8 LIÇÃO 3 TRI 20 – AS CAUSAS DA DESUNIÃO DEVEM SER ELIMINADAS

DANIEL ORA POR UM DESPERTAMENTO
8 Lição 3 Tri 20 – As Causas da Desunião devem ser Eliminadas

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Texto Áureo

“ Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união! ” (SI 133.1)

Verdade Prática

A união é uma força indispensável para a Igreja. É um testemunho diante do mundo e um estímulo para o crescimento da obra de Deus.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – SI 133: A desunião expulsa as bênçãos da Igreja

Terça – Ef 4.15,16: A desunião impede o crescimento

Quarta – Jo 17.20-26: União, o caminho para a comunhão e o amor

Quinta – At 5.13-16: A união engrandece a Igreja

Sexta – Ne 4.19-23: A união é uma grande força

Sábado – Ef 4.1-16: O Espírito Santo opera a união perfeita

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Neemias 5.1,6-12

1 – Foi, porém, grande o clamor do povo e de suas mulheres contra os judeus, seus irmãos.

6 – Ouvindo eu, pois, o seu clamor e essas palavras, muito me enfadei.

7 – E considerei comigo mesmo no meu coração; depois, pelejei com os nobres e com os magistrados e disse-lhes: Usura tomais cada um de seu irmão. E ajuntei contra eles um grande ajuntamento.

8 – E disse-lhes: Nós resgatamos os judeus, nossos irmãos, que foram vendidos às gentes, segundo nossas posses; e vós outra vez venderíeis vossos irmãos ou vender-se-iam a nós? Então, se calaram e não acharam que responder.

9 – Disse mais: Não é bom o que fazeis: Porventura, não devíeis andar no temor do nosso Deus, por causa do opróbrio dos gentios, os nossos inimigos?

10 – Também eu, meus irmãos e meus moços, a juro, lhes temos dado dinheiro e trigo. Deixemos este ganho.

11 – Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como também o centésimo do dinheiro, do trigo, do mosto e do azeite, que vós exigis deles.

12 – Então, disseram: Restituir-lhe-emos e nada procuraremos deles; faremos assim como dizes. Então, chamei os sacerdotes e os fiz jurar que fariam conforme esta palavra.

HINOS SUGERIDOS: 50, 145, 426 da Harpa Cristã

OBJETIVO GERAL

Destacar que a união é indispensável para o crescimento e sustentabilidade da obra de Deus.

OBJETIVOS ESPECIFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingir em cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

I – Explicar que a união caracterizada no período pós-exílio serve de referência para a Igreja;

II – Expor a injustiça social que ameaçava a união dos judeus nos tempos de Neemias;

III – Mostrar as medidas adotadas por Neemias para manter o povo unido em só propósito.

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Egressos do exílio babilônico os judeus pensavam que encontrariam uma terra que manava leite e mel. Entretanto, eis que se depararam com uma terra prestes a devorá-los. Como se não bastasse as dificuldades decorrentes da relação complexa com os povos vizinhos, havia também muitas injustiças sociais e desordens que levavam o povo a um nível de desunião e hostilidade.

Neemias foi usado por Deus para levar os judeus a manterem-se unidos em um só propósito. Semelhantemente, a Igreja nestes últimos dias precisa de ministros que conduzam o rebanho do Senhor à união e uniformidade para que a obra de Deus seja edificada e muitas vidas possam ser salvas.

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INTRODUÇÃO

Veremos nesta lição um conflito que surgiu entre diferentes classes sociais, e como o problema foi solucionado.

PONTO CENTRAL

Cristo derrubou o muro da separação que havia entre gentios e judeus, tornando-os uma verdadeira “Família de Deus”.

I – A UNIÃO CARACTERIZAVA OS JUDEUS LIBERTOS DO CATIVEIRO

1. Qual era a base desta união?

a. Todos eram do mesmo povo, e confessavam a sua fé no único Deus verdadeiro. O altar havia sido renovado, o Templo levantado, e o culto a Deus restaurado, conforme os ritos da lei.

b. Todos haviam experimentado o despertamento que se havia iniciado pelo rei Ciro. Todos haviam cooperado ativamente para a restauração da cidade de Jerusalém.

2. Esta união entre os judeus simboliza a união que deve haver na Igreja de Deus (Gl 6.16).

Também na Igreja há muitas coisas unificantes. Todos experimentaram o novo nascimento. Todos que nasceram de novo amam aos que são nascidos por Ele – Jesus. Na Igreja são aproximados uns dos outros, porque Cristo derrubou o muro da separação que havia entre gentios e judeus, tornando-os uma verdadeira “Família de Deus” (Ef 2.12-19). Esta união não se baseia em nacionalidade, nível social ou cultural, mas todos são UM EM CRISTO (GI 3.28).

No meio da Igreja opera o Espírito Santo, o qual faz com que todos se tornem um coração e uma alma (At 4.32). Quando a Igreja vive cheia do Espírito Santo, a união funciona em sua plenitude, e, então, ela se torna uma antessala do céu. Consideremos algumas bênçãos decorrentes da união:

a. Os crentes sentem apoio espiritual para a sua vida.

Muitos crentes vivem cercados de pessoas que são contrárias à sua fé. São alvos de críticas e de isolamento, seja no trabalho, na escola ou na família.

Que riqueza então é chegar à igreja e encontrar o ambiente fraternal e a união que predomina entre os irmãos! Ouçamos o que diz o salmista: “Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união…” (SI 133.1).

b. Na igreja levamos as cargas uns dos outros (GI 6.2).

Existem cargas que cada um tem de levar sozinho (GI 6.5). Mas existem também cargas em que podemos ajudar uns aos outros. Que bênção na hora de aperto, saber que a igreja pode ajudar em oração!

c. A união nos faz fortes.

Uma ovelha sozinha é facilmente arrebatada, mas quando está com o rebanho é protegida. Uma pedra sozinha, pode ser levada ou jogada, porém, quando estiver edificada dentro do muro, é mais difícil tirá-la (1 Pe 2.4,5).

d. Uma igreja que vive em união, tem um testemunho maravilhoso.

Jesus disse que através dessa união o mundo conheceria que Ele foi enviado por Deus (Jo 17.21,23; 13.35). Pela união o mundo conhecerá também os verdadeiros discípulos de Jesus (Jo 13.35).

3. Esta união é uma verdadeira força.

Foi por causa da união que os judeus, numericamente inferiores aos seus inimigos, conseguiram construir o Templo, e também os muros da cidade. Esta união é também o segredo da vitória da Igreja. O santo óleo desce da cabeça do Sumo Sacerdote Jesus Cristo, e os crentes vivem em união (SI 133.1,2). Jesus disse:

“Eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam UM” (Jo 17.22). Sejamos, pois, UM; assim como o Pai, o Filho e o Espírito Santo são UM (1 Jo 5.7). O autor de Eclesiastes já dizia: “O cordão de três dobras não se quebra tão depressa” (Ec 4.12).

SÍNTESE DO TÓPICO I

O mistério da Igreja de Cristo formada pela união entre judeus e gentios estivera em oculto desde a eternidade.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

Para introduzir esta lição é importante que você conceitue bem biblicamente a palavra “comunhão” e amplie o seu conceito. Para lhe auxiliar nessa tarefa, juntamente com o conceito presente na lição, leve em conta o seguinte fragmento textual: “Koinõnia, tendo em comum (koinos), sociedade, companheirismo’, denota:

a) a parte que alguém tem em algo, participação, companheirismo reconhecido e desfrutado.

É, assim, usado acerca: das experiências e interesses comuns dos cristãos (At 2.42; Gl 2.9); da participação no conhecimento do Filho de Deus (1 Co 1.9); do compartilhamento na realização dos efeitos do sangue (ou seja, da morte) de Jesus e do corpo de Jesus, conforme é exposto pelos emblemas da Ceia do Senhor (1 Co 10.16); da participação no que é derivado do Espírito Santo (2 Co 13.13; Fp 2.1); da participação nos sofrimentos de Cristo (Fp 3.10); do compartilhamento na vida da ressurreição possuída em Cristo e, por conseguinte, do companheirismo com o Pai e o Filho (1 Jo 1.3,6,7); negativamente, da impossibilidade de ‘comunhão’ entre a luz e as trevas (2 Co 6.14);

b) companheirismo manifesto em atos, os efeitos práticos do companheirismo com Deus, realizado pelo Espírito Santo na vida dos crentes em resultado da fé (Fm 6), e encontrando expressão no ministério em comum com os necessitados (Rm 15.26; 2 Co 8.4; 9.13; Hb 13.16) e na proclamação do Evangelho pelos dons (Fp 1.5)” (Dicionário Vine. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.485).

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II – A UNIÃO ENTRE OS JUDEUS ESTAVA AMEAÇADA

1. Qual era a ameaça?

Tratava-se de uma grande injustiça social. Financeiramente, a vida dos que voltaram da Babilônia era bem difícil. Muitos eram obrigados a tomar dinheiro emprestado, não só para seu sustento, como também para pagar o imposto do governo. Tomavam emprestado dos seus irmãos mais ricos, os quais cobravam juros altos, até mesmo com usura.

Quando os mais pobres não conseguiam pagar os empréstimos tomados, os irmãos mais ricos executavam as dívidas, tomando as casas, as terras, e até mesmo os filhos e as filhas dos devedores (Ne 5.1-5). Isto foi causa de grande clamor entre os Judeus. Este assunto chegou ao conhecimento de Neemias, o qual ficou muito enfadado (Ne 5.6).

2. Como se explica esta grande injustiça?

a. Em primeiro lugar era uma expressão de FALTA DE AMOR dos mais ricos para com os mais pobres.

Desta forma os mais ricos pecavam contra seus irmãos mais pobres, não lhes dando o devido valor. A Bíblia diz que cada um deve considerar “os outros superiores a si mesmo” (Fp 2.3), e que devemos suportar “uns aos outros em amor” (Ef 4.2). Por falta de amor, os ricos chegaram a cobrar juros com usura, coisa proibida na lei (Lv 22.36; Êx 22.25). O assunto é muito sério, porque a Bíblia diz que quem peca contra o irmão, peca contra Cristo (1 Co 8.12).

b. A atitude dos ricos era uma expressão de DUREZA CONTRA SEUS IRMÃOS.

Eles queriam ficar ainda mais ricos às custas da miséria de seus irmãos mais pobres. Não lhes importava o choro de seus irmãos (Ne 5.1). “A opressão faz endoidecer até o sábio” (Ec 7.7).

SÍNTESE DO TÓPICO II

A injustiça social era uma expressão da falta de amor dos mais ricos para com os mais pobres.

BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Pobrezas (5.1-4). Tanto as condições de seca como altas taxas produziu um grande aperto na agricultura.

A avareza dos ricos, que emprestavam dinheiro às famílias desesperadas a juros altos e então hipotecavam as suas propriedades, foi a principal causa da tremenda dificuldade em que muitos se acharam. Hoje, há muitas razões para a pobreza. Porém, a avareza permanece como causa mais comum.

Tributos (5.4).

O rei persa cobrava cerca de 20 milhões, em ouro, de dáricos (uma moeda persa), anualmente, em taxas. O pagamento era exigido em moedas de ouro ou prata que eram derretidas e armazenadas em lingotes. Quando Alexandre, o Grande tomou Susã, onde Neemias havia servido Artaxerxes, encontrou cerca de 270 toneladas de ouro e 1.200 toneladas de prata! A política privou o reino do seu dinheiro, criou a inflação, e foi, em parte, responsável pela aflição econômica da Judeia.

Usura (5.7).

A palavra hebraica massa, aparece somente em Neemias. Significa impor uma sobrecarga. O Antigo Testamento proíbe cobrar juros em empréstimos aos vizinhos pobres (Êx 22.25-27; Lv 25.35-37; Dt 23.19,20; 24.10-13). Essas condições estavam sendo violadas” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p.317).

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III – NEEMIAS SOLUCIONOU O PROBLEMA

1. Neemias convocou um grande ajuntamento (Ne 5.8).

Reuniu o povo e lembrou a todos que os irmãos mais pobres estavam sendo literalmente escravizados. Confrontou-os com sua injustiça, perguntando-lhes: “Vender-se-iam a nós? Então se calaram e não acharam o que responder” (Ne 5.8).

2. Neemias fez uma proposta conciliadora.

“Deixemos este ganho!” Restituí-lhes hoje!” (Ne 5.10,11).

Neemias Inclui-se na proposta. Ele e seus auxiliares haviam emprestado a juro (notem bem, a juro, mas não com usura!), e Neemias estava disposto a não receber os juros (Ne 5.10).

3. A proposta de Neemias foi acatada.

“Restituir-lhe-emos, e nada procuraremos deles; faremos assim como dizes” (Ne 5.12). Neemias fez com que jurassem diante dos sacerdotes que assim fariam (Ne 5.12). Um ato simbólico de Neemias confirmou aquele juramento solene (Ne 5.13).

SÍNTESE DO TÓPICO III

A convocação de Neemias para a conciliação.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO

“Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros, sendo muitos, são um só corpo, assim é Cristo também (1 Co 12.12)’. A frase ‘assim é… também (houtos kai) nos alerta para o que é talvez a primeira metáfora do Novo Testamento com a intenção de nos ajudar a entender a natureza da igreja. Em Romanos, Paulo ensinou que pela fé o crente une-se a Jesus em uma união indissolúvel. Agora, ele ensina que aqueles que estão unidos a Cristo também estão unidos entre si, num relacionamento orgânico, como aquele que existe entre os membros e órgãos do corpo.

Essa imagem transmite inúmeras realidades. Não podemos ser cristãos isolados dos outros, devemos funcionar junto com eles. Também não podemos cumprir nossa missão na vida separados da igreja, e devemos estar suficientemente próximos para exercer nossos dons através do amor e do serviço. E não podemos permitir discussões e divisões em nossas congregações, e devemos estar unidos por um compromisso comum, não só com Jesus, mas também entre nós” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.348).

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IV – A PAZ VOLTOU A REINAR ENTRE OS JUDEUS

1. Surgindo um problema entre os irmãos, deve logo ser tratado com muita diligência.

Quando um líder do povo for ignorante, desinteressado ou negligente, o resultado poderá vir a ser uma contaminação grave. Faz parte das atribuições do ministro manter a boa ordem na igreja. Ele deve enfrentar os problemas com humildade, imparcialidade, e com sabedoria de Deus. Neemias foi neste sentido um exemplo para os que estão à frente da obra do Senhor. Assim como Deus fez com Neemias, Ele quer fazer com seus servos, hoje, isto é, Deus quer abençoar seus servos e confirmar as obras das suas mãos (SI 90.17).

2. Problemas relacionais devem ser tratados carinhosamente.

“Bem aventurados os pacificadores” (Mt 5.9).

a. A desunião representa uma obra da carne (Gl 5.19,20).

Estas coisas entristecem o Espírito Santo (Ef 4.30).

b. A desunião destrói a comunhão e o amor entre os irmãos, coisa tão preciosa na Igreja. “Andai em amor como também Cristo vos amou” (Ef 5.2).

“Quem ama a Deus, ame também a seu irmão” (1 Jo 4.21). Jesus

orou: “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti” (Jo 17.21).

c. Finalmente devemos cultivar nosso testemunho diante do mundo. A união entre os crentes é o selo da estabilidade espiritual e da paz na Igreja (Jo 17.4).

SÍNTESE DO TÓPICO IV

A paz foi mantida porque Neemias enfrentou os problemas com humildade, imparcialidade, e com sabedoria de Deus.

SUBSÍDIO DE VIDA CRISTÃ

“A importância do trabalho em equipe Neemias não era adepto do ‘ministério de um homem só’. Ele sabia da importância de conseguir que todos se envolvessem no trabalho e se sentissem parte da equipe. Ele conseguiria isso tendo o cuidado de designar as pessoas para trabalhar juntas em áreas do muro que fossem perto da casa delas. Observe a recorrência da expressão: ‘ao seu lado’ no capítulo 3 (Ne 3.7,17-25, 27,29-31). O trabalho em ‘equipe’ garante que ‘todos juntos conseguem mais’ (veja também 1 Co 12)” (Guia Cristão de Leitura da Bíblia. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.198).

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PARA REFLETIR

A respeito de “As Causas da Desunião devem der Eliminadas”, responda:

• O que caracterizava os judeus libertos do cativeiro?

R: A união.

• O que simbolizava a união entre os judeus que retornaram do cativeiro e Deus?

R: A união que deve haver entre Jesus e a Igreja.

• O que estava ameaçando a união entre os judeus?

R: A injustiça social.

• O que representa a desunião?

R: A desunião representa a obra da carne.

• De acordo com a lição, o que representa a união entre os crentes?

R: Representa o selo da estabilidade espiritual e da paz na Igreja.

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INTRODUÇÃO E COMENTÁRIO

Estamos atordoados pela avassaladora crise moral que se abateu sobre a nação brasileira. Houve e ainda há uma inquietação perturbadora nos corredores do poder. Alguns de nossos representantes políticos estão num profundo atoleiro moral, num charco de lama. Nosso parlamento viveu dias tenebrosos, nossas instituições ficaram abaladas, nossa credibilidade moral cambaleante. As investigações das comissões parlamentares de inquérito descobriram abismos escuros, fossos profundos e esquemas de corrupção criminosos. A ganância insaciável, o despudor moral e o senso de impunidade produziram um esquema de corrupção vergonhoso, nunca antes visto em nossa nação.

O dinheiro que deveria socorrer os aflitos, construir escolas e hospitais e promover o desenvolvimento da nação foi desviado para paraísos fiscais e/ou para gordas contas bancárias de pessoas que se serviram do poder, ou nele se empoleiraram, para se enriquecerem de forma ilícita.

A crise, entretanto, é uma oportunidade de reflexão e de mudança de rumo. Nosso país está em crise, porque tem abandonado a Deus. O pecado é o opróbrio da nação. Temos colocado nossa confiança em homens, em vez de colocá-la no Deus vivo. A solução para a sua vida, sua família e nossa nação não está numa ideologia ou num partido político, mas em Deus. O secularismo prevalecente em nossa cultura está tentando empurrar Deus para a lateral da vida. O homem contemporâneo, besuntado de orgulho, risca Deus de sua vida para correr atrás de fontes rotas.

Em todo lugar e em qualquer tempo que um povo abandone o Deus vivo e Sua Palavra, assina o atestado de seu próprio fracasso, pois longe de Deus a vida se barbariza, o homem se bestializa e a sociedade se corrompe. A maior e mais urgente necessidade de qualquer povo e nação é Deus. Contudo, apesar disso, temos abandonado a Deus, a fonte das águas vivas, para cavarmos as cisternas rachadas de uma religiosidade descomprometida, de um humanismo idolátrico e de uma ética sem absolutos.

LOPES. Hernandes Dias. AMOS Um clamor pela justiça social. Editora Hagnos. pag. 13-14.

A sensível negligência em preocupar-se com a justiça social por parte dos evangélicos, deve ser então largamente atribuída ao modo como eles compreendem a Bíblia.4 Crer nela não basta, se não for compreendida. O objetivo da interpretação bíblica cuidadosa, busca em primeiro lugar estabelecer o “significado claro do texto”, o senso literalis.

Os cristãos, porém, “interpretam o sentido das Escrituras quanto às questões de fé de maneira muito diferente. Os problemas hermenêuticos surgidos ao interpretar a Bíblia como uma autoridade para a fé, não se evaporam quando ela é consultada com relação à prática moral… ”?

Tanto o significado do texto como a ênfase dada a certas passagens em detrimento de outras, nos foram transmitidas pelas nossas tradições evangélicas que, por sua vez, moldam nossas convicções com respeito ao que é certo ou errado na teologia e prática. “Idealmente, a arte da interpretação, a hermenêutica, tenta reconstruir o contexto histórico-cultural dos materiais estudados, antes de proceder à sua aplicação. ” Esta é a expectativa e o propósito de toda comunicação.

A palavra de Deus não é nova (embora a nossa situação possa ser), mas continua sendo a mesma palavra original escrita pelos profetas e registrada pelos apóstolos. Ela precisa ser compreendida e aplicada com relevância à complexidade das situações do indivíduo e do mundo. Quando nosso discernimento cultural e tradicional é observado como sendo oposto às claras regras bíblicas, o problema hermenêutico se agrava.

Russell P. Shedd,. A Justiça Social e a Interpretação Da Bíblia. Editora Vida Nova. pag. 1-2.

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I – A UNIÃO CARACTERIZAVA OS JUDEUS LIBERTOS DO CATIVEIRO

1. Qual era a base desta união?

O Poder Persa. A área do mundo que interessa aos estudiosos da Bíblia esteve sob o poder persa de 538 a 533 A.C. Ciro (cerca de 559-530 A.C.) foi o instrumento usado por Deus para livrar Israel do cativeiro, segundo nos mostra a passagem de Isaías 41-66. Ciro capturou a Babilônia em 539 A.C., e isso armou o palco para o estágio de modificações radicais, que afetaram a história de Israel.

