9 LIÇÃO 3 TRI 22 A SUTILEZA DO MOVIMENTO DOS DESIGREJADOS

 

9 LIÇÃO 3 TRI 22 A SUTILEZA DO MOVIMENTO DOS DESIGREJADOS

9 LIÇÃO 3 TRI 22 A SUTILEZA DO MOVIMENTO DOS DESIGREJADOS

 

TEXTO ÁUREO

 

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia.” (Hb 10.25)

 

VERDADE PRÁTICA

 

O movimento dos “desigrejados” deve ser visto como um desvio da verdadeira espiritualidade que é expressa no contexto da verdadeira Igreja

 

LEITURA DIÁRIA

 

 

Segunda – At 1.12-14 Os discípulos se reuniram no cenáculo para orar

 

Terça – Rm 16.3-5 A Igreja Primitiva reunida nas casas dos irmãos

 

Quarta – Ef 1.22,23 A Igreja estabelecida por Cristo é um organismo vivo

 

Quinta – 1 Co 12.27 A Igreja é o Corpo de Cristo

 

Sexta – Hb 10.24 A verdadeira Igreja vive no estímulo da fé

 

Sábado – Hb 10.25 A verdadeira Igreja existe pela comunhão de seus membros

 

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

 

Hebreus 10.19-25

 

19 – Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus,

 

20 – pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne,

 

21 – e tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus,

 

22 – cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa,

 

23 – retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu.

 

24 – E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras,

 

25 – não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia.

 

 

Hinos Sugeridos: 53, 250, 375 da Harpa Cristã

 

 

PLANO DE AULA

 

1- INTRODUÇÃO

 

A reunião da igreja local, o Corpo visível de Cristo, é essencial ao crescimento espiritual e pessoal do crente. Por isso, não é possível amar a Cristo, e ignorar seu Corpo, a Igreja. Assim sendo, nesta lição, estudaremos o fenômeno do movimento dos desigrejados, sua visão e prática; relembraremos a natureza da igreja do Novo Testamento; e confirmaremos a importância e a necessidade da Igreja.

 

2- APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição:

I) Explicar a visão e a prática do movimento dos desigrejados;

II) Rememorar a natureza da igreja do Novo Testamento;

III) Confirmar a importância e a necessidade da Igreja.

 

B) Motivação: Será possível uma igreja livre de qualquer tipo de institucionalização? Veremos que não. A diferença está em se esta instituição está de acordo com as diretrizes do Novo Testamento ou não. Quando a igreja se encontra em coerência com as Sagradas Escrituras, sua instituição é orgânica e glorifica o nome do Senhor.

 

C) Sugestão de Método: Ao introduzir a aula desta semana, revise com os alunos os principais modismos que presenciamos ao longo das décadas, no Brasil e no mundo, a respeito da dinâmica de igrejas. Por exemplo, o movimento do G-12, o triunfalismo, a confissão positiva, a marcação da volta de Jesus etc. Faça uma pesquisa em sites especializados a respeito desses e outros fenômenos. Após apresentar aos alunos, afirme que, ao longo dos séculos, a Igreja de Cristo sempre esteve diante de movimentos que a desafiaram a sair dos padrões bíblicos. Com o Movimento dos desigrejados não é diferente. Estimule os alunos a perseverar nas perspectivas bíblicas a respeito da natureza e prática da Igreja de Cristo.

 

3- CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Ao final da lição, mostre que somos chamados por Deus a perseverar na Igreja fundada por Jesus que se manifesta de maneira visível na igreja local em que congregamos. Essa igreja é o Corpo visível de Cristo. Portanto, a amemos com todo zelo e disposição.

 

4- SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 91, p.40, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula:

1) O texto “Uma visão equilibrada de igreja” é uma reflexão que levanta o contraponto a respeito da natureza do Movimento dos desigrejados;

2) O texto “A Igreja é uma comunidade edificante” expande a exposição do tópico três.

 

 

INTRODUÇÃO COMENTÁRIO

 

Nas últimas décadas, os desigrejados, ou os também conhecidos como “os sem igreja”, cresceram em escala exponencial. São pessoas que dizem ser cristãs, mas não estão filiadas à igreja nenhuma. Paradoxalmente, esse grupo religioso, que diz não possuir hierarquia religiosa, código doutrinário nem tampouco nenhuma estrutura arquitetônica onde possa se reunir, diz ser o legítimo modelo de igreja do Novo Testamento. Nesse aspecto, acredita reproduzir os cristãos primitivos. As outras igrejas, por possuírem estrutura organizacional, são consideradas como apóstatas ou desvios do modelo original mostrado no Novo Testamento.

 

Nesta lição, procuraremos entender a natureza desse fenômeno religioso, destacando tanto seu aspecto social como também espiritual. Dessa forma, a nossa análise procurará entender como pensa um desigrejado, suas crenças e práticas. Feito isso, mostraremos a verdadeira natureza da igreja neotestamentária que, ao contrário do que os desigrejados afirmam, não é apenas um organismo, mas também uma organização. Assim mostraremos a importância da Igreja no plano de Deus e como cada membro da Igreja possui uma gloriosa missão.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

O termo “desigrejado” é usado para rotular aqueles que estão fora das denominações evangélicas. Esse termo é muitas vezes usado pejorativamente, marginalizando assim aqueles que por um motivo ou outro decidiram ficar de fora das instituições religiosas – especialmente as evangélicas. No passado, os crentes que saiam das igrejas evangélicas, eram chamado de “desviados”. Neste último caso, os desviados eram pessoas que as vezes se entregavam aos vícios e ao mundanismo. No caso dos “desigrejados”, temos um fenômeno novo no meio evangélico. O “desigrejado” é uma espécie de evangélico não praticante, caso este que ocorria somente dentro do catolicismo romano. É comum ouvirmos falar sobre católicos não praticantes, mas, no caso dos evangélicos, realmente temos um fenômeno novo.

Neste e-book, o termo “desigrejado” será sempre tratado entre aspas, pois entendo que estar fora dos templos não é o mesmo que estar fora da Igreja que é o Corpo místico de Cristo. Os “desigrejados” são marginalizados de várias formas. Mesmo na mais boa intenção possível por parte de seus críticos, eles acabam ficando à margem da comunidade evangélica, sendo mal vistos. O reverendo Augustus Nicodemus Lopes expressa esse tipo opinião, quando disse que “viver sem igreja está errado”. Outros passam dos limites e acabam levantando questões como: “Há salvação para os desigrejados? Sem líderes, sem pastores, como assim? Quem sai da igreja por causa de pessoas nunca entrou lá por causa de Jesus”, ou ainda: “Noventa por cento dos desigrejados são o pior do sistema”.

César Francisco Raymundo. Manual do Desigrejado; Como sobreviver fora das denominações religiosas. Revista Cristã Última Chamada – Edição de 30 Junho de 2018.

 

 

A fé cristã histórica e a experiência eclesial vêm sofrendo nos últimos anos fortes questionamentos. O mais impressionante nesta afirmação é que os ataques não estão sendo deflagrados por intelectuais ou céticos que se situam além das fronteiras da cristandade, mas por cristãos que fazem e ou já fizeram parte de alguma igreja cristã.

As razões básicas para as críticas passam pela denúncia dos prejuízos causados à fé cristã pela institucionalização da igreja, da decepção com promessas feitas em nome de Deus e que nunca se cumpriram, além das práticas e ensinos questionáveis ministrados em ambientes eclesiásticos e a repulsa com os maus exemplos das lideranças (pastores, bispos e apóstolos).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de quatro milhões de brasileiros se declaram evangélicos sem vínculos institucionais. E a tendência não é apenas no Brasil, mas mundial.

O movimento, que tem sido chamado por alguns teólogos de desigrejados, não é amorfo. Pelo contrário, é organizado.

Possui literatura, sites e toda uma teorização que procura justificá-lo teologicamente, e sua performance tem chamado atenção da imprensa cristã e secular.

Augustus Nicodemus Lopes, teólogo presbiteriano e ex-chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, analisando o fenômeno dos desigrejados, identificou alguns argumentos básicos defendidos pelos seus adeptos, vejamos:

1) Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.

2) Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas, inventando ofícios para substituir os carismas, elaborando hierarquias para proteger e defender a própria instituição, e de tal maneira se organizaram que acabaram deixando Deus de fora. Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do cristianismo por Constantino, a igreja corrompeu-se completamente.

3) Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas, sistemas interligados de hierarquia e processos de manutenção do sistema, como a disciplina e a exclusão dos dissidentes, e ao elaborarem confissões de fé, catecismos e declarações de fé, que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.

4) A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.

5) De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que creem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18. Assim, se dois ou três amigos cristãos se encontrarem no Frans Café numa sexta à noite para falar sobre as lições espirituais do filme O Livro de Eli, por exemplo, ali é a igreja, não sendo necessário absolutamente mais nada do tipo ir à igreja no domingo ou pertencer a uma igreja organizada.

6) A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho. Precisamos sair dela para podermos encontrar a Deus.

Este autor concorda com a síntese identificada por Nicodemus.

Essas críticas dirigidas à igreja institucional estão sendo feitas por vozes de líderes cristãos não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos da América, de onde vêm, inclusive, as mais contundentes publicações sobre o tema. Concordando, então, com o mapeamento proposto pelo prestigiado teólogo presbiteriano, analisaremos tais argumentos, a fim de os conhecermos com mais profundidade.

