8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

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Texto Áureo

“E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.” (Jó 11.18)

Verdade Prática

Segundo as Escrituras, até mesmo o justo passa por tribulação.

OBJETIVO GERAL

Mostrar que Zofar, assim como seus amigos, defende que os ímpios sempre serão punidos e os justos recompensados.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Abaixo, os objetivos específicos referem-se ao que o professor deve atingirem cada tópico. Por exemplo, o objetivo I refere-se ao tópico I com os seus respectivos subtópicos.

Destacar no entendimento de Zofar que o sofrimento de Jó fazia parte deum sábio julgamento divino;

Explicitar que a conversão defendida por Zofar era de natureza legalista;

Esclarecer que a teologia de Zofar limita a soberania Deus na sua capacidade de julgar.

LEITURA DIÁRIA

Segunda – Jó 11.4 – É possível auto justificar-se diante de Deus?

Terça – Jó 11.5,6 Quem pode conhecer a verdadeira sabedoria de Deus?

Quarta – Jó 11.7,8 Quem pode desvendar o mistério de Deus?

Quinta – Jó 11.9,10 Quem poderá impedir os planos de Deus?

Sexta – Jó 20.4,5 O júbilo dos ímpios é breve e a alegria dos maus é momentânea?

Sábado – Jó 20.6,7 O ímpio, porventura, desaparecerá?

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Jó 11.1-10; 20.1-10

Jó 11:1-10


1 Então respondeu Zofar, o naamatita, e disse:


2 Porventura não se dará resposta à multidão de palavras? E o homemfalador será justificado?


3 Às tuas mentiras se hão de calar os homens? E zombarás tu sem queninguém te envergonhe?


4 Pois dizes: A minha doutrina é pura, e limpo sou aos teus olhos.


5 Mas na verdade, quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábioscontra ti!


6 E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice emeficácia; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tuainiquidade.


7 Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição doTodo-Poderoso?

8 Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? É mais profunda do que o inferno, que poderás tu saber?

9 Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar.

10 Se ele passar, aprisionar, ou chamar a juízo, quem o impedirá?

Jó 20:1-10

1 Então respondeu Zofar, o naamatita, e disse:

2 Visto que os meus pensamentos me fazem responder, eu me apresso.

3 Eu ouvi a repreensão, que me envergonha, mas o espírito do meu entendimento responderá por mim.

4 Porventura não sabes tu que desde a antiguidade, desde que o homem foi posto sobre a terra,

5 O júbilo dos ímpios é breve, e a alegria dos hipócritas momentânea?

6 Ainda que a sua altivez suba até ao céu, e a sua cabeça chegue até às nuvens.

7 Como o seu próprio esterco, perecerá para sempre; e os que o viam dirão: Onde está?

8 Como um sonho voará, e não será achado, e será afugentado como uma visão da noite.

9 O olho, que já o viu, jamais o verá, nem o seu lugar o verá mais.

10 Os seus filhos procuraram agradar aos pobres, e as suas mãos restituíram os seus bens.

HINOS SUGERIDOS:

524, 539, 562 da Harpa Cristã

INTERAGINDO COM O PROFESSOR

Nesta lição estudaremos o discurso do terceiro amigo de Jó, Zofar. A tese que este último defende é a de que o justo não passa por tribulação. Ou seja, para ele, se houver tribulação é porque não há justiça na vida da vítima. Essa teologia já esteve muito presente em nosso país.

A ideia deque o sofrimento, as tribulações da vida e outros dilemas humanos não são para o cristão, não é de todo nova. Entretanto, as Escrituras nos mostram claramente que quem está em Cristo, não significa que tenha ausência de problemas e provações, mas que há uma grande diferença na forma de passar por eles: uma firme convicção de que Cristo passa junto.

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INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos o discurso de Zofar, o último amigo de Jó a falar na série de debates (Jó 11; 20). Ele insistirá na tese de que o justo não passa por tribulação, à semelhança do que pensavam seus amigos Elifaz e Bildade.

Todavia, Zofar é mais duro e impiedoso na acusação contra Jó. Ao contrário de seus amigos, ele faz dois discursos suficientes para derramar seu ressentimento contra o Patriarca. Ele o acusa de se levantar contra sabedoria divina e aconselha Jó a voltar-se para Deus.

Comentário

ZOFAR – o terceiro dos “amigos” de Jó. E chamado naamatita (Jó 2.11; 11.1; 20.1; 42.9), indicando que era de Naamá, do norte da Arábia. Os dois discursos de Zofar encontram-se em Jó 11.1-20 e 20.1-29. Zofar acusou Jó de perversidade e hipocrisia, admoestou-o a arrepender-se de sua rebeldia e disse que Deus punia Jó menos do que seus pecados mereciam (Jó 11.6).

Ronald F. Youngblood ; co-editores F. F. Bruce & R. K. Harrison. Dicionário ilustrado da Bíblia. Editora: Vida Nova. pag. 1472.

ZOFAR

No hebraico, «peludo», «áspero». Um dos três amigos molestos de Jó. Ele é chamado de «naamatita», o que pode significar que ele era natural de Edom. Outros estudiosos pensam que o seu nome deriva-se de uma raiz que significa «saltar», «pular». Na Septuaginta, Sophár. Seu nome ocorre por quatro vezes no livro de Jó: 2:11; 11:1; 20:1, e 42:9.

Zofar foi um dos três homens que vieram tentar consolar Jó, no período de humilhação e provação deste. Na verdade, porém, acabaram-no acusando injustamente, com base na antiga teoria de que os ímpios padecem nesta vida terrena como justa retribuição pelas maldades praticadas Se Jó estava padecendo, para eles isso era prova da injustiça dele.

Zofar era da tribo de Naamá. O nome «Naamá», na Bíblia, ocorre em Jos. 15:41, como uma das cidades que couberam por herança à tribo de Judá. Mas, visto que muitos creem que Jó viveu antes mesmo de Abraão, não podemos pensar que Zofar fosse de Judá. Além disso, observando que todos os outros amigos de Jó vieram de lugares de fora da Palestina, muitos estudiosos não aceitam que Zofar fosse dessa cidade de Naamá, que acabou fazendo pane da herança da tribo de Judá, após a conquista da Terra Prometida, mas antes, postulam alguma outra Naamá qualquer, embora desconhecida. E há também aqueles que pensam que havia uma Naamá em Edom, e que Zofar era natural dessa cidade.

