8 LIÇÃO 4 TRI 22 O BOM PASTOR E OS PASTORES INFIÉIS

 

8 LIÇÃO 4 TRI 22 O BOM PASTOR E OS PASTORES INFIÉIS

8 LIÇÃO 4 TRI 22 O BOM PASTOR E OS PASTORES INFIÉIS

 

 

TEXTO ÁUREO

 

”Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.” (Jo 10.11)

 

 

VERDADE PRÁTICA

 

As Escrituras revelam Deus como o pastor do seu povo, mas isso se aplica também aos líderes eclesiásticos. Deus dá bons pastores ao seu povo, e também remove os maus.

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda – Sl 78.70-72 O cajado de Davi continuou no comando da nação de Israel

 

Terça – 1 Rs 22.17 O profeta Micaías viu Israel como ovelhas dispersas sem pastor

 

Quarta – Mt 9.36 Jesus via o povo de Israel como um rebanho de ovelhas sem pastor

 

Quinta – Jr 3.15 Deus prometeu dar à sua igreja pastores segundo o seu coração

 

Sexta – Ef 4.11 O Senhor deu pastores à sua igreja, o Corpo de Cristo

 

Sábado – 1 Pe 5.2-4 A igreja, assim como o povo de Israel, é o rebanho de Deus

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Ezequiel 34.1-12

 

1 – E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo:

 

2 – Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e diz aos pastores: Assim diz o Senhor JEOVÁ: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?

 

3 – Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentam as ovelhas.

 

4 – A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza.

 

5 – Assim, se espalharam, por não haver pastor, e ficaram para pasto de todas as feras do campo, porquanto se espalharam. 6 – As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todo o alto outeiro; sim, as minhas ovelhas andam espalhadas por toda a face da terra, sem haver quem as procure, nem quem as busque.

 

7 – Portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR:

 

8 – Vivo eu, diz o Senhor JEOVÁ, visto que as minhas ovelhas foram entregues à rapina e vieram a servir de pasto a todas as feras do campo, por falta de pastor, e os meus pastores não procuram as minhas ovelhas, pois se apascentam a si mesmos e não apascentam as minhas ovelhas,

 

9 – portanto, ó pastores, ouvi a palavra do SENHOR:

 

10 – Assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu estou contra os pastores e demandarei as minhas ovelhas da sua mão; e eles deixarão de apascentar as ovelhas e não se apascentarão mais a si mesmos; e livrarei as minhas ovelhas da sua boca, e lhes não servirão mais de pasto.

 

11 – Porque assim diz o Senhor JEOVÁ: Eis que eu, eu mesmo, procurarei as minhas ovelhas e as buscarei.

 

12 – Como o pastor busca o seu rebanho, no dia em que está no meio das suas ovelhas dispersas, assim buscarei as minhas ovelhas; e as farei voltar de todos os lugares por onde andam espalhadas no dia de nuvens e de escuridão.

 

 

Hinos Sugeridos: 156, 283, 4313 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

A presente lição estuda a mensagem do profeta Ezequiel a respeito dos pastores de Israel. No primeiro tópico, identificaremos o rebanho no Antigo Testamento que é o povo de Israel, bem como no Novo Testamento, que é a Igreja. No segundo tópico, descobriremos quem são os pastores infiéis. Veremos de que se trata dos governantes de Israel, mas que também podemos extrair lições para as lideranças eclesiásticas. E, finalmente, no terceiro tópico vamos refletir a respeito da imagem do bom pastor no Deus de Israel que, no Novo Testamento, se revela na pessoa de Jesus que se consolida como a imagem definitiva do bom pastor cristão.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Identificar o rebanho nas Escrituras;

II) Descobrir os pastores infiéis de Israel;

III) Refletir sobre o Bom Pastor.

B) Motivação: É Muito importante que os alunos formem uma imagem bíblica do ofício de um pastor. Muitas vezes esse ofício é apresentado numa perspectiva glamurosa. Por isso, você tem a responsabilidade de passar uma visão bíblica do pastorado para a sua classe.

C) Sugestão de Método: Falaremos aqui a respeito da quinta lei do ensino: a lei do processo de ensino. Podemos resumir essa lei na seguinte sentença: ”Desperte e dirija as autoatividades do aluno e não lhe diga nada que ele possa aprender sozinho”. Aqui, duas coisas devem ser levadas em conta:

1) o conteúdo, isto é, as verdades a serem ensinadas;

2) o processo, ou seja, a metodologia de ensino para a aplicação das verdades ensinadas.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: A parábola da ovelha perdida é uma excelente imagem para o fechamento do símbolo do Bom Pastor.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 92, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:1) O texto ”O Rebanho” aprofunda o assunto da identificação do rebanho no livro de Ezequiel; 2) O texto ”Pastores Infiéis” amplia a identificação dos pastores infiéis em Israel.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

O profeta Ezequiel enfoca, no capítulo 34, quatro pontos sobre a figura do pastor, a saber: os pastores infiéis (vv.1-10), Deus corno o futuro bom pastor (vv.11- 16), o julgamento entre as próprias ovelhas (vv.17-22) e o Messias corno o pastor de Deus (vv.23-31). Por limite de espaço, a presente lição se restringirá aos pastores infiéis e ao bom pastor.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

As Escrituras revelam Deus como pastor do seu povo, mas isso se aplica também aos líderes, reis em Israel, como Moisés e Davi, e governantes na atualidade. Um bom rei era um bom pastor; um mau rei era um pastor ruim. O profeta Ezequiel compara os líderes e governantes de Israel a pastores. O tema deste estudo envolve a linguagem pastoril.

O discurso profético do capítulo 34 está estruturado da seguinte maneira: a) os pastores infiéis e as ovelhas (vv. 1-10); b) Deus como o futuro bom pastor (vv. 11-16); c) o julgamento entre as próprias ovelhas (vv. 17-22); e d) o Messias como o pastor de Deus (vv. 23-31).

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag.93.

 

 

É fato temível receber uma missão espiritual significativa e tratá-la de maneira trivial, ou pior, usá-la como meio de ganhar dinheiro, fama e posição. Foi assim que os falsos pastores agiram, com resultados desastrosos para as ovelhas, que se tornaram corruptas e se espalharam nos campos da vida, sem nenhuma direção ou propósito firme. Os pastores, além de negligentes, eram falsamente motivados por seus próprios prazeres e interesses, envolvendo-se em crimes pesados. Eles se alimentaram e deixaram as ovelhas morrer de fome (vs. 8).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3305.

 

 

Após a costumeira fórmula palavra-evento inicial e a abordagem direta do profeta como Filho do Homem (ben-’ãdãm), Ezequiel recebe a ordem dupla para profetizar contra os pastores de Israel (rõ‘ê yisra’el). A designação de pastores para os líderes é tradicional nos costumes do antigo Oriente Próximo, desde antes dos tempos sumérios. Uma antiga versão babilónica da lenda de Etana sugere que a associação entre a realeza e o pastoreio remonta aos primórdios da instituição monárquica:

O grande Anunnaki, que determina os destinos.

Assentou-se e conferiu o conselho deles sobre a terra.

Eles estavam criando os quatro cantos (do mundo) e estabelecendo a forma (dele).

O Igigi [ ] decretou nomes (?) para todos eles.

Eles não haviam estabelecido um rei sobre todo o povo numeroso.

No tempo em que o diadema e a coroa não haviam sido colocados juntos,

E o cetro de lápis-lazúli não havia sido brandido (?),

Ao mesmo tempo (?) o estrado para o trono não havia sido feito.

O Sebitti trancou os portões contra os exércitos (?).

[O ] trancou-os contra (outros) povos estabelecidos.

O Igigi patnilharia a cidade [ ].

Ishtar [estava procurando] um pastor E procurando acima e abaixo por um rei.’’

O antigo autodiscemimento babilònico de reis como pastores do povo, especialmente escolhidos pelos deuses, é refletido no prólogo do Código de Hamurabi:

Quando o majestoso Anum, rei de Anunnaici,

(e) Enlil. senhor do céu e da terra,

aquele que determina os destinos da terra.

decidiu por Marduque, o primogênito de Enki.

as responsabilidades de Enlil sobre toda a humanidade.

fizeram-no grande entre o Igigi.

chamado Babilônia por seu nome exaltado,

tomou-o supremo no mundo,

estabeleceu, em seu meio, um reino duradouro para ele,

cujos fundamentos são tão firmes quanto o céu e a terra –

no tempo em que Anum e Enfil me nomearam

para promover a prosperidade do povo,

eu, Hammurabi, o devoto, príncipe temente aos deuses,

para fazer com que a justiça prevaleça na terra,

para destmir o perverso e o mau.

para que o poderoso nâo possa oprimir o fraco.

para me levantar como o sol sobre o govemo (povo)

e iluminar a terra.

Hammurabi, o pastor, chamado por Enlil, sou eu;

aquele que faz a riqueza e a fartura abundarem;

que provê com abundância toda a sorte de coisas para Nippur-Duranki;

o devoto protetor de Ekur;

o rei competente, que restaurou Eridu a seu lugar.’^

Os sucessores assírios e babilônios de Hammurabi definiram seu papel com uma série de títulos pastoris, e um provérbio babilônio dizia que “um povo sem um rei (é como) uma ovelha sem um pastor”.” Na verdade, o verbo re’ü, “apascentar, pastorear”, geralmente funciona como um termo técnico para “governar”. O tema é bem conhecido nos escritos egípcios também, nos quais a fórmula típica afirma: “o deus tem escolhido o rei para ser o pastor do Egito e defensor do povo”.” Esta observação sobre o texto de um papiro é reminiscente do provérbio babilônio antes citado: na ausência de um govemante, o povo é “como um rebanho extraviado, sem um pastor”.

Em Israel, a designação de governantes como pastores também tinha uma tradição antiga. De acordo com Nm 27.17, Moisés orou para que Yahweh nomeasse um homem para liderar a congregação, de maneira que eles não fossem como ovelhas sem um pastor. Esta afirmação se compara com a observação profética de Micaías, filho de Inlá: “Vi todo o Israel disperso pelas montanhas, como ovelhas sem um pastor” (IRs 22.17). Nosso texto não identifica, especificamente, as pessoas a quem Ezequiel se refere como “pastores”. À luz de sua dependência de Jr 23.1-6, em particular, e do uso jeremíaco da expressão em geral,” tem-se a tendência de interpretar “pastores”, neste caso, como uma referência geral aos nobres que estavam ao redor de Zedequias, incluindo os anciãos em Jerusalém, os quais ele havia observado seguindo seus caminhos idólatras, na visão do capítulo 8, e os oficiais de 22.27, que dilaceram suas vítimas como lobos; e, ainda, talvez, os falsos profetas do capítulo 13, que anunciam “paz, paz!”, quando não há paz; e os líderes da comunidade exílica. Entretanto, duas considerações apontam para uma aplicação mais limitada aos antigos reis de Judá.

Em primeiro lugar, mais no final desse capítulo, Ezequiel vai lidar com os gordos membros do rebanho que tiranizam seus companheiros de rebanho (vv. 16-19). Isto se refere, aparentemente, a toda a classe governante, que é culpada de abusar de seu poder sobre o rebanho. Ezequiel mantém a distinção entre pastores e ovelhas, até mesmo ovelhas poderosas. Em segundo lugar, de acordo com os vv. 23,24, a escolha de um único bom pastor, Davi, que age no interesse do pastor divino, representa a solução para o presente problema de uma série de maus pastores. O uso que Ezequiel faz do nome “Israel” é coerente com sua convicção de que os exilados, este remanescente do reino de Judá, também representam a nação de Israel. Ao fazer isso, entretanto, ele modifica o vorlage de Jeremias, que empregou a expressão mais pessoal ‘ammí, “meu povo” (Jr 23.2).

Aparentemente, o pronunciamento inicial hôy rõ‘é yiérã’ê

l, seguido pela acusação na forma de particípio, assemelha-se à abertura da mensagem anterior de Ezequiel contra os falsos profetas (13.2), criando, no leitor, uma antecipação de um oráculo de pesar tradicional. Entretanto, a tradução comum, “peso dos pastores de Israel”, deixa passar uma pequena mas importante diferença sintática entre os dois textos – a ausência de lamed depois de hôy. Sem o lamed, hôy pode tanto funcionar simplesmente como uma partícula vocativa, sem qualquer nuance de pesar,” como, até mesmo, introduzir uma mensagem positiva (Is 55.1).