Conforme já mencionado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicou na Pesquisa de Orçamentos Familiares o percentual de 14% entre os declarados evangélicos no país que não possuem quaisquer vínculos institucionais, totalizando, aproximadamente, quatro milhões de brasileiros. Nas editoras cristãs se aglomeram livros de autores nacionais e estrangeiros que tratam do tema, tais como: “Os Sem-Igreja”, “Igreja? Tô Fora”, “Gente Cansada de Igreja”, “Feridos em Nome de Deus”, “Revolução”, “Decepcionados com a Graça”, “Casas que Transformam o Mundo”, “Eles Gostam de Jesus, mas não da Igreja”, “Cristianismo Pagão”, “Por Que Você Não Quer Mais Ir à Igreja?”, “Igreja, Por Que me Importar?”, “Alma Sobrevivente: sou cristão, apesar da igreja” e “O que fazer quando não queremos ir à igreja?”. Estas publicações apontam para o tema de desilusão com a Igreja cristã. Algumas apoiam, incentivam e justificam a ruptura, enquanto outras a condenam e defendem a permanência dos fieis nas comunidades cristãs.

Mas, quem são estes desigrejados? Onde estão? E por que deixaram suas igrejas? Quais as justificativas que apresentam?

Baseados nas obras publicadas, podemos afirmar que parte considerável do grupo de descontentes com a igreja sofreu decepções causadas pelo abuso e autoritarismo das lideranças eclesiásticas ou em razão de erros crassos cometidos na teologia ou nas práticas litúrgicas que suas igrejas refletiam.

Ou seja, basicamente a massa de desigrejados está polarizada entre os decepcionados com a liderança e os críticos do modus operandi da instituição. Estes últimos não possuem histórico de sofrimento, mas, sim, questionam se a igreja, conforme a conhecemos, de fato expressa e revela no tempo e no espaço o que Jesus Cristo planejou para a mesma.

Campos, Idauro., Desigrejados – Teoria, História e Contradições do Niilismo Eclesiástico. Editora: Eireli. 7 Ed. 2017.

 

 

Desigrejados

Um dos projetos em ascensão do inimigo de nossas almas na tentativa de causar embaraços na missão da Igreja de Cristo. Alguns que já estiveram no passado assentados à mesma mesa que nós, hoje estão do outro lado assumindo uma postura opositora da Agência Proclamadora do Reino de Deus.

Antigamente os crentes diferentes das pessoas cristalizadas, quando afastadas do rol de membros de uma igreja por práticas contrárias ao Deus da Palavra, como consequência, entravam em profunda tristeza de alma, mais com a ajuda pastoral eram tratados e facilmente resgados o que não acontece com facilidade hoje.

Até o final do século passado, eram chamados de afastados que significa: excluídos, desligados. Agora o inimigo de Deus arrumou para eles um nome mais simpático, diabolicamente e politicamente mais aceitável. Biblicamente falando continuam sendo os excluídos de sempre.

Mateus 13, A Palavra do Senhor da Igreja em forma de parábola, alcança todo aquele que não suporta o peso da cruz, que não se negaram por ela. Os desfibrados da fé encontraram um jeito romântico de minimizar os efeitos da sua apostasia, tentando desconstruir ou remover princípios estabelecidos por Deus. Com suas mentes cauterizadas implementam estruturas e liderança para aliciar aqueles que estão desejosos de abraçar a fé verdadeira em Cristo, utilizando todos os meios modernos disponíveis da mídia.

Jó 24.2 “Há os que mudam os marcos dos limites e apascentam rebanhos que eles roubaram”.

Prov 23.10 “Não mude de lugar os antigos marcos de propriedade, nem invada as terras dos órfãos”.

Pr. Ueliton Soares de Souza

 

 

Palavra-Chave: DESIGREJADOS

 

 

I- VISÃO E PRÁTICA DO MOVIMENTO DOS DESIGREJADOS

 

 

1- Um ensino anti-institucional.

 

Os desigrejados são contra toda forma de organização e institucionalização da Igreja. Alegam que na Igreja Primitiva não havia instituição alguma. Dizem que a institucionalização da Igreja só começou quando Constantino, o imperador romano, assumiu as rédeas da Igreja e a converteu numa organização. Assim, a Igreja passou a ter um clero, um código doutrinário e um credo que passou a regulamentá-la. Para eles, nada de regras, sermões e muito menos organização institucional. Da mesma forma, alegam que toda forma de estrutura arquitetônica, como templos, são inovações desse cristianismo apóstata. Na visão dos desigrejados, a Igreja não necessita de estrutura formal alguma.

 

Ela pode, por exemplo, ser encontrada em uma lanchonete ou em um café da esquina quando dois desigrejados se encontram. É evidente que a Igreja existe fora de uma estrutura física e arquitetônica, contudo, a não utilização de templos por parte dos cristãos primitivos se deu por razões contextuais (cf. At 1.6-14). Estavam debaixo de perseguição e não tinham morada certa, além do fato de serem extremamente carentes. Naquele contexto, a igreja nos lares era perfeitamente justificável (cf. Rm 16.3-5). Contudo, não há nada na Bíblia que deponha contra o uso de templos ou casas de oração. Se o propósito de um templo é congregar o povo para adorar ao Senhor, o que há de mal nisso?

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Atualmente são muitos os cristãos que ultrapassaram a fronteira da comunidade eclesiástica e que se tornaram seus detratores por considerarem que a institucionalização da Igreja asfixiou-a, tirando seu vigor espiritual, tornando-a, na prática, uma instituição rígida, anacrônica, descontextualizada, estática, indiferente e irrelevante para o mundo contemporâneo. “Em vez de um poderoso instrumento e transformação da sociedade, emerge uma instituição pecadora e mantenedora do status quo”, diz a apresentação de um dos livros mais conhecidos de Philip Yancey. Destarte, quais seriam as críticas dirigidas à Igreja Cristã? Por que uma agência que tem como missão no mundo comunicar o amor de Deus, sendo a própria uma expressão deste sentimento, termina, ao invés, gerando rejeição, sendo alvo de denúncias e críticas e atraindo a antipatia tanto da sociedade secularizada, como também de segmentos da cristandade?

Kevin Deyoung, na introdução de seu livro, escrito em parceria com Ted Kluck, constrói um bem-humorado cenário onde se percebe a cartilha dos desigrejados reclamantes da instituição. Vejamos:

A narrativa está ficando tão corriqueira (…) – adicione o que é sugerido entre parênteses: A igreja institucional é muito (adjetivo pejorativo). Quando vou à igreja, sinto-me completamente (emoção negativa). A liderança é totalmente são muitos os cristãos que ultrapassaram a fronteira da comunidade eclesiástica e que se tornaram seus detratores por considerarem que a institucionalização da Igreja asfixiou-a, tirando seu vigor espiritual, tornando-a, na prática, uma instituição rígida, anacrônica, descontextualizada, estática, indiferente e irrelevante para o mundo contemporâneo. “Em vez de um poderoso instrumento de transformação da sociedade, emerge uma instituição pecadora e mantenedora do status quo”, diz a apresentação de um dos livros mais conhecidos de Philip Yancey. Destarte, quais seriam as críticas dirigidas à Igreja Cristã? Por que uma agência que tem como missão no mundo comunicar o amor de Deus, sendo a própria uma expressão deste sentimento, termina, ao invés, gerando rejeição, sendo alvo de denúncias e críticas e atraindo a antipatia tanto da sociedade secularizada, como também de segmentos da cristandade?

Kevin Deyoung, na introdução de seu livro, escrito em parceria com Ted Kluck, constrói um bem-humorado cenário onde se percebe a cartilha dos desigrejados reclamantes da instituição.

Vejamos: A narrativa está ficando tão corriqueira (…) – adicione o que é sugerido entre parênteses: A igreja institucional é muito (adjetivo pejorativo). Quando vou à igreja, sinto-me completamente (emoção negativa). A liderança é totalmente (adjetivo que você usaria para descrever um político corrupto) e as pessoas são (algum adjetivo que comece com in). Os cultos são (adjetivo similar ao que você usa quando vai ao dentista), a música é (adjetivo que você usaria para descrever a música do programa infantil do Barney, o dinossauro) e a congregação como um todo é (escolha uma das alternativas: ‘passiva’, ‘letárgica’, ‘hipócrita’, ou ‘ultraconservadora’). A coisa toda me faz (termo médico).

Não havia outra opção senão sair da igreja. Meu relacionamento com (substantivo espiritual) está melhor do que nunca. Agora me encontro regularmente com meus (substantivo que sugira relação, plural) e falamos sobre (substantivo que poderia ser o nome de um curso liberal de artes) e Jesus. Nós nos importamos uns com os outros. Às vezes até mesmo (escolha: ‘oramos uns pelos outros’, ‘levamos comida aos carentes’ ou ‘emprestamos nossas ferramentas uns aos outros’). Isso é a igreja como deveria ser. Afinal de contas, (insira: ‘onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estarei eu’ ou (…) ‘nós não vamos à igreja, nós somos a igreja’).

Não estou dizendo que todo mundo precisa fazer o que fiz, mas se você está cansado de (expressão composta que inclui os termos ‘institucional’ e ‘como conhecemos’), quero convidá-lo a se juntar a (substantivo com conotação política) e experimentar (substantivo espiritual) que nunca alcançara ao se sentar num (escolha entre os seguintes comentários arquitetônicos mordazes: ‘banco de madeira’, ‘cemitério com torres’, mausoléu com vitrais’, ou ‘sala de concertos glorificada’) semana após semana.