Ele praticava normas políticas internas liberais e mesmo benévolas, tendo permitido a reconstrução do templo de Jerusalém, e também o retorne dos judeus que quisessem voltar à Terra Prometida. Sesbazar, um príncipe judeu, foi nomeado governador de Judá, e ele conduziu a primeira leva de judeus que retornou à Palestina. Um outro grupo retornou em companhia de Zorobabel, sobrinho de Sesbazar e seu sucessor como governador de Judá, Sacerdotes e levitas faziam parte do grupo que voltou com Zorobabel.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Editora Hagnos. pag. 394.

Um outro grupo muito maior de judeus exilados voltou a Judá guiados por Zorobabel, sobrinho de Sesbazar, e o sucedeu como governador de Judá.

Com Zorobabel chegaram muitos sacerdotes e levitas liderados pelo sumo sacerdote Josué. Em 520 o trabalho no Templo foi retomado com o incentivo dos profetas Ageu e Zacarias e a permissão do rei Dario I (522-486). Finalmente, em 515, esse segundo Templo de Yahweh em Jerusalém foi concluído.

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 3. pag. 332.

Sabemos que o povo de Israel retornou a terra que mana leite e mel, após o cativeiro Babilônico que perdurou por aproximadamente 70 anos; sabendo que foi Deus quem trabalhou a favor do povo.

O povo que retornou a princípio era Judeu que confessavam o mesmo Deus, e ofereciam culto ao Senhor; estavam unidos por sua raça (Judeus-Israelitas), fé (Deus de Abraão, Isaque e Jacó) e comprometidos na reconstrução do templo da cidade, também incluía o povo e a nação, para garantia da vida cotidiana.

Comentário Alessandro Silva.

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2. Esta união entre os judeus simboliza a união que deve haver na Igreja de Deus (Gl 6.16).

Na primeira parte deste versículo, a discriminação e as barreiras são eliminadas. Na segunda parte, a unidade é estabelecida. Se todos os crentes estão se tornando semelhantes a Cristo, se todos os crentes professaram a fé e se uniram ao corpo de Cristo, então esta união deixa de lado todas as outras diferenças superficiais. Embora seja verdade que, no corpo de Cristo, judeus, gentios, escravos, livres, homens e mulheres ainda conservam as suas identidades individuais, Paulo exalta a sua unidade – todos vós sois um em Cristo Jesus. Todos os rótulos tornam-se secundários entre aqueles que têm a Jesus em comum.

Alguns judeus do sexo masculino recebiam cada novo dia fazendo a seguinte oração: “Senhor, eu te agradeço por não ser um gentio, um escravo, ou uma mulher”. O preconceito com relação a estas três categorias era real e forte. Como se comenta por toda esta carta aos gálatas, um judeu que crê em Cristo não é diferente de um gentio que crê. A unidade em Cristo transcende todas as distinções raciais. A seguir, vem a barreira da condição social.

Um escravo e uma pessoa livre devem se tratar mutuamente como irmãos e irmãs no corpo de Cristo. Além disto, quando se fala de fé e das promessas de Deus, não existe uma verdadeira distinção de sexo. Homem e mulher (macho e fêmea) são igualmente aceitáveis no corpo de Cristo. A nossa postura igual em Cristo nos dá o mesmo acesso, não apenas à salvação, mas a todos os dons do Espírito e a todas as possibilidades de serviço ao Senhor.

As barreiras rompidas, neste versículo, podem não parecer tão radicais nos nossos dias, mas eram espantosas na cultura romana antiga. Isto tornou o cristianismo exclusivo e atraente – ele valorizava cada indivíduo, e ainda resultava em um corpo unificado. Todos os crentes são um em Cristo Jesus. Todos são igualmente valiosos para Deus. As diferenças estão nos dons, nas funções, nas capacidades, mas todos são um em Cristo (Ef 2.15).

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 282.

Paulo tinha a visão da unidade e da igualdade no seio da igreja cristã, a despeito da diversidade de seus elementos componentes. Os gregos tinham os seus próprios preconceitos, pois consideravam aos outros como bárbaros, com frequência querendo dar a entender o que se compreende hodiernamente por esse termo. No judaísmo, nem mesmo os prosélitos podiam atingir aposição de aceitação que uma pessoa nascida judia desfrutava na comunidade e na religião; de fato, dos prosélitos usualmente os judeus desconfiavam. Uma mulher que se casasse se tomava propriedade de seu marido, passando a ser perene companheira de crianças e de escravos.

Os rabinos judeus chegaram ao cúmulo de debater se as mulheres possuíam alma ou não. E assim muitas culturas dos povos gentílicos tinham suas mulheres em mais alta conta do que as mulheres judias entre os seus. De fato, seria difícil um povo ter pior conceito do sexo feminino do que aquele que havia na cultura judaica. Assim é que a opinião de Josefo, segundo ele mesmo expressou, é que «Em todas as coisas, a mulher é inferior ao homem».

« …todos vós sois um em Cristo Jesus…»

Está em foco a posição social, em primeiro plano; mas, secundariamente, também devemos pensar na experiência e no destino dos crentes. Estar «em Cristo» é gozar de comunhão mística com ele (ver o trecho de I Cor. 1:4), comunhão essa que transforma os remidos segundo a sua imagem. E estar «em Cristo», dentro da comunidade da igreja cristã, significa que aqueles que usufruem dessa transformação moral, que provoca a transformação metafísica, gozam de igualdade entre si.

«Em Cristo…todos são iguais. Todos temos recebido um só e o mesmo evangelho, ‘uma só fé’, um só batismo, um Deus e Pai de todos, um só Cristo, que é o Salvador de todos. O Cristo de Pedro, de Paulo e de todos os santos é o nosso Cristo. Sempre poderemos depender de Paulo, na adição da cláusula condicional, ‘em Cristo Jesus’. Se perdermos Cristo de vista, nos sairemos perdedores». (Lutero, in loc.) .

A Polêmica

1. Este versículo ensina-nos a igualdade de oportunidade que os homens têm em Cristo. Mas essa própria igualdade significa que o fato de alguém ser descendente de Abraão, ou de que está observando a legislação mosaica, não constitui nenhuma vantagem, até onde diz respeito à salvação.

2. Ao remover distinções, o evangelho situou todos os homens no mesmo nível, todos igualmente culpados, e todos igualmente necessitados da mesma salvação que nos é dada por intermédio da graça divina, e jamais através de qualquer coisa que possa insuflar o orgulho humano.

3. Devemos entender que as distinções anteriormente estabelecidas eram artificiais.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 479.

a. Os crentes sentem apoio espiritual para a sua vida.

Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos!

O autor desta pequena porção da literatura de sabedoria esperava que suas palavras ajudassem Israel a reter sua fraternidade especial. Naturalmente, essas palavras aplicam-se a indivíduos, e não somente a comunidades nacionais, mas podemos estar seguros de que a inspiração da paz era uma preocupação que dizia respeito a laços nacionalistas na nação restaurada de Israel.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2479.

Esta pequena joia é um breve cântico de louvor pela alegria decorrente da união entre irmãos, tanto da família natural como da família espiritual de Deus. Oesterley e Taylor entendem que o salmo se refere ao acordo do levirato na vida familiar, em que os irmãos casados continuavam a viver juntos na mesma casa.

Barnes entende que esse salmo descreve a vida em comunhão dos judeus que vinham a Jerusalém para as festas anuais. No entanto, ele apresenta um significado mais amplo no que diz respeito à família da fé. Existe uma unidade espiritual entre os filhos de Deus que transcende inclusive barreiras denominacionais. Como diz um velho ditado: “Você não vê as cercas quando o trigo está alto”.

“Quão Bom e quão Suave” (133.1)

O viver em união dos irmãos é bom e […] suave (1; “bom e agradável”, ARA, NVI). Harrison interpreta o versículo da seguinte forma: “Como é maravilhoso quando os irmãos vivem juntos em harmonia”. Existe um ecumenismo que não é organizacional e imposto de fora para dentro, mas que surge de uma comunhão de espírito e fé. Esse aspecto é (ou deveria ser) a característica de pessoas santificadas (Jo 17.17-23). Isso estava no pensamento de R F. Bresee quando disse acerca do seu pequeno grupo no início da Igreja do Nazareno: “Somos irmãos de sangue de toda alma do universo que foi comprada e lavada pelo Sangue”.

W. T. Purkiser, M. A.. Comentário Bíblico Beacon Salmos. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 313.

b. Na igreja levamos as cargas uns dos outros (GI 6.2).

O uso, neste versículo, de “cargas” refere-se às cargas pesadas ou opressivas que um crente não consegue carregar sozinho. Podem ser cargas financeiras, podem ser cargas de tentação. Nós devemos ajudar a levar as cargas que os nossos irmãos consideram excessivamente pesadas para levar sozinhos.

No entanto, não devemos considerar esta carga como um peso, mas sim como uma alegria. Como pessoas fazendo uma caminhada em uma trilha, nós não somente levamos as nossas próprias mochilas, mas ajudamos com as cargas dos outros quando a trilha fica muito íngreme, quando eles ficam muito cansados, ou quando os seus pés têm bolhas – em qualquer circunstância em que eles precisarem de ajuda.

Compartilhar os problemas dos outros também obedece à lei de Cristo. Como é isto? Como Paulo tinha explicado em 5.14: “Porque toda a lei se cumpre numa só palavra, nesta: Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Jesus disse aos seus discípulos, na noite anterior à sua crucificação: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros” (Jo 13.34; veja também Jo 15.12).

A lei de Cristo é este “novo mandamento” resumido quando demonstramos amor pelos outros. De certa forma, Paulo estava dizendo; “Se vocês insistirem em levar cargas, não levem o peso da lei; em lugar disto, levem as cargas uns dos outros com amor. Então, vocês não somente estarão se ajudando uns aos outros e construindo a unidade entre vocês, mas também cumprirão a lei de Cristo!”

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 300-301.

Nenhum homem é uma ilha—essa é a mensagem do presente versículo. O que um homem faz envolve-o com outros. O crente é o guardião de seu irmão na fé. Tem a responsabilidade de suportar suas cargas, de perdoar suas falhas, de restaurá-lo quando estiver em erro. Assim é que se cumpre a lei do amor de Cristo, que deve ser a principal força motivadora de toda a existência. O retorno a Deus se verifica mais prontamente quando o amoré a norma orientadora da inquirição pelo Senhor.

«…cargas…», no original grego, é «baros», palavra essa que tem muitas aplicações, em seu uso literal e metafórico. Tal palavra significava, literalmente, um «peso», algo difícil de ser transportado. Daí se derivou a idéia de «carga», a coisa transportada que é difícil. Em sua aplicação moral, pode significar uma tarefa cansativa, uma responsabilidade não desejada qualquer. No trecho de Atos 15:28 essa palavra indica uma certa responsabilidade religiosa, exigida de alguém.

