai relapso com a família.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 145.

 

 

Filhos de Belial. Esse nome próprio indicava o próprio Satanás, o principal adversário de Yahweh. Mas não sabemos dizer se, naquela data tão remota, esse nome já havia adquirido tal significado. Por isso mesmo, algumas versões, como a Revised Standard Version, dizem algo como “homens indignos”, dando ao termo uma força adjetivada.

Ofereço notas sobre isso em I Sam. 1.16. Sem importar se os filhos de Eli eram inspirados pelo diabo em pessoa, o fato é que aqueles homens eram absolutamente corruptos moral e espiritualmente, e chegaram a praticar iniquidades no próprio Lugar Santo. Eles “não tinham nenhuma consideração por Yahweh”.

Podemos estar certos de que Eli havia treinado seus dois filhos, mas eles rejeitaram os esforços do pai, seguindo sua própria vereda pervertida. Os Targuns dizem aqui que eles “não temiam Yahweh”. E Kimchi asseverou: “Eles não conheciam o caminho do Senhor”, ou seja, não o conheciam na prática, visto que teoricamente o tinham aprendido.

Condições nos Dias dos Juízes. Naqueles dias, havia completo caos moral e espiritual, e cada qual fazia o que lhe parecia melhor, em lugar de obedecer a Yahweh (ver Juí. 21.25). O próprio sacerdócio havia caído nessa armadilha, pelo que na pessoa de Samuel estava sendo preparado um juiz e um profeta que haveria de reverter tão indignas condições.

Em Samuel, o ofício profético haveria de substituir, em grande medida, o sacerdócio corrupto, servindo como nova e vital força na vida espiritual do povo de Israel.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1132-1133.

 

 

Ao longo desta seção, veremos um contraste intencional entre Samuel e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias.

Os filhos de Eli “desprezavam a oferta do Senhor” (2:17), mas “Samuel ministrava perante o Senhor” (v. 18). Os dois irmãos cometeram atos de perversidade no tabernáculo e suscitaram o julgamento de Deus, mas Samuel serviu no tabernáculo e cresceu no favor do Senhor (v. 26).

A linhagem sacerdotal chegaria ao fim na família de Eli, mas Samuel seria chamado por Deus para dar continuidade a um sacerdócio santo (1 Sm 2:34 – 3:1). Do ponto de vista humano, a impressão era a de que os perversos filhos de Eli escaparam incólumes com sua desobediência, mas Deus estava preparando o julgamento deles, enquanto capacitava seu servo Samuel para continuar a obra divina.

WIERSBE. Warren W. Comentário Bíblico Expositivo. A.T. Vol. II. Editora Central Gospel. pag. 206.

 

 

 

SINÓPSE II

 

A paternidade autoritária e a permissiva são prejudiciais à família.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

A FALTA DE DISCIPLINA PREJUDICA OS FILHOS

 

“A lei estipulava que as necessidades de todos os levitas deveriam ser supridas através dos dízimos do povo (Nm 18.20-24; Js 13.14,33). Os filhos de Eli abusavam de sua posição de sacerdotes para satisfazer sua ganância pelo poder, posses e controle. Seu desprezo e arrogância tanto para o povo como para adoração enfraqueceram a integridade de todo o sacerdócio.

Eli sabia que seus filhos eram maus, mas pouco fez para corrigi-los ou impedi-los, mesmo quando a integridade do santuário de Deus fora ameaçada. Como sumo sacerdote, Eli deveria ter respondido mediante a correção dos seus filhos (Nm 15.22-31). Não admira que ele tenha preferido não confrontar a situação.

Mas ao ignorar suas ações egoístas, Eli permitiu que seus filhos arruinassem suas próprias vidas e as de muitos outros. Existem momentos quando os problemas difíceis devem ser confrontados, ainda que o processo e as consequências sejam dolorosos” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2017, p.368).

 

 

 

III – O FRACASSO DE DOIS PAIS RELAPSOS COM OS FILHOS

 

 1. Omissos para com os filhos.

 

O texto de 1Samuel 2.12 diz: “Eram, porém, os filhos de Eli filhos de Belial e não conheciam ao Senhor”.