Quando a (substantivo bíblico) começará a ser a (o mesmo substantivo bíblico)?

O enredo básico denunciado por DeYoung encontra sua fundamentação teórica em algumas obras de cristãos engajados na desconstrução da igreja conforme é, há anos, conhecida. Vejamos o que dizem alguns destes autores cristãos que defendem o desengajamento institucional em suas obras mais conhecidas.

Campos, Idauro., Desigrejados – Teoria, História e Contradições do Niilismo Eclesiástico. Editora: Eireli. 7 Ed. 2017.

 

 

OS CRÍTICOS DO MODUS OPERANDI

Muitos movimentos no cristianismo tiveram a igreja primitiva como modelo, procurando nela uma experiência de fé autêntica. Uma parcela significativa dos desigrejados também enxergam na igreja do primeiro século o “modelo ideal”, buscando viver a sua fé de maneira independente, sem a necessidade de liturgias, templos e sistematizações doutrinárias. Diferentemente daqueles que foram mencionados no tópico anterior, estes não possuem necessariamente um histórico de sofrimento, mas dedicam-se a questionar a organização e as práticas da igreja institu-cional (CAMPOS, 2017, p.30).

Como aponta Maciel, eles acreditam que influências pagãs destruíram, ao longo dos séculos, a essência daquilo que Jesus propôs. Assim, toda forma de instituição, incluindo a Igreja Católica Romana, igrejas históricas e pentecostais, tornaram-se reféns de estruturas; submetendo-se a uma “superficialidade litúrgica” para pregar e viver a sua fé (MACIEL, 2015, p.91).Em linhas gerais, os críticos da assim chamada “institucionalização do sagrado” defendem os seguintes pontos:1.   Jesus Cristo pode ser visto como um revolucionário que rompeu com os padrões da religiosidade de sua época. Ainda assim, não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional. 2.     Já nos primeiros séculos, os cristãos se afastaram dos ensinos de  Jesus,  criando  estruturas,  inventando  ofícios  e  elaborando  hierarquias  para  proteger  e  defender  uma  instituição  humana.  Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do  cristianismo  pelo  Império  Romano,  a  igreja  se  corrompeu  completamente. 3.   Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmos erros, criando  denominações  organizadas  e  sistemas  interligados  de  hierarquia. A própria elaboração de confissões de fé e catecismos “engessou” a mensagem de Jesus, impedindo o livre pensamento teológico. 4.   A  igreja  verdadeira  não  tem  prédios,  cultos  regulares  aos  do-mingos, tesouraria, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, rol de membros, propriedades, escolas ou seminários. 5.   Onde estiverem reunidos dois ou três que creem em Jesus, ali está a igreja,  conforme  ele  mesmo  prometeu.  Assim,  torna-se  desnecessário ir regularmente a um templo ou pertencer a uma instituição organizada. 6. A igreja  institucionalizada,  como  organização  humana,  tem  falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, prestando um  desserviço  ao evangelho.  Sendo  assim, é preciso  sair  dela  para  poder  encontrar  verdadeiramente  a  Deus  (cf.  CAMPOS, 2017; LOPES, 2010; V IOLA, 2005).ARTIGO    1TETZNER   E   NERBAS

Nesse sentido, é possível identificar dois enfoques principais no pensamento dos críticos do modus operandi: uma fuga dos padrões, ao recusar o que a sociedade reconhece como cristianismo; e uma liberdade prática, ao defender uma fé baseada na experiência individual e livre de instituídos. Esse foco na experiência  pessoal,  bem  como  a  possibilidade  de  questionamento, vão ser alguns dos pressupostos que caracterizarão, em muito, o grupo dos cristãos sem igreja. Como destaca Maciel: “Dentro de uma fé cristã que está acostumada com igrejas institucionais, com regras fixas e um pastor que se coloca como hierarquia, o espaço da igreja orgânica seduz a uma espiritualidade mais livre” (MACIEL, 2015, p.91). A partir disso, muitos cristãos acabaram se recolhendo em grupos pequenos que se reúnem informalmente de casa em casa, salões alugados, parques ou escolas, evitando de todas as formas uma práxis ou formatação organizacional. Bomilcar entende que, de certa forma, esses encontros e pequenas reuniões são sinais de que a esperança de viver a fé em comunhão com outros irmãos ainda está presente.

Ele escreve: “É interessante perceber que muitos dos chamados sem-igreja, quase ao mesmo tempo que rejeitam e não estimulam mais a vivência da fé comunitária, também alimentam silenciosamente o desejo de pertencer a algum grupo” (BOMILCAR, 2012, p.88). Certamente, essa percepção pode impulsionar as igrejas a não desistirem de sua tarefa de alcançar essas pessoas com a mensagem do evangelho, buscando reincorporá-las em seu convívio de fé. Além disso, como destaca Kleinig: “Quando cristãos leem a Bíblia por si mesmos podem se perder; podem achar difícil entender o que é dito, a menos que alguém os guie, explicando-lhes e aplicando essas palavras à sua situação” (KLEINIG, 2019, p.99). Explicita-se, a partir disso, a necessidade constante de orientação espiritual. Pastores e líderes têm a nobre tarefa de humildemente, guiados pela Palavra de Deus, oferecerem essa orientação e estimularem a busca constante do sagrado e da vida comunitária. Da mesma forma, a sensibili-dade e uma postura longânime para com aqueles que permanecem rebeldes contra qualquer forma de institucionalização da igreja de Cristo parece ser fundamental. Isso porque, como relata Bomilcar:

Ao contrário do senso comum, muitas dessas pessoas clamam por acolhimento e pastoreio. Acolhimento como seres humanos, pecadores, carentes, que buscam sanidade, como pessoas alcan-çadas e redimidas pela graça de Deus […] O que tenho visto hoje é a realidade de pessoas que integram-se e jogam suas âncoras em comunidades onde foram aceitas e acolhidas como são […] São seres humanos, procurando um ambiente para recomeçar, reconstruir e redirecionar a sua vida de fé (BOMILCAR, 2012, p.101). Neste caso, cabe também lembrar das palavras do apóstolo Paulo: “Exortamos vocês, irmãos, a que admoestem os que vivem de forma desor-denada, consolem os desanimados, amparem os fracos e sejam pacientes com todos” (1Ts 5.14). Embora as abordagens feitas até aqui ofereçam  alguns  insights a respeito das causas do aumento do número de cristãos sem igreja, faz-se necessário um estudo mais detalhado das influências externas; afinal estes indivíduos estão inseridos em um contexto cultural e social específico, bem como uma análise das práticas  internas que levam ao desencantamento com a igreja institucional.

Tetzner. Gerson Welmer; Nerbas. Paulo Moisés,. Os Desigrejados: Um Estudo Do Fenômeno E Da Influência Da Igreja No Aumento Do Número De Cristãos Sem Vínculo Institucional. Editora Concórdia. pag. 27-29.

 

 

Muitos livros recentes têm defendido a desigrejação do cristianismo (*). Em linhas gerais, os desigrejados defendem os seguintes pontos.

 

1) Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.

 

2) Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas, inventando ofícios para substituir os carismas, elaborando hierarquias para proteger e defender a própria instituição, e de tal maneira se organizaram que acabaram deixando Deus de fora. Com a influência da filosofia grega na teologia e a oficialização do cristianismo por Constantino, a igreja corrompeu-se completamente.

 

3) Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas, sistemas interligados de hierarquia e processos de manutenção do sistema, como a disciplina e a exclusão dos dissidentes, e ao elaborarem confissões de fé, catecismos e declarações de fé, que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.

 

4) A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.

 

5) De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que crêem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18. Assim, se dois ou três amigos cristãos se encontrarem no Frans Café numa sexta a noite para falar sobre as lições espirituais do filme O Livro de Eli, por exemplo, ali é a igreja, não sendo necessário absolutamente mais nada do tipo ir à igreja no domingo ou pertencer a uma igreja organizada.

 

6) A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho. Precisamos sair dela para podermos encontrar a Deus.

 

Eu concordo com vários dos pontos defendidos pelos desigrejados. Infelizmente, eles estão certos quanto ao fato de que muitos evangélicos confundem a igreja organizada com a igreja de Cristo e têm lutado com unhas e dentes para defender sua denominação e sua igreja, mesmo quando estas não representam genuinamente os valores da Igreja de Cristo. Concordo também que a igreja de Cristo não precisa de templos construídos e nem de todo o aparato necessário para sua manutenção. Ela, na verdade, subsistiu de forma vigorosa nos quatro primeiros séculos se reunindo em casas, cavernas, vales, campos, e até cemitérios. Os templos cristãos só foram erigidos após a oficialização do Cristianismo por Constantino, no séc. IV.

 

Os desigrejados estão certos ao criticar os sistemas de defesa criados para perpetuar as estruturas e a hierarquia das igrejas organizadas, esquecendo-se das pessoas e dando prioridade à organização. Concordo com eles que não podemos identificar a igreja com cultos organizados, programações sem fim durante a semana, cargos e funções como superintendente de Escola Dominical, organizações internas como uniões de moços, adolescentes, senhoras e homens, e métodos como células, encontros de casais e de jovens, e por ai vai. E também estou de acordo com a constatação de que a igreja institucional tem cometido muitos erros no decorrer de sua longa história.