No texto presente, pode problemas que um irmão na fé tem de enfrentar; ou então em sentido mais específico, podem estar em foco as tentações e quedas que um irmão mais fraco na fé encontra ao longo de seu caminho. Cumpre-nos suportar a esses crentes, demonstrando paciência, procurando ajudá-los, restaurá-los, a fim de aliviá-los de suas cargas. A referência primária do termo, neste texto, embora não se trate de um sentido exclusivo, são as «debilidades morais» dos outros, que provocam vergonha, tristeza e remorso para com todos quantos são envolvidos.

Portanto, o amor, que é a lei de Cristo, exige restauração, ao invés de espírito de censura. No entanto, o orgulho pessoal é o principal obstáculo ao cumprimento dessa lei. «Ora, nós que somos fortes, devemos suportar as debilidades dos fracos, e não agradar-nos a nós mesmos… Porque também Cristo não se agradou a si mesmo, antes, como está escrito: As injúrias dos que te ultrajavam, caíram sobre mim». (Rom. 15:1,3; ver também as notas expositivas sobre essa passagem, acerca do mandamento similar àquele que temos neste presente versículo).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 514.

c. A união nos faz fortes.

Usando uma nova metáfora aqui, Pedro empregou imagens do Antigo Testamento para descrever o relacionamento dos crentes com Deus. Os crentes podem constantemente se chegar a (ou se aproximar de) Cristo. As palavras “chegar-se” não se referem à salvação inicial, mas à constante aproximação e à nossa vinda à presença de Cristo. No Antigo Testamento, somente os sacerdotes tinham este privilégio; sob o novo concerto, todos os crentes podem comparecer diante de Deus a qualquer momento, com qualquer necessidade.

Pedro descreveu Cristo como uma pedra viva; a imagem da “pedra” é extraída de Salmos 118.22 e de outras passagens do Antigo Testamento citadas nos versículos seguintes. Jesus tinha aplicado estas palavras a si mesmo quando falou de ser rejeitado pelo seu próprio povo (Mt 21.42; Mc 12.10,11; Lc 20.17). Pedro tinha citado este versículo em seu sermão no dia de Pentecostes (At 4.11,12).

Pedro acrescentou o adjetivo “viva”. Cristo vive e dá vida àqueles que creem nele. Também de Salmos 118.22, vem a informação de que Cristo foi reprovado pelos homens. Embora rejeitado por muitos, Cristo agora é a “pedra angular” da igreja, a parte mais importante dela. Ele é, para com Deus, eleito e precioso. Embora eleito e precioso para com Deus, Cristo teve que sofrer enormemente para realizar a vontade de Deus – foi o seu “precioso sangue” (1.19) que nos redimiu. Portanto, os crentes também são muito preciosos para Deus.

 Pedro encorajou estes crentes perseguidos, dizendo-lhes que, como Cristo, eles tinham sido eleitos por Deus.

Pedro levou a imagem adiante, descrevendo os crentes como sendo também pedras vivas, porque recebem a vida de Cristo, que é a pedra viva. Se estas “pedras” são “vivas”, então que atividades deveriam estar realizando? Em primeiro lugar, elas deveriam estar gratas por serem edificadas na casa espiritual de Deus.

Pelo fato de DeiK ser espírito (Jo 4.24), Ele vive em uma casa espiritual no meio do seu povo, e não mais em algum edifício físico em especial. Os crentes não apenas são as pedras que edificam a casa espiritual de Deus, mas também servem ali como santos sacerdotes, para oferecer sacrifícios espirituais. Esta é uma metáfora dupla. Nós somos tanto o templo (veja 1 Co 6.19) como os sacerdotes que nele servem. Assim como os sacerdotes serviam no Templo, os crentes também devem ser sacerdotes.

Pedro usou palavras de Êxodo 19.6, onde Deus prometeu à nação de Israel que ela seria um “reino sacerdotal” e um “povo santo”, se permanecesse obediente a Deus. O povo de Deus, ou seja, todos aqueles que creem em Jesus Cristo, tornou-se este santo sacerdócio. Os sacerdotes do Antigo Testamento compareciam diante de Deus em momentos específicos e somente depois de seguir cuidadosamente as instruções para purificação; o povo de Deus pode comparecer diante de Deus a qualquer momento, pois já foi purificado pelo Espírito Santo (Hb 4.16).

Os sacerdotes do Antigo Testamento ofereciam sacrifícios de animais no Templo; o povo de Deus também oferece sacrifícios, mas estes são “sacrifícios espirituais” (veja Rm 12.1; Ef 5.2; Fp 4.18; Hb 13.15,16). Vemos, nas Escrituras, que todas as partes da nossa vida – nosso trabalho material, atividades, diversões, generosidade, pontos de vista, objetivos – devem ser entregues a Deus como um sacrifício espiritual. Quando aprendemos a agradar a Deus e a seguir as suas instruções e orientações, tudo o que fazemos agrada a Ele. Estes sacrifícios são “espirituais” porque nós só conseguimos nos entregar a Deus com a ajuda do Espírito Santo.

Assim como o aroma dos sacrifícios do Antigo Testamento agradava a Deus, o nosso serviço também pode ter um aroma agradável ao Senhor, sendo para Ele uma alegria contínua.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 712.

Chegando-vos para ele, a pedra que vive. Agora Pedro está se ocupando da grande e confortadora garantia de que os seus leitores, que estão sendo desprezados e ostralizados como gente sem origem e sem importância (cons. “estrangeiros”, 1:1) pelos seus vizinhos, são membros de unta comunidade santa e gloriosa, a Igreja. Ele começa devidamente pela questão do relacionamento pessoal com Cristo, Ele mesmo rejeitado como eles, mas como eles eleito (eleitos, cons. 1:1) de Deus e precioso (pedra… para com Deus eleita e preciosa). Novamente esta palavra “precioso”; cons. 1:19 e abaixo.

5. Também vós mesmos, como pedras que vivem. Aqui está uma identificação na natureza com Cristo. As mesmas palavras são usadas com referência aos crentes e ao Senhor. A passagem faz claramente lembrar as palavras do Senhor a Pedro, “Tu serás chamado Cefas (pedra)” (Jo. 1:42); e novamente, “Tu és Pedro (uma pedra), e sobre esta pedra (formação rochosa) edificarei” (Mt. 16:18). Observe que na presente passagem Pedro destaca o seu Senhor, não a si mesmo, no santo edifício que é a Igreja. Sois edificados casa espiritual. Compare Ef. 2:19-22.

Considera-se que a Igreja transcende a glória do Templo judeu. O argumento nesta parte do capítulo, até I Pe. 2:10, pode dar a entender que as indignidades e pressões experimentadas pelos crentes eram instigadas pelos judeus, embora aceitas também pelos gentios, e que só iriam ocorrer nos primeiros dias da igreja. Sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por intermédio de Jesus Cristo. Considera-se que a oferta de Cristo abriu o Santo dos Santos a todos os crentes e suplantou os sacrifícios judeus. Por meio de Cristo, o homem antes pecador pode agora fazer uma oferta aceitável a um Deus santo (cons. Rm. 12:1, 2).

Charles F. Pfeiffer. Comentário Bíblico Moody. Editora Batista Regular. pag. 14-15.

Pedro retrata a Igreja como um templo vivo, espiritual, tendo Cristo como o alicerce e a pedra de esquina, e cada crente como uma pedra deste edifício espiritual. Paulo retrata a Igreja como um corpo, com Cristo sendo a cabeça e cada crente como um membro (ver, por exemplo. Ef 4.15,16). Ambos os retratos enfatizam a comunidade. Uma pedra não é um templo ou sequer uma parede; uma parte do corpo é inútil sem as outras.

Em nossa sociedade individualista, é fácil nos esquecermos de nossa interdependência em relação aos outros cristãos. Quando Deus lhe chamar para uma tarefa, lembre-se de que Ele também está chamando outros para trabalharem com você. Juntos, seus esforços individuais serão multiplicados. Procure tais pessoas e una-se a elas para construir uma bonita casa para Deus.

BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 1766.

d. Uma igreja que vive em união, tem um testemunho maravilhoso.

A reputação de sua profissão de fé (v. 35):

“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”. Observe que devemos ter amor, não apenas mostrar amor, mas mantê-lo como fundamento e hábito, e mantê-lo quando não houver qualquer ocasião imediata de demonstrá-lo, mantê-lo disponível. “Por meio disso se tornará patente que vós sois realmente meus seguidores, por me seguirdes nisto”. Observe que o amor fraternal é o distintivo dos discípulos de Cristo.

Através disto, Ele os conhece; através disto, eles podem conhecer a si mesmos (1 Jo 2.14); e através disto, outros podem conhecê-los. Este é o uniforme de sua família, a característica distinta de seus discípulos. Por isto, Ele os faria conhecidos, como aquilo em que eles superavam a todos os outros, o amor de uns pelos outros. O amor era uma qualidade pela qual seu Mestre era famoso. Todos aqueles que já tinham ouvido falar a respeito dele, tinham ouvido sobre seu amor, seu grande amor. Portanto, se vissem quaisquer pessoas sendo mais carinhosas umas com as outras do que aquilo que seria considerado comum, diriam: “Certamente esses são os seguidores de Cristo, eles estiveram com Jesus”.

Nestas circunstâncias, parece:

(1) Que o coração de Cristo estava muito interessado em que seus discípulos se amassem uns aos outros.

Nisto eles devem ser especiais. Enquanto o estilo do mundo é ser cada um por si, eles deviam ser cordiais uns com os outros. Ele não diz: Nisto conhecerão que sois meus discípulos – se realizardes milagres, pois um realizador de milagres, sem amor, nada é (1 Co 13.1,2), mas: se vos amardes uns aos outros, com base em um princípio de renúncia e gratidão a Cristo. O Senhor Jesus Cristo teria que ser o exemplo vivo de sua religião, o símbolo mais importante da verdadeira igreja.

(2) Que a verdadeira honra dos discípulos de Cristo é se sobressaírem no amor fraternal. Nada será mais efetivo do que isto para recomendá-los à estima e ao respeito dos outros.

Veja que poderoso atrativo é o amor, Atos 2.46,47.

Tertuliano fala disso como a glória da igreja primitiva, que os cristãos fossem conhecidos por seu amor de uns pelos outros. Seus adversários prestaram atenção nisso e disseram: Vejam como esses cristãos amam uns aos outros, Apologia, cap. 39.