Como em Am 6.1, ele é melhor entendido, aqui, simplesmente como um chamado de atenção: Ei! A presente forma assinala uma mudança na função retórica de 13.2. Enquanto 13.1 -16 é construído como um oráculo de pesar, do começo ao fim, este não é o caso aqui. Reconhecidamente, a acusação de abertura (vv. 2-6), seguida por uma declaração de julgamento (vv. 7-10), é típica de oráculos de pesar. Dentro do contexto dos vv. 1-10, entretanto, bem como do restante do capítulo, esses versículos fornecem o pano de fundo para aquilo que emergirá como um genuíno oráculo de salvação. Na verdade, o foco principal não está sobre os pastores, mas sobre o rebanho. Os líderes são introduzidos principalmente porque suas ações precipitaram a crise e criaram a necessidade de uma intervenção divina em favor das ovelhas.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 264-267.

 

 

Palavra-Chave: PASTOR

 

 

I – SOBRE O REBANHO

 

Primeiro é necessário identificar a ovelha no seu sentido literal para compreender o sentido metafórico. Isso pode explicar a razão da Bíblia nos comparar com ovelhas. O Salmo 23 apresenta um quadro perfeito dessa comparação.

 

1- Ovelhas.

 

Ovelha é a fêmea do carneiro e o cordeiro é filho do carneiro até um ano. Das 74 vezes que o termo aparece no Novo Testamento, apenas uma vez é literal (Jo 2.14). É um animal dócil e símbolo de sacrifício e redenção (Is 53.7; At 8.32). A natureza da ovelha e sua relação com o ser humano resultaram em diversas figuras que ilustram o relacionamento entre Deus e o seu povo (Sl 23.1; 74.1; 100.3).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

OVELHA. Várias palavras hebraicas e gregas são usadas:

[..] que é traduzida na KJV duas vezes como carneiro, e na RSV como bode, que é mais correto.

[..] que é traduzida carneiro em todas as versões em inglês em mais de 150 ocorrências, treze são figuradas, a maioria das vezes simbolicamente nas profecias, seis referem-se a peles de carneiros para a cobertura do Tabernáculo, cinco são usadas no geral e o restante para uma ampla variedade de sacrifícios;

A palavra aramaica pias é traduzida como cordeiro somente em Esdras. Fala de holocaustos na dedicação do Templo reconstruído;

[..] cordeiro 102 vezes e ovelha duas vezes. A palavra é usada uma vez num sentido proverbial, num sentido figurado quatro vezes, e como um sacrifício noventa e sete vezes. E usada para quase todos os tipos, incluindo a purificação do leproso e as primícias.

[..] é traduzida como ovelha seis vezes e como cordeiro duas vezes. E também usada para a purificação do leproso uma vez, voto nazireu uma vez, selo da aliança três vezes, e na parábola dita a Davi três vezes (2Sm 12.3):

[..] Esta é uma transposição de [..], cordeiro, quatro vezes, e ovelha, oito vezes. E usada na maioria das vezes para sacrifício, mas algumas literaturas incluem as ovelhas criadas por Jacó (Gn 30.32);

[..] é usada somente uma vez — para oferta pela transgressão;

12 é traduzida como cordeiro dez vezes, carneiro duas, aríetes duas vezes, e por derivação, pastagem, duas vezes. Esta é uma palavra muito interessante. É usada pela primeira vez na Canção de Moisés (Dt 32.14) contrastada com 1XÏ e [..] As palavras referem-se a ovelhas em terras próximas ou trazidas de lá, especialmente terras semidesérticas, e.g. Moabe (2Rs 3.4), Edom (Is 34.6); também da Babilônia, Arábia, Basã, etc. Esta palavra nunca foi usada para o sacrifício, mas 137, a derivação aramaica, é encontrada três vezes em Esdras 6 e 7 para os carneiros fornecidos por Dario para a dedicação do Templo reconstruído. Este bem pode ser um nome especial de uma raça exótica. Falam de aríetes usados contra Jerusalém (Ez 4.2; 21.22); a metáfora idêntica é usada no português, é traduzida ovelha duas vezes, carneiro duas vezes, especialmente criação de carneiros (e.g. Gn 31.38);

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 4. pag. 698-699.

 

 

Ovelha Animal doméstico, Ovis orientalis, citado na Bíblia, diretamente ou por meio de algum termo, tal como cordeiro e carneiro, ou por algum fato relacionado a eles, mais de 700 vezes.

A ovelha era a principal riqueza e o meio de vida de povos pastorais, fornecendo alimento, leite, lã para a confecção de roupas e peles e ossos para outros usos. Além disso, ela era moeda de troca e um animal usado em sacrifícios. O número de ovelhas nos tempos antigos era prodigioso.

Philip W. Comfort e Walter A. Elwell. Dicionário Bíblico Tyndale. Editora geográfica. pag. 80.

 

 

OVELHA

Seis palavras hebraicas e uma palavra grega estio envolvidas na compreensão deste verbete, a saber:

Kebes, cordeiro. Palavra hebraica que figura por cento e quatro vezes. Por exemplo, Êxo. 29:38-41″ Lev. 4:32; 9:3; 12:6; Núm. 6:12,14; 7:15,17,88; 15:5; 28:3,4,7,9,11,13,14,19,21,27,29; II Cr 29:21; Esd. 8:35; Pro. 27:25; Isa. 1:11; ler. 11:19; Eze. 46:4-7,11,13,15; Osé. 4:16.

Keseb, cordeiro. Palavra hebraica que aparece por doze vezes. Para exemplificar: Gên. 30:32,33,35; Lev. 1:10; 7:23; Núm. 18:17; Deu. 14:4.

Tson, ovelha. Palavra hebraica usada por cento e dez vezes, com esse sentido. Por exemplo: Gên. 4:2; 12:16; 20:14; Exo. 9:3; 20:24; Lev. 22:21; Núm. 22:40; 27:17; 32:36; Deu. 7:13; 14:26; los. 7:24; I Sam. 8:17; 14:32; 27:9; 11 Sam. 7:8; I Reis 1:9,19,25; II Reis 5:26; I Cr, 5:21; II Cr. 5:6; 7:5; Nee. 3:1,32; Jó 1:3; Sal. 4:11,22; 49:14; 74:1; Isa. 7:21; 13:14; Jer. 12:3; Eze. 34:6,11,12; Joell:18; Miq. 2:12; Zac. 13:7.

Tsoneh, ovelha. Palavra hebraica usada por duas vezes: Núm. 32:24 e Sal. 8:7.

Rachei, ovelha. Palavra hebraica usada por quatro vezes: Cano 6:6; Isa. 53:7; Gên. 31:38, 32:14.

Seh, «ovelhinha», Palavra hebraica que ocorre por quarenta e quatro vezes, com diversas traduções correlatas. Por exemplo: Êxo, 22:1,4,9,10; Lev, 27:26; Deu. 17:1; 18:3; los. 6:21; I Sam. 14:34; Sal. 119:176; ler. 50:17.

Prôbaton, «ovelhas, «carneiro». Vocábulo grego empregado por trinta e nove vezes no Novo Testamento: Mat. 7:15; 9:36; 10:6; 10:16; 12:11,12; 15:24; 18:12; 25:32,33; 26:31 (citando Zac. 13:7); Mar. 6:34; 14:27; Luc. 15:4,6; João 2:14,15; 10:1-4; 10:7,8,11-13,15,16,26,27; 21:16,17; Atos 8:32 (citando Isa. 53:7); Rom. 8:36 (citando Sal. 44:23); Heb. 13:20; I Ped. 2:25 e Apo, 18:13.

 

Características da Ovelha Domesticada. A maior parte das espécies atualmente difere largamente de seus antepassados selvagens, e essas diferenças começaram a aparecer quase desde o princípio.

Quatro são as diferenças principais: a. a lã. Essa se faz presente nas espécies selvagens, embora tome-se mais patente durante o inverno, quando pode cobrir os pelos mais duros. As propriedades da li, como o acetinado e a capacidade de produzir fios, foram reconhecidas na antiguidade desde bem cedo, tendo sido criadas espécies que produziam boa li em grande quantidade. Porém, ovelhas dotadas de pelos duros até hoje podem ser encontradas, especialmente nos trópicos. b. A cauda. Algumas espécies domesticadas têm caudas com duas ou três vezes mais vértebras que as formas selvagens. Em outras espécies domesticadas, a cauda tomou-se um órgão onde é armazenada grande quantidade de gordura, o que tem sido encontrado entre múmias tão antigas quanto as da XII dinastia egípcia (cerca de 2000 A.C.). c. A cor. O homem ocidental está tio acostumado a ver ovelhas brancas que qualquer outra coloração lhe parece estranha.

As primeiras ovelhas, mui provavelmente, eram marrons; mas, no Egito havia ovelhas brancas, marrons e negras, antes de 2000 A.C. e talvez até muito antes disso. Tomou-se tradição pensar que as ovelhas referidas na Bíblia sempre fossem brancas; isso é correto quase em todos os casos, mas não é inteiramente o sentido do texto que diz: “…se tomarão como a lã. (lsa. 1:18). Na verdade, as palavras «lã de Zaar» (com base no texto hebraico que fala em tsachar, «brancura»; Eu. 27:18), encontram-se em um contexto que dá ideia de riquezas. Mas é óbvio, com base no trecho de Gênesis 30:32 ss, que tanto as ovelhas quanto os bodes eram de várias colorações, presumivelmente incluindo a cor «branca», embora a palavra ali traduzida como «malhados» indique manchas claras em animais escuros. Por igual modo, devido aos trechos de Núm. 28:3,9 e 29:17,26, onde se lê que as ovelhas oferecidas em sacrifício tinham de ser «sem defeito», que isso indicaria que esses animais teriam de ser imaculadamente brancos.

Porém, essa palavra aponta para imperfeições em geral, e não, necessariamente, à coloração. Dos animais. d. Habitat. Começando como um animal que vivia naturalmente em regiões montanhosas, as ovelhas se desenvolveram em espécies dispersas por toda a espécie de terreno, desde terras altas até pantanais, ou mesmo até às fimbrias dos desertos. A ovelha é mais seletiva do que o bode, em sua alimentação, requerendo uma melhor quantidade de forragem, geralmente uma melhor qualidade de relva, conforme podemos observar em I Crônícas 4:39,40: «Chegaram até à entrada de Gedor, ao oriente do vale, à procura de pasto para os seus rebanhos. Acharam pasto farto e bom». As erráticas chuvas de inverno que caem na Palestina faziam a relva crescer em tufos, e os pastores, sabendo onde encontrar pastagem, levavam as suas ovelhas até aqueles lugares. Davi, com base nesse tipo de experiência, escreveu: «Ele me faz repousar em pastos verdejantes….. (Sal. 23:2).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 4. 11 ed. 2013. pag. 648.

 

 

2- Natureza.

 

As ovelhas são animais indefesos e medrosos que se assustam facilmente e se dispersam rapidamente (Zc 13.7). Uma ovelha virada de costas com as patas para cima não consegue se levantar e, além de morrer depressa, torna-se presa fácil de predadores. Somente o pastor pode socorrê-la; é, pois, necessário uma supervisão diária. As ovelhas não cuidam de si mesmas, elas exigem atenções continuadas de dia e de noite (Lc 2.8) sob muitos aspectos (Lc 15.4-6). O rebanho precisa de cuidados por causa dos predadores (1Sm 17.34, 35) e de outros infortúnios como a presença de insetos e parasitas (SI 23.5).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

A natureza da ovelha

A ovelha tem uma natureza única. Ela não tem duas naturezas. Ovelhas não enfrentam o Pastor. Não é da natureza da ovelha enfrentar Pastor, morder Pastor, fugir do rebanho.

Quando uma ovelha foge do rebanho é por uma questão de visão. Pelo fato de a ovelha enxergar apenas três metros à frente, sendo que enxerga, nitidamente, apenas um metro e meio à sua frente, quando se afasta do Pastor, perde-se facilmente.