 

Dito isto, pergunto se ainda assim está correto abandonarmos a igreja institucional e seguirmos um cristianismo em voo solo. Pergunto ainda se os desigrejados não estão jogando fora o bebê junto com a água suja da banheira. Ao final, parece que a revolta deles não é somente contra a institucionalização da igreja, mas contra qualquer coisa que imponha limites ou restrições à sua maneira de pensar e de agir. Fico com a impressão que eles querem se livrar da igreja para poderem ser cristãos do jeito que entendem, acreditarem no que quiserem – sendo livres pensadores sem conclusões ou convicções definidas – fazerem o que quiserem, para poderem experimentar de tudo na vida sem receio de penalizações e correções. Esse tipo de atitude anti-instituição, antidisciplina, anti-regras, anti-autoridade, antilimites de todo tipo se encaixa perfeitamente na mentalidade secular e revolucionária de nosso tempo, que entra nas igrejas travestida de cristianismo.

 

É verdade que Jesus não deixou uma igreja institucionalizada aqui neste mundo. Todavia, ele disse algumas coisas sobre a igreja que levaram seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda no período apostólico e muito antes de Constantino.

 

1) Jesus disse aos discípulos que sua igreja seria edificada sobre a declaração de Pedro, que ele era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16.15-19). A igreja foi fundada sobre esta pedra, que é a verdade sobre a pessoa de Jesus (cf. 1Pd 2.4-8). O que se desviar desta verdade – a divindade e exclusividade da pessoa de Cristo – não é igreja cristã. Não admira que os apóstolos estivessem prontos a rejeitar os livre-pensadores de sua época, que queriam dar uma outra interpretação à pessoa e obra de Cristo diferente daquela que eles receberam do próprio Cristo. As igrejas foram instruídas pelos apóstolos a rejeitar os livre-pensadores como os gnósticos e judaizantes, e libertinos desobedientes, como os seguidores de Balaão e os nicolaítas (cf. 2Jo 10; Rm 16.17; 1Co 5.11; 2Ts 3.6; 3.14; Tt 3.10; Jd 4; Ap 2.14; 2.6,15). Fica praticamente impossível nos mantermos sobre a rocha, Cristo, e sobre a tradição dos apóstolos registrada nas Escrituras, sem sermos igreja, onde somos ensinados, corrigidos, admoestados, advertidos, confirmados, e onde os que se desviam da verdade apostólica são rejeitados.

 

2) A declaração de Jesus acima, que a sua igreja se ergue sobre a confissão acerca de sua Pessoa, nos mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pd 2.4-8). Os desigrejados querem Cristo, mas não querem sua igreja. Querem o noivo, mas rejeitam sua noiva. Mas, aquilo que Deus ajuntou, não o separe o homem. Não podemos ter um sem o outro.

 

3) Jesus instituiu também o que chamamos de processo disciplinar, quando ensinou aos seus discípulos de que maneira deveriam proceder no caso de um irmão que caiu em pecado (Mt 18.15-20). Após repetidas advertências em particular, o irmão faltoso, porém endurecido, deveria ser excluído da “igreja” – pois é, Jesus usou o termo – e não deveria mais ser tratado como parte dela (Mt 18.17). Os apóstolos entenderam isto muito bem, pois encontramos em suas cartas dezenas de advertências às igrejas que eles organizaram para que se afastassem e excluíssem os que não quisessem se arrepender dos seus pecados e que não andassem de acordo com a verdade apostólica. Um bom exemplo disto é a exclusão do “irmão” imoral da igreja de Corinto (1Co 5). Não entendo como isto pode ser feito numa fraternidade informal e livre que se reúne para bebericar café nas sextas à noite e discutir assuntos culturais, onde não existe a consciência de pertencemos a um corpo que se guia conforme as regras estabelecidas por Cristo.

 

4) Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt 28.19-20). Os discípulos entenderam isto muito bem. Eles organizaram os convertidos em igrejas, os quais eram batizados e instruídos no ensino apostólico. Eles estabeleceram líderes espirituais sobre estas igrejas, que eram responsáveis por instruir os convertidos, advertir os faltosos e cuidar dos necessitados (At 6.1-6; At 14.23). Definiram claramente o perfil destes líderes e suas funções, que iam desde o governo espiritual das comunidades até a oração pelos enfermos (1Tm 31-13; Tt 1.5-9; Tg 5.14).

 

5) Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm 10.9; 1Jo 4.15; At 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.), que serviam de base para a catequese e instrução dos novos convertidos, e para examinarem e rejeitarem os falsos mestres. Veja, por exemplo, João usando uma destas declarações para repelir livre-pensadores gnósticos das igrejas da Ásia (2Jo 7-10; 1Jo 4.1-3). Ainda no período apostólico já encontramos sinais de que as igrejas haviam se organizado e estruturado, tendo presbíteros, diáconos, mestres e guias, uma ordem de viúvas e ainda presbitérios (1Tm 3.1; 5.17,19; Tt 1.5; Fp 1.1; 1Tm 3.8,12; 1Tm 5.9; 1Tm 4.14). O exemplo mais antigo que temos desta organização é a reunião dos apóstolos e presbíteros em Jerusalém para tratar de um caso de doutrina – a inclusão dos gentios na igreja e as condições para que houvesse comunhão com os judeus convertidos (At 15.1-6). A decisão deste que ficou conhecido como o “concílio de Jerusalém” foi levada para ser obedecida nas demais igrejas (At 16.4), mostrando que havia desde cedo uma rede hierárquica entre as igrejas apostólicas, poucos anos depois de Pentecostes e muitos anos antes de Constantino.

 

6) Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At 2.42; 20.7; 1Co 10.16). Todavia, dada à natureza da Ceia, cedo introduziram normas para a participação nela, como fica evidente no caso da igreja de Corinto (1Co 11.23-34). Não sei direito como os desigrejados celebram a Ceia, mas deve ser difícil fazer isto sem que estejamos na companhia de irmãos que partilham da mesma fé e que creem a mesma coisa sobre o Senhor.

 

É curioso que a passagem predileta dos desigrejados – “onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles” (Mt 18.20) – foi proferida por Jesus no contexto da igreja organizada. Estes dois ou três que ele menciona são os dois ou três que vão tentar ganhar o irmão faltoso e reconduzi-lo à comunhão da igreja (Mt 18.16). Ou seja, são os dois ou três que estão agindo para preservar a pureza da igreja como corpo, e não dois ou três que se separam dos demais e resolvem fazer sua própria igrejinha informal ou seguir carreira solo como cristãos.

 

O meu ponto é este: que muito antes do período pós-apostólico, da intrusão da filosofia grega na teologia da Igreja e do decreto de Constantino – os três marcos que segundo os desigrejados são responsáveis pela corrupção da igreja institucional – a igreja de Cristo já estava organizada, com seus ofícios, hierarquia, sistema disciplinar, funcionamento regular, credos e confissões. A ponto de Paulo se referir a ela como “coluna e baluarte da verdade” (1Tm 3.15) e o autor de Hebreus repreender os que deixavam de se congregar com os demais cristãos (Hb 10.25). O livro de Atos faz diversas menções das “igrejas”, referindo-se a elas como corpos definidos e organizados nas cidades (cf. At 15.41; 16.5; veja também Rm 16.4,16; 1Co 7.17; 11.16; 14.33; 16.1; etc. – a relação é muito grande).

 

No final, fico com a impressão que os desigrejados, na verdade, não são contra a igreja organizada meramente porque desejam uma forma mais pura de Cristianismo, mais próxima da forma original – pois esta forma original já nasceu organizada e estruturada, nos Evangelhos e no restante do Novo Testamento. Acho que eles querem mesmo é liberdade para serem cristãos do jeito deles, acreditar no que quiserem e viver do jeito que acham correto, sem ter que prestar contas a ninguém. Pertencer a uma igreja organizada, especialmente àquelas que historicamente são confessionais e que têm autoridades constituídas, conselhos e concílios, significa submeter nossas ideias e nossa maneira de viver ao crivo do Evangelho, conforme entendido pelo Cristianismo histórico. Para muitos, isto é pedir demais.

 

Eu não tenho ilusões quanto ao estado atual da igreja. Ela é imperfeita e continuará assim enquanto eu for membro dela. A teologia Reformada não deixa dúvidas quanto ao estado de imperfeição, corrupção, falibilidade e miséria em que a igreja militante se encontra no presente, enquanto aguarda a vinda do Senhor Jesus, ocasião em que se tornará igreja triunfante. Ao mesmo tempo, ensina que não podemos ser cristãos sem ela. Que apesar de tudo, precisamos uns dos outros, precisamos da pregação da Palavra, da disciplina e dos sacramentos, da comunhão de irmãos e dos cultos regulares.

 

Cristianismo sem igreja é uma outra religião, a religião individualista dos livre-pensadores, eternamente em dúvida, incapazes de levar cativos seus pensamentos à obediência de Cristo.

Fonte: 22/07/2022 https://spurgeonline.com.br/artigos/os-desigrejados/

 

 

2- Um ensino anticlerical.