Zofar falou apenas por duas vezes, nas argumentações entre aqueles homens, em cujo grupo também precisamos acrescentar Eliú (vide), que só falou depois que todos já haviam esgotado os seus argumentos. Essas duas vezes em que Zofar se manifestou aparecem em Jó 11:1-20 e 20:1-29. E, com o silêncio de Zofar, na terceira vez de argumentos, o autor sagrado parece ter dado a entender que os argumentos dos molestos amigos do Jó estavam exauridos, e eles nada mais tinham para dizer.

Zofar foi o mais impetuoso e dogmático dos três amigos de Jó. Ele acusou Jó de dizer palavras vazias, sem nexo: «Porventura não se dará resposta a esse palavrório? Acaso tem razão o tagarela? Será o caso de as tuas parolas fazerem calar os homens? E zombaras tu sem que ninguém o envergonhe?» (Jó 11:2,3). E, em sua segunda carga, Zofar acusou Jó apenas de estar sofrendo o que suas más ações, embora talvez secretas, mereciam: «Porventura não sabes tu que desde todos os tempos, desde que o homem foi posto sobre a terra, o júbilo dos perversos é breve, e a alegria dos ímpios, momentânea?… Tal é, da parle de Deus. a sorte do homem perverso, tal a herança decretada por Deus (Jó 20:4 5,29).

Zofar atirou-se dessa forma contra Jó, porque o julgava um presunçoso, ao manter a sua integridade, quando, segundo todas as aparências, estava sofrendo o justo castigo divino. As palavras de Zofar, pois, refletem o exagero nas palavras, um exagero próprio de quem está indignado. Mas, apesar desse ataque tão severo, à semelhança dos outros dois amigos de Jó, ele prometeu paz e restauração a Jó, sob a condição deste penitenciar-se e desfazer-se de suas iniquidades: «Se dispuseres o teu coração, e estenderes as tuas mãos para Deus; se lançares para longe a iniquidade de tua mão, e não permitires habitar na tua tenda a injustiça; então levantarás o teu rosto sem mácula, estarás seguro, e não temerás. Pois te esquecerás dos teus sofrimentos…»(Jó. 11:13-16).

Por causa dessa sua atitude, na opinião de alguns teólogos, Zofar desempenhou o papel do teólogo iracundo, que só vê erros e injustiças em seu redor. Para Zofar, os sofrimentos de Jó ainda eram poucos em face de sua teimosia em negar sua maldade! No entanto, o juízo divino era inteiramente outro. E a apreciação feita pelos três amigos de Jó (Eliú excluído) foi condenada pelo Senhor: «Tendo o Senhor falado estas palavras a Jó, disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó» (Jó 42:7). E foi somente mediante a oração intercessória de Jó, em favor de Elifaz, Bildade e Zofar, que a ira do Senhor desviou-se deles.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 5499-5500.

PONTO CENTRAL:

O justo passa por tribulação.

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I – DEUS SE MOSTRA SÁBIO QUANDO AFLIGE OPECADOR

1. Deus grande e sábio.

Zofar defende que o sofrimento de Jó fazia parte de um sábio julgamento divino, pois, para ele, Deus demonstra grande sabedoria em reprimir os maus. Por outro lado, os bons jamais passam por tribulação. Para Zofar, se alguém deve algo tem de pagar. Com dureza, o terceiro amigo de Jó não demonstra a mínima compaixão pelo sofrimento do patriarca de Uz ao acusá-lo de que se comporta como um animal irracional, um jumento que não tem entendimento (11.12) ao não percebera sabedoria divina na condução das coisas. Para Zofar, Jó valeu-se na sua defesa de palavras exageradas (11.2), desrespeitosas (11.3), cheias de justiça própria (11.4) e ignorantes sobre as coisas de Deus (11.5,6).

Comentário

E te revelasse os segredos da sabedoria. Se Deus aparecesse a Jó, exibiria Sua famosa sabedoria, bem como Seus segredos, que estão ocultos aos homens. Ele exibiria sua compreensão divina. Como resultado, os sofrimentos de Jó, por maiores que fossem, seriam demonstrados como menores do que ele merecia. Zofar, assim sendo, solucionou o problema do sofrimento humano mediante um grande princípio dogmático: onde houver sofrimento, aí haverá a colheita do que um homem semeou, que é a operação da lei do carma.

Mas nada havia na teologia de Zofar que explicasse como o homem inocente pode sofrer. Havia aquela grande verdade que ele ignorava, em razão de seu dogma rígido: Jó era um inocente e, no entanto, sofria. Na teologia de Zofar não havia enigmas nem mistérios. Ele havia sistematizado uma teologia sem problemas nem deficiências, ou, pelo menos, era isso o que ele pensava. As teologias sistemáticas serão sempre deficientes, pois quem pode sistematizar a verdade infinita?

As teologias sistemáticas são forçadas a distorcer algumas verdades e omitir outras, a fim de obter um sistema perfeito. Caros leitores, a verdade é mais importante do que tais sistemas e o consolo mental que eles nos oferecem. Zofar tinha poderes intelectuais que usava mal. Faltava-lhe a simpatia ocasional que Bildade havia demonstrado, e certamente ele rejeitava a abordagem cortês de Elifaz. Mas os três incorriam no mesmo equívoco: o carma explicaria tudo.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1912.

Uma palavra da parte de Deus é necessária, porque somente a Sua sabedoria abundante (esta palavra rara é traduzida “projetos” em 5.12) pode revelar os segredos da sabedoria. Infelizmente, as muitas tentativas dos estudiosos para aliviarem a dificuldade da palavra traduzida multiforme (mais literalmente “dupla,” que talvez signifique os dois níveis do significado da dissertação proverbial) não levaram a qualquer acordo.

O significado do v. 6 é outro problema. A RSV (seguido pela ARA no sentido geral) reflete o consenso; mas Zofar não dá nenhuma razão para sua conclusão severa de que Jó, que foi castigado até ao limite da resistência humana, realmente está escapando facilmente, como “menos do que sua iniquidade merece.”

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 154-155.

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2. Deus não é indiferente à ação do ímpio.

O terceiro amigo de Jó acreditava que ele havia se autodeclarado “puro” e “sem culpa” (Jó 11.4; cf 9.21; 10.7). Cria também que Deus não é indiferente à ação do ímpio como Jó parecia ter sugerido. Assim, para Zofar, se Deus debatesse com Jó, como era desejo deste, então não haveria dúvidas de que Ele ficaria contra o patriarca e não ao seu favor. Nesse embate, Deus revelaria a Jó os segredos de sua sabedoria e o homem de Uz veria que Ele estava sendo sábio em tratá-lo como merecia Logo, Jó seria condenado.