Imaginem um homem dedicado ao ministério sacerdotal por mais de 40 anos, que tinha uma família constituída de, pelo menos, dois filhos, os quais, convivendo com os trabalhos sacerdotais do pai, “não conheciam ao Senhor”.

No caso de Samuel não foi muito diferente, seus filhos não tinham nenhuma disciplina, tornaram-se avarentos e profanos. Quando foi confrontado a respeito do mau procedimento de seus filhos, que foram rejeitados pelos anciãos do povo, e mesmo sendo muito respeitado por todos, Samuel sentiu-se também rejeitado (1Sm 8.5,7).

A filosofia de alguns líderes cristãos, de que a ordem das coisas começa com o ministério e depois a família, é equivocada. A prioridade dos obreiros cristãos, antes do ministério, começa com a sua própria casa. O apóstolo Paulo destacou que para que alguém “deseje o episcopado”, deve, entre outros princípios, “governar bem a sua própria casa e ter os filhos em sujeição” (1Tm 3.4).

É preciso ensinar a disciplina para seus filhos, mas para isso é preciso estar presente na vida deles. Não há disciplina familiar sem a presença dos pais.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Imaginem um homem dedicado ao ministério sacerdotal por mais de quarenta anos, que tinha uma família constituída de, pelo menos, dois filhos, os quais, convivendo com os trabalhos sacerdotais do pai, “não conheciam ao Senhor”.

Por que Hofni e Fineias não conheciam ao Senhor? Porque seu pai talvez nunca os tinha reunido em casa para lembrar-lhes os mandamentos do Senhor, conforme Deus falou por Moisés, dizendo:

Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder. E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. (Dt 6.4-7)

No caso de Samuel, não foi muito diferente, porque o sacerdote não tinha tempo para os filhos, os quais, sem nenhuma disciplina, tornaram-se avarentos e profanos. Quando Samuel descobriu que seus filhos cometiam atrocidades no acampamento da Tenda da Congregação, os anciãos do povo os rejeitaram e Samuel, mesmo sendo muito respeitado por todo o povo, sentiu-se, também, rejeitado.

A ideia de alguns líderes cristãos de que na vida de um pastor tudo começa com o ministério e depois está família é falsa. A prioridade dos líderes cristãos, antes do ministério pastoral, começa com a sua própria casa. O apóstolo Paulo destacou que para que alguém “deseje o episcopado”, deve, entre outros princípios, governar bem a sua própria casa e ter os filhos em sujeição (1Tm 3.4).

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 145-146.

 

 

Os Filhos Problemáticos Eclesiastes 10:10, “Se estiver embotado o ferro, e não se afiar o corte, então se deve redobrar a força; mas a sabedoria é excelente para dirigir.” Há muitos os casos quando os pais aprendem o que a Bíblia ensina sobre a educação dos filhos depois que os filhos crescem além da idade melhor para corrigir.

De certo estes pais têm educado os seus filhos, só não conforme os princípios Bíblicos. Os hábitos formados só podem ser modelados com paciência mas há esperança se a sabedoria Bíblica for usada. Um entendimento claro do erro deve ser entendido pelos pais. Os pais devem saber exatamente onde e na qual medida foi a omissão de aplicar os princípios Bíblicos por eles.

Sabendo estes fatos é necessário deixar os filhos a par dos erros que os pais deixaram acontecer pela ignorância do que é certo. Os filhos podem ser contados os pontos específicos que os pais erraram e como os filhos foram privados de aspectos positivos nas suas vidas pelos erros dos pais. A maneira que os filhos podiam ser ajudados se a submissão à autoridade fosse estipulada como regra quando eles eram crianças deve ser revelado.