(3) Que, se os seguidores de Cristo não se amarem uns aos outros, eles não apenas trarão uma injusta vergonha sobre sua fé, mas darão um motivo justo para suspeitarem de sua própria sinceridade.

Ó Jesus! São esses teus cristãos, essas pessoas agitadas, maliciosas, vingativas e de má índole? O Deus! Seria está a capa de teu Filho? Quando nossos irmãos precisarem da nossa ajuda, e nós tivermos uma chance de ser úteis a eles, quando eles tiverem opiniões e hábitos diferentes dos nossos, ou forem, de alguma maneira, nossos rivais ou nos irritarem, teremos a oportunidade de condescender e perdoar. Em casos como estes, será conhecido se possuímos este sinal dos discípulos de Cristo.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 971-972.

O mandamento é novo pelo seu resultado (13.35).

Jesus ensina que o amor é a apologética final, o argumento decisivo, a evidência mais robusta de que somos seus discípulos. O discípulo é aquele que transforma suas palavras em ações, e seu amor, em serviço sacrificial. Não há maior força evangelística do que a prática desse novo mandamento, o exercício do amor. Bruce Milne diz corretamente que uma comunidade amorosa é a autenticação visível do evangelho. F. F. Bruce, citando Tertuliano, pai da igreja do século 2, ressalta que os pagãos diziam dos cristãos: “Vejam como eles se amam! Como estão prontos a morrer uns pelos outros!”

Werner de Boor acentua essa realidade:

Quando a igreja não vive ela mesma como um povo de irmãos, no qual de fato as pessoas se amam, se suportam, se perdoam, se auxiliam e se corrigem, no qual as coisas acontecem de forma totalmente diferente do que no “mundo”, então sua palavra evangelística fica sem força, sendo permanentemente refutada pela realidade deplorável da igreja. Inversamente, porém, a vida de uma comunhão humana em amor, alegria, paciência, amabilidade, bondade e brandura representa por si mesma uma poderosa evangelização, um testemunho eficaz para dentro do mundo, que em suas aflições anseia por comunhão autêntica. Numa igreja dessas torna-se visível que Jesus é verdadeiramente um Libertador e o que ele é capaz de realizar como Libertador.

John Charles Ryle

Diz que é importante enfatizar que Jesus não está dizendo que os dons espirituais, os milagres, a ortodoxia ou o conhecimento bíblico são as marcas do verdadeiro discípulo. O discípulo de Cristo é conhecido pelo amor. Não faz sentido para as pessoas ouvirem de nós acerca de eleição, regeneração, justificação e conversão se elas não observarem em nós a prática do amor.

Joseph H. Mayfield. Comentário Bíblico Beacon. João. Editora CPAD. Vol. 7. pag. 361-367.

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3. Esta união é uma verdadeira força.

Se alguém quiser prevalecer contra um, os dois lhe resistirão. Em tempos de tribulação e oposição, uma luta entre duas pessoas deixa o resultado na dúvida. Mas, em uma luta onde um só tem de lutar contra dois, a vitória dos dois está assegurada. O “inimigo” pode ser outra pessoa ou qualquer circunstância. O inimigo, pois, sempre poderá ser enfrentado com maior confiança quando dispomos de um amigo. Mas, assim como dois é melhor que um, também três é melhor que dois.

Os três formam uma corda de três dobras, que não pode ser rebentada com facilidade. É melhor contarmos com laços sociais mais amplos; a comunidade inteira é melhor que dois companheiros. Talvez a aplicação primária seja representada pela família, formada por pai, mãe a filho. As três cordas estão bem apertadas uma à outra, e nisso consiste a força da corda de três dobras. Mas, se as dobras forem separadas, então a fraqueza será a palavra do dia. Este versículo tem sido cristianizado para falar sobre o Pai, o Filho e o Espírito Santo, a unidade celestial que é fonte originária de toda a força e benefício.

Mas isso já é uma aplicação fantasiosa deste texto. “Calor, consolo, segurança e proteção fluem da nossa associação com outras pessoas” (0. S. Rankin. In loc.).

HAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2718.

O cordão de três dobras não se quebra tão depressa é um provérbio que sugere que, se é melhor serem dois do que um, é melhor ainda serem três. Para que um homem tenha amigos, ele precisa se mostrar amigável. Aquele que busca fazer “bem na sua vida” (3.12) raramente irá sofrer as dores do isolamento.

A. F. Harper.. Comentário Bíblico Beacon Eclesiastes ou O Pregador. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 442.

O cordão de três dobras talvez seja um lembrete de que o verdadeiro companheirismo tem mais de uma forma. Embora os números, quando erradamente entendidos, possam ser divisivos e desastrosos (veja o versículo 11), na sua forma certa, além de acrescentarem algo aos benefícios da união, também se multiplicam. Um exemplo óbvio deste enriquecimento, e o predileto dos pregadores, é a força de um casamento, ou de qualquer aliança humana, quando Deus é o fio mestre que faz com eles o cordão triplo. Mas talvez o escritor estivesse pensando mais nesta metáfora em termos puramente humanos, de modo que, se aplicada ao casamento, o terceiro fio seria mais apropriadamente os filhos, com tudo o que eles acrescentam á qualidade e à força do laço original. Mesmo assim provavelmente estejamos sendo mais específicos do que ele pretendia que fôssemos.

Kidner. Derek,. A Mensagem de Eclesiastes. Editora ABU. pag. 24-25.

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II – A UNIÃO ENTRE OS JUDEUS ESTAVA AMEAÇADA

1. Qual era a ameaça?

Injustiças sociais entre os judeus.

Neemias não encontrou apenas oposição dos inimigos externos, mas também enfrentou distúrbios internos. Os judeus mais ricos aproveitavam-se da má situação em que seus irmãos mais pobres se encontravam, devido à colheita deficiente, à fome (3) e à necessidade do trabalho no muro. Muitos tinham sido forçados a desistir de suas propriedades para pagar empréstimos, ocasionados em parte pelas suas circunstâncias e pelos pesados impostos do governo persa.

Em alguns casos, as crianças eram escravizadas como pagamento de dívidas: Agora, pois, a nossa carne é como a carne de nossos irmãos, e nossos filhos, como seus filhos; e eis que sujeitamos nossos filhos e nossas filhas para serem servos [ou seja, escravos]… já não estão no poder de nossas mãos; e outros têm as nossas terras e as nossas vinhas (5). Muitos que não tinham terra nem filhos precisavam pagar juros exorbitantes (usura, 7), embora, segundo a lei mosaica, os israelitas não devessem estar sujeitos a juros (Ex 22.25; Dt 23.19,20).

Esses encargos eram particularmente difíceis de suportar, agora que todo o seu tempo era ocupado no trabalho da construção. Consequentemente, houve um grande clamor do povo e de suas mulheres contra os judeus mais ricos, seus irmãos (1). Com nossos filhos e nossas filhas, nós somos muitos, disseram; pelo que tomemos trigo, para que comamos e vivamos (2).

C. E. Demaray. Comentário Bíblico Beacon. Neemias. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 518-519.

A natureza do problema

Neemias identifica seis problemas que atingem a vida do povo:

Primeiro lugar,

Neemias fala sobre a fome (5.1,2). Vemos aqui: 1) Os acusadores: o povo. 2) Os acusados: os irmãos ricos. 3) A acusação: a usura. Há um grande clamor do povo. Eles estão trabalhando no muro, mas a panela está vazia. Suas mulheres estão aflitas. A fome é uma questão urgente, não dá para esperar. O povo não pode continuar investindo na reconstrução do muro de estômago vazio. A fome é um problema que atinge hoje quase 50% da população mundial.

Enquanto uns morrem de fome, outros morrem de comer. Uns esbanjam, outros lutam desesperadamente para sobreviver. Enquanto uns ficam inquietos por causa de coisas supérfluas, outros se desesperam para ter pão dentro de casa. Há muitos homens, mulheres e crianças perambulando envergonhados pelas ruas das grandes cidades, disputando comida com os cães leprentos nos restos apodrecidos das feiras. Há milhões de crianças abandonadas que vivem sem teto, sem dignidade, sem identidade, perdidas nas ruas, com o ventre estufado, estonteadas pela fome perversa, de couro furado pelas costelas em ponta. O problema não é só falta de amor, mas de amor, de solidariedade, de compaixão.

Segundo lugar,

Neemias fala sobre dívidas (5.3). A dívida traz desespero mental, degradação social e ruína familiar. Algumas pessoas já tinham hipotecado suas casas e terras para comprar trigo. Não estavam fazendo negócios de investimento arriscado. Estavam comprando o pão da sobrevivência. Os ricos aproveitaram o momento de crise, de fome, de aperto para fazerem bons e lucrativos negócios. Uma pessoa faminta, premida pela necessidade de sobrevivência, acaba fazendo negócios que só beneficiam os que querem se locupletar.

Os agiotas se enriquecem aproveitando o desespero dos aflitos. Os agiotas não hesitavam em tomar as terras e até mesmo os filhos e as filhas dos pobres infelizes para receberem o seu dinheiro. Essa prática opressora está em desacordo com a lei de Deus (Dt 23.19,20; 24.10-13). Ela também feria o princípio do ano do jubileu (Lv 25.10,14-17,25-27).

Terceiro lugar,

Neemias menciona os impostos (5.4). Além da fome e das dívidas contraídas para terem o pão de cada dia, ainda tinham de pagar pesados tributos à Pérsia. O pouco que tinham precisava ser repartido para manter o luxo e o fausto dos poderosos.

O Brasil tem um dos tributos mais pesados do mundo. Cada quilo de arroz que se compra no mercado é tributado, o pão que chega à nossa mesa é tributado. O que mais agride o pobre é que os impostos que paga não retornam a ele em benefícios. Na verdade, o pobre passa fome para manter o sistema, muitas vezes corrupto. Cada vez que se cria mais impostos, o dinheiro que deveria vir para ajudar os pobres, cai no ralo da corrupção. As ratazanas esfaimadas que circulam pelos corredores do poder, mordem sem piedade, não apenas o naco que pertence ao pobre, mas devoram os próprios pobres, porque estes, sem pão, sem teto, sem esperança, sucumbem impotentes diante de tamanha selvageria. Como sanguessugas, esses gananciosos insaciáveis, se alimentam do sangue do povo.

Quarto lugar,

Neemias trata da questão da pobreza, a perda dos bens (5.5). O resultado desse sistema draconiano é a perda dos bens daqueles que precisam sobreviver. Os pobres perderam suas casas e suas terras e tornaram-se reféns dos poderosos. Eles trabalham, mas não desfrutam. Eles calejam as mãos, mas não usufruem. São vítimas de uma injusta opressão econômica. Neemias percebe que o âmago do problema é a exploração, por isso contende com os nobres e magistrados. Os sacerdotes é que deviam ter feito esse confronto, mas estavam mancomunados com os ricos (6.12,14; 13.4,7-9).