Toda ovelha é míope, por isso segue o Pastor pelo faro e pela audição. A única coisa que a ovelha tem muito afinada é a audição e o berro, características fortes. Porém, em tudo, a ovelha é frágil.

A ovelha é um animal que requer muitos cuidados, precisa ser olhada e observada 24 horas por dia. O único animal que precisa de cuidado em tempo integral é a ovelha, por isso Deus escolheu a ovelha para ser um sinal do Reino e, por isso, Ele escolheu ser Cordeiro para sinal do Reino.

Nova. Renê Terra,. Geração Ovelha: O Ministério que está no coração do Cordeiro., Semente de Vida Brasil. Ed. 2014.

 

 

11 curiosidades sobre as ovelhas

1º) – Todos os animais foram criados com uma defesa especial. A cobra, o cachorro, o leão, todos têm defesas, mas a ovelha é o único animal terreno que não possui defesa alguma, ela é totalmente vulnerável, ela fica no fim da cadeia alimentar, não se defende, não tem habilidades de luta.

2º) – A ovelha produz lã o tempo todo. Desde que nasce, ela produz lã, quanto mais tosquiada mais ela produz.

3º) – A ovelha é um animal bastante ingênuo. Ela não sabe discernir a erva boa para comer da erva venenosa, por isso o pastor tem que ir na frente preparar a pastagem com cuidado, retirando aquelas que podem envenená-la.

A alimentação das ovelhas é fundamentalmente a erva, que encontram nos pastos por onde pastam. Não necessita de muitos suplementos alimentares e tem a característica de não estragar esse mesmo pasto.

Quando ela vai se alimentar no aprisco, ela só come na sua manjedoura.

Se a manjedoura de outra ovelha estiver cheia, e a sua vazia, ela não irá à manjedoura alheia e comerá a comida de outra ovelha. Esta atitude poderá até levar a ovelha à morte, mas o princípio de obediência é respeitado. A ovelha espera até que o pastor coloque o alimento na sua manjedoura.

4º) – As ovelhas conhecem a voz do seu pastor.

Pesquisando a respeito disso, li uma história bem interessante:

“Um certo homem esteve na África. E estando ali viu um grande lago onde muitos animais iam beber água. De repente, chegou um pastor com umas duzentas ovelhas e elas começaram a beber, depois chegou outro pastor com suas ovelhas. Então o homem se questionou “Como ele vai saber quais são as ovelhas dele se estão todas misturadas?” Depois chegou mais um pastor, com mais uma quantidade de ovelhas. Os pastores ficaram conversando enquanto as ovelhas bebiam. Daqui a pouco foi saindo um por um, e as ovelhas escutaram a voz de cada pastor chamando-as e cada rebanho seguiu ao seu pastor, sem se misturar.”

5º) – Só dorme no mesmo lugar. Aqui o paralelo é um pouco diferente. A ovelha sabe qual é o seu lugar no aprisco! De maneira nenhuma ela vai querer o lugar de outra ovelha.

6º) – No dia que vai morrer, a ovelha não come, fica quieta num canto. Ela não demonstra nenhuma reação. Mesmo que alguém queira interagir com ela, ela não foge, não dá coices. Ela espera pacientemente pela hora do seu sacrifício.

Assim foi com o nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo sabendo a hora da morte, triunfantemente enfrento-a a fim de nos garantir a vida eterna.

7º) – A ovelha é um animal muito medroso. Basta que ela não sinta o cheiro do pastor para que fique tremula de medo. E no auge do medo pode sair correndo do aprisco e se torna presa fácil dos predadores.

8º) – A ovelha é muito sensível a perturbação das moscas que ficam rodeando a sua cabeça. Se isso acontece com frequência, ela acaba ficando desnorteada, vai balançar a cabeça de um lado para o outro tentando fugir do assédio dos insetos, acaba ficando sem comer, emagrecendo. Vendo que não consegue se livrar dos insetos, sai correndo sem direção. Quando uma ovelha corre a outra fica apavorada e vai atrás. É preciso que o pastor molhe a cabeça dela com óleo para afastar os mosquitos.

9º) – A ovelha come o dia inteiro e de noite esta com o estômago muito cheio. O maior órgão que a ovelha possui é o estômago, que toma conta da maior parte da caixa torácica.

10º) – Durante a noite elas gostam de brincar de dar cabeçadas umas nas outras e normalmente caem no chão com as patas para cima e depois não conseguem se levantar sozinhas pois a lã dificulta que ela se levante. Se a ovelha não for erguida dentro de uma hora, ela morrerá asfixiada, pois o estômago comprimirá e apertará o seu pulmão, por isso o pastor precisa durante a noite andar no meio das ovelhas levantando as ovelhas caídas.

11º) – Para corrigir e acudir a ovelha o pastor dispõe de dois instrumentos: A

Texto Anônimo.

 

 

3- O rebanho.

 

O povo de Israel e a igreja são identificados diversas vezes, na Bíblia, como rebanho (Nm 27.17; 1 Pe 5.2). Além do sentido próprio do termo, figuradamente ”rebanho” é aplicado a Israel por desfrutar do relacionamento pactual com Deus (Is 40.11). Isso vale também para a igreja no Novo Testamento (Mt 26.31; Lc 12.32) e diversas vezes Israel era visto como ovelhas sem pastor (1Rs 22.17; Mt 9.36; 10.16; 15.24).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

REBANHO. Uma palavra usada para traduzir três palavras hebraicas e duas gregas: […] usada para referir-se a um grupo de carneiros ou cabras, ou ambos juntos (Gn 29.2; Ct 4.1; J1 1.18); também usada figuradamente para Judá como o rebanho de Deus, o objeto de seu cuidado especial (Is 40.11; Sf 10.3). […] também usada para se referir a carneiros ou cabras (Gn 4.4; 38.17), algumas vezes o contexto toma claro que ela não inclui ambos (1Sm 25.2) e para Judá (SI 77.20; Jr 23.2); rupa, “gado” (Nm 32.26). […] Essas palavras gregas são usadas exclusivamente em um sentido figurado para a igreja (Mt 26.31; Lc 12.32; At 20.28,29; IPe 5.2,3)7

MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 5. pag. 80.

 

 

REBANHO

Há seis palavras hebraicas e duas palavras gregas envolvidas neste verbete, a saber:

Eder, «rebanho». Termo hebraico que é usado por trinta e oito vezes; segundo se vê, por exemplo, em Gên. 29:2,3,8; 30:4; Jui. 5:16; I Sam. 17:34; II Crô. 32:28; Jó 24:2; Sal. 78:52; Can. 1:7; 4:1,2; Isa. 17:2; 32:14; Jer. 6:3; 13:17,20; 31:10,24; 51:23; Eze. 34:12; Joel 1:8; Miq. 2:12; 4:8; 5:8; Sof. 2:14; Zac. 10:3; Mal. 1:14.

Tson, «ovelha», «rebanho». Essa palavra ocorre por mais de duzentas e sessenta vezes, principalmente com o sentido de «ovelha». Mas, com o sentido de «rebanho» aparece por cento e trinta e sete vezes, conforme se vê, para exemplificar, em Gên. 4:4; Êxo. 2:16,17; Lev. 1:2,10; Núm. 11:22; Deu. 8:13; I Sam. 3:20; II Sam. 12:2,4; I Crô. 4:39,41; II Crô. 17:11; Esd. 10:19; Nee. 10:36; Jó 21:11; Sal. 65:13; Can. 1:8; Isa. 60:7; Jer. 3:24; Eze. 24:5; Amós 6:4; Jon.3:7; Miq. 7:14; Hab. 3:17; Sof. 2:6; Zac. 9:16; 10:2; 11:4,7,11,17.

Miqneh, «gado», «aquisição». Palavra hebraica que ocorre por setenta e cinco vezes, conforme se vê, por exemplo, em Gên. 4:20; Êxo 9:3; Núm. 20:19; Deu. 3:19; Jos. 1:14; Jui. 6:5; I Sam. 23:5; II Reis 3:17; I CrÔ. 5:9,21; II Crô. 14:15; Isa. 30:23.

Marith, «gado no pasto». Palavra hebraica que aparece por apenas uma vez com esse sentido, em Jer. 10:21, embora apareça outras dez vezes com o sentido de «pasto».

Chasiph, «rebanho ao relento». Palavra hebraica utilizada por apenas uma vez: I Reis 20:27.

Ashtaroth, «multiplicações». Palavra hebraica empregada por quatro vezes, com o sentido de «rebanhos»: Deu. 7:13; 28:4, 18,51.

Poímne, «rebanho». Palavra grega usada por cinco vezes: Mat. 26:31 (citando Zac. 13:7); Luc. 2:8; João 10:16; I Cor. 9:7.

Poimnion, «pequeno rebanho». Termo grego usado também por cinco vezes: Luc. 12:32; Atos 20:28,29; I Ped. 5:2,3.

Esse vocábulo português, quando usado na Bíblia, indica um grupo de ovelhas, ou de cabras, ou de ambas essas espécies (Gên. 4:4; 29:2; Can. 4:1; Joel 1:18). Em Números 32:36, porém, está em pauta o gado vacum. Ver os artigos separados sobre Ovelhas, Cabras e Gado.

Usos Figurados:

Exércitos, nações e grandes grupos de pessoas são assim denominados (Jer. 49:20; 51:23). Isso acontece porque tais grupos estão unificados em torno de alguma causa comum, ou porque representam alguma herança cultural comum.

Os «donos dos rebanhos» (Jer. 25:34,35) são os líderes e governantes do povo, homens poderosos e ricos.

Israel aparece como o rebanho do Senhor (Jer. 13:17,20), alvo de seu amor e de seus cuidados. Eles formam um rebanho santo (Eze. 37:38), em distinção às multidões dos povos pagãos.

O trecho de Zacarias 11:4 fala nas «ovelhas destinadas para a matança», que são aquele grupo de pessoas que Deus determinou destruir mediante o seu juízo, dentre do povo de Israel. Nações pagãs serão usadas para produzir essa matança.

A Igreja é o rebanho do Senhor Jesus e ele é o seu Pastor (Isa. 40:11; Atos 20:28; João 10). Nessa conexão, examinar também Luc. 12:32 e I Ped. 5:2,3.

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. 11 ed. 2013. pag. 571.

 

 

REBANHO (FIGURATIVO) Esta expressão era frequentemente usada em relação ao povo de Deus. Os profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel, Miquéias e Zacarias usaram o termo rebanho como referência a Israel. Por exemplo, “Como pastor, apascentará o seu rebanho” (Is 40,11). Jeremias acusou falsos Êrofetas de terem dispersado o rebanho de Deus (Jr 23.2). Ezequiel usa a palavra mais de uma dezena de vezes no cap. 34 em um sentido figurativo do povo de Deus. O Senhor Jesus citou Zacarias 13.7, aplicando o termo rebanho aos seus discípulos (Mt 26.31). Ele se dirigiu diretamente aos seus seguidores como “pequeno rebanho” (Lc 12.32). Paulo admoestou os presbíteros efésios em Mileto: “Olhai, pois… por todo o rebanho”, e advertiu contra os “lobos” que poderiam destruir o rebanho (At 20.28,29). Entendemos que o Senhor Jesus usou a expressão “um rebanho” em relação à Igreja em João 10.16.

PFEIFFER. Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. 2 Ed. 2007. pag. 1652.

 

 

4- Os pastores.

 

A palavra ”pastores de Israel”, no contexto de Ezequiel, bem como no de Jeremias 23.1-5, se refere aos governantes. O sistema político na antiguidade de Israel era teocrático e não era possível separar o civil do religioso, diferente do que acontece nos estados laicos na atualidade. É importante entender essa diferença, pois diversas vezes adeptos de grupos religiosos, estranhos ao cristianismo bíblico, usam essas passagens bíblicas para atacar os nossos líderes. Trata-se de críticas rasteiras com o único objetivo: desqualificar a nossa doutrina e os nossos pastores.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Ai dos Pastores (23.1-2)

Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto!