Comentário

Pois dizes: A minha doutrina é pura. Jó asseverava que sua doutrina era pura, e que ele mesmo era limpo ou inocente de qualquer pecado. No entanto, lá estava Jó sofrendo daquela maneira, prova do severo julgamento de Deus contra um pecador desavergonhado. Qualquer observador saberia que Jó era um hipócrita, um mentiroso, escondendo um ou mais grandes pecados. Jó seria um notório pecador privado, habilidoso para esconder sua vida secreta dos amigos. Cf. Deu. 32.2 e Pro. 4.2.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1912.

acusa Jó de dizer o que não havia dito (v. 4): Pois disseste: a minha doutrina é pura. E se ele tivesse dito isso? Era verdade que Jó era sólido em fé, e ortodoxo em seu juízo, e falava melhor a respeito de Deus, do que seus amigos falavam. Mesmo que ele tivesse se expressado de uma forma imprudente, não se poderia tirar a conclusão de que a sua doutrina não fosse verdadeira.

Mas ele o acusa de ter dito, limpo sou aos teus olhos. Jó não tinha dito isso; o que ele disse foi: bem sabes tu que eu não sou ímpio (cap. 10.7); mas ele também disse, eu pequei, e nunca fingiu ter uma perfeição imaculada. Ele tinha de fato afirmado não ser hipócrita como eles o acusavam; mas concluir com isso que ele não se considerava um pecador era uma insinuação injusta. Devemos dar a melhor interpretação às palavras e ações dos nossos irmãos, sim, àquilo que estas palavras e ações transmitirão; mas aqueles que contendem são tentados a dar a pior interpretação possível.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 60.

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3. Tolos se passando por sábios.

Jó reage com ironia “sabedoria” defendida anteriormente por seus amigos “vós”, (Jó 12.2) e agora porZofar. Este, juntamente com seus amigos, havia se levantado como legítimo representante do verdadeiro saber. Zofar, pois, pretender e presentar o próprio Deus em seu discurso (Jó 13). Todavia, Jó está convencido de que isso não passava de charlatanismo: “Vós, porém, sois convencido de que isso não passava de charlatanismo: “Vós, porém, sois inventores de mentiras e vós todos, médicos que não valem nada” (Jó13.4). inventores de mentiras e vós todos, médicos que não valem nada”(Jó 13.4).

Ele, portanto, está resoluto em deixar os amigos e ir à procura de Deus: “Mas eu falarei ao Todo-Poderoso; e quero defender-me perante Deus.” (Jó13.3). O patriarca estava certo de que havia uma sabedoria do alto, que seus amigos desconheciam por completo, e, quando revelada, ficaria ao seu lado (cf. cap. 28). No lugar dos julgamentos dos homens, há uma sabedoria do alto que sonda os corações dos que são chamados pelo nome do Senhor, pois Este não vê como os homens veem (1 Sm 16.7).

Comentário

Jó começou sua réplica a Zofar ou, de fato, aos três amigos, com a famosa e sarcástica observação que tem sido repetida através dos séculos: “Na verdade, vós sois o povo, e convosco morrerá a sabedoria”.

Os sábios discursos dos amigos-críticos de Jó não abandonaram o óbvio e, com esse óbvio, eles não explicaram o porquê dos sofrimentos de Jó. No entanto, continuavam exprimindo suas piedosas trivialidades, verdadeiras em si mesmas, mas inadequadas para solucionar o problema do sofrimento humano.

Os discursos dos amigos de Jó demoravam-se apenas sobre duas respostas: o sofrimento vem diretamente por causa do pecado e é, na realidade, um julgamento contra o pecado.

Além disso, o sofrimento pode oferecer disciplina até para o homem justo.

Ambas as respostas são corretas, mas há outras nas quais eles nem pensaram, como também não conseguiam explicar por que os inocentes sofrem. Ademais, em sua sabedoria estúpida, eles supunham que tivessem dado todas as respostas, e assim deixaram de lado a parte enigmática que circunda o terrível fato do sofrimento.

Além disso, tal como Jó também o fazia, eles não levavam em conta a vida pós-túmulo, nem diziam: “O terror é para hoje, para esta vida terrena; mas há uma glória além, após a morte biológica do corpo físico”. Ninguém apelou para a vida do outro lado do túmulo como cura para os sofrimentos atuais. Em Jó 19.26, Jó pode ter obtido um vislumbre da ressurreição, mas esse versículo é controvertido, e vários significados possíveis são atribuídos a ele.

Jó enfatizou sua posição como não-conformista. Seus críticos falaram o que a maioria das pessoas diz, mas nada resolveram. Jó sabia que sem dúvida havia no problema mais do que fora dito. Ele também sabia que a imensidade de seus sofrimentos não se devia ao julgamento contra corrupções secretas. Indivíduos dogmáticos, vindos de todas as denominações e religiões, pensam inutilmente deter o monopólio do conhecimento. A outras pessoas, eles chamam de hereges e ignorantes. As teologias sistemáticas participam dessa loucura monopolizada.

Os indivíduos dogmáticos são sempre arrogantes. Eles podem solucionar qualquer problema abrindo a Bíblia em algum capítulo e versículo, e somente eles sabem como interpretar o que acham.

Entrementes, eles distorcem e ignoram outras passagens, nos mesmos livros sagrados, se esses capítulos e versículos não se ajustam a seus sistemas. Os que falam sobre a única regra de fé e prática como sendo as Escrituras, realmente querem dizer: “A única regra de fé e prática é como eu e minha denominação interpretamos as Escrituras”. Todos os indivíduos dogmáticos deixam de reconhecer que há verdades que vêm ao homem fora dos livros sagrados, porquanto a verdade de Deus não está, nem pode estar, contida em nenhum livro ou coleção de livros.

Os indivíduos dogmáticos falham em reconhecer que muitas verdades têm de ser abordadas experimentalmente, porquanto nosso conhecimento, em seu melhor aspecto, é tanto parcial como parcialmente errôneo. A verdade é uma aventura contínua, não uma realização definitiva.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1914.

Ele fala ironicamente: “Na verdade, só vós sois o povo; pensastes estar qualificados para ditar e dar a lei a toda a humanidade, e os vossos próprios juízos como sendo o modelo pelo qual a opinião de todo homem deve ser medida e testada, como se ninguém pudesse discernir entre a verdade e a falsidade, o bem e o mal, mas somente vós; portanto, todos aqueles que estiverem em uma posição elevada deverão se abaixar a vós, e, certo ou errado, todos nós devemos dizer o mesmo que dizeis, e três de vós já são capazes de representar o povo todo, a maioria, para terdes o voto de Minerva.