Em quinto lugar, Neemias fala sobre a escravidão, a perda da liberdade (5.5). Além de entregarem suas casas e propriedades, agora entregam também seus filhos e filhas para saldarem dívidas. Os ricos passam a ver pessoas como coisas e compram seres humanos para serem seus escravos. O trabalho escravo é algo que fere o projeto de Deus. E uma injustiça clamorosa. O comércio escravagista é uma das páginas mais sombrias da história humana, um dos sinais mais notórios da maldade que tomou conta do homem movido pela ganância.

Em sexto lugar, Neemias fala sobre a impotência, a perda da esperança (5.5). “Não está em nosso poder evitá-lo…” (5.5). Os poderosos fazem as leis, manobram as leis, torcem as leis e escapam das leis. Eles subornam os sacerdotes e os juízes. Eles são inatingíveis. Os pobres não têm vez nem voz. Estão completamente sem forças e sem esperança. Os oprimidos não veem uma saída.

LOPES. Hernandes Dias. Neemias, O líder que restaurou uma nação. Editora Hagnos. pag. 78-80.

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2. Como se explica esta grande injustiça?

a. Em primeiro lugar era uma expressão de FALTA DE AMOR dos mais ricos para com os mais pobres.

Este versículo lista quatro características de uma pessoa que vive de modo “digno do chamado”. Os crentes formam a igreja, o corpo de Cristo. Desse modo, os crentes, pelo privilégio de sua responsabilidade, devem ficar juntos, servir juntos, e adorar juntos. As seguintes características ajudam a criar e a manter relacionamentos sem problemas entre as pessoas.

As culturas grega e romana consideravam a humildade e a mansidão como traços de fraqueza de caráter, indicando falta de amor próprio. O Antigo Testamento, entretanto, preparou o caminho para que a humildade passasse a ter uma conotação positiva, porque Deus “habita com” os humildes (Is 57-15).

Jesus exaltou a humildade como uma virtude. Cristo esperava que seus seguidores fossem humildes não somente diante de Deus, mas também entre si – servindo uns aos outros, e não se colocando “acima” de ninguém. Cristo é nosso exemplo; desta forma, nós também devemos ser humildes.

Os crentes também devem ser mansos.

A humildade é uma atitude, e a mansidão é a ação que deriva dela. Pessoas mansas não tentam se agarrar a posições de importância ou reivindicar autoridade sobre outros.

Pessoas humildes aceitam a conduta de Deus para com elas sem discutir ou resistir. As pessoas mansas são bem consideradas pelos outros. Se todos em uma igreja tivessem as características da humildade e da mansidão, os conflitos desapareceriam e os membros da igreja teriam força e poder em seu serviço.

A paciência expressa a qualidade de ser capaz de tratar as faltas e as falhas uns dos outros e de recusar-se a se vingar das injustiças. Ninguém jamais será perfeito aqui na terra, de modo que os crentes devem suportar uns aos outros em amor, apesar das suas faltas.

Suportar as faltas dos outros é o lado prático da paciência, enfatizando o desejo de perdoar. Mostrar paciência requer amor, que deve ser o princípio básico para todas as ações do crente, mesmo quando diferenças e conflitos naturais ocorram. Suportar uns aos outros pressupõe que, às vezes, amar aos

outros será um fardo. Os crentes devem estar desejosos de suportar o peso sem esperar recompensa, agradecimento ou retorno.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 334.

«…suportando-vos uns aos outros em amor…»

O «…amor…» é um dos aspectos do fruto do Espírito Santo, comentado em Gál. 5:22, e mais ainda em João 3:16; Rom. 5:8; João 14:21 e 15:10, onde oferecemos poesias ilustrativas a respeito. Trata-se daquela grande «disposição altruísta» que deseja para os outros aquilo que queremos para nós mesmos. E é uma dádiva divina, pois Deus é amor, ao mesmo tempo que todo o verdadeiro amor, que se manifesta em crentes ou incrédulos, na realidade se deriva da influência do Espírito de Deus, que opera universalmente, num ou noutro grau.

A «tolerância mútua», por sua vez, também é produto da presença interior do Espírito Santo, o qual inspira em nós a «longanimidade» e o «amor». Bastariam quase que somente essas duas qualidades para solucionar todas as disputas que há na igreja. Mas a ordem para nos «suportarmos uns aos outros» dá a entender que haverá entre nós «abusos» reais, pelo que também teremos de perdoar ofensas reais e teremos de exercer grande paciência. Portanto, o sofrer os erros cometidos contra nós é algo equiparado com a «paciência», ao mesmo tempo que devemos manter a atitude apropriada de amor por aqueles que provocaram a situação de conflito.

«Isso concorda com o que é ensinado algures, a saber, que o amor ‘…é paciente, é benigno…’ (I Cor. 13:4). Onde o amor se mostra prevalente e forte, haveremos de realizar muitos atos de tolerância mútua». (Calvino, in loc.).

«Liga-te ao teu irmão. Aqueles que estão vinculados pelo amor, suportam todas as cargas com facilidade. Liga-te a ele, e que ele se ligue a ti. Ambas as coisas estão ao teu alcance; pois de quem eu quiser, poderei facilmente tornar meu amigo». (Crisóstomo, in loc., que exibiu excelente discernimento sobre as relações mútuas). Sim, «…de quem eu quiser, poderei facilmente tornar meu amigo». Infelizmente, não procuramos com esforço tornar os outros nossos amigos, mormente quando nos sentimos ofendidos por alguma coisa que fizeram.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 594.

b. A atitude dos ricos era uma expressão de DUREZA CONTRA SEUS IRMÃOS.

Verdadeiramente a opressão faz endoidecer até o sábio. Se um homem sábio for oprimido o bastante, pode ficar irado (King James Version) e passar a agir como um insensato. Isso também pode deixá-lo enlouquecido (Atualizada) e, então, ele começará a fazer coisas não características que mancharão sua reputação.

Por igual modo, um suborno corrompe a mente daquele que o recebe, e ele terminará por fazer coisas que normalmente não faria. Ver Éxo. 23.8: Deu. 16 19 e Pv 15.27. Duas ou três testemunhas podiam condenar um homem inocente ou libertar um culpado, e esse era o número mínimo de testemunhas requeridas pela lei mosaica (ver Deu. 17.6). Por conseguinte, era fácil influenciar o resultado de um caso ou mesmo criar um caso falso mediante um suborno bem colocado, Além disso, havia juízes corruptos, disponíveis para fornecer decisões perversas. Por certo, esses juizes danam boas-vindas a um suborno para se enriquecerem.

HAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2427.

Não permita que o seu julgamento seja distorcido por circunstâncias irrelevantes (7.7). Um homem pode tomar decisões erradas e falar coisas erradas por pressões emocionais. A respeito dos filhos de Israel lemos o seguinte: “Indignaram-no também junto às águas da contenda, de sorte que sucedeu mal a Moisés, por causa deles” (SI 106.32-33). Somos advertidos que a opressão “e a extorsão faz do sábio um tolo, e o suborno destrói o entendimento e o julgamento” (AT Amplificado).

A. F. Harper.. Comentário Bíblico Beacon Eclesiastes ou O Pregador. Editora CPAD. Vol. 3. pag. 449.

No versículo 7 podemos reconhecer a essência de uma lei que, nos tempos modernos, Lord Acton formulou da seguinte maneira: “Todo poder tende a corromper…”. É interessante que a exortação implícita aqui é para com o auto respeito, pois ninguém gosta de se fazer de tolo, o que o funcionário cruel ou corrupto faz por definição, uma vez que age sem referência aos méritos de um caso. Sua mente foi adulterada: em vez de servir à verdade, transformou-se em ferramenta da avareza e da malevolência.

Kidner. Derek,. A Mensagem de Eclesiastes. Editora ABU. pag. 32.

8 Lição 3 Tri 20 – As Causas da Desunião devem ser Eliminadas

III – NEEMIAS SOLUCIONOU O PROBLEMA

1. Neemias convocou um grande ajuntamento (Ne 5.8).

Disse-lhes: Nós resgatamos os judeus, nossos Irmãos. De um cativeiro para outro; de uma escravidão para outra. Os babilônios tinham submetido os judeus a um cativeiro. Isso fora uma espécie de escravidão. Os decretos de Ciro e Artaxerxes os haviam livrado. Com alegria, os judeus retomaram a Jerusalém. Tanto Zorobabel quanto Esdras tinham sido lideres capazes.

Os judeus retomaram a Israel em várias ondas de Imigração’. Eles reedificaram o templo, e depois as muralhas de Jerusalém. Mas vieram tempos mais difíceis, e judeus ricos puseram os judeus pobres de volta no cativeiro, um cativeiro econômico, outra forma de escravidão! Foi esse incrível acontecimento que inspirou a diatribe de Neemias contra os nobres e os principais homens da nação, conforme vemos nos vss. 8-11.

Os judeus escravizados por judeus supostamente seriam liberados no ano do jubileu (ver Lev. 25.10,13,39-41). Mas os que fossem escravizados por pagãos tinham de ser remidos. Neemias, pois, indicou que os judeus ricos estavam agindo como pagãos, e requereu que os judeus mais pobres fossem redimidos de suas dívidas. Ver Lev. 25.47-49. Mas quem poderia pagar o preço? A melancólica alternativa era simplesmente continuar sendo escravo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1790.

Um grande lider

A exemplificação (5.8,10). Neemias não é um líder que apenas tem coragem, ele tem vida. Ele não apenas fala, ele dá exemplo. Neemias não sobe no palanque para blasonar elogios a si mesmo estando comprometido com os mesmos crimes que denuncia. Ele não é hipócrita. Neemias não ocupa a liderança para tirar vantagem. Ele é um homem que ama o povo e não o dinheiro. Neemias resgatou judeus escravos dos estrangeiros (5.8) Agora os líderes do povo estão fazendo essas pessoas escravas novamente. Ele não apenas socorreu os necessitados, mas perdoou-lhes a dívida, visto que não puderam pagar a ele (5.10). O maior líder de todos os tempos, Jesus de Nazaré, disse que para você liderar precisa servir.

Gandhi

Tinha menos de 1,60m de altura e pesava cerca de cinquenta quilos. Viveu na índia, um país oprimido pelo Império Britânico. Ele dedicou sua vida à causa da libertação do seu país do domínio britânico sem recorrer à violência. Sacrificou-se pela liberdade do seu país até que o mundo tomou conhecimento de sua bandeira. Finalmente, em 1947, não apenas o Império Britânico deu a independência à índia como recebeu Gandhi em Londres, com uma parada digna de um herói. Ele fez tudo sem usar armas e a violência. Usou a influência do serviço em vez do poder da violência.