Os pastores (reis) tinham-se mostrado desleais à sua incumbência. Em vez de recolher e proteger as ovelhas, eles as espalharam e prepararam o caminho para a destruição diante do lobo babilónico. O termo “pastor” provavelmente é amplo o bastante para incluir a liderança, não meramente a dos reis; e o tempo do oráculo parece ser aquele de Zedequias. Cf. Eze. 34, que foi escrito mais ou menos na mesma época. Talvez estejam em foco os últimos quatro reis: Salum, Jeoaquim, Conias e Zedequias (ver Eze. 34.2). Esses homens tinham promovido a idolatria-adultério-apostasia de Judá, garantindo assim a retribuição divina que acabou reduzindo a nada a nação de Judá.

Vós dispersastes as minhas ovelhas, e as afugentastes. Os pastores não eram apenas indiferentes para com as ovelhas. Antes, eram ativamente prejudiciais. Eles não as alimentavam; eles as espalhavam; eles as afugentaram para terem de enfrentar os lobos; eles não as recolheram (visitaram) para cuidar de suas necessidades. Por não havê-las visitado, provocaram a visita da potência do norte que deixou a terra desolada. Quanto à potência vinda do norte, ver Jer. 1.13-15; 4.5-31; 5.15-17; 6.22,26; 8.14-17; 10.21; 13.20-27; 15.12 e 16.15. Esse foi o mal final que significou o aniquilamento do rebanho.

A visitação seria divina, mas realizada através de instrumentos humanos (ver Isa. 13.6). Seria uma visitação caracterizada pela ira (ver Êxo. 32.34). Se a liderança de Judá tivesse cuidado do rebanho, este não teria mergulhando em sua degradação através da idolatria e da injustiça social, e a causa poderia ter sido salva. Mas Judá tornou-se a esposa adúltera (ver Jer. 3.1-2,12), que foi rejeitada e desonrada pela concupiscência de seus amantes.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3058.

 

 

Os pastores eram os líderes falsos do rebanho, que deixaram que ele se dispersasse e no fim fosse destruído (2:8,10:21, etc). Má liderança é a verdadeira causa do exílio. Ovelhas pastando é uma imagem campestre muito comum na Escritura. Deus, o Supremo Pastor, zela pelo bem-estar do seu rebanho, e Cristo, o Bom Pastor (Jo 10:11), mostrou com sua morte até onde o amor divino estava disposto a ir para redimir a humanidade pecadora. No v.2 o TM pãqad (cuidar) é usado em um jogo de palavras intencional, visível também nas nossas traduções; na segunda vez o significado é “castigar”. Os profetas pré-exílicos predizem que um remanescente retornará para repopular a terra devastada. Dos que retornarem, nenhum se perderá, porque pastores responsáveis cuidarão (pãqad) do seu bem-estar (apascentar).

K. Harrison. Jeremias. Introdução e Comentário. Editora Mundo Cristão. pag. 93.

 

 

Aqui está uma mensagem terrível aos pastores negligentes. É chegado o dia em que Deus vai ajustar contas com eles, a respeito do que lhes foi confiado e da incumbência que receberam: “Ai dos pastores” (dos governantes, tanto na igreja como no estado) que deveriam ser, para aqueles sobre os quais são colocados, como pastores para guiá-los, alimentá-los, protegê-los, e tomar conta deles. Eles não são proprietários do rebanho, das ovelhas. Deus aqui as chama de “ovelhas do meu pasto”, pelas quais me interesso, e para quem providenciei bom pasto. Ai daqueles, portanto, que recebem ordem de apascentar o povo de Deus, e fingem fazê-lo, mas, em vez disso, dispersam as ovelhas e as afugentam, pela sua violência e opressão, e não as visitam, não cuidam do seu bem-estar, nem se preocupam, de maneira nenhuma, em fazer-lhes o bem. Ao não visitá-las, e não cumprir o seu dever com elas, na verdade eles as dispersavam e afugentavam. Os animais predadores as dispersavam, e os culpados eram os pastores que deveriam tê-las mantido todas reunidas. Ai deles, quando Deus visitar sobre eles a maldade de suas ações, e lidar com eles como merecem. Eles não visitaram o rebanho, para cumprirem o seu dever, e por isso Deus os visitará, sob a forma de vingança.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Isaías a Malaquias. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 461.

 

 

SINOPSE I

 

O rebanho nas Escrituras pode ser identificado com o povo de Israel e a Igreja de Cristo.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

O REBANHO

”As coisas que Deus promete fazer pelo seu rebanho, como o Bom Pastor, são belas e graciosas (11-31). Ele buscará as ovelhas dispersas (12). Isso, evidentemente, refere-se aos israelitas que estavam dispersos em muitos países. Sendo uma promessa eterna do Deus eterno, ela sem dúvida se refere à graça de Deus que continua buscando o pecador e o constrangendo a voltar para o rebanho. O dia de nuvens e de escuridão é uma figura para um tempo de incerteza e medo” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4– Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 476).

 

 

II – SOBRE OS PASTORES INFIÉIS

 

O profeta Ezequiel compara os líderes de Israel a pastores. Pode-se dizer que o tema da presente lição é provavelmente o mais familiar do livro de Ezequiel por causa da linguagem pastoril.

 

1- O pastor de ovelhas.

 

A função primordial do pastor é alimentar, guiar e proteger o rebanho e isso ilustra bem o papel do líder de uma nação. Muitos líderes de Israel fizeram isso com perícia, dedicação e responsabilidade como Davi (Sl 78.72). A parábola da ovelha perdida revela esse dever do pastor (Lc 15.4-6). Moisés e Davi foram pastores de ovelhas no sentido estrito da palavra (Êx 3.1; Sl 78.70,71). Mas os líderes de Israel, contemporâneos de Ezequiel, se desviaram de suas funções.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

E ele os apascentou. Davi possuía coração correto e mão direita firme para ocupar a posição de pastor de Israel. Sua alma não estava corrompida pelos pecados que o salmista tão laboriosamente descreveu por todo o salmo. Antes, Davi era um homem segundo o coração de Deus (I Sam. 13.14) e obteve esse coração piedoso da parte de Deus. Ademais, Davi tinha mãos habilidosas tanto na guerra como na paz. Fazia coisas que promoviam a causa de Israel. “O pastor, com seu cajado e seu bordão na mão, guia as ovelhas (ver Sal. 23.4). Assim também Davi exibiu suas habilidades não somente mediante conselhos, mas de acordo com a execução de suas mãos” (Fausset, in ioc.),

A integridade do seu coração. Ver o artigo no Dicionário quanto ao uso metafórico do termo “coração”. Ver também sobre a palavra Mão, no artigo intitulado Usos Metafóricos. Cf. I Reis 9.4, que também contém a expressão “com integridade de coração”.

Este versículo tem sido cristianizado para falar da liderança mais ampla do Messias. Ver Isa. 52.13.

É assim que este longo salmo, tão entristecedor em suas descrições dos pecados nacionais de Israei, termina com uma nota exultante de expectação. Espera-se que a salvação de Israel resida na dinastia davídica. Neste salmo não há nenhuma clara referência à divisão da nação de Israel nas partes norte e sul — respectivamente. Israel e Judá — embora as sementes dessa divisão estivessem visíveis desde há muito tempo: vss. 9-11 e 67,68.

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 2301.

 

 

Assim, os apascentou; ele os governou e os ensinou, os guiou e os protegeu:

[1] De forma muito honesta; pois agia segundo a integridade do seu coração, tendo em vista somente a glória de Deus e o bem do povo comprometido com a sua causa; os princípios da religião eram as máximas do seu governo, que era administrado, não com políticas mundanas, mas com sinceridade piedosa, pela graça de Deus. Em tudo o que fazia, Davi agia tendo em mente o bem, sem motivos obscuros por trás das suas ações.

[2] De forma muito discreta; ele agia com a perícia das suas mãos. Além de ser muito sincero nos seus propósitos, Davi era, também, muito prudente no que fazia, e escolhia os meios mais adequados para a consecução dos seus objetivos, pois o seu Deus lhe havia instruído para agir com discrição. Bem-aventurado é o povo que vive debaixo de um governo assim! E é por boas razões que o salmista fez deste o último exemplo maior da bondade de Deus para com Israel, já que Davi era uma tipificação de Cristo, o grande e bom Pastor, que foi primeiramente humilhado, e depois exaltado, e de quem se profetizou o enchimento por parte do espírito de sabedoria e entendimento e que julgaria e repreenderia com equidade, Isaías 11.3,4. Na integridade do seu coração e na perícia das suas mãos, todos os seus súditos poderiam confiar completamente, e o crescimento do seu governo e do seu povo não terá fim.

HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Antigo Testamento Jó a Cantares de Salomão. Editora CPAD. 1 Ed. 2010. pag. 493.

 

 

Embora Davi estivesse no trono quando este salmo foi escrito, ele era chamado de pastor, não de rei. O pastoreio, uma profissão comum naquela época, era um trabalho de alta responsabilidade. Os rebanhos dependiam completamente dos pastores para ter direção, provisão e proteção. Davi passou sua juventude como pastor (1 Sm 16.10.11). Este foi o treinamento para as responsabilidades futuras que Deus lhe havia reservado.

Quando estava pronto, Deus o promoveu de pastor de ovelhas a pastor de Israel, o povo santo. Não ignore a sua situação presente nem a considere com irresponsabilidade; ela pode ser o treinamento de Deus para o seu futuro.

Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 790.

 

 

2- O que os governantes faziam (vv.2,3)?

 

Cuidavam de si mesmos: “Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos!,, (v.2). Essa era uma denuncia contra as autoridades civis e religiosas de Jerusalém que empregavam todo o seu esforço em benefício próprio, deixando de lado a função pela qual foram constituídos: proteger o povo e prover as condições para o bem-estar espiritual e econômico dos seus cidadãos.

O profeta mostra três práticas deploráveis deles numa linguagem metafórica: ”Comeis a gordura, e vos vestis da lã, e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” (v.3) para designar exploração e abuso de sua autoridade. Eles não cuidavam do povo e nem se esforçavam para suprir suas necessidades, antes cuidavam de si mesmos (Jr12.10).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Seguindo o padrão do livro, uma vez mais Deus se dirige ao Profeta com a expressão usual, Filho do homem, encarregando-o de profetizar contra os pastores de Israel: Ai dos pastores de Israel.

“Ai” neste verso traduz a interjeição hoi, que aparece 51 vezes no texto hebraico, sendo 50 delas nos profetas – em Ezequiel 13.3, 18; 34.2 – e uma em 1Reis 13.30. “Ai” também traduz ʾoi, que ocorre 24 vezes no Antigo Testamento, em Ezequiel 16.23, 24.6, 9. Verifica-se o uso frequente dessas duas partículas com sentido de súplica, e, em Ezequiel, quando são empregadas, é para expressar lamentação. Assim, pelo início com “ai”, o leitor espera que a mensagem transmitida por Deus ao Profeta tratará de um lamento pelo comportamento dos pastores de Israel (vv. 2-6).

Assim, Deus chama Ezequiel para que o profeta transmita a mensagem contra eles, iniciando pela fórmula: Assim diz o Senhor Deus. A palavra os confronta com uma afirmação e uma negação; eles estão pastoreando a si mesmo, mas não as ovelhas, ou seja, exploram-nas para satisfação própria. O livro de Ezequiel é rico em metáforas. Isso é observado, sobretudo, nos provérbios (12.22; 16.44; 18.2) e nas parábolas (15.1-8; 17.1-10; 19.1-14; 24.3-5), com destaque para a natureza – árvores, videira, leão, águia – e atividades cotidianas como cozinhar carne na panela. Neste capítulo 34, há uma alegoria com linguagem metafórica sobre uma profissão.

Alegoria consiste na representação de ideias ou pensamentos de maneira figurada. A metáfora é um dos recursos disponíveis para enriquecer o discurso, dando um significado além do literal. É uma maneira de despertar os sentidos e a imaginação do leitor ou ouvinte, ampliando suas percepções. A palavra do Senhor é, então, transmitida com beleza figurada e poética, mas de modo que as pessoas entendam.