” Note que é uma coisa muito louca e pecaminosa para qualquer um pensar ser mais sábio do que toda a humanidade, ou falar e agir confiantemente e imperiosamente, como se pensasse assim. Ou melhor, ele vai além: “Não só pensais não haver ninguém, mas que não haverá ninguém, tão sábio quanto vós; portanto, que a sabedoria deva morrer convosco, que todo o mundo deva ficar ignorante quando partirdes, e em trevas quando o vosso sol se puser.”

Observe que é loucura nossa pensarmos que haverá uma grande perda, sim, uma perda irreparável quando morrermos, ou que deveríamos ser poupados; Deus tem o seu precioso Espírito, e pode levantar outros, mais qualificados do que somos, para fazerem a sua obra. Quando homens sábios e homens bons morrem é uma consolação pensar que a sabedoria e a bondade não morrerão com eles. Alguns pensam que Jó aqui reflete sobre a comparação que Zofar fez dele (como ele pensava) e de outros com a cria de um jumento montês, cap. 11.12. “Sim,” ele diz, “devemos ser jumentos; só vós sois homens.”

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. pag. 64.

SÍNTESE DO TÓPICO I

Deus é grande e sábio; os amigos de Jó tentam se passar como representantes dessa sabedoria.

SUBSÍDIO DIDÁTICO- PEDAGÓGICO

Inicie a aula de hoje indagando aos alunos: Os bons não passam por tribulações? S os maus sofrem? Deixe que eles respondam as perguntas livremente e os ouça com atenção. Perceba que as questões trazem consigo desconforto, pois elas nos afetam sinceramente A ideia com esse exercício é mostrar que, conforme exposto no tópico, muitos podem cometer as mesmas injustiças de Zofar se não atentar para o seguinte fato: a relação da soberania divina com a realidade humana nos escapa totalmente. Por isso, olhemos com mais carinho para o que se passa como outro e, no lugar de julgá-lo precipitadamente, atentemos para resolver de que forma podemos ajudá-lo.

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II – A CONVERSÃO COMO RESPOSTA À AFLIÇÃO

1. Purificação moral.

Nos versículos 13-20 do capítulo 11, Zofar conclui seu discurso sobre a situação de 16. Ele não tem dúvidas de que o patriarca está em pecado e, por isso, a única forma de ele se restabelecer é por meio de uma purificação moral. Zofar, portanto, conclama Jó ao arrependimento e conversão. Ele enumera três passos para que isso aconteça: vida nessas circunstâncias? Haveria conduta correta (v.13);oração (v.13) e renúncia ao pecado (11.14). Então, segundo Zofar, se Jó cumprisse essas condições, reconhecendo que estava em pecado, Deus o restauraria de sua miséria.

Entretanto, a ideia de arrependimento de Zofar é mais de natureza externado que interna. O que está em vista é uma teologia do moralismo salvífico em vez da graça divina. Nesse aspecto, o arrependimento não passava deum mero ritual. Na teologia de Zofar a simples prática desses ritos traziam consigo o poder de conferir o favor divino. Na verdade, isso era o que se conhece hoje como legalismo religioso.

Comentário

Se dispuseres o teu coração. Uma Súplica Apropriada. O pecador tem de buscar reconciliação com seu Criador, em arrependimento sincero. O homem justo deve primeiramente confessar e abandonar seus próprios pecados, pondo-os longe de si mesmo (vs. 14), mediante um ato permanente de sua vontade espiritual. Em seguida, ele deve certificar-se de que sua casa está limpa e não é um abrigo do mal, no que diz respeito a seus parentes e servos. Zofar não desistiu de Jó como um réprobo sem esperança, mas estava certo de que ele era um réprobo, pois, do contrário, não estaria sofrendo daquela forma.

Faltando-lhe melhor iluminação, Zofar falava a linguagem usual acerca do arrependimento, da oração e da reparação. A casa de Jó precisava de purificação. “Sua realização era brilhante, sem dúvida, ditada por uma convicção genuína, mas baseada no moralismo familiar do sábio que acredita na salvação por meio das obras” (Samuel Terrien, in loc., o qual, por conseguinte, cristianizou suas observações ao incluir no quadro a salvação da alma, quando tudo o que Jó buscava era alívio para seus sofrimentos físicos). Cf. o vs. 13 deste capítulo com Pro. 16.1 e Sal. 10.17, que contêm sentimentos similares. Ver também I Cró. 29.18.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1913.

A preleção de Zofar termina aqui. Agora, ele prega. Seu remédio é simples: a corrente usual de conselhos piedosos: “Se endireitar seus pensamentos, e fizer suas orações,” e assim por diante. Não se trata de beatice. Suponhamos que Zofar está procurando ajudar com sua maneira desajeitada. Os profetas dizem o mesmo tipo de coisa de maneira bem eficaz (cf. Is 1.15). Mas aqui é leviano demais; e está longe do alvo, porque pressupõe que o problema de Jó é seu pecado. Zofar cai no erro evangelístico comum de aplicar as categorias da culpa e do perdão a cada problema humano. Não é esta a necessidade de Jó.

O belo retrato da vida tranquila da pessoa perdoada (w . 16-19), que Zofar pinta assemelha-se ao esboço feito por Elifaz em 5.17-26.

O v. 19b indica que as pessoas virão correndo para semelhante homem, cuja prosperidade é prova de sua amizade com Deus, procurando ou esmolas (Pv 19.6) ou orações de intercessão. É irônico que, no fim, Jó estará prestando semelhante favor para estes mesmos amigos (Jó 42.10).

Entretanto, a recitação não pode deixar de provocar em Jó lembranças dolorosas. Descreve-o como era antes de a malícia de Satanás ter levado o Senhor a submeter seu caráter à prova. Longe, porém, de ver este teste como prova de um relacionamento ainda mais privilegiado com Deus, Zofar agora, vê a Jó no lugar determinado para os perversos (20). Jó, sendo contumaz, cone o perigo de perder sua visão, de modo que “o seu meio de fuga” (o seu refugio) perecerá.

Todos os amigos já tiveram seu primeiro “assalto.” Todas as questões foram exibidas. Jó permanece onde estava de início (1.21; 2.10), submisso ao poder irresistível de Deus, mas com sua fé sob tensão enquanto luta para vencer sua caminhada para uma nova certeza da bondade de Deus.