A procura de perdão dos filhos pela omissão dos pais deve ser estimulada. “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará, mas o que as confesse e deixa, alcançará misericórdia.” Provérbios 28:13 Para não continuar no erro mudanças por necessidade virão acontecer no lar. Tudo deve ser elaborado:

Quais mudanças devem acontecer, qual comportamento é aceitável e qual que não é aceitável, quais atitudes devem ser modificadas, etc. Explicações claras e bem objetivas devem ser feitas. Uma determinação de como o comportamento não aceitável vai ser tratado no futuro precisa ser decidido junto com os filhos.

Entendimento entre todas as partes é primordial. Consistência na conduta dos pais é necessária pois são os pais que estão se corrigindo também. Os pais precisam andar segundo princípios novos tanto quanto os filhos. Se o objetivo é só mudar os filhos, é melhor nem começar mudar os hábitos deles. Mas se há um sincero arrependimento entre os

GARDNER. Calvin G,. O Que Diz a Bíblia Sobre a Educação dos Filhos no Lar.

 

 

A família é muito importante no plano de Deus! Ele quer fazer de nossas famílias tudo o que elas podem ser, e por essa razão o sucesso dela deve ser uma prioridade para todo cristão. Não podemos permitir que o mundo nos pressione a nos encaixarmos em seu molde de divórcio, divisão, delinquência e tudo o que acompanha o fracasso da família.

Se os cristãos não tiverem famílias que permaneçam unidas, filhos que sejam criados na instrução e no conselho do Senhor, pais que amem um ao outro e lares que sejam centrados em Cristo, jamais poderemos alcançar o mundo com o Evangelho. Por outro lado, se cultivarmos essas coisas e as buscarmos de todo o coração, o mundo se levantará para observar a nós e ao Cristo que proclamamos.

MacArthur. John,. Pais sábios, Filhos brilhantes. Editora Thomas Nelson Brasil. 1 Ed. 2014.

 

 

2. A isenção de responsabilidade de Eli e Samuel para com seus filhos.

 

Sem que esses sacerdotes exercessem autoridade em casa, seus filhos se tornaram vulneráveis, frágeis e propensos às fraquezas da carne. Deus espera que os líderes de igreja na atualidade exerçam sua liderança em casa. Eli e Samuel se isentaram da responsabilidade para com seus filhos. Da mesma forma, no ministério, o obreiro deve ser um pai que cuida, principalmente, da própria família (1Tm 5.8).

Não se pode esperar que os filhos de líderes sejam punidos ou beneficiados por causa de sua filiação. Entretanto, seus filhos, antes de tudo, são filhos como outros filhos.”

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Seus filhos nasceram e lhes trouxeram alegria para a vida conjugal, mas não cumpriram o papel de pais para os filhos de cuidar deles e de ensiná-los a andar na presença de Deus. Amavam suas esposas e, certamente, amavam a seus filhos, mas não lhes deram a atenção que deviam merecer. Seus filhos se tornaram vulneráveis, frágeis e propensos a fraquezas da carne. Não é muito diferente com filhos de líderes de igreja.

Quantos pais que são pastores entendem de modo errado o seu papel pastoral e colocam a função ministerial acima de tudo dentro do lar. Eli e Samuel se isentaram da responsabilidade familiar porque não tinham tempo para os filhos. No ministério pastoral, o pastor deve ser um pai que cuide bem da própria família.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 147.

 

 

Desamparar os membros da família é negar a fé e tornar-se pior do que os incrédulos. O amor aos pais e avós é um sentimento natural, presente em quase todas as culturas. Até mesmo os pagãos, que não conhecem os mandamentos nem a lei de Cristo, reconhecem e estimam as obrigações dos filhos para com os pais.9 Cuidar dos pais e avós é uma prática universal. Os pagãos, que não têm a luz da verdade bíblica, cuidam de seus pais na velhice. Portanto, deixar de socorrer seus progenitores é um escândalo para o cristão, uma contradição, uma negação do verdadeiro cristianismo.

Hendriksen tem razão em dizer que a negação neste caso não tem sido necessariamente por meio de palavras, senão (o que com frequência é pior) por meio de pecaminosa negligência. A falta de ação positiva, o pecado de omissão, desmente sua profissão de fé (sentido objetivo). Ainda que professe ser um cristão, carece do mais precioso dos frutos que se dá na árvore de uma vida e conduta verdadeira cristã. Carece de amor. Onde falta este bom fruto, não pode haver uma boa árvore.