O Profeta trabalha a metáfora dos pastores e das ovelhas/rebanho. Embora Ezequiel descreva as ações reais da atividade pastoril, o foco não é esse. Os pastores referem-se aos governantes, e as ovelhas, ao povo de Israel. Essa linguagem simbólica representa a autoridade real presente no imaginário dos antigos. Hamurabi, rei da Babilônia, século 18 a.C., aparece nas transcrições como pastor. Mais tarde, também Nabucodonosor é apresentado assim. No texto bíblico, além de Ezequiel, em 2Samuel 5.2, Deus disse que Davi apascentaria o seu povo. Isaías 44.28 apresenta Ciro como pastor. No capítulo 36, verso 37, Ezequiel compara a casa de Israel, que consiste em governantes e povo, a um rebanho. Até no Novo Testamento, essa imagem de líderes aparece em Mateus 25.31-33, o pastor que separa as ovelhas dos cabritos. No contexto do capítulo, estão em julgamento, então, os reis Jeoaquim e Zedequias e os assessores e oficiais.

Assim é o início desse oráculo: identificação de falhas dos reis.

Portanto, numa linguagem pastoril e concreta, pois expõe uma atividade típica de sua época, Ezequiel expõe que Deus estava rejeitando aquele comportamento dos governantes.

[…] três afazeres que eles realizam versus quatro que não realizam. Os versos apontam que a maneira como agiam não era a correta. Há discussão entre os estudiosos bíblicos sobre quais eram exatamente os problemas expressos pela metáfora “gordura”, “lã” e escolha do melhor.

Provavelmente, como explica Moshe Greenberg, a reprovação é porque não se comia dos animais que se pastoreava (Gn 31.38; 1Sm 28.24). A gordura não era para consumo humano, mas oferta para Deus (Lv 3.17; 7.22-25).71 No entanto, qualquer que seja o sentido do figurado, é evidente que o problema está na falta de cuidado das ovelhas, na prática da crueldade e na má conduta administrativa.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 95-96.

 

 

Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel. Yahweh fala com o profeta utilizando seu título comum (anotado em Eze. 2.1). Mandou-o repreender os profetas desviados de israel-Judá. Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno Deus) pronuncia um oráculo ameaçador e, como Soberano, tem o poder para efetuá-lo. Os líderes perversos, alimentando-se fartamente, deixaram as ovelhas passar fome. O padrão de seu serviço era o interesse próprio, não o bem-estar do povo. Realizando seu jogo perverso, logo caíram em infrações sérias, inclusive crimes de sangue.

“Os vss. 2-4 apresentam a verdadeira atitude profética em relação aos líderes ímpios (cf. Jer. 22.13-17; Osé. 1.4; 7.7; I Sam. 8.1-22” (Theophile J. Meek, inloc.).

O falso pastor considera o rebanho somente como um meio para ganhar algo de valor para si mesmo. Obviamente, devem existir poder e liderança em qualquer sociedade, mas não sem a responsabilidade que vise o bem-estar coletivo.

“Os líderes frequentemente foram chamados pastores. Ver Sal. 78.70-72; Isa. 44.28; Jer. 23.1-4; 25.34-38. Ezequiel expôs primeiramente os pecados dos falsos pastores e depois pronunciou um julgamento justo contra eles (vss. 7-10)” (Charles H. Dyer, in loc.).

Comeis a gordura. Quando um animal era sacrificado, as “delicadezas” (segundo a mente hebraica), o sangue e a gordura, pertenciam a Yahweh, sendo queimados no Seu altar. Ver as leis sobre o sangue e a gordura em Lev. 3.17. Então, oito porções (os melhores cortes da carne) pertenciam aos sacerdotes. O restante era dividido entre os adoradores que haviam trazido os sacrifícios. Uma refeição comunal terminava o rito, cada um comendo sua porção apropriada.

– Aqueles perversos e presunçosos falsos pastores tomavam para si mesmos o melhor, que pertencia exclusivamente a Yahweh! Na mente hebraica, tal ação configurava um ato de traição que anulava a lei mosaica e merecia execução legal. Os perversos, então, se apossavam das outras partes dos animais, para comer e fazer roupas. Fartavam-se e engordavam, deixando o povo sem nenhuma provisão de comida ou de roupa. Aqueles homens eram tiranos gananciosos, explorando o povo. “Os pastores (isto é, reis, oficiais etc.) abusaram do povo (Jer. 23.13-17) e o espalharam (Jer. 10.21; 23.1-4). Este oráculo reforça a doutrina da responsabilidade pessoal (Eze. 18.5-22). Os líderes, supostamente, eram sujeitos às leis de Deus (II Sam. 12.1-15), mas, de fato, eram rebeldes e perversos” (Oxford Annotated Bible, introdução à seção).

Em vez de alimentar as “ovelhas”, usaram-nas para alimentar a si mesmos! Eles as abatiam, roubavam, praticavam crimes de sangue, pervertiam a lei de Moisés, promoviam injustiças sociais, utilizando as primícias para seu próprio benefício, impondo pesados impostos sobre os menos afortunados, enquanto o dinheiro se acumulava em suas tesourarias pessoais. O Targum diz, simplesmente, em um sumário sucinto: “Vós comeis o que é bom”, implicando que somente o ruim ficou para as ovelhas. “Foram como cachorros famintos que nunca se satisfazem, como Isa. 56.11 diz” (Fausset, In loc.).

Tais cães são gulosos, nunca se fartam; são pastores que nada compreendem.

(Isaías 56.11)

“Egoísmo é a característica principal dos pastores infiéis. Cf. João 10.1-17”

(Ellicott, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3305-3306.

 

 

De acordo com os vv. 2-6, o rebanho fora colocado em perigo por causa da flagrante negligência dos líderes, que pastoreavam (rõ’eh) a si próprios em lugar de cuidar (rõ’eh) das ovelhas. Isso pode ser aceitável na vida real, em que os pastores são justificadamente motivados por interesse próprio, mas quando a imagem é usada metaforicamente a respeito de humanos pastoreando humanos, o pastor tem responsabilidades para com o governado.

Ezequiel imputa aos governantes três crimes de cometimento. Primeiro, eles consomem o leite do rebanho deles. O verbo ‘ãkal (lit. “comer”) sugere um produto lácteo sólido, talvez coalhada ou queijo. Novamente, na vida real, o consumo do leite do rebanho não é um ato de exploração, mas, aqui, é feito para que se pareça com roubo.

Segundo, os pastores tosam o rebanho: a lã vós usais. Isso também é natural na economia pastoril, mas a figura de Ezequiel adota a retirada forçada de lã, fazendo parecer que as ovelhas eram deixadas nuas diante das forças da natureza.

Terceiro, eles matam os animais cevados (habbèr’’ a). O verbo zãbah geralmente indica a morte de um animal sacrificial, especialmente para a zebah, a refeição “sacrificial”. Mas, aqui, o verbo fiinciona simplesmente como um sinônimo de fãòah, sem qualquer nuance religiosa. Os pastores criam os carneiros por sua carne, mas, neste contexto metafórico, tal matança representa a violação mais espalhafatosa da fiinção do pastor, presumivelmente assassinato judicial (cf 7.23; 9.9, etc.). A tríade de acusações se conclui com uma reiteração da acusação geral no v. 2. Os governantes tomaram excelente cuidado consigo mesmos, mas não cuidaram do rebanho.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 267-268.

 

 

3- O que os governantes não faziam (vv.4,8)?

 

Não cuidavam das ovelhas. As ovelhas fracas, doentes, quebradas, desgarradas e perdidas precisam de cuidados especiais, mas a realidade era diferente: ”A fraca não fortalecestes, e a doente não curastes, e a quebrada não ligastes, e a desgarrada não tornastes a trazer, e a perdida não buscastes; mas dominais sobre elas com rigor e dureza” (v.4). Essa linguagem metafórica revela o estado de miséria da população de Jerusalém. Essa situação nos leva a uma reflexão sobre a atual conjuntura do nosso país, que não é boa. Devemos orar pela nossa nação e seus governantes (1Tm 2.1-3).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Os “nãos”. A sequência de nãos revela o problema da omissão dos governantes de Israel. A situação em que as ovelhas se encontravam – fracas, doentes, quebradas, desgarradas e perdidas – não era natural dos animais, mas sim consequência do tratamento que estavam recebendo: dominam sobre elas com força e tirania. A lei proibia esse comportamento: “não domine sobre eles com tirania, mas tema o seu Deus” (Lv 25.43). Em outras passagens, há listas com as abominações praticadas pelos chefes do povo (11.1-2, 9; 12.10; 17.11-21; 19; 21.25; 22.6, 13). Assim, parece se tratar de tolerância em aceitar as falhas, o emprego de violência e o abuso de autoridade. Há um paralelo com pastores em Jeremias 3.15; 23.1-4.

Quanto às ovelhas, a palavra traduz zoʾen, do hebraico, que significa gado miúdo, ou seja, inclui gado caprino e ovino – bodes, cabras, cordeiros, carneiros e ovelhas. As versões em português trazem “ovelhas”. A LXX usa o termo probaton, que se refere especificamente a ovelhas.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 95-96.

 

 

A fraca não fortalecestes, a doente não curastes, a quebrada não ligastes, a desgarrada não tornastes a trazer e a perdida não buscastes. Entre o povo comum, sempre existem os fracos e os doentes, os indefesos e os totalmente dependentes, que podem ser facilmente explorados. Tais pobres almas, aqueles violentos desprezaram e exploraram, lucrando com cada ato perverso. Governaram com força excessiva, castigando com impostos absurdamente altos, intimidando, extorquindo, perseguindo, fazendo leis injustas que só serviam às classes mais altas, à custa do povo. Não tinham coração nem consciência, agiam como lobos. Aqueles ímpios não eram passivos; agiam com vigor, sempre machucando os fracos, espiritual e fisicamente. Cf. Êxo. 23.4. O líder verdadeiro leva seriamente os deveres para ajudar seu povo:

Nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho. Ora, logo que o Supremo Pastor se manifestar, recebereis a imarcescível coroa da glória. (I Pedro 5.3-4)

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3306.

 

 

Os crimes de omissão refletem uma camada de “pastores” israelitas que representam a antítese dos pastores responsáveis. Primeiro, eles não demonstram interesse pela saúde física do rebanho. Eles não fortaleceram (hizzêq) o fraco (nahélôt), não curaram (rippê’) o doente (hôlâ), nem ataram (hãbaS) o machucado (nisberet). Segundo, não mostraram interesse pela ovelha que deixou o rebanho. Eles não buscaram o desgarrado nem procuram o perdido. Em vez de cuidar (rã‘â) do rebanho, os pastores governaram sobre ele com dureza (hãzèqâ) e crueldade {perek).

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 268.

 

 

4- As ovelhas dispersas (vv. 5,6).

 

Ezequiel dirige esses oráculos divinos à casa de Judá, mas a mensagem diz respeito a todos os filhos Israel, até mesmo os dispersos pelos assírios (v.6). A mesma diáspora aconteceu em Judá com a destruição de Jerusalém, mas não é possível saber a data do pronunciamento desse discurso, se antes ou depois da queda da cidade santa. O profeta recebeu a notícia dessa derrocada algum tempo depois da destruição de Jerusalém ”no ano duodécimo, no décimo mês, aos cinco do mês” (Ez 33.21). Segundo os dados fornecidos nessa passagem, parece indicar 8 de janeiro de 585 a.C

 

 

COMENTÁRIO

 

 

As ovelhas se espalharam. A consequência das ações dos pastores é desesperadora. As ovelhas estão espalhadas e desgarradas. Trata-se de uma alusão ao cativeiro, sendo a dispersão do povo de Deus decorrente da omissão dos governantes, ou, nas palavras do Profeta, por não haver pastor. E ninguém dá atenção nem faz nada para corrigir esse cenário. Essa linguagem de dispersão do povo aparece também na visão de Micaías em 1Reis 22.17. No evangelho de Mateus, Jesus se depara com uma situação similar: “ao ver as multidões, Jesus se compadeceu delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36).