Não é dócil nem paciente. Os amigos somente podem concluir que dalguma forma, Jó está errado. Deus desmascarou seu pecado secreto, e agora sua pior falha é continuar a escondê-lo. O dever deles é ajudá-lo a voltar a Deus através do arrependimento e da confissão (5.17; 8.20; 11.14).

Até esta altura, Jó tem rejeitado de modo teimoso o ministério bem-intencionado deles. Insiste na sua integridade, não confessa culpa alguma.

Recusa-se a estabelecer a justiça de Deus confessando pecados fictícios.

Os amigos não podem fazer outra coisa senão considerar a posição de Jó como orgulhosa e hipócrita. Não podem perceber a angústia de Jó enquanto procura, em vão, descobrir a “face alegre” escondida por trás da “providência sombria” de Deus.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 155-156.

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2. É possível negociar com Deus?

Estudiosos destacam que Zofar tenta induzir Jó a negociar com Deus a fim de se ver livre de suas dificuldades. Era exatamente isso que Satanás desejava que Jó fizesse (Jó 1.9). O Diabo acusou Jó de ter uma fé interesseira, com base nas promessas de prosperidade em troca de sua obediência. Se Jó tivesse seguido o conselho de Zofar, teria feito exatamente o que o Inimigo queria.

Comentário

Donald Grey Barnhouse fez uma declaração, certa feita, que, de forma surpreendente e maravilhosa, mostra tanto a transcendência como a imanência de Deus: “Nossos grandes problemas são pequenos para o infinito poder de Deus, mas nossos pequenos problemas são grandes para o seu amor de Pai”. O que Barnhouse enfatiza é que o Todo-Poderoso, embora transcenda infinitamente o homem em poder e sabedoria, acha-se presente no dia-a-dia de cada um de nós. Ele não se limitou a criar-nos; sustém-nos com os seus amorosos desvelos, cuidando até do azeite de nossa botija.

Zofar, porém, não acreditava num Deus tão maravilhoso assim. Cria ele num Deus que, apesar de haver criado o mundo, não se preocupa com este. Pois se acha demasiado ocupado com os assuntos das cortes celestes para enfastiar-se com o cotidiano humano. Que o patriarca Jó, por conseguinte, procurasse conforto noutra parte; de Deus, não haveria ele de receber qualquer lenitivo.

Esse amigo de Jó tinha uma crença incompleta no Todo-Poderoso; era um perfeito deísta. Esquecia-se ele, porém, que, não basta saber que Deus existe; é imprescindível acreditar que o Deus infinito é também o amoroso Pai que estará sempre ao nosso lado.

ANDRADE. Claudionor Corrêa de,. Jó O Problema do Sofrimento do Justo e o seu Proposito. Serie Comentário Bíblico. Editora CPAD. pag. 157-158.

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3. A angústia de Jó.

Diante das insistentes acusações dos amigos e do silêncio de Deus, Jó dá sinais de desânimo (cap. 12-13). Ele manifesta de vez toda a sua condição humana. O justo sofre! Se Jó seguisse o conselho de Zofar estaria assinando um termo de confissão. Assumindo algo que não havia feito. Ele sabia de sua integridade e, por isso, não se sujeita a esse capricho do amigo. Isso lança num dilema angustiante. No capítulo14, ele demonstra que sua esperança está desvanecendo, comparando-se a uma flor que é cortada, uma sombra que desaparece e um empregado que trabalha, mas que logo é dispensado.

Qual o sentido da vida nessas circunstâncias? Haveria esperança? Jó parece estar desiludido Até mesmo uma árvore quando tem seu tronco cortado volta a ter brotos novamente, mas isso não acontecia com o homem. Nesse aspecto, o homem se assemelhava mais a água que evapora ou que se infiltra na terra. Diante desse quadro, Jó se pergunta: “Morrendo o homem, porventura, tornará a viver?” (Jó 14.14). Era a pergunta de um homem crente e piedoso, porém, angustiado, que não tem medo de expressar sua verdadeira condição humana.

Comentário

Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Uma leve esperança enviou um raio brilhante pelo caminho cada vez mais largo do futuro. Jó levantou aquela dúvida antiquíssima: “Se um homem morrer, tornará a viver?”. Ele tentou acreditar que seus sofrimentos, que terminariam mediante a morte do corpo, irromperiam em outra vida, sem sofrimentos. Deus haveria de querer de volta a obra de Suas mãos (vs. 15), mas agora sob outra forma. A primeira forma, o corpo físico, seria aniquilado pela morte e pelo sepulcro; a segunda forma seria diferente e melhor, em substituição à primeira. Assim sendo, o Oleiro celestial receberia de volta Sua obra em uma forma aperfeiçoada. Ou, pelo menos, essa era a esperança de Jó.

Ele poderia estar pensando na reencarnação, uma doutrina comum da época, em alguns lugares do Oriente. Ou, mais provavelmente ainda, ele estava pensando na ressurreição, outra ideia comum em algumas culturas. No presente texto, temos um ótimo toque, porquanto Jó, limitado que estava pela teologia herdada de seus pais, estava cego quanto a esperar algo melhor para além do sepulcro. Mas, em seu desespero, ele avançou para além dos limites impostos pela sua cultura e tentou encontrar consolo em outra ideia, que não fazia parte de seu meio ambiente teológico.

De fato, caros leitores, isso é tudo quanto temos para fazer. Não nos podemos limitar ao que temos herdado em nossas igrejas tradicionais. Devemos buscar algo diferente, algum bendito suplemento para nossas imposições teológicas. Somente então a teologia fará sentido.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1913.

Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Uma leve esperança enviou um raio brilhante pelo caminho cada vez mais largo do futuro. Jó levantou aquela dúvida antiquíssima: “Se um homem morrer, tornará a viver?”. Ele tentou acreditar que seus sofrimentos, que terminariam mediante a morte do corpo, irromperiam em outra vida, sem sofrimentos. Deus haveria de querer de volta a obra de Suas mãos (vs. 15), mas agora sob outra forma. A primeira forma, o corpo físico, seria aniquilado pela morte e pelo sepulcro; a segunda forma seria diferente e melhor, em substituição à primeira. Assim sendo, o Oleiro celestial receberia de volta Sua obra em uma forma aperfeiçoada. Ou, pelo menos, essa era a esperança de Jó. Ele poderia estar pensando na reencarnação, uma doutrina comum da época, em alguns lugares do Oriente. Ou, mais provavelmente ainda, ele estava pensando na ressurreição, outra ideia comum em algumas culturas.