Paulo utiliza quatro argumentos para destacar que cuidar dos parentes significa aliviar a igreja de uma carga desnecessária. Tratar adequadamente os membros idosos da família significa retribuir a nossos pais (5.4), agradar a Deus (5.4), expressar e não negar a fé (5.8), e não sobrecarregar a igreja (5.16).

LOPES. Hernandes Dias. 1 Timóteo. O Pastor, sua vida e sua obra. Editora Hagnos. pag. 118-119.

 

 

Deixar de cumprir com o cuidado básico e o sustento de um membro da família é a mesma coisa que negar a fé, pois ninguém pode afirmar amor e fidelidade a Deus e, ao mesmo tempo, negligenciar sua família (veja Mt 5.46,47). Fazer isto torna a pessoa pior do que o infiel, pois até mesmo os adoradores de ídolos sem fé em Cristo entendiam a responsabilidade de cuidar das necessidades da família. Existem algumas obrigações para com aqueles que nos deram a vida que simplesmente devem ser honradas.

As nossas famílias forneceram um espaço no qual nós podemos demonstrar a qualidade do nosso amor por Deus. João fez uma severa repreensão a qualquer crente que ousa declarar que ama a Deus, mas, como diz Paulo, não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família.

O crente que negligencia as responsabilidades humanas mais básicas, em efeitos práticos, negou a fé.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 504.

 

 3. Tratamento inadequado.

 

Esta lição, inevitavelmente, não pode fugir do assunto que envolve a relação pública dos líderes da igreja com seus filhos no ambiente eclesiástico. Não se pode esperar que os filhos de líderes sejam punidos ou beneficiados por causa de sua filiação. Há uma pressão natural com a família do pastor por causa da natureza pública de sua função.

Entretanto, seus filhos, antes de tudo, são filhos como outros filhos. São crianças, adolescentes, jovens e adultos que precisam de cuidados pastorais e espirituais. Infelizmente, quando não se tem um tratamento sábio com os filhos de obreiros, alguns problemas podem surgir, pois muitos deles se revoltam, rebelam-se, não se submetem à liderança como forma de rejeição a esse tratamento. O modelo bíblico de tratamento adequado passa pelo respeito e admoestação (Ef 6.1-4).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Este assunto não é o mais desejado para se estudar. Entretanto, inevitavelmente, não podemos fugir do assunto que envolve as famílias dos líderes da igreja. É lamentável que pais, para preservar a imagem de seus ministérios, usem seus filhos para correção pública, e muitas vezes injusta, perante a igreja, para fortalecer sua autoridade pastoral.

Submetem seus filhos a um comportamento diferente das demais crianças e adolescentes do ministério, porque querem que a igreja os veja como modelos perfeitos de disciplina.

Além de ser uma forma injusta da parte desses pais, ainda os submete a vexames e a culpas inexistentes. Por essa razão, esses filhos se tornam revoltados, indomáveis, rebeldes, desobedientes e insubmissos como forma de rejeição a esse tratamento.

Cabral. Elienai,. RELACIONAMENTOS EM FAMÍLIA Superando Desafios e Problemas com Exemplos da Palavra de Deus. Editora CPAD. 1ª edição: 2023. pag. 147-148.

 

 

Filhos, Obedeçam a seus Pais (6.1-3). O poder salvador de Cristo ao lado da poderosa presença do Espírito Santo tornam possível um relacionamento harmonioso dentro da família. Paulo agora passa a discutir o relacionamento entre pais e filhos. Enquanto a ruptura do relacionamento matrimonial e a desobediência dos filhos são sinais de uma sociedade em desintegração, um relacionamento santo e harmonioso na família são um testemunho vivo da presença de Cristo na sociedade.