As funções pastoris são contrastadas no evangelho de João com as ações de mercenários: “o mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê o lobo chegando, abandona as ovelhas e foge; então o lobo as arrebata e dispersa. O mercenário foge, porque é mercenário e não se importa com as ovelhas” (Jo 10.12,13). Com a expressão minhas ovelhas, Deus identifica-se com as ovelhas, que não são propriedade dos pastores. O uso do possessivo “minhas” demonstra o cuidado e a preocupação divina.

Isso sinaliza esperança. Aparece também nos versículos 8, 10, 11, 12, 15, 17, 19, 22, 25 e 31.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 96-97.

 

 

Assim se espalharam, por não haver pastor. Os lideres não foram pastores, mas tiranos. Não protegeram o rebanho, mas o exploraram. Seus atos violentos espalharam as ovelhas, deixando-as desprotegidas e sem nenhum verdadeiro pastor. Perdidas nos campos, elas se tornaram alimento para as feras que vigiavam aqueles lugares, sempre famintas, sempre matando, sempre esperando para devorar mais uma vítima.

Os vss. 5-6 mencionam três vezes a dispersão das ovelhas, ressaltando que aquela ação figurava entre suas ofensas principais. O dever do pastor era o de não permitir justamente aquilo. Mas os falsos pastores tinham uma regra só: servir a si mesmos.

“Eles não mereciam o nome pastor; era um ultraje aplicar esse título augusto a eles (I Reis 22.17; Mat. 9.36). Cf. Mat. 26.31, onde também vemos a dispersão das ovelhas, porque o verdadeiro Pastor fora morto” (Fausset, in loc.). O povo se envolveu em pecados pesados como idolatria, adultério, explorações dos fracos, atos anti-sociais, opressões, porque não tinha líderes para instruir e guiar em caminhos retos. O Targum explica que a maior dispersão era justamente o cativeiro babilónico, que o povo sofreu por causa da infinidade de suas transgressões. Provavelmente, o vs. 6 inclua esta ideia.

As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes. O povo pecador tornou-se iníquo seguindo os maus exemplos dos líderes. Logo, os lobos atacarão para devorar líderes e liderados, que compartilharão o mesmo destino catastrófico. Os lobos internacionais eram os soldados babilónicos, sempre famintos, à procura de vítimas. Algumas poucas ovelhas que sobreviveram aos ataques dos lobos esconderam-se nas ravinas das colinas, em cavernas, em câmaras secretas. Algumas fugiram para países vizinhos e sofreram exílio permanente. A maioria dos sobreviventes foi levada cativa para a Babilônia, onde a miséria continuou.

“Lá fora” não houve ninguém que cuidasse das ovelhas perdidas e doentes.

Nenhum homem se preocupava com as suas almas. Chaucer falou de ovelhas perdidas “orientadas” por pastores perdidos:

Ele mesmo sendo um vagabundo, deixando

O caminho estreito,

Não era nenhuma maravilha, e suas ovelhas tolas

Também erraram o caminho.

As minhas ovelhas. Note-se que Yahweh as chama de “minhas ovelhas”, a despeito de seus pecados. Ele era o Pastor, mas aqueles designados subpastores foram negligentes e abusaram de seus deveres, descumprindo sua missão. Nunca a missão de alguém deve servir a si mesmo.

Foram espalhadas sobre toda a face da terra. Ninguém se preocupou em procurá-las. (NCV)

Por contraste, o Verdadeiro Pastor veio para procurar e salvar o que foi perdido (Luc. 19.10).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3306.

 

 

Estes versículos descrevem os efeitos desastrosos da conduta irresponsável dos governantes. Ter líderes como esses é pior que ficar sem pastor. Dispersas, as ovelhas vagueiam pelas montanhas e altas colinas, presas indefesas para todos os animais selvagens (hayat haésãdeh). O paralelismo das últimas duas linhas resume o amargo destino da nação: não há ninguém que busque as ovelhas perdidas.

Considerando que as linhas de abertura desse oráculo levam o leitor a esperar um oráculo de pesar normal dirigido contra os governantes de Israel, a inesperada inserção de meu rebanho (sõ’n’), no v. 6, revela o interesse primeiro de Yahweh e do profeta. As ovelhas maltratadas pertencem ao rebanho de Yahweh, não ao dos governantes. Eles tinham uma autoridade delegada e responderão a Yahweh pela maneira como exercitaram sua liderança. Porém, meu rebanho é mais que uma expressão de propriedade; é um termo de carinho. Finahnente, depois do que parece ser uma série sem fim de discursos de julgamento contra sua própria nação, uma mudança na disposição divina fica evidente. Jerusalém caiu e sua população está dispersa, mas Yahweh, o pastor divino, não esqueceu seu povo.

A descrição que Ezequiel faz de Yahweh no papel de pastor segue outra noção comum no Oriente Próximo a respeito dos deuses agindo como pastores sobre os humanos. A percepção se reflete nos epitetos divinos, como o de Marduque, re-e’-i tenisêti, “o pastor do povo”, e os nomes pessoais acadianos, como Ir-a-ni ‘’Marduque, “Marduque me pastoreou”, e ‘‘Samaã-ri-ú-a, “Shamash é meu pastor”, que é notadamente semelhante a yhwh rõ‘;, “Yahweh é meu pastor”, no Sl 23.1A caracterização que Ezequiel faz de Yahweh como o pastor de Israel é tirada de uma antiga tradição israelita, datada de antes do patriarca Jacó, que reconhecia Deus como “meu pastor por todos os meus dias” (Gn 48.15) e identificava Yahweh pelo título de rõeh, “pastor”, juntamente com outros epitetos. Com sua presente identificação de Israel como “meu rebanho”, Yahweh reafirma sua divina monarquia sobre a nação. A maneira pela qual ele exercerá sua realeza é explicada na parte final do capítulo.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 268-269.

 

 

SINOPSE II

 

A atuação dos pastores infiéis tem como consequência trágica a dispersão das ovelhas.

 

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

PASTORES INFIÉIS

“Enquanto o profeta é chamado de atalaia, os governantes de Israel são aqui chamados de pastores (2). Estão incluídos os reis, os príncipes e os ma­gistrados. […] Esses têm sido pastores infiéis para com o povo de Deus. Eles não têm sustentado o rebanho do Senhor (2), Israel. Em vez disso, eles estão mais preocupados em se alimentar a si mesmos e a estar bem vestidos (3). Eles não tiveram misericórdia para com a ovelha doente nem com a que estava ferida. Eles não buscaram a perdida (4), como Cristo, o Bom Pastor, fez anos mais tarde (Jo10.11,14)” (Comentário Bíblico Beacon: Isaías a Daniel. Vol. 4. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p. 476).

 

 

III – SOBRE O BOM PASTOR

 

O próprio Deus toma as dores das ovelhas e se coloca, Ele mesmo, como Pastor do rebanho. O Salmo 23 e o discurso de Jesus como o Bom Pastor (Jo 10.7-18) deixam isso muito claro.

 

1- A reação divina contra os maus pastores (vv.10-12).

 

Eles não visitaram as ovelhas no sentido de cuidar delas; agora é Deus quem vai visitar esses maus pastores no sentido de castigar (Jr 23.2). Deus promete buscar as ovelhas dispersas em toda a parte do mundo, uma referência ao retorno da segunda diáspora (Ez 34.12).

Ele promete ainda libertar o seu povo das mãos deles: ”E vos darei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com ciência e com inteligência” (Jr 3.15). Essa promessa não se refere ao Messias, mas pode se aplicar aos atuais pastores de igrejas (Mt 23.34; Ef 4.11). O profeta está dizendo que Javé vai dar ao povo líderes e governantes segundo os ideais de Davi (At 13.22). A promessa era para um futuro distante (Ez 34.23,24; 37.24; Os 3.5).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

No versículo 10, Javé reitera o que é dito na abertura do oráculo (v. 2): estou contra os pastores. Seguido da fórmula do Profeta, o descontentamento divino é evidente pela mensagem entregue por Ezequiel. Os pastores são responsáveis por seus atos diante de Deus e não estavam agindo com justiça. Por isso, perderão seus postos, mas não está especificada qual será a punição deles. A ênfase reside no livramento das ovelhas da boca deles.

A fórmula de revelação do profeta, porque assim diz o Senhor Deus, anuncia que, como os pastores não executaram sua tarefa, o próprio Deus se dispõe a buscar as suas ovelhas: Eis que eu mesmo procurarei as minhas ovelhas e as buscarei. Embora se inicie por uma lamentação, o oráculo segue com uma mensagem de esperança. No verso anterior, há o livramento das ovelhas. Na sequência, Deus mesmo vai pastorear Israel, os governantes e o povo, uma ação divina que condiz com sua natureza de amor, santidade, justiça e soberania.

Deus, sendo o verdadeiro pastor, age, então, em favor das ovelhas, como o pastor busca o seu rebanho. O imaginário bíblico sobre o pastor, além de estar presente nas poesias, também envolve grandes nomes como, por exemplo, Moisés, Jetro e Davi.

Assim, existe uma expectativa de quais deveriam ser as características do pastor. Sua principal atividade é alimentar e proteger as ovelhas. A ovelha desnutrida e faminta está sempre inquieta à procura de forragem. Elas precisam de pasto bom (1Cr 4.39, 40), do contrário nunca estão satisfeitas e se fragilizam ainda mais (Jl 1.18). Às vezes, o pastor precisa apaziguar conflitos entre as próprias ovelhas (Ez 34.20-22). A busca pela ovelha perdida é uma imagem significante no ministério de Jesus, como se lê em Mateus 18.12-14 e Lucas 15.1-7. Nessa linguagem metafórica, há um retrato tanto do animal quanto do ser humano, mais especificamente dos crentes no dia a dia. Essas são algumas das razões de Deus nos tratar como ovelhas. Javé promete buscar as suas ovelhas na dispersão, no dia de nuvens e densas trevas. A expressão está relacionada ao imaginário do julgamento no “Dia do Senhor” (Ez 30.3; Jl 2.2; Sf 1.15), um dia de vingança e libertação, mas também ao aparecimento de Deus como no Êxodo para livrar Israel (Js 24.7; Sl 97.2). Dessa forma, a mensagem pode se referir tanto ao retorno escatológico dos judeus dispersos pelo mundo quanto ao fim do cativeiro babilônico.

Soares. Esequias,. Soares. Daniele. A Justiça Divina: A Preparação do povo de Deus Para os Últimos Dias no livro de Ezequiel. Editora CPAD. 1 Ed. 2022. pag. 97-98.

 

 

Estou contra os pastores, e deles de mandarei as minhas ovelhas; porei termo no seu pastoreio . Eles serão levados para a Babilônia como cativos, para serem vítimas de abuso de “outros líderes”. O lobo-Babilônia os devorará como eles devoraram o rebanho de Yahweh; a Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura será satisfeita. O Senhor Soberano deve intervir para garantir a realização do Pacto Abraâmico, pois Judá estava sob ameaça de total extinção. Esta mensagem concorda com o teísmo bíblico: O Criador não abandonou Sua criação, mas intervém, castigando os maus e recompensando os justos. Contraste-se esta declaração com o deísmo, que diz que o Criador (pessoal ou impessoal) abandonou Sua criação ao comando das leis naturais. Ver no Dicionário os verbetes chamados Teísmo e Deísmo.

Considere-se o que aconteceu com Zedequias e seus filhos e príncipes (Jer. 52.3-11)

Paralelos. Em espírito, esta seção é paralela a João 10.1-18; Heb. 13.20; I Ped. 2.25; 5.4. Cf. Mat. 10.6 e 25.32.

“O que os falsos pastores não realizaram por causa de sua ganânda (vss. 1 -10), Yahweh realizará; cuidará de Seu rebanho (vss. 11-16); garantirá justiça entre as ovelhas (vss. 17-24); estabelecerá um pacto de paz (vss. 25-31)” (Charles H. Dyer, in loc.). A figura do pastor se eleva ao ofício do Rei-Pastor, o Messias, nos vss. 23-24.

Assim diz o Senhor Deus: Eu mesmo procurarei as minhas ovelhas. Adonai-Yahweh (o Soberano Eterno Deus), exercendo Seu poder divino e soberano, assumirá o ofício do Pastor e providenciará para suprir as necessidades do rebanho.