No presente texto, temos um ótimo toque, porquanto Jó, limitado que estava pela teologia herdada de seus pais, estava cego quanto a esperar algo melhor para além do sepulcro. Mas, em seu desespero, ele avançou para além dos limites impostos pela sua cultura e tentou encontrar consolo em outra ideia, que não fazia parte de seu meio ambiente teológico. De fato, caros leitores, isso é tudo quanto temos para fazer. Não nos podemos limitar ao que temos herdado em nossas igrejas tradicionais. Devemos buscar algo diferente, algum bendito suplemento para nossas imposições teológicas. Somente então a teologia fará sentido.

Cf. o vs. 15 com Jó 10.3,8. Jó objetou, à maneira desanimadora, como as obras das mãos de Deus estavam sendo manuseadas. O homem Jó fora desfigurado pelos sofrimentos. Agora surgira em cena a esperança de que, embora a primeira obra tivesse sido desfigurada pela dor e pela morte, outra a substituiria, muito mais gloriosa. Isso aconteceria no tempo determinado, isto é, no dia de Deus, provavelmente aludindo a uma possível ressurreição.

Veja o leitor como o amor de Deus une o homem físico com o homem espiritual, no outro mundo. Esse amor garante o término do plano, a perfeição da obra-prima que Deus começou e, finalmente, terminará no homem.

Na esperança que envia um raio brilhante

Pelo caminho cada vez mais largo do futuro,

Numa paz que somente Tu és capaz de dar,

Contigo, ó Senhor, deixa-me viver.

(Washington Gladden)

A Imortalidade e o Problema do Mal. Com essa especulação, Jó abriu uma janela para o problema do mal. Embora os sofrimentos presentes continuem a reter seus elementos enigmáticos, que nenhuma especulação pode dissipar, um simples olhar para além-túmulo nos leva a encontrar uma nova obra de Deus, informando-nos que o problema do mal será finalmente anulado pela mortalidade.

Os sofrimentos humanos, até mesmo os dos inocentes, cedem diante da “esperança no além”, perante a qual encontraremos cura para todos os males. A fé que Jó apreendeu por um instante foi uma ótima fé. Para nós, porém, a imortalidade tornou-se um grande dogma, conforme deveria ser.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1924-1925.

Jó continua com as suas queixas. A desolação do quadro, que ele mesmo pintou, o aterra como quem deseja recuar de uma posição antes desejada. No momento quer que Deus o esconda na sepultura, até que a sua ira passe (v. 13). Depois de um prazo, de uma temperada no Sheol, o mundo dos mortos conscientes, o Deus misericordioso se lembraria dele e o retiraria dali, para as glórias da presença divina. Jó pensa nisso e as dúvidas o assaltam.

Será que depois da morte ainda haverá esperança, ou depois da sepultura, Tu, é Deus, te lembrarás de mim? Como quem diz: Se eu pudesse ter certeza disso, suportaria estas dores com resignação e até com alegria! Mas não sei. Então faz uma pergunta solene a Deus: MORRENDO O HOMEM, PORVENTURA TORNARÃ A VIVER? Esta é a grande questão de Jó, que acredita no Sheol, no mundo dos mortos conscientes, mas não sabe se o seu corpo tornará a viver. Se soubesse disso, então suportaria todos os dias a sua milícia e esperaria. A linguagem é de um soldado que está nas fileiras, esperando ser dispensado.

Se ele tivesse segurança de que depois do Sheol voltaria a viver, então teria coragem para continuar na milícia de todos os dias e aguardar até que fosse substituído, isto é, até que a sua pele fosse trocada por outra, menos asquerosa. Se assim for, diz ele, então esperarei até que me chames, e eu te responderei, pois até terias saudades da obra das tuas mãos. Os meus passos tu contarias e eu andaria na tua presença.

Tudo Jó está disposto a perder, como Jó sucedeu quanto à família e à saúde; menos no que se referia à esperança da comunhão com o seu Deus. A situação de Jó é mesmo deplorável. Por um lado, deseja a morte, porque assim fica escondido dos olhares de Deus e dos seus amigos; por outro, não está muito certo se depois voltará a viver; e o que deseja de todo o coração é viver, voltar a ter comunhão com Deus, como tinha antes pois a sua doença parecia-lhe um castigo de Deus, uma ira sem fim, e, assim sendo, como poderia ter certeza de voltar a ter a paz de antes?

Daí a pergunta angustiante: “Morrendo o homem, tornará a viver?” Será ao menos como a árvore, que, mesmo cortada, voltará a dar ramos? No trecho seguinte expressa estas verdades, mas continua com as suas dúvidas. Deus faz esboroar um monte e remove uma rocha; mas se lembrará de um pobre chagado e odiento?

Mesquita. Antônio Neves de,. Jó Uma interpretação do sofrimento humano. Editora JUERP.

SÍNTESE DO TÓPICO II

Zofar tenta uma espécie de purificação moral de Jó, conclamando-o ao arrependimento ritualístico.

SUBSÍDIO DIDÁTICO-PEDAGÓGICO

“Exortação à humildade e ao arrependimento (11.13-20). Zofar foi insensível até aqui, a ponto de ser ríspido em seu tratamento com Jó. Mas ele não entregou os pontos em relação ao seu antigo amigo como se fosse um caso perdido. Ainda existe a oportunidade de Jó recuperar-se da sua terrível condição. Visto que ele está certo de que algum pecado cometido por Jó é a raiz da sua condição e que o sofrimento de Jó resulta desse pecado, a resposta é simples. Jó deveria estar aberto e humilhar-se em relação ao seu mau procedimento.

Isso exige reparação, inclusive uma preparação apropriada do seu coração (13) para colocá-lo num relacionamento correto com Deus. Estende as tuas mãos para ele subentende suplica em oração para remover a iniquidade da sua vida e do seu lar (13-14).

Quando isso for feito, Jó estará apto a levantar o seu rosto sem mácula (15). Sua vida será mais radiante e alegre do que antes. Todas as causas do medo serão removidas, e em seu lugar haverá segurança e esperança em sua vida (17-19). Zofar pede para ele olhar em volta. Muitos acariciar o teu rosto (19) significa: Muitos procurarão o seu favor (NVI)” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, w. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.50).