 

Se por um lado os desigrejados são contra toda forma de institucionalização da Igreja, por outro são contra também todo e qualquer sistema de governo da igreja. Isso significa que os sem-igreja são contra, por exemplo, presbíteros, diáconos, bispos e pastores (cf. Ef 4.11-14). Acreditam que na Igreja Primitiva não havia organização nenhuma e muitos menos qualquer estrutura clerical. Na verdade, os desigrejados não gostam de estar debaixo de liderança alguma. Da mesma forma que são contra o institucionalismo e toda forma de estrutura arquitetônica para a igreja, não aceitam que alguém esteja na posição de autoridade sobre eles. Acreditam que agindo assim estão vivendo de acordo com o modelo da Igreja Primitiva (cf. Hb 13.17).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

OS DECEPCIONADOS COM A LIDERANÇA

Campos aponta que muitos cristãos acabam rompendo seus laços com a igreja institucional por causa de abusos cometidos pelas lideranças das comunidades (CAMPOS, 2017, p.31). Nesses casos, como observa César,9a sensibilidade parece ser essencial:Caminhar sobre o solo do tema abuso espiritual exige cuidado […] O solo é sagrado. Não é outro senão o coração de vítimas. As vítimas estão sempre fragilizadas e carregam consigo suas dores na carne e na alma. Jesus ensina a pisar no solo sagrado da intimidade com a cautela amorosa de quem não quer apagar o pavio que fumega […] Implica o sopro singelo para que a chama se recupere desde as cinzas e o carinho necessário para que as feridas encontrem o caminho da cura (CÉSAR, 2013, p.11).

Os diferentes grupos estudados por Rodrigues apresentaram justificativas das mais diversas para o descontentamento com a igreja, mas algumas críticas se repetiram. São elas: o mercenarismo, excesso de normas, manipulação, fanatismo, intolerância, hipocrisia, falsidade e incoerência. Ainda foram citados: a reprovação ao comportamento das lideranças religiosas, desapontamentos pessoais e até notícias veiculadas pela mídia (RODRIGUES, 2007, p.45).A partir de relatos verdadeiros, César pinta um retrato da realidade religiosa de boa parte das igrejas evangélicas brasileiras. Seu estudo identifica a existência de uma espécie de “manipulação da fé”, o que, segundo ela, pode trazer consequências graves. Ela escreve: “Quando a fé se deixa manipular, pessoas viram presas fáceis de toda sorte de abuso.

 

A confiança autêntica e sincera em Deus é gradualmente substituída pela submissão acrítica aos desmandos de lideranças despreparadas” (CÉSAR, 2013, p.117). De maneira geral, pessoas simples e carentes de acolhimento acabam se tornando mais suscetíveis à manipulação, passando a viver sob o jugo de uma religiosidade “fútil e meritória”, barganhando a todo momento com Deus (CÉSAR, 2013, p.117). Campos traz também uma série de relatos de pessoas que passaram por situações semelhantes (cf. CAMPOS, 2017, p.31-48). César  destaca  que  esse  tipo  de  “regime  autocrático”,  centrado  na  figura carismática do pastor evangélico, predomina nas igrejas mais novas, em especial nas pentecostais e neopentecostais. E, nelas, facilita a ocor-rência de excessos de ordem financeira, emocional e psicológica (CÉSAR, 2013, p.119).

Esses excessos acabam dando origem a outro fenômeno muito perceptível na sociedade: o trânsito religioso, que será tratado mais adiante. Lopes também chama atenção para o fato de que várias das pessoas que hoje estão desigrejadas tentaram viver a sua fé no meio evangélico, inclusive em diferentes denominações. Com o passar do tempo, acabaram se sentindo exploradas e enganadas. São indivíduos que não só não frequentam mais os templos, mas estão feridos e blindados para toda e qualquer forma de organização eclesiástica (LOPES, 2019). Como lembra Bomilcar, pessoas que estão machucadas por experiências negativas naturalmente resistem a novas experiências, pois simplesmente estão cansadas de tentar (BOMILCAR, 2012, p.25).

Com o passar do tempo, esse cansaço acaba se misturando a um sentimento de revolta que brota do legalismo e de promessas não cumpridas, somado ao discurso hipócrita de muitos pastores. César traz o relato de alguém que passou por essa situação durante vários anos de sua vida: Comecei a achar que Deus tinha pisado na bola comigo. Eu obedeci a tudo o que ele me dissera (supostamente pela boca dos líderes da igreja), e acabei me dando mal. Prejudiquei minha casa indo para aquela igreja. Desde então, não consigo me reerguer […] Faz dez meses que não abro a Bíblia e, quando vejo pastores pregando na televisão, sinto vontade de vomitar (CÉSAR, 2013, p.34). Além de contribuir para o afastamento da igreja, essa realidade pro-duz questionamentos à própria fidelidade de Deus, bem como sentimentos de vergonha e indignação que passam a acompanhar a vida dos desigrejados (CAMPOS, 2017, p.34). Conforme foi destacado no início deste tópico, este é um assunto que demanda cuidado. Muitos dos desigrejados possuem feridas abertas em sua relação com a instituição igreja, o que acaba se refletindo em sua experiência de fé. Da mesma forma, esta compreensão mostra-se fundamental para qualquer iniciativa missional direcionada à reintegração destas pessoas no convívio de uma comunidade cristã.

Tetzner. Gerson Welmer; Nerbas. Paulo Moisés,. Os Desigrejados: Um Estudo Do Fenômeno E Da Influência Da Igreja No Aumento Do Número De Cristãos Sem Vínculo Institucional. Editora Concórdia. pag. 22-24.

 

 

QUE RAZÕES LEVARIAM UMA PESSOA A SE TORNAR UM DESIGREJADO?

 

Na aula 2 aprofundamos o estudo sobre as razões para sermos membros ativos de uma igreja local, bem como as muitas bênçãos advindas desta vinculação e, ainda, os riscos a que são submetidos os que se isolam do corpo de Cristo. Não ignoramos a realidade inegável de existirem muitas pessoas na condição de desigrejadas, podendo haver crescimento numérico, pois há líderes que estimulam tal opção. Depois de um bom exercício mental e teórico, estamos sugerindo as prováveis causas e motivações para alguém adotar tal opção:

 

a) TRAUMA, FRUSTRAÇÃO, DECEPÇÃO

Certos membros caminhavam bem, na igreja, até que sofreram traumas e/ou frustrações, foram profundamente decepcionados pela liderança da igreja ou por outros membros.

Se frustraram com promessas (de cura, libertação, bem-estar pessoal/familiar ou prosperidade financeira) proferidas em nome de Deus e que nunca se cumpriram. Sofreram abuso espiritual e decepção, por parte daqueles que agiam mais como empresários da fé do que como legítimos pastores, despenseiros da graça de Deus.

Ou, então, não puderam tolerar determinadas condutas e comportamentos dentro de uma igreja que deveria ser sem mácula e muito diferente dos de fora, aqueles que não são remidos do Senhor. Daí resolveram sair e não mais se arrolarem a qualquer igreja local.

Reflexão: “Quem sai da igreja por causa de pessoas, nunca entrou lá por causa de Jesus.”

 

b) INTOLERÂNCIA ECLESIÁSTICA

São pessoas que acham que as igrejas são complicadas, cheias de regras e amarras burocráticas. Não acreditam na relevância da igreja institucional. Consideram tudo uma chatice e uma mesmice. Assim sendo, alegam ter optado por viver sozinhos a simplicidade do Evangelho de Jesus.

 

Em vários momentos da história da Igreja surgiram movimentos de contestação e repulsa à Suntuosidade de Templos, à Centralidade Pastoral e aos Sermões esvaziados de poder espiritual). Defendem locais de reunião simples, o Sacerdócio Universal dos Crentes e a espontaneidade das mensagens, focadas no cotidiano dos crentes.

 

Niilismo é um termo que significa “redução a nada” (o que se aproxima da anarquia). Niilismo eclesiástico: “advogam um cristianismo totalmente despido de formas, estruturas e concretude institucional”. Aí vai uma dica: não se deixe arrastar por delírios anarquistas. Onde há ajuntamento formal de pessoas torna-se necessário estabelecer uma estrutura de liderança e regras de convivência.

 

c) INDIVIDUALISMO E AUTOSSUFICIÊNCIA

Não se pode descartar a hipótese de que certos membros, tentaram caminhar entre os demais irmãos, mas se sentiram incomodados com esse convívio de grupo, pois preferem viver isolados. Pensam que sobrevivem bem sozinhos. Podem assistir cultos de diversas igrejas, transmitidos pela internet ou pela TV, leem sua bíblia e outros livros, ouvem músicas evangélicas e, tudo isso lhes basta. Na teoria, isso pode até ter alguma consistência, mas, na prática, não se sustenta. É uma brasa isolada da fogueira, prestes a se apagar.

 

d) INDECISÃO NA FÉ

São aquelas pessoas indecisas e inseguras que nunca conseguem decidir qual é a melhor igreja, com a mais correta linha doutrinária. Assim sendo, preferem não se arrolarem a qualquer uma. Há um provérbio popular que diz: “o ótimo é inimigo do bom”. Precisamos tomar decisão pelo bom, sem nunca deixar de perseguir o ótimo.

 

  1. e) CONDUTA LIBERTINA

Pode acontecer que certos membros caminhavam entre os demais irmãos, mas quando começaram a adotar certas práticas e condutas pecaminosas que foram reprovadas pela igreja, em vez de confessar e deixar, preferiram sair da igreja, para se livrarem das críticas. Enfim, preferem viver um padrão moral e ético reprovável! Certamente, aqueles que são regenerados pelo Espírito Santo não podem viver acomodados na prática do pecado (1Jo 3.6).