Escrevendo ao corpo de Cristo como um todo, Paulo ordena aos filhos que “obedeçam a seus pais” (6.1). O presente do imperativo do verbo “obedecer” fala da obediência como um comportamento habitual e permanente, ou contínuo. Em seguida, Paulo apresenta quatro razões que justificam essa afirmação:

1) “Sede obedientes a vossos pais no Senhor”. Essa frase pode ser interpretada de duas maneiras: (a) ela define os limites da obediência como sendo devida aos pais cristãos; vista dessa forma, a expressão “no Senhor” modifica “pais” (Bruce, 1961,121);

(b) alguns consideram essa expressão como qualificadora do verbo “obedecer”. Se essa for a interpretação correta, a expressão “no Senhor” mostra simplesmente o espírito pelo qual a obediência deve ser prestada: a obediência cristã “assim como ao Senhor” (Abbott, 176; Lincoln, 402).

2) Os filhos devem obedecer aos pais “porque isto é justo” (cf. a passagem paralela em Colossenses 3.20, “porque isto é agradável ao Senhor”). O sentido aqui é de que isso é correto, justo. “Justo” (dikaion) em grego tem a mesma raiz da palavra “correto” (dikaiosyne). Stott (238-39) argumenta que a obediência à autoridade paterna é uma “lei natural” ou uma “revelação geral” que é justa e verdadeira em todas as culturas através dos séculos.

3) Os filhos devem obedecer a seus pais por se tratar de um “mandamento” de Deus (6.2)

— aquele que diz “Honra a teu pai e a tua mãe” (cf. Êx 20.f 2; Dt 5.16). Novamente, o verbo “honrar” está no presente do imperativo (tima), e transmite a necessidade de uma contínua honra aos pais (Summers, 129). Salmond afirma (375): “A obediência é um dever; a honra é a atitude da qual nasce a obediência”. A honra está relacionada ao respeito pelos pais e é diferente de uma total conformidade.

4) A razão final de Paulo sobre a obediência aos pais é que os crentes receberam uma promessa de Deus para assim fazer: “Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra” (6.2,3). Bruce (1961,121) observa que esse é o quinto mandamento do Decálogo, porém o primeiro e único onde está inserida uma promessa. E é o “primeiro” não só em relação ao Decálogo, mas também a toda a lei do Pentateuco. O respeito adequado aos pais demonstra o princípio de uma correta maneira de viver, que traz consigo a recompensa do bem-estar e da continuidade da vida.

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. 4 Ed 2006. pag. 1260-1261.

 

 

PAIS E FILHOS

Efésios 6:1-4

Se a fé cristã fez muito pela mulher fez muito mais pelos filhos. Sempre será verdade que em qualquer civilização ninguém pode menos que amar a seus filhos; mas também é verdade que nas civilizações pré-cristãs e pagãs podem existir uma dureza e uma crueldade impossíveis numa cultura em que os princípios cristãos alcançaram a supremacia. Na civilização romana da época de Paulo havia certas características que faziam perigosa a vida da criança.

(1) O pátrio poder romano constituía o poder do pai. Pelo pátrio poder o pai romano tinha um poder absoluto na família. Podia vender a seus filhos como escravos; fazê-los trabalhar em seus campos até em cadeias; podia dispor da Lei a seu desejo, porque esta estava em suas mãos; castigar como lhe agradasse até o extremo de infligir a pena de morte. Além disso o poder do pai romano era vitalício e durava durante toda a vida do filho. Um filho romano jamais chegava à maioridade mesmo quando tivesse crescido. Se viesse a ser um magistrado da cidade ou se fosse coroado pelo estado com honras bem merecidas, sempre estava submetido ao poder absoluto do pai.

“O grande engano” — escreve Becker — “consistia em que o pai romano considerava o poder conferido pela natureza aos mais velhos, de guiar e proteger a criança durante sua infância, como extensivo a sua liberdade, incluindo vida e morte, e continuando por toda sua existência”. É verdade que raramente o poder do pai era levado a extremo porque a opinião pública não o permitia; mas se dão exemplos rigorosamente históricos de pais romanos que condenaram à morte a seus filhos e os executaram. A realidade é que nos dias de Paulo o menino estava total e absolutamente sob o poder de seu pai.