Este título divino é usado 217 vezes neste livro, mas somente 103 no restante do Antigo Testamento. Exalta a soberania de Yahweh, cuja vontade deve ser realizada entre os homens. Ver no Dicionário os artigos chamados Soberania de Deus e Providência de Deus. As provisões de Yahweh reverterão os danos cometidos pelos pastores infiéis. O rebanho dispersado será recolhido; a diáspora terminará. O próprio Adonai-Yahweh procurará Suas ovelhas e as salvará dos lobos.

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido. (Lucas 19.10)

O bom pastor dá a vida pelas ovelhas. (João 10.11)

O vs. 11 é mais do que histórico (o reverso do cativeiro babilónico); é também escatológico, uma promessa de reversão da diáspora, para que o Reino dos Céus se realize neste mundo. A restauração de Judá, depois do cativeiro babilónico, seria uma pequena amostra da verdadeira, que ainda jaz no futuro:

Todo o Israel será salvo, como está escrito: Virá de Sião o Libertador e ele apartará de Jacó as impiedades.

(Romanos 11.26)

“O próprio Deus é o Bom Pastor (Isa. 40.11; Jer. 31.10) que recolherá o rebanho disperso e machucado. Esta passagem sugere a volta da teocracia (Osé: 8.4; i Sam. 8.7)” (Oxford Annotated Bible, comentando o vs. 11).

Buscarei as minhas ovelhas. Tanto o cativeiro babilónico quanto a diáspora serão revertidos. Yahweh, o Bom Pastor, salvará o rebanho dos lobos-nações e de todos os lugares de trevas, do dia do temor, do dia de nuvens e tempestades.

Na hora de sua maior necessidade, Yahweh encontrará Seu povo e resolverá todos os problemas, aliviando suas angústias.

Salvador, como um Pastor nos guia,

Tanto precisamos de Seus cuidados,

Nos Seus pastos agradáveis nos alimenta,

Para o nosso uso Seu aprisco prepara.

(William B. Bradbury)

No dia de nuvens e de escuridão. Cf. Sal. 97.2; Joel 2.2 e Sof. 1.15.”… em tempos de desespero e perseguição, o Pastor está especialmente vigilante” (Adam Clarke, in loc.). O texto fala de “uma gloriosa libertação do futuro” (Ellicott, in loc.).

CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. pag. 3306-3307.

 

 

Yahweh anuncia sua principal oposição aos pastores. Ele resgatará seu rebanho das mãos dos pastores, removendo-os de sua função e colocando um fim a seu parasitismo. A primeira declaração, yií-/as-e/ responsáveis, envolve uma típica troca ezequielense do significado verbal. Embora no v. 6 dãras tenha significado simplesmente “procurar”, agora, seguido por m’yyâdâm (lit., “da mão deles”), expressa a disposição legal de chamar um malfeitor a quem responsabilizar, considerando, neste caso, os pastores criminosos responsáveis pelo destino do rebanho.

A linguagem figurada do V. 10b beira a caricatura. Uma vez que os pastores, que haviam sido escolhidos por Yahw-eh para cuidar de suas ovelhas, não somente negligenciaram suas responsabilidades, mas se tomaram lobos vorazes, Yahweh é compelido a intervir e resgatar (hiss’l) suas ovelhas de suas bocas. Para os governantes, esse é um anúncio de julgamento; mas para o rebanho, é uma mensagem de esperança.

A partícula kí exerce uma função transacional, ligando a fórmula de citação com o precedente e introduzindo uma explicação a respeito do modo pelo qual Yahweh pretende resgatar (hissalti, V. 10) as ovelhas. Enquanto isso, os pastores perversos desaparecem da vista completamente, e a situação do exílio é mais claramente refletida nos vv. 12,13. O salvador divino começa sua gloriosa mensagem de libertação anunciando sua presença entre os oprimidos: “Eis-me aqui! Isto é seguido, nos vv. 11-16, por uma longa cadeia de verbos que têm Yahweh como sujeito, realçando este evento como um ato do próprio Yahweh.

A última metade do v. 11 funciona como uma declaração de tese. O primeiro verbo, dãras, é emprestado do v. 10, mas num modo tipicamente ezequielense, seu significado muda novamente do básico “buscar, procurar” (v. 6) para “requerer, ter por responsável” (v. 10), para “perseguir”, cujo significado judicial é explicado pelo correlativo semântico que se segue, examinar (biqqèr). Ezequiel usa este radical somente aqui e duas vezes no v. 12.

É uma expressão sacerdotal, cujo significado é ilustrado em Levítico, em que se refere ao exame físico de um leproso (13.36) e, nos contextos cultuais, ao exame de um potencial animal para sacrifício (27.33).’’ Aqui, biqqêr indica um cuidadoso exame da condição das ovelhas, caso em que o anterior “buscar meu rebanho” pode também significar “examinar cuidadosamente” ou, mais provavelmente, serve como uma abreviação para “buscar o bem-estar de”.

Estes versículos descrevem o procedimento de Yahweh, listando uma série de ações divinas, cuja organização textual é tanto lógica como cronológica, (a) Tendo chegado ao cenário de seu rebanho disperso, Yahweh examinará sua condição física.” (b) Yahweh resgatará o rebanho das garras do inimigo. Agora, as mandíbulas dos predadores não são mais os governantes perversos (v. 10), mas as localizações geográficas (mèqômôt) onde se encontram os exilados,’“’’ sendo o evento da dispersão deles caracterizado como bèyôm “ãnãn wa”àrãpel (lit., “um dia de nuvens e profunda escuridão”), (c) Ele tirará o rebanho {hôs’) de seus lugares de exílio. (d) Ele reunirá {qibbês) o rebanho das nações que o retêm, (e) Ele o trará {hêb’ ’) a sua própria terra, (f) Ele apascentará (rã‘ã) o rebanho em solo israelita.

Block. Daniel,. Comentário do Antigo Testamento Ezequiel Vol. 2. Editora Cultura Cristã. pag. 270-272.

 

 

2- Jesus, o bom Pastor.

 

O Senhor Jesus disse: ”Eu sou o bom pastor” (Jo 10.11,14). Ele é o Grande Pastor das ovelhas (1Pe 5.4), pois que, assim como Javé vai trazer de todas as nações os judeus dispersos para à terra de seus antepassados, o que já está acontecendo, em Israel, no Oriente Médio, da mesma forma o Senhor Jesus está congregando, de todas as nações, as ovelhas para o seu redil (Jo 10.16). Todas as profecias do Antigo Testamento se convergem para o Messias (Lc 24.44).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O vocábulo cu é enfático aqui, com o intuito de estabelecer contraste com os falsos pastores, que somente sabem destruir. (Quanto a Jesus como o Pastor, veras notas existentes em João 10:2). O adjetivo «…bom… », aplicado a pastor» (no grego kalos) aparece por três vezes nesta passagem (por duas vezes neste versículo, e, novamente, no vs. 14), termo esse também aplicado por duas vezes às obras de Cristo (ver João 10:32,33). No uso do grego clássico, esse adjetivo descrevia, originalmente, forma e beleza externas, e igualmente, utilidade, como nas expressões *bom céu» e ·bons ventos·.

No sentido ético, assumia a ideia de beleza moral, de nobreza, de bondade, ao passo que «virtude» era expressa pelo uso do termo «kalos», acompanhado pelo artigo definido. Nas páginas do N.T. podemos perceber os seguintes empregos dessa palavra: 1. bem adaptado aos seus propósitos, como o sal (ver Marc. 10:50); 2. competente para um cargo qualquer, como os diáconos. (por exemplo ver I Tim. 4:6); 3. moralmente bom. nobre, como certas obras (ver Mat. 5:16); 4. uma consciência pura (ver Heb. 13:18); 5. nos escritos de Lucas, kalos e agathos, vocábulos gregos que podem ser traduzidos por ·bom*, são ambos encontrados juntos (ver Luc.8:15), onde «kalos» evidentemente significa «honesto», virtuoso·, «nobre» ao passo que «agathos» significa «bondoso», cm contraste com mau.

Nesta passagem, aplicado ao Pastor, o vocábulo kalos evidentemente alude à nobreza de Cristo por cumprir ele apropriadamente o seu ofício, em contraste com os pastores falsos e maus. ficando destacadas a generosidade e a dedicação de Jesus, ficando incluída, sem dúvida alguma, a sua bondade moral, porquanto, confrontados com ele os falsos pastores eram homens vis, destituídos de princípios morais. Canon Wescott observa: ·No cumprimento de sua tarefa, o Bom Pastor reivindica a admiração de tudo quanto é generoso no homem·.

A «bondade» de Jesus Cristo transparece em três aspectos importantes, a saber: 1. Ele dá a sua vida pelas ovelhas, dessa maneira garantindo a segurança ou salvação delas. 2. Ele desfruta de conhecimento íntimo com cada ovelha, individualmente, e cuida de cada uma como tal. 3. Ele tem um afeto genuíno por cada ovelha, protegendo-as de todo perigo c suprindo-lhes todas as suas necessidades.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 444.

 

 

Jesus faz mais um contraste, agora entre o pastor e o mercenário. O mercenário é alguém contratado para cuidar das ovelhas, mas ele não é pastor nem dono das ovelhas. Faz o seu trabalho para receber um salário. Não está ali para arriscar sua vida e, sim, para ganhar seu sustento. O pastor, porém, sendo dono das ovelhas, importa-se com elas, defende-as e até está pronto a dar sua vida por seu animais.

Entre tantos nomes de Jesus, bom pastor é um dos que mais nos chamam a atenção. Jesus nos chama de ovelhas, e a ovelha é um animal indefeso, inseguro e míope, que não pode alimentar a si mesma, proteger a si mesma nem limpar a si mesma. A ovelha é totalmente dependente. Há um gritante contraste entre o poder do divino pastor com a fragilidade da ovelha. Há um gritante contraste entre as necessidades da ovelha e a rica provisão oferecida pelo pastor.

Os grandes líderes do povo de Deus exerceram a função de pastor. Os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó eram pastores de ovelhas. Moisés era pastor de ovelhas. O rei Davi também era pastor de ovelhas. Deus é chamado de pastor de Israel. Israel é chamado de rebanho de Deus. A Judeia, lugar de montanhas e vales, não era adequada para a agricultura. Prevalecia a pecuária. Havia muitos rebanhos de ovelhas.

O Messias nos é apresentado no livro de Salmos como o bom pastor que dá a vida pelas ovelhas (SI 22), como o grande pastor que vive para as ovelhas (SI 23) e como o supremo pastor que voltará para as ovelhas (SI 24).

Em João 10.11, Jesus se apresenta como o bom pastor que dá vida pelas suas ovelhas. O adjetivo “bom” aqui não é agathos, mas kalos. O sentido básico da palavra é “maravilhoso”. A palavra kalos indica o caráter excelente de Jesus. Esse pastor corresponde a um ideal tanto em caráter como em sua obra. Ele é único em sua categoria. O autor aos Hebreus, no capítulo 13, versículo 20, nos fala que Jesus ressurreto dentre os mortos é o grande pastor das ovelhas, aquele que nos aperfeiçoa em todo o bem para cumprirmos a vontade de Deus. E o apóstolo Pedro, em sua primeira epístola, capítulo 5, versículo 4, fala-nos do supremo pastor que se manifestará para dar às suas ovelhas a imarcescível coroa da glória.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 278-280.

 

 

3- O pastor cristão.

 

O bom pastor é aquele que está disposto a arriscar a vida pelas ovelhas, assim como fez Davi enfrentando um leão e um urso (1Sm 17.34-36). Jesus disse: ”o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo 10.11). Ele simplesmente não arrisca a vida, mas a entrega de acordo com a vontade do Pai (Jo 10.17,18).