 

f) FUGA DO DÍZIMO

Quem sabe se algumas pessoas não se arrolam a uma igreja local por questões financeiras, para “economizarem” no dízimo? Quando o “bolso” não se converte é difícil acreditar que o “coração” se converteu!  Sem dúvida, esses precisam se preocupar com o devorador (Ml 3.11). Aquele que retém o que é de Deus, há de prestar contas diretamente a ele. Aqueles que só pensam em si próprios deveriam refletir neste texto bíblico: “Há quem dê generosamente, e vê aumentar suas riquezas; outros retêm o que deveriam dar, e caem na pobreza.” (Pv 11.24 – NVI)

Fonte: 2/07/2022. https://pauloraposocorreia.com.br/tag/desigrejados/

 

 

AMPLIANDO O CONHECIMENTO

IGREJA ORGÂNICA

“Em Romanos, Paulo ensinou que pela fé o crente une-se a Jesus em uma união indissolúvel. Agora, ele ensina que aqueles que estão unidos a Cristo também estão unidos entre si, num relacionamento orgânico, como aquele que existe entre os membros e órgãos do corpo. […] Não podemos ser cristãos isolados um dos outros, devemos funcionar junto com eles.” Amplie mais o seu conhecimento, lendo a obra Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento, editada pela CPAD, p.348.

 

 

SINOPSE I

 

O movimento dos desigrejados é anti-institucional e anticlerical, ou seja, rejeita qualquer grau de organização e liderança.

 

 

AUXÍLIO VIDA CRISTÃ

UMA VISÃO EQUILIBRADA DE IGREJA

“A tendência, no curso da história da Igreja, tem sido oscilar entre um extremo e outro. Por exemplo: algumas tradições, como a Católica Romana, a Ortodoxa Oriental e a Anglicana, enfatizam a prioridade da Igreja institucional ou visível. Outras, como a dos quacres e dos Irmãos de Plymouth, ressaltando uma fé mais interna e subjetiva, têm desprezado e até mesmo criticado qualquer tipo de organização e estrutura formal, e buscam a verdadeira Igreja invisível. Conforme observa Millard Erickson, as Escrituras certamente consideram prioridade a condição espiritual do indivíduo e sua posição na Igreja invisível, mas não a ponto de desconsiderar ou menosprezar a importância da organização da Igreja visível. Sugere que, embora haja distinções entre a Igreja visível e a invisível, é importante adotarmos uma abordagem abrangente, de maneira que procuremos deixar as duas serem tão idênticas quanto possível” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1°ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.550).

 

 

II – A NATUREZA DA IGREJA NEOTESTAMENTÁRIA

 

 

1- Um organismo.

 

Sobre a natureza da igreja neotestamentária, devemos observar primeiramente que ela é um organismo vivo (Ef 1.22,23). Nesse sentido, a Igreja é o Corpo de Cristo (1 Co 12.27). Assim, a Igreja é formada por todas as pessoas convertidas a Cristo, que pertencem a diferentes povos, tribos e línguas. Não há acepção de pessoas (At 10.34,35). Como um organismo vivo e espiritual, a Igreja existe à parte de estatutos, templos ou qualquer estrutura social ou governamental humana. Ela existe, por exemplo, fora das estruturas arquitetônicas. Contudo, possuir essas estruturas físicas hoje não constitui um pecado ou desvio do Evangelho como quer nos fazer acreditar os desigrejados. A repulsa dos sem-igreja pelas estruturas arquitetônicas ou por qualquer forma institucional se dá mais por razões de insubmissão do que zelo pelo Evangelho.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

[…] a preeminência de Cristo sobre a igreja (1.22,23). Deus estabeleceu uma relação singular entre Cristo e a igreja. Cristo é o grande dom de Deus para a igreja.92 O fato de Cristo ser o Cabeça da igreja ressalta três coisas: primeiro, Cristo tem autoridade suprema sobre a igreja. Ele a governa, guia e dirige. Segundo, entre Cristo e a igreja existe uma união vital, tão íntima e real como é a da cabeça com o corpo. E uma união íntima, terna e indissolúvel. Terceiro, a igreja é inteiramente dependente de Cristo. De Cristo, a igreja deriva sua vida, seu poder e tudo quanto é necessário à sua existência. Concordo com John Stott quando diz que tanto o Universo quanto a igreja têm em Jesus Cristo o mesmo Cabeça.

LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pag. 44.

 

 

O Restante do presente versículo vigésimo segundo tem sido variegadamente compreendido, como segue:

  1. Cristo foi dado à igreja, para ser Cabeça de tudo quanto pertence a ela.
  2. Cristo, que é o Cabeça de tudo, foi dado à igreja.
  3. Cristo foi feito Cabeça de todas as coisas, para efeito de benefício da igreja.

Ora, no paralelo desta passagem —Col. 1:18— Cristo é visto como «o Cabeça da igreja»; e isso concorda com a primeira dessas três posições possíveis, embora a ênfase recaia sobre o fato de que ele é o Cabeça da igreja em tudo, a saber, em toda a questão relativa à igreja cristã. Que isso visa o «benefício» da igreja também é verdade, mas isso visa afirmar diretamente que temos aqui uma interpretação sobre o que está geralmente implícito no texto, não sendo uma simples tradução. Porém, mesmo que aceitemos que a segunda e a terceira dessas possibilidades estão corretas, visto que Cristo é o Cabeça de tudo, isso deve incluir igualmente a igreja, porquanto a igreja não pode ser excluída dessa afirmação apostólica, que se reveste de natureza geral. Não obstante, a primeira dessas três posições é a que tem maiores probabilidades de acertar no alvo, sendo ali enfatizado que não existe outra autoridade sobre a igreja além da autoridade de Cristo, tal como um corpo humano é totalmente governado pelo cérebro, pela cabeça.

Ora, tudo isso serve apenas de um outro meio para frisar o senhorio de Cristo, o que é comentado no trecho de Rom. 1:4, juntamente com o título completo, «Senhor Jesus Cristo».

«…o deu…» A igreja recebe a soberania total de Cristo como presente vindo de Deus Pai, para o benefício dela mesma. Porquanto aquilo que foi dito aqui não declara meramente que a igreja está sujeita à autoridade de Cristo, mas, por semelhante modo,, que está em união espiritual vital com ele, derivando dele a sua vida, tal como o corpo está vitalmente unido à cabeça, e tal como, sem a cabeça, o corpo fica sem vida.

(Quanto a «Cristo, como cabeça de todo homem», ver as notas expositivas acerca de I Cor. 11:3. Quanto ao mesmo conceito, referido em outras passagens, onde Cristo aparece como «Cabeça da igreja», ver Efé. 4:15; 5:23; Col. 1:18 e 2:19).

A mais fundamental definição do que seja um crente’. Crente é aquele que tem ao Senhor Jesus como seu «cabeça», isto é, que não dá prioridade a ninguém acima de Cristo. A questão de «reter a Cristo como cabeça», ideia essa que figura em Col. 2:19, aparece dentro do contexto do combate de Paulo contra as noções falsas do gnosticismo, o qual postulava muitos deuses e muitos senhores, cada qual com sua província de governo; e, para os gnósticos, Cristo seria apenas um desses deuses ou senhores. Ora, esse conceito errôneo reduzia a importância e a grandeza de Cristo, onde o Senhor Jesus não aparecia realmente como Cabeça. Aquele que reputa a. Cristo como Cabeça, reconhece sua autoridade absoluta sobre a alma, e assim exerce fé, que consiste da entrega da alma às mãos de Cristo. Ora, se um homem exerce essa fé, tendo a Cristo como Cabeça, como o grande objeto de sua fé, então o Espírito de Deus o converte, e ele entra no primeiro passo da regeneração. Tal. homem pertence a Cristo, é um crente.

Por outro lado, pode não ser um crente uma pessoa que proclama em altas vozes a divindade de Cristo, mas a quem não entregou definitivamente a própria alma. F. isso nos permite perceber, uma vez mais, que os «credos» não nos salvam. Deve haver real conversão; e existem muitos convertidos autênticos que ainda se encontram em estado de confusão mental acerca de questões doutrinárias.

Vinculação entre a cabeça e o corpo. Schubert (in loc.), comenta a esse respeito, como segue: «…temos aqui uma figura simbólica de amor, que desce do alto até nós, conquistando e movimentando o que é corpóreo, levando-o a uma longa elevação, —debaixo para cima, numa obra que transforma constantemente a natureza inferior do objeto, a ponto deste último vir a compartilhar, finalmente, da natureza daquilo que o eleva».

Cristo Jesus é, «…ao mesmo tempo, membro e governante do corpo». (Gerlach, in loc.).

Quais são os sentidos dessa metáfora da cabeça e do corpo?

Está em foco a união vital entre Cristo e seu corpo místico, a igreja, tal como se dá no caso da cabeça e do corpo de um ser humano. «União mística» é a ideia aqui focalizada.

Destaca-se aqui a autoridade absoluta de Jesus Cristo, de seu domínio ativo sobre a igreja, como Senhor.

São salientadas a nutrição e o poder doador de vida do Cabeça, o que sustenta o corpo.