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

III – DEUS JULGA E CASTIGA OS PECADORES

1. O castigo dos maus.

O capítulo 20 contém o segundo discurso de Zofar. Nele, Zofar lembra a Jó que a aparente prosperidade dos ímpios não passa de ilusão e dura apenas um instante. Na verdade ele repete o que 12 a 14 desse mesmo capítulo são usados por Zofar para comparar o deleite do ímpio à uma comida envenenada. Ela pode saciar, mas proporcionará uma digestão trágica (Jó 20.14). Dessa forma, tudo o que o ímpio adquiriu de forma desonesta e pecaminosa terá que devolver e restituir (Jó 20.18). Esse ímpio terá como adversário o próprio Deus, que o julgará e punirá (Jó 20.27-29).

Comentário

Tal, é da parte de Deus, a sorte do homem perverso. O indivíduo ímpio, tão repleto de bens, perdeu tudo, mas ainda assim tem uma “rica” herança, a ira de Deus que nivela todas as coisas. Essa é a “porção” dele, e Deus é quem tratou com ele. Quando falamos em riquezas materiais, naturalmente pensamos em heranças, porque as riquezas passam de pai para filho. Quando Zofar falou sobre heranças, viu o que Deus tinha de reserva para o ímpio rico que explorou outras pessoas. Foi, de fato, uma visão terrível. Há um decreto divino envolvido na questão.

Não devemos cristianizar este texto, fazendo a ira de Deus referir-se a algum julgamento depois da morte biológica de um homem. Essa doutrina não entrou na teologia dos hebreus senão na época em que foram produzidos os livros do período intermediário entre o Antigo e o Novo Testamento. Zofar falava sobre o aniquilamento absoluto do pecador, antes e por ocasião da morte física.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1949.

Vários discursos em Jó são resumidos por meio de um bicólon final deste tipo. Cf. 18.21; 28.28. Vale a pena indicar, como sinal de quão estreitas são as crenças de Zofar, que seu discurso não contém indício algum de que os perversos podem se arrepender, indenizar os lesados, e voltar a obter o favor de Deus. Zofar não tem compaixão e seu deus não tem misericórdia. Em contraste, Elifaz é mais humanitário e evangélico.

E Zofar é, no seu coração, tanto o materialista quanto o perverso que ele condena. Vê o arrebatamento das “riquezas” (v. 28) como sendo um julgamento. A perda da comunhão com Deus nesta vida ou depois dela, não lhe impressiona como sendo uma ruína muito pior. É, porém, exatamente esta perda que enche a mente de Jó de honor, e é esta necessidade que desperta seus anseios mais desesperados.

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 196.

2. Jó diante de um paradoxo.

O capítulo 21 traz a resposta de Jó ao argumento de Zofar. Para o patriarca a tese de Zofar de que os ímpios são sempre punidos era contraditada pela experiência. Os ímpios poderiam sim ser punidos, mas isso nem sempre parecia acontecer, conforme descrito: “Por que razão vivem os ímpios, envelhecem, e ainda se esforçam em poder?” (Jó 21.7). Jó havia constatado que os ímpios pareciam gozar de longevidade e prosperidade (16 21.8). Além de terem vida longa, eles passavam seus dias em total regalia e morriam em total felicidade, como podemos constatar neste versículo: “Passam eles os seus dias em prosperidade e em paz descem à sepultura” (Jó 21.13-ARA).

Comentário

Como é, pois, que vivem os perversos…? Injustiça. O ímpio enriquece. E com suas riquezas ele assalta outras pessoas. Esse ímpio se espaventa como se fosse um galo, e outros homens o louvam. Ele envelhece sem passar por tribulação especial alguma. Tem alguns poucos lamentos, mas na verdade são sempre poucos demais para serem mencionados. Continua sendo homem poderoso em sua idade avançada, pratica injustiças contra os seus semelhantes e nunca tem um momento para pensar em Deus.

Mas porventura Deus fere esse homem?

Não, pois estava ocupado demais em ferir Jó! Zofar declarou que os ímpios logo desvanecem (ver Jó 20.5 ss.), mas Jó observava exatamente o contrário. Quanto à alegada brevidade do triunfo dos ímpios, cf. Jó 15.29,32-34; 18.5; 20.5,8.22. Quanto a esse enigma (os ímpios continuam ativos por longo tempo), ver Rom. 2.4; I Tim. 1.16; Sal. 73.18; Eclesiastes 8.11-13; Luc. 12.16-20 e 16.19-22.

Passam eles os seus dias em prosperidade. É verdade, naturalmente, que os ímpios, afinal, são cortados pela morte, mas outro tanto se dá com o homem reto. Em contraste com o capítulo 19, Jó não levanta a questão de uma vida futura e, certamente, não a de um julgamento em que contas antigas são resolvidas com punição ou recompensa, dependendo da qualidade da vida que foi vivida.

O bom e o mau são ambos cortados, sem distinção. Portanto, por que ser bom? Jó apontou aqui para a futilidade das riquezas materiais, pois terminam em nada.

Contudo, o mesmo é verdade no que diz respeito ao homem bom.

O perverso desce ao seol em “paz” (Revised Standard Version), e, no entanto, alguns homens bons, como Jó, descem ao seol em estado deplorável. Seol aqui é apenas a sepultura. Trata-se de um lugar de existência consciente, e foi um desenvolvimento posterior da teologia dos hebreus.

Jó não estava dizendo que até no seol (lugar onde se vive para além da morte) os ímpios têm paz, pelo que continuam a escarnecer de Deus.

Os ímpios têm permissão de descer de súbito ao sepulcro, sem nenhuma enfermidade dolorosa e debilitante (em contraste com o violentamente enfermo Jó). Dessa maneira, eles vão para a morte “em paz”, “não mediante alguma enfermidade demorada. Grande bênção!” (Fausset, in loc.). Por isso Aben Ezra disse: “Em um momento, sem aflições”. E Bar Tzemach também exprimiu: “Sem enfermidades malignas”.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 1949; 1951.

A tese dos amigos é que o pecado produz sofrimento. A inferência deles é que o sofrimento comprova a presença do pecado. Jó nega ambos os lados da tese. Seu atraente esboço da vida despreocupada dos perversos, assemelha-se ao quadro do justo, pintado anteriormente por Elifaz (5.17-27).

7. Zofar acaba de asseverar que os perversos morrem prematuramente (20.11). Jó sustenta o contrário: chegam até à velhice e até mesmo melhoram de saúde. A palavra hebraica traduzida poderosos pode referir-se a proeza física, â eficiência na gerência, e à prosperidade material.

Na estrutura introvertida do poema, o v. 7 corresponde ao v. 13, onde passam eles os seus dias significa “completam seu decurso de vida.”