Martin Luther King

Abraçou a causa dos direitos civis no princípio dos anos 60 nos Estados Unidos. Com sua atitude abnegada e sem usar a violência, chamou a atenção da nação para as injustiças que os negros suportavam. O caminho de Luther King foi crivado de espinhos. Sofreu muitas ameaças de morte, sua família foi também ameaçada, sua casa e sua igreja foram bombardeadas. Ele foi preso e finalmente tombou como mártir, mas saiu vitorioso em sua causa. Foi o homem mais jovem a ganhar o Prêmio Nobel da Paz. A legislação mais abrangente sobre direitos civis jamais promulgada – O Decreto dos Direitos Civis de 1964 — tornou-se lei e ainda vigora. A autoridade fundamentada no exemplo é mais importante do que o poder.

James Hunter

Distingue corretamente o poder de autoridade. Ele diz que poder é a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo se a pessoa preferir não o fazer, enquanto, autoridade é a habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal. O mesmo autor diz que o poder pode ser vendido e comprado, dado e tomado.

As pessoas podem ser colocadas em cargos de poder porque são parentes ou amigas de alguém, porque herdaram dinheiro ou poder. Isto nunca acontece com a autoridade. A autoridade não pode ser comprada nem vendida, nem dada nem tomada. A autoridade diz quem você é como pessoa, como é seu caráter e como é a influência que exerce sobre as pessoas.

LOPES. Hernandes Dias. Neemias, O líder que restaurou uma nação. Editora Hagnos. pag. 83-85.

8 Lição 3 Tri 20 – As Causas da Desunião devem ser Eliminadas

2. Neemias fez uma proposta conciliadora.

Neemias libertara diversos judeus da escravidão e emprestara seu dinheiro sem cobrar juros. Deixemos este ganho. Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras, as suas vinhas, os seus olivais e as suas casas, como também os juros que vós exigis deles (10,11). O centésimo do dinheiro (11) corresponde a juros mensais de 1%, consequentemente 12% ao ano.

C. E. Demaray. Comentário Bíblico Beacon. Neemias. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 519.

Também eu, meus irmãos e meus moços.

Neemias estava ajudando os pobres e dando bom exemplo. Estava emprestando dinheiro e alimentos aos pobres, mas sem cobrar juros. A palavra “irmãos”, usada neste versículo, pode indicar seus parentes de sangue, ou seus irmãos no yahwismo. Neemias parece aqui infeliz consigo mesmo, por estar “emprestando” coisas a seus irmãos, quando, na realidade, deveria está-las dando. Por conseguinte, ele se incluiu no pecado que estava sendo cometido, embora ele não pudesse ser culpado de cobrar juros. Em tempos de tensão e necessidade, os bons dão, e não emprestam. Nenhum homem bom emprestaria algo a seu irmão, para em seguida demandar de volta tanto o capital como o lucro. O homem generoso não emprestaria esperando paga. Antes, daria.

Restituí-lhes hoje, vos peço, as suas terras… Restauração.

Isto posto, longe de cobrar juros, os homens espirituais restaurariam tudo quanto haviam tomado de outros, todos os objetos valiosos, terras e dinheiro, vinhedos, olivais e todos os modos de sustento. Todas as casas confiscadas por práticas gananciosas também deveriam ser devolvidas.

Os pomares de oliveiras deveriam ser restaurados tanto quanto o vinho e o azeite, principais produtos do comércio que um negociante acumularia para serem vendidos no futuro. Tais produtos também deveriam ser devolvidos. Cf. Deu. 6.11.

Além disso, havia dinheiro envolvido nos negócios. E, com o dinheiro, produtos valiosos como o vinho, o trigo e o azeite, coisas que os pobres vendiam para viver. Este versículo parece dar a entender que a centésima parte das coisas que tinham sido confiscadas deveria ser devolvida.

Mas o que deve estar entendido (embora não seja dito claramente) é que tais coisas deveriam ser devolvidas, mais 1%, dando assim aos pobres mais do que lhes fora tirado. Mas alguns intérpretes sugerem que 1% ao mês estava sendo cobrado, ou seja, 12% ao ano. Isso aumentava demais as dívidas contraídas por empréstimo. Mas estudos sobre as questões persas demonstram que até 12% ao ano era uma baixa cobrança de juros no império persa. Vinte por cento ao ano era mais comum e, algumas vezes, até mais do que isso. Estariam os juros ricos cobrando taxas de juros inferiores ao que era comum no império persa? Não é muito provável,

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1791.

8 Lição 3 Tri 20 – As Causas da Desunião devem ser Eliminadas

3. A proposta de Neemias foi acatada.

As palavras de Neemias, nesta ocasião, pareciam levar consigo a própria autoridade de Deus, pois receberam uma pronta resposta por parte dos judeus nobres. Restituiremos, disseram, e nada procuraremos deles; faremos assim como dizes (12). O meu regaço sacudi (13) é um gesto simbólico de repúdio e desdém. A palavra regaço seria o manto externo normalmente usado.

C. E. Demaray. Comentário Bíblico Beacon. Neemias. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 519.

Então responderam: Restituir-lhes-emos, e nada lhes pediremos. Os dirigentes e os nobres concordaram em fazer devolução e cessar em seus atos de ganância. Neemias requereu deles um juramento de confirmação, e assim chamou os sacerdotes para colocarem a autoridade de Yahweh por trás da promessa feita. Ver no Dicionário o artigo chamado Juramentos. Assim sendo, pelo menos “no papel” foi conseguido um bom acordo. Como as coisas realmente aconteceram na prática, já é outra coisa. Não é fácil curar um coração ganancioso.

Seja como for, a promessa e o juramento foram proferidos na grande assembleia, pelo que ali havia muitas testemunhas. Isso faria o acordo tomar ares de grande seriedade. Cf. Núm. 5.21 ss. Os juramentos, na antiguidade, eram usualmente acompanhados por uma declaração das penas que haveria para aqueles que quebrassem o juramento. O perjúrio era considerado um crime grave contra

Deus, cujo nome teria sido assim usado em vão (Sal. 15.4; Eze. 17.13.16,18,19). Os que perjurassem seriam privados de suas residências e de seu meio de vida (cf. Esd. 7.26; 10.8). Visto que a maioria dos nobres não se compunha de “trabalhadores* e, portanto, não podiam ser privada de seus empregos (como uma possível penalidade), provavelmente a pena atingiria suas propriedades.

13 deste capitulo, assim sendo, mostra que Neemias dramatizou perante o povo as penas que seriam impostas. As testemunhas estariam presentes para registrar as queixas, se o acordo não fosse observado.

Amém! “Assim seja!” foi o eco de toda a congregação. Neemias tinha falado bem; todos tinham concordado; a congregação inteira selou a questão com um solene amém. Naquele dia, pelo menos, Judá mostrou-se una contra a ganância e a exploração.

“Sabendo que falar é barato e que é fácil dizer coisas na pressão do momento, sob pressão pública, Neemias fez os líderes culpados (nobres e oficiais, vs. 7) tomar um juramento de confirmação” (John A. Martin, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1791.

8 Lição 3 Tri 20 – As Causas da Desunião devem ser Eliminadas

IV – A PAZ VOLTOU A REINAR ENTRE OS JUDEUS

1. Surgindo um problema entre os irmãos, deve logo ser tratado com muita diligência.

Seja sobre nós a graça do Senhor nosso Deus. A King James Version diz aqui, em vez de graça, “beleza”, e a Revised Standard Version prefere “favor”. O termo hebraico por trás da palavra “graça” tem ambos os sentidos. O que está em foco é seu rico trato com os homens, o que se torna ainda mais específico mediante o uso das palavras “as obras de nossas mãos”.

Se o Salmo 90 está historicamente baseado na volta de Israel do cativeiro babilônico, então essas obras significam o que foi feito para restaurar a nação de Israel por intermédio da tribo de Judá; a reconstrução do país, bem como do templo e seu culto e, naturalmente, todo tipo de projetos pessoais, familiares, do clã, quando o povo de Israel recuperou o que havia sido destruído.

A vida tribal seria reativada; as vidas pessoais receberiam novo significado. Note o leitor a repetição retórica das palavras “as obras de nossas mãos”, para efeito de ênfase, e elas não devem ser apagadas como redundantes. “… confere-nos sucesso em tudo quanto fizermos em nossos interesses temporais e espirituais. Cf. Deu. 24.19” (Fausset, in loc.).

A Grande Aplicação. Qualquer indivíduo espiritual é capaz de sentir o que este versículo tenta ensinar. Todos nós temos obras e projetos que estão perto de nosso coração. Todos recebemos nossas respectivas missões e também unções especiais para realizá-las. Mas sabemos que todo esforço humano é vão, se Deus não edificar a nossa casa: Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2341.

Devido ao fato de os nossos dias estarem contados, queremos que o trabalho que desenvolvemos seja importante, efetivo e produtivo. Desejamos ver o plano eterno de Deus revelado agora e que as nossas atividades profissionais reflitam-no. Se nos sentimos insatisfeitos com esta vida e todas as suas imperfeições, devemos lembrar que a vontade de ver o nosso trabalho confirmado é dada por Deus e que o nosso desejo só poderá ser totalmente satisfeito na eternidade. Até então devemos amar e servir a Deus.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 797.

8 Lição 3 Tri 20 – As Causas da Desunião devem ser Eliminadas

2. Problemas relacionais devem ser tratados carinhosamente.

a. A desunião representa uma obra da carne (Gl 5.19,20).

Inimizades (20, excelente tradução de echthrai) era atitude de vida aceita e aprovada nos dias do apóstolo. Com inimizade franca entre grupos raciais e culturais (e.g., gregos versus bárbaros, judeus versus gentios), não é de admirar que estas atitudes caracterizassem as relações entre as pessoas. Tudo isto é contrário a moral cristã, e Paulo determina sua verdadeira origem. “A mente da carne é inimizade contra Deus” (Rm 8.7, lit.), e naturalmente resulta em inimizade contra os homens. Essas inimizades produzem porfias ou desinteligências (eris; “brigas”, CH, NTLH). Inimizade (echthra) é a atitude mental para com as pessoas; e briga (eris) é o resultado na vida real desse estado mental.