A vida do corpo humano sem a cabeça é impossível.

Não nos olvidemos da união entre cabeça e corpo, que importa em amor e harmonia, em que cada qual cuida do outro, porquanto tal cuidado é vital para essa união. Tal união e harmonia prefiguram aquilo que, finalmente, se tornará universal, porquanto todas as coisas ficarão unidas em torno de Cristo.

Cristo pertence a nós, tal como nós mesmos pertencemos a ele; portanto, nossos destinos estão enlaçados para sempre, tal como se dá no caso da cabeça e seu corpo.

A exaltação do corpo é ideia latente nessa metáfora, porquanto os poderes angelicais exaltados, por mais elevados que sejam, não compõem o corpo de Cristo, o qual é o Cabeça de tudo. O vigésimo terceiro versículo enfatiza esse pensamento, ao chamar a igreja de «sua plenitude», ao passo que o próprio Cristo preenche a todas as coisas.

A participação na mesma natureza também está envolvida nessa metáfora, porquanto um corpo precisa ser da mesma natureza que sua cabeça.

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 550.

 

 

2- Uma organização.

 

Os desigrejados alegam pertencer à igreja puramente orgânica. Contudo, biblicamente não existe organismo sem organização; função sem forma e igreja sem um mínimo de institucionalização. Assim como o corpo humano, que é um organismo vivo, contudo organizado, a Igreja também possui organização (1 Co 12). A Igreja Primitiva, por exemplo, tinha um sistema de governo formado por apóstolos, profetas, evangelistas, presbíteros, diáconos, pastores e mestres (Ef 4.11; At 6.1-6; At 14.23). Essa mesma igreja possuía seu código doutrinário (At 2.42-47) e disciplinar (1Pe 3.5,6; 2Ts 3.6). Ninguém vivia isoladamente e da maneira que queria (Hb 10.25). Isso pode ser visto no primeiro concílio ou convenção feita pela Igreja Primitiva (At 15) em que o colegiado apostólico, juntamente com o presbitério, tomou medidas para regular e disciplinar a igreja que enfrentava problemas de natureza doutrinária. Portanto, querer uma igreja sem liderança, sem regras e disciplina, além de ser um mito, é também uma heresia.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Nem todos os homens são iguais, incluindo aqueles que fazem parte do corpo de Cristo; e nem todos os seus membros têm igual importância. Mas todos os dons espirituais operantes são importantes, e todos os membros do corpo são necessários. Além disso, há certa interdependência entre todos os membros, e a saúde e o bem-estar do corpo dependem da saúde e da função apropriada de todos os seus membros. Por essa razão é que deve haver unidade em um serviço amoroso, e não a exaltação de um dos membros em detrimento dos demais.

«O Cristo inteiro inclui tanto a cabeça como o corpo». (Agostinho).

«… assim também com respeito a Cristo…»

Isso significa que Cristo é o cabeça de um corpo espiritual, tal como o corpo físico tem uma cabeça que governa os seus membros.

Tal como os membros do corpo físico necessariamente participam da mesma natureza e união de que a cabeça participa, assim também sucede a Cristo e seu corpo. Existe participação na mesma natureza, e não meramente diversidade de funções dentro das dimensões espirituais. (Ver II Cor. 3:18 quanto a esse conceito, como também Col. 2:10).

«Segundo o apóstolo via as coisas, Cristo é o arquétipo de uma nova e glorificada humanidade, conforme a mesma se desenvolve na igreja.

Portanto, o desenvolvimento da igreja cristã não é menos do que o progressivo desenvolvimento da imagem de Cristo». (Neander, in loc.).

«A diferenciação é a essência da vida corporal». (Findlay, in loc.). E essas palavras de Findlay podem ser aplicadas igualmente ao corpo de Cristo.

Não obstante, a origem de toda a vida é Cristo, que recebeu, da parte de Deus Pai, a vida necessária e independente, na qualidade de cabeça federal da raça, a fim de que, por sua vez, Cristo pudesse conferi-la a todos quantos nele confiam. (Quanto a esses conceitos, ver os trechos de João 5:25,26 e 6:57, bem como as notas expositivas ali existentes).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 194.

 

 

O corpo é uno. Sua principal característica é a unidade. Todos os que creem em Cristo são um, fazem parte do mesmo corpo, da mesma família, do mesmo rebanho. Essa unidade não é organizacional nem denominacional, mas espiritual. Nós confessamos o mesmo Senhor (12.1-3), dependemos do mesmo Deus (12.4-6), ministramos no mesmo corpo (12.7-11), e experimentamos o mesmo batismo (12.12,13).

Peter Wagner cita dois fatores que mantêm a unidade do corpo:

  1. a) O sangue. Pode ser difícil estabelecer a unidade entre meus pés, minhas mãos e meus rins. Contudo, o mesmo sangue alimenta esses membros e todos os outros.

O sangue fornece vida aos membros e se impedirmos o sangue de chegar a alguns deles, esses morrerão rapidamente.

O que é que me enxerta e me insere no corpo de Cristo?

O que me torna um membro do Seu corpo? E o sangue do Cordeiro! Assim como o sangue é o elemento que unifica o corpo, o sangue de Cristo nos torna um.

Ninguém pode fazer parte da igreja a não ser por meio da expiação, da obra da redenção operada pelo sangue de Jesus Cristo. Ninguém entra na igreja sem primeiro ter se apropriado dos benefícios da morte de Cristo e do Seu sangue derramado.

b) O espírito. Além do sangue, o que mantém o corpo uno é o espírito. Nunca descobriremos o espírito ou a alma de uma pessoa em algum de seus órgãos, membros ou glândulas. Em certo sentido, o espírito está em todos os membros do corpo. Em relação à igreja, diz o apóstolo Paulo: “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um corpo” (12.13). O Espírito Santo foi quem enxertou você no corpo. Você foi batizado e introduzido no corpo pelo Espírito. Quem colocou você no corpo foi o Espírito Santo. Ele regenerou você, mudou a sua vida, converteu o seu coração. Um membro do corpo pode ser mais cheio do que outro membro, mas nenhum membro está sem o Espírito. Ser batizado pelo Espírito significa pertencer ao Corpo de Cristo. Ser cheio do Espírito significa que nosso corpo pertence a Cristo.

Obviamente, essa unidade de que Paulo fala não é denominacional.

Não é uma unidade externa, mas mística e espiritual. E por isso que o ecumenismo é um grande equívoco. Qual é a grande bandeira do ecumenismo? E a de que nós temos de acabar com as nossas diferenças e ficar todos debaixo de um mesmo guarda-chuva. Não importa a sua crença. Não importa a sua teologia. Não importa o Deus que você crê. Vamos ficar juntos. Vamos adorar no mesmo altar. Mas esse não é o ensino das Escrituras. Não existe unidade fora da verdade. Não há unidade fora do Espírito Santo.

E impossível ser um com alguém que ainda não nasceu de novo e ainda não foi introduzido no Corpo de Cristo.

Essa unidade é para os salvos que estão nas mais diversas denominações cristãs, mas não é uma unidade entre salvos e incrédulos. A unidade da igreja é espiritual. Você é um com qualquer irmão de qualquer denominação, em qualquer lugar do mundo. Essa unidade não é criada na terra, mas no céu; não é feita pelo homem, mas por Deus. Todos aqueles que creem em Cristo, de todos os lugares, de todos os tempos são um. Todos fazem parte da mesma igreja, do mesmo rebanho. Todos são ovelhas de Cristo e noiva do Cordeiro.

LOPES, Hernandes Dias. I Coríntios Como Resolver Conflitos na Igreja. Editora Hagnos. pag. 231-233.

 

 

Na segunda parte, fala a respeito da igreja considerando-a não como um agrupamento de indivíduos, e sim como uma unidade. Apresenta a igreja usando a figura do corpo humano, que em si está entre as criações mais maravilhosas de Deus. Paulo usa a ilustração do corpo humano para mostrar a diversidade que serve à unidade.

Simon J. Kistemaker. Comentário do Novo Testamento I Coríntios. Editora Cultura Cristã. pag. 611.

 

 

SINOPSE II

 

A igreja do Novo Testamento é um organismo vivo, bem como uma organização.

 

 

III – A IMPORTÂNCIA E A NECESSIDADE DA IGREJA

 

 

1- A Igreja como família de Deus.

 

A Igreja é a família de Deus (Ef 2.19). Como família de Deus, a Igreja tem Cristo como o seu cabeça. Contudo, como acontece com toda família, a Igreja também possui comando, direção e regras às quais deve se submeter. Os cristãos verdadeiros, portanto, como acontecia na igreja do primeiro século, devem se reunir para adorar Jesus Cristo como o Senhor da Igreja. É nesse contexto que acontece a integração do crente na igreja local. O importante nisso tudo é o sentimento de pertencimento ao Corpo de Cristo que o grupo proporciona. Não podemos ser Igreja sem sermos antes uma família. Nesse aspecto, a igreja deve discipular seus membros e fomentar a comunhão uns com os outros. O sentimento de irmandade, respeito e reconhecimento mútuo deve dominar o ambiente da igreja local (Ef 2.15,16).