O Senhor Jesus concedeu pastores à igreja (Ef 4.11) para o aperfeiçoamento dos crentes e a edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.11-16). Ainda que alguém considere alguns pastores faltosos, isso na sua maneira de entender as coisas, o melhor é seguir os ensinos de Jesus: ”Observai, pois, e praticai tudo o que vos disserem; mas não procedais em conformidade com as suas obras” (Mt 23.3). Deus sabe cuidar dos seus servos, é dever nosso orar por eles.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Características do Verdadeiro Pastor

Pode entrar legalmente no aprisco das ovelhas (João 10:1). Isso se refere à missão messiânica autêntica de Jesus e à sua autoridade. (Ver o artigo sobre Autoridade, seção 7. Ver também sobre a transferência dessa autoridade para a igreja cristã, em substituição à autoridade religiosa do sinédrio, que já fora destruído ao tempo em que o evangelho de João foi escrito, em Mat. 16:19 no NTI).

O trabalho do verdadeiro pastor é coroado de sucesso e ele entra apropriadamente no aprisco, mediante a ajuda do porteiro (provavelmente símbolo do Espírito Santo, João 10:7).

O bom pastor instrui as suas ovelhas com a sua palavra e o seu exemplo, e as guia (João 10:7).

O bom pastor vive bem familiarizado com as suas ovelhas, e elas o conhecem bem, o que indica comunhão e comunicação (João 10:3,4).

O pastor verdadeiro guia o rebanho, tanto nesta vida como em direção à vida eterna (João 10:4,10,17 e 28).

O bom pastor é o exemplo moral das ovelhas e vai adiante delas (João 10:4).

O verdadeiro pastor é inteiramente devotado ao seu rebanho e dá a própria vida pelas suas ovelhas (João 10:11). Fica implícito aqui, no caso de Cristo, a expiação realizada na cruz do Calvário, porém, mais particularmente ainda, a vida que lhes é conferida através do sacrifício do pastor, isto é, a vida eterna, o lado positivo da expiação, sendo frisada a união mística com Cristo, e não tanto o lado negativo, que é o perdão dos pecados (João 10:28).

O verdadeiro pastor garante a segurança do rebanho, tanto agora como para toda a eternidade, mediante a autoridade que lhe foi conferida pelo Pai, com quem Cristo tem perfeita união, tanto no tocante à sua natureza quanto no que diz respeito aos seus desígnios (João 10:27-30: ver também 5:19, acerca da unidade essencial entre o Pai e o Filho).

Todas essas características fazem violento contraste com os falsos pastores, que são indivíduos totalmente egoístas e perversos, e que, na realidade, não podem oferecer qualquer dessas vantagens e bênçãos ao rebanho de Deus. Por conseguinte, é dito aqui que o verdadeiro pastor, que é Cristo, entra pela porta, isto é, pelos canais espirituais competentes, porquanto não tem necessidade de iludir, posto que todos os seus propósitos são benévolos.

A mensagem principal de João 10:2 é ensinar que o verdadeiro pastor, que é Cristo Jesus, tem a autoridade própria e a comissão divina para ministrar às ovelhas, que são os verdadeiros filhos de Deus, de cujo direito não participam os falsos pastores. Essa autoridade é aqui ilustrada pelo ato de entrar no aprisco, com a permissão e a boa acolhida que é dada ao verdadeiro pastor pelo porteiro (ver João 10:3).

CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Editora Hagnos. Vol. 5. 11 ed. 2013. pag. 105.

 

 

«,..dá a vida pelas ovelhas…» Essa é uma declaração que pode significar diversas coisas. Literalmente significa *depositar» a própria vida. Mas as interpretações são as seguintes: 1. Pode significar simplesmente morrer, como expressão idiomática com essa significação (assim pensava Hipócrates). 2. Essa expressão foi utilizada por Demóstenes com o sentido de pagar juros, enquanto outros escritores clássicos lançaram mão dela com o sentido de ·pagar um preço·. Esse emprego, entretanto, não pode ser encontrado no N.T., cm relação ao vocábulo grego «tithemi», a menos que a presente passagem possa ser explicada dessa maneira, embora isso seja muito improvável. 3. O trecho de Jui. 12:3 na LXX) usa essa expressão com o sentido de arriscar a vida, c é muito provável que isso faça parte do sentido neste caso: o Pastor arrisca a sua própria vida, estando sempre disposto a dá-la, e. potencialmente, diariamente a dava, mediante o seu ofício de guardião das ovelhas. Dessa maneira é que os subpastores devem considerar o seu próprio oficio pastoral. 4. A frase cm apreço também pode significar/vir de lado a própria vida, segundo vemos o verbo usado em João 13:4; por de lado a vida como uma veste, o que é uma frase poética para a ideia de dar voluntariamente a própria vida em benefício de outrem. Isso faz parte, por semelhante modo do sentido desta passagem, porquanto esse é o caráter do bom pastor. Os vss. 17 c 18 demonstram a validade desse uso do termo, porque Jesus tanto deixou de lado a sua própria vida como em seguida a recuperou; e isso ele fez como quem despe e torna a vestir uma veste. A natureza voluntária do sacrifício de Cristo é aqui frisada, ficando igualmente destacada a ideia de que isso foi feito com toda a autoridade, e visando o beneficio, a proteção e a salvação das ovelhas.

Essa expressão c tipicamente joanina não podendo ser encontrada em nenhuma outra parte do N.T., embora possa ser vista nos vss. 15,17 e 18 deste capítulo, bem como nas passagens de João 13:37,38; 15:13 c I João 3:16 (duas vezes). O que fica subentendido com ela, portanto, é o seguinte:

1. O bom pastor arrisca a sua vida diariamente, no serviço que presta às ovelhas (o que era verdade quando Jesus proferiu essas palavras). 2. Sua morte real foi voluntária, realizada com autoridade, podendo ser revertida na ressurreição, pelo exercício da mesma autoridade. 3. A vida que foi dada visou o benefício (vida preservada) das ovelhas. A vida eterna foi assim conferida às ovelhas, o que também e tema abordado neste capítulo. (Ver o vs. 28). Essa vida eterna fica garantida pela ressurreição, segundo observamos nos vss. 17 e 18 deste mesmo capitulo. 4. É fora de dúvida que a doutrina cristã da expiação é aqui indicada em seus resultados positivos—ela outorga vida através da reconciliação do pecador com Deus. (O lado negativo, que consiste no sacrifício pelo pecado, é ensinado nos trechos de João 1:29 c I João 2:2, embora essa verdade não seja diretamente ensinada aqui, mas fique apenas subentendida). 5. O bom pastor arrisca a sua vida pelas ovelhas, c, finalmente, dá a sua vida por elas, a fim dc que possam receber vida. Ora, esse é o cumprimento da função mais elevada possível de um pastor. Isso faz contraste direto com a atuação dos pastores maus. mercenários, cujo propósito é antes de tirar proveito das ovelhas, ao invés de servi-las, no que podem empregar até mesmo meios violentos e desonestos, a fim de assim se beneficiarem. (Quanto a detalhes sobre a expiação, ver Rom. 5:11).

Por conseguinte, esta referência é de natureza histórica (revelando a disposição do Senhor Jesus em sacrificar-se em favor de seus discípulos), sendo uma referência histórica, feita pelo autor do quarto evangelho, à morte de Cristo pelas suas ovelhas; e, indiretamente, c uma referência à necessidade dos subpastores estarem dispostos a sacrifício semelhante, porquanto já naquela época havia discípulos de Jesus que sofriam de morte violenta, especialmente às mãos dos romanos; c. finalmente, serve de declaração profética, feita por Jesus, acerca de sua morte na cruz, o que· teria lugar cm breve.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 2. pag. 444.

 

 

Várias verdades devem ser destacadas sobre Jesus como o bom pastor.

Em primeiro lugar, o bom pastor sacrifica-se pelas ovelhas (10.11,15b). Jesus não é apenas pastor. Ele é o bom pastor. O bom pastor não é aquele que oprime, explora e devora as ovelhas, mas aquele que dá a vida por elas. Jesus deixa isso explícito nos versículos 11 e 15. Os fariseus haviam acabado de expulsar da sinagoga o cego curado por Jesus. Eles usaram seu poder eclesiástico para oprimir as pessoas e lança-las fora. Jesus, o bom pastor, veio não para expulsar as ovelhas, mas para dar a vida por elas. Jesus veio para morrer pelas ovelhas. Ele amou as ovelhas e por elas se entregou. Concordo com William Barclay quando ele diz que Jesus não foi uma vítima das circunstâncias. Não foi como um animal que se arrasta para o sacrifício contra sua vontade. Jesus entregou sua vida voluntariamente.8 Como Jesus deu sua vida pelas ovelhas?

Ele se deu voluntariamente. As pessoas não puderam tirar sua vida. Ele voluntariamente a entregou para tornar a reassumi-la (10.17). Não foi Judas que, por ganância, levou Jesus a cruz. Não foi Pedro que, por covardia, negou a Jesus que o levou à cruz. Não foi o Sinédrio judaico que, por inveja, julgou Jesus réu de morte e o levou à cruz. Não foi Pilatos que, por conveniência política, sentenciou Jesus à morte e o levou à cruz. Não foi a multidão ensandecida, insuflada pelos sacerdotes, que levou Jesus à cruz. Ele foi para a cruz voluntariamente. Ele se entregou por amor. Ele se deu voluntariamente.

Ele se deu sacrificialmente. Ele não amou suas ovelhas apenas de palavras. Verteu seu sangue pelas ovelhas. Não havia outro meio mais ameno. Não havia outro caminho de salvação. Para salvar suas ovelhas, a lei de Deus que foi violada precisava ser obedecida. A justiça de Deus ultrajada precisava ser satisfeita. Somente o sacrifício de Cristo, o Cordeiro sem mácula, poderia salvar as ovelhas.

Ele se deu vicariamente. Jesus morreu em lugar das ovelhas. Sua morte não apenas possibilitou a salvação das ovelhas, mas realmente a efetivou. O sacrifício de Cristo foi substitutivo. Ele morreu em lugar das ovelhas. Ele pagou sua dívida. Não morreu para abrandar o coração de Deus, mas como expressão do amor de Deus. Não foi a cruz que inundou o coração de Deus pelas ovelhas, mas foi o coração inundado de amor pelas ovelhas que providenciou a cruz. A cruz é o maior arauto do amor de Deus. Nela, Jesus morreu por pecadores. Nela, o Justo morreu pelos injustos. Nela, encontramos uma fonte de vida e salvação. Em cinco ocasiões ao longo desse sermão, Jesus afirma claramente a natureza sacrificial de sua morte (10.11,15,17,18). Ele não morreu como um mártir, executado por homens; morreu como um substituto, entregando a vida voluntariamente por suas ovelhas. Concordo com Warren Wiersbe quando ele diz que, “apesar de o sangue de Cristo ser suficiente para a salvação do mundo, só é eficaz para os que creem”.

LOPES. Hernandes Dias. João. As glorias do Filho de Deus. Editora Hagnos. pag. 280-281.

 

 

SINOPSE III

 

Jesus como o Bom Pastor e o verdadeiro modelo do pastor cristão

 

 

CONCLUSÃO

 

O comportamento do ser humano se compara em muitos aspectos aos das ovelhas e, por essa razão, Deus nos chama nas Escrituras de ovelhas. Há entre elas aquelas que dão marradas umas nas outras para marcar território o que na,…,, o é diferente entre nós, seres humanos. Há competições entre as ovelhas (Ez 34.20-22). Isso desagrada a Deus. O nosso relaciona­mento entre irmãos deve ser de maneira que glorifique a Deus (Sl 133.1; 1 Co 10.31).

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- A quem a expressão “pastores de Israel” se refere em Ezequiel e Jeremias?

A palavra, ”pastores de Israel” no contexto de Ezequiel, bem como no de Jeremias 23.1-5, se refere aos governantes.

 

2- Qual a função primordial do pastor?

A função primordial do pastor é alimentar, guiar e proteger o rebanho e isso ilustra bem o papel do líder de uma nação.

 

3- O que os governantes de Israel faziam?

Cuidavam de si mesmos: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! (v.2).

 

4- O que os governantes de Israel não faziam?

Eles não cuidavam das ovelhas.

 

5- Quem é o Bom Pastor?

O Senhor Jesus Cristo é o bom pastor (Jo 10.11, 14)

 

 

VOCABULÁRIO

 

MARRADA: ato ou efeito de marrar (acometer com chifres; deparar; confrontar).

 

ELABORADO: Pb Alessandro Silva.

 

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