(2) Existia o costume de abandonar a criança. Quando nascia uma criança era colocada aos pés do pai; se este se inclinava e o levantava significava que o reconhecia e queria retê-lo. Se dava meia volta e saía significava que se negava a reconhecê-lo; a criança podia ser literalmente descartada.

Há uma carta que data do século I a.C. que um homem chamado Hilarion escreve à sua mulher Alis, de Alexandria, aonde tinha viajado. Escreve sobre questões domésticas:

“Hilarion a Alis seu mulher, as mais cordiais saudações e a meus queridos Bero e Apolinário. Tem que saber que ainda estamos em Alexandria; não se preocupe se outros retornam enquanto eu continue em Alexandria. Peço-lhe e suplico que tenha cuidado do filho pequeno; logo que receba o pagamento lhe enviarei isso. Se tiver um menino — sorte para você! — deixa-o viver enquanto seja varão; se for mulher, arroje-a. Você recomendou a Afrodisia que me dissesse: ‘Não me esqueça’. Como posso esquecer? Peço-lhe portanto que não se preocupe.”

Estamos diante de uma carta estranha: tão cheia de afeto e, entretanto, tão dura para com um menino que vai nascer. Uma criança romana corria sempre o risco de ser rechaçada e exposta na via pública. Na época de Paulo este risco era maior. Vimos como o laço matrimonial estava em franca ruína e como homens e mulheres mudavam seus consortes com rapidez assombrosa. Em tais circunstâncias uma criança era uma desgraça. Nasciam tão poucos meninos que o governo romano aprovou de fato uma legislação que limitava o montante da herança de um casal sem filhos.

Os filhos não desejados eram ordinariamente abandonados no fórum romano, e se convertiam em propriedade de qualquer pessoa que os levantasse. Era costume serem recolhidos de noite por gente que os alimentava com a finalidade de vendê-los como escravos ou de abastecer os prostíbulos de Roma. Tudo isto é inconcebível em nossos dias, mas não porque haja uma civilização inteiramente cristã, mas sim porque os princípios cristãos impregnaram que tal maneira a civilização ocidental que já não se concebem tais práticas.

(3) A civilização antiga era desumana com respeito à criança doente ou disforme. Sêneca escreve, como se fosse o mais comum no mundo, como efetivamente o era: “Sacrificamos a um boi impetuoso, estrangulamos a um cão raivoso, afundamos a faca no gado doente para que não contagie a outros, afogamos as crianças que nascem fracas e disformes”. Uma criança doentia e disforme tinha pouca esperança de sobreviver.

Nestas circunstâncias Paulo escreve seus conselhos a filhos e pais. Se alguém perguntar qual é o bem que o cristianismo trouxe para o mundo a resposta inegável e absoluta é a mudança de situação da mulher e da criança.

BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Efesios. pag.128-130.

 

 

SINÓPSE III

 

Todo pai cristão deve zelar por sua família com dedicação e responsabilidade.

 

 

 

CONCLUSÃO

 

Os pais são exortados a ensinar os filhos, conversando com eles e orientando-os para a vida. O líder que tem consciência de que seu ministério começa na sua casa, será abençoado, e colherá frutos por ter uma família que serve ao Senhor.

Os extremos precisam ser evitados e os filhos precisam da repreensão que deve ser feita com amor e cuidado. Deus espera que os pais estejam presentes na formação de seus filhos.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

 1. Quem eram os filhos de Samuel?

Joel e Abias.

 

 2. Na vida da família, quem são os responsáveis pela formação moral e espiritual dos filhos?

Os pais são os responsáveis pela boa formação moral e espiritual dos filhos.

 

 3. Quais são os dois tipos de paternidade extremista?

A paternidade autoritária e a permissiva.

 

 4. Além de ensinar a disciplina para os filhos, o que os pais devem fazer?

Os pais devem estar presentes na vida dos filhos.

 

 5. Por que Eli e Samuel se isentaram da responsabilidade familiar?

Eli e Samuel se isentaram da responsabilidade familiar porque não tinham tempo para os filhos.

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

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