 

 

COMENTÁRIO

 

 

Paulo fala sobre uma família (2.19b). “[…] e membros da família de Deus.” Pela fé, entramos para a família de Deus, e Deus tornou-se nosso Pai. Essa família está no céu e também na terra (3.15). Os crentes vivos na terra e os crentes que dormem em Cristo no céu; não importa a nacionalidade, somos todos irmãos, membros da mesma família.136 Não deve haver mais barreira racial, cultural, linguística nem econômica. Somos um em Cristo. Temos o mesmo Espírito. Fomos salvos pelo mesmo sangue. Temos o mesmo Pai. Somos herdeiros da mesma herança. Moraremos juntos no mesmo lar.

LOPES, Hernandes Dias. EFESIOS Igreja, A Noiva Gloriosa de Cristo. Editora Hagnos. pag. 68.

 

 

…da família de Deus …» No grego temos «oikeioi», estando em foco os «familiares de Deus». A ideia de «filiação» é apresentada novamente aqui, porque é no seio da família que encontramos a unidade mais íntima, onde também são compartilhados os privilégios mais preciosos. Mas devemos fazer o reparo que apesar da «família» antiga, segundo se compreende por esta palavra, com frequência incluía até mesmo «escravos», neste caso devemos compreender somente os parentes de sangue, conforme se entende modernamente tal palavra. Estão em foco os membros da família «por laços de sangue», por «natureza», aqueles que participam da mesma natureza.

Nessa família não há escravos.

A passagem de João 1:12 salienta a ideia de «filhos por nascimento», e não meramente «filhps por adoção», mediante um contrato legal; e a mesma ideia é enfatizada no oitavo capítulo da epístola aos Romanos.

Dentro de uma família, os direitos, os privilégios, os deveres e as bênçãos são compartilhados por todos os seus membros. Ora, dentro da família de Deus, o amor é o princípio normativo, e não a lei. (Quanto a passagens bíblicas que frisam a ideia de «família» inerente à redenção anunciada pelo evangelho, ver Efé. 3:6,14,15; I Tim. 3:15; Heb. 3:2,5,6; 10:21 e I Ped. 4:17). Essa relação «familiar» ou doméstica descreve a «natureza» do acesso mencionado no décimo oitavo versículo deste capítulo, e que antecipa o tema declarando que esse acesso é a «Deus Pai».

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 4. pag. 570.

 

 

2- A Igreja como testemunha da salvação.

 

Se por um lado o apóstolo Paulo chamou a Igreja de “família de Deus” (Ef 2.19), por outro, esse mesmo apóstolo apresentou com que fim essa família foi criada: “para que, agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” (Ef 3.10). Deus criou a Igreja com o propósito de ser uma família, cuja missão é proclamar a sua abundante graça. De fato, o apóstolo Pedro disse que a missão da Igreja é proclamar as virtudes daquEle que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (1Pe 2.9). A razão de a Igreja existir, além do fato de promover adoração, companheirismo e integração, está na sua missão de pregar a salvação. A igreja pode existir em um templo, mas a sua missão só se completa fora dele. Não há igreja que seja bíblica e existe somente dentro de quatro paredes.

 

 

COMENTÁRIO

 

 

[…] nós somos sacerdócio real. … sacerdócio real… (2.9). Somos não apenas sacerdotes na casa de Deus, mas sacerdócio real, porque servimos ao Rei dos reis e porque esse serviço é realizado em prol do reino de Deus. O adjetivo descritivo real dá a entender a existência de um reino e de um rei. O Messias é tanto sacerdote quanto rei, conforme a profecia de Zacarias: Será revestido de glória; assentar-se-á no seu trono e dominará, e será sacerdote no seu trono (Zc 6.13). Warren Wiersbe observa corretamente que, no tempo do Antigo Testamento, o povo de Deus possuía um sacerdócio, mas agora é um sacerdócio. Todo cristão tem o privilégio de entrar na presença de Deus (Hb 10.19-25). Ninguém se achega a Deus por meio de alguma pessoa aqui na terra, mas pelo único mediador, Jesus Cristo (lTm 2.5)

LOPES. Hernandes Dias. 1 Pedro Com os pés no vale e o coração no céu. Editora Hagnos. pag. 74.

 

 

«…sacerdócio real… » Já tivemos ocasião de observar, no quinto versículo, que todos os crentes são sacerdotes. Ali eles são chamados de sacerdócio «santo». Neste ponto, são chamados ·régios». São sacerdotes que pertencem à família real. Notemos como, em Heb. 4:14, o Sumo Sacerdote (Cristo) é visto entronizado, o que dá a ideia de um Rei Sacerdote. Assim também Melquisedeque era sacerdote, mas, igualmente, era rei de Salém (ver Heb. 7:1,2). E Cristo pertence à ordem sacerdotal de Melquisedeque (ver Heb. 7:17). A ideia que os sacerdotes cristãos também são reis acrescenta ênfase à elevada posição e ao privilégio de que desfrutam. O trecho de Êxo. 19:6 chama Israel de reino de sacerdotes. Em Apo. 1:6 e 5:10, os crentes também são chamados de reis e sacerdotes. Ali talvez seja indicado como, na eternidade futura, elevadas posições do governo poderão ser alcançadas, tanto no milênio como já no estado eterno, por parte do povo de Deus. Tal como existem muitos elevados seres angelicais governantes. Seja como for, o verdadeiro crente desde agora já «reina em vida» (ver Rom. 5:17).

CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos. Vol. 6. pag. 118.

 

 

Os crentes também são o sacerdócio real, a nação santa de Deus (Êx 19.6). Ser parte de um “sacerdócio” é uma grande honra para os crentes. Os cristãos falam de “um sacerdócio de todos os crentes”. Na época do Antigo Testamento, as pessoas não se aproximavam diretamente de Deus. Em vez disto, um sacerdote agia como intermediário entre Deus e os seres humanos pecadores. Com a vitória de Cristo na cruz, este modelo mudou. Tora os crentes podem ir diretamente à presença de Deus sem temor (Hb 4.16). Além disto, eles receberam a responsabilidade de trazer outros a Ele (2 Co 5.18-21). Unidos com Cristo como membros do seu corpo, os crentes colaboram com o seu trabalho sacerdotal de reconciliar Deus e as pessoas. “Nação santa” refere-se aos cristãos como um povo que é diferente de todos os outros, devido à sua devoção a Deus.

Os crentes são um povo de propriedade exclusiva de Deus (versão RA). Uma linguagem semelhante é encontrada em Êxodo 19.5 e em Malaquias 3.17. O povo de Deus é formado por aqueles que são fiéis a Ele; portanto, isto refere-se aos cristãos.

O povo especial de Deus deve anunciar as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Os cristãos foram redimidos com um objetivo especial – glorificar e louvar aquele que os tirou das trevas do pecado e do seu ambiente hostil para a luz da vida eterna.

Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD. 2a Impressão: 2010. Vol. 2. pag. 714.

 

 

SINOPSE III

 

A Igreja é a família de Deus; testemunha da salvação em Cristo.

 

 

AUXÍLIO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ

A IGREJA É UMA COMUNIDADE EDIFICANTE

“[…] Na evangelização, a Igreja focaliza o mundo; na adoração, volta-se para Deus; e, na edificação, atenta (corretamente) para si mesma. Repetidas vezes, nas Escrituras, os crentes são admoestados a edificar uns aos outros para assim formarem uma comunidade idônea (cf. Ef 4.12-16). A edificação pode ser levada a efeito por muitos meios práticos. Por exemplo: ensinar e instruir os outros nos caminhos de Deus certamente enriquece a família da fé (Mt 28.20; Ef 4.11,12).

Administrar a correção espiritual numa atitude de amor é essencial na ajuda ao irmão desviado, a fim de que permaneça no caminho da fé (Ef 4.5; G16.1). Compartilhar com os necessitados (2Co 9), levar os fardos uns dos outros (G1 6.2) e fornecer oportunidades para convívio e interação social entre cristãos sadios são meios relevantes de edificar o corpo de Cristo” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10.d. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p.554).

 

 

CONCLUSÃO

 

Nesta lição vimos como os desigrejados pensam e agem com relação à Igreja. Acreditam ser possível ser igreja fora da Igreja. Vimos que alguns equívocos contribuem para isso. Há o mito de que uma verdadeira Igreja não possui organização alguma e, consequentemente, não há liderança estabelecida. De acordo com o Novo Testamento, sim, a igreja possui liderança estabelecida e conta com estrutura organizacional estabelecida. O objetivo não é honrar e glorificar o homem, mas exaltar o Senhor Jesus Cristo e cumprir a missão para a qual Ele nos chamou.

 

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1- Os desigrejados são contra o quê?

Os desigrejados são contra toda forma de organização e institucionalização da Igreja.

 

2- Em que os desigrejados acreditam?

Acreditam que agindo contra o institucionalismo estão vivendo de acordo com o modelo da Igreja Primitiva.

 

3- O que devemos observar a respeito da natureza da Igreja?

Sobre a natureza da igreja neotestamentária, devemos observar primeiramente que ela é um organismo vivo (Ef 1.22,23).

 

4- Segundo a lição, como era o sistema de governo da Igreja Primitiva?

A Igreja Primitiva tinha um sistema de governo formado por apóstolos, profetas, evangelistas, presbíteros, diáconos, pastores e mestres (Ef 4.11; At 6.1-6; At 14.23).

 

5- Qual é a razão de a Igreja existir?

Deus criou a Igreja com o propósito de ser uma família, cuja missão é proclamar a sua abundante graça.

 

Elaborado por: Alessandro Silva

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