Francis I. Andersen. Jó Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 197-198.

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

3. A verdade vem à tona.

A lei da retribuição não se aplica a todas as esferas da existência humana nem explica os caminhos soberanos do Altíssimo pois Deus também “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (Mt 5.45).

Comentário

Deus “faz que o seu sol se levante sobre maus e bons e a chuva desça sobre justos e injustos” (v. 45).

Observe que, em primeiro lugar, o sol e a chuva são uma grande bênção para o mundo, e vêm de Deus. É o seu sol que brilha, e a chuva é enviada por Ele. Eles não vêm naturalmente ou por acaso, mas de Deus.

Em segundo lugar, as bênçãos comuns devem ser estimadas como exemplos e provas da bondade de Deus, que, por meio delas, se mostra um benfeitor generoso p ara com o mundo em que vive a humanidade – que seria muito infeliz sem estas bênçãos – e que é completamente indigno da menor delas.

Em terceiro lugar, estas dádivas da providência comum são distribuídas indiferentemente, para os bons e os maus, para os justos e os injustos; para que possamos distinguir o amor do ódio não pelo que está diante de nós, mas pelo que há dentro de nós; não pelo brilho do sol sobre as nossas cabeças, mas pela ascensão do Sol da Justiça em nossos corações.

Em quarto lugar, os piores homens compartilham os confortos desta vida juntamente com os demais, embora eles os maltratem e lutem contra Deus com as suas próprias armas; este é um exemplo surpreendente da paciência e da generosidade de Deus. Uma única vez Deus proibiu o seu sol de brilhar sobre os egípcios, enquanto os israelitas tinham luz em suas habitações.

Deus poderia fazer tal distinção todos os dias.

Em quinto, as dádivas da generosidade de Deus para os homens maus, que estão em rebelião contra Ele, nos ensinam a fazer o bem àqueles que nos odeiam; especialmente considerando que embora haja em nós uma m ente lasciva, que é inimiga de Deus, ainda assim compartilhamos de sua generosidade. Em sexto lugar, só serão aceitos como filhos de Deus aqueles que procuram se assemelhar a Ele, particularmente em sua bondade.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa. Editora CPAD. pag. 60.

A marca do verdadeiro filho “do Pai que está no céu” (Mt 5.45) é ter o coração do Pai. Repare na acusação do irmão mais velho na parábola de Lucas do filho pródigo, o motivo de ele recusar amar seu irmão errante (Lc 15-25-31) – Assim também Jesus exige amor incondicional. O perdão amoroso recebido de Deus requer que o perdão amoroso seja dado aos outros (Mt 6.12; 18.21-35). Como prova de que esta é a intenção de Deus, Jesus relata que o Pai envia o sol e a chuva necessários tanto para os justos quanto para os injustos (v. 45).

Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. Editora CPAD. pag. 48.

SÍNTESE DO TÓPICO III

Zofar diz que todos os maus são punidos, mas Jó apresenta um paradoxo: a experiência mostra que muitos deles são bem sucedidos.

SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Após sua grande declaração de fé em 19.25-21, Jó consegue alcançar um grau marcante de serenidade. Mesmo depois das conclusões mordazes do discurso de Zofar, ele não reage com o mesmo tipo de tensão emocional que caracterizam seus discursos anteriores. caracterizam seus discursos anteriores caracterizam seus discursos anteriores. Neste capítulo ele começa a pensar mais claramente acerca das questões levantadas em vez de gastar suas energias em erupções emocionais que descrevem seu sofrimento e frustração. No ciclo de discursos, a preocupação de Jó era com o fato de sentir que Deus havia se tornado seu inimigo.

Em seguida, ele foi esmagado ao perceber que seus amigos o desertaram, a ponto de se colocarem contra ele. Mas agora o discurso de Zofar faz com que Jó assuma uma posição positiva em relação aos argumentos dos seus amigos. Ele contradiz esses argumentos com evidência prática. Ele constata que prosperidade e retidão não andavam invariavelmente juntas Também fica evidente pela observação da vida que a maldade nem sempre é castigada” (CHAPMAN, Milo L.; PURKISER, W. T.; WOLF, Earl C. (et al). Comentário Bíblico Beacon: Jó a Cantares de Salomão. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.64).

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

CONCLUSÃO

Vimos como Jó continua sua defesa contra os argumentos de seus amigos, que insistem em acusá-lo de pecado. Ele está convencido de que é inocente e que não cometeu nada que justifique tamanho sofrimento. Os amigos de Jó, por desconhecerem as razões de seu sofrimento, o acusam de forma impiedosa; e patriarca, por desconhecer a ação de Deus nesse episódio, chega ao limite do desespero e desesperança. Todavia, como das outras vezes, mesmo angustiado e não sabendo como Deus permite tudo isso, Jó não diz palavras blasfematórias contra o seu Criador.

8 Lição 4 Tri 20 A Teologia De Zofar: O Justo não passa por Tribulação?

PARA REFLETIR

A respeito de “A Teologia de Zofar: O Justo não Passa por Tribulação?” , responda:

1 – O que Zofar defende?

R: Zofar defende que o sofrimento de Jó fazia parte de um sábio julgamento divino, pois, para ele, Deus demonstra grande sabedoria em reprimir os maus.

2 – De quê Jó estava certo?

R: O patriarca estava certo de que havia uma sabedoria do alto, que seus amigos desconheciam por completo, e, quando revelada, ficaria ao seu lado (cf. cap. 28).

3 – Quais os três passos que Zofar enumera para que Jó supostamente se arrependesse e convertesse?

R: Ele enumera três passos para que isso aconteça: conduta correta (v.13); oração (v.13) e renúncia ao pecado (11.14).

4 – Que sinais o patriarca Jó dá diante das acusações dos amigos e do silêncio de Deus?

R: Diante das insistentes acusações dos amigos e do silêncio de Deus, Jó dá sinais de desânimo (cap. 12-13).

5 – O que Jó havia constatado em relação aos ímpios?

R: Jó havia constatado que os ímpios pareciam gozar de longevidade e prosperidade (6 21.8).

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

Sumário

1° Lição – O Livro de Jó

2° Lição – Quem Era Jó

3° Lição – Jó e a Realidade de Satanás

4° Lição – O Drama de Jó

5° Lição – O Lamento de Jó

6° Lição – A Teologia de Elifaz: Só os Pecadores Sofrem?

7° Lição – A Teologia de Bildade: Se Há Sofrimento, Há Pecado Oculto?

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