Inimizades e brigas têm uma inter-relação crucial que trabalha em ambas as direções. Inimizades resultam em “brigas”, e “brigas” causam inimizades. Paulo deixa claro que “brigas”, atitude tão característica no mundo pagão (cf. Rm 1.29), estavam diametralmente opostas à unidade que Deus planejou para a comunhão cristã. Por isso, condenou com veemência seu aparecimento na igreja.41 Este tópico foi tão importante que mais três termos são usados para tratar da mesma questão fundamental de elementos divisores no corpo de Cristo.

R. E. Howard. Comentário Bíblico Beacon. Galatas Editora CPAD. Vol. 9. pag. 71.

«…inimizades…», no grego, «echthrai», ou seja, «ódios», «inimizades», uma palavra usada no plural, indicando muitas modalidades de ódios, contra Deus e contra os homens. Essa emoção é o oposto exato do amor, pois, ao invés de buscar o benefício e o bem-estar do próximo, busca prejudicá-lo, almejando a sua destruição; e assim fica exibido um caráter profano, visto que Deus é amor. As inimizades geram as hostilidades de todas as formas.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 507.

Inimizades, porfias… invejas: as oito obras da carne que se seguem formam um grupo completo que pode ser considerado uma descrição dos males sociais. Alguns (e.g. Lightfoot) veem uma escala ascendente de intensidade depois do termo geral “inimizades” que começa a lista. Mas, este é provavelmente um caso de atribuir excessivo significado à disposição da lista. Paulo é sem dúvida levado de um pensamento para outro na categoria geral da inimizade, que fica em primeiro lugar. Quatro palavras descrevem as rixas: as duas primeiras, e depois, as “dissensões” e as “facções”.

As “inimizades” referem-se à hostilidade em geral, as “porfias” são mais abertas, e ressaltam a ideia da altercação, “dissensões” (a palavra dichostasia significa “colocar-se à parte”) que chama atenção à formação de grupos separatistas hostis, ao passo que “facções” (ou “espírito partidário”), que se origina da mesma palavra que “heresia” (hairesisj, refere-se ao desenvolvimento de várias opiniões conflitantes. A impressão geral criada por estas palavras é de caos.

DONALD GUTHRIE .Comentário Bíblico Cultura Cristã. Galatas. Editora Vida Nova. pag. 176.

b. A desunião destrói a comunhão e o amor entre os irmãos, coisa tão preciosa na Igreja. “Andai em amor como também Cristo vos amou” (Ef 5.2).

Uma vez mais, João provavelmente estava citando os elitistas espirituais que se orgulhavam frequentemente do seu relacionamento com Deus. Esta afirmação orgulhosa: “Eu amo a Deus” pode ser testada pelo amor da pessoa pela comunidade de Deus. Se esta pessoa odeia ao seu irmão, o seu amor por Deus deve ser questionado. Este foi o caso de Diótrefes, que se recusou a participar da comunhão com João e seus cooperadores (veja 3 Jo 9,10).

Na verdade, João diz que esta pessoa é mentirosa. João explica, com muita lógica, que quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? Se um crente não ama aos seus irmãos e irmãs cristãos, que são os representantes visíveis de Deus, como é possível que este crente ame ao Deus invisível? É fácil afirmar que se ama a Deus quando este amor não envolve nada além do comparecimento semanal aos cultos.

Mas o verdadeiro teste do amor de uma pessoa por Deus é como ela trata a pessoa que está à sua frente – os membros da família e os irmãos na fé.

As pessoas não podem amar verdadeiramente a Deus enquanto se negarem a amar os seus irmãos cristãos também.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. Vol. 2. pag. 787.

O amor a Deus e aos irmãos não pode ser desconectado

(4.21). “Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão.” O mandamento do amor provém do próprio Deus. O amor a Deus e ao irmão é um único mandamento. Este mandamento não pode ser desdobrado nem dividido. E impossível deixar de amar o irmão e ainda assim continuar amando a Deus. As duas tábuas da lei são a única e a mesma lei. Nosso amor a Deus deve ser provado pelo nosso amor aos irmãos.

LOPES. Hernandes Dias. 1, 2, 3 JOÃO Como ter garantia da salvação. Editora Hagnos. pag. 203.

c. Finalmente devemos cultivar nosso testemunho diante do mundo. A união entre os crentes é o selo da estabilidade espiritual e da paz na Igreja (Jo 17.4).

“Agora, glorifica-me tu, ó Pai”.

E nisto que Ele confia, e não pode ser-lhe negado.

Em primeiro lugar, veja aqui o que Ele pedia na oração:

“Glorifica-me”, como antes, v. 1. Nenhuma das repetições nas orações devem ser consideradas como repetições inúteis. Cristo orava dizendo as mesmas palavras (Mt 26.44), e mesmo assim orava fervorosamente.

Ele devia pedir mesmo por aquilo que seu Pai lhe tinha prometido, e assegurado, orando. As promessas não se destinam a substituir as orações, mas a guiar nossos desejos e fundamentar nossas esperanças. A glorificação de Cristo inclui todas as honras, os poderes e as alegrias do seu estado exaltado. Veja como esta glorificação está descrita.

1. E uma glória com Deus. Não somente: “Glorifica meu nome na terra”, mas: “Glorifica-me junto de ti mesmo”. Estar com seu Pai era o paraíso, era o céu, como em Provérbios 8.30; Daniel 7.13; Hebreus 8.1.

Observe que as mais brilhantes glórias do Redentor exaltado seriam exibidas dentro do véu, onde o Pai manifesta sua glória. Os louvores do mundo superior são oferecidos àquele que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro, em conjunto (Ap 5.13), e as orações do mundo inferior atraem a graça e a paz de Deus, nosso Pai, e nosso Senhor Jesus Cristo, em conjunto. E desta maneira, o Pai o glorificou junto de si mesmo.

2. E a glória que Ele tinha com Deus antes que o mundo existisse. Com isto, fica evidente:

(1) Que Jesus Cristo, como Deus, tinha sua existência antes que o mundo existisse, uma existência eterna com o Pai. O Evangelho nos familiariza com aquele que existia antes de todas as coisas, e por quem todas as coisas existem.

(2) Que sua glória com o Pai é desde a eternidade, assim como sua existência com o Pai, pois Ele era, desde a eternidade, o resplendor da glória de seu Pai, Hebreus 1.3. Como Deus, ao criar o mundo, somente declarou sua glória, mas não acrescentou nada a ela, assim Cristo empreendeu a obra da redenção, não porque precisasse de glória, pois tinha uma glória com o Pai antes que o mundo existisse, mas porque nós precisávamos de glória.

(3) Que Jesus Cristo, no seu estado de humilhação, se despiu de sua glória, e a escondeu com um véu. Embora ainda fosse Deus, Ele era Deus manifestado na carne, não na sua glória. Ele abandonou esta glória por algum tempo, como uma obrigação que Ele iria cumprir através da sua missão, de acordo com a indicação do seu Pai.

(4) Que, no seu estado exaltado, Ele retomou esta glória, e se revestiu outra vez com suas vestes anteriores de luz. Tendo cumprido sua missão, Ele reposcere pignus – retoma sua garantia com este pedido: “Glorifica-me tu”. Ele ora para que sua natureza humana possa progredir até a mais elevada honra possível, tendo seu corpo transformado em um corpo glorioso, e para que a glória da divindade pudesse agora se manifestar na pessoa do Mediador, do Emanuel, do Deus-homem. Ele não ora para ser glorificado com os príncipes e nobres da terra.

Não, Ele, que conhecia os dois mundos, e que podia escolher em qual desejaria ter sua promoção, escolheu a glória do outro mundo, por exceder, e muito, toda a glória deste. Ele tinha desprezado os reinos deste mundo e sua glória, quando Satanás os ofereceu, e por isto podia, mais corajosamente, reivindicar as glórias do outro mundo. Que o mesmo espírito esteja em nós. “Senhor, dê as glórias deste mundo a quem desejar dá-las, mas permita-me ter minha quota de glória no mundo que há de vir. Não importa que eu seja difamado com os homens, mas Pai, glorifique-me junto de si mesmo”.

Em segundo lugar, veja aqui o que Ele alegou: Eu “glorifiquei-te”, e agora, em consideração a isto, “glorifica-me tu”. Pois:

1. Havia uma justiça e uma admirável conveniência no fato de que, se Deus era glorificado nele, devia glorificá-lo em si mesmo, como Ele tinha observado, cap. 13.32. Havia um valor tão infinito no que Cristo fez para glorificar ao seu Pai, que Ele, com justiça, merecia todas as glórias do seu estado exaltado. Se o Pai tinha um acréscimo na sua glória, através da humilhação do Filho, era adequado que o Filho não sofresse, como consequência, alguma perda na sua glória.

2. Estava de acordo com o concerto que havia entre eles, que, se o Filho fizesse da sua alma uma oferta pelo pecado, Ele deveria dividir os despojos com os poderosos (Is 53.10,12), e o reino seria seu. E isto Ele visava, e nisto confiava, em meio aos seus sofrimentos. Foi pelo gozo que lhe estava proposto que Ele suportou a cruz, e agora, no seu estado exaltado, o Senhor Jesus ainda espera a finalização da sua exaltação, porque Ele aperfeiçoou sua missão, Hebreus 10.13.

3. Esta era a evidência mais adequada da aceitação e da aprovação do Pai à obra que Ele tinha concluído. Pela glorificação de Cristo, nós nos satisfazemos porque Deus está satisfeito, e com isto foi dada uma verdadeira demonstração de que o Pai se comprazia nele, como seu Filho amado.

4. Assim devemos aprender que aqueles, e somente aqueles, que glorificam a Deus na terra, e perseveram na obra que Deus lhes deu para fazer, serão glorificados com o Pai quando não mais estiverem neste mundo. Não que possamos merecer a glória, como Cristo mereceu, mas o fato de glorificarmos a Deus é necessário como uma evidência do nosso interesse em Cristo, por meio de quem a vida eterna é o dom gratuito de Deus.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 1015-1016.

Consumação da salvação (17.4).

A salvação é uma obra consumada. não é um caminho que abrimos da terra para o céu, mas o caminho que Deus abriu do céu para a terra. A salvação foi uma obra que o Pai confiou ao Filho, e ele veio e a terminou. Temos a salvação pela completa obediência de Jesus e pelo seu sacrifício vicário. Na cruz ele bradou: Está consumado! Não resta mais nada a fazer. Ele já fez tudo. Essa expressão significa três coisas:

1) Quando um pai dava uma missão ao filho e este a cumpria, dizia para o pai: Tetélestai.

2) Quando se pagava uma nota promissória, batia-se o carimbo: Tetélestai.

3) Quando se recebia a escritura de um terreno, escrevia-se: Tetélestai.

Joseph H. Mayfield. Comentário Bíblico Beacon. João. Editora CPAD. Vol. 7. pag. 422.

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